Você está na página 1de 8

BONICAÇÃO E DESPESAS INDIRETAS (BDI)

Bonicação E Despesas Indiretas (BDI)

O índice BDI na Construção Civil – do Inglês Budget Difference Income ou Benefícios e Despesas In-
diretas em Português – é um elemento orçamentário que ajuda o profissional responsável pelos orça-
mentos da Construção Civil a compor o preço de venda adequado levando em conta os custos indire-
tos (os não relacionados a materiais, mão-de-obra, etc).

E tem mais:

Vale ressaltar que esse índice não é absoluto, cada obra ou serviço deve ter um BDI próprio, pois as
condições de cálculo e o preço de venda são específicos para cada caso.

Nos orçamentos, dois componentes determinam o preço final de um serviço: os custos diretos e o
BDI (Benefícios e Despesas Indiretas):

 Custos diretos são aqueles que ocorrem especificamente por causa da execução do serviço objeto
do orçamento em análise. Portanto, todos os insumos incluídos em uma composição de custo unitário
de serviço são considerados custos diretos;

 Custos indiretos são os que não são incorporados ao produto final, mas contribuem para a forma-
ção do custo total:
– Administração Central da Empresa
– Custo financeiro do contrato
– Seguros
– Garantia
– Tributos sobre a Receita

O BDI ajuda as empresas a garantir um bom custo global e a cobrir as despesas da administração
central, custos financeiros, impostos, garantias, seguros, tributos e a margem de incerteza. Numa ou-
tra definição, o BDI é o rateio do Lucro mais os Custos Indiretos aplicado aos Custos Diretos e tam-
bém pode ser admitido pela sigla LCI – Lucro e Custo Indireto.

Conteúdo Escolhido A Dedo Para Você:

» Planilha de Viabilidade Econômica de Projeto

Inicialmente o BDI era um conceito apenas aplicado em orçamentos de obras e empreendimentos de


Engenharia Civil, mas pode ser adaptado em outras oportunidades, como por exemplo em licitações
que envolvem postos de trabalho alocados.

Veja:

O BDI na Construção Civil é muito importante quanto se trata de licitações. Para entender melhor o
papel que o índice tem na empresa contratante e na contratada, é importante conhecer o Decreto Nº
7.983, de 8 de abril de 2013.

Como calcular o BDI na Construção Civil

Se você quiser um modelo para aplicar uma fórmula de BDI de forma mais fácil, nós temos uma plani-
lha desenvolvida pelos especialistas em orçamento do Sienge que vai automatizar esse cálculo para
você, é só baixá-la gratuitamente aqui.

Existem várias formas de calcular BDI na Construção Civil, abaixo está a fórmula sugerida pelo Insti-
tuto Brasileiro de Engenharia de Custos – IBEC, com base em consenso internacional, para calcular o
BDI de serviços para uma empresa contratante. A fórmula para uma empresa contratada é a mesma,
apenas sem levar em conta a Margem de Incerteza ou MI.

BDI ={ [ ( 1+ AC + CF + S + MI ) / ( 1 – TM – TE – TF – MBC – G ) ] – 1} x 100

Sendo:

AC – Administração central:

WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 1
BONICAÇÃO E DESPESAS INDIRETAS (BDI)

É o rateio do custo da sede entre as obras da Construtora. Varia de 7% a 15% (empresas com
grande faturamento anual) e de 10% a 20% (empresas com pequeno faturamento anual)

CF – Custo Financeiro:

Caberá, principalmente em razão das condições de medição e pagamento preconizadas no contrato,


bem como, o programa de desembolso verificar a necessidade de incluir o custo financeiro.

S – Seguros:

Representa os custos referentes aos seguros previstos no contrato ou não, por exemplo: performance
bond, garantia de execução contra terceiros, etc

G – Garantias:

Refere-se ao custo para cumprir o contrato oferecendo as garantias previstas, podem ser adotadas
diversas formas: a caução, o seguro garantia ou papéis selecionados.

MI- Margem de Incerteza

Deve ser levada em conta no cálculo do BDI apenas por empresas contratantes. Visa melhorar
eventuais distorções no valor aproximado pelo cálculo estimado, devido ao seu caráter genérico ado-
tado pelos contratantes. Geralmente varia de 5% a 10%.

TM – Tributos Municipais:

Leva-se em contra tributos municipais como o ISS

TE – Tributos Estaduais:

Leva-se em contra tributos estaduais tais como o ICMS

TF – Tributos Federais:

Leva-se em conta tributos federais tais como PIS, COFINS, IRPJ, CSLL e INSS

MBC – Margem Bruta de Contribuição (ou Lucro Bruto Previsto):

A Margem Bruta de Contribuição é um valor aleatório, próprio de cada empresa ou da proposta de


preços, e é baseado principalmente em função do mercado.

Como usar o BDI no orçamento

O BDI é a ferramenta ideal para fechar o preço final dos serviços considerando a realidade econô-
mica do momento e os diferenciais da obra.

Para aplicá-lo no orçamento, utilize a fórmula abaixo:

Preço de venda = custo direto x (1 + BDI/100)

Por que é importante

Todo empreendimento de Engenharia apresenta custo direto de produção e custo indireto. Acres-
cendo ao custo direto o percentual relativo ao custo indireto que incide sobre o projeto, somado ao
lucro, impostos e despesas indiretas, extrai-se o preço de venda do serviço.

Preste atenção:

WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 2
BONICAÇÃO E DESPESAS INDIRETAS (BDI)

Esse preço de venda nunca se repete, variando em função do planejamento do empreendimento, da


sua localização, das características administrativas diferenciadas das empresas ou órgãos contratan-
tes e contratados, do edital, do tamanho do serviço, da época de execução do projeto, enfim, de inú-
meras variáveis que nunca se repetem identicamente.

Os conceitos e cálculos do BDI na Construção Civil são, portanto, dinâmicos. Cada orçamentista en-
contra um preço de serviço diferente dos demais, daí a importância de definir uma estratégia para cal-
cular o BDI e chegar a um preço de venda sustentável, ou seja, um preço que esteja dentro de uma
faixa que cubra os custos, dê lucro para a empresa e seja socialmente justo para a população.

Como ser ainda mais eficiente no Cálculo de Orçamentos

As planilhas são uma ferramenta inicial poderosa para controlar as finanças de sua construtora e fa-
zer orçamentos. Você pode transformá-las conforme a necessidade. Tem uma para cada tarefa, por
exemplo: viabilidade econômica, orçamento de obra, gestão de custos, medição de obras, cálculo de
BDI.

Mas no momento em que você precisa cruzar informações de diferentes planilhas, você criar uma
nova , o que só dificulta o controle.

Mas piora:

Isso gera perda de tempo e de dinheiro. Fazer cálculos e gerar relatórios precisos na Construção Ci-
vil, quando o cenário aparece fragmentado em várias planilhas, é impreciso e arriscado.

No entanto, basta mudar a abordagem feita dos dados e informações para conseguir enxergar o lucro
entre gastos e desperdícios. Essa mudança no modo de olhar para os processos da sua incorpora-
dora ou construtora é facilitada com um ERP. Nele, a integração é uma das características do sof-
tware, capaz de oferecer à Construção Civil uma visão do todo e precisão nas informações obtidas.

O software de gestão mais utilizado no mercado é o Sienge. Para saber melhor se ele é adequado
para sua empresa, converse com um de nossos consultores ou peça uma demonstração gra-
tuita clicando no banner abaixo e veja como tornar sua empresa mais eficiente.

Engenharia de Custos ou Engenharia de Orçamento é o ramo das engenharias voltado ao aspecto


custo de uma obra ou serviço. É toda uma área de estudo voltada para a ciência do custeio, concep-
ção do empreendimento, viabilidade técnico-econômica, análises, diagnóstico, prognósticos, enfim, a
estimar, planejar e projetar números relativos às etapas de um empreendimento.

Essa área do conhecimento está diretamente relacionada à Gerenciamento de Projetos, Gestão de


Contratos, Planejamento, Licitação e Gestão Pública. Existem órgãos como a o IBEC- Instituto Brasi-
leiro de Engenharia de Custos e o ICEC – International Cost Engineering Council, que apoiam e ori-
entam os interessados no ramo.

Para se especializar na área é possível fazer cursos recomendados por entidades como as anterior-
mente citadas ou procurar por MBAs e Pós-Graduações relacionadas. Esta é uma área do conheci-
mento que ainda não é aproveitada ao máximo no Brasil e só tende a crescer, portanto um investi-
mento nesse conhecimento pode valer a pena, especialmente quando se trata de planejar e participar
de licitações.

O BDI (taxa de Bonificações e Despesas Indiretas), também denominada LDI (taxa de Lucro e Des-
pesas Indiretas), é conceituado pelo Instituto de Engenharia como “o resultado de uma operação ma-
temática para indicar a margem que é cobrada do cliente incluindo todos os custos indiretos, tributos,
etc. e logicamente sua remuneração pela realização de um empreendimento”[1]. Já o TCU, na Deci-
são nº 255/1999 - Plenário, definiu o BDI “como um percentual aplicado sobre o custo para chegar ao
preço de venda a ser apresentado ao cliente”.

A principal controvérsia relacionada ao BDI reside em definir quais custos podem ser incluídos em
seu cálculo, o que foi objeto de estudos técnicos que subsidiaram os Acórdãos nº 325/2007 e nº
2.369/2011, ambos do Plenário da Corte de Contas.

WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 3
BONICAÇÃO E DESPESAS INDIRETAS (BDI)

Em especial, destaca-se, de acordo com deliberações já proferidas pelo TCU[2], a impossibilidade de


comporem o BDI os seguintes tributos: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), por incidirem sobre o preço dos materiais, não estando
incluídos, pois, na categoria de despesas indiretas; Contribuição Provisória sobre Movimentação ou
Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), que deixou de vigo-
rar a partir de 1º de janeiro de 2008; e Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição
Social sobre Lucro Líquido (CSLL), por se tratar de tributos de natureza personalística.

A propósito, confira-se o entendimento consolidado na Súmula nº 254/2010 do TCU, verbis:

“SÚMULA Nº 254/2010 - TCU: O IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica – e a CSLL – Contribui-
ção Social sobre o Lucro Líquido – não se consubstanciam em despesa indireta passível de inclusão
na taxa de Bonificações e Despesas Indiretas – BDI do orçamento-base da licitação, haja vista a na-
tureza direta e personalística desses tributos, que oneram pessoalmente o contratado.”

Por outro lado, na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2012 (Lei nº 12.465, de 12/08/2011), ficou esta-
belecido um norte mínimo para a composição do BDI. Veja-se o teor do § 7º do art. 125 do referido
diploma legal:

“Art. 125...

§ 7º O preço de referência das obras e serviços de engenharia será aquele resultante da composição
do custo unitário direto do sistema utilizado, acrescido do percentual de Benefícios e Despesas Indi-
retas - BDI, evidenciando em sua composição, no mínimo:

I - taxa de rateio da administração central;

II - percentuais de tributos incidentes sobre o preço do serviço, excluídos aqueles de natureza direta e
personalística que oneram o contratado;

III - taxa de risco, seguro e garantia do empreendimento; e

IV - taxa de lucro.”

Além da discussão sobre o que pode ou não compor o BDI, há ainda a questão da fórmula matemá-
tica a ser empregada em seu cálculo, a qual deve refletir adequadamente a incidência de cada um de
seus componentes sobre os custos diretos.

No Acórdão TCU nº 2.369/2011 - Plenário (item 9.10 do voto do Relator), propõe-se a adoção de fór-
mula matemática anteriormente trazida pelo Acórdão nº 325/2007, porém com alguns ajustes. Con-
fira-se:

9.10. A fórmula para obtenção da taxa de BDI proposta nestes autos, com alguns ajustes em relação
àquela adotada no âmbito do Acórdão n. 325/2007 – Plenário, é a especificada a seguir, conside-
rando-se que AC é a taxa de rateio da administração central, S é uma taxa representativa de Segu-
ros, R corresponde aos riscos e imprevistos, G é a taxa que representa o ônus das garantias exigidas
em edital, DF é a taxa representativa das despesas financeiras, L corresponde ao lucro bruto e I é
taxa representativa dos impostos (PIS, COFINS e ISS).

Vale destacar que as taxas inseridas no numerador da fórmula recaem sobre os custos diretos, ao
passo que as contidas no denominador incidem sobre o preço de venda (faturamento), como apon-
tado no item 31 do citado Acórdão nº 2.369/2011. Tal observação é reforçada no item 39 da mesma
decisão: “a taxa representativa da incidência de impostos constante do denominador da fração da fór-
mula de cálculo do BDI é aplicada sobre o preço da venda da prestação do serviço, enquanto que as
demais taxas que figuram no numerador são aplicadas sobre o custo.”

Especificamente no que tange aos valores referenciais para as taxas de BDI explicitadas no Acórdão
nº 2.369/2011 para cada tipo de obra, importa observar que o intento do TCU, ao instituir valores refe-
renciais, é o de oferecer parâmetros para que tanto o gestor público como os órgãos de controle pos-
sam avaliar os preços das obras, sem que se configurem os mesmos, contudo, como “indicadores ab-
solutos e fixos no tempo”. Nesse ponto, cabe reproduzir esclarecedor trecho da mencionada decisão:

WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 4
BONICAÇÃO E DESPESAS INDIRETAS (BDI)

“234.O dever de licitar impõe à Administração Pública o dever de orçar com critério e respeitar as pe-
culiaridades de cada projeto. Não raro a Administração utiliza um mesmo BDI para toda e qualquer
obra. Esta simplificação pode acarretar graves distorções no orçamento, com impacto na contratação
da obra. As peculiaridades de cada tipo de obra são os elementos que melhor ilustram a impossibili-
dade de fixar taxas únicas de BDI.

235. Os percentuais variáveis dos elementos que compõem o BDI, com exceção dos tributos, cujas
alíquotas são definidas em lei, guardam estreita relação com características particulares de cada
obra, mas também com as de cada empresa, em especial, com aquelas consideradas no momento
em que se realiza o orçamento, tais como porte e situação financeira da empresa, número de obras
em execução, representatividade do porte e da natureza da obra para a empresa, logística necessá-
ria, necessidades operacionais, atratividade estratégica do contrato, dentre outros aspectos.

236.Um valor de referência, contudo, não deve ser desconsiderado. Não se trata de intervenção di-
reta do Estado como produtor de bens e serviços, mas de mediação na busca do equilíbrio entre a
Administração Pública, a sociedade e os prestadores de serviço. Uma referência é necessária para
possibilitar que o gestor, por exigência legal, estime o orçamento, já que não possui as características
das empresas e precisa se orientar por um padrão que simule a estrutura de custos das licitantes.
Isso não significa que não haja discrepâncias nas propostas ofertadas. Porém, maiores divergências
em relação à referência adotada somente poderão ser justificadas caso identificadas as característi-
cas ou as causas que as originaram.

237.Por outro lado, não cumpre especialmente ao TCU estipular às construtoras percentuais fixos
para cada item que compõe a taxa de BDI, ignorando as peculiaridades da obra e das empresas que
contratam com a Administração pública, e até mesmo da conjuntura econômica do país. Sobre o
tema, de forma muito incisiva no caso concreto de contratos da obra de construção da Ferrovia Norte-
Sul, trata o Acórdão 2.843/2008 - Plenário:

‘Sumário:

(...)

A negação de um limite para a remuneração das empresas em seus BDIs, obtidos de valores comu-
mente praticados em empreendimentos congêneres, não somente pode propiciar um enriquecimento
sem causa do particular, mas violar uma série de princípios primordiais da Administração, mormente
a economicidade, eficiência, moralidade e finalidade, além de viciar a avença em seus basilares de
boa-fé e função social do contrato.

Voto

(...)

21. Adentro, agora, no questionamento do BDI utilizado na composição dos custos de referência. Se-
gundo o agravo, o percentual de 20,25% do SICRO2 seria incompatível com a realidade das empre-
sas e das características da obra em questão. Esta parcela seria a verdadeira causa do sobrepreço
encontrado pela SECOB, a redundar na adoção da medida cautelar.

22. Na alegação da especificidade do BDI para cada empresa e cada empreendimento, assiste razão
às contratadas; realmente, concordo que cada construtora tenha o seu BDI específico, visto a estru-
tura organizacional distinta de cada particular. De igual maneira, é verdade que cada obra exija nuan-
ças administrativas diferentes ou necessidades díspares a impactar diferentemente em seus custos
indiretos.

23. Entretanto, um BDI médio – aceitável – tomado a partir de obras de tipologia semelhante, não é
somente possível, mas indispensável. É bem verdade que cada empresa alveja uma margem de lu-
cro e que possui maior ou menor estrutura, mas a negação de um limite não somente pode propiciar
um enriquecimento sem causa, mas violar uma série de princípios primordiais da Administração, mor-
mente a economicidade, eficiência, moralidade e finalidade. Excessos na remuneração, provindos ou
não do BDI, viciam a avença em seus basilares de boa-fé e função social do contrato.

WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 5
BONICAÇÃO E DESPESAS INDIRETAS (BDI)

24. Ao estabelecer um BDI referencial, portanto, não se alvitra, simplesmente, fixar um valor limite
para o contratado. A utilização de um valor médio, em associação a outros custos do empreendi-
mento, propicia a percepção de um preço esperado da obra – aceitável –, harmônico entre os interes-
ses da Administração e do particular.’

238.O objetivo do presente trabalho é oferecer parâmetros para que gestores públicos e órgãos de
controle possam avaliar os preços das obras, com um BDI simplificado e razoável, permitindo maior
concentração na análise dos preços unitários para detectar com segurança possíveis incompatibilida-
des. Esse procedimento facilita o acompanhamento dos serviços executados na obra, evita repercus-
sões indesejadas no seu preço total decorrentes de eventuais aditamentos contratuais, além de mini-
mizar as eventuais distorções decorrentes da vinculação da variação de qualquer custo direto à varia-
ção indiscriminada de todos os custos indiretos.

239.O que importa é estipular faixas de aceitabilidade para esses itens de forma a coibir valores abu-
sivos ou injustificados de preços, melhorar a eficiência dos gestores, promover o uso mais racional
dos recursos públicos, bem como assegurar que o procedimento licitatório permita a seleção da pro-
posta o mais consistente sob o prisma do mercado, e assim, verdadeiramente, a mais vantajosa para
a Administração Pública.

240.A adoção de um BDI a ser observado na composição do preço de uma obra ou serviço de enge-
nharia encontra amparo na LDO. A Lei determina que o preço de referência das obras e serviços será
aquele resultante da composição do custo unitário direto do Sinapi e do Sicro, acrescido do percen-
tual de Benefícios e Despesas Indiretas incidente, que deve estar demonstrado analiticamente na
proposta do fornecedor.

241.Observa-se que, assim como se deve determinar o detalhamento dos custos unitários, deve-se
exigir dos licitantes o detalhamento de sua composição de BDI e dos respectivos percentuais pratica-
dos, não só para realização de crítica dos componentes considerados pelos licitantes, mas também
para a formação de uma memória de valores que permita à Administração pública, tendo em vista as
peculiaridades de cada obra e empresa, realizar orçamentos com precisão cada vez maior. Nesse
contexto, é importante considerar que qualquer variável de formação do BDI é passível de ocorrer ou
não, incluindo o lucro e os tributos sobre o lucro.

242.Entende-se, no entanto, que a análise de orçamentos de obras públicas deve ser realizada com
base nos preços dos serviços, isto é, deve ser feita a comparação do preço orçado e/ou contratado
com o preço paradigma de mercado, pois a verificação de apenas um dos componentes do preço –
custos unitários dos serviços ou taxa de BDI – é insuficiente para constatação da adequabilidade da
planilha orçamentária de uma obra, conforme dispôs a ementa do Acórdão n.1.551/2008 – Plenário:

‘9. Não se admite a impugnação da taxa de BDI consagrada em processo licitatório plenamente vá-
lido sem que esteja cabalmente demonstrado que os demais componentes dos preços finais estejam
superestimados, resultando em preços unitários completamente dissociados do padrão de mercado.
Na avaliação financeira de contratos de obras públicas, o controle deve incidir sobre o preço unitário
final e não sobre cada uma de suas parcelas individualmente. (...), (grifo nosso).’

243.Cumpre ressaltar, também, que é dever do gestor zelar pelo Erário e, portanto, cabe a ele garan-
tir que, nos contratos firmados, os preços dos serviços estejam adequados, isto é, sejam iguais ou
inferiores aos preços paradigma de mercado, não exista jogo de planilha no orçamento, o projeto bá-
sico seja bem elaborado, contenha orçamento detalhado do custo global da obra fundamentado em
quantitativos de serviços e fornecimentos propriamente avaliados e em custos unitários de serviços
menores ou iguais à mediana do Sinapi e, no caso de obras e serviços rodoviários, à tabela do Sis-
tema de Custos de Obras Rodoviárias (Sicro) e exista a composição da taxa de BDI adequada à
obra.

244.Por fim, as variáveis envolvidas em cada item que compõe o BDI estão em constante mutação,
imprimem um caráter dinâmico ao processo de parametrização, não se configurando como indicado-
res absolutos e fixos no tempo. Em cada atividade que se lance, haverá variáveis que não encontra-
rão conformidade no todo, mas a construção de um cenário em que o planejamento orgânico e estru-
turado esteja presente deixará a Administração Pública menos vulnerável aos erros, menos sujeita às
contingências da improvisação e, por conseqüência, mais próxima aos êxitos e acertos.” (grifou-se)

WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 6
BONICAÇÃO E DESPESAS INDIRETAS (BDI)

Com isso, à exceção dos tributos, que possuem suas alíquotas fixadas em lei, as demais taxas que
compõem o BDI podem apresentar valores distintos daqueles indicados como referência pelo TCU,
desde que devidamente justificadas e comprovadas pela licitante as causas que originaram a diver-
gência de valores.

Particularmente quanto à taxa relacionada ao lucro, esclarece o multicitado Acórdão nº 2.369/2011 o


seguinte:

“177. O lucro é um conceito econômico que pode ser descrito de diversas formas para representar
uma remuneração alcançada em consequência do desenvolvimento de uma determinada atividade
econômica. Complementa a formação do Preço de Venda, sem que possa ser considerado como
item de custo, já que é uma parcela que contempla a remuneração do construtor.

178.Há uma grande indefinição quanto às margens de lucro competitivas. Um procedimento cada vez
mais utilizado para calcular o lucro de um empreendimento toma como base a TIR – Taxa Interna de
Retorno, que é a taxa que iguala o investimento inicial ao fluxo de caixa de todo o período. A TIR
deve acompanhar as taxas de mercado para a remuneração do capital acrescentando-se uma taxa
de risco empresarial. Neste tipo de análise, a visão do lucro deixa de se restringir ao um valor abso-
luto e passa a considerar o tempo de retorno do investimento.

179.No entanto, seja qual for o procedimento de cálculo adotado, deve-se lembrar que o lucro decla-
rado no BDI é apenas uma meta, que, se alcançada, torna possível a justa remuneração da empresa
em decorrência da obra. Ainda, como na maioria das vezes, sendo empresa de mercado, detentora
de informações e competências, utilizará de sua vantagem de forma a otimizar os custos para maxi-
mizar seu lucro por meio da diferença entre a receita e o custo de produção. Isto é lícito e aceitável.

180.A Constituição Federal, no seu art. 173, § 4º, condena o abuso do poder econômico, exteriori-
zado pela ‘dominação dos mercados’, pela ‘eliminação da concorrência’ e pelo ‘aumento arbitrário
dos lucros’. Observa-se que não há condenação à prática de lucros ou qualquer definição que consi-
dere o que seja lucro abusivo ou aceitável; o que se condena é o aumento arbitrário, que caracterize
abuso de poder econômico.

181.Também, a Lei 8.666/1993, no seu art. 43, inciso IV, ao estabelecer o critério de julgamento dos
preços praticados na licitação, tem como parâmetro os preços correntes no mercado. Por conse-
guinte, sendo o preço proposto pelo licitante, incluindo o BDI, compatível com o preço de mercado,
não há que se falar em lucro excessivo.

182.Ademais, ao utilizar os conceitos anteriormente mencionados e tendo em vista que o lucro repre-
senta a remuneração de fatores como o custo de oportunidade do capital aplicado, a capacidade ad-
ministrativa, gerencial e tecnológica adquirida ao longo de anos de experiência no ramo, a responsa-
bilidade pela administração do contrato e a condução da obra, a estrutura organizacional da empresa
e os investimentos na formação profissional do seu pessoal, além de criar a capacidade de reinvestir
no próprio negócio, e não somente da atividade econômica da empresa, ficará evidente a árdua ta-
refa de se definir um percentual máximo para a aceitação do lucro. Não há, pela mera análise do per-
centual praticado, como caracterizá-lo como excessivo ou abusivo, também não se pode limitar o lu-
cro praticado pelo empreendedor se não for constatado abuso de poder econômico decorrente de seu
aumento abusivo.

[...]

190. Embora o trabalho procure estabelecer, com base em números indicativos do seguimento da
construção civil, uma faixa de variação considerada aceitável para o percentual de lucro praticado pe-
las empresas em licitações públicas, vale ressaltar que trata-se de uma faixa de referência, não ha-
vendo previsão legal para que essa seja fixada ou limitada.

191. Assim, seguindo o mesmo critério utilizado para o item Administração Central, chega-se para as
obras e serviços de engenharia a seguinte faixa de variação de referência para o item Lucro:

Parcela de Lucro na Composição do BDI

Valores incidentes sobre Custo Direto

WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 7
BONICAÇÃO E DESPESAS INDIRETAS (BDI)

Obras e serviços de engenharia Mínimo Máximo Médio

Faixa de variação de referência 5,00% 12,00% 8,50%

Tabela 14 – Parcela de Lucro na composição da taxa de BDI.” (grifou-se)

Como visto do trecho acima transcrito, não há norma legal que limite o lucro das empresas; o que se
coíbe é o seu aumento arbitrário. Nesse diapasão, cabe à Administração solicitar da contratada infor-
mações que justifiquem o percentual adotado para a taxa de lucro, a fim de que consiga o gestor, no
caso concreto, compará-lo com a média do mercado e, em consequência, apurar se há ou não abuso
de poder econômico decorrente do aumento excessivo do lucro.

Em relação aos tributos ISS, PIS e COFINS, insta frisar que suas alíquotas são fixadas por lei, ca-
bendo, no ponto, tecer apenas algumas considerações.

De início, no que tange ao ISS, “destaca-se que os municípios gozam de autonomia para fixar as alí-
quotas deste tributo, desde que respeitados esses limites[3], e que, nos orçamentos, se deve adotar a
alíquota de ISS do município onde o empreendimento é realizado, e não aquela de onde fica a sede
da empresa construtora” (Acórdão nº 2.369/2011 – Plenário, item 170).

Ademais, convém destacar que, nos termos do art. 7º, inciso I, § 2º, da Lei Complementar nº
116/2003, a base de cálculo do referido tributo é o preço do serviço, excluído desse montante o custo
dos materiais fornecidos.

Assim, deverá a Administração observar se a alíquota do ISS aplicada pela contratada é a mesma
adotada no Município onde os serviços estão sendo prestados. Além disso, “É certo que a alíquota
efetiva de ISS a configurar na taxa de BDI será inferior à taxa prevista na legislação do município
onde será realizada a obra, pois deve ser desconsiderada a despesa relativa aos materiais” (Acórdão
nº 2.369/2011 – Plenário, item 175).

Já no que se refere ao PIS e à COFINS, suas alíquotas variam de acordo com o regime de tributação
do Imposto de Renda escolhido pela empresa. Ou seja, para as empresas que optam pelo regime de
incidência não-cumulativa (lucro real), as alíquotas de contribuição para o PIS e para a COFINS são,
respectivamente, de 1,65% e 7,6%, ao passo que, para as que optam pelo regime de incidência cu-
mulativa (lucro presumido), tais alíquotas são, respectivamente, de 0,65% e 3%.

Importante atentar ainda, como mencionado no item 164 do Acórdão nº 2.639/11 – Plenário, para o
disposto no art. 8º da Lei nº 10.637/2002 e no art. 10 da Lei nº 10.833/2003, os quais prevêem hipóte-
ses de sujeição ao regime de incidência cumulativa, destacando-se, dentre elas, as seguintes: pes-
soas jurídicas tributadas pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido ou arbitrado; pessoas
jurídicas optantes pelo SIMPLES; e receitas decorrentes da execução, por administração, empreitada
ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31/12/2015 (Lei nº 12.375/2010).

Desse modo, de acordo com os dispositivos legais supracitados, permanecem aplicáveis as alíquotas
de 0,65% e 3%, respectivamente, para o PIS e para a COFINS, nas hipóteses neles arroladas, o que
inclui as obras de construção civil. Contudo, também esclarece o TCU no item 166 do Acórdão nº
2.369/2011 que se excetuam dessa regra os serviços técnicos especializados (projeto, consultoria,
gerenciamento, fiscalização), aos quais permanecem aplicáveis as alíquotas do regime não-cumula-
tivo, de 1,65% e de 7,6%.

Desta feita, faz-se necessário que, em cada caso concreto, a contratada comprove por meio de docu-
mentação seu regime de tributação, a fim de que possa ser certificado pela Administração se as alí-
quotas do PIS e da COFINS consignadas na planilha de formação do BDI conferem com sua opção
tributária. Ressalta-se ainda que, caso o serviço objeto da contratação não se enquadre como serviço
técnico especializado, deverá a Administração solicitar a adequação das alíquotas ao regime cumula-
tivo (0,65% e 3%), além de providenciar o ressarcimento imediato das eventuais diferenças apuradas.

_________________________________________________________________________________

_________________________________________________________________________________

WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 8

Você também pode gostar