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Poder Judiciário

Justiça do Trabalho
Tribunal Superior do Trabalho

PROCESSO Nº TST-RR-12435-68.2017.5.15.0001

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A C Ó R D Ã O
7ª Turma
GMRLP/jc/lp

AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE


REVISTA. RECURSO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE
DA LEI Nº 13.467/2017. ESTABILIDADE
PROVISÓRIA DA GESTANTE – CONTRATO DE
TRABALHO TEMPORÁRIO – LEI Nº 6.019/1974
– IMPOSSIBILIDADE – TESE FIXADA NO
JULGAMENTO DO
IAC-5639-31.2013.5.12.0051.
TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA.
Tratando-se de recurso interposto em
face de decisão regional que se mostra
em possível contrariedade à
jurisprudência desta Corte, revela-se
presente a transcendência política da
causa (art. 896-A, §1º, inciso II, da
CLT) a justificar o prosseguimento do
exame do apelo. De outra parte, ante a
provável má-aplicação do item III da
Súmula nº 244 do TST, recomendável o
processamento do recurso de revista,
para melhor exame da matéria veiculada
em suas razões. Agravo de instrumento
provido.
RECURSO DE REVISTA. RECURSO INTERPOSTO
SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 13.467/2017.
ESTABILIDADE PROVISÓRIA DA GESTANTE –
CONTRATO DE TRABALHO TEMPORÁRIO – LEI Nº
6.019/1974 – IMPOSSIBILIDADE – TESE
FIXADA NO JULGAMENTO DO
IAC-5639-31.2013.5.12.0051.
TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA.
(violação aos artigos 5º, inciso II, da
Constituição Federal, 10, inciso II,
alínea “b”, do ADCT e 10 e 12 da Lei nº
6.019/74, contrariedade à Súmula nº
244, item III, do TST e divergência
jurisprudencial). Tratando-se de
recurso interposto em face de decisão
regional que se mostra em possível
contrariedade à jurisprudência desta
Corte, revela-se presente a
transcendência política da causa (art.
896-A, §1º, inciso II, da CLT) a
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justificar o prosseguimento do exame do
apelo. Quanto à questão de fundo, o
Tribunal Pleno do TST, em 18/11/2019, no
julgamento do
IAC-5639-31.2013.5.12.0051, fixou tese
no sentido de que “É inaplicável ao
regime de trabalho temporário,
disciplinado pela Lei n.º 6.019/1974, a
garantia de estabilidade provisória à
empregada gestante, prevista no art.
10, II, "b", do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias”. Ao
fixar a referida tese, o Tribunal Pleno
do TST consignou que o reconhecimento do
direito à estabilidade provisória à
empregada gestante não é compatível com
a finalidade da Lei nº 6.019/74, cujo
objetivo é atender a situações
excepcionais, para as quais não haja
expectativa de continuidade do vínculo
empregatício. Desta forma, tendo
decidido pela possibilidade de
reconhecimento da estabilidade
provisória gestacional à trabalhadora
contratada nos moldes da Lei nº
6.019/74, o acórdão regional incorreu
em contrariedade, por má-aplicação, ao
item III da Súmula nº 244. Recurso de
revista conhecido e provido.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso


de Revista n° TST-RR-12435-68.2017.5.15.0001, em que é Recorrente GI
GROUP BRASIL RECURSOS HUMANOS LTDA. e são Recorridas ELIANA VIEIRA ARAÚJO
e C&A MODAS S.A..

Trata-se de agravo de instrumento interposto contra


r. despacho de págs. 440/441, do seq. 84, que denegou seguimento ao
recurso de revista interposto em relação ao tema “estabilidade provisória
da gestante – contrato de trabalho temporário”.
Contraminuta acostada no seq. 84, págs. 457/459.

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Dispensada a manifestação da d. Procuradoria-Geral,
nos termos do artigo 95 do RITST.
É o relatório.

V O T O

I - CONHECIMENTO
Conheço do agravo de instrumento, visto que presentes
os pressupostos de admissibilidade.

II - MÉRITO
1 - ESTABILIDADE PROVISÓRIA DA GESTANTE – CONTRATO DE
TRABALHO TEMPORÁRIO – LEI Nº 6.019/1974 – IMPOSSIBILIDADE – TESE FIXADA
NO JULGAMENTO DO IAC-5639-31.2013.5.12.0051
Em suas razões recursais, a agravante sustentou que
a estabilidade provisória da gestante não é compatível com o trabalho
temporário regulado pela Lei nº 6.019/74. Afirmou que a natureza do
contrato de trabalho temporário afasta toda e qualquer estabilidade que
ultrapasse o limite temporal previsto na Lei nº 6.019/74. Apontou
violação aos artigos 5º, inciso II, da Constituição Federal, 10, inciso
II, alínea “b”, do ADCT e 10 e 12 da Lei nº 6.019/74, contrariedade à
Súmula nº 244, item III, do TST e divergência jurisprudencial.
Inicialmente, cumpre consignar que está preenchido o
pressuposto do art. 896, §1º-A, da CLT.
Por outro lado, o processamento do recurso de revista
na vigência da Lei nº 13.467/2017 exige que a causa apresente
transcendência com relação aos reflexos gerais de natureza econômica,
política, social ou jurídica (artigo 896-A da CLT).
Conforme preconiza o artigo 896-A da CLT, com redação
atribuída pela Lei nº 13.467/2017, antes de se examinar os pressupostos
intrínsecos do recurso de revista, faz-se necessário verificar se a causa
oferece transcendência. Vejamos, por oportuno, a redação do referido
dispositivo:
Art.896-A - O Tribunal Superior do Trabalho, no recurso de revista,
examinará previamente se a causa oferece transcendência com relação aos
reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica.
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§ 1o São indicadores de transcendência, entre outros:
I - econômica, o elevado valor da causa;
II - política, o desrespeito da instância recorrida à jurisprudência
sumulada do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal
Federal;
III - social, a postulação, por reclamante-recorrente, de direito social
constitucionalmente assegurado;
IV - jurídica, a existência de questão nova em torno da interpretação da
legislação trabalhista.
Com efeito, deve-se destacar, inicialmente, que a
parte final do § 1º do aludido artigo 896-A da CLT, ao se valer da expressão
“entre outros”, sinaliza que os indicadores de natureza econômica,
política, social ou jurídica são meramente exemplificativos, razão pela
qual a transcendência das matérias ventiladas no apelo revisional deve
atender a uma das hipóteses elencadas nos incisos I a IV do referido
dispositivo legal ou a outros elementos que demonstrem a relevância do
debate submetido ao exame do Tribunal Superior do Trabalho.
Portanto, consoante se extrai do art. 896-A, §1º,
inciso II, a transcendência política será reconhecida quando houver
desrespeito da decisão recorrida à jurisprudência sumulada do TST ou do
STF. Além disso, a 7ª Turma do TST vem reiteradamente decidindo que “o
desrespeito à jurisprudência reiterada do TST e a presença de divergência jurisprudencial ensejadora de
insegurança jurídica caracterizam, de igual modo, a transcendência política. Isso porque segurança
jurídica envolve um estado de cognoscibilidade, de confiabilidade e de calculabilidade.”
(Precedentes: TST-AIRR-10117-71.2017.5.15.0144, Relator Ministro
Evandro Pereira Valadão Lopes, DEJT 17/04/2020,
TST-Ag-AIRR-11271-31.2016.5.09.0014, Relator Ministro Evandro Pereira
Valadão Lopes, DEJT 17/04/2020 e TST-ARR-101029-95.2016.5.01.0029,
Relator Ministro Cláudio Mascarenhas Brandão, DEJT 03/04/2020).
No presente caso, a primeira reclamada requer a
reforma da decisão regional que, mantendo a sentença, reconheceu o
direito à estabilidade provisória gestacional à empregada contratada nos
moldes da Lei nº 6.019/74 (contrato de trabalho temporário).
A causa oferece transcendência política, na medida em
que o e. Tribunal Regional, ao manter a sentença de piso que reconhecera
à estabilidade provisória gestacional à empregada contratada nos moldes
da Lei nº 6.019/74 (contrato de trabalho temporário), acabou por
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contrariar a jurisprudência consolidada nesta Corte Superior, no
julgamento do IAC-5639-31.2013.5.12.0051, segundo a qual a trabalhadora
contratada sob a égide da Lei nº 6.019/74, que disciplina o trabalho
temporário, não tem direito à estabilidade prevista no artigo 10, II,
alínea “b”, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
Nesse sentido, cumpre transcrever a tese fixada no
julgamento do IAC-5639-31.2013.5.12.0051, in verbis:
“I - INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA -
INSTAURAÇÃO DO INCIDENTE - ESTABILIDADE GESTANTE -
CONTRATO TEMPORÁRIO DE TRABALHO - LEI Nº 6.019/74 - NOVA
INTERPRETAÇÃO DO TEMA A PARTIR DE JULGADOS DA 1ª
TURMA DESTA CORTE No particular, prevaleceram os fundamentos do
Exmo. Ministro Relator para reconhecer contrariedade entre o entendimento
firmado na Eg. 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho e a jurisprudência
tradicionalmente adotada pelas demais Turmas desta Eg. Corte, motivo pelo
qual foi instaurado o Incidente de Assunção de Competência.
ESTABILIDADE GESTANTE - CONTRATO TEMPORÁRIO DE
TRABALHO - LEI Nº 6.019/1974 - FIXAÇÃO DE TESE É inaplicável ao
regime de trabalho temporário, disciplinado pela Lei n.º 6.019/1974, a
garantia de estabilidade provisória à empregada gestante, prevista no
art. 10, II, "b", do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
Tese fixada em Incidente de Assunção de Competência. II - EMBARGOS
EM RECURSO DE REVISTA - INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI
Nº 13.015/2014 E DO CPC/2015 - ESTABILIDADE GESTANTE -
CONTRATO TEMPORÁRIO DE TRABALHO - LEI Nº 6.019/1974 O
acórdão embargado decidiu em sintonia com a tese firmada no Incidente de
Assunção de Competência suscitado nos próprios autos, à luz do qual " é
inaplicável ao regime de trabalho temporário, disciplinado pela Lei n.º
6.019/74, a garantia de estabilidade provisória à empregada gestante,
prevista no art. 10, II, b, do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias. Embargos conhecidos e desprovidos”
(IAC-5639-31.2013.5.12.0051, Tribunal Pleno, Redatora Ministra Maria
Cristina Irigoyen Peduzzi, DEJT 29/07/2020). (g.n.)
Verificada, portanto, a presença da transcendência
política da causa, prossegue-se na analise do apelo revisional.

1.1 – ESTABILIDADE PROVISÓRIA DA GESTANTE – CONTRATO


DE TRABALHO TEMPORÁRIO – LEI Nº 6.019/1974 – IMPOSSIBILIDADE – TESE FIXADA
NO JULGAMENTO DO IAC-5639-31.2013.5.12.0051
Em suas razões recursais, a agravante sustentou que
a estabilidade provisória da gestante não é compatível com o trabalho
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temporário regulado pela Lei nº 6.019/74. Afirmou que a natureza do
contrato de trabalho temporário afasta toda e qualquer estabilidade que
ultrapasse o limite temporal previsto na Lei nº 6.019/74. Apontou
violação aos artigos 5º, inciso II, da Constituição Federal, 10, inciso
II, alínea “b”, do ADCT e 10 e 12 da Lei nº 6.019/74, contrariedade à
Súmula nº 244, item III, do TST e divergência jurisprudencial.
O Tribunal Regional, ao analisar o tema, consignou,
in verbis:
DA ESTABILIDADE DA GESTANTE - CONTRATO DE
TRABALHO TEMPORÁRIO
A primeira reclamada, inconformada com a r. sentença que deferiu o
direito da reclamante à indenização decorrente da estabilidade provisória da
empregada gestante, postulam a reforma do julgado, sob o argumento de que
se trata de contrato de trabalho temporário, firmado com a estrita observância
ao disposto da Lei nº 6.019/74, em que houve a extinção normal, razão pela
qual a obreira não faz jus ao direito estabilitário postulado na inicial.
Sem razão.
Nos termos da redação da Súmula 244, item III, do C. TST, a
empregada gestante tem direito à estabilidade provisória, prevista no
art. 10, inciso II, alínea "b", do ADCT, mesmo na hipótese de admissão
mediante contrato por tempo determinado, modalidade na qual se
inclui o contrato de trabalho temporário.
Com efeito, não se pode restringir a estabilidade da gestante ao
contrato por tempo indeterminado, pois o art. 10, inciso II, alínea "b", do
ADCT, não faz distinção entre contrato por prazo determinado ou
indeterminado.
A legalidade do contrato de trabalho temporário firmado entre as partes
não é objeto de questionamento na presente demanda e não obsta o
reconhecimento do direito à estabilidade gestacional.
No caso em tela, incontroverso que, na data da dispensa em
24/12/2016, a reclamante já se encontrava grávida.
O art. 10, inciso II, alínea "b", do ADCT veda a dispensa da empregada
gestante, desde a confirmação da gravidez, até cinco meses após o parto. Não
há em referido dispositivo legal, qualquer condição para aquisição do direito,
a não ser estar grávida quando da dispensa.
Neste caminho, o C. TST já tem posição firmada acerca da
desnecessidade de conhecimento do estado gravídico e da garantia da
indenização quando decorrido o período estabilitário, conforme item I e parte
final do item II da Súmula 244:
"GESTANTE. ESTABILIDADE PROVISÓRIA (redação
do item III alterada na sessão do Tribunal Pleno realizada em
14.09.2012) - Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e
27.09.2012.
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I - O desconhecimento do estado gravídico pelo
empregador não afasta o direito ao pagamento da indenização
decorrente da estabilidade (art. 10, II, "b" do ADCT).
II - A garantia de emprego à gestante só autoriza a
reintegração se esta se der durante o período de estabilidade. Do
contrário, a garantia restringe-se aos salários e demais direitos
correspondentes ao período de estabilidade.
III - A empregada gestante tem direito à estabilidade
provisória prevista no art. 10, inciso II, alínea "b", do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias, mesmo na hipótese de
admissão mediante contrato por tempo determinado". (grifei)
Outra questão relevante a ser apontada, diz respeito ao Precedente
Normativo 30 da SDC do C. TST, no qual firmou-se o entendimento de que a
estabilidade para gestante é direito indisponível, sendo vedada qualquer
transação para reduzi-lo, e nula qualquer cláusula de convenção ou acordo
coletivo que estabeleça requisitos para obtenção da estabilidade, conforme se
infere:
"ESTABILIDADE DA GESTANTE. RENÚNCIA OU
TRANSAÇÃO DE DIREITOS CONSTITUCIONAIS.
IMPOSSIBILIDADE. (republicada em decorrência de erro
material) - DEJT divulgado em 19, 20 e 21.09.2011
Nos termos do art. 10, II, "a" do ADCT a proteção à
maternidade foi erigida à hierarquia constitucional, pois retirou
do âmbito do direito potestativo do empregador a possibilidade
de despedir arbitrariamente a empregada em estado gravídico.
Portanto, a teor do artigo 9º da CLT, torna-se nula de pleno
direito a cláusula que estabelece a possibilidade de renúncia ou
transação, pela gestante, das garantias referentes à manutenção
do emprego e salário".
Ademais, nosso Colendo Tribunal Superior adotou o posicionamento
de que não há abuso do direito de ação no ajuizamento após o término do
período de garantia de emprego, conforme OJ 399 da SBDI-1, in verbis:
"ESTABILIDADE PROVISÓRIA. AÇÃO
TRABALHISTA AJUIZADA APÓS O TÉRMINO DO
PERÍODO DE GARANTIA NO EMPREGO. ABUSO DO
EXERCÍCIO DO DIREITO DE AÇÃO. NÃO
CONFIGURAÇÃO. INDENIZAÇÃO DEVIDA.
O ajuizamento de ação trabalhista após decorrido o período
de garantia de emprego não configura abuso do exercício do
direito de ação, pois este está submetido apenas ao prazo
prescricional inscrito no art. 7º, XXIX, da CF/88, sendo devida a
indenização desde a dispensa até a data do término do período
estabilitário."
Conclusão lógica é a de que a gestante, independentemente da
modalidade de contratação, incluído, portanto, o contrato de trabalho
temporário previsto na Lei nº 6.019/74, tem direito à estabilidade, vinculada
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apenas à gravidez anterior à dispensa, podendo exercer seu direito, a
qualquer momento, desde que observados os dois anos, após o término do
contrato, em virtude da prescrição do direito de ação.
Apenas para que não se alegue omissão, não vislumbro interesse da
recorrente ao pretender que seja declarada a validade do contrato de trabalho
temporário firmado entre as partes, posto que, como visto, tal questão não foi
objeto de questionamento na presente demanda, tampouco interesse recursal
para que se exclua o aviso prévio e a multa de 40% do FGTS, pois tais
parcelas não constam da r. sentença.
Nego provimento. (g.n.). (seq. 84, págs. 393/394)
Cinge-se a controvérsia na possibilidade, ou não, de
reconhecimento do direito à estabilidade provisória gestacional à
trabalhadora contratada nos moldes da Lei nº 6.019/1974 (contrato de
trabalho temporário).
O Tribunal Pleno do TST, em 18/11/2019, no julgamento
do IAC-5639-31.2013.5.12.0051, fixou tese no sentido de que “É inaplicável
ao regime de trabalho temporário, disciplinado pela Lei n.º 6.019/1974, a garantia de estabilidade
provisória à empregada gestante, prevista no art. 10, II, "b", do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias”.
Ao fixar a referida tese, o Tribunal Pleno do TST
consignou que o reconhecimento do direito à estabilidade provisória à
empregada gestante não é compatível com a finalidade da Lei nº 6.019/74,
cujo objetivo é atender a situações excepcionais, para as quais não haja
expectativa de continuidade do vínculo empregatício.
Nesse sentido, cito a ementa do que restou decidido
no julgamento do IAC-5639-31.2013.5.12.0051, in verbis:
“I - INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA -
INSTAURAÇÃO DO INCIDENTE - ESTABILIDADE GESTANTE -
CONTRATO TEMPORÁRIO DE TRABALHO - LEI Nº 6.019/74 - NOVA
INTERPRETAÇÃO DO TEMA A PARTIR DE JULGADOS DA 1ª
TURMA DESTA CORTE No particular, prevaleceram os fundamentos do
Exmo. Ministro Relator para reconhecer contrariedade entre o entendimento
firmado na Eg. 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho e a jurisprudência
tradicionalmente adotada pelas demais Turmas desta Eg. Corte, motivo pelo
qual foi instaurado o Incidente de Assunção de Competência.
ESTABILIDADE GESTANTE - CONTRATO TEMPORÁRIO DE
TRABALHO - LEI Nº 6.019/1974 - FIXAÇÃO DE TESE É inaplicável ao
regime de trabalho temporário, disciplinado pela Lei n.º 6.019/1974, a
garantia de estabilidade provisória à empregada gestante, prevista no
art. 10, II, "b", do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
Tese fixada em Incidente de Assunção de Competência. II - EMBARGOS
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EM RECURSO DE REVISTA - INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI
Nº 13.015/2014 E DO CPC/2015 - ESTABILIDADE GESTANTE -
CONTRATO TEMPORÁRIO DE TRABALHO - LEI Nº 6.019/1974 O
acórdão embargado decidiu em sintonia com a tese firmada no Incidente de
Assunção de Competência suscitado nos próprios autos, à luz do qual " é
inaplicável ao regime de trabalho temporário, disciplinado pela Lei n.º
6.019/74, a garantia de estabilidade provisória à empregada gestante,
prevista no art. 10, II, b, do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias. Embargos conhecidos e desprovidos”
(IAC-5639-31.2013.5.12.0051, Tribunal Pleno, Redatora Ministra Maria
Cristina Irigoyen Peduzzi, DEJT 29/07/2020). (g.n.)
Cito, ainda, os seguintes precedentes desta Corte
Superior, vejamos:
“AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM
RECURSO DE REVISTA DA RÉ. LEI 13.467/2017 . ESTABILIDADE DA
GESTANTE. CONTRATO DE TRABALHO TEMPORÁRIO. LEI
6.019/74. AUSÊNCIA DO DIREITO. TESE FIXADA EM INCIDENTE DE
ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA . TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA
CONSTATADA. Constatado equívoco na decisão agravada, e em se
tratando de recurso em face de acórdão regional que possivelmente
contrariou a jurisprudência desta Corte, revela-se presente a transcendência
política da causa (inciso II do § 1º do aludido dispositivo), dá-se provimento
ao agravo para determinar o processamento do agravo de instrumento.
AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. LEI Nº
13.467/2017. ESTABILIDADE DA GESTANTE. CONTRATO DE
TRABALHO TEMPORÁRIO. LEI 6.019/74. AUSÊNCIA DO DIREITO.
TESE FIXADA EM INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA .
Agravo de instrumento a que se dá provimento para determinar o
processamento do recurso de revista, em face de possível má aplicação da
Súmula nº 244, III, do TST . RECURSO DE REVISTA. LEI Nº
13.467/2017. ESTABILIDADE DA GESTANTE. CONTRATO DE
TRABALHO TEMPORÁRIO. LEI 6.019/74. AUSÊNCIA DO DIREITO.
TESE FIXADA EM INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA .
Ao julgar o IAC-5639-31.2013.5.12.0051, esta Corte decidiu que a
trabalhadora contratada sob a égide da Lei nº 6.019/74, que disciplina o
trabalho temporário, não tem direito à estabilidade prevista no artigo
10, II, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Assim, deve
ser reformado o acórdão regional para adequá-lo aos parâmetros acima
definidos, de observância obrigatória, nos termos dos artigos 896-C, § 11, da
CLT e 927 do CPC. Recurso de revista conhecido e provido”
(RR-10683-47.2016.5.15.0114, 7ª Turma, Relator Ministro Claudio
Mascarenhas Brandao, DEJT 16/10/2020);
“RECURSO DE REVISTA. LEI 13.467/2017. ESTABILIDADE
PROVISÓRIA. GESTANTE. TRABALHO TEMPORÁRIO. LEI
6.019/1974. O Tribunal Pleno desta Corte, no julgamento do
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Justiça do Trabalho
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PROCESSO Nº TST-RR-12435-68.2017.5.15.0001

Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003F4D75597808CDA.
IAC-5639-31.2013.5.12.0051, em 18/11/2019, firmou o entendimento no
sentido de que o reconhecimento da garantia de emprego à empregada
gestante não se coaduna com a finalidade da Lei 6.019/74, que é a de
atender a situações excepcionais, para as quais não há expectativa de
continuidade da relação de emprego. Com efeito, foi fixada a seguinte tese
jurídica: " é inaplicável ao regime de trabalho temporário, disciplinado pela
Lei nº 6.019/74, a garantia de estabilidade provisória à empregada gestante,
prevista no art. 10, II, ' b' , do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias ". Recurso de Revista de que não se conhece”
(RR-1000335-12.2018.5.02.0027, 8ª Turma, Relator Ministro Joao Batista
Brito Pereira, DEJT 09/10/2020);
“RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA
LEI 13.015/2014. GESTANTE. TRABALHO TEMPORÁRIO. LEI
6.019/1974. GARANTIA PROVISÓRIA DE EMPREGO. SÚMULA 244,
ITEM III, DO TST . O Tribunal Pleno desta Corte, no julgamento do
IAC-5639-31.2013.5.12.0051, em 18/11/2019, firmou o entendimento no
sentido de que o reconhecimento da garantia de emprego à empregada
gestante não se coaduna com a finalidade da Lei 6.019/74, que é a de
atender a situações excepcionais, para as quais não há expectativa de
continuidade da relação de emprego. Com efeito, foi fixada a seguinte tese
jurídica: "é inaplicável ao regime de trabalho temporário, disciplinado pela
Lei nº 6.019/74, a garantia de estabilidade provisória á empregada gestante,
prevista no art. 10, II, "b", do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias". Recurso de Embargos de que se conhece e a que se dá
provimento” (E-ED-RR-1067-21.2015.5.02.0025, Subseção I Especializada
em Dissídios Individuais, Relator Ministro Joao Batista Brito Pereira, DEJT
02/10/2020);
“AGRAVO DE INSTRUMENTO RECURSO DE REVISTA
INTERPOSTO A ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI N.º
13.467/2017. GESTANTE. GARANTIA PROVISÓRIA DE EMPREGO.
TRABALHO TEMPORÁRIO. LEI N.º 6.019/1974. INCIDENTE DE
ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA N.º 02. TRANSCENDÊNCIA
POLÍTICA RECONHECIDA. Reconhecida a transcendência política da
causa, em face da contrariedade à Súmula n.º 244, III, desta Corte superior,
dá-se provimento ao Agravo de Instrumento, a fim de determinar o
processamento do Recurso de Revista. RECURSO DE REVISTA
RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO A ACÓRDÃO PUBLICADO
NA VIGÊNCIA DA LEI N.º 13.467/2017. GESTANTE. GARANTIA
PROVISÓRIA DE EMPREGO. TRABALHO TEMPORÁRIO. LEI N.º
6.019/1974. INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA N.º 02.
TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. 1 . Trata-se de
controvérsia acerca da aplicabilidade da garantia provisória de emprego
prevista no artigo 10, II, b , do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias a empregada gestante submetida ao regime de trabalho
temporário, disciplinado pela Lei n.º 6.019/74. 2 . Por ocasião do
julgamento do Incidente de Assunção de Competência
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IAC-5639-31.2013.5.12.0051 (Tema n.º 02), o Tribunal Pleno desta
Corte uniformizadora fixou tese vinculante no sentido de que " é
inaplicável ao regime de trabalho temporário, disciplinado pela Lei n.º
6.019/74, a garantia de estabilidade provisória à empregada gestante,
prevista no art. 10, II, b, do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias ". 3 . A tese esposada pela Corte regional, na hipótese dos
autos, revela-se dissonante da tese vinculante fixada pelo Tribunal Pleno
deste Tribunal Superior, resultando evidenciada a transcendência política da
causa. 4 . Recurso de Revista conhecido e provido”
(RR-1002171-85.2015.5.02.0492, 6ª Turma, Relator Ministro Lelio Bentes
Correa, DEJT 25/09/2020). (grifos nossos)
Assim, tendo o Tribunal Regional decidido pelo
reconhecimento do direito à estabilidade provisória gestacional à
trabalhadora contratada nos moldes da Lei nº 6.019/74, incorreu a Corte
Regional em possível má-aplicação do item III da Súmula nº 244 do TST.
Recomendável, pois, o processamento do recurso de
revista, no particular, para exame da presente matéria.

RECURSO DE REVISTA

A primeira reclamada interpõe recurso de revista,


pelas razões de págs. 414/427, do seq. 84. Postula a reforma do julgado
em relação ao tema “estabilidade provisória da gestante – contrato de
trabalho temporário”, por violação aos artigos 5º, inciso II, da
Constituição Federal, 10, inciso II, alínea “b”, do ADCT e 10 e 12 da
Lei nº 6.019/74, contrariedade à Súmula nº 244, item III, do TST e
divergência jurisprudencial.
Contrarrazões no seq. 84, págs. 460/463.
Dispensada a manifestação da d. Procuradoria-Geral,
nos termos do artigo 95 do RITST.
É o relatório.

V O T O

PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
Satisfeitos os pressupostos extrínsecos de
admissibilidade.

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ESTABILIDADE PROVISÓRIA DA GESTANTE – CONTRATO DE
TRABALHO TEMPORÁRIO – LEI Nº 6.019/1974 – IMPOSSIBILIDADE – TESE FIXADA
NO JULGAMENTO DO IAC-5639-31.2013.5.12.0051
Conforme preconiza o artigo 896-A da CLT, com redação
atribuída pela Lei nº 13.467/2017, antes de se examinar os pressupostos
intrínsecos do recurso de revista, faz-se necessário verificar se a causa
oferece transcendência. Vejamos, por oportuno, a redação do referido
dispositivo:
Art.896-A - O Tribunal Superior do Trabalho, no recurso de revista,
examinará previamente se a causa oferece transcendência com relação aos
reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica.
§ 1o São indicadores de transcendência, entre outros:
I - econômica, o elevado valor da causa;
II - política, o desrespeito da instância recorrida à jurisprudência
sumulada do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal
Federal;
III - social, a postulação, por reclamante-recorrente, de direito social
constitucionalmente assegurado;
IV - jurídica, a existência de questão nova em torno da interpretação da
legislação trabalhista.
Com efeito, deve-se destacar, inicialmente, que a
parte final do § 1º do aludido artigo 896-A da CLT, ao se valer da expressão
“entre outros”, sinaliza que os indicadores de natureza econômica,
política, social ou jurídica são meramente exemplificativos, razão pela
qual a transcendência das matérias ventiladas no apelo revisional deve
atender a uma das hipóteses elencadas nos incisos I a IV do referido
dispositivo legal ou a outros elementos que demonstrem a relevância do
debate submetido ao exame do Tribunal Superior do Trabalho.
Portanto, consoante se extrai do art. 896-A, §1º,
inciso II, a transcendência política será reconhecida quando houver
desrespeito da decisão recorrida à jurisprudência sumulada do TST ou do
STF. Além disso, a 7ª Turma do TST vem reiteradamente decidindo que “o
desrespeito à jurisprudência reiterada do TST e a presença de divergência jurisprudencial ensejadora de
insegurança jurídica caracterizam, de igual modo, a transcendência política. Isso porque segurança
jurídica envolve um estado de cognoscibilidade, de confiabilidade e de calculabilidade.”
(Precedentes: TST-AIRR-10117-71.2017.5.15.0144, Relator Ministro
Evandro Pereira Valadão Lopes, DEJT 17/04/2020,
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TST-Ag-AIRR-11271-31.2016.5.09.0014, Relator Ministro Evandro Pereira
Valadão Lopes, DEJT 17/04/2020 e TST-ARR-101029-95.2016.5.01.0029,
Relator Ministro Cláudio Mascarenhas Brandão, DEJT 03/04/2020).
No presente caso, a primeira reclamada requer a
reforma da decisão regional que, mantendo a sentença, reconheceu o
direito à estabilidade provisória gestacional à empregada contratada nos
moldes da Lei nº 6.019/74 (contrato de trabalho temporário).
A causa oferece transcendência política, na medida em
que o e. Tribunal Regional, ao manter a sentença de piso que reconhecera
à estabilidade provisória gestacional à empregada contratada nos moldes
da Lei nº 6.019/74 (contrato de trabalho temporário), acabou por
contrariar a jurisprudência consolidada nesta Corte Superior, no
julgamento do IAC-5639-31.2013.5.12.0051, segundo a qual a trabalhadora
contratada sob a égide da Lei nº 6.019/74, que disciplina o trabalho
temporário, não tem direito à estabilidade prevista no artigo 10, II,
alínea “b”, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
Nesse sentido, cumpre transcrever a tese fixada no
julgamento do IAC-5639-31.2013.5.12.0051, in verbis:
“I - INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA -
INSTAURAÇÃO DO INCIDENTE - ESTABILIDADE GESTANTE -
CONTRATO TEMPORÁRIO DE TRABALHO - LEI Nº 6.019/74 - NOVA
INTERPRETAÇÃO DO TEMA A PARTIR DE JULGADOS DA 1ª
TURMA DESTA CORTE No particular, prevaleceram os fundamentos do
Exmo. Ministro Relator para reconhecer contrariedade entre o entendimento
firmado na Eg. 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho e a jurisprudência
tradicionalmente adotada pelas demais Turmas desta Eg. Corte, motivo pelo
qual foi instaurado o Incidente de Assunção de Competência.
ESTABILIDADE GESTANTE - CONTRATO TEMPORÁRIO DE
TRABALHO - LEI Nº 6.019/1974 - FIXAÇÃO DE TESE É inaplicável ao
regime de trabalho temporário, disciplinado pela Lei n.º 6.019/1974, a
garantia de estabilidade provisória à empregada gestante, prevista no
art. 10, II, "b", do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
Tese fixada em Incidente de Assunção de Competência. II - EMBARGOS
EM RECURSO DE REVISTA - INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI
Nº 13.015/2014 E DO CPC/2015 - ESTABILIDADE GESTANTE -
CONTRATO TEMPORÁRIO DE TRABALHO - LEI Nº 6.019/1974 O
acórdão embargado decidiu em sintonia com a tese firmada no Incidente de
Assunção de Competência suscitado nos próprios autos, à luz do qual " é
inaplicável ao regime de trabalho temporário, disciplinado pela Lei n.º
6.019/74, a garantia de estabilidade provisória à empregada gestante,
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prevista no art. 10, II, b, do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias. Embargos conhecidos e desprovidos”
(IAC-5639-31.2013.5.12.0051, Tribunal Pleno, Redatora Ministra Maria
Cristina Irigoyen Peduzzi, DEJT 29/07/2020). (g.n.)
Verificada, portanto, a presença da transcendência
política da causa, prossegue-se na análise do recurso de revista, no
particular.

CONHECIMENTO
A primeira reclamada sustenta que a estabilidade
provisória da gestante não é compatível com o trabalho temporário
regulado pela Lei nº 6.019/74. Afirma que a natureza do contrato de
trabalho temporário afasta toda e qualquer estabilidade que ultrapasse
o limite temporal previsto na Lei nº 6.019/74. Aponta violação aos artigos
5º, inciso II, da Constituição Federal, 10, inciso II, alínea “b”, do
ADCT e 10 e 12 da Lei nº 6.019/74, contrariedade à Súmula nº 244, item
III, do TST e divergência jurisprudencial.
Consta do acórdão recorrido:
2. RECURSO ORDINÁRIO DO RECLAMADO
(…)
INTERVALO DO ART. 384, DA CLT
Insurge-se o Reclamado contra a sentença que deferiu o pedido de
pagamento do intervalo previsto no art. 384 da CLT. Alega que a Reclamante
não laborava em prorrogação de jornada, pelo que não fazia jus ao intervalo
do art. 384, da CLT. Aduz que o dispositivo em comento não foi
recepcionado pela Constituição Federal, conflitando com o art. 5º, inciso I.
Defende que a supressão do intervalo acarreta apenas sanção administrativa.
Postula a reforma da sentença, para que seja excluída a condenação ao
pagamento de horas extras por supressão do intervalo do art. 384, da CLT.
Sucessivamente, pretende que seja aplicado o entendimento consagrado na
Súmula n. 22, deste E. Regional, limitando-se a condenação aos dias em que
a Reclamante "laborou além de duas horas extras" (fl. 444).
Com parcial razão.
Com efeito, mantida a sentença no aspecto em que afastou o
enquadramento da Reclamante na exceção do art. 224, § 2º, da CLT,
evidente que a Reclamante realizou horas extras. Logo, não prospera a tese
recursal de que a condenação merece ser excluída com fundamento na
ausência de labor extraordinário.
Este E. Tribunal acompanha a posição adotada pelo E. Tribunal
Superior do Trabalho, no sentido de que o art. 384, da CLT, foi recepcionado
pela Constituição Federal:
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EMBARGOS. RECURSO DE REVISTA.
INTERPOSIÇÃO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 11.496/2007.
ARTIGO 384 DA CLT. RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO
FEDERAL DE 1988. A controvérsia em torno da adequação
constitucional do art. 384 da CLT veio a ser dirimida por esta
Corte em 17.11.200 8, ocasião em que se decidiu pela
observância da norma consolidada. Nesse esteio, o
descumprimento do intervalo previsto no artigo 384 da CLT não
importa em mera penalidade administrativa, mas sim em
pagamento de horas extras correspondentes àquele período,
tendo em vista tratar-se de medida de higiene, saúde e segurança
do trabalhador. Recurso de embargos conhecido e provido
(TST-E-RR-28684/2002-900-09-00.9; Ac. SBDI 1; Rel. Min.
Horácio Raymundo de Senna Pires; in DJ 20.2.2009).
EMBARGOS - INTERVALO DO ART. 384 DA CLT
RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988. O Tribunal
Pleno desta Corte, no julgamento do
TST-IIN-RR-1.540/2005-046-12-00.5, em 17/11/2008, decidiu
que o art. 384 da CLT foi recepcionado pela Constituição da
República. São, assim, devidas horas extras pela não-concessão
do intervalo nele previsto. Embargos conhecidos e desprovidos
(TST-E-RR - 46500-41.2003.5.09.0068; Ac. SBDI-1; Rel. Min.
Maria Cristina Irigoyen Peduzzi; in DEJT 12.3.2010)
Nesse contexto, a supressão do intervalo de que trata o art. 384 da CLT
enseja o pagamento do tempo suprimido como extra. Tal norma é destinada à
proteção da saúde e da segurança da trabalhadora, o que justifica a aplicação
analógica do art. 71, § 4º, da CLT, inclusive no que tange à natureza
remuneratória dos intervalos e os reflexos nas demais verbas, tal como
deferido em sentença (fl. 409). Não há que se falar, portanto, em mera
infração administrativa. A violação ao direito da empregada justifica o
pagamento do intervalo suprimido como extra.
Não há ofensa à isonomia ou à Convenção sobre a Eliminação de
Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher, eis que se trata de regra
que visa a alcançar a igualdade material entre homens e mulheres,
considerando as condições peculiares das mulheres.
Assim, inafastável a condenação ao pagamento de horas extras pela
supressão do intervalo do art. 384, da CLT.
Por outro lado, este E. Tribunal firmou o entendimento no sentido
de que o intervalo é exigível apenas se o trabalho extraordinário exceder
a 30 minutos (e não duas horas, como alega o Recorrente), conforme
Súmula 22:
"INTERVALO. TRABALHO DA MULHER. ART. 384
DA CLT. RECEPÇÃO PELO ART. 5º, I, DA CF. O art. 384 da
CLT foi recepcionado pela Constituição Federal, o que torna
devido, à trabalhadora, o intervalo de 15 minutos antes do início
do labor extraordinário. Entretanto, pela razoabilidade, somente
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deve ser considerado exigível o referido intervalo se o trabalho
extraordinário exceder a 30 minutos".
Logo, a sentença merece ser reformada para que o entendimento
consagrado pela Súmula 22 deste Tribunal seja observado.
Reformo, portanto, a sentença para determinar seja observada a
Súmula 22 deste E. Tribunal na apuração das horas extras decorrentes da não
concessão do intervalo do art. 384 da CLT.
Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso ordinário do
Reclamado para, nos termos da fundamentação, determinar seja observada a
Súmula 22 deste E. Tribunal na apuração das horas extras decorrentes da não
concessão do intervalo do art. 384 da CLT. (g.n.). (seq. 3, págs. 487/490)
Cinge-se a controvérsia na possibilidade, ou não, de
reconhecimento do direito à estabilidade provisória gestacional à
trabalhadora contratada nos moldes da Lei nº 6.019/1974 (contrato de
trabalho temporário).
O Tribunal Pleno do TST, em 18/11/2019, no julgamento
do IAC-5639-31.2013.5.12.0051, fixou tese no sentido de que “É inaplicável
ao regime de trabalho temporário, disciplinado pela Lei n.º 6.019/1974, a garantia de estabilidade
provisória à empregada gestante, prevista no art. 10, II, "b", do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias”.
Ao fixar a referida tese, o Tribunal Pleno do TST
consignou que o reconhecimento do direito à estabilidade provisória à
empregada gestante não é compatível com a finalidade da Lei nº 6.019/74,
cujo objetivo é atender a situações excepcionais, para as quais não haja
expectativa de continuidade do vínculo empregatício.
Nesse sentido, cito a ementa do que restou decidido
no julgamento do IAC-5639-31.2013.5.12.0051, in verbis:
“I - INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA -
INSTAURAÇÃO DO INCIDENTE - ESTABILIDADE GESTANTE -
CONTRATO TEMPORÁRIO DE TRABALHO - LEI Nº 6.019/74 - NOVA
INTERPRETAÇÃO DO TEMA A PARTIR DE JULGADOS DA 1ª
TURMA DESTA CORTE No particular, prevaleceram os fundamentos do
Exmo. Ministro Relator para reconhecer contrariedade entre o entendimento
firmado na Eg. 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho e a jurisprudência
tradicionalmente adotada pelas demais Turmas desta Eg. Corte, motivo pelo
qual foi instaurado o Incidente de Assunção de Competência.
ESTABILIDADE GESTANTE - CONTRATO TEMPORÁRIO DE
TRABALHO - LEI Nº 6.019/1974 - FIXAÇÃO DE TESE É inaplicável ao
regime de trabalho temporário, disciplinado pela Lei n.º 6.019/1974, a
garantia de estabilidade provisória à empregada gestante, prevista no
art. 10, II, "b", do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
Firmado por assinatura digital em 12/12/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP
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Tese fixada em Incidente de Assunção de Competência. II - EMBARGOS
EM RECURSO DE REVISTA - INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI
Nº 13.015/2014 E DO CPC/2015 - ESTABILIDADE GESTANTE -
CONTRATO TEMPORÁRIO DE TRABALHO - LEI Nº 6.019/1974 O
acórdão embargado decidiu em sintonia com a tese firmada no Incidente de
Assunção de Competência suscitado nos próprios autos, à luz do qual " é
inaplicável ao regime de trabalho temporário, disciplinado pela Lei n.º
6.019/74, a garantia de estabilidade provisória à empregada gestante,
prevista no art. 10, II, b, do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias. Embargos conhecidos e desprovidos”
(IAC-5639-31.2013.5.12.0051, Tribunal Pleno, Redatora Ministra Maria
Cristina Irigoyen Peduzzi, DEJT 29/07/2020). (g.n.)
Cito, ainda, os seguintes precedentes desta Corte
Superior, vejamos:
“AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM
RECURSO DE REVISTA DA RÉ. LEI 13.467/2017 . ESTABILIDADE DA
GESTANTE. CONTRATO DE TRABALHO TEMPORÁRIO. LEI
6.019/74. AUSÊNCIA DO DIREITO. TESE FIXADA EM INCIDENTE DE
ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA . TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA
CONSTATADA. Constatado equívoco na decisão agravada, e em se
tratando de recurso em face de acórdão regional que possivelmente
contrariou a jurisprudência desta Corte, revela-se presente a transcendência
política da causa (inciso II do § 1º do aludido dispositivo), dá-se provimento
ao agravo para determinar o processamento do agravo de instrumento.
AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. LEI Nº
13.467/2017. ESTABILIDADE DA GESTANTE. CONTRATO DE
TRABALHO TEMPORÁRIO. LEI 6.019/74. AUSÊNCIA DO DIREITO.
TESE FIXADA EM INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA .
Agravo de instrumento a que se dá provimento para determinar o
processamento do recurso de revista, em face de possível má aplicação da
Súmula nº 244, III, do TST . RECURSO DE REVISTA. LEI Nº
13.467/2017. ESTABILIDADE DA GESTANTE. CONTRATO DE
TRABALHO TEMPORÁRIO. LEI 6.019/74. AUSÊNCIA DO DIREITO.
TESE FIXADA EM INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA .
Ao julgar o IAC-5639-31.2013.5.12.0051, esta Corte decidiu que a
trabalhadora contratada sob a égide da Lei nº 6.019/74, que disciplina o
trabalho temporário, não tem direito à estabilidade prevista no artigo
10, II, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Assim, deve
ser reformado o acórdão regional para adequá-lo aos parâmetros acima
definidos, de observância obrigatória, nos termos dos artigos 896-C, § 11, da
CLT e 927 do CPC. Recurso de revista conhecido e provido”
(RR-10683-47.2016.5.15.0114, 7ª Turma, Relator Ministro Claudio
Mascarenhas Brandao, DEJT 16/10/2020);
“RECURSO DE REVISTA. LEI 13.467/2017. ESTABILIDADE
PROVISÓRIA. GESTANTE. TRABALHO TEMPORÁRIO. LEI
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PROCESSO Nº TST-RR-12435-68.2017.5.15.0001

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6.019/1974. O Tribunal Pleno desta Corte, no julgamento do
IAC-5639-31.2013.5.12.0051, em 18/11/2019, firmou o entendimento no
sentido de que o reconhecimento da garantia de emprego à empregada
gestante não se coaduna com a finalidade da Lei 6.019/74, que é a de
atender a situações excepcionais, para as quais não há expectativa de
continuidade da relação de emprego. Com efeito, foi fixada a seguinte tese
jurídica: " é inaplicável ao regime de trabalho temporário, disciplinado pela
Lei nº 6.019/74, a garantia de estabilidade provisória à empregada gestante,
prevista no art. 10, II, ' b' , do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias ". Recurso de Revista de que não se conhece”
(RR-1000335-12.2018.5.02.0027, 8ª Turma, Relator Ministro Joao Batista
Brito Pereira, DEJT 09/10/2020);
“RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA
LEI 13.015/2014. GESTANTE. TRABALHO TEMPORÁRIO. LEI
6.019/1974. GARANTIA PROVISÓRIA DE EMPREGO. SÚMULA 244,
ITEM III, DO TST . O Tribunal Pleno desta Corte, no julgamento do
IAC-5639-31.2013.5.12.0051, em 18/11/2019, firmou o entendimento no
sentido de que o reconhecimento da garantia de emprego à empregada
gestante não se coaduna com a finalidade da Lei 6.019/74, que é a de
atender a situações excepcionais, para as quais não há expectativa de
continuidade da relação de emprego. Com efeito, foi fixada a seguinte tese
jurídica: "é inaplicável ao regime de trabalho temporário, disciplinado pela
Lei nº 6.019/74, a garantia de estabilidade provisória á empregada gestante,
prevista no art. 10, II, "b", do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias". Recurso de Embargos de que se conhece e a que se dá
provimento” (E-ED-RR-1067-21.2015.5.02.0025, Subseção I Especializada
em Dissídios Individuais, Relator Ministro Joao Batista Brito Pereira, DEJT
02/10/2020);
“AGRAVO DE INSTRUMENTO RECURSO DE REVISTA
INTERPOSTO A ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI N.º
13.467/2017. GESTANTE. GARANTIA PROVISÓRIA DE EMPREGO.
TRABALHO TEMPORÁRIO. LEI N.º 6.019/1974. INCIDENTE DE
ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA N.º 02. TRANSCENDÊNCIA
POLÍTICA RECONHECIDA. Reconhecida a transcendência política da
causa, em face da contrariedade à Súmula n.º 244, III, desta Corte superior,
dá-se provimento ao Agravo de Instrumento, a fim de determinar o
processamento do Recurso de Revista. RECURSO DE REVISTA
RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO A ACÓRDÃO PUBLICADO
NA VIGÊNCIA DA LEI N.º 13.467/2017. GESTANTE. GARANTIA
PROVISÓRIA DE EMPREGO. TRABALHO TEMPORÁRIO. LEI N.º
6.019/1974. INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA N.º 02.
TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. 1 . Trata-se de
controvérsia acerca da aplicabilidade da garantia provisória de emprego
prevista no artigo 10, II, b , do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias a empregada gestante submetida ao regime de trabalho
temporário, disciplinado pela Lei n.º 6.019/74. 2 . Por ocasião do
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2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.
Poder Judiciário
Justiça do Trabalho
Tribunal Superior do Trabalho fls.19

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julgamento do Incidente de Assunção de Competência
IAC-5639-31.2013.5.12.0051 (Tema n.º 02), o Tribunal Pleno desta
Corte uniformizadora fixou tese vinculante no sentido de que " é
inaplicável ao regime de trabalho temporário, disciplinado pela Lei n.º
6.019/74, a garantia de estabilidade provisória à empregada gestante,
prevista no art. 10, II, b, do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias ". 3 . A tese esposada pela Corte regional, na hipótese dos
autos, revela-se dissonante da tese vinculante fixada pelo Tribunal Pleno
deste Tribunal Superior, resultando evidenciada a transcendência política da
causa. 4 . Recurso de Revista conhecido e provido”
(RR-1002171-85.2015.5.02.0492, 6ª Turma, Relator Ministro Lelio Bentes
Correa, DEJT 25/09/2020). (grifos nossos)
Assim, tendo o Tribunal Regional decidido pelo
reconhecimento do direito à estabilidade provisória gestacional à
trabalhadora contratada nos moldes da Lei nº 6.019/74, incorreu a Corte
Regional em possível má-aplicação do item III da Súmula nº 244 do TST.
Conheço do recurso de revista, por má-aplicação do
item III da Súmula nº 244 do TST.

MÉRITO
Como consequência lógica do conhecimento do recurso
de revista por má-aplicação do item III da Súmula nº 244 do TST, dou-lhe
provimento para reconhecer a impossibilidade de estabilidade provisória
gestacional à trabalhadora contratada nos moldes da Lei nº 6.019/74,
excluir da condenação o pagamento da indenização substitutiva e,
consequentemente, julgar improcedentes os pedidos. Custas pela
reclamante no valor de R$ 937,00 (novecentos e trinta e sete reais), das
quais fica isenta por ser beneficiária da justiça gratuita. Indevidos
honorários advocatícios sucumbenciais na forma do artigo 791-A da CLT,
tendo em vista que a ação foi proposta antes da vigência da Lei nº
13.467/2017 (art. 6º da IN nº 41/2018).

ISTO POSTO

ACORDAM os Ministros da Sétima Turma do Tribunal


Superior do Trabalho, por unanimidade, conhecer do agravo de instrumento
e, no mérito, dar-lhe provimento para determinar o processamento do
recurso de revista. Também, por unanimidade, conhecer do recurso de
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2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.
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Justiça do Trabalho
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revista, por má-aplicação do item III da Súmula nº 244 do TST, e, no
mérito, dar-lhe provimento para reconhecer a impossibilidade de
estabilidade provisória gestacional à trabalhadora contratada nos moldes
da Lei nº 6.019/74, excluir da condenação o pagamento da indenização
substitutiva e, consequentemente, julgar improcedentes os pedidos.
Custas pela reclamante no valor de R$ 937,00 (novecentos e trinta e sete
reais), das quais fica isenta por ser beneficiária da justiça gratuita.
Indevidos honorários advocatícios sucumbenciais na forma do artigo 791-A
da CLT, tendo em vista que a ação foi proposta antes da vigência da Lei
nº 13.467/2017 (art. 6º da IN nº 41/2018).
Brasília, 9 de dezembro de 2020.

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001)


RENATO DE LACERDA PAIVA
Ministro Relator

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