Você está na página 1de 2

NOTA DE REPÚDIO A OFENSA RACISTA

As comissões de Igualdade Racial da Seccional do Distrito Federal da


Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) e da Subseção de Águas Claras
manifestam repúdio à ofensa racista direcionada à dra. Thayrane Evangelista,
perpetrada por uma colega advogada em grupo de mensagem por aplicativo.
Também, todo apoio à jovem advogada dra. Thayrane.

O que deve nos preocupar, constantemente, é o silêncio dos bons!


Parafraseando o dr. Martin Luther King, esclarecemos que não há espaço para
silêncio em nossa casa, vez que a conivência não se perpetuará ante casos
grosseiros de desrespeito à colega dra. Thayrane, ou a qualquer outra advogada
ou advogado.

Maldosamente, atribui-se aos negros a imagem animalesca dos símios a


fim de promover a sua desumanização. Seja por conveniência ou seja por
conivência da sociedade estruturalmente racista, demonstra-se como uma das
maneiras mais eficazes de negação de humanidade aos negros. É uma forma
sociopolítica do racismo, no intuito de separar, excluir ou diferenciar pessoas
negras, com finalidade de impedir ou dificultar o reconhecimento e o exercício
de direitos, em bases de igualdade com a sociedade em geral.

Não se pode aceitar que quem pratica racismo o faz de forma inconsciente,
sobretudo, por ser um comportamento socialmente reprovável, de caráter amplo
contra todo o coletivo negro, pois a atribuição da imagem de “macaco” aos
negros é praxe histórica dos ataques racistas. Aliás, não se pode mais aceitar que
o racismo seja algo corriqueiro em nossa sociedade atual.

A infantilização do ofensor, fato que acontece quando percebe que não


partilharam de sua ofensa, é outro típico comportamento nos casos de racismo,
uma vez que é capaz de converter ao agressor toda atenção necessária para
desqualificar a ofensa, fazendo com que a vitimização se torne algo negativo no
caso em si, ou seja, faz com que a vítima se torne protagonista da injusta agressão,
não por ter sido atingida, mas por ter se “ofendido” por algo que “considera-se
de menor relevância”.

Tais considerações visam tão somente aclarar que a sociedade brasileira,


em que pese conivente, ou por conveniência ao racismo, jamais teve por praxe
atribuir a imagem da fruta “banana” à pessoa sem personalidade, mas sim à
associação da imagem do símio ao povo preto.

Ademais, a reserva de pensamento não é direito pleno, não servindo como


subterfúgio para prática racista, pois, para o STF, é possível promover “restrições
à liberdade de expressão (...), desde que visem a promover outros valores e interesses
constitucionais também relevantes e respeitem o princípio da proporcionalidade”.

Diante disso, por não haver espaço para estereótipos dentro da nossa casa
(OAB), incansavelmente, lutaremos para repudiar qualquer tentativa de minorar
ou desqualificar a advocacia negra.

Tivemos em 2020, diversas conquistas em prol da equidade e paridade,


dessarte, não podemos aceitar que comportamentos antissociais afetem nossas
conquistas.

Esperamos que medidas cabíveis sejam adotadas, com o rigor necessário


e exigível em caso de ofensa racial, preservando-se o devido processo legal e
amplo direito de defesa.

Racismo não é mal-entendido. Racismo é crime!

BEETHOVEN NASCIMENTO DE ANDRADE


Secretário-Geral da Comissão de Igualdade Racial da OAB-DF

HECTOR LUIS CORDEIRO VIEIRA


Presidente da Comissão de Igualdade Racial da Subseção de Águas Claras

Observação: dr Beethoven Andrade e dr Hector Vieira assinam esta nota em


nome dos coletivos que participam: Comissão de Igualdade Racial da OAB-DF e
Comissão de Igualdade Racial da Subseção de Águas Claras.