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PRÉ-UNIVERSITÁRIO OFICINA DO SABER Aluno(a):

DISCIPLINA: História PROFESSORES: Ana Carolina Rocha, Diogo Alchorne e Fabrício Sampaio.
Data: / / 2020

APOSTILA DE POPULISMO.

Populismo é um conjunto de práticas políticas que se justificam num apelo ao "povo", geralmente
contrapondo este grupo a uma "elite". Não existe uma única definição do termo, que surgiu no século XIX e
tem obtido diferentes significados desde então.
A definição de populismo é bastante complexa, mas, de uma forma geral, quando o termo é utilizado,
ele se refere a práticas políticas exercidas por governos da América Latina, ao longo do século XX. No caso
do Brasil, o conceito clássico de populismo tem muita associação com o período de 1930 a 1964,
considerado o auge do populismo no Brasil.
Ainda assim, a definição de populismo arrastou-se para o século XXI e está muito relacionada a
governos que possuem um grande apelo com as camadas mais pobres do local que governa. No Brasil,
alguns dos presidentes que foram considerados símbolos do populismo foram Getúlio Vargas, Juscelino
Kubitschek e João Goulart.
Historicamente, o populismo tornou-se uma força importante na América Latina, principalmente a
partir de 1930, estando associado à industrialização, à urbanização e à dissolução das estruturas
políticas oligárquicas, que concentravam firmemente o poder político na mão de aristocracias rurais. No
Brasil, a gênese do populismo está ligada à Revolução de 1930, que derrubou a República Velha oligárquica
e colocou no poder Getúlio Vargas, que viria a ser a figura central da política brasileira até seu suicídio, em
1954.

CARACTERÍSTICAS DO POPULISMO:

 Governos comandados por políticos de muito carisma e liderança popular.


 Apoio de diferentes segmentos e classes sociais.
 Defesa dos interesses nacionais e exaltação do país (nacionalismo).
 Nacionalismo econômico.
 Intenso uso da propaganda política.

PRINCIPAIS LÍDERES POPULISTAS:

México Lázaro Cárdenas:


• Eleito através de eleição direta.
• O governo Cárdenas foi o governo que mais distribuiu terras dentre o período de 1915 à 1962.
Sendo inclusive, essa relação com o campesinato rural no México, um dos grandes diferenciais dos
outros governos populistas.
• O governo Cárdenas mostrou-se progressista e não repressor. O Estado cardenista não reprimiu as
greves nem outras manifestações operárias ou camponesas

Argentina Juan Perón e Evita Perón:

• Eleito através do voto direto.


• O peronismo se caracterizou por uma política de concessões à classe operária, mas, ao lado das
concessões, havia uma postura autoritária repressiva do regime contra oposicionistas em geral.
• A política posta em prática por Perón levou a um atrelamento dos sindicatos à burocracia estatal e
durante o regime peronista, os sindicatos são reconhecidos como uma mediação entre trabalhadores
e poder político.

Brasil Getúlio Vargas:

• Golpe de estado, governo constitucionalista e ditadura do estado novo.


• Semelhante a Argentina o Estado intervém nos sindicatos e passa a legislar sobre as necessidades dos
trabalhadores, além disso o governo Vargas ao intervir nos sindicatos os torna dependente do poder
público, através do repasse de “contribuições” (impostos), dos trabalhadores para o sindicatos e
tornando oficiais apenas os sindicatos que se alinhassem ao governo.

Outros líderes populistas:

• Gustavo Rojas Pinilla, da Colômbia.


• Victor Raúl Haya De La Torre, do Peru.
• José María Velasco Ibarra, do Equador.
• António de Oliveira Salazar, de Portugal.

GOVERNOS POPULISTAS NO BRASIL – PERÍODO DEMOCRÁTICO.

O início da Quarta República, período democrático foi resultado direto do desgaste do regime ditatorial
instalado por Vargas em 1937, o Estado Novo. Entre 1942 e 1943, a política de massas de Vargas começou a
incomodar uma parcela significativa do país. Além disso, começou-se a questionar o fato de vigorar
internamente um Estado policial que impunha a censura e centralizava o poder, enquanto que,
externamente, tropas brasileiras eram enviadas desde 1944 para a Europa para lutar contra o nazifascismo
em defesa dos valores democráticos.

Esse quadro refletiu diretamente em parte da elite brasileira e nos meios militares. Assim, na virada de
1944 para 1945, ambos os grupos começaram a ampliar esforços para que acontecesse uma transição de
poder para um regime democrático. Em resposta a essa pretensão, Vargas anunciou o Ato Adicional, uma
emenda constitucional baixada em fevereiro de 1945.
Essa emenda à Constituição de 1937 decretava que seria determinada, no prazo de 90 dias, a data para
realização de eleição presidencial no Brasil. Com essa emenda, começaram a organizar-se no Brasil os
partidos políticos que concorreriam à disputa pelo poder e que protagonizariam a política brasileira durante a
Quarta República.
Ao longo de 1945, o desgaste de Vargas no poder ampliou-se consideravelmente. Primeiramente, surgiu
o “Queremismo”, movimento que reivindicava a democratização do país sob a tutela de Vargas. O
surgimento dessa ação desagradava aos liberais, que afirmavam que Vargas não deveria participar do pleito.
Além disso, Vargas decretou em agosto uma lei contra o truste e as práticas de monopólio, a qual
desagradou os liberais. Em outubro, baixou um decreto antecipando as eleições estaduais e municipais do
país, aumentando seu desgaste com a parcela antigetulista do país.
O estopim para a deposição presidencial aconteceu quando Vargas demitiu João Alberto, chefe da
polícia do Distrito Federal, substituindo-o por Benjamin Vargas, seu irmão. Essa ação desagradou
profundamente aos militares, que agiram e deram um ultimato ao presidente, obrigando-o a abandonar a
presidência do Brasil.

QUADRO POLÍTICO DA QUARTA REPÚBLICA

Com o Ato Adicional e a garantia de que a eleição presidencial no Brasil seria realizada em 1945, a
vida política do nosso país agitou-se. Partidos políticos começaram a organizar-se para a disputa
presidencial e para as disputas estaduais e municipais, que também aconteceriam nesse período. Durante a
Quarta República, existiram diversos partidos políticos no país. Entre eles, podem ser destacados os três
maiores:

 União Democrática Nacional (UDN): partido liberal e conservador organizado em torno de uma
pauta moralista que atacava, principalmente, a corrupção, associando-a a seus adversários. O
discurso desse partido centrava-se no antigetulismo e, durante a Quarta República, atuou no
enfraquecimento da democracia instaurada. Carlos Lacerda foi a maior personalidade desse partido.
 Partido Social Democrático (PSD): esse partido surgiu com a atuação dos burocratas nos quadros
do Estado Novo e contou com grande participação dos interventores nomeados por Vargas. Esse
partido foi o maior desse período e demonstrou grande habilidade em angariar votos dos
eleitores. Juscelino Kubitschek foi o nome de destaque.
 Partido Trabalhista Brasileiro (PTB): partido criado pelo próprio Getúlio Vargas como forma de
continuar sua política de aproximação das massas. O PTB tinha forte apelo, sobretudo, aos
trabalhadores urbanos e, ao longo da Quarta República, alinhou suas pautas com a esquerda política.
Os destaques desse partido foram Getúlio Vargas e João Goulart.
 Conforme mencionado, havia na política brasileira outros partidos de menor expressão. Os três
citados acima, além de maiores, também foram responsáveis por alcançar mais números de votos.
Outros partidos de pequena expressão que existiram nesse período foram
o Partido Social Progressista (PSP) e o Partido Democrata Cristão (PDC).
O Partido Comunista Brasileiro (PCB) teve vida curta e atuou entre 1945 e 1947.
A nova Constituição do Brasil foi elaborada após a formação de uma Constituinte nas eleições de
1945. Com a posse do presidente eleito, Eurico Gaspar Dutra, a Constituinte reuniu-se durante meses até a
promulgação da nova Constituição em 18 de setembro de 1946.
A Constituição de 1946 exprimia os valores ideológicos dos políticos eleitos em 1945 e era, portanto,
uma Constituição liberal. Em relação às questões democráticas, a Constituição trouxe melhorias
consideráveis, pois retomou valores que haviam sido suprimidos no Estado Novo e aumentou
significativamente o número de eleitores no Brasil, já que definiu que homens e mulheres maiores de 18
anos tinham direito ao voto.

A Constituição, no entanto, tinha seus pontos negativos. Um deles era a exclusão dos analfabetos do
direito de votar, o qual só foi obtido em 1988. Além disso, a Constituição não concedeu aos trabalhadores
rurais os direitos trabalhistas obtidos nos anos anteriores pelos trabalhadores urbanos. Além disso, uma
cláusula referente à reforma agrária em particular foi alvo de intensos debates anos depois.

Eurico Gaspar Dutra- PSD (1946-1951)

• Constituição de 46.
• República Federativa.
• Presidencialismo (mandato de 5 anos)
• Independência entre os 3 poderes.
• Liberal e redemocratizante.
• Alinhamento com E.U.A (Guerra Fria)
• Rompimento com a URSS.
• Fechamento e cassação do PCB.
• Aumento das importações e do custo de vida.
• Proibição de greves.
• Plano SALTE (saúde, alimento, transporte e energia).
• Pavimentação da rodovia Rio- SP (Via Dutra).

Getúlio Vargas PTB (1951-1954).

• Política econômica nacionalista e intervencionista.


• Trabalhista.
• Modernização acelerada.
• Criação da Petrobrás „ O petróleo é nosso‟.
• Eletrobrás.
• Criação do BNDE ( Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
• Aumento do salário mínimo 100% que gerou profunda insatisfação nos militares, que criticavam
incisivamente Vargas, e nos udenistas.

Um dos maiores nomes do antigetulismo foi Carlos Lacerda, jornalista e dono do Tribuna da Imprensa.
Esse jornalista foi, inclusive, o pivô da crise final do governo Vargas.

Em 5 de agosto de 1954, Carlos Lacerda foi atacado na porta de sua casa, na Rua Tonelero, em
Copacabana, Rio de Janeiro. As investigações descobriram que Gregório Fortunato, chefe de segurança do
palácio presidencial, havia sido o mandante do crime. Vargas passou a ser bombardeados por pedidos de
renúncia até que, em 24 de agosto de 1954, cometeu suicídio no Palácio do Catete.
O vice-presidente Café Filho (PSP) assumiu a presidência, e por motivos de saúde foi substituído pelo
presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz que foi deposto pelo movimento de militares, sendo
sucedido por Nereu Ramos presidente do senado. Somente foram realizadas novas eleições em outubro de
1955.

Juscelino Kubitschek (1955-1961):

 Vinculado à chapa PSD/PTB.


 Plano de Metas: estipulava investimentos em áreas cruciais do país, como energia e transporte, com o
slogan 50 anos em 5, para desenvolver o país.
 Desenvolvimento urbano (criação e investimento em rodovias)
 Construção da estrada Belém-Pará e da Usina De Furnas e Três Marias.
 Implantação da indústria automobilística.
 Empréstimos (endividamento e crise econômica pós governo).
 Criação da SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste).
 Rompimento com o FMI.
 Construção de Brasília.

Jânio Quadros (1961)

• Eleito com o apoio da UDN.


• Reatou com o FMI.
• Política econômica de austeridade (liberou a cotação do dólar, encareceu os produtos importados ).
• Cortou subsídios do governo.
• Desvalorização monetária brasileira em 100%.
• Congelamento de salário.
• Proibição da briga de galos, lança-perfume e o uso de biquíni.
• Condecoração do Ministro das Relações Exteriores de Cuba com a Ordem do Cruzeiro do Sul,
Ernesto “Che” Guevara.
• Rompimento de Carlos Lacerda (UDN).
• Renúncia.

O Estado populista chegou ao seu apogeu no final da Segunda Guerra Mundial, que novamente
beneficiou o desenvolvimento da indústria de substituição de importações na América Latina. Esse
desenvolvimento favoreceu uma relativa estabilidade política. Ao terminar a Guerra, as exportações
latino-americanas de matérias-primas declinaram. Portanto, faltaram divisas pari continuar importando
as máquinas e equipamentos que se destinavam à expansão da indústria.

A crise na zona rural acarretou a migração maciça de camponeses para as cidades, forçando os
governos a fazerem grandes despesas com obras de infraestrutura, o que aumentou a dívida pública,
ocasionando um processo inflacionário crônico, que demonstrou a incapacidade dos governos populistas
em promover desenvolvimento econômico autônomo.

As burguesias nacionais, até então beneficiárias dos projetos populistas de industrialização, por
temerem a radicalização política das classes populares e : “„perigo” socialista, aliaram-se às velhas
oligarquias rurais. Estes dois setores convocaram as Forças Armadas para “manter i ordem”, permitindo
que golpes militares liquidassem o Populismo.