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SENTENÇA CÍVEL

Sentença Cível

SISTEMA DE ENSINO

Livro Eletrônico
SENTENÇA CÍVEL
Sentença Cível
Jayder Araujo

Sumário
Apresentação..................................................................................................................4
Sentença Cível. ................................................................................................................6
1. Aspectos Jurídicos e Redacionais da Sentença.............................................................6
1.1. Definição de Sentença................................................................................................6
1.2. Elementos Essenciais da Sentença.. .......................................................................... 7
1.3. Vícios da Sentença....................................................................................................8
1.4. A Sentença conforme o Estado do Processo. . ...........................................................9
1.5. Aspectos Redacionais da Sentença.......................................................................... 11
2. Do Relatório.............................................................................................................. 13
2.1. Função e Características Principais......................................................................... 13
2.2. Conteúdo................................................................................................................ 14
2.3. Aspectos Redacionais do Relatório.. .......................................................................22
2.4. Exemplo de Relatório.............................................................................................23
3. Da Fundamentação. ...................................................................................................26
3.1. Aspectos Jurídicos..................................................................................................26
3.2. Identificação das Questões Jurídicas e Ordem de Apreciação. . .............................. 28
3.3. Argumentação Jurídica e o Silogismo Jurídico........................................................ 31
3.4. Doutrina, Precedentes e Jurisprudência.................................................................38
3.5. Da Estruturação da Fundamentação..................................................................... 40
3.6. Exemplo de Fundamentação..................................................................................46
4. Do Dispositivo.......................................................................................................... 58
4.1. Introdução............................................................................................................. 58
4.2. Parte Principal do Dispositivo: Resolução das Questões Jurídicas..........................59

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4.3. Segunda Parte do Dispositivo: Despesas Processuais e Honorários Advocatícios. . .70


4.4. Terceira Parte do Dispositivo: Comandos de Impulso Processual........................... 74
4.5. Exemplo de Dispositivo.......................................................................................... 74
Desafio.......................................................................................................................... 77
Desafio Comentado.......................................................................................................79

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Jayder Araujo

Apresentação

Caro(a) aluno(a),
Eu me chamo Jayder, sou Juiz de Direito do TJDFT desde maio de 2003.
A minha caminhada no serviço público começou em 1991, quando fui aprovado, aos 18
anos, no concurso da Caesb – Companhia de Águas e Esgotos de Brasília. Mesmo traba-
lhando oito horas diárias, continuei os meus estudos e, em 1993, fui aprovado para o cargo
de técnico judiciário do TJDFT e do TRF-1. Fui chamado primeiro para o TJDFT, onde tomei
posse em 1994.
Em 1998 me formei em Direito e, no mesmo ano, fui aprovado em 1º lugar para o cargo de
Analista Judiciário do TJDFT, onde tive a oportunidade de trabalhar com juízes que me inspi-
raram e me fizeram acreditar que a magistratura era um sonho possível.
Prossegui os meus estudos, conciliando com o trabalho e a família. O  ano de 2003 foi
mágico para mim. Fui aprovado nos concursos de Procurador da República, de Promotor de
Justiça Adjunto do MPDFT e de Juiz de Direito Substituto do TJDFT.
Tomei posse no cargo de Procurador da República, onde permaneci por quatro meses en-
quanto aguardava a minha posse como Juiz de Direito do TJDFT. A posse no cargo de juiz foi
a realização de um sonho planejado.
Em 2009 iniciei um novo desafio na minha vida. Aceitei um convite para ministrar um curso
de Processo Civil e, a partir daí, a sala de aula se tornou a minha segunda realização profissio-
nal.
Esse curso prático de sentença cível é a consolidação de mais de dez anos de aulas presen-
ciais, compartilhando com os alunos a minha experiência na técnica de elaboração de sentença.
O PDF foi produzido com o fim de auxiliá-lo a estruturar e a redigir a sentença cível confor-
me a técnica adequada. Ele consolida e complementa o conteúdo produzido nas videoaulas,
bem como servirá como um material prático, objetivo e de fácil leitura, em que você poderá
assimilar o passo a passo para estruturação e redação dos três elementos da sentença cível.
Alguns alunos costumam me indagar quando devem começar a se preparar para a prova
prática de sentença. O meu conselho é que faça isso o quanto antes possível, pois a senten-
ça envolve o desenvolvimento de uma habilidade diferente, consistente em fazer algo. Numa

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analogia, seria como aprender a andar de bicicleta; quanto mais praticamos, mais seguros e
melhores manobras realizaremos.
Além disso, à  medida em que construímos novas peças, vamos consolidando os
conteúdos, pois os institutos, antes estudados de forma teórica, começam a ser melhor
compreendidos quando são aplicados em casos concretos.
Para o aprendizado completo, é essencial que você faça exercícios e tenha um fee-
dback honesto para o aprimoramento da sua técnica. Pensando nisso, estamos ofere-
cendo no Gran Cursos, além das videoaulas e desse PDF, um curso específico de corre-
ção de peças práticas referentes a concursos anteriores, com feedback individualizado
para o refinamento do treinamento.
Com isso, temos a expectativa que o aluno esteja seguro na fase da prova prática
de sentença e não corra maiores riscos de ser eliminado do certame, pois estará muito
preparado para redigir, com técnica diferenciada, essa peça prática.
Para dar um gostinho de quero mais, ao final do PDF foi lançado um desafio, em que
você terá a oportunidade de produzir uma sentença e compará-la com um espelho co-
mentado.
Saiba que estamos juntos nessa caminhada. A sua vitória é a nossa realização. Con-
te sempre conosco.
Agora é hora de estudar. Vamos lá!

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1. Aspectos Jurídicos e Redacionais da Sentença

1.1. Definição de Sentença

Considerando que a proposta do curso é aprendermos a elaborar uma sentença cível,


necessitamos compreender em que consiste esse ato judicial. Para nos auxiliar nessa
tarefa, o próprio Código de Processo Civil traz uma definição bastante clara e didática.
Vejamos:

Art. 203, § 1º Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença


é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à
fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução.

Extraímos dessa definição que:


• a sentença é um ato privativo do juiz;
• em relação ao conteúdo, a sentença poderá resolver questões de natureza processual
e de direito material;
• quanto ao efeito sobre a relação processual, para que seja uma sentença, ela deverá
colocar fim à fase de conhecimento ou deverá extinguir a execução.

Em provas de concurso para a magistratura, o examinador será bastante rigoroso na cor-


reção dessa peça prática e o filtro de seleção estará direcionado à escolha dos candidatos
que estejam mais habilitados a proferirem sentenças de acordo com a técnica e com a matu-
ridade jurídica exigida para a prática de ato dessa natureza.
A sentença mais desafiadora, pela sua própria natureza, é aquela que coloca fim à fase de
conhecimento. Baseado nisso, todo o curso será focado na sua preparação para a elaboração
dessa sentença cível.
Para isso, haverá um passo a posso bastante objetivo e prático para que você não se es-
queça de nada.

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Com a aplicação adequada da técnica, você certamente se destacará, aos olhos do exa-


minador, no comparativo com qualquer outro candidato que, embora tenha conhecimentos
jurídicos até equiparados ao seu, não consegue transferir, de forma técnica, todo esse saber
para a peça prática.

1.2. Elementos Essenciais da Sentença

Passando agora ao estudo dos elementos da sentença, observamos que o art.  489 do
CPC é bastante sucinto, exigindo apenas que o julgador atenda a três elementos essenciais:
relatório, fundamentos e dispositivo.

Art. 489. São elementos essenciais da sentença:


I – o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e
da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo;
II – os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito;
III – o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem.

Esses elementos poderiam ser comparados a peças de um quebra-cabeça, pois sozinhos


teriam pouco sentido, mas quando são interligados e bem encaixados, trazem um sentido
lógico para o texto e possibilitam a exata compreensão das questões de fato e de direito apre-
sentadas pelas partes e da solução jurídica construída pelo julgador.
Vamos falar um pouco sobre cada um deles:
• Relatório: esse primeiro elemento conterá, como núcleo essencial, a síntese da petição
inicial, com os nomes das partes, a identificação da causa de pedir e a suma dos pe-
didos; deverá revelar, ainda, o conteúdo de defesa apresentado na contestação e, por
fim, deverá apresentar o registro das principais ocorrências havidas no andamento do
processo. Os concursos, em geral, fornecem o relatório pronto;
• Fundamentos: no segundo elemento, o juiz analisará as questões de fato e de direito. É,
sem dúvida, a parte mais desafiadora da sentença e precisamos ter muita organização
para que a fundamentação seja desenvolvida com a profundidade necessária e sem
atropelos dos argumentos que envolvem a análise de cada uma das questões jurídicas
apresentadas pelas partes;

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• Dispositivo: é a conclusão do julgamento, em que o juiz resolverá as questões princi-


pais que as partes lhe submeterem. É de onde se extrai, em regra, o que costumamos
denominar “a lei entre as partes”, tendo em vista que os litigantes se subordinarão aos
seus efeitos quando houver a formação da coisa julgada.

A proposta do nosso curso é que consigamos, ao final, redigir uma sentença, de forma
técnica, atendendo a esses três elementos.
Não há uma única forma de se fazer isso, pois o estilo de cada um interferirá diretamente
no resultado final. Entretanto, todas as sentenças deverão atender aos três elementos para
que elas sejam um ato judicial existente e válido.
Com o curso, pretendemos abandonar o trabalho puramente empírico, em que utilizamos
modelos de sentenças prontas e simplesmente tentamos adaptá-los ao caso sob julgamento,
para passarmos a elaborá-las à luz da técnica, com mais clareza sobre o passo a passo des-
sa construção, ainda que utilizemos a experiência decorrente de modelos já estudados como
a base para a elaboração de novas sentenças.
A proposta do curso é justamente essa: que ao final você saiba o que deve fazer e como
deve fazer para que a sua sentença esteja de acordo com a melhor técnica.

1.3. Vícios da Sentença


A atividade judicante não é livre e ilimitada. De acordo com o princípio da congruência ou
da correlação, o juiz, no momento de sentenciar, estará adstrito às questões que foram pro-
postas pelas partes no processo, sendo a ele vedado julgar aquém, além ou fora do limite do
que foi postulado, exceto em relação às questões que a própria lei lhe permite conhecer de
ofício.
Se ele atua em desconformidade com os limites que a lei lhe confere, a sua sentença pa-
decerá de algum vício, podendo ela ser considerada infra ou citra petita, ultra petita ou extra
petita.
Sentença infra ou citra petita: é aquela que não examina, em toda a sua amplitude, o pe-
dido formulado na inicial ou os fundamentos de fato e de direito essenciais para o conheci-
mento da lide; ou não inclui como destinatário da decisão judicial todos aqueles que figuram
no polo passivo da demanda.

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Sentença ultra petita: é a sentença que concede às partes mais do que elas pediram; além
dos fatos e fundamentos jurídicos apresentados, analisa outros fatos ou fundamentos não
postos em discussão; ou inclui como destinatário da ordem, além das partes e dos interve-
nientes, outras pessoas que não faziam parte da relação processual.
Sentença extra petita: a sentença extra petita concede às partes o que não foi pedido;
analisa fatos e fundamentos jurídicos não apresentados quer na petição inicial quer na res-
posta do réu; ou inclui com destinatário da decisão judicial exclusivamente pessoas que não
fazem parte da relação jurídica processual.
As previsões normativas que visam combater os vícios da sentença estão previstas nos
seguintes artigos do CPC:

Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo-lhe vedado conhecer de
questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte.
Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a
parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado.

Se, na prova de concurso, cometermos qualquer desses vícios, com certeza seremos des-
pontuados ou, até mesmo, eliminados do certame.
Portanto, na prática, o candidato deverá saber extrair de um processo as questões sub-
metidas à sua análise e decidi-las nos limites do que foi postulado, a fim de evitar que a sen-
tença padeça de qualquer vício.
Não fique preocupado se você ainda não sabe fazer isso, pois a correta delimitação das
questões jurídicas de uma sentença será bem trabalhada na primeira parte da aula de funda-
mentação.

1.4. A Sentença conforme o Estado do Processo

Para a elaboração de uma sentença bem estruturada, é essencial que o candidato reco-
nheça que a relação processual se desenvolveu de forma válida e regular e que o processo
está maduro para julgamento.
O ato judicial a ser praticado no concurso, conforme previsto no art.  49 da Resolução
75/2009 do CNJ, será uma sentença.

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Art. 49. A segunda prova escrita será prática de sentença, envolvendo temas jurídicos constantes
do programa, e consistirá:
I – na Justiça Federal e na Justiça estadual, na elaboração, em dias sucessivos, de 2 (duas) sen-
tenças, de natureza civil e criminal;
II – na Justiça do Trabalho, na elaboração de 1 (uma) sentença trabalhista;
III – na Justiça Militar da União e na Justiça Militar estadual, de lavratura de sentença criminal.

Portanto, o ato é de cognição exauriente e finaliza a fase de conhecimento. Nesse sentido,


é natural que o examinador exija a sentença mais complexa possível, envolvendo a análise e
resolução de questões de natureza processual e de direito material.
Para que possamos identificar com mais clareza as fases do procedimento comum e o
momento em que o processo estará maduro para julgamento, observe o fluxo do procedimen-
to comum:

Para que o examinador possa trazer um conjunto de questões de natureza processual e


de direito material, é muito comum nos concursos que seja apresentado um caso de julga-
mento antecipado do mérito, previsto no art. 355, inciso I, do CPC, em que o candidato terá
que justificar que não há a necessidade de produção de provas na fase instrutória, pois na
fase postulatória as partes juntaram, com as suas petições, documentos suficientes para a
elucidação das questões fáticas controvertidas.
Essa escolha não é aleatória, tendo em vista que nesse tipo será agregado à sentença o
saneamento do processo, com a resolução das questões processuais pendentes.
Em casos menos frequentes, temos nos deparado com provas em que o examinador in-
forma que houve a produção de prova na fase instrutória – situação que afasta a hipótese
de julgamento antecipado do mérito – mas que não houve o prévio saneamento do processo
com a resolução das questões processuais, justamente para exigir que o candidato as analise
na sentença.

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Diante desse grau de dificuldade, a proposta do curso é que você consiga redigir, de forma
técnica, racional e organizada, a sentença do tipo mais complexa. Se você souber fazer o que
é o mais difícil, não terá maiores problemas se a sentença tiver um grau de dificuldade menor.

1.5. Aspectos Redacionais da Sentença

Antes de adentrarmos ao estudo e à prática de cada um dos três elementos da sentença,


é muito importante que batamos um papo sobre a questão redacional. Como a minha inten-
ção é ajuda-lo, de maneira franca e honesta, a obter êxito no certame, preciso registrar algo
que pode ressoar um pouco duro para você.
Leia e reflita: “um juiz precisa saber escrever bem, conforme o padrão culto do nosso idio-
ma”.
Não estou dizendo que o candidato precisa ser um exímio escritor, mas ele será avaliado
de forma bastante rigorosa quanto ao seu domínio da língua portuguesa escrita. O conheci-
mento jurídico necessita ser transmitido de forma eficiente.
Então fica o meu conselho: faça uma autocrítica e seja sincero(a) consigo. Se não tem
essa segurança, peça a alguém de sua confiança que faça essa avaliação. Se você identificar
que há necessidade do aprimoramento do português, vá em busca dessa capacitação, senão
haverá sempre a frustração e o sentimento de injustiça, principalmente quando você perceber
que dominava a matéria de Direito na prova que fez, mas não soube expressar-se adequada-
mente e de forma organizada.
Diante disso, você pode estar se perguntando: ao redigirmos a sentença, quais são os
aspectos redacionais mais relevantes?
O CPC é silencioso sobre esse tema, mas para a elaboração de uma sentença de boa qua-
lidade técnica, não podemos negligenciar alguns aspectos redacionais:
• Correção gramatical: a sentença é um ato formal e, por essa razão, necessitamos re-
digi-la de acordo com o padrão culto da linguagem. Note, contudo, que correção gra-
matical nada tem a ver com “escrever bonito”. Refere-se a aplicar os padrões de nosso
idioma de forma adequada. O conteúdo jurídico é a base da sentença, mas é imprescindível

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que a sua redação esteja de acordo com as regras gramaticais. É essencial, nesse pon-
to, o cuidado com a ortografia e com a gramática. Não é hora de inventar e aventurar-se
por uma escrita artificial para buscar impressionar o examinador. Nesse momento, use
o português que é do seu domínio e tente cometer o mínimo possível de deslizes;
• Simplicidade: apesar da solução jurídica ser uma solução técnica, é fundamental que a
comunicação seja realizada da forma simples, uma vez que nossa atenção deverá estar
voltada a facilitar a compreensão do nosso argumento. Imagine que o examinador terá
que ler uma quantidade expressiva de sentenças. Você precisa ser inteligente e facilitar
a vida dele, com um texto técnico, mas de fácil leitura e compreensão;
• Clareza: é necessário ser claro na mensagem para evitar dubiedade. Os argumentos
necessitam ser sólidos e inequívocos, com um desenvolvimento bem organizado para
que o examinador consiga acompanhar, sem nenhuma dificuldade, o seu raciocínio ju-
rídico. Provavelmente o examinador não terá paciência de reler aquilo que você escre-
veu para tentar compreender o seu argumento jurídico;
• Concisão: significa falar apenas o necessário. No entanto, dentro do que é necessário,
nada pode faltar. É importante exaurir a fundamentação e fazê-la com a profundidade
adequada, mas sem ser prolixo. Em alguns concursos, as  bancas estão limitando o
número de linhas que o candidato poderá utilizar. Isso é um desafio tremendo, pois o
argumento jurídico não poderá ser esvaziado em face dessa limitação. Isso está em
sintonia com a objetividade da comunicação da nossa sociedade na atualidade;
• Imparcialidade: apesar de a solução jurídica atender, em geral, ao  interesse de uma
parte e contrariar ao da outra, o juiz deve ter o cuidado de não parecer tendencioso.
O julgador jamais pode tomar partido de uma das partes, uma vez que o partido do
julgador é o próprio ordenamento jurídico. A redação “apaixonada” não é típica, nem
adequada em uma sentença. Um texto sólido de sentença prioriza os substantivos e
verbos, enquanto as demais classes gramaticais são usadas com cautela, em especial
adjetivos, pois eles rotulam, qualificam. Se você tem prática jurídica como advogado
ou como outro ator na relação processual, deverá ter cuidado redobrado para evitar a
exteriorização das paixões pela causa. O perfil de seleção para a prova de sentença é
de pessoas sensatas e equilibradas. Não se esqueça disso;

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• Precisão terminológica: aqui a dica é conhecer os institutos e usá-los adequadamente.


O argumento jurídico válido é construído dentro do ordenamento jurídico. O juiz deve
ter o cuidado de utilizar, corretamente, os termos jurídicos, evitando confusões entre
eles, com o emprego inadequado de terminologias que não representam, dentro da ci-
ência do Direito, o instituto em debate. Não dá, por exemplo, para falar em prescrição
quando o debate é sobre decadência e vice-versa. Isso, certamente, trará prejuízo à
avaliação do candidato;
• Organização textual: significa redigir de forma estruturada, não passando para uma
questão jurídica sem ter exaurido a anterior. Em cada parágrafo detenha-se a apenas
uma questão jurídica para evitar o texto confuso e a fragilização do argumento. Evite
parágrafos demasiadamente extensos, pois enfraquecem o seu fundamento central.

Não se pretende, com essas dicas, esgotar as questões que envolvem o aspecto redacio-
nal da sentença, mas tão somente sensibilizá-lo de que esses cuidados são primordiais para
que não haja prejuízo na nota pela falta de domínio do uso do vernáculo.
A sua prova de sentença não poderá ser um laboratório para experiências, pois o risco de
um resultado desastroso será muito alto.
A preparação deve ser contínua, pois somente com a resolução reiterada de exercícios e
de provas você será capaz de aperfeiçoar a técnica para a elaboração da peça mais próxima
do ideal esperado pelo examinador.
Isso não é um bicho de sete cabeças, mas é essencial que você tenha o feedback de al-
guém com experiência e capacidade para corrigir o seu exercício.

2. Do Relatório

2.1. Função e Características Principais

Vimos que o relatório é um dos elementos essenciais da sentença. Portanto, devemos


estar preparados para elaborá-lo conforme a melhor técnica, pois se ele não for dispensado,
certamente contribuirá para a nota final da prova.

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O relatório somente não será essencial nas sentenças proferidas no sistema dos Jui-
zados Especiais Cíveis, em que ele é dispensado por força do disposto no art. 38 da Lei n.
9.099/1995. Entretanto, não é comum, nos concursos, a escolha de uma sentença de juizado
especial pelo examinador.
Para a boa elaboração do relatório, precisamos estar atentos à sua função primor-
dial: apresentar uma síntese das manifestações das partes e dos atos processuais mais
relevantes.
O texto deve ser essencialmente narrativo, construído na terceira pessoa do singular,
pois o objetivo, nesse momento, é fazer um relato histórico dos fatos e fundamentos jurí-
dicos na perspectiva apresentada pelas partes, bem como das principais ocorrências no
curso do processo.
Devemos ter o cuidado de não introduzir qualquer posicionamento do julgador sobre os
fatos e fundamentos invocados pelas partes, pois essa atividade deverá ser reservada para o
momento da fundamentação.
Em síntese, podemos dizer que o relatório representa a narrativa histórica do processo.

2.2. Conteúdo
É muito comum ficarmos em dúvida sobre o que é necessário inserir no relatório e o que
podemos omitir. Para responder a essa indagação, é importante observarmos a redação do
inciso I do art. 489 do CPC.

Art. 489. São elementos essenciais da sentença:


I – o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e
da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo;

Segundo esse dispositivo legal, é imprescindível que o relatório contenha:


• Os nomes das partes: toda sentença solucionará um conflito entre pessoas. Logo,
a primeira exigência do relatório é que elas sejam, expressamente, identificadas. Es-
sas pessoas são denominadas as partes do processo e constituem um dos elementos
essenciais para a existência de uma ação. Considerando a necessidade de que o relatório

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contenha os nomes das partes, imagine que você se deparou com um litisconsórcio no
polo ativo ou no polo passivo da ação. Nessa situação, não está tecnicamente correto
utilizarmos no relatório a expressão “e outros” para fazermos referência aos demais
litisconsortes. Em um caso como esse, independentemente da quantidade de pessoas
que ocupam o polo, é necessário e indispensável nominar uma a uma. O termo “e ou-
tros” somente é admitido no preâmbulo (dados do cabeçalho da sentença), cuja função
é identificar o número do processo, a natureza da ação e as partes envolvidas. O pre-
âmbulo antecede a redação da sentença e não é um elemento obrigatório. Por vezes,
também nos deparamos com a seguinte redação: “Fulano e Sicrano, partes devida-
mente qualificadas nos autos, ajuizaram ação de indenização em face de Beltrano”.
A expressão “partes qualificadas nos autos” não é necessária no relatório, mas se você
inserir, não haverá nenhum erro. Evite, contudo, o emprego da expressão “devidamente
qualificadas”, tendo em vista que o “devidamente” enseja um juízo de valor, o que não é
adequado para o relatório. O nome dado à ação, embora não seja um requisito essen-
cial do relatório, geralmente é indicado no mesmo parágrafo em que identificamos os
nomes das partes. Essa é uma prática recomendável, pois facilitará a compreensão do
objeto da ação. Contudo, não há nenhum erro no texto que a suprime;
• Resumo do caso (causa de pedir): depois de identificarmos as partes, é hora de fazer-
mos um resumo da causa de pedir. A dica é iniciarmos pela leitura dos pedidos, pois,
se compreendermos o alcance da pretensão da parte autora, teremos mais facilidade
para relatar os fundamentos de fato e de direito que guardam relação com os pedidos,
evitando a narrativa de elementos que não trarão nenhuma repercussão para o julga-
mento. Muitos juízes preferem, por questão de estilo, relatar os pedidos antes de apre-
sentar a causa de pedir, justamente porque iniciam a leitura pelos requerimentos. Não
há nenhum equívoco nessa técnica, embora seja mais usual e recomendável para uma
prova de concurso que primeiro façamos a narrativa da causa de pedir e só, ao final,
relatemos os pedidos. A causa de pedir, conforme a teoria da substanciação adotada
pelo CPC, compreende os fundamentos de fato e de direito. Logo, o resumo da causa
de pedir precisa, a rigor, trazer tanto a narrativa dos fatos revelada pela parte autora,
quanto os argumentos jurídicos que ela invoca para a proteção do seu suposto direito

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violado. Na prática, entretanto, muitos juízes somente se atêm ao relato dos fundamen-
tos de fato, ancorados nos brocardos iura novit curia (o juiz conhece o direito) e da mihi
factum dabi tibi jus (dei-me os fatos e te dou o direito). Nas provas de concurso para
a magistratura, o mais usual é que o relatório seja fornecido pelo examinador. Nesses
casos, geralmente são apresentados tão somente os fundamentos de fato, pois a in-
tenção da banca é aferir se o candidato consegue fazer a subsunção desses fatos à
norma adequada;
• Os pedidos: o juiz não deve julgar aquém, além ou fora do que foi pedido. Portanto, são
os pedidos que delimitam até onde o julgador deve ir. Em suma, o juiz presta a jurisdi-
ção no limite da postulação.

Considerando que a sentença deve guardar perfeita correlação com a pretensão apresen-
tada pela parte autora, o art. 322 do CPC exige que o pedido seja certo, ou seja, expresso, a fim
de que não pairem dúvidas sobre qual é o bem jurídico que a parte busca proteção, evitando-
-se o julgamento extra petita.

Art. 322. O pedido deve ser certo.


§ 1º Compreendem-se no principal os juros legais, a correção monetária e as verbas de sucumbên-
cia, inclusive os honorários advocatícios.

Os casos de pedidos implícitos estão, expressamente, previstos em lei, tais como juros
legais, correção monetária, verbas de sucumbência e prestações sucessivas, no caso de obri-
gações continuadas.
No concurso, o candidato deve ter um cuidado especial com a identificação dos pedidos, pois
qualquer omissão acarretará a perda de pontos que poderão ser determinantes para uma aprova-
ção.
O pedido também deverá ser, em regra, determinado, conforme o disposto no art. 324 do
CPC. Exige-se, assim, que a parte identifique o bem jurídico em relação à sua qualidade e
quantidade, para que o juiz possa proferir uma sentença líquida, nos limites do que foi postu-
lado, evitando julgamentos citra ou ultra petita.
Contudo, nem sempre será possível quantificar o bem jurídico no momento do ajuizamen-
to da ação. Nessas situações, admite-se o pedido que denominamos genérico. Esses casos
estão previstos no § 1º do art. 324 do CPC.

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Art. 324. O pedido deve ser determinado.


§ 1º É lícito, porém, formular pedido genérico:
I – nas ações universais, se o autor não puder individuar os bens demandados;
II – quando não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato ou do fato;
III – quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de ato que deva ser
praticado pelo réu.
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se à reconvenção.

Um exemplo corriqueiro de pedido genérico ocorre nas ações de indenização por ato ilícito,
quando, na data da propositura da demanda, ainda não estão consolidados todos os danos cau-
sados à vítima, pois ainda estarão pendentes, muitas vezes, tratamentos e cirurgias reparadoras.
Para esses casos, admite-se a sentença ilíquida, ficando para uma fase posterior a liquidação do
julgado.
Embora seja mais comum a formulação dos pedidos no final da petição inicial, não há
nenhuma exigência legal nesse sentido. Portanto, no momento do relatório, devemos ficar
bastante atentos a eventuais pedidos formulados no meio da petição inicial, pois eles deverão
ser, necessariamente, apreciados, sob pena de julgamento citra petita.
A fim de evitar o excessivo rigor formal e prestigiar o princípio da boa-fé, o CPC orienta o
julgador a interpretar o pedido pelo conjunto da postulação e pelo princípio da boa-fé.

Art. 322, § 2º A interpretação do pedido considerará o conjunto da postulação e observará o prin-


cípio da boa-fé.

Com isso, não estamos sustentando que há uma carga de subjetividade para o juiz, pois
ele não pode criar e nem inovar, mas tão somente reforça-se a ideia de que o juiz deve ultra-
passar imprecisões técnicas que não comprometem a compreensão do que, efetivamente, é a
pretensão da parte.
Se, na causa de pedir, é feito o resumo ou a síntese da narrativa da parte, no relato do pe-
dido deve-se permanecer, o mais fiel possível, ao que foi postulado, em geral transcrevendo o
pedido na forma em que ele consta na petição inicial.
A correta identificação dos pedidos é primordial para a fundamentação da sentença, pois
os capítulos de mérito da fundamentação coincidem, exatamente, com os pedidos formula-
dos na petição inicial.

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Exemplo: se a parte formulou pedido de indenização por danos morais, na fundamentação


haverá um capítulo de mérito referente a esse pedido, com o enfrentamento de todos os argu-
mentos de fato e de direito invocados pela parte autora e pela parte ré em relação a essa
questão.

Resumo da contestação: concluído o relato da petição inicial, o próximo passo é fazermos


uma síntese da resposta da parte ré, expondo todas as matérias de defesa.
O CPC não exige que o réu, na contestação, organize as suas matérias de defesa de forma
técnica, mas na sentença isso tudo deverá ser organizado.
Portanto, se as defesas estão apresentadas fora de ordem, caberá ao juiz, no momento
do relatório, apresentá-las de maneira organizada. Tecnicamente, as questões devem ser re-
latadas na seguinte ordem:
1º – Preliminares do art. 337 do CPC:

Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:


I – inexistência ou nulidade da citação;
II – incompetência absoluta e relativa;
III – incorreção do valor da causa;
IV – inépcia da petição inicial;
V – perempção;
VI – litispendência;
VII – coisa julgada;
VIII – conexão;
IX – incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização;
X – convenção de arbitragem;
XI – ausência de legitimidade ou de interesse processual;
XII – falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar;
XIII – indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça.

2º – Prejudiciais de mérito:
• prescrição;
• decadência;

3º – Defesa de mérito:
• defesas de mérito diretas;
• defesas de mérito indiretas.

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Essa organização é bastante relevante, pois na fundamentação seguiremos essa mesma


ordem em relação às preliminares e prejudiciais de mérito, uma vez que elas sistematizam as
“questões da sentença” apresentadas pela parte ré.
Principais ocorrências havidas no curso do processo: a petição inicial e a contestação
compõem a espinha dorsal do relatório. Entretanto, o relato único e exclusivo dessas peças
não revela todo o conteúdo do processo.
Há outros fatos e atos praticados no curso da relação processual que precisam ser apon-
tados no relatório, pois eles impactam na prestação jurisdicional e facilitam a compreensão
da marcha processual sem a necessidade de consultar os autos.
Vamos falar um pouco sobre cada um deles.
Emenda à petição inicial: não é uma peça autônoma, pois ela somente tem a função de
corrigir ou de completar a petição inaugural.
No relatório, nós podemos unificar a petição inicial e a sua emenda, não sendo recomen-
dável que relatemos fundamentos ou pedidos que foram modificados na emenda. Para isso,
podemos utilizar a seguinte expressão: “Narra o autor, na sua petição inicial e na respectiva
emenda, que: ...”
Citação: embora seja usual o relato do ato de citação, não há necessidade de constar essa
informação, exceto se houver alguma discussão sobre a sua validade.
Se você preferir incluí-la, deverá observar que, tecnicamente, não poderá haver juízo valo-
rativo sobre a validade deste ato no relatório. Portanto, evite expressões como: “devidamente”
ou “validamente” citado. Prefira, por exemplo: “Citado, o réu apresentou contestação”.
Decisão sobre o pedido de gratuidade de justiça: o deferimento da gratuidade de justiça
traz implicações jurídicas relevantes sobre as verbas sucumbenciais. Portanto, se houve a
apreciação desse pedido, é relevante que façamos constar no relatório, em face do seu im-
pacto no dispositivo da sentença.
Decisão sobre tutela provisória: a sentença deverá dar solução a todos os pedidos pen-
dentes formulados pelas partes. Logo, se na petição inicial há um pedido de tutela provisó-
ria ou se ele foi formulado no curso do processo, é imprescindível inserirmos no relatório a
informação sobre a sua apreciação, para que fique claro que já houve solução para aquele
requerimento.

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Ademais, se houve o deferimento, teremos que confirmar ou revogar esse provimento no


dispositivo da sentença.
Réplica: é a peça processual que completa o contraditório da fase postulatória. Logo, se
ela traz elementos relevantes que contradizem as inovações apresentadas pelo requerido na
contestação, é importante que no relatório conste um breve resumo sobre essa manifestação.
Na prática, muitas vezes a parte autora utiliza-se da réplica tão somente para reafirmar os
seus argumentos da petição inicial. Nesses casos, não há necessidade de repetição dessas
informações no relatório, sendo costumeira a simples menção à existência da réplica.
Pedidos de provas pendentes de apreciação: se as partes formularam pedidos específicos
de produção de provas e o juiz resolver sentenciar, significa que ele considerou essas provas
impertinentes ou protelatórias.
Tendo em vista que essa postura do juiz poderá, eventualmente, ensejar o cerceamento do
direito da parte, é imprescindível que haja uma decisão fundamentada de indeferimento desse
pedido como premissa para o julgamento antecipado do mérito.
Com efeito, considerando que é função do relatório apresentar as questões a serem anali-
sadas na fundamentação, esses requerimentos de provas deverão constar do relatório.
Falaremos um pouco mais sobre isso quando tratarmos do passo a passo da funda-
mentação.
Decisão saneadora: a decisão de saneamento e organização do processo tem, dentre ou-
tras, a função de resolver as questões processuais pendentes.
Se no momento em que foi relatada a contestação, anunciamos as preliminares susci-
tadas pela parte ré, é  imprescindível que o relatório informe sobre a existência da decisão
saneadora, notadamente se houve, efetivamente, solução de todas as questões de natureza
processual, eis que, se alguma ainda estiver pendente, caberá ao juiz analisá-la na sentença.
Nesse sentido, é imprescindível a menção à decisão saneadora no relatório.
Realização de audiências: se foram realizadas audiências de conciliação e de instrução e
julgamento, é relevante que esses atos processuais constem do relatório para a exata com-
preensão da marcha processual e do campo probatório sobre o qual deverá o juiz se debruçar
na análise das questões fáticas controvertidas.

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Realização de prova pericial ou outras provas: se houve o ingresso na fase instrutória para
a produção de prova técnica pericial, é importante destacar no relatório a existência de laudo
do perito e eventuais pareceres dos assistentes técnicos, em face da repercussão dessa pro-
va na resolução da matéria fática.
Da mesma forma, a prova testemunhal, a inspeção judicial ou qualquer outra prova deverá
ser mencionada no relatório.

Não é necessário fazer nenhuma menção ao conteúdo da prova que foi produzida no proces-
so e, muito menos, deve-se proceder a qualquer valoração sobre ela, pois isso é reservado à
fundamentação.

Alegações finais: nesse momento, as partes fazem as suas últimas considerações sobre
a prova produzida na fase instrutória para reforçar que se desincumbiram de seu ônus pro-
batório.
Caso as partes tenham levantado alguma questão relevante sobre a produção probatória,
é importante que seja mencionada no relatório. Entretanto, se as alegações se limitarem a fa-
zer remissivas às peças da fase postulatória, não há necessidade de repetir esses argumen-
tos no relatório, sendo suficiente a menção à existência dessas peças processuais.
Além dessas peças e atos processuais, é importante que o relatório traga qualquer outra
ocorrência no processo que gere alguma repercussão no julgamento, como é o caso das in-
tervenções de terceiros.

DICA!
Nem tudo que foi juntado ao processo precisa ser relatado.
Evite fazer menção genérica à juntada de documentos, subs-
tabelecimentos, cargas, pedidos de vista e outros aconteci-
mentos no curso do processo que em nada influenciarão na
sentença e tornarão o seu relatório extenso e cansativo.

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A indicação do número das folhas do processo não é obrigatória e, possivelmente, se na


prova de concurso for exigida a elaboração do relatório, não haverá essa informação.
Portanto, embora a menção à folha ou a outro identificador da peça nos processos eletrô-
nicos facilite a consulta, não precisamos nos preocupar em fazer essa indicação na prova de
concurso.
Para finalizar, tenha em mente que um relatório está bem elaborado quando não precisa-
mos folhear o processo para compreendê-lo, pois a leitura do relatório é suficiente para isso.

2.3. Aspectos Redacionais do Relatório

Tempo verbal: como o relatório é uma narrativa histórica do processo, o  tempo verbal
mais adequado é o pretérito perfeito.
Por questão de estilo, também se admite a utilização do tempo presente para iniciar o re-
lato da petição inicial, da contestação e da réplica.

Exemplo: “Narra o autor que... e, ao final, requer ...”

Verbos adequados para o relato das petições das partes: utilize verbos que não trazem juí-
zo de valor, pois o relatório é uma mera reprodução dos fundamentos da parte. O juiz somente
irá manifestar o seu entendimento na fundamentação.
Alguns verbos usuais: relatar, dizer, asseverar, narrar, sustentar, aduzir.
Para evitar um texto cansativo, podemos fazer o relato da petição inicial ou da contesta-
ção num único parágrafo. No exemplo apresentado ao final do conteúdo dessa aula, você verá
como isso pode ser feito.
Ordem lógica ou ordem cronológica dos atos processuais: os atos processuais nem sem-
pre são praticados na ordem estabelecida no CPC para o desenvolvimento do rito processual.
Ainda que isso ocorra com alguma frequência, prefira relatar na ordem lógica em detrimento
da ordem cronológica para facilitar a compreensão de quem irá ler a sentença.
Por exemplo, se a réplica é apresentada, prematuramente, antes de alguma das contesta-
ções, é melhor relatar primeiro todas as contestações e, somente depois, a réplica.
Entretanto, se você preferir fazer o relatório seguindo fielmente a ordem cronológica dos
atos, não há nenhum problema. É uma decisão que fica ao critério do candidato.

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Elementos facultativos: o preâmbulo e a ementa são elementos facultativos da sentença


que são apresentados antes do início do relatório propriamente dito.
O preâmbulo é a identificação dos dados mais relevantes do processo.
A ementa é a síntese da razão de decidir da sentença. Ela não é obrigatória, pois a exigên-
cia legal de sua elaboração é somente para os acórdãos.
Para consolidar o conteúdo da aula de relatório, segue o modelo de um relatório para que
você se familiarize com a técnica para a sua elaboração. Por óbvio, pequenas variações de esti-
lo são naturais e em nada comprometem o relatório. A atenção deverá ser centrada no cumpri-
mento fiel da exigência legal, não faltando nenhum elemento considerado essencial pelo CPC.

2.4. Exemplo de Relatório

Processo: 2019.01.1.999999
Ação: INDENIZAÇÃO
Autora : MARIA DONA DA RAZÃO
Réus: CELULAR LENTIDÃO S/A e outro

Obs.:
 Isso é o que chamamos de preâmbulo. Não é necessário que ele conste em sua sentença.

SENTENÇA
MARIA DONA DA RAZÃO ajuizou ação de indenização por danos morais e materiais em
face de CELULAR LENTIDÃO S/A e BANCO DE DADOS DE INADIMPLENTES S/A.

 Obs.: nesse primeiro parágrafo, é essencial o relato dos nomes das partes. Observe que não
se deve usar a expressão “e outro”. Ela somente é permitida no preâmbulo visto. Se
houvesse dez pessoas integrando um dos polos da ação, o correto seria nominá-las
uma a uma.

Em sua petição inicial, narrou a autora que: (i) terceira pessoa, de forma fraudulenta, utilizou
seu número de CPF para habilitar uma linha de telefone celular perante a primeira requerida; (ii)
em razão do não pagamento das faturas, o seu nome foi negativado perante o banco de dados
administrado pela segunda ré; (iii) registrou ocorrência policial e tentou por diversas vezes

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resolver a questão perante a primeira requerida, mas não obteve sucesso; (iv) sofreu constran-
gimento ao tentar adquirir um veículo, cujo financiamento foi recusado devido à inscrição de seu
nome no cadastro de inadimplentes; (v) somente após cinco meses houve a baixa da negativa-
ção; (vi) a anotação do seu nome de forma indevida em cadastro público de devedores abalou a
sua honra, razão pela qual deverá ser indenizada em razão dos danos morais suportados; (vii)
suportou, ainda, danos materiais que devem ser também reparados, uma vez que o veículo que
tentou adquirir custava R$ 30.000,00 (trinta mil reais) e, em razão da conduta das rés, não conse-
guiu concretizar a compra.

 Obs.: observe que a síntese da causa de pedir foi feita em um só parágrafo. Isso é questão
de estilo. Fica essa dica, pois ela agiliza a elaboração da sentença.

Requereu a declaração de inexistência de relação jurídica com a primeira requerida e que


as rés sejam condenadas ao pagamento de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) a título de danos
morais e mais R$ 30.000,00 (trinta mil reais) em razão dos danos materiais.

 Obs.: todos os pedidos devem ser relatados da forma mais fiel possível ao que consta na
petição inicial. Isso será primordial para que a sentença não padeça de nenhum vício
(citra, ultra ou extra petita).

Citadas, as rés compareceram à audiência de conciliação. Não houve acordo entre as par-
tes.

 Obs.: esse parágrafo apresentou atos relevantes da marcha processual. Não há necessi-
dade de nenhum detalhamento sobre como se desenrolou a audiência, exceto se foi
consignado na ata algo que terá repercussão na sentença.

A primeira requerida apresentou contestação. Suscitou, em preliminar, a falta de interesse


de agir da autora, tendo em vista que ela não formalizou um requerimento por escrito para o
cancelamento da linha e, também, a irregularidade da representação processual da autora,
uma vez que ela não providenciou o reconhecimento de sua firma na procuração. Arguiu, ainda,
a incompetência do juízo, sob o fundamento de que a requerente é domiciliada em Taguatinga-DF, mas

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ajuizou a ação em Brasília-DF. Entende, assim, que pela norma de proteção ao consumidor,
deve ser declinada da competência para uma das varas cíveis de Taguatinga, ainda que as rés
tenham sede em Brasília-DF.
No mérito, alegou que tanto a requerente como a ré foram vítimas de ato ilícito praticado
por terceiro de má-fé. Logo, como se trata de culpa exclusiva de terceiros, deve ser afastada a
sua responsabilização civil. Disse, ainda, que a negativação do nome do titular da dívida não
configura ilícito passível de indenização.
Pugnou pelo acolhimento das preliminares ou, acaso ultrapassadas, pela improcedência
dos pedidos. Em caso de entendimento diverso, pleiteou a redução da indenização por danos
morais para um valor não superior a R$ 2.000,00, a fim de evitar o enriquecimento sem causa
da autora.

 Obs.: para fazer a síntese da contestação, utilizei outro estilo igualmente correto, com o
desdobramento em dois parágrafos. Observe que é essencial que esses relatos sejam
iniciados por verbos como “suscitou”, “arguiu” (para preliminares), “alegou”, “disse”
(para a defesa de mérito), tudo para deixar claro que é o relato na ótica da versão da
parte.

A segunda ré aduziu, em sua defesa, que: (i) antes de incluir o nome da autora no cadastro
de devedores, promoveu a comunicação prévia; (ii) não tem o dever de verificar a veracidade
do débito, pois essa obrigação é exclusiva da pessoa jurídica que requereu a inclusão; (iii)
agiu em perfeita conformidade com a lei e não pode ser responsabilizada civilmente pelos
prejuízos alegados pela autora, os quais decorreram, exclusivamente, da conduta da outra ré;
(iv) diante desse contexto, não é parte legítima para ocupar o polo passivo. Pediu a sua ex-
clusão do processo em face da ilegitimidade ou, caso negado, a improcedência dos pedidos.
Em réplica, a autora rebateu os argumentos lançados nas peças de defesa e requereu o
acolhimento dos seus pedidos, nos termos da petição inicial.
Intimadas a especificarem provas que ainda pretendessem produzir, as partes permane-
ceram em silêncio.
É o relatório.

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Obs.:
 embora haja críticas à expressão “é o relatório”, ela foi consagrada nos textos das sen-
tenças. Entretanto, não há nenhuma exigência de que ela conste em seu texto. O mais
importante será delimitar, com clareza, onde se encerra o relatório e se inicia a funda-
mentação.

3. Da Fundamentação

3.1. Aspectos Jurídicos


Conforme já estudamos, a fundamentação é um dos elementos essenciais da sentença.
A Constituição Federal, em seu art. 93, inciso IX, exige que todas as decisões do Poder
Judiciário sejam fundamentadas, sob pena de nulidade.

Art. 93, IX – todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas
todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos,
às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do
direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação.

Portanto, não fundamentamos as nossas sentenças por mera liberalidade ou para o nos-
so deleite, mas para atender a um requisito de validade do ato judicial.
O Código de Processo Civil descreve em que consiste a fundamentação válida da sentença
e de outras decisões judiciais. Segundo o inciso II do art. 489, na fundamentação o juiz deverá
analisar as questões de fato e de direito. Isso define qual é o conteúdo da fundamentação.

Art. 489. São elementos essenciais da sentença:


II – os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito;

Para que possamos compreender melhor em que consiste o conteúdo da fundamentação,


observe a figura a seguir:

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O conteúdo de cada questão jurídica é decomposto em fundamentos de fato e de direito.


A tarefa do juiz, no momento da fundamentação, é analisar de forma aprofundada e exau-
riente esses fundamentos para que possa apresentar uma solução juridicamente válida para
cada questão.
Em suma, a fundamentação guarda correlação direta com as manifestações apresenta-
das pelas partes, ou seja, as questões de fato e de direito que nortearão a análise do julgador
na fundamentação são a soma da causa de pedir deduzida na petição inicial com as defesas
apresentadas pelo réu na contestação para se contrapor à pretensão do autor.
Melhor que o termo questões de fato e de direito é dizermos que o juiz se debruçará sobre
os fundamentos de fato e de direito deduzidos pelas partes.
Logo, o juiz, na sua fundamentação, deverá analisar todos os argumentos postos em de-
bate pelas partes e que guardem relação com o pedido formulado, sob pena de sua sentença
ser considerada nula.
No § 1º do art. 489 do CPC, o legislador revelou a sua preocupação com a fundamentação
deficiente ou insuficiente, em que o juiz não atende, na plenitude, o dever a ele imposto.

Art.  489, §  1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória,
sentença ou acórdão, que:
I – se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação
com a causa ou a questão decidida;
II – empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidên-
cia no caso;
III – invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão;
IV – não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a
conclusão adotada pelo julgador;
V – se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos
determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos;
VI – deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem
demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento.

Todos os incisos do referido artigo convergem para um propósito: exigir que o julgador
apresente uma solução jurídica à luz do caso concreto, enfrentando diretamente os funda-
mentos de fato e de direito apresentados pelas partes, a fim de que sejam compreendidas
quais foram as razões que o levaram à conclusão final, evitando a aplicação de fórmulas genéricas

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ou a invocação do ordenamento jurídico sem a devida contextualização com os fatos e argu-

mentos jurídicos discutidos no curso do processo.

3.2. Identificação das Questões Jurídicas e Ordem de Apreciação

Agora que já entendemos qual é o conteúdo da fundamentação – análise dos fundamen-

tos de fato e de direito – precisamos aprender a organizar a estrutura da fundamentação.

Para isso, precisamos compreender que as questões de fato e de direito possuem uma

razão de existir: fundamentam os pedidos que foram formulados.

E onde os pedidos estão formulados? Os relacionados ao direito material (questões de

mérito) estão, em regra, na petição inicial e os de direito processual (questões processuais),

na contestação.
Portanto, não organizamos a fundamentação pelas questões de fato e de direito, mas
pelas postulações apresentadas pelas partes. Na solução de cada pedido nos debruçaremos
sobre os fundamentos de fato e de direito a ela relacionadas.
Na prática, estruturamos o esqueleto da fundamentação da seguinte forma:
• identificamos quais são os pedidos formulados pelo requerente. Cada pedido é um “ca-
pítulo” da fundamentação de mérito;
• em seguida, identificamos quais são as questões processuais invocadas pelo réu na
sua contestação. Cada questão processual representa uma preliminar;
• por fim, identificamos as questões passíveis de serem conhecidas de ofício pelo jul-
gador (sobre essas o juiz previamente deverá ter permitido o contraditório das partes
como direito de conhecimento, reação e de influência na solução jurídica). Logo, na
prova de concurso, não podemos incorporar na fundamentação nenhuma questão, ain-
da que possa ser conhecida de ofício, sem que haja a informação de que o juiz a iden-
tificou e permitiu às partes que sobre ela se manifestassem.

Feito isso, teremos todas as questões submetidas à análise na fundamentação. Para fa-
cilitar essa compreensão, observe o quadro a seguir:

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O correto preenchimento desse quadro, com a delimitação de todas as questões jurídicas


da fundamentação é o primeiro passo para que não haja nenhum vício no nosso ato judicial.
No exemplo do relatório fornecido, esse quadro seria preenchido da seguinte forma:

De acordo com esse exemplo, podemos extrair que nessa sentença teremos sete ques-
tões a serem analisadas na fundamentação. A ordem de apreciação deve seguir, exatamente,
a organização do quadro.
Se observarmos fielmente as questões levantadas, não correremos o risco de proferirmos
uma sentença com vício (citra, ultra ou extra petita).
Portanto, devemos solucionar, primeiro, as questões relacionadas a pressupostos proces-
suais, na sequência as condições da ação, as prejudiciais de mérito e, por fim, as de mérito.

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DICA!
a) os pressupostos processuais e as condições da ação estão
elencados no art. 337 do CPC. Considerando que somente te-
mos duas condições da ação – legitimidade e interesse – to-
dos os demais constituem pressupostos processuais.
b) os pressupostos processuais são apreciados antes das
condições da ação;
c) a análise da arguição de incompetência deve anteceder a
qualquer outra, pois o juiz incompetente não está autorizado
a decidir sobre nenhuma outra questão.

Conforme já estudamos, nem sempre a sentença terá questões processuais e de mérito,


uma vez que o juiz poderá ter saneado o processo em um momento anterior.
Mas não podemos nos descuidar! No momento da sentença, todas as questões ainda
pendentes necessitam de solução, pois com a prática desse ato judicial encerramos a fase de
conhecimento do processo.

DICA!
No CPC não há nenhuma menção à utilização de tópicos na
fundamentação. Logo, tecnicamente, não há nenhuma reco-
mendação nesse sentido. É  uma questão de estilo. Observe,
entretanto, que o seu uso favorece a organização e facilita a
leitura.

Mas, mesmo que você não goste de dividir a fundamentação em tópicos, a redação da
sentença deve seguir, com rigor, a ordem das questões levantadas, evitando qualquer atropelo
ou a análise de uma questão subsequente sem que a anterior esteja esgotada. Haverá, ainda,
a possibilidade de criação de subtópicos para uma questão, a depender da sua complexidade.
Após a definição das questões da fundamentação, é necessário que identifiquemos quais
são os fundamentos de fato e de direito invocados pelas partes em relação a cada uma delas,
pois o juiz deverá analisá-los explicitamente e de forma exauriente, sob pena de omissão do
julgado.

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Nas provas de concurso, geralmente são apresentados somente os fundamentos de fato,


cabendo ao candidato a identificação dos fundamentos de direito que serão utilizados para a
solução da questão.
Feito isso, estaremos prontos para começar a redigir a nossa fundamentação sem o risco
de atropelos, com clareza do caminho a ser percorrido para que haja uma perfeita correlação
entre a fundamentação e as questões deduzidas pelas partes em suas petições.

3.3. Argumentação Jurídica e o Silogismo Jurídico


Agora que já sabemos identificar as questões e ordená-las, precisamos compreender
como devemos analisá-las.
Para isso, precisamos ter clareza de que a decisão é um ato de vontade do julgador. Nela
o juiz irá expressar a sua interpretação do Direito, aplicando-o aos fatos postos em debate.
É dever do julgador explicitar, na sua fundamentação, quais foram os motivos que o leva-
ram a chegar à conclusão apresentada. Quanto mais consistentes forem os seus argumen-
tos, maior será a probabilidade de persuasão.
A fundamentação desenvolve-se, em regra, mediante um raciocínio lógico-dedutivo que
denominamos silogismo jurídico. A sua base está fincada no silogismo aristotélico, cujo valor
científico é inquestionável.
Conforme o silogismo de Aristóteles, o  raciocínio é construído a partir de proposições
denominadas premissa maior e premissa menor, das quais é possível extrair uma conclusão
lógica.
• a premissa maior é uma afirmação de natureza geral;
• a premissa menor é uma afirmação que individualiza algo ou alguém dentro do univer-
so geral;
• a conclusão é a consequência deduzida dessas duas premissas.

Para melhor compreender a lógica aristotélica, observemos o seguinte exemplo:

Exemplo: Premissa maior: Todo homem é mortal.


Premissa menor: Sócrates é homem.

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Conclusão: Logo, Sócrates é mortal.

Extraímos desse exemplo que há uma razão que orienta a conclusão de que Sócrates é
mortal. Essa solução somente poderia ser rebatida caso se provasse que uma das premissas
não representa uma verdade.
No silogismo jurídico, nos espelhamos nessa lógica argumentativa dedutiva. Contudo,
na ciência do Direito, não trabalhamos com verdades postas, pois o sentido e o alcance das
normas sempre serão palco de debates e controvérsias, podendo haver conclusões interpre-
tativas diametralmente opostas para um mesmo fato jurídico.
Não obstante esse desafio, utilizamos a base teórica de Aristóteles como suporte para de-
senvolvermos o raciocínio jurídico, mesmo conscientes de que a solução apresentada sempre
poderá ser contrariada quando houver eleição de premissas equivocadas.
No campo jurídico, a premissa maior será construída com base no nosso ordenamento
jurídico, ou seja, a solução jurídica válida deverá estar baseada, ordinariamente, no conjunto
de normas e princípios que integram o nosso universo jurídico submetidas a um trabalho
hermenêutico do julgador.
A fim de que não pairem dúvidas sobre a base da argumentação jurídica, o art. 4º do De-
creto-Lei n. 4.657/1942 – Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro – prescreve que a
lei é a fonte primária para a construção da decisão judicial e somente quando ela for omissa
o juiz poderá utilizar os meios de integração – a analogia, os costumes e os princípios gerais
do direito.
Por sua vez, o art. 140 do CPC reforça a ideia de que a lei é a fonte primária a ser utilizada
pelo juiz para a construção das soluções às questões que lhe são apresentadas pelos litigan-
tes, mas que ele não poderá se eximir de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do
ordenamento jurídico, pois nessas situações deverá valer-se das formas de integração.

Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento
jurídico.

A equidade, por sua vez, somente poderá ser utilizada quando houver permissão legal
para que a decisão seja calcada tão somente no senso do justo, conforme está disposto no
parágrafo único do art. 140 do CPC.

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Art. 140, Parágrafo único. O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei.

A Lei n. 9.099/1995 é um exemplo de diploma legal que permite ao juiz utilizar-se da equi-
dade como fundamento da sua decisão.

Art. 6º O Juiz adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa e equânime, atendendo aos
fins sociais da lei e às exigências do bem comum.

Não se proíbe que na premissa maior nos valhamos de outros argumentos racionais e
nem de lições de outros ramos do conhecimento, desde que também fundadas na razão.
A vedação é somente quanto à utilização única e exclusiva de argumentos não jurídicos,
pois nesse caso a decisão padeceria de nulidade por falta de fundamentação válida.
Em provas de concurso a sugestão é que você não utilize argumentos não jurídicos para
a elaboração da sua solução.
Além das disposições legais já citadas, também devemos dar atenção especial ao art. 8º
do CPC, o qual exige do juiz que, ao aplicar o ordenamento jurídico, atenda aos fins sociais e
às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana
e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência.

Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem
comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporciona-
lidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência.

O desafio do candidato, no concurso, será escolher no universo jurídico a norma adequada


e interpretá-la, revelando o seu sentido e alcance, a fim de que ela seja a base jurídica da qual
se extrairá uma solução para o fato controvertido que foi palco de debate no processo.
Quando se estabelece que a questão em debate é eminentemente de direito, estamos
dizendo, em outras palavras, que o desafio é, exatamente, a definição da norma aplicável ao
caso concreto ou a sua interpretação.
Devemos nos atentar, também, que há casos em que uma norma ou princípio, isolada-
mente, é  insuficiente para a fixação da premissa maior. Nessas hipóteses, a  interpretação
decorrerá do diálogo harmonioso entre disposições de um mesmo texto legal ou, até mesmo,
do diálogo entre fontes diferentes.

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Um exemplo disso seria a análise de um contrato de compra e venda decorrente de uma


relação de consumo. Vejamos que nesse caso, o julgador irá invocar normas do Código Civil
que regulam a compra e venda, mas a interpretação será à luz do sistema de proteção do
consumidor previsto no CDC.
Na prática, a organização do raciocínio não parte da escolha pura e simples da premissa
maior. Na realidade, no primeiro momento necessitamos identificar e compreender a situação
fática apresentada no processo, pois é a partir dessa delimitação que passaremos a eleger no
ordenamento jurídico normas adequadas para a solução do conflito, as quais serão interpre-
tadas para que tragam um sentido lógico e coerente para a construção do silogismo jurídico.
A premissa menor pode ser compreendida como o conjunto de fatos provados, pois a sen-
tença sempre dará solução a um fato social que, na perspectiva das partes, gerou a necessi-
dade da tutela estatal, seja pela violação de um direito ou pela necessidade de declaração dos
efeitos jurídicos de uma determinada relação.
No silogismo, devemos apontar, com base na prova existente no processo, qual é a sua
conclusão sobre os fatos. Para isso, é primordial ater-se às regras de distribuição do ônus
da prova, em que caberá ao autor a prova do fato constitutivo do seu direito, enquanto ao réu
recairá o ônus de provar os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito, salvo nos
casos de inversão legal ou judicial do ônus da prova.
Se o fato não for provado, nenhuma conclusão jurídica será possível extrair dele. Logo,
nos casos em que a parte requerente não se desincumbe de seu ônus probatório – prova dos
fatos constitutivos do seu direito –, a regra será a improcedência do seu pedido.
Por fim, como consequência das duas premissas, o juiz apresentará a conclusão, que
corresponderá à subsunção dos fatos considerados provados à norma jurídica eleita e
interpretada.
Nem sempre redigimos a fundamentação observando a ordem: premissa maior, premissa
menor e conclusão. Alguns julgadores, por questão de estilo, muitas vezes antecipam a con-
clusão e somente depois desenvolvem os argumentos. É o caso típico do texto que inicia com
expressões como: “O pedido é procedente” ou “Com razão o requerente”.
Não há nenhum defeito técnico nessa forma, pois ela está ligada a um estilo pessoal.
Contudo, o uso invariável dessa maneira invertida de organizar o raciocínio poderá tirar um

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pouco do interesse do examinador em relação aos argumentos do candidato, uma vez que
de antemão ele já se deparará com a solução. Logo, a minha dica é nunca iniciar a análise da
questão pela conclusão.
Há situações em que a questão controvertida é predominantemente relacionada aos fa-
tos. Nesses casos, é comum iniciamos a fundamentação nos debruçando sobre a prova para
definirmos como, na verdade processual, os fatos se desenrolaram.
Em outras palavras, há casos em que iniciamos a fundamentação pela premissa menor
para, em seguida, invocamos a norma jurídica que será considerada para a análise da ques-
tão.
Na sentença, cada questão identificada, seja ela de natureza processual ou de direito ma-
terial, nos exigirá, na fundamentação, a construção de um silogismo jurídico para solucioná-
-la. Portanto, em uma sentença haverá, em regra, mais de um silogismo.
Nesse sentido, devemos ter o cuidado de não iniciarmos a solução de uma questão sem
que a fundamentação da anterior tenha sido esgotada, sob pena de nosso texto ficar confuso
e pouco persuasivo.
Para fixarmos melhor a construção do raciocínio jurídico silogístico, vejamos como ficaria
o esqueleto da fundamentação de um caso de indenização por ato ilícito fundado em respon-
sabilidade subjetiva extracontratual:

Exemplo: Premissa maior – Ordenamento jurídico


Art. 927 do CC: Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obriga-
do a repará-lo.
Art. 186 do CC. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar
direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
Premissa menor – Fatos provados
Réu praticou um ato ilícito e, em decorrência desse ato, causou danos a autor.
Conclusão – Subsunção dos fatos à norma.
Logo, o réu está obrigado a reparar os danos causados ao autor.
Desafio: Com base no relatório a seguir, apresente a fundamentação para a solução da ques-
tão de mérito, mediante a construção de um silogismo jurídico.

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RELATÓRIO
Cuida-se de ação de cobrança proposta por CONDOMÍNIO VIDA BOA em face de JOÃO
DOCALOTE.
Alega o autor que: (i) o réu é proprietário do apartamento 203 do Edifício Vida Boa e en-
contra-se em atraso com o pagamento das taxas condominiais vencidas nos meses de julho
a dezembro de 2019; (ii) a cláusula X da convenção do condomínio estabelece a obrigação de
cada condômino pagar a taxa condominial na proporção de sua fração ideal; (iii) a taxa ordi-
nária foi fixada em assembleia no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais) para cada unidade,
a vigorar durante o ano de 2019. Pede, ao final, a condenação do réu ao pagamento das taxas
condominiais inadimplidas.
Instruiu seu pedido com certidão da matrícula do imóvel do réu, a convenção do condo-
mínio, a  ata da assembleia que fixou a taxa condominial bem como apresentou a planilha
discriminada do débito.
Na contestação, o réu alegou que efetuou o pagamento das parcelas referentes aos me-
ses de julho e agosto, mas que não teria o comprovante.
Em réplica, o requerente refutou a quitação das referidas parcelas.
Nenhuma das partes manifestou interesse em produzir outras provas.
É o breve relatório. Decido.
Veja como seria a solução da questão:
NORMA INTERPRETADA (PREMISSA MAIOR)
Conforme o disposto no art. 1.336, inciso I, do Código Civil, o condômino tem o dever de
contribuir para as despesas do condomínio, na proporção da sua fração ideal, salvo disposi-
ção em contrário na convenção.

 Obs.: podemos observar que não há nenhuma discussão mais relevante em relação à pre-
missa maior, tendo em vista que a interpretação literal da norma eleita é suficiente
para a solução jurídica da questão.

FATOS PROVADOS (PREMISSA MENOR)


A Convenção do Condomínio estabelece que cada condômino deverá pagar a taxa condo-
minial referente à sua unidade imobiliária, calculada de modo proporcional à respectiva fração
ideal.

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Conforme ata da assembleia geral ordinária, restou definido o valor da taxa ordinária de
condomínio em R$ 500,00 para cada unidade habitacional, a vigorar a partir de janeiro de 2019.
O Condomínio, por meio da certidão da matrícula do imóvel, também comprovou que o
requerido é proprietário da unidade 203 e, também, apresentou a planilha discriminada das
parcelas em atraso, atualizadas monetariamente e acrescidas de juros e multa convencional,
na forma prevista na Convenção Condominial.

 Obs.: os fatos considerados provados estão baseados em elementos de prova específicos.


Evite fórmulas genéricas na análise probatória, tais como:”como restou provado nos
autos”; “conforme vasta prova produzida”, uma vez que são expressões vagas que
não indicam, com clareza, quais são as provas que estão sendo valoradas para a con-
clusão apresentada.
 Obs.: mas cuidado para não fazer menção a nenhum documento ou outro elemento de
prova que não seja informado no relatório.

TESE DA DEFESA – FATO EXTINTIVO DO DIREITO


O réu, embora alegue que efetuou o pagamento das taxas vencidas em julho e agosto de
2019, não juntou os respectivos comprovantes e, tampouco, produziu qualquer outra prova
desse pagamento.
Com efeito, o réu não se desincumbiu de seu ônus probatório estabelecido no art. 373,
inciso II, do CPC.

 Obs.: é importante identificar o conteúdo de defesa. Nesse caso, a defesa está fundada em
um fato extintivo do direito. Logo, deve ser abordado dentro da premissa menor (fatos
provados).

CONCLUSÃO
Logo, como o réu não comprovou o alegado fato extintivo da obrigação que lhe é exigida,
deverá cumprir com seu dever legal enquanto condômino e arcar com o pagamento de todas
as prestações em atraso, a contar de julho de 2019.

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 Obs.: a conclusão do raciocínio pode ser sintetizada como a consequência das premissas
adotadas.

É óbvio que na sentença não iremos escrever “premissa maior”, “premissa menor” e “con-
clusão”. Isso foi colocado no texto tão somente para efeitos didáticos, a  fim de que você
compreenda, com clareza, o passo a passo que foi seguido para a construção de uma funda-
mentação adequada.

3.4. Doutrina, Precedentes e Jurisprudência


Na fundamentação, é comum utilizarmos de recursos para fortalecer o nosso argumento
e as nossas conclusões.
Os doutrinadores nos fornecem lições valiosas para a interpretação do Direito e a com-
preensão dos diversos institutos jurídicos. Assim, um dos recursos mais utilizados pelo jul-
gador é a invocação dessas lições doutrinárias, uma vez que elas refletem, com cientificidade,
o  pensamento jurídico sobre o tema, notadamente quando ele é controvertido ou de difícil
compreensão ou interpretação.
Portanto, a doutrina é um recurso importante, uma vez que a invocação de uma lição jurí-
dica indica que o pensamento do juiz vai ao encontro do que pensam os juristas especialistas
no assunto.
Contudo, como a sentença é um ato de manifestação de vontade do julgador, não se con-
siderará fundamentada a sentença que se limitar a transcrever uma lição doutrinária sem
contextualizá-la com o caso em julgamento.
No concurso, não teremos acesso aos livros de doutrina, mas é fundamental que a análi-
se da questão, sempre que houver um debate doutrinário, seja feita de acordo com a posição
dominante da doutrina. Não há necessidade de indicação de nome dos doutrinadores e, muito
menos, deve haver qualquer preocupação com a exata redação da lição conforme a obra do
autor.
O importante, nesse momento, é que o candidato traduza, o mais fielmente possível, a po-
sição prevalente na doutrina, pois nos enunciados das provas constarão, em regra, que as
questões deverão ser solucionadas de acordo com a posição doutrinária dominante.

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A jurisprudência, por sua vez, pode ser definida como a reiteração de decisões judiciais
proferidas por órgãos colegiados sempre em um mesmo sentido.
É utilizada na fundamentação da sentença como elemento de confirmação da interpreta-
ção do julgador, ratificando que a sua solução jurídica está em conformidade com o entendi-
mento dominante já sedimentado em casos análogos.
Devemos nos atentar que na prova não será possível a consulta à jurisprudência e nem a
inserção da ementa de um acórdão. O essencial é que o candidato afirme que a solução está
de acordo com a jurisprudência dos Tribunais Superiores. Para isso, é fundamental o domínio
das súmulas, das teses dos repetitivos e dos informativos do STJ e do STF.
Se for o caso de aplicação de enunciado de súmula ou de tese de repetitivo, isso deve ser
mencionado, expressamente, na prova, pois demonstra que o candidato tem esse domínio.
Por óbvio, não se exige que seja indicado o número ou que seja transcrita a redação exata da
súmula ou da tese, mas somente o seu sentido.

DICA!
a) Enquanto no relatório utilizamos a linguagem predominan-
temente narrativa, a  fundamentação melhor se harmoniza
com o texto dissertativo.
b) Uma questão preliminar jamais poderá se confundir com o
mérito. É como água e óleo, não se misturam. O que ocorre,
com frequência, é a invocação, pela parte, de fundamento de
mérito para justificar uma preliminar. Nessa situação, ao in-
vés de dizermos que a preliminar se confunde com o mérito,
devemos afirmar que o argumento invocado para fundamen-
tar a questão preliminar refere-se ao mérito e no momento
adequado será enfrentado.
c) Se uma determinada Lei irá orientar a solução de mais de
uma questão, podemos fazer essa referência antes de iniciar-
mos a solução de cada questão, para evitarmos o texto repeti-
tivo. Exemplo: se a relação é de consumo, antes de iniciarmos
a primeira questão identificada, podemos fixar que a relação

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é de consumo e que as questões serão solucionadas à luz do


Código de Defesa do Consumidor, ainda que ele vá dialogar
com outras fontes, como, por exemplo, o Código Civil.
d) Ao enfrentar alegações de prescrição e decadência, não
há necessidade de definição dos institutos, uma vez que
essa tarefa pouco contribuirá para a solução. Devemos nos
focar na identificação do prazo prescricional ou decadencial
aplicado ao caso em análise, no termo a quo para a conta-
gem desse prazo e nas eventuais interrupções ou suspen-
sões da sua contagem.

3.5. Da Estruturação da Fundamentação


Para fecharmos o estudo desse elemento da sentença, segue um roteiro passo a passo da
estrutura da fundamentação:
1º passo – Resolução de pedido de inversão do ônus da prova
2º passo – Resolução dos pedidos de prova formulados pelas partes
3º passo – Justificativa de que o processo está maduro para julgamento
4º passo – Análise das questões referentes a pressupostos processuais
5º passo – Análise das questões referentes a condições da ação
6º passo – Análise das questões prejudiciais de mérito
7º passo – Análise das questões de mérito
8º passo – Análise dos pedidos de tutela de urgência
9º passo – Análise das questões relacionadas à conduta processual das partes (litigância
de má fé e atos atentatórios à dignidade da justiça)
Vejamos, agora, algumas considerações importantes sobre esse passo a passo.
Resolução do pedido de inversão do ônus da prova e julgamento antecipado do mérito: é
comum que a parte autora formule pedido de inversão do ônus da prova. Isso acontece em
duas hipóteses mais comuns, previstas no CPC e no CDC. Vejamos:

Art.  373, §  1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à
impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior

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facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo
diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportuni-
dade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído.
Art. 6º, VIII – São direitos básicos do consumidor: a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive
com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for veros-
símil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências.

Se esse pedido de inversão do ônus da prova ainda está pendente de análise no momento
da sentença, é necessário que ele seja analisado e rejeitado, uma vez que, se a inversão for
acolhida, teremos que converter o julgamento em diligência para franquear à parte que se
desincumba desse ônus que, pela distribuição estática, não lhe cabia.
Veja, a seguir, uma proposta de solução para uma questão dessa natureza, caso caia na
sua prova de concurso:

Exemplo: conforme o disposto no art. 6º, inciso VIII, do CDC, o juiz poderá inverter o ônus da
prova, nas relações de consumo, a fim de facilitar a defesa do consumidor em juízo, sempre
que a sua alegação for verossímil ou quando ele estiver numa posição de hipossuficiência na
relação jurídica.
No caso em análise, embora o autor esteja em posição de hipossuficiência perante a parte ré,
reputo que a prova dos fatos constitutivos do seu direito está ao seu alcance, tanto que, com
a sua petição inicial, foram juntados documentos suficientes para a comprovação dos fatos
narrados. Ademais, não houve impugnação específica na contestação, tornando esses fatos
incontroversos.
Com efeito, não reconheço a necessidade de inversão do ônus da prova para a facilitação da
defesa do consumidor em juízo, razão pela qual indefiro o pedido.
Passo, de imediato, à  análise das preliminares pendentes e ao julgamento antecipado do
mérito, nos termos do artigo 355, inciso I, do CPC.

Resolução do pedido de produção de provas e do julgamento antecipado do mérito: em


algumas provas, o candidato irá se deparar com um pedido de produção de provas ainda não
analisado. Como o ato a ser praticado é, sem dúvidas, uma sentença, a solução será sempre
no sentido de indeferir esse pedido.

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Para isso, não podemos nos esquecer de que o juiz é o destinatário das provas e compete
a ele fazer o controle sobre a necessidade de incursão na fase instrutória, a fim de evitar atos
processuais inúteis ou de cunho protelatório.
A fim de facilitar, observe como isso poderá ser feito na sua prova:

Exemplo: conforme o disposto nos artigos 139, II e 370, parágrafo único, do CPC, o juiz deve
velar pela rápida solução dos litígios, indeferindo as diligências inúteis ou meramente prote-
latórias, que em nada poderão contribuir para a elucidação das questões fáticas.
No caso em análise, a prova pericial postulada pela ré não teria nenhuma utilidade para o
esclarecimento dos fatos, tendo em vista que o veículo do autor já foi reparado e, assim, não
seria possível, com a realização da perícia, a identificação das possíveis avarias causadas
pelo acidente.
Ademais, reputo que os fatos relevantes estão suficientemente elucidados pelas provas docu-
mentais juntadas pelas partes, não havendo a necessidade de incursão na fase instrutória
para a produção de novas provas.
Nesse sentido, indefiro o pedido de produção de prova pericial e passo, de imediato, à análise
das preliminares pendentes e ao julgamento antecipado do mérito, nos termos do artigo 355,
inciso I, do CPC.

Veja que, logo após o indeferimento do pedido de produção de provas, iremos destacar
que o processo está maduro para julgamento e, assim, justificar o caso de julgamento ante-
cipado do mérito, em conformidade com o art. 355, inciso I, do CPC.
Justificativa de que o processo está maduro para julgamento: a situação mais comum
nas provas de concurso é que não haja pedido de inversão do ônus da prova e nem pedidos
de produção de provas ainda pendentes de apreciação.
Nesses casos, partimos, desde logo, para o 3º passo e justificamos que se trata de caso
de julgamento antecipado do mérito. Veja como isso poderá ser feito:

Exemplo: as questões controvertidas estão suficientemente elucidadas pelos documentos


juntados pelas partes, estando o processo em condição de receber julgamento. Ademais,

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as partes não demonstraram interesse na produção de outras provas. Assim, passo, de ime-
diato, à análise das questões preliminares e ao julgamento antecipado do mérito, em confor-
midade com o disposto no artigo 355, inciso I, do CPC.

Julgamento de processo em que houve a fase instrutória: há casos em que houve a incur-
são na fase instrutória, seja para a produção de prova pericial ou para a realização de prova
em audiência de instrução e julgamento.
Nessa hipótese, não está correto justificar que se trata de julgamento antecipado, tendo
em vista que a relação processual se desenvolveu em todas as fases.
Em algumas provas de concurso, temos nos deparado com essa situação. Tecnicamen-
te, para que houvesse o ingresso na fase instrutória, seria necessário que fosse proferida
uma decisão de saneamento e organização do processo, com a resolução das questões
preliminares.
No entanto, o examinador negligencia, de forma proposital, o prévio saneamento do pro-
cesso, a fim de que o candidato tenha que enfrentar as questões processuais na sentença.
Portanto, nunca podemos descuidar disso. Se não há informação no relatório de que hou-
ve decisão saneadora, não faça nenhuma dedução a esse respeito, pois o examinador espera
que você analise todas as questões pendentes na fundamentação da sentença.
Se esse for o caso da sua prova, segue uma proposta de introdução adequada da funda-
mentação:

Exemplo: a relação processual desenvolveu-se de forma regular, com respeito ao devido


processo legal, assegurando-se às partes o exercício efetivo do contraditório e ampla
defesa, inclusive com a produção de provas na fase instrutória. Assim, considero o proces-
so maduro para julgamento e passo, de imediato, à análise das questões processuais pen-
dentes e ao exame do mérito.

Análise das questões jurídicas (4º ao 7º passos): quando ultrapassamos essa introdução
da fundamentação, representada pelos passos 1, 2 e 3, passamos a analisar as questões ju-
rídicas, que poderão ser de quatro naturezas, conforme já estudamos: pressupostos proces-
suais, condições da ação, prejudiciais de mérito e questões de mérito.

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A ordem de apreciação é exatamente essa. Nesse momento, precisamos ser bastante téc-
nicos, evitando o atropelo de uma questão sem que a anterior tenha sido analisada de forma
exauriente e, também, que não haja nenhuma inversão na ordem de análise. Isso irá eviden-
ciar para o examinador que você domina, com perfeição, a estrutura da sentença.
Não se esqueça de construir um silogismo jurídico completo para a análise de cada ques-
tão, com premissa maior, premissa menor e conclusão.
Análise de pedidos de tutela antecipada: na sentença deverão ser resolvidas todas as
questões pendentes que forem apresentadas no relatório, inclusive pedidos de tutelas provi-
sórias cautelares ou antecipatórias.
Em ambos os casos, a recomendação é de que essas questões sejam apreciadas após
a análise das questões meritórias, tendo em vista que não será mais necessário apreciar o
primeiro requisito para o deferimento dessas tutelas, qual seja, a plausibilidade do direito,
uma vez na sentença já se terá, àquela altura, uma solução exauriente sobre a existência do
direito.
Logo, somente restará, nos casos de tutela de urgência, a apreciação do segundo requisi-
to do art. 300 do CPC, consistente no perigo de dano ou no risco ao resultado útil do processo,
tendo em vista que a probabilidade do direito já estará superada em face do juízo exauriente
decorrente da solução da questão meritória.

Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabi-
lidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.

Para o caso de tutela antecipada de evidência, não há necessidade de análise do perigo


de dano ou de risco ao resultado útil do processo, bastando que estejam presentes uma das
quatro hipóteses do art. 311 do CPC.

Art. 311. A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstração de perigo de


dano ou de risco ao resultado útil do processo, quando:
I – ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da parte;
II – as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese firma-
da em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante;

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III – se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do contrato de


depósito, caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob cominação
de multa;
IV – a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do di-
reito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável.

Não podemos nos esquecer de que a tutela provisória exige requerimento expresso da
parte, conforme o disposto no art. 299 do CPC.

Art. 299. A tutela provisória será requerida ao juízo da causa e, quando antecedente, ao juízo com-
petente para conhecer do pedido principal.

Portanto, se no relatório não há pedido expresso dessa natureza, não podemos analisá-
-lo de ofício, ainda que o caso recomende a concessão da tutela em face, principalmente, da
urgência.
Análise das questões relacionadas à conduta processual das partes (litigância de má-fé
e atos atentatórios à dignidade da justiça): por fim, devemos analisar como foi a conduta das
partes. O art. 80 do CPC define as condutas da parte que poderão caracterizar litigância de
má-fé. Vejamos.

Art. 80. Considera-se litigante de má-fé aquele que:


I – deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso;
II – alterar a verdade dos fatos;
III – usar do processo para conseguir objetivo ilegal;
IV – opuser resistência injustificada ao andamento do processo;
V – proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo;
VI – provocar incidente manifestamente infundado;
VII – interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório.

Essas condutas podem ser sancionadas de ofício pelo juiz ou a requerimento da outra
parte e, acaso acolhido, ensejará a condenação do litigante de má-fé ao pagamento de multa
arbitrada pelo juiz em quantia superior a um por cento e inferior a dez por cento do valor corri-
gido da causa, exceto se o valor da causa for irrisório ou inestimável, caso em que será fixado
em até dez salários mínimos.
Além da multa, o litigante de má-fé também deverá indenizar a parte contrária por even-
tuais prejuízos que tenha lhe causado.

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Art. 81. De ofício ou a requerimento, o juiz condenará o litigante de má-fé a pagar multa, que deverá
ser superior a um por cento e inferior a dez por cento do valor corrigido da causa, a indenizar a parte
contrária pelos prejuízos que esta sofreu e a arcar com os honorários advocatícios e com todas as
despesas que efetuou.
§ 1º Quando forem 2 (dois) ou mais os litigantes de má-fé, o juiz condenará cada um na proporção
de seu respectivo interesse na causa ou solidariamente aqueles que se coligaram para lesar a parte
contrária.
§ 2º Quando o valor da causa for irrisório ou inestimável, a multa poderá ser fixada em até 10 (dez)
vezes o valor do salário-mínimo.
§ 3º O valor da indenização será fixado pelo juiz ou, caso não seja possível mensurá-lo, liquidado
por arbitramento ou pelo procedimento comum, nos próprios autos.

Além da litigância de má-fé, a parte também poderá ser sancionada em face de atos aten-
tatórios à dignidade da justiça. Os atos dessa natureza, relacionados à fase de conhecimento
do processo, estão previstos no art. 77, incisos IV e VI c/c § 2º, art. 334, § 8º, do CPC.

Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de seus procuradores e de
todos aqueles que de qualquer forma participem do processo:
IV – cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou final, e não criar
embaraços à sua efetivação;
VI – não praticar inovação ilegal no estado de fato de bem ou direito litigioso.
§  2º A violação ao disposto nos incisos IV e VI constitui ato atentatório à dignidade da justiça,
devendo o juiz, sem prejuízo das sanções criminais, civis e processuais cabíveis, aplicar ao res-
ponsável multa de até vinte por cento do valor da causa, de acordo com a gravidade da conduta.
Art. 334, § 8º O não comparecimento injustificado do autor ou do réu à audiência de conciliação
é considerado ato atentatório à dignidade da justiça e será sancionado com multa de até dois por
cento da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa, revertida em favor da União ou do
Estado.

A dica, na prova, é evitar essas condenações de ofício, exceto se os dados contidos no


relatório indicarem, de forma inequívoca, que uma das partes agiu com manifesta má-fé pro-
cessual ou praticou, de forma proposital, ato atentatório à dignidade da justiça.

3.6. Exemplo de Fundamentação

Agora que já concluímos o estudo da fundamentação da sentença, vamos aplicar o co-


nhecimento em um caso prático para que o conteúdo seja bem assimilado.

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Para tanto, segue a fundamentação do nosso caso apresentado durante o estudo do re-
latório.
Antes de iniciarmos a redação, é importante que relembremos quais são as questões
jurídicas que deverão ser analisadas na fundamentação. Para isso, observemos o quadro
a seguir:

Decido.
As questões controvertidas estão suficientemente elucidadas pelos documentos junta-
dos pelas partes, estando o processo em condição de receber julgamento. Ademais, as partes
não demonstraram interesse na produção de outras provas. Assim, passo, de imediato, à aná-
lise das questões preliminares e ao julgamento antecipado do mérito, em conformidade com
o disposto no artigo 355, inciso I, do CPC.

 Obs.: este parágrafo introdutório revela que o processo está maduro para julgamento e que
se trata de caso de julgamento antecipado do mérito. Em sua prova, você poderá
chegar com esse texto pronto, a fim de não perder tempo buscando a melhor forma
de fazer essa introdução.
 Lembrar que no nosso caso não houve o pedido de inversão do ônus da prova e nem
pedidos de produção de prova. Caso tivesse alguma dessas duas questões, devería-
mos enfrentá-las em primeiro lugar.

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A relação jurídica estabelecida entre as partes caracteriza-se como uma relação de con-
sumo, uma vez que a parte requerida atuou na condição de fornecedora de produtos e servi-
ços, enquanto a parte autora figurou como consumidora por equiparação ou bystander, pois
foi vítima do evento danoso por ela narrado, em perfeita consonância com a interpretação
conjunta dos artigos 2º e 17 do Código de Defesa do Consumidor.
Portanto, as questões serão solucionadas à luz do sistema de proteção ao consumidor.

 Obs.: sempre que um diploma legal for nortear a solução de várias questões, podemos usar
essa técnica e definir qual é a natureza jurídica da relação de direito material estabe-
lecida entre as partes, a fim de que, ao iniciar a solução de cada uma das questões,
não haja a necessidade de justificar a aplicação da lei específica para o caso em aná-
lise.

I – Das questões preliminares


a) Da alegação de incompetência do juízo

 Obs.: observe que o tópico e o subtópico correspondem à classificação do quadro em que


foram delimitadas as questões jurídicas.
 A escolha de sentenciar ou não por tópicos é individual, pois não há indicação de que
se faça dessa forma e nem proibição. Entretanto, se você escolher organizar a funda-
mentação em tópicos, eles devem corresponder, em regra, a uma questão jurídica que
foi delimitada.

O art. 101, inciso I, do CDC assegura ao consumidor o ajuizamento da ação de responsa-


bilidade civil no seu domicílio. Trata-se de regra que busca facilitar a sua defesa em juízo, mas
que não impede, a  critério do próprio consumidor, que a ação seja proposta no domicílio do
fornecedor, em conformidade com a regra geral de competência territorial disciplinada no caput
do art. 46 do CPC, caso seja mais conveniente para ele, parte presumidamente hipossuficiente
nessa relação.

Obs.:
 no primeiro parágrafo foi desenvolvida a premissa maior que servirá de base para a
solução da questão. Veja que há menção expressa aos dispositivos legais que estão
sendo invocados e interpretados para a solução da questão preliminar suscitada pela
parte ré.

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Nesse sentido, não há razão para se declinar da competência para a comarca do local em
que a requerente é domiciliada, uma vez que, no momento do ajuizamento, ela optou pelo foro
do domicílio da empresa ré, que nenhum prejuízo pode alegar em relação a essa escolha.

 Obs.: nesse parágrafo, foi feita a subsunção dos fatos incontroversos – requerente domi-
ciliada em um local e propôs a ação em outro – à norma anteriormente interpretada
para se extrair a conclusão de que não fundamento para o declínio da competência.

Logo, a preliminar deve ser rejeitada.

 Obs.: quando é o caso de rejeição de uma preliminar, há duas possibilidades. A primeira foi
a minha opção, consistente em somente concluir no sentido de que a preliminar deve
ser rejeitada. Fiz isso porque a resolução da questão, tecnicamente, integra o dispo-
sitivo.
 Contudo, convém destacar que não há nenhum erro técnico na rejeição da preliminar
no próprio corpo da fundamentação, pois essa prática tornou-se bastante comum
nas sentenças. Se a opção fosse essa, a solução deveria ser construída em primeira
pessoa, dessa forma: “Logo, rejeito a preliminar”.
 Observe que “a preliminar deve ser rejeitada” (conclusão da análise) não equivale a
“rejeito a preliminar” (decisão da questão).
 Deve-se ter o cuidado de não decidir a mesma questão duas vezes ou de não apre-
sentar decisão em relação a ela.
 A falta de resolução da questão ocorreria se, na primeira hipótese, não houvesse a
rejeição da preliminar no dispositivo.
 A duplicidade de solução, por seu turno, ocorreria se no dispositivo houvesse a repeti-
ção da expressão “rejeito a preliminar” da mesma forma como foi posta na fundamen-
tação.

Da arguição de irregularidade da representação processual da autora: o art. 105 do CPC


estabelece que o instrumento de mandato assinado pela parte habilita o advogado a praticar

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todos os atos do processo, sem qualquer exigência de reconhecimento de firma da assinatura


como requisito para a sua regularidade.
No caso, a requerente outorgou procuração ao seu advogado, com poderes para o foro
em geral, conforme documento que instruiu a petição inicial. Trata-se de instrumento par-
ticular subscrito pela constituinte, em que não há qualquer dúvida relevante sobre a veraci-
dade de sua assinatura.
Portanto, diante de ausência de exigência legal de reconhecimento de firma para o ins-
trumento de procuração ou de dúvida sobre a autenticidade da assinatura da constituinte,
reputo válido o instrumento de procuração, de forma que essa preliminar também merece
ser repelida.

Obs.: no primeiro parágrafo foi trabalhada a premissa maior, ou seja, a  norma jurídica
interpretada.
 No segundo, foi delimitada a situação fática relacionada à questão.
 Por fim, no terceiro parágrafo foi feita a subsunção dos fatos à norma, com a con-
clusão de que não há nenhuma irregularidade na representação processual da parte
autora.
 Isso é um silogismo completo. É o que o examinador espera que você faça em rela-
ção a cada questão.
 A maior pontuação da solução está na escolha adequada da norma e sua interpre-
tação conforme a doutrina e a jurisprudência prevalente nos tribunais superiores.

Da alegação de falta de interesse de agir da autora: nos termos do artigo 17 do CPC,


para propor uma ação é necessário que a parte tenha interesse processual. Trata-se de uma
condição da ação, a qual exige que a parte autora demonstre, na sua petição inicial, a utili-
dade do provimento vindicado, a necessidade da tutela estatal e a adequação da via eleita.

Obs.: observe que esse primeiro parágrafo apresenta a interpretação do instituto jurídico
à luz da doutrina. É o tipo de texto que precisa ser trabalhado e memorizado para o
dia da prova, pois ele servirá como premissa maior sempre que essa preliminar for
suscitada pela parte ré.

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No caso em análise, resta claro que a pretensão deduzida pela autora é útil e necessá-

ria para a reparação dos danos que ela alega ter suportado. A via indenizatória, por sua vez,

é adequada para o exercício do seu direito de ação.

Ademais, em face da inafastabilidade do controle jurisdicional disposto no art. 5º, inciso

XXXV, da Constituição Federal, não havia necessidade de que a requerente formalizasse, pre-

viamente, um pedido administrativo de cancelamento da linha telefônica como condição para

o exercício do direito de ação.

Logo, o  interesse de agir da requerente é induvidoso, de modo que também deverá ser

rejeitada essa preliminar.

 Obs.: é importante observar que o argumento invocado pela parte ré para justificar a even-

tual falta de interesse de agir (falta de pedido administrativo prévio) foi devidamente

enfrentado.

 Na prova, por mais espinhoso que seja o fundamento de fato ou de direito apresen-

tado pelo examinador, não poderemos tangenciar ou evitá-lo, pois a pontuação da

questão estará ligada diretamente ao correto enfrentamento da tese.

Da legitimidade da segunda ré: segundo o art. 17 do CPC, para propor e responder uma

ação é necessário que a parte detenha legitimidade para a causa. Essa condição da ação con-

siste na existência de um vínculo entre os sujeitos da demanda e a situação jurídica afirmada

em juízo, ou seja, ela representa a pertinência subjetiva da lide. Em outras palavras, a legitimi-

dade pode ser definida como a titularidade ativa e passiva frente ao direito invocado.

Segundo a teoria da asserção, a legitimação é aferida conforme a narrativa apresentada

na petição inicial, exigindo-se tão somente que haja uma correlação entre as pessoas indica-

das na relação de direito material e aquelas que figuram nos polos da ação. Acresça-se que

a efetiva confirmação dos fatos e a existência do direito postulado são questões afetas ao

mérito, que em nada maculam a legitimidade para a causa.

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Obs.: esses dois parágrafos sintetizam, na ótica da doutrina, a definição de legitimidade


para a causa.
 Observe que esse texto, que sintetiza a premissa maior, sempre poderá ser utilizado
para a análise da preliminar de ilegitimidade.
 Enquanto outros candidatos sairão do zero para a resolução dessa questão, você
deverá chegar no dia da prova com esses dois parágrafos prontos.
 Nisso consiste uma boa preparação para a prova prática de sentença.

No caso em análise, a requerente fundamenta a sua pretensão na responsabilidade civil


do BANCO DE DADOS DE INADIMPLENTES S/A em ter feito a negativação de seu nome no
cadastro negativo por ele mantido. Logo, sob o prisma da narrativa da petição inicial, resta
induvidoso que o réu detém legitimidade para ocupar o polo passivo da lide, pois a parte
autora imputa a ele fatos que, ao menos em tese, poderão ensejar a sua responsabilização
civil.
Importante destacar que, na ótica da legitimação para a causa, pouco importa se a atu-
ação do BANCO DE DADOS DE INADIMPLENTES S/A foi adequada ou se houve falha na
prestação do seu serviço ou qualquer outro fundamento para a sua condenação, pois essas
questões dizem respeito exclusivamente ao mérito e naquela seara serão devidamente en-
frentadas.

Obs.: perceba que o fundamento invocado pela parte para sustentar a ilegitimidade não
foi ignorado. Houve a ressalva, contudo, que se trata de fundamento relacionado ao
mérito e no momento oportuno será enfrentado.

Com efeito, também deve ser refutada essa preliminar.


II – Do mérito
Do pedido de declaração de inexistência da relação contratual: o negócio jurídico, con-
forme se extrai dos artigos 104 e seguintes do Código Civil, exige a presença de elementos
mínimos para que ele exista. Um desses elementos do plano da existência do negócio jurí-
dico é a manifestação de vontade do agente.

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 Obs.: essa primeira questão meritória exigiu muita atenção para a delimitação do instituto
jurídico em debate. Isso será fundamental na prova.
 No caso, a premissa maior está relacionada ao plano da existência dos negócios jurí-
dicos. A solução pautada em outros fundamentos ensejaria um raciocínio falacioso,
ou seja, seria invocada uma premissa impertinente ao tema jurídico como fundamen-
to para a procedência do pedido.
 Observe que o desafio não está no acolhimento do pedido de declaração de inexistên-
cia da relação jurídica. A complexidade reside na eleição da norma jurídica adequada
para essa análise.

No caso em apreço, a autora afirmou que jamais firmou qualquer contrato com a primeira
requerida. A ré, em sua contestação, tornou incontroverso esse fato, pois reconheceu que a
linha telefônica foi ativada por uma terceira pessoa, mediante fraude, a qual teria se utilizado
dos documentos da requerente para firmar o contrato.
Portanto, resta induvidosa a inexistência de manifestação de vontade firmada pela autora
para a formação da relação contratual que ensejou a habilitação da linha de celular em nome da
autora, de forma que o pedido declaratório de inexistência do negócio jurídico deverá ser acolhi-
do.
Do pedido de indenização por danos morais: conforme o disposto no artigo 14 do CDC,
a responsabilidade dos fornecedores de serviços pela reparação de danos oriundos de defei-
tos relativos à sua atividade é objetiva, de forma que basta a comprovação da existência de
um dano ao consumidor, decorrente de uma prestação defeituosa do serviço oferecido pelo
fornecedor para que haja o dever de indenizar, sendo desprezível, nesses casos, a valoração
do elemento culpa.

 Obs.: a premissa maior está apresentada nesse primeiro parágrafo, qual seja, o art. 14 do
CDC, que trata da responsabilidade do fornecedor de serviços pelo fato do serviço ou
acidente de consumo. No trabalho hermenêutico, foram delineados os três elementos
indispensáveis para que haja o dever de indenizar: serviço defeituoso prestado pelo
fornecedor, nexo causal e dano.

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 Você observará que nos próximos parágrafos serão enfrentados, de forma organiza-
da, esses três elementos, à luz do caso concreto (fatos provados) como pressupostos
indispensáveis para que se reconheça o dever de indenizar.

Nos termos do art. 43, § 1º, do CDC, é legítimo que os fornecedores de serviços insiram os
dados de consumidores em bancos de dados públicos de inadimplentes, mas as anotações
devem ser objetivas, claras e verdadeiras.
Conforme restou comprovado pelo extrato de fl. xx, a primeira requerida promoveu a ne-
gativação do nome da requerente no cadastro de inadimplentes do segundo réu com base em
um débito referente a uma linha telefônica que teria sido habilitada pela autora.
Entretanto, a  negativação do nome da autora não espelhou uma informação verídica
sobre seu suposto estado de inadimplência, tendo em vista que restou incontroverso que a
habilitação foi efetivada por um terceiro fraudador. Com efeito, resta claro que o serviço foi
defeituoso.
A fim de evitar a sua responsabilização civil, a primeira ré sustentou que essa negativa-
ção decorreu de culpa exclusiva de terceiros, conforme excludente prevista no artigo 14, § 3º,
inciso II, do CDC.
Entretanto, embora o terceiro fraudador tenha induzido a primeira ré em erro, não há
como se admitir que o fato ocorreu por culpa exclusiva dele, tendo em vista que esse tipo
de fraude é bastante comum nos dias de hoje, exigindo-se maior cautela das empresas
de telefonia no momento da contratação, com a exigência de exibição de documentos
e utilização de outros filtros eficazes para evitá-las, tendo em vista que atuam no mer-
cado de consumo de massa. Se assim não agem, devem suportar os riscos inerentes à
sua atividade e, consequentemente, indenizar os lesados, que em nada contribuem para
essas fraudes.
Logo, ainda que o terceiro tenha concorrido, restou evidente a falha da parte ré na pres-
tação do serviço, pois procedeu à habilitação de uma linha celular em nome da autora sem
adotar os cuidados necessários para evitar a fraude.

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 Obs.: observe que houve o cuidado de fundamentar, com base no caso concreto, que o ser-
viço foi defeituoso e que não incide a excludente de responsabilidade invocada pela
ré, consistente na culpa exclusiva de terceiros.

Em consequência dessa falha, houve a geração de faturas de pagamento e a consequen-


te inclusão indevida do nome da demandante no cadastro administrado pelo segundo réu.
O dano moral gerado por essa conduta é in re ipsa, ou seja, presumido, pois a permanência,
sem amparo em dívida válida, do nome da consumidora em cadastros de inadimplentes, por
si só, gera abalo à sua honra e bom nome, uma vez que a coloca na vala comum dos maus
pagadores.

 Obs.: a expressão “em consequência” indica a existência de nexo causal entre o serviço
defeituoso e o dano moral suportado pela autora.

Não bastasse isso, a requerente comprovou que a negativação gerou situação vexatória
no momento da celebração de negócio jurídico referente à aquisição de um veículo, conforme
indica o documento de fl. xx, o que será considerado como repercussão para fins de arbitra-
mento do valor da indenização.
Assim, demonstrada a presença de todos os pressupostos legais para a responsabili-
zação civil, quais sejam, defeito no serviço, nexo causal e dano, a primeira requerida deverá
indenizar a autora pelos danos morais que lhe causou.

 Obs.: esse último parágrafo encerra a primeira parte desse silogismo, com a conclusão
sobre a existência do dever de indenizar (an debeatur) em relação à primeira ré.

Em relação à responsabilidade civil do segundo réu, cumpre asseverar que a atividade de


manutenção de banco de dados de proteção ao crédito encontra amparo no art. 43 do CDC,
o qual exige, tão somente, em seu § 2º, que a abertura de cadastro ou registro de dados de
consumo seja comunicada por escrito ao consumidor, quando não solicitada por ele.
No caso, restou provado pelo documento de fl.xx o envio e o recebimento da comunicação
prévia de negativação encaminhada à autora. Logo, o réu cumpriu de forma satisfatória a sua

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obrigação legal e não pode ser responsabilizado pela veracidade da informação, pois essa
atribuição é exclusiva daquele que solicita a negativação.
Portanto, diante da inexistência de defeito na prestação de serviço do segundo réu, ele
não poderá ser responsabilizado civilmente, de forma solidária, à reparação dos danos morais
causados à parte autora.

 Obs.: quando houve a análise da preliminar de ilegitimidade invocada pelo segundo réu, foi
ressaltado que os fundamentos por ele invocados seriam enfrentados no mérito.
 Observe que isso foi feito nesses três parágrafos, ratificando que o argumento jurídi-
co, de fato, não dizia respeito à questão processual, mas ao próprio mérito da deman-
da.

Resta, por fim, fixar o valor da indenização devida pela primeira requerida.

Obs.:
 a fim de dar liquidez à obrigação, a segunda parte do silogismo irá trabalhar o quanto
devido a título de compensação pelos danos imateriais suportados (quantum debea-
tur).

Nada obstante a dificuldade de traduzir o abalo à honra em um quantitativo pecuniário,


a Constituição Federal assegura, em seu art. 5º, inciso X, o direito à indenização pelo dano de
natureza moral.
O Código Civil, em seu artigo 944, estabelece que a indenização mede-se pela extensão do
dano, sem qualquer limitação legal, a fim de prestigiar a sua reparação integral. Contudo, para
evitar o subjetivismo exacerbado no momento do arbitramento, a doutrina e a jurisprudência
cuidaram de traçar os critérios a nortearem o magistrado na fixação de quantia indenizatória
justa e proporcional.
No aspecto subjetivo, deve-se tomar em consideração a situação econômica das partes,
de modo a que a reparação estabelecida não seja inócua diante da capacidade patrimonial
dos envolvidos, nem ainda excessivamente elevada, a ponto de significar a ruína do indeniza-
dor ou o enriquecimento indevido do indenizado.

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Sob o ângulo objetivo, prepondera a natureza, a repercussão e a gravidade do dano, bem


como o grau de culpa do seu causador.

 Obs.: é muito comum cair em provas de sentença cível pedidos de indenização por danos
morais. Observe que os parágrafos anteriores definem a premissa maior, com os cri-
térios para o arbitramento e poderão ser utilizados, independentemente do caso con-
creto, sempre que houver a necessidade de liquidar danos dessa espécie.
 Então fica a dica: você deverá chegar na prova com esses parágrafos memorizados,
pois eles poderão gerar pontos preciosos para a sua aprovação.

Embora a parte autora tenha postulado a fixação da indenização em R$ 20.000,00 e a

requerida pugnado pelo seu arbitramento em, no máximo, R$ 2.000,00, tenho que, diante

dos parâmetros alinhados, em especial o constrangimento no momento da realização do

negócio de compra e venda do carro e o tempo em que seu nome permaneceu negativado,

a indenização no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais) bem atende às particularidades do

caso, mostrando-se um valor razoável e ponderado frente à privilegiada situação econômi-

ca da ré e ao abalo suportado pela autora.

O arbitramento é realizado com a estimativa do dano no momento do julgamento. Logo,

a sua correção monetária deverá ser considerada a partir da data da sentença. Os juros de

mora, por seu turno, devem ser computados a contar do evento danoso, na medida em que

se trata de ilícito extracontratual (Súmula 54 do STJ), pois restou demonstrado que a reque-

rente jamais habilitou a linha telefônica perante a requerida.

Obs.: como no dispositivo não haverá espaço para a fundamentação dos critérios de cor-

reção monetária e de juros, sugiro que logo após a definição do quantum devido seja
definido o termo inicial da correção monetário e dos juros de mora.
 Na aula de dispositivo você terá um quadro com esses critérios para facilitar a
memorização.

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Importante destacar, ainda, que, conforme entendimento consolidado no âmbito do c.


STJ por meio da edição da Súmula n. 326, o  arbitramento dos danos morais em quantia
inferior à sugerida na inicial não caracteriza sucumbência recíproca.
Da indenização por danos materiais: nos termos do art. 402 do Código Civil, as perdas e
danos abrangem os danos emergentes e os lucros cessantes. Os danos emergentes repre-
sentam aquilo que o credor efetivamente perdeu, ou seja, é o seu efetivo prejuízo, enquanto
os lucros cessantes traduzem-se na frustração da expectativa real e esperada de ganho.
No caso sob análise, a conduta ilícita da primeira requerida, consistente em negativar o
nome da autora nos cadastros do SERASA, não trouxe diminuição patrimonial à autora nem
a perda de ganho esperável, tendo em vista que não há prova de qualquer desembolso pecu-
niário no momento das tratativas para a compra do automóvel e, tampouco, o veículo que se
pretendia adquirir era destinado ao exercício de atividade lucrativa.
Assim, diante da inexistência de dano de natureza material, o pleito indenizatório, neste
ponto, deve ser rechaçado.

 Obs.: para a análise da indenização por danos materiais, foi utilizada, como premissa maior,
a  lição doutrinária do que se compreende no ordenamento jurídico como perdas e
danos. Em seguida, houve a confrontação com o caso concreto (premissa menor)
para se concluir que a parte autora não experimentou dano, nem a título de danos
emergentes e nem, tampouco, a título de lucros cessantes.

4. Do Dispositivo

4.1. Introdução
O dispositivo é o enunciado que se converterá em lei entre as partes. Ele normatiza uma
situação concreta e irradia seus efeitos sobre as pessoas que integram a relação jurídica
processual.
Considerando o seu caráter normativo, devemos primar pela clareza e objetividade de
sua redação, evitando fórmulas genéricas ou vagas quanto ao conteúdo e alcance do que
foi decidido.

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Tecnicamente, podemos dividir a redação do dispositivo em três partes.


Resolução das questões jurídicas: nessa primeira parte, o julgador enuncia a resolução de
todas as questões que foram analisadas na fundamentação. É a parte mais importante, pois
a coisa julgada será formada em conformidade com esses enunciados.

Integrará essa parte principal a decisão sobre as questões preliminares, os pedidos for-

mulados pela parte autora na petição inicial, a confirmação ou revogação de tutelas provi-

sórias, a condenação em litigância de má fé e qualquer outra questão incidental deduzida

pelas partes.

Distribuição das despesas processuais: na segunda parte, o juiz ordenará o pagamento

das despesas processuais em conformidade com a sucumbência suportada por cada parte

ou, em situações específicas, por aquele que deu causa à ação. As  despesas processuais

englobam, além dos honorários sucumbenciais, as custas, os honorários periciais e qualquer

outra despesa gerada no curso do processo.

Comandos finais de impulso do processo: na terceira parte, o juiz determinará a adoção

de todas as providências necessárias para o impulso do processo, tais como a publicação e o

registro da sentença, a intimação das partes, a ordem de remessa do processo ao tribunal no

caso de reexame necessário, a extração de cópias para apuração de eventual crime, a baixa e

arquivamento após o trânsito em julgado.

Tecnicamente, devemos esgotar cada uma das partes antes de adentrar a seguinte. Va-

mos trabalhar, agora, algumas particularidades de cada uma das partes da sentença.

4.2. Parte Principal do Dispositivo: Resolução das Questões Jurídicas

Geralmente iniciamos a redação da parte principal com uma expressão conclusiva, tal

como “Ante o exposto”, “Em conformidade com o exposto”, “Posto isso”.

Todas essas expressões revelam que as questões debatidas no processo foram analisa-
das de forma exauriente na fundamentação, restando tão somente enunciar o resultado, ou
seja, explicitar qual foi a decisão final sobre cada uma delas.

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Para que a sentença não padeça de nenhum vício, é necessário que os enunciados da par-

te principal guardem perfeita correspondência com os limites das postulações, com resposta

clara e direta aos pedidos que foram formulados.


Se o pedido é improcedente, não há necessidade de indicar o que foi rejeitado. Portanto,
nesse caso, a parte principal do dispositivo poderá limitar-se a declarar a improcedência do
pedido.

Exemplo: ANTE O EXPOSTO, julgo improcedente o pedido.

Contudo, se houver o acolhimento da pretensão da parte, além de declarar a procedência


do pedido, precisamos delimitar, expressamente, qual foi o bem da vida que está sendo reco-
nhecido em favor do postulante.
É importante sermos bastante técnicos nesse momento. A natureza do pedido nos orien-
tará quanto ao verbo adequado a ser empregado para que o enunciado corresponda, exata-
mente, àquilo que está sendo concedido em favor da parte.
Para isso, haverá uma variação conforme a corrente adotada para a classificação das sen-
tenças. Para os que defendem a classificação ternária, teremos sentenças de natureza decla-
ratória, constitutiva e condenatória, enquanto para os que sustentam a classificação quinária
de Pontes de Miranda, as sentenças poderão ser classificadas em declaratória, constitutiva,
condenatória, mandamental e executiva lato sensu.
Para fins didáticos, vamos trabalhar com a classificação quinária. Vejamos algumas par-
ticularidades de cada uma delas:
a) Sentença Declaratória
É aquela que tem por objeto a declaração da existência ou inexistência de uma relação
jurídica, ou da autenticidade ou falsidade de documento; não comporta execução.
São exemplos de ações tipicamente declaratórias: nulidade de ato jurídico, usucapião, in-
vestigação de paternidade, reconhecimento e dissolução de união estável, inexistência de dé-
bito.
No dispositivo, o verbo a ser empregado é DECLARAR.

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Exemplo: ante o exposto, julgo procedente o pedido para declarar a nulidade do contrato de
compra e venda firmado entre as partes.

Sentença Constitutiva: nessa sentença há a constituição de um novo estado jurídico, me-


diante a criação, a extinção ou a modificação de uma relação jurídica.
São exemplos de ações constitutivas: divórcio, anulação de casamento, interdição, reno-
vatórias e revisionais de locação, revisão de contrato, anulação de ato jurídico.
O verbo a ser empregado, em regra, é DECRETAR.

Exemplo: posto isso, julgo procedente o pedido e decreto o divórcio do casal.

Sentença Executiva Lato Sensu. O preceito determina o que deve ser cumprido, com san-
ções que tornam dispensável a incursão na fase propriamente executiva.
São exemplos de ações de natureza executiva: despejo, reintegração de posse, imissão
de posse.
Os verbos mais usuais são DETERMINAR, DECRETAR ou o próprio verbo que sintetiza a
ação proposta (REINTEGRAR, IMITIR).

Exemplo: ante o exposto, julgo procedente o pedido para determinar a imissão do autor na
posse do imóvel situado na QUADRA 1, CASA 1, BRASÍLIA-DF.

Sentença Mandamental: esse dispositivo contém uma ordem dirigida, em geral, a  uma
autoridade pública e não enseja fase executiva própria. Alguns doutrinadores sustentam que
cabe, ainda, quando dirigida ao particular, nas obrigações de fazer e de não fazer.
São ações típicas mandamentais: mandado de segurança, mandado de injunção e habe-
as data.
O verbo a ser empregado é ORDENAR ou aquele que melhor traduza a ordem dirigida à
autoridade ou particular.

Exemplo: ante o exposto, concedo a segurança para ordenar à autoridade coatora que inclua
o impetrante na lista de candidatos aprovados no certame.

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Sentença Condenatória: nas sentenças dessa natureza, é imposto ao vencido uma pres-
tação passível de execução. São elas a obrigação de pagar quantia certa, de entregar coisa e
de fazer ou não fazer.
O verbo a ser empregado é CONDENAR.

Exemplo: ante o exposto, julgo procedente o pedido para condenar o requerido a pagar ao
autor o valor de R$ 100,00 (cem reais), corrigido monetariamente pelo INPC a partir do ajuiza-
mento da ação e acrescido de juros legais de 1% ao mês, a contar da citação.

Nas condenações ao pagamento de quantia certa, há duas exigências legais que bus-
cam assegurar a liquidez da condenação: a fixação da correção monetária e dos juros
de mora.
Passaremos, então, a discorrer sobre alguns aspectos relevantes para a correta fixação
deles.
Da correção monetária
A correção monetária é o antídoto para neutralizar a perda do valor real da moeda em
face da inflação. Portanto, não representa nenhum ganho ou vantagem ao credor, mas
tão somente atua como um mecanismo para a recomposição do poder da moeda em face
da sua depreciação.
Ela incidirá sobre qualquer débito judicial, mesmo que não haja pedido expresso. É nesse
sentido que dispõe o caput do art. 1º da Lei 6.899/1981.

Art. 1º. A correção monetária incide sobre qualquer débito resultante de decisão judicial, inclusive
sobre custas e honorários advocatícios.”

O Código Civil também tratou, expressamente, da correção monetária nos arts. 389, 395 e
404, revelando a preocupação do legislador com a adoção de um sistema que assegurasse a
manutenção do valor real da moeda em relação às dívidas em quantia certa.

Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atuali-
zação monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.
Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, atualização
dos valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de ad-
vogado.

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Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atuali-
zação monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e
honorários de advogado, sem prejuízo da pena convencional.

Termo inicial da correção monetária: vencimento. Nos casos de dívida líquida, certa e

com termo, a quantia fixada no título estará atualizada até a data do vencimento. Se não há o

adimplemento no dia estabelecido no título, o valor real da obrigação começa a sofrer depre-

ciação em face do efeito inflacionário.


Nessas hipóteses, para evitar essa perda inflacionária, a correção monetária começará a
ser calculada a contar do vencimento da obrigação, conforme o disposto no § 1º do art. 1º da
Lei n. 6.899/1981.

Art. 1º, § 1º Nas execuções de títulos de dívida líquida e certa, a correção será calculada a contar
do respectivo vencimento.

Ajuizamento da ação: se a obrigação não possui vencimento, ou seja, data certa para o
seu adimplemento, exige-se que o credor apresente o seu pedido com o valor atualizado da
obrigação.
Portanto, ainda que a obrigação seja líquida e certa, se não houver previsão de data para o
adimplemento, a correção monetária incidirá somente a partir do ajuizamento da ação. Esse
critério está previsto no § 2º do art. 1º da Lei n. 6.899/1981.

Art. 1º, § 2º Nos demais casos, o cálculo far-se-á a partir do ajuizamento da ação.

Nas obrigações de pagar quantia certa oriundas de responsabilidade extracontratual,

a correção monetária, em regra, será computada a partir do ajuizamento da ação, como é o

caso de utilização de orçamentos para a quantificação dos danos.

Efetivo prejuízo: nas obrigações sem vencimento, em que o credor se antecipou ao de-

vedor e realizou o pagamento, ou seja, desembolsou a quantia que deveria ter sido paga pelo
devedor da obrigação, a correção monetária será calculada a partir da data em que ele supor-
tou esse prejuízo.

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Não podemos confundir efetivo prejuízo, o qual é sinônimo de desembolso, com data do even-
to danoso, qual seja, o dia do ato ilícito.

Portanto, para a reparação de danos provenientes de um ato ilícito, a correção monetária


não será calculada da data do evento. Prevalecerá, nesse caso, a data em que o lesado efe-
tuou o desembolso para a reparação do dano ou, se o dano ainda não foi reparado, a data do
ajuizamento da ação.
Nas ações de responsabilidade civil extracontratual decorrente de ato ilícito, foi editada a
súmula 43 pelo STJ, que uniformizou o entendimento no sentido de que a correção monetária
sobre dívida por ato ilícito deve incidir a partir da data do efetivo prejuízo.

Súmula 43
Incide correção monetária sobre dívida por ato ilícito a partir da data do efetivo prejuízo.

Arbitramento dos danos morais: o arbitramento da compensação dos danos morais em


um quantitativo pecuniário é realizado somente no momento do julgamento. Com efeito, o va-
lor é definido pelo juiz como a quantia justa para o momento da prolação da sentença.
Com efeito, não haveria nenhuma razão para que a correção monetária incidisse a partir
do ajuizamento da ação, pois não houve nenhuma perda inflacionária anterior à sentença.
Nesse sentido, o STJ consolidou e uniformizou o entendimento, por meio do enunciado
da súmula 362.

Súmula 362
A correção monetária do valor da indenização do dano moral incide desde a data do
arbitramento.

Do índice de correção monetária: o índice adotado pelos tribunais, em geral, para a cor-
reção monetária é o INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor, medido pelo IBGE. Ele

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mensura o aumento do custo da vida da população, ou seja, calcula a perda do poder real da
moeda em face do efeito inflacionário.
Entretanto, como os tribunais disponibilizam tabela prática para o cálculo da correção
monetária, admite-se que, no dispositivo, façamos a referência à correção monetária para que
seja calculada em conformidade com a tabela prática do Tribunal.
Dos juros de mora: a mora ou o retardo no cumprimento das obrigações impõe ao devedor
o pagamento ao credor de rendimento do capital que ele deixou de adimplir. É o que denomi-
namos juros moratórios.
Os juros moratórios constituem uma pena imposta ao devedor pelo atraso no adimple-
mento e atuam como uma indenização, remunerando o credor em razão de ter sido privado
do seu capital.
Assim como a correção monetária, os juros de mora decorrem de lei e incidem nas obri-
gações de pagar quantia certa, mesmo que não haja pedido expresso.
Os juros serão computados a partir do momento em que o devedor for constituído em
mora. Em algumas situações, a mora decorre de lei, como resultado do descumprimento da
obrigação, independentemente de qualquer provocação do credor. É  o que denominamos
mora ex re. Em outras situações, em que não há termo certo para o cumprimento da obriga-
ção, é imprescindível que o credor adote uma providência para constituir esse devedor em
mora. É a hipótese da mora ex persona.
Termo inicial dos juros de mora: vencimento. O caput art. 397 do Código Civil trata da
mora ex re decorrente do inadimplemento de obrigação com vencimento em data certa. Com
efeito, em todas as situações em que a obrigação tiver termo certo para o seu cumprimento,
o implemento desse termo, por si só, é suficiente para constituir o devedor em mora e, a partir
do vencimento, incidirá os juros de mora.

Art. 397. O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito
em mora o devedor.

Essa será a única hipótese em que a mesma data será considerada tanto para a correção
monetária quanto para os juros moratórios.
Interpelação: o parágrafo único do art. 397 cuida das obrigações sem termo certo (venci-
mento). Nesses casos, o credor poderá constituir o devedor em mora, mediante procedimento
de interpelação judicial ou, mesmo, extrajudicial.

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Art. 397. Parágrafo único. Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial
ou extrajudicial.

É um procedimento específico com o propósito de levar ao conhecimento do devedor a


necessidade de adimplir uma obrigação pecuniária. Se não há o pagamento, o devedor estará
constituído em mora.
Em consequência, se o devedor vier a ser condenado, na sentença, ao  pagamento da
quantia certa, os juros moratórios retroagirão à data em que foi interpelado.
Citação: um dos efeitos da citação válida é a constituição em mora do devedor. Portanto,
se não houve um procedimento próprio de interpelação judicial ou extrajudicial, será a partir
da citação que o devedor responderá pelo pagamento dos juros moratórios.

Art. 405: Contam-se os juros de mora desde a citação inicial.

Essa é a regra geral para a contagem dos juros de mora.


Evento danoso: conforme o disposto no art. 398 do CC, nas obrigações decorrentes da
prática de ato ilícito extracontratual, o devedor ficará constituído em mora desde o momento
em que o praticou, independentemente de qualquer interpelação do credor. Essa interpreta-
ção está consolidada no enunciado da súmula 54 do STJ.

Art. 398. Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora, desde que
o praticou.
Súmula 54: Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade
extracontratual

Devemos ter muito cuidado ao analisar a natureza contratual ou extracontratual da


responsabilidade civil. Observe que, em um acidente de veículo causado por um ônibus
coletivo, o dano causado ao outro veículo será extracontratual, enquanto o eventual dano
causado a um passageiro do ônibus será de natureza contratual (contrato de transporte),
devendo prevalecer para a vítima passageiro, como termo inicial dos juros moratórios,
a data da citação.
Do índice adotado para os juros de mora: os tribunais têm adotado, como regra, o índice
de 1% ao mês para o cômputo dos juros de mora. A definição dessa taxa decorre da inter-
pretação conjugada do artigo 406 do Código Civil e do § 1º do artigo 161 do Código Tributário
Nacional.

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Art. 406. Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada,
ou quando provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor
para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional.
Art. 161.
§ 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento
ao mês.

Contudo, é  importante destacar que o STJ, em reiterados julgados, vem afirmando que
os juros de mora a que se refere o art. 406 do Código Civil seria a taxa referencial do Sistema
Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, por ser ela a que incide como juros moratórios dos
tributos federais. Confira-se:

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COMPENSAÇÃO POR DANOS


MORAIS. FOTOGRAFIA DE MENOR DIVULGADA EM MATÉRIA POLICIAL. SÚMULA 7/STJ.
ARBITRAMENTO DO DANO MORAL. JUROS DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA
SELIC.
1. Ação de compensação por danos morais ajuizada em 28/07/2006.
Recurso especial interposto em 10/05/2013. Aplicação do CPC/1973.
2. Causa de pedir originária consistente na divulgação da imagem de menor, sem auto-
rização dos pais, em matéria de jornal referente ao assassinato de um comerciante,
a gerar compensação por danos morais.
3. O propósito recursal consiste em: i) reduzir o valor da compensação por danos morais;
ii) definir a taxa de juros moratórios a incidir sobre a condenação e ii) modificar o arbitra-
mento dos honorários advocatícios de sucumbência.
4. A revisão do valor da compensação por danos morais e da fixação dos honorários
advocatícios demanda a reanálise do conjunto fático-probatório dos autos, circunstân-
cia vedada a esta Corte pelo óbice da Súmula 7/STJ. Tão somente em hipóteses excep-
cionais, quando os valores arbitrados na origem forem irrisórios ou exorbitantes, o STJ
passa à análise do mérito para restabelecer a razoabilidade e proporcionalidade no par-
ticular.
5. A taxa dos juros moratórios a que se refere o art. 406 do CC/2002 é a taxa referencial
do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, por ser ela a que incide como
juros moratórios dos tributos federais. Precedente da Corte Especial.
6. Recurso especial conhecido e parcialmente provido.

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(REsp 1658079/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em


06/03/2018, DJe 13/03/2018)

Diante dessa divergência e para não correr o risco de ser despontuado na prova, o can-
didato poderá usar a expressão “acrescido de juros de mora à taxa legal”, sem especificar se
seria 1% ou a SELIC.
Para facilitar a memorização dos termos iniciais da correção monetária e dos juros de
mora, segue o quadro:

Da cumulação de pedidos: é muito comum que, em uma mesma ação, tenhamos mais de
um pedido formulado pela parte autora. Conforme já abordamos, para cada um dos pedidos
acolhidos, haverá a necessidade de um enunciado expresso sobre o bem da vida que está
sendo reconhecido em favor da parte.
Em relação aos pedidos não acolhidos, podemos utilizar a fórmula genérica de improce-
dência dos pedidos.
Se houver pedidos acolhidos e outros não, a técnica mais utilizada é a parcial procedência
dos pedidos, ficando subentendido como não acolhidos os pedidos que não estiverem enun-
ciados de forma expressa.
Contudo, está igualmente correto que tanto o acolhimento como a rejeição estejam ex-
pressos no dispositivo.

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Vejamos essas duas construções para entendermos melhor:


Suponhamos que se trate de uma ação em que foram cumulados pedidos de indenização
por dano moral e por dano material e somente foi acolhido o pedido de dano moral.
Há duas formas de construir esse dispositivo:

Exemplo: ante o exposto, julgo parcialmente procedentes os pedidos para condenar o reque-
rido a pagar ao autor, a título de danos morais, a quantia de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), cor-
rigida monetariamente pelo INPC a partir desta data e acrescida de juros de mora de 1% ao
mês a contar da citação.
Em consequência, declaro resolvido o mérito, nos termos do art. 487, inciso I, do CPC.

 Obs.: observe que o enunciado trata dos dois pedidos, razão pela qual a expressão “parcial-
mente procedentes os pedidos” necessita estar no plural.

Exemplo: ante o exposto, julgo procedente o pedido de indenização por danos morais para
condenar o requerido a pagar ao autor a quantia de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), corrigida
monetariamente pelo INPC a partir desta data e acrescida de juros de mora de 1% ao mês a
contar da citação. Julgo improcedente o pedido de indenização por danos materiais.
Em consequência, declaro resolvido o mérito, nos termos do art. 487, inciso I, do CPC.

 Obs.: nessa segunda forma, veja que a expressão procedente e improcedente está no sin-
gular, pois houve enunciado expresso para cada um dos pedidos.

É importante observar que na cumulação imprópria, em que a parte formula mais de um


pedido, mas se satisfaz com o acolhimento de somente um deles, essa fórmula poderá sofrer
alterações para corresponder, exatamente, à sucumbência.
Na cumulação imprópria subsidiária ou eventual, o autor explicita a sua ordem de prefe-
rência. O juiz somente analisará o segundo pedido (subsidiário) caso rejeite o primeiro (prin-
cipal).
Portanto, se o juiz acolhe o pedido principal, julgamos precedente o pedido; se acolhe o
pedido subsidiário, julgamos parcialmente procedentes, pois nesse caso há sucumbência em
relação ao principal.

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Já na cumulação imprópria alternativa, o autor formula mais de um pedido e se contenta


com o atendimento de quaisquer deles. Nesse caso, não há preferência, razão pela qual o
pedido será julgado procedente na hipótese de acolhimento de qualquer dos pedidos apre-
sentados.
Essa solução está sedimentada na jurisprudência do STJ, conforme ementa a seguir:

1. A Corte Especial/STJ, ao analisar os EREsp 616.918/MG (Rel. Min.Castro Meira, sessão


ordinária de 2 de agosto de 2010), firmou entendimento no sentido de que:
1) em se tratando de cumulação alternativa, hipótese em que não há hierarquia entre
os pedidos, que são excludentes entre si, o acolhimento de qualquer deles satisfaz por
completo a pretensão do autor, não lhe ensejando interesse em recorrer, o que impõe
que os ônus sucumbenciais sejam suportados exclusivamente pelo réu;
2) tratando-se de cumulação subsidiária de pedidos, caso em que há hierarquia entre
os pedidos, havendo rejeição do pedido principal e acolhimento do pedido subsidiário,
surge para o autor o interesse em recorrer da decisão, sendo que tal circunstância evi-
dencia que o autor sucumbiu em parte de sua pretensão, o que impõe que ambas as
partes suportem os ônus sucumbenciais (Informativo 441/STJ).

4.3. Segunda Parte do Dispositivo: Despesas Processuais e Honorários


Advocatícios

Logo após finalizarmos os enunciados, é  hora de decidirmos sobre a responsabilidade


pelo pagamento das despesas do processo. Conforme o disposto no art.  82 do CPC, cada
parte ficará responsável pelo adiantamento das despesas decorrentes dos atos que realiza-
rem ou requererem no curso processo, mas a sentença condenará o vencido a ressarcir ao
vencedor as despesas que antecipou.

Art. 82. Salvo as disposições concernentes à gratuidade da justiça, incumbe às partes prover


as despesas dos atos que realizarem ou requererem no processo, antecipando-lhes o paga-
mento, desde o início até a sentença final ou, na execução, até a plena satisfação do direito
reconhecido no título.

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Podemos perceber que o CPC utiliza o critério da sucumbência para atribuir a responsa-
bilidade pelo pagamento das despesas do processo.
Com efeito, após deliberarmos sobre a solução das questões da fase de conhecimento,
devemos atribuir, de modo proporcional à derrota suportada por cada parte, o ônus de arcar
com a fração equivalente de todas as despesas geradas pelo processo.
Conforme o disposto no art. 84 do CPC, as despesas abrangem as custas dos atos do
processo, a indenização de viagem, a remuneração do assistente técnico e a diária de teste-
munha, além dos honorários advocatícios, que são tratados no art. 85 do CPC.

Art. 84. As despesas abrangem as custas dos atos do processo, a indenização de viagem, a remu-
neração do assistente técnico e a diária de testemunha.
Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor.

Do arbitramento dos honorários advocatícios: as despesas geradas pelo processo são


líquidas, exceto os honorários advocatícios.
Portanto, antes de fazer a distribuição proporcional à sucumbência de cada parte, é ne-
cessário tornar a verba honorária líquida. A liquidação dos honorários advocatícios sucum-
benciais é feita por arbitramento do juiz.
Para a realização dessa operação, o primeiro passo é definir sobre qual base ele será cal-
culado. No art. 85, § 2º, do CPC estão definidas as seguintes bases, com preponderância de
uma sobre a próxima:
• valor da condenação;
• proveito econômico obtido;
• valor atualizado da causa.

Art. 85, § 2º Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento so-
bre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre
o valor atualizado da causa, atendidos:
I – o grau de zelo do profissional;
II – o lugar de prestação do serviço;
III – a natureza e a importância da causa;
IV – o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.

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Após a escolha da base de cálculo, o juiz deverá aplicar um percentual sobre essa ela,
entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento.
A variação entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento atenderá o grau de
zelo do profissional, o lugar de prestação do serviço, a natureza e a importância da causa
e o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.
Esses critérios carregam uma carga de subjetividade, devendo o juiz indicar, expres-
samente, qual deles valorou de maneira diferenciada para o arbitramento acima do míni-
mo legal. No caso de fixação no percentual mínimo, não há necessidade de justificativa.

DICA!
Na sua prova de concurso, utilize sempre 10%, notadamen-
te porque você não terá muitas informações sobre a atu-
ação do advogado e não precisará justificar a escolha do
percentual mínimo.

Em relação à condenação da Fazenda Pública, por força do §  3º do art.  85, haverá


um escalonamento do percentual de acordo com o valor da condenação ou do proveito
econômico, nem sempre prevalecendo o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento.

Art. 85, § 3º Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários obser-
vará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2º e os seguintes percentuais:
I – mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do proveito
econômico obtido até 200 (duzentos) salários-mínimos;
II  – mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do proveito
econômico obtido acima de 200 (duzentos) salários-mínimos até 2.000 (dois mil) salários-mí-
nimos;
III – mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do proveito
econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) salários-mínimos até 20.000 (vinte mil) salários-mí-
nimos;
IV – mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do proveito
econômico obtido acima de 20.000 (vinte mil) salários-mínimos até 100.000 (cem mil) salá-
rios-mínimos;
V – mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do proveito
econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) salários-mínimos.

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É importante destacar que, em conformidade com o § 6º do art. 85, mesmo nas sentenças
de improcedência ou sem resolução de mérito, serão observados os limites e critérios dos
§§ 2º e 3º do art. 85.

§ 6º Os limites e critérios previstos nos §§ 2º e 3º aplicam-se independentemente de qual seja o
conteúdo da decisão, inclusive aos casos de improcedência ou de sentença sem resolução de mé-
rito.

De acordo com o § 8º do art. 85, a fixação dos honorários conforme o prudente arbítrio do
juiz (equidade) somente será admitida nas causas em que for inestimável ou irrisório o pro-
veito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo.

§ 8º Nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor
da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equitativa, observando
o disposto nos incisos do § 2º.

Alguns juízes estão interpretando o termo inestimável como os honorários excessivamente


elevados, a fim de evitar o arbitramento desarrazoado, principalmente nas ações em que o pe-
dido é julgado improcedente e o valor da causa é muito alto. Para tanto, está sendo utilizada a
própria definição de inestimável do dicionário Aurélio: “Que tem valor altíssimo, ou cujo valor é
altíssimo”.
Para o concurso, sugiro que somente se utilize o critério da equidade do § 8º quando o
proveito econômico for muito baixo ou inestimável ou quando o valor da causa for muito baixo,
pois a intenção do legislador, ao permitir, em casos excepcionais, o arbitramento por equidade,
foi o de evitar honorários irrisórios, não condizentes com a remuneração do trabalho do advo-
gado.
Conforme o disposto no § 14 do art. 85 do CPC, os honorários constituem direito próprio
do advogado e não admitem a compensação em caso de sucumbência recíproca, uma vez que
não haverá identidade entre credores e devedores para que o instituto pudesse ser aplicado.
Após o arbitramento do valor dos honorários sucumbenciais, eles deverão ser distribuí-
dos de maneira proporcional à sucumbência de cada um, exceto se um litigante sucumbir em
parte mínima, caso em que o outro responderá, por inteiro, pelo pagamento.

Art. 86. Se cada litigante for, em parte, vencedor e vencido, serão proporcionalmente distribuídas
entre eles as despesas.

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Parágrafo único. Se um litigante sucumbir em parte mínima do pedido, o  outro responderá, por
inteiro, pelas despesas e pelos honorários.

As despesas e os honorários advocatícios não representam obrigações solidárias entre


os litisconsortes. Portanto, o juiz deverá distribuir a responsabilidade de modo proporcional a
cada vencido. Entretanto, se não for feito esse rateio, prevalecerá a solidariedade.

Art. 87. Concorrendo diversos autores ou diversos réus, os vencidos respondem proporcionalmen-


te pelas despesas e pelos honorários.
§  1º A sentença deverá distribuir entre os litisconsortes, de forma expressa, a  responsabilidade
proporcional pelo pagamento das verbas previstas no caput.
§ 2º Se a distribuição de que trata o § 1º não for feita, os vencidos responderão solidariamente
pelas despesas e pelos honorários.

4.4. Terceira Parte do Dispositivo: Comandos de Impulso Processual


Após a definição da responsabilidade pelo pagamento das despesas processuais, o juiz
deverá determinar a adoção das providências necessárias para o impulso do processo.
Entre os comandos finais, podemos destacar:
• ordem de remessa do processo ao tribunal no caso de reexame necessário;
• extração de cópias para apuração de eventual crime;
• baixa e arquivamento após o trânsito em julgado;
• publicação e registro da sentença;
• intimação das partes.

Com isso, concluímos o nosso estudo sobre a técnica de elaboração do dispositivo.

4.5. Exemplo de Dispositivo


Veja, a seguir, a redação do dispositivo do caso que serviu de base para o estudo dos de-
mais elementos da sentença.
1ª Parte: Resolução das questões jurídicas: Ante o exposto, rejeito as preliminares e julgo
parcialmente procedentes os pedidos em relação à primeira requerida para:
• declarar a inexistência de relação jurídica com a requerente, referente ao contrato de
habilitação de linha telefônica celular indicada na inicial;

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• condená-la a pagar à autora, a título de danos morais, a quantia de R$ 8.000,00 (oito


mil reais), corrigida monetariamente pelo INPC a partir desta data e acrescida de juros
legais de 1% ao mês a contar do evento danoso (negativação indevida).

Julgo improcedentes os pedidos em relação ao segundo réu.


Declaro resolvido o mérito, nos termos do artigo 487, inciso I, do CPC.

 Obs.: No enunciado da resolução das questões, a utilização da palavra “parcialmente” indica


que algum ou alguns dos pedidos foram improcedentes. No caso, foi improcedente,
em relação à primeira ré, o pedido de indenização por danos materiais.
 Muito cuidado para não utilizar, em lugar de pedido, a palavra ação e “julgar improce-
dente a ação”. Esse é um erro grave. Lembrar que o direito de ação independe da reso-
lução favorável ou desfavorável dos pedidos. O que se julga serão sempre os pedidos!
 A expressão “declaro resolvido o mérito” tem a função de delimitar o fim da enun-
ciação da resolução das questões jurídicas da sentença para adentrar na segunda
parte, relacionada à distribuição das despesas do processo em conformidade com a
sucumbência de cada parte. Ela não é obrigatória.
 Cuidado para não extinguir o processo, pois estamos somente encerrando a fase cog-
nitiva; ainda haverá a fase de cumprimento de sentença. Lembre-se, nesse momento,
da própria definição de sentença como ato que põe fim à fase cognitiva ou extingue
a execução.

2ª Parte: Distribuição das despesas do processo: Em razão da sucumbência recíproca


não equivalente entre a autora e a primeira ré, condeno-as ao pagamento das despesas pro-
cessuais e dos honorários advocatícios, que arbitro em 10% do valor da condenação (art. 85,
caput e § 2º, CPC), cabendo à autora pagar 40% dessas despesas enquanto o remanescente
será arcado pela requerida.

 Obs.: observe que há duas operações. Uma define o valor dos honorários e a outra distri-
bui os honorários e demais despesas de modo proporcional à sucumbência de cada
parte.

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Ainda em consequência da sucumbência, condeno a autora a pagar ao advogado do se-


gundo réu honorários advocatícios que arbitro em 10% sobre o valor da causa, o que faço com
fundamento no art. 85, § 6º, do CPC.

 Obs.: se houver gratuidade de justiça, inserir ao final o seguinte texto: Em razão da gra-
tuidade de justiça deferida à parte autora/ré, suspendo a exigibilidade das verbas
sucumbenciais em relação a ela, nos termos do art. 98, §§ 2º e 3º do CPC.

3ª Parte: Impulso do processo: publique-se. Registre-se. Intimem-se.


Data
Assinatura
Juiz de Direito Substituto

 Obs.: muito cuidado para não identificar a sua prova. Geralmente o examinador irá informar
o que deverá constar nesse campo final. Se ele nada disser, coloque apenas “Juiz de
Direito Substituto”.

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DESAFIO
Agora é hora de praticar, pois só iremos aprimorar a técnica de elaboração da sentença
cível à medida em que formos resolvendo exercícios.
Com base no relatório fornecido a seguir, elabore a fundamentação e o dispositivo. Em
seguida, confronte com a solução apresentada.
RELATÓRIO
Trata-se de Ação de Indenização por danos materiais e morais, ajuizada em 5/3/2019, por
JOSEFINA DA SILVA em desfavor de JOÃO SANTOS.
Alega a requerente, em síntese, que: a) no dia 5/2/2018 trafegava com seu veículo GOL,
quando seu automóvel foi atingido na lateral esquerda pelo veículo CELTA, conduzido pelo
réu; b) o réu foi culpado pelo acidente, tendo em vista que fez o retorno e ingressou na via
preferencial sem atentar-se para as condições de tráfego, vindo a colidir com o veículo da
requerente, que circulava regularmente por sua faixa de rolamento; c) em razão do acidente,
o veículo da autora sofreu avarias, cujo conserto ficou em R$ 4.000,00 (quatro mil reais); d) o
acidente lhe causou danos morais, em razão da grande dor e sofrimento sentidos ao ver seu
carro zero quilômetro avariado.
Requer, ao final, a condenação do requerido ao pagamento de R$ 4.000,00 (quatro mil re-
ais), a título de danos materiais, e R$ 20.000,00 (vinte mil reais), em razão dos danos morais.
Instruiu a inicial com a procuração; guia de custas; laudo do Instituto de Criminalística,
o qual concluiu que o condutor do veículo CELTA foi o culpado pelo acidente, pois ingressou
na via principal sem observar as condições de trânsito, o que foi determinante para a ocor-
rência do acidente e a nota fiscal do conserto do veículo, no valor total de R$ 4.000,00 (quatro
mil reais), emitida em 10/3/2018.
Citado em 20/3/2019, o réu compareceu à audiência de conciliação. Não houve acordo
entre as partes.
Apresentou contestação em 10/04/2019, nos seguintes termos: a) não teve culpa no aci-
dente, tendo em vista que o evento decorreu de motivo de força maior, vez que no momento
chovia muito e não foi possível avistar o veículo da autora; b) o laudo do IC não pode ser

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tomado como prova incontestável da sua culpa, pois os peritos não presenciaram o aciden-
te; c) o seu veículo CELTA também sofreu danos, cujo conserto custou R$ 3.000,00 (três mil
reais), os quais devem ser compensados com os prejuízos alegados pela autora; d) o juízo é
incompetente, pois o valor da causa é inferior a 40 salários mínimos, de forma que deverá ser
declinada da competência para um dos Juizados Especiais Cíveis de Brasília; e) o acidente
não gerou danos morais à autora.
Requereu, ao final, a improcedência dos pedidos da autora.
Além da contestação, o  réu apresentou denunciação da lide em face da SEGURADO-
RA ALFA.
Argumentou que mantém contrato de seguro do seu automóvel com a denunciada e que
o acidente ocorreu dentro do prazo de vigência do contrato, o qual assegura a cobertura em
razão de danos causados a terceiros. Pede que, na eventualidade de condenação na lide prin-
cipal, a seguradora seja condenada a ressarcir-lhe os prejuízos suportados.
Juntou com a contestação a procuração e a cópia da apólice de seguro, com cobertura de
R$ 30.000,00 (trinta mil reais) para danos contra terceiros.
Citada em 10/5/2019, a SEGURADORA apresentou contestação. Sustenta, em sua defesa,
a incidência da prescrição, tendo em vista que a denunciação da lide somente ocorreu mais
de um ano após o acidente. Alega, ainda, que o contrato se encontrava rescindido antes da
ocorrência do sinistro, uma vez que naquela data o segurado estava em atraso com o paga-
mento da última parcela do prêmio do seguro, o que afasta a sua obrigação de pagar o valor
segurado. Argumenta, também, a sua ilegitimidade quanto aos danos morais, pois a apólice
não garante cobertura dessa natureza.
Juntou cópia da apólice e do extrato de pagamento dos prêmios de seguro, com a in-
formação de que a última parcela do prêmio estava em atraso de 10 dias quando ocorreu o
sinistro.
Em réplica, a autora rebateu os fundamentos do réu e da litisdenunciada e reafirmou os
argumentos da peça inaugural. O litisdenunciante, por seu turno, manteve-se em silêncio.
Instadas a especificarem provas, a seguradora requereu a perícia do veículo da autora.
As demais partes nada requereram.
É o relatório.

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DESAFIO COMENTADO
Com base no relatório, podemos organizar e sistematizar as questões jurídicas conforme
o quadro a seguir:

Cada questão identificada está fundada em alegações de fato e de direito apresentadas pe-
las partes, ou seja, há uma causa de pedir para cada questão. Precisamos identificá-las com
clareza no relatório.
Se for necessário, devemos ler e reler, até que consigamos compreender, inteiramente, os fun-
damentos invocados pelas partes para cada uma das questões, pois não poderemos deixar
de enfrentar nenhum deles, sob pena de omissão na nossa sentença.

Agora que já montamos o esqueleto da nossa fundamentação, é hora de redigi-la.


Acompanhe atentamente os comentários:
DECIDO.

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 Obs.: alguns sustentam que é redundante a utilização da palavra decido após o fim do rela-
tório. Entretanto, essa é uma prática consagrada que reforça o início do segundo ele-
mento essencial da sentença.

Conforme o disposto nos artigos 139, II e 370, parágrafo único, do CPC, o juiz deve velar
pela rápida solução dos litígios, indeferindo as diligências inúteis ou meramente protelatórias,
que em nada poderão contribuir para a elucidação das questões fáticas.
No caso em análise, a prova pericial requerida pela litisdenunciada não teria nenhuma uti-
lidade para o esclarecimento dos fatos, tendo em vista que o veículo já foi reparado e, assim,
não seria possível, com a realização da perícia, a identificação das possíveis avarias causa-
das pelo acidente narrado na exordial.
Ademais, reputo que os fatos relevantes estão suficientemente elucidados pelas provas
documentais juntadas pelas partes, não havendo a necessidade de incursão na fase instrutó-
ria para a produção de novas provas.
Nesse sentido, indefiro o pedido de produção de prova pericial e passo, de imediato, à aná-
lise das preliminares pendentes e ao julgamento antecipado do mérito da ação principal e da
denunciação da lide, nos termos do artigo 355, inciso I, do CPC.

 Obs.: conforme vimos na nossa primeira aula, haverá diversas situações em que o proces-
so de conhecimento, mesmo que não tenha ingressado em todas as fases do proce-
dimento, já se encontrará maduro para receber o julgamento. É o sentenciante que
realiza este juízo e valor. Logo, o  primeiro parágrafo sempre revelará a aptidão do
processo para receber a solução definitiva das questões.
 No caso em análise, houve um pedido de provas. Com efeito, o indeferimento dessa
prova requerida pela parte é uma condição essencial para que ocorra o julgamento
antecipado.

 Obs.: o argumento central do indeferimento, tanto nesse caso como em qualquer outro
em que haja pedido de produção probatória sempre será a inutilidade da prova, seja
porque já há prova suficiente dos fatos, seja porque o meio de prova indicado pela
parte interessada não é idôneo para a comprovação da matéria fática em discussão.

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I – DA LIDE PRINCIPAL


Quando houver julgamento simultâneo ou casos de reconvenção ou intervenção de ter-
ceiros, há duas possibilidades de organização da fundamentação:
• se há relação de conexão sem prejudicialidade entre as ações (ações conexas): resol-
vemos as questões processuais de ambas simultaneamente e, na sequência, analisa-
mos as questões de mérito;
• se há relação de prejudicialidade (denunciação da lide): resolvemos primeiro a principal
(questões preliminares e de mérito) e, na sequência, a denunciação da lide;
• na oposição também haverá prejudicialidade, de forma que o juiz resolverá primeiro a
oposição e, em seguida, a ação originária (art. 686 do CPC);
• se houver a utilização de tópicos, eles deverão obedecer, rigorosamente, as questões
jurídicas identificadas no esqueleto (pressupostos processuais, condições da ação,
prejudiciais de mérito e mérito). Podemos utilizar subtópicos, caso sejam úteis para
melhorar a organização

Da questão preliminar. Da arguição de incompetência do juízo: a Lei n. 9.099/1995 ins-


tituiu no nosso ordenamento jurídico o sistema dos Juizados Especiais Cíveis, com compe-
tência para processar e julgar causas de menor complexidade, dentre as quais, aquelas com
valor de até quarenta salários mínimos, conforme o disposto no seu artigo 3º, inciso I, do
citado diploma legal.
Contudo, trata-se de um microssistema especial e de natureza opcional, conforme o dis-
posto no § 3º do art. 3º da sua lei de regência. Assim, mesmo nas causas abrangidas pela
competência dos Juizados Especiais Cíveis, a parte poderá ajuizar a sua ação perante a Jus-
tiça Comum, sem qualquer violação às normas de competência.
Nesse sentido, considerando que a parte autora poderia ter optado tanto pela propositura
da ação perante os Juizados Especiais Cíveis quanto perante esta vara cível, deve ser presti-
giada a sua escolha, de modo a firmar a competência deste juízo.
Com efeito, a preliminar deve ser rejeitada.
Há diferença relevante na forma de se concluir a análise. Se dizemos “a preliminar deve
ser rejeitada”, não há a decisão, mas somente a conclusão da análise da questão jurídica.

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De modo inverso, se encerramos com a expressão “rejeito a preliminar”, estamos decidin-


do a questão no corpo da fundamentação.
Na fundamentação, segundo o CPC, o juiz somente analisará as questões. Logo, a pri-
meira forma de redação preserva a decisão para o dispositivo, enquanto a segunda já traz o
próprio dispositivo para o corpo da fundamentação.
Na prática, ambas são aceitas igualmente.

Não pode faltar a decisão de rejeição no corpo da fundamentação ou do dispositivo e, tam-


pouco, pode ser repetida a rejeição nos dois lugares, uma vez que o juiz não deverá deixar de
decidir e nem decidir duas vezes a mesma questão.

Do mérito: a lide principal insere-se na temática da responsabilidade civil extracontratual,


regulada pelo Código Civil Brasileiro.

 Obs.: se houver várias questões que serão solucionadas à luz de uma legislação específi-
ca, é comum identificarmos esse diploma legal antes de iniciarmos a análise de cada
uma delas, para evitar a repetição do fundamento.
 No caso em análise, como tanto a questão da indenização por danos materiais como
a indenização por danos morais serão solucionadas à luz do Código Civil, a definição
da submissão da relação jurídica a esse diploma legal antecedeu à solução das ques-
tões.

Da indenização por danos materiais: conforme o disposto no artigo 927 do Código Civil,
aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Por seu turno, comete ato ilícito, segundo o art. 186, quem, por ação ou omissão voluntá-
ria, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem.
Extrai-se da interpretação desses dois dispositivos legais que a responsabilidade civil
subjetiva extracontratual exige a presença dos seguintes elementos: conduta ilícita dolosa ou
culposa, nexo de causalidade e dano.

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 Obs.: o silogismo começou pela premissa maior. É uma questão de estilo. Poderia ter ini-
ciado pela premissa menor (fatos provados), desde que a argumentação se desenvol-
vesse de forma lógica e coerente.
 Importante observar a conclusão da premissa maior, destacando os pressupostos da
responsabilidade civil extracontratual: conduta ilícita, nexo e dano, pois os próximos
parágrafos confrontarão os fatos à luz desses elementos.

A fim de analisar a eventual conduta culposa do réu no acidente, é importante destacar


que o artigo 39 do Código Brasileiro de Trânsito estabelece, como norma de circulação, que a
operação de retorno deverá ser feita com observância, dentre outras, das características da
via que se pretende ingressar e das condições meteorológicas.
No caso em apreço, restou incontroverso que no momento do acidente estava chovendo.
Mesmo ciente da condição meteorológica desfavorável, o requerido ingressou na via principal
sem que tivesse visibilidade suficiente para essa conversão. Essa manobra acabou sendo
determinante para o choque entre os automóveis.
A dinâmica do acidente foi reforçada pelos peritos do Instituto de Criminalística, que fize-
ram a reconstituição, com base nos vestígios encontrados no local da colisão, e concluíram
que o ingresso do veículo da parte ré na pista sem atentar-se às condições de trânsito foi
determinante para o acidente.
Acresça-se, ainda, que o próprio réu não impugnou que a autora trafegava na via principal
quando foi atingida pelo seu veículo.
Assim, embora o juiz não esteja adstrito a nenhum laudo técnico, pois compete a ele a livre
valoração da prova, reconheço que a conclusão dos peritos merece ser prestigiada, pois está
apoiada em dados objetivos e deixa claro que o réu violou a norma de circulação supracitada.
Ademais, não havia necessidade de que os peritos do Instituto de Criminalística tivessem
presenciado a colisão para que pudessem reproduzir, mediante dados coletados no local,
a dinâmica do acidente, de forma que o laudo, aliado aos relatos das partes, mostra-se sufi-
ciente para se concluir pela culpa do réu.
A fim de afastar a sua responsabilidade civil, o réu argumentou que o evento decorreu de
motivo de forma maior, pois no momento chovia muito.

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Para a definição jurídica da força maior, o art. 393, parágrafo único, do CC dispõe que ela
se verifica no fato necessário, cujo efeito não era possível evitar ou impedir.
A chuva é um fenômeno meteorológico, mas há previsibilidade que ela possa ocorrer du-
rante a circulação com veículos em via pública. Nesse sentido, o próprio CTB determina cui-
dado redobrado do motorista em condição de chuva, a fim de evitar a ocorrência de acidentes.
Logo, os  efeitos da chuva são possíveis de serem evitados, bastando que o condutor, em
condição desfavorável de visibilidade, interrompa a circulação até que seja possível trafegar
sem colocar em risco a sua segurança e dos demais motoristas.
Diante desse contexto, a chuva não pode ser considerada um motivo de força maior e,
consequentemente, não exclui o nexo causal entre a conduta do réu e o acidente ocorrido e,
tampouco, afasta a sua responsabilidade civil pelos atos praticados na condução do auto-
móvel.
Em consequência de sua manobra imprudente, o veículo conduzido pelo requerido acabou
vindo a atingir o automóvel da autora, causando-lhe avarias.
Assim, está demonstrada a presença de todos os elementos para a responsabilização ci-
vil subjetiva do réu, de forma que o requerido deverá indenizar a autora pelos danos materiais
que lhe causou.

 Obs.: superada a análise da obrigação de indenizar (an debeatur), é necessária a análise do


quantum debeatur para que seja proferida uma sentença líquida.

O dano material suportado pela requerente em razão do infortúnio está comprovado pela
nota fiscal, no valor de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), o qual deverá será considerado para a
fixação do valor da indenização.
Embora o veículo conduzido pelo primeiro réu também tenha sofrido avarias, não há pos-
sibilidade de se abater do valor da indenização a quantia gasta por ele com o conserto do seu
automóvel, pois a compensação somente é admitida quando há culpa concorrente (art. 945
do CC), hipótese que não se adequa ao caso em análise, em que a culpa foi exclusiva do réu.

 Obs.: no mesmo contexto em que foi definido o valor da indenização, também foi enfrenta-
da a tese de defesa, que buscava a compensação em face da culpa concorrente.

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Da indenização por danos morais: nada obstante as respeitáveis ponderações da parte


autora quanto ao seu desgosto com as avarias em seu carro zero quilômetro, não reconheço
que o evento tenha gerado abalo psíquico relevante, ao ponto de causar dor e sofrimento su-
ficientes para a violação dos atributos da personalidade.
Trata-se, na realidade, de aborrecimentos típicos do trânsito que não apresentam poten-
cialidade lesiva suficiente para justificar a postulada indenização de natureza moral.
Ademais, a reparação civil, sobretudo no que tange os danos morais, não deve ser bana-
lizada, tampouco utilizada de forma não razoável e desproporcional, sob pena de propiciar
benefício econômico ao indivíduo que se diz ofendido sem causa relevante para isso.
Portanto, reputo inexistente o dano extrapatrimonial. Consequentemente, o pedido da re-
querente, nesse ponto, não deve ser acolhido.

 Obs.: o segundo pedido de mérito possui a mesma premissa maior da primeira questão.
Observe que, na situação fática, o dano, um dos pressupostos da responsabilidade
civil subjetiva, é inexistente e isso é suficiente para a improcedência do pedido, não
havendo a necessidade de análise dos demais pressupostos da indenização.

II – DA DENUNCIAÇÃO DA LIDE

 Obs.: a denunciação da lide é subordinada, em face da prejudicialidade, ao  resultado da


ação principal, tendo em vista que, se todos os pedidos da ação principal fossem
improcedentes, não haveria necessidade de analisar a denunciação da lide.
 Em razão disso, sempre que houver denunciação, a estruturação correta da funda-
mentação é essa: resolver todas as questões da ação principal e, somente após isso,
ingressar na análise das questões jurídicas da denunciação da lide.
 Observe o que dispõe o art. 129 do CPC:

Art. 129. Se o denunciante for vencido na ação principal, o juiz passará ao julgamento da denun-
ciação da lide.
Parágrafo único. Se o denunciante for vencedor, a ação de denunciação não terá o seu pedido exa-
minado, sem prejuízo da condenação do denunciante ao pagamento das verbas de sucumbência
em favor do denunciado.

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Da arguição de ilegitimidade da seguradora: segundo o art. 17 do CPC, para propor e res-


ponder uma ação é necessário que a parte detenha legitimidade para a causa. Essa condição
da ação consiste na existência de um vínculo entre os sujeitos da demanda e a situação
jurídica afirmada em juízo, ou seja, ela representa a pertinência subjetiva da lide. Em outras
palavras, a legitimidade pode ser definida como a titularidade ativa e passiva frente ao direito
invocado.
Segundo a teoria da asserção, a legitimação é aferida conforme a narrativa apresentada
na petição inicial, exigindo-se tão somente que haja uma correlação entre as pessoas indica-
das na relação de direito material e aquelas que figuram nos polos da ação. Acresça-se que
a efetiva confirmação dos fatos e a existência do direito postulado são questões afetas ao
mérito, que em nada maculam a legitimidade para a causa.

 Obs.: observe, nesse tópico, como é importante a resolução de exercícios para a boa pre-
paração para a prova. Esses dois parágrafos são idênticos ao texto que já utiliza-
mos, durante as aulas, para a análise da ilegitimidade da empresa que administrava o
banco de dados de inadimplentes.

A legitimação da seguradora para a denunciação da lide deriva da afirmação trazida pelo


denunciante da existência de contrato de seguro com ela firmado, que garante a cobertura em
relação aos danos causados a terceiros em acidente automobilístico. Nesse sentido, não há
dúvida de que ela é parte legítima para ocupar o polo passivo dessa intervenção de terceiros.
Todavia, a questão da legitimidade perdeu a relevância em relação à cobertura dos danos
morais, tendo em vista que o denunciante foi vencedor, na ação principal, em relação a essa
questão.
Nesse sentido, considero prejudicada a preliminar.
Da alegação de prescrição: conforme o disposto no art. 206, § 1º, inciso II, alínea “a”, do
Código Civil, a prescrição da pretensão do segurado contra o segurador, no caso de respon-
sabilidade civil, é de um ano e conta-se da data em que ele é citado para responder à ação de
indenização proposta pelo terceiro prejudicado.

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No caso sub judice, o requerido foi citado em 20/03/2017 e protocolou sua contestação
em 10/04/2017, oportunidade em que apresentou a denunciação da lide para exigir da se-
guradora o ressarcimento de eventuais danos que venha a suportar em decorrência da lide
principal e que estejam assegurados na cobertura securitária.
Vê-se, portanto, que a pretensão foi exercida dentro do prazo prescricional de um ano, de
modo que o argumento da litisdenunciada quanto à incidência da prejudicial de mérito não
pode ser acolhido.
Com efeito, não se operou a prescrição.

 Obs.: em questões que envolvam prescrição ou decadência, o  desafio geralmente estará


centrado em definir qual é o prazo prescricional ou decadencial e o termo inicial para
a sua contagem.
 É fundamental dominar o princípio da actio nata, o qual define que o prazo prescricio-
nal tem início com a efetiva lesão ou ameaça do direito tutelado, momento a partir do
qual nasce a pretensão a ser deduzida em juízo.

Do mérito: a relação jurídica estabelecida entre as partes caracteriza-se como uma rela-
ção de consumo, uma vez que a seguradora atuou como fornecedora de produtos e serviços
e, no outro polo, o litisdenunciante, na condição de consumidor, pois adquiriu o produto como
destinatário final, em perfeita consonância com as definições estampadas nos artigos 2º e 3º
do Código de Defesa do Consumidor.

 Obs.: na ação principal, a relação jurídica é de direito civil comum, na denunciação da lide a
relação é de consumo

Da obrigação regressiva da seguradora: pelo contrato de seguro, o segurador se obriga,


mediante o pagamento do prêmio pelo segurado, a garantir interesse legítimo do segurado,
relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados, consoante o disposto no art. 757,
caput, do Código Civil.

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O denunciante comprovou, por meio da apólice acostada à fl. xx, que firmou contrato de
seguro do seu veículo, com previsão expressa de cobertura de danos materiais causados a
terceiros até o limite de R$ 30.000,00 (trinta mil reais).
Assim, considerando-se que o sinistro ocorreu no prazo de vigência apontado no contra-
to, a seguradora tem o dever de cumprir a sua obrigação contratual, mediante o pagamento,
em favor da autora da demanda principal, do valor da indenização por danos materiais.
A fim de afastar a sua condenação, a ré argumenta que o contrato estaria rescindido na
época do infortúnio, na medida em que há cláusula contratual que estabelece essa rescisão
automática no caso de mora contratual.
Contudo, sob a ótica do Código de Defesa do Consumidor, essa cláusula é nula de pleno
direito, nos termos do art. 51, inciso IV e IX, pois coloca o consumidor em desvantagem exa-
gerada, bem como permite que o fornecedor cancele unilateralmente o contrato, sem assegu-
rar igual direito ao consumidor.
Não se sustenta, com isso, a impossibilidade de rescisão do contrato na hipótese de ina-
dimplemento ou mora. Entretanto, para que essa resolução se concretize, é necessário que
o consumidor previamente tenha ciência inequívoca da intenção da seguradora, mediante
notificação que lhe constitua em mora.
Se assim a seguradora não procedeu é porque não havia, na ocasião do sinistro, a vontade
manifesta do rompimento do vínculo contratual, de sorte que não poderá agora invocar essa
tese para afastar a sua responsabilidade contratual.

 Obs.: a premissa maior envolveu o diálogo de duas fontes: Código Civil que regula o con-
trato de seguro e o Código de Defesa do Consumidor, pois a relação jurídica é de con-
sumo.
 Nas provas de concurso, é muito comum que o examinador apresente questões que
envolverão diálogo de fontes, seja ele vertical (CF com normas infraconstitucionais)
ou horizontal (normas de mesma hierarquia).

Essa questão está pacificada na jurisprudência do STJ, conforme o enunciado da Súmu-


la 616:

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A indenização securitária é devida quando ausente a comunicação prévia do segurado


acerca do atraso no pagamento do prêmio, por constituir requisito essencial para a suspen-
são ou resolução do contrato de seguro.

 Obs.: no concurso, não se exige do candidato que domine o número e nem o texto das
súmulas, mas é relevante que, em arremate ao raciocínio jurídico desenvolvido para a
análise da questão, seja mencionado que essa mesma interpretação está sedimenta-
da em enunciado de súmula do STJ ou do STF.

Acresça-se, ainda, que houve o adimplemento substancial do prêmio do seguro, pois fal-
tava o pagamento tão-somente da última parcela, o que fragiliza ainda mais a possibilidade
de rescisão unilateral do contrato por inadimplemento contratual, razão pela qual, sob essa
ótica, a seguradora não está isenta do pagamento da indenização.
Em suma, não há nenhuma causa idônea para eximir a seguradora do cumprimento de
sua obrigação contratual, de forma que ela deverá suportar, regressivamente, a condenação
imposta ao litisdenunciante na ação principal.
Por fim, cumpre asseverar que não houve condenação em danos morais, de forma que
resta prejudicada qualquer análise sobre a eventual obrigação contratual da seguradora de
suportar o pagamento de indenização dessa espécie.
Ante o exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, julgo parcialmente procedentes os pedi-
dos deduzidos na lide principal para condenar o requerido a pagar à autora a quantia de R$
4.000,00 (quatro mil reais), a título de danos materiais, corrigida monetariamente pelo INPC
a partir do desembolso e acrescida de juros legais de 1% ao mês a contar do evento danoso.
Em relação à denunciação da lide, rejeito a preliminar e a prejudicial de prescrição. No mé-
rito, julgo procedente o pedido para condenar a seguradora ALFA, solidariamente (Súmula 537
do STJ), a suportar integralmente a condenação imposta ao litisdenunciante na lide principal.
Declaro resolvido o mérito das lides, nos termos do art. 487, inciso I, do CPC.

 Obs.: no dispositivo, quando há cumulação de ações ou intervenção de terceiros, primeiro


enunciamos a solução de todas as questões jurídicas de ambas as ações. Somente

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após fazer isso, trabalhamos a segunda parte, dedicada ao arbitramento dos honorá-
rios e à distribuição das despesas do processo em conformidade com a sucumbência
de cada parte.

Na ação principal, arbitro honorários advocatícios em 10% (dez por cento) do valor da
condenação, a serem repartidos na proporção de 50% (cinquenta por cento) para cada advo-
gado, em razão da sucumbência recíproca e equivalente. Cada parte suportará o pagamento
de metade das custas processuais.
Quanto à lide secundária, condeno a SEGURADORA ao pagamento das custas proces-
suais e honorários advocatícios, que arbitro em 10% sobre o valor da condenação (art. 85,
§ 2º, CPC).
Sentença registrada eletronicamente. Publique-se. Intimem-se.
Local e data.
Nome
Juiz de Direito Substituto
Caro(a) aluno(a),
Espero que esse PDF tenha sido útil para você como um manual prático para a elaboração
da sentença cível em conformidade com a técnica.
Considerando que a sentença é uma peça eminentemente prática, ela exige aprimora-
mento contínuo. Para isso, o  Gran Cursos oferece a complementação do seu treinamento,
mediante a correção de peças práticas de acordo com o padrão das principais bancas exa-
minadoras do país.
Por fim, coloco-me à disposição para contribuir, naquilo que estiver ao meu alcance, para
que você realize o seu sonho e conquiste essa vitória.
Se quiser me seguir em redes sociais, mantenho o perfil @professorjayder no Instagram.
Forte abraço e bons estudos.

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