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UNIFACS - Campus Rio Vermelho

Professor: Danilo Raynal


Aluno: Lucas Menezes Pereira
Disciplina: Eletrônica Analógica
Turma: Quarta, 19:00-21:40hs

Desenvolvimento de Prática 1 – Circuitos retificadores

OBS: Para os cálculos teóricos serem condizente à prática no software utilizado


(Tinkercad), a fonte de tensão Vi utilizada nos cálculos teóricos tem amplitude de
5V, sendo 10V o valor pico-a-pico (que é mostrado na ilustração do software para
sua fonte). Quando se escolhe a tensão da fonte senoidal no Tinkercad, está se
escolhendo na verdade o valor pico-a-pico (diferença entre pico positivo e
negativo).

4.1. Circuito retificador de meia onda

Figura 1 - Esquemático do circuito retificador de meia onda

a) Objetivo:
O circuito retificador de meia onda serve para conter (retificar) a componente negativa
da tensão senoidal Vo que chega ao resistor (carga) influenciada pela tensão de entrada
Vi. Vale lembrar que, ao invés de somente uma carga, pode haver toda uma rede ligada
(um conjunto de aparelhos/cargas ligados).

b) Funcionamento e cálculos teóricos:


O funcionamento do circuito se baseia na propriedade do diodo de conduzir somente
quando diretamente polarizado, quando a queda de tensão no mesmo pode ir de 0,5 a
1,2 Volts (a depender do material). Assim, a tensão restante proveniente da fonte é
consumida pela carga. Quando inversamente polarizado, o diodo não conduz, ficando
em aberto, e toda a tensão é dissipada nele, nada sobrando para a carga, o que torna o
sinal de saída do circuito (tensão na carga) retificado para o semiciclo negativo de Vi.

Como é pedido o modelo aproximado do diodo (geralmente de silício), que apresenta


grande condução de corrente em Vd=0,7V, não é possível desprezar a queda de tensão
no mesmo e, por análise de malha para o circuito da parte 4.1 do roteiro (Figura 1), tem-
se:

-Vi+Vd+Vo=0 -> Vo=vi-0,7 (para o semiciclo positivo da tensão de entrada)

Para as grandezas solicitadas no roteiro, tem-se para o modelo aproximado do diodo:

* Vcc de Vo = 0,318(𝑉𝑚-Vd) = 0,318(5-0,7) ≅ 1,37V


* Nível de ondulação de Vo = r
Vr ( RMS ) 0,385(5−0,7)
=  ∗100 %= ≅ 1,2 107 ≅ 12 1, 07 %
Vcc 1,37

* Esboço de gráfico teórico de Vo:

Figura 2 – Forma de onda de tensão teórica para a tensão de entrada (Vi), tensão sobre o resistor (Vo) e
tensão sobre o diodo (Vd).

c) Montagem e observação prática


Na montagem deste circuito foi utilizado: fonte de tensão senoidal de amplitude 5V
(máximo valor da amplitude do gerador de funções do software Tinkercad); 1 diodo de
junção p-n; 1 resistor 2,2 KΩ e osciloscópios.

Figura 3 - Montagem do circuito no software Tinkercad. No osciloscópio mais à direita, cada divisão
vertical a partir da metade compreende 1V para cima e -1V para baixo; nos demais osciloscópios, cada
divisão equivale a 2V.

A partir do multímetro, que mede a queda de tensão média na carga ou resistor (Vocc)
visto na imagem acima, é possível ver que

* Vcc de Vo = Vocc = 1,31V


A tensão senoidal da fonte que não é consumida pelo resistor foi perdida no diodo (lida
no osciloscópio de baixo durante os semiciclos positivos da tensão de entrada, quando o
diodo está diretamente polarizado).

A partir do Vcc medido acima pelo multímetro, tem-se para o valor de pico de Vo, já
considerada a queda de tensão no diodo:

0,318*Vomax=Vocc=1,31;

então Vomax ≅ 4,12V.

* Nível de ondulação de Vo = r
Vr( RMS) 0,385∗Vomax 0,385∗4,12
=  ∗100 %= ∗100 % ≅ ∗100 %=1,21 08=121 , 08 %
Vcc Vcc 1,31

d) Comparação e explicação de possíveis discrepâncias:

Teórico Prático
Vcc de Vo 1,37V 1,31V
Nível de ondulação de Vo 121,07% 121,08%

As discrepâncias entre o valor da prática e o téorico foram pequenas, já que:

|Vccvo prat−Vccvo teor| |1,31−1 ,37|


∗100 %= ∗100 % ≅ 4 , 38 %
|Vccvo teor| |1,37|

niv ond prat−niv ond teor∨ ¿ ¿


|121 , 08 %−12 1, 07 %|
niv ond teor∨¿∗100 %= ∗100 % ≅ 0 , 008 % ¿
|121,07 %|

e se justificam pela necessidade de se escolher um valor fixo para Vccvo lido pelo
multímetro do Tinkercad, que variava em alguns centésimos de volts, o que pode
comportar pequenos erros de estimativa.
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4.2. Retificador de onda completa (em ponte)

Figura 4 - Esquemático do circuito retificador de onda completa

a) Objetivo: A vantagem do retificador apresentado aqui é que ele aproveita ambos os


semiciclos da senoide da tensão de entrada para alimentar a carga com tensão Vo
sempre positiva. Os semiciclos negativos da senoide de entrada são “rebatidos para
cima” na saída Vo pela atuação da ponte de diodos.
b) Funcionamento e cálculos teóricos:
Os diodos em si se comportam de maneira igual à do retificador de meia onda, mas a
diferença aqui é pelo fato de existir uma combinação. No semiciclo positivo da tensão
de entrada, o par de diodos diretamente polarizado (1 e 3) conduz enquanto o outro par
está em aberto (2 e 4) (pois está reversamente polarizado). No semiciclo negativo, o par
que estava em aberto passa a conduzir e vice-versa. Em cada semiciclo portanto,
somente há dois diodos conduzindo, o que justifica (por análise de malha para o circuito
da parte 4.2, figura 4, e o uso do modelo aproximado para o diodo): 

-Vi+Vd+Vo+Vd=0 -> Vo=Vi-2Vd -> Vo=Vi-1,4, válido tanto para semiciclo positivo
quanto para o negativo.

Para as grandezas solicitadas no roteiro, tem-se (considerando o modelo aproximado do


diodo):

* Vcc Vo = 0,636(𝑉𝑚-2Vd) = 0,636(5-2*0,7) ≅ 2,29V


* Nível de ondulação de Vo = r
Vr( RMS) 0,308∗(5−2∗0,7)
=  ∗100 %= ∗100 % ≅ 48,4 3 %
Vcc 2 , 29

* Esboço de gráfico teórico de Vo:

Figura 5 - Forma de onda de tensão teórica para a tensão de entrada (Vi), tensão sobre o resistor (Vo) e
tensão sobre os diodos (Vd1 a Vd4).

c) Montagem e observação prática


O circuito retificador de onda completa, montado também a partir de uma fonte de
tensão alternada e um resistor, usa quatro diodos semicondutores em sua configuração
em ponte. Uma protoboard foi utilizada para auxiliar nas ligações. A carga também é
ligada aos diodos, mas não em série (como no circuito anterior).
Figura 6 - Montagem do circuito no software Tinkercad. No osciloscópio à direita, cada divisão vertical a
partir da metade compreende 1V para cima e -1V para baixo; no da esquerda, cada divisão equivale a 2V.

No osciloscópio acima é possível ver que tanto para os semiciclos positivos quanto
negativos da fonte, a tensão dissipada na carga possui sempre valores positivos em
decorrência do trabalho da ponte de diodos de retificar as tensões negativas da fonte,
“rebatendo-a” para cima.

O Vcc de vo lido pelo multímetro foi de: Vocc=2,19V

A partir do Vcc medido acima pelo multímetro, tem-se para o valor de pico de Vo, já
considerada a queda de tensão nos diodos:

0,636*Vomax=Vocc=2,19;

então Vomax ≅ 3,44V.

* Nível de ondulação de Vo = r

Vr( RMS) 0,3 08∗Vomax 0,308∗3,44 V
∗100 %= ∗100 %= ∗100 % ≅ 0,48 38=48 , 38 %
Vcc Vcc 2,19

d) Comparação e explicação de possíveis discrepâncias:

Teórico Prático
Vcc de Vo 2,29V 2,19V
Nível de ondulação de Vo 48,43% 48,38%

As discrepâncias entre o valor da prática e o téorico foram pequenas, pois:

|Vccvo prat−Vccvo teor| |2,19−2 , 29|


∗100 %= ∗100 % ≅ 4,37 %
|Vccvo teor| |2,29|
niv ond prat−niv ond teor∨ ¿ ¿
|48,3 8 %−48,4 3 %|
niv ond teor∨¿∗100 %= ∗100 % ≅ 0,10 % ¿
|48,4 3 %|

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4.3. Retificador de onda completa (em ponte) com um capacitor de filtro, C=100uF

Figura 7 - Esquemático do circuito retificador de onda completa com capacitor de filtro

a) Objetivo
Este circuito, que difere do anterior somente pela adição de um capacitor em paralelo
com a carga, tem a função de eliminar a grande ondulação de carga e descarga
naturalmente apresentado pelo valor de tensão Vo sobre o resistor. Por removê-la, diz-se
que o capacitor faz a filtragem do sinal Vo, que fica agora com uma tendência maior ou
menor de constância a depender do valor da capacitância utilizada.

b) Funcionamento e cálculos teóricos:


Durante o intervalo de tempo em que o valor instantâneo de Vo esteja subindo (em
direção ao pico positivo), o capacitor vai sendo carregado. A partir do pico, quando Vo
passa agora a descer, a energia armazenada no capacitor vai sendo aos poucos
transferida para o resistor, evitando que a descida do valor de Vo ocorra no mesmo
ritmo que a subida, mas que seja mais lenta. Daí, o ciclo se repete várias e várias vezes.
Quanto maior a capacitância C (propriedade de armazenamento de carga) usada no
capacitor, mais energia é transferida e menor é a diminuição de Vo, o que torna o sinal
mais próximo de uma tendência constante.

Por análise de malha para o circuito da parte 4.3 (figura 7): 

-Vi+Vd+Vo+Vd=0 -> Vo=Vi-2Vd

Mas como é solicitado o modelo ideal para os diodos, em que numa queda de tensão
suficientemente próxima de zero já começa a condução, adota-se Vd=0 e:

Vo=Vi-2*0 -> Vo=Vi

Sendo Vo também igual à tensão Vc sobre o capacitor, já que ambos estão em paralelo.

Para as grandezas solicitadas no roteiro, tem-se para o modelo ideal do diodo:

* Vcc Vo = 0,636(𝑉𝑚-2Vd) = 0,636(5-2*0) = 3,18 V.

* Para o nível de ondulação, é preciso utilizar (do livro Boylestad, 11ª edição):
E como toda a tensão da fonte cai sobre o resistor, já que os diodos tem Vd=0
(ideais), tendo Vcc da fonte (chamado Vicc) = Vo = 3,18V:

Icc=Vicc/R= 3,18V/2200Ω ≅ 1,45mA ≅


2,4∗Icc 2,4∗1,45
Vr (RMS) = = =0.0348 V ≅ 0,035V
C 100

Vr ( RMS ) 0,0 35 V
* Nível de ondulação de Vo = r =  ∗100 %= ∗100 % ≅ 1 , 10 %
Vcc 3 ,18

* Esboço de gráfico teórico de Vo:

Figura 8 - Forma de onda de tensão teórica para a tensão de entrada (Vi) e tensão sobre o resistor (Vo),
que é a mesma sobre o capacitor (Vc)

c) Montagem e observação prática


Figura 9 - Montagem do circuito no software Tinkercad. No osciloscópio à direita, cada divisão vertical a
partir da metade compreende 1V para cima e -1V para baixo; no da esquerda, cada divisão equivale a 2V.

Da estimativa visual sobre o gráfico exibido pelo osciloscópio da tensão Vo sobre o


resistor, pode-se ler valores aproximados tanto para Vr (RMS) e Vcc. É possível
encontrar também o nível de ondulação (r) pela figura abaixo.

Figura 10 – Determinação da tensão de ondulação por estimativa gráfica. Vc = Vo devido ao capacitor e


resistor estarem em paralelo.

Uma vez que, pela imagem acima, o valor de tensão de ondulação (Vr) de Vo se
aproxima da diferença entre os picos positivo e negativo do sinal filtrado, ela pode ser
estimada visualmente com boa precisão através do gráfico exibido pelo osciloscópio
(Figura 9). O valor médio (Vcc) de Vo também pode ser obtido, pois corresponde à
média do gráfico. Assim, por estimativa:

Vr vo=7,55-7,15=0,4V
Vcc vo = 7,35V

E assim,
Vr ( RMS ) 0,04 V
r =  ∗100 %= ∗100 % ≅ 0.544 %
Vcc 7,35 V
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4.4. Retificador de onda completa (em ponte) com um capacitor de filtro, C=470uF

b) Cálculos teóricos:
2,4∗Icc 2,4∗2,9
Vr (RMS) = = =0.0148V
C 470

* Vcc Vo = 0,636(𝑉𝑚-2Vd) = 0,636(10-2*0) = 6,36 V (igual ao caso de C=100uF)


* Nível de ondulação de Vo = r
Vr ( RMS ) 0,0148 V
=  ∗100 %= ∗100 % ≅ 0.2327 % ≅ 0,233%
Vcc 6,36

c) Montagem e observação prática

Figura 11 - Montagem do circuito no software Tinkercad. No osciloscópio à direita, cada divisão vertical
a partir da metade compreende 2V para cima e -2V para baixo; no da esquerda, cada divisão equivale a
4V.

Pela estimativa visual do gráfico acima (feita assim como no caso de C=100uF):
Vr vo=7,4-7,25=0,15V
Vcc vo = 7,325V

E assim,
Vr ( RMS ) 0,015 V
r =  ∗100 %= ∗100 % ≅ 0.205 %
Vcc 7,325 V

e) Comparação e explicação de possíveis discrepâncias de C=100uF e C=470uF

PARA C=100UF Teórico Prático


Vcc de Vo 6,36 V 7,35V
Nível de ondulação de Vo 1,094% 0.544%

As discrepâncias entre o valor da prática e o téorico foram pequenas para o Vcc


somente, pois:
|Vccvo prat−Vccvo teor| |7,35−6,36|
∗100 %= ∗100 % ≅ 15,57 %
|Vccvo teor| |6,36|
niv ond prat−niv ond teor∨ ¿ ¿
|0,544 %−1,094 %|
niv ond teor∨¿∗100 %= ∗100 % ≅ 50,27 % ¿
|1,094 %|

PARA C=470UF Teórico Prático


Vcc de Vo 6,36 V 7,325V
Nível de ondulação de Vo 0.233% 0.205%

As discrepâncias entre o valor da prática e o téorico foram pequenas, pois:

|Vccvo prat−Vccvo teor| |7,325−6,36|


∗100 %= ∗100 % ≅ 15,17 %
|Vccvo teor| |6,36|

niv ond prat−niv ond teor∨ ¿ ¿


|0,205 %−0,233 %|
niv ond teor∨¿∗100 %= ∗100 % ≅ 2,56 % ¿
|0,233 %|
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5. Comentário geral sobre as discrepâncias entre cálculos teóricos e práticos

As discrepâncias entre os valores teóricos e práticos foram geralmente pequenas e


devem-se principalmente à necessidade de estimativa visual de valores nos gráficos
traçados nos osciloscópios durante parte prática. Essa necessidade foi devido a
limitações de instrumentos de medição apresentadas pelo software TinkerCAD, de
forma também que não foi possível medir a tensão de joelho experimental no diodo, já
que o multímetro disponível não serviu para tal.
As pequenas discrepâncias comprovam a realização com sucesso da prática com todos
os circuitos, pois a verificação do funcionamento na prática ocorreu como no previsto
de acordo com a teoria de diodos semicondutores estudada.

6. Referências

MALVINO, A. P. Eletrônica. 4ª edição. São Paulo. Editora Makron Books, 1997.

BOYLESTAD, Robert L.; NASHELSKY, Louis. Dispositivos eletrônicos e teoria de


circuitos. 11ª edição São Paulo. Editora Pearson Prentice-Hall. 2013.