Você está na página 1de 7

1

CENTRO UNIVERSITÁRIO JOAQUIM NABUCO


CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO
DIREITO PROCESSUAL CIVIL V

JOSÉ ANDERSON DE LIMA (01260017)


FÁBIO GALVÃO FREITAS (01246651)
LEVI DOS SANTOS SILVA (11032089)

PROCEDIMENTOS ESPECIAIS EM PROCESSO CIVIL:


DA AÇÃO DE PAGAMENTO EM CONSIGNAÇÃO

Recife / PE
27 abr. 2020
2

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO........................................................................................................03

2 HIPÓTESES DE CABIMENTO...............................................................................03

3 MODALIDADES E PROCEDIMENTOS DA CONSIGNAÇÃO...............................04

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................06

5 REFERÊNCIAS.......................................................................................................06
3

1 INTRODUÇÃO

Sabe-se que o pagamento é uma das formas de extinção da obrigação.


Neste sentido, Gaio Júnior (2020) explica que o devedor possui o direito de quitar o
débito e se livrar da obrigação. Entretanto, há casos em concreto, que por motivos
diversos, o devedor seja impedido de realizar tal pagamento, situações estas que
possibilita ao devedor ingressar com uma ação judicial de consignação de
pagamento.
Neste mesmo sentido, o doutrinador Marcus Vinicius Rios Gonçalves,
enumera didaticamente algumas situações em que se torna necessária a ação de
consignação em pagamento, a saber:
A efetivação do pagamento depende da cooperação do credor,
que precisa não só aceitá-lo, mas outorgar a quitação. Há casos
em que ele, por motivos ilegítimos, recusa-se a fazer uma coisa
ou outra, impedindo o devedor de cumprir sua obrigação e
desonerar-se, afastando os efeitos da mora. Ocorrem ainda
situações em que o devedor passa a ter fundada dúvida sobre quem
deva receber o pagamento, porque duas ou mais pessoas reclamam
esse direito, ou porque as circunstâncias tornam custosa a
identificação do credor. Nessas situações, para que o devedor
consiga desonerar-se, e para que evite fazer o pagamento à pessoa
errada, deverá valer-se da consignação, efetuando o depósito judicial
ou em estabelecimento bancário da coisa devida (GONÇALVES
2020, p. 233). Grifos nossos.

2 HIPÓTESES DE CABIMENTO

Os casos em que a legislação possibilita a consignação em pagamento


estão previstas no art. 335 do vigente Código Civil de 2002 (CC/2002), quais seja:
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o
pagamento, ou dar quitação na devida forma;
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo
e condição devidos;
III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado
ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil;
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o
objeto do pagamento;
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento.
4

O doutrinador Gaio Júnior (2020) esclarece que no caso do inciso I, nos


pagamentos de dívida portátil, o referido pagamento da obrigação deveria ter
acontecido no domicílio do credor. Por seu turno, o pagamento do inciso II deve
acontecer no domicílio do devedor (dívida quesível).

3 MODALIDADES E PROCEDIMENTOS DE CONSIGNAÇÃO

A consignação é uma forma indireta de cumprimento de obrigação de


pagamento, que pode ocorrer por via judicial ou extrajudicial.
Na consignação de pagamento extrajudicial, sendo o débito em dinheiro, o
devedor ou terceiro interessado deverá depositar a quantia devida em banco oficial e,
caso não haja na localidade do pagamento, em banco privado. Na sequência, o
credor será notificado pelo respectivo através de carta registrada com Aviso de
Recebimento (AR) e terá um prazo de 10 (dez) dias, contados do retorno do AR (art.
539, § 2º. do CPC/15 e GARCIA, 2020). Caso não haja manifestação de recusa,
considerar-se-á o devedor liberado da obrigação, ficando à disposição do credor a
quantia depositada.
No entanto, caso haja recusa formal por parte do credor ao banco que o
notificou, no prazo legalmente estabelecido, resta ao devedor ou ao terceiro
interessado ingressar com uma ação judicial de pagamento em consignação no
prazo de 01 (um) mês, instruindo a petição inicial com todo material probatório da
recusa (comprovante de depósito e carta de recusa). Caso o devedor não ajuíze a
ação no prazo legal, este tem a opção de fazer o levantamento (retirada) do depósito.
Nesta seara, alerta Gaio Júnior para os seguintes aspectos:
Importante ressaltar que tanto o descumprimento do aludido prazo
de 1 mês quanto o levantamento do depósito não impedem o
ajuizamento posterior da ação consignatória; contudo, nesse
caso, devido à mora do devedor; o depósito deverá receber
acréscimo de juros e correção monetária (GAIO JÚNIOR, 2020, p.
1.015). Grifos nossos.

Portanto, o que muda para o devedor pela perda do prazo é a necessidade de


efetivar posteriormente o valor do depósito do valor original, acrescido dos
chamados encargos financeiros.
Não havendo sucesso na tentativa de quitação da obrigação por meio de
depósito extrajudicial, inclusive por eventual motivo de recusa do credor, abre-se
5

prerrogativa para o devedor efetivar uma ação judicial para pagamento em


consignação. Nesta modalidade, o autor instruirá “a petição inicial com as provas
tanto do depósito realizado na via extrajudicial (bancária) quanto da recusa formal do
credor; se for preciso” (art. 539, § 3º. do CPC/15 e GAIO JÚNIOR, 2020, p. 1.015).
Pode ocorrer de que a prévia tentativa de depósito extrajudicial não tenha
sido viável, por vários motivos, quais sejam: em função de não se aplicar a
realização do tipo de obrigação; o devedor não ter optado por essa forma de
cumprimento da obrigação; ou, por fim, do depósito ter sido levantado. Em assim
sendo, “compete ao autor requerer na petição inicial o depósito da quantia ou da
coisa devida, a ser realizado no prazo de 5 (cinco) dias contados do deferimento da
inicial” (art. 542, inciso I. do CPC/15 e GAIO JÚNIOR, 2020, p. 1.015). Caso deferido
pelo Juiz, o devedor terá um prazo de 5 (cinco) dias para efetivar tal depósito e, caso
não o realize, o processo é extinto sem resolução do mérito.
É possível o credor (neste caso, réu no processo) não aceitar ou não
concordar com o valor do depósito. Conforme está previsto no CPC/15, art. 544,
este pode apresentar os seguintes argumentos:
I - não houve recusa ou mora em receber a quantia ou a coisa devida;
II - foi justa a recusa;
III - o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar do pagamento;
IV - o depósito não é integral.
Parágrafo único. No caso do inciso IV, a alegação somente será
admissível se o réu indicar o montante que entende devido.

Na ação judicial de pagamento em consignação, se o Juiz decidir pela


procedência do pedido ou o réu receber o pagamento e der quitação da dívida, em
ambos os casos, este ficará responsável pelas custas e honorários advocatícios,
conforme definido no art. 546 do CPC/15.
Nas situações em que o objeto da obrigação é coisa indeterminada e que esta
definição seja cabível ao credor, este será citado e deverá no prazo de 05 (cinco)
dias se manifestar sobre essa escolha ou aceitar a escolha do devedor; salvo
diverso prazo não constar na legislação ou em contrato. Desta feita, de acordo com
o enunciado no art. 543, CPC/15, tem-se:
Art. 543. Se o objeto da prestação for coisa indeterminada e a
escolha couber ao credor, será este citado para exercer o direito
dentro de 5 (cinco) dias, se outro prazo não constar de lei ou do
contrato, ou para aceitar que o devedor a faça, devendo o juiz, ao
despachar a petição inicial, fixar lugar, dia e hora em que se fará
6

a entrega, sob pena de depósito (BRASIL, 2015). Destaques


nossos.

Há casos em que exista dúvida relacionada à parte que efetivamente poderá


receber os valores depositados, o autor da ação de consignação de pagamento
deve solicitar que sejam citados todos os prováveis credores, para que estes
comprovem seus efetivos direitos. A previsão legal está no arts. 547 e 548,
CPC/15, a seguir redigido:
Art. 547. Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber
o pagamento, o autor requererá o depósito e a citação dos
possíveis titulares do crédito para provarem o seu direito.

Art. 548. No caso do art. 547:


I - não comparecendo pretendente algum, converter-se-á o depósito
em arrecadação de coisas vagas;
II - comparecendo apenas um, o juiz decidirá de plano;
III - comparecendo mais de um, o juiz declarará efetuado o depósito
e extinta a obrigação, continuando o processo a correr unicamente
entre os presuntivos credores, observado o procedimento comum.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo do presente trabalho foi a abordar os principais aspectos jurídicos


e extrajurídicos relacionadas às ações de pagamento em consignação. Nos
casos judicializados, superada a fase postulatória, a ação judicial de consignação
em pagamento avança por meio de procedimento comum até a respectiva sentença
(art. 318, parágrafo único do CPC/15).
7

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei nº. 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil). Disponível


em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm>. Acesso em: 17 mar.
2020.

BRASIL. LEI Nº 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. (Código de Processo


Civil). Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2015/lei/l13105.htm>. Acesso em: 17 mar. 2020.

GAIO JÚNIOR, A. P. Instituições de Direito Processual Civil. 4ª. ed. rev.


ampl. e atual. Salvador: JusPodivm, 2020. p. 1.013-1.017.

GARCIA, G. F. B. Manual de Direito Processual Civil. 2ª. ed. rev. ampl. e


atual. São Paulo: Editora JusPodivm, 2020. p. 948-953.

Você também pode gostar