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exame

ECONOMIA A
Maria João Pais
Maria Manuela Góis

RtVlSAOQENIlUCA
Prof. Doutor Belms o Cil Cabrito

ATUAL E COMPLETO
De acordo com

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ÍNDICE
PARTE 1 - 10 ° Ano Tema 4
Preços e mercados
Introdução 6
4.1 Noção e exemplos de mercados 65
Alguns concertos a relembrar 7 42 O mecanismo de mercado 66
Capacidades estruturantes 14 43 Estrutura dos mercados 73
Esquema-síntese 76
Tema 1
Síntese 77
A atividade económica
e a ciência económica Avaliação 78

1.1 Realidade social e ciências sociais 21 Tema 5


1.2 Fenómenos sociais e fenómenos económicos 22 Moeda e inflação
1.3 A economia como ciência e o seu objeto 5.1 A evolução da moeda - formas e funções 83
de estudo 22
52 A moeda europeia - o euro 84
1.4 A atividade económica e os agentes
5.3 O preço de um bem - noção e componentes 86
económicos 24
Esquema-síntese 26 5.4 A inflação — noção e medida 86
5.5 A inflação em Portugal e na União Europeia 90
Síntese 27
Esquema-síntese 92
Avaliação 28
Síntese 93
Tema 2 Avaliação 94
Necessidades e consumo
Tema 6
2.1 Necessidades - noção e classificação 31
Rendimentos e distribuição
22 Consumo - noção e tipos de consumo 32 dos rendimentos
23 Padrões de consumo - diferenças e fatores
6.1 A atividade produtiva e a formação dos
explicativos 33
rendimentos 99
2.4 Evolução da estrutura do consumo em
Portugal e na União Europeia 36 62 A distribuição funcional dos rendimentos 99
63 A distribuição pessoal dos rendimentos 101
25 A sociedade de consumo 37
2.6 0 consumerismo e a responsabilidade 6.4 A redistribuição dos rendimentos 106
social dos consumidores 38 6.5 As desigualdades na distribuição
dos rendimentos em Portugal e na União
27 A defesa dos consumidores em Portugal
e na União Europeia 38 Europeia 108
Esquema-síntese 110
Esquema-síntese 40
Síntese 41 Síntese 111
Avaliação 112
Avaliação 42

Tema 3 Tema 7
A produção de bens e de serviços Utilização dos rendimentos
3.1 Bens - noção e classificação 47 7.1 A utilização dos rendimentos — o consumo
e a poupança 117
32 Produção e processo produtivo.
Setores de atividade económica 48 72 Os destinos da poupança - a importância
do investimento 117
3.3 Fatores produtivos 50
73 O investimento em Portugal e o investimento
3.4 A combinação dos fatores produtivos 53 português no estrangeiro 120
Esquema-síntese 56 74 O financiamento da atividade económica 121
Síntese 57 Esquema-síntese 126
Avaliação 58 Síntese 127
Avaliação 128
PARTE 2-11.° Ano Tema 11
A intervenção do Estado
Tema 8 na economia
Os agentes económicos 11.1 Funções e organização do Estado 189
e o circuito económico 11.2 A intervenção do Estado na atividade
8.1 O circuito económico 137 económica 190
8.2 O equilíbrio entre recursos e empregos 141 11.3 As políticas económicas e sociais do Estado
português 200
Esquema-síntese 142
Esquema-síntese 206
Síntese 143
Síntese 207
Avaliação 144
Avaliação 208
Tema 9
A Contabilidade Nacional Tema 12
A economia portuguesa
9.1 Noção e objetivos da Contabilidade no contexto da União Europeia
Nacional 147
12.1 Noção e formas de integração económica 213
9.2 Conceitos necessários à Contabilidade
Nacional 148 12.2 O processo de integração na Europa 214
9.3 Óticas de cálculo do valor da produção 151 12.3 Desafios da União Europeia na atualidade 220
9.4 Limitações da Contabilidade Nacional 157 12.4 Portugal no contexto da UE 224
9.5 As Contas Nacionais portuguesas 158 Esquema-síntese 228
Esquema-síntese 160 Síntese 229
Síntese 161 Avaliação 230
Avaliação 162
PARTE 3
Tema 10
As relações económicas Provas-modelo de Exame
com o Resto do Mundo Prova-modelo de Exame 1 236
10.1 Necessidade e diversidade de relações Prova-modelo de Exame 2 246
económicas internacionais 167
Prova-modelo de Exame 3 254
10.2 Registo das relações económicas com
Prova-modelo de Exame 4 261
o Resto do Mundo 169
10.3 Políticas comerciais e organização
do comércio mundial 174 PARTE 4
10.4Relações económicas de Portugal com a Glossário 270
União Europeia e com o Resto do Mundo 176
Soluções 279
Esquema-síntese 180
Síntese 181
Avaliação 182

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PARTE 1
10° Ano
Introdução

Tema 1. A atividade económica e a ciência económica

Tema 2. Necessidades e consumo

Tema 3. A produção de bens e de serviços

Tema 4. Preços e mercados

Tema 5. Moeda e inflação

Tema 6. Rendimentos e distribuição dos rendimentos

Tema 7. Utilização dos rendimentos


Introdução
Alguns conceitos a relembrar
Capacidades estruturantes
• Interpretação de textos
• Elaboração de esquemas
• Análise de quadros
• Análise de gráficos
• Redação de sínteses e conclusões
Alguns conceitos a relembrar
Toda a atividade humana tem uma finalidade para a qual concorrem vários fatores que. se
devidamente organizados, poderão contribuir para o seu sucesso. No caso presente, da disci­
plina de Economia A. temos em questão o conhecimento e a sua avaliação feita através de um
exame final.

Vamos começar por relembrar alguns conceitos Já estudados anteriormente e que serão ne-
cessános para que se possa responder corretamente às questões de exame.

Valores absolutos e valores relativos


Os valores absolutos são dados numéncos que medem uma grandeza numa determinada
unidade. Por exemplo, na frase «A população total de um país é constituída por 10 325.5 mi­
lhares de indivíduos». a unidade escolhida foi «milhares de indivíduos». Se. em alternativa, a
unidade escolhida fosse «Indivíduos», diríamos «A população total de um país é constituída
por 10 325 500 indivíduos» (dez milhões, trezentos e vinte cinco mil e quinhentos indivíduos).

Os valores relativos sao dados numéncos expressos através de percentagens, permilagens.


taxas de variação, índices e coeficientes multiplicadores.

Percentagens, permllagens e taxas

As percentagens (%) e as permllagens (%o) representam uma proporção, ou seja, uma parte
de um todo (um subconjunto do conjunto-universo). As percentagens dizem respeito a um
determinado valor em cada 100 e as permllagens. em cada 1000.

Por exemplo, a taxa de atividade, apresentada em percentagem, representa o número de


pessoas ativas em cada 100 habitantes com 15 e mais anos. No segundo trimestre de 2018,
Portugal apresentava uma taxa de atividade de 59,0%; isto é. em cada 100 habitantes com 15
e mais anos, 59 eram pessoas ativas.

População ativa
Taxa de atividade = x 100
População total

A taxa de desemprego, também apresentada em percentagem, representa o número de pes­


soas desempregadas em cada 100 pessoas ativas. Em 2018. Portugal apresentava uma taxa de
desemprego de 7,0%. isto é. em cada 100 pessoas ativas, 7 encontravam-se desempregadas.

População desempregada
Taxa de desemprego =
População ativa

A taxa de natalidade, apresentada em permilagem. representa o número de nascimentos por


mil habitantes, registados em determinado ano. Em Portugal, em 2017. a taxa de natalidade foi
8.4%o. ou seja, verificaram-se nesse ano 8.4 nascimentos por 1000 habitantes.

Número de nascimentos
Taxa de natalidade = ------------------------------------ x 1000
População total

7
Uma percentagem de repartição diz respeito a uma parte relativa a um conjunto (100%) num
determinado momento, por exemplo, as taxas de atividade e de desemprego, que acabámos
de analisar, ou a estrutura setorial do produto interno bruto (PIB), isto é. o peso de cada setor
de atividade no PIB.

Uma percentagem de variação (ou taxa de variação) refere-se á variação de determinada va­
riável entre dois momentos, ou seja, a um aumento ou diminuição relativa. Por exemplo, as taxas
de variação anual do PIB e as taxas de variação anual do IPC (índice de preços no consumidor).

Aprofundaremos mais à frente estas percentagens.

Medição das variações


Os indicadores económicos e sociais variam no tempo e no espaço.

Para medir as variações ao longo do tempo, podemos determinar a variação absoluta, ou


seja, a diferença entre o valor final e o valor inicial, expresso em determinada unidade.

Variação absoluta = Valor final - Valor Inicial

Também podemos determinar a sua variação relativa, através de coeficientes multiplicadores,


taxas de variação e índices.

1. Coeficientes multiplicadores
Os coeficientes multiplicadores são valores pelos quais os valores Iniciais têm de ser
multiplicados para se obterem os valores finais.

Valor final
Coeficiente multiplicador = - -------
Valor inicial

Por exemplo, se o preço do bem b. em 2017. fosse 25€ e. em 2018. passasse a ser 28€. o
coeficiente multiplicador determinar-se-ia do seguinte modo:

28€
Coeficiente multiplicador = = 1,12

2. Taxas de variação
As taxas de variação representam a evolução (positiva ou negativa) relatlvamente a um
valor de partida (verificado no início do período).

Valor final - Valor inicial


Taxa de variação x 100
Valor iniciai

8
r/ Taxa
Valor final = Valor Inicial * |[( — de variação
iõò —M \

[ 1 Taxa de vanação \ t]
Coeficiente multiplicador = IA 100 / J

Valor final = Valor inicial * Coeficiente multiplicador

Tendo em conta o exemplo anterior, em que o valor final é 28€ e o valor Inicial, 25€. a taxa
de vanaçâo do preço do bem b. entre 2017 e 2018, será:

(28C - 25C)
Taxa de variação = 100 = 0,12 x 100 = 12%
25C

Se quisermos determinar o valor final a partir da taxa de variação:

Valor final = 2S€ * [( ) +1] = 25 x 112 = 28G

Coeficiente multiplicador =

Quando se analisa uma taxa de varlaçáo, é necessário ter em atenção o seguinte:

• uma taxa de variação positiva e superior à do período anterior significa que a vanável
em análise cresceu mais do que no período antenor.
• uma redução da taxa de variação, mantendo-se esta sempre positiva, significa que o
valor continuou a crescer, só que menos (isto é, a sua variação foi menos significativa).
Neste caso, venficou-se uma desaceleração ou um abrandamento do seu crescimento.
Analisemos, de seguida, o exemplo do quadro 1 relativo à taxa de vartação do PIB, em
Portugal, nos terceiro e quarto trimestres de 2017 e no pnmeiro trimestre de 2018.

Quadro 1 - Taxa de variação do produto interno bruto em Portugal (PIB)


nos terceiro e quarto trimestres de 2017 e no primeiro trimestre de 2018. Em percentagem
’----------------
3-’trimestre-2017 4." trimestre - 2017 Vtrtmestre-2018

H mie Boletim Estatístico do Banco de Portugal. a»«sto dc 201K (adaptado)

Podemos concluir que o PIB cresceu sempre neste período. Cresceu mais no quarto tri­
mestre de 2017 do que no tnmestre anterior; no primeiro trimestre de 2018 continuou a
crescer, mas menos. Assim, constatamos uma desaceleração do PIB no pnmeiro trimestre
de 2018 ou um abrandamento do seu crescimento.

9
Para determinarmos a diferença em valores absolutos entre duas percentagens utilizamos
os pontos percentuais (p.p.).

Atenção! Quando se pretende saber a diferença entre valores relativos, nunca se podem
usar percentagens. Nesses casos, utilizamos os pontos percentuais (p.p.).

Recorrendo ao quadro 1. podemos concluir que o PIB cresceu 0.1 pontos percentuais (0.1
p.p.), entre o terceiro trimestre de 2017 e o quarto trimestre de 2017 e que. entre o quarto
trimestre de 2017 e o primeiro tnmestre de 2018. continuou a aumentar, embora menos
(menos 0,3 p.p.). Continuou assim a crescer neste período, só que menos, como vimos
anteriormente.

Só se venflca um decréscimo do valor da variável em estudo quando a taxa de crescimen­


to apresenta valores negativos.

Consideremos o seguinte exemplo, relativo a variação do número total de Indivíduos de­


sempregados. em Portugal, em 2016 e 2017.

Quadro 2 - Número total de indivíduos desempregados, em Portugal, em 2016 e 2017. Em milhares

2016 2017

https: //www.p< irdala.pt (consultado em setembro de 2018)

Para determinarmos a taxa de variação da população desempregada entre 2016 e 2017.


devemos proceder do seguinte modo:

(462.8 573.0) 110.2


Taxa de variação = x 100 X 100 = -19.2%
573.0 573.0

Podemos verificar que o número de indivíduos desempregados decresceu 19,2% no período


considerado, pois a taxa de variação foi negativa (ou seja, a taxa de variação foi -19,2%).

3. índices

Os índices sao valores abstratos que representam uma variação relativa entre dois ou
mais valores, registados em diferentes momentos. O seu resultado é multiplicado por 100
para evitar a existência de casas decimais. O ano base diz respeito ao valor de referência
e corresponde ao índice 100.

/ Valor do ano t \
índice x 100
\ Valor do ano base /
IMTROOUÇÃO W

Vejamos alguns exemplos

• Para um coeficiente multiplicador de 1.5. o índice é 150 e a taxa de variação 50%.


• Para um coeficiente multiplicador de 0.70. o índice é 70 e a taxa de variação -30%.
• Para uma taxa de variação de 5%. o índice é 105 e o coeficiente multiplicador 1.05.
• Para uma taxa de variação de -7%. o índice é 93 e o coeficiente multiplicador 0.93.
• Quando o índice passa de 100 para 125, quer dizer que em cada 100 cresceu 25, ou seja,
aumentou 25% (taxa de variação = +25%). Neste caso, o coeficiente multiplicador é 1,25.
• Quando o índice passa de 100 para 80. quer dizer que em cada 100 decresceu 20. ou seja,
diminuiu 20% (taxa de variação = -20%). Neste caso, o coeficiente multiplicador é 0,80.

É muito importante fazer corretamente as correspondências entre os coeficientes multi­


plicadores. as taxas de variação e os índices.

Multiplicação de taxas de crescimento


As taxas de crescimento não se adicionam, porque são valores relativos. Por isso, as taxas
de crescimento (positivas ou negativas) multiplicam-se a partir dos respetivos coeficientes
multiplicadores, quando pretendemos conhecer o valor de taxas de variação ao longo de
vários anos.

Por exemplo, se num determinado pato as exportações cresceram 4% em 2017 e. em 2018,


cresceram 3%. como se determina a variação global, nestes dois anos?

Coeficiente multiplicador (2017) = = 0,04 + 1 = 1,04

Coeficiente multiplicador (2018) = = 0,03 + 1 = 1.03

1.04 x 1.03 = 1.0712


índice = 107.12
107.12 - 100 = 7,12

Taxa de variação global = 7.12%

11
Vejamos agora outro exemplo em que uma das taxas sofreu uma variação negativa.

Se. num determinado país, em 2017, as importações apresentaram uma taxa de crescimento
de 2% e, no ano seguinte, a taxa foi -1.5%. a variação global, nesses dois anos, determina-se
do seguinte modo:

Coeficiente multiplicador (2017) = = 0.02 + 1 = 1.02

Coeficiente multiplicador (2018) = -0.015 + 1 = 0.985

1,02 x 0.985 = 1,0047


índice = 100,47
100.47 - 100 = 0.47

Taxa de variação global = 0,47%

Desigualdade da distribuição dos rendimentos

Os rácios S90/S10 e S80/S20 são indicadores que permitem medir as desigualdades na dis­
tribuição dos rendimentos.

O S90 corresponde ao rendimento monetário líquido recebido pelos 10% da população que
detém níveis mais elevados de rendimento (decil do topo) e o S10 corresponde ao rendimen­
to recebido pelos 10% com menor nível de rendimento (decll da base).

Segundo o INE. o rãclo S90/S10 «é um Indicador de desigualdade na distribuição do rendi­


mento. definido como o rácio entre a proporção do rendimento total recebido pelos 10% da
população com maiores rendimentos e a parte do rendimento auferido pelos 10% de menores
rendimentos.»’ Este rácio permite que se conheça quantas vezes é que o rendimento dos
10% da população com maiores recursos é superior aos 10% da população com mais baixos
recursos.

Vejamos o seguinte exemplo, relativo a Portugal, em 2015:

Quadro 3 - Proporção do rendimento auferido pelos 10% da parte superior (S90)


e pelos 10% da base (S10) da distribuição. Portugal (2015). Em percentagem

25.9 2.6 9,96

Futite: https:/'<i»crvai<in<>-das-dcslguaJdadcs.ci>m (cnnsoitadnctn Julho de 2018)

A partir do quadro 3. podemos observar que. em Portugal, os 10% da população com maiores
recursos (decll do topo) concentravam maior rendimento, correspondente a 25.9% dos ren­
dimentos.

Por seu turno, o decll da base (os 10% da população com mais baixos recursos) apenas detinha
2.6% do rendimento total.

• https://www.ine.pt (consultado em julho de 2018).


IHTROOUÇÃO W

Podemos determinar o valor do rácio S90/S10 do seguinte modo:

S90/S10 = 25 - = 9.96
2.6

É possível assim concluir que Portugal, em 2015. apresentava um nível de desigualdade ele­
vado entre o rendimento dos 10% mais ricos e o rendimento dos 10% mais pobres. O rácio
S90/S10 era 9,96, ou seja, o rendimento dos 10% mais ricos era 9.96 vezes superior ao dos
10% mais pobres.

Por sua vez, o rácio S80/S20 permite-nos saber quantas vezes o rendimento dos 20% mais
ricos é superior ao rendimento dos 20% mais pobres.

Segundo o INE. este rácio «é um indicador de desigualdade na distnbuição do rendimento,


definido como o rácio entre a proporção do rendimento total recebido pelos 20% da popula­
ção com maiores rendimentos e a parte do rendimento aufendo pelos 20% de menores ren­
dimentos.»* O rendimento total recebido pelos 20% da população com maiores rendimentos
corresponde ao quinto quintil e a parte do rendimento auferido pelos 20% de menores rendi­
mentos corresponde ao primeiro quintil.

Quadro 4 - Rácio S80/S20 e proporção do rendimento auferido pelos 20% da parte superior (S80)
e pelos 20% da base (S20) da distribuição. Portugal (2015). Em percentagem

S8O/S2O S80 S2O

5.9 41.4 7.0

Ao analisarmos o quadro 4. podemos verificar que Portugal, em 2015. apresentava um nível


de desigualdade elevado entre o rendimento dos 20% mais ricos e o rendimento dos 20%
mais pobres, ou seja, o rácio S80/S20 era 5.9. Isto quer dizer que. em 2015. o rendimento dos
20% mais ncos (quinto quintll) era 5.9 vezes superior ao dos 20% mais pobres (primeiro quln-
til). Os 20% mais ricos detinham 41.4% dos rendimentos e os 20% mais pobres, apenas 7%.

■ https7AMWw.ine.pt (consultado em julho de 2018).


Capacidades estruturardes

Para além dos conceitos, a preparaçao para o exame, que deverá ser metódica e discipli­
nada, terá de ter por base a apropriação dos conteúdos programáticos, com os níveis de
profundidade explicitados nos objetivos enunciados no programa oficial. No entanto, essa
apropriação exige capacidades transversais que. no caso da tipologia dos exames nacionais
de Economia A. são a Interpretação de textos, a elaboração de esquemas, a análise de
quadros estatísticos, a análise (e construção) de diferentes tipos de gráficos e a redação de
sínteses de conclusões.

Interpretação de textos
Em qualquer disciplina, para se efetuar um estudo eficaz é fundamental que se interprete
corretamente um texto, extraindo as suas ideias.

Vejamos, então, como se deverá proceder perante um texto.

1. Situar o texto

Em primeiro lugar, é importante situarmos o texto, ou seja, sabermos quem é o seu autor ou
autora (um economista ou uma instituição, como, por exemplo, o Banco de Portugal, o Eurostat,
o INE. a OCDE ou a ONU), assim como a data do mesmo, a fim de o podermos enquadrar
historicamente.

2. Compreender o sentido do texto

É. depois, fundamental que se retirem do texto todas as informações importantes. Deste


modo, convém efetuar:
a) uma primeira leitura Integral do texto (se necessário, deve consultar-se um dicionário ou
o glossário que se encontra no fim dos livros, para se saber o significado de palavras des­
conhecidas);
b) uma nova leitura, com maior profundidade, parágrafo por parágrafo ou alínea por alínea,
sublinhando as ideias principais, os conceitos e as articulações do texto (estas, geralmente.
lnlciam-se por expressões do tipo - «por um lado... (e por outro)». «Inlcialmente». «por con­
seguinte». entre outras).

3. Identificar o tema do texto

O tema do texto constitui o seu objeto, ou seja, o assunto tratado.

4. Identificar a Ideia central do texto

A ideia central diz respeito ao que o autor desenvolve ao longo do texto, constituindo, desse
modo, a tese, ou assunto do texto.

14
5. Sintetizar o texto

Para recolher as Ideias principais de um texto, é Importante slntefizá-lo. Para Isso, dever-se-á:
a) retirar somente as informações que ele contém;
b) destas, selecionar as mais importantes;
c) expor essas informações (reformuladas e não copiadas) pela ordem em que surgiram no texto.

Numa síntese não se deverão exprimir opiniões pessoais.

Elaboração de esquemas
Os esquemas permttem-nos visualizar os conhecimentos essenciais acerca de um determi­
nado objeto de estudo, evidenciando as principais relações que se estabelecem entre os
fenómenos, sendo, por isso, multo úteis no processo de aprendizagem.

é. todavia, importante frisar que a utilização de esquemas empobrece a análise teórica, uma
vez que estes são sempre uma visão simplificada da realidade que pretendemos estudar.

Existem duas grandes categorias de esquemas:


a) os que pretendem pôr em destaque classificações (por exemplo, um conceito principal e
outros conceitos ou teorias a ele ligados);
b) os que pretendem demonstrar certos mecanismos associados às relações que se estabe­
lecem entre os fenómenos.

Neste livro, no final de cada unidade surgem esquemas que permitem visualizar os conheci­
mentos essenciais trabalhados e que integram estas duas categonas.

Análise de quadros estatísticos


Quando procedemos à análise de quadros estatísticos devemos efetuar várias operações, de
acordo com determinada ordem:
1. Ler e analisar o título, que nos dará informações acerca do tema tratado ou do período
estudado.
2. Obter informação acerca da fonte, que nos dirá quem forneceu os dados contidos no qua­
dro. assim como a data a que este se refere, por exemplo.
3. Observar a unidade em que os valores são mencionados - para sabermos se nos encon­
tramos perante valores absolutos, valores relativos, ou taxas de vanação e para conhecer­
mos a unidade monetária em que certos valores são expressos.
4. Identificar o universo de estudo (todo o conjunto a ser estudado) e os seus componentes,
como, por exemplo, grau de qualificação profissional, sexo, data, nacionalidade, grupo etá­
rio ou nível de rendimento.
5. Realizar cálculos para se poderem analisar mais informações. Por exemplo, quando os va­
lores se encontram em valor absoluto, podemos calculá-los em valores relativos para mais
facilmente redrarmos conclusões acerca do nosso objeto de estudo.
6. Partir da ideia mais geral para a mais particular (título do quadro, títulos das linhas e colunas).
7. Descrever o quadro, retirando toda a informação possível.
8. Explicar os factos organizados no quadro, mobilizando todos os conhecimentos adquindos
e associados ao objeto de estudo.

15
Análise de gráficos
Os gráficos permitem visualizar Informação e tendências, o que facilita a interpretação dos
valores.

Quando analisamos um gráfico, devemos proceder do mesmo modo que para os quadros
estatísticos:
1. Ler e analisar o título.
2. Obter informação acerca da fonte, data dos valores e eventuais anotações.
3. Observar a unidade em que os valores sâo mencionados.
4. Retirar do grafico a ideia principal - mas ter em atenção a escala do gráfico para não fazer
análises Incorretas.
5. Identificar algumas ideias secundárias, que também são importantes para a análise, sem
nos perdermos em pequenos detalhes.

Gráficos de barras

Os gráficos de barras são multo utilizados para representar, por exemplo, informação relacio­
nada com países, grupos etários ou tipos de bens.

No eixo das abcissas representa-se o que está a ser estudado e no eixo das ordenadas o que
se está a medir. Neste eixo, por se tratar de uma medição, é fundamental a representação de
uma escala para que a altura das barras seja proporcional ao seu valor.

Vejamos o exemplo do gráfico 1.

Grafico 1 - Produto interno bruto e procura interna. Portugal.


Taxa de variação anuaL Em percentagem

Este gráfico apresenta-nos um diagrama em colunas relativo a taxa de variação do PIB em


percentagem e uma curva relativa à taxa de variação da procura Interna, em percentagem e
em volume. Os valores foram calculados em volume, ou seja, o efeito da inflação está anulado.
IMTROOUÇÀO

No eixo das abcissas encontram-se representados os anos e no eixo das ordenadas, os valo­
res das taxas de variação, em percentagem. Observando a informação do gráfico, podemos
verificar que. após um período de crescimento com desaceleração a partir de 1999. o PIB
decresceu em 2003 (a sua taxa de variação foi negativa), voltando a crescer entre 2004 e
2008. ano em que sofreu uma forte desaceleração (devido à crise financeira internacional de
2007-2008).

Em 2009. o PIB sofreu um acentuado decréscimo.

Em 2010. o PIB tomou a crescer, mas voltou a decrescer entre 2011 e 2013, devido à crise de
2011-2014 e às políticas de austeridade.

Em 2014, voltou a crescer, evidenciando uma aceleração em 2015 e em 2017. fruto da recu­
peração económica.

No mesmo período, no que respeita à evolução da procura interna, constatamos uma varia­
ção. de certa forma semelhante à do PIB. uma vez que a procura interna é composta pelas
seguintes parcelas:

Procura Interna = Consumo total + Investimento

Procura externa = Exportações

PIB Consumo total + Investimento + (Exportações - Importações)

PIB = Procura interna + Procura externa - Importações

Estes indicadores serão estudados mais adiante.

Gráficos circulares (de repartição)

Os gráficos circulares utllizam-se. geralmente, para representar as partes de um todo em


valores percentuais

Vejamos, como exemplo, o gráfico 2.

Gráfico 2 - Comercio internacional: importações (CIF) de bens por principais parceiros comerciais.
Em percentagem

Nota: Importação CIF (cost. insurance and freight. ou seja, custo, seguro e frete no porto de destino). O impor­
tador paga os custos da chegada do bem no porto de destino, paga as formalidades de importação, bem como
os direitos e impostos.

17
O gráfico 2 representa assim a percentagem das importações portuguesas por pnnclpals
parceiros comerciais. Analisando-o, percebemos que a UE constitui o maior fornecedor de
bens, com um peso de 77.9%; ou seja, as importações provenientes da UE representam 77.9%
do total das importações portuguesas. Depois a OPEP. de onde Portugal importa petróleo,
representa 2.9% das importações portuguesas, seguida dos PALOP e dos EUA. com um peso
de 2.1% e 1.6% respeüvamente. A percentagem de 14.4% corresponde a outros países ou or­
ganizações internacionais, com exceção dos assinalados no gráfico.

Curvos

Estes gráficos representam geralmente evoluções de séries cronológicas. No eixo das abcis-
sas indica-se o tempo e no eixo das ordenadas representa-se a variável que se está a medir.

Vejamos, como exemplo, a evolução da taxa de desemprego registada em Portugal, entre


1998 e 2018.

Grãfico 3 - Evolução da taxa de desemprego. Em percentagem

Nota: Diz-se que há uma quebra de série temporal, quando se verifica uma alteração nas normas estabelecidas
para definir ou observar uma variável ao longo do tempo. A quebra pode ser resultado de uma só alteração ou
de uma combinação de várias alterações que se verificam simultaneamente num ponto de observação temporal
da variável - http://smi.rne.pt (consultado em agosto de 2018).

A análise do gráfico 3 permite-nos verificar uma subida da taxa de desemprego, entre 2011
(cerca de 12%) e 2013 (cerca de 18%). A partir desse ano regista-se uma tendência de forte
descida da taxa de desemprego - com pequenas oscilações em 2015 e 2016 -. atingindo-se
em 2018 cerca de 8% (ou seja, 8 desempregados em cada 100 cidadãos ativos).
INTROOUÇÀO W

Redação de sínteses e conclusões


Para se proceder à redação de sínteses e de conclusões, é necessário elaborar uma introdu­
ção. um desenvolvimento e. finalmente, uma conclusão, sendo imprescindível que se proce­
da segundo determinada ordem:
1. Leitura atenta da questão a ser objeto de análise e de síntese.
2. Elaboração de um plano de trabalho provisório (ainda pouco detalhado) sobre o assunto
que está a ser tratado.
3. Mobilização e associação de todos os conhecimentos que se tem acerca do assunto em
questão.
4. Estudo detalhado de todos os documentos.
5. Elaboração definitiva de um plano de trabalho (mais pormenorizado), com uma introdução,
um desenvolvimento - com a divisão em partes e subpartes. sem esquecer os respetivos
títulos e subtítulos -. e uma conclusão.
6. Redação da Introdução, do desenvolvimento e da conclusão.

A Introdução deverá apresentar o assunto que se vai tratar, devendo despertar o interesse
dos leitores (professores e/ou colegas). Convém enquadrar o assunto, apresentar a defi­
nição dos concertos que irão ser utilizados, assim como as teorias e posições que irão ser
confrontadas ao longo do desenvolvimento.

O desenvolvimento implica a elaboração de um texto devidamente estruturado de acordo


com o plano detalhado (elaborado no ponto 5). mobilizando todos os conhecimentos asso­
ciados ao assunto que se está a tratar. A redação do texto deverá ser cuidada.

A conclusão deve ser dividida em duas partes. Por um lado, deverá fazer o balanço do que
se tratou no desenvolvimento e. por outro, abrir novas perspetivas sobre o tema que se
esteve a tratar.

19
TEMA1
A atividade económica
e a ciência económica
1.1 Realidade social e ciências sociais
1.2 Fenómenos sociais e fenómenos económicos
1.3 A economia como ciência e o seu objeto de estudo
1.4 A atividade económica e os agentes económicos
TEMA1 A atividade económica e a ciência económica

1.1 Realidade social e ciências sociais


Vivemos numa sociedade em mudança, marcada por grandes desigualdades sociais e por ru­
turas: a par de um desenvolvimento tecnológico sem precedentes, milhões de seres humanos
vivem na mais terrível pobreza. A economia - assim como as outras ciências sociais - preocu-
pa-se com estes problemas, ou seja, com a identificação e explicação dos fenómenos sociais.

De facto, realidades sociais como o emprego, casamento, educação, família, pobreza, exclusão
social, globalização, apenas para enumerar algumas, decorrem da nossa vida em sociedade
e. como tal. são também designadas por fenómenos sociais, constituindo o objeto de estudo
das ciências sociais.

A realidade social ê um todo multo complexo e. por Isso, suscetível de ser abordada por diferen­
tes perspetivas disciplinares, ou seja, de acordo com o seu objeto de estudo, teorias e métodos
de investigação. Vejamos os exemplos seguintes:

Fenómeno social: educação


✓ Perspetiva da economia: estudo dos gastos do Estado e das famílias, evolução dos
gastos destes agentes ao longo dos anos e comparações internacionais relativas
a esses gastos.

•/ Perspetiva da sociologia: estudo do (in)sucesso escolar por sexo, região, zona


urbana, classe social e etnia.

✓ Perspetiva da história: estudo da evolução da educação ao longo do tempo, da


abertura das escolas públicas às crianças e da abertura das universidades às mu­
lheres.

✓ Perspetiva da demografia: estudo da escolarização de acordo com a distribuição


por sexo, idade e região.

✓ Perspetiva da política: estudo dos objetivos políticos dos vários governos relativa­
mente à educação, das medidas para os alcançar e dos resultados.

✓ Perspetiva do direito: estudo da regulamentação jurídica da escolaridade obriga­


tória. da avaliação, da formação de professores, ou de todo o conjunto de normas
jurídicas relativamente a educação.

Para obtermos informações vartadas recorremos a diferentes ciências sociais, pois todas se
debruçam sobre a mesma realidade, embora com perspetivas diferentes. O contributo de cada
uma dar-nos-á assim uma visão mais aprofundada e completa do fenómeno social em estu­
do porque a realidade social ê una e ao mesmo tempo económica, sociológica, geográfica,
histórica, demográfica, etc. A atividade humana é plurídlmenslonal e somos nós que. para
aprofundarmos o nosso conhecimento sobre ela. a dividimos de acordo com o objeto de estu­
do específico de cada ciência social e integramos o contributo de todas elas.

A esta atitude metodológica chamamos Interdlsclpllnarldade. pois todas as ciências sociais


são Interdependentes e complementares, entrando no objeto de estudo umas das outras.

21
1.2 Fenómenos sociais e fenómenos económicos
A economia interessa analisar a dimensão económica da realidade social, constituindo os
fenómenos económicos uma abstração dessa realidade. Para estudá-la. o economista terá de
a compartimentar artlflclalmente. Identificando os fenómenos económicos.

Porém, o economista tem de ter presente que se encontra perante uma abstração, não po­
dendo perder a perspetiva do todo - isto é, dos fenómenos sociais totais, unos e complexos
- conjugando sempre os contributos de todas as ciências sociais, a partir da Interdlsclpllna-
rldade, pois caso contrário, corre-se o risco de se obterem visões incompletas, parcelares e
desligadas dessa realidade.

A matemática e a estatística são imprescindíveis ao estudo da realidade económica. O regis­


to e a publicação dos dados económicos permitem a análise quantitativa dos comportamen­
tos económicos, através da utilização das técnicas matemáticas e estatísticas de tratamento
de dados.

1.3 A economia como ciência e o seu objeto


de estudo

Economia como ciência


A economia é uma ciência social desde o século XVIII devendo este estatuto ao escocês
Adam Smlth (1723-1790). A sua pnnclpal obra. Uma Investigação sobre a Natureza e Causa
da Riqueza das Nações (1776). ainda hoje é uma referência.

Enquanto ciência, a economia possui um objeto de estudo, teoria, conceitos próprios, termi­
nologia própria, um método científico e leis (ou conclusões).

Os fenómenos económicos ligados à produção, ao consumo, ao rendimento e ao Investi­


mento. entre outros, são o objeto de estudo da economia

22
TEMA1 A atividade económica e a ciência económica

Problema económico
O problema económico, ou problema fundamental da economia, está relacionado com a ne­
cessidade de fazer escolhas que têm de ser feitas perante o facto de existirem necessidades
Ilimitadas, por um lado. e. por outro, recursos escassos para as satisfazermos E necessário
hierarquizar as necessidades (colocá-las por ordem decrescente de importância) e decidir
quais são as que vamos satisfazer e a ordem pela qual serão satisfeitas. E por isso que a eco­
nomia também é denominada a «ciência das escolhas».

Racionalidade económica

As escolhas necessárias para se adequarem os recursos escassos às necessidades ilimita­


das implicam que não haja desperdícios e que se procure o mínimo dispêndio de recursos,
através de uma gestão eficiente. Deslgna-se essa gestão eficiente dos recursos de raciona­
lidade económica.

Custo de oportunidade

O custo de oportunidade de um bem consiste na alternativa que se teve de sacrificar para se


obter esse bem. ou seja, o preço que se teve de pagar quando, face à escassez de recursos,
foi necessário fazer uma opção. Essa opção, considerada a mais vantajosa e a mais racional.
Impõe um sacrifício relaüvamente à satisfação de outras necessidades a que se teve de
renunciar.

Resulta do confronto entre

Recursos escassos ou limitados Necessidades Ilimitadas

Escolha entre necessidades ilimitadas e recursos disponíveis

Racionalidade económica

Otimização da utilização dos recursos

Satisfação de algumas • Não satisfação de algumas


necessidades necessidades
I
Benefício • Custo de oportunidade

Rime. Rossctu. Iruniduça> à Economia. Editora Atlas (adaptado)

23
1.4 A atividade económica e os agentes económicos

Os agentes económicos
Quando se analisa a atividade económica, interessa considerar um conjunto de agentes que
intervêm no processo produtivo e exercem com autonomia a mesma função, apresentando
um comportamento tipificado. Podemos definir agente económico como toda a entidade au­
tónoma. com capacidade para realizar operações económicas tomando decisões. O agente
económico possui também capacidade para deter valor económico.

Quadro 1 - Agentes económicos e principais funções

Ayentes económicos Principais funções

Famílias Consumir

Empresas não financeiras Produzir bens e serviços não financeiros

Instituições financeiras Prestar serviços financeiros

Garantir a satisfação das necessidades


Administração Pública (Estado)
coletivas e redistribuir o rendimento

Resto do Mundo Trocar bens, serviços e capitais

V
TEMA1 A atividade económica e a ciência económica

A atividade económica
Todas as pessoas satisfazem necessidades através do consumo de bens e serviços. No en­
tanto, multas dessas pessoas são também trabalhadoras em atividades produtoras de bens e
serviços (produção) e. por Isso, recebem salários; outras são proprletánas dos meios de pro­
dução (capital, empresas, edifícios, terrenos urbanos e agrícolas, equipamentos, por exem­
plo). recebendo juros, rendas e lucros (distribuição do rendimento).

Todos estes rendimentos que as pessoas auferem são utilizados da seguinte forma: uma
parte é gasta no consumo (aquisição de bens e serviços para a satisfação das necessidades
das famflias) e a outra parte é transformada em poupança (acumulação) para ser depositada
nos bancos ou investida.

Podemos concluir que as phncipais funções desempenhadas pelos agentes económicos cor­
respondem às principais atividades económicas.

Atividade económica
Conjunto de atividades que as pessoas realizam relacionadas com a satisfação das ne­
cessidades individuais e coletivas:

✓ Produção

✓ Distribuição e redistribuição dos rendimentos

•/ Utilização dos rendimentos


ESQUEMA-SÍNTESE

Atividade Agentes económicos


económica
• Famílias
• Empresas não
financeiras
• Instituições
financeiras
• Administração
Pública (Estado)
• Resto do Mundo
Fenómenos
económicos

í
• Produção
Problema
económico
• Distribuição
Objeto de estudo e redistribuição
das ciências dos rendimentos
sociais • Utilização dos
rendimentos
Recursos Necessidades
escassos ilimitadas

Ciências sociais
Objeto
• Economia
de estudo
• Sociologia
Escolhas
• História
• Direito
• Psicologia Racionalidade
• Demografia económica
• Antropologia
• (...)
Otimização
de recursos

r
Satisfação
n
Não satisfação
de algumas de algumas
necessidades necessidades

í
Custo de
Beneficio
oportunidade

26
TTMA1 A atividade económica e a ciência económica

SÍNTESE

✓ Para identificar e explicar os fenómenos sociais recorremos às ciências sociais. Cada fenó­
meno social pode ser abordado por diferentes perspetivas, como a económica, a socioló­
gica. a demográfica, a jurídica, a política e a histórica.

✓ Cada ciência social estuda o fenómeno social de acordo com o seu objeto de estudo, teorias
e métodos de investigação e desta mterdisciplinaridade resulta o melhor conhecimento do
fenómeno social. Por isso se diz que as ciências sociais são interdependentes e comple­
mentares.

✓ A economia estuda a dimensão económica da realidade social: os fenómenos económicos.


O seu objeto de estudo sâo os fenómenos sociais associados à produção, distnbulção de
rendimentos, consumo, poupança e investimento.

✓ A economia estuda o problema económico, isto é. ajuda a tomar a decisão de escolher, de


entre as necessidades ilimitadas que as pessoas sentem, aquelas que devem ser satisfeitas
em cada momento. Por isso a economia é também denominada a «ciência das escolhas».

✓ A decisão económica obriga a uma gestão eficiente dos recursos, de acordo com o princípio
da racionalidade económica, ou seja, uma gestão que procure obter a máxima satisfação
utilizando o mínimo de recursos.

✓ As decisões económicas (escolhas) implicam, sempre, custos de oportunidade, ou seja, o


sacrifício das necessidades não satisfeitas.

✓ Agentes económicos são os agentes com capacidade de intervir na economia.

✓ Os agentes económicos são as famílias, cuja função principal é a de consumir as empresas


não financeiras, que produzem bens e serviços para o mercado; as Instituições financeiras,
que prestam serviços financeiros; a Administração Pública, ou Estado, que garante a satis­
fação das necessidades coletivas e a redistribuição dos rendimentos; e o Resto do Mundo,
que troca bens, serviços e capitais.

✓ A atividade económica é constituída pelo conjunto de atividades que as pessoas realizam


relacionadas com a satisfação das necessidades individuais e coletivas. A produção, a distri­
buição e redistribuição e a utilização dos rendimentos sao atividades económicas.

27
Avaliação

GRUPO I

As questões abaixo são de escolha múltipla. Selecione a opção correta em cada uma.

1. O conhecimento da realidade social obtém-se quando esta é abordada por diferentes


perspetivas disciplinares porque

(A) cada ciência social tem o seu objeto de estudo.

(B) é difícil estudar a realidade social.


(C) as ciências sociais são interdependentes e complementares.

(D) cada ciência social utiliza teonas e métodos de investigação diferentes.

2. A produção é um fenómeno económico porque

(A) é um fenómeno social.

(B) pode medir-se em unidades monetánas.

(C) se destina à satisfação das necessidades individuais.

(D) se destina à satisfação das necessidades individuais e coletivas.

3. A decisão económica implica custos de oportunidade porque


(A) face a recursos escassos, a satisfação de certas necessidades obnga à não satisfa­
ção de outras.

(B) para produzir é preciso despender recursos.


(C) o mesmo bem pode ser produzido utilizando comblnaçOes diferentes de recursos.

(D) uma decisão económica tem custos monetários.

4. A atividade económica é desenvolvida

(A) pelas empresas não financeiras e financeiras.

(B) pelas famílias e pelo Estado.

(C) pelas famílias, pelas empresas e pelo Estado.

(D) pelos agentes económicos.

GRUPO II

1. «Nos países em desenvolvimento, pelo menos 1.2 milhões de chanças são obrigadas a
trabalhar»
Adaptado dc Thlcny Jcantct. A Economia Social. Lisboa. < Xitro Modo. 2009

1.1 Identifique o fenómeno social implícito na afirmação.

1.2 Explicite como a economia, o direito e a política podem estudar o fenómeno social
implícito na afirmação.

1.3 Justifique a necessidade da Interdiscipllnarldade como atitude metodológica no


estudo dos fenómenos sociais.

28
TEMA1 A atividade económica e a ciência económica

2. «Vivemos num mundo de escassez» (adaptado de Parkin et al„ Macroeconomia. Cidade


do México. Addlson Wesley. 1999).

2.1 Explique o problema económico, a partir da afirmação.

2.2 Justifique a racionalidade económica, com base na afirmação.

2.3 Apresente uma noção de custo de oportunidade, a partir de um exemplo.

3. Os indivíduos ou entidades podem agrupar-se e participar na atividade económica exer­


cendo várias funções.

3.1 Defina «agente económico», a partir da afirmação.

3.2 Complete o quadro seguinte.

Principais funções 1

Consumir

Produzir bens e serviços não financeiros

Instituições financeiras

Administração Pública (Estado)

Trocar bens, serviços e capitais

4. «A economia é o estudo de como as pessoas e a sociedade decidem empregar os re­


cursos escassos, que poderiam ter utilizações alternativas, para produzir bens variados
a fim de os distribuir, agora ou no futuro, entre as várias pessoas da sociedade»
Adaptado de Samuelsoti c Nurdhaus. Economia. S3o Paulo. McGraw-HUI. 19B1

4.1 Justifique o facto de a economia ser uma ciência social.

43 Explique o problema económico, a partir da afirmação.

43 Identifique o objeto de estudo da economia, tendo em conta a afirmaçao.

5. No primeiro semestre de 2018. o número de veículos ligeiros de passageiros ven­


didos aumentou relatlvamente ao período homólogo de 2017. Identifique a ativida­
de económica implícita na afirmação e refira as restantes.

Atividade de consumo. Restantes atividades: produção, distribuição e utilização de ren­


dimentos. que inclui, além do consumo, a poupança.

29
TEMA 2
Necessidades e consumo
2.1 Necessidades - noção e classificação
2.2Consumo - noção e tipos de consumo
2.3 Padrões de consumo - diferenças e fatores explicativos
2.4 Evolução da estrutura do consumo em Portugal e na União Europeia
2.5 A sociedade de consumo
2.60 consumerismo e a responsabilidade social dos consumidores
2.7 A defesa dos consumidores em Portugal e na União Europeia
TEMA 2 Necessidades e consumo

2.1 Necessidades - noção e classificação

Noção de necessidade
Todos sentimos multas e variadas necessidades que precisamos de satisfazer.

Necessidades - Situações de mal-estar que impelem os indivíduos a sua resolução.

As necessidades assumem variadas características: são múltiplas e vanadas e estão permanen­


temente presentes no nosso quotidiano.
• Multiplicidade - as necessidades sâo múltiplas e de diferente natureza.
• Substltulbllldade - as necessidades podem ser satisfeitas através de meios alternativos.
• Saclabllldade - conforme vamos satisfazendo uma necessidade, ela vai sendo progressi-
vamente eliminada.
• Relatividade - as necessidades vanam no tempo e no espaço, sendo, portanto, relativas
ao momento histórico e ao espaço geográfico onde são sentidas.

Classificação das necessidades

Primárias

Quanto a sua Importância Secundárias

Terciárias

Quanto ao facto
de vivermos em coletividade

• Necessidades primárias - são indispensáveis à vida humana (por exemplo, a respiração e


a alimentação).
• Necessidades secundárias - garantem uma melhor qualidade de vida (por exemplo, cultu­
ra e transporte).
• Necessidades terciárias - se não forem satisfeitas, não põem em risco a vida dos indiví­
duos. sendo dispensáveis (por exemplo, vestuário de marca, perfume, ou viajar em classe
executiva).
• Necessidades Individuais - são as que sentimos independentemente de vivermos com os
outros (a alimentação, por exemplo), sendo satisfeitas por bens e serviços privados;
• Necessidades coletivas - decorrem do facto de vivermos em coletividade (segurança.
Justiça, saúde, por exemplo), podendo ser satisfeitas por bens e serviços públicos.

31
2.2 Consumo - noção e tipos de consumo

Noção de consumo
O consumo é um comportamento indispensável a satisfação das necessidades e pode ser de­
finido como o ato pelo qual se destrói um bem para satisfação das necessidades das pessoas.

Consumo - Destruição de um bem ou utilização de um serviço na satisfação das neces­


sidades (Necessidade Consumo Satisfação).

Representa um fenómeno social complexo, podendo ser analisado do ponto de vista econó­
mico e social.

É um ato económico na medida em que as decisões relativas às necessidades a satisfazer ou


aos bens e serviços a consumir são escolhas que têm consequências na economia (a nível da
procura, da produção, do emprego, da utilização dos recursos escassos, etc.).

Por sua vez, é um ato social pois consumir determinados bens e serviços tem consequências
que afetam a coletividade, por exemplo a nível da poluição, da saúde e segurança das pessoas,
da exploração do trabalho Infantil, etc.

Tipos de consumo
Considerando a multiplicidade de necessidades que se sentem e a diversidade de bens e ser­
viços que se utilizam na sua satisfação, é possível distinguir vários tipos de consumo.

Quanto à natureza das necessidades satisfeitas


• Consumo essencial - utilização de bens indispensáveis à sobrevivência. Por exemplo,
consumo de alimentos, de habitação, de vestuário, etc.
• Consumo supérfluo - realizado para satisfazer necessidades terciárias. Por exemplo, con­
sumo de maquilhagem, de joias, de chocolates, etc.

32
TEMA 2 Necesstdades e consumo W

Quanto ao autor do ato de consumir


• Consumo privado - realizado pelas pessoas, pelos particulares. Por exemplo, ir ao cinema,
adquinr vestuário, comprar alimentos, etc.
• Consumo público - realizado por entidades da Administração Pública. Por exemplo, aquisição
de papel pela secretaria da escola, pagamento dos vencimentos aos funcionários públicos, etc.

Quanto ao beneficiário do consumo


• Consumo Individual - realizado por uma pessoa, que impede que outras pessoas o pos­
sam realizar. Por exemplo, quando utlizamos uma bicicleta, mais ninguém o pode fazer,
quando comemos um pão. Impedimos outra pessoa de o consumir, etc.
• Consumo coletivo - realizado por um grande número de pessoas, sendo a coletividade a
beneficiária desse consumo. Por exemplo, utilização dos serviços de saúde, de justiça, etc.

Quanto à finalidade do consumo


• Consumo final - bens que satisfazem diretamente as nossas necessidades. Por exemplo,
aquisição de livros, ingestão de alimentos, compra de um perfume, etc.
• Consumo Intermédio - bens que vão ser utilizados na produção de outros bens. Por exem­
plo. utilização de matérias-primas pelas empresas.

2.3 Padrões de consumo - diferenças e fatores


explicativos

Padrões de consumo
O consumo é um comportamento económico e social Influenciado pelo tempo histórico e pelo
espaço geográfico em que ocorre. Os povos que vivem em determinado espaço, numa dada
época histórica, consomem de acordo com determinados modelos sociais.

A cultura dos povos, o rendimento das famílias, a tecnologia, o preço dos bens, o clima, a publi­
cidade são fatores que influenciam o consumo e as formas de o concretizar.

Padrões de consumo - Modelos específicos a que o consumo obedece, de acordo com


a época histórica e localização geográfica, e segundo a cultura dos povos, o rendimento,
a tecnologia disponível, entre outros fatores.

Os vános fatores que influenciam o consumo podem


ser agrupados em económicos e extraeconomlcos

Quadro 2 - Fatores de que depende o consumo

• Rendimento • Moda
• Preços • Cultura
• Inovação • Tradição
• Crédito • Publicidade
• Outros • Outros

33
Fatores económicos

O rendimento dos consumidores


O consumo e função do rendimento, ou seja, qualquer alteração no nível de rendimentos dos
consumidores reflete-se no nível de consumo, mantendo-se tudo o resto constante. Um aumen­
to do nível de rendimentos dos consumidores originará um aumento do consumo.

Os preços
Quando os preços são baixos, maior será a nossa propensão para consumir, vertficando-se o
contrário quando os preços sao altos Há. no entanto, que considerar o nível de rendimentos
que Influencia também o consumo: quando se verifica um aumento dos preços mantendo-se
o rendimento, diminui a capacidade aquisitiva dos consumidores e. consequentemente, o con­
sumo.

A variação dos preços, associada a variações não proporcionais do rendimento, afeta de modo
diverso os consumos essenciais e supérfluos. O aumento dos preços, quando não é acompa­
nhado por um aumento proporcional do rendimento, irá reduzir principalmente os consumos
supérfluos pois os consumidores terão de gastar uma maior fatia do seu rendimento nos con­
sumos essenciais. A diminuição dos preços, mantendo-se o nível de rendimentos, possibilitará
um aumento dos consumos supérfluos.

A Inovação tecnológica
A Inovação tecnológica origina novos bens que geram grande apetência por parte dos con­
sumidores. Novos telemóveis com novas funções são disso exemplo.

O crédito bancário
Através de empréstimos contraídos junto dos bancos, os consumidores terão mais dinheiro
disponível para consumir.

Fatores extraeconómicos
A moda, a cultura, a tradição, a publicidade, as marcas constituem fatores extraeconómicos.
de caráter sodocultural que se refletem no consumo. Adquinr produtos que estão na moda
ou comprar produtos de marcas que conferem estatuto social são exemplos da influência dos
fatores extraeconómicos no consumo.

Estrutura do consumo
As despesas de consumo das famílias são repartidas por diversos tipos de bens de consumo.
Sendo o rendimento um dos fatores determinantes do consumo, as diferenças de rendimentos
entre as famílias determinam variações diferenciadas no consumo dos diversos tipos de bens.
Os consumos essenciais são menos influenciados pela variação dos rendimentos, ao contrário
do que acontece com os consumos supérfluos. É, assim, importante conhecer não só o valor
total das despesas de consumo das famílias como a forma como a despesa se distribui pelos
diferentes grupos de bens, ou seja, conhecer a estrutura do consumo.

34
TEMA 2 Necessidades e consumo

Estrutura do consumo - Repartição das despesas de consumo das famílias pelos dife­
rentes grupos de bens de consumo.

Quadro 3 - Estrutura de consumo de duas famílias. X e Y. Em unidades monetárias (u m.)

1 Categorias de consumos Família X (4 membros) Famflia Y (4 membros) j


Bens alimentares e bebidas 500 3000
Vestuário e calçado 100 2000
Habitação 100 2000
Saúde 100 500
Educação 50 500
Transportes 100 500
Lazer 30 1000
Outros 20 500
Total 1000 10 000

No quadro 3 observamos que as duas famílias têm rendimentos diferentes (1000€ e 10 000€)
e valores de despesa diferentes nas várias categorias de bens. Vejamos o peso ou coeficiente
orçamental de cada tipo de bens no orçamento das famílias X e Y.

A leitura do quadro 4 permite verificar que a família X gasta 50% do seu rendimento com a ali­
mentação (o coeficiente orçamental relativo à alimentação é de 50%) enquanto a família Y gasta
30% (o coeficiente orçamental relativo à alimentação é de 30%).

Coeficiente orçamental - Percentagem de uma classe de despesas de consumo em


relação ao total das despesas de consumo de uma familia.

35
A análise dos quadros permite verificar que a família X. tendo um rendimento Inferior à família Y
(1000€ e 10 000€ respetlvamente). gasta percentualmente mais em alimentação (coeficiente
orçamental maior. 50%); enquanto a família Y. possuindo um rendimento maior, gasta percen­
tualmente menos em alimentação (menor coeficiente orçamental: 30%). Esta conclusão baseia-
se na lei de Engel.

Lei de Engel - Quanto menor o rendimento de uma família, de uma região ou de um país.
maior será o coeficiente orçamental relativo às despesas de alimentação.

Esta lei pode ser adaptada a outras situações. Serve também para comparar níveis de desen­
volvimento entre países ou níveis de vida de estratos sociais diferentes, níveis de rendimento
em períodos diferentes, etc.

2.4 Evolução da estrutura do consumo em Portugal


e na União Europeia
A análise da evolução da estrutura do consumo das famílias ou dos países permite conhecer as
alterações ocorridas no seu rendimento disponível e. consequentemente, o nível de bem-estar.

Quadro 5 - Evolução das despesas de consumo final das familias em Portugal e na UE-28,
por tipo de bens e serviços. 1995 e 2016. Em percentagem

1995 2016 ]
Tipos de bens e serviços
Portugal UE-28 Portugal UE-28

Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas 18.5 14.0 16.9 12.2

Bebidas alcoólicas, tabaco e narcóticos 3.6 4.4 3.1 3.9

Vestuário e calçado 7.0 6.2 6.3 4.9

Habitação, água. luz. gás e outros combustíveis 12.8 22,0 18.8 24.5

Móveis, equipamentos domésticos e manutenção


6.6 6.5 5.1 5.5
da habitação

Saúde 4.5 32 5.1 3.9

Transportes 15.0 13.0 12.7 12.9

Comunicações 22 19 2.4 2.5

Lazer, recreação e cultura 8.0 8.8 6.1 8.5

Educação 1.1 0.8 12 12

Restaurantes e hotéis 10.6 77 11.8 8.6

Bens e serviços diversos 10.1 11.4 10.6 «.5

R>nte v>wwp<krdaid.p< (a>nsulud< > cm dczcmbm de 20181

36
TEMA 2 Necessidades e consumo

Da análise dos valores do quadro 5 pode concluir-se que:


• em Portugal, entre 1995 e 2016. o coeficiente orçamental relativo à alimentação diminuiu
(de 18,5% para 16.9%), enquanto a percentagem de gastos com as rubricas <bens e serviços
diversos», «restaurantes e hotéis» e habitação aumentou;
• na UE-28 a evolução foi no mesmo sentido, ou seja, diminuiu o coeficiente orçamental re­
lativo aos produtos alimentares (de 14.0% para 12,2%). e aumentou o peso da despesa com
a habitação (de 22,0% para 24,5%);
• em Portugal e na UE-28. em 2016. a despesa com a habitação constituía a rubrica com o
maior coeficiente orçamental;
• em Portugal e na UE-28. entre 1995 e 2016, registou-se um aumento do rendimento dispo­
nível das famílias, dada a diminuição do coeficiente orçamental com a rubrica alimentação
(lei de Engel).
• na UE-28 o rendimento das famílias é. em média, superior ao rendimento das famílias por­
tuguesas. em ambos os anos, pois a percentagem do rendimento gasta na alimentação no
conjunto dos países da UE-28 é infenor aos valores apresentados pelas famílias portuguesas.

2.5 A sociedade de consumo


Após a Revolução Industrial e as permanentes descobertas científicas e tecnológicas, a produ­
ção começou a exceder as necessidades de consumo das populações dos países mais indus­
trializados e desenvolvidos. Em meados do século XX. o eixo das preocupações dos empresá­
rios deslocou-se da esfera da produção para a das vendas. Surge, então, todo um conjunto de
estudos para encontrar soluções para o escoamento do excesso de produção. O marketing e a
publicidade passam a sertão ou mais importantes que a própna produção.

A cnação de novas necessidades passa a constituir uma estratégia de escoamento da constan­


te e exponencial produção. Consome-se para escoar a produção. É a chamada sociedade de
consumo - uma sociedade de abundância, com bens baratos, de duração limitada e produzi­
dos em séne. O consumo massiflca-se com a oferta destes bens produzidos em série, a custos
baixos, sem grande qualidade ou duração.

Para escoar tal profusão de bens, o comércio adapta-se - surgindo os grandes centros comer­
ciais. os hipermercados etc.

Sociedade de consumo - E a sociedade em que a oferta de bens excede a procura,


sendo os bens produzidos em larga escala, em série e de duração efémera. Criar novas
necessidades, produzir e vender são os fins deste tipo de sociedade.

Na sociedade de consumo é necessário que o desejo de comprar esteja sempre presente


para dar resposta à crescente produção por parte das empresas. O consumidor, os seus de­
sejos e a sua vontade de comprar constituem o foco de atenção de produtores e vendedores.
A publicidade e o marketing são técnicas essenciais à sociedade de consumo.

As inovações, as novas tecnologias e a produção em séne permitiram às empresas lançar no


mercado grande quantidade de produtos com preços acessíveis. A publicidade, a moda, a
facilidade de acesso ao crédito, são. por sua vez. fatores que estimulam o consumo, multas
vezes de uma forma excessiva e até pengosa para a saúde e segurança do consumidor.

37
Consome-se por Impulso, sem critérios. de forma excessiva. Irracional e com desperdício - é
o chamado consumlsmo.

Consumlsmo - Conjunto de comportamentos que levam a um consumo excessivo,


sem critérios e compulsivo.

2.6 O consumerismo e a responsabilidade social


dos consumidores
Em resposta a uma sociedade excessivamente consumista. com grandes desperdícios e pouco
criteriosa nas suas escolhas, têm surgido organizações e movimentos de apelo à ponderação.
São os movimentos consumeristas.

Estes movimentos têm como objetivo defender os interesses e direitos dos consumidores, pro­
movendo ações que conduzam a um consumo mais esclarecido, racional e baseado em valores
sociais e ambientais.

Quadro 5 - Consumerismo vs consumtsmo

Consumerismo

• Consumo racional, controlado, seletivo e • Consumo irracional, impulsivo e sem critérios.


com critérios. • Consumo irresponsável, excessivo e perigoso.
• Consumo baseado em valores sociais, am­ • Consumo baseado em valores materiais, na
bientais e no respeito pelas gerações futuras. ostentação e no supérfluo.

Uma das áreas de intervenção das práticas consumeristas prende-se com a defesa do am­
biente. O direito a um ambiente saudável e equilibrado é um direito coletivo de todos os
povos, reconhecido pela Organização das Nações Unidas. A sustentabilidade ambiental e o
direito das gerações futuras a um planeta limpo implicam, da parte dos cidadãos, uma altera­
ção dos seus comportamentos consumistas em benefício de práticas consumeristas.

O desenvolvimento de energias alternativas, a promoção da agricultura biológica, a recicla­


gem e a reutilização constituem alguns exemplos de ações que promovem o desenvolvimen­
to sustentável, contribuindo para o equilíbrio ambiental e maior qualidade de vida para todos.

2.7 A defesa dos consumidores em Portugal


e na União Europeia
Em Portugal, a defesa dos direitos dos consumidores tem sido assumida por diversas organiza­
ções de caráter particular, como a DECO (Associação Portuguesa para a Defesa do Consumi­
dor). e também por entidades públicas, o que que mostra o interesse do Estado na promoção
da qualidade de vida dos cidadãos e a sua preocupação com o futuro, em termos ambientais e
de desenvolvimento.

38
TEMA 2 Necessidades e consumo

A consagração dos direitos dos consumidores na Constituição da República Portuguesa e a


ação da Direção-Geral do Consumidor na defesa dos direitos dos consumidores constituem
dois exemplos das preocupações sociais e ambientais do Estado.

Lei de defesa do consumidor - alguns direitos do consumidor:


Direito á qualidade de bens e serviços: a proteção da saúde e segurança física; à forma­
ção e educação para o consumo: à proteção dos seus interesses económicos.

A União Europeia, na área da defesa dos direitos dos consumidores, tem também adotado
legislação e definido políticas europeias específicas.

Agenda do Consumidor Europeu


Objetivos:
• Reforçar a segurança dos consumidores:
• Aumentar o seu nível de conhecimento, de modo a capacitá-los com informação e
meios de recurso perante mercados mais complexos;
• Melhorar as práticas de fiscalização e controlo dos mercados, promovendo uma maior

39
ESQUEMA-SÍNTESE

r
Características Classificação

• Multiplicidade • Quanto a importância


• Saciabilidade (primárias, secundárias
e terciárias)
• Substituibilidade
• Quanto à vida
• Relatividade
em coletividade
(individuais e coletivas)

Satisfeitas
com

Bens materiais Serviços

CONSUMO J
1
Tipos de consumo Fatores que Influenciam o consumo

• Final Económicos:
• Intermédio - Rendimento
- Estrutura do consumo e lei de Engel
• Individual
- Preços
• Coletivo
- Inovação tecnológica
• Essencial
Extraeconómicos:
• Supérfluo - Moda
• Público - Publicidade
• Privado - Tradição
- Modos de vida
- Estrutura etária das famílias

Consumismo Consumerismo

40
TEMAS Necessidadeseconsumo

SÍNTESE

✓ O conceito de necessidade encontra-se associado à ausência de bem-estar. A vida humana


exige a satisfaçao de múltiplas necessidades.

✓ As necessidades humanas caractenzam-se pela multiplicidade (sâo muitas, de diferente


natureza e origem); pela relatividade (variam com o tempo, o espaço e o grupo social); pela
substitulbilldade (podem ser satisfeitas por bens substitutos) e pela saclabilidade (ao fim de
algumas utilizações dos bens que as podem satisfazer, o Indivíduo encontra-se saciado ou
satisfeito).

✓ As necessidades, por serem múltiplas, podem classificar-se segundo critérios diferentes: o da


importância na sua satisfação (necessidades pnmánas. secundárias e terciárias); e quanto
ao número de pessoas que as sentem (necessidades individuais e necessidades coletivas).

✓ O consumo é um ato económico que consiste na destruição de um bem para satisfação de


uma necessidade e que resulta de uma escolha; mas é. igualmente, um ato social dadas as
suas Implicações éticas, humanas, ambientais, políticas, por exemplo.

✓ O consumo pode ser classificado como final (não Intervém na produção de outros bens,
como no caso das famílias) ou intermédio (própno das empresas que utilizam bens para
a produção de outros bens); individual (consumo de um agente económico) ou coletivo
(consumo da coletividade); essencial ou supérfluo; público (consumo do Estado) ou privado
(consumo das famílias ou empresas). Padrões de consumo são modelos de consumo que
decorrem do facto de este variar no tempo, no espaço, com o grupo social a que as pes­
soas pertencem e com a cultura das sociedades.

✓ É possível calcular a percentagem que os consumidores gastam em alimentação relativa­


mente ao total das suas despesas de consumo ou orçamento familiar (coeficiente orçamen­
tal relativo a alimentação) e relacionar esse coeficiente com o rendimento das famílias. Esta
relação foi estabelecida por Engel. que afirmou que quanto maior fosse esse coeficiente
orçamental, menor seria o rendimento das famílias (lei de Engel).

✓ O consumo é uma das componentes mais importantes da economia dos países industriali­
zados. Decorrente das constantes descobertas científicas e tecnológicas e do consequen­
te crescimento económico destes países, a produção tem excedido, em multas situações,
as necessidades de consumo das populações, deslocando o centro das preocupações dos
empresános da esfera da produção para a das vendas. A criação de novas necessidades
passa a constituir uma estratégia de escoamento da constante e exponencial produção -
estamos na sociedade de consumo. Consome-se para escoar a produção.

✓ O consumismo. traduzido em comportamentos de consumo excessivo, irracional e sem cri­


térios. torna-se na imagem da sociedade de consumo.

✓ Como resposta a uma sociedade excesslvamente consumlsta. têm surgido movimentos de


apelo à ponderação e à responsabilidade social. São os movimentos consumenstas.

41
Avaliação

GRUPO I

As questões abaixo são de escolha múltipla. Selecione a opção correta em cada uma.

1. Quanto à sua importância, um carro de topo de gama e a saúde são. respetivamente.

(A) uma necessidade coletiva e uma necessidade secundária.

(B) uma necessidade terciáda e uma necessidade pnmária.

(C) uma necessidade individual e uma necessidade terciária.

(D) uma necessidade secundária e uma necessidade pnmária.

2. O gráfico 1 apresenta dados relativos ao nível de saciedade do indivíduo A. à medida


que vai bebendo copos de água.

De acordo com o gráfico, o indivíduo A

(A) fica saciado, em termos de sede, ao fim de um copo de água.

(B) fica saciado, em termos de sede, ao fim de dois copos de água.

(C) fica saciado, em termos de sede, ao fim de três copos de água.

(D) não atinge a saciação.

3. Os materiais escolares adquiridos pelas famílias para as suas chanças constituem exem­
plos de um consumo

(A) individual e público.

(B) privado e intermédio.

{C) intermédio e supérfluo.

(D) final e individual.

42
TEMA 2 Necessidades e consumo

4. A utilização de fermento por uma padana constitui um consumo

(A) coletivo porque o pão é consumido por um grande número de pessoas.


(B) final, porque o fermento vai ser incorporado no produto final.

(C) intermédio, porque o fermento vai ser transformado num bem final.

(D) público, porque o Estado tem de assegurar a satisfação das necessidades básicas.

5. O consumo das famílias depende, entre outros fatores.

(A) dos preços dos bens e dos coeficientes orçamentais relativos à habitação.

(B) dos rendimentos dos consumidores e do meio social.

(C) da inovação tecnológica e da lei de Engel.

(D) das marcas e dos coeficientes orçamentais relativos à educação.

6. Num determinado país, o rendimento disponível das famílias aumentou. Mantendo-se


tudo o resto constante, o valor monetário gasto em alimentação e bebidas não alcoóli­
cas fez o respetivo coeficiente orçamental aumentar. Esta afirmação é
(A) verdadeira, porque é necessário satisfazer necessidades básicas.

(B) verdadeira, porque de acordo com a lei de Engel. a relação entre a despesa em ali­
mentação e bebidas não alcoólicas e o rendimento disponível aumentou.

(C) falsa, porque não é possível aumentar a relação entre a despesa em alimentação e
bebidas não alcoólicas e o rendimento disponível.

(D) falsa, porque de acordo com a lei de Engel, a relação entre a despesa em alimenta­
ção e bebidas não alcoólicas e o rendimento disponível diminuiu.

7. O consumismo e o consumerismo são dois fenómenos que apresentam respetiva mente


as seguintes características

(A) consumo impulsivo e consumo irracional.

(B) consumo racional e consumo baseado em valores ambientais.

(C) consumo indiscriminado e consumo baseado em valores sociais.


(D) consumo controlado e consumo sem considerar as suas consequências.

GRUPO II

1. As necessidades são múltiplas, individuais ou coletivas.

1.1 Explicite a afirmação anterior, através de exemplos.

1.2 Apresente uma noção de necessidade.

43
Avaliação

2. O quadro 1 apresenta o valor dos coeficientes orçamentais relativos a componen­


te do consumo «Alimentação e bebidas não alcoólicas» do país A. em dois mo­
mentos diferentes (f e t + 5). assim como o rendimento das famílias em unidades
monetárias (u.m.) no ano t.

Quadro 1 - Coeficientes orçamentais

Alimentação e bebidas não alcoólicas 40


Rendimento (u.m.) 5000

2.1 Apresente uma noção de coeficiente orçamental relativo a componente do


consumo «Alimentação e bebidas não alcoólicas», com base nos valores apre­
sentados na tabela.

2J Sabendo que o rendimento das famílias no ano t + 5 aumentou 20%. calcule o


valor das despesas de consumo em alimentação e bebidas não alcoólicas no
momento refendo.

23 Explicite a lei de Engel.

2.4 Considerando que. em período de cnse económica, o rendimento poderá bai­


xar relativamente ao ano t + 5. indique o limite inferior para o valor do coefi­
ciente orçamental relativo à alimentação e bebidas não alcoólicas, justificando
o valor Indicado.

2.1 O coeficiente orçamental relativo ã componente do consumo «Alimentação e be­


bidas não alcoólicas» representa a percentagem do rendimento que as famílias
gastam no consumo de bens alimentares e bebidas não alcoólicas. Com base na
tabela, pode-se ler que as famílias do país A. em média, no ano t, gastaram 40% do
seu rendimento para satisfazer as suas necessidades em bens alimentares e bebi­
das não alcoólicas.

Alimentação e bebidas não alcoólicas 40 35

Rendimento (u.m.) 5000 5000 « 1.20 = 6000

Então o valor monetário das despesas de consumo em alimentação e bebidas não


alcoólicas no ano t + 5 será de: 6000 « 0,35 = 2100 u.m.

44
TEMA 2 Necessidades e consumo

2.3 A lei de Engel afirma que quanto maior for o rendimento das famílias, menos eleva­
do é o coeficiente orçamental relativo ã alimentação e bebidas não alcoólicas, ou
seja, menor é a percentagem do rendimento gasta na alimentação e bebidas não
alcoólicas. De facto, sendo a alimentação uma despesa essencial, mesmo que o
seu valor aumente em termos absolutos (o que deverá suceder visto o rendimento
em t+ 5 ter aumentado relativamente a t), o seu peso no rendimento diminuirá rela­
tivamente mais. Em termos aritméticos, teremos um numerador ligeiramente maior
(despesas em alimentação) e um denominador muito mais alto (rendimento), o que
toma o coeficiente orçamental mais baixo.

2.4 Se o rendimento das famílias diminuir relativamente a t + 5, então o valor do coefi­


ciente orçamental relativo ã alimentação e bebidas não alcoólicas deverá ser mais
elevado do que o de t + 5. tendo por limite inferior 35%.

3. O consumo é um ato económico e um ato social.

3.1 Explique o significado da afirmação anterior, tendo em conta os fatores de que de­
pende o consumo.

3.2 Justifique o consumismo nas sociedades atuais.

3.3 Indique duas consequências do consumismo.

4. <0 efeito prático da nova diretiva sobre os direitos dos consumidores na UE. em vigor
desde o dia 13 de junho de 2014. traduz-se na aplicação de direitos iguais para todos
os consumidores quando adquinrem bens ou serviços no espaço da UE. Por exemplo,
o direito a devolver os produtos nâo desejados no prazo de 14 dias; o direito a obter a
reparação ou substituição dos produtos defeituosos; o direito a receber informação leal
e transparente sobre os produtos adquiridos [...]».
Adaptado de https://cec.consunitdor.pt. consultado em dezembro de 2018

Explicite o conceito de consumensmo. considerando a afirmação anterior.

5. Considere o quadro a seguir.

Quadro 2 - Despesas de consumo em produtos alimentares


e bebidas não alcoólicas em alguns paises da UE. 2016. Em percentagem

~T 123 Bulgána 22.2


UE-28 19.5 Lituânia

Áustria 97 Finlândia 12.0 Reino Unido 8.1

Fonte: wwwpordata.pt (consultado em setembro de 2018)

5.1 Compare os valores fornecidos.

5.2 Retire conclusões relativas ao rendimento disponível das famílias.

45
TEMA 3
A produção de bens e de serviços
3.1 Bens - noção e classificação
32 Produção e processo produtivo. Setores de atividade económica
3.3 Fatores produtivos - noção e classificação
3.4 A combinação dos fatores produtivos
TEMA 3 A produção de bens e de serviços

3.1 Bens - noção e classificação


Para satisfazermos as nossas necessidades, produzimos bens e serviços.

Bens - Meios através dos quais as necessidades dos indivíduos podem ser satisfeitas.

Dada a multiplicidade de bens de que dispomos para satisfazer as nossas necessidades, os


bens sâo classificados, segundo critérios específicos, para os conhecermos melhor.

Quanto ao custo
• bens livres, quando sâo obtidos sem dispêndio de dinheiro ou esforço, como o ar que res­
piramos ou a luz solar. Estes bens correspondem aos bens que nâo são escassos;
• bens económicos, quando existem em quantidades limitadas, sendo, portanto, bens es­
cassos relativamente às necessidades sentidas. É necessáno gastar algum dinheiro ou
despender algum esforço para os adquirir. Os bens económicos podem ser classificados
de acordo com os seguintes critérios:

Quanto à natureza
• bens materiais, quando é possível senti-los. vê-los - isto ê, quando têm visibilidade físi­
ca ou sâo tangíveis, podendo ser armazenados. Por exemplo, um livro, um bolo ou uma
ferramenta:
• bens Imateriais ou serviços, quando não têm visibilidade física, não são tangíveis. Por
exemplo, um concerto, uma aula, uma consulta médica.

Quanto à função
• bens de consumo, quando se destinam ao consumo final das famílias. Por exemplo, o
vestuárto, os alimentos ou um computador;
• bens de produção, quando se destinam a produzir outros bens. Um computador, para
uma empresa, é um bem de produção, assim como outras máquinas ou as matérias-pri­
mas. Os bens de produção têm a designação de meios de produção.

Quanto a duração
• bens duradouros, quando não se anulam após uma primeira utilização. Uma máquina,
uma peça de roupa ou um telemóvel são bens duradouros;
• bens nâo duradouros, quando se esgotam após a sua utilização. Uma peça de fruta e as
matérias-pnmas que se Incorporam nos produtos finais são bens não duradouros.

Quanto às relações recíprocas


• bens substituíveis ou sucedâneos, quando se podem substituir entre si por terem carac­
terísticas semelhantes. Azeite e óleo, açúcar e sacarina são exemplos destes bens;
• bens complementares, quando, para atingirem os fins para os quais foram criados, de­
vem ser utilizados em conjunto. O computador e a impressora, que se completam na
elaboração e apresentação de trabalhos, o carro e a gasolina são exemplos de bens
complementares. A complementandade pode ser horizontal, se os bens em causa fo­
rem de consumo, e vertical, se os bens forem de produção.

47
3.2 Produção e processo produtivo.
Setores de atividade económica
Toda a produção exige fatores produtivos (trabalho e capital) que se podem combinar de ma­
neiras diferentes, como se pode verificar no gráfico 1. relativo á produção de um bem.

Produção - Ato económico pelo qual se criam bens e serviços.

Processo produtivo e a tecnologia utilizada na produção. Isto é. a relação técnica que associa
as quantidades utilizadas dos fatores produtivos (trabalho e capital) com a quantidade máxi­
ma de produto que se pode obter.

O processo produtivo pode ser identificado na curva de produção visto que cada um dos
pontos dessa curva representa possibilidades de combinar os fatores produtivos. Se optamos
pela produção no ponto A, isso significa que o processo produtivo escolhido combina x uni­
dades de trabalho com y unidades de capital.

Setores de atividade económica

A abundância e variedade de bens e serviços produzidos pelos países torna necessário o seu
agrupamento em grandes conjuntos com características semelhantes. O critério que se tem
adotado foi apresentado pelo economista Colln Clark (1905-1989) e é ainda hoje um critério
seguido. O critério assenta, fundamentalmente, no tipo de bens produzidos.

Segundo Clark, os bens são agrupados em três setores de atividade económica: o setor
primário, o setor secundário e o setor terciário.

No setor primário estão incluídos os bens provenientes da natureza. Agricultura, silvicultura,


pesca, caça, pecuária e indústrias extrativas sáo as atividades incluídas neste setor.

No setor secundário incluem-se as indústrias transformadoras, a produção e distribuição de


gás. água e eletricidade e a construção. Tendo em conta o tipo de Indústria é possível falar de
Indústrias ligeiras (onde predomina o trabalho) e de Indústrias pesadas (onde predomina o
capital). Pode-se ainda dividir as indústrias em tradicionais, que recorrem a processos produ­
tivos antigos, e as modernas, que recorrem a tecnologia de ponta. Inovadora.

48
TEMA 3 A produção de bens e de serviços

O setor terciário é um setor residual, onde todas as atividades não incluídas nos setores
pnmário e secundário se encontram. São os serviços, dos quais se destacam o comércio, a
educação, a saúde, o turismo e a atividade bancária, por exemplo.

Jean Fourastlé (1907-1990), economista francês, propôs entretanto uma alteração à tipologia
anterior, integrando as Indústrias extrativas no setor que designou por setor Industrial. Tam­
bém propôs a designação de setor agrícola e setor dos serviços para os setores primáno e
terciário, respeúvamente. Por seu turno. Marc Porat (n. 1947) sugenu uma divisão adicional, o
setor quaternário

O setor quaternário
O desenvolvimento das economias modernas, assente na inovação dos processos pro­
dutivos dos bens e serviços, permite constatar a importância das atividades relaciona­
das com a informação, a informática, a cibernética, a alta tecnologia, a robótica e as
atividades intelectuais, como a investigação e o desenvolvimento.

Pela função estratégica que têm no desenvolvimento das economias, estas atividades
poderiam ser integradas num outro setor de atividade económica - o setor quaternário,
segundo proposta do autor Marc Porat (ERIC - Institute of Education Sciences. US De-
partment of Education. 1977).

Estas classificações, que têm um critério essenciaImente económico, são seguidas pelo Fundo
Monetário Internacional (FMI) e permitem caracterizar as economias dos países, caracterizando-
-os como desenvolvidos, emergentes ou em desenvolvimento.

Um país desenvolvido é aquele em cuja economia predomina o setor terciário - é. por isso,
um país tercianzado. Um país em desenvolvimento é um país predominantemente agrícola,
cujo setor primário é o dominante. Num país emergente, o setor primário já não é o dominan­
te, o setor secundário tem algum destaque em termos do seu contributo para o produto do
país e o setor terciário tem um peso semelhante ao do setor secundário.

Existem, todavia, outras classificações, como as do Programa das Nações Unidas para o De­
senvolvimento (PNUD). que se baseiam noutros critérios, como o desenvolvimento humano,
que conjuga valores de indicadores económicos, demográficos e sociais/culturais.

Quadro 1 - Relação entre o nrvel de desenvolvimento de um pais e os setores de atividade

Exemplos |
Rctoçfto entro os setores de
! dopas

Pais desenvolvido Setor III > Setor II > Setor 1 EUA. países da UE

País emergente Setor II e III em crescimento Brasil, Angola. China

País em desenvolvimento Setor 1 predominante Guiné-Blssau. Moçambique

49
3.3 Fatores produtivos
Para produzir são necessários fatores produtivos, isto e. meios que permitam, através da
sua combinação, a produção necessária à satisfação das necessidades da população. Esses
meios são os recursos naturais (que podem ser classificados como capital), a força de traba­
lho e o capital ou meios de produção.

Recursos naturais

Os recursos naturais são bens que a natureza coloca diretamente à disposição dos indivíduos
para a satisfação das suas necessidades, como matérias-primas ou matéhas subsidiárias. Os
recursos naturais podem ser renováveis (se se conseguirem renovar num período relativa­
mente curto, mas dependente da natureza do bem) ou não renováveis (quando a sua utiliza­
ção provoca a sua destruição definitiva).

Naturalmente, há que preservar os recursos não renováveis e ser criterioso no uso dos re­
cursos renováveis, não só para que as gerações presentes não enfrentem a escassez desses
bens, mas também em nome das gerações futuras.

Força de trabalho

Para a produção dos bens e serviços necessános à satisfação das necessidades de uma po­
pulação é Indispensável, como Já foi referido, força de trabalho. Esta é a população com que
um país pode contar para a produção. Por isso, torna-se importante contabilizá-la.

População ativa, população Inativa e taxa de atividade

Calcular a população com que um país pode contar para trabalhar, sendo remunerada por
isso, é falar de população ativa Esta integra não só os homens e mulheres que têm uma
ocupação ou profissão - e que são remunerados por isso - mas também os desempregados.

Os indivíduos que não fazem parte da população ativa formam a população Inativa, sendo
esta constituída «pela população estudantil, doméstica e reformada» (Pordata).

50
TEMA 3 A produção de bens e de serviços

Resulta do confronto entre

População ativa População Inativa

• Trabalhadores ■ População estudantil


• Desempregados • População doméstica
• População reformada

A percentagem da população ativa relativamente ao total da população dá-nos a taxa de


atividade de um país.

População ativa
Taxa de atividade = x 100
População total

É possível calcular as taxas de atividade por género, que. tendencialmente. apresentarão


valores tanto mais próximos quanto mais desenvolvido for o país.

População ativa feminina


Taxa de atividade feminina = x 100
População feminina total

População ativa masculina


Taxa de atividade masculina =
População masculina total

Desemprego e taxa de desemprego

é Importante conhecer, igualmente, a percentagem dos desempregados relativamente à po­


pulação ativa, que corresponde à taxa de desemprego de um país.

N.° de desempregados
Taxa de desemprego = x 100
População ativa
I

Pelas consequências sociais e económicas do desemprego, é importante compreender algu­


mas das suas causas. Excluindo situações de crise económica, que se traduzem sempre em
valores elevados de desemprego, é possível reconhecer, igualmente, situações causadoras
de desemprego em períodos de crescimento económico.

O desenvolvimento tecnológico é um dos fatores que. por força da automação, da Informati­


zação e da robotlzaçâo resultantes, acaba por dispensar o trabalho menos qualificado e mais
manual que antes se encontrava afeto à produção. Este üpo de desemprego é designado por
desemprego tecnológico por resultar da substituição de trabalho por tecnologia. Por outro

51
lado, novas profissões irão surgir ligadas a este processo natural de crescimento e desen­
volvimento das economias. Estas vão-se. cada vez mais, terclarlzando. Assim, é fundamental
que todos os trabalhadores se vão atualizando, através de formação ao longo da sua vida
profissional, sob pena da sua exclusão precoce do mercado de trabalho.

O desemprego de longa duração e o desemprego repetitivo são outros tipos de desemprego.


O desemprego de longa duração é o que se prolonga por um ano ou mais e o desemprego
repetitivo é o que resulta de sucessivos desempregos por inadaptação ao posto de trabalho
devido ao baixo nível de qualificação dos trabalhadores, normalmente multo jovens. A preca­
riedade de emprego e a situação resultante.

Desempregados ha 1 ano ou mais


Taxa de desemprego de longa duração = x 100
População ativa

Também se podem calcular taxas de desemprego por género. Em geral, tanto maior é a taxa
de desemprego feminina face à masculina, quanto menos desenvolvido é o país.

Mulheres desempregadas
Taxa de desemprego feminino =
População ativa feminina

Homens desempregados
Taxa de desemprego masculino
População ativa masculina

Capital

Capital e riqueza
O capital é outro fator produtivo. No entanto, não se deverá confundir capital com riqueza: en­
quanto a riqueza consiste num conjunto de bens diversos (casas, carros, aviões, dinheiro, obras
de arte, etc.) que sõo propriedade de alguém que os utiliza para fins pessoais, já o capital é o
conjunto dos bens aplicados na atividade económica. Uma obra de arte, por exemplo, poderá
ser riqueza quando é pertença de um indivíduo que a possui por ser um apreciador ou um co­
lecionador. mas poderá ser capital se esse indivíduo se tratar de um um galensta que a compra
para a vender.

52
TEMA 3 A produção de bens e de serviços

Tipos de capital

O capital pode classlflcar-se em:


• capital financeiro - conjunto dos meios financeiros de uma empresa. Este divide-se em
capital próprio, quando os meios financeiros são propriedade da empresa, e capital alheio,
quando os meios financeiros não pertencem à empresa;
• capital técnico - conjunto dos meios que permitem a produção. DMde-se em capital fixo,
que representa todos os meios de produção que nâo se anulam durante o processo produ­
tivo, como as máquinas, por exemplo, e capital circulante, que designa as matérias-primas
e as matérias subsidiárias que se Irão Incorporar nos produtos finais. A evolução tecnológi­
ca recente (automação. Informatização, robotização e inteligência artificial) representa um
contnbuto fundamental para a modernização do capital e para a inovação dos processos
produtivos.
• capital natural e capital humano - um bem pode ser considerado capital quando é utili­
zado na produção de outros bens (como as máquinas - capital fixo - e as matérias-primas
- capital circulante) originando valor acrescentado. Ora. tanto os recursos naturais como
os recursos humanos são fatores em que é possível investir para acrescentar mais-valias
ao ato produtivo.

Pela importância e potencial que os recursos naturais e humanos têm na qualidade da produ­
ção. na investigação e inovação, e pela escassez deste tipo de bens, atribui-se-lhes, por ana­
logia com o capital técnico, a designação de capital natural e capital humano A semelhança
do que sucede com o investimento em tecnologia e inovação, também se deverá investir na
qualificação dos recursos humanos e na qualidade dos recursos naturais para que estes se
transformem em fatores capazes de potenciar a produção.

3.4 A combinação dos fatores produtivos


É possível produzir as mesmas quantidades, com combinações diferentes dos fatores pro­
dutivos disponíveis numa economia, porque estes apresentam as seguintes características:
• são substituíveis (pode-se substituir trabalho por capital e vice-versa);
• são complementares (trabalho e capital complementam-se para produzir os bens);
• são adaptáveis (trabalho e capital adaptam-se às quantidades e ao tipo de bens a produzir).

A função de produção traduz essa possibilidade, como pode observar-se no gráfico 2.

53
Podemos verificar que a produção de um determinado bem pode ser obtida através de di­
versas combinações dos fatores produtivos, trabalho e capital. Assim. 4 unidades de trabalho
e 1 unidade de capital (ponto X). 1 unidade de trabalho e 5 unidades de capital (ponto Y) ou
todas as combinações representadas pelos pontos da curva apresentada são possibilidades
tecnológicas de produção ou diferentes processos produtivos.

O ponto A corresponde a uma Impossibilidade de produção, por não haver fatores produti­
vos suficientes para produzir aquela quantidade (superior à da curva representada).

A escolha do ponto ótimo de produção - a produtividade

A produtividade e um conceito central que representa a quantidade/valor da produção que se


obtém com o emprego de uma certa quantidade/valor de trabalho ou capital.

Produção
Produtividade total =
Fatores produtivos utilizados

Produção
Produtividade média do trabalho =
Trabalho

Produção
Produtividade média do capital =
Capital

Naturalmente, interessará ao empresário aumentar a produtividade dos fatores produtivos.


Mas. como consegui-lo?

O tempo na escolha da combinação dos fatores produtivos

Como conseguir a melhor combinação dos fatores produtivos? A escolha vai depender da
variável tempo - se considerarmos o curtíssimo prazo, o empresário não tem qualquer hi­
pótese de alterar a combinação dos fatores produtivos. No entanto, se tivermos em conta o
curto prazo, já é possível alguma alteração - a do fator trabalho, dado que a do fator capital
é de mais difícil alteração. Por último, se considerarmos o longo prazo, já será possível alterar
os dois fatores produtivos.

Combinação dos fatores produtivos no curto prazo

Numa perspetiva de curto prazo, a combinação ótima dos fatores produtivos é dada pelo
valor mais alto da produtividade marginal (o aumento da produção gerado quando se aumen­
ta uma unidade do fator produtivo variável).

Acréscimo de produção
Produtividade marginal
Acréscimo de uma unidade de fator produtivo

Consideremos o exemplo do quadro da página seguinte, relativo a produtividade marginal do


trabalho.

54
TEMA 3 A produção de bens e de serviços

1 cetfelra-debulnadora

w Sempre fixo.
*" É a produtividade resultante da utilização de mais uma unidade de fator produtivo (neste caso, um trabalha­
dor).

A justificação tem a ver com a lei dos rendimentos marginais decrescentes, que afirma que, a
partir de uma dada combinação dos fatores produtivos, como um deles é fixo, a produção vai
aumentando cada vez menos - a produtividade marginal vai diminuindo/os rendimentos vão
decrescer.

Combinação dos fatores produtivos no longo prazo

Numa perspetiva de longo prazo, temos de recorrer aos custos de produção, que compor­
tam os custos fixos e os custos variáveis. Os custos fixos são independentes das quantidades
produzidas (rendas, por exemplo) e os custos variáveis variam em função das quantidades
produzidas (custos das maténas-pnmas, por exemplo).

Para aumentar a produção ter-se-á de aumentar as quantidades dos fatores produtivos, o que
originara um aumento dos custos de produção. No entanto, será possível aumentar a produção
com um aumento menos proporcional dos custos. Este facto deve-se à diminuição dos custos
fixos, que vão «tendendo para zero» à medida que a produção aumenta e aos abatimentos e
descontos obtidos nas compras em grandes quantidades de fatores produtivos, etc.

Verifica-se assim que. quando a produção aumenta até um certo limite, os custos médios
por unidade produzida vão diminuindo. Há economias de escala que ofiginam rendimentos
crescentes à escala. É. assim, vantajoso para o empresário produzir grandes quantidades.

Naturalmente, a partir de uma certa quantidade produzida, vão verificar-se deseconomlas de


escala, dada a menor eficiência originada pela grande dimensão das empresas (dificuldades
na organização da produção, na gestão, etc.).

Observe-se o exemplo do quadro 3. onde a combinação ótima dos fatores produtivos corres­
ponde à produção de 30 unidades, porque representa o menor custo por unidade produzida
(CTM). Aumentando a quantidade produzida para 35, o custo por unidade produzida também
aumenta, havendo deseconomlas de escala.

Quadro 3 - Combinação ótima de fatores produtivos

55
ESQUEMA-SÍNTESE

População residente

Produção de bens População ativa População Inativa


e serviços

• População estudantil.
• Trabalhadores
Trabalho- • População doméstica
• Desempregados
• População reformada

Fatores produtivos

Técnico Financeiro

Circulante Próprio Alheio

Máxima racionalidade,
Combinação ótima
eficiência e bem-estar

J. 1
Curto Longo
prazo prazo


A quantidade a produzir corresponde ao mínimo custo unitário
médio - dimensão ótima, em que se obtêm economias de escala
(e a partir da qual haverá deseconomias de escala)

A combinação ótima dos fatores produtivos corresponde à máxima


produtividade marginal (a partir da qual haverá rendimentos
decrescentes porque um dos fatores produtivos é fixo)

56
TEMA 3 A produção cie bens e de serviços

SÍNTESE

✓ As necessidades sâo satisfeitas com bens. Estes podem ser livres e económicos; de consu­
mo e de produção; materiais e imateriais (serviços), duradouros e não duradouros; sucedâ­
neos (substitutos) e complementares.

✓ Produção é o ato económico de produzir bens e serviços. A produção resulta da combina­


ção dos fatores produtivos, trabalho e capital. Os fatores produtivos podem combinar-se de
formas diferentes, consoante a tecnologia utilizada.

✓ Todos os bens são agrupados em setores de atividade (prtmárlo. secundário e terciário).


A medida que um país se desenvolve, o setor terciário vai-se tornando dominante.

✓ A população residente de um país pode ser ativa (empregados e desempregados) e inativa


(estudantes, reformados, inválidos e donas de casa).

✓ A taxa de atividade de um país representa a percentagem da população ativa relativamente


ao total da população do país. Podem, também, calcular-se taxas de atividade por género.

✓ A taxa de desemprego de um país representa a percentagem de desempregados no total


da população ativa. Podem calcular-se taxas de desemprego por género, que correspon­
dem à percentagem dos indivíduos de determinado género (masculino, feminino) no total
desses indivíduos (masculino, feminino).

✓ Há diversas formas de desemprego: tecnológico, repetitivo e de longa duração. Para com­


bater o desemprego, a formação ao longo da vida ativa é indispensável.

✓ Para produzir um mesmo bem. utllizam-se os fatores trabalho e capital em proporções


variadas, de acordo com a tecnologia utilizada. A curva de possibilidades de um bem re­
presenta todas as combinações possíveis dos fatores trabalho e capital para a produção
daquele bem. Nessa curva, um dos pontos representa a combinação ótima dos fatores
produtivos desse bem (em que se alcança o valor mais alto da produtividade marginal).

✓ A produtividade representa a quantldade/valor de produção de um bem que se obtém com


o emprego de certa quantldade/valor de trabalho ou de capital. Pode determinar-se a pro­
dutividade média geral, a produtividade do trabalho e a produtividade do capital.

✓ A combinação ótima dos fatores produtivos é influenciada pela variável tempo. No curtíssimo
prazo, não é possível alterar a produtividade; no curto prazo é mais fácil alterar o fator tra­
balho; no longo prazo, podem alterar-se os fatores trabalho e capital.

✓ A combinação ótima dos fatores produtivos é dada pelo valor mais alto da produtividade
marginal, que significa o aumento da produção quando se aumenta uma unidade do fator
produtivo variável.

✓ A dimensão ótima de uma unidade produtiva é aquela em que se atingem os menores


custos por unidade produzida, em resultado do aumento das quantidades produzidas (eco­
nomias de escala).

57
Avaliação

GRUPO I

As questões abaixo são de escolha múltipla. Selecione a opção correta em cada uma.

1. A silvicultura e a pecuária sâo ramos da atividade económica que

(A) se registam no setor I. (C) se registam no setor III.


(B) se registam no setor II. (D) se registam no setor I e II. respetivamente.

2. Sabendo que a população residente de um país é de 20 milhões de habitantes e que a


sua população ativa é de 11 milhões, entáo. a taxa de atividade desse país é de

(A) 5.5%. (C) 55%.

(B) 0.5%. (D) 50%.

3. A produtividade marginal do trabalho é crescente quando

(A) se emprega mais um trabalhador que ongina um aumento da produção.

(B) se emprega mais um trabalhador e a produção diminui.


(C) a produção adicional do último trabalhador for nula.

(D) a produção decresce com o último trabalhador empregado.

4. Observe a seguinte função relativa à produção de 250 unidades do bem X.

A análise do gráfico permite concluir que

(A) é possível produzir 250 unidades do bem X com 1 unidade de capital e 7 trabalhadores.

(B) é possível produzir 250 unidades do bem X com 1 unidade de capital e 6 trabalhadores.

(C) é possível produzir a quantidade C com os mesmos fatores produtivos.

(D) a produção em A é maior do que em B.

58
TEMA 3 A produção de bens e de serviços

5. A produtividade relaciona

(A) o consumo de capital fixo com o número de trabalhadores.


(B) o investimento com o consumo de capital fixo.

(C) a produção com a população.

(D) a produção com os fatores produtivos utilizados para a obter.

6. Selecione a afirmação verdadeira.

(A) O advogado presta um serviço aos seus clientes.

(B) O equipamento médico constitui um serviço prestado pelos hospitais.

(C) Os concertos são bens.

(D) A atividade dos bancos e seguradoras é um bem.

7. O azeite e o óleo são bens sucedâneos. Esta afirmação é

(A) verdadeira, porque são dois bens de preço semelhante.

(B) falsa, porque o azeite tem uma qualidade superior ao óleo.

(C) verdadeira, porque se podem substituir entre sl.

(D) falsa, porque nunca se pode substituir um pelo outro.

8. Considere os valores relativos à população do país A

Quadro 1

Anot+1 |
Ano t

População total (em milhares) 10 10 000

Taxa de desemprego (em %) 10 4.5

Taxa de atividade (em %) 10 51.0

A partir dos valores fornecidos pode-se afirmar que. no país A.

(A) no ano t. o número de ativos foi de 5100.0 milhares de pessoas.

(B) no ano t +1. o número de desempregados foi de 229 500 milhares de pessoas.

(C) no ano t. o número de desempregados foi de 5100 milhares de pessoas.

(D) no ano t +1. o número de desempregados foi de 1425 milhares de pessoas.

59
Avaliação

GRUPO II

1. Apresente uma noção de bem.

2. Relacione bem com necessidades.

3. Estabeleça a correspondência correta entre os elementos das duas colunas.

a) Saúde 1. Bens complementares


b) Produção 2. Bens de produção
c) Lâmpada e candeeeiro 3. Bens não duradouros
d) Vestuário 4. Bens imateriais
e) Sabão e sabonete 5. Bens substituíveis
f) Bens alimentares 6. Bens de consumo

Questão resoMda

4. O sr. Rodrigues é sócio e trabalhador de uma alfaiataria. Tem um automóvel pró­


prio e uma carrinha que utiliza como meio de distribuição dos fatos confeciona­
dos que já vendeu. Classifique os bens destacados quanto à sua função.

G Automóvel próprio = bem de consumo; carrinha = bem de produção; fatos confeciona­


dos = bens de consumo.

6. Um computador e uma impressora são bens complementares. Explique porquê.

7. Classifique as seguintes afirmações como verdadeiras ou falsas.

a) Entre o açúcar e o café que a Elvira toma a seguir ao almoço existe complementarida­
de vertical.

b) Entre o óleo e o motor da máquina da oficina do João existe complementaridade


horizontal.
c) Entre a impressora e o PC que o Filipe utiliza na empresa existe complementaridade
vertical.

60
TEMA 3 A produção de bens e de serviços

8. Preste atenção à seguinte função de produção relativa ao bem X.

8.1 Apresente uma noção de processo produtivo.

8.2 Qual é o significado da curva representada?

9. Identifique o setor de atividade económica em que se integra cada uma das seguintes
atividades:

Pesca; Educação; Saúde; Construção; Produção e distribuição de gás, água e eletrici­


dade; Indústrias extrativas; Cerâmica; Comércio; Turismo; Lazer.

10.0 país X apresentou, em 2019, os seguintes valores, relativos a produção de bicicletas:

Número de horas de trabalho 50 000

Produto realizado 450 000 €

10.1 Calcule o valor da produtividade do trabalho no país X. Apresente a fórmula de cál­


culo.

103 Interprete o valor obtido.

103 Indique dois fatores que contnbuam para a melhoria da produtividade do trabalho.

11. Considere a seguinte situação.

Para a produção de sumos e compotas, trabalham na fábnca Doces da Quinta dez ope-
rános, um nutricionista e um gestor. A fábrica utiliza frutas, açúcar, água, bolões e fras­
cos. possui cinco máquinas adequadas ao tipo de produção e dois computadores, e tem
um camião e um automóvel para o seu serviço.

11.1 Identifique e classifique os fatores produtivos referidos no texto.

11.2 Selecione um bem duradouro e um bem não duradouro referidos no texto.

113 Qual é o setor de atividade em que se integra a fábrica Doces da Quinta?

61
Avaliação

GRUPO III

1. Observe a seguinte informação relativa a três países.

Gráfico 3

País A País B Pais C

Setor I

1.1 Classifique os três países quanto ao seu nível de desenvolvimento económico.

1.2 Apresente dois exemplos de atividades económicas que integrada em cada um dos
setores indicados nos gráficos, de acordo com a tipologia de Colin Clark.

2. O país B apresenta os seguintes valores:

• População residente: 20 milhões


• População ativa: 12 milhões
• Taxa de desemprego: 5%
• Produto: 700 milhões de unidades monetárias (u.m.)

2.1 Calcule:
a) a taxa de atividade;
b) a população inativa;
c) o número de desempregados;
d) a produtividade por empregado.
2.2 Interprete o valor da taxa de desemprego.

3. Distinga desemprego tecnológico de desemprego repetitivo.

O desemprego tecnológico resulta da introdução de tecnologias que substituem o tra­


balhador ou do facto de o trabalhador não conseguir acompanhar as novas tecnologias
por falta de formação. O desemprego repetitivo é resultante da incapacidade do traba­
lhador em adaptar-se a vários postos de trabalho ou de acompanhar as novas tecnolo­
gias adotadas nas empresas.

62
TEMA 3 A produção de bens e de serviços

4. Relacione o desemprego tecnológico com a formação ao longo da vida.

5. Observe o quadro seguinte.

Quadro 3

11 50

3 máquinas
Ferramentas diversas

15 100

5.1 Complete o quadro.

5.2 Indique a combinação ótima dos fatores produtivos.

5.3 Justifique a resposta à questão anterior.


5.4 Explique a evolução da produtividade marginal.

6. A dimensão de uma empresa pode condicionar os seus custos de produção. O quadro


seguinte representa essa situação.

Quadro 4

Custos unitários 1
CUSTOS TOCOS custos vanavets Custos totais
(«un-» 1
M-> (iun.) (u_m.)

6.1 Complete o quadro.

6.2 Com base nos valores do quadro, explique a lei das economias de escala.

6.3 A partir de que quantidade deve o empresário produzir, sabendo que o preço do
bem no mercado é 18 u.m.?
6.4 Qual é a quantidade que a empresa deverá produzir para obter o máximo lucro?

63
TEMA 4
Preços e mercados
4.1 Noção e exemplos de mercados
4.2 O mecanismo de mercado
4.3 Estrutura dos mercados
TEMA* Preçosemercados

4.1 Noção e exemplos de mercados


A ideia de mercado remonta há vários milénios e ainda hoje é utilizada para indicar o «lugar»
onde determinados bens sào transacionados, isto é. comprados e vendidos.

Produtor

Oferta
4-

T
Procura
|
Consumidor

Todavia, com o desenvolvimento dos transportes e das tecnologias da comunicação, o mer­


cado deixou de ser «o lugar» para ser toda a situação onde se confrontam as intenções de
produção dos produtores - a «oferta» de um bem - e as solicitações de consumo dos consu­
midores - a «procura» de um bem. Daqui resulta o «preço de mercado» para aquele bem. isto
é. o preço para o qual toda a produção será vendida e toda a procura será satisfeita.

Existem diversos tipos de mercados como, por exemplo, o mercado de câmbios, o mercado
de valores mobiliários, o mercado automóvel, o mercado de trabalho e o mercado dos cereais.

MERCADO DE TRABALHO
Procuram Oferecem
emprego emprego
Famílias Empresas
Oferecem Procuram
trabalho (Saiano) trabalho

MERCADO AUTOMÓVEL

Procuram Oferecem
Famílias Empresas
automóvel automóvel
4.2 O mecanismo de mercado

A procura e a lei da procura


A procura deflne-se como a relação entre 3 quantidade de bens e serviços que os consu­
midores estão dispostos a comprar e os diferentes preços. Descreve o comportamento dos
consumidores, estabelecendo a relação existente entre os preços dos bens e serviços e as
quantidades que os consumidores desejam comprar, no mercado, para aqueles preços.

Procura Individual - Corresponde à quantidade de um bem que cada pessoa deseja


consumir para certo preço.
Procura agregada - Representa o somatório de todas as procuras individuais para esse
nível de preço.

A relação entre os preços e as quantidades que


os consumidores estão dispostos a consumir
concretiza a denominada lei da procura. Esta lei
afirma que a quantidade procurada de um bem
vana na razão inversa do respetivo preço; isto é.
quanto maior for o preço de um bem ou serviço,
menor será a intenção de o consumir.

Esta relação pode representar-se graficamente


através da curva da procura

A procura de um bem ou serviço depende, por­


tanto, dos preços.

Todavia, outros fatores, para além dos preços,


determinam a procura, odglnando deslocamen­
tos da curva da procura para a direita ou para a
esquerda.

Estes fatores são:


• o rendimento disponível dos consumidores;
• o acesso ao crédito;
• a informação sobre o mercado;
• os gostos ou preferências dos consumidores;
• os preços dos bens complementares ou dos
bens substitutos;
• as expetativas dos consumidores;
• a publicidade e marketing'.
• a quantidade de população.

Quando os preços vanam, mantendo-se os outros fatores constantes, verificam-se desloca­


mentos ao longo da curva da procura; quando vana algum dos outros fatores, mantendo-se
tudo o resto constante, veriflcam-se deslocamentos da curva da procura.

66
TEMA* Preçosemercados

Mantendo-se tudo o resto constante:


• os deslocamentos ao longo da mesma curva da procura resultam de variações dos preços:
• os deslocamentos para outras curvas da procura resultam da variação de outras variáveis.

Vejamos estes dois exemplos:

O preço sobe de Pt para P2; a quantidade di­


minuirá de Q, para Q2 (variação ao longo da
mesma curva).

As disponibilidades monetárias do consumi­


dor aumentaram. Veriflca-se o deslocamento
para uma nova curva da procura, mais à direi­
ta, o que significa que. ao mesmo preço (PJ.
o comprador pretende comprar mais (de Q,
passa para Q?).

Quadro 1 - Fatores que influenciam a procura

Deslocamento ao longo da Deslocamento ao longo da


Preço dos bens
curva, para cima curva, para baixo

Rendimento disponível dos Deslocamento para uma nova Deslocamento para uma nova
consumidores curva ã direita curva ã esquerda

Deslocamento para uma nova Deslocamento para uma nova


Acesso ao crédito
curva á direita curva ã esquerda

Deslocamento para uma nova Deslocamento para uma nova


População
curva 3 direita curva à esquerda

Deslocamento para uma nova Deslocamento para uma nova


Gostos dos consumidores
curva ã direita curva à esquerda

Deslocamento para uma nova Deslocamento para uma nova


Preço dos bens substitutos
curva à direita curva ã esquerda

Preço dos bens Deslocamento para uma nova Deslocamento para uma nova
complementares curva à esquerda curva ã direita

Deslocamento para uma nova Deslocamento para uma nova


Markeüng/Publicidade
curva à direita curva ã esquerda

67
A oferta e a lei da oferta
A oferta define-se como a relação entre a quantidade de bens e serviços que os produtores
estão dispostos a vender no mercado para cada preço. Descreve o comportamento dos pro­
dutores. estabelecendo a relação entre os preços dos bens e serviços, e as quantidades que
os produtores desejam colocar no mercado para aqueles preços.

A soma de todas as quantidades oferecidas pelos produtores individuais de um certo bem. a


um determinado preço, constitui a oferta agregada

Oferta Individual - Corresponde à quantidade de um bem que cada produtor está dis­
posto a oferecer a um determinado preço.

Oferta agregada - Representa o comportamento global, no mercado, dos produtores


de determinado bem. tendo em conta a quantidade e o custo dos fatores produtivos, os
recursos e a tecnologia disponíveis.

A relação entre a quantidade total oferecida de um bem e o respetivo preço revela a lei da
oferta, que afirma que a quantidade oferecida de um bem vana na razão direta do respetivo
preço. Quer isto dizer que a oferta de um bem no mercado será, em princípio, tanto maior
quanto mais elevado for o respetivo preço.

Esta relação pode representar-se graficamente


através da curva da oferta.

Tal como se verifica com a procura, para além


do preço, existem outros fatores condicionan­
tes da oferta, nomeadamente:
• a alteração do custo dos fatores produtivos
como, por exemplo, as alterações dos preços
das matérias-primas e variações salariais;
• as alterações tecnológicas;
• a sazonalidade;
• as condições climáticas;
• as expetativas dos produtores;
O - dlmtnul\Ão da procura
• os preços dos outros bens. O”- aumento da procura

Também à semelhança do que acontece com a curva da procura, quando há variações dos
preços, mantendo-se os outros fatores constantes, veriflcam-se deslocamentos ao longo da
curva da oferta; Já quando varia algum dos outros fatores, mantendo-se o resto constante,
verificam-se deslocamentos da curva da oferta.

68
TEMA* Preçosemercados

Mantendo-se tudo o resto constante:


• os deslocamentos ao longo da mesma curva da oferta resultam de variações dos preços;
• os deslocamentos para outras curvas da oferta resultam da variação de outras variáveis

Vejamos os dois exemplos seguintes:

O preço sobe de P, para P2; a quantidade au­


mentará de Q, para Q2 (variação ao longo da
mesma curva).

A quantidade produzida diminuiu. Verifica-


-se, em consequência, o deslocamento para
uma nova curva da oferta, mais a esquerda, o
que significa que. ao mesmo preço (Pi). o pro­
dutor oferece menos (de Q2 passa para QJ

Quadro 2 - Fatores que influenciam a oferta

Deslocamento ao longo da Deslocamento ao longo da


Preço dos bens
curva, para cima curva, para baixo

Alterações dos custos das Deslocamento para uma nova Deslocamento para uma nova
matérias-primas curva 3 esquerda curva 3 direita

Deslocamento para uma nova Deslocamento para uma nova


Alterações salariais
curva a esquerda curva à direita

Deslocamento para uma nova Deslocamento para uma nova


Inovações tecnológicas
curva 3 direita curva 3 esquerda

Sazonalidade (alteração da Deslocamento para uma nova Deslocamento para uma nova
produção) curva 3 direita curva 3 esquerda

Boas condições climáticas Deslocamento para uma nova Deslocamento para uma nova
para os bens agrícolas curva 3 direita curva ã esquerda

Deslocamento para uma nova


Expetativas dos produtores/
curva 3 esquerda (reservando Deslocamento para uma nova
vendedores sobre a evolução
a produção para quando o curva 3 direita
do preço
preço subir)

69
O mecanismo de mercado
A análise do comportamento simultâneo dos dois conjuntos de agentes económicos - con­
sumidores e produtores - permite compreender a forma como no mercado se compatibiliza a
vontade dos compradores e as aspirações dos produtores, e enunciar a lei da oferta e a lei da
procura

De facto, sempre que se verifique uma mudança na oferta dos bens, a procura adaptar-se-á a
essa nova oferta, com efeitos no preço dos bens. Inversamente, as vanações na procura dos
bens conduzirão a um novo comportamento por parte da oferta, com efeitos no nível de preços.

Assim, o mecanismo de mercado compatibiliza a oferta de um bem com a respetiva procura,


através do nível de preços desse bem.

Mecanismo de mercado - Compatibiliza a oferta agregada de um bem com a respetiva


procura agregada através do nível de preços desse bem.

É através do mecanismo de mercado que se obtém o equilíbrio no mercado, que corresponde


à compatibilidade das vontades expressas pelos consumidores (procura) e pelos produtores
(oferta). Ou seja, consumidores e produtores estão dispostos a comprar e a vender ao mesmo
preço (preço de equilíbrio) as mesmas quantidades (quantidades de equilíbrio) de um bem -
gráfico 9.

Determinação do preço e quantidade de equilíbrio

Já determinámos o preço de equilíbrio no mercado, a partir da representação gráfica da fun­


ção oferta e da função procura.

Todavia, é possível determinar aquele preço a partir da formulação algébnca de cada uma
das funções. Observe-se o exemplo:
• dada a função procura: Q,, = 600 - 20 P
• dada a função oferta: Qo = 300 130 P

Pode determinar-se o preço e a quantidade de equilíbrio, igualando as duas funções.

Assim: 600 - 20 P = 300 + 30 P « Po = 6 =» Qp, = Qo = 480

Ao preço de 6€ (preço de equilíbno) corresponde a quantidade 480 (quantidade de equilíbrio).

70
TEMA* Preçosemercados

O equilíbrio do mercado
A formação do preço de equilíbrio de um bem no mercado não significa que esse preço per­
maneça inalterável no tempo. Porém, quaisquer que sejam os fatores que influenciam num
dado momento a procura e a oferta de um bem. pondo em causa o seu preço de equilíbno,
o mecanismo de mercado assegura, por sucessivas correções, aquele equilíbrio.

Todavia, este esquema de funcionamento do mecanismo de mercado só funciona de forma


automática, imediata e corretora nas condições de um mercado de concorrência perfeita ou
bilateral, que desenvolveremos mais à frente.

O equilíbrio que ocorre no mercado de um dado bem pode alterar-se. em resultado de vários
fatores, como a moda, por exemplo, originando um desequilíbrio no mercado. Assim:
• quando o preço é inferior ao preço de equilíbrio, há excesso de procura (gráfico 10). por­
que os consumidores desejam mais quantidades (dispõem de mais rendimento porque os
preços são mais baixos);
• a curto prazo, os produtores não conseguem satisfazer esse excesso de procura e. por
isso, os preços aumentam;
• como os preços sobem, outros produtores vão ser atraídos pela produção do bem que está
a proporcionar lucros anormais (devido à transparência do mercado e ao facto de haver
mobilidade dos fatores produtivos), aumentando, assim, as quantidades oferecidas;
• não havendo controlo sobre a quantidade de equilíbrio, a oferta será excessiva (gráfico 10).
o que vai obrigar os produtores a descer os preços para escoar esse excesso de produção;
• o processo atrás descrito repetir-se-á até se chegar ao ponto de equilíbrio - ponto em que
o preço e a quantidade representam uma situação de Interesse comum para produtores e
consumidores.

Vejamos o seguinte exemplo.

Vamos supor que se verificou uma alteração dos gostos dos consumidores, que mostraram maior
preferência por vestuáno acrílico, em detnmento do vestuáno de algodão (quadro 3). O desequi­
líbrio resultante de uma alteração dos gostos dos consumidores vai traduzlr-se no aumento da
procura de vestuáno acrílico para cada nível de preços (a curva da procura Irá deslocar-se para a
direita, de P, para P2 - gráfico 11).

Vejamos este comportamento dos consumidores no quadro 3. na página seguinte.

71
Quadro 3 - Comportamento dos consumidores

Quantídad
Quantidade oferecida
Preço («Tunidades)
(OJ (unidades)
Situação Iniciai (PI) Nova sttuaçâo (P2)

Representando num gráfico cartesiano a primeira situação (P,) e a nova situação (P2). relativas
à procura, teremos:

Podemos verificar então que. numa primeira fase, surge um excesso de procura de bens acríli­
cos relativamente à respetiva oferta (Q - OEJ. pois os produtores não podem aumentar o volu­
me da sua produção de um momento para o outro.

Face a este desajustamento, os produtores irão esgotar rapidamente os seus stocks e. simul­
taneamente. elevar os preços dos seus produtos. O aumento do preço deverá contribuir para
refrear a procura e. assim, encontrar-se um novo preço de equilíbrio no mercado, (PE2). que
adequa a oferta às condições da procura. Da interseção da curva da oferta com a curva que
representa a nova situação da procura, resulta um novo ponto de equilíbrio no mercado. (OE2.
PE2): isto é. a situação para a qual toda a procura é satisfeita e toda a oferta é consumida

Entretanto, a subida verificada no preço dos bens acrílicos proporcionará a realização de lucros
anormais por parte dos produtores, tomando esta atividade multo atrativa.

Assim, na perspetiva de verem aumentados os seus lucros, e natural que os produtores de


acrílicos aumentem a sua produção. Ao mesmo tempo, outros investimentos serão efetuados
neste ramo de atividade, na mira de conseguir aqueles lucros.

Assistir-se-á. a médio prazo, ao aumento da produção de vestuário acrílico e. portanto, ao au­


mento da sua oferta no mercado, a fim de satisfazer as novas solicitações dos consumidores.
Este reforço da oferta irá contrariar a tendência para a subida do preço antes sentida. O novo
preço de equilíbrio (PE2) era provisório, pois não tinha em conta o futuro aumento de produção.

Observemos, então, como se estabelece o novo preço de equilíbrio no mercado de vestuáno


acrílico. Para tal. aceitemos que as novas condições de oferta e de procura são as Inscritas no
quadro 4. e representemo-las. outra vez. num gráfico cartesiano.

72
TEMA* Preçosemercados

Quadro 4 - Comportamento dos consumidores

OuanUd ade procurada


Preço
(€/unidades)
Srtuaçto Iniciai (PJ Nova sttuaçto (PJ Sttuaçto inicial fOJ Nova sttuaçto (OJ

A análise do gráfico mostra como o mecanismo de mercado conduziu a uma nova situação
de equilíbrio no mercado de vestuário acrílico (QE3. PE3). resultante da adequação das novas
condições da oferta às novas condições da procura

A longo prazo, a baixa do preço do vestuário acrílico, em virtude do aumento da oferta, con­
duzirá a uma diminuição da produção deste bem e à transferência de capitais para outros
ramos de atividade que. entretanto, se afigurem mais rentáveis. No final, deparar-nos-emos
com uma nova situação de equilíbrio correspondente a um novo volume de produção e de
consumo e a um novo preço, todos eles a níveis mais elevados que os da situação inicial.

4.3 Estrutura dos mercados


O mecanismo de mercado que analisámos só funciona plenamente numa situação de concor­
rência perfeita, cujas características são:
• a liberdade de entrada no mercado, o que significa que não existem quaisquer condicio­
namentos á entrada de novos consumidores e de novos produtores no mercado;
• o atomlsmo. isto é. todos os consumidores e todos os produtores são pequenas unidades
que não detêm qualquer poder de influenciar o funcionamento do mercado;
• a transparência do mercado, ou seja, todos os consumidores e produtores conhecem as
condições que caracterizam os seus concorrentes;
• a mobilidade dos fatores produtivos (trabalho e capital), isto é. não existem quaisquer
fatores impeditivos do deslocamento geográfico de nenhum dos fatores produtivos:
• a homogeneidade, ou seja, os produtos transacionados no mercado têm os mesmos fins e
características.

73
O mercado de concorrência perfeita apenas terá funcionado durante algum tempo no inicio
do capitalismo industrial (finais do século XVIII e princípios do século XIX). sendo hoje uma
situação ideal relativamente às economias reais, que funcionam em concorrência Imperfeita.

Concorrência perfeita Concorrência imperfeita

• Concorrência monopolística
• Monopólio
• Oligopólio

I I
Concorrência perfeita Concorrência Imperfeita

Os preços resultam da Os preços dependem do


interação entre a oferta e a poder que a empresa tiver no
procura (a empresa não tem mercado:
poder para fixar os preços). • Concorrência monopolística
- algum poder
• Monopólio - total poder
• Oligopólio - bastante poder

As formas ou estruturas de mercado que caracterizam as economias reais distinguem-se. fun­


damentalmente. em função do número de unidades que oferecem o bem. do grau de Influên­
cia que os produtores têm sobre o respetivo preço e do tipo de bens produzidos (homogé­
neos ou diferenciados).

As formas mais comuns de mercado nas economias atuais estão representadas no quadro 5.

Quadro 5 - Os mercados e as suas características

[ Formas de
Concorrência
Oligopólio
perfeita monopolista
Critérios

Número de produtores Inúmeros Um Alguns Muitos

Controlo sobre o preço Nulo Total Bastante Algum

Bens produzidos Homogéneos Único Pouco diferenciados Diferenciados

Concorrência Muita Nenhuma Pouca Bastante

74
TEMA* Preçosemercados

Concentração de empresas
No sentido de alargarem os seus mercados, aumentarem a sua dimensão, alcançarem maior
capacidade de intervenção no mercado e nos preços e, de se defenderem da concorrência,
as empresas têm vindo a «Juntar-se», onginando fenómenos de concentração. Esta concen­
tração de empresas pode fazer-se através de fusões e/ou aquisições

Quadro 6 - Fusões e aquisições

Fusôo. Aquisições

Duas ou mais empresas associam-se ou Aquisição por parte de uma empresa do capital de
uma empresa mais forte incorpora outras. outra empresa, total ou parclalmente. em Bolsa.
A nova empresa resultante da fusão através de uma oferta pública de aquisição (OPA).
adquire maior dimensão (mais capital, mais Possibilita a entrada em novos mercados, a
trabalhadores, maior volume de negócios) diversificação de interesses ou o aumento da
e mais poder sobre o mercado. dimensão e maior poder sobre o mercado.

Quando se fala de concentração de empresas, é usual destacar-se:


• a concentração horizontal. Isto é. quando se Juntam empresas de um mesmo ramo de
atividade (Fábrica de confeções A + Fábrica de confeções B = Fábnca de confeções C);;
• a concentração vertical, que se designa também por integração, consistindo em reunir vá­
rias empresas de ramos diferentes, mas complementares, sob uma única direção, de forma
que o bem produzido por uma das empresas constitua maténa-pnma para outra (Empresa
de motores + Empresa de peças + Empresa de pneus + Indústria de automóveis);
• a concentração diagonal, que ocorre quando a empresa «mãe» incorpora outras que ser­
vem de suporte à sua atividade principal (Empresa de telecomunicações + Cadeia de tele­
visão + Rádio + Jornal).

MARS

Nêstle
’»*,i»**
*/

75
ESQUEMA-SÍNTESE

( 1
PROCURA OFERTA

“1 r"
deslocamentos
,Pre<;0 - ao longo da curva ’ ’ PrGÇO

• Rendimento disponível • Custos de produção


dos consumidores (preço das matérias-primas,
• Acesso ao crédito custos salariais e outros custos
deslocamentos dG P^ução)
• Informação
para outras curvas * Alterações tecnológicas
• População
• Sazonalidade
• Gostos/preferências
dos consumidores • Condições climáticas

• Preços do bens substitutos • Expetativas dos produtores


e complementares
• Marketing
• Expetativas dos consumidores

MERCADO

Formas (estruturas) de mercado

í
Concorrência Concorrência
r perfeita Imperfeita “1
!
Condições: • Concorrência
• Liberdade monopolística
Algum, bastante
Mecanismo • Oligopólio
• Atomismo ou total poder
de mercado
• Homogeneidade sobre os preços • Monopólio

• Mobilidade
• Transparência
• Equilíbrio • Concentração
• Desequilíbrio vertical,
horizontal
• Nova situação
ou diagonal:
de equilíbrio
fusões.
aquisições...

76
TEMA 4 Preços e mercados

SÍNTESE

✓ Mercado é um conceito económico que designa o confronto entre a oferta e a procura de


bens, do qual resulta uma situação de equilíbrio. Existem diversos tipos de mercados como,
por exemplo, o mercado de câmbios, o mercado de valores mobiliártos. o mercado automó­
vel, o mercado de trabalho ou o mercado dos cereais.

✓ A curva da procura exprime o comportamento dos consumidores face às vanações do pre­


ço de um determinado bem.

✓ A lei da procura afirma que as quantidades procuradas de um bem variam na razão inversa
do preço desse bem.

✓ A curva da oferta expressa o comportamento dos produtores face ás variações do preço


do bem produzido.

✓ A lei da oferta afirma que as quantidades oferecidas de um bem variam na razão direta do
preço desse bem.

✓ No mercado adequam-se a oferta e a procura de um bem. O preço de equilíbno resulta da


compatibilidade entre a procura e a oferta.

✓ São vários os fatores que influenciam a procura de um bem. como o preço, o rendimento,
a preferência dos consumidores e o preço de outros bens.

✓ Quando os preços vanam. verlflcam-se deslocamentos ao longo da curva da procura; quan­


do variam outros fatores verlflcam-se deslocamentos da curva da procura.

✓ São vânos os fatores que influenciam a oferta de um bem. como o preço, o custo dos fato­
res produtivos e a tecnologia, por exemplo.

✓ Quando há variações dos preços vertficam-se deslocamentos ao longo da curva da oferta;


já quando variam outros fatores, verlflcam-se deslocamentos da curva da oferta.

✓ O mecanismo de mercado conduz ao equilíbrio entre a oferta e a procura através da flutua­


ção dos preços.

✓ O mecanismo de mercado só funciona plenamente numa situação de concorrência perfeita.

✓ Atualmente, as economias reais funcionam em concorrência imperfeita, onde se incluem os


monopólios, os oligopólios e os mercados de concorrência monopolística.

✓ Existem, assim, várias formas de mercado consoante o número de unidades que oferecem
o bem. o seu grau de influência sobre o preço e o tipo de bens transacionados.

✓ A concentração das empresas pode fazer-se através de acordos, fusões e/ou aquisições.

77
Avaliação

GRUPO I

As questões abaixo são de escolha múltipla. Selecione a opção correta em cada uma.

1. Observe o gráfico 1. relativo às curvas da procura e da oferta do bem X. No eixo das ab-
cissas estão representadas as quantidades em unidades e no eixo das ordenadas estão
representados os preços em euros.

O deslocamento de P para P’. mantendo-se


tudo o resto constante, deveu-se a
Gráfico 1 - Curvas da procura
e da oferta do bem X
(A) um maior acesso ao crédito para os
consumidores.

(B) uma redução do rendimento dos con­


sumidores.
(C) uma alteração dos preços das maté­
rias-primas.

(D) um aumento do preço do bem X.

2. Observe o gráfico 2. que diz respeito à curva da oferta do bem Y num mercado de
concorrência perfeita.

Com base na situação descrita, man­


tendo-se tudo o resto contante. pode­
mos afirmar que se verificou

(A) um crescimento da quantidade ofe­


recida.

(B) uma redução do preço do bem Y.

(C) um aumento dos custos de produção.


(D) uma diminuição das quantidades
procuradas.

G Aquantidades
afirmação A é falsa, porque ao mesmo preço (P,). os produtores oferecem menores
(de Q2 passa-se para QJ.

A afirmação B e falsa, porque o deslocamento da curva da oferta para outra curva não
resulta de variações do preço do bem mas de outros fatores.

A afirmação C está correta, porque ao verificar-se um aumento dos custos de produção,


ao mesmo preço, os produtores oferecem menores quantidades. A afirmação D e falsa,
porque não existem informações sobre a procura, pois as curvas são relativas ã oferta
do bem Y.

78
TEMA 4 Preços e mercados

3. Quando o preço de um bem diminui, mantendo-se tudo o resto constante, verifica-se

(A) um deslocamento ao longo da curva da procura para cima do ponto de equilíbrio


inicial.

(B) um deslocamento ao longo da curva da oferta para baixo do ponto de equilíbrio


inicial.

(C) um deslocamento da curva da procura para mais à esquerda da curva inicial.

(D) um deslocamento da curva da oferta para mais à esquerda da curva Inicial.

4. Um mercado é considerado de concorrência perfeita se se verificarem as seguintes con­


dições:

(A) transparência, homogeneidade, atomismo. liberdade de entrada e total controle dos


preços.

(B) transparência, homogeneidade, atomismo. dificuldade de entrada e mobilidade dos


fatores produtivos.

(C) transparência, heterogeneidade, um único produtor, liberdade de entrada e mobili­


dade dos fatores produtivos.

(D) transparência, homogeneidade, atomismo. liberdade de entrada e mobilidade dos


fatores produtivos.

5. Quando do lado da procura existem numerosos agentes e do lado da oferta existem


alguns, o mercado designa-se

(A) concorrência perfeita.

(B) concorrência monopolística.

(C) monopólio.

(D) oligopólio.

6. Num mercado de concorrência perfeita, mantendo-se tudo o resto constante, um deslo­


camento da curva da procura do bem X para a direita evidencia

(A) um maior acesso ao crédito para os consumidores.

(B) uma redução do rendimento dos consumidores.

(C) uma alteração dos preços das matérias-primas.

(D) um aumento do preço do bem X.

7. Num mercado de concorrência monopolística

(A) o produto é homogéneo e os produtores nâo têm poder sobre o preço de mercado.

(B) o produto é homogéneo e os produtores têm poder sobre o preço de mercado.

(C) o produto é diferenciado e os produtores nao têm poder sobre o preço de mercado.

(D) o produto é diferenciado e os produtores têm algum poder sobre o preço de mercado.

79
Avaliação

GRUPO II

1. Observe o gráfico 3. relativo ao mercado de um bem.

1.1 Apresente uma noçao de mercado.

1.2 Identifique as curvas A e B.

1.3 Explicite o significado do ponto de equilíbno assinalado no gráfico (Pc).

2. As tabelas seguintes traduzem as vontades expressas por compradores e vendedores


do chocolate da marca X.

Tabela A Tabela B

f Preço (curos) Quantidade (tabletes) By Preço (euroa)

2.1 Classifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes relações.

(A) Tabela A -» Oferta (C) Tabela A -» Procura

(B) Tabela B -> Procura (D) Tabela B ■ Oferta

2.2 Indique dois fatores que possam influenciar a oferta do bem chocolate da marca X.

23 Explique o que podena acontecer a procura de chocolate se o rendimento dos con­


sumidores aumentasse.

2.4 Justifique a que preço deve ser transacionado o chocolate para que haja equilíbno
no mercado.

2.5 Explique o que podena suceder à procura do chocolate da marca X. se o preço do


chocolate de uma marca substituta diminuísse.

80
TEMA 4 Preços e mercados

3. A procura de um bem estabelece uma relação entre preços e quantidades.

3.1 Enuncie a lei da procura.

3.2 Indique dois fatores, para além do preço, que possam influenciar a procura de um bem.

3.3 Explique o que aconteceria à procura de um bem B, num mercado de concorrência


perfeita, se o preço de um bem complementar sofresse uma subida, mantendo-se o
resto constante.

4. Observe o gráfico 4. relativo às curvas b, e b2 do bem Y.

4.1 Enuncie a lei da oferta.

4.2 A curva b2éa que representa uma


maior quantidade oferecida do bem Y
para o mesmo nível de preços. Justifi­
que a afirmação.

4.3 Apresente dois fatores determinantes


da oferta que possam ter onginado o
deslocamento da curva b, para b2.

4.1 A quantidade oferecida de um bem varia na razão direta do respetivo preço.

43 As curvas b, e b2 representam a oferta do bem Y. A curva bj representa maior quan­


tidade oferecida do bem Y para o mesmo nível de preços. Ao mesmo preço, os
produtores estão dispostos a colocar maiores quantidades do bem Y no mercado.

43 Dois fatores determinantes da oferta podem ser. entre outros, a melhoria das tec­
nologias de produção do bem Y e a redução dos preços das matérias-primas.

5. O mercado dos perfumes poderá ser considerado um mercado de concorrência mono-


polística.

5.1 Justifique a afirmação.

5.2 Apresente dois exemplos desta forma de mercado, para além do mercado de perfu­
mes.

6. A lógica da concorrência conduz ao equilíbrio. No mercado de trabalho, a oferta de


trabalho aumentou mais do que a procura, o que. segundo o mecanismo do mercado,
conduzirá a um novo equilíbrio.

6.1 Indique os intervenientes no mercado de trabalho.

6.2 Justifique a afirmação acima transcrita.

81
TEMA 5
Moeda e inflação
5.1 A evolução da moeda - formas e funções
5.2 A moeda europeia - o euro
5.3 O preço de um bem - noção e componentes
5.4 A inflação - noção e medida
5.5 A inflação em Portugal e na União Europeia
TEMAS Moeda e inflação

5.1 A evolução da moeda - formas e funções


As trocas realizadas nas primeiras comunidades agropastoris e nas primeiras civilizações
eram diretas, isto é. eram feitas produto por produto. Trocavam-se galinhas por peixes, vacas
por trigo, etc. Mas. o aparecimento e generalização da moeda como bem intermedláno nas
trocas, durante o século VII a.C, conduziu progressivamente à troca Indireta, em que os pro­
dutos passaram a ser trocados por moedas.

O aparecimento da moeda velo, assim, pôr fim à troca direta. Sendo um bem aceite por todos
como intermediário nas trocas, a moeda também velo contribuir para o incremento da ativi­
dade comercial.

Formas de moeda
Ao longo da História, a moeda teve formas diversas.

— Moeda mercadoria

Moeda metálica Moeda representativa


Formas do moeda
Moeda-papel Moeda fiduciária

'------- Moeda escriturai Papel-moeda

• Moeda mercadoria - bens utilizados como moeda. Ex.: sal, conchas, peles, etc.;
• Moeda metálica - peças em metal (cobre, bronze, ouro, prata e as atuais ligas) cujo valor
era. inicialmente. determinado pelo seu peso, passando, depois, a ser certificado pelo pro­
cesso da cunhagem. Esta forma de moeda apresenta vantagens: durabilidade, divisibilidade
e facilidade de transporte;
• Moeda-papel - constituída por notas de banco que. em função da vinculação à moeda
metálica em ouro ou prata, foi assumindo diversas formas ao longo do tempo:
- moeda representativa - as notas podiam ser convertidas em ouro e prata, pois a quan­
tidade de notas em circulação era equivalente ao ouro e prata guardado nos bancos;
- moeda fiduciária - a quantidade de notas em circulação era supenor à quantidade de
ouro e prata existente nos bancos, baseando-se a circulação da moeda na confiança
que o público tinha nos bancos. Essa situaçao era de elevado risco para os depositantes
pois, com a possibilidade de converter as notas em ouro e prata, os bancos poderíam
não ter o metal suficiente para reembolsar todos os pedidos;
- papel-moeda - as notas deixam de ser convertíveis e os Estados impõem a sua acei­
tação (generalizada, maioritariamente, desde o século XIX). É o que se chama o curso
forçado da moeda, ou seja, as notas circulam por imposição da sua aceitação por parte
do Estado. É o que acontece nos dias de hoje.
• Moeda escriturai - forma de moeda mais recente, constituída pela circulação dos depósi­
tos e respetivos registos nas contas dos clientes. Esses registos, que eram, antigamente,
escriturados em livros de registo são. atualmente, processados eletronicamente por via
informática. Na circulação dos depósitos utilizam-se vários instrumentos: cheques, ordens
de transferência, cartões de débito e de crédito.

83
Desmaterialização da moeda
A evolução que a moeda sofreu ao longo dos tempos foi acompanhada de um processo de
desmaterialização, isto é. a moeda perdeu conteúdo material. Da moeda metálica às notas e
destas aos meros registos da circulação dos depósitos, inlcialmente manuscritos e atualmen­
te informáticos, a moeda foi deixando de ter conteúdo físico

Funções da moeda
Na troca indireta a moeda desempenha múltiplas funções:
• melo de pagamento - sendo a moeda aceite por todos como intermediána nas trocas,
qualquer divida pode ser paga através dela;
• medida de valor - a moeda expressa o valor dos bens, através dos preços;
• reserva de valor - a moeda pode ser guardada durante algum tempo de forma a ser utili­
zada mais tarde.

5.2 A moeda europeia - o euro


A criação da União Económica e Monetária (UEM) no espaço da União Europeia, em 1999. foi
acompanhada pelo aparecimento de uma nova moeda europeia - o euro que veio substi­
tuir as moedas nacionais nos países que adenram à moeda única (os países da área do euro
ou zona euro). A1 de janeiro de 2002, entraram em circulação as notas e moedas de euro.

Atualmente, a zona euro é constituída por 19 dos 28 países da União Europeia: Alemanha.
Áustria. Bélgica, Chipre. Eslováquia. Eslovénia. Espanha. Estónia. Finlândia. França. Grécia.
Irlanda. Itália. Letónia. Lituânia. Luxemburgo. Malta. Países Baixos e Portugal.

Os restantes países da UE não aderiram à moeda única por não o desejarem, como foi o
caso da Dinamarca e do Reino Unido, ou por não cumprirem os critérios de adesão, como a
Croácia.

Para poderem integrar a zona euro, os Estados-


-membros da UE têm de cumprir os chamados
«critérios de convergência». Trata-se de condições
económicas e jurídicas definidas peto tratado de
Maastricht em 1992, que também são conhecidas
por «critérios de Maastricht». O tratado não define
um calendário para a adesão à zona euro. mas dei­
xa aos Estados-membros a responsabilidade de de­
senvolverem as suas próprias estratégias para satis­
fazer as condições de adoção do euro

Adaptado de https://europa.eu (consultado em janeiro de 20191

84
TEMAS Moeda e inflação

A zona euro (2019)

O Reino Unido, em 2019. encontra-se em processo de sarda da UE.

85
5.3 O preço de um bem - noção e componentes
A troca coloca a questão de saber o valor dos bens a trocar. Como se viu anteriormente, uma
das funções da moeda é ser medida de valor. Assim, será através da moeda que se Irá expri­
mir o valor dos bens, atnbulndo-se um determinado preço a cada bem.

Preço de um bem - E o valor do bem. expresso numa unidade monetária (euros. dólares,
libras, etc.).

Fatores que intervém na formação do preço de um bem


• Mecanismo de mercado - o preço de um bem está dependente da quantidade que pro­
dutores e vendedores estão dispostos a vender (oferta) e da quantidade que os consu­
midores estão dispostos a comprar (procura). Se. por exemplo, a quantidade de petróleo
oferecida pelos vendedores for escassa face à quantidade que os consumidores estão
dispostos a comprar, o preço do petróleo subirá. Pelo contrário, se se registar uma menor
procura de petróleo por parte dos compradores relativamente à quantidade disponibiliza­
da pelos vendedores, o seu preço baixará;
• Custo de produção - a produção exige a utilização de fatores produtivos (trabalho e ca­
pital). o que representa um determinado custo de produção. A produção de sapatos, por
exemplo, envolve custos com matérias-primas, máquinas, salános. juros, etc. Cada par de
sapatos produzido tem. deste modo, um preço de custo. Como quem produz espera obter
lucro da sua atividade, o preço de venda estipulado pelo produtor terá de ser superior ao
preço de custo. O custo de produção constitui, assim, um fator que influencia o preço dos
bens: se ocorrer uma subida dos custos de produção, é provável que os preços de venda
também subam e o mesmo acontecerá no sentido inverso.

5.4 A inflação - noção e medida


Os preços dos bens, ao serem influenciados por vários fatores, sofrem variações (subida ou
descida) ao longo de um determinado período. Essas variações podem dizer respeito apenas
a alguns bens ou. pelo contrário, afetar um conjunto multo alargado de bens. Podem também
ocorrer temporanamente. numa determinada época do ano. ou ter um caráter contínuo e
duradouro.

Variações dos preços


Precisando os conceitos referidos acima:
• Variação sazonal dos preços - oscilações dos preços de alguns bens em determinadas
épocas do ano. Por exemplo, determinados produtos alimentares escasseiam em certas
épocas do ano tendo, portanto, um preço mais alto; quando, pelo contrário, estão na sua
época, há maior quantidade no mercado sendo o seu preço mais baixo;
• Inflação - situação em que se verifica uma subida dos preços de muitos bens e serviços,
como os combustíveis, a eletricidade, o gás. os transportes, as comunicações, os produtos
alimentares, etc;

86
• Deslnflaçâo - situação que traduz uma desaceleração do ritmo de crescimento dos preços;
• Deflação - caracteriza-se por uma descida do nível médio dos preços;
• Estagflaçào - fase da economia em que se verifica uma estagnação económica acompa­
nhada de inflação.

Causas da inflação
A inflação não depende de uma causa específica, mas de várias causas.

Excesso de procura

Inflação esperada

• Excesso de procura - se a quantidade procurada de um bem for superior à quantidade


oferecida desse bem. verifica-se uma subida do seu preço;
• Aumento dos custos de produção - a subida dos custos de produção (maténas-pnmas,
energia, salános. etc.) irá refletir-se no aumento dos preços de venda dos bens.

Estas duas causas da inflação estão multas vezes interligadas pois a subida dos preços, em
resultado do excesso de procura, pode originar um aumento de salános. Se este for superior
ao aumento da produtividade, irá refletir-se, por sua vez, no aumento dos custos de produção
- levando novamente à subida dos preços.

Por exemplo, quando ocorre um aumento de salários, a subida destes pode onglnar. não só
um aumento dos custos de produção, mas também um aumento da procura. O aumento dos
salános pode, assim, ser um fator que contnbui para a inflação pela via da procura e pela via
dos custos.

A expetativa de um aumento da inflação desencadeia, por parte dos agentes económicos, com­
portamentos geradores de inflação. É o que acontece quando se negoceiam aumentos salanais
mais elevados para fazer face a uma previsível subida da inflação (Inflação esperada)

Esse aumento pode, como se viu anteriormente, gerar inflação pela subida dos custos e pelo
aumento da procura. O mesmo poderá acontecer com as empresas que. prevendo uma subi
da do preço das matérias-primas, fazem repercutir de imediato essa futura subida nos preços
atuais dos bens.

Inflação - Subida generalizada e contínua dos preços dos bens e serviços.


Consequências da inflação
Duas consequências principais podem advir da inflação:
• Depreciação do valor da moeda - a subida dos preços tem como consequência a depre­
ciação do valor da moeda, ou seja, um menor poder aquisitivo da moeda. Como exemplo,
temos a seguinte situação: com 1O€. no Início do século XXI. compravam-se dois bilhetes
de cinema e um pacote de pipocas, mas. presentemente, esse valor não é suficiente para
comprar sequer os dois bilhetes de cinema;
• Deterioração do poder de compra - quando a subida de preços não é compensada pelo
aumento do rendimento, as famílias não podem comprar a mesma quantidade de bens, ve-
riflcando-se uma descida do seu nível de vida. Por exemplo: se. no país A. as remunerações
do trabalho crescerem em média 2,3% e o nível de preços aumentar 2.4%. isso significa
uma perda do poder de compra.

Medida da inflação

índice de preços

Uma vez que os preços dos bens sofrem alterações no tempo (subidas ou descidas), utíllzam-
-se os índices de preços para conhecer as vanações registadas. O índice de preços de um
bem estabelece a relação entre o preço do bem em dois momentos diferentes

Preço do bem em 2019


IP 2018 7 2019 = x100
Preço do bem em 2018

Por exemplo, a variação do preço de um bem que custava 20€ em 2018 e que passou a cus­
tar 25€ em 2019. é a seguinte:

IP 2018 7 2019 = x 100 = 125

O valor calculado permite afirmar que o bem sofreu um aumento de preço de 25%.

O índice de preços no consumidor (IPC) mede o custo de um conjunto alargado de bens


representativos do consumo das famílias (<cabaz de compras»), num determinado período de
tempo, normalmente um ano.

A variação do custo do cabaz de compras representa a variação dos preços dos bens entre
dois momentos, sendo assim possível medir a inflação.

Por exemplo, o cabaz de compras no país X custava, em 2017.1700€ e, em 2018.1800€.

Assim, o IPC de 2017 em relação a 2018 será:

88
TEMA 5 Moeda e inflação

O valor do IPC calculado significa que. em 2018. comparativamente, a 2017 os preços varia­
ram 5.8%. ou seja, em cada 100€ houve um aumento de 5.80€.

índice de preços no consumidor (IPC) - Mede a evolução temporal dos preços de um


conjunto de bens e serviços representativos da estrutura de despesa de consumo da po­
pulação residente em Portugal. É importante ter presente que o IPC não é um indicador
do nível de preços mas antes um indicador da respetiva variação.

Conhecendo o valor do IPC. é possível calcular o valor da taxa de Inflação

Taxa de Inflação

A taxa de inflação no país X. em 2018, foi de 5.8%. ou seja, o nível médio dos preços aumen­
tou 5.8% relativamente a 2017.

A taxa de inflação pode ser medida de várias formas, entre as quais se destacam a taxa de
inflação homóloga, a taxa de inflação média e a taxa de inflação mensal. Segundo o INE. estas
deflnem-se da seguinte forma:
• Taxa de Inflação homologa - A variação homóloga compara o índice do mês corrente com
o do mesmo mês do ano antehor;
• Taxa de Inflação média anual - A variação média dos últimos doze meses compara o índi­
ce médio dos últimos doze meses com o dos doze meses imediatamente anteriores;
• Taxa de Inflação mensal - A variação mensal compara índices entre dois meses consecu­
tivos. Embora permita um acompanhamento corrente do andamento dos preços, é influen­
ciada por efeitos sazonais e outros mais específicos localizados num (ou em ambos) dos
meses comparados.

Poder de compra

O poder de compra, ou seja, a quantidade de bens e serviços que se pode comprar com uma de­
terminada quantidade de moeda depende do nível geral de preços e do nível de rendimentos

índice de rendimentos * 100


Indicador do poder de compra
IPC

89
Supondo que. no país X. em 2018. o rendimento aumentou 6% (índice 106) e o valor do IPC
foi de 103, teremos:

106 * 100
Indicador do poder de compra = —^3— = 1°2.91

Assim, no país X, no ano de 2018. o acréscimo de poder de compra foi de 2.9%.

O poder de compra, também conhecido por nível de vida está, assim, associado ao poder
de compra do rendimento e depende do nível geral de preços, o chamado custo de vida.

Quando o aumento do rendimento é superior a subida do nível geral de preços verlflca-se um


aumento do nível de vida das pessoas, como ocorreu no país X. em 2018.

Inversamente, uma subida do custo de vida superior ao aumento do rendimento origina uma
diminuição do nível de vida das pessoas.

Vejamos este exemplo. No país A. em 2018. o valor do IPC foi de 110 e o índice de aumento
do rendimento foi de 105.

105 * 100 .
Indicador do poder de compra = n<j " = 95.4

No país A. em 2018, registou-se uma queda do poder de compra na ordem dos 4.6%.

5.5 A inflação em Portugal e na União Europeia


Como vimos atrás, o índice de preços no consumidor (IPC) é 0 indicador utilizado para medir
a inflação de uma economia.

Quadro 1 - índice de preços no consumidor. Portugal, maio de 2018. Em percentagem. Base 100 = 2012

Total 1.04 1.04


1. Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas 0.70 0.98
2. Bebidas alcoólicas e tabaco 2.28 2.05
3. Vestuário e calçado -3,26 -3,25
4. Habitação, água. luz. gás e outros combustíveis 2,02 1.18
5. Acessórios, equipamentos domésticos e manutenção da habitação -0.85 -0.56
6. Saúde 1.16 0.84
7. Transportes 3,80 2.30
8. Comunicações 0,44 1.72
9. Lazer, recreação e cultura -0.70 0.68
10. Educação 1.18 1.10
11. Restaurantes e hotéis 2.87 3.22
12. Bens e serviços diversos 0,25 1.02
Fume: INE. Boletim Mensal de Estatístico. mak> de 201»

90
TEMAS Moeda e inflação

A análise do quadro 1 relativo à vanaçao dos preços registada pela economia portuguesa em
maio de 2018 permite concluir que:
• a variação do nível de preços em termos homólogos e médios foi de 1,04%. ou seja, o valor
da inflaçao situou-se em 0.4%;
• as classes de despesa que mais contribuírem para a variação positiva dos preços, em
termos homólogos, foram a classe dos «Transportes» (3.80%), dos «Restaurantes e hotéis»
(2.87%) e das «Bebidas alcoólicas e tabaco» (2,28%);
• «Vestuário e calçado» foi a classe de despesa que registou uma vanaçao homóloga mais
negativa (-3.26%).

Na União Europeia e na zona euro, a Inflaçao é medida pelo índice harmonizado de preços
no consumidor (IHPC). que permite comparar os dados relativos aos vários países.

O índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC) foi desenhado para comparações


internacionais da taxa de inflação. O IHPC foi utilizado para avaliar a convergência em
relação ao critério de estabilidade dos preços do tratado de Maastricht A partir de janeiro
de 1999. o índice harmonizado é o indicador utilizado pelo BCE para medir a inflação na
área do euro.
adapudn de www.bportug.ti.pl (consultado em jinelro de 2019)

— Zona euro Portugal

Rmtc: INE. julho dc 2018

De acordo com os valores fornecidos pelo gráfico 1. a taxa de variação média do IHPC de Por­
tugal, em junho de 2018. foi 1.3%. valor inferior em 0.2 pontos percentuais (p.p.) ao registado
pela zona euro. cuja taxa de variação média foi de 1.5%.

91
ESQUEMA-SÍNTESE

Produtores

Formas de moeda

• Moeda mercadoria
• Moeda metálica
• Moeda-papel
• Moeda escriturai

Subida generalizada
dos preços

92
TEMAS Moedaeinflação

SÍNTESE

✓ A moeda foi assumindo várias formas ao longo do tempo começando pela moeda merca-
dona. passando pela moeda metálica e postenormente pela moeda-papel.

✓ A moeda-papel começou por ser moeda representativa, evoluiu para moeda fiduciária e.
durante o século XIX, passou para a forma de papel-moeda (as notas são inconvertíveis e
a sua aceitação pelo público é imposta pelo Estado).

✓ A moeda escriturai, constituída pelos registos informáticos, resultantes da circulação dos


depósitos bancários, é a forma mais recente de moeda, sendo totalmente desmaterializada.

✓ A moeda é um bem utilizado como intermediário nas trocas, desempenhando as funções


de medida de valor, meio de pagamento e reserva de valor.

✓ O preço de um bem expnme o seu valor em unidades monetárias.

✓ Os preços dos bens e serviços sofrem oscilações das quais a vadação sazonal e a inflação
são os principais exemplos.

✓ Também se podem verificar situações de desinflação (desaceleração do crescimento dos


preços), deflação (descida dos preços) e estagflação (estagnação económica acompanha­
da de inflação).

✓ A inflação consiste na subida generalizada e contínua dos preços dos bens e serviços. O
excesso de procura, o aumento dos custos de produção e a inflação esperada constituem
as principais causas de inflação.

✓ O índice de preços no consumidor (IPC) permite medir a inflação pois mede a variação de
preços de um conjunto alargado de bens característicos do consumo das famílias (cabaz de
compras), em dois momentos diferentes.

✓ A inflação origina importantes consequências económicas e sociais, entre as quais, a de­


preciação do valor da moeda (perda de poder aquisitivo da moeda) e deterioração do
poder de compra (diminuição da quantidade de bens e serviços que se pode comprar com
uma determinada quantidade de moeda).

✓ O poder de compra das famílias é Influenciado pelo nível médio de preços e de rendimen­
tos. Se a variação do nível médio de preços for superior à variação média dos rendimentos
veriflca-se uma diminuição do poder de compra.

✓ A inflação na zona euro é medida pelo índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC).

93
Avaliação

GRUPO I

As questões abaixo são de escolha múltipla. Selecione a opção correta em cada uma.

1. O papel-moeda é uma forma de moeda que se traduz em

(A) notas de banco.

(B) moeda convertível.

(C) notas inconvertfveis cuja aceitação é imposta pelo Estado.

(D) movimentação de valores monetários feita pelos bancos.

2. Comparar os preços de um determinado conjunto de bens em vãrias lojas e fazer uma


aplicação financeira a 10 anos são exemplos

(A) das funçOes de medida de valor e de reserva de valor da moeda.

(B) do valor da moeda enquanto bem intermediáno nas trocas.

(C) das funções de unidade de valor e de melo de pagamento da moeda.

(D) da importância da moeda na atividade económica e financeira.

3. A inflação resulta

(A) da subida dos preços.

(B) do aumento da procura.

(C) do aumento de preço das matérias-primas.

(D) do efeito conjugado de vários fatores.

4. A detenoraçâo do nível de vida significa

(A) uma perda do poder de compra das famílias.

(B) um aumento do valor da moeda em resultado da inflação.

(C) um acréscimo do poder de compra das famílias.

(D) um menor rendimento das famílias.

5. O índice de preços no consumidor (IPC), no país X. no ano de 2019, foi de 98. O valor
calculado significa que

(A) se registou um aumento dos preços de 98%.

(B) os preços subiram 2%.

(C) se verificou um aumento do nível médio de preços em 2%.

(D) o nível médio de preços diminuiu 2%.

94
TEMAS Moedaeinflação

6. No país Y, em 2018, o nível médio de rendimentos registou uma variação de 2,4% e o va­
lor do índice de preços no consumidor (IPC) foi de 110. Com base na situação enunciada,
pode aflrmar-se que

(A) se registou um aumento do poder de compra das famílias no país A em 2018.

(B) o poder de compra no país A, em 2017. diminuiu 93%.

(C) houve um acréscimo de 6.9% no poder de compra, no país A em 2018.

(D) o poder de compra das famílias, no país A em 2017. diminuiu 6,9%.

GRUPO II

1. «A moeda exerce várias funções. Além de permitir as trocas multllaterals. possibilita a


comparação de todos os bens e serviços, através da expressão dos seus valores em
unidades monetárias, facilita as transações e permite difenr as compras.»
Adaptado de www.curostai.pt. consultado cm pnctro de 2019

1.1 Dê uma noção de moeda.

1.2 Identifique as funções da moeda referidas no texto.

2. As economias modernas têm por base o papel-moeda. Esta moeda tem curso legal, sen­
do emitida por um banco central. Não possui valor Intrínseco, mas é aceite por todos
A moeda também pode existir sem ter um conteúdo material, bastando um registo infor­
mático da sua existência no banco.

2.1 Caracterize as formas de moeda acima referidas.

2.2 Explique o significado da afirmação destacada.

23 A desmaterialização da moeda é inerente ao desenvolvimento da atividade econó­


mica? Justifique a sua resposta.

3. «Os preços sobem, não porque as coisas valham mais, mas porque a unidade em que o
valor é medido vale menos.» (adaptado de João César das Neves. Princípios de Econo­
mia Política. Lisboa. Editorial Verbo).

3.1 Identifique o fenómeno a que a frase se refere.

33 Explique o conteúdo da frase.

4. O fenómeno Inflacionista pode ser desencadeado por um conjunto de fatores.

4.1 Explique como o excesso de procura e a subida dos custos de produção contribuem
para a inflação.

4.2 Os dois fatores acima referidos podem, pela sua interação, contribuir para o cresci­
mento do processo inflacionista? Justifique a sua resposta.

4.3 Explicite o fenómeno da inflação esperada.

95
Avaliação

5. Considere a seguinte situação: no país Z. em 2018. o cabaz de compras custava


1300C e o índice de preços de 2019 foi de 102.

5.1 Interprete o valor do índice de preços apresentado.

5.2 Calcule o valor do cabaz de compras em 2019.

5.3 Determine o valor da taxa de Inflação em 2019.

G 5 ' Orelativamente
valor apresentado significa que em 2019 a variação do nível médio de preços
a 2018 foi de 2%, ou seja, os preços aumentaram, em média. 2%.

Cabaz de compras 2019


&2IPC = x 100
Cabaz de compras 2018
Cabaz de compras 2019
102 = 100 = 1326€
130O€

102 - 100
S3 Taxa de inflação = 100 = 2%
100

6. Considere os seguintes dados relativos ao país A: no ano de 2017, o índice de preços


no consumidor relativamente a 2016 foi de 106.8 e o nível de rendimentos das famílias
registou uma variação de 7%

6.1 As famílias do país A registaram um aumento ou diminuição do seu poder de compra


em 2017? Justifique a sua resposta, apresentando os cálculos necessános.

6.2 Defina poder de compra.

63 Interprete o valor do IPC apresentado pelo país A em 2017.

7. Observe os valores da Inflação em Portugal e na zona euro.

Quadro 1 - Taxa de inflação (taxa de variação do IPC).


Em percentagem

2017 2018 í

Portugal 0,6
Zona euro 0.2
Fonte: ftirdata. fcwirtn>dc2019

7.1 Pode afirmar-se que. em 2018. em Portugal, ocorreu desinflação? Justifique a resposta.

7.2 Explicite a evolução da taxa de inflação na zona euro.

96
TEMAS Moedaeinflação

8. Considere os valores.

Quadro 1 - IPC (por ciasse e total), fevereiro de 2019. taxa de variação homóloga

Total 0,94
Bebidas alcoólicas e tabaco 2.62
Vestuário -3.29
Habitação -0.16
Transportes 2.25
Comunicações 0,02
Educação 1.38
Restaurantes e hotéis 172
Bens e serviços diversos 1.74
Rintc: INE. março dc 2019

8.1 Explicite o valor do IPC em fevereiro de 2019.

8.2 Indique as classes de despesa com contribuições mais positivas.

8.3 Quais as classes de despesa com contribuições negativas para o IPC?

9. Analise o gráfico que se segue e retire três conclusões.

Gráfico 1 - IHPC - taxa de variação homóloga, zona euro. maio 2018.


Em percentagem
4.0

10
MOdia da zona curo: 15%
10
74
W

0.0

A análise do gráfico permite retirar as seguintes conclusões:

- a taxa de variação homóloga do IHPC português (1.4%). em maio de 2018. foi inferior
ã média da zona euro (1.9%). em 0.5 p.p.;

- a Estónia registou a maior taxa de variação homóloga do IHPC (3.1%) que superou a
média da zona euro em 1,2 p.p.;

- a Irlanda registou a mais baixa taxa de variação homóloga (0.7%).

97
TEMA 6
Rendimentos e distribuição
dos rendimentos
6.1 A atividade produtiva e a formação dos rendimentos
6.2 A distribuição funcional dos rendimentos
6.3 A distribuição pessoal dos rendimentos
6.4 A redistribuição dos rendimentos
6.5 As desigualdades na distribuição dos rendimentos em Portugal
e na União Europeia
TEMA 6 Rendimentos e distribuição dos rendimentos

6.1 A atividade produtiva e a formação dos


rendimentos

A atividade produtiva, o rendimento e o valor acrescentado


A atividade produtiva, ao transformar matérias-primas em bens que satisfazem as necessi­
dades dos consumidores, acrescenta valor aos bens que transformou, criando a riqueza que
está na origem do rendimento dos países. Deste modo, o valor acrescentado corresponde ao
valor cnado no processo de produçáo.

Rendimento nacional - E o resultado do somatório dos valores acrescentados pelo con­


junto das empresas de um país.

O rendimento cnado num país irá ser repartido pelos intervenientes na produção e pelo con­
junto de pessoas que constituem a comunidade, sob a forma de rendimentos primários. Por
outras palavras, o rendimento será objeto de dois tipos de distribuição: a distribuição funcio­
nal e a distribuição pessoal dos rendimentos.

6.2 A distribuição funcional dos rendimentos


O rendimento criado é repartido pelos fatores produtivos (trabalho e capital), tendo em conta
a função que cada um deles desempenha no processo produtivo. Assim, ao fator trabalho
são entregues salários e ao fator capital são entregues lucros, rendas e Juros.

A distribuição funcional dos rendimentos corresponde à distribuição do rendimento criado


durante o processo produtivo pelos dois fatores produtivos, tendo em conta as especifici­
dades das suas funções.

Deste modo, os rendimentos provenientes da primeira distribuição dos rendimentos são os


rendimentos primários (salários, rendas. Juros e lucros).

Fator trabalho

Salário

O salário é o rendimento recebido em troca do trabalho prestado É fixado em função do


nível de qualificações do indivíduo, das suas habilitações, da natureza do trabalho, do nível
de desempenho alcançado, entre outros fatores. Os contratos de trabalho, que estipulam
direitos e deveres de trabalhadores e patrões, resultam de convenções coletivas de trabalho,
negociadas entre sindicatos e entidades patronais, ou de negociações individuais entre o
trabalhador e a entidade patronal. Como a principal fonte de rendimento da larga maioria
da população é o salário, o Estado procura garantir a todos os trabalhadores um mínimo de
rendimento, através da fixação de um salário mínimo nacional.

99
Fator capital

Renda
A renda e o rendimento do proprietário que cede bens Imóveis em regime de arrendamento
tais como, casas, terras, andares, escritórios, armazéns, etc. O proprietário desse bem cede
temporanamente a sua utilização a outra pessoa ou entidade mediante um contrato de arren­
damento - a renda é a remuneração do proprietáno.

Juro
O Juro e o rendimento de quem cede (empresta) capital - o capitalista. O juro é calculado
com base na taxa de juro.

Juro simples = capital * taxa de juro * tempo

Lucro

O lucro e o rendimento do empresário que realiza a sua atividade económica através da


empresa, utilizando, para o efeito, determinado montante de capital. O apuramento do lucro
faz-se pela diferença entre o preço de venda e o preço de custo dos bens produzidos.

Lucro = preço de venda - preço de custo

100
á
TEMA 6 Rendimentos e distribuição dos rendimentos

6.3 A distribuição pessoal dos rendimentos


A distribuição pessoal dos rendimentos diz respeito a distribuição do rendimento pela po­
pulação residente, cabendo a cada pessoa ou a cada família uma determinada parcela do
total desse rendimento.

Evidencia-se. assim, a desigualdade na distribuição dos rendimentos pelas famílias que com­
põem a comunidade.

Esta desigualdade pode resultar de vários fatores, entre os quais as remunerações diferen­
ciadas do fator trabalho (em virtude do diferente nível educacional dos Indivíduos, diferentes
qualificações profissionais e aptidões, natureza do trabalho prestado, ramo de atividade, loca­
lização da empresa) e a existência de rendimentos da propriedade dos meios de produção
ou capital. Assim, se os indivíduos forem detentores de capital podem aufenr rendimentos da
sua aplicação (rendas, juros e lucros); se forem trabalhadores, auferem salários.

Salário nominal e salário real


Sendo o saláho o pnnclpal rendimento da maior parte das famílias, dele dependerá o grau de
satisfação das necessidades. Porém, para a maior ou menor capacidade aquisitiva do salário
concorre, também, o nível geral dos preços dos bens e serviços. Por exemplo, se ocorrer uma
subida geral dos preços e o salário se mantiver, as famílias perdem poder de compra.

Surgem, deste modo, dois conceitos essenciais: o salário nominal e o salário real. O salário
nominal é a quantidade de moeda que o trabalhador recebe como resultado do seu trabalho
e com o qual vai adquirir os bens de que necessita. O salário real é a quantidade de bens e
serviços que o trabalhador pode adquirir com o seu salário nominal.

Aumento do poder de compra Subida do salário real


Se o preço dos bens e serviços diminuir, mantendo-se inalterável o salário nominal, o
salário real sobe. Do mesmo modo, se o aumento do salário nominal for superior ao da
taxa de inflação (IPC). o salário real também aumentará, uma vez que os trabalhadores
poderão adquirir mais bens e serviços com esse salário.

Redução do poder de compra Descida do salário real


Se a taxa de inflação (IPC) aumentar, mantendo-se inalterável o salário nominal, o salário
real decresce. Do mesmo modo, se o aumento do salário nominal for inferior ao da taxa
de inflação, o salário real também decrescerá, uma vez que os trabalhadores irão adquirir
menos bens e serviços com esse salário.

O nível de inflação (IPC) influencia, assim, o salário real. Para que os trabalhadores não per­
cam poder de compra, foi criada em muitos países uma escala móvel de salários que os faz
variar, periodicamente (em geral, anualmente), na mesma percentagem da variação dos pre­
ços (IPC) - a Indexação dos salários.

101
Indicadores que permitem medir as desigualdades
Existem vários indicadores que permitem medir as desigualdades na distribuição dos ren­
dimentos como, por exemplo, o leque salanal. o rendimento nacional per capita, a curva de
Lorenz e o índice de Ginl. os rácios S80/S20 e S90/S10. o limiar de pobreza e a taxa de risco
de pobreza. Vejamos alguns exemplos para cada indicador.

Leque salarial

Existem diferenças salariais que se devem a vários fatores, tais como, nível de habilitações,
qualificação, desempenho, mérito, experiência profissional, produtividade do trabalho, poder
reivindicativo dos sindicatos, entre outros.

Uma forma de medir a desigualdade de salários que existe numa empresa ou comunidade é
através do leque salarial, indicador que exprime a relação entre o salário mínimo e o salário
máximo

Salário mínimo
Leque salarial =
Salário máximo

Rendimento nacional per capita

Na perspetiva da distribuição pessoal do rendimento, para melhor avaliar o nível de vida da


população de determinado país é multo utilizado o indicador rendimento nacional per capita.
Já que permite conhecer o rendimento médio de cada habitante.

Rendimento nacional
Rendimento nacional per capita
População

Apesar da grande utilidade deste Indicador, ele apresenta algumas limitações: por representar
uma média, oculta desigualdades na distribuição dos rendimentos pela população (género,
etnia, idade, deficiência, por exemplo) ou pelas diferentes regiões de um país; por ignorar todo
o setor informal da economia (trabalho doméstico, trabalho destinado ao autoconsumo, por
exemplo) que. em diversos países tem um peso elevado, mas que se encontra subavallado;
por representar um valor global, não discrimina a natureza dos rendimentos; por ser um indica­
dor de natureza económica, não mede outras dimensões da realidade social, que é complexa
e plurldlmensional.

<
102
TEMA 6 Rendimentos e distribuição dos rendimentos

Curva de Lorenz

A curva de Lorenz {ou curva de concentração de Lorenz) é um diagrama que representa, por
classes percentuais, a parte do rendimento que cabe a cada grupo populacional, permitindo
avaliar a desigualdade existente entre as diferentes categorias de indivíduos. É. por isso, um
dos Instrumentos de medida das desigualdades da distribuição dos rendimentos. Vejamos o
exemplo do gráfico 1.

A diagonal que divide o quadrado (segmento de reta C) corresponde a uma concentração de


rendimentos nula (ou seja, à inexistência de desigualdades sociais), pois a 10% da população
cabem 10% dos rendimentos: a 30% da população cabem 30% dos rendimentos; a 40% da po­
pulação cabem 40% dos rendimentos; (...); a 90% da população cabem 90% dos rendimentos
e a 100% da população cabem 100% dos rendimentos.

As curvas A e B. por sua vez, representam situações em que existem assimetrias na distri­
buição dos rendimentos, sendo que na situação A as assimetrias são multo mais acentuadas.
Em contrapartida, na situação B a curva afasta-se pouco da diagonal, significando isto que as
desigualdades sociais são menos acentuadas.

índice de Glnl

É ainda possível quantificar o grau de concentração dos rendimentos através do índice de


Glnl. que é também uma medida de desigualdade como veremos através do gráfico 2.

Gráfico 2 - Curva de Lorenz e índice de Gini

— I - Unha da Igualdade absoluta


— L - Curva de Lorenz
M - Area oe desigualdade
População (%| N - Area abaixo da curva de Lorenz

103
O (ndice de Glnl vana entre o valor 0 (concentração de rendimentos nula e. portanto. Igualda­
de absoluta) e o valor 100 (extrema concentração de rendimentos e extrema desigualdade).

Obtém-se da seguinte forma:

, ~ Superfície entre a curva e a diagonal


índice de Gin I------ ---------------------------------------- ------- x100
Superfície do triângulo [OXR]

índice de Gini ---------- x100


(M + N)

Róclos S80/S20 e S90/S10


Os rácios S80/S20 e S90/S10. que Já refenmos no módulo introdutóno, são indicadores que
também permitem medir as desigualdades na distnbuição dos rendimentos.
• O ráclo S80/S20 permite-nos saber quantas vezes é que o rendimento dos 20% mais ricos
é superior ao rendimento dos 20% mais pobres. O rendimento total recebido pelos 20%
da população com maiores rendimentos corresponde ao quintll 5 e a parte do rendimento
auferido pelos 20% de menores rendimentos corresponde ao quintil 1.
• O ráclo S90/S10 corresponde à razão entre o rendimento monetário líquido recebido pelos
10% da população que detêm níveis mais elevados de rendimento (decil do topo) e o ren­
dimento recebido pelos 10% com menor nível de rendimento (decil da base). Permite-nos
conhecer quantas vezes é que o rendimento dos 10% da população com maiores rendi­
mentos é supenor aos 10% da população com mais baixos recursos.

Limiar de pobreza e risco de pobreza

Continuam a existir no mundo fortes desigualdades sociais e milhões de pessoas a viver em


pobreza extrema. Para analisar melhor estas situações utilizamos os conceitos de «limiar de
pobreza» e «risco de pobreza».

104
TEMA 6 Rendimentos e distribuição dos rendimentos

O limiar de pobreza é o limiar do rendimento abaixo do qual se considera que uma família se
encontra em risco de pobreza. Este valor foi convencionado pela Comissão Europeia como
sendo o correspondente a 60% da mediana do rendimento por adulto equivalente de cada
país'. Recordamos que a mediana é o valor que divide o rendimento em duas partes iguais;
o rendimento por adulto equivalente, de acordo com o INE. é obtido dividindo o rendimento
líquido de cada família pela sua dimensão em número de adultos equivalentes e o seu valor
atribuído a cada membro da família.

Deste modo, a população em risco de pobreza corresponde à proporção da população cujo


rendimento equivalente se encontra abaixo do limiar de pobreza definido como 60% da me­
diana do rendimento por adulto equivalente.

Quadro 1 - Portugal: limiar de risco de pobreza anual, entre 2013 e 2016. Em euros

2016 5443
2015 5269
2014 5061
2013 4937
R>nte. wwwtnc.pt (oinsultado em setembro de 2018)

A partir do quadro 1. podemos observar que, entre 2013 e 2016, o limiar de risco de pobreza
tem vindo a aumentar em Portugal. O valor do limiar do risco de pobreza anual, em Portugal,
em euros. em 2016. foi de 5443C. correspondendo a 60% da mediana do rendimento por
adulto equivalente, o que significa que é abaixo desse valor que se considera que uma família
se encontra em risco de pobreza.

■ www.ine.pt e observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.p< (consultados em setembro de 2018).

105
6.4 A redistribuição dos rendimentos
Na distribuição dos rendimentos geram-se. por vezes, desigualdades muito acentuadas. De
forma a corrigir esses desequilíbrios, resultantes da pfimeira distribuição dos rendimentos, e
para que a sociedade possa ser mais Justa do ponto de vista social, o Estado intervém, redis­
tribuindo os rendimentos.

A redistribuição dos rendimentos visa assim minimizar e corrigir as desigualdades sociais


resultantes da distribuição primána e. ao mesmo tempo, permitir um melhor nível de vida a
todos os cidadãos.

Política de redistribuição dos rendimentos


Para prosseguir os objetivos refendos acima, o Estado utiliza a política fiscal e a política social.

Política fiscal
A política fiscal consiste na criação e aplicação de impostos sobre bens e serviços e sobre os
rendimentos. Os impostos são receitas que o Estado obtém para fazer face às suas despesas
com a prestação de serviços Indispensáveis a satisfação das necessidades coletivas, como,
por exemplo, a saúde, a educação, o saneamento básico, a justiça, os transportes, entre ou­
tros. Os Impostos constituem, deste modo, o principal recurso financeiro de que o Estado
dispõe para fazer face às suas responsabilidades de Intervenção social.

Entre os Impostos, há os Impostos Indiretos, que Incidem sobre os consumos, como, por
exemplo, o IVA (Imposto sobre o valor acrescentado), os impostos de consumo sobre o taba­
co. sobre o álcool e bebidas alcoólicas, e os Impostos diretos, que Incidem sobre os rendi­
mentos obtidos pelos contribuintes, como, por exemplo, o IRS (imposto sobre o rendimento
de pessoas singulares) e o IRC (imposto sobre o rendimento de pessoas coletivas).

Em matéria de redistribuição dos rendimentos, há a destacar o papel dos Impostos diretos


sobre os rendimentos Estes apresentam, normalmente, taxas progressivas, o que pode con­
duzir à diminuição das desigualdades dos rendimentos distribuídos: quer isto dizer que aos
rendimentos mais elevados são aplicadas taxas de impostos mais altas, enquanto os rendi­
mentos mais baixos estão sujeitos a taxas de menor valor - ou estão mesmo isentos.

Impostos Indiretos Exemplos: IVA. IT. IABA...

Impostos diretos Exemplos: IRS. IRC...

Política social
Através da política social, o Estado atenua as desigualdades sociais. Deste modo, com as
receitas dos impostos e das contribuições sociais, o Estado transfere verbas para as famílias
mais carencladas (transferências sociais) e fornece à população bens e serviços indispensá­
veis. de uma forma gratuita ou a um preço acessível - são os bens públicos. Como exemplos
temos a educação gratuita durante a escolandade obngatória ou a saúde, em que os cida­
dãos pagam um preço inferior ao preço de custo através das taxas moderadoras, podendo,
em caso de rendimentos multo baixos, estar isentos desse pagamento.

106
TEMA 6 Rendimentos e distribuição dos rendimentos

A proteção social, a cargo da Segurança Social, constitui outro exemplo da política social do
Estado. Este utiliza as receitas, provenientes das contribuições sociais (dos trabalhadores e
das entidades patronais) e do seu próprio orçamento, para apoiar os Indrvíduos na velhice
(reformas e pensões), no desemprego (subsídio de desemprego) e na pobreza (rendimento
social de inserção - RSI). por exemplo.

é de referir que as contribuições pagas o são em função dos rendimentos dos contribuintes,
ao passo que as prestações recebidas e as comparticipações sociais variam em função das
necessidades dos que as recebem. Aqui reside o princípio da solidariedade social em que
assenta o Estado social.

Distribuição Transferências do Impostos diretos


Redistribuição dos Estado/ e contribuições
dos rendimentos rendimentos comparticipações para a Segurança
primários sociais Social

Risco de pobreza antes e após transferências sociais


Segundo o INE. o risco de pobreza antes de transferências sociais diz respeito a propor­
ção da população cujo rendimento equivalente, antes de transferências sociais, se encontra
abaixo da linha de pobreza. Isto é. quando a única transferência de rendimento do Estado
para as famílias se refere às pensões (não se contabilizando outro tipo de transferências de
rendimento para as famílias como, no caso português, o RSI. entre outros).

O risco de pobreza após transferências sociais diminui uma vez que o Estado corrigiu as-
simetnas da distribuição pnmãria dos rendimentos. Deste modo, a proporção da população
cujo rendimento equivalente, após as transferências sociais, se encontra abaixo do limiar de
pobreza, é menor do que antes das transferências sociais.

Podemos concluir, após a análise do quadro 2. que a taxa de risco de pobreza diminuiu após
as transferências sociais, quer em 1995. quer em 2016. No ano de 2016. os efeitos das transfe­
rências sociais foram mais significativos, pois a proporção da população em nsco de pobreza
passou de 25%. antes das transferências sociais (com exceção das transferências relativas a
pensões), para 19% após as transferências sociais.

é também de salientar que a taxa de risco de pobreza, antes e após transferências sociais
diminuiu, entre 1995 e 2016.

107
Rendimento disponível dos particulares
O rendimento nacional, que é repartido pelos elementos que compõem a população de um
certo país sob a forma de remunerações do trabalho e do capital (rendimentos de empresa
e de propriedade), não constitui a totalidade dos rendimentos das famílias. A estes rendimen­
tos que constituem os rendimentos primários, há que acrescentar, ainda, as transferências
sociais que podem ser externas ou internas (rendimentos secundários).

As transferências externas sâo constituídas por rendimentos que algumas famílias recebem
do exterior como, por exemplo, as remessas que lhes são enviadas por familiares emigrados
ou o pagamento de pensões por entidades estrangeiras a trabalhadores portugueses que
tenham trabalhado fora de Portugal e aí pago as suas contribuições sociais. As transferências
Internas são provenientes da Segurança Social, que transfere para as famílias pensões, abo­
nos. rendimento social de inserção (RSI). entre outras transferências.

Como vimos antertormente, sobre os rendimentos recebidos, as famílias têm de descontar as


contribuições, entregues à Segurança Social, e os Impostos diretos, pagos ao Estado. O ren­
dimento apurado - rendimento disponível dos particulares - corresponde ao rendimento de
que as famílias dispõem para utilizar nas despesas de consumo e na poupança.

Remunerações Contribuições
do trabalho sociais

Rendimentos Rendimentos
do trabalho do capital

6.5 As desigualdades na distribuição dos


rendimentos em Portugal e na União Europeia
No interior da União Europeia encontramos também desigualdades na distribuição dos rendi­
mentos. O quadro que se segue mostra-nos as diferenças relativas à proporção do rendimen­
to auferido pelos 10% da parte superior (S90) e da base (S10) na distribuição dos rendimentos,
nos países da Europa e na média da UE-28.

108
TEMA 6 Rendimentos e distribuição dos rendimentos

Quadro 3 - Distribuição dos rendimentos na Europa. 2015, S90/S10. Em percentagem

SIO

Bulgária 28.9 1.8 Irlanda 23.5 3.5


Lituânia 27.7 2.0 Alemanha 23.3 3.1
Sérvia 27.4 0.9 Dinamarca 23,2 3.3
Portugal 25.9 2.6 Polonia 22.9 3.0
Chipre 25.8 3.4 Malta 22.8 3.7
Letónia 25.6 2.3 Hungria 22.6 3.3
Grécia 25.1 2.0 Croácia 22.1 27
Espanha 24.9 2.0 Holanda 22,1 3.6
França 247 3.6 Áustria 22.0 3.3
Itália 24.4 1.8 Suécia 21.8 3.1
R. Unido 24.3 2.6 R. Checa 21.6 4.1
Luxemburgo 24.1 2.9 Rnlândla 21.5 4.1
Roménia 24.1 1.8 Islândia 21.3 4.3
Suíça 23.9 3.4 Noruega 21.0 3.5
UE-28 23.8 2.8 Bélgica 207 37
Estónia 237 27 Eslovénia 20.1 3.8
Macedónia 23.7 1.8 Eslováquia 19.9 3.3
R>nic: obscrvarnno-das-deslguaklark-s.clcs.tscte.pt (consultado em julhodc 2018)

A partir do quadro 3, podemos observar que Portugal foi o quarto país da UE-28 em que os
10% da população com maiores recursos (decil do topo) concentraram maior rendimento, cujo
valor correspondeu a mais 2 p.p. (pontos percentuais) do que o valor médio da UE-28. Os 10%
da população com recursos mais baixos (decil da base) apenas detinham 2,6% do rendimento
total. No entanto, esse valor não diferiu muito dos 2.8%. que correspondiam ao valor médio
da UE-28. auferidos pelo decil de base.

Se calcularmos os rácios S90/S10 dos quatro países com maior concentração do rendimento
no decil do topo, verificamos que Portugal foi aquele que apresentou o valor mais baixo: 10
(25.9/2,6). em comparação com a Bulgária. Lituânia, e Sérvia, com rácios de 16.14 e 30. res-
petivamente. Porém, Portugal encontra-se multo afastado de países como a Eslováquia (6).
Eslovénia (5.2), Bélgica (5.5) Noruega (6). Islândia (4.9), Finlândia (5.2) e República Checa (52).
que apresentam rácios S90/S10 mais baixos e inferiores ao valor médio da UE-28. cujo rácio
S90/S10 é 8.5 (23.8/2.8).

Outra situaçáo de desigualdades sociais são as desigualdades de género no que respeita


aos salános. O quadro 4 diz respeito à disparidade salarial entre sexos nos trabalhadores por
conta de outrem.

Quadro 4 - Disparidade salarial entre sexos nos trabalhadores


por conta de outrem, em 2016. na UE-28 e em Portugal. Em percentagem

16,2 17.5
Rintc: www.pondata.pt (consultado em setembro de 2018)

Podemos constatar que. na UE-28, em 2016. as mulheres auferiam, em geral, salários mais
baixos do que os homens. Em Portugal essa dispandade era ainda maior. Enquanto as mulhe­
res em Portugal, em 2016. em geral auferiam em média menos 17,5% do que os homens, na
UE-28 auferiam em média menos 162%.

109
ESQUEMA-SÍNTESE

íVJL = PRODUTO = RENDIMENTO Rendimento nacional

Distribuição funcional do rendimento


1
Distribuição pessoal do rendimento

Lucros, juros
Salários Salário nominal Salário real
e rendas

Rendimentos primários (remunerações /


Desigualdades na distribuição primária
salários e rendimentos de empresa
dos rendimentos
e propriedade / lucros. Juros e rendas)

+ Transferências externas
+ Transferências internas Redístribulção dos rendimentos
- Impostos diretos
- Contribuições para a Segurança Social

Rendimento disponível
Política fiscal Política social
dos particulares

Consumo
1 Aplicação do rendimento disponível

110
TEMAS Rendimentos e distribuição dos rendimentos

SÍNTESE

✓ A distribuição funcional dos rendimentos corresponde a distribuição dos rendimentos cria­


dos durante o processo produtivo pelos dois fatores produtivos (trabalho e capital). O sa­
lário é o rendimento recebido em troca do trabalho prestado. A renda é o rendimento do
proprietário que cede bens imóveis em regime de arrendamento. Ojuro é o rendimento de
quem cede (empresta) capital - o capitalista. O lucro é o rendimento do empresário que
realiza a sua atividade económica através da empresa.

✓ A distribuição pessoal dos rendimentos diz respeito à distribuição dos rendimentos pela
população residente.

✓ O salário nominal consiste na quantidade de moeda que o trabalhador recebe como resulta­
do do seu trabalho e com o qual vai adquirir os bens de que necessita. O salário real corres­
ponde à quantidade de bens e serviços que o trabalhador pode adquirir com o seu salário
nominal, sendo influenciado pelo nível de inflação (IPC).

✓ O rendimento nacional per capita permite conhecer o rendimento médio de cada habitante.

✓ A curva de Lorenz é um diagrama que representa, por classes percentuais, a parte do


rendimento que cabe a cada grupo populacional, permitindo avaliar a desigualdade de
rendimentos.

✓ O índice de Gini é também uma medida de desigualdade. Varia entre o valor zero (concen­
tração de rendimentos nula e. portanto, igualdade absoluta) e o valor 100 (extrema concen­
tração de rendimentos e extrema desigualdade).

✓ O rácio S80/S20 é um indicador de desigualdade da distribuição dos rendimentos. Permite-


-nos saber quantas vezes é que o rendimento dos 20% mais ricos é superior ao rendimento
dos 20% mais pobres. O rácio S90/S10 permite conhecer quantas vezes é que o rendimen­
to dos 10% da população com maiores rendimentos é superior aos 10% da população com
mais baixos recursos.

✓ O limiar de pobreza é o limiar do rendimento abaixo do qual se considera que uma família
se encontra em risco de pobreza.

✓ A política de redistnbuição dos rendimentos, a cargo do Estado, tem como finalidade a redu­
ção das desigualdades sociais originadas na distribuição primária do rendimento. O Estado
utiliza, para o efeito, a política fiscal e a política social. O risco de pobreza após as transfe­
rências sociais diminui uma vez que o Estado corrigiu assimetrias da distribuição primária
dos rendimentos.

✓ O rendimento apurado - rendimento disponível dos particulares - é o rendimento de que


as famílias dispõem para utilizar nas despesas de consumo e na poupança: Remunerações
do trabalho + Rendimentos de empresa e de propriedade + Transferências internas e exter­
nas - Contnbuições sociais - Impostos diretos

111
Avaliação

GRUPO I

As questões abaixo são de escolha múltipla. Selecione a opção correta em cada uma.

1. Os juros, as rendas e os salários constituem, respetivamente. rendimentos

(A) primários, do fator trabalho e do fator capital.


(B) primários, do fator capital e do fator trabalho

(C) secundários, do fator trabalho e do fator capital.

(D) secundários, do fator capital e do fator trabalho.

2. O leque salarial permite medir

(A) o saláno médio de um país.

(B) o valor do salário real.

(C) a desigualdade salarial.

(D) as desigualdades sociais.

3. Em 2017, num determinado país, os salários reais aumentaram 6%. Pode-se afirmar que

(A) os salários nominais aumentaram mais do que o IPC.

(B) o poder de compra dos trabalhadores diminuiu.

(C) os salários nominais aumentaram menos do que o IPC.

(D) o poder de compra dos trabalhadores manteve-se.

4. O gráfico 1 representa a distdbulçáo pessoal dos rendimentos através de três curvas de


Lorenz relativas aos países X. Y e Z.

Com base no gráfico 1. podemos afirmar que


Gráfico 1 - Curvas de Lorenz
(A) o país Z apresenta o índice de Gini com
o valor mais baixo.

(B) o país Y apresenta o índice de Gini com


o valor mais elevado.

(C) o país X apresenta a maior desigualdade


na distnbuição dos rendimentos.

(D) o país Z apresenta a maior desigualdade


na distnbuição dos rendimentos.

112
TEMA 6 Rendimentos e distribuição dos rendimentos

5. A política de redistnbuição dos rendimentos permite

(A) aumentar os rendimentos do fator trabalho.


(B) analisar a distribuição funcional dos rendimentos.

(C) diminuir os rendimentos do fator capital.

(D) corrigir as desigualdades da distribuição primária.

6. Observe o quadro abaixo.

Quadro 1 - Rendimento disponível dos particulares em Portugal (2014-2017).


Em percentagem do PIB

Anos 1 tendrnerto tfcponívol du partfcUar»

■■■■
Rintc: www.piirdau.pt (a insultado em setembro de 2018)

Com base no quadro, podemos afirmar que. em Portugal.


(A) o rendimento disponível dos particulares, em 2014 e em 2016. foi superior a
2015 e 2017.
(B) o rendimento disponível dos particulares, em 2015. decresceu relativamente a
2014.
(C) o rendimento disponível dos particulares em percentagem do PIB. em 2017.
desceu 0.7 p.p. em relação a 2016.
(D) o rendimento disponível dos particulares em percentagem do PIB. em 2017.
sofreu uma diminuição de -0.7%.

A afirmação A é falsa. Embora, o rendimento disponível dos particulares em percenta­


gem do PIB tenha registado o valor mais elevado nestes anos (69,4% em 2014 e tam­
bém 69.4% em 2016). como não conhecemos o valor do PIB desses anos, nâo podemos
afirmar, com a informação que temos no quadro estatístico, que o rendimento disponí­
vel dos particulares (valor absoluto) tenha sido superior nesses anos relativamente aos
anos de 2015 e de 2017.
A afirmação B é falsa. Como não conhecemos o valor do PIB não podemos afirmar, com
a informação que temos no quadro estatístico, que o rendimento disponível dos parti­
culares (valor absoluto) se tenha reduzido. O que se reduziu foi a sua % no PIB (valor
relativo).

A afirmação C é verdadeira. 68J - 69,4 = -07 pj>. (pontos percentuais).


A afirmação D é falsa. A diferença entre percentagens exprime-se em pontos percen­
tuais (p.p.) e não em percentagem, como vimos na resposta relativa á afirmação C.

113
Avaliação

GRUPO II

1. O quadro 2 apresenta remunerações em percentagem do PIB, em Portugal, em diferentes


anos.

Quadro 2 - Remunerações do trabalho em Portugal. 2015-20T7. Em percentagem do PIB

r-------------------------------------------
Anos Remunerações

Rime EunistaL atado p»r www.ugt.pt (consultado em setembro de 2018)

1.1 Refira as remunerações do fator capital e do fator trabalho.

1.2 Explicite a distribuição dos rendimentos implícita no quadro.

1.3 Apresente conclusões sobre a evolução das remunerações do trabalho, em percen­


tagem do PIB. verificada em Portugal, ao longo dos anos referidos no quadro.

2. Considere a distribuição dos rendimentos num determinado país em milhões de unida­


des monetárias.

Quadro 3 - Distribuição dos rendimentos. Em milhões de unidades monetárias (u.m.)

2.1 Preencha o quadro com os valores adequados.


2.2 Determine o leque salarial e interprete o valor obtido.

23 Justifique a existência de diferenças salanais.

2.4 Supondo que o país em questão é composto por dots milhões de indivíduos, deter­
mine o valor do rendimento nacional per capita.

2.5 Apresente duas limitações do rendimento nacional per capita.

114
TEMA 6 Rendimentos e distribuição dos rendimentos

3. «De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico


(OCDE) os salários reais caíram entre 2010 e 2016 em Portugal, em Espanha e no Reino
Unido como resultado do número crescente de empregos de baixa produtividade.»
Adaptado de httpsz.óÇxptrsso.sapo.pt. consultado em setembro de 2018

3.1 Distinga salário nominal de saláno real.

3.2 Explicite em que circunstâncias os salários reais poderáo aumentar.

3.3 Explique, com base na afirmação, a queda dos salários reais, em Portugal, em Espa­
nha e Reino Unido, entre 2010 e 2016.

4. O gráfico 2 representa a evoluçáo do rácio S90/S10. em Portugal, entre 2003 e 2016.

Gráfico 2 — Evolução do rácio S90/S10. em Portugal, entre 2003 e 2016. Em percentagem

4.1 Indique como se determina o rendimento disponível dos particulares.

43 Explique em que consiste o rácio S90/S10.

43 Refira mais três instrumentos que permitem medir as desigualdades sociais, para
além do rácio S90/S10.

4.4 Analise, com base no gráfico, a evolução do rácio S90/S10. em Portugal, entre 2003
e2016.

5. Apresente três exemplos de transferências sociais.

6. Explique o efeito redestnbutivo da política fiscal.

115
TEMA 7
Utilização dos rendimentos
7.1 A utilização dos rendimentos - o consumo e a poupança
7.2 Os destinos da poupança - a importância do investimento
7.3 O investimento em Portugal e o investimento português no estrangeiro
7.40 financiamento da atividade económica - autofinanciamento
e financiamento externo
TEMA 7 Utikzaçãodos rendimentos

7.1 A utilização dos rendimentos - o consumo


e a poupança
Em resultado da participação na atividade produtiva, os agentes económicos auferem rendi­
mentos. que vão utilizar na aquisição de bens e serviços indispensáveis à satisfação das suas
necessidades, ou seja, no consumo Se a totalidade dos seus rendimentos não for utilizada
no consumo, os agentes económicos estão a constituir uma poupança para utilizar no futuro.

Os rendimentos podem, assim, ser utilizados em consumo e poupança.

c
Consumo

Rendimento disponível dos porttcuiares

Poupança

Poupança - Parte do rendimento disponível que não é gasta no consumo imediato.

Normalmente, em períodos de maior incerteza relativamente ao futuro, particularmente em


relação à evolução do seu rendimento ao longo da vida, as famílias tendem a aumentar a
sua poupança com prejuízo do consumo presente. A poupança depende, assim, do nível de
rendimento e do nível de despesas de consumo.

As decisões de poupança e de consumo por parte das famílias são também influenciadas
pelas decisões dos governos em maténa de segurança social e de impostos. Ter expetativas
positivas relativamente ao recebimento de pensões e reformas no futuro estimula o consumo
presente, desincentivando a poupança: por outro lado, o agravamento dos impostos sobre os
rendimentos obriga à constituição de poupanças para cumprimento das obrigações fiscais.

Poupança = Rendimento disponível - Despesas de consumo

Poupança
Taxa de poupança x 100
Rendimento disponível

7.2 Os destinos da poupança - a importância


do investimento
A poupança dos agentes económicos pode ter vários destinos: entesouramento. depósitos
ou aplicações financeiras e Investimento.

Entesouramento

Destinos da poupança Depósitos e outras aplicações financeiras

Investimento

117
• O entesouramento é a conservação de valores monetários sob a forma de moeda, ouro,
obras de arte. etc. Esta forma de aplicar a poupança é considerada improdutiva, na medida
em que os valores, ao serem retirados do circuito económico e monetáno. não contribuem
para o incremento da atividade económica.
• Os depósitos bancários e outras aplicações financeiras constituem poupanças entregues
às instituições financeiras, que depois as lançam no circuito económico através do crédito
concedido. Estes depósitos e aplicações são remunerados com juros, que constituem ren­
dimentos para os depositantes (aforradores).
• O Investimento e a aplicação da poupança na atividade produtiva, através da aquisição de
bens de capital. Aquele que Investe espera, naturalmente, obter um rendimento.

Formação de capital
A atividade produtiva exige a utilização de bens de capital, como máquinas, edifícios e ma-
ténas-pnmas. Durante o processo produtivo, estes bens vão-se desgastando pela utilização
consecutiva, caso do capital fixo, ou desaparecem, pois são transformados e incorporados
nos produtos, como é o caso do capital circulante.

Para que a produção possa continuar, será necessário repor o capital que se gastou e. caso
se pretenda aumentar a capacidade de produção, ter-se-á ainda de constituir novo capital.
Mas. para se formar capital de modo a continuar e aumentar a produção futura, é necessáno
que a sociedade poupe parte dos seus rendimentos, renunciando a alguns dos consumos
imediatos.

Formação de capital - Aplicação da poupança em novos bens de produção, através do


investimento.

Formação bruta de capttal fixo


Ex.: pontes, estradas, maquinas, edifícios, etc.

Variação de existências
Ex.: matêrtas-prtmas e subsidiarias, e produtos semiacabados.

Quando a formação de capital ou Investimento diz respeito a bens de equipamento (máqui­


nas. Instrumentos de trabalho, infraestruturas. etc.) designa-se por formação bruta de capital
fixo. A construção de estradas, pontes, hospitais e escolas por parte da Administração Públi­
ca. bem como a instalação de novas fábricas, a modernização de equipamentos e a inovação
tecnológica a cargo das empresas, constituem exemplos de investimento em capital fixo.

A outra componente da formação de capital é a variação de existências, que Inclui as maté-


nas-pnmas e subsidiárias que irão ser transformadas e os produtos semiacabados que ainda
se encontram em laboração. Nesta componente regista-se a diferença entre os valores das
existências no início e no fim do ano económico (normalmente um ano).

118
TEMA 7 Utikzaçãodos rendimentos

A Importância do Investimento

O investimento, ao aumentar o capital do país, aumenta as possibilidades de produção no


futuro, cria mais emprego, e gera mais rendimento e consumo, contribuindo para o cresci­
mento da economia.

Nas economias onde a maioria do capital é privado, o investimento é decidido pelo empresá­
rio. As decisões de Investimento privado estão, no entanto, muito dependentes das expeta­
tivas dos agentes económicos relatlvamente à rendibilidade e risco do mesmo, o que está
diretamente relacionado com a evolução do ciclo económico.

Quando a economia regista uma quebra no seu crescimento e as expetativas dos Investi­
dores são negativas, verlflca-se uma forte redução do investimento. Em períodos de cresci­
mento económico, sendo as perspetivas de rendibilidade altas, reglsta-se um aumento do
investimento privado.

Nas áreas de Intervenção do Estado como as infraestruturas. a saúde e a educação as deci­


sões de Investimento cabem às autoridades públicas. Construir e equipar aeroportos, cen­
tros de saúde e escolas, por exemplo, sâo da responsabilidade dos poderes públicos.

Funções do Investimento

Manter e aumentar a produção, melhorar a produtividade e ganhar competitividade só é pos­


sível através do investimento, que irá permitir a reposiçáo dos meios de produção gastos
durante o processo produtivo, a formação de novo capital e a introdução de novos produtos,
processos e técnicas de produção.

O investimento desempenha, assim. Importantes funções na atividade económica.

Substituição do capital

Funções do Formação de novo capital

Inovação

Substituição do capital - reposição do capital gasto no processo produtivo, de forma a


manter a capacidade produtiva. Por exemplo, aquisição de novas matérias-primas, repa­
ração de uma máquina, substituição de peças, etc.
Formação de novo capital - constituição de novo capital com vista a aumentar a capa­
cidade produtiva Por exemplo, aquisição de máquinas modernas, construção de novo
aeroporto, aquisição de novos computadores, etc.
Inovação - desenvolvimento de novas tecnologias, novas técnicas de fabrico, novos pro­
dutos que irão contribuir para uma maior produtividade e competitividade das empresas
e economias. Por exemplo, a roda, o tear, eletricidade, o automóvel, os robôs nas cadelas
de montagem, a internet, a Inteligência artificial, etc. Mas. para que uma sociedade possa
inovar, é necessário desenvolver uma forte atividade na área de Investigação e desenvol­
vimento (l&D). o que exige Investimentos avultados, quer da parte da Iniciativa privada,
quer da parte do Estado ou das universidades.

119
Tipos de Investimento

Material

Ex.: construção de uma estrada, aquisição


de matérias-primas, de máquinas.

Imaterial

Ex.: despesas com a formação


dos empregados, com publicidade, etc.

Financeiro

Ex.: compra de ações e obrigações


de uma empresa

• Investimento material - constituído por bens de produção, como, por exemplo, matérias-
-pnmas. máquinas, instalações, etc.
• Investimento Imaterial - constituído por despesas com a investigação, a educação, a for­
mação e a qualificação dos recursos humanos, e com campanhas publicitárias. Estas des­
pesas Irão contribuir para o aumento da produtividade e da competitividade das empresas
e das economias.
• Investimento financeiro - constituído por aplicações financeiras das poupanças, como,
por exemplo, a compra de ações e de obrigações. Estas representam para as empresas
que as emitem um aumento dos recursos financeiros necessários à sua atividade produtiva
e. para os investidores, a possibilidade de obter um rendimento futuro.

73 O investimento em Portugal e o investimento


português no estrangeiro
O investimento pode ser interno ou externo. Quando o Investimento é realizado por agentes
económicos residentes no território deslgna-se por Investimento Interno. Se os capitais in­
vestidos forem provenientes de agentes económicos residentes no exterior, o investimento
será designado por Investimento externo ou Investimento estrangeiro

Com a abertura das economias ao exterior e a crescen­


te globalizaçáo. o movimento de capitais entre os paí­
ses tem-se Intensificado. O Investimento direto consti­
tui um tipo de Investimento realizado entre países.

O Investimento direto estrangeiro (IDE) pode ser feito


através da criação de uma empresa de raiz ou através
da aquisição de outra empresa. As empresas investem
em países estrangeiros com a finalidade de expandir
as vendas, obter matérias-primas e tecnologia, benefi­
ciar de mão-de-obra barata ou qualificada.

120
TEMA 7 Utilização dos rendimentos

A economia portuguesa, sendo uma economia aberta e integrada na União Europeia tem re­
gistado um processo de internacionalização crescente traduzido em movimentos de entrada
e saída de capitais, relativas a investimentos diretos.

O IDE corresponde ao Investimento direto do exterior em Portugal e o IDPE corresponde


ao Investimento direto de Portugal no exterior A designação IPE também se utiliza mas.
recentemente, como se vê no quadro, é mais utilizado o IDPE.

Quadro 1 - Investimento direto de Portugal com o exterior. Em milhões de euros

r
2015 2016 2OT7

Investimento direto de Portugal no exterior (IDPE) 52 434 53103 50 843

Investimento direto do exterior em Portugal (IDE) 108 454 HO 633 119 768

Saldo -56 021 -57 530 -68 925


Rinte Banco de PiinugaJ. julho de 2108

Investimento direto - «O investidor tem o controlo direto (50% dos direitos de voto) ou
indireto (entre 10% e 50% dos direitos de voto) na gestão de uma empresa de outra eco­
nomia. O IDPE (ativos) corresponde ao investimento feito por residentes em empresas
residentes no exterior e o IDE (passivos) corresponde ao investimento de não residentes
em Portugal. O investimento direto inclui investimento em imobiliário (propriedades e
casas), para uso pessoal e arrendamento.» (Banco de Portugal)

7.4 O financiamento da atividade económica


Capacidade e necessidade de financiamento
O desenvolvimento da atividade económica e o incremento da produção exigem recursos
monetários. Os agentes económicos podem dispor desses recursos, possuindo, dessa for­
ma. capacidade de financiamento. Mas. se não tiverem os meios monetários suficientes, terão
de recorrer a outros agentes económicos para os obter. É o que se designa por necessidade
de financiamento.

Capacidade de financiamento - Os agentes económicos, fruto da poupança, possuem


os meios monetários necessários a sua atividade.

Necessidade de financiamento - Os agentes económicos, não possuindo os recursos


monetários necessários à sua atividade, terão de recorrer ao financiamento disponibili­
zado por terceiros.

Capacidade Financiamento interno,


de financiamento ou autofinanciamento

Direto
Necessidade
de financiamento
Indireto

121
Financiamento Interno ou autoflnandamento

Quando os agentes económicos têm capacidade de financiamento significa que têm recur­
sos próprios para financiar o desenvolvimento da sua atividade. Os meios de financiamento
próprios resultam da poupança constituída e constituem financiamento interno ou autoflnan-
ciamento. Nas empresas, os lucros nâo distribuídos pelos sócios ou acionistas constituem a
principal fonte de autoflnandamento.

Financiamento externo

Quando os agentes económicos não possuem recursos próprios suficientes para financiar a
sua atividade terão de obter financiamento Junto de terceiros que possuam capacidade de
financiamento. Os meios de financiamento fornecidos por outros agentes económicos cons­
tituem financiamento externo.

Procura de meios de financiamento


( -------------- X

t____________________________ J
Oferta de meios de financiamento

Financiamento externo direto

O agente económico que necessita de financiamento alheio obtém os meios financeiros de


que necessita diretamente Junto de terceiros. No caso de o agente ser uma empresa, a fonte
de financiamento e o mercado de títulos ou de capitais onde se transacionam títulos como
ações e obrigações. A empresa com necessidade de financiamento emite ações (título re­
presentativo de uma parte do capital da empresa) ou obrigações (título representativo de um
empréstimo) que. sendo adquiridas por agentes terceiros, fornecem às empresas o capital
necessário à sua atividade.

No mercado de títulos ou de capitais encontram-se os agentes económicos que procuram ca­


pital (têm necessidade de financiamento) e aqueles que. tendo capacidade de financiamento,
oferecem capital (financiamento externo direto).

Os produtos transacionados neste mercado são chamados títulos mobiliários. Conferem ao


seu titular um direito representativo de um valor e podem ser objeto de transação, podendo
ser transmitidos a outros titulares. Exemplos de títulos mobiliários são as ações, as obriga­
ções. os fundos de investimento ou os títulos de dívida pública:
• ações - títulos representativos do capital social das sociedades anónimas. O acionista tem
direito a receber uma parcela dos lucos distribuídos anualmente, os dividendos;
• obrigações - títulos representativos de uma dívida e que conferem ao seu titular o direito
a receber juros e o reembolso do capital emprestado;
• fundos de Investimento - carteira de títulos composta por ações, obrigações, fundos de
pensões, entre outros produtos financeiros;
• títulos de dívida pública - estes títulos representam empréstimos concedidos ao Estado,
sendo remunerados com Juros e reembolsados no final do prazo. Certificados de aforro e
bilhetes do tesouro são exemplos deste tipo de títulos.

122
TEMA 7 Utikzaçãodos rendimentos

A Bolsa constitui um mercado de títulos onde se compram e vendem títulos mobiliários. Os


títulos mobiliários distinguem-se em função do risco, da rendibilidade e da liquidez.

Ações / Obrigações / Títulos divida publica Dinheiro / Capital

í t 1
Agentes Agentes
Mercado
de títulos
de financiamento de financiamento

t____________ __ 1 i.___ ____________ t


Dinheiro / Capital Ações / Obrigações / Títulos de divida publica

Financiamento externo indireto

O agente económico que necessita de financiamento para a sua atividade obtém os meios
financeiros junto de terceiros de forma indireta, ou seja, através do crédito fornecido pelas
Instituições financeiras

Agentes — Empréstimos —j <— Deposttos |


Agentes
Instituições
financeiras
do financiamento — Juros-------- > Juros —> de financiamento

O crédito
No financiamento externo Indireto da atividade económica, as instituições financeiras fun­
cionam como agentes Intermediários entre os agentes que têm necessidade de financia­
mento e os agentes que possuem capacidade de financiamento. Ao receberem depósitos,
as Instituições financeiras podem canalizar as poupanças dos agentes com capacidade de
financiamento para os agentes com necessidade de financiamento, através do crédito

Os agentes económicos que nâo possuam recursos próprios suficientes para satisfazer as
suas necessidades recorrem assim ao crédito junto das instituições financeiras. As famílias
pedem empréstimos para adquirir uma casa, comprar um automóvel, viajar, entre outros
exemplos. As empresas utilizam crédito para ampliar as Instalações, adquirir novas máquinas,
ou seja, para investir.

A obtenção de crédito é acompanhada do pagamento de um Juro que é definido por uma


taxa, a taxa de Juro.

Taxa de Juro = Vak>rdOJUr° -100


Valor do capital

Crédito - Cedência temporária de valores monetários mediante uma remuneração, o juro

Juro - Rendimento de quem cede o capital. E calculado com base na taxa de juro.

Taxa de Juro - Relação entre o valor do juro a pagar e o valor do capital emprestado.

123
Operações ativas e operações passivas

Como vimos, ao concederem crédito, as Instituições financeiras estão a financiar a atividade


económica (financiamento externo indireto), disponibilizando, aos agentes económicos com
poupança negativa, os meios monetários fornecidos pelos agentes económicos com poupan­
ça positiva, através dos depósitos bancános. Estas operações são designadas por operações
ativas e operações passivas, às quais estão associadas taxas de Juro ativas e passivas.

X
Taxas de Juro passivas
(a pagar pelos bancos)

124
TEMA 7 Utikzaçãodos rendimentos

Operações ativas

As operações de empréstimo dos bancos designam-se por operações ativas às quais corres­
pondem taxas de juro ativas, a cobrar pelos bancos junto dos beneficiános do crédito.

A taxa de Juro ativa é cobrada em função do risco do cliente e do tempo do empréstimo

Juro = Capital emprestado * Taxa de juro » Tempo

Operações passivas

Os bancos recebem as poupanças dos aforradores sob a forma de depósitos que sâo remu­
nerados com um juro.

As operações de depósito têm a designação de operações passivas e a taxa de juro do depó­


sito que é paga pelo banco ao depositante corresponde a taxa de Juro passiva.

A taxa de juro a pagar pelos bancos é fixada em função do tempo de duração do depósito.

Juro = Capital depositado * Taxa de Juro * Tempo

A atividade das Instituições financeiras é remunerada com base na diferença entre as duas ta­
xas. que constitui a base do seu lucro e se designa por margem de Intermediação financeira
As taxas de juro ativas têm. assim, de ser superiores às taxas de juro passivas.

A taxa de |uro e a Inflação


As instituições financeiras, ao fixarem o valor das taxas de juro (na zona euro o valor da taxa
de Juro de referência, a Eudbor. é fixado pelo Banco Central Europeu), têm de ter em conta o
valor da Inflação (na zona euro, a taxa de inflação desejável é de 2%).

As taxas de juro dos depósitos deverão cobrir pelo menos a taxa de inflação, de forma a In­
centivar a poupança. Caso contrário, verlfica-se um aumento do recurso ao crédito, podendo
originar tendências inflacionistas pelo excesso de procura.

Como as taxas de juro ativas sâo superiores às taxas de juro passivas (lucro do banco), o seu
valor deve situar-se acima do valor da taxa de inflação.

A taxa de |uro e o acesso ao crédito


O valor da taxa de juro influencia o acesso ao crédito e. em consequência, o desenvolvimento
da atividade económica.

Para o Investidor, taxas de juro ativas elevadas representarão menor rendibilidade do in­
vestimento dados os custos do empréstimo (amortizações do capital e juros), o que poderá
desincentivar o Investimento.

Para as famílias que querem contrair empréstimos, juros altos significam um agravamento
dos encargos (amortização do capital e juros) e um maior endividamento, em particular para
as de menor rendimento.

Taxas de Juro elevadas dificultam, deste modo, o acesso ao crédito, mas Incentivam a pou­
pança. dado o juro dos depósitos ser atrativo.

125
ESQUEMA-SÍNTESE

r~ ~1
Consumo Poupança

Investimento Depósitos Entesouramento

X
Reposição
1
Formação
•ÍI
Oferta de recursos
do capital de capital financeiros

Credito
Procura de recursos Instituições financeiras
financeiros monetárias
Juros

Autofinanciamento
Capacidade
Poupança > de financiamento
ou financiamento
interno

Necessidade
Poupança < de financiamento

Financiamento
externo

Indireto Direto

í
Instituições
X
Mercado de títulos
financeiras

l
Crédito Ações Obrigações Fundos Títulos

126
TEMA 7 Utilização dos rendimentos

SÍNTESE

✓ A poupança (parte do rendimento disponível não gasta no consumo Imediato), pode ser
entesourada, depositada ou investida.

✓ Através do investimento será possível aumentar a capacidade produtiva, a produtividade e


a competitividade das empresas.

✓ A formação de capital, realizada através do investimento, designa-se por formação bruta


de capital fixo quando diz respeito a Investimentos em capital fixo (máquinas, estradas,
por exemplo) e por variação das existências, quando o investimento é relativo ao capital
circulante (por exemplo, maténas-primas).

✓ O Investimento tem a função de substituição quando se destina a repor o capital gasto


no processo produtivo; tem a função de formação de novo capital quando se destina a
aumentar a capacidade produtiva e desempenha a função de inovação quando se trata
do Investimento em novas tecnologias, novas técnicas de produção e novos produtos.

✓ O investimento pode ser material (máquinas, matérias-primas), imaterial (despesas com a


formação) ou financeiro (ações, fundos de investimento, etc.).

✓ O investimento exige recursos monetários que nem todos os agentes económicos possuem
na quantidade necessária. Os agentes que não possuam capacidade de financiamento têm
de obter financiamento junto de terceiros. Podem financlar-se diretamente, emitindo ações
ou obrigações ou indiretamente. recorrendo ao crédito.

✓ A cedência de recursos financeiros por parte dos agentes com capacidade de financia­
mento implica uma remuneração. Juros para quem cedeu recursos sob a forma de depósi­
tos. crédito ou empréstimos e dividendos para os detentores de ações.

✓ O crédito é concedido pelas instituições financeiras, que funcionam como intermediárias


entre os agentes com capacidade de financiamento (que fornecem os depósitos) e os
agentes com necessidade de financiamento. O crédito é remunerado com Juros, calcula­
dos com base numa taxa.

✓ O acesso ao crédito depende do valor da taxa de juro. Taxas de juro elevadas representam
agravamento de custos e menores expetativas de lucro para o investidor, o que diminuirá
o interesse em investir. Para as famílias que recorram ao crédito, taxas de juro altas, repre­
senta maiores encargos e maior endividamento.

✓ As taxas de juro ativas (sobre os empréstimos) devem ser superiores às taxas de juro
passivas (sobre os depósitos), pois a diferença entre ambas constitui a remuneração dos
bancos. Por outro lado, as taxas de juro passivas devem cobrir a inflação de forma a in­
centivar a poupança.

✓ O investidor residente num país que adquira uma empresa ou parte de uma empresa (pelo
menos 10% dos direitos de voto) residente noutra economia, realiza um investimento direto.

127
Avaliação

GRUPO I

As questões abaixo são de escolha múltipla. Selecione a opção correta em cada uma.

1. A poupança, em termos absolutos.

(A) cresce quando o rendimento aumenta mais do que o consumo.


(B) decresce com o aumento do consumo.

(C) não é influenciada pelo crescimento do rendimento.

(D) é proporcional ao rendimento.

2. Numa dada economia, no ano 2019, o valor do consumo das famílias foi de 1500 unida­
des monetárias (u.m.) e o montante da poupança realizada pelas famílias foi de 300 u.m.
Quer isto dizer que a taxa de poupança das famílias nessa economia, em 2019. foi de

(A) 50% (B) 5% (C) 16.7% (D) 6%

3. O investimento representa
(A) uma aplicação financeira da poupança.

(B) a aplicação da poupança em bens que contribuam para o aumento da riqueza das
pessoas.

(C) a aplicação da poupança na aquisição de bens que satisfaçam as necessidades.

(D) aplicação da poupança em bens que aumentem a produção dos países.

4. O investimento desempenha a função

(A) de substituição, na medida em que há constituição de um novo capital.

(B) de formação de capital, na medida em que permite a reposição do capital gasto.

(C) de inovação, através de novos processos produtivos que contribuem para o aumento
da produtividade.

(D) económica, ao aumentar o lucro dos investidores.

5. A empresa X adquiriu novos computadores, comprou papel e tinteiros e pagou um curso


de atualização aos seus funcionários. O investimento realizado pela empresa X é classi­
ficado. respetivamente. como

(A) formação bruta de capital fixo, de variação de existências e de Investimento imate­


rial.

(B) variação de existências e de investimento imaterial.

(C) formação de capital fixo, de vanação de existências e de investimento financeiro.

(D) investimento imaterial e de variação de existências.

128
TEMA 7 Utüzação dos rendimentos

6. O financiamento interno representa

(A) a obtenção de recursos financeiros no país.


(B) o mesmo que autoflnanciamento.

(C) a obtenção de recursos financeiros junto de terceiros.

(D) uma necessidade de financiamento.

7. Nas operações passivas e ativas, as taxas de juro são

(A) respetivamente cobradas e pagas pelos bancos.

(B) de valor idêntico de forma a atrair clientes.

(C) respetivamente pagas e cobradas pelos bancos.

(D) de valor distinto, pois as taxas passivas têm de cobrir as taxas ativas.

8. A taxa de juro é influenciada pela taxa de inflação. Esta afirmação é

(A) verdadeira, pois uma taxa de juro elevada gera inflação.

(B) falsa, pois não há relação entre ambas.

(C) verdadeira, pois a taxa de juro para as aplicações da poupança deve ser supenor ao
valor da taxa de inflação de forma a Incentivar as famílias a poupar.

(D) falsa, pois a taxa de inflação é que é influenciada pelo valor da taxa de juro.

9. Ações e obngações são

(A) títulos mobiliários transacionáveis em bolsa que conferem aos seus titulares a quali­
dade de acionistas.

(B) títulos mobiliános que conferem ao seu titular um direito representativo de um valor.

(C) títulos mobiliános que conferem ao seu titular a qualidade de credor.


(D) títulos distintos pois as ações podem ser transacionadas e as obngações não.

GRUPO II

1. Poupança, rendimento e consumo são vanáveis económicas relacionadas entre sl.

1.1 Dê uma noção de poupança.

1.2 Calcule o valor do consumo do país X sabendo que o rendimento disponível era
de 145 390 milhões de euros e que a poupança realizada foi de 12 524 milhões de
euros.

1.3 A poupança das famílias significa um consumo futuro? Justifique a resposta.

129
Avaliação

2. Sabendo que o consumo da economia Y representa 70% do rendimento e que o


valor da poupança é de 600 mil unidades monetárias, calcule o valor do consumo
dessa economia.

Rendimento = Consumo + Poupança

Poupança = 30% do rendimento

Consumo = 70% do rendimento


600 000 = 30% do rendimento

600 000 —70%


Rendimento = 2 000 000 u.m. ou '
x —30%

Consumo = Rendimento - Poupança


x= 1400 000

Consumo = 2 000 000 - 600 000 = 1400 000

O consumo da economia Y foi de 1400 000 u.m.

3. Identifique, para cada um dos exemplos que se seguem, o destino dado á poupança.

a) O sr. Lopes constituiu uma conta poupança-reforma.

b) A Helena guarda a poupança mensal num cofre.

c) Uma empresa aplicou uma parte dos lucros na ampliação das suas instalações fabris.

d) O país A aumentou as suas reservas de ouro.

4. Considere o gráfico relativo à taxa de poupança na zona euro e em Portugal.

Gráfico 1 - Evolução da taxa de poupança


na zona euro e em Portugal desde 2008. Em percentagem

hmte Eumstat c INE. jancin, dc 2019

4.1 Analise a taxa de poupança em Portugal e na zona euro e retire conclusões.

4.2 Apresente a fórmula de cálculo da taxa de poupança.

130
TEMA 7 Utüzação dos rendimentos

5. O investimento faz aumentar as possibilidades de produção dos países, contribuindo


para o crescimento das economias.

5.1 Apresente uma noção de investimento.

5.2 Distinga os vários tipos de investimento.

53 Relacione investimento e crescimento das economias.

6. As inovações tecnológicas constituem um fator de crescimento das economias.

6.1 Explicite o conceito de Inovação tecnológica.

63 Relacione inovação tecnológica e crescimento da economia.


63 Justifique a afirmação: «O progresso tecnológico das sociedades exige capacidade
de investimento.»

6.4 Indique um exemplo de investimento material e imaterial na área da inovação tecno­


lógica.

7. Considere os valores relativos à formação bruta de capital fixo (FBCF). em Portu­


gal. entre 2016 e 2017.

Quadro 1 - Formação bruta de capital fixo (FBCF). a preços constantes de 2011.


Taxas de variação. Em milhões de euros

F 4.QTrL 3.«Trt 2.* Trt. VTH. 4." TH. 3.* Trt. 2.“ TH. VTrt. 1
1 2017 2017 2017 2017 2016 2016 2016 2016 1
10.1 |
6.2 10.4 7.4 5.8 03 -11 -17

Fonte: www.lnc.pt (consultado cm agosto dc 2018)

Analise a evolução da FBCF no período considerado e conclua do desempenho


do investimento em capital fixo.

No 1.° e 2.° trimestres de 2016. a formação bruta de capital fixo (FBCF) apresentou taxas
de variação negativas (-17% e -1.1%. respetivamente). Iniciou um processo de recupe­
ração no 3.° trimestre (um crescimento de 0,2%). que se revelou mais significativo no
4.° trimestre, apresentando uma taxa de variação de 5.8%. Em 2017, a FBCF cresceu
7.4% no 1.° trimestre, tendo registado um crescimento mais acentuado no 2.° e 3.° tri­
mestres, apresentando taxas de variação na ordem dos 10.1% e 10.4%, respetivamente.
No 4.° trimestre de 2017. a FBCF continuou a registar crescimento, embora com valores
mais baixos, registando uma taxa de variação de 6.2%. Pode, assim, concluir-se que o
desempenho do investimento em capital fixo melhorou em 2017 relativamente a 2018.

8. O desenvolvimento da atividade económica exige da parte dos agentes económicos


financiamento, ou seja, recursos monetários.

8.1 Distinga capacidade de financiamento de necessidade de financiamento.

131
Avaliação

8.2 Observe o gráfico. Analise a evolução dos dados relativos à economia portuguesa e
registe as suas conclusões.

Gráfico 2 - Capacidade (+) / necessidade {-) liquida de financiamento da economia.


Portugal. 2012-2018. Em percentagem do PIB.

— Sociedades financeiras
------ Particulares
lotai da economia
—— Sociedades nao financeiras
Administração pübáca

Fonte: wwvclne.pt (consultado cm janeiro de 2019)

9. O crédito constitui uma forma de financiamento.

9.1 Indique o tipo de financiamento subjacente ao crédito.

9.2 Explicite o papel das instituições financeiras nesta forma de financiamento.

9.3 Justifique a afirmaçao: «Uma baixa taxa de juro Influencia diferentemente a poupança
dos agentes económicos e o recurso ao crédito.»

10.0 empresário Y contraiu um empréstimo de 60 mil euros para financiar a constru­


ção de um armazém. O crédito foi concedido por um banco residente no mesmo
pais, pelo pertodo de 6 anos e com uma taxa de juro de 7.5% ao ano.
10.1 Classifique este tipo de operação de crédito.
10J2 Calcule o valor dos Juros a pagar pelo empresário Y ao fim de três anos e meio.

10.1 O crédito contraído pelo empresário Y é uma operação ativa.

10.2 Juro = Capital * Taxa * Tempo

Juro = 60 000€ x 0.075 x 3,5

Juro = 15 750.00

O juro a pagar pelo empresário Y. ao fim de três anos e meio, será de 15 750€

132
TEMA 7 Utüzação dos rendimentos

11. Em março de 2019. os empréstimos concedidos às empresas não financeiras registaram


uma taxa de variação anual de -0.5% e os empréstimos concedidos às famílias para
consumo registaram uma taxa de variação anual de 8.7%. As taxas de juro, no mesmo
período, foram as seguintes: empréstimos a empresas não financeiras: 2.30%; emprésti­
mos ao consumo: 7,13%.
Bok-ltm Estatístico. Bancode l’ortusal. mau>dc 2019

11.1 Apresente uma conclusão da leitura do texto.


11.2 Explique a importância do crédito para a atividade económica.

12.Considere a informação fornecida pelo gráfico e quadro.

Grãfico 3 - Empréstimos concedidos às famílias portuguesas.


Taxa de variação anual. Em percentagem
%

Fonte. www.inc.pt (consultadocm pnclm dc 2019)

Quadro 2 - Rendimento disponível dos particulares. Portugal.


Em milhões de euros

2017 132 602.8

2016 128 767.2

2015 124 159.3

2014 120 065.8

R>ntc: Pordala. setembro dc 2018

12.1 Explicite a evolução dos empréstimos concedidos às famílias.

12.2 Relacione os empréstimos concedidos às famílias com o rendimento disponível dos


particulares.

133
PARTE 2
11.° Ano
Tema Os agentes económicos e o drcuito económico

Tema 9. A Contabilidade Nacional

Tema 10 As relações económicas com o Resto do Mundo

Tema 11. A intervenção do Estado na economia

Tema 12. A economia portuguesa no contexto


da União Europeia
TEMA 8
Os agentes económicos
e o circuito económico
8.1 O circuito económico
8.2 O equilíbrio entre recursos e empregos
TEMA 8 Os agentes económicos e o circuito económico

8.1 O circuito económico

A atividade económica e os agentes económicos


Em todas as sociedades, as pessoas realizam atividades com o objetivo de garantir a so­
brevivência. Essas atividades constituem as funções económicas Produzir bens e serviços,
repartir os resultados da produção entre os membros da sociedade, consumir e poupar para
futuras utilizações são as principais funções económicas.

A produção dos bens e serviços que satisfaçam as necessidades básicas da população, como
a alimentação, a saúde ou mesmo a educação, é indispensável para garantir a sobrevivência.
Todavia, com o desenvolvimento das sociedades e das economias, muitos outros bens e
serviços são produzidos, não por assegurarem as necessidades básicas das pessoas, mas
porque concorrem para uma vida confortável. A produção assume, portanto, uma função de
primeira Importância numa economia.

Naturalmente, nas economias, multo particularmente nas economias monetárias, há que


repartir os resultados monetários da produção ou rendimentos criados pela atividade pro­
dutiva pelas pessoas que concorreram para essa produção, para que todas possam, assim,
adquirir os bens e os serviços de que carecem. Chama-se a isto a repartlçâo/redlstrlbulção
do rendimento

Existe uma outra função económica igualmente importante que consiste na utilização do
rendimento. Uma parte deste destinar-se-á ao consumo, mas a parte não utilizada deverá ser
reservada para uma utilização futura - a poupança, que permite o Investimento a fim de
garantir, no futuro, toda a disposição de mais bens e serviços para a comunidade.

O exercício destas funções corresponde a operações económicas.

Quadro 1 - Funções e operações económicas

Operações

Produção, troca e utilização de bens e serviços: produção,


Operações sobre bens e serviços
distribuição, consumo.

Distribuição do valor criado: distnbuição/receblmento


Operações de repartição/
de salários e de rendimentos do capital, de impostos
redlstrlbulção
e de subsídios.

Alteração do valor detido: depósitos bancários;


Operações financeiras
empréstimos; aplicações financeiras; investimento

Podemos, então, definir atividade económica como o conjunto das funções ou operações
económicas que permitem aos povos a sua sobrevivência (produção, repartlção/redistnbul-
ção do rendimento, consumo, poupança e investimento) e que se traduz num complexo sis­
tema de Interações e equilíbrios entre elas.

137
Produção

r Rendimento

Poupança que permite


Consumo
o investimento

Os agentes económicos e as suas funções


As entidades ou conjunto de entidades que desempenham as funções económicas desig-
nam-se por agentes económicos.

Sendo a economia uma ciência social, ela interessar-se-á pelos comportamentos relaciona­
dos com conjuntos de agentes que desempenhem funções semelhantes, e não pelos com­
portamentos desempenhados por um qualquer agente individual. Por isso, é fundamental
identificar esses conjuntos de agentes económicos que se distinguem pelas funções econó­
micas que apenas eles podem desempenhar - funções específicas.

Em primeiro lugar, temos as famílias, cuja principal função específica é a de consumir os


bens e os serviços não financeiros produzidos por outro agente económico, as empresas
não financeiras.

Temos também as Instituições financeiras, cuja função específica é financiar a atividade


económica - o investimento -. a qual só é possível através da poupança realizada pelos
agentes económicos. Todavia, nenhuma economia é autossuficiente, pelo que encontramos
outras economias para onde exportamos e de onde importamos bens, serviços e capitais ne­
cessários. Quer isto dizer que cada economia efetua trocas de bens, serviços e capitais com
as restantes economias do mundo, que constituem assim o agente Resto do Mundo

Finalmente, é fácil reconhecer que o Estado também intervém na economia através da re-
distnbulção do rendimento e da prestação de serviços coletivos, como a educação, a saúde,
a defesa e a segurança, por exemplo. Concluímos, assim, que o Estado ou Administração
Pública tem por função redistribuir o rendimento e prestar serviços coletivos.

Quadro 2 - Agentes econômicos e principais funções

Famílias Consumir

Empresas não financeiras Produzir bens e serviços não financeiros

Instituições financeiras Prestar serviços financeiros e financiar a atividade económica

Estado / Administração Pública Prestar serviços coletivos e redistribuir o rendimento

Resto do Mundo Trocar bens, serviços e capitais

138
TEMA 8 Os agentes económicos e o circuito económico

O circuito económico
Se considerarmos a interação entre os principais agentes económicos e as suas funções
respetivas e os representarmos através de um circuito, onde se representam as operações
económicas realizadas pelos agentes económicos, obteremos uma visão simplificada do fun­
cionamento da atividade económica.

A análise do circuito económico possibilita a compreensão das relações que se estabelecem


entre os diversos agentes e a forma como cada um participa na economia. Permite ainda
responder a questões como: O agente consome ou produz? De onde vem o rendimento das
famílias? Como se reparte esse rendimento? Há poupança?

As respostas são dadas pelas Interações entre os agentes económicos, que se traduzem em
fluxos (reais ou monetários) de entradas e saldas, consoante se trate de um recurso ou de
um emprego do agente.

Os fluxos reais representam as entregas e os recebimentos que se processam entre os agen­


tes económicos de forma material (horas de trabalho, toneladas de matérias-primas, etc.);
os fluxos monetários representam a contrapartida monetána dos fluxos reais (salários no
montante de x euros. y euros em matérias-primas, z euros em bens e serviços, etc.). Os fluxos
reais convertem-se. deste modo, em fluxos monetários, adotando-se a moeda como unidade.

Os fluxos relativos às relações que se estabelecem entre os agentes económicos podem ser
representados graficamente num circuito económico.

Circuito económico - Representação das relações entre os agentes económicos e das


operações económicas realizadas numa dada economia, num determinado período de
tempo.

139
Contribuições para a Segurança Social

Instituições Fluxos de compensação Resto do


financeiras Mundo

Depósitos + Seguros ♦ Juros * Amortizações

140
TEMA 8 Os agentes económicos e o circuito económico

8.2 O equilíbrio entre recursos e empregos


O circuito económico exemplificado a seguir (simplificado) corresponde às relações existen­
tes entre os agentes económicos famílias e empresas. Nele representa-se o fluxo real rela­
tivo à cedência de trabalho e de capital das famílias e empresas, de que resultará um fluxo
monetário, em sentido inverso, das empresas para as famílias, correspondente ao pagamento
de salários, rendas, juros e lucros (fluxo monetáno = RN). Com os fatores produtivos recebidos
das famílias, as empresas vão produzir bens e serviços num determinado valor (fluxo mone­
tário = PN). que serão adquiridos pelas famílias. Estas irão realizar despesas de consumo,
adquifindo os bens e serviços fornecidos pelas empresas (fluxo monetário = DN). no montante
correspondente.

Para efeitos de comparação, apenas se consideram os fluxos monetários.

Soma dos rendimentos = RN

Soma dos valores dos bens_____ PN = Produto nacional


e serviços produzidos = PN
RN = Rendimento nacional
Soma das despesas de consumo - DN DN = Despesa nacional

Considerando que na economia representada no circuito só existem dois agentes económi­


cos (Famílias e Empresas), que a atividade económica se refere a um ano e que os recursos e
os empregos de um agente são. respetivamente, os empregos e os recursos do outro agente,
verifica-se que ha equilíbrio entre os recursos e empregos de cada agente e entre os agen­
tes (conjunto da economia).

Pode, então, concluir-se. de uma forma simples, da existência das seguintes igualdades:

£ valor dos bens e serviços produzidos = Produto nacional

Y rendimentos distribuídos = Rendimento nacional

£ despesas de consumo = Despesa nacional

Produto nacional = Rendimento Nacional = Despesa nacional

141
ESQUEMA-SÍNTESE

I - O circuito económico e a Igualdade recursos/empregos

------- Fluxo real


Recursos = Empregos Fluxos monetários

II - O circuito económico e as operações económicas

142
TEMAS Os agentes económicos e o circuito económico

SÍNTESE

✓ As funções económicas principais são a produção de bens e serviços; a repartição do ren­


dimento criado pela atividade produtiva e que consiste na distribuição pelos indivíduos de
parte do rendimento criado, de acordo com as atividades que realizaram durante a produ­
ção; a utilização do rendimento no consumo de bens e serviços que satisfazem as necessi­
dades e na poupança (rendimento não gasto no consumo imediato); e o investimento que
através da aplicações da poupança permite continuar e aumentar a produção.

✓ As entidades ou conjuntos de entidades que desempenham as funções económicas são os


agentes económicos; as famílias, cuja função pnncipal é a de consumir as empresas não
financeiras, que prestam serviços não financeiros; as instituições financeiras, que prestam
serviços financeiros; a Administração Pública, que garante a satisfação das necessidades
coletivas e a redistrtbuição dos rendimentos; o Resto do Mundo, que troca bens, serviços
e capitais.

✓ As interações que ocorrem entre os agentes económicos relativas às operações económi­


cas realizadas são representadas no circuito económico por fluxos; esses fluxos são reais,
quando representam as atividades realizadas, e monetários, quando representam o respe­
tivo valor em moeda.

✓ Para melhor comparar as relações que se estabelecem entre os agentes, utilizam-se os


fluxos monetários.

✓ Os fluxos que se estabelecem entre os agentes económicos podem ser de entradas e de


saídas, consoante se trate de um recurso (entrada) ou de um emprego (saída) do referido
agente.

✓ Os recursos e empregos de um agente constituem empregos e recursos de outro agente.

✓ Entre recursos e empregos de cada agente e entre os agentes deverá existir equilíbrio,
para um bom funcionamento da atividade económica.

✓ Através do circuito económico é possível identificar o produto nacional, ou PN (somatório


do valor dos bens e serviços produzidos), o rendimento nacional, ou RN (somatório dos ren­
dimentos distribuídos) e a despesa nacional, ou DN (somatório das despesas de consumo),
e observar a existência de equllíbno no conjunto da economia: PN = RN = DN

143
Avaliação

GRUPO I

As questões abaixo são de escolha múltipla. Selecione a opção correta em cada uma.

1. O consumo de bens e serviços e o recebimento de salários correspondem, respetiva­


mente

(A) a operações de repartição e operações financeiras.

(B) a operações sobre bens e serviços e operações financeiras.

(C) a operações de repartição e operações sobre bens e serviços.

(D) A operações sobre bens e serviços e operações de repartição.

2. Investimento, pagamento de impostos e produção correspondem, respetivamente.

(A) a operações financeiras, operações de repartição e operações sobre bens e serviços.

(B) a operações de repartição, operações financeiras e operações sobre bens e serviços.

(C) a operações sobre bens e serviços, operações de repartição e operações financeiras.

(D) a operações sobre bens e serviços, operações financeiras e operações de repartição.

3. O circuito económico representa

(A) os agentes económicos e as suas funções.


(B) as operações económicas realizadas pelos agentes económicos.

(C) o conjunto dos recursos dos agentes económicos.

(D) o conjunto dos empregos dos agentes económicos.

4. Constituem um exemplo de um fluxo monetáno das empresas para as famílias.

(A) as contnbulções sociais para a Segurança Social.


(B) as despesas de consumo.

(C) os ordenados e os lucros.

(D) as despesas de investimento e as rendas.

5. Constitui um exemplo de um fluxo monetário das empresas para o Resto do Mundo.

(A) o valor das importações. (C) o valor dos depósitos.

(B) o valor das exportações. (D) o valor dos investimentos.

6. O equilíbrio económico significa

(A) que os recursos superam os empregos.

(B) que os empregos superam os recursos.

(C) igualdade entre recursos e empregos.

(D) igualdade entre importações e exportações.

144
TEMA 8 Os agentes económicos e o circuito económico

1. Relacione as operações económicas fundamentais, através de um exemplo.

2. Estabeleça as correspondências corretas.

a) Concessão de empréstimos.
1. Operações financeiras.
b) Pagamento de impostos.
c) Produção de bens. 2. Operações sobre bens
d) Depósitos bancários. e serviços.

e) Consumo de bens.
3. Operações de repartição.
f) Recebimento de salários.

3. A partir dos valores relativos aos fluxos estabelecidos entre as famílias e as empresas
não financeiras representados no quadro abaixo em unidades monetárias, represente o
respetivo circuito monetário.
Quadro 1 - Fluxos. Em unidades monetárias (u.m.)

Compra de bens = 300 Produção de bens = 300


Salários recebidos = 200 Pagamento de salários = 200
Lucros recebidos = 100 Distribuição de lucros = 100

4. Dê atençáo aos valores do quadro abaixo.


Quadro 2 - Tipos de fluxos. Em

| Tipos de fluxos IMor monetário dos flux» 1

Salários recebidos pelas famílias 3000


Vencimentos recebidos pelas famílias 1000
Subsídios recebidos pelas famílias 800

Compras feitas pelas famílias às empresas 3800


Contribuições para a Segurança Social feitas pelas Famílias 200
Impostos pagos pelas famílias 800

Impostos pagos pelas empresas 500


Contribuições para a Segurança Social feitas pelas empresas 1000
Compras feitas pela Administração Pública às empresas 700

4.1 Represente os fluxos monetários indicados num circuito económico.

4.2 Demonstre, através de um sistema de contas, a igualdade empregos-recursos


entre os três agentes económicos.

4.3 Selecione três dos fluxos atrás indicados, correspondentes a operações de repar­
tição do rendimento. Justifique a seleção efetuada.

145
TEMA 9
A Contabilidade Nacional
9.1 Noção e objetivos da Contabilidade Nacional
9.2 Conceitos necessários à Contabilidade Nacional
9.3 Óticas de cálculo do valor da produção
9.4 Limitações da Contabilidade Nacional
9.5 As Contas Nacionais portuguesas
TEMAS AContabtfcdadeNadonal

9.1 Noção e objetivos da Contabilidade Nacional


A intervenção do Estado na economia obriga-o a avaliar a situação económica do pafc para
poder, com mais rigor e eficiência, orientar, com o apoio dos restantes agentes económi­
cos. os destinos do pais. Para Isso são utilizadas técnicas de cálculo do valor dos principais
agregados económicos, como o produto, o rendimento, o consumo, o Investimento, entre
outros, técnicas essas conhecidas por Contabilidade Nacional.

Contabilidade Nacional - Conjunto de técnicas de cálculo dos principais agregados


económicos que dão a conhecer o funcionamento da atividade económica.

As informações dadas pela Contabilidade Nacional fornecem orientações para a defi­


nição de políticas e estratégias a seguir pelo Estado e por outros agentes económicos,
para o crescimento e desenvolvimento económico e social de um país

As crises económicas, as guerras e a reorganização das economias criaram a necessidade


de uma Informação económica mais rigorosa para possibilitar uma atuaçáo mais eficiente
dos agentes económicos. Nesse sentido, a Sociedade das Nações, no início do século XX.
e. posteriormente, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Europeia de
Cooperação Económica (OECE) desenvolveram sistemas de Contabilidade Nacional próprios.

Em 1993, a ONU definiu as diretrizes mundiais para a Contabilidade Nacional, dando origem
ao Sistema de Contas Nacionais das Nações Unidas - SCN93. atualizado em 2008 - SCN200e

Por outro lado, o alargamento da União Europeia mostrou a necessidade de harmonização


dos sistemas de contabilidade nacional dos seus países-membros, originando o Sistema Eu­
ropeu de Contas Económicas Integradas — SEC^. hoje. Sistema Europeu de Contas Nacio­
nais e Regionais.

O SECgç tinha estatuto de obrigatoriedade para os Estados-membros da União Europeia e en­


contrava-se harmonizado com a versão de Contas Nacionais da ONU de 1993. Tudo isto, por
sua vez. implicou ajustamentos no sistema de contabilidade nacional português, originando o
Sistema de Contas Nacionais Portuguesas - SCNP.

Posteriormente, novos aperfeiçoamentos têm sido introduzidos pelo SEC, encontrando-se


atualmente em vigor o SEC20W. com implicações para as economias dos países-membros da
União Europeia.

O sistema de contas em vigor em Portugal até 2014 foi o Sistema de Contas Nacionais Por­
tuguesas. base 2006 (SCNP200g) Em resultado da última versão do SEC. a partir de 2014
passou a vigorar o SCNR^, base 2011

A Contabilidade Nacional, enquanto conjunto de técnicas de quantificação da atividade


económica de um país, possibilita, a partir dos valores apurados, gerir com mais eficiên­
cia a sua economia.

147
9.2 Conceitos necessários à Contabilidade Nacional
A Contabilidade Nacional tem por objetivo a quantificação da atividade económica de um
país, como Já foi referido. É necessário que se definam os conceltos-base para o cálculo dos
valores dos grandes agregados económicos, como seja o produto dessa economia, o seu
rendimento ou a sua despesa.

Assim, em pnmelro lugar, há que identificar o espaço em que se desenvolve a atividade eco­
nómica. o qual não coincide exatamente com o espaço geográfico. O espaço em que se con­
tabiliza a atividade económica para cálculo do valor do produto de um país é. precisamente.
o território económico.

Outro conceito indispensável à Contabilidade Nacional é o conceito de residente. Também,


neste caso, não se deve confundir com o conceito geográfico.

Importa também definir um outro par de conceitos indispensáveis aos cálculos da Contabili­
dade Nacional, referentes aos agentes que protagonizam as diferentes operações económi­
cas - a unidade e o setor Institucional

Território económico - É o espaço em que se contabiliza a atividade económica. Inclui:

• o território geográfico em cujo interior os bens, serviços, capitais e trabalhadores circu­


lam livremente;
• as zonas francas, entrepostos e fábricas que se encontram sob território aduaneiro;
• o espaço aéreo nacional, as águas territoriais, a plataforma continental e os navios,
plataformas e aeronaves exploradas por unidades económicas residentes, indepen­
dentemente do território geográfico onde se encontrem;
• os enclaves territoriais no estrangeiro (embaixadas ou bases militares, por exemplo);
• os jazigos geológicos situados em águas internacionais, mas cuja exploração pertença
a unidades económicas residentes.

Residente - Todo o agente económico que tem um centro de interesse económico numa
economia (pode ser um agente de nacionalidade estrangeira), ou seja, é o agente que
realiza operações económicas num determinado território económico, ou a partir dele,
há mais de um ano.

Unidade Institucional - É o agente que tem uma função específica na atividade econó­
mica e uma fonte de recursos própria, além de ter autonomia de decisão relativamente à
sua função principal. As unidades institucionais podem ser residentes ou não residentes:

• unidade institucional residente num determinado país - tem um centro de interesse


económico no território económico desse país. Pode ou não ter a nacionalidade desse
país.

• unidade institucional não residente num determinado país - tem um centro de interes­
se económico fora do território económico desse país ou opera nesse território numa
base temporária (menos de um ano).

Qualquer família é uma unidade institucional na medida em que tem uma função específica
- a de consumir -. uma fonte de recursos própna - rendimentos provenientes do seu traba­
lho ou capital - e autonomia de decisão em relação à sua função de consumir. O mesmo se
pode dizer das outras unidades institucionais. Por exemplo, qualquer empresa não financeira

148
TEMAS AContabtfcdadeNadonal

possui uma função específica que exerce em autonomia - a de produzir bens e serviços não
financeiros e tem uma fonte própna de recursos (o seu capital).

No entanto, interessará mais a economia conhecer não o comportamento específico de qual­


quer unidade institucional, mas a do conjunto das unidades com comportamentos económi­
cos semelhantes, ou seja, interessará mais à Contabilidade Nacional conhecer o que produ­
ziu o conjunto das empresas do país ou o total do consumo das famílias, por exemplo. Surge,
assim, o conceito de setor Institucional

Setor Institucional - Representa a agregação das respetivas unidades institucionais, ou


seja, representa a totalidade das unidades institucionais de igual natureza (que desem­
penham a mesma função específica) e com autonomia de decisão.

Os principais setores Institucionais que representam a ação dos agentes económicos são os
seguintes:
Quadro 1 - Caracterização simplificada dos setores institucionais

. Remunerações
• Rendimentos de
• Famílias • Consumir propriedade
• Transferências
de outros agentes
• Receitas
• Sociedades não • Produzir bens e
provenientes
financeiras serviços mercantis
da produção
Residentes ■ Prestar serviços • Receitas
• Sociedades
de intermediação provenientes
financeiras
financeira da sua atividade

• Produzir serviços ■ Receitas


• Administrações não mercantis provenientes de
Públicas * Redistribuir impostos e outras
o rendimento contribuições

• Prestar serviços não • Contribuições


•ISFLSF"
mercantis voluntárias

• Trocar bens, serviços


Não Residentes • Resto do Mundo
e capitais

" ISFLSF sao instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias, por exemplo, bombeiros voiintartos. IPSS, bbbotecas. etc.

Um outro conceito base para a Contabilidade Nacional é o ramo de atividade A atividade


económica encontra-se a cargo de agentes económicos que. no caso das Sociedades (Em­
presas) desempenham funções de produção. Na perspetiva técnica da função de produção
as sociedades são consideradas unidades produtivas ou de produção.

Naturalmente, todas as unidades produzem o seu tipo de bem ou serviço, existindo inúme­
ras unidades de produção que se assemelham relativamente ao processo de produção. Por
exemplo, as diferentes unidades agrícolas apresentam semelhanças relativamente ao seu
processo de produção. Isto é. relativamente ao processo de trabalhar a terra. O mesmo acon­
tece com as unidades industriais, de comércio, de transportes, entre outros exemplos.

149
As unidades de produção cujos processos produtivos e produtos são semelhantes desempe­
nham uma atividade económica similar, agrupando-se, por essa razão, em ramos de atividade.

Ramo de atividade - Conjunto de unidades que exercem uma atividade económica idên­
tica ou similar.

A importância de conhecer os ramos de atividade de uma economia, assim como do seu


contributo para o produto do país, reside no facto de esse conhecimento permitir, até certo
ponto, avaliar o nível de desenvolvimento económico e social desse mesmo país. Já que
existe uma forte relação entre o nível de desenvolvimento de um país e o peso de cada setor
de atividade/ramo de atividade no valor da produção total desse país. Observe-se o quadro 2
e o gráfico 1.

Quadro 2 - Estrutura do PIB em 2016 (ótica da produção). Em milhões de euros

Agricultura, silvicultura e pescas 3643.0

Indústria 23 441.7

Energia, agua e saneamento 6589.0

Construção 6316,0

Comércio e reparação de veículos, alojamento e restauração 32 195.6

Transportes e armazenagem, atividades de Informação e comunicação 13 557.4

Atividades financeiras, de seguros e Imobiliárias 28 269.4

Outros serviços 48 214,0

VAB a preços de base 162 226,1

Impostos líquidos de subsídios sobre os produtos 24 254.3

PIB 186 480.5

Grafico 1 - Estrutura do PIB em 2016. Ótica da produção. Em percentagem

H Agricultura, silvicultura e pescas

■ Indústria

H Energia, ãgua e saneamento

■ Construção
Comércio e reparaçao de veículos,
■ alojamento e restauração
h‘. 1 Transportes e armazenagem, atividades de Informação
e comunicação
m Atividades financeiras, de seguros e Imobiliárias

m Impostos líquidos de subsídios sobre os produtos

Outros serviços

Rrnte: INE Corttm Nacionais - SECnn. base 2011 (c<íisultad<>cm<k-zrmtM-<>dc 2O1B)

150
TEMAS AContabtfcdadeNadonal

9.3 Óticas de cálculo do valor da produção


Apesar de o valor do produto ser um só. porque se refere, sempre, ã mesma produção, é
possível calcular o seu valor por «caminhos» diferentes, os quais fornecem Informações dife­
renciadas e complementares.

São três as óticas de cálculo do valor da produção: a ótica do produto, a ótica do rendimento
e ótica da despesa.

Ótica do valor do produto

Por esta ótica de cálculo fica-se a conhecer a origem e natureza dos bens produzidos, pois o
produto é contabilizado segundo o ramo de atividade que lhe dá origem.

Um dos obstáculos que se coloca à determinação do valor do produto de um pais diz respeito
ao problema da múltipla contagem - o valor de determinado bem é registado mais do que
uma vez. Este problema justiflca-se pelo facto de muitos bens serem incorporados noutros du­
rante o processo produtivo - os bens cuja utilização corresponde a um consumo Intermédio.

Considere-se o seguinte exemplo de múltipla contagem: se uma empresa de produção de


conservas de peixe contabilizar o peixe que adquiriu como produção sua, haverá múltipla
contagem, pois aquele Já tinha sido contabilizado como produção da empresa piscatória.
Sendo consumo intermédio da empresa de conservas, não deverá ser contabilizado como
produção própria.

Para evitar cometer o erro da múltipla contagem, ter-se-á de identificar em cada empresa os
seus consumos intermédios, para que não sejam contabilizados como produção. Para resol­
ver o problema da múltipla contagem recorre-se ao método dos valores acrescentados e ao
método dos produtos finais.

Para se compreender em que consiste cada um destes métodos de cálculo deve-se ter em
atenção que para se produzir sâo necessárias matérias-primas e outros bens (os mputs. ou
consumos Intermédios) que. combinados, dão origem a um produto final (os outputs).

Quando se contabiliza o valor dos bens produzidos, pode-se considerar o valor desses outputs.
bens que não vão sofrer mais transformações (método dos produtos finais) ou pode-se ter em
conta o valor que foi sendo sucessivamente acrescentado em todas as etapas do processo de
fabrico dos bens (método dos valores acrescentados).

151
Método dos valores acrescentados

O valor acrescentado representa o contributo de cada unidade produtiva residente para o


produto e obtém-se da seguinte forma:

Valor acrescentado (VA) - Valor da produção realizada pelo produtor - Valor dos ínputs
utilizados e produzidos por outros agentes (consumos intermédios)

Ao adicionar todos os valores acrescentados brutos (VA) por cada unidade de produção,
obtém-se o valor do produto interno (PI).

PI = X VA

Como o valor acrescentado pelas unidades produtivas é contabilizado em termos brutos


(VAB), o resultado do seu somatório também é contabilizado dessa forma (PIB).

PIB - £ VAB de todas as unidades produtivas

Sendo o PIB avaliado a preços de mercado, é necessário adicionar o valor dos impostos líqui­
dos de subsídios sobre os produtos. Então:

PIB X VAB + Impostos líquidos de subsídios sobre os produtos

Vejamos um exemplo do cálculo do PIB pelo método dos valores acrescentados.


• A empresa A tem uma exploração silvícola e fornece madeira à empresa B no valor de 100 u.m.
• A empresa B fabnca móveis com a madeira que adquire a Empresa A. no valor de 600 u.m.
- VAB da empresa A = 100 u.m. (o empresário não necessitou de adquirir bens a outros
produtores para produzir a madeira, e parte-se do princípio de que não precisou de
quaisquer produtos para produzir madeira).
- VAB da empresa B = 600 -100 = 500 u.m. (o empresáno necessitou de 100 u.m. de ma­
deira para fabricar os móveis - portanto, só acrescentou 500 u.m. ao produto).
- Valor do produto (móveis) = VAB (empresa A) + VAB (empresa B) = 100 + 500 = 600 u.m.

Método dos produtos finais

Pelo método dos produtos finais consideram-se os bens que não irão sofrer mais transforma­
ções no processo produtivo, ou seja, os bens/produtos finais.

Considerando o exemplo anterior, o produto final são os móveis. Assim, o valor do produto é
de 600 u.m., sendo expresso a preços de mercado ou de aquisição.

O método dos valores acrescentados e o método dos produtos finais fazem parte da ótica do
produto no cálculo do valor de produção.

X VAB = Valor do produto final = PIB

152
Diferentes noções de produto

Produto Interno e produto nacional


Num determinado território económico existem unidades produtivas nacionais e estrangei­
ras a desenvolver atividades económicas, há mais de um ano (unidades institucionais residen­
tes). O valor do produto por elas realizado dentro daquele território é designado por produto
Interno. Considerando o produto realizado apenas à base dos fatores produtivos nacionais,
mesmo que utilizados fora do território económico, o produto será designado por produto
nacional.

Para passar de um conceito ao outro, ter-se-ão de considerar os rendimentos que um país


enviou ao Resto do Mundo (rendimento dos fatores produtivos dos outros países) e os rendi­
mentos recebidos do Resto do Mundo (relativos à utilização de fatores produtivos nacionais):

Produto nacional = Produto interno + Saldo dos rendimentos com o Resto do Mundo

Exemplo:

Produto interno = 150 milhões de u.m. Saldo

Saldo dos rendimentos com o Resto do Mundo = -20 milhóes de u.m.

Produto nacional = 150 + (-20) = 130 milhões de u.m.

Produto bruto e produto liquido

Durante o processo produtivo, o equipamento vai-se detenorando, sendo indispensável con­


tabilizar esse desgaste, pois será necessáno manter a economia, no próximo período, com a
mesma capacidade produtiva do período antenor. Uma parte do valor do produto de um país
terá, assim, de ser utilizado para a substituição do equipamento desgastado, detenorado ou
obsoleto.

Este valor designa-se, em termos económicos, por consumo de capital fixo. Se o desgaste do
capital fixo (consumo de capital fixo) não for contabilizado o produto será bruto, se for con­
siderado o desgaste sofrido pelas máquinas e outros instrumentos, o produto será líquido

Produto líquido = Produto bruto - Consumo de capital fixo

Exemplo:

PIB = 200 milhões de u.m.

Consumo de capital fixo = 90 milhões de u.m.

PIL PIB - Consumo de capital fixo

PIL = 200 - 90 = 110 milhões de u.m.

153
Produto a preços correntes e produto a preços constantes

Quando se calcula o valor do produto de um país, avalla-se esse valor de acordo com os pre->-
ços que ocorrem nesse ano. preços que refletem a subida ou a descida dos preços venficada
nesse ano. Neste caso, considera-se o produto a preços correntes.

Todavia, se o objetivo for avaliar as alterações reais (quantitativas e não monetárias) do pro­
duto de uma economia ao longo do tempo, ter-se-á de considerar o produto calculado ao
mesmo nível de preços do ano que se toma por comparação. É o produto a preços cons­
tantes. Para calcular o valor do produto a preços constantes, ter-se-á. normalmente de o
deflacionar (visto a inflação ser normalmente positiva), tendo em conta o deflator do produto
correspondente ao período considerado:

Produto a preços correntes *


Produto a preços constantes =
Deflator

Exemplo:

PIB de 2018 a preços correntes = 150 milhões de u.m.

Deflator = 103
150
PIB de 2018 a preços constantes = * 100 = 145.6 milhões de u.m.

Ótica da despesa

Determina-se o valor do produto a partir das despesas finais realizadas por todos os agen­
tes económicos. Por esta ótica, flca-se a conhecer, portanto, o destino e a utilização dada à
produção efetuada. Os bens e serviços produzidos destinam-se ao consumo das famílias, ao
consumo da Administração Pública, ao investimento das empresas e às exportações. O valor
das importações terá de ser deduzido ao valor das exportações, pois aquelas não constituem
produção do país.

PIB = Consumo privado + Consumo público + Formação bruta de capital fixo (FBCF)
+ Variação de existências + Exportações - Importações

Considerando que esta ótica de cálculo do produto é relativa à despesa, pode considerar-se
que PIB = Despesa Interna (Dl).

Dl = Consumo privado + Consumo público + Formação bruta de capital fixo


+/- Variação de Existências + Exportações - Importações

Se adicionarmos ao PIB (ou Dl) o saldo dos rendimentos com o Resto do Mundo, obteremos
a despesa nacional (DN).

DN = Dl (PIB) + Saldo dos rendimentos com o Resto do Mundo

Vejamos o exemplo dp quadro 3. na página seguinte.

154
TEMAS AContabtfcdadeNadonal

Quadro 3 - Valores da despesa interna e da despesa nacional do pais X Em milhões de euros

Consumo privado 90
Consumo público 20
Procura Interna
PBCF 40
VE 10

Procura externa líquida Exportações 60


(Exportações - Importações) importações 50

Despesa interna 170


DI/PIB ♦ Saldo dos rendimentos como Resto do Mundo 20
DN/PNB 190

Outras igualdades

Procura global = Procura interna + Procura externa


DI/PIB = Procura global - Importações

Utilizando os valores do país X:

Procura global = Procura interna (90 + 20 + 40 + 10) + Procura externa (60)

Procura global = 220 milhões de euros

DI/PIB = Procura global (220) - Importações (50)

DI/PIB = 170 milhões de euros

Ótica do rendimento

Pela ótica do rendimento, o valor do produto é calculado a partir dos rendimentos cnados no
processo produtivo (rendimentos primários), que irão ser distnbuídos da seguinte forma: re­
munerações aos empregados (salários), impostos sobre a produção e importação líquidos de
subsídios e excedente bruto de exploração (juros, rendas, lucros distribuídos, ou dividendos,
e lucros não distribuídos) e rendimento misto (remunerações do trabalho por conta de outrem
e por conta própria, e rendimentos do capital).

O valor do produto (PIB) pelas três óticas de cálculo (do produto, da despesa e do rendimen­
to) pode ser analisado no quadro 4. relativo às contas nacionais.

155
Quadro 4 - Grandes agregados na Contabilidade Nacional - contas - 2016. Em milhões de euros

Otlca da produção

+ Valor acrescentado bruto a preços de base 16 226.1

+ Impostos líquidos de subsídios sobre os produtos 24 254.3

PIB p.m. 186 480.5

Otica da despesa

+ Despesas de consumo final (famílias e ISFLSF) 121 788.7

+ Despesas de consumo final das administrações públicas 33 297.0

+ Formação bruta de capital 29 318,9

+ Exportações de bens e serviços 74 619.1

Importações de bens e serviços 72 5432

PIB p.m. 186 480.5

Ótica do rendimento

+ Remunerações 818542

♦ Excedente bruto de exploração/rendlmento misto 79 817.8

+ Impostos líquidos de subsídios sobre a produção e importação 24 808.5

= PIB p.m. 186 480,5


Rime: I NE. Contas Nacionais - SEC^. base XI l (consultado em dezembro de 20181

Igualdade básica da Contabilidade Nacional

Em 2016. de acordo com as contas nacionais:

Produto = Despesa = Rendimento = 186 480.50 milhões de euros

Produto = Despesa = Rendimento

Outras igualdades
Procura interna = Consumo privado + Consumo público+ Investimento (FBCF +VE)

Procura externa = Exportações

Procura global = Procura interna + Procura externa

Procura externa líquida = Exportações - Importações

Despesa interna = Procura interna + Procura externa líquida

Despesa interna (Dl) = PIB

Despesa nacional (DN) = PNB

DN = PIB + Saldo dos rendimentos com o Resto do Mundo

Rendimento nacional bruto (RNB) PIB + Saldo dos rendimentos com o Resto do Mundo

156
TEMAS AContabtfcdadeNadonal

9.4 Limitações da Contabilidade Nacional


O principal objetivo da Contabilidade Nacional é conhecer o valor do produto de um país. No
entanto, esse objetivo pode não ser totalmente alcançado porque existem situações em que
a medição da atividade económica não é possível, as chamadas limitações da Contabilidade
Nacional De entre essas limitações, temos a economia não observada e as extemalldades

Economia não observada

É constituída por atividades que não são objeto de comunicação às autoridades (finanças e
segurança social), ou sobre as quais não há elementos contabilístlcos. De entre essas ativi­
dades temos:
• o autoconsumo - bens consumidos provenientes de produção própria, por exemplo, bens
agrícolas;
• o setor Informal - atividades artesanais ou pequena produção familiar em que o trabalha­
dor é. simultaneamente, proprietário, trabalho voluntário com crianças e idosos, etc.;
• a economia subterrânea - atividades legais ocultas (evasão fiscal) e atividades ilegais
(droga, contrabando, etc.).

Uma parte das atividades da economia subterrânea. Incluindo as atividades Ilegais, é conta­
bilizada no PIB, não por fontes estatísticas convencionais, mas por imputação do seu valor.

Extemalldades
As extemalldades são outras situações que, por não serem contabilizadas em termos eco­
nómicos. não revelam o verdadeiro valor do produto. São efeitos decorrentes de factos eco­
nómicos que têm consequências positivas ou negativas sobre a vida das populações. No
pnmeiro caso, designam-se por extemalldades positivas, de que são exemplo os efeitos de
médio ou longo prazo de um investimento na educação - nomeadamente a influência posi­
tiva nas taxas de mortalidade e de fertilidade, nos cuidados de saúde e de higiene, na parti­
cipação cidadã, na solidariedade social; no segundo caso, extemalldades negativas, de que
são exemplo os efeitos nefastos na saúde pública e no ambiente de uma indústria poluente,
do ruído excessivo, dos resíduos tóxicos, etc.

Para além das limitações da Contabilidade Nacional há também as chamadas insuficiências.


Insuficiências

As Insuficiências constituem situações nâo contabilizadas em termos económicos, mas que


concorrem para um maior bem-estar e maior eficiência na utilização de recursos. Estas ativi­
dades não são objeto de remuneração e são. na maior parte, realizadas no tempo de lazer.

Uma destas atividades prende-se com a economia digital e com o uso intensivo da internet.
Fazer compras online, resolver problemas à distância ou programar o funcionamento dos
equipamentos são atividades que as tecnologias digitais permitem desenvolver, economi­
zando tempo e evitando deslocações, possibilitando o aparecimento de novas atividades.

Outros exemplos de Insuficiências são as desigualdades na distribuição dos rendimentos e


os impactos das atividades económicas sobre o ambiente que não são tidos em conta na
contabilização do PIB.

9.5 As Contas Nacionais portuguesas


As Contas Nacionais portuguesas proporcionam, através dos registos das atividades econó­
micas realizadas, uma visão do funcionamento da economia do país e a possibilidade de
estabelecer comparações Internacionais. Determinar o valor do investimento e analisar a
sua evolução, avaliar a capacidade ou necessidade de financiamento da economia ou situar o
PIB português relativamente à média europeia, entre outros indicadores, é fundamental para
avaliar a situação económica do país, perspetivar a sua evolução e definir as estratégias de
desenvolvimento mais adequadas. Vejamos os seguintes exemplos.

Gráfico 2 - Taxa de investimento (FBCF/VAB) das sociedades não financeiras. Em percentagem

Nos últimos anos, a taxa de investimento em Portugal (medida pelo rácio FBCF/VAB) cresceu
a partir do quarto tnmestre de 2016. abrandando a partir do quarto trimestre de 2017 e man­
tendo uma evolução estável até ao segundo trimestre de 2018 (cerca de 23.2%).

Quadro 5 - Poupança e capacidade (+) / necessidade (-) de financiamento. Em percentagem do PIB

Ano acabado Poupança •ansterenoas ac Capacidade (+) / necessidade


recF
no trimestre captai c/o 1Resto do Mundo H Iktuida de rinandamentD

2018 (1.°tf1.) 17.4 -0.8 17.1 1.1


2018 (2.° trl.) 17.0 -0.8 17.1 07
INE, Cbnias nacionais trimestrais por setor institucional (base 2011) 2." trimestre de 2018. dezembro de 201#

158
TEMAS AContabtfcdadeNadonal

A análise dos valores do quadro 5 mostra a diminuição do valor da poupança no segundo tri­
mestre de 2018 comparativamente ao primeiro trimestre (de 17.4% do PIB para 17.0% do PIB), a
qual, conjugada com a manutenção dos valores relativos ao saldo de transferências de capi­
tal com o Resto do Mundo e ao investimento (FBCF). onglnou uma diminuição da capacidade
de financiamento da economia de 1.1% para 0.7% do PIB.

Quadro 6 - PIB em volume (tvh). Em percentagem

Zona euro 27 2.4 27 17

UE-28 2.6 2.3 2.1 1.9

Alemanha 2.8 2.0 1.9 17

Áustria 2.8 3.1 2.9 2.6

Bélgica 1.9 1.5 1.4 17

Espanha 3.1 2.8 2.5 2.5

Finlândia 27 27 2.4 2.3

Rança 2.8 2.1 17 1.5

Grécia 2.0 2.5 1.8 -

Irlanda 5.4 107 9.1 -

Itália 1.6 1.3 17 0.8

Luxemburgo 2.8 37 3.1 -

Países Baixos 2.9 3.0 2.9 2.4

Portugal 2.5 27 2.4 2.1

Reino Unido 1.4 1.1 17 1.5

EUA 2.5 2.6 2.9 3.0

Finalmente, o quadro 6 mostra-nos que os valores relativos a taxa de variação homóloga


do PIB em termos reais, no terceiro trimestre de 2018. situaram-se em 1.7% na zona euro
e em 1.9% na UE-28. valores infenores aos registados por Portugal, da ordem dos 2.1%. É
de refenr o abrandamento do crescimento do PIB português no terceiro trimestre de 2018,
comparatlvamente ao trimestre anterior - a taxa de variação homóloga do PIB diminuiu de
2.4% para 2.1%.

159
ESQUEMA-SÍNTESE

O que é? Para que serve?

• Técnica que apresenta • Conhecer o funcionamento da


de forma quantificada o economia para definir políticas
funcionamento da economia <—. e delinear melhores estratégias
• Permite calcular os principais de desenvolvimento
agregados económicos

CONTABUDADE
NACIONAL

Sistema adotado? Conceitos necessários

• Sistema de Contas Nacionais - • Residente


SCNPjok,. base 2011 • Território económico
• Obedece à estrutura e • Setor institucional
metodologia indicadas
• Ramo de atividade
pela ONU (SCN^
e pela UE (SECwcJ
Métodos de cálculo
do valor do produto
Óticas de cálculo
do valor do produto
• Método dos valores
acrescentados
• Otica de produção
• Otica do rendimento • Método dos produtos finais

• ótica da despesa
Limitações
Produto = Rendimento = Despesa
da Contabilidade Nacional

• Economia não observada


• Externa lidades
• Insuficiências

Principais Igualdades

Procura global = Procura interna + Procura externa


Procura interna = Consumo privado + Consumo público + Investimento (FBCF + VE)
Procura externa = Exportações
PIB = Dl
Dl = Procura interna + Exportações - Importações
Procura externa líquida
DN = PNB
DN = PIB + Saldo dos rendimentos com o Resto do Mundo
RNB = PIB + Saldo dos rendimentos com o Resto do Mundo

160
TEMA 9 A Contabilidade Nacional

SÍNTESE

✓ A Contabilidade Nacional nasce da necessidade de o Estado Intervencionista avaliar a situa­


ção económica do país para poder, com maior ngor e eficiência, orientar os destinos do país,
com o apoio dos restantes agentes económicos.

✓ A Contabilidade Nacional é uma técnica de quantificação da atividade económica de um país


para se poder definir políticas e gerir com mais eficiência a sua economia.

✓ O Sistema de Contas em vigor em Portugal desde 2014. é o Sistema de Contas Nacionais


Portuguesas. SCNP^. base 2011.

✓ Existem três óticas de cálculo do valor do produto: a ótica da produção, pela qual se fica
a conhecer a origem do produto criado; a ótica do rendimento, que dá a conhecer como
o rendimento criado durante a produção é distribuído pelos fatores produtivos e a ótica
da despesa, que dá a conhecer o destino dado à produção efetuada.

✓ O território económico, as unidades institucionais residentes e não residentes, os setores


institucionais e os ramos de atividade constituem os conceitos básicos para o cálculo dos
grandes agregados económicos (produto, rendimento e despesa).

✓ São dois os métodos de cálculo do valor do produto de uma economia - o método dos
produtos finais, que toma em consideração o valor final da produção e o método dos va­
lores acrescentados que toma em consideração o valor acrescentado por cada unidade
de produção durante o processo produtivo.

✓ A partir da igualdade fundamental da Contabilidade Nacional (Produto = Rendimento = Des­


pesa), podem determinar-se outras igualdades:
• Produto nacional = Produto interno + Saldo dos rendimentos com o Resto do Mundo.
• Produto líquido = Produto bruto - Consumo de capital fixo
• Despesa interna (Dl) = PIB
• Despesa nacional (DN) PIB + Saldo dos rendimentos com o Resto do Mundo

✓ O produto a preços correntes é o valor do produto tendo em conta os preços do ano em


causa; se quisermos perceber melhor a evolução de uma economia, devemos determinar o
produto a preços constantes, isto é. a preços verificados num ano base (que reflete o produto
real, dado não ser influenciado pelas variações dos preços).

✓ No cálculo do valor do produto, há operações que não é possível determinar, levando a que
o produto obtido seja infenor ao valor real da produção de uma economia. São as designa­
das limitações da Contabilidade Nacional.

✓ De entre as limitações da Contabilidade Nacional contam-se as operações que não são re­
gistadas e que constituem o que se designa por economia não observada. Para além des­
tas. são de destacar também as insuficiências, isto é. situações não contabilizadas mas que
concorrem para um maior bem-estar e para maior eficiência na utilização dos recursos, bem
como os efeitos, positivos ou negativos, que um ato económico tem na economia mas que
não são monetariamente mensuráveis e que se designam por extemalldades.

161
Avaliação

GRUPO I

As questões abaixo sâo de escolha múltipla. Selecione a opção correta em cada uma.

1. A Contabilidade Nacional nao Integra no temtóno económico as atividades desenvolvidas

(A) no território geográfico em cujo interior circulam livremente bens, serviços, capitais e
trabalhadores.

(B) nas embaixadas e nas bases militares estrangeiras situadas em território nacional.

(C) nas zonas francas, entrepostos e fábricas sob terrrtôno aduaneiro.

(D) nas embaixadas e nas bases militares nacionais situadas no estrangeiro.

2. As contas nacionais do país A registaram, num determinado ano, os seguintes valores,


em unidades monetárias:

600
2300
3500

700

Nesse ano. o valor do produto interno bruto do país A foi de

(A) 5000 u.m. (B) 4300 u.m. (C) 6400 u.m. (D) 7100 u.m.

3. Considere os seguintes valores relativos à economia do país B. em unidades monetárias.

Quadro 2

[ Economia do pais B VMor I

Consumo privado 2000

Consumo público 800

FBCF 400

Exportações 800

Importações 900

O valor da procura interna do país B. é

(A) 4900 u.m. (B) 3100 u.m. (C) 3200 u.m. (D) 1500 u.m.

162
TEMAS AContabtSdadeNacional

4. Observe os seguintes valores relativos à economia do país Y. em unidades monetárias.


Quadro 3

; Economia do pate Y
-
PIB p.m. 10 000
Saldo dos rendimentos com o Resto do Mundo 2500
Consumo de capital fixo 500
Impostos sobre os produtos líquidos de subsídios 600

De acordo com aqueles valores, a despesa interna do país Y. é

(A) 10 000 u.m. (B) 8600 u.m. (C) 8000 u.m. (D) 7500 u.m.

GRUPO II

1. Justifique a necessidade de Contabilidade Nacional.

2. Por que razão o SEC^ é de referência/cumpnmento obrigatório em PortugaP

3. Defina Contabilidade Nacional.

4. Distinga território geográfico de território económico.

5. Apresente dois exemplos de agentes que obedeçam à categoria de residente. Justifique.

6. Distinga unidade de setor institucional.

7. Distinga os setores institucionais atendendo à especificidade das respetivas atividades


e dos seus principais recursos.

8. Indique os principais ramos de produçáo da economia portuguesa.

9. Indique duas razóes que justifiquem a necessidade do agrupamento da atividade eco­


nómica em ramos de atividade.

10. Descreva o método dos valores acrescentados no cálculo do valor do produto.

11. Explique em que consiste o erro da múltipla contagem.

G Odutos.
erro da múltipla contagem consiste em contabilizar por mais de uma vez alguns pro­
Pelo método dos produtos finais, o que interessa perceber é o valor final da pro­
dução. Se contabilizássemos o valor final de todos os produtos, cometeriamos o erro da
múltipla contagem, porque muitos bens incorporam outros. Já contabilizados. Pelo méto­
do dos valores acrescentados, o que interessa conhecer é o valor de transformação que
cada unidade produtiva acrescentou aos bens que adquiriu a outras unidades produtivas
(consumos intermédios). Se contabilizássemos estes bens ocorreria o problema da múlti­
pla contagem, pois estes já foram contabilizados.

163
Avaliação

12. Distinga entre o método dos valores acrescentados e o método dos produtos finais,
utilizados no cálculo do valor do produto.

13. Indique as três óticas pelas quais se pode calcular o valor do produto e refira as informa­
ções que cada uma delas pode fornecer.

14. Comente a afirmação: «O produto nacional é mais elucidativo da riqueza de um país do


que o produto intemo.>

15. Justifique a necessidade de cálculo do valor do produto líquido.

16. Justifique a afirmação: «Se apenas calcularmos o valor do produto a preços correntes,
dificilmente poderemos perceber a evolução da atividade económica de um pafs.>

17. Explicite em que consiste a procura global.

18. Caracterize a economia subterrânea.

19. Partindo de exemplos reais, caractenze o setor informal da economia.

20. Por que razão são as externalidades consideradas limitações da Contabilidade Nacional?

GRUPO III

1. Observe os valores seguintes relativos à estrutura do rendimento disponível dos


particulares, em Portugal, em 2016. em milhões de euros.

Quadro 4
n C do wll dl
VWor

Remunerações do trabalho 81972.5


Transferências internas 36 984.6
Transferências externas 3249.9
Rendimentos de empresa e propriedade 44 644.5
Impostos diretos 12 976.6
Contribuições sociais 25107,3
Ftmie: Banco dc Rirtugai. dezembro de 2018

1.1 Defina rendimento disponível.

1.2 Determine o rendimento disponível dos particulares, em 2016.

1.3 Sabendo que as despesas em consumo final dos particulares, em 2016. foram,
de acordo com o INE. de 118 037.0 milhões de euros. determine a taxa de pou­
pança dos particulares naquele ano.

164
TEMAS AContabtSdadeNacional

1.1 O rendimento disponível representa o rendimento de que os particulares podem


dispor para consumo e poupança, depois de subtrair aos rendimentos do trabalho
(remunerações do trabalho), do capital (rendimentos de empresas e propriedade) e
das transferências correntes (internas e externas) o valor dos impostos diretos e das
contribuições sociais.

12 Rendimento disponível = Remunerações do trabalho + Transferências internas +


Transferências externas + Rendimentos de empresa e de propriedade - Impostos
diretos - Contribuições sociais = 128 IGlfi

13 A taxa de poupança corresponde a percentagem do rendimento disponível dos parti­


culares. não gasto em despesas de consumo. A poupança foi de 128 767.6 -118 037.0 =
= 10 730.6 milhões de euros.
Assim, a taxa de poupança, em 2016. foi de ■ 100 = 8.33%
12o /b/.b

2. Observe os valores abaixo, relativos às Contas Nacionais Portuguesas em 2018.

Quadro 5

PIB em milhões de euros 201530

PIB taxa de variação homóloga (tvh) 2J

Consumo privado tvh (%) 2.5

Consumo público tvh (%) 0.8

Formação bruta de capital fixo 4.4

Exportações 37

Importações 4.9
Fonte: Mintstèrli i da Economia. março de 2019

2.1 Identifique a ótica de cálculo do valor do produto utilizada.

2.2 Explique o contributo da procura interna para o crescimento do PIB.

2.3 Relacione a procura externa com o PIB.

2.4 Apresente a expressão de cálculo do valor do PIB. a partir do quadro fornecido.

3. Calcule o valor da procura Interna, externa, externa líquida e global, com base nos da­
dos da economia portuguesa em 2017. em milhões de euros.

Quadro 6

Despesas de consumo final (Famfllas e ISFLSF) 126158.8

Despesas de consumo final das Administrações Públicas 34 036.6

Formação bruta de capital 32 857.9

Exportações de bens e serviços 83 098.5

Importações de bens e serviços 81 538.4


Fonte: INE. Gvitas Xacb»nats. dezembro de 201X

165
TEMA 10
As relações económicas
com o Resto do Mundo
10.1 Necessidade e diversidade de relações económicas internacionais
102 Registo das relações económicas com o Resto do Mundo
10.3 Políticas comerciais e a organização do comércio mundial
10.4 Relações económicas de Portugal com a União Europeia
e com o Resto do Mundo
TEMA IO As relações económicas com o Resto do Mundo

10.1 Necessidade e diversidade de relações


económicas internacionais

Divisão internacional do trabalho


Sempre existiram razões para os povos trocarem, entre si, bens, serviços ou capitais. Um país
pode não produzir um bem. o que o leva a procurá-lo junto de países que o consigam produ­
zir, podendo trocar por ele outros bens que ele próprio produza.

Pode também suceder que um país consiga produzir um bem. mas náo em quantidades su­
ficientes para satisfazer as necessidades da sua população. Pode acontecer, ainda, que um
país consiga produzir vários bens, mas a um custo superior ao de outro país. Nessa situação,
deverá procurar esses bens junto de outros países que os produzam com maior eficiência,
especializando-se na produção daqueles em que a sua ineficiência é menor. Assim se justifica
a compra de bananas, café ou cacau aos países tropicais, ou de tecnologia aos países mais
industrializados.

Destas trocas, que assentam nas vantagens que cada país tem relativamente a terceiros,
resulta a divisão Internacional do trabalho (divisão da produção pelos países e consequente
especialização), a principal justificação do comércio entre os povos.

Divisão Internacional do trabalho - Divisão da produção a nível mundial, associada a


diversidade de recursos e com base nas trocas. Conduz à especialização da produção
dos países - uns produzem e exportam matérias-primas e recursos naturais, outros pro­
duzem e exportam produtos industriais e outras tecnologias.

Referimo-nos até aqui a bens, mas tudo será semelhante se considerarmos serviços ou
capitais. Qualquer agente económico poderá recorrer a serviços prestados por agentes de
outros países, se os considerar vantajosos ou se deles necessitar. O turismo no nosso país,
por exemplo, é um serviço procurado por muitos estrangeiros e a necessidade de capitais
para investimento pode, igualmente, justificar a sua procura nos bancos de outros países.

Desta forma, as economias trocam entre si bens, serviços e capitais por várias razões - im­
possibilidade. insuficiência ou ineficiência na produção desses bens e serviços; escassez
de capitais ou condições menos favoráveis de acesso ao financiamento.

A globalização e o comércio internacional


Tendo em conta a globalização que caracteriza a economia atual (a livre circulação de pes­
soas. bens e capitais pelo mundo, fruto dos modernos transportes, da informatização e das
redes digitais; a difusão mundial da informação; a localização de empresas e atividades em
qualquer parte do mundo, etc.), é difícil imaginar um país a viver isolado, dependendo ex-
clusrvamente da sua produção. Isto não só pela insuficiência ou incapacidade dessa mesma
produção em satisfazer as necessidades da população, como pelas dificuldades de desen­
volvimento que a ausência de trocas acarretaria.

167
De facto, o comércio Internacional é um dos fatores que pode dinamizar uma economia,
não só pelos aumentos de produção, produtividade e rendimento que a especialização na
produção desses bens acarreta, mas também pelos estímulos que a competitividade mundial
introduz - fator fundamental para o crescimento económico. Assim sendo, a globalização é
outra das razões que justifica as relações económicas entre os países.

A divisão internacional do trabalho e especialização, a globalização e o crescimento eco­


nómico são as principais justificações que sustentam o comércio internacional.’

' Quando nos referimos ao comércio entre dois países em particular, deveremos falar em comércio externo; jã
quando nos referimos ao comércio entre os países em geral deveremos falar de comércio internacional.

168
TEMA IO As relações económicas com o Resto do Mundo

10.2 Registo das relações económicas com o Resto


do Mundo

Balança de pagamentos
As relações económicas entre um país e o Resto do Mundo exigem o seu registo. É indispen­
sável conhecer o tipo de bens e serviços que se trocam, o seu valor, a sua origem e destino,
o montante dos capitais recebidos e aplicados no investimento ou a situação global do país
em relação ao exterior.

É com base na análise de todos estes indicadores que os governos podem avaliar com rigor
o relacionamento económico que os seus países estabelecem com os outros. As informações
refendas anteriormente encontram-se registadas num documento - a balança de pagamen­
tos - que. em Portugal é elaborado anualmente pelo Banco de Portugal, com base em infor­
mações fornecidas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e outras fontes.

Balança de pagamentos - Documento estatístico que. anualmente, resume as relações


económicas de um país com o Resto do Mundo.

A balança de pagamentos tem a estrutura abaixo Indicada.

Balança de bens

Balança de serviços
Balança
corrente
Balança de rendimento primário

Balança
de capital Balança de rendimento secundário

Balança
financeira

Importações e exportações - o seu registo


A compra de bens ou serviços ao Resto do Mundo (importações) ou a venda (exportações), pela
sua diversidade e valor, exige que estes movimentos sejam registados em termos monetários.

Assim, o registo monetário de uma Importação corresponde a um movimento a débito (em


contrapartida da entrada de um bem ou serviço) e o registo de uma exportação é feito a crédito
(em contrapartida da saída de um bem ou serviço). As importações e exportações de bens e
serviços são registadas, respetrvamente. na balança de bens e na balança de serviços.

169
Exportaç3o Importação

Crédito Débito

Taxas de câmbio

Considerando que as trocas económicas internacionais se efetuam com uma diversidade de


países e que estes possuem as suas moedas, toma-se necessário conhecer o valor da moeda
de um país em relação à dos outros. Essa relação chama-se taxa de câmbio

Taxa de câmbio - Exprime o valor de uma moeda em relação a outra. Em termos práticos,
a taxa de câmbio indica a quantidade de moeda nacional que precisamos de dar para
comprar uma unidade de moeda estrangeira (taxa de câmbio direta) ou a quantidade de
moeda estrangeira que é necessária para comprar uma unidade de moeda nacional (taxa
de câmbio indireta).

A relação de troca entre as moedas depende de fatores diversos, entre os quais se destacam a
inflação e a política de desvalorização da moeda.

Uma das consequências da Inflação é a depreciação do valor da moeda, o que significa que
esta passa a valer menos relaüvamente às moedas dos outros países - será necessário entre­
gar. no caso dos países da zona euro. mais euros para comprar a mesma quantidade de dólares,
libras, etc.

Ocorrendo uma desvalorização da moeda, medida tomada pelas autoridades bancárias dos
países, a moeda desse país tomar-se-á mais barata.

A descida do valor de uma determinada moeda relativamente às outras terá consequências nas
trocas internacionais - as exportações tornam-se mais competitivas (os produtos exportados
ficam mais baratos); em contrapartida, os produtos importados ficam mais caros.

Na situação em que ocorra uma apreciação do valor da moeda (aumento do valor da moeda
nacional face a outras moedas), tal significará que uma unidade de moeda nacional permitirá
comprar mais unidades de moeda estrangeira. Valorizando-se a moeda nacional, as exporta­
ções ficarão mais caras e as importações mais baratas (os produtos estrangeiros ficam mais
baratos comparativamente aos nacionais).

As taxas de câmbio podem ser fixas ou flexíveis. Serão fixas se o governo mantiver a pandade
da sua moeda em relação às outras. No caso de os governos decidirem que o valor da sua moe­
da é fixado pelo mercado, teremos taxas de câmbios flexíveis. No caso português, dado que
o país faz parte da União Económica e Monetária (UEM). as taxas de câmbio são fixadas pelo
Banco Central Europeu (BCE) e só podem ser alteradas para o conjunto dos países. Portugal
não pode, por isso, alterar unilateralmente o valor das taxas de câmbio.

170
TEMA IO As relações económicas com o Resto do Mundo

Divisas

De referir, ainda, que as trocas não são sempre pagas com as moedas próprias de cada país (di­
visas). As moedas das economias mais fortes são referências no mercado mundial e são. por
isso, utilizadas como meio de pagamento privilegiado. É o caso do euro. do dólar ou do lene,
por exemplo. A estas moedas, que constituem meios de pagamento de aceitação generalizada
nas trocas internacionais, chamamos divisas fortes

Registos na balança de pagamentos


Os registos na balança de pagamentos são feitos a débito e a crédito. O registo a débito signifi­
ca a salda de divisas do país em direção ao Resto do Mundo e o registo a crédito a entrada de
divisas no país vindas do Resto do Mundo. A diferença entre os créditos e os débitos dá-nos o
saldo de cada uma das componentes da balança.

Vejamos o exemplo do registo na balança de bens portuguesa, de janeiro a Julho de 2018


(quadro 1): importações de bens registadas a débito (42 976 mllhóes de euros) e exportações
registadas a crédito (34 790 milhões de euros). O saldo da balança de bens obtém-se sub­
traindo os débitos dos créditos.

Quadro 1 - Balança de bens. Portugal, janeiro a julho de 2018. Em milhões de euros

Total de bens 42 976 34 790 - 8186

Os saldos das balanças podem ser nulos, posltlvos/superavltárlos e negativos deficitários


Neste caso, o saldo da balança de bens portuguesa, entrejaneiro e Julho de 2018. foi deficitário,
ou negativo (-8186 milhões de euros). pois o valor das importações (42 976 milhões de euros)
foi superior ao valor das exportações (34 790 milhões de euros).

Balança corrente

Na balança corrente registam-se todas as transações exceto as que se referem a movimentos


de capitais e de ativos financeiros.

Troca de Troca de rendimentos Transferências correntes:


mercadorias. serviços, como do trabalho e do Privadas
bens em transportes. capital (salários, juros. • Movimentos sem contrapartida
processamento viagens e turismo lucros, rendas, etc.) que afetam o rendimento
e direitos de disponível (ex.: remessas de
utilização de emigrantes; donativos)
patentes, marcas
Públicas
e franchlsing
• Movimentos de capitais relativos
a transferências correntes em
que um dos intervenientes
é o Estado português (ex.:
recebimentos e pagamentos
correntes com a UE)

171
Quadro 2 - Balança corrente portuguesa. 2018. Em milhões de euros

1- 12 304,0 I

Bens 14 707.2

Serviços 16718.1

Rendimento Primário 5 700.6

Rendimento secundário 2 459.3

Fonte Pordata. tcwrviro de 2019

A balança corrente, em 2018, apresentou um saldo negativo, pois os saldos positivos das balan­
ças de serviços e de rendimento secundáno não cobriram os saldos negativos da balança de
bens e de rendimento primário.

Indicadores do comércio Internacional de bens

Dois dos Indicadores do comércio internacional de bens são a taxa de cobertura e o grau de
abertura ao exterior.

Taxa de cobertura

A taxa de cobertura é um indicador de comércio externo que representa, em percentagem, o


valor das importações que podemos considerar como pago com o valor das exportações.

Valor das exportações


Taxa de cobertura x 100
Valor das importações

Uma taxa de cobertura de valor superior a 100% significa que as exportações pagam a tota­
lidade das importações. Uma taxa de cobertura de valor Inferior a 100% significa que o valor
das exportações não é suficiente para cobrir o valor das importações.

Quadro 3 — Taxa de cobertura. Portugal. Em percentagem

2014 2015 2016 2017

83.3 83,7 83,6 81,7 79,5

Fonte Mimstenoda Economia. tcvcrcm>dc20l9

Os valores apresentados, sempre Inferiores a 100%, mostram que o valor das exportações
não cobre o valor das importações, dado o saldo da balança de bens ser negativo em todos
os anos.

Grau de abertura ao exterior

Este indicador do comércio externo representa o peso que as trocas com o exterior têm na
economia nacional.

Valor das exportações ♦ Valor das importações *


Grau de abertura ao exterior =
PIB

Quanto maior for o valor deste índice, mais aberta é a economia face ao exterior. Vejamos o
exemplo português através do quadro 4:

172
TEMA IO As relações económicas com o Resto do Mundo

Quadro 4 - Grau de abertura da economia portuguesa. Em percentagem

2016 2017 2018

78.9 84.6 87,1

Funtc: AICEP. ftirtugal GJrtbaí. junho de 2019

Os valores apresentados evidenciam a elevada inserção da economia portuguesa na econo­


mia internacional.

Balança de capital
Na balança de capital registam-se entradas e saldas de fluxos de capitais não financeiros.

Movimentos de capitais associados à transferência de Royaltles. patentes, franchlses.


3
propriedade de ativos fixos ou ao cancelamento de compra de <passes> de
créditos sem contrapartida. Os fundos europeus para Jogadores...
investimento em infraestruturas e transferências de
património, são exemplos de transferências de capital a
entrar no país.

Quadro 5 - Saldo da balança de capital. Portugal. Em milhões de euros

i 2013 2014 2015 2016 2017

2790.7 2316.2 2094.0 1877.0 1820.2 2133,0

Os saldos excedentários da balança de capital revelam uma situação favorável do país relati-
vamente às transferências de capital a entrar em Portugal.

Balança financeira
A balança financeira cobre o registo das seguintes operações:

Investimento Investimento Outro Derivados Ativos


de carteira financeiros

Inclui o Aquisição por Concessão de Transações Aquisição


investimento um residente um empréstimo de derivados pelo Banco de
direto de obrigações ou depósito financeiros Portugal de
estrangeiro feito do tesouro entre um banco entre residentes títulos em dólares
em Portugal e americano, por residente a outro e não emitidos fora da
de Portugal no exemplo não residente. residentes zona euro. por
estrangeiro por exemplo exemplo

Capacidade ou necessidade de financiamento

Quando o saldo conjunto das balanças corrente e de capital é positivo, a economia em ques­
tão tem capacidade de financiamento e a situação é retratada no saldo positivo da balança
financeira; caso contrário, a economia tera necessidade de financiamento, o que se traduzirá
no saldo negativo da balança financeira. Vejamos o exemplo do quadro 6.

173
Quadro 6 - Saldos da balança de pagamentos. Portugal. 2016. Em milhões de euros

1101.2 1877.0 2978.2 2986.1 7.9


Fonte-. www.pordau.pt (consultado cm novembro de 20181

A economia portuguesa, em 2016. apresentou capacidade de financiamento, pois o saldo con­


junto da balança corrente e da balança de capital foi positivo, no valor de 2978.2 milhões de
euros. O valor do saldo conjunto da balança corrente e de capital, corresponde ao valor regista­
do pelo saldo da balança financeira, corngido pela rubrica erros e omissões, que dá a posição
credora (saldo positivo) ou devedora (saldo devedor) do país relatrvamente ao exterior.

Saldo conjunto da balança corrente e de capital + Erros e omissões


= Saldo da balança financeira

Neste caso: 2978.2 + 7.9 = 2986,1 milhões de euros

O saldo positivo da balança financeira traduz a posição credora de Portugal face ao exterior.

10.3 Políticas comerciais e a organização


do comércio mundial

As políticas comerciais
Relativamente ao comércio internacional, um país pode assumir duas polfticas - proteger
a sua economia, limitando ou impedindo a livre troca de bens, serviços ou capitais ou, pelo
contrário. promover a liberdade de troca de bens, serviços e capitais. No pnmeiro caso, esse
país defende uma política protecionista ou de protecionismo, no segundo caso, esse país
preconiza uma política llvre-camblsta. de llvre-camblsmo ou de comércio livre.

Protecionismo

Os Instrumentos protecionistas mais utilizados são as barreiras alfandegárias que. através


de barreiras tarifárias (taxas sobre as importações) ou não tarifárias (através de quotas de
importação, por exemplo), tornam os bens importados mais caros ou escassos, levando os
consumidores a preferir os produtos nacionais, mais baratos ou disponíveis em quantidades
suficientes.

Existem outras formas de protecionismo, como os subsídios às exportações, que alteram os


valores de troca, tomando os preços dos bens exportados mais baixos e constituindo, assim,
uma forma de concorrência desleal.

O dumplng é outro instrumento utilizado fiara tornar os preços de troca mais baixos. Neste
caso, o país exportador vende os bens a um preço inferior ao seu custo, de modo a aniquilar
a concorrência. Esta prática é condenada pelas regras do comércio internacional.

174
TEMA IO As relações económicas com o Resto do Mundo

A desvalorização da moeda pelas autoridades dos países também pode ser considerada
uma medida protecionista, já que toma o preço dos bens exportados mais baratos, o que faz
com que estes fiquem mais competitivos comparatlvamente aos de outros países.

Uvre-cambismo

O livre-cambismo defende a liberalização das trocas entre os países, justiflcando-a como es­
tratégia de desenvolvimento das respetivas economias. Com base na teoria das vantagens
absolutas, um país deve produzir os bens para os quais tem vantagem absoluta, trocando
o excedente produzido por bens em que não tem vantagens absolutas e que outros países
produzem com mais vantagem (maior produtividade).

Neste caso, os países ganham com a especialização na produção dos bens para os quais têm
mais competência, trocando-os pelos bens em que não têm vantagem.

Pode acontecer que um país possa produzir todos os bens com mais vantagem. Mesmo as­
sim. deverá deixar a produção de alguns desses bens para outros países. A escolha assenta­
rá no princípio das vantagens comparativas, que afirma que um país se deverá especializar
na produção do bem para o qual é menos ineficiente.

Teoria das vantagens absolutas - Um país têm vantagens absolutas na produção de um


bem quando o faz de forma mais barata do que os outros países. Deve então especiali-
zar-se na produção e exportação desse bem.

Princípio das vantagens comparativas - Na troca entre dois países, mesmo que um
deles tenha vantagem absoluta na produção de todos os bens (produzindo qualquer
bem mais barato do que o outro país), deverá especializar-se na produção e exportação
daquele em que a sua vantagem comparativa é maior. O país em desvantagem deverá
especializar-se na produção e exportação do bem em que é menos ineficiente. O comér­
cio internacional beneficiará, assim, ambos os intervenientes.

A organização do comércio mundial


A crescente liberalização das trocas internacionais levou à necessidade da sua regulação,
tendo sido, para o efeito, criada em 1995 a Organização Mundial do Comércio (OMC).

WORLD TRADE
ORGANIZATION

A Organização Mundial do Comércio (OMC)


A Organização Mundial do Comércio (OMC) é uma organização constituída por cerca de 164
países que representam a quase totalidade do comércio mundial (cerca de 98% das trocas)
e que defendem a liberalização progressiva das trocas internacionais. Esta organização tem
por objetivo regular o comércio entre os países-membros, através de acordos negociados e
subscritos pela maioria dos países, nomeadamente pelas grandes potências económicas no
mundo.

175
Os principais objetivos da OMC sâo a harmonia, a liberdade e a previsibilidade das trocas
entre os países-membros. Conhecendo as normas que regulam as trocas internacionais, os
países podem insenr-se com maior segurança no comércio mundial, beneficiando das poten­
cialidades que ele representa para o crescimento das suas economias.

O Indicador da OMC relativo a tendência do comércio internacional revelava, a 26 de no­


vembro de 2018. uma detenoração das trocas comerciais mundiais: a 9 de agosto de 2018
o indicador marcava 100.3 pontos e, a 26 de novembro. 98.6 pontos. Esta desaceleração foi
mais significativa nas exportações (96.6 pontos), valor abaixo da tendência.

Quadro 5 - Tendência do comércio internacional. 2018. Em percentagem

r o^to Crédito Variação 1

Volume de trocas comerciais 101.5 ->


Exportações 96.6

Tráfego comercial aéreo 100.0

Tráfego comercial marítimo 1012

Produção automóvel 96.9

Componentes eletrónicos 93.9

Materiais agrícolas 97.2

10.4 Relações económicas de Portugal com a União


Europeia e com o Resto do Mundo
Desde a adesão á União Europeia, em 1986*. que Portugal tem privilegiado as trocas com
esse amplo espaço económico. Em 2016. segundo o INE. cerca de 77.8% das importações de
bens tinham origem na União Europeia e 75,1% das exportações tinham como destino, tam­
bém. a União Europeia, ocupando a Espanha o lugar cimeiro nos dois casos.

Estrutura geográfica das exportações e importações


Os pnncipais clientes e fornecedores externos de bens a Portugal foram, em 2016. Espanha.
França e Alemanha, representando conjuntamente mais de metade das exportações (50.2%)
e das importações (54.1%).

Relativamente às trocas com os países extra-UE. os Estados Unidos foram o principal destino
(com um peso de 4.9%). sendo o mercado angolano o oitavo, em 2016; do lado dos fornece­
dores. a China e a Rússia conjugavam o maior peso das importações (3.0% e 1.9%, respetiva­
mente).

• Na altura. Comunidade Econômica Europeia - CEE.

176
TEMA IO As relações económicas com o Resto do Mundo

Vejamos os gráficos 1 e 2.

Gráfico 1 - Exportações de bens - principais paises de destino. 2016

Espanha 25.9%

Alemanha 11.7%.

Estados Unidos 4.9% e



França 12.6%
O

<& Reino Unido 7.1%


c
ohalla3,5%
• Angola 3.0%
.Bélgica Z4%
•Marrocos 14%

-625 - 500 - 375 - 250 -125 0 125 250 375 500 625 750

Rinic: INE Estatísticas do Comercio Internacional. 2017

Gráfico 2 - Importações de bens - principais patses de origem. 2016

^^Espanha 32.9%


Itâlla 5.5% U Alemanha 13.4%
u França 7.7%
: Países Baixos 5.1%
Reino Unido • China 3.0%
3.1%
Bélgica 2.8% Rússia 1.9%
BrasH 1.7%

100 0 100 200 300 400 500 600

R>nie: INE Estatísticas do Comercio Internacional. 2017

Estrutura setorial das exportações e importações


As «Máquinas e aparelhos» constituíram os principais produtos exportados e importados, em
2016. Em termos de crescimento, as «Máquinas e aparelhos» destacaram-se nas exportações
e os «Veículos e outro material de transporte» nas Importações. Os «Combustíveis minerais»
registaram uma diminuição do seu peso nas exportações e Importações devido à queda dos
preços destes bens no mercado internacional.

Analisemos agora os gráficos 3 a 6.

Rmte INE 2017

177
Gráfico 4 - Importações - principais produtos. 2016

Metais comuns 7,3% material de transporte


V■» 13.7*
Plásticos e borrachas Alimentares 4.4%
6.1% 0 W Outros produtos 3.5%
Vestuário 3.3%
1 I 1 I 1 1 1

Gráfico 5 - Exportações de produtos de alta tecnologia. 2016 (4.4% do total das exportações de bens)

Gráfico 6 - Importações de produtos de alta tecnologia. 2016 (9,0% do total das importações de bens)

Os produtos de alta tecnologia alcançaram 4.4% do total das exportações de bens e 9.0% do
total das importações de bens. Dentro destes produtos os «produtos eletrónicos e telecomu­
nicações» foram os principais bens transacionados com o exterior.

Considerando o saldo das trocas de bens, os maiores saldos positivos registaram-se nos pro­
dutos «Minerais e minérios». «Pastas celulósicas e papel» e «Calçado» e os maiores défices
registaram-se nos produtos «Químicos». «Agrícolas» e «Combustíveis minerais» (gráfico 7).
TEMA IO As relações económicas com o Resto do Mundo

Gráfico 7 - Saldo da balança de bens - principais produtos, 2016

Minerais e minérios
Pastas celulósicas e papel
Calçado
Vestuário
Outros produtos
Máquinas e aparelhos
Veículos e outro material de transporte
Combustíveis minerais
Produtos agrícolas
Químicos

* 2015 m 2016

Rintc: INE. Estatísticas do Comercio /ntemucionai. 2017

Nas trocas internacionais há a destacar a importância das exportações de serviços pela posi­
ção credora da respetiva balança.

O turismo constitui o principal serviço que Portugal vende ao Resto do Mundo, tendo regista­
do. nos últimos anos, um forte crescimento - gráfico 8.

Em 2017. segundo dados do Banco de Portugal, o saldo positivo da balança de serviços cres­
ceu 645 milhões de euros. essencialmente devido à rubrica de viagens e turismo, cujo saldo
passou de 3070 milhões de euros para 3621 milhões de euros.

Gráfico 8 - Balança de serviços, viagens e turismo

Viagens e turismo - exportações Viagens e tunsmo - Importações


♦ Serviços - saldo ■ Viagens e tunsmo - saldo

Fonte INE. Estatísticas do Comercio Internacional. 2017


ESQUEMA-SÍNTESE

Registo das trocas Razões para a troca

Balança de pagamentos • Ausência, escassez ou


• Balança corrente ineficiência de bens
— Balança de bens • Como estratégia de
- Balança de serviços crescimento económico

- Balança de rendimento
primário
- Balança de rendimento
secundário Através da divisão
internacional do trabalho
• Balança de capital
• Balança financeira
— Investimento direto
- Investimento de carteira
— Outro investimento Globalização
- Derivados financeiros
- Ativos de reserva

OMC Livre-cambismo Protecionismo

r
Teoria das
vantagens
3
Teoria das
vantagens
• Barreiras alfandegárias
Barreiras tarifárias (taxas sobre
os produtos importados)

absolutas comparativas Barreiras não tarifárias


- quotas à importação de
alguns produtos
- subsídios às exportações
- desvalorização da moeda, etc.
Mais produção

Menos concorrência externa


Mais rendimento

Mais crescimento
Menos crescimento económico
económico

180
TEMA IO As relações económicas com o Resto do Mundo

SÍNTESE

✓ As trocas comerciais entre países resultam da necessidade em obter bens, serviços e ca­
pitais que os países não produzem, por não possuírem os recursos adequados, ou por não
os conseguirem produzir de forma eficiente ou na quantidade necessária.

✓ O comércio internacional assenta na divisão internacional do trabalho. Os países especia-


lizam-se nas produções em que têm maiores vantagens, colocando esses produtos nos
mercados internacionais e obtendo Junto de outros países os bens de que necessitam.

✓ O comércio internacional e a sua dimensão global, proporcionadas pela maior facilidade e


rapidez de circulação das mercadorias, da informação e dos capitais, contnbuem para o cres­
cimento das economias, gerando maior rendimento e bem-estar para os povos.

✓ O registo das trocas internacionais é feito na balança de pagamentos, que é constituída pe­
las balanças corrente, de capital e financeira. Da balança corrente fazem parte as balanças
de bens, de serviços, de rendimento primário e de rendimento secundário.

✓ As trocas entre países exigem a utilização de meios de pagamento de aceitação genera­


lizada (como o euro e o dólar), o que implica a realização de operações de câmbio. Para
estas, é fixada uma determinada taxa (taxa de câmbio) que exprime a relação de troca entre
moedas diferentes.

✓ Os saldos das balanças informam, anualmente, sobre a posição dos países (credores ou
devedores) face ao Resto do Mundo. Um saldo positivo traduz entrada de divisas no país
enquanto um saldo negativo representa uma saída de divisas e consequente endividamento
externo.

✓ A taxa de cobertura permite avaliar o peso de cobertura das importações pelas exportações
de bens. Uma taxa de cobertura superior a 100% traduz uma situação favorável, enquanto
uma taxa de cobertura inferior a 100% significa que. nesse ano, a balança de bens apresen­
tou um défice, ou seja, que o valor das importações foi superior ao valor das exportações.

✓ O grau de abertura ao exterior permite avaliar o a inserção de uma economia na economia


internacional. Quanto maior o peso das exportações e Importações no PIB. mais aberta é a
economia face ao extenor.

✓ O comércio Internacional desenrola-se em função das políticas comerciais dominantes, asso­


ciadas ao protecionismo e ao livre-camblsmo. A adoção de medidas protecionistas (subsídios
às exportações, barreiras tarifárias, entre outras) visa cnar limitações às importações de forma
a proteger o mercado Interno, enquanto o livre-camblsmo adota medidas favoráveis à livre
circulação de bens, serviços e capitais.

✓ A Organização Mundial do Comércio procura alcançar um maior equilíbrio em termos dos


benefícios do comércio internacional, no quadro da liberalização das trocas internacionais.

✓ A União Europeia constitui o principal mercado de ongem e de destino das importações e


exportações portuguesas. O turismo é o principal produto exportado.

181
Avaliação

GRUPO I

As questões abaixo são de escolha múltipla. Selecione a opção correta em cada uma.

1. As trocas comerciais entre os países justlficam-se

(A) pela necessidade de obter bens raros mais baratos.

(B) pela possibilidade de obtenção de maiores lucros.

(C) pela necessidade de escoar excedentes de produção e de obter produtos em falta.


(D) pela possibilidade de vender produtos mais caros.

2. A divisão internacional do trabalho significa

(A) a divisão do trabalho pelos trabalhadores dos vários países.

(B) que os países se especializam nas produçOes em que têm maiores vantagens.

(C) que o trabalho é repartido em tarefas distribuídas pelos países.

(D) a divisão do trabalho a nível mundial.

3. A taxa de cobertura do País X. em 2018. foi de 80%. Este valor significa que

(A) no país X. em 2018. as exportações cresceram 80% relativamente às importações.

(B> no país X. em 2018. o saldo da balança de bens foi positivo.

(C) no país X. em 2018. o saldo da balança de bens foi negativo.

(D) no país X, em 2018. as Importações cresceram 80% relativamente às exportações.

4. A alteração da taxa de câmbio pode ter efeitos sobre as trocas de bens entre países.
A afirmação é

(A) verdadeira, pois a variação da taxa de câmbio toma os produtos mais caros.

(B) verdadeira, quando as trocas se realizam entre países com moedas diferentes.

(C) falsa, pois os efeitos nas trocas fazem-se sentir também nos serviços e nos capitais.

(D) falsa, pois as alterações efetuadas nas taxas de câmbio pelas autoridades visam a
estabilidade nas trocas Internacionais.

5. Na balança corrente induem-se os seguintes registos:


(A) compra de ações de uma empresa portuguesa por um fundo de investimento norte
americano e saída dos dividendos para os EUA.

(B) compra de mercadorias por uma empresa portuguesa a um armazenista francês e


saída de remessas dos imigrantes.

(C) venda de ações de uma empresa portuguesa a um investidor residente no exterior e


compra de petróleo a um país da OPEP.
(D) viagens de turismo de residentes nacionais a países da União Europeia e entrada de
investimentos de empresas estrangeiras.

182
TEMA IO As relações económicas com o Resto do Mundo

6. Considere os valores da balança corrente do pais A. expressos em milhares de u.m.


e relacione a alternativa correta.
Quadro 1 - Saldos da balança corrente. Pais A. 2016. Em milhares de u.m.

Balança de bens -128


Balança de serviços 76
Balança de rendimento prtmárfo
Balança de rendimento secundário -23
Saldo da balança corrente 15

O valor do saldo da balança de rendimento primário é relativo a

(A) rendimentos do trabalho e do capital, sendo de 90 milhares de u.m.

(B) rendimentos do trabalho e do capital, sendo negativo.

(C) rendimentos dos emigrantes e dos Imigrantes, sendo de 90 milhares de u.m.

(D) rendimentos dos emigrantes e dos imigrantes, sendo negativo.

© <A) o saldo da balança de rendimento primário é relativo a rendimentos do trabalho e


do capital, sendo positivo (90 milhares de u.m.). Saldo da balança corrente = Saldo
da balança de bens + Saldo da balança de serviços + Saldo da balança de rendimen­
to primário + Saldo da balança de rendimento secundário

7. Os recebimentos relativos ao Fundo de Coesão e aos juros de empréstimos concedidos


a nâo residentes sâo registados, respetivamente.

(A) na balança de rendimento primário e na balança de capital a crédito.

(B) na balança de capital e na balança de rendimento primário a débito.

(C) na balança de rendimento primário e na balança de capital a crédito.

(D) na balança de capital e na balança de rendimento primário a crédito.

8. O saldo conjunto das balanças corrente e de capital traduz

(A) capacidade de financiamento da economia, quando é negativo.

(B) posição credora do país, quando é positivo.

(C) necessidade de financiamento da economia, quando é positivo.

(D) posição credora do país, quando é negativo.

9. Fazem parte das políticas protecionistas

(A) os subsídios aos produtos importados para estes ficarem mais baratos.

(B) a eliminação das barreiras alfandegárias para os produtos circularem mais facilmente.

(C) o aumento do preço dos produtos para favorecer o rendimento dos produtores.

(D) a imposição de limites às quantidades a importar de determinados bens.

183
Avaliação

GRUPO II

1. Os países deverão especializar-se na produção de mercadorias em que sSo mais produti­


vos. Esta especialização beneficiará todos os países, mesmo quando um deles é absoluta­
mente mais eficiente na produção de todos os bens. Assim sendo, o comércio beneficiará
todos os intervenientes.
Adaptado de P. Samuetson e W. Nordhaus. Eamomki. Sâo Paulo. McGraw-Hlll. 1981

1.1 Tendo em conta o texto, justifique a existência de relações económicas entre os países.

1.2 Relacione especialização e divisão internacional do trabalho.

1.3 Explique por que razão os EUA importam café e exportam milho e o Japão exporta
sobretudo bens manufaturados.

2. As trocas comerciais entre os países podem constituir um fator de crescimento eco­


nómico. Se o contexto para essas trocas for o mercado global, maiores serão as
potencialidades para esse crescimento.

2.1 Apresente uma noção de mercado global.

2.2 Justifique a importância do comércio internacional para o crescimento econó­


mico. no contexto do mercado global.

© 2.1 presenta.
O mercado global traduz a dimensão mundial que a economia nos dias de hoje re­
A facilidade e rapidez de transporte de bens e pessoas, e as tecnologias
digitais nas comunicações, na informação e nas transferências de dinheiro e capital
estimulam a livre circulação, facilitam o acesso aos mercados e ao financiamento.
permitindo localizar empresas e segmentos de produção em varias partes do mun­
do e realizar trocas a nível global.
2J O comércio entre países é gerador de crescimento das economias - aumento da
produção para as empresas direta e indiretamente ligadas à exportação, aumento
do emprego, aumento do rendimento e aumento do consumo no conjunto da eco­
nomia. No contexto do mercado global, as trocas internacionais constituem um fac-
tor incentivador do crescimento, em particular para as economias mais competitivas
que têm maiores vantagens no comércio internacional.

3. Calcule o valor das exportações de serviços portugueses, entre Janeiro e Julho de 2018.
sabendo que o valor das Importações de serviços foi de 8468 milhões euros e o saldo
da balança de serviços foi de 9396 milhões de euros.

4. O valor das exportações portuguesas de bens e serviços foi. entre janeiro e julho de
2018. de 52 654 milhões de euros e o valor das importações de bens e serviços foi de
51 444 milhões de euros.

4.1 Calcule a taxa de cobertura.

4.2 Explicite o significado do valor obtido.

184
TEMA IO As relações económicas com o Resto do Mundo

5. Estabeleça a correspondência correta entre as duas colunas da tabela.

A. Exportação de máquinas produzidas


1. Balança de capital a débito
em Portugal para Angola

B. Remessas dos emigrantes 2. Balança de rendimento primário a crédito

C. Lucros dos investimentos efetuados por


3. Balança de bens a crédito
empresas chinesas em Portugal

D. Viagens realizadas por cidadãos nacionais 4. Balança de rendimento secundário


em companhias áreas estrangeiras a crédito

E. Aquisição de um terreno num país


5. Balança de serviços a débito
estrangeiro por uma embaixada portuguesa

F. Juros de empréstimos concedidos por


6. Balança de rendimento primário a débito
bancos nacionais a empresas estrangeiras

6. Considere as duas principais políticas de comércio internacional.

6.1 Distlnga-as nos seus aspetos fundamentais.

6.2 Exponha uma medida adotada por cada uma dessas políticas.

GRUPO III

1. Observe a balança de pagamentos de Portugal, em 2017.

Quadro 2 - Saldos da balança de pagamentos. Portugal. 2017.


Em milhões de euros

Balança de bens -12 107.8


Balança de serviços 15 618.9

Balança de rendimento pnmárto - 4 858.7


Balança de rendimento secundário 2226.1
Balança de capital 1820.2
Balança de financeira 3131,1
Erros e omissões 432.4
K>ntc-. www.pi>nlata.pt (omsultarki cm dezembro de 2018)

1.1 Calcule o saldo da balança corrente e classifique-o.

1.2 Em 2017 a economia portuguesa teve necessidade ou capacidade de financiamento?


Justifique a sua resposta.
1.3 O valor do PIB em 2017 foi de 193 072.0 milhões de euros. Sabendo que o valor das
Importações de bens foi de 69 489.2 milhões de euros. determine o peso das expor­
tações no PIB.

1.4 Indique um exemplo de um movimento registado na balança de rendimento pnmário


e outro registado na balança de rendimento secundário.

185
Avaliação

2. Os mercados da União Europeia representam cerca de 75% das trocas comerciais


de Portugal com o exterior.
Considere os seguintes valores.

Quadro 3 - Mercados das exportações e importações de bens. Portugal,


janeiro a julho de 2018. Em miViões de euros

ImportBçôes 1
Exportações

Intra-UE 29 492 37129

Alemanha 4505 6815

Espanha 983 15 375

França 4965 3709

Itália 1608 2621

Reino Unido 2384 1232

Extra-UE 9410 12 299

Angola 1007 677

Brasil 522 714

China 452 1532

EUA 2057 777


Finte Banco de Portugal. Boletim EstattstK». outubro de 2018

2.1 Analise os valores fornecidos e retire conclusões.

2.2 Pode aflrmar-se que o comércio português está geograficamente concen­


trado? Justifique a sua resposta.

2.3 Quais os países que. no perfodo considerado, se revelaram mais vantajosos


para Portugal em termos do comércio de bens? Justifique a sua resposta.

2.1 A análise dos valores permite concluir da importância do mercado da União Euro­
peia para as importações e exportações portuguesas comparativamente aos mer­
cados extra-UE. Os principais mercados para as exportações e importações de bens
portugueses sâo a Espanha, a França e a Alemanha, países da UE. E de destacar a
importância do mercado espanhol que absorve cerca de 33% das exportações de
bens portugueses para a UE e representa á volta de 41% das nossas importações
dos mercados comunitários.

22 Considerando o peso do comércio intra-UE nas trocas comerciais de Portugal (cerca


de 75%). pode-se concluir que o nosso comércio externo está muito concentrado
geograficamente nos mercados da União Europeia, com particular destaque para o
mercado espanhol.

2.3 Rança. Reino Unido. Angola e EUA. As exportações de bens portugueses para estes
países, no período considerado, foram de valor superior às importações realizadas.

186
TEMA IO As relações económicas com o Resto do Mundo

3. O quadro que se segue fornece informação relativa às exportações e importações de


bens realizadas por Portugal.

Quadro 4 - Balança de bens portuguesa, janeiro a julho de 2018.


Em milhões de euros

Bens de consumo 12 104 12 868

Bens intermédios 11433 12 764

Bens de equipamento 8 740 9 976

Combustíveis 2 489 4 582

Outros 24 9
Rmte Banco de Kirtutfil. Boletim Estatístico. outubro de 2018

3.1 Apresente três conclusões relativamente ao tipo de bens exportados e importados por
Portugal no período considerado.

3.2 Explicite a situação da balança de bens, no período em análise, com base nos valores
fornecidos.

4. Considere os valores da balança de bens portuguesa e da taxa de cobertura.

Grafico 1 - Saldo da balança de bens - valores acumulados.


Em milhões de euros

-*■ 2016
-••• 2OT7
2018

Quadro 5 - Taxa de cobertura. Em percentagem

2016 2017 2018 |

Fonte: INE. Estatísticas do Comercio Internacional, dezembro de 2018

4.1 Analise a situação dos saldos da balança de bens e respetiva evolução nos anos con­
siderados (gráfico 1).

4.2 Enquadre os valores da taxa de cobertura.

187
TEMA 11
A intervenção do Estado na economia
11.1 Funções e organização do Estado
11.2 A intervenção do Estado na atividade económica
11.3 As políticas económicas e sociais do Estado português
TEMA TI A intervenção do Estado na economia

11.1 Funções e organização do Estado

Estrutura do setor público


O setor público Inclui a atividade administrativa do Estado e a sua atividade enquanto produtor.
Deste modo, inclui o setor público administrativo e o setor público empresarial.

Administração central

Administração regional

Administração local

Segurança Social

Fundos autónomos

Empresas públicas

Empresas participadas

O setor público administrativo inclui os serviços da administração central e regional do Estado,


a administração local, a Segurança Social e os fundos autónomos.

O setor público empresarial é constituído pelas empresas públicas e participadas.

Em Portugal, foi das nacionalizações (transferência da propnedade de uma empresa privada


para o Estado), processo ocorrido após o 25 de abril de 1974. que veio a resultar o importante
peso que o setor público possuía na economia.

Depois de 1989. após a segunda revisão da Constituição da República Portuguesa, o Estado


iniciou a privatização de algumas empresas públicas, alienando parte do seu capital social ou
mesmo a sua totalidade. As privatizações mais significativas registaram-se na banca, nos segu­
ros. nos transportes rodoviários interurbanos, nas telecomunicações, no petróleo, na siderurgia,
na pasta de papel, nos cimentos, na alimentação, na energia, nos correios, nas cervejas e no
tabaco.

Atualmente, por força das privatizações, o peso do setor público empresarial (a percentagem
deste setor no PIB) tem vindo a diminuir.

De acordo com a Direção-Geral do Tesouro e Finanças, já não se utiliza a classificação anterior,


que considerava o setor público empresarial como integrando as empresas públicas, mistas e
intervencionadas. As empresas públicas são aquelas cuja propnedade é do Estado, ou seja,
em que o Estado detém mais de 50% do capital ou dos direitos de voto ou a capacidade de
designar ou destituir a maiona dos membros dos órgãos de administração ou fiscalização. Estas
empresas podem ter sido cnadas originariamente pelo Estado ou ter sido objeto de naciona­
lização. As empresas participadas são aquelas em que não existem os requisitos para serem
consideradas empresas públicas, mas em que o Estado detém uma participação permanente
no capital.

189
11.2 A intervenção do Estado na atividade económica

Do Estado liberal ao Estado intervencionista


Desde sempre que o Estado, de uma forma mais ou menos direta, tem vindo a intervir na
economia. Mesmo após a Revolução Industrial, no período do liberalismo económico (o pe­
ríodo do chamado Estado liberal), o Estado intervinha, embora apenas para garantir o fun­
cionamento do mercado, limitando-se a definir o quadro jurídico que a atividade económica
deveha respeitar.

A partir da segunda metade do século XIX. o processo de concentração do capital que deu
origem aos monopólios e oligopólios (mercado de concorrência imperfeita), bem como os
desfasamentos entre a oferta e a procura, mostraram que o mercado, por si só. sena incapaz
de assegurar o equilíbrio económico. Deste modo, o Estado liberal conheceu graves crises
económicas. A grande crise de 1929. que surgiu nos EUA e rapidamente se internacionalizou,
constituiu o mais perfeito exemplo de que o mercado, por si só. é incapaz de se autorregular.

Perante as crises económicas, em particular a Grande Depressão da década de 1930, os


Estados passaram a intervir diretamente na economia - no emprego, no rendimento e no
investimento, por exemplo (período do Estado Intervencionista).

Desde então, tem-se assistido à intervenção dos Estados nas economias quando ocorrem si­
tuações de grande desequilíbno nos mercados e na atividade económica, como foi o caso nos
finais dos anos 70 do século XX ou. mais recentemente, da crise financeira de 2007-2009.

190
TEMA TI A intervenção do Estado na economia

Finalidades da intervenção do Estado na economia


Cabe ao Estado intervir na economia, minimizando as falhas do mercado e promovendo a
eficiência, a equidade e a estabilidade

Eficiência

A eficiência pressupõe que na produção se utilizem o mínimo de recursos aos mais baixos
custos. Como as economias atuais são caractehzadas pela existência da concorrência im­
perfeita. em que os mecanismos da autorregulaçâo da concorrência perfeita nâo sâo respei­
tados. multas vezes as grandes empresas (em situação de monopólio, oligopólio e concor­
rência monopolística) não são eficientes. Além disso, o seu conceito de eficiência pode não
coincidir com o do interesse social, pois a finalidade do capital pnvado ê a maximização do
lucro. É papel do Estado, no exercício das suas funções, repor a eficiência, corrigindo o mer­
cado. A eficiência ê. igualmente, necessána ao desenvolvimento da atividade das empresas
públicas e organismos da Administração Pública.

Uma investigação recente da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Eco­


nómico) apresenta Portugal em sexto lugar no que respeita aos ganhos no PIB resultantes
da melhor eficiência do Estado, de acordo com o gráfico 1. Esta organização internacional
concluiu que Portugal poderia beneficiar slgnrficativamente de uma melhoria da eficiência do
seu setor público.

Ijsbna: Fundoç3<> Erandscu Manuel dus Santos. 2018

Equidade

A equidade consiste na promoção de uma repartição do rendimento mais equilibrada, sem


acentuadas desigualdades sociais. Compete ao Estado, no exercício das suas funções, imple­
mentar a igualdade de oportunidades e repor a justiça social, corrigindo o mercado.

Estabilidade

Outra das funções económicas do Estado prende-se com a estabilidade da economia, pois a
atividade económica não evolui de forma linear a fases de crescimento sucedem-se fases de
desaceleração da economia (o PIB cresce a taxas cada vez mais reduzidas, podendo estagnar,
ou seja, não crescer) ou atê de decrescimento, ou seja, de redução do PIB. O ciclo económico
compreende, assim, fases de expansão (crescimento do PIB. do investimento, do consumo e

191
do emprego) e de recessão (desaceleração ou quebra da produção, acompanhadas da descida
do investimento e do consumo e do aumento do desemprego). Compete assim ao Estado, no
exercício das suas funções, repor a estabilidade, antecipando-se a esta sucessão de fases de
expansão e de recessão da atividade económica, a fim de reduzir os desequilíbrios e os efeitos
negativos resultantes das flutuações do ciclo económico, e garantir a estabilidade económica.

Um exemplo de Intervenção do Estado: a produção de bens públicos

O mercado é inapto no que se refere a produção de bens públicos dado produzir apenas bens
para os quais é necessário que exista poder de compra. Os bens públicos sao bens e seiviços
Indivisíveis que satisfazem necessidades coletivas como a saúde, educação, segurança e de­
fesa. por exemplo. Estes bens têm de ser produzidos pelo Estado pois, exatamente prelo facto
de serem indivisíveis e de satisfazerem necessidades coletivas, não podenam excluir do seu
consumo famílias de baixos rendimentos que não os pudessem pagar, caso fossem produzidos
por empresas pmvadas.

Instrumentos de intervenção do Estado na esfera económica


e social
Para intervir na esfera económica e social, o Estado utiliza vários instrumentos: o planeamento
económico, o orçamento do Estado e as políticas económicas e sociais

Planeamento económico

Orçamento do Estado

Políticas económicas e sociais

Planeamento económico

O planeamento económico é um dos instrumentos que o Estado utiliza para articular as


diferentes iniciativas, quer públicas, quer privadas, a fim de potenclar as capacidades da
economia e. deste modo, maximizar a satisfação das necessidades com um menor gasto
TEMAM A intervenção do Estado na economia V

de recursos. O planeamento económico pode ser Indicativo para o setor privado (que não se
encontra sob a alçada do Estado) e Imperativo para o setor público (este é obrigado a cumpdr
os objetivos definidos pelo plano).

Orçamento do Estado
O Orçamento do Estado é o documento onde se encontram previstas as receitas e as despesas
do Estado para determinado período de tempo, geralmente um ano. As despesas e as receitas
públicas produzem efeitos na atividade económica do pais e na redlstnbuiçao do rendimento.

Em Portugal, é da competência da Assembleia da República aprovar o orçamento do Estado, de


acordo com o que estabelece a Constituição da República Portuguesa. Através do orçamento, o
Estado atua na atividade económica e social, procurando assegurar a satisfação das necessida­
des coletivas, a redução das desigualdades sociais, a correção dos desequilíbrios e a promoção
do crescimento e desenvolvimento económico. Das inúmeras funções do orçamento do Estado
destacamos as seguintes:
• adaptação das receitas às despesas (serão arrecadadas apenas as receitas estntamente
necessárias à efetivação das despesas previstas);
• limitação das despesas (não podem ser realizadas despesas não previstas);
• exposição do plano financeiro do Estado (serão identificadas as despesas que se irão rea­
lizar e indicadas as respetivas fontes de receita).

Despesas públicas
As despesas públicas são constituídas pelos gastos do Estado no exercício das suas funções.

Podem ser classificadas em despesas correntes (fazem-se ao longo de um ano e terminam no


final desse ano) e despesas de capital (realizam-se ao longo de um ano. mas os seus efeitos
perduram ao longo do tempo).

193
r
Despesas correntes Despesas de capital

Ex.: pagamento dos vencimentos à Ex_: investimentos em capital fixo


função pública: transferências sociais (construção de infraestruturas;
— pensões de reforma e viuvez, aquisição de equipamentos e de
subsídios; consumos intermédios: tecnologia), transferências de capital,
compra de bens duradouros compra de ações, reembolsos de
destinados ao funcionamento empréstimos.
dos serviços do Setor Público
Administrativo e pagamento dos
juros da dívida pública.

Efeitos das despesas públicas

Os efeitos das despesas públicas revestem-se de grande importância na atividade económica.

Por exemplo, um aumento das despesas públicas tem efeitos positivos na procura (consumo
e investimento). No entanto, os seus efeitos dependem do tipo de despesa realizada: o au­
mento dos gastos com o pessoal (vencimentos dos funcionários públicos) e das transferências
correntes (pensões de reforma e outras transferências) têm implicações na redlstnbulçâo dos
rendimentos e no aumento do consumo privado, enquanto um Incremento nas despesas de
capital tem consequências no investimento e na produção. Da mesma forma, uma diminuição
das despesas públicas terá efeitos negativos nas variáveis acima mencionadas.

• Aumento da produção de bens


• Aumento dos gastos com pessoal. e serviços não mercantis.
• Aumento dos subsídios e das • Aumento do capital fixo.
prestações da Segurança Social. • Aumento da procura.
■ Aumento da qualidade e capacidade
produtiva do país e dos recursos
humanos (despesas com a saúde,
educação e l&D. por exemplo.

Aumento do rendimento disponível


• Aumento da produção.
dos particulares.

■ Aumento da procura de bens finais. • Aumento da oferta.

194
TEMA TI A intervenção do Estado na economia

No gráflco 2 podem observar-se as alterações na estrutura da despesa pública portuguesa,


entre 1995 e 2017. A parte das despesas (percentagem no total das despesas públicas) em
proteção social (benefícios sociais e subsídios) aumentou de uma forma acentuada, enquanto
as despesas em Investimento público sofreram uma grande redução; por sua vez. os salários
dos fúncionános públicos sofreram uma contenção, em particular, a partir da crise de 2008.

Gráfico 2 - Estrutura da despesa pública em Portugal. Em percentagem

Rime: Abei Mateus (cixrd.) Orçamento. Economia e Democracia. lima proposta de arquitetura institucional.
Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos. 2018

Receitas públicas

As receitas públicas são cobradas pelo Estado para financiar as suas despesas e são constituí­
das pelas seguintes tipologias:
• Receitas patrimoniais ou voluntárias - correspondem ao valor das vendas de patnmónio
do Estado. Como exemplos temos a venda de madeira de matas nacionais, a venda ou alu­
guer de edifícios ou terrenos do Estado e as receitas do SPE (dividendos de ações, lucros
de empresas públicas, etc.).
• Receitas coatlvas - correspondem às prestações pecuniárias exigidas aos particulares
sendo fixadas por via legislativa. Constituem exemplos as contnbuições para a Segurança
Social, as taxas e os impostos. As taxas correspondem a um pagamento de um serviço
efetuado pelo Estado, como, por exemplo, as propinas ou a utilização do serviço de saúde.
Os impostos não têm por suporte a prestação de qualquer serviço.
• Receitas credltíclas - correspondem aos empréstimos que o Estado contrai, onginando a
dívida pública.

Recenã^^P — Patrimoniais ou voluntárias Taxas

Coatlvas Impostos: diretos e indiretos


publicas Bjj

Credltíclas Contribuições para


a Segurança Social

195
As receitas públicas sâo ainda classificadas em receitas correntes
e receitas de capital. As receitas correntes Incluem, entre outras, as
receitas fiscais (impostos diretos e indiretos), contribuições sociais e
vendas de bens e serviços. As receitas de capital incluem, por exem­
plo. recebimentos de verbas ocasionais associadas às vendas de
imóveis ou fundos da Uniào Europeia para apoiar o investimento em
infraestruturas.

Impostos

Os impostos constituem a principal fonte de receitas do Estado e


classiflcam-se em diretos e Indiretos:
• Impostos diretos - incidem sobre os rendimentos ou sobre o pa­
trimónio dos contribuintes, com base em matéria coletável perfei­
tamente determinada. Exemplos: imposto sobre o rendimento de
pessoas singulares (IRS). Imposto sobre o rendimento de pessoas
coletivas (IRQ. Imposto municipal sobre Imóveis (IMI).
• Impostos Indiretos - incidem sobre o consumo ou despesa. A ma­
téria coletável é indiretamente determinada. Exemplos: imposto
sobre o valor acrescentado (IVA), impostos sobre produtos petro­
líferos (ISP). imposto sobre tabaco, imposto sobre álcool e bebidas
alcoólicas.

Impostos progressivos e impostos regressivos

Os Impostos progressivos sobre o rendimento (l.e., é aplicada uma


taxa maior sobre os rendimentos mais elevados) são um Importan­
te instrumento para diminuir as desigualdades sociais e promover a
equidade. Já os Impostos com caráter regressivo, como é o caso do
IVA. tém um efeito penallzador para as famílias de menor rendimen­
to. pois a mesma taxa de IVA tem um peso maior no rendimento des­
tas famílias; por outro lado, as famílias de altos rendimentos pagam
proporcionalmente menos (regressões).

Famílias com Famílias com Famílias com Famílias com


maior rendimento menor rendimento maior rendimento menor rendimento

Menor peso do Maior peso do


Pagam maior Pagam menor
imposto no seu imposto no seu
parcela de imposto parcela de imposto
rendimento rendimento

1 !
Maior equidade Menor equidade

196
TEMA TI A intervenção do Estado na economia

Saldo orçamental
O saldo orçamental consiste na diferença entre as receitas e as despesas públicas, num de­
terminado ano. Constitui um Importante Indicador da situação económica de um país.

Como multas vezes o saldo é deficitário, ou seja, o Estado gasta um montante superior às
receitas cobradas, é necessário recorrer-se a empréstimos; por isso, também se incluem no
Orçamento do Estado outras rubncas. como a emissão da dívida pública, o pagamento de
juros e as amortizações da dívida pública.

Em relação ao saldo orçamental existem várias definições:


• Saldo orçamental corrente - diferença entre as receitas correntes (impostos diretos, im­
postos indiretos e contribuições para a Segurança Social, por exemplo) e as despesas cor­
rentes (consumo coletivo, vencimento dos funcionários públicos, subsídios e outras trans­
ferências correntes e pagamento de juros);
• Saldo orçamental de capital - diferença entre a receita de capital e a despesa de capital;
• Saldo orçamental convencional ou global - diferença entre o valor total das receitas pú­
blicas (excetuando a emissão de dívida pública) e o valor total das despesas públicas (ex­
cetuando o valor das amortizações da dívida pública);
• Saldo orçamental primário - saldo orçamental total, após a deduçáo dos juros da dívida
pública e outros encargos.

O valor do saldo global do orçamento do setor público administrativo (SPA) constitui um dos
Indicadores mais utilizados pela Comissão Europeia para manter a convergência monetária
das economias da zona euro.

Divida pública

Os Estados realizam, multas vezes, um volume de despesas superior ao volume das suas re­
ceitas, como forma de estimular o crescimento das economias, verlficando-se desta forma um
défice orçamental Este pode ser financiado pelo recurso ao crédito; os Estados contraem

197
empréstimos e endlvldam-se, originando a dívida pública, pela qual pagam Juros — os juros
da dívida pública —. para além dos reembolsos dos empréstimos.

Os encargos com os juros tendem a aumentar com o crescimento da dívida pública. Esta
pode ser Interna ou externa consoante os financiadores sejam residentes ou não residentes.

Quer o saldo orçamental em percentagem do PIB, quer a dívida pública em percentagem do


PIB são indicadores utilizados pela Comissão Europeia no âmbito da convergência monetária
das economias da zona euro.

Os países membros da zona euro, no âmbito do Pacto de Estabilidade e Crescimento, devem


cumpnr dois critérios:
• o défice orçamental não pode exceder 3% do PIB;
• a dívida pública não pode exceder 60% do PIB.

Políticas económicas e sociais

As políticas económicas e sociais são ações que os Estados intervencionistas desenvolvem


para alcançar determinados objetivos, adotando medidas e utilizando instrumentos macroeco­
nômicos. Estas políticas afetam a economia na globalidade.

A definição das políticas económicas e sociais exige analisar e prever a atividade económica
sendo, por isso, necessário proceder à sua quantificação. Para o efeito, são utilizados indicado­
res macroeconômicos, como, por exemplo, índices de preços. índices de produção, taxa de de­
semprego. montante das importações e das exportações, cujos valores são sistematicamente
analisados em períodos curtos - sâo os Indicadores de conjuntura

A implementação de uma política económica implica as seguintes fases: definição e hierarqui­


zação de objetivos, análise das interações que se estabelecem entre esses objetivos (interde­
pendência ou conflitualidade) e escolha dos instrumentos e das medidas de política económica
a implementar.

De acordo com os objetivos e os efeitos no tempo, as políticas económicas podem ser clas­
sificadas em políticas económicas conjunturais (ou de estabilização) e políticas económicas
estruturais

As políticas conjunturais comgem os desequilíbrios no curto prazo (período até 1 ano). São
exemplos de políticas conjunturais as políticas fiscais, orçamentais, monetárias, de preços, de
emprego e de redistnbuiçôo dos rendimentos.

As políticas económicas estruturais, de médio prazo (entre 1 a 5 anos) e de longo prazo (mais
de 5 anos), alteram o funcionamento e as estruturas em que assenta a economia. Constituem
exemplos de políticas estruturais as políticas agrícola, industrial, ambiental e de segurança
social.

Conjunturais
(ou de estabilização de curto prazo)

Estruturais
(de médio e longo prazo)

198
199
11.3 As políticas económicas e sociais do Estado
português
O Estado português tem vindo a Intervir na esfera económica e social através de vários Ins­
trumentos como as políticas económicas e sociais.

Política fiscal
A política fiscal do Estado prende-se com as decisões relativas aos gastos do Estado e à ob­
tenção das receitas necessárias, através da coleta de impostos.

O instrumento da política fiscal são os Impostos (principal fonte de financiamento das des­
pesas públicas). Uma variação dos Impostos produz efeitos em toda a economia, pois pode
fazer aumentar ou reduzir o rendimento disponível e, deste modo, o consumo pnvado e o
investimento, componentes da procura global.

Vejamos de seguida um exemplo, em esquema, de uma política fiscal expanslonlsta.

Aumento do Aumento da procura


consumo privado Aumento da produção
Crescimento do Aumento do emprego
Investimento Aumento dos preços

Política orçamental
A política orçamental Incide no uso das despesas e receitas públicas como forma de influen­
ciar o andamento da economia. O seu instrumento é o orçamento do Estado. Pode ser utiliza­
da para promover o crescimento ou para estabilizar a economia.

A política orçamental tem como finalidade corrigir os excessos do ciclo económico e promo­
ver a estabilidade económica. O ciclo económico é constituído por períodos de expansão da
atividade económica (crescimento da produção, do emprego, da procura, do consumo, do in­
vestimento e dos rendimentos), seguidos por períodos de recessão (abrandamento ou queda
da produção, do consumo, do investimento, do emprego e dos rendimentos).

A política orçamental restritiva ou retraclonlsta atuará no sentido de minimizar os desequilí­


brios provocados por um aquecimento da economia (em que os indicadores macroeconômicos
revelam uma expansão da atividade económica acompanhada de tensões inflacionistas e do
aumento do défice orçamental e do défice externo), corrigindo, deste modo, os excessos.

Por outro lado, a política orçamental expanslonlsta desenvolverá medidas com a finalidade de
inverter a fase do ciclo económico que se verifica quando a economia se encontra em recessão.
É por isso que as políticas orçamentais são também denominadas políticas de contraclclo

A política orçamental pode também ser utilizada na política de redistnbuição dos rendimentos.

200
TEMA TI A intervenção do Estado na economia

Política monetária
A política monetária consiste num conjunto de decisões tomadas pelo Estado com a fina­
lidade de controlar a massa monetária em circulação (a oferta de moeda) e. deste modo, a
Inflação e a atividade económica.

A política monetária pode ser expanslonlsta. caso o objetivo seja aumentar a massa mone­
tária em drculação para dinamizar a economia, ou restritiva, caso o combate à inflaçao seja
o objetivo prioritário.

Os Instrumentos mais utilizados sao a taxa de desconto, a taxa de Juro, o open market - isto
é. operações em mercado aberto 2. as reservas bancárias e os limites ao crédito.

’----------------------------------------------------------------------------- i
Poittica monetária expanslonlsta PotiUca monetária restritiva

• Redução da taxa de juro para facilitar o * Subtda da taxa de Juro para


acesso ao crédito. dificultar o acesso ao crédito.
• Compra de títulos pelo banco central aos * Imposição de limites ao crédito a
bancos para aumentar a liquidez destes. conceder.
• Aumento da oferta da moeda. * Diminuição da oferta da moeda.

As medidas vanam consoante se pretende aumentar ou reduzir a oferta de moeda numa


determinada economia.

Nos países da União Económica e Monetána cuja moeda é o euro. a política monetária é
comum e da responsabilidade do Banco Central Europeu (BCE) e não dos bancos centrais
nacionais.

Interdependência entre política orçamental e monetária

Entre as políticas orçamental e monetária vertflcam-se relações de Interdependência: numa


situação de risco de deflação e de recessão económica, a política monetária deverá adotar
medidas expanslonistas de forma a aumentar a oferta de moeda em circulação e estimular a
procura, contribuindo para o aumento dos preços: do lado da política orçamental as medidas
expansionlstas a tomar, como a redução de Impostos e o aumento da despesa pública, irão
contribuir para o aumento da procura (pelo consumo e investimento), estimulando a subida

201
Interdependência entre as políticas orçamental e monetária

Política de estabilização
Política de estabilização dos preços
(combate à inflação)

Diminuição das depesas Atuação sobre a oferta


públicas de moeda para que esta
Aumento de impostos

Medidas
• Aumento das taxas de
desconto
Redução de rendimento
disponível • Aumento das taxas de
juro
Redução do consumo
• Venda de títulos pelo
Redução do investimento
Banco Central em open
Diminuição da massa market
monetária em circulação
• Aumento da taxa de
reservas
• Limites ao crédito

Diminuição da procura

Redução da procura
Interna e da inflação

202
TEMA TI A intervenção do Estado na economia W

Política de preços
A política de preços tem como finalidade o controlo dos preços (e da inflação). podendo as
autoridades usar os seguintes Instrumentos
• flxaçao dos preços de bens essenciais, como, por exemplo, o pao. as massas alimentícias,
o leite, o azeite, o cimento, a eletricidade, que serão subsidiados pelo Estado;
• controlo administrativo dos preços para que estes nao sofram distorções por parte das
empresas, em particular nos mercados em situação de monopólio e de oligopólio;
• controlo dos preços dos bens e serviços produzidos pelo setor público empresarial.

A política de preços, numa economia globalizada e cada vez mais competitiva, tem vindo a
deixar de ser regulada pelos Estados, exceto no que diz respeito ao preço de alguns bens
ainda não sujeitos às leis do mercado, como, por exemplo, os transportes públicos.

Política de combate ao desemprego


A política de combate ao desemprego, exemplo de uma política social, tem como prioridade
baixar a taxa de desemprego através de um conjunto de medidas no âmbito do mercado de
trabalho Essas medidas sttuam-se, quer do lado da oferta, quer do lado da procura de traba­
lho e estão articuladas com a política de emprego.

Ações do lado da procura de trabalho:


• redução dos salános e dos encargos sociais suportados pela entidade patronal, através de
subsídios às empresas que empreguem mão de obra e através da flexibilização do mercado
de trabalho (desregulamentaçâo da contratação coletiva, facilidade de despedimentos, tra­
balho a tempo parcial e temporário, por exemplo).

Ações do lado da oferta de trabalho:


• diminuição da idade de reforma, para antecipar a retirada dos trabalhadores mais velhos do
mercado de trabalho, e alongamento da formação dos Jovens, para retardar a sua entrada no
mercado de trabalho. Desta forma, diminui-se o número de trabalhadores em atividade;
• desenvolvimento do nível educacional, da qualificação profissional e da formação perma­
nente ao longo da vida ativa, para possibilitar a manutenção do trabalhador no mercado de
trabalho, cada vez mais exigente e competitivo (princípio da empregabilidade).

Política de partilha de trabalho:


• redução do horário de trabalho, através da implementação das 35 horas semanais;
• redução do horário semanal, que será compensado mais tarde.

203
Política de redistribuição dos rendimentos
A política de redistribuição dos rendimentos, outro exemplo de uma política social, atua so­
bre os rendimentos primários (provenientes do mercado de trabalho e do património) e tem
como pnohdade reduzir as assimetrias sociais para reforçar a coesão social

Esta política utiliza os instrumentos de outras, como, por exemplo, os da política fiscal e orça­
mental:
• imposição de impostos diretos progressivos. Deste modo, as famílias e empresas com
maiores rendimentos terão de pagar ao Estado uma parcela mais elevada do seu rendi­
mento em Impostos;
• aumento das transferências sociais (pensões de reforma, invalidez, subsídio de desem­
prego);
• prestação de serviços como, por exemplo, educação, saúde, habitação social e transportes
públicos à disposição dos cidadãos;
• proteção social às pessoas que vivam em grande pobreza, através de apoios como o ren­
dimento social de inserção (RSI).
TEMA TI A intervenção do Estado na economia

Constrangimentos às políticas económicas e sociais


Como vimos, a política monetária da zona euro e definida pelo Banco Central Europeu,
enquanto as políticas orçamental, fiscal e de redistribuição do rendimento são da responsa­
bilidade dos Estados-Membros. embora sujeitas aos constrangimentos do Pacto de Estabili­
dade e Crescimento (PEC):

• perda da possibilidade de proceder a ajustamentos nas taxas de câmbio (para efeitos da


competitividade externa das economias) e de utilizar a taxa de Juro na política económica
interna;
• limitação da margem de manobra dos Estados na política orçamental para fazer face a
situações económicas adversas, devido a imposição do limite do défice orçamental (3%
do PIB) e da dívida pública (60% do PIB) e da dívida pública.

Por exemplo, os efeitos negativos do aumento do desemprego poderiam ser amortecidos


pelo reforço do subsídio de desemprego ou pelo aumento das despesas públicas, mas.
dada a exigência de evitar défices orçamentais excessivos, tais medidas são diffcels de
Implementar. Todavia, estes constrangimentos não deverão ser tomados como bloqueios ao
desenvolvimento, e sim como desafios a vencer através da competitividade real das econo­
mias. Tal objetivo económico não deverá, no entanto, suportar a desresponsabilização dos
Estados. A participação das cidadãs e cidadãos europeus na tomada de decisões aproxima
as pessoas das instituições e aprofunda a democracia.
ESQUEMA-SÍNTESE

Falhas do mercado
e/ou crises económicas

Finalidades da intervenção
do Estado na economia
• eficiência
• equidade
• estabilidade

Instrumentos de Intervenção do Estado

í c
Políticas económicas Planeamento

Orçamento do Estado

4, —
Despesas públicas Receitas públicas

4“ X X

Conjunturais Estruturais Indicativo Imperativo

• Fiscal • Agrícola
• Orçamental • Industrial
• Monetária • Ambiental
• de Preços
• Sociais
- de Redistribuição
dos Rendimentos
- de Combate ao
desemprego
-(-)

• Constrangimentos às políticas económicas e sociais


• Política monetária definida pelo BCE
• Limitações na política orçamental - PEC

206
TEMA TI A intervenção do Estado na economia

SÍNTESE

✓ O setor público inclui a atividade administrativa do Estado e a sua atividade enquanto pro­
dutor. Inclui o setor público administrativo (SPA) e o setor público empresarial (SPE).

✓ O setor público empresanal. constituído pelas empresas públicas e participadas, reforçou o


seu peso após o 25 de abnl de 1974 com as nacionalizações. Após a revisão da Constitui­
ção da República Portuguesa, em 1989, venficou-se um processo de privatizações.

✓ Os Estados intervencionistas são aqueles que são forçados a intervir ativamente na eco­
nomia para corrigir as falhas de mercado, minimizar os efeitos das crises económicas e
prevenir outras. O Estado promove a eficiência, a equidade e a estabilidade.

✓ Os instrumentos de intervenção do Estado na esfera económica e social são o planeamen­


to económico, o orçamento do Estado e as políticas económicas e sociais. O planeamento
é Indicativo para o setor pnvado e imperativo para o setor público.

✓ O orçamento do Estado é o documento onde se encontram previstas as receitas e as despe­


sas do Estado para determinado período de tempo, geralmente um ano. O saldo orçamental
consiste na diferença entre as receitas e as despesas públicas, num determinado ano. O or­
çamento do Estado constitui o instrumento da política orçamental cujos fins são a promoção
do crescimento e da estabilização da economia.

✓ As políticas económicas e sociais são ações que os Estados intervencionistas desenvolvem


para a prossecução de determinados objetivos, adotando determinadas medidas e utilizan­
do instrumentos macroeconômicos. Estas afetam a economia na globalidade.

✓ A política fiscal prende-se com as decisões relativas aos gastos do Estado e à obtenção das
receitas necessárias. O seu instrumento são os impostos.

✓ A política monetária consiste num conjunto de decisões tomadas pelo Estado com a finali­
dade de controlar a massa monetária em circulação (a oferta de moeda) e, deste modo, a
inflação e a atividade económica. O seu instrumento principal é a taxa de juro.

✓ A política de preços tem como finalidade o controlo dos preços (e da Inflação). Alguns bens
essenciais, como os transportes, têm os seus preços regulados pelo Estado.

✓ A política de combate ao desemprego tem como prioridade baixar a taxa de desemprego


através de um conjunto de medidas no âmbito do mercado de trabalho, a nível da procura
e da oferta de trabalho.

✓ A política de redlstrlbulção dos rendimentos atua sobre os rendimentos primários (que


surgem direta mente do mercado e do patrtmónio) e tem como pnoridade reduzir as assime-
tnas sociais para reforçar a coesão social. Os seus principais instrumentos são os impostos
progressivos e as transferências sociais.

✓ Pelo facto de Portugal ser membro da União Europeia e pertencer à zona euro. encontra-se
sujeito a constrangimentos no âmbito da política orçamental e das suas políticas económi­
cas e sociais. A definição da política monetária cabe ao BCE.

207
Avaliação

GRUPO I

As questões abaixo são de escolha múltipla. Selecione a opção correta em cada uma.

1. O setor público administrativo (SPA) Inclui, entre outras.

(A) as empresas públicas e a administração central.

(B) a administração central e a Segurança Social.

(C) as empresas participadas e as empresas públicas.


(D) a administração local e as empresas participadas.

2. Os impostos Indiretos incidem sobre

(A) os rendimentos das empresas e sobre os rendimentos das famílias.

(B) as despesas das famílias e sobre os rendimentos das empresas.

(C) as despesas das empresas e sobre as despesas das famílias.

D. os rendimentos das famílias e o patnmónio das famílias.

3. A política de redistribuição dos rendimentos tem como finalidade garantir uma maior

(A) estabilidade.

(B> competitividade.

(C) eficiência.

(D) equidade.

4. Numa situação de défice orçamental, um aumento das despesas públicas, mantendo-se


tudo o resto constante, conduzirá

(A) à manutenção do saldo orçamental.

(B) ao crescimento do défice orçamental.

(C) à diminuição da dívida pública.

(D) ao aumento dos impostos diretos.

5. Num determinado país, o orçamento do Estado para 2019 prevê um saldo orçamental
pnmário de 3.1% do PIB. o que representa uma melhoria de 0.5 p.p. relativamente ao
saldo orçamental primáno de 2018.

Com base na situação descrita podemos afirmar que

(A) esse país, em 2018, registou um saldo orçamental primáno de 3.6% do PIB.

(B) esse país, em 2019. registou um défice orçamental pnmárlo de 3.1% do PIB.

(C) esse país, em 2019. registou um défice orçamental global de 3.1% do PIB.

(D) esse país, em 2018. registou um saldo orçamental primáno de 2.6% do PIB

208
TEMA TI A intervenção do Estado na economia

6. O quadro 1 apresenta, para um determinado país, alguns dados relativos às contas


das administrações públicas (Estado) em 2019.

Quadro 1 - Contas das administrações públicas em 2019. Em milhões de euros

48 761

22 685

10 866

798

10 565

21 299

35 647

857

4481

8586

242 804

194 613

Com base no quadro 1. podemos afirmar que

(A) o saldo orçamental pnmário foi de -1675 milhões de euros.

(B) o saldo orçamental corrente foi de 1675 milhões de euros.


(C) o saldo orçamental pnmário em percentagem do PIB foi de 4.8%.

(D) o saldo orçamental corrente em percentagem do PIB foi de 4.8%.

(E) o saldo orçamental de capital apresentou um défice.

0 (A) Falsa: Saldo orçamental primário = (48 761 + 22 685 + 10 866 + 798) - (10 565
+ 21 299 + 35 647 + 857 + 4481 + 8586) = 83110 - 81 435 = 1675 milhões de euros
(B) Falsa: Saldo orçamental corrente = (48 761 + 22 685 + 10 866) - (10 565 + 21 299
+ 35 647 + 857 + 4481) = 82 312 - 72 849 = 9463 milhões de euros
(C) Falsa: Saldo orçamental primário em percentagem do PIB =
1675 milhões de euros
x 100 = 8.6% PIB
194 613 milhões de euros

(D) Verdadeira: Saldo orçamental corrente em percentagem do PIB =


9463 milhões de euros
x 100 = 4.86% PIB
194 613 milhões de euros

(E) Verdadeira: 798 - 8586 = -7788 milhões de euros. As despesas de capital foram
superiores às receitas.

209
Avaliação

7. A política orçamental é uma política conjuntural. Esta afirmação é

(A) falsa, porque a política orçamental tem como finalidade alterar as estruturas da eco­
nomia.

(B) verdadeira, porque os efeitos da política orçamental se fazem sentir a médio e longo
prazo.

(C) falsa, porque a política orçamental incide sobre os preços dos bens essenciais.

(D) verdadeira, porque a política orçamental tem como finalidade corrigir os desequilí­
brios no curto prazo.

8. Os Estados desenvolvem um conjunto de políticas económicas e socais para atingir os


objetivos definidos, adotando determinadas medidas e utilizando instrumentos macroeco­
nômicos.

Na coluna A, apresentam-se três políticas públicas e na coluna B. cinco instrumentos de


políticas públicas. Selecione a opção correta.

A
L Política fiscal a. Taxas de Juro
II. Política monetária b. lmpostos diretos e indiretos
III. Política de redlstrlbulção dos rendimentos c. Rendimento social de inserção (RSI)
d. Reservas mínimas obrigatórias

A. l-a; Ikb; lll-c. B. l-b; ll-d; lll-c. C. l-c; ll-d; lll-a. D. l-b; ll-a; lll-d.

9. Em 2017. num determinado pais, o Estado pagou Juros da dívida pública no valor de 193 mi­
lhões de euros, cobrou impostos no valor de 3007 milhões de euros. pagou vencimentos
no valor de 1500 milhões de euros e construiu uma ponte no valor de 35 milhões de euros.

Com base na situação descrita, podemos afirmar que

(A) o valor dos impostos cobrados foi Inscrito no orçamento do Estado como uma receita
corrente.

(B) o pagamento de juros da dívida pública foi inscrito no orçamento do Estado como
uma despesa de capital.

(C) o valor relativo à construção de uma ponte foi inscrito no orçamento do Estado como
uma receita de capital.

(D) o pagamento de vencimentos foi inscrito no orçamento do Estado como uma receita
patrimonial.

GRUPO II

1. «As políticas públicas estão longe de se limitar ao problema da provisão conjunta de bens
públicos e hoje abarcam preocupações associadas ao crescimento da economia a longo
prazo e a sua estabilização ao longo do ciclo econômico, bem como à redistribuição entre
diferentes classes de rendimento»
Adaptado de Abel Mateus. iXaniemn; fumunla e DemmucM. l-mti pn>p<aa de arquitetura instlluclonu/. IJst>a. FFMS. 201K

210
TEMA TI A intervenção do Estado na economia

1.1 Apresente uma noção de bens públicos.

1.2 Dê três exemplos de políticas públicas «associadas ao crescimento da economia a


longo prazo».

1.3 Explicite dois objetivos e duas medidas da política associada à «redistribuição entre
diferentes classes de rendimento».

2. «As regras europeias de finanças públicas a que Portugal está sujeito pelo Tratado
Orçamental obrigam a saldos pnmános positivos e crescentes, originando-se assim
uma tensão muito forte, em vista do peso dos juros da dívida. Ora isso condiciona
ainda mais o papel do Estado quando subsistem questões sociais graves e se exi­
giria capacidade de ação pública para recuperar e relançar a economia numa base
saudável e sustentável»
Adaptado de Inse Reis. A Economia hinuguesa. Eormas de economia política numa peniena persistente.
Gitmbra. Almcdtna. 2018
2.1 Distinga saldo pnmáno de saldo global.

2.2 A partir do texto, relacione o facto de Portugal estar sujeito a saldos pnmános
positivos e crescentes pelo Tratado Orçamental com o papel do Estado na
promoção de políticas públicas.

2.1 Saldo primário consiste no saldo orçamental global, após a dedução dos juros da di­
vida pública e outros encargos. Por sua vez. o saldo global (ou convencional) é igual
à diferença entre as receitas totais (sem emissão de dívida pública) e as despesas
totais (sem amortização de divida pública).
22 O facto de Portugal estar sujeito a «saldos primários positivos e crescentes pelo
Tratado Orçamental» implica que o Estado não possa efetuar as despesas públi­
cas necessárias para fazer face a «questões sociais graves» através das políticas
de redistribuição dos rendimentos, que têm como prioridade reduzir as assimetrias
sociais e reforçar a coesão social. Estas políticas utilizam instrumentos como, por
exemplo, o aumento das transferências sociais (pensões de reforma, invalidez, sub­
sídio de desemprego, rendimento social de inserção, etc.) e a prestação de serviços
como, por exemplo, os de educação, saúde, habitação social e transportes públicos
a disposição das pessoas.
O desenvolvimento da política de redistribuição dos rendimentos repercute-se num
aumento das despesas públicas que põem em causa o alcance de «saldos primários
positivos e crescentes». Por outro lado, o Estado também não poderá promover a
recuperação e o relançamento da «economia numa base saudável e sustentável»
através de diferentes políticas como a orçamental (efetuando despesas de capital
na construção de infraestruturas e na aquisição de bens de equipamento, por exem­
plo). nem poderá implementar políticas setoriais mais profundas para modificar o
funcionamento da economia e melhorar as estruturas da economia através da polí­
tica industrial, da política agrícola ou da política ambiental, entre outras.
Os constrangimentos às políticas económicas e sociais inerentes à política mone­
tária da área do euro e ao Tratado Orçamental limitam a capacidade do Estado na
resolução das «questões sociais graves» e na recuperação e relançamento da «eco­
nomia numa base saudável e sustentável», como é referido no texto.

211
TEMA 12
A economia portuguesa no contexto
da União Europeia
12.1 Noção e formas de integração económica
12.2 O processo de integração na Europa
12.3 Desafios da UE na atualidade
12.4 Portugal no contexto da UE
TEMA 12 A economia portuguesa no contexto da União Europeia

I2.l Noção e formas de integração económica

Noção de integração económica


As relações económicas entre os países têm sido acompanhadas por processos mais ou
menos profundos de Integração económica: as economias nacionais vão-se integrando em
espaços mais alargados, em resultado da progressiva eliminação das barreiras alfandegárias
e da consequente livre circulação de produtos, capitais, serviços e pessoas. A integração
económica conduz, assim, à reunião de economias nacionais em regiões económicas mais
vastas.

O processo de integração seguido pelos países pode comportar objetivos essencialmente


económicos ou comerciais, ou pode alargar-se a níveis de caráter social e político.

Integração económica - Integração de economias nacionais em espaços económicos


mais vastos, através da eliminação das barreiras à livre circulação de bens, serviços e
fatores de produção.

Formas de integração económica


A integração económica pode assumir formas diversas, em função do grau de aprofundamento
pretendido.

Sistema de preferências aduaneiras

Zona de comércio livre

União aduaneira

Mercado comum

União económica

União política

• Sistema de preferências aduaneiras - os países que fazem parte do sistema concedem


vantagens aduaneiras entre si. É o que acontece com os países que integram a Common-
wealth (Reino Unido. Canadá. Austrália. Nova Zelândia. índia. Paquistão. Malásia. Nigéria.
Gana. Moçambique. Jamaica e Ilhas Maurícias).
• Zona de comércio livre - há livre circulação de mercadonas entre os países pertencentes
à zona e cada um estabelece a sua pauta aduaneira no comércio com terceiros países.
A EFTA (Suíça. Noruega. Islândia e Liechtenstein) é um exemplo desta forma de integração.
• União aduaneira - para além da livre circulação de mercadonas entre os países-membros
da união, é aplicada uma pauta aduaneira comum no comércio com terceiros países. Como
exemplos podem refenr-se a União Europeia (UE). que começou por ser uma união adua­
neira. e a União Aduaneira da África Austral.

213
• Mercado comum/mercado único - nesta forma de integração, a livre circulação de bens
estende-se aos serviços, às pessoas e aos capitais. O Mercosul e a UE sào exemplos desta
forma de integração mais profunda.
• União económica - ao serem alcançadas as quatro liberdades de circulação (mercadorias,
serviços, capitais e pessoas), os países podem avançar no processo de integração, adotan­
do políticas económicas comuns. Alguns países participantes da união económica poderão
aprofundar o processo de integração, adotando uma moeda única e uma política monetária
comum, a chamada união monetária. É o caso da UE. em que existem políticas comuns nas
áreas da agricultura e da pesca e se pratica uma política monetária comum para os países
cuja moeda é o euro.
• União política - as políticas comuns vão substituindo as políticas nacionais dos Estados-
-membros, verificando-se, por conseguinte, a progressiva transferência dos poderes so­
beranos para entidades supranacionais que exercem a chamada soberania comum. A UE
pode caminhar para esta forma de integração se os Estados-membros assim o desejarem.

12.2 O processo de integração na Europa

A Comunidade Europeia do Carvào e do Aço (CECA)


Após a II Guerra Mundial, e procurando alcançar uma paz duradoura na Europa e a sua mais
rápida reconstrução económica, foi criada, em 1951. pela França. Alemanha (na altura Repúbli­
ca Federal Alemã). Itália. Bélgica. Holanda e Luxemburgo, a Comunidade Europeia do Carvão
e do Aço (CECA). Esta organização Juntou Estados anteriormente Inimigos, tendo como fina­
lidades consolidar a paz e constituir um mercado comum do carvào e aço. duas importantes
maténas-pnmas para a reconstrução económica.
TEMA 12 A economia portuguesa no contexto da União Europeia

A Comunidade Económica Europeia (CEE)


Dados os bons resultados da CECA, os mesmos seis países assinaram, em 1957, o tratado de
Roma, que instituiu a Comunidade Europeia de Energia Atómica (EUROATOM) e a Comuni­
dade Económica Europeia (CEE), com o principal objetivo da criação de um mercado comum
para todos os produtos. Para alcançar esse Am. a CEE fixou como meta intermédia a consti­
tuição de uma união aduaneira, que foi dada como concluída no início dos anos 70 do século
XX. Em 1973. três novos países adenram ao processo de integração europeia: o Reino Unido,
a Irlanda e a Dinamarca.

Durante estes anos, venflcou-se um aumento significativo das trocas comerciais e dos Inves­
timentos entre os Estados-membros. um acréscimo do produto e uma melhoria substancial
dos níveis de vida das populações. Estavam, assim, criadas as condições para um novo apro­
fundamento do processo de integração económica.

O Mercado Único Europeu

Procurando estimular o crescimento económico no espaço europeu de uma forma mais du­
radoura e sustentada, os Estados-membros da CEE fixaram, em 1986. com a assinatura do
Ato Único Europeu, o objetivo da constituição do mercado único europeu: um mercado sem
fronteiras, onde mercadonas. pessoas, capitais e serviços pudessem circular livremente.

A constituição do mercado único (cerca de 370 milhões de habitantes) traduzlu-se no cresci­


mento das trocas no espaço comunitário, na expansão dos mercados, na maior concorrên­
cia e consequentes benefícios para os consumidores (maior variedade, qualidade e seguran­
ça dos produtos bem como preços mais baixos).

Nesta fase do processo de Integração veriflcou-se a adesão ao projeto europeu de três novos
países: a Grécia em 1981. e Portugal e Espanha, em 1986.
A União Europeia (UE)
Em 1992, com a conclusão do mercado único, foi assinado o tratado da União Europeia (tra­
tado de Maastrlcht) onde se fixou como objetivo a constituição de uma união económica
e monetária. Alargou-se também o caráter comunitário das políticas económicas, entre as
quais se destacam a política monetária comum para os países que adotassem o euro como
moeda. Em 1995, novos países integraram a UE: a Suécia, a Finlândia e a Áustria.

Novos alargamentos

A adesão a UE implica, da parte dos países candidatos, a aceitação dos valores e a adoção
das normas e das práticas da União, que. no seu conjunto, constituem o chamado acervo
comunitário.

Em maio de 2004, aderiram à UE dez novos países: Hungna. República Checa. Eslováquia,
Polónia. Letónia. Estónia. Utuânia, Eslovénia. Chipre e Malta. Em 2007. foi a vez da Roménia
e da Bulgária. No ano de 2013. a UE recebeu a Croácia, passando assim a ser constituída por
28 países. O Reino Unido encontra-se atualmente a negociar com a UE o processo de saída
da organização, num processo conhecido por Brexit.

O Euro
A1 de janeiro de 1999 nasceu o euro enquanto moeda escriturai, entrando em circulação sob
a forma de moeda metálica e de papel a 1 de janeiro de 2002. Os países que constituem, na
atualidade, a zona euro são: Alemanha, França. Portugal. Espanha. Itália. Bélgica. Holanda.

216
TEMA 12 A economia portuguesa no contexto da União Europeia

Luxemburgo. Áustria. Irlanda. Finlândia, Grécia. Eslovénla. Malta. Chipre. Estónia. Letónia.
Lituânia e a Eslováquia.

As principais vantagens da adoção do euro é facilitar as quatro liberdades de circulação no


mercado único, dada a redução dos custos das transações no espaço da UEM e a maior facili­
dade em viajar, e reforçar a posição económica da UE no mercado mundial. Em contrapartida, a
moeda única retirou aos governos nacionais a possibilidade de utilização dos instrumentos das
políticas monetánas e cambiais na correção dos desequilíbnos económicos.

A adoção da moeda única depende não só do cumpnmento dos critérios de convergência,


mas também da vontade dos Estados O Reino Unido, a Dinamarca e a Suécia não aderiram
ao euro por vontade própna.

A União Económica e Monetária (UEM)


As instituições europeias consideram que uma moeda única constitui um elemento poten-
ciador das vantagens e benefícios das quatro liberdades de circulação. Mas. para aderir à
moeda única, os países têm de cumprir determinados critérios (critérios de convergência
nominal):
• Estabilidade dos preços - a taxa de Inflação não poderá ultrapassar em mais de 1.5% a mé­
dia dos três países com a mais baixa taxa; a taxa de juro a longo prazo não poderá exceder
em mais de 2% as verificadas nos três países com a mais baixa taxa de Inflação.
• Estabilidade monetária - as moedas dos países terão de se manter na margem de flutua­
ção autorizada nos dois anos anteriores à adesão.
• Solidez das finanças públicas - o défice do orçamento do Estado não poderá exceder 3%
do PIB e a dívida pública não poderá ultrapassar 60% do PIB.

Quadro 1 - Principais etapas do processo de integração europeia

1951 Tratado de Paris. Criação da CECA 2002 O euro entra em circulação sob a forma
(Rança. Alemanha. Itália. Bélgica. Holanda e de moedas e notas em França. Alemanha. Itália.
Luxemburgo) Bélgica. Holanda. Luxemburgo. Irlanda. Áustria.
Finlândia. Portugal. Espanha e Grécia

1957 Tratado de Roma. Criação da CEE (os 2004 Adesão de Malta. Chipre. Estónia. Letónia.
seis países da CECA) e da EUROATOM Utuânia. Hungria. Polónia. República Checa.
Eslováquia e Eslovénla à UE

1973 Adesão do Reino Unido. Irlanda e 2007 Adesão da Roménia e da Bulgária à UE.
Dinamarca á CEE A Eslovénla integra a zona euro

1981 Adesão da Grécia á CEE 2008 Chipre e Malta adotam o euro

1986 Adesão de Portugal e Espanha à CEE. 2009 A Eslováquia adere ã zona euro
Assinatura do Ato Único Europeu

1993 Concretização do mercado comum/ 2011 A Estónia adere à zona euro


único e início da criação da UEM

1995 Adesão da Áustria. Suécia e Finlândia 2013 A Croácia adere á UE


áUE

1999 Criação do euro (moeda única) 2014 A Letónia integra a zona euro
2015 A Lituânia adota o euro

217
Política monetária comum

No âmbito da União Económica e Monetária (UEM). e para manter a estabilidade dos preços,
as decisões em matéria monetária cabem a uma instituição europeia independente, o Banco
Central Europeu (BCE). a quem compete definir a política monetária para a zona euro. É da
competência do BCE aumentar ou diminuir a taxa de Juro de curto prazo (taxa de referência)
a praticar nas economias que integram a UEM.

A estabilidade dos preços e a solidez das finanças públicas dos Estados (critérios de conver­
gência nominal), consideradas condições essenciais ao crescimento das economias, conduzi­
ram à necessidade de os Estados que integram a zona euro manterem orçamentos nacionais
equilibrados e valores de dívida pública sustentáveis. Para dar força ao cumprimento des­
ses critértos foi assinado o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC).

Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) - Os Estados-membros comprometem-se a


que o défice do orçamento de Estado não exceda 3% do PIB e a que a divida pública não
ultrapasse 60% do PIB.

As regras do PEC condicionam as políticas económicas dos Estados-membros. em particular,


as políticas orçamentais. A cnse Internacional de 2007-2009 dificultou o cumpnmento do equi­
líbrio orçamental, em particular nos países sob assistência financeira, casos de Portugal e da
Grécia.

A crise do euro
Na sequência da cnse. os países da zona euro com economias mais frágeis, défices orçamen­
tais significativos e elevado grau de endividamento externo, correram nsco de falência, dada a
subida das taxas de juro e a maior dificuldade em obter financiamento.

Gráfico 1 - Evolução das taxas de juro nos emprestámos a empresas não financeiras.
Em percentagem

— Portugal
— Espanha

— França
— Alemanha
— Italla

Fonlc: Rancu Centrai Europeu. finclro de 2019

A instabilidade financeira instalada, ao comprometer a integridade da zona euro. exigiu a


tomada de medidas por parte da UEM e uma maior intervenção do BCE no âmbito da política
monetária comum.

218
TEMA 12 A economia portuguesa no contexto da União Europeia

As regras orçamentais do PEC (limite do défice em 3% do PIB e da dívida pública em 60% do


PIB) foram então complementadas com novas medidas:
• supervisão mais estreita dos orçamentos dos Estados-membros e da situação da dívida,
através do chamado tratado orçamental:
• cnação de um fundo de resgate para apoio financeiro aos Estados-membros com dificulda­
des em obter financiamento nos mercados, designado por Mecanismo Europeu de Estabi­
lidade:
• descida da taxa de juro de referência para níveis próximo e abaixo de 0% e a cedência de
liquidez aos bancos, através da compra de obrigações de divida pública pelo BCE

A estrutura e funcionamento da UE

As Instituições da Unlâo Europeia

Num processo de integração tão profundo como o da UE. parte da soberania dos Estados na­
cionais é transferida, através dos tratados, para entidades supranacionais que traçam as orien­
tações, fixam os objetivos e tomam as decisões relativamente às políticas da União. Vertflca-se,
assim, a coexistência dos poderes soberanos de cada Estado nacional com os poderes transfe­
ridos pela vontade dos Estados para as Instituições europeias - a chamada soberania comum

Soberania comum - Exercício de poderes soberanos dos Estados por autoridades


supranacionais.

As pnncipals instituições europeias são a Comissão Europeia, o Conselho Europeu, o Conselho


da União Europeia (Conselho de Ministros da UE). o Parlamento Europeu, o Tribunal de Justiça,
o Tribunal de Contas, o Banco Central Europeu (BCE). o Comité das Regiões, o Comité Econó-
mico-Soclal e o Banco Europeu de Investimento (BEI). As funções destas Instituições são atri­
buídas pelos tratados, depois de estes serem ratificados (por referendo ou por via parlamentar)
pelos Estados-membros.

Quadro 2 - Principais instituições europeias

í Instituições Funções 1

Comissão Europeia Propõe a legislação europeia e executa-a. É a guardiã dos


tratados
Conselho Europeu Define a orientação política da UE
Conselho da União Europeia Aprova, em conjunto com o Parlamento Europeu, a legislação
(conselho de ministros da UE) europeia
Parlamento Europeu Modifica e aprova a legislação europeia
Tribunal de Justiça Salvaguarda o Direito europeu
Tribunal de Contas Controla a gestão das finanças europeias
Banco Central Europeu Define a política monetária comum e faz a gestão do euro
Comité das Regiões Órgão de consulta sobre questões relativas às regiões da UE
Comité Económico-Social Órgão de consulta relativo aos interesses económicos e sociais
da sociedade civil
Banco Europeu de Financia projetos de modernização e desenvolvimento das
Investimento (BEI) regiões menos desenvolvidas da UE

219
12.3 Desafios da União Europeia na atualidade

Os valores do Estado de direito e da democracia


Os valores da paz. da liberdade, da igualdade, da democracia e da Justiça social uniram os sets
países fundadores da União Europeia. Estes valores foram sendo partilhados com os outros
Estados-membros que foram Integrando o projeto europeu.

A globalização, o euro. a crise económica e. mais recentemente, os refugiados e o Brexft. vie­


ram colocar novos problemas à UE. para os quais não se têm encontrado respostas adequadas
da parte das Instituições nacionais e europeias.. Tal situação tem afastado os cidadãos euro­
peus das Instituições e do projeto comum europeu.

A adoção de medidas e políticas que mostrem as vantagens de pertencer a uma Europa diversa,
mas unida em torno de valores comuns, constitui um desafio atual da Unlâo Europeia.

A dimensão social do pro|eto europeu

A globalização e os efeitos da crise económica são motivos de preocupação para os cidadãos


europeus: as desigualdades sociais, o desemprego, a estagnação do nível de vida e a pouca
eficácia das políticas europeias e nacionais na resolução dos problemas geram desconfiança
quanto ao futuro do projeto europeu. Para que a integração europeia resulte e o projeto eu­
ropeu recolha a adesão dos cidadãos será necessário reforçar a coesão social, diminuindo as
desigualdades, criando mais e melhores empregos, e relançando o nível de vida.

O euro e os desequilíbrios entre as economias

A existência de uma moeda única para países que apresentam desigualdades assinaláveis a
nível de produtividade, competitividade e contas externas, cria dificuldades à adoção de medi­
das de política económica comuns. A chamada crise das dívidas soberanas e as subsequentes
políticas de redução/contençâo dos défices orçamentais nos países do euro mais endividados
(as chamadas «políticas de austendade»), criaram fraturas entre os Estados-membros. nomea­
damente entre os do norte e os do sul da Europa. A cnação de um ministro das finanças da zona
euro. um orçamento próprio para o euro e o controlo democrático sobre as políticas económi­
cas comuns são algumas das questões que se colocam à atual União Económica e Monetária.

220
TEMA 12 A economia portuguesa no contexto da União Europeia W

As tecnologias digitais, a Inteligência artificial e as alterações climáticas


As tecnologias digitais, a inteligência artificial e a sua relação com o trabalho e os media, bem
como as alterações climáticas e as ameaças à sobrevivência do planeta e da humanidade, sáo
desafios que se colocam a todas as economias, e para os quais as instituições europeias têm
de encontrar medidas no âmbito das políticas da UE. em cooperação com os Estados-membros
e com outros países no âmbito das organizações internacionais.

Os refugiados, o terrorismo e a segurança


A chegada de milhares de refugiados económicos e de guerra à União Europeia cnou proble­
mas quanto a sua distribuição entre os países da UE. reveladores de divergências nas políticas
de acolhimento e Integração de imigrantes.

Os atentados terroristas em certos países europeus e a possibilidade de ataques informáticos


a entidades institucionais e empresariais geraram sentimentos de insegurança junto dos ci­
dadãos europeus. A cooperação entre os Estados e uma política de defesa comum têm sido
temas abordados nos debates europeus, que procuram encontrar os meios que possam contri­
buir para o reforço da segurança e manutenção da paz na Europa.

O BrexJt

A possível saída do Reino Unido da UE significará


uma perda de poder económico, militar e político
da UE no domínio internacional. A concretiza­
ção dessa saída poderá, igualmente, reforçar
os sentimentos antieuropeus que se fazem
sentir em alguns países da UE.

O orçamento da União
Para dar cumprimento aos seus objetivos, a UE põe em prática diversas políticas económicas
e sociais para as quais necessita de meios financeiros. O orçamento constitui o principal Instru­
mento financeiro da UE. onde estão previstas as despesas e as receitas para um ano.

A proposta de orçamento é elaborada pela Comissão Europeia e aprovada conjuntamente pelo


Parlamento Europeu e Conselho de Ministros da UE. Depois de aprovado, o orçamento é posto
em prática pela Comissão, sendo a sua gestão controlada pelo Tribunal de Contas.

O orçamento anual da UE insere-se na programação financeira plunanual (quadro financeiro)


que fixa as grandes orientações orçamentais para vários anos (normalmente 7 anos).

Receitas e despesas
A maior parte das receitas provêm de recursos próprios dos quais se destacam os recursos
provenientes da contribuição de cada Estado - uma percentagem do seu rendimento nacional
bruto (RNB) e do IVA.

As despesas são repartidas pelas várias ações da UE. assumindo particular relevo as despesas
com o crescimento sustentável e a coesão económica e social, através do financiamento das
políticas da União (política agrícola comum, política regional, etc.).

221
Entre as receitas e as despesas verifica-se o princípio do equilíbrio orçamental (despesas iguais
às receitas).

Quadro 3 - Orçamento da UE para 2018

Total de despesas 160 000 milhões de euros

Competitividade para o crescimento e emprego 13.7%

Coesão económica, social e territorial 34.7%

Crescimento sustentável: recursos naturais 37,0%

Segurança e cidadania 2.2%

Europa global 6.0%

Administração 6.0%

Outros instrumentos 0,4%


Rmte: luncii Central Eun>pcu. Janeiro dc 2019

As contribuições dos países para o orçamento da UE estão relacionadas com o seu nível de ri­
queza - rendimento nacional bruto (RNB) sendo a contribuição dos países mais ricos propor­
cionalmente maior, comparativamente aos países mais pobres. Em contrapartida, as regiões e
países menos desenvolvidos recebem proporcionalmente mais, pela via dos fundos europeus.
Este é o princípio da solidariedade financeira, base das políticas europeias.

As políticas da UE e os fundos europeus

O desenvolvimento das políticas europeias exige a aplicação de meios financeiros que se con­
substanciam nos fundos europeus.

Fundo Social Europeu (FSE)

Fundo Europeu de Desenvolvimento


Regional (FEDER)

Fundo de Coesão (FC)


e de investimento (FEH)

Fundo Europeu Agrícola para o


Desenvolvimento Rural (FEADER)

Fundo Europeu dos Assuntos


Marítimos e das Pescas (FEAMP)

Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEEI)

Os Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEEI) têm como finalidades promover o in­
vestimento e o emprego, apoiar o desenvolvimento económico dos Estados-membros. reduzir
os desequilíbrios estruturais entre os países e as regiões da UE para reforçar a convergência
real, e alcançar uma economia mais competitiva, mais eficiente e respeitadora do ambiente.

A sua aplicação destina-se a projetos que visem a modernização das estruturas económicas
e sociais (a nível das atividades produtivas, das infraestruturas e da formação profissional); a

222
TEMA 12 A economia portuguesa no contexto da União Europeia

Investigação e Inovação, e o desenvolvimento das tecnologias digitais; o apoio às PME (pe­


quenas e médias empresas); a gestão sustentável dos recursos naturais e o fomento de uma
economia de baixo carbono.

A aplicação dos fundos nas regiões menos desenvolvidas reflete o princípio da solidartedade
financeira.

Princípio da solidariedade financeira - Transferência para as regiões menos desen­


volvidas de meios financeiros que são contributo de todos os Estados-membros, em
particular daqueles que têm maior RNB.

De entre os vários fundos, há a destacar o Fundo de Coesão, que visa um desenvolvimento


mais equilibrado entre as várias regiões da UE, aproximando as mais pobres (cujo RNB per
capita é infenor a 90% da média europeia) das mais ncas e promovendo o desenvolvimento
sustentável através do financiamento de projetos nos domínios dos transportes, da eficiência
energética, das energias renováveis e do ambiente.

Quadro 4 - As políticas europeias e os fundos europeus

[ Políticas puropotes Fundos europeus 1

Política Regional Promover o desenvolvimento equilibrado entre as FEDER.


regiões FSE e Fundo
Apoiar projetos de investigação e inovação, de de Coesão
tecnologias digitais, de eficiência energética, etc.

Política Agrícola Autossuficiência alimentar FEADER


Comum (PAC) Apoiar os agricultores nas mudanças económicas e
ambientais do século XXI. na gestão dos mercados
agrícolas
Garantir preços acessíveis e rendimento estável aos
agricultores

Política Comum Proteger os recursos da pesca FEAMP


de Pescas Garantir o abastecimento de pescado
Apoiar a pesca sustentável e o desenvolvimento da
aquicultura. Apoiar a diversificação de atividades nas
comunidades piscatónas

Política Social Aumentar o nível de emprego FSE


Investir no capital humano
Melhorar a formação profissional
Qualificar os trabalhadores e incentivar o
autoemprego
Favorecer a Igualdade de oportunidades

Políticas para o Desenvolver a inovação Todos os fundos


Desenvolvimento Reduzir o consumo de combustíveis fósseis
Sustentável
Aumentar a produção e o consumo de energias
renováveis

223
12.4 Portugal no contexto da UE
Portugal adenu à UE em 1986 e, sendo um país com um nível de desenvolvimento inferior à
média europeia, beneficiou de um conjunto de ajudas, através dos fundos europeus, de forma
a modernizar as suas estruturas socioeconómicas e a aproximar-se dos níveis de riqueza e de
bem-estar dos seus parceiros europeus.

Até final do século XX. Portugal registou uma evolução globalmente positiva: crescimento da
economia e melhona das condições de vida, desenvolvimento das estruturas de saúde, das
infraestruturas. das comunicações, maior qualificação da população, entre outros exemplos.

A partir de inícios do século XXI. é de referir, no entanto, a existência de períodos de menor


crescimento económico e de afastamento relativamente a média europeia, em consequência
das fragilidades estruturais da nossa economia (fraca produtividade, baixa competitividade
das exportações e endividamento externo) e dos efeitos de recessão económica que a eco­
nomia tem periodicamente atravessado, com particular gravidade no período da recente crise
económica mundial e da assistência financeira ao país (UE e FMI), dadas as políticas económi­
cas contracionlstas aplicadas.

A partir da segunda metade da década de 2010 tem-se registado uma recuperação do cresci­
mento da economia, em linha com o crescimento da economia mundial e europeia.

População

A população portuguesa apresenta características semelhantes a população europeia: en­


velhecida. com uma das mais baixas taxas de natalidade da Europa e uma esperança de vida
própria dos países desenvolvidos.

A percentagem de pessoas em idade ativa está a diminuir e a percentagem de idosos está a


aumentar, o que terá impacto nas despesas sociais com pensões/reformas e com cuidados de
saúde. Segundo o Eurostat, em 2017. quase um quinto (19.4%) da população da UE tinha 65
anos ou mais.

Quadro 5 - Estrutura populacional. 2007 e 2017. Percentagem da população total

M4 anos 15S4,

2007 2017 2007

UE-28 15,9 15.6 67.1

Portugal 157 14.0 66.7

De acordo com as projeções europeias, a população continuará a envelhecer, estando prevista


uma redução da população em idade ativa e um aumento da população Idosa. Segundo o Eu­
rostat. a percentagem de pessoas com 80 anos de idade ou mais deverá aumentar para mais
do dobro até 2080. atingindo 13% da população total.

224
TEMA 12 A economia portuguesa no contexto da União Europeia

Rmte eceuropacueurustat |c< insultado cm |anctr<> dc 2019)

Produto

O crescimento da atividade produtiva em Portugal acompanha a evolução registada no espaço


da União Europeia, dada a sua dependência dos mercados europeus. A atividade produtiva
portuguesa cresce quando se verifica uma maior procura dos nossos bens por parte dos par­
ceiros europeus e pelo mercado interno. O produto per capita, depois da quebra registada no
período da crise e da assistência financeira, tem vindo a recuperar, embora com valores abaixo
da média europeia.

■' PB — Exportações — Importações

Rmtc: Bana> de Ponugal. Bnlettm Estatístico. setembro dc 2O1S

225
Gráfico 7 - Evolução do PIB (preços correntes) per capita.
em Portugal. Em euros

Quadro 6 - RB per capita em PPC. Portugal. UE-28 e zona euro. Em milhares de euros

r 2014 2015
2016 1

Portugal 21.6 22.3 23.1

UE-28 28.2 29.2 29.9

Zona euro 30.0 31.0 31.7

Kinie: Eumstat. outubro de 2018

Competitividade

O mercado único, com as suas quatro liberdades de circulação, criou oportunidades de cres­
cimento para as empresas, mas aumentou o desafio da competitividade dada a maior con­
corrência. Vános fatores concorrem para a competitividade das empresas e das economias: a
produtividade, a qualificação dos recursos humanos e a Inovação

A produtividade do país, em 2017, representava 66,4% da média europeia. Para este baixo valor
contribuía a insuficiente qualificação dos trabalhadores e o fraco investimento em inovação.

Quadro 7 - Produtividade por hora trabalhada. 2017.


índice UE-28 = 100

Irlanda 182

Alemanha 127.2

Itália 100.7

Eslováquia 77.1

Portugal 66.4

Hungna 63.8

Bulgária 45.3

Fonte: www.ponlala.pt (consultado cm novembro dc 20181

226
TEMA 12 A economia portuguesa no contexto da União Europeia

A entrada de Portugal na UE foi acompanhada de fortes expetativas de melhona do nível de


vida. O acesso ao trabalho e à saúde, a universalização da proteção social, o consumo de ativi­
dades de diversão, o acesso a bem culturais são indicadores de nível de vida.

Os valores a seguir apresentados revelam que o pais tem cnado melhores condições de vida
para a população. No entanto, o nível de riqueza e de bem-estar, medido pelo PIB per capita.
mantém-se afastado da média europeia, tendo-se registado uma maior divergência nos anos
mais recentes, dada a permanência das fragilidades estruturais da nossa economia e os efei­
tos da cnse económica. No entanto, a recuperação económica foi sendo acompanhada pelo
aumento do emprego e das remunerações, bem como pela diminuição significativa da taxa de
desemprego.

Gráfico 8 - Emprego (Portugal e zona euro). Taxa de variação homóloga

Eonte: Banco dc Portugal. Botetlm Eslattst la>. setembro de 2018

Gráfico 9 - Remunerações por empregado e taxa de desemprego, em Portugal. Em percentagem

------- Remunerações
por empregado
—— Taxa de desemprego

fimlc Bana > de Portugal. Boletim Estatístico. setembro de 2018

227
ESQUEMA-SÍNTESE

228
TEMA 12 A economia portuguesa no cootexto da Uraão Europeia

SÍNTESE

✓ A Integração económica consiste na reunião de vârlos mercados nacionais num só de maior


dimensão. Pode assumir formas diversas: sistema de preferências aduaneiras (menor grau
de integração), zona de comércio livre, união aduaneira, mercado comum, união económi­
ca e união política, que apresenta o grau mais elevado de Integração.

✓ A União Europeia iniciou-se no período do pós-ll Guerra Mundial, com a cnação da CECA
(Comunidade Europeia do Carvão e Aço), em 1951. Em 1957, foi cnada a EUROATOM e a
CEE (Comunidade Económica Europeia), pelo tratado de Roma, que definiu como objetivo a
cnação de um mercado comum/mercado único, concretizado em 1993. O caminho da Inte­
gração económica prosseguiu com a cnação da União Económica (a CEE passou a UE). que
definiu como objetivos a criação de uma União Económica e Monetária (UEM) e a adoção
de uma moeda única (o euro). A atual UE é composta por 28 países e a zona euro por 19.

✓ As instituições europeias (Conselho Europeu. Comissão Europeia, Conselho de Ministros.


Parlamento Europeu. Banco Central Europeu. Tribunal de Justiça, entre outras) asseguram
a atividade e funcionamento da UE, exercendo as competências legislativas, executivas e
judiciais fixadas pelos tratados, de acordo com as vontades dos Estados-membros. exer­
cendo a chamada soberania comum

✓ A globalização, as crises económicas e financeiras, o afastamento dos valores europeus e da


participação política e social, o aumento das desigualdades económicas e sociais, os movi­
mentos imigratórios, o terronsmo, as alterações climáticas, o envelhecimento da população
e as novas tecnologias digitais constituem desafios que a UE tem de enfrentar de forma a
manter o projeto europeu.

✓ As políticas europeias, apoiadas pelo orçamento da União e pelos fundos europeus, são os
instrumentos necessários à modernização das estruturas económicas e sociais, à inovação,
a proteção ambiental, ao relançamento da economia europeia e a uma maior coesão.

✓ Portugal aderiu à UE em 1986 (então CEE), o que contribuiu para o desenvolvimento das
suas estruturas económicas e sociais, e para o crescimento da sua economia, aproximan-
do-se dos níveis de vida dos países europeus mais ricos. Apesar do progresso registado
subsistiram fragilidades estruturais, como a fraca produtividade, associada a baixos níveis
de escolaridade e fraca formação profissional da população, e a consequente menor com­
petitividade da economia nos mercados externos.

✓ A crise financeira de 2007 e a cnse económica que lhe sucedeu afetou toda a economia
mundial, em particular as economias mais dependentes do extenor. Portugal viu agrava­
rem-se as condições de financiamento, pelas restrições na concessão de empréstimos e
pelo agravamento dos juros dos mesmos, correndo risco de insolvência. Tal situação con­
duziu ao resgate financeiro do país (União Europeia e Fundo Monetário Internacional) e à
aplicação de políticas económicas contracciomstas (ajustamento estrutural) que produziram
efeitos recessivos na economia do país, aumentando o afastamento do país relativamente
os padrões médios de vida da UE. A partir de 2015. com o fim do programa de assistência
financeira, iniciou-se o período de recuperação da economia.

229
Avaliação

GRUPO I

As questões abaixo são de escolha múltipla. Selecione a opção correta em cada uma.

1. Numa zona de comércio livre

(A) nâo há barreiras alfandegárias no comércio com países terceiros.

(B) nao há barreiras alfandegárias no comércio entre os países da zona e existe uma
pauta aduaneira comum para o comércio com países terceiros.
(C) nao se aplicam taxas aduaneiras aos produtos que entram na zona.

(D) nâo há barreiras alfandegárias para os produtos que circulam na zona e cada país
estabelece a sua pauta aduaneira no comércio com terceiros.

2. Numa união económica

(A) a livre circulação de produtos estende-se aos serviços e há políticas económicas


comuns.

(B) não existem barreiras a livre circulação de mercadonas e serviços, mas há limites à
livre circulação de pessoas e capitais.

(C) a livre circulação aplica-se a produtos, serviços, capitais e pessoas e existem políti­
cas económicas comuns.

(D) não existem barreiras às trocas de bens, serviços e capitais, mas existem fronteiras
para a circulação de pessoas, havendo algumas políticas económicas comuns.

3. No seu processo de integração económica, a UE

(A) começou por ser uma união aduaneira, construiu um mercado comum e evoluiu
para uma união económica.

(B) começou por ser um mercado comum e está a construir uma união económica.

(C) começou por ser um mercado comum, evoluiu para uma união económica e
está a iniciar a construção da união política.

(D) começou por ser uma união aduaneira, evoluiu para uma união económica e
está a realizar o mercado comum.

© (A) A atual União Europeia começou por ser uma união aduaneira, avançou posterior­
mente para a constituição de um mercado comum/mercado único e depois consti­
tuiu uma união económica.

230
TEMA 12 A economia portuguesa no contexto da União Europeia

4. Os fundos europeus

(A) destinam-se a financiar as políticas europeias e são repartidos igualmente pelos


Estados-membros da UE.

(B) financiam as políticas económicas e sociais dos Estados-membros.

(C) constituem os Instrumentos financeiros da UE na execução das políticas europeias.


(D) destinam-se aos Estados-membros mais pobres da UE. financiando investimentos
nas infraestruturas.

5. Os fundos europeus sâo da iniciativa

(A) do Conselho de Ministros, tendo de ser aprovados pelo Parlamento Europeu.

(B) dos Estados-membros tendo de ser aprovados pela Comissão Europeia.

(C) do Conselho Europeu, sendo posteriormente aprovados pelo Conselho de Ministros


e pelo Parlamento Europeu.

(D) da Comissão Europeia, tendo de ser aprovados pelo Conselho de Ministros e pelo
Parlamento Europeu.

6. A participação de Portugal no processo de integração económica europeia Iniciou-se

(A) com a adesão às comunidades, em 1986. e consolidou-se com a adesão à moeda


única.

(B) no mesmo período de entrada do Reino Unido na CEE. tendo acompanhado os apro­
fundamentos dados pelo processo de integração - ao contrário do Reino Unido que
não aderiu à moeda única.

(C) com a adesão à CECA, no final da II Guerra Mundial, e acompanhou até hoje o pro­
cesso de integração da União Europeia.

(D) com a entrada na União Económica e a adesão ao euro.

7. Portugal é um dos países da chamada coesão. A afirmação é

(A) verdadeira, pois o seu RNB percapfta é infenor a 75% da média europeia.

(B> falsa, pois os países da coesão são aqueles que aderiram à UE nos anos mais
recentes.

(C) verdadeira, pois o seu RNB percapfta é infenor a 90% da média europeia.

(D) falsa, pois o seu RNB per capita é superior a 75% da média europeia.

(C) Os países cujo RNB per capita é inferior a 90% da média europeia recebem fundos
da UE. entre os quais o Fundo de Coesão, de forma a desenvolverem as suas eco­
nomias e a aproximarem-se do nível de vida dos países mais prósperos da União.
Tal é o caso de Portugal.

231
Avaliação

8. No âmbito da União Económica e Monetária

(A) a política monetána é definida pelo BCE. cabendo aos Estados definir e executar as
restantes políticas económicas.

(B) a competência em matéria de políticas económicas a aplicar nos países da zona euro
cabe às instituições europeias.

(C) as políticas económicas, incluindo a política monetána, é competência do Eurossistema.

(D) a política monetária e orçamental para os países da zona euro são definidas pelo
BCE.

9. O Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC)

(A) fixa limites às políticas orçamentais dos Estados-membros da UE com economias


mais frágeis.

(B) define os critérios de candidatura dos Estados-membros da UE aos fundos euro­


peus.

(C) impõe limites às políticas orçamentais dos Estados-membros da zona euro.

(D) atnbui os fundos europeus aos Estados-membros com menor crescimento económico.

10.0 Orçamento da União Europeia

(A) é financiado pelas contribuições dos Estados-membros mais prósperos.


(B) é repartido unlformemente petos Estados-membros.

(C) destina-se a financiar projetos de desenvolvimento nos Estados-membros menos


prósperos.

(D) é financiado, em parte, pela contribuição de cada Estado-membro em função do seu


RNB.

GRUPO II

1. «A União Europeia é um pacto entre nações soberanas, decididas a partilhar um destino


comum e a exercer em conjunto uma parte crescente da sua soberania, que incide sobre
os valores mais profundamente prezados pelos povos da Europa: a paz. o bem-estar, a
segurança, a democracia, a justiça e a solidariedade».
Adapodo de A Europa em 12 Llçfíes, publicações otKUls da UE

1.1 Explique o significado da frase destacada.

1.2 Indique quatro instituições que exercem a soberania comum.

1.3 Justifique a importância dos valores europeus no contexto atual.

1.4 Explicite as formas de integração económica adotadas pela UE. desde o tratado de
Roma.

232
TEMA 12 A economia portuguesa no contexto da União Europeia

2. Os fundos europeus constituem os instrumentos financeiros das políticas europeias


e traduzem o pnncípio da solidariedade financeira da UE.

2.1 Indique três políticas da UE. mencionando os respetivos fundos europeus.

2.2 Relacione os fundos europeus com o pnncípio da solidanedade financeira da UE

23 Explicite a intervenção das instituições europeias nas decisões relativas aos


fundos.

2.1 Política Agrícola Comum - Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural


(FEADER); Política Social - Fundo Social Europeu (FSE); Política Regional - Fundo
Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER)
2J Os fundos europeus sâo financiados pelo orçamento da União Europeia que é maio­
ritariamente alimentado pelos recursos próprios da UE. Estes, por sua vez. provêm
das contribuições dos Estados-membros (receitas provenientes do IVA e uma per­
centagem do RNB de cada Estado, cerca de 1%). Desta forma, os Estados mais ricos
contribuem com maiores montantes para o orçamento da UE financiando, através
dos fundos, o desenvolvimento dos países mais pobres. Este processo de financia­
mento assenta no princípio de solidariedade financeira adotado peia União.
23 Cabe ã Comissão Europeia a iniciativa de fazer as propostas e compete ao Parla­
mento Europeu e ao Conselho de Ministros da UE a sua aprovação.

3. A Estratégia <Europa 2020» tem por finalidades aumentar o emprego e o conhecimen­


to. favorecer um ambiente mais sustentável e promover um crescimento mais inclusivo.
O quadro 1 apresenta valores relativos a alguns indicadores, nos anos de 2008 e 2017, e
as metas a alcançar em 2020. relativas a Portugal e à UE28.

3.1 Avalie a situação de Portugal face às metas fixadas pela Estratégia «Europa 2020».

33 K Estratégia «Europa 2020». no conjunto dos países da UE. está perto de cumprir as
metas propostas? Justifique a sua resposta.

233
Avaliação

GRUPO III

1. Observe os seguintes valores, relativos ao PIB português em 2017.

Quadro 2 - Contas Nacionais Portuguesas, Base 2011 - taxa de variação homóloga (tvh). Em percentagem

PIB 3.0 2.5

Consumo privado 1.9 2.5

Consumo público -0.6 0.2

Formação bruta de capital 10.1 10.4

Exportações de bens 7.9 6.6

Importação de bens 7.1 8.3

Contributo da procura interna para a tvh do PIB 2.8 3.4

Contributo da procura externa para a tvh do PIB 02 -0.9

Funtcs: INE. Síntese Eamomtcu de Gm/untura e www.pcprobc.ci >m (consultado cm jinetro dc 2019)

1.1 Analise os valores, explicitando:


- a evolução do PIB;
- o contributo da procura interna e externa para a variação do PIB.

1.2 Identifique a ótica de cálculo do PIB utilizada no quadro acima.

2. Considere o gráfico 1.

Kintc: INE. Síntese FxnMmlca de Conjuntura, fanctro dc 2019

234
TEMA 12 A economia portuguesa no contexto da União Europeia

2.1 Analise a evolução do PIB em Portugal e na zona euro, tendo em consideração


a convergência da economia portuguesa com a zona euro.

22 O PIB em volume é calculado em termos reais, isto é. a preços constantes


(base 2011). Explicite a diferença entre o cálculo do produto a preços constan­
tes e o cálculo do produto a preços correntes.

Q 2.1 A evolução do PIB acompanha os ciclos da atividade económica, ou seja, nos pe­
ríodos de expansão ou de recuperação económica verifica-se crescimento do PIB e
nos períodos de recessão assiste-se à quebra do PIB. A evolução no período con­
siderado permite registar vês períodos de recessão 2003. 2007-2008 (crise finan­
ceira) e 2010-2013 (crise do euro e crise económica), seguidos de períodos de recu­
peração económica em que se registou crescimento do PIB. A evolução do PIB em
Portugal e na zona euro assinala esses vários ciclos da atividade económica, verifi-
cando-se uma evolução em linha entre as duas economias, mas com períodos de di­
vergência assinaláveis. O ano 2003 e o período entre 2010 e 2013 são períodos de
maior divergência, em que os efeitos negativos das crises são mais acentuados em
Portugal (desaceleração e queda do PIB em 2003 e 2010-2013), em resultado das
fragilidades da nossa economia, acentuadas no período do resgaste financeiro ao
pais e da aplicação de políticas económicas restritivas que acentuaram a recessão
económica. A recuperação económica do país foi mais lenta, comparativamente a
zona euro. tendo-se registado, nos últimos anos, convergência com esta.
2.2 O cálculo do produto a preços correntes significa que os bens e serviços são valo­
rizados aos preços verificados no ano em causa, enquanto o cálculo do produto a
preços constantes valoriza os bens e serviços segundo os preços de um ano consi­
derado como base (no quadro fornecido, o ano base é 2011).

3. O consumo Individual per capita é um Indicador de bem-estar das famílias. O quadro 3 é


relativo ao consumo Individual per capita, em paridades de poder de compra, nos Estados-
-membros da UE. em 2017.

Quadro 3 - Consumo individual per capita, em ppc,


UE-28. 2017. índice UE-28 = 100

f Estados Consumo txiMdual 1 3.1 Explicite o nível de bem-estar das


| per cupiro (PPC) 1
famílias na UE-28.
Luxemburgo 130 32 Justifique a necessidade de uma
Alemanha 120 maior coesão na União Europeia.
Suécia 114

UE-28 100

Itália 90

Portugal 80
Eslováquia 75

Letónia 70
Bulgária 55
KmtB: EurnsLU. n<M?mbr<>dc20l8

235
ECONOMIA A

Prova-modelo de exame 1

Duração da Prova: 120 minutos | Tolerância: 30 minutos.

GRUPOl

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta. Escreva, na folha de respostas, o gru­
po. o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

1. O quadro 1 apresenta os valores relativos ao rendimento e às despesas de consumo registados no país X.


nos anos t e t + 5.

Quadro 1 - Rendimento e despesas de consumo no pais X. Em milhões de unidades monetárias (u.m.)

Rendimento 100 000 125 000

Despesas totais de consumo 80 000 95 000

Despesas em bens alimentares e bebidas não alcoólicas 40 000 42 000

1.1 De acordo com estes valores.

(A) o coeficiente orçamental relativo aos bens alimentares e bebidas não alcoólicas, no ano t, foi
de 40 000 milhões de u.m.

(B) o coeficiente orçamental relativo aos bens alimentares e bebidas não alcoólicas no ano t + 5
diminuiu relativamente ao ano t.

(C) a poupança no país X diminuiu no ano t + 5.


(D) a taxa de poupança em relação ao rendimento diminuiu no ano t + 5.

1.2 Dois fatores económicos que podem influenciar as despesas de consumo são

(A) o marketing e a moda.

(B) o rendimento e o preço dos bens.

(C) a publicidade e a poupança.

(D) a taxa de Juro para operações ativas e a simpatia por uma marca.

2. O gráfico 1 apresenta os valores relativos aos custos totais de produção de um bem. para diferentes
quantidades produzidas na empresa Y.

236
PROVA-MOOELO DE EXAME 1

De acordo com os valores apresentados no gráfico 1. a empresa Y tem

(A) um custo médio por unidade de 180 u.m. ao produzir 20 000 unidades.

(B) custos médios por unidade crescentes a partir das 20 000 unidades.

(C) custos médios por unidade decrescentes a partir das 10 000 unidades.

(D) uma quantidade ótima de produção de 10 000 unidades.

3. Leia o texto seguinte.

O índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC) português, em fevereiro de 2018,


registou uma variação homóloga estimada de 0.7%.
INE. março de 2018

Com base na situação descrita, podemos afirmar que

(A) o IHPC português sofreu um aumento estimado de 0.7% em fevereiro de 2018. comparativamente
ao mês de fevereiro de 2017.

(B) o IHPC português sofreu um aumento estimado de 0.7% entre janeiro e fevereiro de 2018.

(C) a taxa média de inflaçáo em Portugal sofreu um aumento estimado de 0,7% entre janeiro e fevereiro
de 2018.

(D) a taxa média de inflação em Portugal sofreu um aumento estimado de 0.7% ao longo de 2017.

4. No funcionamento do mecanismo de mercado.


(A) a procura relaciona de forma inversa preços e quantidades.

(B) a oferta relaciona de forma direta preços e rendimentos.

(C) a oferta relaciona de fornia inversa quantidades e preços.

(D) a procura relaciona de forma direta preços e rendimentos.

5. Um mercado de concorrência monopolfstlca caracteriza-se pela existência de multas unidades de pe­


quena dimensão que produzem bens não totalmente homogéneos.

Esta afirmação é

(A) verdadeira, pois os produtores detêm o domínio total do mercado, podendo impor os preços que
desejarem.

(B) falsa, pois a afirmação refere-se a um mercado de concorrência perfeita, que se caracteriza pela
atomicidade.

(C) verdadeira, pois existe alguma diferenciação do produto e os produtores não detêm o domínio
total do mercado.

(D) falsa, pois um mercado de concorrência monopolística não se caracteriza pela existência de muitas
unidades de produção de pequena dimensão.

237
6. O quadro a seguir apresenta valores relativos ao índice de Gini. registados em Portugal entre 2013 e
2016.

Quadro 2 - índice de Gini em Portugal, no período 2013-2016

Fonte: INE. «Rendimento e condições de vida 2017», Inquérito Os condições de vido e rend/meoro. 2017

Com base no quadro 2. podemos afirmar que. em Portugal, entre 2013 e 2016.

(A) a desigualdade na distribuição do rendimento diminuiu.

(B) a desigualdade na distribuição do rendimento aumentou.

(C) a respetiva curva de Lorenz afastou-se mais da diagonal.

(D) a respetiva curva de Lorenz manteve o mesmo afastamento da diagonal.

7. Em janeiro de 2017. uma determinada empresa contraiu um empréstimo junto de uma instituição ban­
cária. com o correspondente pagamento de Juros.

Para a instituição bancána. o empréstimo contraído pela empresa representa uma operação

(A) passiva e o Juro do empréstimo constitui um encargo para essa instituição.

(B) ativa e ojuro do empréstimo constitui uma receita para essa instituição.

(C) passiva e a remuneração do empréstimo constitui uma receita para essa instituição.

(D) ativa e a remuneração do empréstimo constitui um encargo para essa instituição.

8. O valor da taxa de juro fixado pelas instituições financeiras está relacionado com o valor da inflação.

A afirmação é

(A) verdadeira, pois a taxa de inflação deverá ser supenor à taxa de juro dos depósitos.

(B) falsa, na medida em que a taxa de juro é definida pelos bancos centrais em função dos objetivos
da política monetána.

(C) verdadeira, pois a taxa de juro dos empréstimos deverá ser superior à taxa de juro dos depósitos,
e esta deverá ser superior a taxa de inflação.

(D) falsa, na medida em que o valor da taxa de juro fixado pelas instituições financeiras para as opera­
ções de crédito e de depósito não é Influenciado pelo nível da Inflação.

9. Os reembolsos de empréstimos pedidos pelas administrações públicas Junto das instituições financei­
ras constituem

(A) recursos das administrações públicas e empregos das famílias.

(B) empregos das administrações públicas e recursos das empresas.

(C) recursos das Instituições financeiras e empregos das administrações públicas.

(D) recursos das administrações públicas e empregos das instituições financeiras.

238
PROVA-MOOELO DE EXAME 1

10. Observe os valores do quadro a seguir, relativos a atividade produtiva da empresa Y

Quadro 3 - Atividade produtiva da empresa Y

Valor bruto de produção (u.m.) 200 280

Consumos intermédios (u.m.) 50 80

Salários (u.mj 60 65

10.1 Sabendo que o empresário fez um investimento em novas tecnologias, o valor acrescentado

(A) no ano t foi de 250 u.m.

(B) no ano f foi superior ao de t + 5.

(C) no ano t + 5 foi 135 u.m.

(D) no ano t + 5 foi de 200 u.m.

10.2 No quadro 3. o valor dos salários da empresa Y encontra-se expresso a preços correntes. Saben­
do que o preço da generalidade dos bens subiu 15% entre t e t + 5. então, mantendo-se tudo o
resto constante.

(A) o poder de compra dos trabalhadores da empresa Y manteve-se.

(B) o poder de compra dos trabalhadores da empresa Y aumentou.


(C) o poder de compra dos trabalhadores da empresa Y diminuiu.

(D) o rendimento disponível das famílias diminuiu.

11. O quadro 4 apresenta os valores das exportações e importações portuguesas de bens e serviços, em
2016 e 2017.

Quadro 4 - Exportações e importações portuguesas de bens e serviços. Em milhões de euros (valores arredondados)

2016 74 436 72 358

2017 83 227 81261

Fonte: INE. Cortas NocKmats, 2017

Tendo em conta os valores apresentados, pode-se afirmar que

(A) o saldo da balança de bens e serviços, em 2017, registou um aumento de 5.3%.

(B) nos anos considerados, as exportações de bens e serviços aumentaram, em valor absoluto, mais
do que as importações.

(C) a taxa de cobertura, em 2016, foi de 2078 milhões de euros.

(D) a taxa de cobertura, em 2017. foi de 102,4%.

239
ECONOMIA A

12.0 quadro 5 regista alguns valores da economia portuguesa, em 2017.

12.1 Em 2017. o consumo total representou

(A) 82,9 % do valor da despesa interna.

(B) 191000 milhões de euros.

(C) 98,9% do valor do PIB p.m.

(D) 351 000 milhões de euros.

12.2 No ano de 2017.

(A) o valor do produto interno bruto a preços de mercado (PIB p.m.) foi superior ao valor da des­
pesa interna.

(B) o valor da despesa Interna foi superior ao valor do PIB p.m.

(C) o valor do consumo das famílias residentes e ISFLSF representou 70% do valor do PIB p.m.

(D) o valor do investimento representou 16% do valor da despesa interna.

13. Observe os valores do quadro seguinte.

Quadro 6 - Balança corrente portuguesa, em 2017. Em milhões de euros (valores arredondados)

Fonte. INE, Contas Nacionais, 2017

Sabendo que o saldo da balança de bens foi de -12108 milhões de euros, então

(A) o saldo da balança corrente foi de 878 milhões de euros.

(B) a taxa de cobertura das importações pelas exportações foi de 3511 milhões de euros.

(C) o valor dos rendimentos recebidos do Resto do Mundo foi de -4859 milhões de euros.

(D) o valor das remessas dos Imigrantes foi de 2226 milhões de euros.

240
PROVA-MOOELO DE EXAME 1

14. No quadro seguinte, a coluna A apresenta três políticas públicas e a coluna B cinco instrumentos de
políticas públicas.

Quadro 7 - Políticas públicas e instrumentos

Coluna A Coluna B

a. Taxas de juro
I. Política de redistnbulção dos rendimentos b. Impostos indiretos
II. Política monetária c. Reservas mínimas obrlgatónas
III. Política fiscal d. Subsídio de desemprego
e. Rendimento Social de Inserção

Selecione a opção que associa corretamente cada política pública (coluna A) ao respetivo instrumento
(coluna B).

(A) I. - b.; II. - c.; III. - e.

(B) I. -a.;II. - b.: lll.-c.

(Q I. - d.; II. - a.; III. - b.

(D) I - c.; II. - e.; III. - a.

15. Em 2017, num determinado país, o Estado pagou Juros da dívida pública no valor de 193 milhões de eu-
ros. cobrou Impostos no valor de 3007 milhões de euros, pagou vencimentos no valor de 1500 milhões
de euros e construiu uma ponte no valor de 35 milhões de euros.

Com base na situação descnta. podemos afirmar que

(A) o valor dos impostos cobrados foi inscrito no orçamento do Estado como uma receita de capital.

(B) o pagamento de Juros da dívida pública foi inscrito no orçamento do Estado como uma despesa de
capital.

(C) o valor relativo à construção de uma ponte foi inscrito no orçamento do Estado como uma receita
corrente.

(D) o pagamento de vencimentos foi inscrito no orçamento do Estado como uma despesa corrente.

16.0 tratado de Maastricht. assinado em 1992, criou a

(A) Comunidade Europeia do Carvão e do Aço.

(B) Comunidade Económica Europeia.

(C) Associação Europeia de Comércio Livre.

(D) União Europeia.

241
ECONOMIA A

17. O gráfico 2 apresenta o valor da dMda pública em percentagem do PIB. em alguns países da área do euro.

Gráfico 2 - Divida pública em 2016. Em percentagem do PIB

Com base no gráfico 2. podemos afirmar que. em 2016.

(A) Holanda. Finlândia. Alemanha. Irlanda e Áustria sáo os únicos países que cumprem o critério de
convergência orçamental relativo à dívida pública.

(B) Portugal. Itália e Grécia sáo os únicos países que apresentam uma dívida pública em percenta­
gem do PIB supenor a da média da área do euro.

(C) Holanda. Finlândia. Alemanha. Irlanda e Áustria são os únicos países que apresentam uma dívi­
da pública em percentagem do PIB inferior à média da área do euro.

(D) Portugal. França, Espanha, Bélgica. Itália e Grécia são os únicos países que não cumprem o
critério de convergência orçamental relativo à dívida pública.

GRUPO II

1. O quadro 8 apresenta os valores das componentes do produto interno bruto, a preços de mercado
(PIB p.m.). em Portugal, no ano de 2017. segundo a ótica da despesa, e os pesos de cada componente
em percentagem do PIB p.m.

Quadro 8 - Componentes do PIB. 2017

Despesa de consumo finai 160 000 82.6


Consumo privado 80 000 64.5
Consumo público 80 000 18.0

Formação bruta de capitai 31500 16.3

83 000 42.9

81000 41.9

193 500 100.0

Fonte: INE. Contos Nactonats 2017

242
PROVA-MOOELO DE EXAME 1

Explicite, com base nos dados fornecidos:


- o peso da procura interna no PIB. apresentando os cálculos necessários;
- as componentes que mais e menos contribuíram para o PIB. em 2017.

2. Leia o texto seguinte.

Crescimento moderado do consumo privado

O consumo privado deverá continuar a crescer de forma moderada, refletindo a melhoria no


mercado de trabalho, a manutenção de níveis de confiança elevados e o crescimento contido
dos salários reais, permanecendo condicionado pela necessidade de redução do nfvel de endi­
vidamento das famílias. Em 2018. reflra-se a influência positiva do aumento do salário mínimo e
de algumas medidas de aumento do rendimento das famílias Incluídas no Orçamento do Estado.
Ao longo do horizonte de projeção, o consumo privado (corrente e duradouro) desacelera, em
linha com a evolução do rendimento disponível real.
Banco de Portugal, Ap/eçães para a Economia Axtuguesa 2018-2020. março de 2018 (adaptado)

Explique, com base no texto, as projeções para a evolução do consumo privado (2018-2020). tendo
em conta:

- os fatores que estão na base da evolução prevista;

- o nível de endividamento das famílias portuguesas.

3. Observe os gráficos 3 e 4 e leia o texto que os acompanha.

Gráfico 3 - Emissões de gases com efeito Gráfico 4 - Contribuição das energias


renováveis para o consumo final, em 2015

A UE está empenhada em tomar, desde já, medidas contra as alterações climáticas que po­
dem poupar custos e vidas humanas a longo prazo. A procura crescente de tecnologias limpas
constitui também uma oportunidade para modernizar a economia europeia e gerar crescimento
e emprego verdes.
httpsjVeuropaeu (adaptado)

Explicite, com base nos dados fornecidos, a posição de Portugal e de Espanha face à política da UE
relativamente às alterações climáticas.

243
ECONOMIA A

GRUPO III

1. Leia o texto seguinte.

Entre setembro e outubro de 2018. o crédito ao consumo aumentou 14.9%, refletindo o nível
de confiança dos consumidores associado ao crescimento da economia e à redução do desem­
prego. Este aumento de crédito aos particulares ocorre numa altura em que o endividamento
devena continuar a reduzir-se num contexto de expetativas de abrandamento da atividade eco­
nómica.
Banco de Portugal. Hekrtorlo de Estabilidade Financeira. dezembro de 2018 (adaptado)

Relacione o crédito aos particulares com o desempenho da economia.

2. Considere os gráficos e o quadro.

Gráfico 5 — Indicadores de produtividade, em 2016

120

110

UE-28 = 100

90 -

80-

70 -

60
Produtividade Produtividade
(PIB/emprego) (PIB ppc/horas trabalhadas)

■ Portugal ■ Espanha
Fonte: Eurostat, 2017

Gráfico 6 - Estrutura do nível de instrução dos empregados, em 2016

244
PROVA-MOOELO DE EXAME 1

2016

Portugal

Espanha

UE-28

Fonte: Eurostat, 2017

Analise, com base nos dados fornecidos, o valor da produtividade por empregado e o valor da pro­
dutividade por número de horas de trabalho, em Portugal, comparatlvamente a Espanha e à UE-28.
em 2016. considerando:

- o efeito da estrutura do nível de instrução dos empregados, em 2016;

- o efeito da percentagem de cientistas e engenheiros na população ativa.

3. O gráfico que se segue Ilustra a evolução da economia portuguesa, entre 2008 e 2020.

•Projc-tado
Fonte: Banco de Portugal, Projeções paro a Economia Portuguesa 2018-2020. março de 2018

Explicite a importância do tunsmo para a economia portuguesa, tendo em conta os valores referen­
ciados no gráfico.

COTAÇÕES

Item I
Grupo
Cotação (em pontos)

la 17.
■ 140 pontos
20»7

1. 2. 3.
■ 30 pontos
10 pontos (5 ♦ 5) 10 pontos (5 + 5) 10 pontos

2. 3.
III 30 pontos
10 pontos 10 pontos (5 + 5) 10 pontos

200 pontos

245
ECONOMIA A

Prova-modelo de exame 2

Duração da Prova: 120 minutos | Tolerância: 30 minutos.

GRUPOl

Nas respostas aos (tens de escolha múltipla, selecione a opção correta. Escreva, na folha de respostas, o gru­
po. o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

1. Das escolhas resultam benefícios e custos de oportunidade. Um estudante que escolheu ser assíduo
às aulas teve

(A) o benefício de uma boa aprendizagem e o custo de oportunidade dos livros de estudo que comprou.

(B) o custo de oportunidade do tempo que utilizou na frequência das aulas e o benefício da aprovação
de ano.

(C) o benefício de uma maior formação e o custo de oportunidade do tempo de lazer.


(D) o custo de oportunidade das despesas com as propinas e o benefício de frequentar a escola e
obter uma boa educação e formação.

2. Os produtores e os comerciantes de mercadorias, enquanto agentes económicos, são classificados como


(A) empresas não financeiras.

(B) instituições sem fim lucrativo ao serviço das famílias.

(C) administrações públicas.

(D) sociedades financeiras prestadoras de serviços às famílias.

3. Num determinado país, o rendimento disponível diminuiu por força de uma grave crise económica.
Mantendo-se tudo o resto constante, e segundo a lei de Engel, o valor monetário gasto em alimentação
e bebidas não alcoólicas fez o respetivo coeficiente orçamental aumentar. Esta afirmação é

(A) verdadeira, porque é necessário satisfazer as necessidades de alimentação.


(B) verdadeira, porque a relação entre a despesa em alimentação e bebidas não alcoólicas e o rendi­
mento disponível aumentou.

(C) falsa, porque é impossível aumentar a relação entre a despesa em alimentação e bebidas não al­
coólicas e o rendimento disponível.

(D) falsa, porque não é possível aumentar a despesa em alimentação e bebidas não alcoólicas num
período de crise.

4. O recurso ao crédito bancário altera, a curto prazo, o nível e a estrutura do consumo das famílias de um
país, considerando-se tudo o resto constante. A afirmação é

(A) falsa, pois o recurso ao crédito provoca o endividamento financeiro das famílias, sem alterar a
estrutura do consumo.

246
PROVA-MODELO DE EXAME 2

(B) falsa, pois o recurso ao crédito mantém a estrutura do consumo, aumentando as despesas de con­
sumo das famílias.

(C) verdadeira, pois o recurso ao crédito provoca o aumento das despesas de consumo, alterando os
pesos das rubricas no total das despesas de consumo das famílias.

(D) verdadeira, pois o recurso ao crédito ao gerar o endividamento das famílias, altera os pesos das
rubricas no total das despesas de consumo.

5. Uma determinada empresa produtora de camisas, que utiliza no seu processo produtivo apenas capital
e trabalho, decidiu efetuar um estudo de curto prazo sobre os níveis de produção, cujos resultados
são apresentados no quadro 1. Nesse estudo, o número de máquinas foi considerado constante e o
número de trabalhadores variável.

Quadro 1 - Numero de trabalhadores e quantidade de camisas produzidas

2010 [ 2015

1 50

2 150

3 282

4 448

5 580

6 648

7 700

Com base na situação descrita, considere as seguintes afirmações.

I. A lei dos rendimentos decrescentes verifica-se quando a empresa emprega 5 ou mais trabalhadores.

II. A produtividade marginal do trabalho atinge o valor máximo quando a empresa emprega o quinto
trabalhador.

III. A produtividade marginal do sexto trabalhador é 648 unidades.

Selecione a opção que avalia corretamente as afirmações.


(A) I e II são verdadeiras; lll é falsa.

(B) II e lll são verdadeiras; I é falsa.

(C) lll é verdadeira; I e II são falsas.

(D) I é verdadeira; II e lll são falsas.

6. A moeda desempenha a função de reserva de valor quando é utilizada

(A) na contabilização do valor das existências.

(B) para medir o valor dos produtos financeiros geradores de dividendos no futuro.

(C) para pagar a aquisição de bens, com recurso a uma transferência bancária.
(D) na constituição de um depósito a prazo.

247
ECONOMIA A

Observe o seguinte gráfico.

Grafico 1 - Taxa de variação do preço medio dos bens.


Em percentagem

0 t t*1 Tempo

De acordo com o gráfico, e mantendo-se tudo o resto constante, entre os anos t e t + 1 venficou-se o
fenómeno da
(A) desinflaçâo.

(B) deflação.

(C> estagflação.
(D) hiperinflação.

8. O salário real significa

(A) a quantidade de moeda que o trabalhador recebe em troca do trabalho que prestou, correspon­
dendo ao seu poder de compra.

(B) a relação existente entre o salário mínimo e o salário máximo praticados num país, e varia com o
valor do IPC.

(C) a quantidade de bens e de serviços que o trabalhador pode adquirir com o seu salário nominal,
correspondendo ao seu poder de compra.

(D) a relação existente entre o rendimento médio por habitante e as transferências sociais de um de­
terminado país, e vana com o valor do IPC.

9. O quadro 2 apresenta dados sobre o custo total de produção e a quantidade produzida, numa empre­
sa produtora de televisores.

Quadro 2 - Custo total de produção e quantidade de televisores produzidos

Custo total (em euros) 1000 000 1440 000 1700 000

Numero de televisores 200 000 300 000 320 000

Com base na situação descrita, e considerando-se tudo o resto constante, a empresa deverá produzir

(A) o máximo de televisores, ou seja, 320 000.

(B) o número de televisores que correspondam ao menor custo total.

(C) o número de televisores que correspondam ao menor custo unitário, ou seja. 300 000.

(D) o número de televisores em que consegue produzir com menores custos fixos e vanáveis.

248
PROVA-MODELO DE EXAME 2

10. Uma família, residente em Portugal, gastou 85% do seu rendimento anual disponível em bens de consu­
mo e aplicou os restantes 15% na Bolsa de Valores Mobiliános. em ações de uma empresa residente no
Resto do Mundo. Podemos afirmar que a compra das ações constituiu, para essa família, um exemplo de

(A) investimento material.

(B) investimento financeiro.

(C) entesouramento monetáno.

(D) financiamento externo.

11. Num mercado de concorrência monopolístlca, as multas empresas existentes detêm algum poder de
mercado. Esta afirmação é

(A) verdadeira, pois as empresas, ao venderem produtos diferenciados, têm algum controlo sobre os
seus preços.

(B) verdadeira, pois as empresas, ao venderem produtos homogéneos, têm alguma capacidade de
definir os seus preços.

(C) falsa, pois as empresas, como são de idêntica dimensão, têm de aceitar o preço de venda definido
no mercado.

(D) falsa, pois as empresas, como apresentam custos idênticos, têm de vender ao preço definido no
mercado.

12. No mercado de produtos hortícolas, devido ao fenómeno da seca, os preços aumentaram. Mantendo-
-se tudo o resto constante, esta afirmação é verdadeira porque se verificou
(A) um aumento da oferta e da procura.

(B) um excedente do lado da oferta.

(C) um deslocamento da curva da procura para a esquerda.


(D) um deslocamento da curva da oferta para a esquerda.

13. Quando o preço dos bens substitutos baixa relativamente ao preço do bem X. mantendo-se tudo o
resto constante, no curto prazo.

(A) a quantidade procurada do bem X diminui.

(B) a quantidade produzida do bem X aumenta.

(C) o preço do bem X aumenta.

(D) aumenta a procura dos bens complementares do bem X.

14.0 fluxo monetário correspondente a um empréstimo concedido pelo Resto do Mundo a uma instituição
bancária residente no país A constitui

(A) um recurso do Resto do Mundo e das sociedades financeiras do país A.

(B) um emprego do Resto do Mundo e das sociedades financeiras do país A.

(C) um emprego do Resto do Mundo e um recurso das sociedades financeiras do país A.

(D) um recurso do Resto do Mundo e um emprego das sociedades financeiras do país A.

249
15.0 quadro 3 apresenta ciados sobre as despesas de consumo das famílias num dado país, em 2017 e 2018.

Quadro 3 - Despesas de consumo das (amilias

2017 60.0 32.0


2018 70.0 35.0

15.1 Os dados apresentados no quadro 3 permitem afirmar que. nesse país, a taxa de variação anual
das despesas de consumo das famílias foi de

(A) 8.5%. em 2017.

(B) 9.3 %. em 2018.

(C) -8.5%. em 2017.

(D) -9.3%. em 2018.

15.2 Os mesmos dados permitem afirmar que. nesse país, o valor do PIB foi de

(A) 533 milhares de milhões de euros, em 2017.

(B) 50,0 milhares de milhões de euros. em 2018.

(C) 500 milhares de milhões de euros. em 2018.

(D) 5.33 milhares de milhões de euros. em 2017.

16.0 quadro 4 apresenta a evolução das componentes da despesa Interna de um determinado país, no
período de 2012 a 2016.

Quadro 4 - Componentes da despesa interna

2012 2013 2015 2016

Procura Interna 1.0 0.0 -5.0 3.0 0.0

Exportações de bens e serviços 2.0 -3.0 0.0 2.0 -5.0

Importações de bens e serviços 0.0 4.0 6.0 -70 8.0

16.1 Com base no quadro 4. pode afirmar-se que. nesse país, a procura interna, calculada em termos
nominais.

(A) diminuiu, em 2016, face a 2012.

(B) diminuiu, em 2014. face a 2013.

(C) aumentou, em 2015. face a 2013.


(D) aumentou, em 2016. face a 2014.

250
PROVA-MODELO DE EXAME 2

16.2 Com base nos valores fornecidos, pode também afirmar-se que. nesse país.

(A) a procura externa registou, em termos nominais, um decréscimo em 2016, face a 2015.

(B) a procura externa decresceu, em termos nominais, em 2015 face a 2014

(C) a procura externa líquida cresceu, em 2013, face a 2012.

(D) a procura externa líquida cresceu em 2016. face a 2015.

17. Na zona euro. a política monetária e a política orçamental cabem

(A) às autoridades governamentais dos Estados-membros.


(B) respetivamente. ao Banco Central Europeu e aos governos dos Estados-membros.

(C) ao Banco Central Europeu.

(D) respetivamente. aos governos dos Estados-membros e ao Banco Central Europeu.

18.Os países da coesão, recebedores do Fundo de Coesão, são os países da UE que apresentam

(A) um RNB per capita inferior a 75 % da média da UE.

(B) um PIB per capita infenor a 75 % da média da UE.

(C) um RNB per capita inferior a 90 % da média da UE.

(D) um PIB per capita infenor a 90 % da média da UE

GRUPO II

1. Observe o quadro 5.

Quadro 5 - índice de preços no consumidor Portugal, maio de 2018. Em percentagem (Base 100 = 2012)

| VarteçAo homóloga (%)

Total 1.04
1. Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas 0.70
2. Bebidas alcoólicas e tabaco 2.28
3. Vestuário e calçado -3,26
4. Habitação, água. luz. gás e outros combustíveis 2.02
5. Acessórios, equipamentos domésticos e manutenção da habitação -0.85
6. Saúde 1.16
7. Transportes 3,80
8. Comunicações 0.44
9. Lazer, recreação e cultura -0.70
10. Educação 1.18
11. Restaurantes e hotéis 2.87
12. Bens e serviços diversos 0.25
Fonte: INE, Botetim Mensal de EstaOstKa, mato de 2018

Analise a variação dos preços. Identificando as classes de despesa que influenciaram positiva e nega-
tlvamente o valor do IPC em maio de 2018.

251
2. As despesas de consumo das famílias portuguesas, no 4.° trimestre de 2017. apresentaram uma taxa
de vanaçao homóloga de 2.0%.

Explicite a vanaçao registada, com base no conceito de variaçao homóloga das despesas de consumo.

3. No mercado de concorrência perfeita do bem X. verificou-se o deslocamento da curva da procura do


bem X para a direita.

Explique a situação que ocorreu no mercado de bem X. Indicando duas razões para a ocorrência.

GRUPO III

1. Considere os valores relativos ao comércio externo de Portugal.

Quadro 6 - Exportações e importações de bens, e taxa de cobertura. Portugal. 2016 e 2017

Total UE-28 4230 2.6

Total extra-UE 1212

Fonte: INE. EstottsKas do comercio /ntemoclonaf. dezembro de 2017

Analise o comportamento das trocas comerciais de bens entre Portugal e o Resto do Mundo, nos se­
guintes aspetos:
- evolução das trocas comerciais e do saldo da balança de bens nos anos de 2016 e 2017.
- principais clientes e fornecedores e evolução da respetiva importância (dezembro de 2017);
- concentração geográfica do comércio externo português relativa a dezembro de 2017 (apresente os
cálculos necessános).

252
PROVA-MODELO DE EXAME 2

2. A balança de bens de Portugal com o conjunto dos países da zona euro, apresentou um saldo de
-14112 milhões de euros, em 2017.

Explique como se apresentou a taxa de cobertura relativa ao comércio de bens de Portugal com o
conjunto dos países da zona euro.

Na sua resposta apresente a fórmula de cálculo da taxa de cobertura e os cálculos efetuados.

3. Um dos objetivos dos fundos estruturais e de Investimento europeus a aplicar no período 2014-2020
é a maior coesão económica e social.

Explicite o papel dos fundos europeus na política de coesão económica e social.

Na sua resposta indique três desses fundos.

COTAÇÕES

253
Prova-modelo de exame 3

Duração da Prova: 120 minutos | Tolerância: 30 minutos.

GRUPOl

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta. Escreva, na folha de respostas, o gru­
po. o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

1. A escassez de recursos constitui

(A) a razão da existência da ciência econômica.

(B) a principal causa da pobreza no mundo.

(C) um problema para os países menos desenvolvidos.

(D) a razão de existência das ciências naturais e humanas.

2. A taxa de desemprego de uma economia foi, o ano passado, de 7,3%. Este valor significa

(A) que o número de desempregados em relação à população do país foi de 7.3%. no ano passado.

(B) que em cada 100 pessoas residentes, 73% estavam desempregadas, no ano passado.

(C) que em 100 pessoas da população ativa havia, no ano passado. 73 desempregados

(D) que o número de desempregados em relação à população ativa foi de 73. no ano passado.

3. Considere o quadro 1. relativo à atividade produtiva da empresa A

Quadro 1 - Atividade produtiva da empresa A

N.“ d® trabalhadores

Produção do bicicletas

O capital utilizado é constante.

3.1 A produtividade média da empresa A

(A) é crescente pois acompanha o aumento de produção.

(B) aumenta com o emprego de mais trabalhadores.

(C) cresce até uma determinada quantidade de produção, começando depois a diminuir pois não
há mais capital para utilizar pelos trabalhadores.

(D) varia consoante o número de trabalhadores e a quantidade de capital utilizados.

254
PROVA-MOOELO DE EXAME 3

3.2 Analisando os valores fornecidos pode afirmar-se que a empresa A deverá

(A) contratar mais de seis trabalhadores para aumentar a produção.

(B) empregar seis trabalhadores de forma a obter a produção máxima de bicicletas.

(C) empregar apenas quatro trabalhadores pois a partir do quinto trabalhador os acréscimos de
produção originados pelos novos trabalhadores são decrescentes.

(D) contratar o maior número possível de trabalhadores que permitam a empresa aumentar a quan­
tidade de produção e a produtividade do trabalho.

4. A produtividade marginal do trabalho consiste

(A) no acréscimo de unidades de trabalho necessárias para produzir mais uma unidade do produto.

(B) no acréscimo de produto originado pelo acréscimo de uma unidade de trabalho.

(C) no acréscimo de uma unidade de produto originado pelo aumento de uma unidade de trabalho.

(D) no acréscimo de unidades de trabalho necessárias para obter o máximo de produção.

5. Numa empresa

(A) os custos fixos são constantes para um determinado nível de produção.

(B) os custos variáveis aumentam proporcionalmente ao aumento da quantidade produzida.

(C) os custos totais são zero, quando a empresa não produz nada.

(D) há custos fixos em períodos de paragem da produção da empresa.

6. Num mercado do bem X. se o preço de mercado estiver abaixo do preço de equilíbrio, verlflca-se

(A) que a quantidade procurada é inferior à quantidade oferecida.

(B) existência de falta de oferta do bem X

(C) existência de excesso de oferta no mercado.

(D) a necessidade de diminuição do preço do bem X.

7. No mercado de um bem Y. o deslocamento da curva da procura para a esquerda e para baixo significa

(A) um aumento do preço de equilíbrio e da quantidade de equilíbrio.

(B) uma diminuição do preço de equilíbrio e da quantidade de equilíbrio.

(C) um aumento do preço e a diminuição da quantidade de equilíbrio.

(D) uma diminuição do preço e aumento da quantidade de equilíbrio.

8. Considere o gráfico 1. A passagem de A para B deve-se


(A) ao aumento do preço do bem.

(B) ao aumento dos custos de produção.

(C) à diminuição do preço do bem.

(D) à introdução de uma tecnologia inovadora na produção do bem.

255
ECONOMIA A

9. Quando ocorre uma redução da oferta de moeda no mercado relativamente á procura

(A) a taxa de Juro aumenta e o investimento tenderá a diminuir.

(B) a taxa de juro diminui e o investimento tenderá a aumentar.

(C) a taxa de Juro aumenta mas o investimento manter-se-á.

(D) a taxa de juro diminui e o investimento tenderá também a diminuir.

10. Considere os valores do quadro 2.

Quadro 2 - Contas Nacionais do pais X. Em milhares de unidades monetárias (u_m.)

Variação de existências 94

Valor da produção da indústria 1850

Saldo dos rendimentos do exterior 55

Despesas do Estado em bens e serviços 810

FBCF 700

Consumo privado 2 000

Salários pagos pelas empresas e Estado 1500

Procura externa líquida 240

10.1 De acordo com os valores fornecidos, o valor do PIB p.m. foi de

(A) 3656 milhões de u.m. (C) 3604 milhões deu.m.

(B) 3844 milhões de u.m. (D) 3405 milhões deu.m.

10.2 O valor da despesa nacional foi de

(A) 4905 milhões de u.m. (C) 3899 milhões deu.m.

(B) 3549 milhões de u.m. (D) 5104 milhões deu.m.

11. Numa região do país Y. em 2016, o valor do PIB p.m. a preços correntes foi de 520 milhões de euros.
Sabendo que o índice de preços foi 103. o valor do PIB p.m. a preços constantes foi de

(A) 364 milhões de euros.

(B) 535.6 milhões de euros.

(C) 504.8 milhões de euros.

(D) 5 048 milhões de euros.

12. A diminuição dos impostos por parte do Estado representa uma medida de

(A) política orçamental restritiva. (C) política orçamental expansionista.

(B) política monetárta expansionista. (D) política monetária restritiva.

256
PROVA-MOOELO DE EXAME 3

13. A observação do saldo conjunto das balanças corrente e de capital de uma economia permite concluir
que a economia em análise

(A) apresenta um défice ou um superavit nas trocas de bens com o Resto do Mundo.

(B) necessita de financiamento ou se. pelo contrário, tem capacidade de financiamento.

(C) apresenta um défice ou superavit nas trocas de capitais com o Resto do Mundo.

(D) apresenta um saldo positivo ou negativo nas trocas de bens e capitais com o Resto do Mundo.

14. Considere os valores do quadro 3.

Quadro 3 - Saldos da balança corrente e de capital de Portugal.


Janeirojulho de 2018. Em milhões de euros

Valores I
Balanças

Balança corrente -1641

Balança de capital 1006

Fonte: Banco de Portugal, dezembro de 2018

A partir dos valores fornecidos pode afirmar-se que a economia portuguesa, no período considerado.

(A) apresentou capacidade de financiamento dado ter um saldo positivo na balança de capital.

(B) teve necessidade de financiamento dado o saldo negativo da balança corrente.

(C) teve capacidade de financiamento de 635 milhões de euros.

(D) apresentou necessidade de financiamento no valor de 635 milhões de euros.

15. As variações cambiais têm efeitos nos preços dos bens transacionados influenciando as trocas comer­
ciais de um país com o Resto do Mundo.

15.1 A afirmação anterior é

(A) verdadeira, pois os produtos exportados e importados podem ficar mais caros ou mais baratos.

(B) falsa, pois as trocas comerciais de um país com o exterior são influenciadas pelo seu grau de
competitividade.
(C) falsa, pois apenas influencia os preços dos bens importados do Resto do Mundo.

(D) verdadeira, pois uma valorização da moeda torna os produtos mais caros.

15.2 Uma valorização do euro face ao dólar

(A) torna os produtos da zona euro mais baratos, gerando um aumento das exportações.

(B) torna os produtos fora da zona euro mais caros, gerando um aumento das importações.

(C) torna os produtos da zona euro mais caros, gerando uma diminuição das exportações.

(D) torna os produtos fora da zona euro mais baratos, gerando uma diminuição das importações.

257
ECONOMIA A

16. As barreiras alfandegárias tarifárias

(A) constituem uma medida protecionista e traduzem-se na restrição das Importações pela fixação de
limites máximos de importação.

(B) destinam-se a favorecer as exportações impondo impostos sobre os produtos importados. É uma
medida que incentiva o comércio entre os países.

(C) consistem em direitos aduaneiros cobrados aos produtos importados, fazendo com que estes fi­
quem mais caros. Esta medida protege as empresas nacionais.

(D) são regras que o país exportador tem de respeitar, por exemplo, em termos de segurança dos pro­
dutos. Esta medida insere-se na política protecionista.

17. A atual União Europeia é uma união económica, o que significa que mantém as regras de uma união
aduaneira e de um mercado comum. Tal significa que na UE
(A) os produtos, serviços, capitais e pessoas circulam livremente e existe uma pauta aduaneira comum
no comércio com países fora da zona.

(B) para além das quatro liberdades de circulação e da existência de uma pauta aduaneira comum no
comércio com países terceiros existem políticas económicas comuns.

(C) há livre circulação de bens, pessoas, serviços e capitais e existem políticas económicas comuns.

(D) existem as liberdades de circulação próprias de uma união aduaneira e a aplicação de políticas
económicas comuns, característica de um mercado comum, bem como a definição de uma moeda
única, no caso da união económica.

GRUPO II

1. Em economia há que fazer escolhas. Suponha que um comerciante tem de se deslocar de Lisboa a
Madrid em negócios e tem de decidir entre viajar de automóvel ou de avião. De referir que o empresá­
rio não gosta de andar de avião, sentlndo-se mais confortável a viajar de automóvel.

Considere os seguintes dados:

Cada hora de trabalho do comerciante custa 60€


Preço da viagem e tempo de duração:
- Automóvel: tempo 6 h; custo 70€
- Avião: tempo 1 h 30 min; custo 200€

Explique a decisão a tomar pelo empresário, identificando o benefício e o custo de oportunidade.

Na sua resposta apresente os cálculos efetuados.

2. Uma empresa produz 180 toneladas de papel por dia com 30 trabalhadores. Se contratar mais um
trabalhador, a produção aumentará para 185 toneladas. Explique se a empresa deverá proceder à con­
tratação do novo trabalhador.

Na sua resposta, utilize os conceitos de produtividade média e de produtividade marginal do trabalho.

258
PROVA-MOOELO DE EXAME 3

3. Considere o quadro 4.

Quadro 4 - Evolução das despesas de consumo final, Portugal. 1995 e 2016. Em percentagem

Tipo de bens e serviços «96 2016

Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas 18,5 16.9

Bebidas alcoólicas, tabaco e narcóticos 3.6 3.1

Vestuário e calçado 7.0 6.3

Habitação, água. luz. gás e outros combustíveis 12.8 18.8

Móveis, equipamentos domésticos e manutenção da habitação 6.6 5.1

Saúde 4.5 5J

Transportes 15.0 12,7

Comunicações 22 2.4

Lazer, recreação e cultura 8.0 6.1

Educação 1.1 12

Restaurantes e hotéis 10.6 11.8

Bens e serviços diversos 10,1 10.6

Fonte: wwwpordata.pt (consultado em Janeiro de 2019>

Explique, a partir dos dados fornecidos, a evolução do nível de bem-estar das famílias portuguesas, no
período considerado.

GRUPO III

1. Leia o seguinte excerto do Jornal de Negócios.

Os dados do INE. relativos a 2015. mostram que Portugal tem de importar 4€ para exportar 10€.
Tal acontece porque cerca de dois terços das compras ao exterior destinam-se a produção de
bens que posteriormente sâo absorvidos pela procura final, nomeadamente através de vendas
ao exterior.
Fonte: Jornal de NegOclos. 10 de Janeiro de 2019

Relacione, com base na notícia, produção, importações e exportações.

259
ECONOMIA A

Observe os gráficos 2 e 3.

— Emprego (escala esquerda)


— Desemprego (escala direita) — Portugal — Zona euro
Fonte: Banco de Portugal, Boletim Estatístico. Janeiro de 2019

Explicite a evolução do mercado de trabalho e do emprego, em Portugal e na zona euro.

3. Considere o gráfico 4.

Grafico 4 - Evolução do consumo privado, rendimento disponrvel e taxa de poupança.

(P) (P)
Fonte: Banco de Portugal, Bo/eMn Estatístico, dezembro de 2018

Analise a evolução dos indicadores apresentados.

COTAÇÕES

260
PROVA-MODELO DE EXAME 4

Prova-modelo de exame 4

Duração da Prova: 120 minutos | Tolerância: 30 minutos.

GRUPOl

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta. Escreva, na folha de respostas, o gru­
po. o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

1. A economia é considerada a ciência das escolhas porque

(A) é uma ciência social cujo objeto de estudo são os fenómenos económicos.

(B) estuda como utilizar recursos escassos para satisfazer as múltiplas necessidades.

(C) se preocupa com a identificação e explicação dos fenómenos sociais totais.

(D) considera que os fenómenos económicos são uma abstração da realidade social.

2. O consumo sustentável é um fenómeno social total porque é um fenómeno

(A) social que afeta um grande número de indivíduos.

(B) complexo com implicações em todos os níveis do real social.

(C) social que apenas constitui objeto de estudo da economia.

(D) complexo e unidimensional que interessa a todas as ciências sociais.

3. Leia o texto seguinte.

A missão da CGD [Caixa Geral de Depósitos] consiste em con-


trtbuir de forma decisiva para o desenvolvimento económico na­
cional. num quadro de evolução equilibrada entre rentabilidade,
crescimento e solidez financeira, acompanhado por uma prudente
gestão dos riscos, que reforce a estabilidade do sistema financeiro
nacional.
Fonte: www.cgd.pt (consultado em Janeiro de 2019)

Com base na situação acima descrita, podemos afirmar que a Caixa Geral de Depósitos se inclui no
agente económico

(A) administrações públicas.

(B) empresas não financeiras prestadoras de serviços comercializáveis.

(C) instituições financeiras.

(D) instituições sem fim lucrativo prestadoras de serviços às famílias.

261
ECONOMIA A

4. A tabela 1 representa as despesas de consumo das famílias numa determinada economia, em 2018 e em 2019.

Tabela 1 - Despesas de consumo das famílias

2018 75.0 2.5


2019 70.0 -1.5

No ano de 2018 o PIB registado nessa economia foi 30,0 mil milhões de euros. A partir da situação
acima transcrita, podemos afirmar que o valor do consumo das famílias foi

(A) em 2018, aproximadamente 20.16 mil milhões de euros.

(B) em 2019. aproximadamente 22.16 mil milhões de euros.

(C) em 2018. aproximadamente 23.06 mil milhões de euros.


(D) em 2019. aproximadamente 15.75 mil milhões de euros.

5. Observe o quadro 2. que apresenta as taxas de variação dos coeficientes orçamentais relativos à des­
pesa com os bens alimentares por parte das famílias num determinado país.

Quadro 2 - Taxas de variação dos coeficientes orçamentais relativos ã despesa com os bens alimentares. Em percentagem

Ponodos
relativo à despesa com os bens alimentares

2016 0.5
2017 0.9
2018 1.0

Com base nos valores do quadro acima, podemos afirmar que.

(A) em 2018. os rendimentos das famílias foram inferiores aos de 2016 e 2017

(B) em 2016. os rendimentos das famílias foram Inferiores aos de 2017 e 2018.

(C) em 2017. os rendimentos das famílias foram superiores aos de 2016.

(D) em 2018. os rendimentos das famílias foram supenores aos de 2017.

6. O quadro 3 apresenta alguns indicadores relativos a um determinado país em 2019.

Quadro 3 - Alguns indicadores da população do pais X

População total (em milhares de Indivíduos) 15 000.0


Taxa de atividade (em %) 52.0

Taxa de desemprego (em %) 8.0

Com base nos valores do quadro acima, podemos afirmar que há


(A) 1200 milhares de indivíduos desempregados.

(B) 8 pessoas desempregadas por cada 100 residentes.

(C) 624 milhares de indivíduos desempregados.

(D) 8 pessoas desempregadas por cada 1000 residentes.

262
PROVA-MODELO DE EXAME 4

7. O consumo de farinha efetuado por uma família para a confeção de um bolo constitui um exemplo de
consumo

(A) público. (B) intermédio. (C) final. (D) coletivo.

8. Observe o quadro 4 relativo a combinação dos fatores produtivos na empresa Y.

Quadro 4 - Combinação de fatores produtivos da empresa Y

10 6 000
11 8 500
15 000
12 9 500
13 10 000

Com base nos valores do quadro, podemos afirmar que nessa empresa a combinação ótima dos fato­
res produtivos é

(A) 15 000 u.m. de capital e 13 trabalhadores.

(B) 15 000 u.m. de capital e 12 trabalhadores.

(C) 15 000 u.m. de capital e 11 trabalhadores.

(D) 15 000 u.m. de capital e 10 trabalhadores.

9. Uma das fornias de moeda é o papel-moeda. Esta forma de moeda significa que

(A) a moeda é constituída por notas e moedas de trocos.


(B) a moeda é constituída por notas, cheques e cartões de débito e crédito.

(C) as notas podem ser convertíveis em ouro equivalente.

(D) as notas são inconvertíveis e de aceitação obngatória.

10. Segundo o INE. o IHPC, em Portugal, registou, em janeiro de 2018. uma vanação média dos últimos 12
meses de 1,5%. Esta afirmação significa que

(A) a variação dos preços em janeiro de 2018. comparativamente à variação registada em janeiro de
2017, foi de 1.5%.

(B) a média de variação dos preços entre Janeiro de 2017 e janeiro de 2018 foi de 1.5%.

(C) se registou um aumento de 1.5% nos preços em janeiro de 2018.

(D) ocorreu um acréscimo da taxa de inflação de 1.5% em janeiro de 2018.

11. No funcionamento do mecanismo de mercado.

(A) a procura relaciona de forma direta preços e quantidades.

(B) a oferta relaciona de forma inversa preços e rendimentos.

(C) a oferta relaciona de forma direta quantidades e preços.

(D) a procura relaciona de forma direta preços e rendimentos.

263
ECONOMIA A

12.Observe o gráfico 1 relativo ao bem X.

Quantidades

(A) A curva b2 representa uma menor quantidade procurada do bem X para o mesmo nível de preços.

(B) A curva b, representa uma menor quantidade oferecida do bem X para o mesmo nível de preços.

(C) A curva b? representa uma menor quantidade oferecida do bem X para o mesmo nível de preços.

(D) A curva b, representa uma menor quantidade procurada do bem X para o mesmo nível de preços

13. Em 2019, num determinado país, o salário mínimo apreciou-se em termos reais 6%. bastante acima do
apurado para o total da população assalanada cujo salário cresceu 1%. em termos reais. Pode assim
afirmar-se que

(A) o IPC aumentou multo mais do que os salários nominais em geral.

(B) o poder de compra dos trabalhadores que recebem o saláno mínimo reduziu-se.

(C) o poder de compra dos trabalhadores em geral aumentou.


(D) o IPC aumentou multo mais do que o salário mínimo.

14. Considere as seguintes afirmações, relativas às taxas de crescimento do PIB de um determinado país
nos 1.°. 2.° e 3.° trimestres de 2019, apresentadas no quadro 5.

Quadro 5 - Taxas de crescimento do PIB nos 1.°. 2.° e 3.° trimestres de 2019. Em percentagem

2019 (T1> | 2019 (T2) 2019 (T3)

0.9 1.7 0.8

I - O PIB cresceu sempre nos 1.°. 2.° e 3.° tnmestres de 2019.

II - O PIB cresceu no 2° tnmestre de 2019 e decresceu no 3° trimestre de 2019.

III- O PIB decresceu 0.9%. entre o 2.° e o 3.° trimestres de 2019.

IV- O PIB cresceu 0.8 p.p. (pontos percentuais), entre o 1° e o 2 ° tnmestre de 2019.

Selecione a opção que avalia corretamente as afirmações.

(A) I e IV são verdadeiras e II e III são falsas.

(B) I e II são verdadeiras e III e IV são falsas.

(C) II e III são verdadeiras e I e IV são falsas.

(D) II e IV são verdadeiras e I e III são falsas.

264
PROVA-MODELO DE EXAME 4

15.0 gráfico 2 apresenta a taxa de variação mensal do índice de produção industrial total e do índice dos
grandes agrupamentos industriais, em Portugal.

Gráfico 2 - índice de produção industrial total e índice dos grandes agrupamentos industriais.
Em percentagem

-2.0 ao 2.0 4.0 60 ao

■ lotai Fonte: INE. Destaque. 28 de agosto de 2018


■ EN
■ INV
■ INT
■ CT

Com base na situação descrita, podemos afirmar que

(A) O agrupamento bens de intermédios e outros (INT**) apresentou o contributo mais influente para a
variação do índice total, no conjunto dos dois meses.

(B) O agrupamento de bens de consumo total (CT) apresentou o contributo mais Influente para a varia­
ção do índice total.

(C) O agrupamento de bens de investimento (INV) apresentou o contributo menos influente para a
variação do índice total em julho de 2018.

(D) O agrupamento energia (EN) apresentou o contributo mais influente para a variação do índice total.

16.0 valor do rácio S80/S20 de um determinado país, em 2019. foi 5.9%.

Com base na situação descnta. podemos afirmar que

(A) se a proporção do rendimento aufendo pelos 20% da parte supenor da distnbuição (S80) for 7%
do rendimento, a proporção do rendimento auferida pelos 20% da base (S20) da distribuição será
41,3%.

(B) se a proporção do rendimento aufendo pelos 20% da parte supenor da distnbuição (S80) for 41,4%
do rendimento, a proporção do rendimento auferida pelos 20% da base (S20) da distribuição será
7%.

(C) se a proporção do rendimento aufendo pelos 20% da parte supenor da distrtbuição (S80) for 38.4%
do rendimento, a proporção do rendimento auferida pelos 20% da base (S20) da distribuição será
9%.

(D) se a proporção do rendimento auferido pelos 20% da parte superior da distribuição (S80) for 9%
do rendimento, a proporção do rendimento auferida pelos 20% da base (S20) da distribuição será
38.4%.

265
17. As curvas assinaladas por A. B e C correspondem a três
países com diferentes distribuições dos rendimentos.

Com base no gráfico, podemos afirmar que

(A) no país A a desigualdade na repartição dos rendi­


mentos é maior.

(B) no país B o índice de Gini apresenta o resultado


mais elevado.

(C) no país C o índice de Gini apresenta o resultado


mais baixo.

(D) no país C a desigualdade na repartição dos rendi­


mentos é maior.

18. Num determinado país, a redução do valor das transferências sociais para as famílias residentes, a
redução das remessas e o aumento dos impostos diretos, considerando-se tudo o resto constante,
implicam

(A) um aumento do rendimento médio disponível das famílias residentes.


(B) uma redução das desigualdades sociais.

(C) um aumento das desigualdades sociais.

(D) uma redução do rendimento médio disponível das famílias residentes.

19.0 quadro 6 apresenta as taxas de variação das importações de bens e serviços, de um determinado
país, em 2017 e 2018.

Quadro 6 - Taxas de variação das importações de bens e serviços.


Em percentagem

2017 2.0
2018 -1,5

Tendo em conta os valores apresentados, pode-se afirmar que

(A) a taxa de variação global, nestes dois anos, foi de -0.47%

(B) a taxa de variação global, nestes dois anos, foi de -0.5%

(C) a taxa de variação global, nestes dois anos, foi de 0.5%

(D) a taxa de variação global, nestes dois anos, foi de 0.47%

20. A existência de uma pauta aduaneira exterior comum aplicada às mercadorias provenientes de paí­
ses terceiros e a livre circulação de mercadorias, serviços, pessoas e capitais são características da
seguinte forma de integração

(A) zona de comércio livre.

(B) união aduaneira.

(C) mercado comum.


(D) união económica e monetária.

266
PROVA-MODELO DE EXAME 4

GRUPO II

1. Observe o gráfico 4. relativo a evolução do consumo privado em Portugal.

Grafico 4 - Evolução da composição do consumo privado.

— Bens duradouros — Bens nao duradouros e servtços (•) Prevtsao

Fonte: Banco de Portugal Boletim EconomKo, dezembro de 2017

Explique, com base nos dados fornecidos pelo gráfico, a evolução do consumo de bens duradouros e
de bens não duradouros, em Portugal, entre 2008 e 2018.

2. Observe o gráfico 5 relativo à variação homóloga do índice harmonizado de preços no consumidor


(IHPC) nos países da zona euro.

Gráfico 5 - Variação homóloga do IHPC, junho de 2018.


países da zona euro.

% -

íll.iHiiiiiiinnr
5.0-

4.0 - - -

3.0-- v vr 2ã 2.4 2.3 2.3 2.3 2.3


2,1 U£-2.0%
2.0
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a s 3 ? O
I £ 2 i s
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I
11 s.
■3 f i 2 ■
m 5 11
<3 s <11 < i

Nota: O índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC) é um indicador de inflação para comparações entre os diferentes
países da União Europeia. Na estrutura do IHPC está incluída a despesa realizada pelos não residentes «turistas», parcela esta
excluida do âmbito do IPC.

Explique, com base nos dados fornecidos, a situação de Portugal no contexto dos países da zona euro.

Na sua resposta comece por apresentar uma noção de IPC.

267
ECONOMIA A

Leia o seguinte texto relativo a uma empresa produtora de camisolas que vende a sua produção a uma
grande empresa internacional.

Uma empresa de média dimensão produziu, em 2018,20 000 camisolas por mês. encomenda­
das por uma grande empresa internacional. Vendeu a essa empresa toda a produção a 11€ a cami­
sola. Para produzir cada camisola gastou 2€ em tecido. 0.50C em linhas. 0,80€ em âgua e energia.

Determine, com base na situação descrita, o valor acrescentado por cada mês de produção, em 2018.

Na sua resposta, apresente todos os cálculos efetuados.

GRUPO III

1. Observe o quadro 7 relativo á evolução dos impostos sobre os combustíveis em alguns países da UE

Quadro 7 - Evolução dos impostos sobre o gasóleo em alguns países da UE.


entre novembro de 2015 e novembro de 2018. Em percentagem

Reino Unido -13.7

Suécia -2.4

Itália + 4.7

UE-28 + 7.6

Alemanha + 7.9

Zona euro + 13,5

Portugal + 19.6

Rança + 30,1

Fonte: Comissão Europeia. Janeiro de 2019 (adaptado)

Explique, com base nos dados fornecidos, a situação de Portugal no contexto dos países da UE-28 e
da zona euro.

2. O texto apresentado refere-se à economia de alguns países da zona euro.

A dívida pública e o défice orçamental

No 3.° trimestre de 2018. Portugal registou uma dívida pública de 248.9 mil milhões de euros. o
equivalente a 125% do PIB. Pior do que Portugal estão a Grécia, com uma dívida de 182,2% do PIB
e a Itália com 133% do PIB. Na zona euro. a dívida é em média 86,1% do PIB e na UE. 80.8% do PIB.

O Luxemburgo é o país do euro com a dívida pública mais baixa (21.7% do PIB) e a Rança é o
país com o pior défice do espaço da moeda única (31%).

Portugal teve um excedente orçamental de 3.6% do PIB. no terceiro trimestre de 2018.


httpsj /eceuropaeu (conaitado em Janeiro de 2019)

268
PROVA-MODELO DE EXAME 4

Explique, com base nos dados fornecidos, a situação de Portugal em 2018. no que respeita às regras
fixadas pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC). no contexto de alguns países da UE.

Na sua resposta comece por identificar as regras fixadas pelo PEC no que respeita ao défice orçamen­
tal e a dívida pública.

3. Os quadros 8 e 9 apresentam a evolução do PIB nos 2° e 3.° trimestres de 2018. em Portugal e em


alguns países da UE.

Quadro 8 - PIB em Portugal Quadro 9 - PIB em Portugal e em alguns países da UE.


(taxa de variação homóloga). 3.° trimestre de 2018 (taxa de variação homóloga).
Em percentagem Em percentagem

Zona euro 1.6


Alemanha W
PIB em volume 2.1
Áustria 2.4
Consumo privado 2.3
Bélgica 1.6
Consumo pübHco 0.7
França 1.4
Formação bruta de capital fixo Grécia 22
4.3
(FBCF)
Holanda 23
Procura Interna 2.3 Itália 0.7

Exportações 2.9 Portugal 2.1


Importações 3.4 Reino Unido 1.5

Fonte: Banco de Portugal. Boletim Estatístico. janeiro de 2019 Fonte: Banco de Portugal, Boletim Estatístico, janeiro de 2019

Explique, com base nos dados fornecidos, o crescimento do PIB português no contexto dos países da
zona euro.

Na sua resposta explicite o contributo da procura interna e da procura externa líquida para a vanaçào
do PIB. em Portugal.

COTAÇÕES

269
Glossário

A c
Ações - títulos representativos de uma parte do capital Cabaz de compras - conjunto alargado de bens repre­
de uma sociedade anónima. O seu titular. o acionista, sentativos do consumo das famílias num determinado
tem o direito a receber dividendos (lucros distribuídos). período de tempo, normalmente um ano.

Administração Pública - agente económico cuja pdnck Capacidade de financiamento - quando o agente eco­
pal função é satisfazer as necessidades coletivas (Justiça, nómico possui os recursos financeiros necessários a sua
educação, saúde, etc.) atividade.

Administrações públicas - setor institucional cuja ati­ Circuito económico - representação ou descrição das
vidade principal e produzir serviços não mercantis, sa­ operações económicas realizadas pelos agentes econó­
tisfazendo as necessidades colettvas e redistribuindo o micos. num determinado período, numa economia.
rendimento.
Coeficiente orçamental - percentagem de uma classe
Agente economlco - toda a entidade autonoma com ca­ de despesas de consumo em relação ao total das des­
pacidade para realizar operações económicas tomando pesas de consumo de uma família.
decisões: famílias, empresas não financeiras, instituições
Coesão economlca e social - redução das desigualda­
financeiras. Administração Pública, resto do mundo.
des entre os Estados e as regiões da UE.
Aplicações financeiras - aplicação da poupança em de­
Combinação dos fatores produtivos - diferentes possi­
pósitos a prazo, ações, obrigações, etc.
bilidades de combinar trabalho e capital na produção de
Aquisições - estratégia de concentração empresarial bens e serviços.
pela compra de empresas.
Comércio externo - comércio de um dado pais com ou­
Área do euro ou zona euro - constituída pelos países tros países.
que possuem o euro como moeda.
Comércio internacional - comércio entre os países.
Atividade económica - atividade humana dirigida à pro­
Complementaridade e interdependência das ciências
dução. distribuição e consumo de bens e serviços e acu­
sociais - O conhecimento que cada ciência social pro­
mulação. Conjunto das funções / operações económicas
duz complementa o produzido peias restantes, com o
que permitem aos povos a sua sobrevivência.
objetivo de explicar a realidade social.
B Concentração de empresas - agrupamento de empre­
sas por razões económicas e técnicas.
Balança corrente - documento onde se registam as tro­
cas correntes. É constituída pela balança de bens, balan­ Concorrência imperfeita - forma de mercado em que as
ça de serviços, balança de rendimento pnmárlo e balan­ características do mercado de concorrência perfeita não
ça de rendimento secundário. são respeitadas.

Balança de capital - documento onde se registam os Concorrência monopolístka - forma de concorrência


movimentos de entrada e saída de capitais. imperfeita em que existem múltiplos compradores e múl­
tiplos consumidores. Como os bens não são homogé­
Balança de pagamentos - documento onde se registam
neos. embora sejam substituíveis, os produtores detêm
as trocas de um país com o Resto do Mundo (bens, ser­
algum poder sobre os preços.
viços e capitais).
Concorrência perfeita - forma de mercado em que pro­
Barreiras alfandegárias - mecfidas que Impõem restri­
dutores e consumidores não têm o poder de influenciar
ções ao comércio externo com vista a proteger o mer­
o nível de preços. É do livre jogo entre a oferta e a procu­
cado interno.
ra que o preço de mercado irá surgir.
Barreiras tarifárias - aplicação de taxas alfandegárias
Consumerismo - consumo esclarecido, racional e ba­
sobre os produtos importados.
seado em valores sociais e ambientais.
Bem público - bem e serviço coletivo Indivisível que
Consumlsmo - consumo excessivo, sem critérios e com­
satisfaz necessidades coletivas como, por exemplo, as
pulsivo.
redes ferroviárias, a Iluminação pública e os serviços de
segurança e defesa nacional. Consumo - ato pelo qual se destrói um bem para satis­
fação das necessidades das pessoas.
Bens - meios através dos quais as necessidades dos in­
divíduos podem ser satisfeitas.

270
Consumo coletivo - consumo realizado por um grande D
número de pessoas, sendo a coletividade a beneficiária
desse consumo. Défice - saldo negativo, ou seja, o valor das importações
(débtto) é superior ao valor das exportações (crédito).
Consumo de capital fixo - valor atribuído ao desgaste
do equipamento, de forma a substitui-lo e assim manter Défice orçamental - saldo orçamental negatrvo. As des­
a capacidade produtiva do país. pesas públicas são superiores às receitas públicas.

Consumo essencial - utilização de bens indispensáveis Deflação - queda do nível geral dos preços.
á sobrevivência.
Depreciação do valor da moeda - com a subida de pre­
Consumo final - consumo de bens que satisfazem dire­ ços a moeda perde valor aquisitivo, ou seja, com a mes­
tamente as nossas necessidades. ma quantidade de moeda compra-se menor quantidade
de bens e serviços.
Consumo Individual - consumo realizado por uma pes­
soa. que Impede que outras pessoas o possam realizar. Deslnfiação - abrandamento do ritmo de crescimento
dos preços.
Consumo Intermédio - consumo de bens que vão ser
utilizados na produção de outros bens. Desmaterialização da moeda - a moeda perde o seu
conteúdo físico, sendo, progressivamente constituída
Consumo privado - consumo realizado por particulares. por registos informáticos relativos à circulação dos de­
Consumo público - consumo realizado por entidades pósitos.
públicas, pelo Estado. Despesa Nacional (DN) - somatório das despesas de
Consumo supérfluo - consumos que satisfazem neces­ consumo privado e público, investimento, exportações
(subtraindo o valor das importações), a que se soma o
sidades terciárias.
saldo dos rendimentos com o exterior. É genericamente
Contabilidade Nacional - técnica de quantificação da igual ao PNB.
atividade económica de um país para que, a partir da
análise dos valores, seja possível gerir com mais eficiên­ Despesas de capital - gastos do Estado que não se efe­
cia a sua economia. tuam todos os anos, mas que perduram no tempo como,
por exemplo, os investimentos em infraestruturas. equi­
Contlngentaçào - medida que limita a quantidade de pamentos e tecnologias.
importações de determinados bens.
Despesas públicas - gastos do Estado no exercício das
Crédito - cedência temporária de valores monetários suas funções. Podem ser classificadas em despesas cor­
mediante uma remuneração, ojuro. rentes (fazem-se ao longo de um ano e terminam no final
desse ano) e despesas de capital.
Critérios de convergência nominal - condições exigi­
das pela UE para um pais aderir à moeda única (limite do Desvalorização da moeda - diminuição do valor da
défice orçamental em 3% do PIB e da dívida pública em moeda de um país relatlvamente à moeda de outro, tor­
60% do PIB). nando o preço dos bens exportados mais baratos.
Curva de Lorenz (ou curva de concentração de Lorenz) Deterioração do poder de compra - queda do poder de
- diagrama que representa, por classes percentuais, a compra, em resultado da variação média de preços ser
parte do rendimento que cabe a cada grupo populacio­ superior à variação média do rendimento.
nal. permitindo avaliar a desigualdade existente entre
as diferentes categorias de Indivíduos. A diagonal que Distribuição funcional dos rendimentos - repartição
divide o quadrado corresponde a uma concentração de dos rendimentos criados durante o processo produtivo
rendimentos nula (ou seja, à inexistência de desigualda­ pelos dois fatores de produção, tendo em conta as es­
des sociais). pecificidades das suas funções. Os rendimentos prove­
nientes da primeira repartição dos rendimentos são os
Curva de possibilidades de produção de um bem - cur­ rendimentos primários.
va que representa todas as combinações de trabalho e
Distribuição pessoal dos rendimentos - repartição do
capital de que resultam a produção do bem.
rendimento pela população residente, cabendo a cada
Custo de oportunidade - sacrifício da satisfação de al­ pessoa ou a cada família uma determinada parcela do
gumas necessidades em benefício da satisfação de ou­ total desse rendimento.
tras.
Dívida pública - dívida do Estado a terceiros. A dívida
Custo de vida - é definido pelo nível geral de preços. pública surge quando há défices orçamentais porque to­
dos os gastos do Estado têm de estar cobertos.

271
ECONOMIA A

Glossário

Divisa forte - moeda aceite pela maioria dos países Estrutura do consumo - repartição das despesas de
como meio de pagamento internacional consumo das famílias pelos diferentes grupos de bens
de consumo.
Divisão Internacional do trabalho (DIT) - divisão da pro­
dução a nível mundial, associada á diversidade de recur­ Excesso de procura - a quantidade procurada de um
sos dos países e com base nas trocas - uns produzem bem é superior à quantidade disponível desse bem no
e exportam matérias-primas e recursos naturais, outros, mercado, o que origina a subida do seu preço.
produtos industriais e outros ainda, tecnologias.
Exportação - venda de bens ao Resto do Mundo, a que
corresponde uma entrada de divisas
E
Externalldades - efeitos positivos ou negativos na so­
Economia - ciência social que estuda os fenómenos
ciedade decorrentes de factos económicos, mas impos­
económicos, ou seja, que estuda os fenómenos sociais
síveis de mensurar. O efeito positivo da educação no
tendo em atenção o problema económico.
comportamento cívico e o eferto negativo do ruído no
Economias de escala - ganhos resultantes da diminui­ bem-estar da população, são. respettvamente. exemplos
ção dos custos médios unitários, que vão tendendo para de uma externalldade positiva e negativa.
zero quando estamos a considerar a produção numa
perspetiva de longo prazo. F
Economia nào observada - situações em que a medição Falhas de mercado - situações em que o mercado não
da atividade económica não é possível de realizar, dimi­ responde aos desequilíbrios económicos (extemallda-
nuindo o valor do produto de uma economia. des e concorrência imperfeita, por exemplo).

Eficiência - utilização do mínimo de recursos na produ­ Famílias - setor institucional cuja atividade principal é a
ção de bens e serviços, de forma a obter o máximo ren­ de consumir
dimento.
Fatores de produção - fatores necessários a realização
Empresa nào financeira - agente económico cuja fun­ da produção, como o trabalho e o capital.
ção é produzir bens e serviços nào financeiros.
Fatores económicos que Influenciam o consumo - o
Equidade - implementação da igualdade de oportunida­ rendimento, o preço dos bens, o crédito constituem fato­
des. corrigindo o mercado e repondo a justiça social. res económicos que Influenciam o consumo.

Equilíbrio económico - situação em que se verifica um Fatores extraeconómlcos que Influenciam o consumo
equilíbrio entre os recursos e os empregos de um agente - a Idade, a moda, o melo social, as tradições são fatores
económico e entre a totalidade de recursos e empregos extraeconómlcos que influenciam o consumo.
de uma economia. O equilíbrio traduz- se na Igualdade
Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEEI)
PN = RN = DN
- Instrumentos financeiros que apoiam a execução das
Estabilidade - redução das flutuações do ciclo econó­ políticas europeias.
mico.
Financiamento - obtenção por parte dos agentes eco­
Estado Intervencionista ou Estado providência - Esta­ nómicos dos meios monetários necessários à sua ativi­
do que providencia a satisfação das necessidades bá­ dade.
sicas da população. Assume funções económicas e so­
Financiamento externo - o financiamento é obtido junto
ciais para além das Jurídicas e políticas.
de terceiros.
Estado liberai - Estado que apenas interfere na econo­
Financiamento externo direto - os agentes com neces­
mia para garantir o funcionamento do mercado. Limrta-se
sidade de financiamento emitem ações ou obrigações
ao quadro Jurídico que a atividade económica deverá
que são adquindas pelos agentes com capacidade de
respeitar.
financiamento. As transações reallzam-se no mercado
Estado ou Administração Pública - agente económico de capitais ou de títulos.
que redistribui o rendimento e presta serviços coletivos.
Financiamento externo indireto - o financiamento é
Estagflaçào - situação económica em que coexiste uma obtido Junto das instituições financeiras que canalizam
estagnação da economia (menor crescimento da produ­ as poupanças dos agentes com capacidade de financia­
ção. do rendimento, do investimento, do consumo, etc.) mento para os agentes com necessidade de financia­
e um crescimento dos preços (Inflação). mento.

272
GLOSSÁRIO

Hnanclamento Interno - a poupança dos agentes eco­ índke harmonizado de preços no consumidor (IHPC) -
nómicos constitui a fonte do financiamento (autoflnancia- índke utilizado na zona euro. que permite comparar os
mento). dados relativos á taxa de inflação nos países cuja moeda
é o euro.
Fluxos económicos - interações entre os agentes eco­
nómicos. Índices de preços - estabelecem a relação entre os
preços dos bens em momentos diferentes. O índice de
Formação bruta de capital fixo - investimento em capi­
preços de um bem. revela a variação do seu preço relatl-
tal fixo (máquinas, equipamentos, etc.).
vamente a um ano tomado por base:
Formação de capital - investimento em novos bens de Ano x _ Preço do bem ano x *
produção. Ano base ~ Preço do bem ano base

Funções economlcas e sociais do Estado - garantir a Inflação - subida generalizada e contínua dos preços
eficiência, a equidade e a estabilidade. dos bens e serviços.

Fundo de Coesão - financia projetos nas áreas do Inflação esperada - a expetativa de um aumento da in­
ambiente, dos transportes e da eficiência energética, flação pode gerar comportamentos por parte dos agen­
apoiando o desenvolvimento dos países da UE cujo ren­ tes económicos que podem levar ao aumento de preço
dimento nacional bruto é inferior a 90% da média euro­ no curto prazo.
peia.
Instituições financeiras - agentes económicos cuja fun­
Fusões - forma de concentração empresarial que se tra­ ção consiste em prestar serviços financeiros (seguros,
duz na Junção do património de vánas empresas sob a por exemplo) e em financiar a economia.
gestão empresarial e financeira de uma empresa «mãe».
Integração económka - união de economias nacionais
em regiões económicas mais vastas.
I
Interdisclpllnarldade das ciências sociais - cada ciência
Importação - compra de bens ao Resto do Mundo, a que
social estuda a realidade social do seu ponto de vista e
corresponde uma saída de divisas
do contributo de cada uma resulta o melhor conhecimen­
Impostos diretos - incidem sobre os rendimentos obti­ to dessa realidade social.
dos pelos contribuintes, como, por exemplo, o IRS (im­
Investimento - aplkação da poupança na atMdade pro­
posto sobre o rendimento de pessoas singulares) e o IRC
dutiva.
(imposto sobre o rendimento de pessoas coletivas).
Investimento direto estrangeiro (IDE) - aquisição por
Impostos Indiretos - incidem sobre os consumos, como,
um investidor estrangeiro de uma parte do capital de
por exemplo, o IVA (imposto sobre o valor acrescentado),
uma empresa (pelo menos 10 % dos direitos de voto)
o Imposto de consumo sobre o tabaco e o imposto sobre
residente noutro país.
o álcool e bebidas alcoólicas.
Instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias
Impostos progressivos sobre o rendimento - impostos
(ISFLSF) - instituições cuja atividade principal é produ­
sobre o rendimento em que. quanto maior é o rendimen­
zir serviços não mercantis. Por exemplo, os bombeiros
to. maior é a taxa a aplicar.
voluntários.
índke de desenvolvimento humano (IDH) - Indicador
composto que integra quatro indicadores simples: a taxa J
de alfabetização de adultos, a taxa bruta de escolariza­
Juro - remuneração de quem empresta capital. É calcu­
ção. a esperança de vida à nascença e o PIB per capita
lado com base numa taxa (taxa de Juro).
(rend imento per capita).

índke de Glnl - varia entre o valor 0 (concentração de L


rendimentos nula e. portanto, igualdade absoluta) e o va­
Lei da oferta - a oferta de um bem varia na razão direta
lor 100 (extrema concentração de rendimentos e extre­
ma desigualdade). do seu preço.

índke de preços no consumidor (IPC) - Indicador que Lei da procura - a procura de um bem varia na razão
inversa do seu preço.
exprime a variação dos preços de um conjunto alargado
de bens (cabaz de compras) e a partir do qual se mede Lei de Engel - Quanto menor o rendimento de uma famí­
a inflação. lia. de uma região ou de um país, maior será o coeficiente
orçamental relativo ás despesas de alimentação.

273
ECONOMIA A

Lei dos rendimentos decrescentes - a produtividade Moeda escriturai - moeda desmaterializada, constituída
marginal decresce, a partir de um certo ponto, em resul­ pela circulação dos depósitos, movimentados atualmen­
tado da utilização excessiva de um dos fatores de produ­ te por via eletrónica.
ção. ficando o outro fixo.
Moeda fiduciária - a emissão das notas é superior às
Leque salarial - exprime a relação entre o salário mínimo reservas em moeda metálica mas a moeda circula com
e o salário máximo. base na confiança do público nos bancos. As notas po­
dem ser convertidas em metal se houver reservas sufi­
Limiar de pobreza - limiar do rendimento abaixo do qual
cientes.
se considera que uma família se encontra em risco de po­
breza. Este valor foi convencionado pela Comissão Euro­ Moeda representativa - as notas em circulação são con-
peia como sendo o correspondente a 60% da mediana vertívels em metal, em valor equivalente.
do rendimento por adulto equivalente de cada país.
Monopólio - forma de mercado de concorrência im­
Liquidez - capacidade de conversão de um título em di­ perfeita em que a oferta se encontra concentrada numa
nheiro. única empresa que tem total poder para determinar os
preços.
Livre-cambismo - política comercial assente no livre co­
mércio entre países. Multiplicidade das necessidades - as necessidades são
múltiplas e infinitas.
Lucro - rendimento do empresário que realiza a sua ati­
vidade económica através da empresa, utilizando, para o
efeito, determinado montante de capital. O apuramento
N
do lucro faz-se pela diferença entre o preço de venda e Necessidade de financiamento - não tendo os recur­
o preço de custo dos bens produzidos. sos suficientes para a sua atividade, o agente económico
tem de os obter Junto de terceiros.
M Necessidades - Situações de mal-estar que impelem os
Mecanismo de mercado - compatibiliza a oferta de um Indivíduos à sua resolução.
bem com a respetiva procura, através do nível de preços
Necessidades primarias - necessidades indispensáveis
desse bem.
à vida humana.
Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) - apoia fi­
Necessidades secundárias - necessidades que garan­
nanceiramente os países da moeda única quando há ris­
tem uma melhor qualidade de vida.
co para a credibilidade do euro.
Necessidades terciárias - necessidades dispensáveis.
Melo de pagamento - a moeda é utilizada para paga­
mento de qualquer dívida. Nível de vida - consiste no poder de compra das famí­
lias ou da sua capacidade aquisitiva. É determinado pela
Mercado comum - forma de integração em que não há
relação entre o nível de rendimento e o nível de preços.
barreiras à livre circulação de bens, pessoas, serviços e
capitais.
O
Mercado único - mercado sem fronteiras onde bens,
serviços, capitais e pessoas circulam livremente. Obrigações - título representativo de um empréstimo
que é remunerado com um juro.
Mercado - toda a situação onde se confrontam as in­
tenções de produção dos produtores - a «oferta» de um Oferta - conjunto de bens e serviços que os produtores
estão dispostos a oferecer, num dado momento, a certo
bem - e as solicrtações de consumo dos consumidores -
a «procura» de um bem. de que resulta o «preço de mer­ preço.
cado» para aquele bem. isto é. o preço para o qual toda Oligopólio - fornia de mercado de concorrência imper­
a produção será vendida e toda a procura será satisfeita. feita em que existe um reduzido número de produtores,
Método dos produtos finais - método de cálculo do podendo influenciar o nível de preços.
valor do produto que contabiliza o valor dos bens finais Open market - operações em mercado aberto. Por
produzidos. Isto é. bens que não irão sofrer mais trans­ exemplo, o banco central compra ou vende títulos de dí­
formações. vida pública aos bancos comerciais.
Método dos valores acrescentados - método de cálculo Orçamento da UE - instrumento financeiro da UE onde
do valor do produto que contabiliza o valor que foi sen­ estão previstas as receitas e despesas da União para um
do sucesslvamente acrescentado ao bem e serviço em ano.
produção (valor acrescentado), em todas as etapas do
processo de fabrico.

274
Orçamento do Estado - documento onde são previstas Política de preços - tem como finalidade o controlo dos
as receitas e as despesas do Estado para determinado preços (e da inflação)
período de tempo, em geral um ano.
Política de redlstribuição dos rendimentos - atua sobre
Ótica da despesa - forma de cákulo do valor do produto os rendimentos primános (provenientes diretamente do
que corresponde à soma do valor de todas as despesas mercado e do património) e tem como prioridade reduzir
de consumo realizadas petos agentes económicos, com as assimetrias sociais para reforçar a coesão social. Está
o investimento e as exportações líquidas de importações. interligada com a política fiscal e com a política social.

Ótica da produção - forma de cálculo do valor do pro­ Política fiscal - Incide sobre os Impostos (principal fonte
duto que corresponde à soma do valor acrescentado por de financiamento das despesas públicas).
todas as unidades produtivas, agrupadas em ramos de
Política monetária - consiste num conjunto de decisões
atividade económica.
tomadas pelo Estado com a finalidade de controlar a
Ótica do rendimento - forma de cálculo do valor do pro­ massa monetáría em circulação (a oferta de moeda) e.
duto que corresponde ao somatório de todos os rendi­ deste modo, a inflação e a atividade económica. Na zona
mentos recebidos pelos fatores de produção. euro é da responsabilidade do Banco Central Europeu.
O seu principal Instrumento é a taxa de Juro.
P Política orçamental - tem como finalidade corrigir os ex­
Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) - pacto que cessos do ciclo económico e promover a estabilidade.
obriga os países aderentes ao euro a manter orçamentos Na zona euro está condicionada aos limites fixados pelo
equilibrados e finanças públicas sólidas. PEC. O seu instrumento é o orçamento do Estado.

Padrões de consumo - modelos a que o consumo obe­ Política social - consiste na transferência de verbas para
dece. de acordo com a época histórica, a localização as famílias mais carenciadas e no fornecimento de bens
geográfica, a cultura dos povos, o rendimento, entre ou­ e serviços indispensáveis, de uma forma gratuita ou a um
tros fatores. preço acessível, à população (os bens públicos).

Países avançados - países em que a importância dos Políticas conjunturais ou de estabilização - corrigem
setores é a segunte: setor III > setor II > setor I. os desequilíbrios no curto prazo (período até 1 ano). São
exemplos de políticas conjunturais as políticas fiscais,
Países da coesão - países da UE cujo RNB per capita é
orçamentais, monetárias, de preços, de emprego e de
inferior a 90% da média europeia.
redlstribuição dos rendimentos.
Países em desenvolvimento - países onde predomina
Politkas economkas e sociais - ações que os Estados
o setor I. intervencionistas desenvolvem para a prossecução de
Países emergentes - países que apresentam os setores determinados objetivos, adotando determinadas medi­
II e III em crescimento. das e utilizando Instrumentos macroeconômicos.

Papel-moeda - as notas deixam de ser convertívels e Politkas estruturais - políticas implementadas pelo Es­
os Estados impõem a sua aceitação. É o que se chama o tado. de médio (entre 1 a 5 anos) e longo prazo (mais
curso forçado da moeda, ou seja, as notas circulam por de 5 anos), que alteram o funcionamento e as estruturas
imposição da sua aceitação por parte do Estado. em que assenta a economia. Constituem exemplos de
politkas estruturais as politkas agrícolas, industnats e
Pauta aduaneira - conjunto dos direitos alfandegários ambientais.
sobre os produtos importados.
População ativa - parte da população residente que tra­
Planeamento Imperativo - plano obrigatório para o se­ balha ou que se encontra disponível para trabalhar como
tor público. os desempregados.
Planeamento Indicativo - plano não obrigatório para o População inativa - parte da população que não exerce
setor privado, uma vez que o Estado não pode obrigar atividade laborai.
compulslvamente as empresas pnvadas a aceitar os ob­
jetivos do plano. População residente - população que reside num país e
nele realiza atos económicos há mais de um ano.
Poder de compra - quantidade de bens e serviços que o
consumidor pode comprar com uma determinada quan­ Poupança - parte do rendimento disponível que não é
tidade de moeda. gasta em consumo imediato.

Política de combate ao desemprego - tem como priori­ Preço de equilíbrio - preço a que produtores e consumi­
dade baixar a taxa de desemprego através de um con­ dores estão dispostos a vender e a comprar as mesmas
junto de medidas no âmbito do mercado de trabalho quantidades de um bem.

275
ECONOMIA A

Glossário

Preço de um bem - valor de um bem expresso numa res estão dispostos a produzir e comprar ao preço de
unidade monetária. equilíbrio as mesmas quantidades (quantidade de equilí­
brio). de um dado bem.
Privatizações - alienação pelo Estado de algumas em­
presas públicas, de parte do seu capital social ou mesmo
a sua totalidade.
R
Raclo S80/S20 - indicador de desigualdade da distribui­
Procura - conjunto de bens e serviços que os consumi­
ção dos rendimentos. Permlte-nos saber quantas vezes
dores estão dispostos a comprar, num dado momento, a
é que o rendimento dos 20% mais ricos é supenor ao
certo preço.
rendimento dos 20% mais pobres.
Produção - atividade que visa obter os bens e serviços
Raclo S90/S10 - indicador de desigualdade da distribui­
necessários ã satisfação das necessidades.
ção dos rendimentos. Corresponde ao rendimento mo­
Produtividade média do capital - representa a quanti­ netário líquido recebido pelos 10% da população que de­
dade / valor de produção que se obtém com o emprego tém níveis mais elevados de rendimento (décil do topo)
de certa quantidade / valor de capital. e o rendimento recebido pelos 10% com menor nível de
rendimento (décil da base). Permite conhecer quantas
Produtividade media do trabalho - representa a quanti­
vezes é que o rendimento dos 10% da população com
dade / valor de produção que se obtém com o emprego maiores rendimentos é superior ao rendimento dos 10%
de certa quantidade / valor de trabalho. da população com mais baixos rendimentos.
Produtividade total - representa a quantidade / valor de Racíonatidade económica - gestão eficiente dos recur­
produção que se obtém com o emprego de certa quanti­ sos que decorre das escolhas que a Economia tem de
dade / valor de fatores de produção. fazer de entre as alternativas possíveis de utilização de
recursos escassos para garantir a maior satisfação de ne­
Produto a preços constantes - valor do produto de um
país avaliado de acordo com os preços que ocorreram cessidades ilimitadas.
num ano tomado para comparação, ano base. Ramo de atividade - conjunto de unidades de produção
Produto a preços correntes - valor do produto de um que exercem uma atividade Idêntica sobre um produto
pais avaliado de acordo com os preços que ocorrem homogéneo, como construção, educação, transportes e
nesse ano.
armazenagem, indústrias transformadoras, entre outros.

Produto bruto - valor do produto que não tem em conta Realidade social - objeto de estudo das ciências sociais.
o consumo de capital fixo. Receitas de capital - são receitas públicas que incluem
recebimentos de verbas ocasionais associadas ãs ven­
Produto Interno - valor do produto realizado pelas uni­
dades produtivas residentes (dentro do respetivo terrltó- das de imóveis ou fundos da União Europeia para apoiar
rlo económico). o investimento em infraestruturas.

Produto líquido - valor do produto que tem em conta o Receitas públicas - são cobradas pelo Estado para fi­
consumo de capital fixo. nanciar as suas despesas e são constituídas pelas recei­
tas patrimoniais ou voluntárias, pelas receitas coativas ou
Produto nacional - valor do produto realizado à base de obrigatórias, e pelas receitas credíticias.
fatores produtivos nacionais, mesmo que utilizados fora
Relatividade - as necessidades são relativas ao espaço
do território económico.
e tempo, variando geográfica e temporalmente.
Proteção social - encontra-se associada á política de
redlstribuição dos rendimentos e de assistência e segu­ Renda - o rendimento do proprietário que cede bens
rança social, a fim de promover a integração social e a imóvets em regime de arrendamento tais como, casas,
coesão social. terras, andares, escritórios, armazéns, etc. O proprletá-
no desse bem cede temporariamente a sua utilização a
Protecionismo - política comercial cuja finalidade é pro­ outra pessoa ou entidade, mediante um contrato de ar­
teger os produtores nacionais da concorrência externa, rendamento.
através de medidas que restringem as trocas entre o país
e o Resto do Mundo. Rendimento disponível dos particulares - é o rendimen­
to de que as famílias dispõem para utilizar em consumo
e poupança. Obtém-se pelo somatório £ remunerações
Q
do trabalho + rendimentos de empresa e de propriedade
Quantidade de equilíbrio - surge quando há equilíbrio + transferências internas e externas - contribuições so­
no mercado, ou seja, quando produtores e consumido­ ciais - impostos diretos.

276
GLOSSÁRIO

Rendimento Nacional (RN) - somatório dos rendimen­ Saldo orçamental primário - consiste no saldo orça­
tos distribuídos pelos fatores de produção. mental total ou global, após a dedução dos juros da dívi­
da pública e outros encargos.
Rendimento nacional per capita - relação entre o rendi­
mento nacional e a quantidade de população. Setor de atividade económica - conjunto de ramos de
atividade económica com similitudes: setor primário, se­
Reservas bancarias - depósitos dos bancos em contas
cundário e terciário.
no banco central.
Setor institucional - agregação das unidades institucio­
Reserva de valor - possibilidade de se guardar moeda e
nais de Igual natureza, isto é. representa a totalidade das
de a utilizar no futuro.
unidades institucionais que detém uma função específi­
Residente - todo o agente económico que tem um cen­ ca análoga e a desempenham com autonomia.
tro de interesse económico numa economia (pode ser
Setor público - Inclui a atividade administrativa do Esta­
um agente de nacionalidade estrangeira), ou seja, é
do e a sua atividade enquanto produtor.
aquele que realiza operações económicas num determi­
nado território económico, ou a partir dele, há mais de Setor público administrativo - inclui os serviços da ad­
um ano. ministração central do Estado, a administração local, a
Segurança Social e os fundos autónomos.
Resto do Mundo - setor institucional de não residentes
cuja atividade principal é a de trocar bens e serviços. Setor público empresarial - inclui as empresas públicas
e as empresas participadas
Risco de pobreza - proporção da população cujo ren­
dimento por adulto equivalente se encontra abaixo da Sistema de preferências aduaneiras - os países ade­
linha de pobreza, definida como 60% do rendimento me­ rentes concedem no comércio entre si vantagens adua­
diano por adulto equivalente. neiras.

Sociedade de consumo - é a sociedade em que a oferta


s de bens excede a procura, sendo os bens produzidos
Saclabllldade - a intensidade de uma necessidade vai em larga escala, em série e de duração efémera. Crtar
diminuindo ã medida que vai sendo satisfeita. novas necessidades, produzir e vender são os flns deste
tipo de sociedade.
Salarlo nominal - quantidade de moeda que o trabalha­
dor recebe em resultado do seu trabalho e com o qual Sociedades financeiras - Setor institucional cuja ativi­
vai adquinr os bens de que necessita. dade pnncipal é a de prestar serviços de intermediação
financeira e de financiamento da atividade económica.
Salãrlo real - quantidade de bens e serviços que o tra­
balhador pode adquirir com o seu salário nominal. O ní­ Sociedades nào financeiras - Setor institucional cuja
vel de Inflação (IPQ Influencia o salário real. atividade principal é a de produzir bens e serviços mer­
cantis.
Salário - rendimento recebido em troca do trabalho
prestado. O salário é ftxado em função do nível de quali­ Substitulbll Idade - bens diversos que satisfazem a mes­
ficações do indivíduo, das suas habilitações, da natureza ma necessidade.
do trabalho, do nível de desempenho, etc.
Superavit - saldo positivo de uma balança (crédito su­
Saldo da balança - diferença entre o valor das exporta­ perior ao débito).
ções (crédito) e o valor das importações (débito).
T
Saldo orçamental - diferença entre as receitas públicas
e as despesas públicas. Taxa de atividade - percentagem da população ativa re-
lativamente ao total da população residente.
Saldo orçamental convencional ou global - diferença
entre o valor total das receitas públicas (com exceção da Taxa de câmbio - taxa que flxa o valor da relação entre
emissão de dívida pública) e o valor total das despesas duas moedas.
públicas (com exceção do valor das amortizações da dí­
Taxa de cobertura - percentagem de cobertura do valor
vida pública).
das importações pelo valor das exportações.
Saldo orçamental corrente - diferença entre as receitas
Taxa de desconto - taxa de juro cobrada pelos bancos
correntes e as despesas correntes
centrais aos empréstimos que concedem aos bancos co­
Saldo orçamentai de capital - diferença entre as recei­ merciais.
tas de capital e as despesas de capital.

277
Glossário

Taxa de desemprego - percentagem de desemprega­ União política - as políticas são comuns aos países da
dos na população ativa. União e as decisões são tomadas por entidades supra­
nacionais.
Taxa de desemprego feminino - percentagem de mu­
lheres desempregadas na população ativa feminina. Unidade de valor - a moeda mede o valor dos bens en­
tre sl. através dos preços.
Taxa de Inflação - representa a taxa de crescimento de
preços entre dois momentos, sendo medida pelo índice Unidade Institucional - agente económico que tem uma
de preços no consumidor. função específica na atividade económica e uma fonte
de recursos propha. além de ter autonomia de decisão
Taxa de Inflação homóloga - compara o índice de pre­
relativamente ã sua tunção principal.
ços no consumidor do mês corrente com o do mesmo
mês do ano anterior.
V
Taxa de Inflação média - compara o índice médio dos
Valor acrescentado - valor que cada unidade produtiva
preços no consumidor dos últimos doze meses com o
acrescenta durante o processo de fabrico de um bem.
dos doze meses imediatamente anteriores.
Valor acrescentado = Valor da produção - Valor dos con­
Taxa de juro ativa - taxa cobrada pelo banco sobre o sumos intermédios.
crédito concedido (operações ativas).
Variação de existências - investimento em matérias-pri­
Taxa de Juro passiva - taxa paga pelos bancos aos de­ mas e em produtos semiacabados.
positantes (operações passivas).
Variação sazonal dos preços - oscilações dos preços
Território económico - espaço em que se desenvolve médios de alguns bens em determinadas épocas do ano.
a atividade económica, isto é. o espaço em que se con­
tabiliza a atividade económica para cálculo do valor do z
produto de um país.
Zona de comércio livre - zona de livre circulação de pro­
Títulos mobiliários - títulos representativos de um valor dutos entre os países membros, mantendo cada país a
e de direitos transacionáveis. Por exemplo: ações. sua pauta aduaneira no comércio com países terceiros.

Transferências externas - são constituídas por rendi­


mentos que algumas famílias recebem do exterior, como,
por exemplo, as remessas que lhes são enviadas por
familiares emigrados ou o pagamento de pensões por
entidades estrangeiras a trabalhadores portugueses que
tenham trabalhado fora de Portugal e aí pago as suas
contribuições sociais

Transferências internas - a Segurança Social transfere


pensões, abonos, rendimento social de inserção (RSI).
entre outros para as famílias.

Transferências sociais - rendimentos transferidos pelo


Estado para as famílias.

u
União aduaneira - livre circulação dos produtos entre
os países da União e fixação de uma pauta aduaneira
comum no comércio com países terceiros.

União económica - livre circulação de pessoas, bens,


capitais e serviços e adoção de políticas económicas e
sociais comuns.

União Economlca e Monetaria (UEM) - forma de inte­


gração que visa a harmonização das políticas económi­
cas e monetárias dos Estados-membros da UE com vista
á criação de uma moeda única.

278
Soluções
r™.
Soluções

TEMA 1 - A attvldode económica e a ciência face às necessidades a satisfazer, o que implica tomar decisões
económica - utilizar os recursos para produzir bens que satisfaçam as neces­
sidades do presente ou as necessidades no futuro.
GRUPO I
4.3 O objeto de estudo da Economia e o estudo das escolhas que
1-Q2-D.3-A.4-D. e necessário fazer face à escassez dos recursos, isto é. o estudo
de como as pessoas e a sociedade decidem empregar os recursos
GRUPO II
escassos, que poderiam ter utilizações alternativas.
LI O fenomeno social implícito na afirmação e o trabalho infantil 5. Quedõo iwoMda.
L2 A economia estuda a produção e o valor acrescentado pelo
trabalho infantil as empresas que empregam mão-de-obra infantil, TEMA 2 - Necessidades e consumo
as exportações de bens (produzidos pelas crianças), por exemplo;
o direito estuda a regulamentação do trabalho e a proibição ou GRUPO I
permissão do trabalho infantil, por exemplo; a Política estuda este l-a2-G3-D.4-Q5-B.6-D.7-C.
mesmo fenómeno, analisando os objetivos do poder político re­
lativamente a promoção do desenvolvimento e a satisfação das GRUPOU
necessidades básicas das populações, para que o trabalho infantil 11 As necessidades humanas são múltiplas, podendo ser físicas
seja erradicado. (comer, beber, dormir, não ter frio, etc.), de segurança (no trabalho,
1.3 A interdisciplmaridade é a atitude metodológica no estudo dos por exemplo), de relacionamento (necessidade de relacionamento
fenomenos sociais; isto e. necessitamos do contributo de todas com outras pessoas) ou de realização pessoal e autoestima (ne­
as ciências sociais para o estudo da realidade social (fenómenos cessidade de ver o seu trabalho reconhecido, por exemplo). As
sociais totais), porque todas elas, embora com perspetivas diferen­ necessidades podem ser individuais, como comer, beber, dormir,
tes. se debruçam sobre a mesma realidade. O contributo de cada entre outros exemplos, e coletivas, como e o caso da necessidade
uma das ciências sociais dar-nos-á uma visão mais aprofundada e de segurança ou de justiça.
completa do fenómeno social que estamos a estudar. A realidade 12 Necessidade ê uma situação de carência que tem de ser ultra­
social (objeto de estudo de todas as ciências sociais) é una mas. passada.
ao mesmo tempo, ê económica, sociológica, geográfica, histórica, 2 Questão resoMda
demográfica, política, jundica. psicológica, etc. pois a atividade hu­ 110 consumo è um ato economico. pois e influenciado por fatores
mana e pluridimensional Nos. para aprofundarmos o nosso conhe­
de ordem económica como o rendimento dos consumidores, os
cimento sobre a realidade social, ê que a dividimos de acordo com preços dos bens, o crédito concedido e a inovação tecnológica.
o objeto de estudo especifico de cada ciência social e. por isso,
Existem, também, outros fatores de ordem social como a moda,
temos de integrar o contributo de todas as ciências sociais, que as marcas, as tradições e o meio social e cultural que influenciam
são interdependentes e complementares.
igualmente o consumo, pois este ê um ato social O consumo é.
2.1 O problema económico consiste na necessidade de termos de desta forma, um ato económico e sociaL
fazer escolhas porque as necessidades são ilimitadas face aos re­ 3.2 O consumismo ê o comportamento típico das sociedades in­
cursos. que são escassos, pois vivemos num mundo de escassez.
dustrializadas atuais. Consumir cada vez mais, de forma indiscri­
2.2 A racionalidade económica consiste em despendermos um mí­ minada e pouco refletida são características do consumismo. Este
nimo de recursos, através de uma gestão eficiente, pois vivemos comportamento de consumo excessivo esta associado ao desen­
num mundo de escassez. volvimento da sociedade de consumo em que a oferta de bens ex­
2.3 Custo de oportunidade de um bem consiste na alternativa que cede a procura, o que implica a necessidade de escoar o excesso
se teve de sacrificar para se obter esse bem. ou seja, o preço que de produção. A publicidade e o marketing são técnicas utilizadas
se teve de pagar quando, face á escassez de recursos, foi neces­ para dar a conhecer os novos produtos e a fomentar novas ne­
sário fazer uma opção. Por exemplo, se apenas dispomos de uma cessidades junto dos consumidores, levando-os a consumir. Dai
quantia de dinheiro para gastar numa ida ao cinema ou numa ida o consumismo ser a expressão comportamental da sociedade de
à praia e gostanamos de desfrutar das duas opções, aquela que consumo.
sacrificarmos sera o custo de oportunidade. 13 Por exemplo, a destruição e esgotamento dos recursos natu­
3.1 Agente económico e toda a entidade autónoma com capacida­ rais e os desequilíbrios ambientais.
de para realizar operações económicas e tomar decisões, ou seja, 4. O consumerismo consiste numa atitude responsável relativa­
participar na atividade economkta exercendo varias funções e. mente ao consumo, no sentido da defesa dos direitos e interes­
consequentemente, com capacidade para deter valor económico. ses dos consumidores e da sua qualidade de vida. A proteção dos
12 consumidores, fruto da intervenção social de indivíduos, grupos e
organizações, esta consignada na lei. nomeadamente a nível da
UE. O texto fornecido mostra a importância que a legislação euro­
Consumir
peia da aos direitos dos consumidores em termos de aquisição de
Empresas n3o financeiras Produzir bens e serviços nâo finan­
ceiros bens ou serviços no espaço da UE, reconhecendo-lhes o direito a
msQMçOes financeiras Prestar serviços financeiros devolução, a reparação ou substituição de produtos defeituosos,
Garanbr 3 satlsraçào das neces entre outros exemplos.
Administração Pütwca (Estado) sldades coletivas e redistribuir o
rendimento 5.1 A Áustria e o Remo Unido apresentaram valores relativos às
Resto do Mundo Trocar bens, serviços e capitais despesas de consumo em alimentação abaixo da média dos paí­
ses da UE (12,2%): na Áustria, a despesa com a alimentação foi de
4.1 A economia ê uma ciência social porque estuda os fenómenos 9.7% e. no Reino Unido, situou-se nos 8.1%. A Finlândia apresentou
sociais, a partir da perspetiva económica. uma despesa idêntica á média da UE (12.0%) enquanto a Bulgaria
4.2 O problema resulta do facto de os recursos serem escassos e a Lituânia apresentaram valores acima da média da UE (t9.5% e
22.2%. respetivamente).

280
5.2 A analise dos valores permite concluir que existem diferenças 12 Setor I - agricultura e pesca Setor II - industria cerâmica e
significativas a nível do rendimento disponível das famdias: a Áus­ construção. Setor III - comércio e bancos.
tria e o Reino Unido foram, em 2016. os países com maior rendi­ 2.1 al Taxa de atividade = 60%
mento disponível, pois foram aqueles que registaram uma menor b) População inativa = 8 milhões
percentagem do rendimento gasta nas despesas em alimentação, d Número de desempregados = 5%»12 000 000 = 600 000
enquanto a Lituânia foi o pais que apresentou menor rendimento
. _ ............. 700 000 000 .
disponível dado que registou a maior percentagem do rendimento Produtividade por empregado = 400 000— u-m-
gasta nas despesas em alimentação.
2.2 Em cada 100 indivíduos pertencentes a população ativa 5 es­
tão desempregados.
TEMA 3 - A produção de bens e de serviços
3 Quedõo resoMdo
GRUPO I 4. Todos os trabalhadores deverão estar preparados para a ino­
1 - A 2-C.3 - A 4-B. 5-D. 6 - A.7-C.8 -B. vação tecnológica permanente das economias, que exige deles
formação permanente, isto é. formação ao longo da vida sob pena
GRUPO II de poderem vir a engrossar as fileiras do desemprego tecnologico.
1. Um bem e um meio que pode satisfazer uma necessidade.
2. Pela definição anterior, pode-se deduzir que os bens têm como
finalidade ultrapassar situações de carência, ou satisfazer neces­
sidades. Assim, existe uma relação direta entre necessidades e
bens.
3. <4 4: W 2 d t4 6; o| 5; fl 3.
4. Quortoo resoMdo
5. São bens duradouros, pois podem ser utilizados varias vezes.
6. Um computador e uma impressora são bens complementares,
porque o consumo de um implica o consumo do outro para as fun­
ções para que foram criados; isto e. as suas funções complemen- 5.3 E a combinação que corresponde a máxima produtividade
tam-se. marginal (3 máquinas, ferramentas diversas e 13 trabalhadores).
7. a| F - Entre o açúcar e o café que a Elvira toma a seguir ao al­ 5.4 A produtividade marginal sobe progressivamente até á entrada
moço existe complementaridaoe horizontal e não vertical pois são do 13." trabalhador, mas. por saturação do fator produtivo fixo (o
ambos bens de consumo. capital), a produtividade começa a decrescer.
b) F - Entre o óleo e o motor da maquina da oficina do João existe 6.1
complementaridade vertical e não horizontal, pois são ambos bens
de produção.
d V - Entre a impressora e o PC que o Filipe utiliza na empresa
5 50 70 120 24
existe complementaridade vertical pois são ambos bens de pro­ 7 50 90 140 20
dução. 10 50 120 170 17
8.1 Processo produtivo representa as diferentes possibilidades 15 50 190 240 16
técnicas de produzir a quantidade maxima de um bem, ou seja, a 20 50 250 300 15
relação técnica entre os fatores produtivos necessários para essa
produção. 6.2 As economias de escala verificam-se com a produção de gran­
des quantidades. À medida que as quantidades produzidas au­
8.2 A curva representa as diferentes combinações dos fatores pro­
mentam, os custos totais medios/por unidade vão diminuindo.
dutivos que se podem fazer para produzir a quantidade máxima do
bem X. ou seja, representa o processo produtivo do bem X. 6.3 A partir da produção de 10 unidades já haverá lucro, dado
que essa quantidade permite custos unitários de 17 uzn. (lucro de
9. Pesca - setor L Educação - setor Hl. Saúde - setor III. Constru­
1 ujn.). abaixo do preço de mercado.
ção - setor II. Produção e distribuição de gas. agua e eletricidade -
setor II. Industrias extrativas - setor L Cerâmica - setor II. Comercio 6.4 Para obter o máximo lucro, a empresa deverá produzir 20 uni­
- setor IIL Turismo - setor III. Lazer - setor III dades. pois em cada uma terá um lucro de 3 um.
10.1 Produtividade = Produto/Trabalho (n.° de horas) = 9
TEMA 4 - Preços e mercados
10.2 A produtividade foi de 9h de trabalho por bicicleta
10.3 Por exemplo, formação; boas condições de trabalho. GRUPO I
11.1 Operários, nutricionista e gestor - força de trabalho. 1 - 0.2 - Quedão rewMda. 3 - B. 4 - D. 5 - D. 6 - A. 7 - B.
Frutas, açúcar, água botões, frascos, máquinas, computadores, ca
GRUPO II
mião e automovel - meios de produção.
TL2 Bem duradouro - frasco ou computador. Bem não duradouro 1.1 Mercado é toda a situação em que vendedores e compradores
- fruta açúcar ou agua interagem no sentido de encontrarem o preço e a quantidade a
113 Setor«. que ambos estão dispostos a efetuar uma troca.
12 A curva A é a curva da procura e a curva B é a curva da oferta.
GRUPO III
13 O ponto de equilíbrio assinalado no gráfico (PJ indica que pro­
1.1 Pais A - país em desenvolvimento. Pais B - pais emergente. dutores e consumidores estão dispostos a vender e a comprar ao
Pais C - pais desenvolvido. mesmo preço (preço de equilíbrio) as mesmas quantidades (quan­
tidade de equilíbrio).

281
r™.
Soluções

2.1 WF.WF.KJV.nv 2.3 O desenvolvimento da atividade económica conduziu ao incre­


2 2. Por exemplo, os progressos tecnológicos. o preço da materia- mento das trocas comerciais à escala mundial, levando ã necessi­
-prima (cacau) ou as condições cfimaticas, entre outros. dade de maior quantidade de moeda para processar as transações
2.3 A procura aumentaria. A curva da procura deslocar-se-ia para e ao aumento do credfto e ca circulação dos depósitos. Este de­
a direita porque os consumidores estariam dispostos a comprar senvolvimento incentivou, numa primeira fase, o aparecimento de
maiores quantidades ao mesmo preço. novas formas de moeda mais facilmente transportadas (notas, em
vez de moeda metálica) e. numa fase posterior, a substituição de
2.4 Preço «10€. Quantidade = 5 tabletes.
notas e moedas por registos de depósitos e respetiva circulação
2.5 A procura diminuiria porque o bem substituto, tendo caracterís­
entre contas banca rias. Facilitar o transporte de moeda e aumentar
ticas semelhantes, faria desviar a procura para si.
a rapidez e a segurança nas transações levou ã perda progressiva
3.1 A lei da procura afirma que as quantidades procuradas de um
do conteúdo material da moeda, até á sua total desmaterialização.
bem variam na razão inversa do preço desse bem.
3.10 fenómeno referido ê a inflação.
3.2 Por exemplo, o rendimento dos consumidores e o marketing
3.2 Segundo o autor, a subida dos preços não significa o aumento
e a publicidade.
do valor dos bens, mas menor valor da moeda, ja que é necessário
3.3 Num mercado de concorrência perfeita, se o preço de um bem gastar mais dinheiro para adquirir a mesma quantidade de bens.
complementar sofresse uma subida, mantendo-se o resto constan­
4.1 Se a quantidade procurada de um bem exceder a quantidade
te. a procura do bem X iria reduzir-se (deslocamento da curva para
oferecida desse bem verifica-se a subida do seu preço. Se o mes­
a esquerda).
mo fenómeno ocorrer com uma serie de bens, tal pode provocar
4. Quesíoo resoMda.
uma subida generalizada do nrvel de preços. Se ocorrer um au­
5.10 mercado dos perfumes poderá ser considerado um mercado mento dos custos de produção dos bens (matérias-primas, eletrici­
de concorrência monopolistica porque existem muitas unidades de dade. equipamentos, salários, etc), esse aumento ira repercutir-se
produção pequenas, que. ao inves do que acontece no mercado nos preços dos bens, pois os produtores para manterem as suas
de concorrência perfeita, produzem bens não totalmente homogé­ taxas de lucro terão de proceder ao aumento dos preços. Se a su­
neos. Ao haver diferenciação no produto, o produtor terá algum bida dos custos de produção afetar um número considerável de
poder para fixar o preço. bens, poderá levar a uma subida generalizada do nível médio dos
5.2 Dois exemplos poderão ser, entre outros, as marcas de ves­ preços.
tuário de luxo ou os restaurantes conceituados ou especializados. 4.2 Os dois fatores referidos estão muitas vezes interligados, ori­
6.1 Os intervenientes no mercado de trabalho são as famílias, que ginando o agravamento do processo inflacionário: o excesso de
oferecem trabalho, e as empresas, que procuram trabalho. procura gera o aumento da inflação e esta pode levar ao aumento
6.2 No mercado de trabalho, quando a oferta (famílias) aumenta dos salários, provocando um aumento dos custos de produção que
mais do que a procura (empresas), os salários (preços) têm tendên­ ira originar uma nova subida dos preços. O aumento dos salarios
cia a diminuir. Nesta situação, algumas pessoas não estariam dis­ pode, igualmente, originar um excesso de procura que conduzirá,
postas a vender a sua força de trabalho (capacidade de trabalho) a de novo, ao agravamento do nível médio de preços.
um preço tão baixo. Chega-se então, de acordo com o mecanismo 4.3 Numa situação de inflação, os agentes económicos, ten­
do mercado, a um novo equilíbrio no mercado com um salário ligei­ do a expetativa de um novo aumento de preços, desenvolvem
ramente superior ao anterior. A lógica da concorrência conduziu comportamentos geradores de inflação. As familias antecipam
assim a novo equilíbrio. determinados consumos, em particular de bens duradouros,
como automóveis e eletrodomésticos, e as empresas antecipam
TEMA 5 - Moeda e Inflação a aquisição de matérias-primas e de equipamentos. Estes com­
portamentos são geradores de um excesso de procura, causa
GRUPO I
de inflação. A expetativa de uma subida da inflação poderá levar
1-G2-A3-D. 4-A.5-&6-D. também a um aumento dos salários para evitar uma diminuição
GRUPO II do poder de compra, o que contribuirá para o agravamento dos
custos de produção, podendo originar um aumento do nível geral
LI A moeda é um bem aceite por todos como intermediário nas dos preços. A inflação esperada constitui, desta forma, uma causa
trocas. de inflação.
1.2 Medida de valor - «possibilita a comparação dos bens e servi­ 5 Questôo rwoMdo.
ços. através da expressão dos seus valores em unidades mone­
6.1 No pais A em 2017. verificou-se um ligeiro aumento do poder
tárias»; meio de pagamento - «facilita as transações»; reserva de
de poder pois a variação do rendimento foi superior à variação do
valor - «permite diferir as compras».
nível médio de preços.
2.10 papel-moeda é constituído por notas inconvertiveis. emitidas /índice de rendimento)
Indicador do poder de compra = (------------ —------------- j - 100 =
pelos bancos centrais, sendo a sua circulação e aceitação impos­
ta pelo Estado. A moeda escriturai é moeda sem conteúdo fisico, -(S’100’100-18
constituída pela circulação dos depósitos e dos respetivos registos
nas contas dos clientes. Atualmente, esses registos são processa­ No pais A em 2017. o poder de compra registou um aumento de
dos informática mente. 0.18%.
2 2 As notas de banco não têm valor intrinseco. pois não podem 6.2 Poder de compra é a quantidade de bens e serviços que as
ser trocadas por valor equivalente em ouro e prata. O seu valor e pessoas podem adquirir com o seu rendimento.
aceitação enquanto moeda resulta da sua circulação ser imposta 6.3 Em 2017, no pais A os preços aumentaram 6.8% relativamente
pelo Estado. a 2016.

282
7.1 Sim, pois, em 2018, a taxa de variação do IPC (1.2%) foi menor 3.1 Enquanto o salário nominal consiste no montante que o traba­
do que a taxa de variação registada em 2017 (10.0%). o que traduz lhador recebe pelo trabalho prestado, o salário real é a quantidade
uma desaceleração do crescimento dos preços ou menor inflação. de bens e serviços que o trabalhador pode adquirir com o seu sa­
7.2 Na zona euro registou-se um aumento da taxa de inflação, pois lário nominal (é o poder de compra do trabalhador)
a taxa de variação do IHPC aumentou no período considerado (de 3.2 Os salários reais poderão aumentar se o aumento dos salários
0.2%. em 2016. para 1.5%. em 2017. e 1.7%. em 2018). nominais for superior ao IPC. ou se os salarios nominais se manti­
8.1 O IPC em fevereiro de 2019 apresentou uma taxa de variação verem e ocorrer uma diminuição geral dos preços (isto ê. se o IPC
homologa de 0.94%. for inferior a 100)
8.2 As «Bebidas alcoólicas e tabaco» e os «Transportes», com taxas 3.3 A queda dos salarios reais, entre 2010 e 2016. em Portugal
de variação de 2.62% e 2.25%, respetivamente. Espanha e Reino Unido, implica que o poder de compra dos traba­
8.3 «Vestuário» e «habitação». que apresentaram taxas de variação lhadores se reduziu. Os salários nominais não terão crescido tanto
negativas (-3.29% e -0J6%. respetivamente). como o IPC. ou terão estagnado face a um IPC que tera aumen­
tado. A OCDE considera que esta queda se deve ao aumento do
9 Queslõo rosoMda
emprego em setores de baixa produtividade. A produtividade ê um
dos fatores que influencia os salários: se a produtividade do traba­
TEMA 6 - Rendimentos e dteMbutçõo dos rendimentos
lho for baixa, os salários também serão baixos, pois as empresas
GRUPO I não querem ver agravados os custos de produção com aumentos
l-C.2-C3-i4-D.5-D 6 - Questão resoMda salariais acima do nível de produtividade (um aumento de salario
acima do nível de produtividade representa um aumento dos cus­
GRUPO II tos de produção) Sera necessária a modernização dos setores
LI As remunerações do fator capital são constituídas por rendas, com baixa produtividade e uma formação profissional ao longo da
juros e lucros e as remunerações do fator trabalho sao compostas vida ativa para que os salarios nominais possam aumentar a par
por salários, ordenados ou vencimentos. com a subida da produtividade e acima do valor do IPC. de modo
1.2 A repartição dos rendimentos implícita no quadro e a repartição a que os trabalhadores possam melhorar o seu poder de compra e
funcional dos rendimentos, que corresponde à repartição dos ren­ dinamizar a economia.
dimentos pelos fatores de produção (trabalho e capital) gerados no 4.1 Rendimento disponível dos particulares = Remunerações do tra­
processo produtivo. balho + Rendimentos de empresa e de propriedade - Transferên­
1.3 Entre 2015 e 2017, as remunerações em percentagem do PIB cias internas e externas - Contribuições sociais - Impostos diretos
têm vindo a aumentar ligeiramente (de 43.7%. em 2015. para 44,4%, 4.2 O rãdo S90/S10 é um indicador de desigualdade na distri­
em 2017). o que significa que as remunerações do fator trabalho buição dos rendimentos. Corresponde ao rendimento monetário
no PIB têm cada vez maior peso. Em contrapartida, o peso do fator liquido recebido pelos 10% da população que detém níveis mais
capital terá diminuído ligeiramente (uma vez que os rendimentos elevados de rendimento (décil do topo) e ao rendimento recebido
do fator capital constituem a outra fatia do PB - equivalente ao pelos 10% com menor nivel de rendimento (decil da base). Permite
rendimento nacional). conhecer quantas vezes é que o rendimento dos 10% da popula­
ção com maiores rendimentos e superior ao rendimento dos 10%
2.1
da população com menores rendimentos.
4.3 Outros três instrumentos que permitem medir as desigualda­
200 200 des sociais, para além do racio S90/S10. poderão ser o leque sala­
tooo 1000 rial o indice de Gini e a curva de Lorenz.
800 180 120 1100
4.4 Em 2003. o rendimento recebido pelos 10% da população que
1000 100 60 1160
detêm níveis mais elevados de rendimento era 12.3 vezes superior
2000 280 Í120 60 3460 ao rendimento do grupo homólogo da base da distribuição (10%
com menor nível de rendimento). Entre este ano e 2007. este rá-
2.2 Leque salarial = fõõõ cio decresceu; em 2008. subiu ligeiramente, mas em 2009 desceu
1.1 p.p„ tendo o valor mais baixo do período em análise (9.2) Entre
O salario mais baixo corresponde a 20% do salario mais elevado.
2010 e 2013. voltou a aumentar, o que quer dizer que a desigual­
23 As diferenças salariais são originadas por diversos fatores, en­ dade entre estes extremos da distribuição cresceu de uma forma
tre os quais o nível de habilitações, o grau de qualificação, o de­ significativa (em 2013. o rácio foi de 11.1). reduzindo-se, depois, en­
sempenho. o mérito, a experiência profissional, a produtividade do tre 2014 e 2016. ano em que o rendimento recebido pelos 10% da
trabalho e o poder reivindicativo dos sindicatos. população que detêm níveis mais elevados de rendimento foi 10
3 460 000 000 u.m. _ vezes superior ao rendimento recebido pelo grupo homologo da
24 Rendimento per capita =------- 2ÕÕÕÕÕÕ------ = 1730 Um'
por habitante. base da distribuição.

25 Duas limitações do indicador rendimento per capita poderão 5. Três exemplos de transferências sociais poderão ser. entre ou­
ser. entre outras, o facto de este ser uma média e encobrir desi­ tros. as pensões, o subsidio de desemprego e o rendimento social
gualdades entre mulheres e homens, entre etnias, entre escalões de inserção (RSI)
etários e entre regiões, por exemplo; e também o facto de ser um 6. Através de taxas progressivas nos impostos sobre os rendimen­
indicador apenas de natureza económica, ocultando outras dimen­ tos, as famílias com rendimentos mais elevados pagam maior mon­
sões da realidade social, como a demográfica, a cultural e a políti­ tante de impostos, comparativamente as famílias com rendimentos
ca. por exem pio. mais baixos, o que diminui a desigualdade de rendimentos.

283
r—>
Soluções

TEMA 7 - Ufitaoçóo dos rendimentos possuem os recursos necessários, tendo de recorrer ao financia­
mento de entidades terceiras, existe necessidade de financia­
GRUPO I mento.
1 - A 2-Q3-D.4-Q 5 - A 6 - B. 7-C.1-C9-B 8.2 Desde o 2_° trimestre de 2013, a economia portuguesa tem
apresentado capacidade de financiamento atingindo em 2017 e
GRUPO II
2018 cerca de 1.5% do PIB. Isto resultou, principalmente, da capaci­
1.1 Poupança é a parte do rendimento não gasta em consumo ime­ dade de financiamento evidenciada pelas sociedades financeiras
diato. (4% do PIB. em 2017 e cerca de 2% do PIB. em 2018) e pelos parti­
1.2 Rendimento disponível = Consumo ♦ Poupança culares (1.5% do PIB. em 2017 e 2018).
Consumo = 145 390 -12 524 =132 866 As sociedades não financeiras, pelo contrario, registaram uma
O consumo no pais X foi de 132 866 milhões de euros. diminuição da sua capacidade financeira até 2015. tendo, a partir
1.3 Sim. pois as famílias poupam hoje para gastarem mais tarde nas desta data, registado necessidade de financiamento (em 2017 e
suas despesas de consumo. 2018 essa necessidade foi da ordem dos 1.5% do PIB).
2. Quesíõo rasoMda. As administrações publicas apresentaram, em todo o penodo em
3. a) Aplicação financeira. b| Entesouramento. c) Investimento. analise, necessidade de financiamento, que. em 2014 e 2015. atin­
giu valores entre 8% e 4% do PIB. tendo a situação melhorado nos
d) Entesouramento.
anos posteriores, pois a necessidade de financiamento diminuiu
4.1 No periodo em análise, a taxa de poupança em Portugal foi
(em 2018. atingiu 1.5% do RB).
inferior a taxa de poupança registada na zona euro. Em 2009. a
9.10 crédito constitui um financiamento externo indireto.
distância entre as duas taxas foi menos acentuada comparativa­
mente aos últimos anos observados: em 2009. a taxa de poupança 9.2 As instituições financeiras canalizam as poupanças (depósitos)
em Portugal foi cerca de 10.6%. enquanto na zona euro o valor se dos agentes com capacidade de financiamento para os agentes
situou próximo dos 14.1%; em 2018. a taxa na zona euro foi de 12% com necessidade de financiamento, concedendo-lhes crédito.
e. em Portugal, cerca de 5%. Os anos 2014 e 2018 foram os anos 9.3 Uma taxa de juro baixa não incentiva a poupança pois a rendi­
em que Portuga I registou a mais ba ixa taxa de poupança, com valo­ bilidade das aplicações financeiras e reduzida, mas facilita o recur­
res próximos de 5%. Pode dizer-se que. em média, os portugueses so ao crédito, pois este fica mais barato.
poupam menos comparativamente a media dos países que fazem » Owstõo rosoMda
parte da zona euro. Hl Em março de 2019. o crédito ao consumo registou um forte
_____ Poupança crescimento (8,7%). comparativamente a queda do crédito conce­
4.2 Taxa de poupança = 100
Rendimento disponível dido ás empresas não financeiras (-0.5%). apesar das taxas de juro
5.1 Investimento é a aplicação da poupança na atividade produtiva. praticadas. A taxa de juro no crédito ao consumo era bastante mais
5.2 Investimento material é o investimento em bens de produção. alta, comparativamente à taxa de juro aplicada no credito as em­
Investimento imaterial é o investimento em formação, qualificação presas não financeiras (7,13% face a 2.30%).
e criatividade, o que contribui para uma economia mais produtiva. 1U O crédito fornece aos agentes económicos que não possuem
Investimento financeiro é a aplicação da poupança em produtos capacidade de financiamento os meios necessários ao desenvol ­
financeiros. vimento da sua atividade. As empresas podem, assim, aumentar o
5.3 Ao permitir substituir, aumentar e criar novos bens de produ­ investimento e as famílias. adquirir mais bens de consumo.
ção. o investimento contribui para o aumento da produção e da 12.1 Os empréstimos concedidos as famílias apresentaram, ate ju­
produtividade de uma economia, favorecendo o aumento do ren­ lho de 2017. uma taxa de variação anual negativa, tendo registado
dimento. criando emprego e desenvolvendo o conjunto das ativi­ um crescimento positivo em julho de 2018.
dades económicas. No tipo de empréstimos concedidos, as situações são diferen­
Al A inovação tecnológica consiste na criação de novos produtos, ciadas: um crescimento negativo no credito a habitação, embora
novas técnicas de produção e novas tecnologias que permitem tor­ menos negativo no último ano e no crédito ao consumo um cres­
nar o processo produtivo mais eficiente. cimento negativo, mas com tendência para crescimento positivo
6.2 As inovações tecnológicas proporcionam aumentos de produ­ ate julho de 2015. ano a partir do quaI se registou um crescimento
ção. possibilitando menores custos e ganhos de produtividade e positivo e progressivo, tendo-se atingido, em julho de 2018. uma
de competitividade, gerando, desta forma, o crescimento da pro­
taxa de variação anual de 7%.
dução. do rendimento e do bem-estar das populações. 12.2 O recurso ao credito por parte das famílias está dependente,
6.3 Para produzir novos produtos e criar novas tecnologias é ne­ não so do valor da taxa de juro, mas também da confiança relati­
cessário investir em equipamentos, em matérias-primas, em in-
vamente ao futuro. Os valores do rendimento disponível mostram
fraestruturas. em laboratórios, em educação e em formação. Para uma evolução pouco significativa em 2014 e 2015. o que explica
em pane a retração das famílias no recurso ao credito, dada a pou­
realizar esses investimentos são necessários recursos financeiros
que a sociedade disponibiliza através da poupança criada, ou me­ ca confiança na situação economica.
diante financiamentos proporcionados por entidades terceiras. Em 2016 e. principalmente em 2017. o aumento do rendimento dis­
ponível e a confiança das famílias no futuro incentivou o recurso ao
6.4 Exemplo de investimento material em inovação tecnológica - a
montagem de um laboratorio de investigação cientifica Exemplo credito, em particular ao credito ao consumo.
de um investimento imaterial em inovação tecnológica - a criação
de bolsas para investigadores nas universidades.
7. Quodõo tesoMdo.
8.1 Existe capacidade de financiamento quando os agentes eco­
nómicos possuem os meios monetários necessários ao desenvol ­
vimento da sua atividade. Quando os agentes económicos não

284
TEMA 8 - Os agentes económicos e o circuito

GRUPO I 1000 Cont Seg soca (F) 200


SubsKAos (F) 800 impostos (F) 800
1-D.2-A.3-D.4-C.5-A6-C.
compras (E) 700 impostos (E) 500
GRUPO II 2500 Cont Seg. Soe» (E) 1000
2500
1 As operações económicas fundamentais são as operações sobre
bens e serviços (produção, distribuição e consumo de bens e ser­ 4.3 Por exemplo: salários recebidos pelas famílias; impostos pa­
viços); as operações de repartição do valor criado pela produção gos pelas famílias; contribuições para a Segurança Social. Uma vez
(pagamento/recebimento de salarios. lucros, impostos e subsidiosf criado valor no processo produtivo, há que distribui-lo pelos fatores
e as operações financeiras (depósitos bancários. empréstimos, intervenientes nesse processo (distribuição primaria do rendimen­
aplicações financeiras e investimento). to) - os salarios distribuídos aos trabalhadores das empresas são
Entre estes três tipos de operações existem interações que se um exemplo. No entanto, como se sabe, o Estado intervém através
podem verificar no seguinte exemplo: uma empresa produz bens dos impostos e contribuições para a Segurança Social (distribui­
alimentares, distribui-os pelos supermercados e outros locais de ção secundaria do rendimento), corrigindo essa primeira distribui­
venda onde os agentes economicos os adquirem para consumo. ção do rendimento criado - os impostos pagos pelas famílias e
Desse ato produtivo resultam rendimentos que são repartidos pe­ as respetivas contribuições para a Segurança Social são os outros
los agentes intervenientes na produção - trabalhadores e capita­ exemplos.
listas. Os primeiros auferem salários e os outros recebem lucros e 5. Numa economia em situação de equSâjrio. a produção cria valor
outros rendimentos do capital. (bens e serviços produzidos).
Aos rendimentos recebidos, poder-se-ão juntar alguns subsídios O rendimento assim criado e distribuido sob a forma de rendimen­
distribuídos pelo Estado. Sobre o valor dos rendimentos pagar-se- tos do trabalho e do capital, posteriormente utlizados na aquisição
-ão impostos. Mas. para completar este circuito, é necessários que de toda a quantidade produzida. Assim, o valor do que se produz é
a empresa retenha uma parte do rendimento e que as famílias pou­ igual ao valor entregue aos indivíduos como pagamento dos fato­
pem para que. desse montante poupado e depositado, a empresa, res produtivos utlizados. e é igual ao valor das despesas efetuadas
através de empréstimos pedidos aos bancos e de outros meios, na aquisição dos bens e serviços produzidos.
consiga o investimento necessário para reiniciar a sua produção.
Desta forma, em valor. toda a produção é igual a todo o rendimento
2.41.613. <12.41.42.1)3 distribuído que sera totalmente utilizado em despesa, isto e Produ­
3. Entre as famílias e os outros agentes economicos verificam-se as to = Rendimento - Despesa.
seguintes interações:
(C«nprns| TEMA 9 - A Contabilidade Nodonol

GRUPO I
200.50 - 50
(Salários ♦ Juros ♦ Lucros) 1-32-A3-C4-A
4.1 GRUPOU
3800
l A Contabilidade Nacional ê um instrumento fundamental de me­
dição da atividade economica, para que. de posse do conhecimen­
to do funcionamento da economia, os dedsores possam tomar
medidas para a sua eventual correção, ajustamento e dinamiza­
ção. Toda a intervenção dos governos devera ser feita com base
na eficiência, pelo que se toma imprescindível o conhecimento da
4.2 realidade económica do pais.
2. O SECxn è de referência / cumprimento obrigatório em Portu­
Empregos gal porque e o sistema de contabilidade dos países da UE de que
Portugal faz parte. Para que a UE possa avaliar a situação econó­
Conpras (E) 3800 saanosfE) 3000
impostos |AP) 800 vencimentos (AF) 1000 mica dos países que a integram, e necessário o mesmo critério
Cont Seg Social (AP) 200 Subsldws (AP) 800 de medição dos agregados macroeconômicos de todos os países
4800 4800 membros.
3. Contabilidade Nacional e uma técnica utilizada pelos governos
e outros decisores. que apresenta de forma quantificada o funcio­
namento global de uma economia.
Salários (F) 3000 Compras (F) 3800 4. O conceito de território geográfico não coincide com o conceito
impostos (AP) 500 Compras(AP) 700 de território económico. O território geográfico faz parte do territó­
cont seg. Social (AP) 1000 4500 rio económico, sendo este último mais abrangente, pois inclui, por
4500 exemplo, as embaixadas nacionais em território estrangeiro.

285
r™.
Soluções

5. Residente e todo o agente que tem uma função especifica na ati­ Ótica do rendimento - Corresponde ao somatório de todos os ren­
vidade econômica (podendo ser estrangeiro) e realiza operações dimentos recebidos pelos fatores de produção. Através desta otica
econômicas no território econômico, ou a partir dele, hã mais de ficamos com a informação sobre o modo como foi repartido o ren­
um ano. Pode ser uma empresa portuguesa a produzir em território dimento. isto é. a riqueza criada durante o processo de produção.
nacional ou uma empresa estrangeira que funcione em território Pela ótica do rendimento ficamos a conhecer como o rendimento
nacional há mais de um ano. criado na produção e repartido pelos fatores produtivos (trabalho
6 Unidade institucional é uma unidade de produção que goza de e capital).
autonomia no exercício das suas funções e setor institucional e Ótica da despesa - Resulta do somatório de todas as despesas
o conjunto das unidades institucionais que executam as mesmas realizadas por todos os agentes economicos. Por esta otica fica­
funções. mos a conhecer, portanto, o destino dado à produção efetuada
Os bens e serviços produzidos destinaram-se ao consumo das fa­
mílias, ao consumo público, ao investimento das empresas ou as
exportações.
M. O produto nacional é mais elucidativo da riqueza de um pais do
que o produto interno, na medida em que aquele considera a pro­
dução dos fatores produtivos nacionais enquanto este considera
também a riqueza criada por fatores produtivos estrangeiros que
residem no território.
15. O produto liquido já considera o consumo de capital fixo, ou
seja, considera o desgaste que o equipamento produtivo sofreu, o
que toma mais realista o valor do produto.
16. Se apenas calcularmos o valor do produto a preços correntes,
não se poderá perceber a evolução real da atividade económi­
ca de um pais, ja que os valores se encontram inflacionados de
acordo com o aumento do nível de preços ocorrido nesse ano na
economia.
17. A procura global é o conjunto da procura interna e exportações
(procura externa).
18. A economia subterrânea inclui as atividades legais ocultas,
como atividades domésticas, de entreajuda familiar. atividades
8. Os principais ramos são os serviços, de que destacamos o co­ relacionadas com evasão fiscal e atividades ilícitas, como o con­
mércio. as atividades financeiras, seguros e imobiliárias e a indus­ trabando.
tria.
19 A economia informal inclui as atividades para autoconsumo que
9. Ter uma visão conjunta do funcionamento de empresas que não são remuneradas, como cuidar de idosos e de crianças, fazer
exercem uma atividade económica idêntica e conhecer o contribu­ costura em casa, o trabalho voluntário, etc.
to dos vários ramos para o produto do pais.
20. As extemalidades positivas e negativas são efeitos das ativida­
X). Pelo método dos valores acrescentados fica-se a conhecer o des produtivas que não são contabilizados, não entrando no cálcu­
contributo de cada unidade produtiva para o produto. Determi­ lo do valor do produto, razão pela qual são consideradas limitações
na-se o valor acrescentado de cada unidade produtiva (Valor da da Contabilidade Nacional.
produção realizada - Valor dos consumos intermédios). Adicio­
nando os valores acrescentados de todas as unidades residentes, GRUPO III
obtem-se o valor do produto interno. Como o valor acrescentado é 1. Questoo resoMdo.
contabilizado em termos brutos (VAB). o produto interno também 2.1 Ótica da despesa.
sera bruto (RB)
2.2 As componentes da procura interna que mais contribuiram
n. Quedõo resoMdo.
para o crescimento do PI8 foram a formação bruta de capital fixo e
12. Ao contabilizarmos o valor dos bens produzidos, ou consi­ o consumo privado, cujas taxas de variação (4.4% e 2.5%. respeti­
deramos o valor desses outputs - bens que não vão sofrer mais vamente) superaram a taxa de variação do PIB (2.1%). O consumo
transformações (método dos produtos finais) - ou temos em con­ publico foi a componente que apresentou o menor contributo para
ta o valor que foi sendo sucessivamente acrescentado em todas o PE (0.8%).
as etapas do processo de fabrico dos bens (método dos valores
2.3 A procura externa (exportações) contribuiu positivamente para
acrescentados). o crescimento do RB. tendo a sua taxa de variação sido superior a
13. Otica da produção - somando-se o valor acrescentado por taxa de variação do RB (3.7% contra 2.1%).
todas as unidades produtivas (agrupadas em ramos de atividade
2.4 RB = Consumo privado ♦ Consumo público + Formação bruta
econômica), ficamos a conhecer a estrutura setorial do produto, de capital fixo • Exportações - Importações
isto é, a origem e natureza dos bens produzidos e. natural mente,
3. Procura interna = 193 053.3 milhões de euros
o nivel de desenvolvimento do pais. Através desta ótica ficamos
Procura externa - 83 098.5 milhões de euros
a perceber, por exemplo, se o valor do produto depende mais da
Procura global = 193 053.3 + 83 098.5 = 276151.8 milhões de euros
agricultura, da indústria ou dos serviços; a importância relativa de
Procura externa liquida = 1 560.1 milhões de euros
cada ramo de atividade; ou a importância da produção de natureza
social e pessoal.

286
TEMA 10 - Relações económicas com o Resto 13 Exportações = 69 489.2 - 12107.8 = 57 381.4
do Mundo 57 381.4
100 = 29.7
193 072.0
GRUPO I O peso das expo rtações de bens no PIB. em 2017. foi de 29.7%
1.4 Balança de rendimento primário - envio de lucros de empre­
sas não residentes; Ba lança de rendimento secundário - remessas
dos emigrantes.
GRUPO II
2 Questõo resoMda
1.1 De acordo com o texto, todos os países devem participar no co­
3.1 No período considerado, os bens de consumo constituíam os
mércio internacional, produzindo os bens em que são mais produ­
principais produtos exportados e importados peto pais. Em segun­
tivos e eficientes, de forma a retirar o máximo beneficio das trocas.
do lugar encontravam-se os bens de consumo intermédio, onde se
Os paises que não apresentem vantagens absolutas na produção
incluem as matérias-primas a transformar, com um peso mais acen­
de bens devem também especializar a sua produção naqueles em
tuado do lado das importações Os bens de equipamento surgiam
que sejam menos ineficientes, tendo em vista a sua exportação.
na terceira posição, com maior incidência nas importações E de
Desta forma, o comércio internacional beneficiará todos aqueles
referir, ainda, o valor das importações de combustíveis
que nele participem.
3.2 No período considerado, a balança de bens apresentou um
1.2 A especialização é inerente á divisão internacional do trabalho
saldo negativo (- 5409 milhões de euros), dado o maior valor dos
na medida em que esta defende que os países devem procurar
produtos importados (40199 milhões de euros) comparativamente
produzir os bens em que têm maiores vantagens, ou seja, em que
ao valor das exportações (34 790 milhões de euros).
são mais produtivos e eficientes, especializando-se nessas produ­
4.1 Em 2016,2017 e 2018. a balança de bens apresentou saldos ne­
ções.
gativos tendo registado, ao longo dos anos um agravamento da
13 Os EUA dadas as suas condições climáticas e recursos, não
situação deficitária: em 2016. o saldo negativo foi. aproximadamen­
têm condições para produzir café, mas reúnem fatores favoráveis à
te. de -11 300 milhões de euros; em 2017. o defice aumentou para
produção de milho, razão pela qual se deverão especializar nesta
cerca de -14 000 milhões de euros e. em 2018. o saldo apresentou
produção e comprar o café no mercado internacional. O Japão,
o valor mais negativo - cerca de -17 000 milhões de euros.
tendo vantagens em produzir bens industriais (pois nestes bens e
4.2 A taxa de cobertura apresentou, nos anos em analise, valores
mais produtivo e eficiente), deve especialtzar-se na sua produção,
inferiores a 100%. dado o saldo negativo da balança de bens. Em
trocando-os nos mercados internacionais pelos bens em que não
termos de evolução, verificou-se uma diminuição dos valores de
possui vantagens de produção.
cobertura das importações pelas exportações (de 81.5%. em 2016.
para 79.2%. em 2017 e 77.2%. em 2018). em resultado do aumento
3. Saldo da balança - Exportações - Importações do defice dos saldos da balança.
9396 = Exportações - 8468
Exportações de serviços = 17 864 milhões de euros TEMA 11 - A Intervenção do Estado na economia

GRUPO I

4.2 No período de janeiro a julho de 2018. o valor das exportações 1-B.2-C3-D.4-B.5-D.6- Questão rosoWda. 7 - D. 8 - B.
cobriu 102,3% do valor das importações. Sendo a taxa de cobertura 9-A
superior a 100%, o saldo da balança de bens e serviços foi positivo. GRUPO II
5. A - 3. B - 4. C - 6. D-5. E-l F-2.
LI Bens públicos são bens coletivos indivisíveis que satisfazem
6.1 A política do livre-cambismo assenta na liberdade de comercio necessidades coletivas, como, por exemplo, o abastecimento de
entre os paises. procurando-se. para o efeito, eliminar as restrições agua. a iluminação publica ou a defesa nacionaL Nenhuma pessoa
a livre circulação de produtos, capitais, serviços e pessoas. A políti­ poderá ser excluída do seu consumo e a sua utilização por um indi­
ca protecionista procura proteger a economia nacional da concor­
víduo não reduz as quantidades disponrveis para os outros.
rência externa, impondo limitações a liberdade de comércio entre
1.2 Três exemplos de políticas públicas «associadas ao crescimento
os paises.
da economia a longo prazo» poderão ser a de ambiente, a agrícola
6.2 Política livre-cambista - a eliminação das barreiras tarifárias faz
e a industrial. Estas são políticas estruturais cujos efeitos se fazem
com que os produtos importados fiquem mais baratos, o que esti­ sentir a médio prazo (entre um e cinco anos) e longo prazo (mais
mula as trocas. Política protecionista - o aumento das taxas sobre
de cinco anos).
os produtos importados torna-os mais caros comparativamente
1.3 Dois objetivos da política de redistribuiçâo do rendimento são
aos produtos nacionais, o que desincentiva a sua importação e fa­
diminuir as desigualdades sociais e aumentar a coesão social. Duas
vorece os produtores nacionais.
medidas a aplicar podem ser. entre outras, a aplicação de impostos
GRUPO III diretos progressivos (quem tem maior rendimento, paga maior par­
cela de imposto) e a transferência de abono de família, rendimento
11 Saldo da balança corrente = (-J12107.8 ♦ 15 618.9 ♦ (-) 4858.7 *
social de inserção, etc. para as famílias mais carenciadas.
2226.1 = 878.5 milhões de euros.
2Queãõo resoMda
O saldo e positivo, ou superovrt.
12 Em 2017. a economia portuguesa teve capacidade de financia­
mento. uma vez que o saldo conjunto da balança corrente e de capi­
tal. corrig ido pelos erros e omis sões foi de 3131.1 milhões de euros. va­
lor idêntico ao saldo positivo da balança financeira (3131.3 milhões
de euros), que traduz a posição credora do pais relativamente ao
exterior.

287
r™.
Soluções

TEMA 12 - A economia portuguesa no contexto da um contributo positivo (3.4%) para a taxa de variação homóloga
União Europeia do PIB, que não compensou, no entanto, o contributo negativo da
procura externa. As componentes da procura interna que mais
GRUPO I
contribuiram para a variação do PIB no 3.° trimestre foram o con­
1 - D. 2-G3 - Quesiõo resoMda. 4-C.5-D. 6-A.7- Quesiõo sumo privado e a formação bruta de capital (investimento), que
resoMda. 8 A.9-G»-D registaram taxas superiores, comparativamente ao 2.° trimestre,
em 0.6 e 0.2 p.p.. respetivamente.
GRUPO II
12 A ótica de cálculo do produto utilizada é a ótica da despesa.
1.1 A adesão á UE é um ato de soberania dos Estados. Como tal, 2. Quesiõo resoMda.
a transferência de parte da soberania dos Estados para as insti­
3.1 O consumo individual per capita (PPC). em 2017. apresentou
tuições europeias não e uma imposição, mas um ato de vontade,
diferenças significativas entre os países da UE. entre 55% da me­
não podendo, assim, talar-se em «perda de soberania», mas em
dia europeia (Bulgaria) e 130% da media europeia (Luxemburgo).
soberania comum.
Relativamente aos restantes países observados, é de registar a po­
1.2 Conselho de Ministros. Comissão Europeia. Banco Central Eu­ sição da Alemanha e da Suécia, que apresentam valores também
ropeu e Parlamento Europeu
acima da média, a posição de Italia. Portugal e Eslováquia, em que
1.3 Os valores europeus, como a paz. a democracia, a liberdade e o consumo individual per capita registou valores abaixo da média
a solidariedade, entre outros, estiveram na base da fundação da europeia, mas relativamente proximos (entre 90% e 75% da média)
atual UE. mas no contexto recente parecem estar esquecidos. A in­ e a posição da Letónia e Bulgária (entre 70% a 55% da média eu­
satisfação das populações face ao desemprego e à precariedade, ropeia. A análise dos valores deste indicador permite concluir que
as baixas expetativas relativamente ao futuro, o sentimento de in­ há diferenças assinaláveis no nível de bem-estar da população nos
segurança face ao terrorismo, o medo face ao outro e ao diferente, países da União Europeia: o Luxemburgo e o pais onde o bem-es­
colocado pelo aumento dos fluxos de refugiados e de migrantes, tar é mais elevado e a Bulgária e aquele que apresenta o nível de
bem como o afastamento dos cidadãos das instituições europeias, bem-estar mais baixa
podem gerar movimentos populistas e criar ambientes desfavorá­
3.2 Face as diferenças registadas nos valores do consumo indivi­
veis ao projeto europeu Sera assim importante que as instituições dual per capita, pode concluir-se que existem desigualdades as­
europeias e os governos nacionais coloquem os valores europeus sinaláveis em termos de nrvel de vida entre os países da UE. A
no centro da sua atuação.
diminuição das assimetrias exigirá políticas europeias e nacionais
1.4 Com o tratado de Roma, em 1957. constitui-se uma união que promovam o desenvolvimento dos países e regiões mais po­
aduaneira, concluída em 1968. Fixou-se então um novo objetivo - bres. e que reforcem a coesão económica e social no espaço da
construir um mercado comum - que se concretizou em 1993 com União Europeia.
a criação do mercado único, tendo a UE avançado para a união
economica e monetaria e para a criação da moeda unica. o euro.
2. Quesiõo resoMda.
3.1 Em 2017 Portugal ainda esta afastado, em alguns dos indicado­
res, das metas fixadas para 2020 pela estratégia europeia: a taxa
de emprego de 73.4% ainda se encontra distante da meta de 75%;
em matéria de despesas em l& D. o pais esta significativamente
afastado da meta (1.32% do PIB. face aos 3% do PIB fixados); em
termos de redução do abandono escolar; a evolução foi muito po­
sitiva (de 34.9% para 12.6%), aproximando-se da meta fixada para
2020 (10%); nas energias renováveis. Portugal evoluiu muito posi­
tivamente entre 2008 e 2017. aumentando a percentagem destas
no consumo final de energia de 23% para 28.5%. valores que supe­
ram a meta fixada para 2020 (20%).
3.2 As metas propostas pela Estratégia «Europa 2020» para os vá­
rios indicadores não foram, em 2017 ainda alcançadas no conjunto
dos países da UE. com exceção do indicador relativo ao abandono
escolar, em que se regista uma evolução muito positiva - a taxa de
abandono reduziu de 14.7% para 10.6%. estando muito próxima da
meta fixada (10.0%)

GRUPO III
1.10 PIB. segundo as contas nacionais trimestrais, registou uma
taxa de variação homóloga de 2.5% no 3.° trimestre de 2017 taxa
inferior em 0.5 p.p. comparativamente à taxa verificada no 2.®
trimestre. O abrandamento verificado no crescimento do PIB no
3. ° trimestre deveu-se ao contributo negativo da procura exter­
na (-0.9%). que refletiu a diminuição da taxa de crescimento das
exportações (a taxa de variação homóloga baixou de 7.9% para
6.6%). Em termos da procura interna, registou-se no 30 trimestre

288
3. (A) OIHPC português sofreu um aumento estimado de 0.7% em 13. (A) O saldo da balança comente foi de 878 milhões de euros:
fevereiro de 2018. comparativamente ao mês de fevereiro de 2017. Saldo b. corrente = Saldo das balanças (bens e serviços + renrfi-
4. (A) De acordo com a lei da procura e da oferta, a procura rela­ rnerrto primário + rendimento secundário)
ciona de forma inversa preços e quantidades, enquanto a oferta Saldo b. corrente = 3511 + (- 4859) ♦ 2226 = 878 milhões de euros
relaciona de forma direta preços e quantidades. 14. (C) L - d.; H - a^ IR. - b.
5. (C) A afirmação e verdadeira, pois neste tipo de mercado o pro­ 15. (D) O pagamento de vencimentos foi inscrito no orçamento do
duto diferencia-se com base nas suas características, na marca e Estado como uma despesa corrente.
no design. tendo os produtores, por esta razão, algum dom inio so­
16. (D) União Europeia.
bre o seu preço.
17. (C) Holanda. Finlândia. Alemanha. Irlanda e Áustria são os úni­
6. (A) Entre 2013 e 2016. a desigualdade na distribuição do rendi­ cos países que apresentam uma divida publica em percentagem
mento diminuiu. O valor zero corresponde a igualdade absoluta e
do PIB inferior a média da zona euro (cerca de 90%).
o valor 100 a desigualdade absoluta.
7. (B) As operações ativas incidem sobre os empréstimos concedi­ GRUPO II
dos pelos bancos, enquanto as operações passivas são relativas 1. Procura interna = Despesa de consumo final + Formação bruta de
aos depósitos efetuados nos bancos. As operações ativas corres­ capital = 160 000 + 31500 = 191 500 milhões de euros
pondem taxas de juro ativas (cobradas pelos bancos) e ás opera­ Peso da procura interna em relação ao PIB p.m.
ções passivas, taxas de juro passivas (pagas pelos bancos).
191500
«100 = 98.97%
8. (C) A fixação da taxa de juro está relacionada com a inflação. 193 500
Para evitar a subida da inflação, a taxa de juro deverá ser superior á De acordo com os valores indicados no quadro 8. as componen­
taxa de inflação, de forma a incentivar a poupança (pela melhor re­ tes que mais contribuiram para o PIB p.m.. em 2017. foram o con­
muneração dos depositos) e a desincentivar o aumento da procura sumo privado (64.5%) e as exportações (42.9%). Por outro lado, a
e do consumo (causa de inflação), pois o crédito será mais caro. componente que menos contribuiu para o produto foi a formação
9. (Q Os reembolsos de empréstimos pedidos pelas administra­ bruta de capital (16.3%). As importações são contabilizadas com
ções públicas (AP) são empregos das AP e recursos das institui­ sinal negativo, o que significa que pesam negativamente (-41.9%)
ções financeiras (IF). visto os reembolsos constituírem saídas de no produto reafizado.
capital das AP (empregos) e entradas de capital (recursos) nas IF. 2. Segundo o texto, em 2018, a evolução positiva do consumo
10.1 (D) O valor acrescentado, no ano t + 5. foi de 200 um. privado deveu-se aos seguintes fatores: aumento do salário mí­
(Valor bruto de produção - Consumos intermédios = nimo e adoção de algumas medidas de política de redistribuição
280 - 80 = 200 u.m.) do rendimento, previstas no Orçamento do Estado, e relativas ao
10.2 (C) Sendo o aumento dos preços (15%) superior ao aumento aumento do rendimento das famílias. A evolução do consumo pri­
dos salários nominais (8,3%). a quantidade de bens e serviços que vado baseou-se. assim, na procura das famílias. De acordo com
se pode comprar diminui, ou seja, verifica-se uma diminuição do as projeções para a evolução do consumo privado para o período
poder de compra dos trabalhadores. 2018-2020. estima-se um crescimento moderado assente na me­
11 (D) A taxa de cobertura, em 2017. foi de 102,4%.
lhoria do mercado de trabalho, na manutenção dos níveis de con­
fiança na economia e no crescimento, embora contido, dos salários
reais. Tendo em conta o nível de endividamento das famílias e a
necessidade de estas satisfazerem as suas dividas, os valores do
consumo privado irão, segundo a previsão, desacelerar, em linha
com a evolução do rendimento disponível reaL
Vãnaçáo 2017 em relaçlo a 8791 8903
2016 em termos absolutos 3. Portugal e Espanha têm vindo a reduzir a emissão de gases com
efeito de estufa de uma forma sustentada, entre 2006 e 2014. Po­
Taxa de cobertura em 2017 = ^26^ ‘ 100 -102.4% rém. em 2015. os dois países ibéricos registaram uma ligeira su­
bida Em Portugal, a emissão de gases com efeito de estufa por
12.1 (A) PIB p.m. = Despesa interna
habitante, ao longo do período considerado, tem sido sempre in­
O valor do produto interno bruto a preços de mercado (PIB p.m.) foi ferior a de Espanha. Entre 2006 e 2015. os valores de Portugal e
de 193 000 milhões de euros, pois: de Espanha relativos á emissão de gases com efeito de estufa por
PIB p.m. = Procura Interna ♦ Exportações - Importações habitante foram sempre inferiores aos da média da UE
PIB p.m. = 191000 + 83 000 - 81 000 = 193 000 milhões de. No que respeita a contribuição das energias renováveis para o
Despesa Interna = 193 000 milhões de euros consumo final. Portugal apresentou, em 2015, valores superiores
Consumo total = 160 000 milhões de euros aos de Espanha e da media da UE-28. evidenciando estar próximo
160 000 do cumprimento do objetivo a que se propôs para 2020 (31% de
100 = 82.9%
193 000 contribuição das energias renováveis para o consumo final), supe­
12.2 (D) Procura Interna- Consumo total + Investimento rior aos da Espanha e da UE (ambos 20%)
Investimento = 191000 -160 000 Os valores apresentados pelos indicadores mostram que Portugal
Investimento = 31 000 milhões de euros e Espanha têm tomado medidas que vão no sentido dos objetivos
da UE de «tomar, desde ja. medidas contra as alterações climá­
Despesa Interna = 193 000 milhões de euros
ticas» e que considera que a «procura crescente de tecnologias
31100
100 = 16% limpas constitui também uma oportunidade para modernizar a
193 000
economia europeia e gerar crescimento e emprego verdes», como
refere o texto. Os valores relativos a Portugal, em 2015. indiciam

289
r™.
Soluções

que o pais está mais próximo de alcançar os objetivos enunciados As exportações, nomeadamente de turismo, apresentam-se. assim,
para 2020. relativamente ã utilização de energias renováveis e à como um dos principais fatores dinamizadores da economia portu­
redução das emissões de gases com efeito de estufa do que a guesa. sobretudo a partir do Z° semestre de 2013.
Espanha e a UE. em média.

GRUPO III
1. O aumento do credito aos particulares, nomeadamente ao con­
L,'.J ■."ÓJ.n
sumo. reflete o clima de confiança das famílias no crescimento da
GRUPO I
economia, a par da redução do desemprego. No entanto, conside­
rando a perspetiva de abrandamento da atividade economica. as L (C) Das escolhas resultam benefícios e custos de oportunidade.
famílias deveriam continuar a trajetória de redução do nível de en­ Ao optar por ser assíduo às aulas, o estudante obteve o beneficio
dividamento e não no sentido do seu agravamento, em resultado de uma boa educação e formação, mas sacrificou o tempo dedi­
do aumento do recurso ao crédito. cado ao lazer.
2. Em Portugal, no ano de 2016. a produtividade do trabalho por 2. (A) As empresas não financeiras são o agente economico que
empregado (indke 76). apresentava um valor muito inferior relati­ agrupa as entidades cuja função ê produzir bens e serviços não
vamente a media da UE (índice 100) e ao valor registado pela Es­ financeiros, como é o caso dos produtores e comerciantes.
panha (perto do índice 101); ou seja, a produtividade do trabalho 3. (B) A lei de Engel diz que quanto menor for o rendimento maior
por empregado no nosso pais representava 76% da produtividade sera a percentagem do rendimento gasta nas despesas relativas a
da UE e de Espanha. Se analisarmos a produtividade do trabalho alimentação (coeficiente orçamental), o que faz aumentar a relação
por hora trabalhada em Portugal, o valor foi ainda mais baixo (perto entre a despesa em alimentação e bebidas não alcoólicas e o ren­
de 66% da produtividade da União Europeia), enquanto Espanha dimento disponível
apresentava um valor superior ao de Portugal e próximo do nivel 4. (C) O recurso ao credito por parte das famílias aumenta as
de produtividade da UE (98%). suas disponibilidades monetárias, repercutindo-se no aumento
No que respeita à estrutura do nível de instrução dos empregados, das despesas de consumo, o que produz alterações na estrutura
verifica-se que em Portugal, em 2016. 44% dos empregados não deste (a percentagem do rendimento gasta em necessidades não
possuíam mais do que o 3.° eido do Ensino Básico, enquanto em essenciais aumenta).
Espanha e na UE os valores se situavam em 32.6% e 16.9%, respeti­ 5. (D) A produtividade marginal atinge o valor máximo (166) quando
vamente. Ao nível dos empregados com diploma do Ensino Secun­ a empresa emprega o quarto trabalhador. A partir do quinto traba­
dário. Portugal apresentava o valor de 28.2% contra 49.8% na UE lhador o valor da produtividade marginal começa a decrescer (132.
e 24.1% em Espanha. Relativamente ao Ensino Superior, verifica-se 68 e 52). verificando-se a lei dos rendimentos decrescentes.
que Espanha apresenta o valor mais alto - 43.2% dos empregados 6. (D) A função de reserva de valor significa que a moeda pode
possuíam este grau de ensino, valor acima da média da UE (34.1%) ser guardada e utilizada no futuro, como é o caso dos depósitos
e muito acima do valor registado por Portugal (27,8%). a prazo.
Quanto a percentagem de cientistas e engenheiros na população 7. (A) Desinflação significa um menor ritmo de crescimento dos pre­
ativa. Portugal apresentou um acentuado crescimento, entre 2007 ços. situação que ocorreu entre o penodo t e t +1.
e 2016. passando de 3.2% para 6.9%. O valor de 2016 foi superior 8. (C) O salário real é a quantidade de bens e serviços que o traba­
ao valor de Espanha (6.9% contra 6.1%) e encontra-se proximo do lhador pode comprar com o salario nominal (quantidade de moeda
valor da media da UE. que se situou em 7.4% da população ativa. que recebe pelo trabalho prestado).
O mais baixo nível de instrução dos empregados e a baixa per­ 9. (C) A empresa deve produzir 300 000 televisores pois com esta
centagem de cientistas e engenheiros na população ativa (apesar dimensão de produção consegue obter o menor custo unitário
do crescimento registado), entre outros fatores, tem tido efeitos (4.8€)
negativos na produtividade do trabalho em Portugal Podemos
». (B) A aplicação de poupança em valores mobiliários. como ações,
concluir que é necessário continuar a apostar no desenvolvimento
representa um investimento financeiro.
de políticas de formação de trabalhadores e de políticas de edu­
11 (A) No mercado de concorrência monopoltstica o produto é dife­
cação. associadas a um maior investimento em l&D (investigação
renciado. o que significa que as muitas empresas que existem do
e desenvolvimento), para que Portugal se aproxime cada vez mais
lado da oferta possuem algum poder de mercado, tendo alguma
dos níveis da União Europeia e aumente de uma forma continua e
capacidade de definir os preços.
sustentada a produtividade do trabalho, quer por empregado, quer
12. (D) Devido a seca, a oferta de produtos agrícolas diminuiu, veri­
por número de horas trabalhadas.
ficando-se um deslocamento da curva da oferta para a esquerda. o
3. No gráfico 7 é possível analisar a evolução do PIB e das princi­
que gerou um aumento dos preços.
pais componentes, a preços constantes, entre 2008 e 2017. e pro­
jeções ate 2020. Os valores apresentados evidenciam que. tanto o 13. (A) Verificando-se uma diminuição do preço de bens substitutos
do bem X. irá aumentar a procura desses bens e diminuir a procura
PIB como o consumo privado e o investimento empresarial apesar
do bem X. pois os consumidores irão substituir o bem X por outros,
das taxas de crescimento positivas que registaram a partir de 2013.
ainda apresentam valores idênticos aos níveis de 2008. ano em
mais baratos.
que se espoletou a crise económica e financeira, que produziu um 14. (C) A instituição bancária do pais A (sociedade financeira) re­
efeito de estagnação e de recessão nas economias. cebeu um empréstimo que constitui um recurso para o desenvol ­
vimento da sua atividade. Esse empréstimo foi concedido por um
Pela anáfise do gráfico evidencia-se o comportamento das expor­
tações, que registaram um elevado crescimento, nomeadamente
agente economico não residente (Resto do Mundo), sendo um em­
prego desse agente.
do turismo. Em 2017. as exportações de turismo atingiram o índice
180 (mais 80% relativamente a 2008). prevendo-se. até 2020. um 15.1 (B) Taxa de variação anual 2018/2017=“ K» = 9.3%
crescimento continuo, embora mais moderado.

290
35,0 variação negativas registadas, em particular no que toca ás im­
70% portações. que registaram, em dezembro de 2OT7. uma queda de
PIB = 50.0 milhares de milhões de euros -11.1%
16.1 (B) Sendo a taxa de variação anual o crescimento ou decresci-
Os valores apresentados permitem afirmar que o comercio externo
mo da procura interna, terã de ser relativo a dois anos consecuti­
português, nomeadamente o comercio de bens, esta geografica­
vos. De 2013 para 2014 a procura interna diminuiu, pois, a taxa de
mente concentrado na União Europeia em dezembro de 2017 a
variação em 2014 decresceu 5% (- 5.0%) face a taxa de variação
UE-28 absorveu 72% das exportações de bens portugueses e for­
(0.0%), em 2013.
neceu 77.7% dos bens importados pelo pais.
16.2 (A) A procura externa é constituída pelas exportações de bens
e serviços. Em 2015 a taxa de variação da procura externa, em ter­
mos nominais, foi de 2.0% e. em 2016. a variação, relativamente a 40610 2927,0 54420 4230,0
100 X »00 y
2015. foi negativa (- 5.0%)
X 72% y 77.7%
17. (B) Na zona euro. a política monetária e comum, sendo da com­
petência do BCE. enquanto a política orçamental e da competên­ 2. Em dezembro de 2017. a taxa de cobertura relativa ao comércio
cia dos governos nacionais, embora com restrições impostas pelo de bens entre Portugal e o conjunto dos países da zona euro foi in­
Pacto de Estabilidade e Crescimento e pelo Tratado Orçamental. ferior a 100%. dado o saldo negativo da balança de bens. Tal signifi­
ca que o valor das exportações não cobriu o valor das importações.
18. (C) Os países que podem beneficiar do apoio do Fundo de
Coesão são os Estados-membros da UE que apresentem um RNB Valor das exportações
Taxa de cobertura = •100 =
Valor das importações
por habitante inferior a 90% da media da UE.
55079,2
100=79.9%
GRUPO II 68921.8
1. A variação homóloga do IPC compara a variação media dos pre­ 3. Os fundos europeus são um instrumento financeiro da UE na
ços dos bens que integram o cabaz de compras entre mak> de execução das políticas comunitárias Um dos objetivos, para o pe-
2017 e maio de 2018. A análise dos valores permite concluir que: nodo de 2014-2010. e aumentar a coesão economica e social, ou
seja, aproximar os níveis de desenvolvimento e de bem-estar dos
-a variação média dos preços em termos homólogos foi de 104%;
países menos desenvolvidos aos níveis de vida dos países mais
-as classes de despesa «Transportes» (3.80%), «Restaurantes e desenvolvidos da UE. O Fundo de Coesão, o Fundo Europeu de
Hotéis» (2.87%) e «Bebidas Alcoolkas e Tabaco» (228%) foram Desenvolvimento Regional (FEDER) e o Fundo Social Europeu
as que mais contribuiram para a variação positiva dos preços, em (FSE) são os principais fundos europeus para a coesão.
termos homologos;
- «Vestuário e Calçado» foi a classe de despesa que registou uma
variação homóloga mais negativa (-326%). tendo sido a que
mais contribui para o menor crescimento dos preços, em termos GRUPO I
homólogos.
1. (A) O problema da escassez de recursos face ao numero infinito
2. A variação homóloga das despesas de consumo compara o ní­
de necessidades é a razão de ser da ciência económica, que es­
vel de variação média das despesas de consumo entre o mês cor­ tuda a melhor forma de as sociedades utilizarem os recursos que
rente e o mesmo mês do ano anterior. Relativamente a informação são escassos. Se os recursos fossem abundantes e permitissem
fornecida, verifica-se que as despesas de consumo das famílias
satisfazer todas as necessidades das pessoas, não haveria razão
portuguesas, no 4.° trimestre de 2017. aumentaram 2% comparati­
para a existência da economia.
vamente a variação registada no 4.° trimestre de 2016.
2. (C) Sendo os desempregados uma componente da população
3.0 deslocamento da curva da procura do bem X para a direita sig­ ativa, uma taxa de desemprego de 73%. significa que em cada 100
nifica que se verificou, para o mesmo nível de preços, um aumento pessoas ativas havia 7.3 desempregadas
da procura do bem X. O aumento da procura pode ser resultado 3.1
do aumento do rendimento disponível dos consumidores ou do au­
mento do preço de um bem substituto.

GRUPO III
1. Entre 2016 e 2017. Portugal registou um aumento das trocas de
bens com o Resto do Mundo, tanto a nível das exportações como
das importações. O aumento das trocas não foi. no entanto, favo­
rável as contas externas, pois verificou-se um aumento do saldo
negativo da balança de bens (de -11 220,6 milhões de euros. em
2016. para - 13 842.6 milhões de euros. em 2017).
Relativamente aos principais clientes e fornecedores do pais, em
dezembro de 2017 a UE-28 representou a principal zona de co­
mércio. a nível das importações e exportações, sendo de destacar,
no espaço europeu, o crescimento da zona euro nas exportações (C) A empresa devera contratar quatro trabalhadores, pois o quarto
(4.4%) e nas importações (4J%). trabalhador origina o maior acréscimo de produção (onze bicicle­
Quanto aos países fora do espaço da UE, verificou-se uma perda tas). Empregando novos trabalhadores (quinto e sexto), o acrésci­
da sua importância nas trocas de bens do pais, dadas as taxas de mo de produção gerado por cada um deles (produtividade marginal

291
r™.
Soluções

do trabalho) e cada vez menor (quatro e duas bicicletas, respetiva­ mais produtos fabricados no pais, o que protege as empresas na­
mente). Tal situação deve-se ao facto de o capital ser constante. cionais da concorrência externa.
4. (B) A produtividade marginal do trabalho consiste no valor do au­ 17. (B) A UE começou por ser uma união aduaneira em que existe
mento de produção (acréscimo do produto) originado pelo acrésci­ uma pauta aduaneira comum no comércio com países terceiros,
mo de u ma unidade de trabalho. progrediu para um mercado comum onde há livre circulação de
5. (D) Em caso de paragem de produção por um certo período, a bens, serviços, capitais e pessoas e aprofundou a integração com
empresa tem custos fixos pois estes são independentes da quan­ a constituição de uma união económica, em que há políticas eco­
tidade produzida. Mesmo que a empresa não produza nada tera nómicas comuns.
custos fixos, como é o cado de rendas de edificios e juros de em­ GRUPOU
préstimos contraídos.
6. (B) Se o preço de um bem for inferior ao preço de equilíbrio 1.0 comerciante deverá optar pela viagem de avião pois e a deci­
são mais racional do ponto de vista económico, pois tem um custo
significa que a quantidade procurada do bem será superior à quan­
(tempo e viagem) mais baixo.
tidade oferecida, havendo escassez do bem no mercado.
7. (B) O deslocamento da curva inicial da procura de um bem para A viagem de automovel representa para o comerciante um custo
de tempo de 360 € (6h « 60 €) acrescido de um custo de viagem
uma nova curva da procura á esquerda significa que por algum
de 70€, ou seja, um custo total de 430 €
fator que não o preço do bem (por exemplo a diminuição do rendi­
mento disponível) os consumidores irão reduzir a procura do bem A viagem de avião representa para o comerciante um custo de
(nova curva da procura para a esquerda) e que se ira estabelecer tempo de 90 € (1 h 30 min « 60 €) acrescido de um custo de viagem
um novo preço de equilíbrio (abaixo do preço de equüibrio inicial) e de 200 €. ou seja, um custo total de 290 €.
uma nova quantidade de equilíbrio (abaixo da quantidade de equi­ A decisão de viajar de avião tem o beneficio de satisfazer a neces­
líbrio inicial). sidade de fazer o negocio em Madrid, gastando menos recursos
8. (D) O deslocamento da curva inicial da oferta de um bem - A - em tempo e tendo um custo final mais baixo; o custo de oportuni­
para uma nova curva da oferta - B - traduz um aumento da oferta dade e o desconforto em não viajar de automoveL
do bem. em resultado da introdução de uma nova tecnologia de 2. Produtividade media do trabalho dos 30 trabalhadores =
produção do bem. = = 6 toneladas por trabalhador por dia.
9. (A) Havendo menor oferta de moeda no mercado, relativamente
à procura, o preço do dinheiro, traduzido na taxa de juro, aumenta Produtividade marginal do trabalho = =
o que tornara o investimento mais caro e. deste modo, a tendência _ 5 toneladas _ Aumento da produção
é para que este diminua. Novo trabalhador Acréscimo do n.° de trabalhadores
10.1 (B) PB p.m. = Consumo privado + Consumo público * FBCF +/- O aumento de produção diaria originado pelo novo trabalhador
(5 toneladas) é inferior a produtividade media do trabalho dos 30
VE ♦ Procura externa liquida
trabalhadores (6 toneladas). A empresa não deve, assim, contratar
= 2000 + 810 + 700 * 94 + 240
mais um trabalhador, pois o resultado não e compensador.
= 3844 milhões de unidades monetárias
3. Da analise dos valores do quadro pode concluir-se que:
10.2 (Q DN = PNB pzn.
-entre 1995 e 2016. o coetoente orçamental relativo ã «Alimenta­
DN = PIB p.m. ♦ saldo dos rendimentos do exterior
ção* diminuiu (de 18.5% para 16.9%). enquanto a percentagem de
= 3844 + 55 gastos com as rubricas «Bens e serviços diversos». «Restaurantes
- 3899 milhões de unidades monetárias e hotéis» e «Habitação» aumentou (de 10.1% para 10,6%; de 10.6%
«100= « 100 = 504.8 milhões de euros para Tl.8%; e de 12.8% para 18.8%. respetivamente);
-em 2016. a despesa com a «Habitação» constitui a rubrica com o
12. (Q O aumento ou diminuição dos impostos são medidas de
maior coeficiente orçamental (18.8%);
política orçamental. A diminuição dos impostos é uma medida de
Pode assim concluir-se que. entre 1995 e 2016. ocorreu um au­
política orçamental expansiomsta pois tem como efeito aumentar o
mento do rendimento disponrvel das famílias portuguesas e do seu
rendimento disponrvel das famílias. de forma a estimular a procura.
bem-estar, dada a diminuição do peso da despesa com a alimenta­
13. (B) O saldo conjunto da balança corrente e de capital de um pais
ção (lei de Engel) e o aumento da percentagem do rendimento uti­
permite concluir se esse pais apresenta necessidade de financia­ lizada em bens diversos, em restau rantes e boteis e na habitação.
mento (saldo conjunto negativo) ou capacidade de financiamento
(saldo conjunto positivo). GRUPO III
14. (D) O saldo conjunto foi negativo -635 milhões de euros. o L Uma parcela importante da produção de bens pela economia
que demonstra que. nesse penodo, a economia portuguesa, teve portuguesa, muitos deles para exportar, exige a utilização de bens
necessidade de financiamento. como matérias-primas e energia que são importados. De acordo
15.1 (Al As variações cambiais de uma moeda relativamente a ou­ com a noticia, o pais, em 2015, para exportar 10C teve de importar
tra podem originar valorização ou desva torização da moeda de um bens no valor de 4€. Esta situação mostra a dependência do pais
pais face a moeda de outro, fazendo aumentar ou diminuir os pre­ relativamente a importação de bens, não só relativamente a produ­
ços dos bens tra nsacionados com o resto do mundo, o que influen­ ção de bens para o mercado interno como também em relação a
cia o comportamento das exportações e importações dos países. produção de bens para exportação.
15.2 (C) Se o euro valoriza relativamente ao dolar. os produtos da 2. O grafico relativo ao mercado de trabalho em Portugal mostra
zona euro vendidos ao Resto do Mundo ficam mais caros, o que que. em termos homologos. de novembro de 2013 a novembro de
gera uma diminuição das exportações. 2018. o desemprego diminuiu e o emprego aumentou - este ultimo
16. (C) As barreiras alfandegarias tarifarias são direitos cobrados com maior intensidade, a partir de novembro de 2016. A evolução
sobre os produtos importados fazendo com que estes fiquem mais dos valores revela uma mefrioria significativa no mercado de tra­
caros, o que faz diminuir as importações. O consumidor adquire balho.

292
Relativamente ã evolução do emprego em Portugal e na zona euro. Recordemos que: Taxa de variação =
verificam-se. comparativamente, variações mais inegulares na taxa Vàlor final-Valor inicial
de variação homóloga do emprego em Portugal e um crescimento Valor inicial ’
mais acentuado do emprego em Portugal, em 2017 e 2018: V0-Valor iniciat VI = Valor finat Tv = Taxa de variação
-a economia portuguesa registou maiores desacelerações do em­
prego em meados do Io trimestre de 2015 e 2016;
-entre 2017 e 2018. o emprego em Portugal apresentou taxas de
crescimento mais elevadas do que a média da zona euro;
-no 1° trimestre de 2018. a taxa de variação registada pelo em­
prego em Portugal situou-se proximo dos 3.5 %. enquanto na
VI - V0 » Coeficiente multiplicador
zona euro o valor da taxa de variação situou-se próximo do valor
Consumo das famílias em 2019 = Consumo das famílias em 2018 *
de 14%.
« Coeficiente multiplicador
3. O rendimento disponível acompanhou a evolução do consumo
Consumo das famílias em 2019 = 22.5 mil milhões de euros *
privado tendo decrescido no período da crise economica, atingin­
* 0.985 = 22J6 mil milhões de euros
do uma taxa de variação negativa proximo dos - 6.0% em 2011.
tendo, a partir de 2014. registado taxas de variação positivas, pró­ Em alternativa:
ximas dos 2%. Consumo das famifias em 2019 - Consumo das famílias em 2018 -
O consumo privado registou um decréscimo em 2008 (- 2.0%). - (1.5% x 22.50)
tendo recuperado em 2009 e voltando a cair depois de 2010. Consumo das famílias 2019 = 22.50 - 0.337
atingindo o maior decréscimo em 2012 (cerca de -5,8%), penodo Consumo das famílias 2019 = 22.16 mi milhões de euros
da grave crise económica que o pais atravessou. A partir de 2014 5. (A) Em 2018. os rendimentos das famílias foram inferiores aos de
verificou-se um crescimento positivo deste indicador, que atingiu 2016 e 2017. porque os coeficientes orçamentais relativos a despe­
uma taxa de variação ligeiramente acima dos 2%. em 2017 e 2018. sa com os bens alimentares aumentaram sempre ao longo destes
prevendo-se para 2019 e 2020 uma desaceleração no seu cres­ anos (as taxas de crescimento foram positivas). De acordo com a
cimento. lei de Engel, quanto menor e o rendimento das famílias maior sera
A taxa de poupança das famílias aumentou no penodo da crise o coeficiente orçamental relativo á despesa com bens alimentares.
económica, registando taxas de variação entre 6 e 9%. Nos anos 6. (C) Número de indivíduos ativos: 15 000 000 » 0.52 = 7800 mi­
em que o rendimento disponível e o consumo privado registaram lhares.
maiores taxas de crescimento, a taxa de poupança das famílias de­ Numero de indivíduos desempregados ,
Taxa de desemprego ------ Numero óe lndMduosãnvos----- *,<X)
sacelerou. registando taxas de variação entre 3 a 4%.
Número de IndMduos desempregados
624 mlhares
-------------------- T9W-------- ------
7. (C) O consumo de fannha. efetuado por uma família, para a con­
feção de um bolo constitui um exemplo de consumo final, porque
ê um consumo em que as famílias utilizam diretamente os bens na
satisfação das suas necessidades.
8. (C) 15 000 u.m. de capital e 11 trabalhadores, porque correspon-

Acréscimo da produção
ProdutMdade maigtnal
Acréscimo de uma unidade de trabalto

±222 2500 milhares de unidades

9. (D) O papel-moeda e uma forma de moeda em que o Estado


impõe a sua aceitação (é Obrigatória) sendo a moeda inconvertivel
10. (B) Entre janeiro de 2017 e janeiro de 2018 (12 meses) a variação
média do IHPC foi de 1.5%. O índice harmonizado de preços no
consumidor (IHPC) é um indicador de inflação para comparações
entre os diferentes países da União Europeia. Este indicador e utili­
zado pelo Banco Central Europeu como instrumento para aferir a
«estabilidade dos preços» dentro da zona euro.
11. (C) A oferta reflete o comportamento dos produtores/vendedo-
res. relacionando de forma direta preços e quantidades - quando
se verifica o aumento do preço de um dado bem. a quantidade
oferecida desse bem aumenta; quando ocorre uma diminuição do
preço de um bem. a quantidade oferecida desse bem diminui.
12. (B) As curvas b, e b, representam a oferta do bem X. A curva b,
representa menor quantidade oferecida do bem X para o mesmo
nível de preços. Tal situação ocorre quando, por exemplo, se verifi­
ca um aumento dos custos de produção do bem X.

293
r™.
Soluções

13. (C) Pode-se afirmar que o poder de compra dos trabalhadores em 2008-2009. acentuando-se a diminuição entre 2010 e 2013. re-
em geral aumentou, não só os que recebem o salário mínimo, cujo gistando-se uma recuperação ate 2016 mas com Índices inferiores
poder de compra aumentou 6%. como o poder de compra dos ou­ a 100. o que significa que os valores relativos ao consumo de bens
tros trabalhadores em geral, que aumentou 1%. O salario real cor­ duradouros ate 2016 são inferiores aos de 2008 (indice 100) Em
responde a quantidade de bens e serviços que os trabalhadores 2016 os índices do consumo cresceram atingindo valores idênticos
conseguem adquirir com o seu salário nominal, ou seja, correspon­ aos do ano de 2008. ultrapassando nos anos seguintes o indice
de ao poder de compra dos trabalhadores. 100 relativo a 2008. com particular destaque para o consumo de
14. (A) I e IV são verdadeiras e II e III são falsas. O PIB cresceu bens duradouros.
sempre nos L". 2.“ e 3.’ trimestres de 2019 (taxas de crescimento Podemos concluir que a evolução dos dois tipos de consumo e. em
positivas), embora tenha desacelerado entre o 2." e 3." trimestres particular do consumo de bens duradouros, encontra-se associada
de 2019. Entre o Io trimestre e o 2.® trimestre o PIB cresceu 0.8 p.p_ à crise financeira de 2008-2009 e à crise económica, e às medidas
15. (A) O agrupamento bens intermédios (1NT) apresentou o contri­ de austeridade verificadas entre 2011 e 2016.
buto mais influente para a variação do índice total (T) no conjunto 2. O indice de preços de um bem estabelece a relação entre o
dos dois meses, originado por uma variação mensal de cerca de preço do bem em dois momentos diferentes. O mdice de preços
5%. em agosto de 2018 e cerca de 1,9% no mês anterior. no consumidor flPC) mede a evolução temporal dos preços de um
16. (B) O racio S80/S20 *é um indicador de desigualdade na distri­ conjunto de bens e serviços representativos da estrutura de des­
buição do rendimento, definido como o rãcto entre a proporção do pesa de consumo da população residente, sendo um indicador da
rendimento total recebido pelos 20% da população com maiores variação dos preços. A partir do IPC. podemos calcular o valor da
rendimentos e a parte do rendimento auferido pelos 20% de me­ taxa de inflação.
nores rendimentos», segundo o INE. Portugal apresentou, em junho de 2018, uma taxa de inflação de
Em 2019, o rendimento dos 20% mais ricos (5.* quintil) era 5.9 ve­ 2%. idêntica a taxa media da zona euro e acima da taxa de inflação
zes superior ao dos 20% mais pobres (1.° quintil). dos Países Baixos. Chipre. Italia, Finlândia. Grécia e Irlanda e seme­
lhante a de Malta. Com valores superiores aos da media da zona
Deste modo. = 5.9 euro (2%) encontramos a Alemanha (2.1%). Eslovenia Rança. Es­
panha e Áustria (com 2.3%). Luxemburgo (2.4%). Lituânia e Bélgica
17. (D) Com base no gráfico, podemos afirmar que no país C a de­
sigualdade na repartição dos rendimentos e maior, uma vez que a (2,6%). Letónia (2.7%). Eslováquia (2.9%). Estónia (3.9%).
respetiva curva de Lorenz se encontra mais afastada da diagonal 3.
(linha da igualdade absoluta). Por sua vez. o índice de Gini é um in­ Tecido.-2€ • 20 000 = 40 000€
dicador de desigualdade do rendimento que varia entre 0 (igualda­ Linhas: 0.50C « 20 000 = 10 OOOC
de absoluta, representada pela diagonal) e 1.0 pais que apresenta Agua e energia: 0.80C - 20 000 = 16 000€.
um indice de Gini menor é o país A. que evidencia menor desigual­ Gastos em bens de consumo intermédio por mês = 40 000C +
dade na repartição dos rendimentos e o pars que apresenta um 110 000C ' 16 OOOC - 66 OOOC
maior índice de Gini e o pais C. onde a desigualdade na repartição
Venda das camisolas a grande empresa internacional por mês
dos rendimentos é maior.
11C-20 000 = 220 OOOC
18. (D) A redução do valor das transferências sociais para as famí­
VAB = 220 000C - 66 OOOC = 154 000C
lias residentes como, por exemplo, o abono de família, a redução
das remessas dos emigrantes e o aumento dos impostos diretos, GRUPO III
considerando-se tudo o resto constante, implicam uma redução do
1. Portugal, juntamente com a Rança, entre novembro de 2015 e
rendimento médio disponível das famílias residentes. novembro de 2018. apresenta uma das taxas de variação dos im­
19. (D) Num determinado pais, em 2017. as importações apresen­ postos sobre o gasoleo mais elevadas (19.6% e 30.1% respetiva­
taram uma taxa de crescimento de 2% e. no ano seguinte, a taxa mente) e superior a média da zona euro (13.5%). O valor de Portugal
foi -15%. A variação global, nestes dois anos determina-se do se­ representa mais 6.1 p.p. do que a média da zona euro. A média
guinte modo. registada pela UE-28 e ainda menor, com 7.6% de variação, no pe­
Coeficiente multiplicador (2017) = +1 = 0.02 +1 = 1.02 ríodo considerado, o que representa menos 12 p.p. que PortugaL
Abaixo deste valor médio encontramos a Itãlia. Suécia e Reino Uni­
Coeficiente multiplicador (2018) = +1 = - 0,015 + 1 = 0.985 do (4.7%. - 2.4% e -13.7% respetivamente). É de salientar que a Sué­
1.02 « 0,985 = 1.0047 cia e o Reino Unido foram os uriicos a reduzir a taxa de variação
indice = 100.47 dos impostos sobre o gasóleo.
100.47-100 = 0.47 A UE não tem uma política única sobre os preços dos combustíveis.
Taxa de variação global = 0.47% As variações dos impostos sobre os combustíveis têm efeitos so­
20. (C) A existência de uma pauta aduaneira exterior comum apli­ bre a atividade economica e o ambiente que não se podem mitigar
cada às mercadorias provenientes de países terceiros e a livre cir­ 2. As regras fixadas peto Pacto de Estabilidade e Crescimento
culação de mercadorias, serviços, pessoas e capitais são caracte­ (PEC) têm como um dos seus objetivos garantir finanças publicas
rísticas da forma de integração do mercado comum. sólidas na União Económica e Monetaria, impondo imites ao défi­
ce orçamental (3% do PIB) e à divida pública (60% do PIB).
GRUPO II
Em 2018. a corçuntura económica traduziu-se no não cumprimento
1. Entre 2008 e 2017. o consumo de bens não duradouros e ser­ dos limites impostos pelo PEC em vários países europeus, a nrvel
viços (componente do consumo privado) sofreu pequenas oscila­ do défice orçamental (caso da França) e da divida publica (caso da
ções. registando uma ligeira descida (inferior ao indice 100) a partir Itãlia, da Grécia e de Portugal).
de 2011 e até 2014. ano em que se começa a notar uma ligeira re­ Relativamente ao saldo orçamental no terceiro trimestre de 2018.
cuperação. No que respeita à outra componente do consumo pri­ Portugal apresentou um excedente de 3.6%.
vado (bens de consumo duradouros), verificou-se um decréscimo

294
Os valores relativos á divida publica revelam que Portugal não cum­ o forte contributo da formação buta de capital fixo, cuja taxa de
pre os limites, mantendo valores muito acima do imite dos 60% do crescimento (4,3%) compensou o fraco crescimento do consumo
PIB: no 3 o trimestre de 2018 a divida publica representava 125% do público (07%) e o crescimento moderado do consumo privado
PIB. A Grécia e a Italia apresentaram, no período considerado, os (2.3%). A procura externa liquida não contribuiu favoravelmente
valores mais elevados da divida pública em percentagem do PIB na para o crescimento do PIB. pois as importações registaram um
zona euro (onde a divida publica, foi em média, de 86,1 % do RB). maior crescimento comparativamente ao das exportações (3.4%
3. O crescimento do PIB no 3.° trimestre de 2018 (2.1%) foi resul­ e 2.9%. respetivamente). No contexto da UE. Portugal registou um
tado do crescimento de todas as suas componentes, com parti­ menor crescimento do RB comparativamente à Áustria. Espanha
cular destaque para o crescimento da formação bruta de capital e Holanda (2.1%. contra 2.4% e 2,3%). porém, situou-se acima da
fixo e das exportações. Estas duas componentes registaram, no média registada na zona euro (16%). O crescimento do PIB portu­
período em análise, taxas de variação de 4.3% e de 2.9%. respe­ guês foi. no entanto, superior ao crescimento registado pela Ale­
tivamente. A procura interna registou uma taxa de crescimento manha. Bélgica. França e Itália, países que integram a zona euro.
superior a taxa de crescimento do PIB (2.3% contra 2.1%) dado

295
exame
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11.° ano 12.° ano


Biologia e Geologia História A
Economia A Matemática A
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