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GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL

SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL

Secretaria Adjunta de Assistência à Saúde

Ofício Nº 11/2021 - SES/SAA Brasília-DF, 16 de janeiro de 2021.


Senhor Diretor Presidente,

Cumprimentando-o cordialmente, trata-se do cargo público de Superintendente do


Hospital de Base, gerido por este Ins tuto de Gestão Estratégica do Distrito Federal – IGESDF,
atualmente ocupado pelo Dr. Lucas Seixas Doca Junior.
Conforme amplamente divulgado na mídia, o referido Senhor Superintendente sofreu
condenação em segunda instância pelo crime de homicídio culposo, punido com um ano e quatro
meses de detenção.
Assim, sendo este ocupante de importante cargo público, estratégico à gestão da Saúde
no Distrito Federal, ainda que de livre nomeação, não está isento de atendimento às normas legais
quanto aos requisitos para sua designação.
Cita-se ao caso, a Lei Complementar nº 840, de 23 de dezembro de 2011 do Distrito
Federal:
Art. 5º Os cargos em comissão, des nados exclusivamente às atribuições
de direção, chefia e assessoramento, são de livre nomeação e exoneração
pela autoridade competente
§ 3º É proibida a designação para função de confiança ou a nomeação
para cargo em comissão, incluídos os de natureza especial, de pessoa que
tenha pra cado ato pificado como causa de inelegibilidade prevista na
legislação eleitoral, observado o mesmo prazo de incompa bilidade dessa
legislação.
No mesmo sentido, determina o art. 1º do Decreto nº 33.564/2012:
Art. 1º Não poderão ser nomeados nem designados para cargo, emprego
ou função da Administração Pública direta e indireta do Distrito Federal
aqueles que tenham incorrido nas causas de inelegibilidade previstas na
legislação eleitoral, conforme disposto no ar go 1º da Lei Complementar
Federal nº 64, de 18 de maio de 1990.
A leitura do disposi vo deve ser aliada à norma da Lei Complementar nº 64, de 18 de
maio de 1990, que elenca como causas de inelegibilidade:
Art. 1º São inelegíveis:
I - para qualquer cargo:
e) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou
proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o
transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena, pelos
crimes: (Redação dada pela Lei Complementar nº 135, de 2010)
(...)
9. contra a vida e a dignidade sexual; e (Incluído pela Lei Complementar
nº 135, de 2010)
f) os que forem declarados indignos do oficialato, ou com ele
incompatíveis, pelo prazo de 8 (oito) anos; (Redação dada pela Lei
Complementar nº 135, de 2010)
Assim, da leitura dos disposi vos supracitados, verifica-se a taxa va proibição de
designação da função de pessoa que tenha pra cado ato de inelegibilidade. No caso, que tenha sido
condenado por colegiado por crime contra a vida.
Além da proibição acima citada, este Secretário Adjunto de Assistência à Saúde, na
condição de Responsável Técnico em úl ma instância desta Pasta, entende pela incompa bilidade do
exercício do cargo por pessoa com a dita condenação, pois, àqueles que cargos públicos ocupam,
carregam consigo a representatividade perante o público das instituições.
Assim, manter empossado aquele condenado por crime contra a vida, em cargo cuja
função primordial é a assistência à saúde das pessoas, fragiliza a imagem e a credibilidade desta
Ins tuição que, em úl mo caso, são também da Secretaria de Estado de Saúde e do Governo do
Distrito Federal.
Ademais, consigna-se que o assunto importa a este Secretário Adjunto de Assistência,
na medida em que pode ser corresponsabilizado por quaisquer atos em desacordo com as normas
técnicas, conforme prevê a Resolução CFM nº 2.056/2013:
Art. 21. Os médicos inves dos em funções ou cargos administra vos,
públicos ou privados, que interfiram direta ou indiretamente no
planejamento, na assistência ou na fiscalização do ato médico, quando
devidamente cien ficados, serão considerados corresponsáveis quando a
prá ca da Medicina se fizer em desacordo a estas normas e ao Manual de
Vistoria e Fiscalização da Medicina no Brasil, em serviços situados em área
subordinada a sua autoridade.
Ressalta-se ainda que a este Secretário Adjunto de Assistência incumbe a competência
para a fiscalização do exercício da profissão, abrangendo não só os procedimentos técnicos, mas a
incumbência de responder eticamente sobre os atos praticados sob sua gestão.
Assim, na condição de responsável técnico desta Pasta, tomando conhecimento da
condenação em voga, considera existente risco na manutenção da ocupação do referido cargo pelo
condenado, bem como desabonador da é ca, da confiança do público nos serviços prestados e da
credibilidade desta Pasta de Saúde.
Firme em tais razões e fundamentos de Direito, opina-se pela exoneração do Sr. Lucas
Seixas Doca Junior do cargo público que ocupa, primando-se pela reputação ilibada àquele que vier a
ocupá-lo.

Atenciosamente,
PETRUS LEONARDO BARRON SANCHEZ
Secretário Adjunto de Assistência à Saúde/SES-DF

Senhor(a)
Paulo Ricardo Silva
Diretor-presidente
Instituto de Gestão Estratégica do Distrito Federal - IGESDF
Brasília/DF

Documento assinado eletronicamente por PETRUS LEONARDO BARRON SANCHEZ -


Matr.1688927-4, Secretário(a) Adjunto(a) de Assistência à Saúde, em 17/01/2021, às 11:40,
conforme art. 6º do Decreto n° 36.756, de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial
do Distrito Federal nº 180, quinta-feira, 17 de setembro de 2015.

A autenticidade do documento pode ser conferida no site:


http://sei.df.gov.br/sei/controlador_externo.php?
acao=documento_conferir&id_orgao_acesso_externo=0
verificador= 54301720 código CRC= AB4E6B66.

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