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Matéria da prova:

1. Embriologia dos sistemas muscular e esquelético e dos membros


2. Embriologia do sistema cardiovascular
3. Embriologia do sistema urogenital
4. Embriologia do sistema respiratório, das cavidades e do diafragma

EMBRIOLOGIA DOS SISTEMAS MUSCULAR E ESQUELÉTICO E DOS MEMBROS


Sistema Muscular
 Músculo esquelético
◦ primeira indicação de miogênese: é o alongamento dos núcleos e dos corpos celulares das
células mesenquimatosas quando estas se diferenciam em mioblastos.
◦ Os mioblastos que formam os músculos esqueléticos do tronco derivam do mesoderma das
regiões dos miótomos dos somitos.
◦ Tronco: mesoderma paraxial (miótomo):
▪ epímero (mm. do dorso) = Myf-5
▪ hipômero (mm. das paredes ventral e lateral) = MyoD
◦ Cabeça: mesoderma paraxial (somitômeros) e arcos faríngeos
◦ Apendicular: mesoderma paraxial (miótomos)

 Músculo liso
◦ Primeiro indicação de miogênese: é o desenvolvimento de núcleos alongados em mioblastos
fusiformes.
◦ Viscerais: mesoderma lateral esplâncnico
◦ Vasos sanguíneos: mesoderma do local

 Músculo cardíaco
◦ Mesoderma esplâncnico (área cardiogênica)

CASOS CLÍNICOS
1. Síndrome de Prune-Belly ou Síndrome do Abdome em ameixa seca: É caracterizada por uma
tríade de anormalidades congênitas que consiste em:
* Ausência ou deficiência da musculatura abdominal;
* O não desenvolvimento dos testículos - condição vista em recém-nascidos onde um ou dois deles não
ultrapassam o saco escrotal;
* Uma anormal expansão da bexiga e problemas no trato urinário superior, que pode incluir a bexiga,
ureteres e rins.
Devido o envolvimento substancial do trato urinário, crianças com síndrome de Prune Belly são geralmente
incapazes de esvaziar completamente suas bexigas e têm sérios prejuízos na bexiga, ureter e rim. Uma
criança com esta síndrome pode também apresentar outros defeitos congênitos, que envolvem o sistema
musculoesquelético, gastrointestinal, cardiovascular e respiratório.

Desenvolvimento dos membros


 Broto dos membros: massa de mesênquima (deriva da camada somática do mesoderma lateral)
coberta por ectoderma
 Crista ectodérmica apical – induz proliferação do mesoderma.
No ápice de cada broto dos membros, o ectoderma se espessa formando uma Crista Ectodérmica Apical
(CEA). A interação entre CEA e as células mesenquimatosas é essencial para o desenvolvimento dos
membros. A CEA, uma estrutura epitelial de múltiplas camadas, interage com o mesênquima do broto do
membro, promovendo o crescimento do broto para fora.
 Células próprias (mesênquima) permanecem indiferenciadas
 Células distais mais diferenciadas
 Membro superior: nível dos segmentos cervicais caudais
 Membro inferior: nível dos segmentos sacrais superiores
 Rotação dos membros
◦ MS: fazem rotação lateral de 90° sobre seu eixo maior, assim os futuros cotovelos apontam
dorsalmente e os músculos extensores se situam nos aspectos lateral e posterior do membro.
◦ MI: fazem uma rotação medial de quase 90°, assim os futuros joelhos apontam ventralmente e
os músculos extensores se situam no aspecto anterior do membro inferior.

CASOS CLÍNICOS
1. Acondroplasia: membros curtos
2. Acromegalia: crescimento das extremidades

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3. Amelia: ausência de um ou mais membros
4. Polidactilia: dedos supranumerários
5. Sindactilia: fusão da membrana interdigital (cutânea ou óssea)

Sistema esquelético
Fontes:
1. Mesoderma paraxial
 somitômeros (1 a 7) – ossos do crânio
 somitos:
◦ esclerótomo (ventromedial) – vértebras e costelas
◦ dermomiótomo (dorsolateral) – derme e mioblastos
2. Mesoderma da placa lateral – esqueleto apendicular
3. Células da crista neural – ossos da face (viscerocrânio). Origem ectodérmica

Ossificação:
1. Intramembranosa: mesênquima dentro de bainhas membranosas – ossos chatos
2. Endocondral: os modelos mesenquimais são transformados em cartilagem – ossos longos

Esqueleto axial
1. Formação das vértebras
 células dos esclerótomos circundam notocorda e tubo neural
 esclerótomo se divide em dois: parte cefálica funde-se à caudal acima = forma estruturas
intersegmentares (vértebras)
 1º somito: parte cranial se funde ao somitômero acima – occipital; parte caudal se funde com 2º
somito – 1ª vértebra.
 Notocorda degenera e desaparece onde é rodeada pelos corpos vertebrais; expande-se entre
as vértebras para formar o núcleo pulposo.
2. Formação do esterno e costelas
 Mesoderma lateral somático condensa: barras esternais (se fundem com o encontro das pregas
laterais) – esterno
 Processos costais das vértebras torácicas crescem e se encontram com as barras esternais
fundidas
3. Formação do crânio
 Neurocrânio: caixa protetora do encéfalo
◦ membranoso: ossos do abóbada (calvária)
◦ cartilaginoso: ossos da base do crânio
 Viscerocrânio: esqueleto da face
◦ membranoso: proeminências maxilar e mandibular e 1º arco faríngeo
◦ cartilaginoso: 2 primeiros arcos faríngeos
 Fontanelas e suturas

Esqueleto apendicular
 Parte somática da placa lateral penetra no broto dos membros
 Ossificação intramembranosa ou endocondral de modelos cartilaginosos (condensações de
mesênquima nos brotos dos membros)
 Diáfise – centro primário de ossificação
 Epífise – centro secundário de ossificação
 Placa epifisária (de crescimento) – entre diáfise e epífise

CASOS CLÍNICOS
1. Síndrome de Klippel-Feil: fusão das vértebras, caracterizando um menor número de corpos
vertebrais. Principais características: pescoço curto, linha baixa de implantação do cabelo e
movimentos restritos do pescoço.
2. Espinha bífida: falha na fusão das metades do arco vertebral.
3. Acrania: calvária ausente, associada a meroanencefalia, devido à falha no fechamento das
extremidades cefálica do tubo neural.
4. Costelas acessórias: resultam do desenvolvimento dos processos costais das vértebras cervical e
lombar.
5. Microcefalia: desenvolvimento anormal do SNC.

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RESUMO DO LIVRO (Cap. 16 – Sistema Esquelético [pg. 329])
O sistema esquelético origina-se do mesênquima, derivado do mesoderma e da crista neural. Na maioria
dos ossos, tais como os ossos longos dos membros, o mesênquima condensado transforma-se em
cartilagem, formando moldes cartilaginosos dos ossos. Centros de ossificação aparecem nestes moldes ao
final do período embrionário, e os ossos apresentam mais tarde ossificação endocondral. Alguns ossos,
como, por exemplo, os ossos chatos do crânio, se desenvolvem por ossificação intramembranosa. A coluna
vertebral e as costelas se formam de células mesenquimatosas dos esclerótomos dos somitos. Cada
vértebra é formada pela fusão de uma condensação da metade caudal de um par de esclerótomos com a
metade cefálica do par de esclerótomos subjacente.
O crânio em desenvolvimento é constituído por um neurocrânio e um viscerocrânio, cada um dois quais tem
componentes membranosos e cartilaginosos. O neurocrânio forma a calvária, a caixa protetora do encéfalo.
O viscerocrânio forma o esqueleto da face. O esqueleto apendicular se desenvolve por ossificação
endocondral nos moldes cartilaginosos dos ossos, que se originam do mesênquima do membro em
desenvolvimento. As articulações são classificadas em:
 Articulações fibrosas
 Articulações cartilaginosas
 Articulações hialina

As articulações originam-se do mesênquima interzonal entre os primórdios dos ossos. Em uma articulação
fibrosa, o mesênquima interposto diferencia-se em tecido conjuntivo fibroso denso. Em uma articulação
cartilaginosa, o mesênquima entre os ossos diferencia-se em cartilagem. Em uma articulação sinovial,
dentro do mesênquima interposto forma-se uma cavidade sinovial por degeneração das células. O
mesênquima também dá origem à membrana sinovial e ao ligamento capsular e a outros ligamentos da
articulação.
Apesar de existirem numerosos tipos de anomalias esqueléticas, a maioria dessas é incomum, exceto a
espinha bífida oculta e as costelas acessórias.

RESUMO DO LIVRO (Cap. 18 – Os Membros [pg. 350])


Os membros começam a aparecer por volta do final da quarta semana como discretas elevações na parede
corporal ventrolateral. Os brotos dos membros superiores começam a desenvolver-se cerca de 2 dias antes
dos brotos dos membros inferiores. Os tecidos dos brotos dos membros derivam de duas fontes principais,
que são o mesoderma e o ectoderma. A crista ectodérmica apical (CEA) exerce uma influência indutora
sobre o mesênquima do membro, promovendo o crescimento e desenvolvimento dos membros. Os brotos
dos membros alongam-se pela proliferação do mesênquima no seu interior. A morte celular programada é
um mecanismo importante no desenvolvimento dos membros, tal como na formação dos membros. Os
músculos dos membros derivam do mesênquima (células precursoras miogênicas) originário dos somitos.
As células formadoras de músculo (mioblastos) constituem as massas musculares dorsal e ventral. Os
nervos penetram nos brotos dos membros depois de as massas musculares terem se formado. A maioria
dos vasos sanguíneos dos brotos dos membros surge da aorta e das veias cardinais.
Inicialmente, os membros em desenvolvimento dirigem-se caudalmente; mais tarde, projetam-se
ventralmente; finalmente, fazem um movimento de rotação sobre seu eixo mais longo. Os membros
superiores e inferiores giram em direções opostas e em graus diferentes. A maioria das anormalidades dos
membros é causada por fatores genéticos; entretanto, muitas anormalidades resultam, provavelmente, de
uma interação de fatores genéticos e ambientais (Herança multifatorial). Relativamente poucas anomalias
congênitas dos membros podem ser atribuídas a teratógenos ambientais específicos, exceto os resultantes
da talidomida.

RESUMO DO LIVRO (Cap. 17 – Sistema Muscular [pg. 345])


A maior parte dos músculos esqueléticos deriva das regiões dos miótomos dos somitos. Alguns músculos da
cabeça e do pescoço derivam do mesoderma dos arcos faríngeos. Os músculos dos membros originam-se
de células precursoras miogênicas, derivadas dos somitos. O músculo cardíaco e a maior parte do músculo
liso derivam do mesoderma esplâncnico. A ausência ou a variação de alguns músculos são ocorrências
comuns, usualmente com poucas consequências.

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EMBRIOLOGIA DO SISTEMA CARDIOVASCULAR

 Formado entre 3ª e 4ª semana do desenvolvimento para poder nutrir eficientemente o embrião que
está crescendo rapidamente.
 Tem origem do mesoderma lateral esplâncnico e células da crista neural;
 A área cardiogênica localiza-se na região cefálica do embrião.
 A cavidade pericárdica é dorsal em relação ao coração antes do dobramento do embrião, e ventral
após o dobramento.

 Na área cardiogênica, formam-se dois cordões angioblásticos, que se canalizam, formando dois
tubos endocárdicos, e após o dobramento do embrião, esses tubos se fundem e formam o tubo
endocárdico primitivo.
 A fusão desses tubos ocorrem da região cefálica para a região caudal (céfalocaudalmente);

 O coração não se encontra fixo pela parede VENTRAL.


 Inicialmente é fixo à parede posterior pelo mesocárdio dorsal, mas depois perde essa fixação e
forma o seio transverso do pericárdio: que surge do desaparecimento do mesocárdio dorsal e
comunica os lados direito e esquerdo da cavidade pericárdica.
 O tronco arterial prende o tubo superiormente, e o seio venoso, inferiormente.

Camadas do coração em desenvolvimento


 Miocárdio: camada externa do coração embrionário que envolve o celoma pericárdico, e tem
origem a partir do mesoderma esplâncnico lateral. Será a parede muscular do coração.
 Endocárdio: será o revestimento endotelial interno do coração, derivado do tubo endotelial.
 Entre o miocárdio e o endocárdio surge uma matriz extracelular, chamada geleia cardíaca.
 Epicárdio (ou pericárdio visceral): é a superfície externa do seio venoso.

 O tubo endocárdico primitivo sofre dilatações e constrições, formando algumas regiões


▪ tronco arterial
▪ bulbo cardíaco
▪ ventrículo primitivo
▪ átrio primitivo
▪ seio venoso
◦ Há um rápido crescimento do bulbo cardíaco e do ventrículo, formando a ALÇA
BULBOVENTRICULAR, que se desloca para a DIREITA, FRENTE e para BAIXO.
◦ O átrio, se deslocará POSTERIORMENTE e para CIMA.
 O bulbo e o tronco arterial vão originar
◦ vasos da base: penetra Veia Cava Superior, Veia Cava Inferior, Tronco Pulmonar e Aorta.
◦ cone arterial (infundíbulo): prolongamento do Ventrículo Direito ao longo do Tronco Pulmonar.
◦ vestíbulo aórtico: porção mais superior do Ventrículo Esquerdo, que conduz à aorta.

Diferenciação inicial do átrio primitivo


 Corno direito é absorvido pela parede do Átrio Primitivo, originando a parede lisa do Átrio Direito;
 o Corno Esquerdo vai drenar o coração (seio coronário) e vai ser deslocado para o lado Direto;
 As veias cavas superior e inferior vão desembocar no lado Direito do Átrio primitiva
 Surge um vaso na parede posterior do átrio esquerdo, em direção ao pulmão = veias pulmonares;

*corno = divisões do seio venoso na extremidade inferior do coração.

Divisão do átrio primitivo, formação do septo interatrial (septo IA)


 Projeção membranosa em forma de meia lua que cresce do teto do átrio em direção aos coxins do
endocárdio (divide átrio do ventrículo), conhecido como Septo Primum, formando o Forame
Primum (ou Óstio Primum) em sua borda crescente livre.
◦ O Forame primum serve como um shunt, permitindo que o sangue rico em oxigênio passe do
átrio direito para o esquerdo. E desaparece à medida que o septo se funde com os coxins,
formando o septo AV primitivo.
 Apoptoses nas células do Septo Primum, forma o Forame Secundum, e ocorrem antes do forame
primum desaparecer.
 Crescimento do Septo Secundum, que é muscular e cresce na parede ventrocranial do átrio
(cresce à direita do septum primum) e formação do Forame Oval (sobreposição do septum
secundum com o forame secundum)
 Circulação do sangue: Veias Cavas → AD → AE → VE → Aorta

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Formação do septo atrioventricular (ou septo intermédio)
 Formam-se coxins endocárdicos nas paredes dorsal e ventral do canal atrioventricular (AV).
Quando essas massas de tecido são invadidas por células mesenquimatosas, os coxins
endocárdicos AV se aproximam e se fundem, dividindo o canal AV em canais AV direito e esquerdo.
Estes canais separam parcialmente o átrio primitivo de ventrículo, e os coxins endocárdicos
funcionam como válvulas AV.

Divisão do ventrículo primitivo, septo interventricular


 Septo interventricular (IV) primitivo (= crista MUSCULAR mediana), surge no assoalho de
ventrículo;
 Há formação do Forame interventricular entre a borda livre do septo IV e os coxins endocárdicos
fusionados.
 A porção membranosa será formada com a formação do Septo aórtico-pulmonar.

Divisão do tronco arterioso e do bulbo cardíaco, septo aórtico-pulmonar


 Há projeções na parede do bulbo cardíaco = cristas bulbares, que se formam através das invasão
e migração das células da crista neural.
 O septo aórtico-pulmonar se forma através de um movimento de espiralização helicoidal, fazendo
com que ocorra um rearranjo e a incorporação do bulbo ao ventrículo:
◦ o VD: tronco pulmonar – cone arterial
◦ o VE: aorta – vestíbulo aórtico

CASOS CLÍNICOS:
Defeitos do septo-aórtico pulmonar:
1. Tronco arterioso persistente: não há formação do septo aórtico-pulmonar, a circulação sanguínea
fica misturada (sangue venoso e arterial), tendo como consequência a falta de oxigenação no
sangue. Há também defeito no septo IV.
2. Transposição dos grandes vasos: quando não há formação helicoidal do septo aórtico-pulmonar.
Quando há defeito nesse septo, ocorre mistura de sangue venoso e arterial, e dependendo do grau
de mistura, pode ser prejudicial.
3. Estenose das válvas aórtica ou pulmonar: ocorre diminuição da luz das artérias, causando
hipertrofia do ventrículo direito (caso haja estenose da artéria pulmonar) ou do ventrículo esquerdo
(caso haja estenose da aorta).
4. Tetralogia de Fallot: associação de quatro diagnósticos: estenose do tronco pulmonar, hipertrofia
do ventrículo direito, forame interventricular persistente e aorta cavalgante sobre septo IV.

Defeitos do septo interatrial:


5. Forame oval patente à sonda
6. Defeito no forame secundum
7. Átrio comum
8. Defeito no forame primum

Defeito do septo intermédio


9. Defeito do septo AV

Defeitos do septo interventricular


10. Comunicação interventricular alta ou membranosa
11. Comunicação interventricular baixa
12. Ventrículo comum

Posições anormais do coração


13. Dextrocardia isolada: alça bulboventricular cresce normalmente mas o átrio vai para a direita. As
vísceras restantes mantém sua posição correta. A dextrocardia isolada esta associada com outras
doenças do coração.
14. Dextrocardia com situs inversus: outras vísceras com posição trocada.

CIRCULAÇÃO FETAL:
 Não há circulação pulmonar, o sangue vai para o pulmão apenas para oxigená-lo.
 Veia umbilical (sangue arterial)
◦ Fígado → ducto venoso desvia o sangue para veia cava inferior, para que o sangue chegue ao
coração oxigenado. Restando ainda uma pequena quantidade que vai para o fígado.

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 O sangue chega ao átrio direito, que é deslocado pelo forame oval e passa para o átrio esquerdo →
ventrículo esquerdo → circulação sistêmica, sendo que uma pequena parte vai para o pulmão
(oxigená-lo), que volta para as veias pulmonares → átrio e ventrículo esquerdo → circulação
sistêmica.

Ao nascimento:
 Fechamento do forame oval → limbo da fossa oval no adulto, cessa a comunicação interatrial.
 Ligamento venoso → onde era o ducto venoso
 Ligamento arterioso → fechamento do ducto arterioso
◦ Tronco pulmonar e aorta não se comunicam mais.

RESUMO DO LIVRO (Cap. 15 – Sistema Cardiovascular [pg. 286]):


O sistema cardiovascular começa a desenvolver-se ao final da terceira semana, e o coração começa a
bater no início da quarta semana. Células mesenquimatosas derivadas do mesoderma esplâncnico
proliferam e formam aglomerados celulares delimitados; estes logo foram tubos endoteliais, que se unem
formando o sistema vascular primitivo. O coração se forma do mesênquima esplâncnico na área
cardiogênica. Forma-se um par de tubos endoteliais que se fundem em um único tubo cardíaco
endocárdico. O mesoderma esplâncnico que circunda o tubo cardíaco forma o miocárdio primitivo.
O primórdio do coração é constituído por quatro câmaras:
 Bulbo cardíaco
 Ventrículo
 Átrio
 Seio venoso

O tronco arterioso (primórdio da aorta ascendente e do tronco pulmonar) continua-se, caudalmente com o
bulbo cardíaco, que se torna parte dos ventrículos. Ao crescer, o coração se dobra para a direita e logo
adquire a aparência geral externa do coração adulto. Entre a quarta e a sétima semanas, o coração é
compartimentado em quatro câmaras. Três sistemas de pares de veias drenam para o coração primitivo:
 O sistema vitelino, que se transforma no sistema porta.
 As veias cardinais, que foram o sistema das veias cavas.
 O sistema umbilical, que involui após o nascimento.

Ao se formarem, durante a quarta e a quinta semanas, os arcos faríngeos são penetrados por artérias – os
arcos aórticos – que se originam do saco aórtico. Durante o período entre a sexta e a oitava semanas, os
arcos aórticos se transforam no arranjo arterial adulto das artérias carótidas, subclávias e pulmonares.

O período crítico do desenvolvimento do coração vai do dia 20 ao dia 50 após a fertilização. Numerosos
eventos críticos ocorrem durante o desenvolvimento cardíaco, e, em qualquer momento, o desvio do padrão
normal pode produzir um ou mais defeitos cardíacos congênitos. Pelo fato de a septação do coração
primitivo resultar de processos complexos, os defeitos dos septos cardíacos são relativamente comuns,
particularmente os DSVs. Algumas anomalias congênitas resultam da transforação anormal dos arcos
aórticos para o padrão arterial adulto (p. ex., a croça da aorta direita).

Como os pulmões não são funcionantes durante a vida pré-natal, o sistema cardiovascular fetal é
estruturalmente projetado para o sangue ser oxigenado na placenta e desviar-se, em grande parte, dos
pulmões. As modificações que estabelecem o padrão circulatório pós-natal ao nascimento não são
abruptas, mas se estendem durante a primeira infância. A falta de ocorrência destas alterações do sistema
circulatório ao nascimento resulta em duas das grandes anomalias congênitas mais comuns do coração e
dos grandes vasos:
 Forame oval permeável
 Ducto arterioso permeável

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EMBRIOLOGIA DO SISTEMA UROGENITAL
RESUMO DO LIVRO (Cap. 14 – Sistema Urogenital [pg. 251])
O sistema urogenital se desenvolve do:
 mesoderma intermediário
 mesotélio que reveste a cavidade abdominal
 endoderma do seio urogenital

O sistema urinário começa a desenvolver-se cerca de 3 semanas antes de o sistema genital ser evidente.
Desenvolvem-se três sistemas sucessivos de rins:
 o pronefro, que não é funcional
 o mesonefro, que reveste a camada abdominal
 o metanefro, que se torna o sistema de rins permanentes

O metanefro, ou rim permanente, desenvolve-se de duas fontes:


 o divertículo metanéfrico, ou broto uretral, que dá origem ao ureter, à pelve renal, aos cálices e aos
túbulos coletores.
 A massa metanéfrica do mesoderma, que dá origem aos néfrons.

Inicialmente, os rins estão localizados na pelve, mas “ascendem” gradualmente para o abdome. Esta
migração aparente resulta do crescimento desproporcional das regiões lombar e sacra fetais. As
anormalidades do desenvolvimento dos rins e dos ureteres são comuns. A divisão incompleta do divertículo
metanéfrico resulta em um ureter duplo e em um rim supranumerário. A falta de “ascensão” do rim de sua
posição embrionária na pelve resulta em um rim ectópico com rotação anormal.
A bexiga se desenvolve do seio urogenital e do mesênquima esplâncnico que o circunda. A uretra feminina e
quase toda a uretra masculina têm origem semelhante. A extrofia da bexiga resulta de um defeito raro da
parede ventral do corpo através do qual a parede posterior da bexiga faz protrusão pela parede abdominal.
No sexo masculino, a epispádia é uma anomalia comumente associada.

EMBRIOLOGIA DOS SISTEMA RESPIRATÓRIO, DAS CAVIDADES E DO DIAFRAGMA


Cavidades do corpo
Celoma intraembrionário
 Forma-se através de espaços celômicos no mesoderma lateral; os espaços celômicos se fundem,
originando o celoma intraembrionário, que origina as três cavidades: pericárdica, pleural e
peritoneal.
 Após o dobramento do embrião (fusão das pregas laterais) há: realocação do celoma e perda da
comunicação entre os celomas extra e intraembrionário.

 Esplâncnopleura: reveste o que vai ser o intestino e é preso à parede posterior por uma lâmina de
mesoderma esplâncnico → mesentério dorsal (peritôneo visceral), que da origem aos vasos.
 Celoma extraembrionário → cavidade coriônica
 Septo transverso: divisão incompleta entre coração e fígado (ou seja, entre as cavidades
pericárdica e peritoneal). O septo transverso também é responsável por originar o tendão central do
diafragma.
◦ Canal pericárdico-peritoneal: comunicação entre as duas cavidades. É o primeiro canal de
comunicação a se formar, e é onde os pulmões vão se desenvolver.
 Membranas pleuropericárdicas: dividem a cavidade pericárdica das cavidades pleurais
(originarão pericárdio fibroso).
◦ Pericárdio fibroso: prende coração ao diafragma e aos vasos da base.
 Membranas pleuroperitoneais: separam cavidades pleurais da cavidade peritoneal e contribuem
para formação do diafragma.

 Mesentério: é uma dupla camada de peritôneo que une o órgão à parede do corpo e conduz seus
vasos e nervos.

Formação do diafragma
 Formado por quatro estruturas embrionárias:
1. Septo transverso → centro tendíneo
2. Membranas pleuroperitoneais → fecham o canal pericárdioperitoneal
3. Mesentério dorsal do esôfago → pilares diafragmáticos: projeções do diafragma que se
prendem às vértebras lombares
4. Parede do corpo → músculos

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Aberturas no diafragma:
 Hiato aórtico
 Hiato esofágico
 Abertura da veia cava inferior

CASOS CLÍNICOS
1. Hérnia diaframática congênita: a membrana pleuroperitoneal não se forma, deixando um “buraco”
no diafragma, fazendo com que as vísceras abdominais fiquem no lugar em que se desenvolveria
os pulmões. Assim há hipoplasia pulmonar. Obs.: A hérnia ocorre geralmente do lado esquerdo.
2. Diafragma membranoso: a parede muscular não se desenvolve corretamente (miótomos não
migram da parede do corpo), ocorrendo eventração de vísceras, ocasionando hipoplasia pulmonar
bilateral.
3. Gastrosquise: fusão incompleta das pregas laterais no dobramento do embrião, causando hérnias
intestinais para a cavidade amniótica.

Posicionamento das vísceras em relação às cavidades:


 Intraperitoneais: desenvolvimento dentro do peritôneo; órgãos presos à parede posterior;
corresponde à maioria dos órgãos.
 Retroperitoneais: órgãos que não tem mesentério e não surgem dentro da cavidade peritoneal.
Ex.: rins, bexiga.
 Secundariamente retroperitoneais: órgãos que se formam na cavidade peritoneal, mas depois a
deixam. Ex.: cólon ascendente e descendente, pâncreas e parte do duodeno.

Sistema Respiratório
 De origem endodérmica, envolvido pelo mesoderma lateral esplâncnico.
 Surgimento de uma bolsa ventral no intestino anterior, formando um divertículo laringotraqueal,
com uma projeção para a região ventral, o divertículo respiratório (formação da traqueia, através
de crescimento e dilatação)
◦ Surgem cristas traqueoesofágicas para reduzir a comunicação entre laringe, traqueia e sistema
digestório, formando o septo traqueoesofágico, que é a fusão dessas visceras.

 Glote: orifício laríngeo


 Laringe: órgão oco, preso por músculos e cartilagem. Surge abaixo da fenda laringotraqueal, sua
cartilagem é de origem mesodérmica. Abertura inicial em fenda, posteriormente em T = orifício da
laringe.
◦ Cartilagem cricóide
◦ Cartilagem tireóide (principal)
◦ Cartilagem cuneiforme
◦ Cartilagem corniculada
 Traqueia: também é sustentada por cartilagens em sua região anterior (cartilagem hialina) em
forma de C. A extremidade aberta desse C tem músculos.
◦ Glândulas de origem endodérmica
◦ Mesoderma esplâncnico → tecido conjuntivo, cartilagens, vasos e músculos lisos.
◦ Divertículo se bifurca, forma brotos brônquicos primários = início de formação dos pulmões.
 Brônquios: A partir da traqueia: sofre a primeira divisão e forma os brotos brônquicos primários, que
determinarão a quantidade de lobos do pulmão (3 lobos do lado direito e 2 do lado esquerdo). A
partir daí, a árvore brônquica sofre sucessivas divisões até a formação do alvéolo.

Desenvolvimento e maturação dos pulmões


 Pseudoglandular: árvore brônquica com função de glândula exócrina, não é possível respirar.
 Canalicular: relativamente imaturo; brônquíolos respiratório (terminais) → ductos alveolares →
vascularização
 Saco terminal: saco alveolar, alvéolos, células epiteliais delgadas, pneumócito tipo I e tipo II. Feto
prematuro sobrevive.
 Alveolar: aumento do número de alvéolos.

 Líquido surfactante: importante para manter a tensão superficial dos alvéolos.

CASOS CLÍNICOS
1. Aeração ao nascimento: compressão da cavidade torácica para expulsão do líquido amniótico do
pulmão. Os capilares e vasos sanguíneos também ajudam absorvendo esse líquido.

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2. Síndrome da Angústia Respiratória (DMH – Doença da Membrana Hialina): pneumócito tipo II
não se forma ou não produz surfactante, o alvéolo não se tenciona, há insuficiência respiratória.
Há surgimento de membrana hialina dentro do alvéolo - dificulta as trocas gasosas.
3. Agenesia pulmonar: unilateral = compatível com a vida.
4. Hipoplasia pulmonar: geralmente secundária a oligoidrâmnio ou hérnia diafragmática congênita.
5. Fistula traqueoesofágica: comunicação entre traqueia e esôfago, relacionada à má formação do
septo traqueoesofágico.

ESTENOSE: diminuição da luz de uma cavidade, ducto, vaso, etc.


HIPOPLASIA: não desenvolvimento, ou diminuição de tamanho.
“QUISE”: mau fechamento
FÍSTULA: comunicação
ATRESIA: obstrução

RESUMO DO LIVRO (Cap. 10 – Cavidades do corpo, mesentérios e diafragma [pg. 158]; Cap. 12 – Sistema
Respiratório [pg. 210])
Capítulo 10 – Resumo do desenvolvimento das cavidades do corpo
O celoma intraembrionário, primórdio das cavidades do corpo, começa a desenvolver-se perto do final da
terceira semana. Na quarta semana, ele aparece como uma cavidade em forma de ferradura no mesoderma
cardiogênico e no mesoderma lateral. A curvatura da “ferradura” representa a futura cavidade pericárdica, e
as extensões laterias representam as futuras cavidades pleurais e peritoneal.
Durante o dobramento do disco embrionário na quarta semana, as partes laterias do celoma
intraembrionário se reúnem no aspecto ventral do embrião. Quando a parte caudal do mesentério ventral
desaparece, as partes direita e esquerda do celoma intraembrionário coalescem, formando a cavidade
peritoneal. Quando as partes peritoneais do celoma intraembrionário se reúnem, a camada esplâncnica do
mesoderma contém o intestino primitivo e o suspende da parede dorsal do corpo por uma membrana
peritoneal de dupla camada – o mesentério dorsal. A camada parietal do mesoderma, que reveste as
cavidades peritoneal, pleurais e pericárdica, torna-se o peritôneo parietal, a pleura parietal e o pericárdio
seroso, respectivamente.
Até a sétima semana, a cavidade pericárdica embrionária se comunica com a cavidade peritoneal através
do par de canais pericárdioperitoneais. Durante a quinta e a sexta semanas, formam-se pregas (mais tarde
membranas) nas extremidades cefálica e caudal destes canais. A fusão das membranas pleuropericárdicas
cefálicas com o mesoderma ventral ao esôfago separa a cavidade pericárdica das cavidades pleurais. A
fusão das membranas pleuroperitoneais caudais, durante a formação do diafragma, separa as cavidades
pleurais da cavidade peritoneal.
O diafragma se desenvolve a partir de quatro estruturas:
 Septo transverso
 Membranas pleuroperitoneais
 Mesentério dorsal do esôfago
 Invasão muscular a partir das paredes laterais do corpo

Capítulo 12 – Resumo do Sistema Respiratório


O sistema respiratório inferior começa a se desenvolver em torno da metade da quarta semana a partir do
sulco laringotraqueal, no assoalho da faringe primitiva. O sulco se aprofunda para produzir um divertículo
laringotraqueal, que logo é separado do intestino anterior por pregas traqueoesofágicas, que se fundem
formando o septo traqueoesofágico. Este septo leva à formação do esôfago e do tubo laringotraqueal. O
endoderma do tubo laringotraqueal dá origem ao epitélio dos órgãos respiratórios inferiores e às glândulas
traqueobrônquicas. O mesênquima esplâncnico que circunda o tubo laringotraqueal, forma o tecido
conjuntivo, a cartilagem, os músculos e os vasos sanguíneos e linfáticos destes órgãos.
O mesênquima dos arcos faríngeos contribui para a formação da epiglote e do tecido conjuntivo da laringe.
Os músculos laríngeos derivam do mesênquima dos arcos faríngeos caudais. As cartilagens da laringe
derivam das barras cartilaginosas do quarto e sexto pares de arcos faríngeos, que se originam das células
da crista neural.
Durante a quarta semana, o tubo laringotraqueal forma um broto pulmonar na sua extremidade distal, que
se divide em dois brotos brônquicos durante a parte inicial da quinta semana. Cada broto brônquico
cresce, formando o brônquio principal ou primário, e cada brônqui primário dá origem a dois novos brotos
brônquicos, que se desenvolvem em brotos secundários. O brônquio secundário inferior direito logo se
divide em dois brônquios. Os brônquios secundários suprem os lobos dos pulmões em desenvolvimento.
Cada brônquio secundário sofre ramificações progressivas, formando os brônquios segmentares. Cada
brônquio segmentar, com seu mesênquima circundante, é o primórdio de um segmento broncopulmonar. A
ramificação contínua até que cerca de 17 ordens de ramos tenham se formado. Vias aéreas adicionais
formam-se após o nascimento, até que estejam presentes cerca de 24 ordens de ramos.

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O desenvolvimento pulmonar é dividido em quatro períodos. Durante o período pseudoglandular, formam-se
os brônquios e os bronquíolos terminais. Durante o período canalicular, a luz dos brônquios e dos
bronquíolos terminais aumenta, desenvolvem-se os bronquíolos respiratórios e os ductos alveolares, o
tecido pulmonar torna-se altamente vascularizado. Durante o período do saco terminal, os ductos alveolares
dão origem aos sacos terminais (alvéolos primitivos). Os sacos terminais são, inicialmente, revestidos por
um epitélio cúbico, que começa a se adelgaçar tornando-se epitélio pavimentoso em torno de 26 semanas.
Nesta época, redes capilares já proliferaram próximo ao epitélio alveolar e, usualmente, os pulmões estão
suficientemente desenvolvidos, permitindo a sobrevivência do feto se este for prematuro. O período
alveolar, o estágio final do desenvolvimento pulmonar , ocorre do final do período fetal até cerca dos 8 anos
de idade, à medida que os pulmões amadurecem. O número de bronquíolos respiratórios e de alvéolos
primitivos aumenta.
O sistema respiratório se desenvolve de modo a ser capaz de funcionar imediatamente ao nascimento. Para
serem capazes da respiração, os pulmões têm que adquirir uma membrana alveolo-capilar que seja
suficientemente delgada, e uma quantidade adequada de surfactante tem que estar presente. Uma
deficiência de surfactante parece ser responsável pela incapacidade dos alvéolos primordiais em se
manterem abertos, resultando na síndrome do sofrimento respiratório. O crescimento dos pulmões após o
nascimento resulta sobretudo de um aumento do número de bronquíolos respiratórios e de alvéolos.
As grandes anomalias congênitas do sistema respiratório inferior são incomuns, exceto a fístula
traqueoesofágica, que usualmente está associada à atresia esofágica. Estas anormalidades resultam da
divisão defeituosa do intestino anterior e na formação do esôfago e da traqueia, durante a quarta e a quinta
semanas.

RENATO RODRIGUES
BIOMEDICINA 23

Renato E. Rodrigues – Biomedicina XXIII - UFTM Página 10