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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

1. Os Números _ O Ábaco _ A Calculadora: Uma História das Grandes


Invenções.

A invenção dos números deve ter correspondido a preocupação de ordem prática e


utilitária. Os primeiros artifícios aritméticos começaram com a conhecida
correspondência um a um que confere a possibilidade de comparar, sem ter que recorrer
a contagem abstrata. Foi sem dúvida através dos dedos da mão que surgiu a contagem e
conseqüentemente a noção abstrata dos números, isto se verifica atualmente no
aprendizado de nossas crianças além de vestígios deixados por outros povos na
antiguidade. A própria mão humana, une em si os aspectos cardinal e ordinal.

(...) “A mão do homem, se apresenta, assim como a máquina de contar mais


simples e natural que existe” .(IFRAH, 1992, p. 51)

Com o desenvolvimento do comércio entre os povos, surgiu o ábaco que são


tidos como as formas mais elementares de máquinas calculadoras. São dispositivos
simples inventados para registrar números e efetuar operações. Eram muito necessárias
já na antiguidade, uma vez que os sistemas de numeração, então vigentes não
facilitavam as computações e não havia material conveniente para a escrita.

Já a história das calculadoras está intimamente ligada a história dos


computadores digitais. O desenvolvimento destes ganhou enorme impulso durante a II
Guerra Mundial. Surgiram então os primeiros dispositivos analógicos de cálculos. A
abordagem digital mostrou-se mais eficiente. A velocidade de cálculo foi aumentando e
ainda cresce com o aprimoramento dos modernos computadores. Além disso, a
construção de instrumentos foi se aperfeiçoando, barateando os custos, até ser possível a
qualquer estudante do ensino fundamental obter uma calculadora digital a preços
razoáveis.

, Deve-se usar máquina calculadora na escola?

É absolutamente necessário que a criança ao fim do 4º ano primário conheça de


cor, a tabuada e saiba efetuar manualmente as quatro operações com números inteiros,
com frações ordinárias e com frações decimais. Uma vez conseguido este objetivo, não
me apanho ao uso de máquinas, só mais tarde, quando houver vantagem em usá-las.

O surgimento das calculadoras representa um enorme progresso na direção da


eficiência precisão e rapidez nas contas em quase todos os segmentos da sociedade
moderna. Seria impossível negar, ou mesmo tentar diminuir a ênfase desta afirmação,
pois o sucesso comercial de tais máquinas prova eloqüentemente sua utilidade. Em
conseqüência disso é natural que se queira utilizar calculadoras na escola. Esta proposta
tem dois princípios bastante aceitáveis: O primeiro é que a escola deve adptar-se à vida
atual, modernizar-se e adequar seus alunos à sociedade em que vivem, na qual vão lutar
pela vida. O segundo é que o uso das máquinas, libera o aluno de longos, enfadonhos e
desnecessárias tarefas, deixa-o com mais tempo para aprimorar sua capacidade de
raciocinar e desenvolver-se mentalmente.

Vamos usar a calculadora?


Para o ensino de matemática no ensino fundamental, deve-se utilizar a máquina
mais simples possível. As quatro operações, uma memória, a raiz quadrada são
suficientes, é a que denomina-se “calculadora do feirante”, deve ser apresentada aos
alunos quando estiver dominado completamente os algoritmos das operações
fundamentais. Não devemos entretanto o seu uso apenas um “modismo”. Se os alunos
vão utilizá-la como instrumento de trabalho devem conhecer os seus recursos e o seu
uso adequado. “ De fato a calculadora já faz parte da vida da maioria de nossos
estudantes e deve ser usada na escola”.(KUMAYAMA; WAGNER, 1993, n.26, p.16)

Matemática é mais que fazer conta no papel.


Com as inovações, a calculadora exigiu que as aulas de matemática passassem a
ser encaradas de outra forma. Deve-se reconhecer que, no ensino tradicional, gasta-se
muito tempo com mecanismos de cálculo ao invés de ressaltar o significado deles.
Atualmente a Educação Matemática não considera importante que os alunos façam
cálculos excessivos. Ao invés disso, consideram fundamental que os alunos
compreendam e relacionem os diversos ramos da matemática e possam resolver
problemas em diferentes situações.

O que realmente mudou foi a importância da conta armada, que anteriormente


ocupava o centro do currículo de matemática da Educação Infantil à 4ª série. Hoje os
Parâmetros Curriculares Nacionais(BRASIL,1998) dizem que o cálculo escrito deve:
“conviver com outras modalidades de cálculo, como o cálculo mental, as estimativas e o
cálculo produzido pelas calculadoras”. São essas competências que devem ser
desenvolvidas.

A calculadora Humaniza.

Entretanto, ainda observa-se uma grande resistência por meio dos professores
em relação ao uso da calculadora em sala de aula, surgindo assim vários argumentos
contra, como: acomodação mental, pois, todo cálculo aritmético pode ser feito na
calculadora, trazendo assim dependência da máquina e inibição da aprendizagem; as
calculadoras não são usadas em concursos e vestibulares e outras afirmações.

Tais informações descritas demonstram o despreparo, principalmente pela falta


de atualização dos professores; atualmente os vestibulares e concursos trazem situações
que avaliam competências ligadas a argumentação, conceitos e propriedades e não
especificamente ao cálculo.

Segundo Smole & Diniz(2004,p.21) destaca:“a utilização da calculadora


humaniza(...) e permitem aos alunos ganharem mais confiança para trabalhar com
problemas e buscar novas experiências de aprendizagem”.

3. O Uso da Calculadora nos Livros Didáticos

Com esta nova postura do ensino da matemática onde o professor tem que
diferenciar três dimensões do conhecimento e desenvolver as competências dos seus
alunos entre os saberes-atitudes e valores; os educadores matemáticos fizeram
reformulações em livros didáticos para atender entre estas, outras propostas baseadas
nos PCNs, fazendo com que a matemática tenha outra modelagem.

Analisando diversas coleções de matemática do ensino fundamental de 5ª/8ª


séries, com objetivo apenas da 5ª série de cada coleção, foi observado o uso da
calculadora em diversas atividades, trabalhando propriedades e relações matemáticas,
bem como, usada não apenas para efetuar cálculos, mas, um instrumento renovador de
aquisições de habilidades no raciocínio matemático.
METODOLOGIA

A fase de investigação do processo de pesquisa teve início com a confecção de um


questionário, voltado para professores de matemática da 5ª série. Tomamos como
campo de pesquisa três municípios da Mata Sul do estado de Pernambuco, sendo
eles: Palmares, Água Preta e Joaquim Nabuco .Tendo como foco da pesquisa o
estudo com professores, procuramos as escolas maiores de cada município com a
intenção de abranger o maior número de professores que lecionam matemática na 5ª
série. A pesquisa de campo iniciou-se em maio de 2005, começando pelo município
de Água Preta seguido por Joaquim Nabuco e Palmares. Através de visita nas
escolas, localizamos nosso público alvo, o qual foi distribuído num total de 22
professores. As entrevistas foram totalmente respondidas, contando assim com uma
integral participação dos professores entrevistados.
Modelo do Questionário

A Calculadora na Sala de Aula


Escola:________________________________________Rede de Ensino:___________
Nome(opcional):______________________________________Idade(obrigatório):___

1)Nível de instrução:
( )Superior incompleto curso:_________________________
( )Superior completo curso:_________________________
( )Especialização curso:_________________________
( )Mestrado curso:_________________________
( )Doutorado curso:_________________________
2)É professor a quanto tempo? _____________________________
3)Com que freqüência você utiliza a calculadora na sala de aula:
( )Sempre
( )Quase sempre
( ) De vez em quando
( )Quase nenhuma vez
( )Não usa
4)Você usa a calculadora nas aulas de matemática da 5° série?
( )Sim ( )Não
5)Especifique em que tipo de atividade usa a calculadora:
( )Resolução de problemas
( )Provas
( )Desafios
( )Compreensão de propriedades matemáticas
( )Cálculos com estimativa.
( )Outros____________________
6)Conhece algum artigo, revista ou livro que fale sobre o uso da calculadora na sala de
aula.
( )Sim ( )Não
7)Várias coleções de livros didáticos da matemática apresentam situações em que
sugerem o uso da calculadora. Na sua opinião, tais situações exploram a calculadora
como:
( )Uma ferramenta para efetuar cálculos
( )Um instrumento para explorar conceitos.
( )Outra situação________________________________
8)Do seu ponto de vista o uso da calculadora influência na aprendizagem?
( )Positivamente. Justifique?_______________________________________________
______________________________________________________________________
( )Negativamente. Justifique?_____________________________________________
______________________________________________________________________
9)Os professores estão preparados para o uso da calculadora?
( )Sim ( )Não
Justifique?_____________________________________________________________

FAIXA ETÁRIA DOS PROFESSORES


PESQUISADOS
50%
41%
40%
30%
18%
20% 14% 14%
9%
10% 5%
0%
0%
20 - 25 26 - 30 31 - 35 36 - 40 41 - 45 46 - 50 51 - 55
Idades

Dentro do universo pesquisado de 22 professores de matemática da 5ª série de


ensino fundamental de várias redes de ensino: privada, municipal e estadual, a faixa
etária em sua maioria com 41% está entre 31-35 anos. Sendo que a idade mínima está
compreendida entre 20-25 anos, correspondendo apenas 9% e com idade máxima de 51-
55 anos com 5%. O que mostra um quadro jovem de professores atuantes em sala de
aula.

USO DA CALCULADORA NAS


AULAS DE MATEMÁTICA DA 5ª
FORMAÇÃO DOS PROFESSORES SÉRIE
ENTREVISTADOS
80% 73%
9% 70%
60%
5%
Matemática 50%
9% 40%
História 27%
30%
Geografia 20%
Biologia 10%
77%
0%
SIM NÃO
LEITURA DE ARTIGOS E REVISTAS
SOBRE O USO DA CALCULADORA
NA SALA DE AULA

80% 73%
70%
60%
50%
40% 27%
30%
20%
10%
0%
SIM NÃO

Conforme os dados do gráfico 5, o uso da calculadora ainda não é bem aceita pela
comunidade pedagógica(os professores de matemática da 5ª série). Haja vista que o uso
da calculadora se dá em minoria com 27% de aceitação. O que mostra também uma
contradição (gráfico 6) já que 73% dos professores conhecem artigos, revistas sobre o
uso da calculadora na sala de aula.

FREQUÊNCIA DA UTILIZAÇÃO DA
CALCULADORA NA SALA DE AULA

5%
Sempre
5%
Quase sempre

45% De vez em quando


36%
Quase nenhuma vez
Não usa
9%