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REPÚBLICA DE ANGOLA

GOVERNO DA PROVINCIA DE BENGUELA


INSTITUTO TÉCNICO DE SAÚDE DE BENGUELA

MATERIAL DE APOIO DE SAÚDE À MULHER

ELABORADO PELA PROF. MARIA GEORGINA


INTRODUÇÃO

O diagnóstico e a vigilância de uma gravidez normal não necessitam a partida, de qualquer


especialização estando ao alcance de clínicos gerais e enfermeiras especializadas.

Se o acto obstétrico é sem dúvida da responsabilidade do especialista, a consulta pré-natal


poderá ser aplicada por qualquer clínico geral com preparação mínima satisfatória para o
efeito, muitas vezes com vantagem para grávida que é a sua paciente desde há longa data,
de quem o clínico conhece já os antecedentes pessoais e familiares, não necessitando de
se deslocar longas distâncias, durante nove meses para ser consultada num centro
especializado.

A vigilância da gravidez normal pode com vantagem, ser realizada num centro de saúde
desde que exista um local apropriado e o equipamento mínimo necessário, para a
prestação de cuidados de saúde pré-natal, deste equipamento realça-se; Estetoscópio
(norma) e de pinaral, esfigmomanómetro, balança, altímetro fita métrica, mesa
ginecológica, fonte de iluminação, luvas, jogos de espéculos, esterilizados, lençóis
biombo, etc.

Uma história clínica cuidadosa com interrogatório profundo e um exame objectivo assim
como exames clínicos são as pedras basilares de uma boa vigilância pré-natal.

Elaborou-se esta sebenta, de alguns assuntos de que dispomos por forma a oferecer ao
aluno, uma síntese de informações no que concerne assistência da saúde da mulher,
gestante e feto.

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Objectivo Geral
Que no final do ano lectivo o aluno deverá ser capaz de realizar, o atendimento a gestante
controlo do crescimento e desenvolvimento fetal, controlo dos sinais vitais, administração e
tratamento não só da gestante como da mulher, planeamento familiar.

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Objectivos específicos
 Promover a saúde da mulher e prevenir determinadas patologias (vacinar, controlo
de peso, avaliar os sinais vitais);
 Observar regularmente a gestante (altura uterina, edema, foco fetal, mucosas);
 Saber examinar a mulher em idade fértil e não só;
 Conhecer as patologias mais comum;
 Identificar os principais cuidados de enfermagem e aconselhar a consulta pré-natal.

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Conceitos Básicos
Saúde: Estado de completo bem-estar físico, mental e social, que não consiste somente na
ausência de doença ou doença (definição da OMS).

Mulher: Feminino de homem; Pessoa adulta do sexo feminino.

Saúde sexual: Significa ter uma vida sexual, responsável satisfatória e segura; Isto é, livre
de doenças, lesões, violência, incapacidade, dor desnecessária ou risco de morte.

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UNIDADE I: Apresentação da disciplina
 Conceito.
 Estratégias da OMS sobre maternidade sem risco, no mundo e em Angola.
 Política nacional de saúde e assistência pré-natal.
 Maternidade e paternidade responsável; Sexualidade e afectos.
 A assistência materna como um dos componentes dos cuidados primários de
saúde.

Apresentação da disciplina

Conceito
Assistência pré-natal: é a supervisão médica e de enfermagem que se dá a gestante
desde a concepção até o início do trabalho de parto. A assistência pré-natal é
principalmente preventiva, e tem os seguintes objectivos básicos:
1. Identificar, tratar ou controlar doenças;
2. Prevenir complicações na gestação ou parto;
3. Assegurar a boa saúde materna;
4. Promover bom desenvolvimento fetal;
5. Reduzir os índices de mortalidade materna e fetal;
6. Preparar o casal para o parto puerpério saudável, cuidados a ter com o recém-
nascido;
7. Informar sobre o aleitamento materno, consultas pós-parto e planeamento
familiar.

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1.1. Estratégias da OMS sobre maternidade sem risco, no mundo e em Angola

 Cobertura nacional dos serviços materno-infantis nos seus diferentes níveis de


cuidado;
 Cobertura nacional dos serviços de transporte obstétricos, neonatal e pediátrico;
 Modelo de hierarquizado de referência para a prestação dos cuidados de saúde
materno infantil na rede devidamente hierarquizado;
 Funcionamento ágil do sistema de saúde materno infantil organização
hierárquica orçamentação e financiamento; Alocação de recursos, informação,
vigilância e auditoria;
 Dotação da rede em recursos profissionais especializado e capacitados em
cuidado materno infantil;
 Modelo educacional para a formação de cuidados materno infantis nas diversas
categorias profissionais;
 Cobertura nacional dos equipamentos, medicamentos material de consumo
clinico e outros consumíveis de âmbito materno infantil em função da
diferenciação de cuidados;
 Mudança de comportamento e disseminação de conhecimento para adesão da
população aos cuidados maternos infantis;
 Sinergia entre os programas de saúde para maximização da sua eficiência.

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1.2. Política Nacional de Saúde e Assistência pré-natal

Com base nos dados demográficos que se encontram em processo de mudança, no


que diz respeito à idade, etnia, escolaridade, participação na força de trabalho e às
estatísticas de aumento do número de gestações a tendência futura para a saúde da
mulher, necessitará de:
 Ampliação do enfoque sobre a saúde da mulher, não apenas durante a gestação,
mas por todo ciclo de vida.
 Integração dos serviços de saúde da mulher e perinatais para compensar a
coordenação insatisfatória destes, aumentando-se o número de
obstetras/ginecologistas como profissionais do atendimento primário.
 Expansão de programas integrados e abrangentes, bem como de serviços
direccionados para as necessidades específicas da mulher ao longo de seu ciclo
de vida.
 Promoção de políticas sociais que garantam segurança económicas e cobertura
de seguro-saúde para as mulheres.
 Prevenção da malária e mulheres grávidas garantir uma cobertura de redes
mosquiteiras com insecticidas, tratamento intermitente preventivo;
 Prevenção da transmissão do VIH/SIDA de mãe para filho 85% e 95% em 2017 e
2025, respectivamente, aumentar para 80% e 90% as mães que recebem terapia
ou profilaxia anti-retroviral perinatal;
 Nutrição e bem-estar do recém-nascido e da mãe aumentar para 95% a
cobertura de administração de ferro e ácido fólico em mulheres grávidas,
aumentar a cobertura de vitamina A em crianças, aumentar a cobertura do
consumo de sal adequadamente e iodado. Reduzir a taxa de prevalência de
baixo de baixo peso nas crianças menor de 5 anos;
 Oferta de melhor orientação do profissional da área de saúde sobre as
consequências dos problemas crónicos de saúde, assim como a orientação de
todas as mulheres sobre as melhores escolhas do estilo de vida, para evitar a
progressão de distúrbios crónicos;
 Reconhecimento das diferenças socioculturais que afectam o papel da mulher de
cuidadora, a violência doméstica, o acesso a informações de saúde, as
preferências de estilo de vida, a autonomia para tomar decisões concernentes à
saúde e a aprendizagem/motivação para actividades de prevenção e promoção
da saúde;
 Foco científico em pesquisas para tratamentos medicamentosos mais específicos
para o câncer da mama, osteoporose, doenças inflamatórias pélvicas (DIP),
doenças auto-imune e menopausa;
 Desenvolvimento de melhores procedimentos diagnósticos pra cardiopatia,
diabetes, artrite, lúpus, doenças inflamatórias e detencção mais precoce de
distúrbios genéticos;
 Apoio a programas de educação na área da saúde pra aumentar a entrada de
estudantes de culturas diversas com o intuito de promover uma variedade mais
ampla de serviços de saúde à mulher.

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Assistência pré-natal
Consulta pré-natal: A consulta pré-natal é a avaliação clínico-obstétrica periódica e
contínua, visando a prevenção, o controle ou tratamento da intercorrência na gestação.

A consulta pré-natal pode ser dividida em:

 Pré-consulta;
 Consulta propriamente dita;
 Pós-consulta.

Pré-consulta: é o conjunto de acções que visam o preparo da paciente para a consulta

 Saudar a mulher
 Auto apresentação do profissional de enfermagem
 Chamar a mulher pelo seu nome
 Acomodá-la na companhia de seu companheiro caso esteja presente
 Motivo para procurar a consulta
 Privilegiar a privacidade
 Organizar a consulta
 Aferir os sinais vitais
 Verificar o peso e altura
 Anotar os dados no prontuário
 Preparar e orientar a gestante para consulta
 Encaminhar a gestante ao consultório
 Pedir a gestante para esvaziar a bexiga
 Evitar exposições desnecessárias

Tarefas da enfermeira na pré-consulta


 Dar prioridade a grávida com mau estar geral
 Conhecer as normas de atenção as metas pré-natais
 Estabelecer uma boa relação entre a enfermeira/médico e gravida
 Preencher o cartão da gravida e registar na estatística.

Fazer educação para saúde individual e em grupo, sobre:


 Alimentação, higiene individual
 Perigo do consumo de álcool, tabaco, medicamentos não receitado
 Vacinas, profilaxia do paludismo anemia
 Movimentos fetais
 Sinais de doenças,cefaleia,edema,febre,sangramento,
 Preparação para o parto, amamentação, cuidado com o recém-nascido
 Planeamento familiar

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Calendário das consultas pré-natais

Semanas de gestação Consulta

__até 32 1 Vez ao mês

__até 36 A cada 15 dias

__até 40 1 Vez por semana

__de 40 a 42 2 Vezes por semana

Consulta propiamente dita


O caderno de saúde materna infantil (CSMI) é um instrumento fundamental para a
monitorização e avaliação da gravidez, do crescimento e desenvolvimento da criança
desde a sua concepção até a idade escolar e deve ser usado pelos profissionais de
enfermagem médicos e famílias.

Preenchimento do cartão da grávida


A consulta inclui: (para primeira consulta)

 IDENTIFICAÇÃO
 Nome;
 Idade;
 Cor;
 Naturalidade;
 Endereço;

 DADOS SOCIOECONÓMICOS
 Grau de instrução
 Profissão/ocupação
 Situação conjugal;
 Renda familiar;
 Moradia;
 Saneamento básico (água, esgoto e colecta de lixo)

 ANAMNESE:
 Motivo de consulta;
 Antecedentes familiares;

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 Cardiovasculopatias;
 Diabetes
 Tuberculose
 Câncer ou cancro.
 Antecedentes pessoais
 Doenças infecto-contagiosas;
 Doenças reumáticas;
 Doenças Cardiovasculopatias;
 Tuberculose;
 Diabetes;
 Câncer genital c/ ou outros;
 Anemias;
 Hebites;
 Asma;
 Alergias;
 Doenças prevalentes na região (Ex: malária, febre tifoide, esquistossomose,
etc.);
 Hospitalizações;
 Medicamentos em uso;
 Vicio, tabagismo, alcoolismo, toxicomania, etc.

 Antecedentes ginecológicos
 Ritmo menstrual; ciclo/duração, volume;
 Ginecopatias;
 Cirurgias ginecológicas,
 Uso de anti-concepcionais (tipos duração, intercorrência);
 Doenças sexualmente transmissíveis (DST);
 Colpocitogias
 Infecção urinária

 Antecedentes obstétricos
 Número de gestações;
 Paridade e abortamentos (provocados ou espontâneos)
 Gravidez ectópica
 Tipo de partos (cesária, fórcipe, normal)
 Nascidos vivos e/ou mortos;
 Número de filhos vivos;
 Época do parto (termo, prematuro);
 Mortes infantis;
 Data e tipo do último parto;
 Idade em que ocorreu a primeira gestação;
 Patologias obstétricas;

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 Aleitamento do último filho;
 Evolução dos ciclos gravídico- puerperais anteriores.

 História da gravidez actual


 Data da última menstruação (D.U.M);
 Estimativa da idade gestacional;
 Data provável do parto (DPP);
 Queixas.

 EXAME FÍSICO GERAL SUMÁRIO E OBSTÉTRICO:


 Avaliação peso e altura;
 Avaliação sinais vitais;
 Tensão arterial;
 Edemas;
 Altura uterina;
 Apresentação de feto;
 Mama, hiperpigmentação da aréola primária;
 Aumento das tuberculoses de Montgomery;
 Hipervascularização;
 Colostro a partir do 2º mês.

Vacina antitetânica
De acordo com o esquema da vacina na gestante (Tabela 1)

Tabela 1- Calendário da vacina antitetânica na gestante.

Doses Período Níveis de protecção


1º Dose 1º Contacto Proteção por um ano
2ºDose 1 Mês após a 1ª dose Proteção por 2 a 3 anos
3ºDose 6 Meses após a 2ª dose Proteção por 3 a 5 anos
4ºDose 1 Ano após a 3ª dose Proteção por 5 a 7 anos
5ºDose 1 Ano após a 4ª dose Proteção permanente

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 Prevenção da malária:
A malária é uma doença grave, que deve ser levada a sério e cujo melhor tratamento é
a prevenção. A prevenção da malária na gravidez deve ter inicio a partir da 13ª semana
de gestação e quando movimentos fetais presentes. A grávida deve tomar quatro doses
defansidar (3 comprimidos por dose), durante a gravidez, com intervalo de 30 dias entre
uma dose e a seguinte (Tabela 2). Realça-se que as doses devem ser realizadas sob
observação de um técnico de saúde e na sala de consulta pré-natal (CPN).

Tabela 2 esquema da prevenção da malária na grávida

Doses Período
1ª Dose 13ª Semana
2ª Dose 1 Mês após 1ª dose
3ª Dose 1 Mês após 2ª dose
4ª Dose 1 Mês após 3ª dose

Exames Complementares de Diagnóstico (ECD) e Registo

 Grupo sanguíneo
 Pesquisa de Plasmodium
 VDRL (Venereal Disease Rearch Laboratory)
 Falciforme
 Hemograma
 Glicémia
 Proteinúria
 Rubéola
 Exsudato vaginal
 Teste de Coombs
 Citomegalovírus
 Toxoplasmose
 Hepatite B ( AgHbs)

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Cálculo da data provável de parto (DPP) e Idade gestacional (IG)
A data provável de parto e a idade gestacional são calculadas a partir da data da última
menstruação (DUM):

1. Regra Naegele

De Janeiro a Março adiciona-se mais nove messes exemplo: DUM : 05/01/2020 a essa
data soma-se sete dias mais nove messes (DPP+7dias+9 meses) = 12/10/2020;

De Abril á Dezembro subtrai-se 3 meses exemplo: DPP+ 7 dias -3meses= 21/01/2021

OBS: Se for primigesta: Soma-se 10 dias a data da última menstruação, exemplo: DUM:
Início 5 de Janeiro de 2020 será DPP= 15 de Outubro de 2020.

Primigesta: DPP+10 dias+9 meses.

Se for multigesta: Soma-se 7 dias a data do 1º dia da última menstruação.

Multigesta: DPP+7 dias+9 meses.

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2. Regra de McDonald

Como determinar a data provável do parto se a data do primeiro dia da última menstruação
for desconhecida:

 Determine a gravidez estimada por semanas de acordo com a altura do fundo do


útero. Uma altura do fundo do útero de 20 cm significa que a gestação está na 22ª
semana, uma altura do fundo de 30 cm significa que a gestação está 35ª semana,
etc.
 Determine quantas semanas faltam antes de a mãe à luz: 40 semanas subtraídas
pela gestação estimada.
 Olhe no calendário; determine semana, mês e ano da data esperada do parto.

Exemplo:

No dia 25 de Fevereiro uma mãe gestante veio para o pré-natal; nós determinamos que a
altura do fundo do seu útero era de 30 cm. Portanto, o período de sua gestação até a
consulta é de 35 semanas. O número de semanas estimado até o parto é: 40 semanas –
35 semanas = 5 semanas remanescentes de gestação. Sua DPP é a primeira semana de
Abril de 2015.

 Cálculo aproximado da idade gestacional baseado na altura uterina

Tempo em semanas Altura uterina


20 Semanas 18 Centímetros
22 Semanas 20 Centímetros
24 a 25 Semanas 22 Centímetros
27 Semanas 24 Centímetros
29 Semanas 25 Centímetros
31 Semanas 27 Centímetros
33 Semanas 29 Centímetros
35 Semanas 30 Centímetros
37 Semanas 32 Centímetros
40 Semanas 34 a 35 Centímetros

Como calcular a idade gestacional:


1. Saber a data da última menstruação;
2. Saber quantos dias tem a o mês da última menstruação;
3. Subtrair ao mês o dia da última menstruação;

Exemplo: 31 dias – 15 = 16 dias do mês de Maio.

4. Somar os dias dos meses até ao dia da consulta.

Exemplo: Dia da consulta 24/08, 16 dias do mês de Maio + 30 dias do mês de Junho + 31
dias do mês de Julho + 24 dias do mês de Agosto que é o dia da consulta.

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5. Soma-se os dias dos meses

Exemplo: 16 dias de Maio + 30 dias de Junho + 31 dias de Julho + 24 dias de Agosto =


101 dias

6. Divide-se o total de dias por 7 dias da semana.

Exemplo:101/7 = 14 que corresponde a 14 semanas e 3 dias de gravidez.

7. Não se utiliza máquina calculadora.

Maternidade e Paternidade responsável: sexualidade e afectos


Maternidade: Qualidade ou estado de Mãe, estabelecimento hospitalar destinado a
mulheres.

Paternidade: Qualidade de Pai ou autor.

Sexualidade: Características morfológicas, fisiológicas e psicológicas relacionadas com o


sexo.

Afecto: Sentimento de inclinação para alguém, afeição, amizade, amor e carinho.

Saúde sexual: Significa ter uma vida sexual, responsável, satisfatória e segura; isto é de
doenças, lesões, violência, incapacidade dor desnecessária ou risco de morte.

A sexualidade é um dos mais importantes determinantes do comportamento humano.


Muitos, se não a maioria, dos aspectos da vida sexual são determinados por valores,
costumeis, atitudes e impulsos sexuais. Apesar das expressões do comportamento sexual
serem moldadas pela personalidade, são também modificadas pelos hormônios.

A discussão da sexualidade é seguidamente difícil porque muitos consideram que ela não
deve ser discutida. Nos anos 50, Kinsey e seus colaboradores descreveram muitas práticas
sexuais. Em 1966, Masters e Jonhson detalharam as necessidades sexuais. Alguns de
seus achados são mencionados neste capítulo.

Papéis sexuais nas fases da vida

 Papéis sexuais pré-natais


O sexo biológico de um indivíduo é estabelecido no momento da concepção. Por voltar das
12 semanas de gestação, a genitália externa masculina e feminina já está diferenciada. O
embrião masculino desenvolve os testículos que secretam testosterona, determinando a “
masculinidade”. O embrião feminino desenvolve os ovários, menos activos,
hormonalmente, durante a vida fetal, do que depois do nascimento. Mais tarde, o
comportamento sexual feminino é influenciado, principalmente, pelos hormônios ovarianos-
estrogénio e progesterona-que afectam o comportamento psíquico e sexual.

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 Papéis sexuais na infância
A infância é plena de experiências que tornam o corpo consciente do prazer.
Frequentemente observa-se a criança tocando e explorando seu próprio corpo. Ela também
aprende a sentir-se bem fazendo isto. Estas experiências infantis positivas acentuam-se,
quando os pais são respectivos e compreensivos.

 Papéis sexuais no período pré-escolar


Durante os anos pré-escolares, a identidade sexual (imagem) da criança é importante para
o seu desenvolvimento. A identidade sexual é obtida, praticamente, pela absorção de
estilos de vida, atitudes e maneiras de agir das pessoas que cercam a criança. As
experiências da criança com adultos e com outras crianças, e os sentimentos infantis sobre
relacionamento duradouros com o sexo oposto são muitos significativos.

 Papéis sexuais durante a pré-adolescência


O pré-adolescente costuma conviver com outros pré-adolescentes do mesmo sexo, antes
de agir à vontade com os do sexo oposto. A identidade sexual, geralmente, ocorre mais
suavemente, e a criança tende a sentir-se mais segura, quando os pais (ou outros
responsáveis) são pessoas carinhosas e gentis.

Se um dos pais não tiver um alto grau de capacidade amorosa, pode-se tornar difícil para a
criança identificar-se com ele. Isso pode ocasionar um modelo pobre do papel
paterno/materno. Caso o homem mantenha um papel passivo como pai, relegando a
autoridade para a mãe, positiva ou agressiva, o filho pode ter dificuldade de identificação
com o pai. Nesse caso, o papel feminino mais decidido, agressivo, pode ser mais atraente
para o filho.

De acordo o com os resultados dos estudos de Kinsey, 25% das pessoas de cada sexo já
teve alguma experiência homossexual ou heterossexual até a idade de 12 anos.
Aproximadamente ¾ dos meninos têm orgasmo, pela masturbação, antes da puberdade.
Brincadeiras homossexuais na infância, no entanto, não aparentam estar associadas ao
desenvolvimento do homossexualismo na idade adulta.

No final da infância, outros factores levam à heterossexualidade: o envolvimento emocional


com alguém do sexo oposto, a preferência por companhia do outro sexo e, finalmente, o
namoro com o sexo oposto. A heterossexualidade, geralmente, está bem estabelecida na
época da puberdade.

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 Comportamento sexual durante a adolescência
No início da adolescência, é comum que os jovens tenham laços fortes com membros de
seu próprio sexo. Eles estão tentando compreender quem são, antes de conseguirem
interagir com indivíduos do outro sexo.

Mais tarde, os impulsos sexuais aumentados tornam-se óbvios e difíceis de controlar. O


autoconhecimento, através da educação e de modelos de papéis sexuais, é importante
neste período.

Para os rapazes, a ejaculação é o símbolo da maturidade sexual; a menstruação tem o


mesmo significado para as meninas. As erecções frequentes do pénis do jovem embaraçá-
lo. A masturbação

é , frequentemente, um meio de alívio sexual, apesar de poder provocar culpa ou


ansiedade. A frequência da masturbação é muito menor em mulheres do que em homens.
Nessa época, as meninas são incentivadas a estimularem sexualmente o outro sexo, não
levando em consideração seus próprios desejos ou suas necessidades sexuais.

As carícias são uma forma comum de comportamento sexual no final da adolescência.


Nesse período, o relacionamento menino-menina é encorajado pelos companheiros.
Frequentemente estes relacionamentos levam as carícias mais ousadas e às relações
sexuais. Como muitas adolescentes não utilizam meios de controlo de natalidade, elas
engravidam. Algumas das razões por que as adolescentes não controlam a natalidade são:
descrença em que possam engravidar, falta de conhecimento dos métodos, desaprovação
familiar e falta de recursos.

A sociedade é ambivalente sobre a oferta de contraceptivos os adolescentes, devido ao


temor de que isso possa significar a aprovação do sexo antes do casamento. Apesar disso,
a sociedade, geralmente, não aprova a gestação na adolescência. Os profissionais de
saúde devem aprender a discutir a sexualidade com os jovens e ficarem atentos para a
pressão intensa que eles sofrem, relacionada com a actividade sexual, às vezes
contrariando seu desejo e julgamento. Os adolescentes deveriam ter boas informações
sobre as chances de engravidarem durante as relações sexuais, e sobre as
responsabilidades decorrentes de uma gravidez. Deveriam também ser informados sobre
os riscos de contraírem doenças sexualmente transmissíveis, durante as relações.

Resposta sexual masculina


A excitação sexual masculina pode ser causada por vários estímulos, tais como verbais,
tácteis, visuais, olfactivos ou orais, seguidamente acompanhados de algum grau de
fantasia sexual. Impulsos nervosos que causam maior suprimento de sangue ao pénis,
resultam em erecção. A estimulação continuada da glande peniana produz um aumento
dos impulsos nervosos. Nesse ponto, a ejaculação é inevitável; os músculos, então,
contraem-se, causando uma descarga de sémen, seguida de uma sensação, local e
generalizada de prazer, conhecida como orgasmo.

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Existe uma considerável variação nos limites em que ocorre a ejaculação. Isto é,
verdadeiro entre pessoas diferentes e também para a mesma pessoa, em diferentes
ocasiões. Se o limite masculino for baixo, por razões variadas, pode ocorrer a ejaculação
precoce.

Quando ela persiste, pode resultar em impotência ou incapacidade de conseguir ou manter


uma erecção. A impotência tem, muitas vezes, causas psicológicas. Pode também ser
causada por problemas orgânicos. A ocorrência da impotência está aumentada em muitos
homens, à medida que eles envelhecem, principalmente após os 60 anos. Além disso,
pode estar relacionada com algumas medicações. A maioria dos homens, entretanto,
mantém a capacidade sexual até a velhice.

Ciclo da resposta sexual masculina


A resposta ao estímulo sexual, identificada por Master e Johnson, segue um padrão
compreendendo quatro fases: excitação, platô, orgasmo e resolução.

Fase de excitação
A fase de excitação desenvolve-se a partir de um estímulo físico ou mental. O pénis
responde, inicialmente, aos centros superiores do cérebro, e, então, à enervação reflexa da
medula. Ocorre a vasoconstrição dos espaços do eixo peniano, causando o aumento da
erecção do pénis, assim como a elevação dos testículos. Os músculos das mãos, dos pés
e do recto podem contrair, seguindo-se, frequentemente um rubor chamado “ rubor sexual”.
Elevam-se as frequências cardíacas e respiratórias, assim como a pressão sanguínea. A
distracção por medo, ruídos altos e outros estímulos psico-sensoriais podem interferir na
erecção. Alguns homens são mais sensíveis, às distracções nesta fase do que outros.

Fase do platô
A fase do platô é alcançada imediatamente antes do orgasmo. Um nível de tensão sexual é
mantido durante a fase. Ocorre a total distensão do pénis provocada pela contínua
vasocongestão (aumento do suprimento sanguíneo ao pénis). As frequências cardíacas e
respiratórias e a pressões sanguíneas continuam a aumentar. Alguns homens aprendem a
prolongar esta fase com o intuito de obter mais prazer.

Fase orgásmica
A fase orgásmica desenvolve-se, involuntariamente, a partir das repetidas contracções dos
músculos do pénis e do períneo, causando uma forte ejaculação do fluido seminal, em três
ou quatro jactos. Estas contracções podem ser seguidas por contracções mais fracas e
irregulares, causando no homem sensações de prazer.

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Fase de resolução
A fase de resolução ocorre, geralmente, em duas etapas. Na etapa inicial, chamada de
período refractário, o pénis reduz seu tamanho em 50%. Durante o estágio de resolução,
os órgãos internos e externos voltam ao estado latente. Tanto para os homens como para
as mulheres, as quatro fases da resposta sexual duram aproximadamente 30 minutos.

Resposta sexual feminina


A obtenção de uma experiência sexual satisfatória, incluindo o orgasmo, durante a relação
sexual, é, em grande parte, resultado de aprendizagem e, contrariamente à inevitável
ejaculação do homem, a resposta feminina é facilmente inibida por influências emocionais,
físicas e ambientais. Em outras palavras, a atitude sexual da mulher, seu bem-estar,
bagagem cultural, assim como o comportamento do parceiro sexual, todos têm participação
nas quatro fases de sua actividade sexual. Sob condições ideais, a capacidade sexual da
mulher é maior do que a do homem. Com estimulação contínua, orgasmos múltiplos são
comuns em muitas mulheres. Elas conseguem manter a sua capacidade de resposta
sexual até a idade avançada.

O fracasso da mulher em conseguir excitação sexual é, até certo ponto, incompreensível,


porque qualquer mulher, com estimulação apropriada e efectiva, pode ser levada à fase do
orgasmo.

Ciclo de resposta sexual feminina


A resposta feminina segue o mesmo padrão típico das quatro fases do ciclo masculino:
excitação, platô, orgasmo e resolução.

Fase de excitação
A fase de excitação desenvolve-se a partir de estímulos físicos e psíquicos, A
vasocongestão provoca o aumento do tamanho do clitóris. Também aumenta o suprimento
de sangue nos pequenos e grandes lábios. Ocorre a descoloração destes lábios. Um fluido
mucoso aparece nas paredes vaginais como lubrificante. Os mamilos tornam-se erectos,
podendo haver um pequeno aumento nas mamas. O correm elevações das frequências
cardíaca e respiratória, assim como da pressão sanguínea.

Fase do platô
Durante a fase do platô, o clitóris feminino incha e se retrai sob o prepúcio; a parte inferior
da vagina aumenta e se alonga. O útero contrai-se proporcionando espaço adicional na
região da cérvix. Aparece um repentino rubor na pele ou “ rubor sexual”. Estas mudanças
são sensações prazerosas param as mulheres.

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Fase orgásmica
No momento do orgasmo, ocorre uma vigorosa contação dos músculos da zona pélvica. O
útero contrai-se fortemente, e o clitóris, a vagina e o recto pulsam compassadamente. As
frequências cardíacas e respiratórias continuam a elevar-se, podendo ocorrer suar
generalizado. Nesta fase, a mulher atinge o pico das suas sensações de prazer.

Algumas mulheres devem ser mais francas sobre o que lhes dá mais prazer e o que não
atinge o orgasmo são a sua história sexual, a identificação das causas e a educação do
casal. Fatores culturais e sociais inibitórios em relação ao sexo podem ser uma das
causas. Livre da ansiedade, da raiva e da culpa, uma grande percentagem de mulheres
torna-se orgástica (capaz de ter orgasmo).

Fase de resolução
À medida que a fase de resolução prossegue, o útero relaxa. Este relaxamento permite à
cérvix mergulhar na poça de fluido seminal depositado pelo homem. Durante esta, fase os
órgãos genitais externos e internos voltam ao estado latente. A mulher, geralmente, sente-
se muito relaxada e satisfeita. Seguidamente, ela sente vontade de dormir.

A assistência materna como um dos componentes dos cuidados


primários
Saúde reprodutiva: A saúde reprodutiva é o estado completo de bem-estar físico, mental
e social e não simplesmente ausência de doença ou enfermidade em todos os aspectos
relacionados ao sistema reprodutivo, sua função e acção.

 Implica a capacidade da pessoa ter filhos com liberdade de fazê-los, quando e com
que frequência;
 Ter condições e direitos de ser informados e de terem acesso aos métodos de
planeamento familiar eficientes, seguros e aceitáveis.
 Que os casais podem ter acesso aos serviços de saúde adequados que permitem
atenção pré-natal e oferecer oportunidade de ter um bebé saudável.

Componente de cuidado de saúde sexual e reprodutiva

 Informação, aconselhamento e serviço de planeamento familiar;


 Prevenção e tratamento das ITS e infecções do sistema reprodutivo;
 Prevenção e tratamento das ITS/ controlo do VIH/SIDA;
 Maternidade segura (cuidados pré-natal, parto segura e pós-parto);
 Cuidados de saúde da criança;
 Assistência ao aborto e suas complicações;
 Prevenção e tratamento da infertilidade;

21
 Informação, educação e aconselhamento sobre a saúde reprodutiva e paternidade;
 Prevenção e controlo dos cancros do colo do útero, mama e próstata;
 Atenção integrada à saúde dos adolescentes e jovens;
 Atenção aos caos de violência e abuso sexual;
 Atenção na fase da menopausa e andropausa.

UNIDADE II: Processo de reprodução

2.1. Revisão da anatomia e fisiologia


2.2. Constituição anatómica do aparelho sexual e fisiologia
2.3. Fecundação
2.4. Avaliação pré-concepcional

Anatomia e fisiologia do sistema reprodutivo feminino


Púbis ou Monte de Vénus: é uma elevação triangular com rica camada adiposa,
localizada acima da sínfise púbica. Esta situada na parte superior pela prega supra púbica
inguinal; a partir da puberdade e coberto de pelos. Função estímulo sexual.

Grandes lábios: são prega cutânea longitudinais limitada pela fenda genital. É constituída
pela camada adiposa; vasos sanguíneos e nervos tecidos fibrosos. Nele encontramos as
glândulas de Bartholin. Função de dedar a vulva.

Pequenos lábios: são dois pares de prega cutânea longitudinal. São ricas em vasos
sanguíneo e nervosos, e são visíveis quando se afastam os pequenos lábios são
vermelhados, liso, húmido e sem pelos. Função de vedar a vulva.

Clítoris: é uma estrutura em forma de cone contém dois corpos cavernosos que se
comunicam entre si através de uma cavidade onde circula o sangue, mede 2 a 3 cm. É
constituído por cabeça, corpo e haste. É constituído por tecido eréctil, vasos sanguíneos e
vasos. Função excitação sexual, na mulher quando excitado aumenta de volume e torna-se
duro e erecto como pénis devido ao aumento fluxo sanguíneo.

Vestíbulo vaginal: nele encontramos; meato urinário intróito vaginal, glândulas de


Bartholin. O vestíbulo vaginal e uma depressão em formato navicular contida pelos
pequenos lábios invisível quando eles estão separados.

Glândulas de Bartholin: localizam-se de cada lado da vagina, elas secreta o muco


amarelado que lubrifica a vagina principalmente durante a excitação sexual facilitando a
penetração do pénis no acto sexual para a ajudar o paramentais localizando-se no meato
uretral e faz parte do vestíbulo. Ao fazer um cateterismo a enfermeira de limpar a área do
vestíbulo.

22
Intróito vaginal: esta inferior da entrada vagina. É parcialmente coberto pelo hímen
quando este existe caso não encontre as papilas himenais. Função do hímen, é de fechar a
entrada da vagina nas mulheres virgem. Função da vagina passagem do fluxo sanguíneo
menstrual, serve como órgão de copulação (coito) e passagem do feto.

Meato urinário: orifício onde sai a urina, função de humedecer o orifício externo.

Períneo: é a parte da vagina que fica entre a vulva e o ânus, esta situado superficialmente
abaixo do diagrafragma pélvico, é constituído para vários pares de músculos, artérias
podendo, veias e nervos suprem os músculos. No momento do parto um anestégico (local
ou bloqueio do podendo) pode ser injectado na região do podendo para se possa ser feita a
incisão chamada episiotomia evitando a laceração do períneo.

Vagina: é uma membrana mucosa tubular com paredes musculares com cerca de 8 a 10
cm de comprimento que se estende até ao colo uterino ( é o canal de comunição entre os
órgãos internos e externos.

Glândula mamária: são cutâneo disposto a cada lado do hemitorax sobe formas de
ganchos de uvas. São constituídos por tecidos adiposos e conjuntivos, nervos e vasos
sanguíneos. São formados por alvéolos, ductos, seios lactíferos, lobos, aréola, mamilo,
produção de leite e excitação da mulher.

Órgãos genitais externos da mulher

Órgãos internos

Útero: é um órgão em forma de pera e esta dividida em 2 partes, corpo e cérvix. Está
situado no meio da cavidade pélvica entre a bexiga e o recto.

O útero é composto por 3 camadas: perímetro, miometrio e endométrio, as mais


importantes são: miometrio e endométrio.

Miometrio: é uma camada muscular espessa que tem grande importância no momento do
parto.

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Endométrio: é uma camada mucosa glandular, que desempenha um papel importante
quer na sua descamação periódica (menstruação) quês na implantação do óvulo (nitação)
no inicio da gravidez.

O útero mede 2,5 de espessura, 5 cm de largura e 7,5 de cumprimento. O peso de útero


não grávido é de 60g.

As funções do útero são as seguintes: suportar a gravidez, trabalho de parto e saída da


menstruação.

Trompa de falópio: As 2 trompas de falópio (trompas uterina) estão localizadas em cada


lado da parte superior do corpo do útero. Ele mede 10 cm de comprimento.

Função: são responsáveis pelo transporte do óvulo (fecundação) até ao útero com ajuda
das suas fibras e dos seus movimentos peristálticos.

Ovários: Os ovários são 2 pequenos órgãos ovais localizados na parte superior da


cavidade pélvica um de cada lado do útero. O seu tamaho tem de comprimento4 a 5cm,
largura 2 cm, espessura 1 cm e pesa de 2 a 5g.

Os ovários têm 1 a 2 miliões de folículos no nascimento. Na puberdade o número de


folículos é aproximadamente de 400 mil.

Os ovários têm a função de produzir, amadurecer expulsar os óvulos e elaborar secreções


internas ou hormonais.

Pelve: a pelve óssea é composta pr 4 ossos;

 2 Ilíacos;
 1 Sacro;
 1 Cóccix.

A pelve óssea feminina tem as funções principais de apoiar e proteger o conteúdo pélvico,
assim como de formar um trajecto relativamente fixo para a passagem do feto durante o
parto, o seu tamanho e forma são por isso factores muito importante no mecanismo de
parto e de nascimento.

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Ciclo menstrual

O ciclo menstrual é causado pela secreção alterada das FSH e LH, pela hipófise anterior
(adenohipofise) e dos estrogénio e progesterona, pelos ovários. No começo do ciclo do
menstrual, isto é, quando a menstruação se inicia, a hipófise anterior segrega maiores
quantidades de FSH e pequenas quantidades de LH, que promovem o crescimento de
diversos folículos nos ovários e acarretam uma secreção considerável de estrogénio. O
estrogénio, por sua vez, inibe a secreção de FSH e da LH, que declinam a um mínimo por
volta do décimo dia do ciclo. Depois, subitamente a hipófise anterior começa a segregar
quantidades elevadas principalmente de LH, o que provoca o rápido desenvolvimento final
de um dos folículos ováricos e a sua rotura dentro de cerca de dois dias. O processo de
ovulação, que ocorre por volta do décimo quarto dia de um ciclo normal de 28 dias, conduz
ao desenvolvimento do corpo lúteo ou corpo amarelo, que segrega quantidades elevadas
de progesterona e quantidades consideráveis de estrogénio. O estrogénio e a progesterona
secretados pelo corpo lúteo inibem novamente a hipófise anterior, diminuído a taxa de
secreção da FSH e LH. Sem esse estímulo, o corpo lúteo involui, a secreção de estrogénio
e progesterona caiem para níveis muito baixos. É nesse momento que a menstruação se
inicia, provocada por esse súbito declínio na secreção hormonal. A adenohipofise, que se
encontrava inibida pelo estrogénio e pela progesterona, começa a secretar outra vez
grandes quantidades de FSH, iniciando um novo ciclo. Este processo continua durante toda
a vida reprodutiva da mulher.

As modificações no endométrio devem-se às variações cíclicas na secreção de estradiol e


progesterona pelo ovário. Divide-se habitualmente em 2 fases: proliferativa e secretora. A
fase profilerativa ocorre quando ovário está em fase folicular. O aumento da secreção de
estradiol estimula o crescimento do stratum functionale do endométrio (atinge os 10 mm de
espessura). A fase secretora coincide com a fase luteínica do ovário. O aumento da
secreção de progesterona estimula o desenvolvimento de glândulas uterinas e a
acumulação de glicogénio. Pelas acções combinadas do estradiol e progesterona, o

25
endométrio torna-se espesso, bem vascularizado e de aspecto esponjoso, preparado para
acolher um embrião, caso ocorra fertilização. A fase mestrual resulta da queda da
secreção hormonal ovárica, na parte final da fase luteínica. Há necrose e desagregação so
stratum functionale do endométrio, devido à constrição das artérias espiraladas, por acção
das prostaglandinas produzidas localmente (particularmente PG2a).

A mucosa do colo uterino não sofre descamação cíclica, mas as características do muco
cervical alteram-se regularmente. Sob influência estrogénica, o muco torna-se abundante,
aquoso, alcalino, transparente pouco viscoso mas muito elástico. Esta elasticidade (ou
filância) é máxima na ovulação. Os estrogénios aumentam, ainda, o diâmetro do orifício
cervical externo e do endocolo o que, conjuntamente com as características do muco,
facilita ascensão dos espermatezóides.

Depois da ovulação e durante a gravidez, sob influência da progesterona, o muco torna-se


espesso e opaco e o diâmetro do orifício cervical externo diminue o diâmetro.

Os etrogénicos têm uma acção mitogénica e pró-proliferativa no epítelio vaginal,


estimulando ainda, a acumulação de glicogénio. A progesterona provoca uma diminuição
da espessura do epítelio vaginal, promovendo a descamação das camadas superficiais.

A mama apresenta uma fase de repouso pré-ovulatória e uma fase de proliferação pós-
ovulatória, a qual conduz a um aumento do seu volume, que é máximo nos dias que
antecedem a menstruação. O aumento da mama é condicionado pela acção da
progesterona que provoca hiperemia, aumento do tecido conjuntivo e aumento do tecido
glandular (alvéolos mamários), o qual leva a um aumento do produto de secreção. Também
ocorre um aumento dos ductos glandulares e dilatação dos ductos excretores,
provavelmente induzido pelos estrogénios. Depois da menstruação, a mama entra num
período de involução (fase de regressão).

Acções sistémicas dos estrogénios e progesterona

Para além do efeito sobre o aparelho genital, os estrogénicos actuam, a nível sistémico,
no desenvolvimento do fenótipo feminino. A nível renal, os estrogénios promovem a
reabsorção de sódio, contribuindo para a retenção hídrica observada ciclicamente
nalgumas mulheres. A nível hepático, os estrogénios promovem a síntese de diversas
proteínas. A nível vascular, os estrogénios têm uma acção vasodilatadora e anti-
vasocontrictora, pois aumentam a síntese de substâncias vasodilatadoras. A progesterona
é termogénica e é responsável pela subida de cerca de 0.5 ºC na temperatura corporal que
ocorre logo após a ovulação. Estimula a respiração (aumenta a sensibilidade do centro
respiratório à estimula pelo CO2), pelo que a PCO2 no sangue arterial da mulher em fase
luteínaca é inferior à do homem.

A hipófise anterior começa aos 10-14 anos a segregar a FSH e mais tarde, a LH, que
auxilia o controle do ciclo menstrual. FHS: conduz à proliferação das células foliculares
ováricas e estimula a secreção de estrógeno, levando as cavidades foliculares a

26
desenvolverem-se e a crescer. LH: aumenta ainda mais a secreção das células foliculares,
estimulando a ovulação.

Os estrogénios e a progesterona, são responsáveis pelo desenvolvimento sexual da


mulher e pelo ciclo menstrual. Estas hormonas são compostas esteroides, formados
principalmente de um lípido, o colesterol.

Os estrogénios são, realmente, várias hormonas diferentes, estradiol, estriol e estrona,


mas que têm funções idênticas e estruturas químicas muito semelhantes. Por esse motivo,
são considerados, como uma única hormona. Os estrogénios são produzidos pela teca
interna e granulosa dos folículos ováricos, pelo corpo amarelo, pela placenta e, em
pequenas quantidades, pelo córtex da suprarenal e pelo testículo.

A progesterona é produzida pelo corpo amarelo e pela placenta. É um importante


intermediário da síntese de todas as hormonas esteróides. Tem pouco a ver com o
desenvolvimento dos caracteres sexuais femininos; está principalmente relacionada com a
preparação do útero para a gravidez e à preparação das mamas para a secreção láctea.
Em geral, a progesterona aumenta o grau da actividade secretória das glândulas mamárias
e, também, das células que revestem a parede uterina, acentuando o espessamento do
endométrio e fazendo com que ele seja intensamente invadido por vasos sanguíneos;
determina, ainda, o surgimento de numerosas glândulas produtoras de glicogénio. Inibe
ainda as contracções do útero e impede a expulsão do embrião ou do feto em
desenvolvimento.

Anatomia do sistema reprodutor masculino


Órgãos externos:

Pénis serve como órgão de cópula;

Bolsa escrotal.

Pénis: é o órgão masculino copuspor, sem intermédio. O sémen ejaculado na vagina da


fémea durante o acto sexual e assim o espermatozóide activos do sémen pode penetrar
através da cérvix e caminhar para trompas de falópio onde a fertilização do óvulo ocorre.

O pénis é um órgão cilíndrico composto de 3 corpos alongados de tecido eréctil cavernoso,


estando dois deles situados anteriormente e paralelo um ao outro. O terceiro situa-se
medial e centralmente nos outros dois. A uretra atravessa a coluna medial de tecidos e se
abre na extremidade do pénis, este é circundado, coberto por pele. Os espaços
relativamente amplos no tecido cavernoso tornam-se geralmente dilatados por sangue
durante a excitação sexual, fazendo com que o pénis normalmente flácido se torne firme e
eréctil.

Uma leve dilatação na extremidade do pénis denominada glande peniana, contém o orifício
uretral e muitas terminações nervosas.

27
A pele do pénis estende pela extremidade recobre a glade e se dobra sobre si mesma
formando o prepúcio que é a porção cirurgicamente removida no acto da circuncisão.

A uretra masculina que se estende do colo vesical ao orifício na glande do pénis tem 2
funções, condução da urina que provem da bexiga e transporte do sémen, conteúdo
espermatozóide para fora do corpo.

Órgãos internos

Testículos: nos quais são formandos os harmónios sexuais e as células germinativas


masculinas. São órgãos sexuais ou gonadas do homem, são dois corpos glandulares
ovóides, lentamente achatados suspensos por 2 cordões espermáticas bilaterais, têm
forma similar aos ovários femininos. Têm dupla função.

Produção de célula germinativa, e actuam como glândula endócrina, produzindo um


hormônio masculino (Testosterona).

Epidídimo: são corpos estreitos bilaterais, situado ao longo da porção super posterior de
cada testículo. Cada um deles contém um atributo tortuoso estreito de aproximadamente 6
cm de cumprimento. Este atributo representa o local para qual o espermatozóide liberado
nos túbulos semíferas são enviados no qual pode permanecer por aproximadamente 3
semanas, lá fica retida até que se completa a maturação fisiológica e até que adquiram
mobilidade. A partir do ponto em que o tabulo do epidídimo deixa essa estrutura, passa a
ser conhecida como canal deferentes.

Canal deferentes: (ductos deferentes, ductos seminais). São ductos bilaterais


aproximadamente de 45 cm, que continua cada epidídimo e que a pois um desvio no seu
curso terminam nos ductos ejaculatórios bilaterais que se abre na uretra.

Vesicula seminais: são duas bolsas membranosas situadas entre a porção inferior da
bexiga e do recto. Através de um curto ducto, cada vesícula se liga a extremidade terminal
de um vazio deferente, e com isso se torna um ducto ejaculatório.

Ducto ejaculatório: são um par de pequenos tubos estreitos, formados pela junção da
extremidade terminais dos vasos deferentes com os ductos das vesículas seminais. Estes
dois ductos descem entre os lobos da próstata e se abrem na uretra na qual descarregam
as secrecções das vesículas seminais e epidídimo.

Próstata: esta localizada logo abaixo da bexiga e acima da porção superior da uretra.
Geralmente tem forma de noz. Secreta um líquido complexo que é lançado na uretra
através de muitos pequenos túbulos que nele se abrem.

Glândulas bulbo uretrais (glândulas cayer)

As glândulas do bulbo uretrais são dois corpúsculos do tamanho de ervilha localizadas


abaixo da próstata no soalho pélvico. Secreta um fluxo viscoso alcalino, que é lançado na
uretra através de um pequeno ducto originando de cada glândula.

28
FECUNDAÇÃO

A fecundação é o processo pela qual o espermatozóide e o óvulo se unem, possibilitando a


formação de um ovo (zigoto) e de um embrião.

A gravidez é o período de crescimento e desenvolvimento do embrião dentro da mulher.


Começa quando o espermatozóide fecunda o óvulo e este se implanta na parede do útero
e termina no momento do nascimento.

Uma gravidez normal dura cerca de 40 semanas, ou 280 dias, contando a partir do ínicio
do último período menstrual.

A gametogénese é um processo gradual, através do qual, as prioridades necessárias à


expressão da competência do desenvolvimento de um novo ser são adquiridas em
sucessivos estádios de diferenciação e envolve mecanismo reguladores a vários níveis, de
forma a permitir o crescimento e maturação de uma única célula destinado a assegurar a
continuidade da espécie. A função endócrina dos ovários, produzindo estrogénios e
progesterona, sincroniza a actividade do tracto genital e da glândula mamária com o ciclo
ovulatório, permitindo assim, a libertação cíclica de um ovócito.

Para que a fecundação e a gravidez aconteçam, entre muitos outros factores, é necessário
que:

a) Em cada mês, um dos ovários desenvolva um folículo (que vai crescendo e que
conterá um ovócito maduro) e ocorra a ovulação (rotura do folículo, com a
possibilidade de passagem do ovócito para a trompa);
b) A produção de espermatozóides pelos testículos seja normal ou próxima dos
valores normais;

29
c) A relação sexual aconteça em “ período fértil”;
d) As trompas de Falópio estejam permeáveis à passagem dos espermatozóides e
também funcionalmente normais para a captação do ovócito e para “transportarem”
o embrião para a cavidade uterina;
e) O ovócito e o espermatozóide sejam estrutural e funcionalmente normais de modo a
possibilitar a fecundação e a evolução embrionária;
f) O endométrio esteja receptivo à implantação do embrião.

Após a ovulação, o ovócito secundário é captado pela ampola da trompa uterina (a células
do cumulus adere aos cílios das fímbrias). É viável durante 12-24 h, enquanto os
espermatozóides podem sobreviver até 48 h.

No momento em que um espermatozóide penetra a zona pelúcida (membrana que protege


o óvulo) esta fecha-se para impedir que outros espermatozóides entrem no óvulo.

Nidação

Aos 6 dias após a fecundação o blastocisto penetra na mucosa uterina.

E a zona do trofoblasto que emite prolongamento e consegue penetrar na mucosa uterina


(a partir desta fase a mucosa passa a designar-se caduca ou decídua). A penetração do
trofoblasto na mucosa denomina-se nidação.

Embrião/ feto

O botão embrionário da origem ao embrião que, e assim designados até aos 3 meses, a
partir do qual passa a designar-se feto.

AVALIAÇÃO PRÉ-CONCEPCIONAL

Poder sonhar, planear e preparar-se para a gravidez é um direito da mulher e do seu


companheiro. Idealmente a todas as mulheres deveria ser possível uma avaliação do seu
estado de saúde antes de engravidar; esta avaliação permitiria a detencção precoce de
possíveis problemas que possam trazer complicações para a gestação e para a formação
do bebé. Um bom exemplo é o rastreio de algumas infecções virais, como a rubéola ou a
toxoplasmose, que podem causar malformações irreversíveis ao bebé em formação, como
surdez e cegueira. Todas as mulheres em idade fértil, deveria ser possível o acesso a
informação sobre a importância das primeiras semanas de gravidez, de modo a poderem
fazer escolhas esclarecidas sobre o seu futuro reprodutivo. Muitas vezes, a gravidez só é
detetada quase no fim do primeiro trimestre e a vigilância pré-natal inicia-se tardiamente o
que pode, por desconhecimento, resultar em comportamentos de risco na primeiras
semanas de gestação, que podem levar a sérias consequências para o feto em
desenvolvimento.

Se o sucesso reprodutivo de um casal depende do estado de saúde dos dois, entende-se


que a pré-concepção deveria começar na infância com correção de hábitos alimentares,

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higiene, de cumprimento do calendário de vacinas, e que deveria continuar na
adolescência e na vida adulta com um exame clínico anual e de rotina.

A gravidez e o parto não são doenças, mas têm ricos associados que podem ser reduzidos
por intervenções de saúde, como o planeamento familiar e os cuidados maternos.

As mulheres mais pobres e menos instruídas e as que vivem em zonas rurais, são
propensas a falta de informação, analfabetismo, inacessibilidade aos serviços de saúde e
os cuidados pré-natais são importantes porque muitas mulheres têm problemas de saúde
no início da gravidez anemia por deficiência de vitamina A e iodo são comuns.

A avaliação pré-concepcional consiste no processo de identificação de factores de risco e


de doenças que possam alterar a evolução normal de uma futura gravidez. Contribui para
melhorar as condições existentes, através de intervenções precoces antes da concepção e
do início da vigilância pré-natal, sendo um instrumento para a redução da morbilidade e
mortalidade materna infantil. O risco pré-concepcional é a existência de factores de índole
diversa, que constituem um perigo potencial para a saúde reprodutiva, identificados em
mulheres em idade fértil ainda não grávidas.

A informação nos cuidados pré-concepcionais deve contemplar as medidas a adoptar antes


de engravidar, com o rastreio de algumas doenças através de análises ao sangue
(doenças do sangue, Toxoplasmose, Sífilis, HIV, Hepatite B, Rubéola e Citomegalovírus); a
determinação do grupo de sangue; a vacinação; e o rastreio do cancro do colo do útero.
Analisar e informar sobre o intervalo recomentado entre gravidezes; informar sobre os
aspectos psicológicos, familiares, sociais e financeiros relacionados com a gravidez;
avaliar o estado nutricional, hábitos alimentares e estilo de vida; reforçar a importância da
vigilância pré-natal, precoce e continuada.

É importante determinar o risco concepcional (idade, genética, doenças crónicas, estado


nutricional, hábitos), bem como possíveis efeitos da gravidez sobre condições médicas
existentes; recomendar o registo do calendário das menstruações e a suplementação com
ácido fólico. Por último, programar a interrupção da utilização do método contraceptivo e o
acompanhamento das situações de risco.

UNIDADE III: Planeamento Familiar

 Conceito
 Objectivos
 Métodos (métodos tradicionais, naturais e artificiais)
 Educação para a saúde

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Introdução

O planeamento familiar é uma importante actividade de saúde, tendo como objectivo


primordial proporcionar aos casais informações e meios necessários para que possam
decidir de forma livre e consciente sobre o número de filhos e a oportunidade em que irão
tê-los, o tipo de educação, conforto, qualidade de vida, condições socioeconômicas e
culturais.

Conceito

O planeamento familiar é uma forma de assegurar que as pessoas tenham acesso a


informação, aos métodos de contracepção eficazes e seguros, a serviços de saúde que
contribuam para a vivência da sexualidade de forma segura e saudável.

Prática do planeamento familiar

A prática do planeamento familiar permite que homens e mulheres decidam se e quando


querem ter filhos e a quantidade que desejam, assim como programarem a gravidez e o
parto nas condições mais adequadas. Os métodos anticoncepcionais previnem a gravidez
e os preservativos masculinos e femininos, previnem a gravidez e infecções sexualmente
transmissíveis.

Objectivos do Planeamento Familiar

 Promover comportamentos saudáveis em face à sexualidade;


 Informar e aconselhar sobre a saúde sexual e reprodutiva;
 Reduzir a incidência das infecções de transmissão sexual as suas consequências,
nomeadamente a infertilidade;
 Reduzir a mortalidade e a morbilidade materna, perinatal e infantil.
 Permitir ao casal decidir quantos filhos quer, se os quer, ou seja, planear a sua
família;
 Preparar e promover a maternidade e paternidade responsáveis;
 Melhorar a saúde e o bem-estar da família e da pessoa em causa.

Benefícios do Planeamento Familiar: para mulher, criança, família e comunidade

Mulher:

o Evitar a gravidez indesejada;


o Reduz a gravidez de alto risco;
o Reduz as mortes maternas;
o Possibilita a melhor participação no mercado de trabalho.

Criança:

o Permanece mais tempo em aleitamento materno;


o Recebe atenção e cuidados por mais tempo;
o Melhorar crescimento físico e emocional.

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Família:

o Melhorar a situação da mulher e o bem-estar da família;


o Promove a paternidade e maternidade responsáveis.

Comunidade:

o Promove a igualdade e equidade de género;


o Facilita a participação da mulher no desenvolvimento socioeconómico da
comunidade.

Métodos contraceptivos

Os métodos contraceptivos para serem aceites pelas (os) utentes devem ter as seguintes
características:

Características Significado
Eficácia do uso Capacidade de obter bons resultados (proteger a gravidez).
Reversível Após a suspensão do uso, a fertilidade volta rapidamente.
Inocuidade Apresenta pouco feitos colaterais.
Facilidade de uso Que não seja complicado para entender como se usa correctamente.
Aceitabilidade O método satisfaz a mulher ou o casal.
Disponibilidade Os diferentes métodos podem ser facilmente encontrados.

Método Naturais

São métodos em que a mulher aprende a identificar o período fértil do seu ciclo menstrual
do começo ao fim. O período fértil é aquele em que ela pode engravidar. Evitando as
relações sexuais nesse período a mulher pode evitar a gravidez.

Vantagens

 São imediatamente reversíveis;


 São acreditáveis por alguns grupos religiosos que rejeitam outros métodos;
 Depois que se aprendem pode ser usado para evitar a gravidez;
 Não causam efeitos físicos;
 Não custam nada;
 São eficazes se usados correcta e consistentemente;
 Não necessitam de conto com pessoal médico;
 São imediatamente reversíveis;
 Não afetam a amamentação.

Desvantagens

 Eficácia de uso geralmente baixa;


 Leva de 2 a 3 ciclos para se aprender a identificar o período fértil;
 Requerem longos períodos de abstinência, o que não é aceitável para alguns casais;
 Podem não ser eficazes para mulheres que têm ciclos menstruais irregulares;

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 Não protegem contra as ITS/VIH/SIDA.

1- Métodos do Calendário ou Tabelinha

É um método que permite a mulher calcular os seus dias férteis pelo uso de um calendário.
Para usar este método, a mulher precisa manter um calendário dos seus últimos seis ciclos
menstruais e depois aplicar uma fórmula que a ajuda a identificar os dia férteis.

Modo de utilização

 Registrar num calendário, o primeiro dia de cada menstruação durante 6 meses a 1


ano;
 Calcular o número de dias de cada ciclo, isto é, o número de dias desde o primeiro
dia da menstruação até ao dia anterior do aparecimento do fluxo seguinte;
 Verificar nesses ciclos anteriores, qual é o ciclo mais longo e qual o mais curto;
 Subtrair 18 do ciclo mais curto, obtendo-se o início do período fértil;
 Subtrair 11 do ciclo mais longo, obtendo-se o fim do período fértil.

Exemplo:

a) Ciclos regulares, todos com 28 dias:

28-18= 10---------Início do período fértil.

28-11= 17---------Fim do período fértil.

O período fértil dessa mulher é entre os dias 10 e 17.

b) Ciclos irregulares, o mais curto de 27 dias e o mais longo de 33 dias:

27-18= 9---------Início do período fértil.

33-11= 22--------Fim do período fértil.

Neste caso, o casal deve de abster-se de relações sexuais entre os dias 9 e 22.

2- Método da Temperatura Basal Corporal

Quando a temperatura baixa significa que a ovulação vai ocorrer nas 36 horas seguintes e
aumenta mais um pouco () imediatamente depois de ela ocorrer permanecendo nesse nível
até a menstruação seguinte.

Como o diagnóstico do período fértil é feito pela mudança de temperatura durante o


período da ovulação, o casal deve abster-se das relações sexuais durante a primeira fase
do ciclo e até 3 dias depois da elevação da temperatura.

34
Modo de utilização

 Medir diariamente a temperatura basal durante 3 a 4 minutos, a partir do primeiro dia


do ciclo menstrual, utilizando sempre o mesmo local (boca, vagina ou recto);
 A mediação deve ser sempre ao acordar, ainda no leito e em jejum;
 Registrar as medidas diariamente.

3- Método de Billings ou muco cervical

Baseia-se na identificação do período fértil através das modificações observadas no muco


cervical. As secreções são viscosas e elásticas ao ponto de serem bastante esticadas,
entre 2 dedos sem romper. Supõe-se que o período fértil tem. Início no primeiro dia em que
se observam as alterações do muco. Este período poderá durar 7 a 14 dias.

Modo de utilização

 Observar diariamente o aspecto do muco cervical através de dois dedos na vagina


retirar o muco;
 Durante o período fértil o muco torna-se mais elástico e a mulher sente uma
sensação de humidade na vagina. A elasticidade pode atingir 15 cm;
 Os dias subsequentes a 3 dias sem muco são considerados inférteis.

4- Método do coito interrompido

É um dos mais antigos e mais simples dos métodos naturais de contracepção. Consiste em
retirar o pénis da vagina momentos antes que aconteça a ejaculação, evitando o conctato
entre o espermatozóide e o óvulo.

A sua efetividade depende da habilidade do homem em retirar o pénis antes da ejaculação.

Tipos de métodos contraceptivos

Os métodos contraceptivos dividem-se em 5 grupos

 Métodos hormonais: São todos aqueles que se baseiam na utilização de hormonas


sexuais femininas, nomeadamente a progesterona e o estrogénio, para manipular o
ciclo menstrual. Como por exemplo, podemos citar: pílula, injeção (Depo-provera),
implante (jadelle), anel vaginal entre outros. Existe também o Dispositivo Intra
Uterino (DIU), popularmente conhecido como “mola” à base de hormonas.

Pílulas: existem as pílulas combinadas () com estrógeno e progesterona e as chamadas


minipílulas, que contém doses muito baixas de uma substância semelhante a hormona
natural progesterona.

Vantagens

 Não interfere na relação sexual;


 Pode regularizar os ciclos menstruais;

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 Melhora a tensão pré-menstrual e a dismenorreia;
 Não afecta a fertilidade;
 Diminui o risco de Doenças Inflamatória Pélvica (DIP);
 Reduz em 50% o risco de cancro do ovário e do endométrio;
 Diminui o risco a incidência de quistos funcionais do ovário e a doença poliquística;
 No caso das minipílulas, pode ser tomada durante o aleitamento materno.

Desvantagens

 Algumas mulheres têm dificuldade em fazer a toma diária e regular da pílula;


 Não protege contra as Infecções Transmitidas Sexualmente (ITS) incluindo VIH.

Contraceptivo injectável: actualmente, existem três tipos de contraceptivos injetáveis em


uso em Angola: a Depoprovera, Sayene Press, e o Noristerat que contém uma substância
semelhante a hormona natural progesterona. A injecção de Depoprovera e o Sayene Press
que são dadas a cada 3 meses e a de Noristerat, a cada 2 meses.

Vantagens

 Seguro;
 Pode ser administrado por qualquer profissional de saúde;
 Tem duração de pelo menos três messes e não requer nenhuma acção diária;
 O fluxo menstrual vai diminuindo e frequentemente desaparece após um ano de uso;
 Pode ser utilizado durante a amamentação;
 Pode melhorar anemia.

Desvantagens

 Altera o fluxo menstrual;


 Aumenta o apetite e pode causar ganho de peso;
 Em média há um atraso de 4 meses na possibilidade de engravidar depois de
interromper o uso;
 Não protege das ITS incluindo o VIH.

Implantes: são hastes pequenas e flexíveis que contêm a hormona progesterona. As


hastes são colocadas na via subcutânea no antebraço da mulher e dependendo do tipo
podem prevenir a gravidez por 5 anos.

Vantagens

 Seguro e eficaz;
 Longa duração 3 a 5 anos;
 A menstruação torna-se menos intensa ou reduz o fluxo menstrual;
 Pode melhorar a anemia;
 Reduzem o risco de gravidez ectópica.

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Desvantagens

 Pode haver alteração do patrão menstrual;


 Não protege das ITS e VIH;
 Precisa de um profissional de saúde treinado para colocar e retirar o implante.

Contracepção de emergência: a contracepção de emergência é indicada para mulheres


que tiveram relação sexual sem proteção e querem evitar a gravidez. É também conhecida
como pílula do dia seguinte e deve ser tomada até 5 dias depois da relação sexual sem
proteção.

 Método intra-uterinos: O dispositivo Intra-Uterino (DIU), popularmente chamado de


“mola” é um pequeno dispositivo de plástico ou de cobre que é inserido no útero
para evitar gravidez.

Vantagens

 Seguro, eficaz e de longa duração;


 Fácil de promover;
 Pode ser colocado imediatamente no pós-parto nas primeiras 48h;
 Não interfere na amamentação;
 Pode ser usado por mulheres jovens, incluindo aquelas que nunca ficaram grávidas.

Desvantagens

 Dor ligeira durante os primeiros dias após a inserção do DIU;


 Fluxo menstrual mais intenso que o normal;
 Requer um profissional treinado para inserir e remover;
 Não protege das ITS incluindo o VIH.

 Métodos de barreira: são formas de prevenção da gravidez evitando que os


espermatozóides alcancem o óvulo.

Preservativo masculino: são capas ou revestimentos que são colocados no pénis erecto
do homem.

Vantagens

 Seguro;
 Não necessita prescrição ou consulta médica;
 Eficaz e fácil de usar;
 Protege contra infecções de transmissão sexual, incluindo o VIH.

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Desvantagens

 Necessita de consentimento de ambos;


 Um novo preservativo deve ser usado todas as vezes que o casal tiver uma relação
sexual.

Preservativo feminino: É um dispositivo feito com uma fina película plástica que se
encaixa dentro do canal vaginal. Tem anéis flexíveis em ambas as extremidades e um dos
lados tem um anel fechado que cobre a cérvice.

Vantagens

 Seguro e eficaz;
 Pode ser colocado até 8 horas antes da relação sexual;
 Pode se sentir mais natural durante o sexo do que usado o preservativo feminino;
 Protege contra infecções de transmissão sexual, incluindo o VIH.

Desvantagens

 Necessita a cooperação e consentimento do parceiro;


 Pode fazer ruídos durante a penetração e pode ser difícil de colocar.

 Métodos comportamentais: Os métodos comportamentais ou abstinência


periódica, são métodos em que a mulher aprende a identificar o período fértil do seu
ciclo menstrual do começo ao fim. O período fértil é aquele em que a mulher tem
mais chances de engravidar. O casal pode, assim, aprender a evitar a gravidez. Os
tipos de métodos comportamentais são descritos, a seguir.

 Métodos do ritmo ou do calendário;


 Muco cervical (Billings);
 Temperatura corporal basal;
 Colar do ciclo.

Em todos esses métodos, o casal deve abster-se de relações durante o período fértil, ou
usar um método de barreira (preservativo masculino ou feminino).

Vantagens

 Não custam dinheiro;


 A orientação pode ser feita por pessoal treinado;
 Levam o casal ao aprendizado da anatomia reprodutiva humana e de sua fisiologia.

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Desvantagens

 Sua eficácia é considerada baixa;


 Exigem orientação do casal e dependem da sua capacidade de aprendizagem e
cooperação;
 Alteram o comportamento sexual do casal.

 Métodos permanentes

Esterilização feminina (Laqueação Tubária): consiste em bloquear as trompas de falópio


com grampos ou cortes para prevenir o encontro do óvulo com o espermatozóide. É
apropriada para casais que tem certeza de que não querem ter mais filhos.

Vantagens

 Altamente eficaz;
 Eficácia imediata e permanente;
 Cirurgia simples, geralmente sob anestesia loca;
 Não interfere na amamentação nem nas relações sexuais.

Desvantagens

 A mulher pode arrepender-se mais tarde;


 A cirurgia pode ter riscos e efeitos colaterais;
 Dor e desconforto de curta duração após o procedimento;
 Requer profissionalmente de saúde treinado;
 Não oferece proteção contra as ITS-VIH/SIDA.

Esterilização masculina (Vasectomia): consiste em bloquear os canais deferentes para


evitar que os espermatozóides produzidos pelos testículos se misturem com o sêmen que
vai ser ejaculado.

Vantagens

 Seguro, conveniente, altamente eficaz;


 Permanente e de baixo custo;
 Mínimo risco de complicação;
 Não tem efeitos na saúde;
 Procedimento simples e rápido.

Desvantagens

 O homem pode arrepender-se mais tarde;


 Exige um procedimento cirúrgico;
 Requer um profissional de saúde treinado;

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 Permanente sem oportunidades de reversão;
 Não protege contra ITS-VIH/SIDA.

Anticoncepção na adolescência

Anticoncepção significa a prevenção da gravidez. O método anticoncepcional ideal para


adolescentes é aquele que apresenta alta eficácia, seguro, tem poucos efeitos colaterais,
só apresenta acção anticoncepcional enquanto utilizado e é discreto.

Independentemente da escolha do método é consenso o uso concomitante do preservativo


masculino ou feminino para protecção contra ITS e VIH/SIDA.

Cuidados de enfermagem

 Garantir a privacidade e confidencialidade;


 Respeitar as escolhas da utente, sua cultura, religião e sexualidade;
 Ouvir atentamente a (o) utente e mostrar interesse;
 Estar atenta (o) as perguntas da utente e suas necessidades específicas;
 Usar linguagem clara e simples que a (o) utente possa entender;
 Evitar comunicação unidireccional e prefira usar perguntas simples;
 Ser imparcial, não julgar e não dar sermões;
 Informar sobre os métodos de contracepção;
 Orientar e disponibilizar, gratuitamente, o contraceptivo mais adequado;
 Motivar o regresso a consulta para acompanhar a adaptação ao método, corrigir
erros, esclarecer dúvidas e entregar mais contraceptivos;
 Realizar teste do VIH;
 Aferir os sinais vitais;
 Realizar exame físico, incluindo o exame das mamas;
 Realizar o exame ginecológico;
 Solicitar exames laboratoriais: citologia oncótica (Papanicolau).

UNIDADE IV: Ginecologia

 Exame ginecológico.
 Infecções ginecológicas: rastreio, diagnóstico, e tratamento.
 Infecções Transmitidas Sexualmente (ITS) mais frequentes:
sinais sintomas, meios de prevenção e tratamento.
 Situações de urgências em genecologia.
 Situações de internamento em genecologia.
 Tipos/localização e patologia
- Prevenção
- Sintomatologia sugestivo de patologia
- Epidemiológica
- Tratamento/conduta de enfermagem

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Exame ginecológico

Exame ginecológico, à semelhança do exame a qualquer outro órgão, inicia-se com uma
observação geral. Avaliar se paciente está ou não aparentemente saudável, se é obesa,
normal ou emagrecida, ansiosa ou à vontade. Deverá ser especificamente examinada no
que se refere a anemia, icterícia ou adenopatia, se for uma mulher jovem e saudável é
desnecessário um exame geral posterior; contudo, se for idosa ou doente, é necessário um
exame mais detalhado. A prática de um exame da mama de rotina, é controversa, mas se
for realizada deve inicialmente observa-se há retracção do mamilo ou pele casa de laranja
nos quatro quadrantes da mama deverão ser palpados, seguindo-se a axila de ambos os
lados, com o braço da paciente pousado sobre o braço do examinador para que não haja
tensão na axila.

Exame abdominal

Exame começa com a inspeção, devendo a área exposto estender-se do apêndice xifoideu
até à sínfise púbica, respeitando a dignidade e privacidade da doente relativamente à
região mamária e genial, disponho adequadamente as coberturas protetoras. É importante
assegurar-se de que a doente esta confortavelmente deitada e com a bexiga vazia.
Durante á inspeção, verifica-se se há as simetrias do abdómen e cicatrizes particularmente
acima da sínfise púbica e no umbigo. A distribuição pilosa, a presença de estrias ou hérnias
deverá ser anotada.

Antes de iniciar a palpação, deve informar-se da existência de áreas dolorosas. Através da


palpação suave do abdómen deverá procurar identificar áreas dolorosas ou massas
abdominais. Na presença de massas abdominais deverá proceder-se à sua percussão,
lembrando-se de que massas líquidas e cavidades sólidas são maciças e que o líquido livre
no abdómen terá, à percussão, uma macicez que se deslocará com a mudança de posição.

O exame pélvico pode ser desagradável e embaraçoso para a doente, pelo que requer
sensibilidade para a criação dum ambiente tão amigável quanto possível. É importante
assegurar a privacidade e explicar à paciente que roupa necessita de tirar e o que é que
lhe irá ser feito. Recomenda-se a presença de um acompanhante, em todas as situações,
obrigatoriamente se o examinador for um homem. Se for utilizado um espéculo de cusco,
as lâminas deverão ser aquecidas e lubrificadas com gel (uma quantidade no caso de
esfregaço do colo do útero). O exame é desconfortável, não sendo, no entanto, doloroso,
na ausência de patologia.

Inspecionar a vulva e períneo para detencção de áreas descoradas, nódulos ou soluções


de continuidade. Deverá detecta-se qualquer evidência de prolapso. O espéculo de cusco
possibilita a observação do colo e do útero e, assim, a realização do esfregaço cervical e
endocervical será facilitada. Pode ser difícil observar as paredes cervicais com o espéculo
de cusco tradicional, estando actualmente disponíveis em plásticos que possibilitam a
observação de toda a parede vaginal. A doente deita-se em decúbito dorsal com os pés
juntos e os joelhos afastados. O espéculo é introduzido com as lâminas fechadas,
paralelamente aos lábios, com o mecanismo de abertura posicionado para o lado direito da

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doente. O espéculo é inserido com suavidade e ao meio da vagina é rodado a 90
(posicionando-se o mecanismo de encerramento na posição anterior), prosseguindo a sua
introdução até onde for possível. As lâminas são abertas lentamente e sob visão directa, e
se o espéculo tiver sido correctamente inserido visualizando-se o colo do útero. O colo do
útero deve ser atentamente observado para detenção de alterações seguindo-se as
colheitas cervicais de acordo co a observação. A colheita cervical realiza-se com espátula
ou com escova no canal endocervical, rodando-a 360 numa direção e 360 em direção
contrária. O espéculo é então removido com cuidado para que as lâminas não entalem o
colo do útero. As paredes da vagina são observadas à medida que o espéculo de cusco vai
sendo retirado.

O espéculo de Sims é utilizado para a observação de mulheres prolapso útero-vaginal ou


quando o colo é de difícil visualização. A paciente deve posicionar-se em posição de Sims
ou em decúbito lateral esquerdo. As nádegas da doente devem permanecer afastadas, se
necessário com ajuda, ou pedindo à mulher fletir mais a coxa que se encontra por cima e
tossir para acção de prolapso ou incontinência de stresse. A lâmina do espetáculo de Sims
deve ser introduzida ao longo da parede poste da vagina com retracção posterior para a
visualização da parede anterior da vagina. Deve-se pedir para a paciente tossir de para
avaliação do grau de prolapso da parede anterior da vagina e de incontinência de esforço.
A parede anterior da vagina então suportada por uma pinça protegida, sendo pedido à
doente para tossir de novo, mantendo a parede anterior da vagina afastada. Pode ser
observada a descida do colo uterino, pode colocar-se uma pinça no lábio anterior do cérvix
e exercer tracção, o que pode ser desconfortável para a paciente, pelo que só deve ser no
pré-operatório para determinação de qual a melhor via histerectomia. Pede-se de novo à
paciente para fazer força e especulo é lentamente removida, enquanto se continua a
suportar a parede anterior da vagina. O topo da abóbada vaginal e a e posterior da vagina
poderá ser sequencialmente visualização para detenção da presença de enterocelo ou
rectocelo, respectivamente.

Tanto o exame com o espéculo de Cusco, como o exame com o espéculo de Sims devem
ser seguidos de exame bimanual. A paciente deita-se na mesma posição que para o
exame com o espéculo de Cusco, enquanto a mão separa os lábios são inseridos dois
dedos na vagina, posicionando-se atrás do colo uterino a mão esquerda é colocada no
abdómen, acima da sínfise pública empurrando a pélvis para que os órgãos sejam
palpados entre a mão esquerda e os dedos que se encontram inseridos na vagina.

O útero que se posiciona centralmente, deve ser avaliados quanto à dimensão,


consistência, mobilidade, regularidade, anteversão, retroversão e dor. Os anexos são
palpados de cada procurando detectar-se, particularmente, dor e massas. Os de dimensão
normal, podem ser sentidos em mulheres magras. Área por detrás do colo do útero é
palpada para detencção de dor. Para a conclusão do exame pélvico, o exame rectal pode
ter de ser realizado, se indicado.

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Apresentação do exame objectivo

Para apresentar os achados do exame deverá dizer que Ms. Fairhall é uma (descrever
aparência gera), o exame abdominal é…o exame com espéculo revelou um colo de útero
normal/anormal e o exame bimanual revelou um útero antero flectido de dimensão normal e
anexos não palpáveis.

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Vulvovaginite: é o processo inflamatório localizado na vulva ou na vagina.

Sinais e sintomas

 Hipertermia e adema;
 Dor e prurido;
 Glândula de Bartholim inflamadas (aumentadas e dolorosas);
 Corrimento vaginal.

Causas: Vários factores podem contribuir para o aparecimento da vulvovaginite:

 Higiene local precária;


 Alérgenos (perfumes, pós, geleias, contraceptivos, tecidos, sabões, etc.);
 Agentes infecciosos (mais comuns: estafilacocos, estreptococos, tricomonas,
canadiase, genecocos, etc.);
 Problemas dermotológicos;
 Doenças venéreas associadas;
 A vagina de crianças e de idosos é menos resistente devido a pouca acidez.

Diagnóstico: O diagnóstico da vulvovaginite é clínico mas deve-se realizar bactrioscopia


da secreção vaginal para se determinar o agente causador, realizando-se o tratamento
específico.

Tratamento: Pode variar consoante a causa. De modo geral consiste em:

 Lavagem vaginal (banhos de assento);


 Aplicação de óleos ou pomadas vaginais;
 Antobióterapia (que pode ser local, por via oral ou parental; analgésicos, anti-
inflamatórios);
 No caso de formação de cisto nas glândulas de Bartholim, estas poderão ser
extirpadas (Bartholinectomia).

Cuidados de enfermagem: Orientar o paciente sobre:

 Higiene local;
 Evitar o uso de roupas muito apertadas;
 Evitar coçar, já que isso pode piorar o problema;
 Importância do tratamento simultaneamente, pois a reifencção pode ocorrer com
relações sexuais;
 As mães devem observar os cuidados de higiene local e de boa alimentação para
melhores condições gerais da defesa da criança.

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Bartholinite: é uma inflamação da glândula de Bartholim que se apresenta como uma
tumoração macia aos pequenos lábios. O agente mais comum é o gonococo.

Sintomatologia

 Dor e queimação;
 Hiperemia e edema em um ou ambos os lábios;
 Tumoração da glândula;
 Disparemia.

Conduta médica e de enfermagem

 Administrar medicamentos como analgésicos e antibióticos de amplos espectros


como ampicilina;
 Aplicar compressas quentes ou banhos de assento morno, várias vezes ao dia;
 Preparar a paciente para a incisão e drenagem do abcesso quando este é evidente;
 Dependendo do caso, pode ser recomendado repouso do leito;
 Nos casos de Infecção recidivante pode ser necessária retirar toda glândula.

Leucorreia: conhecida como “corrimento” é uma secreção produzida na vagina ou no colo


do útero em função de uma Infecção que se exterioriza.

Sinais e sintomas

O “corrimento” apresenta:

 Aspecto espesso e profuso;


 Cor amarela;
 Odor fético;

Podem ocorrer também:

 Prurido;
 Disúria;
 Ardor local (queimação);
 Hiperemia;
 Desconforto;
 Disparemia (coito doloroso).

Diagnóstico: Feito pelo exame clínico e pela colheita do material para exames
laboratoriais que podem ser: parasitológico, bactericópico e cultura do conteúdo vaginal.

Causas: Os principais causadores da leucorreia são: trichomonas vaginais: protozoário


natural trato vaginal.

Quando a deficiência na defesa da vagina, podem ocorrer a tricomoniase.

Geralmente o corrimento é feito, purulento, esverdeado, cremoso e espumoso,


acompanhado de prurido vaginal.

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Candidas albicans: fungo que causa candidíase ou monoliliase, a vulva e a vagina
apresentam-se hiperemiadas com placas brancas aderentes as paredes, o prurido vulvar é
intenso.

Tratamento: O mesmo da vulvovaginite.

Cervicite: É uma inflamação aguda ou crónica localizada no colo do útero. A cervicite pode
ser decorrente de influências hormonais ou de Infecção. A paciente se queixa de
corrimento espesso, que pode apresentar raias de sangue. O colo do útero encontra-se
inflamado avermelhado. É preciso realizar exames para descartar ou confirmar a hipótese
de fase inicial de carcinoma.

Tratamento: O tratamento da cervicite depende da fase do processo inflamatório e


consiste em:

 Antibioterapia por via parental ou oral;


 Aplicação vaginal de antibióticos;
 Cauterização com electrocautério;
 Cauterização com agentes químicos.

As pacientes submetidas à cauterização devem ser orientadas para:

 Diminuição da actividade diária por alguns dias;


 Abstinência sexual por tempo determinado pelo médico;
 Observação secreção vaginal (havendo sangramento procurar o médico);

Tumores malignos (Carcionoma ou Sarcoma): A incidência de tumores malignos na


mama é alta, mesmo em mulheres jovens. O tumor pode aparecer uni ou bilateralmente e
ainda dissemina-se pelo organismo, principalmente nos pulmões, ossos, fígados, ovários e
supra-renais.

Factores que predispõem ao aparecimento do câncer mamário

 História familiar do câncer mamário;


 Primeira gestação tardia;
 Multipariedades;
 Disfunções hormonais;
 História de patologia mamária (displasiais) ou de mastite.

Também podem predispor:

 Obesidade;
 Menarca precoce;
 Menopausa cárdia;
 Menopausa artificial;
 Não lactação;
 Exposição a radiações;

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 Dietas ricas em gorduras uso de certas substâncias químicas e abuso de
contraceptivos.

Sinais e Sintomas

 Nódulos de vários tipos ou tamanhos (que crescem lenta ou rapidamente);


 Retracção da pele ou mamilo;
 Alteração de forma, tamanho, cor ou simetria.
 Pele inflamada por edema (enrugada);
 Presença secreção papilar (que pode estar purulenta ou sanguinolenta).

Lesões:

 Gânglios axilares infartados;


 Dor (últimos sintomas a aparecer quando estágio está avançado).

Diagnóstico: através de exames físicos, mamografia (imagem radiológica das mamas)


biópsia (estudo e histopatológico) e outros exames.

Tratamento: O tratamento do carcinoma da mama é cirúrgico. A intervenção cirúrgica é a


mastectomia, isto, é, a retirada da mama. Além da mama, em alguns casos são retirados
músculos peritoniais, conteúdo covo-auxiliar gânglios. O tratamento cirúrgico é seguido de
radioterapia e quimioterapia.

Cuidados de enfermagem

Em caso de mastectomia:

No pré-operatório:

 Jejum;
 Tricotomia torácica e axilar;
 Apoio psicológico, a paciente precisará de apoio, pois é difícil enfrentar a situação de
matectomia além dos tumores em relação o câncer. O marido ou parente próximo
deve ser orientado para colaborar com o paciente.

No pós-operatório:

 O apoio psicológico, pós a paciente enfrentará preocupações pela realidade


da mastectomia.
 Cuidados com o dreno, anotar volume, cor e aspecto líquido drenado
 Não administrar medicação por EV e IM no membro superior afectado, devido
a vasos capilares linfáticos seccionados e também porque esse membro está
sem resistência contra infecções.
 Orientar o paciente sobre a posição do membro superior operado (sobre
tórax) e os exercícios a serem feitos com ele (conforme a orientação médica)
que devem ser iniciados pela mão, passar pelo antebraço e gradativamente,

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para tentativa de levar a mão ao rosto ou de pentear os cabelos, o movimento
do braço do braço deve ser evitado até a completa cicatrização.
 Orientar a paciente sobre a prótese e vestuário, visando uma melhor
adaptação à nova condição.

A prevenção do câncer da mama inclui: Incentivos da maternidade entre 20-30 anos,


amamentação sistemática e prolongada e auto-exame das mamas. Toda mulher deve fazer
o exame de auto palpação das mamas e o exame médico periódico. Este último deve ser
feito anualmente por mulheres e semestralmente por mulheres com risco, pós quanto mas
cedo for descoberto maior será a eficácia do tratamento.

O diagnóstico precoce nem sempre é feito. Geralmente as pacientes procuram o médico


quando já se encontram com a doença em fase avançada. Isso é devido à prevalência de
tabus no meio social e à inibição da mulher.

O êxito do tratamento depende do estágio em que se encontra a doença quando


descoberta. Quando mais precocemente for constatada a presença desta, melhores os
resultados e maior, portanto, a sobrevida da paciente.

Esterilidade e Infertilidade

Esterilidade: É a incapacidade absoluta de se conseguir gravidez, após pelo menos um


ano de coitos frequentes.

Infertilidade: é a incapacidade de se conseguir a gravidez dentro de um prazo estipulado,


ou dificuldade de se levara gestação a termo ou ter filhos vivos.

Pode ser:

 Primária: Quando o casal nunca gerou filho vivo;


 Secundária: Quando há dificuldade de depois de gerar algum filho vivo.

Incidência

 10 a 15 % dos casos são inférteis;


 O homem é responsável por 40 % dos casos de infertilidade.

Factores predisponentes

No homem:

 Factor hormonal;
 Processos inflamatórios;
 Azoospermia: ausência de espermatozoide;
 Oligospermia: pequeno número de espermatozoide;
 Alterações morfológicas dos espermatozoides.

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Na mulher:

 Endometriose;
 Obstrução tubária;
 Distúrbios da ovulação;
 Insuficiência ovárica;
 Alterações hormonais;
 Alterações uterinas: atrofia, hipoplasia, endometriose, etc.
 Alterações cervicais: endocervicite, colo alongado, escassez de muco, hostilidade ao
sémen.

Diagnóstico

Para avaliação de resultado do tratamento, é necessário uma investigação adequada do


casal.

Muitas vezes coincide vários de infertilidade.

No homem:

 História médica geral sexual;


 Exame físico completo;
 Avaliação da permeabilidade tubária por meio da historossalpinografia;
 Investigação de endometriose e aderências por meio da laparoscopia.

Tratamento

Tratamento psicoterápico:

 A psicoterapia está indicada nos casos em que a infertilidade esteja relacionada com
problemas emocionais.
 O casal infértil pode apresentar grande ansiedade e angustia nas tentativas de obter
uma gravidez e nas tentativas de tratamento, que nem sempre são simples ou de
resultado rápido e que, algumas vezes , nem apresentam qualquer resultado. Pode
ser cobrança de filhos pelos amigos e familiares. Além disso, o homem
excessivamente estressado pode ter piorado sua qualidade espermática.

Tratamento clínico da mulher

Distúrbios endócrinos: deve-se tratar os distúrbios endócrinos, particularmente o hipo ou


hipertiroidismo.

Tratamento de infecções crónicas: deve ser tratado todo tipo de infecções cervicais. As
cervicites crónicas alteram a capacidade secretora das células cervicais, resultando na
produção de muco anormal;

Aglutinação de esperma, o uso da camisinha, por aproximadamente 6 meses pode


selecionar o problema.

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Indução da ovulação nos casos anovulatórios:

 Citrato de clomifero: parece estimular o hipotálamo e hipófise anterior produzindo a


libertação de gonadrotopina, ou efeito direito sobre as enzimas-ovarianas;
 Corticoiteroides: para as pacientes com hiperademocorticismo e doença ovariana
policistica;
 Gonodatropina menopausica huamana (HMG);
 Hormônio gonodotropina coriónica (HCG);
 Bromocriptina: usado no tratamento da hiperprolactinemia.

Tratamento clínico do homem

 Hormonoterapia: para correcção do factor hormonal;


 Antibioterapia: para os processos inflamatórios.

Tratamento cirúrgico

 Correção da varicocele;
 Recanalização dos vasos diferentes: cirurgia: cirurgia para reversão da vasectomia;

Tratamento cirúrgico da mulher pode incluir:

 Resseção cuveiforme do ovário;


 Salpingoplastia: microcirurgia reconstrutora da trompa;
 Retirada de aderências tubárias e ovarianas;
 Aceitar a possibilidade da existência de algum problema pode ser o primeiro passo
para o casal encontrar solução;
 Identificar os casos de provável infertilidade. Com vida sexual activa, com 3 coitos
por semana, a maioria das mulheres deveriam após 2 anos de exposição, sendo que
após 1 ano de exposição pode-se suspeitar de infertilidade;

Orientar a prática sexual compatível com obstenção de gravidez:

 Ensinando o cálculo do período fértil através de tabelinha;


 Observando os dias férteis através do muco cervical e temperatura basal;
 Aumentando a frequência dos coitos, se for menor que 3 por semana;
 Concentrados os coitos no período fértil nos casos de oligospermia, será
interessante a mulher permanecer em repousa por algum tempo (cerca de 2 horas)
após o coito para facilitar a penetração dos espermatozóides no muco cervical e em
seguida na cavidade uterina;
 Eliminar o uso de lubrificantes;
 Evitar duchas vaginais.
 Tratar todos os processos inflamatórios ou infecções cervico-vaginais e outras
patologias.

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 Identificar e encaminhar os casos que requeiram estudo ou tratamento para serviço
especializado:
 Obstrução tubária bilateral;
 Oligospermia;
 Casal com pelo menos 2 anos de coito compatível;
 Mulheres com mais de 30 anos e um ano de tentativa;
 Dois ou mais abortamentos sucessivos no primeiro trimestre.
 Esclarecer o casal sobre a mudança que estas investigações do diagnóstico e o
tratamento poderão trazer na vida quotidiana. Poderá haver frustração após
tentativas fracassadas.

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