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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO

CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS


CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA

DANIEL COSTA CASTRO

BABESIOSE E ERLIQUIOSE:
Uma questão de saúde pública

São Luís - MA
2018
DANIEL COSTA CASTRO

BABESIOSE E ERLIQUIOSE
Uma questão de saúde pública

Monografia apresentada ao Curso de


Medicina Veterinária da Universidade
Estadual do Maranhão para conclusão do
Curso de graduação em Medicina
Veterinária.

São Luís, ____ de __________ de 2018.

BANCA EXAMINADORA

____________________________________________________
Profa. Dra. Lenka de Morais Lacerda (Orientadora)
Departamento de Patologia - UEMA

_______________________________________________
Profa. Dra. Viviane Correa Silva Coimbra (1º Membro)
Departamento de Patologia - UEMA

______________________________________________
Profa MsC. Carla Janaína Rebouças (2° Membro)
Departamento de Patologia - UEMA
Dedico este trabalho a minha mãe que esteve ao meu lado
por todo o período do curso dando o apoio necessário, nos
vários aspectos dessa jornada. E a Deus que é o meu
sustento e fortaleza.
AGRADECIMENTOS

Com muita alegria e gratidão que encerro mais uma etapa da minha vida. Cheia de
obstáculos, aprendizagem e amadurecimento. Deixo aqui meu sincero
agradecimento a todos que fizeram parte desse caminho percorrido até aqui. Minha
mãe Edneide Costa Castro pelo sustento nessa fase que não pude contribuir de
maneira significativa ao sustento da família. Aos companheiros de turma que tive a
oportunidade de conhecer e vivenciar experiências que jamais serão esquecidas.
Aos professores que tiveram o empenho de ensinar e trazer o conhecimento da
melhor maneira possível. Deixo aqui meu agradecimento também a minha
supervisora durante o estágio obrigatório no Laboratório de Patologia Clínica da
Uema, Veterinária Kellen Lisboa, pela compreensão e dedicação e paciência para
me ensinar durante este período. Meu muito obrigado a minha orientadora
Professora Drª Lenka de Morais que possibilitou e facilitou ao máximo a conclusão
deste trabalho, pelo apoio e disponibilidade. Aos amigos da Igreja Palavra da Fé,
que me ajudaram com conselhos e orações pra que tudo desse certo, pelo apoio
incondicional e pela parceria de sempre. E embora por último, o mais importante, ao
meu Deus que sempre esteve comigo nos momentos difíceis e tantas vezes me
mostrou que o impossível ao homem é possível para Ele. A Ele toda honra e toda
glória para todo sempre. Amém.
Prepara-se o cavalo para o dia da batalha, mas o Senhor é que dá a vitória.
Provérbios 21:31
RESUMO

A Erliquiose e Babesiose são hemoparasitoses muito comuns no Brasil e sua


prevalência tem aumentado em algumas regiões do país, representando risco à
saúde animal e humana. O objetivo desse trabalho é discutir a importância que estas
doenças já têm e ainda podem ganhar na saúde pública em relação aos cães, sendo
que estes tem seu espaço garantido no convívio diário com o homem. Neste
trabalho foi verificada a ocorrência de cães com erliquiose e babesiose atendidos no
Hospital Veterinário Universitário através de exames realizados no laboratório de
Patologia Clínica da Universidade Estadual do Maranhão, através da pesquisa do
agente em sangue periférico. Para isso foram analisadas fichas de cães atendidos
do período de junho de 2017 à maio de 2018. Foram encontrados 3.7% (130/3527)
de cães positivos para erliquiose e 3.5% (108/3058) de cães com babesiose. Os
percentuais encontrados podem ser explicados provavelmente pela baixa
sensibilidade do exame adotado pelo laboratório, sendo que estes agentes
dificilmente são encontrados em sangue periférico se estiverem na fase aguda da
doença. E ainda pelo diagnóstico muitas vezes não confirmado laboratorialmente
pelo clínico devido a confirmação subjetiva através dos sinais clínicos. Evidenciando
a necessidade do emprego de melhores técnicas de diagnóstico destas duas
doenças e a preocupação com a disseminação destas doenças pelo
desconhecimento da real ocorrência de Ehrlichia spp. e Babesia spp. no município
de São Luis – MA.

DESCREVER RESULTADOS RESUMIDAMENTE E FINALIZAR COM


CONCLUSÃO SUCINTA

Palavras-chave: Saúde Animal, Saúde Humana, Hemoparasitoses, Zoonoses.


ABSTRACT

Ehrlichiosis and Babesiosis are hemoparasitoses very common in Brazil and their
prevalence has increased in some regions of the country, posing a risk to animal and
human health.The objective of this work is to discuss the importance that these
diseases already have and can still gain in public health in relation to dogs, and these
have their space guaranteed in daily living with the man.In this work, the occurrence
of positivity was verified in the animals treated at the University Veterinary Hospital
through examinations done at the Laboratory of Clinical Pathology of the State
University of Maranhão, showing the presence of this disease in the
region.Erliquiosis and Babesiosis are already considered zoonoses, and over time,
one should take a more attentive look at the danger not too distant and not unreal
that these offer to human health.Since the tick that transmits these diseases to the
dog can also transmit to the man through the contact, if allowed. No less important is
to know the general aspects of each, so that there is the best understanding and a
grounded approach, promoting the common welfare between man and
animal.Treating this in the preventive aspect, seeking to minimize the risks and
raising awareness of the area's professionals as well as those who have close
relationship with dogs.

Key words: Animal Health, Human Health, Hemoparasitoses, Zoonoses.


LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Percentual de exames positivos para erliquiose canina por trimestre de


2017-2018, realizados no laboratório de patologia clínica da
UEMA.....................................................................................................................................2
8
Tabela 2 – Percentual de exames positivos para babesiose canina por trimestre de
2017-2018, realizados no laboratório de patologia clínica da
UEMA.....................................................................................................................................2
9
Tabela 3 – Distribuição da população de cães amostrados em São Luís – MA,
segundo sexo e faixa etária, atendidos no hospital veterinário da
UEMA.....................................................................................................................................3
0
LISTA DE SIGLAS

ELISA - Ensaio de imunoabsorção enzimática


HV - Hospital veterinário
IgG - Imunoglobulina G
IgM - Imunoglobulina M
NASF - Núcleo de Apoio à Saúde da Família
OIE - Organização Mundial da Saúde Animal
PCR - Reação em cadeia da polimerase
RR - Risco relativo
UEMA - Universidade Estadual do Maranhão
UFCG - Universidade Federal de Campina Grande
µm - Micrómetro (unidade de medida)
OMS – Organização Mundial de Saúde
FAO – Organização de Agricultura e Alimento dos Estados Unidos
RO - Roraima
SP – São Paulo
MA - Maranhão
mg - Miligramas
kg - Quilogramas
B/D -
g/dL – Gramas por Decilitros
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO...........................................................................................................................10

2. REVISÃO DE LITERATURA....................................................................................................11

2.1 ERLIQUIOSE...........................................................................................................................11

2.1.1. Agente Etiológico e Ciclo Biológico..............................................................................11

2.1.2. Histórico e Epidemiologia..............................................................................................11

2.1.3. Patogenia.........................................................................................................................13

2.1.4. Sinais e Sintomas...........................................................................................................14

2.1.5. Diagnóstico.................................................................................................................15

2.1.6. Tratamento......................................................................................................................15

2.1.7. Prevenção...................................................................................................................16

2.1.8. A Erliquiose na Saúde Pública......................................................................................16

2.2. BABESIOSE...........................................................................................................................17

2.2.1. Agente Etiológico e Ciclo Biológico..............................................................................17

2.2.2. Histórico e Epidemiologia..............................................................................................18

2.2.3. Patogenia.........................................................................................................................19

2.2.4. Sinais Clínicos.................................................................................................................20

2.2.5. Diagnóstico......................................................................................................................20

2.2.6. Tratamento......................................................................................................................23

2.2.7. Prevenção........................................................................................................................25

2.2.8 A Babesiose na Saúde Pública......................................................................................26

3. MATERIAL E MÉTODOS.............................................................................................................26

3.1. Local da pesquisa..................................................................................................................26

3.2. Coleta e Análise de dados....................................................................................................26


4. RESULTADOS E DISCUSSÃO..................................................................................................27

5. CONCLUSÃO................................................................................................................................31

REFERÊNCIAS.................................................................................................................................31
10

1. INTRODUÇÃO

As hemoparasitoses (babesiose e erlichiose) são frequentes em diversas


regiões do Brasil. Estas são transmitidas por carrapatos aos cães, quando estes
estão contaminados pelos agentes. Podendo também o carrapato transmitir ao
homem. A comprovação da real ameaça à saúde humana nos leva a discutir mais
meticulosamente as implicações e quais medidas podem ser tomadas em prevenção
ao aumento da incidência dessas doenças nos cães, e, por conseguinte, a propiciar
um controle maior do risco da contaminação humana.

Entre as zoonoses conhecidas, existem aquelas transmitidas por vetores,


sendo o Rhipicephalus sanguineus o responsável pela transmissão aos cães. Para
qualquer grupo de zoonoses, as ações, as atividades e as estratégias de vigilância,
prevenção e controle de zoonoses executadas pela área de vigilância de zoonoses
se pautam em atuar e intervir, direta ou indiretamente, sobre as populações de
animais alvo, de modo a refletir em benefício direto (quanto à redução ou
eliminação, quando possível, do risco iminente de transmissão de zoonose) à saúde
da população humana (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016).

Qualquer atividade referente a zoonoses deve ser planejada, de acordo


com a magnitude, potencial de disseminação, grau de severidade e grau de
exposição da população ao agente patogênico. A prevenção e controle de algumas
zoonoses ainda permitem um fácil controle, de forma a evitar a disseminação dessas
doenças no animal e por consequência no homem.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Mundial de Saúde


Animal (OIE) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação
(FAO) lançaram em 2008 uma nova visão com o conceito chamado "One health".
Esse conceito visa abranger as diversas áreas da saúde, com foco
humana, animal, vegetal e ambiental. Segundo a OIE (2016) 60% das doenças
infecciosa humanas são zoonoses; 75% dos agentes de doenças infecciosas no
homem são de origem animal; cinco doenças novas no homem surgem por ano,
sendo três de origem animal; 80% dos agentes causadores de doenças que podem
11

ser utilizados como armas biológicas são zoonóticas. O médico veterinário tem
importância vital nessa nova visão, visto que este está presente nas etapas de
produção dos alimentos de origem animal, no cuidado dos animais de estimação e
exóticos, além de atuar na vigilância sanitária, abrangendo um todo no que tange
animal. Essa abordagem de saúde única visa tratar o todo, propiciando assim a
saúde de todos os envolvidos. A função do Médico Veterinário é garantida através
do NASF, no qual este foi incluído a partir de 2011.
Este trabalho foi desenvolvido com o intuito de verificar a ocorrência de
cães com erliquiose e babesiose atendidos no Hospital Veterinário Universitário da
Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) em São Luís – MA.

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 ERLIQUIOSE

2.1.1. Agente Etiológico e Ciclo Biológico


As espécies importantes em medicina veterinária e saúde pública incluem
E. canis, agente etiológico da erliquiose monocítica canina, E. ewingii, que infecta
primariamente neutrófilos, e E. chaffeensis, agente etiológico da erliquiose
monocítica humana, que foi também relatada em cães. Hoje se sabe que os três
organismos são zoonóticos, e as pessoas tornam-se infectadas após serem picadas
por carrapatos (DAVOUST, 2005).

2.1.2. Histórico e Epidemiologia


Estudos demonstraram que nenhum carrapato do sexo feminino infectado
transmitiu a E. canis para a sua progênie, assim como não foi possível detectar-se o
microorganismo no ovário de carrapatos infectados experimentalmente. Estes
estudos indicaram que o Rhipicephalus sanguineus é o vetor, mas não o
reservatório da Ehrlichia canis (ALMOSNY & MASSARD, 2002). Esses são
importantes na transmissão, podendo se infectar pelo agente, mantendo a infecção
até o estágio adulto (BREMER et al., 2005). A frequência desta espécie de
carrapato, encontrado naturalmente infectados pela E. canis no Brasil, tem variado
12

de 2,3% a 6,2% (AGUIAR et al., 2007). A E. canis ocorre em muitos países de clima
temperado, tropical e subtropical do mundo, coincidindo com a prevalência do seu
vetor (ALMOSNY, 2002). A erliquiose canina é uma doença mundialmente
distribuída em várias regiões geográficas, as quais incluem sudeste da Ásia, a
África, a Europa, a Índia, a América Central e a América do Norte. Isso tudo coincide
com a prevalência nessas áreas do vetor Rhipicephalus sanguineus (WOLDEHIWET
& RISTIC, 1993).
No Brasil, sua prevalência tem aumentado em algumas regiões do país
(VIEIRA et al., 2011). Há registro de ocorrências significativas nos estados do
Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro,
Pernambuco, Minas Grais, Alagoas, Ceará, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal,
onde a maioria dos cães atendidos apresentaram anticorpos contra E. canis. Em um
estudo realizado com cães das cidades do Rio de Janeiro e de Niterói, 5% dos
animais examinados apresentavam mórulas de Ehrlichia spp, sendo mais frequente
no verão e outono, embora no inverno exista grande número de casos positivos
decorrentes de recidivas (MORAES et al., 2004). Já em outro estudo realizado em
Botucatu, São Paulo, detectaram alta taxa de infecção em cães jovens, associado
com animais trombocitopenicos, tendo a E. canis como a única espécie encontrada
na região estudada (UENOL et al., 2009).
Segundo Silva et al. (2010) a prevalência de cães soropositivos para E.
canis encontrada nos bairros das regiões administrativas de Cuiabá, Mato Grosso,
foi de 42,5% e não foi observada associação significativa entre o resultado
sorológico e as variáveis estudadas como sexo, faixa etária, acesso à rua ou à zona
rural e raças.
Comprovações epidemiológicas constatam que a prevalência de
erliquiose monocítica canina varia de 4,8 a 65% em cães de ambiente urbano ou
rural (SAITO, 2009). Já os que são atendidos em hospitais e clínicas no Brasil, a
frequência de animais infectados tem oscilado entre 20 a 30%. Isso pode ser
comprovado por diagnóstico por meio de testes moleculares ou sorológicos (BULLA
et al., 2004; TRAPP et al., 2006).
Vieira et al. (2011), mediante evidências sorológicas, sugerem a
ocorrência de erliquiose humana no Brasil, entretanto, o agente etiológico ainda não
foi identificado.
13

2.1.3. Patogenia

A erliquiose canina provoca imunossupressão em cães e canídeos


silvestres e este microorganismo infecta os monócitos circulantes dentro do
citoplasma formando as mórulas. As células infectadas se distribuem pelo organismo
através da circulação do sangue e pelas vias linfáticas (ADRIANZÉN et al., 2003).
Após a transmissão do parasito ao cão pelo carrapato, a erliquiose tem um período
de incubação de 8 a 20 dias, porém este período varia com a dose de
microorganismos infectantes, ou seja, quanto maior a dose de parasitas, menor o
período de incubação. Entretanto, as alterações patológicas e clínicas não são
influenciadas pela dose infectante (OLICHESKI, 2003).
A Ehrlichia pode ser dividida em duas classes, de acordo com o tipo
celular que infecta, podendo ser classificadas como monocitrópicas ou
trombocíticas. As monocitrópicas infectam principalmente monócitos circulantes e
fagócitos mononucleares nos linfonodos, baço, fígado e medula óssea, causando
hiperplasia linforreticular disseminada, organomegalia (linfadenomegalia,
esplenomegalia e hepatomegalia) e anormalidades hematológicas. Estas são as
Ehrlichia chaffeensis, E. canis e E. ruminantum. Já demais são classificadas como
trombocíticas e parasitam trombócitos, causando essecialmente uma
trombocitopenia cíclica não clínica (BIBERSTEIN & HIRSH, 2003; SHERDING,
2008).
De acordo com Olicheski (2003), na fase aguda da doença a replicação
do parasita ocorre nas células mononucleares e linfócitos, sendo o primeiro local de
replicação. Em seguida dissemina-se para as células do sistema retículo endotelial
do fígado, baço e linfonodos, resultando em hiperplasia linforreticular. A interação
entre células infectadas e o endotélio vascular induz vasculite nos pulmões, rins e
meninges, podendo acometer outros órgãos.
Secundário ao processo de vasculite ocorre a destruição periférica das
células alvo, ou sequestro das mesmas, agravando a trombocitopenia e leucopenia.
A trombocitopenia se deve a diminuição da meia-vida das plaquetas, resultante de
sua destruição, que decorre da estimulação do sistema imunológico e de
coagulação, em consequência da resposta inflamatória (OLICHESKI, 2003).
14

Na fase aguda também se observa um aumento no tempo de coagulação,


devido à inibição da agregação plaquetária. Esta inibição provavelmente se dá
devido a presença de anticorpos antiplaquetas no soro de cães infectados com E.
canis. O animal pode recuperar-se totalmente, passar para a fase subclínica, ou ir a
óbito, sendo esta uma condição mais rara de ocorrer. Em geral o animal vai a óbito
em decorrência de associação da erliquiose com outras doenças concomitantes
(OLICHESKI, 2003).
Normalmente, após uma fase de infecção aguda transitória, os cães
contaminados livram-se da infecção ou, no caso de infecção por E. canis, passam
por uma fase subclínica prolongada, que pode se estender por meses ou até anos,
até que finalmente manifestem os sintomas da doença em fase crônica. Por este
motivo, a maior parte das infecções por E. canis só é diagnosticada nesta fase
(SHERDING, 2008).
A principal característica da fase crônica da erliquiose é o aparecimento
de hipoplasia medular, que leva a uma anemia aplásica, com monocitose, linfocitose
e leucopenia (OLICHESKI, 2003).
Animais que uma vez contraíram erliquiose não desenvolvem imunidade
protetora, sendo assim, mesmo animais já tratados, quando expostos novamente ao
vetor contaminado, podem contrair a enfermidade e esta reinfecção tanto pode ser
semelhante à anterior, quanto de forma mais branda ou mais intensa (LEGATZKI &
JORGE, 2002).

2.1.4. Sinais e Sintomas


E. canis causa uma doença febril grave em cães caracterizada por
trombocitopenia, linfadenomegalia, sinais oculares e diateses hemorrágicas.
Infecções crônicas podem resultar em emaciação e hipoplasia de medula óssea,
levando à pancitopenia. O organismo é mantido em populações caninas e é
transmitido entre cães por R. sanguineus; foi mostrado que Dermacentor variabilis
também é capaz de transmitir E. canis (JOHNSON et al., 1998).

Cães infectados podem apresentar quadro agudo com anorexia, apatia,


diarreia, pneumonia, febre, hemoglobinúria, anemia branda a grave e icterícia, sendo
que esta última nem sempre está presente, com curso de 3 a 10 dias. A evolução da
doença pode levar a morte ou a lenta recuperação, que pode levar mais de um mês.
15

Em alguns casos, pode haver o aparecimento de sintomas neurológicos, com


extrema apatia ou agressividade, paralisia, desequilíbrio e ataxia (NELSON &
COUTO, 2015).

2.1.5. Diagnóstico
A erliquiose canina é uma doença de diagnóstico difícil, por possuir várias
características atípicas, as quais vêm sendo notadas em cães afetados
espontaneamente, o que dificulta consideravelmente o diagnóstico clínico
(ANDEREG & PASSOS, 1999; ALMOSNY, 2002). O diagnóstico é feito por meio de
sorologia, associada com os sinais clínicos, resultados laboratoriais, como
trombocitopenia, anormalidades hematológicas, achados citológicos e sorológicos,
sendo mais recentemente a reação em cadeia da polimerase incorporada ao plano
diagnóstico (NEER & HARRUS, 2006). Vale ressaltar que dentre os testes
sorológicos, a imunofluorescência indireta é utilizada no diagnóstico da doença,
sendo aplicável tanto para estudos de infecções experimentais quanto
epidemiológicos (HARRUS et al., 1997).
Outra forma de diagnóstico é verificar a presença de mórula no
citoplasma das células mononucleares do sangue. O diagnóstico laboratorial mais
comum é realizado por meio da observação de mórulas em esfregaços de sangue
periférico, na ponta da orelha (ALMOSNY, 2002). Os achados clínicos devem ser
considerados junto com os resultados hematológicos, bioquímicos e sorológicos no
desenvolvimento do diagnóstico definitivo (GREGORY & FORRESTER, 1990).

2.1.6. Tratamento
Consiste em prevenir a manutenção da doença pelos portadores sãos.
Várias drogas efetivas estão disponíveis: tetraciclina, doxiciclina, minociclina,
oxitetraciclina, dipropionato de imidocarb e cloranfenicol (TILLEY et al., 2003).
Dentre essas, o cloranfenicol é utilizado como opção de tratamento em cães que
não estejam com citopenia (ADAMS, 2003). Já o imidocarb pode ser considerado
eficaz no tratamento da erliquiose, principalmente em casos de co-infecção de duas
ou mais erlíquias em cães ou com infecção concomitante por Babesia spp.
16

(HARRUS et al., 1997). Entretanto, a terapia de suporte pode ser necessária em


casos de anemia grave ou de comprometimento de outros órgãos.
Para o tratamento da doença, em todas as suas fases, a droga de eleição
é a doxiciclina (TILLEY et al., 2003). Essa é lipossolúvel e alcança uma elevada
concentração sanguínea e tecidual, penetrando rapidamente na maioria das células.
Além disso, quando utilizada por via oral, a doxiciclina resulta em menor taxa de
recidiva em comparação as outras tetraciclinas. Em pacientes com insuficiência
renal, devido à via pela qual é eliminada (fecal), as concentrações da doxiciclina não
tendem a aumentar no sangue. A doxiciclina é, portanto, ideal para tratar infecções
suscetíveis quando a insuficiência renal for um fator complicante, como em
infecções por E. canis (ALMOSNY, 2002; ADAMS, 2003).

2.1.7. Prevenção
A prevenção tem um caráter de suma importância nos canis e nos locais
de grande concentração de animais. O controle de carrapatos e outros ectoparasitas
são parte fundamental do manejo sanitário de todos os cães, devido à inexistência
de vacina disponível no mercado contra esta enfermidade (ANDEREG & PASSOS,
1999).

2.1.8. A Erliquiose na Saúde Pública

Hoje se sabe que E. canis, E. ewingii e E. chaffeensis são zoonóticas, e


as pessoas tornam-se infectadas ao serem picadas por carrapatos contaminados
por um ou mais destas bactérias (DAVOUST, 2005). Ehrlichiose dá nome à doença
que as bactérias intracelulares obrigatórias da familia Anaplasmataceae causam.
Dos quais os três agentes citados acima já foram descritos infectando humanos
(DUMLER, 2005).
A erliquiose monocítica humana foi descrita primeiramente nos Estados
Unidos, e posteriormente foi relatada em todo o mundo com relatos em diversos
países da Europa, Ásia e inclusive na América do Sul (DUMLER 2005; PADDOCK &
CHILDS 2003; PEREZ et al., 2006; MARTÍNEZ et al., 2008). Já foram verificados
casos suspeitos da doença no Brasil.
17

O quadro clínico de erliquiose humana não é suficientemente


característico para permitir um diagnóstico clínico, pelo contrário, suas
manifestações são facilmente confundíveis com outras doenças infecciosas como a
Febre Maculosa (DUMLER 2005; PADDOCK & CHILDS, 2003). Sendo febre alta,
cefaléia, mialgia e mal-estar sinais clínicos frequentes.

2.2. BABESIOSE

2.2.1. Agente Etiológico e Ciclo Biológico


A babesiose canina é uma enfermidade causada por protozoários
pertencentes ao filo Apicomplexa, classe Sarcodina, ordem Piroplasmida, família
Babesiidae, gênero Babesia. Atualmente, são conhecidas mais de 100 espécies de
Babesia (CHAUVIN et al., 2009), mas somente B. canis, B. gibsoni e B. conradae
têm sido responsabilizadas por infectar cães, causando a babesiose canina
(TABOADA & MERCHANT, 1997; DANTAS-TORRES & FIGUEREDO, 2006;
KJEMTRUP et al., 2006). Entretanto, é importante ressaltar que Zahler et al. (2000)
e Simões et al. (2011) identificaram, em cão na Espanha e Portugal,
respectivamente, outro pequeno piroplasma mais estreitamente relacionado à
Babesia microti (denominado Theileria annae). Além destas, três espécies de
Theileria (Theileria spp., T. equi, T. annulata) foram isoladas de cães na Europa e
África do Sul (CRIADO-FORNELIO et al., 2003; MATJILA et al., 2008), embora a
competência do cão como hospedeiro para estas espécies permaneça incerta. Das
espécies que acometem os canídeos, B. canis é uma grande babesia (3- 5μm)
possuindo, aproximadamente, o dobro do tamanho da B. gibsoni e B. conradae (0,5-
2,5μm) (TABOADA & MERCHANT, 1997; KJEMTRUP et al., 2006). Os merozoítos
de B. gibsoni são pleomórficos, sendo encontrados com maior frequência na forma
oval, podendo adquirir formato de anel (TABOADA & MERCHANT, 1997), enquanto
os merozoítos de B. canis podem ser encontrados em formato arredondado,
piriforme, elíptico, em cruz ou irregular, frequentemente ocorrendo em pares, mas
oito ou mais podem estar presentes no mesmo eritrócito (LOBETTI, 1998; NEVES,
2000). Atualmente, B. canis apresenta classificação trinominal em subespécies B.
canis vogeli, B. canis canis e B. canis rossi, cuja diferenciação é baseada na
especificidade do vetor, imunidade cruzada e patogenicidade). Dentre as
18

subespécies de B. canis, B. canis rossi é a mais patogênica e causa infecção


normalmente fatal, enquanto B. canis canis possui patogenicidade variável,
geralmente com infecção responsiva às drogas babesiais e B. canis vogeli,
considerada de patogenicidade moderada, cursando com infecção clinicamente
inaparente e responsiva à terapia antibabesial (UILENBERG et al., 1989). B. gibsoni
é considerada altamente patogênica (SHAW et al., 2001).

2.2.2. Histórico e Epidemiologia


O parasita da babesiose canina foi observado pela primeira vez na Itália.
Posteriormente, a doença foi diagnosticada em outros países da Europa, na
América, na Ásia e na África. No Brasil, Pestana, em 1918, verificou uma doença
semelhante em São Paulo, descrevendo uma nova espécie de agente etiológico à
qual denominou Piroplasma vitalii, posteriormente Babesia canis (ANTONIO et al.,
2009).
A babesiose canina é claramente uma das mais importantes infecções
dos cães por hemoprotozoários originários de carrapatos nas regiões tropical e
subtropical do mundo. Também é conhecida como Piroplasmose canina, Peste de
sangrar e Nambiuvu (PINTO, 2009).
Sobre a distribuição das espécies de babesia no mundo, a B. gibsoni tem
sido encontrada na Ásia, América do Norte, norte e leste da África, Europa e,
recentemente, no Brasil. As subespécies de B. canis ocorrem em diferentes regiões:
B. canis rossi é encontrada no sul da África e no Sudão; B. canis canis é encontrada
na Europa e B. canis vogeli no norte e sul da África, na América do Norte, na
Europa, na Austrália, no Sudão, na Turquia e no Brasil. Geralmente, B. canis rossi é
transmitida pelo carrapato Haemaphysalis leachi e causa infecção muitas vezes
fatal, o que caracteriza sua elevada patogenicidade. B. canis vogeli é transmitida
pelo Rhipicephalus sanguineus e determina infecções moderadas. Já a B. canis
canis é transmitida pelo Dermacentor reticulatus e apresenta a menor
patogenicidade entre as demais sub-espécies (DUARTE et al., 2008).
A forma aguda da doença apresenta importante prevalência e atinge
principalmente cães jovens entre um e seis meses de idade, não fazendo distinção
entre machos e fêmeas. Mas apesar de alguns estudos realizados, pouco se sabe
sobre a epidemiologia da doença em cães residentes no Brasil, e à alta morbidade,
19

causada pela babesiose, vem trazendo grande preocupação aos criadores de cães,
tanto pelo aspecto afetivo, quanto pelo impacto negativo na comercialização dos
animais. Além disso, é muito comum se encontrar a babesiose associada à
erliquiose canina, o que agrava o quadro clínico e aumenta o risco de óbito (MILKEN
et al., 2004; UNGAR DE SÁ et al., 2007).

2.2.3. Patogenia
A patogenia da babesia está fortemente ligada à hemólise, causada pela
multiplicação do parasita no interior dos eritrócitos. Com o rompimento das células
parasitadas, além de causar anemia, ocorre liberação de hemoglobina, o que gera
hemoglobinúria e bilirrubinemia. A fração indireta da bilirrubina, em grande
quantidade, leva a uma sobrecarga do fígado, ocasionando icterícia, congestão
hepática e esplênica, gerando hepatoesplenomegalia (ETTINGER & FELDMAN,
2004).

No interior das hemácias, os parasitas se multiplicam por divisão binária,


resultando em dois indivíduos piriformes, ligados entre si pelas suas extremidades
mais afiladas. Os elementos piriformes são libertados pela ruptura da hemácia ou se
dividem novamente no interior da célula, produzindo infecção múltipla (ANTONIO et
al., 2009).
A patogenia clínica da doença envolve anemia hemolítica progressiva.
Casos mais severos podem envolver hipóxia, choque hipotensivo com coagulação
intravascular disseminada, inflamação sistêmica e disfunção múltipla de órgãos. O
dano oxidativo das hemácias parasitadas acarreta em metahemoglobinemia e
metahemoglobinúria secundárias. A liberação de substâncias pirógenas,
ocasionadas pelo rompimento dos eritrócitos, leva a um estado febril (SÁ, 2007).
A trombocitopenia ainda não tem uma causa completamente esclarecida,
mas acredita-se que a destruição mediada por anticorpos e o consumo acelerado
em decorrência de uma reticulite endotelial ou do sequestro esplênico sejam os
mecanismos mais prováveis (BRANDÃO & HAGIWARA, 2002).
Em casos de infecções concomitantes de B. canis e Ehrlichia canis, o cão
demonstra uma severa anemia normocítica normocrômica, causada pela destruição
20

de eritrócitos maduros e de um impedimento da eritropoiese, desenvolvendo uma


doença mais grave, muitas vezes fatal, principalmente em cães jovens (SÁ, 2007).

2.2.4. Sinais Clínicos


A severidade das manifestações clínicas na doença está relacionada ao
grau de multiplicação do parasita nos eritrócitos, com subsequente lise celular
(LEISEWITZ et al., 2001), e à patogenicidade das diferentes espécies de Babesia
spp. e subespécies de B. canis (TABOADA & LOBETTI, 2006), o que respaldou a
classificação da doença em descomplicada ou complicada (JACOBSON, 2006).
Além disso, outros fatores podem influenciar na apresentação da doença, como
imunidade do hospedeiro, idade e doenças concorrentes, como demonstrado em
infecções por B. canis vogeli, em que se observou que a maioria dos animais adultos
ou idosos com manifestação clínica apresentavam fatores predisponentes, como
esplenomegalia ou condições imunossupressoras (SOLANO-GALLEGO et al.,
2008).
Os sinais clínicos típicos da doença descomplicada são devido à anemia
hemolítica e incluem membranas mucosas pálidas, febre, taquipnéia, taquicardia,
esplenomegalia, icterícia, anorexia e depressão (TABOADA & MERCHANT, 1997). A
manifestação clínica da forma complicada é variável e decorrente da intensa crise
hemolítica ocasionada pelo parasita e da liberação sistêmica de fatores inflamatórios
(BRANDÃO & HAGIWARA, 2002). Neste caso, há envolvimento adicional de órgãos
que resulta em anemia, coagulopatia, icterícia, insuficiência renal aguda,
hepatopatia, síndrome da angústia respiratória aguda, sinais nervosos, lesões
miocárdicas, hemoconcentração e choque (LOBETTI, 1998; LOBETTI et al., 2002).

2.2.5. Diagnóstico
O histórico associado à sintomatologia clínica, em geral, são suficientes
para suspeitar de babesiose. Em regiões enzoóticas, um diagnóstico de babesiose
canina pode ser justificado se o animal estiver caquético, anêmico, infestado por
carrapatos e com febre intermitente (PINTO, 2009).
O diagnóstico de babesiose é confirmado pela demonstração da
presença dos protozoários no interior de eritrócitos. Os esfregaços sanguíneos são
21

confeccionados com sangue periférico e corados por colorações do tipo


Romanowsky, como Giemsa, Wright, Rosenfeld ou Diff-Quick. A presença de
grandes organismos piriformes (2,4 x 5,0 μm), comumente presentes aos pares, é
indicativo de infecção por B. canis, enquanto microrganismos intracelulares
singulares e menores (1,0 x 3,2 μm) provavelmente pertencerão à espécie B.
gibsoni. Parasitemias muito baixas são características de B. canis, mas parasitemias
de 5 a 40% caracterizam a infecção por B. gibsoni (NELSON & COUTO, 2001;
OLICHESKI, 2003; PINTO, 2009).
Entretanto, Pinto (2009) revela que, embora geralmente seja comum
encontrar o parasita em animais agudamente infectados, em pacientes crônicos ou
portadores assintomáticos eles são raramente evidentes. Nas fases precoces ou no
estágio agudo da doença, os eritrócitos parasitados são numerosos, mas, em
estágios mais avançados, pode ser difícil a identificação da presença de Babesia
spp., embora a anemia persista. Em casos crônicos, poucos organismos estão
presentes, o que reduz ainda mais a probabilidade de detecção da Babesia no
sangue. Uma vez cessada a fase febril aguda, torna-se quase impossível encontrar
os parasitas, pois os mesmos são rapidamente removidos da circulação. Os
eritrócitos infectados mostram-se grandes e tendem a concentrar-se nas bordas da
“cauda” do esfregaço sanguíneo, enquanto eritrócitos infectados in vivo acumulam-
se nos capilares. Sendo assim, os esfregaços sanguíneos confeccionados a partir
dos leitos capilares periféricos na ponta da orelha podem demonstrar maior número
dos parasitas.
Entre os achados laboratoriais mais comuns estão a anemia regenerativa,
hiperbilirrubinemia, bilirrubinúria, hemoglobinúria, trombocitopenia, acidose
metabólica, azotemia e cilindros renais, sendo as principais anormalidades
hematológicas observadas a anemia e a trombocitopenia (NELSON & COUTO,
2001).
Em casos de babesiose canina, a anemia observada geralmente é
normocítica normocrômica, de baixa intensidade nos primeiros dias após a infecção,
tornando-se macrocítica, hipocrômica e regenerativa à medida que a moléstia
progride. A reticulocitose é proporcional à gravidade da anemia. Anormalidades
leucocitárias são observadas inconsistentemente, podendo ser: leucocitose,
neutrofilia, neutropenia, linfocitose e eosinifilia. Animais adultos sorologicamente
22

positivos, porém assintomáticos, podem não apresentar anormalidades


hematológicas (PINTO, 2009).
Em infecções de longa duração, é comum o achado de numerosas
hemácias nucleadas, podendo o hematócrito estar abaixo de 10% e a concentração
de hemoglobina, abaixo de 3,9 g/dL, em estágios terminais da doença (OLICHESKI,
2003).
Azotemia e acidose metabólica são comuns e parecem contribuir para a
morbidade e mortalidade. Ambas são comumente causadas por B. canis, mas não
por B. gibsoni. Durante a moléstia grave, as atividades das enzimas hepáticas
podem estar aumentadas (PINTO, 2009).
Através de análise citológica de esfregaço sanguíneo ou do aumento do
volume plaquetário médio, é possível a identificação da presença de
macroplaquetas, característica indicativa de uma intensa trombopoiese, que resulta
na liberação acelerada de plaquetas jovens na circulação. Este fato exclui a
possibilidade de erliquiose canina crônica, onde há diminuição do número de
plaquetas circulantes como consequência de uma hipoplasia megacariocítica
(BRANDÃO & HAGIWARA, 2002).
Entre os testes sorológicos empregados, a reação de imunofluorescência
indireta para determinação dos anticorpos contra a Babesia spp. tem utilidade no
diagnóstico, visto que provavelmente os cães não eliminam completamente o
parasita após a infecção. Títulos maiores que 1:40 são positivos, e a demonstração
de títulos aumentados por mais de duas a três semanas é compatível com infecção
recente ou ativa. Resultados falso-negativos de testes sorológicos podem ocorrer
nos casos superagudos ou em cães com imunossupressão concomitante e em cães
com menos de seis meses de idade (NELSON & COUTO, 2001; PINTO, 2009).
A babesiose também pode ser diagnosticada em situações de baixa
parasitemia (casos de fase subaguda ou crônica) através do teste de ELISA. Assim
como a imunofluorescência indireta, este teste permite a diferenciação entre animais
doentes e animais nos quais os anticorpos são remanescentes de uma infecção
precedente, não significando doença ativa. Assim sendo, os testes sorológicos
devem ser avaliados com cautela, e sempre em conjunto com os achados
laboratoriais relevantes, como a contagem de plaquetas (trombocitopenia)
(OLICHESKI, 2003).
23

Outra técnica útil é a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), que tem


sido de grande auxílio na identificação de animais portadores crônicos da doença.
Também é útil na avaliação da eficácia da terapia, enquanto ainda não houve
redução dos títulos de anticorpos específicos. Embora ainda seja restrita a centros
de pesquisa, esta técnica permite a detecção de material genético do parasita em
praticamente qualquer material biológico (BRANDÃO & HAGIWARA, 2002).
Como diagnóstico diferencial, a babesiose clínica deve ser diferenciada
de outras afecções que causam febre, anemia, hemólise, icterícia ou urina vermelha,
o que torna o diagnóstico por esfregaço sanguíneo essencial (LEATCH, 2001).
A anemia hemolítica imunomediada é a principal moléstia a ser
diferenciada da babesiose. Mas ainda que o diagnóstico específico dependa da
detecção dos parasitas nos ertitrócitos, a parasitemia é frequentemente inferior a
5%, além de também ser complicada pela presença simultânea de inclusões nos
monócitos de Ehrlichia canis, igualmente transmitida pelo carrapato R. sanguineus.
Da mesma forma, a presença de outros hemocitozoários, como Haemobartonella e
Hepatozoon spp. dificulta o diagnóstico (PINTO, 2009).

2.2.6. Tratamento
O tratamento da babesiose canina está direcionado para o controle do
parasita, moderação da resposta imune e tratamento sintomático, com sua eficácia
estando relacionada à espécie de Babesia spp. a ser tratada e a disponibilidade de
drogas específicas na região. Por exemplo, B. gibsoni apresenta uma menor
resposta à terapia quando comparada com a B. canis, e também tem menor
probabilidade de responder apenas à terapia sintomática (SÁ, 2007 ; PINTO, 2009).

No mercado existem vários babesicidas efetivos, entre eles o sulfato de


quinurônio, aceturato de diminazeno, amicarbalida, isetionato de fenamidina e
dipropionato de imidocarb. Entre estes, os mais recomendados são o aceturato de
diminazeno (uma diamidina) e o dipropionato de imidocarb (uma carbanilida). O
diminazeno é recomendado na dosagem de 3,5 mg/kg, por via intramuscular ou
subcutânea, sendo efetivo para o tratamento da B. canis em dose única. Porém,
para o tratamento da B. gibsoni, a dose deve ser repetida após 24 horas. Já o
dipropionato de imidocarb é recomendado na dosagem de 5 a 7 mg/kg, por via
24

intramuscular ou subcutânea, sendo recomendadas duas aplicações com um


intervalo de quatorze dias (LEATCH, 2001; OLICHESKI, 2003).
As diamidinas interferem na glicólise aeróbica e também com a síntese do
DNA do parasita, ocasionando dilatação da membrana de organelas, dissolução do
citoplasma e destruição do núcleo. As carbanilidas atuam provocando alterações
morfológicas e funcionais do núcleo e do citoplasma do parasito (BRANDÃO &
HAGIWARA, 2002; ANTONIO et al,. 2009).
Brandão & Hagiwara (2002) dizem que, como o dipropionato de imidocarb
causa a eliminação completa do agente do organismo animal, ele impede a
perpetuação do estímulo antigênico, o que faz com que a proteção seja limitada, e
os animais tornem-se suscetíveis a novas infecções. Nestas condições, a
persistência de uma infecção residual seria desejável para que houvesse uma
estimulação antigênica periódica, bem como a manutenção de um título adequado
de anticorpos, os quais, em conjunto, promoveriam proteção prolongada. Portanto, o
uso de medicamentos antibióticos, como a doxiciclina, poderia ter essa finalidade,
pois não causariam a extinção completa do agente, apenas limitariam a infecção.
A doxiciclina pertence ao grupo das tetraciclinas e, apesar de ser um
antibiótico bacteriostárico, por inibir a síntese proteica dos micro-organismos
sensíveis, também possui ação antimicrobiana sobre alguns protozoários. Uma
recomendação é que a doxiciclina não seja administrada conjuntamente a uma
suplementação de minerais, especialmente o ferro, devendo se respeitado um
intervalo de duas horas entre a administração de um e de outro. Isso porque
interação deste fármaco com minerais como cálcio, ferro, magnésio, zinco e
alumínio pode prejudicar sua absorção, pelas tetraciclinas formarem quelatos
insolúveis com estes minerais (OUROFINO, 2009).
Os efeitos colaterais que podem ser observados com o tratamento com
imidocarb ou diamidinas são: depressão, vocalização contínua, opistótono, ataxia,
rigidez extensora, nistagmo e convulsões. Outros efeitos adversos apresentados
pelos animais incluem salivação transitória, diarréia, dispnéia, lacrimejamento,
depressão e vômitos. Também podem apresentar dor no local da aplicação. Para
evitar efeitos colinérgicos indesejados, recomenda-se o uso do sulfato de atropina,
na dosagem de 0,04mg/kg, dez minutos antes da aplicação do imidocarb (NELSON
& COUTO, 2001; BRANDÃO & HAGIWARA, 2002).
25

O uso de fluidoterapia é fundamental para reidratar o animal e expandir o


volume vascular, diminuindo a toxemia, corrigindo os desequilíbrios eletrolíticos e
ácido-básicos perdidos durante a diarréia e os episódios de vômitos. Caso o animal
apresente infecções bacterianas secundárias, o uso de antibióticos é necessário. Em
cães gravemente doentes pode ser necessário transfusões de sangue ou
administração de bicarbonato (ANTONIO et al,. 2009; PINTO, 2009).
Acredita-se que a anemia e a trombocitopenia possuam um componente
imunomediado, sendo importante a resposta imune humoral por IgM e IgG para a
patogênese da hemólise. Sendo assim justifica-se uma terapia imunossupressiva,
com corticóides, direcionada para a resposta imune (PINTO, 2009).
Madeira et al. (2010) citam o uso de terapia imunossupressora com
prednisona (1mg/kg/BID), seguida de monitoramento do aumento do número de
plaquetas. Caso este aumento não esteja sendo satisfatório, pode-se elevar a dose
para 2mg/kg BID, até remissão da trombocitopenia, quando se passa a reduzir 25%
da dose de corticóide a cada mês. Os autores também citam o uso de vincristina,
ciclofosfamida, azatioprina, dexametasona e o danazol, porém recomendam a
prednisona como medicamento de eleição para casos de trombocitopenia
imunomediada.

2.2.7. Prevenção
Como medida de prevenção, recomenda-se a vigilância no caso de cães
expostos à infecção, para que o tratamento possa ser administrado o mais cedo
possível. Além disso, a babesiose é uma zoonose, onde a maioria das infecções em
humanos é branda ou assintomática, mas podem ocorrer sintomas graves,
principalmente em indivíduos imunossuprimidos, inclusive podendo levar a morte, o
que reforça a necessidade de prevenção da doença (BRANDÃO & HAGIWARA,
2002; PINTO, 2009).

Mas o principal método de prevenção é controlar o carrapato vetor. Como


há necessidade de no mínimo três dias de repasto sanguíneo para que ocorra
transmissão do parasito, indicam-se inspeções frequentes da pelagem dos animais
em busca de carrapatos. Como a doença também pode ser transmitida por
26

transfusão sanguínea, é muito importante o controle de doadores de sangue


(OLICHESKI, 2003).

Uma medida profilática recomendada para cães de áreas onde ocorrem a


Babesia canis ou que viajam para áreas endêmicas é serem tratados
preventivamente com imidocarb e doxiciclina (CORREA et al., 2005).

2.2.8 A Babesiose na Saúde Pública

Semelhantemente à erliquiose, casos humanos foram descritos nos


Estados Unidos e na Europa, sendo associadas a infecções por Babesia microti e
Babesia divergens (HOMER et al., 2000). O primeiro registro de infecção humana
por Babesia spp. foi no Estado de Pernambuco, em paciente adulto com quadro
clínico de malária benigna, onde foram observados no esfregaço sanguíneo do
paciente, estruturas parasitárias identificados como Babesia spp (ALECRIM et al.,
1983).
As manifestações clínicas comuns são febre, calafrios e mialgia. Podendo
variar por espécie de Babesia. Geralmente o quadro clínico é leve, não se
descartando a possibilidade de casos mais graves, principalmente em pacientes já
debilitados (YOSHINARI et al., 2003).

3. MATERIAL E MÉTODOS

3.1. Local da pesquisa


A pesquisa foi realizada no Laboratório de Patologia Clínica Universidade
Estadual do Maranhão (UEMA) na cidade de São Luís – MA.

3.2. Coleta e Análise de dados


A população do estudo foi composta por cães atendidos no Hospital
Veterinário Francisco Edilberto Uchoa Lopes da UEMA com suspeita de erliquiose e
babesiose, no período de junho de 2017 a maio de 2018. No momento da consulta,
eram coletados sangue dos animais e enviados ao Laboratório de Patologia Clínica
da UEMA, para a pesquisa de Ehrlichia spp. e Babesia spp. em esfregaço
27

sanguíneo. Foram consultados os arquivos do Laboratório de Patologia Clínica do


Hospital Veterinário, sendo revisadas as fichas dos animais atendidos neste setor,
identificando-se os casos positivos para Ehrlichia e Babesia.
A análise dos dados foi mediante uma estatística quantitativa. Os animais
foram separados de acordo com sexo e idade. Esses dados foram totalizados e
inseridos em planilhas do programa Microsoft Office Excel para obtenção de
percentuais de positivos referentes aos animais conforme o mês e quantificação em
relação a idade e sexo dos animais positivos.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

O estudo demostrou que durante o período de junho de 2017 a maio de


2018, 3.7% (130/3527) dos cães atendidos no Hospital Veterinário da Universidade
Estadual do Maranhão foram diagnosticados com erliquiose canina e 3.5%
(108/3058) com babesiose (Tabelas 1 e 2). Os diagnósticos foram baseados no
esfregaço sanguíneo e posterior visualização em microscópio óptico.

Tabela 1 – Percentual de exames positivos para erliquiose canina por trimestre de


2017-2018, realizados no laboratório de patologia clínica da UEMA.

Junho- Setembro- Dezembro Março- TOTAL


Agosto Novembro 2017 2017-
2017 Fevereiro Maio
2018 2018

Exames 1019 908 818 782 3527

Positivos 3% (30) 2.6% (24) 4.5% (37) 5% (39) 3.7%


(130)

De acordo com Aguiar (2006) ao avaliar a prevalência da infecção por E.


canis em cães na cidade de Monte Negro – RO, demonstrou a prevalência de 31,2%
(98/134), observando um aumento da frequência com o aumento da idade dos
animais e sem diferença estatística em relação ao sexo dos cães, o que se confirma
com a presente pesquisa, pois observou-se ocorrência com pequena diferença entre
os sexos, conforme mostra a tabela 3.
28

Silva (2011) ao pesquisar a ocorrência de hemoparasitas em 8369 cães


atendidos no Hospital veterinário (HV) da Universidade Federal de Campina Grande
(UFCG) no período de fevereiro de 2006 a dezembro de 2010 observou uma
positividade de 10,63%, superior ao verificado na presente pesquisa. De acordo com
a autora, o aumento de animais positivos, pode estar relacionado aos seguintes
fatores: aumento na criação de cães, conforme mostram as pesquisas o Brasil é o
segundo país em número de animais de companhia sendo que a maioria é da
espécie canina e este número aumenta a cada dia, proprietários estão levando seus
cães com mais frequência ao médico veterinário o que é incentivado pelos
programas de posse consciente e pelo aumento do poder aquisitivo da população
brasileira que possibilita ao proprietário custear os tratamentos clínicos dos seus
animais de estimação.

Tabela 2 - Percentual de exames positivos para babesiose canina por trimestre de


2017-2018, realizados no laboratório de patologia clínica da UEMA.

Junho- Setembro- Dezembro Março- TOTAL


Agosto Novembro 2017-
2017 2017 Fevereiro Maio 2018
2018

Exames 935 756 686 681 3058

Positivos 2.9% (27) 1.8% (14) 5.1% (35) 4.7% (32) 3.5% (108)

Resultados semelhantes foram observados por LEE et al. (2017) no


Hospital Veterinário da Universidade Federal de Sergipe, onde verificaram Babesia
spp. (2,75%) e Erlichia spp. (3,66%) nos animais.

Mediante os resultados apresentados na presente pesquisa, observamos


um baixo percentual de animais positivos para ambos os agentes causadores das
doenças de que trata este trabalho. Alguns clínicos em determinados casos tomam
sinais clínicos como suficientes para iniciar o tratamento, sem fazer uso de exames
complementares para confirmação do diagnóstico. Este tipo de diagnóstico pode
acarretar, a longo prazo, em resistência destes agentes aos fármacos empregados
no combate a estes, gerando maiores problemas no futuro, na utilização destes
produtos no tratamento da doença.
29

Os percentuais encontrados podem ainda ser explicados provavelmente


pela baixa sensibilidade do exame adotado pelo laboratório. Pinto (2009) revela que
em pacientes crônicos ou portadores assintomáticos eles são raramente evidentes.
Nas fases precoces ou no estágio agudo da doença, os eritrócitos parasitados são
numerosos, mas, em estágios mais avançados, pode ser difícil a identificação da
presença de Babesia spp., embora a anemia persista. Em casos crônicos, poucos
organismos estão presentes, o que reduz ainda mais a probabilidade de detecção da
Babesia no sangue. Uma vez cessada a fase febril aguda, torna-se quase
impossível encontrar os parasitas, pois os mesmos são rapidamente removidos da
circulação.
São necessários, portanto, exames mais específicos e de sensibilidade
maior, como os testes sorológicos para que se faça a detecção dos anticorpos de
Ehrlichia spp. e Babesia spp., com vistas a melhorar o diagnóstico e evitar números
provavelmente diferentes da realidade como os apresentados (tabelas 1 e 2). Estes
números trazem à tona a preocupação com a saúde pública, devido ao aumento da
prevalência destas doenças por todo o Brasil, e que necessita do emprego de
melhores testes para evitar engano quanto a real situação da erliquiose e babesiose
caninas no município de São Luís – MA.

Tabela 3 - Distribuição da população de cães amostrados em São Luís – MA,


segundo sexo e faixa etária, atendidos no hospital veterinário da UEMA.

Número de Cães (%)


Idade (Meses) Macho (107/45%) Fêmea (131/55%) Total
0-12 26% 15% 20%
12-24 13.2% 8% 10.3%
>24 45.8% 65% 56.6%
Não Determinada 15% 12% 13.1%

Fonte: Laboratório de Patologia Clínica da Universidade Estadual do Maranhão.

O número de casos positivos está diretamente associado à distribuição do


vetor encontrado principalmente em regiões de clima tropical. Essa diferença pode
ser acarretada pela maior ou menor quantidade de carrapatos, a origem dos
animais, a sensibilidade dos diferentes testes e o número de casos utilizados no
estudo (RODRIGUES-VIVAS et al., 2005; CARLOS et al., 2007).

Levantamento realizado por Souza et al. (2010) demonstrou diferenças


entre os sexos com maior prevalência de ehrliquia e babesia em machos,
30

possivelmente explicado por animais desse sexo terem mais acesso à rua, sendo
mais expostos a vetores e apresentarem maior potencial para infecção por Ehrlichia
canis. Já para Borin et al. (2009) houve maior prevalência em fêmeas, justificado
pelo elevado número de atendimentos realizados em fêmeas por diferentes motivos
de consulta que não somente a EMC.

De acordo com Benigno et al. (2011) é pertinente destacar que,


culturalmente na sociedade, cães machos têm maior liberdade de movimentação no
ambiente peridomiciliar, aumentando o risco de exposição aos carrapatos e,
consequentemente, aos bioagentes por eles vetorados.

Objetivando estimar o risco de infecção humana por estes bioagentes


transmitidos por carrapatos oriundos dos cães domiciliados no município de
Campinas (SP) no ano de 2009, foram examinados 319 carrapatos removidos de
106 pessoas que trabalhavam em clínicas veterinárias, ou que cuidavam dos cães
em moradias humanas na periferia de Campinas, identificando-os e pesquisando se
estavam ou não infectados pelos hemoparasitos. Considerando as pessoas
sabidamente com contato mais direto com os cães, portanto maior grau de
exposição ao parasitismo por carrapatos, o risco relativo foi de 0,49 vezes mais
chance de infecção humana por carrapato entre as pessoas que trabalham, cuidam,
ou convivem com cães, do que as que não têm estas características. Considerando
então a probabilidade da infecção humana por babesia procedentes dos R.
sanguineus infectados, o risco relativo (RR = 0,13) a probabilidade é pouco maior
para as pessoas não expostas aos carrapatos infectados, em relação as expostas
aos carrapatos (BENIGNO et al., 2011).

Medidas de controle de carrapatos devem ser tomadas, pois é o principal


modo de prevenção de hemoparasitoses aliadas à educação sanitária a fim de
ensinar a população sobre a importância da aplicação destas medidas e sua relação
com a saúde e melhor qualidade de vida dos seus cães (SILVA, 2009).

De acordo com Andrade (2007) para um correto diagnóstico, tratamento e


prevenção da erliquiose e babesiose canina, são necessários: conhecimento
atualizado do clínico, anamnese e exame clínico minucioso, controle de vetores e
conscientização da população.
31

5. CONCLUSÃO

A saúde pública enfrenta desafios maiores que os relatados aqui.


Entretanto, a erliquiose canina e a babesiose são doenças que vem tomando
proporções no mínimo relevantes e que necessitam de maior atenção do que tem
recebido até agora, no que diz respeito a saúde humana.
Os resultados inesperados de 3.7% (130/3527) e 3.5% (108/3058), para
erliquiose canina e babesiose canina respectivamente, trazem maior preocupação a
saúde pública. Os baixos percentuais, provavelmente não refletem a realidade do
munícipio devidos ao teste utilizado para detecção dos agentes. E o tratamento de
animais que com diagnóstico não confirmado para estas doenças, leva a resistência
aos fármacos causando maiores problemas para o futuro.

Estas doenças já são tidas como zoonoses, comprovadamente segundo


os diversos relatos de casos e pesquisas já feitas na área. Já vem a algum tempo
tomando espaço no dia a dia da clínica veterinária. Associado a isto deve existir da
parte dos profissionais uma preocupação na conscientização da população sobra o
risco real pelo convívio em ambientes cães e consequentemente pode estar sujeitos
aos vetores e aos agentes que estes transmitem.

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