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4/02/2011

Acordo as 6:00, coloco a camisa que já tinha sido selecionada na noite anterior, vou ao
banheiro, volto ao meu quarto, pego o meu passaporte e o coloco, junto com minha carteira, no
bolso de trás da minha bermuda Jeans, com minha mala e mochila, saio de casa.
Demorou cerca de 30 minutos para chegar no ponto de ônibus que me conduziria até o
aeroporto, o ônibus já estava lá, entro e pago €2,40, ponho minha mala no espaço para deficientes
pois não cabe no espaço designado. Sento em um lugar um pouco mais atrás, na primeira curva a
mala cai, eu volto a levanto e fico ao seu lado agora, em pé, os 30 minutos que levam do centro ao
aeroporto, chego ao aeroporto, pego o elevador e me dirijo ao check in da companhia aérea Spanair.
Espero na fila cerca de 10 minutos, quando chega minha vez, ponho a mão no bolso e percebo que
meu passaporte já não estava mais lá. E é ai que meu dia começa.
Depois de uma caminhada matinal agradável, agora eu tinha em mãos o maior problema que
tive a capacidade de me meter durante toda a viagem, eu estava em território internacional sem um
passaporte, para que você entenda o tamanho do problema, é como se eu estivesse em um puteiro,
com muito dinheiro e nenhuma camisinha, sim, essa é a proporção do meu problema. Depois de
perceber o que tinha acontecido e sentir minha barriga congelar de medo, parei, e pensei onde
pudesse estar o passaporte, refazendo meus passos de horas atrás pensei que a única explicação
possível fosse a de que quando fui colocá-lo em meu bolso, junto com a carteira, tivesse caído no
chão sem que percebesse. Eu tinha 40 minutos sobrando para ir a minha casa encontrar o passaporte
e voltar, aceito o desafio procuro um taxi para me levar à casa mais rápido, mas o aeroporto de
sevilha tem dois andares, no qual o segundo andar serve para quem está saindo enquanto o primeiro
para quem está chegando. Saindo depressa no segundo andar logo encontro um taxi e penso: “que
sorte”, mas é claro que não tinha ninguém dentro do carro, ainda com minha mala de 25kg e minha
mochila continuo e vou para o primeiro andar pelo elevador, mas o ponto de taxi fica no extremo
oposto do elevador, então puxando a mala o mais rápido possível atravessei todo o terminal e
quando chego ao ponto de taxi, todos os taxis então vazios. Sim vazios. Após esperar certa de 5
minutos um dos taxistas que estava dentro do aeroporto tomando um café percebe que eu estou
interessado em seus serviços e vem para me ajudar, abre o porta-malas e, não consegue carregar
minha mala, pede minha ajuda para coloca-la no carro e seguimos para minha antiga casa.
Com intuito de contextualização Sevilha tem cerca de 300,000 habitantes, e nos dois meses
que morei aí, nunca, vi sequer um congestionamento ou transito, nunca, e adivinha o que aconteceu
na volta do aeroporto, quando estávamos entrando novamente na cidade um transito começou a se
formar para meu desespero, e quando chegamos no terceiro sinal e era o terceiro sinal vermelho
comecei a contar, e dos 24 semáforos 19 estavam fechados quando passei por eles, ou seja, minha
contagem regressiva estava no fim. Quando finalmente cheguei em casa lembro que não tenho mais
a chave pois a deixei em cima da minha mesa quando saí, então começo a chamar ao interfone e
ninguém responde, e meu tempo passando e nada de alguém responder ao interfone, foi então que
alguém saiu do prédio deixando uma brecha para que eu entrasse, mas me esqueci que também não
tinha a chave da porta, e que a campanhina não estava funcionando, por alguns minutos eu bati na
porta em vão, então resolvo voltar ao interfone pois chama mais alto dentro da casa, feito isso
consigo uma resposta da minha “Mãe” e ela abre a porta para mim. Corro ao meu quarto e descubro
que o passaporte não está la. Rocío, minha “mãe” pergunta o que está acontecendo, e então percebo
que não havia contando a ela que estava indo embora, e explico rapidamente a situação. Após
explicado desço correndo para pagar o taxista, e é claro que ele me cobrou €30 sendo o padrão €20,
mas como estava com pressa de descobrir o como resolver toda aquele situação lhe dou uma nota de
€50, e adivinha só, ele não tinha troco e nenhuma loja estava aberta àquela hora, depois de negociar
e conversar com o taxista consigo pagar €25 porque o tinha trocado, mesmo ficando com a
promessa de que quando fosse voltar ao aeroporto lhe chamasse para que me levasse.
Agora um pouco assustado, confuso e principalmente frustado, resolvo fazer todo o caminho
até o aeroporto novamente à procura do passaporte, pego uma bicicleta da cidade, para agilizar o
processo e faço todo o percurso novamente, até o mesmo ônibus com a mesma motorista estavam
me esperando para ver se alguém havia encontrado e nada. Cada vez mais frustrado, volto a casa
novamente e ligo o computador a procura de respostas e ajudas, procurando sobre problemas
semelhantes descubro sobre a Autorização de Regresso ao Brasil – ARB que é uma autorização para
brasileiros que não possuem o passaporte e necessitam voltar ao Brasil urgentemente. Mas um dos
documentos necessários para essa autorização é um boletim de ocorrência da polícia local, sem
perder tempo saio de casa e vou à delegacia de polícia mais próxima e descubro um achados e
perdidos, e o encarregado me avisa que não havia nenhum documento ali e que eu deveria ir a uma
outra delegacia. Dito isso fui a outra e rapidamente consegui o boletim de ocorrência mesmo depois
de uma conversa com um espanhol andaluz que falava na velocidade da luz (Tututizzz). Agora são
10:00 e de acordo com minhas escalas eu tinha um voo que saía de lisboa às 15:30, isso me dava
algum tempo para trabalhar. Me dirijo então a escola CLIC lugar que recebe estudantes há muito
tempo, com profissionais muito linguísticos e com experiencia para me ajudar, chegando no lugar
procuro o endereço do consulado brasileiro em sevilla e saio para tentar resolver minha situação,
após andar cerca de 30 minutos chego no endereço apontado pelo site do consulado e descubro que
agora o prédio é um edifício residencial, voltando à escola para procurar algum outro endereço, vejo
alguns policiais multando um senhor que havia estacionado sobre a calçada e resolvi pergunta-los
sobre o endereço e para minha surpresa, consegui um outro endereço um pouco mais longe de onde
eu estava, resolvi aproveitar que já estava um pouco mais perto e fui em busca do outro endereço.
Como meu dia todo mostrava que minha sorte tava tão boa que nenhuma pessoa conhecia a
rua Santa Maria, havia cerca de 25 ruas chamadas Santa Maria de alguma coisa, mas apenas Santa
Maria ninguém conhecia. Passados mais uns 25 minutos encontro um entregador de encomendas
que se dispõe a me ajudar, e procura a tal rua no mapa, vendo assim que eu tinha passado da rua
cerca de 5 quadras, como estava muito disposto no dia, voltei as cinco quadras e descobri que a rua
que eu estava procurando não tinha uma placa como todas as outras. Claro. Depois de encontrar a
rua, fui descendo toda ela procurando o número do tão esperado Consulado brasileiro, chegando no
número chamo a porta e uma senhora muito simpática atende e me diz que aquele endereço era da
casa de um dos advogados do consulado, e que se eu queria resolver alguma coisa eu teria que me
dirigir à sede do mesmo, que segundo essa senhora, era apenas uns cinquenta minutos caminhando
tranquilo. Bom como eu não tinha mais um endereço concreto e nem paciência para caminhar mais
cinquenta minutos, volto a meu QG (CLIC), para o tão temido encontro virtual com meus pais, que
nesse momento contavam que eu já estivesse a caminho de casa.
Chegando na escola, todos que estavam no local já estavam sabendo da minha situação, e
muito dispostos a me ajudar, arrisco dizer até que a ajuda da escola foi primordial para que eu
pudesse ter alguma visão nesse momento tão conturbado. Ligo o computador e me conecto no
Skype, meu pai, como sempre, está online, chamo-o e aguardo sua resposta apreensivo, quando
atende e ouve minha história, sinto, no seu tom de voz, sua barriga congelar, depois de todos os
problemas durante essa viagem, esse foi o maior de todos e sem dúvida o único que realmente me
preocupou. Por vários motivos: tempo indefinido sem poder regressar ao Brasil, orçamento curto já
de fim de viagem, mal relacionamento com a família que me hospedava, a provável necessidade de
me locomover à Madri para tentar solucionar o problema, a distância dos familiares, a saudade de
casa, do cachorro, dos amigos, ano de vestibular sendo indispensável a presença nas aulas, e muito
mais coisas que a cada segundo me deixava mais irritado e com um sentimento de impotência.
Logo meu pai chama a minha mãe e conta a situação, que mais rápido que podia pensar
entra no skype e começa uma pequena discussão sobre as possibilidades

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