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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO


CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE SINOP
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

DISCIPLINA: Fundações e Obras de Terra l


PROFESSORA: Aline Cristina Souza dos Santos

ACADÊMICOS:
Karen Carteri (email: karen.carteri@hotmail.com)
Keytiane Morosini (email: k8_ane@hotmail.com)
Luana Glenda (email: luana_glenda_05@hotmail.com)
Vanusa Lodi (email: nusalodi@hotmail.com)

CONTROLE DA CAPACIDADE DE CARGA: REPIQUE

1 INTRODUÇÃO À CAPACIDADE DE CARGA

O Controle de Qualidade de Obras e as Provas de Carga são de extrema


importância, pois serve para medir as características e resistências das fundações e
da estrutura de uma obra e analisa se as mesmas estão de acordo com o projeto.
Fazer um bom Controle de Qualidade e Provas de Cargas garante a segurança de
uma obra, impedindo riscos e prejuízos indesejáveis.
Segundo Reese et al. (2006), as estacas são empregadas com duas
finalidades: aumentar a capacidade de carga do solo e reduzir os recalques da
fundação, com a transferência do carregamento através de um solo menos
resistente para um solo mais resistente, pela distribuição da carga para o solo
menos resistente através do atrito ao longo do fuste(camada intermediária).
Quando submetida a carregamento vertical uma estaca terá resistência
parcial pela resistência ao cisalhamento gerada ao longo de seu fuste e pelas
tensões normais geradas ao nível de sua ponta.
A soma das cargas máximas que podem ser suportadas pelo atrito lateral e
pela ponta define a sua capacidade de carga.
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O método de instalação da estaca, seu comprimento e o tipo de solo das


camadas atravessadas pelo fuste são fatores que influenciam na transferência de
carga para o solo. Sendo que essa transferência de carga é complexa e de difícil
quantificação analítica.
Para determinar a capacitação da capacidade de carga de estacas foram
desenvolvidos vários métodos. Para o cálculo da capacidade por atrito lateral,
alguns são baseados nos conceitos da mecânica dos solos, como método de
Berezantsev et al. (1961), para o cálculo da carga de ponta em areias, e Meyerhof
(1951) e Skempton (1957). Já outros são fundamentados em ensaios de campo,
como o SPT e o CPT (Ensaio de penetração de cone), ou ligações entre eles.
Os métodos de Aoki e Velloso (1975) e Décourt e Quaresma (1978), no
Brasil, são os doismétodos mais usados para o dimensionamento de fundações em
estacas.
A tensão limite de ruptura de ponta e a de atrito lateral são analisadas em
função da tensão de Apud Décourt et al. (1998) pelo método proposto por Aoki e
Velloso.
Um processo de avaliação da capacidade de carga de estacas, embasado
nos valores de resistência à penetração do ensaio SPT foi apresentado por Décourt
e Quaresma. Quanto ao método desenvolvido para estacas de deslocamento, que
foi objeto de algumas extensões, busca-se a adequação a outros tipos de estacas.
É durante a execução que pode ser feita a avaliação da capacidade de carga.
Segundo a ABNT NBR 6122 (Norma Brasileira de Projeto e Execução de
Fundações), entende-se por verificação da capacidade de carga a realização de
provas de carga estáticas, de acordo com a ABNT NBR 12131:2006, ou a realização
de ensaios de carregamento dinâmico, em conformidade com a norma ABNT NBR
13208:2007.

2 CONTROLE PELO REPIQUE

O controle pelo repique compõe juntamente com as soluções da Equação da


Onda, o método dinâmico, em que uma previsão da capacidade de carga é feita com
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fundamento na observação da resposta à cravação, ou a resposta à cravação é


especificada apontando uma determinada capacidade de carga.
É dado por: K = C2 + C3
Onde: C2 = deformação elástica da estaca
C3 = deformação elástica do solo sob a ponta da estaca
Segundo Velloso e Lopes (2002), a observação da resposta à cravação pode
ser feita de várias maneiras: pelo controle in situ da capacidade de carga de estacas
cravadas, efetuado utilizando-se os sinais do deslocamento máximo obtido em uma
determinada seção da estaca.
Essas Fórmulas Dinâmicas são fórmulas matemáticas que buscam relacionar
a capacidade de carga ao deslocamento. São fundamentadas na medida da nega e
do repique durante a cravação de estacas.

2.1 Registro de Repique

O controle através do repique corresponde à obtenção da parcela elástica do


deslocamento máximo de uma seção da estaca, originada a partir do impacto da
cravação (Niyama et al., 1998). Este valor pode ser obtido através do registro gráfico
em folha de papel fixada na seção analisada, movendo-se um lápis lenta e
sucessivamente durante o golpe (Figura 1).

Figura 1 – Obtenção de nega e repique


Fonte: Alonso (1991)
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Com esse registro é adquirido um sinal que representa de maneira gráfica a


deformação do conjunto estaca-solo quando submetidos a um carregamento
dinâmico. Este sinal mostra os deslocamentos máximos e mínimos sofridos pelo
topo da estaca, porém nem sempre permite determinar o tempo entre os mesmos.
Os deslocamentos máximos do pé do topo não acontecem ao mesmo tempo.
No entanto, essa maneira de estimar a carga mobilizada, segundo Alonso (1991),
apresenta resultados satisfatórios.
O repique (K) é composto de duas parcelas: a deformação elástica da estaca
(C2) e a deformação elástico do solo sob a ponta da estaca (C3). O deslocamento
máximo (DMX) é dado pela soma das parcelas de nega e repique, como pode ser
visualizado na Figura 2.

Figura 2 – Registro gráfico de nega e repique


Fonte: Gonçalves et al. (2000)

A parcela da deformação elástica da estaca pode ser calculada, a partir da


distribuição dos esforços ao longo do fuste, aplicando-se a lei de Hooke.
Segundo Alonso (1991), por ser rotina das firmas executoras de estacas
registrarem a nega no fuste do próprio elemento que está sendo cravado, raramente
se dispõe de um documento de controle da qualidade, pois esse registro das negas
é perdido.
A aquisição dos sinais de nega e repique pode ser realizada manualmente, de
acordo com o processo já citado, mecanicamente, através de um registrador de
deslocamento dinâmico, ou eletronicamente, através do repicômetro.
Para estacas escavadas, como nas estacas cravadas, não existe um
procedimento rotineiro de medida que permita durante a sua instalação estimar a
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capacidade de carga. A fixação da cota de apoio desses tipos de fundação é


baseada fundamentalmente nas investigações geotécnicas.

3 VANTAGENS E DESVANTAGENS

Percebe-se que no método de controle de capacidade de carga pelo repique


há tanto vantagens quanto desvantagens, assim como qualquer outro método de
controle. Esse método não é exigido que seja feito em toda obra, mas é sempre bom
ter o conhecimento da capacidade de carga do solo, pois é ele que suportará todos
os esforços da edificação. Assim é sempre bom saber as vantagens e desvantagens
de cada método de controle.

3.1-Vantagens
 Eliminar o consumo de energia elétrica no canteiro de obra;
 Aumentar a capacidade de carga do solo e reduzir os recalques da
fundação;
 Avaliar o desempenho de fundações profundas;
 As fundações brasileiras oferecem "inovações" para os padrões locais;
 Garantia da segurança de uma obra, evitando riscos e prejuízos
indesejáveis.

3.2-Desvantagens
 A maioria das empresas controla somente a resistência da estaca, mas
a condição de suficiência do maciço de solo é que precisa ser
determinada;
 Todo ensaio é imperfeito por hipótese, por ter sido produzido em
condições diferentes das de trabalho;
 A norma deveria ter maior rigor na fixação do número de provas de
carga em função de variáveis como carga e quantidade de estacas por
bloco;
 Falta de agilidade no bate-estacas. "Na Europa, é comum bate-estacas
sobre guindastes ou bases motorizadas sobre rodas".
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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após inúmeras pesquisas e diversas fontes concluímos que o controle da


capacidade de carga por repique é de extrema importância, pois assim pode ser
medida a capacidade de carga do solo, a resistência e as características das
fundações.
No entanto, há a necessidade que haja maior rigor nas normas no ensaio do
repique, para que se tenham valores com maior precisão de cálculo.

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6122: Norma


Brasileira de Projeto e Execução de Fundações,

Tecnologia escondida. Disponível em: http://revistatechne.com.br/engenharia-


civil/28/imprime32025.asp. Acesso em 08 de março de 2012, às 15:22 hrs.

Serviços. Disponível em: http://www.bmsengenharia.com.br/servicos.php.


Acesso em 08 de março de 2012, às 15:43 hrs.

RODRIGUEZ Alonso (2003) - PREVISÃO E CONTROLE DAS FUNDAÇÕES


- Ed. Edgard Blucher LTDA.