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ESTUDOS E PESQUISAS Nº 17

Balanço da biodiversidade na Amazônia:


uma introdução ao desconhecido

Braulio Ferreira de Souza Dias *

Seminário Especial
A Biodiversidade como Estratégia Moderna de
Desenvolvimento da Amazônia
Rio de Janeiro, setembro de 2001

* Professor Adjunto de Ecologia da Universidade de Brasília, Pesquisador Titular do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística e Diretor de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Brasília, DF.
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BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

1. O que é biodiversidade ou diversidade biológica?

Diversidade Biológica, ou Biodiversidade, refere-se à variedade de vida no planeta terra, incluindo:


a variedade genética dentro das populações e espécies; a variedade de espécies da flora, da fauna e
de micro-organismos; a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos organismos nos
ecossistemas; e a variedade de comunidades, habitats e ecossistemas formados pelos organismos.
Biodiversidade refere-se tanto ao número (riqueza) de diferentes categorias biológicas quanto à
abundância relativa (equitabilidade) dessas categorias; e inclui variabilidade ao nível local (alfa
diversidade), complementaridade biológica entre habitats (beta diversidade) e variabilidade entre
paisagens (gama diversidade). Biodiversidade inclui, assim, a totalidade dos recursos vivos, ou
biológicos, e dos recursos genéticos, e seus componentes.

O conceito de biodiversidade inclui diferentes propriedades ou fenômenos:


• Número de tipos biológicos diferentes [denominado RIQUEZA ou COMPLEXIDADE]
Abundância relativa dos tipos biológicos [denominado EQUITABILIDADE ou
HETEROGENEIDADE]
• Grau de diferença entre os tipos biológicos [denominado de DISTÂNCIA TAXONÔMICA
ou ECOLÓGICA, BETA DIVERSIDADE ou COMPLEMENTARIDADE, que é o inverso
da REDUNDÂNCIA]
• Mistura única de tipos biológicos [denominado COMPOSIÇÃO]
• Número de interações entre tipos biológicos [como por exemplo: EFEITOS
PLEIOTRÓPICOS, TEIA ECOLÓGICA]

A biodiversidade apresenta-se em diferentes níveis de organização biológica:Riqueza de genes


[tamanho do Genoma]
• Variabilidade genética [intra-populacional]
• Diferenciação entre populações
• Riqueza de espécies [tamanho dos Reinos]
• Diferenciação entre comunidades
• Riqueza de paisagens ou fisionomias
• Diferenciação entre biomasA biodiversidade, portanto, possui inúmeras unidades de medida,
tais como:

• genes, indivíduos, populações, espécies, grupos funcionais, comunidades, habitats,


paisagens, biomas

• número, volume, biomassa, área

• distância molecular, distância taxonômica, diferença de fisionomia, beta diversidade,


dominânciaNão existe, portanto, uma métrica única para se medir a biodiversidade.
Podemos falar da biodiversidade de um determinado grupo taxonômico de organismos, de uma
região ou país, de um local; podemos falar do tamanho do genoma de uma espécie, do número de
cultivares de uma espécie, do número de espécies em uma comunidade, da heterogeneidade de
habitats de uma fitofisionomia, ou do número de eco-regiões em um bioma. A literatura científica
de ecologia trabalha principalmente com riqueza de espécies e equitabilidade de indivíduos em

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comunidades ecológicas e faz uso freqüente de inúmeros tipos de índices de biodiversidade de


locais (alfa diversidade), de transectos (beta diversidade) e de regiões (gama diversidade). Cabe
chamar a atenção para o fato de que a diversidade dos diferentes níveis de organização biológica
não são congruentes, isto é, podem variar independentemente. Por exemplo, podemos encontrar
locais com baixa diversidade de paisagens, alta diversidade de espécies por paisagem e baixa
variabilidade genética intra-específica e vice-versa.

Os seres vivos classificam-se em três Domínios (Archaea ou Archaebacteria, Eubacteria e


Eukaryota) e os seres eucariontes dividem-se em quatro Reinos (Protistas, Fungos, Plantas e
Animais). Os animais dividem–se em mais de 33 filos, as plantas em 10 divisões ou filos, os
fungos em 5 divisões ou filos e os protistas em mais de 27 filos, totalizando mais de 75 filos de
organismos eucariontes (seres com cromossomos e núcleos celulares). Os protistas são muito
diversos e talvez sejam subdivididos em mais de 6 reinos. As bactérias dividem-se em mais de 36
divisões ou filos e as arqueobactérias em mais de 3 divisões ou filos, totalizando mais de 115 filos
de seres vivos, ou seja mais de uma centena de tipos biológicos com padrões de estrutura e
fisiologia completamente deferentes uns dos outros. O número de filos ou divisões de bactérias
tem aumentado rapidamente nos últimos anos com avanços nas técnicas moleculares e de
ultraestrutura. Os seres eucariontes multicelulares (fungos, plantas e animais) são caracterizados
como formas simbiotes resultantes da fusão de células de diferentes organismos, exemplificados
pelos cloroplastos das plantas e pelos mitocondrias dos animais. Os vírus e prions não são
considerados seres vivos, embora consigam reproduzir-se dentro de seres vivos. Os seres vivos são
hierarquicamente classificados em domínios, reinos, filos ou divisões, classes, ordens, famílias,
gêneros, espécies e variedades. A maior diversidade de filos, e portanto de estruturas morfológicas
e fisiologias, está nos oceanos e, a menor diversidade está nas águas continentais.

A Biodiversidade é uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e


estabilidade dos ecossistemas, e fonte de imenso potencial de uso econômico. A biodiversidade é a
base das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais e, também, a base para a estratégica
indústria da biotecnologia. As funções ecológicas desempenhadas pela biodiversidade são ainda
pouco compreendidas, muito embora considere-se que ela seja responsável pelos processos naturais
e produtos fornecidos pelos ecossistemas e espécies que sustentam outras formas de vida e
modificam a biosfera, tornando-a apropriada e segura para a vida. A diversidade biológica possui,
além de seu valor intrínseco, valores ecológico, genético, social, econômico, científico, educacional,
cultural, recreativo e estético.

A moderna legislação ambiental estabelece um vínculo estreito entre meio ambiente e diversidade
biológica e adota um entendimento dinâmico de meio ambiente. A Política Nacional do Meio
Ambiente (Lei 6938/1981) define MEIO AMBIENTE como o "conjunto de condições, leis,
influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em
todas as suas formas" (Artigo 3o/item I) e a Convenção sobre Diversidade Biológica define
ECOSSISTEMA como "um complexo dinâmico de comunidades vegetais, animais e de
microrganismos e o seu meio inorgânico que interagem como uma unidade funcional" (Decreto
Legislativo 2-94/Artigo 2o).

DIVERSIDADE BIOLÓGICA é definida pela Convenção sobre Diversidade Biológica como "a
variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os
ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que
fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de
ecossistemas (Decreto Legislativo 2-94/Artigo 2o).

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A Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6938/1981) define RECURSOS AMBIENTAIS como
"a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o
subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora" (Artigo 3o/item V), e a Convenção sobre
Diversidade Biológica define que RECURSOS BIOLÓGICOS "compreende recursos genéticos,
organismos ou partes destes, populações, ou qualquer outro componente biótico de ecossistemas, de
real ou potencial utilidade ou valor para a humanidade", que RECURSOS GENÉTICOS "significa
material genético de valor real ou potencial" e que MATERIAL GENÉTICO "significa todo
material de origem vegetal, animal, microbiana ou outra que contenha unidades funcionais de
hereditariedade" (Decreto Legislativo 2-94/Artigo 2o).

A MEDIDA PROVISÓRIA No 2.186-16 define PATRIMÔNIO GENÉTICO como “informação de


origem genética, contida em amostras do todo ou de parte de espécime vegetal, fúngico, microbiano
ou animal, na forma de moléculas e substâncias provenientes do metabolismo destes seres vivos e
de extratos obtidos destes organismos vivos ou mortos, encontrados em condições in situ, inclusive
domesticados, ou mantidos em coleções ex situ, desde que coletados em condições in situ no
território nacional, na plataforma continental ou na zona econômica exclusiva”.

Diversidade Biológica, antes de mais nada, é uma das propriedades fundamentais do meio ambiente.
É, portanto, um dos componentes básicos da "qualidade ambiental", e qualquer perda de diversidade
biológica, seja a nível de ecossistemas, espécies ou populações, representa uma perda de qualidade
ambiental. Por outro lado, os componentes da diversidade biológica são elementos-chave do
funcionamento dos ecossistemas e mantenedores dos processos ecológicos básicos responsáveis
pelo "equilíbrio ecológico". A perda da diversidade biológica, portanto, compromete a manutenção
do equilíbrio ecológico.

Enquanto instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente, e de acordo com a Constituição


Federal de 1988, a conservação da biodiversidade deve, portanto, contribuir para o Equilíbrio
Ecológico, a Qualidade Ambiental, a Sustentabilidade do Meio Ambiente e para a Disponibilidade
Permanente dos Recursos Ambientais e o Uso Comum ou Coletivo do Meio Ambiente, visando a
proteção da Vida, a promoção da Sadia Qualidade ou Dignidade de Vida, a promoção do
Desenvolvimento Sócio-Econômico, e a Defesa da Segurança Nacional, objetivos maiores
estipulados pela Constituição Federal de 1988 e pela Política Nacional do Meio Ambiente.

Adicionalmente, a diversidade biológica representa um recurso de real ou potencial utilidade ou


valor para a humanidade, constituindo uma das categorias de "recursos ambientais", fornecendo
produtos para a exploração e consumo da humanidade e prestando serviços ambientais de uso
indireto, essenciais à manutenção dos diferentes sistemas econômicos de uso da terra. A redução
da diversidade biológica, portanto, compromete a "sustentabilidade" do meio ambiente e a
disponibilidade permanente dos recursos ambientais. Sendo a diversidade biológica um dos
componentes básicos da qualidade ambiental e prestadora de serviços ambientais essenciais à
sustentabilidade dos diferentes sistemas econômicos de uso da terra, sua apropriação indevida
compromete o Uso Comum ou Coletivo do Meio Ambiente.

2. Quais são os fatores determinantes da biodiversidade?

A biodiversidade de um local é determinada por um conjunto de fatores naturais, incluindo suas


características físicas e químicas, sua extensão, sua complexidade e heterogeneidade estrutural, a
existência de fatores estressante, a antiguidade do local, a existência de barreiras a dispersão dos
seres vivos e a distância de fontes de colonização. MacArthur e Wilson em 1967 já haviam
proposto a famosa teoria de Biogeografia de Ilhas que procura explicar o tamanho da
biodiversidade de uma ilha como função de seu tamanho (complexidade estrutural e taxa de

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extinção) e de sua distância do continente mais próximo (taxa de colonização). Huston em 1979
propôs modelo que relaciona biodiversidade com a taxa de produtividade e o regime de distúrbio do
local, indicando que locais de alta fertilidade e baixo distúrbio têm baixa biodiversidade por causa
da exclusão competitiva, e locais de baixa fertilidade e alto distúrbio têm igualmente baixa
biodiversidade porque a taxa de recolonização pós-distúrbio e menor que a taxa de destruição
causada pelos distúrbios muito freqüentes e/ou intensos. Outro padrão encontrado por vários
pesquisadores é o de alta biodiversidade em ecossistemas de baixa fertilidade, situação que favorece
a especialização para explorar recursos escassos resultando em numerosas espécies de baixa
densidade demográfica ou restritas a biótopos especializados (as chamadas espécies raras).

Os principais tipos de fatores determinantes da biodiversidade de um local são:


• Produtividade ou disponibilidade de recursos (energia, água, substrato e nutrientes)
• Regime de distúrbio e perturbação (cósmica, tectônica, climática, biológica, antrópica)
• Intensidade das interações bióticas (competição, predação, mutualismo, simbiose)
• Estoque original e oportunidades de dispersão (histórico, barreiras, distâncias)
• Fatores sócio-econômicos (usos da terra, tecnologias e demografia)

Como exemplos de fatores determinantes da biodiversidade amazônica citamos:


• Variação climática no Pleistoceno
• Grandes rios como barreiras a dispersão
• Pobreza de nutrientes nos solos
• Abundância e heterogeneidade das águas
• Regime de cheias dos rios [florestas inundadas]
• Alta especiação intra genética
• Heterogeneidade geográfica [paisagens]
• Complexidade estrutural [copas das árvores]
• Diversidade etno-cultural

Tanto a comunidade científica internacional quanto governos e entidades não-governamentais


ambientalistas vêm alertando para a perda da diversidade biológica em todo o mundo, e,
particularmente nas regiões tropicais. A degradação biótica que está afetando o planeta encontra
raízes na condição humana contemporânea, agravada pelo crescimento explosivo da população
humana e pela distribuição desigual da riqueza. A perda da diversidade biológica envolve aspectos
sociais, econômicos, culturais e científicos.

Os principais processos responsáveis pela perda da biodiversidade são:


• Perda e fragmentação dos habitats;
• Introdução de espécies e doenças exóticas;
• Exploração excessiva de espécies de plantas e animais;
• Uso de híbridos e monoculturas na agroindústria e nos programas de reflorestamento;
• Contaminação do solo, água, e atmosfera por poluentes; e

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• Mudanças climáticas. As interrelações das causas de perda de biodiversidade com a


mudança do clima e o funcionamento dos ecossistemas apenas agora começam a ser
vislumbradas.

Três razões principais justificam a preocupação com a conservação da diversidade biológica:


Primeiro porque se acredita que a diversidade biológica seja uma das propriedades fundamentais da
natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas; Segundo porque se acredita
que a diversidade biológica representa um imenso potencial de uso econômico, em especial através
da biotecnologia; Terceiro porque se acredita que a diversidade biológica esteja se deteriorando,
inclusive com aumento da taxa de extinção de espécies, devido ao impacto das atividades
antrópicas.

O Princípio da Precaução, aprovado na Declaração do Rio durante a Conferência das Nações Unidas
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - CNUMAD (Rio-92), estabelece que devemos agir já e
de forma preventiva ao invés de continuarmos acomodados aguardando a confirmação das previsões
para então tomarmos medidas corretivas, em geral caras e ineficazes.

FATORES IMPACTANTES DA BIODIVERSIDADE:

Os principais fatores de intervenção humana que afetam a biodiversidade

Fatores Próximos (Causas Diretas/Imediatas):

1. Perda e fragmentação dos habitats

2. Introdução de espécies e doenças exóticas

3. Exploração excessiva de espécies de plantas e animais

4. Uso de híbridos e monoculturas na agroindústria e silvicultura

5. Contaminação do solo, água e atmosfera

6. Mudanças climáticas globais

Fatores Últimos (Causas Indiretas/Determinantes Econômicos e Sociais):

1. Crescimento acelerado das populações humanas leva a aumento do desmatamento e comércio de


espécies ameaçadas de extinção.

2. Distribuição desigual da propriedade, da geração e fluxo dos benefícios advindos da utilização e


conservação dos recursos biológicos, aumentando a pobreza e a fome.

3. Sistemas e políticas econômicas que não atribuem o devido valor ao meio ambiente e aos
recursos naturais: falta de apoio para causas não utilitárias, falência de planejamento a longo prazo.

4. Sistemas jurídicos e institucionais que promovem exploração não sustentável dos recursos
naturais.

5. Insuficiência de conhecimentos e falhas em sua aplicação.


Fonte: WRI, IUCN, PNUMA (1993). A Estratégia Global da Biodiversidade.

TEMAS PRIORITÁRIOS PARA MONITORAR:

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[Processos/Perturbações Antrópicas e Naturais]

1. Perda e fragmentação dos habitats:


Desmatamento
Fragmentação de habitats
Desertificação
Incêndios/Queimadas
Mineração
Represamento
Erosão e Assoreamento
Urbanização e vias de transporte

2. Introdução de espécies e doenças exóticas:


na Agricultura
na Pecuária
na Piscicultura
na Urbanização

3. Exploração excessiva de espécies de plantas e animais:


Extrativismo vegetal
Lenha e carvão
Corte seletivo de madeira
Caça
Pesca interior
Pesca marinha

4. Uso de híbridos e monoculturas na agroindústria e silvicultura:

Pastagens plantadas

Monoculturas agrícolas

Reflorestamentos

Piscicultura

Áreas verdes urbanas

5. Contaminação do solo, água e atmosfera:


Gases tóxicos (queimadas, indústrias, automóveis)
Material particulado no ar (queimadas, indústrias)
Agrotóxicos e Fertilizantes agrícolas
Salinização (irrigação agrícola)

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Resíduos sólidos tóxicos (industrias, mineração e áreas urbanas)


Resíduos tóxicos na água (indústrias, mineração e áreas urbanas)
Eutrofização das águas (indústrias e áreas urbanas)

6. Mudanças climáticas globais:


Redução Camada de Ozônio/Aumento de Radiação UV
Efeito Estufa/Aquecimento da Terra/Fertilização CO2
Aumento da Aridez/Desertificação
Alteração da Freqüência de Eventos Climáticos Drásticos (secas, inundações,etc)

Níveis e Componentes da Biodiversidade a serem prioritariamente monitorados:

1. Ecossistemas e habitats: compreendendo grande diversidade, grande número de espécies


endêmicas ou ameaçadas, ou vida silvestre; os necessários às espécies migratórias; de importância
social, econômica, cultural ou científica; ou que sejam representativos, únicos ou associados a
processos evolutivos ou outros processos biológicos essenciais;

2. Espécies e comunidades que estejam ameaçadas; sejam espécies silvestres aparentadas de


espécies domesticadas ou cultivadas; tenham valor medicinal, agrícola ou qualquer outro valor
econômico; de importância social, científica ou cultural; ou sejam de importância para a pesquisa
sobre a conservação e a utilização sustentável da diversidade biológica, como as espécies de
referência; e

3. Genomas e genes descritos como tendo importância social, científica ou econômica.

Segue na tabela abaixo alguns exemplos de indicadores para monitorar diferentes processos
impactantes sobre diferentes níveis e componentes da biodiversidade.

CATEGORIAS DE DANOS POTENCIAIS E INDICADORES SUGERIDOS PARA O


MONITORAMENTO DA BIODIVERSIDADE
DANOS POTENCIAIS DESCRIÇÃO INDICADORES
REDUÇÃO POPULACIONAL < RECRUTAMENTO DENSIDADE (SÉRIE HISTÓRICA)
(VARIABILIDADE GENÉTICA) < CRESCIMENTO ESTRUTURA ETÁRIA (TAMANHO)
> MORTALIDADE TAXA RECRUTAMENTO
> EMIGRAÇÃO TAXA HETEROZIGOZE
< ROTA MIGRAÇÃO
< VARIAB. GENÉTICA
EXTINÇÃO
REDUÇÃO COMUNIDADES < RIQUEZA CURVA SP/ESFORÇO COLETA
(VARIABILIDADE DE ESPÉCIES) < EQUITABILIDADE ÍNDICE EQUITABILIDADE
HETEROGENEIDADE HABITATS
% COBERTURA FLORESTAL
ÍNDICE SP EXÓTICAS/NATIVAS
PERDA GRUPOS FUNCIONAIS <ESPÉCIES CHAVE DENSIDADE SPP CHAVE
(VARIABILIDADE ECOLÓGICA) <GUILDAS PRODUÇÃO SPP CHAVE
<HABITATS ESTRUT. FORMAS DE VIDA
<SUSTENTABILIDADE TAXA DE DECOMPOSIÇÃO
TAXA DE FIXAÇÃO DE N
TAXA DE POLINIZAÇÃO

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TAXA DE DISPERSÃO
PERDA CULTURAL <PATRIMÔNIO CULTURAL RIQUEZA DE POVOS
(VARIABILIDADE CULTURAL) RIQUEZA DE LÍNGUAS
EQUITABILIDADE CULTURAS
PERDA ECONÔMICA < EXTINÇÃO ECONÔMICA CAPTURA POR ESFORÇO
(VARIABILIDADE ECONÔMICA) < SPP DESEJÁVEIS CONSUMO PER CAPITA
> SPP INDESEJÁVEIS VOLUME COMERCIALIZADO
< SUSTENTABILIDADE VALOR DE MERCADO
DENSIDADE (HISTÓRICA)
NÚMERO DE ACIDENTES

3. A quem pertence a biodiversidade?

As Sociedades Tradicionais/Tribais consideravam e consideram os recursos biológicos como


propriedade coletiva, de uso exclusivo de determinada comunidade e sujeito a regras rígidas de
exploração.

O Direito Romano, base dos sistemas legais atuais dos países ocidentais, estabeleceu uma dicotomia
básica entre plantas e animais:

Os animais silvestres, por serem móveis, são considerados res nullius, ou seja objetos sem
dono, que podem ser livremente apropriados por quem capturá-los;

As plantas e os animais domésticos, por estarem presos à terra, são considerados como parte
da propriedade imóvel (as terras) onde se localizam, sujeitando-se, portanto, ao regime de
propriedade privada, consagrado nos códigos civis;

Esta dicotomia do direito romano foi incorporada, por exemplo, nas Ordenanças Filipinas, que
regeram os países ibero-americanos durante o período colonial e, no caso do Brasil, durante o
período imperial e da república velha. Posteriormente, estes preceitos foram incorporados nos
códigos civis destes países (por exemplo o Código Civil brasileiro de 1916) e seus reflexos
aparecem posteriormente nos códigos de caça e pesca, proteção à fauna, florestais e ambientais a
partir da década de 1930.

Em muitos países, os direitos da propriedade privada são limitados pela Constituição. A


Constituição brasileira, por exemplo, estabelece que a função social da propriedade é um dos
princípios básicos da atividade econômica, e prevê que no caso da propriedade rural a função social
é cumprida quando a propriedade atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência
estabelecidos em lei, os seguintes requisitos (Artigo 186):

I - Aproveitamento racional e adequado;

II - Utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente;

III - Observância das disposições que regulam as relações de trabalho;

IV - Exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.

Com base no princípio da função social, muitos países, como o Brasil, estabeleceram restrições ao
uso da terra em propriedades rurais, privadas ou públicas, visando a proteção da vegetação,
especialmente florestal. O Código Florestal brasileiro (Lei 4.771 de 1965), por exemplo, estabelece

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Áreas de Proteção Permanente e Reservas Florestais Legais, obrigando os proprietários a preservar e


utilizar de forma sustentável, respectivamente, as florestas assim caracterizadas.

Alguns países caracterizam componentes da diversidade biológica como propriedade do estado,


usando termos/conceitos como: bem público, domínio público, patrimônio nacional, patrimônio da
união, riqueza nacional e soberania nacional. A legislação brasileira, por exemplo, assim
caracteriza os seguintes componentes da diversidade biológica como bens do estado:

O recursos naturais da Plataforma Continental e da Zona Econômica Exclusiva (Art. 20,


Constituição Federal e Convenção sobre Direito do Mar);

Os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase de seu desenvolvimento e que vivem


naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos,
abrigos e criadouros naturais são propriedade do Estado (Art. 1o, Lei 5.197 de 1967);

A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-


Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da
lei, dentro de condições que assegurem preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao
uso dos recursos naturais (Art. 225, Constituição Federal).

Diferentemente, observam-se nas últimas décadas algumas iniciativas internacionais visando


estabelecer o regime de propriedade internacional ou bem da humanidade, como proposto na
versão inicial do Compromisso Internacional de Recursos Fitogenéticos da FAO, ou nas repetidas
propostas de internacionalização da Amazônia.

Infelizmente, tanto o regime de res nullius como o de propriedade coletiva/bem do estado, nas
sociedades modernas, leva ao desperdício e ao uso não sustentável: o conhecido conceito da
Tragédia [das Áreas e Bens] Comuns [the Tragedy of the Commons].

A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) reconhece o direito soberano das nações sobre a
diversidade biológica, incluindo os recursos genéticos, encontrada nos territórios sob sua jurisdição.
A CDB introduziu no cenário legal e diplomático internacional alguns parâmetros e princípios
inovadores, descritos a seguir.

1. Os interesses conflitantes entre nações consumidoras da Biodiversidade (países ricos,


consumidores de produtos da biodiversidade e de recursos genéticos para o desenvolvimento
tecnológico) preocupadas com as altas taxas de erosão/extinção da biodiversidade e interessados no
incremento dos esforços de conservação da biodiversidade nos países tropicais, e, de outro lado, as
nações produtoras da Biodiversidade (países pobres tropicais, ricos em biodiversidade)
preocupadas em obter maiores retornos econômicos do uso de seu patrimônio biológico para
melhorar a qualidade de vida de sua população e sobrecarregadas com os altos custos da
conservação de sua biodiversidade, levaram às negociações que resultaram na Convenção sobre
Diversidade Biológica (CDB).

2. A CDB estabeleceu pela primeira vez, no relacionamento entre as nações, a ligação entre a
Conservação da Biodiversidade e o Desenvolvimento da Biotecnologia, reconhecendo o princípio
da repartição dos benefícios advindos da comercialização de produtos da Biotecnologia entre os
países que desenvolverem um produto biotecnológico e os países de origem dos recursos genéticos
que servirem de base para o desenvolvimento desse produto; e o princípio de rateio dos custos de
conservação da Biodiversidade, com os países mais ricos se comprometendo a arcar com parcelas
significativas do custo da conservação [os custos adicionais], tanto in situ quanto ex situ,

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BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

especialmente nos países pobres economicamente, porém ricos em Biodiversidade. Esse tema
representou o eixo central de disputa e negociação das reuniões preparatórias da CDB.

3. A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) representa um grande avanço no tratamento


das questões ligadas à Biodiversidade por ser a primeira vez que uma convenção internacional
abrange as complexas questões da Biodiversidade de maneira a:

a) incluir a Biodiversidade em sua totalidade: a variabilidade ao nível genético


(intraespecífico ou de populações), a variabilidade ao nível de espécies (interespecífico ou de
comunidades), a variabilidade ao nível de ecossistemas (funções ecológicas); e incluindo
todas as categorias de organismos vivos: plantas, animais, fungos e microorganismos, em
todos os tipos de ambientes terrestres, marinhos e de águas continentais; silvestres ou
cultivados, ameaçados ou não ameaçados.

b) incluir todas as diferentes formas de manejo da Biodiversidade: conservação in situ


(proteção e recuperação de ecossistemas, espécies e populações no local onde
desenvolveram suas características distintivas, de modo a garantir a continuidade dos
processos evolutivos, através de parques, reservas e outras categorias de unidades de
conservação), conservação ex situ (preservação de componentes da Biodiversidade fora de
seus ambientes naturais, em bancos de semente, pólen, sêmen, óvulos, tecidos, culturas in
vitro, arboretos, jardins botânicos, jardins zoológicos, aquários, etc), uso sustentável
(utilização econômica de componentes da Biodiversidade de uma forma e ritmo que não
provoquem um declínio da Biodiversidade, mantendo seu potencial para atender as
necessidades e aspirações das gerações presente e futura), biotecnologia (qualquer aplicação
tecnológica que utilize sistemas biológicos, organismos vivos ou seus derivados, para fazer
ou modificar produtos ou processos para usos específicos).

c) contemplar os principais instrumentos para subsidiar o planejamento do uso e


gerenciamento da Biodiversidade: monitoramento (identificação, localização e quantificação
dos componentes da Biodiversidade ao longo do tempo face aos impactos causados por
atividades antrópicas e mudanças climáticas), avaliação e mitigação de impactos (de
programas, políticas e projetos, incluindo a notificação de nações vizinhas e o
estabelecimento de unidades de atendimento a situações emergenciais), controle do acesso
aos recursos genéticos, controle da liberação de organismos resultantes da biotecnologia
(biossegurança), repartição dos benefícios do uso da Biodiversidade (inclusive aqueles
resultantes da biotecnologia), acesso e transferência de tecnologia, troca de informações,
cooperação técnica e científica, capacitação de técnicos, educação pública, financiamento,
apresentação de relatórios nacionais sobre Biodiversidade e implementação da CDB, e
mecanismos de arbitragem de disputas entre nações.

4. As Convenções Internacionais anteriores relacionadas com Biodiversidade eram todas parciais


por contemplarem apenas:

a) parte da biodiversidade:
Convenção Internacional para a Proteção das Aves (Paris,1950)
Convenção Internacional de Proteção às Plantas (Roma,1951)
Convenção Internacional dos Recursos Vivos de Alto-Mar (Genebra,1958)
Convenção Internacional sobre Áreas Úmidas e Aves Aquáticas - RAMSAR (1971)
Convenção Internacional de Proteção ao Patrimônio Cultural e Natural (Paris,1972)

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Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas-CITES (1973)


Convenção Internacional de Conservação de Animais Migratórios (Bonn,1979)
Convenção Internacional de Direito do Mar (Montego Bay,1982)
Acordo Internacional sobre Madeiras Tropicais - ITTA (Genebra,1983)

b) regiões geográficas delimitadas, como por exemplo:


Convenção de Proteção da Natureza e Preservação da Vida Silvestre do Hemisfério
Ocidental (Washington,1940)
Tratado da Antárctica (Washington,1959)
Convenção Africana de Conserv. da Natureza e Recursos Naturais (Argélia,1968)
Convenção para Proteção do Mar Mediterrâneo contra Poluição (Barcelona,1976)
Tratado de Cooperação Amazônico (Brasília,1978)
Convenção para Proteção dos Recursos Naturais e do Meio Ambiente da Região do
Pacífico Sul (Noumea,1986)

c) grupos restritos de espécies, como por exemplo:


Convenção Internacional para Regulamentar a Caça às Baleias (Washington,1946)
Acordo para Proteção dos Estoques de Crustáceos Marinhos (Oslo,1952)
Convenção Internacional para Proteção de Novas Variedades de Plantas
(Genebra,1961)
Convenção Internacional para Conservação dos Tunídeos do Atlântico
(R.Janeiro,1966)
Convenção para Conservação das Focas da Antárctica (Londres,1972)
Acordo para Conservação dos Ursos Polares (Oslo,1973)
Convenção para Conservação e Manejo da Vicunha (Lima,1979)
Convenção para Conservação dos Salmões do Atlântico Norte (Reykjavik,1982)

5. Observa-se uma evolução nos conceitos de conservação da Biodiversidade:


Inicialmente a preocupação se restringia a proteção de reservas de caça e pesca;
Seguido por ênfase na proteção de espécies ameaçadas ou com estoques comerciais em
declínio;
Depois com prioridade para a proteção de ecossistemas de alto valor estético/ cultural e de
importância para a proteção de espécies ameaçadas;
Posteriormente considerou-se a proteção de ecossistemas representativos da Biodiversidade
(centros de riqueza e endemismos de espécies);
Seguiu-se medidas voltadas para a preservação da variabilidade genética de interesse para o
melhoramento agrosilvopastoril;
Mais recentemente preocupou-se com a conservação da Biodiversidade com vistas ao uso
potencial para a Biotecnologia e para a manutenção das funções ecológicas essenciais ao
equilíbrio do planeta;

12
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Finalmente a preocupação voltou-se para a conservação da Biodiversidade no contexto dos


diferentes sistemas econômicos de produção: uso sustentável;

A Convenção sobre Diversidade Biológica representa a consolidação dos dois últimos conceitos ao
nível da relação entre as nações, sem desconsiderar os conceitos anteriores. A CDB não é uma
convenção sobre Áreas Protegidas, mas sim uma convenção sobre a biodiversidade enquanto
recurso biológico e função ecológica garantidora do equilíbrio ecológico e da sustentabilidade dos
sistemas produtivos.

6. Os acordos anteriores praticamente se restringiram à conservação de plantas vasculares e animais


vertebrados, desconsiderando os grupos de organismos biológicos responsáveis pela maior parcela
da Biodiversidade: microorganismos, fungos e insetos; grupos esses que desempenham papel
fundamental na sustentabilidade dos ecossistemas e que têm enorme potencial na biotecnologia.

7. A CDB deixou várias questões mais controvertidas para serem detalhadas em negociações
posteriores, que resultarão provavelmente em protocolos específicos, porém contém em seu bojo
definições, princípios e compromissos suficientes para nortear uma solução negociada dos
interesses conflitantes entre nações consumidoras e produtoras de biodiversidade.

8. A CDB não tem caráter intervencionista e tampouco adere ao conceito de "interesses globais".
Ao contrário, confirma e defende a soberania de cada nação sobre a biodiversidade de seu território,
assegurando compromissos, das nações que a ratificarem, garantidores desses direitos.

A Medida Provisória No 2.186-16, de 23 de agosto de 2001, regulamenta o inciso II do § 1o e o § 4o


do art. 225 da Constituição, os arts. 1o, 8o, alínea "j", 10, alínea "c", 15 e 16, alíneas 3 e 4 da
Convenção sobre Diversidade Biológica, dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, a proteção e
o acesso ao conhecimento tradicional associado, a repartição de benefícios e o acesso à tecnologia e
transferência de tecnologia para sua conservação e utilização, e dá outras providências.

O acesso a componente do patrimônio genético para fins de pesquisa científica, desenvolvimento


tecnológico ou bioprospecção far-se-á na forma desta Medida Provisória, sem prejuízo dos direitos
de propriedade material ou imaterial que incidam sobre o componente do patrimônio genético
acessado ou sobre o local de sua ocorrência (§ 1o do Art. 1o da Medida Provisória No 2.186-16).

A concessão de direito de propriedade industrial pelos órgãos competentes, sobre processo ou


produto obtido a partir de amostra de componente do patrimônio genético, fica condicionada à
observância desta Medida Provisória, devendo o requerente informar a origem do material genético
e do conhecimento tradicional associado, quando for o caso (Art. 31 da Medida Provisória No
2.186-16).

O acesso ao patrimônio genético existente no País somente será feito mediante autorização da União
e terá o seu uso, comercialização e aproveitamento para quaisquer fins submetidos à fiscalização,
restrições e repartição de benefícios nos termos e nas condições estabelecidos nesta Medida
Provisória e no seu regulamento (Art. 2o da Medida Provisória No 2.186-16).

Fica criado, no âmbito do Ministério do Meio Ambiente, o Conselho de Gestão do Patrimônio


Genético, de caráter deliberativo e normativo, composto de representantes de órgãos e de entidades
da Administração Pública Federal que detêm competência sobre as diversas ações de que trata esta
Medida Provisória (Art. 10 da Medida Provisória No 2.186-16).

Em agosto de 1998 o Presidente da República encaminhou ao Congresso Nacional um Projeto de


Emenda Constitucional (PEC no. 618/98) visando uniformizar a titularidade sobre os componentes

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BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

do patrimônio genético nacional e resguardar os interesses coletivos, propondo que o patrimônio


genético fosse declarado bem da União:

Art. 1o O art. 20 da Constituição passa a vigorar acrescido do seguinte inciso XII: "XII – o
patrimônio genético, exceto o humano, cabendo à lei definir as formas de acesso e de exploração."

4. Quanta biodiversidade existe no mundo e no Brasil?

Biodiversidade brasileira: conhecimento e poder

A biodiversidade total estimada a nível mundial varia entre 3 e 100 milhões de espécies, sendo a
melhor estimativa atual de 13 milhões de espécies (Global Biodiversity Assessment, PNUMA,
1995). A maior parte da biodiversidade ainda por descobrir está nos trópicos e especialmente nos
trópicos americanos, metade dos quais estão em território brasileiro. Portanto, pode-se estimar que
existem pelo menos mais 3 milhões de espécies no território nacional ainda desconhecidas
cientificamente, isto é, 10 a 20 vezes mais do que o número de espécies já conhecidas no país.

Brasil detém a maior parcela da biodiversidade mundial, pelo menos 10 a 20% da biodiversidade já
catalogada no mundo que é de cerca de 1.5 milhão de espécies, ou seja 150 a 300 mil espécies. Da
biodiversidade já catalogada no Brasil, pode-se considerar como minimamente conhecida e
caracterizada cientificamente de forma satisfatória não mais do que 10%, isto é, cerca de 15 a 30 mil
espécies.

Das espécies nativas brasileiras já catalogadas cientificamente, não mais do que 1% foram objeto de
estudos quanto ao seu potencial enquanto recursos genético e não mais de 1% foram objeto de
estudos parciais de caracterização genética, isto é, menos de 1500 a 3000 espécies. Não passam de
poucas dezenas o número de espécies nativas brasileiras que já tiveram parte de sua seqüência
gênica determinada.

Por outro lado, das cerca de duas centenas de etnias indígenas existentes hoje em território
brasileiro, menos de 10% foram objeto de estudo sistemático de resgate e proteção dos
conhecimentos tradicionais sobre uso e manejo da biodiversidade nativa.

No ritmo atual das pesquisas sobre a biodiversidade brasileira, serão necessários mais de 1000 anos
para que toda a biodiversidade brasileira esteja catalogada e razoavelmente caracterizada.
Precisamos de mais pesquisadores e por outro lado precisamos fazer melhor uso das técnicas mais
modernas e expeditas de investigação da biodiversidade.

O Brasil é o país com maior biodiversidade (é o maior dos "países de megadiversidade"), contando
com um número estimado entre 10 e 20% do número total de espécies do planeta. O Brasil conta
com a mais diversa flora do mundo, com mais de 45.000 espécies descritas (perto de 20% do total
mundial). O país possui, por exemplo, a maior riqueza de espécies de palmeiras (390 espécies) e de
orquídeas (2300 espécies). Diversas espécies de plantas de importância econômica mundial são
originárias do Brasil, destacando-se dentre elas o abacaxi, o amendoim, a castanha do Pará, a
mandioca, o caju e a carnaúba.

Os animais vertebrados são amplamente representados na fauna brasileira. Foram registradas no


país 394 espécies de mamíferos, 1.573 espécies de aves, 468 espécies de répteis, 502 espécies de
anfíbios e mais de 3000 espécies de peixes. Esta riqueza de espécies corresponde a pelo menos
10% dos anfíbios e mamíferos, e 17% das aves de todo o planeta. O Brasil conta ainda com a maior
diversidade de primatas do planeta, com 55 espécies, sendo 19 endêmicas. Como evidência da

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BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

riqueza da fauna brasileira e de seu desconhecimento, cinco novas espécies de macacos foram
descritas no país nos últimos anos.

Apesar dessa riqueza de espécies nativas, a maior parte de nossas atividades econômicas está
baseada em espécies exóticas: nossa agricultura está baseada na cana-de-açucar da Nova Guiné, no
café da Etiópia, no arroz das Filipinas, na soja da China, no cacau do México, na laranja da China,
trigo da Ásia Menor, etc; nossa silvicultura depende de eucaliptos da Austrália e de pinheiros da
América Central; nossa pecuária depende de capins Africanos, bovinos da Índia, eqüinos da Ásia
Central, etc; nossa piscicultura depende de carpas da China e tilápias da África Oriental; nossa
apicultura está baseada em variedades da abelha-europa provenientes da Europa e da África
Tropical, e assim por diante.

Conhecimento sobre a biodiversidade brasileira: uma síntese

A síntese apresentada a seguir está baseada nos resultados do diagnóstico sobre o Estado Atual do
Conhecimento da Biodiversidade Brasileira coordenado por Thomas Lewinsohn encomendado pelo
Programa Nacional da Diversidade Biológica do Ministério do Meio Ambiente com recursos do
Projeto Estratégia Nacional da Diversidade Biológica, um projeto de cooperação internacional com
recursos do Fundo para o Meio Ambiente Global - GEF por meio do Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento – PNUD (Projeto BRA 97/G31).

O principal objetivo do projeto foi de traçar um perfil da capacitação atual e conhecimento sobre
biodiversidade brasileira e, assim, subsidiar a definição de ações prioritárias para o desenvolvimento
futuro deste conhecimento e seu aproveitamento para cumprir os compromissos assumidos pelo
Brasil sob a Convenção de Diversidade Biológica, no âmbito internacional, e na Constituição
Federal e legislação específica sobre meio ambiente, no âmbito nacional.

O trabalho foi desenvolvido por um grupo de consultores, cujas tarefas foram divididas por grupo
taxonômico e/ou ambiente, aproveitando assim a familiarização e facilidades de contato entre
especialistas que trabalham em táxons e/ou ambientes afins. Conforme esta divisão foram
produzidos sete relatórios detalhados, que compõem os resultados do projeto, junto com a base de
dados das informações obtidas e um relatório síntese: diversidade genética; diversidade microbiana;
invertebrados terrestres; invertebrados marinhos; organismos de água doce (exceto vertebrados);
vertebrados; e plantas vasculares terrestres.

A principal fonte de informações foi um questionário, distribuído pelos consultores principais e seus
colaboradores a especialistas de diferentes grupos taxonômicos, áreas de conhecimento e
instituições. O objetivo do questionário foi obter informações recentes de especialistas sobre:
condição da taxonomia dos grupos, estado de conhecimento da biodiversidade no Brasil e no
mundo, importância do grupo, estudos genéticos, recursos humanos, estado e abrangência de
coleções biológicas, e necessidades e prioridades para o avanço do conhecimento. No total 175
especialistas responderam os questionários.

Outras fontes de dados examinadas para obter informações complementares incluíram bases de
dados e diretórios de especialistas, informações na Internet, diversas bases bibliográficas em CD-
ROM e Internet, publicações e os estudos preparados para as Avaliações das Ações Prioritáarias
para a Conservação e Uso sustentável da Biodiversidade dos grandes biomas do Brasil (Amazônia,
Caatinga, Cerrado & Pantanal, Mata Atlântica & Campos Sulinos e a Zonas Costeira & Marinha.

Não há, até o momento, compilações extensivas o suficiente para uma contagem precisa do número
de espécies já registradas no Brasil. No entanto, pela primeira vez foi possível fazer uma estimativa,

15
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

combinando-se as informações obtidas dos especialistas com inferências baseadas no percentual de


espécies de alguns grupos conhecidas no Brasil em relação ao total mundial, ou em proporções
intra-grupo. A equipe coordenada por Thomas Lewinsohn estimou que no Brasil até o presente
tenham sido registradas cerca de 200.000 espécies (num intervalo de 180 a 225 mil), a maior parte
em grandes táxons cuja catalogação de espécies conhecidas é ainda muito incompleta (Lewinsohn &
Prado, 2000).

A diversidade dos táxons melhor conhecidos no país indica que o número de espécies do Brasil
representa cerca de 14% da biota mundial. Extrapolando-se esta taxa para o total de espécies
estimadas para o mundo em cada táxon, Lewinsohn & Prado (2000) estimam que haja no Brasil
cerca de 2 milhões de espécies. Tal valor deve ser tratado como uma aproximação, dadas as
imensas lacunas de conhecimento, mas sinaliza que a biodiversidade brasileira é cerca de dez vezes
maior que a atualmente conhecida.

As respostas de especialistas ao questionário do projeto indicam que, embora o Brasil se distinga


por um sistema de recursos humanos e instituições extenso e consolidado, um conhecimento
razoável de nossa biodiversidade demanda ainda um grande esforço, muito maior que o despendido
até o momento. Como o número de espécies desconhecidas pode chegar a 10 vezes o atualmente
estabelecido, seriam necessários vários séculos para descrevê-las, caso seja mantido o ritmo atual de
trabalho. Some-se a isto o fato de que as espécies ainda não descritas serão, tipicamente, de menor
tamanho, menos conspícuas, mais raras, e mais difíceis de amostrar.

Lewinsohn & Prado (2000) concluem que a maioria dos táxons (gêneros, e muitas vezes famílias)
necessitam de revisão taxonômica. A identificação segura ao nível de espécie quase sempre
necessita de especialistas taxonomistas e de coleções de referência. No entanto, as coleções
biológicas brasileiras foram julgadas suficientes para trabalho apenas em 25% dos táxons avaliados,
e totalmente inadequadas para 27%. Mesmo nas principais coleções a falta de curadores com
vínculo efetivo é um problema crítico.

Bibliotecas científicas no país foram consideradas satisfatórias para estudo de 47% dos táxons e
totalmente inadequadas para 7% deles. Parte das lacunas dos acervos bibliográficos devem-se à
inexistência de literatura de identificação, como guias e chaves. Não há qualquer publicação desse
tipo acessível para 35% dos táxons amostrados. Além disto, uma fração significativa (38%) da
literatura considerada importante pelos próprios especialistas consultados foi publicada em formas
de circulação bastante restrita, como teses e relatórios. No entanto, as respostas aos questionários
indicam que no Brasil há pesquisadores capacitados a produzir guias de identificação para a maioria
dos táxons, e que, em geral, estes poderiam ser completados num prazo de 4 e 6 anos.

Lewinsohn & Prado (2000) chamam a atenção que tanto as coleções como as bibliotecas, tidas
como melhores, estão concentradas em poucas instituições, principalmente na região Sudeste.
Quase 80% das coleções mais representativas, segundo os especialistas, estão nas regiões Sudeste e
Sul. Sete instituições apenas abrigam metade de todas as coleções importantes referidas pelos
especialistas; destas, quatro estão na região Sudeste, uma na região Sul e duas na Amazônia.
Grandes institutos de pesquisa ou universidades guardam coleções múltiplas de plantas e animais,
porém as coleções microbianas destacadas tendem a ser encontradas num conjunto de instituições
distinto das demais.

O número de especialistas em atividade foi considerado insuficiente para a maioria dos táxons, e há
muitos grupos importantes sem um único taxonomista ativo, principalmente entre os invertebrados.
Apenas em 5% dos táxons os especialistas opinaram haver um número suficiente de pesquisadores

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BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

no país. Da mesma forma como os acervos científicos e bibliográficos, a maioria dos especialistas –
cerca de 80% – concentra-se nas regiões Sul e Sudeste do país.

A partir do número de especialistas em atividade e o número necessário informado nos


questionários para vários grupos, Lewinsohn & Prado (2000) estimaram que o número de
taxonomistas no Brasil deveria ser, no mínimo, triplicado. Os questionários indicam que isto é
possível por meio da formação de novos taxonomistas e da contratação de profissionais já
formados. Na avaliação dos informadores, isto pode ser feito a curto prazo e predominantemente
com base na competência técnica já existente no país, se garantidas as condições materiais.

O grau de coleta (levantamentos biológicos) foi considerado deficiente para a maioria dos biomas
brasileiros em todos os táxons, com exceção de plantas vasculares. Em termos relativos, a Mata
Atlântica é o bioma melhor conhecido e cujo grau de amostragem e estudo é tido como razoável a
bom no maior número dos táxons avaliados de plantas, vertebrados e invertebrados terrestres. No
outro extremo, a Caatinga e Pantanal são biomas considerados menos amostrados e menos
conhecidos para a grande maioria dos táxons avaliados.

Segundo Lewinsohn & Prado (2000), um levantamento bibliográfico dos últimos 15 anos indica que
os inventários de espécies no Brasil concentram-se muito em alguns grupos taxonômicos, não
necessariamente os menos conhecidos. Além disto, 60% dos inventários são para as regiões Sul e
Sudeste, e metade dos realizados em áreas naturais o foram nos biomas da Mata Atlântica ou
Amazônia. Destaca-se, ainda, a elevada proporção de inventários em ecossistemas modificados pelo
uso humano, cerca de 1/3 do total de publicações, focalizando principalmente táxons de importância
médico-veterinária ou agrícola.

As ações prioritárias mais frequentemente apontadas pelos informadores para o avanço do


conhecimento, em todos os grupos considerados, foram, em primeiro lugar, a melhoria de coleções
(seja pelo estudo e organização dos acervos existentes, seja pela expansão deste acervo através de
coletas direcionadas) e, em segundo, a contratação de técnicos de suporte para as coleções. A
contratação de pesquisadores foi destacada com maior freqüência para invertebrados terrestres e
vertebrados, enquanto que a capacitação de pesquisadores foi especialmente destacada em
invertebrados marinhos.

O levantamento de pesquisadores e produção de diversidade genética se deu através de um


questionário distinto e separou os grupos de pesquisa e sua produção científica segundo os métodos
empregados para estimativa de variabilidade genética (Klaczko, 2000). Foi encontrado um número
expressivo de grupos de pesquisa. Embora vários deles empreguem métodos menos eficientes e
parcialmente superados, este é um problema relativamente secundário e superável. O principal
problema nesta área é que poucos pesquisadores estão diretamente interessados em investigar
diversidade genética em populações naturais. Por exemplo, não foram identificados qualquer
estudo sobre variabilidade ou diversidade genética em felídeos, apesar de seu alto interesse de
conservação. Para a diversidade genética, a ação prioritária parece ser a de motivar e atrair grupos
de pesquisa capacitados para se voltarem a questões e táxons relevantes para o entendimento da
diversidade biológica.

Em seu conjunto, os resultados sintetizados por Lewinsohn & Prado (2000) mostram um nível
muito insatisfatório, embora bastante heterogêneo, de conhecimento da biodiversidade no Brasil, e
de recursos para fazer avançar este conhecimento. Perante este quadro, e as demandas urgentes de
informação de biodiversidade, os objetivos de investigação e capacitação para o futuro devem ser
estabelecidos com uma estratégia abrangente e clareza quanto aos usos pretendidos desta

17
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

informação. Os autores sugerem diversas ações cujas prioridades e detalhamento devem se adequar
ao estado de conhecimento de cada grupo taxonômico e que são exemplificadas abaixo:

Utilização do conhecimento e capacidade existentes:


• Estudo detalhado de material existente em coleções, priorizando grupos com bons acervos e
taxonomia sólida; publicação eletrônica de catálogos e “check-lists”;
• Estímulo à produção e publicação de revisões taxonômicas e de guias de identificação,
valorizando guias acessíveis a não-especialistas, técnicos, professores etc.;
• Consolidação da infra-estrutura material e técnica dos acervos, destacando a necessidade de
curadores e pessoal técnico com vínculo efetivo;

Novas iniciativas:
• Criação e fortalecimento de núcleos regionais, especialmente nas regiões Nordeste e Centro-
Oeste, engajando-os em projetos nacionais ou regionais de inventariação e monitoramento
em parceria com instituições consolidadas;
• Realização de novos inventários em regiões e hábitats pouco conhecidos, sempre com geo-
referenciamento e métodos que permitam análise comparativa e quantitativa;
• Aplicação de tecnologias bioinformáticas para acelerar a catalogação e difusão do
conhecimento sobre biodiversidade e facilitar seu acesso e uso;
• Integração a iniciativas internacionais, especialmente as que fomentarem parcerias com
instituições com acervos importantes e especialistas em biota neotropical.

Novos inventários

Esta é, sem dúvida, uma demanda crítica e de máxima urgência, dada a rapidez de desaparecimento
e alterações que atingem ecossistemas naturais em toda a extensão do Brasil.

Lewinsohn & Prado (2000) destacam diversas frentes, todas igualmente importantes, para aumentar
substancialmente nosso conhecimento de biodiversidade brasileira:
• novas regiões: há ainda vastas extensões do território brasileiro que nunca foram amostradas
para a maioria ou mesmo para qualquer grupo de organismos. Ressalte-se que existem
lacunas geográficas importantes mesmo nas regiões melhor coletadas (v. Relatório de
Plantas Terrestres, Sphepherd, 2000).
• novos hábitats: muitos táxons são incompletamente conhecidos porque hábitats de difícil
acesso (como áreas oceânicas profundas ou o dossel de florestas tropicais, que ambos
demandam equipamentos especiais) ainda permanecem virtualmente intocados. Programas
extensos de coleta deverão multiplicar o número de espécies conhecidas para táxons que
vivem exclusivamente, ou preferencialmente, em tais hábitats. Podemos também incluir
entre os “novos hábitats” a maioria dos organismos vivos que jamais foi investigada quanto
a seus parasitas ou demais simbiontes.
• novos métodos: métodos especiais de coleta são indispensáveis para inventariar diversos
tipos de organismos, especialmente os muito pequenos e frágeis. A coleta, extração e
preparação de organismos tais como o picoplâncton (organismos, especialmente algas,
menores que 2 µm – dois milionésimos de milímetro), ou a maioria dos invertebrados e
microrganismos de solo, exigem técnicas próprias, sem as quais a existência destes
organismos permanecerá em grande parte desconhecida (v. Relatório de Diversidade

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BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Microbiana, Manfio, 2000). Vale relembrar que este desconhecimento não tem qualquer
relação com a importância destes grupos que, de modo geral, respondem por processos
essenciais aos ecossistemas e têm enorme potencial biotecnológico e farmacológico.

Desde a elaboração da Convenção de Diversidade Biológica há um crescente número de iniciativas


internacionais voltadas para diferentes aspectos do conhecimento, conservação e uso sustentado da
biodiversidade. Tais iniciativas variam do âmbito local até o mundial e do caráter plenamente
formal – como iniciativas oficiais de Estados signátarios da Convenção, da ONU ou seus
organismos, ou do Banco Mundial e outras agências financiadoras – até empreendimentos
totalmente abertos e com participação informal.

Esboço de ações prioritárias possíveis, conforme o estado do


conhecimento e capacitação de diferentes grupos de organismos.
Os táxons mencionados e ações apresentadas são ilustrativos e
não representam um programa completo de ação

Condição do grupo taxonômico Exemplos de grupos Ações prioritárias (exemplos)


Grupo relativamente bem conhecido Aves, mamíferos, borboletas, - produção de manuais de identificação
no Brasil crustáceos decápodos, angiospermas e guias de campo, com difusão impressa
(parte) e eletrônica
- inventários em biomas e áreas pouco
conhecidos
- formação de coleções regionais
- integração a programas mundiais de
mapeamento e monitoramento
- preenchimento de lacunas taxonômicas
Grupo com taxonomia bem Peixes ósseos, anfíbios; diversas - intercâmbio ou, se necessário,
estruturada, com conhecimento ainda famílias importantes de coleópteros, contratação de especialistas no exterior
incompleto no Brasil dípteros, himenópteros; aracnídeos - formação de especialistas
- organização de coleções existentes e
catalogação com acesso on-line
- identificação de espécies conhecidas
- inventários em biomas e localidades de
interesse prioritário
Grupo importante com taxonomia Ácaros e nematódeos de solo, - programas especiais de incentivo à
muito incompleta fungos, bactérias formação e fixação de especialistas
- incorporação a iniciativas
internacionais de investigação destes
grupos, quando existentes
- inventários intensivos em localidades
focais selecionadas
- formação de coleções de referência
Grupos de menor tamanho com filos e classes marinhos e dulcícolas - incorporação e organização de
conhecimento variável, sem menores coleções existentes, especialmente em
especialistas no Brasil condições precárias
- atribuição de curadorias e estímulo a
especialistas
- prioridade para estudo de material em
inventários abrangentes de ecossistemas
Fonte: Lewinsohn & Prado, 2000

Como princípio geral, Lewinsohn & Prado (2000) recomendam a adesão a todas as iniciativas que
sejam relevantes e potencialmente úteis para o Brasil, sendo especialmente importantes iniciativas
de capacitação taxonômica, visando a realização de inventários e o monitoramento de áreas críticas
para conservação de biodiversidade. Empreendimentos internacionais foram propostos ou
nucleados por ONGs e, especialmente, por várias das maiores instituições de pesquisa com grandes

19
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

coleções mundiais, como os Herbários de Kew (Inglaterra), Nova York e Missouri (Estados Unidos)
e os Museus de História Natural de Londres, Washington e Nova York.

A cooperação com estas e outras instituições que detêm acervos excepcionais de espécies da biota
brasileira, incluindo muitos espécimes-tipo de espécies descritas, é da maior importância para o
conhecimento da biota brasileira. Há, de fato, uma longa tradição de intercâmbios, variando de
contatos pessoais e informais entre pesquisadores até convênios entre instituições. No entanto, estas
tradições tornaram-se inadequadas ou insuficientes por várias razões. Em vários dos programas
internacionais que iniciaram, estas instituições internacionais entram como matrizes capacitadoras e
lideram programas pioneiros em países clientes, usualmente do Terceiro Mundo, financiados por
organismos internacionais. Este modelo de relação não é apropriado para países como a África do
Sul, o México ou o Brasil que têm recursos institucionais e de pesquisadores consideráveis. Para
nossas condições e necessidades, os modelos de cooperação e intercâmbio devem seguir um outro
padrão, levando em consideração o aporte e necessidades de custeio de cada parte.

5. Quais as ações prioritárias para a conservação e uso sustentável da


biodiversidade amazônica?

Estão reproduzidas a seguir as recomendações dos mais de 200 especialistas participantes do


Workshop de Macapá sobre “Avaliação e Identificação de Ações Prioritárias para a Conservação,
Utilização Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade da Amazônia Brasileira”,
parte do Programa Nacional da Diversidade Biológica – PRONABIO do Ministério do Meio
Ambiente, coordenado por um consórcio de organizações lideradas pelo Instituto Sócioambiental –
ISA e com a contribuição do IPAM – Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia, GTA –
Grupo de Trabalho Amazônico, ISPN – Instituto Sociedade, População e Natureza, IMAZON –
Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia e Conservation International do Brasil –CI
(INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL et al., 2001)

GT 1 - UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE PROTEÇÃO INTEGRAL

Princípios Básicos
• Políticas setoriais brasileiras devem incluir uma vertente ambiental e o país deve investir
numa política pública de conservação de biodiversidade.
• O sistema de conservação na região deve ser concebido de forma a incluir terras indígenas,
unidades de conservação federais, estaduais e municipais, de uso direto e indireto, e
estratégias de uso sustentado de recursos naturais.
• Tendo em visto as enormes lacunas de conhecimento sobre a distribuição, conservação e uso
da biodiversidade, a pesquisa deve ser priorizada na Amazônia Legal.

Ações Críticas
• Implementação de UCs já criadas;
• Regularização fundiária das UCs;
• Resolução de conflitos com terras indígenas e populações tradicionais;
• Incremento nos recursos humanos para gestão de UCs;
• Cooperação institucional;
• Desenvolvimento da pesquisa científica;

20
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

• Estabelecimento do zoneamento, manejo e gestão das UCs;


• Sistematização e disseminação de informações;
• Viabilidade ecológica (Zona tampão, conectividade, áreas críticas área mínima viável etc.);
• Estabilidade financeira;
• Utilização das unidades de conservação e zona tampão;
• Invasões e interferências externas às UCs;
• Criação de novas unidades de conservação.

Ações Propostas

Implementação de UCs existentes


• Regularização fundiária de todas as UCs: busca de mecanismos alternativos para
gerar recursos para regularização fundiária (compensação ambiental, quitação de
dívidas públicas etc.) e de instrumentos legais que permitam a compensação das
posses e uso de recursos de forma mais justas por parte das populações tradicionais;
• Resolução de conflitos com terras indígenas: criação de um grupo trabalho entre os atores
sociais envolvidos que inclua Funai, Ibama e grupos indígenas para resolução dos casos
específicos;
• Resolução de conflitos com populações tradicionais: realizar um diagnóstico sobre os
conflitos entre UCs e populações tradicionais e organizar seminário para discutir o tema;
• Reforçar a cooperação governamental e não governamental visando a implementação das
UCs;
• Estudar a criação de um fundo fiduciário ou outros mecanismos equivalentes para garantir
a estabilidade financeira para a implantação e manutenção de UCs;
• Incentivar e promover a educação ambiental e práticas de desenvolvimento sustentável
junto às populações locais;
• Criar oportunidades econômicas de baixo impacto ligadas à presença de UCs para as
populações locais de forma minimizar impactos e invasões nas mesmas;
• Prover incentivos financeiros, como ICMS ecológico, para municípios e estados que
abriguem UCs de uso indireto.

Criação de novas unidades de conservação:


• Utilização dos resultados da Consulta de Macapá de 1999 para nortear a criação de
novas unidades de conservação na Amazônia;
• Incentivar e normatizar diferentes mecanismos de cooperação para a gestão e manejo
das unidades de conservação;
• Reforçar o processo técnico de avaliação da realidade do potencial das áreas para
definição da categoria e para garantir a viabilidade ecológica (Zona tampão,
conectividade, áreas críticas, área mínima viável) considerando dos atores sociais
envolvidos;

21
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

• Aumentar a extensão da superfície protegida da Amazônia Legal Brasileira de forma


a garantir, numa primeira etapa (nos próximos 5 anos), o mínimo de 10% em áreas
protegidas de uso indireto.

Fortalecimento e Cooperação institucional


• Reforçar as coalisões institucionais para a criação e viabilização das unidades de
conservação;
• Fortalecimento das instituições públicas gestoras de UCs, incluido a contratação e
capacitação de recursos humanos;
• Fortalecimento de organizações não governamentais que atuam em UCs;
• Incentivar, normatizar e implementar diferentes mecanismos de cooperação para a
gestão e manejo de UCs.

Pesquisa científica e Disseminação das informações


• Fomentar um programa a realização de pesquisas integradas para o conhecimento e
monitoramento da biodiversidade em UCs;
• Elaboração de planos de pesquisas da UCs;
• Criação de linhas específicas de financiamento por parte dos órgãos de fomento a
pesquisa, direcionado a implementação dos planos de pesquisas das UCs;
• Desenvolvimento de programa de capacitação da população local visando coleta de
dados e monitoramento da biodiversidade nas UCs;
• Utilização dos resultados do Workshop da Amazônia para a priorização de pesquisa
dentro e entre na UCs;
• Criação de um protocolo mínimo de coleta e sistematização de dados sobre UCs
(bióticos, abióticos, sociais e institucionais) visando a criação e disponibilização de
um banco de dados;
• Disseminação das informações sobre as UCs em linguagem acessível aos diferentes
públicos (local, regional, nacional e internacional) e desenvolvimento de iniciativas
para valorização de áreas protegidas.

GT2 – USO ECONÔMICO NAS ÁREAS ALTERADAS (AA’S)

Princípios gerais e orientações estratégicas que devem nortear o uso econômico em áreas
alteradas

Reconhecimento da importância da recuperação das áreas alteradas no restabelecimento das funções


ecossistêmicas da floresta e, também, do importante papel dessas áreas enquanto zona tampão para
proteção dos maciços florestais a partir do desenvolvimento de atividades econômicas.

O uso econômico e a recuperação de áreas alteradas através de manejo florestal, sistemas agro-
florestais e reflorestamento, por exemplo, podem criar um “cinturão verde” que permita conter a
expansão da fronteira agrícola nos atuais padrões insustentáveis.

Futuros assentamentos humanos devem ser orientados para ocupar áreas já desmatadas que, em
muitos casos, já dispõem de boa infra-estrutura, sempre atendendo a requisitos sociais e ambientais
básicos.

22
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

O governo brasileiro deve avançar nas discussões relativas à regulamentação do MDL – Mecanismo
de Desenvolvimento Limpo, pois o mesmo é um dos mecanismos mais promissores de
financiamento não convencionais para apoiar atividades econômicas em AA’s, neste momento.

A articulação interinstitucional entre órgãos federais, estaduais e municipais, agências de crédito e


instituições voltadas à formação e capacitação de recursos humanos, é essencial para que as
atividades econômicas em áreas alteradas possam alcançar a sustentabilidade econômica, social e
ambiental.

As áreas estabelecidas como de preservação permanente que sofreram alteração (p.ex. margens e
cabeceiras de rios, cumes de morros, dentre outros) deverão ser recuperadas.

As áreas urbanas na Amazônia foram consideradas como áreas alteradas pelo grupo de trabalho,
porém, não foram tratadas devido à complexidade de sua abordagem.

Os elementos fundamentais que deverão orientar o uso econômico nas áreas alteradas são:
agregação de valor aos produtos; distribuição mais eqüitativa da renda; valorização das ações locais;
diversificação da base produtiva local; e melhoria da qualidade de vida das populações locais.

Ações propostas

Atividades econômicas sugeridas por tipologia das áreas alteradas

Atividades Capoeira Floresta Campos Área


explorada alagados/ desmatada
várzea

Sistemas agroflorestais (SAFs)

Extrativismo/artesanato

Agricultura familiar

Manejo florestal (madeira)

Reflorestamento

Agropecuária intensiva

Manejo pecuário

Ecoturismo

Aqüicultura

Sistemas agroflorestais (SAFs):


• Apoiar instituições privadas comunitárias de assistência técnica;
• Incorporar os SAFs na agenda de política agrícola dos Estados e municípios;
• Envolver produtores no desenho de programas de fomento (política e crédito);
• Fortalecer o associativismo nas comunidades;

23
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

• Implementar, de forma participativa, projetos pilotos demonstrativos para difusão de


tecnologia de SAFs;
• Regularização fundiária;
• Capacitação de agentes locais e pesquisa e desenvolvimento (administração,
comercialização, processamento dos produtos);
• Linha de crédito diferenciada (riscos/atividades).

Extrativismo
• Fortalecer o associativismo;
• Apoiar pesquisas técnicas para agregar valor aos produtos extrativos;
• Ampliar as linhas de crédito (FNO – Prodex) para as populações fora das RESEX;
• Implementar oficinas de treinamento para capacitação técnica das comunidades, troca de
experiências entre projetos, comunidades e atividades;
• Estruturar e/ou divulgar bolsa de negócios para produtos extrativistas com participação
das agências financiadoras;
• Diversificar a cesta de produtos extrativistas;
• Melhorar a participação e representação dos extrativistas nas instâncias para tomada de
decisão referentes ao extrativismo;
• Assegurar o uso sustentável através de planos de manejo;
• Fortalecer iniciativas de certificação.

Agricultura familiar
• Garantir o acesso à terra e regularização fundiária;
• Crédito: adequar os prazos de pagamento em relação à maturação de investimento,
liberar o crédito no prazo compatível com os aspectos sazonais (p.ex. liberar crédito para
preparo de área antes da época de chuvas) e compatibilizar os juros com a capacidade de
retorno do investimento;
• Apoiar as escolas famílias;
• Disseminar modelos agrícolas semi-intensivos;
• Fortalecer o associativismo e cooperativismo.

Reflorestamento
• Garantir o acesso e título sobre áreas para diminuir os riscos de se perder o investimento
(reflorestamento) no futuro;
• Implantar associações de reposição florestal para a região;
• Estruturar linhas de financiamento que atendam as condições de investimento de longo
prazo;
• Priorizar as espécies nativas e espécies de múltiplo uso (óleos, lenha, madeira);
• Estimular parcerias de pequenos agricultores (para plantar essências florestais) e
indústria madeireira;

24
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

• Estimular o mecanismo de desenvolvimento limpo (Protocolo de Kyoto) para financiar o


reflorestamento em áreas desmatadas.

Manejo Florestal
• Garantir a titulação de áreas para manejo florestal (em particular aquelas que possuem
comunidades);
• Apoiar a certificação do manejo florestal e campanhas para estimular o consumo de
madeira certificada;
• Estabelecer centros de treinameto em técnicas de manejo florestal;
• Estimular o desenvolvimento do manejo comunitário florestal: disseminar experiências,
intercâmbio entre projetos, etc;
• Melhorar a articulação inter-institucional para facilitar o manejo florestal em áreas
indígenas, onde apropriado;
• Regulamentar o manejo florestal em UCs e TIs.

Agropecuária intensiva
• Priorizar a melhoria da infra-estrutura em áreas já tradicionalmente ocupadas
(desmatadas) e não em áreas ainda florestadas;
• Estimular programas de melhoramento zoo e fitotécnico para pequenos agricultores
familiares;
• Fortalecer a assistência técnica das associações e cooperativas;
• Estimular parcerias entre associações e ONGs locais;
• Estimular criação de animais silvestres em cativeiro.

Manejo pecuário em campos alagados e várzeas


• Estabelecer sistemas de criação compatíveis com as características socioambientais da
região (capacidade de suporte, seleção de áreas);
• Assistência técnica e pesquisa em técnicas de manejo apropriados (saúde animal);
• Regularização fundiária.

Ecoturismo
• Estruturar programas para qualificar e capacitar a mão-de-obra local;
• Capacitar as populações do entorno para que o ecoturismo seja uma oportunidade de
geração de renda local;
• Efetivar o planejamento e gestão participativa (através de um conselho gestor) dos
projetos de ecoturismo para diminuir os impactos negativos nas populações locais;
• Criar infra-estrutura adequada às características locais;
• Estruturar linhas de crédito específicas ao setor e apoiar a elaboração de projetos em
comunidades com potencial turístico e que tenham tal demanda.

25
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Aqüicultura
• Estimular a pesquisa com espécies nativas;
• Articulação inter-institucional na região buscando a troca de experiências e difusão de
resultados;
• Estabelecer um centro de específico para pesquisa na região.

GT3 - TERRAS INDÍGENAS

Considerando a importância fundamental que as terras indígenas têm para a conservação da


biodiversidade na Amazônia brasileira, onde constituem mais de 20% da sua extensão integral, e
onde se verifica a ocorrência de florestas e outros ecossistemas associados relativamente mais
preservados e também associada à diversidade social e cultural representada pelos povos indígenas
que vivem na região, o grupo de trabalho encarregado de sugerir ações estratégicas para a
conservação da biodiversidade em terras indígenas, procurando reunir, aprofundar e sistematizar as
referências sobre o tema observado nos vários grupos de trabalho temáticos e regionais, propões as
seguintes providências:

• Concluir o processo de identificação e demarcação das terras indígenas.

• Instituir figura jurídica específica para a proteção da biodiversidade em terras indígenas,


compatível com o direito de usufruto exclusivo do povo ocupante, aplicável a áreas
especialmente relevantes do ponto de vista biológico e paisagístico situadas nestas terras.

• Estender a aplicação do instituto legal de proteção ao entorno das UCs (unidades de


conservação) ao entorno das TIs (terras indígenas).

• Criar grupos de trabalho compostos pelo Ibama/MMA e comunidades indígenas ocupantes


para propor soluções negociadas, caso a caso, para as sobreposições entre TIs e UCs de uso
indireto.

• Rever (por lei ou decreto) os atos de criação de Flonas incidentes em TIs de modo a eliminar
a sobreposição existente.

• Apoiar os povos indígenas ocupantes das terras incluídas entre as prioritárias para a
conservação da biodiversidade para a realização de etno-zoneamento.

• Fomentar técnica e financeiramente projetos de comunidades indígenas para sustentação


econômica, manejo sustentável e conservação de recursos naturais existentes em suas terras.

• Formular e implantar programas de pesquisa sobre biodiversidade entre comunidades


indígenas e instituições ou núcleos de pesquisa científica.

• Constituir, sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente, uma instância mutilateral


permanente que reúna os governos, representantes indígenas e da sociedade civil dos países
amazônicos para propor políticas conjuntas ou compatíveis para a proteção da
biodiversidade nas TIs situadas em regiões de fronteira.

• Conceber e implantar, no âmbito do Ministério do Meio Ambiente, um programa nacional


de monitoramento das condições ambientais das TIs.

26
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

• Formular e implantar um programa conjunto dos órgãos federais responsáveis para a


fiscalização de UCs e TIs situadas na Amazônia Legal.

• Priorizar as áreas ambientalmente degradadas situadas em terras indígenas nos programas de


recuperação.

• Identificar áreas entre as situadas em TIs e consideradas prioritárias para a conservação da


biodiversidade que possam constituir casos exemplares de planejamento socioambiental
integrado, especialmente onde houver sobreposições ou justaposições com UCs.

• Respeitar o direito de usufruto exclusivo das comunidades indígenas nos processos de


regulamentação do acesso por terceiros aos recursos genéticos existentes em suas terras e
aos conhecimentos tradicionais associados.

GT4 - UCs DE USO DIRETO E POPULAÇÕES TRADICIONAIS

Populações Tradicionais devem ser entendidas como aquelas cujos sistemas de produção e uso de
recursos naturais são de baixo impacto ambiental, permitindo a reprodução dos ecossistemas. Essas
populações, que somam, aproximadamente, 2 milhões de pessoas na região amazônica, e as UCs de
uso direto, cobrindo hoje 7,2% da Amazônia Legal, desempenham um papel relevante na
conservação da biodiversidade, porque associam demandas sociais com o uso sustentável dos
ecossistemas e dos recursos biológicos.

Com a finalidade de otimizar a função desses atributos no contexto da conservação, do uso


sustentável e da repartição dos benefícios da biodiversidade, o Grupo propõe:

Com relação às Populações Tradicionais:


• Reconhecer que as populações tradicionais integram uma estratégia global de
conservação da biodiversidade.
• Reconhecer o Direito Intelectual Coletivo, como instrumento de proteção do saber das
populações tradicionais e da retribuição sobre o uso de seus recursos genéticos e
conhecimentos associados, no âmbito do projeto de lei de acesso a recursos genéticos,
cuja aprovação pelo Congresso Nacional é prioritária.
• Propor a supressão do inciso XV do artigo 2°, do Projeto de Lei 2.892-B, de 1992, sobre
o SNUC, que define populações tradicionais, tendo em vista que o ali proposto não
atende satisfatoriamente à situação de inúmeras populações que desenvolvem sistemas
de uso e produção de baixo impacto ambiental.
• Ampliar os conhecimentos sobre as populações tradicionais, nos seus aspectos de
distribuição (mapeamento), características culturais e sócio-econômicas, organização,
sistemas de produção e recursos associados e projetos de desenvolvimento sustentável,
bem como a situação fundiária e os serviços de conservação dos ecossistemas
(biodiversidade silvestre e cultivada).
• Estabelecer mecanismos de compensação, na forma de remuneração adequada, pelos
custos assumidos na conservação ambiental e administração das UCs, pelas populações
ou associações de extrativistas.
• Implementar políticas adequadas de incentivo e apoio ao transporte, escoamento e
comercialização, para produtos de origem agro-extrativistas dentro e fora de unidades de
uso direto.

27
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

• Implementar iniciativas de valorização, conservação e melhoramento dos sistemas


tradicionais produção, em todas as políticas para o setor, com destaque para a assistência
técnica, ensino agrícola e extensão rural.
• Que o Programa Nacional de Pesquisa Agro-pecuária passe a considerar a diversidade
dos sistemas de produção locais, propiciando o desenvolvimento de tecnologias
apropriadas às demandas das comunidades tradicionais.
• Criar linhas regulares de crédito e financiamento que atendam às demandas das
populações tradicionais.
• Revisar e adequar o PRODEX nos moldes do PROCERA.
• Realizar estudos sobre alternativas produtivas mais adequadas ao mercado e à realidade
das populações extrativistas e tradicionais.
• Que o poder público priorize a regularização fundiária das áreas ocupadas por
populações tradicionais, reconhecendo o direito de posse ou propriedade da terra e
respeitando as suas formas de organização social.
• Implementar uma Reforma Agrária Ecológica, considerando a vocação florestal da
região amazônica e a diversidade sócio-cultural das populações locais.
• Fortalecer institucionalmente o CNPT (Centro Nacional de Desenvolvimento das
Populações Tradicionais), transformando-o em Agência Nacional de Desenvolvimento
Sustentável para Populações Tradicionais, no âmbito do Ministério do Meio Ambiente.

Com relação às Unidades de Conservação de Uso Direto:

• Consolidar as UCs já existentes e aplicar o instituto legal de proteção de seus entornos:


viabilizar os recursos para regularização fundiária das unidades existentes, criar Grupos
de Trabalho compostos por órgãos de governo afins (IBAMA, INCRA, FUNAI, etc.) e
comunidades locais envolvidas para a resolução de conflitos em áreas de sobreposição
de UCs, agilizar os contratos de concessão de uso e concluir os processos de
demarcação de UCs e implementar os planos de manejo, utilização, diretor e de
desenvolvimento das RESEX e outras UCs;

• Implementar projetos de desenvolvimento sustentável, assegurando a participação das


populações locais;

• Fortalecer a capacidade institucional das organizações sociais, formando e capacitando


os recursos humanos em gerenciamento econômico, ambiental, social e cultural, e
implementando parcerias institucionais;

• Simplificar e agilizar os processos de liberação de recursos financeiros e aprovação dos


planos e projetos relacionados ao desenvolvimento das UCs;

• Identificar e reconhecer as demandas locais para a criação de UCs;

• Criar e consolidar as UCs em atendimento às demandas locais;

• Criar um Grupo Gestor que integre instituições de pesquisa, populações locais e


organizações da sociedade civil na elaboração, concessão e no monitoramento dos
planos de exploração de recursos naturais em FLONAS;

28
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

• Assegurar o cumprimento das propostas emanadas dos zoneamentos ecológicos-


econômicos estaduais relativamente às UCs.

• Implementar programas de beneficiamento e verticalização da produção agro-extrativista


em nível local, viabilizando alternativas energéticas adequadas para esse fim.

GT5 - PESQUISA EM DIVERSIDADE BIOLÓGICA E CULTURAL

Formação de Recursos Humanos


• Preservar e fortalecer as universidades públicas da Amazônia como uma forma estratégica
para ampliar o ensino e a pesquisa na região;
• Retomar o compromisso das agências de fomento (CAPES, CNPq e FINEP) com o Projeto
Norte de Pesquisa e Pós-Graduação;
• Criar mecanismos que obriguem os projetos de exploração ambiental ambiental a investirem
na formação de recursos humanos em todos os níveis na Amazônia;
• Ampliação do número de cursos de pós-graduação em temas prioritários para a Amazônia,
valendo-se dos mestrados e doutorados existentes, criação de programas interinstitucionais e
interregionais.
• Ampliar o financiamento para formação de recursos humanos para a Amazônia pelo menos
pela proporção direta de sua população ou Produto Interno Bruto (PIB);
• Ampliar o apoio ao intercâmbio nacional e internacional de profissionais residentes no
ensino e pesquisa na Amazônia;
• Melhorar a capacitação dos professores do ensino fundamental e médio da região através de
convênios dos governos locais com as universidades, institutos de pesquisa e MEC;
• Ampliar o processo de capacitação dos alunos dos cursos de graduação das universidades da
Amazônia através do PIBIC, RHAE, PET e outros instrumentos, tal como o estágio
voluntário;
• Ampliar a capacitação de recursos humanos em temas específicos através de cursos de
aperfeiçoamento de curto prazo;
• Criar e implantar sistemas de acesso à informação bibliográfica (bases de dados eletrônica e
revistas on-line) como suporte ao ensino e à pesquisa.

Fixação de Recursos Humanos

• Mecanismos diferenciados para a contratação imediata nas instituições de ensino e pesquisa


na Amazônia;

• Oferecer salários competitivos para a atração de novos recursos humanos qualificados para
as instituições amazônicas;

• Estimular a formação e a fixação de grupos de pesquisa comprometidos com a capacitação


de recursos humanos na e para a Amazônia;

• Promover a interiorização de profissionais envolvidos com a capacitação através da


ampliação das gratificações de interiorização.

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BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Políticas Gerais para o Fortalecimento da Pesquisa na Região

Suporte Financeiro para Pesquisa


• Implantar as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAP) em todos os estados da
Amazônia Legal, tendo como tema principal de fomento a caracterização, o uso e o
manejo da biodiversidade.
• Criação do fundo de compensação ambiental, a ser administrado pelas FAPs,
destinando-o para financiamento de pesquisa.
• Estabelecimento da obrigatoriedade de parceria de empresas de consultorias com as
instituições amazônicas em atividades de elaboração de EIA/RIMA.
• Impor representatividade regional nas instâncias decisórias (CAPES, CNPq e FINEP)
sobre projetos de pesquisa da região.
• Criação de linhas de financiamento dentro do PRONABIO com programas especiais de
longo prazo, tais como: inventário e monitoramento da biodiversidade, apoio às
coleções, bases de dados, formação de recursos humanos em todos os níveis para estudos
sobre biodiversidade.
• Fortalecimento das linhas de financiamento já existentes para estudos sobre
biodiversidade, tais como Projeto Norte de Pesquisa e Pós-Graduação, Programa
Integrado de Ecologia e o FNMA.
• Estabelecimento de parcerias entre institutos de pesquisa e o PROBEM para o
estabelecimento de um programa de apoio às coleções biológicas e a formação e fixação
de recursos humanos em sistemática biológica.

Fortalecimento da infra-estrutura e interação institucional


• Criação de um fórum permanente das instituições regionais de pesquisa para a promoção
de discussões temáticas sobre caracterização, uso e manejo da biodiversidade.
• Criação de um programa especial de apoio a melhoria da infra-estrutura das instituições
governamentais e não-governamentais de pesquisa científica atuantes na Amazônia no
estudo das diversidades biológica e cultural.
• Criação de bases de pesquisa de campo permanentes em unidades de conservação de uso
indireto em cada uma das ecorregiões da Amazônia.
• Informatização e disponibilização das informações existentes nos acervos atuais das
coleções biológicas e etnográficas da região, complementado por um esforço na
repatriação das informações existentes em instituições estrangeiras.
• Investimentos permanentes na manutenção de conexões de alta velocidade para
intercâmbio eletrônico de informações entre as instituições.
• Apoio a criação dos laboratórios temáticos e a adequação dos já existentes.

Acesso aos recursos biológicos


• Distinção legal no acesso aos recursos biológicos entre projetos de pesquisa científica
desenvolvidos por instituições de pesquisa e projetos de prospecção da biodiversidade
por empresas.
• Garantia e facilitação de intercâmbios interinstitucionais para os materiais coletados.

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BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

• Desburocratização da visita científica de pesquisadores estrangeiros.

Disseminação de Informações
• Disponibilizar recursos para a publicação das revistas científicas regionais;
• Formar grupos temáticos para propor novas formas de analisar os dados sobre
diversidade biológica e cultural;
• Produção de material didático sobre a Amazônia para ser utilizado nas escolas do ensino
fundamental e médio do Brasil;
• Produção de material de apoio para professores dos ensinos fundamental e médio da
região;
• Cursos de treinamentos para jornalistas sobre conceitos básicos sobre diversidade
biológica e cultural da Amazônia;
• Produzir livros temáticos sobre a Amazônia, tais como guias taxonômicos e guias
ambientais;
• Desenvolvimento de pesquisas museológicas e de educação ambiental visando divulgar
as informações das pesquisas feitas sobre a diversidade biológica e cultural da Amazônia
para o público leigo;
• Desenvolvimento de campanhas para a valorização da diversidade biológica e cultural da
Amazônia;
• Apoio a iniciativas de programas de rádio e televisão de divulgação científica feitos na e
sobre a Amazônia;
• Estruturação de um grande sistema de informações sobre a diversidade biológica e
cultural da Amazônia, incluindo desde os acervos das bibliotecas regionais até
experiências bem sucedidas de desenvolvimento sustentável.

Temas Prioritários de Pesquisa


• Exigência da apresentação de dados primários para estudos de impacto ambiental dos
grandes projetos de desenvolvimento, com especial atenção aos incluídos no PPA;
• Formação de uma comissão nacional para a definição de estratégias e procedimentos de
pesquisas em programas multidisciplinares sobre a biodiversidade amazônica;
• Criação de um programa nacional de inventários biológicos integrados baseados em linha
especial de crédito pelas agências de fomento, para as áreas prioritárias para inventário
identificadas pelos workshops dos biomas;
• Criação de um fórum de discussão sobre a regulamentação de coleta e transporte de
organismos selvagens, com a representação da comunidade científica;
• Fortalecimento dos laboratórios de biologia molecular existentes na região para o
desenvolvimento de pesquisas sobre diversidade genética das espécies;
• Criação e ampliação (para as já existentes) das coleções regionais de tecidos de organismos
amazônicos;
• Criar programas de apoio a pesquisas científicas que visem aprimorar as técnicas de
monitoramento, manejo e avaliação do impacto ambiental adequadas à região amazônica e
desenvolver protocolos padronizados;

31
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

• Criar programas especiais de pesquisa voltados ao desenvolvimento de estratégias para a


utilização sustentável da diversidade biológica amazônica;
• Criar um programa especial de capacitação de pesquisadores e incentivo às pesquisas sobre
etnobiologia;
• Criar um programas de pesquisas para o desenvolvimento de técnicas para mitigar o impacto
de ações antrópicas específicas sobre o ambiente amazônico, envolvendo as instâncias
geradoras de impacto no financiamento da pesquisa (por exemplo, exploração mineral e
madereira);
• Criar o programa amazônico de diversidade cultural, visando mapear a diversidade de
culturas e estratégias de uso do ambiente existentes na região;
• Incentivar estudos sobre a conexão entre modificações ambientais e disseminação de
doenças tropicais na Amazônia;
• Fortalecer os laboratórios de pesquisa sobre biotecnologia e química de produtos naturais
existentes na região;
• Diagnóstico sócio-econômico-ambiental do processo produtivo e marcadológico da pesca,
caça, extrativismo vegetal e mineral, ecoturismo e ecovoluntários.

GT6 - PRESSÕES ANTRÓPICAS & EIXOS DE DESENVOLVIMENTO

As recomendações do grupo de discussão foram feitas considerando as áreas já desmatadas (15% da


Amazônia Legal) e as áreas com cobertura florestal (75% do território). Para as áreas intactas, mas
com cobertura vegetal não florestal – campos naturais e cerrados – (10%) não houve sugestões. Isso
porque essas áreas foram objetos de discussão de um outro evento “Workshop 99: Cerrado e
Pantanal”.

Recomendações para as Áreas Alteradas

Objetivo geral: apoiar a intensificação da agropecuária nas áreas já desmatadas. isso traria um
aumento na produtividade, elevaria a rentabilidade econômica e fixaria os produtores nessas áreas.
dessa maneira, haveria poucos incentivos para a expansão da fronteira agrícola nas áreas
florestadas.

Para assegurar a efetividade dessa sugestão, o grupo recomenda as seguintes ações específicas:
• Infra-estrutura: aumentar e melhorar as estradas locais, a rede de transmissão de energia e a
comunicação nas áreas desmatadas. essa intensificação da infra-estrutura contribuiria para a
redução do custo de transporte, melhoraria o acesso da população ao serviços (saúde,
educação), aperfeiçoaria as comunicações e propiciaria um aumento na produtividade
agrícola;
• Crédito: redirecionar o crédito oriundo de banco públicos (Basa, Bando do Brasil, BNDES)
para incentivar o uso sustentável de recursos e intensificar o uso de áreas alteradas, com o
objetivo fixar a população nestas áreas e, conseqüentemente, frear o avanço da fronteira
agrícola sobre as terras florestadas, favorecendo, em especial, os pequenos produtores;
• Extensão: garantir assistência técnica e treinamento, especialmente, aos pequenos
produtores para elevar a produtividade agrícola nas áreas desmatadas;
• Zoneamento econômico-ecológico: condicionar a alocação de recursos públicos (crédito,
infra-estrutura, serviços) e créditos agropecuários às recomendações dos ZEEs;

32
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

• Democracia social: assegurar a participação das populações tradicionais nas tomadas de


decisões especialmente nos processos de elaboração, execução e avaliação em projetos e
programas de desenvolvimento;
• Intercâmbio comunitário: estimular a criação de rede para troca de experiências de projeto
de uso sustentável dos recursos naturais. pesquisa participativa: pesquisa participativa em
projetos locais de desenvolvimento;
• Prevenção de queimadas: efetivar as parcerias entre comunidades locais, organizações não
governamentais e agências governamentais para ações de prevenção ao fogo acidental e
restringir ou onerar o crédito aos produtores rurais que não apresentarem e executarem
planos e medidas de prevenção de incêndios acidentais;
• Disseminação de sistemas agroflorestais (SAFs): estimular a adoção de SAFs considerando
os benefícios sociais, econômicos e, sobretudo, ambientais que propiciam;
• Implantação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo: apoiar a captação de recursos
internacionais para a fixação de carbono através de reflorestamento nas áreas degradadas;
• Comercialização: estímulo a comercialização de produtos agrícolas, agroflorestais e
extrativos (capoeiras) produzido de forma intensiva nas áreas desmatadas;
• Inventário de oportunidades: inventariar os usos socioeconômicos dos recursos naturais nas
áreas desmatadas considerando as potencialidades de geração de emprego e os indicadores
de sustentabilidade ambiental, social e econômico;
• Proteção da Reserva Legal: garantir a manutenção da reserva legal de floresta prevista em lei
(máximo de 80% da propriedade) nas regiões desmatadas. nos casos de desrespeito a lei
requerer a recuperação dessas áreas com espécies florestais (especialmente nativas);
• Fundo para apoio às práticas sustentáveis: criação de um fundo financeiro para o
desenvolvimento sustentável nas áreas desmatadas da Amazônia com recursos públicos
(FINAM, FNOR).

Recomendações para as áreas florestadas

Objetivo geral: assegurar a vocação florestal da Amazônia através da manutenção da vegetação


nativa devido ao valor econômico (madeira e produtos não madeireiros), serviços ambientais
(prevenção contra o fogo, proteção dos cursos d’água, regulação do clima), valor biológico,
importância social e antropológica e potencial turismo e hidroelétrico.

Ações específicas recomendadas:


• Uso florestal: incentivar as atividades que mantém a cobertura florestal (floresta manejada,
floresta plantada e capoeira madura), sistemas agro-florestais, culturas perenes (dendê, café,
cacau), extrativismo (borracha, açaí);
• Manejo florestal: promover o manejo florestal sustentado, com ênfase no uso múltiplo
(produtos madeireiros e não madeireiros);
• Ecoturismo: apoio às iniciativas de ecoturismo que valorizem a cultura regional e ofereçam
oportunidades de trabalho para as comunidades locais;
• Manejo e proteção das várzeas: estudar a viabilidade de reservas de desenvolvimento
sustentável nas regiões de várzea para o manejo florestal e de recursos pesqueiros;
• Certificação florestal: apoiar e estimular as iniciativas de certificação de produtos florestais
explorados de forma sustentável;

33
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

• Prevenção ao fogo: incentivo à atividades produtivas que mantenham a cobertura florestal


em áreas onde há risco elevado de incêndios florestais;
• Agenda positiva: estímulo ao manejo, através da redução das exigências burocráticas e dos
prazos para avaliação dos planos de manejo, especialmente dos elaborados por comunidades
locais e, simultaneamente, criar dificuldades legais para a autorização de desmatamento nas
áreas florestadas;
• Educação Ambiental: elaboração e implementação de programas de educação ambiental
com o objetivo de fomentar a percepção pela sociedade da importância das florestas como
fonte de recursos e serviços ecológicos importantes para a melhoria da qualidade de vida e
da cultura das populações locais.

Bibliografia

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38
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Índice de tabelas e figuras


Tabela 1. Países de megadiversidade (Mittermeier et al., 1997)
Tabela 2. Diversidade ecológica (Ministério do Meio Ambiente, 1998)
Tabela 3. Tamanho da biodiversidade brasileira (Lewinsohn & Prado, 2000)
Tabela 4. Distribuição das variedades de mandioca e macaxeira (Manihot esculenta) em relação ao
tipo de uso e da cor (Emperaire, 1999)
Tabela 5. Diversidade varietal da mandioca na bacia amazônica (Emperaire, 1999)
Tabela 6. Número de espécies de metazoários registrados atualmente no Brasil por filo ou classe
(Lewinsohn & Prado, 2000)
Tabela 7. Grupos taxonômicos considerados razoavelmente bem conhecidos para estimar a fração
da biota mundial que se supõe ocorrer no Brasil (Lewinsohn & Prado, 2000)
Tabela 8. Estimativas da diversidade total de espécies possível no Brasil e no Mundo (Lewinsohn &
Prado, 2000)
Tabela 9. Diversidade de Fungos no Brasil e no Mundo (Manfio, 2000)
Tabela 10. Diversidade de Protozoários no Brasil e no Mundo (Manfio, 2000)
Tabela 11. Diversidade de Briófitas no Brasil e no Mundo (Shepherd, 2000)
Tabela 12. Diversidade de Pteridófitas no Brasil e no Mundo (Shepherd, 2000)
Tabela 13. Diversidade de Gimnospermas no Brasil e no Mundo (Shepherd, 2000)
Tabela 14. Estimativas de diversidade de Angiospermas no Brasil e na América Latina (Shepherd,
2000)
Tabela 15. Número de herbários e exsicatas por continente (Shepherd, 2000)
Tabela 16. Número de exsicatas de Fanerógamas e densidade de coleta botânica na região Norte
(Shepherd, 2000)
Tabela 17. Diversidade de Vertebrados no Brasil e no Mundo e percentual de endemismo (Sabino &
Prado, 2000)
Tabela 18. Diversidade de Peixes de Água Doce por bioma e número de espécies endêmicas e
ameaçadas (Sabino & Prado, 2000)
Tabela 19. Número de espécies novas de Vertebrados descritas entre 1978 e 1995 por classe (Sabino
& Prado, 2000)
Tabela 20. Número de coleções representativas de cada classe de Vertebrado por região (Sabino &
Prado, 2000)
Tabela 21. Número de especialistas em cada classe de Vertebrado por região (Sabino & Prado,
2000)
Tabela 22. Estimativas de número de espécies de grupos taxonômicos de água doce no Brasil e no
Mundo (Rocha, 2000)
Tabela 23. Estimativas de número de espécies de grupos selecionados de Invertebrados Terrestres
(Brandão et al., 2000)
Tabela 24. Número e percentagem de resumos do 42o Congresso da Sociedade Brasileira de
Geenética por tipo de trabalho (Klaczko, 2000)
Tabela 25. Número de trabalhos de taxonomia sobre Vertebrados Brasileiros publicados entre 1992
e 1998 por região (Sabino & Prado, 2000)
Tabela 26. Número de trabaalhos de taxonomia sobre Vertebrados Brasileiros publicados entre 1992
e 1998 por país de autoria (Sabino & Prado, 2000)

Figura 1. Os seis reinos da vida na terra (Margulis & Schwartz, 1998)


Figura 2. Grupos filogenéticos de Bacteria (Manfio, 2000)
Figura 3. Quantas espécies existem em nosso planeta?
Figura 4. Modelo de abundância e raridade das espécies (Preston, 1962)
Figura 5. Modelo de determinantes da biodiversidade (Huston, 1979)

39
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Figura 6. Tamanho e desconhecimento da biodiversidade brasileira


Figura 7. Densidade de coleta de Plantas na Amazônia (Nelson, 1991)
Figura 8. Áreas inventariadas para Aves na Amazônia (Oren & Albuquerque, 1991)
Figura 9. Áreas inventariadas para anfíbios no Brasil (Heyer, 1997)
Figura 10. Modelo de limites da sustentabilidade
Figura 11. Áreas prioritárias para a conservação de Aves na Amazônia (Instituto Socioambiental -
ISA et al., 2001)
Figura 12. Áreas prioritárias para a conservação de Mamíferos na Amazônia
(Instituto Socioambiental - ISA et al., 2001)
Figura 13. Áreas prioritárias para a conservação de Répteis e Anfíbios na Amazônia
(Instituto Socioambiental - ISA et al., 2001)
Figura 14. Áreas prioritárias para a conservação da Biota Aquática na Amazônia (Instituto
Socioambiental - ISA et al., 2001)
Figura 15. Ecorregiões do Bioma Amazônico (Instituto Socioambiental - ISA et al., 2001)
Figura 16. Áreas prioritárias para a conservação de funções e serviços ambientais (Instituto
Socioambiental - ISA et al., 2001)
Figura 17. Áreas prioritárias para a conservação Botânica na Amazônia (Instituto Socioambiental -
ISA et al., 2001)
Figura 18. Áreas prioritárias para a conservação em Populações Indígenas na Amazônia (Instituto
Socioambiental - ISA et al., 2001)
Figura 19. Áreas prioritárias para a conservação em Populações Tradicionais na Amazônia (Instituto
Socioambiental - ISA et al., 2001)
Figura 20. Metodologia dos workshops de avaliação de ações prioritárias para a conservação e uso
sustentável da biodiversidade por bioma
Figura 21. Síntese das áreas prioritárias para biodiversidade na Amazônia Legal (Instituto
Socioambiental - ISA et al., 2001)

40
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Tabela 1. Países de megadiversidade

P A ÍS D IV E R S ID A D E E N D E M IS M O TO TA L
B ra s il 30 18 48
Ind o né s ia 18 22 40
C o lô m b ia 26 10 36
A us t rá lia 05 16 21
M é x ic o 08 07 15
M a d a g a sc a r 02 12 14
P e ru 09 03 12
C h ina 07 02 09
F ilip in a s 00 08 08
Índ ia 04 04 08
E q ua d o r 05 00 05
V e ne z ue la 03 00 03

Fonte: Mittermeier et al., 1997

Tabela 2. Diversidade
ecológica

BIOMA UNIDADES SISTEMAS ECO- DIVISÕES FITO- REGIÕES


1 2 3
FIS IOGRÁ- DE TERRA REGIÕES GEOGRÁFICAS ZOOGEOGRÁ-
1 4
FICAS FICAS
AMAZÔNIA 34 181 23 10e 3

CERRADO >27a >100b 1c 3 1f

CAATINGA n.d. n.d. 1c 3 1f

ATLÂNTICA n.d. n.d. 10d 5 2

Fonte: MMA,1998

Tabela 3. Estiimativa do tamanho da biodiversidade brasileira conhecida ou catalogada e


do tamanho total ainda desconhecido

T A M A N H O D A B IO D IV E R S ID A D E
B R A S IL E IR A
F o n te: L e w in so h n & P ra d o , 2 0 0 0
TAXON C O N H E C ID O E S T IM A D O
V IR U S 350 5 5 .0 0 0
B A C T É R IA S 1 .2 0 0 1 3 6 .0 0 0
FU NG OS 1 3 .0 0 0 2 0 5 .0 0 0
ALGAS 2 0 .0 0 0 5 4 .0 0 0
PLA NTAS 4 7 .5 0 0 5 2 .0 0 0
P R O T O Z O Á R IO S 8 .5 0 0 2 7 .0 0 0
A N IM A IS 1 3 2 .0 0 0 1 .3 3 7 .0 0 0
TOTAL 2 2 3 .0 0 0 1 .8 6 7 .0 0 0

Fonte: Lewinsohn & Prado, 2000

41
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Tabela 4. Distribuição das variedades de mandioca e macaxeira (Manihot esculenta) em


relação ao tipo de uso e da cor.

Região Alto Rio Negro Médio R. Negro Altamira


cor Desana Tukano

Mandioca B 59 43 41 27
A 41 57 45 40
? - - 6 -
Macaxeira B 0 0 2 21
A 0 0 6 12
Total/ tipo de uso mdc 100 100 92 67
mcx 0 0 8 33
Total/ categoria de cor B 59 43 43 48
A 41 57 51 52
total de variedades levantadas A+B 39 37 66 41
Fonte: Emperaire, 1999

Tabela 5. Principais fontes de informação a respeito da diversidade varietal da mandioca na


bacía amazônica e regiões próximas.
n° Família linguística localização número de variedades população fonte
amostrada
grupo

total amargas mansa

ARUA'K
1 Tariano Rio Vaupês, Alto Rio 62 62 0 levantamento numa Chernela, J.,
Negro, Brasil aldeia 1980

2 Amuesha Palcazu, Amazônia, Peru 204 204 0? 16 comunidades Salick et al. 1997

3 Palikur Oyapock, Guyana francesa 30 30 0 9 roças Ouhoud-Renoux,


1999

4 Puinave (influência arua'k Inirida, Amazônia, 28 28 ? ? Triana; 1985


Colombia

CARIB
7 Makuxi sur da Guyana 77 76 1 1 povoado com 26 Elias, no prelo
famílias Makuxi, 4
Wapixuna

8 Panare Guayana, Venezuela ? 0 ? 1 comunidade de Boom, 1987


30 pessoas

9 Kuikuro Alto Xingu, Brasil ? + 0 não mencionado Dole, 1978

10 Kuikuro Alto Xingu, Brasil 11 Carneiro, 1973

11 Ye'kwana Padamo, sur da Venezuela 15 ? ? não mencionado Hames, 1983

JE
12 Kayapó Rio Fresco, Pará, Brasil 22 ? ? não mencionado Kerr, Posey,
1984

GUAHIBO
13 Guahibo Vichaya, Colombia + 13 ? Morey, 1974

14 Sikuani Meta, Vichada, Amazônia, 34 34 0 não mencionado Rojas, 1994


Colombia

HUAORANI
15 Huaorani entre Napo e Curaray, + 0 + não mencionado Rival, 1993
Amazônia, Ecuador

42
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

HUITOTO
5 Bora Amazônia, Peru 23 20 3 Guyot, 1975

6 Huitoto Loreto, Peru 22 ? ? 1 comunidade de Denevan, Treacy,


43 famílias 1987

JIVARO
16 Aguaruna Alto Marañon Amazônia, 100 ? ? 70 mulheres de Boster, 1984
Peru uma comunidade

17 Huambisa Amazônia, Ecuador 100 Boster, 1984

18 Achuar Amazônia, Ecuador 17 17 Descola, 1988

19 Shuar Rio Upano, Amazônia, 36 ? ? 1 informador Mashinkias,


Ecuador Tentets, 1986

MAKU
20 Nukak Alto Vaupês, Colombia ? ? ? não mencionado Politis, 1996

21 Maku Alto Vaupês, Brasil 7 ? ? não mencionado Silverwood,


1990

MUNDURUKU
22 Munduruku limite Pará/Amazonas, 10 ? ? não mencionado Frikel, 1959
Brasil

PANO
23 Mayoruna Jutaí-Javari, Amazonas, 5 0 5 não mencionado Erikson, 1994
Brasil

24 Kashinawa Alto Juruá, Acre, Brasil 22 0 22 não mencionado Pantoja et al. (no
prelo)

25 Katukina Alto Juruá, Acre, Brasil 14 0 14 não mencionado Pantoja et al. (no
prelo)

26 Chacobó Alto Ivón, Beni, Bolivia 7 7 0 não mencionado Boom, 1987

PEBA YAGUA
27 Yaguas Putumayo Javari, Peru ? 0 6 não mencionado Chaumeil, 1994

TIKUNA
28 Ticuna áreas indígenas Evare I e II, 16 15 não mencionado Cordeiro, 1988
Amazonas, Brasil

29 Ticuna Alto Solimões, Amazonas, ? 0 ? não mencionado Goulard, 1994


Brasil

TUKANO (OCCID. E ORIENT.)


30 Tatuyo (or.) Vaupês, Colombia 100 98 2 não mencionado Dufour, 1993

31 Mai huna (oc.) Amazônia, Colombia ±15 15 qqs não mencionado Bellier, 1994

32 Tukano aculturados (or.) rio Cueiras, Amazônia, 3 3 ? não mencionado Grenand, 1996
Brasil

33 Arapaso (or.) Rio Vaupês, a.i. Alto Rio 64 64 0 1 aldeia Chernela, 1980,
Negro, Amazonas, Brasil 1986

34 Tatuyo (or.) Rio Papuri, Rio Vaupês, ? +++ + 1 aldeia Dufour, 1985
Colombia

TUPI-GUARANI
35 Sateré-Mawé Tapajós-Madeira, 40 40 0 não mencionado Figueroa, 1997
Amazonas, Brasil

36 Araweté Ipixuna Xingu, Pará, Brasil + ? ? não mencionado Viveiros de


Castro, 1992

37 Kayabi Alto Xingu, Mato Grosso, 13 9 3 não mencionado Silva, 1999


Brasil

43
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

38 Wayãpi Trois Sauts, Guyana 26, 30 26, 30 ? não mencionado Grenand, 1996;
francesa Grenand,
Haxaire, 1977

39 Kokama Tefé, Amazonas, Brasil >11 >10 1 1 comunidade de Pereira, 1992


35 famílias

40 Urubu (Urubu Kaapor Rio Gurupi, Maranhão, 8 7 1 não mencionado Ribeiro, 1976
Brasil

41 Ka'apor Norte Maranhão, Brasil 19 2 17 não mencionado Balée, Gély,


1989

UANANO
42 Uanano Rio Vaupês, a.i. Alto Rio 49 49 0 1 aldeia Chernela, 1980,
Negro, Amazonas, Brasil 1986

YANOMAMI
43 Yanomami Padamo, sur da Venezuela 6 ? ? não mencionado Hames, 1983

44 Yanomami Parima, Venezuela ? ? ? domin. não mencionado Smole,1989

AGRICULTORES NÃO INDÍGENAS DE FALA PORTUGUESA


45 caboclos de origem Médio Rio Negro, 64 62 262 5 agricultoras de 1 Emperaire, et al.
tukano e arua´k Amazonas, Brasil comunidade 1998

46 agricultores (colonos Altamira, Xingu, Pará 41 27 14 Amostra de 26 Emperaire,


recentes e do início do Brasil agricultores Pinton, 1999
século)

47 seringueiros Alto Juruá, Acre, Brasil 38 ? ? 45 informantes Emperaire (no


prelo)

48 pop. trad. agricultores mun. Santo Antônio do 60 + + 1 comunidade Amorozo, 1997


Leverge, Mato Grosso,
Brasil

49 pop. trad. agricultores ilha do Careiro, Amazonas, 2 2 ? não mencionado Grenand, 1996
(caboclos) Brasil

50 agricultores de terra firme região de Manaus, 48 40 8 30 agricultores Lourd. 1981


Amazonas, Brasil

51 Agricultores de várzea região de Manaus, 13 8 5 12 agricultores Lourd, 1981


Amazonas, Brasil

52 pop. trad. agricultores régião de Obidos, Pará, 31 _ 28 _3 1 roça de 1 Santos Mühlen,


Brasi agricultor 1995, com.pes.

Fonte: Emperaire, 1999

Tabela 6. Número de espécies de metazoários registradas atualmente no Brasil por Filo ou


Classe, número de espécies descritas para o Brasil no período de 1978 a 1995, e percentual
destas em relação ao número de espécies hoje conhecidas para o país

Filo / Classe Nº Espécies atuais Nº Espécies % Descritas /


no Brasil descritas 1978-95 atuais no Brasil
Porifera 344 34 9.9
Cnidaria 477 9 1.9
Ctenophora 2 0 0.0
Platyhelminthes ? 214 ?
Gastrotricha 69 28 40.6
Rotifera 500 14 2.8
Acanthocephala ? 7 ?
Kinorhyncha 1 0 0.0
Priapula 1 0 0.0

44
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Nematomorpha 11 0 0.0
Nematoda ? 127 ?
Chaetognatha 18 0 0.0
Mollusca 3900 111 2.8
Nemertea 43 0 0.0
Sipuncula 30 2 6.7
Echiura 9 0 0.0
Pogonophora 1 0 0.0
Annelida 1150 106 9.2
Tardigrada 61 1 1.6
Crustacea ? 190 ?
Pycnogonida 58 10 17.2
Arachnida 6900 807 11.7
Insecta 75000 5071 6.8
Chilopoda 150 1 0.7
Diplopoda 350 26 7.4
Phoronida 6 0 0.0
Entoprocta 9 0 0.0
Bryozoa 284 11 3.9
Brachiopoda 2 0 0.0
Echinodermata 329 2 0.6
Hemichordata 7 0 0.0
Urochordata 146 1 0.7
Cephalochordata 2 1 50.0
Chondrichthyes 150 2 1.3
Osteichthyes 2657 330 12.4
Amphibia 517 115 22.2
Reptilia 468 63 13.5
Aves 1677 10 0.6
Mammalia 524 18 3.4
a
TOTAL 95853 7320 7,63a
Fonte: Lewinsohn & Prado, 2000 segundo registros no Zoological Record
a
Total e percentual total: somas dos grupos em que constam estimativas de espécies conhecidas no Brasil.

45
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Tabela 7. Grupos taxonômicos, considerados razoavelmente bem conhecidos, usados


para estimar a fração da biota mundial que se supõe ocorrer no Brasil.
São apresentados os números de espécies atualmente conhecidas, e o percentual
brasileiro em relação ao mundo.

táxon Brasil Mundo %


Chondrichthyes 150 960 15,63
Amphibia 600 4.220 14,22
Reptilia 468 6.458 7,25
Aves 1.677 9.700 17,29
Mammalia 524 4.650 11,27
Mollusca: Cephalopoda 45 650 6,92
Arachnida: Opiliones 951 5.500 17,29
Borboletasa 3.268 19.238 16.99
Odonata 670 5.360 12,50
Angiospermae 43.000 235.000 18,30
Pteridophyta 1.300 10.500 12,38
a
Fonte: Lewinsohn & Prado, 2000. Papilionoidea + Hesperioidea.

Tabela 8. Estimativas da diversidade de espécies total possível no Brasil e no mundo; são


mostrados táxons que têm mais de 20.000 espécies conhecidas (coluna A) e/ou cujas
estimativas podem exceder a 100.000 espécies. Todos os valores em milhares; dados
mundiais arredondados. Estimativas mundiais do Global Bioversity Assessment (Heywood,
1995). Estimativas brasileiras calculadas conforme explicação no texto, com coeficientes
baseados na Tabela : média m=0.136, limite inferior i=0.097, limite superior s=0.176.
(x 1000) Mundo Brasil
Táxon espécies valor estimativa estimativa estimativa v.p. * lim. v.p. * lim. est. baixa est. alta *
atuais preferido baixa alta média inferior superior * média média
fórmula> (A) (B) (C) (D) B*m B*i B*s C*m D*m
Virus 4 400 50 1.000 54,6 38,6 70,5 6,8 136,4
Bactérias 4 1.000 50 3.000 136,4 96,6 176,2 6,8 409,2
Fungos 72 1.500 200 2.700 204,6 144,9 264,3 27,3 368,2
"Protozoários" 40 200 60 200 27,3 19,3 35,2 8,2 27,3
Algas 40 400 150 1.000 54,6 38,6 70,5 20,5 136,4
a a
Plantas 270 320 300 500 51,9 49,0 56,4 40,9 68,2
Nematódeos 25 400 100 1.000 54,6 38,6 70,5 13,6 136,4
Crustáceos 40 150 75 200 20,5 14,5 26,4 10,2 27,3
Aracnídeos 75 750 300 1.000 102,3 72,4 132,1 40,9 136,4
Insetos 950 8.000 2.000 100.000 1.091,1 772,8 1.409,4 272,8 13.638,8
Moluscos 70 200 100 200 27,3 19,3 35,2 13,6 27,3
a a
Cordados 45 50 50 55 8,2 7,0 8,8 6,8 7,5
Outros 115 250 200 800 34,1 24,1 44,0 27,3 109,1
Total 1.750 13.620 3.635 111.655 1.867,2 1.335,9 2.399,5 495,8 15.228,5
a
Fonte: Lewinsohn & Prado, 2000. Valores para plantas e cordados foram obtidos diretamente a partir de estimativas constantes dos
Relatórios e publicações, substituindo valores estimados pela fórmula dos demais táxons, muito próximos ou inferiores aos totais hoje
conhecidos.

46
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Tabela 9. Diversidade de espécies de fungos no Brasil e no mundoa.


Grupo taxonômico No. de espécies No. de espécies
conhecidas no conhecidas no
mundo Brasil
Reino Fungi
Filo Ascomycota: Classe Ascomycetes (46 ordens) 32.000 N.d.b
Filo Zygomicota: Classe Zygomycetes (7 ordens, 125 gêneros) 867 162
Classe Trichomycetes (4 ordens, 48 gêneros) 189 N.d.
Filo Deuteromycota: Classes Hyphomycetes, Coelomycetes e 15.000 N.d.
Agonomycetes (2.600 gêneros)
Filo Chytridiomycota 793 93
Reino Stramenopila
Filo Hyphochytridiomycota 24 4
Filo Labyrinthulomycota 42 4
Filo Oomycota 694 133
a
MANFIO, 2000: Baseado em Grandi (1999), Milanez (1999a, b), Rodrigues-Heerklotz & Pfenning (1999), e Trufem (1999).
b
N.d. = não determinado.

Tabela 10. Diversidade de espécies de Protozoários no Brasil e no mundoa.


Grupo taxonômico No. de espécies No. de espécies
conhecidas no conhecidas no
mundo Brasil
Reino Protista
Filo Acrasiomycota (4 gêneros) 12 N.d.b
Filo Dictyosteliomycota (4 gêneros) 46 N.d.
c
Filo Myxomycota 720 175
Filo Plasmodiophoromycota (10 gêneros) 29 4
Sub-reino Protozoa
Filos Actinopoda, Ciliophora, Eumycetozoa, Foraminifera, 36.000 >69
Kinetoplastida, Microsporidia, Myxozoa, Polymastigata, Rhizopoda,
Sarcomastigophora e Sporozoa
a b
MANFIO,2000: Baseado em Milanez (1999c) e Godinho & Regali-Seleghim (1999). N.d. = não determinado.
c
Os mixomicetos são ainda comumente enquadrados como fungos.

Tabela 11. Diversidade de espécies de Briófitas no Brasil e no Mundo

GRUPO BRASIL MUNDO


Anthocerotae 36 80
Hepaticae 1.125 6.000
Musci 1.964 8.000
Total 3.125 14.000
(fontes: SHEPHERD,2000 segundo Yano, 1996; Groombridge, 1992)

47
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Tabela 12. Diversidade de espécies de Pteridófitas no Brasil e no mundo

GRUPO BRASIL MUNDO


Psilotatae 1 12-18 ou mais
Lycopodiatae 52 + ? 1.100-1.400
Equistatae 1 (2?) 15-22
Filicatae 1.200-1.300 8.500-9.000
Total 1.200-1.400 9.000-12.000
(fonte: SHEPHERD,2000 segundo dados de J. Prado e P. Windisch)

Tabela 13. Diversidade de espécies de Gimnospermas no Brasil e no mundo

A. GRUPO BRASIL MUNDO


Coniferophyta 4 614
Gingkophyta 0 1
Cycadophyta 2* 121
Gnetophyta 8-9 70
Total 14-15 806
(fonte : SHEPHERD, 2000 segundo G.J. Shepherd, Mabberley 1987 e Page,1990).
*Stevenson et al. (1990) indicam um total de 4 nomes,
mas Sabato (1990) reconhece somente 2 espécies válidas, com talvez mais uma ainda não descrita.

Tabela 14. Estimativas de Riqueza de espécies de Angiospermas no


Brasil e na América Latina

Autor Estimativa Brasil América Latina


Flora Brasiliensis 21.914
De Wolfe 1964 (seg. Thorne 30.000
1973)
Gentry 1982 76.000 - 86.000
(neotrópico)
Good 1964 40.000
Groombridge (1992) 55.000 85.000
Prance (em Gentry, 1982) 30.000
(Brasil - Amazônia)
Raven 1987 85.000
Thorne 1973 30.000 50.000 – 60.000
Fonte: SPHEPHERD, 2000

48
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Tabela 15. Números de herbários e exsicatas por continente

CONTINENTE NO. DE NO. DE


HERBÁRIOS EXSICATAS
Europa 1022 133.000.000
América do Norte 825 71.000.000
Ásia 374 44.000.000
América do Sul 210 10.000.000
Australásia e Ilhas do 76 9.000.000
Pacífico
África 131 6.000.000
(Fonte: SHEPHERD, 2000 segundo dados de Baum, 1996)

Tabela 16. Número de exsicatas de fanerógamas,


área e densidade de coletas para estados da região Norte

ESTADO/REGIÃO Nº DE HERBÁRIOS FANERÓGAMAS ÁREA EXSIC/KM2

AC 2 7000 152589 0.046

AM 3 206006 1564445 0.132

AP 1 8000 140276 0.057

PA 3 297000 1248042 0.238

RO 0 0 243044 0.000

RR 0 0 230104 0.000

TO 0 0 301926 0.000

região Norte 9 518006 3880426 0.133

(fonte : SHEPHERD, 2000 segundo Peixoto e Barbosa, 1998 - Valores diferem ligeiramente devido a algumas atualizações)

49
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Tabela 17. Diversidade de vertebrados (em número de espécies descritas) no Brasil e


Mundo, percentual de espécies endêmicas no Brasil, e posição do país no “ranking”
mundial de diversidade.
Classe N spp. Mundo N spp. Brasil Endemismo Rank
Brasil (%) diversidade
Brasil (9)
Agnatha 83 (1) 01 (2) - -
(3) (4)
Chondrichthyes 960 137 marinhos - -
(5) (5)
13 água doce 23% -
(6) (7) (8)
Osteichthyes ca. 23.800 857 marinhos ca. 10% -
(8)
ca. 1800 água doce - 1
(9) (9) (9)
Amphibia 4.222 517 57 % 2
(9) (9) (9)
Reptilia 6.458 468 37 % 5
(10) (10) (9)
Aves 9.700 1.677 11 % 3
(11) (12) (12)
Mammalia 4.650 524 25 % 1
TOTAL ca. 49.873 ca. 5.993 - 1
Fontes: SABINO & PRADO, 2000, 1. Potter, 1995. 2. Mincarone & Soto, 1997; Osvaldo Oyakawa, comunicação pessoal. 3.
Stevens & Last, 1995. 4. Lessa et al., 1999. 5. Rosa, 1985 e com. pess., para espécies de raias de água doce. 6. Weitzman, 1995.
7. Rosa & Menezes, 1996; 8. Castro, 1998 (endemismo extrapolado da taxa para o Estado de São Paulo, fornecida por este autor) 9.
Mittermeier et al., 1997; 10. Silva, 1998; 11. Vivo, 1998; 12. Fonseca et al., 1996

Tabela 18. Riqueza, endemismo, número de espécies ameaçadas, grau de coleta e


conhecimento de peixes de água doce nos biomas brasileiros.
Bioma Grau de Grau de N spp. N spp. N spp. Fontes *
Coleta Conhec. endêm. ameaç.
Amazônia Ruim Ruim ca. 1800 ? 2 Barthem, 1999
Caatinga Ruim Ruim ? ? ? R.S. Rosa, com. pess.
C. Sulinos Bom Bom 50 12 2 Rosa & Menezes, 1996
Cerrado Ruim Ruim ca. 1000 ? 2 C.I. et al., 1999
M. Atlântica Ruim Ruim 350 133 12 Menezes, 1998 e
Rosa & Menezes, 1996
Pantanal Bom Bom 263 ? 2 Britski et al., 1999
Fonte: SABINO & PRADO, 2000.* Adicionais aos dados dos questionários do projeto.

Tabela 19. Número de espécies descritas por classe de vertebrado entre 1978 e 1995, para
o Brasil, média de descrições por ano, número de espécies registradas atualmente, razão
entre número de espécies descritas e conhecidas atualmente.
Classe N Descritas Média descrições / N atual de spp. Razão spp. descritas:
(1978-1995)* ano N atual

Chondrichthyes 2 0,1 150 1: 75


Osteichthyes 330 18,3 2657 1: 8
Amphibia 115 6,4 517 1: 5
Reptilia 63 3,5 468 1: 7
Aves 10 0,6 1677 1:167
Mammalia 18 1 524 1: 29
Fonte: SABINO & PRADO, 2000 segundo o Zoological Record em CD-ROM

50
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Tabela 20. Número de coleções representativas de cada Classe de Vertebrado, por região
do país. Fonte: SABINO & PRADO, 2000

Classe N NE CO SE S Total
Chondrichthyes 2 1 0 2 1 6
Osteichthyes 2 1 0 6 5 14
Amphibia 2 1 2 7 2 14
Reptilia 3 2 2 4 3 14
Aves 1 0 1 8 1 11
Mammalia 2 3 1 7 4 17
Total 12 8 6 34 16 76

Tabela 21. Número de Especialistas em cada Classe de Vertebrado, por região do país.
Fonte: SABINO & PRADO, 2000

Classe N NE CO SE S Total
Chondricthyes 1 2 0 3 1 7
Osteichthyes 5 1 4 18 5 33
Amphibia 3 1 2 11 1 18
Reptilia 4 4 4 24 5 41
Aves 2 1 2 11 1 17
Mammalia 4 4 4 16 8 36
Total 19 13 16 83 21 152

Tabela 22. Grupos taxonômicos com representantes em água doce: Estimativas Gerais e
número de espécies conhecidas no Brasil.
Sub Reino Filo N° de Classe/Ordem Nº de Nº de espécies
espécies espécies de de água doce
total água doce no Brasil
Protozoa Protozoa 30.000 - 118
Mesozoa Mesozoa 50-100 -
Parazoa Porifera 20.000- Demospongiae 149 44
30.000
Metazoa Cnidaria 11.000 Classe Hidrozoa 27 7
" Platyhelminthes 10.000 Turbellaria
" " - Monogenoidae
" " - Digenoidae
" Nemertea 800 -
" Aschelminthes 17.000 Rotifera 2.000 467
" " - Gastrotricha 250 63
" " - Nematoda
" " - Nematomorpha
" Bryozoa 4.000 -
" Mollusca 80.000 Gastropoda 45.000 193
" " - Bivalvia 30.000 115

51
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Sub Reino Filo N° de Classe/Ordem Nº de Nº de espécies


espécies espécies de de água doce
total água doce no Brasil
" Annelida 9.000 Aclitellata (Polychaeta) 40 04
" " - Clitellata (Oligochaeta) 600 70
" " - Clitellata (Hirudinea)
Metazoa Tardigrada 400 Classes: Hetero, 700 61
Meso,Eutardigrada
" Arthropoda 1.000.000 Crustacea (Classe Copepoda. 1.050 76
Ordens Calanoida e
Cyclopoida)
" " Crustacea (Branchiura)
" " Crustacea (Anostraca) 4
" " Crustacea (Notostraca) 0
" " Crustacea (Conchostraca) 6
" " Crustacea (Cladocera) 400 153
" " Crustacea (Ostracoda) 200 60
" " Crustacea
(Thermosbaenaceae)
" " Crustacea (Isopoda) 10.000
" " Crustacea (Amphipoda) 10.000
" " Crustacea
(Spelaeogriphaceae)
" " Crustacea (Anaspidaceae)
" " Crustacea (Bathynellaceae)
" " Crustacea (Decapoda) 10.000 116
" " Insecta (Ephemeroptera) 2.000 150
" " Insecta (Collembola) 05
" " Insecta (Odonata) 5300-5360 641-670
" " Insecta (Plecoptera) 2.000 110
" " Insecta (Hemiptera) 900 Am. Sul
" " Insecta (Neuroptera) Poucas
" " Insecta (Trichoptera) 9.600 330
" Insecta (Lepidoptera)
" " Insecta (Diptera) 20.000 1.500
" " Insecta (Coleoptera) 2.000 (Am.
Sul)
" " Insecta (Megaloptera) 300 16
Fonte: ROCHA, 2000

52
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Tabela 23. Número de espécies conhecida e estimada para táxons selecionados de


Invertebrados terrestres
Táxon\ Espécies Conhecidas Estimadas Conhecidas Estimadas Conhecidas Estimadas
Brasil Brasil Neotrópica Neotrópica Mundo Mundo
Gastropoda* 670 2.000 - - 30.000 -
Oligochaeta 240-260 800 320-330 2.000 3.000-3.500 5.000
Myriapoda 270 400 - - 11.000 -
Araneae 3.000 10.000 8.000 40.000 35.200 120.000
Araneae 250-350 600 900-1.200 1.800-2.400 2.200 4.400
Mygalomorphae
Scorpiones 80 - 200 - 1.400 -
Opiliones 951 1.800 - 2.500 - 6.000-7.000
Acari* 1500 - - - 35.000 500.000
Odonata 650 - - - 5.300 10.000
Isoptera 290 600 505 1.000 2.750 -
Hemiptera 700 - - - 10.000 20.000
Miridae*
Hemiptera 607 - - - 5.720 -
Pentatomoidea*
Coleoptera* 30.000 - - - 350.000 -
Coleoptera 5.000 - 12.000 - 45.000- -
Curculionidae 60.000
Coleoptera 566 - - - 9.000 -
Elateridae
Coleoptera 4.000 8.000 6.100 11.000 - -
Cerambycidae
Hymenoptera* - - - - 115.000 500.000
Hymenoptera 1.500-2.000 5.600-6.000 3.000-5.000 11.500- 28.000- 100.000-
Ichneumonoidea 13.000 35.000 120.000
Hymenoptera 827 - - - 18.600 -
Chalcidoidea*
Hymenoptera 171 - - - 1.900 -
Bethylidae*
Hymenoptera 597 1.500 1.706 2.500-3.500 7.600-8.000 10.000-
Sphecidae 12.000
Hymenoptera 3.000 - - - - 20.000
Apiformes*
Hymenoptera 2.500 5.000 - - 10.000 20.000
Formicidae
Lepidoptera* 26.016 40.000 51.018 - 146.000 255.000
Siphonaptera* 59 80 280 - 3.000 3.500
Fonte: BRANDÃO, CANCELLO & YAMAMOTO, 2000. (*informações tiradas de Brandão & Cancello, 1999).

53
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Tabela 24. Número e percentagem de resumos do 42o Congresso da Sociedade Brasileira


de Genética, Caxambu, 1996 para cada uma das 5 áreas da Genética.
Área No. %
Citogenética 142 58,7
Isozimas 34 14,0
Molecular 40 16,5
C. Quantitativos 22 9,1
Polimorfismos 4 1,7
TOTAL 242
Fonte; KLACZKO, 2000

Tabela 25. Número de trabalhos de taxonomia para vertebrados brasileiros, publicados


entre 1992 e 1998, com endereço institucional brasileiro do primeiro autor, por classe de
vertebrado e por região do endereço institucional.
Região Chondrichthyes Osteichthyes Amphibia Reptilia Aves Mammalia TOTAL
N 0 2 0 3 4 2 11
NE 0 0 0 2 0 1 3
CO 0 1 2 1 0 0 4
SE 3 20 18 20 8 10 79
S 0 3 0 1 3 1 8
TOTAL 3 26 20 27 15 14 105
Fonte: SABINO & PRADO, 2000 segundo o Biological Abstracts

Tabela 26. Número de trabalhos de taxonomia para vertebrados brasileiros,


publicados entre 1992 e 1998, por classe de vertebrado
e por país do endereço institucional dos autores.

País Chondri- Osteich- Amphibia Reptilia Aves Mammalia Total


chthyes thyes
Brasil 3 26 20 27 15 14 105
EUA 0 13 3 9 2 8 35
Alemanha 0 4 1 0 2 0 7
Reino Unido 0 0 1 1 0 1 3
Argentina 0 1 0 1 0 0 2
Suíça 0 1 0 0 0 1 2
Uruguai 0 0 1 0 0 1 2
África do Sul 0 1 0 0 0 0 1
Dinamarca 0 0 0 0 1 0 1
Franca 0 0 0 0 0 1 1
Holanda 0 0 1 0 0 0 1
Total 3 46 27 38 20 26 160
Fonte: SABINO & PRADO, 2000 segundo o Biological Abstracts

54
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Figura 1. OS SEIS REINOS DA VIDA NA TERRA

Fonte: Margulis e Schwartz, 1998

55
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Figura 2. Representação radial dos grupos filogenéticos de Bacteria conhecidos em 1987


(Woese) em comparação com dados de estudos recentes (Hugenholtz et al., 1998a). Os
setores em cunha indicam a ocorrência de duas ou mais seqüências representativas
naquele nível de radiação (figura reproduzida de Manfio, 2000 com permissão da ASM).

Figura 3. Quantas espécies existem em nosso planeta?

QUANTAS ESPÉCIES EXISTEM


EM NOSSO PLANETA ?
L 1, 10 ou 100 milhões?
O
G

R INSETOS
I
Q
U
E
Z
A

LOG TAMANHO DO ORGANISMO

56
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Figura 4. Modelo de abundância e raridade das espécies

Abundância X Raridade

F
R
E
Q CORTINA
U
E
N RARAS COMUNS
C
I
A
CLASSES LOG DE ABUNDÂNCIA CRESCENTE

Fonte: F.W.PRESTON, 1962

Figura 5. Modelo de determinantes da biodiversidade

DETERMINANTES DA
D BIODIVERSIDADE
I BAIXA

S
T
A
Ú IM
X
Á
R M

B
BAIXA
I
O P R O D U T I V I D A D E

Fonte: Huston, 1979

57
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Figura 6. Tamanho e desconhecimento da biodiversidade brasileira

ESPÉCIES
CATALOGADAS

ESPÉCIES DESCONHECIDAS

ESPÉCIES BEM
CARACTERIZADAS CARACTERIADAS
GENETICAMENTE

Figura 7. Densidade de coleta Botânica na Amazônia Brasileira


com base em exsicatas de Inga

DENSIDADE DE COLETA DE PLANTAS


Fonte: Nelson, 1991

BELÉM
MANAUS

Fonte: Nelson, 19991

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BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Figura 8. Áreas inventariadas para Aves na Amazônia Brasileira

ÁREAS INVENTARIADAS PARA AVES


Fonte: Oren & Albuquerque, 1991

Fonte: Oren & Albuquerque, 1991

Figura 9. Áreas inventariadas para Anfíbios no Brasil e regiões limítrofes

ÁREAS COM
INVENTÁRIOS
DE ANFÍBIOS
Fonte: Heyer,1997

Fonte: Heyer, 1997

59
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Figura 10. Modelo de limites da sustentabilidade

LIMITES DA
SUSTENTABILIDADE
P
R LIMIAR
E
S
S NÃO LINEAR
Õ LINEAR
E
S

SUSTENTABILIDADE

Figura 11

60
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Figura 12

Figura 13

61
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Figura 14

Figura 15. ECORREGIÕES DA AMAZÔNIA BRASILEIRA

Figura 2: Ecorregiões do Bioma Amazônico


Florestas de altitude
das Guianas

Tepuis
Interflúvio
Negro/Branco Florestas das Guianas

Campinaranas
escala 1:30.000.000 Savanas
do Rio Negro
das Guianas
Tepuis

Várzeas de Marajó
Uatuma-Trombetas
moist forests
Interflúvio
Floresta de Japurá-Solimões
Caqueta

Interflúvio Várzeas de Gurupá


Solimões/Japurá Interflúvio
Várzeas de Tocantins-Araguaia-
Monte Alegre Maranhão
Interflúvio
Tapajos/Xingu
Interflúvio
Juruá-Purus Interflúvio Xingu/Tocantins-
Sudoeste da Araguaia
Amazônia Interflúvio
Madeira/Tapajos

Várzeas de Interflúvio
Iquitos Purus/Madeira

Florestas secas Número de ecorregiões = 23


Projeção sinusoidal, meridiano central (- 54º) Várzeas do Purus de Mato Grosso
Nesta projeção a área das feições é preservada Área do Brasil: 4,105,401 km2
% de área do Brasil = 48.1%
escala 1:20.000.000

Fonte: Ferreira et al., 1999

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BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Figura 16. Áreas Prioritárias para a Conservação de Funções e


Serviços Ambientais na Amazônia Brasileira

Fonte: Instituto Socioambiental, 2001

Figura 17. Áreas prioritárias para a conservação da Flora Amazônica

Fonte: Instituto Socioambiental – ISA et al., 20

63
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Figura 18. Áreas Prioritárias para a Conservação em


Populações Indígenas na Amazônia Brasileira

Fonte: Instituto Socioambiental, 2001

Figura 19. Áreas Prioritárias para a Conservação em


Populações Tradicionais na Amazônia Brasileira

Fonte: Instituto Socioambiental, 2001

64
BALANÇO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: UMA INTRODUÇÃO AO DESCONHECIDO

Figura 20. Metodologia dos workshops de Avaliação de Áções Prioritárias para a


Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade por bioma

Grupos Biológicos Mapas Base Grupos Não Biológicos

Hidrografia
Anfíbios Remanescentes Unidades de Conservação
Répteis
• Unidades de Conservação Planejamento Regional
Aves Vegetação Estratégias de Conservação
Mamíferos Ecoregiões Educação Ambiental
Botânica Outros... Socioeconomia

Invertebrados
Peixes

Ações e Áreas Prioritárias por Grupo Temático


Unidades de
Anfíbios Conservação
Répteis Planejamento Regional
Aves Estratégias de
Mamíferos Conservação
Botânica Educação Ambiental
Invertebrados Socioeconomia
Peixes Fatores Abioticos
Ações e Áreas Prioritárias por Grupo Integrador

Áreas e Ações Prioritárias para a


Conservação dos Biomas
Mata Atlântica e Campos Sulinos

Figura 21. Síntese das Áreas Prioritárias para ações de Conservação e


Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia Legal

Fonte: Instituto Socioambiental et al., 2001

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