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FERRAMENTAS DE ANÁLISE ERGONÔMICA EM BENEFÍCIO DA SOCIEDADE:


APLICAÇÃO PRÁTICA DO MÉTODO OCRA

Conference Paper · November 2014

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5 authors, including:

Natalha Carvalho Nelson Tavares Matias


Centro Universitário Teresa D'Ávila - UNIFATEA Rio de Janeiro State University and Teresa Davila University Center
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Paulo Sergio de Sena Paulo Vinícius de Omena Pina


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FERRAMENTAS DE ANÁLISE ERGONÔMICA EM BENEFÍCIO DA


SOCIEDADE: APLICAÇÃO PRÁTICA DO MÉTODO OCRA

Nelson Tavares Matias


Natalha Gabrieli Moreira Carvalho
Paulo Sérgio de Sena
Paulo Vinícius de Omena Pina
Rosinei Batista Ribeiro
FATEA, UERJ/PIBIC
University of Strathclyde - Glasgow, FATEA/CsF
FATEA/PIBID
FATEA
FATEA, UERJ/PIBIC

Linha Temática: Design, Engenharia de Materiais e Tecnologias

RESUMO
O projeto tem como objetivo divulgar os resultados quantitativos expressos por meio da aplicação do método
Occupational Repetitive Actions (OCRA) em um posto de trabalho, sobre a análise da tarefa de impressão de um
produto editorial gráfico. Almeja-se também com este trabalho difundir e destacar a importância da Ergonomia e
das ferramentas de análise ergonômica quando aplicada em postos de trabalho, principalmente tratando-se da
Ergonomia Física e melhorias na cadeia de produção do trabalho. A ferramenta em questão avalia aspectos da
Ergonomia em estações produtivas, analisando tarefas que exijam uso dos membros superiores do corpo e com os
resultados desta análise, possam ser implementadas mudanças significativas para a melhoria da execução do
trabalho preservando a saúde do trabalhador.

Palavras-chave: Ferramentas ergonômicas; Postos de trabalho; Análise ergonômica.

ABSTRACT
The project aims to promote the quantitative results expressed by applying the Occupational Repetitive Actions
(OCRA) method in a workstation, on the analysis of the task of printing a graphic editorial product. Also the aim is
to spread this work and the importance of ergonomics and ergonomic analysis when applied to work stations,
especially in the case of Physical Ergonomics and improvements in work production chain. The tool in question
assesses aspects of Physical Ergonomics in productive seasons analyzing tasks that require use of the upper limbs
and with the results of this analysis, significant changes which can be applied to improve the performance of work,
preserving the health of the worker.

Key words: Ergonomic Tools; Workstations; Ergonomics assessments.

1. INTRODUÇÃO

O método OCRA foi desenvolvido em 1998 por Enrico Occhipinti e Daniela Colombini
com o objetivo de oferecer uma ferramenta de medição que quantificasse a relação entre o
número médio diário de ações efetivamente realizadas pelos membros superiores em tarefas
repetitivas e o número correspondente de ações recomendadas. A ferramenta analisa as tensões
causadas nos membros superiores resultantes de tarefas repetitivas onde os mesmos são usados
majoritariamente na manipulação de materiais, priorizando as doenças musculoesqueléticas
2

causadas por repetição, força, posturas e movimentos estranhos. A ferramenta em questão


baseia-se em três aspectos relevantes para a análise ergonômica:
1) Na necessidade de uma avaliação integrada entre os principais fatores de risco
ocupacionais (repetição, força, postura, falta de tempo para recuperação, fatores adicionais);
2) Nos estudos de Waters et al., (1993, apud OCCHIPINTI, 1998 p. 1291) para
avaliação de tarefas de elevação manual: (a) Índice de exposição derivado da comparação entre
o “peso efetivamente elevado” e o “peso de referência”, recomendadas de acordo com as
características específicas do local de trabalho e sua organização; (b) Simultaneidade dos vários
fatores de risco na determinação do valor de referência variável; (c) Seleção de uma
característica variável de referência sob as condições ideais, sujeita a correções apropriadas
(multiplicando fatores) como uma função da característica de outros fatores de risco
considerados; (d) Contagem de referência (índice de levantamento = 1), indicando condições
amplamente aceitáveis para a maioria da população trabalhadora adulta saudável. O
prolongamento deste valor sugere perigosos níveis de exposição; de acordo com diferentes
intervenções que possam ser identificadas; (e) Forte propensão para ações preventivas, baseada
na identificação dos fatores de risco que mais influenciam a “característica variável”.
3) Na presente proposta, a ação técnica é identificada como uma determinada
característica variável relevante aos movimentos repetitivos das extremidades superiores. A
ação técnica é baseada em sua frequência relativa durante uma determinada unidade de tempo.
A variável escolhida foi identificada como a mais fácil para a detecção. O termo “ação técnica”
está relacionado à avaliação da exposição e reformulação das tarefas.
Seguindo as premissas apresentadas, chegou-se a concepção da ferramenta de índice de
exposição OCRA, resultante da razão entre o número de ações técnicas durante a jornada e o
número recomendado dessas ações técnicas: (1)

OCRA= Nº total de ações técnicas realizadas durante a jornada de trabalho (1)


Nº total de ações técnicas recomendadas durante a jornada de trabalho

Percebe-se que Occhipinti (1998) conceituou a ferramenta OCRA propondo uma


relação entre o trabalho real e o prescrito. Considerando que o modus operandi, pode se
distanciar do planejado, resultando em inadequações de diversas ordens.
Montmollin (2000, p. 30) diz que:

Tarefas prescritas não podem ser consideradas dogmas, mas podem servir de
guias. De fato, os objetivos das tarefas (produção, qualidade, segurança, etc)
não podem ser alcançadas sem alguns constrangimentos organizacionais,
tampouco sem a contribuição pessoal dos operadores. [...] Deste modo, nesta
perspectiva, não há análise de trabalho relevante sem análise e modelagem da
atividade do operador.

2. JUSTIFICATIVA

O presente projeto faz parte de uma das ações do Laboratório de Ergonomia Anamaria
de Moraes (LaErg) - FATEA, que tem por objetivo maior difundir a Ergonomia para os
3

diferentes setores da sociedade. Desta forma, a melhor exposição dos conceitos e ferramentas
ergonômicas se dá por meio da aplicação do método em atividades reais, permitindo alcançar
informações concretas e desta forma demonstrar os conteúdos difundidos pelo Laboratório.
Neste sentido, o atual projeto aplicou a ferramenta OCRA em uma gráfica.

3. OBJETIVO

Analisar a atividade de um impressor em uma empresa gráfica, por meio da aplicação da


ferramenta de análise ergonômica Occupational Repetitive Actions (OCRA), visando à
validação da mesma pelo LaErg e exemplificação por meio da avaliação de uma atividade real,
com obtenção de dados quantitativos e percepções subjetivas do trabalhador. A ferramenta
integrará um grupo já existente e disponível no site do LaErg <laergfatea.wix.com/laerg>, para
download por qualquer usuário de internet.

4. DELIMITAÇÃO DO TRABALHO

A análise ergonômica empregando a ferramenta OCRA se deu em uma empresa do


segmento editorial gráfico, localizada no município de Lorena, no estado de São Paulo. A
aplicação desta ficou relacionada à atividade de impressão de um produto editorial gráfico, por
meio do processo offset.

5. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A pesquisa concentrará seu levantamento nos aspectos biomecânicos caracterizados


pelo operador do sistema durante a execução das suas tarefas. Para isso, serão empregados os
conceitos propostos pelo método OCRA, expostos no artigo A Concise Index for the
Assessment of Exposure to Repetitive Movements of the Upper Limbs, desenvolvido em 1998
por Enrico Occhipinti, que teve por objetivo oferecer uma medição quantificável, relacionando
o número médio diário de ações efetivamente realizadas com os membros superiores em tarefas
repetitivas e o número correspondente de ações recomendadas.
O Manual de Segurança e Saúde no Trabalho: Indústria Gráfica, desenvolvido pelo
SESI, SP em 2006 expõe, entre outras coisas, informações relativas aos riscos inerentes ao
ambiente gráfico, incluindo o risco ergonômico, o qual se refere à adaptação das condições de
trabalho às características do trabalhador.

Em relação ao trabalhador, estão envolvidos os aspectos pessoais (idade, sexo,


estado civil, escolaridade, atividade física, tabagismo e antropometria),
psicossociais (percepções de sobrecarga, trabalhos monótonos, controle
limitado das funções e pouco apoio social no trabalho) e biomecânicos
(postura inadequada, uso de força excessiva e repetição de movimentos).
(SESI, 2006, p. 31).

Baseou-se também em princípios definidos pelas Normas Regulamentadoras


estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, voltadas aos ambientes produtivos e
postos de trabalho assemelhados aos da gráfica, a fim de definir a principal diretriz do estudo e
sua importância para a sociedade. Dentre as Normas Regulamentadoras destaca-se a NR-7, que
“[...] visa a estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às
4

características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de


conforto, segurança e desempenho eficiente.” (BRASIL, 2007).

6. MÉTODO

Para a aplicação do método Occupational Repetitive Actions (OCRA), foi escolhido


como posto de trabalho, o setor de impressão de uma gráfica. Alerta-se que a ferramenta não
atende postos de trabalho onde os riscos consideráveis são consequentes do uso contínuo dos
membros inferiores e, ela não prevê riscos associados à tensão de contato, vibração ou
distúrbios nos ombros, pescoço ou costas. Tendo em vista que as tarefas de impressão
executadas pelo trabalhador exigem o uso dos membros superiores, o método OCRA analisará
as posturas adotadas, esforços e movimentos realizados pelo operador, assim, exprimindo
dados quantitativos sobre as suas ações. Em caráter comparativo, o método OCRA é
semelhante ao método elaborado pela National Institute Occupational Safety Health (NIOSH)
em 1981. Tendo em vista que a NIOSH também se concentra em tarefas de repetição, estáticas,
dinâmicas, e tarefas realizadas sentadas, a diferença está na parte do corpo em análise,
restringindo-se a região lombar.
O método adotado para o desenvolvimento do estudo foi adaptado da Análise Ergonômica do
Trabalho e a Intervenção Ergonomizadora (Figura 1) propostas, por Moraes e Mont´Alvão
(2000, 2012), constituída das seguintes etapas:

• Apreciação das disfunções ergonômicas do Sistema Homem-Tarefa-Máquina, SHTM;


• Aplicação da OCRA;
• Diagnose ergonômica das disfunções do SHTM;
• Avaliação ergonômica dos custos humanos da tarefa.
5

7. DESENVOLVIMENTO

A partir das observações feitas foi possível elaborar a Figura 2, que organiza
sinteticamente as principais tarefas desenvolvidas pelo operador durante a preparação para a
impressão.

Figura 1 - Aspectos relativos à iluminação, ruído e químico-ambiental não foram considerados


Fonte: autores (2014)

A aplicação da OCRA prevê o levantamento de dados quantitativos e qualitativos, sobre


aspectos mensuráveis e subjetivos, contudo os resultados são sempre apresentados de maneira
numérica. (Figuras 3 a 19).
6

Descrição Minutos
Oficial
Duração Turno 540
Efetiva
Pausas Oficiais Por contrato
0
Pausas Reais Efetiva
Pausa Para Refeição Oficial
90
(considerar para jornada de 8 horas) Efetiva
Trabalhos Não Repetitivos Oficial
30
(limpeza, abastecimento, setup, etc.) Efetivo
TEMPO LIQUIDO DE TRABALHO REPETITIVO (TLTR): 420
Programados: 96 ciclos
Nº PEÇAS (ou ciclos)
Efetivos: 96 ciclos
TEMPO LÍQUIDO DE CICLO (segundos) Calculado = TLTR X 60 / Nº PEÇAS. (ou
Ciclos) efetivo: 4,38
Substituindo: 420 X 60 / 96 = 262,5s
TEMPO DE CICLO OBSERVADO ou PERÍODO DE OBSERVAÇÃO (segundos)
90
(cronometrado)
Figura 2 - Quantificação diária de trabalho da atividade de impressão
Fonte: autores (2014)

Modalidade de interrupção do trabalho em ciclos com pausas ou com outros trabalhos


de controle visual - escolher uma única resposta: é possível escolher valores intermediários.

Peso Descrição
Existe uma interrupção de pelo menos 8/10 min. a cada hora (contar a pausa para refeição); ou o tempo de
0
recuperação está dentro do ciclo.
Existem 2 interrupções de manhã e 2 à tarde ( além da pausa para refeição) de pelo menos 8-10 minutos num
2 turno de 7-8 horas ou 4 interrupções além da pausa para refeição num turno de 7-8 horas; ou 4 interrupções
de 8-10 minutos num turno de 6 horas.
Existem 2 pausas de pelo menos 8-10 minutos cada num turno de cerca de 6 horas (sem pausa para refeição);
3
ou 3 pausas além da pausa para refeição num turno de 7-8 horas.
Existem 2 interrupções além da pausa para refeição de pelo menos 8-10 minutos num turno de 7-8 horas (ou
4
3 interrupções sem pausa para refeição); ou num turno de 6 horas, uma pausa de pelo menos 8-10 minutos.
Num turno de cerca de 7 horas sem pausa para refeição há uma única pausa de pelo menos 10 minutos; ou
6
num turno de 8 horas existe somente a pausa para refeição (para refeição não contada no horário de trabalho).
10 Não existem de fato interrupções a não ser de poucos minutos (menos de 5) num turno de 7-8 horas.
Recuperação = 6
Figura 3 - Análise do tempo de recuperação do trabalhador em toda a jornada diária de trabalho
Fonte: autores (2014)

A atividade dos braços e a frequência de ação na execução dos ciclos - É prevista uma
única resposta para os dois blocos (ações dinâmicas ou ações estáticas) e prevalece a pontuação
mais alta; é possível escolher valores intermediários. Descrever o membro dominante:
mencionar se o trabalho é simétrico.
7

AÇÕES TÉCNICAS DINÂMICAS


Peso Descrição
0 Os movimentos dos braços são lentos com possibilidade de frequentes interrupções (20 ações/minuto).
Os movimentos dos braços não são muito velozes (30 ações/min ou uma ação a cada 2 segundos), com
1
possibilidade de breves interrupções.
Os movimentos dos braços são mais rápidos (cerca de 40 ações/min), mas com possibilidade de breves
3
interrupções.
Os movimentos dos braços são bastante rápidos (cerca de 40 ações/min), a possibilidade de interrupções é
4
mais escassa e não regular.
Os movimentos dos braços são rápidos e constantes (cerca de 50 ações/min), são possíveis apenas pausas
6
ocasionais e breves.
Os movimentos dos braços são muito rápidos e constantes; carência de interrupções torna difícil manter o
8
ritmo (60 ações/min).
10 Frequências elevadíssimas (70 ou mais por minuto), não são possíveis interrupções.
Figura 4 - Análise da relação entre velocidade e frequência das ações
Fonte: autores (2014)

AÇÕES TÉCNICAS ESTÁTICAS


Peso Descrição
É mantido um objeto em preensão estática durante pelo menos 5 segundos, que ocupa 2/3 do tempo de ciclo
2,5
ou do período de observação.
É mantido um objeto em preensão estática durante pelo menos 5 segundos que ocupa 3/3 do tempo de ciclo
4,5
ou do período de observação.
Figura 5 - Análise da relação entre força aplicada e frequência
Direito Esquerdo D E
Número ações técnicas contadas no ciclo 1 1
Frequência de ação por minuto = nº ações x 60 / tempo 2,5 2,5
13,7 13,7
ciclo (efetivo)
Possibilidade de breves interrupções 0 0 Frequência
Figura 6 - Frequência de ações em cada um dos braços
Fonte: autores (2014)

Presença de atividades de trabalho com uso repetido de força das mãos e dos braços (pelo menos uma vez a cada
poucos ciclos durante toda a operação ou tarefa analisada):
x Sim Não

Figura 7 – Apesar de esporádicas nota-se tarefas que exigem força do operador


Fonte: autores (2014)

ESCALA DE BORG
0 0,5 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
MUITO
TOTAL/ EXTREMA/ MUITO MUITO MUITO
LEVE MODESTA MODERADA FORTE FORTE + FORTE MÁXIMA
AUSENTE LEVE LEVE FORTE FORTE ++
+++

Figura 8 - Dado referente à percepção subjetiva de esforço pelo trabalhador

Pode ser marcada mais de uma resposta, somando-se as pontuações parciais obtidas. Às
vezes pode ser necessário descrever ambos os membros: neste caso utilizar duas casas, uma
para o direito e outra para o esquerdo.
8

0 Puxar ou empurrar alavancas 6 - 2 segundos a cada 10 minutos


0 Fechar ou abrir 12 - 1 % do tempo
0 Apertar ou manipular componentes 24 - 5 % do tempo
0 Usar ferramentas 32 - MAIS que 10% do tempo
Usar o peso do corpo para executar uma ação
0
de trabalho
32 Manipular ou levantar objetos
Força 64 D 64 E
Figura 9 - A atividade de trabalho comporta o uso de força quase máxima (pontuação de 8 ou mais da escala de
Borg)
Fonte: autores (2014)

Presença de posturas inadequadas dos braços durante a execução da tarefa repetitiva

DIREITO; ESQUERDO; AMBOS (descrever o mais exigido ou


X
ambos se necessário)

A) OMBRO 12 D 12 E
Flexão Abdução Extensão

A) OMBRO (Cont.) 12 D 12 E
Peso Descrição
O braço/os braços não ficam apoiados sobre o plano de trabalho, mas ficam levantados durante pelo menos
1
metade do tempo.
Os braços são mantidos sem apoio quase à altura dos ombros (ou em outras posturas extremas) durante cerca
2
de 10% do tempo.
Os braços são mantidos sem apoio quase à altura dos ombros (ou em outras posturas extremas) durante cerca
6
de 1/3 do tempo.
Os braços são mantidos sem apoio quase à altura dos ombros (ou em outras posturas extremas) durante mais
12
da metade do tempo.
Os braços são mantidos sem apoio quase à altura dos ombros (ou em outras posturas extremas) durante quase
24
o tempo todo.
Observação = se as mãos trabalharem acima da altura da cabeça, dobrar os valores.
Figura 10 - Análise de esforço dos ombros
Fonte: autores (2014)
9

A) COTOVELO 4 D 4 E
Extensão-Flexão Prono-supinação Peso Descrição

O cotovelo deve executar amplos movimentos de


2 flexo-extensão ou prono-supinação, movimentos
bruscos durante cerca de 1/3 do tempo.

O cotovelo deve executar amplos movimentos de


4 flexo-extensão ou prono-supinação, movimentos
bruscos durante mais da metade do tempo.

O cotovelo deve executar amplos movimentos de


8 flexo-extensão ou prono-supinação, movimentos
bruscos durante o tempo inteiro.

Figura 11 - Análise de esforço dos cotovelos


Fonte: autores (2014)

B) PUNHO 2 D 2 E
Extensão-Flexão Prono-supinação Peso Descrição
O punho deve fazer desvios extremos ou assumir
posições incômodas (amplas flexões ou extensões ou
2
amplos desvios laterais) durante pelo menos 1/3 do
tempo.
O punho deve fazer desvios extremos ou assumir
4 posições incômodas durante mais da metade do
tempo.
O punho deve fazer desvios extremos durante quase o
8
tempo todo.
Figura 12 - Análise de esforço dos punhos
Fonte: autores (2014)

C) MÃO-DEDOS 10 D 10 E
Pega palmar Pinça fina Preensão em gancho Preensão palmar

A mão pega objetos ou peças ou instrumentos com os dedos


C) MÃO-DEDOS (Cont.) 10 D 10 E
4 Com os dedos apertados (pinch); 2 Durante cerca de 1/3 do tempo.
A mão quase completamente aberta (preensão
2 4 Durante mais da metade do tempo.
palmar);
0 Mantendo os dedos em forma de gancho 8 Durante quase o tempo inteiro.
Com outros tipos de preensão comparáveis às
4
anteriores
Figura 13 - Análise de esforço das mãos-dedos
Fonte: autores (2014)
10

Para obtenção do valor referente ao item D - Estereotipia deve-se analisar os seguintes


aspectos pontuando-os:

 presença de gestos de trabalho do ombro e/ou do cotovelo e/ou do punho e/ou das mãos
idênticos, repetidos durante mais da metade do tempo (o tempo de ciclo entre 8 e 15 seg. com
conteúdo prevalente de ações técnicas, mesmo diferentes entre si, dos membros superiores).
Valor de Estereotipia = 1,5
 presença de gestos de trabalho do ombro e/ou do cotovelo e/ou do punho e/ou das mãos
idênticos, repetidos quase o tempo todo (o tempo de ciclo inferior a 8 seg. com conteúdo
prevalente de ações técnicas, mesmo diferentes entre si, dos membros superiores). Valor de
Estereotipia = 3

D) ESTEREOTIPIA 3 D 3 E
Observação = usar o valor mais alto obtido nos 4 blocos de perguntas (A,B,C,D) tomado uma só vez e somá-lo
eventualmente ao valor de Estereotipia obtido.
Postura 31 D 31 E
Figura 14 - Análise geral dos membros superiores comparados ao tempo de esforço
Fonte: autores (2014)

Presença de fatores de risco complementares: escolher uma única resposta por bloco.
Descrever o membro mais utilizado (o mesmo do qual se descreverá a postura).

Peso Descrição
São usadas durante mais da metade do tempo luvas inadequadas à preensão solicitada pelo trabalho
2
executado (incômodas, muito espessas, de tamanho não apropriado).
2 Há movimentos bruscos ou de arranque ou contragolpes com freqüências de 2 por minuto ou mais.
2 Há impactos repetidos (uso das mãos para golpear) com freqüências de pelo menos 10 vezes/hora.
Há contatos com superfícies frias (inferiores a zero graus) ou se executam trabalhos em câmaras frigoríficas
2
durante mais da metade do tempo.
São usadas ferramentas vibratórias ou parafusadeiras com contragolpe durante pelo menos 1/3 do tempo.
2 Atribuir o valor 4 no caso de uso de ferramentas com elevado conteúdo de vibrações (ex.: martelo
pneumático; lixadeira, etc.) quando utilizadas durante pelo menos 1/3 do tempo.
São usadas ferramentas que provocam compressões sobre as estruturas músculo-tendíneas (verificar a
2
presença de vermelhidão, calos, etc. na pele).
São executados trabalhos de precisão durante mais da metade do tempo (trabalhos em áreas inferiores a 2 -3
2
mm.) que requerem distância visual próxima.
Há mais fatores complementares (como: costas com curvatura superior a 30°) que considerados no total
2
ocupam mais da metade do tempo.
Há um ou mais fatores complementares que ocupam quase o tempo todo
3
(como:___________________________).
Os ritmos de trabalho são determinados pela máquina, mas existem áreas de “pulmão” e, portanto, se pode
1
acelerar ou desacelerar o ritmo de trabalho.
2 Os ritmos de trabalho são completamente determinados pela máquina.

Complementares 4 D 4 E
Figura 15 - Resultado da análise de riscos complementares
Fonte: autores (2014)

Cálculo da pontuação checklist por tarefa/trabalho


I) Para calcular o índice de tarefa, somar os valores indicados nas 5 casas com os
dizeres: Recuperação + Freqüência + Força + Postura + Complementares (correspondem
respectivamente às figuras 4, 7, 10, 15 e 16).
11

Direito 107,5 Esquerdo 107,5 Pontuação Intrínseca do Posto


Figura 16 - Resultado da análise geral dos membros comparados à frequência

II) Identificação dos multiplicadores relativos à duração total diária das tarefas
repetitivas. Para trabalhos part-time ou para tempos de trabalho repetitivo inferiores a 7 horas
ou superiores a 8 multiplicar o valor final obtido pelos fatores multiplicativos indicados:

60-120 min: Fator 241-300 min: Fator multiplicativo = 421-480 min: Fator multiplicativo
multiplicativo = 0,5 0,85 =1
121-180 min: Fator multiplicativo = 301-360 min: Fator multiplicativo = Sup.480 min: Fator multiplicativo
0,65 0,925 = 1,5
181-240 min: Fator multiplicativo = 361-420 min: Fator multiplicativo =
0,75 0,95
Figura 17 – Quadro referencial de fator multiplicativo a partir da duração de tarefas repetitivas
Fonte: autores (2014)

Pontuação real do posto ponderada pela efetiva duração da tarefa repetitiva, a qual é
calculada multiplicando o valor de „Pontuação intrínseca do posto‟ (I) pelo fator multiplicativo
relativo à duração da tarefa repetitiva (II).

PONTUAÇÃO REAL
Direito (I) * (II) 102,125 Esquerdo (I) * (II) 102,125
POSTO

A pontuação de exposição para mais de uma tarefa repetitiva não se aplica à atividade
analisada, portanto, não consta no presente trabalho.

CHECK LIST OCRA FAIXAS RISCO


ATÉ 7,5 2,2 Verde Aceitável
7,6 – 11 2,3 – 3,5 Amarela Muito Leve (borderline)
11,1 – 14.0 3,6 - 4,5 Vermelha Leve Leve
14,1 – 22,5 4,6 – 9 Vermelha Média Médio
> 22,6 > 9,1 Violeta Elevado
Figura 18 - Correspondência de pontuações entre ocra e pontuações check-list
Fonte: autores (2014)

8. ANÁLISE E DISCUSSÕES DOS RESULTADOS


Os resultados obtidos por meio de dados quantitativos apontaram para um risco elevado
no posto de trabalho analisado. Os relatos do empregado envolvido na análise ergonômica
foram explícitos em relação às fortes dores nas costas e ombros, decorrentes de anos na
profissão e mesas com altura pouco elevadas para atividades de precisão. As costas do
empregado mantêm-se curvadas durante muito tempo em toda a jornada de trabalho, e na maior
parte das atividades observadas; É flagrante a dificuldade do operador ao manusear o pacote de
papel (17Kg), uma vez que o mesmo não possui pegas, além de não oferecer resistência durante
a ação; O presente trabalho foi submetido e aceito no Comitê de Ética em Pesquisa das
Faculdades Integradas Teresa D‟Ávila (FATEA), sob o número CAAE 30566414.6.0000.5431.
12

REFERÊNCIAS

AIHA ERGONOMIC COMMITTEE. Ergonomic Assessment Toolkit. [s. l.], 2013. Disponível em:
<http://www.aiha.org/get-involved/VolunteerGroups/Documents/ERGOVG-Toolkit_rev2011.pdf>. Acesso em:
23 maio 2013.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ERGONOMIA. O que é Ergonomia. Rio de Janeiro, 2000. Disponível em:
<http://www.abergo.org.br/internas.php?pg=o_que_e_Ergonomia>. Acesso em: 19 set. 2012.
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE MEDICINA DO TRABALHO. Conhecimento: Medicina do Trabalho. Goiás,
2012. Disponível em: <http://www.anamt.org.br/index.php?id_item=210&t=Conhecimento>. Acesso em: 20 ago.
2012.
CONSERVATOIRE NATIONAL DES ARTS ET MÉTIERS. Qu'est-ce que l'ergonomie. [s. l.], 2000. Disponível
em: <http://ergonomie.cnam.fr/ergonomie/index.html>. Acesso em: 20 set. 2012.
COUTO, H. de A. Contribuições da ergonomia, higiene, segurança e medicina do trabalho para a qualidade de
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GOUVEIA, N. A. P. B. de. Ergonomia como factor integrante das ferramentas de implementação Lean Six Sigma.
2012. 120 f. Conclusão de Curso (Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Engenharia e Gestão
Industrial) – Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, 2012.
IIDA, Itiro. Ergonomia: projeto e produção. 3. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 1995.
INTERNATIONAL ERGONOMIC ASSOCIATION. What is Ergonomy. IEA, 2013. [s. l.], 2000. Disponível em:
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<http://portal.mte.gov.br/legislacao/normas-regulamentadoras-1.htm>. Acesso em: 11 ago. 2013.
SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA. Manual de Segurança e Saúde no Trabalho: Indústria Gráfica. São Paulo,
2006. Disponível em: <www.sesisp.org.br>. Acesso em: 11 ago. 2013.

Nelson Tavares Matias (nelson.matiaz@gmail.com


Natalha Gabrieli Moreira Carvalho (natalhagmcarvalho@gmail.com)
Paulo Sérgio de Sena (pssena@gmail.com)
Paulo Vinícius de Omena Pina (s14design@gmail.com)
Rosinei Batista Ribeiro (rosinei1971@gmail.com)
Curso de Design, Faculdades Integradas Teresa D’Ávila – Av. Peixoto de Castro, 539 – Lorena – SP.
Departamento de Engenharia de Produção (DENP), Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Rodovia
Presidente Dutra km 298 (sentido RJ-SP) - Pólo Industrial - Resende - RJ.

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