Você está na página 1de 2

AMAR NOSSOS LIMITES PARA QUE O SENHOR NOS DILATE

- “Correrei pelo caminho dos teus mandamentos, quando dilatares o meu coração” (Sl 118,32).
- “Eu vi o limite de toda perfeição; o teu mandamento se dilata sem fim”(Sl 118,96).
- “É o dia de reconstruir teus muros! Nesse dia tuas fronteiras serão mais amplas” (Miq. 7,11).
- “Na fragilidade sinto-me mais humano...”

Podemos definir a humildade como “amar os próprios limites”. Amá-los e


não só aceitá-los resignada-
mente. É afirmar sua bondade. Assim como sou: “Sou a obra de tuas mãos” (Sl 137,8).
A esperança se funda na bondade d’Aquele que nos cria limitados com
bondade infinita.
O Senhor ama ilimitadamente nossas limitações; nos engrandece pela via do
amor de nossa pequenez; nos plenifica na aceitação jubilosa de nossos limites.
Deus tudo criou separando e pondo limites: entre luz e trevas, entre águas de cima
e de baixo no
firmamento, entre mares e terra, entre ervas e árvores de fruto, entre espécies de animais e
plantas
Deus criou limitando. E viu que tudo era bom.
Deus ama os limites de suas criaturas.
Ama também a morte, limite último?
É esse também um limite que o Senhor dilata com suas promessas de
Vida eterna.
O modelo de amor aos limites da condição humana é Jesus Cristo.
Verdadeiro homem, assumiu um destino humano, assumiu limites.
Deixou a glória divina da “ilimitação” e se revestiu por amor (ilimitado) de
nossa “condição limitada”.
Submeteu sua liberdade humana ao limite da Vontade divina, obedecendo até a
morte e morte de Cruz.
Por isso, Deus o exaltou. Porque Jesus se limitou, Deus o dilatou e lhe deu um
Nome que está acima de todo nome (cf. Fil. 2,9-11).
Jesus recebe uma glória eterna e sem limites porque abraçou seus
limites.
Quem ama seus limites será exaltado.

Os Exercícios Espirituais são uma escola onde se aprende a oferecer a Deus o


próprio querer e liberdade, para que sua Santíssima Vontade se sirva de sua
pessoa, assim como tudo o que tem (EE. 5).
Oferecer-se a si mesmo inteiramente, com todos os seus limites, para ser
dilatado por Deus.
Este abandonar-se nas mãos de Deus, humilde e confiadamente, faz-se possível
pela esperança.
S. Inácio reconhece não só a limitação própria e dos meios humanos, senão
que sabe por experiência que são capazes de impedir e limitar a eficácia divina.
Mas nem essa limitação-limitante é capaz de desanimá-lo ou de fazê-lo
pessimista a respeito dos dons naturais e capacidades humanas. Reconhecendo-
lhe seus limites S. Inácio libera o exercitante para a esperança.
“Eu, para mim me persuado que antes e depois (de concedida uma graça de Deus) sou todo impedi-
mento; e disto sinto maior contentamento e alegria espiritual no Senhor nosso, por não poder atri-
buir a mim coisa alguma que pareça boa” (S. Inácio, EP. I, 339)

Quanto mais convencido Inácio está de sua insuficiência e limitação para toda
eficácia espiritual, e quanto mais aceita essa limitação, tanto mais espera na
Graça, da qual tudo lhe veio, tudo lhe vem e tudo há de vir, mesmo que ele seja
“todo impedimento”: experiência de limitação-limitante.
Ser frágil significa abrir-se para o Amor.
A fragilidade é uma condição para sermos humanos. Quem pretende proteger-se atrás
de ar-
maduras e muralhas impenetráveis, acaba isolando-se dos seus semelhantes.
Ser frágil significa viver bem perto dos semelhantes, inspirar confiança, esquecer o
orgulho,
renunciar às garantias e à segurança, confiar na vida.
A fraqueza remove barreiras, aproxima, convence. Quando somos frágeis, estamos declarando
ter necessidade de nossos semelhantes, convidando-os para que manifestem sua presença na
nossa vida. A fragilidade é abençoada. Ser vulnerável
é deixar-se querer. Talvez seja por isso, por essa
precisa razão, que Deus veio à terra.

Texto bíblico: 2Cor. 12,5-10

Na oração: Como você encara seus limites? Eles o deprimem, destroem sua auto-imagem?
ou fazem-se sentir mais humano? Você é capaz de compreender a fragilidade dos outros?...