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K

Alfredo Rosario
Cassimo Abacar
Ido Brohane Francisco
Paulino Francisco Adamo
Ricardino Avelino Cassambue
Vanuza Salma Comba

Geologia de Sofala
( Localização Geográfica, Principais Unidades Litoestratigráficas, com respectivas
Litologias, Idade, Recursos Minerais e Energéticos)

Universidade Pedagógica
Nampula
2015
ii

Alfredo Rosario

Cassimo Abacar

Ido Brohane Francisco

Paulino Francisco Adamo

Ricardino Avelino Cassambue

Vanuza Salma Comba

Geologia de Sofala

(Localização Geográfica, Principais Unidades Litoestratigráficas, com respectivas


Litologias, Idade, Recursos Minerais e Energéticos)

Trabalho de carácter avaliativo referente a


cadeira de Geologia de Moçambique, curso
de Lic. em Geologia, com Habilitação em
Mineração, 30 Ano. Leccionada pelo
Docente:
MSc Sumalge Muteliha.

Universidade Pedagógica

Nampula

2015
iii
iv

Índice
Introdução.............................................................................................................................................5
1. Geologia da Província de Sofala.....................................................................................................6
1.1. Graben” do Urema – vale do “Rift”............................................................................................9
Tabela 1: Informação Geológica resumida da Província de Sofala................................................10
2. Suíte Intrusiva de Gorongosa.......................................................................................................11
3. Sequências do Rifte da África Oriental.........................................................................................11
3.1. Complexo Carbonatítico Xiluvo................................................................................................13
Os Recursos Minerais e Energéticos.....................................................................................................16
4. Importância Económica de Recursos Minerais e Energéticos................................................18
5

Introdução
6

1. História
Sofala já era conhecida há muitos séculos. No século X, Al-Masudi descreve as terras de
Sofala e da importância da mineração e comércio entre o Império dos Mwenemutapas e os
árabes e indianos que ali se haviam estabelecido. Nessa época, Sofala abrangia toda a costa
centro e norte
do actual Moçambique. Quando os portugueses entraram em contacto com a África
Meridional-Oriental (pelo Cabo da Boa Esperança), foram informados do comércio com
Sofala: grandes
traficantes muçulmanos de Ormuz, de Adem e de outros lugares recebiam o ouro de outros
mercadores muçulmanos que captavam o metal para com ele poderem obter os panos de
algodão de Cambaia e outras peças vindas do mar Vermelho ou de Guzarate. O território da
actual província era parte integrante da concessão da Companhia de Moçambique,
estabelecida em 1891. Com a reversão do território para a administração colonial directa
portuguesa em 1942 foi constituído o “Distrito da Beira”, que passou a ser denominado
“Distrito de Manica e Sofala” em 1947. Em 5 de Agosto de 1970 este distrito foi dividido no
distrito de Sofala e no distrito de Vila Pery (antigo nome da cidade de Chimoio) Durante o
período do Governo de Transição (de 7 de Setembro de 1974 a 25 de Junho de 1975) o
distrito de Sofala passou a província de Sofala.
2. Localização
Situada no centro de Moçambique, Sofala partilha a norte e a nordeste o rio Zambeze com as
províncias de Tete e da Zambézia. Já a leste a província encontra o Oceano Índico. A sul é
separa pelo rio Save da província de Inhambane enquanto a oeste está ligada à província de
Manica.

Figura 1 – Mapa de localização geográfica de Sofala


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sofala
7

3. Geologia da Província de Sofala


Geologicamente a província de Sofala é dominada por dois dos quatro principais ciclos de
erosão característicos da paisagem do Sul de África e da África Austral, representados pelas
superfícies de aplanação correspondendo à região dos planaltos médios ou Ciclo do Zumbo e
à zona de planície costeira ou Ciclo do Congo.

A existência destes ciclos, segundo Real (1966), é evidenciada por uma morfologia especial
em que as várias zonas de aplanação, separadas por importantes escarpas de erosão, originam
o já referido aspecto de escadaria. A geologia constitui a base na qual se desenvolvem as
principais formas de relevo e, consequentemente responsável pela enorme diversidade de
solos que ocorrem na província de Sofala e distribuídos segundo a sequência topográfica local
(catena de solos). Porque tais atributos de terra são ainda influenciados por processos
ecológicos, cujos efeitos variam no espaço e no tempo, para além do grau de intervenção e a
acção do homem, resulta nas diferenças agro-ecológicas significativas e potencialmente aptas
para o desenvolvimento agrário. A breve descrição aqui apresentada, baseia-se nas Notícias
Explicativas da Carta Hidrogeológica de Moçambique (Bouman e Ferro, 1987) e, da Carta
Geomorfológica de Moçambique (Bondyrev, 1983), nas Cartas Geológicas, SUL-E-36 folhas
Q, R, L e Z, na escala 1:250000 (SGM, 1968) e, na caracterização geológica da Bacia do Rio
Zambeze (Real, 1966).

De um modo geral, a região ocorre na Bacia Sedimentar de Moçambique e para uma melhor
caracterização geológica, Real (1966) defende como, a maioria dos sedimentos das formações
conhecidas, as suas características morfológicas e litológicas dominantes, são semelhantes a
dois tipos principais:

(a) Os sedimentos Cretácico continentais da região de Sena, designando-os como "Grés de


Sena", formado essencialmente por grés e conglomerados;

(b) O Cretácico marinho, fossilífero, representado por grés de grão fino e grés calcários com
películas de calcários gresosos. Geomorfologicamente, a província pode ser distinguido em
duas unidades principiais e cinco subunidades (Tabela 1) nomeadamente:

(i) a parte Central que, compreende o Planalto de Inhaminga/Cheringoma, representando o


Cretácico continental;
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(ii) a Oeste, pelos vales dos rios Zungué e Macua que, corresponde à planície de
afundamento, vulgarmente conhecida por “Graben” do Urema - Vale do Rift, em que
dominam os depósitos quaternários;

(iii) a Este pela planície de eluviação arenosa e argilo-arenosa de transição; (iv) a vasta
planície Deltaica Quaternária do Zambeze, de aluviões em geral alagadiços resultantes,
principalmente, da importante meanderização do Zambeze;

(v) as zonas de antigos cordões litorais e de dunas, mais ou menos consolidadas que, se
orientam em geral, paralelas à costa.

3.1. Planalto de Cheringoma ou Inhaminga

É o principal complexo geológico que directa ou indirectamente, contribuiu na formação das


unidades geológicas mais recentes quer na parte Oeste (“Graben” do Urema e/ou Vale do
Rift) quer na faixa costeira da área de estudo. A maior altitude segundo Tinley (1995) atinge
os 394 metros perto da localidade de Condué. O planalto está altamente peneplanizado devido
à sua localização central entre os Grabens do Urema e do Zambeze, pertencendo ao Terciário
Médio, correspondendo à época de renovação do rift. O planalto de Cheringoma é composto
essencialmente pelas formações do Cretácico continental, do Cretácico marinho e do
Terciário marinho. Na zona do planalto, o grés do Cretácico continental distribuem-se em
estreita faixa orientada na direcção NNE, constituindo a bordadura ocidental do maciço. Do
planalto de Inhaminga, segundo Ferro e Bouman (1987), distinguem-se diferentes Formações
segundo as idades e a ocorrências dos principais eventos geológicos que, determinam a sua
distribuição quer a leste quer na vertente ocidental que, no seu conjunto correspondem à
grande falha de Inhaminga, constituindo superfícies de contacto com depósitos quer do
Cretácico marinho, quer do Terciário. O Cretácico continental também conhecido por Grés de
Sena, descrito por Real (1966), é formado por grés carbonatados de grão médio a grosseiro,
de cor castanha, por vezes vermelha, amarelo-acastanhada a cinzento-clara, ou ainda, por grés
de grão anguloso a sub-rolado em que, os elementos constituintes são, principalmente quartzo
e feldspato.

3.2. Formação de Grudja é aquela que melhor representa os depósitos do Cretácico marinho
na região planáltica, coberta pela transgressão Cretácica (Real, 1966). As camadas do
Cretácico marinho dispõem-se na margem ocidental do planalto, assentando sobre os
sedimentos continentais dos Grés de Sena. No terreno, observa-se uma transição representada
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por grés grosseiro castanho, grés de grão fino e grés margoso. Estes estratos marinhos são
formados essencialmente por grés grosseiros amarelos, siltitos amarelos ou vermelhos.
Sobrepõem-se-lhe grés calcários finos, siltíticos, de cor amarela a cinzento-esbranquiçada, e
grés finos, glauconíticos, de cor vermelha, amarelada e cinzento-clara. A parte superior da
Formação de Grudja é constituída por grés glauconiosos, Pertence ainda ao mesmo período,
Terciário marinho.

3.3. Formação de Cheringoma.

Esta assenta sobre o grés calcário de Grudja e ocupa também largas áreas na região do
planalto. Estes depósitos estão separados da Formação de Grudja, a oeste, por nítida escarpa.
Na Formação de Cheringoma predominam calcários gresosos, grés calcários, grés
glauconiosos (na base) e lentículas estreitas de calcários dolomíticos. São identificados ainda
níveis de calcários maciços, bem estratificados. Os níveis calcários desta formação revelam,
por vezes, sinais de classificação sendo numerosas as grutas (Real, 1966).

Os depósitos do Miocénico (Terciário marinho) correspondem a nova transgressão marinha


que, resultou na cobertura dos estratos das Formações de Cheringoma, Grudja, e Sena, sendo
representados parcialmente pela Formação de Mazamba que, se subdivide em duas partes
distintas, o Grés de cor púrpura e as Camadas de Inhaminga. Os afloramentos de grés da
Formação de Mazamba, de cor púrpura, estão melhor representados na zona do rio Mazamba,
a cerca de 25 km a sudoeste de Inhaminga, cobrindo enormes áreas do planalto de
Cheringoma, constituídos por grés argilosos de grão fino e médio de cor vermelha viva, de
estratificação pouco nítida. Na parte superior do grés os sedimentos são mais grosseiros
podendo distinguirem-se elementos como granito, gnaisse, quartzito e Basalto. A parte
superior da Formação de Mazamba corresponde às camadas de Inhaminga que se sobrepõem
ao grés de cor púrpura, sendo constituída por rochas do tipo de grés arcósicos, de grão médio
a grosseiro, de cor amarelo-acastanhada que, passam na parte superior, a grés de cor branca
ou amarela pálida. Estas duas últimas ocorrências, são evidenciadas por afloramentos
rochosos ao longo das escarpas e em superfícies planas (Fotos 1 e 2), representando a
transição brusca entre o Planalto de Cheringoma e a planície de afundamento do “Graben” do
Urema - vale do “Rift”.

Entre os vários degraus do planalto, ocorrem alguns terrenos com fisiografia plana a quase
plana, alongados e paralelos ao planalto, constituídos por materiais (maioritariamente não
consolidados) transportados e depositados quer pela acção mecânica, quer por água e/ou
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combinação destas, vulgarmente designados por coluviões. A composição litológica é


resumida na Tabela 1. Em geral, as superfícies aplanadas resultaram da meteorização das
rochas mais susceptíveis (p.e. de natureza calcária) e posterior transporte e deposição dos
materiais não consolidados, facto evidenciado pela presença de detritos e concreções de
carbonatos de cálcio na superfície do solo ou nas camadas do subsolo.

3.4 Graben” do Urema – vale do “Rift”


Como testemunhos dos movimentos tectónicos mais recentes, surgem na região do vale do rio
Urema e do rio Zangué, a oeste do planalto de Cheringoma, uma série de importantes falhas
paralelas, orientadas na direcção N-S ou NNE-SSE, que deslocam camadas do Cretácico
marinho, originando escarpas bem definidas. Estas falhas são designadas por Falha de
Inhaminga, integrando-se nos importantes sistemas de falhas do “Graben” do Urema ou Vale
do Rift que, limita a oriente, uma zona afundada - o vale do Urema, onde depósitos do
Cretácico marinho e do Terciário estão cobertos por aluviões do quaternário.
Mais a oeste, este afundamento é limitado pela zona de fracturas da região da Gorongosa. A
ocorrência de rochas vulcânicas no planalto de Cheringoma, cortando estratos eocénicos, pode
ter sido consequente dos movimentos que levaram ao afundamento da região do vale do
Urema e subsequente formação do respectivo planalto.
A faixa de transição para o litoral, é marcada pela ocorrência de uma extensa planície
eluvionar arenosa e argilo-arenosa, onde a cobertura arenosa é de espessura variável (10-30
m). É de realçar que, o aluvião argilo-arenoso logo depois da Formação de Mazamba, ocorre
ao longo das linhas de drenagem paralelas e sub-paralelas que começam em pequenas
depressões circulares (dambos), consolidando-se numa extensa planície inclinada no sentido
W-E, antecedendo os aluviões mais recentes das formações quaternárias que se encontram à
costa média inferior a 20 metros de altitude. A costa de Cheringoma estende-se desde o Delta
do Zambeze, sensivelmente a sul dos rios Mungari e Sanga até ao rio Zuni, como que
representando a continuidade da vasta planície de inundação, dominadas por formações
aluvionares do Quaternário e recentes, localmente de características hidromórficas
(Vilanculos et al., 1999), sustentando um dos mais importantes sistemas de mangal presentes
no delta, intercaladas por dunas paralelas à linha costeira, alternando com bacias de inundação
influenciadas pelo regime de marés. O sistema de dunas arenosas costeiras marca o limite
entre o continente e o Oceano.
11

A ocorrência de rochas vulcânicas no planalto de Cheringoma, cortando estratos eocénicos,


pode ter sido consequente dos movimentos que levaram ao afundamento da região do vale do
Urema e subsequente formação do respectivo planalto.

4. Informação Geológica sintetizada da Província de Sofala

Quaternário Rochas sedimentares - QDp Dunas paralelas à linha costeira


- QA1 Aluvião
- QC Coluvião
- QP1 Aluvião arenosa
- QP2 Aluvião argilo-arenoso
Terciário Rochas sedimentares - TTs2 Grés de Inhaminga (Grés
- Formação de Mazamba - TTs1 quartzito com conglomerados).
- Formação de - TT1 Grés vermelho (Grés quartzo-
Cheringoma - Ksm calcário).
- Formação de Grudja - Ksc Calcário e calcarenito.
- Formação de Sena Calcarenito com glauconite.
Grés arcósico, conglomerático.

Fonte: SGM (Cartas Geológicas SUL-E-36, folhas Q, R, L e Z), 1968

5. Suíte Intrusiva de Gorongosa

A Suíte Intrusiva de Gorongosa, que mede 30 km a N-S e 25 km a E-W, consiste de um


núcelo félsico, circundado por rochas ígneas máficas, que juntos formam o proeminente
marco geomorfológico da Serra de Gorongosa (1862 m), situado no limite entre SDS 1833 e
SDS 1834. As litologias do seu núcelo compreendem Micropegmatitogranito e sienito (JrGg),
composto por albite, ortoclásio, quartzo, clinopiroxênio e hornblenda, que intrudiu uma
intrusão máfica mais antiga, composta por gabro toleítico, Norita e olivina gabro (JrGb), que,
por sua vez, intrudiu litologias circundantes do Grupo Macossa do Complexo Báruè. A Suíte
Intrusiva Gorongosa é associada com um enxame de diques félsicos e máficos de direcção
NNE-SSW, que radiam a norte e sul da intrusão.
12

A datação TIMS de duas fracções de zircão do sienito, efectuada por Consórcio GTK,
forneceu idades concordantes e idênticas de 181±Ma, contemporâneas com a Suíte Rukore.

6. Sequências do Rifte da África Oriental

O Supergrupo Karoo, manifestando a fase derifteamento abortado, são seguidas por um


período de rifte continental, migração e dispersão do Gondwana. Esta fase é contemporânea
com o desenvolvimento do Sistema de Rifte da África Oriental (SRAO), cujo
desenvolvimento iniciou no Cretáceo, mas foi acelerado durante o Terciário. A separação
continental continua até hoje, como demonstrada pela recorrente actividade tectónica ao longo
da SRAO. Nas partes centrais e sul de Moçambique, este processo deu o início ao surgimento
do rifte Luia de direcção NW-SE e ao Graben da Baixa Zambeze, ambos super postos no
Graben Karoo do Médio Zambeze, de direcção E-W. A Bacia Moçambique também se iniciou
como uma complexa estrutura rifte, com estruturas Horst e Graben de segunda ordem, mas
desenvolvidas em uma margem passiva, em basada por rochas vulcânicas do Karoo Tardio de
idade Jurássica Inferior e cobertos por sucessões sedimentares do Cretáceo Médio e mais
jovens, porém, com um hiato de ~40 Ma entre estes.

Estas sucessões incluem uma série de sequências de plataforma rasa e de águas mais
profundas, restritas a várias estruturas de rifte estreitas e rochas sub-vulcânicas subordinadas
(para detalhes, vide a Nota Explicativa do Mapa, GTK Consortium 2006a). Seis maiores
sequências disposicionais podem ser reconhecidas e incorporadas no esquema estratigráfico
para toda bacia (costa dentro e costa fora) (cf. Coster et al. 1989):

 Sequência 1: Deposição Jurássica Superior (?) -Cretáceo Inferior do Grupo Lupata e o


Emplaçamento contemporâneo de rochas vulcânicas da Província Alcalina de Chilwa
com inconformidades Neocomianos (Berriasiano até Barremiano) e Aptianos.
 Sequência 2: Deposição Cretáceo Superior da Formação Sena e inconformidade intra-
Senoniano a nível de toda bacia.
 Sequência 3: Deposição Cretáceo Superior (Campaniano-Maastrichtiano) a Paleoceno
da parte basal da Formação Grudja, separada da parte superior das formações Grudja e
Mágoè por uma inconformidade Paleocênica Inferior.
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 Sequência 4: Deposição Eocênica da Formação de Cheringoma por cima da


inconformidade do Eoceno Inferior e em baixo das inconformidades intra-e tardo
Oligocênicas.
 Sequência 5: Deposição Oligocênica-Pleistocênica das formações Inhaminga e
Mazamba, produtos da erosão e rede posição em outros lugares.
 Sequência 6: Depósitos Quaternários subdivididos em depósitos Pleistocênicos, como
Terraços Fluviais e Depósitos Coluviais e Depósitos Holocênicos, como depósitos de
composição areno-argilosa e lamosa, dunas costeiras e depósitos aluviais.
 Sequência 2: Cretáceo Médio a Superior – Compreende as Formações Sena e
Mágoè.. As rochas sedimentares assinaladas à Formação de Sena (CrS) cobrem o
Supergrupo Karoo e Grupo Lupata ou jazem diretamente sobre o embasamento
cristalino. Estas rochas ocupam grandes extensões do país, notavelmente na área do
Canal de Lupata. As areias e cascalhos Cretáceos formam a planície monótona do
interior. Nos mapas aeromagnéticos, estas rochas mostram uma susceptilidade
magnética muito baixa. A sua radioactividade natural é moderada, mas um
zoneamento distincto pode ser observado na região entre Rios Pompue e Nhamapasa
(SDS 1733/34 e SDS 1833/34) e aparece ser relacionado com a proporção de material
arenoso versus argiloso.
A Formação de Sena (TeS) é predominantemente composta de grés conglomerando
avermelhado, fracamente cimentado, com clastos vulcânicos. A porção basal da unidade
compreende camadas impuras de calcário, com restos de flora fóssil e argilitos calcáreos com
fragmentos de escamas de peixe, artrópodos e flora fóssil. O Consórcio GTK distingue três
unidades mapeáveis com o status de membros nesta formação (da base para o topo): (1) o
Membro Gré Thorium, (2) o Membro Conglomerado Basal, e (3) o Membro Conglomerado
Gré Superior. Grés arcóseos do Membro Grés Thorium (CrSt), com alta assinatura de tório,
forma uma zona com largura de 10-25 km, com direcção norte, que ocorre ao longo do limite
Pré- Cambriano-Fanerozóico entre as montanhas Súdeza e Panda (SDS 1634 e 1934), sul do
povoado de Nhamatanda). No fundo de algumas perfurações de petróleo profundas
deformações Sena têm sido encontradas calcáreos impuros e xistos calcáreos com fragmentos
de flora fóssil, escamas de peixe e artrópodos. Mais para cima na sequência sedimentar da
Formação Sena, camadas conglomeráticas são interestratificadas com grés de granulação
média a grosseira, tentativa mente assinaladas ao Membro Conglomerado Basal (CrSb), com
clastos de granito, gneisse, quartzito, fragmentos de feldspato e lavas. A erosão de camadas
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conglomeráticas deu origem a superfícies de debris de clastos, que frequentemente cobrem o


grés da Formação Sena. A deposição do Membro Conglomerado Basal manifesta um
ambiente de alta energia fluvial, incluindo rios entrelaçados e leques aluviais, com
conglomerados interdigitados com areias fluviais em uma bacia Cretácea, controlada por
falhas. Áreas aleatórias de gréses grosseiros e grés conglomeráticos, assinalados ao Membro
Conglomerado-Gré Superior, ocorrem no centro e no canto sudeste da Folha de Chemba (SDS
1734), onde formam feições geomorfológicas tabulares, como colinas alongadas e elevadas
com a típica, densa floresta.

Uma idade Albiana-Turoniana (Cretácico Médio) ou Barremiana-Maastrichtiana (Cretácico


Médio a Superior) é geralmente atribuída aos depósitos da Formação Sena.

Seqüência 3: Cretáceo Superior (Campaniano-Maastrictiano) a Paleoceno – A Formação de


Grudja (CrG), que ocorre predominantemente na área coberta pelas Folhas 1834 e 1835,
sendo composto por grés glauconítico, com limite calcário e grés calcário subordinados e de
cor amarelo-esverdeados, contendo fósseis de Lopha (Alectronya ungulata) na base, seguido
por calcário maciço e fossilífero, com até 200 m de espessura. A idade Turoniana-
Campaniana (Cretáceo Superior) é aceita para a parte inferior desta unidade. A parte superior
da sequência é atribuída à idade Mastrichtiana-Paleocênica.

6.1. Complexo Carbonatítico Xiluvo.


Composto por sovita e alvikita, é localizado a ~ 14 km a W do povoado de Nhamatanda
(Quadrante NW da Folha de Beira), SDS 1934). Morfologicamente, o Xiluvo é caracterizado
por uma série de elevações, formando grosseiramente uma estrutura sub-circular, com 4,5 km
de diâmetro. O complexo Carbonatítico de Xiluvo é formado por uma estrutura anelar na
seguinte sequência:

 Núcleo central constituído de carbonatito a calcite;


 Um anel ao redor do núcleo central, constituído por brechas vulcânicas, que podem
apresentar fragmentos de rochas carbonatíticas com calcite a cimento ferruginoso e
componentes de quartzo, feldspato, xisto, quartzito e rocha básica;
 Uma zona externa muito complexa ao redor do anel, na qual rochas traquíticas e
profiláticas cortam densamente a rocha quartzo-feldspática encaixante.

O emplaçamento de magma carbonatítica foi seguido por uma fase hidrotermal, resultando em
diques de quartzo brechados. Contemporaneamente ao emplaçamento carbonatítico, rochas
15

piroclásticas foram projectadas não só ao redor da cratera, mas também mais longe, como
pode ser observada em afloramentos de aglomerados até há 10 km da cratera. As rochas
carbonatíticas são cobertas por solo avermelhado, apresentando às vezes feições kársticas.

O Carbonatito Xiluvo foi emplaçado durante o Cretáceo Inferior e Médio, após à intrusão de
pipes e diques de traquitos hiper-alcalinos com augite-aegirina. Uma série de corpos
carbonatíticos foi emplaçado na zona de empurrão milonítica, em baixo da soleira da alóctone
Suite Tete.

Sequência 4: Eoceno – A Formação de Cheringoma (TeC) forma uma faixa contínua ao longo
do limite nordeste da depressão Zângue-Urema (SDS 1834), cobrindo áreas extensas a N do
Rio Búzi (SDS 1934). Esta unidade, separada por um hiato Paleocênico-Eocênico dos
depósitos Cretáceos subjacentes, é composta por calcáreos glauconíticos e dolomíticos, com
grés calcários no topo. As fácies deposicionais desta formação, rica em fósseis, correspondem
à fácies marinho raso de alta energia na zona fótica, incluindo águas marinhas oxigenadas e
tropicais. A idade Eocênica Média a Superior é geralmente aceita à Formação Cheringoma.

Seqüência 5: Oligoceno-Plioceno – Os Grés Terciários da Formação de Inhaminga (Tel) são


predominantemente encontrados fora da área da Nota Explicativa do Mapa e somente
pequenas, limitadas ocorrências existem na Folha de Beira (SDS 1934). Estes depósitos,
separados por um hiato das formações subjacentes, são compostos por grés argilíticos e grés
grosseiros (topo) púrpuras e vermelhas. A idade Miocênica é comummente aceita como sendo
a idade da Formação Inhaminga.

Grés arcóseos e horizontes conglomeráticos casuais da Formação de Mazamba (TeZ) jazem


sobre os grés púrpuras da Formação Inhaminga no canto sudeste da área da Nota Explicativa
do Mapa (SDS 1834-1934). Estes depósitos compreendem predominantemente grés arcóseos
de granulação média a grosseira, de cor amarelo-acastanhado, pobremente cimentados e em
certos locais, fracamente silicificados, que mudam a grés brancos a amarelo pálidos na parte
superior da sequência. A fácies inicial da Formação Mazamba é litorânea, com raros fósseis,
passando a fácies continentais a oeste. As rochas têm idade Pliocênica.

Os Veios de quartzo brechados formam cristas proeminentes, sinuosas a irregulares,


possuindo uma textura brochada, com fragmentos angulosos e irregulares de rochas
encaixantes ou quartzo em uma matriz carbonática ou silícica. A “massa sílica pulverizada de
falha” (fault gouge) marca frequentemente o limite entre o embasamento cristalino e as rochas
16

Fanerozóicas de cobertura. Estas brechas possuem comummente cavidades e vãos nos quais
são às vezes encontrados cristais de quartzo bem desenvolvido. Os veios de brecha contêm
também outros minerais, como feldspato alcalino, calcita, fluorite, barite, hematite e, em
menor proporção, sulfitos. Acredita-se que estes se formaram durante períodos de tempo
longos, através do rejuvenescimento episódico e repetido das falhas do embasamento.

Figura 4: Mapa de distribuição das Unidades Litoestratigraficas

Formação de Inhaminga (Tel) Formação de Mazamba

Suite intrusiva
de gorongosa

Suite

Formação de
Grudja (CrG)
Formação de Cheringoma (TeC)

Formação de Sena (CrSas, CrSb,

Figura 5: Mapa de distribuição das Unidades Litoestratigráficas em ordem


estratigráfica Neogenico (formações
de Mazamba e
Inhaminga) e
paleocenico (formação
de Cheringoma)
Cretácico
(formaçõe
s de Sena e
de Grudja) Quaternário
17

Os Recursos Minerais e Energéticos


A carta da província indica a ocorrência de formações sedimentares (karroo e Jurássico) e
ainda formações extensivas (o caso do Cretácico que existe na Serra de Gorongosa).
Mas tal província, não há estudo geológico profundo. Verificam-se ocorrências de m
minerais, destes a ser pesquisados para se avaliar a sua reais potencialidades económicas, na
província da Sofala destacam-se as seguintes ocorrências:
Ocorrências de Minerais não metálicos
Nesta secção estão incluídos os minerais e rochas industriais a seguir indicados que ocorrem
no território moçambicano e que poderão ser utilizadas na indústria nacional ou exportados:
como a fluorite, gesso, quartzo, argila comum, areia, calcário, rochas ornamentais, guano,
água termal/ água mineral de nascente, e argila plástica.
Em Moçambique, as formações produtivas de hidrocarbonetos, de idade compreendida entre o
Cretácico Superior e o Terciário Inferior, ocorrem na bacia do Rovuma/ Moçambique e na
bacia do Baixo Zambeze e do Save/ Limpopo. Destas formações, aquela que é mais favorável
à geração de hidrocarbonetos é a formação de Grudja do Cretácico Superior. É neste contexto
geológico que se situam os jazigos de gás natural de Pande, de Temane e de Búzi (ENH,
1986). No que se refere a hidrocarbonetos líquidos, estão definidas áreas potenciais nas
plataformas continentais ao largo da foz dos rios Púngoè, Zambeze e Rovuma.

Monte Xiluvo – Esta região carbonatítica, que está ligada a fracturas profundas relacionadas
com o sistema de rifte, é sede de mineralizações de fluorite, fosfatos e terras raras.

Distrito de Nhamatanda- trata-se de um segmento cratónico encravado no Moçambique


Belt, como ocorrências auríferas.

Depósitos de calcário de Cheringoma

Este depósito de calcários situa-se acerca de 20 Km a NNW de Muanza, no distrito do mesmo


nome. Estes calcários pertencem a formação de Cheringoma, do Terciário Inferior. São
arenitos, com espessura de cerca de 15 m, com níveis de calcário maciço que
progressivamente vão passando, no topo, arenito calcário. O murro desta rocha carbonatada é
constituído por arenito glauconítico.

A formação calcária estende-se para NNE-SSW, com cerca de 20 Km de comprimento, desde


Muanza a Inhaminga, e tem 70 Km de espessura (Dias, 1952).

Depósitos de Búzi
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Os calcários deste depósito, com um enquadramento geológico idêntico aos de Cheringoma,


encontram-se a 50 Km a WSW da vila do Búzi. Esta matéria-prima carbonatada ocupa uma
faixa com cerca de 80 Km de comprimento e uma largura variando de 1.8 a 10 Km. As
reservas prognósticas deste depósito de calcário são da ordem dos 28000 milhões de
toneladas.

Ocorrências em Terraços Aluviais

Constituem jazidas de areias que ocorrem ao longo dos leitos e terraços dos rios Save e
Púngoè. Trata-se de bacias de areias brancas não calibradas, apropriadas para construção civil.

Ocorrências de argilas comuns em Sofala

As jazidas argilosas que estão espalhadas por diversos locais do território moçambicano são
de origem residual ou aluvial de idade Quaternária. Todavia, ocorrem, com pouca frequência,
argilas dos períodos Karoo, Cretácico e Terciário.

Jazigo de fluorite de Geramo-Djalira

Este jazigo, situado na região Marínguè-Macossa-Canxixe, no distrito de Marínguè, dista


cerca de 180 km da povoação de Sena e 200 km de Nhamantanda.

Mapa de ocorrência de Jazigos minerais em Sofala

Figura 6: Mapa de ocorrência de recursos minerais e energéticos

Importância Económica de Recursos Minerais e Energéticos

Os minerais úteis e as rochas que ocorrem naqueles jazigos possuem uma importância capital
na indústria e desenvolvimento técnico-económico da província de Sofala e Moçambique,
visto que a utilização dessas substâncias inorgânicas na joalharia, nas indústrias químicas, na
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produção de todos os géneros de materiais de construção e na indústria de pedras ornamentais


que atingem uma amplitude considerável.

Conclusao
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Bibliografia

AFONSO, R. S. A geologia de Mocambique (noticia explicativa da carta geológica de


Moçambique, escala 1: 200.000, Maputo, 1978.

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Lisboa & Maputo, 1998.

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Moçambique.

MAFALACUSSER, J. M & MARQUES, M. R. (1999). O potencial dos Recursos Agrários


do Distrito de Gorongosa e Possibilidades de Desenvolvimento, INIA- DTA, Maputo,
Moçambique.

Bondyrev, I. (1983), Noticia Explicativa (Provisória) da Carta Geomorfológica de


Moçambique. Instituto Nacional de Geologia. Maputo, Moçambique.

SGM, (Cartas Geológicas, SUL-E-36, folhas Q, R, L e Z), 1968

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Degree Sheets Mecumbura, Chioco, Tete, Tambara, Guro, Chemba, Manica, Catandica,
Gorongosa, Rotanda, Chimoio and Beira, Mozambique. Ministério dos Recursos Minerais,
Direcção Nacional de Geologia, Maputo.
HARTZER, F. J et al. Carta Geológica, escala 1:1 000 000. 2008.
LÄCHELT, Siegfried. Geology and Mineral Resources. Maputo, 2004.
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Anexos

Figura 1: Mapa de localização das unidades litorstratigraficas

Formação de
Sena

Formação de
Suite intrusiva de Gorongosa

Suite de
Formação de Mazamba
Xiluvo

Formação de Cheringoma
Formação de Grudja

Figura 2: Mapa de ocorrência de recursos minerais e energéticos

Rochas ornamentais, Calcário,


Fluorite,
arenitos

Argila, Calcário

Rochas
ornamentais
Calcário, arenito, rochas
ornamentais e agua termal
Xisto, Calcário e
rocha Argila plástica
ornamental
Gás natural, Calcário e
argila plástica

Calcário e rochas
Gas natural, guano
ornamentais, água
de morcego e Gesso
termal