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PSORÍASE SOB A LUZ DA MEDICINA OCIDENTAL* (Monografia retirada da

Internet)

INTRODUÇÃO

Psoríase (do grego psoriasis = erupção sarnenta) já era conhecida desde os tempos
mais remotos, existindo sua descrição e tratamento no Papiro de Ebers datado de
1550 a.C. Esta doença é uma afecção típica da espécie humana, não podendo ser
reproduzida experimentalmente.
É uma dermatose inflamatória de evolução crônica, recorrente e não contagiosa
que afeta de 1 a 3% da

população em geral e atinge indistintamente homens e mulheres, embora o início


seja mais precoce em mulheres e mais freqüente na raça branca.
Existem dois picos de idade de prevalência: antes dos 30 anos e após os 50 anos. E
em 15% dos casos, surge antes dos 10 anos de idade, embora seja menos
freqüente pode afetar também bebês e idosos.
Caracteriza-se pelo aparecimento na pele de lesões em placas brancas, róseas ou
avermelhadas, bem delimitadas, de vários tamanhos, recobertas de escamas secas
e esbranquiçadas. A gravidade da Psoríase pode variar desde uma ou duas lesões
praticamente assintomáticas, até doença generalizada com esfoliação e artrite
debilitantes.
Muitas vezes as lesões estão localizadas nos cotovelos, joelhos, pés, mãos, região
sacra e couro cabeludo. Em outros casos, as lesões podem se espalhar por toda a
pele. As unhas podem ser afetadas e, em 8 a 10% dos casos as articulações,
causando a artrite psoriásica. O aparecimento das lesões tende a ser corporalmente
simétrico.
CICLO DA PSORÍASE

A função normal da pele é proteger o corpo e regular o seu contato com o meio
ambiente. As células epiteliais são programadas para o crescimento normal com o
objetivo de renovar a pele, de forma contínua, lenta, objetivamente invisível. Esse
ciclo normal de renovação epitelial leva aproximadamente 1 mês do nascimento das
células até a sua morte. Quando há necessidade de cicatrização de feridas as
células mortas são eliminadas da pele à mesma proporção em que células novas
são produzidas.

Na pele lesionada é desencadeado um processo chamado maturação regenerativa,


onde as células são produzidas numa taxa mais alta para preparar a lesão, há
também aumento da irrigação sanguínea na área afetada e inflamação local.
Na psoríase a regeneração da pele é afetada, acelerada e junta-se mais rápido as
células mortas formando assim as placas típicas da doença. A pele psoríática é
similar à pele que está se curando de uma ferida ou reagindo a um estímulo tal
como uma infecção ou reação alérgica. As lesões surgem por um crescimento
celular hiperativo (hipertrofia funcional), ou seja, embora não haja ferida os
queratócitos (células da pele) se comportam como se houvesse. Os queratócitos
mudam do programa de crescimento normal para o de maturação regenerativa. As
células são produzidas e “empurradas” para a superfície em 2 a 4 dias, e a pele não
pode descamar as células suficientemente rápido, assim acumulam-se formando
lesões escamadas e elevadas. As escamas brancas (placas) que cobrem as lesões
são compostas por células mortas e o vermelhidão (eritrodermia) é causado pelo
aumento da irrigação sanguínea.

COMO SE DESENVOLVE

A causa da psoríase é desconhecida e estudos recentes demonstram que se trata


de uma doença auto imune da pele. Não apresenta uma agente infeccioso
responsável portanto não é contagiosa. É uma patologia multigênica (muitos genes
envolvidos), e em parte dependente de fatores externos. Pode aparecer sob
diferentes formas clínicas e diferentes graus de doença. È descrito 30% de
incidência familiar.
A Psoríase no sexo feminino costuma ocorrer antes da puberdade, enquanto que
nos homens a doença inicia-se mais tarde, entre os 15 e 30 anos de idade. Em
apenas 2% dos pacientes, a psoríase se instala após os 60 anos de idade. O
aparecimento da doença em geral é gradual. A evolução típica do quadro se dá com
remissões e recidivas crônicas (às vezes com exacerbações agudas), que variam
tanto na freqüência quanto na duração. Há diversos fatores relacionados com o
aparecimento das erupções psoriásicas. Entre eles existe o traumatismo local
(fenômeno de Koeber, que se constitui no aparecimento de lesões sobre o local
onde ocorreu um trauma), queimadura solar intensa, estresse emocional,
medicamentos tópicos, suspensão de tratamento com corticóides, baixa umidade
do ar e infecção das vias aéreas superiores (principalmente em crianças).
A evolução da doença é variável, porque as suas crises, intensidade e duração não
são certas e dependem de muitos fatores como a tensão emocional, o nervosismo,
os traumatismos, a diabetes, o tabaco, a ingestão de medicamentos
(principalmente betabloqueadores) ou o excesso de álcool.
Em casos mais graves da doença, a erupção cutânea pode ser acompanhada de
tumefação dolorosa e rigidez das articulações que podem conduzir à invalidez.
Nestes casos estamos perante a artrite psoriásica ou psoríase artropática.

TIPOS DE PSORÍASE

PSORÍASE EM PLACAS: É o tipo mais comum da doença e manifesta-se por


placas de tamanhos variados, bem delimitadas, avermelhadas, com escamas secas
e aderentes
prateadas ou acinzentadas nos locais mais comuns (couro cabeludo, cotovelo,
joelhos, p. e.).
PSORÍASE GOTEADA: É caracterizada por pequenos pontos avermelhados de
psoríase. Tal nome é devido as lesões terem formato de pequenas gotas. Ocorrem
principalmente no tronco, braços e pernas. Costuma ser desencadeada após uma
infecção estreptocócica ou viral do trato respiratório superior ou amidalite, gripe,
varíola, imunizações, trauma físico, estresse emocional e administração de drogas
antimalária.

PSORÍASE INVERSA: Apresenta um padrão inverso aos outros tipos de lesões.


Localiza-se nas zonas das dobras cutâneas: axilas, virilha, embaixo das mamas,
dobra do cotovelo, dobra do joelho, etc. Caracterizam-se por lesões mais úmidas,
planas e inflamadas sem escamação e particularmente sujeitas a irritação devido ao
atrito e ao suor.

PSORÍASE ERITRODÉRMICA: Normalmente a psoríase eritrodérmica em forma


de lesões generalizadas (75% ou mais da área corporal) aparece sobre a pele como
uma vermelhidão e escamação fina, freqüentemente se acompanha por prurido
intenso e dor, podendo ocorrer inchaço.

PSORÍASE PUSTULAR: Caracteriza por pústulas estéreis sobre a pele. Não é uma
doença infecciosa, portanto não é contagiosa, pois, o pus consiste de glóbulos
brancos acumulados. Pode se localizar em certas áreas do corpo tais como mãos,
pés ou pode se generalizar. Tende a manifestar-se em 3 fases cíclicas: eritema
(vermelhidão), formação de pústulas e descamação da pele.
Pustular Localizada Pustular Generalizada

PSORÍASE DO ESCALPO (COURO CABELUDO): Esta forma de lesão afeta pelo


menos metade dos portadores de psoríase. O couro cabeludo apresenta lesões
elevadas com placas, inflamadas por escamas.

PSORÍASE UNGUEAL (UNHAS): Pode afetar tanto as unhas dos pés, como das
mãos. Aparece como pintas nas unhas de vários tamanhos, formas e profundidade.
Algumas vezes as unhas ficam amareladas e finas, podendo esfacelar facilmente e
apresentar inflamação no seu contorno. Pode também ocorrer o deslocamento de
unha do leito ungueal.

PSORÍASE ARTROPÁTICA: Cerca de 10% das pessoas que possuem psoríase


podem ter comprometimento articular. Na artropatia periférica as manifestações
freqüentes são: início agudo (abrupto) ou sub-abrupto, com comprometimento
assimétrico de várias articulações nas pontas dos dedos das mãos ou dos pés e,
ocasionalmente, associação com alguma articulação grande como joelho ou
cotovelo. Quando o
quadro articular é prolongado e mais grave, aparecem deformidades nos dedos que
adquirem a “forma de salsicha”. Na artropatia central, a coluna lombar superior e
torácica inferior são as mais acometidas.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico em geral é simples, e baseia-se na histórica clínica e achado de


lesões típicas com dados característicos na raspagem das lesões pelo médico,
fornecendo os seguintes sinais clínicos:
Sinal de Vela: Os fragmentos obtidos pela curetagem das escamas assemelham-
se aos obtidos pela raspagem de uma vela.
Sinal de Auspitz: A remoção total das escamas revela pequenos pontos de
sangramento na superfície da lesão.
A coceira não é sintoma comum de psoríase. Quando ocorre, podemos pensar na
associação com outras doenças como a micose, por exemplo. O quadro
histopatológico da psoríase é típico, mas outras doenças da pele podem apresentar
características histopatológicas semelhantes às da psoríase, dificultando a
diferenciação. A psoríase pode ser confundida com :
1) Dermatite Seborréia: Ocorre em qualquer idade e mais em mulheres. Apresenta
eritema vermelho também em área interescapular e pré-esternal (simétrico).
Descamação gordurosa.
2) Eczema: Apresenta eritema vermelho acinzentado, com descamação fina e
cinza. Apresenta prurido intenso.
3) Pitiríase Rósea: Em adultos jovens e mais em mulheres. Eritema vermelho
intenso em tronco, pelve e membros com lesão inicial (Lesão mãe). Apresenta
placas com maior eixo paralelo às costelas.
4) Sífilis secundária: Indivíduos sexualmente ativos com eritema róseo pálido em
face, palmas, plantas, região anogenital. Pesquisar adenopatia geral e reação
sorológica.
Em casos mais graves ou formas não usuais pode-se lançar mão de biópsia de pele
e alguns exames laboratoriais podem colaborar na investigação de desencadeantes
da doença (como diabetes e infecção estreptocócica).

QUALIDADE DE VIDA E ASPECTOS PSICOLÓGICOS

Embora esta afecção não seja contagiosa, nem mortal deixa as suas vítimas
desamparadas e diminuídas tanto a nível social e profissional como na vida privada,
especialmente nas relações sexuais. Lucien Lorael, professor de psiquiatria em
Estrasburgo, classifica os doentes de psoríase, como "seres de contato estranho",
de pensamento vago, de idéias fugidias; seres de aparência impassível que
escondem na realidade uma desorientação completa perante a existência, à custa
de uma tensão considerável.
As pessoas portadoras desse mal apresentam limitações físicas, desfiguração e seu
cuidado diário é tedioso e demanda muito tempo. Embaraço, frustração , falta de
auto-estima e depressão são comuns.
Vários tipos de alívios temporários estão disponíveis, e eles atuam com variados
graus de sucesso. Esses tratamentos e medicamentos demandam tempo e dinheiro,
podem ser às vezes desagradáveis e acrescentam riscos adicionais para o paciente.
A psoríase não segue um curso previsível, cada caso individual tem seu próprio
curso. Uma coisa é certa: os sintomas podem ir e vir, mas eles quase sempre
voltam. É uma doença para toda a vida, mas o paciente pode aprender a conviver
adequadamente com a doença e levar uma vida que se aproxime do “normal”.
É uma doença extremamente controversa. Os psicanalistas são unânimes em
afirmar que conseguem uma adaptação social-profissional à custa de uma força
tensiva e opressiva que impõem a si próprios. Para alguns psicanalistas a psoríase
é uma "expressão passional do ódio por si mesmo". O apoio psicológico é um
contributo essencial para o tratamento médico da psoríase, pois esta doença é
dificilmente suportada e desencadeia no indivíduo angústia, embaraço, ansiedade e
dificuldade na interação social dado que muitas vezes a doença nem sempre é bem
compreendida ou aceita.
A cura a nível clínico é considerada impossível, pois no dia em que a primeira
escama macula a epiderme de alguém, esse ser humano fica atingido por um mal
crônico, onde se revezam surtos e alívios.
Segundo a teoria psicanalítica o portador de psoríase é sempre um ser
extremamente carente de afeto, provavelmente desde a infância fosse vítima de
exigências rígidas de responsabilidades acima das suas possibilidades.

TRATAMENTOS

O tratamento para esta doença visa principalmente reduzir o número e a gravidade


das lesões, já que seu desaparecimento por completo é difícil. O tratamento vai
depender das características do paciente, e principalmente da gravidade do quadro.
Os medicamentos utilizados podem ser tópicos ou sistêmicos.
Tratamentos tópicos:
a) Corticóides: para surtos leves e moderados. A potência vai depender da área
afetada e podem surgir efeitos colaterais como afinamento da pele, estrias e
resistência medicamentosa.
b) Antralina e Alcatrão: Para placas mais espessas e resistentes. Ambos são
tratamentos mais antigos, porém eficazes. Podem ser combinados com outros
medicamentos (esteróides tópicos) ou com luz ultravioleta porém com
acompanhamento médico.
c) Calcipotriol: Quadro leves e moderados, resposta muito variada.
Sol (climatoterapia) :
A luz solar pode melhorar significativamente e até mesmo limpar a psoríase. Doses
diárias de luz tomadas em exposições curtas são recomendadas. Deve-se evitar ao
máximo a exposição excessiva que pode causar agravamento da doença. Assim
como todos os remédios, o uso consistente é a chave para o sucesso do
tratamento. O tratamento pode requerer várias semanas para mostrar algum
resultado. Como o sol pode aumentar o risco do câncer de pele esse tratamento,
embora sendo natural também requer acompanhamento médico.
Outros tratamentos:
Vaporizadores ajudam a manter a elasticidade e podem aliviar a coceira caso venha
a ocorrer. O acido salicílico é usado para remover as escamas e pode ser
combinado com esteróides tópicos, antralina, alcatrão para aumentar sua eficácia.
Pode-se adicionar soluções de alcatrão, banhos de óleo, farinha de aveia em óleo,
sais do mar morto à água do banho.
Hidroterapia
Consiste em banhos de imersão onde se deve manter o corpo todo na água,
inclusive o rosto, desde que usados os equipamentos adequados como os tampões
de ouvidos e outros. Esta técnica promove o relaxamento muscular, podendo aliar o
estresse (um dos fatores desencadeantes dos surtos da Psoríase). Existem em
Israel e na Turquia termas que são famosas no tratamento da doença.
No mar Morto as Termas são consagradas para esse fim terapêutico. Estudos
recentes mostram que concentração salina do mar Morto é de 33 %, comparado a
3% do mar Mediterrâneo.
Foto da “Mor Clinic” no mar Morto (Israel)
Aliado a isso, o alto índice de evaporação do mar Morto (cerca de 20 milhões de m³
por ano) provoca uma névoa permanente, que ajuda a do-se com isso prolongar a
exposição ao sol diminuindo os riscos de câncer de pele.
filtrar os rais UVB e UVA, poden
No Brasil existe também, uma cidade chamada Ibirá (interior de São Paulo),
famosa por suas águas medicinais. Muitos portadores da Psoríase visitam os seus
balneários a procura de tratamento.

Aromaterapia
Uma outra modalidade é a aromaterapia que consiste em óleos essenciais com
propriedades capazes de promover a renovação celular e hidratação da pele.
Indica-se para o caso da Psoríase o Óleo Essencial de Lavanda que promete
também ser eficaz para tratamento de queimaduras, atua como calmante tópico,
evitando a ocorrência de infecções. Para o banho utiliza-se: 30 gotas de Óleo
Essencial de lavanda, 10 gotas de óleo essencial de bergamota e 100 ml de óleo de
calêndula.

A administração supervisionada de luz ultravioleta B é usada para controlar áreas


localizadas ou espalhadas de lesões de psoríase resistentes ou difíceis de manejar.
Isto é utilizado quando os tratamentos tópicos falham ou é utilizado em combinação
com os mesmos para aumentar sua eficácia. Existem riscos dessa utilização a longo
prazo na mesma proporção da luz solar: câncer de pele envelhecimento da pele.

PUVA – Psoralen com Ultra violeta A – é usado para tratar casos moderados e
graves de psoríase, bem como para casos que não respondem a outro tipo de
tratamento. A droga psoralen é ativada pela exposição da pele à luz ultravioleta A.
PUVA pode ser usada para tratar o corpo inteiro ou lesões em regiões específicas
tais como mãos pés. Os efeitos colaterais mais freqüentes podem ser a curto prazo:
náusea, coceira e vermelhidão da pele (eritroderma). A longo prazo pode aumentar
e causar sardas e envelhecimento da pele, bem como a catarata, caso não seja
utilizado proteção ocular. Essa prática também aumenta o risco de câncer de pele.

Tratamento Sistêmico:
a) Retinóides Orais (Etretinato, Acitretin e Neogatison): Derivados da Vitamina A.
Tem bons resultados, mas são teratogênicos e possuem muitos efeitos colaterais.
Atualmente o mais utilizado é o Neogatison que possui venda controlada por ser
incompatível com gravidez, podendo gerar deformações irreversíveis ao feto. A
mulher que toma o Neogatison é obrigada a assinar um Termo de Compromisso de
que não engravidará nos próximos anos (o prazo varia de 2 a 5 anos).
b) Matotrexato: Um dos mais efetivos em psoríase extensa e grave. Deve-se excluir
pacientes com hepatopatias, hematopatias e deve ser usado em pacientes
internados.
c) Ciclosporina: É um agente inibidor da imunidade que faz diminuir o crescimento
rápido anormal das células epiteliais. Deve ser utilizada somente em casos graves e
com pacientes adultos e internados.
d) Amevive (Alefacept) – Proteínas não sintetizadas no organismo que para não
serem digeridas pelo estômago precisam ser injetadas diretamente na pele. Esse
medicamento foi aprovado em 2002 pelo Ministério da Saúde dos EUA.
REPUVA- É a combinação do tratamento PUVA com o uso de Retinóides (Neogatison
ou outros). Esse tratamento é o que a ciência indica como o mais eficaz, oferendo
ao portador um período maior da remissão entre os surtos.
As lesões da psoríase podem desaparecer completamente, mas não se pode falar
de cura definitiva. O objetivo principal do tratamento é chegar-se a um ponto em
que as lesões sejam aceitáveis para cada doente, melhorando a sua qualidade de
vida. No entanto, os tratamentos mais modernos têm se tornado cada vez mais
eficientes e as pesquisas científicas no campo da psoríase continuam apontando
para melhores terapêuticas no futuro.

PREVENÇÃO

Não se pode prevenir um indivíduo de ter psoríase pois as causas da doença ainda
não estão totalmente esclarecidas e, na maioria dos casos, já nasce com uma
programação genética para ter ou não psoríase.
Entretanto os portadores da doença podem prevenir novas recaídas ou o
agravamento das lesões das seguintes formas:
�� Evitando o estresse;
�� Tratando rapidamente das infecções que surgirem, sobretudo da garganta;
�� Evitando queimaduras, cortes e traumas na pele;
�� Mantendo-se afastado de medicamentos que agravam a psoríase (anti
inflamatórios não hormonais, anti maláricos com cloroquina, pois promovem uma
proteção do sol, beta bloqueadores que são usados para tratamento da hipertensão
arterial, anti depressivos e imunossupressores quando utilizados em doses altas, na
sua retirada muitas vezes há uma piora);
�� Evitar usar corticosteróides por via oral ou injetável
�� Hidratar diariamente a pele.
�� Evitar raspar as lesões, pois o traumatismo é um dos fatores ocasionadores da
patologia.
PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A PSORÍASE (Baseado no texto da Dra.
Gladys Campbel, publicado no site do Laboratório Roche)

A mulher que tem Psoríase pode engravidar?


Sim. A mulher psoriática terá uma gravidez normal e, em alguns casos, as lesões
de psoríase podem até melhorar durante os nove meses de gestação. No entanto,
existem medicamentos utilizados para as formas mais graves da doença que devem
ser evitados na gravidez.

“Será que meus filhos também terão Psoríase?”


Embora se saiba que exista uma tendência familiar para a doença, é impossível
avaliar o risco dos filhos de psoriáticos terão ou não a doença. Certamente eles têm
mais chance de Não ter a doença do que de ter. Porém o risco para eles é maior em
20% do que para crianças cujos pais não tem a Psoríase.

Podem surgir complicações mais graves?


Sim. Já que a pele é o maior órgão do corpo humana e desempenha um papel
importante no funcionamento corporal. Quando os sintomas da doença se
manifestam numa área extensa, a pele pode perder a sua função orgânica natural
de controle dos níveis ótimos da temperatura corporal, estando também propensa a
infecções, a uma desidratação acentuada ou a problemas circulatórios.

É preciso fazer algum tipo de dieta?


Não. Não existem provas de que a dieta possa causar ou agravar a Psoríase. No
entanto, é importante evitar bebidas alcoólicas.

Existem doenças associadas?


A Psoríase, como quase todas as doenças, tem um espectro muito largo, desde as
lesões mínimas que nunca passam disso (por ex. no caso de uma rodela de cinco
milímitros num cotovelo) até as formas incapacitantes que implicam internamento
hospitalar (porque ocupam toda a superfície corporal) e que têm outras patologias
associadas: é o caso da artrite psoriásica que se pode tornar invalidante quando
assume formas mais graves e lesões complexas nas articulações.

Existem diferenças na sintomatologia entre as crianças portadoras e os


adultos?
De um modo geral pode-se dizer que sim. Há uma forma de Psoríase infantil que só
se manifesta na área das fraldas e também na segunda infância há um tipo de
Psoríase particular que tem a ver com fatores infecciosos (como por ex. a
amidalite) e que fazem desencadear um tipo de Psoríase em pequenas lesões e
gotas que diferem substancialmente da Psoríase normal que afeta a maioria dos
adultos.

Como são as primeiras manifestações?


O couro cabeludo é, muitas vezes, o primeiro local onde a doença se instala. Não se
observam sintomas físicos, sendo o prurido excepcional e encontrando-se áreas
afetadas geralmente muito secas. Uma vez instalada, a doença persiste, aparece e
desaparece, ao longo de vários anos. A erupção pode desaparecer no Verão para
reaparecer no Inverno ou Primavera. Não costuma verificar-se a queda de cabelo
quando se sofre de Psoríase do couro cabeludo.

CURIOSIDADES SOBRE A PSORÍASE NA ATUALIDADE


�� “Psoríasis can be cured” (Psoríase pode ser curada), um livro polêmico
publicado na Flórida pelo Dr. Robert E. Connolly relata que através de testes,
exames e tratamentos efetuados em portadores da doença chegou-se a conclusão
de que a causa principal da Psoríase é uma disfunção no fígado. O autor fala que a
cura da Psoríase não ocorre nos métodos usuais de tratamento, pois costuma-se
cuidar apenas dos sintomas (manifestações na pele) e não de sua verdadeira causa
que está no fígado. Dr. Connolly afirma que no momento em que as funções do
fígado estiverem harmonizadas a Psoríase começa a desaparecer. Em linhas gerais
indica um tratamento baseado numa dieta em que proíbe, a princípio, a carne de
porco e indica o consumo preferencialmente de proteínas derivadas do leite, aves e
peixes. Associado a dieta ele fala sobre o consumo de suplementos vitamínicos e
até mesmo da Acupuntura, onde faz a indicação do ponto F 8 (Ponto de tonificação
do Sangue e do Fígado), complementar para o tratamento da doença.
�� A Raça Esquimó é a única que não possui nenhum caso de psoríase,
provalvelmente pelo consumo estrito de proteínas de origem marinha, ricas em
ômega 3, que auxilia na fluidez do sangue.

PSORÍASE SOB A LUZ DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

PADRÕES DO PULMÃO

O Pulmão controla a pele e influencia o Qi Defensivo. Por ser o mais exterior de


todos os sistemas, é invadido mais facilmente por fatores patogênicos exteriores,
que lutam contra o Qi Defensivo e dificultam as funções de dispersar e descender
do Pulmão.
A emoção característica do Pulmão é Tristeza que afeta o Coração. O Coração
agitado pressiona os lóbulos do Pulmão. O Triplo Aquecedor Superior fica obstruído
e o Qi Nutritivo e de Defesa não conseguem circular livremente. O Pulso fica fraco,
sem ondulações, a tez pálida e a voz fraca. Nas mulheres a Deficiência de Qi do
Pulmão gera normalmente a Deficiência de Sangue.
A Tristeza esgota o Qi e gera Deficiência de Qi -> Estase de Qi -> A alma etérea
fica perturbada -> Yin do Fígado afetado -> Confusão Mental.
A Deficiencia do Yin do Fígado e da Vesícula Biliar também faz o indivíduo ficar
temeroso. O medo afeta o Rim e faz o Qi descer se o Coração estiver forte. Se o
Coração estiver fraco faz o Qi subir e provoca Calor Vazio.
O Pulmão necessita de uma certa Umidade para funcionar adequadamente e o
tempo excessivamente seco pode ocasionar a Secura do Pulmão, resultando em
sintomas como tosse, garganta e pele secas.
A Secura do Pulmão gera a deficiência dos Fluídos Corpóreos (Jin Ye) e precede a
Deficiência de Yin. Pode ser tanto exterior como interior.Pode ser causada pela
secura exterior, durante longos períodos de tempo seco e quente e poder ser
produzida internamente, normalmente pela Deficiência do Yin do Estômago (Wei)
em pessoas que têm a dieta irregular, com refeições feitas em períodos irregulares,
tarde da noite, preocupação com o trabalho durante as refeições, etc.

Tratamento: Umedecer o Pulmão e nutrir os Fluídos Corpóreos.

Método: Tonificação.

Pontos: P-9(taiyuan) – Umedece o Pulmão Ren-4 (Guanyuan)– Tonifica o Yin do


Rim e nutre os fluídos R-6 (Zhaohai)– Nutre os fluídos e beneficia a garganta BP-6
(Sanyinjiao)– Nutre os fluídos Ren-12(Zhongwan) – Tonifica o Estômago e nutre os
fluídos
Deficiência do Qi do Pulmão: O Qi do Pulmão influencia e controla a pele e controla
o Qi Defensivo que regulariza a abertura e fechamento dos poros. Quando o Qi do
Pulmão estiver debilitado, o Qi Defensivo será débil nas camadas da pele e os poros
ficarão flácidos e deixarão a sudorese sair. O Qi do Pulmão também aquece a pele e
os músculos, daí a sensação de aversão ao frio neste padrão de deficiência. O Qi
Defensivo protege o organismo dos fatores patógenos exteriores e quando estiver
deficiente não será forte o bastante para desempenhar sua função de proteção,
podendo ocorrer a invasão de Frio exterior. Este padrão pode ser decorrente de
debilidade hereditária. A Deficiência do Qi do Pulmão pode ser também provocada
pela inclinação prolongada sobre uma escrivaninha por muitas horas seguidas,
ficando assim, muito tempo com a respiração contida. Pode ser ataque de Vento-
Frio ou Vento-Calor que se não tratados adequadamente alguns fatores podem
permanecer no organismo, gerando uma tosse crônica. Isso geralmente agrava-se
quando são ministrados antibióticos para tratar um resfriado ou gripe, resultando
no trancafiamento do Frio no tórax, interferindo nas funções do Pulmão.
Tratamento: Tonificar o Qi do Pulmão e aquecer o Yang

Método: Tonificação (pode ser aplicado Moxabustão)

Pontos: P-9 (Taiyuan) – É o ponto fonte do Pulmão e tonifica o Qi do mesmo P-7


(Lieque) – Tonifica o Qi do Pulmão e estimula as suas funções de descendência.
Ren-6 (Qihai) – Tonifica o Qi. B-13 (Feishu) – Tonifica o Qi do Pulmão Du-12
(Shenzhu) – Tonifica o Qi do Pulmão, sendo importante nos casos crônicos. E-36
(Zusanli) – Tonifica o Qi do Estômago e do Baço. É preciso tonificar estes sistemas
para nutrir o Pulmão. De acordo com os Cinco Elementos, corresponde a “tonificar a
Terra para nutrir o Metal”.

PADRÕES DE FÍGADO

A principal função do Fígado é controlar a circulação livre do Qi por todo organismo,


auxiliando o Baço a transformar e transportar Essências alimentares, e o Estômago
a amadurecer e decompor os alimentos. Apresenta uma influência primordial sobre
o nosso estado emocional: o fluxo suave do Qi do Fígado garante o fluxo suave das
nossas emoções. Se o Qi do Fígado estiver contido por longo período, nossa vida
emocional será caracterizada pela depressão, frustração,
irritabilidade e tensão emocional.
A patologia do Fígado pode ser caracterizada por mudanças rápidas, como erupções
na pele que surgem repentinamente, por zumbidos e explosões de fúria repentinos.
O Fígado estoca o Sangue e este pode ser facilmente depauperado provocando
Deficiênciasde Sangue. O Sangue também pode tornar-se estagnado devido a
Estagnação de Qi do Fígado.
O Vento Exterior como fator patógeno afeta não diretamente o Fígado, ataca a
porção do Qi Defensivo do Pulmão, mas pode agravar a situação do Vento Interior
do Fígado. Pode agitar o Sangue estocado no Fígado e manifestar-se com erupções
na pele. Geralmente o Vento combina-se com o Calor para gerar o Calor no Sangue
do Fígado.
Fogo do Fígado afetando o Pulmão : O Fígado ao controlar o fluxo suave do Qi,
apresenta uma influência sobre a Descendência do Qi do Pulmão. Se o Qi do Fígado
estagnar por um longo período, transforma-se em Fogo do Fígado. Esse Fogo em
ascendencia rebela-se e atinge o tórax. Neste local impede o Qi do Pulmão em
descender, resultando em dispnéia e asma.
Sob o ponto de vista dos Cinco Elementos representa a Madeira afetando o Metal.
Isso acontece após um longo período de Estagnação do Qi do Fígado. Também
acontece pelo consumo excessivo de alimentos quentes e gordurosos que tendem a
gerar Calor.

Tratamento: Eliminar o Fogo do Fígado, harmonizar o Fígado e estimular a


Descendência de Qi do Pulmão.

Método: Sedação

Pontos: F-2 (Xingjian) – Elimina o Fogo do Fígado F-14 (Qimen) – Harmoniza o Qi


do Fígado no tórax Ren-17 (Shanzhong) – Estimula a Descendência do Qi do
Pulmão Ren-22 (Tiantu) – Idem Ren-17 PC-6 (Neiguan) – Harmoniza o Qi do Fígado
no tórax e estimula a Descendência do Qi do Pulmão. P-7 (Lieque) – Estimula a
Descendência do Qi do Pulmão IG-11(Quchi) – Elimina o Calor

PADRÕES DE RIM
O Rim é denominado de “Raiz do Qi Pré-Celestial” porque armazena a Essência
(Jing). Geralmente é afetado nas patologias crônicas devido ser raíz de todos os
outros sistemas. Fatores que podem ocasionar patologias do Rim são o excesso de
trabalho sob condições de estresse, ausência de descanso, refeições rápidas, com
horário irregular, discutir sobre negócios na hora das refeições, atividade mental
excessiva em desarmonia com a atividade física. Esses fatores se combinam para
afetar o Yin Qi porque o organismo não tem a oportunidade de se recuperar.
Deficiência do Yin do Rim: Este padrão é acompanhado de Deficiência da Essência
(Jing), uma vez que é parte do Yin do Rim. É caracterizado pela escassez dos
Fluídos Corpóreos e conduz à secura, provocando boca seca à noite, sede,
constipação e urina escassa e escura. Essa deficiência conduz ao surgimento do
Calor-Vazio dentro do Rim e portanto calor dos cinco palmos, sudorese noturna,
língua vermelha e pulso rápido. A manifestação de sudorese noturna é decorrente
da Deficiência do Yin que falha ao manter o Qi Defensivo à noite de forma que as
Essências nutritivas são expelidas à noite com o suor. A lombalgia e a dor nos
ossos são devidas à falha da Essência do Rim ao nutrir os ossos.
Pode ser ocasionado por patologia crônica do Fígado, Coração ou Pulmão, excesso
de trabalho durante muitos anos, excesso de atividade sexual, especialmente
durante a adolescência, redução dos Fluídos Corpóreos, perda de sangue por um
longo período, podendo também ocasionar a Deficiência de Sangue do Fígado e
ainda por dosagem excessiva de fitoterapia para fortalecer o Yang do Rim.

Tratamento: Nutrir o Yin do Rim

Método: Tonificação, sem moxa

Pontos: Ren-4 (Guanyuan) – Sem moxa, tonifica o Yin e a Essência. R-3 (Taixi) –
Tonifica o Rim R-6 (Zhaohai) – É específico para tonificar o Yin do Rim e beneficiar
a garganta (indicado para tratar a boca seca à noite). R-10 (Yingu) – É específico
para tonificar o Yin do Rim. R-9 (Zhubin) – Tonifica o Yin do Rim, util no caso de
ansiedade e tensão emocional originadas do Rim. BP-6 (Sanyinjiao) – Tonifica o Yin
do Fígado e do Rim, e acalma a Mente. Ren-1(Huiyin) – Tonifica o Yin do Rim e a
Essência. Utilizado para tratar emissão noturna crônica.
IMPRESSÃO PESSOAL E CONCLUSÃO

A Psoríase pelo ao meu ver é uma forma física em que o corpo mostra seus medos,
suas carências, sua necessidade de proteção. Ao mesmo tempo em que “não
percebe” que quanto mais tenta se proteger, mais suscetível fica, pois o excesso de
zelo também destrói. É como se apertássemos um ovo cru nas mãos tentando
protegê-lo. Esfacela-se com mais facilidade. O corpo psoriático não entende.... A
proteção que ele necessita é o afeto, o carinho, a auto-confiança, e isso não é
físico, isso só se consegue se entregando nas relações interpessoais. Frustando-se
às vezes, sendo feliz em outras. Mas não se privando do mundo, tendo a
consciência
que é através do contato com o mundo é que se vive, se ama, se cria, se frusta, se
arrisca. Nunca é tarde para tentar. Sempre haverá alguém que realmente nos ama
para nos guiar nesse novo caminho. E se não houver ninguem fisicamente, não
importa. O caminho é difícil, tortuoso, mas a persistência e a esperança são uma
arma para quem quer tentar.

Postado por Medicina Chinesa às 04:14 0 comentários


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