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ESTUDO DO SOM

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 1


O ciclo da vida é um movimento que requer harmonia e simplicidade, basta
apenas embarcar nessa onda. Acreditar que é possível é o que faz ser real!

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ONDA SONORA


O fascínio do estudo do som é a compreensão das teorias que a cercam. Para
entender como a comunicação acontece é necessário saber que existe uma onda que
transporta energia através de um meio elástico e é definida através de uma quantidade
de repetições, a freqüência, que identifica o sinal de uma onda, sua identidade.
A ciência busca a interação, ajuda simultaneamente a compreensão e até mesmo
em caso onde parece ter distinção teórica ou formas de abordagem diferentes ela
desvenda situações desmistificando os conceitos populares. O som amarra cada área de
conhecimento através da necessidade de uma universalidade e resgate informativo sobre
a real importância da acústica. Uma interação muito saudável é a relação da Física com
áreas específicas de estudo.

Como iniciar o estudo do som?


Para dar início ao estudo do som é obrigatória à compreensão básica sobre os
conceitos de uma onda, sua classificação e seus componentes. É também exigido que se
saiba distinguir o funcionamento matemático de formação, construção e fenômenos
ondulatórios assim como o Movimento Harmônico Simples (MHS) e as equações
matemáticas.
Após um levantamento teórico básico é que o som será estudado de forma direta
mencionando sua origem, características e conseqüências. A partir deste momento serão
feitas as ligações dos termos de cada uma das ciências.

O que é uma onda?


É todo movimento oscilatório (vai-e-vem) gerado por um ponto de perturbação
(fonte de energia potencial capaz de gerar energia cinética).
A B C D

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Uma compreensão inicial da onda sonora
Primeiramente deve-se saber o que é uma onda, como ela surgiu e como ela tem
continuidade. A onda pode ser, de acordo com a natureza de sua existência, mecânica
(precisa de matéria para se propagar) ou eletromagnética (não precisa de matéria para se
propagar). Assim fica claro definir o fenômeno sonoro durante o ciclo de emissão e
recepção. Já no aspecto de definição das oscilações de uma onda o estudo inicial do
MHS facilita a compreensão do som enquanto oscilador harmônico.

Noção básica sobre os efeitos do som


Durante muito tempo a preocupação com os efeitos do som era a questão do
sistema auditivo, se as pessoas estavam incomodadas porque o som estava muito baixo
ou muito alto, mas na verdade os efeitos do som estão muito mais além que a questão da
acuidade auditiva. Como o som é um transporte de energia que utiliza a vibração da
matéria para se propagar é obvio que toda vez que a onda sonora acontece surgi também
uma vibração material que poderá interagir com os corpos ou até mesmo com outras
formas de energia. Deste modo o som causa interferência em todo o ambiente onde está
presente e em tudo aquilo que ali se faz presente, demonstrando varias formas de
interação e definindo que colabora com algumas alterações no próprio corpo humano
como: dilatação da pupila; aumento de cortisona; aumento de adrenalina; movimentação
irregular dos músculos.

ONDULATÓRIA
Durante bastante tempo os estudiosos discutem sobre a composição do universo
e seu funcionamento. Alguns autores chegam a descrever que tudo que existe é formado
de oscilações energéticas onde seguem em processo constante de transformação. A cada
dia a ciência descreve novas teorias, mas sempre baseada nas idéias clássicas como a
compreensão da Física e suas ramificações. Um caso envolvente é o estudo do som, que
para haver um bom entendimento é feito um levantamento da organização cronológica
de tal caso.
O estudo do som provém da Acústica que faz parte da Ondulatória que é uma
das ramificações da Física Clássica, pois explica os fenômenos naturais que por sua vez
especifica cada um e seus procedimentos como para compreender o som é necessário
que citar que ele é uma onda e possui todo um processo de classificação, componentes e
fenômenos de propagação.

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ONDA
É toda perturbação (energia potencial gerando energia cinética) capaz de gerar
uma oscilação (movimento de vai e vem) transportando energia. A onda não transporta
matéria, mesmo que interaja com meio material no seu processo de vibração a onda só
transportará energia. Para uma melhor compreensão teórica são necessárias também
ferramentas matemáticas para esclarecer as dúvidas existentes no processo de emissão e
recepção de determinada onda.

CLASSIFICAÇÃO DA ONDA
É a forma de definir os tipos de onda devido à:

NATUREZA
Quanto à natureza, ou seja, de acordo com sua existência a onda que depende da
matéria para se propagar é denominada de mecânica e a aquela que não precisa da
matéria para executar a sua propagação é definida como eletromagnética.

Onda mecânica
É o tipo de onda que, para existir, necessita de um meio material para se
propagar, pois transporta energia com ajuda da vibração das matérias presente em um
determinado meio. Ótimos exemplos de ondas mecânicas são as ondas do mar, onda
sonora, onda em uma corda, ondas de vibração de um sistema elástico (mola), em geral
serão todas as ondas que utilizam à matéria.

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Onda eletromagnética
É a onda independente, pois não precisa de um meio material para se propagar.
O estudo desse tipo de onda é o que leva a tecnologia as mais interessantes descobertas
teóricas e reveladoras do que pode existir no universo. As ondas eletromagnéticas têm o
poder de transmitir energia em altíssimas velocidades e por isso chega alcançar lugares
muito distantes, a principal onda, ou o xodó da física, é a luz que através da sua
propagação e velocidade linear é possível descreve grandes mistérios do nosso universo,
ela chega a atingir os incríveis 300.000.000 m/s (3 . 108 m/s). Uma unidade de medida
proveniente dos estudos de propagação da luz, o anos-luz, que significa o produto da
velocidade da luz (metro por segundo = m/s) e o tempo (segundo = s) gasto originando
a grandeza física do espaço (metro = m).

ARTIGO: ALÉM DA VELOCIDADE DO SOM (01/12/2006)


Agência FAPESP - O maior túnel de vento hipersônico da América Latina está
em fase final de construção no Instituto de Estudos Avançados (IEAv) do Comando-
Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos (SP). O
equipamento está quase todo montado e passa pelos últimos ajustes técnicos antes de
sua inauguração, no dia 15 de dezembro.
Veículo hipersônico é aquele cujo vôo consegue superar em seis vezes a
velocidade do som, como o Hiper X-43A, aeronave experimental lançada em 2004 pela
Nasa, a agência espacial norte-americana. O novo túnel de vento do IEAv será usado
principalmente para estudos experimentais da combustão supersônica, utilizada nos
motores que viabilizam os vôos das aeronaves hipersônicas.
O túnel, que foi inteiramente projetado no IEAv, é composto de três
componentes básicos: uma região de alta pressão, chamada driver; uma região de baixa
pressão (driven); e a sessão de testes onde é colocado o modelo, em escala reduzida, do
veículo hipersônico a ser estudado. O túnel tem 25 metros de comprimento e o projeto
teve apoio da FAPESP, na modalidade Auxílio à Pesquisa. Todos os componentes
foram produzidos pela indústria nacional. Para separar os gases das regiões de alta e
baixa pressão, um disco de metal, ou diafragma, é colocado entre o driver e o driven.
Um outro diafragma também é colocado para separar o driven e a sessão de testes,
conhecido como tanque de exaustão. Segundo Marco Antonio Sala Minucci, vice-
diretor do IEAv, no driver é inserido gás hélio a aproximadamente 5 mil libras de

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pressão, enquanto no driven é colocado ar atmosférico em pressões baixas. Na sessão de
testes onde fica o modelo, todo o ar é retirado para que o tanque de exaustão funcione a
vácuo, acelerando o estabelecimento do escoamento sobre o modelo.
“Para iniciar os experimentos, o diafragma que separa o driver do driven é
rompido, de modo a criar uma onda de choque que aquece e pressuriza o ar, acelerando-
o para cima do modelo e simulando a condição ideal de uma aeronave em vôo
hipersônico”, disse Minucci, à Agência FAPESP.
O equipamento produz escoamentos de ar com velocidade 25 vezes maior que a
velocidade do som. “Isso significa que podemos simular o vôo de um veículo em um
único estágio, desde quando sai da superfície até chegar à órbita terrestre”, disse
Minucci. No que diz respeito às aplicações práticas, os experimentos permitirão o
desenvolvimento de veículos lançadores de satélites que utilizem sistemas de propulsão
com ar aspirado. “Essa é uma tecnologia ainda inexistente no mundo. Nos métodos de
lançamento convencionais, os veículos lançadores utilizam motores-foguete, que
carregam tanto o combustível como o oxidante”, explica Minucci.
Na propulsão com ar aspirado, carrega-se apenas o combustível. O oxidante
passa a ser o oxigênio do ar atmosférico. “Como o peso do oxidante é maior do que o do
próprio combustível, a carga útil do veículo lançador aumenta, tornando possível
carregar mais satélites. Mas essa é uma tecnologia que só será realidade daqui a uns 20
anos”, disse Minucci.
O Instituto de Estudos Avançados (IEAv) já contava com outros dois túneis
hipersônicos de menor porte, chamados de T1 e T2. Além de incorporar a experiência
acumulada na construção e operação dos dois equipamentos anteriores, o novo
dispositivo, nomeado de T3, tem características inéditas.
“Ao lado de produzir um tempo de teste bem mais longo que o T1 e o T2, o que
facilita os estudos de combustão supersônica, uma outra grande vantagem do novo túnel
está na possibilidade de ensaios de propulsão a laser, um conceito novo sobre o
lançamento de micro e nanossatélites para a órbita terrestre, utilizando radiação laser”,
disse Minucci.

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ARTIGO: CALOR VIRA SOM QUE VIRA ELETRICIDADE (14/06/2007)
Agência FAPESP – Um grupo de físicos da Universidade de Utah, nos Estados
Unidos, desenvolveu pequenos dispositivos que transformam calor em som e, em
seguida, em eletricidade. Os pesquisadores destacam o potencial da tecnologia, que
poderá ter diversas aplicações.
“Trata-se de uma nova fonte de energia renovável a partir do calor dissipado.
Estamos convertendo calor desperdiçado em eletricidade de modo eficiente”, disse
Orest Symko, coordenador do projeto de pesquisa. Os dispositivos construídos pelo
professor e sua equipe foram apresentados no dia 8, na reunião anual da Sociedade
Acústica Norte-Americana, em Salt Lake City.
Para converter calor em som, os pesquisadores desenvolveram equipamentos
termo acústicos. Em seguida, converteram som em eletricidade por meio de dispositivo
piezo elétrico, que reagem em resposta a pressão – como de ondas sonoras –, gerando
correntes elétricas.
O desafio seguinte para o grupo de Symko foi integrar as duas etapas em um
único equipamento e diminuir suas dimensões. O resultado são pequenos aparelhos,
contidos em ressonadores cilíndricos, que cabem na palma da mão.
Quando o ressonador é estimulado – com fósforos ou isqueiro, por exemplo –, o calor
aumenta até que o ar produzido resulte em uma emissão sonora em uma freqüência
determinada. Em seguida, as ondas sonoras comprimem o dispositivo piezoelétrico,
produzindo uma corrente. Segundo Symko, o processo é similar ao que ocorre quando
se bate com o nervo do cotovelo em uma mesa, produzindo dor a partir de um impulso.
O objetivo dos cientistas é testar os equipamentos em breve para a geração de
eletricidade em uma base militar e em uma estação elétrica na Universidade de Utah.
“O estudo é financiado pelo Exército, que tem grande interesse em encontrar
usos para o calor dissipado de seus radares, assim como produzir uma fonte portátil de
eletricidade que possa ser usada em campos de batalha para alimentar equipamentos
eletrônicos”, disse Symko.
Segundo o cientista, a tecnologia poderá se tornar, em um prazo de dois anos,
uma alternativa viável para células fotovoltaicas na conversão de luz solar em
eletricidade. Outra aplicação estaria em dispositivos para dissipar o calor em
computadores – que geram cada vez mais calor à medida que seus componentes
eletrônicos se tornam mais complexos.

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VIBRAÇÃO
Quanto à propagação a onda é classificada de acordo com a vibração do meio,
quando a onda coincide ou possui sua direção paralela à vibração do meio, esta é
considerada uma onda longitudinal e quando é perpendicular é denominada de
transversal.

Onda longitudinal
Ondas longitudinais são caracterizadas por possuírem
sua propagação na mesma direção das partículas vibrantes de
seu meio de propagação, por exemplo, quando vibramos uma
mola esticada para frente e para trás, como se estivéssemos
comprimindo ela e descomprimindo-a. Esta onda provocada
na mola é uma onda longitudinal, pois ela tem a vibração na mesma direção de
propagação. Pode-se ver os anéis da mola se movendo para frente e para trás…
Podemos citar como exemplo de onda longitudinal as ondas sonoras. Repare que
as ondas sonoras precisam de um meio de propagação. O estudo das ondas longitudinais
possui fundamental importância, é com este conhecimento que podemos otimizar o
funcionamento de aparelhos sonoros, bem como identificar movimentos fetais por conta
do ultra-som.

Onda transversal
Ondas transversais ocorrem quando a vibração do
meio é perpendicular à direção de propagação da onda.
Exemplo: ondas na corda, ondas luminosas.
O movimento de um ponto qualquer tem sempre uma
diferença de fase negativa em relação ao movimento do ponto
adjacente a sua direita e é justamente isso que faz, do movimento coletivo, uma onda
transversal que se propaga para a direita. Se a diferença de fase fosse positiva, a onda se
propagaria na direção oposta. A onda gerada numa corda horizontal pelo movimento
para cima e para baixo da mão que segura uma de suas extremidades é um exemplo de
onda transversal. Outro exemplo de onda transversal, só que não mecânica, é a onda
eletromagnética, na qual os campos elétrico e magnético oscilam perpendicularmente
um ao outro e à direção de propagação da onda.

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LUZ
VIBRAÇÃO DO MEIO

SOM

O som possui principalmente característica de onda longitudinal uma vez que o


objetivo de estudo é o processo de deslocamento entre emissão e recepção. Já a luz é
um bom exemplo de onda transversal devido a sua forma de propagação.

DIMENSÃO
A onda também pode ser classificada de acordo com a quantidade de dimensões
utilizadas na formação da onda. Como existem três dimensões físicas da matéria, logo a
onda que utiliza apenas uma dimensão é denominada de unidimensional, a que ocorre
em superfícies é a bidimensional e aquela que expende em todas as dimensões é
definida como tridimensional.

modelo dimensional

Onda unidimensional
É toda vez que a onda utiliza apenas uma dimensão do meio de propagação
fazendo com que o estudo sobre ela leve em consideração apenas as características
lineares. Exemplo: propagação da onda em uma corda.

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Onda bidimensional
É toda vez que a onda utiliza duas dimensões do meio de propagação fazendo
com que o estudo sobre ela leve em consideração as características superficiais.
Exemplo: propagação da onda na superfície da água.

Onda tridimensional
É toda vez que a onda utiliza três dimensões do meio de propagação fazendo
com que o estudo sobre ela leve em consideração as características geométricas gerais.
Exemplo: propagação da onda no espaço (som, luz).

ARTIGO: FREQUÊNCIA ESPACIAL (14/4/2004)


Agência FAPESP - Um grupo de cientistas de diversas instituições brasileiras
submeteu uma proposta para a instalação no Brasil do sistema de radioastronomia SKA
(Square Kilometre Array). Trata-se de um projeto internacional, com custo estimado em
US$ 1 bilhão, que pretende esclarecer questões importantes sobre a origem do Universo
e verificar a possibilidade de vida extraterrestre.
O SKA prevê a instalação de um arranjo de radiotelescópios com uma área
coletora total de 1 quilômetro quadrado, para a faixa de freqüências de 150 MHz a 20
GHz. Trata-se de uma dimensão equivalente a 100 antenas de 100 metros de diâmetro.
O sistema é considerado a próxima geração em radiotelescópios, pois terá uma
sensibilidade 100 vezes maior que a do principal existente atualmente, o de Arecibo, em
Porto Rico. Com isso, os astrônomos esperam conseguir "enxergar" bilhões de anos
atrás, antes mesmo da formação das galáxias.

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COMPONENTES BÁSICAS DA ONDA

B B

II I I II
A C
C

III A´
III IV IV
V

D D

Período (T): corresponde ao tempo necessário para que a onda percorra um ciclo
completo. Sua unidade de medida é o segundo. (AA´ = 1s)

l m
T  2 (pêndulo simples) ou T  2 (sistema elástico)
g ke

Frequência (f): corresponde ao número de ciclos por intervalo de tempo, é o numero de


repetições de um fenômeno. Sua unidade de medida é o Hertz. (AB = 25%; AC = 50%;
AD = 75%; AA´ = 100%)

nociclos
f  então:f = 1/T; se:T = 1/f logo:f . T = 1
t

Amplitude (A): é o deslocamento máximo vertical da onda em relação ao eixo


horizontal (x), logo pode ser positiva quando posicionada acima do eixo e denominada
de crista ou será negativa toda vez que estiver abaixo do eixo x quando se denomina de
vale. Sua unidade de medida é o metro.
±A=R

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Elongação: é a localização da partícula no decorrer de todo o percurso da onda, desde o
inicio, propagação, fim e repetição do fenômeno. Todos os pontos de elongação são
conhecidos após a projeção no eixo horizontal x. Sua unidade de medida é o metro.
x = A . cos 

Comprimento de Onda (  ): é a distância que uma onda percorre durante o tempo de


um período T. Pode ser entendida como a distância entre dois pontos consecutivos e
coincidentes do meio que vibram em fase ou a distância entre duas crista(ou vales)
consecutivos. Sua unidade de medida é o metro.
=v.T

Velocidade linear de propagação: corresponde à velocidade que os pulsos de onda se


propagam no meio durante um intervalo de tempo. Assim, se uma pessoa produzir um
pulso na extremidade de uma corda, cujo comprimento é de 6.0 m, e se o pulso atingir a
outra extremidade depois de um intervalo de tempo de 2.0 segundos, teremos a
velocidade de propagação da onda igual a 3,0 m/s.
Relação entre velocidade, período e freqüência: 
v  v   .f
vágua > var  água > ar T

Importante:
 A velocidade de propagação de uma onda mecânica depende de características
vinculadas ao meio no qual a onda está se propagando (densidade, elasticidade,
temperatura); A velocidade de propagação de onda eletromagnética não depende do
meio.
 Num dado meio, a velocidade de propagação é constante;
 A freqüência, consequentemente,o seu período não dependem do meio e são
características exclusiva da fonte geradora da onda;
O comprimento de onda de uma onda mecânica depende da velocidade e da freqüência.
Portanto, ele pode variar de acordo com as características do meio.

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Fase (): é o espaço angular da onda, ou seja, a razão entre o espaço percorrido e o raio
transcrito pela circunferência formada pela onda. Corresponde a diferença da posição de
vibração da onda em relação a posição zero no instante inicial. Sua unidade de medida é
o radiano. (AB = /2; AC = ; AD = 3/2; AA´ = 2)
 = 0 +  . t

Pulsação (ω): é a velocidade angular da onda, ou seja, a razão do deslocamento angular


pelo intervalo de tempo gasto. Rapidez da qual a partícula descreve o espaço angular.
Sua unidade de medida é o radiano por segundo (rad/s). (AA´ = 2)
ω = 2π . f

Aceleração: é a grandeza física responsável em modificar a velocidade e permitir que o


movimento modifique, mudando seu estado de inércia. Para o estudo das ondas é
necessário levar em consideração três modelos de aceleração:
 Aceleração tangencial: é a aplicação de um vetor linear que tende ao movimento
retilíneo induzindo qualquer ponto a abandonar o movimento circular.
at = a

 Aceleração centrípeta: é responsável por manter o movimento circular e


controlar a velocidade do fenômeno. Está voltada para o centro da circunferência. Sua
unidade de medida é o metro por segundo ao quadrado (m/s2).
ac = 2 . R ou ac = v2 / R

 Aceleração angular: é a resultante das aplicações das acelerações tangencial e


centrípeta, ou seja, a hipotenusa desses catetos. É a razão entre a variação da pulsação e
o intervalo de tempo.
aa2 = ac2 + ac2 ou aa2 = ∆ / ∆t

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FENÔMENOS ONDULATÓRIOS
Quando uma onda que se propaga num dado meio encontra uma superfície que
separa desse meio de outro (interface), essa onda interage e ocasiona modificações em
sua propagação como retornar ao meio em que estava se propagando (reflexão) e/ou
propagar-se no outro meio (refração).

 Princípio de Huygens
“Cada ponto de uma frente de onda pode ser considerado uma nova fonte de ondas
secundárias que se propagam em todas as direções. Em cada instante, a curva ou
superfície que envolve a fronteira dessas ondas secundárias é a nova frente de onda.”

REFLEXÃO DE ONDAS
Quando uma onda que se propaga num dado meio encontra uma superfície que
separa esse meio de outro, essa onda pode, parcial ou totalmente, retornar ao meio em
que estava se propagando. Esse fenômeno é chamado de reflexão.
O fenômeno de reflexão é característico de qualquer propagação ondulatória
que, por alguma razão ou de alguma forma, encontra um obstáculo à sua propagação
(meios com densidades diferentes).
Os pulsos que propagam em cordas refletem-se mantendo a mesma forma do
pulso original, porém se a corda tiver a extremidade fixa, a onda refletida terá inversão
de fase. Se a corda tiver extremidade livre, não haverá inversão de fase.
No caso de ondas bidimensionais (ondas em águas) ou tridimensionais (som e
eletromagnéticas), o estudo fica mais simples se analisarmos o comportamento dos raios
de onda, em vez de frentes de onda.

i : ângulo de incidência;
r : ângulo de reflexão;
N : reta normal à superfície.

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Leis da reflexão
1ª. O raio incidente A, o raio refletido B e a normal N pertencem ao mesmo plano
(coplanares);
2ª. O ângulo de reflexão r é igual ao ângulo de incidência i: r = i

Características da Reflexão de Ondas


Ao sofrer a reflexão, a onda refletida retorna para o mesmo meio no qual se
propagava. Como a velocidade depende do meio e a freqüência depende da fonte que a
gerou, os dois parâmetros da onda não variam, portanto, o comprimento de onda
também não varia. A reflexão pode ser regular quando a superfície refletora for plana e
lisa, mas se houver irregularidades na superfície a reflexão passa a ser difusa.

Tipos de reflexão:
 Reverberação: ocorre quando a diferença entre os instantes de recebimento dos
dois sons, propagando-se no ar, é pouco inferior a 0,1 segundos. Ou seja, o
obstáculo deve estar a uma distância menor de 17 metros quando a velocidade linear
de propagação da onda sonora for igual a 340 m/s. A reverberação pode também ser
considerada como “reforço”, quando ocorre quando a diferença entre os instantes de
recebimento do som refletido e do som direto é praticamente nula. O ouvinte apenas
percebe um som mais intenso (maior quantidade de energia);

 Eco: ocorre quando os dois sons, direto e refletido, são recebidos num intervalo de
tempo superior a 0,1 segundos. Ou seja, o obstáculo que refletirá o som, no ar, deve
estar a uma distância maior de 17 metros quando a velocidade linear de propagação
da onda sonora for igual a 340 m/s;

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REFRAÇÃO DE ONDAS
Vimos que quando uma onda muda de meio de propagação, a sua velocidade se
modifica, consequentemente, muda também o seu comprimento de onda. No entanto, a
freqüência permanece constante. Essa mudança de meio é chamado de refração.
Assim se a velocidade aumentar (v2>v1), seu comprimento de onda também aumentará
(2> 1), e na mesma proporção: v2 
 2  f
v1 1

Consideramos uma frente sofrendo refração devido à passagem de um meio para outro.
Da figura abaixo teremos:

sen i 1 sen i v1
  
sen r 2 sen r v 2

DIFRAÇÃO DE ONDAS
As ondas não se propagam necessariamente em linha reta a partir da fonte
emissora. Elas apresentam a capacidade de contornar obstáculos, desde que estes
tenham dimensões comparáveis ao comprimento de onda. Este desvio permite às ondas
atingirem regiões situadas atrás do obstáculo.
Difração é o fenômeno pelo qual uma onda tem a capacidade de superar um
obstáculo, ao ser parcialmente interrompido por ele.
As ondas sonoras apresentam valores elevados para o comprimento de onda
entre 2 cm a 20 m para ondas audíveis no ar. Por isso, elas se difratam com relativa
facilidade, contornando muros, esquinas, etc.
Pelo contrário, a difração da luz é pouca acentuada, por que o comprimento de
ondas luminosas é muito pequeno, só ocorrendo quando as dimensões dos obstáculos
são pequenas.
Ao passarem o obstáculo, as ondas
sofrem um desvio de propagação,
transpondo o obstáculo. Se a
largura da fenda for menor ou
igual ao comprimento de onda
incidente, ela transpõe o obstáculo.

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POLARIZAÇÃO

 Uma onda está polarizada uma vez que é determinada a direção de propagação.
 Quando uma onda não polarizada atravessar uma região em que as partículas podem
vibrar somente numa única direção, ela se transforma numa onda polarizada.
 Colocando-se agora dois obstáculos: um com uma abertura vertical e outro com uma
abertura horizontal.

INTERFERÊNCIA DE ONDAS
Suponha que você e um colega mantenham uma corda esticada, cada um
segurando uma das extremidades.
Se cada um produzir uma onda, eles irão se propagar pela corda e acabarão
inevitavelmente por se encontrar.
No ponto em que ocorre a superposição de duas ou mais ondas, o efeito
resultante é a soma dos efeitos que cada onda produziria sozinha nesse ponto.

Princípio da interdependência das ondas


Após a superposição, cada onda continua sua propagação através do meio, como
se nada tivesse acontecido.
Seja P o ponto da corda atingido simultaneamente pelas duas ondas. A
superposição das duas ondas nesse ponto constitui o fenômeno denominado de
interferência.

Interferência construtiva: durante o Interferência destrutiva: durante o


cruzamento, houver um reforço das cruzamento, houver um cancelamento
ondas. total ou parcial entre as ondas.

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Quando ocorre em ondas luminosas, os pontos onde a interferência é construtiva
aparecem mais brilhantes (maior intensidade). Nos pontos onde ocorre a interferência
destrutiva, aparecem mais escuros (menor intensidade).

Para ondas circulares que se propagam na superfície de um


líquido, as linhas circulares representam, alternadamente,
cristas e vales. No cruzamento de duas cristas ou de dois
vales, a interferência é construtiva. No cruzamento de cristas
e vale, a interferência é destrutiva.

RESSONÂNCIA
Quando um corpo começa a vibrar por influência de outro, na mesma freqüência
deste e mesmo posicionamento de fase, ocorre um fenômeno chamado ressonância.
Exemplos:
 O vidro de uma janela que se quebra ao entrar em ressonância com as ondas
sonoras produzidas por um avião a jato;
 As cordas de violão que se encontram na mesma nota da oitava correspondente
vibram simultaneamente e independente de ser o mesmo instrumento.
 Uma taça que vibra e até quebra quando exposta a entonações vocais que
correspondem a sua frequência peculiar de vibração, ou seja, o som emitido é o
mesmo do produzido pela vibração da taça.
 O aparelho de ressonância magnética que emite ondas de reflexão que se
propaga na ida e na volta com a mesma frequência para permitir uma varredura
do volume desejado.
 As pontes, assim como outras estruturas, que necessitam de um
dimensionamento vibratório de acordo com as suas funcionalidades e meio de
exposição, caso contrário correm o risco desabamento por entrar em
concordância com vibrações externas.

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BATIMENTO
Quando a superposição ocorre com ondas sonoras de freqüência ligeiramente
diferentes, surge o fenômeno do batimento. O batimento consiste em flutuações
periódicas da intensidade do som resultante. O número de batimentos pode ser
calculado pela seguinte equação: B  fb  f a

Exemplo: fa= 500 Hz; fb = 550 Hz; então: B = 550 – 500 => B = 50 Hz

ONDAS ESTACIONÁRIAS
São ondas resultantes da superposição de duas ondas de mesma freqüência,
comprimento de onda e mesma amplitude, que se propagam ao longo de uma direção,
mas de sentidos opostos. É um caso particular de interferência de ondas.
Considere uma corda presa numa das extremidades. Fazendo a outra extremidade vibrar
com movimentos verticais periódicos, originam-se perturbações regulares, que
propagam pela corda. Ao atingirem a extremidade fixa, elas se refletem, retornando à
corda com sentido de deslocamento contrário ao anterior.
Uma onda estacionária se caracteriza pela amplitude variável de ponto para ponto, isto
é, há pontos da corda que não se movimentam (nós), e pontos que vibram com
amplitude máxima (ventres ou anti-nós).
A distância entre dois nós consecutivos corresponde a meio comprimento de
onda ( /2). Igualmente, a distância entre dois ventres consecutivos é igual a meio
comprimento de onda ( /2). A distância entre um nós e um ventre consecutivo vale (
/4).

ONDA ESTACIONÁRIA

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EFEITO DOPPLER
Ocorre quando há movimento relativo entre a fonte sonora e o receptor. Por
exemplo, a sirene de uma ambulância passando por um ouvinte parado na calçada.
Nota-se que, à medida que a fonte se aproxima, o som vai se tornando mais agudo e, à
medida que a fonte se afasta, o som vai se tornando mais grave.

Explicação do Fenômeno
Quando há aproximação da fonte sonora do receptor, há um número maior de
frentes de ondas na unidade de tempo. Portanto, há um aumento de freqüências ouvidas.
Quando há afastamento, há um número menor de frentes de ondas na unidade de tempo.
Portanto, há uma diminuição da freqüência ouvida.
Este efeito ocorre quando a velocidade de movimento da fonte (vF) é menor que a
velocidade do som (vS) no meio.

A freqüência ouvida pelo observador (f’) quando ele está


com velocidade (v0), será: v s  vo
f'  f .
v s  vF

onde:

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 20


ARTIGO: OUVINDO AS CORES, VISUALIZANDO OS SONS (Luiz Netto)
Lendo o título acima alguém pode perguntar: não estaria este titulo equivocado?
Bem, acho que não como logo verão neste artigo...Quando refletimos acerca dos
fenômenos vibratórios e quais desses são detectados pelos seres humanos vemos que
somos dotados de apenas alguns sentidos que detectam apenas alguns fenômenos que
ocorrem na natureza. Miríades de outros fenômenos vibratórios permanecem
desconhecidas por nossos sentidos.Certamente os sentidos que temos são aqueles
mínimos necessários para manutenção, defesa e continuidade da nossa vida e que a
natureza nos dotou.
Tudo o mais que o homem precisa ele constrói. Se não vemos com nossos olhos
o esqueleto humano, o homem constrói máquina para isso. Se não enxergamos os astros
a olho nu, construímos telescópios para isso. Se não vemos com nossos sentidos uma
onda sonora ou eletromagnética que navega pelo espaço podemos visualizá-la através
de um osciloscópio e assim poderíamos enumerar muitos outros dispositivos que
funcionam como ferramentas extras ao corpo do homem. O mínimo do que precisamos
está em nosso corpo. Assim a natureza nos construiu. E nos quedamos extasiados em
estado de contemplação com tanta beleza e engenharia atrás de tudo isso, daí a
constante busca do homem para encontrar e conhecer O Grande Arquiteto, buscar sua
intimidade, procurar conhecer as leis pelas quais são regidos os fenômenos do universo.
Homens inspirados tem dedicados suas vidas na busca de tudo entender, de tudo
explicar, ao longo da linha de tempo da humanidade.
Percorrendo o espaço vibratório podemos ver que somos dotados de sentidos que
nos permitem ouvir os sons do meio ambiente que estamos e que cobrem uma faixa
média de 20 a 20.000 Hertz ou ciclos por segundo. Podemos sentir o Calor e podemos
ver as Cores.
Quando estudamos a física do som, verificamos como os sons são percebidos
pelos nossos ouvidos, com relação as suas freqüências, suas intensidades e o timbre.
Por causa das relações entre as freqüências de áudio, podemos denominá-las em toda a
extensão da faixa de áudio somente por sete nomes diferentes: Do, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá,
Si.
Ainda em relação às freqüências verificamos que a cada 12 intervalos de sons
subsequêntes, ou 1 oitava, percebemos uma característica especial cada vez que uma
dada frequência é o dobro da outra. A maneira como é organizada a escala musical
temperada guarda um intervalo entre cada nota e sua subsequente que é igual em toda a

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 21


escala. Esse valor é igual a 1,0594631, ou seja o quociente entre o valor da freqüência
de um som e a freqüência do som imediatamente inferior, tem esse valor.
Vendo todo o espectro organizado matematicamente dessa maneira podemos
formular a pergunta: - qual seria a relação entre as freqüências da faixa auditiva humana
e as freqüências dos sinais eletromagnéticos que correspondem as cores? Assim
poderíamos imaginar um virtuose concertista percorrendo o teclado de um piano e
perguntar quais as cores que corresponderiam a cada nota musical tocada. Vou mostrar
como isso realmente funciona e depois mostrarei os cálculos para chegar a essa
conclusão.
Ao contemplar o espectro todo vemos como é interessante notar que
inicialmente detectamos o áudio, passa-se uma larga faixa de freqüências que não
percebemos e logo bem distante das freqüências de som, percebemos as cores graças
aos três tipos de cones de nosso aparelho da visão , cada um deles responsável por um
comprimento de onda, o vermelho, o verde, e o azul, cuja intensidade de cada um deles,
arranjadas convenientemente , acaba por cobrir todo o espectro de cores, coadjuvados
pelos bastonetes, responsáveis pelo brilho da cor.
TABELA 01 – FREQUÊNCIAS DE NOTAS MUSICAIS
Nota musical Freqüência de áudio Freqüência de luz Comprimento de onda
Fá# 370,0 Hz 4,07 . 1014 Hz 0,7374 µm
Sol 392,0 Hz 4,31 . 1014 Hz 0,6960 µm
Sol# 415,3 Hz 4,57 . 1014 Hz 0,6570 µm
Lá 440,0 Hz 4,84 . 1014 Hz 0,6200 µm
Lá# 466,2 Hz 5,13 . 1014 Hz 0,5853 µm
. 14
Si 493,9 Hz 5,43 10 Hz 0,5525 µm
Dó 523,3 Hz 5,75 . 1014 Hz 0,5214 µm
Dó# 554,4 Hz 6,10 . 1014 Hz 0,4922 µm
Ré 587,3 Hz 6,46 . 1014 Hz 0,4646 µm
Ré# 622,3 Hz 6,84 . 1014 Hz 0,4385 µm
Mi 659,3 Hz 7,25 . 1014 Hz 0,4139 µm
Fá 698,5 Hz 7,68 . 1014 Hz 0, 3906 µm

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 22


Assim olhando para as teclas de um piano, com a escala igualmente temperada,
indo dos graves para o agudo a primeira nota - fá# encontra seu correspondente em
737,4 nm (nano metros) - (comprimento de onda) e a nota mais extrema nos agudos é a
nota fá cujo comprimento de onda é de 390,6 nm. Observe porém que o espaço de
correspondência é maior que este que acabamos que ver, dado que nos instrumentos
musicais de cordas, sem os trastes, como o violino por exemplo, conseguimos notas fora
da escala temperada, que tem suas notas correspondentes no espectro de cores. Assim
considerando que o espectro de cores vai de 3,93 . 1014 até 7,86 . 1014 Hz, temos as notas
correspondentes dentro da faixa de áudio que vai de 357,4 Hz à 714,8 Hz.
Como cada oitava contém 12 intervalos, para sabermos a distância em oitavas é
só dividirmos 593,77907 por 12, que é igual à 49,481589 oitavas.
Fomos até a nona oitava e paramos por aí, porque sabemos que o Lá3 cuja
frequência de áudio é de 440 Hz está contida nesta oitava. De imediato concluímos que
se a distância de 1 Hz até a frequência mais baixa de luz visível, o vermelho, é de
49,481589 oitavas, se partirmos desta nona oitava para calcularmos a distância, teremos
49,481589 - 9 = 40,481589 oitavas.
Vemos que essa frequência está dentro do espaço visível, então o Lá3
corresponde à frequência de Luz Visível de 4,8378635.10 à décima quarta potência,

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 23


Hz. Podemos pois fazer incrementos à direita e à esquerda desse valor, na razão de
1,0594631 e verificar até onde estaremos dentro da faixa de luz visível. Assim,
verificamos que, multiplicando seguidamente os valores de Lá3 por 1.0594631, obtemos
as demais frequências de áudio correspondentes às frequências de luz até chegar o
limite superior de 614,8 Hz, e do mesmo modo dividindo seguidamente o valor de Lá3
por 1,0594631 obtemos as demais frequências de áudios correspondentes às
frequências de luz até chegar o limite inferior de 357,4 Hz.

1,0594631 - é a razão entre cada nota musical e sua subsequente na escala musical
igualmente temperada.

JANELA DA VISÃO HUMANA NO ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 24


ACÚSTICA
É o ramo específico da Ondulatória, subdivisão da Física Clássica, que trata dos
fenômenos relativos ao estudo do som. Para melhor compreensão do estudo da Acústica
é interessante fazer uma abordagem teórica sobre os princípios fundamentais da
Ondulatória.
Assim como o surgimento de todas as ciências, a Acústica também evoluiu e
teve tratamentos específicos permitindo um aprofundamento dos conhecimentos sobre
as diversas propriedades do som. Mesmo antes de Cristo já se conheciam alguns
fenômenos naturais que aos poucos foram sendo relacionados com assuntos ligados ao
som, nessa época, ainda não existiam conhecimentos depositados sobre os
comportamentos sonoros presente no cotidiano.

HISTÓRICO DA ACÚSTICA
Sendo o som o resultado de uma perturbação num meio contínuo (e.g., ar ou
água) que envolve a fonte e os receptores dessa perturbação, a sua história pode recuar
até ao momento em que a seleção natural originou um ser com a faculdade de “ouvir”,
permitindo-lhe assim uma maior capacidade de sobrevivência: os primeiros vertebrados
surgiram em meio aquático há cerca de 500 milhões de anos; os dinossauros reinaram,
envolvidos pelo ar, há mais de 65 milhões de anos.
Tanto quanto se sabe os dinossauros comunicavam entre si mediante sons, mas
só com o aparecimento do Australopiteco (há cerca de 30 milhões de anos), e da sua
postura ereta que lhe libertou as mãos, foi pela primeira vez possível a um ser vivo
construir instrumentos, inclusive instrumentos musicais, cujas características acústicas,
empírico-intuitivas, passaram de geração em geração e influenciaram outros
hominídeos.
As conseqüências sociais do domínio do fogo pelo Homo Erectus (há cerca de
1.5 milhões de anos), e da sedentarização, com o domínio da agricultura pelo Homo
Sapiens (há cerca de 8000 anos), fazem com que a música, e a acústica associada,
comecem a proliferar pelas mãos e talento daqueles que já não são obrigados a procurar
alimento, mas que assumem a responsabilidade do entretenimento.
A invenção da roda (há cerca de 5500 anos) abre caminho à “maquinização”
generalizada e, consecutivamente, à generalização de sons artificiais no quotidiano.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 25


A invenção da escrita (há cerca de 5000 anos), permitiu uma maior organização da
sociedade, inclusive da própria música. Contudo, catástrofes naturais (o dilúvio, há
cerca de 5500 anos, que não deve ter sido mais do que uma grande cheia no “centro” do
mundo de então: a Mesopotâmia) e artificiais (destruição de todos os livros da cultura
chinesa pelo imperador Shih Huang-Ti, há cerca de 2300 anos; o incendiar da biblioteca
de Alexandria, por Júlio César, em 47 a.C., para que não caísse nas mãos dos Egípcios),
fazem com que muitos dos registros que poderiam confirmar ou infirmar algumas das
suposições atuais não tenham sobrevivido.
Curiosamente, existem alguns textos épicos, datados de 4000 a.C. que
descrevem o dilúvio como um castigo resultante do excessivo ruído produzido pelas
pessoas, o qual perturbou o sossego dos Deuses.
A Bíblia possui muitas referências à música, e.g. (Gênesis cap. 4, vs. 21): E o
nome do seu irmão era Jubal. Ele mostrou ser o fundador de todos os que manejam a
harpa e o pífaro.
Há quem considere inclusive que a seguinte passagem, em que Deus dá
instruções a Moisés, tem motivos acústicos – devido às características de absorção
sonora dos panos –, e antevê a técnica atual – pela indicação de criação de módulos
idênticos – (Êxodo cap. 26, vs. 7 e 8): E tens de fazer panos de pêlo de cabra, para a
tenda sobre o tabernáculo. Farás onze panos de tenda. O comprimento de cada pano de
tenda é de trinta côvados e a largura de cada pano de tenda é de 4 côvados. Há uma só
medida para os onze panos de tenda.
Pode também interpretar-se a seguinte passagem, em que Josué descreve o cerco
dos Hebreus à cidade de Jericó (há cerca de 3220 anos), como a primeira manifestação
da ressonância acústica (Josué cap. 6, vs. 20): Então, quando começaram a tocar as
trombetas, o povo gritou. E sucedeu que, assim que o povo ouviu o som das trombetas e
o povo começou a dar um grande grito de guerra, então a muralha começou a cair
rente ao chão…
Só existem registros, que nos datam, localizam e personificam trabalhos
relativos ao som, a partir da Grécia antiga (há cerca de 2500 anos), quando grandes
pensadores começam a tentar dar resposta às perguntas mais prementes. Assim, ainda
que se suponha que o Homo Sapiens já suspeitava, há muitos anos a essa parte, ser o
som um fenômeno ondulatório, idêntico ao que ocorre na superfície livre de um líquido,
quando é perturbado, Aristóteles (384-322 a.C.) é um dos primeiros, de que há registro,
a tentar explicar o som como o resultado do movimento do ar, movimento este

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 26


produzido pela fonte sonora: …impulsionando o ar à sua volta, de maneira a que o som
viaje de forma inalterada, em qualidade, até onde a perturbação do ar chegue.
Aristóteles considera – erroneamente de acordo com os conceitos atuais – que as
diferentes sensações de altura se devem a diferenciadas velocidades do som.
Os Pitagóricos (c. 550 a.C.) são dos primeiros, de que há registro, a reparar que
quando dois alaúdes monocórdios eram tocados em simultâneo, existia uma
consonância muito especial, no som assim ouvido, se a relação entre o comprimento das
suas cordas fosse 2:1, ou seja, uma tivesse metade do comprimento da outra (suspeita-se
que os chineses tenham sido os primeiros a constatar tal fato, possivelmente há mais de
3000 anos). Os Pitagóricos dão, assim, início à matematização do som.
A música da Grécia antiga é, contudo, essencialmente monofônica (não
simultaneidade de diferentes sons), sendo a polifonia (simultaneidade de diferentes
sons) fortuita, aleatória e inconsciente. Também o heptatonismo (sete notas musicais),
base do atual sistema teórico da música ocidental, ainda que com influência da música
da Grécia antiga, só surge no séc. VIII d.C., já com o domínio dos Romanos, mediante o
acrescentar de mais 4 cordas à lira tradicional Grega (phorminx), que já possuía 4,
possibilitando assim o executar de uma Oitava completa.
O maior testemunho dos conhecimentos Gregos sobre acústica, são os seus
anfiteatros, alguns ainda utilizados hoje em dia. A boa qualidade acústica dos anfiteatros
Gregos, deve-se a três regras fundamentais, que qualquer projetista atual deve ainda ter
em conta: boa linha de vista para o palco; uso de uma parede refletora na zona posterior
do palco; ruído ambiente diminuto.
Também os Romanos têm em conta características acústicas para a construção
dos seus teatros. Marcus Vitruvius Pollio (c. 27 d.C.) escreve De Architectura, onde
sugere o uso de vasos ressonantes para melhorar o som dos teatros.
Existem registros datados de cerca de 600 a.C., de algumas cidades italianas, sob
o domínio Etrusco, que separavam as zonas de trabalho, onde predominava ruído
incomodativo, das zonas de repouso. Mais tarde, Júlio César (100-44 a.C.) proíbe a
circulação das bigas (antigo carro romano puxado por dois cavalos), em certas zonas de
Roma, durante certas horas do dia, especialmente à noite. Esta medida foi mantida pelos
seus sucessores e Marco Aurélio (121-180 d.C.), estende-a a todas as cidades do
Império Romano.
No séc. I d.C., Nero (37-68 d.C.) introduz nos jogos olímpicos um concurso
musical, que não tem continuidade.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 27


A partir do séc. IV d.C., com a proclamação do Cristianismo como religião
oficial do Império Romano, a música é “aprisionada” nos mosteiros, sendo “libertada”
apenas no séc. XII d.C., com o surgimento dos trovadores.
Os monges desenvolvem a escrita musical e estruturam a polifonia, esta última
sustentada pela acústica especial dos mosteiros; data do séc. IX d.C. o texto polifônico
mais antigo que chegou até nós, atribuído a Hucbaldo e notado no tratado Musica
Enchiriadis.
Os trovadores compõem e cantam sobretudo melodias seqüenciais (monofonia),
menos complicadas, e que, por isso mesmo, chegam mais depressa ao coração das
donzelas. Os trovadores começam também a valorizar a música instrumental, a qual era
repudiada pela liturgia de então.
É também no séc. XII, que ganha forma uma nova instituição: a Universidade.
De início o corpo de conhecimento, fornecido pela Universidade, para formação de um
homo liber (cavalheiro), consistia no trivium (gramática, retórica e lógica) e no
quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música). Em 1210 d.C. o Papa
Inocêncio III reconhece, mediante bula, a instituição Universidade.
O conceito de altura do som e a sua utilização na composição musical, existe há
mais de 2500 anos, mas só com Marin Mersenne (1588-1648), no seu livro
Harmonicorum Liber (1636), e, independentemente, com Galileu Galilei (1564-1642),
no seu livro Discurso sobre os Dois Grandes Sistemas do Mundo (1638), se associou
definitivamente a altura do som à freqüência de vibração. É inclusive no livro de
Mersenne que é inferida, pela primeira vez de que há registro, a freqüência de vibração
de uma corda tensa, de um dado comprimento, em função da freqüência de vibração de
uma outra corda tensa, com as mesmas características da primeira (tensão, diâmetro e
densidade) e de comprimento conhecido.
Só em 1939, é normalizada a freqüência 440Hz para a nota la3, mediante
conferência internacional em Londres, depois de muitos séculos de desregramento: o
diapasão de Handel (1685-1759) em la3 vibrava a 422.5 Hz; em 1859, uma comissão
francesa, que incluía Berlioz (1803-1869) e Rossini (1792-1868), tenta normalizar a
freqüência de la3 em 435 Hz, mas, por razões praticas, não tem sucesso.
Depois de encontrada a relação entre a altura do som e a freqüência de vibração,
a comunidade científica começa a interessar-se pela determinação das freqüências
limites da audição humana, mas só em 1830, Felix Savart (1791-1841), mediante a
utilização de uma roda dentada, que percute sequencialmente uma membrana elástica

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 28


(Roda Dentada de Savart), estabelece o valor de 8 Hz para a freqüência mínima audível
e 24000 Hz para a freqüência máxima. Tais valores limites são subjetivos,
considerando-se em média, atualmente, 20Hz e 20000 Hz.
Um desafio idêntico ao anterior, é a determinação do limite mínimo da
intensidade sonora audível. Os primeiros estudos que se conhecem, da autoria de
Toepler (1836-1912) e Boltzmann (1844-1906), remontam a 1870.
A consideração aristotélica da necessidade do ar para a propagação sonora é
posta em causa, sobretudo devido à não visualização ou tateação da vibração do ar, por
Pierre Gassendi (1592-1655), que propõe que o som se deve à emissão de um feixe de
átomos por parte da fonte sonora.
O conflito entre um modelo corpuscular e um modelo ondulatório tem pouco
peso na história relativa ao som, contrariamente ao que acontece na Óptica, pois ainda
que a primeira experiência de propagação sonora no vácuo, de Athanasius Kircher
(1602-1680), publicada em 1650, tenha dado suporte ao modelo de Gassendi, devido a
um baixo nível de vácuo, a derradeira experiência de Robert Boyle (1627-1691), em
1660, com um maior nível de vácuo, onde se conclui, irrefutavelmente, ser necessária a
existência de ar para que haja propagação sonora, faz com que o modelo ondulatório
prevaleça e que se possa considerar, hoje em dia, o seguinte: …a teoria do som
desenvolveu-se, desde o princípio, essencialmente como uma teoria ondulatória.
Joseph Sauveur (1653-1716) sugere, não se sabe bem quando, o termo Acústica,
do Grego Akoustiké (Akoustike) que significa “relativo ao ouvido”, para denominar a
ciência dos sons.
Talvez para remediar a sua falha experimental, Athanasius Kircher explica, no
seu livro Phonurgia Nova (1673), o fenômeno do eco e da reflexão sonora, mediante a
utilização de Raios Acústicos, com base na lei de reflexão da luz de Euclides (c. 330-
270 a.C.) – lei esta consolidada e complementada por Willebrod Snell (1591-1626) e
René Descartes (1596-1650) – e dá início ao prolífero ramo da Acústica Geométrica.
Contudo, só em 1832, com a dedução da denominada Equação do Eikonal, por William
Rowan Hamilton (1805-1865), foi possível demonstrar as limitações desta aproximação
geométrica.
Em 1678, Christian Huygens (1629-1695), publica Traité de la Lumière, e torna-
se um dos principais proponentes do modelo ondulatório da luz, em oposição a Sir Isaac
Newton. Huygens enuncia, no livro referido, um importante princípio:

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 29


...qualquer ponto do “éter” onde a perturbação luminosa incide pode ser entendido
como centro de uma nova perturbação que se propaga esfericamente.
Tal princípio ficou conhecido por Princípio de Huygens.
O Princípio de Huygens pode ser estendido às ondas sonoras, e foi deduzido, de forma
mais rigorosa, por Poisson, em 1818, na sua publicação Memoir on the Integration of
Some Partial Differential Equations and, in Particular, That of the General Equation of
Movement of Elastic Fluids.
O modelo ondulatório da luz só começou a ser aceite pela comunidade científica
em geral, a partir de 1801, quando Thomas Young (1773-1829), introduz o conceito de
Interferência Ondulatória, depois de criar a famosa experiência de fenda dupla, e obter
as famosas Franjas de Difração. O fenômeno da difração propriamente dito só teve
uma explicação razoável quando Augustin Jean Fresnel (1788-1862), em 1818, juntou o
princípio de Huygens ao principio de interferência de Young e explicou a propagação
retilínea da luz e os efeitos de difração. Tal princípio ficou conhecido como Princípio
de Huygens-Fresnel.
Em 1882 Kirchhoff aperfeiçoa a teoria de Fresnel, dando-lhe uma melhor
consistência matemática, tendo o seu desenvolvimento ficado conhecido por Teoria da
Difração de Kirchhoff-Fresnel.
Em 1896 Arnold Sommerfeld obtém a solução rigorosa da difração de uma onda
plana num plano semi-infinito, mediante a Teoria da Difração de Kirchhoff-Fresnel.
Ainda que a Teoria da Difração de Kirchhoff-Fresnel não seja totalmente válida para as
ondas sonoras, só em 1968 Z. Maekawa realiza experiências no sentido de obter uma
função empírica da difração sonora de obstáculos finos.
As primeiras teorias matemáticas da acústica incidem na freqüência de vibração
das cordas tensas, sendo Brook Taylor (1685-1731) – o criador das famosas séries com
o seu nome – o primeiro a deduzir uma expressão analítica, para determinação da
freqüência de vibração das cordas tensas, em função do seu comprimento, tensão e
densidade linear, a qual concordava com as leis experimentais de Mersenne e Galileu. O
trabalho de Taylor foi publicado em 1713, tendo sido posteriormente aperfeiçoado e
generalizado, mediante a introdução de derivadas parciais, por Daniel Bernoulli (1700-
1782), Leonard Euler (1707-1783) e Jean le Rond d’Alembert (1717-1783). Considera-
se que d’Alembert foi o primeiro a deduzir, em 1747, para o caso das cordas vibrantes, a
equação diferencial da propagação ondulatória, atualmente denominada simplesmente
por Equação de Onda.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 30


Entretanto, Sauveur, por volta de 1700, observa que uma corda tensa pode vibrar
de forma a que certos pontos da corda não oscilem, os quais denominou por nodos, e
que certos pontos sofram uma oscilação muito violenta, os quais denominou por
ventres. Facilmente reconheceu que esse tipo de vibração se devia à ocorrência de
freqüências superiores à freqüência de vibração da corda como um todo, e verificou que
as freqüências mais altas eram múltiplas inteiras da freqüência mais baixa,
correspondente à vibração da corda como um todo, a qual denominou por Freqüência
Fundamental. Sauver denominou o conjunto de todas essas freqüências por
Harmônicos, correspondendo o 1º harmônico à freqüência fundamental. Tal
denominação é ainda utilizada atualmente.
Em 1755, Daniel Bernoulli demonstra teoricamente que é possível a uma corda
tensa vibrar de forma a que estejam presentes, simultaneamente, vários harmônicos,
sendo o deslocamento, de um dado ponto da corda, igual ao resultado da soma algébrica
dos deslocamentos correspondentes a cada harmônico. Tal formulação ficou conhecida
por Principio da Sobreposição.
Em 1759, Joseph Louis Lagrange (1736-1813) apresenta um modelo teórico das
cordas vibrantes, baseado na consideração de massas iguais, uniformemente espaçadas e
ligadas entre si por molas com a mesma constante elástica. Este modelo, denominado
por Linha Sonora, teve e tem grandes aplicações, e permite a dedução dos harmônicos
observados por Sauveur.
Em 1822, Jean Baptiste Fourier (1768-1830), no seu livro Analytical Theory of
Heat, demonstrou, inspirado no princípio da sobreposição de Bernoulli, que qualquer
vibração periódica pode ser decomposta numa soma de senos e co-senos (Série de
Fourier), cujas diferentes freqüências são múltiplos inteiros da freqüência fundamental,
e alicerçou, assim, o ramo da Análise de Freqüência, também denominado por Análise
Espectral.
A primeira teoria matemática da propagação sonora no ar surge no magistral
livro The Principia: Mathematical Principles of Natural Philosophy (1686) de Isaac
Newton (1642-1727). A formulação de Newton, de pulsos de “pressão” transmitidos
através das partículas de ar vizinhas, foi aperfeiçoada e corrigida, em alguns pontos, por
Euler, d’Alembert e Lagrange, com base na consistência matemática então adquirida
pela Mecânica dos Meios Contínuos.
A primeira teoria baseada genuinamente em princípios de dinâmica dos fluidos,
surge numa publicação de Euler em 1759, baseada no modelo de linha sonora de

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 31


Lagrange. Nessa publicação Euler deduz a Equação de Onda, unidimensional, da
propagação sonora em fluidos.
A formulação do século XVIII é ainda considerada hoje em dia, para dedução da
equação de propagação das ondas sonoras em fluidos – considerando pequenas
amplitudes de perturbação (acústica linear) – aparte da relação entre a densidade e a
pressão, obtida já no séc. XIX, por Pierre Simon de Laplace (1749-1827) e publicada no
seu livro Méchanique Céleste (1825).
A diferença essencial entre a formulação do séc. XIX e a do séc. XVIII é a
consideração de um processo adiabático no lugar de um processo isotérmico. Esta
consideração originou valores teóricos da velocidade do som mais próximos dos valores
experimentais, até então obtidos por Mersenne, em 1640 (450 m/s), Boreli (1608-1679)
e Viviani (1622-1703), em 1656 (350 m/s), e pela Academia das Ciências de Paris, em
1738, mediante experiências precisas com tiros de canhão (332 m/s a 0 ºC).
Em 1808, Jean Baptiste Biot (1774-1862) efetua as primeiras experiências para
determinação da velocidade do som em meios sólidos. Utilizando um cano de ferro com
1 km de comprimento e comparando o tempo de chegada do som através do ferro e
através do ar, Biot chega à conclusão que a velocidade do som no ferro é muito superior
à velocidade do som no ar.
Em 1826, Jean-Daniel Colladon e Jacques Charles Francois Sturm (1803-1855),
investigam a transmissão do som através da água, no lago de Geneva (Suíça), utilizando
um sistema em que é emitido um sinal luminoso associado ao tocar de um sino dentro
de água (1435 m/s a 8ºC).
A dedução da propagação tridimensional em fluidos foi efetuada, pela primeira
vez de que há registro, por Siméon Denis Poisson (1781-1840), em 1820. Em 1823
Poisson apresenta uma teoria muito elaborada da propagação sonora no ar, no interior
de um tubo, incluindo o fenômeno das Ondas Estacionárias. A teoria é aperfeiçoada por
Herman von Helmholtz (1821-1894), em 1860.
O difícil problema da reflexão e retração de ondas sonoras planas, incidindo
obliquamente na superfície de separação de dois fluidos, foi resolvido por George Green
(1793-1841), em 1838.
Em 1842, Christian Johann Doppler (1803-1853), enuncia o princípio da
alteração da altura do som em função do movimento relativo da fonte e do receptor. Tal
princípio ficou conhecido por Efeito de Doppler.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 32


Os efeitos da viscosidade, e outros processos dissipativos, na propagação sonora,
foram analisados em 1843 por Claude Louis Marie Henri Navier (1785-1836) e, em
1845, por George Grabiel Stokes (1819-1903), culminando numa equação de relações
constitutivas do fluído, conhecida por Equação Navier-Stokes.
Stokes estuda, pela primeira vez de que há registro, em 1857, o efeito do vento
na propagação sonora.
Em 1868, A. Kundt (1839-1894), estuda as ondas estacionárias mediante a
colocação de pó dentro dos tubos, o qual se acumulará na zona dos nodos. Tal
experiência ficou conhecida por Tubo de Kundt.
A relação entre a tensão e a deformação elástica de sólidos, obtida por Robert
Hooke (1635-1703) em 1676, conhecida por Lei de Hooke, foi essencial para a
adaptação, aos sólidos, dos modelos analíticos desenvolvidos para as cordas tensas e
para os fluidos. Tal adaptação não foi, contudo, fácil. Assim, Bernoulli em 1751, deduz
a equação diferencial de 4ª ordem (no espaço) para as ondas transversais em barras. Em
1787, Chladni (1756-1824), coloca areia em cima de uma placa em vibração, para
verificação da localização dos nodos, obtendo figuras muito bonitas, conhecidas por
Figuras de Chladni. As figuras tornam-se de tal forma famosas que Napoleão
Bonaparte (1769-1821) compromete-se a atribuir um prêmio, de 3000 francos, a quem
conseguir desenvolver, satisfatoriamente, uma teoria matemática para as placas
vibrantes. O prêmio foi atribuído, em 1815, a Sophie Germain (1776-1831), que
deduziu a correta equação diferencial de 4ª ordem. Em 1850, Gustav Robert Kirchhoff
(1824-1887), através de uma correta seleção das condições de fronteira, aperfeiçoou a
teoria de Germain.
A resolução do problema análogo ao referido, para membranas flexíveis, foi
iniciada por Poisson e terminada, mediante a consideração do caso especial das
membranas circulares, por Clebsch (1833-1872), em 1862.
Os modos de vibração dos sólidos conjugados com o advento da Mecânica
Quântica fazem com que, em 1912, Peter Joseph Debye (1884-1966) quantifique as
ondas sonoras e introduza o conceito de Fonão, o qual é muito útil na explicação da
condutividade térmica dos isolantes elétricos e na explicação da supercondutividade em
certos metais.
Entretanto, em 1877, John William Strutt, 3º Barão de Rayleigh (1842-1919),
publica o tratado Theory of Sound, que engloba grande parte dos desenvolvimentos
científicos da acústica, até então, e introduz novos desenvolvimentos, como seja o

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 33


conceito de Condutividade Acústica de um orifício, a Função de Dissipação, para um
sistema sujeito a amortecimento, o Teorema da Reciprocidade Acústica e a
Representação Complexa.
Depois de deduzidas algumas das equações de propagação do som, a
comunidade científica começou a tentar perceber como o sistema auditivo humano
“analisa” as vibrações. Em 1843, Georg Simon Ohm (1789-1854), estabelece que a
sensação de altura, de sons musicais, é proporcional à freqüência fundamental do som, e
o timbre a diferentes combinações da intensidade dos harmônicos, e inicia o ramo da
Psicoacústica.
Em 1860, Gustav Theodor Fechner (1801-1884), baseado em trabalhos
anteriores de Ernst H. Weber (1795-1878), publica Elements of Psychophysics, onde
estabelece o seguinte: Enquanto o estímulo é aumentado multiplicativamente a
sensação é aumentada aditivamente.
Tal lei ficou conhecida por lei de Fechner-Weber. Ainda que se saiba,
atualmente, que não é exata nem universal, tal lei é um pilar da Psicofísica, levando
Fechner a responder aos seus críticos: A Torre de Babel nunca foi completada porque
os trabalhadores não se entendiam no modo como a construir; o meu edifício
psicofísico manter-se-á de pé porque os trabalhadores não se entendem no modo como
o destruir...
Dois anos depois (1862), Helmholtz publica On the Sensations of Tone, onde dá
suporte à lei de Ohm, considerando que o ouvido humano possui vários ressoadores,
sintonizados para diferentes freqüências, efetuando assim uma análise espectral. Sabe-se
hoje que Ohm e Helmholtz estavam no bom caminho, mas o processamento cerebral, da
audição, é mais complexo que uma “simples” transformação de Fourier.
Só em 1923, Harvey Flecher, possivelmente inspirado no trabalho de Fechner,
introduz o conceito de Unidade de Sensação Auditiva: um incremento de 0.1 no
logaritmo, de base 10, do valor médio do quadrado da pressão sonora, corresponde a um
aumento de uma unidade de sensação.
Em 1924 The International Advisory Commitee on Long Distance Telephony
propõe o termo bel, em honra a Alexander Graham Bell (1947-1922), o inventor do
telefone, para a unidade de sensação de Flecher. Passado pouco tempo, o décimo do bel
(decibel, dB), é de utilização generalizada.
Em 1931, Flecher e Wallace Munson determinam as curvas de igual sensação de
intensidade, em função da freqüência, e introduzem o conceito de Fone.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 34


Em 1975, S. S. Stevens estabelece uma relação mais rigorosa entre a intensidade
sonora e a sensação de intensidade, introduzindo o conceito de Sone.
Com o acabar da 2ª Guerra Mundial, em 1945, surge um elevado número de
soldados com problemas auditivos, pelo que, numa tentativa de resolver o problema, dá-
se início ao ramo da Audiologia. É também a 2ª Guerra Mundial que leva ao
desenvolvimento dos Sonares, cujas técnicas de utilização de Ultra-sons abrem portas
às Técnicas não Destrutivas de análise.
Em 1961 Georg von Békésy (1899-1972) ganha o Prêmio Nobel da Fisiologia e
Medicina, pela sua análise criteriosa dos órgãos auditivos de animais e cadáveres
humanos.
Em 1970, Yoichiro Nambu, Hulger Nielsen e Leonard Susskind, iniciam a
modelação das partículas elementares como cordas vibrantes e dão início à famosa
teoria das Super-Cordas, que se apresenta, atualmente, como um dos principais
candidatos à unificação da Física. De fato a música sempre se relevou uma excelente
fonte de inspiração de cientistas e ficcionistas. Tanto assim é que J.R.R. Tolkien (1892-
1973), o autor do Senhor dos Anéis, não fugiu à regra e considerou que o universo das
suas ficções foi criado pela música: …e ergueu-se um som de intermináveis e
intermutáveis melodias entretecidas em harmonia, um som que, ultrapassando o
ouvido, se propagou às profundidades e às alturas, e os lugares de habitação de
Ilúvatar encheram-se a transbordar, e a música e o eco da música chegaram ao vazio,
que deixou de ser vazio.
Outra das áreas que, indubitavelmente, o séc. XX consagrou, foi a acústica de
espaços fechados (Acústica de Edifícios). Ainda que este tema remonte à Grécia e à
Roma antiga, pode considerar-se que o advento moderno começou em 1898, quando
Wallace Clement Sabine (1868-1919), publicou Architectural Acoustic, onde é
explicitada a idealização de que numa sala reverberante a média da energia sonora por
unidade de volume é constante, o que permite deduzir uma expressão analítica para
obtenção do tempo de reverberação.
Em 1930 Carl F. Eyring, estende a hipótese de Sabine a salas não reverberantes.
Em 1951, H. Haas, constata que é necessária uma diferença de 35 ms, para que o
ser humano possa distinguir a chegada de dois sons. Tal efeito ficou conhecido por
Efeito de Haas ou Efeito de Precedência, e é de vital importância para a estereofonia de
salas.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 35


Leo Leroy Beranek, em 1962, publica Music, Acoustics and Architecture, onde
relaciona conceitos subjetivos da qualidade acústica de uma sala (e.g., intimidade e
vida) com características objetivas (e.g., tempo de atraso da 1ª reflexão, relativamente
ao som direto, e tempo de reverberação).
Atualmente, programas informáticos, bastante elaborados, fornecem ao
projetista uma forma rápida e eficaz de prospectivar um elevado número de parâmetros
objetivos, entretanto desenvolvidos, que deverão ser ajustados, em função do tipo de
recinto, para obtenção da adequada qualidade acústica, mediante alteração da
arquitetura da sala e/ou dos materiais construtivos.
Em 1960 Clough introduz o conceito de Elemento Finito, que com o advento dos
computadores se verificou ser de vital importância e enorme aplicação em vários
domínios científicos, inclusive na acústica.
A instrumentação acústica, deixando de fora os instrumentos musicais, começou,
talvez, em 1819, com a invenção do Estetoscópio, por René Laënnec (1781-1826).
Contudo, indubitavelmente, o invento mais importante foi o Telefone, em 1876, por
Alexander Graham Bell, o qual abriu portas ao importante ramo da Eletroacústica.
Poulsen, em 1890, faz as primeiras experiências de gravação áudio em suporte
magnético.
Em 1916 E. C. Wente desenvolve o microfone de condensador,
Em 1926, a Warner Brother apresenta o primeiro filme sonoro, com
equipamento dos laboratórios Bell.
Em 1965 os laboratórios Dolby introduzem técnicas de redução de ruído para as
gravações áudio.
Em 1971 a IEC publica um método preciso de calibração de microfones de
condensador, com base na técnica da reciprocidade.
O primeiro Compact Disc é editado em 1982 e, em 1987, começam os estudos
de compressão áudio, baseados nos conhecimentos já existentes de psicoacústica, que
originam o conhecido formato MP3, generalizado através da Internet.
Desde a queda do Império Romano até à invenção do motor de combustão
interna, o ser humano deixou, aparentemente, de se preocupar com os efeitos nocivos do
ruído. Só em 1929 se dá inicio à fiscalização do ruído emitido por veículos automóveis:
a Inglaterra delega nos policias a verificação, subjetiva, da emissão sonora excessiva.
Em 1950, Karl Kryter publica, pioneiramente, The Effects of Noise on Man.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 36


Só em 1970 a Comunidade Européia publica uma Diretriz sobre limitações
objetivas da emissão sonora dos veículos automóveis.
Em 1974, a Occupational Safety and Health Administration, nos Estados Unidos
da América, estabelece que os trabalhadores só possam ficar expostos a níveis sonoros
de 90 dB(A) até 8 horas por dia.
Em 1987 é publicado, em Portugal, a Lei de Bases do Ambiente (L. n.º 11/87, de
7 de Abril) e o Regulamento Geral Sobre o Ruído (D.L. n.º 251/87, 24 de Junho). Em
1992 são publicadas as normas de Proteção dos Trabalhadores Contra o Ruído (D.L.
n.º 72/92 e D.R. n.º 9/92, de 28 de Abril)
Em 1999 a Organização Mundial de Saúde apresenta um guia[16] para os níveis
sonoros limite em diferentes atividades, e em 2000 é publicado, em Portugal, o Regime
Legal Sobre a Poluição Sonora (D. L. 292/2000, de 14 de Novembro), que retifica,
parcialmente, o regulamento de 1987, e levanta alguma celeuma, sobretudo devido à
aparente impossibilidade prática de cumprimento de alguns dos requisitos estabelecidos.
É também no ano 2000 que é publicada a proposta de Diretriz do Parlamento Europeu e
do Conselho relativa à avaliação e gestão do ruído ambiente.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 37


TABELA 02 – HISTÓRICO DO ESTUDO DO SOM
COLABORADOR ÉPOCA PARTICIPAÇÃO
Intervalos musicais e suas relações
Pitágoras 500 a.C.
Corda com um terceiro apoio móvel
Aristóteles 335 a.C. Relacionou som com a música
Euclides 275 a.C. Cordas e seus detalhes
Diagrama geométrico para cores e
Ptolomeu 130 a.C.
cordas
Galileu Galilei 1564 - 1642 Ressonância
Lei das cordas vibrantes
Mersenne 1558 - 1648
Velocidade do som
Gassendi 1592 - 1655 Velocidade e Freqüência
Aparelho do vácuo – Torricelli (1647)
Kiercher 1680
Som no vácuo – aparelho
Newton 1642 – 1727 Som no ar = velocidade 280 m/s
Laplace 1749 - 1827 Som no ar – velocidade 320 m/s
Chladni 1827 Acústica – ciência
Vibradores senoidais – sistema
Ohm 1789 – 1854 auditivo
Teorema de Fourier – calor
Helmhotz 1821 - 1894 Ressonador
Sir. Charles
1802 – 1875 Termo microfone
Wheatstone
Kelvin 1824 – 1907 Teorema de Fourier – calor
Reiss 1861 Transdutor
Lord Rayleigh 1842 - 1919 “The Theory of Sound”
Bell 1847 – 1922 Microfone magnético – telefone
Edison 1877 Gravação e reprodução
Berlinner 1877 Reprodução em rolos
Pouson 1899 Gravação em fio magnético
Langevin 1917 Submarinos - transdutores de cristal
Sabine 1925 Acústica arquitetônica
Rca 1931 Reprodução elétrica
Braunmuehl e Weber 1940 Magnetophon – gravador em fita
Fletcher e Munson 1958 Curvas isoaudíveis
Robinson e Dadson 1958 Precisão no estudo das curvas
Stephens 1966 “Sound and Hearing” – Aristóteles
Sergio Fernando I 2009 Influência do som no comportamento

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 38


ALEXANDER GRAHAM BELL – BIOGRAFIA
Alexander Graham Bell nasceu no dia 3 de março de 1847,
em Edimburgo, na Escócia. Era o segundo dos três filhos do casal
Alexander Melville Bell e Eliza Grace Symonds. Sua família tinha
tradição e renome como especialista na correção da fala e no
treinamento de portadores de deficiência auditiva.
O pai, Alexander Melville Bell, passou a se interessar, não só
pelo som das palavras, como também pelas causas desse som. Estudou anatomia -
laringe, cordas vocais, boca, etc. criando o que chamava de “fala visível”. É autor do
livro “Dicção ou Elocução Padrão”.
O avô, Alexander Bell, foi sapateiro em St. Andrews, na Escócia e, enquanto
consertava sapatos, recitava Shakespeare.Fazia isso com tanta freqüência que, aos valor
exato para cada palavra. Abandonou o ofício de sapateiro e seguiu o caminho do teatro,
porém, alguns anos no palco foram suficientes para que descobrisse outra profissão;
tornou-se professor de elocução e dava conferências dramáticas sobre Shakespeare,
desenvolvendo boa prática no tratamento dos defeitos da fala, especializando-se em
foniatria.
Bell, seu pai e seu avô tinham o mesmo prenome - Alexander. Até os 11 anos, se
chamava simplesmente Alexander Bell, até que um dia na escola, a professora sugeriu
que adotasse mais um nome para diferenciar-se do avô. Depois de consultar os
familiares, optou por Graham, em homenagem a um grande amigo de seu pai.
Aos 14 anos, ele e seus irmãos construíram uma curiosa reprodução do aparelho
fonador. Numa caveira montaram um tubo com “cordas vocálicas”, palato, língua,
dentes e lábios, e com um fole, sopravam a traquéia, fazendo a caveira balbuciar “ma-
ma”, imitando uma criança chorona.
Alexander Graham Bell cresceu assim, em um ambiente rico de estudo da voz e
dos sons, o que certamente influenciou no seu interesse nesse campo, além de ter a mãe
que, muito jovem, ficou surda.
Estudou na Universidade de Edimburgo, onde começou a fazer experimentos
sobre pronúncia. Certo dia, um amigo de seu pai falou sobre a obra de certo cientista
alemão chamado Hermann Von Helmholtz , que havia investigado a natureza física dos
sons e da voz. Excitado com a novidade, apressou-se em conseguir uma cópia do livro.
Só havia um problema: o livro estava escrito em alemão, língua que não entendia. Além

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 39


disso, trazia muitas equações e conceitos de física, inclusive relativos à eletricidade,
área que tampouco dominava.
Apesar de todas as dificuldades, Bell teve a impressão de que (por meio de
alguns desenhos do livro), Helmholtz tinha conseguido enviar sons articulados, como
vogais, através de fios utilizando eletricidade. Na verdade, o que Helmholtz estava
tentando fazer era sintetizar sons parecidos com a voz, utilizando aparelhos e não
transmití-los à distância. Ao contrário do que vocês podem estar pensando, foi
exatamente esse engano que fez com que Bell começasse a pensar sobre os modos de
enviar a voz à distância por meios elétricos.
Em 1868, em Londres, tornou-se assistente do pai, assumindo seu cargo em
tempo integral quando este tinha de viajar aos Estados Unidos para dar cursos.
Nessa época, seus dois irmãos, o mais velho e o caçula, com intervalo de um ano,
morreram de tuberculose. As dificuldades econômicas aumentaram e a ameaça da
doença, também encontrada em Bell, levou o pai a abandonar a carreira em Londres, em
seu melhor momento e, em agosto de 1870, mudar-se com a família para o Canadá.
Compraram uma casa em Tutelo Heights, perto de Brantford, província de
Ontário, que era conhecida como “Casa Melville” e que hoje é conservada como
relíquia histórica com o nome de “solar dos Bell”.
O pai de Bell era famoso e foi muito bem recebido no Canadá. Em 1871,
recebeu o convite para treinar professores de uma escola de surdos em Boston, nos
Estados Unidos, porém, preferindo continuar no Canadá, mandou o filho em seu lugar.
Bell passou a ensinar o método de pronúncia desenvolvido por seu pai, treinando
professores em muitas cidades além de Boston, pois, nessa época, antes da descoberta
dos antibióticos, a surdez era muito mais comum, podendo surgir como resultado de
muitas doenças.
Em 1872, abriu sua própria escola para surdos (onde depois conheceu D. Pedro
II, em 1876). No ano seguinte, em 1873 tornou-se professor da Universidade de Boston,
época em que começa a se interessar por telegrafia e estudar modos de transmitir sons
utilizando a eletricidade.
Por meio de seu trabalho como professor de surdos, A. Graham Bell - como
assinava e gostava de ser chamado - conheceu pessoas influentes que, depois, ajudaram-
no muito. Um deles foi Thomas Sanders, um rico comerciante de couro que morava em
Salem, próximo a Boston, cujo filho – George – foi aluno de Bell. O menino mostrou
progressos tão rápidos que Sanders, agradecido, convidou Bell a morar em sua casa.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 40


Outra pessoa importante foi Gardiner Greene Hubbard, um advogado e empresário bem-
sucedido, que viria a ser seu sogro em 1875.
Em 1898, Bell substituiu o sogro na presidência da National Geographic Society,
transformou o velho boletim da entidade na belíssima National Geographic Magazine,
semelhante à que temos hoje.
Alexander Graham Bell morreu em sua casa de Baddeck, no Canadá, no dia 2 de
agosto de 1922, aos 75 anos.
Muitos conhecem Bell como o inventor do telefone, muito embora hoje já se
reconheça que o verdadeiro inventor foi o italiano Antonio Meucci , mas poucos sabem
de seus outros feitos. Dê uma olhada na galeria:
 Disco de cera - Para gravação de sons, o que aprimora o fonógrafo de Edison.
 Sondas tubulares - Para exames médicos
 “Colete a vácuo” - Uma forma primitiva de pulmão-de-aço.
 Raios laser - Foi um dos precursores na descoberta.
 Barcos velozes - Inventor de barcos capazes de superar os 100 quilômetros por
hora.
 Carneiros - Selecionando raça.
 Sistema de localização de icebergs - Desenvolveu sistema semelhante ao sonar
 Fotofone - Inventor do sistema de transmissão de mensagens por meio de raios
luminosos em 1887.
 Aviação - Foi o primeiro homem a voar num
aparelho mais pesado que o ar no Império
Britânico em 1907.

Ao longo da sua vida, Bell obteve 18 patentes em seu


nome e 12 em conjunto com colaboradores. Desse total, temos os seguintes assuntos:

“Inventor é um homem que olha para o mundo em torno de si e não fica satisfeito com
as coisas como elas são. Ele quer melhorar tudo o que vê e aperfeiçoar o mundo. É
perseguido por uma idéia, possuído pelo espírito da invenção e não descansa enquanto
não materializa seus projetos.” (Alexander Graham Bell - Baddeck – Canadá).

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 41


A FREQUÊNCIA DA NOTA LÁ-PADRÃO
A afinação das orquestras (medidas em hertz, ou ciclo por segundos, para um
concerto em Lá) parece acompanhar as neuroses dos tempos. Veja alguns exemplos de
maestros contemporâneos:

TABELA 03 - DIFERENTES FREQUÊNCIAS DA NOTA LÁ-PADRÃO


ORQUESTRAS Hz
Órgão da catedral de Worcester (1611) 360,0
Haendel (1740) 422,0
Mozart (1780) 421,6
Ópera de Paris (1822) 431,0
Padrão francês (1822) 435,0
Piano Steinway (1880) 457,0
Padrão internacional (1938) 440,0
Filarmônica de Berlim (Herbert von Karajan) 448,0
Sinfônica Nacional (Mstislav Rostropovich) 440,0
Sinfônica de Boston (Seiji Ozawa) 442,0
Filarmônica de Nova York (Zubin Mehta) 442,0

O tom usado pelas orquestras para afinar os instrumentos está cada vez mais
alto, para desespero dos cantores de ópera e donos de violinos raros. Os primeiros
temem pela voz, uma vez que forçar as cordas vocais para atingir notas cada vez mais
altas pode significar danos irreversíveis. E os músicos não querem ver seus preciosos
Stradivarius serem empenados para executar peças em tom mais elevado do que o
utilizado pelos autores.
Há muito tempo que os cantores líricos reclamaram do fato de ao cantar um lá
maior – na Flauta Mágica, de Mozart, por exemplo – a inflação do tom empurra a nota
para quase um semitom acima do usado na obra, no tempo do compositor.
A escolha do tom tem sido um exercício de anarquia. O diapasão usado no
Século XVIII para uma apresentação do Messiah, de Haendel, produzia o Lá vibrando a
422,5 hertz. No século seguinte, entretanto, algumas orquestras mudaram esse tom para
450 hertz. A confusão terminou – ou quase – durante uma conferência internacional em
1938, que fixou o Lá em 440 hertz.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 42


Escutando-se, com uma diferença de uns poucos minutos, dois sons com
freqüências 552 e 564 Hz, muitos não são capazes de distinguir um do outro. Mas se
esses dois sons alcançam os ouvidos simultaneamente, percebe-se um som cuja
freqüência é 558 Hz, a média das duas freqüências. Sentindo, também, uma peculiar
variação na intensidade: ela aumenta e diminui como se fosse uma nota de marcação
lenta e trêmula, cuja freqüência é 12 Hz, a diferença entre as duas freqüências originais
– fenômeno de batimento.

ESCALA RICHTER
A escala Richter foi criada pelo norte-americano Charles F. Richter em 1935
como parte de seus estudos sobre os abalos sísmicos freqüentes que ocorrem no sul da
Califórnia. Ele desenvolveu uma forma matemática de quantificar a magnitude dos
terremotos a partir das informações obtidas com um sismógrafo, aparelho que registra
os movimentos das placas tectônicas que recobrem a superfície do planeta. A escala
criada por Richter se baseia nos gráficos registrados durante o terremoto propriamente
dito. A medida da amplitude desses gráficos em milímetros determina a magnitude dos
terremotos em uma escala logarítmica de 0 a 10, segundo uma fórmula matemática. Isso
significa que um abalo de magnitude 4 é dez vezes maior que um de magnitude 3 e
assim sucessivamente.

SISMÓGRAFOS
1 - As movimentções das placas tectônicas são
registrada na forma desse gráfico. A amplitude (na
vertical) desses traços é usada no cálculo da magnitude
ou intensidade dos abalos.
2 - O tempo para que os gráficos no sismógrafo registrem o terremoto a partir de seus
primeiros tremores é utilizado na localização do seu epicentro.
Magnitude - O maior terremoto já registrado tinha magnitude 8.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 43


VELOCIDADE DO SOM
A velocidade de qualquer onda mecânica, transversal ou longitudinal, depende
das propriedades inerciais do meio (para armazenar energia cinética) e, também, das
suas propriedades elásticas (para armazenar energia potencial).

 propriedade elástica
v  ; Onde  é a tensão na corda e  é sua densidade
 propriedade inercial
linear. Se o meio de propagação é o ar, podemos intuir que a propriedade inercial
correspondente a  é a densidade volumétrica do ar, .
Numa corda esticada, a energia potencial está associada ao alongamento
periódico dos elementos da corda, quando a onda passa por eles. Quando uma onda
sonora se propaga através do ar (ou de qualquer outro gás), a energia potencial é
associada a compressões e rarefações periódicas de pequenos elementos de volume do
gás. A propriedade que determina o quanto um elemento do gás modifica seu volume,
quando a pressão (força por unidade de área) sobre ela aumenta ou diminui, é o módulo

de elasticidade volumar B, que é definido como: B   (definição de B)
V /V
Aqui, V/V é a variação fracional em volume produzida por uma variação de
pressão . A unidade SI de pressão é o Newton por metro quadrado, que recebeu um
nome especial, o pascal (Pa). A unidade de B também é o pascal. Os sinais de  e V
são sempre opostos: quando aumentamos a pressão sobre um elemento de fluído (
positivo), seu volume diminui (V negativo). Incluímos o sinal negativo para que B
seja, por definição, sempre positivo. Trocando  por B e  por  na Eq.

 propriedade elástica B
v  , é obtido: v (velocidade do som) para um meio
 propriedade inercial 
com módulo de elasticidade volumar B e densidade . (RESNICK, 1996)
Os materiais possuem propriedades diferentes. Quando se trata da velocidade do
som em cada meio isso se confirma e dependendo do estado físico e da temperatura
como podemos ver na tabela abaixo.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 44


TABELA 04 - VELOCIDADE DO SOM – MEIOS E TEMPERATURAS
MEIO ºC m/s
Cloro 0 205,3
Hélio 0 965,0
Hidrogênio 0 1284,0
Oxigênio 0 316,0
Ar 0 331,0
Ar 20 343,0
Ar 25 346,0
vapor d´ água 100 404,8
Água 0 1402,0
Água 15 1450,0
Água 20 1482,0
Água 25 1497,0
água do mar 0 1522,0
água do mar 25 1532,8
Benzeno 17 1166,0
Mercúrio 25 1450,0
Cobre 20 3560,0
alumínio 0 6420,0
alumínio 20 5100,0
alumínio 25 5000,0
ferro 20 5130,0
ferro 25 5200,0
vidro 20 5000,0
vidro 25 4540,0
granito 20 6000,0
aço 0 5941,0
borracha .... 54,0

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 45


A densidade da água é quase mil vezes maior que a do ar. Se este fosse o único
fator relevante, poderíamos esperar, que a velocidade do som na água fosse
consideravelmente menor do que no ar, só que esta colocação não é verdadeira.

B
Podemos, então, concluir (de novo a partir de Eq. v ) que o módulo de elasticidade

volumar da água deve ser mais de 1.000 vezes maior do que o do ar. Isto é verdade. A

água é muito mais incompressível do que o ar, o que (veja a Eq. B   ) é outra
V /V
maneira de dizer que o seu módulo de elasticidade volumar é muito maior. (RESNICK,
1996)

INTENSIDADE E NÍVEL DO SOM


Em um momento de silêncio, se for acionado uma serra elétrica por perto,
percebe-se que existe algo mais que freqüência, comprimento de onda e velocidade
ligado ao som. Também existe a intensidade. A intensidade I de uma onda sonora é
definida como a taxa média de transmissão de energia, por unidade de área, para esta
onda. Logo, a unidade SI para a intensidade é o Watt/m².
A amplitude de deslocamento do ouvido humano vai desde 10–5 m, para o som
mais intenso que pode suportar, até 10–11 m, para o mais fraco som audível, dando uma
razão entre as amplitudes de 106. A intensidade do som depende do quadrado da
amplitude; assim, a razão entre as intensidades para estes dois limites da audição
humana é 1012. Os seres humanos são sensíveis a uma enorme faixa de intensidades.

A ESCALA deciBEL
O dB é a abreviatura para decibel, a unidade de nível sonoro, um nome
escolhido em reconhecimento ao trabalho de Alexandre Grahan Bell. I0, na Eq.

  10dBlog
I
. , é uma intensidade de referência padrão (= 10–12W/m2), escolhida
I0
assim porque está próxima do limite inferior da audição humana. Para I = I0, a Eq.

  10dBlog
I
. fornece  = 10 log 1 = 0, de tal modo que nosso nível padrão de
I0

referência corresponde a zero decibel. O  aumenta de uma mesma quantidade


constante, sempre que a intensidade sonora I aumenta de um fator fixo. Na realidade,

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 46


está é a maneira como o sistema auditivo humano opera, de tal modo que pode ser
uniformemente sensível a uma faixa bem larga de intensidades sonoras, como pode ser
visto na tabela abaixo.

TABELA 05 - VALORES CALCULADOS A PARTIR DA EQ.   10dBlog


I
.
I0

 (dB) I/I0
0 100 = 1
10 101 = 10
20 102 = 100
30 103 = 1.000
40 104 = 10.000
50 105 = 100.000
. .
. .
. .
120 1012 = 1.000.000.000.000

A resposta do sistema auditivo ao som não é a mesma para todas as freqüências.


A figura seguinte mostra como os limites de audição e de sensação dolorosa variam,
através do espectro sonoro, para pessoas com audição média.
Os limiares da dor e da escuta dependem da freqüência. A figura acima mostra,
também, a faixa aproximada das freqüências e níveis de som encontrados na música.
Os níveis do som são os mais diversos podendo iniciar do momento do silêncio,
que tem o valor de 0dB, e chegar ao limiar da dor, 120dB, como na tabela.

LIMIAR DE AUDIBILIDADE

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 47


CONVERSÃO DA ENERGIA SONORA EM deciBEL

Watts/cm2 Relações Bel decibel

10-2 1014 14 140

10- 4 1012 12 120

10- 6 1010 10 100


-8 8
10 10 8 80

10-10 106 6 60

10-12 104 4 40

10-14 102 2 20

10-16 1 0 0
Limiar de ÷ 10-16 log x 10
audibilidade

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 48


PRODUÇÃO DO SOM
A percepção do som é essencialmente um processo que se dá no órgão do
sentido da audição no ouvido interior e se constitui a interface pela qual as ondas de
som são transformadas em sinais adequados de informação – os impulsos nervosos –
dentro do nervo auditivo. A integração e, interpretação destes impulsos sensoriais
dentro do cérebro – melhor dito, no córtex auditivo – é a natureza da efetiva percepção
auditiva (GRANDJEAN, 1999).*
Uma lâmina de aço muito fina é fixada em uma base de apoio qualquer para que
ela possa. Quando deslocamos a lâmina, sua extremidade livre começa a oscilar para a
direita e para a esquerda.
Se a lâmina vibrar com rapidez, produzirá um som sibilante, mostrando que os
sons são produzidos pela matéria em vibração.
À medida que a lâmina oscila para a direita, ela realiza trabalho nas moléculas
do ar, comprimindo-as, transferindo a elas energia na direção da compressão. Ao
mesmo tempo, as moléculas do ar, situadas à esquerda, se expandem e se tornam
rarefeitas, o que retira energia delas.
Quando a lâmina se move no sentido inverso, ela transfere energia para as
moléculas do ar situadas à esquerda, enquanto as da direita perdem energia.
O efeito combinado de compressão e rarefação simultânea transfere energia das
moléculas do ar para a esquerda para a direita, ou da direita para a esquerda na direção
do movimento da lâmina, produzindo ondas longitudinais, nas quais as moléculas do ar
se movimentam para frente e para trás, recebendo energia das moléculas mais próximas
da fonte e transmitindo-a para as moléculas mais afastadas dela, até chegarem ao
ouvido.
No ouvido as ondas atingem uma membrana chamada tímpano. O tímpano passa
a vibrar com a mesma freqüência das ondas, transmitindo ao cérebro, por impulsos
elétricos, a sensação denominada som.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 49


FONTES SONORAS
É considerada uma fonte sonora toda situação onde ocorre liberação de energia
utilizando um meio material como instrumento gerador podendo ser considerado
também fonte vibratória, temos como tais situações as pregas vocais, o solado de um
sapato “elegante” em um piso rígido e até mesmo o ato de bater com a palma das mãos
que por sinal é um ótimo exemplo de liberação de energia positiva.
As fontes sonoras podem gerar sons harmônicos construindo, assim, melodias
musicais. Sons musicais podem ser gerados por cordas (guitarra, piano, violino),
membranas (tambores, tamboris), colunas de ar (flauta, oboé, órgão de tubos e o fujara),
blocos de madeira ou barras de aço (marimba, xilofone) e muitos outros corpos
oscilantes.
Muitos instrumentos envolvem, em sua operação, mais de uma parte vibrante.
No violino, por exemplo, não só as cordas, mas também, o corpo do instrumento
participa da produção do som que é apreciado.
As ondas estacionárias podem ser produzidas numa corda esticada, presa em
ambas as extremidades. O seu aparecimento é devido à reflexão das ondas nas
extremidades fixas da corda. Se existe uma relação apropriada entre o comprimento do
fio e o das ondas, a superposição destas, propagando-se em sentido opostos, produz um
padrão de onda estacionária (ou modo de oscilação). O comprimento de onda necessário
para que isto aconteça é o correspondente a uma das freqüências de ressonância da
corda. A vantagem de produzir tais ondas é que, nessas condições, a corda oscila com
grande amplitude, pressionado periodicamente o ar à sua volta e, assim, dando origem a
uma onda sonora com a mesma freqüência das oscilações na corda. A importância da
onda sonora assim produzida é óbvia para um guitarrista, por exemplo.
O comprimento de um instrumento musical reflete a faixa de freqüência para a
qual foi projetado para funcionar: comprimentos menores significam freqüências
maiores. A figura seguinte, por exemplo, mostra a família dos violinos e saxofones, com
suas faixas de freqüências indicadas pelo teclado de piano. Observe que, para cada
instrumento, há uma considerável superposição com os seus vizinhos de freqüências
mais alta e mais baixa.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 50


Em qualquer sistema oscilante que gere sons musicais, seja uma corda de violino
ou o ar num tubo de órgão, costumam ser gerados, ao mesmo tempo, o modo
fundamental e vários harmônicos de ordem superior. O som resultante deve-se à
superposição desses componentes. Esses harmônicos têm intensidades diferentes para
instrumentos diversos, o que explica por que uma mesma nota soa de modo diverso,
quando tocada por instrumentos diferentes. A próxima figura mostra, por exemplo, as
formas de onda resultantes quando a mesma nota é tocada por três instrumentos
diferentes, com a mesma freqüência fundamental.
Os formatos de onda e o som resultante que se pode ouvir diferem porque os
instrumentos produzem os harmônicos de ordem superiores a diferentes intensidades.

Diapasão

Flauta

Violino

Voz (letra a)

Clarineta

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 51


As ondas sonoras são longitudinais, isto é, são produzidas por uma seqüência de
pulsos longitudinais.
As ondas sonoras podem se propagar com diversas freqüências, porém o ouvido
humano é sensibilizado somente quando elas chegam a ele com freqüência entre 20 Hz
20 000 Hz, aproximadamente.
Quando a freqüência é maior que 20 000 Hz, as ondas são ditas ultra-sônicas, e
menor que 20 Hz, infra-sônicas.
As ondas infra-sônicas e ultra-sônicas não são audíveis pelo ouvido humano. As
ondas infra-sônicas são produzidas, por exemplo, por um abalo sísmico. Os ultra-sons
podem ser ouvidos por certos animais como o morcego e o cão. As ondas sonoras
audíveis são produzidas por vibrações de cordas, de colunas de ar e de discos
(membrana).
O som musical, que provoca sensações agradáveis, é produzido por vibrações
periódicas. O ruído, que provoca sensações desagradáveis, é produzido por vibrações
aperiódicas.

CORDA COLUNA DE AR MEMBRANA

TRANSMISSÃO DO SOM
A maioria dos sons chega ao ouvido transmitido pelo ar, que age como meio de
transmissão. Nas pequenas altitudes, os sons são bem audíveis, o que não ocorre em
altitudes maiores onde o ar é menos denso.
O ar denso é melhor transmissor do som que o ar rarefeito, pois as moléculas
gasosas estão mais próximas e transmitem a energia cinética da onda de umas para
outras com maior facilidade.
Os sons não se transmitem no vácuo, por que exigem um meio material o para
sua propagação. De uma maneira geral, os sólidos transmitem o som melhor que os
líquidos, e estes melhor que os gases.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 52


QUALIDADES DO SOM
Se a energia emitida pela fonte é grande, isto é, se o som é muito forte, temos
uma sensação desagradável no ouvido, pois a quantidade de energia transmitida exerce
sobre o tímpano uma pressão muito forte. Quanto maior a vibração da fonte maior a
energia sonora, logo, quanto maior a amplitude da onda, maior a intensidade do som.
Os sons muitos intensos são desagradáveis ao ouvido humano. Sons com
intensidades acima de 130 dB provocam uma sensação dolorosa e sons acima de 160 dB
podem romper o tímpano e causar surdez.
De acordo com a freqüência, um som pode ser classificado em agudo ou grave.
Essa qualidade é chamada altura do som. Sons graves ou baixos têm freqüência menor.
Sons agudos ou altos têm freqüência maior.
A voz do homem tem freqüência que varia entre 100 Hz e 200 Hz e a da mulher,
entre 200 Hz e 400 Hz. Portanto, a voz do homem costuma ser grave, ou grossa,
enquanto a da mulher costuma ser aguda, ou fina.
De acordo com Bonjorno, 1996, página 415: “O som não pode se propagar no
vácuo. Por essa razão, a onda sonora é chamada onda material ou onda mecânica. São
também ondas mecânicas as ondas numa corda, na água e numa mola. Essas ondas
precisam de um meio material (sólido, líquido ou gás) para se propagar.”

TIMBRE = SINGULARIDADE
FREQÜÊNCIA = ALTURA
INTENSIDADE = VOLUME
SOM: É qualquer oscilação mecânica que se propague em um meio elástico, desde que
as frequências que a componham encontrem-se dentro da faixa de audiofrequências.
TOM: É qualquer oscilação mecânica audível composta por uma única frequência. O
tom corresponde ao fenômeno períodico de oscilação cuja forma de onda é
representada por uma senóide. Na natureza não encontra-se tons puros.
RUÍDO: É o fenômeno audível, cujas frequências não podem ser discriminadas, porque
diferem entre si por valores inferiores aos detectáveis pelo aparelho auditivo. Aparece
em um analisador espectral como um espectro largo, quase contínuo em frequências.
Como exemplo temos: o ruído da chuva, o amassar do papel celofane, etc.
BARULHO: Reserva-se o nome de barulho, em geral, a todo som indesejável. Difere-
se do ruído por apresentar um espectro de frequências, passível de ser analisado, o que
permite os tratamentos acústicos adequados a cada caso.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 53


EFEITOS DE RUÍDO E VIBRAÇÕES NO HOMEM
Um longo tempo de exposição a um ruído alto pode causar sobrecarga do
coração causando secreções anormais de hormônios e tensões musculares. O efeito
destas alterações aparece em forma de mudanças de comportamento, tais como:
nervosismo, fadiga mental, frustração, prejuízo no desempenho no trabalho, provocando
também altas taxas de ausência no trabalho. Existem queixas de dificuldades mentais e
emocionais que aparecem com irritabilidade, fadiga e mal-ajustamento em situações
diferentes e conflitos sociais entre os indivíduos expostos ao ruído.

Consequências da exposição excessiva ao ruído


 Dilatação das pupilas
 Aumento da produção de hormônios (tireóide)
 Movimentos do estômago e abdômen
 Aumento da freqüência cardíaca
 Aumento da produção de adrenalina
 Reação muscular
 Aumento da produção de cortisona
 Vaso constrição dos vasos sanguíneos
 Insônia (dificuldade de dormir)
 Estresse
 Depressão
 Perda de audição
 Agressividade
 Perda de atenção e concentração
 Perda de memória
 Dores de Cabeça
 Aumento da pressão arterial
 Cansaço
 Gastrite e úlcera
 Queda de rendimento escolar e no trabalho
 Surdez (em casos de exposição à níveis altíssimos de ruído)
 Impotência sexual

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 54


ARTIGO: MÚSICA É O MELHOR REMÉDIO (30/05/2006)
Agência FAPESP - Ouvir música pode reduzir dores crônicas em até 21% e
depressão em até 25%. A conclusão é de um estudo feito nos Estados Unidos, publicado
na nova edição do periódico britânico Journal of Advanced Nursing.
A pesquisa foi feita com 60 pessoas de ambos os sexos e com entre 21 e 65 anos,
todos portadores de dores crônicas não-malignas, estado caracterizado pela presença de
dores resistentes a intervenções tradicionais. Os pacientes sofriam de problemas como
dores nas costas, osteoartrite e artrite reumatóide, em média há seis anos.
Os voluntários foram divididos em três grupos com 20 integrantes cada um, dois
deles submetidos à sessão de audição musical e um grupo controle que não ouviu
música no período de estudo.
As autoras da pesquisa, Sandra Siedliecki, da Fundação Clínica de Cleveland, e
Marion Good, da Universidade Case Western, verificaram que os grupos que ouviram
música uma hora por dia durante uma semana apresentaram melhoria nos sintomas
físicos e psicológicos em relação ao grupo controle.
“O primeiro grupo foi convidado a escolher o estilo musical preferido, que
variou de rock a baladas melodiosas e de pop a sons da natureza comumente usados
para promover sono ou relaxamento”, explica Sandra em comunicado da Blackwell
Publishing, editora do Journal of Advanced Nursing.
O segundo grupo escolheu entre cinco tipos de músicas relaxantes selecionadas
pelas pesquisadoras, com peças de jazz, piano, orquestra, harpa e sintetizador.
Os grupos que ouviram música reportaram queda nas dores entre 12% e 21%,
medidas pelo questionário McGill, inventário que consiste de 78 palavras descritoras,
organizadas em quatro grupos e 20 subgrupos e uma escala de 0 a 100, onde 0 significa
ausência de dor.
Outros pontos positivos foram verificados, como 19% a 25% menos de relatos
de depressão em relação ao grupo controle. Os pacientes submetidos à audição de peças
musicais também disseram sentir maior capacidade de controlar as dores.
“Houve pequenas diferenças nos valores identificados nos dois grupos que
ouviram música, mas ambos mostraram melhorias consistentes em cada uma das
categorias analisadas”, disse Sandra. “Dores crônicas não-malignas constituem um
grande problema de saúde pública e qualquer novidade que possa oferecer algum alívio
é bem-vinda.” (www.journalofadvancednursing.com.)

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 55


PERDA DE AUDIÇÃO
Um efeito fisiológico de exposição a níveis altos de ruído, é a perda de audição
na banda de freqüências de 4 a 6 kHz. Geralmente o efeito é acompanhado pela
sensação de percepção do ruído após o afastamento do campo ruidoso. Este efeito é
temporário. E portanto, o nível original do limiar da audição é recuperado. Esta é
chamada de mudança temporária do limiar de audição. Se a exposição ao ruído é
repetida antes da completa recuperação, a perda temporária pode tornar-se permanente,
não somente na faixa de 4 a 6 kHz, mas também abaixo e acima desta faixa. As células
nervosas no ouvido interno são danificadas, portanto o processo da perda de audição é
irreversível.
A exposição a níveis de pressão sonora abaixo de 80 dB(A), para 90% da
população, não causa dificuldade na sensação e interpretação do som. A perda de
audição por exposição a níveis acima de 80 dB(A) depende da distribuição dos níveis
com o tempo de exposição e da susceptibilidade do indivíduo.

AS PERDAS AUDITIVAS PODEM SER:


Trauma Acústico - o conceito de trauma acústico como sendo a perda auditiva
de instalação repentina, causada pela perfuração do tímpano acompanhada ou não da
desarticulação dos ossículos do ouvido médio, ocorrida geralmente após a exposição a
barulhos de impacto, de grande intensidade (tiro, explosão, etc.) com grandes
deslocamentos de ar.
Surdez temporária - Também conhecida como mudança temporária do limiar
de audição, ocorre após uma exposição a um barulho intenso, por um curto período de
tempo.
Surdez permanente - A exposição repetida dia após dia, a um barulho
excessivo, pode levar o indivíduo a uma surdez permanente.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 56


ATENUAÇÃO DA PERCEPÇÃO AUDITIVA A, B E C
Circuitos eletrônicos de sensibilidade variável com a freqüência, de forma a
modelar o comportamento do ouvido humano, são padronizados e classificados como
A, B, C e D. O circuito A aproxima-se das curvas de igual audibilidade para baixos
NPSs. Os circuitos B e C são análogos ao circuito A porém para médios e altos NPSs
respectivamente. Hoje, entretanto, somente o circuito A é largamente usado, uma vez
que os circuitos B e C não fornecem boa correlação em testes subjetivos. O circuito D
foi padronizado para ruídos em aeroportos.

TABELA 07 - NÍVEL DAS CURVAS A,B EC


Freqüência (Hz) Curva A dB(A) Curva B dB(B) Curva C dB(C)
10 -70,4 -38,2 -14,3
25 -44,7 -20,4 -4,4
50 -30,2 -11,6 -1,3
100 -19,1 -5,6 -0,2
125 -16,1 -4,2 -0,1
160 -13,4 -3 0
200 -10,9 -2 0
250 -8,6 -1,3 0
500 -3,2 -0,3 0
1000 0 0 0
1250 0,6 0 0
1600 1 0 -0,1
2000 1,2 -0,1 -0,2
2500 1,3 -0,2 -0,3
5000 0,5 -1,2 -1,3
10000 -2,5 -4,3 -4,4
12500 -4,3 -6,1 -6,2
16000 -6,6 -8,4 -8,5
20000 -9,3 -11,1 -11,2

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 57


TABELA 08 - NÍVEL DA VOZ EM DB
Distância (m) Normal Alto Muito Alto Grito
0,3 65 71 77 83
0,6 59 65 71 77
0,9 55 61 67 73
1,2 53 59 65 71
1,5 51 57 63 69
3,6 43 49 55 61

A tabela 09 mostra a relação desenvolvida por Eldridge sobre critérios para


perda de audição. Um nível de 85 dB(A) na faixa de 3 kHz para 8 horas de exposição
por dia pode ser considerado como limite para perda de audição.

TABELA 09 - LIMITES DO NPS - PORTARIA 3214/1978


NPS dB(A) Máxima exposição diária permissível
85 8 horas
88 5 horas
89 4 horas e 30 minutos
90 4 horas
91 3 horas e 30 minutos
92 3 horas
93 2 horas e 30 minutos
94 2 horas e 15 minutos
95 2 horas
96 1 hora e 45 minutos
98 1 hora e 15 minutos
100 1 hora
102 45 minutos
104 35 minutos
105 30 minutos
106 25 minutos
108 20 minutos
110 15 minutos
112 10 minutos
114 8 minutos

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 58


RECOMENDAÇÕES ISO R 1996 E NBR 10151
As Recomendações ISO R 1996 e NBR 10151 ou CONAMA 001 que são
basicamente similares, estabelecem para conforto acústico em comunidade (excluindo
ruído de aviões) a comparação entre dois níveis: um nível medido corrigido Lc e um
nível de critério Lr , definidos como segue:
(1) O nível global de avaliação corrigido Lc em dB(A), é baseado no nível medido
LA em dB(A) (ou Leq em dB(A) quando o ruído varia de maneira complexa) que deve
ser critério corrigido.

(2)O nível de critério Lr em dB(A), é considerado o limite superior permitido, que


provoca queixas sempre quando Lc > Lr .

O nível critério básico é válido para áreas residenciais com níveis entre 35 dB(A) e
45 dB(A) de ruído externo (na NBR 10151 é considerado apenas 45 dB(A)). Este nível
básico deve ser corrigido dependendo do horário e zoneamento, para fornecer o nível
critério Lr em dB(A).
A diferença entre o nível corrigido Lc e o nível critério Lr dá um indicativo da
reação da comunidade.
A avaliação de ruído em ambientes internos residenciais pode ser obtida ainda com
a correção de Lc dependendo da condição das janelas. No caso de ruído em ambientes
internos não residenciais, as curvas de avaliação NC (NR ou PNC) podem ser usadas
com o nível classificado NC.

CURVAS DE AVALIAÇÃO DE RUÍDO NR E NC


As curvas de avaliação de ruído NR (Noise Rating) ou NC (Noise Criteria), são
conjuntos dos níveis de banda de oitava que podem ser comparados com nível de
pressão sonora do ambiente.
Neste método, sobre as curvas padrão NR, são marcados os níveis do ambiente
medidos por banda de freqüência. Pode-se então visualizar qual a classe da NR que se
acha associada ao ambiente sob análise, que é o valor mais alto de NR obtido da
interseção das curvas padrão com os pontos marcados x.

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 59


TABELA 10 – NÍVEIS PADRONIZADOS POR LOCAL

Locais dB(A) NC

Hospitais
Departamentos, enfermarias, centros cirúrgicos 35 - 45 30 - 40
Laboratórios, áreas para uso do público 40 - 50 35 - 45
Serviços 45 - 55 40 - 50
Escolas
Bibliotecas 35 - 45 30 - 40
Salas de aula, laboratórios 40 - 50 35 - 45
Circulação 45 - 55 40 - 50
Hoteis
Apartamentos 35 - 45 30 - 40
Restaurantes, salas de estar 40 - 50 35 - 45
Portaria, recepção, circulação 45 - 55 40 - 50
Residências
Dormitórios 35 - 45 30 - 40
Salas de estar 40 - 50 35 - 45
Auditórios
Salas de concertos, teatros 30 - 40 25 - 30
Salas de conferências, cinemas e de uso múltiplo 35 - 45 30 - 35
Restaurantes, salas de estar 40 - 50 35 - 45
Escritórios
Salas de reunião 30 - 40 25 - 35
Salas de gerências, projetos e administração 35 - 45 30 - 40
Salas de computadores 45 - 65 40 - 60
Salas de mecanografias 50 - 60 45 - 55
Igrejas e templos (cultos meditativos) 40 - 50 35 - 45
Locais esportivos
Pavilhões fechados para espetáculos e atividades esportivas 45 - 60 0 - 55

SIMPLESMENTE ACÚSTICA – SERGIO FERNANDO I 60