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1 CONTABILIDADE DE CUSTOS
Prado/2011
CONTABILIDADE E ANÁLISE DE CUSTOS
1.1 NATUREZA, IMPORTÂNCIA E FINALIDADE.
CONT ANÁLISE CUSTOS 1 GERAL
A Contabilidade de Custos faz parte da Contabilidade Gerencial.
Ao contador cabe registrar os fatos ocorridos, controlar as operações e os custos e solucionar
problemas típicos ou específicos da empresa.

A tarefa dos registros dos fatos está ligada à Contabilidade Geral ou Financeira. O controle das
operações e dos custos e a solução de problemas específicos estão ligados à Contabilidade
Gerencial, que é um ponto de apoio fundamental para o administrador da empresa.

A Contabilidade de Custos, por fazer parte da Contabilidade Gerencial não está presa aos
requisitos legais ou fiscais, nem a convenções padronizadas.

1.2 CONCEITO
Contabilidade de Custos é uma técnica utilizada para identificar, mensurar e informar os custos dos
produtos e/ou serviços. Ela tem a função de gerar informações precisas e rápidas para a
administração, para a tomada de decisões.

1.3 APARECIMENTO DA CONTABILIDADE DE CUSTOS


Surgiu da contabilidade geral, justamente pela necessidade de se ter um controle maior sobre os
valores a serem atribuídos aos estoques de produtos na indústria e, também, pela necessidade de
tomar decisões quanto ao que, como e quando produzir.

A Contabilidade de Custos faz parte da contabilidade gerencial ou administrativa e dispõe de


técnicas que são aplicadas não somente às empresas industriais, mas também a outras atividades,
inclusive empresas públicas e entidades sem fins lucrativos, não estando restrita às formalidades
legais da contabilidade geral.

A Contabilidade de Custos auxilia na determinação dos custos dos fatores de produção, dos custos
de determinado setor da empresa; no controle e observação dos desperdícios, horas ociosas de
trabalho, equipamentos mal utilizados; na quantificação exata da matéria-prima utilizada, entre
outros.

A Contabilidade de Custos desenvolveu-se com a REVOLUÇÃO INDUSTRIAL, e teve que se


adaptar à nova realidade econômica, com o surgimento das máquinas e a conseqüente
produção em grande escala.

Até então, as empresas apenas comprovam mercadorias, ou seja, apenas dedicavam-se ao


comércio. Para apurar o resultado de suas operações com mercadorias, bastava calcular o Custo
das Mercadorias Vendidas – CMV, que é apurado por meio da fórmula:

CMV = Estoque Inicial + Compras Líquidas – Estoque Final

Como as empresas industriais passaram a produzir em grande quantidade, por meio do uso de
máquinas, a apuração do custo do produto vendido deveria incluir todos os elementos
empregados na fabricação do produto.

Basicamente, os componentes do custo industrial podem ser resumidos em três elementos:


• Material direto aplicado - MD (matéria-prima, material secundário e embalagem);
• Mão-de-obra direta empregada na fabricação do produto - MOD (incluindo o valor dos salários
e encargos sociais);
• Custos indiretos de fabricação - CIF (e demais gastos fabris).
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A forma de cálculo do Custo dos Produtos Vendidos – CPV – é derivada da fórmula usada para
apurar o Custo das Mercadorias Vendidas de uma empresa comercial. A diferença está nas
entradas; na empresa comercial, elas são representadas pelas compras líquidas, enquanto na
empresa industrial elas são representadas pelo Custo de Produção.

Essa diferença se deve às atividades que desempenham esses dois tipos de empresas; enquanto
a empresa comercial se limita a revender mercadorias, a empresa industrial compra matéria-prima,
transforma essa matéria-prima em um novo produto acabado e depois o vende. Para melhor
compreender essa diferença, vejamos;

EMPRESA COMERCIAL EMPRESA INDUSTRIAL

COMPRA COMPRA TRANSFORMA


MD MOD+CIF

VENDE VENDE

Fluxo comparativo entre empresas comerciais e industriais.

O fato de cada um desses dois tipos de empresa praticar atividades diferentes faz com que suas
demonstrações contábeis apresentem algumas diferenças.

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO

EMPRESA COMERCIAL EMPRESA INDUSTRIAL

Receita Líquida (Vendas) Receita Líquida (Vendas)


( - ) Custo das Mercadorias Vendidas ( - ) Custo dos Produtos Vendidos
= Lucro Bruto com Mercadorias = Lucro Bruto com Produtos
( - ) Despesas ( - ) Despesas
Administrativas Administrativas
Com Vendas Com Vendas
Financeiras Financeiras
Tributárias Tributárias
= Lucro Líquido Operacional = Lucro Líquido Operacional

Como podemos observar, a Demonstração de Resultado de uma empresa comercial difere da


Demonstração de Resultado de uma empresa industrial com relação ao Custo das Vendas.

ATENÇÃO: Usaremos a expressão CPV. No entanto, devemos lembrar que a Lei das S/A
estabeleceu que toda sociedade anônima, qualquer que seja sua atividade é uma empresa
mercantil por definição legal e é por essa razão que no resultado de toda S/A a expressão utilizada
é Custo das Mercadorias Vendidas – CMV – (art. 2º § 1º, e art. 187, inciso II da Lei das S/A).

Quanto ao Balanço Patrimonial desses dois tipos de empresa, a diferença é com relação aos
estoques. Na empresa comercial, temos o estoque de mercadoria que são revendidas, enquanto
na empresa industrial temos os estoques de matéria-prima, produtos em processo e produtos
acabados. Observe:
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BALANÇO PATRIMONIAL

EMPRESA COMERCIAL EMPRESA INDUSTRIAL

ATIVO ATIVO
Circulante Circulante
Estoque Mercadorias Estoque Produtos Acabados
Outros Estoques Estoque Produtos em Processo
Estoque Matéria – Prima
Outros Estoques

1.4 OBJETIVO DA CONTABILIDADE DE CUSTOS


Como já foi visto, a Contabilidade de Custos surgiu da necessidade de se conhecerem os custos
dos produtos para avaliar estoques e apurar o resultado das indústrias, tornando-se esse o
objetivo principal da contabilidade de Custos.

No século atual, com a crescente complexidade do mundo empresarial, a Contabilidade de Custos


está tornando-se cada vez mais importante na área gerencial da empresa, passando a ser utilizada
no planejamento, controle de custo, na tomada de decisões e no atendimento a exigências fiscais e
legais.

1.5 LOCALIZAÇÃO DA CONTABILIDADE DE CUSTOS

A Contabilidade de Custos é uma das ramificações da Contabilidade entre as quais destacamos:

• Contabilidade Financeira (Geral).


• Contabilidade de Custos.
• Auditoria.
• Análise e Interpretação de Balanços.
• Controladoria.

A Contabilidade de Custos opera integrada às funções de Produção e da Contabilidade Financeira


(Geral). Essa integração está assim representada.

Produção Contabilidade Financeira


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Contabilidade de Custos

Figura – Integração da Contabilidade de Custos com a Contabilidade Financeira/Geral.

Área 1 – Superposição: Produção X Contabilidade Financeira.


Área 2 – Superposição: Produção X Contabilidade de Custos.
Área 3 – Superposição: Contabilidade de Custos X Contabilidade Financeira.
Área 4 – Superposição: Contabilidade de Custos X Produção X Contabilidade Financeira.
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1.6 CONCEITOS BÁSICOS EM CUSTOS (terminologia em custos industriais)

A Contabilidade de Custos, assim como a contabilidade mercantil, utiliza terminologias próprias,


cujos termos muitas vezes são usados com diferentes significados.
Assim, torna-se necessário definirmos nosso entendimento sobre as diferentes terminologias de
custos, permitindo uma uniformização de conceitos.

DESEMBOLSO – é o pagamento da compra de um bem ou serviço.


Exemplo: compra de material de escritório; se for a vista, o desembolso será no momento da
compra; se for a prazo, o desembolso será no momento do pagamento da duplicata ao fornecedor.

INVESTIMENTO – gasto ativado em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuro(s)
período(s).
Todos os sacrifícios havidos pela aquisição de bens ou serviços (gastos) que são “estocados” nos
Ativos da empresa para baixa ou amortização quando de sua venda, de seu consumo, de seu
desaparecimento ou de sua desvalorização são especificamente chamados de investimentos.
Podem ser de diversas naturezas e de períodos de ativação variados: a matéria-prima é um gasto
contabilizado temporariamente como investimento circulante; a máquina é um gasto que se
transforma num investimento permanente; as ações adquiridas de outras empresas são gastos
classificados como investimentos circulantes ou permanentes, dependendo da intenção que levou
a sociedade à aquisição.

1.7 CUSTOS, DESPESAS E GASTOS.


A Contabilidade de Custos, qualquer que seja o sistema, necessita da distinção entre custos e
despesas. Teoricamente, a distinção é fácil: custos são gastos (ou sacrifícios econômicos)
relacionados com a transformação de ativos (exemplo: consumo de matéria-prima ou pagamento
de salários) e despesas bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para obtenção de
receitas e, também, são gastos que provocam redução do patrimônio (exemplo: impostos e
comissões de vendas etc.) e gastos é o termo genérico que pode representar tanto um custo
como uma despesa. Note que gasto implica desembolso, mas são conceitos distintos.

a) Custos Diretos. São os que podem ser diretamente (sem rateio) apropriados aos produtos
bastando existir uma medida de consumo (quilos, horas de mão-de-obra ou de máquinas,
quantidade de força consumida etc.). De maneira geral, associam-se produtos e variam
proporcionalmente à quantidade produzida.

b) Custos Indiretos. São os que, para serem incorporados aos produtos, necessitam da utilização
de algum critério de rateio. Exemplo: aluguel, iluminação, depreciação, salário de supervisor etc.

Na prática, a separação de custos em diretos e indiretos, além de sua natureza, leva em conta a
relevância e o grau de dificuldade de medição. Por exemplo, o gasto de energia elétrica (força) é,
por sua natureza, um custo direto, porém, devido às dificuldades de medição do consumo por
produto e ao fato de que o valor obtido por meio de rateio, em geral, pouco difere daquele que
seria obtida com uma medição rigorosa, quase sempre é considerada como custo indireto de
fabricação (CIF).

c) Custos Fixos. Custos fixos são aqueles cujo total não varia proporcionalmente ao volume
produzido. Por exemplo: aluguel, seguro de fábrica etc. Um aspecto importante a ressaltar é que
os custos são fixos dentro de determinada faixa de produção e, em geral, não são sempre fixos,
podendo variar em função de grandes oscilações no volume de produção.

d) Custos Variáveis. São os que variam proporcionalmente ao volume produzido. Exemplo:


matéria-prima, embalagem.
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e) Custos de Transformação. Representam o esforço empregado pela empresa no processo de


fabricação de determinado item (mão-de-obra direta e indireta, energia, horas de máquina etc.).
Não inclui matéria-prima nem outros produtos adquiridos prontos para consumo.

f) Custos Primários. São as somas simples de matéria-prima e mão-de-obra direta. Não são a
mesma coisa que custo direto (já que nos primários só estão incluídos aqueles dois itens. Assim a
embalagem é um custo direto, mas não primário), que é mais amplo, incluindo, por exemplo:
materiais auxiliares, energia elétrica etc.

g) Custos de Oportunidade. O quanto a empresa sacrificou em termos de remuneração por ter


aplicado seus recursos numa alternativa ao invés de em outra. Se usou seus recursos para compra
de equipamentos para a produção de sorvetes, o custo de oportunidade desse investimento é o
quanto deixou de ganhar por não ter aplicado aquele valor em outra forma de investimento que
estava ao seu alcance.

h) Materiais Diretos. São os materiais que se incorporam (se identificam) diretamente aos
produtos. Exemplo: matéria-prima, embalagem, materiais auxiliares, tais como cola, tinta, parafuso,
prego etc.

i) Mão-de-Obra Direta. Representa custos relacionados com o pessoal que trabalha diretamente
na elaboração dos produtos, por exemplo, o empregado que opera um torno mecânico. A mão-de-
obra direta não deve ser confundida com a de um operário que supervisiona um grupo de torneiros
mecânicos.

Como regra prática, podemos adotar o seguinte critério: sempre que for possível medir a
quantidade de mão-de-obra aplicada a determinado produto, é mão-de-obra direta; caso contrário,
havendo necessidade de rateio, é mão-de-obra indireta.

Na medição da mão-de-obra direta, podem surgir dificuldades e, principalmente, certos custos, que
levam as empresas a tratar gastos de mão-de-obra, que por sua natureza são diretos, como custos
indiretos. Evidentemente, o custo dos produtos ficará distorcido, cabendo à empresa um estudo de
custo - benefício para decidir qual é o tratamento mais adequado.

Há que se lembrar, ainda que o cálculo do custo da hora de mão-de-obra (quer direta, quer
indireta) deve levar em conta todos os tributos e encargos sociais, como INSS, FGTS, 13º Salário
etc., e também deve ser feito um ajuste para considerar as horas efetivamente trabalhadas e o
tempo improdutivo decorrente de férias, fim de semana remunerado, feriados etc.

j) Rateio. Representa a alocação de custos indiretos aos produtos em fabricação, segundo critérios
racionais. Exemplo: depreciação de máquinas rateada segundo o tempo de utilização - (HM) por
produto etc. Contudo, dada a dificuldade de fixação de critérios de rateio, tais alocações carregam
consigo certo grau de arbitrariedade.

A importância do critério de rateio está intimamente ligada à manutenção ou uniformidade em sua


aplicação. Devemos lembrar que a simples mudança de um critério de rateio afeta o custo de
produção e, conseqüentemente, afetará o resultado da empresa.

Algumas normas práticas, como as que apresentaremos a seguir, podem reduzir os problemas
decorrentes de rateio:

I) gastos irrelevantes não necessitam ser rateados, porque podem não justificar o trabalho
envolvido;
II) gastos cujo rateio seja extremamente arbitrário devem ser lançados diretamente contra o
resultado do exercício.
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k) CIF e FOB
CIF significa cost, insurance and freigt, ou seja, custo, seguro e frete, enquanto o FOB significa
free on board, ou seja, posto a bordo. Também é utilizado o termo FOT, que significa free on
truck, ou seja, posto no caminhão.

A diferença entre uma modalidade e outra está no fato de o preço de venda incluir ou não o valor
do frete e do seguro de transportes.

Na modalidade CIF, o valor pago pelo comprador inclui o valor da mercadoria adquirida mais o
frete e o seguro. Assim sendo, o gasto do frete e do seguro é de responsabilidade do vendedor,
que deverá entregar a mercadoria no local indicado pelo comprador.

Na modalidade FOB, o valor pago pelo comprador inclui somente o valor da mercadoria. Assim
sendo, o gasto do frete e do seguro é de responsabilidade do comprador.

A responsabilidade do vendedor está limitada a pôr a mercadoria a bordo do veículo do comprador


ou de quem este indicar para o transporte. Os gastos incorridos no transporte da mercadoria do
estabelecimento do vendedor até o estabelecimento do comprador devem ser acrescentados ao
custo da aquisição da mercadoria, para fins de determinação do valor que será incorporado ao
estoque. Exemplo:

Operação CIF FOB


Frete e seguro por conta do vendedor comprador
Valor da mercadoria 1.000 1.000
IPI recuperável 150 150
Valor total da nota 1.150 1.150
ICMS recuperável 180 180

Valor do frete pago ao transportador 80 80

Valor que o comprador incorporará ao estoque 820 900

Lançamento contábil CIF FOB


Débito Estoque 820 900
Débito IPI a recuperar 150 150
Débito ICMS a recuperar 180 180
Crédito Caixa ou fornecedores 1.150 1.230

1.8 PRINCÍPIOS E CONCEITOS CONTÁBEIS APLICADOS A CONTABILIDADE DE CUSTOS


Como a Contabilidade de Custos é uma ramificação da Contabilidade, os princípios fundamentais
de contabilidade financeira também são válidos para a Contabilidade de Custos. Entre eles,
podemos citar:

Registro Pelo Valor Original


Os ativos são registrados pelo valor de entrada (valor da nota fiscal ou custo de produção). Os
custos de produção são lançados na contabilidade pelo valor de compra para que, no balanço, os
estoques apareçam pelos valores dos custos de produção.

Realização
O lucro só é reconhecido quando da realização da receita, ou seja, quando da entrega do produto
ao cliente.

Competência e Confrontação
Esses conceitos estão relacionados ao reconhecimento das despesas.
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Pela competência, as despesas devem ser registradas no período em que elas foram incorridas.
Essas despesas estão bastante relacionadas com o período; são as despesas incorridas para a
manutenção da capacidade de obtenção de receitas. Como exemplo, podemos citar as Despesas
Administrativas, Comerciais e Tributárias.

Os custos só existirão na época da realização da receita, ou seja, enquanto o produto não for
vendido, ele ainda não é custo, é Ativo Circulante (estoques).

Pela confrontação, as despesas são especificamente ligadas às receitas e são contabilizadas no


momento da realização das receitas. Como exemplo, podemos citar o custo do produto vendido, o
custo da mercadoria vendida e a comissão de vendedores.

Consistência
Entre vários critérios que existem para se fazer o registro contábil, a empresa deve escolher um
deles e adotá-lo de forma consistente, não podendo mudá-lo em cada período. A mudança de
critério pode ser efetuada caso haja um fato relevante que justifique tal mudança.

Prudência
Na dúvida em como proceder a um lançamento contábil devemos ser cautelosos. Por exemplo: na
dúvida sobre tratar um gasto como ativo ou como despesa, devemos considerá-lo uma despesa.

Objetividade
Os itens considerados de pequeno valor (irrelevantes) não devem consumir muitos recursos da
empresa para sua apuração.

1.9 PLANO DE CONTAS NA CONTABILIDADE DE CUSTOS


Uma das fases do trabalho da Contabilidade de Custos é a acumulação (registro) dos custos, bem
como das despesas da empresa.

Acumulação de custo significa colher os dados e registrá-los de forma organizada (por meio da
classificação contábil), sistemática, para atender a alguma finalidade (em nosso caso, calcular os
custos dos produtos vendidos e o valor dos estoques).

Elenco de contas. As contas são divididas em 2 grupos:


• contas comuns ou fixas;
• contas variáveis ou específicas.

CONTAS COMUNS OU FIXAS:


Patrimônio é o conjunto dos bens, direitos e obrigações da empresa.

Bens fixos são os capitais aplicados em caráter permanente e destinados a constituir os meios de
produção, com os quais as indústrias atingem seu objetivo. Exemplo: o imobilizado.

Bens de venda são os destinados à venda. Nas indústrias, são os produtos fabricados.

Bens numerários são as disponibilidades da empresa, representadas pelo saldo em Caixa e pelos
depósitos bancários.

Bens de renda são os capitais aplicados em outra atividade que não seja o objeto da empresa.
Exemplo: investimentos. Por essa razão, os bens de renda são eventuais, podendo não existir em
muitas empresas industriais. São as contas patrimoniais, de balanço ou integrais. Exemplos; Caixa,
Contas a Receber, Estoques, Imobilizado, Contas a Pagar, Empréstimos, Capital, Lucros
Acumulados.
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Na Contabilidade Industrial, usaremos principalmente as contas de estoques:


• estoques de materiais;
• estoques de produtos em elaboração;
• estoque de produtos acabados;
• importações de materiais em andamento.

Estoques de materiais os estoques de materiais podem ser classificados em:


• materiais diretos – compreendem a matéria-prima (componente físico que sofre a
transformação, como o tecido, por exemplo) e materiais secundários (botão de um avental, por
exemplo) e embalagem;
• materiais indiretos – são os materiais empregados na fabricação do produto, mas, devido à
dificuldade de cálculo quanto à quantidade utilizada em cada produto fabricado, são
considerados materiais indiretos.

Estoque de Produtos em Elaboração. O saldo da conta Estoques de Produtos em Elaboração


representa o valor dos produtos em processo, em fabricação, os produtos que ainda não estão
acabados para serem vendidos.

Estoque de Produtos Acabados. Essa conta representa o saldo dos produtos disponíveis para
venda, em estoque, no depósito de produtos acabados da empresa.

Importações de Materiais em Andamento. Caso a indústria importe um material para uso no


processo fabril, todos os gastos incorridos na importação, tais como aquisição de moeda
estrangeira, pagamento de fretes, seguros, comissões, despesas bancárias, despesas de
desembaraço alfandegário etc., deverão ser escriturados em conta específica.
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1.10 EXEMPLO DE CONTAS DE BALANÇO


ATIVO PASSIVO
Circulante (realizável até 360 dias do Balanço) Circulante (exigível até 360 dias do Balanço)
• Disponível Fornecedores
Caixa Contas a Pagar
Bancos. Conta Movimento Salários a Pagar
Aplicações de Liquidez Imediata Promissórias a Pagar
• Créditos IPI a Pagar
Aplicações Financeiras Outros Tributos a Recolher
Duplicatas a Receber Encargos Previdenciários a Recolher
( - ) Duplicatas Descontadas Adiantamentos de Clientes
( - ) Provisão p/ Créditos de Liquidação Duvidosa Provisão para Imposto de Renda
• Outros Créditos Dividendos Propostos a Pagar
Contas a Receber Empréstimos Bancários de Curto Prazo
IPI a Recuperar
ICMS a Recuperar Não Circulante
Outros Créditos (indicar) Exigível a Longo Prazo ( acima de 360 dias)
• Estoque (A indústria aplica grandes recursos nos estoques) Empréstimos e Financiamentos
Estoque de Matéria - prima Debêntures
Estoque de Material Secundário Provisão para Imposto de Renda Diferido
Estoque de Embalagem Outros Valores Exigíveis a Longo Prazo
Estoque de Materiais Indiretos
Estoque de Produtos em Elaboração
Estoque de Produtos Acabados
Importações em Andamento
Outros Estoques (indicar)
• Despesas do Exercício Seguinte
Seguros a Vencer (a apropriar)
Assinaturas de Revistas a apropriar

Não Circulante Patrimônio Líquido


Realizável a Longo Prazo (acima de 360 dias do Balanço) Capital Social Realizado
Créditos – coligadas (transações não operacionais) Reservas de Capital
Créditos – diretores e acionistas (idem) Reserva de Ágio na Emissão de Ações
Outros valores (indicar) Reserva de Lucros
Reserva Legal
• Investimentos Reserva para Investimentos
Participações em outras empresas Reservas Estatutárias
Terrenos não de uso Ações em Tesouraria
• Imobilizado (o imobilizado também representa elevada (+ ou -) Ajustes de Avaliação Patrimonial
aplicação de recursos na indústria)
Terrenos (-) Prejuízos Acumulados
Imóveis
Máquinas e Equipamentos
Veículos
Ferramentas de longa duração
Móveis e Utensílios
( - ) Depreciação Acumulada de todos os itens
anteriores, exceto terrenos.
• Intangível (Fundo do Comércio)

Total do Ativo Total do Passivo


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CONTAS VARIÁVEIS OU ESPECÍFICAS


São as contas de resultado – receitas e despesas. Como as contas de receitas e despesas não
apresentam diferença com relação à empresa comercial, dedicaremos nossa atenção às Contas
de Custos de produção.

Contas de Custos de Produção. As contas de Custos de Produção são transitórias, pois, ao final
do período, os custos registrados são transferidos para a conta Produtos em Processo (sistemática
contábil mais usual).

Custos de Produção Produtos em Processo


MD EI
MOD Custos Produtos Prontos
CIF
____________________ ______________________
xxx xxx EF

Custos de Produção (conta sintética)

1. Custos Diretos (contas analíticas) 2. Custos Indiretos de Fabricação (contas analíticas)


Material Direto
Matéria-prima Consumida Mão-de-obra Indireta
Material Secundário Consumido Materiais Indiretos
Embalagem Aplicada no Produto Aluguel
Outros Materiais Diretos Depreciação das Máquinas
Mão-de-obra Direta Gastos de Manutenção
Salários e Ordenados Consumo de Luz (Energia Elétrica) e Água
Prêmios de Produção Gastos com Transporte do Pessoal
Gratificações Gastos com Refeitório
Férias Vigilância
13º Salário Ferramentas de Curta Duração
Contribuição Providenciaria IPTU (Imposto Predial)
FGTS Gastos com Veículos da Fábrica
Aviso Prévio e Indenização Material de Escritório
Assistência Médica e Social
Seguro de Acidente do Trabalho
Outros Encargos Trabalhistas

Os custos anteriores foram agrupados por componentes de custo. A empresa poderia agrupar os
custos por departamento. No caso apresentado, se a empresa adotar a departamentalização dos
custos, irá detalhar os custos por departamento. Exemplo:

Custos de Produção
Material Direto
Departamento de Corte
Departamento de Costura
Departamento de Acabamento

Mão-de-obra Direta Custos Indiretos de Fabricação


Departamento de Corte Departamento de Corte
Departamento de Costura Departamento de Costura
Departamento de Acabamento Departamento de Acabamento

A empresa define o plano de contas de acordo com suas necessidades para apuração de custo,
planejamento, controle e tomada de decisão.
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PROBLEMAS
1. Classifique os lançamentos a seguir em investimentos, custo, despesas, perda e desembolso:

a) Débito – Estoque de Matéria-prima (compra). Investimentos


Crédito - Fornecedores
b) Débito – Fornecedores Desembolso
Crédito - Bancos
c) Débito – Custo de Produção (mão-de-obra) Custo
Crédito – Salários a Pagar
d) Débito – Custo dos Produtos Vendidos Despesas
Crédito – Produtos Acabados
e) Débito – Perda com Materiais (conta de resultado) Perda
Crédito – Estoque de Materiais (baixa)

2. Os dados a seguir são referentes a uma empresa industrial em um dado período:

MD = R$ 200.000
MOD = R$ 300.000
CIF = R$ 400.000

Pede-se:
a) custo primário; = MD + MOD = 200.000 + 300.000 = 500.000
b) custo de transformação; = MOD + CIF = 300.000 + 400.000 = 700.000
c) custo total = MD + MOD + CIF = 200.0000 + 300.000 + 400.000 = 900.000

3. Classifique os itens a seguir em Ativo, Passivo, Custo e Despesas (no caso de custo, classifique
em diretos ou indiretos):

a) fornecedores Passivo
b) depreciação acumulada de máquinas industriais Ativo
c) materiais de escritórios consumidos na fábrica CIF
d) matéria-prima em estoque Ativo
e) salário das costureiras (fábrica de roupas) Custo direto
f) comissão dos vendedores Despesa
g) honorários do Diretor Administrativo Despesa
h) honorários do Diretor Industrial CIF
i) despesas c/ veículos da administração Despesa
j) despesas de depreciação das máquinas industriais CIF
k) consumo de energia elétrica na fábrica CIF
l) linhas utilizadas na fabricação de roupas (não há controle de consumo) CIF
m) despesas de depreciação das máquinas de escritório utilizadas na fábrica CIF
n) aluguel da área ocupada pela fábrica CIF
o) despesas de depreciação das máquinas de escritório da administração Despesa
p) salário da secretária da gerência da fábrica CIF
q) matéria-prima consumida na produção Custo direto
r) salários dos supervisores da fábrica CIF
s) embalagem usada no produto acabado Custo direto
t) custo dos produtos vendidos Despesa
u) IPI a recuperar Ativo