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CRISTOLOGIA – AULA 2

ABORDAGEM SISTEMÁTICA DA PESSOA DE JESUS CRISTO

Veremos hoje:

1. A DIVINDADE DE JESUS CRISTO

1.1 JESUS É DEUS


1.2 A AUTOCONSCIÊNCIA DE JESUS

2. A HUMANIDADE DE JESUS CRISTO

2.1 O VERBO SE FEZ CARNE


2.2 A ENCARNAÇÃO

3. A UNIDADE DA PESSOA DE CRISTO

3.1 UNIÃO HIPOSTÁTICA

4. A VIDA COM CRISTO

4.1 O PROPÓSITO PARA A HUMANIDADE


4.2 O RESGATE EM CRISTO
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1. A DIVINDADE DE JESUS

Se você acha difícil acreditar em Deus, recomendo veemente que não comece sua busca com
questões filosóficas sobre a existência e natureza de Deus, mas que inicie essa busca com Jesus de
Nazaré. John Stott.

• Cristo tem NOMES DIVINOS, ATRIBUTOS DIVINOS, realiza as OBRAS DE DEUS e é


digno de adoração.
• Jesus Cristo é a REVELAÇÃO final de Deus. (Cl 2.9)
• Em Cristo, temos duas naturezas em uma só pessoa, ou seja:
- Cristo é verdadeiramente DEUS,
- Cristo é verdadeiramente HUMANO,
- Cristo é uma só pessoa.

1.1. JESUS É DEUS

Ou Jesus é DEUS ou um MENTIROSO ou um LUNÁTICO. (Aut deus aut homo malus)

O argumento pode ser resumido como se segue:

• Ou Jesus ensinou falsidades, e por isto, era um MENTIROSO.


• Ou Jesus ensinou falsidades nas quais acreditava, e por isto, era LOUCO.
• Ou Jesus ensinou a verdade, e assim era e é DEUS.

Atanásio (296–373 d.C.) contribuiu para a doutrina da DIVINDADE DE CRISTO:

• Somente Deus é capaz de SALVAR.


- O Novo Testamento confessa Jesus como SALVADOR.
• O Arianismo afirma:
1. Nenhuma criatura pode redimir uma OUTRA CRIATURA.
2. Jesus Cristo é uma CRIATURA.
3. Jesus Cristo NÃO PODE redimir a humanidade.

McGrath apresenta um segundo argumento de Atanásio que toma por base as afirmações da Escritura:

1. Somente Deus pode SALVAR.


2. Jesus Cristo SALVA.
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3. Portanto, Jesus Cristo é DEUS.


• Jesus se tornou aquilo que somos, para que pudesse fazer de nós aquilo que ELE É.
• Os cristãos adoram e oram a JESUS CRISTO.
• - Se Jesus Cristo fosse uma criatura, seriamos culpados por adorar a criatura em vez do
Criador.
• LEX ORANDI LEX CREDENDI (a regra da oração determina a regra da fé)

Implicações da divindade de Cristo:

1. Podemos ter CONHECIMENTO REAL de Deus. (Jo 14.9).


2. A REDENÇÃO está à nossa disposição.
3. Deus e a humanidade foram RELIGADOS.

1.2. A AUTOCONSCIÊNCIA DE JESUS

• Jesus não fez nenhuma ALEGAÇÃO EXPLÍCITA e ABERTA de sua divindade.


- Existem ALEGAÇÕES. (Mt 13.41, 25.31-46; Lc 12.8,9; 15.10; Mc 2.5,7).
• A autoridade que Jesus reivindicou e exerceu é vista no que diz respeito ao sábado. (Êx 20.8-
11; Mc 2.23, 28).
• Jesus alegou possuir um RELACIONAMENTO INCOMUM com o Pai.
• Jesus alega ser UM com o Pai (Jo 10.30; 14.7-9).
• Jesus afirma sua PREEXISTÊNCIA em João 8.58.
• A autocompreensão de Jesus é encontrada em associação com seu JULGAMENTO e
CONDENAÇÃO. (Jo 19.7; Mt 26.63, 64).
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2. A HUMANIDADE DE JESUS

2.1. O VERBO SE FEZ CARNE

• A Bíblia afirma que o Verbo se fez CARNE. (Jo 1.14; 1Jo 1.1)
• Jesus tinha CORPO HUMANO, tendo nascido de mulher.
- Experimentou FOME, DOR, CANSAÇO e todas as outras sensações físicas. (Hb 2.14)
- Após sua ressurreição, ele negou que fosse um fantasma (Lc 24.38).
- Jesus experimentou EMOÇÕES.
- Ele foi TENTADO, mas NÃO PECOU (Hb 4.14-16).
• Para ser redentor, Jesus tinha de ser SANTO e INCULPÁVEL.
• A plena HUMANIDADE de Jesus Cristo é necessária para a plena REDENÇÃO do homem.

2.2. A ENCARNAÇÃO

• A encarnação envolveu a união entre DIVINDADE e HUMANIDADE.


- Aconteceu na CONCEPÇÃO de Jesus. (Mt 1.18-25, Lc 1.26-38; Is 7.14)
• A veracidade da doutrina é estabelecida nas seguintes considerações:
- Estabelece a importância da encarnação como um EVENTO SOBRENATURAL.
- É a segurança da doutrina da RESSURREIÇÃO.
- Permite uma participação tanto da FEMINILIDADE como da MASCULINIDADE na
encarnação.
• Maria não passou uma NATUREZA PECAMINOSA para Jesus. (Lc 1.35).

2.3. IMPLICAÇÕES DA HUMANIDADE DE JESUS

A doutrina da plena humanidade de Jesus tem grande significado para a FÉ e a TEOLOGIA CRISTÃ:

1. A MORTE EXPIATÓRIA de Jesus pode de fato ter proveito para nós.


2. Jesus pode realmente ter EMPATIA para conosco e INTERCEDER por nós. (Hb 4.15).
3. Jesus não só nos disse o que é a verdadeira humanidade, como também a MANIFESTOU.
4. Jesus pode ser nosso EXEMPLO.
5. A natureza humana é BOA.
6. Deus não está distante da RAÇA HUMANA.

"Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do
Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo 1.14).
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3. A UNIDADE DA PESSOA DE CRISTO

3.1. UNIÃO HIPOSTÁTICA

• A união das duas naturezas, divina e humana, em Cristo é conhecida como UNIÃO
HIPOSTÁTICA. (Jo 1.1-18; Rm 1.3-4)

A expressão “união hipostática” destaca algumas verdades importantes:

- O Filho de Deus é UMA PESSOA.


- Essa pessoa é preexistente na pessoa eterna do FILHO.
- A união das duas naturezas, “surge do fato de que elas pertencem ao FILHO
ENCARNADO”.
- Essa uma e mesma pessoa, o Filho de Deus, “é o AGENTE por detrás de todas as ações do
Senhor, o PORTA-VOZ de todas as suas Palavras e o sujeito de todas as suas experiências”.
• A presença das naturezas divina e humana em Jesus é afirmada no NOVO TESTAMENTO
(Jo 1.14; Rm 1.2-5; Fp 2.6-11; 1Tm 3.16; Hb 2.14; 1Jo 1.1-3).
• Após a ressurreição, a união hipostática permanece para SEMPRE (Mt 26.64; Jo 3.13; At
7.56).
• As duas naturezas não atuaram INDEPENDENTEMENTE.
• A iniciativa da encarnação veio de DEUS e não do homem.
• A doutrina do nascimento virginal estabelece que a humanidade de Jesus existia em sua forma
mais plena, sem PECADO ou INIQUIDADE, e marca o começo da NOVA CRIAÇÃO na
história da redenção.
• As duas naturezas em conjunto participaram plenamente na PESSOA DE CRISTO.
• A comunicação de atributos são atribuídas a JESUS CRISTO.

As duas naturezas são necessárias para a obra de redenção:

• Como mediador era necessário que Jesus fosse tanto de dignidade IGUAL AO PAI como
capaz de plena empatia com a HUMANIDADE (Fp 2.6-11; Hb 2.17-18; 1Tm 2.5).
• Ele tinha que ser HOMEM, pois era necessário que um homem fosse sacrificado, uma vez
que os homens são pecadores culpados.
• Ele precisava ser DEUS, considerando que só Deus pode sofrer e esgotar a ira infinita de
Deus.
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• Ele continua sendo HOMEM depois da ressurreição e um REPRESENTANTE e


ADVOGADO do homem.
• Cristo, exatamente como existe agora, é o objeto da nossa ADORAÇÃO.
• O objeto do nosso culto é o DEUS e homem CRISTO JESUS, mas a base sobre a qual O
adoramos é a pessoa do LOGOS.
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4. A VIDA COM CRISTO

Jesus de Nazaré foi aprovado por Deus diante de vocês por meio de milagres, maravilhas e sinais,
que Deus fez entre vocês por intermédio dele, como vocês mesmos sabem (Atos 2.22).

4.1. O PROPÓSITO PARA A HUMANIDADE

• Jesus se tornou o MODELO para todos os que quisessem aceitar seu convite para uma vida
de relacionamento restaurado com Deus.
• A característica de sua humanidade:
- Ele não tinha NENHUM PECADO que o separasse do Pai.
- Ele era totalmente DEPENDENTE do poder do Espírito Santo.
• A característica de nossa humanidade:
- Somos PECADORES LIMPOS pelo sangue de Jesus.
• A espinha dorsal da autoridade e do poder do reino encontra-se na COMISSÃO.
- O homem foi criado à imagem de Deus e posto no jardim do Éden com uma MISSÃO. (Gn
1.28)
- O soberano Deus nos pôs no COMANDO do planeta Terra. (Sl 115.16)
- Precisamos caminhar como seus REPRESENTANTES, derrotando assim o “príncipe desse
mundo”.

4.2. O RESGATE EM CRISTO

• Jesus veio para RESGATAR tudo o que fora perdido. (Gn 3.15; Lc 19.10)
• O plano de Deus para o governo do homem nunca DEIXOU DE EXISTIR. (Lc 4.6,7)
• Jesus, ao redimir o homem, RECUPEROU o que este havia perdido. (Mt 28.18,19; 16.19;
Rm 16.20)
• Embora nosso governo seja sobre a criação, o foco agora é a DESTRUIÇÃO das obras de
Satanás. (Mt 10.8).

4.3. NOSSA IDENTIDADE

“[...] porque neste mundo somos como ele” (1Jo 4.17)

A vida cristã não se encontra na cruz. Nós a encontramos POR CAUSA DA CRUZ. (Hb 12.2).
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• Jesus foi o SERVO SOFREDOR que se dirigiu à cruz, RESSUSCITOU, ASCENDEU aos
céus e foi glorificado (Ap 1.14,15).
• O Espírito Santo foi enviado a fim de que “cheguemos à maturidade, atingindo a medida da
plenitude de Cristo” (Ef 4.13).
• Ele NOS CONFORTA, DÁ DONS, NOS LEMBRA do que Jesus disse e nos revestes com
poder.
- Tudo isso é para nos tornar SEMELHANTES a Jesus.
• Jesus tornou-se pobre para que eu fosse RICO.
• Ele sofreu com chicotadas para me LIBERTAR da aflição e tornou-se pecado para que eu
pudesse ser JUSTIÇA para Deus (2Co 5.21).
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BIBLIOGRAFIA

Bíblia. Bíblia Sagrada Nova Versão Internacional. São Paulo: Vida, 2007.

BERKOF, L. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

CHAFER, L.S. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2003

ERICKSON, M.J. Introdução à teologia sistemática. São Paulo: Vida, 1997.

FERREIRA, F. e MYATT, A. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2007.

GRUDEM, W. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2011.

LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

Mc.GRATH, A. Teologia Sistemática, histórica e filosófica. São Paulo: Shedd, 2010.

OWEN, J. A Gloria de Cristo. São Paulo, PES, 1989.

PACKER, J. I. Justification, New Bible Dictionary. IVP, 1982.

STOTT, J. A Cruz de Cristo. São Paulo: Vida, 2006.

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