Você está na página 1de 19

A relação modal entre quem fala, seu discurso e o mundo (jurídico): uma

descrição da modalização e dos modalizadores e, seus principais marcadores.1

The modal relationship between the speaker, his speech and the (legal) world:
a description of modalization and modalizers and its main markers.

José Lourenço Torres Neto


Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP)
Centro Universitário Maurício de Nassau Graças Recife
proflourencotorres@yanoo.com.br

Resumo: Este artigo tem por objeto as estratégias da linguagem como forma de agir sobre
o mundo e em particular, o mundo do Direito e sua lógica. O tema trata da modalização
como marca linguística da enunciação. As questões que balizam o estudo são: o que é
modalização? Quais seus objetivos e tipos de modalizações? Aqui são apresentadas
definições simplificadas e alguns exemplos desses marcadores que no texto manifestam
desde posturas pessoais à construção da realidade social. A metodologia se fundamenta
num estruturalismo da análise do discurso a partir de uma revisão bibliográfica na obra de
M. J. Pinto para lançar as bases da compreensão das estratégias discursivas. Conclui que é
por intermédio da modalização que o enunciador inscreve no enunciado seus julgamentos e
opiniões sobre o conteúdo do que diz ou descreve, fornecendo ao interlocutor, “pistas” ou
instruções de reconhecimento do efeito de sentido pretendido, como ocorre, por exemplo, na
lógica prescritiva do Direito.

Palavras-chave: Linguagem; Linguagem jurídica; Modalização; Modalizadores.

Abstract: This article aims strategies as a way of acting on the world through language and
particularly, the world of law and its logic. The theme deals with modalization as the
enunciation’s linguistic mark. Describe the modalization and most modalizers found in
speeches. The questions that guide the study are: what is modalization? What are its goals
and types? Simplified definitions and some examples of these markers that manifest from
personal postures to the construction of social reality are presented here. The methodology
is based on a structuralism of discourse analysis to lay the foundations for understanding
discursive strategies based on a bibliographic review in M. J. Pinto’s work. Concludes that it
is through modalization that the enunciator enlists in the statement his judgments and
opinions about the content of what he says or describes, by providing, to the interlocutor,
"clues" for recognition of the effect of the meaning intended, for example, in the prescriptive
logic of Law.
Keywords: Language; Legal language; Modalization; Modalizers.

1 Introdução

O processo de comunicação, que é entendido isoladamente como uma


interação cooperativa entre indivíduos que detêm controle total e consciente das
regras a serem utilizadas e que são capazes de contribuir em pé de igualdade para
o desenvolvimento do processo, é construído ativamente. Para isso é pressuposto
entender que toda fala é uma forma de ação, o que tem muito a ver com a ideia de

1
Texto produzido com o apoio e subsídio da CAPES/PROSUP – UNICAP Recife – PE.
2

discurso como prática social. A modalização tem o papel de exprimir a posição do


enunciador em relação àquilo que diz. As modalidades são, então, definidas como
predicados que sobredeterminam outros predicados. Como o inventário das
modalidades nas línguas naturais é bastante confuso, porque os sentidos se
superpõem, é preciso utilizar um procedimento hipotético-dedutivo, para estabelecer
as modalidades de base, aquelas organizadas por procedimentos dedutivos
independentemente dos lexemas modais das línguas naturais (FIORIN, 2000).

Este trabalho tem por objeto a superfície textual como forma estratégica de
agir sobre o mundo por meio da linguagem. Parte dessa prática ativa se deve à
modalização. Assim, o tema principal deste estudo trata da modalização como
marca linguística da enunciação e busca descrever a modalização e alguns
modalizadores principais encontrados nos discursos, em seus enunciados. Nessa
descrição três questões buscarão ser respondidas: o que é modalização? Quais os
objetivos da modalização? Quais os tipos de modalizações?

Assim, o objetivo é apresentar didaticamente definições simplificadas, suas


finalidades e alguns poucos exemplos desses importantes marcadores de texto que
podem manifestar opiniões e, até mesmo, construir a realidade social, a fim de
compartilhar interdisciplinarmente essas definições com o campo do Direito. Isso,
porque, mesmo não sendo tão divulgado hodiernamente entre os operadores do
Direito, a construção da linguagem e identidade jurídica também se utiliza de
modalizadores. É importante a realização desta descrição a fim de simplificar a
apresentação do tema e disponibilizar a outros pesquisadores e operadores da
linguagem este conhecimento, por vezes de difícil acesso. Contudo, cabe ressaltar
que aqui se dará espaço àquelas modalizações voltadas para a enunciação e o
enunciado apenas. Para tanto, a referência bibliográfica principal será a obra de
Milton José Pinto, e em especial, a que tem por título: As marcas linguísticas da
enunciação (1994).

Essa revisão bibliográfica se fundamenta num estruturalismo da análise do


discurso fundamental para lançar as bases da compreensão das estratégias
discursivas. É por intermédio da modalização que o enunciador inscreve, no
enunciado, seus julgamentos e opiniões sobre o conteúdo do que diz ou descreve,
fornecendo, ao interlocutor, “pistas” ou instruções de reconhecimento do efeito de
sentido que pretende produzir. Ou seja, elas procuram descrever, explicar e avaliar
3

criticamente os processos de produção, circulação e consumo dos sentidos


vinculados aos produtos culturais (textos) criados por eventos comunicacionais na
sociedade, destacadamente a modalização.

2 A atitude do orador e sua relação com o enunciado

Partindo de uma descrição sintática, a modalização pode ser vista como “a


expressão da atitude do falante com relação ao conteúdo de seu enunciado”
(FERREIRA, 2004, p. 1344). O autor deste léxico também informa que um
modalizador, ou os modalizadores, são “elementos do discurso que indicam a
atitude do sujeito em relação ao conteúdo de seu enunciado” (FERREIRA, 2004, p.
1344). Assim, indubitavelmente a modalização pode ser vista como um fenômeno
discursivo. Nesse lócus, um sujeito falante se coloca como fonte de referências
pessoais, temporais e espaciais. Concomitantemente, o enunciador ou orador
assume uma atitude em relação ao que diz. Tal atitude pode ser evidenciada por
meio de análises dos discursos, sejam estas manifestações escritas e orais da
linguagem, que observam seus contextos.

Em outras palavras, ao interagir com o outro (um interlocutor) e com a


linguagem, os falantes escolhem recursos linguísticos e expressivos para atingir
seus objetivos numa dada situação comunicativa. Os mesmos recursos linguísticos
podem criar realidades distintas. A declaração de uma lei por um parlamentar e por
um advogado é distinta. Essa mesma lei prolatada por um juiz ganha outro “sentido”.
Já disse em outro lugar que a linguagem é um construtor de realidades. Pela
importante função de manifestar opiniões até mesmo a realidade social é construída.
A linguagem é requisito da existência do mundo circundante ao ser humano. Essa é
uma constatação a partir do ser humano e inerente à sua própria condição. Como se
verá, embora a modalização importe subjetividades, isso não implica que a realidade
seja unicamente subjetiva. Entendendo por subjetivo que a realidade dependa de
cada indivíduo. Pode-se dizer, todavia, que “o maior ou menor grau de ‘realidade’ de
um relato vai exatamente depender dos outros seres humanos”, isto é, ela vai
depender “da possibilidade de controles públicos da linguagem” (ADEODATO, 2014,
p. 21). Ou seja, tais controles públicos da linguagem determinam as realidades
individuais e sociais.
4

Logo, “a própria realidade é retórica, pois toda percepção se dá na linguagem”


(ADEODATO, 2014, p. 21). Tal afirmação leva à constatação de que a realidade
humana é um conjunto de relatos pessoais e sociais sobre o mundo como
constituintes da própria existência humana. Assim, questionar ou até mesmo crer em
uma realidade ôntica, essencial, imanente ao ser, por trás da linguagem não faz
sentido.

A linguagem é o lugar da interação humana, visto que ela permeia todos os


atos humanos, articula as relações com os outros e constitui os indivíduos enquanto
sujeitos. Essa interação social, por intermédio da língua, caracteriza-se,
necessariamente, pela qualidade da argumentação. Daí a importância dos
modalizadores.

Esses elementos modalizadores têm como função principal estabelecer a


relação do orador com o enunciado e indicar a força argumentativa dos enunciados
ao relacionar, contrapor temas, valores e crenças compartilhadas por uma
comunidade linguística. É, pois, nesse sentido que a modalização destaca-se por
indicar a orientação argumentativa dos enunciados e servir como instruções que
permitem especificar a conclusão para a qual o enunciado aponta.

3 Distância, opinião e poder na modalização.

Além da orientação argumentativa a modalização é reveladora de estratégias.


Certas escolhas na forma de uso dos enunciados podem indicar opiniões e relações
de poder. Assinala Koch (1987, p. 74) “na estruturação do discurso, a relação entre
enunciados é frequentemente projetada a partir de certas relações de modalidade,
donde se depreende a sua importância semântico-discursiva”. Ou seja, na
enunciação, o usuário da língua deixa determinadas marcas que revelam sua
intenção no evento enunciativo. Neves (2006, p. 152) indica que a modalidade é
marcada por determinados elementos linguísticos, bastante particulares e pessoais.
Ela afirma:

Do ponto de vista comunicativo-pragmático, na verdade, a modalidade pode


ser considerada uma categoria automática, já que não se concebe que o
falante deixe de marcar de algum modo o seu enunciado em termos da
verdade do fato expresso, bem como que deixe de imprimir nele certo grau
de certeza sobre essa marca.
5

Assim, a modalização “consiste em uma das estratégias semântico-


discursivas que se materializam linguisticamente e se constitui em um ato de fala
particular” (NASCIMENTO e SILVA, 2012, p. 108). Como estratégia, decorre de
escolhas pessoais para inserir o interlocutor no mundo de quem fala, embora tais
escolhas também possam ser usadas estrategicamente como forma de ocultação da
realidade. Contudo, parece que o esforço principal do uso das modalidades busca a
afirmação de quem fala numa determinada esfera social. Por isso, continua Koch, as
modalidades são:

[...] parte da atividade ilocucionária, já que revelam a atitude do falante


perante o enunciado que produz; constituem atos ilocucionários
constitutivos da significação dos enunciados, sendo motivadas pelo jogo da
produção e do reconhecimento das intenções do falante e, como os demais
atos de linguagem, classificáveis e convencionalizadas (KOCH, 1987, p.
75).

Seguindo essa perspectiva, constata-se que uma compreensão mais


abrangente da modalização deve compreender aspectos pragmáticos, o que
significa tomá-la como um retrato da atitude do produtor do texto tanto em face do
conteúdo proposicional quanto em face de seu interlocutor, conforme proposta de
Parret (1988), Miranda (2005) e Neves (2006). Essa perspectiva corrobora com
Koch acima, onde o uso dos modalizadores pode ser descrito como estratégia
linguístico-interlocutiva e, em conformidade com Parret (1988), como atos
ilocutórios.

Os modalizadores são responsáveis, portanto, por demarcar a relação que o


produtor do texto estabelece com o conteúdo do enunciado que produz com o seu
interlocutor. O produtor organiza seu texto em função de um querer dizer (KOCH,
2003) valendo-se de estratégias diversas que possam favorecer seu projeto de
dizer. As escolhas linguísticas são motivadas “pelo jogo da produção e do
reconhecimento das intenções”, reitera Parret (1988, p. 80), movimentado via
linguagem.

Continuando na questão epistemológica a respeito dos objetivos da


modalização é importante lembrar que a modalização ocorre nos enunciados
resultantes da enunciação. Como visto, a enunciação é uma atividade social. O
próprio termo enunciação refere-se à atividade social e interacional por meio da qual
a língua é colocada em funcionamento por um enunciador/emissor (aquele que fala
6

ou escreve), tendo em vista um enunciatário/receptor (aquele para quem se fala ou


se escreve). Qual o resultado dessa atividade? O produto da enunciação é
chamado de enunciado.

Logo, a modalização é a forma como o locutor marca uma distância relativa


com relação ao enunciado que produz (KOCH 2015, p. 86), ora mais próxima, ora
menos contígua. Também pode ser uma forma de (do autor) inserir no enunciado
avaliações ou pontos de vista sobre o conteúdo da enunciação ou, até mesmo,
sobre a própria enunciação (NASCIMENTO, 2009, p. 31). E ainda, criar e/ou
reproduzir pelo exercício da linguagem, em um ato de comunicação (a atividade
cooperativa entre dois sujeitos com o fim de realizar determinados objetivos),
relações de saber e poder entre emissor e receptor (PINTO, 1994, p. 28, 81). Ou
seja, o distanciamento produzido pela modalização estabelece também uma relação
de poder. Como quando um operador do Direito afirma que a norma jurídica obriga
um determinado comportamento em função de uma sanção. Na verdade alguém tem
o objetivo de determinar algo para outrem, mas ambos, em cooperação, concordam
que a linguagem modal é quem carrega tal enunciação.

Aqui o mesmo fenômeno ganha denominações diferentes. Embora distintos,


os termos modalização e modalidade mantém uma estreita relação que os torna
intercambiáveis. Alguns teóricos denominem este fenômeno de modalização outros
preferem acolher o termo modalidade. Para Lyons (1977); Cervoni (1989) e Koch
(1987) modalidade teria, de alguma forma, seu nascedouro na lógica filosófica
aristotélica pela investigação das expressões que se referem aos valores de
verdade. Por sua vez, há aqueles que entendem a modalização e a modalidade
como interdependentes, pois enquanto esta se relaciona especificamente à lógica,
aquela, ainda que não despreze o estudo filosófico, diz respeito ao que é inerente às
línguas naturais. Nestes termos, destacam-se, principalmente, Castilho e Castilho
(1993) e Neves (2006).

A este respeito, Castilho e Castilho (1993, p. 217) sinalizam que “há sempre
uma avaliação prévia do falante sobre o conteúdo da proposição que ele vai
veicular”. Assim, para que se possa tornar mais evidente as especificidades entre
estes dois termos, adota-se o que asseveram esses autores quando assinalam que
na modalidade “o falante apresenta o conteúdo proposicional numa forma assertiva
(afirmativa ou negativa), interrogativa (polar ou não polar) e jussiva (imperativa ou
7

optativa)”. Por seu turno, modalização tem sido usada quando “o falante expressa
seu relacionamento com o conteúdo proposicional”. Isto é, quando se quer
estabelecer uma relação entre quem fala e seu discurso.

Logo, os principais objetivos da modalização podem ser assim descritos: (1)


agir sobre o receptor, e, por mediação deste, sobre o mundo. (2) Tornar públicos
posições sobre os estados interiores, compromissos e avaliações a respeito dos
universos de referência em jogo descritos em seus enunciados relativamente a
critérios de verdade e de valor. E, (3) organizar seus enunciados segundo esses
interesses, criando um texto, uma sequência de enunciados encadeados adaptados
aos objetivos comunicacionais. A modalização da enunciação pode ser marcada (a)
diretamente, no interior do enunciado pelo uso de determinados elementos, ou (b)
ser inferida indiretamente a partir do contraste entre o enunciado e a situação e/ou
contexto. Como dito, esse relacionamento consiste em julgar o teor de verdade da
proposição, ou expressar um julgamento sobre a forma escolhida para verbalizar o
conteúdo da proposição.

4 Os Dispositivos da Modalização

Anteriormente foi dito que a enunciação é uma atividade social, ou seja, uma
atividade social e interacional e o enunciado é o produto da enunciação. Por sua
vez, a modalização (da enunciação) pode ser marcada. Tais marcações podem ser
feitas diretamente, ou seja, no interior do enunciado pelo uso de determinados
elementos, ou ser inferida indiretamente a partir do contraste entre o enunciado e a
situação e/ou contexto. Para identificar essas marcações cabe também descrever os
tipos de modalização. Esses dispositivos podem ser de três formas: a modalização
da enunciação, a modalização do enunciado, e, as modalidades da mensagem
(PINTO, 1994). Ressalte-se que, doravante, a maioria das informações deste tópico
(4) são de Pinto (cf. 1994, p. 81 - 126), e aqui, é feito um breve contraponto crítico.

4.1 Modalizações da enunciação

As modalizações da enunciação (como atividade social) são as operações


enunciativas que visam atender ao objetivo comunicacional, ou seja, o emissor
deseja projetar uma interação com o receptor. Por elas, o emissor utiliza seus
enunciados de texto, conscientemente ou por hábito, como instrumento para realizar
8

ações comunicativas, fortemente ritualizadas, contratadas com o receptor. Logo, por


elas o emissor poderá fazer declarações solenes, expressar sentimentos e valores
ou dar vozes de comandos, entre outras, como ocorrem nos termos religiosos e
jurídicos. Logo, são estratégias pragmáticas interrelacionais de constituição da
realidade. Os tipos de modalização da enunciação são a modalização declarativa, a
modalização representativa, a modalização declarativa-representativa, a
modalização expressiva, a modalização compromissiva e as modalizações diretivas,
que se passa a conceituar e exemplificar a seguir.

A modalização declarativa é aquela produzida por pessoas (ou instituições)


que ao fazerem uma declaração, criam ou reproduzem uma realidade; tais
declarações reproduzem fórmulas rituais. Determinados indivíduos detêm mais essa
prática devido a sua posição na sociedade, e obviamente, na confiança que o grupo
social deposita nelas. Pode-se apresentar tal modalização na declaração de um
padre ao afirmar “[...] eu te batizo” ou mesmo quando um juiz prolata uma sentença:
“eu o condeno a três anos de prisão”.

A modalização representativa ocorre quando o emissor mostra, por suas


palavras, a posição que tem sobre a verossimilhança. Também advêm de verbos de
asserção, opinião, predição, narração, concordância, etc. São expressões tais como
“Relato o que ouvi de Maria”; ou “Refuto o que você disse”. Por sua vez, a
modalização expressiva é marcada diretamente pelo uso de palavras e locuções que
exprimem afetividade e/ou valores. Por exemplo, “Gosto de te ver alegre” ou “Acho
prudente esquecermos tudo”. E ainda, “Mesmo doente, Maria foi trabalhar”.

A modalização compromissiva é observada quando o emissor assume o


papel de quem se obriga, ou seja, assume um compromisso. São compromissivas
afirmações como: “Vou visitá-lo na próxima semana”; ou “Juro que estou dizendo a
verdade”, e ainda “Se você chegar atrasada, não me encontrará”. As modalizações
diretivas, por outro lado, têm por objetivo que o receptor tenha, no futuro, o
comportamento ao qual se faz alusão. São exemplos: “Abra a porta!”. “Alguém faça
alguma coisa!”. “Silêncio!”. Observe-se que perguntas e interrogativos negativos
podem valer como afirmações. “Quem fechou a porta?” presume que alguém
fechou. Ou, “ele não ficou calado no depoimento?” indica que ele falou. É importante
notar que verbos de sentença, de isenção e de acusação, comumente usados em
procedimentos judiciais, indicam, ao mesmo tempo, modalidade diretiva, expressiva
9

e declarativa. Por exemplo: “Ordeno que se retire!”, “Eu o acuso de ter faltado com a
verdade”. Estas são as modalizações de enunciação que produzem enunciados,
seus produtos.

4.2. Modalizações de enunciados

Passemos ao entendimento a respeito das modalizações de enunciados. As


modalizações de enunciados (como produto da enunciação) compreendem o valor
que o emissor atribui aos estados que o emissor descreve ou alude em seus
enunciados ao longo de uma escala de probabilidades. Tais probabilidades
envolvem graus de: necessidade ou possibilidade, certeza ou plausibilidade,
obrigação ou liberdade, de adesão afetiva e/ou aprovação intelectual. Estas
modalizações também estão relacionadas ao grau de factualidade dos estados das
coisas descritos ou, complementarmente, ao seu grau de aparência.

Nessas modalizações ocorrem as relações lógico-semânticas entre valores


modais. Existem enunciados contrários, contraditórios (e subcontrários) e
complementares (ou subalternantes). A Fig. 1, a seguir, demonstra esse modelo de
relações lógicas (também denominado de quadro semiótico ou quadro de oposição).

Figura 1 – Relações lógico-semânticas entre valores modais. Fonte: Pinto (1994, p. 99)

Na Fig. 1 os enunciados A e E, I e O são contrários; A e O, I e E são


contraditórios, enquanto que A e I, E e O são complementares (ou subalternantes).
Diz-se que são contrárias quando as proposições (A e E) não podem ser ambas
verdadeiras, embora possam ser ambas falsas. Diz-se que duas proposições são
subcontrárias (I e O) se não podem ser ambas falsas, embora possam ser ambas
10

verdadeiras. Duas proposições são contraditórias (A e O; I e E) se uma delas for a


negação da outra, ou seja, se não puderem ser ambas verdadeiras e não puderem
ser ambas falsas. Por sua vez, é bom esclarecer que nas relações complementares
a proposição particular (I ou O) tem que ter os mesmos termos sujeito e predicado e
a mesma qualidade da universal (A ou E). Além do mais, são válidas apenas as
implicações do geral para o particular. A implicação do particular para o geral não é
válida (COPI, 1981: 147).

Alguns exemplos práticos das relações de valores podem ser vistos na Fig. 2
e comentários adiante:

Figura 2 – Exemplos de relações de valores modais. Fonte: Pinto (1994, p. 100).

No exemplo da esquerda da Fig. 2, o valor “certo” é contrário do “excluído”,


enquanto que o “plausível” é o contrário do “contestável”. Por outro lado, o “certo” e
o “contestável” e, o “plausível” e o “excluído” são valores contraditórios. Contudo, o
“certo” e o “plausível”, bem como o “contestável e o “excluído” são valores que se
complementam. E assim, para quaisquer outros sistemas de valores como no
exemplo da direita da Fig. 2 onde o valor “amor” é contrário do valor “ódio”, assim
como a “ausência de ódio” é contrária à “ausência de amor”. Por sua vez, é
contraditório que valores como o “amor” e a “ausência de amor”, e, o “ódio” e a
“ausência de ódio” sejam ambos verdadeiros. O valor “amor” se aproxima
complementarmente ao valor “ausência de ódio” gerando um estado comum de
“simpatia”, enquanto que o valor “ódio” está mais próximo do valor “ausência de
amor” para gerarem um estado comum de “antipatia”. Contudo, a correspondência
11

(oposição) complementar geralmente só é válida da premissa geral para a particular,


pois, como no exemplo, “amor” implica “ausência de ódio”, mas nem sempre
“ausência de ódio” implica em “amor” ou até mesmo “simpatia”.

Vistos estes exemplos elementares, segue uma classificação dos tipos de


modalização de enunciado. Os principais tipos de modalização de enunciado são
principalmente: a Incidência de dicto e de re, as modalidades ônticas, as
modalidades aléticas, as modalidades epistêmicas, as modalidades deônticas e as
modalidades axiológicas, também definidas e exemplificadas a seguir.

Na incidência de dicto a modalização aplica-se a todo o enunciado. Por


exemplo, quando se afirma “É possível que Pedro venha amanhã” ou “Acho provável
que Pedro venha amanhã”. Ainda, “Não é obrigatório que Pedro venha amanhã” ou
“É absolutamente necessário que Pedro venha amanhã”, as marcas modalizadoras
serão: “É possível...”, “Acho provável...”, “Não é obrigatório...” e “É absolutamente
necessário...” e como dito, modulam toda a oração. Na incidência de ré a
modalização aplica-se somente ao predicado, como nos exemplos adiante, seguindo
as mesmas proposições: “Pedro pode vir amanhã”, “Acho que Pedro talvez venha
amanhã”, “Pedro pode ou não vir amanhã” e “Pedro tem que vir amanhã”.

Já as modalizações ônticas se manifestam em enunciados com qualquer


modalidade de enunciação. São exemplos as assertivas a seguir aplicadas ao
modelo de relações lógicas da Fig. 3.

Figura 3 – Modalizações ônticas.


Fonte: Pinto (1994, p. 102).

“Maria está doente” (a)

“A doença de Maria é, provavelmente, real”. (b)

“A doença de Maria não é real” (c)

“Maria parece doente” (d)


12

As modalidades aléticas manifestam-se em enunciados cuja modalidade


enunciativa é a declarativa. Pode ser indicado por adjetivos, o modo do verbo ou
pelos verbos auxiliares modais (ter, haver, poder, dever). Como na Fig. 4:

Figura 4 – Modalizações aléticas.


Fonte: Pinto (1994, p. 105)

“O juiz precisou (teve que) condenar os três réus”. (a)

“Provavelmente o juiz condenou os três réus”. (b)

“O juiz pode (ou não) ter condenado os três réus”. (c)

“É impossível que o juiz tenha condenado os três réus”. (d)

A modalidade epistêmica manifesta-se em enunciados cuja modalidade


enunciativa é a representação. Além de adjetivos, a marca pode estar na
conjugação do verbo no indicativo seja de certeza, seja de exclusão; e, no
subjuntivo, marcas de plausibilidade e contestabilidade. Observe a Fig. 5:

Figura 5 – Modalizações epistêmicas. Fonte:


Pinto (1994, p. 107)

“Para mim, o advogado defendeu os três réus”. (a)

“Acho que o advogado pode ter defendido os três réus”. (b)

“Talvez o advogado não tenha defendido os três réus”. (c)


13

“Creio que o advogado não defendeu os três réus”. (d)

A modalidade deôntica manifesta-se principalmente em enunciados com


modalização diretiva, especialmente quando os termos descrevem modalidades
éticas. Devido ao caráter prescritivo do Direito as normas tem por modais os de
caráter deôntico (Obrigatório, Proibido, Permitido). Observem-se os exemplos a
seguir aplicados à Fig. 6:

Exemplo 1 Figura 6 – Modalizações deônticas.


Fonte: Pinto (1994, p. 108).
“Você é obrigado a ir lá hoje”. (a)
“Ninguém vai lá hoje”. (b)
“Você pode não ir lá hoje”. (c)
“Você pode ir lá hoje”. (d)
Exemplo 2

“Todos tem de estar vestidos a rigor”. (a)


“É proibido fumar”. (b)
“A contribuição para o evento é facultativa”. (c)
“É permitido fumar nos assentos traseiros”. (d)
Por sua vez, as modalidades axiológicas manifestam-se em enunciados de
modalização expressivas e nem sempre apresentam na língua valores lexicais
suficientes para cobrir todas as posições do quadro semiótico.

Os principais juízos intelectuais são de natureza: (1) Ética – bem x mal;


virtude x vício; justo x injusto; confiança x desconfiança. (2) Estética – bonito x feio.
(3) Normativa – correto x incorreto; normal x anormal; lícito x ilícito. (4) Veridictória –
verdadeiro x falso. E, (5) Prática – útil x inútil; oportuno x inoportuno; sucesso x
fracasso.

Observem-se exemplos aplicados ao quadro de relações lógicas da Fig. 7.


14

Exemplo 1
(a)Te adoro!
(b)Te odeio!
(c)Não gosto de você.
(d)Não tenho raiva de você.

Exemplo 2
(a) Ela é bonita.
Figura 7 – Modalizações axiológicas.
(b) Ele é feio. Fonte: Pinto(1994, p. 110).

(c) Ela não é bonita.


(d) Ele não é feio.
Como existe uma relação entre a modalização de enunciado e a modalização
da enunciação é possível fazer um quadro comparativo entre essas modalizações
de forma a resumi-las. O Quadro 1, a seguir, apresenta essa relação bem como
também apresenta os possíveis adjetivos (marcadores) que podem ser aplicados no
quadro semiótico.

Quadro 1 – Comparação entre as modalizações de enunciado e os tipos de enunciação.


Fonte: o Autor com base em Pinto (1994, p. 102-110).

Apesar de valiosas as informações a partir do quadro de relações lógico-


semântico ou quadro de oposições das figuras anteriores, não se deve perder de
mente que tal “quadro” serve para validar certas formas elementares de raciocínio e
seus marcadores, algumas inferências imediatas. É óbvio que uma diretiva deôntica
que proíbe certo tipo de comportamento social é uma norma, uma inferência
simples. Mas, inferências de raciocínios silogísticos exigem marcadores mais
complexos. As inferências mediatas são típicas dos silogismos, enquanto que as
15

inferências imediatas, como nos casos apresentados, são percebidas nestas


modalizações de enunciado. De logo se entenda que inferir é retirar uma conclusão
de uma ou mais premissas. No caso dos silogismos, que possuem mais de uma
premissa, a conclusão é extraída da primeira premissa, mediada pela segunda, e
assim, trata-se de uma inferência mediata. Aqui, quando se extrai uma conclusão de
uma única premissa, diz-se que a inferência é imediata. Logo, estes quadros de
relações lógico-semânticas proporcionam base para um número considerável de tais
inferências imediatas, embora existam outros tipos de inferências imediatas que
envolvem outros princípios (conversão, obversão, contrapositiva, etc.) (COPA,
1981).

4.3 Modalidades de Mensagem

Finalmente, existem as modalidades de mensagem que serão apenas


pontuadas brevemente. Os principais tipos de modalidades de mensagem são a
proposição e a predicação, a topicalização, a focalização, a impessoalização, a
redução de actantes e a hierarquização.

A proposição ou predicação são operações de organização estrutural que o


emissor aplica a algum esquema frasal abstrato (proposição - oração – sentença –
enunciados). A impessoalização usa-se em determinados contextos onde se
enuncia de forma mais ou menos distanciada, enfatizando-se uma ocorrência
“objetiva” para evitar vestígios de representação. Já a topicalização consiste na
escolha do tópico, do elemento de predicação que vai começar o enunciado.

A redução de actantes (qualquer elemento que entra no ato de comunicação


como participante (pessoa, coisa) ativo ou passivo daquilo que se indica no
predicado) é a opção de reduzir ou omitir a referência a certos actantes dos estados
de coisas descritos. Por sua vez a focalização é a operação que de acordo com a
situação e o contexto o emissor escolhe para receber ênfase ou realce. Por fim, a
hierarquização ocorre quando o emissor estabelece determinadas relações
semânticas e sintático-estruturais entre vários estados de coisas. (Justaposição –
Coordenação – Subordinação – Nominalização). Devido às limitações deste artigo,
não entraremos em mais detalhes à respeito das modalidades de mensagem (cf.
PINTO, 1994, p. 111 – 138).

5. Palavras finais
16

Do exposto anteriormente entendemos que no uso da língua, o enunciador


imprime determinados propósitos/intenções em face daquilo que diz/enuncia por
meio das modalidades que influenciam no processo comunicativo, pois estabelecem
o engajamento do enunciador na comunicação. Assim, na enunciação, o usuário da
língua deixa determinadas marcas que revelam sua intenção no evento enunciativo,
sua relação modal com o seu discurso. Dessa forma, considera-se que a
modalização se representa recorrentemente pelos propósitos comunicativos do
enunciador na situação em que a enunciação se estabelece, fazendo emergir efeitos
de sentido acerca do dito.

Percebemos, até aqui, que a literatura estabelece que a modalização se


assente em aspectos semântico-discursivos. Todavia, no processo comunicativo, é
cabível afirmar que tem efeito pragmático, pois, expressando a atitude do
enunciador, introduz a sua importância e a do contexto nas interações verbais
representadas por meio dos atos de linguagem.

Destarte, entendemos que a modalização permite que o falante assuma uma


relação mais proativa com aquilo que enuncia, ou seja, o enunciado se inscreve
numa situação proposicional representada pelo engajamento do enunciador. Dessa
forma, a modalização efetiva-se “como a marca dada pelo sujeito a seu enunciado”
(DUBOIS, 2001, p. 414), ou ainda, “os modalizadores expressam algum tipo de
intervenção do falante que qualifica o conteúdo de seu enunciado por meio de sua
validade ou das nuanças emocionais e pragmáticas” (MARTELOTTA, 2012, p. 57).
Ou seja, quem fala interfere no mundo por suas escolhas (estratégias), nas escolhas
de sua enunciação e enunciados

Então, não basta apenas reconhecer a existência da modalização nos


enunciados. Mas, sobretudo, observar quais as nuanças semântico-discursivo-
pragmáticas que se representam a partir do item modalização/modalizador presente
no enunciado e analisar, ainda que dedutivamente, quais as possíveis intenções do
enunciador e as funções exercidas por determinado modalizador no processo
comunicativo. Logo, a observação de elementos que assumem funções distintas
devido às pressões do uso e às necessidades comunicativas, ganha relevo entre os
estudos linguísticos numa dimensão funcional como foi apresentado.
17

Tal dimensão funcional ganha importância crucial na linguagem utilizada no


mundo do Direito, que se apropriando dela, a denomina de linguagem jurídica. Os
estudiosos do Direito estabelecem uma diferença entre o enunciado formulado pelos
cientistas causais e o formulado pelos estudiosos das normas. A relação causal (um
dado, o antecedente, tem o efeito de produzir o do consequente) opera no campo do
saber apofântico, enquanto a segunda opera no campo do saber deôntico.

No Direito o conectivo do modal deôntico é o verbo composto dever ser, e


serve de ligação entre o antecedente (p) e o consequente (q) de uma relação
imputativa. No mundo jurídico, a imputação se dá pela relação produzida pelas
proposições (normas) e seu consequente (cf. COELHO, 2001, p. 47 - 48), mas, o
antecedente não é a causa do consequente. A proposição de uma norma não toma
a penalidade como causa de um crime. Se couber reclusão na hipótese de homicídio
doloso, a reclusão não é o resultado do crime, mas da norma, e, a reclusão é
imputada apenas na concretização da hipótese normativa. É por isso, que a
linguagem jurídica se utiliza do conectivo deôntico dever ser. Essa escolha modal
estabelece uma esfera de realidade diferenciada. Numa ciência natural, o cientista
fala que “a água se evapora aos cem graus Célcius” (q segue p) porque há (ser)
uma relação causal. Nessa relação observa-se uma sequência “temporal” entre
causa e efeito. As normas não estão simplesmente justapostas ou tão-somente
ligadas por conectivos gramaticais. No mundo jurídico, para os estudiosos das
normas, uma diretiva normativa, uma proposição como “ocorrido o homicídio doloso
[p] deve ser a reclusão [q]”, gera uma imputação (q deve seguir p). A natureza do
dever ser é que corresponde à lógica, como organização de raciocínios, aplicada ao
Direito e isso a partir das modalizações diretivas (enunciação) e deônticas
(enunciado). Portanto, as proposições normativas não se enlaçam por operadores
conectivos meramente gramaticais, senão por operadores com função lógica. Os
estudiosos da lógica jurídica afirmam, com base no estudo das modalizações, que
são três os modais operados pelos enunciados jurídicos, quais sejam: obrigatório,
proibido e permitido. Como visto, são da lógica que se colhem os conectivos,
functores ou operadores lógicos, partículas que cumprem a função operatória de
associar as variáveis proposicionais para formar estruturas mais complexas.

Não resta dúvida, então, que o mundo jurídico é construído pelas


modalizações deônticas que levam a compreender e solucionar conflitos entre
18

normas de um mesmo sistema jurídico nacional. Embora, basicamente, a estrutura


da linguagem utilizada em todas as normas jurídicas apresenta esse mesmo
esquema sintático, concluímos que alguma variação ocorrerá no plano semântico
que o intérprete construirá sobre essa estrutura formal, ao saturar os símbolos
lógicos com as significações hauridas das fontes do Direito. Elementos que têm
como função principal estabelecer a relação do orador com o enunciado e indicar a
força argumentativa dos enunciados ao relacionar, contrapor temas, valores e
crenças e ideologias compartilhadas por uma comunidade linguística específica,
como a jurídica, onde a modalização destaca-se por indicar a orientação
argumentativa dos enunciados.

REFERÊNCIAS

ADEODATO, João Maurício. Uma teoria retórica da norma jurídica e do direito


subjetivo. São Paulo: Noeses, 2014.

CASTILHO, A. T.; CASTILHO, C. M. M. Advérbios modalizadores. IN: ILARI, Rodolfo


(org). Gramática do português falado. Vol. II: níveis de análise linguística. 2. ed.
Campinas: Editora da UNICAMP, 1993.

COPI, Irving M. Proposições categóricas. In: COPI, Irving M. Introdução à lógica. 2.


ed. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1981.

CERVONI, Jean. A enunciação. São Paulo: Ática, 1989.

COELHO, Fábio Ulhoa. Roteiro de lógica jurídica. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2001.

DUBOIS, Jean et al. Dicionário de Linguística. 15. ed. São Paulo: Cultrix, 2001.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário Aurélio da língua


portuguesa. 3. ed. Curitiba: Positivo, 2004.

FIORIN, J. L. Modalização: da linguagem ao discurso. v. 44, p.171-192. São


Paulo: Alfa, 2000.

KOCH, Ingedore G. Villaça. Introdução à linguística textual: trajetória e grandes


temas. São Paulo: Contexto, 2015.

KOCH, Ingedore G. Villaça. Desvendado os segredos do texto. 2. ed. São Paulo:


Cortez, 2003.
19

KOCH, Ingedore G. Villaça. Argumentação e linguagem. São Paulo: Cortez, 1987.

LYONS, John. Semantics. Cambridge: Cambridge University Press, 1977.

MARTELOTTA, M. E. Advérbios- conceitos e tendências de ordenação. In:


OLIVEIRA, Mariangela Rios; CEZÁRIO, Maria Maura (orgs.) Adverbiais: aspectos
gramaticais e pressões discursivas. p.13-96. Niterói: Editora da UFF, 2012.

MIRANDA, N. S. Modalidade: o gerenciamento da interação. In: MIRANDA, N. S.;


NAME, M. C. (Org.). Linguística e cognição. Juiz de Fora: UFJF, 2005. p. 171-195.

NASCIMENTO, Erivaldo P. do; SILVA, Joseli Maria da. Modalização. In:


ESPÍNDOLA. L. (org). Teorias pragmáticas e ensino. João Pessoa: Editora da
UFPB, 2012.

NASCIMENTO, Erivaldo P. do. Jogando com as vozes do outro: argumentação na


noticia jornalística. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2009.

NEVES, Maria Helena de Moura. Texto e gramática. São Paulo: Contexto, 2006.

PARRET, H. Enunciação e pragmática. Tradução de Eni Pulcinelli Orlandi et al.


Campinas: UNICAMP, 1988.

PINTO, Milton José. As marcas linguísticas da enunciação: esboço de uma


gramática enunciativa de português. Rio de Janeiro: Numam Ed., 1994.