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UNIVERSIDADE TÉCNICA DE MOÇAMBIQUE

FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÓMICAS E SOCIAIS

Disciplina: Contabilidade Financeira I

Tema: Conceitos Básicos Sobre a Contabilidade

Discente: Turma:201-Noturna A

Rivaldo Ozias Moiane

Docente: Mestre Canjara Costa

Maputo, Junho de 2020


Índice
1. Introdução ................................................................................................................................ 1

2. Fundamentação Teórica ........................................................................................................... 2

2.1. A Evolução Da Contabilidade .............................................................................................. 2

2.1.1. Evolução Histórica da Contabilidade em Moçambique .................................................... 3

2.1.2. Do Sistema das Partidas Dobradas à Teoria da Contabilidade .......................................... 3

2.2. Contabilidade ........................................................................................................................ 4

2.2.1. Conceito de Contabilidade................................................................................................. 4

2.2.2. Objectivo ........................................................................................................................... 4

2.2.3. Finalidade .......................................................................................................................... 4

2.2.4. Utentes da Informação Contabilística................................................................................ 4

2.3. Património ............................................................................................................................ 5

2.3.1. Equação Fundamental da Contabilidade ........................................................................... 6

2.3.1. O inventário ....................................................................................................................... 6

2.3.1.1. Noção e classificação...................................................................................................... 6

2.3.1.2. Balanço ........................................................................................................................... 8

2.4. A conta e os lançamentos: noção e objectivos ................................................................... 10

2.4.1. Classificação de Contas ................................................................................................... 10

2.4.2. Contas Principais e Contas Subsidiárias .......................................................................... 11

2.4.3. Regras de Movimentação de Contas ............................................................................... 11

2.5. Lançamento ........................................................................................................................ 11


2.5.1. Sequência do Trabalho Contabilístico ............................................................................. 12

2.5.2. Livros De Contabilidade.................................................................................................. 12

3. Quadro Conceptual ................................................................................................................ 13

3.1. Finalidade ........................................................................................................................... 13

3.2. Âmbito ................................................................................................................................ 13

3.3. Os Utilizadores e as Necessidades de Informação ............................................................. 14

4. Pressupostos subjacentes ....................................................................................................... 15

4.1. Base do acréscimo .............................................................................................................. 15

4.2. Continuidade das operações ............................................................................................... 15

4.3. Características Qualitativas Das Demonstrações Financeiras ............................................ 15

4.4. Princípios contabilísticos .................................................................................................... 16

5. Critérios de Valorimetria ....................................................................................................... 17

5.1. Critérios de Valorização de Entradas ................................................................................. 17

5.2. Critérios de Valorização de Saídas ..................................................................................... 17

6. Estudo do POC – Estudo do Balanço – Activos e Passivos .................................................. 17

6.1. Disponibilidades ................................................................................................................. 17

6.2. Existências .......................................................................................................................... 18

6.2.1. Fornecimentos e serviços externos .................................................................................. 18

6.3. Imobilizações ...................................................................................................................... 19

6.3.1. Métodos de amortização .................................................................................................. 19

6.3.2. Amortização segundo o método das cotas constantes ..................................................... 20


6.4. Terceiros ............................................................................................................................. 21

6.4.1. Clientes ............................................................................................................................ 21

6.4.2. Fornecedores .................................................................................................................... 21

6.5. Capital Próprio .................................................................................................................... 22

6.5.1. Capital social ................................................................................................................... 22

6.5.2. Reservas ........................................................................................................................... 22

6.5.3. Resultados transitados ..................................................................................................... 22

6.6. Gastos e Perdas ................................................................................................................... 23

6.7. Proveitos e ganhos .............................................................................................................. 23

6.7.1. Vendas ............................................................................................................................. 23

6.7.2. Prestações de serviços ..................................................................................................... 23

6.8. Resultados ........................................................................................................................... 24

6.8.1. Resultados operacionais .................................................................................................. 24

6.8.2. Resultados financeiros ..................................................................................................... 24

6.8.3. Resultados correntes ........................................................................................................ 24

6.8.5. Resultado líquido do exercício ........................................................................................ 24

6.8.6. Dividendos antecipados ................................................................................................... 24

7. Código Das Contas ................................................................................................................ 25

9. Referências ............................................................................................................................ 27
1. Introdução
A evolução da contabilidade acompanha de certa forma, a história da humanidade. Uma parte
dos autores afirma que a origem da contabilidade veio com o surgimento da escrita, já outros
levam em consideração os primórdios da civilização. No princípio, o homem tenta resolver
problemas práticos, do controle de seu património. Ao longo do tempo, passa, então, de certa
simplicidade para o desenvolvimento de uma ciência, já na Idade Moderna. Desde a
organização de uma classe de conhecedores de técnicas, a de pensadores e criadores de
conhecimentos que suportassem a relação do homem com o universo dos negócios.

Sabe-se que a humanidade, a partir do momento que teve a iniciativa de tomar conta do seu
património, utilizou-se de mecanismos rudimentares como fichas de barro e depois de
argila, para, mais adiante, utilizar-se de contas. Na idade medieval, houve certo
aperfeiçoamento, por causa das actividades comerciais, havendo a necessidade de fazer o
registo através das contas.

A contabilidade tem, ao longo da sua história, se desenvolvido para dar suporte aos anseios
dos homens em organizar e acompanhar os seus negócios. Seja na época mais remota havia a
manutenção do controle do pequeno rebanho e suas transacções comerciais ou na arrecadação
de impostos das grandes civilizações primitivas, enfim, no acompanhamento dos
empreendimentos gerados pelas navegações ou na produção de informações para os diversos
usuários sobre as modernas corporações capitalistas advindas com a revolução industrial.

Entretanto quando se pensa nessa evolução da contabilidade, já na idade moderna, geralmente


se depara com a escola europeia. Essa escola alcançou seu momento de glória através de suas
escolas de pensamento contábil, principalmente com a Italiana; porém por ter uma
natureza bastante teórica, fez com que houvesse a ascensão, mais adiante da Escola
Norte-Americana, baseada na prática e criada pelos profissionais e não por pensadores
teóricos. Esse estudo tem como objectivo observar aspectos da evolução contábil, levando em
consideração uma pesquisa bibliográfica (MARCON I e LAKATOS, 2006), evidenciando o
desenvolvimento da teoria da contabilidade, com o também citar a Escola Norte-Americana,
pelo seu legado principalmente na regulamentação das operações, através de órgãos
importantes como a FASB, órgão principal na formulação de princípios, nos Estados
Unidos e IASB (2007) representando a contabilidade internacional.

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2. Fundamentação Teórica

2.1. A Evolução Da Contabilidade


O uso de elementos contábeis remonta a 8.000 anos antes de Cristo, mostrando a necessidade
que o homem tem, desde essa época, de controlar o património. É verdade que são elementos
de uma contabilidade primitiva que aparecem de forma diferente nas diversas civilizações, por
exemplo, na forma de tábuas de barros onde eram representadas as mercadorias - 8.000 a
3.250 a.C. e as suas transacções comerciais em países como Israel, Síria, Iraque, Turquia e
Irã; a utilização de pedras entalhadas (norte da Babilónia); a utilização de conchas do mar e
ossos ou objectos similares; e o uso de um tipo de partidas dobradas na Suméria, por volta de
3.200 a.C.

No período medieval, diversas inovações na contabilidade foram introduzidas por governos


locais e pela igreja. Mas é somente na Itália que surge o termo Contabilitá. Podemos resumir a
evolução da ciência contábil da seguinte forma:

Contabilidade do mundo antigo - período que se inicia com as primeiras civilizações e


vai até 1202 da Era Cristã, quando apareceu o Liber Abaci , da autoria Leonardo
Fibonaci, o Pisano.

Contabilidade do mundo medieval - período que vai de 1202 da Era Cristã até 1494,
quando apareceu o Tratactus de Computis et Scripturis (Contabilidade por Partidas
Dobradas) de Frei Luca Paciolo, publicado em 1494, enfatizando que à teoria contábil
do débito e do crédito corresponde à teoria dos números positivos e negativos, obra
que contribuiu para inserir a contabilidade entre os ramos do conhecimento humano.

Contabilidade do mundo moderno - período que vai de 1494 até 1840, com o
aparecimento da Obra "La Contabilità Applicatta alle Amministrazioni Private e
Pubbliche" , da autoria de Franscesco Villa, premiada pelo governo da Áustria. Obra
marcante na história da Contabilidade.

Contabilidade do mundo científico - período que se inicia em 1840 e continua até os


dias de hoje.

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2.1.1. Evolução Histórica da Contabilidade em Moçambique
Pouco se sabe, ou carece de uma investigação profunda, sobre a história da contabilidade
em Moçambique, assumindo-se que o seu nascimento data de 1984 com o Plano Geral
de Contabilidade (PGC), aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros Nº 13/84
de Dezembro, o qual era de aplicação obrigatória pelas empresas sediadas no país com
excepção das que exerçam actividades nos ramos bancário e segurador que dispõem de planos
próprios. É no Plano Geral de Contabilidade (PGC) que estão contemplados os princípios de
normalização da contabilidade, existindo outra legislação que contempla o PGC,
designadamente no que respeita a: amortizações, provisões e reavaliação dos activos
corpóreos.

A internacionalização da economia, e a globalização dos negócios, suscitam a necessidade de


criação de uma linguagem contabilística comum, de interface, que permita preparar,
consolidar, e interpretar, de forma padronizada e inequívoca, conceitos, critérios
valorimétricos, e procedimentos auditorias, que emergem das boas, e tecnologicamente
modernas práticas internacionais de contabilidade e auditoria, o que levou Moçambique a ter
que adoptar as Normas Internacionais de Relato Financeiro (NIRF), baseadas na Financial
Accounting Standards Bord (FASB), a partir de 01 de Janeiro de 2010.

2.1.2. Do Sistema das Partidas Dobradas à Teoria da Contabilidade


O trabalho de Luca Pacioli marca, para a história da contabilidade, a divisão entre a
contabilidade primitiva e a contabilidade moderna (Schmidt, 2000). É nesse período que
surgem os termos débitos, créditos, lançamento de diário, razão, contas, balancete, balanços e
demonstrações de resultado e se solidifica o sistema das partidas dobradas fazendo com que a
contabilidade alcançasse o seu devido reconhecimento e contribuindo para o surgimento da
primeira escola do pensamento contábil: a Escola Contista. Ao longo do desenvolvimento da
escola italiana, várias correntes do pensamento contábil surgiram após o Contismo, como: o
Personalismo, o Neocontismo, o Controlismo, o Aziendalismo e o Patrimonialismo. Cada uma
delas deu sua contribuição para a evolução da contabilidade.

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2.2. Contabilidade

2.2.1. Conceito de Contabilidade


Contabilidade é a ciência de natureza económica cujo objectivo é a realidade económica
passada, presente e futura de qualquer entidade pública ou privada, analisada em termos
quantitativos e por método específico com o fim de obter informação económica financeiras
indispensável a gestão dessa entidade. É um conjunto de meios organizados que irão permitir a
recolha, tratamento, classificação e síntese da informação financeira.

2.2.2. Objectivo
A Contabilidade tem por objectivo registar, sistematizar e documentar os actos e fatos
de natureza económico-financeira que afectam uma organização (pública ou privada).

2.2.3. Finalidade
A finalidade da contabilidade é fornecer informações às pessoas ou entidades interessadas na
situação patrimonial (bens, direitos e obrigações) e económica (lucro ou prejuízo) da entidade,
bem como na aferição de sua capacidade produtiva.

2.2.4. Utentes da Informação Contabilística


Sócios ou proprietários – avaliam o desempenho da administração e a rentabilidade de
seus investimentos.
Investidores – avaliam os riscos e oportunidades de negócios.
Fornecedores – avaliam as condições financeiras da empresa e, assim, podem decidir
se irão fornecer mercadorias e serviços.
Clientes – avaliam se os fornecedores poderão ser os parceiros ideais.
Empregados – avaliam a continuidade da empresa, a capacidade de pagar salários,
oportunidades e condições de negociar salários, se a participação nos lucros foi
devidamente calculada etc.
Governo – importante usuário das informações contábeis, pois verifica se a empresa
está em dia com suas obrigações tributárias.
Instituições financeiras – avaliam se a entidade tem capacidade financeira e
patrimonial para realizar operações de crédito.

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Concorrentes – avaliam a capacidade financeira e de negócios de uma entidade
concorrente.
Administradores – são os que demandam por informações contábeis com maior
frequência e profundidade, já que elas subsidiam a tomada de decisões e permitem
avaliar as actividades da entidade.

2.3. Património
O Património é, pois, um elemento nuclear na preparação e interpretação de toda a informação
contabilística. Numa aproximação simplista ao conceito contabilístico de património,
poderemos dizer que comporta o conjunto de Bens Direitos, e Obrigações gerido por uma
dada organização, para a prossecução da sua missão e objectivos.

Activo - recurso controlado pela entidade como resultado de acontecimentos passados


e do qual se espera que fluam benefícios económicos futuros.
Passivo - obrigação presente da entidade proveniente de acontecimentos passados, da
liquidação da qual se espera que resulte um exfluxo de recursos da entidade.

Sendo a situação líquida dada pela diferença entre o activo e o passivo e vistas que foram
as noções destes últimos, facilmente se depreende que ela representa o conjunto de
valores que pertencem efectivamente ao proprietário da empresa, ou seja, representa os
direitos deste último sobre as propriedades da mesma. Em termos monetários, a situação
líquida ou capital próprio de um dado momento, representa o valor que o proprietário da
empresa teria direito a receber se cessasse a sua actividade, liquidando o património (do ponto
de vista contabilístico), nesse momento. Três casos podem ocorrer em dada situação
patrimonial:

O activo é superior ao passivo, havendo um excesso de valores sobre os passivos. Neste caso a
situação líquida diz-se activa. É o mais frequente e representa o capital próprio.
Esquematicamente:

A > P→ S. L. Activa; ou seja A= P + S. L. Activa

O activo e o passivo são iguais, não havendo, neste caso situação líquida, ou seja, ela é nula:

A = P → S. L. Nula; ou seja, A = P

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Por último, o activo pode ser inferior ao passivo. Neste caso existe um excesso de valores
passivos sobre os activos (deve-se mais do que se possui e se tem a receber). Logo, a situação
líquida diz-se Passiva e é considerada negativa.

A < P → S. L. Passiva; ou seja, A + S. L. Passiva = P ou: A = P → S. L. Passiva

O património de qualquer unidade económica encontra-se necessariamente numa das três


situações citadas. De todas elas o 2.º caso é o de mais difícil ocorrência, visto só
excepcionalmente coincidirem os valores de ambas as rubricas.

2.3.1. Equação Fundamental da Contabilidade


Esta expressão corresponde à Equação Fundamental da Contabilidade, que temos vindo a
estudar e que será, então:

ACTIVO + S. L. PASSIVA = PASSIVO + S. L. ACTIVA

Ou ainda

ACTIVO = PASSIVO + SITUAÇÃO LÍQUIDA ACTIVA - SITUAÇÃO LÍQUIDA


PASSIVA

Esta equação constitui o cerne de todo o trabalho contabilístico baseando-se nela o princípio
das partidas dobradas que já havíamos citado acima.

2.3.1. O inventário

2.3.1.1. Noção e classificação


O inventário consiste numa relação (rol, lista) dos elementos patrimoniais com a indicação do
seu valor. Proceder a inventariação consiste, pois, em analisar os elementos de um dado
património, descrevê-los e atribuir-lhes um valor.

Quanto ao âmbito e/ou extensão, os inventários podem classificar-se em gerais e parciais.

Um inventário diz-se geral quando abarca todos os valores que constituem um


dado património.

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Diz-se parcial quando abrange apenas alguns dos elementos patrimoniais. Ex:
inventário das existências em armazém, inventário das letras a receber, etc.

Quanto à disposição dos elementos patrimoniais e/ou ordenação, podem considerar-se simples
ou corridos e classificados ou selectivos.

No inventário simples, os elementos aparecem dispostos sem obedecer a qualquer


ordem;

No inventário classificado, os elementos aparecem agrupados, segundo a sua natureza,


característica ou função.

Quanto à apresentação, os inventários podem ser verticais e horizontais.

O inventário vertical, os elementos são dispostos verticalmente.


O inventário horizontal, os elementos são seriados em dois blocos horizontais.
Os inventários que as empresas elaboram devem ser transcritos para o livro de Inventário e
Balanços, como adiante veremos, é um dos livros obrigatórios para qualquer comerciante.

INVENTÁRIO INICIAL E CLASSIFICADO DA CHACOSE,Lda a 07-06-2020


ACTIVO
1. Meios Financeiros 250 000,00
1.1. Clientes
Clientes c/c 250 000,00 250 000,00
1.2. Outros Devedores
Devedores Diversos 350 000,00 350 000,00
2. Inventario e Activos Biologicos 165 000,00
2.1. Mercadorias
Compras a Prazo 100 000,00
Mercadorias em Armazem 65 000,00 165 000,00
3. Investimento de Capital 925 000,00
3.1. Equipamentos
3.1.1. Transporte
Veiculos 250 000,00 250 000,00
3.1.2. Basico
Mesa e Cadeira 500 000,00
Computador 75 000,00
Edificios 100 000,00 675 000,00
Total do Activo 1 690 000,00
Passivo
4. Contas a Receber, a Pagar, Acrescimos e Diferimentos 490 000,00
4.1. Fornecedores
Pagamento ao Fornecedor 30 000,00
Factura a Pagar 200 000,00 230 000,00
4.2. Emprestimos
Emprestimos Obtidos 200 000,00 200 000,00
4.3. Credores
4.3.1. Trabalhadores
Salarios a Pagar 60 000,00 60 000,00
Total do Passivo 490 000,00

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2.3.1.2. Balanço
Segundo BORGES et al. (2007), o balanço é um quadro alfanumérico que contém informação,
reportada a determinada data, acerca dos recursos que a entidade utiliza e da forma como estão
a ser financiados (pelos titulares da entidade e por terceiros).

BAPTISTA DA COSTA e ALVES (2008) definem o balanço como uma demonstração que
divulga os activos, os passivos e os capitais próprios (devidamente agrupados e classificados),
divulgando assim a posição financeira de uma empresa no fim do seu período económico.

É de notar que o balanço é constituído por bens e direitos que compõem o activo, as
obrigações que constituem o passivo e a situação líquida correspondente ao capital próprio. O
capital próprio e o passivo representam as origens de capital e o activo as devidas aplicações.

De acordo com a NCRF 1 (§33) uma entidade deve apresentar activos correntes e não
correntes, e passivos correntes e não correntes, como classificações separadas na face do
balanço. Adiante (§37) a norma determina as condições que levam a considerar um activo
como corrente:

Espera-se que seja realizado, ou pretende-se que seja vendido ou consumido, no


decurso normal do ciclo operacional da entidade;

Esteja detido essencialmente para a finalidade de ser negociado;

Espera-se que seja realizado num período até doze meses após a data do balanço;

É caixa ou equivalente de caixa, a menos que lhe seja limitada a troca ou uso para
liquidar um passivo durante pelo menos doze meses após a data do balanço.

Os elementos que não se enquadram neste âmbito podem ser considerados como ativo não
corrente (§37).

O mesmo normativo (§39) determina que um elemento deve ser considerado como passivo
corrente quando:

Se espere que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade;

Esteja detido essencialmente para a finalidade de ser negociado;

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Deva ser liquidado num período até doze meses após a data do balanço; ou

A entidade não tenha um direito incondicional de diferir a liquidação do passivo


durante pelo menos doze meses após a data do balanço.

Os restantes passivos devem ser entendidos como não correntes (§39).

BALANCO DA CHACOSE, Lda a 30-06-2020


Descrição Notas 30/jun/20
Activos não correntes
Activos tangiveis 925 000,00
Activos tangiveis de investimento 0,00
Goodwill 0,00
Activos intangiveis 0,00
Activos Biológicos
Investimentos Financeiros 0,00
Investimentos em associadas 0,00
Outros Activos financeiros 0,00
Ganhos /Perdas imputados de Associadas 0,00
Outros Activos não Correntes 0,00
Activos não correntes detidos para a venda
Activos correntes
Inventários 165 000,00
Activos biológicos 0,00
Clientes 250 000,00
Outros activos financeiros 0,00
Outros activos correntes 350 000,00
Caixa e Bancos 0,00
Total dos activos 1 690 000,00
CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVOS
Capital Social 1 200 000,00
Reservas 0,00
Resultados transitados 0,00
Outras componentes do capital próprio 0,00
Resultados Liquidos do Periodo 0,00
Interesses Minoritários 0,00
Total do capital próprio 1 200 000,00
PASSIVOS NÃO CORRENTES
Provisões
Empréstimos Obtidos
Outros passivos financeiros
Passivos por impostos diferidos
Outros passivos não correntes
PASSIVOS CORRENTES
Provisões
Fornecedores 230 000,00
Empréstimos Obtidos 200 000,00
Outros passivos financeiros 0,00
Impostos a pagar 0,00
Outros passivos correntes 60 000,00
Total dos passivos 490 000,00
Total do capital próprio e passivos 1 690 000,00

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2.4. A conta e os lançamentos: noção e objectivos
Entende-se por Método Contabilístico, o conjunto de normas e procedimentos a adoptar com o
intuito de dar a conhecer a situação económica, financeira e monetária. O elemento
fundamental do Método Contabilístico é a Conta.

Conta é uma unidade de registo contabilístico na qual se registam os bens, direitos,


obrigações, os fluxos económicos, proveitos e custos, e os resultados. Uma conta possui duas
características fundamentais, a homogeneidade (a garantia que só os elementos patrimoniais,
custos e proveitos, com características comuns se encontram nessa conta) e integralidade
(garantia que todos os elementos patrimoniais com características comuns se encontram
reflectidos na conta). Os elementos que constituem a conta são:

O Título - identifica a natureza do elemento patrimonial, do custo e do proveito.


A Extensão - permite identificar os valores dos registos nas respectivas contas.

Os requisitos essenciais a que a conta deve obedecer, são:

A homogeneidade - uma conta só deve conter os elementos que obedeçam à


característica comum que ela define. Assim, a dívida de um cliente à empresa, nunca
poderá ser registada numa conta que não indique uma dívida a receber, ou seja, a conta
em que aquela for registada deve incluir apenas os elementos que possuam a mesma
característica: valor que a empresa tem direito a receber.
A integralidade - a conta deve incluir todos os elementos que gozam da característica
comum por ela definida. Deste modo a conta Mercadorias, deverá incluir todos os tipos
de mercadorias transaccionadas pela empresa, assim como as suas variações.

Em suma, a conta deve ser homogénea e integra dado que só poderá admitir movimentos
ligados com o respeito a classe de valores, não excluindo qualquer deles.

2.4.1. Classificação de Contas


Contas de Balanço – são contas do Activo, Contas Passivo e Contas Capital Próprio
(contas identificativas do património liquido da empresa).
Contas de Demonstração de Resultados - contas de Custos e Perdas (contas que
identificam o consumo de recursos e utilização de factores produtivos), Contas de

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Proveitos e Ganhos (contas que reflectem os rendimentos gerados pelo negócio da
empresa) e Contas Resultados (contas que identificam a natureza dos lucros e prejuízos
gerados na empresa).
Contas Colectivas e Contas Divisionárias - contas colectivas, são as contas
integradoras que reúnem os movimentos ocorridos nas contas divisionárias. Contas
Divisionárias, são subcontas cuja informação é fornecida à conta colectiva, a ultima
das contas divisionárias, chama-se Conta Elementar (não admite mais subdivisões).
O registo contabilístico dos factos patrimoniais faz-se nas contas elementares
divisionárias.

2.4.2. Contas Principais e Contas Subsidiárias


Conta Principal - reflecte o apuramento dos diversos valores registados nas contas
subsidiárias.
Conta Subsidiária - conta informativa, ficará saldada aquando da sua transferência
para as contas principais.

2.4.3. Regras de Movimentação de Contas


O Método de registo contabilístico dos factos patrimoniais é o método Digráfico (ou método
das partidas dobradas), segundo o qual, o total dos movimentos a débito deverá ser igual ao
total dos movimentos a crédito. Este método traduz a equação fundamental da Contabilidade.
As contas podem ter três tipos de saldos, saldo devedor (Débito > Crédito), nulo (D=C) ou
credor (D<C).

2.5. Lançamento
Lançamento, corresponde ao registo dos factos patrimoniais nas contas, utilizando o método
Digráfico. Podemos classificar os lançamentos atendendo ao número de contas movimentadas:

Lançamentos Simples - 1 Débito corresponde a 1 Crédito;


Lançamentos Compostos - 1 Débito implica vários Créditos, vários Débitos implicam
1 Crédito ou vários Débitos implicam vários Créditos.

Podemos classificar os lançamentos atendendo à sua natureza:

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Lançamento de Abertura - são os primeiros lançamentos a serem registados na conta,
correspondem ao registo na conta;
Lançamentos Correntes - correspondem aos lançamentos que caracterizam o
negócio da empresa, sendo efectuados ao longo do exercício económico;
Lançamentos de Regularização - são os lançamentos que ocorrem no final do
exercício económico com o intuito de rectificar as contas do balanço e as
demonstrações de resultados, inserem-se nos trabalhos de fim de exercício;
Lançamentos de Apuramento de Resultados - correspondem à transferência dos
diversos resultados mediante a transferência dos respectivos proveitos e custos;
Lançamentos de Estorno - correspondem à correcção contabilística de um
lançamento anterior;
Lançamentos de Encerramento das Contas - corresponde aos lançamentos de fecho
das contas, ocorrem no final do exercício, após elaboração do balanço;
Lançamentos de Reabertura - correspondem à abertura dos saldos iniciais que
correspondem aos saldos transitados do período anterior.

2.5.1. Sequência do Trabalho Contabilístico

Lançamentos de (Re) Abertura Lançamentos Correntes Lançamentos de Regularização


Síntese Síntese

Balancete de Verificação Balancete de Resultados

Demonstração de Resultados

Lançamentos de Encerramentos Das Lançamentos de Apuramento De


Resultados
Contas
Síntese Síntese

Balancete de Encerramento Balancete Final

Balanço

2.5.2. Livros De Contabilidade


Razão - assemelha-se à conta, dá a conhecer a informação histórica da conta,
nomeadamente, os movimentos ocorridos, quer a débito quer a crédito, bem como o
respectivo saldo. Existem dois traçados de razão: clássico ou simplificado.

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Diário - corresponde ao livro da contabilidade que regista os factos patrimoniais
segundo uma sequência cronológica, tendo como vantagem a compactação dos
documentos, facilitando assim a sua consulta.
Extracto de Conta - identifica os movimentos obtidos numa conta ao longo de um
determinado período.
Balancete - é um mapa de resumo dos movimentos ocorridos ao longo de um período.
Permite de uma forma sintética identificar os movimentos, quer a débito quer a crédito,
de todas as contas, bem como os seus respectivos saldos.

3. Quadro Conceptual

3.1. Finalidade
O Quadro Conceptual estabelece os conceitos que estão na base da preparação e apresentação
de demonstrações financeiras para utilizadores externos, e tem como finalidades:

Ajudar aqueles que preparam demonstrações financeiras na aplicação do PGC - NIRF;


Ajudar os auditores a formar uma opinião sobre se as demonstrações financeiras estão
preparadas em conformidade com o PGC - NIRF;
Ajudar os utilizadores das demonstrações financeiras na interpretação da informação
incluída nas demonstrações financeiras preparadas em conformidade com o PGC -
NIRF.

Este Quadro Conceptual não é uma Norma de Contabilidade e de Relato Financeiro nem o seu
conteúdo substitui uma qualquer Norma de Contabilidade e de Relato Financeiro incluída no
PGC - NIRF. Se em alguma circunstância particular existir um conflito de entendimento entre
o presente Quadro Conceptual e uma Norma de Contabilidade e de Relato Financeiro incluída
no PGC - NIRF, a Norma prevalecerá.

3.2. Âmbito
O Quadro Conceptual aborda os seguintes assuntos:

Objectivo das demonstrações financeiras;


Características qualitativas que determinam a utilidade da informação constante das
demonstrações financeiras;

13
Definição, reconhecimento e mensuração dos elementos a partir dos quais são
elaboradas as demonstrações financeiras; e
Dos conceitos de capital e de manutenção de capital.

3.3. Os Utilizadores e as Necessidades de Informação


Investidores – as sociedades de capital de risco e os seus consultores preocupam-se
com o risco inerente e com o retorno proporcionado pelos seus investimentos e
necessitam de informação que os ajude a decidir se devem comprar, manter ou vender
esses investimentos.
Empregados – os empregados e os seus grupos representativos estão interessados em
informações sobre a estabilidade e rentabilidade das entidades para quem trabalham.
Financiadores – os financiadores estão interessados em informações que lhes
permitam determinar se os empréstimos concedidos e os respectivos juros serão pagos
na data do vencimento.
Fornecedores – os fornecedores, e outros credores comerciais, estão interessados em
informações que lhes permitam avaliar se os montantes que lhes são devidos serão
pagos na data do vencimento.
Clientes – os clientes têm interesse em informação relacionada com a continuidade de
uma entidade, especialmente quando têm um envolvimento de longo prazo com a
entidade ou estão delas dependentes.
Governos e seus departamentos – os governos e seus departamentos estão
interessados na alocação de recursos e, consequentemente, nas actividades da entidade.
Por isso, também exigem informações com o objectivo de regular as actividades das
entidades e determinar políticas fiscais, e como base para elaboração de estatísticas.
Publico em geral – As entidades afectam o público em geral de várias formas. Por
exemplo, as entidades podem ter uma contribuição significativa para a economia local
através dos empregos que criam e do suporte aos fornecedores locais.

14
4. Pressupostos subjacentes

4.1. Base do acréscimo


Para atingirem os seus objectivos, as demonstrações financeiras são preparadas na base
contabilística do acréscimo. De acordo com esta base, os efeitos das transacções e de outros
acontecimentos são reconhecidos quando ocorrem (e não quando a caixa ou seus equivalentes
são recebidos ou pagos), e são registados na contabilidade e relatados nas demonstrações
financeiras dos períodos a que dizem respeito.

4.2. Continuidade das operações


As demonstrações financeiras são geralmente preparadas no pressuposto de que a entidade tem
operado continuadamente e que continuará a operar no futuro previsível. Assim, assume-se
que a entidade não tem intenção, nem necessidade, de cessar as suas operações ou de reduzir
significativamente o seu volume. Se tal intenção ou necessidade existir, as demonstrações
financeiras podem ter que ser preparadas numa base diferente e, nesse caso, a base usada deve
ser divulgada.

4.3. Características Qualitativas Das Demonstrações Financeiras


Conjunto de conhecimentos organizados e orientados para a tomada de decisões. Possui quatro
características fundamentais:

Fiabilidade: garantia do nível de confiança das demonstrações financeiras. É, então, a


garantia que as demonstrações financeiras estão libertas de erros e/ou omissões.

Relevância: nas demonstrações financeiras estão todos os factos, são o retracto de


todos os factos patrimoniais que possam afectar a sua leitura.

Comparabilidade: permite a confrontação das demonstrações de cariz contabilístico


no espaço (com outras organizações) e no tempo (sentido evolutivo da organização).

Compreensível: deverá o utilizador da informação financeira possuir as ferramentas e


utensílios que lhe permitam extrair a informação que ele necessita para a tomada de
decisões.

15
4.4. Princípios contabilísticos
Princípio da continuidade - significa que no final do Exercício Económico as
organizações não terão a necessidade de alienar todos os seus activos, nem pagar todos
os seus passivos, nem distribuir o remanescente (caso exista) aos seus sócios
accionistas.

Princípio da consistência - significa que não é possível às organizações alternarem as


suas políticas e procedimentos contabilísticos durante a sua vida.

Princípio da especialização - diz-nos que os custos e proveitos deverão ser


reconhecidos independentemente da respectiva despesa e receita. Este princípio traduz-
se contabilisticamente através da conta 49 (acréscimos e deferimentos).

Princípio do custo histórico - os bens devem ser registados na contabilidade pelo seu
preço de aquisição (respectivo preço de compra acrescido de todas as despesas
suportadas com a sua aquisição).

Princípio da Prudência - deve reflectir na contabilidade custos destinados a fazer


face a contingências futuras, cuja ocorrência embora incerta seja provável. A reflexão
do Princípio da prudência é feita através das provisões do exercício.

Princípio da substância sobre a forma - diz-nos que a realidade do facto prevalece


sobre a sua forma legal. Isto é, embora a lei diga que, por exemplo, a propriedade de
um bem adquirido em regime de locação financeira seja da locadora, a realidade diz-
nos que quem usufrui do bem é o seu locatário, pelo que deve este registá-lo na
contabilidade como sendo seu.

Princípio da Materialidade - diz-nos que deverão estar reflectidos na contabilidade


todos os factos que possam influenciar a tomada de decisões, por parte dos diversos
utilizadores a informação financeira. A materialidade está associada ao conceito de
relevância.

16
5. Critérios de Valorimetria
Correspondem a critérios de valorimetria a forma como se procede à valorização quer das
entradas quer das saídas, dos passivos e activos.

5.1. Critérios de Valorização de Entradas


Segundo o POC, os bens e os direitos deverão ser registados pelo seu preço de aquisição e/ou
pelo seu custo de produção. Preço de Aquisição, todos os valores que estão directamente e
indirectamente relacionados com o bem, no seu acto de compra. Isto significa, que ao preço do
bem deverão ser acrescidas todas as despesas suportadas com a sua aquisição.

Custo de produção - os custos suportados e que estão associados com o processo


produtivo. Nomeadamente, o consumo de matérias-primas e subsidiárias, o consumo
de mão-de-obra directa e o consumo de gastos gerais de fabrico (energia, despesas
com conservação e manutenção dos elementos fabris, custos com o desgaste dos
elementos fabris).

5.2. Critérios de Valorização de Saídas


Os bens devem ser retirados da contabilidade pelo seu preço de aquisição e/ou pelo seu custo
de produção. No entanto no caso em que ocorram lotes de activos com diferentes valorizações
devemos atender entre outros a um dos 3 critérios seguintes:

FIFO (First In First Out);


LIFO (Last In First Out); e
CMP (Custo Médio Ponderado).

6. Estudo do POC – Estudo do Balanço – Activos e Passivos

6.1. Disponibilidades
Entendem-se por Disponibilidades o conjunto de activo com maior liquidez nas empresas, isto
é, cuja conversão em meios monetários é imediata ou quase imediata. As disponibilidades
dividem-se e subdividem-se em:

17
Meios Líquidos
Aplicações Periódicas

6.2. Existências
Nesta classe de contas englobam-se os activos que caracterizam o objecto social da empresa,
estando decomposta nas seguintes contas:

Compras
Mercadorias
Produtos Acabados e Intermédios
Subprodutos, Desperdícios, Resíduos e Refugos
Produtos e Trabalhos em Curso
Matérias-primas Subsidiárias e de Consumo
Adiantamento por conta de Compras
Regularização de Existências
Provisões para Depreciação de Existências
Os inventários devem ser mensurados pelo custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o
mais baixo. O custo dos inventários deve incluir todos os custos de compra, custos de
transformação e outros custos necessários para colocar os inventários no seu local e condições
actuais.

6.2.1. Fornecimentos e serviços externos


Registam-se nesta conta as aquisições de bens de consumo não duradouros e não destinados a
venda, e a aquisição de serviços prestados por terceiros. Os bens duradouros (que se destinam
a permanecer ao serviço da entidade por períodos superiores a 1 ano), não destinados a venda,
são em regra registados na Classe 4, e sejam enquadráveis nas subcontas da conta 63. Os bens
adquiridos destinados à venda, produção ou prestação de serviços, são registados na conta 21 -
Compras.

18
6.3. Imobilizações
Nesta classe de contas registam-se os activos cujo grau de permanência é superior a um ano,
possuindo estes bens e direitos uma utilidade económica, isto é, uma vida útil superior a um
ano. Podemos classificar as Imobilizações em:

Imobilizações corpóreas – são os bens palpáveis, isto é, com expressão física,


compreendendo entre outros os terrenos e recursos naturais, os edifícios e construções
afectas à exploração, as máquinas e equipamentos básicos, os equipamentos de
transporte ou rolantes, ferramentas e utensílios e equipamentos administrativos.

Imobilizações Incorpóreas – despesas de carácter plurianual, compreendem entre


outras as despesas de instalação, isto é, despesas com a constituição da sociedade, as
despesas de investigação e desenvolvimento, as despesas com a propriedade industrial
e com a certificação da qualidade, e despesas com trespasse de estabelecimento
comerciais.

6.3.1. Métodos de amortização


Existem dois métodos de amortização a conhecer:

Método Directo
Métodos Indirecto
No Método Directo as amortizações são registadas nas respectivas contas dos bens
amortizáveis, ou seja, as amortizações são abatidas directamente no valor do bem.

No método Indirecto as amortizações acumuladas são registadas separadamente nas próprias


contas de amortizações, mantendo os valores de aquisições de activos imobilizados inalterados
durante toda a sua vida útil.

Para proceder ao cálculo da amortização é necessário conhecer as seguintes definições:

Valor amortizável: valor do bem sujeito à depreciação, valor de base de cálculo da


amortização;

Vida útil: é o tempo ou o número de unidades de produção estimados para utilização


do bem na entidade

19
Taxa de depreciação: Percentual mensal ou anual aplicado sobre o valor amortizável,
que varia de acordo com a vida útil estimada.

Valor residual: é o valor estimado do bem no final da sua vida útil.

Valor contabilístico: é o valor pelo qual o bem está reconhecido no balanço, ou seja,
valor de aquisição do bem menos as amortizações acumuladas.

6.3.2. Amortização segundo o método das cotas constantes


Método das quotas constantes (linear): é o mais recomendável para as entidades e
consiste em dividir o valor da aquisição activo amortizável pela sua vida útil estimado.
Considera-se um activo disponível para amortização depois que estiver concluído o
processo de aquisição, ou seja, depois que, todos os custos de aquisição e as suas
respectivas despesas adicionais estiverem associados ao bem.

Formulas:

Amortização do Exercício (Ano) =

Amortização Mensal (Mês) = /12

Amortização Acumulada = Amortização do ano/mês 1+2+3……N

Valor Contabilístico = Valor de aquisição – Amortização Acumulada

Taxa de Amortização =

Vida útil estimada = x 100

Exercício de aplicação

No dia 10-05-2019 fez-se uma aquisição de um computador HP, core i3, no valor de
51.277,78 para uso no escritório. Cuja sua amortização iniciou no dia 01-06-2019.

20
MAPA DE AMORTIZAÇÃO- MÉTODO INDIRECTO

Mapa do Calculo da Amortizacao - Computador


Ano Valor de Aquisicao Amortizacao Anual Amortizacao Acumulada Valor Contabilistico
0 - - - 51 277,78
1 51 277,78 5 127,78 5 127,78 46 150,00
2 51 277,78 5 127,78 10 255,56 41 022,22
3 51 277,78 5 127,78 15 383,33 35 894,45
4 51 277,78 5 127,78 20 511,11 30 766,67
5 51 277,78 5 127,78 25 638,89 25 638,89
6 51 277,78 5 127,78 30 766,67 20 511,11
7 51 277,78 5 127,78 35 894,45 15 383,33
8 51 277,78 5 127,78 41 022,22 10 255,56
9 51 277,78 5 127,78 46 150,00 5 127,78
10 51 277,78 5 127,78 51 277,78 0,00

6.4. Terceiros
Nesta classe devem ser consideradas as contas representativas de dívidas a receber ou a pagar
pelo fundo, resultante de operações realizadas com terceiros e ainda não recebidas ou pagas.
Também serão de considerar nesta classe as provisões acumuladas representativas de riscos e
encargos diversos e os ajustamentos de dívidas a receber.

6.4.1. Clientes
Esta conta regista todos os movimentos correntes efectuados pela empresa com os seus
clientes, isto é, todas as dívidas dos mesmos que não estejam representados por letras ou
outros títulos a receber.

Debita Credita
Existência Inicial Pagamentos dos clientes Saques de letras
Facturas Emitidas N/ Notas de Crédito
N/ Notas Débito (...) Transf. p/ Cobranças Duvid. (...)

6.4.2. Fornecedores
Inclui os débitos aos fornecedores provenientes de bens e/ou serviços adquiridos pela
empresa que não estejam representados por letras ou outros títulos a pagar.

Pagamentos Existência Inicial


Notas Crédito de Fornec. Compra a Prazo de Bens e Serviços
Aceite de Letras Notas de Débitos de Fornec.
Anulação Adiantamentos (...) Anulação de Letras

21
6.5. Capital Próprio
A classe 5 representa os fundos aplicados pelos sócios ou proprietários e os resultados
não levantados ou distribuídos (que irá constituir as reservas e os resultados
transitados).

Esta classe destina-se a registar as operações referentes ao capital próprio da entidade,


incluindo o resultado líquido do período e outras operações que configurem alterações
no capital próprio e que se enquadrem no conceito de resultado total ou integral. Inclui,
também, as transacções com detentores de capital próprio agindo na sua capacidade de
detentores de capital próprio (tais como contribuições de capital, reaquisições de
instrumentos de capital próprio da entidade e dividendos) e os custos de transacção
directamente relacionados com tais transacções.

6.5.1. Capital social


O capital social é uma massa patrimonial que integra o capital próprio e a sua
importância prende-se, fundamentalmente, com a autonomia financeira de uma
empresa.

6.5.2. Reservas
Reservas livres – As reservas livres, tal como as reservas legais, (embora
obrigatórias) e as estatutárias (igualmente obrigatórias, caso sejam impostas nos
pactos sociais), resultam sempre de uma decisão de aplicação dos resultados
positivos obtidos no exercício ou transitados, tomada em assembleia-geral de
acordo com o Código das Sociedades Comerciais

Reserva legal – de acordo com o Código das Sociedades Comerciais é


obrigatória a constituição de uma reserva legal. A reserva legal consiste em
reservar cinco por cento dos lucros até perfazer 20 por cento do capital social da
sociedade. A constituição da reserva legal não significa que esse montante em
dinheiro tem de estar cativo numa conta da empresa. Trata-se apenas de lucros
que não podem ser distribuídos.

6.5.3. Resultados transitados


A rubrica resultados transitados inclui todos os resultados, lucros ou prejuízos que vão
sendo acumulados ao longo dos exercícios. No que respeita aos lucros, acumula aqueles
22
que não foram distribuídos aos accionistas ou sócios, podendo, contudo, vir ainda a
serem distribuídos.

6.6. Gastos e Perdas


Constituem gastos e perdas os sacrifícios ou aplicação de bens/serviços que a empresa
realize durante a sua actividade normal (operacional) com o objectivo de produzir
rendimentos (receitas). Também fazem parte desta classe, as perdas e prejuízos
eventuais que possam ter lugar durante o exercício. Tanto os gastos como as perdas
reduzem o valor do património.

6.7. Proveitos e ganhos


Nesta classe incluem-se as contas que registam os proveitos e os ganhos imputáveis ao
período, normais ou eventuais. A sua estrutura reflecte a natureza dos proveitos e
ganhos e, em cada uma das contas, o tipo de operação que esteve na sua origem,
permitindo apurar os resultados quer pela sua natureza, quer em função da categoria de
activos ou compromissos que os originaram.

6.7.1. Vendas

As vendas, representadas pela facturação, devem ser deduzidas do IVA e de outros


impostos e incidências nos casos em que nela estejam incluídos.

6.7.2. Prestações de serviços


Esta conta respeita aos trabalhos e serviços prestados que sejam próprios dos objectivos
ou finalidades principais da empresa. Poderá integrar os materiais aplicados, no caso de
estes não serem facturados separadamente.

A contabilização a efectuar deve basear-se em facturação emitida ou em documentação


externa (caso das comissões obtidas), não deixando de registar os proveitos
relativamente aos quais não se tenham ainda recebido os correspondentes comprovantes
externos.

23
6.8. Resultados
De acordo com as Notas de Enquadramento do novo Código de Contas criado pela
CNC - Comissão de Normalização Contabilística no âmbito da aplicação das Normas
Internacionais de Contabilidade, a Classe 8 (Resultados) destina-se a apurar o Resultado
Líquido do Período, podendo ser utilizada para auxiliar à determinação do resultado
extensivo, tal com consta na Demonstração das Alterações no Capital Próprio.

6.8.1. Resultados operacionais


Destina-se a concentrar, no fim do exercício, os custos e proveitos registados,
respectivamente, nas contas 61 a 68 e 71 a 76, bem como a variação da produção.

6.8.2. Resultados financeiros


Recolhe os saldos das contas 69 e 78.

6.8.3. Resultados correntes


Esta conta, de utilização facultativa, agrupará os saldos das contas 81 e 82. Ainda que
não seja utilizada, tais resultados estão evidenciados nas demonstrações adoptadas.

6.8.4. Imposto sobre o rendimento do exercício

Considera-se nesta conta a quantia estimada para o imposto que incidira sobre os
resultados corrigidos para efeitos fiscais, por contrapartida da conta 44 Estado e outros
entes públicos - Imposto sobre o rendimento.

6.8.5. Resultado líquido do exercício


Esta conta recolhe os saldos das contas anteriores.

6.8.6. Dividendos antecipados


Esta conta é debitada, por crédito da conta Accionistas (sócios), pelos dividendos
atribuídos pelo órgão deliberativo, de acordo com os estatutos, antes do apuramento
final de resultados.

Será creditada, por contrapartida de 88 Resultado líquido do exercício, aquando da


atribuição dos resultados.

24
7. Código Das Contas
As contas no POC aparecem classificadas em categorias que se encaixam umas nas
outras. Os autores do plano adoptaram a classificação decimal a qual facilita a utilização
de processos informáticos.

Como se referiu, o conjunto de todas as contas está dividido em 10 classes, que são
designadas pelos números 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0. Introduziu-se o 0 em vez de 10
porque sendo um só algarismo torna-se mais fácil o trabalho informático. Estas classes
são, por sua vez, subdivididas em contas de 1.º grau representadas por um número que
vai de 1 a 9, colocado à direita do número da classe. Assim, a conta 12 designa a conta
de 1.º grau n.º2 da classe 1.

As contas de 1.º grau são por seu turno, subdivididas em contas de 2.º grau
representadas por um terceiro algarismo de 1 a 9, colocada à direita dos precedentes.
Assim, a conta 132 será a conta de 2.º grau n.º2, pertencente à conta de 1.º grau n.º3, a
qual pertence, por sua vez, à classe n.º1.

Ainda, as contas de 2.º grau são divididas em contas em contas de 3.º grau designados
por um quarto algarismo colocado à direita dos três outros e assim sucessivamente. Por
exemplo, a classe n.º6 compreende as contas de 1.º grau n.º61, 62, 63, ... , 69. Na conta
63 (1.º grau) encontramos as contas 631, 632, ...de 2.º grau. Na conta 631 (de2.º grau)
encontramos as contas 6311,6312, ... de 3.º grau.

Na prática nem sempre o grau de uma conta corresponde a 1 só digito. De facto, quando
dentro de determinado grau se preveja a existência duma certa quantidade de contas,
deverão reservar se os dígitos necessários para cobertura do número máximo de contas
previstas. Assim, uma empresa que tenha, em média, uma centena de clientes, deverá
reservar para o código do cliente um número não inferior a 3 dígitos. A estrutura para
clientes poderia ser:

Código: 411 xxx


Em que: classe 4 - Terceiros
Conta de 1.º grau 41 - clientes
Conta de 2.º grau 411 - clientes c/c
Conta de 3.º grau 411 xxx (clientes n.º xxx), e assim sucessivamente.
25
8. Conclusão

A contabilidade surgiu da busca dos seus usuários (administradores, comerciantes,


banco, credores, entre outros) em controlar o seu património, buscando mecanismos que
pudessem evidenciar o modelo evolutivo e de previsão dos negócios, ou mesmo
servindo como também para prestação de contas.

Sua evolução remonta a idade antiga, através da contribuição deixada pelos persas,
fenícios, gregos, egípcios, romanos, entre outros. Cada um deles contribuiu com
factores históricos relevantes, apresentando a humanidade um sistema de controlo de
seus recursos através do registo contábil. O desenvolvimento da contabilidade
acompanhou o crescimento na complexidade dos negócios ao longo dos tempos, desde
o simples acompanhamento do rebanho, com as suas transacções típicas de compra e
venda, a revolução comercial que exigiu um aperfeiçoamento desse registo e pela
revolução industrial marcada pela forma de produzir e captar recursos ao divulgar
informações cada vez mais representativas e transparentes.

Para isso a contabilidade desenvolveu uma linguagem própria que através de um


complexo sistema de registo, validação, mensuração e evidenciação produz informação,
voltada para um número cada vez maior de usuários. Mas, é certo que, a actividade
comercial evoluiu e foi por isso que surgiu o método das partidas dobradas,
aperfeiçoado por Luca Pacioli. Chegou-se, então, a uma escrituração qualitativa através
do débito e crédito, porém, faltava ainda oferecer à contabilidade as características de
uma ciência.

Até o início do século XX, apesar da produção dos pensadores europeus, a


contabilidade estava focada na escrituração e na profissionalização, porém, depois da
década de 30, principalmente influenciado pela quebra da bolsa de valores, a Ciência
Contábil evoluiu com a contribuição da Escola Norte-Americana. São várias as
contribuições dessa escola, principalmente a busca por princípios, que alicerça todo o
arcabouço de conhecimento, e a transparência na evidenciação das informações para os
usuários que passou a atender, além do fortalecimento da teoria da Contabilidade. Com
as frenéticas mudanças que se dá no mundo actual, a ciência contábil será exigida, cada
vez mais, a dar soluções e suporte para o entendimento dos negócios que surgem no
mundo.
26
9. Referências
FINANCIAL ACCOUNTING STANDARDS BOARD. Disponível em: www.fasb.org.
Acesso em: 29 mar 2007.

HENDRIKSEN, Eldon S.; BREDA, Michael F. Van. Teoria da Contabilidade. São


Paulo: Atlas, 1999.

INTERNATIONAL ACCOUNTING STANDARDS BOARD. Disponível em:


www.iasb.org. Acesso em: 29 mar 2007.

IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARION, José Carlos. Introdução à Teoria da


Contabilidade. São

IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade. 7ª. Ed. São Paulo: Atlas, 2004.

IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu, CARVALHO, L. Contabilidade: aspectos


relevantes da epopéia de sua evolução. Revista de Contabilidade e Finanças, vol.2, n.38,
mai/ago 2005.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Técnica de pesquisa:


planeamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração,
análise e interpretação de dados. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2006.

Paulo: Atlas, 2001. KAM, Vernon. Accounting theory. 2nd. ed. New York: John Wiley
& Sons, 1990.

Plano Oficial de Contabilidade, Decreto 70/2009 de 22 de Dezembro.

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