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Direito Constitucional p/ Magistratura Estadual 2019 (Curso Regular)

Felipo Livio Lemos Luz


Felipo Livio Lemos Luz
DIREITO CONSTITUCIONAL
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Teoria e Questões
Prof. Felipo Luz

DIREITO CONSTITUCIONAL

Sumário
Sumário .................................................................................................. 1
1 – CONTROLE DIFUSO ........................................................................... 3
1.1 – Introdução .................................................................................... 3
1.2 – Ação civil pública como instrumento de controle de constitucionalidade 3
1.3 – Cláusula de reserva de plenário ....................................................... 3
1.4 – Suspensão da execução da lei pelo Senado (art. 52, X, CR) ................ 7
2– CONTROLE CONCENTRADO-ABSTRATO ................................................. 10
2.1 – Noções introdutórias .................................................................... 10
2.2 – Ação Direta de Inconstitucionalidade e Ação Declaratória de
Constitucionalidade .............................................................................. 10
2.2.1 – Introdução ............................................................................... 10
2.2.2 – Peculiaridades da ADI e da ADC .................................................. 12
2.2.3 – Peculiaridades da ADI e da ADC .................................................. 14
2.2.4 – Objeto da ADI e da ADC ............................................................ 16
2.2.4.1 – Quanto à natureza (a essência) do objeto ................................. 16
2.2.4.2 – Quanto ao aspecto temporal do objeto ...................................... 19
2.2.4.3 – Quanto ao aspecto espacial do objeto da ADI e da ADC .............. 20
2.2.5 – Participação do Procurador-Geral da República ............................. 21
2.2.6 – Participação do Advogado-Geral da União .................................... 21
2.2.7 – A tutela cautelar na ADI e na ADC e seus efeitos .......................... 22
2.2.8 – Efeitos da decisão de mérito na ADI e na ADC .............................. 24
2.3 – Arguição de descumprimento de preceito fundamental ..................... 28
2.3.1 – Introdução ............................................................................... 28
2.3.2 – Definição de preceito fundamental .............................................. 29
2.3.3 – Peculiaridades da ADPF .............................................................. 30

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2.3.4 – Legitimidade para a propositura de ADPF ..................................... 31


2.3.5 – Objeto ..................................................................................... 31
2.3.5.1 – Quanto à natureza (a essência) do objeto ................................. 32
2.3.5.2 – Quanto ao aspecto temporal do objeto ...................................... 34
2.3.5.3 – Quanto ao aspecto espacial do objeto ....................................... 34
2.3.6 – A medida liminar na ADPF e seus efeitos ...................................... 35
2.3.6 – Efeitos da decisão de mérito na ADPF .......................................... 36
Legislação .............................................................................................. 37
Resumo ................................................................................................. 40
QUESTÕES COMENTADAS ........................................................................ 47
QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS................................................................ 69

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CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
1 – CONTROLE DIFUSO

1.1 – Introdução

O controle difuso, como visto, é aquele exercido por qualquer juiz ou


tribunal (norte-americano). Não há ação específica para realizá-lo, sendo feito
incidentalmente nas ações processuais regulares.

1.2 – Ação civil pública como instrumento de controle


de constitucionalidade

Não há, a priori, vedação à utilização de ação civil pública


para a realização do controle de constitucionalidade
de uma lei. Todavia, para que uma ação civil
pública possa ser admitida como instrumento de controle de
constitucionalidade, a inconstitucionalidade deve ser apenas fundamento
do pedido, questão incidental ou a causa de pedir, e não o pedido em si, que
tem de ser de efeitos concretos.
Caso contrário, a ACP seria utilizada como uma espécie de ADI, o que
significaria usurpação da competência do STF, hipótese em que seria cabível
Reclamação junto ao próprio STF, para que ele pudesse restabelecer sua
competência. A esse respeito, ver os seguintes julgados: REsp 557.646, REsp
294.022 e RE 227.159.
Num deles, o MP ajuizou ACP requerendo o fechamento dos
Bingos, com causa de pedir baseada na
inconstitucionalidade do decreto que autorizava o
funcionamento. O Tribunal entendeu que não houve
usurpação da competência do STF, em virtude da concretude dos efeitos
pedido.

1.3 – Cláusula de reserva de plenário

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A cláusula de reserva de plenário (ou regra do “full bench”1) é o item mais


cobrado em concursos dentro do tema controle difuso. Está prevista no art. 97
da CR:
Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros
ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais
declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder
Público.

O nome “reserva de plenário” se deve ao fato de que determinadas


competências, como a declaração de inconstitucionalidade, são reservadas
ao pleno ou ao órgão especial do tribunal (art. 93, XI, CR), não podendo
ser exercidas por órgão fracionário (câmara ou turma). Algumas competências
do pleno podem ser delegadas ao órgão especial, que nesses casos fará as
vezes do pleno:
Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal
Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os
seguintes princípios: (...)
XI – nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores,
poderá ser constituído órgão especial, com o mínimo de onze e o
máximo de vinte e cinco membros, para o exercício das atribuições
administrativas e jurisdicionais delegadas da competência do
tribunal pleno, provendo-se metade das vagas por antiguidade e a
outra metade por eleição pelo tribunal pleno; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Pleno é o tribunal todo. O tribunal terá órgão especial quando


possuir mais de 25 julgadores. Maioria absoluta é
mais de 50% dos membros (lembre-se: maioria
relativa é mais de 50% dos presentes). No caso do
STF, o número de Ministros do Pleno para a declaração de inconstitucionalidade
da lei é seis, pouco importando o número de presentes. O órgão especial pode
ter entre 25 e 11 membros. Se tiver 25, somente poderá declarar
inconstitucional a lei com 13 votos.
A cláusula de reserva de plenário só é exigida nos tribunais. O juiz de 1º grau
é órgão monocrático, não se submetendo a ela. No âmbito das turmas
recursais não é necessária a observância da reserva de plenário, pois não se
trata de tribunal.

1
Em tradução livre, “tribunal cheio”, “tribunal completo”.

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A CR exige a reserva de plenário para declarar a inconstitucionalidade de lei


ou ato normativo, mas não para declarar a constitucionalidade, podendo
o tribunal fazê-lo através de seu órgão fracionário.
Como visto, no Brasil, a inconstitucionalidade superveniente não é
tratada como inconstitucionalidade, mas como hipótese de não recepção.
Assim, no caso de normas pré-constitucionais (anteriores à CR), não é
necessária a observância da cláusula de reserva de plenário.
Na prática, a reserva de plenário ocorre da seguinte
forma: o indivíduo ajuíza demanda questionando,
na causa de pedir, a constitucionalidade de
determinada lei. O Juiz, incidentalmente, afasta a aplicação
da lei, por considerá-la inconstitucional. Quando a apelação chega ao tribunal, é
necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. No TJ, se a
Câmara entender que a lei é constitucional, prossegue no julgamento do
processo e acata o pedido. Caso entenda inconstitucional, profere acórdão
submetendo a questão ao pleno ou ao órgão especial:
Art. 948. Arguida, em controle difuso, a inconstitucionalidade de
lei ou de ato normativo do poder público, o relator, após ouvir o
Ministério Público e as partes, submeterá a questão à turma ou à
câmara à qual competir o conhecimento do processo.
Art. 949. Se a arguição for:
I - rejeitada, prosseguirá o julgamento;
II - acolhida, a questão será submetida ao plenário do tribunal ou
ao seu órgão especial, onde houver.
Parágrafo único. Os órgãos fracionários dos tribunais não
submeterão ao plenário ou ao órgão especial a arguição de
inconstitucionalidade quando já houver pronunciamento destes ou
do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão.
Art. 950. Remetida cópia do acórdão a todos os juízes, o
presidente do tribunal designará a sessão de julgamento.
§ 1o As pessoas jurídicas de direito público responsáveis pela
edição do ato questionado poderão manifestar-se no incidente de
inconstitucionalidade se assim o requererem, observados os prazos
e as condições previstos no regimento interno do tribunal.
§ 2o A parte legitimada à propositura das ações previstas no art.
103 da Constituição Federal poderá manifestar-se, por escrito,
sobre a questão constitucional objeto de apreciação, no prazo
previsto pelo regimento interno, sendo-lhe assegurado o direito de
apresentar memoriais ou de requerer a juntada de documentos.

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§ 3o Considerando a relevância da matéria e a representatividade


dos postulantes, o relator poderá admitir, por despacho
irrecorrível, a manifestação de outros órgãos ou entidades.

Importante ressaltar: o que será submetido ao pleno ou


órgão especial é apenas a inconstitucionalidade
em tese (em abstrato) da norma, assim como faz
o STF em ADI. Não é realizado, nessa etapa, o julgamento do caso concreto.
Proferida a decisão pelo plenário, os autos são remetidos de volta para a
Câmara, que julgará o pedido, procedente ou improcedente, partindo, todavia,
da premissa: a lei é constitucional ou inconstitucional, conforme o resultado do
julgamento.
A decisão do pleno ou órgão especial servirá como leading case para
questionamentos idênticos dentro do mesmo tribunal, não sendo a mesma
questão remetida novamente ao pleno. O mesmo ocorrerá se já houver decisão
no mesmo sentido do plenário do STF:
Parágrafo único. Os órgãos fracionários dos tribunais não
submeterão ao plenário ou ao órgão especial a arguição de
inconstitucionalidade quando já houver pronunciamento destes ou
do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão.

A decisão do STF, nesse caso, é a proferida no controle difuso (com efeito


inter partes). Se já houver decisão com efeito erga omnes e vinculante
(controle abstrato), não haverá processo discutindo a lei, pois ela já não
poderia mais ser aplicada.
A Súmula Vinculante nº 10 determina que quando o Tribunal deixa de aplicar
uma lei, no todo ou em parte, mesmo que não a tenha expressamente
declarado inconstitucional, viola a cláusula de reserva de plenário:
Súmula Vinculante 10 - VIOLA A CLÁUSULA DE RESERVA DE
PLENÁRIO (CF, ARTIGO 97) A DECISÃO DE ÓRGÃO FRACIONÁRIO
DE TRIBUNAL QUE, EMBORA NÃO DECLARE EXPRESSAMENTE A
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO DO PODER
PÚBLICO, AFASTA SUA INCIDÊNCIA, NO TODO OU EM PARTE.
A Súmula tem sentido quando se analisam as decisões que a
originaram. Nos tribunais brasileiros, era praxe a
inobservância da cláusula de reserva de plenário.
Marco Aurélio, nos debates que culminaram na
edição da Súmula, chegou a utilizar a expressão “declaração escamoteada
de inconstitucionalidade” para designar essas decisões que não observavam
a reserva de plenário.

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A inobservância da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão.


O tribunal superior anula a decisão e remete o feito novamente ao inferior, para
novo julgamento.

1.4 – Suspensão da execução da lei pelo Senado (art.


52, X, CR)

Como visto anteriormente, no Brasil foi introduzido o sistema norte-americano


de controle de constitucionalidade sem o instituto da stare decisis (vinculação
da decisão da Corte Constitucional a todos os demais órgãos judiciais).
Para o preenchimento dessa lacuna, foi criada a norma que hoje está
reproduzida no art. 52, X, CR: o Senado, se achar conveniente, pode editar
Resolução determinando a suspensão da execução da lei declarada
inconstitucional, hipótese em que a decisão do STF passará a ter eficácia erga
omnes:
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:
(...);
X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada
inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal
Federal;

Essa competência do Senado somente pode ser exercida quando há decisão


definitiva (não liminar) proferida pelo STF (e não outro Tribunal), proferida no
controle difuso (art. 178 do Regimento Interno do STF):
Art. 178 - Declarada, incidentalmente, a inconstitucionalidade, na
forma prevista nos artigos 176 e 177, far-se-á a comunicação,
logo após a decisão, à autoridade ou órgão interessado, bem
como, depois do trânsito em julgado, ao Senado Federal, para os
efeitos do Art. 42, VII, da Constituição [dispositivo da
constituição anterior].

Note que a norma fala em “incidentalmente”, para se referir à decisão


proferida em controle difuso de constitucionalidade, com efeito inter partes. A
decisão proferida em controle concentrado já tem efeito erga omnes.
No Brasil, todo controle difuso é necessariamente concreto (incidental, por via
de exceção ou por via de defesa). Não existe, no ordenamento jurídico
pátrio, controle difuso abstrato. Como visto, no controle concreto o objeto
principal não é a declaração da inconstitucionalidade, mas a defesa do direito
subjetivo.

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Prevalece na doutrina que o Senado não está obrigado a suspender a


execução da lei, sendo o ato de suspensão meramente discricionário. Esse é
também o entendimento do STF (RE 150.764).
A suspensão realizada pelo Senado tem efeito ex tunc ou ex nunc
(suspensão desde a criação da lei ou a partir da publicação da
Resolução)? Há divergência. Dentre os autores que entendem que o efeito da
Resolução do Senado tem efeito retroativo está o Min. Gilmar Mendes. José
Afonso da Silva entende que o efeito é ex nunc. Para Marcelo Novelino, o
entendimento de José Afonso é o mais correto: se haverá a suspensão da lei (e
não uma declaração de inconstitucionalidade), é mais lógico que ela se realize
ex nunc. Nada impede que o Senado atribua, desde que de forma expressa,
efeitos retroativos à Resolução, como já ocorreu.
O art. 52, X, da CR, fala em “suspender a execução, no
todo ou em parte”. Declarada uma lei
totalmente inconstitucional (declaração de
nulidade com redução total de texto), poderia o
Senado suspender parcialmente a lei? Ainda, declarada inconstitucional
parte da lei, poderia o Senado suspender toda a lei?
A suspensão da execução da lei pelo Senado deve se ater aos exatos limites da
decisão proferida pelo STF. “No todo ou em parte” não significa possibilidade
de suspensão do Senado ao seu bel prazer. O ato do Senado é discricionário,
mas não pode fugir aos limites estabelecidos pela decisão do STF. “No todo ou
em parte” refere-se à decisão do STF, que pode ser relativa a parte ou a toda a
lei.
Na medida em que o art. 92, X fala em “inconstitucional”, não pode o Senado
suspender a execução de normas pré-constitucionais declaradas incompatíveis
com a constituição, pois, como visto, a hipótese não será de
inconstitucionalidade, mas de não recepção.
Sendo o Senado um órgão do Poder Legislativo Federal,
poderia ele suspender a eficácia de uma lei
estadual ou municipal? Haveria, nesses casos,
violação ao princípio federativo? O Senado
pode suspender a execução de leis federais, estaduais ou municipais porque
nesta competência ele atua como órgão de caráter nacional, e não apenas
federal.
Quanto atua como órgão de caráter federal, o Senado está defendendo apenas
interesses da União. Ao suspender a eficácia de lei inconstitucional, o Senado
está defendendo o interesse de todo o Estado brasileiro (União, Estados, DF
e Municípios). O Senado pode atuar com essa característica de órgão nacional,

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no interesse de outros entes que não somente a União, pois ele é composto de
representantes dos Estados. É como se todos os estados-membros estivessem
também participando dessa competência. “Federal” relaciona-se somente à
União; “nacional” relaciona-se a todos os órgãos que integram a nação.
Como visto anteriormente, na Reclamação 4.335, os Ministros
Eros Grau e Gilmar Mendes defenderam que o art.
92, X teria sofrido uma mutação constitucional. Para
eles, em vez de uma hipótese de suspensão da lei
(interpretação tradicional), o papel do Senado através da Resolução seria
somente de dar publicidade à decisão proferida pelo STF. Os Ministros
entendem que não faz sentido a decisão proferida no controle difuso não ter
eficácia erga omnes, como no controle concentrado. Atualmente, o
julgamento está em 3 a 2 para o não conhecimento da reclamação, com
recente voto de Lewandowski.
Marcelo Novelino entende que o sistema é realmente ilógico e incoerente.
Entretanto, não dá para simplesmente “passar por cima” da letra clara da
Constituição, sob pena de transformar o STF em poder constituinte originário. O
limite da interpretação pode ser superado em alguns casos, mas nesse seria
uma exorbitância dos limites das atribuições do STF. Ele estaria violando o
princípio da conformidade funcional.

NOVIDADE: Se uma lei ou ato normativo é declarado inconstitucional pelo STF,


incidentalmente, ou seja, em sede de controle difuso, essa decisão, assim como
acontece no controle abstrato, também produz eficácia erga omnes e efeitos
vinculantes. O STF passou a acolher a teoria da abstrativização do controle difuso.
Assim, se o Plenário do STF decidir a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de
uma lei ou ato normativo, ainda que em controle difuso, essa decisão terá os mesmos
efeitos do controle concentrado, ou seja, eficácia erga omnes e vinculante. Houve
mutação constitucional do art. 52, X, da CF/88. A nova interpretação deve ser a
seguinte: quando o STF declara uma lei inconstitucional, mesmo em sede de controle
difuso, a decisão já tem efeito vinculante e erga omnes e o STF apenas comunica ao
Senado com o objetivo de que a referida Casa Legislativa dê publicidade daquilo que
foi decidido. STF. Plenário. ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ, Rel. Min. Rosa Weber,
julgados em 29/11/2017 (Info 886).

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2– CONTROLE CONCENTRADO-ABSTRATO

2.1 – Noções introdutórias

Controle de constitucionalidade concentrado é aquele cuja competência


concentra em apenas um órgão do Poder Judiciário, que no Brasil é o STF,
quando o parâmetro for a Constituição da República, e o TJ, quando o
parâmetro for a Constituição Estadual. Já o controle abstrato é aquele
realizado por via de uma ação específica, tendo por finalidade principal
assegurar a supremacia da Constituição.
➢ São instrumentos de controle concentrado-abstrato no Brasil:
i. Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI);
ii. Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC);
iii. Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO);
iv. Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF).
Neste tópico serão analisadas a ADI, a ADC e a ADPF. A ADO será objeto de
estudo da próxima aula.
Como visto, no Brasil, o controle difuso somente pode ser exercido
incidentalmente. Não existe controle ao mesmo tempo difuso e abstrato.
Todavia, no ordenamento jurídico brasileiro há uma ação de controle
concentrado e concreto, a chamada “Ação Direta de Inconstitucionalidade
Interventiva” (ou “Representação Interventiva”), que também será objeto
de estudo separado, em tópico relacionado aos estados de legalidade
extraordinária.

2.2 – Ação Direta de Inconstitucionalidade e Ação


Declaratória de Constitucionalidade

2.2.1 – Introdução

A ADI e a ADC possuem características muito semelhantes. Por isso serão


estudadas conjuntamente. São ações com caráter dúplice ou ambivalente.
Têm a mesma natureza: o que muda é simplesmente o “sinal” (procedente ou
improcedente, positivo ou negativo), mas o resultado é o mesmo (art. 24 da Lei
9.868/1999):

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Art. 24. Proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á


improcedente a ação direta ou procedente eventual ação
declaratória; e, proclamada a inconstitucionalidade, julgar-se-á
procedente a ação direta ou improcedente eventual ação
declaratória.

Uma mesma lei, portanto, pode ser objeto, ao mesmo tempo, de uma ADI e de
uma ADC. Nesse caso, o STF as apensará, para julgamento conjunto.
A ADI é fruto do poder constituinte originário. A ADC, por sua vez, foi
criada posteriormente, pela EC 3/1993, ou seja, pouco menos de 5 anos depois
da promulgação da CR/88. Muitos doutrinadores questionaram a
constitucionalidade da EC 3/1993, argumentando que se existe uma presunção
de constitucionalidade das leis, não haveria sentido em criar uma ação para
declarar algo que já se presume.
O contexto histórico que deu origem à ADC liga-se ao
surgimento do Plano Collor. Várias ações foram
propostas questionando a constitucionalidade das
normas por ele instituídas, algumas sendo julgadas procedentes,
outras improcedentes. Até que a questão chegasse ao STF, haveria muita
insegurança jurídica. Daí a necessidade de um instrumento que pacificasse
nacionalmente o entendimento jurisprudencial acerca de determinado tema.
Todavia, para que a ADC não virasse um mecanismo de consulta, a Lei
9.868/1999 previu, em seu art. 14, III, um requisito de admissibilidade: a
existência de controvérsia judicial relevante:
Art. 14. A petição inicial indicará:
(...);
III - a existência de controvérsia judicial relevante sobre a
aplicação da disposição objeto da ação declaratória.

Quem propõe a ADC tem de demonstrar haver controvérsia judicial


relevante, consubstanciada na existência de várias ações propostas sobre um
mesmo tema, com soluções judiciais diferentes. Ou seja, tem de demonstrar
que há divergência judicial acerca do dispositivo cuja constitucionalidade se
questiona.
Ex.: FHC, quando Presidente da República, ajuizou ADC buscando o
reconhecimento da constitucionalidade da Medida
Provisória do Apagão. Para demonstrar essa
controvérsia relevante, foram juntadas 6 ou 7 ações
questionando o dispositivo. O STF determinou a emenda da inicial, para a
juntada de outras, o que foi posteriormente cumprido.

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2.2.2 – Peculiaridades da ADI e da ADC2

Na ADI, ADC e ADPF não há partes propriamente ditas. São ações de


controle abstrato, em que a pretensão é deduzida em juízo em processo de
índole objetiva (“processo constitucional objetivo”). Há legitimados para o
ajuizamento e para a defesa do ato, mas não partes formais. Como visto, a
finalidade é a defesa da supremacia da constituição, e não de direitos
subjetivos.
Na medida em que não há autor e réu, não se aplicam a essas ações alguns
princípios processuais, dentre os quais o contraditório, a ampla defesa e o
duplo grau de jurisdição. Tais princípios são, na verdade, aplicáveis no controle
difuso, em que o processo constitucional é de índole subjetiva.
Na ADI, ADC e ADPF não se admite intervenção de terceiros, assistência
ou desistência.
Ambas as leis que regulamentam essas ações são expressas no sentido do
descabimento da intervenção de terceiros. Gilmar Mendes, Marcelo
Novelino e outros doutrinadores entendem que a figura do amicus curiae3 não
seria uma espécie de intervenção de terceiros, mas não há consenso. Para o
STJ, por exemplo, trata-se de intervenção de terceiros.
A assistência é vedada, ainda que se entenda não se tratar de hipótese de
intervenção de terceiros, por dispositivo expresso do Regimento Interno do STF.
A desistência também é incabível porque aquele que propõe a ação defende
o interesse público.
Nessas ações, a decisão de mérito é irrecorrível, salvo a possibilidade de
oposição de embargos declaratórios para esclarecer o conteúdo da
decisão, caso o recorrente vislumbre omissão, contradição ou obscuridade.
Quem decide o recurso é o órgão máximo do Poder Judiciário: o Pleno do STF.
Admite-se a interposição de agravo contra a
decisão que indefere a inicial (lembre-se que
irrecorrível é apenas a decisão de mérito).
Também não cabe ação rescisória de uma sentença que decide ADI, ADC e
ADPF.

2
As peculiaridades estudadas neste tópico são comuns à ADI, ADC e ADPF.
3
O tema amicus curiae será desenvolvido em direito processual civil.

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As decisões proferidas em ADI, ADC e ADPF se tornam obrigatórias a partir


da publicação da ata da sessão de julgamento no Diário Oficial4, e não
do trânsito em julgado da decisão. Isso porque, não havendo partes, os efeitos
da decisão atingirão todas as pessoas, como se fosse uma lei. O raciocínio é
análogo ao do processo legislativo: se o conhecimento geral da lei ocorre
com a publicação, o mesmo vale para a decisão do STF.
Deve sempre haver provocação. Se não for instado, o STF não pode se
manifestar sobre a lei ou o ato reputado (a) inconstitucional, por conta do
princípio da inércia da jurisdição. Proposta ADI, por exemplo, questionando
determinado dispositivo “A” do Código Civil, não pode o STF, em princípio, se
manifestar acerca da constitucionalidade do dispositivo “B”.
Como regra geral, no controle concentrado, o STF somente pode se manifestar
quanto ao objeto da provocação (os dispositivos questionados). Há, contudo,
uma exceção. Um dispositivo pode ser declarado inconstitucional pelo STF sem
provocação quando possuir uma relação de interdependência com outro cuja
inconstitucionalidade tenha sido reconhecida. Nessa hipótese, o Supremo
declara os demais dispositivos inconstitucionais por arrastamento (ou por
atração).
Veja que não se trata de uma lei e um decreto, mas de dois dispositivos
legais constantes de uma mesma lei. A forma de inconstitucionalidade,
entretanto, é a mesma.
Importante observar que o princípio da inércia da
jurisdição não se aplica no controle difuso
por via incidental, em que a
inconstitucionalidade pode ser reconhecida pelo STF
de ofício. Isso porque no controle difuso a inconstitucionalidade não é objeto do
pedido, mas a causa de pedir. O pedido é a proteção do direito.
Já no controle concentrado a inconstitucionalidade é objeto do pedido e,
em razão disso, tem de haver provocação (salvo nos casos excepcionais de
inconstitucionalidade por arrastamento5).

4
Essa questão vem sendo bastante cobrada em provas do CESPE.
5
Veja, quando há uma inconstitucionalidade consequente (forma de inconstitucionalidade),
pode haver uma declaração de inconstitucionalidade por arrastamento (forma de declaração da
inconstitucionalidade).

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2.2.3 – Peculiaridades da ADI e da ADC6

Antes da CR/88, somente existia uma ação de controle concentrado-abstrato: a


representação de inconstitucionalidade (uma espécie de ADI). O único
legitimado a propô-la era o Procurador-Geral da República. Com o advento
da CR/88, o rol de legitimados foi muito ampliado, são nove, no total (art.
103 da CR):
Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade
[ADI] e a ação declaratória de constitucionalidade [ADC, sendo
que também se aplica à ADPF e ADO]: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV - a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do
Distrito Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45,
de 2004)
V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
VI - o Procurador-Geral da República;
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito
nacional.

Quando a ADC foi criada, o rol de legitimados para propô-la era mais restrito
(Presidente, PGR, Mesas da Câmara e do Senado). Com a EC 45/2004, o rol
ficou igual nas quatro ações de controle concentrado-abstrato. Perceba
que a CR fala apenas na ADI e na ADC, mas nas leis da ADO e da ADPF o rol é
idêntico.
A jurisprudência do STF faz uma distinção entre legitimados ativos universais e
especiais7. Veja que não há previsão legal ou constitucional para essa distinção.
Os legitimados especiais precisam demonstrar pertinência temática, ou

6
A legitimidade ativa é idêntica na ADI, ADC, ADPF e ADO.
7
Para fins de concurso, é importante memorizar o rol de legitimados. Dica: as autoridades da
União são legitimados Universais. As autoridades Estaduais são legitimados Especiais.

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seja, a relação entre o interesse por eles defendido e o objeto


impugnado, que é verdadeira condição de admissibilidade da ação.
Ex.: o Conselho Federal de Medicina tem de demonstrar que a lei impugnada
afeta, de algum modo, a classe médica. O legitimado universal não está adstrito
a tal demonstração.
Quadro sinótico (legitimidade):

Poder
Poder Ministério
Legislativo Outros
Executivo Público
Federal

Conselho
Mesa da Federal da
Câmara dos OAB
Esfera Procurador- Deputados
Federal Presidente Geral da Partidos
(universais) República Mesa do Políticos com
Senado representante
Federal no Congresso
Nacional

Confederação
Mesa da
O chefe do MP Sindical ou
Esfera Governador Assembleia
estadual não entidade de
Estadual de estado e Legislativa do
tem classe de
(especiais) DF Estado ou do
legitimidade âmbito
DF
nacional8

Vice-Presidente e Vice-Governador não têm


legitimidade para o ajuizamento dessas ações.
Todavia, se as propuserem quando substituindo o
titular, não o farão na condição de vices, mas de titulares. A mesa do
Congresso Nacional também não pode propor as ações. Só as da Câmara ou do
Senado.

8
A confederação sindical e a entidade de âmbito nacional evidentemente discrepam da
informação do quadro (não são de âmbito estadual), mas foram ali colocadas para facilitar a
memorização.

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A interpretação do rol de legitimados é sempre literal ou restritiva. O


Conselho Federal da OAB é a única entidade de classe com legitimidade
universal.
Relativamente aos partidos políticos, houve mudança de posicionamento do
STF. Até 2004, se o partido ajuizasse ADI, ADC, ADPF ou ADO e perdesse o
representante no Congresso durante o julgamento da ação, ela era extinta.
Hoje, o entendimento do Supremo é no sentido de que a legitimidade do
partido político deve ser aferida no momento da propositura da ação,
pouco importando se o partido vier a perder seu representante posteriormente.
Para ser considerada de âmbito nacional, segundo o STF, a entidade de classe
deve estar presente (ter representantes) em pelo menos 1/3 dos estados
brasileiros (nove, portanto). Tem de ser representativa de uma categoria
social ou profissional.
Outra mudança de posicionamento do STF, ocorrida também em 2004, refere-
se à legitimidade das associações. Até então, o STF somente admitia o
ajuizamento das ações por associações formadas por pessoas físicas. Hoje o
Supremo confere legitimidade tanto às associações formadas por
pessoas físicas como por outras pessoas jurídicas (hipótese em que utiliza
a expressão “associação de associações”).
Dentre os legitimados, não têm capacidade postulatória
(precisam de advogado para o ajuizamento) os
partidos políticos, as confederações sindicais
e as entidades de classe de âmbito nacional.
Todos os demais, segundo o STF, podem propor as ações diretamente (em
nome próprio).

2.2.4 – Objeto da ADI e da ADC

2.2.4.1 – Quanto à natureza (a essência) do objeto

Podem ser objeto de ADI e ADC a lei e o ato normativo. Veja que o objeto
dessas ações tem de possuir as características da generalidade e da
abstração.
A lei ou o ato normativo tem de possuir ligação direta com a Constituição.
Quando isso ocorre, dá-se o nome de inconstitucionalidade direta ou
antecedente. Há a exceção do decreto inconstitucional por arrastamento, mas,
mesmo nessa hipótese, tem de haver lei inconstitucional regulamentada.

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O STF não admitia como objeto de ADI ou ADC as


chamadas leis de efeitos concretos (aquela que
não é dotada de generalidade nem de abstração).
Esse entendimento era pacífico. Entretanto, em 2008 o
STF alterou seu posicionamento (ADI 4048/Medida Cautelar). Hoje é possível
ajuizar ADI ou ADC contra leis de efeitos concretos desde que a
controvérsia tenha sido suscitada em abstrato, pouco importando caráter
geral ou específico, concreto ou abstrato do objeto.
A lei de efeitos concretos questionada na ADI 4048 foi uma Medida Provisória
que tratava de matéria orçamentária.
A jurisprudência do STF vem reiteradamente rejeitando que
determinados atos sejam objeto de ADI ou ADC:
i) atos tipicamente regulamentares:
O fato de o STF não admitir atos tipicamente regulamentares como objeto de
ADI ou ADC não significa que decreto não possa ser questionado por essas
ações. Se o decreto não estiver regulamentando uma lei, ou seja, caso não
exista nenhum ato intermediário entre o decreto e a Constituição, ele será
autônomo e poderá ser objeto de ADI. Se, entre o decreto e a CR existir uma
lei interposta, ele não viola diretamente a CR. Será um ato tipicamente
regulamentar e, em razão disso, não poderá ser objeto de ADI.
Mesmo quando o decreto exorbita os limites da regulamentação legal, ele
não deixa de ser um decreto tipicamente regulamentar, não podendo
também ser objeto de ADI.
A única exceção, em que a constitucionalidade do decreto será objeto de ADI,
é no caso de inconstitucionalidade por arrastamento.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) é meio processual inadequado
para o controle de decreto regulamentar de lei estadual. Poderia caber
ADI se fosse um decreto autônomo. Mas sendo um decreto que apenas
regulamenta a lei, não cabe a ADI. STF. Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).
É cabível ADI contra Resolução do TSE que tenha, em seu conteúdo material,
“norma de decisão” de caráter abstrato, geral e autônomo, apta a ser
apreciada pelo STF em sede de controle abstrato de constitucionalidade. STF.
Plenário. ADI 5122, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/5/2018 (Info 900).
A Resolução do CNMP consiste em ato normativo de caráter geral e
abstrato, editado pelo Conselho no exercício de sua competência
constitucional, razão pela qual constitui ato normativo primário, sujeito a
controle de constitucionalidade, por ação direta, no Supremo Tribunal

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Federal.STF. Plenário. ADI 4263/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em


25/4/2018 (Info 899).
ii) normas constitucionais originárias:
Normas constitucionais originárias são, obviamente, as feitas pelo poder
constituinte originário. A norma feita por emenda é derivada, podendo ser
objeto de ADI.
Como visto por ocasião do estudo do princípio da
unidade da constituição, houve um julgado no
STF em que o PSC questionou a norma originária
que confere inelegibilidade ao analfabeto, o qual
restou julgado extinto, sem resolução do mérito, por impossibilidade jurídica do
pedido.
iii) leis temporárias ou leis já revogadas:
Em regra, o STF não admite que uma lei temporária, depois de seu
completo exaurimento (em função do esgotamento de seu lapso temporal),
possa ser objeto de ADI. Isso porque ela já não mais ameaça a CR. O mesmo
ocorre com a lei revogada.
Há, todavia, uma exceção. O STF admite o controle de
constitucionalidade de lei revogada quando, durante o processo de
julgamento da ADI, para evitar que o STF diga que determinada lei é
inconstitucional (com efeito ex tunc), o legislativo revoga a lei objeto de
impugnação, editando outra com conteúdo igual ou semelhante, com o objetivo
de tentar subtrair do Supremo a análise da constitucionalidade da lei. Nessa
hipótese, que vem sendo denominada pelo STF de “fraude processual”, o
processo continua até o julgamento final.
O que acontece se a lei impugnada por meio de ADI é
alterada antes do julgamento da ação? Neste
caso, o autor da ADI deverá aditar a petição inicial
demonstrando que a nova redação do dispositivo
impugnado apresenta o mesmo vício de inconstitucionalidade que existia na
redação original. A revogação, ou substancial alteração, do complexo normativo
impõe ao autor o ônus de apresentar eventual pedido de aditamento, caso
considere subsistir a inconstitucionalidade na norma que promoveu a alteração
ou revogação. Se o autor não fizer isso, o STF não irá conhecer da ADI,
julgando prejudicado o pedido em razão da perda superveniente do objeto. STF.
Plenário. ADI 1931/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2018 (Info
890).

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Se é proposta ADI contra uma medida provisória e, antes de a ação ser julgada,
a MP é convertida em lei com o mesmo texto que foi atacado, esta ADI não
perde o objeto e poderá ser conhecida e julgada. Como o texto da MP foi
mantido, não cabe falar em prejudicialidade do pedido. Isso porque não há a
convalidação ("correção") de eventuais vícios existentes na norma, razão pela
qual permanece a possibilidade de o STF realizar o juízo de constitucionalidade.
Neste caso, ocorre a continuidade normativa entre o ato legislativo provisório
(MP) e a lei que resulta de sua conversão. Ex: foi proposta uma ADI contra a
MP 449/1994 e, antes de a ação ser julgada, houve a conversão na Lei nº
8.866/94. Vale ressaltar, no entanto, que o autor da ADI deverá peticionar
informando esta situação ao STF e pedindo o aditamento da ação. STF.
Plenário. ADI 1055/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2016 (Info
851).
O que acontece caso o ato normativo que estava sendo
impugnado na ADI seja revogado antes do
julgamento da ação? Regra: haverá perda
superveniente do objeto e a ADI não deverá ser
conhecida (STF ADI 1203). Exceção 1: não haverá perda do objeto e a ADI
deverá ser conhecida e julgada caso fique demonstrado que houve "fraude
processual", ou seja, que a norma foi revogada de forma proposital a fim de
evitar que o STF a declarasse inconstitucional e anulasse os efeitos por ela
produzidos (STF ADI 3306). Exceção 2: não haverá perda do objeto se ficar
demonstrado que o conteúdo do ato impugnado foi repetido, em sua essência,
em outro diploma normativo. Neste caso, como não houve desatualização
significativa no conteúdo do instituto, não há obstáculo para o conhecimento da
ação (ADI 2418/DF). Exceção 3: caso o STF tenha julgado o mérito da ação
sem ter sido comunicado previamente que houve a revogação da norma
atacada. Nesta hipótese, não será possível reconhecer, após o julgamento, a
prejudicialidade da ADI já apreciada. STF. Plenário. ADI 2418/DF, Rel. Min.
Teori Zavascki, julgado em 4/5/2016 (Info 824). STF. Plenário. ADI 951 ED/SC,
Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27/10/2016 (Info 845).

2.2.4.2 – Quanto ao aspecto temporal do objeto

A ADI e a ADC somente podem ter como objeto lei ou ato normativo
produzido após a promulgação da CR, ocorrida em 5 de outubro de 1988. Como
estudado, antes dessa data, a lei ou o ato incompatível com a CR será
considerado não recepcionado, e não inconstitucional.

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Pode ocorrer, todavia, de o parâmetro invocado ser modificado através de


Emenda. Nesse caso, o objeto tem de ser posterior ao parâmetro. Ex.: lei
promulgada em 2005 não pode ser objeto de ADI ou ADC tendo como
parâmetro a redação de um dispositivo constitucional alterado em 2010.
Só cabe ADI ou ADC, portanto, no caso de inconstitucionalidade originária.
Só se admite como objeto de ADI e ADC leis ou atos normativos posteriores
ao parâmetro constitucional invocado.
A ADC admite, como objeto, atos anteriores à sua criação,
desde que este objeto seja posterior ao parâmetro
constitucional invocado. Isso porque se trata de
norma de natureza processual, e nesse caso não
há falar-se em irretroatividade. Veja: a ADC foi criada em 1993. A primeira ADC
tinha como objeto a LC 70/1991 (anterior, portanto, à criação da própria ADC).
Para que esta lei complementar seja objeto da ADC, o parâmetro constitucional
invocado tem de ser anterior a 1991. Não pode ter como parâmetro norma
constitucional, por exemplo, introduzida por emenda constitucional de 1995.

2.2.4.3 – Quanto ao aspecto espacial do objeto da


ADI e da ADC

Quanto ao aspecto espacial, há diferença entre os objetos da ADI e da ADC


(art. 102, I, “a”, da CR):
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a
guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo
federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de
lei ou ato normativo federal; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 3, de 1993)

A ADI admite como objeto lei ou ato normativo das esferas federal ou
estadual. Já a ADC admite como objeto somente lei ou ato normativo da
esfera federal. Existe PEC tramitando no Congresso com o objetivo de ampliar o
objeto da ADC, em seu aspecto espacial, para torná-lo idêntico ao da ADI.
A lei ou ato normativo do DF não pode ser objeto de
ADC. Pode, todavia, ser objeto de ADI? A lei ou
ato do DF pode tratar tanto de conteúdo afeto à lei
municipal quanto à lei estadual. Se o ato do DF

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tiver o conteúdo de lei estadual, poderá ser objeto do controle via ADI. Todavia,
se tratar de matéria de competência do município, não poderá ser objeto de
ADI (Súmula 642 do STF):
Súmula 642 - NÃO CABE AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI DO DISTRITO FEDERAL
DERIVADA DA SUA COMPETÊNCIA LEGISLATIVA MUNICIPAL.
O STF já analisou lei do DF de natureza mista, mas ressaltou que somente
poderia tratar da matéria relativa à competência estadual. Quanto à
matéria objeto de competência municipal, a norma teria de ser impugnada
perante o TJDFT.

2.2.5 – Participação do Procurador-Geral da


República

O PGR, no controle de constitucionalidade, atua na condição de custus


constituitionis, ou seja, como fiscal da supremacia da Constituição (art.
103, § 1º, da CR):
Art. 103 (...) § 1º - O Procurador-Geral da República deverá ser
previamente ouvido nas ações de inconstitucionalidade e em todos
os processos de competência do Supremo Tribunal Federal.

Note que ele atua como tal não só nas ações de inconstitucionalidade
como em todos os processos de competência do STF (sem exceção).
À primeira vista, essa norma causa certa estranheza. O STF fez uma
interpretação do dispositivo de forma a tornar viável essa participação: o PGR
não precisa ser formalmente intimado em todos os processos do STF.
Basta que ele saiba da tese jurídica discutida. Ou seja, o que se exige é que a
tese tenha sido levada ao conhecimento do PGR, para manifestação. Caso
contrário, ele simplesmente não teria condições de atuar formalmente em todos
os processos.

2.2.6 – Participação do Advogado-Geral da União

A participação do AGU está prevista no art. 103, § 3º, da CR:


Art. 103 (...) § 3º - Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a
inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo,

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citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o


ato ou texto impugnado.

Trata-se de uma participação diferente da do PGR. “Em tese” significa que o


AGU participará somente dos casos de apreciação de
constitucionalidade em controle concentrado-abstrato.
O AGU não atuará como custus constituitionis. Na verdade, ele está
obrigado a defender a constitucionalidade do ato impugnado: será o defensor
legis. O AGU funciona como curador da presunção de constitucionalidade das
leis.
Há, todavia, duas exceções. O AGU não está obrigado a realizar a defesa
do ato impugnado, ainda que até possa fazê-lo: i) quando a tese jurídica
já tiver sido considerada inconstitucional pelo STF; e ii) quando o ato for
contrário ao interesse da União. Novelino discorda da posição do STF nesta
segunda hipótese, pois, segundo ele, o AGU nesse caso não atua na condição
de defensor dos interesses da União, mas de defensor da lei.
O AGU é obrigado a defender tanto a lei federal quanto a estadual (lembre-se
que ambas podem ser objeto de ADI), mesmo sendo o chefe da Advocacia-
Geral da União.

2.2.7 – A tutela cautelar9 na ADI e na ADC e seus


efeitos

Na Ação Declaratória de Constitucionalidade, a cautelar somente pode ser


concedida por maioria absoluta dos membros do STF (art. 21, caput, da Lei
9.868/1999):
Art. 21. O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria
absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida
cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente
na determinação de que os juízes e os Tribunais suspendam o
julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do
ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo. (...)

Tanto na ADI quanto na ADC, os efeitos da medida cautelar são erga omnes e
vinculantes.

9
A Lei 9.868/1999, que disciplina a ADI e a ADC, fala em “cautelar”. Já a Lei 9.882/1999, que
trata da ADPF, fala em “liminar”.

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Os efeitos da medida cautelar serão ex nunc, mas o tribunal pode conceder-


lhes eficácia retroativa.
Art. 11 (...) § 1o A medida cautelar, dotada de eficácia contra
todos, será concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal
entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa.

Todavia, na ADC há uma peculiaridade: não será


requerida cautelarmente a declaração de
constitucionalidade da lei, pois já existe tal
presunção, de modo que a cautelar terá como efeito
somente suspender o julgamento de processos nos quais a questão esteja
sendo discutida. Essa suspensão, que serve para evitar decisões divergentes,
poderá durar por no máximo 180 dias.
Art. 21 (...) Parágrafo único. Concedida a medida cautelar, o
Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do
Diário Oficial da União a parte dispositiva da decisão, no prazo de
dez dias, devendo o Tribunal proceder ao julgamento da ação no
prazo de cento e oitenta dias, sob pena de perda de sua eficácia.

Se o STF não suspender os processos e determinada decisão proferida por juiz


singular transitar em julgado, caberá ação rescisória ou alegação de
inexigibilidade de título em eventual execução.
Já na Ação Direta de Inconstitucionalidade, em regra a cautelar tem de ser
concedida por maioria absoluta. Todavia, durante o período de recesso do
Supremo, admite-se a concessão de medida cautelar pelo relator (art. 10
da Lei 9.868/1999):
Art. 10. Salvo no período de recesso, a medida cautelar na ação
direta será concedida por decisão da maioria absoluta dos
membros do Tribunal, observado o disposto no art. 22, após a
audiência dos órgãos ou autoridades dos quais emanou a lei ou ato
normativo impugnado, que deverão pronunciar-se no prazo de
cinco dias. (...)

Assim como a decisão de mérito, a cautelar se torna


obrigatória a partir da publicação da parte
dispositiva (ou ata da sessão de julgamento) no
Diário Oficial, e não do trânsito em julgado.
Especificamente no caso da ADI, além dos efeitos erga omnes e vinculante e
da suspensão do julgamento dos processos10, a medida cautelar poderá
suspender também a aplicação da lei ou do ato normativo.

10
A suspensão do julgamento dos processos que tratam do mesmo tema em ADI não tem

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Quando a medida cautelar é concedida em ADI, suspendendo determinada lei


ou ato normativo, o efeito dessa decisão será, em regra, ex nunc. Isso porque
o STF não está declarando a norma inconstitucional, mas somente
suspendendo a sua aplicação. Há, todavia, a possibilidade de modulação dos
efeitos temporais de decisão cautelar, conferindo a ela efeito ex tunc (art. 11,
§ 1º, da Lei 9.868/1999):
Art. 11 (...) § 1o A medida cautelar, dotada de eficácia contra
todos, será concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal
entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa.

Concedida medida cautelar em ADI suspendendo determinada lei


revogadora, pode ocorrer de a lei anterior (revogada) se tornar
automaticamente aplicável. Trata-se do chamado de “efeito repristinatório
tácito” ou “repristinação tácita” (“tácito” porque na decisão o STF nada diz
acerca da lei revogada). Se a lei revogada também for inconstitucional, o STF
pode expressamente vedar a retomada da eficácia dela (art. 11, § 2º, da Lei
9.868/1999):
Art. 11 (...) § 2o A concessão da medida cautelar torna aplicável a
legislação anterior [efeito repristinatório tácito] acaso
existente, salvo expressa manifestação em sentido contrário.

O indeferimento de um pedido cautelar em ADI tem


efeito vinculante? Ou seja, essa decisão de
indeferimento funcionaria como uma declaração de
constitucionalidade, vinculando as demais instâncias do Poder
Judiciário? Não. A decisão que nega a medida cautelar não produz efeito
vinculante. Cada juiz ou tribunal pode continuar julgando da mesma maneira.
Ex.: na ADPF 54 (anencefalia), o Min. Relator Marco Aurélio concedeu
monocraticamente a medida cautelar. A partir desse momento, os juízes
brasileiros não podiam mais proferir decisão em sentido contrário, negando a
antecipação terapêutica do parto. O Pleno não referendou a decisão cautelar,
principalmente por entender que aquela decisão não poderia ter sido proferida
por juízo monocrático. A partir de então, os juízes e tribunais voltaram a ser
livres para concederem ou não a autorização.

2.2.8 – Efeitos da decisão de mérito na ADI e na ADC

previsão expressa na lei, mas decorre da aplicação do dispositivo relativo à ADC, por analogia.

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Como são ações de controle concentrado abstrato, sem partes formais


(processo constitucional objetivo) o efeito da decisão de mérito proferida em
ADI e ADC será sempre erga omnes e vinculante. Não é algo que precise
estar previsto constitucional ou legalmente, pois é uma decorrência da própria
natureza dessas ações.
Como estudado anteriormente, antes de 1993 não havia na CR previsão de
efeito vinculante, que surgiu somente com a EC nº 3.
Veja que a eficácia erga omnes representa justamente a abrangência da
decisão a todos, indistintamente (Poderes Públicos e particulares), enquanto
que o efeito vinculante está circunscrito “aos demais órgãos do Poder Judiciário
e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e
municipal” (art. 102, § 2º, da CR):
Art. 102 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas
pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de
inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de
constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito
vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e
à administração pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 45, de 2004).

Note que, no aspecto subjetivo, o efeito erga omnes é mais


amplo que o vinculante. Se é assim, qual o sentido
de sua criação? Na verdade, o efeito vinculante,
teoricamente falando, é objetivamente mais amplo que o
erga omnes. No aspecto objetivo, ele deveria atingir não somente o dispositivo
como os fundamentos da decisão e, com isso, atingir as chamadas “normas
paralelas”. Isso consta exatamente da exposição de motivos da PEC que
introduziu o efeito vinculante no Brasil.
Cumpre lembrar que, quando os fundamentos de determinada decisão são
também vinculantes, fala-se em “transcendência dos motivos da decisão”
para outras situações (outras leis com conteúdo idêntico). A tese da
transcendência dos motivos não é pacífica no STF, havendo divergências quanto
à sua adoção.
O STF não admite a “teoria da transcendência dos motivos
determinantes”. Segundo a teoria restritiva, adotada pelo STF, somente o
dispositivo da decisão produz efeito vinculante. Os motivos invocados na
decisão (fundamentação) não são vinculantes. A reclamação no STF é uma
ação na qual se alega que determinada decisão ou ato: • usurpou competência
do STF; ou • desrespeitou decisão proferida pelo STF. Não cabe reclamação sob
o argumento de que a decisão impugnada violou os motivos (fundamentos)

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expostos no acórdão do STF, ainda que este tenha caráter vinculante. Isso
porque apenas o dispositivo do acórdão é que é vinculante. Assim, diz-se que a
jurisprudência do STF é firme quanto ao não cabimento de reclamação fundada
na transcendência dos motivos determinantes do acórdão com efeito vinculante.
STF. Plenário. Rcl 8168/SC, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min.
Edson Fachin, julgado em 19/11/2015 (Info 808). STF. 2ª Turma. Rcl
22012/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, red. p/ ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado
em 12/9/2017 (Info 887).
O efeito prático da transcendência dos motivos é evitar que outras leis de
conteúdo idêntico sejam objeto de outras demandas no STF. Veja: adotada a
teoria, o instrumento apto a reconhecer a inaplicabilidade de norma semelhante
à declarada inconstitucional seria a Reclamação.
Gilmar Mendes é um dos principais idealizadores da teoria.
Por fim, no que concerne ao aspecto temporal da decisão de mérito proferida
em ADI e ADC, como visto a regra geral é a declaração da
inconstitucionalidade com efeito ex tunc, em razão da adoção da teoria da
nulidade da lei inconstitucional (a decisão seria meramente declaratória de
uma nulidade já existente desde a origem).
Entretanto, o STF pode modular os efeitos da decisão,
conferindo efeito ex nunc ou pro futuro. Para que
o efeito seja retroativo, basta a maioria. Para a
modulação, é necessária a manifestação favorável de dois
terços dos membros do tribunal (8 Ministros).
Como visto, apesar de a modulação dos efeitos da decisão ser expressa apenas
para a ADI e a ADC, o STF admite que ela se realize também no controle
difuso, segundo as mesmas regras. No Informativo 615, o STF realizou
modulação temporal, concedendo efeito pro futuro a uma decisão de não
recepção (norma pré-constitucional).
Para que haja julgamento, no STF, devem estar presentes na sessão, no
mínimo, 8 Ministros (2/3). Para que os Ministros declarem a lei
inconstitucional ou constitucional são necessários 6 Ministros votando no
mesmo sentido. Ou seja, exige-se a maioria absoluta (arts. 22 e 23 da Lei n.
9.868/99). Caso não seja atingida a maioria absoluta dos votos dos
Ministros, não haverá declaração de constitucionalidade ou
inconstitucionalidade. A ação será julgada procedente ou improcedente,
contudo, não haverá efeito erga omnes e vinculante.
Em relação à modulação temporal são necessários os votos dos 8 (2/3)
Ministros, conforme o art. 27 da Lei nº 9.868/99 e o art. 11 da Lei nº
9.882/11. Nesse caso, o STF poderá conceder efeito ex nunc ou ainda o

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efeito pro futuro, ou seja, fixa-se um momento no futuro a partir do qual a


decisão passa a valer. A primeira decisão dada pelo Conselho Constitucional
Francês, em controle de constitucionalidade repressivo, em 2010, foi a
declaração de uma lei inconstitucional que permitia a incomunicabilidade da
pessoa que fosse presa, por 48 horas. O Tribunal Constitucional Francês fixou o
prazo de 1 ano para que o legislador substituísse a lei. Exemplos no STF: ADI
231, ADI 837 e RE 442.683 (efeito ex nunc).
No controle difuso, apesar da inexistência de previsão legal, o STF aplica, por
analogia, o art. 27 da Lei n. 9.868/99.
Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato
normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de
excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal,
por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos
daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de
seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser
fixado.

Exemplo no Brasil de modulação dos efeitos: no INSS, algum


tempo atrás, havia hipóteses de provimento de cargos
públicos por ascensão. Isso quer dizer que servidores
internos, ocupantes de cargos de nível médio e que
possuíam nível curso de nível superior, caso fossem criados cargos de
Procurador autárquico, por exemplo, poderiam realizar um concurso interno
para provimento desses cargos. O STF, analisando a questão da ascensão,
reconheceu a sua inconstitucionalidade, por clara violação ao princípio da
isonomia, igualdade e do concurso público. Todavia, os servidores que já
ocupavam os cargos de nível superior, ainda que aprovados para cargos de
nível médio dentro do INSS, não seriam exonerados. Ou seja, o STF
estabeleceu que essa decisão valeria daquele momento em diante, efeito ex
nunc.
No RE 197.917/SP foi aplicado o efeito pro futuro (é uma decisão rara). Foi o
caso de número de vereadores proporcional ao número de eleitores do
município. O STF reconheceu que a decisão do TSE era constitucional. A decisão
foi proferida em 2002, meio da legislatura. O STF disse que a resolução do TSE
era constitucional e que os municípios deveriam se adaptar, porém, os
vereadores que estavam nos cargos não teriam que sair imediatamente. A saída
imediata quebraria uma expectativa dos próprios eleitores, por isso os
vereadores poderiam permanecer nos cargos até 2004. Todavia, a partir de
2004, os municípios teriam de se adaptar.
O efeito ex tunc, que é a regra geral, poderá ser modificado pelo Tribunal que
irá modular, no tempo, seus efeitos. Os requisitos para a modulação dos efeitos

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são: razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. A


modulação, portanto, não será feita em qualquer decisão.
Como visto, a modulação dos efeitos poderá ocorrer no
controle concentrado e, por analogia, o STF tem
aplicado também ao controle difuso de
constitucionalidade. Pergunta-se: pode ser aplicado
também às normas pré-constitucionais?
As normas pré-constitucionais são aquelas anteriores à CR/88, são as hipóteses
de não-recepção. Essa questão era objeto de divergência no STF. Em um
voto, o Ministro Celso de Mello dizia que não cabia modulação temporal em
casos de normas pré-constitucionais. Já o Ministro Gilmar Mendes, admitia a
modulação dos efeitos das decisões tanto no controle concentrado e difuso,
como nas hipóteses de não-recepção.
Em recente decisão, o STF deu uma decisão de norma pré-
constitucional com efeito pro futuro – só começou a
valer a partir de dezembro de 2011, ainda que a
norma seja de 1981. Trata-se do RE 600.885. A
questão de fundo era uma norma interna do exército que fixava limite de idade
para concurso do exército. O STF dizia que a fixação deveria ser feita por lei e
não por norma interna. Contudo, essa norma estava vigente desde 1968 e
várias pessoas haviam ingressado no exército por meio de concursos baseados
nessa norma. O STF, então, concedeu o prazo até 31.12.2011 para que o
legislador editasse lei fixando limite de idade para concurso público de ingresso
no exército. A partir de 2012, a norma não teve mais validade.
Novelino e Fredie Didier entendem que quando o STF modula os efeitos das
suas decisões, essa decisão passa a ter natureza constitutiva e não meramente
declaratória. É uma questão teórica. O STF não decidiu num ou noutro sentido,
mas há divergências na doutrina, não posicionamento do STF a esse respeito.

2.3 – Arguição de descumprimento de preceito


fundamental

2.3.1 – Introdução

A ADPF está prevista no art. 102, § 1º, da CR e também é fruto do poder


constituinte originário. Originariamente, ela constava do parágrafo único do
dispositivo, o qual foi transformado em § 1º pela EC 3/1993:

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Art. 102 (...) § 1.º A arguição de descumprimento de preceito


fundamental, decorrente desta Constituição, será apreciada pelo
Supremo Tribunal Federal, na forma da lei. (Transformado em § 1º
pela Emenda Constitucional nº 3, de 17/03/93)

A constitucionalidade de todos os dispositivos da Lei


9.882/1999, que regulamenta a ADPF, está sendo
questionada através da ADI 2231/DF, ajuizada em
2001 pela OAB. Veja que o ajuizamento de uma ADPF somente se
tornou possível após mais de 10 anos da promulgação da CR, com o advento da
lei.
Diferentemente das demais ações até aqui estudadas, trata-se da arguição do
descumprimento de um preceito fundamental, e não de uma
inconstitucionalidade. Descumprimento da Constituição não é sinônimo de
inconstitucionalidade, sendo considerado pela doutrina como muito mais amplo
que a inconstitucionalidade. Segundo esse entendimento, o descumprimento de
preceito fundamental abrange a inconstitucionalidade, pois toda
inconstitucionalidade é uma forma de descumprimento da CR. Mas, além dela,
há outras formas de descumprimento, como a incompatibilidade com a CR de
uma norma anterior a ela (hipótese de não recepção). Por conta dessa
diferença, o objeto da ADPF é muito mais amplo que o da ADI e da ADC.
Por outro lado, o parâmetro é mais restrito que na ADI e ADC 11. Trata-se da
arguição do descumprimento apenas de preceitos fundamentais, e não
de toda a CR. Na ADI e na ADC, o parâmetro é amplo, abrangendo inclusive
tratados internacionais. Na ADPF, por sua vez, o parâmetro não abrange
todas as normas constitucionais ou equiparadas.

2.3.2 – Definição de preceito fundamental

Não há uma definição de preceito fundamental. Na ADPF nº 1, o Ministro


Relator Néri da Silveira disse o seguinte: “cabe apenas ao STF, como
guardião da Constituição, dizer quais são os preceitos fundamentais”.
Ou seja, não adianta tentar estabelecer um critério definidor de um rol
exaustivo de preceitos fundamentais. Os preceitos fundamentais vão
aparecendo conforme o STF for dizendo quais eles são.

11
Relembrando: objeto é o ato que viola a constituição. Parâmetro é a norma constitucional
violada.

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O entendimento do Min. Néri da Silveira não impede que a doutrina construa


determinados critérios para conceituar os preceitos fundamentais. Preceito é
uma norma. A norma, como visto, pode ser um princípio ou uma regra
(mandamento de definição). Um preceito fundamental, portanto, pode ser tanto
um princípio quanto uma regra fundamental da CR.
José Afonso da Silva estabelece um critério para tentar definir quais normas
seriam fundamentais. Segundo o autor,
“fundamental é aquele preceito que confere identidade à
Constituição, ao regime por ela adotado ou que consagra um
direito fundamental”.

Exemplos (rol exemplificativo):

Título I “Dos Princípios Fundamentais”: se são princípios


fundamentais, são preceitos fundamentais.

Título II “Dos Direitos e Garantias Fundamentais”.

Art. 34, VII (princípios constitucionais sensíveis):


violados tais princípios, poderá o PGR ajuizar ADI
interventiva que, se procedente, poderá ensejar
intervenção federal no estado.

Cláusulas pétreas: são preceitos fundamentais por


conferirem identidade à Constituição.

Meio-ambiente.

2.3.3 – Peculiaridades da ADPF

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As peculiaridades da ADPF são exatamente idênticas às da ADI, para cujo


estudo se remete.

2.3.4 – Legitimidade para a propositura de ADPF

A legitimidade ativa para a ADPF é exatamente idêntica à da ADI, para cujo


estudo se remete.

2.3.5 – Objeto

O objeto da ADPF (lei ou ato normativo que viola a Constituição) é mais amplo
que o da ADI e da ADC, por ser o descumprimento de preceito fundamental um
conceito mais amplo que o de inconstitucionalidade.
O objeto amplo da ADPF está previsto no art. 1º, caput, da Lei 9.882/1999:
Art. 1o A arguição prevista no § 1o do art. 102 da Constituição
Federal será proposta perante o Supremo Tribunal Federal, e terá
por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental,
resultante de ato do Poder Público.
Parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de
preceito fundamental:
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia
constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou
municipal, incluídos os anteriores à Constituição; (Vide ADIN
2.231-8, de 2000)
(...).
A doutrina denomina a ADPF prevista no caput de “autônoma”.
Subdivide-se em preventiva (na medida em que
serve para evitar a lesão) e repressiva (ajuizada
posteriormente à ocorrência da lesão). Já a ADPF
prevista no parágrafo único, I, é chamada de “incidental”. Não há diferença de
rito entre as hipóteses. Essa distinção, entretanto, não é realizada pelo STF.
Essa observação é importante, pois o art. 3º, V, da Lei 9.882/1999, que exige
a existência de controvérsia constitucional para o cabimento de ADPF,
foi pensado para funcionar como requisito da ADPF incidental, mas o STF o
considera inaplicável:
Art. 3º A petição inicial deverá conter: (...)

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V - se for o caso, a comprovação da existência de controvérsia


judicial relevante sobre a aplicação do preceito fundamental que se
considera violado.

No projeto de Lei da ADPF, havia a previsão do ajuizamento


de ADPF incidental por qualquer pessoa do povo.
Essa disposição foi vetada pelo Presidente da
República, sob a justificativa de que ela inviabilizaria
os trabalhos do STF. Com o veto, a legitimidade ativa da ADPF acabou
ficando exatamente igual à da ADI e da ADC. Não haveria razão para o
estabelecimento de um requisito a mais para a propositura da ADPF incidental
com relação à autônoma. Por isso, o STF ignora a exigência do art. 3º, V,
da CR (comprovação da existência de controvérsia judicial relevante) e não
diferencia as hipóteses doutrinárias de ADPF (autônoma e incidental).
Na verdade, o STF exige que haja controvérsia constitucional para o
cabimento da ADPF, prevista no art. 1º, parágrafo único, I, da Lei 9.882/1999.
Para evitar a propositura de ADI ou ADC juntamente com a ADPF, a Lei
9.882/1999 criou um requisito a mais para a ADPF, denominado de “caráter
subsidiário” (art. 4º, § 1º), segundo o qual ela não é cabível se existir outro
meio igualmente eficaz para sanar a lesividade:
Art. 4º (...) § 1o Não será admitida arguição de descumprimento
de preceito fundamental quando houver qualquer outro meio eficaz
de sanar a lesividade.

Ex.: o objeto da ADPF 128 era uma Súmula Vinculante (um ato
normativo). O STF entendeu que ela não poderia ser objeto de
ADPF, por haver um procedimento específico para o seu
cancelamento ou revisão, previsto na Lei 11.417/2006.
Para ser um meio igualmente eficaz, não se exige que se trate de instrumento
de controle concentrado abstrato. Gilmar Mendes entende que meio eficaz é
aquele que tem a mesma amplitude (mesmos efeitos), imediaticidade (tão
rápido quanto) e efetividade (abrangendo as mesmas pessoas) de uma ADPF.
De acordo com o STF, a ADI e a ADPF são fungíveis. Esse entendimento surgiu
em ADPF ajuizada contra uma portaria (e não um decreto), dotada de
generalidade e abstração, que violava diretamente a CR. Em vez de julgar
extinta a ADPF, o STF a admitiu como ADI.

2.3.5.1 – Quanto à natureza (a essência) do objeto

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Como visto, quanto à natureza, o objeto da ADI e da ADC tem de ser lei (de
efeitos concretos ou não) ou ato normativo. Da ADPF, além de lei e ato
normativo, pode ser objeto qualquer ato do Poder Público, como um ato
administrativo de efeitos concretos ou uma sentença judicial.
Ex.: o STF julgou uma ADPF que teve por objeto decisões
judiciais permitindo a importação de pneus usados. No caso
concreto, foi realizada ponderação dos princípios da livre
iniciativa e da proteção ao meio-ambiente, tendo prevalecido este
último.
➢ O STF não admite como objeto de ADPF:
i) enunciado de súmula:
O enunciado de uma súmula nada mais é que a consolidação do
entendimento de um tribunal, de modo que não faz sentido que, através de
uma ADPF, seja cancelado um entendimento reiterado. Para o cancelamento de
uma súmula deve haver, na verdade, uma mudança de entendimento do
próprio tribunal.
ii) proposta de emenda à constituição:
O STF entende que a PEC não é lei nem ato normativo do Poder Público.
iii) veto:
Há dois tipos de veto, o jurídico e o político. O STF não faz essa distinção.
Para o tribunal, a análise do veto deve ser feita politicamente pelo Poder
Legislativo (derrubada).
Novelino concorda com esse entendimento no que se refere ao veto político.
Todavia, quando o chefe do Executivo realiza veto por inconstitucionalidade, ele
está realizando análise jurídica, de modo que nada impediria o ajuizamento de
ADPF.
Segundo o autor, a despeito da possibilidade de derrubada
do veto, a questão não é tão simples. Em se
tratando de uma lei ordinária, por exemplo, têm
de estar presentes à votação ao menos 257
Deputados, do que resulta que para a aprovação a maioria relativa poderá
corresponder a 129 votos. Já para a derrubada do veto, exige-se maioria
absoluta (257 votos). Assim, se o Presidente realiza equivocadamente o veto
jurídico, está automaticamente aumentando o quórum exigido para a aprovação
do projeto, relativamente ao dispositivo vetado.

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2.3.5.2 – Quanto ao aspecto temporal do objeto

O objeto da ADI e da ADC tem de ser necessariamente posterior ao parâmetro.


Já na ADPF, o objeto pode ser tanto anterior quanto posterior. Ex.: na ADPF
54, (abortamento do feto anencéfalo), o objeto foi norma do Código Penal; a Lei
de Imprensa foi objeto de controle de constitucionalidade via ADPF.
Relativamente à modulação de efeitos da decisão proferida em ADPF, aplica-se
tudo quanto visto acerca do tema em ADI e ADC (art. 11 da Lei 9.882/1999),
pelo que àquele estudo se remete:
Art. 11. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato
normativo, no processo de arguição de descumprimento de
preceito fundamental, e tendo em vista razões de segurança
jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo
Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros,
restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha
eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento
que venha a ser fixado.

2.3.5.3 – Quanto ao aspecto espacial do objeto

Relativamente ao aspecto espacial, diferentemente das demais ações de


controle concentrado-abstrato, o objeto pode ser qualquer ato emanado do
Poder Público, das esferas federal, estadual ou municipal12.
Observação: além da ADPF, há uma hipótese em que a lei e
o ato normativo municipais já eram admitidos
como objeto de controle concentrado abstrato junto
ao STF. Trata-se da representação de
inconstitucionalidade (ADI interventiva).
A CR, em seu art. 125, § 2º, traz a previsão de uma representação de
inconstitucionalidade (equivalente a uma ADI):
Art. 125 (...) § 2º - Cabe aos Estados a instituição de
representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos
estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada
a atribuição da legitimação para agir a um único órgão.

12
Dica: para memorização, devem ser colocadas as ações em ordem alfabética: i) ADC:
federal; ii) ADI: federal, estadual/distrital (desde que o conteúdo da lei ou ato seja de
competência estadual); iii) ADPF: federal, estadual e municipal.

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Em se tratando de ação de controle concentrado, o tribunal competente


para o julgamento é o TJ do respectivo Estado-membro. O objeto dessa ADI
é sempre lei ou ato normativo estadual ou municipal e o parâmetro é sempre a
Constituição Estadual.
Todavia, segundo o STF, se a norma da constituição estadual
violada for de reprodução obrigatória13 caberá
Recurso Extraordinário junto ao STF, por quem
propôs a ação ou está defendendo o ato. Esse
RE é interposto no STF, que analisará a norma (lei ou ato normativo municipal
ou estadual) perante a CR, e não a constituição estadual. O RE, neste caso,
deixa de ser instrumento de controle difuso e passa a ser utilizado,
excepcionalmente, como instrumento de controle concentrado concreto.

2.3.6 – A medida liminar na ADPF e seus efeitos

Como visto, a Lei que regulamenta a ADI e a ADC fala em “cautelar”,


enquanto que a Lei que trata da ADPF fala em “medida liminar”.
A liminar na ADPF, em regra, também tem de ser concedida por maioria
absoluta dos membros do STF:
Art. 5º O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria
absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida
liminar na arguição de descumprimento de preceito fundamental.
Na ADC, a cautelar somente pode ser concedida pela maioria dos membros
do STF. Na ADI, como visto, a cautelar também exige a anuência da
maioria, mas admite-se a concessão, pelo Ministro Relator, na hipótese de
recesso do tribunal.
Na ADPF, pelas peculiaridades inerentes ao seu objeto (ou seja, por se tratar
de arguição do descumprimento de um preceito fundamental), o Relator poderá
conceder a liminar não somente no período de recesso, mas quando
vislumbrar hipótese de lesão ou extrema urgência, sempre submetendo a
decisão a referendo do Pleno14:

13
Exemplos de normas de repetição obrigatória: modelo das CPI´s previsto na CR, art. 75 da
CR (aplicação das normas do Tribunal de Contas da União aos Tribunais de Contas estaduais),
normas relativas ao processo legislativo etc.
14
A esse respeito, ver a ADPF 54 (abortamento do feto anencéfalo).

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Art. 5º (...) § 1o Em caso de extrema urgência ou perigo de lesão


grave, ou ainda, em período de recesso, poderá o relator conceder
a liminar, ad referendum do Tribunal Pleno.

A medida liminar concedida na ADPF poderá ter um efeito específico:


suspender a tramitação de processos ou os efeitos de decisões judiciais
ou quaisquer outras medidas, salvo se decorrentes de coisa julgada (art. 5º,
§ 3º, da Lei 9.882/1999):
Art. 5º (...) § 3o A liminar poderá consistir na determinação de
que juízes e tribunais suspendam o andamento de processo ou os
efeitos de decisões judiciais, ou de qualquer outra medida que
apresente relação com a matéria objeto da arguição de
descumprimento de preceito fundamental, salvo se decorrentes da
coisa julgada. (Vide ADIN 2.231-8, de 2000)

2.3.6 – Efeitos da decisão de mérito na ADPF

Todas as decisões de mérito na ADI, na ADC e na ADPF têm efeito erga


omnes.
Relativamente ao efeito vinculante, todavia,
cumpre realizar uma observação quanto à ADPF: o
art. 10, § 3º, da Lei 9.882/1999, ao falar em
“quanto aos demais órgãos do Poder Público”, aparentemente exclui
apenas o STF:
Art. 10 (...) § 3o A decisão terá eficácia contra todos e efeito
vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público.

Veja que a redação difere da do art. 102, § 3º, da CR, que trata do efeito
vinculante da ADI e da ADC e fala em “demais órgãos do Poder Judiciário e
à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual
e municipal”:
Art. 102 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas
pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de
inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de
constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito
vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e
à administração pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 45, de 2004).

Ainda assim, prevalece que em geral o Poder Legislativo não fica vinculado
pela decisão. Apesar de o texto legal ser diferente, o efeito vinculante da ADPF

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seria idêntico ao da ADC e da ADI. Novelino defende que o legislador também


ficaria vinculado (art. 10, caput):
Art. 10. Julgada a ação, far-se-á comunicação às autoridades ou
órgãos responsáveis pela prática dos atos questionados, fixando-se
as condições e o modo de interpretação e aplicação do preceito
fundamental. (...)

Para Novelino, a Constituição não ficaria fossilizada, por não ficar o STF
adstrito à sua decisão. Esse entendimento, contudo, é minoritário.

Legislação

Neste ponto da aula, citamos, para fins de revisão, os principais dispositivos


constitucionais e legais que podem fazer a diferença na hora da prova. Lembre-
se de revisá-los!
Dispositivos constitucionais sobre o tema da aula:

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a


guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo
federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de
lei ou ato normativo federal;
b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-
Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios
Ministros e o Procurador-Geral da República;
c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade,
os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército
e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros
dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os
chefes de missão diplomática de caráter permanente; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 1999)
d) o habeas corpus, sendo paciente qualquer das pessoas referidas
nas alíneas anteriores; o mandado de segurança e o habeas
data contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara
dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da
União, do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo
Tribunal Federal;
e) o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a
União, o Estado, o Distrito Federal ou o Território;
f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o
Distrito Federal, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas
entidades da administração indireta;

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g) a extradição solicitada por Estado estrangeiro;


i) o habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou
quando o coator ou o paciente for autoridade ou funcionário cujos
atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo
Tribunal Federal, ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição
em uma única instância; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 22, de 1999)
j) a revisão criminal e a ação rescisória de seus julgados;
l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia
da autoridade de suas decisões;
m) a execução de sentença nas causas de sua competência
originária, facultada a delegação de atribuições para a prática de
atos processuais;
n) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta
ou indiretamente interessados, e aquela em que mais da metade
dos membros do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam
direta ou indiretamente interessados;
o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça
e quaisquer tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e
qualquer outro tribunal;
p) o pedido de medida cautelar das ações diretas de
inconstitucionalidade;
q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma
regulamentadora for atribuição do Presidente da República, do
Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado
Federal, das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal
de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio
Supremo Tribunal Federal;
r) as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o
Conselho Nacional do Ministério Público; (Incluída pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)
II - julgar, em recurso ordinário:
a) o habeas corpus, o mandado de segurança, o habeas data e o
mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais
Superiores, se denegatória a decisão;
b) o crime político;
III - julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas
em única ou última instância, quando a decisão recorrida:
a) contrariar dispositivo desta Constituição;
b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;
c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face
desta Constituição.
d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal. (Incluída
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

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§ 1º A arguição de descumprimento de preceito fundamental,


decorrente desta Constituição, será apreciada pelo Supremo
Tribunal Federal, na forma da lei. (Transformado em § 1º pela
Emenda Constitucional nº 3, de 17/03/93)
§ 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo
Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas
ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia
contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos
do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas
esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)
§ 3º No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a
repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso,
nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do
recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois
terços de seus membros.
Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a
ação declaratória de constitucionalidade: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 13.105, de
2015) (Vigência)
I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV - a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do
Distrito Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
45, de 2004)
V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
VI - o Procurador-Geral da República;
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito
nacional.
§ 1º O Procurador-Geral da República deverá ser previamente
ouvido nas ações de inconstitucionalidade e em todos os processos
de competência do Supremo Tribunal Federal.
§ 2º Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida
para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao
Poder competente para a adoção das providências necessárias e,
em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta
dias.
§ 3º Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a
inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo,
citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o
ato ou texto impugnado.

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Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por


provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros,
após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar
súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá
efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário
e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou
cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417, de
2006).
§ 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a
eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja
controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a
administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e
relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a
aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser
provocada por aqueles que podem propor a ação direta de
inconstitucionalidade. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45,
de 2004)
§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a
súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá
reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a
procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão
judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou
sem a aplicação da súmula, conforme o caso. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004).

Resumo

O controle difuso é aquele exercido por qualquer juiz ou tribunal (norte-


americano). Não há ação específica para realizá-lo, sendo feito incidentalmente
nas ações processuais regulares.
Não há, a priori, vedação à utilização de ação civil pública para a realização do
controle de constitucionalidade de uma lei. Todavia, para que uma ação civil
pública possa ser admitida como instrumento de controle de
constitucionalidade, a inconstitucionalidade deve ser apenas fundamento do
pedido, questão incidental ou a causa de pedir, e não o pedido em si, que tem
de ser de efeitos concretos.

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A cláusula de reserva de plenário (ou regra do “full bench”15) é o item mais


cobrado em concursos dentro do tema controle difuso. Está prevista no art. 97
da CR:
Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos
membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.

O nome “reserva de plenário” se deve ao fato de que determinadas


competências, como a declaração de inconstitucionalidade, são reservadas ao
pleno ou ao órgão especial do tribunal (art. 93, XI, CR), não podendo ser
exercidas por órgão fracionário (câmara ou turma). Algumas competências do
pleno podem ser delegadas ao órgão especial, que nesses casos fará as vezes
do pleno:
Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá
sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: (...)
XI – nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores, poderá ser
constituído órgão especial, com o mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco
membros, para o exercício das atribuições administrativas e jurisdicionais
delegadas da competência do tribunal pleno, provendo-se metade das vagas por
antiguidade e a outra metade por eleição pelo tribunal pleno; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Súmula Vinculante 10 - VIOLA A CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO (CF,
ARTIGO 97) A DECISÃO DE ÓRGÃO FRACIONÁRIO DE TRIBUNAL QUE, EMBORA
NÃO DECLARE EXPRESSAMENTE A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO
NORMATIVO DO PODER PÚBLICO, AFASTA SUA INCIDÊNCIA, NO TODO OU EM
PARTE.

Como visto anteriormente, no Brasil foi introduzido o sistema norte-americano


de controle de constitucionalidade sem o instituto da stare decisis (vinculação
da decisão da Corte Constitucional a todos os demais órgãos judiciais).
Para o preenchimento dessa lacuna, foi criada a norma que hoje está
reproduzida no art. 52, X, CR: o Senado, se achar conveniente, pode editar
Resolução determinando a suspensão da execução da lei declarada
inconstitucional, hipótese em que a decisão do STF passará a ter eficácia erga
omnes:
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: (...)
X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional
por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal;

15
Em tradução livre, “tribunal cheio”, “tribunal completo”.

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Controle de constitucionalidade concentrado é aquele cuja competência


concentra em apenas um órgão do Poder Judiciário, que no Brasil é o STF,
quando o parâmetro for a Constituição da República, e o TJ, quando o
parâmetro for a Constituição Estadual. Já o controle abstrato é aquele realizado
por via de uma ação específica, tendo por finalidade principal assegurar a
supremacia da Constituição.
São instrumentos de controle concentrado-abstrato no Brasil:
i) Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI);
ii) Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC);
iii) Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO);
iv) Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF).
A ADI e a ADC possuem características muito semelhantes. Por isso serão
estudadas conjuntamente. São ações com caráter dúplice ou ambivalente. Têm
a mesma natureza: o que muda é simplesmente o “sinal” (procedente ou
improcedente, positivo ou negativo), mas o resultado é o mesmo (art. 24 da Lei
9.868/1999):
Art. 24. Proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á improcedente a ação direta
ou procedente eventual ação declaratória; e, proclamada a inconstitucionalidade,
julgar-se-á procedente a ação direta ou improcedente eventual ação declaratória.

Uma mesma lei, portanto, pode ser objeto, ao mesmo tempo, de uma ADI e de
uma ADC. Nesse caso, o STF as apensará, para julgamento conjunto.
Na ADI, ADC e ADPF não se admite intervenção de terceiros, assistência ou
desistência.
Ambas as leis que regulamentam essas ações são expressas no sentido do
descabimento da intervenção de terceiros. Gilmar Mendes, Marcelo Novelino e
outros doutrinadores entendem que a figura do amicus curiae16 não seria uma
espécie de intervenção de terceiros, mas não há consenso. Para o STJ, por
exemplo, trata-se de intervenção de terceiros.
A assistência é vedada, ainda que se entenda não se tratar de hipótese de
intervenção de terceiros, por dispositivo expresso do Regimento Interno do STF.
A desistência também é incabível porque aquele que propõe a ação defende o
interesse público.
Nessas ações, a decisão de mérito é irrecorrível, salvo a possibilidade de
oposição de embargos declaratórios para esclarecer o conteúdo da decisão,

16
O tema amicus curiae será desenvolvido em direito processual civil.

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caso o recorrente vislumbre omissão, contradição ou obscuridade. Quem decide


o recurso é o órgão máximo do Poder Judiciário: o Pleno do STF.
Antes da CR/88, somente existia uma ação de controle concentrado-abstrato: a
representação de inconstitucionalidade (uma espécie de ADI). O único
legitimado a propô-la era o Procurador-Geral da República. Com o advento da
CR/88, o rol de legitimados foi muito ampliado: são nove, no total (art. 103 da
CR):
Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade [ADI] e a ação
declaratória de constitucionalidade [ADC, sendo que também se aplica à ADPF
e ADO]: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV - a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito
Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)
VI - o Procurador-Geral da República;
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.

Quando a ADC foi criada, o rol de legitimados para propô-la era mais restrito
(Presidente, PGR, Mesas da Câmara e do Senado). Com a EC 45/2004, o rol
ficou igual nas quatro ações de controle concentrado-abstrato. Perceba que a
CR fala apenas na ADI e na ADC, mas nas leis da ADO e da ADPF o rol é
idêntico.
A jurisprudência do STF faz uma distinção entre legitimados ativos universais e
especiais17. Veja que não há previsão legal ou constitucional para essa
distinção. Os legitimados especiais precisam demonstrar pertinência
temática, ou seja, a relação entre o interesse por eles defendido e o objeto
impugnado, que é verdadeira condição de admissibilidade da ação.
Podem ser objeto de ADI e ADC a lei e o ato normativo. Veja que o objeto
dessas ações tem de possuir as características da generalidade e da abstração.

17
Para fins de concurso, é importante memorizar o rol de legitimados. Dica: as autoridades da
União são legitimados Universais. As autoridades Estaduais são legitimados Especiais.

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A lei ou o ato normativo tem de possuir ligação direta com a Constituição.


Quando isso ocorre, dá-se o nome de inconstitucionalidade direta ou
antecedente. Há a exceção do decreto inconstitucional por arrastamento, mas,
mesmo nessa hipótese, tem de haver lei inconstitucional regulamentada.
O STF não admitia como objeto de ADI ou ADC as chamadas leis de efeitos
concretos (aquela que não é dotada de generalidade nem de abstração). Esse
entendimento era pacífico. Entretanto, em 2008 o STF alterou seu
posicionamento (ADI 4048/Medida Cautelar). Hoje é possível ajuizar ADI ou
ADC contra leis de efeitos concretos desde que a controvérsia tenha sido
suscitada em abstrato, pouco importando caráter geral ou específico, concreto
ou abstrato do objeto.
O que acontece caso o ato normativo que estava sendo impugnado na ADI seja
revogado antes do julgamento da ação? Regra: haverá perda superveniente do
objeto e a ADI não deverá ser conhecida (STF ADI 1203). Exceção 1: não
haverá perda do objeto e a ADI deverá ser conhecida e julgada caso fique
demonstrado que houve "fraude processual", ou seja, que a norma foi revogada
de forma proposital a fim de evitar que o STF a declarasse inconstitucional e
anulasse os efeitos por ela produzidos (STF ADI 3306). Exceção 2: não haverá
perda do objeto se ficar demonstrado que o conteúdo do ato impugnado foi
repetido, em sua essência, em outro diploma normativo. Neste caso, como não
houve desatualização significativa no conteúdo do instituto, não há obstáculo
para o conhecimento da ação (ADI 2418/DF). Exceção 3: caso o STF tenha
julgado o mérito da ação sem ter sido comunicado previamente que houve a
revogação da norma atacada. Nesta hipótese, não será possível reconhecer,
após o julgamento, a prejudicialidade da ADI já apreciada. STF. Plenário. ADI
2418/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 4/5/2016 (Info 824). STF.
Plenário. ADI 951 ED/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27/10/2016
(Info 845).
Quanto ao aspecto espacial, há diferença entre os objetos da ADI e da ADC
(art. 102, I, “a”, da CR):
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da
Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou
estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo
federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)

A ADI admite como objeto lei ou ato normativo das esferas federal ou estadual.
Já a ADC admite como objeto somente lei ou ato normativo da esfera federal.

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Existe PEC tramitando no Congresso com o objetivo de ampliar o objeto da


ADC, em seu aspecto espacial, para torná-lo idêntico ao da ADI.
PGR, no controle de constitucionalidade, atua na condição de custus
constituitionis, ou seja, como fiscal da supremacia da Constituição (art. 103, §
1º, da CR):
Art. 103 (...) § 1º - O Procurador-Geral da República deverá ser previamente
ouvido nas ações de inconstitucionalidade e em todos os processos de
competência do Supremo Tribunal Federal.

Note que ele atua como tal não só nas ações de inconstitucionalidade como em
todos os processos de competência do STF (sem exceção).
A participação do AGU está prevista no art. 103, § 3º, da CR:
Art. 103 (...) § 3º - Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a
inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citará,
previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto
impugnado.

Trata-se de uma participação diferente da do PGR. “Em tese” significa que o


AGU participará somente dos casos de apreciação de constitucionalidade em
controle concentrado-abstrato.
O AGU não atuará como custus constituitionis. Na verdade, ele está obrigado a
defender a constitucionalidade do ato impugnado: será o defensor legis. O AGU
funciona como curador da presunção de constitucionalidade das leis.
Especificamente no caso da ADI, além dos efeitos erga omnes e vinculante e da
suspensão do julgamento dos processos18, a medida cautelar poderá suspender
também a aplicação da lei ou do ato normativo.
Quando a medida cautelar é concedida em ADI, suspendendo determinada lei
ou ato normativo, o efeito dessa decisão será, em regra, ex nunc. Isso porque o
STF não está declarando a norma inconstitucional, mas somente suspendendo a
sua aplicação. Há, todavia, a possibilidade de modulação dos efeitos temporais
de decisão cautelar, conferindo a ela efeito ex tunc (art. 11, § 1º, da Lei
9.868/1999):
Art. 11 (...) § 1o A medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será
concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe
eficácia retroativa.

Concedida medida cautelar em ADI suspendendo determinada lei revogadora,


pode ocorrer de a lei anterior (revogada) se tornar automaticamente aplicável.

18
A suspensão do julgamento dos processos que tratam do mesmo tema em ADI não tem
previsão expressa na lei, mas decorre da aplicação do dispositivo relativo à ADC, por analogia.

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Trata-se do chamado de “efeito repristinatório tácito” ou “repristinação tácita”


(“tácito” porque na decisão o STF nada diz acerca da lei revogada). Se a lei
revogada também for inconstitucional, o STF pode expressamente vedar a
retomada da eficácia dela (art. 11, § 2º, da Lei 9.868/1999):
Art. 11 (...) § 2o A concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação
anterior [efeito repristinatório tácito] acaso existente, salvo expressa
manifestação em sentido contrário.

A ADPF está prevista no art. 102, § 1º, da CR e também é fruto do poder


constituinte originário. Originariamente, ela constava do parágrafo único do
dispositivo, o qual foi transformado em § 1º pela EC 3/1993:
Art. 102 (...) § 1.º A arguição de descumprimento de preceito fundamental,
decorrente desta Constituição, será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na
forma da lei. (Transformado em § 1º pela Emenda Constitucional nº 3, de
17/03/93)

Diferentemente das demais ações até aqui estudadas, trata-se da arguição do


descumprimento de um preceito fundamental, e não de uma
inconstitucionalidade. Descumprimento da Constituição não é sinônimo de
inconstitucionalidade, sendo considerado pela doutrina como muito mais amplo
que a inconstitucionalidade. Segundo esse entendimento, o descumprimento de
preceito fundamental abrange a inconstitucionalidade, pois toda
inconstitucionalidade é uma forma de descumprimento da CR. Mas, além dela,
há outras formas de descumprimento, como a incompatibilidade com a CR de
uma norma anterior a ela (hipótese de não recepção). Por conta dessa
diferença, o objeto da ADPF é muito mais amplo que o da ADI e da ADC.
Por outro lado, o parâmetro é mais restrito que na ADI e ADC 19. Trata-se da
arguição do descumprimento apenas de preceitos fundamentais, e não de toda
a CR. Na ADI e na ADC, o parâmetro é amplo, abrangendo inclusive tratados
internacionais. Na ADPF, por sua vez, o parâmetro não abrange todas as
normas constitucionais ou equiparadas.
José Afonso da Silva estabelece um critério para tentar definir quais normas
seriam fundamentais. Segundo o autor, “fundamental é aquele preceito que
confere identidade à Constituição, ao regime por ela adotado ou que consagra
um direito fundamental”. Exemplos (rol exemplificativo):
i) Título I “Dos Princípios Fundamentais”: se são princípios fundamentais, são
preceitos fundamentais.
ii) Título II “Dos Direitos e Garantias Fundamentais”.

19
Relembrando: objeto é o ato que viola a constituição. Parâmetro é a norma constitucional
violada.

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iii) Art. 34, VII (princípios constitucionais sensíveis): violados tais princípios,
poderá o PGR ajuizar ADI interventiva que, se procedente, poderá ensejar
intervenção federal no estado.
iv) cláusulas pétreas: são preceitos fundamentais por conferirem identidade à
Constituição.
v) meio-ambiente.
Para evitar a propositura de ADI ou ADC juntamente com a ADPF, a Lei
9.882/1999 criou um requisito a mais para a ADPF, denominado de “caráter
subsidiário” (art. 4º, § 1º), segundo o qual ela não é cabível se existir outro
meio igualmente eficaz para sanar a lesividade:
Art. 4º (...) § 1o Não será admitida arguição de descumprimento de preceito fundamental
quando houver qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade.

QUESTÕES COMENTADAS

Q.1. Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: Prefeitura de Marília - SPProva:


Procurador Jurídico
Considerando as regras do controle de constitucionalidade no direito brasileiro,
assinale a alternativa que prevê hipótese em que é necessária a observância da
cláusula de reserva de plenário.
a) Decisão de Tribunal que afasta a incidência da lei, mas não declara expressamente
a sua inconstitucionalidade, sem pronunciamento anterior do Pleno, do Órgão Especial
ou do STF sobre a questão.
b) Quando o Tribunal, ao apreciar e julgar lei ou o ato normativo do poder público
questionado perante a Constituição Federal, decidir, expressamente, pela sua
constitucionalidade.
c) Decisão do Tribunal que, ao apreciar norma anterior à Constituição Federal vigente,
decidir pela sua revogação por incompatibilidade com o novo texto constitucional.
d) Quando o Tribunal, utilizando a técnica de interpretação conforme a Constituição,
mantém a norma vigente por ausência de contrariedade às normas da Constituição
Federal.
e) Decisão do Tribunal que indefere pedido de medida cautelar em ação na qual se

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postula a inconstitucionalidade da lei ou de ato normativo do poder público.


Comentários:
Gabarito A.
Súmula Vinculante nº 10: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a
decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta sua incidência,
no todo ou em parte.
NÃO precisa observar a Reserva de Plenário:
Na hipótese do art. 949, parágrafo único, do CPC;
Se o Tribunal mantiver a Constitucionalidade;
No caso de normas pré-constitucionais e sua recepção ou revogação;
Quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição;
Nas decisões em sede de medida cautelar;
Nas Turmas Recursais dos Juizados Especiais;
Para atos de efeitos individuais e concretos (Rcl. 18165 AgRR. Info 844);
Para decisão que decreta nulidade de ato administrativo contrário à CF/88 (Info 546).

Q.2. Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: Prefeitura de Marília - SPProva:


Procurador Jurídico
Assinale a alternativa que está de acordo com as súmulas vinculantes do Supremo
Tribunal Federal.
a) A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar viola a
Constituição Federal.
b) A Justiça Estadual é competente para processar e julgar ação possessória ajuizada
em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa
privada.
c) É constitucional a exigência de depósito prévio como requisito de admissibilidade de
ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito tributário.
d) É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais elementos da
base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral
identidade entre uma base e outra.
e) Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária está sujeita
ao princípio da anterioridade.
Comentários:

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Gabarito D.
A) ERRADA. SÚMULA VINCULANTE Nº 5 - A falta de defesa técnica por advogado no
processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição.
B) ERRADA. SÚMULA VINCULANTE 23 - A Justiça do Trabalho é competente para
processar e julgar ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de
greve pelos trabalhadores da iniciativa privada.
C) ERRADA. SÚMULA VINCULANTE 21 - É inconstitucional a exigência de depósito
ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso
administrativo.
D) CORRETA. SÚMULA VINCULANTE 29 - É constitucional a adoção, no cálculo do valor
de taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo própria de determinado
imposto, desde que não haja integral identidade entre uma base e outra.
E) ERRADA. SÚMULA VINCULANTE 50 - Norma legal que altera o prazo de
recolhimento de obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade.

Q.3. Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: Prefeitura de Marília - SPProva:


Procurador Jurídico
A Súmula Vinculante n° 31, do Supremo Tribunal Federal, estatui que é
inconstitucional a incidência do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS
sobre operações de locação de bens móveis. No entanto, por hipótese, o Município de
Marília continua a exigir o tributo, face ao que, a empresa X resolve questionar
administrativamente a cobrança e requerer a restituição dos valores pagos
indevidamente. O último recurso cabível na esfera administrativa, interposto pela
empresa X, foi indeferido, restando, portanto, negada a pretensão inicial de restituição
do indébito. Diante de tal quadro, caberia
a) apresentar embargos de declaração perante a Administração, a fim de
prequestionar a questão constitucional subjacente para preencher os requisitos de
interposição de Recurso Extraordinário.
b) acionar o Poder Judiciário, por meio de um Mandado de Injunção, para suprir a
omissão do administrador em aplicar a súmula, sendo que a decisão do Supremo
Tribunal Federal poderá anular a decisão proferida pela Administração.
c) acionar o Poder Judiciário, por meio de uma Ação de Inconstitucionalidade, para
compelir o administrador ao cumprimento da Súmula, determinando o pagamento do
valor devido, no prazo de 30 (trinta) dias.
d) acionar o Poder Judiciário, por meio de uma Reclamação ao Supremo Tribunal
Federal, que, julgada procedente, anulará o ato administrativo, no caso, a decisão
final do recurso que indeferiu o pleito da empresa X de restituição do indébito.
e) tão somente acolher a decisão administrativa, pois a pretensão da empresa X de

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discutir a decisão administrativa não possui amparo no ordenamento jurídico pátrio,


pois não há controle judicial de ato administrativo.
Comentários:
Gabarito D.
LEI 11417/2006 - Art. 7o Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar
enunciado de súmula vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá
reclamação ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios
admissíveis de impugnação.
§ 1o Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será
admitido após esgotamento das vias administrativas.
§ 2o Ao julgar procedente a reclamação, o Supremo Tribunal Federal anulará o ato
administrativo ou cassará a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja
proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso.

Q.4. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: DPE-ALProva: Defensor Público


Caracterizará exercício do controle abstrato de constitucionalidade
a) decisão do STF que julgue procedente mandado de injunção no caso de omissão
legislativa que torne inviável o exercício do direito de greve.
b) incidente de inconstitucionalidade julgado pelo órgão especial dos tribunais de
justiça mediante a observância da cláusula de reserva de plenário.
c) a suspensão, pelo Senado Federal, da execução de lei declarada inconstitucional
pelo STF.
d) a concessão de medida liminar pelo STF, no âmbito de arguição de descumprimento
de preceito fundamental, para suspender os efeitos de lei federal já revogada, em
razão da verificação de lesão a preceito fundamental.
e) a apreciação da constitucionalidade das leis e atos normativos do poder público
pelos tribunais de contas, desde que no exercício de suas atribuições.
Comentários:
Gabarito D.
A alternativa D é a única que consta uma forma de controle abstrato de
constitucionalidade.

Q.5. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: DPE-ALProva: Defensor Público


Após o devido processo legislativo, o prefeito de um município promulgou lei
reduzindo direitos fundamentais trabalhistas, com o objetivo de aumentar o número

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de empregos na localidade.
Considerando-se essa situação hipotética e tomando-se como parâmetro do controle
de constitucionalidade a Constituição Federal de 1988, é possível questionar a referida
lei municipal por meio de
a)ação declaratória de constitucionalidade ajuizada no tribunal de justiça, desde que
haja previsão na constituição estadual.
b) arguição de descumprimento de preceito fundamental ajuizada no STF.
c) ação direta de inconstitucionalidade ajuizada no STF.
d) mandado de segurança impetrado no juízo de primeira instância.
e) ação direta de inconstitucionalidade ajuizada no tribunal de justiça respectivo,
independentemente de a matéria ser de reprodução obrigatória na constituição
estadual.
Comentários:
Gabarito B.
A) errada, pois a Ação Direta de Inconstitucionalidade)não é cabível para impugnar lei
municipal.
B) correta, tendo em vista que a Lei nº 9.882. Art.1º. A arguição prevista no §1º do
artigo 102 da Constituição Federal será proposta perante o Supremo Tribunal Federal,
e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do
Poder Público.
Parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de preceito
fundamental:
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato
normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição.
C) Não se admite ADI no STF em face de lei municipal.
D) errada, pois a Súmula 266 do STF diz que "Não cabe mandado de segurança contra
lei em tese".
E) errada. Em regra, quando os Tribunais de Justiça exercem controle abstrato de
constitucionalidade de leis municipais deverão examinar a validade dessas leis à luz da
Constituição Estadual.
Exceção: os Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de
constitucionalidade de leis municipais utilizando como parâmetro normas da
Constituição Federal, desde que se trate de normas de reprodução obrigatória pelos
Estados. STF. RE 650898-RS, Plenário. Rel. originário Min. Marco Aurélio, Rel. para
acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 01/02/2017 (repercussão geral).
Nesse compasso, deve haver norma na Constituição Estadual que seja contrariada.

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Q.6. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: TRF - 5ª REGIÃOProva: Juiz Federal


Substituto
Foi proposta, por um terço das assembleias legislativas das unidades da Federação,
emenda constitucional com o objetivo de alterar dispositivo referente à Defensoria
Pública, visando-se aprimorar a estrutura orgânico-institucional desse órgão. Votada
em dois turnos nas duas casas do Congresso Nacional, a emenda foi aprovada
mediante três quintos dos votos dos membros de cada uma delas.
Nesta situação hipotética, a referida proposta deve ser considerada
a) constitucional, pois o tema tratado na emenda respeita as limitações formais e
materiais ao poder constituinte derivado reformador.
b) inconstitucional, já que a emenda fere limitação formal ao poder constituinte
derivado reformador.
c) inconstitucional, pois a emenda fere cláusula pétrea da separação dos poderes.
d) inconstitucional, uma vez que a emenda fere cláusula de reserva de iniciativa do
chefe do Poder Executivo.
e) constitucional, porquanto o poder constituinte derivado é ilimitado.
Comentários:
Gabarito B.
O erro da assertiva em verdade está na quantidade de Assembléias Legislativas que se
manifestaram pela alteração constitucional. A Constituição Federal exige "mais da
metade das Assembléias Legislativas" e por isso há um vício formal na emenda.
Confira-se:
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado
Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação,
manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.

Q.7. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: TRF - 5ª REGIÃOProva: Juiz Federal


Substituto
À luz do entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), julgue os seguintes itens,
acerca do controle incidental de constitucionalidade.
I. Admite-se o controle difuso de constitucionalidade em ação civil pública, desde que
a alegação de inconstitucionalidade não se confunda com o pedido principal da causa.
II. Não se admite a modulação temporal de efeitos em controle difuso de

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constitucionalidade.
III A cláusula de reserva de plenário se aplica às turmas recursais dos juizados
especiais.
IV. A regra da reserva de plenário não se aplica a julgamento de competência
singular, podendo o juiz, mesmo de ofício, deixar de aplicar preceitos normativos que
considere contrários ao texto constitucional.
Estão certos apenas os itens
a) I e III.
b) I e IV.
c) II e III.
d) II e IV.
e) I, III e IV.
Comentários:
Gabarito B.
I - (CORRETO) Controle difuso em sede de ação civil pública: só será cabível o
controle difuso, em sede de ação civil pública “como instrumento idôneo de
fiscalização incidental de constitucionalidade, pela via difusa, de quaisquer leis ou atos
do Poder Público, mesmo quando contestados em face da Constituição da República,
desde que, nesse processo coletivo, a controvérsia constitucional, longe de identificar-
se como objeto único da demanda, qualifique-se como simples questão prejudicial,
indispensável à resolução do litígio principal” (Min. Celso de Mello, Rcl 1.733-SP, DJ de
1.º 12.2000 — Inf. 212/STF).
Regra geral: a ação civil pública não pode ser ajuizada como sucedâneo de ação direta
de inconstitucionalidade, pois, em caso de produção de efeitos erga omnes, estaria
provocando verdadeiro controle concentrado de constitucionalidade, usurpando
competência do STF (cf. STF, Rcl 633-6/SP, Min. Francisco Rezek, DJ de 23.09.1996,
p. 34945).
II - (ERRADO) Modulação temporal de efeitos em controle difuso de
constitucionalidade: No direito pátrio, embora a Lei nº 9.868/1999 (em seu art. 27)
tenha autorizado o Supremo Tribunal Federal a declarar a inconstitucionalidade com
efeitos temporais limitados tão somente no controle concentrado, é lícito indagar a
admissibilidade do uso dessa técnica de decisão também no controle difuso. Em suma,
vale questionar se a orientação ali contida se revela apta a conformar os efeitos no
tempo também em sede de controle difuso. (Fonte: Manual de D. Const. Nathália
Masson, 2015, p. 1.074).
III - (ERRADO) A cláusula de reserva de plenário NÃO se aplica às Turmas Recursais
dos Juizados Especiais. Embora órgão recursal, as Turmas de Juizados não podem ser
consideradas “tribunais”.
IV - (CORRETO) A cláusula de reserva de plenário NÃO se aplica à decisão de juízo

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monocrático de primeira instância.

Q.8.Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: DPE-ACProva: Defensor Público


O controle abstrato de constitucionalidade de determinado dispositivo da lei orgânica
de Rio Branco em face da CF deverá ser provocado pela
a) propositura de ADI junto ao TJ/AC.
b) interposição de recurso extraordinário para julgamento pelo STF.
c) impetração de mandado de segurança para julgamento pelo TJ/AC.
d) propositura de ADPF junto ao STF.
e) propositura de ADI junto ao STF.
Comentários:
Gabarito D.
Lei 9.882/99, art. 1o A argüição prevista no § 1o do art. 102 da Constituição Federal
será proposta perante o Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar
lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público.
Parágrafo único. Caberá também argüição de descumprimento de preceito
fundamental:
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato
normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição;

Q.9.Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: PGE-SEProva: Procurador do Estado


Embora o sistema brasileiro não admita o controle jurisdicional da constitucionalidade
material dos projetos de lei, a jurisprudência do STF reconhece, excepcionalmente,
que tem legitimidade para impetrar mandado de segurança
a) o parlamentar ou o MP, em se tratando de proposta de emenda à CF ou projeto de
lei tendente a abolir cláusula pétrea.
b) qualquer cidadão ou o MP, se o projeto de lei tender a abolir cláusula pétrea.
c) apenas o MP, caso se trate exclusivamente de proposta de emenda à CF tendente a
abolir cláusula pétrea.
d) o parlamentar, para impugnar inconstitucionalidade formal no processo legislativo
ou proposição tendente a abolir cláusulas pétreas.
e) a mesa de qualquer uma das casas legislativas, para impugnar
inconstitucionalidade formal no processo legislativo ou proposta de emenda à CF
tendente a abolir cláusulas pétreas.

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Comentários:
Gabarito D.
"É possível que o STF, ao julgar MS impetrado por parlamentar, exerça controle de
constitucionalidade de projeto que tramita no Congresso Nacional e o declare
inconstitucional, determinando seu arquivamento?
Regra geral: NÃO
Existem duas exceções nas quais o STF pode determinar o arquivamento da
propositura: a) Proposta de emenda constitucional que viole cláusula pétrea; b)
Proposta de emenda constitucional ou projeto de lei cuja tramitação esteja ocorrendo
com violação às regras constitucionais sobre o processo legislativo."

Q.10.Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: PGE-SEProva: Procurador do Estado


Determinado estado da Federação promulgou sua lei orçamentária anual, a qual teve
sua constitucionalidade contestada em sede de controle abstrato de
constitucionalidade, sob o argumento de que ela não teria dado oportunidade, na fase
de elaboração do seu texto, de participação aos cidadãos, bem como que teria
desrespeitado os marcos temporais do ciclo orçamentário estabelecidos pela lei
estadual a que deu aplicação.
Quanto à situação hipotética apresentada, assinale a opção correta.
a) É admissível, segundo entendimento do STF, o controle abstrato de
constitucionalidade de lei orçamentária anual, independentemente do caráter abstrato
ou concreto do seu objeto.
b) A constitucionalidade da lei em questão não poderia ter sido questionada, uma vez
que o orçamento participativo não tem previsão legal.
c) A constitucionalidade da lei em apreço foi corretamente questionada, pois os
estados devem cumprir o prazo de envio e devolução do projeto de lei orçamentária,
sendo impedidos de fixar outros marcos temporais.
d) A participação popular é prevista apenas na fase de discussão do projeto de lei
orçamentária, não sendo extensiva à fase de elaboração do texto legal.
e) A declaração de inconstitucionalidade da lei possibilitará a aplicação de lei municipal
suplementar que verse sobre direito financeiro, mesmo que inexista interesse local.
Comentários:
Gabarito A.
No julgamento da ADI 5.449-MC (10/03/2016), o Plenário do STF, consolidando o seu
entendimento, afirmou ser possível a impugnação, em sede de controle abstrato de
constitucionalidade, de leis orçamentárias.

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Q.11.Ano: 2017Banca: FCCÓrgão: TSTProva: Juiz do Trabalho Substituto


A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) foi regulamentada
pela Lei n°9.882/1999. Da mesma forma que a Ação Direta de Inconstitucionalidade
(ADI), a ADPF é uma ação no âmbito do controle abstrato e concentrado de
constitucionalidade. Ambas as ações são iguais em diversos aspectos. Em diversas
situações, a arguição da inconstitucionalidade de uma lei pode ser feita por meio de
qualquer das duas ações, sem diferenças. Mas há situações em que apenas uma delas
é cabível. Diante disso, a constitucionalidade de
a) leis estaduais e municipais somente pode ser questionada por meio de ADPF.
b) leis municipais e de leis anteriores à promulgação da Constituição de 1988 somente
pode ser questionada por meio de ADPF.
c) emendas constitucionais e leis complementares somente pode ser questionada por
meio de ADI.
d) tratados internacionais e leis anteriores à promulgação da Constituição de 1988
somente pode ser questionada por meio de ADPF.
e) tratados internacionais e de leis que envolvem direitos fundamentais somente pode
ser questionada por meio de ADPF.
Comentários:
Gabarito B.
"A arguição de descumprimento de preceito fundamental foi concebida pela Lei
9.882/99 para servir como um instrumento de integração entre os modelos difuso e
concentrado de controle de constitucionalidade, viabilizando que atos estatais antes
insuscetíveis de apreciação direta pelo Supremo Tribunal Federal, tais como normas
pré-constitucionais ou mesmo decisões judiciais atentatórias a cláusulas fundamentais
da ordem constitucional, viessem a figurar como objeto de controle em processo
objetivo. A despeito da maior extensão alcançada pela vertente objetiva da jurisdição
constitucional com a criação da nova espécie de ação constitucional, a Lei 9.882/99
exigiu que os atos impugnáveis por meio dela encerrassem um tipo de lesão
constitucional qualificada, simultaneamente, pela sua (a) relevância (porque em
contravenção direta com paradigma constitucional de importância fundamental) e (b)
difícil reversibilidade (porque ausente técnica processual subsidiária capaz de fazer
cessar a alegada lesão com igual eficácia.)" (ADPF 127, rel. min. Teori Zavascki,
decisão monocrática, julgamento em 25-2-2014, DJE de 28-2-2014.)

Q.12. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: MPE-RRProva: Promotor de Justiça


Substituto
Se um município de determinado estado da Federação editasse lei que restringisse a
competência investigativa do MP ao âmbito daquele estado, e se, em consequência, os

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membros do parquet resolvessem questionar a lei em sede de controle concentrado,


então, nesse caso hipotético, seria cabível
a) o procurador-geral da República ajuizar intervenção federal no STF, alegando
violação a princípio constitucional sensível.
b) o governador do estado ajuizar ADI no STF, alegando violação à CF.
c) a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público propor ADPF no STF,
alegando violação de prerrogativas constitucionais do MP pela lei municipal.
d) o procurador-geral de justiça ajuizar representação de inconstitucionalidade no
âmbito do tribunal de justiça estadual, alegando violação à CF.
Comentários:
Gabarito C.
ADPF pode questionar em controle concentrado lei municipal em face da CF no STF,
sendo essa associação legítima para propô-la.
Lei 9882 Art. 1o A argüição prevista no § 1o do art. 102 da Constituição Federal será
proposta perante o Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar
lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público.
Parágrafo único. Caberá também argüição de descumprimento de preceito
fundamental:
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato
normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição;
Art. 2o Podem propor argüição de descumprimento de preceito fundamental:
I - os legitimados para a ação direta de inconstitucionalidade; (Art. 103 CF)

Q.13.Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: Prefeitura de São José dos Campos -


SPProva: Procurador
Com relação ao controle de constitucionalidade abstrato de norma estadual, quando
esta for submetida ao duplo controle judicial, por meio de ação direta, pelo STF e pelo
respectivo tribunal de justiça (TJ), é correto afirmar:
a) se a norma for declarada constitucional, primeiro pelo TJ, com trânsito em julgado,
e havendo ação direta em trâmite perante o STF, este deve extinguir o processo da
ADI por perda de interesse de agir superveniente.
b) se o STF declarar a norma inconstitucional, estando em julgamento a ação direta
perante o tribunal de justiça, esta perderá o seu objeto, não mais produzindo a
respectiva norma efeitos no respectivo Estado.
c) pelo sistema brasileiro, não pode haver duas ações diretas de inconstitucionalidade
simultâneas em trâmite, devendo, nessa hipótese, uma delas ser extinta e ter

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continuidade a primeira que foi ajuizada.


d) se a ADI for ajuizada primeiramente junto ao TJ, a ação direta aforada perante o
STF deverá ser suspensa para aguardar o julgamento do Tribunal de Justiça.
e) se o STF declarar constitucional a norma perante a CF, o TJ não mais poderá
prosseguir com o julgamento da ADI impugnada também perante a Constituição
Estadual.
Comentários:
Gabarito B.
1. Trâmite simultâneo de duas ADI: Ocorrerá o sobrestamento do processo objeto
perante o TJ até que o STF julgue a ação que tem o mesmo Objeto.
2. STF declara INCONSTITUCIONALIDADE da lei estadual: A ADI no âmbito estadual
será automaticamente extinta sem resolução do mérito por perda do objeto.
3. STF declara CONSTITUCIONALIDADE da lei estadual: A ADI junto ao TJ voltará a
tramitar. Nesse caso, importará saber se a ADI foi ou não ajuizada face a uma norma
da Constituição Estadual de reprodução obrigatória.
Se a ADI não teve como parâmetro norma de reprodução obrigatória: O TJ terá plena
competência para julgar a ação procedente ou improcedente.
Se a ADI teve como parâmetro norma de reprodução obrigatória: O julgamento pela
improcedência da ADI federal vincula o TJ quanto ao preceito reproduzido.
4. A decisão do TJ sobre a referida ADI de sua competência pode ser questionada no
STF:
SIM. Caberá Recurso Extraordinário da decisão do TJ em duas hipóteses.
a) Se a norma da C. Estadual que serviu de parâmetro for reproduzida da CF;
b) Se o TJ entender pela inconstitucionalidade do parâmetro invocado.

Q.14. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: DPUProva: Defensor Público Federal


A respeito da evolução histórica do constitucionalismo no Brasil, das concepções e
teorias sobre a Constituição e do sistema constitucional brasileiro, julgue o item a
seguir.
Em relação ao exercício do controle de constitucionalidade pelo Poder Judiciário, o rol
de órgãos competentes para o exercício do controle abstrato é mais restrito que o de
órgãos aptos ao exercício do controle difuso.
( )Certo ( )Errado
Comentários:
Certo. Rol dos órgãos legitimados ao controle concentrado/abstrato/objetivo STF e TJ's

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"Rol" dos órgãos legitimados ao controle difuso/concreto/subjetivo: Qualquer órgão do


Poder Judiciário.

Q.15.Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: DPE-ROProva: Defensor Público


Substituto
Considere o seguinte caso hipotético.
Uma das Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça de Rondônia segue o entendimento
do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade de um dispositivo de lei
federal em matéria criminal e concede um habeas corpus. O Ministério Público do
Estado de Rondônia ajuíza reclamação perante o Supremo Tribunal Federal, alegando
violação da Súmula Vinculante nº 10.
Neste caso, é correto dizer que a Reclamação apresentada pelo Parquet
a) deve ser acolhida, já que a Súmula Vinculante nº 10 prevê que a decisão que afasta
a incidência, no todo ou em parte, de norma federal, não pode ser prolatada por órgão
fracionário de Tribunal Estadual.
b) não deve ser acolhida, pois embora tenha sido violada a cláusula de reserva de
plenário, prevista na Súmula Vinculante nº 10, não cabe Reclamação contra decisão
judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar.
c) não deve ser acolhida, pois a cláusula de reserva de plenário, prevista na Súmula
Vinculante nº 10, não é violada quando o órgão fracionário se limita a seguir
orientação jurisprudencial do Plenário do próprio Supremo Tribunal Federal.
d) deve ser acolhida, pois a Súmula Vinculante nº 10, estabelece que somente a
Reclamação é meio recursal idôneo para se impugnar decisão de órgão fracionário que
indevidamente decida pela constitucionalidade ou pela inconstitucionalidade de lei ou
ato normativo.
e) deve ser acolhida, pois a cláusula de reserva de plenário, constante da Súmula
Vinculante nº 10, prevê que somente por 3/5 (três quintos) de seus membros ou dos
membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.
Comentários:
Gabarito C.
Art. 949, parágrafo único do CPC: “os órgãos fracionários dos tribunais não
submeterão ao plenário ou ao órgão especial a arguição de inconstitucionalidade
quando já houver pronunciamento destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal
sobre a questão”.

Q.16.Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: DPE-ROProva: Defensor Público

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Substituto
Assinale a alternativa que corretamente discorre sobre o conteúdo de Súmula
Vinculante do Supremo Tribunal Federal.
a) É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova, documentados ou não, em procedimento investigatório, se
disserem respeito ao exercício do direito de defesa.
b) Basta previsão no edital para que se possa sujeitar a exame psicotécnico a
habilitação de candidato a cargo público.
c) É constitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens
para admissibilidade de recurso administrativo.
d) É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do
depósito.
e) A cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas não viola o disposto no
art. 206, IV, da Constituição Federal.
Comentários:
Gabarito D.
a) SV 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado
por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito
de defesa.
b) SV 44: Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato
a cargo público.
c) SV 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de
dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.
d) SV 25: É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade
do depósito.
e) SV 12: A cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas viola o disposto
no art. 206, IV, da Constituição Federal.

Q.17.Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: Câmara de Sumaré - SPProva:


Procurador Jurídico
Sobre as Súmulas Vinculantes do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que
a) é constitucional lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponha sobre
sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.
b) o cálculo de gratificações e outras vantagens do servidor público incide sobre o
abono utilizado para se atingir o salário-mínimo.

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c) a taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e


tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis viola o artigo
145, II, da Constituição Federal.
d) compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros das
polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar do Distrito Federal.
e) o serviço de iluminação pública pode ser remunerado mediante taxa.
Comentários:
GABARITO D
(a) Súmula Vinculante 2: É inconstitucional a lei ou ato normativo Estadual ou
Distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e
loterias.
(b) Súmula Vinculante 15: O cálculo de gratificações e outras vantagens do servidor
público não incide sobre o abono utilizado para se atingir o salário mínimo.
(c) Súmula Vinculante 19: A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços
públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos
provenientes de imóveis não viola o artigo 145, II, da Constituição Federal.
(d) Súmula Vinculante 39: Compete privativamente à União legislar sobre
vencimentos dos membros das polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar
do Distrito Federal.
(e) Súmula Vinculante 41 O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado
mediante taxa.

Q.18.Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: Câmara de Sumaré - SPProva:


Procurador Jurídico
Ação do controle concentrado, destinada a combater o desrespeito aos conteúdos mais
importantes da Constituição, praticados por atos normativos ou não normativos,
quando não houver outro meio eficaz. Esta afirmação diz respeito à
a) ação civil pública.
b) arguição de descumprimento de preceito fundamental.
c) declaração incidental de inconstitucionalidade.
d) ação declaratória de constitucionalidade.
e) ação direta de inconstitucionalidade.
Comentários:
Gabarito B.
ADPF tem caráter subsidiário, ou seja, não será admitida arguição de descumprimento
de preceito fundamental quando houver qualquer outro meio eficaz para sanar a

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lesividade. Trata-se, de ação de caráter residual: não sendo possível o ajuizamento


das demais modalidades de controle abstrato, admite-se o uso da ADPF.

Q.19.Ano: 2017Banca: FCCÓrgão: DPE-SCProva: Defensor Público Substituto


Sobre o tema do controle de constitucionalidade, considere:
I. A cláusula de reserva de plenário estabelece que somente pelo voto da maioria
absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os
tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.
II. Muito embora reconhecido em sede doutrinária e de direito comparado, o instituto
do “estado de coisas inconstitucional” não foi objeto de consideração por parte do
Supremo Tribunal Federal até o presente momento em nenhum dos seus julgados.
III. Não é admitido o controle difuso de constitucionalidade no âmbito de ação civil
pública de quaisquer leis ou atos do Poder Público, ainda que se trate de simples
questão prejudicial indispensável à resolução do litígio principal.
IV. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas
ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade
produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos
do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual e municipal.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) III e IV.
b) I e IV.
c) I, II e III.
d) II, III e IV.
e) II e IV.
Comentários:
Gabarito B.
I - CORRETA. Vale lembrar que a cláusula de reserva de plenário ("full bench") não é
exigida quando o órgão fracionário i) declara a constitucionalidade da lei ou ato
normativo; ii) promove juízo de não recepção de norma pré-constitucional; iii) atribui
interpretação conforme a Constituição (havendo certa polêmica quanto a esta última);
Nesse sentido: Art. 97 da CF: "Somente pelo voto da maioria absoluta de seus
membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar
a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público".
II - INCORRETA. A tese do "estado de coisas inconstitucional" foi notoriamente
reconhecida pelo STF em julgado de 2015, o qual tem grande importância para a
atuação da Defensoria Pública (ADPF 347).

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"Segundo aponta Carlos Alexandre de Azevedo Campos, citado na petição da ADPF


347, para reconhecer o estado de coisas inconstitucional, exige-se que estejam
presentes as seguintes condições: a) vulneração massiva e generalizada de direitos
fundamentais de um número significativo de pessoas; b) prolongada omissão das
autoridades no cumprimento de suas obrigações para garantia e promoção dos
Direitos; b) a superação das violações de direitos pressupõe a adoção de medidas
complexas por uma pluralidade de órgãos, envolvendo mudanças estruturais, que
podem depender da alocação de recursos públicos, correção das políticas públicas
existentes ou formulação de novas políticas, dentre outras medidas; e d)
potencialidade de congestionamento da justiça, se todos os que tiverem os seus
direitos violados acorrerem individualmente ao Poder Judiciário" (Fonte:
www.dizerodireito.com.br).
III - INCORRETA. É possível o controle de constitucionalidade em sede de ação civil
pública, desde que a inconstitucionalidade da norma constitua a causa de pedir, cujo
exame preliminar ou incidental seja necessário ao acolhimento do pedido principal.
Vale dizer, em sede de ação civil pública, a declaração de inconstitucionalidade não
pode constituir o pedido principal, sendo admitido o controle a título de causa de
pedir, sob pena de se atribuir eficácia "ultra partes" (sentença coletiva) à declaração
de inconstitucionalidade, em flagrante usurpação da competência do STF.
IV - CORRETA. Art. 102, §2º, da CF: "As decisões definitivas de mérito, proferidas
pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações
declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito
vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração
pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal".

Q.20.Ano: 2017Banca: FMP ConcursosÓrgão: PGE-ACProva: Procurador do


Estado
Considere as assertivas abaixo, acerca do controle de constitucionalidade.
I - Uma decisão do TJ local proferida em ADI estadual, tendo por parâmetro norma da
Constituição Estadual de imitação de norma da CF, não poderá ser submetida a exame
pelo STF mediante a interposição de Recurso Extraordinário.
II - O controle prévio jurisdicional difuso, realizado em concreto mediante impetração
de mandado de segurança, somente pode ser suscitado por parte de quem tenha
direito subjetivo lesado ou ameaçado de lesão (interesse legítimo) quando se tratar da
tramitação de Proposta de Emenda Constitucional, nunca de projeto de lei.
III - Quando julgado o mérito de ADI, havendo decisão de procedência sem
manifestação expressa em sentido contrário, produzir-se-ão efeitos repristinatórios da
norma revogada pela norma então julgada inconstitucional.
Sobre as assertivas acima, é correto afirmar que

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a) todas as afirmativas são incorretas.


b) a alternativa I é incorreta; as alternativas II e III são corretas.
c) somente a alternativa II é correta.
d) somente a alternativa III é correta.
e) as alternativas I e II são corretas; a alternativa III é incorreta.
Comentários:
Gabarito D.
Sobre a letra I, admite-se recurso extraordinário para o STF contra decisão do TJ no
controle abstrato sempre que a norma da Constituição Estadual eleita como parâmetro
para a declaração da inconstitucionalidade da norma estadual ou municipal impugnada
for de reprodução obrigatória da Constituição Federal. A decisão do STF nesse recurso
extraordinário é dotada de eficácia erga omnes.
Sobre o item II, Importante, porém, analisar-se a possibilidade do controle
jurisdicional incidir sobre o processo legislativo em trâmite, uma vez que ainda não
existiria lei ou ato normativo passível de controle concentrado de constitucionalidade.
Assim sendo, o controle jurisdicional sobre (...) propostas de emendas constitucionais
sempre se dará de forma difusa, por meio do ajuizamento de mandado de segurança,
por parte de parlamentares que se sentirem prejudicados durante o processo
legislativo. Reitere-se que os únicos legitimados à propositura de mandado de
segurança, para defesa do direito líquido e certo de somente participarem de um
processo legislativo conforme as normas constitucionais e legais, são os próprios
parlamentares."(grifei) Assentadas tais premissas, passo a analisar a ocorrência, no
caso, de situação configuradora de prejudicialidade do mandado de segurança ora em
exame. Tenho para mim que a presente ação de mandado de segurança revela-se
prejudicada em face da superveniente conversão, na Emenda Constitucional nº 20/98,
da Proposta de Emenda à Constituição nº 33/95, cujo processo de elaboração foi
impugnado,perante esta Suprema Corte, pela parte ora impetrante.O Supremo
Tribunal Federal, em situação virtualmente idêntica à registrada na presente causa, já
enfatizou que a conversão, em emenda à Constituição, de proposta de reforma
constitucional configura hipótese caracterizadora de perda superveniente da
legitimidade ativa do congressista para impetrar o writ mandamental, notadamente
quando deduzido este com o objetivo de questionar suposta ilicitude revelada no curso
do iter formativo de determinada espécie normativa. Cumpre registrar, por isso
mesmo, que esta Corte - embora reconhecendo, ao membro do Congresso Nacional,
qualidade para invocar o controle jurisdicional pertinente ao processo de elaboração
das espécies normativas - nega-lhe, no entanto, legitimidade ativa para prosseguir no
processo mandamental, quando, em decorrência de fato superveniente, a proposição
normativa vem a transformar-se em lei ou, como no caso, vem a converter-se em
emenda à Constituição: "Perda de legitimidade do impetrante, por modificação da
situação jurídica no curso do processo, decorrente da superveniente aprovação do
projeto, que já se acha em vigor. Hipótese em que o mandado de segurança, que

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tinha caráter preventivo, não se pode voltar contra a emenda já promulgada, o que
equivaleria a emprestar-se-lhe efeito, de todo descabido, de ação direta de
inconstitucionalidade, para a qual, ademais, não está, o impetrante, legitimado."(RTJ
165/540, Rel. p/ o acórdão Min. ILMAR GALVÃO - grifei)
Sobre o item III, o Supremo consignou que “a declaração de inconstitucionalidade "in
abstracto", considerado o efeito repristinatório que lhe é inerente (RTJ 120/64 - RTJ
194/504-505 - ADI 2.867/ES, v.g.), importa em restauração das normas estatais
revogadas pelo diploma objeto do processo de controle normativo abstrato. É que a lei
declarada inconstitucional, por incidir em absoluta desvalia jurídica (RTJ 146/461-
462), não pode gerar quaisquer efeitos no plano do direito, nem mesmo o de provocar
a própria revogação dos diplomas normativos a ela anteriores. Lei inconstitucional,
porque inválida (RTJ 102/671), sequer possui eficácia derrogatória. A decisão do
Supremo Tribunal Federal que declara, em sede de fiscalização abstrata, a
inconstitucionalidade de determinado diploma normativo tem o condão de provocar a
repristinação dos atos estatais anteriores que foram revogados pela lei proclamada
inconstitucional” (ADI 3148 2006)”.

Q.21. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: MPE-RRProva: Promotor de Justiça


Substituto
Tendo em vista que, em grande medida, o sistema de controle de constitucionalidade
norte-americano serviu de inspiração inicial ao modelo brasileiro, assinale a opção
correta.
a) Depois do caso Marbury versus Madison, estabeleceu-se que a Suprema Corte
norte-americana é o único órgão judicial competente para apreciar a
inconstitucionalidade de leis.
b) O modelo norte-americano de controle de constitucionalidade é classificado em
concreto, incidental e preventivo.
c) A Constituição norte-americana prevê expressamente ser competência do Poder
Judiciário declarar a inconstitucionalidade de leis.
d)Para o relator do caso norte-americano conhecido como Marbury versus Madison, lei
incompatível com a Constituição deve ser considerada nula.
Comentários:
Gabarito D.
Em seu voto, John Marshall reconheceu o direito pleiteado por William Marbury, mas
declarou nula a norma infraconstitucional que estabelecia ser de competência da
Suprema Corte o julgamento do writ of mandamus em casos como aquele (foro
privilegiado em âmbito cível). Segundo o relator, apenas a Constituição poderia dispor
a respeito da competência da Suprema Corte, devendo ser considerada nula norma
que dispusesse em sentido contrário.

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Sistemas ou matrizes de controle de constitucionalidade (modelos):


Modelo americano (Século XIX – 1803 – Marbury X Madison – Suprema Corte
Americana – Juiz Marshall): tem-se um sistema judicial de controle, no qual o controle
de constitucionalidade é difuso (todos os juízes podem controlar a
constitucionalidade), in concreto (sempre feito em um caso concreto), e feito via
exceção (via defesa) e por via (modo) incidental, por processo subjetivo (processo que
tem partes, lide e contraditório). A decisão, a princípio, vale para as partes (inter
partes).
Modelo austríaco (Século XX – 1920 – Hanz Kelsen – controle de constitucionalidade
na constituição da Áustria): é um sistema judicial, no qual o controle de
constitucionalidade é concentrado (um único órgão controla a constitucionalidade –
Corte ou Tribunal constitucional), in abstrato (controle sobre leis em tese) e um
controle via ação e por via principal, por processo objetivo (sem partes, lide e
contraditório). A decisão terá efeitos erga omnes.
Modelo francês (Século XX – 1958 – Constituição da França): é um sistema político de
controle. Quem controla é o Conselho Constitucional – órgão político. Ou seja, não
existem juízes controlando a constitucionalidade. Esse órgão terá 09 membros, que
serão indicados (03 pelo Presidente da República; 03 pela Assembleia Nacional e 03
pelo Senado) e terão mandato de 09 anos. Todos os ex-presidentes poderão fazer
parte do Conselho Constitucional. Esse controle, em regra, será preventivo (o controle
é feito antes da lei ou tratado internacional entrar no ordenamento) e provocado (o
Presidente da República, o Primeiro Ministro, Presidente da Câmara e do Senado ou
um grupo de Deputados ou Senador podem provocá-lo). Ainda, existe um controle
sem necessidade de provocação, em caso de leis orgânicas.

Q.22.Ano: 2017Banca: MPE-PRÓrgão: MPE-PRProva: Promotor Substituto


Analise as assertivas abaixo e responda:
I. São princípios sensíveis a forma republicana, o sistema representativo, o regime
democrático, os direitos da pessoa humana, a autonomia municipal e a prestação de
contas da Administração Pública, direta e indireta.
II. Do ato administrativo ou normativo ou decisão judicial que contrariar a súmula
aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal
Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou normativo ou
cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou
sem a aplicação da súmula, conforme o caso.
III. A declaração de inconstitucionalidade com efeito ex tunc somente é admitida, pela
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no controle concentrado de
constitucionalidade.
IV. O Presidente da República, a Mesa do Senado Federal, a Mesa da Câmara dos
Deputados, a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito

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Federal e o Governador de Estado ou do Distrito Federal, além de ativamente


legitimados à instauração de controle concentrado de constitucionalidade das leis e
atos normativos, possuem capacidade processual plena e dispõem de capacidade
postulatória, estando autorizados, enquanto ostentarem essa condição, a praticar, no
processo de ação direta de inconstitucionalidade, quaisquer atos ordinariamente
privativos de advogado.
V. É inadmissível a impugnação de lei de diretrizes orçamentárias em sede de controle
abstrato de constitucionalidade, haja vista que se trata de atos despidos das
qualidades de generalidade e abstração.
a) Apenas as assertivas II, III e V são incorretas.
b) Apenas a assertiva I é correta.
c) Apenas a assertiva III é incorreta.
d) Apenas as assertivas I, IV e V são corretas.
e) Todas as assertivas são corretas.
Comentários:
Gabarito A.
I. art. 34, VII da CF.
II. INCORRETA. CF | Art. 103-A. (...) § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial
[NÃO PREVÊ "ATO NORMATIVO"] que contrariar a súmula aplicável ou que
indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que,
julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial
reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula,
conforme o caso.
III. INCORRETA. No controle difuso, para as partes os efeitos serão : a) inter partes
b) ex tunc. Cabe alertar que o STF já entedeu que, mesmo no controle difuso, poder-
se-á dar efeito ex Nuno ou pro futuro.
IV. CORRETO. O STF entendeu que somente os partidos políticos e as confederações
sindicais ou entidades de classe de âmbito nacional é que precisarão contratar
advogado para a proposta da ADI. Quanto aos demais legitimados, a capacidade
postulatória decorre da constituição.
V. INCORRETA. O STF deve exercer sua função precípua de fiscalização da
constitucionalidade das leis e dos atos normativos independente do caráter geral ou
específico, concreto ou abstrato de seu objeto. Possibilidade de submissão das normas
orçamentárias ao controle abstrato de constitucionalidade.

Q.23.Ano: 2017Banca: FMP ConcursosÓrgão: PGE-ACProva: Procurador do


Estado

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No controle abstrato de constitucionalidade, ainda que seja considerado processo


objetivo, dado que nele não há sujeitos envolvidos como partes, tem-se que
a) no âmbito do Estado do Acre, necessariamente, deverá ser citado o Procurador-
Geral de Justiça para defender a norma impugnada.
b) no âmbito federal, deverá ser citado o Procurador-Geral da República para defender
a norma impugnada.
c) no âmbito do Estado do Acre, necessariamente, deverá ser citado o Defensor
Público-Geral para defender a norma impugnada.
d) no âmbito do Estado do Acre, necessariamente, deverá ser citado o Procurador
Geral do Estado para defender a norma impugnada.
e) no âmbito do Estado do Acre, necessariamente, deverá ser citado o Procurador
Geral do Estado que, se entender que seja o caso, poderá defender a norma
impugnada.
Comentários:
Gabarito D.
Não é necessário conhecer a Constituição Estadual, bastando aplicar a Constituição
federal, por simetria. Art. 103 § 3º Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a
inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente,
o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado.

Q.24.Ano: 2017Banca: IMAÓrgão: Prefeitura de Penalva - MAProva:


Procurador Municipal
Assinale a alternativa CORRETA que apresenta um legitimado a propor a ação
declaratória de constitucionalidade:
a) Procurador-Geral da República.
b) Vice-Presidente da República.
c) Ministro do Supremo Tribunal Federal.
d) Presidente do Senado Federal.
Comentários:
Gabarito A.
Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de
constitucionalidade: (...) VI - o Procurador-Geral da República;

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QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS

Q.1. Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: Prefeitura de Marília - SPProva:


Procurador Jurídico
Considerando as regras do controle de constitucionalidade no direito brasileiro,
assinale a alternativa que prevê hipótese em que é necessária a observância da
cláusula de reserva de plenário.
a) Decisão de Tribunal que afasta a incidência da lei, mas não declara expressamente
a sua inconstitucionalidade, sem pronunciamento anterior do Pleno, do Órgão Especial
ou do STF sobre a questão.
b) Quando o Tribunal, ao apreciar e julgar lei ou o ato normativo do poder público
questionado perante a Constituição Federal, decidir, expressamente, pela sua
constitucionalidade.
c) Decisão do Tribunal que, ao apreciar norma anterior à Constituição Federal vigente,
decidir pela sua revogação por incompatibilidade com o novo texto constitucional.
d) Quando o Tribunal, utilizando a técnica de interpretação conforme a Constituição,
mantém a norma vigente por ausência de contrariedade às normas da Constituição
Federal.
e) Decisão do Tribunal que indefere pedido de medida cautelar em ação na qual se
postula a inconstitucionalidade da lei ou de ato normativo do poder público.

Q.2. Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: Prefeitura de Marília - SPProva:


Procurador Jurídico
Assinale a alternativa que está de acordo com as súmulas vinculantes do Supremo
Tribunal Federal.
a) A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar viola a
Constituição Federal.
b) A Justiça Estadual é competente para processar e julgar ação possessória ajuizada
em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa
privada.
c) É constitucional a exigência de depósito prévio como requisito de admissibilidade de
ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito tributário.
d) É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais elementos da

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base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral
identidade entre uma base e outra.
e) Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária está sujeita
ao princípio da anterioridade.

Q.3. Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: Prefeitura de Marília - SPProva:


Procurador Jurídico
A Súmula Vinculante n° 31, do Supremo Tribunal Federal, estatui que é
inconstitucional a incidência do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS
sobre operações de locação de bens móveis. No entanto, por hipótese, o Município de
Marília continua a exigir o tributo, face ao que, a empresa X resolve questionar
administrativamente a cobrança e requerer a restituição dos valores pagos
indevidamente. O último recurso cabível na esfera administrativa, interposto pela
empresa X, foi indeferido, restando, portanto, negada a pretensão inicial de restituição
do indébito. Diante de tal quadro, caberia
a) apresentar embargos de declaração perante a Administração, a fim de
prequestionar a questão constitucional subjacente para preencher os requisitos de
interposição de Recurso Extraordinário.
b) acionar o Poder Judiciário, por meio de um Mandado de Injunção, para suprir a
omissão do administrador em aplicar a súmula, sendo que a decisão do Supremo
Tribunal Federal poderá anular a decisão proferida pela Administração.
c) acionar o Poder Judiciário, por meio de uma Ação de Inconstitucionalidade, para
compelir o administrador ao cumprimento da Súmula, determinando o pagamento do
valor devido, no prazo de 30 (trinta) dias.
d) acionar o Poder Judiciário, por meio de uma Reclamação ao Supremo Tribunal
Federal, que, julgada procedente, anulará o ato administrativo, no caso, a decisão
final do recurso que indeferiu o pleito da empresa X de restituição do indébito.
e) tão somente acolher a decisão administrativa, pois a pretensão da empresa X de
discutir a decisão administrativa não possui amparo no ordenamento jurídico pátrio,
pois não há controle judicial de ato administrativo.

Q.4. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: DPE-ALProva: Defensor Público


Caracterizará exercício do controle abstrato de constitucionalidade
a) decisão do STF que julgue procedente mandado de injunção no caso de omissão
legislativa que torne inviável o exercício do direito de greve.
b) incidente de inconstitucionalidade julgado pelo órgão especial dos tribunais de

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justiça mediante a observância da cláusula de reserva de plenário.


c) a suspensão, pelo Senado Federal, da execução de lei declarada inconstitucional
pelo STF.
d) a concessão de medida liminar pelo STF, no âmbito de arguição de descumprimento
de preceito fundamental, para suspender os efeitos de lei federal já revogada, em
razão da verificação de lesão a preceito fundamental.
e) a apreciação da constitucionalidade das leis e atos normativos do poder público
pelos tribunais de contas, desde que no exercício de suas atribuições.

Q.5. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: DPE-ALProva: Defensor Público


Após o devido processo legislativo, o prefeito de um município promulgou lei
reduzindo direitos fundamentais trabalhistas, com o objetivo de aumentar o número
de empregos na localidade.
Considerando-se essa situação hipotética e tomando-se como parâmetro do controle
de constitucionalidade a Constituição Federal de 1988, é possível questionar a referida
lei municipal por meio de
a)ação declaratória de constitucionalidade ajuizada no tribunal de justiça, desde que
haja previsão na constituição estadual.
b) arguição de descumprimento de preceito fundamental ajuizada no STF.
c) ação direta de inconstitucionalidade ajuizada no STF.
d) mandado de segurança impetrado no juízo de primeira instância.
e) ação direta de inconstitucionalidade ajuizada no tribunal de justiça respectivo,
independentemente de a matéria ser de reprodução obrigatória na constituição
estadual.

Q.6. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: TRF - 5ª REGIÃOProva: Juiz Federal


Substituto
Foi proposta, por um terço das assembleias legislativas das unidades da Federação,
emenda constitucional com o objetivo de alterar dispositivo referente à Defensoria
Pública, visando-se aprimorar a estrutura orgânico-institucional desse órgão. Votada
em dois turnos nas duas casas do Congresso Nacional, a emenda foi aprovada
mediante três quintos dos votos dos membros de cada uma delas.
Nesta situação hipotética, a referida proposta deve ser considerada
a) constitucional, pois o tema tratado na emenda respeita as limitações formais e
materiais ao poder constituinte derivado reformador.

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b) inconstitucional, já que a emenda fere limitação formal ao poder constituinte


derivado reformador.
c) inconstitucional, pois a emenda fere cláusula pétrea da separação dos poderes.
d) inconstitucional, uma vez que a emenda fere cláusula de reserva de iniciativa do
chefe do Poder Executivo.
e) constitucional, porquanto o poder constituinte derivado é ilimitado.

Q.7. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: TRF - 5ª REGIÃOProva: Juiz Federal


Substituto
À luz do entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), julgue os seguintes itens,
acerca do controle incidental de constitucionalidade.
I. Admite-se o controle difuso de constitucionalidade em ação civil pública, desde que
a alegação de inconstitucionalidade não se confunda com o pedido principal da causa.
II. Não se admite a modulação temporal de efeitos em controle difuso de
constitucionalidade.
III A cláusula de reserva de plenário se aplica às turmas recursais dos juizados
especiais.
IV. A regra da reserva de plenário não se aplica a julgamento de competência
singular, podendo o juiz, mesmo de ofício, deixar de aplicar preceitos normativos que
considere contrários ao texto constitucional.
Estão certos apenas os itens
a) I e III.
b) I e IV.
c) II e III.
d) II e IV.
e) I, III e IV.

Q.8.Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: DPE-ACProva: Defensor Público


O controle abstrato de constitucionalidade de determinado dispositivo da lei orgânica
de Rio Branco em face da CF deverá ser provocado pela
a) propositura de ADI junto ao TJ/AC.
b) interposição de recurso extraordinário para julgamento pelo STF.
c) impetração de mandado de segurança para julgamento pelo TJ/AC.

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d) propositura de ADPF junto ao STF.


e) propositura de ADI junto ao STF.

Q.9.Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: PGE-SEProva: Procurador do Estado


Embora o sistema brasileiro não admita o controle jurisdicional da constitucionalidade
material dos projetos de lei, a jurisprudência do STF reconhece, excepcionalmente,
que tem legitimidade para impetrar mandado de segurança
a) o parlamentar ou o MP, em se tratando de proposta de emenda à CF ou projeto de
lei tendente a abolir cláusula pétrea.
b) qualquer cidadão ou o MP, se o projeto de lei tender a abolir cláusula pétrea.
c) apenas o MP, caso se trate exclusivamente de proposta de emenda à CF tendente a
abolir cláusula pétrea.
d) o parlamentar, para impugnar inconstitucionalidade formal no processo legislativo
ou proposição tendente a abolir cláusulas pétreas.
e) a mesa de qualquer uma das casas legislativas, para impugnar
inconstitucionalidade formal no processo legislativo ou proposta de emenda à CF
tendente a abolir cláusulas pétreas.

Q.10.Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: PGE-SEProva: Procurador do Estado


Determinado estado da Federação promulgou sua lei orçamentária anual, a qual teve
sua constitucionalidade contestada em sede de controle abstrato de
constitucionalidade, sob o argumento de que ela não teria dado oportunidade, na fase
de elaboração do seu texto, de participação aos cidadãos, bem como que teria
desrespeitado os marcos temporais do ciclo orçamentário estabelecidos pela lei
estadual a que deu aplicação.
Quanto à situação hipotética apresentada, assinale a opção correta.
a) É admissível, segundo entendimento do STF, o controle abstrato de
constitucionalidade de lei orçamentária anual, independentemente do caráter abstrato
ou concreto do seu objeto.
b) A constitucionalidade da lei em questão não poderia ter sido questionada, uma vez
que o orçamento participativo não tem previsão legal.
c) A constitucionalidade da lei em apreço foi corretamente questionada, pois os
estados devem cumprir o prazo de envio e devolução do projeto de lei orçamentária,
sendo impedidos de fixar outros marcos temporais.
d) A participação popular é prevista apenas na fase de discussão do projeto de lei
orçamentária, não sendo extensiva à fase de elaboração do texto legal.

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e) A declaração de inconstitucionalidade da lei possibilitará a aplicação de lei municipal


suplementar que verse sobre direito financeiro, mesmo que inexista interesse local.

Q.11.Ano: 2017Banca: FCCÓrgão: TSTProva: Juiz do Trabalho Substituto


A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) foi regulamentada
pela Lei n°9.882/1999. Da mesma forma que a Ação Direta de Inconstitucionalidade
(ADI), a ADPF é uma ação no âmbito do controle abstrato e concentrado de
constitucionalidade. Ambas as ações são iguais em diversos aspectos. Em diversas
situações, a arguição da inconstitucionalidade de uma lei pode ser feita por meio de
qualquer das duas ações, sem diferenças. Mas há situações em que apenas uma delas
é cabível. Diante disso, a constitucionalidade de
a) leis estaduais e municipais somente pode ser questionada por meio de ADPF.
b) leis municipais e de leis anteriores à promulgação da Constituição de 1988 somente
pode ser questionada por meio de ADPF.
c) emendas constitucionais e leis complementares somente pode ser questionada por
meio de ADI.
d) tratados internacionais e leis anteriores à promulgação da Constituição de 1988
somente pode ser questionada por meio de ADPF.
e) tratados internacionais e de leis que envolvem direitos fundamentais somente pode
ser questionada por meio de ADPF.

Q.12. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: MPE-RRProva: Promotor de Justiça


Substituto
Se um município de determinado estado da Federação editasse lei que restringisse a
competência investigativa do MP ao âmbito daquele estado, e se, em consequência, os
membros do parquet resolvessem questionar a lei em sede de controle concentrado,
então, nesse caso hipotético, seria cabível
a) o procurador-geral da República ajuizar intervenção federal no STF, alegando
violação a princípio constitucional sensível.
b) o governador do estado ajuizar ADI no STF, alegando violação à CF.
c) a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público propor ADPF no STF,
alegando violação de prerrogativas constitucionais do MP pela lei municipal.
d) o procurador-geral de justiça ajuizar representação de inconstitucionalidade no
âmbito do tribunal de justiça estadual, alegando violação à CF.

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Q.13.Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: Prefeitura de São José dos Campos -


SPProva: Procurador
Com relação ao controle de constitucionalidade abstrato de norma estadual, quando
esta for submetida ao duplo controle judicial, por meio de ação direta, pelo STF e pelo
respectivo tribunal de justiça (TJ), é correto afirmar:
a) se a norma for declarada constitucional, primeiro pelo TJ, com trânsito em julgado,
e havendo ação direta em trâmite perante o STF, este deve extinguir o processo da
ADI por perda de interesse de agir superveniente.
b) se o STF declarar a norma inconstitucional, estando em julgamento a ação direta
perante o tribunal de justiça, esta perderá o seu objeto, não mais produzindo a
respectiva norma efeitos no respectivo Estado.
c) pelo sistema brasileiro, não pode haver duas ações diretas de inconstitucionalidade
simultâneas em trâmite, devendo, nessa hipótese, uma delas ser extinta e ter
continuidade a primeira que foi ajuizada.
d) se a ADI for ajuizada primeiramente junto ao TJ, a ação direta aforada perante o
STF deverá ser suspensa para aguardar o julgamento do Tribunal de Justiça.
e) se o STF declarar constitucional a norma perante a CF, o TJ não mais poderá
prosseguir com o julgamento da ADI impugnada também perante a Constituição
Estadual.

Q.14. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: DPUProva: Defensor Público Federal


A respeito da evolução histórica do constitucionalismo no Brasil, das concepções e
teorias sobre a Constituição e do sistema constitucional brasileiro, julgue o item a
seguir.
Em relação ao exercício do controle de constitucionalidade pelo Poder Judiciário, o rol
de órgãos competentes para o exercício do controle abstrato é mais restrito que o de
órgãos aptos ao exercício do controle difuso.
( )Certo ( )Errado

Q.15.Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: DPE-ROProva: Defensor Público


Substituto
Considere o seguinte caso hipotético.
Uma das Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça de Rondônia segue o entendimento
do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade de um dispositivo de lei
federal em matéria criminal e concede um habeas corpus. O Ministério Público do
Estado de Rondônia ajuíza reclamação perante o Supremo Tribunal Federal, alegando

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violação da Súmula Vinculante nº 10.


Neste caso, é correto dizer que a Reclamação apresentada pelo Parquet
a) deve ser acolhida, já que a Súmula Vinculante nº 10 prevê que a decisão que afasta
a incidência, no todo ou em parte, de norma federal, não pode ser prolatada por órgão
fracionário de Tribunal Estadual.
b) não deve ser acolhida, pois embora tenha sido violada a cláusula de reserva de
plenário, prevista na Súmula Vinculante nº 10, não cabe Reclamação contra decisão
judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar.
c) não deve ser acolhida, pois a cláusula de reserva de plenário, prevista na Súmula
Vinculante nº 10, não é violada quando o órgão fracionário se limita a seguir
orientação jurisprudencial do Plenário do próprio Supremo Tribunal Federal.
d) deve ser acolhida, pois a Súmula Vinculante nº 10, estabelece que somente a
Reclamação é meio recursal idôneo para se impugnar decisão de órgão fracionário que
indevidamente decida pela constitucionalidade ou pela inconstitucionalidade de lei ou
ato normativo.
e) deve ser acolhida, pois a cláusula de reserva de plenário, constante da Súmula
Vinculante nº 10, prevê que somente por 3/5 (três quintos) de seus membros ou dos
membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.

Q.16.Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: DPE-ROProva: Defensor Público


Substituto
Assinale a alternativa que corretamente discorre sobre o conteúdo de Súmula
Vinculante do Supremo Tribunal Federal.
a) É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova, documentados ou não, em procedimento investigatório, se
disserem respeito ao exercício do direito de defesa.
b) Basta previsão no edital para que se possa sujeitar a exame psicotécnico a
habilitação de candidato a cargo público.
c) É constitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens
para admissibilidade de recurso administrativo.
d) É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do
depósito.
e) A cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas não viola o disposto no
art. 206, IV, da Constituição Federal.

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Q.17.Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: Câmara de Sumaré - SPProva:


Procurador Jurídico
Sobre as Súmulas Vinculantes do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que
a) é constitucional lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponha sobre
sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.
b) o cálculo de gratificações e outras vantagens do servidor público incide sobre o
abono utilizado para se atingir o salário-mínimo.
c) a taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e
tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis viola o artigo
145, II, da Constituição Federal.
d) compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros das
polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar do Distrito Federal.
e) o serviço de iluminação pública pode ser remunerado mediante taxa.

Q.18.Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: Câmara de Sumaré - SPProva:


Procurador Jurídico
Ação do controle concentrado, destinada a combater o desrespeito aos conteúdos mais
importantes da Constituição, praticados por atos normativos ou não normativos,
quando não houver outro meio eficaz. Esta afirmação diz respeito à
a) ação civil pública.
b) arguição de descumprimento de preceito fundamental.
c) declaração incidental de inconstitucionalidade.
d) ação declaratória de constitucionalidade.
e) ação direta de inconstitucionalidade.

Q.19.Ano: 2017Banca: FCCÓrgão: DPE-SCProva: Defensor Público Substituto


Sobre o tema do controle de constitucionalidade, considere:
I. A cláusula de reserva de plenário estabelece que somente pelo voto da maioria
absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os
tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.
II. Muito embora reconhecido em sede doutrinária e de direito comparado, o instituto
do “estado de coisas inconstitucional” não foi objeto de consideração por parte do
Supremo Tribunal Federal até o presente momento em nenhum dos seus julgados.
III. Não é admitido o controle difuso de constitucionalidade no âmbito de ação civil

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pública de quaisquer leis ou atos do Poder Público, ainda que se trate de simples
questão prejudicial indispensável à resolução do litígio principal.
IV. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas
ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade
produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos
do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual e municipal.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) III e IV.
b) I e IV.
c) I, II e III.
d) II, III e IV.
e) II e IV.

Q.20.Ano: 2017Banca: FMP ConcursosÓrgão: PGE-ACProva: Procurador do


Estado
Considere as assertivas abaixo, acerca do controle de constitucionalidade.
I - Uma decisão do TJ local proferida em ADI estadual, tendo por parâmetro norma da
Constituição Estadual de imitação de norma da CF, não poderá ser submetida a exame
pelo STF mediante a interposição de Recurso Extraordinário.
II - O controle prévio jurisdicional difuso, realizado em concreto mediante impetração
de mandado de segurança, somente pode ser suscitado por parte de quem tenha
direito subjetivo lesado ou ameaçado de lesão (interesse legítimo) quando se tratar da
tramitação de Proposta de Emenda Constitucional, nunca de projeto de lei.
III - Quando julgado o mérito de ADI, havendo decisão de procedência sem
manifestação expressa em sentido contrário, produzir-se-ão efeitos repristinatórios da
norma revogada pela norma então julgada inconstitucional.
Sobre as assertivas acima, é correto afirmar que
a) todas as afirmativas são incorretas.
b) a alternativa I é incorreta; as alternativas II e III são corretas.
c) somente a alternativa II é correta.
d) somente a alternativa III é correta.
e) as alternativas I e II são corretas; a alternativa III é incorreta.

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Q.21. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: MPE-RRProva: Promotor de Justiça


Substituto
Tendo em vista que, em grande medida, o sistema de controle de constitucionalidade
norte-americano serviu de inspiração inicial ao modelo brasileiro, assinale a opção
correta.
a) Depois do caso Marbury versus Madison, estabeleceu-se que a Suprema Corte
norte-americana é o único órgão judicial competente para apreciar a
inconstitucionalidade de leis.
b) O modelo norte-americano de controle de constitucionalidade é classificado em
concreto, incidental e preventivo.
c) A Constituição norte-americana prevê expressamente ser competência do Poder
Judiciário declarar a inconstitucionalidade de leis.
d)Para o relator do caso norte-americano conhecido como Marbury versus Madison, lei
incompatível com a Constituição deve ser considerada nula.

Q.22.Ano: 2017Banca: MPE-PRÓrgão: MPE-PRProva: Promotor Substituto


Analise as assertivas abaixo e responda:
I. São princípios sensíveis a forma republicana, o sistema representativo, o regime
democrático, os direitos da pessoa humana, a autonomia municipal e a prestação de
contas da Administração Pública, direta e indireta.
II. Do ato administrativo ou normativo ou decisão judicial que contrariar a súmula
aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal
Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou normativo ou
cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou
sem a aplicação da súmula, conforme o caso.
III. A declaração de inconstitucionalidade com efeito ex tunc somente é admitida, pela
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no controle concentrado de
constitucionalidade.
IV. O Presidente da República, a Mesa do Senado Federal, a Mesa da Câmara dos
Deputados, a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito
Federal e o Governador de Estado ou do Distrito Federal, além de ativamente
legitimados à instauração de controle concentrado de constitucionalidade das leis e
atos normativos, possuem capacidade processual plena e dispõem de capacidade
postulatória, estando autorizados, enquanto ostentarem essa condição, a praticar, no
processo de ação direta de inconstitucionalidade, quaisquer atos ordinariamente
privativos de advogado.
V. É inadmissível a impugnação de lei de diretrizes orçamentárias em sede de controle
abstrato de constitucionalidade, haja vista que se trata de atos despidos das

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qualidades de generalidade e abstração.


a) Apenas as assertivas II, III e V são incorretas.
b) Apenas a assertiva I é correta.
c) Apenas a assertiva III é incorreta.
d) Apenas as assertivas I, IV e V são corretas.
e) Todas as assertivas são corretas.

Q.23.Ano: 2017Banca: FMP ConcursosÓrgão: PGE-ACProva: Procurador do


Estado
No controle abstrato de constitucionalidade, ainda que seja considerado processo
objetivo, dado que nele não há sujeitos envolvidos como partes, tem-se que
a) no âmbito do Estado do Acre, necessariamente, deverá ser citado o Procurador-
Geral de Justiça para defender a norma impugnada.
b) no âmbito federal, deverá ser citado o Procurador-Geral da República para defender
a norma impugnada.
c) no âmbito do Estado do Acre, necessariamente, deverá ser citado o Defensor
Público-Geral para defender a norma impugnada.
d) no âmbito do Estado do Acre, necessariamente, deverá ser citado o Procurador
Geral do Estado para defender a norma impugnada.
e) no âmbito do Estado do Acre, necessariamente, deverá ser citado o Procurador
Geral do Estado que, se entender que seja o caso, poderá defender a norma
impugnada.

Q.24.Ano: 2017Banca: IMAÓrgão: Prefeitura de Penalva - MAProva:


Procurador Municipal
Assinale a alternativa CORRETA que apresenta um legitimado a propor a ação
declaratória de constitucionalidade:
a) Procurador-Geral da República.
b) Vice-Presidente da República.
c) Ministro do Supremo Tribunal Federal.
d) Presidente do Senado Federal.

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GABARITO
1 A 2 D
3 D 4 D
5 B 6 B
7 B 8 D
9 D 10 A
11 B 12 C
13 B 14 CERTO
15 C 16 D
17 D 18 B
19 B 20 D
21 D 22 A
23 D 24 A

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