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Aula 09

Direito Constitucional p/ Magistratura Estadual 2019 (Curso Regular)

Felipo Livio Lemos Luz


Felipo Livio Lemos Luz
DIREITO CONSTITUCIONAL
Aula 09
Teoria e Questões
Prof. Felipo Luz

DIREITO CONSTITUCIONAL

Sumário
Sumário .................................................................................................. 1
1 – Processo Legislativo .......................................................................... 2
1.1 – Processo Legislativo na Constituição de 1988 .................................... 2
1.2 – Classificação do Processo Legislativo ................................................ 2
1.3 – Fases de elaboração das leis e atos normativos ................................. 4
1.3.1 – Processo Legislativo Ordinário ...................................................... 5
1.3.1.1 – Fase Introdutória ..................................................................... 5
1.3.1.2 – Fase Constitutiva ................................................................... 16
1.3.1.3 – Fase complementar ................................................................ 28
1.3.2 – Processo legislativo sumário ....................................................... 29
2. – Espécies normativas ...................................................................... 31
2.1 – Hierarquia entre as espécies normativas ......................................... 31
2.2 – Atributos das espécies normativas ................................................. 31
2.3 – Emendas às constituição ............................................................... 31
2.3.1 – Características .......................................................................... 32
2.3.2 – Espécies, titularidade e regime jurídico ........................................ 32
2.3.3 – Limitações ao poder constituinte decorrente ................................. 33
2.3.3.1 – Limites autônomos ................................................................. 33
2.3.3.2 – Limites heterônomos .............................................................. 37
2.3.4 – Poder constituinte derivado reformador, instituído ou constituído .... 37
Legislação .............................................................................................. 52
Resumo ................................................................................................. 58
QUESTÕES COMENTADAS ........................................................................ 60
Questões sem comentários ...................................................................... 83

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PODER LEGISLATIVO
1 – Processo Legislativo

1.1 – Processo Legislativo na Constituição de 1988

Processo legislativo é o conjunto de atos preordenados que permitem a


feitura, a mudança e a substituição de espécies normativas. Atos normativos
primários são aqueles que têm como fundamento de validade imediato a
Constituição. Os atos preordenados compreendem: iniciativa legislativa,
emendas parlamentares, votação, sanção ou veto, promulgação e publicação.
O processo legislativo, como qualquer processo, deve se realizar à luz do
devido processo legal e do princípio constitucional da legalidade.
Afinal, ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em
virtude de lei que seja fruto de um processo legislativa propriamente
constitucional. O desrespeito propicia a arguição de inconstitucionalidade
formal da lei ou ato normativo, bem como garante a impetração de
mandado de segurança pelo parlamentar para ver assegurado o seu direito
subjetivo ao devido processo legislativo.
O processo legislativo é norma de observância
obrigatória para os Estados membros e Municípios.
A constituição traz um molde estruturador de
elaboração dos atos normativos para todos os entes da federação. Por isso,
pode-se dizer que são normas de conteúdo NACIONAL e de absorção
compulsória (STF).

1.2 – Classificação do Processo Legislativo

Em linhas gerais, a Constituição de 1988 manteve a disciplina legislativa das


cartas anteriores, inovando, todavia, em certos pontos, em especial pela
previsão das medidas provisórias e pela extinção do decurso do prazo,
que era a aprovação de projeto de lei ou decreto-lei sem qualquer apreciação
do Congresso. O processo legislativo, classifica-se:

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a) Quanto às formas de organização política do Estado, que analisa o


próprio ato de legislar, pode ser:
 Autocrático: é o processo legislativo das constituições outorgadas,
em que há centralização da função legiferante no governante.
 Direito: é aquele discutido e votado pelo próprio povo.
 Indireto ou representativo: é o modelo adotado no Brasil, em que o
povo escolhe os representantes, que exercem as competências constitucionais.
 Semidireto: concretiza-se por meio de referendo popular.
b) Quanto às fases de elaboração ou desenvolvimento de atos
normativos:
É uma classificação que objetiva a análise do percurso de nascimento da norma
jurídica e pode ser ordinário, especial ou sumário. Essa classificação refere-se
ao procedimento legislativo, que é o modo de elaboração dos atos: modos
faciendi.
O objeto do processo legislativo (os atos normativos primários) está previsto no
art. 59 da CR:
Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração,
redação, alteração e consolidação das leis.

Segundo José Afonso da Silva, que foi um dos precursores da Constituição da


República, no projeto original as Medidas Provisórias não estavam previstas
no rol de espécies normativas primárias que dependem de processo legislativo,
na medida em que se trata de ato privativo do Chefe do Poder Executivo. Na
verdade, o que depende de processo legislativo é a conversão delas em lei. O

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autor critica duramente a inserção da MP no rol acima. As Resoluções de que


trata o dispositivo são apenas as da Câmara, do Senado e do Congresso.
Todas as normas que regulam o processo legislativo de elaboração dos atos
normativos primários são normas de observância obrigatória. Os princípios
básicos do processo legislativo têm de ser necessariamente observados no
âmbito estadual ou municipal. Ex.: as iniciativas legislativas atribuídas ao Chefe
de Poder Executivo Federal necessariamente têm de ser atribuídas ao
Governador ou ao Prefeito, sob pena de inconstitucionalidade. O mesmo quanto
ao quórum para a elaboração de emendas à Constituição.
A observância dessas normas do processo legislativo é um direito público
subjetivo do parlamentar. O parlamentar que participa desse processo
legislativo e tem seu direito líquido e certo violado pode impetrar MS para
que se restabeleça a observância do processo legislativo constitucional. Veja
que somente o parlamentar da respectiva Casa é que pode impetrar esse MS.
Esse tipo de controle de constitucionalidade, que é preventivo (a única
hipótese de controle preventivo feito pelo Judiciário) é difuso: poderá ser do
STF, TJ ou juiz singular, conforme a previsão legal e constitucional e a
autoridade coatora. Na medida em que visa a proteger direito subjetivo do
parlamentar, trata-se de um controle concreto (ou incidental).
A doutrina em geral adota a divisão tripartida do processo
legislativo: i) sumário; ii) ordinário e iii)
processos legislativos especiais. O processo
legislativo ordinário é o processo de elaboração das
leis ordinárias. Serve como base aos demais. Os especiais são todos que não
forem sumário ou de elaboração de leis ordinárias.
São eles: processo legislativo de emendas à Constituição, processo de
elaboração da lei complementar, processo legislativo de conversão da
MP em lei e processo legislativo de lei delegada e de decretos
legislativos. Ou seja, todos os atos previstos no art. 59 têm processo
legislativo especial, exceto o ordinário.
Neste tópico, serão analisados os processos legislativos mais cobrados em
concurso público. Os demais, sem detalhamento da CR, não serão analisados.

1.3 – Fases de elaboração das leis e atos normativos

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1.3.1 – Processo Legislativo Ordinário

A base da análise feita a seguir é o processo legislativo ordinário. Como visto,


todos os processos legislativos têm como estrutura o ordinário. Serão
esclarecidas as especificidades dos demais, em análise comparativa. O
procedimento legislativo ordinário destina-se a elaborar leis ordinárias e
compreende o rito mais completo e demorado.

1.3.1.1 – Fase Introdutória

Na fase introdutória estudam-se os aspectos relacionados à iniciativa


legislativa. A iniciativa legislativa é o ato propulsor do processo
legislativo. Para as leis ordinárias e complementares está regulada no art. 61,
caput da CF/88.
São espécies de iniciativa:

Iniciativa comum é aquela atribuída a mais de


um legitimado para iniciar o processo
legislativo. Quando a CR não estabelece de
Iniciativa COMUM (geral ou
forma específica quem deve iniciar o processo
concorrente)
legislativo, significa que tal iniciativa é geral,
comum ou concorrente, ou seja, a iniciativa
não fica restrita a nenhum legitimado.

Iniciativa privativa ou exclusiva é aquela


atribuída apenas a um determinado
legitimado. Essa classificação é bastante
simplória, mas ela tem relevância para a
interpretação da iniciativa do processo
Iniciativa PRIVATIVA (ou legislativo, que varia de acordo com o tipo de
exclusiva) iniciativa. A iniciativa comum é a regra geral; a
privativa a exceção. Se aquela é a regra geral,
por serem exceções as iniciativas privativas
devem ser interpretadas restritivamente.
Normas excepcionais devem ser interpretadas
restritivamente. Além disso, por ser exceção e
ter de ser interpretado restritivamente, o rol

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de legitimados na iniciativa exclusiva é


considerado exaustivo. Isso significa que nem
o legislador ordinário pode ampliar o rol de
iniciativas privativas. Privativas ou exclusivas,
portanto, são apenas aquelas estabelecidas
constitucionalmente como indelegáveis.
Exemplo clássico de iniciativa privativa ou
exclusiva é o art. 61, § 1º (iniciativas
privativas do Presidente da República).

Leva em consideração a posição do legitimado,


ou seja, se integrante ou não do Poder
Legislativo.
Como regra, a Casa congressual que inicia o
Iniciativa Parlamentar x processo legislativo e realiza a deliberação
Extraparlamentar principal é a Câmara dos Deputados. Por isso,
como regra também, o Senado Federal realiza
a deliberação revisional dos projetos, salvo
quando a iniciativa é de senador ou de
comissão senatorial.

As matérias de iniciativa do Presidente da


República submetem-se ao princípio da
Iniciativa do Presidente da
reserva absoluta da lei e, por isso, não pode o
República
Chefe do Executivo atuar por qualquer
intervenção normativa diferente de lei.

São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que


(art. 61, §1º, CF):
I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;
II - disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na
administração direta e autárquica ou aumento de sua
remuneração;
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e
orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos
Territórios;
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico,
provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria;

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d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da


União, bem como normas gerais para a organização do Ministério
Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e
dos Territórios;
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração
pública, observado o disposto no art. 84, VI;
f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento
de cargos, promoções, estabilidade, remuneração, reforma e
transferência para a reserva.
Por se tratar de competência reservada, os Estados membros e o DF devem
obediência às regras de competência exclusiva do Chefe do Executivo, sob pena
de violação da separação de poderes. Quando houver uma iniciativa privativa
ou exclusiva, em razão da necessidade de observância obrigatória do processo
legislativo, elas devem ser atribuídas no âmbito estadual pela CE aos
Governadores, com exclusividade, e ao Prefeito, com exclusividade, pela Lei
Orgânica Municipal.
As hipóteses previstas na Constituição Federal de iniciativa reservada do
Presidente da República, pelos princípios da simetria e da separação de
Poderes, devem ser observadas em âmbito estadual, distrital e municipal, ou
seja, as matérias devem ser iniciadas pelos Chefes do Executivo (Governadores
dos Estados e Prefeitos), sob penal de se configurar inconstitucionalidade formal
subjetiva.
É possível emendas parlamentares aumentar
despesa em projeto de iniciativa exclusiva do
PR? Em regra, as normas de iniciativa exclusiva NÃO
impedem emendas parlamentares. Todavia, há duas
limitações: a) impossibilidade de veiculação de matérias diferentes do
projeto inicial; b) impossibilidade de ensejarem aumento de despesa
pública ressalvada a matéria orçamentária. É que o art. 166, §3º e 4º
autoriza a apresentação de emendas para aumentar despesas no projeto de lei
do orçamento anual, desde que em sintonia com o pleno plurianual e LDO.

É possível que haja emendas parlamentares em projetos de lei de iniciativa dos


Poderes Executivo e Judiciário, desde que cumpram dois requisitos: a) guardem
pertinência temática com a proposta original (tratem sobre o mesmo assunto); b) não
acarretem em aumento de despesas. STF. Plenário. ADI 5087 MC/DF, Rel. Min. Teori
Zavascki, julgado em 27/8/2014 (Info 756). STF. Plenário. ADI 1333/RS, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgado em 29/10/2014 (Info 765). STF. Plenário. ADI 3942/DF, Rel.

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Min. Cármen Lúcia, jugado em 5/2/2015 (Info 773). STF. Plenário. ADI 2810/RS, Rel.
Min. Roberto Barroso, julgado em 20/4/2016 (Info 822).

Caso prático: O Governador de Santa Catarina enviou projeto de lei instituindo regime
de subsídio para os Procuradores do Estado. Durante a tramitação do projeto, um
Deputado apresentou emenda criando uma gratificação para os servidores da PGE. O
projeto foi aprovado e sancionado, convertendo-se em lei. O STF julgou essa lei
inconstitucional por vício formal de iniciativa, pois a proposta de aumento de
remuneração, tema de iniciativa privativa do Poder Executivo (art. 61, § 2º, II, “b”, da
CF/88), foi incluída durante a tramitação na Assembleia Legislativa, desrespeitando o
princípio da independência dos poderes, prevista no art. 2º da CF/88. A relatora
observou ainda a falta de pertinência temática, pois a criação da gratificação aos
servidores do Poder Executivo estadual foi incluída por meio de emenda parlamentar
em medida provisória destinada a estabelecer o subsídio mensal como forma de
remuneração da carreira de procurador do estado. STF. Plenário. ADI 4433/SC, Rel.
Min. Rosa Weber, julgado em 18/6/2015 (Info 790)1.

E a sanção do Presidente da República supre o


vício de iniciativa na apresentação do projeto
de lei? A sanção presidencial não supre o vício de
iniciativa na apresentação do projeto de lei? A Súmula 5 do STF, embora diga
que sim, encontra-se superada. Segundo o entendimento atual do STF, o vício
de iniciativa é insanável e, portanto, não pode ser suprido pela sanção. Há uma
inconstitucionalidade formal (pois relacionada à forma de elaboração, o
processo) e subjetiva (relacionada ao sujeito competente) no projeto com vício
de iniciativa, que não pode ser sanada.

Compete privativamente ao STF, aos Tribunais


Superiores e aos Tribunais de Justiça propor ao
Iniciativa de lei do Poder Poder Legislativo a criação e a extinção de
Judiciário cargos, a remuneração de seus serviços
auxiliares e dos juízos vinculados, bem como a
fixação do subsídio de seus membros e dos
juízes. É uma decorrência do princípio da

1
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Requisitos para emenda parlamentar a projetos de lei de
outros poderes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/38af86134b65d0f10fe33d3
0dd76442e>. Acesso em: 18/06/2018

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autonomia administrativa e financeira do Poder


Judiciário.

Pertence ao STF a iniciativa de lei ordinária para


fixar subsídios dos Ministros da corte. Após a
Iniciativa de lei para EC nº 41/03 não é mais preciso a iniciativa
fixação de teto salarial conjunta dos “Presidentes dos Poderes”,
bastando a iniciativa reservada do Presidente do
STF.

Decorre da autonomia administrativa e


financeira, podendo propor ao Legislativo
Iniciativa de lei pelo criação e extinção de seus cargos e serviços
Ministério Público auxiliares. Lembre-se da iniciativa concorrente
entre PGR e PR para a propositura da lei
complementar do Ministério Público da União.

O art. 73 da Constituição estabelece que o TCU


exerce, no que couber, as atribuições do art.
96. Assim, compete ao TCU, nos termos do art.
96, propor ao Legislativo (iniciativa reservada)
Tribunais de Contas projetos de lei referentes às matérias ali
indicadas, como, por exemplo, a criação e a
extinção de cargos e a remuneração dos
servidores auxiliares, bem como a fixação do
subsídio de seus membros.

EMENTA Ação direta de inconstitucionalidade. Lei estadual nº 2.351, de 11 de maio de


2010, de Tocantins, que alterou e revogou dispositivos da Lei estadual nº 1.284, de 17
de dezembro de 2001 (Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins).
Lei originária de proposição parlamentar. Interferência do Poder Legislativo no poder
de autogoverno e na autonomia do Tribunal de Contas do Estado. Vício de iniciativa.
Inconstitucionalidade formal. Medida cautelar deferida. Procedência da ação. 1. As
cortes de contas seguem o exemplo dos tribunais judiciários no que concerne
às garantias de independência, sendo também detentoras de autonomia
funcional, administrativa e financeira, da quais decorre, essencialmente, a
iniciativa reservada para instaurar processo legislativo que pretenda alterar
sua organização e funcionamento, conforme interpretação sistemática dos

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arts. 73, 75 e 96, II, d, da Constituição Federal. 2. A jurisprudência do


Supremo Tribunal Federal tem se orientado no sentido de reconhecer a
inconstitucionalidade formal, por vício de iniciativa, das disposições que,
sendo oriundas de proposição parlamentar ou mesmo de emenda
parlamentar, impliquem alteração na organização, na estrutura interna ou no
funcionamento dos tribunais de contas. Precedentes: ADI 3.223, de minha
relatoria, Tribunal Pleno, DJe de 2/2/15; ADI 1.994/ES, Rel. Min. Eros Grau, DJ de
8/9/06; ADI nº 789/DF, Rel. Min. Celso de Mello, DJ de 19/12/94. 3. A Lei nº
1.284/2010 é formalmente inconstitucional, por vício de iniciativa, pois, embora
resultante de projeto de iniciativa parlamentar, dispôs sobre forma de atuação,
competências, garantias, deveres e organização do Tribunal de Contas estadual. 4.
Ação julgada procedente. (ADI 4418, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno,
julgado em 15/12/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-040 DIVULG 02-03-2017
PUBLIC 03-03-2017 REPUBLICAÇÃO: DJe-053 DIVULG 17-03-2017 PUBLIC 20-03-
2017).

Para o STF, é um instrumento de democracia


direta. Para Uadi Lammego, é um instrumento
de democracia semidireta. No processo
legislativo federal e estadual (observância
obrigatória), a iniciativa popular pode ser
exercida pela apresentação à Câmara dos
Deputados de projeto de lei subscrito por, no
mínimo, um por cento do eleitorado nacional,
Iniciativa popular
distribuído pelo menos por cinco Estados, com
não menos de três décimos por cento dos
eleitores de cada um deles. No âmbito
municipal, a iniciativa popular de projetos de
lei de interesse específico do Município, da
cidade ou de bairros, será exercida através de
manifestação de, pelo menos, cinco por cento
do eleitorado.

ATENÇÃO! Não há previsão expressa de iniciativa


popular para proposta de emenda. Em razão
disso, há dois posicionamentos na doutrina:

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José Afonso da Silva admite a iniciativa popular


1ª corrente através de analogia, a partir de uma interpretação
sistemática da CR;

Por se tratar de uma exceção à regra geral do art. 61,


a iniciativa no caso de proposta de emenda deve ser
interpretada restritivamente. Trata-se do postulado
2ª corrente visto anteriormente. Se a proposta de emenda é uma
regra excepcional (art. 60, I a III), deve ser
interpretada restritivamente. É a posição majoritária.

Cabe iniciativa popular de matérias reservadas à


iniciativa exclusiva de outros titulares?
De modo geral, não se admite a iniciativa popular
para matérias em relação às quais a Constituição fixou determinado titular para
deflagrar o processo legislativo (iniciativa exclusiva ou reservada).
Como todos sabem, existe previsão de iniciativa reservada (exclusiva) para o
Presidente da República (art. 61, § 1.º); o Poder Judiciário (ex., art. 93); as
Mesas da Câmara e do Senado (arts. 51, IV, e 52, XIII) etc.

Iniciativa popular em A iniciativa popular em âmbito estadual está


âmbito estadual e prevista no art. 27, § 4.º, que transfere a sua
municipal regulamentação para lei.

O art. 29, XIII, da CF/88 fixa as regras para a iniciativa popular em âmbito
municipal, dispondo de modo diferente da iniciativa popular em âmbito federal.
Vejamos: “iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do
Município, da cidade ou de bairros, através de manifestação de, pelo menos,
5% do eleitorado”.
Iniciativa reservada em matéria tributária? O art. 61, § 1.º, II, “b”, da
CF/88 determina serem de iniciativa reservada do Presidente da República as
leis que disponham sobre “organização administrativa e judiciária, matéria
tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos
Territórios”.
Assim, o STF já entendeu que a exclusividade para iniciar o processo legislativo
sobre matéria tributária refere-se às leis dos Territórios Federais.

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No âmbito da União, Estados-Membros, DF e Municípios, a iniciativa de leis


sobre matéria tributária é concorrente entre os Chefes do Executivo e os
membros do Legislativo, podendo-se, ainda, avançar e sustentar a iniciativa
popular sobre matéria tributária, desde que observadas as formalidades do art.
61, § 2.º.
Legitimados
Relativamente aos legitimados, há diferença entre os processos
legislativos das leis complementares e ordinárias? Entre a lei
complementar e a ordinária, não há nenhuma diferença com relação à
iniciativa. Ela é idêntica. As diferenças que há entre a lei ordinária e a
complementar são duas:
i) diferença material: Enquanto a lei complementar trata de matérias
reservadas expressamente pela Constituição, as leis ordinárias tratam de
matérias residuais. Matéria residual é toda aquela que não é expressamente
prevista para um determinado ato. Assim, a matéria da lei complementar é
expressamente reservada a ela. Tudo o que sobra depois da análise das
matérias reservadas (decreto legislativo, emenda constitucional, lei
complementar) pode ser tratada por lei ordinária. Se há reserva de determinada
matéria a um ato legislativo, a lei ordinária não pode dela tratar. A CR diz
expressamente “lei complementar” quando exige disciplina da matéria por essa
espécie de ato normativo. Quando diz simplesmente “lei” ou quando nada diz, a
competência será residual.
A Constituição Federal conferiu imunidade para as entidades
beneficentes de assistência social afirmando que
elas estão dispensadas de pagar contribuições para
a seguridade social. Veja:
Art. 195 (...)
§ 7º - São isentas de contribuição para a seguridade social as
entidades beneficentes de assistência social que atendam às
exigências estabelecidas em lei.

Apesar de a redação do parágrafo falar em “isentas”, a


doutrina afirma que se trata, efetivamente, de uma
hipótese de imunidade. Não é um caso de
“isenção”.
O § 7º do art. 195 da CF/88 traz dois requisitos para o gozo desta imunidade:
1) que se trate de pessoa jurídica que desempenhe atividades
beneficentes de assistência social.

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A assistência social é tratada no art. 203 da CF/88. O STF,


contudo, confere um sentido mais amplo ao e
afirma que os objetivos da assistência social
elencados nos incisos do art. 203 podem ser
conseguidos também por meio de serviços de saúde e educação. Assim, se a
entidade prestar serviços de saúde ou educação também poderá, em tese, ser
classificada como de “assistência social”.
2) que esta entidade atenda a parâmetros previstos na lei.
A lei a que se refere o § 7º é lei complementar ou ordinária?
COMPLEMENTAR. Esse assunto era extremamente polêmico na doutrina e na
jurisprudência, mas o STF apreciou o tema sob a sistemática da repercussão
geral e fixou a seguinte tese:

Os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar.


STF. Plenário. RE 566622, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 23/02/2017
(repercussão geral).

Como vimos acima, as imunidades tributárias são classificadas


juridicamente como “limitações constitucionais
ao poder de tributar” e a CF/88 exige que este
tema seja tratado por meio de lei complementar.
Confira:
Art. 146. Cabe à lei complementar:
(...)
II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar;

Isso gera alguma confusão porque aprendemos que, quando a Constituição


Federal fala apenas em "lei", sem especificar mais nada, ela está se referindo à
lei ordinária. Ex: art. 5º, XXXII ("o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa
do consumidor"). Trata-se do Código de Defesa do Consumidor, uma lei
ordinária (Lei nº 8.078/90).
Também aprendemos que a Constituição, quando quer exigir lei complementar,
o faz expressamente. Ex: art. 18, § 2º ("Os Territórios Federais integram a
União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de
origem serão reguladas em lei complementar.").

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O § 7º do art. 195, contudo, deve ser interpretado em conjunto com o


art. 146, II. Assim, a Constituição exigiu sim lei complementar, mas
não diretamente no § 7º do art. 195 e sim na previsão geral do art. 146,
II.
Além disso, o STF afirmou que a imunidade de contribuições sociais serve não
apenas a propósitos fiscais, mas também para a realização dos objetivos
fundamentais da República, como a construção de uma sociedade solidária e
voltada para a erradicação da pobreza. Logo, esta espécie de imunidade não
pode ficar à mercê da vontade transitória de governos.
As regras para gozar dessa imunidade devem ser respeitadas por todos os
governos, não sendo, portanto, correto que o regime jurídico das entidades
beneficentes fique sujeito a flutuações legislativas constantes, muitas vezes
influenciadas pela vontade de arrecadar. Assim, um tema tão sensível como
esse não pode ser tratado por lei ordinário ou medida provisória.
Portanto, diante da relevância das imunidades de contribuições sociais para a
concretização de uma política de Estado voltada à promoção do mínimo
existencial, deve incidir nesse caso a reserva legal qualificada prevista
no art. 146, II, da CF/88(lei complementar)2.
ii) diferença formal:
A lei ordinária é aprovada por maioria relativa (art. 47 da CR), enquanto a lei
complementar é aprovada por maioria absoluta (art. 69).
Art. 47. Salvo disposição constitucional em contrário, as
deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão tomadas por
maioria dos votos, presente a maioria absoluta de seus membros.
Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por maioria
absoluta.

Veja que o quórum de votação das leis ordinária e complementar é idêntico


(maioria absoluta). A diferença refere-se ao quórum de aprovação (mais da
metade dos presentes, no caso da lei ordinária, e mais da metade dos membros
da Casa, no caso da lei complementar).
Quando a CR fala em maioria relativa (ou simples), ela
refere-se a mais de 50% dos presentes. Imagine
que no Plenário da Câmara estejam presentes 300
Deputados. Nesse caso, a maioria relativa será de 151

2
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Os requisitos para o gozo de imunidade devem estar
previstos em lei complementara. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4ff3e350028d0cfcb92c3a8
7a57585b1>. Acesso em: 18/06/2018

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parlamentares. 151 Deputados aprovam uma lei ordinária. Presentes 400


Deputados, serão necessários 201 votos. Por isso o nome maioria relativa.
Porque ela sempre depende de uma condição (é sempre um número variável).
Ela variará de acordo com o número de presentes. Já a maioria absoluta
corresponde a mais de 50% dos membros da Casa Legislativa (e não dos
presentes). Na Câmara, há 513 Deputados. No Senado, 81 Senadores. A
maioria absoluta será sempre de 257 Deputados ou de 41 Senadores. Trata-se
de um número fixo, que não varia (é sempre o mesmo), não depende do
número de presentes. Nesse caso, basta que mais da metade dos membros
vote a favor do projeto.
O quadro comparativo a seguir envolve as iniciativas legislativas do processo
legislativo federal (que é de observância obrigatória nos estados e municípios):

Emenda
Lei complementar e lei ordinária
constitucional

Presidente da
Executivo Presidente da República.
República.

1/3 dos Membros do Qualquer Deputado, qualquer


Legislativo Senado ou da Senador ou qualquer comissão, da
Câmara. Câmara, do Senado e do Congresso.

STF e Tribunais Superiores (em


Não tem ambos os casos, somente em se
Judiciário
legitimidade. tratando de projeto de lei relacionado
à organização do Poder Judiciário).

PGR (somente tem legitimidade para


Não tem
MP apresentar projetos de lei
legitimidade.
relacionados à organização do MP).

Mais de 50% das Iniciativa popular: Só há previsão de


Assembleias iniciativa popular para lei ordinária e
Outros Legislativas, lei complementar. Não há para
manifestando-se emenda complementar (ver
cada uma pelo voto observação abaixo acerca da

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da maioria relativa divergência).


de seus membros.

Veja que o Presidente da República é a única autoridade que poderá propor


tanto a emenda à CR quanto leis complementar e ordinária. Nenhum órgão do
Poder Judiciário tem legitimidade de propor emenda. Nenhum membro ou
tribunal (inclusive o STF) pode propor emenda.

1.3.1.2 – Fase Constitutiva

A fase constitutiva é composta de duas etapas: a) deliberação parlamentar,


em que há discussão e votação pelas Casas Congressuais; b) deliberação
executiva, constituída pela sanção de veto.
a) Discussão
A fase constitutiva é a de deliberação. Ela inicia-se
com a discussão acerca do projeto apresentado. No
caso de projeto de lei, essa discussão só não começa na
Câmara quando a proposta for de um Senador ou de Comissão do Senado,
hipóteses em que ela se iniciará no Senado. Portanto, a maioria dos projetos de
lei começa a ser discutida e votada na Câmara, pois na maior parte dos casos
ela é a Casa iniciadora.
No caso das emendas à Constituição, serão iniciadas no Senado tanto as PEC
propostas pelos Senadores quanto aquelas por mais de 50% das Assembleias
Legislativas. Isso porque os Senadores são representantes dos estados e são os
estados que estão apresentando as propostas.
A discussão ocorre nas Casas iniciadora e revisora, podendo ser realizada tanto
no Plenário quanto nas comissões (na Comissão de Constituição e Justiça e nas
comissões temáticas, como a Comissão de Agricultura ou a Comissão de Ciência
e Tecnologia). As comissões temáticas analisar o mérito dos projetos de lei,
sendo nessa fase, possível a apresentação de emendas. Lembre-se que as
hipóteses de discussão e votação pelas comissões (com dispensa do plenário),
serão previstas nos regimentos internos, sempre assegurado o recurso de 1/10
dos membros da casa para o Plenário. É uma decorrência do princípio geral de
reserva de plenário.
b) Votação

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Após as discussões, o projeto é encaminhado à votação. Aspecto importante a


ser observado é o quórum de votação. Veja que não se trata da análise do
quórum de aprovação (o número mínimo de parlamentares sem o qual não
pode ser realizada uma votação). Esse quórum é exigido não só no Plenário
como nas Comissões. Nenhuma deliberação no Congresso Nacional ocorre se o
quórum mínimo não for atendido. Esse quórum mínimo de votação está previsto
no art. 47 da CR. Trata-se da regra geral, apesar de ser um artigo específico da
lei ordinária:
Art. 47. Salvo disposição constitucional em contrário, as
deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão tomadas por
maioria dos votos, presente a maioria absoluta de seus membros.

A expressão “tomadas por maioria dos votos” é o quórum


de aprovação; a expressão “presente a maioria
absoluta de seus membros” é o quórum de
votação. Para que haja uma deliberação, é
necessário que esteja presente a maioria absoluta dos membros da Casa. Como
visto, no Plenário da Câmara têm de estar presentes pelo menos 257 membros;
no Senado, 41. Essa regra do artigo 47 vale para todas as deliberações que não
tenham expressa previsão em sentido contrário, e não somente para as leis
(ex.: deliberações em CPI).
A “obstrução de pauta” ocorre exatamente por conta desse quórum mínimo.
Para tentar adiar uma votação e ganhar tempo, determinada minoria se retira,
para que o quórum mínimo não seja atendido. Ex.: no Plenário da Câmara, há
260 Deputados, sendo 100 da oposição e 160 do governo. O quórum mínimo de
257 foi atendido. A oposição vê que perderá se a votação ocorrer naquele
momento. Mas há a possibilidade de mudança de opinião de determinados
parlamentares. Alguns dos Deputados da oposição retiram-se do Plenário, não é
atendido o número mínimo de parlamentares para a votação do projeto e a
votação é deixada para o dia seguinte. Essa prática normalmente ocorre quando
há uma diferença mínima entre os lados, e aqueles que veem que vão perder
pretendem ganhar mais tempo para convencer outros colegas.
A votação pode ocorrer na Comissão (temática, por
exemplo) ou só o Plenário pode votar projeto
de lei? A votação em regra ocorre no Plenário. No
entanto, a CR admite hipóteses excepcionais em que o
projeto de lei não precisa ser submetido ao Plenário, podendo ser votado
exclusivamente na comissão. Isso normalmente ocorre em assuntos mais
técnicos, que não envolvem democracia, maiorias etc. Há uma intenção de se
aumentar o número de projetos votados nas comissões, para agilizar as

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votações do Congresso. O rol de matérias tratáveis nas comissões está previsto


no regimento interno.
Isso não significa que a Comissão impeça o Plenário de realizar a votação. É
possível que seja apresentado um recurso por parte dos membros da Casa,
para que a votação ocorra em Plenário (art. 58, § 2º):
Art. 58 (…) § 2º - às comissões, em razão da matéria de sua
competência, cabe:
I - discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do
regimento, a competência do Plenário, salvo se houver recurso de
um décimo dos membros da Casa; (...).

A Comissão, portanto, não apenas discute, mas nos casos previstos no


Regimento Interno pode votar projeto de lei.

Quórum de votação
Quórum de (número mínimo de
aprovação membros que devem estar
presentes)

Lei ordinária Maioria relativa Maioria absoluta

Lei
Maioria absoluta Maioria absoluta
complementar

3/5 ou 60% dos


Emenda à
membros (requisito Maioria absoluta
Constituição
mais rígido)

c) Realização de emendas
Como visto, a maioria dos projetos de lei começa a ser discutida e votada na
Câmara, pois na maior parte dos casos ela é a casa iniciadora. Ela pode realizar
emendas ao texto original do projeto. Isso suscita algumas questões, que serão
analisadas a seguir.
É possível a existência de emenda em projeto de iniciativa exclusiva?
Apresentado um projeto pelo Presidente, em matéria de iniciativa
exclusiva dele, cabe emenda a tal projeto? Sim, pode haver emenda em
projeto de iniciativa exclusiva. No entanto, existem algumas restrições. A ideia
da iniciativa é dar o pontapé inicial. Começar o processo legislativo. Mas as

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Casas do Congresso não ficam a vinculadas ao projeto original, podendo


deliberar sobre os temas ali tratados e alterá-los.
Mas há restrições:
i) a emenda deve ser relacionada ao conteúdo
do projeto apresentado:
Essa restrição pode parecer estranha, mas já ocorreu de o Presidente
apresentar um projeto de iniciativa privativa dele e os parlamentares colocarem
outras matérias não relacionadas àquele projeto inicial, que seriam de iniciativa
privativa do Presidente, para “aproveitar” o projeto e burlar justamente a
iniciativa privativa.
A doutrina usou as expressões “contrabando legislativo” ou “caudas da lei”
para designar essa prática, que ocorre quando é inserida uma matéria
totalmente desvinculada do restante do texto do projeto.
Essa tese foi referendada pelo Supremo Tribunal Federal.

Imagine que o Presidente da República edita medida provisória dispondo


sobre matéria tributária. Durante a tramitação no Congresso Nacional, um
Deputado apresenta emenda incluindo o art. 76 na medida provisória para
tratar sobre os requisitos para a profissão de contador. A medida provisória é
aprovada, sendo convertida em lei, inclusive com o artigo incluído. Indaga-
se: esse art. 76 da lei é constitucional?
NÃO. É incompatível com a Constituição a apresentação de emendas sem relação de
pertinência temática com medida provisória submetida à sua apreciação. Assim, como
essa emenda versa sobre assunto diverso do que é tratado na medida provisória,
deve-se considerá-lo inconstitucional.
A inserção, por meio de emenda parlamentar, de assunto diferente do que é tratado
na medida provisória que tramita no Congresso Nacional é chamada de "contrabando
legislativo", sendo uma prática vedada.
O uso de medidas provisórias se dá por motivos de urgência e relevância da matéria,
cuja análise compete ao chefe do Poder Executivo. Assim, toda e qualquer emenda
parlamentar em projeto de conversão de medida provisória em lei deve ficar restrita
ao tema definido como urgente e relevante.
Vale ressaltar que a própria Resolução 1/2002, do Congresso Nacional, que trata sobre
os procedimentos para tramitação das medidas provisórias, veda a apresentação de
emendas sem pertinência temática com a MP. Veja:

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Art. 4º (...) § 4º É vedada a apresentação de emendas que versem sobre matéria


estranha àquela tratada na Medida Provisória, cabendo ao Presidente da Comissão o
seu indeferimento liminar.
Assim, é até possível emenda parlamentar ao projeto de conversão da MP, no entanto,
deverá ser observada a devida pertinência lógico-temática.
Essa foi a conclusão do STF ao julgar a ADI 5127/DF proposta contra o art. 76 da Lei
nº 12.249/2010, inserido mediante emenda parlamentar em projeto de conversão de
medida provisória em lei, e que tratava sobre assunto diferente daquele veiculado no
texto da MP.
O art. 76 foi acrescentado indevidamente por emenda parlamentar durante a
tramitação da MP 472/2009, convertida na Lei nº 12.249/2010. Isso porque o referido
artigo dispunha sobre assunto diverso daquele tratado na MP, faltando, portanto,
pertinência temática. Assim, o art. 76 foi fruto de um contrabando legislativo.
Conclusão com efeitos ex nunc: O STF declarou que o contrabando legislativo é
proibido pela CF/88, como vimos acima. No entanto, a Corte afirmou que, mesmo
assim, o art. 76 da Lei nº 12.249/2010 não deveria ser declarado inconstitucional.
Segundo decidiu o STF, esse entendimento de que o contrabando legislativo é
inconstitucional só deverá valer para as próximas medidas provisórias que forem
convertidas em lei. Assim, ficou decidido que o STF irá comunicar ao Poder Legislativo
esse seu novo entendimento e as emendas que forem aprovadas a partir de então e
que não tiverem relação com o assunto da MP serão declaradas inconstitucionais.
É como se o STF tivesse dado uma chance ao Congresso Nacional e, ao mesmo tempo,
um alerta: não faça mais isso.
Quais foram os fundamentos utilizados pelo STF para não declarar o art. 76
da Lei nº 12.249/2010 inconstitucional?
O STF apresentou dois argumentos para não declarar o art. 76 inconstitucional:
1) Essa foi a primeira oportunidade em que a Corte enfrentou esse tema
(contrabando legislativo) e, por isso, seria necessário antes de declarar
inconstitucionais todas as emendas que foram inseridas nesta mesma situação, iniciar
um diálogo entre o Legislativo e o Judiciário sobre a matéria.
2) O contrabando legislativo é uma prática já arraigada em nosso processo legislativo,
tendo ocorrido inúmeras outras vezes. Assim, se a decisão do STF já valesse para
todos os casos, isso poderia provocar enorme insegurança jurídica, considerando que
diversos dispositivos que estão em vigor e são fruto desse procedimento seriam
declarados inconstitucionais.
Proclamação do resultado:
Na proclamação do resultado do julgamento, a Corte decidiu cientificar ao
Poder Legislativo que o STF afirmou, com efeitos ex nunc(de agora em diante), que
não é compatível com a Constituição a apresentação de emendas sem relação de
pertinência temática com medida provisória submetida à sua apreciação.

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Ficam preservadas, até a data do julgamento, as leis oriundas de projetos de


conversão de medidas provisórias, em obediência ao princípio da segurança jurídica,
mesmo que contenham contrabando legislativo. STF. Plenário. ADI 5127/DF, rel. orig.
Min. Rosa Weber, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 15/10/2015 (Info
803). STF. Plenário. ADI 5012/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 16/3/2017 (Info
857).

ii) em alguns casos, não é admitido aumento de despesa.


A CR, em seu art. 63, veda expressamente aumento de despesa em certos
projetos de iniciativa exclusiva. Esse dispositivo não veda que haja emenda em
projeto de iniciativa exclusiva, o que ele veda é aumento de despesa em
determinados projetos de iniciativa exclusiva:
Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista:
I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República,
ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º; (...)
Art. 166 (…) § 3º - As emendas ao projeto de lei do orçamento
anual ou aos projetos que o modifiquem somente podem ser
aprovadas caso:
I - sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de
diretrizes orçamentárias;
II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os
provenientes de anulação de despesa, excluídas as que incidam
sobre:
a) dotações para pessoal e seus encargos;
b) serviço da dívida;
c) transferências tributárias constitucionais para Estados,
Municípios e Distrito Federal; ou
III - sejam relacionadas:
a) com a correção de erros ou omissões; ou
b) com os dispositivos do texto do projeto de lei.
§ 4º - As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias
não poderão ser aprovadas quando incompatíveis com o plano
plurianual.

Quem pode propor emenda? Apenas os parlamentares, ou outras


autoridades também podem fazê-lo? Podem apresentar emendas, sem
problema algum, os parlamentares. Além deles, pode propor a emenda o
legitimado que tomou a iniciativa de elaboração da lei. Portanto, no projeto de

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iniciativa do Presidente, além dos parlamentares o Presidente pode propor


emenda. Há, todavia, uma diferença entre as emendas propostas pelos
parlamentares e pelo legitimado. Esse legitimado somente pode propor
emendas aditivas. Os parlamentares, por sua vez, podem propor emendas:
aditivas, aglutinativas, redacionais, supressivas, modificativas ou substitutivas.
As substitutivas recebem o nome de “substituto”.
O legitimado não pode propor emendas supressivas
porque depois que o projeto está no Congresso, ele
sai do âmbito de disponibilidade daquele. Ou seja, o
legitimado não pode dispor acerca do projeto apresentado. A partir do momento
em que apresentado o projeto, o Congresso é que pode dele dispor. A emenda
aditiva funciona como um novo projeto de lei. O legitimado não está retirando
nada. Da mesma forma que ele poderia propor um novo projeto de lei, ele pode
acrescer emendas. Não faria sentido que o Congresso votasse o projeto anterior
e, posteriormente, o subsequente. Essa a razão pela qual é possível a
apresentação de emendas aditivas pelo legitimado.
Da Câmara dos Deputados, o projeto segue para o Senado, que é a casa
revisora. Da mesma forma que na Câmara, no Senado também há a
possibilidade de os Senadores apresentarem emendas aditivas ou supressivas.
Apresentada uma emenda na Câmara, ela vota com a emenda e o projeto é
aprovado. Se o Senado realiza uma emenda aditiva ou supressiva, tal emenda
não foi analisada pela Câmara. O projeto não pode ser aprovado dessa forma,
pois o Poder Legislativo brasileiro é bicameral (representantes do povo e
representantes dos estados). Em razão disso, realizada uma emenda, o projeto
terá de voltar à Câmara, para que a bicameralidade seja respeitada. Volta à
Câmara o projeto todo ou só a emenda? A parte aprovada pela Câmara não
precisa se reanalisada por ela.
Assim, no caso de emenda feita pela casa revisora, não há necessidade de uma
nova análise de todo o projeto pela casa iniciadora. Se a emenda alterar o
conteúdo do restante do projeto, a casa iniciadora poderá analisar o projeto
como um todo. Se não tiver influência no restante do projeto, a iniciadora
analisará somente a emenda.
Pode a casa iniciadora fazer a emenda da emenda (a chamada “subemenda”)?
Não. Nem a Câmara nem o Senado pode realizar a subemenda. Caso contrário,
o processo legislativo não terminaria nunca. A emenda feita na casa revisora
volta à iniciadora para aprová-la ou rejeitá-la, do jeito como formulada. Não
cabe modificação da emenda.
Aprovado o projeto, ele segue à fase seguinte.
d) Quórum de aprovação

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O quórum de votação será sempre o do art. 47 (maioria absoluta), seja nas


Comissões, seja no Plenário. Não há disposição constitucional em contrário. O
que varia é o quórum de aprovação, conforme o ato:
i) lei ordinária: O quórum de aprovação da lei ordinária, como visto, é a
maioria relativa (mais de 50% dos presentes), como determina o art. 47 (que é
a regra geral).
ii) lei complementar: O quórum de aprovação no caso da lei complementar é
diferente. Têm de votar favoravelmente ao projeto mais de 50% dos membros
da Casa.
Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por maioria
absoluta.

iii) emenda à constituição:


O quórum para a aprovação de uma proposta de emenda à constituição é de
3/5 (e não de 2/3!):
Art. 60 (…) § 2º - A proposta será discutida e votada em cada
Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se
aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos
respectivos membros.

e) Reapresentação do projeto
Se uma matéria constante do projeto de lei ou de emenda é rejeitada numa
sessão legislativa, ela pode ser apresentada novamente na mesma sessão
legislativa? É o princípio da irrepetibilidade dos projetos rejeitados na mesma
sessão legislativa. Aqui, há duas regras diferentes:
i) leis complementares e ordinárias:
No caso das leis complementares e ordinárias, admite-se nova apresentação na
mesma sessão legislativa, mesmo que a matéria tenha sido rejeitada. Há, no
entanto, um detalhe: rejeitada numa sessão legislativa, para que possa ser
reapresentado, deve haver a aquiescência da maioria absoluta dos Deputados
ou dos Senadores (art. 67). O Presidente da República, por exemplo, não pode
reapresentar o projeto no mesmo ano.
Art. 67. A matéria constante de projeto de lei [ordinária ou
complementar] rejeitado somente poderá constituir objeto de novo
projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da
maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do
Congresso Nacional.

ii) emendas à Constituição:


No caso de emendas, não se admite a reapresentação na mesma sessão
legislativa. Há vedação expressa da CR (art. 60, § 5º):

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Art. 60 (…) § 5º - A matéria constante de proposta de emenda


rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova
proposta na mesma sessão legislativa.

Cumpre lembrar que a sessão legislativa é a anual, prevista no art. 57:


Art. 57. O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na Capital
Federal, de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de
dezembro.

As Medidas Provisórias serão estudadas a seguir, mas


cumpre destacar que a regra de apresentação da
MP é a mesma da emenda: também não se
admite reapresentação na mesma sessão
legislativa (art. 62, § 10):
Art. 62 (…) § 10. É vedada a reedição, na mesma sessão
legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que
tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo.

Em relação às emendas, o STF aceitou a possibilidade de


representação de projeto versando sobre a mesma
matéria que constitui medida provisória rejeitada,
mas proibiu o sentido contrário, ou seja, não pode
medida provisória para disciplinar matéria que já tenha sido objeto de projeto
de lei rejeitado.
f) Deliberação executiva: sanção e veto.
Antes do encaminhamento do projeto para sanção ou veto, temos a fase do
“autógrafo”: é o instrumento formal consubstanciador do texto definitivo
aprovado pelo Poder Legislativo, sobre o qual será exercida a deliberação
executiva. Discutido, votado e aprovado, o projeto de lei é remetido ao
Presidente, para sanção ou veto.

ATENÇÃO: Não tem sanção e veto:


 Proposta de emenda constitucional não tem sanção ou veto. A única
participação do Presidente na Emenda pode ser a iniciativa. A sanção e o veto
somente valem para as leis ordinárias e complementares.
 Medida provisória convertida em lei sem alteração substancial. CUIDADO!
Projeto de iniciativa do Chefe do Executivo NÃO dispensa a deliberação
executiva.

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A sanção é a aquiescência do chefe do Poder Executivo com o teor do projeto


de lei. A sanção pode ser: a) expressa, quando há manifestação favorável
no prazo máximo de quinze dias utéis; b) tácita, quando não há
manifestação; c) total ou ampla; d) parcial ou localizada.
Portanto, se o Presidente nada diz, o silêncio dele significa aquiescência
com o projeto de lei. O veto, evidentemente, somente pode ser expresso.
Não existe veto tácito. O prazo que tem o Presidente para se manifestar
(sancionar expressamente ou vetar expressamente) é de quinze dias úteis. Se
não o fizer, repita-se, estará tacitamente concordando (art. 66, §§ 1º e 3º).
Além de expressa ou tácita, a sanção pode ser total ou parcial. O mesmo vale
para o veto, que pode ser total ou apenas parcial. Importante guardar que o
veto parcial, de acordo com o art. 66, § 2º, tem de abranger texto integral de
artigo, parágrafo, alínea ou inciso. Cuidado para não confundir o veto parcial
com a declaração de inconstitucionalidade parcial, que como visto, pode incidir
sobre uma palavra ou expressão:
Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o
projeto de lei ao Presidente da República, que, aquiescendo, o
sancionará.

O veto presidencial é a discordância do Chefe do Executivo. Se o


Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte,
inconstitucional [veto jurídico] ou contrário ao interesse público [veto
político], vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis,
contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito
horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto. O veto por
inconstitucionalidade é o chamado veto jurídico. O veto por contrariedade ao
interesse público é o chamado veto político.
O veto presidencial é IRRETRATÁVEL e, embora a sua natureza jurídica seja
divergente, prevalece o entendimento de que é um poder-dever. Poder porque
não está obrigado a concordar com a manifestação do Legislativo. Dever porque
tem a incumbência constitucional de realização de controle político. O veto
presidencial é:
 Expresso ou explícito
 Motivado ou formalizado: é preciso a declinação, por escrito, das
razoes de fato e de direito que levaram ao veto – “motivos do veto”. O veto
sem motivação expressa tem os mesmos efeitos de uma sanção tácita.
 Total ou parcial: O veto parcial somente abrangerá texto integral
de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea.
 Supressivo ou impeditivo: Não poderá fazer aditamentos.

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 Relativo ou superável: É a possibilidade de o mesmo ser superado


pelo Poder Legislativo.
O veto é relativo, pois pode ser derrubado (art. 66, § 4º): O veto será
apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu
recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos
Deputados e Senadores. Se o veto não for mantido, será o projeto
enviado, para promulgação, ao Presidente da República.
O veto deverá ser apreciado em sessão conjunta das Casas do Congresso
Nacional, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser
rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores, inclusive
quando aposto a projeto de lei de conversão que altere o texto original de
medida provisória.
A maioria absoluta nesse caso deve ser computada separadamente – maioria
absoluta dos membros da Câmara (257 votos) e maioria absoluta do Senado
(41 votos). O prazo previsto é de 30 dias.

O que fez a Emenda Constitucional n.° 76/2013?


Acabou com o voto secreto em duas hipóteses:
1) Votação para decidir sobre a perda do mandato do
parlamentar;
2) Apreciação de veto do Presidente da República.

ANTES da EC 76/2013 DEPOIS da EC 76/2013

Art. 55 (...) Art. 55 (...)


§ 2º Nos casos dos incisos I, II e VI, § 2º Nos casos dos incisos I, II e VI,
a perda do mandato será decidida a perda do mandato será decidida
pela Câmara dos Deputados ou pelo pela Câmara dos Deputados ou pelo
Senado Federal, por voto secreto e Senado Federal, por maioria
maioria absoluta, mediante absoluta, mediante provocação da
provocação da respectiva Mesa ou de respectiva Mesa ou de partido político

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partido político representado no representado no Congresso Nacional,


Congresso Nacional, assegurada assegurada ampla defesa.
ampla defesa.

Art. 66 (...) Art. 66 (...)


§ 4º O veto será apreciado em § 4º O veto será apreciado em
sessão conjunta, dentro de trinta dias sessão conjunta, dentro de trinta dias
a contar de seu recebimento, só a contar de seu recebimento, só
podendo ser rejeitado pelo voto da podendo ser rejeitado pelo voto da
maioria absoluta dos Deputados e maioria absoluta dos Deputados e
Senadores, em escrutínio secreto. Senadores.

Na sessão unicameral não há separação dos votos, havendo, ao todo, 594


parlamentares. Os votos serão computados conjuntamente e a maioria absoluta
exige 298 votos, não importando se de Deputados ou de Senadores. Só houve
um caso de sessão unicameral: art. 3º do ADCT, que foram as propostas de
revisão constitucional ocorridas nos anos de 1993 e 1994.
O veto só abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou
alínea. Assim, pode-se afirmar que não existe veto de palavras, o que alterar
substancialmente o sentido do texto.
Características do veto: o veto é sempre expresso, conforme visto.
Assim, não existe veto tácito, devendo ser motivado e por escrito. O veto é
sempre supressivo, não podendo adicionar. Além disso, o veto é superável ou
relativo, pois poderá ser “derrubado” pelo Parlamento.
Podemos afirmar, também, que o veto é irretratável, pois, vetando e
encaminhando os motivos para o Senado Federal, o Presidente da República
não poderá retratar-se;
veto sem motivação: se o Presidente da República simplesmente
vetar, sem explicar os motivos de seu ato, estaremos diante da inexistência do
veto, portanto, o veto sem motivação expressa produzirá os mesmos efeitos da
sanção (no caso, tácita);
silêncio do Presidente da República: conforme vimos, recebido o
projeto de lei e quedando-se inerte, o silêncio do Presidente importará sanção,
ou seja, estaremos diante da chamada sanção tácita.
Os vetos devem ser apreciados na ordem cronológica de sua
comunicação ao Congresso Nacional? (MS 31.816 — "royalties" do pré-
sal). O Supremo entendeu que não se exige a observância da ordem
cronológica.

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Permitiu-se ao Congresso Nacional analisar os vetos de acordo com a sua


liberdade política e conveniência. O Min. Lewandowski destacou o denominado
“poder de agenda”, no sentido de se assegurar ao Congresso Nacional a
autonomia para escolher as matérias que considere relevantes do ponto de
vista político, social, cultural, econômico e jurídico para o País.

1.3.1.3 – Fase complementar

A fase complementar é a última fase do processo legislativo. É composta por


duas etapas, a promulgação e a publicação.
a) Promulgação: A promulgação não é um ato visível por si só,
na medida em que ocorre junto com a sanção. Em razão disso, é necessário
defini-la: trata-se do ato através do qual o chefe do Poder Executivo atesta a
existência da lei e lhe confere executoriedade. É o certificado de nascimento do
ato normativo, que gera a presunção que ele é válido e potencialmente
obrigatório, bem como inicia-se a presunção de constitucionalidade.
Pela regra geral, quem promulga a lei é o Presidente da República. Se o
Presidente da República não quiser promulgar a lei (ele tem 48 horas para
tanto), quem deve fazê-lo é o Presidente do Senado (também em 48 horas). Se
não o Presidente do Senado (não quiser ou não puder), o encargo passa para o
Vice-Presidente do Senado (art. 66, § 7º, da CR):
Art. 66 (…) § 7º - Se a lei não for promulgada dentro de quarenta
e oito horas pelo Presidente da República, nos casos dos § 3º
[sanção tácita] e § 5º [veto], o Presidente do Senado a
promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-
Presidente do Senado fazê-lo. [Veja que, no caso da sanção
expressa, a promulgação é imediata. Daí a menção aos §§
3º e 5º].
Vale observar que esse prazo de 48h não é peremptório. Pode ocorrer, por
exemplo, de passadas 72 horas, o Presidente da República, ainda que
tardiamente, promulgar a lei. O escoamento do prazo, hipótese na qual se
poderia imaginar que a legitimidade para a promulgação passaria para o
Presidente do Senado, não “deslegitima” o Presidente da República a fazê-lo.
“Caso o Presidente da República não efetue,
após sancionar tácita ou expressamente
(ERRO) projeto de lei, a subsequente
promulgação do diploma dentro de quarenta e oito
horas, deverá o Presidente do Senado promulgá-lo, e, se este não o
fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo”. A

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promulgação pelo Pres. ou vice do Senado só se aplica nos casos de omissão do


Presidente após: sanção tácita (Art. 66, §3º) ou derrubada de veto (art. 66,
§5º). Em caso de sanção expressa, ato contínuo haverá promulgação e
publicação.
b) Publicação: Depois da promulgação ocorre a publicação. É o
momento no qual a lei passa a ser obrigatória e exigível, constituindo
verdadeira condição de eficácia. Entre a publicação e a entrada em vigor da lei,
pode haver o período de vacatio legis. Trata-se de um período necessário a que
as pessoas tomem conhecimento da lei, exigível no mais das vezes nos casos
em que a norma é bastante complexa. A lei fica repousando até que as pessoas
a estudem e passem a conhecer seu conteúdo.

1.3.2 – Processo legislativo sumário

O processo legislativo sumário tem como base o processo legislativo ordinário.


Serão estudadas aqui somente as diferenças, os aspectos peculiares que possui
o processo legislativo sumário, já que o ordinário será visto adiante. O processo
legislativo sumário é aquele que demarca prazo para o Congresso Nacional
deliberar os projetos de lei. É também chamado de regime de urgência ou
procedimento abreviado. Incide em duas hipóteses constitucionalmente
previstas:
 Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão,
permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e
imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado,
público e estatal. O Congresso Nacional apreciará o ato no prazo do art. 64, §
2º e § 4º, a contar do recebimento da mensagem (art. 223)
 Art. 64, §1º da CF: Iniciativa exclusiva ou concorrente do Presidente
da República.
O regime de urgência inicia-se por solicitação presidencial e passa por
deliberação principal na Câmara e revisional no Senado.
O processo legislativo sumário está previsto no art. 64, § 2º, da CR e a principal
diferença entre ele e o ordinário é a fixação de um prazo constitucional de
duração. Trata-se de um prazo de 45 dias para que ele seja apreciado na
Câmara, mais 45 dias para ser apreciado no Senado. Se no Senado for feita
alguma emenda, a modificação tem de retornar novamente à Câmara (qualquer
mudança tem de ser analisada nas duas Casas).

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Portanto, o prazo do processo legislativo sumário inicialmente é de 90


dias. Todavia, caso realizada alguma alteração no Senado, o projeto volta à
Câmara, que terá dez dias para analisar a emenda. Quando os prazos relativos
ao processo legislativo não são apreciados, a pauta da Casa é trancada. Assim,
o projeto inicia-se na Câmara e vai ao Senado. Feita alguma alteração, a parte
alterada volta à Câmara. Não realizada nenhuma alteração, ele vai à sanção do
Presidente. Assim, o prazo máximo de análise desses projetos é de 90 a 100
dias.
A Medida Provisória não analisada dentro do prazo
também tranca a pauta. O que ocorre quando um
processo legislativo sumário e uma MP trancam
a pauta simultaneamente? A CR determina que o processo sumário somente
tranca a pauta se não houver outros atos com prazo constitucional fixado. A
prioridade, portanto, é da MP (art. 64, § 2º):
Art. 64 (…) § 2º Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o
Senado Federal não se manifestarem sobre a proposição, cada
qual sucessivamente, em até quarenta e cinco dias, sobrestar-se-
ão todas as demais deliberações legislativas da respectiva Casa,
com exceção das que tenham prazo constitucional determinado,
até que se ultime a votação. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001).

Portanto, se a MP e o processo sumário estão trancando a pauta, este tranca a


pauta para os demais atos, mas a MP pode ser votada, por ter prioridade.
Tem legitimidade para desencadear o processo legislativo sumário (ou seja,
solicitar urgência para a apreciação do projeto) apenas o Presidente da
República (art. 64, § 1º):
Art. 64 (…) § 1º - O Presidente da República poderá solicitar
urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa.

Veja que tem de se tratar de um projeto de iniciativa do Presidente, e somente


ele pode solicitar urgência, hipótese em que o projeto tramitará em regime
de urgência.
Existem duas hipóteses excepcionais em que o Presidente da República não
pode solicitar urgência na apreciação de um projeto de lei. A CR impede a
existência de processo legislativo sumário com relação a Códigos, que exigem
análise ampla e aprofundada. Além disso, ficam suspensos os prazos do
processo legislativo sumário durante os recessos do Congresso Nacional. A
sessão legislativa anual tem sua duração prevista no art. 57 da CR. Fora do
período de sessão legislativa ordinária (23/12 a 01/02 e 16/07 a 31/07), os
prazos não são computados (art. 64, § 4o):

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Art. 64 (…) § 4º - Os prazos do § 2º não correm nos períodos de


recesso do Congresso Nacional, nem se aplicam aos projetos de
código.

2. – Espécies normativas

Espécies normativas são os atos jurídicos primários que retiram seu


fundamento de validade na Constituição Federal.

2.1 – Hierarquia entre as espécies normativas

As espécies normativas não são hierárquicas entre si, pois atuam em campos
próprios de competência, com quórum e procedimentos diferenciados. A única
que, depois de incorporada, goza de superioridade hierárquica é a emenda
constitucional, que torna-se norma constitucional propriamente dita e
parâmetro de validade para das demais espécies.

2.2 – Atributos das espécies normativas

São atributos das espécies normativas:


a) intrínsecos – imperatividade e autorização;
b) extrínsecos – coatividade, abstração, generalidade, heteronomia e
bitelaridade.

2.3 – Emendas às constituição


O poder constituinte decorrente estabelece e reformula a constituição estadual,
organizando constitucionalmente o Estado-membro e mantendo a autonomia
política. É decorrente porque sua fonte de inspiração é o poder constituinte
originário. No Brasil, ele tem previsão em dois dispositivos da CR/88: art. 11 do
ADCT e art. 25 da CR. É um PODER DE DIREITO. É uma espécie de poder
constituinte derivado ou de segundo grau.

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2.3.1 – Características

Tem como principais características:

Secundário Subordinado Condicionado Contínuo

Princípio da simetria: Dos dois dispositivos relativos ao


poder decorrente, o STF extrai o chamado
princípio da simetria (uma criação da
jurisprudência do tribunal), segundo o qual as
constituições estaduais devem observar o modelo estabelecido pela Constituição
da República. Os paradigmas e princípios estabelecidos pela CR devem ser
seguidos pela constituição estadual, o que não significa que ela deva ser uma
cópia da CR (deverá seguir apenas o modelo estabelecido). Para o STF, o
princípio da simetria é consagrado no art. 25 da CR, na expressão “observados
os princípios desta constituição”. Autores como Daniel Sarmento e Ana Paula de
Barcellos entendem que o princípio não teria previsão na CR, sendo uma mera
invenção do STF.

2.3.2 – Espécies, titularidade e regime jurídico

O poder constituinte decorrente é uno, mas seu exercício desdobra-se em duas


etapas delimitadas:
a) decorrente institucionalizador;
b) decorrente reformador.
O poder institucionalizador ou inicial é a função de elaborar a constituição
do Estado membro com base na constituição federal, tal como ocorre no
federalismo por segregação, no federalismo por agregação, na substituição de
constituição ou na incorporação, subdivisão e desmembramento de Estados.
O decorrente reformador é o responsável pelas revisões e emendas nos
textos primitivos das cartas estaduais. Esse último comporta duas espécies: i)
reformador normal, que é aquele previsto nos moldes dos
condicionamentos impostos pelo texto federal; ii) reformador anômalo,

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ocorrendo quando a constituição estadual precisa se adaptar a


constituição federal.
A titularidade do poder é o povo do Estado membro à
luz da teoria da soberania popular. O seu exercício fica
condicionado às assembleias legislativas estaduais, de
acordo com o art. 11 do ADCT. O exercício também pode ser
normal ou anômalo, quando se delineia por meio de ato unilateral de vontade.
O regime jurídico é delineado pelo art. 25 da CF e art. 11 do ADCT.

2.3.3 – Limitações ao poder constituinte decorrente

Os limites do poder decorrente podem ser autônomos ou heterônomos.

2.3.3.1 – Limites autônomos

Segundo José Afonso da Silva, os limites autônomos subdividem-se três


grupos de princípios constitucionais: sensíveis, extensíveis e
estabelecidos. Podem ser conceituados como vedações fixadas pelo próprio
texto originário, devendo ser observados incondicional e obrigatoriamente. São,
portanto, normas de observância obrigatória: a regra de ouro dessas normas é
que impõem a necessidade de observância do modelo federal ao modelo
estadual.
a) Princípios constitucionais sensíveis ou enumerados:
Princípios constitucionais sensíveis são aqueles relacionados à essência da
organização constitucional da federação brasileira, positivados em linguagem
prescritiva no texto constitucional. São consagrados no art. 34, VII, da CR:
Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal,
exceto para:
(...)
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios
constitucionais:
a) forma republicana, sistema representativo e regime
democrático;
b) direitos da pessoa humana;
c) autonomia municipal;

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d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.


e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos
estaduais, compreendida a proveniente de transferências, na
manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços
públicos de saúde.

A violação aos princípios constitucionais sensíveis permite a decretação de


intervenção federal no estado-membro, a qual somente poderá ser realizada
pelo chefe do Executivo (Presidente da República), desde que presente um
pressuposto: a procedência de uma ADI interventiva pelo STF. Trata-se de uma
ação de controle concentrado proposta pelo Procurador Geral da
República (art. 36, III). O Presidente só pode decretar a intervenção em
estado, no DF ou em Município localizado em território. Município localizado em
estado não pode ser objeto de intervenção federal. Quem pode decretar a
intervenção em município é o Governador (note que é sempre o chefe do
Executivo a autoridade competente para a decretação da intervenção).
O julgamento da ADI interventiva é reservado ao STF.
É, portanto, um instrumento de controle
concentrado. Não é um controle concentrado
abstrato, feito em tese. Neste caso, o estado
concretamente viola um princípio constitucional sensível. Portanto, é um
controle concentrado concreto (por ser realizado com base em um caso
concreto). O PGR atua como substituto processual, no interesse da coletividade,
com a finalidade de preservar a federação.
A natureza da decisão do STF é político-administrativa e não jurídica. Isso
é relevante, pelas seguintes razões:
I. No caso de violação dos princípios sensíveis da CE pelo Município, o PGJ
(autoridade simétrica ao PGR) pode ajuizar ADI interventiva no TJ;
II. Justamente por conta dessa natureza político-administrativa, o STF
entende que, em se tratando de decisão do TJ, não cabe RE;
III. Julgada procedente a ADI, o Presidente, para a maioria da doutrina, está
vinculado à decisão do STF. Esse entendimento é reforçado pelo art. 12,
3, da Lei 1.079/1950:
Art. 12. São crimes contra o cumprimento das decisões judiciárias:
(...)
3 - deixar de atender a requisição de intervenção federal do
Supremo Tribunal Federal ou do Tribunal Superior Eleitoral. Se o
Presidente não atende à requisição do STF, ele comete crime (a
menos que se entenda que o dispositivo não teria sido
recepcionado pela CR).

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b) Princípios constitucionais extensíveis: Os princípios


constitucionais extensíveis são normas organizatórias da União extensíveis aos
estados, que têm de observá-las.
Há duas espécies de princípios constitucionais extensíveis:
I. Expressos (arts. 28 e 75 da CR): Trata-se das chamadas “normas de
observância obrigatória”. Geralmente, ao utilizar a expressão, o STF
refere-se aos princípios extensíveis, ainda que os sensíveis sejam também
de observância obrigatória.

Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado,


para mandato de quatro anos, realizar-se-á no primeiro domingo
de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro,
em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do
mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em primeiro de
janeiro do ano subsequente, observado, quanto ao mais, o
disposto no art. 77.
§ 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou
função na administração pública direta ou indireta, ressalvada a
posse em virtude de concurso público e observado o disposto no
art. 38, I, IV e V.
§ 2º Os subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos
Secretários de Estado serão fixados por lei de iniciativa da
Assembleia Legislativa, observado o que dispõem os arts. 37, XI,
39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I.
1. Art. 75. As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, no
que couber, à organização, composição e fiscalização dos
Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem
como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios. [O
dispositivo estende aos Tribunais de Contas Estaduais as
normas do TCU.] (...).
II. Não expressos: São exemplos de princípios constitucionais extensíveis o
art. 58, §3o, da CR (CPI), os arts. 59 e seguintes da CR (processo
legislativo)3. Exemplos: leis de iniciativa privativa do presidente são

3
Acerca desta hipótese, havia dispositivo que previa expressamente a extensão na CR/1969. O
STF manteve o entendimento então consolidado.

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também de iniciativa do Governador; o quórum para as Emendas


Constitucionais é o mesmo etc.
Art. 58 (...) § 3º - As comissões parlamentares de inquérito, que
terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais,
além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas,
serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal,
em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um
terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e
por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso,
encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a
responsabilidade civil ou criminal dos infratores.

c) Princípios constitucionais estabelecidos ou organizatórios:


Segundo José Afonso da Silva, princípios constitucionais estabelecidos são
aqueles que impõem limitações aos estados e estão espalhados de forma
assistemática na Constituição, vedando ou proibindo o exercício indiscriminado
do poder constituinte decorrente. Relacionam-se, em suma, com as normas
centrais da constituição.

Os princípios constitucionais estabelecidos podem ser:


a) Explícitos: são traçados de modo taxativo a constituição e são de
observância obrigatória. Podem trazer um conteúdo material (proibições
materiais), como aqueles relacionados ao núcleo substancial da constituição
(pacto federativo, STN, dignidade, isonomia, etc.). Também podem ser formais,
que se subdividem em:
i) regras mandatórias: São aquelas que impõem ao Estado a
observância de determinados princípios, constrangendo sua liberdade
organizatória aos limites positivados. Ex.: 37, caput, da CR (os Estados não têm
opção senão adotar os princípios ali previstos):
ii) regras vedatórias: São aquelas que proíbem os Estados de
adotarem determinados atos ou procedimentos. Elas podem ser expressas (ex.:
art. 19 da CR) ou implícitas (ex.: art. 22 da CR).
b) Implícitos: são aqueles inerentes e que decorrem da lógica geral
da carta constitucional. Relaciona-se em especial com a divisão constitucional
de competências.

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2.3.3.2 – Limites heterônomos

Os limites heterônomos somente se aplicam na etapa de reforma da carta


estadual (e não na criação). São vedações estabelecidas pela própria
constituição do estado membro, ou seja, referem-se à capacidade de o poder
decorrente inicial impor limites à competência reformadora das constituições
estaduais. É importante lembrar que essas vedações devem ter um grau
intenso de similitude com o texto federal.

2.3.4 – Poder constituinte derivado reformador,


instituído ou constituído

O poder constituinte derivado é o responsável pela modificação da


constituição. Como visto acima, a rigor, constituinte é o poder originário,
motivo pelo qual Marcelo Novelino prefere a expressão “poder derivado
reformador”. É também chamado de poder instituído, constituído, de segundo
grau ou secundário. É definido como a competência que atua na etapa de
continuidade constitucional, reformando a carta magana.
Trata-se de um PODER DE DIREITO: é um poder instituído pelo mundo
jurídico, originando-se da própria constituição, que estabelece as suas
condições de exercício. Como poder constituído, não é potencia, mas
competência intermediária que se encontra entre o poder originário e o poder
legislativo comum.
Tem como pressuposto de existência a rigidez constitucional.
Espécies:
A titularidade do poder reformador pertence ao povo, sendo que seu exercício
vem demarcado no texto da constituição a depender da espécie. O termo
reforma constitucional é gênero de que são espécies a emenda e a revisão.
O poder constituinte derivado determina que a constituição possa ser
modificada através de duas maneiras: reforma ou revisão
constitucional. É por essa razão que existem dois conjuntos de emendas
diferentes – emendas de revisão e emendas de reforma. Assim sendo, o
poder constituinte derivado é dividido em duas espécies:
a) Poder Reformador (artigo 60, CF/88).
b) Poder Revisor (ADCT, artigo 3º).
Reforma: procedimento ordinário para alterações pontuais e específicas.

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Revisão: procedimento extraordinário para alterações gerais.


Poder constituinte reformador: EMENDAS CONSTITUCIONAIS: O poder
constituinte originário reformador tem previsão no artigo 60 da CF/88. Pelo
estudo do dispositivo, apreende-se que foram impostas três limitações que
serão a seguir analisadas, além da limitação temporal que não foi prevista.
Além das limitações expressas trazidas no dispositivo, inseridas no bojo do
processo legislativo, existem limitações implícitas que também serão
analisadas.
I. Limitações temporais: As limitações temporais impedem a
modificação da constituição durante um determinado período de tempo.
Ex.: o art. 174 da Constituição de 1824 proibia a alteração da constituição nos
primeiros 4 anos de vigência. Era um prazo para dar estabilidade à primeira
constituição brasileira. O art. 60 da CR/88 não estabeleceu nenhuma limitação
temporal.
Destaca-se que o art. 3o do ADCT é uma limitação temporal aplicável APENAS
ao poder revisor, não ao reformador. A revisão constitucional somente foi
realizada após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto
da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão
unicameral.
II. Limitações circunstanciais: As limitações circunstanciais
impedem a alteração da constituição em situações excepcionais, de
extrema gravidade, nas quais a livre manifestação do poder derivado
possa estar ameaçada. Note que se trata de situações, não de períodos de
tempo. Elas estão previstas no art. 60, § 1o, da CR:
Art. 60 (...) § 1º - A Constituição não poderá ser emendada na
vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado
de sítio. São elas: i) intervenção federal (art. 34); ii) estado de
defesa (art. 136); e iii) estado de sítio (art. 137).

A intervenção federal suspende a tramitação das emendas.


III. Limitações formais (ou processuais): A CF/88 é considerada
uma constituição rígida. Isso significa que o processo legislativo de reforma
do texto constitucional é mais rígido e dificultoso que o processo legislativo
ordinário. Observe que, para alguns autores, a existência de cláusulas pétreas,
além do procedimento rígido, torna a CF/88, uma constituição super-rígida.
São subdividas em:
i) subjetivas e;
ii) ii) objetivas.
São limitações formais subjetivas:

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1. Iniciativa para a proposta de emenda constitucional (art. 60, I a III,


da CR):
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos
Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades
da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria
relativa de seus membros. (...)

Observe que, no caso de iniciativa de leis, a amplitude de


legitimados é bem maior que no das emendas
constitucionais (art. 61): a iniciativa das leis
complementares e ordinárias cabe a qualquer
membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do
Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal,
aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na
forma e nos casos previstos nesta Constituição. (...). Isso porque a CR/88 é
rígida (ou seja, prevê um procedimento especial para a sua alteração).
A CR exige a proposta de, ao menos, 1/3 dos membros da Câmara dos
Deputados ou do Senado Federal. Além deles, pode propor emenda o
Presidente da República. Cumpre atentar para o fato de que o Presidente é o
único legitimado que pode propor lei e emenda. Correlata a esse tema, há uma
questão muito importante: a única participação que o Presidente tem na
elaboração da emenda constitucional é a iniciativa. Ele não participa de
nenhuma outra etapa (não sanciona, não veta, não promulga e não publica).
Com efeito, não existe sanção de emenda. Aprovada a proposta, ela vai direto
para a promulgação. Além desses legitimados, podem propor emenda mais de
50% das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, pela maioria
relativa de seus membros. No Brasil há 26 estados e o DF. Portanto, para que a
proposta de emenda possa ser apresentada dessa forma, pelo menos 14
unidades da Federação teriam de participar da iniciativa e em cada uma das
respectivas Assembleias teria de ser aprovada a proposta por maioria relativa
(ou seja, mais de 50% dos presentes)4.

4
Observação: a maioria relativa tem esse nome por ser variável, dependendo do número de
presentes. A maioria absoluta corresponde a mais de 50% dos membros da Casa. Sendo o
número de membros fixo, ela não variará. Na Câmara dos Deputados, a maioria absoluta
corresponde a 257 Deputados.

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Essa previsão existe nas constituições brasileiras desde 1891. Até hoje,
nenhuma proposta de emenda foi apresentada através desse procedimento, que
é extremamente complexo.
São limitações formais objetivas:
2. Votação e promulgação da PEC (art. 60, § 2º, da CR):
Art. 60 (...) § 2º - A proposta será discutida e votada em cada
Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se
aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos
respectivos membros. As fases de discussão, votação e aprovação
das emendas constitucionais serão iniciadas na Câmara ou no
Senado, a depender do legitimado. Para que a PEC seja aprovada,
são necessários 3/5 (60%) dos votos dos respectivos membros,
em dois turnos de votação.

Ocorrendo a votação em primeiro turno na Câmara dos Deputados, por


exemplo, há um interstício mínimo previsto no Regimento Interno.
Posteriormente, é realizada nova votação, em segundo turno, com mesmo
quórum. O mesmo procedimento ocorre no Senado. Feita eventual alteração
pela segunda casa, retorna à primeira somente a parte alterada, não a
totalidade do projeto.
Discutida, votada e aprovada, a emenda constitucional (que depois de aprovada
deixa de ser PEC) é promulgada pelas mesas da Câmara dos Deputados e do
Senado Federal (“e”, não “ou”: repare que as Casas promulgam a emenda
conjuntamente): A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de
ordem.
Impossibilidade de reapresentação da PEC rejeitada na mesma sessão
legislativa (art. 60, § 5º, da CR): Art. 60 (...) § 5º - A matéria constante de
proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de
nova proposta na mesma sessão legislativa. Alguns autores consideram a
limitação acima como de natureza temporal. Entretanto, pela própria definição
acima (limitação formal é a relativa ao processo de elaboração das emendas) e
segundo a maioria da doutrina, não se trata de limitação temporal, pois a CR
não está impedida de ser modificada por uma questão de tempo, mas de forma.
A sessão legislativa está prevista no art. 57, caput, da CR: O Congresso
Nacional reunir-se-á, anualmente, na Capital Federal, de 2 de fevereiro a
17 de julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro. Trata-se do período de
trabalho parlamentar, também chamado de “sessão legislativa ordinária
(anual)”. Vai de 2 de fevereiro a 17 de julho e reinicia-se em 1º de agosto,
indo até 22 de dezembro. Veja que há anualmente dois recessos.

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Rejeitada uma PEC em 2013, ela somente poderá ser


apresentada a partir de 2 de fevereiro de 2014.
Sessão legislativa, período anual, não se confunde
com Legislatura, que é um período de 4 anos, o
período de mandato dos Deputados (art. 44, parágrafo único, da CR). Atente-se
que diferentemente do art. 58, EC nº 1/69 não é possível a reapresentação
mediante proposta de maioria absoluta dos membros que qualquer das casas.
O STF entendeu que não se aplica a limitação de
reapresentação aos substitutivos de projetos de
emendas constitucionais, mas tão somente à
própria emenda.
IV. Limitações materiais (ou substanciais): as cláusulas pétreas:
As limitações materiais impedem a alteração de determinados conteúdos
consagrados no texto constitucional. São limitações a reformas constitucionais
contrárias à substancia da constituição.
O que é substância da constituição? É o cerne intangível da constituição, ou
seja, o núcleo normativo que consagra as suas linhas mestras e que por isso
não pode ser modificado. A essas normas, que limitam substancialmente o
poder reformador, dá-se o nome de “cláusulas pétreas”. Oscar Vilhena, que
tem a melhor obra sobre poder reformador (“A constituição e sua reserva de
justiça”) refere-se a elas como “cláusulas superconstitucionais”. Na Alemanha,
são chamadas de “cláusulas intangíveis” ou “cláusulas de eternidade”. Nos EUA,
de “cláusulas entrincheiradas” ou “cravadas na pedra”.
Como visto anteriormente, existe uma tensão entre o constitucionalismo e a
democracia, pois a esta é associada, em geral, a vontade da maioria, e a
consagração de cláusulas pétreas na Constituição obstaculiza a imposição dessa
vontade. Ex.: ainda que a maioria entenda que deva haver pena de morte para
crimes comuns ou que o princípio da presunção de inocência deva ser afastado,
as cláusulas pétreas impedem que essa vontade prevaleça.
Existem duas dificuldades que envolvem as cláusulas pétreas entre o
contexto de tensão entre o constitucionalismo e democracia:
i. Dificuldade de caráter temporal.
Por que uma geração passada pode impor a sua vontade sobre uma
geração presente? Por que a geração de 1988 pode impor valores
inalteráveis para a atual geração? Thomas Jefferson, propôs, inclusive, que
a constituição deveria ser revisada a cada de 19 anos sob pena de se ter um
“governo dos mortos sobre os vivos”. É uma dificuldade de caráter temporal.
Nos EUA, a discussão acerca da legitimidade das cláusulas pétreas faz muito

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sentido, na medida em que eles possuem a mesma constituição há mais de 200


anos.
ii. Dificuldade de caráter semântico
Existem algumas cláusulas pétreas que são extremamente abstratas, como por
exemplo, separação de poder e regime federativo. O que significam essas
cláusulas? O que é uma violação à separação dos poderes? Existem
determinadas questões que não estão claramente expressas no texto
constitucional, entrando a questão da dificuldade semântica. Quem deve definir
que há violação? O poder judiciário? O congresso nacional, que foi
democraticamente eleito? Essa dificuldade surge principalmente em relação às
questões controvérsias.
Para Marcelo Novelino, as cláusulas pétreas têm três finalidades principais:
a) Preservar a identidade material da constituição: toda constituição tem
traços que a caracterizam. A brasileira é republicana, democrática,
consagradora de direitos fundamentais etc. Se essa identidade pudesse
ser livremente modificada, ela perderia o sentido, deixando de ser ela
própria. O povo, titular do poder constituinte, pode criar outra
Constituição. Entretanto, se possui uma, deve a identidade dela ser
mantida.
b) Proteger institutos e valores essenciais: trata-se da proteção de valores
que a sociedade considera muito importantes. Exemplo são os direitos e
garantias individuais previstos no art. 5º da CR.
c) Assegurar a continuidade do processo democrático: A cláusula pétrea
assegura a observância das regras do jogo. Isso é importante, pois, caso
não seja protegido o processo democrático, a democracia acaba asfixiada.
Aqueles que têm o poder tendem a querer nele se perpetuar, sufocando
as minorias. Exemplo de regra que busca evitar esse fenômeno é a
inaplicabilidade da nova regra eleitoral antes de um ano da sua edição.

Teorias de justificação das cláusulas pétreas:


i) Teoria do pré-comprometimento (Jon Elster):
Segundo a teoria do pré-comprometimento, a proteção de determinados
conteúdos pelas constituições visa a assegurar o próprio processo democrático,
resguardando metas a longo prazo, a fim de proteger a sociedade de suas
inconsistências temporais. A cláusula pétrea seria um mecanismo de
autovinculação da sociedade, voltado à proteção de si própria contra suas

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paixões e fraquezas, resguardando metas a longo prazo. O ser humano tem


certa miopia para enxergar interesses a longo prazo, muitas vezes mais
importantes que os de médio e curto prazo. Não houvesse as cláusulas pétreas,
a maioria sempre tentaria fazer prevalecer seus interesses, para se perpetuar
no poder.
O autor faz uma analogia com a Odisseia, na passagem do “canto das
sereias”. Quando Ulisses passa pela região da tentação das sereias, ele é
amarrado no mastro. Essa é justamente a ideia: evitar que a sociedade
sucumba ao “canto das sereias”. O próprio autor, todavia, alterou
posteriormente seu entendimento, por considerá-lo inocente demais. Em nova
obra, intitulada “Ulisses desacorrentado” (“Ulysses Unbound”), ele passou a
defender que a maioria, na verdade, acorrenta o outro com o receio de que, no
futuro, ele venha a se tornar majoritário. Ou seja, a maioria está na verdade
acorrentando as minorias do momento, para que elas não se tornem depois
maioria e queiram mudar as regras do jogo. Assim, não seria Ulysses se
acorrentando, mas acorrentando os outros.
ii) Teoria da democracia dualista (Bruce Ackerman)
O autor faz distinção entre dois tipos de política, a extraordinária e a ordinária.
Política extraordinária corresponde aos momentos de intensa manifestação da
cidadania, que ocorrem em contextos de grande mobilização cívica. Política
ordinária é aquela realizada cotidianamente, por meio das deliberações de
órgãos de representação popular. O contexto de política extraordinária ocorre,
por exemplo, quando da elaboração de uma constituição. No Brasil, esse
momento ocorreu por ocasião do movimento “Diretas Já”. Trata-se de um
momento de grande expressão da cidadania. Para o autor, a política
extraordinária, justamente por ocorrer nesses momentos de mobilização cívica,
seria superior à ordinária, razão pela qual ela pode estabelecer as cláusulas
pétreas.
Cláusulas pétreas expressas:
Há dois tipos de cláusulas pétreas, as expressas (art. 60, § 4o) e as implícitas,
que não estão previstas expressamente, mas são por alguma razão
consideradas imodificáveis.
Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a
abolir. Nesse sentido, não será objeto de deliberação (isso significa que não
pode ser discutida no Congresso Nacional) a proposta de emenda tendente
a abolir. Essa expressão tem um significado muito próprio: tendente a abolir
não significa a intangibilidade literal do dispositivo, mas apenas a proteção do
núcleo essencial dos princípios e institutos nele elencados. Cláusula pétrea NÃO
significa intangibilidade, ou seja, não significa que o dispositivo não possa sofrer

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qualquer modificação de seu texto. A proteção qualificada se dirige ao núcleo


essencial.
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.

Uma proposta de emenda tendente a abolir cláusula pétrea é uma violação tão
intensa que sequer pode ser objeto de deliberação. Daí a possibilidade de
controle de constitucionalidade preventivo pelo STF, através do Mandado de
Segurança.
Qual é a extensão da expressão “tendente a abolir”? A
maioria dos Ministros do STF (o entendimento não é
pacífico no tribunal) entende que as cláusulas
pétreas devem ser interpretadas no sentido de
proteger o núcleo essencial dos princípios e institutos elencados no dispositivo,
e não a sua intangibilidade literal (ou seja, o dispositivo não se torna
“intocável”: garante-se o seu núcleo essencial).Ex.: a separação dos poderes é
cláusula pétrea, mas isso não significa que nenhuma atribuição dos poderes
possa ser modificada.
Emenda constitucional que retirasse a competência do Senado para suspender a
eficácia da lei (art. 52, X), não atingiria a separação dos poderes em seu núcleo
essencial. Para Daniel Sarmento, sequer acabar com o Senado violaria a
separação dos poderes. Assim, é possível que haja alteração de competências
constitucionais. O que é vedado é que determinada emenda fortaleça
sobremaneira um poder em relação ao outro, desequilibrando a independência
e a harmonia que deve haver entre eles.
Dentre as cláusulas pétreas expressas, a única que recebe tratamento
pormenorizado pela CR é o voto, que deve ser direto, secreto, universal
e periódico. Ainda assim, entretanto, é possível interpretação acerca do seu
núcleo imodificável. Ex: emenda que previsse eleições de 5 anos em 5 anos não
violaria a periodicidade do voto, o que já ocorreria em se tratando de emenda
que aumentasse o prazo para 20 anos.
O voto obrigatório também não é cláusula pétrea, segundo Marcelo
Novelino.
A forma federativa de Estado também é uma cláusula pétrea. Sepúlveda
Pertence cunhou expressão que acabou sendo muito usada pelos outros
Ministros e é importante para fins de concurso: “a forma federativa de estado,

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consagrada desde a primeira constituição republicana, é princípio intangível da


nossa Constituição”.
Por conta do quanto dito anteriormente, poder-se-ia imaginar que a expressão
estivesse equivocada. Todavia, trata-se muito mais de retórica do que de
entendimento do STF propriamente dito. Segundo Marcelo Novelino, “a forma
federativa é princípio intangível, mas nem tanto”. Não fosse assim, a própria
criação de um novo estado violaria a forma federativa.
O STF entende que o princípio da imunidade tributária recíproca (art. 150, IV,
“a”, da CR) é uma cláusula pétrea decorrente da forma federativa de estado. A
decisão foi tomada na ADI 939, que questionou o IPMF, criado por emenda
constitucional para que a ele não se aplicassem certas limitações constitucionais
ao poder de tributar, umas das quais era justamente a imunidade tributária
recíproca, que serve para evitar o enfraquecimento de um ente em relação ao
outro, prejudicando a forma federativa do estado.
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios: (...)
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
(...).

Essa tentativa de burlar a constituição por emenda é chamada de


“atalhamento constitucional”, expressão criada por Karl Loewenstein e
utilizada por Celso de Melo. Significa a busca por “atalhos” constitucionais.
No gênero “direitos e garantias fundamentais” há as espécies: i) direitos e
garantias individuais; ii) direitos sociais; iii) direitos de nacionalidade;
e iv) direitos políticos.
A CR fala também em “direitos coletivos”, mas Novelino não os considera
uma categoria autônoma, pois eles podem estar inseridos entre os individuais e
os sociais. Diz-se que os direitos de associação e de associação sindical seriam
coletivos. Todavia, trata-se de direito individual de expressão coletiva.
Alguns autores sustentam que não somente os individuais, mas todos os
direitos e garantias fundamentais seriam cláusulas pétreas (Ingo Sarlet,
Rodrigo Brandão). Novelino não considera esse o melhor entendimento. O art.
60, § 4º, IV é expresso quanto aos “direitos individuais”. Caso tivesse se
equivocado quanto à expressão e quisesse abranger os direitos políticos, a CR
não teria previsto expressamente o voto como cláusula pétrea, que já estaria
abrangido dentre os direitos políticos. Isso não significa que determinados

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direitos sociais ou o de nacionalidade não possam ser considerados cláusulas


pétreas implícitas.
O STF consagrou o entendimento de que o princípio da anterioridade
eleitoral (que está entre os direitos políticos) é cláusula pétrea. Isso não
significa que todos os direitos políticos sejam cláusula pétrea. A leitura que
Novelino faz da decisão é que o STF entendeu que o princípio é garantia
individual do eleitor e, como tal, cláusula pétrea expressa. Os direitos e
garantias individuais não se restringem ao art. 5o da CR.
O STF considerou cláusula pétrea expressa fora do art. 5º o princípio da
anterioridade tributária (art. 150, III, “b”), por ser uma garantia individual do
contribuinte. Aliás, as limitações constitucionais ao poder de tributar são
cláusulas pétreas, na medida em que protetivas de direitos individuais (ex.:
legalidade tributária).
CLÁUSULAS PÉTREAS: é aquela insuscetível de mudança formal, porque
consigna o núcleo irreformável da constituição, motivo pelo qual são chamadas
de cláusulas de inamovibilidade. Não se restringem à literalidade do texto do
art. 60, §4º, mas a quaisquer garantias e prerrogativas que guardem
correspondência com o cerne imodificável. As cláusulas pétreas possuem uma
super-eficácia, ou seja, uma eficácia total e absoluta que pode ser negativa ou
positiva. Será negativa por sua força paralisante de qualquer lei que pretenda
contraria-la. Será positiva porque seus efeitos, materialmente, produzem-se de
imediato.

É possível a ampliação do rol de cláusulas pétreas?


EM REGRA: Não se pode admitir que o poder constituinte derivado
imponha a si mesmo limitações insuperáveis, não sendo possível a criação de
novas pétreas. O limite insuperável só pode ser estabelecido por um pode
superior e não pelo próprio poder, já que se assim fosse poderia ser alterado a
qualquer momento.
EXCEÇÃO (divergência): Parte da doutrina adota o entendimento de
que nos casos de direitos e garantias individuais, caso um novo direito seja
incorporado ao ordenamento interno não poderia haver sua posterior revogação
seja pelo o que dispõe o artigo 60, §4º, inciso IV da CF, seja pelo fundamento
no princípio da proibição de retrocesso que impede a denunciação do tratado
internacional.
As cláusulas pétreas podem ser reformuladas? DUPLA REVISÃO.

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Autores como Paulo Bonavides e José Afonso da Silva


entendem que o art. 60 seria cláusula pétrea
implícita. Ele estabelece limitações ao poder
constituinte derivado. Quem estabeleceu essas
limitações foi o poder constituinte originário, que está acima do derivado. Não
faria sentido que o poder derivado pudesse alterar as suas próprias limitações,
impostas pelo poder constituinte originário. Se pudesse, não seriam elas
consideradas limitações. Com esse posicionamento, estaria proibida a dupla
revisão.
A dupla revisão, para a maioria da doutrina brasileira, não é admitida. É
uma espécie de fraude à Constituição, uma burla ao poder constituinte
originário. Seus adeptos defendem que os limites materiais podem ser
modificados ou superados pelo legislador, abrindo-se o caminho para a
alteração dos limites substanciais explícitos. Tal posicionamento não prevalece:
admitir a tese da dupla revisão é atentar contra a identidade da constituição,
enfraquecendo profundamente o poder constituinte originário.
A dupla revisão é justamente a alteração da norma proibitiva, para que se
possa posteriormente alterar a cláusula pétrea. Trata-se uma espécie de
atalhamento constitucional.
Amaral Neto tinha como bandeira parlamentar a pena de morte, que é cláusula
pétrea. Ele propôs uma PEC buscando revogar o art. 60, § 4o, IV, da CR. Se
essa PEC fosse aprovada, os direitos e garantias individuais deixariam de ser
cláusula pétrea e, com isso, seria possível a previsão da pena de morte. Outro
exemplo de dupla revisão seria o de PEC diminuindo o quórum para a
aprovação das emendas constitucionais, para depois apresentar determinada
PEC. Por essa razão, qualquer proposta tendente a excluir os limites materiais
da constituição é flagrantemente inconstitucional por fraude à constituição e por
agressão à atividade constituinte de primeiro grau.
Alguns autores também consideram cláusula pétrea implícita a forma
republicana de governo e o sistema presidencialista.
Novelino considera que não são cláusulas pétreas.
Em 1993, houve o plebiscito para a escolha entre as formas e
sistemas de governo. Na assembleia constituinte de
1988, havia uma frente parlamentarista forte, mas o
parlamentarismo não conseguiu ser implementado. Todavia, algumas
normas foram criadas pensando em posterior criação daquele sistema (ex.: a
previsão de medidas provisórias). Ainda que não tenha sido possível
implementar o parlamentarismo de plano, os parlamentaristas conseguiram a
previsão da hipótese do plebiscito, que restou confirmando o status quo. Ivo

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Dantas entende que, a partir do momento em que houve o plebiscito, a forma e


o sistema escolhidos teriam se tornado cláusulas pétreas, por incompatíveis
com a separação dos poderes. A implementação da monarquia não seria
possível, por ferir princípios republicanos, mas o sistema parlamentarista seria
plenamente possível, desde que houvesse novo plebiscito ou referendo, para
não burlar a vontade do povo já manifestada (ou seja, por mera emenda não
seria possível a alteração do sistema).
Cláusula pétrea de irretroatividade: A garantia da não retroatividade das
leis (CF, art. 5.°, XXXVI) é, dentre os direitos e garantias individuais, uma das
cláusulas pétreas que gera maiores polêmicas, sobretudo no que se refere à
possibilidade de invocar um direito adquirido em face de uma emenda à
Constituição. Os direitos adquiridos anteriormente ao surgimento de uma nova
constituição não estão protegidos contra ela, salvo se a própria Constituição
assim o desejar. Isso porque, sendo obra do Poder Constituinte Originário, a
Constituição não encontra limitações no plano jurídico.
Os dispositivos de uma nova Constituição se aplicam imediatamente,
alcançando os “efeitos futuros de fatos passados” (retroatividade mínima).
No entanto, para desconstituírem “fatos consumados no passado”
(retroatividade máxima) ou mesmo “prestações anteriormente vencidas e não
pagas” (retroatividade média), é necessária declaração constitucional expressa
neste sentido. Portanto, com o advento de uma nova Constituição, a
retroatividade mínima ocorre de forma automática, ao passo que para haver
uma retroatividade média ou máxima é necessário que haja disposição
expressa neste sentido.
Não existe direito adquirido a regime jurídico,
mesmo em face do poder constituinte estadual de
reforma. Em matéria de direito adquirido vigora o
princípio de que não há direito adquirido a regime jurídico
de um instituto de direito. Quer isso dizer que, se a lei nova modificar o regime
jurídico de determinado instituto de direito (como é o direito de propriedade,
seja ela de coisa móvel ou imóvel, ou de marca), essa modificação se aplica de
imediato" Sendo assim, ao ocorrer a modificação ou supressão de determinado
regime jurídico, de nada adianta invocar o "direito adquirido", pois ele não se
aplica. Ocorre, ao revés, a imediata aplicação de lei nova às situações
anteriormente constituídas. Gilmar Mendes diz que nestes casos é melhor
invocar a discussão sob a perspectiva da segurança jurídica, e não do direito
adquirido.
V. Limites implícitos: Os limites implícitos não vêm prescritos pela
linguagem do constituinte, embora sejam tão contundentes quanto os limites

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expressos. Em regra, os limites implícitos proíbem reforma de normas que


estatuem limites, cuja observância é obrigatória para se emendar ou reformar.
Pela classificação de Horst Ehmke, há três espécies de limitações implícitas: a)
transcendentes, entendidos como as normas gerais de direito internacional, tal
como o art. 5º, §2º da CF; b) imanentes, entendidos como aquelas
relacionadas à racionalização e limitação do poder, tal como os direitos e
garantias fundamentais; c) intermediários, concernentes ao próprio
fundamento de validade do poder constituinte, tal como os fins de uma
comunidade política.
No cenário nacional, Uadi Lammego destaca quatro limites implícitos:

Direitos e garantias fundamentais.

Poder constituinte originário: não pode a


criatura insurgir-se contra o criador.

Titularidade do poder reformador: é


inalterável por representar uma delegação do
originário.

Processo legislativo especial de reforma: não


podem simplificar ou dificultar, devendo
obediência estrita ao que foi estabelecido no
texto.

Poder constituinte revisor:


No caso brasileiro, a revisão foi prevista no artigo 3º do ADCT que estabeleceu
que, após cinco anos da promulgação da constituição, poderia ser feito uma
revisão constitucional, em um procedimento muito mais simples que o processo

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de emenda (sessão unicameral e maioria absoluta). Essa previsão foi


estabelecida em razão da previsão do artigo 2º do ADCT, que dispunha sobre a
possibilidade de plesbicito para escolher uma nova forma e sistema de governo.
Isso porque acaso ocorressem mudanças drásticas previstas no artigo 2º, seria
preciso uma revisão constitucional. Como o plesbicito não alterou a forma e o
sistema de governo, a revisão acabou esvaziada, resultando apenas em seis
emendas que estabeleceram mudanças pontuais e específicas.
Poderia ser feita nova revisão constitucional? Com
base nesse dispositivo, não, tendo em vista que
contém uma norma de eficácia exaurida. Essas
normas, quando estabelecem algo que já ocorreu,
perdem a aptidão para produzir efeitos. Como a revisão constitucional já foi
realizada, a norma perdeu sua eficácia.
Entretanto, seria possível haver uma emenda constitucional alterando o ADCT e
prevendo uma nova revisão constitucional? É uma questão pouco debatida na
doutrina e não há jurisprudência pacificada no STF. Entretanto, o tribunal tem
dois precedentes nos quais alguns ministros disseram, ao menos de passagem,
que não poderia ser feita nova revisão (ADI nº 981-MC; ADI nº 1722-MC).
Consta dessas decisões que a revisão constitucional deveria ser feita uma única
vez, bem como que não há caminho aberto ao legislador a previsão de uma
nova revisão. Portanto, o entendimento é de que uma nova revisão
constitucional não seria possível por nenhum dos caminhos.
Características:
O poder constituinte derivado é:
a) Secundário: retira sua força do poder constituinte originário
b) Subordinado: é uma competência prevista na constituição,
sujeitando-se por completo aos seus desígnios.
c) Condicionado: para alterar a constituição, é preciso observar os
limites nela previstos, o que reforça a sua natureza de competência.
d) Contínuo: ao manifestar a reforma constitucional, prossegue a obra
do constituinte, adaptando os preceptivos à realidade dos fatos.

Além do processo de alteração formal da Constituição, tema correlato ao


processo legislativo, é possível a alteração constitucional por meio do poder

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constituinte difuso.
Poder constituinte difuso é aquele que atua na etapa de mutação
constitucional: é difuso porque não vem formalizado na constituição, alterando
preceitos constitucionais informalmente. O poder difuso é uma forma invisível
latente que altera o conteúdo com permanência de texto.
Trata-se de um PODER DE FATO, que surge espontaneamente na vida
constitucional quando fatos sociais, políticos e econômicos o retiram do estado
de latência para promover maior simbiose entre o texto e a realidade. As
constituições, como organismos vivos, precisam receber sentidos distintos para
acompanharem as novas circunstâncias. Suas principais características são:
a) Latência;
b) Permanência;
c) Informalidade;
d) Continuidade.
A sua principal forma de manifestação ocorre pelas mutações constitucionais:
processos informais de mudança que consistem na atribuição de novos
sentidos aos seus preceitos significados e conteúdos dantes não contemplados
em razão da alteração de circunstâncias fáticas. Ressaltam a inalterabilidade
relativa das normas constitucionais, já que o princípio da rigidez comporta
alterações por processos informais. Aliás, a existência de mutações
constitucionais independem da rigidez ou flexibilidade dos textos.
A mutação é também chamada de vicissitudes constitucionais tácitas,
transições constitucionais, processos de fato, processos oblíquos, entre outros.
Nascem da necessidade de adaptação e por isso não seguem procedimentos
expressos e pré-definidos. Podem decorrer: a) interpretação em suas mais
diversas modalidades e métodos; b) das construções constitucionais que são o
processo de suprimento das deficiências e dos vazios constitucionais; c) praxes
constitucionais; d) influências de grupos de pressão.
Os limites das mutações constitucionais é a própria forma plasmada nas letras
dos preceptivos. Os processos informais não podem causar violação da carta
magna. É a proibição de mutações inconstitucionais. O principal exemplo de
mutação inconstitucional decorre da inércia legislativa.
É importante ressaltar que as mutações – constitucionais e inconstitucionais –
podem decorrer das chamadas manipulações constitucionais, que nada mais
são do que a realização das liberdades públicas asseguradas por meio da
atuação concreta na seara dos conflitos interindividuais ou metaindividuais.
São exemplos de manipulações inconstitucionais: atribuir sentidos ilógicos e

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absurdos aos textos, interpretar dispositivo constitucional de maneira isolada,


legitimar competências inconstitucionais e criar exceções não previstas em lei.
ATENÇÃO! Ativismo judicial não se confunde com construção constitucional. A
construção decorre da própria elasticidade dos textos constitucionais, que é seu
principal elemento de sobrevivência.

Legislação

Neste ponto da aula, citamos, para fins de revisão, os principais dispositivos


constitucionais e legais que podem fazer a diferença na hora da prova. Lembre-
se de revisá-los!
Dispositivos constitucionais sobre o tema da aula:
Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração,
redação, alteração e consolidação das leis.
DA EMENDA À CONSTITUIÇÃO
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos
Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades
da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria
relativa de seus membros.
§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de
intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.
§ 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do
Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se

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obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos


membros.
§ 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo
número de ordem.
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda
tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.
§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou
havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na
mesma sessão legislativa.
SUBSEÇÃO III
DAS LEIS
Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a
qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do
Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da
República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores,
ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos
casos previstos nesta Constituição.
§ 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis
que:
I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;
II - disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na
administração direta e autárquica ou aumento de sua
remuneração;
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e
orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos
Territórios;
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico,
provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)
d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da
União, bem como normas gerais para a organização do Ministério
Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e
dos Territórios;

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e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração


pública, observado o disposto no art. 84, VI; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento
de cargos, promoções, estabilidade, remuneração, reforma e
transferência para a reserva. (Incluída pela
Emenda Constitucional nº 18, de 1998)
§ 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à
Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo,
um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por
cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos
eleitores de cada um deles.
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da
República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei,
devendo submetê-las de imediato ao Congresso
Nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001)
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
I - relativa a: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001)
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e
direito eleitoral; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001)
b) direito penal, processual penal e processual civil; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a
carreira e a garantia de seus membros; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e
créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art.
167, § 3º; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
II - que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança
popular ou qualquer outro ativo financeiro; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
III - reservada a lei complementar; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
IV - já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso
Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da
República. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

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§ 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de


impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II,
só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido
convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12
perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei
no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma
vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar,
por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da publicação da
medida provisória, suspendendo-se durante os períodos de recesso
do Congresso Nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
32, de 2001)
§ 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional
sobre o mérito das medidas provisórias dependerá de juízo prévio
sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 6º Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e
cinco dias contados de sua publicação, entrará em regime de
urgência, subseqüentemente, em cada uma das Casas do
Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a
votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que
estiver tramitando. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001)
§ 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de
medida provisória que, no prazo de sessenta dias, contado de sua
publicação, não tiver a sua votação encerrada nas duas Casas do
Congresso Nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32,
de 2001)
§ 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara
dos Deputados. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores
examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer, antes
de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada
uma das Casas do Congresso Nacional. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de
medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido

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sua eficácia por decurso de prazo. (Incluído


pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até
sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida
provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos
praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela
regidas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
32, de 2001)
§ 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto
original da medida provisória, esta manter-se-á integralmente em
vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista:
I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República,
ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º;
II - nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da
Câmara dos Deputados, do Senado Federal, dos Tribunais Federais
e do Ministério Público.
Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do
Presidente da República, do Supremo Tribunal Federal e dos
Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados.
§ 1º - O Presidente da República poderá solicitar urgência para
apreciação de projetos de sua iniciativa.
§ 2º Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o Senado
Federal não se manifestarem sobre a proposição, cada qual
sucessivamente, em até quarenta e cinco dias, sobrestar-se-ão
todas as demais deliberações legislativas da respectiva Casa, com
exceção das que tenham prazo constitucional determinado, até
que se ultime a votação. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 3º A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara
dos Deputados far-se-á no prazo de dez dias, observado quanto ao
mais o disposto no parágrafo anterior.
§ 4º Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso do
Congresso Nacional, nem se aplicam aos projetos de código.
Art. 65. O projeto de lei aprovado por uma Casa será revisto pela
outra, em um só turno de discussão e votação, e enviado à sanção
ou promulgação, se a Casa revisora o aprovar, ou arquivado, se o
rejeitar.

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Parágrafo único. Sendo o projeto emendado, voltará à Casa


iniciadora.
Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o
projeto de lei ao Presidente da República, que, aquiescendo, o
sancionará.
§ 1º Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou
em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-
lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados
da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito
horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto.
§ 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de
parágrafo, de inciso ou de alínea.
§ 3º Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do Presidente da
República importará sanção.
§ 4º O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta
dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo
voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 76, de 2013)
§ 5º Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para
promulgação, ao Presidente da República.
§ 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4º, o
veto será colocado na ordem do dia da sessão imediata,
sobrestadas as demais proposições, até sua votação
final. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
§ 7º Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas
pelo Presidente da República, nos casos dos § 3º e § 5º, o
Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual
prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo.
Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente
poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão
legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros
de qualquer das Casas do Congresso Nacional.
Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da
República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional.
§ 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência
exclusiva do Congresso Nacional, os de competência privativa da
Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada
à lei complementar, nem a legislação sobre:

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I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a


carreira e a garantia de seus membros;
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e
eleitorais;
III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.
§ 2º A delegação ao Presidente da República terá a forma de
resolução do Congresso Nacional, que especificará seu conteúdo e
os termos de seu exercício.
§ 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo
Congresso Nacional, este a fará em votação única, vedada
qualquer emenda.
Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por maioria
absoluta.

Resumo

Processo legislativo é o conjunto de atos preordenados que permitem a feitura,


a mudança e a substituição de espécies normativas. Atos normativos primários
são aqueles que têm como fundamento de validade imediato a Constituição. Os
atos preordenados compreendem: iniciativa legislativa, emendas
parlamentares, votação, sanção ou veto, promulgação e publicação.
Em linhas gerais, a Constituição de 1988 manteve a disciplina legislativa das
cartas anteriores, inovando, todavia, em certos pontos, em especial pela
previsão das medidas provisórias e pela extinção do decurso do prazo, que era
a aprovação de projeto de lei ou decreto-lei sem qualquer apreciação do
Congresso. O processo legislativo, classifica-se:
c) Quanto às formas de organização política do Estado, que analisa o
próprio ato de legislar, pode ser:
 Autocrático: é o processo legislativo das constituições outorgadas,
em que há centralização da função legiferante no governante.
 Direito: é aquele discutido e votado pelo próprio povo.
 Indireto ou representativo: é o modelo adotado no Brasil, em que o
povo escolhe os representantes, que exercem as competências constitucionais.
 Semidireto: concretiza-se por meio de referendo popular.
d) Quanto às fases de elaboração ou desenvolvimento de atos
normativos:

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É uma classificação que objetiva a análise do percurso de nascimento da norma


jurídica e pode ser ordinário, especial ou sumário. Essa classificação refere-se
ao procedimento legislativo, que é o modo de elaboração dos atos: modos
faciendi.
O objeto do processo legislativo (os atos normativos primários) está previsto no
art. 59 da CR:
Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação,
alteração e consolidação das leis.
No processo legislativo, temos fases. Na fase introdutória estudam-se os
aspectos relacionados à iniciativa legislativa. A iniciativa legislativa é o ato
propulsor do processo legislativo. Para as leis ordinárias e complementares está
regulada no art. 61, caput da CF/88.
A fase constitutiva é composta de duas etapas: a) deliberação parlamentar, em
que há discussão e votação pelas Casas Congressuais; b) deliberação executiva,
constituída pela sanção de veto.
A fase complementar é a última fase do processo legislativo. É composta por
duas etapas, a promulgação e a publicação.
A promulgação não é um ato visível por si só, na medida em que ocorre junto
com a sanção. Em razão disso, é necessário defini-la: trata-se do ato através do
qual o chefe do Poder Executivo atesta a existência da lei e lhe confere
executoriedade. É o certificado de nascimento do ato normativo, que gera a
presunção que ele é válido e potencialmente obrigatório, bem como inicia-se a
presunção de constitucionalidade.
Depois da promulgação ocorre a publicação. É o momento no qual a lei passa a
ser obrigatória e exigível, constituindo verdadeira condição de eficácia. Entre a
publicação e a entrada em vigor da lei, pode haver o período de vacatio legis.
Trata-se de um período necessário a que as pessoas tomem conhecimento da
lei, exigível no mais das vezes nos casos em que a norma é bastante complexa.

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A lei fica repousando até que as pessoas a estudem e passem a conhecer seu
conteúdo.

QUESTÕES COMENTADAS

Ano: 2018 Banca: IBFCÓrgão: Câmara de Feira de Santana - BAProva:


Procurador Jurídico Adjunto
Proposição é toda matéria sujeita à deliberação do Plenário, qualquer que seja o seu
objeto. Apresentam-se como modalidades de proposição:
a) requisições e impedimentos
b) decretos autônomos e portarias
c) decretos regulamentares e ordens de serviço
d) requerimentos e moções
Comentários:
Gabarito D.
Proposição é toda matéria sujeita a deliberação do Plenário, qualquer que seja o seu
objeto.
Moção é uma proposição legislativa que oportuniza a Câmara aplaudir ou repudir todo
e qualquer ato ou omissão do Poder Público em todas as esferas. Não se deve
confundir com requerimentos para voto de aplauso ou de censura, pois a Moção deve
expressar o sentimento de toda a Casa Legislativa, por isso, aprovada pelo Plenário.
Requerimento é o ato ou efeito de pedir por meio de petição por escrito, segundo as
formalidades legais.

Ano: 2018 Banca: FGVÓrgão: TJ-ALProva: Analista Judiciário - Oficial de


Justiça Avaliador
Com o objetivo de compensar os servidores públicos do Poder Executivo estadual pelo
longo período sem reajustes remuneratórios, um grupo de Deputados Estaduais
encaminhou projeto de lei à Assembleia Legislativa concedendo aumento de 5%,
muito inferior, no entanto, à inflação acumulada. O projeto foi aprovado pelo
Legislativo. O Governador do Estado, no entanto, decidiu vetá-lo sob o argumento de
ser formalmente inconstitucional. O veto foi rejeitado pela maioria absoluta dos
Deputados Estaduais. Ao fim, veio a ser promulgada a Lei Estadual WW.
À luz da sistemática constitucional, sob o prisma formal, a Lei Estadual WW:
a) apresenta vício de inconstitucionalidade, já que o poder de iniciativa legislativa era

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privativo do Governador, não podendo ser exercido pelos Deputados;


b) não apresenta vício de inconstitucionalidade, pois a iniciativa legislativa é sempre
franqueada a qualquer Deputado ou grupo de Deputados;
c) apresenta vício de inconstitucionalidade, pois o veto do Governador deveria ser
rejeitado por dois terços dos Deputados;
d) não apresenta vício de inconstitucionalidade, já que a iniciativa legislativa, em
matéria vencimental, somente pode ser exercida por grupos de Deputados;
e) apresenta vício de inconstitucionalidade, pois os reajustes vencimentais dos
servidores públicos não podem ser inferiores à inflação.
Comentários:
Gabarito A.
Segundo o Artigo 37 da CF:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao
seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39
somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa
privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e
sem distinção de índices; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Segundo o Artigo 61, § 1º, A da CF:
§ 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e
autárquica ou aumento de sua remuneração;

Ano: 2018 Banca: FGVÓrgão: TJ-ALProva: Analista Judiciário - Oficial de


Justiça Avaliador
O Presidente da República editou a Medida Provisória XX, que inseriu relevantes
modificações na economia nacional. O Partido Político Alfa, insatisfeito com o teor
desse ato normativo, solicitou o parecer de um renomado advogado em relação ao
fato de a medida provisória somente ter sido assinada pelo Chefe do Poder Executivo,
não contando com o referendo do Ministro de Estado da área.
À luz da sistemática constitucional, o advogado respondeu, corretamente, que:
a) a edição de medida provisória é de competência privativa do Presidente da
República, não podendo contar com a participação de Ministro de Estado;
b) o referendo do Ministro de Estado da área somente é necessário em relação aos
decretos, não aos atos com força de lei;
c) o referendo do Ministro de Estado da área somente seria necessário por ocasião da
sanção da lei de conversão aprovada pelo Congresso Nacional;
d) a ordem constitucional somente exige que o Ministro de Estado assine os atos do
Presidente da República nas hipóteses de competência concorrente;

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e) era necessário o referendo do Ministro de Estado da área para a edição da Medida


Provisória XX, sendo que sua ausência denota a caracterização de vício formal.
Comentários:
Entendo que a resposta da questão é a Letra A, todavia, a banca decidiu adotar o
entendimento minoritário e indicar como correta a letra E.
Pedro Lenza (Direito Constitucional Esquematizado, 2017, 21ª ed. p. 729).
"Trata-se do referendo ministerial dos atos (como as leis, medidas provisórias, etc) e
decretos (não só os regulamentares, como também os inominados) assinados pelo
Presidente da Repúlica. Michel Temer entende que se os atos e decretos presidenciais
não forem referendados pelos Ministros de Estado serão nulos (Elementos de Direito
Constitucional, p. 60). Já José Afonso da Silva sustenta que, mesmo sem o aludido
referendo, os atos serão válidos e terão eficácia. Entende este último que, em caso de
discordância (e, portanto, falta de referendo), o máximo que pode acontecer é a
demissão do Ministro, a pedido ou não (Curso de direito constitucional positivo, p.
561-562). Na jurisprudência do STF encontramos apenas uma decisão monocrática do
Ministro Celso de Mello na linha do sustentado por José Afonso da Silva: a 'referenda
ministerial' não se qualifica como requisito indispensável de validade dos decretos
presidenciais. Estando presente, qualifica-se como 'causa geradora de
corresponsabilidade político-administrativa' (MS 22.706-MC, Rel. Min. Celso de Mello,
decisão monocrática, j. 23.01.97, DJ 05.02.97).

Ano: 2018 Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos)Órgão: MPE-MGProva:


Promotor de Justiça Substituto
São espécies normativas previstas no artigo 59 da CR/88:
a) leis ordinárias, leis delegadas, decretos.
b) decretos legislativos, portarias, emendas à Constituição.
c) resoluções, decretos-leis, decretos legislativos.
d) medidas provisórias, leis complementares, resoluções.
Comentários:
Gabarito D.
Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e
consolidação das leis.

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Ano: 2018Banca: INAZ do ParáÓrgão: CRF-PEProva: Advogado


O Município de Recife criou lei ordinária para instituir o Imposto Sobre Serviços de
Qualquer Natureza (ISS) e, na mesma lei ordinária, criou outras várias obrigações
acessórias no interesse de promover a melhor arrecadação, bem como adequada
fiscalização desse imposto. É possível afirmar, com relação à referida lei ordinária,
que:
a) Usurpou a atribuição de lei complementar, pois cabe a esta a edição tanto das
obrigações principais, como das acessórias.
b) Usurpou atribuição de decreto ao criar obrigações acessórias.
c) Não houve qualquer tipo de irregularidade na criação de obrigações acessórias.
d) Não poderia ter estabelecido obrigações acessórias, pois trata-se de atribuição de
normas regulamentares.
e) Não poderia ter estabelecido obrigação principal.
Comentários:
Gabarito C.
A questão exige uma interface do processo legislativo com o direito tributário.
Cabe à Lei Complementar (Art. 156 III c/c Art. 156 §3º, I, II e III CF):
a) definir os serviços tributáveis pelo ISS
b) Fixar alíquotas mínimas e máximas;
c) Excluir sua incidência sobre as exportações de serviços para o exterior;
d) Regular a forma como os benefícios fiscais são concedidos;
Uma vez instituído pela lei complementar nacional os serviços tributáveis pelo ISS,
cabe à lei municipal instituir tributo por meio de lei ordinária municipal.

Ano: 2018Banca: INAZ do ParáÓrgão: CRF-PEProva: Advogado


Supondo que a Assembleia Legislativa de determinado Estado da Federação resolve
propor emenda à Constituição do respectivo Estado. Na proposta consta alteração dos
requisitos para a criação de Comissões Parlamentares de Inquérito no âmbito
estadual, que passará a ter a seguinte redação: “As comissões parlamentares de
inquérito terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de
outros previstos no Regimento da Casa, sendo criadas mediante requerimento de
maioria absoluta dos membros da Assembleia, por prazo certo, para a apuração de
fato determinado, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério
Público, para conhecer da responsabilidade civil ou criminal dos infratores.”
Considerando os princípios estabelecidos na CRFB/88, seria constitucional a emenda
proposta pela Assembleia Legislativa?
a) Não, uma vez que as novas regras para a criação de Comissões Parlamentares de
Inquérito do referido Estado ferem princípios constitucionais estabelecidos.
b) Não, uma vez que as novas regras dificultam demasiadamente a criação de

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Comissões Parlamentares de Inquérito, maculando o princípio constitucional do regime


democrático.
c) Sim, pois a norma prevista na CRFB/88 acerca da formação das Comissões
Parlamentares de Inquérito foi prevista expressamente para o ente federal.
d) Sim, pois a CRFB/88 concedeu autonomia aos Estados da Federação para editar
suas próprias leis e Constituições.
e) Sim, pois, apesar do princípio da simetria balizar a construção das Constituições
estaduais, estas devem atender as peculiaridades regionais como, por exemplo, a
estrutura legislativa unicameral.
Comentários:
Gabarito B.
Art. 58. § 3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de
investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos
regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo
Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço
de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas
conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a
responsabilidade civil ou criminal dos infratores.

Ano: 2018 Banca: VUNESPÓrgão: PC-BAProva: Delegado de Polícia


A Casa na qual tenha sido concluída a votação de projeto de lei deverá enviá-lo ao
Presidente da República que, ao considerar o projeto
a) no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á
total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do
recebimento.
b) inconstitucional, em parte, poderá apor veto parcial, no prazo de quinze dias úteis,
abrangendo artigo, parágrafo, inciso, alínea ou expressão verbal.
c) no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á
total ou parcialmente, no prazo de trinta dias contados da data do recebimento.
d) contrário ao interesse público, vetá-lo-á totalmente, não podendo fazê-lo, neste
caso, de forma parcial, já que não há como cindir o interesse público.
e) no todo ou em parte, inconstitucional, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de
vinte dias contados da data do recebimento.
Comentários:
Gabarito A.
Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao
Presidente da República, que, aquiescendo, o sancionará.
§ 1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte,
inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no
prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de
quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto.
§ 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso

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ou de alínea.

Ano: 2018 Banca: VUNESPÓrgão: PC-BAProva: Investigador de Polícia


Imagine que 1/3 (um terço) dos membros da Câmara dos Deputados apresentou
proposta de Emenda Constitucional com o objetivo de alterar o voto popular de
secreto para aberto. Nesse caso, é correto afirmar que a proposta é
a) inconstitucional sob o prisma formal, pois a legitimidade para apresentação de
proposta de emenda constitucional só pode ser apresentada por 1/3 (um terço) dos
membros do Congresso Nacional, e não apenas de uma das casas.
b) inconstitucional sob o prisma formal, pois a legitimidade para apresentação de
proposta de Emenda Constitucional é reservada ao Senado, na qualidade de
representante dos Estados Membros.
c) inconstitucional sob o prisma material, pois a Constituição não poderá ser
emendada para abolição do voto secreto.
d) constitucional, tanto sob o prisma formal como o material, já que a Constituição
assegura apenas o voto direto, universal e periódico.
e) constitucional, tanto sob o prisma formal como o material, já que a Constituição
não assegura o voto e a forma de seu exercício como cláusula imutável.
Comentários:
Gabarito C.
Art. 60. § 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.

Ano: 2018 Banca: FCCÓrgão: ALESEProva: Analista Legislativo - Apoio


Jurídico
O Governador de certo Estado da Federação pretende instituir programa pelo qual será
facultado aos alunos da rede pública estadual participarem de atividades desportivas
extracurriculares no contraturno escolar, ministradas por profissionais voluntários
vinculados a entidades privadas que firmarem, nos termos da legislação
infraconstitucional pertinente, instrumentos jurí-dicos de parceria com o Estado. As
despesas do programa serão exclusivamente custeadas com recursos financeiros das
entidades parceiras, não sendo necessária a criação de novos cargos e órgãos
públicos, nem a atribuição de novas competências à Secretaria de Estado encarregada
de executar o programa. Nesse contexto, a proposta do Governador poderá ser
viabilizada, à luz da Constituição Federal e da jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal, mediante
a) encaminhamento de projeto de lei, de sua iniciativa privativa, uma vez que

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dependem de prévia autorização legislativa as parcerias firmadas pela Administração


pública.
b) encaminhamento de projeto de lei, de sua iniciativa privativa, uma vez que o
programa demanda reorganização da Administração pública, matéria que não pode ser
objeto de ato normativo infralegal.
c) encaminhamento de projeto de lei, em matéria de iniciativa legislativa concorrente
com o Parlamento, não podendo o programa ser objeto de ato normativo infralegal.
d) edição de decreto dispondo sobre normas de organização e funcionamento da
Administração para a instituição e a execução do programa.
e) encaminhamento de projeto de lei, de sua iniciativa privativa, uma vez que a
celebração de parcerias equivalerá à criação de cargos públicos, matéria que não pode
ser objeto de ato normativo infralegal.
Comentários:
Gabarito D.
Admite-se o decreto autônomo para regular o tema, diante da ausência de despesa.
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
VI - dispor, mediante decreto, sobre:
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar
aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos;
Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas
nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral
da República ou ao Advogado-Geral da União, que observarão os limites traçados nas
respectivas delegações.

Ano: 2018 Banca: FCCÓrgão: ALESEProva: Analista Legislativo - Processo


Legislativo
Com objetivo de atribuir maior estabilidade ao tratamento de determinada matéria, o
Congresso Nacional decide discipliná-la por meio de lei complementar, ainda que a
Constituição da República não reserve essa matéria à lei complementar. Nessa
situação, com base no entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal - STF,
uma vez publicada a lei,
a) a matéria poderá voltar a ser tratada por lei ordinária, desde que essa seja
aprovada por 3/5 dos membros de cada uma das Casas do Congresso.
b) a matéria por ela regrada não poderá mais ser tratada por lei ordinária, em razão
da superioridade hierárquica da lei complementar em face da lei ordinária, que obsta a
alteração daquela por meio dessa.
c) fica obstada a edição de medida provisória disciplinando a matéria, uma vez que a
Constituição da República veda a edição de medida provisória sobre matéria reservada
a lei complementar.
d) a matéria somente poderá voltar a ser tratada por lei ordinária se anteriormente for
editada lei complementar revogando a lei precedente.
e) não há óbice ao futuro tratamento da matéria por lei ordinária, na medida em que a

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lei editada é apenas formalmente complementar.


Comentários:
Gabarito E.
"É doutrina pacífica, em face do direito constitucional federal, que só se exige lei
complementar para aquelas matérias para as quais a Carta Magna Federal,
expressamente, exige essa espécie de lei, o que implica dizer que os dispositivos que
integram formalmente uma lei complementar, mas disciplinam matéria que não está
sujeita a legislação desse tipo, conservam a natureza de dispositivos de lei ordinária,
podendo, inclusive, ser alterados por legislação ordinária posterior" (RE n. 103.629,
Min. Moreira Alves; ADC-MC n. 8, Min. Celso de Mello).

Ano: 2018 Banca: FCCÓrgão: ALESEProva: Analista Legislativo - Processo


Legislativo
Entendendo que os vencimentos de uma determinada carreira de servidores públicos
integrante dos quadros da Administração direta estadual encontram-se fixados em
patamar muito inferior àquele praticado no âmbito da iniciativa privada, João,
deputado estadual, apresenta projeto de lei perante a Assembleia Legislativa de
determinado Estado, aumentando os vencimentos da referida carreira. O projeto em
questão
a) apresenta vício de iniciativa, uma vez que a propositura de projeto de lei dessa
natureza, quando realizada por integrante do Poder Legislativo, depende da existência
de autorização concedida ao parlamentar autor do projeto, pelo Secretário de Estado
responsável pela Secretaria a que se vincula a carreira beneficiada.
b) não apresenta vício de iniciativa, uma vez que a Constituição da República prevê
que a remuneração dos servidores públicos e o subsídio daqueles submetidos a esse
regime somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, atribuindo assim
ao Poder Legislativo a iniciativa geral de leis que concedam aumento para servidores
integrantes da administração direta.
c) apresenta vício de iniciativa, uma vez que a Constituição da República, em norma
de reprodução obrigatória pelos Estados, prevê que as leis que disponham sobre
criação de cargos na Administração direta ou aumento de sua remuneração são de
iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo.
d) não apresenta vício de iniciativa, já que, conforme entendimento do Supremo
Tribunal Federal, ao assegurar aos servidores públicos o direito à revisão anual, a
Constituição da República atribuiu aos integrantes do Poder Legislativo a faculdade de,
em caso de mora do Poder Executivo, propor projetos de lei que concedam aumentos
aos servidores públicos da administração direta.
e) apresenta vício de iniciativa, o qual, no entanto, conforme entendimento pacífico no
Supremo Tribunal Federal, poderá ser sanado caso, uma vez aprovado o projeto de lei
pela Assembleia Legislativa, venha ele a ser sancionado pelo Governador do Estado.
Comentários:
Gabarito C.
Art. 61, § 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que:

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II - disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e
autárquica ou aumento de sua remuneração;

Ano: 2018 Banca: FCCÓrgão: ALESEProva: Analista Legislativo - Processo


Legislativo
Considere as seguintes proposições:
I. O processo legislativo das leis previsto na Constituição da República é cláusula
pétrea, não podendo ser modificado pelo poder reformador.
II. Uma vez que a Constituição da República consagra a iniciativa popular, qualquer do
povo poderá apresentar projeto de lei ao Congresso Nacional.
III. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto
de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta
dos membros de qualquer das casas do Congresso Nacional.
IV. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República
terão início na Câmara dos Deputados.
À luz do disposto na Constituição da República, está correto o que se afirma APENAS
em
a) I e IV.
b) II e III .
c) I e III .
d) I e II.
e) III e IV.
Comentários:
Gabarito E.
Item III: CORRETO
Art. 67, da CF/88. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá
constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da
maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional.
Item IV: CORRETO
Art. 64, da CF/88. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente
da República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na
Câmara dos Deputados.

Ano: 2018 Banca: MPE-BAÓrgão: MPE-BAProva: Promotor de Justiça


Substituto
Sobre o processo legislativo normatizado pela Constituição Federal e a correlata
jurisprudência firmada pelo Supremo Tribunal Federal, responda:

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I - Nos projetos legislativos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, não


serão admitidas emendas parlamentares que acarretem aumento da despesa prevista,
a não ser que haja nestas, indicação da fonte dos recursos necessários.
II - Viola a Constituição Federal emenda constitucional que insira na Constituição
estadual dispositivo fixando a revisão automática da remuneração de servidores
públicos estaduais, à luz da iniciativa legislativa privativa do chefe do Poder Executivo.
III - Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados
de sua publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma
das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação,
todas as deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando, inclusive
propostas de emenda à Constituição, projetos de lei complementar, de decreto
legislativo e de resolução.
IV - As medidas provisórias perderão eficácia desde a sua edição, se não forem
convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável uma vez por igual período,
devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas
delas decorrentes.
Estão certos apenas os itens:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) II e IV.
e) III e IV.
Comentários:
Gabarito
I - FALSO - Inconstitucionalidade formal caracterizada. Projetos de Lei de iniciativa
privativa do Presidente: Deve haver pertinência temática e não acarretar aumento de
despesas;
II - VERDADEIRO - É INCONSTITUCIONAL emenda constitucional que insira na
Constituição estadual dispositivo determinando a revisão automática da remuneração
de servidores públicos estaduais. Isso porque tal matéria é prevista no art. 61, § 1º,
II, “c”, da CF/88 como sendo de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo. STF.
Plenário. ADI 3848/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/2/2015 (Info 774)
III - FALSO - Por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu, na
sessão desta quinta-feira (29), o julgamento do Mandado de Segurança (MS) 27931,
relatado pelo ministro Celso de Mello, e decidiu que o trancamento da pauta da
Câmara dos Deputados por conta de medidas provisórias (MPs) não analisadas no
prazo de 45 dias, contados de sua publicação, só alcança projetos de lei sobre temas
passíveis de serem tratados por MP. (STF - MS 27931)
IV - VERDADEIRO - Art. 62 § 3º CF As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos
§§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no
prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período,
devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas
delas decorrentes.

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Ano: 2018 Banca: CESPEÓrgão: TCM-BAProva: Auditor Estadual de Controle


Externo
Considerando o disposto na Constituição Federal de 1988 a respeito da competência
legislativa em matéria de finanças públicas, assinale a opção em que a espécie
normativa é adequada à finalidade proposta.
a) definir valor adicionado objetivando cálculo do repasse de ICMS dos estados aos
municípios: lei ordinária
b) estabelecer normas sobre a entrega de recursos do imposto sobre a renda da União
ao fundo de participação dos municípios: lei ordinária
c) dispor sobre finanças públicas: medida provisória
d) fixar o orçamento anual: lei delegada
e) abrir crédito extraordinário: medida provisória
Comentários:
Gabarito E.
Art. 161. Cabe à lei complementar:
I - definir valor adicionado para fins do disposto no art. 158, parágrafo único, I;
(LETRA A)
II - estabelecer normas sobre a entrega dos recursos de que trata o art. 159,
especialmente sobre os critérios de rateio dos fundos previstos em seu inciso I,
objetivando promover o equilíbrio sócio-econômico entre Estados e entre Municípios;
(LETRA B)
III - dispor sobre o acompanhamento, pelos beneficiários, do cálculo das quotas e da
liberação das participações previstas nos arts. 157, 158 e 159.
Parágrafo único. O Tribunal de Contas da União efetuará o cálculo das quotas
referentes aos fundos de participação a que alude o inciso II.
Art. 62, § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e
suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º; (LETRAS C e E)
Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá
solicitar a delegação ao Congresso Nacional.
§ 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso
Nacional, os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado
Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a legislação sobre:
I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de
seus membros;
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;
III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos. (LETRA D)

Ano: 2018 Banca: FUNDATECÓrgão: AL-RSProva: Analista Legislativo -

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Administrador (+ provas)
No que diz respeito ao regime jurídico das medidas provisórias previsto na
Constituição da República Federativa do Brasil, assinale a alternativa correta.
a) As medidas provisórias terão sua votação iniciada no Senado Federal.
b) Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida provisória
que, no prazo de cento e vinte dias, contado de sua edição, não tiver a sua votação
encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional.
c) É vedada a edição de medida provisória sobre matéria relativa a cidadania, direitos
políticos e direito eleitoral, salvo partidos políticos.
d) É vedada a edição de medida provisória sobre matéria reservada à lei
complementar.
e) É vedada a reedição, na mesma legislatura, de medida provisória que tenha sido
rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo.
Comentários:
Gabarito D.
a) Art. 62, § 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos
Deputados.
b) Art. 62, § 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida
provisória que, no prazo de sessenta dias, contado de sua publicação, não tiver a sua
votação encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional
c) Art. 62, § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
I – relativa a:
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral;
b) direito penal, processual penal e processual civil;
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de
seus membros;
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e
suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º;
II – que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer
outro ativo financeiro;
III – reservada a lei complementar;
IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de
sanção ou veto do Presidente da República.
d) Item anterior.
e) Art. 62, § 10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida
provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de
prazo.

Ano: 2018 Banca: CESGRANRIOÓrgão: PetrobrasProva: Advogado Júnior

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A criação de uma agência reguladora, nos termos da Constituição de 1988, dependerá


de lei
a) ordinária, de iniciativa apenas do Chefe do Executivo.
b) ordinária, de competência privativa do Congresso Nacional.
c) ordinária, de iniciativa parlamentar ou do Chefe do Executivo.
d) complementar, de iniciativa privativa do Senado Federal.
e) complementar, de iniciativa parlamentar ou do Chefe do Executivo.
Comentários:
Gabarito A.
Art. 37, XIX, CF: somente por lei específica poderá ser CRIADA autarquia e
AUTORIZADA a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de
fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua
atuação.
Art. 61, parágrafo primeiro, CF: São de iniciativa do presidente da república as leis
que: II) disponham sobre: e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da
administração pública, observado o disposto no art. 87, VI,CF.

Ano: 2018 Banca: FCCÓrgão: PGE-TOProva: Procurador do Estado


Projeto de Lei estadual de iniciativa do Chefe do Poder Executivo cria órgão incumbido
da realização de exames médicos em crianças e adolescentes, bem como cargos
públicos com atribuições voltadas para essas atividades, tendo sido apresentada
emenda parlamentar que acrescentou às competências do referido órgão a realização
gratuita de teste de maternidade e de paternidade aos beneficiários da Assistência
Judiciária Gratuita. Paralelamente foi apresentado projeto de lei de iniciativa
parlamentar para obrigar o Poder Público a realizar, gratuitamente, teste de
maternidade e de paternidade aos beneficiários da Assistência Judiciária, sem indicar o
órgão estadual competente para desempenhar essa função. À luz das disposições da
Constituição Federal sobre processo legislativo,
a) o primeiro projeto de lei é constitucional, inclusive no que toca à apresentação da
emenda parlamentar, sendo, no entanto, inconstitucional o segundo, por tratar de
matéria de iniciativa exclusiva do Chefe do Poder Executivo.
b) a emenda parlamentar é constitucional, assim como o segundo projeto de lei.
c) o primeiro projeto de lei é constitucional, inclusive no que toca à apresentação da
emenda parlamentar, sendo, no entanto, inconstitucional o segundo por criar despesa
para o Poder Executivo.
d) ambos os projetos de lei são constitucionais, inclusive no que toca à apresentação
da emenda parlamentar.
e) a emenda parlamentar é inconstitucional, uma vez que implicou aumento de
despesas em projeto de lei de iniciativa exclusiva do Chefe do Poder Executivo, sendo
constitucional o segundo projeto de lei.
Comentários:

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Gabarito E.
Art 63, I e 166, da Constituição.
Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista:
I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o
disposto no art. 166, § 3º e § 4º;
Art. 166. Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias,
ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do
Congresso Nacional, na forma do regimento comum.
§ 3º As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o
modifiquem somente podem ser aprovadas caso:
I - sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias;
II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação
de despesa, excluídas as que incidam sobre:
a) dotações para pessoal e seus encargos;
b) serviço da dívida;
c) transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal;
ou
III - sejam relacionadas:
a) com a correção de erros ou omissões; ou
b) com os dispositivos do texto do projeto de lei.
§ 4º As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias não poderão ser
aprovadas quando incompatíveis com o plano plurianual.

Ano: 2018 Banca: FCCÓrgão: PGE-TOProva: Procurador do Estado


Certo Estado, ao editar lei dispondo sobre a estrutura dos órgãos do Poder Executivo,
determinou, entre outras medidas:
Art. 1º O Chefe do Poder Executivo poderá, mediante decreto, promover as reformas
necessárias à adequação dos órgãos, entes e unidades integrantes das suas estruturas
básica e operacional, compreendendo:
I. criação e extinção, fixando-lhes as respectivas competências, denominações e
atribuições;
II. vinculação, denominação e estrutura operacional;
III. a criação e as atribuições de cargos públicos.
À luz da Constituição Federal, trata-se de lei que se mostra
a) inconstitucional no que toca à autorização para que Decreto crie e extinga órgãos
públicos, e que fixe as respectivas competências e atribuições, bem como para que
crie cargos públicos e que defina suas atribuições.
b) constitucional, uma vez que cabe ao Poder Executivo dispor sobre as matérias que
a Lei delegou à disciplina por Decreto, sendo esse o instrumento normativo adequado

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para instituir regulamentos para a fiel execução das leis.


c) inconstitucional apenas no que toca à autorização para que Decreto crie cargos
públicos, uma vez que as demais matérias se inserem no âmbito da competência
constitucional do Governador para discipliná-las mediante Decreto.
d) inconstitucional no que toca à autorização para que Decreto crie e extinga órgãos,
bem como para que crie cargos públicos, embora possa a Lei delegar ao Governador a
fixação das atribuições de cargos públicos por Decreto.
e) inconstitucional apenas no que toca à autorização para que Decreto crie cargos
públicos, bem como para que defina suas atribuições, podendo delegar ao Governador
a disciplina das demais matérias por Decreto.
Comentários:
Gabarito A.
Deve-se guardar simetria com o texto constitucional.
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
VI – dispor, mediante decreto, sobre:
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar
aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos;
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;

Ano: 2018 Banca: CESPEÓrgão: STMProva: Analista Judiciário - Área


Judiciária
Com relação à organização dos poderes e às funções essenciais à justiça, julgue o
item a seguir.
Situação hipotética: Por iniciativa de deputado federal, tramitou e foi aprovado, no
Congresso Nacional, projeto de lei que trata de regime jurídico dos militares das
Forças Armadas. Assertiva: Nessa situação, o projeto deverá ser vetado pelo
presidente da República, porque existe vício de constitucionalidade formal.
( )Certo ( )Errado
Comentário:
Certo.
Iniciativa de lei que disponha sobre o regime jurídico dos servidores públicos e
militares - É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que disponha
sobre o regime jurídico dos servidores públicos e dos miliares estaduais (seus direitos
e deveres). O art. 61, § 1º, II, “c” e “f”, da CF/88 prevê que compete ao Chefe do
Poder Executivo a iniciativa de lei que trate sobre os direitos e deveres dos servidores
públicos e sobre o regime jurídico dos militares. Essa regra também é aplicada no
âmbito estadual por força do princípio da simetria. O fato de o Governador do Estado
sancionar esse projeto de lei não faz com que o vício de iniciativa seja sanado
(corrigido). A Súmula 5 do STF há muitos anos foi cancelada. STF. Plenário. ADI
3920/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/2/2015 (Info 773).

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Ano: 2018 Banca: FGVÓrgão: Câmara de Salvador - BAProva: Analista


Legislativo Municipal - Área Legislativa
O Presidente da República apresentou projeto de lei ordinária cuja discussão se iniciou
no Senado Federal, que o aprovou, seguindo para a Câmara dos Deputados. Com a
aprovação nesta última Casa, a Mesa do Congresso Nacional promulgou a Lei X. Um
grupo de Deputados de oposição divulgou nota afirmando que o processo legislativo
descumpriu a disciplina traçada na Constituição da República de 1988.
À luz da sistemática constitucional, o grupo de Deputados está correto, já que o
projeto apresenta o(s) seguinte(s) vício(s):
a) o Presidente da República não tem legitimidade para apresentar projetos de lei
ordinária fora do regime de urgência constitucional;
b) a discussão do projeto de lei ordinária deveria ter sido iniciada na Câmara dos
Deputados, não no Senado Federal, que seria a Casa Revisora;
c) o Presidente da República não poderia apresentar o projeto e a análise deveria ser
realizada em sessão conjunta das Casas Legislativas;
d) após aprovação do projeto pelas Casas Legislativas, ele deveria ser encaminhado
ao Presidente da República, não à Mesa do Congresso Nacional;
e) a discussão deveria ser iniciada na Câmara e o projeto encaminhado ao Presidente
da República, não à Mesa do Congresso.
Comentários:
Gabarito E.
Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da
República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na
Câmara dos Deputados.
Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao
Presidente da República, que, aquiescendo, o sancionará.

Ano: 2018 Banca: CONSULPLANÓrgão: Câmara de Belo Horizonte - MGProva:


Redator
Preservando-se o conteúdo normativo original dos dispositivos consolidados, poderão
ser feitas alterações nos projetos de lei de consolidação. São alterações possíveis,
EXCETO:
a) Introdução de novas divisões do texto legal base.
b) Criação de órgãos e entidades da administração pública.
c) Diferente colocação e numeração dos artigos consolidados.
d) Atualização de termos antiquados e modos de escrita ultrapassados.
Comentários:
Gabarito B.
LEI COMPLEMENTAR Nº 95.
Art. 13. As leis federais serão reunidas em codificações e consolidações, integradas

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por volumes contendo matérias conexas ou afins, constituindo em seu todo a


Consolidação da Legislação Federal.
§ 1o A consolidação consistirá na integração de todas as leis pertinentes a
determinada matéria num único diploma legal, revogando-se formalmente as leis
incorporadas à consolidação, sem modificação do alcance nem interrupção da força
normativa dos dispositivos consolidados.
§ 2o Preservando-se o conteúdo normativo original dos dispositivos consolidados,
poderão ser feitas as seguintes alterações nos projetos de lei de consolidação:
I – introdução de novas divisões do texto legal base;
II – diferente colocação e numeração dos artigos consolidados;
III – fusão de disposições repetitivas ou de valor normativo idêntico;
IV – atualização da denominação de órgãos e entidades da administração pública;
V – atualização de termos antiquados e modos de escrita ultrapassados;
VI – atualização do valor de penas pecuniárias, com base em indexação padrão;
VII – eliminação de ambigüidades decorrentes do mau uso do vernáculo;
VIII – homogeneização terminológica do texto;
IX – supressão de dispositivos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal
Federal, observada, no que couber, a suspensão pelo Senado Federal de execução de
dispositivos, na forma do art. 52, X, da Constituição Federal;
X – indicação de dispositivos não recepcionados pela Constituição Federal;
XI – declaração expressa de revogação de dispositivos implicitamente revogados por
leis posteriores.

Ano: 2018 Banca: CONSULPLANÓrgão: Câmara de Belo Horizonte - MGProva:


Coordenador do Processo Legislativo
O processo legislativo guarda relação com o processo judicial, em especial, no que se
refere a princípios aplicáveis a ambos, do qual é exemplo:
a) Imparcialidade.
b) Devido processo legal.
c) Duplo grau de jurisdição.
d) Ampla defesa e contraditório.
Comentários:
Gabarito B.

Ano: 2018 Banca: FAUELÓrgão: Prefeitura de Paranavaí - PRProva:


Procurador do Município
No que diz respeito ao processo legislativo, de acordo com a Constituição da República

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e o entendimento do Supremo Tribunal Federal, assinale a alternativa correta:


a) Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados de
sua publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma das
Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação,
apenas as votações de projetos de leis ordinárias que versem sobre temas que
possam ser tratados por medida provisória.
b) A Constituição da República veda, expressamente, a prática de emenda
parlamentar à projeto de conversão de medida provisória em lei, na hipótese de
inexistência de pertinência temática.
c) A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República,
do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início no Senado
Federal.
d) A sanção do projeto de lei convalida o vício de inconstitucionalidade resultante da
usurpação do poder de iniciativa, de modo que a ulterior aquiescência do chefe do
Poder Executivo, mediante sanção do projeto de lei tem o condão de sanar o vício da
inconstitucionalidade.
e) A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados
de projeto de lei subscrito por, no mínimo, cinco por cento do eleitorado nacional,
distribuído pelo menos por sete Estados, com não menos de três décimos por cento
dos eleitores de cada um deles.
Comentários:
Gabarito A.
Art. 62, § 6° "Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias
contados de sua publicação, entrará em regime de urgência, subseqüentemente, em
cada uma das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se
ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que
estiver tramitando".
Lembrando que, de acordo com o STF, não há mais o trancamento de toda a
pauta.
Por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu, na sessão desta
quinta-feira (29), o julgamento do Mandado de Segurança (MS) 27931, relatado pelo
ministro Celso de Mello, e decidiu que o trancamento da pauta da Câmara dos
Deputados por conta de medidas provisórias (MPs) não analisadas no prazo de 45
dias, contados de sua publicação, só alcança projetos de lei sobre temas
passíveis de serem tratados por MP.

Ano: 2018 Banca: SELECONÓrgão: Prefeitura de Cuiabá - MTProva: Bacharel


em Direito
Diversos temas relevantes da pauta política do Congresso Nacional exigem a votação
de Emenda à Constituição. Nos termos da Constituição Federal, a proposta de Emenda
Constitucional será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois
turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos:
a) maioria simples dos votos dos respectivos membros

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b) maioria absoluta dos votos dos respectivos membros


c) dois terços dos votos dos respectivos membros
d) três quintos dos votos dos respectivos membros
Comentários:
Gabarito D.

Ano: 2017 Banca: FCCÓrgão: TRT - 21ª Região (RN)Prova: Analista Judiciário
- Área Judiciária
Entendendo tratar-se de hipótese que se mostra relevante e urgente, o Presidente da
República editou medida provisória disciplinando a compra e venda de imóveis no
Brasil, por meio da qual impôs uma série de requisitos e formalidades a serem
observados na realização de negócios jurídicos dessa natureza. No prazo de 60 dias, a
medida provisória não foi apreciada pelo Congresso Nacional, razão pela qual o seu
período de vigência foi prorrogado por mais 60 dias. Ao término do novo prazo,
porém, o Congresso Nacional não a converteu em lei. As relações jurídicas decorrentes
da referida medida provisória, constituídas durante o seu período de vigência,
a) deverão ser disciplinadas por decreto legislativo do Congresso Nacional em até 60
dias da perda da eficácia da medida provisória, conservando-se por ela regidas caso
não editado o decreto legislativo dentro desse prazo.
b) passarão a ser regidas pela legislação que anteriormente disciplinava a matéria,
uma vez que as medidas provisórias que não forem convertidas em lei no prazo de 60
dias, prorrogável uma vez por igual período, perderão eficácia desde a sua edição.
c) deverão ser disciplinadas por resolução da Câmara dos Deputados, em até 45 dias
da perda da eficácia da medida provisória, passando a ser regidas pela legislação
anteriormente vigente caso não observado esse prazo.
d) permanecerão regidas pela medida provisória, não obstante tenha esta perdido sua
eficácia por decurso do prazo, em virtude das garantias fundamentais do respeito ao
direito adquirido e ao ato jurídico perfeito.
e) deverão ser anuladas, uma vez que a medida provisória não convertida em lei
dentro do prazo previsto na Constituição perde sua eficácia desde a sua edição, o que
fará com que as relações jurídicas constituídas durante sua vigência venham a perder
o seu fundamento de validade.
Comentários:
Gabarito A.
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar
medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso
Nacional.
[...]
§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia,
desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias,
prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso
Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes.

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§ 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida provisória
que, no prazo de sessenta dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação
encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional.
[...]
§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a
rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e
decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas.
§ 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida
provisória, esta manter-se-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou
vetado o projeto.
Gabarito: Letra "a".

Ano: 2017 Banca: VUNESPÓrgão: Prefeitura de Marília - SPProva: Procurador


Jurídico
O Prefeito Municipal enviou projeto de lei à Câmara de Vereadores, dispondo sobre a
concessão de determinado benefício aos servidores municipais. Os Vereadores, porém,
apresentaram emenda ao projeto estendendo o benefício aos servidores aposentados.
O projeto foi aprovado, com a inclusão da emenda parlamentar, sendo enviado ao
Prefeito que o sancionou integralmente. A lei foi promulgada e publicada.
Nessa hipótese, é correto afirmar que
a) a lei é constitucional, uma vez que não houve qualquer vício formal no respectivo
processo legislativo.
b) houve um vício formal quando foi aprovada a emenda parlamentar, que não
poderia acarretar despesa ao projeto original.
c) a inconstitucionalidade formal que existia restou convalidada quando o Prefeito
decidiu sancionar integralmente o projeto.
d) ocorreu um vício formal, mas ele não tem o condão de tornar nula a lei porque o
conteúdo aprovado atendeu a um direito constitucional dos servidores aposentados.
e) os parlamentares exerceram seu legítimo direito de propor emendas aos projetos
de lei que são enviados à Casa, que não pode ser tolhido.
Comentários:
Gabarito B.
Art. 166. Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias,
ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do
Congresso Nacional, na forma do regimento comum.(*lei de iniciativa do Executivo)
§ 3º As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o
modifiquem somente podem ser aprovadas caso:
I - sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias;
II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação
de despesa, excluídas as que incidam sobre:
a) dotações para pessoal e seus encargos;

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b) serviço da dívida;
c) transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal;
ou
III - sejam relacionadas:
a) com a correção de erros ou omissões; ou
b) com os dispositivos do texto do projeto de lei.
§ 4º As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias não poderão ser
aprovadas quando incompatíveis com o plano plurianual.

Ano: 2017 Banca: IBADE Órgão: IPERON - ROProva: Analista em Previdência -


Assistente Social
Nos termos do art. 62 da Constituição da República Federativa do Brasil:
a) as medidas provisórias perderão a eficácia e não forem convertidas em lei no prazo
de 30 dias, prorrogável por igual período uma única vez.
b) as medidas provisórias poderão ser adotadas em caso de relevância e urgência
naquelas matérias não vedadas pela Constituição da República Federativa do Brasil,
ou, em hipóteses específicas, mediante autorização prévia do Congresso Nacional.
c) a medida provisória será convertida em lei depois de deliberação e aprovação pela
Câmara dos Deputados, sem a necessidade de tramitação no Senado Federal.
d) é vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria relativa a partidos políticos
e reservada a lei complementar, entre outras hipóteses.
e) a medida provisória pode ser reeditada na mesma sessão legislativa, ainda que
rejeitada ou destituída de eficácia pelo decurso do tempo.
Comentários:
Gabarito D.
Art. 62, § 1º - É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
I – relativa a:
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral;
(...)
III – reservada a lei complementar;

Ano: 2017 Banca: CESPE Órgão: TRE-TOProva: Analista Judiciário - Área


Administrativa
As medidas provisórias podem versar sobre matéria
a) que vise à detenção de bens e de poupança popular.
b) que implique a majoração de imposto.
c) relativa a direitos políticos e a partidos políticos.

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d) reservada a lei complementar.


e) relativa a direito eleitoral.
Comentários:
Gabarito B.
CF, art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá
adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao
Congresso Nacional.
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
I – relativa a:
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral;
b) direito penal, processual penal e processual civil;
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de
seus membros;
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e
suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º;
II – que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer
outro ativo financeiro;
III – reservada a lei complementar;
IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de
sanção ou veto do Presidente da República.
§ 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os
previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício
financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que
foi editada.

Ano: 2017 Banca: CESPEÓrgão: TRE-TOProva: Analista Judiciário - Área


Administrativa
A Constituição Federal poderá ser alterada por meio de proposta de emenda
constitucional apresentada
a) por três quintos dos membros do Senado Federal, no mínimo.
b) por um terço dos membros da Câmara dos Deputados, no mínimo.
c) pela maioria absoluta dos membros do plenário do Supremo Tribunal Federal.
d) por metade das assembleias legislativas dos estados, manifestando-se, cada uma
delas, pela maioria absoluta de seus membros.
e) por três quintos dos membros da Câmara dos Deputados, no mínimo.
Comentários:
Gabarito B.
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:

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I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado


Federal
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação,
manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.

Ano: 2017 Banca: FCCÓrgão: TRF - 5ª REGIÃOProva: Analista Judiciário - Área


Judiciária
Projeto de lei de iniciativa de Deputado Federal, tendo por objeto o estabelecimento
de hipótese de prisão civil do depositário infiel de bens penhorados em juízo, é
aprovado pela maioria absoluta dos membros da Câmara dos Deputados e, na
sequência, sem alterações, pelo Senado Federal, por maioria simples dos presentes,
em sessão de votação a que compareceram 60 dos 81 de seus membros. O projeto é,
assim, encaminhado à sanção presidencial. Nessa hipótese, consideradas as normas
constitucionais pertinentes e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, referido
projeto de lei
a) padece de vício de inconstitucionalidade formal, por versar sobre matéria de
iniciativa privativa do Presidente da República, vício esse que não se convalida, ainda
que haja posterior sanção presidencial.
b) padece de vício de inconstitucionalidade formal, por inobservância do quórum de
aprovação nas Casas legislativas, devendo ser vetado pelo Presidente da República,
por motivo de inconstitucionalidade, no prazo de 15 dias úteis contados de seu
recebimento.
c) padece de vício de inconstitucionalidade material, por ofensa a garantia de direito
fundamental assegurada em tratado internacional com status de norma constitucional,
devendo ser vetado pelo Presidente da República, por motivo de inconstitucionalidade,
no prazo de 15 dias úteis contados de seu recebimento.
d) contraria teor de súmula vinculante, sendo passível de impugnação mediante
reclamação perante o Supremo Tribunal Federal.
e) não apresenta vício formal no processo legislativo, ainda que venha a ser
sancionado expressa ou tacitamente pelo Presidente da República, embora, no mérito,
estabeleça hipótese de prisão ilícita, por contrariedade a norma de tratado
internacional em matéria de direitos fundamentais.
Comentários:
Gabarito E.
Não há inconstitucionalidade formal, pois o Presidente da República não possui
competência privativa para dispor sobre direito civil/processual civil.
(ARE) 878911 - No mérito, ao propor a reafirmação da jurisprudência, o ministro
destacou que o STF, em diversos precedentes, firmou o entendimento no sentido de
que as hipóteses de limitação da iniciativa parlamentar estão taxativamente previstas
no artigo 61 da Constituição, que trata da reserva de iniciativa de lei do chefe do
poder Executivo. Segundo o relator, não é possível ampliar a interpretação do
dispositivo constitucional para abranger matérias além das que são relativas ao
funcionamento e estruturação da Administração Pública, “mais especificamente, a

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servidores e órgãos do Poder Executivo”.

Questões sem comentários

Q.1. Ano: 2018 Banca: IBFCÓrgão: Câmara de Feira de Santana - BAProva:


Procurador Jurídico Adjunto
Proposição é toda matéria sujeita à deliberação do Plenário, qualquer que seja o seu
objeto. Apresentam-se como modalidades de proposição:
a) requisições e impedimentos
b) decretos autônomos e portarias
c) decretos regulamentares e ordens de serviço
d) requerimentos e moções

Q.2. Ano: 2018Banca: FGVÓrgão: TJ-ALProva: Analista Judiciário - Oficial de


Justiça Avaliador
Com o objetivo de compensar os servidores públicos do Poder Executivo estadual pelo
longo período sem reajustes remuneratórios, um grupo de Deputados Estaduais
encaminhou projeto de lei à Assembleia Legislativa concedendo aumento de 5%,
muito inferior, no entanto, à inflação acumulada. O projeto foi aprovado pelo
Legislativo. O Governador do Estado, no entanto, decidiu vetá-lo sob o argumento de
ser formalmente inconstitucional. O veto foi rejeitado pela maioria absoluta dos
Deputados Estaduais. Ao fim, veio a ser promulgada a Lei Estadual WW.
À luz da sistemática constitucional, sob o prisma formal, a Lei Estadual WW:
a) apresenta vício de inconstitucionalidade, já que o poder de iniciativa legislativa era
privativo do Governador, não podendo ser exercido pelos Deputados;
b) não apresenta vício de inconstitucionalidade, pois a iniciativa legislativa é sempre
franqueada a qualquer Deputado ou grupo de Deputados;
c) apresenta vício de inconstitucionalidade, pois o veto do Governador deveria ser
rejeitado por dois terços dos Deputados;
d) não apresenta vício de inconstitucionalidade, já que a iniciativa legislativa, em
matéria vencimental, somente pode ser exercida por grupos de Deputados;
e) apresenta vício de inconstitucionalidade, pois os reajustes vencimentais dos
servidores públicos não podem ser inferiores à inflação.

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Q.3. Ano: 2018Banca: FGVÓrgão: TJ-ALProva: Analista Judiciário - Oficial de


Justiça Avaliador
O Presidente da República editou a Medida Provisória XX, que inseriu relevantes
modificações na economia nacional. O Partido Político Alfa, insatisfeito com o teor
desse ato normativo, solicitou o parecer de um renomado advogado em relação ao
fato de a medida provisória somente ter sido assinada pelo Chefe do Poder Executivo,
não contando com o referendo do Ministro de Estado da área.
À luz da sistemática constitucional, o advogado respondeu, corretamente, que:
a) a edição de medida provisória é de competência privativa do Presidente da
República, não podendo contar com a participação de Ministro de Estado;
b) o referendo do Ministro de Estado da área somente é necessário em relação aos
decretos, não aos atos com força de lei;
c) o referendo do Ministro de Estado da área somente seria necessário por ocasião da
sanção da lei de conversão aprovada pelo Congresso Nacional;
d) a ordem constitucional somente exige que o Ministro de Estado assine os atos do
Presidente da República nas hipóteses de competência concorrente;
e) era necessário o referendo do Ministro de Estado da área para a edição da Medida
Provisória XX, sendo que sua ausência denota a caracterização de vício formal.

Q.4. Ano: 2018Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos)Órgão: MPE-MGProva:


Promotor de Justiça Substituto
São espécies normativas previstas no artigo 59 da CR/88:
a) leis ordinárias, leis delegadas, decretos.
b) decretos legislativos, portarias, emendas à Constituição.
c) resoluções, decretos-leis, decretos legislativos.
d) medidas provisórias, leis complementares, resoluções.

Q.5. Ano: 2018Banca: INAZ do ParáÓrgão: CRF-PEProva: Advogado


O Município de Recife criou lei ordinária para instituir o Imposto Sobre Serviços de
Qualquer Natureza (ISS) e, na mesma lei ordinária, criou outras várias obrigações
acessórias no interesse de promover a melhor arrecadação, bem como adequada
fiscalização desse imposto. É possível afirmar, com relação à referida lei ordinária,
que:
a) Usurpou a atribuição de lei complementar, pois cabe a esta a edição tanto das
obrigações principais, como das acessórias.
b) Usurpou atribuição de decreto ao criar obrigações acessórias.
c) Não houve qualquer tipo de irregularidade na criação de obrigações acessórias.

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d) Não poderia ter estabelecido obrigações acessórias, pois trata-se de atribuição de


normas regulamentares.
e) Não poderia ter estabelecido obrigação principal.

Q.6. Ano: 2018Banca: INAZ do ParáÓrgão: CRF-PEProva: Advogado


Supondo que a Assembleia Legislativa de determinado Estado da Federação resolve
propor emenda à Constituição do respectivo Estado. Na proposta consta alteração dos
requisitos para a criação de Comissões Parlamentares de Inquérito no âmbito
estadual, que passará a ter a seguinte redação: “As comissões parlamentares de
inquérito terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de
outros previstos no Regimento da Casa, sendo criadas mediante requerimento de
maioria absoluta dos membros da Assembleia, por prazo certo, para a apuração de
fato determinado, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério
Público, para conhecer da responsabilidade civil ou criminal dos infratores.”
Considerando os princípios estabelecidos na CRFB/88, seria constitucional a emenda
proposta pela Assembleia Legislativa?
a) Não, uma vez que as novas regras para a criação de Comissões Parlamentares de
Inquérito do referido Estado ferem princípios constitucionais estabelecidos.
b) Não, uma vez que as novas regras dificultam demasiadamente a criação de
Comissões Parlamentares de Inquérito, maculando o princípio constitucional do regime
democrático.
c) Sim, pois a norma prevista na CRFB/88 acerca da formação das Comissões
Parlamentares de Inquérito foi prevista expressamente para o ente federal.
d) Sim, pois a CRFB/88 concedeu autonomia aos Estados da Federação para editar
suas próprias leis e Constituições.
e) Sim, pois, apesar do princípio da simetria balizar a construção das Constituições
estaduais, estas devem atender as peculiaridades regionais como, por exemplo, a
estrutura legislativa unicameral.

Q.7. Ano: 2018Banca: VUNESPÓrgão: PC-BAProva: Delegado de Polícia


A Casa na qual tenha sido concluída a votação de projeto de lei deverá enviá-lo ao
Presidente da República que, ao considerar o projeto
a) no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á
total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do
recebimento.
b) inconstitucional, em parte, poderá apor veto parcial, no prazo de quinze dias úteis,
abrangendo artigo, parágrafo, inciso, alínea ou expressão verbal.
c) no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á
total ou parcialmente, no prazo de trinta dias contados da data do recebimento.
d) contrário ao interesse público, vetá-lo-á totalmente, não podendo fazê-lo, neste

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caso, de forma parcial, já que não há como cindir o interesse público.


e) no todo ou em parte, inconstitucional, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de
vinte dias contados da data do recebimento.

Q.8. Ano: 2018Banca: VUNESPÓrgão: PC-BAProva: Investigador de Polícia


Imagine que 1/3 (um terço) dos membros da Câmara dos Deputados apresentou
proposta de Emenda Constitucional com o objetivo de alterar o voto popular de
secreto para aberto. Nesse caso, é correto afirmar que a proposta é
a) inconstitucional sob o prisma formal, pois a legitimidade para apresentação de
proposta de emenda constitucional só pode ser apresentada por 1/3 (um terço) dos
membros do Congresso Nacional, e não apenas de uma das casas.
b) inconstitucional sob o prisma formal, pois a legitimidade para apresentação de
proposta de Emenda Constitucional é reservada ao Senado, na qualidade de
representante dos Estados Membros.
c) inconstitucional sob o prisma material, pois a Constituição não poderá ser
emendada para abolição do voto secreto.
d) constitucional, tanto sob o prisma formal como o material, já que a Constituição
assegura apenas o voto direto, universal e periódico.
e) constitucional, tanto sob o prisma formal como o material, já que a Constituição
não assegura o voto e a forma de seu exercício como cláusula imutável.

Q.9. Ano: 2018Banca: FCCÓrgão: ALESEProva: Analista Legislativo - Apoio


Jurídico
O Governador de certo Estado da Federação pretende instituir programa pelo qual será
facultado aos alunos da rede pública estadual participarem de atividades desportivas
extracurriculares no contraturno escolar, ministradas por profissionais voluntários
vinculados a entidades privadas que firmarem, nos termos da legislação
infraconstitucional pertinente, instrumentos jurí-dicos de parceria com o Estado. As
despesas do programa serão exclusivamente custeadas com recursos financeiros das
entidades parceiras, não sendo necessária a criação de novos cargos e órgãos
públicos, nem a atribuição de novas competências à Secretaria de Estado encarregada
de executar o programa. Nesse contexto, a proposta do Governador poderá ser
viabilizada, à luz da Constituição Federal e da jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal, mediante
a) encaminhamento de projeto de lei, de sua iniciativa privativa, uma vez que
dependem de prévia autorização legislativa as parcerias firmadas pela Administração
pública.
b) encaminhamento de projeto de lei, de sua iniciativa privativa, uma vez que o
programa demanda reorganização da Administração pública, matéria que não pode ser
objeto de ato normativo infralegal.
c) encaminhamento de projeto de lei, em matéria de iniciativa legislativa concorrente

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com o Parlamento, não podendo o programa ser objeto de ato normativo infralegal.
d) edição de decreto dispondo sobre normas de organização e funcionamento da
Administração para a instituição e a execução do programa.
e) encaminhamento de projeto de lei, de sua iniciativa privativa, uma vez que a
celebração de parcerias equivalerá à criação de cargos públicos, matéria que não pode
ser objeto de ato normativo infralegal.

Q.10. Ano: 2018Banca: FCCÓrgão: ALESEProva: Analista Legislativo -


Processo Legislativo
Com objetivo de atribuir maior estabilidade ao tratamento de determinada matéria, o
Congresso Nacional decide discipliná-la por meio de lei complementar, ainda que a
Constituição da República não reserve essa matéria à lei complementar. Nessa
situação, com base no entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal - STF,
uma vez publicada a lei,
a) a matéria poderá voltar a ser tratada por lei ordinária, desde que essa seja
aprovada por 3/5 dos membros de cada uma das Casas do Congresso.
b) a matéria por ela regrada não poderá mais ser tratada por lei ordinária, em razão
da superioridade hierárquica da lei complementar em face da lei ordinária, que obsta a
alteração daquela por meio dessa.
c) fica obstada a edição de medida provisória disciplinando a matéria, uma vez que a
Constituição da República veda a edição de medida provisória sobre matéria reservada
a lei complementar.
d) a matéria somente poderá voltar a ser tratada por lei ordinária se anteriormente for
editada lei complementar revogando a lei precedente.
e) não há óbice ao futuro tratamento da matéria por lei ordinária, na medida em que a
lei editada é apenas formalmente complementar.

Q.11. Ano: 2018Banca: FCCÓrgão: ALESEProva: Analista Legislativo -


Processo Legislativo
Entendendo que os vencimentos de uma determinada carreira de servidores públicos
integrante dos quadros da Administração direta estadual encontram-se fixados em
patamar muito inferior àquele praticado no âmbito da iniciativa privada, João,
deputado estadual, apresenta projeto de lei perante a Assembleia Legislativa de
determinado Estado, aumentando os vencimentos da referida carreira. O projeto em
questão
a) apresenta vício de iniciativa, uma vez que a propositura de projeto de lei dessa
natureza, quando realizada por integrante do Poder Legislativo, depende da existência
de autorização concedida ao parlamentar autor do projeto, pelo Secretário de Estado
responsável pela Secretaria a que se vincula a carreira beneficiada.
b) não apresenta vício de iniciativa, uma vez que a Constituição da República prevê
que a remuneração dos servidores públicos e o subsídio daqueles submetidos a esse
regime somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, atribuindo assim

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ao Poder Legislativo a iniciativa geral de leis que concedam aumento para servidores
integrantes da administração direta.
c) apresenta vício de iniciativa, uma vez que a Constituição da República, em norma
de reprodução obrigatória pelos Estados, prevê que as leis que disponham sobre
criação de cargos na Administração direta ou aumento de sua remuneração são de
iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo.
d) não apresenta vício de iniciativa, já que, conforme entendimento do Supremo
Tribunal Federal, ao assegurar aos servidores públicos o direito à revisão anual, a
Constituição da República atribuiu aos integrantes do Poder Legislativo a faculdade de,
em caso de mora do Poder Executivo, propor projetos de lei que concedam aumentos
aos servidores públicos da administração direta.
e) apresenta vício de iniciativa, o qual, no entanto, conforme entendimento pacífico no
Supremo Tribunal Federal, poderá ser sanado caso, uma vez aprovado o projeto de lei
pela Assembleia Legislativa, venha ele a ser sancionado pelo Governador do Estado.

Q.12. Ano: 2018Banca: FCCÓrgão: ALESEProva: Analista Legislativo -


Processo Legislativo
Considere as seguintes proposições:
I. O processo legislativo das leis previsto na Constituição da República é cláusula
pétrea, não podendo ser modificado pelo poder reformador.
II. Uma vez que a Constituição da República consagra a iniciativa popular, qualquer do
povo poderá apresentar projeto de lei ao Congresso Nacional.
III. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto
de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta
dos membros de qualquer das casas do Congresso Nacional.
IV. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República
terão início na Câmara dos Deputados.
À luz do disposto na Constituição da República, está correto o que se afirma APENAS
em
a) I e IV.
b) II e III .
c) I e III .
d) I e II.
e) III e IV.

Q.13. Ano: 2018Banca: MPE-BAÓrgão: MPE-BAProva: Promotor de Justiça


Substituto
Sobre o processo legislativo normatizado pela Constituição Federal e a correlata
jurisprudência firmada pelo Supremo Tribunal Federal, responda:

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I - Nos projetos legislativos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, não


serão admitidas emendas parlamentares que acarretem aumento da despesa prevista,
a não ser que haja nestas, indicação da fonte dos recursos necessários.
II - Viola a Constituição Federal emenda constitucional que insira na Constituição
estadual dispositivo fixando a revisão automática da remuneração de servidores
públicos estaduais, à luz da iniciativa legislativa privativa do chefe do Poder Executivo.
III - Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados
de sua publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma
das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação,
todas as deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando, inclusive
propostas de emenda à Constituição, projetos de lei complementar, de decreto
legislativo e de resolução.
IV - As medidas provisórias perderão eficácia desde a sua edição, se não forem
convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável uma vez por igual período,
devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas
delas decorrentes.
Estão certos apenas os itens:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) II e IV.
e) III e IV.

Q.14. Ano: 2018Banca: CESPE Órgão: TCM-BAProva: Auditor Estadual de


Controle Externo
Considerando o disposto na Constituição Federal de 1988 a respeito da competência
legislativa em matéria de finanças públicas, assinale a opção em que a espécie
normativa é adequada à finalidade proposta.
a) definir valor adicionado objetivando cálculo do repasse de ICMS dos estados aos
municípios: lei ordinária
b) estabelecer normas sobre a entrega de recursos do imposto sobre a renda da União
ao fundo de participação dos municípios: lei ordinária
c) dispor sobre finanças públicas: medida provisória
d) fixar o orçamento anual: lei delegada
e) abrir crédito extraordinário: medida provisória.

Q.15. Ano: 2018Banca: FUNDATECÓrgão: AL-RSProva: Analista Legislativo -


Administrador (+ provas)
No que diz respeito ao regime jurídico das medidas provisórias previsto na

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Constituição da República Federativa do Brasil, assinale a alternativa correta.


a) As medidas provisórias terão sua votação iniciada no Senado Federal.
b) Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida provisória
que, no prazo de cento e vinte dias, contado de sua edição, não tiver a sua votação
encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional.
c) É vedada a edição de medida provisória sobre matéria relativa a cidadania, direitos
políticos e direito eleitoral, salvo partidos políticos.
d) É vedada a edição de medida provisória sobre matéria reservada à lei
complementar.
e) É vedada a reedição, na mesma legislatura, de medida provisória que tenha sido
rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo.

Q.16. Ano: 2018Banca: CESGRANRIO Órgão: PetrobrasProva: Advogado


Júnior
A criação de uma agência reguladora, nos termos da Constituição de 1988, dependerá
de lei
a) ordinária, de iniciativa apenas do Chefe do Executivo.
b) ordinária, de competência privativa do Congresso Nacional.
c) ordinária, de iniciativa parlamentar ou do Chefe do Executivo.
d) complementar, de iniciativa privativa do Senado Federal.
e) complementar, de iniciativa parlamentar ou do Chefe do Executivo.

Q.17. Ano: 2018Banca: FCC Órgão: PGE-TOProva: Procurador do Estado


Projeto de Lei estadual de iniciativa do Chefe do Poder Executivo cria órgão incumbido
da realização de exames médicos em crianças e adolescentes, bem como cargos
públicos com atribuições voltadas para essas atividades, tendo sido apresentada
emenda parlamentar que acrescentou às competências do referido órgão a realização
gratuita de teste de maternidade e de paternidade aos beneficiários da Assistência
Judiciária Gratuita. Paralelamente foi apresentado projeto de lei de iniciativa
parlamentar para obrigar o Poder Público a realizar, gratuitamente, teste de
maternidade e de paternidade aos beneficiários da Assistência Judiciária, sem indicar o
órgão estadual competente para desempenhar essa função. À luz das disposições da
Constituição Federal sobre processo legislativo,
a) o primeiro projeto de lei é constitucional, inclusive no que toca à apresentação da
emenda parlamentar, sendo, no entanto, inconstitucional o segundo, por tratar de
matéria de iniciativa exclusiva do Chefe do Poder Executivo.
b) a emenda parlamentar é constitucional, assim como o segundo projeto de lei.
c) o primeiro projeto de lei é constitucional, inclusive no que toca à apresentação da
emenda parlamentar, sendo, no entanto, inconstitucional o segundo por criar despesa

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para o Poder Executivo.


d) ambos os projetos de lei são constitucionais, inclusive no que toca à apresentação
da emenda parlamentar.
e) a emenda parlamentar é inconstitucional, uma vez que implicou aumento de
despesas em projeto de lei de iniciativa exclusiva do Chefe do Poder Executivo, sendo
constitucional o segundo projeto de lei.

Q.18. Ano: 2018Banca: FCCÓrgão: PGE-TOProva: Procurador do Estado


Certo Estado, ao editar lei dispondo sobre a estrutura dos órgãos do Poder Executivo,
determinou, entre outras medidas:
Art. 1º O Chefe do Poder Executivo poderá, mediante decreto, promover as reformas
necessárias à adequação dos órgãos, entes e unidades integrantes das suas estruturas
básica e operacional, compreendendo:
I. criação e extinção, fixando-lhes as respectivas competências, denominações e
atribuições;
II. vinculação, denominação e estrutura operacional;
III. a criação e as atribuições de cargos públicos.
À luz da Constituição Federal, trata-se de lei que se mostra
a) inconstitucional no que toca à autorização para que Decreto crie e extinga órgãos
públicos, e que fixe as respectivas competências e atribuições, bem como para que
crie cargos públicos e que defina suas atribuições.
b) constitucional, uma vez que cabe ao Poder Executivo dispor sobre as matérias que
a Lei delegou à disciplina por Decreto, sendo esse o instrumento normativo adequado
para instituir regulamentos para a fiel execução das leis.
c) inconstitucional apenas no que toca à autorização para que Decreto crie cargos
públicos, uma vez que as demais matérias se inserem no âmbito da competência
constitucional do Governador para discipliná-las mediante Decreto.
d) inconstitucional no que toca à autorização para que Decreto crie e extinga órgãos,
bem como para que crie cargos públicos, embora possa a Lei delegar ao Governador a
fixação das atribuições de cargos públicos por Decreto.
e) inconstitucional apenas no que toca à autorização para que Decreto crie cargos
públicos, bem como para que defina suas atribuições, podendo delegar ao Governador
a disciplina das demais matérias por Decreto.

Q.19. Ano: 2018Banca: CESPEÓrgão: STMProva: Analista Judiciário - Área


Judiciária
Com relação à organização dos poderes e às funções essenciais à justiça, julgue o
item a seguir.
Situação hipotética: Por iniciativa de deputado federal, tramitou e foi aprovado, no
Congresso Nacional, projeto de lei que trata de regime jurídico dos militares das

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Forças Armadas. Assertiva: Nessa situação, o projeto deverá ser vetado pelo
presidente da República, porque existe vício de constitucionalidade formal.
( )Certo ( )Errado

Q.20. Ano: 2018Banca: FGVÓrgão: Câmara de Salvador - BAProva: Analista


Legislativo Municipal - Área Legislativa
O Presidente da República apresentou projeto de lei ordinária cuja discussão se iniciou
no Senado Federal, que o aprovou, seguindo para a Câmara dos Deputados. Com a
aprovação nesta última Casa, a Mesa do Congresso Nacional promulgou a Lei X. Um
grupo de Deputados de oposição divulgou nota afirmando que o processo legislativo
descumpriu a disciplina traçada na Constituição da República de 1988.
À luz da sistemática constitucional, o grupo de Deputados está correto, já que o
projeto apresenta o(s) seguinte(s) vício(s):
a) o Presidente da República não tem legitimidade para apresentar projetos de lei
ordinária fora do regime de urgência constitucional;
b) a discussão do projeto de lei ordinária deveria ter sido iniciada na Câmara dos
Deputados, não no Senado Federal, que seria a Casa Revisora;
c) o Presidente da República não poderia apresentar o projeto e a análise deveria ser
realizada em sessão conjunta das Casas Legislativas;
d) após aprovação do projeto pelas Casas Legislativas, ele deveria ser encaminhado
ao Presidente da República, não à Mesa do Congresso Nacional;
e) a discussão deveria ser iniciada na Câmara e o projeto encaminhado ao Presidente
da República, não à Mesa do Congresso.

Q.21. Ano: 2018Banca: CONSULPLANÓrgão: Câmara de Belo Horizonte -


MGProva: Redator
Preservando-se o conteúdo normativo original dos dispositivos consolidados, poderão
ser feitas alterações nos projetos de lei de consolidação. São alterações possíveis,
EXCETO:
a) Introdução de novas divisões do texto legal base.
b) Criação de órgãos e entidades da administração pública.
c) Diferente colocação e numeração dos artigos consolidados.
d) Atualização de termos antiquados e modos de escrita ultrapassados.

Q.22. Ano: 2018Banca: CONSULPLANÓrgão: Câmara de Belo Horizonte -


MGProva: Coordenador do Processo Legislativo
O processo legislativo guarda relação com o processo judicial, em especial, no que se

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refere a princípios aplicáveis a ambos, do qual é exemplo:


a) Imparcialidade.
b) Devido processo legal.
c) Duplo grau de jurisdição.
d) Ampla defesa e contraditório.

Q.23. Ano: 2018Banca: FAUELÓrgão: Prefeitura de Paranavaí - PRProva:


Procurador do Município
No que diz respeito ao processo legislativo, de acordo com a Constituição da República
e o entendimento do Supremo Tribunal Federal, assinale a alternativa correta:
a) Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados de
sua publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma das
Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação,
apenas as votações de projetos de leis ordinárias que versem sobre temas que
possam ser tratados por medida provisória.
b) A Constituição da República veda, expressamente, a prática de emenda
parlamentar à projeto de conversão de medida provisória em lei, na hipótese de
inexistência de pertinência temática.
c) A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República,
do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início no Senado
Federal.
d) A sanção do projeto de lei convalida o vício de inconstitucionalidade resultante da
usurpação do poder de iniciativa, de modo que a ulterior aquiescência do chefe do
Poder Executivo, mediante sanção do projeto de lei tem o condão de sanar o vício da
inconstitucionalidade.
e) A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados
de projeto de lei subscrito por, no mínimo, cinco por cento do eleitorado nacional,
distribuído pelo menos por sete Estados, com não menos de três décimos por cento
dos eleitores de cada um deles.

Q.24. Ano: 2018Banca: SELECONÓrgão: Prefeitura de Cuiabá - MTProva:


Bacharel em Direito
Diversos temas relevantes da pauta política do Congresso Nacional exigem a votação
de Emenda à Constituição. Nos termos da Constituição Federal, a proposta de Emenda
Constitucional será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois
turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos:
a) maioria simples dos votos dos respectivos membros
b) maioria absoluta dos votos dos respectivos membros
c) dois terços dos votos dos respectivos membros

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d) três quintos dos votos dos respectivos membros.

Q.25. Ano: 2017Banca: FCCÓrgão: TRT - 21ª Região (RN)Prova: Analista


Judiciário - Área Judiciária
Entendendo tratar-se de hipótese que se mostra relevante e urgente, o Presidente da
República editou medida provisória disciplinando a compra e venda de imóveis no
Brasil, por meio da qual impôs uma série de requisitos e formalidades a serem
observados na realização de negócios jurídicos dessa natureza. No prazo de 60 dias, a
medida provisória não foi apreciada pelo Congresso Nacional, razão pela qual o seu
período de vigência foi prorrogado por mais 60 dias. Ao término do novo prazo,
porém, o Congresso Nacional não a converteu em lei. As relações jurídicas decorrentes
da referida medida provisória, constituídas durante o seu período de vigência,
a) deverão ser disciplinadas por decreto legislativo do Congresso Nacional em até 60
dias da perda da eficácia da medida provisória, conservando-se por ela regidas caso
não editado o decreto legislativo dentro desse prazo.
b) passarão a ser regidas pela legislação que anteriormente disciplinava a matéria,
uma vez que as medidas provisórias que não forem convertidas em lei no prazo de 60
dias, prorrogável uma vez por igual período, perderão eficácia desde a sua edição.
c) deverão ser disciplinadas por resolução da Câmara dos Deputados, em até 45 dias
da perda da eficácia da medida provisória, passando a ser regidas pela legislação
anteriormente vigente caso não observado esse prazo.
d) permanecerão regidas pela medida provisória, não obstante tenha esta perdido sua
eficácia por decurso do prazo, em virtude das garantias fundamentais do respeito ao
direito adquirido e ao ato jurídico perfeito.
e) deverão ser anuladas, uma vez que a medida provisória não convertida em lei
dentro do prazo previsto na Constituição perde sua eficácia desde a sua edição, o que
fará com que as relações jurídicas constituídas durante sua vigência venham a perder
o seu fundamento de validade.

Q.26. Ano: 2017Banca: VUNESPÓrgão: Prefeitura de Marília - SPProva:


Procurador Jurídico
O Prefeito Municipal enviou projeto de lei à Câmara de Vereadores, dispondo sobre a
concessão de determinado benefício aos servidores municipais. Os Vereadores, porém,
apresentaram emenda ao projeto estendendo o benefício aos servidores aposentados.
O projeto foi aprovado, com a inclusão da emenda parlamentar, sendo enviado ao
Prefeito que o sancionou integralmente. A lei foi promulgada e publicada.
Nessa hipótese, é correto afirmar que
a) a lei é constitucional, uma vez que não houve qualquer vício formal no respectivo
processo legislativo.
b) houve um vício formal quando foi aprovada a emenda parlamentar, que não
poderia acarretar despesa ao projeto original.

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c) a inconstitucionalidade formal que existia restou convalidada quando o Prefeito


decidiu sancionar integralmente o projeto.
d) ocorreu um vício formal, mas ele não tem o condão de tornar nula a lei porque o
conteúdo aprovado atendeu a um direito constitucional dos servidores aposentados.
e) os parlamentares exerceram seu legítimo direito de propor emendas aos projetos
de lei que são enviados à Casa, que não pode ser tolhido.

Q.27. Ano: 2017Banca: IBADEÓrgão: IPERON - ROProva: Analista em


Previdência - Assistente Social
Nos termos do art. 62 da Constituição da República Federativa do Brasil:
a) as medidas provisórias perderão a eficácia e não forem convertidas em lei no prazo
de 30 dias, prorrogável por igual período uma única vez.
b) as medidas provisórias poderão ser adotadas em caso de relevância e urgência
naquelas matérias não vedadas pela Constituição da República Federativa do Brasil,
ou, em hipóteses específicas, mediante autorização prévia do Congresso Nacional.
c) a medida provisória será convertida em lei depois de deliberação e aprovação pela
Câmara dos Deputados, sem a necessidade de tramitação no Senado Federal.
d) é vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria relativa a partidos políticos
e reservada a lei complementar, entre outras hipóteses.
e) a medida provisória pode ser reeditada na mesma sessão legislativa, ainda que
rejeitada ou destituída de eficácia pelo decurso do tempo.

Q.28. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: TRE-TOProva: Analista Judiciário - Área


Administrativa
As medidas provisórias podem versar sobre matéria
a) que vise à detenção de bens e de poupança popular.
b) que implique a majoração de imposto.
c) relativa a direitos políticos e a partidos políticos.
d) reservada a lei complementar.
e) relativa a direito eleitoral.

Q.29. Ano: 2017Banca: CESPEÓrgão: TRE-TOProva: Analista Judiciário - Área


Administrativa
A Constituição Federal poderá ser alterada por meio de proposta de emenda
constitucional apresentada
a) por três quintos dos membros do Senado Federal, no mínimo.

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b) por um terço dos membros da Câmara dos Deputados, no mínimo.


c) pela maioria absoluta dos membros do plenário do Supremo Tribunal Federal.
d) por metade das assembleias legislativas dos estados, manifestando-se, cada uma
delas, pela maioria absoluta de seus membros.
e) por três quintos dos membros da Câmara dos Deputados, no mínimo.

Q.30. Ano: 2017Banca: FCCÓrgão: TRF - 5ª REGIÃOProva: Analista Judiciário


- Área Judiciária
Projeto de lei de iniciativa de Deputado Federal, tendo por objeto o estabelecimento
de hipótese de prisão civil do depositário infiel de bens penhorados em juízo, é
aprovado pela maioria absoluta dos membros da Câmara dos Deputados e, na
sequência, sem alterações, pelo Senado Federal, por maioria simples dos presentes,
em sessão de votação a que compareceram 60 dos 81 de seus membros. O projeto é,
assim, encaminhado à sanção presidencial. Nessa hipótese, consideradas as normas
constitucionais pertinentes e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, referido
projeto de lei
a) padece de vício de inconstitucionalidade formal, por versar sobre matéria de
iniciativa privativa do Presidente da República, vício esse que não se convalida, ainda
que haja posterior sanção presidencial.
b) padece de vício de inconstitucionalidade formal, por inobservância do quórum de
aprovação nas Casas legislativas, devendo ser vetado pelo Presidente da República,
por motivo de inconstitucionalidade, no prazo de 15 dias úteis contados de seu
recebimento.
c) padece de vício de inconstitucionalidade material, por ofensa a garantia de direito
fundamental assegurada em tratado internacional com status de norma constitucional,
devendo ser vetado pelo Presidente da República, por motivo de inconstitucionalidade,
no prazo de 15 dias úteis contados de seu recebimento.
d) contraria teor de súmula vinculante, sendo passível de impugnação mediante
reclamação perante o Supremo Tribunal Federal.
e) não apresenta vício formal no processo legislativo, ainda que venha a ser
sancionado expressa ou tacitamente pelo Presidente da República, embora, no mérito,
estabeleça hipótese de prisão ilícita, por contrariedade a norma de tratado
internacional em matéria de direitos fundamentais.

GABARITO
1 D 2 A
3 E 4 C

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5 B 6 B
7 A 8 C
9 D 10 E
11 C 12 E
13 D 14 E
15 D 16 A
17 E 18 A
19 CERTO 20 E
21 B 22 B
23 A 24 D
25 A 26 B
27 D 28 B
29 B 30 E

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