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Patologias em Oncologia

Brasília-DF.
Elaboração

Anna Maly de Leão e Neves Eduardo

Produção

Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração


Sumário

Apresentação.................................................................................................................................. 4

Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa..................................................................... 5

Introdução.................................................................................................................................... 7

Unidade I
ETIOLOGIA DO CÂNCER........................................................................................................................ 9

Capítulo 1
Definições importantes........................................................................................................ 9

Capítulo 2
Epidemiologia...................................................................................................................... 13

Capítulo 3
Neoplasias............................................................................................................................ 20

Unidade iI
Classificação.................................................................................................................................. 24

Capítulo 1
Os principais tipos de câncer............................................................................................ 24

Capítulo 2
Ações para o controle do câncer................................................................................ 28

Capítulo 3
Diagnóstico........................................................................................................................ 42

Unidade iII
Crescimento Tumoral..................................................................................................................... 49

Capítulo 1
Invasão................................................................................................................................. 49

Capítulo 2
Tratamento........................................................................................................................... 57

Capítulo 3
Modelos de atenção oncológica................................................................................. 66

Referências................................................................................................................................... 84
Apresentação

Caro aluno

A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se


entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade.
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da
Educação a Distância – EaD.

Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade


dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos
específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém
ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a
evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.

Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo


a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.

Conselho Editorial

4
Organização do Caderno
de Estudos e Pesquisa

Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em


capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para
aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.

A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos
Cadernos de Estudos e Pesquisa.

Provocação

Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor
conteudista.

Para refletir

Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.

Sugestão de estudo complementar

Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,


discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.

Atenção

Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a


síntese/conclusão do assunto abordado.

5
Saiba mais

Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões


sobre o assunto abordado.

Sintetizando

Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o


entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Para (não) finalizar

Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem


ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.

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Introdução
Em uma conferência da ONU (Organizações das Nações Unidas), os principais
chefes de estado mundial estavam presentes para discutir sobre como diminuir
o efeito das doenças crônicas não transmissíveis sobre a saúde da população. As
doenças em destaque foram: diabetes, a obesidade, as doenças cardiovasculares e
as doenças respiratórias crônicas. Destacaram-se nesse encontro uma das mais
assustadoras e bem conhecidas patologias de toda a humanidade: o câncer. A grande
preocupação com essa escolha é muito justificada pelos dados que ela apresenta:
segundo um respeitado grupo de estudos, a União Internacional para o Controle do
Câncer (UICC), apenas no ano de 2012, em todo o mundo, 7 milhões de pessoas serão
diagnosticadas com algum tipo de câncer, sendo que dessas, em torno de 500 mil são
de brasileiros.

Essa doença é capaz de atingir todas as pessoas, de todas as nacionalidades, em idades


diferentes, de todas as raças e também de todas as classes sociais. Esse fato a tornou
popular, sem comparação como nenhuma outra ao longo dos séculos XX e XXI. Quando
alguém pensa em câncer e nessa palavra, no imaginário das pessoas automaticamente
aparece uma enormidade de imagens, uma mistura de ideias e de sentimentos ruins,
que passam pelas etapas do tratamento, bem como pelas causas da doença e também
as suas várias formas de controle e de prevenção.

O elevado aumento nos casos dessa doença leva os estudiosos a acreditar que antigamente
ela se manifestava de uma forma muito diferente. Contudo, o câncer tem uma relação
contraditória com a qualidade de vida e os avanços da vida moderna: as pessoas no
passado não viviam por um tempo suficiente para que o câncer se manifestasse de uma
maneira significativa em todas as populações. A relação do câncer com o tempo de vida
e a longevidade é totalmente direta. Quanto mais tempo vivemos, maiores serão as
chances e os riscos do aparecimento da doença.

O câncer é a segunda causa de morte no Brasil, sendo considerado um sério problema de


saúde pública. Pode ser definido como um conjunto que abrange mais de 100 doenças e
que apresenta em comum o fato de apresentar um crescimento desordenado e também
maligno das células que se multiplicam e invadem os tecidos e órgãos, com uma grande
capacidade de espalhar-se por outras regiões do corpo, processo chamado de metástases.
Essas células tem a tendência de serem muito agressivas, e tem a capacidade de se
dividirem muito rapidamente e de uma forma incontrolável, determinando assim as
formações dos tumores.

7
Objetivos
»» Favorecer a formação crítica e criativa do aluno pós-graduando,
destacando seu papel profissional como farmacêutico clínico oncológico.

»» Desenvolver atividades de pesquisa, apresentando autonomia intelectual


e espírito investigativo.

»» Exercitar todas as normas científicas e oficiais na elaboração dos trabalhos


acadêmicos tais como: os projetos de pesquisa, os artigos acadêmicos, as
monografias, dentre outros.

»» Analisar os fundamentos da oncologia refletindo sobre os contextos social,


histórico, econômico e cultural que os consolidaram, relacionando-os às
novas necessidades educacionais.

»» Aprofundar todos os conhecimentos científicos e também profissionais


sobre a área da farmácia clínica oncológica a partir das diversas
concepções e atuações, reconhecendo, assim, as suas implicações teóricas
e metodológicas para a área hospitalar e clínica.

»» Ampliar toda a compreensão de concepções acerca dos fármacos


utilizados para os tratamentos oncológicos e também refletir sobre todas
as respectivas implicações para o exercício legal da farmácia clínica e
oncológica.

»» Promover a formação de profissionais que atuam ou desejam atuar na área


da Farmácia Clínica Oncológica, em nível de especialização, de acordo
com as tendências atuais do mercado, a fim de capacitá-los e qualificá-
los teórica e praticamente como profissionais de alta performance e
consultores na área do conhecimento mencionada.

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ETIOLOGIA DO CÂNCER Unidade I

Capítulo 1
Definições importantes

Origem
O câncer é definido como um tumor maligno, mas não é uma doença única e sim um
conjunto de mais de 200 patologias, caracterizado pelo crescimento descontrolado de
células anormais (malignas) e com isso ocorre à invasão de órgãos e tecidos adjacentes
envolvidos, dando origem a tumores conhecida como metástase.

A área da ciência que se dedica aos estudos câncer é conhecida como Oncologia.
O profissional médico especialista no câncer é o oncologista, ele faz o diagnóstico e
trata os pacientes oncológicos. Um câncer não tratado pode se agravar, causar outras
doenças e até a morte do paciente. Como o nosso corpo é formado por milhões de
células, essas células sadias seguem o seguinte caminho: crescem, se multiplicam
e se dividem e então morrem de uma maneira muito ordenada e sequencial.
Nos primeiros anos de vida, todos os seres humanos possuem as células normais que
se dividem de uma maneira bem mais rápida, para que possamos nos desenvolver de
modo adequado. Então, já na fase adulta, ocorre uma renovação celular constante,
com uma divisão celular mais intensa, com o objetivo de substituir as células
velhas e desgastadas e as células que morrem com o intuito de reparar possíveis danos
ao organismo.

Estudos realizados no Brasil, enquadram o câncer na lista das doenças que são
consideradas um problema de saúde pública, o que acarreta maior atenção dos órgãos
públicos. Com o fato de a expectativa de vida do brasileiro ter aumentado muito, além
do avanço na área industrial e da globalização, os dados sobre os acometidos por
neoplasias ganharam uma enorme atenção e importância, pois nos dados sobre o perfil
de mortalidade do Brasil, o câncer ocupa o segundo lugar nas causas de óbitos.

9
UNIDADE I │ ETIOLOGIA DO CÂNCER

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS – 2013), o câncer foi


responsável por 7,6 milhões de mortes, de um total de 58 milhões em todo o mundo,
o que representa 13% de todas as mortes. Os tipos de câncer com maior mortalidade
foram: câncer de pulmão (1,3 milhões), câncer de estômago (cerca de 1 milhão), câncer
de fígado (662 mil), câncer colorretal (655 mil) e câncer de mama (502 mil). Do número
total de mortes por câncer ocorridos em 2005, mais de 70% ocorreram em países de
média ou baixa renda.

A crescente curiosidade a respeito da expectativa de vida em todo o mundo tem sido


associada a diversos fatores, como a ausência de uma boa qualidade de vida e o aumento
assustador da prevalência e da incidência das doenças crônicas não transmissíveis,
como o câncer.

O câncer é um importante problema de saúde pública, especialmente entre os países


em desenvolvimento. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas
próximas décadas teremos um impacto do câncer sobre a população que corresponderá
a 80% dentro dos mais de 20 milhões de novos casos que devem ser diagnosticados
até 2025.

O câncer é a segunda causa de morte no Brasil, sendo considerado um sério problema de


saúde pública. De acordo com Almeida (2004) ele pode ser definido como um conjunto
de mais de 100 doenças que tem em comum o crescimento desordenado e maligno de
células que invadem os tecidos e órgãos, com a capacidade de se espalhar por outras
regiões do corpo.

Origem e evolução da doença


Existe um registro oficial de um tumor considerado o mais antigo no ser humano com
data de 4.000 anos a.C., mas não existe um primeiro registro que fale especificamente
sobre a doença. Sabemos que nos tempos antigos, os egípcios, os persas e os indianos,
séculos antes de Cristo, já mencionavam os tumores malignos. Na Grécia antiga,
Hipócrates, o “pai da medicina”, definiu pela primeira vez uma determinada doença
como sendo um tumor duro. Esse tumor, muitas vezes, reaparecia depois de retirado.
Até o século XVI, todos os conhecimentos da medicina acreditavam que essa doença se
tratava de um desequilíbrio dos fluídos corporais ou ainda um desequilíbrio do sistema
linfático do corpo humano.

Então, no século XVIII, o câncer passou a ser estudado e considerado de uma forma
diferente. Um médico patologista italiano caracterizou o câncer como sendo uma
unidade específica, que se localizava em uma parte do corpo e outra pesquisadora

10
ETIOLOGIA DO CÂNCER │ UNIDADE I

concluiu que os órgãos do corpo humano se localizavam em diferentes tecidos que eram
afetados por diversos tipos de câncer. Nessa época, foi identificado ainda um primeiro
caso de metástase com origem na corrente sanguínea ou região linfática.

Em 1860, o câncer ganhou uma nova alternativa de tratamento por meio da cirurgia,
permitindo assim maior expectativa de cura aos pacientes. No final do século XIX,
com o aumento do interesse da classe médica pela área oncológica e pelas cirurgias, foi
realizada uma remoção de tumor no estômago no ano de 1881.

Inúmeros centros especializados foram criados em países pelo mundo. Citamos aqui:
o German Central Committe for Câncer Research na Alemanha (1900), e o Instituto
Radium de Paris (1919). Desde então, vários países criaram associações de saúde e
institutos específicos para o câncer, e no Brasil surgiu o INCA (Instituto Nacional do
Câncer) no ano de 1948.

A quimioterapia surgiu após o término da Primeira Guerra e o início da Segunda Guerra


Mundial. O gás mostarda, utilizado por muito tempo como uma arma química nos
combates, é uma substância muito tóxico. Notou-se que o gás causava a diminuição de
leucócitos no sistema linfático e também na medula óssea – abrindo os caminhos para
o combate das leucemias.

Uma descoberta feita pelos médicos James Holland, Emil Freireich e Emil Frei, no ano
de 1965, transformaria todas as formas do tratamento quimioterápico. Eles utilizaram
o modelo do tratamento da tuberculose com antibióticos e assim criaram o método
inovador que dificultava a metástase e também a volta e recorrência dos tumores.

O câncer é a designação dada para uma série de doenças, superior a uma centena,
que apresenta em comum entre elas: um crescimento descontrolado das células, que
possuem a capacidade de invadir todos os tecidos e também os órgãos vizinhos.

O crescimento das células tumorais pode ser inibido por medicamentos antineoplásicos,
porém, eles não são específicos para essas células, podendo agir também em células
sadias do organismo. Assim, muitos fármacos possuem uma janela terapêutica estreita
(dose usual próxima da dose tóxica) e muitos também podem ser considerados
carcinógenos. As principais reações adversas dessa classe de medicamentos estão
relacionadas à supressão da medula óssea, náuseas, vômitos e alopecia, toxicidade renal,
cardiotoxicidade, toxicidade pulmonar, neurotoxicidade, lesão gonadal e esterilidade.

A construção e implementação da atenção farmacêutica oncológica consolidada


demandará tempo, devido às grandes dificuldades encontradas no sistema de saúde
atual, mas essas deverão acontecer com a participação de pequenos grupos de
profissionais na elaboração de condutas e práticas ativas, com a demonstração de sua

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UNIDADE I │ ETIOLOGIA DO CÂNCER

importância e efetividade na melhora da terapia oncológica, de modo a conceituar o


farmacêutico como provedor de saúde.

O farmacêutico como profissional de saúde, deve estar presente em cada etapa do processo
de acompanhamento do paciente oncológico. Desde o diagnóstico laboratorial, na área
de análises clínicas, até o tratamento oncológico. O seguimento farmacoterapêutico
do paciente com câncer é de fundamental importância para garantir conforto, adesão
terapêutica e sucesso nessa jornada tão árdua que é todo o tratamento oncológico.

Os profissionais farmacêuticos devem ser capacitados para acompanhar de perto esse


grupo tão grande de pacientes. O suporte dado pelo farmacêutico irá acalentar um pouco
as angústias e medos que cercam toda a família do paciente acometido pelo câncer.

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Capítulo 2
Epidemiologia

Incidência de câncer no Brasil


Para o Brasil, estima-se para o biênio 2016-2017, uma ocorrência assustadora de cerca
de 600 mil novos casos de câncer. Sendo esperados os seguintes tipos mais frequentes
em homens: o câncer de próstata (28,6%), o câncer de pulmão (8,1%), o câncer de
intestino (7,8%), o câncer de estômago (6,0%) e o câncer da cavidade oral (5,2%). Nas
mulheres, os cânceres de mama (28,1%), o câncer de intestino (8,6%), o câncer de colo
do útero (7,9%), o câncer de pulmão (5,3%) e o câncer de estômago (3,7%) estarão entre
os principais.

O tratamento escolhido para o combate do câncer irá depender de inúmeros fatores,


como estadiamento do tumor, idade do paciente, localização do tumor, e tipo de células
cancerosas. Em grande parte dos tratamentos, há a associação de tratamento para o
combate do câncer, distribuindo-se em modalidades como: cirurgia, radioterapia,
quimioterapia, bioterapia, agentes endócrinos e transplante de medula óssea.

O tratamento quimioterápico é um dos tratamentos de preferência para se obter


a cura do câncer, bem como o controle e os cuidados paliativos. A quimioterapia,
envolve o uso de substâncias citotóxicas, administradas principalmente por via
sistêmica (endovenosa). Os principais efeitos colaterais são: uma possível supressão
da medula óssea, uma imunossupressão, presença de náuseas e vômitos após o ciclo do
tratamento. Ainda pode gerar uma alopecia, uma toxicidade renal, toxicidade cardíaca,
uma toxicidade pulmonar, uma neurotoxicidade e também uma lesão gonadal e até
gerar uma esterilidade.

Dentre os vários efeitos clínicos do tratamento quimioterápico destacam-se a elevada


indução de náuseas e dos vômitos, uma lesão do esôfago, fraturas múltiplas, desnutrição,
um desequilíbrio hidroeletrolítico e ácido-básico nos pacientes, motivos pelos quais
os pacientes abandonam os ciclos quimioterápicos, diminuindo de maneira acentuada
a sua qualidade de vida e comprometendo gravemente toda a eficácia do tratamento
medicamentoso.

No Brasil, têm ocorrido diversas mudanças tanto nas causas de mortalidade como as causas
de morbidade. Devido à ocorrência de outras transformações, como as demográficas, as
transformações sociais e as transformações econômicas. Esse acontecimento é conhecido

13
UNIDADE I │ ETIOLOGIA DO CÂNCER

como uma transição epidemiológica ou ainda como uma mudança do perfil epidemiológico
da população. Todo esse processo abrange três mudanças principais:

»» Um aumento extremo da morbimortalidade causada pelas doenças e


pelos agravos não transmissíveis e ainda pelas causas externas.

»» Por um deslocamento da morbimortalidade dos grupos mais jovens para


os mais idosos.

»» Da mudança de uma situação na qual predominava a mortalidade, para


uma outra situação onde a morbidade domina, gerando um grande
impacto para todo o sistema de saúde. O câncer é responsável pela
mudança do perfil de doenças da população brasileira.

São múltiplos os fatores que explicam a presença do câncer nessa mudança do perfil de
acometimento da população brasileira. Podemos citar então:

»» Uma exposição bem maior aos agentes cancerígenos, devido aos


atuais hábitos de vida praticados em relação ao trabalho, durante
a alimentação e no consumo vão expor todas as pessoas aos fatores
ambientais (aos agentes químicos, físicos e os biológicos) resultantes
dessa mudança no modo de vida das pessoas. Devemos citar também
o processo de industrialização, que fez as pessoas comerem mais
alimentos industrializados.

»» O aumento da expectativa de vida das pessoas bem como o envelhecimento


da estão relacionados com:

›› Uma redução no tamanho das famílias, com um número menor de


filhos (nascidos vivos) por mulher na idade reprodutiva.

›› Houve uma melhoria nas condições econômicas e também nas sociais,


que refletiu também na melhora do saneamento nas cidades.

›› A modernização da medicina e o uso rotineiro de antibióticos e vacinas.

›› O aprimoramento dos métodos para fazer diagnóstico do câncer.

›› Um crescente aumento do número de óbitos causados pelo câncer.

›› A melhora da qualidade e do registro das informações. Registra-se um


claro aumento da incidência dos casos de câncer que se associam a um
melhor nível socioeconômico: câncer de mama, câncer de próstata e
câncer de e reto.

14
ETIOLOGIA DO CÂNCER │ UNIDADE I

›› São observadas ao mesmo tempo taxas elevadas de incidência de


tumores: tumores normalmente associados com as condições sociais
menos favorecidas, câncer de colo do útero, câncer de estômago,
câncer de cabeça e câncer de pescoço.

A estimativa de casos novos de câncer é analisada sob os aspectos:

»» Através da localização primária do tumor e por sexo: os tipos de câncer


(exceto pele não melanoma), separado pela localização primária e pelo
gênero, para os anos de 2010/2011, no Brasil:

›› Homens: câncer de próstata, câncer de pulmão e câncer de estômago.

›› Mulheres: câncer de mama, câncer de colo do útero e câncer de cólon


e reto.

»» Por região geográfica: todas as estimativas de câncer (Tabela 1) são de


grande importância. Com base nestes dados as são tomadas ações para
fazer o controle dos tipos de câncer. As ações devem ser planejadas e
os serviços de saúde e os profissionais de saúde irão se preparar para
atender à população das maneiras que ela precisar.

Tabela 1. Número total de casos novos de câncer (exceto pele não melanoma) por regiões do Brasil, 2010/2011.

Região Estimativa de novos casos


Sudeste 202.340
Sul 77.880
Nordeste 57.890
Centro-oeste 22.510
Norte 14.800
Brasil 375.420
Fonte: INCA, 2009.

Durante o ano de 2008, com as informações de mortalidade (Tabela 2), segundo o


grupo de causas (CID 10), as neoplasias (tumores) são responsáveis pela segunda causa
das mortes na população (exceto as “demais causas definidas”), representando mais de
14,6% do total de óbitos no país.

Tabela 2. Mortalidade proporcional (%), segundo grupos de causas, 2008.

Grupo de causas Total


Doença do aparelho circulatório 29.51%
Neoplasias (tumores) 15.57%
Causas externas de morbidade e de mortalidade 12.62%

15
UNIDADE I │ ETIOLOGIA DO CÂNCER

Grupo de causas Total


Doenças do aparelho circulatório 9.75%
Doenças endócrinas, metabólicas e nutricionais 6.00%
Doenças do aparelho digestivo 5.13%
Algumas doenças infecciosas e parasitárias 4.39%
Algumas afecções originadas no período perinatal 2.42%
Demais causas definidas 14.61%
Total 100%

Fonte: SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade).

Análise da mortalidade segundo diferentes


aspectos
A mortalidade no Brasil por câncer pode ser observada por diferentes aspectos, dentre
eles: analisar a mortalidade de acordo com a localização primária do tumor e analisar a
mortalidade por faixa etária e do sexo.

»» Na análise da mortalidade de acordo com a localização primária de um


tumor, o câncer pode acometer diferentes órgãos do corpo. O local do
órgão onde é diagnosticado o tumor será reconhecido pela localização
primária da doença, como mostra a tabela 3.

›› Os cânceres de pulmão, de estômago, de próstata, de cólon e reto e


de mama estão entre as cinco maiores causas da mortalidade dessa
doença na população brasileira.

›› As principais causas de óbito por câncer nos homens, no ano de 2008


foram: em 1o lugar o câncer de traqueia, brônquios e pulmões, seguido
por câncer de próstata e câncer de estômago.

›› As três maiores causas do óbito pelo câncer nas mulheres, no ano de


2008, foram: em 1o lugar o câncer de mama, câncer de traqueia, câncer
de brônquios e pulmões e câncer de cólon e reto.

»» A mortalidade pela faixa etária e pelo sexo. Permite conhecer toda a


distribuição percentual dos óbitos pelo câncer em cada faixa etária, através
do sexo, na população residente em cada região, no ano considerado. Os
números se encontram na (Tabela 4):

›› O número menor de óbitos entre a faixa etária de 0 a 19 anos está


relacionado com uma baixa ocorrência do câncer nas crianças e nos
16
ETIOLOGIA DO CÂNCER │ UNIDADE I

adolescentes quando comparado ao número de casos da doença entre


os adultos e idosos.

›› A mudança da concentração de óbitos para faixas etárias reflete a


redução da mortalidade em idades jovens, sobretudo adultos jovens e
o aumento da expectativa de vida da população. Esses indicadores são
importantes para:

·· identificar as necessidades de mais estudos referentes às causas da


morte pela idade e sexo;

·· os processos de planejamento, da gestão e da avaliação das políticas


de saúde destinadas aos grupos etários específicos.

Tabela 3. As dez principais causas de morte por câncer.

Homens Mulheres
Traqueia, brônquios e pulmões 15,3% Mama 16%
Próstata 14,1% Traqueia, brônquios e pulmões 10%
Estômago 9,7% Cólon e reto 8,6%
Colón e reto 6,8% Colo do útero 6,6%
Esôfago 6,5% Estômago 6,1%
Fígado e vias biliares intra-hepáticas 4,6% Pâncreas 4,6%
Cavidade oral 4,2% SNC 4,5%
SNC 4,2% Fígado e vias biliares intra-hepáticas 4,2%
Pâncreas 3,9% Localização primária desconhecida 4,0%
Laringe 3,7% Ovário 3,9%
Outras 27% Outras 31,3%

Total 85,988 Total 73,775

Fonte: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/abc_do_cancer.pdf>.

Tabela 4. Número total de óbitos por câncer, distribuído por faixa etária e gênero no Brasil, em 2007.

Homens Mulheres
Faixa etária
Número de óbitos
00 a 04 388 357
05 a 09 392 281
10 a 14 383 304
15 a 19 535 371
20 a 29 1.354 1.322
30 a 39 2.290 3.535
40 a 49 7.176 8.851
50 a 59 16.074 14.204

17
UNIDADE I │ ETIOLOGIA DO CÂNCER

Homens Mulheres
Faixa etária
Número de óbitos
60 a 69 22.125 16.956
70 a 79 23.412 17.333
80 ou mais 16.018 13.957
Idade ignorada 29 19

Total 90.176 77.490

Fonte: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/abc_do_cancer.pdf>.

Para se implantar uma política pública eficiente capaz de solucionar os problemas de


saúde, é extremamente necessário que se tenha uma base confiável de informações para
nortear as tomadas de decisão. Tais informações devem ser precisas e atualizadas com
frequência. Elas serão um ponto de partida para que se faça a identificação de todos
os determinantes do processo saúde-doença, bem como das desigualdades existentes
na saúde e também do impacto dessas ações e da implementação de programas para
reduzir a carga de doença na população. É com esse foco que atuará a área de Vigilância
em Saúde Pública, acompanhando de perto e de maneira sistemática os eventos adversos
que ocorrerem na saúde dentro da comunidade, com o objetivo de não só implementar,
mas também aprimorar medidas de controle.

Os números sobre a doença são monitorados e acompanhados pelos Registros de Câncer


de Base Populacional (RCBPs). Nos Registros Hospitalares de Câncer (RHCs) é onde
todas as internações e intervenções realizadas são acompanhadas. Todos esses registros
permitem aos profissionais da saúde reconhecerem todos os novos casos e realizarem
as estimativas sobre incidência do câncer, pois esses dados serão fundamentais para
um melhor planejamento das ações de saúde locais para o controle do câncer, com
base na situação de cada região. Existem hoje no Brasil, mais de 20 cidades que já que
possuem RCBPs e que realizam a coleta dos dados de uma determinada população (que
possuem diagnóstico de câncer) dentro de uma área geográfica delimitada. Os RHCs
são implantados nos próprios hospitais e também funcionam como centros de coleta de
dados, de processamento, da análise e da divulgação das informações sobre a doença,
de uma forma padronizada, sistemática e de forma contínua.

Determinada situação de saúde que é capaz de levar um número grande de pessoas a


adoecer e chegar a morrer deve ser conhecida e combatida por todos os profissionais
que trabalham na área da saúde.

»» Todos os registros das informações e notificações são necessários para


uma melhor compreensão sobre as doenças e os seus determinantes. Na
formulação das políticas de saúde. Todo o esforço para a manutenção

18
ETIOLOGIA DO CÂNCER │ UNIDADE I

de uma base de dados atualizada deverá ser feito em todos os níveis de


atendimento em saúde.

»» O profissional de saúde deve manter-se sempre atualizado sobre todo o


perfil de adoecimento da população, das suas condições de saúde e dos
cuidados que serão disponibilizados, consultando com frequência os
cadernos de informações de saúde do Ministério da Saúde.

»» No momento em que o governo entende que uma determinada doença


representa um sério problema de saúde, e que ela afetará uma grande
parcela da população, serão desenvolvidos Programas de Saúde e Planos
de Ação que objetivarão preveni-la, fazer os diagnósticos e também tratar
e cuidar das pessoas que adoecem. Mas, é evidente que nenhum plano,
programa ou ainda um serviço de saúde, por melhor que ele seja esboçado
e organizado, não conseguirá atingir todos os seus objetivos e metas, isto
só acontecerá se os profissionais de saúde realizarem os seus papéis no
seu âmbito de atuação e colocarem em prática as suas atribuições.

»» Diante da gravidade e das ocorrências elevadas do câncer como problema


de saúde, todos os profissionais de saúde, em maior ou menor grau, serão
responsáveis pelo sucesso das terapias e demais ações para o controle da
doença, aí se inclui o papel do farmacêutico.

19
Capítulo 3
Neoplasias

Câncer e crescimento celular


Todas as células normais que são capazes de formar os tecidos do corpo humano serão
aptas a se multiplicar por meio de um processo contínuo e natural. As células normais
crescem, multiplicam-se e morrem de maneira coordenada. Mas as células normais não
são todas iguais: algumas jamais se dividem, como os neurônios; as células de todo o
tecido epitelial por exemplo se dividem de uma forma rápida e muito contínua. Uma
proliferação de células não significa uma presença de malignidade, mas uma resposta
às necessidades do corpo.

As células cancerosas crescem de maneira diferente das células normais. Elas não
morrem, crescem de uma maneira contínua e formam outras células ruins.
Os organismos vivos apresentarão, em alguma fase da vida, deficiências durante o
crescimento das células. Essa doença é identificada pela perda do controle na divisão
das células.

Câncer: tipos de crescimento celular


O processo de proliferação celular será controlado ou não controlado. No crescimento
controlado, tem-se um aumento localizado e autolimitado do número de células
de tecidos normais que formam o organismo, causado por estímulos fisiológicos ou
patológicos. Nele, as células são normais ou possuem pequenas alterações na sua
forma e função, podendo ser iguais ou diferentes do tecido onde se instalam. O efeito é
reversível após o término dos estímulos que o provocaram. A hiperplasia, a metaplasia
e a displasia são exemplos desse tipo de crescimento celular (Figura 1).

Se o crescimento celular não for controlado, será formada uma massa anormal de
tecido, onde esse crescimento será praticamente autônomo. E continuará crescendo
excessivamente, mesmo após o término de todos os estímulos que o provocaram.
Todas as neoplasias (do câncer in situ até o câncer invasivo) correspondem a uma forma
descontrolada do crescimento das células, são os chamados tumores.

20
ETIOLOGIA DO CÂNCER │ UNIDADE I

Figura 1. Tipos de crescimento celular.

Fonte: <http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/livro_abc_2ed.pdf>.

Classificação das neoplasias


Toda neoplasia é conceituada como uma proliferação descontrolada e anormal do
tecido, e que fugirá parcial ou totalmente do controle do organismo humano. Esse tumor
tenderá a ser autônomo e se perpetuará, gerando efeitos mais agressivos sobre o
homem. As neoplasias se classificam em benignas ou malignas (Figura 2). As benignas
ou tumores benignos terão o seu crescimento de uma maneira organizada, mas ocorrerá
lentamente. Será de uma forma expansiva e apresentará os limites nítidos. Não invadirão
os tecidos vizinhos, mas podem causar uma compressão em todos os órgãos e nos tecidos
adjacentes. O lipoma (que se origina no tecido gorduroso), o mioma (com origem no
tecido muscular liso) e ainda o adenoma (um tipo de tumor benigno das glândulas)
são todos exemplos de tumores benignos. Neoplasias quando são malignas/tumores
malignos, se manifestarão com um grau maior de autonomia e serão capazes de invadir
os tecidos vizinhos e ainda provocar metástases, podem ser resistentes aos tratamentos
e levar o paciente ao óbito. Veja na tabela 5.

Figura 2. Diferenças entre os tipos de tumores.

Fonte: <http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/livro_abc_2ed.pdf>.

21
UNIDADE I │ ETIOLOGIA DO CÂNCER

Tabela 5. Principais diferenças entre tumores benignos e malignos.

Tumor benigno Tumor maligno


Formado por células bem diferenciadas (semelhantes às do tecido Formado por células anaplásicas (diferentes das do tecido normal);
normal); estrutura típica do tecido de origem. atípico; falta diferenciação.
Crescimento progressivo; pode regredir; mitoses normais e raras. Crescimento rápido; mitoses anormais e numerosas.
Massa bem delimitada, expansiva; não invade nem infiltra tecidos Massa pouco delimitada, localmente invasivo, infiltra tecidos adjacentes.
adjacentes.
Não ocorre metástase. Metástase frequentemente presente.

Fonte: <http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/livro_abc_2ed.pdf>.

Câncer: nomenclatura dos tumores


Para poder fazer a nomenclatura dos vários tipos de câncer, deve-se relacionar ao tipo
de célula que originou o tumor. O corpo humano possui tipos de células diferentes que
irão formar os tecidos, e o nome dado a esses tumores vai depender do tipo de tecido
que lhes originou.

Nos tumores benignos, deve-se acrescentar o sufixo ‘-oma’ (tumor) ao termo capaz de
designar o tecido que originou esse tumor. Exemplos:

»» Tumor benigno do tecido cartilaginoso: é chamado de condroma.

»» Tumor benigno do tecido gorduroso: é chamado de lipoma.

»» Tumor benigno do tecido glandular: é chamado de adenoma.

Nos tumores malignos, considera-se a origem embrionária dos tecidos de que deriva
o tumor:

»» Os tumores malignos que se originam dos epitélios de revestimento


externo e também do interno serão chamados carcinomas. Se o epitélio
for de origem glandular, passarão a ser chamados adenocarcinomas.

Exemplos: carcinoma de células escamosas, carcinoma basocelular,


carcinoma sebáceo.

»» Tumores malignos originados dos tecidos conjuntivos (mesenquimais)


têm o acréscimo de sarcoma ao final do termo que corresponde ao tecido.

Exemplo: tumor do tecido ósseo – osteossarcoma.

Ainda a respeito da nomenclatura dos tumores, geralmente, além do tipo histológico,


acrescenta-se ainda a topografia. Por exemplo:

»» O adenocarcinoma de pulmão.
22
ETIOLOGIA DO CÂNCER │ UNIDADE I

»» Um adenocarcinoma de pâncreas.

»» Um osteossarcoma de fêmur.

Mas a nomenclatura dos tumores poderá ser feita das seguintes maneiras:

»» Pode-se utilizar ainda os nomes dos cientistas que descreveram o câncer


pela primeira vez (porque a sua origem celular foi esclarecida tarde, ou
porque os nomes ficaram consagrados pelo uso).

Exemplos: linfoma de Burkitt, o sarcoma de Kaposi e o tumor de Wilms.

»» Podemos utilizar também os nomes sem citar que se tratam de tumores,


como por exemplo: na doença de Hodgkin; na mola Hidatiforme e na micose
fungoide. Embora os nomes não sugiram uma neoplasia, são tumores do
sistema linfático, tumor do tecido placentário e um tumor da pele.

Já vimos até aqui que um câncer poderá surgir em qualquer local do corpo
humano. Veremos algumas informações importantes para relembrar:

»» São cadastrados acima de 100 casos de câncer, todos diferentes e cada


um possui as suas particularidades. Dessa maneira, o diagnóstico, bem
como o tratamento e o seguimento terapêutico e farmacoterapêutico
devem ser adequados.

»» Uma interpretação errada ou o fato de se generalizar um caso isolado de


câncer, acabam fazendo com que essas crenças pareçam ser verdades.

»» Todo profissional de saúde tem que ter conhecimentos científicos


sobre o câncer para que esteja apto para informar, para cuidar e saber
encaminhar os seus pacientes da maneira adequada.

»» Sendo o câncer considerado um problema de saúde capaz de atingir


toda a população, os profissionais de saúde de todas as classes, em
maior ou menor grau, serão responsáveis pelo sucesso de todas as
ações para o controle da doença.

23
Classificação Unidade iI

Capítulo 1
Os principais tipos de câncer

Origem
As células doentes podem ser muito agressivas, mas os tumores malignos podem ser
tratados e seus índices de cura atualmente são muito elevados. Por outro lado, um tumor
benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se assemelham ao
tecido original.

Os tipos de câncer se classificam baseados na localização primária do tumor. Exemplo:


câncer de colo do útero, câncer de mama, câncer de pulmão.

Para informações complementares sobre os tipos de câncer que mais acometem a


população brasileira, veja os tipos a seguir:

Câncer da cavidade oral (boca)

É um tipo de câncer que afetará os lábios e também o interior da cavidade oral, incluindo
as gengivas, a mucosa jugal (bochechas), no palato duro (chamado de céu da boca), na
língua (as bordas), também no assoalho da língua (região embaixo da língua) e ainda as
amígdalas. O câncer dos lábios será mais comum nas pessoas brancas, e tem ocorrido
com uma frequência maior nos lábios inferiores e associada à uma exposição a luz solar,
ao tabagismo e ao etilismo.

Câncer de cólon e reto (intestino)

No câncer colorretal, vários tumores acometem uma parte do intestino grosso (o cólon)
e o reto. É totalmente passível de tratamento e, na maioria dos casos, será curável,
quando detectado precocemente, e quando ainda não atingiu outros órgãos. Grande
24
Classificação │ UNIDADE II

parte desses tumores se inicia a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer
na parede interna do intestino grosso. Uma maneira de prevenir o aparecimento dos
tumores é a detecção e a remoção dos pólipos antes de eles se tornarem malignos.

Câncer de esôfago

O câncer de esôfago se encontra entre os dez mais incidentes (6o entre os homens e 9o
entre as mulheres). Esse câncer, com uma maior frequência, é o tipo carcinoma das células
escamosas (também conhecido de carcinoma escamoso ou por carcinoma epidermoide
e ainda por um carcinoma espinocelular). Esses tipos serão responsáveis por 96% dos
casos registrados. O adenocarcinoma tem aumentado significativamente nos pacientes.

Câncer de estômago

É o chamado de câncer gástrico. Esses tumores no estômago se apresentam sob a forma de


três tipos histológicos: de um adenocarcinoma (que será responsável por 95% dos tumores),
do linfoma (será diagnosticado em cerca de 3% dos casos) e ainda do leiomiossarcoma
(que se inicia nos tecidos que darão origem aos músculos e também aos ossos).

A maior incidência se dará, na maioria dos casos, em homens na faixa dos 70 anos de
idade. Dos pacientes, 65% serão diagnosticados com o câncer de estômago com idade
maior que 50 anos. No Brasil, esses tumores aparecem em 3o lugar entre os homens e
em 5o lugar entre as mulheres. As estatísticas mostram um declínio da incidência em
vários países, como no Brasil.

Câncer de mama

Está classificado como o segundo tipo com maior frequência no mundo. Sendo o
câncer de mama o mais comum entre as mulheres. Se for diagnosticado e tratado
precocemente, o prognóstico desse tipo de câncer é bom. O envelhecimento, um
processo que ocorre naturalmente é o seu principal fator de risco. Os fatores de risco
relacionados com a vida reprodutiva da mulher (uma menarca precoce, não ter filhos,
uma idade da primeira gestação acima dos 30 anos, o uso de anticoncepcionais orais,
uma menopausa tardia e a terapia de reposição hormonal) já estão bem estabelecidos
em relação ao desenvolvimento deste tipo de câncer, o de mama.

Câncer de pele tipo melanoma

Este câncer se refere a um tipo de câncer de pele que tem origem nos melanócitos (são
as células produtoras de melanina, uma substância que determina a cor da pele) e tem

25
UNIDADE II │ Classificação

alta predominância em adultos e brancos. O melanoma representa apenas 4% das


neoplasias malignas da pele, sendo o tipo mais grave devido à sua alta possibilidade de
causar uma metástase.

O prognóstico deste tipo de câncer será considerado bom, se for detectado nos estágios
iniciais. Houve nos últimos anos uma grande melhora da sobrevida dos pacientes que
possuem melanoma, devido à detecção feita precocemente do tumor.

Câncer de pele tipo não melanoma

Esse câncer é o mais frequente no Brasil, e corresponde a cerca de 25% de todos os


tumores malignos que são registrados no país. Apresenta ainda altos percentuais
de cura, se for detectado de maneira precoce. Dentre os tumores de pele, o tipo não
melanoma é o que representa uma maior incidência e uma menor mortalidade.

O câncer de pele é mais presente nas pessoas acima de 40 anos, sendo raro em crianças
e negros, exceto naqueles portadores das doenças cutâneas prévias. Pessoas com a
pele clara, sensíveis à ação dos raios solares, são as principais acometidas por esse
tipo de câncer.

A pele sendo o maior órgão do corpo humano, é muito heterogênea, e o câncer de


pele não melanoma pode apresentar tumores de linhagens diferentes. Os tipos
mais frequentes são: o carcinoma basocelular (que é o responsável por 70% dos
diagnósticos) e o carcinoma de células escamosas ou o carcinoma epidermoide (que
representa 25% dos casos). O carcinoma basocelular, apesar de ser o mais incidente,
é o menos agressivo.

Câncer de próstata

Esse tipo de câncer é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de três
quartos dos casos de acometidos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. Um aumento
foi observado nas taxas de incidência no Brasil e pode ser parcialmente justificado
pela modernização dos métodos de diagnósticos (os exames), também pela melhoria
na qualidade dos sistemas de informação disponíveis no país e por um aumento da
expectativa de vida dos brasileiros. Alguns desses tumores poderão crescer de forma
muito rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar o paciente ao óbito.
Mas a grande maioria crescerá de uma forma tão lenta (eles levarão cerca de 15 anos
para atingir o tamanho de 1 cm³) que não chegará a se manifestar durante a vida e nem
irá ameaçar a saúde da população.

26
Classificação │ UNIDADE II

Câncer de pulmão

É considerado o mais comum entre todos os tumores malignos, com um aumento de 2%


ao ano na sua incidência mundial. Em quase 90% dos casos que foram diagnosticados, o
câncer de pulmão está sempre associado a um consumo de derivados do tabaco. Por ser
muito letal, a sobrevida média gira em torno de cinco anos, e pode variar entre os 13%
e os 21% nos países desenvolvidos e entre 7% e 10% nos países em desenvolvimento.

No final do século XX, o câncer de pulmão tornou-se uma das principais causas das
mortes evitáveis no mundo.

A literatura científica mostra que as pessoas que estão acometidas por um câncer de
pulmão, apresentam um risco elevado para desenvolver um segundo câncer no pulmão
e que os irmãos e os filhos das pessoas que tiveram esse tipo de câncer apresentam
um risco levemente aumentado para o desenvolvimento desse câncer. Mas é difícil
dimensionar quanto desse risco maior decorrerá dos fatores hereditários e o quanto
será computado por causa do hábito de fumar.

Câncer do colo do útero

É também chamado de câncer cervical, e geralmente demora muitos anos para se


desenvolver.

As células quando alteradas poderão desencadear um câncer. Tais células são descobertas
facilmente no exame preventivo (o exame de Papanicolaou). Por isso é importante a
realização periódica desse exame, a cada três anos após dois exames anuais consecutivos
que deram negativos. A alteração principal que levará a esse tipo de câncer é a presença
de uma infecção pelo HPV: Papilomavírus Humano, com alguns subtipos de alto risco
que estão relacionados com os tumores malignos.

Leucemias

É uma doença maligna que afeta os glóbulos brancos (leucócitos) do sangue. Sua principal
característica será o acúmulo das células jovens anormais na medula óssea, que irão
substituir as células sanguíneas normais.

Obs.: a medula óssea produz as células que dão origem às células sanguíneas, que são:
os glóbulos brancos, os glóbulos vermelhos e as plaquetas.

27
Capítulo 2
Ações para o controle do câncer

Prevenção
Como, afinal, podemos prevenir o câncer? De acordo com a Organização Mundial da
Saúde (OMS), pelo menos cerca de 40% das mortes devido ao câncer poderiam ser
evitadas. Tal afirmação faz da prevenção um aliado essencial para todos os planos de
cuidados e controles do câncer.

Sendo o câncer uma doença na qual o seu processo terá início causado por um dano
a um gene específico ou ainda quando um grupo de genes da célula progridem.
Isso acontecerá quando os nossos mecanismos de defesa do sistema imunológico, que
irão reparar ou destruir as células, falham. Quais seriam então os fatores que poderão
contribuir para o desenvolvimento de um câncer?

A prevenção do câncer, que será tratada neste capítulo, diz respeito a um conjunto de
atitudes que visam reduzir ou evitar uma exposição aos fatores que podem aumentar
as possibilidades de um indivíduo vir a desenvolver uma doença, ou ainda de sofrer um
agravamento dela, são os chamados fatores de risco.

Fatores de risco para o câncer estão relacionados aos ambientes físicos, à hereditariedade,
ou ainda, representar alguns comportamentos ou costumes próprios de um determinado
ambiente social e cultural.

A prevenção deve enfatizar os fatores associados aos modos de vida, independente das
idades, e devem ser incluídas as intervenções no combate aos agentes ambientais e
ocupacionais chamados de cancerígenos. Essas ações podem trazer, com certeza, bons
resultados na redução do número de acometidos pelo câncer.

A vitamina D e a prevenção do câncer

A vitamina D, hoje em dia, não tem sido mais considerada apenas uma vitamina, mas
um hormônio esteroide por causa das suas diversas atuações no organismo humano.
Ela é capaz de regular vários dos processos biológicos, dentre eles: o metabolismo
ósseo, a nossa resposta imune inata e também a proliferação e a diferenciação celular.

A função da vitamina D em todo o metabolismo ósseo já é muito reconhecida. Todo o


reconhecimento e a identificação da expressão do receptor para a vitamina D, o VDR

28
Classificação │ UNIDADE II

nas células e também de algumas células que possuem a capacidade de produzir as


formas ativas da vitamina D. Esses poderes da vitamina têm sido comprovados através
da ação desta vitamina sobre a fisiopatologia de muitas outras doenças. Dentre elas
citamos: as doenças osteometabólicas, o diabetes, as doenças cardiovasculares, as
doenças autoimunes, as doenças infecciosas e em especial o câncer.

As formas que se destacam da vitamina D são: a vitamina D3 (conhecida como


colecalciferol, origem animal) que é sintetizada na pele, e a vitamina D2 (conhecida
como ergocalciferol, origem vegetal) que é fornecida através da alimentação.
Podemos encontrar essa vitamina em alimentos (óleo de fígado de peixe, bacalhau,
atum, cogumelos, salmão e gema de ovos. Mas com toda certeza a sua maior fonte
vem da síntese cutânea, através da exposição ao sol (radiação UVB). Nessa vitamina,
diferente das outras, apenas 20% do que o organismo precisa diariamente é suprido
pela alimentação. Tal composto, que é lipossolúvel, tem a sua absorção no intestino
delgado. Depois é levada com a ajuda de uma proteína carreadora, a DPB, para vários
órgãos-alvo. A sua metabolização acontece no fígado. Esse processo ocorre por meio da
hidroxilação do carbono 25 pela enzima D3 25 Hidroxilase (25-OHase), ou calcidiol.

As quantidades sanguíneas da vitamina D podem ser influenciadas por vários fatores,


como o envelhecimento, a latitude, as estações climáticas, a ingestão alimentar, o
uso de bloqueador solar, a hiperpigmentação cutânea, e o tempo de exposição solar.
Os critérios de diagnósticos propostos para avaliação do estado nutricional de vitamina
D foram descritos de acordo com as diretrizes da Sociedade Clinica de Endocrinologia,
que define como:

»» deficiência severa: > 25nmol/L;

»» deficiência: 25-49 nmol/L;

»» insuficiência: 50-74nmol/L;

»» saudável – ideal: 75 – 150 nmol/L;

»» intoxicação (indicado por hipercalcemia e hiperfosfatemia): < 250nmol/L.

Pesquisas epidemiológicas documentaram que existe uma alta prevalência de níveis


insuficientes da vitamina D em pacientes idosos e em um número maior entre os pacientes
com osteoporose. Aproximadamente 1 bilhão de pessoas apresentam deficiência ou
níveis insuficientes de vitamina D. No Brasil, ainda existem poucos estudos que relatam
a prevalência de hipovitaminose.

A vitamina D é capaz de exercer vários efeitos biológicos extremamente importantes


no organismo, como a utilização de cálcio e fosfato; ela também consiste em um

29
UNIDADE II │ Classificação

hormônio antiproliferativo e pró-diferenciativo, ou seja, inibe a proliferação e estimula


a diferenciação celular, de modo que a deficiência desse hormônio pode levar a uma
proliferação celular descontrolada, induzindo, assim, a formação de tumores malignos;
participa de dois aspectos importantes da função neuromuscular: a força muscular
e o equilíbrio.

A vitamina D consiste em um potente modulador do sistema imune. O receptor desse


hormônio pode ser encontrado em diferentes células do sistema imune, como os
linfócitos, os monócitos, os macrófagos e as células dendríticas. A vitamina D consegue
levar a um aumento da imunidade inata com associação à regulação da imunidade
adquirida. Dessa maneira, a sua deficiência pode ser relacionada ao aparecimento de
algumas doenças autoimunes como DM1, a esclerose múltipla, a artrite reumatoide,
o lúpus eritematoso sistêmico e ainda a doença inflamatória intestinal. Então, a
suplementação da vitamina D pode ser usada tanto na prevenção quanto no tratamento
das doenças autoimunes.

A vitamina D é capaz de exercer ações diretas ou indiretas em mais de 200 genes


envolvidos na regulação do ciclo celular, na diferenciação celular, na apoptose
e na angiogênese, promovendo ou inibindo a proliferação de células normais ou
neoplásicas.

A identificação da expressão do VDR em quase todas as células e a descoberta significativa


que algumas células também podem apresentar vários mecanismos enzimáticos para
produzir formas ativas da vitamina D têm evidenciado a grande influência dessa
vitamina na patogenia de algumas neoplasias. A 1,25(OH)2D (calcitriol) liga-se ao VDR
nuclear para determinar uma resposta genômica específica por meio da regulação da
transcrição genética. O VDR é produzido a partir de um gene localizado no cromossomo
12, conhecido como gene VDR.

A identificação de diversos polimorfismos nesse gene o associa com os níveis de 25(OH)


D (calcidiol). O VDR também é encontrado nas células da mama, em células ósseas, nas
células renais e intestinais, em células do sistema reprodutivo feminino (útero, ovário,
placenta) e masculino (testículo e próstata), nas células do sistema imune e do sistema
endócrino (pâncreas, hipófise, tireoide e adrenal). As células musculares esqueléticas,
coração, cérebro e fígado também apresentam VDR.

Câncer de pele e as ações da vitamina D

Essa relação é muito complexa, e os estudos existentes trazem resultados bem


conflitantes. Sabemos que o sol é necessário (raios UVB) para a síntese da vitamina
D e que o sol também causa câncer. A teoria que afirma que a produção de vitamina
30
Classificação │ UNIDADE II

D através do sol exerce um efeito protetor sobre o desenvolvimento do câncer de pele


não encontra ainda um grande embasamento científico. Sendo assim, não existe um
consenso entre a área da saúde para as orientações de ingestão da vitamina D e se os
seus níveis elevados estão relacionados com a prevenção do câncer de pele.

Câncer do sistema urinário e próstata e a vitamina D

Vários estudos em epidemiologia foram feitos sobre a relação entre o câncer de


próstata e a vitamina D, e a incidência de acometidos bem como a mortalidade deles
com câncer de próstata. As evidências encontradas foram que a deficiência de vitamina
D representa sim um fator de risco para esse tipo de câncer. Foi identificado ainda
que o calcitriol (1,25(OH)2D é capaz de inibir o crescimento de duas das três linhas
de células neoplásicas da próstata. Tal inibição era proporcional à presença do VDR,
e os altos níveis de 24-hidroxilase/CYP24A1 reduziriam essa inibição. Os resultados
mostraram que o calcitriol pode retardar de forma muito eficiente a evolução do
câncer de próstata.

Câncer do aparelho digestivo e a vitamina D

Alguns estudos analisaram a concentração da vitamina D e a incidência de câncer e


outras doenças crônicas. Um estudo foi realizado em 47.800 homens com idade entre
40 e 75 anos, e correlacionou os níveis séricos de vitamina D e os riscos de câncer no
aparelho digestivo. Os níveis séricos da vitamina estavam associados a uma redução de
43% na incidência e 45% na mortalidade por cânceres do sistema digestivo.

Câncer de mama e a vitamina D

O gene YP24A1 e o VDR são encontrados tanto no tecido mamário normal quanto nos
tumores mamários. O CYP24A1 é estimulado pela sinalização do VDR, que é capaz
de proporcionar um mecanismo de realimentação de forma negativa para a vitamina
D. A expressão e a atividade de CYP24A1 são determinantes fundamentais para uma
disponibilidade de vitamina D na mama.

Como resultado de uma metanálise sobre a vitamina D e também sobre a prevenção do


câncer de mama, houve uma redução de 45% no risco de desenvolvimento do câncer em
mulheres que obtiveram os níveis séricos de 25(OH)D calcidiol) em torno de 60nmol/L
quando elas foram comparadas com mulheres com níveis mais baixos de vitamina, um
indicativo que a vitamina D participa mesmo na carcinogênese do câncer de mama de
uma forma importante.

31
UNIDADE II │ Classificação

Câncer colorretal e a vitamina D

No ano de 1980, a incidência do câncer colorretal foi relacionada (CCR) com a população
que tem baixa exposição ao sol. Foi levantada a hipótese de que a vitamina D é um fator
de proteção contra o CCR. Em outro estudo, foi possível perceber que as pessoas que
ingeriram mais que 1.000 UI por dia de vitamina D ou as que apresentaram nível sérico
de 25(OD)D igual ou maior que 82,5 nmol/L, demonstraram uma redução bastante
significativa na frequência de CCR, em um valor aproximado de 50%.

Câncer gástrico e esofágico e a vitamina D

Em um estudo de caso-controle realizado no norte da Itália, que estudou uma possível


associação da ingesta da Vitamina D com o câncer de orofaringe e o câncer de esôfago,
concluiu-se que o consumo de vitamina D representava um fator de alta proteção para
o câncer do trato aerodigestivo superior, e também em alcoolistas e nos tabagistas.

Câncer pancreático

Vários estudos sugerem com a mesma intensidade, uma associação positiva entre a
exposição ao sol, com taxas muito menores de mortalidade causada pelo câncer de
pâncreas em caucasianos, japoneses e também em populações afro-americanas. As células
das ilhotas, do ducto pancreático e dos tecidos adenocarcinomatosos pancreáticos, que
expressam a 1,25(OH)2D e a enzima que a catalisa, a 24-hidroxilase/CYP24A1.

Foi sugerido que o crescimento das linhagens celulares de câncer de pâncreas possa
ser inibido por 25(OH)D3. Foi ainda demonstrado in vitro, que a 25(OH)D3 é capaz de
inibir a proliferação de células neoplásicas pancreáticas, induzindo a uma diferenciação
celular e promovendo uma apoptose. Vários profissionais da saúde afirmam que os
níveis mais elevados da vitamina D estiveram diretamente associados com uma menor
incidência total do câncer, incluindo o câncer de pâncreas.

Câncer de ovário e a vitamina D

A presença do VDR no epitélio do ovário normal e em algumas linhas celulares de


tumores ovarianos parece influenciar um desenvolvimento do câncer de ovário. Pois
foi identificado em mulheres afro-americanas que são capazes de expressar pelo menos
um polimorfismo do VDR, um risco bem elevado para desenvolver um câncer de ovário.

Foram encontradas também expressões do VDR em plaquetas de mulheres com


câncer epitelial de ovário em níveis significativamente maiores do que os encontrados

32
Classificação │ UNIDADE II

em mulheres saudáveis. Em relação à resposta ao regime que envolve o tratamento


quimioterápico, a sobrevida foi em média de 6 vezes maior nas mulheres com valores
mais elevados de VDR plaquetário, que é considerado um marcador patológico.

Conclui-se que as interações da vitamina D, 25(OH)D e os seus níveis plasmáticos


de exposição à radiação UV desempenham uma ação fundamental na ocorrência do
câncer. Contudo, para alguns tipos de câncer, as evidências dessas associações são
inconsistentes ainda.

O VDR parece desempenhar uma função fundamental na carcinogênese. As recomendações


diárias alimentares (RDA) tiveram um acréscimo nos últimos anos de 400 UI/dia para
600UI/dia e as indicações para uma suplementação com 50.000 UI uma ou duas vezes
por mês são cada vez mais rotineiras para populações vulneráveis.

Diversos estudos realizados em diferentes populações têm mostrado uma relação


direta entre a deficiência de vitamina D e diversas doenças crônicas e também doenças
autoimunes, incluindo entre elas o diabetes mellitus (DM1). O mecanismo envolvido
nessa relação é que a vitamina D parece interagir com o sistema imunológico através
de sua ação sobre a regulação e a diferenciação de várias células, como os linfócitos,
os macrófagos e as células natural killer (NK), além de interferir na produção de
citocinas, que são proteínas relacionadas com as respostas imunes e com as respostas
inflamatórias. Sendo assim, de modo geral, o efeito da vitamina D no sistema
imunológico leva ao aumento da imunidade inata e à regulação de diferentes formas
da imunidade adquirida.

A vitamina D é um hormônio esteroide, cuja principal função consiste na regulação da


fisiologia osteomineral. Nos seres humanos, de 80 a 90% da vitamina D são sintetizados
endogenamente e o restante necessário ao organismo humano (de 10 a 20%) provem
da dieta: vitamina D3 (colecalciferol) encontrada em peixes como atum e salmão, e
vitamina D2 (ergosterol) encontrada em fungos comestíveis.

Causas de câncer
As definições dos riscos para a saúde têm sido ampliadas e envolvem várias condições
que trarão ameaças aos níveis da saúde de toda uma população. Os riscos do câncer,
em uma determinada população, dependerão das condições sociais, dos vários fatores
ambientais, e das políticas e situações econômicas que a cercam, e das características
biológicas inerentes a cada indivíduo.

Essa compreensão será essencial nas definições dos investimentos em pesquisas de


avaliação dos riscos e em ações concretas de prevenção.

33
UNIDADE II │ Classificação

Mesmo se for considerado que o conhecimento dos mecanismos causais dos diversos
tipos de câncer não está completo, na prática, do ponto de vista da saúde pública, as
identificações de apenas um dos componentes pode ser o suficiente para trazer grandes
avanços na prevenção, a partir das escolhas das medidas preventivas.

Em várias ocasiões, por precaução, poderíamos adotar atitudes em favor da proteção da


saúde da população e até mesmo antes que qualquer componente do mecanismo causal
seja descoberto.

Contrários aos fatores de risco existem fatores que darão ao organismo uma capacidade
de se proteger contra uma doença, daí serem chamados de fatores de proteção.
São considerados fatores de proteção, por exemplo, o consumo de frutas, de legumes e
verduras.

Os estudos dos fatores de risco e de proteção, isolados ou combinados, tem permitido


serem estabelecidas relações de causa-efeito com determinados tipos de câncer.
Contudo, três aspectos devem ser enfatizados:

»» Nem sempre uma relação entre a exposição a um ou mais fatores de


risco e o desenvolvimento de uma doença será reconhecida, em especial
quando se imagina que a relação se dará por meio de comportamentos
sociais comuns, como na alimentação, por exemplo.

»» Em doenças crônicas, como o câncer, as primeiras manifestações surgirão


após os muitos anos de uma exposição única (as radiações ionizantes, por
exemplo) ou através de exposições contínuas (na radiação solar ou no
tabagismo) aos fatores de risco. Sendo importante considerar o conceito
de período de latência, isto é, o tempo decorrido entre a exposição ao
fator de risco e o surgimento da doença.

»» As causas para a instalação do câncer são variadas, podendo ser


divididas em externas ou internas ao organismo, sendo que ambas estão
inter-relacionadas.

Causas externas

As causas externas, como as substâncias químicas, a irradiação, os vírus e os fatores


comportamentais, estarão relacionados ao meio ambiente, ou seja, constituirão
os fatores de risco ambientais. De todos os casos de câncer, entre 80% a 90% estão
associados a fatores ambientais. Alguns desses fatores são bem conhecidos, dentre eles
destacam-se:

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Classificação │ UNIDADE II

»» O cigarro poderá causar câncer de pulmão (cerca de 90% dos cânceres de


pulmão são causados pelo cigarro) e muitos outros tipos de câncer.

»» O uso constante de bebidas alcoólicas pode causar câncer de boca,


orofaringe e laringe (principalmente quando associado ao fumo), esôfago
e fígado.

»» Uma exposição excessiva ao sol pode causar câncer de pele.

»» Alguns tipos de vírus também podem causar câncer (de leucemia, câncer
do colo do útero e o câncer de fígado).

»» Uma irradiação também poderá causar câncer: a incidência e a mortalidade


por câncer nos habitantes das cidades do Japão de Hiroshima e de
Nagasaki, logo após a explosão da bomba atômica (no fim da Segunda
Guerra Mundial, em agosto de 1945), ainda hoje são muito altas.

Existem diversos outros fatores causais do câncer que ainda estão em estudos.
Alguns componentes dos alimentos que ingerimos serão ainda motivo de diversos
estudos, mas existem outros fatores causais que são ainda completamente desconhecidos
pelos pesquisadores.

O envelhecimento do modo natural no ser humano trará mudanças nas células, que
aumentarão as suas suscetibilidades perante uma transformação maligna. Somado ao
fato das células das pessoas idosas terem ficado expostas por mais tempo aos diferentes
fatores de risco para o câncer, isso explica, em partes, o porquê de o câncer ser mais
frequente nessa fase da vida.

Causas internas

As causas internas envolvem os hormônios, as condições imunológicas e as mutações


genéticas que são, na maioria das vezes, predeterminadas geneticamente e estarão
ligadas à capacidade do organismo de se defender de todas as agressões externas.
Apesar de os fatores genéticos serem capazes de exercer um importante papel nas
formações dos tumores (na oncogênese), serão raros os casos de câncer que se devem
exclusivamente por fatores hereditários, pelos familiares e pelos étnicos. Alguns tipos
de câncer como os cânceres de mama, câncer de estômago e do intestino parecem ter
um forte componente familiar, embora ainda não foram afastadas as hipóteses de
exposição dos membros daquela família a uma causa comum.

35
UNIDADE II │ Classificação

Alguns fatores genéticos podem tornar determinadas pessoas mais susceptíveis às


ações dos agentes cancerígenos do ambiente. Fica explicado o porquê de algumas delas
desenvolverem o câncer e outras não, quando elas forem expostas a um mesmo agente
carcinógeno.

As causas externas e internas podem interagir de várias maneiras, aumentando assim


a probabilidade das transformações malignas acontecerem nas células normais.
O surgimento do câncer dependerá da intensidade e da duração da exposição das células
aos agentes causadores desse câncer, por exemplo: os riscos de uma pessoa desenvolver
câncer de pulmão serão diretamente proporcionais ao número de cigarros fumados por
dia e ao número de anos que ela vem fumando. As principais causas do câncer estão no
quadro 1.

Quadro 1. Principais causas do câncer.

Alimentação 30%

Tabagismo 30%

Hereditariedade 13%

Infecção 5%

Exposição profissional 5%

Obesidade e falta de exercício 5%

Álcool 3%

Raios UV 2%

Medicamentos 2%

Poluição 2%

Outras 1%

Fonte: INCA, 1997.

Classificação dos fatores de risco


É possível modificar os riscos de uma pessoa desenvolver um câncer?

Sim. Pois a exposição a diversos fatores de risco, em especial os de maior impacto,


podem ser modificados.

Tais modificações dependerão de mudanças no estilo de vida individual, do desenvolvimento


de ações e da implementação das regulamentações do governo, das várias mudanças
culturais na nossa sociedade e ainda dos resultados de novas pesquisas de um número
maior de pesquisas voltadas ao câncer.

Os fatores de risco para o câncer se classificam segundo a possibilidade de modificação.


36
Classificação │ UNIDADE II

Fatores de risco modificáveis

Serão classificados como fatores de risco modificáveis os que já foram identificados,


como: o uso de tabaco e do álcool, dos hábitos alimentares inadequados, da inatividade
física, dos agentes infecciosos, da radiação ultravioleta, de exposições ocupacionais, da
poluição ambiental, da radiação ionizante, dos alimentos contaminados, da obesidade e
da situação socioeconômica. Existe ainda uma relação com o uso das drogas hormonais,
dos fatores reprodutivos e da imunossupressão.

Essa exposição será cumulativa, portanto, os riscos de câncer aumentarão com a idade.
Contudo, será a interação entre os fatores modificáveis e os fatores não modificáveis
que determinará os riscos individuais do câncer.

Mas sabemos que uma grande parte desses fatores ambientais, dependerão dos
comportamentos do indivíduo, que poderá ser modificado, reduzindo assim o risco de
desenvolver um câncer.

As mudanças dependem somente do indivíduo, diferente de outras mudanças que


requerem alterações em níveis populacionais e comunitários. Um exemplo de uma
modificação em nível individual pode ser a interrupção do uso do cigarro e, em nível
comunitário, uma introdução de vacinas para fazer o controle de um agente infeccioso
que está associado com o desenvolvimento do câncer, como o vírus da hepatite
B. É importante lembrar sempre que um alto índice de mortes por câncer pode ser
evitado. Mas para isso acontecer, todos devem contribuir para modificar o risco de
desenvolvimento do câncer.

Uso de tabaco

É considerada a principal causa dos cânceres no pulmão, na laringe, na cavidade oral


e no esôfago. Tem ainda um papel importante nos cânceres de bexiga, da leucemia
mieloide, do pâncreas, do colo do útero entre outros.

Alimentação inadequada

Uma alimentação, quando rica em gordura saturada e muito pobre em frutas, legumes e
verduras, irá aumentar os riscos dos cânceres de mama, do cólon, da próstata e do esôfago.

Quando a alimentação é rica em alimentos de alto índice energético, haverá um aumento


nos riscos de ganho de peso e do desenvolvimento da obesidade, que é considerado um
fator de risco para os diversos tipos de câncer. Vale ressaltar que os alimentos de alta
densidade energética concentraram muitas calorias em um pequeno volume.

37
UNIDADE II │ Classificação

Esses alimentos serão os que contêm mais de duas calorias por grama. Olhe o rótulo
dos produtos no supermercado e divida o número de calorias da porção pelo total de
gramas dessa porção, que aparece listada do rótulo nutricional, e descubra então se ele
é um alimento de alta densidade energética.

Consumir frutas, legumes e verduras diminuirá os riscos de cânceres de pulmão,


do pâncreas, do cólon e do reto, da próstata, do esôfago, da boca, da faringe e da
laringe.

Por outro lado, a contaminação dos alimentos poderá ocorrer naturalmente, como no
caso das aflatoxinas, presentes no amendoim (câncer de fígado).

Inatividade física

A prática regular de uma atividade física diminuirá os riscos de câncer de cólon e reto,
câncer de mama (pós-menopausa) e o de endométrio. Serão reduzidos também os riscos
de se desenvolver obesidade (que é um fator de risco para diversos tipos de câncer).

Obesidade

É considerada um fator de risco para os cânceres do endométrio, renal, da vesícula


biliar e o mamário.

Consumo excessivo de bebidas alcoólicas

O uso exagerado das bebidas alcoólicas poderá causar cânceres de boca, da faringe, da
laringe, do esôfago, do fígado, de mama e de cólon e reto. Os riscos de se desenvolver
um câncer da cavidade oral aumentam quando houver uma associação com o fumo.

Agentes infecciosos

Esses respondem por uma taxa de 18% dos cânceres registrados no mundo. O HPV, o
vírus da hepatite B e também a bactéria Helicobacter Pylori responderão pela maioria
dos cânceres que se associam com as infecções.

Radiação ultravioleta/ionizante

É uma radiação ultravioleta e a luz do sol é a sua maior fonte, ela causa o câncer de pele.
Radiação ionizante é a mais importante radiação e é proveniente dos raios x, mas pode
ocorrer na natureza em pequenas quantidades.

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Classificação │ UNIDADE II

Exposições ocupacionais

Exposições ocupacionais ocorrem nos ambientes de trabalho, como o contato com


substâncias como o asbesto, o arsênio, o benzeno, a sílica, as radiações, os agrotóxicos,
a poeira das madeiras e dos couros e ainda a fumaça do tabaco, todas carcinogênicas.
O câncer ocupacional mais comum é o de pulmão.

Poluição ambiental

A poluição das águas, do ar e dos solos respondem por cerca de 1% até 4% dos cânceres
nos países desenvolvidos. A poluição tabagística ambiental é a principal poluição
presente nos ambientes fechados, e segundo a OMS, pode ser classificada como
tabagismo passivo.

Nível socioeconômico

A relação do nível socioeconômico com vários tipos de cânceres se refere provavelmente


ao seu papel como um marcador dos modos de vida e das exposições das pessoas aos
outros fatores de risco do câncer.

Comportamento sexual

Quando se iniciam de forma precoce as atividades sexuais, quando possuir um parceiro


sexual com múltiplas parceiras e quando se possui múltiplos parceiros sexuais, esses são
fatores relacionados ao desenvolvimento de uma infecção pelo HPV, que é considerado
o maior fator de risco para o desenvolvimento do câncer do colo do útero.

Fatores de risco não modificáveis

Estão relacionados os fatores de risco que não dependerão do comportamento, dos


hábitos e das práticas individuais ou coletivas das pessoas. São conhecidos como os
fatores de risco intrínsecos. São eles: a idade, o gênero, a etnia/raça e a herança genética
ou a conhecida hereditariedade.

São raros os casos de cânceres que se devem única e exclusivamente aos fatores
hereditários, familiares ou étnicos, apesar de o fator genético exercer um papel
fundamental na oncogênese. Um exemplo são os indivíduos com uma retinoblastoma
(tumor ocular) que em 10% dos casos, apresentam uma história familiar desse tumor.

Alguns tipos de câncer de mama, estômago e intestino parecem ter um alto componente
familiar, embora não possamos afastar as hipóteses de uma exposição dos membros

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UNIDADE II │ Classificação

da família a uma causa comum. Determinados grupos de pessoas, por causas étnicas,
parecem ser protegidos de certos tipos de câncer. A leucemia linfocítica, por exemplo,
será rara em orientais, e o sarcoma de Ewing (um tipo de tumor ósseo) é extremamente
raro em negros.

Idade

Os riscos da maioria dos cânceres aumentam com a idade das pessoas e por esse motivo,
eles ocorrerão com maior frequência nos grupos de pessoas com a idade avançada.

Etnia ou raça

Os riscos de câncer podem variar entre os grupos humanos das diferentes raças ou
etnias. Algumas dessas diferenças refletirão as características genéticas e específicas,
enquanto outras podem ser relacionadas aos estilos de vida e às exposições ambientais.

Hereditariedade

Os genes de cânceres hereditários respondem por mais ou menos 4% de todos os cânceres


conhecidos. Alguns genes irão afetar a susceptibilidade das pessoas aos diferentes fatores
de risco para o câncer.

Gênero

Alguns tipos de cânceres ocorrem em apenas um sexo, e isso se deve às diferenças


anatômicas entre homens e mulheres, como próstata e o colo do útero; enquanto outros
ocorrem em ambos os sexos, mas com as taxas marcadamente diferentes entre os sexos
como o câncer da bexiga (muito mais frequente no homem que na mulher) e o câncer
de mama (mais frequente nas mulheres que nos homens).

A prevenção do câncer dependerá das medidas adotadas para reduzir ou ainda evitar a
exposição aos seus fatores de risco. Esse é considerado o nível mais abrangente das ações
de controle das doenças. Mas o que “você” pode fazer para contribuir para a prevenção
do câncer? Como posso colaborar para reduzir ou evitar a exposição a fatores de risco,
sendo um profissional da saúde? Algumas dicas devem ser seguidas:

»» Deve-se tentar eliminar ou reduzir a exposição aos fatores de risco que


são modificáveis. Isto é uma medida de prevenção adequada para os
vários tipos de cânceres.

»» O câncer considerado ocupacional possui o mais alto potencial de ser


prevenido, pois quando se conhece o local e o momento exato da exposição,

40
Classificação │ UNIDADE II

será possível interromper essa exposição mediante a substituição dos


produtos cancerígenos ou da tecnologia empregada.

»» Uma participação efetiva de todos os profissionais de saúde incluindo


aí o farmacêutico, nos programas de educação comunitária para fazer
a adoção de hábitos saudáveis de vida (como parar de fumar, ter uma
alimentação rica em fibras e frutas e pobre em gordura animal, limitar
a ingestão de bebidas alcoólicas, praticar atividade física regularmente e
controlar o peso) será de extrema importância.

»» Ter a participação dos membros da comunidade em todas as atividades


educativas poderá ser uma das estratégias para se conseguir transmitir
informação e a divulgação das medidas de controle do câncer. Os
profissionais de saúde deverão instruir a todos, orientando-os quanto
às possíveis medidas alimentares e as comportamentais que devem ser
estimuladas: tentar evitar a obesidade e o sobrepeso, o sedentarismo,
o fumo, os alimentos que possuem uma alta concentração de calorias e
evitar uma ingestão alcoólica em excesso.

É importante ter em mente que a multicausalidade costuma ser frequente na formação


do câncer (carcinogênese). Ela poderá ser exemplificada no câncer de esôfago e no câncer
da cavidade bucal, onde haverá uma associação entre o consumo de álcool e do tabaco.

A interação entre os fatores de risco e os fatores de proteção, à qual as pessoas estão


submetidas, resultará, ou não, numa redução da probabilidade de elas serem acometidas
pelo câncer e de adoecerem.

41
Capítulo 3
Diagnóstico

Sabemos que quanto antes o câncer for detectado e tratado, mais eficiente será o
tratamento. Maiores serão também as possibilidades de cura e as chances de o paciente
viver com qualidade. Veremos as ações que fazem parte dessa detecção precoce.

Nessa etapa o objetivo será detectar as lesões pré-cancerígenas ou ainda as cancerígenas,


quando essas estão localizadas no órgão de origem e antes que elas invadam os tecidos
circundantes ou outros órgãos.

Conheça as duas estratégias que devem ser utilizadas na detecção precoce:

»» Fazer um diagnóstico precoce.

»» Realizar um rastreamento.

Diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce será realizado com o intuito principal de descobrir o mais
cedo possível uma doença por meio dos sintomas e/ou sinais clínicos que o paciente
apresenta. A exposição aos fatores de risco é umas das condições na qual todos os
profissionais devem ficar atentos. Deve-se dispor atenção especial aos pacientes que
convivem com esses fatores.

O Programa Nacional para o Controle do Câncer da OMS (2002) faz uma recomendação:
para que todos os países promovam uma conscientização sobre os sinais de alerta que
alguns tipos de cânceres são capazes de apresentar no organismo.

Os dois principais componentes dos programas nacionais para se fazer o controle do


câncer são: informação para a população e informações completas para os profissionais
de saúde, incluindo o farmacêutico.

A prevenção e a detecção precoce são as melhores armas para se obter o controle do câncer.

Rastreamento
O rastreamento (screening) é o exame aplicado em pessoas saudáveis (sem os sintomas
de doenças) com o intuito de selecionar as pessoas com maiores chances de ter uma

42
Classificação │ UNIDADE II

enfermidade, pois apresentam os exames alterados ou que são suspeitos e que devem
ser encaminhadas para uma investigação diagnóstica completa.

De acordo com a OMS (2003), o rastreamento poderá ser oferecido de três formas
diferentes:

»» O rastreamento será chamado de desorganizado quando for dispensado,


por meio de planejamento ativo, a pessoas convidadas, tendo uma
frequência e uma faixa etária pré-definidas.

»» O rastreamento será chamado de seletivo quando for dispensado a um


subgrupo já previamente identificado como de maior risco de ter uma
doença.

»» O rastreamento será chamado de oportunístico quando for oferecido,


de modo oportuno, aos indivíduos que, por outras razões, procuram os
serviços de saúde.

Deve-se ter em mente que as finalidades de qualquer tipo de rastreamento serão a


redução da morbimortalidade pelo câncer.

Recomendações para detecção precoce


Veja a seguir alguns tipos de cânceres para os quais já existem as recomendações para
detecção precoce: o rastreamento populacional e/ou diagnóstico precoce.

As recomendações e orientações apresentadas não reproduzirão, necessariamente, os


programas do governo de detecção precoce, mas se baseiam nas melhores evidências
científicas disponíveis na atualidade, servem como sugestões que podem ser incorporadas
às ações dirigidas ao controle do câncer. Veja os quadros 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10.

Quadro 2. Recomendações para detecção precoce segundo a localização do tumor.

Localização do câncer Diagníostico precoce Rastreamento


Mama Sim Sim
Colo do útero Sim Sim
Cólon e reto Sim Sim
Cavidade oral Sim Sim
Pulmão Não Não
Próstata Sim Não
Estômago Sim Não
Pele (melanoma e não melanoma) Sim Não

Fonte: INCA, 2009.

43
UNIDADE II │ Classificação

Quadro 3. Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer de mama.

Algumas queixas/alterações que podem ser


notadas pelos pacientes ou identificadas Recomendações/orientações gerais
pelo profissional de saúde
Sintomas como dor, calor, edema, rubor ou descamação Rastreamento por meio de exame clínico da mama, para todas as mulheres a
na mama. partir de 40 anos de idade, realizado anualmente. Esse procedimento é ainda
compreendido como parte do atendimento integral à saúde da mulher, devendo ser
Alteração na forma ou tamanho da mama.
realizado em todas as consultas clínicas, independente da faixa etária da mulher.
Alteração na auréola ou no mamilo.
Na faixa de 50 a 69 anos, além do exame clínico da mama anual, a mulher deve
Presença de nódulo ou espessamento na mama, próximo fazer uma mamografia a cada dois anos.
a ela, ou na axila.
Exame clínico da mama e mamografia anual, a partir dos 35 anos, para as mulheres
Sensibilidade ou saída de secreção pelo mamilo, inversão pertencentes a grupos populacionais com risco elevado de desenvolver câncer de
do mamilo para dentro da mama. mama.
Enrugamento ou endurecimento da pele da mama (a pele Garantia de acesso a diagnóstico, tratamento e seguimento para todas as mulheres
apresenta um aspecto de casca de laranja). com alterações nos exames realizados.

Fonte: INCA, 2009.

Quadro 4. Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer do colo do útero.

Algumas queixas/alterações que podem ser


notadas pelos pacientes ou identificadas Recomendações/orientações gerais
pelo profissional de saúde
Sangramento vaginal após a relação sexual. Mulheres com idade entre 25 e 64 anos devem realizar exame preventivo
ginecológico anualmente. Após 2 exames normais seguidos, devem realizar um
Secreção vaginal de odor fétido.
exame a cada 3 anos.
Secreção vaginal intermitente (sangra de vez em quando).
No caso de exames alterados, devem seguir as orientações médicas.
Dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais.

Fonte: INCA, 2009.

Quadro 5. Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer de cólon e reto.

Algumas queixas/alterações que


podem ser notadas pelos pacientes ou
Recomendações/orientações gerais
identificadas pelo profissional
de saúde
Alterações referidas, geralmente acima dos 50 Esses tumores podem ser detectados precocemente por meio dos seguintes exames:
anos, detectadas ao exame clínico ou laboratorial. pesquisa de sangue oculto nas fezes, colonoscopia, retossigmoidoscopia.
»» Anemia de origem indeterminada; Pessoas com mais de 50 anos devem se submeter, anualmente, à pesquisa de sangue
oculto nas fezes. Caso o resultado seja positivo, é recomendada a colonoscopia ou
»» Perda de sangue nas fezes;
retossigmoidoscopia (exame de imagem que vê o intestino por dentro).
»» Dor e/ou massa abdominal;
Estar atento aos cuidados e fatores de risco:
»» Melena (sangue nas fezes);
»» Uma alimentação rica em vegetais e laticínios e pobre em gordura (saturada), além da
»» Constipação intestinal; prática de atividade física regular, previne o câncer colorretal. Deve-se ainda evitar o
consumo exagerado de carne vermelha.
»» Diarreia
»» Alguns fatores aumentam o risco de desenvolvimento da doença, como idade acima
»» Náuseas;
de 50 anos, história familiar de câncer colorretal, história pessoal da doença (já ter
»» Vômitos; tido câncer de ovário, útero ou mama), baixo consumo de cálcio, além de obesidade e
sedentarismo.
»» Fraqueza;
Alguns fatores aumentam o risco de desenvolvimento da doença, como idade acima de 50
»» Tenesmo. anos, história familiar de câncer colorretal, história pessoal da doença (já ter tido câncer de
ovário, útero ou mama), baixo consumo de cálcio, além de obesidade e sedentarismo.

Fonte: INCA, 2009.

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Classificação │ UNIDADE II

Quadro 6. Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer de boca.

Algumas queixas/alterações que


podem ser notadas pelos pacientes
Recomendações/orientações gerais
ou identificadas pelo profissional de
saúde
Mudança de coloração da mucosa, áreas A detecção precoce do câncer de boca pode ser feita por meio do autoexame da boca, a
irritadas debaixo das próteses (dentaduras, ser realizado diante do espelho, em um local bem iluminado, a fim de verificar a presença de
pontes móveis). anormalidades (descritas ao lado) nos lábios, língua (principalmente as bordas), assoalho da
boca (região embaixo da língua), gengivas, bochechas, palato (céu da boca) e amígdalas.
Feridas que não cicatrizam em uma semana,
dentes fraturados ou amolecidos, caroços ou O autoexame deve ser feito regularmente e, mesmo sem encontrar alterações, a visita anual ao
endurecimento. dentista não deve ser esquecida.
Ulcerações superficiais, com menos de 2 cm de Pessoas com maior risco para o câncer bucal (homens com mais de 40 anos, com dentes
diâmetro, indolores (podendo sangrar ou não). fraturados, fumantes que consomem bebidas alcoólicas e que usam próteses mal ajustadas)
devem fazer anualmente o exame clínico da boca, com médicos ou dentistas treinados, em
Manchas esbranquiçadas, avermelhadas nos
centros de especialidades odontológicas (CEO), postos ou centros de saúde ou outras unidades
lábios ou mucosa bucal.
onde haja profissional habilitado para essa atividade.
Dificuldade para falar, mastigar ou engolir.
O exame de toda a cavidade bucal deve ser feito de maneira metódica para que todas as
Dor e presença de adenomegalia cervical (caroço áreas sejam analisadas e seja possível a identificação de próteses dentárias ou outras prováveis
no pescoço). causas de trauma contínuo.
Atenção: dificuldade de fala, mastigação e As lesões mais posteriores da cavidade bucal, por vezes, necessitam de visualização com o
deglutição, além de emagrecimento acentuado, auxílio de instrumentos ou por meio de espelho para a avaliação de sua extensão.
dor e presença de linfadenomegalia cervical
As lesões, sempre que possível, devem ser palpadas, a fim de se confirmar seus reais limites e
podem ser sinais de doença avançada.
o acometimento de estruturas adjacentes.
A palpação das cadeias linfáticas cervicais completará o exame, sendo importante a determinação
do tamanho dos linfonodos, sua mobilidade e relação com estruturas vizinhas.

Fonte: INCA, 2009.

Quadro 7. Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer de pulmão.

Algumas queixas/alterações que podem ser notadas pelos pacientes ou pelo


Recomendações/orientações
profissional de saúde
Os sintomas mais comuns do câncer de pulmão são a tosse e o sangramento pelas vias respiratórias. Consenso ainda não estabelecido.
Nos fumantes, o número habitual da tosse é alterado e aparecem crises em horários incomuns para o
paciente.
Pneumonia de repetição pode, também, ser a manifestação da doença.

Fonte: INCA, 2009.

Quadro 8. Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer de próstata.

Algumas queixas/
alterações que
podem ser notadas
pelos pacientes ou Recomendações/orientações gerais
identificadas pelo
profissional de
saúde
Presença de sangue na Com relação à prevenção, já está comprovado que uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos e
urina (hematúria). cereais integrais, e pobre em gorduras, com as de origem animal, ajuda a diminuir o risco de câncer, como também
de outras doenças crônicas não transmissíveis. Nesse sentido, outros hábitos, como fazer no mínimo 30 minutos
Necessidade frequente
diários de atividade física, manter o peso adequado, diminuir o consumo de álcool e não fumar.
de urinar (poliúria),
principalmente à noite. A idade é um fator de risco importante para o câncer de próstata, uma vez que tanto a incidência como a mortalidade
aumentam após os 50 anos.

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UNIDADE II │ Classificação

Jato urinário fraco. A decisão do uso do rastreamento como estratégia de saúde pública deve se basear em evidências científicas
de qualidade. Não existem evidências de que o rastreamento para o câncer identifique homens que precisam de
Dor ou queimação ao urinar
tratamento ou que essa prática reduza a mortalidade. Não se recomenda hoje o rastreamento do câncer de próstata.
(disúria).
Homens, entre os 50 e os 70 anos de idade, na consulta médica, devem ser orientados sobre a necessidade de
investigação do câncer da próstata (diagnóstico precoce).
Homens acima de 45 anos e com histórico familiar de pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos de
idade devem realizar consulta para investigação de câncer (rastreamento seletivo).

Fonte: INCA, 2009.

Quadro 9. Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer de estômago.

Algumas queixas/alterações que podem ser notadas pelos pacientes ou Recomendações/orientações


identificadas pelo profissional de saúde gerais
Não há sintomas específicos do câncer de estômago. Contudo, alguns sinais, como perda de peso e Consenso ainda não estabelecido.
de apetite, fadiga, sensação de estômago cheio, vômitos, náuseas e desconforto abdominal persistente,
podem indicar uma doença benigna (úlcera, gastrite etc.) ou mesmo tumor de estômago.

Fonte: INCA, 2009.

Quadro 10. Recomendações e orientações para detecção precoce do câncer de pele.

Algumas queixas/alterações
que podem ser notadas pelos
Recomendações/orientações gerais
pacientes ou identificadas pelo
profissional de saúde
Feridas na pele que demoram mais de Realizar exame clínico da pele para avaliar aparecimento ou mudança no aspecto de manchas, sinais
quatro semanas para cicatrizar. ou lesões na pele, especialmente nas áreas expostas ao sol e em pessoas de alto risco (de pele clara).
Sinais na pele que mudam de cor e Evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h.
tamanho.
Usar sempre proteção adequada, como bonés ou chapéus de abas largas, óculos escuros, barraca e
Manchas que coçam, ardem, descamam filtro solar com fator mínimo de proteção 15.
ou sangram.
Estar sempre atento aos fatores de risco.
Pele clara, exposição excessiva ao sol, história prévia de câncer de pele, história familiar de
melanoma, nevo congênito (pinta escura), maturidade (após os 15 anos de idade, a propensão
para esse tipo de câncer aumenta), e nevo displásico (lesões escuras da pele com alterações
celulares pré-cancerosas).

Fonte: INCA, 2009.

Recomendações para detecção precoce


e tratamento
O diagnóstico precoce é a estratégia utilizada para descobrir o mais cedo possível
uma doença, valorizando e avaliando os sintomas e/ou sinais clínicos que o paciente
apresenta, principalmente quando associados à presença de fatores de risco.

Sua atuação como profissional de saúde nessa forma de controle é da maior importância,
lembrando que a Atenção Primária é um espaço privilegiado para ações de detecção
precoce de câncer, ações essas que, comprovadamente, terão impacto na sobrevida do
paciente em muitos tipos de câncer.

46
Classificação │ UNIDADE II

Assim, na sua prática assistencial, o profissional deve aplicar os seus conhecimentos:

»» Não subestimar os sinais e sintomas do paciente (suspeite sempre de


qualquer sinal ou sintoma!).

»» Não prescreva ou incentive o uso indiscriminado de medicamentos


sintomáticos (aqueles medicamentos que trarão apenas alívio dos sintomas).

»» Tente investigar os motivos que podem estar levando o paciente aos sintomas
e sinais detectados, através da anamnese e dos exames físicos cuidadosos; e
solicite os exames complementares quando julgar necessário.

»» Estabeleça sempre junto a toda equipe de saúde do seu serviço, as rotinas


e os protocolos de investigação dos pacientes.

»» Encaminhe para os serviços de saúde todos os pacientes que tenham


possibilidade de se confirmar a doença e tratá-la.

Diagnóstico e tratamento
Até aqui, foram examinadas duas modalidades de atenção para controle do câncer:
prevenção e detecção precoce.

As estratégias de detecção precoce aumentam a possibilidade de cura para alguns tipos


de cânceres e reduzem a morbidade resultante da doença e de seu tratamento.

O próximo passo fundamental para o tratamento adequado do câncer é o diagnóstico,


incluindo o estadiamento que fará a avaliação da extensão do comprometimento do
organismo, e se baseará nele para o planejamento terapêutico.

Para isso, é essencial que na rede de serviços de saúde se tenha especialistas nas áreas:
clínica, na cirúrgica, na laboratorial e nos demais métodos para o apoio diagnóstico.

O diagnóstico de câncer deve ser feito a partir da história clínica e do exame físico
detalhados, e, sempre que possível, de visualização direta da área atingida, utilizando
com frequência os exames endoscópicos como: a broncoscopia, a endoscopia digestiva
alta, a mediastinoscopia, a pleuroscopia, a retossigmoidoscopia, a colonoscopia, a
endoscopia urológica, a laringoscopia, a colposcopia, a laparoscopia e outros que se
fizerem necessários, como a mamografia para a detecção do câncer de mama.

O tecido das áreas em que for notada alteração deverá ser biopsiado e encaminhado
para confirmação do diagnóstico por meio do exame histopatológico, realizado pelo
médico anatomopatologista.

47
UNIDADE II │ Classificação

A confirmação diagnóstica pelo exame histopatológico, a determinação da extensão


da doença bem como a identificação dos órgãos por ela acometidos, constituem um
conjunto de informações que serão fundamentais para:

»» Conseguir obter as informações sobre o comportamento biológico do


tumor.

»» Seleção da terapêutica.

»» Previsão das possíveis complicações.

»» Obtenção de informações para se estimar o prognóstico do caso.

»» Avaliação dos resultados do tratamento.

»» Investigação em oncologia: pesquisa básica, clínica, pesquisa


epidemiológica e a translacional.

»» Publicação dos resultados obtidos e a troca de informações entre os


profissionais.

Além de estadiar a doença, deve-se avaliar também toda a condição funcional do paciente.
Deve-se determinar se esta, quando estiver comprometida, é devida à repercussão
do câncer ou se é anterior à neoplasia, e se é decorrente dos tratamentos ou de outra
doença concomitante ao câncer.

48
Crescimento Unidade iII
Tumoral

Capítulo 1
Invasão

Câncer in situ e câncer invasivo


O câncer não invasivo ou carcinoma in situ é considerado o primeiro estágio no qual o
câncer poderá ser classificado (essa classificação não se aplicará aos cânceres do sistema
sanguíneo). Nesse estágio (in situ), as células cancerosas estarão apenas na camada
de tecido onde se desenvolveram e ainda não se espalharam para outras camadas do
órgão de onde se originaram. A grande maioria destes cânceres in situ será curável, se
o tratamento for feito antes da progressão para a fase de câncer invasivo.

Já no câncer invasivo, todas as células cancerosas invadem as outras camadas celulares


do órgão, ganham a corrente sanguínea ou linfática e têm a capacidade de se disseminar
para outras partes do corpo.

Essa capacidade de invasão e disseminação que os tumores malignos apresentam de


produzir outros tumores, em outras partes do corpo, a partir de um já existente, é a
principal característica do câncer.

Oncogênese
O processo de formação do câncer é conhecido como carcinogênese ou ainda por
oncogênese. Acontece lentamente, e pode levar vários anos para que se consiga que uma
célula cancerosa se prolifere e origine um tumor visível. Todos os efeitos cumulativos
desses diferentes agentes cancerígenos ou carcinógenos serão os responsáveis pelas
fases de: início, promoção, progressão e da inibição do tumor.

A carcinogênese será determinada através da exposição a estes agentes, com uma


frequência específica e por um período de tempo, e ainda pela interação entre eles.
49
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

Devem se considerar as características individuais, que irão facilitar ou dificulta a


instalação do dano celular (figura 3).

Esse processo será composto por três estágios:

»» O estágio de iniciação, onde os genes sofrerão a ação dos agentes


cancerígenos.

»» O estágio da promoção, onde os agentes oncopromotores atuarão nas


células já alteradas.

»» O estágio de progressão, caracterizado por uma multiplicação descontrolada


e irreversível da célula.

Figura 3. Carcinogênese.

Estágio de iniciação: Estágio de promoção: Estágio de progressão:


os genes sofrem ação os agentes oncopromotores multiplicação descontrolada
dos agentes cancerígenos. atuam na célula já alterada. e irreversível da célula.
Fonte: INCA, 2011.

O período de latência irá variar de acordo com a intensidade dos estímulos carcinogênicos,
com a presença ou da ausência dos agentes oncoiniciadores, oncopromotores e
oncoaceleradores, e ainda com o tipo e localização primária do câncer.

Agentes cancerígenos
A presença dos agentes cancerígenos, por si só, não pode ser responsabilizada pelo
desenvolvimento dos tumores. Porém, existem casos em que isso pode acontecer.
Sabe-se que a exposição prolongada a uma substância química, a benzina será capaz
de aumentar os riscos de se produzir o câncer na bexiga (é o principal tipo de câncer
encontrado nos trabalhadores das antigas indústrias de tintas, dos trabalhadores de
indústrias de: couros, borracha e papel, que utilizavam benzina para a fabricação dos
produtos). O câncer de pulmão, que acomete os fumantes, em mais de 90% dos casos,
é causado pelas consequências do tabagismo crônico.

50
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

Esses dois exemplos remetem a dois conceitos utilizados na epidemiologia: causa


necessária e causa suficiente, em que, para que um indivíduo desenvolva uma doença,
não basta a presença do agente específico da doença em seu organismo. É necessário
que, sobre o indivíduo, atuem diversas forças ou causas que serão capazes de, em
conjunto com o agente específico, causar o câncer, a doença específica.

O agente específico será a causa necessária. Mas outras forças são ditas como causas
predisponentes. As causas necessárias e as causas predisponentes formarão uma causa
suficiente. Dessa maneira, as doenças multicausais, como o câncer, poderão ter distintas
causas suficientes.

A evolução dos tumores


Conhecer a forma como evoluem ou crescem os tumores permite que eles sejam previstos
ou possam ser identificados ainda quando a lesão está na fase pré-neoplásica, que
significa uma fase na qual a doença ainda não se desenvolveu.

A evolução do tumor com malignidade dependerá:

»» Da velocidade do crescimento tumoral.

»» Do órgão onde o tumor está localizado.

»» Dos fatores individuais de cada pessoa.

»» Dos fatores ambientais.

De acordo com essas características, os tumores serão detectados em diferentes fases:

»» Na fase pré-neoplásica (antes de a doença se desenvolver).

»» Na fase pré-clínica ou microscópica (quando ainda não há sintomas).

»» Na fase clínica (apresentação de sintomas).

Estadiamento clínico
Em qualquer das fases em que o câncer for detectado, haverá a necessidade de se
classificar cada caso com base na extensão do tumor. O método que se utiliza para essa
classificação é conhecido como estadiamento. Sua importância consiste na constatação
de que a evolução do câncer é diferente quando essa está presente apenas no seu órgão
de origem ou quando ele se estende para outros órgãos.

51
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

O estadiamento poderá ser clínico ou ainda patológico. Quando se fala em estadiar


um caso de neoplasia maligna significa avaliar o seu grau de disseminação.
Existem regras internacionais estabelecidas para que isto seja feito, que estão em constante
aperfeiçoamento.

Essa classificação irá permitir ao médico especialista em oncologia propor o melhor


tratamento e o mais adequado para cada paciente, pois no caso de dois pacientes,
com o mesmo tipo de câncer, mas que possuem estadiamentos diferentes, poderão ter
diferentes propostas de tratamento.

No sistema do estadiamento, o mais empregado é o preconizado pela União Internacional


Contra o Câncer (UICC), conhecido como Sistema TNM de Classificação dos Tumores
Malignos. Tal sistema se baseia na extensão anatômica da doença, levando-se em
conta todas as características do tumor primário (T), as dos linfonodos das cadeias de
drenagem linfática, no órgão no qual o tumor se localiza (N) e na presença ou ausência
de uma metástase a distância (M). Tais parâmetros recebem graduações de T0 a T4; N0
a N3; e de M0 a M1, respectivamente.

O estádio de um tumor refletirá não apenas a sua taxa de crescimento e a extensão da


doença, mas no tipo de tumor e na sua relação com o paciente. Assim, além do TNM, a
classificação de todas as neoplasias malignas deverá considerar: a localização do tumor,
o tipo histopatológico, a produção de diversas substâncias e das manifestações clínicas
do tumor, do sexo e idade do paciente, dos comportamentos e das características
biológicas de cada paciente.

Sobre o tumor primário, como exemplo da mama, observamos a evolução do tumor da


seguinte forma, observem as figuras 4 e 5:

»» TX: o tumor primário não pode ser avaliado.

»» TO: não existe evidência de tumor primário.

»» Tis: carcinoma in situ.

»» Tis (CDIS): carcinoma ductal in situ.

»» Tis (CLIS): carcinoma lobular in situ.

»» Tis (Paget): doença de Paget do mamilo sem tumor na mama.

»» T1: tumor menor ou igual a 2 cm em sua maior dimensão.

»» T1 mic.: microinvasão: invasão das células neoplásicas além da membrana


basal, para os tecidos adjacentes, com nenhum foco maior que 0.1 cm

52
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

em sua maior dimensão. Quando há vários focos, somente o tamanho do


maior é usado para classificar a microinvasão.

»» T1a: maior que 0.1 cm e menor que 0.5 cm.

»» T1b: maior que 0.5 cm e menor ou igual a 1 cm.

»» T1c: maior que 1 cm e menor ou igual 2.0 cm.

»» T2: tumor maior que 2 cm e menor ou igual a 5 cm em sua maior dimensão.

»» T3: tumor maior que 5 cm em sua maior dimensão.

»» T4: tumor de qualquer tamanho, com extensão direta à parede torácica


e/ou pele.

»» T4a: extensão à parede torácica (costelas, músculos intercostais). Não


inclui o músculo peitoral.

»» T4b: edema (inclusive tipo casca de laranja), ulceração da pele ou nódulos


cutâneos satélites confinados na mesma mama.

»» T4c: associação de T4a e T4b.

»» T4d: carcinoma inflamatório, com endurecimento difuso da pele, com


borda erisipeloide e frequentemente sem massa subjacente.

Figura 4. T3. Tumor primário.

Fonte: INCA, 2011.

Figura 5. T4. Tumor primário.

Fonte: INCA, 2011.

53
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

Sobre os linfonodos regionais (N), que eventualmente surgem em pacientes com tumor
na mama, podemos observar as seguintes evoluções:

»» Linfonodos regionais ou homolaterais (Figura 6): são aqueles localizados


no mesmo lado no tumor da mama. Quando em outras localizações
são codificados como metástase(s) M1, inclusive os cervicais, supra e
infraclaviculares e mamários internos contralaterais.

»» Nx: linfonodos regionais não podem ser avaliados (ex.: por terem sido
previamente removidos).

»» NO: linfonodos regionais sem sinais de metástase.

»» N1: metástase(s) em linfonodos(s) axilares regionais níveis I e II, móveis.

»» N2: metástase em linfonodos regionais.

»» N2a: axilar(es) nível ou níveis I e II, focos entre si ou a outras estruturas.

»» N2b: da cadeia mamária interna, clinicamente detectada (é assim


definida quando se detecta por exame clínico ou por estudos de imagem
excluindo linfocintigrafia, com características bastante suspeitas de uma
malignidade, que foram detectadas no exame histológico do material,
feito por aspiração com uma agulha bem fina. Ainda não apresenta
evidências clínicas de possíveis linfonodos.

»» N3: metástase ou metástases em linfonodos regionais.

»» N3a: infraclaviculares, de nível III, podendo ou não ter um


comprometimento de linfonodo axilar.

»» N3b: da cadeia mamária interna, foi clinicamente identificada e ainda


apresenta comprometimento dos linfonodos regionais.

»» N3c: supraclavicular ou supraclaviculares: pode ou não ter


comprometimento de linfonodos axilares ou ainda da mamária interna.

Figura 6. N (linfonodos regionais).

Fonte: INCA, 2011.

54
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

Na figura 7, observamos uma metástase a distância (M), onde pode ter as seguintes
localizações e as suas respectivas siglas:

»» MO: significa ausência de metástase a distância.

»» M1: significa a metástase a distância.

»» CER: cerebral.

»» LIN: linfonodos.

»» MO: medula óssea.

»» CUT: na pele.

»» HEP: hepática.

»» OSS: óssea.

»» PUL: pulmonar.

»» PLE: pleura.

»» PER: peritônio.

»» Ovário

Figura 7. M (metástase a distância).

Fonte: INCA, 2011.

55
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

Tabela 6. Grupamento por estádios.

Estádio Tumor Linfonodo Metástase


0 Tis N0 MO
I IA; IB T0; T1 N0; N1 MO
II IIA; IIB T0; T1; T2; T3 N0;N1 MO
III IIIA; IIIB; IIIC T0; T1; T2; T3; T4 N3; N2; N1; N0 MO
IV Qualquer T Qualquer N M1

Fonte: INCA, 2009.

56
Capítulo 2
Tratamento

Principais maneiras de se tratar o câncer


As principais metas do tratamento são: obter a cura, um prolongamento da vida útil e
promover uma melhora da qualidade de vida. Existem alguns tratamentos curativos para
cerca de um terço de todos os casos de câncer, para os cânceres de mama, os do colo do
útero, câncer da cavidade oral e do cólon, que quando são detectados precocemente e
logo tratados de acordo com as melhores práticas clínicas, conseguem a cura do paciente.

Alguns tipos de câncer, como, por exemplo, o seminoma metastático (um tumor do
testículo) e alguns tumores em crianças, como a leucemia aguda e os linfomas, mesmo
não possuindo métodos de detecção precoce, apresentam alto potencial de cura.

As três formas principais de tratamento do câncer são: a quimioterapia, a radioterapia


e a cirurgia. Tais tratamentos podem ser usados em conjunto, mudando quanto à
suscetibilidade dos tumores com cada uma dessas modalidades terapêuticas e a uma
melhor sequência de administração dessas alternativas.

Poucas são as neoplasias malignas, que são tratadas atualmente apenas com uma
modalidade terapêutica.

O tratamento do câncer dependerá de inúmeros fatores, como estadiamento do tumor,


idade do paciente, localização do tumor, e tipo de células cancerosas. Em grande parte dos
tratamentos, há a associação de tratamento para o combate do câncer, distribuindo-se
em modalidades como: cirurgia, radioterapia, quimioterapia, bioterapia, agentes
endócrinos e transplante de medula óssea.

Considerando a complexidade da adesão dos pacientes oncológicos ao tratamento,


nota-se a necessidade da presença do profissional farmacêutico na equipe de saúde,
agregando valores a ela, de modo a assegurar a efetividade e a segurança no uso
de medicamentos.

Quimioterapia
A quimioterapia é considerada hoje em dia, como uma das formas de tratamento mais
aplicadas aos pacientes, com os objetivos específicos de se conduzir para a cura,

57
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

bem como o controle e também como paliativo. Estão envolvidas várias substâncias
extremamente citotóxicas, que serão administradas aos pacientes, preferencialmente
pela via cuja ação é mais rápida, a via sistêmica (endovenosa).

Como resultado de um tratamento tão agressivo, para as células sadias e as doentes,


vários efeitos colaterais podem surgir, desde vômitos até a queda do cabelo do paciente,

As lesões do esôfago, a desnutrição ou também um possível desequilíbrio


hidro-eletrolítico, podem levar os pacientes a abandonarem o tratamento, o que resulta
em uma baixa adesão terapêutica do paciente. Esse fato, caso ocorra, compromete
muito os ciclos quimioterápicos, fazendo com que a qualidade de vida seja diminuída o
que comprometerá a eficácia terapêutica do tratamento.

Um fator relevante em relação ao tratamento farmacoterapêutico desses pacientes é o


termo Dose Máxima Diária Recomendada, que segundo a Organização Mundial de Saúde
(OMS), pode ser definida como a dose máxima de um fármaco quando usado na sua
principal indicação. Ela é determinada a partir da experiência existente com o fármaco
publicadas em estudos, comparada às recomendações da literatura e do fabricante.
A literatura também define dose máxima como a maior quantidade de um medicamento
capaz de produzir um efeito terapêutico, porém, se essa dose for ultrapassada poderá
acarretar efeitos tóxicos para o doente. Com isso, o efeito terapêutico adequado está
situado entre as concentrações que geram efeitos parcialmente eficazes e as que geram
os efeitos potencialmente tóxicos, que são definidos como limite mínimo e máximo de
um fármaco, chamado de “janela terapêutica”.

Na farmacocinética, em que são considerados os processos de absorção, distribuição,


biotransformação e excreção, diversos fatores relacionados ao paciente podem influenciar
esse efeito terapêutico do fármaco, como: situações fisiológicas (peso, sexo, idade),
hábitos do paciente (fumo, alimentação, ingestão de álcool), doenças (insuficiência renal,
hepática). Dessa forma, é relevante relatar que esquemas farmacológicos inapropriados
podem ocasionar concentrações insuficientes/subterapeuticas – que mascaram a
interpretação da eficácia do fármaco escolhido – ou excessivas – que podem acarretar
toxicidade medicamentosa.

Objetivos da quimioterapia:

»» A quimioterapia prévia, neoadjuvante ou citorredutora: indicada


para a redução de tumores locais e para os regionalmente avançados que,
no momento, são irressecáveis ou não. Tem a finalidade de tornar os
tumores ressecáveis ou de melhorar o prognóstico do paciente.

58
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

»» A quimioterapia chamada de adjuvante ou profilática: será


indicada logo após o tratamento cirúrgico curativo, e quando o paciente
não apresentar qualquer evidência de uma neoplasia de forma maligna
que será detectável por um exame físico e pelos exames complementares.

»» A quimioterapia curativa: tem como finalidade curar pacientes com


as neoplasias malignas. Ela representará o principal tratamento (pode
ou não estar associada à uma cirurgia ou a radioterapia). Certos tipos
de tumores em um adulto, bem como vários tipos de tumores que são
detectados em crianças e nos adolescentes, serão curáveis utilizando a
quimioterapia.

»» A quimioterapia para o controle temporário de doença: será


indicada para o tratamento dos tumores sólidos, os tumores avançados ou
ainda os recidivados. As neoplasias hematopoiéticas de evolução crônica
podem utilizar também esse tipo de tratamento. É capaz de permitir uma
longa sobrevida (de meses ou até de anos), mas sem a possibilidade da
cura. Porém, é possível obter-se um aumento da sobrevida do doente.

»» A quimioterapia paliativa: será indicada para uma paliação dos


sinais e sintomas que irão comprometer a capacidade funcional deste
paciente, porém, não repercutirá na sua sobrevida. Em qualquer via
de administração, ocorrerá uma duração limitada, tendo-se em vista a
incurabilidade do tumor (no caso de doença avançada, de uma recidiva
ou ainda um tumor metastático), que tenderá a uma evolução.

Os efeitos adversos ocasionados pelos fármacos antineoplásicos são um fator importante


para a não adesão à terapia pelo paciente e podem influenciar na efetividade, levando
a uma progressão da doença. A adesão pode ser impulsionada por diversos fatores,
estando esses relacionados com as características da terapêutica, tais como: os custos,
os vários efeitos indesejáveis dos fármacos e todos os esquemas terapêuticos complexos,
uma qualidade na relação da equipe multiprofissional com os pacientes, e ainda como
as próprias características intrínsecas a cada paciente (incluindo: idade, a etnia, a raça,
a escolaridade, o estado civil, o nível socioeconômico e as crenças). É fundamental
conhecer todos esses fatores, pois eles serão uma importante ferramenta para todos os
profissionais da saúde que acompanham de perto a evolução dos doentes crônicos, em
especial os pacientes oncológicos.

Nota: a hormonioterapia pode ser considerada como um tipo de tratamento


quimioterápico. Essa prática consiste no uso de substâncias que serão semelhantes
ou ainda inibidoras dos hormônios. Esses hormônios irão tratar as neoplasias que

59
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

são dependentes deles. O objetivo final desse tratamento será definido pelo médico
oncologista clínico, baseado na doença do paciente.

Figura 8. Quimioterapia.

Fonte: INCA, 2011.

Radioterapia
A radioterapia é outro método utilizado para o tratamento do câncer, de modo local ou
locorregional. Utiliza diversos equipamentos e diferentes técnicas de modo a irradiar as
áreas do corpo humano, que foram prévia e cuidadosamente demarcadas.

Finalidades da radioterapia

As finalidades da radioterapia estão relacionadas abaixo e se referem aos pacientes


adultos, pois em crianças e adolescentes, cada vez menos a radioterapia é utilizada.
Por causa dos efeitos adversos tardios ao desenvolvimento do organismo que ela acarreta.

»» Radioterapia curativa: principal modalidade de tratamento


radioterápico; visa à cura do paciente.

»» Na radioterapia pré-operatória (conhecida como RT prévia


ou citorredutora): os procedimentos antecedem a principal forma de
tratamento, a cirurgia, para conseguir reduzir o tumor e também facilitar
os procedimentos operatórios.

»» Na radioterapia pós-operatória ou pós-quimioterapia


(chamada de radioterapia profilática): seguirá a principal
modalidade do tratamento, e tem a finalidade de esterilizar todos os
possíveis focos microscópicos do tumor.

»» Na radioterapia paliativa: objetiva o tratamento local do tumor


primário ou de metástase(s), sem causar influência na taxa de sobrevida
do paciente. Será usada principalmente nas seguintes circunstâncias:
60
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

›› Na radioterapia antiálgica: é uma modalidade de radioterapia


com fins paliativos, e possuem a finalidade específica de reduzir a dor
do paciente.

›› Na radioterapia anti-hemorrágica: tal modalidade de


radioterapia paliativa possui a finalidade específica de tentar controlar
os sangramentos no paciente.

Figura 9. Radioterapia.

Fonte: INCA, 2011.

Abordagem multidisciplinar integrada


Todos os especialistas que são oncologistas e clínicos gerais, dentre outros médicos, são
os responsáveis por uma indicação de cirurgia oncológica, das sessões de quimioterapia
e das de radioterapia também. Especificamente, destacam-se os seguintes profissionais:
o cirurgião oncológico, o oncologista clínico e o radioterapeuta.

Entretanto, os tratamentos instituídos devem estar inseridos em uma abordagem


multidisciplinar em que outras áreas técnico-assistenciais, como enfermagem, farmácia,
serviço social, nutrição, fisioterapia, reabilitação, odontologia, psicologia clínica,
psiquiatria e estomaterapia (cuidados de ostomizados), estejam obrigatoriamente
envolvidas.

Embora cada área hospitalar já tenha o seu papel bem definido e estabelecido, uma
abordagem multidiscilinar integrada é muito mais efetiva que se fazer uma sucessão
de intervenções nos pacientes de maneira isolada durante todo o manejo do paciente
oncológico.

Exceto para cirurgias de doenças muito limitadas ou lesões pré-malignas (como as lesões
precursoras do câncer do colo do útero), o tratamento oncológico de alta complexidade

61
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

(principalmente a cirurgia oncológica, a quimioterapia e a radioterapia) depende do


apoio de uma estrutura hospitalar de nível terciário, com maior densidade tecnológica,
especialmente preparada para:

»» Confirmar o diagnóstico.

»» Realizar o estadiamento sempre que necessário.

»» Promover todos os tipos de tratamento, bem como a reabilitação e todos


os cuidados paliativos, que devem ser detalhadamente organizados, nas
redes de serviços de saúde, de uma maneira totalmente integrada com os
níveis primário e os níveis secundário de atenção.

O papel do farmacêutico se faz presente através da sua inserção na equipe multidisciplinar


do hospital ou ainda de uma clínica oncológica, onde ele contribuirá tanto no
diagnóstico do câncer, como também nas decisões a serem tomadas relacionadas ao
tratamento oncológico. A sua presença já é valorizada e bastante requisita numa equipe
multidisciplinar no âmbito hospitalar.

Os conhecimentos farmacêuticos relacionados ao paciente, à ação de medicamentos e


também aos tratamentos medicamentosos, podem garantir a terapia apropriada para
os pacientes em fase de condicionamento terapêutico, e influenciam positivamente na
redução do tempo de hospitalização e dos danos orgânicos transitórios desses pacientes,
além disso, podem evitar fracassos terapêuticos. Um farmacêutico na equipe fará toda a
diferença no tratamento oncológico de qualquer paciente.

Importância do conhecimento do câncer


no tratamento
A qualidade e a eficácia do tratamento do câncer, pode variar de maneira significativa
baseado no diagnóstico, no estadiamento da doença e também nos fatores sociais que
estão presentes.

Se considerarmos as dimensões e a também a heterogeneidade do Brasil, com todas as


suas diferenças, veremos que esses são aspectos fundamentais para o sucesso de um
tratamento. Um acesso adequado aos medicamentos e uma terapêutica eficaz devem
estar disponíveis. Alguns desafios devem ser superados. A seguir, serão mostrados
alguns deles:

»» Capacitar-se sempre, através da educação constante em saúde, todo o


recurso humano, de modo a se comprometer ao máximo possível para o
encaminhamento do paciente para o seu tratamento adequado, após ser
62
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

feito o diagnóstico precoce. Sem esse tratamento a detecção precoce e


também o diagnóstico perderão o seu significado.

»» Todos devem compreender a importância e o significado das informações


sobre os casos de câncer que serão atendidos em todos os hospitais do
SUS que tratarão dessa doença. Na coleta e no armazenamento de dados
pelos Registros Hospitalares de Câncer, devem avaliar os resultados do
tratamento a nível nacional.

»» O comprometimento com a melhora do acesso aos diagnósticos para os


pacientes com suspeita de câncer que procurarem os serviços de saúde
(essa ação estará ligada a uma estruturação de média complexidade).
Através da capacitação profissional, de uma educação continuada e da
garantia da infraestrutura necessária para essa etapa do cuidado.

»» Deve haver uma atualização e um apoio para as estruturas que regulam


o encaminhamento dos pacientes na Atenção Oncológica. Para que o
acesso seja facilitado ao melhor tratamento disponível.

»» Contribuição para que todas as unidades que tratem dos pacientes


oncológicos ofereçam os serviços integrados, de modo a assegurar uma
atenção às necessidades dos pacientes durante o tratamento contra o câncer.

»» Durante o atendimento, os profissionais devem orientar os pacientes e os


seus familiares sobre a relevância de se adotar hábitos saudáveis, dentre
eles: não fumar, manter sempre uma alimentação saudável e ainda
praticar atividades físicas regulares, contribuindo, assim, para o controle
do câncer e também para a prevenção de outras doenças.

Cuidados paliativos
As ações de controle do câncer não se restringem à prevenção, à detecção precoce, ao
diagnóstico ou ao tratamento, mas envolvem também os cuidados paliativos. Segundo a
OMS, os cuidados paliativos consistem na abordagem para melhorar a qualidade de vida
dos pacientes e de seus familiares e no enfrentamento de doenças que oferecem risco de
vida, pela prevenção e pelo alívio do sofrimento. Isso significa a identificação precoce e o
tratamento da dor e de outros sintomas de ordem física, psicossocial e espiritual.

Os objetivos dos cuidados paliativos são:

»» Ser capaz de promover um alívio da dor e de todos os outros sintomas


que podem causar algum sofrimento, visando buscar uma melhoria na

63
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

qualidade de vida do paciente, o que influenciará de maneira positiva no


percurso da doença.

»» Poder integrar todos os aspectos físicos, psicológicos e espirituais nos


cuidados aos pacientes, através de equipes interdisciplinares, constituídas
de profissionais preparados para essas abordagens.

»» Poder promover todos os cuidados necessários e fazer as investigações


necessárias que objetivem melhorar a compreensão e também o manejo
de todas as complicações clínicas que podem causar algum sofrimento ao
paciente, podendo evitar os procedimentos invasivos que não conseguem
levar a uma melhoria da qualidade de vida do paciente oncológico.

»» Deve ser oferecido um suporte de modo a ajudar os pacientes a ter uma


sobrevida a melhor possível, usufruindo do convívio familiar.

»» Dar suporte para toda a família durante a doença e também após o óbito,
em seu próprio processo de luto.

»» Saber respeitar e entender a morte como um processo que faz parte


natural de todo o ciclo da vida, não procurando buscar a sua antecipação
ou ainda o seu adiamento.

Sinais e sintomas frequentes


Eis alguns sinais e sintomas frequentes nos pacientes oncológicos em cuidados paliativos:

»» dor;

»» fadiga;

»» falta de apetite;

»» náuseas e vômitos;

»» edema e linfedema;

»» constipação intestinal.

Os pacientes idosos com câncer avançado normalmente apresentam várias


comorbidades, tanto devido aos problemas da própria idade quanto àqueles originados
em decorrência dos vários tipos de tratamento oncológico aos quais foram submetidos
na tentativa de cura e controle da doença.

»» obstrução intestinal;

64
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

»» alteração da mucosa oral;

»» diarreia;

»» aumento do volume abdominal;

»» sangramento;

»» depressão.

Quando indicar cuidados paliativos


Por recomendação da OMS, todos os pacientes portadores de doenças graves,
progressivas e incuráveis devem receber cuidados paliativos desde o diagnóstico
da doença.

Alguns critérios são estabelecidos como recomendações para os cuidados paliativos:


para o momento de se fazer o diagnóstico; nas ocasiões nas quais a doença é detectada
em um estágio no qual as possibilidades de cura são questionáveis; ou ainda quando
todas as possibilidades de um tratamento curativo ou de manutenção da vida do
paciente e a doença progride.

Os pacientes costumam apresentar um sofrimento decorrente da evolução da doença,


podendo ser moderado ou até intenso.

Idealmente, o encaminhamento para cuidados paliativos deve ser feito enquanto o


paciente apresenta condições de autocuidado, buscando-se estimular a sua autonomia
por mais tempo possível.

65
Capítulo 3
Modelos de atenção oncológica

Existem dois modelos de assistência que podem atender às necessidades do paciente


com câncer avançado e considerado incurável pelas terapêuticas disponíveis.

Hospitalar
No ambiente hospitalar, os cuidados paliativos podem ser oferecidos por meio
de consultas ambulatoriais ou de internações. As modalidades de atendimentos
hospitalares vão depender do estado geral dos pacientes e de suas necessidades.

Se o paciente estiver em condições físicas, ele poderá comparecer à consulta com toda a
equipe interdisciplinar (que incluirá médicos, psicólogos, enfermeiros, nutricionistas,
farmacêuticos e fisioterapeutas dentre outros) para que seja mantido o controle dos
sintomas, dos curativos etc.

Se a internação for realmente necessária, o paciente e a família devem ser informados


que o objetivo será tratar as intercorrências que só poderão ser controladas no ambiente
hospitalar, mas não haverá a cura da doença. Os pacientes serão também internados no
caso de uma falta de estrutura familiar capaz de oferecer os cuidados paliativos no lar
do paciente.

É importante ter em mente que os cuidados paliativos são para trazer conforto e alívio
dos sintomas.

Assim, devem ser oferecidos no local onde o paciente possa manter a melhor qualidade
de vida.

Domiciliar
Aplicar os cuidados paliativos no local de moradia do paciente é uma ótima opção e
uma alternativa de cuidado quando o paciente já não possui condições de se locomover
e não consegue mais sair de casa. Entretanto, para atingir o sucesso no atendimento
domiciliar com o enfoque paliativo é necessário reunir uma série de condições que
propiciarão um cuidado eficaz.

É necessário dar um destaque para essa forma de atenção, com a concordância total
do paciente e/ou da família e responsáveis, e é extremamente importante e, apesar da
66
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

possibilidade de o óbito acontecer em casa, é necessário que, durante o período de cuidado,


o paciente e a família consigam desenvolver a capacidade de lidar com tal situação.

O plano de cuidado elaborado pela equipe de cuidados paliativos deve orientar a família
e os cuidadores sobre como cuidar do paciente.

Uma vantagem observada em todo o atendimento em domicílio é a possibilidade de


se permitir ao indivíduo que as suas necessidades sejam atendidas, dentro das suas
preferências, sem o mesmo ter que seguir toda a rigidez das regras e dos horários de um
hospital, assim como poder também usufruir do convívio familiar, que o apoiará e lhe
dará todo o carinho necessário.

Informações importantes
Baseado no Manual de Cuidados Paliativos do ano de 2009, confeccionado pela Academia
Nacional de Cuidados Paliativos, destacamos os seguintes pontos:

»» Todos os cuidados paliativos não devem ser baseados em protocolos, mas


em princípios.

»» Não se deve utilizar mais a expressão terminalidade, mas em doença que


ameaça a vida.

»» É indicado aplicar o cuidado desde o diagnóstico da doença, expandindo


assim os campos de atuação profissional junto ao paciente.

»» Não se fala em impossibilidade de cura, mas na possibilidade, ou não, de


tratamento modificador da doença, afastando dessa forma a ideia de “não
ter mais nada a fazer”.

»» É incluída uma abordagem que abrange também a espiritualidade, entre


todas as dimensões do ser humano.

A família é muito importante em cada etapa do processo. Os familiares também devem


ser assistidos com atenção e carinho. Essa atenção especial que deve ser dada aos
familiares do paciente, deve continuar mesmo após a morte do paciente, durante todo
o período do luto.

Os profissionais da saúde que devem executar todas estas tarefas, precisarão capacitar-se,
adquirirem novas habilidades, fazerem treinamentos e, acima de tudo, é preciso ter vocação!

O câncer, como já aprendemos aqui, constitui um grave problema de saúde pública,


mesmo sabendo-se que parte dos casos é evitável e muitos podem ser prevenidos.

67
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

Sabemos que alguns tipos de câncer permitem a sua detecção precocemente, o que
permitirá monitorar e tentar impedir o seu desenvolvimento.

»» No caso de pacientes que possuem a doença já avançada, os sintomas


podem ser diminuídos, e todos os pacientes e os seus familiares, devem
receber ajuda e todos os cuidados necessários.

»» Então, cada profissional, inserido no seu campo de atuação, deverá,


através dos seus conhecimentos científicos e de toda a sua experiência
na prática individual, atuar de uma maneira responsável e totalmente
consciente nos cuidados prestados para a população relacionados ao
controle do câncer.

Níveis de atenção oncológica


De acordo com o Ministério da Saúde, uma das maneiras de se organizar o cuidado
é pensar e planejar intervenções nos chamados grupos de risco, gerando assim ações
mais efetivas.

É de extrema importância poder integrar todos os diferentes níveis de atenção


(desde a atenção básica, incluindo uma atenção especializada considerada de média
complexidade e toda a atenção especializada de alta complexidade) do Sistema Único
de Saúde (SUS), onde deverá haver acesso e resolutividade dos problemas de saúde.

Atenção Básica

É caracterizada por todo um conjunto de ações envolvidas na saúde, em todo o âmbito


individual e coletivo, que é capaz de abranger a promoção, a prevenção e a proteção da
saúde, incluindo toda a prevenção dos agravos, o diagnóstico clínico, todas as etapas
do tratamento bem como a reabilitação e ainda a manutenção da saúde. Essas ações
acontecem sob forma de trabalho em equipe e são dirigidas a populações de territórios
bem delimitados, utilizando tecnologias de elevada complexidade e as tecnologias de
baixa densidade que forem necessárias para resolver todos os problemas de saúde
considerados de maior frequência e de grande relevância em seu território (Portaria
SAS/MS no 648/2006 – Política Nacional de Atenção Básica). É a conhecida atenção
primária na saúde.

Atenção Especializada de Média Complexidade

A complexidade classificada como média, é constituída por diversas ações e por todos
os serviços que objetivam atender os principais problemas de saúde, incluindo os
68
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

agravos de saúde da população. Essa assistência quando aplicada na prática clínica irá
demandar uma maior disponibilidade de todos os profissionais que são especializados
e ainda em uma utilização dos recursos tecnológicos que irão apoiar o diagnóstico e as
etapas do tratamento. É conhecida como atenção secundária.

Procedimentos de média complexidade que podem ser citados:

»» Cirurgias ambulatoriais especializadas.

»» Procedimentos traumato-ortopédicos.

»» Ações especializadas em odontologia.

»» Patologia clínica.

»» Anatomia patológica e citopatologia.

»» Radiodiagnóstico.

»» Exames ultrassonográficos.

»» Diagnose.

»» Fisioterapia.

»» Terapias especializadas.

»» Próteses e órteses.

»» Anestesia.

»» Outros procedimentos especializados realizados por médicos ou outros


profissionais de níveis superior e médio.

Atenção Especializada de Alta Complexidade

Entende-se como sendo de alta complexidade todo um conjunto de procedimentos


que, dentro das qualificações do SUS, envolvendo uma alta tecnologia e também um
alto custo, com os objetivos de proporcionar para a população, um amplo acesso aos
serviços mais qualificados, integrando todos aos demais níveis existentes de atenção à
saúde (consideradas de atenção básica e de média complexidade).

Estão listadas abaixo as áreas principais que irão compor a chamada alta complexidade
do SUS, que é organizada em diversas redes:

»» Assistência ao paciente oncológico.

69
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

»» A assistência aos pacientes portadores de doenças renais crônicas (através


dos procedimentos de diálise).

»» As cirurgias cardiovasculares, as cirurgias vasculares e as cardiovasculares


pediátricas, de maneira geral.

»» Os procedimentos pertencentes à cardiologia intervencionista.

»» Todos os procedimentos endovasculares necessários e os extracardíacos.

»» Inclui os laboratórios de eletrofisiologia.

»» Toda a assistência necessária em traumato-ortopedia.

»» Todos os procedimentos inclusos na neurocirurgia.

»» A prestação de uma assistência em otologia.

»» As cirurgias de implantes cocleares.

»» Inclui toda a assistência aos pacientes portadores de todos os graus de


queimaduras.

»» Abrange toda a assistência que será prestada aos pacientes portadores de


obesidade (cirurgia bariátrica).

»» Toda a parte da cirurgia reprodutiva.

»» A genética clínica.

»» Terapia nutricional.

»» Distrofia muscular progressiva.

»» Reprodução assistida.

Essas linhas para a atenção e para o cuidado são constituídas de políticas públicas de
saúde matriciais. Tais linhas integram todas as ações relacionadas com a proteção, com
a promoção, com a prevenção, com as ações de vigilância e de assistência, voltadas para
cada uma das especificidades dos grupos, ou ainda para as necessidades próprias de cada
indivíduo, permitindo, dessa maneira, não só uma condução oportuna dos pacientes
envolvidos, dentre eles o oncológico e pelas várias possibilidades do diagnóstico e
também da terapêutica, mas fornecerá, sobretudo, uma visão geral das condições de
vida do paciente que se encontra em cuidado da equipe de saúde.

As linhas de cuidado fazem parte de um conceito que se limita apenas ao momento


inicial que será necessário para se organizar toda a atenção, com base no conhecimento
de toda a história natural da doença.
70
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

As linhas de cuidado fornecem uma referência para prever um conjunto mínimo de


atividades e procedimentos necessários e estimar seus custos, mas não representam
um protocolo clínico.

Organizando as linhas de cuidado

Como cada tipo de câncer possui sua própria história natural de doença, as linhas de
cuidado irão exigir um fluxo assistencial do que deve ser feito, em termos de cuidados
assistenciais e encaminhamentos, para atender às necessidades de saúde, de acordo
com as possibilidades de se intervir no processo de evolução da doença.

Em consonância com as recomendações governamentais em vigor (Portarias


Ministeriais), a implementação dessas políticas e programas de controle do câncer
implica organização de linhas de cuidado que perpassem todos os níveis de atenção
e modalidades de atendimento, em um modelo assistencial que articule recursos,
garantindo acesso aos serviços e tratamento necessários.

Dito isso, vale lembrar que as dimensões que o cuidado integral requer vão muito mais
além da linha de cuidado que será apresentada nesse momento.

Assim como os cuidados assistenciais para o controle do câncer (entre eles: diagnóstico,
tratamento, reabilitação e cuidados paliativos) devem ser previstos pelos gestores do
SUS, por meio da programação das ações de saúde nos diversos tipos de serviços de
saúde, de modo a facilitar a integração das ações preventivas, curativas e de reabilitação,
cabe aos profissionais de saúde a responsabilidade de executá-los.

O papel do Sistema Único de Saúde (SUS)

O Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Constituição Federal de 1988, estabeleceu
princípios doutrinários e organizativos na área da saúde.

Os princípios doutrinários do SUS são:

»» Universalidade.

»» Equidade.

»» Integralidade.

Os princípios que regem a organização do SUS são:

»» Regionalização e hierarquização.

»» Resolubilidade.
71
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

»» Descentralização, com direção única em cada esfera de governo.

»» Participação da comunidade.

»» Complementariedade do setor privado.

Sobre as redes de assistência e de ações e serviços prestados à saúde, a Constituição


Federal, no seu artigo 198, deixa bastante claro que todas as ações e os serviços públicos
de saúde devem integrar uma rede que será regionalizada e também hierarquizada.
Pois irão constituir um sistema que será único, que deve ser organizado com base nas
seguintes diretrizes definidas pelo Ministério da Saúde (MS):

»» Deve ser implantada uma descentralização, com uma única direção em


cada esfera de governo.

»» Deve haver um atendimento de forma integral, com prioridade total para


todas as atividades de caráter preventivo, sem o prejuízo dos serviços
assistenciais.

»» Participação da comunidade.

A situação atual apresentada em diversas Unidades de Saúde, da falta de profissional


farmacêutico vinculado às Unidades de Saúde, contribui para uma estrutura de
saúde fragmentada. De maneira que isso contribui para o aumento na aquisição de
medicamentos desnecessários, para o uso seu irracional e para a falta de articulação
com as demais equipes.

Sabe-se que a garantia do acesso aos medicamentos depende de um financiamento


sustentado, o qual deve ser assegurado por todas as instâncias gestoras do SUS, de acordo
com a política estabelecida para a Assistência Farmacêutica e para os medicamentos
a serem disponibilizados nos diferentes níveis de atenção e programas de saúde.
Somente com financiamento assegurado é possível disponibilizar os medicamentos
necessários para dar suporte às ações de atenção à saúde e viabilizar o desenvolvimento
e continuidade das ações nessa área.

Os medicamentos contribuem, em muitos casos, de forma decisiva para o controle das


doenças e o aumento da expectativa e da qualidade de vida da população. O uso racional
de medicamentos consiste, assim, em maximizar os benefícios obtidos pelo uso dos
fármacos, em minimizar os riscos decorrentes de sua utilização (acontecimentos não
desejados) e em reduzir os custos totais da terapia para o indivíduo e a sociedade.

A assistência farmacêutica é um dos blocos de serviços de saúde e vai além das paredes
da farmácia e do contato com medicamentos. A gestão se faz identificando problemas,
necessidades e buscando estratégias de transformação.

72
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

A Atenção Básica das Unidades Básicas de Saúde, ainda hoje, é vulnerável e possui muitos
desafios. Foi observado que ainda existe uma forte resistência da gestão municipal em
apoiar as ações farmacêuticas, a demanda de atendimento da unidade tem aumentado
cada vez mais por falta de profissionais, falta de ações preventivas, profissionais pouco
interessados em se qualificar na área da saúde pública, e ainda um desafio para muitos
municípios: a automedicação e o consumo excessivo de medicamentos.

Mesmo após o SUS ter reestruturado o Sistema de Nacional de Saúde, contemplando a


população com o acesso à saúde em todos os níveis de assistência e incluindo a Atenção
Farmacêutica, ainda é um desafio garantir a presença do farmacêutico nas unidades
públicas de saúde, pois há necessidade de se sensibilizar os gestores sobre a importância
do farmacêutico nas Unidades de Saúde.

As notícias, apesar das dificuldades de atuação farmacêutica no SUS, são muito


boas. Todos os profissionais e as entidades de saúde já perceberam a importância do
profissional farmacêutico atuando de maneira clínica nos centros de saúde. Com a
consolidação das atividades clínicas do farmacêutico com a Resolução no 585/2013,
todos os serviços de assistência à saúde, da rede pública e também da rede privada, têm
investido na capacitação farmacêutica.

O número de contratações de farmacêuticos para a atuação clínica e assistencial vem


crescendo de maneira rápida. Já está então consolidada a presença do farmacêutico
clínico no âmbito do (SUS) Sistema Único de Saúde. Os próximos concursos públicos
trarão com certeza, diversas vagas destinadas ao farmacêutico clínico.

A importância da farmacovigilância para os pacientes


oncológicos e para a atuação farmacêutica

A farmacovigilância está ligada diretamente à Atenção Farmacêutica, que também pode


ser definida como “atenção que dado paciente requer e recebe com garantias de um uso
seguro e racional dos medicamentos”.

A farmacovigilância tem como objetivo:

»» detectar reações adversas desconhecidas e interações;

»» detectar o aumento da frequência das reações adversas conhecidas;

»» identificar os fatores de risco e os possíveis mecanismos de desenvolvimento


de reações adversas;

»» analisar aspectos quantitativos de benefício/risco e informação necessária


para prescrição e regulação dos fármacos.

73
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

Por causa da tragédia causada pela talidomida, atividades como a farmacovigilância


foram levadas mais a sério. A farmacovigilância é o método utilizado para identificar
questões de acontecimentos referentes ao uso de medicamentos pela população, levando
em consideração a segurança da saúde. A partir dela, pode-se avaliar e identificar a reação
adversa e informar a todos para a prevenção, principalmente se tratando de alguma
reação desconhecida ou rara. Sua atuação deverá ser realizada em medicamentos novos
e antigos. Dessa forma é estabelecido o uso racional do medicamento e diversificado o
conhecimento sobre suas reações adversas.

Porém, nem todos os profissionais da saúde estão preparados ou habilitados o suficiente


para fazer parte desse grupo. Quando o paciente está hospitalizado a equipe de saúde
consegue desenvolver um bom trabalho devido à facilidade de acesso ao histórico clínico
do paciente, porém, a falta de comunicação na continuação do tratamento terapêutico
domiciliar é o que mais interrompe o ciclo, pois o paciente não se conscientiza da
importância do histórico clínico e o farmacêutico comunitário não tem todas as
informações necessárias para a atenção específica na sequência do tratamento.

A dificuldade no desenvolvimento desse trabalho foi a falta do reconhecimento do


papel do farmacêutico nos trabalhos pesquisados, sendo o farmacêutico o profissional
de maior conhecimento específico relacionado aos medicamentos e aos efeitos que eles
podem apresentar.

Não há como prever todas as reações adversas causadas pelos medicamentos e nem
mesmo evitar essas reações adversas, mas é possível a partir do conhecimento após
levantamento. Após a tragédia com a talidomida, a necessidade de evitar problemas
como esse no futuro levou ao desenvolvimento e à implantação de métodos para a
rápida identificação das RAM’s (reações adversas aos medicamentos), principalmente
em medicamentos novos.

Com a implantação do sistema de farmacovigilância, houve o ganho em vantagens


indiretas e diretas em diversos setores. Podemos exaltar a sensibilização dos profissionais
da saúde sobre as reações de cada medicamento, fator importantíssimo para evitar
riscos aos pacientes por uma prescrição errada ou uso inapropriado dos medicamentos.
A contribuição para o uso racional de medicamentos por parte de pacientes e uso técnico
responsável por parte dos farmacêuticos foi imensa.

Na década de 1970 houve as primeiras movimentações relacionadas às reações adversas.


Uma grande conquista foi a Política Nacional de Medicamentos, aprovada em 1998,
que garante a segurança, eficácia e qualidade dos medicamentos.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) foi criada em 1999, juntamente


com o Sistema Nacional de Farmacovigilância que é gerenciado pela UFARM Unidade
de Farmacovigilância.

74
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

Sobre as reações adversas

Os medicamentos podem ser heróis ou vilões em nossa sociedade, aumentando a


expectativa de vida, erradicando doenças, mas também podem aumentar riscos e trazer
reações adversas incontroláveis quando utilizados de forma errada.

O sucesso do tratamento farmacoterapêutico está interligado com as RAM, pois


dependendo da gravidade da reação as ações clínicas dos profissionais da saúde
tomarão outro caminho. Algumas ocorrências são fatais ou aumentam o tempo de
estadia no hospital.

Os fármacos antineoplásicos são os que apresentam reações adversas mais graves


levando ao óbito se não for adequado corretamente, o profissional farmacêutico deve
conhecer as reações para que os pacientes sejam orientados corretamente.

Os medicamentos são uma ferramenta importante no tratamento e prevenção de


doenças, eles são responsáveis pela qualidade de vida das pessoas que sofrem algum
tipo de enfermidade. Para produzir os resultados esperados, o medicamento deve
ser usado corretamente, respeitando suas doses e duração do tratamento adequado.
Os medicamentos muitas vezes podem aumentar a expectativa de vida, acabar com
algumas patologias e trazer benefícios sociais e econômicos, porém, podem aumentar
consideravelmente os custos de atenção à saúde se utilizados de forma inadequada
levando à ocorrência de reações adversas a medicamentos (RAM).

A descrição para reações adversas é melhor definida pela Organização Mundial de Saúde
(OMS): “uma resposta nociva e não intencional ao uso de um medicamento que ocorre
em doses normalmente utilizadas em seres humanos para a profilaxia, diagnóstico ou
tratamento de doenças ou modificações de função fisiológica”.

A Reação Adversa a Medicamento (RAM) são os efeitos causados por qualquer


medicamento que seja prejudicial ao ser humano. Classificam-se pela gravidade e
são diretamente ligadas aos causadores iniciais das reações. A farmacovigilância é a
ciência que acompanha as reações adversas, recebendo notificações de usuários de
medicamentos e seus efeitos, para a partir desse levantamento criar prevenções para
garantir a segurança de uso de medicamentos e estabelecer a melhor taxa de equilíbrio
entre efeitos colaterais e benefícios que esses fármacos podem causar.

Sintomas banais como náusea e tontura devem ser incluídos ao se considerar reações
adversas de um medicamento, essas podem aparecer sem o uso do medicamento.
Além das reações banais, há as reações graves em que o medicamento pode proporcionar
um fator etiológico, e haverá diversos caminhos que vão dificultar o real diagnóstico da
reação adversa.

75
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

A maioria dos efeitos indesejáveis não se diferencia clinicamente de outras patologias.


Pode-se levar em consideração alguma ligação possível entre o medicamento e a etiologia
da doença que poderá ser observada em uma anamnese farmacológica detalhada. É
necessário entender que alguns medicamentos o paciente pode não mencionar por uso
crônico ou pelo hábito de automedicação.

São consideradas a existência de dois grupos de RAM’s. Umas são ações farmacológicas
normais, mas por outro lado aumentadas que seriam o Tipo A e as do Tipo B que seriam
efeitos fármacos, ditos bizarros. O tipo A é previsto e poderá ser tratado com o ajuste
de doses do fármaco. O tipo B tem mortalidade alta e deve coibir o uso do fármaco
imediatamente.

Observar a classificação para a gravidade como leve, moderada, grave ou letal na tabela 7:

Tabela 7. Classificação das reações adversas de acordo com a gravidade.

Leve Não requer tratamento específico ou antídotos e não é necessária a suspensão do fármaco.

Exige modificação da terapia medicamentosa, apesar de não ser necessária a suspensão da droga agressora. É capaz de
Moderada
prolongar a hospitalização e ainda exigir um tratamento específico.
Requer a interrupção do tratamento e é potencialmente fatal. Requer hospitalização ou uma estadia prolongada de pacientes
Grave
internados.

Letal Contribui de maneira direta ou indireta para a morte do paciente.

Fonte: Pearson, 1994.

Ainda hoje temos profissionais que não dão importância para a finalidade de um
acompanhamento medicamentoso onde irão enriquecer a farmacovigilância e evitar
danos maiores causados pelos próprios medicamentos. A farmacovigilância é obrigatória
em todo setor de saúde e na comunidade, a atenção farmacêutica, contribui para esse
desenvolvimento e reconhecimento do farmacêutico como profissional da saúde.

A facilidade de aquisição de medicamentos no Brasil eleva o uso irracional e aumenta


as RAM’s. A Farmacovigilância deve proteger a saúde coletiva avaliando cada evento
que possa existir, mesmo que seja causado por uso indevido em pacientes que se
automedicam. Vejamos na tabela 8, as principais legislações relacionadas com os
serviços da farmacovigilância.

Tabela 8. Portarias e Resoluções Federais.

Outras legislações que dão suporte às atividades de farmacovigilância no Brasil


Portaria no 802, de 8 de outubro de Determina que, em caso de reclamações, observações e reações adversas, os distribuidores devem
1998. imediatamente separar o lote e comunicar ao detentor do registro e à autoridade sanitária.

Define que a autoridade sanitária local deve estabelecer mecanismos para a farmacovigilância dos
Portaria no 6, de 29 de janeiro de medicamentos à base das substâncias constantes das listas da Portaria SVS/MS no 344/1998 (e
1999. atualizações), instituindo um modelo específico de ficha de farmacovigilância para os medicamentos
retinoides de uso sistêmico e de formulário de notificação de suspeita de reação adversa.

76
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

 Portaria do Ministério da Saúde Institui o Centro Nacional de Monitorização de Medicamentos (CNMM), sediado na Unidade de
no 696, de 7 de maio de 2001. Farmacovigilância da Anvisa.

Altera o Decreto no 79.094/1977, que regulamenta a Lei no 6.360/1976, incluindo a


Decreto no 3.961, de 10 de outubro
farmacovigilância nas ações de vigilância sanitária, como forma de investigar os efeitos que
de 2001. comprometem a segurança, a eficácia ou a relação risco/benefício de um produto.

Resolução da Diretoria Colegiada Determina que o fabricante de extratos e produtos alergênicos disponha de um sistema de registro
– RDC no 233, de 17 de agosto de e estatística para estudo de farmacovigilância e que, quando houver experiência clínica, os dados
2005. farmacotoxicológicos sejam substituídos por estudos de farmacovigilância ou ensaios clínicos.

Define, como atribuição do farmacêutico na farmácia de manipulação, participar de estudos de


Resolução da Diretoria Colegiada –
farmacovigilância e informar às autoridades sanitárias a ocorrência de reações adversas e/ou
RDC no 67, de 8 de outubro de 2007. interações medicamentosas não previstas.

Portaria no 1.660, de 22 de julho de Institui o Sistema de Notificação e Investigação em Vigilância Sanitária – Vigipos, no âmbito do
2009. Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, como parte integrante do Sistema Único de Saúde – SUS.

Estabelece que o farmacêutico das farmácias e drogarias deva contribuir para a


Resolução da Diretoria Colegiada –
farmacovigilância, notificando a ocorrência ou suspeita de evento adverso ou queixa técnica às
RDC no 44, de 17 de agosto de 2009. autoridades sanitárias.

Resolução da Diretoria Colegiada


Determina que a Anvisa possa exigir alterações nos textos de bulas, sempre que julgar
– RDC no 47, de 8 de setembro de
necessário, com base em informações provenientes da farmacovigilância.
2009.
Resolução – RDC no 60, de 26 de Estabelece que os procedimentos adotados para as notificações de eventos adversos a
novembro de 2009. medicamentos devem ser os mesmos para as amostras grátis.

Inclui, na documentação para o registro de radio fármacos, a apresentação do Relatório de


Resolução da Diretoria Colegiada Farmacovigilância atualizado, de acordo com a legislação em vigor, com dados obtidos de
– RDC no 64, de 18 de dezembro de estudos clínicos e da comercialização do produto em outros países, quando aplicável. Para a
2009. renovação do registro, devem ser apresentados dados de farmacovigilância. Esses dados podem
ser requisitados pela ANVISA antes dos prazos definidos.

Resolução da Diretoria Colegiada Exige, na ocasião de renovação do registro de medicamentos biológicos, a apresentação
– RDC no 49, de 20 de setembro de do Relatório Periódico de Farmacovigilância, do Plano de Farmacovigilância e do Plano de
2011. Minimização de Risco em situações específicas relacionadas à segurança do medicamento.

Inclui, na documentação para o registro de fitoterápicos, o Documento de Descrição do Sistema


Resolução da Diretoria Colegiada –
de Farmacovigilância da empresa. Para a renovação do registro, devem ser seguidas as
RDC no 26, de 13 de maio de 2014.  exigências da RDC 04/2009.

Portaria no 650, de 29 de maio de Aprova e promulga o Regimento Interno da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa e
2014. da outras providências.

Fonte: Brasil, 2013.

O farmacêutico hospitalar, ao contrário do farmacêutico comunitário, tem livre acesso


à história clínica, à terapia e à evolução do doente, com essas informações ele consegue
elaborar uma notificação mais completa. Tendo a vantagem de acompanhar de perto e
compartilhar com o médico as novas reações identificadas.

Os serviços da farmacovigilância trarão benefícios para ambas as partes, paciente e


farmacêutico, melhorando qualidade de vida de toda comunidade. Podemos citar:

Para os pacientes:

»» aderir ao tratamento;

»» conhecimento real da doença;


77
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

»» saber controlar melhor a doença;

»» melhoria em autoatendimento;

»» atendimento personalizado;

»» saber identificar efeitos adversos e sugestões para minimizar os danos;

»» evitar substituições de medicamentos.

Para o farmacêutico:

»» aplicação dos conhecimentos e habilidades;

»» maior compromisso com a saúde da população;

»» aperfeiçoamento técnico contínuo;

»» reconhecimento por parte dos pacientes e equipes de saúde;

»» fidelização do cliente;

»» reconhecimento pela comunidade de suas reais capacidades;

»» crescimento profissional.

Para as farmácias:

»» admiração de profissionais e pacientes;

»» satisfação de toda comunidade;

»» motivação do time;

»» reconhecimento perante os concorrentes.

As Políticas Gerais que se aplicam ao Controle


do Câncer

Política Nacional de Humanização

Define os princípios e estabelece as diretrizes para valorização dos diferentes sujeitos


envolvidos no processo de produção de saúde: usuários, trabalhadores e gestores. Para
conhecer, acesse: Política Nacional de Humanização <http://portal.saude.gov.br/
portal/saude/cidadao/area.cfm?id_area=1342>.

Política Nacional de Atenção Básica

Responsável por estabelecer toda as diretrizes e as normas necessárias para a organização


de toda a Atenção Básica, incluindo para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e também

78
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

para o Programa Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Para conhecer, acesse:


Política Nacional de Atenção Básica <http://www.conass.org.br/admin/arquivos/
NT%2012-06.pdf>.

Política Nacional de Promoção à Saúde

Tem por objetivo promover a qualidade de vida e reduzir a vulnerabilidade bem como
os riscos à saúde que se relacionam com todos os seus determinantes e condicionantes,
incluindo o modo de vida, todas as condições de trabalho, a habitação, o ambiente, a
educação, o lazer, toda a cultura e o acesso aos bens e serviços essenciais.

Pacto pela Saúde

É um conjunto de diretrizes operacionais para a consolidação do SUS, constituído por


três componentes:

Um Pacto de Gestão, um Pacto pela Vida e um Pacto em Defesa do SUS (Sistema Único
de Saúde), que possuem objetivos e metas que devem ser repactuados anualmente.
Para conhecer o documento do Pacto, acesse: Portaria no 399/GM, de 22 de fevereiro de
2006 <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/prtGM399_20060222.pdf>.

A atuação farmacêutica é com toda certeza, uma parte indispensável dentro dos
cuidados com o paciente oncológico. Ele garantirá qualidade e segurança para toda
a terapia, em qualquer uma das etapas dessa doença. Para que isso aconteça, o
profissional farmacêutico deve estar preparado e mostrar um profundo conhecimento
nas áreas da farmácia clínica em oncologia, pois a atenção farmacêutica e as suas
ações relacionadas com a prevenção, com a promoção e também com recuperação da
saúde, o que demandará uma formação técnica de extrema excelência, bem como o
desenvolvimento de competências específicas e comportamentais.

»» Sabemos que, no Brasil, a saúde é um direito de todos os cidadãos e é


um dever do Estado garantir a saúde e o acesso aos serviços da saúde.
Caberá aos governos – nas suas esferas federal, estadual e municipal – a
responsabilidade de garantir a saúde e os serviços da população.

»» Todas as políticas de saúde são estabelecidas pelo Ministério da Saúde


(MS), através das leis, por meio das Portarias e através das Normas
Administrativas. Essas definições irão direcionar todo o planejamento,
bem como a organização, e a implantação, todo o monitoramento e ainda
a avaliação de todas as ações de saúde para se controlar as doenças,
incluindo o câncer.

79
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

»» Ressalta-se aqui a responsabilidade de todos os trabalhadores da área de


saúde em se executar essas ações, saber com propriedade quais são elas e
como essas políticas estão se desenvolvendo em seu Estado de atuação e
em sua cidade especificamente.

»» Também está presente como parte das suas muitas responsabilidades,


sendo não só um profissional como também um cidadão, conhecer cada
uma das políticas implantadas e adotadas pelo governo, em cada uma das
suas esferas.

»» A prevenção e o controle do desenvolvimento do câncer em todo o


território brasileiro precisa ainda de um envolvimento de cada um dos
profissionais da saúde.

Com os avanços nos diagnósticos e nos tratamentos em oncologia, todos os profissionais


de saúde adquiriram uma consciência sobre o fato de que cuidar de um paciente com
câncer e de toda a sua família exige toda uma participação da equipe interdisciplinar,
que irá proporcionar uma assistência de forma integral, pois haverá uma compreensão
exata do paciente. A preocupação primordial e fundamental será garantir a preservação
da sua qualidade de vida.

Os estudos realizados por diversos autores evidenciaram a importância da atenção


farmacêutica no setor oncológico, na prevenção de erros de medicação pela revisão das
prescrições médicas, contorno dos resultados negativos associados aos medicamentos,
o que refletiu na economia dos gastos hospitalares, caracterizando um processo
positivo de farmacoeconomia, em que seu sucesso leva à melhora da qualidade de vida
para o paciente.

Descrever o papel do farmacêutico no tratamento do câncer é capaz de proporcionar


a compreensão da necessidade da atuação desse profissional como responsável
pelo seguimento farmacoterapêutico, agindo na prevenção e minimização dos
eventos adversos da quimioterapia, de forma simples e humanizada na relação
paciente/farmacêutico.

Nesse contexto, a oncologia é uma área complexa e específica, e de acordo com a RDC
no 220/2004 que determina a criação de uma Equipe Multiprofissional de Terapia
Antineoplásica, o que impulsionou a presença do farmacêutico no acompanhamento de
pacientes oncológicos para solucionar os problemas relacionados aos medicamentos.

O farmacêutico no ambiente hospitalar tem como uma de suas responsabilidades, os


problemas enfrentados pelo paciente relacionados à sua farmacoterapia. Dentre as
principais metas do serviço de farmácia clínica estão a “educação do paciente sobre

80
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

os seus medicamentos e problemas de saúde, de modo a aumentar a sua compreensão


do tratamento e promover o autocuidado; a promoção da adesão do paciente ao
tratamento; a otimização da farmacoterapia; a avaliação da efetividade e da segurança
dos tratamentos e o ajuste da farmacoterapia, quando necessário, com o prescritor e
a equipe de saúde; a identificação, a prevenção, e o manejo de erros de medicação, de
intoxicações e de riscos associados aos medicamentos”.

As ocorrências históricas relacionadas ao advento da indústria farmacêutica têm


transformado essa profissão ao decorrer dos anos. Por muito tempo o farmacêutico
foi intitulado como um profissional com uma atribuição simplesmente tecnicista,
com a atuação direcionada para o produto, ou seja, com o medicamento mantendo
um relacionamento mais distante do seu usuário, o paciente. No entanto, a exigência
curricular dessa profissão tem tornado o cuidado com o paciente, responsabilidade
também do farmacêutico junto à equipe multidisciplinar de saúde.

Em relação aos temas abordados nesse presente módulo, é muito importante salientar
a relevância da qualidade na assistência farmacêutica que deve ser prestada ao paciente
durante sua hospitalização, pois a busca da melhoria de todos os processos visando
uma maior segurança do paciente nesses ciclos da terapia oncológica e medicamentosa,
incluindo em todo este processo uma orientação farmacêutica, com as ações clínicas
do farmacêutico, enfocando também o uso racional de medicamentos, de forma a
minimizar ao máximo os riscos associados ao tratamento oncológico. Esse seguimento
farmacoterapêutico visa enfatizar a importância da atuação do farmacêutico próximo
ao paciente.

Nesse contexto, é relevante citar a RDC (Resolução da Diretoria Colegiada)/Anvisa


(Agencia Nacional de Vigilância Sanitária) no 36/2013, que institui ações para a
segurança do paciente em serviços de saúde e dá outras providências. Na qual
são estabelecidas as metas para o Plano de Segurança do Paciente em Serviços de
Saúde, e apresenta entre suas metas básicas a “segurança na prescrição, no uso e na
administração de medicamentos”. Nela há a orientação sobre a relevância do cuidado
quanto à dose certa na hora certa, e alerta para a responsabilidade do profissional de
saúde de forma multiprofissional na busca da prestação de um serviço de qualidade e
seguro ao paciente.

O atendimento farmacêutico objetiva detectar as possíveis reações adversas desses


medicamentos, além de garantir a aderência do paciente ao tratamento, com impacto
direto na segurança e eficácia, e consequente melhoria na qualidade de vida. Dessa forma,
a participação do farmacêutico na equipe multidisciplinar é desejada e deve atuar com o
monitoramento e aconselhamento quanto à terapia medicamentosa no paciente com câncer.
Considerando a complexidade da adesão dos pacientes oncológicos ao tratamento, nota-
81
UNIDADE III │ Crescimento Tumoral

se a necessidade da presença do profissional farmacêutico na equipe de saúde, agregando


valores a ela, de modo a assegurar a efetividade e segurança no uso de medicamentos.

O acompanhamento farmacoterapêutico ainda é um grande desafio para o profissional


farmacêutico, sendo uma ferramenta importante para reduzir erros com medicações,
o que implica a eficácia do tratamento e a melhora da qualidade de vida. O
acompanhamento farmacoterapêutico como estratégia para a aderência do paciente ao
tratamento é muito empregado no seguimento de pacientes com hipertensão e diabetes
e, mais recentemente, e no tratamento do câncer.

Pacientes acometidos por doenças oncológicas, hematológicas, hereditárias e


imunológicas, e submetidos a altas doses de quimioterapia, são especialmente
vulneráveis a efeitos adversos por estarem em situação fisiologicamente delicada.
Eles estão expostos a altos riscos de interações complexas de medicamentos de
extrema toxicidade, de enfermidades, de alimentos e ainda ao risco mais temido
que é o dos medicamentos prescritos serem ineficazes ou utilizados de forma
inadequada, por esse motivo é relevante o estudo farmacoterapêutico dos
medicamentos envolvidos nesses tratamentos de alta complexidade, para garantir a
dose adequada a esses pacientes.

Os profissionais de saúde que trabalham com quimioterapia devem possuir


conhecimentos e habilidades específicas para atuarem na área, e a presença do
farmacêutico é importante no preparo, administração e na eliminação dos dejetos de
agentes quimioterápicos.

A educação permanente aos profissionais orienta e norteia as ações dos membros das
equipes das Unidades de Saúde, de modo que possibilita maior entendimento e um
olhar mais amplo sobre as questões que circundam as ações farmacêuticas.

A valorização do profissional farmacêutico em oncologia, dependerá sobretudo das


ações desenvolvidas pelo farmacêutico e da sua competência em contribuir em todas
as etapas do processo oncológico de um paciente. De nada adiantará termos várias
resoluções que garantam as atuações clínicas do farmacêutico, se ele não estiver apto a
realizar o seu trabalho de maneira efetiva e com qualidade. A capacitação profissional
deverá ser constante, e as atualizações dos conhecimentos serão fundamentais para
garantir a presença e a permanência do farmacêutico.

Diante da complexidade que é tratar e acompanhar um paciente oncológico, onde


se inclui toda a sua família, o papel do farmacêutico se expande mais ainda. As suas
atuações vão desde a desconfiança do médico ou do próprio paciente sobre um possível
câncer, até todas as etapas dos ciclos de tratamento quimioterápico.

82
Crescimento Tumoral │ UNIDADE III

Fica evidente então, que um serviço farmacêutico prestado com eficiência e


profissionalismo, irá garantir uma melhora da qualidade de vida de todos os pacientes
oncológicos. Dessa maneira, ficará praticamente impossível dispensar os serviços
farmacêuticos. As atuações na Farmácia Clínica e Hospitalar do Farmacêutico, e todas
as suas ações clínicas, incluindo o seguimento farmacoterapêutico, garantirão um
resultado totalmente satisfatório aos pacientes.

Para que esse reconhecimento do trabalho de um farmacêutico clínico, e a continuidade


das suas atividades, seja permanente e crescente, cada profissional deverá ser capacitado,
exercer o seu trabalho com excelência, participar ativamente da equipe multidisciplinar
do hospital e acima de tudo, trabalhar sempre com amor pela sua profissão. Será
então, um caminho de sucesso profissional e o reconhecimento do trabalho clínico
do farmacêutico será cada vez maior. A valorização do profissional farmacêutico deve
começar pelos próprios profissionais, através da demonstração da importância dos
serviços farmacêuticos para todos os pacientes, sejam eles oncológicos ou não.

Para o profissional que deseja atuar prestando serviços clínicos aos pacientes, e
melhorar a qualidade de vida desses, uma especialização na área clínica e hospitalar
será indispensável, pois quanto maior e melhor for essa capacitação e maiores forem
os conhecimentos sobre as doenças, seus sinais e sintomas, seu diagnóstico e as
principais formas de tratamento e de acompanhamento dos pacientes, incluindo
o seguimento farmacoterapêutico, maior será a valorização e maiores serão as
oportunidades profissionais para este profissional. Cabendo assim, a cada profissional,
a responsabilidade

Cada farmacêutico deve trabalhar sempre pautado na ética e nas decisões e resoluções
do seu conselho de classe, o Conselho Federal de Farmácia. Qualquer dúvida sobre as
atuações clínicas, o farmacêutico deve reportar-se ao seu respectivo conselho regional.
Uma classe profissional unida garantirá a permanência e a continuidade das ações
clínicas e hospitalares do farmacêutico.

O farmacêutico clínico, sempre que necessário for, encontrará respaldo legal sobre as
suas atuações nos Conselhos Regionais e Federais. É importante entender que as atuações
clínicas do farmacêutico não significam exercer ações restritas a outros profissionais. As
ações clínicas do farmacêutico contribuem de forma muito clara para a integração total
de equipe multidisciplinar de saúde, visando sempre ao reestabelecimento da saúde do
paciente e, ainda, à melhora do seu estado de doença.

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