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22/01/2021 ConJur - Eduardo Siqueira é condenado a indenizar por ofensas contra guarda

CARTEIRADA PELA CULATRA

Desembargador Siqueira é condenado a indenizar


por ofensas contra guarda
21 de janeiro de 2021, 17h24

Por Tábata Viapiana

Por não vislumbrar dúvidas sobre as práticas ofensivas descritas na inicial, o juiz José
Alonso Beltrame Júnior, da 10ª Vara Cível de Santos, condenou o desembargador do
Tribunal de Justiça de São Paulo Eduardo Siqueira a indenizar em R$ 20 mil o guarda
municipal Cícero Hilario Roza Neto.

Reprodução
Em julho de 2020, Siqueira foi flagrado ofendendo
o guarda ao ser abordado sem máscara em uma
praia de Santos. O desembargador rasgou a
infração por desrespeitar uma lei municipal que
obriga o uso de máscara. Siqueira também xingou
Cícero de "analfabeto" e "guardinha" e disse que
ele não sabia "com quem estaria se metendo".

"Constitucional ou não a exigência do uso de


máscaras ou a possibilidade de aplicação de
multas, é fato que houve a atitude desrespeitosa,
ofensiva e desproporcional. A série de posturas
teve potencial para humilhar e menosprezar o Desembargador Eduardo Siqueira
guarda municipal que atuava no exercício da
delicada função de cobrar da população posturas
tendentes a minimizar os efeitos da grave pandemia, que a todos afeta", afirmou o juiz.

Segundo o magistrado, não houve mero exercício regular do direito por parte do
desembargador, pois ele não se limitou a questionar a legalidade da autuação: "Foram
superados os limites do razoável, quando o requerente foi tratado como analfabeto,
menosprezando-se sua pessoa e função em diversos momentos".

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Júnior também destacou a abordagem educada de Cícero, "que conseguiu manter a


serenidade na situação em que envolvido". Além disso, afirmou que, embora a defesa tenha
alegado que o desembargador faz uso de remédios controlados, não há evidência de que ele
estivesse com capacidade de entendimento reduzida no momento da abordagem pelos
guardas.

"Houve violação ao disposto no artigos 186, 187 e 927 do Código Civil, com o que a
procedência é medida que se impõe. Os danos morais decorrem do fato violador,
dispensando outras provas. Não é preciso esforço para compreender os sentimentos de
humilhação e menosprezo vivenciados pelo requerente, decorrentes dos fatos acima
descritos, mais do que suficientes para autorizar o reconhecimento do prejuízo
extrapatrimonial indenizável", completou Júnior.

Processo administrativo e afastamento


Depois que o vídeo com as ofensas de Siqueira ao guarda ganhou repercussão nacional, o
Conselho Nacional de Justiça decidiu instaurar um processo administrativo disciplinar e
determinou o afastamento cautelar do desembargador.

Na ocasião, o relator e então corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins,


fez duras críticas à conduta de Siqueira. O ministro falou em postura "arrogante,
prepotente, vaidosa, agressiva e autoritária", que fere a imagem de todo o Judiciário.

Inquérito no STJ
Na segunda-feira (18/1), o STF suspendeu a tramitação do inquérito instaurado pelo
Superior Tribunal de Justiça contra o desembargador. Ao analisar o Habeas Corpus
196.883, o ministro Gilmar Mendes julgou plausível a alegação da defesa de Siqueira
segundo a qual a decisão do STJ de determinar a abertura de inquérito sem que o acusado
tenha sido notificado violou os princípios constitucionais da ampla defesa e do
contraditório.

Histórico de abusos de autoridade


Conforme apurou a ConJur, Siqueira tem um longo histórico de abusos de autoridade e
carteiradas, que vão desde contato pessoal inconveniente até a quebra de uma cancela de
pedágio por não ter paciência de esperar.

Siqueira gritou com uma copeira por querer suco de morango fora da época da fruta e
passou uma descompostura em uma colega de magistratura que perguntou do estado de
saúde de uma ascensorista grávida sob a alegação de que isso "rebaixaria a classe dos
magistrados".

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A pedido da Corregedoria Nacional, o TJ-SP informou que, ao longo da carreira do


desembargador, 42 procedimentos foram instaurados contra ele — alguns há mais de 15
anos. O mais antigo é datado de maio de 1987, primeiro ano de Siqueira na magistratura
paulista.

Clique aqui para ler a decisão


Processo 1020312-45.2020.8.26.0562

Tábata Viapiana é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 21 de janeiro de 2021, 17h24

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