Você está na página 1de 336

NR 10 – Curso Básico de Segurança em

Instalações e Serviços em Eletricidade


Alcantaro Corrêa
Presidente da FIESC

Sérgio Roberto Arruda


Diretor Regional do SENAI/SC

Antônio José Carradore


Diretor de Educação e Tecnologia do SENAI/SC

Marco Antônio Dociatti


Diretor de Desenvolvimento Organizacional do SENAI/SC
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
Departamento Regional de Santa Catarina

NR 10 – Curso Básico de Segurança em


Instalações e Serviços em Eletricidade

Joinville
2008
É permitida a reprodução total ou parcial deste material, por qualquer meio ou sistema,
desde que a fonte seja citada.

Equipe Técnica

Conteúdo Organizado por Coordenação do curso


Ronaldo Scoz Duarte Raphael da Silveira Geremias
Lucinéia Dacoregio
Coordenação geral de EaD
Raphael da Silveira Geremias Design instrucional, ilustração, projeto
gráfico, revisão e diagramação
FabriCO
Bibliotecária
Simoni Casimiro de Oliveira

S474n SENAI. Departamento Regional de Santa Catarina.


NR 10 : curso básico de segurança em instalações e serviços em
eletricidade / SENAI. Departamento Regional de Santa Catarina ;
coordenação técnica Ronaldo Scoz Duarte. Joinville : SENAI, 2008.
336 p. : il. color. ; 30 cm.

Inclui bibliografia

1.Eletricidade – Medidas de segurança. 2. Instalações elétricas -


Normas técnicas. I. Duarte, Ronaldo Scoz. II. SENAI. Departamento
Regional de Santa Catarina. III. Título.

CDU 331.456

SENAI/SC – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial


Departamento Regional de Santa Catarina
Rodovia Admar Gonzaga, 2765. Itacorubi – CEP 88034-001 – Florianópolis/SC
Fone: (48) 3231-4100 Fax: (48) 3334-1578
http://www.sc.senai.br
SENAI Online: 0800 48 12 12
Apresentação

Caro (a) aluno (a):

Seja bem-vindo ao curso básico de segurança em instalações e serviços


em eletricidade, exigido pela Norma Regulamentadora 10 (NR 10)! A
NR 10 é uma regulamentação do Ministério do Trabalho e Emprego,
e trata sobre segurança e saúde no trabalho em instalações elétricas.
Além disso, ela prevê formação também sobre prevenção a incêndios e
noções básicas de primeiros socorros.

A relação de dependência que o homem moderno tem com a eletri-


cidade pode ser considerada imensurável; é um tipo de energia que
caminha lado a lado com a evolução tecnológica e com o bem-estar
das pessoas. Ao mesmo tempo, continua sendo um agente de risco
causador de muitos acidentes, não só com pessoas, mas também com
severos prejuízos materiais. Como é um tipo de perigo invisível, que
só pode ser detectado através de instrumentos específicos, a energia
elétrica continua matando desavisados: boa parte dos acidentes com
mortes acontece em cenas cotidianas da construção civil, em contatos
com cabos energizados, ligações clandestinas e instalações de antenas
de TV. Para combater esta infeliz realidade, apenas a disseminação de
formação técnica de qualidade se torna um instrumento eficaz.

Neste contexto, o curso NR 10 pretende capacitar o trabalhador na


prevenção de acidentes utilizando tanto o conhecimento teórico sobre
energia elétrica quanto o uso correto de equipamentos de trabalho, nas
normas de segurança estipuladas e também na correta prestação de
socorros no caso de acidentes.
NR 10 - Curso Básico

No início do curso você conhecerá o texto da NR 10 comentado e suas


aplicações práticas. Em seguida, estudará os riscos elétricos propria-
mente ditos e tudo o que envolve a segurança em instalações elétricas
– análise de riscos, as variadas medidas de controle de acordo com a
situação, equipamentos de proteção e rotinas seguras de trabalho. O
módulo 3 possui informações sobre prevenção de incêndio e proce-
dimentos de emergência ligados à propagação de fogo e calor; e no
último módulo você terá noções básicas – e importantíssimas! – de
primeiros socorros no atendimento a pessoas que sofrerem acidentes
ou mal súbito.

A tarefa deste curso é oferecer treinamento e um quadro detalhado


sobre a atividade do profissional do setor elétrico, com informações
úteis ao dia-a-dia. O objetivo é preparar o trabalhador para a uma ação
segura, competente e eficaz no seu dia-a-dia profissional. Boa sorte
nos estudos!
Plano de Curso

Carga horária de dedicação

40 horas de atividades:

32 horas a distância, distribuídas no ciclo de 45 dias e 8 horas em


encontro presencial.

Ementa

Função e objetivos da NR 10. Riscos em instalações e serviços em ele-


tricidade. Técnicas de análise e medidas de controle. Equipamentos de
proteção coletiva e individual. Rotinas de trabalho. Proteção contra in-
cêndio. Noções de primeiros socorros.

Objetivos

Objetivo geral:

Capacitar profissionais a analisar e executar os procedimentos de se-


gurança em instalações elétricas e serviços com eletricidade com uma
visão gerencial, utilizando relatórios de inspeção de conformidade das
instalações e prontuário das instalações elétricas.

Objetivos específicos:

sensibilizar os trabalhadores de instalações elétricas quanto a ne-


cessidade de neutralizar a possibilidade de acidentes;

adotar procedimentos de rotina pautadas pelas normas de se-


gurança;
NR 10 - Curso Básico

cumprir ao disposto na NR 10/2004 (MTE) e na NBR 5410


(ABNT).

Orientações para o estudo

Este material foi estruturado para lhe facilitar a construção de novos


conhecimentos. Ao desenvolvê-lo, foram levados em consideração seu
perfil e suas necessidades de formação.

Com este objetivo, os conteúdos abordados neste curso têm uma di-
visão por módulos e lições. No início de cada módulo serão apresen-
tados os objetivos da aprendizagem para que você possa visualizar os
benefícios que ela trará para sua prática diária e por que é importante
estudar aquele assunto.

Para contribuir com a eficácia destas reflexões, recomendamos os se-


guintes passos:

1º Passo

Realize seus estudos seguindo a ordem crescente dos módulos.


Não alterne as leituras entre os módulos.

2º Passo

Primeiramente, inicie a leitura da apostila, na lição 1, do módulo


1. Faça suas reflexões sobre as atividades diárias, registrando suas
conclusões.

3º Passo

Após terminar a leitura da lição 1 na apostila, inicie seus estudos


(da mesma lição) no ambiente virtual. O Ambiente Virtual apre-
sentará um overview (visão geral) do conteúdo estudado.

4º Passo

Realize os exercícios e/ou atividades propostas no final da lição,


para auto-avaliação e reforço do aprendizado.
Plano de Curso

Efetue esses passos para todas as demais lições, sem esquecer de reali-
zar os jogos ao final dos módulos e de participar dos fóruns de discus-
são, para interação com os colegas e tutor.

Importante: todas as atividades e fóruns do Ambiente Virtual são obri-


gatórios para participação na aula presencial.

Quadro-guia de estudo

Observe o quadro guia de estudo, ele pode lhe auxiliar com sucesso
durante o curso.

Para planejar e preenchê-lo, primeiro conheça o tempo neces-


sário para sua dedicação aos estudos e as datas-chave do cur-
so assinaladas no calendário disponível no Ambiente Virtual de
Aprendizagem.

Escreva nos espaços em branco as datas-chave para o cumpri-


mento das atividades e as da sua disponibilidade para o estudo.

Pronto, basta seguir as datas propostas para manter controle dos seus
estudos.

Módulo Título Data

1 NR 10 – Aplicações práticas

2 Riscos elétricos

3 Prevenção de incêndios

4 Noções de primeiros socorros

Antes de terminar uma lição, elimine todas as dúvidas com seu tutor
ou com colegas. Sempre resolva todas as questões antes de passar para
a próxima etapa.
NR 10 - Curso Básico

Durante a leitura da apostila você encontrará alguns símbolos para


chamar sua atenção sobre o conteúdo destacado. Acompanhe seus
significados.

MA
NOR
Traz o texto direto da NR 10.

Traz pontos importantes do conteúdo didático.

Traz dicas sobre o assunto.

Sugere uma leitura adicional ou traz o significado de pala-


vras pouco usuais.

Observe atentamente essas indicações, pois elas reforçam seu apren-


dizado.

Anote sempre seus compromissos com os estudos e suas


dúvidas para discutir em aula com seus colegas e com seu
tutor!
Sumário

Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10 ................................. 13

Lição 1 – Norma Regulamentadora 10 – Por que ela é importante? .14

Lição 2 – Objetivo, campo de aplicação e controle da NR 10 .............17

Lição 3 – Medidas de proteção coletiva e individual ..............................22

Lição 4 – Segurança nas instalações elétricas ..........................................31

Lição 5 – Alta-tensão e qualificação de trabalhadores ...........................45

Lição 6 – Incêndio, sinalizações de segurança

e procedimentos de trabalho ......................................................................53

Lição 7 – Situações de emergência e responsabilidades ........................63

Módulo 2 – Riscos elétricos ........................................................ 69

Lição 1 – Introdução aos riscos elétricos .................................................70

Lição 2 – Riscos em instalações e serviços com eletricidade ..............72

Lição 3 – Técnicas de análise de riscos ................................................... 121

Lição 4 – Medidas de controle do risco elétrico ................................. 132

Lição 5 – Proteção individual e coletiva ................................................. 173

Lição 6 – Normas Técnicas Brasileiras ................................................... 196

Lição 7 – Rotinas de trabalho ................................................................... 201


NR 10 - Curso Básico

Módulo 3 – Prevenção contra incêndios ................................. 221

Lição 1 – Prevenção contra incêndio ....................................................... 222

Lição 2 – Propriedades da combustão e métodos

de extinção de incêndio .............................................................................. 231

Lição 3 – Classes de incêndio e agentes extintores ............................. 239

Módulo 4 – Noções básicas de primeiros socorros ................. 263

Lição 1 – Conceitos básicos ..................................................................... 264

Lição 2 – APH – atendimento pré-hospitalar ........................................ 266

Lição 3 – Procedimentos de primeiros socorros ................................. 271

Lição 4 – Legislação sobre primeiros socorros .................................... 278

Lição 5 – Salvando vidas: como identificar o problema ...................... 280

Lição 6 – Praticando os primeiros socorros:

como agir em casos de emergência ........................................................ 285

Lição 7 – Técnicas para remoção e transporte de acidentados ....... 317

Encerramento ........................................................................... 325

Anexos ................................................................................ 327


Módu
lo
Norma Regulamentadora 10
1

Olá, seja bem-vindo ao curso básico da Norma Regulamentadora 10,


a NR 10, que trata especificamente sobre segurança em instalações
e serviços em eletricidade. A NR 10 estabelece critérios de segu-
rança para todos os envolvidos nas diversas áreas de elétrica,
como geração, transmissão, distribuição, e até mesmo consumo.
Portanto, ela atinge desde profissionais – empregados diretos
ou contratados – até mesmo usuários domésticos.
A existência de uma norma específica para esta área se justifica
no alto número de acidentes fatais que ocorrem pela falta de
cuidado ou de conhecimento. O maior índice de fatalidades
nesta área acontece com obras de construção civil, contatos
com cabos energizados, ligações clandestinas, instalações de antenas de TV, mas
existem ainda muitas outras causas. Este curso foi feito para você desenvolver
segurança através do conhecimento, e começa apresentando e comentando o
próprio texto da NR 10, atualizada e acrescida de inovações em 2004. Desejo a
você um ótimo período de estudos!

Objetivos

Ao fim deste módulo, você terá conhecimentos sobre o texto da NR 10


e seus principais focos. Para isso, estudará os tópicos a seguir.

Medidas de controle e segurança em instalações elétricas.

Habilitação e qualificação de trabalhadores.

Proteção, sinalização, procedimentos e responsabilidades.

13
NR 10 - Curso Básico

LIÇÃO 1

Norma Regulamentadora 10 – Por que ela é importante?

A eletricidade é um agente de risco causador de muitos acidentes que


geram também prejuízos materiais, além dos danos e perdas com tra-
balhadores e usuários de energia elétrica. Nem todas as pessoas sabem
que muitos destes riscos podem ser identificados por meio de uma rápi-
da observação, como o risco de queda em um trabalho em altura, o risco
devido ao vazamento de gases tóxicos ou combustíveis, percebidos pelo
olfato. No entanto, em condutores ou dispositivos energizados, o risco
só pode ser constatado através de instrumentos específicos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o contato com a eletricidade é a


causa de 5% dos acidentes fatais que ocorrem no trabalho. Em núme-
ros absolutos, isso significa que 290 pessoas morrem por ano devido a
acidentes com energia elétrica no trabalho. Esses dados reunidos entre
1997 e 2002 correspondem a informações divulgadas pelo Ministério
do Trabalho norte-americano.

O Sistema Elétrico de Potência (SEP) do Brasil, que reúne


as empresas de geração, transmissão e distribuição de ener-
gia elétrica, em 2002 contabilizou 86 acidentes fatais com
empregados das empreiteiras. A esse número, entretanto,
somam-se 330 mortes que ocorreram no mesmo ano com
pessoas que tiveram contato com as instalações pertencen-
tes ao SEP sem as devidas precauções.

Ou seja, estes números são motivo o suficiente para fomentar a ne-


cessidade de que trabalhos em eletricidade sejam executados com a
utilização de procedimentos específicos de segurança, aliados a um in-
tenso programa de treinamento, em conformidade com uma assumida
política de segurança do trabalho nas empresas; e tudo isso dentro dos
critérios estipulados pela Norma Regulamentadora n° 10.

14
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

Esta atualização traz alguns como pontos


fortes, como você percebe a seguir.

A obrigatoriedade de existência do me-


morial técnico de instalações existentes
(Prontuário de Instalações Elétricas).

A necessidade de antecipação de uma


filosofia de segurança ainda na fase de
projeto (tornando obrigatória a exis-
tência do manual descritivo dos itens
Figura 1.1
de segurança nas instalações).
Fonte: do autor (2008)
O estabelecimento de procedimentos de segurança nas diversas
atividades da área elétrica, como construção, montagem, opera-
ção e manutenção (circuitos energizados ou não e alta-tensão).

O detalhamento do perfil do empregado habilitado, qualificado,


capacitado e autorizado (estabelecendo a necessidade de cursos
básicos e complementares de segurança do trabalho para o fun-
cionário autorizado).

A definição do conceito de “Zona de Risco” e “Zona Contro-


lada” (em relação à distância de trabalho de equipamentos
energizados).

O reconhecimento da responsabilidade solidária da empresa,


contratadas e trabalhadores, quanto ao exercício da política de
segurança do trabalho.

Esta norma apresenta ainda ao seu final um glossário com a


definição dos principais termos técnicos mencionados.Você
a encontrará ao fim desta apostila, no capítulo de anexos.

15
NR 10 - Curso Básico

Após a transcrição da Portaria no 598, de 7 de dezembro


de 2004, os itens da Norma Regulamentadora n° 10 serão
apresentados, seguidos de comentários que facilitarão a sua
compreensão. Acompanhe!

NOR
MA PORTARIA Nº 598, DE 7 DE DEZEMBRO DE 2004
O MINISTRO DE ESTADO DO TRABALHO E EMPREGO,
no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto
no art. 200 da Consolidação das Leis do Trabalho, Decreto-
Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 e considerando a propos-
ta de regulamentação revisada e apresentada pelo Grupo de
Trabalho Tripartite da Norma Regulamentadora nº 10 (GTT/
NR 10), e aprovada pela Comissão Tripartite Paritária Perma-
nente (CTPP), de acordo com o disposto na Portaria nº1.127,
de 2 de outubro de 2003, que estabelece procedimentos para
elaboração de normas regulamentares relacionadas à segu-
rança, saúde e condições gerais de trabalho, resolve:
Art. 1º Alterar a Norma Regulamentadora nº 10 que tra-
ta de Instalações e Serviços em Eletricidade, aprovada pela
Portaria nº 3.214, de 1978, que passa a vigorar na forma do
disposto no Anexo a esta Portaria.
Art. 2º As obrigações estabelecidas nesta Norma são de
cumprimento imediato, exceto aquelas de que trata o Ane-
xo II, que contém prazos específicos para atendimento.
Parágrafo único. Até que se exaurem os prazos previstos
para cumprimento das obrigações de que trata o Anexo II,
permanecerá em vigor a regulamentação anterior.
Art. 3º Criar a Comissão Permanente Nacional sobre Segu-
rança em Energia Elétrica (CPNSEE), com o objetivo de acom-
panhar a implementação e propor as adequações necessárias
ao aperfeiçoamento da Norma Regulamentadora nº 10.
Art. 4º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
RICARDO BERZOINI
Ministério do Trabalho e Emprego

16
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

LIÇÃO 2

Objetivo, campo de aplicação e controle da NR 10

Nas próximas páginas você vai conhecer o texto próprio texto da NR


10 que discorre sobre seus objetivos, aplicação e medidas de controle.
Porém, para um entendimento completo, você pode checar no glossá-
rio anexo ao fim desta apostila o significado dos itens a seguir.

Áreas classificadas.

Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC).

Isolação elétrica (isolamento elétrico).

Risco.

Riscos adicionais.

Prontuário.

Sistema Elétrico de Potência (SEP).

Agora sim, conheça a norma, entrelaçada com comentários.

NOR
MA 10.1 Objetivo e campo de aplicação
10.1.1 Esta Norma Regulamentadora (NR) estabelece os
requisitos e condições mínimas que objetivam a implemen-
tação de medidas de controle e sistemas preventivos, de
forma a garantir a segurança e saúde dos trabalhadores que,
direta ou indiretamente, interajam em instalações elétricas
e serviços com eletricidade.
10.1.2 Esta NR se aplica a todas as fases de geração, trans-
missão, distribuição e consumo, incluindo as etapas de pro-
jeto, construção, montagem, operação, manutenção das ins-
talações elétricas, e quaisquer trabalhos realizados nas suas
proximidades, observando-se as normas técnicas oficiais
estabelecidas pelos órgãos competentes e, na ausência ou
omissão destas, as normas internacionais cabíveis.

17
NR 10 - Curso Básico

NOR
MA 10.2 Medidas de controle
10.2.1 Em todas as intervenções em instalações elétricas
devem ser adotadas medidas preventivas de controle do
“risco” elétrico e de outros “riscos adicionais”, mediante
técnicas de análise de risco, de forma a garantir a segurança
e saúde no trabalho.

O item 10.2.1, ao referir-se a medi-


Note-se que não apenas os riscos referentes à área das preventivas de controle de ris-
elétrica são considerados, mas também os chamados co, descreve o que se entende por
riscos adicionais, como o risco de queda (trabalho em atitude proativa quando o assunto
altura), exposição a produtos químicos, acidentes com é Segurança do Trabalho. Em outras
ferramentas, etc. palavras, atitude proativa é formada
por meio de conscientização, trei-
namento adequado e técnicas de
anális de riscos (ferramentas gráficas), quando se procura 1) identifi-
análise
car o risco; 2) avaliar o risco; e 3) implementar medidas de controle.

A
Assim define-se o propósito do trabalho de um profissional da
área de segurança: “garantir a saúde e a integridade física do
trabalhador”, e que, por meio de treinamento adequado, deve
ser também o propósito de todos os trabalhadores não só em
relação a si mesmos, como também em relação aos seus com-
p
panheiros de trabalho.
Figura 1.2
Fonte: do autor (2008)

NOR
MA 10.2.2 As medidas de controle adotadas devem integrar-se
às demais iniciativas da empresa, no âmbito da preservação
da segurança, saúde e do meio ambiente do trabalho.

O item 10.2.2 refere-se à gestão integrada de saúde, segurança e meio


ambiente mencionada como política obrigatória das empresas.

18
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

NOR
MA 10.2.3 As empresas estão obrigadas a manter esquemas uni-
filares atualizados das instalações elétricas dos seus estabe-
lecimentos com as especificações do sistema de aterramen-
to e demais equipamentos e dispositivos de proteção.

A NR 10, no sentido de implementar as medidas de controle de riscos


nos trabalhos com eletricidade, estabelece a obrigação de existência de
documentação técnica, como diagramas unifilares (em que três fios de
um sistema trifásico são representados por apenas um fio em diagra-
mas elétricos) para todas as empresas (item 10.2.3). Estabelece obri-
gação também da criação do prontuário técnico para as empresas com
carga instalada acima de 75 kW (item 10.2.4).

NOR
MA 10.2.4 Os estabelecimentos com carga instalada superior a 75
kW devem constituir e manter o “Prontuário de Instalações Elé-
tricas”, contendo além do disposto no item 10.2.3 no mínimo:
a) conjunto de procedimentos e instruções técnicas e admi-
nistrativas de segurança e saúde, implantadas e relacionadas
a esta NR e descrição das medidas de controle existentes;
b) documentação das inspeções e medições do sistema de pro-
teção contra descargas atmosféricas e aterramentos elétricos;
c) especificação dos “Equipamentos de Proteção Coletiva”
e individual e o ferramental, aplicáveis, conforme determi-
na esta NR;

19
NR 10 - Curso Básico

O que você entende quando lê o


A NR 6 (Equipamento de Proteção Individual – EPI), termo“ferramental”? Em atividades
no seu item 6.2, obriga as empresas a só utilizarem elétricas, as ferramentas de mão,
EPIs que foram testados pelo órgão nacional com- como alicates e chaves de fenda,
petente (empresas certificadoras reconhecidas pelo têm sua empunhadura isolada para
Sistema Brasileiro de Certificação), e aprovados pelo evitar choques elétricos. Quando
Ministério do Trabalho e do Emprego. Atestada a sua nos referimos a ferramentas elé-
qualidade, um “Certificado de Aprovação (CA)” é for- tricas manuais (furadeiras, serras,
necido para cada equipamento (ver item 10.2.9, mais etc.), a sua especificação deve con-
aidante, e seus comentários). templar o requisito isolação dupla
ou reforçada, dando um maior grau
de segurança à separação de suas
partes energizadas das suas partes metálicas, e prevendo ainda recur-
sos para aterramento. O item 10.2.4c garante a necessidade da correta
especificação (principalmente quanto ao nível de tensão) para estes e
outros equipamentos usados para atividades em instalações elétricas,
como “Caminhões Munck com cesta aérea”, para trabalhos em redes
de média tensão (linha viva), escadas duplas extensíveis, varas de ma-
nobra, coberturas isolantes flexíveis para condutores. Esta necessidade
aplica-se também com relação aos EPC e EPI.

NOR
MA d) documentação comprobatória da qualificação, habilitação,
capacitação, autorização dos trabalhadores e dos treina-
mentos realizados;
e) resultados dos testes de “Isolação Elétrica” realizados em
equipamentos de proteção individual e coletiva;
f) certificações dos equipamentos e materiais elétricos apli-
cados em “áreas classificadas”; e
g) relatório técnico das inspeções atualizadas com reco-
mendações, cronogramas de adequações, contemplando as
alíneas de “a” a “f”.

20
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

O Prontuário de Instalações Elétricas é uma das mais importantes ino-


vações da NR 10, em vista da homogeneização do conjunto de docu-
mentos técnicos obrigatórios nas empresas, como procedimentos de
segurança, relatórios de inspeções e testes de equipamentos, cadastro
de pessoal autorizado (item 10.8, comentários adiante), especificação
de equipamentos de proteção individual e coletivo (EPI e EPC), certi-
ficações de equipamentos e dispositivos aplicados em áreas classifica-
das. Alterações nas instalações, substituições de equipamentos, novos
procedimentos de segurança, implementação de novas atividades nas
proximidades de Sistemas Elétricos de Potência, e mudanças no cadas-
tro de trabalhadores obrigarão os responsáveis a atualizar o Prontuário
de Instalações Elétricas (item 10.2.4g).

NOR
MA 10.2.5 As empresas que operam em instalações
ou equipamentos integrantes do “Sistema Elé-
trico de Potência” devem constituir prontuário
com o conteúdo do item 10.2.4 e acrescentar os
documentos listados a seguir:
a) descrição dos procedimentos para emergências;
Figura 1.3
b) certificações dos equipamentos de proteção coletiva e Fonte: do autor (2008)
individual;
10.2.5.1 As empresas que realizam trabalhos em proximida-
de do Sistema Elétrico de Potência devem constituir pron-
tuário contemplando as alíneas “a”, “c”, “d” e “e”, do item
10.2.4 e alíneas “a” e “b” do item 10.2.5.

Uma importante inovação pode ser constatada no item 10.2.5: ela diz res-
peito a empresas que exerçam atividades nas proximidades de Sistemas
Elétricos de Potência (SEP). Estas estarão obrigadas a possuir, além do Pron-
tuário de Instalações Elétricas, um Plano de Emergência e Certificados de
Aprovação dos Equipamentos de Proteção Coletiva e Individual.

21
NR 10 - Curso Básico

NOR
MA 10.2.6 O Prontuário de Instalações Elétricas deve ser orga-
nizado e mantido atualizado pelo empregador ou pessoa
formalmente designada pela empresa, devendo permanecer
à disposição dos trabalhadores envolvidos nas instalações e
serviços em eletricidade.
10.2.7 Os documentos técnicos previstos no Prontuário de
Instalações Elétricas devem ser elaborados por profissional
legalmente habilitado.

Você está conseguindo se ambientar no universo da NR 10?


Em caso de dúvidas, converse com seu tutor ou troque idéias
com seus colegas. Não deixe também de acessar o conteú-
do virtual para reforçar os conceitos mais importantes deste
módulo. O glossário também é uma boa fonte de informa-
ções. Consulte-o sempre que necessário! Na próxima lição,
acompanhe o que diz a lei sobre medidas de proteção.

LIÇÃO 3

Medidas de proteção coletiva e individual

Para um melhor entendimento destes trechos da NR 10, é recomendável


que você entenda as definições dos termos abaixo. Utilize seu glossário!

Barreiras.

Instalações Elétrica.

Obstáculos.

Procedimentos.

22
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

NOR
MA 10.2.8 Medidas de proteção coletiva
10.2.8.1 Em todos os serviços executados em“Instalações
Elétricas” devem ser previstas e adotadas, prioritariamente,
medidas de proteção coletiva aplicáveis, mediante “Proce-
dimentos”, às atividades a serem desenvolvidas de forma a
garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores.
10.2.8.2 As medidas de proteção coletiva compreendem
prioritariamente a desenergização elétrica conforme es-
tabelece esta NR e, na sua impossibilidade, o emprego de
tensão de segurança.
10.2.8.2.1 Na impossibilidade de implementação do esta-
belecido no subitem 10.2.8.2., devem ser utilizadas outras
medidas de proteção coletiva, tais como: isolação das partes
vivas, “Obstáculos”, “Barreiras”, sinalização, sistema de sec-
cionamento automático de alimentação, bloqueio do religa-
mento automático.
10.2.8.3 O aterramento das instalações elétricas deve ser
executado conforme regulamentação estabelecida pelos
órgãos competentes e, na ausência desta, deve atender às
Normas Internacionais vigentes.

As medidas de Proteção Coletiva visam a proteção não só de traba-


lhadores envolvidos com a atividade principal, que será executada e
que gerou o risco, mas também a proteção de outros funcionários que
possam executar atividades paralelas nos arredores, ou até passantes,
cuja proximidade de percurso pode levá-los à exposição ao risco.

Inicialmente, para trabalhos em instalações elétricas, o passo mais im-


portante é a “desenergização” dos circuitos ou equipamentos energi-
zados. Porém, caso não seja possível a desenergização dos circuitos ou
equipamentos, outros procedimentos e medidas de segurança deverão
ser utilizados, como os seguintes.

23
NR 10 - Curso Básico

Emprego de “tensão de segurança”, em que tensões abaixo de


50 V (extrabaixa) são utilizadas. Muitas ferramentas manuais po-
dem ser encontradas para a tensão de 24 V, para trabalhos em
locais úmidos, pois, com a umidade, a resistência do corpo hu-
mano diminui, e o poder de isolamento dos equipamentos fica
comprometido.

“Isolação das partes vivas”, que, através da utilização de


materiais isolantes, evita o risco de contato acidental com con-
dutores ou peças metálicas energizadas e conseqüente eletro-
cussão dos trabalhadores envolvidos. Como exemplo, po-
demos citar a capa plástica de isolamento em condutores.

“Obstáculos e barreiras”, representados por cercas de ma-


Figura 1.4 deira, cercas de redes plásticas, cavaletes, cones, fitas verme-
Fonte: do autor (2008)
lhas ou zebradas, com sinalização reflexiva, cercas metálicas,
etc. Pela definição, obstáculos impedem o contato acidental,
mas não o contato intencional, e
Apesar de não mencionados especificamente, os relês barreiras impedem todo e qualquer
de fuga para terra, ou “dispositivos diferenciais residu- contato.
ais”, são importantes ferramentas para a proteção de
“Sinalização”, em que placas e
trabalhadores ou outros em contatos indiretos ou até
cartazes alertam sobre: “perigo
contatos diretos. Trata-se de relês do tipo diferencial
de vida”, “homens trabalhando
que operam segundo o equilíbrio de correntes que
no equipamento”,“não ligue esta
entram e saem do circuito, que estão equilibradas. Em
chave”,“alta-tensão”, etc. Os tra-
caso de contato acidental (por exemplo, uma pessoa to-
balhos de manutenção em linhas
cando num ponto energizado, ou por falta fase-massa
elétricas aéreas ou subterrâneas
num equipamento) há um desequilíbrio nas correntes
exigem a utilização de barreiras
do circuito que produz um valor diferencial e que fará
e sinalizações devido ao grande
o relê atuar, desligando a alimentação. Como são muito
movimento de transeuntes e ve-
rápidos, diminuem o tempo de exposição a uma cor-
ículos nas imediações.
rente, e conseqüentemente os danos físicos em caso de
choque elétrico em uma pessoa.

24
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

“Seccionamento automático da alimentação”, inexistente em al-


gumas instalações mais antigas, permite a manobra de dispositivos
de seccionamento (disjuntores, chaves seccionadoras para carga ou
não) automática e remotamente, desenergizando os circuitos ou
instalações com mais segurança, para fins de manutenção. O sec-
cionamento automático, comandado através de relês de proteção
de diversos tipos, também protege as instalações e funcionários pre-
sentes em diversas condições inesperadas de falha.

“Bloqueio do religamento automático”, para evitar reener-


gização do circuito em manutenção e risco de eletrocussão nos
funcionários envolvidos.

“Aterramento das instalações elétricas”, cuja função é escoar


para terra as cargas elétricas indesejáveis, que podem ser decor-
rentes da falta de fase-massa, indução eletromagnética, ele-
tricidade estática e descargas atmosféricas. A falta fase-massa
decorre de contato acidental de condutores energizados com
materiais metálicos condutores, mas que não pertencem à insta-
lação, como a caixa metálica que protege um eletrodoméstico. O
campo eletromagnético produzido por um circuito elétrico pode,
através do fenômeno da indução, produzir uma tensão elétrica
em outro circuito desenergizado. Um exemplo é o aparecimento
de tensões em redes desligadas devido à existência de outra rede
ou linha de transmissão próximas. A eletricidade estática é gera-
da através do atrito, podendo causar centelhamento e incêndio
ou explosão em áreas classificadas (ver item 10.9 – Proteção con-
tra Incêndio e Explosões e comentários).

25
NR 10 - Curso Básico

Um sistema de aterramento é for-


Descargas atmosféricas são os raios em dias de tem- mado por condutores, eletrodos
pestade, originadas por diferentes cargas elétricas e malha de terra, se necessário. O
geradas nas nuvens, que podem escoar para o solo princípio funcional é criar um ca-
através de estruturas, causando grandes acidentes e minho facilitado para o escoamento
prejuízos. Essas quatro situações levam a uma mesma dessas cargas elétricas à terra, atra-
solução de proteção coletiva: aterramento. vés de um circuito de baixa impe-
dância. Isso protegerá os funcioná-
rios ou pessoas que possam vir a ter
contato (indireto) com essas estruturas indevidamente energizadas.
No caso de descargas atmosféricas temos ainda o captador, conjunto
de pequenas hastes pontiagudas, no alto dos prédios (pára-raios tipo
Franklin), e ligado ao condutor de descida.

“Contatos diretos” são com pontos normalmente energiza-


dos; “contatos indiretos” são com partes metálicas das es-
truturas mas que não pertencem ao circuito elétrico, e que
se encontram acidentalmente energizadas.

A eqüipotencialização evita com que haja uma diferença de potencial


entre partes metálicas de uma estrutura que não pertencem ao circui-
to elétrico, mas que se estiverem nessa situação causarão um choque
elétrico em pessoas que as tocarem simultaneamente. A ligação eqüi-
potencial principal interliga todas as estruturas que não façam parte do
circuito elétrico com o terminal de aterramento principal. As ligações
eqüipotenciais secundárias interligam as massas e partes condutoras
da estrutura entre si, neutralizando o risco de choque elétrico entre
partes metálicas diferentes.

26
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

A eqüipotencialização pode ser observada durante o ater-


ramento temporário, onde, por exemplo, condutores trifási-
cos são ligados entre si e depois ao dispositivo de aterra-
mento temporário do conjunto.

Depois de conhecer estes conceitos, reflita: quantos equipa-


mentos de proteção coletiva você conhece? Cheque a lista
abaixo e confira seus conhecimentos. A seguir, você vai estu-
dar as medidas de proteção individual.

Principais Equipamentos de Proteção Coletiva.

Coletes reflexivos.

Fitas de demarcação, reflexivas.

Coberturas isolantes.

Cones de sinalização (75 cm, com fitas reflexivas).

Conjuntos para aterramento temporário.

Detectores de tensão para BT e AT, imprescindíveis em proce-


dimentos de segurança com teste de circuitos ou equipamentos
que devam estar efetivamente desenergizados para início do tra-
balho com segurança.

NOR
MA 10.2.9 Medidas de proteção individual
10.2.9.1 Nos trabalhos em instalações elétricas, quando as
medidas de proteção coletiva forem tecnicamente inviáveis
ou insuficientes para controlar os riscos, devem ser ado-
tados equipamentos de proteção individual específicos e
adequados às atividades desenvolvidas, em atendimento ao
disposto na NR 6.

27
NR 10 - Curso Básico

As medidas de Proteção Coletiva serão prioritárias em vista de sua


abrangência. Caso não sejam suficientes, utiliza-se então a proteção
individual, item 10.2.9.1.

A norma de segurança que trata dos equipamentos de proteção indi-


vidual (EPI) é a NR 6, e pode ser resumida da seguinte forma: “Todo
EPI deve possuir CA (Certificado de Aprovação)” (ver item 10.2.4 e co-
mentários).

E quanto às responsabilidades de segurança entre patrão e


funcionário, você sabe o quê compete a quem? Observe a
seguir as definições dos papéis de cada um!

Obrigações do empregador quanto ao EPI.

1. Adquirir o EPI adequado ao risco de cada atividade.

2. Exigir seu uso.

3. Fornecer ao trabalhador somente o EPI aprovado pelo órgão na-


cional competente em matéria de segurança e saúde no traba-
lho.

4. Orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e


conservação.

5. Substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado.

6. Responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica.

7. Comunicar ao MTE qualquer irregularidade observada.

Obrigações do empregado quanto ao EPI.

1. Usar, utilizando-o apenas para a finalidade a que se destina.

2. Responsabilizar-se pela guarda e conservação.

28
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

3. Comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne im-


próprio para uso.

4. Cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado.

NOR
MA 10.2.9.2 As vestimentas de trabalho devem ser adequadas às
atividades, devendo contemplar a condutibilidade, inflamabi-
lidade e influências eletromagnéticas.
10.2.9.3 É vedado o uso de adornos pessoais nos trabalhos
com instalações elétricas ou em suas proximidades.

Os uniformes de trabalho devem ser fornecidos pela empresa, não per-


mitindo a utilização de outras vestimentas que possam introduzir riscos,
como condutibilidade do próprio tecido ou através de peças metálicas
(fechos, tachas, rebites, etc.) e também não devem ser de materiais facil-
mente inflamáveis, como alguns tipos de materiais sintéticos.

O item 10.2.9.3 enfatiza a proibição de uso de adornos pessoais em


instalações elétricas, como colares, anéis, pulseiras e relógios que po
po-
dem causar acidentes por contatos com partes energizadas.

E quanto aos Equipamentos de Proteção Individual, qual o


seu conhecimento? Confira a seguir a listagem dos princi--
pais EPIs do setor elétrico.

Principais Equipamentos de Proteção Individual.

Cintos de segurança para eletricista, com talabarte.

Capacetes classe“B”, aba total (uso geral e trabalhos com energia Figura 1.5
elétrica, testados a 30.000 V). Fonte: do autor (2008)

29
NR 10 - Curso Básico

Botas com proteção contra choques elétricos, bidensidade, sem


partes metálicas.

Óculos de segurança para proteção contra impacto de partículas vo-


lantes, intensos raios luminosos ou poeiras, com proteção lateral.

Protetores faciais contra impacto de partículas volantes, intensos


raios luminosos ou poeiras.

Braçadeiras ou mangas de segurança para proteção do braço e


antebraço contra choques elétricos, e coberturas isolantes.

Luvas de borracha com as classes de isolamento descritas a seguir.

Tabela 1.1 – Classes de isolamento de luvas de borracha

Tensão de trabalho (V)


Classe
Corrente alternada
0 1.000
1 7.500
2 17.500
3 26.500
4 36.000

Fonte: Ministério do Trabalho (2004)

Luvas de cobertura para proteção das luvas de borracha.

Bolsas para içamento de ferramentas.

Que tal acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)


para relembrar os tópicos mais importantes? Conhecidas to-
das as medidas de proteção coletiva e individual, está na hora
de começar a estudar a segurança de projetos de instalações
elétricas em vários ambientes. Confira na próxima lição!

30
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

LIÇÃO 4

Segurança nas instalações elétricas

Para iniciar o conteúdo desta lição, é importante que você conheça as


definições de alguns termos que aparecerão no texto da NR 10, e estão
listados a seguir. Utilize o seu glossário, ele vai ajudar a compreender
melhor este material!

Impedimento de reenergização.

Sinalização.

Aterramento Temporário.

Influências Externas.

NOR
MA 10.3 Segurança em projetos
10.3.1 É obrigatório que os projetos de instalações elétricas es-
pecifiquem dispositivos de desligamento de circuitos que possu-
am recursos para “Impedimento de Reenergização”, para “Sinali-
zação” de advertência com indicação da condição operativa.
10.3.2 Todo projeto elétrico, na medida do possível, deve
prever a instalação de dispositivo de seccionamento de ação
simultânea que permita a aplicação de “Impedimento de Re-
energização” do circuito.
10.3.3 O projeto de instalações elétricas deve considerar o
espaço seguro, quanto ao dimensionamento e a localização de
seus componentes e as influências externas, quando da opera-
ção e da realização de serviços de construção e manutenção.
10.3.3.1 Os circuitos elétricos com finalidades diferentes,
tais como: comunicação, sinalização, controle e tração elé-
trica devem ser identificados e instalados separadamente,
salvo quando o desenvolvimento tecnológico permitir com-
partilhamento, respeitadas as definições de projetos.

31
NR 10 - Curso Básico

10.3.4 O projeto deve definir a configuração do esquema de


aterramento, a obrigatoriedade ou não da interligação entre o
condutor neutro e o de proteção e a conexão à terra das par-
tes condutoras não destinadas à condução da eletricidade.
10.3.5 Sempre que tecnicamente viável e necessário devem
ser projetados dispositivos de seccionamento que incorpo-
rem recursos fixos de eqüipotencialização e aterramento
do circuito seccionado.
10.3.6 Todo projeto deve prever condições para a adoção
de “Aterramento Temporário”.

O item 10.3 todo é uma inovação bastante importante


na NR 10, pois introduz o conceito de antecipação no
reconhecimento dos riscos potenciais de futuras insta-
lações. Ele orienta o projetista nessa fase preliminar do
projeto a fazer modificações que irão neutralizar esses
riscos, tornando mais eficiente a execução de atividades
sob a filosofia da segurança do trabalho.
Figura 1.6
Fonte: do autor (2008) Todo e qualquer equipamento ou rotina de operação que venha a in-
crementar a segurança intrínseca das instalações deverá ser imple-
mentada, desde que dentro de critérios racionais.

Assim, devem ser previstos os quesitos a seguir.

Dispositivos de desligamento de circuitos (disjuntores) com dis-


positivos de impedimento de reenergização (relês de bloqueio
que impedem a reenergização, a menos que sejam operados ma-
nualmente) que vão eliminar o risco de eletrocussão de trabalha-
dores em trabalhos de manutenção em circuitos desenergizados,
assim como sinalização de advertência e de condições operacio-
nais (ex.: dispositivo aberto ou fechado, painéis mímicos, telas do
sistema em computadores), evitando acidentes devido à falta de
informações sobre o real estado do sistema.

32
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

A previsão do distanciamento e espaços seguros nas instalações


impede contatos acidentais com partes energizadas, em ativida-
des de manutenção, além da preocupação ergonômica com as
posições de trabalho.

Aterramento de todas as partes condutoras que não façam parte


dos circuitos elétricos, o que neutraliza a possibilidade de choque
elétrico por contato (indireto) com essas partes que podem ser
energizadas por indução elétrica ou contato acidental de outros
condutores (ver item 10.2.8 – Medidas de Proteção Coletiva e
comentários; aterramento e indução).

Previsão de incorporação de dispositivos de seccionamento com


recursos fixos de eqüipotencialização e aterramento ao circuito
seccionado, e também condições para a execução de aterramento
temporário, como proteção do trabalhador contra reenergização de
circuitos já desenergizados (ver item 10.2.8 – Medidas de Proteção
Coletiva, e comentários; aterramento e eqüipotencialização).

NOR
MA 10.3.7 O projeto das instalações elétricas deve ficar à dispo-
sição dos trabalhadores autorizados, das autoridades com-
petentes e de outras pessoas autorizadas pela empresa e
deve ser mantido atualizado.
10.3.8 O projeto elétrico deve atender ao que dispõem as
Normas Regulamentadoras de Saúde e Segurança no Traba-
lho, às regulamentações técnicas oficiais estabelecidas, e ser
assinado por profissional legalmente habilitado.
10.3.9 O memorial descritivo do projeto deve conter, no
mínimo, os seguintes itens de segurança:
a) especificação das características relativas à proteção contra
choques elétricos, queimaduras e outros riscos adicionais;
b) indicação de posição dos dispositivos de manobra dos circui-
tos elétricos:Verde – “D”, desligado e Vermelho – “L”, ligado;

33
NR 10 - Curso Básico

c) descrição do sistema de identificação de circuitos elétri-


cos e equipamentos, incluindo dispositivos de manobra, de
controle, de proteção, de intertravamento dos condutores
e os próprios equipamentos e estruturas, definindo como
tais indicações devem ser aplicadas fisicamente nos compo-
nentes das instalações;
d) recomendações de restrições e advertências quanto ao
acesso de pessoas aos componentes das instalações;
e) precauções aplicáveis em face das “Influências Externas”;
f ) o princípio funcional dos dispositivos de proteção, cons-
tantes do projeto, destinados à segurança das pessoas; e
g) descrição da compatibilidade dos dispositivos de prote-
ção com a instalação elétrica.
10.3.10 Os projetos devem assegurar que as instalações
proporcionem aos trabalhadores iluminação adequada e
uma posição de trabalho segura, de acordo com a NR 17
– Ergonomia.

Como inovação importante da NR 10, nos itens 10.3.7, 10.3.8, 10.3.9 e


10.3.10, os projetos elétricos são normatizados e padronizados com re-
lação ao memorial descritivo, itens necessários ao memorial. Também
há obrigação de serem seguidas as normas de segurança do trabalho
em conjunto com as normas técnicas oficiais, a obrigação de dispo-
nibilidade do projeto, principalmente junto aos trabalhadores autori-
zados, e ainda a necessidade de previsão de um nível de iluminação
adequado e posicionamento ergonômico de trabalho conforme a NR
17 – Ergonomia (item 10.4.5 e comentários).

Agora você conhecerá aplicações práticas da NR 10 em


construção, montagem, operação e manutenção.

34
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

NOR
MA 10.4 Segurança na construção, montagem, operação e
manutenção
10.4.1 As instalações elétricas devem ser construídas, mon-
tadas, operadas, reformadas, ampliadas, reparadas e inspe-
cionadas de forma a garantir a segurança e a saúde dos
trabalhadores e dos usuários e serem supervisionadas por
profissional autorizado conforme dispõe esta NR.
10.4.2 Nos trabalhos e nas atividades referidas, devem ser
adotadas medidas preventivas destinadas ao controle dos
riscos adicionais, especialmente quanto a altura, confina-
mento, campos elétricos e magnéticos, explosividade, umi-
dade, poeira, fauna e flora e outros agravantes, adotando-se
a sinalização de segurança.

O principal foco desta norma é o risco elétrico, mas muitos riscos adi-
cionais devem ser controlados ou neutralizados, pois trabalhos de ma-
nutenção costumam apresentar situações de extrema gravidade.

O trabalho em altura em redes elétricas ou torres, com risco de


quedas, deve ser encarado com muita seriedade e treinamento
específico. Em determinadas situações é importante a utilização
de cinto de segurança tipo pára-quedista, dois talabartes, con-
tando sempre com uma rígida inspeção do equipamento de pro-
teção contra quedas.

Espaços confinados, com risco de asfixia, exposição a contami-


nantes, afogamento, explosão e incêndio, dificuldade de resgate,
necessitando equipamentos para resgate, operação de ventila-
ção para remover gases ou vapores explosivos ou contaminan-
tes, máscaras contra produtos químicos, roupas especiais, instru-
mentação de teste de explosividade, nível de oxigênio (atmosfera
respirável com nível correto de O2).

35
NR 10 - Curso Básico

Campos elétricos e magnéticos, que possam induzir tensões


em circuitos desenergizados, ou simplesmente interferir nos
aparelhos de comunicação, instrumentos de medição e coman-
dos remotos.

Umidade, que potencializa os riscos, propiciando choques elé-


tricos e arcos voltaicos.

Poeira, que além de contaminante também pode ser explosiva.

Fauna, como cobras, aranhas, escorpiões, sempre presentes em


cubículos, caixas de passagem, interior de armários, painéis e
bandejas de cabos.

Flora, em que há presença de riscos biológicos, como bacté-


rias e fungos.

Todos esses riscos adicionais listados, além da possibilidade de pro-


duzir acidentes, podem afetar a saúde do trabalhador. Além dos EPI e
EPC (incluída a sinalização de segurança), para cada atividade devem
ser realizadas as Análises de Risco, Autorizações de Serviço, Permis-
sões de Trabalho, Liberações de Área e seguidos os Procedimentos de
Segurança adequados (item 10.4.2).

NOR
MA 10.4.3 Nos locais de trabalho só podem ser utilizados equi-
pamentos, dispositivos e ferramentas elétricas compatíveis
com a instalação elétrica existente, preservando-se as ca-
racterísticas de proteção, respeitadas as recomendações do
fabricante e as influências externas.
10.4.3.1 Os equipamentos, dispositivos e ferramentas que
possuam isolamento elétrico devem estar adequados às
tensões envolvidas, e serem inspecionados e testados de
acordo com as regulamentações existentes ou recomenda-
ções dos fabricantes.

36
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

Todos os dispositivos e ferramentas utilizadas devem estar em condi-


ções próprias de uso, serem compatíveis com as instalações elétricas e
possuir isolamento adequado à tensão do local (itens 10.2.4 com co-
mentários, 10.4.3 e 10.4.3.1).

NOR
MA 10.4.4 As instalações elétricas devem ser mantidas em condições
seguras de funcionamento e seus sistemas de proteção devem
ser inspecionados e controlados periodicamente, de acordo
com as regulamentações existentes e definições de projetos.
10.4.4.1 Os locais de serviços elétricos, compartimentos e in-
vólucros de equipamentos e instalações elétricas são exclusi-
vos para essa finalidade, sendo expressamente proibido utilizá-
los para armazenamento ou guarda de quaisquer objetos.

A NR 10, como descrito no item 10.4.4.1, proíbe que funcionários


guardem pertences pessoais e ferramentas dentro de compartimen-
tos, invólucros de equipamentos e painéis elétricos, pois podem ocor-
rer acidentes de trabalho devido a curtos-circuitos e choques elétricos
com graves conseqüências devido a essa prática de risco.

NOR
MA 10.4.5 Para atividades em instalações elétricas deve ser ga-
rantida ao trabalhador iluminação adequada e uma posição
de trabalho segura, de acordo com a NR 17 – Ergonomia, de
forma a permitir que ele disponha dos membros superiores
livres para a realização das tarefas.

“Ergonomia” significa, de forma simplificada, o estudo da adaptação


do trabalho ao ser humano. “Ergos” em grego significa “trabalho”, e
“nomos” significa “regras”. Alguns de seus focos de estudos são os po-
sicionamentos de trabalho, condições visuais, controles e ferramen-

37
NR 10 - Curso Básico

tas, entre outros. O emprego da ergonomia tem como objetivo evitar


acidentes e doenças ocupacionais, devido ao mau posicionamento ou
manejo incorreto de máquinas e ferramentas, ou falta de percepção
visual. Essa preocupação é demonstrada nos itens 10.4.5 e 10.3.10 –
Segurança em projetos.

NOR
MA 10.4.6 Os ensaios e testes elétricos laboratoriais e de cam-
po ou comissionamento de instalações elétricas devem
atender à regulamentação estabelecida nos itens 10.6 e 10.7,
e somente podem ser realizados por trabalhadores que
atendam às condições de qualificação, habilitação, capacita-
ção e autorização estabelecidas nesta NR.

Como estão seus estudos sobre segurança na construção? A


seguir, você conhecerá as definições de segurança previstas
na NR 10 para instalações elétricas desenergizadas e ener-
gizadas. Não deixe de parar a qualquer momento para tirar
suas dúvidas com o tutor, ou ainda discutir com colegas!

Antes de iniciar o próximo tópico, cheque os seguintes termos no glos-


sário. Isso ajudará a compreender o conteúdo!

Aterramento temporário (Aterramento elétrico temporário).

Zona Controlada.

Destravamento (Travamento).

38
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

NOR
MA 10.5 Segurança em instalações elétricas desenergizadas
10.5.1 Somente serão consideradas desenergizadas as insta-
lações elétricas liberadas para trabalho mediante os proce-
dimentos apropriados, obedecida à seqüência abaixo:
a) Seccionamento;
b) Impedimento de reenergização;
c) Constatação da ausência de tensão;
d) Instalação de “Aterramento Temporário” com eqüipo-
tencialização dos condutores dos circuitos;
e) Proteção dos elementos energizados existentes na “Zona
Controlada” (Anexo I); e
f) Instalação da sinalização de impedimento de reenergização.

Dentro dos preceitos que regem a segurança do trabalho existem pro-


cedimentos específicos para cada atividade. Em manutenção elétrica é
bastante utilizado um procedimento de segurança denominado“trava-
mento (ou bloqueio) e etiquetagem (ou sinalização)”. Visa controlar os
riscos do trabalho com eletricidade, protegendo o trabalhador de ex-
posição ao risco de contato com partes energizadas e conseqüente ele-
trocussão. Este procedimento é também aplicado quando se necessita
controlar outras formas de energia de risco, como, por exemplo, ener-
gia pneumática, hidráulica, química, etc.

As instalações elétricas só serão considera-


das desenergizadas e seguras para trabalhos
após os procedimentos de “travamento e si-
nalização”, como listados no item 10.5.1.

1. Seccionamento; onde chaves, sec-


cionadoras, ou outros dispositivos de
isolamento são acionados para a desenergização dos circuitos; Figura 1.7 – Exemplo de
bloqueio e etiquetagem
2. Impedimento de reenergização; onde por meio de bloqueios Fonte: do autor (2008)
mecânicos, cadeados ou outros equipamentos, é garantido a im-
possibilidade de reenergização dos circuitos, o que fica facultado
apenas ao responsável pelo bloqueio;

39
NR 10 - Curso Básico

3. Constatação da ausência de tensão; onde por meio de dispo-


sitivos de “detecção de tensão” é garantida a desenergização dos
circuitos;

4. Instalação de aterramento temporário; e eqüipotencialização


de condutores trifásicos, curto-circuitados na mesma ligação de
aterramento temporário, o que garante a proteção completa do
trabalhador em situações outras de energização dos circuitos já
seccionados, provocados por indução, contatos acidentais com
outros condutores energizados, etc.;

5. Proteção dos elementos energizados existentes na “zona con-


trolada”; o que significa a colocação de barreiras, obstáculos, e que
visem a proteger o trabalhador contra contatos acidentais com ou-
tros circuitos energizados presentes na “zona controlada”

6. Instalação da sinalização de impedimento de energização;


com etiquetas ou placas contendo avisos de proibição de reli-
gamento, como: “homens trabalhando no equipamento”, “não
ligue esta chave”, (ver comentários de“Medidas de Proteção Co-
letiva”, item 10.2.8).

NOR
MA 10.5.2 O estado de instalação desenergizada deve ser manti-
do até a autorização para reenergização, devendo ser reener-
gizada respeitando a seqüência de procedimentos abaixo:
a) retirada das ferramentas, utensílios e equipamentos;
b) retirada da zona controlada de todos os trabalhadores
não envolvidos no processo de reenergização;
c) remoção do aterramento temporário, da eqüipotenciali-
zação e das proteções adicionais;
d) remoção da sinalização de impedimento de reenergização; e
e) “Destravamento”, se houver, e religação dos dispositivos
de seccionamento.

40
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

Após a finalização dos trabalhos, assim que for emitida a autorização


para reenergização, os procedimentos descritos da letra “a” até a letra
“e”do item 10.5.2 devem ser seguidos e respeitados até a religação dos
dispositivos de seccionamento. É importante ressaltar que a retirada
de todos os equipamentos e ferramentas do local de trabalho evita a
possibilidade de acidentes causados por curtos-circuitos após a ree-
nergização; e da mesma forma, todos os trabalhadores presentes na
zona controlada que não estejam envolvidos no processo de reenergi-
zação devem ser retirados do local para sua própria segurança.

NOR
MA 10.5.3 As medidas constantes das alíneas apresentadas nos
itens 10.5.1 e 10.5.2 podem ser alteradas, substituídas, am-
pliadas ou eliminadas, em função das peculiaridades de
cada situação, por profissional legalmente habilitado, auto-
rizado e mediante justificativa técnica previamente forma-
lizada, desde que seja mantido o mesmo nível de segurança
originalmente preconizado.
10.5.4 Os serviços a serem executados em instalações elé-
tricas desligadas, mas com possibilidade de energização, por
qualquer meio ou razão, devem atender ao que estabelece
o disposto no item 10.6.

Instalações elétricas desligadas mas com possibilidade de se-


rem energizadas passam a ser tratadas como “Instalações
Elétricas Energizadas”, item 10.5.4.

41
NR 10 - Curso Básico

Conseguiu dominar todos os procedimentos de segurança


em instalações elétricas desenergizadas? A esta altura do
curso, você já deve saber que energia é coisa séria. Portanto,
não esqueça nunca: se houver possibilidade de uma instala-
ção desligada ser energizada, ela deve ser tratada desde o
começo como energizada! Neste caso, as normas a serem
aplicadas são as do item 10.6, que você conhece nas próxi-
mas páginas. Tenha um bom estudo!

Para o próximo trecho de conteúdo, é importante que você confira no


glossário o significado dos termos a seguir.

Baixa Tensão.

Pessoa não advertida (pessoa advertida).

Perigo.

NOR
MA 10.6 Segurança em instalações elétricas energizadas
10.6.1 As intervenções em instalações elétricas com tensão
igual ou superior a 50V em corrente alternada ou superior a
120V em corrente contínua somente podem ser realizadas
por trabalhadores que atendam ao que estabelece o item
10.8 desta norma.
10.6.1.1 Os trabalhadores de que trata o item anterior devem
receber treinamento de segurança para trabalhos com instala-
ções elétricas energizadas, com currículo mínimo, carga horária
e demais determinações estabelecidas no Anexo II desta NR.

42
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

Instalações elétricas energizadas são aquelas com tensão superior à


tensão de segurança (Extrabaixa Tensão – EBT), ou seja: 50 VCA ou 120
VCC (VCA – Volts em Corrente Alternada; VCC – Volts em Corrente
Contínua). O trabalho nessas condições só poderá ser realizado por
profissionais autorizados, como é descrito no item 10.8 e seus comen-
tários (itens 10.6.1 e 10.6.1.1).

NOR
MA 10.6.1.2 As operações elementares como ligar e desligar cir-
cuitos elétricos, realizadas em “baixa tensão”, com materiais
e equipamentos elétricos em perfeito estado de conserva-
ção, adequados para operação, podem ser realizadas por
qualquer “pessoa não advertida”.

Qualquer pessoa não treinada em eletricidade pode realizar operações


elementares de ligar ou desligar circuitos elétricos em baixa tensão (a bai-
xa tensão vai de 50 VCA até 1.000 VCA ou 120 VCC até 1.500 VCC), desde
que se encontrem em perfeitas condições de operação (item 10.6.1.2).

NOR
MA 10.6.2 Os trabalhos que exigem o ingresso na zona contro-
lada devem ser realizados mediante procedimentos especí-
ficos respeitando as distâncias previstas no Anexo I.

Sempre que atividades forem executadas no interior da zona controla-


da, deve-se observar procedimentos de segurança específicos, respei-
tando-se as distâncias de segurança (Anexo II), isolamento de partes
energizadas, proteção por barreiras, indicação aos trabalhadores en-
volvidos quanto a pontos energizados, palestra inicial de segurança,
preenchimento de permissões de trabalho, utilização de listas de veri-
ficação, etc. (item 10.6.2).

43
NR 10 - Curso Básico

10.6.3 Os serviços em instalações energizadas, ou em suas pro-


MA
NOR
ximidades devem ser suspensos de imediato na iminência de
ocorrência que possa colocar os trabalhadores em “Perigo”.
10.6.4 Sempre que inovações tecnológicas forem implemen-
tadas ou para a entrada em operações de novas instalações
ou equipamentos elétricos devem ser previamente elabora-
das análises de risco, desenvolvidas com circuitos desener-
gizados, e respectivos procedimentos de trabalho.

O item 10.6.4 alerta para entrada em operação e testes de novos equi-


pamentos, com nova tecnologia ou modificação de instalações exis-
tentes. Nessa fase de testes, correções e ajustes é mais provável a ocor-
rência de acidentes. Antes dessas atividades é necessária a elaboração
de análises de risco e procedimentos de segurança específicos ao mo-
mento, e desenvolvidos com os circuitos desenergizados.

NOR
MA 10.6.5 O responsável pela execução do serviço deve sus-
pender as atividades quando verificar situação ou condição
de risco não prevista, cuja eliminação ou neutralização ime-
diata não seja possível.

Antes de qualquer nova atividade é necessária a identificação dos ris-


cos inerentes. Depende desses riscos a utilização de um determinado
procedimento, de tipos diferenciados de EPI e de EPC, e de diferentes
acessórios de trabalho. A esse procedimento dá-se o nome de “Análise
de Risco”. No entanto outros riscos não previstos podem surgir, como
inundações, tempestades, raios, ou quaisquer outros cuja neutraliza-
ção não seja possível. Nesse caso, o responsável pela atividade deve
suspender as atividades.

44
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

Na última lição, você conheceu a seqüência correta para


desenergização e reenergização de áreas, bem como demais
procedimentos de segurança para operação e manutenção
de serviços. Que tal ver os conceitos mais importantes des-
ta etapa no AVA? Na próxima lição, você aprenderá detalhes
e procedimentos relativos ao trabalho envolvendo alta-ten-
são. Em seguida, saberá o que diz a lei sobre a habilitação e
treinamento dos trabalhadores do sistema elétrico.

LIÇÃO 5

Alta-tensão e qualificação de trabalhadores

Novamente você vai estudar o texto da NR 10 na íntegra, e para ajudá-


lo a compreender o conteúdo desta lição, vale a pena conhecer antes
as definições dos termos a seguir. Utilize o seu glossário!

Alta-tensão.

Zonas Controladas e de Risco.

Proximidades (Trabalho em proximidade).

NOR
MA
10.7 Trabalhos envolvendo alta-tensão (AT)
10.7.1 Os trabalhadores que intervenham em instalações
elétricas energizadas com “Alta-Tensão” que exerçam suas
atividades dentro dos limites estabelecidos como “Zonas
Controladas e de Risco”, conforme Anexo I, devem atender
ao disposto no item 10.8 desta NR.
10.7.2 Os trabalhadores de que trata o item 10.7.1 devem
receber treinamento de segurança, específico em segurança
no Sistema Elétrico de Potência (SEP) e em suas “Proximida-
des”, com currículo mínimo, carga horária e demais deter-
minações estabelecidas no Anexo II desta NR

45
NR 10 - Curso Básico

Trabalhos em alta-tensão envolvem um grande risco


Tra
de acidentes, não apenas pela possibilidade de cho-
que elétrico por contatos diretos ou indiretos, mas
principalmente
p pela formação de arcos voltaicos,
que são o resultado do rompimento do dielétri-
co (capacidade de isolamento) do ar, com gran-
de dissipação de energia, liberando luminosida-
de, calor, e partículas metálicas em fusão.

Esse tipo
ti de acidente provoca graves queimaduras em todos
Figura 1.8 que estiverem situados dentro do seu raio de ação. Daí a definição
Fonte: do autor (2008) de “Zona de Risco” e “Zona Controlada” (ver Anexo II), importante para o
perfeito posicionamento do trabalhador em seus limites, e dos procedimen-
tos e equipamentos (EPI, EPC), necessários à execução de atividades dentro
dos princípios da segurança do trabalho. Alta-tensão é a tensão definida
como tendo valores acima de 1.000 V em Corrente Alternada (CA) e 1.500 V
em Corrente Contínua (CC) entre fases ou entre fases e terra. Trabalhado-
res exercendo atividades dentro dos limites das“Zonas de Risco”ou“Zonas
Controladas”(ver Anexo II) têm que atender ao disposto no item 10.8, sen-
do Habilitados, Qualificados, e Autorizados, ou Capacitados e Autorizados.

Devem ainda estar em condições de saúde compatíveis com as atividades


a serem executadas em conformidade com a NR 7, Programa de Controle
Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), tendo recebido todo o treina-
mento previsto no Anexo III, principalmente o treinamento específico de
Segurança em Sistemas Elétricos de Potência (SEP), itens 10.7.1 e 10.7.2.

NOR
MA 10.7.3 Os serviços em instalações elétricas energizadas em
AT, bem como aqueles executados no Sistema Elétrico de
Potência (SEP), não podem ser realizados individualmente.
10.7.4 Todo trabalho em instalações elétricas energizadas em
AT, bem como aquelas que interajam com o SEP, somente
pode ser realizado mediante ordem de serviço específica para
data e local, assinada por superior responsável pela área.

46
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

Todo e qualquer trabalho realizado em instalações elétricas em Alta-


Tensão ou em Sistema Elétrico de Potência (SEP) deve ser totalmente
controlado através de ordens de serviço, assinadas pelo superior res-
ponsável (item 10.7.4).

NOR
MA 10.7.5 Antes de iniciar trabalhos em circuitos energizados em
AT, o superior imediato e a equipe, responsáveis pela execu-
ção do serviço, devem realizar uma avaliação prévia, estudar e
planejar as atividades e ações a serem desenvolvidas de forma
a atender aos príncipios técnicos básicos e às melhores téc-
nicas de segurança em eletricidade aplicáveis ao serviço.
10.7.6 Os serviços em instalações elétricas energizadas em AT
somente podem ser realizados quando houver procedimentos
específicos, detalhados e assinados por profissional autorizado.
10.7.7 A intervenção em instalações elétricas energizadas
em AT dentro dos limites estabelecidos como zona de risco,
conforme Anexo I desta NR, somente pode ser realizada
mediante a desativação, também conhecida como bloqueio,
dos conjuntos e dispositivos de religamento automático do
circuito, sistema ou equipamento.
10.7.7.1 Os equipamentos e dispositivos desativados devem
ser sinalizados com identificação da condição de desativação,
conforme procedimento de trabalho específico padronizado.

Nos limites interiores da “Zona de Risco” (ver Anexo II), os trabalha-


dores devem ser protegidos contra a possibilidade de reenergização
dos circuitos, por meio da desativação ou bloqueio dos dispositivos de
religamento automático, que devem estar com sinalização adequada
indicando desativação, itens 10.7.7 e 10.7.7.1, item 10.10 (Sinalização
de Segurança), item 10.5 (Segurança em Instalações Elétricas Desener-
gizadas) e item 10.2.8 (Medidas de Proteção Coletiva).

47
NR 10 - Curso Básico

NOR
MA 10.7.8 Os equipamentos, ferramentas e dispositivos isolan-
tes ou equipados com materiais isolantes, destinados ao tra-
balho em alta-tensão, devem ser submetidos a testes elétri-
cos ou ensaios de laboratório, periódicos, obedecendo-se às
especificações do fabricante, aos procedimentos da empre-
sa e na ausência desses, anualmente.
10.7.9 Todo trabalhador em instalações elétricas energizadas
em AT, bem como aqueles envolvidos em atividades no SEP
devem dispor de equipamento que permita a comunicação
permanente com os demais membros da equipe ou com o
centro de operação durante a realização do serviço.

É importante observar que a norma prevê necessidade de realização de


testes elétricos nos elementos de isolamento de ferramentas e equipa-
mentos a serem utilizados em trabalhos em AT ou no SEP.

Conhecidos os conceitos de trabalho em alta-tensão, zonas


de risco e zonas controladas, chega o momento de estudar
os requisitos de qualificação para o trabalhador do sistema
elétrico. É isso que você vai aprender nas próximas páginas!

NOR
MA 10.8 Habilitação, qualificação, capacitação e autorização
dos trabalhadores
10.8.1 É considerado trabalhador qualificado aquele que
comprovar conclusão de curso específico na área elétrica
reconhecido pelo Sistema Oficial de Ensino.
10.8.2 É considerado profissional legalmente habilitado
o trabalhador previamente qualificado e com registro no
competente conselho de classe.

48
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

As atividades exercidas em instalações elétricas envolvem a exposição


ao risco elétrico, causador de muitos graves acidentes. A perfeita iden-
tificação deste risco, assim como o conhecimento de procedimentos
de segurança no trabalho, equipamentos de proteção individual e co-
letiva, e principalmente o simples reconhecimento de que os acidentes
não acontecem apenas com os outros, diminuirá em muito o índice de
acidentes do trabalho em atividades elétricas. Isso nos conduz ao reco-
nhecimento da necessidade de um programa de intenso treinamento
na área elétrica associado a um treinamento de segurança do trabalho
em instalações elétricas.

NOR
MA 10.8.3 É considerado trabalhador capacitado aquele que
atenda às seguintes condições, simultaneamente:
a) receba capacitação sob orientação e responsabilidade
de profissional habilitado e autorizado; e
b) trabalhe sob a responsabilidade de profissional habilita-
do e autorizado.
10.8.3.1 A capacitação só terá validade para a empresa que
o capacitou e nas condições estabelecidas pelo profissio-
nal habilitado e autorizado responsável pela capacitação.

O item 10.8 na sua totalidade descreve detalhadamente como deve ser


definido o trabalhador autorizado a trabalhar em instalações elétricas,
evitando-se assim que funcionários sem treinamento específico e de
segurança venham a exercer atividades de risco, expondo-se desne-
cessariamente a acidentes do trabalho.

49
NR 10 - Curso Básico

O profissional qualificado completou com êxito seu curso de forma-


ção na área elétrica, reconhecido pelo Sistema Oficial de Ensino. Tor-
nou-se habilitado assim que se registrou no seu Conselho de Classe.
Já o trabalhador capacitado, 1) foi treinado por profissional habilitado
e autorizado; e 2) trabalha sob a responsabilidade de profissional ha-
bilitado e autorizado. Esta capacitação só tem valor na empresa em
que trabalha. Com a anuência formal da empresa em que trabalham, e
devidamente identificados em seus registros, eles estão autorizados a
exercer atividades em instalações elétricas.

NOR
MA 10.8.4 São considerados autorizados os trabalhadores qua-
lificados ou capacitados e os profissionais habilitados, com
anuência formal da empresa.
10.8.5 A empresa deve estabelecer sistema de identificação
que permita a qualquer tempo conhecer a abrangência da
autorização de cada trabalhador, conforme o item 10.8.4.
10.8.6 Os trabalhadores autorizados a trabalhar em instala-
ções elétricas devem ter essa condição consignada no siste-
ma de registro de empregado da empresa.
10.8.7 Os trabalhadores autorizados a intervir em insta-
lações elétricas devem ser submetidos a exame de saúde
compatível com as atividades a serem desenvolvidas, rea-
lizado em conformidade com a NR 7 e registrado em seu
prontuário médico.

É necessário ainda passar por exames de saúde que lhes permitam


trabalhar em instalações elétricas, conforme definido pela NR 7 – Pro-
grama de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).

50
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

NOR
MA 10.8.8 Os trabalhadores autorizados a intervir em instalações
elétricas devem possuir treinamento específico sobre os ris-
cos decorrentes do emprego da energia elétrica e as princi-
pais medidas de prevenção de acidentes em instalações elé-
tricas, de acordo com o estabelecido no Anexo II desta NR.
10.8.8.1 A empresa concederá autorização na forma des-
ta NR aos trabalhadores capacitados ou qualificados e aos
profissionais habilitados que tenham participado com avalia-
ção e aproveitamento satisfatório dos cursos constantes do
Anexo II desta NR.
10.8.8.2 Deve ser realizado um treinamento de reciclagem
bienal e sempre que ocorrer alguma das situações a seguir:
a) troca de função ou mudança de empresa;
b) retorno de afastamento ao trabalho ou inatividade, por
período superior a três meses; e
c) modificações significativas nas instalações elétricas ou
troca de métodos, processos e organização do trabalho.
10.8.8.3 A carga horária e o conteúdo programático dos
treinamentos de reciclagem destinados ao atendimento das
alíneas “a”, “b” e “c” do item 10.8.8.2 devem atender às ne-
cessidades da situação que o motivou.
10.8.8.4 Os trabalhos em áreas classificadas devem ser prece-
didos de treinamento específico de acordo com risco envol-
vido.

A autorização para trabalhadores capacitados, ou qua-


lificados e habilitados será dada pela empresa aos que
tiverem acompanhado com aproveitamento os cursos
previstos no Anexo III desta Norma (treinamento es-
pecífico sobre os riscos das atividades elétricas e medi-
das de prevenção de acidentes em instalações elétricas:
1) “Curso Básico – Segurança em Instalações e Serviços
de Eletricidade”; e 2)“Curso Complementar – Segurança Figura 1.9
no Sistema Elétrico de Potência (SEP) e em suas Proximidades”. Fonte: do autor (2008)

51
NR 10 - Curso Básico

NOR
MA 10.8.9 Os trabalhadores com atividades não relacionadas às
instalações elétricas, desenvolvidas em zona livre e na vizi-
nhança da zona controlada, conforme define esta NR, de-
vem ser instruídos formalmente com conhecimentos que
permitam identificar e avaliar seus possíveis riscos e adotar
as precauções cabíveis.

A novidade desta norma é prever treinamentos de reciclagem, trei-


namento de riscos relacionados a áreas classificadas, além do treina-
mento de trabalhadores de outras áreas que não a elétrica, visando à
identificação de riscos, assim como formas de prevenção de acidentes
do trabalho que porventura venham a exercer atividades na zona livre
ou proximidade de zona controlada.

Nas últimas páginas, você constatou que a qualificação do


trabalhadores que intervenham em instalações elétricas
energizadas, seja de alta tensão, zona controlada ou de ris-
co, também é definida por lei através da NR 10. Ela define
detalhes como currículo mínimo, carga horária dos cursos
e outras determinações com o objetivo de formar um pro-
fissional com plena capacidade de operar sistemas elétricos.
Não esqueça de checar estes pontos no conteúdo virtual
do seu AVA! A seguir, você conhecerá detalhes de proteção
contra incêndio, sinalização de segurança e procedimentos
de trabalho.

52
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

LIÇÃO 6

Incêndio, sinalizações de segurança e procedimentos


de trabalho

Nesta lição, é importante você ter em mente o significado do termo


Atmosferas Potencialmente Explosivas (atmosfera explosiva). Portan-
to, cheque seu glossário!

Nas próximas páginas, além dos comentários nos textos da própria NR


10, logo em seguida você vai entender as classes de fogo (definidas na
NR 23) e o conceito de “áreas classificadas”. Tenha um bom estudo!

NOR
MA 10.9 Proteção contra incêndio e explosão
10.9.1 As áreas onde houver instalações ou equipamentos elé-
tricos devem ser dotadas de proteção contra incêndio e explo-
são, conforme dispõe a NR 23 – Proteção Contra Incêndios.
10.9.2 Os materiais, peças, dispositivos, equipamentos e
sistemas destinados à aplicação em instalações elétricas de
ambientes com “Atmosferas Potencialmente Explosivas”
devem ser avaliados quanto à sua conformidade, no âmbito
do Sistema Brasileiro de Certificação.

Em presença de atmosferas explosivas, a fonte de ignição pode ser al-


gum dispositivo, acessório ou equipamento elétrico que possa produzir
centelhamento. Normas nacionais e internacionais especificam equipa-
mentos elétricos para serem utilizados com segurança em áreas classi-
ficadas e à prova de acidentes por centelhamento. São ditos: “à prova
de explosões, pressurizados, imersos em óleo, em areia, em resina, de
segurança aumentada, herméticos, especial, e de segurança intrínseca”.

53
NR 10 - Curso Básico

Para que esses equipamentos cumpram sua função dentro dos crité-
rios de segurança exigidos, eles têm que ser testados dentro de rígidos
padrões de qualidade (teste de conformidade). Somente as empresas
certificadoras reconhecidas pelo Sistema Brasileiro de Certificação, que
congrega as certificadoras reconhecidas junto ao Inmetro (item 10.9.2),
podem atestar a conformidade.

NOR
MA 10.9.3 Os processos ou equipamentos suscetíveis de gerar
ou acumular eletricidade estática devem dispor de proteção
específica e dispositivos de descarga elétrica.

A eletricidade estática é gerada por atrito de correias de máquinas, peças


em movimentos repetidos, movimentação de fluidos e produtos pulve-
rizados em tubulações e silos, sólidos em suspensão na atmosfera, etc.
A tensão elétrica acumulada pode produzir descargas elétricas, que em
presença de baixa umidade do ar, gases inflamáveis, fibras e/ou poeiras
inflamáveis podem causar explosões e incêndios de grandes proporções.
Existem vários métodos para dissipar a eletricidade estática (item 10.9.3),
como o uso de ionizadores, mantas dissipadoras ou dissipativas, pulsei-
ras anti-estáticas e sistemas compostos por cabos e hastes de cobre.

NOR
MA 10.9.4 Nas instalações elétricas de áreas classificadas ou su-
jeitas a risco acentuado de incêndio ou explosões devem
ser adotados dispositivos de proteção, como alarme e sec-
cionamento automático para prevenir sobretensões, sobre-
correntes, falhas de isolamento, aquecimentos ou outras
condições anormais de operação.

54
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

Dentro da necessidade de um rígido controle da possibilidade de ocor-


rência de acidentes por equipamentos elétricos em áreas classificadas,
a norma exige um maior controle das condições elétricas desses siste-
mas, com relês de proteção contra sobrecorrente, sobretensão, aque-
cimento de motores, falta de fase, correntes de fuga, motores com se-
gurança aumentada, alarmes e seccionamento automático através de
disjuntores (item 10.9.4). É importante ainda lembrar que dentro de
tão críticas condições de segurança é necessário uma detalhada super-
visão e acompanhamento seguidos de uma rígida manutenção para
correção das não conformidades.

NOR
MA 10.9.5 Os serviços em instalações elétricas nas áreas classi-
ficadas somente poderão ser realizados mediante permis-
são para o trabalho com liberação formalizada, conforme
estabelece o item 10.5 ou supressão do agente de risco que
determina a classificação da área.

As permissões de trabalho são autorizações por escrito para trabalhos


diversos de manutenção, montagem ou outros que envolvam riscos
à integridade do pessoal, das instalações, meio ambiente, ou conti-
nuidade operacional. Estas permissões descrevem ainda o trabalho,
os riscos envolvidos, pessoal, EPI, EPC, e precauções de segurança a
serem seguidas. É utilizada em conjunto com Listas de Verificação de
requisitos de segurança apropriadas a cada atividade, que, depois de
satisfeitos, possibilitam o início das atividades. A supressão do risco
em áreas classificadas significa a retirada dos gases ou vapores infla-
máveis através de ventilação ou inertização, e em caso de risco elétrico
significa a desenergização do circuito a ser trabalhado (item 10.9.5).

55
NR 10 - Curso Básico

Quando o assunto é proteção contra incêndios e explosões, é


preciso entender as classes de fogo, que são definidas pela NR
23, bem como o conceito de “áreas classificadas”.Acompanhe!

NR 23 – Proteção contra incêndios


N

A NR 23, dispondo sobre Proteção Contra Incêndios, orienta que as


cclasses de fogo são as listadas a seguir.

Classe “A”: Materiais de fácil combustão que queimam na super-


fície e profundidade, e deixam resíduos (madeira, tecidos, papel,
fibras, etc.).
Figura 1.10
Fonte: do autor (2008) Classe “B”: Líquidos inflamáveis que queimam somente na su-
perfície, e não deixam resíduos (óleos, graxas, tintas, solventes,
vernizes, gasolina, éter, etc.).

Classe “C”: Equipamentos elétricos energizados (motores, trans-


formadores, painéis de distribuição, fios, etc.).

Classe“D”: Elementos pirofóricos (magnésio, zircônio, titânio, etc.).

A Classe “C” de incêndio é a que mais interessa quando se


estuda instalações ou equipamentos elétricos. A água pura,
em forma de espuma, ou em recipientes sob pressão (extin-
tores de água pressurizada ou extintores água-gás), não pode
ser utilizada no combate a incêndios Classe “C” devido à sua
condutibilidade elétrica, podendo causar choques elétricos
ou curtos-circuitos, tornando ainda mais grave o acidente.
Apenas água pulverizada poderá ser utilizada, desde que exis-
tam os equipamentos necessários, manejados por combaten-
tes treinados nesta modalidade de combate a incêndio. Para o
combate com água, o sistema elétrico deverá ser desligado.

56
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

O combate correto a incêndios da “Classe C” será feito com extintores


de Gás Carbônico (CO ), e extintores de Pó Químico. Mas vale a
pena observar que o Pó Químico pode ser prejudicial quando usado
em salas de computadores ou de equipamentos telefônicos, visto que
causa danos aos pequenos componentes eletrônicos desses equipa-
mentos. Nesse caso, normalmente utilizam-se extintores de Gás Car-
bônico, que são eficientes sem causar danos materiais.

Alguns sistemas fixos de CO são ativados automaticamente, em caso de


incêndio, pela detecção através de sensores específicos (térmicos, infra-
vermelho, fotoelétricos, ou de ionização). Nesse caso, o risco seria o da
presença de pessoas nesses locais confinados, devido à possibilidade de
asfixia pelo fato de o CO eliminar o oxigênio do ambiente ao expulsar a
atmosfera respirável do recinto. Por isso, na presença de sistemas auto-
máticos de CO , não é permitida a presença de pessoas no local.

Áreas Classificadas

O termo“Áreas Classificadas”(presente nos itens 10.9.2, 10.9.4 e 10.9.5),


significa áreas passíveis de possuir atmosferas explosivas. Atmosferas
explosivas são formadas por gases, vapores ou poeiras e oxigênio, na
proporção correta que dependerá das características de cada produto, e
que em presença de uma fonte de ignição causará incêndio ou explosão.
O termo refere-se à classificação dessas áreas em função do seu poten-
cial de risco das substâncias inflamáveis presentes. Assim, esses ambien-
tes podem ser divididos em três classes, que são ainda subdivididas em
grupos e divisões (ou zonas, pela norma brasileira). Acompanhe.

Classe I – Gases e vapores, dividida em quatro grupos, de “A” a


“D”, e algumas das substâncias são: acetileno, hidrogênio, buta-
dieno, acetaldeído, eteno, monóxido de carbono, acetona, acri-
nonitrila, amônia, butano, benzeno, gasolina, etc.

Classe II – Poeiras, dividida em três grupos, de “E” a “G”, sendo


poeiras metálicas combustíveis, poeiras carbonáceas (carvão mi-
neral, hulha), e poeira combustível, como farinha de trigo, ovo
em pó, goma-arábica, celulose, vitaminas, etc.

57
NR 10 - Curso Básico

Classe III – Fibras combustíveis, como rayon, sisal, fibras de


madeira, etc. Existe ainda uma classificação em que são conside-
radas as probabilidades de ocorrência da mistura explosiva, di-
visão 2 e 1 (pelas normas internacionais) e zonas 0, 1, e 2 (pelas
normas brasileiras). As normas mencionadas são a ABNT (Asso-
ciação Brasileira de Normas Técnicas), IEC (International Elec-
trotechnical Commission, européia), NEC (National Electrical
Code, americana), API (American Petroleum Institute), e NFPA,
(National Fire Protection Association, americana).

Você conseguiu compreender os conceitos de áreas classi-


ficadas e as classes de incêndio? Agora, conheça o que diz a
NR 10 sobre a sinalização obrigatória de segurança.

NOR
MA 10.10 Sinalização de segurança
10.10.1 Nas instalações e serviços em eletricidade deve ser
adotada sinalização adequada de segurança, destinada à ad-
vertência e à identificação, obedecendo ao disposto na NR
26 – Sinalização de Segurança, de forma a atender, entre
outras, as situações a seguir:
a) identificação de circuitos elétricos;
b) travamentos e bloqueios de dispositivos e sistemas de
manobra e comandos;
c) restrições e impedimentos de acesso;
d) delimitações de áreas;
e) sinalização de áreas de circulação, de vias públicas, de
veículos e de movimentação de cargas;
f ) sinalização de impedimento de energização; e
g) identificação de equipamento ou circuito impedido.

58
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

O item 10.10.1 também refere-se à NR 26, que dispõe sobre sinalização de


segurança e orienta a utilização das cores como meios identificadores de
equipamentos de segurança, delimitando áreas e identificando riscos. As
cores específicas também aparecem em associação com frases, desenhos e
símbolos, com o objetivo de prevenção dos acidentes do trabalho.

A correta identificação de circuitos elétricos leva à eficácia


no desligamento dos circuitos corretos, seja por necessida-
des de manutenção, seja por manobras de emergência.

Antigamente não existia padronização de identificação de cir-


cuitos elétricos energizados, o que facilitava a ocorrência de aci-
dentes. O mesmo se aplica à utilização de etiquetas e placas para
a identificação de travamentos, bloqueios de dispositivos e de
sistemas de manobras e comandos em instalações elétricas.

Restrições e impedimentos de acesso e delimitações de áreas im- Figura 1.11 – Exemplo de


sinalização de segurança
pedem a livre circulação de trabalhadores que não estejam diretamen-
Fonte: do autor (2008)
te envolvidos com as atividades presentes num determinado local, que
consequentemente não estão suficientemente informados dos riscos
ali existentes. Devem ser utilizados cartazes, cones, fitas, luzes, e até a
própria viatura de manutenção, principalmente nos trabalhos na área
urbana.

Veja comentários dos itens 10.5 (Segurança em Instalações Elétricas


Desenergizadas) e 10.2.8 (Medidas de Proteção Coletiva).

59
NR 10 - Curso Básico

Cores de sinalização em trabalhos de eletricidade

Nos trabalhos em instalações elétricas é interessante ressaltar e resu-


mir o emprego de algumas cores. Observe.

Vermelho – Identificação de sistemas de combate a incêndio;


como hidrantes, bombas, caixas de alarme, extintores e sua loca-
lização, tubulações da rede d’água de incêndio, portas de saída de
emergência, etc., e excepcionalmente em situações de advertên-
cia de perigo, como luzes em barricadas e barreiras, e em botões
interruptores de circuitos elétricos, em paradas de emergência.

Amarelo – (Alta visibilidade) – Cuidado, no sentido de chamar a


atenção, alertar, distinguir, advertir, em corrimãos, parapeitos, bor-
dos desguarnecidos de abertura no solo, vigas colocadas em baixa
altura, empilhadeiras, tratores, pontes rolantes, guindastes, na deli-
mitação de circulação de máquinas e pedestres, no piso, e em com-
binação com listras pretas em fitas de sinalização zebradas.

Verde – Associado à segurança, em canalizações d’água, (verde-


claro – água potável; verde – água industrial), caixas de equipa-
mento de socorro de urgência, chuveiros de segurança, lava olhos,
emblemas de segurança, salas de curativos de urgência, etc.

Laranja – (Alta visibilidade) – Alerta, em partes móveis de má-


quinas e equipamentos, faces internas de caixas protetoras de
dispositivos elétricos, faces externas de polias e engrenagens,
botões de arranque de segurança, dispositivos de corte, bordas
de serras, prensas, etc.

Púrpura – Riscos de exposição à radiação nuclear.

Antes de iniciar o próximo tópico, é importante que você


tenha em mente o conceito de “procedimento”, ou seja, da
seqüência de ações para realização de um determinado tra-
balho. Cheque no seu glossário!

60
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

NOR
MA 10.11 Procedimentos de trabalho
10.11.1 Os serviços em instalações elétricas devem ser pla-
nejados e realizados em conformidade com “Procedimen-
tos” de trabalho específicos, padronizados, com descrição
detalhada de cada tarefa, passo a passo, assinado por profis-
sional que atenda ao que estabelece o item 10.8 desta NR.

Procedimentos são o detalhamento das atividades intermediárias,


operações necessárias e padronizadas para se realizar um trabalho,
levando-se em conta as necessidades materiais e humanas, e a certeza
de que o resultado final será alcançado respeitando as regras de quali-
dade e de segurança desejadas.

Sua definição deve contar com a participação dos integrantes dos Ser-
viços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Tra-
balho (SEESMT), segundo a Norma Regulamentadora 4.

NOR
MA 10.11.2 Todos os serviços em instalações elétricas devem
ser precedidos de ordens de serviço específicas, aprovadas
por trabalhador autorizado, contendo, no mínimo, o tipo, a
data, o local e as referências aos procedimentos de trabalho
a serem adotados.

Os trabalhos só podem ter início, ou existência real, se precedidos por


uma ordem de serviço, que garanta as responsabilidades e procedi-
mentos necessários. A assinatura de aprovação só terá validade se per-
tencer a um trabalhador autorizado.

61
NR 10 - Curso Básico

NOR
MA 10.11.3 Os procedimentos de trabalho devem conter, no
mínimo, objetivo, campo de aplicação, base técnica, compe-
tências e responsabilidades, disposições gerais, medidas de
controle e orientações finais.
10.11.4 Os procedimentos de trabalho, o treinamento de
segurança e saúde e a autorização de que trata o item 10.8
devem ter a participação em todo o processo de desenvol-
vimento do Serviço Especializado de Engenharia de Segu-
rança e Medicina do Trabalho (SEESMT), quando houver.
10.11.5 A autorização referida no item 10.8 deve estar em
conformidade com o treinamento ministrado, previsto no
Anexo II desta NR.
10.11.6 Toda equipe deverá ter um de seus trabalhadores
indicado e em condições de exercer a supervisão e condu-
ção dos trabalhos.
10.11.7 Antes de iniciar trabalhos em equipe, os seus mem-
bros, em conjunto com o responsável pela execução do ser-
viço, devem realizar uma avaliação prévia, estudar e planejar
as atividades e ações a serem desenvolvidas no local, de for-
ma a atender aos princípios técnicos básicos e às melhores
técnicas de segurança aplicáveis ao serviço.
10.11.8 A alternância de atividades deve considerar a análise de
riscos das tarefas e a competência dos trabalhadores envolvi-
dos, de forma a garantir a segurança e a saúde no trabalho.

Você já ouviu falar no documento de análise de risco? Análise de ris-


co é uma ferramenta gráfica na qual uma atividade é analisada passo
a passo, com cada passo associado a um responsável, identificando-se
o(s) risco(s) correlatos. Como resultado, elabora-se a lista de controles
necessários à neutralização de cada risco identificado.

A análise de risco deve também contemplar, quando necessário, o modo


de detecção dos riscos e as ações de emergência. Observe um exemplo!

62
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

Tabela 1.2 – Exemplo de passo referente à abertura de uma chave corta-circuito, den-
tro de uma atividade mais complexa

Passo 11 Responsável Riscos Efeitos Controle

Abrir a chave corta-circuito Eletricista • Arco elétrico • Queimadura • Usar luvas isolantes de
borracha para alta-tensão,
Descrição: Abrir as chaves • Postura • Entorse muscular
capacete de segurança,
utilizando a vara de manobra e
óculos e botas de segu-
observando a seqüência corre-
rança;
ta, ou seja: “Primeiro a chave da
extremidade mais próxima da • Manusear firme e
chave do meio, depois a chave corretamente a vara de
da extremidade mais distante manobra;
da chave do meio, e por último
• Assumir posição e pos-
a chave do meio.”
tura corretas.

Fonte: do autor (2008)

A análise de risco vai gerar os procedimentos de segurança


necessários à realização de uma atividade! Confira os tó-
picos mais importantes no conteúdo virtual e prepare-se
para a próxima lição, a última deste módulo, na qual você vai
conhecer o que diz a NR 10 sobre situações de emergência
e divisão de responsabilidades. Bom estudo!

LIÇÃO 7

Situações de emergência e responsabilidades

MA
NOR
10.12 Situação de emergência
10.12.1 As ações de emergência que envolvam as instala-
ções ou serviços com eletricidade devem constar do plano
de emergência da empresa.

63
NR 10 - Curso Básico

O Plano de Emergência é uma ferramenta preventiva e prática que


permite desencadear ações (de emergência) rápidas e eficazes, visan-
do controlar e minimizar as conseqüências de eventos que colocam
em risco as instalações industriais, meio ambiente, funcionários e a
comunidade.

NOR
MA 10.12.2 Os trabalhadores autorizados devem estar aptos a
executar o resgate e prestar primeiros socorros a acidentados,
especialmente por meio de reanimação cardiorrespiratória.
10.12.3 A empresa deve possuir métodos de resgate padro-
nizados e adequados às suas atividades, tornando disponí-
veis os meios para a sua aplicação.
10.12.4 Os trabalhadores autorizados devem estar aptos a
manusear e operar equipamentos de prevenção e combate
a incêndio existentes nas instalações elétricas.

É possível listar várias formas de sinistros, como vazamento de gases tóxi-


cos ou inflamáveis, vazamentos de líquidos voláteis, vazamentos de pro-
dutos tóxicos, incêndios, explosões, alagamentos, choques elétricos, etc.

Acidentes em instalações elétricas normalmente causam incêndios, quei-


maduras, paradas cardiorrespiratórias, e muitas vezes é necessário o res-
gate de acidentados em altura (torres, postes) ou no inte-
rior de locais com dificuldade de acesso.

Então, especificamente, empresas com possibili-


dades de acidentes em instalações ou serviços
com eletricidade, devem observar que todo
trabalhador deverá ser treinado em resgate de
Figura 1.12 acidentados, primeiros socorros, reanimação
Fonte: do autor (2008) cardiorrespiratória, e combate a incêndio, sendo capazes de uma perfei-
ta utilização dos equipamentos de resgate e de extinção de incêndios.

64
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

NOR
MA 10.13 Responsabilidades
10.13.1 As responsabilidades quanto ao cumprimento desta
NR são solidárias aos contratantes e contratados envolvidos.

Com relação ao item “10.13 – Responsabilidades”, a norma atualiza-


da mostrou-se bem mais detalhada com relação ao envolvimento de
todos, empresa contratante, contratadas, e trabalhadores no cumpri-
mento dos artigos da norma. O termo solidário significa que todos os
mencionados poderão responder juridicamente pelo não cumprimen-
to dos artigos desta norma (item 10.13.1).

NOR
MA 10.13.2 É de responsabilidade dos contratantes manter os
trabalhadores informados sobre os riscos a que estão ex-
postos, instruindo-os quanto aos procedimentos e medidas
de controle contra os riscos elétricos a serem adotados.
10.13.3 Cabe à empresa, na ocorrência de acidentes de tra-
balho envolvendo instalações e serviços em eletricidade,
propor e adotar medidas preventivas e corretivas.
10.13.4 Cabe aos trabalhadores:
a) zelar pela sua segurança e saúde e a de outras pessoas
que possam ser afetadas por suas ações ou omissões no
trabalho;
b) responsabilizar-se com a empresa pelo cumprimento das
disposições legais e regulamentares, inclusive quanto aos
procedimentos internos de segurança e saúde; e
c) comunicar, de imediato, ao responsável pela execução do
serviço às situações que considerar de risco para sua segu-
rança e saúde e a de outras pessoas.

65
NR 10 - Curso Básico

O trabalhador não só tem o direito de


“Ato inseguro” é tudo o que o trabalhador faz, vo- ser informado pela empresa de todos
luntariamente ou não, e que pode provocar um aciden- os riscos a que estão expostos, e dos
te. São considerados atos inseguros imperícia, excesso procedimentos de segurança e de con-
de confiança, imprudência, exibicionismo, negligência, trole de riscos correlatos, como tam-
desatenção, brincadeiras no local de trabalho, etc. bém passa a estar legalmente envol-
“Condição Insegura” é decorrente de situações vido com a responsabilidade de zelar
existentes no ambiente de trabalho e que podem pela própria integridade física e saúde,
causar acidentes, como piso escorregadio, iluminação assim como a de seus companheiros

deficiente, excesso de ruído, falta de arrumação, insta-


de trabalho, obrigando-se a cumprir
os procedimentos de segurança, pro-
lações elétricas sobrecarregadas, máquinas defeituosas,
cedimentos legais e regulamentos
matéria-prima de má qualidade, calçado ou vestimen-
da empresa, e tendo a obrigação de
tas impróprios, falta de planejamento, jornada de tra-
comunicar possíveis situações de ris-
balho excessiva, etc.
co (atos ou condições inseguras) que
possam afetar a sua integridade física
e saúde e a de seus companheiros.

As disposições finais da NR 10 dizem respeito mais uma vez


a direitos e deveres de trabalhadores e empregadores.

Antes de passar para este último trecho da norma, confira no seu glos-
sário os significados de “Direito de Recusa” e de “Extrabaixa Tensão”.

NOR
MA 10.14 Disposições finais
10.14.1 Os trabalhadores devem interromper suas tarefas exer-
cendo o “Direito de Recusa”, sempre que constatarem evidên-
cias de riscos graves e iminentes para sua segurança e saúde ou
a de outras pessoas, comunicando imediatamente o fato a seu
superior hierárquico, que diligenciará as medidas cabíveis.

66
Módulo 1 – Norma Regulamentadora 10

O item 14.1 acrescenta um tópico importantíssimo à norma, pois


ois exer-
cendo o“direito de recusa”o trabalhador pode interromper sua ativida-
nente”
de sempre que for constatada a condição de“risco grave e eminente”
com relação a si ou a outras pessoas.

A condição de “risco grave e eminente” é definida na Nor-


ma Regulamentadora no 3 (Embargo ou Interdição) como
toda condição ambiental de trabalho que possa causar aci-
dente do trabalho ou doença profissional com lesão grave à
integridade física do trabalhador. Figura 1.13
Fonte: do autor (2008)

NOR
MA 10.14.2 As empresas devem promover ações de controle de
riscos originados por outrem em suas instalações elétricas
e oferecer, de imediato quando cabível, denúncia aos órgãos
competentes.
10.14.3 Na ocorrência do não cumprimento das normas
constantes nesta NR, o MTE adotará as providências esta-
belecidas na NR 3.

A Norma Regulamentadora nº 3 (Embargo ou Interdição) também é


mencionada no item 10.14.3, no qual o Ministério do Trabalho e do
Emprego (MTE), através do Auditor Fiscal do Trabalho, pode embargar
ou interditar total ou parcialmente qualquer instalação, ou parte de
instalação que não esteja de acordo com a NR 10.

NOR
MA 10.14.4 A documentação prevista nesta NR deve estar per-
manentemente à disposição dos trabalhadores que atuam
em serviços e instalações elétricas, respeitadas as abrangên-
cias, limitações e interferências nas tarefas.
10.14.5 A documentação prevista nesta NR deve estar, per-
manentemente, à disposição das autoridades competentes.
10.14.6 Esta NR não é aplicável a instalações elétricas ali-
mentadas por “Extrabaixa Tensão”.

67
NR 10 - Curso Básico

Você acaba de encerrar o módulo 1 do curso básico da Norma Regula-


mentadora 10! A intenção desta etapa é destacar a importância da NR
10 como força de combate aos acidentes e conseqüentemente
como auxílio na saúde do trabalho em instalações e serviços em
eletricidade.
No decorrer deste módulo, você conheceu todo o texto da nor-
ma e seus comentários, passando por objetivos, campo de aplicação,
medidas de controle, segurança em projetos e em instalações elé-
tricas, alta-tensão, habilitação de trabalhadores, proteção contra
incêndio, sinalização, procedimentos de trabalho, situações de
emergência e divisão de responsabilidades. É um texto abrangen-
te e complexo como a própria NR 10, mas nos próximos módulos você estudará
estes conceitos de forma mais aplicada.
Não deixe de reforçar os estudos com os tópicos selecionados no conteúdo
virtual, e realize as atividades para confirmar que o material está sendo bem
absorvido! Boa sorte e até o próximo módulo!

68
Módu
lo
Riscos elétricos
2

Você já tem informações sobre o novo texto da NR 10 e seus objeti-


vos. No entanto, já se deu conta da importância da segurança pessoal
e coletiva quando o assunto é eletricidade? Talvez pelo fato de
a eletricidade estar tão presente no cotidiano, nem sempre
se dá a ela o tratamento necessário. Como resultado, os aci-
dentes com eletricidade ainda são muito comuns mesmo entre
profissionais qualificados. Um grande estímulo para reverter este
q
quadro foi iniciado em 2004, quando passou a vigorar a revisão da
NR 10 de 1978. E são estas normas que você passa a conhecer,
na prática, neste módulo – da análise às medidas efetivas de
controle de riscos. Desejo a você um bom estudo!

Objetivos

Ao fim deste material você terá conhecimentos sobre as melhores e


mais seguras práticas de trabalho em eletricidade, revisadas em 2004.
Os conhecimentos de trabalho com risco elétrico estão distribuídos nos
seguintes tópicos, que você estudará neste módulo.

Riscos em instalações e serviços com eletricidade.


Técnicas de análise de riscos.
Medidas de controle do risco elétrico.
Equipamentos de Proteção Coletiva e Individual.
Normas Técnicas Brasileiras.
Rotinas de trabalho.
Documentação de instalações elétricas e projetos.

69
NR 10 - Curso Básico

LIÇÃO 1

Introdução aos riscos elétricos

Uma forma brusca, porém verdadeira, de iniciar um estudo sobre se-


gurança em eletricidade é informar que eletricidade mata. A figura ao
lado mostra a evolução de óbitos ligados ao
sistema elétrico nacional.

Sempre que trabalhar com equipamentos elé-


tricos, ferramentas manuais ou com instala-
ções elétricas, você estará exposto aos riscos
da eletricidade. Isso ocorre no trabalho, em
casa e em qualquer outro lugar, afinal você
Figura 2.1 – Acidentes fatais ocorridos no Sistema Elétrico está cercado por redes elétricas em todos os
de Potência (SEP) lugares.
Fonte: Fundação COGE (2005)
No trabalho os riscos são bem maiores, afinal
existe uma grande concentração de máquinas, motores, painéis, qua-
dros de distribuição, subestações transformadoras e talvez até redes
aéreas e subterrâneas expostas ao tempo. Para completar, mesmo os
que não trabalham diretamente com os circuitos também se expõem
aos efeitos nocivos da eletricidade ao utilizar ferramentas elétricas ma-
nuais, ou ao executar tarefas simples – como acionar circuitos e equi-
pamentos, se os dispositivos de acionamento e proteção não estiverem
adequadamente projetados e mantidos.

Todos estão sujeitos aos riscos da eletricidade, mas se você


trabalha diretamente com equipamentos e instalações elé-
tricas, ou apenas próximo delas, é importante ter cuidado
redobrado.

70
Módulo 2 – Riscos elétricos

O que ocorre

O contato com partes energizadas da instalação pode fazer com que a cor-
rente elétrica passe pelo corpo humano. Os resultados podem ser choque
elétrico e queimaduras externas e internas. As conseqüências dos aciden-
tes com eletricidade são muito graves, provocam lesões físicas e traumas
psicológicos, e muitas vezes são fatais. Os incêndios originados por falhas
ou desgaste das instalações elétricas são outro viés negativo.

Definição de tensões

A NR 10 estabelece os requisitos e as condições mínimas para as medi-


das de controle e sistemas preventivos relacionados a instalações que
operam em extrabaixa tensão, baixa tensão e alta tensão. Sob a ótica
da NR 10, são instalações de alta tensão aquelas que operam com
tensão superior a 1.000 volts em corrente alternada ou 1.500 volts em
corrente contínua. Acima dos valores estipulados, os critérios de segu-
rança são, no mínimo, os definidos pela NR 10.

Em relação à baixa tensão, as normas do Ministério do Trabalho e


Emprego (normas regulamentadoras) e as da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (normas técnicas) são idênticas à NR 10 e definem
“baixa tensão” como superior a 50 volts em corrente alternada ou 120
volts em corrente contínua e igual ou inferior a 1.000 volts em corrente
alternada ou 1.500 volts em corrente contínua. As extrabaixas ten-
sões, por sua vez, são as tensões não-superiores a 50 volts em corrente
alternada ou 120 volts em corrente contínua.

Você está encerrando a primeira lição sobre riscos elétricos,


então não deixe de checar os tópicos resumidos do seu
conteúdo virtual! Na próxima lição você começa a estudar
os riscos elétricos propriamente ditos, com a adoção de
respectivos procedimentos e medidas de controle. Seu es-
tudo e disciplina vão gerar segurança para a vida de muitas
outras pessoas, incluindo você. Pense nisso!

71
NR 10 - Curso Básico

LIÇÃO 2

Riscos em instalações e serviços com eletricidade

Existem diferentes tipos de riscos elétricos, devido aos efeitos da eletri-


cidade no ser humano e no meio ambiente. Os principais são o choque
elétrico, o arco elétrico, a exposição aos campos eletromagnéticos e o
incêndio. Neste módulo você vai descobrir como a eletricidade pode
causar tantos males.

Choque elétrico

É o principal e mais grave risco elétrico derivado das redes de energia


elétrica. O choque elétrico decorre da corrente elétrica, ou seja, o fluxo
de elétrons que circula quando existe um caminho denominado cir-
cuito elétrico, estabelecido entre dois pontos com potenciais elétricos
diferentes, como um condutor energizado e a terra. Se você encostar
em ambos simultaneamente formará o circuito elétrico e permitirá que
a corrente circule através do seu corpo.

Atualmente os condutores energizados perfazem milhões de quilôme-


tros, portanto aleatoriamente o defeito (ruptura ou fissura da isolação)
aparecerá em algum lugar, produzindo um potencial de risco ao
choque elétrico. Assim, a compreensão do mecanismo do
efeito da corrente elétrica no corpo humano é funda-
mental para a efetiva prevenção e o combate aos riscos
provenientes do choque elétrico.

Em termos de riscos fatais, o choque elétrico pode ser


analisado sob dois aspectos. Acompanhe!

1. Correntes de choques de baixa intensidade, provenien-


Figura 2.2
Fonte: do autor (2008) tes de acidentes com baixa tensão, sendo o efeito mais grave a
considerar as paradas cardíacas e respiratórias.

72
Módulo 2 – Riscos elétricos

2. Correntes de choques de alta intensidade, provenientes de aci-


dentes com alta tensão, sendo o efeito térmico o mais grave, isto
é, queimaduras externas e internas no corpo humano.

Concluindo, o choque elétrico é a perturbação de natureza e efeitos


diversos que se manifesta no organismo humano quando este é per-
corrido por uma corrente elétrica. Os efeitos do choque elétrico variam
e dependem dos fatores a seguir.

Percurso da corrente elétrica pelo corpo humano.

Intensidade da corrente elétrica.

Tempo de duração.

Área de contato.

Freqüência da corrente elétrica.

Tensão elétrica.

Condições da pele do indivíduo.

Constituição física do indivíduo.

Estado de saúde do indivíduo.

Tipos de choques elétricos

O corpo humano, com sua resistência orgânica à passagem da cor-


rente, é uma impedância elétrica composta por uma resistência elé-
trica, associada a um componente com comportamento levemente
capacitivo.

O choque elétrico pode ser dividido em duas catego-


rias, estático e dinâmico. Saiba mais sobre eles!

Choque estático

Ocorre devido à descarga eletrostática ou pela descarga


de um capacitor. Vale lembrar que “descarga eletrostá- Figura 2.3 – Choque estático
tica” é o efeito capacitivo presente nos mais diferentes materiais Fonte: do autor (2008)

73
NR 10 - Curso Básico

e equipamentos com os quais o homem convive. Um exemplo típico


é o que acontece em veículos que se movem em climas secos. Com o
movimento, o atrito com o ar gera cargas elétricas que se acumulam ao
longo da estrutura externa do veículo. Portanto, entre o veículo e o solo
passa a existir uma diferença de potencial. Dependendo do acúmulo
das cargas, poderá haver o perigo de faiscamentos ou de choque elétri-
co no instante em que uma pessoa desce ou toca no veículo.

Choque dinâmico

É o que ocorre quando se faz contato com um elemento energizado.


Este tipo de choque acontece em duas ocasiões.

Toque acidental na parte metálica do condutor denominada“par-


te viva”.

Toque em partes condutoras próximas aos equipamentos e insta-


lações, que ficaram energizadas acidentalmente por defeito, fis-
sura ou rachadura na isolação.

Este tipo de choque é o mais perigoso, porque a rede


de energia elétrica mantém a pessoa energizada, ou
seja, a corrente de choque persiste continuadamente.
O corpo humano é um organismo resistente, que su-
porta bem o choque elétrico nos primeiros instantes,
mas com a persistência da corrente atravessando o
corpo, os órgãos internos sofrem conseqüências gra-
Figura 2.4 – Choque dinâmico
dativas, como as destacadas a seguir.
Fonte: do autor (2008)

Elevação da temperatura dos órgãos devido ao aquecimento pro-


duzido pela corrente de choque.

Tetanização (rigidez) dos músculos.

Superposição da corrente do choque com as correntes neuro-


transmissoras que comandam o organismo humano, ocasionan-
do movimentos bruscos e involuntários.

74
Módulo 2 – Riscos elétricos

Comprometimento do coração quanto ao ritmo de batimento


cardíaco e à possibilidade de fibrilação ventricular.

Efeito de eletrólise, mudando a qualidade do sangue.

Comprometimento da respiração.

Prolapso, isto é, deslocamento dos músculos e órgãos internos


da sua devida posição.

Comprometimento de outros órgãos, como rins, cérebro, vasos,


órgãos genitais e reprodutores.

Muitos órgãos aparentemente sadios só vão apresentar sin-


tomas devido aos efeitos da corrente muitos dias ou meses
depois de ocorrido o choque elétrico. As seqüelas muitas
vezes não são relacionadas ao choque em virtude do espaço
de tempo decorrido desde o acidente.

Observe na tabela a seguir uma listagem de efeitos dos choques elétri-


cos de acordo com a intensidade da corrente.

Tabela 2.1 - Efeitos dos choques elétricos dependentes da intensidade de corrente

Faixa de corrente Reações fisiológicas habituais

0,1 a 0,5 mA Leve percepção superficial; habitualmente nenhum efeito


Ligeira paralisia nos músculos do braço, com início de
0,5 a 10 mA
tetanização; habitualmente nenhum efeito perigoso
Nenhum efeito perigoso se houver interrupção em, no
10 a 30 mA
máximo, 200 ms
Paralisia estendida aos músculos do tórax, com sensação
de falta de ar e tontura; possibilidade de fibrilação ventri-
30 a 500 mA
cular se a descarga elétrica se manifestar na fase crítica
do ciclo cardíaco e por tempo superior a 200 ms
Traumas cardíacos persistentes; nesse caso o efeito é le-
Acima de 500 mA tal, salvo intervenção imediata de pessoal especializado
com equipamento adequado
Fonte: do autor (2008)

75
NR 10 - Curso Básico

Os choques dinâmicos podem ser causados pela tensão de toque ou


pela tensão de passo. Acompanhe!

Tensão de toque

Tensão de toque é a tensão elétrica (diferença de potencial) existen-


te entre os membros superiores e inferiores do indivíduo, devido à
circulação de corrente no objeto tocado. Por exemplo, um defeito de
ruptura na cadeia de isoladores de uma
torre de transmissão provoca a tensão
de toque.

O cabo condutor ao tocar na parte me-


tálica da torre produz um curto-circuito
do tipo monofásico à terra. A corren-
te de curto-circuito passará pela torre,
entrará na terra e percorrerá o solo até
atingir a malha da subestação, retor-
nando pelo cabo da linha de transmis-
são até o local do curto. A figura ao lado
mostra a situação e o circuito elétrico
Figura 2.5
Fonte: do autor (2008) equivalente.

No solo, a corrente de curto-circuito gerará potenciais distintos desde


o “pé” da torre até uma distância remota. Este potencial é apresentado
pela curva da figura acima.

Uma pessoa tocando na torre no momento do curto-circuito ficará


submetida a um choque proveniente da tensão de toque. Entre a pal-
ma da mão e o pé haverá uma diferença de potencial chamada de ten-
são de toque.

Por norma, e nos projetos de sistema de aterramento, considera-se a


pessoa afastada a um metro do equipamento em que está tocando com
a mão. Neste caso, a resistência R1 representa a resistência da terra do

76
Módulo 2 – Riscos elétricos

“pé”da torre até a distância de 1 metro. O restante do trecho da terra é


representado pela resistência R2.

A resistência do corpo humano para corrente alternada de 50 ou 60 Hz


(no caso de pele suada), submetido a uma tensão de toque maior que
250 V fica saturada em 1.000 ohms.

Cada pé em contato com o solo terá uma resistência de contato re-


presentada por R contato. Assim, a tensão de toque é expressa pela
fórmula a seguir.

V toque = (R corpo humano + R contato ÷ 2) I choque

O aterramento no “pé” da torre só estará adequado se, no instante do


curto-circuito monofásico à terra, a tensão de toque ficar abaixo do
limite de tensão para não causar fibrilação ventricular.

A tensão de toque é perigosa porque o coração está no


trajeto da corrente de choque, aumentando o risco de fibri-
lação ventricular.

Tensão de passo

A tensão de passo é a tensão elétrica


(diferença de potencial) entre os dois
pés no instante da operação ou defeito
tipo curto-circuito monofásico à terra
no equipamento. A figura mostra a si-
tuação e o circuito elétrico equivalente.

No caso da torre de transmissão, a pes-


soa receberá entre os dois pés a tensão
de passo. Nos projetos de aterramento
considera-se a distância entre os dois Figura 2.6
pés de um metro. Fonte: do autor (2008)

77
NR 10 - Curso Básico

Pela figura apresentada, obtém-se a expressão seguinte.

V passo = (R corpo humano + 2R contato) I choque

O aterramento só será bom se a tensão de passo for menor do que o


limite de tensão de passo, para não causar fibrilação ventricular no ser
humano.

A tensão de passo é menos perigosa do que a tensão de


toque. Isso se deve ao fato de o coração não estar no per-
curso da corrente de choque quando o corpo é submetido
à tensão de passo. Esta corrente vai de pé em pé, mas mes-
mo assim é também perigosa. As veias e artérias vão da
planta do pé até o coração. Sendo o sangue condutor, a cor-
rente de choque, devido à tensão de passo, vai do pé até o
coração e deste ao outro pé. Por esse motivo, a tensão de
passo é também perigosa e pode provocar fibrilação ventri-
cular. Observe que as tensões geradas no solo pelo curto-
circuito criam superfícies eqüipotenciais.

Se a pessoa estiver com os dois pés na


mesma superfície de potencial, a tensão de
passo será nula, não havendo choque elé-
trico. Confira a figura!

A tensão de passo poderá assumir uma


gama de valores, que vai de zero até a má-
xima diferença entre duas superfícies eqüi-
potenciais separadas de um metro. Um
agravante é que a corrente de choque de-
vido à tensão de passo contrai os músculos
da perna e coxa, fazendo a pessoa cair e,
Figura 2.7 ao tocar no solo com as mãos, a tensão se
Fonte: do autor (2008)

78
Módulo 2 – Riscos elétricos

transforma em tensão de toque no solo. Nesse caso, o risco é maior,


porque o coração está contido no percurso da corrente de choque.

No gado, a tensão de passo se transforma em tensão entre patas. Essa


tensão é maior que a tensão de passo do homem, com o agravamento
de que no gado a corrente de choque passa pelo coração.

Fatores determinantes da gravidade do choque


Os principais fatores que determinam a gravidade do choque elétrico
são os seguintes.

Trajeto da corrente elétrica.

Características da corrente elétrica.

Resistência elétrica do corpo humano.

Efeitos dos choques elétricos em função do trajeto


O trajeto que a corrente faz pelo corpo influencia nas conseqüências
do acidente por choque elétrico. Isso é um dado importante, já que é
mais fácil prestar socorro a uma pessoa que apresente asfixia do que a
uma pessoa com fibrilação ventricular – neste caso é exigido um pro-
cesso de reanimação por massagem cardíaca que nem toda pessoa que
está prestando socorro sabe realizar.

A tabela a seguir apresenta os prováveis locais por onde se poderá dar


o contato elétrico, o trajeto da corrente elétrica e a porcentagem de
corrente que passa pelo coração.

A B C D E

Figura 2.8
Fonte: do autor (2008)

79
NR 10 - Curso Básico

Tabela 2.2 – Trajeto de corrente elétrica e porcentagem de corrente que passa pelo
coração

Porcentagem da
Local de entrada Trajeto
corrente
Figura A Da cabeça para o pé direito 9,7%
Figura B Da mão direita para o pé esquerdo 7,9%
Figura C Da mão direita para a mão esquerda 1,8%
Figura D Da cabeça para a mão esquerda 1,8%

Fonte: do autor (2008)

Características da corrente elétrica

Corrente contínua (CC)

A fibrilação ventricular só ocorrerá se a corrente contínua for aplicada


durante um instante curto, específico e vulnerável do ciclo cardíaco.

Corrente alternada (CA)

Entre 20 e 100 Hz, são as que oferecem maior risco. As de 60 Hz, nor-
malmente usadas nos sistemas de fornecimento de energia elétrica,
são especificamente mais perigosas, uma vez que se situam próximo à
freqüência na qual a possibilidade de ocorrência da fibrilação ventri-
cular é maior. Para correntes alternadas de freqüências elevadas, acima
de 2.000 Hz, as possibilidades de ocorrência de choque elétrico são pe-
quenas, contudo, ocorrerão queimaduras, devido ao fato de a corrente
tender a circular pela parte externa do corpo, ao invés da interna.

Ocorrem também diferenças nos valores de intensidade de


corrente para uma determinada sensação de choque elétri-
co, se a vítima for do sexo feminino ou masculino.

80
Módulo 2 – Riscos elétricos

Efeitos de choques elétricos em função do tempo de con-


tato e intensidade de corrente

A relação entre tempo de contato e intensidade de corrente é extrema-


mente relevante nos acidentes por choque elétrico. Como se observa
no gráfico, a norma NBR 6533, da ABNT, define cinco zonas de efeitos
para correntes alternadas de 15 a 100 Hz, admitindo a circulação entre
as extremidades do corpo em pessoas com 50 kg de peso.

Figura 2.9
Fonte: do autor (2008)

Zona 1 – habitualmente nenhuma reação.

Zona 2 – habitualmente nenhum efeito patofisiológico perigoso.

Zona 3 – habitualmente nenhum risco de fibrilação.

Zona 4 – fibrilação possível (probabilidade de até 50%).

Zona 5 – risco de fibrilação (probabilidade superior a 50%).

81
NR 10 - Curso Básico

Resistência elétrica do corpo humano

A intensidade da corrente que circulará pelo corpo da vítima depen-


derá, em muito, da resistência elétrica que esta oferece à passagem
da corrente, e de qualquer outra resistência adicional entre a vítima
e a terra. A resistência que o cor-

Observe o exemplo do toque acidental de um dedo po humano oferece à passagem

com um ponto energizado de um circuito elétrico. da corrente é quase que exclusiva-

Quando a pele estiver seca, uma resistência de 400.000 mente devida à camada externa da

ohms; quando úmida, uma resistência de apenas 15.000 pele, a qual é constituída de células

ohms. Usando a lei de Ohm e considerando que o mortas. Esta resistência está situ-

contato foi feito em um ponto do circuito elétrico que ada entre 100.000 ohms e 600.000

representa uma diferença de potencial de 120 volts, o ohms, quando a pele encontra-se

resultado será: seca e não apresenta cortes. A va-

Quando seca: riação apresentada é em função da

I = 120 V ÷ 400.000 = 0,3 mA espessura. Quando a pele, no en-

Quando molhada: tanto, encontra-se úmida, condição

I = 120 V ÷ 15.000 = 8 mA mais facilmente encontrada na prá-


tica, a resistência elétrica do corpo
pode ser muito baixa, atingindo 500
ohms. Esta baixa é originada pelo fato de que a corrente pode então
passar pela camada interna da pele, que apresenta menor resistência
elétrica.

Ao estar com cortes, a pele também pode oferecer uma baixa resis-
tência. A resistência oferecida pela parte interna do corpo, constituída
pelo sangue, músculos e demais tecidos, comparativamente à da pele
é bem baixa, medindo normalmente 300 ohms, em média, e apresen-
tando um valor máximo de 500 ohms.

Todas estas diferenças são condições que influem muito na possibili-


dade de uma pessoa vir a sofrer um choque elétrico.

82
Módulo 2 – Riscos elétricos

O termo “corrente de largar” reflete o valor máximo de


corrente que uma pessoa pode suportar quando estiver se-
gurando um objeto energizado e ainda ser capaz de largá-lo
pela ação de músculos diretamente estimulados por esta
corrente.

Espraiamento de corrente do choque elétrico

Devido à diferença da resistência elétrica e de seções transversais das


várias regiões do corpo humano, a corrente que provoca o choque elé-
trico sofre, dentro de um indivíduo, uma distribuição diferenciada,
ou um espraiamento, como mostra a figura.

Portanto, o efeito da corrente do choque se dá de maneira


diferenciada no corpo humano. Desse modo, os efeitos
térmicos são mais intensos nas regiões de alta densida-
de de corrente, podendo produzir queimaduras de alto
risco. Já na área de baixa densidade de corrente o ca-
lor produzido é pequeno. Em virtude da área da região
do tórax ser maior, a densidade de corrente é pequena,
diminuindo os efeitos térmicos de contração e fibrilação no
coração. Isso é positivo do ponto de vista da segurança humana.

O espraiamento pode ser na forma de macrochoque ou micro-


Figura 2.7
choque.
Fonte: do autor (2008)
O macrochoque é definido quando a corrente do choque entra no
corpo humano pelo lado externo. A corrente entra pela pele, invade
o corpo e sai novamente pela pele. O valor da corrente elétrica não
depende somente do nível da diferença de potencial do choque. Para
uma mesma tensão, a corrente vai depender do estado da pele.

83
NR 10 - Curso Básico

O macrochoque é o choque comum, sentido pelas pessoas.


Qualquer pessoa ao encostar num local energizado, ou num
equipamento elétrico com defeito na sua isolação, ficará à
mercê do macrochoque.

Já o microchoque é o choque elétrico que ocorre no interior do corpo


humano. É o tipo de choque que ocorre por defeito em equipamento
médico-hospitalar. Qualquer equipamento invasivo, usado para ana-
lisar, diagnosticar ou monitorar qualquer órgão humano, poderá pro-
duzir microchoque.

Este choque poderá ocorrer entre um condutor interno e a pele, ou


entre dois condutores internos no corpo. A resistência elétrica nestas
condições é muito baixa, aumentando muito o perigo do choque.

Efeitos do choque no indivíduo

O choque elétrico provoca os efeitos relacionados a seguir.

Parada respiratória – inibição dos centros nervosos, inclusive dos


que comandam a respiração.

Parada cardíaca – alteração no ritmo cardíaco, podendo produzir


fibrilação e uma conseqüente parada.

Necrose – resultado de queimaduras profundas produzidas no


tecido.

Alteração no sangue – provocada por efeitos térmicos e eletrolí-


ticos da corrente elétrica.

Perturbação do sistema nervoso.

Seqüelas em vários órgãos do corpo humano.

84
Módulo 2 – Riscos elétricos

É importante lembrar que, se o choque elétrico for devido


ao contato direto com a tensão da rede, todas as manifesta-
ções podem ocorrer. Para os choques elétricos devido à
tensão de toque e à de passo impostas pelo sistema de ater-
ramento durante o defeito na rede elétrica, a manifestação
mais importante a ser considerada é a fibrilação ventricular
do coração, que será abordada mais adiante.

Você sabe as diferenças entre parada cardíaca e fibrilação ventricular?

Parada cardíaca é a falta total de funcionamento do coração.


Quando ele está efetivamente parado, o sangue não é mais bom-
beado, a pressão cai a zero e a pessoa perde os sentidos. Nesse
estado, as fibras musculares estão inativas, interrompendo o ba-
timento cardíaco.

Fibrilação ventricular no coração humano é um fenômeno di-


ferente da parada cardíaca, mas com conseqüências idênticas. Na
fibrilação ventricular as fibras musculares do coração ficam tre-
mulando desordenadamente, havendo, em conseqüência, uma
total ineficiência no bombeamento do sangue.

Queimadura devido ao choque elétrico


Quando uma corrente elétrica passa através de uma resistência elétrica
é liberada uma energia térmica. Este fenômeno é denominado efeito
Joule.

E térmica = R corpo humano . I2 choque . t choque

Onde:
R corpo humano Resistência elétrica (ohms) do corpo humano. Ou, se for o caso,
só a resistência de parte do corpo, do músculo ou órgão afetado.
I choque Corrente elétrica do choque (A).

t choque Tempo do choque (s).

E térmica Energia em joules (J) liberada no corpo humano.

85
NR 10 - Curso Básico

O calor liberado aumenta a temperatura da parte atingida do corpo


humano, podendo produzir vários efeitos e sintomas, que podem ser
os seguintes.

Queimaduras de 1º, 2º ou 3º graus nos músculos do corpo.

Aquecimento do sangue, com a sua conseqüente dilatação.

Aquecimento, podendo provocar o derretimento dos ossos e car-


tilagens.

Queima das terminações nervosas e sensoriais da região atingida.

Queima das camadas adiposas ao longo da derme, tornando-se


gelatinosas.

Essas condições não acontecem isoladamente, mas sim associadas, ge-


rando em conseqüência outras causas e efeitos nos demais órgãos. O
choque de alta tensão queima, danifica, fazendo buracos na pele nos
pontos de entrada e saída da corrente pelo corpo humano. As vítimas
do choque de alta-tensão morrem devido, principalmente, a queima-
duras. E as que sobrevivem ficam com seqüelas, como os exemplos a
seguir.

Perda de massa muscular.

Perda parcial de ossos.

Diminuição e atrofia muscular.

Perda da coordenação motora.

Cicatrizes, entre outras.


Choques elétricos em baixa tensão, por outro lado, têm pouco poder
térmico. O problema maior é o tempo de duração, que, se persistir,
pode levar à morte, geralmente por fibrilação ventricular do coração.

A queimadura também é provocada de modo indireto, isto é, devido


ao mau contato ou a falhas internas no aparelho elétrico. Neste caso, a
corrente provoca aquecimentos internos, elevando a temperatura em
níveis perigosos.

86
Módulo 2 – Riscos elétricos

Proteção contra efeitos térmicos

Tanto as pessoas quanto os componentes fixos de uma instalação elétri-


ca e os materiais fixos próximos devem ser protegidos contra os efeitos
prejudiciais do calor ou da irradiação térmica produzidos pelos equi-
pamentos elétricos. Isso vale particularmente nos seguintes casos.

Riscos de queimaduras.

Prejuízos no funcionamento seguro de componentes da instalação.

Combustão ou deterioração de materiais.

Proteção contra queimaduras

As partes acessíveis de equipamentos elétricos situados na zona de


alcance normal não devem atingir temperaturas que possam cau-
sar queimaduras em pessoas. Devem também atender aos limites de
temperaturas, ainda que por curtos períodos, determinados pela NBR
14039, e devem ser protegidas contra qualquer contato acidental.

Tabela 2.3 - NBR 14039 - Temperaturas máximas das superfícies externas dos equipa-
mentos elétricos dispostos no interior da zona de alcance normal

Tipo de superfície Temperaturas máximas (°C)


Superfície de alavancas, volantes ou punhos de dispositivos de controle manuais:
Metálicas 55
Não-metálicas 65
Superfícies previstas para serem tocadas em serviço normal, mas não destinadas a
serem mantidas à mão de forma contínua:
Metálicas 70
Não-metálicas 80
Superfícies acessíveis, mas não destinadas a serem tocadas em serviço normal:
Metálicas 80
Não-metálicas 90

Fonte: ABNT

87
NR 10 - Curso Básico

Nesta lição, até agora você já conheceu uma parte dos riscos elétricos, a cor-
rente elétrica no corpo e alguns efeitos dela, como a liberação de calor. A seguir,
você conhecerá um fenômeno de alto risco chamado arco elétrico, ou arco vol-
taico. Preste atenção e tenha um bom estudo!

Arco elétrico

Toda vez que ocorre a passagem de corrente elétrica pelo ar ou por ou-
tro meio isolante (óleo, por exemplo) está ocorrendo um arco elétrico,
conforme mostra a figura.

O arco elétrico, também chamado de arco voltaico, é uma


ocorrência de curtíssima duração (menor que 0,5 segun-
do), e muitos são tão rápidos que o olho humano não
chega a perceber.

Os arcos elétricos são extremamente quentes. Próximo ao


“laser”, eles são a mais intensa fonte de calor na Terra.
Sua temperatura pode alcançar 20.000°C. Pessoas que es-
tejam no raio de alguns metros de um arco podem sofrer
severas queimaduras.

Os arcos elétricos são eventos de múltipla energia. Forte


explosão e energia acústica acompanham a intensa ener-
Figura 2.11
gia térmica. Em determinadas situações, uma onda de pressão tam-
Fonte: do autor (2008)
bém pode se formar, sendo capaz de atingir quem estiver próximo ao
local da ocorrência.

Conseqüências de arcos elétricos (queimaduras e quedas)

Se houver centelha ou arco, a temperatura deste é tão alta que destrói


os tecidos do corpo. Todo cuidado é pouco para evitar a abertura de
arco através do operador. Também podem desprender-se partículas in-
candescentes, perigosas aos olhos.

O arco pode ser causado por fatores relacionados a equipamentos, ao


ambiente ou a pessoas. Podem ocorrer, por exemplo, quando traba-
lhadores movimentam-se de forma insegura ou manejam ferramen-

88
Módulo 2 – Riscos elétricos

tas, instrumentos ou materiais condutores próximos de instalações


energizadas.

Outras causas podem estar relacionadas a equipamentos, e incluem


falhas em partes condutoras que integram ou não os circuitos elétricos.
Causas relacionadas ao ambiente incluem a contaminação por sujeira
ou água, ou ainda pela presença de insetos ou outros animais (gatos
ou ratos que provocam curtos-circuitos em barramentos de painéis ou
subestações).

A quantidade de energia liberada durante um arco depende da


corrente de curto-circuito e do tempo de atuação dos dispo-
sitivos de proteção contra sobrecorrentes. Portanto, altas
correntes de curto-circuito e tempos longos de atuação dos
dispositivos de proteção aumentam o risco do arco elétrico.

A severidade da lesão para as pessoas na área onde ocorre a falha de-


pende da energia liberada pelo arco, da distância que separa as pessoas
do local e do tipo de roupa que utilizam. As mais sérias queimaduras por
arco voltaico envolvem a queima da roupa da vítima
pelo calor do arco elétrico. Tempos relativamente
longos (30 a 60 segundos, por exemplo) de queima
contínua de uma roupa comum aumentam tanto
o grau da queimadura quanto a área total atingida
no corpo. Isso afeta diretamente a gravidade da le-
são e a própria sobrevivência da vítima.

A proteção para evitar danos ocasionados pelo Figura 2.12

arco depende do cálculo da energia que pode ser liberada no caso de Fonte: do autor (2008)

um curto-circuito. As vestimentas de proteção adequadas devem cobrir


todas as áreas que possam estar expostas à ação das energias oriundas
do arco elétrico. Portanto, muitas vezes, além da cobertura completa
do corpo, elas devem incluir capuzes.

89
NR 10 - Curso Básico

O que agora parece óbvio nem sempre foi observado! Em


determinadas situações uma análise de risco bem-feita indi-
ca a necessidade de uma vestimenta de proteção contra o
arco elétrico, conforme demonstra a figura. Essa vestimenta
deve incluir proteção para o rosto, pescoço, cabelos, enfim,
as partes da cabeça que também possam sofrer danos se
expostas a uma energia térmica muito intensa.

Pressão

Além dos riscos de exposição aos efeitos térmicos do arco elétrico,


também está presente o risco de ferimentos e quedas decorrentes das
ondas de pressão que podem se formar pela expansão do ar.

Na ocorrência de um arco elétrico, uma onda de pressão pode empur-


rar e derrubar o trabalhador que está próximo da origem do acidente.
Essa queda pode resultar em lesões mais graves se o trabalho estiver
sendo realizado em alturas, o que é comum em diversos tipos de ins-
talações.

Proteção contra perigos resultantes de faltas por arco

Os dispositivos e equipamentos que podem gerar arcos durante a sua


operação devem ser selecionados e instalados de forma a garantir a
segurança das pessoas que trabalham nas instalações.

Existem algumas medidas para garantir a proteção contra os perigos


resultantes de faltas por arco. Acompanhe!

Utilização de um ou mais dos seguintes meios: dispositivos de


abertura sob carga; chave de aterramento resistente ao curto-cir-
cuito presumido; sistemas de intertravamento; fechaduras com
chave não intercambiáveis.

Corredores operacionais tão curtos, altos e largos quanto possível.

90
Módulo 2 – Riscos elétricos

Coberturas sólidas ou barreiras ao invés de coberturas ou telas.

Equipamentos ensaiados para resistir aos arcos internos.

Emprego de dispositivos limitadores de corrente.

Seleção de tempos de interrupção muito curtos, o que pode ser


obtido através de relés instantâneos ou através de dispositivos
sensíveis a pressão, luz ou calor, atuando em dispositivos de in-
terrupção rápidos.

Operação da instalação.

Campos eletromagnéticos

O termo “campo” indica que em um determinado espaço existe uma


força que pode ser responsável pelo movimento de corpos nele inseri-
dos. O campo gravitacional da lua, que determina a subida da
maré, é um exemplo do conceito de campo. Além do campo
gravitacional, temos o campo elétrico, o magnético e eletro-
magnético.

O campo elétrico se caracteriza pela presença de corpos ele-


trizados, ou seja, ao redor de corpos eletrizados existe uma
região que irá exercer força elétrica em outros corpos inseridos
na mesma região. O valor do campo depende da distância em
Figura 2.13 - Quadro da linha de
relação ao corpo eletrizado é e medido em Volts/metro. força do campo e das superfícies
eqüipotenciais em torno de uma
O campo magnético se caracteriza pela presença de um fluxo esfera carregada de eletricidade.
magnético, provocado por ímãs ou eletroímãs, em uma deter- Fonte: do autor (2008)

mina região. O fluxo magnético consegue magnetizar corpos


metálicos nele inseridos determinando o aparecimento de forças de
origem magnética. O fluxo magnético ou campo magnético é medido
em Tesla ou em Gauss.

Um fenômeno importante da eletricidade está associado a campos


magnéticos variáveis. Eles criam campos elétricos variáveis. O inverso

91
NR 10 - Curso Básico

também ocorre, dando origem aos campos eletromag-


néticos. As figuras demonstram como se representam os
campos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos.

A queda de um raio é um bom exemplo de formação de


campos eletromagnéticos na atmosfera. Como a corrente
do raio sofre variação no tempo, ela cria campos elétricos e
magnéticos no espaço ao redor do canal de corrente entre
Figura 2.14 - Representação gráfica plana a nuvem e o solo.
do campo de uma linha fibrilar de alta
tensão.
Fonte: do autor (2008) As manifestações dos dois campos são sentidas nas linhas
elétricas ou de telecomunicações próximas, evidencian-
do que o campo se propaga no ar. Nas linhas aparecem sobretensões
(tensões induzidas) como conseqüência dos campos eletromagnéticos
causados pelos raios.

Dois efeitos ocorrem nos seres humanos a partir dos campos eletro-
magnéticos: o campo elétrico provoca a formação de uma carga sobre
a superfície da pele, e o magnético causa fluxo de correntes circulando
em todo corpo.

Normalmente estes efeitos não são prejudiciais ao seres humanos,


mas, quando muito intensos, decorrentes de campos muito intensos,
podem ocorrer disfunções em implantes eletrônicos (marca passo e
dosadores de insulina), além da circulação de correntes em próteses
metálicas, a ponto de provocar aquecimento. Também merece atenção
a indução elétrica. Esse fenômeno pode ser particularmente importan-
te quando há diferentes circuitos próximos uns dos outros.

A passagem da corrente elétrica em condutores gera um campo ele-


tromagnético que, por sua vez, induz uma corrente elétrica em condu-
tores próximos. Assim, pode ocorrer a passagem de corrente elétrica
em um circuito desenergizado se ele estiver próximo a outro circuito
energizado.

92
Módulo 2 – Riscos elétricos

Por isso é fundamental que você, além de desligar o circuito no qual


vai trabalhar, confira, com equipamentos apropriados (voltímetros ou
detectores de tensão), se o circuito está efetivamente sem tensão.

A esta altura do curso, você já estudou uma série de ris-


cos elétricos e como lidar com eles. Mas existem ainda os
chamados riscos adicionais que, além dos elétricos, são es-
pecíficos de cada ambiente ou processo de trabalho. Dire-
ta ou indiretamente, estes riscos também podem afetar a
segurança e a saúde dos que trabalham com eletricidade.
Portanto, fique ligado neste conteúdo!

Riscos adicionais – Classificação

Altura

Em trabalhos com energia elétrica feitos em alturas, é importante


seguir as instruções relativas à segurança a seguir.

É obrigatório o uso do cinto de segurança e do capacete com


jugular.

Os equipamentos do item anterior devem ser inspecionados


pelo trabalhador antes do seu uso, no que concerne a defeito
nas costuras, rebites, argolas, mosquetões, molas e travas, bem
como quanto à integridade da carneira e da jugular.

Ferramentas, peças e equipamentos devem ser levados para o Figura 2.15


alto apenas em bolsas especiais, evitando o seu arremesso. Fonte: do autor (2008)

Quando for imprescindível o uso de andaimes tubulares em locais


próximos à rede elétrica, eles devem seguir os requisitos a seguir.

Respeitar as distâncias de segurança, principalmente durante as


operações de montagem e desmontagem.

93
NR 10 - Curso Básico

Estar aterrados.

Ter as tábuas da(s) plataforma(s) com, no mínimo, uma polegada


de espessura, travadas e que nunca ultrapassem o andaime.

Ter base com sapatas.

Ter guarda-corpo de noventa centímetros de altura em todo o


perímetro com vãos máximos de trinta centímetros.

Ter cinturão de segurança tipo pára-quedista para alturas iguais


ou superiores a 2 metros.

Ter estais a partir de 3 metros e a cada 5 metros de altura.

Manuseio de escada simples e de extensão

Observe a figura e as instruções de segurança no uso de escadas.

Inspecione visualmente a escada antes de usá-la, a fim de veri-


ficar se apresenta rachaduras, degraus com jogo ou soltos, corda
desajustada, montantes descolados, etc.

Se houver qualquer irregularidade, deve ser entregue ao superior


imediato para reparo ou troca.

Deve ser manuseada sempre com luvas.

Limpe sempre a sola do calçado antes de subir.

Ao transportar em veículos, coloque a escada com cuidado nas


gavetas ou nos ganchos-suportes, devidamente amarrada.

94
Módulo 2 – Riscos elétricos

Figura 2.16

Fonte: do autor (2008)

Ao subir ou descer, conserve-se de frente para ela, segurando


firmemente os montantes.

Trabalhe somente depois de a escada estar firmemente amarra-


da, utilizando o cinto de segurança e com os pés apoiados sobre
os seus degraus.

A escada deve ser conservada com verniz ou óleo de linhaça.

Cuidado ao atravessar as vias públicas, observando que ela deve-


rá ser conduzida paralelamente ao meio-fio.

Ao instalar a escada, observe que a distância entre o suporte e o


pé da escada seja de aproximadamente ¼ do seu comprimento.

Antes de subir ou descer, exija um companheiro ao pé da escada


para segurá-la. Somente o dispense depois de amarrar a escada.

Instalar a escada usando o pé direto para o apoio e a mão fechan-


do por cima do degrau, verificando o travamento da extensão.

Não podendo amarrar a escada (como em uma fachada de pré-


dio), mantenha o companheiro no pé dela, segurando-a.

95
NR 10 - Curso Básico

Ambientes confinados

São locais com acesso e movimentação dificultados;


reduzida ou nenhuma ventilação/iluminação e, em
alguns casos, com a presença de vapores que podem
causar intoxicação.

Nas atividades que exponham os trabalhadores a ris-


cos de asfixia, explosão, intoxicação e doenças do tra-
balho devem ser adotadas medidas especiais de pro-
teção. Confira!
Figura 2.17
Fonte: CONNECTA (2007) Treinamento e orientação para os trabalhadores quanto aos ris-
cos a que estão submetidos, a forma de preveni-los e o procedi-
mento a ser adotado em situação de risco.

Nos serviços em que se utilizem produtos químicos, os trabalha-


dores não poderão realizar suas atividades sem um programa de
proteção respiratória.

A realização de trabalho em recintos confinados deve ser prece-


dida de inspeção prévia e elaboração de ordem de serviço com os
procedimentos a serem adotados.

Monitoramento permanente de substância que cause asfixia, ex-


plosão e intoxicação no interior de locais confinados realizado por
trabalhador qualificado, sob supervisão de responsável técnico.

Proibição de uso de oxigênio para ventilação de local confinado.

Ventilação local exaustora eficaz, que faça a extração dos conta-


minantes e ventilação geral que execute a insuflação de ar para o
interior do ambiente, garantindo de forma permanente a reno-
vação contínua do ar.

Sinalização com informação clara e permanente durante a reali-


zação de trabalhos no interior de espaços confinados.

96
Módulo 2 – Riscos elétricos

Uso de cordas ou cabos de segurança e pontos fixos para amar-


ração que possibilitem meios seguros de resgates.

Acondicionamento adequado de substâncias tóxicas ou inflamá-


veis utilizadas na aplicação de laminados, pisos, papéis de parede
ou similares.

A cada grupo de 20 (vinte) trabalhadores, pelo menos 2 (dois)


devem ser treinados para resgate.

Manter ao alcance dos trabalhadores ar mandado e/ou equipa-


mento autônomo para resgate.

No caso de manutenção de tanque, providenciar desgaseificação


prévia antes da execução do trabalho.

Áreas classificadas

Por definição, são áreas sujeitas a formação (ou existência) de uma at-
mosfera explosiva pela presença normal ou eventual de gases/vapores
inflamáveis ou poeiras/fibras combustíveis. São consideradas áreas de
alto risco aquelas nas quais existe a possibilidade de vazamento de ga-
ses inflamáveis em situação de funcionamento normal devido a razões
diversas, como desgaste ou deterioração de equipamentos.

Tais áreas, também chamadas de ambientes explosivos, são classifica-


das conforme normas internacionais, e de acordo com a classificação
exigem a instalação de equipamentos e/ou interfaces que atendam aos
requisitos nelas prescritos.

As áreas classificadas normalmente cobrem uma zona cujo limite é


onde o gás ou os gases inflamáveis estarão tão diluídos ou dispersos
que não poderão apresentar perigo de explosão ou combustão.

Segundo as recomendações da IEC 79-10, as áreas são classificadas em


três zonas. Acompanhe.

97
NR 10 - Curso Básico

Zona 0 – área na qual uma mistura de gás/ar, potencialmente


explosiva, está presente continuamente ou por grandes períodos
de tempo.

Zona 1 – área na qual a mistura gás/ar, potencialmente explo-


siva, pode estar presente durante o funcionamento normal do
processo.

Zona 2 – área na qual uma mistura de gás/ar, potencialmente


explosiva, não está normalmente presente. Caso esteja, será por
curtos períodos.

Figura 2.18
Fonte: SENAI/SC (2007)

É evidente que um equipamento instalado dentro de uma área clas-


sificada também deve ser classificado. Esta é baseada na temperatura
superficial máxima que o equipamento possa alcançar em funciona-
mento normal ou em caso de falha. A EN 50.014 especifica a tempera-
tura superficial máxima em seis níveis, assumindo como temperatura
ambiente de referência 40ºC. Os níveis de temperatura superficial má-
xima são os seguintes.

T1 450ºC

T2 300ºC

98
Módulo 2 – Riscos elétricos

T3 200ºC

T4 135ºC

T5 100ºC

T6 85ºC

Acompanhe um exemplo. Um equipamento classificado como T3


pode ser utilizado em ambientes cujos gases possuem temperatura
de combustão superior a 200ºC. Para diminuir o risco de uma explo-
são, podem-se adotar diversos métodos. Um deles é eliminar um dos
elementos do triângulo do fogo: temperatura, oxigênio e combustível;
outro é através de uma das três alternativas a seguir.

1. Contenção da explosão: na verdade, este é o único método que


permite que haja a explosão, porque esta fica confinada em um
ambiente bem-definido e não pode propagar-se para a atmosfe-
ra do entorno.

2. Segregação: é o método que permite separar ou isolar fisica-


mente as partes elétricas ou as superfícies quentes da mistura
explosiva.

3. Prevenção: através deste método limita-se a energia, seja tér-


mica ou elétrica, a níveis não perigosos. A técnica de seguran-
ça intrínseca é a mais empregada deste método de proteção e
a mais efetiva. O que se faz é limitar a energia armazenada em
circuitos elétricos para torná-los totalmente incapazes, tanto em
condições normais de operação quanto em situações de falha, de
produzir faíscas elétricas ou de gerar arcos voltaicos que possam
causar a explosão.

As indústrias que processam produtos que em alguma de suas fases se


apresentem na forma de pó, são indústrias de alto potencial de risco
quanto a incêndios e explosões, e devem, antes de sua implantação,
efetuar uma análise acurada dos riscos e tomar as precauções cabíveis,
pois na fase de projeto as soluções são mais simples e econômicas.

99
NR 10 - Curso Básico

Porém, as indústrias já implantadas poderão equacionar razoavelmen-


te bem os problemas, minorando os riscos inerentes com o auxílio de
um profissional competente.

Observe alguns tipos de indústrias reconhecidamente perigosas quan-


to aos riscos de incêndios e explosões.

Indústrias de beneficiamento de produtos agrícolas.

Indústrias fabricantes de rações animais.

Indústrias alimentícias.

Indústrias metalúrgicas.

Indústrias farmacêuticas.

Indústrias plásticas.

Indústrias de beneficiamento de madeira.

Indústrias do carvão.

Instalações elétricas em ambientes explosivos

As instalações e os serviços de eletricidade devem ser projetados, exe-


cutados, operados, mantidos, reformados e ampliados de forma que
permitam a adequada distribuição de energia e isolamento, correta
proteção contra fugas de corrente, curtos-circuitos, choques elétricos,
entre outros riscos.

Os cabos e condutores de alimentação elétrica utilizados devem ser


certificados por um organismo de certificação, credenciado pelo Ins-
tituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
– Inmetro.

Os locais de instalação de transformadores e capacitores, seus painéis


e respectivos dispositivos de operação devem atender aos requisitos a
seguir.

100
Módulo 2 – Riscos elétricos

1. Ser ventilados e iluminados ou projetados e construídos com


tecnologia adequada para operação em ambientes confinados.

2. Ser construídos e ancorados de forma segura.

3. Ser devidamente protegidos e sinalizados, indicando


zona de perigo, de forma a alertar que o acesso é proibi-
do a pessoas não autorizadas.

4. Não ser usados para finalidades diferentes daquelas do


projeto elétrico.

5. Possuir extintores portáteis de incêndio, adequados à


classe de risco, localizados na entrada ou nas proximida-
des e, em subsolo, a montante do fluxo de ventilação. Figura 2.19
Fonte: do autor (2008)
Os cabos, instalação e equipamentos elétricos devem ser protegidos
contra impactos, água e influência de agentes químicos, observando-
se suas aplicações, de acordo com as especificações técnicas.

Os serviços de manutenção ou reparo de sistemas elétricos só podem


ser executados com o equipamento desligado, etiquetado, bloqueado
e aterrado, exceto os casos a seguir.

Utilizadas técnicas adequadas para circuitos energizados.

Utilizados ferramentas e equipamentos adequados à classe de


tensão.

Tomadas precauções necessárias à segurança dos trabalhadores.

O bloqueio durante as operações de manutenção e reparo de instala-


ções elétricas deve ser realizado utilizando-se cadeado e etiquetas si-
nalizadoras fixadas em local visível contendo, no mínimo, as seguintes
indicações.

Horário e data do bloqueio.

Motivo da manutenção.

Nome do responsável pela operação.

101
NR 10 - Curso Básico

Acompanhe agora uma série de normas para instalações


elétricas em ambientes explosivos!

Os equipamentos e máquinas de emergência, destinados a man-


ter a continuidade do fornecimento de energia elétrica, devem
estar disponíveis em perfeito estado de funcionamento.

Redes elétricas, transformadores, motores, máquinas e circuitos


elétricos devem estar equipados com dispositivos de proteção
automáticos, para os casos de curto-circuito, sobrecarga, queda
de fase e fugas de corrente.

Os fios condutores de energia elétrica instalados no teto de ga-


lerias para alimentação de equipamentos devem ser protegidos
contra contatos acidentais. Os sistemas de recolhimento auto-
mático de cabos alimentadores de equipamentos elétricos mó-
veis devem ser eletricamente solidários à carcaça do equipamen-
to principal.

Os equipamentos elétricos móveis devem ter aterramento ade-


quadamente dimensionado. Em locais com ocorrência de gases
inflamáveis e explosivos, as tarefas de manutenção elétrica de-
vem ser realizadas sob o controle de um supervisor, com a rede
de energia desligada e a chave de acionamento bloqueada, moni-
torando-se a concentração dos gases. Os terminais energizados
dos transformadores devem ser isolados por barreiras ou outros
meios físicos, a fim de evitar contatos acidentais.

Toda instalação, carcaça, invólucro, blindagem ou peça condu-


tora que possam armazenar energia estática com possibilidade
de gerar fagulhas ou centelhas devem ser aterrados. As malhas,
os pontos de aterramento e os pára-raios devem ser revisados
periodicamente, com resultados registrados.

102
Módulo 2 – Riscos elétricos

A implantação, operação e manutenção de instalações elétricas


devem ser executadas somente por pessoa qualificada, que deve
receber treinamento continuado em manuseio e operação de
equipamentos de combate a incêndios e explosões, bem como
na prestação de primeiros socorros a acidentados.

Trabalhos em condições de risco acentuado deverão ser executa-


dos por duas pessoas qualificadas, salvo critério do responsável
técnico.

Durante a manutenção de máquinas ou instalações elétricas, os


ajustes e as características dos dispositivos de segurança não de-
vem ser alterados, prejudicando sua eficácia.

Trabalhos em redes elétricas entre dois ou mais pontos sem pos-


sibilidade de contato visual entre os operadores somente podem
ser realizados por meio de rádio ou outro sistema de comunica-
ção que impeça a energização acidental.

As instalações elétricas com possibilidade de contato com água


devem ser projetadas, executadas e mantidas com especial cui-
dado quanto à blindagem, estanqueidade, ao isolamento, aterra-
mento e à proteção contra falhas elétricas.

Os trechos e pontos de tomada de força de rede elétrica em de-


suso devem ser desenergizados, marcados e isolados, ou retira-
dos quando não forem mais utilizados.

Em locais sujeitos a emanações de gases explosivos e inflamá-


veis, as instalações elétricas serão à prova de explosão.

Você sabe que as condições atmosféricas também consti-


tuem um risco para operações com energia elétrica. Nas
páginas a seguir, estude como lidar com este tipo de perigo.

103
NR 10 - Curso Básico

Condições atmosféricas
Umidade

Deve-se considerar que todo trabalho em equipamentos energizados


só deve ser iniciado com boas condições meteorológicas. Não são per-
mitidos trabalhos sob chuva, neblina densa ou ventos.

É possível determinar a condição de umidade favorável ou


não com a utilização do termo-higrômetro. Na falta deste,
há a opção de umedecer com um pano a superfície de um
bastão de manobra, e aguardando aproximadamente cinco
minutos. Desaparecendo a película de umidade, há condi-
ções seguras para execução dos serviços.

Como foi visto anteriormente, sabe-se que a existência de umidade


propicia a diminuição da capacidade disruptiva do ar, aumentando as-
sim o risco de acidentes elétricos.

Deve-se levar em consideração, também, que os equipamentos isola-


dos a óleo não devem ser abertos em condições de umidade elevada,
pois o óleo isolante pode absorver a umidade do ar, comprometendo,
assim, suas características isolantes.

Descargas atmosféricas (raios) – mecanismo

Devido a longos períodos de estiagem, as chuvas que co-


meçam a cair são normalmente acompanhadas de tem-
pestades, sendo estas originadas do encontro de uma
massa de ar frio com uma massa de ar quente ou a partir
do aquecimento do solo pelos raios solares e conseqüen-
te subida do ar quente carregado de partículas de vapor
de água.

Figura 2.20 O raio é um fenômeno de natureza elétrica, sendo produ-


Fonte: do autor (2008) zido por nuvens do tipo cumulus nimbus, que têm forma-

104
Módulo 2 – Riscos elétricos

to parecido com uma bigorna e chegam a ter 12 quilômetros de altura


e vários quilômetros de diâmetro. As tempestades com trovoadas se
verificam quando certas condições particulares (temperatura, pressão,
umidade do ar, velocidade do vento, etc.) fazem com que determinado
tipo de nuvem se torne eletricamente carregada devido à fricção entre
as partículas de água decorrentes da condensação do vapor de água.

O mecanismo de autoprodução de cargas elétricas vai aumentando


de tal modo que dá origem a uma descarga elétrica (raio), que partirá
da base da nuvem em direção ao solo, definindo uma trajetória rami-
ficada e aleatória. Esta primeira descarga é denominada “líder”, que
define sua posição de queda entre 20 a 100 metros do solo. A partir
deste estágio, o raio deixou um canal ionizado entre a nuvem e o solo,
que dessa forma permitirá a passagem de uma avalanche de cargas
com corrente de pico em torno de 20.000 ampères passando pelo ar.
O aquecimento deste meio chega a 30.000°C, provocando a expansão
do ar (trovão).

As descargas atmosféricas podem ser ascendentes (da terra para a nu-


vem) ou descendentes (da nuvem para a terra), ou ainda entre nu-
vens.

Ao cair na terra, o raio pode provocar grande destruição, devido ao alto


valor de sua corrente elétrica, que gera intensos campos eletromagné-
ticos e calor.

Além dos danos causados diretamente pela corrente elétrica e pelo


intenso calor, o raio pode provocar sobretensões em redes de energia
elétrica, em redes de telecomunicações, de TV a cabo, antenas parabó-
licas, redes de transmissão de dados, etc.

Com a intenção de evitar falsas expectativas ao sistema de


proteção contra descargas atmosféricas, é importante escla-
recer três pontos. Acompanhe!

105
NR 10 - Curso Básico

1. O raio é um fenômeno da natureza absolutamente imprevisível,


tanto em relação às suas características elétricas como em relação
aos efeitos destruidores decorrentes de sua incidência sobre edi-
ficações, pessoas ou animais.

2. Nada em termos práticos pode ser feito para impedir a “queda”


de uma descarga em uma determinada região. Assim, as soluções
aplicadas buscam somente minimizar os efeitos destruidores a
partir de instalações adequadas de captação e de condução segu-
ra da descarga para a terra.

3. A incidência de raios é maior em solos maus condutores do que


em solos condutores de eletricidade, pois nos maus condutores,
na existência de nuvens carregadas sobre ele, criam-se cargas
positivas por indução no terreno: a nuvem funciona como placa
negativa, o solo como placa positiva, e o ar, naturalmente úmido
e às vezes ionizado, serve como um isolante de baixo poder die-
létrico, propiciando assim a existência de raios.

Sobretensões transitórias

Sempre que a tensão elétrica em um circuito elétrico sofre um au-


mento por determinado período, fica caracterizada uma sobretensão
transitória. Partidas de motores de alta potência, manobras de cargas,
curtos-circuitos e descargas elétricas atmosféricas (raios ou relâmpa-
gos) podem provocar sobretensões transitórias.

As sobretensões transitórias podem chegar até as instalações elétricas


internas ou de telefonia, de TV a cabo ou de qualquer unidade consu-
midora. Os seus possíveis efeitos, além de causar danos a pessoas e
animais, podem ser os seguintes.

Provocar a queima total ou parcial de equipamentos elétricos ou da-


nos à própria instalação elétrica interna e telefônica, entre outras.

Reduzir a vida útil dos equipamentos.

106
Módulo 2 – Riscos elétricos

Provocar enormes perdas econômicas, com a parada de equipa-


mentos.

As sobrecorrentes transitórias originadas de descargas atmosféricas


podem ocorrer de dois modos. Na descarga direta, o raio atinge di-
retamente uma rede elétrica ou telefônica. Nesse caso, o raio tem um
efeito devastador, gerando elevados valores de sobretensões nos diver-
sos circuitos.

Já na descarga indireta, o raio cai a uma distância de até um quilôme-


tro de uma rede elétrica. A sobretensão gerada é de menor intensidade
do que a provocada pela descarga direta, mas pode causar sérios da-
nos. Essa sobretensão induzida acontece quando uma parte da ener-
gia do raio é transferida através de um acoplamento eletromagnético
com uma rede elétrica. A grande maioria das sobretensões transitórias
de origem atmosférica, que causam danos a equipamentos, provoca a
ruptura das isolações e dos arcos elétricos.

Frente a tantas possibilidades de problemas que não podem


ser previstos, que tal conhecer uma listagem de medidas
preventivas a serem tomadas no caso de uma tempestade?

Evitar a execução de serviços em equipamentos e instalações elé-


tricas internas e externas.

Nunca procurar abrigo sob árvores ou construções isoladas sem


sistemas de proteção atmosférica adequados.

Não entrar em rios, lagos, piscinas, guardando uma distância se-


gura destes.

Procurar abrigo em instalações seguras, jamais ficando ao relento.

Caso não encontre abrigo, procurar não se movimentar, e se pos-


sível ficar agachado, evitando assim o efeito das pontas.

107
NR 10 - Curso Básico

Evitar o uso de telefones, a não ser que seja sem fio.

Evitar ficar próximo de tomadas e canos, janelas e portas metá-


licas.

Evitar tocar em qualquer equipamento ligado à rede elétrica.

Evitar locais extremamente perigosos: topos de morros, topos de


prédios, proximidade de cercas de arame, torres, linhas telefôni-
cas, linhas aéreas.

Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA)

Toda empresa deve possuir um sistema de proteção contra descarga


atmosférica que leve em consideração o especificado na NBR 5419
(proteção de estruturas contra descargas atmosféricas), mas que esteja
definido em um projeto assinado por profissional habilitado.

O projeto de SPDA, nas empresas, faz parte do Programa de Preven-


ção e Combate a Incêndios (PPCI), e deve ser executado e mantido
nas condições de projeto, uma vez que é considerado uma proteção
coletiva.

O projetista de SPDAs deve verificar as possíveis interferências do


subsistema de aterramento do SPDA nos demais sistemas de aterra-
mento existentes em uma empresa, como os sistemas de aterramento
funcionais e de proteção.

Como recomendação geral, os eletrodos de aterramento


dos diversos sistemas elétricos devem estar interligados,
mas sempre com base em estudo de engenharia, uma vez
que o aterramento é uma proteção coletiva.

108
Módulo 2 – Riscos elétricos

Uma opção muito aceita tecnicamente é o uso das estruturas metálicas


de estacas das fundações como eletrodos de aterramento, e os diversos
terras dos sistemas elétricos conectados
a uma barra de aterramento ligada aos
eletrodos de aterramento da fundação
por um único ponto, conforme demons-
tra a figura.

A NBR 5419:2005 estipula que o valor da


resistência de aterramento deve ser infe-
rior a 10 ohms, pois as medidas utiliza-
das para minimizar as conseqüências das
descargas atmosféricas têm como princí-
pio a criação de caminhos de baixa resis-
tência à terra, escoando nesta as corren-
tes elétricas dos raios. Figura 2.21
Fonte: do autor (2008)
Os principais componentes de um siste-
ma de proteção contra descargas atmos-
féricas são os seguintes.

Terminais aéreos – conhecidos


como pára-raios, eles são hastes
montadas em bases instaladas aci-
ma do ponto mais alto das edifi-
cações com o objetivo de propiciar
um caminho mais fácil para os raios
que venham a incidir na edifica-
ção, sendo geralmente interligados
através de condutores horizontais.

Condutores de descida – cabos


que conectam os terminais aéreos
aos terminais de aterramento. Figura 2.22 – SDPA
Fonte: do autor (2008)

109
NR 10 - Curso Básico

Terminais de aterramento – condutores que servem para co-


nectar os cabos de descida ao solo, sendo eles constituídos usu-
almente de cabos e hastes enterradas no solo – propiciando uma
baixa resistência à terra, conforme as características do solo.

Condutores de ligação eqüipotencial – visam à interligação do


sistema de aterramento com os outros siste-
mas de aterramento da edificação, impedindo
assim a existência de diferenças de potenciais
entre os elementos interligados. Como visto
no capítulo sobre eqüipotencialização, todas
as partes metálicas da edificação, os aterra-
mentos de equipamentos, as estruturas, o
sistema de proteção atmosférica, etc. devem
Figura 2.23 – Detalhe de aterramento ser interligados a um mesmo referencial de
Fonte: do autor (2008) terra.

Supressores de surto, varistores, pára-raios de linha, cente-


lhados – são instalados em pontos de entrada de energia, ca-
bos telefônicos e de dados, instrumentação industrial, etc., com
o intuito de proteger as instalações e os equipamentos contra
sobrecorrentes transitórias (sobretensões) provocadas por des-
cargas direta, indireta e manobras de equipamentos do sistema
de alimentação elétrica.

Descargas atmosféricas

As descargas atmosféricas causam sérias perturbações nas redes aéreas


de transmissão e distribuição de energia elétrica, além de provocarem
danos materiais nas construções atingidas por elas.

Estes fenômenos induzem surtos de tensão que chegam a centenas de


quilovolts. A fricção entre as partículas de água que formam as nuvens,
provocada pelos ventos ascendentes de forte intensidade, dá origem

110
Módulo 2 – Riscos elétricos

a uma grande quantidade de cargas elétricas. Verifica-se experimen-


talmente que as cargas elétricas positivas ocupam a parte superior da
nuvem, ao passo que as cargas elétricas negativas se posicionam na
parte inferior, acarretando conseqüentemente uma intensa migração
de cargas positivas na superfície da terra para a área correspondente
à localização da nuvem, dando dessa forma uma característica bipo-
lar às nuvens. A concentração de cargas elétricas positivas e negativas
numa determinada região faz surgir uma diferença de potencial entre
a terra e a nuvem. No entanto, o ar apresenta uma determinada rigi-
dez dielétrica, normalmente elevada, que depende de certas condições
ambientais.

O aumento dessa diferença de potencial, que se denomina gradiente


de tensão, poderá atingir um valor que supere a rigidez dielétrica do ar
interposto entre a nuvem e a terra. Isso faz com que as cargas elétricas
migrem na direção da terra, num trajeto tortuoso e normalmente cheio
de ramificações, cujo fenômeno é conhecido como“descarga piloto”. É
de aproximadamente 1 kV/mm o valor do gradiente de tensão para o
qual a rigidez dielétrica do ar é rompida.

Polarização do dielétrico

Os condutores possuem elétrons livres e, portanto, podem


ser eletrizados por indução. Os isoladores, conhecidos tam-
bém por dielétricos, praticamente não possuem elétrons li-
vres. Será que eles podem ser eletrizados por indução, isto é,
aproximando um corpo eletrizado, sem contudo os tocar?

Normalmente, os centros de gravidade das massas dos elétrons e pró-


tons de um átomo coincidem-se e localizam-se no seu centro. Quando
um corpo carregado se aproxima desses átomos, há um deslocamento

111
NR 10 - Curso Básico

muito pequeno dos seus elétrons e prótons, de modo que os centros de


gravidade destes não mais se coincidem, formando assim um dipolo
elétrico.

Um dielétrico que possui átomos


assim deformados (achatados)
está eletricamente polarizado, e
quanto maior for a polarização,
maior a probabilidade da ruptura
da isolação.
Figura 2.24 - Polarização do dielétrico
Fonte: do autor (2008)

Tensões induzidas em linhas de transmissões de alta tensão

Devido ao atrito com o vento e com a poeira, e em condições secas


(baixa umidade), as linhas de alta tensão sofrem fenômenos eletros-
táticos que induzem tensões que se somam às demais presentes. As
tensões estáticas crescem continuamente, e após um longo período
podem ser relativamente elevadas.

Também há tensões induzidas na linha por causa do acoplamento


capacitivo e eletromagnético devido à proximidade de outras linhas
elétricas. Se dois condutores ou um condutor e o potencial de terra es-
tiverem separados por um dielétrico e em potenciais diferentes, surgirá
entre ambos o efeito capacitivo.

Ao aterrar uma linha, as correntes são drenadas imediata-


mente – isso por causa das tensões induzidas capacitivas e
das tensões estáticas ao referencial de terra. Todavia, existi-
rão tensões de acoplamento capacitivo e eletromagnético
induzidas pelos condutores energizados próximos à linha.

112
Módulo 2 – Riscos elétricos

Essas tensões são induzidas por linhas energizadas que cruzam ou são
paralelas à linha ou equipamento desenergizado no qual se trabalha.
Elas dependem da distância entre linhas, da corrente de carga das li-
nhas energizadas, do comprimento do trecho onde há paralelismo ou
cruzamento e da existência ou não de transposição nas linhas.

No caso de uma linha aterrada em apenas uma das extremidades, a


tensão induzida eletromagneticamente terá seu maior vulto na extre-
midade não-aterrada; e se ambas as extremidades estiverem aterradas,
existirá uma corrente fluindo num circuito fechado com a terra.

Ao se instalar o aterramento provisório, uma corrente fluirá por seu


intermédio, diminuindo a diferença de potencial existente e ao mesmo
tempo jampeando a área de trabalho, o que possibilita neste ponto
uma maior segurança para o homem de manutenção.

Em linhas de transmissão alta-extra ou ultra-alta tensão, portanto com


indução elevada, é recomendável a adoção de critérios que levem em
conta o nível de tensão dos circuitos e a distância entre eles, o que po-
derá determinar se as outras medidas de segurança ainda deverão ser
adotadas ou até mesmo se o trabalho deverá ser feito como em linha
energizada.

Nas próximas páginas, você vai conhecer a última parte


desta lição: os acidentes de origem elétrica. Estudará atos
inseguros, condições inseguras e, no fim, verá notícias que
infelizmente circularam nos meios de comunicação relatan-
do mortes através deste tipo de acidente. Tenha um bom
estudo!

113
NR 10 - Curso Básico

Acidentes de origem elétrica

A segurança no trabalho, ou o conjunto de normas que visam garantir


a saúde e evitar acidentes no ambiente de trabalho, é um item obri-
gatório em todas as profissões. É possível classificar acidentes de tra-
balho relacionando-os com fatores humanos (atos inseguros) e com
o ambiente (condições inseguras). Essas causas são apontadas como
responsáveis pela maioria dos acidentes. No entanto, deve-se levar em
conta que, às vezes, os acidentes são provocados pela presença de con-
dições inseguras e atos inseguros ao mesmo tempo.

Atos inseguros

Os atos inseguros são geralmente definidos como causas de aciden-


tes do trabalho que residem exclusivamente no fator humano, isto é,
aqueles que decorrem da execução das tarefas de forma contrária às
normas de segurança. É a maneira como os trabalhadores se expõem
(consciente ou inconscientemente) aos riscos de acidentes.

É falsa a idéia de que não se pode predizer nem controlar o


comportamento humano. Na verdade, é possível analisar os
fatores relacionados com a ocorrência dos atos inseguros e
controlá-los.

Observe a seguir alguns fatores que podem levar trabalhadores a pra-


ticarem atos inseguros!

Inadaptação entre homem e função por fatores constitucio-


nais. Por exemplo: sexo, idade, tempo de reação aos estímulos,
coordenação motora, agressividade, impulsividade, nível de inte-
ligência, grau de atenção.

Fatores circunstanciais: fatores que influenciam o desempenho


do indivíduo no momento. Por exemplo: problemas familiares,

114
Módulo 2 – Riscos elétricos

abalos emocionais, discussão com colegas, alcoolismo, estado de


fadiga, doença, etc.

Desconhecimento dos riscos da função e/ou da forma de evi-


tá-los. Estes fatores são na maioria das vezes causados por: se-
leção ineficaz, falhas de treinamento, falta de treinamento que
caracterizam condição insegura. Por exemplo: manutenção sen-
do realizada por operador de máquina segundo a aplicação de
técnicas intuitivas.

Desajustamento: este fator é relacionado com certas condições


específicas do trabalho. Por exemplo: problema com a chefia,
problemas com os colegas, políticas salariais impróprias, política
promocional imprópria, clima de insegurança.

Personalidade: fatores que fazem parte das características da


personalidade do trabalhador e que se manifestam por compor-
tamentos impróprios. Por exemplo: o desleixado, o machão, o
exibicionista, o desatento, o brincalhão.

Condições inseguras

São aquelas que, presentes no ambiente de trabalho, põem em risco a


integridade física e/ou mental do trabalhador. Tais condições manifes-
tam-se como deficiências técnicas, podendo apresentar-se de diversas
maneiras. Acompanhe.

Na construção e instalações em que se localiza a empresa:


áreas insuficientes, pisos fracos e irregulares, excesso de ruído e
trepidações, falta de ordem e limpeza, instalações elétricas im-
próprias ou com defeitos, falta de sinalização.

Na maquinaria: localização imprópria das máquinas, falta de


proteção em partes móveis, pontos de agarramento e elementos
energizados, máquinas apresentando defeitos.

115
NR 10 - Curso Básico

Na proteção do trabalhador: proteção insuficiente ou total-


mente ausente, roupa e calçados impróprios, equipamentos de
proteção com defeito (EPIs, EPCs), ferramental defeituoso ou
inadequado.

No conhecimento e habilidades do trabalhador motivado por


falhas no treinamento ou falta de treinamento.

Causas diretas de acidentes com eletricidade

Podemos classificar como causas diretas de acidentes elétricos as pro-


piciadas pelo contato por falha de isolamento, podendo estas ainda
serem classificadas quanto ao tipo de contato físico.

1. Contatos diretos – consistem no contato com partes metálicas


normalmente sob tensão (partes vivas).

2. Contatos indiretos – consistem no contato com partes metá-


licas normalmente não energizadas (massas), mas que podem
ficar energizadas devido a uma falha de isolamento. O acidente
mais comum a que estão submetidas as pessoas, principalmente
aquelas que trabalham em processos industriais ou desempe-
nham tarefas de manutenção e operação de sistemas industriais,
é o toque acidental em partes metálicas energizadas, ficando o
corpo ligado eletricamente sob tensão entre fase e terra.

Causas indiretas de acidentes elétricos

Classificam-se como causas indiretas de acidentes elétricos as origina-


das por descargas atmosféricas, tensões induzidas eletromagnéti-
cas e tensões estáticas, que você já estudou.

Acidentes com eletricidade (exemplos)

As declarações pessoais dos treinandos do Curso Básico previsto na


NR 10 e ministrado pelo SENAI corroboram que a prevenção, confor-
me prescrito na norma, é fundamental para garantir a segurança e a
saúde dos trabalhadores.

116
Módulo 2 – Riscos elétricos

Inúmeros casos estão sendo relatados, e muitos, como os citados a


seguir, devem servir de justificativa para as empresas, profissionais e
trabalhadores adotarem ações preventivas.

Choques elétricos entre cabeça e mãos, seguidos de desfaleci-


mento.

Queimaduras por arco elétrico decorrentes de curtos-circuitos


provocados por queda de ferramentas de trabalho durante servi-
ços com circuitos energizados.

Quedas, pela ausência do cinto de segurança, depois de choques


elétricos.

Energizações acidentais com trabalhadores que realizam traba-


lhos nas redes elétricas.

Desligamentos incorretos de circuitos por falta de informação


(diagramas, plantas) e de testes para comprovação da desener-
gização.

Casos de falecimento por choque elétrico durante o serviço em


ambientes úmidos com o trabalhador molhado.

Desmaio em ambiente confinado devido à remoção do EPI.

Princípios de incêndio a partir da eletricidade estática.

Enfrentamento de cobra, abelhas e animais peçonhentos.

Arco elétrico provocado por cavaco oriundo de máquina opera-


triz em operação na zona controlada.

Choques elétricos em linhas aéreas decorrentes de tensões indu-


zidas por descargas atmosféricas.

Eliminação dos DRs por impossibilitada detecção dos pontos de


fuga à terra.

Alterações nas instalações elétricas sem a devida correção das


plantas e dos diagramas elétricos.

117
NR 10 - Curso Básico

Realização de trabalhos em alta tensão sem procedimentos e


análise preliminar de riscos.

Surgimento de tensões de toque e choque elétrico em pessoas


que moram em um andar de um prédio de apartamento em fun-
ção de falhas de isolação, fuga de corrente e utilização da ferra-
gem estrutural do prédio como terra em andares superiores.

Casos fatais decorrentes de quedas de telhado.

São dezesseis situações relatadas que serão complementadas


a seguir, com cinco casos retirados de noticiários, e que de-
monstram que a utilização da energia elétrica precisa das me-
didas preventivas prescritas pela NR 10. Leia com atenção.

Vigilante morre eletrocutado ao hastear bandeira no


Recife
JC On Line – 7/9/2004
Pernambuco – No Dia da Independência do Brasil, um
homem morreu eletrocutado ao hastear uma bandeira no
centro de Recife, nesta terça-feira pela manhã. O aciden-
te ocorreu quando o vigilante Laércio Honorato da Silva,
43 anos, funcionário da Nordeste Vigilância de Valores, foi
hastear a bandeira de Pernambuco na agência Bradesco
da Rua do Imperador, no bairro de Santo Antônio, por
volta das 7 horas. O hasteamento é um procedimento de
rotina no banco e cabe diariamente ao vigilante de plan-
tão. Laércio, que estava na varanda do primeiro andar,
chegou a subir a bandeira do Brasil, e na hora de hastear
a do Estado, o mastro tocou no fio de energia do poste,
eletrocutando o vigilante. A descarga de energia arremes-
sou o corpo do vigilante para a varanda, a 1,6 metro de
distância do fio. Segundo o Instituto de Criminalística, o
acidente foi uma fatalidade.

Engenheiros condenados por acidente


Folha de São Paulo – 28/4/1999
São Paulo – Dois engenheiros responsáveis pela instala-
ção de enfeites de natal no Clube Paulistano, na zona oes-
te de São Paulo, em 1997, foram condenados a pagar 20

118
Módulo 2 – Riscos elétricos

cestas básicas ao estudante Guilherme Orlando Günther,


de 14 anos. O garoto recebeu um choque elétrico quando
brincava próximo à piscina do clube. O acidente provocou
danos cerebrais gravíssimos no estudante, que hoje nem
sequer consegue tomar banho sem ajuda.“Essa punição é
ridícula”, reagiu o pai de Guilherme, Newton Günther. A
decisão, da 3ª Vara Criminal de São Paulo, absolve a dire-
toria do Clube Paulistano. Com base na Lei dos Juizados
Especiais, a juíza Nidea Rita Coltro Sorci condenou os
engenheiros elétricos ao pagamento das cestas básicas,
porque ambos têm bons antecedentes.
Os dois colocaram os enfeites em uma palmeira perto de
uma das piscinas do clube. Encostado na palmeira havia
um andaime de ferro. A fiação da iluminação natalina, em
contato com o andaime, eletrificou o garoto, que brincava
com uma bola de tênis. Guilherme teve parada cardior-
respiratória, entrou em coma e permaneceu internado
por quase dois meses.

Acidente de trabalho - Eletrocutados em SP


Globo Online – 9/6/2004
Homens são eletrocutados ao limpar fachada de posto de
gasolina
São Paulo – Dois homens foram eletrocutados nesta ter-
ça-feira quando trabalhavam na limpeza da fachada de
um posto de gasolina na Avenida Bandeirantes, na zona
sul da cidade. Com o choque, eles despencaram de uma
altura de quase 10 metros. Eles foram levados para hospi-
tais da região pelos bombeiros e policiais do helicóptero
Águia. Um deles está internado em estado grave.

Rapaz morre eletrocutado em poste na Quinta


O Globo – 1998
Após pegar uma bola no Horto, Júlio recebeu descarga
por 3 minutos
Júlio César Dias Carneiro, de 18 anos, estudante de um
curso técnico no SENAI de eletricidade, morreu eletrocuta-
do ontem à tarde. Ele passou por um buraco na grade entre
a quadra e o Horto Botânico do Museu Nacional da Quinta
da Boa Vista para pegar uma bola. Quando tentou voltar,
segurou-se em um poste de ferro que estava eletrificado.
Júlio ficou por cerca de três minutos recebendo a descarga
elétrica. Seu amigo Everaldo de Jesus tentou tirá-lo, mas
também levou um choque. Ele mesmo voltou e conseguiu
puxá-lo com uma camisa, mas Júlio já estava morto. Fun-
cionários da Light e da Rio Luz estiveram no local e com-
provaram que o poste se eletrificava quando um disjuntor

119
NR 10 - Curso Básico

do prédio do Horto era ligado. Eles não souberam dizer a


intensidade do choque. Segundo os técnicos, o poste é de
responsabilidade do Horto. O chefe da segurança, Paulo
Sérgio, disse que o poste pertence ao órgão, mas eles não
sabiam que ele estava eletrificado. Segundo ele, os meni-
nos são alertados para não pular a grade.

Entre cabos telefônicos, a morte


O Globo – 27/7/2003
De 1998 a 2003, acidentes vitimaram 49 trabalhadores
terceirizados em redes de telefonia fixa no país
Rio, Brasília e Porto Alegre – Subir num poste para conser-
tar ou instalar uma linha telefônica e morrer eletrocutado:
esse foi o destino de funcionários de empresas terceiriza-
das de telefonia fixa nos últimos anos vítimas de acidentes.
Desde a privatização do setor, em 1998, pelo menos 49 tra-
balhadores de firmas terceirizadas morreram em decorrên-
cia de acidentes de trabalho, muitos porque a rede elétrica
fica ligada durante a execução do serviço. Os dados são da
Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas
de Telecomunicações (Fittel). Atualmente, todo o serviço
de manutenção de redes externas é terceirizado.
O auge dos acidentes fatais ocorreu nos últimos três anos,
quando as operadoras Brasil Telecom, Telemar e Telefôni-
ca tiveram de cumprir o plano de antecipação de metas
de expansão e qualidade, para poder operar em outros
segmentos.

Com estes tristes exemplos, você está encerrando a lição


2 do segundo módulo. Mas o importante é não se concen-
trar nas fatalidades, e sim tomar consciência de que energia
elétrica é um item ao mesmo tempo necessário e perigoso
para a vida das pessoas. E é por isso que você, como profis-
sional do setor elétrico, tem enorme responsabilidade nas
mãos. Isso é reforçado com a formação técnica! Não dei-
xe de reforçar os principais tópicos listados no conteúdo
virtual, e em seguida passe para a próxima lição para dar
continuidade ao seu treinamento.Vsocê conhecerá a análise
preliminar de riscos e suas principais técnicas para identifi-
car os perigos no seu trabalho! Até lá!

120
Módulo 2 – Riscos elétricos

LIÇÃO 3

Técnicas de análise de riscos

Para iniciar esta lição, primeiro acompanhe dois trechos importantes


da NR 10, relativos a “medidas de controle” e a “segurança em instala-
ções elétricas energizadas”.

NOR
MA 10.2 - Medidas de controle
10.2.1 Em todas as intervenções em instalações elétricas
devem ser adotadas medidas preventivas de controle do ris-
co elétrico e de outros riscos adicionais, mediante técnicas
de análise de risco, de forma a garantir a segurança e a saúde
no trabalho. (210.001-0/I=3)

NOR
MA 10.6 - Segurança em instalações elétricas energizadas
10.6.4 Sempre que inovações tecnológicas forem implementa-
das ou para a entrada em operações de novas instalações ou
equipamentos elétricos devem ser previamente elaboradas
análises de risco, desenvolvidas com circuitos desenergizados,
e respectivos procedimentos de trabalho. (210.067-3/I=3)

O que você entende por análise de riscos?


A análise de riscos é um conjunto de métodos
Os principais resultados de uma análise e técnicas que, aplicado a uma atividade, iden-
de riscos são a identificação de cenários tifica e avalia qualitativa e quantitativamente os
de acidentes, suas freqüências esperadas riscos que essa atividade representa de uma
de ocorrência e a magnitude das possíveis forma geral para a população exposta, para o
conseqüências. meio ambiente e para a empresa.
Para alcançar estes resultados, a análise de Já os acidentes são materializações dos riscos
riscos deve incluir as medidas de preven- associados a atividades, procedimentos, proje-
ção de acidentes e as medidas para con- tos e instalações, máquinas e equipamentos.

121
NR 10 - Curso Básico

trole das conseqüências de acidentes para os trabalhadores e para as


pessoas que vivem ou trabalham próximo à instalação, ou para o meio
ambiente.

Para reduzir a freqüência de acidentes, é preciso avaliar e


controlar os riscos a partir, por exemplo, dos questionamen-
tos apresentados a seguir e de suas respectivas respostas.
• O que pode acontecer de errado?
• Quais são as causas básicas dos eventos não desejados?
• Quais são as conseqüências?

As metodologias representam os tipos de processos ou de técnicas de


execução dessas análises de riscos da instalação ou da tarefa. Alguns
exemplos dessas técnicas são apresentados a seguir com uma pequena
descrição do método.

Conceitos básicos

Acompanhe agora os principais conceitos de perigo e risco, e a seguir


entenda as principais técnicas de análise de riscos.

Perigo

Uma ou mais condições físicas ou químicas com possibilidade de cau-


sar danos às pessoas, à propriedade, ao ambiente ou uma combinação
de todos.

Risco

Medida da perda econômica e/ou de danos para a vida humana, resul-


tante da combinação entre a freqüência da ocorrência e a magnitude
das perdas ou danos (conseqüências). O risco também pode ser defi-
nido através das expressões a seguir.

Combinação de incerteza e de dano.

122
Módulo 2 – Riscos elétricos

Razão entre o perigo e as medidas de segurança.

Combinação entre o evento, a probabilidade e suas conseqüências.

A experiência demonstra que geralmente os grandes acidentes são


causados por eventos pouco freqüentes, mas que causam danos im-
portantes.

Análise de riscos

É a atividade dirigida à elaboração de uma estimativa (qualitativa ou


quantitativa) dos riscos, baseada na engenharia de avaliação e em téc-
nicas estruturadas para promover a combinação das freqüências e con-
seqüências de cenários acidentais.

Avaliação de riscos

É o processo que utiliza os resultados da análise de riscos e os compara


com os critérios de tolerabilidade previamente estabelecidos.

Gerenciamento de riscos

É a formulação e a execução de medidas e procedimentos técnicos e


administrativos que têm o objetivo de prever, controlar ou reduzir os
riscos existentes na instalação industrial, objetivando mantê-la operan-
do dentro dos requerimentos de segurança considerados toleráveis.

Principais técnicas para a identificação dos riscos/perigos

Análise preliminar de riscos

Método de estudo preliminar e sumário de riscos, normalmente con-


duzido em conjunto com o grupo de trabalhadores expostos, com o
objetivo de identificar os acidentes potenciais de maior prevalência na
tarefa e as características intrínsecas destes.

É um método de estudo de riscos realizado durante a fase de plane-


jamento e desenvolvimento de um determinado processo, tarefa ou

123
NR 10 - Curso Básico

planta industrial, com a finalidade de prever e prevenir riscos de aci-


dentes que possam acontecer durante a fase operacional e de execução
da tarefa.

Análise de falha humana

Método que identifica as causas e os efeitos dos erros humanos ob-


servados em potencial. O método também identifica as condições dos
equipamentos e dos processos que possam contribuir para provocar
esses erros.

Método de análise de falhas e de efeitos

Método específico de análise de riscos, concebido para ser utilizado


em equipamentos mecânicos, com o objetivo de identificar as falhas
potenciais que possam provocar acontecimentos ou eventos adversos
e efeitos desfavoráveis desses eventos.

É um método de análise de riscos tecnológicos que consiste nos se-


guintes requisitos.

Na tabulação de todos os sistemas e equipamentos existentes


numa instituição ou planta industrial.

Na identificação das modalidades de falhas possíveis em cada


um deles.

Na especificação dos efeitos desfavoráveis destas falhas sobre o


sistema e sobre o conjunto das instalações.

Análise de segurança de sistemas

Técnica que tem por finalidade avaliar e aumentar o grau de confiabi-


lidade e o nível de segurança intrínseca de um sistema determinado,
para os riscos previsíveis. Como a segurança intrínseca é o inverso da
insegurança ou nível de vulnerabilidade, todos os projetos de redução
de riscos e de preparação para desastres concorrem para incrementar
o nível de segurança.

124
Módulo 2 – Riscos elétricos

Árvore de eventos

Técnica dedutiva de análise de riscos utilizada para avaliar as possíveis


conseqüências de um acidente potencial, resultante de um evento ini-
cial tomado como referência, o qual pode ser um fenômeno natural
ou ocorrência externa ao sistema, um erro humano ou uma falha do
equipamento. É um método que tem por objetivo antecipar e descre-
ver, de forma seqüenciada, a partir de um evento inicial, as conseqü-
ências lógicas de um possível acidente. Os resultados da análise da
árvore de eventos caracterizam seqüências de eventos intermediários,
ou melhor, um conjunto cronológico de falhas e de erros que, a partir
do evento inicial, culminam no acidente ou evento-topo ou principal.
A figura mostra uma representação da árvore de eventos.

Figura 2.25 – Árvore de eventos


Fonte: do autor (2008)

125
NR 10 - Curso Básico

Árvore de falhas

Técnica dedutiva de análise de riscos na qual, a partir da focalização de


um determinado acontecimento definido como evento-topo ou princi-
pal, constrói-se um diagrama lógico que especifica as várias combina-
ções de falhas de equipamentos, erros humanos ou de fenômenos/ocor-
rências externas ao sistema que possam provocar o acontecimento.

A figura mostra uma representação da árvore de falhas. Neste trabalho


você vai tratar apenas da metodologia denominada Análise Preliminar
de Riscos (APR), também chamada de Análise Preliminar de Perigos
(APP), pois se considera ser a de mais simples aplicação por parte dos
profissionais que atuam nas instalações elétricas.

Figura 2.26 – Árvore de falhas


Fonte: do autor (2008)

Análise preliminar de riscos

É uma técnica qualitativa cujo objetivo consiste na identificação dos


riscos/perigos potenciais decorrentes de novas instalações ou da ope-
ração das já existentes.

126
Módulo 2 – Riscos elétricos

Em uma dada instalação, para cada evento perigoso identificado em


conjunto com a severidade das conseqüências, um conjunto de causas
é levantado. Isso possibilita a classificação qualitativa do risco associa-
do, de acordo com categorias preestabelecidas de freqüência de ocor-
rência. A tabela a seguir demonstra a correlação entre a freqüência de
ocorrência, a gravidade e a classificação do risco.

Tabela 2.4 – Classificação qualitativa dos riscos

CLASSIFICAÇÃO QUALITATIVA DOS RISCOS


CATEGORIA DA FREQÜÊNCIA DE

ALTA
MÉDIO MÉDIO MÉDIO ALTO ALTO
(ocorre)
ococorrências/ano
OCORRÊNCIA

MÉDIA
BAIXO MÉDIO MÉDIO ALTO ALTO
(esperando ocorrer)

BAIXA
BAIXO BAIXO MÉDIO MÉDIO ALTO
(pouco provável)

REMOTA
IRRELEVANTE BAIXO BAIXO MÉDIO MÉDIO
(improvável)

CRÍTICA
CONSIDERÁVEL
PEQUENA (falha com CATASTRÓFICA
(falha exige
(defeito) restrição de (descarrilhamento)
operação manual)
velocidade)
CATEGORIA DE CONSEQÜÊNCIA (GRAVIDADE)
Fonte: do autor (2008)

A APR permite uma ordenação qualitativa dos cenários de acidentes


encontrados, facilitando a proposição e a priorização de medidas para
redução dos riscos da instalação, quando julgadas necessárias, além da
avaliação da necessidade de aplicação de técnicas complementares de
análise.

127
NR 10 - Curso Básico

Tabela 2.5 – Classificação dos riscos e medidas de controle

Risco Medidas de controle


Inspeções
Irrelevante
Manutenção corretiva programada dentro da preventiva
Baixo Manutenção corretiva
Melhorias no equipamento
Médio Substituição do equipamento
Redução da periodicidade da manutenção preventiva
Procedimentos administrativos (perfil da mão-de-obra, nível de se-
gurança, treinamento)
Alto Procedimentos operacionais
Procedimentos de manutenção
Procedimentos para emergência

Fonte: do autor (2008)

Estas tabelas são associadas a uma análise feita em equipamentos ele-


tromecânicos instalados em vias férreas, em que um descarrilhamento
pode provocar mortes e prejuízos de grande monta. Associadas aos
riscos, foram definidas medidas de controle genéricas que, quando ela-
boradas, passam a atender aos aspectos de segurança dos equipamen-
tos e dos mantenedores.

A metodologia adotada nas Análises Preliminares de Riscos compre-


ende a execução das seguintes tarefas.

a. Definição dos objetivos e do escopo da análise.

b. Definição das fronteiras das instalações analisadas.

c. Coleta de informações sobre a região, as instalações, as substân-


cias perigosas envolvidas e os processos.

d. Subdivisão da instalação em módulos de análise.

e. Realização da APR propriamente dita (preenchimento da planilha).

f. Elaboração das estatísticas dos cenários identificados por catego-


rias de freqüência e de severidade.

g. Análise dos resultados, elaboração de recomendações e prepara-


ção do relatório.

128
Módulo 2 – Riscos elétricos

As principais informações requeridas para a realização de uma APR


são as seguintes.

Sobre as instalações: especificações técnicas de projeto, especifi-


cações de equipamentos, lay-out das instalações e descrição dos
principais sistemas de proteção e segurança.

Sobre os processos: descrição dos processos envolvidos.

Sobre as substâncias: características e propriedades físicas e quí-


micas.

Para simplificar a realização da análise, as instalações estudadas são di-


vididas em “módulos de análise”, os quais podem ser: unidades com-
pletas, locais de serviço elétrico, partes de locais de serviço elétrico ou
partes específicas das instalações, tais como subestações, painéis, etc.
A divisão das instalações é feita com base em critérios de funcionali-
dade, complexidade e proximidade física.

A realização da análise propriamente dita é feita através do preenchi-


mento de uma planilha de APR para cada módulo de análise da insta-
lação. A planilha utilizada nesta APR, mostrada a seguir, contém oito
colunas, as quais devem ser preenchidas conforme a descrição apre-
sentada a seguir.

1ª coluna: Operações

Esta coluna deve descrever, sucintamente, as diversas etapas da ativi-


dade/operação.

2ª coluna: Risco

Esta coluna deve conter os riscos/perigos identificados para o módulo


de análise em estudo. De uma forma geral, os riscos/perigos são even-
tos acidentais que têm potencial para causar danos às instalações, aos
trabalhadores, ao público ou ao meio ambiente.

129
NR 10 - Curso Básico

3ª coluna: Modos de detecção

Os modos disponíveis na instalação para a detecção do risco/perigo


identificado na segunda coluna devem ser relacionados nesta coluna.
A detecção da ocorrência do risco/perigo tanto pode ser realizada atra-
vés da instrumentação (alarmes de pressão, de temperatura, etc.) como
através da percepção humana (visual, odor, etc.).

4ª coluna: Efeitos

Os possíveis efeitos danosos de cada risco/perigo identificado devem


ser listados nesta coluna.

5ª coluna: Freqüência do risco

6ª coluna: Conseqüência (gravidade) do risco

7ª coluna: Classificação do risco

8ª coluna: Recomendações/observações

Esta coluna deve conter as recomendações de medidas mitigadoras de


risco propostas pela equipe de realização da APR ou quaisquer obser-
vações pertinentes ao cenário de acidente em estudo. Ela deve conter
também as medidas de emergência quando necessárias.

Observe a seguir uma planilha de APR para uma tarefa rea-


lizada por mantenedores da área elétrica. Nas colunas 5, 6
e 7 foram lançadas as categorias de freqüência, gravidade e
classificação dos riscos, conforme as tabelas apresentadas
anteriormente.

Uma planilha em branco de APR pode ser encontrada ao


fim desta apostila, no espaço destinado aos anexos. Ela ser-
ve para aplicações práticas em sala de aula ou no campo.

130
Módulo 2 – Riscos elétricos

Tabela 2.6 – Exemplo de Análise Preliminar de Risco

ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCO


Medir tensão com o uso do multímetro analógico na saída do
TAREFA
disjuntor de baixa tensão
CLASSIFICAÇÃO DO
RISCO

CONSEQÜÊNCIA

CLASSIFICAÇÃO
FREQÜÊNCIA
OPERAÇÕES

DETECÇÃO

(gravidade)
EFEITOS
RISCO

MEDIDAS DE CONTROLE

Abrir o qua-
Nada Nada Nada Nada Nada Nada
dro geral de Nada Consta
Consta Consta Consta Consta Consta Consta
baixa tensão

(1) Conferir a posição das pontas de


prova de instrumento.
(2) Conferir a posição da chave sele-
Espe- tora do instrumento.
Medir a Arco Nada Quei-
rando Crítica Alto (3) Utilizar apenas instrumentos em
Tensão Elétrico Consta maduras
ocorrer bom estado e dentro do prazo de
validade de calibração/inspeção.
(4) Utilizar luvas, óculos de seguran-
ça e vestimenta padrão.
Fechar o qua-
Nada Nada Nada Nada Nada Nada
dro geral de Nada Consta
Consta Consta Consta Consta Consta Consta
baixa tensão
Fonte: do autor (2008)

Agora que você já conheceu as principais técnicas de análise


e identificação de perigos e riscos, está na hora de aprender
as medidas de controle do risco elétrico. Revise os assuntos
estudados no conteúdo virtual, faça a atividade proposta e
siga para a próxima lição!

131
NR 10 - Curso Básico

LIÇÃO 4

Medidas de controle do risco elétrico

A expressão “medidas de controle” abrange o conjunto de atividades


que permitem avaliar um risco: desde a sua identificação, o entendi-
mento de como se manifesta, a sua detecção, o seu monitoramento, os
seus efeitos e as ações que devem ser implementadas para evitar que
acidentes decorrentes do risco ocorram ou para administrar os seus
efeitos quando se manifestarem.

Em relação aos riscos elétricos e adicionais, as medidas de controle


começam a ser definidas na fase de projeto das instalações elétricas e
terminam nos procedimentos para situações de emergência.

Prever instalações à prova de explosão em ambientes explosivos, uti-


lizar equipamentos à prova de explosão certificados, ter profissionais
treinados para a realização dos serviços de manutenção e preparados
para resgate, primeiros socorros e operação de equipamentos de com-
bate a incêndio são exemplos de medidas de controle.

Acompanhe a seguir as medidas de controle do risco elétrico!

Proteção contra choques elétricos

O princípio que fundamenta as medidas de proteção contra choques


elétricos, conforme a NBR 5410:2004, pode ser resumido em dois tó-
picos.

1. Partes vivas de instalações elétricas não devem ser acessíveis.

2. Massas ou partes condutivas acessíveis não devem oferecer pe-


rigo, seja em condições normais, seja, em particular, em caso de
alguma falha que as torne acidentalmente vivas.

No caso 1, o choque elétrico acontece quando se toca inadvertidamen-


te a parte viva do circuito de instalação de energia elétrica. Acontece
somente quando duas ou mais partes do corpo tocam simultaneamen-

132
Módulo 2 – Riscos elétricos

te duas fases ou uma fase e a massa aterrada do equipamento elétrico.


Nesse caso, a corrente elétrica do choque é atenuada pelos seguintes
fatores.

Resistência elétrica do corpo humano.

Resistência do calçado.

Resistência do contato do calçado com o solo.

Resistência da terra no local dos pés no solo.

Resistência do aterramento da instalação elétrica no ponto de


alimentação de energia.

Assim, devem ser providas medidas de proteção básicas que visem


impedir o contato com partes vivas perigosas em condições normais,
como as seguintes.

Isolação básica ou separação básica.

Uso de barreira ou invólucro.

Limitação de tensão.

Já no caso 2, o choque ocorre quando regiões neutras ficam com di-


ferença de potencial devido a um curto-circuito na instalação ou nos
equipamentos. Deve-se notar que neste tipo de choque a pessoa está
tocando ou pisando regiões ou elementos não energizados da insta-
lação. Porém, durante o curto-circuito, estas áreas neutras ficam com
diferença de potencial, advindo daí o choque elétrico.

Nesse caso devem-se prover medidas de proteção supletivas que vi-


sem suprir a proteção contra choques em caso de falha da proteção
básica, como os seguintes exemplos.

Eqüipotencialização e seccionamento automático da alimentação.

Isolação suplementar.

Separação elétrica.

133
NR 10 - Curso Básico

Desenergização

É o conjunto de procedimentos visando à segurança pessoal dos en-


volvidos ou não em sistemas elétricos. É realizada por no mínimo duas
pessoas. Somente serão consideradas desenergizadas as instalações
elétricas liberadas para trabalho, mediante os procedimentos descritos
a seguir.

Seccionamento

É a ação da interrupção da alimentação elétrica em um equipamento


ou circuito. A interrupção é executada com a manobra local ou remota
do respectivo dispositivo de manobra, geralmente o disjuntor alimen-
tador do equipamento ou circuito a ser isolado.

Figura 2.27
Fonte: do autor (2008)

Sempre que for tecnicamente possível, deve-se promover o


corte visível dos circuitos, provendo afastamentos adequa-
dos que garantam condições de segurança específica, impe-
dindo assim a energização acidental do equipamento ou
circuito.

O seccionamento tem maior eficácia quando há a constatação visual


da separação dos contatos (abertura de seccionadora, retirada de fusí-
veis, etc.).

134
Módulo 2 – Riscos elétricos

Figura 2.28
Fonte: do autor (2008)

A abertura da seccionadora deverá ser efetuada após o desligamento


do circuito ou equipamento a ser seccionado, evitando-se, assim, a for-
mação de arco elétrico.

Impedimento de reenergização

É o processo pelo qual se impede o religamento acidental do circuito


desenergizado. Esse impedimento pode ser feito por meio de bloqueio
mecânico, como os exemplos a seguir.

Em seccionadora de alta tensão, utilizando cadeados que impe-


çam a manobra de religamento pelo travamento da haste de ma-
nobra.

Retirada dos fusíveis de alimentação do local.

Travamento da manopla dos disjuntores por cadeado ou lacre.

Extração do disjuntor quando possível.

Figura 2.29
Constatação de ausência da tensão
Fonte: do autor (2008)
Usualmente, por meio de sinalização luminosa ou de voltímetro ins-
talado no próprio painel, deve-se verificar a existência de tensão em
todas as fases do circuito.

135
NR 10 - Curso Básico

Figura 2.30
Fonte: do autor (2008)

Na inexistência ou na inoperabilidade de voltímetros no painel, deve-


se constatar a ausência da tensão com equipamento apropriado ao ní-
vel de tensão à segurança do usuário, como, por exemplo, voltímetro,
detectores de tensão de proximidade ou contato.

Aterramento temporário

A instalação de aterramento temporário tem como finalidade a eqüi-


potencialização dos circuitos desenergizados (condutores ou equipa-
mento), ou seja, ligar-se eletricamente ao mesmo potencial, no caso ao
potencial de terra, interligando-se os condutores ou os equipamentos
à malha de aterramento através de dispositivos apropriados ao nível de
tensão nominal do circuito.

Figura 2.31
Fonte: do autor (2008)

136
Módulo 2 – Riscos elétricos

Para a execução do aterramento, deve-se atender às seguintes etapas.

Solicitar e obter autorização formal.


Afastar as pessoas não envolvidas na execução do aterramento e
verificar a desenergização.
Delimitar a área de trabalho, sinalizando-a.
Confirmar a desenergização do circuito a ser aterrado tempora-
riamente.
Inspecionar todos os dispositivos utilizados no aterramento tem-
porário antes de sua utilização.
Ligar o grampo de terra do conjunto de aterramento temporário
com firmeza à malha de terra e em seguida a outra extremidade
aos condutores ou equipamentos que serão ligados à terra, utili-
zando equipamentos de isolação e proteção apropriados para a
execução da tarefa.
Obedecer aos procedimentos específicos de cada empresa.
Na rede de distribuição deve-se trabalhar, no mínimo, entre dois
aterramentos.

Observe na figura normas importantes para aterramento


temporário!

Figura 2.32
Fonte: do autor (2008)

137
NR 10 - Curso Básico

a. Se for necessário remover o aterramento por um breve período


para execução de testes de isolação num equipamento que já es-
tiver aterrado, este deverá ser reconectado imediatamente após
o término do teste.

b. Com os equipamentos apropriados (bastão, luvas e óculos de se-


gurança), desconecta-se em primeiro lugar a extremidade ligada
ao condutor ou equipamento e, logo após, a extremidade ligada
à malha de terra.

c. Nos serviços que exijam equipamentos não aterrados, estes de-


vem ser descarregados eletricamente em relação à terra, seguin-
do-se para isso os procedimentos de aterramento estabelecidos.

Instalação da sinalização de impedimento de energização

Esse tipo de sinalização é utilizado para diferenciar os equipamentos


energizados dos não energizados, afixando-se no dispositivo de co-
mando do equipamento principal um aviso de que ele está impedido
de ser energizado.

Figura 2.33
Fonte: do autor (2008)

Somente depois de efetuadas todas as etapas discriminadas anterior-


mente, o equipamento ou circuito estará no estado desenergizado,
podendo assim ser liberado pelo profissional responsável para inter-
venção. Porém, o equipamento ou circuito pode ser modificado com

138
Módulo 2 – Riscos elétricos

a alteração da ordem das etapas, ou mesmo com o acréscimo ou su-


pressão de etapas, dependendo das particularidades do circuito ou
equipamento a ser executada a desenergização, além da aprovação por
profissional responsável.

A instalação da sinalização de impedimento de energização deve ser


executada em todos os pontos possíveis de alimentação do equipa-
mento ou circuito a ser desenergizado.

Conhecidos todas as principais formas e procedimentos de


desenergização, é hora de passar ao aterramento. Tenha um
bom estudo!

Aterramento

Sistema constituído por eletrodos de aterramento, cravados no solo, e


condutores de aterramento, destinados a prover uma ligação intencio-
nal entre os circuitos elétricos e a terra (solo) por questões funcionais
e de proteção.

Os sistemas de aterramento devem satisfazer às prescrições de segu-


rança das pessoas e funcionais da instalação. O valor da resistência de
aterramento deve satisfazer às condições de proteção e de funciona-
mento da instalação elétrica.

Ligações à terra

Qualquer que seja sua finalidade (proteção ou funcional), o aterra-


mento deve ser único em cada local da instalação.

Para casos específicos, de acordo com as prescrições da instalação, po-


dem existir aterramentos separados, desde que sejam tomadas as de-
vidas precauções.

139
NR 10 - Curso Básico

Aterramento funcional

É o aterramento de um ponto (do sistema, da instalação ou do equi-


pamento) destinado a outros fins que não a proteção contra choques
elétricos. Em particular, no contexto da seção, o termo “funcional” está
associado ao uso do aterramento e da eqüipotencialização para fins de
transmissão de sinais e de compatibilidade eletromagnética.

Aterramento do condutor neutro

Quando a instalação for alimentada diretamente pela concessionária,


o condutor neutro deve ser aterrado na origem da instalação.

Do ponto de vista da instalação, o aterramento do neutro


na origem proporciona uma melhoria na equalização de po-
tenciais essencial à segurança.

Figura 2.34
Fonte: do autor (2008)

Aterramento de proteção (PE)

A proteção contra contatos indiretos proporcionada em parte pelo


equipamento e em parte pela instalação é aquela tipicamente associa-
da aos equipamentos classe I. Um equipamento classe I tem algo além
da isolação básica: sua massa é provida de meios de aterramento, isto
é, o equipamento vem com condutor de proteção (condutor PE, ou“fio

140
Módulo 2 – Riscos elétricos

terra”) incorporado ou não ao cordão de ligação, ou então sua caixa de


terminais inclui um terminal PE para aterramento.

A proteção complementar, proporcionada pela instalação, consiste em


ligar esse equipamento adequadamente, conectando-se o PE do equi-
pamento ao PE da instalação, na tomada ou caixa de derivação – o que
pressupõe uma instalação dotada de condutor PE, evidentemente (e
isso deve ser regra, e não exceção). Pressupõe ainda garantir que, em
caso de falha na isolação desse equipamento, um dispositivo de prote-
ção atue automaticamente, promovendo o desligamento do circuito.

Aterramento por razões combinadas de proteção e funcionais

Quando for exigido um aterramento por razões funcionais


e de proteção, as prescrições relativas às medidas de prote-
ção devem prevalecer. Observe os esquemas de ligação de
aterramento em baixa tensão! Se achar necessário, confira
ao lado os símbolos utilizados nas próximas figuras.

Esquema TN-S

O condutor neutro e o condutor de proteção são separados ao longo


de toda a instalação.

Figura 2.35 - Esquema TN-S


Fonte: do autor (2008)

141
NR 10 - Curso Básico

Esquema TN-C-S

As funções de neutro e de condutor de proteção são combinadas em


um único condutor em uma parte da instalação.

Figura 2.36 - Esquema TN-C-S


Fonte: do autor (2008)

Esquema TN-C

As funções de neutro e de condutor de proteção são combinadas em


um único condutor ao longo de toda a instalação.

Figura 2.37 - Esquema TN-C


Fonte: do autor (2008)

142
Módulo 2 – Riscos elétricos

Esquema TT

Possui um ponto de alimentação diretamente aterrado, estando as


massas da instalação ligadas a eletrodos de aterramento eletricamente
distintos dos eletrodos de aterramento da alimentação.

Figura 2.38 - Esquema TT


Fonte: do autor (2008)

Esquema IT

Não possui qualquer ponto da alimentação diretamente aterrado, es-


tando aterradas as massas da instalação.

Figura 2.39 - Esquema IT


Fonte: do autor (2008)

143
NR 10 - Curso Básico

Esquemas de ligação de aterramento em média tensão

A norma NBR 14039:2005 diz que as massas devem ser ligadas a con-
dutores de proteção para cada esquema de aterramento (apresentados
a seguir). A mesma norma destaca ainda que massas simultaneamente
acessíveis devem ser ligadas à mesma rede de aterramento individual-
mente, por grupos determinados ou coletivamente.

Segundo a NBR 14039:2003, são considerados os esquemas de ater-


ramento para sistemas trifásicos comumente utilizados, descritos na
seqüência, sendo esses classificados conforme a simbologia a seguir.

Primeira letra – situação da alimentação em relação à terra:

T = um ponto de alimentação (geralmente o neutro) diretamente


aterrado.

I = isolação de todas as partes vivas em relação à terra ou aterra-


mento de um ponto através de uma impedância.

Segunda letra – situação das massas da instalação elétrica em relação


à terra:

T = massas diretamente aterradas, independentemente do ater-


ramento eventual de ponto de alimentação.

N = massas ligadas diretamente ao ponto de alimentação ater-


rado (em corrente alternada, o ponto aterrado é normalmente o
neutro).

Terceira letra – situação de ligações eventuais com as massas do pon-


to de alimentação:

R = as massas do ponto de alimentação estão ligadas simultane-


amente ao aterramento do neutro da instalação e às massas da
instalação.

N = as massas do ponto de alimentação estão ligadas diretamen-


te ao aterramento do neutro da instalação, mas não estão ligadas
às massas da instalação.

144
Módulo 2 – Riscos elétricos

S = as massas do ponto de alimentação estão ligadas a um ater-


ramento eletricamente separado daquele do neutro e daquele
das massas da instalação.

Esquema TNR

O esquema TNR possui um ponto da alimentação di-


retamente aterrado, sendo as massas da instalação e
do ponto de alimentação ligadas a esse ponto atra-
vés de condutores de proteção. Nesse esquema, toda
corrente de falta direta fase-massa é uma corrente de
curto-circuito.
Figura 2.40 - Esquema TNR
Esquemas TTN e TTS
Fonte: do autor (2008)
Os esquemas TTx possuem um ponto da alimentação
diretamente aterrado, estando as massas da instala-
ção ligadas a eletrodos de aterramento eletricamente
distintos do eletrodo de aterramento do ponto de ali-
mentação.
Nesses esquemas, as correntes de falta direta fase-
massa devem ser inferiores a uma corrente de curto- Figura 2.41 - Esquema TTN
circuito, sendo, porém, suficientes para provocar o Fonte: do autor (2008)
surgimento de tensões de contato perigosas.
São considerados dois tipos de esquemas, TTN e TTS,
de acordo com a disposição do condutor neutro e do
condutor de proteção das massas do ponto de alimen-
tação, a saber:

a. esquema TTN, no qual o condutor neutro e o


condutor de proteção das massas do ponto de
alimentação são ligados a um único eletrodo de
aterramento; Figura 2.42 - Esquema TTS
Fonte: do autor (2008)
b. esquema TTS, no qual o condutor neutro e o
condutor de proteção das massas do ponto de alimentação são
ligados a eletrodos de aterramento distintos.

145
NR 10 - Curso Básico

Esquemas ITN, ITS e ITR

Os esquemas ITx não possuem qualquer ponto da ali-


mentação diretamente aterrado ou possuem um ponto
da alimentação aterrado através de uma impedância, es-
tando as massas da instalação ligadas a seus próprios
eletrodos de aterramento.
Nesse modelo, a corrente resultante de uma única falta
Figura 2.43 - Esquema ITN fase-massa não deve ter intensidade suficiente para pro-
Fonte: do autor (2008) vocar o surgimento de tensões de contato perigosas. São
considerados três tipos de esquemas, ITN, ITS e ITR, de
acordo com a disposição do condutor neutro e dos con-
dutores de proteção das massas da instalação e do ponto
de alimentação, a saber:

a. esquema ITN, no qual o condutor neutro e o con-


dutor de proteção das massas do ponto de alimen-
tação são ligados a um único eletrodo de aterra-
Figura 2.44 - Esquema ITS mento e as massas da instalação ligadas a um
Fonte: do autor (2008) eletrodo distinto;

b. esquema ITS, no qual o condutor neutro, os con-


dutores de proteção das massas do ponto de ali-
mentação e da instalação são ligados a eletrodos de
aterramento distintos;

c. esquema ITR, no qual o condutor neutro, os con-


dutores de proteção das massas do ponto de ali-
mentação e da instalação são ligados a um único
Figura 2.45 - Esquema ITR
eletrodo de aterramento.
Fonte: do autor (2008)

Medida da resistência de aterramento

Quando se estuda aterramento, há um conceito fundamental que não


pode ser desprezado: o aterramento é uma proteção coletiva e, por
conseguinte, deve ser projetado por profissional habilitado, e constar
do projeto das instalações elétricas.

146
Módulo 2 – Riscos elétricos

Uma questão básica, muito debatida nos dias de hoje, é o valor da re-
sistência de aterramento e o valor da resistividade do solo. Em virtude
da resistividade do solo e dos eletrodos de aterramento (sejam verti-
cais ou horizontais), obtém-se o valor da resistência de aterramento,
que pode variar em função das condições climáticas como chuva, por
exemplo.

A própria resistividade do solo sofre influência do tipo de solo (lama,


argilas, terra de jardim, granito), da umidade, concentração e tipos de
sais, compacidade do solo, granulometria e temperatura.

Assim, uma boa avaliação do solo com a determinação da


sua resistividade são determinantes para a definição dos
eletrodos de aterramento que serão utilizados a fim de atin-
gir os valores de resistência de aterramento compatíveis
com as necessidades de proteção requeridas.

Normalmente, quando se precisa de valores de resistência de aterra-


mento muito baixos, menores que 5 ohms, é comum utilizar-se mais
que um eletrodo de aterramento. Uma vez projetado e instalado, o
sistema de aterramento normalmente é medido pelo método da queda
de potencial (três terminais) que se encontra normatizado no Anexo J
da NBR 5410:2004.

Figura 2.46
Fonte: do autor (2008)

147
NR 10 - Curso Básico

Eqüipotencialização

Define-se eqüipotencialização como o conjunto de medidas que visa


minimizar as diferenças de potenciais entre componentes de instala-
ções elétricas de energia e de sinal (telecomunicações, rede de dados,
etc.), prevenindo acidentes com pessoas e baixando a níveis aceitáveis
os danos tanto nessas instalações quanto nos equipamentos a elas co-
nectados.

Condições de eqüipotencialização

Interligação de todos os aterramentos de uma mesma edificação,


exceto casos específicos de acordo com as prescrições das insta-
lações.

O quadro geral de baixa tensão (QGBT), o distribuidor geral da


rede telefônica, o da rede de comunicação de dados, e outros
equivalentes deverão ser convenientemente interligados, for-
mando um só aterramento.

Todas as massas metálicas de uma edificação, como ferragens


estruturais, grades, guarda-corpos, corrimãos, portões, bases de
antenas, bem como carcaças metálicas dos equipamentos elétri-
cos, devem ser convenientemente interligadas ao aterramento.

Todas as tubulações metálicas da edificação, como rede de hi-


drantes, eletrodutos e outros, devem ser interligadas ao aterra-
mento de forma conveniente.

Os aterramentos devem ser realizados em anel fechado, malha,


ou preferencialmente pelas ferragens estruturais das fundações
da edificação, quando esta for eletricamente contínua (na maio-
ria das vezes é).

Todos os terminais “terra” existentes nos equipamentos deverão


estar interligados ao aterramento via condutores de proteção PE

148
Módulo 2 – Riscos elétricos

que, obviamente, deverão estar distribuídos por toda a instalação


da edificação.

Todos os ETIs (equipamentos de tecnologia de informações) de-


vem ser protegidos por DPSs (dispositivos de proteção contra
surtos), constituídos por varistores centelhadores, diodos espe-
ciais, Taz ou Tranzooby, ou uma associação deles.

Todos os terminais “terra” dos DPSs devem ser ligados ao BEP


(barramento de eqüipotencialização principal) através da ligação
da massa dos ETIs pelo condutor de proteção PE.

No QDP (quadro de distribuição principal de baixa tensão) ou no


quadro do secundário do transformador (dependendo da confi-
guração da instalação elétrica de baixa tensão), deve ser instalado
um DPS (dispositivo de proteção contra surtos) de características
nominais mais elevadas para coordenar com eficácia os quadros
de alimentação dos circuitos terminais que alimentam os ETIs.

Nesses casos podem ser utilizados vários recursos que otimizem


o custo da instalação, como, por exemplo, o aproveitamento de
bandejamento dos cabos ou hidrantes, se for garantida sua con-
tinuidade elétrica em parâmetros aceitáveis.

O uso freqüente da palavra “conveniente” nos itens anterio-


res enfatiza que a interligação entre aterramentos deve
obedecer a certos critérios, pois interligar aterramentos
não é simplesmente interligar um eletrodo ao outro.

Para que a interligação ocorra de maneira correta e eficaz, deve-se ins-


talar próximo ao QDP, para instalações de energia da edificação, uma
barra de cobre distanciada da parede em alguns centímetros e isolada
desta por isoladores de porcelana, resina, ou outro material isolante.

149
NR 10 - Curso Básico

Essa barra deve ter dimensões compatíveis que assegurem um bom


contato elétrico, preservando suas características de resistência mecâ-
nica e de baixa impedância elétrica.
Bons parâmetros para as dimensões dessa barra são os seguintes.

Largura = 50 mm.

Espessura = 6 mm.

Comprimento = pelo menos 500 mm.

Tanto a NBR 5410:2004 quanto a NBR 5419:2001 denominam este bar-


ramento de BEP (barramento de eqüipotencialização principal).

Portanto, fazer uma interligação convenientemente consiste


em se conectar todos os aterramentos nesse BEP, inclusive
as ferragens da edificação, pelo caminho mais curto possível
e dela se retirar tantos condutores de proteção PE quantos
forem necessários para “servir” a instalação.

Se por qualquer motivo alguma


tubulação metálica não puder
ser diretamente interligada ao
BEP, por exemplo, a corrosão
galvânica, essa interligação de-
verá ser realizada de forma in-
direta via centelhador. Observe
a ilustração e a legenda dos ele-
mentos que aparecem nela.

Legenda:

BEP = Barramento de equi-


potencialização principal.

EC = Condutores de equipo-
Figura 2.47
Fonte: do autor (2008) tencialização.

150
Módulo 2 – Riscos elétricos

1 = Eletrodo de aterramento (embutido nas fundações).

2 = Armaduras de concreto armado e outras estruturas metálicas


da edificação.

3 = Tubulações metálicas de utilidades bem como os elementos


estruturais metálicos a eles associados.

Por exemplo:

3.a = Água.

3.b = Gás.

(*) = Luva isolante (ver nota 2 de 6.4.2.1.1).

3.c = Esgoto.

3.d = Ar-condicionado.

4 = Condutos metálicos, blindagens, armações, coberturas e ca-


pas metálicas de cabos.

5 = Condutor de aterramento principal.

(*) Ver figura 2.47

Figuras 2.48 e 2.49 – Esquema TN (esq.) e esquema TT


Fonte: do autor (2008)

151
NR 10 - Curso Básico

Estas figuras são essencialmente ilustrativas. Se o quadro de


distribuição principal se situar junto ou bem próximo do
ponto de entrada da linha na edificação, uma barra PE, caso
não haja outras restrições, poderia acumular a função de
BEP.
O detalhe relativo ao esquema TN-C-S ilustra situação con-
forme 5.4.3.6.

Falta de eqüipotencialização

Existem dois principais problemas causados pela falta de eqüipoten-


cialização (diferença de potenciais) em aterramentos de uma mesma
instalação.

O primeiro é o risco de choques, que podem provocar danos fisiológi-


cos às pessoas e aos animais. Se a isolação de um dos equipamentos vir
a ser rompida, gerando assim uma diferença de potencial entre a car-
caça do equipamento em relação ao aterramento ou à carcaça de outro
equipamento, pode ocorrer um circuito fechado no toque simultâneo
entre o equipamento com isolação danificado e outro equipamento
ou aterramento. Dessa forma, uma corrente de falta flui pelo corpo da
pessoa ou animal que venha a executar este tipo de ação.

O segundo é o risco de rompimento de isolação em equipamentos de


tecnologia da informação e similares que necessitem de interligações
para intercâmbio de dados, e em equipamentos eletrônicos suscetíveis
a interferência. Isto causa danos aos equipamentos, prejudicando seu
funcionamento individual ou, em casos extremos, paralisando grandes
linhas de produção.

Continuando seus estudos sobre medidas de controle do


risco elétrico, a seguir você começa a conhecer o secciona-
mento automático da alimentação. Tenha um bom estudo!

152
Módulo 2 – Riscos elétricos

Seccionamento automático da alimentação

No sistema de proteção contra choques elétricos (contatos indiretos)


por seccionamento automático da alimentação, as massas devem ser
ligadas a condutores de proteção, compondo uma“rede de aterramen-
to”. Um dispositivo de proteção deve seccionar automaticamente a ali-
mentação do circuito por ele protegido sempre que uma falta (falha)
entre parte viva e massa der origem a uma tensão de contato perigosa.
Observe a figura.

Figura 2.50
Fonte: do autor (2008)

O tempo máximo admissível de seccionamento é dado em função da


tensão fase-terra-Uo em esquemas de ligação de aterramento TN, e
em função da tensão fase-fase em esquemas de aterramento IT, sendo
também classificado em função da seletividade (situação 1 e situação
2), conforme discriminado nas tabelas a seguir.

Tabela 2.7 – Tempos de seccionamento máximos no esquema TN

Tempos de seccionamento máximos no esquema TN


Tempo de seccionamento
U0(V)
Situação 1 (áreas internas) Situação 2 (áreas externas)
115, 120, 127 0,8 0,35
220 0,4 0,20
277 0,4 0,20
254 0,4 0,20
400 0,2 0,05

Fonte: do autor (2008)

153
NR 10 - Curso Básico

1. Uo é a tensão nominal entre fase e neutro, valor eficaz em cor-


rente alternada;

2. As situações 1 e 2 estão definidas no anexo C da NBR


5410/2004.

Tabela 2.8 – Tempos de seccionamento máximos no esquema IT (segunda falta)

Tempos de seccionamento máximos no esquema IT (SEGUNDA FALTA)


Tempo de seccionamento
U(V) U0(V) Neutro não distribuído Neutro distribuído
Situação 1 Situação 2 Situação 1 Situação 2
208, 220, 230 115, 120, 127 0,8 0,4 5 1
380, 400 220 0,4 0,2 0,8 0,5
440, 480 254, 277 0,4 0,2 0,8 0,5
690 400 0,2 0,06 0,4 0,2

Fonte: do autor (2008)

1. U é a tensão nominal entre fases, valor eficaz em corrente alter-


nada;

2. Uo é a tensão nominal entre fase e neutro, valor eficaz em cor-


rente alternada;

3. Para valores intermediários de tensão deve ser adotado o valor


(da tabela) imediatamente superior.

São utilizados na proteção por seccionamento automático dispositivos


de sobrecorrente (disjuntores, fusíveis) ou dispositivos de corrente di-
ferencial, sendo sua utilização condicionada aos esquemas de aterra-
mento, conforme mostrado a seguir.

154
Módulo 2 – Riscos elétricos

Tabela 2.9 – Caracterização das situações 1, 2 e 3

CARACTERIZAÇÃO DAS SITUAÇÕES 1, 2, E 3, CONFORME NBR 5410:2004

ALTA
(seco) SITUAÇÃO 1
NORMAL (seco)
RESISTÊNCIA (ÚMIDO)
ELÉTRICA DO BAIXA SITUAÇÃO 2
CORPO HUMANO (molhado) (jardins, feiras e canteiros de obras)
MUITO BAIXA SITUAÇÃO 3
(imerso) (banheira e piscinas)
NULO RARO FREQÜENTE CONTÍNUO
CONTATO DAS PESSOAS COM O POTÊNCIAL DA TERRA

Fonte: do autor (2008)

Observa-se a incompatibilidade entre os dispositivos tipo DR e os sis-


temas PEN e PE, pois utilizar este dispositivo nestas instalações não
gera diferença de corrente residual no sensor do DR na ocorrência de
falhas. Isso porque o condutor de proteção PEN ou PE está passando
no sensor, havendo assim o equilíbrio entre as correntes, e porque toda
diferenciação entre as fases acarretará uma corrente de mesma inten-
sidade no condutor PEN ou PE. Deve-se, então, executar a separação
entre condutor= PE e N para utilização de DR.

A seguir serão apresentadas informações importantes para as ligações


eqüipotenciais.

Um dispositivo de proteção deve seccionar automaticamente a alimen-


tação do circuito ou equipamento protegido contra contatos indiretos
sempre que uma falta entre a parte viva e a massa no circuito ou equi-
pamento considerado der origem a uma tensão de contato superior ao
valor apropriado de [UL (V)].

155
NR 10 - Curso Básico

Tabela 2.10 – Valores máximos de tensão de contato limite U1

VALORES MÁXIMOS DE TENSÃO DE CONTATO LIMITE U1 (V)


Natureza da corrente Situação 1 Situação 2
Alternada, 15 Hz - 1000 Hz 50 25
Contínua sem ondulação 120 60

Fonte: do autor (2008)


Obs.: Situação 1 – áreas internas; Situação 2 – áreas externas.

Uma tensão contínua sem ondulação é convencionalmente definida


como apresentando uma taxa de ondulação inferior a 10% em valor
eficaz. O valor da crista máxima não deve ultrapassar 140 V para um
sistema em corrente contínua sem ondulação com 120 V nominais; ou
70 V para um sistema em CC sem ondulação com 60 V nominais.

Dispositivo de proteção a corrente diferencial-residual (DR)

Princípio de funcionamento – o DR opera em função do campo


magnético resultante da circulação da corrente pelos condutores de
alimentação dos circuitos elétricos. Em condições normais esse campo
magnético é praticamente nulo, mas em caso de fuga associada a cho-
ques elétricos ou defeitos de isolação, o seu valor deixa de ser nulo e
assume um valor proporcional à corrente que está fugindo (vazando)
do circuito.

O princípio citado também vale para os circuitos trifásicos a três ou


quatro condutores. Nesses circuitos as correntes estão defasadas entre
si e os campos magnéticos ao redor dos condutores de alimentação se
anulam, desde que não exista fuga (vazamento). Ou seja, o seu valor é
praticamente nulo.

Assim foi concebido o DR, que possui internamente jogos de contatos,


mecanismo de acionamento manual, um transformador de corrente
com núcleo toroidal, um enrolamento de detecção, um sistema mecâ-
nico de disparo e outro de teste de funcionamento do próprio DR.

156
Módulo 2 – Riscos elétricos

Como funciona?

Como as correntes do circuito estarão sempre passando pelo trans-


formador de corrente do DR, em caso de fuga (vazamento) o campo
magnético resultante é diferente de zero, e assim é percebido pelo en-
rolamento de detecção, que aciona o sistema de disparo responsável
pela abertura dos contatos elétricos, interrompendo assim o circuito
monitorado pelo DR.

O sistema de teste do DR, ao ser acionado por um botão existente no


próprio DR, provoca a circulação de uma corrente por fora dos condu-
tores que passam dentro do núcleo toroidal. Isso simula realisticamen-
te uma fuga e conseqüente verificação do desligamento do próprio Figura 2.51 - Dispositivo a
corrente diferencial residual
DR. (DR) Bipolar

Como o DR mede permanentemente a soma vetorial das correntes que Fonte: do autor (2008)

percorrem os condutores, enquanto o circuito se mantiver ele-


tricamente sem fugas de corrente, a soma vetorial das correntes
nos seus condutores é praticamente nula. Ocorrendo a falha de
isolamento em um equipamento alimentado por esse circuito,
interromperá uma corrente de falta à terra, ou seja, haverá uma
corrente residual para a terra. Devido a este“vazamento”de cor-
rente para a terra, a soma vetorial das correntes nos condutores
monitorados pelo DR não é mais nula e o dispositivo detecta
justamente essa diferença de corrente. Figura 2.52 - Dispositivo a corrente
diferencial residual (DR) Tetrapolar
A situação é análoga se uma pessoa tocar uma parte viva do cir- Fonte: do autor (2008)
cuito protegido: a porção de corrente que irá circular pelo corpo
dessa pessoa provocará igualmente um desequilíbrio na soma vetorial
das correntes. A diferença, então, é detectada pelo dispositivo diferen-
cial, tal como se fosse uma corrente de falta à terra.

Quando essa diferença atinge um determinado valor, é ativado um


relé. Este relé provoca a abertura dos contatos principais do próprio
dispositivo ou do dispositivo associado (contator ou disjuntor).

157
NR 10 - Curso Básico

O relé poderia, eventualmente, como observado no início,


apenas acionar um alarme visual ou sonoro. Mas neste caso
se trata de proteção; e proteção no caso mais geral significa
desligamento do circuito.

O dispositivo DR é composto basicamente de dois elementos.

1. Um TC de detecção, toroidal, sobre o qual são enrolados, de for-


ma idêntica, cada um dos condutores do circuito e que acomoda
também o enrolamento de detecção, responsável pela medição
das diferenças entre correntes dos condutores.

2. Um elemento de “processamento” do sinal e que comanda o dis-


paro do DR, geralmente designado relé diferencial ou relé rever-
sível.

Figura 2.53 – Elementos de um DR


Fonte: do autor (2008)

Uso do dispositivo DR

Independentemente do esquema de aterramento TN, TT ou IT, o uso


de proteção DR, mais particularmente de alta sensibilidade (isto é, com
corrente diferencial-residual nominal igual ou inferior a 30 mA), tor-
nou-se expressamente obrigatório nos casos a seguir.

158
Módulo 2 – Riscos elétricos

Circuitos que sirvam a pontos situados em locais contendo ba-


nheiro ou chuveiro.

Circuitos que alimentem tomadas de corrente situadas em áreas


externas à edificação.

Circuitos de tomadas de corrente situadas em áreas internas que


possam vir a alimentar equipamentos no exterior.

Circuitos de tomadas de corrente de cozinhas, copas-cozinhas,


lavanderias, áreas de serviço, garagens e, no geral, de todo local
interno molhado em uso normal ou sujeito a lavagens.

Pode-se dizer que não há razões para preocupação quanto


ao atendimento da regra do seccionamento automático
quando se usam dispositivos DR, a não ser que a proteção
diferencial-residual usada seja de baixíssima sensibilidade.

Os dispositivos DR (diferencial-residual) podem ser do tipo com ou


sem fonte auxiliar, que pode ser a própria rede de alimentação.

No caso de DR com fonte auxiliar, se não atuar automaticamente por


falha de fonte auxiliar, é um dispositivo admitido somente se uma das
duas condições a seguir for satisfeita.

1. A proteção contra contatos indiretos for assegurada por outros


meios no caso de a fonte auxiliar falhar.

2. Os dispositivos forem instalados em instalações operadas, testa-


das e mantidas por pessoas advertidas ou qualificadas.

Esquema TN – pode ser protegido por um dispositivo DR, o mesmo


ocorrendo em circuitos terminais. Nesse caso as massas não precisam
ser ligadas ao condutor de proteção do esquema TN, desde que sejam
ligadas a um eletrodo de aterramento com resistência compatível com
a corrente de atuação do dispositivo DR.

159
NR 10 - Curso Básico

Esquema TT – se uma instalação for protegida por um único disposi-


tivo DR, este deve ser colocado na origem da instalação, a menos que
a parte da instalação compreendida entre a origem e o dispositivo não
possua qualquer massa e satisfaça a medida de proteção pelo emprego
de equipamentos classe II (50 a 1.500 V) ou pela aplicação de isolação
suplementar.

Esquema IT – quando a proteção for assegurada por um dispositivo


DR e o seccionamento à primeira falta não for cogitado, a corrente
diferencial-residual de não atuação do dispositivo deve ser no mínimo
igual à corrente que circula quando uma primeira falta franca à terra
afete um condutor-fase.

A sensibilidade determina se um DR pode ser aplicado à proteção con-


tra contatos indiretos e à proteção contra contatos diretos. A aplicação
do DR pode ser dividida em três tipos, de acordo com a sensibilidade.

Uso obrigatório de DR de alta sensibilidade (< 30 mA): na


proteção complementar contra choques elétricos em circuitos de
banheiros, tomadas externas, tomadas de cozinhas, lavanderias,
áreas de serviço, garagens e assemelhados.

Uso de DR de alta sensibilidade (< 30 mA) como alternativa:


na proteção de equipamentos situados próximo a piscinas.

Uso previsto de DR de baixa sensibilidade (< 500 mA): um


dos meios prescritos para limitar as correntes de falta/fuga à terra
em locais que processem ou armazenem materiais inflamáveis.

Tipos de DR

Na prática, a proteção diferencial-residual pode ser realizada através


dos seguintes equipamentos.

Interruptores diferenciais-residuais.

Disjuntores com proteção diferencial-residual incorporada.

Tomadas com interruptor DR incorporado.

160
Módulo 2 – Riscos elétricos

Blocos diferenciais acopláveis e disjuntores em caixa moldada ou


a disjuntores modulares (minidisjuntores).

Peças avulsas (relé DR e transformador de corrente toroidal), que


são associadas apenas a um elemento de sinalização e/ou alar-
me, se eventualmente for apenas este, e não um desligamento,
que é o objetivo da detecção diferencial-residual.

Encerrado o conteúdo sobre DR, está na hora de conhe-


cer as demais medidas de controle do risco elétrico. São as
proteções por extrabaixa tensão, por barreiras e invólucros,
por obstáculos e anteparos, por isolamento das partes vivas,
parcial por colocação fora de alcance, e ainda por separação
elétrica. Acompanhe todos estes tipos de proteção no últi-
mo trecho desta lição!

Proteção por extrabaixa tensão

É comum o emprego da tensão de 24V para condições de trabalho des-


favoráveis, como trabalho em ambientes úmidos. Tais condições são fa-
voráveis a choque elétrico nestes tipos de ambiente, pois a resistência
do corpo humano é diminuída e a
isolação elétrica dos equipamentos A proteção por extrabaixa tensão consiste em empre-
fica comprometida. Equipamentos gar uma fonte da baixa tensão ou uma isolação elétrica
de solda empregados em espaços confiável, se a tensão extrabaixa for obtida de circuitos
confinados, como tanques, reque- de alta tensão.
rem que as tensões empregadas se-
jam baixas.

A tensão extrabaixa é obtida tanto através de transformadores isolado-


res como de baterias e geradores. A tensão extrabaixa é aquela situada
abaixo de 50 V.

161
NR 10 - Curso Básico

Certos critérios devem ser observados quanto ao uso des-


te tipo de proteção, como os seguintes exemplos.
1. Não aterrar o circuito de extrabaixa tensão.
2. Não fazer ligações condutoras com circuitos de maior
tensão.
3. Não dispor os condutores de um circuito de extra-
baixa tensão em locais que contenham condutores de
tensões mais elevadas.

Do ponto de vista da segurança, este método é excelente, pois aqui o


fator de segurança é multiplicado por três, ou seja, multiplica-se pe-
los três fatores: a isolação funcional, a isolação do sistema, no caso de
transformadores, e a redução da tensão. Contudo, do ponto de vista
prático, este método de proteção tem suas desvantagens, como: ne-
cessidade de uma instalação elétrica de baixa tensão, grandes secções
transversais para os condutores de fornecimento da baixa tensão e,
freqüentemente, construção de equipamentos de dimensões relativa-
mente grandes quando comparados com equipamentos que se utili-
zam de tensões mais altas para o seu funcionamento.

Tabela 2.11 – Resistência de isolamento

RESISTÊNCIA DE ISOLAMENTO
Tensão de ensaio em Resistência de isolamento
Tensão nominal do circuito
corrente contínua (V) mínimo em megohms
Extrabaixa tensão maior ou igual a 250 0,25

Fonte: do autor (2008)

Proteção por barreiras e invólucros

Proteções por barreiras e invólucros são destinadas a impedir todo


contato com as partes vivas da instalação elétrica. Na verdade, as par-
tes vivas devem estar no interior de invólucros ou atrás de barreiras.

162
Módulo 2 – Riscos elétricos

As barreiras e os invólucros devem ser fixados de forma segura e pos-


suir robustez e durabilidade suficiente para manter os graus de prote-
ção e ainda apresentar apropriada separação das partes vivas. As bar-
reiras e os invólucros agem de duas formas, descritas a seguir.

Impedindo que pessoas ou animais toquem acidental-


mente as partes vivas.

Garantindo que as pessoas sejam advertidas de que as


partes acessíveis através da abertura são vivas e não de-
vem ser tocadas intencionalmente. A figura ao lado exem-
plifica barreiras e invólucros.

Figura 2.54
Proteção por obstáculos e anteparos Fonte: do autor (2008)

São destinados a impedir contatos acidentais com partes vivas, mas


não os contatos voluntários por uma tentativa deliberada de contorno
do obstáculo.

Os obstáculos e anteparos devem impedir aproxi-


mação física não intencional das partes vivas (por
exemplo, por meio de corrimãos ou de telas de arame).
Este tipo de proteção deve impedir também contatos
não-intencionais com partes vivas por ocasião de
operação de equipamentos sob tensão (por exemplo,
por meio de telas ou painéis sobre os seccionadores).
A figura ao lado mostra exemplos de obstáculos e an-
Figura 2.55
teparos.
Fonte: do autor (2008)
Locais de serviço elétrico

Nestes locais a NBR 5410:2004 admite o uso de medidas de proteção


apenas parciais ou mesmo a sua dispensa. Estes locais técnicos abri-
gam equipamentos elétricos, sendo proibido o ingresso de pessoas que
não sejam advertidas ou qualificadas. Em suma, o acesso a esses locais
é restrito apenas aos técnicos responsáveis.

163
NR 10 - Curso Básico

Proteção por isolamento das partes vivas

Isolamento elétrico

É a ação destinada a impedir todo contato com as partes vivas da ins-


talação elétrica. As partes vivas devem ser completamente recobertas
por uma isolação que só possa ser removida através de sua destruição.
O isolamento pode ser destruído por sobretensões transitórias, que
provocam uma descarga elétrica no isolamento que, por sua vez, causa
sua ruptura (perfuração), como mostra a figura a seguir.

Figura 2.56
Fonte: do autor (2008)

Isolação dupla ou reforçada

A utilização de isolação dupla ou reforçada tem como finalidade pro-


piciar uma dupla linha de defesa contra contatos indiretos. A isolação
dupla, como o nome diz, é constituída de dois tipos.

Isolação básica – isolação aplicada às partes vivas, destinada a


assegurar proteção básica contra choques.

Isolação suplementar – isolação independente e adicional à


isolação básica, destinada a assegurar proteção contra choques
elétricos em caso de falha da isolação básica (ou seja, assegurar
proteção supletiva).

164
Módulo 2 – Riscos elétricos

Comumente, são utilizados sistemas de isolação dupla em alguns ele-


trodomésticos e ferramentas elétricas portáteis (furadeiras, lixadeiras,
etc.). Neste caso, em sua plaqueta de identificação haverá um símbolo
indicativo gravado, ou seja, dois quadrados de lados diferentes, parale-
los, um dentro do outro, como indica a figura.

Pode-se observar este tipo de isolação na instalação de um padrão de Figura 2.57 - Dupla
isolação – simbologia
medição em baixa tensão, pois neste tipo de instalação os condutores normalizada
não tendo dupla isolação devem ser instalados em eletroduto flexível internacionalmente.

isolante, conforme mostrado a seguir.

Figura 2.58 - Caixa de entrada de energia em baixa tensão


Fonte: do autor (2008)

A isolação reforçada é um tipo de isolação única aplicada às partes


vivas que assegura um grau de proteção contra choques elétricos equi-
valente ao da dupla isolação. A expressão “isolação única” não implica
que a isolação deva constituir uma peça homogênea. Ela pode com-
portar diversas camadas impossíveis de serem ensaiadas isoladamen-
te, como isolação básica ou como isolação suplementar.

Na prática pode-se considerar como condutor com isolação reforçada


o cabo mostrado na figura a seguir. Ele pode ser instalado em locais
inacessíveis sem a utilização de invólucros/barreiras (eletrodutos, ca-

165
NR 10 - Curso Básico

lhas fechadas, etc.), sendo constituído de isolação (2) e cobertura (4)


em composto termoplástico de PVC, não sendo considerada pelo fa-
bricante a função de isolação da camada de cobertura (4), consideran-
do-se esta somente como proteção contra influências externas.

Figura 2.59
Fonte: do autor (2008)

Proteção parcial por colocação fora de alcance

A colocação fora de alcance destina-se somente a


impedir os contatos involuntários com as partes
vivas.

Quando há o espaçamento, este deve ser suficien-


te para que se evite que pessoas circulando nas
proximidades das partes vivas possam entrar em
contato, seja diretamente ou por intermédio de
objetos que elas manipulem ou transportem. Ob-
Figura 2.60 – exemplo de proteção parcial por serve o exemplo.
colocação fora de alcance em uma subestação
Fonte: do autor (2008)

166
Módulo 2 – Riscos elétricos

Distâncias mínimas em locais sem proteção

As distâncias mínimas aplicáveis a locais desprovidos de qualquer


meio de proteção contra contatos diretos estão indicadas nas figuras e
tabelas apresentadas a seguir.

Figura 2.61
Fonte: do autor (2008)

Tabela 2.12 – Espaçamento para instalações internas

ESPAÇAMENTOS PARA INSTALAÇÕES INTERNAS (NBR 14039)


Dimensões mínimas - mm
300 até 24,2 KV
D Distância entre a parte viva e um anteparo vertical.
400 para 36,2 KV
A – Valores de dsitâncias mínimas da tabela.
R 1200 Locais de manobra.
B 2700 Altura mínima de uma parte viva com circulação.
K 2000 Altura mínima de um anteparo horizontal.
F 1700 Altura mínima de um anteparo vertical.
J E + 300 Altura mínima de uma parte viva sem circulação.
Dimensões máximas - mm
E 300 Distância máxima entre a parte inferior de um anteparo e o piso
M 1200 Altura dos punhos de acionamento manual
Malha 20 Abertura da malha

Fonte: do autor (2008)

167
NR 10 - Curso Básico

Figura 2.62
Fonte: do autor (2008)

Tabela 2.13 – Espaçamento para instalações externas

ESPAÇAMENTOS PARA INSTALAÇÕES INTERNAS (NBR 14039)


Dimensões mínimas - mm
A – Valores de distâncias mínimas da tabela.
G 1500 Distância mínima entre a parte viva e a proteção externa.
B 4000 Altura mínima de uma parte viva na área de circulação.
R 1500 Locais de manobra.
D 500 Distância mínima entre a parte viva e um anteparo vertical.
F 2000 Altura mínima de um anteparo vertical.
6000 Em ruas, avenidas e entradas de prédios e demais locais com trânsito de veículos.
5000 Em local com trânsito de pedestre somente.
H
9000 Em Ferrovias.
7000 Em Ferrovias.
J 800 Altura mínima de uma parte viva na área de circulação proibida.
K 2000 Altura mínima de um anteparo horizontal.
L 2000 Altura mínima da proteção externa.
C 2000 Circulação.
Dimensões máximas - mm
E 600 Distância máxima entre a parte inferior de um anteparo vertical e o piso.
M 1200 Altura dos punhos de acionamento manual.
Malha 20 Abertura das malhas dos anteparos.

Fonte: do autor (2008)

168
Módulo 2 – Riscos elétricos

Figura 2.63
Fonte: do autor (2008)

ZL = Zona livre.
ZC = Zona controlada, restrita a trabalhadores
autorizados.
ZR = Zona de risco, restrita a trabalhadores
Figura 2.64 – Distâncias no ar que delimitam radial-
autorizados e com adoção de técnicas, instru-
mente as zonas de risco, controlada e livre – NR10.
Fonte: do autor (2008) mentos e equipamentos apropriados ao traba-
lho.
PE = Ponto da instalação energizado.
SI = Superfície isolante construída com mate-
rial resistente e dotada de todos os dispositi-
vos de segurança.

Figura 2.65 – Distâncias no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e


livre, com interposição de superfície de separação física adequada – NR10
Fonte: do autor (2008)

169
NR 10 - Curso Básico

Tabela 2.14 – Distanciamento de segurança

TABELA DE RAIOS DE DELIMITAÇÃO DE ZONAS DE RISCO, CONTROLADA E LIVRE

Faixa de tensão nominal da PR – Raio de delimitação entre zona RC – Raio de delimitação entre zona
instalação elétrica em KV de risco e controlada em metros controlada e livre em metros

<1 0,20 0,70


≥1e<3 0,22 1,22
≥3e<6 0,25 1,25
≥ 6 e < 10 0,35 1,35
≥ 10 e < 15 0,36 1,38
≥ 15 e < 20 0,40 1,40
≥ 20 e < 30 0,56 1,56
≥ 30 e < 36 0,58 1,58
≥ 36 e < 45 0,63 1,63
≥ 45 e < 60 0,83 1,83
≥ 60 e < 70 0,90 1,90
≥ 70 e < 110 1,00 2,00
≥ 110 e < 132 1,10 3,10
≥ 132 e < 150 1,20 3,20
≥ 150 e < 220 1,60 3,60
≥ 220 e < 275 1,80 3,80
≥ 275 e < 380 2,50 4,50
≥ 380 e < 480 3,20 5,20
≥ 480 e < 700 5,20 7,20

Fonte: do autor (2008)

Proteção por separação elétrica

Tratada na NBR 5410:2004, este tipo de proteção consiste em separar o


circuito de tal forma que suas partes vivas não devem ser conectadas,
em nenhum ponto, a um outro circuito, à terra ou a um condutor de
proteção. A proteção por separação elétrica pode ser realizada por dois
meios. Confira!

170
Módulo 2 – Riscos elétricos

Transformador de separação de segurança.

Grupo motor-gerador com enrolamentos que forneçam uma se-


paração equivalente à de um transformador.

Circuitos eletricamente separados podem alimentar um único ou vá-


rios equipamentos. A situação ideal é aquela em que se tem um único
equipamento conectado ao circuito. Sua massa não deve ser aterrada.
Com vários equipamentos alimentados pelo mesmo circuito, estes de-
vem ser ligados entre si por condutores de eqüipotencialidade, e não
aterrados.

Você está encerrando a lição 4! Nesta parte do estudo, você


conheceu as várias medidas de controle do risco elétrico,
suas particularidades e aplicações. Em seguida você tem um
resumo dos riscos elétricos e adicionais, com suas principais
medidas de controle, que serve para relembrar o conteúdo
estudado. Não deixe de checar os tópicos do conteúdo vir-
tual! Em seguida, na lição 5, você estudará os equipamentos
de proteção coletiva e individual. Siga em frente!

171
NR 10 - Curso Básico

Tabela 2.15 – Quadro-resumo dos riscos elétricos e adicionais com suas principais me-
didas de controle

Risco elétrico Principais medidas de controle


Desenergização, tensão de segurança,
Choque elétrico barreiras, invólucros, luvas, bota de
segurança, capacete.
Arco elétrico Protetor facial e vestimenta.
Não possuir implantes eletrônicos no
Campos eletromagnéticos
corpo e/ou próteses metálicas, blindagens.
Riscos adicionais Principais medidas de controle
Cinto de segurança com trava queda e
Trabalho em altura
linha de vida.
Ambiente confinado Treinamento específico.
Área classificada Treinamento específico.
Instalação elétrica em ambiente
Projeto e materiais certificados.
explosivo
Sobretensões transitórias Dispositivos contra surtos (DPS).
SPDA e interrupção dos trabalhos a céu
Descargas atmosféricas
aberto.
Eliminação a partir do uso de ionizadores,
Eletricidade estática
aterradores e mantas dissipadoras.
Umidade Desumidificação.
Remoção, considerando os critérios de
Flora
preservação do meio ambiente.
Impedimento da circulação ou entrada nas
Fauna
instalações elétricas e controle das pragas.

Fonte: do autor (2008)

172
Módulo 2 – Riscos elétricos

LIÇÃO 5

Proteção individual e coletiva

Você já estudou que todos os serviços executados em instalações elé-


tricas devem prever a adoção prioritária de medidas de proteção
coletiva. Isso é uma medida necessária para garantir a segurança e
a saúde dos trabalhadores que, por sua vez, devem utilizar também
Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) apropriados à atividade
que estiverem executando.

Nesta lição, você conhecerá primeiro os equipamentos coletivos.


Acompanhe!

Equipamentos de Proteção Coletiva


As medidas de proteção coletiva compreendem primariamente a dese-
nergização elétrica e, na sua impossibilidade, o emprego de tensão de
segurança, conforme estabelece a NR 10.

Essas medidas visam à proteção não só de trabalhadores


envolvidos com a atividade principal que será executada e
que gerou o risco, como à proteção de outros funcionários
que possam executar atividades paralelas nas redondezas
ou até de passantes cujo percurso possa levá-los à exposi-
ção ao risco existente.

Confira a seguir alguns equipamentos e sistemas de proteção coletiva


usados nas instalações elétricas!

Conjunto de aterramento

Equipamento destinado à execução de aterramento temporário, visan-


do à eqüipotencialização e proteção pessoal contra a energização inde-
Figura 2.65 – Conjunto para
vida do circuito em intervenção.
aterramento temporário
Fonte: do autor (2008)

173
NR 10 - Curso Básico

Tapetes de borracha isolantes

Acessório utilizado principalmente em subestações, sendo aplicado na


execução da isolação contra contatos indiretos, minimizando assim as
conseqüências por uma falha de isolação nos equipamentos.

Figura 2.66 – Tapete de borracha


Fonte: do autor (2008)

A minimização da corrente de falta fluindo pelo corpo (IC)


ocorre quanto maior for o valor da resistência de isolação
do tapete e menor a resistência do aterramento de prote-
ção. Pode-se concluir que o tapete é um complemento da
proteção por aterramento da carcaça.

Figura 2.67
Fonte: do autor (2008)

174
Módulo 2 – Riscos elétricos

Cones e bandeiras de sinalização

Logo a seguir você conhecerá os três principais materiais destinados a


fazer a isolação de uma área onde estejam sendo executadas interven-
ções. Acompanhe!

Fita de sinalização

Fita plástica colorida em poliestileno, com listras laranja e preta in-


tercaladas. Utilizada interna e externamente na sinalização, interdi-
ção, balizamento ou demarcação em geral por indústrias, contrutoras,
transportes, órgãos públicos ou empresas que realizam trabalhos ex-
ternos. Leve, resistente, dobrável e de fácil instalação, é fornecida em
rolo de 200 metros de comprimento e 70 mm de largura, podendo ser Figura 2.68
afixada em cones e tripés. Fonte: do autor (2008)

Cone em PVC para sinalização

Utilizado para sinalizar, isolar, balizar ou interditar áreas de tráfego


ou serviços com extrema rapidez e eficiência. Fornecido em polietile-
no/PVC ou borracha, é altamente durável e resistente a intempéries e
maus-tratos. É usado nas cores laranja e branco.

Correntes para sinalização em ABS


Figura 2.69
Correntes de sinalização e isolamento em plástico ABS de alta dura- Fonte: do autor (2008)

bilidade, resistência mecânica e contra altas temperaturas. Excelente


para uso externo por não perder a cor ou descascar com a ação de in-
tempéries. São fabricadas nos tamanhos pequeno e grande, nas cores
laranja, branco ou laranja e branco. Apresenta garantia contra de-
feitos de fabricação de 15 anos. São indicadas para uso na construção,
decoração, no isolamento e na sinalização de áreas, nas mais diversas
aplicações, como em docas, ancoradouros, estacionamentos, rodovias, Figura 2.70
pedágios, bancos, parques, shopping centers, supermercados, etc. Fonte: do autor (2008)

175
NR 10 - Curso Básico

Placas de sinalização

São utilizadas para sinalizar perigo (perigo de vida, etc.) e situação dos
equipamentos (equipamentos energizados, não manobre este equipa-
mento sobre carga, etc.). Visam à proteção de pessoas que estiverem
trabalhando no circuito e de pessoas que venham a manobrar os sis-
temas elétricos.

Figura 2.71 – Bandeira com bastão e placas de sinalização


Fonte: do autor (2008)

Protetores isolantes de borracha ou PVC para redes elétricas

Anteparos destinados à proteção contra contatos acidentais em redes


aéreas são utilizados na execução de trabalhos próximos a ou em redes
energizadas. Observe a figura.

Figura 2.72
Fonte: do autor (2008)

176
Módulo 2 – Riscos elétricos

Às vezes as medidas de proteção coletiva são inadequadas


ou insuficientes para determinado trabalho em instalações
elétricas. Para estas ocasiões, que não são raras, é importan-
te também adicionar o uso dos Equipamentos de Proteção
Individual, os EPIs. Não perca nunca de vista que o objetivo
principal é ter segurança, certo? Siga em frente e boa sorte
com os estudos!

Equipamentos de Proteção Individual

Nos trabalhos em instalações elétricas, quando as medidas de prote-


ção coletiva forem tecnicamente inviáveis ou insuficientes para contro-
lar os riscos, devem ser adotados equipamentos de proteção individual
(EPIs) específicos e adequados às atividades desenvolvidas.

Existe uma Norma Regulamentadora do Ministério do Tra-


balho e Emprego específica para este tipo de equipamento,
a NR 6.

O conceito de EPI envolve vários aspectos. As vestimentas de trabalho


devem ser adequadas às atividades, considerando-se também a con-
dutibilidade, a inflamabilidade e as influências eletromagnéticas.

Também é vedado o uso de adornos pessoais nos trabalhos com ins-


talações elétricas ou em suas proximidades, principalmente se forem
metálicos ou que facilitem a condução de energia.

Todo EPI deve possuir um Certificado de Aprovação (CA)


emitido pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

177
NR 10 - Curso Básico

O EPI deve ser usado nos dois casos a seguir.

Quando não for possível eliminar o risco por outros meios.

Quando for necessário complementar a proteção coletiva.

Exemplos de EPIs

Óculos de segurança

Equipamento destinado à proteção contra elementos que venham a


prejudicar a visão, como descargas elétricas.

Capacetes de segurança

Equipamento destinado à proteção contra quedas de objetos e con-


tatos acidentais com as partes energizadas da instalação. O capacete
para uso em serviços com eletricidade deve ser da classe B (submetido
a testes de rigidez dielétrica a 20 kV).

Figura 2.73 – Capacete, carneira e capacete de aba total


Fonte: do autor (2008)

Luvas isolantes

As luvas isolantes apresentam identificação no punho, próximo da


borda, marcada de forma indelével (impossível de apagar), com infor-
mações importantes, como a tensão de uso nas cores correspondentes
a cada uma das seis classes existentes (veja a tabela a seguir).

178
Módulo 2 – Riscos elétricos

As luvas podem ser testadas com inflador de luvas para verificação da


existência de furos, bem como por injeção de tensão de testes.

Figura 2.74 – Luvas de cobertura, luvas isolantes para AT e BT, bolsa em lona, inflador
de luvas
Fonte: do autor (2008)

As luvas isolantes são classificadas pelo nível de tensão de trabalho e


de teste, conforme tabela a seguir.

Tabela 2.16 – Classes de luvas isolantes

TABELA – CLASSES DE LUVAS ISOLANTES (NBR 10622/89)


TENSÃO DE
TENSÃO DE TENSÃO DE
CLASSE COR PERFURAÇÃO
USO (V) ENSAIO (V)
(V)
00 bege 500 2500 5000
0 vermelha 1000 5000 6000
1 branca 7500 10.000 20.000
2 amarela 17.000 20.000 30.000
3 verde 26.500 30.000 40.000
4 laranja 36.000 40.000 50.000

Fonte: do autor (2008)

As luvas de cobertura devem ser utilizadas por cima das


luvas isolantes.

179
NR 10 - Curso Básico

Calçados (botinas, sem biqueira de aço)

Utilizadas para minimizar as conseqüências de contatos com partes


energizadas, as botinas são selecionadas conforme o nível de tensão
de isolação e aplicabilidade (trabalhos em linhas energizadas ou não).

Devem ser acondicionadas em local apropriado, a fim de que não per-


cam suas características de isolamento.

Figura 2.75
Fonte: do autor (2008)

Cinturão de segurança

Equipamento destinado à proteção contra queda de pessoas, sendo


obrigatória sua utilização em trabalhos acima de dois metros de altura.
Existem basicamente dois tipos de cinturão: abdominal e de três pon-
tos (pára-quedista).

Para o tipo pára-quedista, podem ser utilizados trava-quedas instala-


dos em cabos de aço ou flexíveis fixados em estruturas a serem escala-
das. Observe a figura.

Figura 2.76
Fonte: do autor (2008)

180
Módulo 2 – Riscos elétricos

Protetores auriculares

Equipamento destinado a minimizar as conseqüências de ruídos pre-


judiciais à audição. Para trabalhos com eletricidade, devem ser utiliza-
dos protetores apropriados, sem elementos metálicos.

Figura 2.77 – Protetores auriculares tipo concha e tipo descartável


Fonte: do autor (2008)

Máscaras/respiradores

Equipamento destinado à utilização em áreas confinadas e sujeitas a


emissão de gases e poeiras.

Conservação, transporte e inspeção de EPIs, ferramentas


manuais

Nas próximas páginas você conhecerá, em tópicos objetivos, as prin-


cipais regras de manuseio e armazenamento de EPIs e outros equipa-
mentos. Confira!

Quanto à conservação

Os equipamentos e ferramentas devem ser guardados em local


isento de poeira e o mais seco possível.

Os bastões devem ser guardados em locais apropriados e secos,


sem poeira, fora da ação solar direta, livre da possibilidade de
choques com materiais duros e do atrito com outras superfícies.

181
NR 10 - Curso Básico

As peças de borracha devem ser protegidas com talco e em sa-


colas de lona apropriadas. No caso das mangas isoladas, devem
ser guardadas na posição plana, em pares, nas sacolas de lona e
nas caixas.

As peças de borracha devem ser lavadas com água e sabão neu-


tro, enxugadas completamente com água limpa e, após, deixadas
secar à sombra.

Os bastões devem ser limpos com flanela seca e depois lubrifica-


dos com silicone.

As ferramentas manuais isoladas devem ter as partes móveis


limpas e lubrificadas para uma operação mais suave.

Quanto ao transporte

O bastão e os demais conjuntos de manobra devem ser acondi-


cionados em sacola de lona e transportados na viatura em um
tubo de PVC com diâmetro e comprimento apropriados, na cor
branca, com tampão de PVC. Esse tubo deve estar posicionado
na viatura em um local de fácil acesso e não apresentar nenhum
orifício que permita a entrada de umidade.

As luvas isolantes devem ser acondicionadas em sacolas, com a


parte do punho colocada na parte mais baixa e com a ponta dos
dedos na parte superior, evitando assim a inserção de materiais
estranhos dentro destas.

As mangas devem ser colocadas em uma sacola de lona com for-


mato e tamanho apropriados.

As ferramentas manuais isoladas devem ser transportadas em


uma caixa ou maleta de couro.

182
Módulo 2 – Riscos elétricos

Quanto à inspeção

Inspeção é uma tarefa conjunta da equipe de trabalho e do eletricista,


que devem conhecer os aspectos que indicam as condições de uso das
ferramentas e equipamentos de proteção individual e coletiva. Nas pá-
ginas a seguir você estudará a lista de EPIs, EPCs e ferramentas manu-
ais e/ou isoladas, com os agentes particulares que merecem a inspeção
de controle de risco. O objetivo, como você já estudou, é a diminuição
das principais causas dos acidentes – neste caso visando à boa quali-
dade dos equipamentos. Acompanhe!

EPIs

Alicate universal, de corte e de bico, isolados para 1.000 V

Isolamento no cabo e trincas ou folgas que permitam seu desli-


zamento.

Folga no eixo que une as duas partes (desencontrando a


“boca”).

“Dentes” nas lâminas de corte.

“Boca” danificada por curto-circuito ou por outros motivos.

Lâminas de corte (as duas partes da “boca”) encostando uma na


outra.

Abertura da “boca” pelo efeito da gravidade.

Bolsa ou sacola de lona para luvas isoladas

Sacola descosturada ou rasgada.

Funcionamento das presilhas ou fechos.

Furos, trincas ou danos nas partes de couro ou lona.

Espaço disponível para luvas dentro da bolsa e/ou sacola.

183
NR 10 - Curso Básico

Calçados de segurança

Furos ou partes descosturadas ou descoladas na sola.

Deformados ou malconservados nas partes de couro.

Solado com objeto metálico.

Canivete

Lâmina de corte com “dentes” ou desgaste excessivo.

Partes quebradas ou trincadas (cabo e lâmina).

Mola relaxada ou frouxa.

Capacete de segurança com jugular

Jugular bem presa à suspensão.

Modelo e cor de acordo com o padrão da empresa.

Trincas ou rachaduras.

Funcionamento do dispositivo de regulagem e da fixação.

Furos ou outras características diferentes da fábrica.

Brilho produzindo o reflexo de luz.

Chaves de fenda com cabos e hastes isoladas para 1.000 V

Partes trincadas ou quebradas (cabo e haste).

Isolamento da haste para trabalhos em redes energizadas.

Haste torta ou empenada.

Ponta quebrada ou amassada.

Cinturão de segurança com talabarte de couro e/ou emborrachado

Partes descosturadas, trincadas, quebradas, desgastadas ou mo-


dificadas.

184
Módulo 2 – Riscos elétricos

Funcionamento das molas dos mosquetões e retorno à posição


fechada.

Rebites desgastados.

Furos das correias com sinais de ruptura.

Limpo, conservado e dentro da faixa de segurança.

Colete refletivo

Tinta da fita fosforescente com condições de ser vista de longe e


no escuro, quando da incidência de luz.

Limpo e bem-conservado.

Partes descosturadas ou rasgadas.

Conjunto impermeável

Completo, com calça e jaleco.

Rasgos ou partes descosturadas.

Sujo, desbotado ou apresentando mofo nas partes internas.

Tamanho ou modelo de acordo com o usuário.

Trepa para poste de madeira

Partes quebradas ou trincadas.

Esporão afiado adequadamente.

Modelo de acordo com o padrão da empresa.

Estado decorrente do uso e conservação dentro da faixa de se-


gurança.

Furos das correias com sinais de ruptura.

Correias e almofadas em bom estado.

185
NR 10 - Curso Básico

Trepa para poste duplo “T”

Partes quebradas ou trincadas.

Modelo de acordo com o padrão da empresa.

Estado decorrente do uso e da conservação dentro da faixa de


segurança.

Furos das correias com sinais de ruptura.

Correias e almofadas em bom estado.

Luva isolante de borracha para AT (alta tensão)

”Frisos” provocados pela guarda da luva dobrada.

Furos ou rasgos no corpo da luva.

Luva do punho para os dedos com ar escapando.

Trincas ou danos entre os dedos.

Não transportar com ferramentas cortantes ou perfurantes.

Limpa, conservada e polvilhada de talco.

Acondicionamento em embalagem individual (bolsa e/ou sacola


para luvas).

Teste de isolamento atualizado (conforme a NBR 10622).

Luva isolante de borracha para BT (baixa tensão)

“Frisos” provocados pela guarda da luva dobrada.

Furos ou rasgos no corpo da luva.

Luva do punho para os dedos com ar escapando.

Trincas ou danos entre os dedos.

Não transportar com ferramentas cortantes ou perfurantes.

Limpa, conservada e polvilhada de talco.

186
Módulo 2 – Riscos elétricos

Acondicionamento em embalagem individual (bolsa e/ou sacola


para luvas).

Teste de isolamento atualizado (conforme a NBR 10622).

Luva de vaqueta e/ou pelica protetora

Partes rasgadas ou descosturadas.

Limpa e conservada.

Acondicionamento com luvas de borracha, na bolsa e/ou sacola.

Maleta de couro para ferramentas

Limpa e conservada no formato original.

Partes rasgadas ou descosturadas.

Correias arrebentadas.

Óculos de segurança – lentes claras

Partes trincadas ou arranhadas.

Dispositivos de ajuste funcionando.

Lentes arranhadas.

Lentes de grau próprio do funcionário.

Acondicionados dentro de estojo.

Óculos de segurança – lentes escuras

Partes trincadas ou arranhadas.

Dispositivos de ajuste funcionando.

Lentes arranhadas.

Lentes de grau próprio do funcionário.

Modelo e cor das lentes de acordo com o padrão da empresa.

187
NR 10 - Curso Básico

EPCs

Bandeirola de sinalização

Rasgada ou desgastada.

Bem-amarrada nas escadas.

Padrão utilizado pela empresa.

Caixa de primeiros socorros

Relação dos medicamentos junto à caixa.

Quantidade e qualidade satisfatórias.

Estados resultantes do uso e da conservação adequados.

Medicamento com data vencida.

Acondicionada em local de fácil acesso e que não permita dete-


rioração dos medicamentos.

Chaves de boca

Trincas ou rachaduras no corpo da chave.

Desgaste da “boca”, de maneira a prejudicar o seu desempenho.

Jogo de acordo com o estabelecido pela empresa.

Chave inglesa ajustável

Eixo de ajustagem funcionando.

Partes quebradas, rachadas ou empenadas.

Tamanho de acordo com o estabelecido pela empresa.

Cobertura flexível para condutores e isoladores

Limpas e conservadas.

Trincas ou rasgos que possam comprometer o isolamento elétrico.

188
Módulo 2 – Riscos elétricos

Testes de isolamento atualizados.

Acondicionadas em local apropriado.

Condições e sistema de fixação funcionando.

Cones de sinalização

Rachaduras ou partes quebradas.

Cores em condições de serem vistas a distância.

Condições de conservação e limpeza adequadas.

Bem-acondicionados na viatura.

Detector de tensão

Partes de adaptação do bastão em perfeitas condições.

Funcionamento dos dispositivos de sinalização e ajuste.

Partes quebradas ou trincadas.

Pilhas em bom estado.

Escadas em fibra extensível

Escada empenada.

Degraus quebrados, rachados ou soltos.

Ganchos fixados e com as molas funcionando.

Parte extensível da escada atende ao estabelecido pela empresa.

Farpas ou lascas nos montantes.

Cordas com partes corroídas ou apodrecidas.

Pintura da escada com desgastes.

Peças metálicas para fixação dos montantes bem-apertadas.

Partes inferiores dos montantes pintadas em listras.

189
NR 10 - Curso Básico

Peça que faz o descanso da escada no poste em condições.

Sapata antiderrapante em condições.

Bem-fixada nos suportes da viatura.

Corda permanente para amarração no poste.

Escada em fibra singela

Escada empenada.

Degraus quebrados, rachados ou soltos.

Corda permanente para amarração no poste.

Pintura da escada com desgaste.

Peça que faz o descanso da escada no poste em condições.

Partes inferiores dos montantes pintadas em listras.

Sapata antiderrapante em condições.

Bem-fixada nos suportes da viatura.

Facão

Cabo quebrado.

Cabo bem-fixado à lâmina.

Dentes na lâmina.

Condições de uso da bainha.

Farolete manual

Condutores e conectores da extensão em condições.

Vidro quebrado ou trincado.

Farolete funcionando a contento.

Condição do suporte do farolete.

190
Módulo 2 – Riscos elétricos

Fita refletiva

Corroída ou rasgada.

Pintura fosforescente pode ser vista a distância e no escuro.

Comprimento adequado.

Estado de conservação e limpeza dentro da faixa de segurança.

Tapete de borracha

Limpo e conservado.

Trincas ou rasgos que possam comprometer o isolamento elétri-


co.

Tamanho de acordo com o estabelecido pela empresa.

Testes de isolamento atualizados.

Lanterna manual

Vidro quebrado ou trincado.

Lanterna funcionando.

Internamente apresenta sinais de oxidação.

Pilhas em bom estado.

Mola de compressão das pilhas com pressão.

Loadbuster

Encaixes de arma e desarma funcionando corretamente.

Controle do número de operações.

Data da última inspeção.

Transportado em estojo próprio.

191
NR 10 - Curso Básico

Placa de sinalização “NÃO LIGAR HOMENS NA LINHA’’

Quebrada ou amassada.

Letreiro visível a distância.

Dispositivo de fixação funcionando.

Bastão para grampo de linha viva (pega-tudo)

Teste de isolamento atualizado.

Partes trincadas, quebradas ou arranhadas.

Dispositivo de manobra funcionando perfeitamente.

Condições de guarda e transporte adequadas.

Conjunto de aterramento temporário de AT (alta tensão)

Dispositivos de conexão na rede em perfeito estado.

Conexões frouxas, não estanhadas ou com rompimentos par-


ciais.

Falhas ou desgastes nos condutores.

Condições resultantes do uso e da conservação dentro da faixa


de segurança.

Cobertura dos condutores transparente.

Conjunto de aterramento temporário de BT (baixa tensão)

Dispositivos de conexão na rede em perfeito estado.

Conexões frouxas, não estanhadas ou com rompimentos par-


ciais.

Falhas ou desgastes nos condutores.

Condições resultantes do uso e da conservação dentro da faixa


de segurança.

Cobertura dos condutores transparente.

192
Módulo 2 – Riscos elétricos

Talco para luvas de borracha

Quantidade suficiente.

Utilizado corretamente.

Armazenado em local adequado.

Volt-amperímetro

Partes quebradas ou trincadas.

Parafuso de ajuste para zero funcionando.

Sistema de leitura funcionando.

Sendo transportado em estojo próprio.

Equipamento aferido.

Vara de manobra telescópica

Elementos limpos e conservados.

Partes trincadas ou arranhadas.

Cabeçote apropriado para manobras.

Encaixes das seções funcionando.

Acondicionadas em estojos protetores.

Teste de isolamento atualizado.

Conhecido todo o checklist de equipamentos, que tal estu-


dar o que diz a lei sobre equipamentos de proteção indivi-
dual e coletiva? Acompanhe nas próximas páginas!

193
NR 10 - Curso Básico

Legislação específica de EPIs

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) apresenta artigos específi-


cos sobre os EPIs. Acompanhe!

NOR
MA Art. 166 – A empresa é obrigada a fornecer aos emprega-
dos, gratuitamente, Equipamento de Proteção Individual
adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e
funcionamento, sempre que as medidas de ordem geral não
ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes
e danos à saúde dos empregados.

NOR
MA Art. 167 – O EPI só poderá ser posto à venda ou utilizado
com a indicação do Certificado de Aprovação do Ministério
do Trabalho.

A Norma Regulamentadora nº 6, ao tratar dos equipamentos de prote-


ção individual, estabelece as seguintes obrigações do empregador.

a. Adquirir o EPI adequado ao risco de cada atividade.

b. Exigir seu uso.

c. Fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacio-


nal competente em matéria de segurança e saúde no trabalho.

d. Orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, a guarda


e a conservação.

e. Substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado.

f. Responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica.

g. Comunicar ao MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) qual-


quer irregularidade observada.

194
Módulo 2 – Riscos elétricos

Quanto ao EPI, o empregado deve:

a. usá-lo apenas para a finalidade a que se destina;

b. responsabilizar-se por sua guarda e conservação;

c. comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impró-


prio para o uso.

O artigo 158 da CLT dispõe: “Constitui ato faltoso do em-


pregado a recusa do uso do EPI.”

Além dessas obrigações legais, todo EPI antes de sua utilização deve
ser inspecionado visualmente. Caso haja dúvidas sobre sua integrida-
de, devem ser consultadas as suas especificações técnicas ou deve-se
procurar o responsável pela área de segurança da empresa.

À medida que o curso vai andando, você vai aprendendo


tudo sobre riscos elétricos, e o mais importante: como
combatê-los. Você acaba de encerrar a lição 5, que explica
sobre o uso e os cuidados com equipamentos de proteção
individual e coletiva. Acesse o conteúdo virtual para fazer
as atividades propostas e avance para a lição 6, na qual você
estudará aspectos da Associação Brasileira de Normas Téc-
nicas (ABNT) que versam sobre trabalho em instalações
elétricas. Tenha um bom estudo!

195
NR 10 - Curso Básico

LIÇÃO 6

Normas Técnicas Brasileiras

No Brasil, as normas técnicas oficiais são aquelas desenvolvidas pela


Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e registradas no Ins-
tituto Nacional de Metrologia e Qualidade Industrial (INMETRO). Es-
sas normas são o resultado de uma ampla discussão de profissionais e
instituições, organizados em grupos de estudos, comissões e comitês.
A sigla NBR, que antecede o número de muitas normas, significa Nor-
ma Brasileira Registrada.

A ABNT é a representante brasileira no sistema internacional de nor-


malização, composto de entidades nacionais, regionais e internacio-
nais. Há diversas normas para atividades com eletricidade, abrangen-
do quase todos os tipos de instalações e produtos. Acompanhe nos
tópicos a seguir a abrangência de cada norma!

NBR 5410 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão

A NBR 5410 é uma referência obrigatória quando se fala em segurança


com eletricidade. Ela apresenta todos os cálculos de dimensionamen-
to de condutores e dispositivos de proteção. Nela estão as diferentes
formas de instalação e as influências externas a serem consideradas
em um projeto. Os aspectos de segurança são apresentados de forma
detalhada, incluindo o aterramento, a proteção por dispositivos de cor-
rente de fuga, de sobretensões e sobrecorrentes.

Os procedimentos para aceitação da instalação nova e para sua manu-


tenção também são apresentados na norma, incluindo etapas de ins-
peção visual e de ensaios específicos.

NBR 14039 – Instalações Elétricas de Média Tensão, de 1,0kV a 36,2kV

A NBR 14039 abrange as instalações de consumidores, incluindo suas


subestações, dentro da faixa de tensão especificada. Ela não inclui as
redes de distribuição das empresas concessionárias de energia elétri-

196
Módulo 2 – Riscos elétricos

ca. Além de todas as prescrições técnicas para dimensionamento dos


componentes dessas instalações, a norma estabelece critérios especí-
ficos de segurança para as subestações consumidoras, incluindo aces-
so, parâmetros físicos e de infra-estrutura. Procedimentos de trabalho
também são objeto de atenção da referida norma que, a exemplo da
NBR 5410, também especifica as características de aceitação e manu-
tenção dessas instalações.

Existem muitas outras normas técnicas direcionadas às ins-


talações elétricas. Cabe aos profissionais conhecerem as
prescrições que elas estabelecem, de acordo com o tipo de
instalação em que estão trabalhando. As normas a seguir re-
lacionadas são boas referências para consultas e seus títulos
são auto-explicativos a respeito do seu escopo. Muitas delas
são complementos das prescrições gerais estabelecidas nas
normas técnicas de baixa e média tensão anteriormente ci-
tadas. Acompanhe!

NBR 5418 – Instalações Elétricas em Atmosferas Explosivas

Fixa condições exigíveis para seleção e aplicação de equipamentos,


projeto e montagem de instalações elétricas em atmosferas explosivas
por gás ou vapores inflamáveis.

NBR 5419 – Proteção de Estruturas contra Descargas Atmosféricas

Fixa as condições exigíveis ao projeto, instalação e manutenção de sis-


temas de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) de estrutu-
ras, bem como de pessoas e instalações no seu aspecto físico dentro do
volume protegido.

197
NR 10 - Curso Básico

NBR 6151 – Classificação dos Equipamentos Elétricos e Eletrônicos


quanto à Proteção contra os Choques Elétricos

Classifica equipamentos elétricos e eletrônicos quanto à proteção con-


tra os choques elétricos em caso de falha da isolação.

NBR 13534 – Instalações Elétricas em Ambientes Assistenciais de


Saúde – Requisitos para a Segurança

Especifica condições exigíveis às instalações elétricas de estabeleci-


mentos assistenciais de saúde, a fim de garantir a segurança de pesso-
as (em particular de pacientes) e, onde for o caso, de animais.

NBR 13570 – Instalações Elétricas em Locais de Afluência de Público


– Requisitos Específicos

Fixa requisitos específicos exigíveis às instalações elétricas em locais de


afluência de público, a fim de garantir o seu funcionamento adequado,
a segurança de pessoas e de animais domésticos e a conservação dos
bens.

Quando a utilização de um produto pode comprometer a segurança


ou a saúde do consumidor, o INMETRO ou outro órgão regulamenta-
dor pode tornar obrigatória a Avaliação de Conformidade desse pro-
duto. Isso aumenta a confiança de que o produto está de acordo com
as Normas e os Regulamentos Técnicos aplicáveis.

Já existem vários produtos cuja certificação é obrigatória,


alguns deles apenas aguardando o prazo limite para proibi-
ção de comercialização. Entre os produtos de certificação
compulsória, por exemplo, estão plugues, tomadas, interrup-
tores, disjuntores, equipamentos para atmosferas explosivas,
estabilizadores de tensão, entre outros.

198
Módulo 2 – Riscos elétricos

Regulamentações do MTE
Os instrumentos jurídicos de proteção ao trabalhador têm sua origem
na Constituição Federal que, ao relacionar os direitos dos trabalha-
dores, incluiu entre eles a proteção da saúde e segurança por meio de
normas específicas. Coube ao Ministério do Trabalho estabelecer essas
regulamentações (Normas Regulamentadoras – NR) por intermédio
da Portaria 3.214/78. A partir de então, uma série de outras portarias
foram editadas pelo Ministério do Trabalho com o propósito de modi-
ficar ou acrescentar normas regulamentadoras de proteção ao traba-
lhador, conhecidas pelas suas iniciais: NR.

Você já sabe que, sobre a segurança em instalações e serviços em ele-


tricidade, a referência é a NR 10. Ela estabelece as condições mínimas
exigíveis para garantir a segurança dos empregados que trabalham em
instalações elétricas, em suas diversas etapas, incluindo elaboração de
projetos, execução, operação, manutenção, reforma e ampliação, em
quaisquer das fases de geração, transmissão, distribuição e consumo
de energia elétrica.

A NR 10 exige também que sejam observadas as normas técnicas ofi-


ciais vigentes e, na falta destas, as normas técnicas internacionais. A
fundamentação legal, que dá o embasamento jurídico à existência des-
ta NR, está nos artigos 179 a 181 da Consolidação das Leis do Trabalho
– CLT.

Habilitação, qualificação, capacitação e autorização dos profissionais

Entre as prescrições da NR 10 estão os critérios que devem atender


os profissionais que atuem em instalações elétricas, que considera os
seguintes pontos.

Profissional qualificado é aquele que comprovar conclusão de


curso específico na área elétrica reconhecido pelo Sistema Ofi-
cial de Ensino e profissional legalmente habilitado é aquele pre-
viamente qualificado e com registro no competente conselho de
classe.

199
NR 10 - Curso Básico

É considerado trabalhador capacitado aquele que atenda simul-


taneamente às seguintes condições.

a. Seja treinado por profissional habilitado e autorizado.

b. Trabalhe sob a responsabilidade de um profissional habilita-


do e autorizado.

São considerados autorizados os trabalhadores qualificados ou


capacitados e os profissionais habilitados com anuência formal
da empresa.

Todo profissional autorizado deve portar identificação visível e


permanente contendo as limitações e a abrangência de sua au-
torização.

Os profissionais autorizados a trabalhar em instalações elétricas


devem ter essa condição consignada no sistema de registro de
empregado da empresa.

Os profissionais e as pessoas autorizadas a trabalhar em instala-


ções elétricas devem apresentar estado de saúde compatível com
as atividades a serem desenvolvidas.

Os profissionais e as pessoas autorizadas a trabalhar em insta-


lações elétricas devem possuir treinamento específico sobre os
riscos decorrentes do emprego da energia elétrica e as principais
medidas de prevenção de acidentes em instalações elétricas.

Deve ser realizado um treinamento de reciclagem bienal e sem-


pre que ocorrer alguma das situações a seguir.

a. Troca de função ou mudança de empresa.

b. Retorno de afastamento ao trabalho ou inatividade, por perí-


odo superior a 3 meses.

c. Modificações significativas nas instalações elétricas ou troca


de métodos e/ou processos de trabalhos.

200
Módulo 2 – Riscos elétricos

O trabalho em áreas classificadas deve ser precedido de treina-


mento específico de acordo com o risco envolvido.

Os trabalhadores com atividades em proximidades de instala-


ções elétricas devem ser informados e possuir conhecimentos
que permitam identificá-las, avaliar seus possíveis riscos e adotar
as precauções cabíveis.

Você está encerrando a lição 6 deste módulo, onde conhe-


ceu detalhes das Normas Técnicas Brasileiras, entre o que
é determinado na ABNT e as regulamentações do Ministé-
rio do Trabalho. Não esqueça de revisar os conceitos mais
importantes deste conteúdo no AVA! Na próxima lição, a
última deste módulo, você conhecerá procedimentos do co-
tidiano do trabalhador de instalações elétricas, incluindo a
liberação de serviços e demais responsabilidades do cotidia-
no. Tenha um bom estudo!

LIÇÃO 7

Rotinas de trabalho

Considerando o exposto na NR 10, procedimento é uma“seqüência de


operações a serem desenvolvidas para realização de um determinado
trabalho, com a inclusão dos meios materiais e humanos, medidas de
segurança e circunstâncias que impossibilitem a sua realização”.

A seguir, você conhecerá os procedimentos gerais, de trabalho e de


desenergização, além da liberação para serviços e demais responsabi-
lidades do dia-a-dia profissional de instalações elétricas.

201
NR 10 - Curso Básico

Procedimentos de trabalho

NOR
MA Os procedimentos devem conter, no mínimo, objetivo, cam-
po de aplicação, base técnica, competências e responsabili-
dades, disposições gerais, medidas de controle e orientações
finais.

A norma padroniza que os procedimentos de trabalho, o treinamento


de segurança e saúde e a autorização de que trata o item 10.8 devem
ter a participação em todo o processo de desenvolvimento do Servi-
ço Especializado de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho
(SEESMT) quando houver.

Um procedimento de trabalho deve ser elaborado por profissional qua-


lificado e aprovado por profissional habilitado no tocante à aprovação
técnica e de segurança e saúde.

No procedimento deve-se encontrar a seqüência de operações (pas-


sos) que um trabalhador deve fazer para realizar uma tarefa. Por exem-
plo, para substituir a resistência de um chuveiro elétrico instalado no
vestiário de uma empresa, considerando o proposto na NR 10, o pro-
cedimento ficaria com a forma apresentada na tabela a seguir.

O procedimento levou em consideração que, por questões


de segurança, ergonomia e disponibilidade do vestiário, com
o chuveiro instalado, só se troca resistência, ou seja, qual-
quer outro tipo de reparo deve ser feito em bancada. Tal
medida se justifica, uma vez que operações de reparo, que
não a substituição da resistência, exigem a manipulação de
ferramentas e a realização de movimentos que devem ser
realizados em bancada.

202
Módulo 2 – Riscos elétricos

Tabela 2.17 – Procedimento de substituição de resistência de chuveiro elétrico

PROCEDIMENTO 0010SET2006
Página ¼
Logo substituição de resistências elétricas nos
REV. 0
chuveiros do vestiário III no bloco A

Informações relacionadas ao conteúdo vigente


Atividade função responsável visto data
Elaboração
Análise crítica
Compatibilidade com o SGQ
Compatibilidade com o SGA
Aprovações Função Responsável Visto Data
Técnica
Segurança
Histórico Das Revisões
Data da primeira elaboração
Data da última revisão
1. OBJETIVO
Padronizar a substituição de resistências elétricas nos chuveiros do Vestiário III no
Bloco A.
2. CAMPO DE APLICAÇÃO
Manutenção Elétrica e Empresas de Manutenção Terceirizadas.
3. BASE TÉCNICA
Informações do fabricante do chuveiro arquivadas na pasta “CHUVEIROS” no arquivo
de aço na sala da Manutenção Elétrica. Projeto das instalações elétricas e memorial
descritivo arquivados na sala da Manutenção Elétrica.
4. COMPETÊNCIAS
Ser profissional autorizado pela empresa.
5. RESPONSABILIDADES
A responsabilidade pela elaboração e revisão deste documento e da Manutenção Elé-
trica e a responsabilidade pela execução do serviço é do profissional autorizado que
realizar o trabalho conforme registro na ordem de serviço.
6. MATERIAL NECESSÁRIO
Além dos EPIs padrões, é necessária a relação de recursos apresentada a seguir.
• Uma escada de abrir de 7 degraus com pés antiderrapantes.
• Resistência de 220 volts, 2 400 watts, código de estoque 100.040.350.
• Bloqueio de disjuntor bipolar para quadro de distribuição.
• Placa de sinalização “CIRCUITO EM MANUTENÇÃO” com o nome e telefone do
mantenedor responsável pelo serviço.

203
NR 10 - Curso Básico

7. MEDIDAS DE CONTROLE
• Utilizar os EPIs padrões definidos pela Área de Segurança.
• Programar a substituição fora do horário dos banhos, que habitualmente ocorrem no fim
de cada turno de trabalho.
• Verificar as instruções do fabricante para substituição da resistência elétrica.
• Verificar, no projeto elétrico, o quadro de distribuição e a identificação do disjuntor.
• Requisitar a resistência elétrica e conferir suas características. Caso o estoque seja zero
e não existam resistências equivalentes, reprogramar o serviço e solicitar a aquisição da
resistência.
• Nunca improvisar consertos na resistência que será removida.
• Verificar se o chão do boxe está seco e, caso contrário, pedir para o setor de limpeza
secar o chão.
• Instalar a segurança antes de iniciar o serviço de substituição da resistência elétrica.
• Verificar as condições da escada antes de utilizá-la. Substituir a escada caso ela esteja com
problemas ou reprogramar o serviço.
8. DISPOSIÇÕES GERAIS
• Requisitar a resistência elétrica.
• Ir ao vestiário com a escada e verificar a condição do piso. Caso necessário providenciar
sua secagem.
• Dirigir-se ao quadro de distribuição e desligar o disjuntor respectivo ao chuveiro em
manutenção.
• Instalar o bloqueio e a placa de sinalização.
• Retornar ao vestiário e colocar a escada em posição tal que permita o serviço sem mo-
lhar a escada.
• Remover o plugue da tomada.
• Soltar o bojo do chuveiro e remover a resistência quebrada.
• Fazer a limpeza do bojo, removendo qualquer parte metálica da resistência que foi remo-
vida e que possa ter se desprendido e ficado dentro do bojo.
• Instalar a nova resistência.
• Colocar novamente o bojo no chuveiro.
• Descer e retirar a escada do boxe.
• Abrir o registro para correr água, conforme indica o fabricante do chuveiro.
• Fechar o registro, colocar a escada no boxe e religar o plugue na tomada.
• Descer da escada e a remover do boxe.
• Retirar o bloqueio do disjuntor bipolar e religá-lo.
• Voltarao boxe e testar o chuveiro. Caso o chuveiro não esquente, providencar um voltí-
metro, e com o auxílio de luvas medir a tensão na tomada.
• Caso exista tensão, repetir a segurança e os passos anteriores agora para trocar o chu-
veiro.
• Trocar o chuveiro inteiro por um do estoque. Nunca tentar reparar o chuveiro no boxe.
9. ORIENTAÇÕES FINAIS
Nada consta.

Fonte: do autor (2008)

204
Módulo 2 – Riscos elétricos

Procedimentos de desenergização

Toda empresa deve elaborar, aprovar e divulgar (distribuir) o procedi-


mento de desenergização obedecendo à seqüência indicada a seguir.

a. Seccionamento – confirmar se o circuito desligado é o alimen-


tador do circuito em que deve ser executada a intervenção, me-
diante a verificação dos diagramas elétricos e da folha de proce-
dimentos, bem como a identificação do circuito em campo.

b. Impedimento de reenergização – verificar as medidas de im-


pedimento de reenergização aplicadas, que sejam compatíveis ao
circuito em intervenção, como: abertura de seccionadoras, reti-
rada de fusíveis, afastamento de disjuntores de barras, relés de
bloqueio, travamento por chaves, utilização de cadeados.

c. Constatação da ausência de tensão – é feita no próprio ambien-


te de trabalho através de: instrumentos de medições dos painéis
(fixo) ou instrumentos detectores de tensão (observar sempre a
classe de tensão desses instrumentos). Verificar se os EPIs e EPCs
necessários ao serviço estão dentro das normas vigentes e se as
pessoas envolvidas estão devidamente protegidas.

d. Instalação de aterramento temporário – verificar a instalação


do aterramento temporário quanto à perfeita eqüipotencialização
dos condutores do circuito ao referencial de terra, com a ligação
destes a esse referencial com equipamentos apropriados.

e. Proteção dos elementos energizados existentes na zona con-


trolada – verificar a existência de equipamentos energizados nas
proximidades do circuito ou equipamento a sofrer intervenção,
verificando assim os procedimentos, materiais e EPIs necessários
à execução dos trabalhos, obedecendo à tabela de zona de risco e
zona controlada. A proteção poderá ser feita por meio de obstá-
culos ou barreiras, de acordo com a análise de risco.

205
NR 10 - Curso Básico

f. Instalação da sinalização de impedimento de energização


– confirmar se foi feita a instalação da sinalização em todos os
equipamentos que possam vir a energizar o circuito ou equipa-
mento em intervenção. Na falta de sinalização de todos os equi-
pamentos, esta deve ser providenciada.

Procedimentos gerais

A critério das empresas, procedimentos gerais para as tarefas que pos-


suem operações comuns podem ser elaborados, aprovados e divulga-
dos. São exemplos de tarefas comuns as “atividades preliminares”, a
“obtenção de permissão para o trabalho (PT)”, as“medidas de controle
durante a execução dos serviços” e a “conclusão dos serviços”.

Tabela 2.18 – Atividades preliminares

ATIVIDADES PRELIMINARES

O que fazer? Como fazer? Por que fazer? Observações

Atividades pre- Analisar a documentação técnica, tais Para melhor conhecimento do


liminares. como: diagramas unifilar e funcional, inter-
sistema elétrico.
ligações, etc.

Realizar uma análise de risco da tarefa, ob-


servando toda documentação técnica e as
particularidades de cada sistema elétrico. Para minimizar e manter sob
controle o potencial de risco do
Verificar os EPIs e EPCs necessários. serviço.

Inspecionar ferramental e instrumental ne-


cessários.
Identificar os procedimentos técnicos para Para garantir a eficiência dos
cada tipo de serviço. mesmos.
A supervisão irá definir os trabalhadores Para que os serviços sejam exe-
habilitados para execução da tarefa. cutados de forma padronizada.
Debater com a equipe as peculiaridades e
Para manter todos informados
todos os aspectos de segurança relativos
sobre o serviço.
ao serviço.
Elaborar roteiro de manobras de Para liberar de forma segura os
liberação. serviços.

Fonte: do autor (2008)

206
Módulo 2 – Riscos elétricos

Liberação para serviços

Tendo como base os procedimentos já vistos anteriormente, o circuito


ou equipamento estará liberado para intervenção, sendo a liberação
executada pelo técnico responsável pela execução dos trabalhos.

Somente estarão liberados para a execução dos serviços os profissio-


nais autorizados, devidamente orientados e com equipamentos de
proteção e ferramental apropriado.

Concluída a liberação para serviços e antes de iniciar os trabalhos em


equipe, conforme determina a NR 10,“os seus membros, em conjunto
com o responsável pela execução do serviço, devem realizar uma ava-
liação prévia, estudar e planejar as atividades e ações a serem desen-
volvidas no local, de forma a atender aos princípios técnicos básicos e
às melhores técnicas de segurança aplicáveis ao serviço”.

A figura a seguir exemplifica os procedimentos preliminares a serem


seguidos para a liberação do trabalho.

Tabela 2.19 – Obtenção da Permissão de Trabalho

OBTENÇÃO DE PERMISSÃO DE TRABALHO (PT)


O que fazer? Como fazer? Por que fazer? Observações

Obtenção de Analisar em conjunto com o Para eliminar ou minimizar Responsável pela PT deve
permissão de trabalho operados os riscos do serviço. a possibilidade de acidente ser autorizado.
(PT) e/ou incidente.
Verificar a análise de risco da
tarefa.
Certificar-se da abrangência da
PT.
Acompanhar ou executar as Para ter conhecimento da Seguir procedimentos e
manobras de desenergização e real condição do sistema observar riscos.
liberação dos serviços em con- elétrico.
formidade com o roteiro pre-
viamente elaborado .
Identificar com o operador os
equipamentos e sistema a ser
trabalhado.
Sinalizar com fita de cor ama- Para evitar enganos.
rela a área onde estão equipa-
mentos energizados vizinhos à
área do serviço.

207
NR 10 - Curso Básico

Usar luvas e testar o detector Para evitar manobras inde-


em circuito sabidamente ener- vidas.
gizado.
Verificar com detector de ten- Para garantir a integridade
são a ausência ou não de po- dos profissionais.
tencial nos equipamentos e sis-
tema liberados.
Travar com cadeado os equipa-
mentos de manobras perten-
centes ao sistema em serviço.
Aterrar os sistema/equipamen- Para proteger os executan- Atenção para as
to liberado. tes contra manobras inde- alimentações de retorno.
vidas e/ou induções.
Fonte: do autor (2008)

O travamento é o próximo serviço. Veja a seguir os procedimentos para


sua realização.

Seccionamento – em que chaves seccionadoras ou outros dis-


positivos de isolamento são acionados para a desenergização dos
circuitos.

Impedimento de reenergização – em que os bloqueios mecâ-


nicos, cadeados ou outros equipamentos garantem a impossibi-
lidade de reenergização dos circuitos, o que fica facultado apenas
ao responsável pelo bloqueio.

Constatação da ausência de tensão – em que os dispositivos de


detecção de tensão garantem a desenergização dos circuitos.

Exemplo de instalação de aterramento temporário e eqüipotenciali-


zação (curto-circuito das três fases ligadas ao aterramento). Após o
travamento deve-se sinalizar a área conforme os procedimentos apre-
sentados na tabela a seguir.

208
Módulo 2 – Riscos elétricos

Tabela 2.20 – Medidas de controle durante a execução dos serviços

MEDIDAS DE CONTROLE DURANTE A EXECUÇÃO DOS SERVIÇOS

O que fazer? Como fazer? Por que fazer? Observações

Medidas de contro- Avaliar os riscos e a sinalização quando da Para evitar descargas


Usar luvas de alta
le durante a execu- execução de testes com potencial elevado elétricas em outros
tensão e descarre-
ção dos serviços. Observar os procedimentos operacionais gar os equipamen-
executantes.
para cada teste. tos após os testes.
Verificar as condições de segurança sempre
Para garantir sua pró-
que se ausentar do local do trabalho e quan-
pria integridade.
do for reiniciar o serviço.
Executar serviços observando os procedi- Para garantir qualidade
mentos técnicos operacionais. e padronização.
O serviço somente deve ser iniciado após a
liberação da PT.
Usar ferramental adequado, nunca improvisar. Para se autopreservar.
Usar detector de
Portar e usar os EPIs recomendados. tensão.
Manter em local visível e de fácil acesso os
diagramas unifilar e funcional.
Alterações na seqüência ou nas condições e Para não executar ser-
de segurança do serviço devem ser comuni- viços com dúvida.
cadas ao supervisor e, se necessário, revisar
a PT.
Conservar a distância de segurança das par- Para garantir a barreira
tes energizadas. isolante do ar.
Fonte: do autor (2008)

A sinalização de impedimento de energização deve ser feita


com etiquetas ou placas contendo avisos de proibição de
religamento, tais como: “Homens trabalhando no equipa-
mento”, “Não ligue esta chave”, “Perigo de morte”, “Alta
tensão”, etc.

Para concluir os serviços, devem ser inspecionadas as áreas, o ferra-


mental e os equipamentos, conforme a tabela.

209
NR 10 - Curso Básico

Tabela 2.21 – Conclusão dos serviços

CONCLUSÃO DOS SERVIÇOS

O que fazer? Como fazer? Por que fazer? Observações

Conclusão de ser- Inspecionar os equipamentos e sistemas obser-


viço. vando: condições de energização; cabos bem co-
nectados; curtos-circuitos para testes retirados;
Para garantir a con-
sistemas de proteção ativos; caixas de conexões
dição operacional
vedadas; buchas e isoladores limpos e sem avarias;
dos mesmos.
sistemas de refrigeração desobstruídos; ausência
de materiais/ferramentas no interior dos equipa-
mentos.

Retirar todos os aterramentos provisórios (na


seqüência inversa do aterramento).
Para evitar curtos-
Retirar sinalização e fitas de isolamento da área. circuitos.

Retirar equipamentos e materiais da área.

Acompanhar ou executar as manobras de nor-


malização do sistema elétrico, conforme roteiro Para manter a área
previamente elaborado. limpa e em ordem.
Dar baixa na PT.

Fonte: do autor (2008)

Após a conclusão dos serviços e com a autorização para reenergização


do sistema, devem-se realizar os seguintes procedimentos.

Retirar todas as ferramentas, os utensílios e os equipamentos.

Retirar todos os trabalhadores não envolvidos no processo de re-


energização da zona controlada.

Remover o aterramento temporário da eqüipotencialização e as


proteções adicionais.
Remover a sinalização de impedimento de energização.

Destravar, se houver, e realizar os dispositivos de seccionamento.

Responsabilidades
Quando são definidas as atribuições e as responsabilidades dos di-
versos cargos (funções) existentes dentro de uma empresa, deve-se
considerar obrigatoriamente a habilitação, qualificação, capacitação e
autorização nos termos recomendados pela NR 10.

210
Módulo 2 – Riscos elétricos

Os cargos que aprovam projetos e procedimentos devem


ser ocupados por profissionais habilitados, bem como os
responsáveis por profissionais capacitados, que também de-
vem ser habilitados.

Como regra geral, os cargos que por atribuição são ocupados por pro-
fissionais que fazem diagnóstico e podem tomar decisão dentro da
empresa devem ser ocupados por profissionais no mínimo qualifica-
dos, sendo recomendado que sejam habilitados.

A habilitação, em função da legislação vigente na data da elaboração


deste material didático impresso, obriga o contratado a fornecer para a
empresa contratante uma anotação de responsabilidade técnica (ART)
de cargo e função para ficar caracterizada a sua habilitação, não apenas
a qualificação.

Recursos humanos

Cabe à área de recursos humanos da empresa contratante “instruir


formalmente” todos os seus contratados (funcionários, prestadores de
serviços terceirizados, temporários e estagiários) com conhecimentos
que permitam identificar e avaliar seus possíveis riscos e adotar as pre-
cauções cabíveis. Por exemplo, é necessário que todos os contratados
saibam que“os locais de serviço, compartimentos e invólucros de equi-
pamentos e instalações elétricas são exclusivos para essa finalidade,
sendo expressamente proibido utilizá-los para armazenamento ou
guarda de quaisquer objetos”.

A instrução formal, conforme estipula a norma, pode ser re-


alizada no programa de integração dos contratados, ou seja,
antes que ele realize suas atividades dentro da empresa.

211
NR 10 - Curso Básico

Na integração das pessoas que irão realizar serviços em eletricidade,


nas instalações elétricas ou nas suas proximidades, deve ser enfatizado
que é “vedado o uso de adornos pessoais nos trabalhos”.

Área de Segurança e Medicina do Trabalho

A empresa deve manter atualizado o laudo técnico das condições


ambientais de trabalho (LTCAT), o programa de prevenção de riscos
ambientais (PPRA) e o plano de controle médico e saúde ocupacio-
nal (PCMSO). Em função da NR 10, nos exames médicos periódicos
deve-se verificar a existência de implantes eletrônicos (marcapasso,
dosador de insulina) e próteses metálicas nos profissionais que atuam
com eletricidade ou que estejam sujeitos a campos eletromagnéticos
levantados no LTCAT. Nos casos em que a situação citada for detecta-
da, o trabalhador deve ser orientado sobre os cuidados que teve tomar
ou deve ser submetido a exames periódicos com periodicidade menor
que a anual.

Área industrial

Cabe à área industrial da empresa desenvolver programas internos


para manter as suas instalações elétricas em condições seguras de
funcionamento. Seus sistemas de proteção devem ser inspecionados
e controlados periodicamente de acordo com as regulamentações exis-
tentes e definições de projeto.

Um exemplo de inspeção nos sistemas de proteção são os


ensaios de tempo de operação e resistência de contato elé-
trico aplicáveis a disjuntores instalados nas subestações.

212
Módulo 2 – Riscos elétricos

Gerência imediata

São atribuições típicas da gerência imediata as descritas a seguir.

Instruir e esclarecer seus funcionários sobre as normas de segu-


rança do trabalho e sobre as precauções relativas às peculiarida-
des dos serviços executados em estações.

Fazer cumprir as normas de segurança do trabalho a que estão


obrigados todos os empregados, sem exceção.

Designar somente pessoal devidamente habilitado para a execu-


ção de cada tarefa.

Manter-se a par das alterações introduzidas nas normas de segu-


rança do trabalho, transmitindo-as a seus funcionários.

Estudar as causas dos acidentes e incidentes ocorridos e fazer


cumprir as medidas que possam evitar sua repetição.

Proibir a entrada de menores aprendizes em estações ou em áre-


as de risco.

Supervisores e encarregados

São atribuições típicas de supervisores e encarregados as descritas a


seguir.

Instruir adequadamente os funcionários com relação às normas


de segurança do trabalho.

Certificar-se da colocação dos equipamentos de sinalização ade-


quados antes do início de execução dos serviços.

Orientar os integrantes de sua equipe quanto às características


dos serviços a serem executados e quanto às precauções a serem
observadas no seu desenvolvimento.

Comunicar à gerência imediata irregularidades observadas no


cumprimento das normas de segurança do trabalho, inclusive
quando ocorrerem fora de sua área de serviço.

213
NR 10 - Curso Básico

Advertir pronta e adequadamente os funcionários sob sua res-


ponsabilidade quando deixarem de cumprir as normas de segu-
rança do trabalho.

Zelar pela conservação das ferramentas e dos equipamentos de


segurança, assim como pela sua correta utilização.

Proibir que os integrantes de sua equipe utilizem ferramentas e


equipamentos inadequados ou defeituosos.

Usar e exigir o uso de roupa adequada ao serviço.

Manter-se a par das inovações introduzidas nas normas de segu-


rança do trabalho, transmitindo-as aos integrantes de sua equipe.

Providenciar prontamente os primeiros socorros para os funcio-


nários acidentados e comunicar o acidente à gerência imediata,
logo após sua ocorrência.

Estudar as causas dos acidentes e incidentes ocorridos e fazer


cumprir as medidas que possam evitar sua repetição.

Conservar o local de trabalho organizado e limpo.

Cooperar com as CIPAs na sugestão de medidas de segurança


do trabalho.

Atribuir serviços somente a funcionários que estejam física e


emocionalmente capacitados a executá-los, e distribuir as tarefas
de acordo com a capacidade técnica de cada um.

Quando houver a interrupção dos serviços em execução, antes


de seu reinício devem ser tomadas precauções para verificação
da segurança geral, como ocorreu antes do início do trabalho.

214
Módulo 2 – Riscos elétricos

Empregados

São atribuições típicas de empregados as descritas a seguir.

Observar as normas e os preceitos relativos à segurança do tra-


balho e ao uso correto dos equipamentos de segurança.

Utilizar os equipamentos de proteção individual e coletiva.

Alertar os companheiros de trabalho quando estes executarem


os serviços de maneira incorreta ou atos que possam gerar aci-
dentes.

Comunicar imediatamente ao seu superior e aos companheiros


de trabalho qualquer acidente, por mais insignificante que seja,
ocorrido consigo, com colegas ou terceiros, para que sejam toma-
das as providências cabíveis.

Avisar seu superior imediato quando, por motivo de saúde, não


estiver em condições de executar o serviço para o qual tenha sido
designado.

Observar a proibição da ocorrência de procedimentos que pos-


sam gerar riscos de segurança.

Não ingerir bebidas alcoólicas ou usar drogas antes do início, nos


intervalos ou durante a jornada de trabalho.

Evitar brincadeiras em serviço.

Não portar arma, excluindo-se os casos de empregados autori-


zados pela administração da empresa, em razão das funções que
desempenham.

Não utilizar objetos metálicos de uso pessoal, tais como: anéis,


correntes, relógios, bota com biqueira de aço, isqueiros a gás, a
fim de se evitar o agravamento das lesões em caso de acidente
elétrico.

Não usar aparelhos sonoros.

215
NR 10 - Curso Básico

Visitantes

O empregado encarregado de conduzir visitantes pelas instalações da


empresa deve atentar aos seguintes itens.

Dar-lhes conhecimento das normas de segurança.

Fazer com que se mantenham juntos.

Alertar-lhes para que mantenham a distância adequada dos


equipamentos, não os tocando.

Fornecer-lhes EPIs aplicáveis (capacetes, protetores auriculares, etc.).

Conhecidas todas as rotinas de trabalho, incluindo direitos


e deveres de colaboradores, a seguir você encerra este mó-
dulo conhecendo normas e recomendações relativas a do-
cumentação e projetos de instalações elétricas.

Documentação de instalações elétricas


Todas as empresas são obrigadas a manter diagramas unifilares das
instalações elétricas com as especificações do sistema de aterramento
e demais equipamentos e dispositivos de proteção.

Devem ser mantidos atualizados os diagramas unifilares das instala-


ções elétricas com as especificações do sistema de aterramento e de-
mais equipamentos e dispositivos de proteção.

Os estabelecimentos com potência instalada igual ou superior a 75 kW


devem constituir Prontuário de Instalações Elétricas, de forma a orga-
nizar o memorial contendo no mínimo os itens a seguir.

a. Os diagramas unifilares, os sistemas de aterramento e as especi-


ficações dos dispositivos de proteção das instalações elétricas.

b. O relatório de auditoria de conformidade à NR 10, com reco-


mendações e cronogramas de adequação, visando ao controle de
riscos elétricos.

216
Módulo 2 – Riscos elétricos

c. O conjunto de procedimentos e instruções técnicas e administra-


tivas de segurança e saúde, implantadas e relacionadas à NR 10 e
descrição das medidas de controle existentes.

d. A documentação das inspeções e medições do sistema de prote-


ção contra descargas atmosféricas.

e. Os equipamentos de proteção coletiva e individual e o ferramen-


tal aplicáveis, conforme determina a NR 10.

f. A documentação comprobatória da qualificação, habilitação, ca-


pacitação, autorização dos profissionais e dos treinamentos rea-
lizados.

g. As certificações de materiais e equipamentos utilizados em área


classificada.
As empresas que operam em instalações ou com equipamentos in-
tegrantes do sistema elétrico de potência ou nas suas proximidades
devem acrescentar ao prontuário os documentos relacionados ante-
riormente e os a seguir listados.

a. Descrição dos procedimentos de ordem geral para contingências


não previstas.

b. Certificados dos equipamentos de proteção coletiva e individual.

O Prontuário de Instalações Elétricas deve ser organizado e mantido


pelo empregador ou por pessoa formalmente designada pela empresa
e permanecer à disposição dos trabalhadores envolvidos nas instala-
ções e serviço em eletricidade. Deve, também, ser revisado e atualizado
sempre que ocorrerem alterações nos sistemas elétricos.

Os documentos previstos no Prontuário de Instalações Elétricas de-


vem ser elaborados por profissionais legalmente habilitados.

No interior das subestações deverá estar disponível, em local acessível,


um esquema geral da instalação.

Toda a documentação deve ser em língua portuguesa, sendo permitido


o uso de língua estrangeira adicional.

217
NR 10 - Curso Básico

Projetos

O “custo do ciclo de vida” de uma instalação elétrica considera os cus-


tos de operação e de manutenção e é determinado principalmente na
fase de projeto. Outro aspecto importante dos projetos é que eles defi-
nem as condições de segurança e saúde dos trabalhadores responsá-
veis pela sua execução (montagem), operação e manutenção. No caso
das instalações elétricas, a NR 10, no capítulo 10.3, Segurança em Pro-
jeto, padroniza os requisitos mínimos dos projetos relacionados às ins-
talações elétricas. Segundo a NR 10, todo projeto de instalação elétrica
deve considerar os itens a seguir.

Descrever o sistema de identificação e como tais indicações de-


vem ser aplicadas fisicamente nos componentes das instalações
considerando a NR 26, que trata de sinalização de segurança e
padroniza as cores que devem ser utilizadas. Por exemplo, a cor
laranja deverá ser empregada para
As influências externas relacionadas na NBR 5410 são: identificar canalizações contendo
temperatura ambiente, condições climáticas do am- ácidos; partes móveis de máquinas
biente, altitude, presença de água, presença de corpos e equipamentos; partes internas
sólidos, presença de substâncias corrosivas ou poluen- das guardas de máquinas que pos-
tes, solicitações mecânicas, presença de flora e mofo, sam ser removidas ou abertas; faces
presença de fauna, fenômenos eletromagnéticos de internas de caixas protetoras de dis-
baixa freqüência (conduzidos ou radiados), fenôme- positivos elétricos; faces externas de
nos eletromagnéticos de alta freqüência conduzidos, polias e engrenagens; botões de ar-
induzidos ou radiados (contínuos ou transitórios), ranque de segurança e dispositivos
descargas eletrostáticas, radiações ionizantes, radia- de corte, bordas de serras, prensas.
ção solar, descargas atmosféricas, movimentação do ar,
Considerar o espaço seguro
vento, competência das pessoas, resistência elétrica do
quanto ao dimensionamento
corpo humano, contato das pessoas com o potencial
e à localização de seus compo-
terra, condições de fuga das pessoas em emergências,
nentes e às influências externas,
natureza dos materiais processados ou armazenados,
quando da operação e da reali-
materiais de construção, estrutura das edificações.
zação de serviços de construção

218
Módulo 2 – Riscos elétricos

e manutenção, considerando a NBR 5410 – Instalações Elétricas


de Baixa Tensão – e a NR 17 – Ergonomia.

Assegurar que as instalações proporcionem aos trabalhadores


iluminação adequada e uma posição de trabalho segura, de acor-
do com a NR 17 – Ergonomia.

Definir a configuração do esquema de aterramento, a obrigato-


riedade ou não da interligação entre o condutor neutro e o de
proteção e a conexão à terra das partes condutoras não destina-
das à condução da eletricidade.

Prever a instalação separada e a identificação individual dos cir-


cuitos elétricos com finalidades diferentes, tais como comunica-
ção, sinalização, controle e tração elétrica, salvo quando o desen-
volvimento tecnológico permitir compartilhamento.

Especificar dispositivos de desligamento que possuam recursos


para impedimento de reenergização, para sinalização de adver-
tência com indicação da condição operativa.

Prever condições para a adoção de aterramentos temporários.

Ser acompanhado de memorial descritivo que contenha também


o princípio funcional dos dispositivos de proteção e recomenda-
ções de restrições e advertências quanto ao acesso de pessoas aos
componentes das instalações.

219
NR 10 - Curso Básico

Você encerrou o módulo 2! Nesta parte do curso, a maior dele, você


conheceu vários aspectos relacionados ao risco elétrico: desde os
perigos em si, passando pelas técnicas de análise de riscos, e as vá-
rias medidas de controle do risco elétrico existentes para cada
ocasião de trabalho. Em seguida estudou os variados EPIs e
EPCs, que complementam a segurança das medidas de controle,
e mais ao fim estudou as normas, rotinas de trabalho e documen-
tação de instalações elétricas. Não esqueça nunca: sempre que
tiver dúvidas recorra a seu tutor! Discutir com colegas tam-
bém é uma opção. Você pode fazer isso tudo no Ambiente
Virtual de Aprendizagem, onde você também deve realizar
as atividades propostas de cada lição. No próximo módulo
você aprenderá a combater um risco específico de instalações elétricas, que
é o incêndio. Boa sorte e até lá!

220
Módu
lo
Prevenção contra incêndios
3

Na história do homem, o fogo aparece como elemento indispensável à sobre-


vivência e ao progresso. É um elemento básico para o preparo de alimentos,
aquecimento de ambientes, proteção, processos industriais... Ao mesmo tem-
po, o fogo também é responsável por sinistros, que vão de peque-
nos incê
incêndios até devastações de grandes áreas. Daí deduz-se a
impo
importância de saber controlar esse elemento.
Na era moderna, a expansão da indústria e o desenvolvimento
de novos materiais incrementaram o risco de ocorrência
de incêndios e explosões. Isso foi decisivo para o desen-
vvolvimento da ciência de proteção e combate ao fogo.
Ho
Hoje, é indispensável um acompanhamento constante do
uso de novos materiais ou novos processos industriais em
relação ao risco de incêndio, para que se possa eliminar as
possibilidades de ocorrência de sinistros.

Objetivos

Ao fim deste módulo, você saberá como combater incêndios de ma-


neira eficaz. Para isso, estudará os seguintes tópicos.

Prevenção contra incêndio/plano de emergência.

Química e física do fogo e da temperatura.

Tipos de combustão e métodos de extinção de incêndios.

Formas de transmissão de calor.

Classes de incêndio e agentes extintores.

221
NR 10 - Curso Básico

LIÇÃO 1

Prevenção contra incêndio

“O incêndio ocorre onde a prevenção falha.”

A prevenção contra incêndio não requer o emprego de técnicas e ma-


teriais especiais. O simples cuidado e atenção com os materiais usados
no dia-a-dia constitui o básico para essa prevenção. Acompanhe!

Principais causas de incêndio

O mau uso da eletricidade e o destino das pontas de cigarro acesas são


apontados como os principais iniciadores de incêndios.

A sobrecarga na rede elétrica, através da instalação de vários equipamen-


tos numa mesma tomada, é um risco potencial. Muita atenção deve ser
dada ao uso do conhecido “T”, também chamado de benjamim, aquela
peça que permite a ligação de até três aparelhos numa mesma saída elétri-
ca. Dependendo da carga aplicada nele, a rede geral pode não suportar.

O ferro elétrico é um grande gerador de incêndios, porque as pes-


soas se esquecem de desligá-lo ou porque seu “rabicho” está em
péssimas condições, com fiação exposta, revestimento rompido,
aquecendo e gerando faíscas.

Os fusíveis e os disjuntores funcionam como proteção aos circuitos


elétricos. Desarmam e cortam a corrente em caso de sobrecarga. De-
vem ser bem dimensionados e nunca devem ser travados, para evitar
que se desarmem, nem substituídos por arames ou fios.

As máquinas, condicionadores de ar e outros equipamentos elé-


tricos podem iniciar incêndios se as precauções básicas não forem to-
madas. Ao se encerrar o expediente ou o trabalho, deve-se desligar e

Figura 3.1 certificar-se de que ficaram completamente desligados.


Fonte: do autor (2008)
Um simples cigarro é capaz de provocar grandes tragédias: ou porque
é atirado a esmo, ou então esquecido aceso no cinzeiro. O fumante
deve se habituar a apagá-lo totalmente e não fumar ao deitar-se.

222
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

O acúmulo de lixo nas lixeiras deve ser evitado, o mesmo acontecen-


do com materiais impregnados de substâncias inflamáveis como óleo,
graxas e solventes. Vale lembrar que tecidos impregnados de óleo po-
dem inflamar espontaneamente.

As fogueiras representam ameaças Cuidados especiais precisam ser tomados na utilização


de incêndios. Durante sua queima, de líquidos combustíveis, bem como no seu condi-
produzem fagulhas que podem ser cionamento. Em todos os casos, devem ser evitadas
lançadas pelo vento e iniciar incên- sua utilização e estocagem próxima a superfícies aque-
dios. É necessário ter muita cautela cidas ou fontes de calor. Trabalhos com equipamentos
quanto à sua localização. que produzem centelhas ou chama aberta devem ser
realizados bem afastados dos líquidos combustíveis.
As crianças têm fascínio pelo fogo.
Não se deve permitir que elas brin-
quem com fósforos, velas, fogos de
artifício e outros objetos que possam provocar tragédias.

A utilização de gases inflamáveis tanto nas residências como nas in-


dústrias requer também muitos cuidados, pois podem provocar incên-
dios, explosões e intoxicações.

O gás de cozinha (GLP – gás liquefeito de petróleo), produzido com


misturas de gases (butano, propano...), é condicionado em recipiente
(botijão) à prova de explosão e dotado de dispositivo de segurança.
Os cilindros normalmente não explodem. Porém, em eventuais vaza-
mentos pela válvula, mangueira ou no próprio botijão, o gás pode se
acumular em ambientes fechados (cozinha) e, ao entrar em contato
com uma fonte de calor, inflamar-se violentamente, explodindo o am-
biente. O odor característico que se percebe é resultado da adição de
um produto à base de enxofre – o mercaptan -, com objetivo de se
detectarem os possíveis vazamentos, pois o GLP é inodoro. O mer-
captan funciona, portanto, como um alarme. Ao sentir o odor deve-se
procurar a causa do vazamento e eliminá-lo.

223
NR 10 - Curso Básico

Não se deve utilizar chamas para este fim, pois podem


provocar explosões.

Cuidados a serem tomados com o uso do gás de cozinha

Instalar o botijão no lado externo da casa.

O uso da “espuma de sabão” é um bom meio para identificar va-


zamentos no registro, válvula e mangueiras.

Caso se observe vazamento, desenroscar a válvula e observar, no


botijão, se o anel de vedação está bem colocado.

Após instalada a válvula, persistindo o vazamento, deve-se so-


licitar a presença de um técnico (basta solicitar ao fornecedor).
Pancadas ao enroscar a válvula não devem ser dadas.

Somente abrir o registro do fogão após acendido o fósforo.

Manter o registro geral (localizado na válvula do botijão) fechado


sempre que não estiver usando o fogão.

Caso perceba vazamento no ambiente, não se deve acender a luz


nem provocar chamas ou centelhas. Abrir as portas e as janelas
para ventilação e procurar eliminar o vazamento.

Não fumar em ambientes que contenham gás.

Tomar os mesmos cuidados se o gás de cozinha for canalizado.

Orientar as outras pessoas sobre essas precauções.

224
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Incêndio – efeito térmico

A corrente de curto-circuito provocará o aquecimento dos condutores


percorridos se não for rapidamente suprimida por meio de equipa-
mentos de atuação rápida. Quando as correntes que fluem pelos con-
dutores são de curta duração (um a cinco segundos), admite-se que o
aquecimento é adiabático, isto é, todo o calor é utilizado no aqueci-
mento dos condutores. Esses aquecimentos podem representar uma
redução de resistência mecânica dos condutores e, se eles forem isola-
dos, há destruição do material isolante, com risco de incêndio.

Disjuntores, ao interromperem a corrente de curto-circuito, limitam a


energia que provocaria aquecimento exagerado de condutores e de seus
isolamentos. Quando o disjuntor é limitador, essa redução é muito gran-
de, permitindo um dimensionamento bem menos generoso dos condu-
tores, barramentos e equipamentos. Em geral, se o barramento suporta
os outros dois esforços, será naturalmente satisfeita esta solicitação.

A corrente de curto-circuito resumida, a considerar para efeito de proteção


da Central Elétrica de Proteção, é a disponível na alimentação.

Incêndio – proteção

Os componentes elétricos não devem apresentar perigo de incêndio


para os equipamentos vizinhos. Os componentes fixos cujas superfí-
cies externas possam atingir temperaturas que venham causar perigo
de incêndio a materiais adjacentes devem obedecer pelo menos um
dos cuidados listados a seguir.

Ser montados sobre materiais ou contidos no interior de mate-


riais que suportem tais temperaturas.

Ser separados dos elementos da construção do prédio por mate-


riais que suportem tais temperaturas e que sejam de baixa con-
dutância térmica.

225
NR 10 - Curso Básico

Ser montados de forma a permitir a dissipação segura do calor,


a uma distância segura de qualquer material em que tais tempe-
raturas possam ter efeitos térmicos prejudiciais, sendo que qual-
quer meio de suporte deverá ser de baixa condutância térmica.

Quando em serviço normal, um componente instalado de modo per-


manente puder emitir arcos ou fagulhas, esse componente deve obe-
decer a pelo menos um dos cuidados listados a seguir.

Ser totalmente envolvido por material resistente a arcos.

Ser separado por materiais resistentes a arcos, de elementos


de construção do prédio nos quais os arcos possam ter efeitos
térmicos prejudiciais.

Ser montado de modo a permitir a segura extinção do arco a uma


distância suficiente dos elementos do prédio nos quais os arcos
possam ter efeitos térmicos prejudiciais.

Os componentes fixos que apresentem efeitos de focalização ou con-


centração de calor devem estar a uma distância suficiente de qualquer
objeto fixo ou elemento do prédio, de modo a não submetê-lo, em
condições normais, à elevação perigosa da temperatura. Quando em
um local forem usados equipamentos elétricos contendo líquidos in-
flamáveis em quantidade elevada (por exemplo: transformadores e
disjuntores a óleo mineral), devem ser tomadas precauções para evitar
que o líquido inflamável e os produtos da combustão do líquido (cha-
mas, fumos, gases tóxicos) se espalhem para outras partes do prédio.

Para quantidades líquidas superiores a 25 litros, é suficiente


uma providência que evite vazamento do líquido. É conve-
niente que o fornecimento de energia seja imediatamente
interrompido quando houver ocorrência de incêndio. As ins-
talações que contenham 100 litros ou mais de líquido isolan-
te, no entanto, devem ser providas de tanque de contenção.

226
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Observe outros dois exemplos de precauções!

Construção de fosso de drenagem, para coletar vazamento de líqui-


dos e assegurar a extinção de chamas, na eventualidade de incêndio.

Instalação do equipamento de uma câmara com resistência ao


fogo adequada e previsão de peitoris ou outros meios para evitar
que o líquido inflamável se espalhe para outras partes do prédio,
sendo essa câmara ventilada apenas por atmosfera externa.

Os materiais dos invólucros colocados em torno dos componentes


elétricos durante a instalação devem suportar a maior temperatura
suscetível de ser produzida pelo componente. Materiais combustíveis
não são adequados para a construção desses invólucros, a menos que
sejam tomadas medidas preventivas contra a ignição, tais como reves-
timento com material não combustível ou de combustão difícil e de
baixa condutância térmica.

Na prevenção contra incêndio, não se deve focar apenas os


aspectos de segurança da edificação, do sistema de alarme
e do equipamento extintor. É imprescindível que os traba-
lhadores sejam treinados com respeito às atitudes corretas
quando ocorrer o incêndio. Este treinamento faz parte de
um plano de emergência. Acompanhe!

Plano de emergência

O pânico é um elemento que causa mais vítimas que o próprio fogo. Por-
tanto, é preciso evitá-lo. Só mesmo o treinamento periódico e a infor-
mação são capazes de reduzir ou controlar essa reação coletiva que se
desencadeia em ocasiões extremas, como um incêndio. O pânico é um
fenômeno que ocorre com freqüência durante os incêndios, especialmen-
te quando as pessoas encontram dificuldades para abandonar o local. É
também uma manifestação desesperada, provocada pelo instinto de auto-

227
NR 10 - Curso Básico

defesa, que se apodera das pessoas na presença do perigo. Nessa ocasião,


perdem o raciocínio lógico e tomam atitudes que colocam em risco suas
vidas quando muitas vezes já estão prestes a serem salvas.

A engenharia, por outro lado, deve facilitar para que o ser humano não
necessite pensar muito num acidente desses, pois se a pessoa não é trei-
nada, perde o raciocínio lógico e a coordenação motora. Por isso, é pre-
ciso que seja montado na empresa o plano de emergência. Este plano
deve ser trabalhado com todas as pessoas, quantas vezes forem necessá-
rias, para que as atitudes a serem tomadas se tornem um hábito.

Fases do plano

Para elaboração e implantação do plano de emergência, devem ser ob-


servados vários aspectos, listados a seguir.

Levantamentos – São levantados os dados a seguir.

Número de empregados por setor/pavimentos.

Saídas disponíveis.

Áreas de maior risco.

Meios de comunicação disponíveis e sinais de alarme.

Material para primeiros socorros.

Definições de estratégias – Deve-se estudar, definir e implantar os


seguintes quesitos.

Sistema de alarme.

As opções de fuga do pessoal.

Ponto de encontro do pessoal evacuado.

Ponto de encontro da brigada.

Controle dos sistemas elétricos/hidráulicos.

Formação das brigadas de Combate e salvamento; Evacuação ou


abandono; e Apoio.

228
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Treinamentos periódicos – Visam instruir e exercitar, com todas as pes-


soas envolvidas, as etapas do plano, sendo tratados os assuntos a seguir.

Divulgação do plano.

Treinamento dos grupos.

Exercícios práticos.

Simulações.

Revisão e atualização do plano – Tem por finalidade verificar a eficá-


cia das estratégias estabelecidas e atualizá-las, conforme a necessida-
de. Devem ser cumpridas as tarefas a seguir.

Levantamentos dos pontos fortes, para sua manutenção.

Levantamentos dos pontos fracos, para estudo e correção.

Divulgação.

Conduta a ser seguida em caso de incêndio

Qualquer pessoa que notar indícios de fumaça ou de fogo, cheiro de quei-


mado ou labaredas, deverá atentar imediatamente às seguintes ações.

Procurar identificar o local, o material em combustão e combater


o fogo com o extintor apropriado mais próximo.

Acionar o sistema de alarme ou pedir que alguém o faça se o


fogo não foi controlado com o primeiro extintor usado.

Combater o fogo, na tentativa de mantê-lo sob controle até a


chegada da brigada.

Em caso de não saber manejar o extintor adequado ou ter medo


do fogo, evitar causar pânico entre as demais pessoas.

Seguir o plano de abandono estabelecido.

229
NR 10 - Curso Básico

Até que seja elaborado e posto em prática o plano de abandono, agir


sempre considerando as regras a seguir.

Tratar de sair pelas portas principais ou de emergência, de ma-


neira rápida (eficaz), mas sem correrias.

Não usar elevadores.

Manter portas e janelas fechadas, porém sem trancá-las.

Não tentar salvar objetos, mas salvar a própria vida.

Se possível, desligar as fontes de energia da área sinistrada.

Se tiver que abrir alguma porta, antes de fazê-lo, usar as mãos


para verificar se não está aquecida – ela pode esconder um calor
de grandes proporções no outro ambiente.

Em qualquer situação, proteger-se atrás da porta. Ao abri-la, não


se expor à corrente de ar, fogo e fumaça.

Para movimentar-se em local com fumaça e gases da combustão,


proteger-se rastejando, aproximando-se o mais possível do solo,
onde o ar é menos tóxico.

As regras dispostas acima são valiosas para emergências em


incêndio. Mantenha-as em mente, pois vidas podem ser salvas
com estas normas baseadas em bom senso e conhecimento.
Que tal checar os tópicos dessa lição no conteúdo virtual e re-
alizar as atividades? Na próxima lição, você irá estudar proprie-
dades do fogo e formas eficazes de extinguir incêndios. Tenha
um bom estudo!

230
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

LIÇÃO 2

Propriedades da combustão e métodos de extinção de


incêndio

O conhecimento das condições que determinam a ocorrência ou não


da oxidação de um material é essencial para a compreensão dos prin-
cípios em que se baseia a ciência de prevenção e combate a incêndios.

Química e física do fogo

O fogo é uma reação química de oxidação que se processa rapidamente,


com desprendimento de energia na forma de luz e calor. Sua existência
somente será possível se houver a combinação dos três elementos es-
senciais: calor, comburente e material combustível. Observe a figura! Figura 3.2 – triângulo do fogo
Fonte: do autor (2008)
Oxigênio – É o comburente mais comumente encontrado na natureza
e de grande importância na combustão. Facilita a aceleração da quei-
ma. É um elemento que está presente em todas as combustões e que
possibilita vida às chamas e intensidade à combustão, de acordo com
a tabela a seguir.

O percentual de oxigênio no ar (em uma atmosfera comum) é


o seguinte.

78% de nitrogênio | 21% de oxigênio | 1% de outros gases

Tabela 3.1 – Relação entre concentração de O2 e combustão Figura 3.3


Fonte: do autor (2008)
Oxigênio X Combustão
21% a 14% Combustão viva
13% a 9% Combustão lenta
8% a 0% Não há combustão

Fonte: do autor (2008)

Material combustível – É todo material que pode ser queimado. Pode


ser encontrado nas formas sólida, líquida e gasosa.

231
NR 10 - Curso Básico

Fonte de ignição – É uma forma de energia térmica, provocada por


reações químicas e físicas, responsável pelo início da combustão.

Reação em cadeia – Observando mais atentamente


a química do fogo, nota-se que, depois de iniciado, o
fogo passa a alimentar a si próprio. A explicação está na
teoria da “reação em cadeia”, que é o mecanismo que
garante a “manutenção” do fogo e se torna um quarto
elemento do triângulo (agora pirâmide).

Figura 3.4 A cadeia de reações formada durante a combustão propicia a formação


Fonte: do autor (2008)
de radicais livres, responsáveis pela transferência de energia à molécu-
la ainda intacta, provocando, assim, a propagação do fogo numa ver-
dadeira cadeia de reações.

Métodos de extinção de incêndios

A extinção do fogo pode ser conseguida com a retirada de qualquer um


dos lados do tetraedro, interrompendo-se a ação de um dos quatros
elementos: calor, oxigênio, combustível ou reação em cadeia.

Resfriamento – É o método de extinção mais conhecido e consiste em


diminuir a temperatura do material em chamas até que este se situe abai-
xo do ponto de combustão, quando não mais haverá o desprendimento
de vapores na quantidade necessária para sustentar a combustão.

Abafamento – É o método de extinção que consiste em reduzir a con-


centração do oxigênio presente no ar, situado acima da superfície do
combustível. Segundo experiências realizadas em laboratório, verifi-
cou-se que em relação a líquidos e gases as chamas existem somente
em ambientes com mais de 13% de oxigênio. Qualquer meio de aba-
famento que consiga reduzir a porcentagem de oxigênio abaixo desse
valor terá sucesso na extinção. Para sólidos, a combustão pode con-
tinuar ocorrendo abaixo dos 13%, lentamente, sem chamas, e assim
permanecerá até que a concentração de oxigênio atinja 6%, quando
nenhuma forma de combustão existirá.

232
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Interferência na reação em cadeia – É o método também conhecido como


extinção química, em que o agente extintor evita a reação das substâncias
geradas durante a combustão. Essas substâncias, conhecidas como produ-
tos intermediários, são responsáveis pela continuidade da combustão.

Isolamento (remoção do combustível) – A retirada do material ou


controle do combustível é o método de extinção mais simples na sua
realização, pois não exige aparelhos especializados. Consiste na retira-
da, diminuição ou interrupção, com suficiente margem de segurança,
dos materiais combustíveis que alimentam o fogo e daqueles ainda não
atingidos por ele. Como exemplo do emprego desse tipo de extinção
está o “aceiro”, ou desbaste de terreno no entorno de uma área. A área
desbastada em matas, florestas ou campos interrompe a continuidade
do fogo, e facilita o seu domínio.

Você relacionará os métodos de extinção de incêndio com


os tipos de extintores de incêndio mais adiante!

Tipos de combustão

Alguns conceitos são importantes de serem compreendidos, pois auxiliam


sua atuação no combate e prevenção a incêndios. Você já estudou que a
combustão é uma reação química de oxidação rápida e exotérmica (libe-
ração de calor), em que há geração de luz e calor. Para tanto, é necessária a
combinação de alguns elementos essenciais em condições apropriadas.

Os produtos mais comuns resultantes da combustão são o vapor d’água


e o gás carbônico (CO2), podendo também ser produzido dióxido de
enxofre (SO2). As chamas produzidas pela combustão formam um flu-
xo de gases ou vapores que queimam e emitem luz em decorrência
da ação do calor sobre a substância combustível. A oxidação lenta que
ocorre com alguns materiais, como a oxidação do ferro (ferrugem) ou o
amarelecimento do papel não é considerada uma combustão.

233
NR 10 - Curso Básico

Divide-se a combustão em quatro tipos. Acompanhe!

Combustão viva – É aquela que produz chama de imediato e sua


temperatura se eleva rapidamente, como o fogo produzido por líqui-
dos inflamáveis (gasolina, removedor, tinta, etc.) ou por combustíveis
sólidos (linho, papel, etc.).

Combustão lenta – É aquela que não produz chama de imediato e a


sua temperatura não se eleva com rapidez.

Combustão espontânea – Quando se produz a oxidação lenta de


uma substância provocada por temperaturas baixas, que demoram em
produzir o ponto ou a temperatura de ignição. Exemplos: estopa ou
trapos, acumulados, embebidos em óleo; monte de feno úmido em
fermentação; fardo de estopa ou de algodão úmido.

Combustão incompleta – Quando a combustão se produz com in-


suficiência de oxigênio. Ao dar-se esse fenômeno, primeiramente se
reduz a velocidade da combustão e, ao ser atingido o ponto crítico do
teor de oxigênio, a chama se extingue. A combustão incompleta é ge-
ralmente acompanhada de forte formação de fumaça.

Característica física e química da temperatura


Você sabe a diferença entre pontos de fulgor, combustão e ignição?
Acompanhe a seguir.

234
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Ponto de fulgor – É a temperatura mínima necessária para que um


combustível desprenda vapores ou gases inflamáveis, os quais, combi-
nados com o oxigênio do ar em contato com uma fonte de calor, come-
çam a se queimar, mas a chama não se mantém porque a quantidade de
gases produzidos é ainda insuficiente.

Figura 3.5
Fonte: do autor (2008)

Ponto de combustão – É a temperatura na qual um corpo combustí-


vel, em contato com uma fonte de calor, emite vapores em quantidade
suficiente, que se inflamam em presença de uma chama, assim perma-
necendo enquanto continuar em contato com esta.

Figura 3.6
Fonte: do autor (2008)

235
NR 10 - Curso Básico

Ponto de ignição – É a temperatura necessária para inflamar a mis-


tura de gases ou os vapores de combustível, sem que haja uma fonte
externa de calor.

Figura 3.7
Fonte: do autor (2008)

Tabela 3.2 – Temperaturas de ponto de fulgor e de ignição

Combustíveis Ponto de Fulgor (ºC) Ponto de Ignição (ºC)


Álcool etílico 13 371
Asfalto 204 484,5
Gasolina (até 92 oct) de -38 a -45 280
Óleo de soja 282 445
Óleo diesel (novo) 37,7 256
Querosene 38 210
Solvente (varsol) 38 210
Benzeno -11

Fonte: do autor (2008)

236
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Passagem de um ponto para outro

Os pontos de fulgor e de combustão são muito próximos, sendo o de


combustão ligeiramente superior em cerca de 5ºC. A passagem do
ponto de fulgor para o ponto de combustão e deste para o ponto de
ignição é feita pelo aumento de temperatura do combustível. Portan-
to, um combustível só se manterá queimando quando for atingido ou
superado o seu ponto de combustão. Para que o combustível se infla-
me sem o contato com uma chama ou centelha, é necessário que seja
aquecido até atingir o seu ponto de ignição.

São três as formas de transmissão de calor, e conhecimento


delas é importante tanto na prevenção quanto no combate
ao incêndio. Acompanhe!

Formas de transmissão de calor

O calor é transmitido de um corpo para outro por condução, convec-


ção e radiação.

Condução – O calor se propaga de um corpo para outro por contato


direto ou através de um meio condutor do calor intermediário.

Figura 3.8
Fonte: do autor (2008)

237
NR 10 - Curso Básico

Convecção – É quando o calor se transmite através de uma massa de


ar aquecida, que se desloca do local em chamas, levando para outros
locais quantidade de calor suficiente para que os materiais combustí-
veis aí existentes atinjam seu ponto de combustão, originando outro
foco de fogo.

Figura 3.9
Fonte: do autor (2008)

Radiação – O calor se propaga por meio de ondas caloríficas irradia-


das por um corpo em combustão.

Figura 3.10
Fonte: do autor (2008)

238
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Nesta lição, você estudou as formas de transmissão de calor,


como o fogo se comporta e se sustenta.A seguir, visite o conte-
údo virtual e prepare-se para estudar as classes de incêndio e os
agentes extintores para cada ocasião.Tenha um bom estudo!

LIÇÃO 3

Classes de incêndio e agentes extintores

Para fins didáticos e para facilitar os estudos de prevenção e combate a


incêndios, considera-se a existência de quatro classes gerais de incên-
dios: A, B, C e D.

Incêndios da Classe A

São os que ocorrem em materiais de fácil combustão, com a proprieda-


de de queimar em superfície e em profundidade, e que deixam resíduos.
São exemplos tecidos, madeira, papel e fibra. Para extinguir o incêndio,
necessitam do efeito do resfriamento, isto é, a água ou as soluções que
a contenham em grande proporção, a fim de reduzir a temperatura do
material em combustão abaixo do seu ponto de ignição.

Figura 3.11
Fonte: do autor (2008)

Incêndios da Classe B

São os que ocorrem em produtos considerados inflamáveis, que quei-


mam somente em sua superfície, não deixando resíduos. São exemplos
óleos, graxas, vernizes, tintas e gasolina.
Exigem para sua extinção o princípio do abafamento, que isola o material
combustível do ar, ou o princípio da interferência na reação em cadeia.

239
NR 10 - Curso Básico

Figura 3.12
Fonte: do autor (2008)

Incêndios da Classe C
São os que ocorrem em equipamentos elétricos energizados. São exem-
plos motores, transformadores, quadros de distribuição e fios elétricos.

Exigem para sua extinção um agente extintor não-condutor de ele-


tricidade.

Figura 3.13
Fonte: do autor (2008)

Incêndios da Classe D

São os que ocorrem em metais pirofóricos (magnésio, selênio, antimô-


nio, lítio, cádmio, potássio, zinco, titânio, sódio e zircônio) e que exi-
gem para sua extinção agentes extintores especiais. Esses tais agentes
se fundem em contato com o metal combustível, formando uma capa
que os isola do ar atmosférico, interrompendo a combustão.

Figura 3.14
Fonte: do autor (2008)

240
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Os incêndios das Classes A e B se caracterizam pelo modo


como queimam; já os incêndios da Classe C se caracterizam
pelo risco de morte que pode oferecer à pessoa.

Agentes extintores

São denominados“agentes extintores”os produtos utilizados na extin-


ção e prevenção de incêndios. São utilizados através de equipamentos
especializados ou instalações adequadas, cuja finalidade é proporcio-
nar a projeção dos agentes contra o fogo. A projeção dos agentes é feita
por meio de um jato proveniente do equipamento ou instalação que os
empregam, com as finalidades a seguir.

Proteger a pessoa, mantendo-a a distância do foco.

Alcançar o fogo nas mais desfavoráveis condições.

Facilitar a distribuição gradativa e propícia do agente.

Propiciar a penetração do agente no foco propriamente dito.

Os agentes extintores são utilizados por equipamentos e instalações


de combate a incêndio – extintores portáteis ou carretas e instalações
fixas automáticas ou sob comando.

Água

A água é a substância mais difundida na natureza; é o agente extintor


mais antigo e mais utilizado.

Propriedades – No seu estado normal a água é líquida; pode ser congelada,


solidificando-se a 0ºC, transformando-se em gelo. Pode ainda vaporizar-se,
através da ebulição, quando sua temperatura atinge 100ºC, transformando-
se em vapor. Essas regras valem nas condições normais e ao nível do mar,
pois as temperaturas citadas variam com a altitude (pressão).

Em contato com o calor, o grande volume de vapor desloca volume


equivalente de ar, que envolve o fogo em suas proximidades, reduzin-

241
NR 10 - Curso Básico

do, portanto, o oxigênio necessário à combustão. Como agente extin-


tor, a água age principalmente por resfriamento e por abafamento.

Os extintores com carga d’água são classificados quanto ao uso (por-


tátil ou rebocável), e ao tipo de pressurização (direta ou indireta).

Observe a figura do extintor e identifique suas seguintes partes.

1 – Recipiente.

2 – Dispositivo para acionamento e descarga.

2.1 – Alça para transporte.

2.2 – Manômetro.

2.3 – Gatilho.

2.4 – Tubo sifão.

2.5 – Mangueira com esguicho.


Figura 3.15
Fonte: do autor (2008) Principais limitações do extintor com carga d’água

Devido à presença de impurezas, a água em estado natural torna-se


condutora de eletricidade, o que limita a sua utilização sob o risco de
eletrocutar o operador quando o jato d’água for direcionado para al-
gum equipamento elétrico sob tensão.

Não deve ser utilizada também em produtos que reagem com a sua pre-
sença, pois provocará a liberação de gases inflamáveis ou calor, tais como:
carburetos, peróxidos, sódio metálico, pó de alumínio, pó de magnésio.
Os materiais como a cal viva e o hidrossulfito de sódio, quando úmidos,
liberam calor, podendo incendiar embalagens ou o próprio material.

242
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Como operar o extintor do tipo água-gás

Figuras 3.16 e 3.17


Fonte: do autor (2008)

1. Levar o extintor ao local do fogo e colocar-


se a uma distância segura.

2. Retirar o pino de segurança.

3. Empunhar a mangueira e atacar o fogo, di-


rigindo o jato para a base das chamas. Con-
trolar a descarga dos jatos.

Espuma
Figura 3.18
Propriedades – A espuma para combate a incêndio é formada pela mis- Fonte: do autor (2008)
tura de água, líquido gerador de espuma (LGE) e ar. A espuma deve pos-
suir baixa densidade, para que flutue sobre os líquidos inflamáveis. Assim,
conclui-se que a principal ação extintora é o abafamento. Porém, em função
da liberação da água, atua também por resfriamento.

Os extintores com carga de espuma mecânica são classificados quanto


ao uso (portáteis, de até 20 kg, e não-portáteis, com massa superior a
20kg) e ao tipo (pressurização direta ou indireta).

243
NR 10 - Curso Básico

Principais limitações do extintor de espuma mecânica

A espuma é condutora de eletricidade, portanto não deve ser


usada em equipamentos elétricos sob tensão.

Não é adequada na extinção de incêndios em gases e em mate-


riais que reagem violentamente com água, sódio, potássio e em
combustíveis oxidantes.

Necessita de aditivos especiais para uso em combustíveis que reagem


e destroem as bolhas formadas, como o caso do álcool combustível.

Poderá contaminar produtos a ponto de inutilizá-los, como no


caso de processos e produtos alimentares.

Veja as partes, subpartes e como operar o extintor tipo pressuri-


zação direta.

1 – Recipiente.

2 – Dispositivo para acionamento e descarga.

2.1 – Alça para transporte.

2.2 – Manômetro.

2.3 – Gatilho.

2.4 – Tubo sifão.

2.5 – Mangueira com difusor.


Figura 3.18
Fonte: do autor (2008)

Para manter o extintor em perfeito estado de funcionamento, é


preciso que este: 1) a cada 5 anos sofra um teste hidrostático em
firma idônea; 2) a cada 12 meses seja descarregado e carregado
novamente; e 3) semanalmente sofra inspeção visual e que o bico
do jato seja desobstruído ou desentupido, se for o caso.

Leia e consulte a norma ABNT – NBR 11751/EB 1004 –


“Extintores de incêndio com carga para espuma mecânica”.

244
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Como operar o extintor de espuma mecânica

Figuras 3.20 e 3.21


Fonte: do autor (2008)

1. Levar o extintor ao local do fogo e colocar-se a


uma distância segura.

2. Retirar o pino de segurança.

3. Empunhar a mangueira e atacar o fogo, diri-


gindo o jato para a base das chamas. Contro-
lar a descarga dos jatos.

Figura 3.22
Desde 10 de janeiro de 1990 vigora a de-
Fonte: do autor (2008)
terminação da Comissão Brasileira de Proteção contra In-
cêndio da ABNT que extinguiu as normas EB-17 e EB-52
relativas, respectivamente, a extintores de incêndio tipo
soda-ácido. Os aparelhos antigos e em funcionamento, en-
tretanto, continuam sendo recarregados e vistoriados até
que sejam reprovados em ensaios ou impossibilitados de
funcionar por falta de peças.

245
NR 10 - Curso Básico

Dióxido de carbono (CO2)

Propriedades – O dióxido de carbono ou gás carbônico vem sendo uti-


lizado há muitos anos para a extinção de incêndios em líquidos inflamá-
veis, gases e em equipamento elétrico energizado. O gás carbônico deve
ser usado para a extinção de incêndios especiais, em que é exigido um
agente extintor não-condutor de eletricidade que não deixe resíduos.

A aplicação do CO2 é feita através de extintores portáteis, carretas e


instalações fixas. O CO2 é um produto comercial muito utilizado, com
inúmeras finalidades. Por exemplo: é usado nas indústrias de bebidas,
pois produz a efervescência dos refrigerantes comuns.

Densidade

A densidade relativa do gás carbônico, comparada com a do ar a 0ºC


e a 1 atm de pressão, é cerca de 1,5 vez mais pesada que o ar. Essa é
uma característica importante para suas propriedades de agente ex-
tintor capacitado a substituir o ar acima da superfície em combustão,
mantendo uma atmosfera abafadora.

Toxicidade

O CO2 não é tóxico, embora possa causar inconsciência e morte se


utilizado em ambiente fechado e em concentrações necessárias para
a extinção de incêndio. Isso ocorrerá pela falta de oxigênio no ar, que
é “empurrado” pelo CO2. Numa concentração de 9%, a maioria das
pessoas pode resistir por alguns minutos, sem perda da consciência. A
exposição a concentrações mais altas pode tornar uma pessoa incapa-
citada quase que imediatamente. Em recintos de área reduzida, pro-
tegidos por CO2, uma pessoa presente no momento em que se inicie
uma descarga de gás provavelmente não terá dificuldade em abando-
nar o local, antes que a concentração crítica seja alcançada.

Portanto, pode-se concluir que o CO2 não é um gás venenoso, mas


um gás sufocante. Pessoas desacordadas em atmosfera de CO2 devem
ser imediatamente removidas para onde exista ar puro. Vale conside-

246
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

rar também que, fisiologicamente, é um gás necessário em pequenas


quantidades para o estímulo da respiração. Por fim, que deposita-se
em locais baixos, e prejudica a visibilidade quando em ação.

Propriedades extintoras

Esse agente extintor age pela redução da concentração de oxigênio ou


pela diminuição dos produtos gasosos de um combustível na atmosfe-
ra, a um ponto tal que torne a combustão impossível. Como agente ex-
tintor, tem inúmeras qualidades: não é corrosivo, não produz estragos,
não deixa resíduos, fornece sua própria pressão para funcionamento
dos extintores. Como gás, penetra e se espalha por todos os lados. Não
conduz eletricidade, por isso pode ser usado com segurança em equi-
pamento elétrico energizado.

Extinção por abafamento

Um quilograma de CO2 líquido a 0ºC e à pressão atmosférica libera em torno


de 500 L de gás. Quando liberado sobre um material que queima, envolve-o
e dispersa o oxigênio a uma concentração que não mantém a combustão.

Extintor de CO2

Os extintores deste tipo são empregados para extinguir pequenos focos de


incêndios das Classes B e C (combustíveis líquidos e equipamentos elé-
tricos). Quando o aparelho é acionado, o CO2 se expande formando uma
nuvem que abafa e resfria. Devido a sua capacidade não condutora, o CO2
é muito indicado para a cobertura de riscos onde existem equipamentos
elétricos. O alcance do jato de gás varia de 1 a 2,5 metros, dependendo da
capacidade dos extintores. Os aparelhos carregados com CO2 devem ser
instalados de modo que seu emprego seja o mais fácil possível, principal-
mente em locais onde trabalham mulheres e/ou menores.

247
NR 10 - Curso Básico

Os extintores com carga de gás carbônico são classificados quanto


ao uso (portátil ou rebocável), e quanto ao tipo apenas como de
pressurização direta.

Observe as partes, subpartes e a operação do extintor com carga de gás


carbônico portátil.

1 – Recipiente.

1.1 – Suporte para difusor.

2 – Válvula de descarga.

2.1 – Alça para transporte.

3 – Mangueira.

4 – Difusor.
Figura 3.23
Fonte: do autor (2008)
4.1 – Cabo.

Como operar o extintor de CO2

Figuras 3.24 e 3.25


Fonte: do autor (2008)

1. Levar o extintor ao local do fogo e colocar-se a uma distância


segura.

2. Retirar o pino de segurança.

248
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Figuras 3.26 e 3.27


Fonte: do autor (2008)

3. Empunhar a mangueira e atacar o fogo, dirigindo o jato para a


base das chamas. Controlar a descarga dos jatos.

4. Atacar o fogo dirigindo o jato para a base das chamas; movimen-


tar o difusor.

Principais limitações do extintor de CO2

Combustíveis sólidos com formação de brasas ou superfícies


aquecidas. Nesses casos, o CO2 elimina apenas as chamas, po-
dendo haver a reignição dos combustíveis assim que a atmosfera
abafadora se dissipar.

Materiais que contenham oxigênio (agentes oxidantes) como ni-


trato de celulose, permanganato de potássio e outros, pois pode-
rão se suprir de oxigênio.

Produtos químicos reativos como o sódio, o potássio, o magné-


sio, o titânio e o zircônio, pois os metais e hidretos, quando aque-
cidos, decompõem o CO2.

249
NR 10 - Curso Básico

Como há possibilidade de vazamentos, esse tipo de extintor


deverá ser pesado a cada três meses, apesar de a Norma
Técnica estabelecer prazo de 6 meses para a pesagem. Toda
vez que houver perda de mais de 10% no peso, deverá ser
descarregado e carregado novamente. As vistorias devem
ser executadas no máximo a cada 5 anos.

Leia e consulte a ABNT – NBR 11716 – “Extintores de in-


cêndio com carga de gás carbônico”.

Pó químico

Propriedades – Pó químico para fins de combate a incêndio é o pó com-


posto de finíssimas partículas de bicarbonato de sódio, com adição de
determinados materiais específicos e submetido a tratamentos adequa-
dos para lhe dar resistência à vibração e duração, quando embalado.

O pó químico é um agente extintor conhecido por sua alta eficiência


na extinção de incêndios em líquidos inflamáveis; pode ser usado na
maioria dos incêndios em equipamentos elétricos.

No entanto, o pó químico tem aplicações limitadas no combate a in-


cêndios da Classe A.

Toxicidade

Os ingredientes atualmente utilizados no pó químico não são tóxicos.


Entretanto, uma descarga de grandes volumes pode causar dificulda-
des respiratórias temporárias durante e imediatamente após tal des-
carga. Também dificulta seriamente a visibilidade.

Propriedades extintoras

Sua ação extintora ocorre através da interferência na reação em cadeia.


A descarga de pó químico interfere nos produtos intermediários for-
mados durante a combustão, e que são responsáveis pela sua continui-
dade, quebrando desta forma a reação em cadeia.

250
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Por muitos anos foi mantida a crença de que a ação extintora do pó


químico residia principalmente na ação abafadora do CO2 liberado
pelo aquecimento do bicarbonato pelas chamas.

Não há dúvidas de que o CO2 contribui para a eficiência da ação


extintora, contudo testes práticos revelaram que esse gás não é o
principal fator de extinção. Por exemplo: 5 libras de pó químico são
tão eficientes quanto 10 libras de CO2. Ainda que todo pó químico
seja decomposto, este produzirá somente 26% de seu peso em CO2.
Concluiu-se então que o pó químico não extingue o fogo por seus
efeitos abafadores.

Proteção contra a radiação

A descarga do pó químico produz uma nuvem entre as chamas e o


operador. Essa nuvem o protege, por algum tempo, do calor irradiado
pelas chamas.

Principais limitações do extintor de pó químico

Não é indicado para uso em produtos oxidantes, como nitrato de


celulose.

Em equipamentos elétricos onde houver partes sensíveis e deli-


cadas, os resíduos do pó podem trazer graves problemas e inuti-
lizar o equipamento.

Não possui ação de resfriamento, não sendo, portanto, indica-


do para combate a incêndios em combustíveis sólidos, que se
queimam em profundidade. Se utilizado nesses casos, sua ação
se limitará a eliminar apenas as chamas, necessitando da com-
plementação do combate com água ou espuma para eliminar as
brasas; caso contrário, poderá haver reignição.

Não é indicado também para fogo em metais combustíveis como


o sódio, o potássio, o magnésio, o zircônio e o titânio.

Deve ser removido imediatamente do equipamento incendiado,


pois poderá haver uma reação corrosiva ou produzir manchas.

251
NR 10 - Curso Básico

Extintor de pó químico seco

Os extintores carregados com compostos químicos em pó utilizam os


agentes extintores bicarbonato de sódio (o mais comum), bicarbo-
nato de potássio e cloreto de potássio, tratados com um estearato a
fim de torná-los anti-higroscópicos e de fácil descarga.

O agente propulsor pode ser o dióxido de carbono ou o nitrogênio.


O CO2 é o agente mais empregado para a operação dos aparelhos por-
táteis (tipos com cilindro de gás), enquanto que o nitrogênio é o agente
indicado para o funcionamento dos tipos pressurizados e sobre rodas.
Os compostos químicos em pó são indicados para extinção de fogo
em líquidos inflamáveis ou combustíveis e equipamentos elétricos de
grande porte (o bicarbonato de sódio, de potássio e o cloreto de potás-
sio têm condutividade elétrica igual a do ar atmosférico).

Para os casos de princípios de incêndio de Classe D, os compostos são


à base de fosfato de monoamônia, trifosfato de cálcio, grafite e estea-
ratos metálicos.

Os extintores de incêndio com carga de pó químico são classificados


quanto ao uso (portáteis ou rebocáveis), ao tipo (pressurização direta
ou indireta), e à temperatura.

Observe o extintor do tipo pressurizado, suas partes, subpartes

e operação.

1 – Recipiente.

1.1 – Colar.

2 – Dispositivo para acionamento e transporte.

2.1 – Alça para transporte.

2.2 – Gatilho.

3 – Mangueira.

Figura 3.23 4 – Pistola ou esguicho.


Fonte: do autor (2008)

252
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Existe no mercado um extintor de pó químico seco que pode


ser utilizado nas Classes A, B e C. O uso desse tipo é, inclusive,
obrigatório nos veículos por legislação do DENATRAN, desde
janeiro de 2005. A validade destes extintores é de 5 anos.

Para o extintor ter bom funcionamento, deve-se observar


o manômetro para verificar se a pressão está dentro dos
parâmetros.

Como operar o extintor de pó químico pressurizado

Figuras 3.29 e 3.30


Fonte: do autor (2008)

1. Levar o extintor ao local do fogo. Obser-


var a direção do vento.

2. Empunhar difusor/pistola e retirar o pino


de segurança.

3. Atacar o fogo acionando o dispositivo de


descarga e procurando cobrir toda a área
atingida com movimentação da mão.
Figura 3.31
Fonte: do autor (2008)

253
NR 10 - Curso Básico

Extintor apressurizado ou pressão injetada

Extintor do tipo água e pó químico, com cilindro externo e sem


dispositivo para descarga controlada.

1 – Recipiente.

1.1 – Tubo sifão.

2 – Mangueira.

2.1 – Esguicho.

3 – Cilindro de gás.

Esse extintor não é mais fabricado, porém ainda é encontrado em


algumas empresas.
Figura 3.32
Fonte: do autor (2008)

Leia e consulte a norma ABNT – NBR 10721 – “Extintores


de incêndio com carga de pó químico”.

Figuras 3.33 e 3.34


Fonte: do autor (2008)

254
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

1. Levar o extintor ao local do fogo e colocar-se a


uma distância segura.

2. Abrir a válvula do cilindro de gás.

3. Empunhar a mangueira com o esguicho e atacar


o fogo, dirigindo o jato para a base das chamas.

Extintores sobre rodas ou rebocáveis

São extintores que, devido à sua capacidade, são montados sobre rodas Figura 3.35
Fonte: do autor (2008)
ou sobre carretas destinadas a facilitar o seu transporte.

Podem conter CO2 de pressurização direta (PD) ou espuma, água, e pós


químicos de pressurização indireta (PI) ou direta (PD). A mangueira
acoplada ao difusor ou esguicho mede aproximadamente cinco metros
e a capacidade do cilindro reflete no mínimo os valores a seguir.

Espuma mecânica/água – 50 litros.

CO2/gás carbônico – 30 quilos.

Pós químicos – 20 quilos.

Principais características técnicas dos extintores

Na tabela a seguir estão os principais parâmetros normatiza-


dos tecnicamente para os extintores de incêndio comerciais.
Acompanhe!

Figura 3.36
Fonte: do autor (2008)

255
NR 10 - Curso Básico

Tabela 3.3 – Principais características técnicas dos extintores


Principais características técnicas dos extintores
Pó químico Água CO2 Espuma
Modelo Características
EB – 148 EB – 148 EB – 150 EB – 1002
Capacidade
4 6 8 12 4 6
Peso líquido (kg)
Conteúdo (litros) 10 9
Diâmetro nominal (mm) 136 136 178 178 178 166,3 166,3 180
PD 420 535 460 660 660 500 670
Altura nominal (mm)
PI 348 461 375 585 635 640

Massa nominal do extintor PD 6,5 8,7 12,0 17,8 15,1 17,6 22,3 13,9
(kg) completo PI 8,1 10,5 14,0 20,0 17,3
Capacidade do cilindro de
PI 100 150 200 300 80 80
pressurização – CO2 (g)
10,5 10,5 10,5 10,5 10,5 126 126 13,5
PD
Pressão nominal de opera- 1,03 10,3 10,3 10,3 10,3 12,4 12,4
ção kg/cm² (Mpa) 14,0 14,0 14,0 14,0 14,0
PI
1,37 1,37 1,37 1,37 1,37

Tempo médio de descarga PD 10 14 18 28 55 18 22 55


(seg.) PI 9 13 16 25 54 56
Alcance médio do jato (m) 5 5 6 7 11 8
Rendimento nominal (%) 95 95 95 95 98 97 97 97
Indicado para as
BC BC BC BC A A-B-C A-B-C AB
classes de fogo

Fonte: do autor (2008)

Agora que você conheceu os agentes extintores e seus me-


canismos, é hora de partir para o trecho final deste módulo.
Na seqüência você irá estudar sinalização, simbologias, ins-
peção, manutenção e outras informações práticas sobre o
uso de extintores de incêndio.Vamos lá?

256
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Sinalização, simbologia e localização dos extintores

A sinalização dos extintores deve atender às exigências legais, confor-


me a Portaria nº 3.214, NR-23, e garantir que a manutenção seja feita
por empresa certificada pelo INMETRO.

O local dos extintores deve ser sinalizado por um círculo,


ou uma seta, pintado internamente de verme-
lho e a borda, de amarelo. As letras (que
identificam o agente extintor) devem ser
brancas. A área livre para os extintores
deve ser pintada de vermelho, X = 1m e h
= 1,60m (máxima).

Os extintores devem apresentar um


selo em que constem as informações a
seguir.
Figura 3.37
1. Código de identificação da empresa junto ao INMETRO. Fonte: do autor (2008)

2. Logotipo do INMETRO.

3. Logotipo da empresa.

4. Logotipo do organismo de certificação credenciado.

5. Capacidade do extintor expressa em “kg” ou “L” e capacidade


extintora.

6. Número da norma aplicável.

7. Data de validade do teste hidrostático, que é contada cinco anos


após a data de fabricação, expressa em “semestre/ano”.

Quanto à simbologia, os adesivos devem ser padronizados com as


identificações a seguir.

1. Identificação do agente extintor – devem ser fixados aos apa-


relhos adesivos indicando o agente extintor e sua classificação
quanto ao tipo.

257
NR 10 - Curso Básico

2. Identificação das classes de incêndio – deve ser feita por um


sistema de letras, figuras geométricas e cores, atendendo às con-
dições estabelecidas na NBR 7532/82.

3. Marcação – todo extintor deve ter marcado no recipiente, de for-


ma indelével (impossível de apagar), a sigla do fabricante, o nú-
mero de série, trimestre/ano de fabricação e número da norma da
ABNT. Nos extintores de pó químico, espuma e de água, a mar-
cação deve ser feita na borda inferior. Nos extintores de CO2, a
marcação deve ser feita na calota (próximo à válvula de disparo).

Quanto à localização, os seguintes requisitos devem ser respeitados


para armazenar extintores.

Fácil acesso.

Fácil visualização.

De menor probabilidade do fogo bloquear o seu acesso.

Não podem, de forma alguma, ser armazenados nas paredes das


escadas.

Não podem, de forma alguma, ser encobertos por pilhas de


materiais.

Os extintores sobre rodas deverão ter garantido sempre


acesso livre a qualquer ponto das instalações.

Inspeção, manutenção e recarga dos extintores (NBR 12962)

A inspeção é feita por meio de exame que se realiza no extintor de


incêndio com a finalidade de determinar se este permanece nas condi-
ções originais de operação. Serão verificados os itens a seguir.

258
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Selo de vedação.

Pressão no manômetro (somente os que possuírem).

Peso do extintor.

Suportes, mangueiras (cortadas, entupidas).

Gatilho.

Etiqueta onde são informados data da recarga e reteste.

Os testes hidrostáticos são exigência da ABNT e devem ser


feitos a intervalos regulares ou quando o extintor sofrer
pancadas, exposição a altas temperaturas, corrosão, e outras
situações extremas.

Os intervalos regulares explicitados na norma são de 5 anos, a partir


da data indicada na etiqueta do extintor. A manutenção do extintor de
incêndio tem a finalidade de manter suas condições originais de ope-
ração após sua utilização ou quando requerido por uma inspeção. O
termo “manutenção” deve ser entendido como sendo um trabalho que
envolve descarga, desmontagem, reparo ou substituição de peças, tes-
te hidrostático, pintura, marcação e recarga dos aparelhos. As normas
também prescrevem intervalos máximos para recarga dos extintores.

Os extintores devem ser recarregados assim que forem


usados, quando apresentam variação no peso da ordem de
10% ou ainda anualmente, mesmo não sendo usados.

259
NR 10 - Curso Básico

Distribuição dos extintores

A distribuição dos extintores de incêndio, em geral, obedece às exi-


gências do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) informadas em sua
publicação “Tarifa de Seguro-Incêndio do Brasil”. Três detalhes quanto
à distribuição devem ser observados com atenção. Acompanhe!

Será exigido o mínimo de duas unidades extintoras para cada


pavimento, mezanino, galeria, jirau ou risco isolado.

Permite-se a existência de apenas uma unidade extintora nos ca-


sos de área inferior a 50 m2.

Aos riscos constituídos por armazéns ou depósitos em que não


haja processos de trabalho, a não ser operações de carga ou des-
carga, será permitida a colocação de extintores em grupos, em
locais de fácil acesso, de preferência em mais de um grupo e pró-
ximo às portas de entrada e/ou saída.

A unidade extintora é calculada pela tabela a seguir.

Tabela 3.4 – Cálculo de unidades extintoras

Nº de extintores que
Capacidade dos
Agente extintor constituem a unidade
extintores
extintora
Água 10 L 1
Espuma 10 L 1
Dióxido de carbono (CO2) 6 kg 1
4 kg 2
2 kg 3
1 kg 4
Pó químico seco 4 kg 1
2 kg 2
1 kg 3

Fonte: do autor (2008)

260
Módulo 3 – Prevenção contra incêndios

Todo extintor deverá possuir uma ficha de controle onde


será registrada a vida do equipamento: número de fabrica-
ção, marca, data da recarga, data do próximo teste hidrostá-
tico, tipo de manutenção sofrida, etc.

Você está encerrando o módulo 3 do curso NR 10 –Curso


básico de segurança em instalações e serviços em eletrici-
dade. Nesta etapa, você estudou os princípios de preven-
ção e combate a incêndios, passando pela elaboração de
planos de emergência, os diferentes tipos de incêndio
e os diferentes tipos de extintores a serem aplicados,
bem como as normas que regulamentam o uso e arma-
zenamento de extintores. No próximo módulo, o úl-
timo deste curso, você conhecerá os procedimen-
tos básicos de primeiros socorros. Até lá!

261
Módu
Noções básicas de lo
primeiros socorros 4

Olá, seja bem-vindo ao módulo de primeiros socorros do


curso básico de segurança em instalações e serviços em ele-
tricidade. Para iniciar esta etapa, faça uma pequena re-
flexão: o que você entende por primeiros socorros?
Por definição, assim são chamados os atendimentos
preliminares prestados a uma vítima de acidente ou
portador de mal súbito, com o objetivo de mantê-los
ccom vida e evitar complicações imediatas ou tardias, até
que recebam socorro especializado.
Quando aplicados corretamente, os primeiros so-
corros podem significar a diferença entre a vida e a
morte, ou a diferença entre uma recuperação rápida
e uma hospitalização prolongada, ou, ainda, a diferen-
ça entre uma incapacitação temporária ou permanente.
Ter noções básicas de primeiros socorros significa poder prestar serviços
de emergência com segurança a um colega acidentado ou com mal súbito.
Desejável, certo? Então, tenha um bom estudo!

Objetivos

Ao fim deste módulo, você terá as noções básicas de atendimento a um aci-


dentado ou sofredor de mal súbito. Para isso, estudará os tópicos a seguir.

Procedimentos e legislação sobre primeiros socorros.

Identificação de problemas.

Como agir em casos de emergência.

Técnicas para remoção e transporte de acidentados.

263
NR 10 - Curso Básico

LIÇÃO 1

Conceitos básicos
Quando se ajuda o outro sinceramente ajuda-se a si.
Essa é uma das mais belas recompensas da vida.
Waldo Ralph Emerson

Quem presta primeiros socorros reconhece e valoriza o sentido da vida


e da saúde. Conseqüentemente, dá importância ao respeito e à solida-
riedade com as pessoas acidentadas.

Um socorrista também sabe que as duas primeiras horas após um aci-


dente são fundamentais para garantir a sobrevida ou recuperação das
vítimas. É nesse período que um atendimento adequado pode fazer a
diferença entre a vida e a morte.

Apesar das medidas de segurança

Define-se como “mal súbito” o estado ou sintoma comumente adotadas no ambiente

característico que surge de forma aguda e repentina. de trabalho e dos cuidados pessoais
de cada trabalhador, nem todos os
acidentes podem ser evitados, por-
que nem todas as causas podem ser controladas. Assim, os riscos de
acidente fazem parte do cotidiano, o que requer a presença de pessoas
treinadas para atuar de forma rápida.

Observe as cenas que podem ocorrer no dia-a-dia.

Figura 4.1
Fonte: do autor (2008)

264
Módulo 4 – Primeiros socorros

Figura 4.2
Fonte: do autor (2008)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estipula que dois


minutos são suficientes para que o cérebro de uma vítima
de parada cardíaca comece a apresentar lesões. Os mesmos
dois minutos de uma hemorragia não controlada pode cau-
sar o estado de choque e, por sua vez, uma parada cardíaca
e a morte. Ou seja, a rapidez na adoção das providências
pode salvar uma vida!

Uma vez que a maioria das pessoas desconhece as técnicas de primei-


ros socorros, como os exemplos mostrados nas figuras, como elas po-
dem ajudar? Como prepará-las para enfrentar uma situação de emer-
gência? Essas são algumas questões de reflexão.

Prestar os primeiros socorros é uma atitude humana que requer cora-


gem e conhecimento das técnicas adequadas capazes de auxiliar numa
emergência. O socorro imediato evita que um simples ferimento se
agrave, ou que uma simples fratura se complique, ou que um simples
desmaio resulte na morte do acidentado.

265
NR 10 - Curso Básico

O conhecimento e a aplicação dos primeiros socorros têm


como objetivo fundamental salvar vidas. Se você não tiver con-
dições emocionais de prestar socorro direto à vítima, procure
por alguém que o auxilie no atendimento e, em seguida, acione
os serviços especializados: pronto-socorro, ambulâncias, bom-
beiros ou polícia. Nunca deixe uma pessoa acidentada sem uma
palavra de apoio ou um gesto de solidariedade, e muito menos
deixe de adotar os procedimentos cabíveis!

Acionar – pôr em ação, em movimento, fazer funcionar.


Cabível – que é aceito, que tem cabimento, o que é pertinente.

LIÇÃO 2

APH – atendimento pré-hospitalar

Os leigos, ou pessoas não-especializadas, constituem o elo vital que


liga a situação de emergência com o Sistema de Serviços de Emergên-
cias Médicas. Em geral, o leigo é sempre quem intervém para ajudar a
vítima. Essa é a importância de você saber como atuar de forma segura
e adequada. Acompanhe os passos!

Reconhecer uma emergência

O primeiro passo é saber reconhecer uma emergência, ou seja, perce-


ber que alguma coisa está errada, notando mudanças na aparência ou
na atitude de alguém, ou de uma circunstância.

266
Módulo 4 – Primeiros socorros

Decidir ajudar

Em algum momento você terá que decidir se irá ou não ajudar. Tomar
essa decisão durante a emergência é muito difícil. Portanto, o momen-
to certo de decidir tem que ser antes da emergência ocorrer. Decidir
ajudar é um processo que envolve vários fatores, como caráter, pre-
disposição e capacidade de lidar com vítimas. Esses componentes são
aspectos individuais que demandam tempo para se desenvolver.

Chamar o resgate

A maioria das pessoas têm dificuldade para decidir se deve chamar o


resgate. Ficam esperando para ter absoluta certeza de que a situação
é grave, ou então decidem levar a vítima para um hospital por seus
próprios meios. Essas atitudes colocam a vítima em risco. É muito im-
portante saber se será necessário ou não chamar o resgate.

Avaliar a vítima

Ao saber como e o que avaliar, o leigo poderá concluir se existe ame-


aça iminente à vida e também que tipo de ação será necessário tomar,
além de chamar o resgate.

Avaliar o cenário

Se você presenciar uma emergência, avalie rapidamente o cenário,


procurando os três seguintes aspectos.

Perigos iminentes que ameacem sua segurança ou a de outras


pessoas presentes no local.

A causa do problema.

Número de vítimas.

Essa avaliação não deve demorar mais que 10 segundos!

267
NR 10 - Curso Básico

A primeira consideração é não colocar de forma alguma sua própria


segurança em risco, assumindo chances de se transformar em mais
uma vítima. A segunda se refere à causa do problema, que pode ser
trauma ou mal súbito. Tome nota de tudo e repasse as informações
para o pessoal do resgate. Por último, determine quantas pessoas estão
envolvidas na emergência. Poderá haver mais de uma vítima; portanto,
olhe ao redor e pergunte se há mais alguém que possa estar necessi-
tando de ajuda.

Quando chamar o resgate

Saber quando chamar o resgate é fundamental! Primeiro, para não


desperdiçar o tempo da equipe de resgate com problemas que na ver-
dade não necessitem desse tipo de assistência. E segundo, para não
deixar de chamar o resgate por supor que a situação não iria demandar
esse tipo de assistência, demorando para a tomada de decisão e com-
prometendo as chances de sobrevivência da vítima. Se você estiver em
dúvida, chame sempre o resgate.

Por exemplo: uma dor na parte superior do abdômen pode ser uma
pequena indigestão, mas também pode ser um sintoma de um ataque
cardíaco que requer atendimento imediato. Ou seja, sempre é melhor
errar por exagero do que por omissão.

De acordo com as autoridades médicas, se para qualquer uma das


questões abaixo sua resposta for afirmativa ou se estiver em dúvida,
chame logo o resgate.

A condição da vítima oferece risco de morte?

A condição da vítima poderá piorar e se transformar em risco de


morte no caminho para o hospital?

A condição da vítima requer algum tipo de equipamento que


deve ser utilizado por um médico?

As condições de trânsito podem dificultar o acesso ao hospital,


atrasando o atendimento?

268
Módulo 4 – Primeiros socorros

As autoridades médicas também definem os seguintes sinais e sinto-


mas que demandam transporte imediato para um hospital, em ambu-
lância.

Desmaio sucessivo.

Dor ou pressão torácica ou abdominal.

Tontura repentina, fraqueza ou alteração da visão.

Dificuldade para respirar ou respiração curta e rápida.

Vômito intenso e persistente.

Dor repentina e forte em qualquer parte do corpo.

Vontade repentina de suicidar ou de matar.

Sangramento que não pare mesmo após 10 minutos de pres-


são direta.

Ferimento com bordas que não retornam à posição original.

Lesões que provocam alteração nos movimentos ou na sensi-


bilidade.

Lesões em órgãos funcionais


como mãos, pés, face e ge- E como diferenciar os parâmetros na hora de chamar
nitália. o socorro? Observe os seguintes conceitos.
Emergência envolve risco de morte. Já uma urgência
Ferimentos penetrantes.
não apresenta risco de morte à vítima; esta pode aguar-
Empalamentos. dar atendimento da emergência em primeira instância.

Mordida de animal ou ser


humano.

Alucinação ou perda de raciocínio lógico.

Envenenamento.

Lesão de coluna vertebral.

269
NR 10 - Curso Básico

Overdose por droga.

Alteração comportamental acompanhada de febre alta que não


abaixa com antitérmico.

Pescoço endurecido, associado com febre e dor de cabeça.

Deformidade com inchaço ou depressão na fontanela (moleira)


do bebê.

Uma pessoa treinada está habilitada desde que conheça e domine os


princípios básicos de primeiros socorros e técnicas de atendimento à
vítima. Esses princípios são fundamentais para controlar e prevenir o
agravamento do seu estado.

Você sabe quais características pessoais fazem parte do per-


fil do socorrista? Acompanhe os requisitos que este tipo de
profissional deve apresentar.

Perfi
P
Perfil do socorrista

Bom senso.

Lid
Li
Liderança e iniciativa.

Domínio
Dom da situação com segurança.

Rapidez
R
Ra
ap para improvisação com responsabilidade.

Discrição
D
Dis
i nos comentários.

Respeito pelo outro.


Res

Compromisso com a vida.


Com

Requisitos para sua atuação nas condutas


Figura 4.3
Fonte: do autor (2008) EPIs (equipamentos de proteção individual).

Caderneta de vacinas em dia.

Cuidado em preservar sua própria integridade.

270
Módulo 4 – Primeiros socorros

Um socorrista só tem apenas quatro minutos para salvar a


vida de uma pessoa e necessita conhecer os três órgãos vi-
tais: cérebro, coração e pulmões. Ele sabe que, para toda
anormalidade, ocorre a homeostase (equilíbrio do nosso
organismo para restabelecer o controle).

Neste módulo, você já estudou a importância de se pres-


tar primeiros socorros, e também os requisitos que um
bom socorrista deve ter. Faça agora uma visita ao conteú-
do virtual e revise os tópicos mais importantes! Na próxi-
ma lição, você conhecerá os procedimentos propriamente
ditos. Siga em frente!

LIÇÃO 3

Procedimentos de primeiros socorros

1. Mantenha-se calmo e inspire confiança ao acidentado

O socorrista deve manter-se calmo e conduzir o socorro com sere-


nidade, compreensão e segurança. Portanto, a primeira providência é
controlar a si mesmo.

Nesse momento, o socorrista enfrenta um problema bastante delicado,


que é informar à vítima o que está ocorrendo. Manter-se em silêncio pode
aumentar o medo e a ansiedade, por outro lado, se falar em demasia, pode
alarmar indevidamente a vítima e causar desespero. Lembre-se de que
as ações falam mais do que as palavras, e que um tom de voz tranqüilo e
seguro dá à vítima o conforto de estar em boas mãos. Porém, cuidado com
as palavras para não piorar ainda mais o quadro já existente.

A eficácia e a qualidade do primeiro atendimento dependem muito de


quem o realiza. Embora toda pessoa treinada esteja apta a prestar os pri-
meiros socorros, o socorrista deve apresentar as seguintes características.

271
NR 10 - Curso Básico

Ter bom senso – fazer uma análise da situação, pensar antes de agir.

Ter iniciativa para chamar socorro através de um telefone e habi-


lidade para estancar uma hemorragia ou fazer massagem cardí-
aca, por exemplo.

Saber fazer respiração boca-a-boca e, principalmente, acalmar e


dar segurança e amparo à vitima.

Não ter interesse e querer fazer alguma coisa, pois quando se


presta primeiros socorros não se pede nada em troca, é pura so-
lidariedade.

Ter autocontrole (calma, tolerância, paciência).

Ter iniciativa e liderança.

Ter conhecimento e avaliação técnica.

Ter capacidade de improvisar com responsabilidade.

2. Sinalize o local para evitar outros acidentes e peça ajuda


aos curiosos

É preciso proteger e controlar o local do acidente através de isolamen-


to e sinalização; iluminando se for noite ou se a região for pouco ilu-
minada, e arejando para que a vítima receba ventilação.

Utilize os EPIs (luva, óculos e máscaras).

272
Módulo 4 – Primeiros socorros

3. Avalie o estado geral da vítima

Sempre que for atender uma vítima, em primeiro lugar avalie o cená-
rio. Uma avaliação cuidadosa poderá oferecer informações preciosas,
como a segurança do local, a causa do trauma ou a natureza do mal
súbito e o número de vítimas.

Após checar o cenário, você deverá fazer uma avaliação inicial da víti-
ma. Durante esta avaliação, você deverá procurar por problemas que
ameacem iminentemente a vida da vítima, como obstrução das vias
aéreas, falta de respiração e circulação. Se mais de uma vítima neces-
sitar de atendimento, atenda em primeiro lugar a que estiver quieta e
imóvel. Uma vítima quieta pode significar que tenha parado de respi-
rar. A vítima que grita ou chora, ou que simplesmente esteja falando,
significa obviamente que está respirando.

4.Verifique os sinais de vida


Verificar sinais de vida significa checar o nível de consciência, tempera-
tura, cor da pele e sensibilidade do corpo, por exemplo. Se houver mais
de uma vítima envolvida, o socorrista deve fazer uma avaliação geral
do estado delas e proceder a uma triagem, atendendo em primeiro lu-
gar os casos mais graves que, do ponto de vista dos primeiros socorros,
são os seguintes (em ordem decrescente).

Obstrução das vias aéreas e/ou parada respiratória.

Parada cardíaca.

Hemorragias graves; amputações completas ou incompletas de


extremidades superiores ou inferiores.

Feridas (úlceras) abertas no abdômen e/ou tórax.

Traumatismo craniano.

Envenenamento.

Estado de choque.

273
NR 10 - Curso Básico

Queimaduras.

Fraturas (principalmente de pelve e bilateral de fêmur).

Hematomas.

E como se organizar para verificar os sinais de vida? Obser-


ve o passo-a-passo!

Exame rápido (exame primário)

Tem por finalidade avaliar o nível de consciência (A = alerta, V = voz,


D = dor e I = inconsciência); A = abertura de via aérea, B = retirada de
corpos estranhos e ver/ouvir/sentir a respiração, C = circulação e D =
desfibrilador e descobrir as lesões ocultas, avaliando a vítima da cabeça
aos pés (cefálico-caudal) para melhor definir as intervenções necessá-
rias. Esse procedimento deve ser realizado no local, e no máximo em
dois minutos.

Avaliação do nível de consciência

Ajoelhe-se junto à vítima, próximo ao ombro desta (vítima em decú-


bito dorsal – deitada de costas). Primeiro olhe para vítima e verifique
se está alerta/consciente, depois firme as mãos sobre seus ombros,
firmando-os contra o chão (sem chacoalhar). Identifique-se e peça au-
torização para atuar. Chame por ela. Caso não obtenha resposta, nesse
momento a cervical da vítima deverá ser imobilizada pelo segundo so-
corrista. Proceda ao estímulo de dor, pressionando com a mão fechada
e com os ossos (articulações) dos dedos no esterno. Se continuar sem
resposta verbal e dolorosa, isso significa vítima irresponsiva (vítima in-
consciente).

274
Módulo 4 – Primeiros socorros

Avaliando ABCD

A – Airway – Via aérea

A cabeça e o pescoço deverão ser mantidos em alinhamento e somente o


queixo e o maxilar deverão ser deslocados para a frente para desobstruir
as vias. A cabeça e o pescoço deverão ser mantidos em alinhamento.

Figura 4.4
Fonte: do autor (2008)

B – Breathing – Ventilação e oxigenação

Verifique se existe algum corpo estranho na cavidade oral, retirando-o


e realizando varredura digital (somente se a vítima estiver inconscien-
te), somente para casos aparentes. Para isso, perceba se a vítima se
encontra cianótica (boca arroxeada) e/ou com palidez cutânea.

Verifique se ela respira, ver/ouvir/sentir; se negativo, faça respiração


boca-a-boca.

Caso tenha que se fazer a respiração, insufle o ar suficiente


para movimentar o tórax da vítima; dê um intervalo de cin-
co segundos e insufle o ar novamente. Esse intervalo tem a
finalidade de evitar situações como barotrauma, que inver-
teria a posição do diafragma e impediria a movimentação
torácica, ou faria a vítima vomitar.

275
NR 10 - Curso Básico

C – Circulation – Circulação

Verifique o pulso radial nos punhos da vítima. Se presente, a


vítima apresenta pressão arterial; se ausente, verifique o pulso
carotídeo (no pescoço).

Pul
Pulso presente – verifique se está lento/rápido.

Pulso ausente – indica cessação dos movimentos cardíacos. Iniciar


Figura 4.5 – pulso radial
compressão cardíaca o quanto antes.
Fonte: do autor (2008)

D – Desfibrilation – Desfibrilação ventricular

Por estar a fibrilação ventricular (FV) presente em muitas vítimas por pa-
rada cardíaca súbita e principalmente por choque elétrico, o desfibrila-
dor (cardioversor elétrico) deverá ser utilizado quando a causa da parada
cardíaca for por FV, a fim de estabelecer o ritmo cardíaco. Para fibrilação,
somente o cardioversor elétrico poderá reverter o quadro.

O exame rápido (primário) deverá ser interrompido quan-


do a vítima apresentar obstrução de vias aéreas e parada
cardiorrespiratória. O socorrista deve priorizar a desobs-
trução das vias aéreas, o restabelecimento e a manutenção
da respiração, que é de vital importância para o cérebro, e o
restabelecimento e manutenção da circulação.

Triagem – seleção, escolha, separação.


Desobstrução – desimpedimento, liberação.

276
Módulo 4 – Primeiros socorros

5. Efetue as técnicas de primeiros socorros de acordo com


cada caso

Antes de adotar qualquer procedimento, o socorrista deve avaliar se o


local onde a vítima se encontra é seguro para a entrada da equipe de
socorro. Além disso, avaliar o estado geral da vítima e efetuar a técnica
de atendimento e resgate específica para o caso, que será analisada
mais adiante, neste módulo. Porém, algumas técnicas são válidas uni-
versalmente e podem ser aplicadas em todos os casos.

Ainda que a vítima pareça estar em bom estado, não confie


nas aparências. Encaminhe-a para ser examinada por um
profissional de saúde, pois só um exame detalhado pode
definir o seu estado físico e psíquico. Ao prestar os primei-
ros socorros, é preciso que se utilizem materiais e instru-
mentos que facilitem a realização dos procedimentos neces-
sários e impeçam o agravamento do estado da vítima – a
caixa de primeiros socorros deve conter os itens essenciais
ao atendimento. É preciso que se tenha em casa ou no au-
tomóvel pelo menos o essencial, pois acidentes podem
ocorrer quando menos se espera.

Uma caixa de primeiros socorros para o atendimento de ferimentos


leves e moderados deve conter, pelo menos, os materiais a seguir.

Compressa de gaze esterilizada (5 envelopes).

Ataduras de gaze em três tamanhos (2 rolos de cada).


a).

Esparadrapo (1 rolo de 25 mm x 4,5 cm).

Curativo adesivo (1 caixa).

Soro fisiológico (2 frascos de 250 mL).


Figura 4.6
Tesoura limpa, ponta curva, média, sem ferrugem. Fonte: do autor (2008)

277
NR 10 - Curso Básico

Sacos plásticos brancos e de outra cor.

Lanterna.

Luvas de borracha.

Talas de papelão, infláveis ou de alumínio.

Máscara de respiração descartável.

Luvas descartáveis.

Logo após a ocorrência do acidente, peça ajuda ao corpo de bombei-


ros, polícia civil ou pronto-socorro: esses serviços são especializados
no atendimento a emergências e podem adotar os procedimentos ne-
cessários. A demora no pedido de socorro pode depender que uma
vida seja salva: por exemplo, se o acidente tiver ocorrido numa estrada,
em local de difícil comunicação, peça aos motoristas que avisem a po-
lícia e entrem em contato imediatamente com o serviço especializado
(hospital ou pronto-socorro) mais próximo. Prestar socorro à vítima de
um acidente é um dever de todo cidadão.

Falando em deveres do cidadão, que tal conhecer a legisla-


ção que envolve a ação de primeiros socorros? É isso que
você vai estudar na próxima lição. lição. Mas não deixe antes
de checar os conceitos mais importantes desse conteúdo
estudado no AVA!!

LIÇÃO 4

Legislação sobre primeiros socorros

Devido à importância do ato de prestar os primeiros socorros, há arti-


gos específicos na legislação brasileira acerca do assunto. Para o Códi-
go Penal Brasileiro, por exemplo, todo indivíduo tem o dever de ajudar
um acidentado ou chamar o serviço especializado para atendê-lo. A
omissão de socorro constitui crime previsto no artigo 135!

278
Módulo 4 – Primeiros socorros

Omissão – ausência de ação; ato ou efeito de não fazer


aquilo que moral ou juridicamente se deveria fazer.

Na CLT, o artigo 181 prescreve a necessidade dos que trabalham com


eletricidade de conhecerem os métodos de socorro a acidentados por
choque elétrico. Por isso a NR 10, ao tratar de situações de emergên-
cia, reforça uma exigência em seu item 10.12.2, bem como inclui um
conteúdo básico de treinamento em primeiros socorros para os tra-
balhadores que venham a ser autorizados a intervir em situações de
emergência nas atividades em instalações elétricas.

NOR
MA Código penal – Art. 135 – Deixar de prestar assistência,
quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abando-
nada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desam-
paro ou em grave e iminente perigo; ou pedir, nesses casos,
o socorro da autoridade pública.
Pena – detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
Parágrafo único – A pena é aumentada de metade, se a omis-
são resulta lesão corporal ou de natureza grave, e triplicada,
se resulta a morte.

NOR
MA CLT – Art. 181 – Os que trabalham em serviços de eletricida-
de ou instalações elétricas devem estar familiarizados com os
métodos de socorro a acidentados por choque elétrico.

Iminente – que está a ponto de acontecer.

279
NR 10 - Curso Básico

É preciso que cada cidadão exerça a cidadania e trabalhe para que as


leis sejam cumpridas. Para isso é fundamental desenvolver uma men-
talidade voltada ao respeito ao próximo e a si mesmo, e colaborar para
reduzir os acidentes e auxiliar adequadamente as vítimas, seja no am-
biente de trabalho, na comunidade, na rua, na praia, e em qualquer
outro ambiente social.

LIÇÃO 5

Salvando vidas: como identificar o problema

Você já estudou que o socorrista, no atendimento às vítimas de um


acidente, deve estar apto a identificar e priorizar os casos de maior
gravidade. Ele faz isso através do exame físico, verificando os sinais de
vida (SSVV) e também os sinais de apoio. Agora aprenda a reconhecer
esses sinais e saber o modo mais adequado de agir até a chegada do
serviço especializado.

Sinais vitais (SSVV) – são sinais orgânicos ou sintomas que po-


dem ser alterados quando um ou mais sistemas vitais respon-
sáveis pela manutenção da homeostase não funcionam perfei-
tamente.A modificação ou alteração de um sinal característico
permite deduzir o estado geral da vítima e proceder de forma
correta no desempenho de prestar os primeiros socorros.

Assim, antes de aplicar qualquer medida, o socorrista deve verificar


os sinais de vida (sinais vitais) e de apoio, que fornecem informações
valiosas para o diagnóstico do estado geral da vítima e permitem que
se implementem as técnicas emergenciais mais apropriadas.

280
Módulo 4 – Primeiros socorros

Priorizar – colocar em primeiro lugar; atender primeiramente.


Homeostase – que regula a manutenção e equilíbrio das
funções fisiológicas entre os sistemas vivos.
Proceder – agir; fazer; efetuar; realizar.
Diagnóstico – o conjunto de dados em que se baseia
uma avaliação.
Implementar – executar; praticar.

Os principais sinais vitais são quatro. Acompanhe!

Respiração.

Pulso.

Pupilas.

Temperatura.

A seguir, observe de que forma o socorrista pode verificar alguns des-


ses sinais nas vítimas de acidente.

Respiração

A respiração é indispensável aos seres, portanto ela é o sinal de vida


mais evidente de uma vítima acidentada. É o primeiro item a ser ava-
liado, pois se há respiração, existe circulação sangüínea. Caso não haja
respiração, estaremos diante de duas situações: parada cardíaca ou
quadro de OVACE (obstrução de vias aéreas por corpos estranhos).

281
NR 10 - Curso Básico

Uma vez que a respiração é uma das funções vitais dos se-
res, sua interrupção ocasiona a morte da vítima. É por meio
da respiração que o organismo capta o oxigênio necessário
à obtenção de energia celular e elimina o gás carbônico pro-
veniente do metabolismo respiratório.

Proveniente – que tem origem.

Como a respiração pode ser verificada?

Para verificar a freqüência respiratória, são observados os movimentos de


inspiração (quando o ar se introduz nas vias aéreas superiores e chega
aos pulmões) e expiração (quando a musculatura respiratória relaxa e o
ar é expulso dos pulmões), que ocorrem no intervalo de um minuto. Em
seguida, costuma-se fazer a verificação da pulsação segundo a elevação
do tórax – a vítima mulher expande o tórax; o homem, o abdômen.

Pulso
A paralisação de uma função vital como a do coração neutraliza a cir-
culação do sangue e pode provocar a morte em quatro minutos. A con-
tração do coração, necessária ao bombeamento do sangue, se repete
com regularidade e se propaga em ondas pelas artérias.

Há pontos do corpo onde algumas grandes artérias estão próximas à


superfície que, quando pressionados de leve, nos fazem sentir o cora-
ção bombear o sangue – a isso chamamos pulso ou pulsação.

O pulso pode ser achado nos pontos onde as artérias estão próximas
à superfície e podem ser apalpadas: o lado externo do punho (artéria
radial), em cada lado do pescoço (artéria carótida), na região inguinal
(artéria femoral), na têmpora (artéria temporal), no meio do braço
(artéria braquial).

O socorrista verifica o pulso da vítima colocando os dedos indicador,


médio e anular na artéria, mas jamais deve utilizar o polegar, pois este
apresenta pulsação própria.

282
Módulo 4 – Primeiros socorros

Quando a pulsação radial está muito fraca, a verificação do


pulso pode ser feita com mais facilidade na região do pesco-
ço (artérias carótidas). Observe na figura!

Sinais de apoio

Há diversos sinais que auxiliam ou apóiam o diagnóstico do


estado de uma vítima de acidente, com destaque para os três se-
Figura 4.8
guintes. Fonte: do autor (2008)

Aspecto da pele (cútis).

Nível de consciência.

Motilidade e sensibilidade.

Motilidade – faculdade de se mover.

Conheça a seguir os principais sinais vitais de apoio!

Aspecto da pele (cutânea)

Durante o atendimento, o socorrista deve observar o aspecto da pele,


que pode apresentar alterações de origem fisiológica e patológica de
acordo com as especificações a seguir.

Cianose – ocorre em virtude da insuficiência de oxigênio no organis-


mo e se caracteriza por uma coloração arroxeada (ausência de oxigê-
nio nas extremidades, lábios, pontas dos dedos das mãos e dos pés).

Palidez cutânea – ocorre devido à vasoconstrição periférica nos


estados de necessidade de aporte sangüíneo às porções mais no-
bres do organismo ou para a manutenção da temperatura corpo-
ral. Hemorragias, parada cardiorrespiratória e exposição ao frio
são causas de palidez cutânea.

283
NR 10 - Curso Básico

Pele fria e viscosa – ocorre nos casos de estado de choque.

Cutânea – da pele (cútis).

Nível de consciência

É possível caracterizar o nível de consciência observando-se o estado


psicológico e físico da vítima, que pode estar inconsciente em virtude
de desmaio (síncope), choque, coma, convulsão, intoxicação ou óbito.
Uma pessoa pode estar consciente mas desorientada no tempo e no
espaço em virtude de um violento choque emocional ou traumático.

Síncope – estado de inconsciência resultante de queda


brusca de pressão arterial.
Traumático – resultante de um choque violento.

Motilidade e sensibilidade

Motilidade e sensibilidade consistem na capacidade de as


pessoas se moverem. Assim, o socorrista deve estar atento
para o fato de o acidentado demonstrar dificuldade de re-
alizar um determinado movimento. Esse fato pode indicar
lesão importante.

Também devem ser observados os casos em que a vítima


apresenta ausência de sensibilidade em alguma parte do
corpo e que também é forte indicação de uma lesão impor-
tante, e diante dessa situação nada deve retardar a avalia-
ção do socorro especializado.
Figura 4.9
Fonte: do autor (2008)

284
Módulo 4 – Primeiros socorros

LIÇÃO 6

Praticando os primeiros socorros: como agir em casos


de emergência

Sempre há esperança quando há vida humana.


Simone Weil

A pessoa que se dispõe a prestar os primeiros socorros deve começar por


analisar as condições em que ocorreu o acidente e o estado físico e men-
tal do(s) envolvido(s). Após identificar o(s) caso(s) de gravidade, deve
adotar as técnicas de primeiros socorros, algumas das quais são bastante
simples e podem diminuir o sofrimento das vítimas, evitar complica-
ções futuras e até salvar suas vidas. Numa emergência é fundamental
que a pessoa mantenha a calma e transmita confiança até a chegada do
socorro especializado. É importante que aja com extremo rigor, pois do
contrário o atendimento pode comprometer a saúde da vítima.

A seguir você estudará alguns casos graves que requerem pronto atendi-
mento do socorrista. É importante prestar atenção às técnicas e aos procedi-
mentos de atendimento adequados bem como aos erros a serem evitados.

Parada respiratória

A parada respiratória se caracteriza pela interrupção da respiração, ou


seja, a entrada e saída de ar nos pulmões. O aparelho respiratório é cons-
tituído de pulmões, via aérea superior (nariz, boca) e via aérea inferior
(faringe, laringe, traquéia, brônquios, bronquíolos). A via aérea inferior
é responsável por umedecer, aquecer, purificar e filtrar o ar para que ele
chegue em boas condições ao interior dos alvéolos pulmonares, onde
o oxigênio é retirado e transferido para o sangue. Assim, todo acidente
que perturba esse mecanismo coloca em risco a oxigenação dos tecidos,
porque provoca a morte celular e, em conseqüência, da própria vítima.

285
NR 10 - Curso Básico

Como verificar a respiração da vítima

O socorrista deve aproximar-se do rosto da vítima, observar se há mo-


vimento do tórax, se há saída de ar do nariz ou da boca e se há sons
de respiração: se não houver nenhum movimento respiratório, e se os
lábios, a língua e as unhas da vítima estiverem azulados (cianose), o
socorrista deve concluir que ela sofreu uma parada respiratória.

Em seguida o socorrista deve verificar se há alguma obstrução na via


Figura 4.10 aérea da vítima, que pode ser provocada por três principais fatores.
Fonte: do autor (2008)
Corpo estranho – prótese dentária, moeda, pedaço graúdo de
alimento, espinha de peixe, osso de ave, etc.

Base da língua – caída para trás – em vítimas inconscientes.

Substância aspirada para os pulmões (broncoaspiração).

Métodos para desobstruir a via aérea (VAS)

O método para desobstruir a via aérea (VAS) varia de acordo com a gravida-
de e a causa da obstrução, mas em geral os procedimentos devem ser ado-
tados numa seqüência, até que esta tenha sido devidamente desobstruída.

Varredura digital ou limpeza manual – Em vista da suspeita de as-


p
piração de corpos estranhos, o socorrista introduz um ou dois dedos
na boca e faringe da vítima; essa remoção pode ser facilitada se os
dedos passarem pela bochecha e voltarem pelo céu da boca.

Um parada respiratória pode ter as seguintes causas.


Uma

Queda da língua por inconsciência.

Espasmo da laringe.

Obstrução das vias aéreas (superior ou inferior).


Figura 4.11
Choque elétrico.
Fonte: do autor (2008)
Traumatismo craniano com lesões dos centros respiratórios.

Pneumotórax bilateral.

286
Módulo 4 – Primeiros socorros

Pneumotórax bilateral – entrada ou saída de ar ou gás


nos dois pulmões.

Mesmo em vista de uma parada respiratória é possível ao


socorrista restabelecer a respiração da vítima e salvar sua
vida se aplicar de imediato o método boca-a-boca, forçando
a entrada e saída de ar dos pulmões alternada e ritmada-
mente até a respiração natural se restabelecer.

Respiração artificial – Método boca-a-boca – Afrouxe as roupas


da vítima, principalmente em volta do pescoço, tórax e cintura,
para facilitar a circulação. Com a vítima deitada em decúbito
dorsal (de costas) em superfície plana, rígida e com a cabeça no
mesmo nível do tronco, abra a via aérea (VAS) e eleve o queixo.

Abra a boca da vítima com os dedos cruzados e realize a varredura di- Figura 4.12
gital, removendo com cuidado qualquer corpo estranho que encontrar na Fonte: do autor (2008)
cavidade oral como: restos alimentares, próteses dentárias, coágulos de
sangue, caso apresente quadro de obstrução da VAS.

Verifique então se a vítima passou a respirar (ver, ouvir, sentir).

m
Caso negativo, realize respiração boca-a-boca, fechando bem
as narinas da vítima com o polegar e o indicador e soprando
o ar para dentro dos pulmões (usando um protetor de biosse--
gurança), num intervalo de um segundo de duração para cadaa
duas respirações. Na ausência da barreira de proteção, realizee
somente compressão cardíaca.

Figura 4.13
Fonte: do autor (2008)

287
NR 10 - Curso Básico

Toda vez que o ar for soprado para dentro dos pulmões, retire sua
boca para que o ar saia e, ao mesmo tempo, verifique os movimentos
do tórax.

Este método deve ser aplicado enquanto a vítima não respirar. Somen-
te deve ser interrompido quando chegar um profissional de saúde.

Há casos em que não é possível aplicar esse método: por exem-


plo, quando a vítima apresentar traumatismo na boca. Nesse
caso, o socorrista pode fechar a boca e soprar pelo nariz.
No quadro de afogamento, não se pode fazer a insuflação! O
líquido pode ser levado à traquéia e causar broncoaspiração.
Então, o socorrista deve fazer somente as compressões, com a
vítima de cabeça lateralizada para expelir o líquido ingerido.

Parada cardíaca

Como verificar se o coração está batendo? Verifique o pulso carotídeo


colocando os dedos indicador e médio bem no meio do pescoço da
vítima, deslizando-os para o lado até encontrar o vão entre a traquéia
e o músculo do pescoço (pulso carotídeo).

Se a vítima tiver pulso, faça a insuflação soprando o ar para dentro do


pulmão a cada duas respirações com um segundo de duração para cada
respiração e mantendo uma freqüência de 10 a 12 sopros por minuto.

Se se tratar de criança, envolva a boca e o nariz dela com a sua própria


boca, introduzindo ar no pulmão com muito cuidado, pois nesse caso
o ritmo deve ser de um sopro a cada três segundos. O ar insuflado em
bebês deve ser somente o que está na bochecha do socorrista, para não
causar hiperventilação. Na criança o ar deve ser soprado sem muita
força, para que ela possa expulsá-lo.

288
Módulo 4 – Primeiros socorros

E se a vítima não apresentar pulso algum?

Se mesmo com a aplicação da respiração artificial o coração da vítima parar


de bater, o socorrista deve aplicar simultaneamente a respiração e a com-
pressão cardíaca. Quando há uma parada cardíaca, a respiração também se
interrompe; ao passo que quando a respiração é interrompida, é possível o
coração continuar a bater. Nesse caso, se a vítima não for socorrida a tempo,
a falta de oxigênio pode levá-la à morte ou causar lesões permanentes.

A parada cardíaca pode ser ocasionada pelos seguintes fatores.

Isquemia cardíaca.

Choque elétrico.

Envenenamento.

Afogamento.

Infarto agudo do miocárdio.

Consumo excessivo de drogas (overdose).

Engasgamento.

Isquemia – obstrução e contração muscular.

Portanto, uma vez confirmadas as paradas cardíaca e respiratória, o socor-


rista deve aplicar de imediato a RCP (reanimação cardiorrespiratória).

Os casos de parada cardíaca exigem ação imediata, e podem ser cons-


tatados pela observação dos seguintes sintomas.

Inconsciência.

Ausência de pulso.

Palidez intensa.

Extremidades frias.

Dilatação das pupilas (midríase).

289
NR 10 - Curso Básico

Compressão cardíaca – como proceder

Posicione-se em um dos lados da vítima. Localize o osso esterno e na


junção com o apêndice xifóide. Posicione dois dedos, e logo acima des-
ses posicione a palma da mão (região hipotenar). Sobreponha a outra
mão e realize a compressão cardíaca.

Figuras 4.14 e 4.15


Fonte: do autor (2008)

Faça pressão com bastante vigor, empurrando o esterno para baixo,


cerca de três centímetros, a fim de comprimir o coração de encontro à
coluna vertebral e, depois, descomprima.

Figuras 4.16 e 4.17


Fonte: do autor (2008)

290
Módulo 4 – Primeiros socorros

Repita a manobra de 30 compressões para duas insuflações por cinco ci-


etome a
clos, checando os SSVV (sinais vitais). Caso a vítima não reaja, retome
manobra quantas vezes forem necessárias, ou até a exaustão dos socorris-
mento à
tas ou ainda até a chegada de outros profissionais para dar seguimento
ssõees.
conduta (cerca de 100 por minuto). Jamais interrompa as compressões.

Tratamentos diferenciados

O socorrista deve também prestar atenção à idade/constitui-


ção da vítima. Nos adultos, aplique a compressão utilizando
o peso do corpo e não apenas a força dos braços, para evitar a
fadiga. (Atenção: essa pressão deve ser realizada com os bra-
ços retos, evitando assim a fadiga e fratura do osso esterno.)
Figura 4.18
Nas crianças pequenas, comprima o esterno apenas com uma das mãos, e
Fonte: do autor (2008)
nos bebês, apenas com as pontas dos dedos anular e médio, pois o indica-
dor possui muita força e pode ocasionar fratura de costelas.

Figuras 4.19 e 4.20 – Compressão em crianças e em bebês


Fonte: do autor (2008)

É importante que o socorrista tenha recebido bom treinamento, de


modo a evitar as complicações decorrentes de uma compressão mal
realizada, como fratura do esterno e costela ou perfuração de órgãos
pelos ossos das costelas, principalmente os pulmões.

291
NR 10 - Curso Básico

Uma vez que a compressão cardíaca externa não produz boa ventila-
ção, se for verificada também parada respiratória, o procedimento deve
ser acompanhado de ventilação artificial.

Em conformidade com a American Heart Association (AHA), se o so-


corrista estiver sozinho, deve fazer duas insuflações pulmonares (so-
pro) para cada 30 compressões cardíacas, numa média de 100 com-
pressões por minuto.

É importante ressaltar que as práticas atualizadas e norma-


tizadas pela AHA são melhorias das práticas aplicadas ante-
riormente, o que não significa que as práticas anteriores são
incorretas. As normatizações mais atualizadas geralmente
são atualizadas por profissionais com capacitação em Aten-
dimento Avançado da Vida e que fazem uso do DEA (desfi-
brilador automático).

Além do controle das vias aéreas, o desenvolvimento das compressões


cardíacas tornou possível que uma pessoa treinada dê início a uma
inversão de morte clínica mesmo fora do hospital.

Tenha sempre em mente que o socorrista precisa ser bem


treinado! Uma compressão mal feita pode trazer mais pre-
juízos à vítima.

292
Módulo 4 – Primeiros socorros

A seguir, você irá identificar o tipo de acidente mais comum


no trabalho em instalações elétricas: o choque elétrico. Nas
próximas páginas, conhecerá os fatores de gravidade de um
choque elétrico e os seus efeitos, bem como os procedi-
mentos de primeiros socorros (APH – atendimento pré-
hospitalar) adequados a cada caso. Acompanhe!

Choque elétrico

Qualquer pessoa desavisada pode ser víti-


ma de um acidente com eletricidade. Quem
já não ouviu falar de alguém que próximo a
uma árvore foi atingido por um raio e morreu
instantaneamente? As árvores atraem as des-
cargas elétricas dos raios e o corpo humano
é condutor de eletricidade. Todas as pessoas
estão sujeitas a acidentes desse tipo.

Há diversos fatores que determinam a gravi-


dade do choque elétrico. Acompanhe! Figura 4.21
Fonte: do autor (2008)
Trajeto da corrente elétrica

O trajeto da corrente elétrica no corpo humano, que funciona como


um condutor de eletricidade, tem grande influência na gravidade do
choque elétrico. Se uma corrente de intensidade elevada circula de
uma perna a outra, pode resultar só em queimaduras locais, sem lesões
mais sérias. No entanto, se ela circula de um braço a outro, pode levar
à fibrilação do coração, parada cardíaca ou paralisia da musculatura
respiratória, ocasionando a asfixia da vítima.

293
NR 10 - Curso Básico

Fibrilação – movimento descoordenado do coração (ar-


ritmia) causando a perda da capacidade de bombear o san-
gue. Ao invés de bombear, o coração apenas tremula. É um
fenômeno gravíssimo, pois é irreversível naturalmente, e re-
quer a utilização de um desfibrilador elétrico (cardioversor
elétrico) para a reanimação da vítima. O conhecimento do
fenômeno da fibrilação ventricular do coração por meio do
choque elétrico é importante para conscientizar a popula-
ção e os técnicos das empresas dos riscos provenientes dos
trabalhos envolvendo eletricidade.

Intensidade da corrente elétrica

Outro fator importante na determinação da gravidade do choque elé-


trico é a intensidade da corrente. Observe os exemplos.

10 mA – intensidade de corrente elétrica a partir da qual a vítima


não consegue se livrar do ponto energizado que está em contato.

30 mA – intensidade de corrente elétrica a partir da qual a vítima


estará sujeita a efeitos graves, como parada cardiorrespiratória e
fibrilação ventricular (FV).

Tempo de contato com a corrente elétrica

O tempo de contato é outro fator determinante na gra-


vidade dos acidentes com corrente elétrica, uma vez que
determinadas intensidades de corrente produzem con-
trações musculares que levam à asfixia, num prazo de
dois minutos, e à fibrilação ventricular, em 0,25 segundo.
Assim, conclui-se que a passagem da corrente elétrica
pelo corpo desencadeia efeitos diretos e indiretos, como
Figura 4.22 paralisia ou queimaduras. Acompanhe.
Fonte: do autor (2008)

294
Módulo 4 – Primeiros socorros

Efeitos diretos e efeitos indiretos

Paralisia da musculatura respiratória, com queimaduras tér-


micas, ocasionando asfixia e morte antes de quatro minutos, des-
prendimento de calor na passagem da corrente.

Queimaduras eletrotérmicas ocasionadas pelo desprendimen-


to de calor na passagem da corrente causam, ao contrário das
demais queimaduras, destruição da pele e de tecidos profundos.
Em geral são indolores em virtude da destruição das terminações
nervosas, com regeneração muito lenta – a queimadura de tercei-
ro grau não se regenera, ficando seqüelas na epiderme (pele).

Quedas, pancadas, fraturas ou ferimentos.

Os choques elétricos são uma das principais causas de parada


cardiorrespiratória em ambientes de trabalho. O atendimen-
to à vítima deve ser feito nos primeiros quatro minutos, para
que haja chance de sobrevida e recuperação do acidentado.

Como prestar os primeiros socorros a uma vítima de choque elétrico

1. Antes de tocar na vítima, certifique-se de que ela não está mais


em contato com a corrente elétrica. Em caso positivo, desligue
imediatamente a eletricidade. Se não for possível, interrompa o
contato utilizando material isolante (bastão isolante, luva de bor-
racha e botina). Jamais utilize objeto metálico ou úmido.

2. Se as roupas estiverem em chamas, deite-a no chão e cubra-a


com tecido bem grosso, para apagar o fogo.

295
NR 10 - Curso Básico

3. Localize as partes do corpo comprometidas e resfrie-as somen-


te com água corrente na temperatura ambiente (cuidado com
a temperatura ambiente, pois em regiões extremas temos tem-
peraturas também extremas, agravando ainda mais o quadro; a
água deve ser tépida, 35,5ºC a 36ºC, suportável ao punho) ou pa-
nos umedecidos. Não aplique manteiga, gelo, pomada ou creme
dental nos ferimentos.

4. Verifique se há parada cardiorrespiratória por meio da avaliação


dos sinais vitais. Em caso positivo, deite-a em decúbito dorsal (de
costas) e inicie a RCP (reanimação cardiopulmonar).

Após retirada da corrente elétrica, já se pode tocar na vítima,


uma vez que ela não retém corrente, pois não é capacitor.

Leia atentamente o artigo da revista IstoÉ.

IstoÉ – Estado de choque: Menino sobrevive a 68 mil volts


Dizer que alguém nasceu de novo, ao sobreviver a uma
situação limite entre a vida e a morte, é uma expressão
batida. Mas não há outra, absolutamente não há outra,
para definir o que aconteceu no sábado, 17, com o me-
nino paulista Thiago Santos, de 13 anos. Thiago entrou
numa Estação Transformadora de Distribuição da Eletro-
paulo Metropolitana para apanhar sua pipa que ali havia
caído. Ao subir numa das antenas, o garoto recebeu uma
descarga elétrica de 68 mil volts (um condenado à mor-
te na cadeira elétrica recebe um choque de 2.300 volts).
Thiago sofreu parada cardíaca e teve 80% do corpo quei-
mado. Está consciente e nenhum órgão foi afetado. O pai
do menino, Francisco de Almeida Cunha Júnior, disse que
foi um milagre.
IstoÉ – O senhor viu seu filho e o local do acidente. O
que sentiu?
Francisco – Entrei em desespero, pensei que ele esti-
vesse morto. O Thiago tinha o corpo em chamas, estava
preto e soltava fumaça pela boca e pelo nariz. Foi mila-
gre ele ter sobrevivido.

296
Módulo 4 – Primeiros socorros

Por conta da variedade no uso da energia elétrica em nosso dia-a-dia e pelo


fato de sua propriedade física ser invisível, qualquer pessoa menos avisada
poderá vir a ser vítima de um acidente envolvendo energia elétrica.

Sintomas da fibrilação ventricular

Quando a corrente elétrica alternada passa pelo coração, as camadas


dos tecidos respondem vibrando de maneira distinta, provocando um
batimento cardíaco distorcido, sem resultado eficaz de bombeamento
de sangue. Esse estado caótico de polarização é irreversível, com perda
total do sincronismo das contrações.

Devido à heterogeneidade dos tecidos da parede do coração, todos os


mamíferos e animais superiores sofrem o efeito da fibrilação ventricu-
lar em conseqüência do choque elétrico. Portanto, para correntes de
choques grandes, os efeitos mais drásticos são as queimaduras, e para
correntes pequenas, o maior perigo é a fibrilação ventricular.

Quando uma pessoa após receber uma descarga elétrica entrar em fi-


brilação ventricular, a pressão cai a zero. Devido a essas ocorrências, os
sintomas externos básicos são os seguintes.

Vítima desfalecida.

Palidez.

Não há pulso.

Não há respiração.

Causas da fibrilação ventricular

Além do choque elétrico, a fibrilação pode ocorrer também em outros


tipos de acidentes. Acompanhe a lista.

Choque mecânico.

Choque térmico.

Estrangulamento.

297
NR 10 - Curso Básico

Afogamento.

Cirurgia.

Trauma torácico.

Cateterismo cardíaco.

Hipotermia artificial (< 28°C).

Choque químico (K+ , Ca+ + , H+ , etc.).

Drogas.

Origem clínica.

Como a fibrilação ventricular é irreversível de forma natural, faz-se


necessário o emprego de técnicas práticas e tecnológicas, de modo a
fazer o coração retomar o seu ritmo normal. Muitas técnicas e medi-
camentos foram utilizados, mas o método que obteve sucesso foi o
desfibrilador elétrico (cardioversor elétrico), que na verdade é um
capacitor a ser descarregado no acidentado.

Hoje existe no mercado modelos de Desfibrilador Automático Exter-


no, um equipamento portátil com tecnologia de onda bifásica para
uso em qualquer ambiente. O aparelho é utilizado em unidades de
resgate aéreo e terrestre, e fornece suporte avançado à vida. O Des-
fibrilador Automático Externo oferece a possibilidade de ser utilizado
por leigos (acesso público à desfibrilação), após treinamento mínimo e
sob supervisão médica. Dispõe de operacionalidade simples, com alta
sensibilidade e especificidade no diagnóstico de arritmias malignas. A
segurança é enfatizada, e o risco de acidentes com o paciente e o ope-
rador é mínimo. A utilização do aparelho aumenta a taxa de sobrevida
humana em uma parada cardiorrespiratória.

298
Módulo 4 – Primeiros socorros

Observe outro caso de choque elétrico publicado no jornal O Globo.

O Globo (1997) – Temporal derruba árvore e causa mais


uma morte

O vendedor de medicamentos Agostinho de Araújo Ra-


mos, de 53 anos, morreu após sofrer uma descarga elé-
trica e ficar desacordado na Rua do Catete, durante um
temporal. Os fios da rede elétrica estavam soltos na calça-
da. A comerciante Fátima R. Rocha contou que, na noite
anterior, várias pessoas tomaram choque no mesmo lugar
onde Ramos morreu. A causa da morte de Ramos, segun-
do o IML, consta que ele morreu de “broncoaspiração”,
sufocação direta por obstrução das vias aéreas superio-
res.

Como você já estudou, a passagem da corrente elétrica percorrendo o


corpo pode desencadear efeitos diretos e indiretos.

Noções sobre lesões

Queimaduras

São lesões causadas quando a pele entra em contato com temperaturas


extremas e substâncias químicas corrosivas. O grau de lesão varia de
acordo com a intensidade e a extensão de pele atingida: quanto maior
a área, mais grave é o caso. De acordo com a profundidade da lesão dos
tecidos, as queimaduras são classificadas em três tipos.

1º grau – atinge somente a epiderme. Dor e vermelhidão local.

2º grau – é caracterizada por vermelhidão e formação de bolhas


(com líquido cítrico). Existem três tipos de bolhas: vesículas, bo-
lhas e flictenas, que diferenciam de tamanhos – pequenas, mé-
dias e grandes, dolorosas.

3º grau – atinge camadas profundas da pele, ocasionando a des-


truição das terminações nervosas e sensitivas do tecido.

299
NR 10 - Curso Básico

O socorrista pode avaliar a relação gravidade-extensão utilizando a re-


gra dos nove, bastante útil e de fácil memorização, cujos valores são
definidos em porcentagem (%) da superfície corporal de acordo com a
seguinte especificação.

Cabeça – 9%.

Pescoço – 1%.

Membro superior – 9% cada.

Dorso – 18%.

Tórax – 18%.

Membro inferior – 18% cada.

Genitália – 1%.

Assim, a extensão e a gravidade de uma queimadura deter-


minam o procedimento que o socorrista deve adotar. Ob-
serve a seguir a classificação das queimaduras segundo a
Figura 4.23 sua extensão e gravidade e os procedimentos de primeiros
Fonte: do autor (2008)
socorros a serem adotados.

Gravidade quanto à extensão

Pequena queimadura – menos de 10% da área corpórea.

Grande queimadura – mais de 10% da área corpórea.

O risco de morte ou risco de continuar com vida está mais re-


lacionado com a extensão do que com a profundidade da lesão.

300
Módulo 4 – Primeiros socorros

São consideradas graves as seguintes queimaduras.

Elétrica.

Em períneo.

Com mais de 10% da área corpórea.

Com lesão das vias aéreas.

Conduta a ser tomada pelo socorrista

Prevenir o estado de choque.

Evitar infecções na área queimada.

Controlar a dor.

As conseqüências dos acidentes com queimaduras de 1º e 2º graus de


grande extensão ou de 3º grau são as seguintes.

Estado de choque – a necrose de uma vasta área de tecido im-


pede a circulação sangüínea.

Insuficiência renal – as células destruídas pela queimadura en-


tram na corrente sangüínea e impedem a formação da urina.

Septicemia – a área queimada é atingida por microorganismos e


tem início um violento processo infeccioso, choque séptico.

Septicemia – processo infeccioso generalizado em que


microorganismos patogênicos penetram na corrente sangü-
ínea e nela se multiplicam; choque séptico.

301
NR 10 - Curso Básico

Como socorrer em caso de queimaduras de pequena extensão

Lavar o local com água (tépida, temperatura de 35,5ºC a 36ºC)


por dois a cinco minutos.

Não aplicar iodo, mercúrio ou pomada no local do ferimento,


para não encobrir a lesão.

Como socorrer em caso de queimaduras térmicas

Apagar o fogo da vítima com água (tépida, temperatura de 35,


5ºC a 36ºC).

Verificar vias aéreas, respiração, circulação e nível de consciência


(especial atenção para as VAS em queimados de face).

Retirar partes de roupas não queimadas. No caso de tecidos quei-


mados aderidos ao local, recortar em volta.

Retirar da vítima pulseiras, anéis, relógios e outros acessórios.

Estabelecer extensão e profundidade das queimaduras.

Quando de 1º grau, banhar o local com água (tépida, temperatu-


ra de 35,5ºC a 36ºC). Não passar nada no local.

Cobrir regiões queimadas com manta aluminizada ou papel alu-


mínio.

Quando em olhos, cobrir com gaze embebida em soro.

302
Módulo 4 – Primeiros socorros

Como socorrer em caso de queimaduras químicas

Descobrir qual tipo de produto químico causou a queimadura.

Verificar as VAS (vias aéreas superiores), respiração, circulação e


nível de consciência e evitar choque.

Retirar as roupas da vítima.

Lavar com água ou soro, sem pressão ou fricção.

De acordo com o agente químico há um tempo de lavagem: áci-


do – lavar por cinco minutos; álcali – lavar por 15 minutos. Na
dúvida, lave a queimadura por 15 minutos.

Se álcali seco, não lavar: retirar manualmente (exemplo: soda


cáustica) em peles íntegras. Quando se tratar de mucosas, retirar
o excesso e lavar abundantemente, sem esfregar.

Como socorrer em caso de queimaduras de grande extensão

Prevenir o estado de choque – o estado de choque é uma das con-


seqüências comuns nos casos de grandes queimaduras, quando
então o socorrista deve acomodar a vítima.

Controlar a dor – de acordo com a área atingida, a dor associada


a queimaduras de 2º e 3º graus é insuportável.

Evitar a contaminação – se houver formação de bolhas, o socor-


rista não deve irritá-las nem furá-las, pois elas podem romper e
deixar uma ferida (úlcera) aberta, sujeita à entrada de microorga-
nismos patogênicos que podem ocasionar infecção.

Lavar a área queimada com água corrente em temperatura am-


biente (tépida, temperatura de 35,5ºC a 36ºC).

Se as roupas da vítima tiverem aderido à queimadura, não as


remova.

303
NR 10 - Curso Básico

Não aplicar iodo, mercúrio ou pomada no local do ferimento.

Não fornecer água.

Mantê-la aquecida.

Manter os sinais vitais, e no caso de parada cardiorrespiratória,


aplicar o método de reanimação mais adequado.

Encaminhá-la ao hospital.

Nos acidentes provocados por choque elétrico há, em geral, duas feridas
cutâneas (úlceras): uma na entrada e outra na saída da corrente. Embora
elas costumem parecer pequenas, uma quantidade considerável de te-
cido abaixo delas é destruída. Nesses casos, os procedimentos a serem
adotados são os mesmos para outros tipos de queimadura. Quando o
choque ocasiona a paralisação da respiração, em virtude da contração
dos músculos respiratórios, o socorrista deve efetuar as manobras de
respiração já estudadas sobre reanimação cardiorrespiratória.

Lembre-se sempre de que o socorrista deve adotar todos


os procedimentos ao seu alcance, mas os seus cuidados não
substituem os do profissional de saúde (enfermeiro ou mé-
dico). Uma vez que a gravidade das lesões pode exigir recur-
sos adequados para lidar com os danos na pele e problemas
de insuficiência circulatória e renal e de infecção, ele deve
acionar de imediato os recursos hospitalares.

Úlceras (feridas)

São lesões que acometem a epiderme (camada mais externa) e/ou der-
me (camada mais profunda da pele) e facilitam as infecções. A pele atua
como barreira mecânica entre o corpo e o mundo externo, impedindo
a entrada de microorganismos no corpo e fazendo a termorregulação e
a manutenção dos fluidos no organismo.

304
Módulo 4 – Primeiros socorros

Na presença de ferimentos, a conduta inicial, sempre que possível, deve


ser lavar o local com água corrente. Quando se tratar de lesões com gran-
des áreas atingidas e com sangramentos intensos, deve-se comprimir o
local com pano limpo e fazer a compressão nas grandes veias e artérias
(dígito/pressão) a fim de diminuir o fluxo local (sempre acima da lesão).

Nos casos de amputação total e/ou esmagamento, deve-se proceder


como indicado acima e realizar garroteamento acima da lesão. A parte
amputada deve ser recolhida e colocada em um saco plástico limpo.
Este saco plástico deve ser colocado dentro de um recipiente com água,
sendo este recipiente com água colocado dentro de outro com gelo e
levado com a vítima para o hospital a fim de se tentar o reimplante. A
parte amputada deve estar resfriada e não congelada nem encharcada,
o que irá facilitar o trabalho do médico-cirurgião.

Nas lesões em que existir um material preso à pele, este


não deverá ser retirado, devendo ser protegido durante o
transporte para não haver deslocamento ou saída.

Lesão traumato-ortopédica

Existem diversos tipos de lesão traumato-ortopédica que afetam o


aparelho locomotor e comprometem as articulações, ossos e múscu-
los. Estude, a seguir, os procedimentos de primeiros socorros a serem
adotados para aliviar o sofrimento da vítima!

Entorse

Na entorse há distensão dos ligamentos articulares, ocasionando a se-


paração momentânea das superfícies ósseas da articulação e provo-
cando edema e dor local, que se acentua com a movimentação.

305
NR 10 - Curso Básico

Luxação

Na luxação há distensão ou rompimento dos ligamentos articulares,


ocasionando separação das superfícies ósseas da articulação.

Em ambos os casos, o socorrista deve adotar os seguintes procedimentos.

Evitar movimentar a articulação afetada.

Aplicar bolsa de gelo sobre o local a fim de reduzir o edema e a dor.

Fraturas e lesões de articulação

É o rompimento total ou parcial de um osso ou cartilagem. As fraturas


podem ser fechadas, quando a pele não é rompida pelo osso fraturado,
e expostas ou abertas, quando o osso atravessa a pele e fica expos-
to. Toda suspeita de fratura ou lesão de articulação devem resultar em
imobilização. Nas indústrias, a fratura pode ocorrer em razão de que-
das e movimentos bruscos do empregado, batidas contra objetos, fer-
ramentas, maquinário, assim como quedas desses sobre o empregado.

Suspeita-se de uma fratura ou lesão articular quando houver sido


constatado pelo menos dois dos seguintes itens.

Dor intensa no local, que aumenta ao menor movimento ou to-


que na região.

Edema local (inchaço).

Crepitação ao movimento (som parecido com o amassar de papel).

Hematoma (rompimento de vaso com acúmulo de sangue no


local) ou equimose (mancha de coloração azulada na pele), que
aparece horas após a fratura.

Paralisia (lesão dos nervos).

Nunca se deve tentar colocar o osso no lugar. Isso deverá


ser feito em local e por profissional qualificado.

306
Módulo 4 – Primeiros socorros

Procedimentos básicos

Estancar eventual hemorragia em casos de fraturas expostas ou


abertas.

Imobilizar as articulações mais próximas do local com suspeita


de fratura, a fim de impedir a movimentação, utilizando jornais,
revistas, tábuas, papelão, etc.; convém acolchoar com algodão, lã
ou trapos os pontos onde os ossos ficarão em contato com a tala,
fixando-os acima e abaixo da lesão.

Não deslocar ou arrastar a vítima antes de imobilizar os segmen-


tos fraturados.

Encaminhar a vítima ao serviço de saúde para diagnóstico e tra-


tamento precisos.

Em caso de lesão articular (entorses e contusões)

Colocar a vítima deitada ou sentada


em posição confortável.

Nas primeiras 24 horas, aplicar frio inten-


so no local com bolsa de gelo ou com-
pressas frias úmidas; posteriormente,
aplicar calor local.
Figura 4.24
Imobilizar a região afetada com faixas ou panos para impedir os mo- Fonte: do autor (2008)
vimentos, diminuindo assim a dor.

Após decorridas as primeiras 24 horas, pode-se aplicar calor no local


e imobilizá-lo, mantendo a região aquecida.

Encaminhar a vítima
ao serviço de saúde
para diagnóstico e tra-
tamento precisos.

Figura 4.25
Fonte: do autor (2008)

307
NR 10 - Curso Básico

Nunca massagear ou friccionar o local afetado.

Picadas e mordidas de animais

São considerados riscos adicionais aqueles causados por acidentes com


cobras e serpentes, escorpiões, aranhas, vespas, abelhas e algumas for-
mas marinhas de vida animal que se constituem em um tipo de enve-
nenamento, cujo veículo de introdução, no corpo humano, se faz atra-
vés de presas ou ferrões. Existem diferenças importantes que devem
ser consideradas entre animais venenosos e animais peçonhentos.

Animais venenosos – produzem veneno, mas não possuem um aparelho


inoculador (dentes ou ferrões), provocando envenenamento passivo por
contato (taturana), por compressão (sapo), ou por ingestão (peixe baiacu).

Animais peçonhentos possuem glândulas de veneno que se comunicam


com dentes ocos, ferrões ou aguilhões, por onde o veneno passa ativa-
mente. É o caso de serpentes, aranhas, escorpiões, abelhas e arraias.

Um socorrista não precisa ser capaz de classificar insetos, aranhas, es-


corpiões e ofídios em gênero e espécie – tal atividade é reservada aos
estudiosos desta área. No entanto, existe conhecimento indispensável
sobre animais peçonhentos para que se possa utilizar uma técnica ade-
quada a cada situação.

Envenenamento por ofídios

No Brasil, há cerca de 260 espécies catalogadas de serpentes, das quais cer-


ca de 40 são peçonhentas. Os principais grupos de serpentes peçonhentas
existentes no nosso país são as espécies jararaca, surucucu, cascavel e coral.
O termo jararaca, por exemplo, refere-se a mais de 20 espécies de serpentes
com características semelhantes, como a forma da cabeça e do corpo.

O veneno de cada grupo de serpentes peçonhentas tem uma composi-


ção diferente, provocando sintomas distintos. A peçonha do grupo ja-
raraca, por exemplo, encontrado em todo o país, tem efeito local: causa

308
Módulo 4 – Primeiros socorros

inchaço e hemorragia. Além disso, destrói os músculos da região onde


é injetada. A ação do veneno das serpentes do grupo surucucu, que
vivem na Mata Atlântica e Amazônia, produz sintomas semelhantes
aos gerados pela peçonha do grupo jararaca.

Já a toxina do grupo cascavel provoca visão dupla e paralisa os mús-


culos, impedindo os movimentos. Serpentes desse grupo podem ser
encontradas em todo o país, exceto na Mata Atlântica e na Amazônia.

O veneno do grupo das corais, por sua vez, mata por parada respira-
tória ao bloquear os movimentos de um músculo chamado diafragma,
que é responsável pela respiração.

A toxicidade do veneno varia em função do tamanho e estado de nu-


trição do animal agressor, da quantidade de veneno inoculado, do peso
e estado de saúde da vítima. A cada ano, cerca de 20 mil pessoas são
picadas por cobra no Brasil. Acidentes com serpentes do grupo jararaca
são os mais freqüentes e acontecem geralmente no campo.

No caso de envenenamento por ofídios, o socorro precisa ser rápido. O


médico determina qual grupo de cobra picou a pessoa por meio dos sin-
tomas que esta apresenta. Afinal, cada grupo de serpentes peçonhentas
apresenta um veneno específico, que provoca sintomas diferentes. De
maneira prática, podemos classificar as serpentes peçonhentas no Brasil
em quatro grandes gêneros, conforme a tabela a seguir.

Tabela 4.1 – Tipos de serpentes e regiões de presença

Gênero Região do país onde são encontradas


Micrurus – Corais Centro, Sul e Nordeste
Crotalus – Cascavéis Centro e Sul
Lachesis – Surucucu ou Surucutinga Sul, Região Amazônica e Zona da Mata Nordestina
Bothrops – Jararacas, Urutu-Cruzeiro, Jararacuçu Todas as regiões

Fonte: Instituto Butantan

309
NR 10 - Curso Básico

Serpentes peçonhentas e não-peçonhentas

Existem alguns critérios básicos para distinguir serpentes peçonhentas


de não-peçonhentas a uma distância segura. O primeiro deles é a pre-
sença de um orifício entre o olho e a narina da serpente, denominado
fosseta loreal. Toda serpente brasileira que possui esse orifício é peço-
nhenta. Ele é utilizado para perceber a presença de calor, o que permite
à serpente caçar no escuro presas que tenham corpo quente (homeo-
térmicas), tais como mamíferos e aves. A única exceção para essa regra
é a cobra-coral, que é venenosa e não possui fosseta (cujo nome cien-
tífico é Micrurus). Porém, as corais possuem um padrão característico
de anéis pretos, vermelhos e brancos ou amarelos, que não permitem
nenhuma confusão. Na Amazônia existem corais pretas e brancas ou
marrons. Desse modo, deve-se considerar toda serpente com essa co-
loração como perigosa, apesar da existência de serpentes que imitam
as corais verdadeiras, denominadas corais falsas. As corais verdadeiras
não dão bote e normalmente se abrigam debaixo de troncos de árvo-
res, folhas ou outros locais úmidos em todas as regiões do país.

Outra característica importante na distinção das serpentes peçonhen-


tas é o tipo de cauda. Algumas serpentes com fosseta loreal apresen-
tam um chocalho na ponta da cauda, que emite um som característico
de alerta quando são perturbadas. Essas são as cascavéis (cujo nome
científico é Crotalus), facilmente encontradas em áreas abertas e secas,
mesmo em áreas agriculturáveis de grande parte do Brasil, excluindo-
se áreas de vegetação mais densa.

As serpentes com fosseta loreal cuja cauda é lisa até a extremidade


pertencem à família das jararacas (cujo nome científico é Bothrops).
São encontradas, em sua grande maioria, em áreas mais limitadas,
como as áreas de mata, apesar de alguns tipos habitarem também zo-
nas de caatinga e cerrado.

310
Módulo 4 – Primeiros socorros

Algumas serpentes com fosseta loreal apresentam a extremidade da cau-


da com as escamas eriçadas como uma escova. Essas são as chamadas
surucucus ou pico-de-jaca (cujo nome científico é Lachesis). O nome pico-
de-jaca foi dado em virtude do aspecto da pele desse animal se parecer
muito com a fruta. Elas são encontradas apenas em áreas de floresta tropi-
cal densa, tais como a Amazônia ou alguns pontos da Mata Atlântica.

Observe a seguir dois quadros com informações relevantes a serpentes


brasileiras.

Tabela 4.2 – Diferenças entre serpentes peçonhentas e não-peçonhentas

Diferenças entre serpentes peçonhentas e não-peçonhentas


Cauda normal (lisa) - Gênero Bothrops:
Jararaca, Jaracuçu, Urutu

Cauda chocalhol ou guizo -Gênero Crotalus:


Fosseta Cascavel, Boicininga

Peçonhenta
loreal
presente Orifício entre o olho e a narina conheci-
do como “cobra de 4 ventos”
Cauda com escamas eriçadas ou arrepiadas
- Gênero Lachesis: Surucucu, Pico de Jaca, Su-
rucutinga

Gêneros Micrurus: Corais

Com presas anteriores


Não-peçonhenta

Fosseta Vários gêneros: Cobra Cipó, Jibóia

loreal
ausente
Sem presas anteriores
Vários gêneros: Cobra Verde, Parelheira

Fonte: Instituto Butantan

311
NR 10 - Curso Básico

Tabela 4.3 - Principais sintomas em picados por serpentes no Brasil

Principais sintomas em picados por serpentes no Brasil


Crotalus – Cascavéis Bothrops – Jararacas Micrurus – Corais

Sintomas

Duas perfurações correspon- Duas perurações correspon- Duas perurações corres-


dentes às presas inoculadoras dentes às presas inoculdoras pondentes às presas inocul-
doras e outras menores

Sinal no local da picada

Inchaço, vermelhidão, ar-


roxamento, febre, bolhas _______ Forte _______
de água no local da picada

Dor no local da picada Fraca Forte Fraca

Queda das pálpebras supe-


Expressão facial Normal Fraca
riores

Dor intensa na nuca (pode


Dores generalizadas aparecer em outras regiões Às vezes, dores de cabeça _______
do corpo)

Grande diminuição do volume.


Urina Turva. Cor: vermelha Normal
Cor castanho-avermelhado

Fonte: Instituto Butantan

Prevenindo contatos indesejados com cobras

É muito importante evitar situações de risco de acidentes ofídicos. Não


ande descalço. Ao caminhar na mata ou em plantações, use botas que
o protejam até os joelhos.

Não coloque a mão em buracos e, acima de tudo, não manipule ser-


pentes, por mais inofensivas que elas possam parecer.

312
Módulo 4 – Primeiros socorros

Mantenha os quintais limpos, assim como as áreas ao redor de resi-


dências. Não acumule detritos ou material que sirva de alimento para
ratos, pois estes podem atrair serpentes, que se alimentam destes.

Em caso de acidente, não faça qualquer tipo de atendimento caseiro,


não corte nem perfure o local da mordida e não faça torniquete. Pro-
cure imediatamente um posto médico, porque somente o soro antio-
fídico cura. Ele é distribuído gratuitamente a hospitais, casas de saúde
e postos de atendimento médico por todo o país pelo Ministério da
Saúde. Em São Paulo, o Hospital Vital Brazil, que pertence ao Instituto
Butantan, realiza esse tipo de atendimento 24 horas por dia.

Procedimentos a serem adotados em caso de picada

Deitar a vítima o mais rápido possível.

Não deixar a vítima fazer qualquer esforço, pois o estímulo da


circulação sangüínea difunde o veneno pelo corpo.

Colocar compressa de álcool sobre o local da picada no caso de


escorpiões, lacraias, centopéias e aranhas.

Aplicar gelo ou compressas frias e anestesia no caso de picada de


lacraias, centopéias e lagartas.

Aplicar compressas quentes e anestesia no caso de picada de es-


corpiões e aranhas.

Lavar o local da picada com água abundante e de preferência


com água e sabão.

Quando a picada for nos membros superiores ou nos inferiores,


mantê-los em posição mais elevada.

Não se deve fazer torniquete, pois isso impede a circulação san-


güínea, podendo causar gangrena ou necrose.

Não se deve furar, cortar, queimar, espremer, fazer sucção no lo-


cal do ferimento nem aplicar folhas, pó de café ou terra, para não
provocar infecção.

313
NR 10 - Curso Básico

Levar o acidentado imediatamente ao serviço de saúde mais


próximo.

Se possível levar o animal peçonhento junto, mesmo que morto.


Isso facilita o diagnóstico e a detecção de qual soro será o mais
apropriado para ser ministrado ao paciente.

Nenhum remédio caseiro substitui o soro antipeçonhento!

Reconhecendo aranhas perigosas

O filo dos artrópodes corresponde a mais de 80% das espécies animais


existentes. Entre os principais grupos desse filo estão os aracnídeos
(subfilo Chelicerata – classe Arachnida), dos quais fazem parte as ara-
nhas (ordem Araneae) e os escorpiões (ordem Scorpiones). Os aracní-
deos são caracterizados por apresentarem o corpo dividido em duas
partes (cefalotórax e abdômen), quatro pares de pernas, um par de
pedipalpos e um par de quelíceras (apêndices bucais).

As aranhas compõem a ordem mais numerosa dos aracnídeos, sen-


do consideradas válidas cerca de 35.000 espécies em todo o mundo,
porém somente cerca de 20 a 30 espécies são consideradas perigosas
para o homem. Habitam praticamente todas as regiões do planeta, in-
cluindo uma espécie aquática. Muitas espécies vivem próximas, e até
mesmo dentro de habitações humanas, favorecendo a ocorrência de
acidentes. O veneno, produzido por duas glândulas situadas na região
das quelíceras, pode ser utilizado na captura de presas e como defesa.
Poucas espécies podem causar acidentes com envenenamento huma-
no importante. No Brasil, as espécies mais representativas pertencem
aos gêneros Phoneutria, Loxosceles e Latrodectus.

314
Módulo 4 – Primeiros socorros

Tabela 4.4 – Características das principais aranhas venenosas do Brasil

Características das principais aranhas perigosas do Brasil


Gênero Phoneutria Gênero Loxosceles Gênero Lycosa Gênero Latrodectus
“armadeira” “aranha-marrom” “tarântula” “viúva-negra”

Características

Agressividade Muito grande Mínima Pequena Mínima

Pilhas de tijolos, Sob arbustos e em


Bananeiras e outras Gramados e beira de
Principais locais onde telhas e beira de campos cultivados
folhagens e também barracos e também
são encontradas barracos e também e também em
nas residências em residências
em residências residências

Acidentes Muito freqüentes Pouco freqüentes Freqüentes Pouco freqüentes

Vespertinos e Vespertinos e
Noturnos; Diurnos; aranha
Hábitos noturnos; aranhas noturnos; aranha
aranha sedentária errante e sedentária
errantes sedentária

Teia Inexistente Irregular Inexistente Irregular

Fonte: Instituto Butantan

Animais raivosos e insetos

Mordidas de animais raivosos – Qualquer animal pode contrair a


raiva e se tornar um transmissor. Quem for mordido por um animal
deve suspeitar de raiva e mantê-lo em observação até prova em con-
trário. Mesmo vacinado, o animal pode apresentar a doença. Todas as
mordidas por animais devem ser vistas por um médico.

Picadas e ferroadas de insetos - Há pessoas alérgicas que sofrem re-


ações graves e/ou generalizadas devido a picadas de insetos. Tais pes-
soas devem receber um tratamento médico imediato. Picada de inseto
pode ser um risco de vida para pessoa sensível.

315
NR 10 - Curso Básico

Como proceder

Retirar os ferrões do inseto, através de técnicas adequadas.

Lavar com água o local da picada.

Procurar socorro médico o mais rápido possível.

Você está encerrando a penúltima lição do módulo de pri-


meiros socorros! Acesse o AVA para relembrar os tópicos
mais importantes, pois a seguir você estudará uma parte
muito importante deste assunto: como transportar uma
pessoa acidentada com segurança e com os menores trans-
tornos possíveis. Está preparado? Tenha um bom estudo!

LIÇÃO 7

Técnicas para remoção e transporte de acidentados

Hoje auxiliamos, amanhã seremos os necessitados de auxílio.


Francisco Cândido Xavier

O transporte da vítima de acidente merece um tema especial. Nes-


se momento, as lesões já existentes podem ser agravadas, por isso o
socorrista somente deve fazer o transporte se for absolutamente ne-
cessário. Caso contrário, deve aguardar atendimento do profissional
de saúde no local do acidente. Acompanhe a seguir os procedimentos
adequados para transportar vítimas que merecem cuidados especiais.

Controlar as hemorragias, para evitar sangramento abundante e


exposição ao risco de a vítima entrar em choque.

Se houver suspeita de fratura, principalmente no caso de atrope-


lamento, imobilizar o local fraturado sem tentar colocar o osso
no lugar, nem mexer demasiadamente no local da fratura.

Se houver parada cardiorrespiratória, iniciar imediatamente a


respiração artificial e a compressão cardíaca.

316
Módulo 4 – Primeiros socorros

Parâmetro de decisão para transporte

Devem ser transportados os acidentados que estiverem em qualquer


uma das seguintes condições.

Inconscientes.

Em estado de choque.

Gravemente queimados.

Com hemorragia.

Envenenados

Com fratura nos membros inferiores, pelve e coluna vertebral.

Acidentados com fratura no pescoço e suspeita de lesão da


medula não devem ser removidos antes do atendimento ser
feito por profissional de saúde. Um erro de movimento
pode ocasionar numerosas lesões.

Como socorrer

Se a vítima tiver que ser erguida para verificação das lesões, cada
parte do corpo deve ser apoiada. Não deixar o corpo se dobrar,
mantenha-o em linha reta.

Ao transportá-la, puxar pela direção da cabeça ou dos pés, nunca


pelos lados, e proteger o corpo com toalha ou outro material,
principalmente a cabeça.

Se não houver prancha para removê-la, adotar o método do au-


xílio de três pessoas, de acordo com a ilustração.

317
NR 10 - Curso Básico

Figura 4.26
Fonte: do autor (2008)

O transporte em três pessoas só deve ser feito em mal sú-


bito ou outro acometimento sem trauma de coluna.

O socorrista também pode improvisar uma maca amarrando um co-


bertor o
ou colcha em duas varas resistentes (nunca utilizar
cabos de vassoura), de acordo com a ilustração.

Vale le
lembrar que essas técnicas só poderão ser utilizadas
se não houver suspeita de lesão cervical e/ou vertebral; do
contrá
contrário, a prancha longa e o colar cervical deverão ser
utilizad
utilizados, assim como o apoio de cabeça.

Nesse tip
tipo de situação, a vítima deverá ser virada em bloco, a
fim de ma
manter a coluna reta. Para essa conduta são necessários
quatro socorri
socorristas, três atuando no corpo e um na cabeça. O socor-
Figura 4.27
Fonte: do autor (2008)
rista que estiver posic
posicionado no meio da vítima será responsável em puxar
a prancha junto à vítima.

318
Módulo 4 – Primeiros socorros

Figura 4.28
Fonte: do autor (2008)

Mas também é possível que o socorrista esteja sozinho ao prestar auxí-


lio à vítima, e mesmo assim precise removê-la em virtude de um perigo
iminente, como desabamento ou incêndio. Nesses casos ele pode contar
com o auxílio de uma ou mais pessoas, desde que as oriente previamente.
Conheça a seguir outros métodos de transporte a serem aplicados em si-
dequação.
tuações especiais, desde que o socorrista esteja certo de sua adequação.

Transporte de apoio

Se a vítima estiver consciente e com leves ferimentos, o socorrista


ocorrist
stta
deve se posicionar ao lado, passar o braço dela pela sua própr
ria
ia
própria
nuca e segurá-la com o outro braço.

Transporte em cadeira improvisada

Dois socorristas podem improvisar uma cadeira segurando


do oss
aços ao
braços e punhos um do outro; a vítima senta e passa os braços o
redor dos seus pescoços.

Figura 4.29
Fonte: do autor (2008)

319
NR 10 - Curso Básico

Transporte em cadeira

No transporte da vítima numa cadeira, que tem a vantagem de manter


o corpo ereto e desse modo impedir o possível agravamento das le-
sões, deve-se incliná-la para trás.

Figuras 4.30 e 4.31 – Transporte em cadeira improvisada e transporte em cadeira


Fonte: do autor (2008)

Transporte em braços

O socorrista pode levantar e transportar a vítima no colo, desde que


agüente o peso.

Transporte nas costas

A vítima passa os braços por cima dos ombros do socorrista e se


apóia nele.

Transporte pela extremidade


Figura 4.32
Dois socorristas carregam uma vítima: um agarra com os braços o
Fonte: do autor (2008)
tronco da vítima e os passa por baixo das axilas enquanto o outro, de
costas para o primeiro, segura as pernas.

320
Módulo 4 – Primeiros socorros

Figuras 4.33 e 4.34 – Transporte nas costas e transporte pela extremidade


Fonte: do autor (2008)

O transporte de vítimas de acidente em veículos automotores


também merece cuidados especiais: o socorrista deve pedir ao
motorista que tome cuidado e não exceda o limite de veloci-
dade. Caso contrário, em lugar de salvar uma vida, pode ocasio-
nar um acidente com novas vítimas. Além disso, as freadas e os
solavancos do carro podem agravar o estado dos ferimentos.

321
NR 10 - Curso Básico

Você encerrou o último módulo do curso básico de segurança em instalações


e serviços em eletricidade! Nesta etapa, você estudou noções básicas de pri-
meiros socorros – desde os requisitos de identificação do problema, passando
pel procedimentos práticos de primeiros socorros, e os cuidados
pelos
com o transporte do acidentado.Vale lembrar que este conteúdo é
ex
exigido para qualquer profissional que exerça atividades em insta-
lações elétricas portanto não deixe de realizar todas as ativida-
d do conteúdo virtual. Espero que você tenha aproveitado
des
este tempo que passamos juntos. Quando tiver alguma dú-
vida, não deixe de conversar com seu tutor ou mesmo tro-
car experiências com seus colegas. Desejo-lhe progresso e
saúde na sua atividade profissional! Até a próxima!

322
Encerramento

Você está encerrando o curso básico de segurança em


instalações e serviços em eletricidade, baseado
na Norma Regulamentadora 10! Durante todo
este tempo, aprofundou conhecimentos sobre
normas e procedimentos corretos para que o
trabalho em instalações elétricas seja feito com se-
gurança e sem incidentes.

O profissional que trabalha em instalações elé-


tricas é, obrigatoriamente, pessoa habilitada e
treinada, com conhecimento técnico e funcional
tanto do equipamento quanto do sistema que
irá dar manutenção. É também um responsável direto pela segurança
da operação, pelas pessoas e demais bens interligados a ela. Por isso
há tantas normas de segurança e de bom senso, além das próprias
inspeções visuais recomendadas. Operar um sistema elétrico significa
grande responsabilidade! Um bom operador está sempre preparado
para garantir a segurança do ambiente enquanto exerce a sua função.

Agora, mãos à obra! Desejo-lhe saúde e sucesso profissional com ser-


viços qualificados e responsáveis! Seu empregador certamente saberá
reconhecer isso!

323
Anexos

Glossário

1. Alta-Tensão (AT) – Tensão superior a 1.000 volts em corrente al-


ternada ou 1.500 volts em corrente contínua, entre fases ou entre
fase e terra.

2. Área Classificada – Local com potencialidade de ocorrência de


atmosfera explosiva.

3. Aterramento Elétrico Temporário – Ligação elétrica efetiva


confiável e adequada intencional à terra, destinada a garantir a
eqüipotencialidade e mantida continuamente durante a inter-
venção na instalação elétrica.

4. Atmosfera Explosiva – Mistura com o ar, sob condições atmos-


féricas, de substâncias inflamáveis na forma de gás, vapor, névoa,
poeira ou fibras, na qual, após a ignição, a combustão se propaga.

5. Baixa Tensão (BT) – Tensão superior a 50 volts em corrente al-


ternada ou 120 volts em corrente contínua e igual ou inferior
a 1.000 volts em corrente alternada ou 1.500 volts em corrente
contínua, entre fases ou entre fase e terra.

6. Barreira – Dispositivo que impede qualquer contato com partes


energizadas das instalações elétricas.

7. Direito de Recusa – Instrumento que assegura ao trabalhador a


interrupção de uma atividade de trabalho por considerar que ela
envolve um grave e iminente risco para sua segurança e saúde ou
de outras pessoas.

325
NR 10 - Curso Básico

8. Equipamento de Proteção Coletiva (EPC) – Dispositivo, siste-


ma, ou meio, fixo ou móvel de abrangência coletiva, destinado a
preservar a integridade física e a saúde dos trabalhadores, usuá-
rios e terceiros.

9. Equipamento Segregado – Equipamento tornado inacessível


por meio de invólucro ou barreira.

10. Extrabaixa Tensão (EBT) – Tensão não superior a 50 volts em


corrente alternada ou 120 volts em corrente contínua, entre fases
ou entre fase e terra.

11. Influências Externas – Variáveis que devem ser consideradas na


definição e seleção de medidas de proteção para segurança das
pessoas e desempenho dos componentes da instalação.

12. Instalação Elétrica – Conjunto das partes elétricas e não-elétri-


cas associadas e com características coordenadas entre si, que são
necessárias ao funcionamento de uma parte determinada de um
sistema elétrico.

13. Instalação Liberada para Serviços (BT/AT) – Aquela que ga-


ranta as condições de segurança ao trabalhador por meio de pro-
cedimentos e equipamentos adequados, desde o início até o fim
dos trabalhos e liberação para uso.

14. Impedimento de Reenergização – Condição que garante a


não energização do circuito através de recursos e procedimen-
tos apropriados, sob controle dos trabalhadores envolvidos nos
serviços.

15. Invólucro – Envoltório de partes energizadas destinado a impe-


dir qualquer contato com partes internas.

16. Isolamento Elétrico – Processo destinado a impedir a passagem


de corrente elétrica por interposição de materiais isolantes.

326
Anexos

17. Obstáculo – Elemento que impede o contato acidental, mas não


impede o contato direto por ação deliberada.

18. Perigo – Situação ou condição de risco com probabilidade de


causar lesão física ou dano à saúde das pessoas por ausência de
medidas de controle.

19. Pessoa Advertida – Pessoa informada ou com conhecimento


suficiente para evitar os perigos da eletricidade.

20. Procedimento – Seqüência de operações a serem desenvolvidas


para realização de um determinado trabalho, com a inclusão dos
meios materiais e humanos, medidas de segurança e circunstân-
cias que impossibilitem sua realização.

21. Prontuário – Sistema organizado de forma a conter uma me-


mória dinâmica de informações pertinentes às instalações e aos
trabalhadores.

22. Risco – Capacidade de uma grandeza com potencial para causar


lesões ou danos à saúde das pessoas.

23. Riscos Adicionais – Todos os demais grupos ou fatores de risco,


além dos elétricos, específicos de cada ambiente ou processos de
trabalho que, direta ou indiretamente, possam afetar a segurança
e a saúde no trabalho.

24. Sinalização – Procedimento padronizado destinado a orientar,


alertar, avisar e advertir.

25. Sistema Elétrico – Circuito ou circuitos elétricos inter-relaciona-


dos destinados a atingir um determinado objetivo.

26. Sistema Elétrico de Potência (SEP) – Conjunto das instalações


e equipamentos destinados a geração, transmissão e distribuição
de energia elétrica até a medição, inclusive.

327
NR 10 - Curso Básico

27. Tensão de Segurança – extrabaixa tensão originada em uma


fonte de segurança.

28. Trabalho em Proximidade – Trabalho durante o qual o traba-


lhador pode entrar na zona controlada, ainda que seja com uma
parte do seu corpo ou extensões condutoras, representadas por
materiais, ferramentas ou equipamentos que manipule.

29. Travamento – Ação destinada a manter, por meios mecânicos,


um dispositivo de manobra fixo numa determinada posição, de
forma a impedir uma operação não autorizada.

30. Zona de Risco – Entorno de parte condutora energizada, não


segregada, acessível inclusive acidentalmente, de dimensões es-
tabelecidas de acordo com o nível de tensão, cuja aproximação só
é permitida a profissionais autorizados e com a adoção de técni-
cas e instrumentos apropriados de trabalho.

31. Zona Controlada – Entorno de parte condutora energizada, não


segregada, acessível, de dimensões estabelecidas de acordo com
o nível de tensão, cuja aproximação só é permitida a profissionais
autorizados.

328
Anexos

Referências

ABNT. NBR 5410: Instalações elétricas de baixa tensão, 2004. 209 p.

ABNT. NBR 6146: Graus de proteção.

ABNT. NBR 6533: Estabelecimento de segurança aos efeitos da


corrente elétrica percorrendo o corpo humano.

ABNT. NR 5410:2004. Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de


Janeiro, 2004. 209 p.

ABNT. NBR 14039: Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV


a 13,2 kV, 2003. 65 p.

ARAUJO, Giovanni Moraes de. Normas Regulamentadoras Comen-


tadas: Legislação de Segurança e Saúde no Trabalho. Rio de Janeiro:
Editora Gerenciamento Verde Consultoria. 4a ed., 2003/2004. 1.540 p.

_____. Regulamentação do Transporte Terrestre de Produtos Peri-


gosos Comentada. Rio de Janeiro: Ed. do autor, 2001. 810 p.

BLUMENSCHEIN, Quintiliano Avelar. Perigos da eletricidade. 1989.

CENELEC. EN 50014: Electrial apparatus for potentially explosive at-


mospheres. General requeriments.

CERJ. Manual e Procedimentos de Segurança. Rio de Janeiro. 2003.

CONNECTA Engenharia & Representações ltda. NR33. 2007. 131


transparências.

CREDER, Hélio. Instalações Elétricas. Rio de Janeiro: Livros Técnicos


e Científicos Editora S.A. 13 ed., 1997/1998. 515 p.

ELETROPAULO. INO 056/85. São Paulo, 1985.

FERREIRA, Vitor Lúcio. Eletricidade industrial. Impress Gráfica, 2004.

FILHO, Silvério Visacro – Aterramentos elétricos.

FOWLER, W. Thadeu; KAREN, Miles K. Eletrical Safety: student


manual. 2002. 77 p.

329
NR 10 - Curso Básico

FURSTENAU, Eugênio E. Manual de proteção do patrimônio in-


dustrial. 2.ed., s.l., ABPA,1979.

HUBSCHER, J. Klave H. Curso elementar eletrotécnica. 1999.

IEC. Norma 60479: Efeitos de corrente elétrica no corpo humano.

KINDERMANN, Geraldo. Choque elétrico. Porto Alegre: Ed. Sagra


Luzato, 2000.

LATEC – Laboratório de tecnologia / UFF. Princípio básico de pre-


venção de incêndio. Niterói, 1978.

LUNA, Aelfo Marques. Os perigos da eletricidade. Recife. CHESF/


DC, 1987.

PEREIRA, Dimas Sales. Orientação aos candidatos a motoristas e


motociclistas. 3ª ed. Rio de Janeiro: Sintra, 1998.

MANIERI, Oscar Martins. Segurança, meio ambiente e saúde. Rio


de Janeiro: SENAI/RJ / Petrobras. 2004.164 p.

MARTINS, Felipe José Aidar. Manual do socorro básico de emer-


gência. 7 a ed. Belo Horizonte, 2004.

MASON, C. Russel. The Art Science of Protective Relaying Engi-


neering Planning and Development Section. Nova York: General
Electric Company. 410 p.

MPF Publicações. Proteção. V.1, nº 5. São Paulo, 1989.

MTE. NR-23: Proteção contra incêndios. Brasília, 1978.

REIS, Jorge Santos; FREITAS, Roberto. Segurança e eletricidade. São


Paulo: Fundacentro, 1980.

ROUSSELET, Edison da Silva; CESAR, Falcão. Segurança na Obra.


Rio de Janeiro: Editora Interciência Ltda. 1999. 344 p.

SENAI-BA. Segurança em eletricidade. Salvador, 1999.

SENAI/DN. Manuais de segurança. Brasília, 1999.

SENAI/DN. Primeiros socorros. Brasília: CNI / SENAI / PETROBRAS, 2002.

330
Anexos

SENAI-MG. Formação de brigada de incêndio. Belo Horizonte,


1989.

SENAI-RJ. Primeiros socorros. caderno do docente. Rio de Janeiro,


2001.

_____. Educação a distância. Primeiros socorros. Rio de Janeiro, 2001.

American Heart Association. SBV para provedores de saúde. 2002.

SENAI-SC – NR33 SOUZA, José Rubens Alves de. Guia da NBR 5410: Ins-
talações elétricas em baixa tensão. São Paulo: Eletricidade moderna, 2001.

Vallandro, Luiz Paulo Correa. Segurança no sistema elétrico de potên-


cia – Distribuição de Energia Elétrica. Rio Grande do Sul: SENAI, 2006.

Endereços eletrônicos

dalcantara.vilabol.uol.com.br/index6.html

home.fujiwara.com.br/arquivos/noticias.php?nnumetpnew=138380&
notic=61897&restrito=2

psicotran.virtualave.net/educação/eduformot.htm

sampa3.prodam.sp.gov.br/comdec/primeiro.htm

www.3m.com.br

www.abramet.org/revista26/pg47primeiros-socorros.htm

www.arquivomedico.hpg.ig.com.br/prontosocorro.htm

www.bombeirosemergencia.com.br/riscodeeletricidade.htm

www.butantan.gov.br

www.carbografite.com.br

www.cdof.com.br/socorros1.htm

www.cemig.com.br

www.coltec.ufmg.br

331
NR 10 - Curso Básico

www.correioescola.com.br

www.dner.gov.br/emergencia.htm

www.einstein.br/cliente

www.fasp.br/miscelanea/saude/saud0126.htm

www.fesp.com.br

www.ge.com.br

www.geocites.com/athens/agora/1556/queima.htm

www.geocites.com/collegepark/lab/2406/socorros.htm

www.geocites.com/hotsprings/villa/1551/sinais.htm

www.gre.ong.org/historia.htm

www.if.ufrj.br/teaching/fis2/hidrostatica/pressao_art.html

www.jakobi.com.br

www.lincx.com.br/lincx/saude_a_z/prevencao/acidentes_trabalho.asp

www.medicina.ufmg.br/edump/ped/paradacardio_r.htm

www.miomega.com.br

www.mte.gov.br

www.nib.unicamp.br/svol/socorro.htm

www.para-raio.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=67

www.quimica.ufpr.br/serviços/segurança

www.ritzbrasil.com.br

www.ufrgs.br/farmácia/socorro/queim2.htm

www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/primsoc.htm

www.unesp.br

332
Anexos

Zona de risco e zona controlada

TABELA DE RAIOS DE DELIMITAÇÃO DE ZONAS DE RISCO,


CONTROLADA E LIVRE
Faixa de tensão nominal de Rr – Raio de delimitação entre Rc – Raio de delimita-
instalação elétrica em kV zona de risco e controlada em ção entre zona contro-
metros lada e livre em metros
<1 0,20 0,70
≥1e<3 0,22 1,22
≥3e<6 0,25 1,25
≥ 6 e < 10 0,35 1,35
≥ 10 e < 15 0,38 1,38
≥ 15 e < 20 0,40 1,40
≥ 20 e < 30 0,56 1,56
≥ 30 e < 36 0,58 1,58
≥ 36 e < 45 0,63 1,63
≥ 45 e < 60 0,83 1,83
≥ 60 e < 70 0,90 1,90
≥ 70 e < 110 1,00 2,00
≥ 110 e < 132 1,10 3,10
≥ 132 e < 150 1,20 3,20
≥ 150 e < 220 1,60 3,60
≥ 220 e < 275 1,80 3,80
≥ 275 e < 380 2,50 4,50
≥ 308 e < 480 3,20 5,20
≥ 480 e < 700 5,20 7,20

333
NR 10 - Curso Básico

Figura 5.1 – Distâncias no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e


livre – NR10.

Figura 5.2 – Distâncias no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e


livre, com interposição de superfície de separação física adequada – NR

ZL = Zona livre.
ZC = Zona controlada, restrita a trabalhadores autorizados.
ZR = Zona de risco, restrita a trabalhadores autorizados e com adoção
de técnicas, instrumentos e equipamentos apropriados ao trabalho.
PE = Ponto da instalação energizado.
SI = Superfície isolante construída com material resistente e dotada de
todos os dispositivos de segurança.

334
Anexos

Análise Preliminar de Risco

ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCO


TAREFA
CLASSIFICAÇÃO DO
RISCO
OPERAÇÕES

CONSEQÜÊNCIA
DETECÇÃO

CLASSIFICAÇÃO
EFEITOS

FREQÜÊNCIA
RISCO

(gravidade)
MEDIDAS DE CONTROLE

335