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ILUSTRÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA JARI DA SUPERINTENDÊNCIA DE

TRÂNSITO E TRANSPORTE DO MUNICÍPIO DE SALVADOR

AUTO DE INFRAÇÃO - F001149237

Eu, Renan Queiros de Oliveira, RG, residente à rua , nº , Bairro , Nesta


Capital, proprietário do veículo FIAT PALIO FIRE FLEX , de placa JQV 2372, venho
respeitosamente à presença de Vossa Senhoria, com fundamento na Lei nº 9.503/97,
valendo-se do Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa, interpor o
presente recurso contra a aplicação de penalidade por suposta infração de trânsito,
conforme notificação anexa, o que faz da seguinte forma.

1 - DOS FATOS.

Segundo a notificação acima mencionada, transitava eu pela Avenida


Professor Pinto de Aguiar à altura da Universidade Católica do Salvador, sentido Orla,
na faixa 1, por volta das 16:12 horas no veículo de minha propriedade, acima citado,
no momento que, em tese, vim a AVANÇAR O SINAL VERMELHO DO SEMÁFORO –
FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA.

Dessa forma, em tese, houve a violação ao Artigo 208 do Código de


Trânsito Brasileiro. Todavia, esta infração é incabível, conforme se demonstrará pelos
motivos a seguir delineados.

2 - DO DIREITO.

Inicialmente, venho requerer a anulação do auto de infração em


decorrência da irregularidade apontada como FALTA DE AFERIÇÃO DOS
EQUIPAMENTOS PELO INMETRO.

Isso porque é cediço que os equipamentos eletrônicos necessitam estar


com a sua calibração específica, para que emitam detecção exata, medindo com
precisão os eventos que deles são exigidos. Para tanto, faz-se necessária a anexação
aos autos de certificado emitido pelo INMETRO, no qual reste evidente que o
equipamento utilizado para aferição das infrações de trânsito encontrava-se
devidamente verificado pelo INMETRO.
Dessa sorte, não basta somente a afirmação da Empresa de
gerenciamento de trânsito acerca do aferimento do equipamento de medição, é
também imperiosa a existência de certificação pelo INMETRO de que o equipamento
foi aferido em período inferior a 12 meses da data a infração.

Nesse sentido, ressalte-se o mandamento do Inciso III do artigo 2º da


Resolução 165, que regulamenta a utilização de sistemas automáticos não
metrológicos de fiscalização, nos termos do § 2º do artigo 280 do Código de Trânsito
Brasileiro, o qual determina que o equipamento de eletrônico deve ser verificado pelo
INMETRO com a peridiocidade de 12 meses, senão vejamos:

Art. 280. Ocorrendo infração prevista na legislação de


trânsito, lavrar-se-á auto de infração, do qual constará:
§ 2º A infração deverá ser comprovada por declaração
da autoridade ou do agente da autoridade de trânsito,
por aparelho eletrônico ou por equipamento audiovisual,
reações químicas ou qualquer outro meio
tecnologicamente disponível, previamente
regulamentado pelo CONTRAN.

RESOLUÇÃO Nº 165 DE 10 DE SETEMBRO DE 2004


Regulamenta a utilização de sistemas automáticos não
metrológicos de fiscalização, nos termos do § 2º do
artigo 280 do Código de Trânsito Brasileiro.

Art. 2º. O sistema automático não metrológico de


fiscalização deve:

I – ter sua conformidade avaliada pelo Instituto Nacional


de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial –
Inmetro, ou entidade por ele acreditada; Deliberação
CONTRAN nº 38 de 11/07/2003 que Dispõe sobre
requisitos técnicos mínimos para a fiscalização da
velocidade, de avanço de sinal vermelho e da parada
sobre a faixa de pedestres de veículos automotores,
reboques e semirreboques, conforme o Código de
Trânsito Brasileiro.
III - ser verificado pelo INMETRO ou entidade por ele
delegada, obrigatoriamente com periodicidade
máxima de 12 (doze) meses e, eventualmente,
conforme determina a legislação metrológica em
vigência. (grifo nosso)

Como se pode observar é necessário que os equipamentos eletrônicos


estejam comprovadamente certificados e aprovados por Portaria do INMETRO, tendo
em vista que esses equipamentos estão sujeitos à falibilidade do citado objeto
eletrônico (item 8.1.4.7 da Portaria n° 115/98-INMETRO), seja por dano, temperatura,
severidade, interferência eletromagnética, umidade, intempérie ou falha qualquer.

Ocorre que a notificação da autuação de trânsito enviada a mim e


anexada a esta defesa não preenche os requisitos acima citados.

Isso porque, no item “Data de Aferição/Valid. Conformidade”, consta no


auto de infração como data de validade o dia 23/01/2019, isto é, não consta no
referido documento a data da aferição do aparelho, bem como se houve aferição no
período inferior a 12 meses da data suposta infração, há, em verdade, uma suposta
data de validade exarcebadamente superior aos 12 meses referidos no regulamento.

Assim, não pode ser outro o entendimento deste órgão, senão pela
decretação da desconformidade do auto de infração com a lei, resolução e deliberação
de trânsito, uma vez que a data da autuação foi no dia 04/03/2013 enquanto consta
uma termo de validade até o dia 23/01/2019.

Vale repisar que a referida data de validade remete a futuro


demasiadamente distante, não permitido pela legislação em vigor, haja vista as
variações aos quais os aparelhos eletrônicos estão submetidos, consoante
exaustivamente exposto.

É de se convir, portanto, que o auto de infração de trânsito de número


F001149237 está eivado de ilegalidade e irregularidades formais, pois não atende aos
requisitos de materialidade e formalidade necessários ao seu preenchimento, tendo
em vista não consta no referido auto data da última aferição.

Assim, a decisão imposta pelo agente da autoridade de trânsito deve


ser cancelada por esta JARI, eis que desprovida de fundamentos e requisitos válidos,
não restando alternativa senão pela decretação de sua invalidade e irregularidade. O §
único do artigo 281, e seu inciso I, do CTB estabelece: “O auto de infração será
arquivado e seu registro julgado insubsistente: se, considerado inconsistente ou
irregular”.

3 - DOS PEDIDOS.

Ante o exposto, requer o arquivamento deste AIT por não constar a


data de aferição do aparelho de medição não restando comprovado se o mesmo foi
submetido a aferição, exigida pela legislação em vigor, em até 12 (doze) meses antes
da verificação da suposta infração, protestando ainda pela produção de provas por
todos os meios admitidos em direito e cabíveis à espécie, em especial a pericial e
testemunhal.

Solicito ainda a suspensão da referida cobrança até que seja julgado o


presente recurso.

Termos em que, Pede deferimento.

SALVADOR, XX de Abril de 2014.

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