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treatise-on-urine-therapy-by-john-w.-armstrong-1971.pdf

A ÁGUA DA VIDA
TRATADO DE URINOTERAPIA
John W. Armstrong
1971

151018
1
ÍNDICE

Acerca deste livro 3


Prefácio 4
1. Introdução 6
2. A água Da Vida. 8
3. Respostas A Algumas Objeções 12
4. Minha Autocura 17
5. Gangrena 19
6. Tumores E Câncer (?) 23
7. Enfermidade De Bright: Casos 32
8. Um Caso De Leucemia 37
9. Enfermidades Cardíacas: Casos 40
10. Febres: Malária E Outras 43
11. Um Caso De Orquite 45
12. Enfermidades Venéreas 47
13. A Cura De Feridas Que Não Saram:
Tratamento De Queimaduras 50
14. Alguns Casos Variados 53
15. O Catarro Comum 64
16. A Terapia De Urina Nos Animais 67
17. A Razão Das Massagens E
Compressas De Urina. 69
18. A Alimentação Equivocada, É A Causa
Principal Das Enfermidades 72
19. Algumas Sugestões Práticas. 76
20. O Homem: O Misterioso. 80
21. Reflexões A Modo De Conclusão 82
22. PARA ONDE Vai A Medicina? 84

2
THE WATER OF LIFE
A Treatise on Urine Therapy
JOHN W. ARMSTRONG
1971

A ÁGUA DA VIDA
TRATADO DE URINOTERAPIA

ACERCA DESTE LIVRO

J. W. Armstrong escreveu um importante tratado de suporte à sua teoria,


de que todas as doenças (exceto aquelas causadas por traumatismo ou defeitos
estruturais) podem ser curadas de um único modo. Os especialistas ortodoxos
estão sobretudo preocupados em identificar as doenças e aplicar a elas trata-
mentos que suprimam os sintomas sem erradicar a causa fundamental da doen-
ça. Mas, como o naturopata Louis Kuhne afirmou, é absurdo tratar um órgão se-
paradamente — como os especialistas frequentemente fazem. Se o olho está do-
ente há algo no corpo que está causando a doença. A terapia apresentada neste
livro é um sistema de cura totalmente isento de drogas e medicamentos. Além
disso o único ingrediente é uma substância manufaturada pelo corpo, rica em
sais minerais, hormônios, e outras substâncias, cujo nome é urina. Pode ser
questionado se não é correto reintroduzir no corpo algo que ele aparentemente
está descartando. No entanto esta objeção ignora o princípio de compostagem
como é praticado pelos jardineiros. Folhas mortas em decomposição, quando
enterradas de volta ao solo, fornecem sais minerais necessários para nutrir uma
nova planta. O mesmo princípio vale para a urina. O livro inclui detalhes de tra-
tamentos, usados na urinoterapia, bem sucedidos em casos como a gripe co-
mum, reumatismo, artrite, colite mucosa, obesidade, problemas de próstata, pi-
orreia e outras enfermidades.

3
PREFÁCIO

Muitas pessoas que se beneficiaram, e continuam se beneficiando, da tera-


pia da urina, me pediram frequentemente que escrevesse um livro, porém, até
agora sempre havia posto alguma objeção. Em primeiro lugar porque não tinha
tempo necessário, e em segundo lugar porque sou contrário a qualquer forma de
auto-publicidade. No entanto, consciente de que adiar durante longo tempo
pode chegar a não se realizar, decidi finalmente ceder aos pedidos, redigindo
este livro em grande parte baseado em notas, relatos-escritos e cartas. Outra ra-
zão de dar a conhecer minhas experiências ao mundo, o leitor o saberá no devi-
do momento. Estou plenamente consciente de que a publicação de um livro
acarreta diversos inconvenientes indiretos; um deles é que o autor pode ser
inundado de cartas, e o outro, se é da área médica, pode ser abordado por paci-
entes que recorram a ele ou aos seus editores. Como não estou procurando por
clientes, essa foi uma das razões pelas quais desejava retardar a redação deste
livro. Porém agora que deve chegar ao público, devo salientar que:
1) Como existe agora uma lei que declara ilegal, quem não seja médico
qualificado possa declarar que pode curar determinadas enfermidades — o cân-
cer dentre elas — deve-se levar em consideração que todos os históricos de ca-
sos relativos a estas enfermidades mencionados neste livro pertencem a pacien-
tes tratados antes da promulgação da lei. Não me acho em posição de afirmar se
a lei pode se estender até a ilegalização de um leigo que afirme que curou essas
doenças no passado. Porém, se for assim, então de acordo com o jargão médico,
alguém teria de supor forçosamente, que quando estas enfermidades responde-
ram ao tratamento que não era ortodoxo, então, é porque foram diagnosticados
erradamente.
2) Como a terapia descrita neste livro é um sistema curativo totalmente
desprovido de medicamentos, e é específico para a saúde e não para uma enfer-
midade em particular, a diagnose não é importante no tratamento. Por tanto,
embora os capítulos tenham títulos dos nomes de diversas doenças, isto é feito
em nome da conveniência literária, e para mostrar que são resultados do trata-
mento em geral.
JOHN W. ARMSTRONG (1944)

“Muitas pessoas creem que cinquenta mil médicos, grandes hospitais,


exércitos de enfermeiras, dentistas e clínicos, e uns trezentos mil perturbados
mentais tratados, são sinais de civilização e medicina em progresso; porém o
que mostra, na realidade, tudo isto é o completo fracasso de nosso sistema
médico, e a má educação pública em questões de nutrição e modo de vida. As

4
milhares de operações realizadas semanalmente com técnica brilhante são a
prova adicional de que os tratamentos anteriores não produziram a cura perfeita.
“A saúde, e não a enfermidade, é a verdadeira herança da vida. As criatu-
ras humanas não chegam a compreender fatos que têm diante dos olhos. Somos
feitos do que comemos, e portanto, quando um órgão fica doente costuma que-
rer dizer que os alimentos não eram adequados.”
COMANDANTE C. FRASER MACKENZIE, C.I.E.
(Health Through Homoeopathy, Junho e Julho de 1944).

A enfermidade… se torna um interesse criado, e consciente ou inconsci-


entemente, os médicos a promovem como tal. Não é raro o comentário de que
os médicos produzem a doença. Além disso, todo o sistema e a filosofia de nos-
so tratamento da doença está errado.
DR. W. H. WHITE, M.R.C.S., L.R.C.P.

Hipócrates, o grande sacerdote da medicina, aconselhava aos médicos que


aceitassem a ajuda dos leigos no tratamento da doença, porém raramente este
conselho é seguido.
Como o reino do céu, o reino da saúde deve ser tomado de assalto.
J. W. A.

5
CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO

Devido ao crescente papel exercido pelos interesses criados em muitos ra-


mos do esforço humano, e não seria menos lucrativo de proporcionar remédios
para a enfermidade, as pessoas inteligentes sentem cada vez maior desconfiança
em relação aos métodos médicos ortodoxos. Muitas pessoas terão feito as se-
guintes perguntas:
Como é possível que, durante mais de cinquenta anos, os investigadores
ortodoxos do câncer se tenham ocupado da causa e cura desta enfermidade, e,
no entanto, não possam sugerir nada melhor do que o bisturi, a radiação ou os
raios X?
Como é possível que, depois das cartas de muitos médicos que aparece-
ram no British Medical Journal informando sobre os resultados altamente insa-
tisfatórios do tratamento com radiação, no entanto, se continua ainda a aplicá-lo
neste país e em outros lugares?
Como é possível que, quando tratamentos eficazes para o câncer têm sido
descobertos tanto por médicos qualificados ou por praticantes de escolas não or-
todoxas, todavia, não tenham sido reconhecidos pelo Cancer Research Ring,
que continua pedindo doações de grandes somas de dinheiro para a descoberta
de sua cura?
A estas perguntas (das quais tratarei nas minhas conclusões) não lhes são
dadas respostas satisfatórias, vendo-nos obrigados a concluir que, embora na
maioria dos países se possa encontrar muitos médicos de mentalidade aberta e
isentos de egoísmo, na medicina moderna prevalecem muitas questões deplorá-
veis: 1) A tortura de animais para a preparação e experimentação de soros e va-
cinas. 2) O estímulo do medo na mente do público através da publicidade. 3) O
comércio e os interesses criados, que não deveriam ter nenhum papel na cura do
doente, e 4) Objetivos limitados de corporativismo que sugerem que os pacien-
tes existem para os médicos, e não o contrário. Muitos médicos têm comentado
e lamentado profundamente alguma vez todas estas questões.
No entanto, do mesmo modo que depois de uma guerra, a natureza ou os
“poderes superiores” parecem intervir para ajustar o equilíbrio das coisas, asse-
gurando o nascimento de maior número de filhos, quando a medicina se cobre
excessivamente de considerações materiais, algo parece inspirar algum método
de cura a modo de corretivo dessas tendências, ajudando a se beneficiar os que
tenham mentalidade aberta. Tal método pode ser impedido por outros que pre-
param o caminho a sua aceitação. Pois tem-se que admitir que a naturopatia se
serviu de instrumento para a cura de muitas enfermidades ante as que havia fra-

6
cassado estrepitosamente o sistema ortodoxo. Todavia, como oportunamente ve-
remos, a naturopatia tal como é praticada, não chega bastante longe, pois embo-
ra possa limpar o corpo de suas toxinas, não pode repor os tecidos perdidos nas
enfermidades graves, como a tuberculose pulmonar ou outras doenças de igual
gravidade. Isto somente se pode conseguir mediante a elaboração de uma antiga
terapia, cujos detalhes me proponho a colocar em evidência neste livro, e que
tenho praticado com muito êxito comigo mesmo e com milhares de pessoas,
ainda que a muitas delas se lhes tinham dito que estavam acometidas de doen-
ças incuráveis. É certo que em uma ocasião decidi não escrever meu livro até
que tivesse tido a oportunidade de curar inclusive a lepra. Porém, como não é
provável que encontre um caso desta temida doença a não ser que possa visitar
os países onde ela predomina, decidi entregar ao público sem mais tardar os de-
talhes de minhas experiências. O que afirmo, e não sou o único a fazê-lo, é que
dentro do homem mesmo se pode encontrar a substância que cura suas enfermi-
dades, já que se trata de enfermidades de desgaste ou outras. E me proponho a
substanciar esta afirmação mediante relatos, seguindo o princípio de que umas
gramas de fatos, valem por quilos de teorias.
Se para se estabelecer os fatos se torna essencial referências a falhas
médicas, isto é algo inevitável que vai ao interesse público e da verdade. E estas
referências não se fazem com nenhum espírito de hostilidade para com os médi-
cos. Que fique salientado que existem muitos médicos honestos e altruístas com
quem não quero ser injusto. O que me vejo obrigado a criticar não são as pesso-
as, senão as práticas e crenças* nocivas e erradas. Os leitores verão por si mes-
mos que estas críticas não surgem por outros motivos. Não tenho nenhum remé-
dio secreto nem patente de medicina que vender. Certamente, mesmo sendo lei-
go, somente sigo a conduta exigida a qualquer membro honesto da profissão
médica: Não guardar nenhum segredo de qualquer descobrimento que possa re-
sultar ser útil para a cura da humanidade e mais, todavia, se for possível que o
tratamento em muitos casos se possa realizar em casa sem gasto econômico al-
gum.
* Este aspecto do assunto foi tratado por Sr. Ellis Barker (cujos livros fo-
ram publicados por John Murray) e por Sr. Cyril Scott em seus livros, Doctors,
Disease and Health e Victory over Cancer; também vale a pena ler-se The
Cauldron of Disease, de Are Waerland.

7
CAPÍTULO 2
A ÁGUA DA VIDA

Antes de relatar minhas próprias experiências com a terapia da urina, é


aconselhável citar algumas opiniões extraídas de fontes antigas e modernas,
com respeito ao valor da urina como agente curativo.
Até os princípios do século passado um livro intitulado One Thousand
Notable Things foi publicado simultaneamente na Inglaterra, Escócia e Irlanda.
Nele aparece a seguinte citação curiosa:
“Um remédio universal e excelente para todas as indisposições in-
ternas e externas. Beber a própria urina de manhã por nove dias cura o es-
corbuto e torna o corpo mais leve e disposto.
“É bom contra a hidropsia e a icterícia, bebida como se disse antes.
“Lavar as orelhas com ela quente é bom contra a surdez, ruídos e a
maioria das outras doenças dos ouvidos.
‘Lavar os olhos com sua própria água cura os olhos adoentados,
aclara e fortalece a vista.
“Lavar e esfregar com ela as mãos elimina inchação, rachaduras, fe-
ridas e torna mais flexíveis as articulações.
“Lavar qualquer ferida com ela é algo extraordinariamente bom.
“Lavar qualquer parte que estiver coçando elimina a coceira.
“Lavar o ânus é bom contra as hemorroidas e outras feridas.”
Tenho aqui outro resumo tirado diretamente de um antigo livro chamado
Salmon’s English Physician, publicado em 1695, que citarei em parte:
“Toma-se a urina humana e da maioria dos animais de quatro patas,
porém a primeira é que se utiliza principalmente em medicina e química.
É o soro ou a parte aquosa do sangue que sendo enviada através das arté-
rias purificadoras aos rins ali é fermentada e separada, transformando-se
em urina… A urina do homem ou da mulher é quente, seca(?), dissolven-
te, limpadora, debatedora, resistente a putrefação; é utilizada internamente
contra as obstruções do fígado, baço, vesícula biliar, assim como contra a
hidropsia, icterícia, retenção das regras nas mulheres, a peste e todo tipo
de febres malignas.
“Exteriormente aplicada, limpa a pele e a torna suave lavando com
ela, especialmente se está quente ou recém produzida. Limpa, cura e seca
as feridas, ainda que feitas com instrumentos envenenados. Cura a caspa,

8
descamação, e banhando os pulsos esfria-se o calor das febres. É excelen-
te contra o tremor, a dormência, o entumescimento, e a paralisia, e ba-
nhando a região do baço a urina alivia a dor que provoca.
“As virtudes dos sais voláteis da urina. — Absorve poderosamente
os ácidos e destrói pela raiz a maioria das enfermidades do corpo humano.
Abre todas as obstruções dos rins, mesentério e útero, purifica toda a mas-
sa do sangue e dos humores, cura a caquexia, reumatismo e enfermidades
hipocondríacas, e atua com admirável êxito nas epilepsias, vertigens, apo-
plexias, convulsões, letargias, enxaquecas, perlesia, coceiras, entumesci-
mentos, perda do uso dos membros, atrofias, vapores (depressão), histeria
(ataques de las madres), e a maioria dos catarros e doenças de umidade na
cabeça, cérebro nervos, articulações e útero. (Deveria acrescentar a leu-
correia a esta lista)
“Abre obstruções dos rins e das vias urinárias, dissolve as coagula-
ções sedimentadas nestas partes, rompe e expele a pedra, a areia nos rins
ou na bexiga.
“É remédio específico contra a disuria (dificuldade de urinar), iscu-
ria (retenção de urina), e todas as obstruções da urina.”
Diante deste panegírico muitos de nós damos à urina o nome de “água da
vida”. Lemos, também que no século 18 foi muito elogiada como lavagem da
boca por um dentista parisiense.
Citarei agora algumas opiniões modernas sobre o valor da urina.
Escrevendo em Candide, o professor Jean Rostand enfatiza repetidamente
o significado biológico das substâncias denominadas hormônios. A essência de
seu artigo, de cerca de 1250 palavras, pode ser resumida assim:
“Um descobrimento recente relativo à atividade dos hormônios tem
revolucionado completamente seu estudo: alguns deles são filtrados pelos
rins e passam para a urina. Na urina normal encontram-se múltiplos hor-
mônios hipofísicos, os hormônios das glândulas suprarrenais e sexuais…
O descobrimento do hormônio urinotolgia teve consequências de grande
alcance. A urina proporciona uma quantidade praticamente ilimitada de
matéria básica… Do ponto de vista terapêutico é possível ver o uso destes
hormônios humanos como aparentemente capaz de exercer grande poder
sobre o organismo humano…”
Portanto, a urina elogiada por muitos dos antigos, porém mal entendida
pelos semi-modernos, aparece agora como um maravilhoso depósito: um filtro
amatório (poção mágica) de valor preeminente. Contém, em forma pura e em
quantidades inimagináveis produtos de natureza muito vital, confirmando o que
dizia Sr. Ellis Barker, quando escrevia que “nosso corpo distila os remédios
mais maravilhosos e proporciona os soros e anticorpos mais perfeitos”.

9
Citarei agora algumas observações tiradas de um panfleto do Dr. T. Wil-
son Deachman, Ph.C., M.D., que escreve:
“Como o conteúdo da urina varia de acordo com o estado patológi-
co do paciente, seu uso é indicado em todos os tipos de doenças, exceto as
produzidas por traumatismo (membros fraturados) ou que são de natureza
mecânica. Poupa ao médico o erro que se comete ao selecionar entre três
mil remédios ou mais… O que não pode ser curado pelas forças do corpo,
tão pouco pode ser com forças exteriores a ele.”
É importante mencionar aqui que o finado Maurice Wilson, que idealizou
um magnífico, ainda que não realizado, intento de escalar o Everest, atribuía
sua imunidade às doenças normais e sua surpreendente animação durante os nu-
merosos jejuns à base somente de urina e a fricção externa com ela. Os lamas
do Tibet e os iogues com os quais teve contacto antes do projeto, afirmam viver
até uma idade muito avançada mediante o uso da urina. Com os mesmos meios
podem atravessar desertos inacessíveis aos homens normais.
No século passado entre os anos sessenta e setenta, o ato de beber sua
própria urina era remédio bem conhecido contra a ictericia e alguns médicos ti-
nham coragem de receitá-la. Um de meus pacientes me contou que, quando era
menino, seu avô o curou de um ataque de ictericia, depois de ser aconselhado
pelo médico, fazendo-o beber toda urina que produziu durante os quatro dias de
sua doença.
Os ciganos têm conhecido há séculos as saudáveis propriedades da urina.
Têm tomado, em grandes quantidades, urina de vaca para curar a enfermidade
de Bright, a hidropsia e outras doenças. Conheci um sitiante de Dorset, que du-
rante mais de sessenta anos tinha bebido todos os dias quase dois litros de urina
de vaca. Naquela data, tinha 80 anos, estava ereto como um pau e me falou que
nunca esteve doente. A conselho de um cigano tinha começado o tratamento na
idade de vinte anos por causa de problemas na garganta e no peito. No entanto,
como agente curativo a urina de vaca é inferior à própria urina do paciente, e sei
que não funcionou num caso da enfermidade de Bright produzida por alcoolis-
mo.
Os mais sábios dos gregos antigos só utilizavam urina para o tratamento
de feridas. Os esquimós continuam adotando até hoje estas medidas.
Podemos fazer-nos a seguinte pergunta: Tem-se utilizado a terapia da uri-
na em tempos relativamente recentes? A resposta é afirmativa. O finado W. H.
Baxter, J.P., de Leeds and Harrogate, não somente tomava sua própria urina,
como também escreveu muitos panfletos sobre o tema que poderiam ser levados
mais a sério, se não os tivesse entremeado com moralizações um tanto irrele-
vantes. “Sr. Baxter, que viveu até idade avançada, declarou que se havia curado
de um tumor canceroso, aplicando-se sua própria urina na forma de compressas
e bebendo-a. Depois afirmou que se havia curado de outras doenças com esses

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meios simples. Afirmou também que a urina é o melhor antisséptico que existe
e, depois desta constatação, criou o hábito de beber diariamente três copos diá-
rios como profilaxia contra as doenças. Afirmou que tomada desta maneira a
urina autógena, mais inócua se torna. Aplicava-a nos olhos como loção fortale-
cedora, e depois de barbear-se a utilizava para sua tez. Também recomendava
seu uso externo para feridas, inchações, furúnculos, etc. Afirmava que como la-
xante era insuperável.” (Ver Doctors, Disease and Health, de Cyril Scott.)
Posso atestar a veracidade destas afirmações, pois Sr. Baxter foi, por pou-
co tempo, um de meus pacientes. Porém, o que não se menciona no resumo an-
terior, é que durante o tratamento, jejuava à base somente de urina e água. Este
jejum, como o leitor verá adiante, é parte essencial do tratamento, ou pelo me-
nos nas enfermidades graves.
Em algumas zonas rurais, os médicos têm recomendado a urina de vaca
para furúnculos. Posso citar o caso de um homem que tinha furúnculos dolori-
dos na axila. Foram curados rapidamente com compressas de urina de vaca.
Diga-se de passagem, posso mencionar que, faz não muito tempo, um dos
mais caros sabões de tocador era feito com gordura e sais desidratados de urina
de vacas alimentadas com capim, e outro sabão com a urina de campesinos rus-
sos. (Meu informante era químico, e sabia do que estava falando) Além disso,
alguns cremes faciais de alto preço contêm hormônios derivados da urina huma-
na. “Olhos que não veem…!”

11
CAPÍTULO 3
RESPOSTAS A ALGUMAS OBJEÇÕES

Antes de prosseguir, é aconselhável tratar de algumas objeções que são


colocadas e que continuam a serem feitas. Tem-se afirmado que se o homem es-
tivesse destinado a beber sua urina, teria nascido com o instinto de fazê-lo. Po-
der-se-ia responder que, como o homem não nasceu com o instinto de realizar
exercícios de respirações profundas, ou de adotar outras medidas que se mostra-
ram salutares, tudo isso seria, portanto, inválido ou digno de repreensão. Tome-
mos, como exemplo, os iogues da Índia. Mediante a prática de exercícios respi-
ratórios, posturas, etc., não somente chegaram a um perfeito estado de saúde,
senão que vivem mais além dos habituais 70 anos. Aos 150 anos de idade um
bom hatha iogue nem sequer tem cabelos cinzas. (Ver Rajah Yoga, de Swami
Vivikananda.) É certo que a ciência da Ioga somente pode-se aprender com se-
gurança nas mãos de um professor competente; porém este é outro argumento
contra a teoria do instinto. (Ver Heaven Lies Within Us, de Theo Bernard.) A
gente não se dá conta, diga-se de passagem, de que o homem não se preocupa
com seus instintos quando se trata de beber licores fortes, ou de fumar centenas
de cigarros, (em resumo, quando se trata de fazer coisas nocivas para ele), in-
clusive, apesar de que seu instinto se rebelou na primeira vez que experimentou
suas “delícias”.
Respondamos agora a outra objeção. Pode ser correto reintroduzir no cor-
po algo que o corpo parece estar descartando? Se olharmos para a natureza, que
encontramos? Encontramos que em lugar de adubos “científicos”, as folhas
mortas voltam ao solo, e as flores resultantes são mais fragrantes, os frutos mais
saborosos, e as árvores mais saudáveis. Por outro lado, quando por alguma ra-
zão a terra se vê privada dessas substâncias químicas produzidas pelas folhas
mortas, etc., então as árvores que crescem nesse solo ficam desfiguradas por ex-
crescências, as quais, creio que corretamente, são chamadas de cânceres das ár-
vores. O que estamos acostumados a considerar como folhas mortas são, na rea-
lidade, o oposto mesmo de coisa inútil, e devem ser reintroduzidas no solo, em
lugar de serem varridas pelo jardineiro. Quem questiona esta constatação, que
prove os produtos Iceni, cultivados em solos tratados conforme o princípio de
que tudo que procede do solo deve voltar a ele, e se convencerá da exatidão
deste princípio. A ideia de que a natureza é esbanjadora está errada. A natureza
nos parece ser esbanjadora somente porque nós não a entendemos. As folhas
mortas apodrecidas proporcionam os sais minerais mais valiosos para o solo,
sendo um dos mais essenciais o potássio. Também as cinzas das folhas mortas e
das madeiras queimadas (carvão vegetal) são de grande valor. Então, porque
não aplicar ao corpo humano (com certas reservas) um princípio que se aplica a

12
toda a natureza? O modo mais sensível de responder a esta pergunta consiste
em considerar os constituintes da urina.
Porém, antes de fazê-lo, temos de dizer algo sobre a pouca confiabilidade
das análises de urina como meio de diagnose. Ainda que a análise de urina con-
tinue sendo prática habitual nos meios ortodoxos, tem se demonstrado que os
elementos da urina e sua condição geral dependem muito mais do caráter da co-
mida e da bebida ingeridas pelo paciente que de uma enfermidade real ou ima-
ginária. Nem sequer a presença de açúcar pode ser considerada como prova in-
falível de diabetes. Isto eu tenho demonstrado, para minha total satisfação, to-
mando durante um dia inteiro nada mais do que bebidas feitas com pós doces
químicos e sorvetes muito adoçados. Com esta dieta, depois de doze ou quator-
ze horas a urina de uma pessoa saudável se carrega de açúcar, sugerindo ao
médico que a pessoa tem diabetes. Erros semelhantes são cometidos com res-
peito à albumina encontrada na urina, como consequência de uma dieta mal
equilibrada. Faz alguns anos, um amigo meu, ligado a uma companhia de segu-
ros de vida, teve vários “prospectos” não aceitos, por causa de grandes depósi-
tos de albumina na urina. Finalmente submeteu a investigação três desses ho-
mens. Alterando a dieta deles, o que parecia ser indício da enfermidade de
Bright, nefrite ou albuminuria, desapareceu facilmente, e num exame do médico
da companhia foi-lhes dito que deviam ter tido “inflamações locais” durante o
exame prévio. Mais comentários seriam supérfluos.

Ureia N (nitrogênio) 682


Ureia 1.459
Creatinina N. 36
Creatinina 97,2
Acido úrico N. 12,3
Acido úrico 36,9
Amino N. 9,7
Amônia B. 57
Sódio 212
Potássio 137
Cálcio 19,5
Magnésio 11,3
Cloreto 314
Sulfato total 91
Sulfato inorgânico 83
Fosfato inorgânico 127
pH 6,4
Acidez total como C.C. N/ l0 ácido 21,8*

13
* Dr. G. S. Cotton, de Temple, Texas, me escreve que a urina tam-
bém contém “alantoína” (C4.H6.O3.N4). Na lista anterior não se faz ne-
nhuma menção aos valiosos hormônios a que se referia o professor Jean
Rostand.
Isto é significativo, porque mostra a quantidade de sais minerais valiosos
contidos na urina saudável; para entendê-lo deve-se estudar o sistema bioquími-
co da medicina. Mesmo assim, tal como falamos, existem grandes variações na
composição da urina, de acordo com os alimentos e as bebidas consumidas. Por
exemplo, tomando 50 indivíduos normais, e tendo-se em conta que a média de
ureia N, seja de 682, a quantidade máxima obtida é de 1.829 e a mínima de 298.
Quanto ao volume de urina produzida, varia muito de acordo com a dieta e a es-
tação do ano. Além disso, a urina produzida durante a noite é um quarto ou a
metade da produzida durante o dia.
Em vista da análise acima, podemos fazer-nos a seguinte pergunta: Se os
elementos que a urina mostra não são necessários ao corpo, porque os químicos
e bioquímicos de nossos alimentos enfatizam seu valor e declaram que são es-
senciais para a manutenção do corpo?
A ideia de que a urina contém elementos venenosos que o corpo está eli-
minando se baseia só na teoria, e não está demonstrada pelos fatos. Posto que os
sobreviventes de naufrágios encontrados em barcos ou jangadas, costumam be-
ber sua urina quando o fornecimento de água é deficiente, se bebessem um
líquido venenoso morreriam ou ficariam doentes. Longe disso, afirma-se que a
prática de beber urina é inócua, porém (tal como o Departamento Médico da
Marinha mostrou por carta em resposta a uma pergunta) “o benefício obtido não
é tão grande como poderia parecer à primeira vista, pois nos casos de desidrata-
ção a produção de urina baixa a um nível ínfimo...” Mais adiante farei um co-
mentário sobre isto. Entretanto, comentarei que o que pode ser um “veneno”,
quando está separado de seu entorno natural, pode não atuar como tal quando
permanece nesse entorno. A profissão médica deve ter ficado impressionada,
quando no início do século, Charrin escreveu um livro inteiro sobre os venenos
da urina, porém tal como o professor Jean Rostand (já citado) escreveu desde
então: “Não está longe o tempo em que será imperativo escrever sobre os bene-
fícios da urina”. Certamente como veremos nestas páginas, o fato mais impor-
tante é que a urina, por espessa, concentrada, escassa e aparentemente “veneno-
sa”, que possa parecer no início das doenças como a de Bright, gripe e outras,
rapidamente se filtra e aumenta muito de volume quando se bebe livremente.
Este é um fato que testemunhei, junto com outros praticantes da terapia da uri-
na, em centenas de casos chamados desesperados, e é a melhor resposta e a
mais definitiva à objeção que estou tratando.
Outra objeção que é feita (especialmente por quem colocou sua confiança
nos “príncipes” da medicina) é a seguinte: Se em outro tempo se supôs que a
urina era um remédio valioso, por que caiu em descrédito? Porém, os que colo-

14
cam esta pergunta, não devem estar familiarizados com os fatos mais elementa-
res da história médica ortodoxa, que consiste em uma larga série de mudanças
em política, mudanças de medicamentos, mudanças de tratamentos, de modas e
costumes, de “superstições destruídas”, de algumas rixas, de invejas e inclusive
de perseguições. Alguns dos “remédios” mais estranhos ficaram em moda du-
rante muitos anos, para serem considerados anos mais tarde como uma das mais
bárbaras superstições. Por exemplo, ao famoso cardeal Richelieu deram a beber,
em seu leito de morte, excrementos de cavalo embebidos de vinho, e não eram
charlatães, mas homens que hoje em dia, seriam classificados de médicos. (Ver
Devils, Drugs and Doctors, de H. W. Haggarf, M.H.D.) Não estou dando a co-
nhecer “segredos de estado” ao aludir a instabilidade que caracteriza a profissão
médica ortodoxa. Falando no King’s College H. M. School, em 1o de outubro
de 1918, o cirurgião geral Sir Watson Cheyne, M.P., pedia aos estudantes que
recordassem:
“A medicina não é uma ciência exata. Muito do que se está ensinan-
do não está correto. Quando se trata da vida, sabe-se tão pouco do corpo
vivo, que não se pode ser dogmático. Somente se podem estabelecer hipó-
teses que se manterão por um dia e logo passarão. Assim como os ensina-
mentos de setenta anos atrás, nos parecem muito curiosos e não muito
sensatos, exatamente o mesmo se sucederá daqui a quarenta anos.” (The
Times, 2 de outubro de 1918)
A verdade disto pode se aplicar hoje como em 1918, talvez ainda mais.
Não é exagero dizer que, longe de ser uma ciência exata, apesar de todas as pro-
vas “científicas” a que são submetidos os pacientes em nossos dias, continua
sendo uma ciência tão inexata, que se sabe que dez médicos diferentes deram
dez diagnósticos diferentes para uma doença aparentemente tão simples como
dor de cabeça. No diário americano American journal Liberty (22 de janeiro de
1938), apareceu um artigo de um homem de quase trinta anos, que relata sua in-
tenção de se livrar desse molesto problema, consultando sucessivamente dez
médicos; no final da aventura continuava com sua dor de cabeça. Como a histó-
ria é significativa, e não carece de ironia e sentido de humor, podemos con-
densá-la aqui.
O primeiro médico lhe disse que tinha uma obstrução no nariz e deveria
consultar um especialista; o segundo lhe disse que não tinha nenhum problema
no nariz; porém devia ir ao oculista; o terceiro lhe disse que tinha pressão baixa
e devia submeter-se a injeções; o quarto lhe disse que tinha pressão alta e devia
fazer dieta para abaixá-la; o quinto lhe disse que tinha o fígado inchado e devia
seguir um tratamento elétrico; o sexto lhe disse que seu fígado não estava in-
chado, porém não secretava suficiente bílis; o sétimo lhe disse que a glândula
pituitária não estava funcionando bem e devia submeter-se a injeções glandula-
res; o oitavo lhe disse que sofria de envenenamento intestinal e devia comer e
fumar menos; o nono lhe disse que era um caso de debilidade nervosa e tinha
que tomar algumas pílulas; o décimo lhe disse que em realidade ele não tinha
15
nada, e que suas dores de cabeça eram simples dores de cabeça… Ao citar este
artigo não estou querendo dizer que os médicos sejam ignorantes. Ao contrário,
estão tão cheios de erudição “que as árvores não lhes deixam ver o bosque”.
Esta é uma das razões irrefutáveis, de que mais cedo ou mais tarde rechacem
um remédio simples em benefício do complexo, por mais eficaz que tenha de-
monstrado ser o remédio simples.
Uma objeção final que se pode colocar contra a ingestão de urina (ainda
que não seja um argumento contra seu valor terapêutico) é que o sabor deve ser
tão “profundamente vomitivo” que somente os heróis poderiam atrever-se a
bebê-la. No entanto, a suposição é incorreta. Por exemplo, o sabor da urina sau-
dável não é tão desagradável como o dos sais de Epsom. A urina da manhã é so-
mente um pouco amarga e salgada. Porém, tal como temos mencionado, quanto
mais se bebe, mais inócua se torna; e como se poderia esperar, o sabor varia de
dia a dia e inclusive de hora em hora, de acordo com os alimentos ingeridos.
Também a urina produzida em algumas doenças graves não tem sabor tão ruim
como sua aparência possa sugerir.
Agora, depois de haver citado testemunhos antigos e modernos do valor
terapêutico da urina, e tendo tratado das objeções antes mencionadas, adiciona-
rei as evidências recolhidas em muitos anos de prática e experiência pessoal da-
queles que estão em posição de conhecer os fatos reais.
A urina é filtrada ao entrar no corpo; se torna cada vez mais pura inclusive
em um só dia de viver dela e de água potável se for necessário. Primeiro ela
limpa, depois libera as obstruções e finalmente reconstitui os condutos e órgãos
vitais estropiados pela enfermidade. Na realidade não somente reconstitui os
pulmões, pâncreas, fígado, cérebro, coração, etc., senão que também repara os
revestimentos do cérebro, intestinos e outros, tal como se tem demonstrado no
caso de muitas enfermidades “mortais”, como o definhamento dos intestinos e a
pior forma de colite. Em resumo, consegue o que os jejuns à base de água e
suco de frutas (diante do que dizem alguns naturopatas) não podem conseguir.
A prova desta afirmação se encontra nos casos apresentados nas páginas
seguintes.

16
CAPÍTULO 4
MINHA AUTOCURA

Ainda que neste livro eu preferiria evitar o primeiro pronome pessoal, se


quero ser convincente, e dadas as circunstâncias, não me é possível evitá-lo.
Pois, como já temos dito, uma grama de experiência vale mais que uma tonela-
da de argumentos.
Meu primeiro paciente foi eu mesmo. Aconteceu assim. Durante a última
guerra, na idade de 34 anos, apresentei-me a exame médico de acordo com o
que foi chamado Esquema Derby e fui recusado por quatro médicos que afirma-
vam que eu estava tuberculoso. Insistiram, além disso, que procurasse os cuida-
dos de um médico. Em consequência, consultei um especialista. No entanto, tra-
tou minha condição considerando que não era muito grave, dizendo que era
mais do tipo catarral que tuberculoso, e aconselhando-me muito, vida ao ar li-
vre, sol e dieta nutritiva. Segui o conselho e em um ano ganhei cerca de 12 kg.
Porém, como não estava satisfeito com minha condição, consultei outro especi-
alista, que me disse que tinha os dois pulmões afetados e que, apesar do que ha-
via dito o outro especialista, era tuberculoso e devia fortificar-me com uma die-
ta rica em açúcares e amido.
Finalmente, veio a diabetes e me submeteram a um regime drástico total-
mente diferente, que consistia em jejuar quatro dias em cada semana, à base de
três litros de água fria tomada aos goles, enquanto nos outros três dias era-me
permitido um “lanche” que só servia para aumentar meu apetite, sem mencionar
que mastigava tanto cada porção que acabei com a boca ferida, os dentes dolori-
dos, as gengivas inchadas e a língua mais volumosa. Além desses incômodos,
sofria de insônia, nervos desgastados e temperamento irritadiço. Segui o regime
ininterruptamente durante dezesseis semanas, e embora tenha desaparecido a
tosse e as condições catarrais, e também uma dolorida ciática que me acometia,
a cura me parecia mais desagradável que a doença. O resultado final foi que,
depois de dois anos deste tratamento, perdi a fé nos médicos e iniciei uma série
de aventuras por mim mesmo, ainda que em grande parte contra o conselho dos
médicos.
Não prolongarei esta história dando todos os detalhes; basta dizer que,
chegado a um momento em que me sentia muito fraco e doente, recordei o texto
do capítulo 5:15, dos Provérbios, que diz: “Bebe a água da tua cisterna e as tor-
rentes que manam do teu poço”, texto que, por sua vez, me recordou o caso de
uma jovem cujo pai a fez beber urina quando estava doente com difteria, e se
curou em três dias. Vieram-me outros casos à mente (de icterícia um deles) que
se haviam curado com os mesmos meios. E não foi só isso, recordei-me da res-
posta do médico, uns anos antes, quando lhe perguntei como poderia saber por
17
meio de minha urina, que meus pulmões e o pâncreas estavam doentes e debili-
tados. Recordo que, em minha inocência, lhe disse: “Se através da urina perco
açúcar e tecido vital, porque não bebê-la e recolocar deste modo os ditos ele-
mentos?” Ele me contestou dizendo que os órgãos não podiam assimilar “maté-
ria morta”. No entanto, como tenho demonstrado desde então, isto era só uma
falácia teórica!
Tendo chegado a este ponto, devo fazer uma digressão. Reconheço que é
dogmaticamente imprudente afirmar que qualquer texto das escrituras denote
isto ou aquilo, pois muitas pessoas leem na Bíblia exatamente aquilo que dese-
jam encontrar. No entanto, creio, e continuo acreditando, que o texto que citei, e
muitos outros, fazem referência ao líquido vital que temos em nossos corpos, e
ao acreditar, agi de acordo com esta crença, encontrando afinal o que resultou
ser minha salvação física.
Fortificado por minha fé no que pensava ser a interpretação correta do
texto, jejuei durante quarenta e cinco dias, nos quais não tomei outra coisa além
de urina e água potável… e isso apesar da afirmação do médico de que onze
dias sem alimento era o máximo que poderia resistir o ser humano! Também me
massageei o corpo com minha urina, fator este muito importante na cura, que
tratarei no capítulo 17. Finalmente suspendi o jejum com carne crua de vaca, e
que não trouxe mais incômodos que uma fome voraz. No entanto, comi com
precaução durante um tempo, e continuei bebendo minha urina, observando que
suas mudanças de temperatura, quantidade, sabor, etc., dependiam quase intei-
ramente do que comia ou bebia, e da quantidade de exercícios que fazia.
Ao final deste tratamento me sentia, e era “um homem totalmente novo”.
Pesava 70 kg, estava cheio de energia e parecia dez anos mais jovem, além de
ter a pele como de uma jovem. Tinha trinta e seis anos, então, e tenho agora
mais de sessenta. No entanto, graças a beber totalmente a urina produzida, de
viver com uma dieta bem equilibrada,* e de que nunca como mais alimento por
dia do que considero necessário, sinto-me e pareço muito mais jovem do que a
maioria dos homens de minha idade, mantendo-me livre de doenças maiores ou
menores das quais se diz que o corpo deve herdar.
* Ver capítulo 18.
Depois de ter relatado os principais detalhes de minha autocura, e tudo o
que contribuiu para a sua continuação, acrescentarei simplesmente que, em
1918, convencido de que o conhecimento não deve “esconder-se egoisticamente
debaixo do alqueire”, mas que deve ser compartilhado com os companheiros,
comecei a aconselhar e supervisionar da mesma maneira, os jejuns de outros.
Portanto, o resto deste livro está dedicado, em grande parte, aos resultados obti-
dos com os pacientes de uma grande variedade de doenças, incluindo casos de
câncer medicamente diagnosticados, enfermidade de Bright, gangrena e muitas
outras, que conforme o ponto de vista ortodoxo, são etiquetadas como incurá-
veis.
18
CAPÍTULO 5
GANGRENA

O médico ortodoxo considera sem esperança a cura da gangrena, descrita


em linguagem simples como “a morte de uma parte”. “A gangrena se estabele-
ceu” é a frase invariavelmente aceita como a última fase que precede imediata-
mente o falecimento da vítima. Quando se produz gangrena depois da amputa-
ção de um dedo ou de um membro, costuma ser fatal, especialmente no caso de
pessoas que passaram da idade mediana. No entanto, tenho demonstrado que se
pode curar facilmente.
Meu primeiro encontro com os estragos da gangrena aconteceu em 1891,
quando era estudante de dez anos. Meu companheiro de escola mais próximo,
estava durante vários dias se queixando de dores no rosto, quando o levaram ao
dentista para a extração de um dente molar situado na parte de trás da mandíbu-
la. Infelizmente saiu junto com o dente uma parte da mandíbula e o local se
gangrenou. Aplicaram medicamentos e unguentos para reduzir (ou talvez seria
melhor dizer suprimir) a inchação, porém morreu dez dias depois.
Aconteceu que naqueles dias também tive uma bochecha inchada. Porém,
o remédio que minha mãe aplicou (que era filha de camponeses, diga-se de pas-
sagem), era muito diferente do “científico”, que tinham aplicado os médicos ao
meu jovem amigo. Na realidade, minha bochecha inchada era por causa das fer-
roadas de muitas abelhas, pois havia molestado uma colônia destes interessantes
insetos. De toda maneira era muito dolorido, até que minha mãe me curou com-
pletamente banhando-me o rosto com urina, e vendando-o, sob pressão, com
panos embebidos desse líquido curativo. Minha bochecha estava curada em
poucas horas.
Se tivesse sugerido este tratamento aos pais de meu companheiro de esco-
la, eles teriam recusado com desdém e expressões de nojo. Depois fiquei saben-
do que as compressas de urina, combinadas com sua ingestão e jejum, teriam
salvo meu infeliz companheiro.
Um ano mais tarde, um jovem conhecido nosso, morria de gangrena, com
o tratamento médico que lhe aplicaram ou talvez de ambas as coisas. Enquanto
estava doente costumava ir visitá-lo, lendo algo para ele, e durante uma dessas
visitas chegou o médico. Era médico muito eloquente, e depois de algumas pa-
lavras de consolo, acrescentou que quem encontrasse a cura para tão terrível
aflição mereceria uma coroa de ouro. Se tivesse “lido, anotado, aprendido e di-
gerido” o velho livro que já citei, sobre o valor da urina para “qualquer ferida
verde”, teria sabido que já se havia encontrado a cura há anos. Não pensei en-
tão, que teria oportunidade de mostrar a verdade desta frase, e muito menos me
ocorreu pensar que não receberia uma coroa de ouro, senão que, metaforica-
19
mente falando, seria uma coroa de espinhos! Pois, ainda que isto não seja rele-
vante para este livro, tive que sofrer por minhas doutrinas e sua demonstração.
Em 1920, tratei meu primeiro caso de gangrena. A paciente tinha 53 anos.
Tinha estado sob os cuidados de um médico de Bradford muito conhecido, que
era autoridade em jejuns e dietas. Ela tinha tido anemia, os pulmões mostravam
sinais de graves perturbações e tinha uma condição gangrenosa em um pé, com
uma série de erupções cutâneas de várias dimensões em ambas as pernas. Tinha
icterícia, de modo que sua tez parecia eurasiática, e o branco dos olhos estava
amarelo. O abdômen estava inchado e duro, e o corpo fino e muito emagrecido.
Embora o médico aceitasse que se experimentasse meu método, pelo me-
nos durante um mês, eu não desejava aconselhar aquele caso, pois achava que
seria necessário um período não menor que sessenta ou setenta dias para a recu-
peração da saúde da paciente. No entanto, para minha surpresa, alguns fatos es-
timulantes aconteceram com grande rapidez, dando-me a oportunidade de ob-
servar que a gangrena está longe de ser a condição desesperada que o público e
os médicos nos fizeram acreditar.
Depois de dez dias jejuando à base de urina e água, massageando o corpo
e aplicando compressas, os rins e intestinos funcionavam fazendo “horas ex-
tras” e ainda que as erupções houvessem aumentado, eram menos irritáveis. A
respiração se normalizou, a paciente dormia melhor, e sobretudo, o pé gangre-
noso começou a dar sinais de cura.
Aos dezoito dias de jejum o pé estava totalmente normal; a urina havia
formado uma nova pele e não havia nenhum sinal de lacerações. O pé tinha se
curado sem nem apresentar cicatrizes.
Temos de nos surpreender por isto, se compreendemos que a urina não é
matéria morta, senão, por assim dizer, carne, sangue e tecidos vitais em uma so-
lução viva?
Como resultado desta cura, me convidaram a assumir outro caso de gan-
grena. Tratava-se de uma mulher de quarenta anos. Sua perna direita se achava
em tal estado de putrefação que o médico aconselhou amputação.
O problema se havia iniciado dois anos antes, com uma inchação do tor-
nozelo. Era atribuída a sua ocupação, que a obrigava a ficar ajoelhada por muito
tempo sobre um solo de pedra. Tinha-se submetido a muitos tratamentos, orto-
doxos e não ortodoxos, porém, suas aflições aumentavam. Sofria de prisão de
ventre grave, hemorroidas, eczema, anemia, insônia, tiques nervosos, depressão
geral, boca e língua feridas, dores no rosto, erupções nas junções dos lábios, e
sobretudo, apareceram mais cavidades na perna gangrenada. No entanto, apesar
de suas tribulações, era mulher de grande espírito, e não tive dificuldades em
convencê-la a jejuar tomando a urina que produzia e três litros diários de água
potável, que tinha que tomar aos goles.

20
Durante os cinco primeiros dias de sofrimento, começaram a desaparecer
as erupções e a pele de todo o corpo começou a se apresentar mais saudável em
todos os aspectos. A dor do rosto desapareceu no segundo dia, na terceira noite
dormiu bem depois de várias semanas de insônia, e no final da primeira semana
os intestinos e rins faziam “horas extras” e as hemorroidas se curaram. Em
quinze dias não havia nenhum sinal de gangrena e havia crescido nova pele no
lugar das cavidades. A perna enferma, que havia duplicado de volume, estava
completamente normal. Nenhuma cicatriz lhe fazia lembrar o tanto que havia
sofrido! Depois coloquei a minha paciente recuperada em uma dieta exclusiva
de uvas, bananas, e tomates crus durante uma semana, acrescentando leite fres-
co não pasteurizado na segunda semana e na terceira semana voltou à dieta nor-
mal.
Segundo minha experiência, a gangrena costuma ter resposta muito mais
rápida do que qualquer outra enfermidade “mortal”, o que pode se ver em breve
resumo de casos que incluí a seguir. Devo acrescentar que quase todos os casos
foram tratados depois de que o médico tinha aconselhado a amputação.
A Senhora E., teve gangrena nos dedos e pés depois de uma paralisia re-
sultante da administração de vacina. Quarenta e oito dias de jejum. A urina cu-
rou os pés e dedos nos primeiros 20 dias.
Senhor D. Gangrena diabética no antebraço esquerdo. Jejum de 48 dias
para a diabetes. Braço completamente normal depois de 18 dias. Sem cicatriz.
Senhor J. W. B. (60 anos). Gangrena na primeira e segunda articulação do
polegar, resultante de uma martelada em trabalho de alvenaria. Tratado durante
18 semanas como paciente externo em Leeds G. I. Osso eliminado até a primei-
ra articulação. A descoloração se estendeu até o pulso. Jejum de acordo com
meu método, aplicação de compressas de urina em toda a mão, pulso e braço.
Curado em uma semana.
Senhorita C. A. (10 anos em 1930). Anemia. Gangrena de ambas as per-
nas após tratamento supressivo de psoríase. Grandes áreas com perda de pele e
carne viva em ambas panturrilhas. Jejum de 18 dias. Cura completa. Não teve
mais anemia, nem psoríase, sem cicatrizes nas pernas. Cresceu 4 centímetros
durante o jejum. Agora é membro do A. T. S. nas H. M. Forces. Altura superior
à média.
Senhora B. Dedo gangrenoso, também conjuntivite grave depois de um
ano de uso de atropina. Jejum de 12 dias pela gangrena, depois de uma semana
de descanso um segundo jejum para a conjuntivite, que foi eliminada aos 23
dias, 38 anos em 1927.
Senhor J. I. (54 anos). Polegar cortado pelo osso. O médico o atendeu no
mesmo dia. Apareceu a gangrena. A decisão de amputar do cirurgião foi recusa-
da. Jejum de 14 dias. O corpo massageado com urina, emplasto sobre o dedo

21
com urina muito forte e velha. Melhoria depois de três dias de tratamento. Cura
completa aos doze dias.
Sr. N. (55 anos). Gangrena tubercular em ambas as pernas. Os cirurgiões
queriam amputar ambos os membros. Sua esposou recusou. Condição de forte
emagrecimento do paciente. Grande depressão depois do excesso de medica-
mentos. Jejum de 42 dias de acordo com meu método. Agora caminha tão bem
como qualquer pessoa e gosta de fazer exercício.
Senhora L. (48 anos). Gangrena de ambas as pernas e pés depois de se
derramar nela uma panela grande de azeite fervente. Tratados com emplastros
durante três semanas pelos médicos. Resultados desastrosos. Jejum de 28 dias
com o tratamento usual que proponho. Acentuada melhora depois de dez dias.
Retorna à saúde normal depois de uma quinzena.
Poderia citar muitos outros casos, porém não quero avolumar este livro
com um número desnecessário de exemplos, quando uns poucos são suficientes
para convencer a quem não está cheio de preconceitos. Acredito que posso dizer
que o que está escrito aqui acaba com o dogma de que a gangrena é incurável.
Proporcionaremos agora evidências que acabam com outros dogmas
médicos, especialmente da “incurabilidade” do câncer.

22
CAPÍTULO 6
TUMORES E CÂNCER (?)

Em 1912, o finado Dr. F. Forbes-Ross, médico londinense plenamente


qualificado, escreveu um livro intitulado Cancer — Its Genesis and Treatment.
Depois de vinte e cinco anos de prática médica tinha chegado à conclusão de
que esta malignidade e outros tumores eram devidos a uma dieta insuficiente
em sais minerais, especialmente potássio. Submetendo seus pacientes a uma di-
eta mais equilibrada (tal como a que proponho), e administrando-lhes sais de
potássio em forma assimilável, curou um grande número de casos desta temida
doença. No entanto, depois de sua morte, nem um só hospital nem nenhum de
seus colegas se sentiram induzidos a seguir o tratamento, tão firmemente estava
arraigado o dogma da profissão medica, de que o câncer deve ser tratado exclu-
sivamente com o bisturi ou a radiação. Seu livro está esgotado agora. Continua
estando à venda, em compensação, ou ao menos até datas muito recentes, o li-
vro do cirurgião Sr. C. P. Childe, que propõe a rápida intervenção com o bisturi
de qualquer crescimento que pareça suspeito. (Ver Doctors, Disease and Heal-
th, também Victory over Cancer e Health, Diet and Commonsense, de Cyril
Scott.)
Não estou preparado para pronunciar-me acerca dos méritos ou deméritos
do método do Dr. Forbes-Ross, pois não me pediram que eu o aprove. Porém o
tratamento do seu livro demonstra o pequeno espírito democrático que predomi-
na na profissão médica, e deveria fazer pensar aos membros inteligentes da so-
ciedade, no motivo de que se continua dizendo que o câncer é uma doença incu-
rável, agora que o dogma já não é correto… se é que o foi alguma vez. Seria
bem mais verdadeiro dizer que muitos pacientes acometidos de câncer não pu-
deram se curar. Porém, como já tenho dito em outro lugar, o mesmo tem sucedi-
do com muitos pacientes acometidos de gripe.
Quanto ao tratamento cirúrgico de um tumor canceroso, o finado D. Ra-
bagliati,* de Bradford, me confessou que no início de sua carreira, antes de eu
conhecê-lo, tinha realizado não menos de quinhentas operações importantes de
tumores, porém que a constante falta de êxito com o bisturi, lhe havia levado a
procurar, por infelicidade em vão, outros meios mais efetivos de tratar o câncer.
* Dr. Rabagliati era bem conhecido na profissão médica, e seu nome se
encontra em muitos livros de medicina publicados.
Meu primeiro caso de câncer medicamente diagnosticado foi o de uma
enfermeira de quase setenta anos. Ela tinha atendido a mais de cinquenta casos
desta malignidade durante suas atividades profissionais, e se dizia pouco a favor
da política de extirpar tumores cancerosos, e que, muito antes de contrair um,
havia jurado não submeter-se nunca ao bisturi. Era alguém dentre as numerosas
23
pessoas que se achavam em posição de saber que, por muito doloroso que fosse
um tumor antes da operação, essa dor era suave em comparação com a experi-
mentada depois que o câncer volta novamente.
Quando a vi pela primeira vez fazia já vários meses que tinha o tumor, e
que já se tinha estendido desde ambos os seios até os dois ombros. Ela tinha
poucos problemas, além de algumas pontadas ocasionais. Não havia consultado
nenhum médico. Porém um dia que estava acamada com gripe, viu-se obrigada
a chamar o médico, que ao examiná-la descobriu a condição de seu peito, la-
mentando que era demasiado tarde para operar… E deu-lhe dez dias de vida!
O caso então chegou em minhas mãos. A paciente fez um breve jejum à
base de água e sua própria urina, durante dez dias. Logo lhe receitei dieta à base
de uma refeição ao dia, mais a ingestão completa da urina produzida. Não se
observou nenhum efeito sobre o tumor; porém a saúde geral e o ânimo da paci-
ente melhoraram de maneira assombrosa.
Posteriormente o tumor deixou de dar problemas. Retirou-se a um lugar
da costa para viver com um parente que zombava de minhas teorias, e que, ain-
da que os médicos não tinham conseguido lhe curar a asma, venerava o santuá-
rio da ortodoxia médica. Minha paciente morreu seis anos mais tarde, duas ho-
ras depois que um médico lhe deu umas pílulas de aspecto inocente para aliviar
um catarro. Somente a vi uma vez após 1918-1919.
Pelo meu ponto de vista, este caso foi, evidentemente, insatisfatório. Po-
rém, em certa medida serve para demonstrar o que muitos médicos heterodoxos
têm manifestado: que se não se interfere nos tumores com o bisturi não matam
necessariamente o paciente, e inclusive podem, até mesmo, não causar-lhe pro-
blema.
Cita-se um caso em um dos livros médicos, com relação a uma anciã que
viveu até os 96 anos com um tumor canceroso no seio, desde os 40 anos. Vários
médicos a quem consultou por doenças menores, desejaram operá-lo, porém ela
sempre se havia negado, afirmando que não sentia dores nem incômodos. Dizia,
além disso, que não acreditava no bisturi.
Após meu primeiro caso de “câncer”, tratei em várias fases desta doença,
grande número de casos diagnosticados como cancerosos, alguns dos quais tam-
bém tinham sido tratados médica e cirurgicamente. Em consequência, pude co-
letar muitos dados interessantes sobre o tema, a maioria dos quais contradizem
as teorias alopáticas e as suposições populares. No entanto, sabendo que preva-
lece o dogma de que o câncer autêntico é incurável, e vendo uma lei que proíbe
qualquer profano sugerir sequer que pode curar (ou que presumivelmente cu-
rou) esta enfermidade, devemos considerar que todos estes casos profissionais
da medicina supostos como cancerosos, tinham sido erroneamente diagnostica-
dos.

24
Mencionarei, brevemente, em primeiro lugar, em conjunto, os casos de
cinco mulheres, que classificarei como ABC, pois nenhuma havia tido trata-
mento prévio, e os tumores se lhes haviam crescido recentemente. Estes casos
sugerem, pelo menos, a sabedoria de tomar medidas rápidas e corretas. No en-
tanto, primeiro devo salientar, que nenhum destes casos tinha sido rotulado de
cancerígeno. Todavia, por segurança, exigi que todas elas jejuassem de acordo
com meu método, também aplicando-lhes compressas de urina, com êxito total,
pois além do desaparecimento dos tumores, o tratamento produziu um estado de
saúde muito superior ao que experimentavam antes do jejum. De fato, os tumo-
res desapareceram de modo tão completo, que todas ficaram convencidas de
que não eram tumores malignos, especialmente porque evito empregar em mi-
nhas consultas termos como câncer, malignidade, ou inclusive tumores. Por ou-
tro lado, tem-se que admitir que nem todo caroço que se forma no corpo é ma-
ligno, sobretudo que, só o médico tem a capacidade ou autoridade para rotulá-lo
como maligno ou de outro modo. Infelizmente, esta norma faz com que muitos
tumores não malignos sejam etiquetados como malignos quando de fato não o
são, e que se sugira cirurgia no caso de que poderia se tornar maligno. Como
consequência, centenas de caroços insignificantes têm sido tratados cirurgica-
mente como se tratasse de enfermidade grave, acabando por produzir um cân-
cer, pois nem os médicos, nem os leigos perceberam que, o melhor modo de
atrair a doença, consiste na mutilação do seio feminino ou de qualquer outra
parte do corpo.*
* Por exemplo, São Francisco é uma cidade sobrecarregada cirurgica-
mente. Tem poucos médicos e centenas de cirurgiões. Não nos espantamos por-
tanto, quando lemos que “a mortalidade pelo câncer em São Francisco excede a
de qualquer outra cidade americana”. (Ver Victory over Cancer de Cyril Scott.)
Citarei agora o caso da Sra. R. (1923). Naquele ano ela tinha quarenta
anos. Condição anêmica, abaixo da altura mediana, peso abaixo do normal, ca-
roço do tamanho de um ovo de galinha num dos seios. Diagnosticado como
câncer pelo finado Dr. Rabagliati, com urgência de operação imediata, o que foi
recusado. Jejum à base de urina e um litro e um quarto de água fria potável. O
marido a massageava com sua própria urina, da cabeça aos pés duas horas ao
dia, colocando dia e noite sobre ambos seios compressas de urina. Curada em
dez dias. Retorna ao Dr. Rabagliati doze dias depois da última visita e não en-
controu nenhuma anormalidade no seio. A anemia também desaparecera, e a pa-
ciente tinha recuperado completamente a saúde.
Eis outro caso (1925). Mulher de idade mediana. Tumor de certas propor-
ções situado perto da axila. Dois cirurgiões aconselharam operação, porém, ce-
dem à sugestão de uma filha, de que a paciente deve descansar e tomar uma nu-
trição leve antes de enfrentar a cirurgia. Portanto acertaram que a operação se
realizaria no hospital uma semana após. Todavia, como a filha tinha obtido um
grande benefício do jejum à base de urina, convenceu a mãe de que se subme-
tesse ao tratamento. Em cinco dias não havia vestígios do tumor. Devo acres-
25
centar que dois dias depois que a paciente deveria se apresentar para a opera-
ção, o médico entrou em contato. Ficou indignado por não seguirem seus conse-
lhos e disposições, porém quando examinou a paciente e viu que sua condição
estava totalmente normal, não teve o que falar. Depois comunicou a seus cole-
gas, os quais, falando de maneira delicada, ficaram extremamente assombrados,
e humanos como eram, não estavam de todo satisfeitos. Acrescentei esta parte
da história, simplesmente para mostrar que a paciente foi apropriadamente exa-
minada depois da recuperação. No momento em que descrevo este caso já se
passaram muitos anos e a paciente se encontra em perfeita saúde.
Posso citar agora o caso de uma senhora jovem na qual havia aparecido
um caroço no peito. Cito-o, porque foi o período mais curto de desaparecimento
de um tumor maligno ou uma simples inchação de uma glândula láctea, que
presenciei até esta data. No entanto, creio que se a paciente se tivesse posto nas
mãos de médicos, lhe teriam aconselhado uma cirurgia, tal como tinham feito
em centenas de casos semelhantes. Assim que a examinei, aconselhei jejum
com sua própria urina e água potável e compressas de urina, em resumo, o pro-
cedimento que aconselho habitualmente. Ao final de quatro dias o tumor ha-
via desaparecido completamente.
Mencionarei agora o caso de uma senhora que veio me ver em 1927. É
instrutivo por que mostra, mais outra vez, que as operações simplesmente tra-
tam os efeitos e não eliminam do corpo a causa da enfermidade. Ela tinha 45
anos, era bastante forte, e tinha um tumor de certo tamanho no seio esquerdo,
sendo que já lhe tinham retirado o direito dois anos antes por causa de tu-
mor semelhante. Jejuou e foi tratada de acordo com meu método, durante 19
dias, depois dos quais verificou que o tumor havia desaparecido totalmente.
Como continuava sendo bastante gorda, aconselhei-a que continuasse o jejum.
No dia 28 examinei-a, não encontrei vestígio nenhum do caroço, e vi uma mu-
lher que parecia bem mais jovem, e com menor aparência de matrona.
O seguinte caso serve para demonstrar que o mesmo método pode curar
doenças que não parecem ter conexão alguma entre si. Uma senhora jovem veio
ver-me com uma inchação no peito direito, e perto do centro desta inchação, ha-
via um caroço feio e de aspecto suspeito. Tinha também duas grandes úlceras
abaixo da axila. O médico de cabeceira lhe havia pedido para que fosse ao hos-
pital para ficar em observação. Porém, ela se negou, pois sua mãe havia aceita-
do um semelhante conselho, tendo sido operada… e depois enterrada. Além dis-
so, ela mesma tendo sofrido de peritonite crônica, tinha se submetido à extração
do apêndice, sem ter sido curada da peritonite. Começou jejuando durante qua-
tro dias seguindo meu sistema, porém teve que romper o jejum a fim de satisfa-
zer a insistência dos parentes. Todavia, três dias depois, retomou o jejum e nesta
segunda vez o manteve por 19 dias. Depois de dez dias já tinha sentido uma no-
tável melhora, e ao final dos 19 dias não havia vestígio algum do tumor do seio
nem das úlceras da axila. Nem sequer ficou cicatriz. Porém a peritonite não ti-
nha ainda desaparecido (talvez pelo tecido cicatrizante resultante da operação
26
de apendicite), e por isso pouco depois jejuou durante 35 dias. Desta vez, obte-
ve o resultado desejado.
Estes casos deveriam servir para demonstrar que a natureza cura com
maior eficiência que os chamados métodos científicos que implicam a mutila-
ção. Se as pessoas que percebem caroços suspeitos em seus corpos, recorressem
a esses métodos naturais que tenho enfatizado, e os praticassem em seguida, a
natureza não lhes faltaria. Porém os que esperam até a última hora, talvez te-
nham que pagar por sua procrastinação.
De todas as formas, penso que o dogma que afirma a fatalidade do câncer
tardará em morrer, pois, enquanto um caso é curado por qualquer método, a ten-
dência é afirmar: “Então não podia ser câncer”. Os médicos que usam esta frase
não se dão conta de que estão diminuindo a capacidade de diagnose dos médi-
cos ou cirurgiões ortodoxos. Que se fazer ante a afirmação dos autores de The
Breast, os doutores Dearer y Macfarland, que escreveram: “Temos operado uns
mil casos de câncer e todos menos seis voltaram, e esses seis não eram cânce-
res”? E mais adiante: “Os maus resultados obtidos pela cirurgia em qualquer
caso de câncer são bem conhecidos pela profissão. (Dr. G. E. Ward, Howard
Kelley Hospital. Baltimore. A ênfase é minha.) Se esses maus resultados são tão
conhecidos, porque a profissão segue propondo o bisturi, ignorando os que ob-
têm bons resultados sem cirurgia, como foi o caso do Dr. Forbes-Ross e de ou-
tros depois de sua morte? Deveria mencionar aqui o Dr. W. F. Koch, de Detroit,
que durante o período de mais de vinte anos curou centenas de casos de câncer,
tanto externos como internos, mediante uma sutil fórmula química. No entanto,
longe de ser reconhecido pelo Orthodox Cancer Ring estado-unidense, é motivo
de chacota e inclusive é perseguido. Por que tem que ser assim?
Deixo ao leitor inteligente que tire suas conclusões e continuo a citar um
ou dois casos nos quais os médicos recomendaram o uso do bisturi, ainda que
tenham muito poucas esperanças de recuperação, se é que tinham alguma. Estes
casos consistiam em tumores em outras partes do corpo, pois até agora somente
temos mencionado casos de mama. Como o leitor estará familiarizado já com o
tratamento, darei simplesmente os detalhes mais simples.
Jovem de 28 anos, em 1920. São lhe dados três dias de vida. Condição
duplamente diagnosticada como câncer de esôfago ou doença venérea. Cura
completa. O paciente ainda vive.
Senhora de 62 anos. Diagnosticado câncer de intestinos. Colotomia acon-
selhada e recusada. Não chegava a 38 kg e se enfraquecia rapidamente. Curada
em três semanas. Ao escrever este livro ela tem 84 anos.
Senhora de 42 anos. Diagnosticado câncer de mama. Excisão aconselha-
da, seguida de regime rigoroso, porém somente oferecem pequena esperança de
cura. A paciente se nega a operar. Cura completa com o jejum de urina. Ainda
vive continuando bem depois de 21 anos.

27
Senhora de 40 anos. Em 1935 contrai o tipo de tumor conhecido como
“câncer das cordas vocais”. Os cirurgiões pedem a imediata excisão, porém sem
oferecer esperança de cura permanente, tendo em vista que é praticamente ine-
vitável o regresso e a extensão dos tumores. Curada com o jejum de urina, etc.,
em 23 dias. Não somente continua sentindo muito bem, e parecendo mais jo-
vem e formosa.
Pode ser de interesse ao leitor citar o que o Dr. Rabagliati — esse médico
franco, ilustrado e de mentalidade aberta — disse a respeito do tratamento de
tumores e cânceres diagnosticados, com os métodos que acentuei:
“Tenho examinado mulheres que segundo o tratamento ortodoxo, se
lhes teria extirpado um ou dois seios. Estas felizes mortais recusaram meu
conselho, se submeteram à terapia de urina e voltaram à minha sala de
consulta sem sequer uma cicatriz, o que sugere a cura da ‘malignidade in-
curável’.
“A muitas dessas mulheres o tumor ou os tumores desapareciam em
uma quinzena, a algumas em somente quatro dias; isto sugere que Sr.
Amstrong tem provavelmente razão na sua sugestão de que a maioria dos
caroços não são malignos, até depois de se terem submetido medicinal ou
cirurgicamente, e até nas fases incipientes pelos chamados Reis do Terror
… são algo muito simples se são atacados prontamente — de modo corre-
to — o modo de decompor os furúnculos, úlceras, tumores e cânceres na
corrente sanguínea…
“Todavia, ainda que algum profano reivindique e produza mil curas
de casos, duvido que isto impressione a minha profissão. Inclusive as afir-
mações de melhora das vítimas de câncer são abertamente ridicularizadas
ou ignoradas. É uma triste reflexão que minha profissão prospere com a
enfermidade e com a inumana propaganda do alarmismo oficial e a pro-
messa de um amanhã, algum outro dia, ou nunca, para as doenças que mi-
nha profissão e outros têm explorado até agora.”
Algumas teorias predominantes a respeito da origem do câncer, etc.
Para evitar a monotonia de um incessante recital de casos neste livro, fi-
xaremos por uns momentos a atenção nas diversas teorias existentes sobre as
causas do câncer, a fim de verificar se têm alguma relação com a minha tese.
Como o câncer acontece com menos frequência entre os vegetarianos, al-
guns carnívoros entusiastas declaram que o consumo de carne é a causa primor-
dial da malignidade. Porém se fosse correto, todas as pessoas, exceto os vegeta-
rianos (a menos que morram antes da idade em que se diz que o câncer costuma
desenvolver) sucumbiriam ante seus estragos, sem exceção. Além disso, alguns
vegetarianos morrem de câncer. “Bem, pois em qualquer caso”, respondem os
vegetarianos. “comer carne favorece a enfermidade no corpo humano”, e como
afirmava Sir Arbuthnot Lane, o câncer não pode se desenvolver em um organis-
28
mo saudável. Se um homem que foi vegetariano durante muito tempo começa
de repente a comer carne, aparecem perturbações. Pode-se citar o caso de um
vegetariano, que afirmava que deveria haver alguma gordura animal em certa
marca de bolachas de sabor bastante raro, pois sempre que a consumia, ele tinha
um ligeiro ataque de febre. Talvez, porém contrário a ele, posso citar o caso de
um jovem que, tendo vivido durante longo tempo com uma dieta que incluía
carne, porém excluía pastas e chocolates, tinha furúnculos e erupções cutâneas
quando comia estes alimentos. Segundo este raciocínio poder-se-ia argumentar
que as pastas e chocolates produzem estas perturbações e favorecem a enfermi-
dade, porque são a causa do câncer. Da mesma maneira que houve um tempo
em que alguns pensaram que os tomates eram sua causa.
A verdade é que os nossos desejos, a nossa fé, têm seu papel na questão
da malignidade do câncer, da mesma forma que em outras questões desagradá-
veis criadas por interesse. Os vegetarianos querem crer que comer carne é “a
raiz de todos os males”, e veem nela a causa do câncer e de toda uma série de
doenças. Porém, se examinarmos o assunto com bom-senso, outra explicação
parece ser mais razoável. Os vegetarianos sensatos vivem com uma dieta menos
desnaturalizada que a generalidade dos carnívoros, e portanto é menos provável
que desenvolvam câncer. Ao contrário, os vegetarianos “acientíficos” que vi-
vem sobretudo de macarrões, alimentos feculentos, vegetais cozidos em vez de
vaporizados, e de pastas, pudins, etc., de farinha branca, vivem de uma dieta
desnaturalizada, da mesma forma que aqueles que vivem à base desses alimen-
tos-porcaria, mais carne, e muitas vezes enlatada.
A causa do câncer parece ser óbvia àqueles que “são como meninos” e
não ficam cegos à verdade com os anteolhos da aprendizagem pseudocientífica,
deixando de ver o simples para se preocupar com o complexo. Ainda assim, no
final, alguns deles se veem obrigados a recorrer ao simples. Depois de escrever
um enorme volume sobrecarregado de teorias conflitivas e pronunciamentos
dogmáticos dos investigadores ortodoxos e heterodoxos do câncer, o professor
F. L. Hoffman (de USA) chega à surpreendente conclusão de que, depois de
tudo, o alimento pode ter alguma relação com a incidência do câncer.
E contudo, mesmo reconhecendo isto, na maioria dos casos, a causa não é
o alimento que as pessoas consomem, mas sim a insuficiência daqueles sais mi-
nerais essenciais que não se encontram nos alimentos consumidos, porém que
deveriam consumir para manter o sangue e os tecidos em condição saudável.
Conheço a descoberta feita (não pelo Cancer Ring), de que algumas pes-
soas que viveram durante algum tempo em uma casa situada sobre uma corrente
subterrânea, acabaram contraindo câncer — observação que pode explicar o ter-
mo “casas de câncer” —, todavia temos que descobrir se estas pessoas desen-
volveram câncer, em uma dieta bem equilibrada. Também seria instrutivo des-
cobrir se aqueles casos de desaparecimento “espontâneo” de tumores cancero-
sos aconteceram após a mudança para outro domicílio. Sobre tais casos, a pro-

29
pósito, o bem conhecido cirurgião Sr. Hastings Gilford escreveu (em 1925) es-
tas palavras significativas: “Embora se costume considerar o câncer como ine-
vitavelmente fatal, tem-se registrado muitos casos de desaparecimento “espon-
tâneo”, e nada pode ser mais certo de que esses casos registrados, são muito
poucos em comparação com os que ficaram sem registrar.” (!) Declaração noci-
va esta, diga-se de passagem, pois sugere, como Sr. Ellis Barker e outros sugeri-
ram, que a profissão médica e o Cancer Ring podem estar desejosos de que o
público conheça a autêntica verdade sobre esta doença.
Podemos citar aqui outra teoria: Que o uso excessivo de sal comum (que
não é alimento) conduz ao câncer. De acordo com “The Biochemic System of
Medicine”, há pelo menos doze sais minerais importantes presentes no sangue e
nos tecidos humanos saudáveis. Por que então tomar um desses sais e adminis-
trá-lo na forma bruta, que a natureza nunca quis, e em quantidades que não
existem nos alimentos naturais? Além disso, se o câncer é um crescimento fun-
goide, como foi afirmado, com certeza se terá que tirar alguma conclusão do
fato, de que alguns horticultores reguem os cogumelos com soluções mornas de
água e sal, com o objetivo de aumentar a produção. Outro ponto sugestivo é
que, apesar de ingerir grandes quantidades de sal em sua forma bruta, os tecidos
das pessoas que vivem com uma dieta mal equilibrada ou desnaturalizada, po-
dem registrar, com efeito, insuficiência de cloreto de sódio, o sal comum. O clo-
reto de sódio é necessário, e inócuo portanto, aos tecidos em quantidades tão
pequenas como as que se encontram nos vegetais, em saladas, etc., porém é no-
civo quando se ingere como condimento. O mesmo é relativamente verdadeiro
para o ferro, sendo o fosfato de ferro um dos doze sais dos tecidos. No entanto,
enquanto os praticantes do Biochemic System of Medicine curam frequentemen-
te a anemia dando doses infinitesimais de fosfato férrico, o alopata, ao dar doses
demasiado grandes, simplesmente perturba a digestão do paciente e não cura o
problema.
Tudo isto mostra novamente a simples verdade de que todas as enfermida-
des, desde a anemia ao câncer, sempre que não foram produzidas por alguma al-
teração estrutural, ou alguma causa psicológica profundamente assentada, têm
sua origem numa alimentação equivocada.
Seria difícil determinar em que medida os pensamentos de medo condu-
zem ao câncer. Porém, em qualquer caso, o medo é uma emoção desagradável,
sendo nociva se mantida durante longo tempo. Todavia, infelizmente, a profis-
são médica com seus métodos publicitários, promovem aquilo que deveriam
evitar, tal como diz a Dra. Marie Stopes numa carta a The Yorkshire Post, de 4
de agosto de 1938. Referindo-se ao informe de um discurso de Lord Horder, so-
bre os charlatães da medicina, a doutora escreveu:
“Como não utilizo essas medicinas, porém creio no jogo limpo bri-
tânico, peço a seus leitores que considerem que: a) Lord Horder punha
objeções principalmente ao “medo” criado pela publicidade charlatã; po-

30
rém, seguramente, todos este medos menores, juntos, não seriam tão gra-
ves como o medo do câncer, criado totalmente pela profissão médica, cuja
publicidade está em suas mãos e nos hospitais credenciados; b) Que todos
os remédios dos charlatães só são engolidos ou massageados, e não po-
dem fazer à nossa raça, uma fração do dano terrível que fazem as injeções
da profissão médica na corrente sanguínea e tecidos, de vírus ativos, de
sujeira e antitoxinas. Lord Horder põe objeções à “publicidade inescrupu-
losa”, porém, a publicidade menos escrupulosa que tenho visto nunca foi
lançada recentemente pela profissão médica, quando aconselhava ao pú-
blico esse veneno, o leite pasteurizado.
“Seguramente o discurso de de Lord Horder é um exemplo soberbo
da panela que acusa de enegrecida a chaleira.”
A carta fala por si mesma. E, a propósito dos charlatães, um verdadeiro
charlatão, no pior sentido da palavra, é o homem que afirma curar o que ele
sabe que não pode curar. Antes de se tornar ilegal para mim, tratar do câncer,
nunca afirmei poder curar alguém que tenha se submetido ao tratamento da ra-
diação. O tratamento do câncer é um jogo de meninos em comparação com os
efeitos secundários da radiação, e se tivesse oferecido alguma esperança a essas
pessoas, teria sido um charlatão impostor do tipo mais descarado.

31
CAPÍTULO 7
ENFERMIDADE DE BRIGHT: CASOS

A enfermidade de Bright* é definida como “uma condição mórbida dos


rins”. O termo é genérico e inclui várias formas de doença crônica e aguda do
rim, associada com a albumina da urina, e frequentemente com hidropsia, assim
como com vários sintomas secundários. Diz-se que suas causas são “os efeitos
da febre, especialmente da escarlatina, a exposição à umidade e ao frio, como
causa contribuinte somente a ação de medicamentos irritantes, álcool, etc. O Dr.
G. Johnson encontrou, mediante uma análise de 200 casos, que as bebidas into-
xicantes causam 29% de todos os casos, e que 12% surgem da escarlatina.” (Dr.
E. Harris Ruddock, M.D., Vade Mecum.)
* Enfermidade renal a que se deu o nome de Bright (morbus Brightii),
por ser o médico que a analisou desde 1827, relacionando as mudanças patoló-
gicas do rim, com as alterações químicas da urina e as mudanças clínicas. (N.
do T.)
De acordo com The Biochemic System of Medicine (G. W. Carey, M.D.,
de U.S.A.), a enfermidade de Bright é causada primordialmente pela falta de
fosfato cálcico. Ele escreve: “Quando as moléculas de fosfato cálcico caem
abaixo da quantidade habitual, a albumina com que estão associadas é retirada
de circulação, e chega ao mundo exterior através dos rins, produzindo um caso
de albuminuria.”
Segundo os praticantes deste Sistema, o principal remédio é portanto o
fosfato de cálcico, administrado em dose infinitesimal, tal como seria adminis-
trado pelos alimentos que não estão desnaturalizados pelo processo de refina-
mento. Dito de outro modo, a enfermidade de Bright é produzida por insuficiên-
cia dietética, isto é, uma dieta que carece de sais minerais essenciais para man-
ter saudáveis o sangue e os tecidos. Citemos de novo o Dr. Carey: “Os bioquí-
micos mostraram claramente o fato de que quando se produz insuficiência dos
sais celulares do sangue, a matéria orgânica com que esses sais estão associados
é colocada fora da circulação vital.” É digno de nota, que o Sistema Bioquímico
da Medicina afirme ser capaz de curar enfermidades de insuficiência, porém sa-
lienta que não pode fazê-lo com os efeitos da gulodice.
A incidência desta enfermidade se retrocede aos antigos tempos, porém
aumentou consideravelmente a partir do século passado, e em suas piores for-
mas têm sido a causa de numerosas mortes.
É fato curioso que durante os três primeiros anos de minha carreira como
terapeuta da urina, embora já tenha contatado com numerosos casos de câncer,
diabetes, tísica e enfermidade vascular do coração, até 1920 não enfrentei ne-

32
nhuma vez com um caso autêntico da enfermidade, da qual a hidropsia é so-
mente um sintoma. (A hidropsia é produzida também por outras enfermidades.)
Meu primeiro caso foi um dos maiores desafios que experimentei desde
então. Eis aqui os detalhes específicos:
Senhora C., 40 e poucos anos. Os médicos lhe tinham dado dois dias de
vida. Respirava com dificuldade. A urina era muito pouca, espessa e parecendo
mistura de sangue e pus. Tinha sido uma mulher muito bonita, a julgar pelas fo-
tografias tiradas um ano antes. O peso normal para uma mulher de sua altura
deveria ser pelos 70 kg, porém quando a vi pela primeira vez pesava mais de
130 kg. Apesar do veredito do médico, não me parecia estar moribunda, ainda
que sua condição era muito grave e dolorosa. Por sorte tinha duas enfermeiras
idosas e humanitárias, que apesar de sua profissão, tinham pouca confiança em
drogas e no tratamento médico. Nunca terei exagerado falando da mentalidade
aberta com que essas duas mulheres me ofereceram sua cooperação. A julgar
pelos conteúdos da mesa das drogas, não é surpreendente que tivessem perdido
a fé nos remédios, pois tal era a série de frascos, que me indignei do modo
como se estava “experimentando” com a infeliz paciente. No entanto, fortaleci-
do pelo que tenho observado em condições específicas muito piores de afecções
cardíacas, dificuldades respiratórias, estases, etc., prometi a ela rápido alívio
dos sistemas mais incômodos, e lhe prometia que aumentaria de, pelo menos,
cem vezes sua capacidade urinária em uma semana. Tão poderoso é o efeito de
beber sua própria urina que serve para desfazer as congestões em todas as par-
tes do corpo.
Minha predição foi atingida. Em quatro dias o fluxo de urina de cerca de
60 ml (urina de cheiro forte, quente, espessa e nebulosa), tinha aumentado para
cerca de seis litros ao dia. Além disso, começou a se tornar em líquido muito
mais claro, de aspecto próximo ao da água de chuva. No quarto dia, depois de
ter bebido toda a urina que produzia, ela era praticamente insípida, inodora e
sem aspecto desagradável.
Além de beber sua urina, a senhora C. podia tomar, em goles, toda água
potável que desejasse, o que chegou a um volume de cerca de três litros em 24
horas. Devo ainda acrescentar que após o terceiro dia a sêde quase havia desa-
parecido.
Após o quarto dia havia desaparecido toda a ansiedade que eu tinha senti-
do sobre o caso, e salvo rápidas e não frequentes visitas, deixei o tratamento nas
mãos das duas inteligentes e cooperadoras enfermeiras.
Aos 23 dias a paciente mostrava tais sinais de recuperação, que uma das
enfermeiras me pediu experimentar um pouco de suco de cenoura ralada com o
sabor de limão.
O resultado foi desastroso. Após duas horas tinha aparecido em cada bra-
ço uma erupção cobrindo área considerável, e que causava muita irritação. Ao
33
mesmo tempo cessou o fluxo de urina e apareceu uma grande inchação e irrita-
ção no abdômen. Colocaram na área abdominal panos umedecidos com a urina
de uma das enfermeiras, massageando suavemente e banhando com o mesmo
líquido os braços. Após quatro horas o abdômen absorveu a umidade das com-
pressas de urina e se reiniciou o fluxo de urina. Esta operação continuou inter-
mitentemente e no dia seguinte, exceto no que diz respeito à erupção e irritação,
a condição da paciente era a mesma de antes de haver tomado o suco de cenou-
ra. A erupção demorou quase uma semana para desaparecer.
Uma das características da terapia de urina consiste em massagear com
urina todo o corpo do paciente em dados intervalos e durante duas horas, desde
que o paciente não esteja tão fraco que não possa suportar. À senhora C., a mas-
sageavam duas vezes ao dia durante duas horas com a urina de uma das enfer-
meiras. No dia 48, a paciente tinha recuperado de tal modo a normalidade que
interrompeu o jejum tomando suco de laranja ao meio-dia, e uma laranja chupa-
da às quatro da tarde. Neste mesmo dia, produziu e tomou urina livremente, o
que significa que tudo estava já em bom funcionamento. Às seis e trinta, comeu
um pedaço pequeno de pescado vaporizado e duas batatas cozidas (com as cas-
cas). Pesava agora cerca de 55 kg. No dia seguinte fez duas refeições pequenas,
tendo que mastigar bastante até transformar em polpa antes de engolir. Uma se-
mana depois estava de pé e vestida com a roupa de um ano atrás, podendo andar
livremente de um aposento para outro.
Embora recuperada, ela continuou a prática de beber a urina, como tam-
bém de massagear o corpo (as áreas mais importantes são o rosto e o pescoço)
com extraordinários resultados na pele, cabelos, índole, e na aparência geral. Na
verdade, a urina é o alimento da pele por excelência para qualquer espécie de
doença da pele.
Aqui termina o longo caso da Senhora C., a quem tinham dado “dois dias
de vida”! Diga-se de passagem, seu marido e as duas enfermeiras converteram-
se em adeptos da terapia de urina e de uma dieta equilibrada, oposta à dieta des-
naturalizada.
O caso da senhora C., atraiu muita atenção do público profano, porém,
não, tal como eu, inocentemente, esperava, da fraternidade médica. Pois como
sinalizou Dr. Freud, descobridor da psicanálise, com independência de quão po-
derosas sejam as evidências, muitas pessoas só se permitem acreditar no que de-
sejam acreditar, e não acreditam no que não desejam acreditar. Todavia, existem
circunstâncias atenuantes no que diz respeito à profissão médica. Até que se te-
nha trabalhado muito para pôr fim aos melindres, é muito provável que se um
médico dissesse a seus pacientes que jejuem e bebam sua própria urina, seria
considerado como inoportuno ou louco e os pacientes busquem imediatamente
o conselho de outro médico. Por outro lado, por que motivo as pessoas, em sua
maioria, procuram o conselho de um médico? Para que lhes digam que deve
contrariar os efeitos de sua auto-indulgência. Se um médico lhes diz que devem

34
abandonar isto ou aquilo, acorrem imediatamente a outro médico que lhes diga
que não devem abandonar. E satisfeitos com este conselho, o seguem… muito
frequentemente para seu próprio prejuízo.
O caso da senhora C., foi fundamental para o tratamento do caso do se-
nhor B., cuja condição havia sido diagnosticada como enfermidade de Bright.
Senhor B., tinha substituído durante dois anos sua usual dieta insuficiente e mal
equilibrada, que se havia tornado mais deficiente por um cozimento não conser-
vativo dos alimentos, e mais “saboroso” por se ter acrescentado condimentos.
Não era muito comilão, porém tomava oito xícaras de chá por dia e fumava em
média cerca de vinte cigarros. Quando me procurou em 1920, dois médicos já
lhe tinham tratado durante algum tempo, período este em que seu peso havia
aumentado de 124 para 190 kg. Como para a senhora C., lhe tinham dado so-
mente dois dias de vida.
Em junho de 1920, iniciou um jejum que durou 49 dias. No quarto dia
produzia urina quase tão insípida e incolor como a água de chuva e suas incha-
ções começaram a desaparecer com surpreendente rapidez. Tinha estado anêmi-
co, porém após as sete semanas a anemia havia desaparecido. Não chegava ago-
ra aos 50 kg, e parecia em todos os aspectos tão jovem como era vinte anos an-
tes. (Assim mostravam as fotografias.)
Senhor B., suspendeu o jejum como havia feito a senhora C., e também
como ela tornou-se adepto da terapia de urina e uma dieta equilibrada e frugal.
Quer dizer, abandonou os alimentos desnaturalizados e continuou bebendo uri-
na todos os dias com resultados muito gratificantes.
Nesse mesmo ano se me apresentaram mais casos. Senhor W. (75 anos na-
quela época), Senhora L. (38), Senhor B. (55) e também um menino de 11 anos.
Todos os casos apresentavam características dignas de um largo histórico, po-
rém serei breve. Senhor W., apesar da idade, jejuou durante 53 dias, o que serve
para mostrar que idade não é obstáculo. Senhora L. 42 dias e senhor B. 60 dias.
No caso do menino, uma quinzena foi suficiente para efetuar a cura. Todos os
casos tiveram o mesmo final feliz que o da senhora C. Permito-me acrescentar
aqui, que a política de forçar os pacientes a comer “para manter as forças” é, em
minha opinião, o responsável por milhares de mortes prematuras. O alimento
não pode ser assimilado pelo corpo doente que está repleto de matéria obstruti-
va. O único “alimento” para os enfermos é a urina, dado que entre outras fun-
ções, ela substitui os tecidos de modo que nenhuma outra substância o conse-
gue. Enquanto que os remédios, muitos destes venenos empregados, têm graves
efeitos cumulativos para os quais não há antídoto.
Depois de 1920, durante os dois anos seguintes, aconselhei em mais de
trinta casos de enfermidade de Bright e outras afecções da bexiga e os rins, e
em nenhum caso foram precisos jejuns de urina de entre quatro e quatorze dias
para recuperar a normalidade e um estado satisfatório de saúde geral. Como es-

35
tes casos responderam ao tratamento muito mais rapidamente que os anterior-
mente mencionados, eu os classifiquei em minhas anotações como casos ABC.
Citarei brevemente um dos casos mais graves. Um homem de 60 anos,
depois de dois anos de supervisão e tratamento constante do coração, contraiu a
enfermidade de Bright. Finalmente abandonado por seus médicos, chamaram
um especialista. Este viu a vítima na fase em que os olhos sobressaíam, a língua
estava terrivelmente inchada e sobressaía da boca, e os lábios tinham três vezes
o tamanho normal. Os especialistas disseram que o caso não tinha esperança.
Não se podia fazer mais nada. Eu assumi o caso. O paciente produzia 20 litros
de “água” cinco dias após, e curado, voltava ao trabalho após seis semanas.

36
CAPÍTULO 8
UM CASO DE LEUCEMIA (ANEMIA ESPLÊNICA)

O finado Louis Kuhne, de Leipsic, famoso naturopata, afirmava que a en-


fermidade era unidade, e que, com pequenas variações devia ser tratada sempre
do mesmo modo. Sustentava que todas as enfermidades, independentemente de
seus nomes ou localização, surgem invariavelmente da mesma causa, isto é, da
presença de matéria estranha ao corpo. Dizia que era absurdo tratar separada-
mente um órgão (tal como costumam fazer os especialistas), pois, como é des-
necessário dizer, todo órgão ou membro é parte do corpo. E pensar que se pode
curar um olho, um braço ou uma perna tratando-os apenas localmente, é o cú-
mulo da loucura pseudocientífica! Se um olho ficou doente, existe algo no cor-
po que está causando a enfermidade. Por exemplo, cita o caso de uma mulher
que estava ficando cega. Tratou todo o corpo, fazendo desaparecer “obstru-
ções”, e o problema ocular desapareceu automaticamente. A paciente tinha so-
frido durante anos de hemorroidas sangrantes. Os médicos ortodoxos a haviam
operado. Pouco depois começou a perder a vista. A válvula de segurança havia
continuado bloqueada com essa medida, isto é, a operação e os venenos se con-
centraram nos olhos. (Ver The New Science of Healing.)
Kuhne levou a cabo muitas notáveis curas com seu método, porém ainda
teria realizado em maior número, se tivesse conhecido o valor da urina como
meio de substituir tecido perdido. Todavia, estava certo quando afirmava que
todas as enfermidades (exceto as produzidas por traumatismo ou defeitos estru-
turais) poderiam ser curadas com um único modo, tal como eu mesmo mostrei.
O nome da doença tem interesse simplesmente acadêmico, e não tem nada a ver
com a cura. Não obstante, por conveniência, e para mostrar este fato, tenho es-
pecificado as doenças tratadas, e darei agora os históricos do que recebe o nome
de leucocitemia ou leucemia.
O paciente, Senhor P. C., foi trazido de táxi à minha casa, por dois de
meus “discípulos”. Estava muito doente para entrar em minha casa sem ajuda,
parecia muito pálido e infeliz, e obviamente se encontrava em muito mau esta-
do. Tinha 48 anos e tinha perdido 25 kg em um ano, mais seis durante algumas
semanas de tratamento médico.
Depois que o examinei, lhe disse: “Sua condição é medicamente classifi-
cada como leucocitemia ou anemia esplênica, e de acordo com a profissão
médica só lhe restam três meses de vida. Sua doença foi produzida por uma die-
ta mal equilibrada desnaturalizada. Todavia, pode se salvar mediante o jejum e a
terapia de urina.” Continuei explicando-lhe os detalhes. Então me contou sua
história, cujo resumo é o seguinte:

37
Pouco antes da Páscoa deste ano (1927) havia tido catarro pelo qual havia
se “automedicado”. Na Sexta-feira da Paixão, sua condição era tal que a esposa
e o irmão se alarmaram e chamaram um jovem médico que tinha diagnosticado
pressão alta. No entanto, em um segundo exame realizado no dia seguinte disse
que não era pressão alta e que havia encontrado resquícios de outros sintomas,
que enumerou. Chamaram, então, um especialista. Examinou o paciente e indi-
cou ao médico de cabeceira a inchação da região do baço, diagnosticando o
caso como leucocitemia. Informaram, então, a senhor P. C. que a doença era
rara na Inglaterra, perguntando-lhe se tinha ido aos Trópicos do Oriente. Aos
parentes disseram que essa enfermidade era sempre fatal, porém que poderia vi-
ver de três a seis meses, depois de tratamento intenso de raios X, drogas e uma
série de injeções. (Não fizeram menção da dieta, exceto que fígado seria bom
para o paciente.) Senhor P. C. concordou em ser atendido na enfermaria local,
aonde foi examinado em várias ocasiões pelos médicos visitantes, que se inte-
ressavam no caso como “um espécime raro”. Todos se mostravam unânimes
quanto ao nome da doença e o tempo que restava de vida. Seu sangue foi anali-
sado pelo departamento de patologia, que encontrou por milímetro cúbico
556.000 glóbulos brancos mais que vermelhos.
Tal era a situação quando senhor P. C., me procurou, cinco semanas de-
pois de que a doença recebeu seu polissilábico e sonoro nome.
Senhor P. C. não era paciente dócil, e não estava disposto a jejuar sem in-
terrupção por um período tão grande como o que eu considerava essencial para
sua grave situação, que se tinha complicado com o tratamento de raios X rece-
bido. Todavia, ainda que somente jejuou uma semana, durante a qual o massa-
gearam com urina sua esposa e amigos durante longos períodos (e desde logo
não omitiu a parte essencial do tratamento, consistindo em beber a própria uri-
na), melhorou tanto que podia caminhar pela casa sem ajuda. Sua melhora foi
tão grande, que, sob pressão, consenti em que suspendesse o jejum, desde que
eu ditasse o que e quando deveria comer, e que não abandonaria as massagens e
a ingestão de urina. Durante a semana seguinte a alimentação consistiu em fru-
tas frescas (principalmente maçãs, laranjas e bananas), saladas, tomates, vege-
tais vaporizados, batatas com a casca, leite fresco sem pasteurizar, e mel. Tudo
deveria ser consumido em pequenas quantidades. Posteriormente foi-lhe permi-
tido carnes e pescados vaporizados, etc., em resumo, uma dieta bem equilibrada
na qual não entrava nenhum tipo de carne enlatada ou cozinhadas duas vezes,
de qualquer tipo. Continuaria bebendo a urina. Tudo isto ele cumpriu fielmente.
Seis semanas depois do dia em que o vi pela primeira vez foi feito novo
exame de sangue. Embora o primeiro havia indicado que havia 556.000 glóbu-
los brancos a mais que os vermelhos, por milímetro cúbico, agora mostrava me-
nos da metade dessa quantidade. Sr. P. C., se alegrou tanto com esse resultado
que consentiu em novos jejuns de uma semana de duração. Assim, durante as
seis semanas seguintes praticou jejuns de sete dias de duração. O terceiro e últi-
mo exame de sangue, revelou que o conteúdo estava totalmente normal. Pouco
38
depois das doze semanas que durou o tratamento, Sr. P. C. regressou ao traba-
lho.
Entretanto, a história não teve final feliz. Apesar de ter deixado bem claro,
que sua condição havia surgido por causa de uma dieta mal equilibrada, com o
passar do tempo (como me inteirei mais tarde) voltou ao velho costume de co-
mer qualquer “porcaria” que “apetecesse”. Embora durante os dois anos seguin-
tes ao tratamento, nos quais não teve que enfrentar nem sequer o catarro, mante-
ve alimentação racional. Depois desses dois anos voltou aos velhos hábitos e
apesar de uns furúnculos e catarros a modo de advertência, não prestou atenção
e morreu durante o tratamento médico de gripe, seis anos depois de ter-se recu-
perado de grave enfermidade.
Verdadeiramente, “o caminho dos transgressores é duro”.
A propósito do caso do Sr. P. C., tive a fatalidade de perder um velho ami-
go de colégio com o mesmo tratamento médico fatal da anemia esplênica. Tinha
sido submetido durante algum tempo aos raios X intensos, por causa desta en-
fermidade e sendo inteirado do meu êxito com Sr. P. C., decidiu se submeter ao
jejum e à cura pela urina. Porém, era demasiado tarde. Morreu em casa atendido
até o final por pessoas bem-intencionadas, porém, ai!, enganados professores da
arte curativa, que pensavam que a ciência é mais poderosa que a natureza!

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CAPÍTULO 9
ENFERMIDADES CARDÍACAS: CASOS

Embora, tal como corajosamente escreve Sr. Ellis Barker, os pacientes


com enfermidade valvular do coração, com cuidado e dieta bem equilibrada,
podem viver até os 90 anos, todavia se diz que a enfermidade como tal é incurá-
vel. Porém, com a terapia de urina esta penosa enfermidade pode-se curar com-
pletamente. O relato seguinte é instrutivo.
Senhor P. (idade mediana). Não somente esteve sob supervisão médica
acometido de uma enfermidade valvular do coração, mas também iria sofrer
operação exploratória de um caroço suspeito na região do plexo solar. Com
muita frequência desmaiava na rua e o levavam até a farmácia mais próxima,
onde o fortaleciam com os tabletes que levava sempre no bolso. Levava na rou-
pa uma tarjeta com instruções do que deveria fazer quando tinha ataque. Ulti-
mamente havia sofrido estes ataques com tanta frequência que ficou conhecido
pela vizinhança como “o pobre Senhor P”. Colocaram-no em regime consisten-
te de uma só refeição ao dia durante cinco dias da semana, e jejum à base de
água nos fins de semana. O único exercício permitido era um curto e suave pas-
seio. Estava proibido de fumar e, quanto a medicamentos somente podia tomar
os tabletes em caso de ataque.
Tal era a situação quando me procurou.
A primeira coisa que pedi foi de beber sua urina. Como era esperado, ti-
nha cheiro forte e túrgida, no início, mas logo tornou-se clara. Dei instruções
para que se massageasse o corpo com urina, e eu mesmo o massageei durante
duas horas com a minha. A propósito, devo dizer que as partes mais importantes
a massagear são o rosto, o pescoço e os pés. Depois da massagem, senhor P., se
lavava com água morna. No dia seguinte continuou o tratamento durante algu-
mas horas. Posteriormente vinha à minha casa todas as manhãs para que o mas-
sageasse da mesma maneira. Não foi a Nursing Home para fazer a observação
ou operação exploratória. Em relação à comida, podia fazer uma refeição ao
dia, mas somente com os alimentos que eu prescrevia. Depois de um mês de
tratamento tinha melhorado tanto que pôde voltar ao trabalho. Após doze sema-
nas sua saúde estava perfeita e não havia nenhum indício da enfermidade valvu-
lar do coração nem do tumor no plexo solar, fato que o médico constatou ale-
gremente e com generosidade. Nenhuma única vez desde o dia em que iniciou o
tratamento, senhor P., teve ataque do coração, e como não tinha medo de recaí-
da, mandou os tabletes às chamas.
Se alguém supõe que sou o único que pratica esta terapia com êxito, o se-
guinte caso servirá para rebater esta suposição.

40
Senhor R., enfermo cardíaco com hidropsia. Pés, pernas e abdômen muito
inchados. O coração muito dilatado. O médico considerou o caso muito grave e
deu ao paciente somente um mês de vida. Logo foi induzido a experimentar tra-
tamento em um estabelecimento naturopático bem conhecido. No entanto, o tra-
tamento teve pouco êxito e o paciente se achava em posição tão crítica que lhe
pediram que saísse, pois esperavam que morreria em quinze dias. Então senhor
R., ouviu falar do Senhor Oliver Warnock-Fielden, de Harrow, naturopata cora-
joso, que o curou com a terapia de urina em seis semanas. Durante o jejum seu
peso diminuiu de 70 para 50 kg. Senhor R., era fumante inveterado e contradi-
zendo as instruções, fumou um pouco durante o jejum, o que atrasou um pouco
a cura. É desnecessário dizer que o médico ficou muito surpreso com sua cura,
sobretudo porque Senhor R., julgou prudente não divulgar seu modus operandi.
Tal como estão as coisas atualmente, muitas pessoas que fazem algo tão pouco
convencional, como beber sua urina, têm medo de ser condenadas ao ostracis-
mo. Estes temores são muito compreensíveis, porém dificultam a divulgação da
terapia de urina, como meio de ajudar a humanidade sofredora.
Devo acrescentar agora uma palavra com relação aos soros e vacinas, de
que foi dito que são uma das causas das enfermidades cardíacas nos tempos atu-
ais. Segundo o Dr. Benchetrit, estas medidas “são principalmente as responsá-
veis no aumento destas enfermidades realmente perigosas, o câncer e a doença
cardíaca”. Logo em seguida, acrescenta: “Tenho sido serólogo durante muito
tempo e sei do que estou falando”. O dr. Benchetrit não é, em absoluto, o único
médico que critica o emprego de preventivos nocivos (ou supostamente preven-
tivos), contra enfermidade infecciosa aguda. O Dr. S. S. Goldwater, comissiona-
do dos hospitais de Nova Iorque, assinalava em The Modern Hospital Magazi-
ne que as medidas utilizadas para controlar as enfermidades contagiosas podem
permitir uma vida mais longa (?), porém não uma vida mais saudável. “As en-
fermidades crônicas”, acrescenta, “estão crescendo de tal maneira que a Améri-
ca pode se converter em nação de enfermos. Mais da metade das camas hospita-
lares dos Estados Unidos estão ocupadas atualmente por pacientes crônicos de
enfermidades mentais e físicas. Os únicos pacientes não são as pessoas idosas e
de idade mediana; também são vítimas as crianças”. (Ver Health Practitioners
Journal, junho de 1944.)
Porém, podemos perguntar: Se os soros e vacinas podem produzir final-
mente enfermidades cardíacas e outras doenças crônicas graves, por que são
promovidos pelo B.M.A.? Primeiramente, como foi observado concisamente
pelo Dr. Alfred Pulford, M.D.: “Quem pode prevenir uma situação que não sabe
positivamente se vai se tornar em uma maravilha do sétimo dia”; e, em segundo
lugar, porque certos renomados peixes gordos da profissão médica têm demons-
trado que os germes mais “mortais” são inócuos em um corpo saudável. Lemos
que “o professor Metchnikoff disse ter encontrado bacilos da cólera asiática em
águas de muitas localidades, porém não conhecia doença, epidemia, nem enfer-
midade nem depois destas descobertas… O professor Tentenkoffer bebeu vários
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milhões de germens da mortal (?) cólera asiática… e não aconteceu nada. Para
verificar o teste, Prof. Emmrich fez cultura dos intestinos de vítimas recente-
mente falecidas da doença, e engoliu milhões de germens, sem resultados per-
ceptíveis. Para se ter uma experiência mais completa, e em condições mais te-
míveis, o Dr. Thomas Powell deixou que injetassem em seu sangue os germens
de sete enfermidades mortais (?), e dez anos depois ainda está vivo e muito sau-
dável.” (Extraído de Naturopath and Herald of Health.) No entanto, estes fatos
não são tornados conhecidos pelo público; nem aqueles que estimulam os mem-
bros da sociedade a imunizar-se contra esta ou aquela enfermidade, informam
que nem todos os médicos estão a favor destas medidas, pois são de opinião de
que os soros e vacinas podem produzir posteriormente afecções crônicas, das
quais a enfermidade cardíaca não é a mais importante.

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CAPÍTULO 10
FEBRES: MALÁRIA E OUTRAS

O caso de uma febre misteriosa que ocorre na África, porém é rara na


Inglaterra.
Paciente: jovem de 17 anos. Misteriosamente atacada. Muito fraca. Sua
temperatura era de 40,6 0C. O médico consultado disse que em caso de haver re-
cuperação, a paciente permaneceria doente durante seis meses, tendo portanto
nove meses de convalescença. O pai da paciente que acreditava na terapia de
urina, me mandou buscar. A princípio, achei a paciente bastante difícil de tratar,
porém finalmente consentiu no jejum de urina mais água potável. Após 6 dias
do início da doença a temperatura permanecia a mesma, ela estava emagrecen-
do rapidamente e a urina era espessa, malcheirosa e concentrada. Porém, vinte e
quatro horas depois de iniciar o tratamento a temperatura tinha abaixado para
38,30 e a urina era mais clara. Após três dias, a temperatura tinha abaixado para
36,10 e dois dias mais tarde, para 35,0 0. A paciente estava radiante e vívida, tudo
ia bem. O médico estava muito assombrado. Suspendeu o jejum aos 18 dias. A
pele da paciente estava tão clara como a de uma criança. Após poucos dias da
suspensão do jejum, ela se levantou e se sentia perfeitamente bem. Continua
utilizando sua própria urina. Faz dezesseis anos que se casou e teve três filhos
nos primeiros dez anos.

Malária.
É uma enfermidade infecciosa caracterizada por paroxismos de febre in-
termitente, consistindo cada um de uma fase quente, uma fria e outra de sudora-
ção. Entre os paroxismos a vítima parece estar relativamente bem. De acordo
com a Matéria Médica, todas as formas de malária devem-se a parasitas que vi-
vem no sangue. Os mosquitos são infectados ao sugar sangue humano, que por
sua vez infectam os seres humanos ao picá-los. A característica mais perturba-
dora e penosa da malária — que os alopatas tratam (suprimem) com quinina —
é que uma vez que é contraída, ocorre de vez em quando, pois segundo o trata-
mento ortodoxo usual simplesmente entra em fase de latência, em vez de ser to-
talmente erradicada. No entanto, com a terapia da urina é curada para sempre.
Até agora não tive um único caso que não se curasse em 10 dias, ou menos, me-
diante o jejum com urina e água potável.
Senhor Q., tipo asiático. Muito comedido e de pouca alimentação. Con-
traiu a malária no Oriente. Teve-a durante três anos. No ano anterior ao que o
conheci, 1920, tinha sofrido 36 ataques. Tomava quinina regularmente. Final-
mente curou-se completamente com jejum de urina que durou 10 dias. Não
mais tomou quinina. Nunca teve outro ataque e continua com boa saúde seguin-
do seus hábitos comedidos e tomando regularmente a “água da vida”.
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Melanuria.
Caso relatado pela vítima. Militar (comandante) encontrado pelos nativos
em região isolada em estado de delírio devido à melanuria. Curaram-no, fazen-
do que jejuasse durante 10 dias, aplicando-lhe compressas e induzindo-o a to-
mar urina e água. Menciono isto para mostrar que não sou o descobridor da te-
rapia de urina.
Neste capítulo limitei-me a contar somente um único relato de cada uma
das febres mencionadas, pois de outro modo aumentaria muito o volume do li-
vro. Concluirei agora com algumas observações sobre a febre em geral, e as en-
fermidades agudas acompanhadas de febre.
Quando os doutores tratam de abaixar a temperatura do paciente por mei-
os não naturais, estão frustrando a natureza e pondo em perigo a vida do pacien-
te, ou no melhor dos casos, plantando as sementes de problemas futuros. A fe-
bre é, na realidade, um processo curativo da natureza para queimar determina-
das toxinas do corpo. Ouvimos falar dos “milagrosos” efeitos redutores de tem-
peratura das maravilhosas drogas para a pneumonia, mas não ouvimos falar tan-
to das numerosas pessoas que morrem de problemas cardíacos depois que sua
febre foi curada por este modo milagroso. A experiência me ensinou que só há
um modo seguro de tratar a febre, o qual por ser processo curativo, não é incu-
rável, nem tem que ser fatal se é manejado apropriadamente. O modus operandi
já será tão familiar ao leitor, que não é necessário repeti-lo. Simplesmente direi
que, não somente não tenho visto um fracasso com o jejum de urina e água (ten-
do que beber toda a urina produzida), sendo que o abaixamento da temperatura
tem acontecido entre 36 e 72 horas, seguido de completa recuperação em pou-
cos dias.
Quanto ao motivo de a urina ser muito espessa, de mau odor e escassa nos
casos de febre, não é resultado da própria febre, mas da condição do corpo — as
forças da enfermidade, por assim dizer — que produziram a febre. O estado da
urina é o resultado da perda de valiosos sais, tecidos, etc., do corpo e explica em
grande parte a grande debilidade do paciente, a ligeireza da cabeça, os desvari-
os, pesadelos, etc.; também explica a demorada convalescença e os efeitos se-
cundários nos casos de pacientes que foram tratados com o método supressivo
ortodoxo. O método racional de evitar tudo isto é a terapia de urina, de modo
que o tecido perdido possa ser recolocado. Tenho provado com êxito, muitas ve-
zes, a terapia de urina, em casos de difteria, varicela, escarlatina, gripe, febre
reumática e outros transtornos agudos que acompanham a febre alta. E não se
tem produzido nenhum dos efeitos secundários nocivos e crônicos, que tão a
miúdo se acumulam depois de um tratamento errôneo da escarlatina ou da febre
reumática, todos eles produzidos pelas medidas supressivas.

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CAPÍTULO 11
UM CASO DE ORQUITE

A orquite é uma doença muito dolorosa, em que os testículos incham e às


vezes têm ulcerações. Pode ser causada por lesão, gonorreia, ou produzida du-
rante um ataque das parótidas (caxumba). No entanto, em sua forma mais grave
é doença relativamente rara neste país (Inglaterra). O médico que chamaram
neste caso que vou relatar, avaliou como muito grave a situação, e deu ao paci-
ente somente alguns dias de vida. Quando, depois de uma viagem que tive de
fazer, vi a vítima de 19 anos, fazia uma semana que os intestinos não funciona-
vam, e 72 horas os rins. Um lado do corpo estava inchado, como se alguém ti-
vesse colocado um bola de futebol debaixo da pele. Os testículos estavam tão
grandes como bolas de tênis, e o pênis tinha mais de 30 centímetros, e estava
tão duro como um lápis de chumbo, e torcido como um saca-rolhas. Além disso,
estava enegrecido. Os gemidos de agonia da vítima cortavam o coração. Embo-
ra estando três dias sem comer nada e somente havia bebido água, a inchação e
as distorções tinham aumentado. Como não produzia urina para beber, vi-me
obrigado a dar-lhe meio litro da minha.
Duas horas depois do primeiro gole, a glândula do pênis mostrava sinais
de voltar ao normal e pôde produzir um pouco de urina em pequenas gotas
(umas duas xícaras no total). Era espessa, lamacenta e tão concentrada como a
mistura de mingau com sangue. Todavia ele a bebeu sem fazer careta ou mur-
múrio. Quatro horas mais tarde produzia quase meio litro dessa mesma água de
aspecto feio e malcheirosa, que também bebeu sem fazer careta. Informou-me
que não percebia cheiro nenhum por causa do estado de seu paladar, devido aos
ácidos que subiam do estômago. Seja dito de passagem que esta situação está
sujeita a ocorrer ao longo do jejum.
Duas horas mais tarde o paciente teve uma defecação tão copiosa e repug-
nante, que eu jamais tinha presenciado nos 27 anos de experiência dedicados a
tratar das enfermidades. Durante a evacuação o paciente produziu um pouco de
urina que bebeu depois. Ao levá-lo de novo para a cama, verificamos que agora
já podia deitar-se comodamente esticado, enquanto antes mantinha os joelhos
sobre o abdômen, como as pessoas acometidas de peritonite ou apendicite. Ago-
ra 8 horas após ter bebido a primeira dose de urina, quase não sentia dor. Colo-
quei panos embebidos em urina velha sobre o abdômen, peito e cabeça, e envol-
vi as mãos e os pés da mesma maneira. Produziu mais e mais urina, bebendo até
a última gota. Os intestinos responderam ao tratamento e funcionaram livre-
mente e sem dor, assemelhando as evacuações a água descorada.
No quarto dia produziu 10 litros de urina em 24 horas, os quais foram be-
bidos imediatamente após.
45
Então houve um contratempo. No quinto dia tive de ir a Manchester e na
minha ausência, um médico amigo o induziu a tomar uma colher de sopa de tri-
go moído misturado com água. O resultado foi desastroso. Cessou todo fluxo de
urina, e em 16 horas haviam voltado todos os sintomas anteriores, embora de
forma ligeiramente menos grave. Não havia mais remédio do que começar de
novo todo o tratamento.
Finalmente o paciente suspendeu o jejum no décimo sétimo dia, com suco
de uma laranja ao meio-dia, uma laranja inteira às 14 horas e outra às 16 horas.
Às 20 horas tomou um copo inteiro de leite fresco. Dormiu bem toda a noite.
Do décimo oitavo ao vigésimo quinto dia, sua dieta era composta de ali-
mento como carne de vaca fria, pescado vaporizado, batatas com casca, ovos
escaldados e revirados, peras e outras frutas frescas, saladas, tomates e nada
mais.
No décimo sexto dia voltou ao trabalho completamente curado. Isto acon-
teceu faz muitos anos. Agora tem 40 anos, tem dieta bem equilibrada, bebe a
sua própria “água da vida” e goza de saúde perfeita.
Devo mencionar que o finado Dr. Rabagliati ficou tão impressionado com
este caso que escreveu detalhado relato que foi enviado para publicação a qua-
tro periódicos médicos da Inglaterra e USA. Nenhum o publicou. Alusões a cu-
ras feitas por leigos não são bem recebidas pelas revistas médicas. As publica-
ções médicas têm sua política, da mesma maneira que os jornais. O fato de que
uma coisa possa ser certa e útil para os semelhantes parece ter importância se-
cundária para os editores de publicações médicas ortodoxas. Isto é prejudicial,
pois obstrui o progresso e o conhecimento médico, fato reconhecido pela Heal-
th Practitioners’ Association. Certamente, no Health Practitioners’ Journal
encontramos artigos de homeopatas, naturopatas, herboristas, osteopatas, prati-
cantes de ioga, biólogos, bioquímicos, etc., na crença saudável de que existem
muitos caminhos para a saúde e muitas maneiras de tratar a doença.

46
CAPÍTULO 12
ENFERMIDADES VENÉREAS

Os Drs. Bosanquet e Eyre, em seu livro Serums, Vaccines and Toxins, fo-
ram obrigados a admitir: “Não se pode negar que num certo número de casos a
injeção de antitoxinas diftéricas têm sido seguidos de morte diretamente atribuí-
vel à ação do soro.” Uma dessas tragédias, a primeira e talvez a mais triste,
aconteceu ao Dr. Langenhans de Berlim. Quando um de seus criados contraiu
difteria, como medida preventiva inoculou seu filho, perfeitamente sadio, de um
ano e nove meses de idade. Em poucos momentos a infeliz criança morria. A
ironia é que não havia a menor evidência de que seu filho fosse contrair a enfer-
midade, já que os germens da difteria podem ser encontrados em gargantas mui-
to saudáveis, e neste contexto são tão inócuos como muitos outros supostamen-
te mortais. Porém, por infelicidade, ai!, não são só as injeções para a difteria
que se mostraram fatais, pois centenas de mortes, muitas delas instantâneas, têm
sido o resultado do uso do salvarsan, também chamado “606”, no tratamento
da sífilis. No entanto, da mesma maneira que se promoveu a imunização contra
a difteria, promoveu-se o salvarsan como a cura por excelência da enfermida-
de venérea.
Com respeito à sífilis lemos: “Tanto se for tratado ou não, o paciente sem-
pre pode desenvolver sintomas nervosos. Estes são os mais graves de todas as
complicações da sífilis, e as mais comuns são a paralisia geral e a ataxia loco-
motora. Normalmente se desenvolvem uns dez anos depois da infecção. Na pa-
ralisia geral ocorre demência progressiva, usualmente com alguma forma de
exaltação. A linguagem fica vacilante, trêmula e confusa. Os músculos faciais e
a língua mostram paresia com tremores… Posteriormente as faculdades muscu-
lares se debilitam gradualmente, até que se produza paralisia mais ou menos ge-
ral...” (Dr. E. H. Ruddock, M.D.) É um quadro dos mais tristes e desagradáveis.
Sugiro, todavia, que os horríveis efeitos secundários da doença venérea são o
resultado de tratamento supressivo. O que, afinal de contas, é a sífilis? Simples-
mente o resultado de um veneno que é absorvido pelo corpo, e portanto o trata-
mento racional consiste em retirar este veneno dele.
Como a profissão médica se reserva o direito de tratar as enfermidades
venéreas, e tem suas clínicas para esse fim, eu sou um profano, ou um naturopa-
ta como às vezes sou chamado, e estou proibido de tratá-las. Não obstante, exis-
tem pessoas que tendo ouvido falar da terapia de urina, por meio dos panfletos
do finado Senhor Baxter (mencionado no capítulo 2), ou por outros canais, es-
tão dispostas a tratar de si mesmas.
Citarei aqui o caso de um homem que contraiu uma enfermidade venérea
durante a última guerra (1918). Diga-se de passagem, tinha passado algum tem-
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po acometido de psoríase, que havia suprimido com unguentos e ervas. Este ho-
mem, então era jovem, sabia algumas coisas sobre os métodos de cura natural e
se tinha esforçado por tratar sua enfermidade venérea, subsistindo por algum
tempo à base de água fria, com a esperança de “fazer morrer de fome” a doença.
No entanto, ao final de jejum de 11 dias, seus sintomas, longe de melhorar, pio-
raram muito. Foi então quando encontrou um dos panfletos de Baxter. O resul-
tado foi que decidiu prosseguir com o jejum, porém, com a adição do uso inter-
no e externo de sua urina. Os resultados foram extremamente gratificantes. Ao
cabo de dez dias havia desaparecido todo sinal da enfermidade venérea, e a pso-
ríase havia melhorado muito. Então decidiu prosseguir com o jejum de urina até
que desaparecessem todos os vestígios de doença cutânea. Isto aconteceu uma
semana mais tarde, em que ficou livre de todo problema. Porém, além disso, ob-
servou que os sentidos da vista, ouvido, gosto e olfato estavam mais aguçados
que antes.
Quase todas as pessoas estão hoje familiarizadas com os métodos ortodo-
xos de tratar a enfermidade venérea. Os pacientes são convidados a irem às
clínicas onde são tratados com injeções. O tratamento pode demorar semanas
ou meses. Porém, embora os membros das classes mais humildes possam com-
parecer a estas clínicas, os homens importantes, especialmente nas cidades me-
nores, preferem ser tratados por seus próprios médicos, pois sentem certo emba-
raço em apresentar-se em lugar onde possam ser reconhecidos. Em qualquer
caso, a pergunta que se coloca é: Quais serão os efeitos secundários destas inje-
ções? Uma coisa é tratar da enfermidade, e outra é curar permanentemente o pa-
ciente. O Dr. W. H. White, M.D., escreveu sobre a ortodoxia: “A medicina igno-
ra a “totalidade” do indivíduo e trata da enfermidade como uma entidade sepa-
rada.” Assim, há remédios classificados para qualquer doença, desde o reuma-
tismo até a sífilis. Porém, como observa o homeopata, o que o alopata chama
reumatismo pode ser originado de vinte causas (seria mais próximo da verdade
se dissesse de vinte causas secundárias), daí que o nome da doença não tem re-
almente importância. Considerado deste meu ponto de vista pessoal, acrescenta-
ria que tão pouco importa “o como foi contraído”, pois o método curativo é o
mesmo.
Voltando ao caso da enfermidade venérea que citei, se o jovem em ques-
tão, houvesse empregado a terapia de urina desde o princípio, em vez de tentar
tratá-la com o que se denominam métodos de cura natural, estou convencido de
que se teria curado muito antes. Pelo que tenho deduzido da experiência daque-
les que tentaram por si mesmos a terapia de urina, tenho boas razões para pen-
sar que quando a enfermidade venérea é atacada em sua fase inicial, ou durante
a primeira semana, a cura seria efetuada entre 48 e 96 horas. Isto sempre que a
situação não se tenha complicado com o tratamento usual. Porém, como é ilegal
que eu trate esta antiga aflição, não posso fornecer relatos. No entanto, se exclu-
ísse destas páginas, a menção às enfermidades que a profissão médica se reser-
va o direito de tratar, com seus próprios métodos, minha tarefa somente ficaria
48
cumprida pela metade. Considerando que “uma proporção dos cegos, surdos, os
mentalmente deficientes e os aleijados devem suas incapacidades às enfermida-
des venéreas” (ver Britain’s Health), é dever para todos, seja médico ou profa-
no, que tenha encontrado os meios de curá-las, fazer que sua descoberta seja co-
nhecida, para que os médicos possam utilizá-las se o desejarem. O que se deve
recordar é que as medidas para tratar as enfermidades venéreas, como a maioria
das outras, têm seu tempo, logo são consideradas insatisfatórias e são superadas
por outros métodos. Ainda que seja duvidoso que as clínicas estejam dispostas a
tentar a terapia de urina, talvez haja alguns médicos que desejem fazê-lo em
particular. Só o tempo dirá. Tenho de acrescentar, diga-se de passagem, que em-
bora os médicos não entendam o verdadeiro valor da urina, há alguns que afir-
mam que se o homem urinasse imediatamente após o coito, se reduziria o risco
de contrair enfermidades venéreas. O finado Senhor Baxter J. P. tinha razão
quando publicou o fato de que, entre outras coisas, a urina possui potentes pro-
priedades antissépticas.

49
CAPÍTULO 13
A CURA DE ENFERMIDADES QUE NÃO SARAM:
TRATAMENTO DE QUEIMADURAS.

Fui destinado a mostrar o valor da terapia de urina para o tratamento de


feridas faz alguns anos, quando em um acidente, sofri uma grave lesão e lacera-
ção nos dedos do pé, tornozelo e pé. As unhas dos dedos estavam separadas e os
próprios dedos virados para trás, até a parte carnosa do pé. Naturalmente, o cho-
que e a dor eram muito fortes. Recusei, todavia, a ajuda de um amigo médico,
pois estava resolvido a provar novamente os efeitos do tratamento da urina so-
bre as feridas.
Depois de que alguns praticantes de Cultura Física, que haviam presencia-
do o acidente, puseram as partes danificadas do meu pé em seus lugares, jejuei
durante quatro dias por causa do choque (método aprovado), e apliquei sobre as
partes afetadas panos embebidos em urina velha. Mantive úmidos os panos me-
diante repetidas adições de urina e não tirei as vendas até o quinto dia. Verifi-
quei, então, que os resultados eram surpreendentes. Havia desaparecido todo
vestígio de lesão e o pé estava curado e ágil como quando era jovem. Diga-se
de passagem, um calo que me incomodava desapareceu com o tratamento.
Tenho observado com frequência efeitos semelhantes inclusive em feridas
que se negavam a sarar, seja com tratamento médico comum, seja com ervas ou
outros remédios, e inclusive em casos em que se havia proposto seriamente a
amputação como o último recurso a adotar.
Entre o grande número de casos tratados, citarei agora a história de um
particularmente ruim que tive de atender em 1918. Neste ano me trouxeram um
homem de cerca de quarenta anos, que ia todas as semanas à enfermaria local,
como paciente externo, por causa de um ferimento de bala no antebraço. A feri-
da, acontecida um ano antes, não mostrava sinais de cura, tinha cerca de 25 cm
de comprimento, quase um centímetro de largura, e às vezes estava ulcerosa e
supurante. Seus conselheiros médicos temiam que poderia tornar-se gangreno-
sa, e para evitar aplicavam unguentos e vendagens venenosos, fazendo muitas
mudanças de ingredientes e nas proporções das misturas. Cansado dos métodos
ortodoxos, tinha recorrido ao fletcherismo e ao tratamento de Salisbury, méto-
dos que, deve-se admitir, lhe trouxeram alguns benefícios. Porém ainda assim a
ferida resistia a curar. Apesar das objeções de sua esposa, acabou convertendo-
se em meu paciente.
Primeiro, meus ajudantes tiraram as vendagens. Logo lavamos o braço fe-
rido com urina velha, repetindo-se três vezes ao dia, e fazendo ao corpo amplas
massagens com as mãos, com o mesmo tipo de urina. O paciente jejuou durante
três dias à base de sua urina e água fria, foi-lhe aconselhado tomar curtos perío-
50
dos de banhos de sol, e sete dias depois restava da ferida ligeira cicatriz, tão pe-
quena como um fio de ouro. Em resumo, após um ano de “tratamentos de inter-
ferência”, a natureza curou o paciente em dez dias!
Desde a data desta cura, tenho observado dezenas de casos de cura “mila-
grosa” seguindo-se o mesmo método. Isto inclui a cura de feridas dolorosas e
incapacitantes, cortes, chagas, os efeitos de unheiros, espinhas de peixe, etc.,
também feridas envenenadas e envenenamento geral do sangue. Normalmente
não é necessário longo tratamento. Casos atendidos prontamente respondem em
três ou quatro dias, e os que sofreram interferências médicas e quase se torna-
ram gangrenosos, demoram entre dez e dezoito dias.
No que diz respeito a queimaduras, tenho lido que em um ano, 7900 ame-
ricanos morreram de queimaduras, quase a metade sendo crianças de menos de
cinco anos. (Ou morreram do tratamento, ou de ambos combinados?) Enquanto
milhares de americanos sobreviventes de queimaduras, se veem destinados a ter
terríveis cicatrizes, peles enrugadas, membros rígidos ou membros e dedos inu-
tilizados.
Durante anos, o remédio habitual para as queimaduras foi a aplicação de
folhas úmidas de chá. Depois, em 1925, o Dr. Davidson, de Detroit, utilizou o
velho remédio com base quase científica. Em lugar de folhas fervidas, aplicou o
elemento extraído delas, ao que damos o nome de ácido tânico. Esta substância
literalmente venenosa bronzeia os tecidos, formando uma casca dura e grossa
sobre as terminações nervosas expostas ao ar. Porém, ainda que alivie a dor, im-
pede a atividade e fluência dos líquidos corporais até estas partes, atuando por-
tanto como uma capa sob a qual se espera poder formar nova pele. Infelizmente,
o ácido tânico não somente “bronzeia” os tecidos queimados, mas também os
sãos que os circundam, tendo como resultado a destruição de células que deve-
riam estar proporcionando novas células para o entrelaçamento em conjunto dos
elementos cutâneos, se me é permitido expressar assim em benefício dos profa-
nos. O resultado final é uma cicatriz desfiguradora, que se poderia evitar com os
métodos naturais, opostos aos “científicos”. O ácido tânico nem sequer é bacte-
ricida, pois ao introduzir matéria estranha sobre a superfície queimada, impede-
se a função dos carniceiros microscópicos, aos quais a ciência chama de ger-
mens, pois debaixo da casca supostamente protetora a infecção tem mais proba-
bilidade de persistir. Ao tentar matar os germens estamos algemando os polici-
ais!
O tratamento das queimaduras com ácido tânico foi superado pelo trata-
mento com ácido pícrico e também pela acriflavina. Logo os cirurgiões tenta-
ram outros métodos; tomaram pele de outra parte do corpo, geralmente das ná-
degas, e a enxertaram sobre as partes queimadas. Porém, infelizmente às vezes
sucede que a ferida deixada pela remoção de tecido são, se torna séptica. Quan-
to ao sofrimento que este método acarreta ao paciente, é melhor imaginá-lo do
que descrevê-lo. Não desejo desacreditar a cirurgia quando é necessária em ca-

51
sos de acidentes e mutilações de guerra. Porém, vejo-me obrigado a dizer que se
tem abusado desta cirurgia, e continua a sê-lo, e que se realizam milhares de
operações desnecessárias em órgãos que poderiam ser tratados com métodos
naturais.
No entanto, há médicos de mentalidade aberta e empreendedores, que têm
experimentado a terapia de urina, como pode se ver por este extrato de uma car-
ta que me enviou, em 1935, o Dr. Geo S. Cotton, de Temple, Texas, U.S.A.
“… Desde que recebi seus textos há alguns meses tenho colocado
em prática (a terapia de urina), e os resultados têm sido surpreendentes.
No tratamento de feridas, etc., a urina não pode ser superada. Este poder
curativo, entre outros elementos que a urina contém, é produzido pela
“alantoína” (C4.H6.O3.N4).
“Conforme for utilizando a urina no tratamento e erradicação da do-
ença, enviar-lhe-ei completa informação. Creio que você está anunciando
uma grande verdade que deveria ser dada a conhecer à humanidade sofre-
dora...”

52
CAPÍTULO 14
ALGUNS CASOS VARIADOS

Enurese (incontinência urinária) noturna. Às vezes é simplesmente um


mau hábito, porém, geralmente é sintoma mórbido em crianças nervosas e anê-
micas. A debilidade é a causa principal, ainda que possa ser devida a lombrigas.
Supõe-se que ao crescer deixem esta triste condição, porém não é sempre assim.
Um menino de 9 anos tinha sofrido de enurese durante toda sua vida e ha-
via sido tratado por médicos das escolas ortodoxas e heterodoxas. Estava muito
magro e se sentia muito infeliz por sua aflição. Jejuou à base de urina durante
11 dias e se curou completamente.

Problemas menstruais. A paciente havia sofrido durante mais de dois


anos de menstruação demasiado prolongada e frequente, tendo recorrido em pri-
meiro lugar, sem resultados, à alopatia, e após ao ervanário, do qual só obteve
alívio parcial. A moléstia não somente a estava debilitando fisicamente, como
também estava afetando seu equilíbrio mental. Durante um de seus longos perí-
odos, que havia durado uma quinzena, decidiu experimentar a terapia de urina.
Ainda que no início, a urina estivesse sobrecarregada de sangue menstrual, to-
davia foi bastante heroica para tomá-la. Durante o jejum tomou também, aos
goles, até um litro e meio de água potável. Após três dias a urina se normalizou.
Continuou o jejum exatamente 28 dias, durante os quais massageava o corpo
várias horas por dia, com a urina de uma pessoa saudável. Curou-se completa-
mente não somente dos problemas menstruais, como também de persistente ca-
tarro nasal e crescente tendência à surdez.

Nefrite e outros sintomas doloridos. Mulher jovem. Tinha estado algumas


semanas ao cuidado de dois médicos. Havia ido também a um especialista, que
disse à sua mãe que não havia esperanças, e que provavelmente a paciente não
viveria para ver as próximas festividades natalinas. Então me foi trazida. Para
estimulá-la e induzi-la a tomar a urina de aspecto desagradável que produzia,
cheguei eu mesmo a experimentar um pouco. Após jejum de 30 dias à base de
urina e água, e massagens diárias com urina saudável, a paciente se curou de
sua grave moléstia. Depois não contraiu nenhuma outra enfermidade. Quando a
vi pela primeira vez, pesava 50 kg; quatro meses mais tarde, com regime de
duas refeições equilibradas ao dia, e o continuado uso interno e externo de uri-
na, pesava cerca de 60 kg, que era o peso normal para uma mulher de sua altura
e constituição.

53
Colite mucosa. Menino de 6 anos. Começou a descarregar mucosidade
com frequência, embora não tivesse nenhum sinal aparente de doença. O médi-
co disse que este era o problema predominante e receitou azeite de rícino. Po-
rém, o pai do menino, que me conhecia e a meus métodos, pensando que o ex-
purgo do azeite de rícino era demasiado violento, mandou buscar-me, assim que
o médico foi embora. Coloquei o menino no jejum de urina e em 48 horas o
problema havia desaparecido. No entanto, como é tolice começar a alimentação
assim que os sintomas desapareceram, o menino jejuou ainda mais dois dias.
Dois dias mais tarde a mãe e a irmã do menino contraíram os mesmos sin-
tomas de colite. Ambas jejuaram oito dias de acordo com meus métodos, embo-
ra os sintomas tenham desaparecido aos cinco dias ou antes. Deve ser mencio-
nado que os três pacientes eram vegetarianos estritos, e que o menino não havia
experimentado carne em toda sua vida. Aconselhei a que se incluísse algum ali-
mento à base de carne em sua dieta.

Lesão ocular. Em 1920, veio me procurar uma senhora com uma farpa de
madeira em um olho. A farpa havia perfurado a íris e sobressaía 2 ou 3 centíme-
tros. Tirei a farpa, submeti a paciente a jejum de urina e água durante algumas
semanas e ao final o problema estava completamente curado e a paciente tinha a
vista perfeita.

Psoríase. Senhor de 60 anos. Jejuou com urina e água durante uma sema-
na em junho de 1920, e outra semana em setembro deste ano. Durante os jejuns
e entre eles massageava com urina uma hora três vezes ao dia. Cura completa.
Continuou tomando urina como hábito diário e dez anos mais tarde, próximo
dos 70 anos, aparentava ter 55 anos. Considero que a psoríase e os eczemas se
encontram entre as doenças mais fáceis de curar por meio da terapia de urina,
desde que seja praticada a tempo. Também não é incurável o lúpus, enfermidade
cutânea mais grave que se diz ser causada pelo bacilo da tuberculose, porém o
tratamento é mais longo.

Febre reumática seguida de gripe. Paciente feminina, quase 100 kg, em-
bora de pouca comida. Havia perdido 12 kg antes de eu a visitar. Com forte pri-
são de ventre, acometida de insônia e preocupação. Obrigada a ficar acamada
por causa de um inchaço no quadril, nos pés, nos tornozelos e abdômen. Jejum
de uma semana à base de urina e água e boas massagens diárias de acordo com
meu método usual. Cura completa em um mês, depois do que voltou ao traba-
lho.

54
Piorreia. O paciente tinha o costume de visitar o dentista cada seis meses.
Este lhe informou que tinha piorreia. Como havia ouvido falar da terapia de uri-
na, sem dizer ao dentista, tomava um quarto de litro de sua urina todas as ma-
nhãs e utilizava também a urina para enxaguar a boca. Após nove semanas seu
problema tinha desaparecido completamente, com grande surpresa para o den-
tista, que desejava saber o que havia produzido tão notável melhora na saúde
em geral, como também curou a piorreia. Esta cura se deu sem jejum. (Caso in-
formado por um amigo.)
A noção de que a piorreia é enfermidade local, para a qual se deve extrair
todos os dentes, é uma falácia. Não existem as enfermidades locais, somente os
sintomas são localizados. Limpando o corpo de suas impurezas mediante jejum
de urina e água, a piorreia desaparece automaticamente. Assim tenho observado
em numerosos casos, na realidade, em todos os casos que tenho tratado. Quanto
a mim mesmo, nunca necessito visitar o dentista. Uma dieta bem equilibrada e a
terapia de urina têm preservado meus dentes.

Obesidade. Senhora casada. 30 anos. Quase 80 kg de peso. Sem filhos.


Vivia com a habitual dieta mal equilibrada, porém não era gulosa, mastigava o
alimento, e só bebia água depois das refeições ou entre elas. Previamente havia
experimentado várias dietas sem resultados, e tinha tentado o jejum somente
com água, porém com o resultado, de que ao voltar a comer ganhava peso mais
rapidamente do que antes do jejum. Finalmente me procurou. Aconselhei-a o je-
jum de urina mais água e as massagens diárias, e após 14 dias havia perdido
cerca de 15 kg. Então revisei sua dieta, a coloquei num regime bem equilibrado
e sugeri somente duas refeições diárias. Vivendo assim, e tomando sua própria
urina, o peso tem permanecido nos 65 kg, e embora tenha mais de 50 anos, pa-
rece ter 33.
No caso de muitas pessoas a obesidade não surge da indulgência excessi-
va na mesa, senão do mau funcionamento das glândulas produzido pelas toxinas
e pela insuficiência dos elementos que são extraídos dos alimentos não proces-
sados. O jejum limpa os tecidos do sangue, e a ingestão de urina devolve a nor-
malidade às glândulas desordenadas. Tenho mostrado isto, como conclusão do
grande número de casos de obesidade que tenho tratado, ou nos quais a obesida-
de era consequência de outros sintomas.

Problemas de próstata. O aumento do volume da próstata costuma afetar


homens de idade avançada. “O sintoma mais destacado é a irritabilidade da be-
xiga e a progressiva incapacidade para evacuar a urina. A próstata sofre consi-
derável aumento de tamanho, e ao pressionar o gargalo da bexiga produz obs-
trução do fluxo de saída desse órgão...” (Ver E. H. Ruddock, M.D., Vade Me-
cum).

55
Caso de problema de próstata em sua fase inicial. Senhor de idade que
começava a ter dificuldade de evacuar a urina. Um amigo lhe aconselhou que
tomasse um quarto de litro de sua própria “água” todas as manhãs ao levantar-
se. Após tomar ligeiro desjejum, em lugar da refeição completa. Um mês depois
de começar o tratamento havia se livrado do problema.

Asma bronquial. Senhorita C. O médico havia diagnosticado que o caso


era um catarro bronquial. A vítima dizia que estava nas primeiras fases da tuber-
culose. A saúde geral era muito pobre. Respiração difícil. A vítima teve de re-
correr a paliativos para obter alívio e breves períodos de sono de que tanto ne-
cessitava. Estava muito debilitada. Ouviu falar da terapia de urina. Jejuou du-
rante uma quinzena à base de urina, porém sem as massagens. Após três dias a
melhora era tão notável que podia respirar livremente e dormir todas as noites
em períodos de várias horas. Ao suspender o jejum tomou somente duas refei-
ções ao dia, e continuou tomando a urina. Porém o jejum não havia sido bastan-
te longo para erradicar o problema e os sintomas voltaram. Então me escreveu
pedindo conselho. Respondi que não havia interrompido o jejum corretamente,
e a aconselhei a novos jejuns acompanhados de massagens; também indiquei
a dieta que devia seguir entre os jejuns. O resultado final foi a cura completa, e
a paciente manteve excelente saúde. Continua tomando urina diariamente, e de
vez em quando recorre a breves jejuns sentindo-se melhor do que nunca.

Caso de gangrena e efeitos secundários do tratamento medicinal de


um problema de tiroide.
(Devo o informe deste caso ao naturopata Senhor O. Warnock-Fielden).
Senhora de 40 anos. Longa história de tratamento com remédios, desde a idade
de 15 anos. Numa idade prematura ela tinha recebido injeções durante vários
anos para uma tiroide hiperativa e também por catarros. Mais recentemente ti-
nha se submetido a uma operação com o objetivo de melhorar a circulação, pois
quando o clima esfriava, e ainda em outras ocasiões, suas mãos ficavam azuis.
Não observou nenhuma melhora após a operação. Antes de me chamar, o médi-
co que a atendia havia se retirado afirmando que o caso era sem esperanças. Ve-
rifiquei que suas mãos eram uma massa de pus, gangrena úmida e quase ausên-
cia de pele. Havia sido proposto, e temido, a amputação de ambas as mãos. De-
pois de começar com medidas menos severas, como estímulos quentes, com-
pressas frias, envoltórios de panos embebidos de urina, beber urina em peque-
nas quantidades e unguento antisséptico para aliviar as dores intensas, propus
finalmente jejum completo à base de urina e água, continuando ao mesmo tem-
po com os envoltórios. O jejum durou três semanas, porém, após quinze dias a
paciente podia já usar as mãos e tricotar. Embora beber urina e as compressas
foram de grande valor para o tratamento, considero que o jejum de três sema-

56
nas, foi o fator decisivo neste caso, pois permitiu ao sistema carregado de remé-
dios livrar-se das impurezas.

Erupção cutânea nos braços. Senhora C., estava mais de três anos aco-
metida de irritante erupção nos braços. Tinha experimentado vários unguentos e
loções sem alívio. Finalmente foi induzida a experimentar o efeito da urina,
com a qual se umedecia ligeiramente todas as noites. A erupção desapareceu
completamente em poucas semanas. Neste caso não se recorreu ao jejum e a ne-
nhuma outra medida.

Verruga grande no rosto. Senhora C., informa que empregou o mesmo


tratamento para uma repugnante excrescência de seu rosto, que em pouco tem-
po se secou e logo caiu sem deixar cicatriz. (Estes três últimos casos me foram
relatados por Senhor Warnock-Fielden.)

Caroço no braço. Um correspondente me informa do caso de uma senho-


ra na qual apareceu um caroço azul de aspecto feio e com um centímetro de al-
tura, que ela achava que poderia ser maligno. Uma amiga lhe aconselhou de
tratá-lo com compressas de urina, e em menos de três semanas caiu, deixando a
pele saudável e limpa.

Um caso misterioso. Paciente homem de cerca de 58 anos. Tinha perma-


necido várias semanas no hospital para observação e tratamento, porém, ao final
lhe disseram que era incurável, e o enviaram para casa para morrer, embora lhe
tendo dito para manter contato com o médico local. Deram-lhe determinado
medicamento que era para dissolver qualquer alimento que comesse. Quando, a
pedido de um senhor que eu estava tratando, vi pela primeira vez o paciente, me
dei conta de que efetivamente estava morrendo, porém, não tanto pela enfermi-
dade mas pelo medicamento potente (veneno) que lhe haviam dado. Observei
que os glóbulos oculares estavam muito dilatados, e que estava magro, mas não
de magreza extrema. Disse-me que havia alimentado com cuidado, que traba-
lhava duramente ao ar livre, que tinha mantido a regularidade dos seus hábitos,
que nunca tinha tido catarros, nem problemas de fígado ou de prisão de ventre,
e que nunca tinha tido diarreia. Seu único vício tinha sido o tabaco, porém o ha-
via abandonado fazia um ano. Fiquei com ele somente alguns minutos na pri-
meira visita, mas disse-lhe que jejuasse e que não bebesse senão água e toda a
urina que produzisse. Também lhe disse (e à sua esposa) que não se surpreen-
desse com os sintomas que poderiam ocorrer durante o processo de eliminação.
Deveria guardar os excrementos para que eu os inspecionasse. Voltei três dias
depois e me mostraram dois grandes baldes cheios de matéria repugnante que
havia vomitado e evacuado. O vômito tinha se iniciado 24 horas após ter expe-
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rimentado a urina, pela primeira vez. Também, tinha tido grandes perdas intesti-
nais e muita descarga catarral pelo nariz. De fato, ele foi obrigado a utilizar uma
dúzia de lenços, que não somente estavam sujos de mucosidade mas também de
TABACO. Continuou com o jejum e após uma semana cessou a descarga. Aos
dez dias interrompeu o tratamento e o paciente estava curado. No momento em
que escrevo ele está com 70 anos.
Este caso é interessante, porque mostra que, com a terapia de urina não é
necessário conhecer o nome da doença para poder tratá-la. Também é interes-
sante porque revela que uma substância estranha — o tabaco neste caso — pode
se alojar nos tecidos durante meses depois de deixar de tomá-la, e que é elimi-
nada mediante o jejum que limpa o corpo. Isto me recorda que o eminente natu-
ropata alemão, Louis Kuhne, relata um caso em que durante o tratamento elimi-
nativo, o suor do paciente cheirava aos medicamentos que os alopatas haviam
utilizado previamente para curar — ou melhor — suprimir a enfermidade. (Ver
seu New Science of Healing.)

Icterícia. Deve se recordar que a icterícia é simplesmente o sintoma de


uma afecção crônica ou aguda do fígado, e não uma enfermidade em si mesma.
Meu primeiro e mais difícil caso de icterícia tive-o em 1919, no início de minha
carreira como terapeuta. Este caso levou dez dias a desaparecer com o jejum de
urina e água potável.
Não tenho tido muitos casos de icterícia, porém nos que tenho tratado é
notável observar que a coloração da pele desaparece gradualmente durante os
dois ou três primeiros dias de jejum, e que logo, conforme continua o tratamen-
to, dá lugar a uma cor tão fresca e saudável como de uma jovem. Dez dias ou
menos costumam ser suficientes para terminar com ela, desde que não seja de-
vido ao câncer do fígado. Considero que esta terrível enfermidade não dá espe-
ranças seja qual for o método com que se a trate. Até os praticantes bioquími-
cos, que afirmam curar alguns casos de câncer, concordam que se o fígado está
implicado não há nada que se possa fazer. Todavia, em uma ocasião supervisio-
nei um jejum de urina de um homem, que durante anos tinha bebido uma garra-
fa inteira de álcool ao dia. Esse homem decidiu experimentar o jejum de urina
enquanto seu médico estava fora, de férias. Bebeu toda a urina que produzia,
que no décimo dia estava tão sangrenta e tão cheia de depósitos arenosos ver-
melhos como no princípio do tratamento. Porém nesse dia voltou o médico das
férias e fez uma incisão no escroto. No dia seguinte o paciente entrou em estado
de inconsciência. É muito problemático saber se o fígado, que estava “morto”,
seria capaz de funcionar novamente se tivesse prosseguido o jejum e não tivesse
havido a interferência cirúrgica; porém confesso que em todo caso me doeu
muito não ter oportunidade de tentar salvar a vida do pobre homem, sobretudo
porque durante o jejum tinha perdido muito pouca carne, exceto no rosto, e aí

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parecia haver alguma perspectiva de recuperação final. Pois, apesar de tudo,
onde há vida há esperança!

Caso de paralisia, velhice prematura, perda de memória, etc. Homem


de 60 anos. Veredito médico: “algumas semanas de vida”. Havia tido dois ata-
ques de paralisia, o primeiro depois da tentativa de livrar-se da gripe, por meio
de frutas frescas e suco de frutas. Depois do segundo ataque tinha perdido a me-
mória e parecia caducar, embora tivesse apenas 60 anos. Submeteu-se a jejum
de urina, com massagens, durante 59 dias; interrompeu-o durante quinze dias
tomando uma refeição ao dia, e jejuou mais 35 dias. A memória e a linguagem
foram recuperadas em 20 dias durante o primeiro jejum. E a cura se completou
durante o segundo jejum, havendo sido a causa principal do problema uma con-
dição artrítica.

Perda de cabelo. Esse mesmo homem tinha perdido o cabelo e não só o


recuperou durante o segundo jejum — massageava a cabeça diariamente —
sendo que em vez da cor cinza o cabelo voltou à cor natural… Diga-se de pas-
sagem, muitos correspondentes informam da renovação dos cabelos como re-
sultado de massagear a cabeça com urina velha como hábito diário.

Informes de correspondentes sobre gripe, pneumonia, pleurisia e


apendicite.
Estes informes mostram que, como norma geral, jejuns de urina de entre
três e oito dias são suficientes para curar a gripe, pneumonia, e pleurisia. O
mesmo pode-se dizer do apendicite. Em alguns casos da última enfermidade
tem-se permitido uma pequena refeição ao dia, embora os pacientes tenham que
ingerir toda a urina produzida. Nos casos agudos e graves com febre é essencial
o jejum de urina completo.
Poderia ressaltar o fato de que obrigar a comer a um enfermo, seguindo o
princípio de que deve manter suas forças é o cúmulo da estupidez médica. Em
um enfermo cujo instinto e órgãos se rebelam contra a ingestão de alimentos,
estes atuam como veneno.

Cataratas. Antes que fosse ilegal que um profano mencionasse que as ca-
taratas podem responder a um tratamento sem operação, descobri que em mui-
tos casos o jejum de urina de dez dias era suficiente para dissolver a película
que se forma sobre o olho. O jejum mais longo necessário foi de 28 dias. É um
ponto sutil, sobre o qual não estou qualificado para pronunciar-me, se vai contra
a lei existente de que um profano diga que tem curado cataratas antes de que a
lei fosse decretada. Porém no caso desta afirmação ser ilegal, teremos que supor
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que os casos curados tinham sido diagnosticados erroneamente, visto que a lei
afirma que só um oculista qualificado pode curar casos autênticos, sobretudo
com o bisturi. No entanto, é verdade dizer que a catarata não é sempre, de ma-
neira nenhuma, uma condição isolada. O que precisamos recordar é que o olho
é parte do corpo, e portanto ao tratar o corpo como uma totalidade, para outros
sintomas, a condição local se pode curar sem dirigir a atenção ao olho.

Glaucoma. Segundo a medicina ortodoxa, e inclusive a naturopatia, é


condição muito grave. Os oculistas realizam uma operação, porém, em muitas
casos, o paciente fica cego antes ou depois. Em qualquer caso não se pode dizer
que a mutilação seja a cura. Sei que os pacientes que não têm sido forçados, res-
pondem bem ao jejum de urina de um mês de duração. Ao contrário, devem ser
considerados praticamente sem esperanças, os casos que foram cirurgicamente
operados.

Reumatismo. Neste país (Inglaterra) costuma-se culpar o clima pelas


condições reumáticas das pessoas com sangue insuficientemente alcalino. Po-
rém, se o sangue e o corpo estivessem livres de acidez e matérias estranhas, o
clima e suas oscilações não produziriam nenhum efeito sobre elas.
Com relação à cura do reumatismo (que alguns médicos dizem que são 26
tipos diferentes) tenho verificado que os pacientes sempre respondem bem ao
jejum de urina de entre 10 ou 12 dias, ou inclusive menos nos casos simples.
Deve-se completar o tratamento com massagens e compressas de urina. Depois
da cura é essencial, para evitar a recorrência, a revisão da dieta, seguindo regi-
me bem equilibrado. Muitos casos, inclusive, têm respondido ao regime de uma
só refeição ao dia (escolhendo cuidadosamente os alimentos e evitando condi-
mentos e álcool), além de tomar a urina autógena, seguidas das massagens e
compressas. Tais casos, se não forem de muito tempo e não sejam graves, são
curados normalmente em somente algumas semanas.

Artrite. Esta grave e penosa condição é tão diferente do reumatismo,


como um ataque grave de gripe é diferente de um catarro leve. É uma das con-
dições mais difíceis de abordar, sobretudo porque os depósitos estranhos estão
alojados em grande parte nos ossos. Até para curar inclusive um caso incipiente,
verifiquei que demora em se curar entre 12 e 40 dias, com dieta muito selecio-
nada, ingestão de toda a urina produzida e longas massagens diárias com urina.
(Estes foram os casos nos quais os pacientes tinham posto objeção ao jejum ou
o consideravam impossível de fazer). No entanto, considero que esse tratamento
sem o jejum, é somente meia medida, e mantenho que o jejum de urina comple-
to, inclusive de até 10 dias, ajuda mais o paciente que vários meses de dieta e
ingestão de urina. Porém, devo salientar, que quando o problema está profunda-
60
mente arraigado, e a vítima está praticamente inválida, há pouca perspectiva de
se obter a cura.

Citarei agora alguns casos que amavelmente me foram fornecidos pelo


naturopata Sr. Oliver Warnock-Fielden:

“Asma bronquial. Sr. D. E., de 37 anos. Exonerado da Marinha por causa


de asma bronquial que sofria desde a idade de 14 anos. A vida no mar parecia
agravar o problema. Todas as noites acordava pelo menos quatro vezes para uti-
lizar um spray medicinal, e não se atrevia a ir ao teatro sem ele, para utilizá-lo
nos entreatos. Durante três meses, em que bebia entre litro e meio e quase 2 li-
tros de urina ao dia, e dois breves jejuns de urina de entre 36 e 40 horas cada
um, ficou tão aliviado que deixou de levar o spray ao teatro, e nem tinha que
despertar-se à noite para usá-lo. Perdeu todo medo deste problema e a saúde ge-
ral tem melhorado muito.
“Outro caso com o mesmo problema melhorou em quatro dias de jejum
com urina, enquanto o jejum de três semanas em uma Casa de Cura Natural
bem conhecida havia falhado. Cada vez que bebia urina ocorria uma descarga
mucosa. No último dia de jejum teve tal descarga mucosa que o paciente saiu
para testar a respiração subindo uma colina. Não teve dificuldade e regressou
imediatamente ao trabalho.”

“Rim enfermo. Sr. G. D. Em maio de 1944 encontrava-se em hospital


para extirpação do rim direito. Tinha sofrido muitas dores, a urina era da cor de
sangue, e os raios X tinham revelado uma grande pedra na pelve renal. Na opi-
nião do cirurgião o rim estava enfermo e se não fosse extirpado poria em risco a
vida. Porém Sr. D., recusou a operação e me procurou. Começou a beber toda a
urina que produzia, jejuou repetidamente durante vários dias seguidos, e em
poucas semanas a condição tinha melhorado a ponto de não sentir mais dor e a
urina tinha a cor normal. Após três meses Sr. D. voltou ao hospital e lhe disse-
ram que não havia nada de anormal no seu rim.
“Como resultado do êxito deste tratamento, Sr. D. me trouxe um paciente
que estava esperando para se submeter à mesma operação. Também se curou
com o mesmo método.
“Em casos como estes tem-se que aceitar o veredito dos radiólogos e ci-
rurgiões que realizaram o exame, que em ambos os casos disseram que a opera-
ção era o único meio de alívio, até inclusive de salvar a vida. Quando mais tarde
afirmavam que não havia nada errado, e os raios X deram prova clara de que o
rim estava são, vemo-nos obrigados a supor que a cura foi devida ao jejum e
pela ingestão da urina.”

61
Para terminar este capítulo acrescentarei algumas sugestões que me fez o
amigo Sr. O. Warnock-Fielden a respeito de como a urina efetua a cura, embora
não possa compartilhar totalmente com seus pontos de vista. Escreve ele:
“Tem de haver alguma força curativa na recuperação dos hormônios ines-
perados, especialmente dos hormônios sexuais que vão chegar à urina. Há casos
conhecidos em que se toma urina internamente só por causa destas substâncias.
Também pode ser que se trate da recuperação da substância dos tecidos, que es-
tão na solução da urina. O tecido orgânico pode separar-se dos órgãos vitais por
causa de substâncias venenosas ali alojadas e devidas aos alimentos e bebidas
ingeridos pelo corpo, e também por remédios e injeções da ciência médica. Al-
guns afirmam que estas substâncias se recuperam e podem ser utilizadas nova-
mente na reconstrução de órgãos saudáveis. É difícil de mostrar, porém, são re-
gistrados muitos casos nos quais órgãos enfermos são recuperados pelo fato de
se beber grandes quantidades de urina. Dizer mais que isto é impossível.
“A explicação que mais me atrai é que as curas se realizam seguindo o
princípio homeopático. Não há dúvida de que, embora seja expelida do corpo
através da urina, matéria tóxica em quantidade (se fosse de outro modo ficaría-
mos doentes, por causa da que permanece), deve encontrar-se na urina uma
dose homeopática ou infinitesimal do complexo tóxico particular de cada indi-
víduo. Certamente isto está fora de discussão. Se esta dose infinitesimal retorna
ao corpo, de acordo com os princípios homeopáticos produzir-se-á o anticorpo e
portanto, tender-se-á à cura da condição.
“Nos hábitos naturais dos animais observamos que se lambem continua-
mente. Sem dúvida, desta maneira introduzem em seus sistemas doses homeo-
páticas de sua condição tóxica. Depois de cada alimentação essa dose tenderia a
corrigir qualquer dano que pudesse acontecer por causa da ingestão de um ali-
mento inaceitável, ou mesmo venenoso. Não pode ser esse hábito o plano de
imunização, por excelência, da natureza? A ciência médica tem formulado um
sistema de inoculações perigosas, para fazer exatamente o mesmo que faz o cão
quando se lambe. A natureza dá ao cão o instinto para sua salvação, e ao homem
o cérebro para sua destruição final! Talvez sejamos demasiado espertos. Se al-
guém duvida do instinto do animal para beber sua urina, que experimente a dar
uma xícara a um macaco. O macaco só tem um uso para ela. Considera-se que a
cabra é o mais saudável de todos os animais, e por isto seu leite é o mais indica-
do para os casos de tuberculose. Isto não pode ser explicado pelo fato de que
com frequência ela bebe diretamente sua urina?
“Quando o homem apareceu na terra, teve que tomar algumas providên-
cias para assegurar-se contra a extinção. O alimento, a roupa e o abrigo estavam
todos na terra, esperando que o homem os utilizasse para satisfazer todas as
suas necessidades materiais. Não seria de vital importância não descuidar do
modo de livrar-se da doença? Se o que se tem dito nestas páginas está correto, o
meio de conseguir a saúde está sempre à mão, fácil de praticar, maravilhoso em

62
sua simplicidade, e à disposição de todos. O falecido Dr. Charles H. Duncan,
um dos mais ilustres médicos da América, afirma em seu livro Autotherapy:
“‘Nos exsudados patógenos existem substâncias tóxicas ante as
quais o paciente deve desenvolver resistência para que se possa curar.
Dito de outro modo, na autoterapia o paciente tem dentro de seu corpo as
substâncias tóxicas corretas, e corresponde ao médico encontrá-las e de-
terminar a dose apropriada e o intervalo entre as doses, para que os teci-
dos locais possam desenvolver a resistência.
“‘Portanto, em alguns ramos da investigação médica existem muitas
coisas que estão de acordo com a corajosa contribuição de John Arms-
trong, que fica demonstrada nos casos mencionados neste livro.'”

63
CAPÍTULO 15
O CATARRO COMUM

Não é exagerado dizer que esta enfermidade simples a que chamamos ca-
tarro comum, tem confundido a profissão durante séculos. Um médico disse-me
em certa ocasião: “Há uma coisa que me desagrada quando me pedem que cure,
um catarro comum ou uma dor de cabeça”. O finado Dr. Haig, que foi o primei-
ro a atrair a atenção sobre o ácido úrico, e mais ainda sobre a loucura de viver
com uma dieta desequilibrada (embora em certos pontos se possa divergir de
suas opiniões), disse que as pessoas deviam estar agradecidas quando contraíam
catarro, pois ele atua como limpeza geral, e por isso nunca deveria ser suprimi-
do. Mas por infelicidade da humanidade, o que frequentemente costuma aconte-
cer, quando se “começa a sentir a chegada do catarro” é comprar algo que o de-
tenha e “cortar o mal pela raiz”. Isto não é curá-lo, é simplesmente suprimi-lo e
frustrar a natureza. A supressão do catarro simples costuma conduzir a aflições
piores, como a pneumonia, etc.
As causas dos catarros são tão simples como os catarros são comuns. Está
numa dieta desequilibrada, e como a maioria das pessoas vive com dietas dese-
quilibradas está, portanto, sujeita em diversos graus aos catarros. O excesso de
amido na dieta, em combinação com a insuficiência de alimentos que conte-
nham os sais minerais essenciais, produz o catarro. As exsudações das condi-
ções catarrais deveriam ser suficientes em si mesmas para nos indicar a causa
real: sua natureza é feculenta. Portanto, assim como a causa do catarro deve
ser óbvia, também deve ser a sua cura, tal como tenho verificado em anos de
observação e experiência.
O procedimento consiste em jejuar à base de água fria e urina. Não se
deve tomar nenhum medicamento, seja na forma de pastilhas ou de poções. Se o
tratamento é feito, o catarro desaparecerá em caso de indivíduos sadios em ou-
tros aspectos, em doze horas ou menos. Sem dúvida o leitor poderá dizer: “mas
isto é contrário ao que diz o antigo adágio: ‘Alimenta o catarro e mata de fome
a febre’.” Porém, era assim o refrão original? Tenho ouvido dizer que isto é
simplesmente perversão da versão original, que dizia: “Se alimentas o catarro
terás que matar de fome a febre”. Inclusive o jejum à base de água cura o catar-
ro entre 24 e 48 horas. Porém, é menos eficaz que o tratamento à base de água e
urina, que não só produz a desaparição da condição catarral, senão que, ade-
mais, a pessoa se sente, em todos os aspectos, melhor do que antes. Além disso,
e isto é muito importante, impede o desenvolvimento da gripe, pneumonia, etc.,
que uma vez desenvolvidas podem exigir jejum de 10 dias e muita atenção e
cuidado.

64
E no entanto, a gripe, pneumonia, bronquite e moléstias afins podem ser
simplesmente o resultado mais imediato de haver reprimido os intentos da natu-
reza de livrar-se do excesso do amido e seus inconvenientes. Estou convencido
de que a supressão dos catarros é a base mais comum e frutífera de longa lista
de enfermidades mais importantes. A coriza, tal como é denominada tecnica-
mente, é a inflamação da membrana mucosa do nariz, deve ser considerada uma
bênção na desgraça, pois é como a válvula de escape que anuncia que o interior
necessita de processo de limpeza. E devo salientar aqui, mesmo que com risco
de me exceder nas repetições, que o melhor modo de realizar a limpeza com ra-
pidez facilidade e dinamismo, é beber toda a urina produzida enquanto se je-
jua, sabendo ainda que em 24 horas de jejum se chega a produzir quase 10 li-
tros de urina.
Quanto ao catarro nasal crônico, as pessoas que vivem com dieta desequi-
librada, devem dar graças a esta “válvula de segurança” que pode impedir o de-
senvolvimento de doenças mais graves. Os que tentam reprimi-lo por meios não
naturais terão que enfrentar graves consequências. Suas causas podem ser o
consumo habitual de demasiado pão, especialmente branco, bolos, pudins de ar-
roz branco e outros alimentos feculentos. Se na dieta há preponderância destes
alimentos, significa que faltam os que são ricos em sais minerais essenciais. Di-
zer que os açúcares e o amido dão energia é das mais perniciosas meias-verda-
des que são tão nocivas como um erro de cem por cento. O excesso de amido
não pode dar energia, pois simplesmente obstrui o sistema e inibe seu funciona-
mento normal. A prova é que as pessoas que vivem sobretudo à base dos ali-
mentos que tenho citado, têm que recorrer constantemente às bebidas alcoólicas
ou às xícaras de café para manterem-se em “alto-astral”.
Como gosto de substanciar sempre minhas afirmações com razões cien-
tíficas, em benefício daqueles que gostam de colocar os pingos nos is, devo
acrescentar que além de ser o excesso de amido a causa do catarro, há nos teci-
dos insuficiência de cloreto de potássio, fosfato cálcico e sulfato cálcico, e a
garganta está infectada de fosfato férrico. (Ver Biochemic Pocket Book, de E. F.
W. Powell, D.Sc.) Recentemente os pesquisadores se têm preocupado em anali-
sar os diversos alimentos para conhecer seu conteúdo em sais minerais. Assim
ficamos sabendo que alguns alimentos são mais ricos em sais do que outros. E
foram classificados com etiquetas de alimentos carbônicos, cálcicos, clóricos,
fluóricos, sódicos, potássicos, fosfóricos, sulfúricos, etc. Como todos estes sais
são essenciais para o funcionamento apropriado do corpo, esta investigação só
serve para novamente mostrar quão necessário é viver em dieta variada e bem
equilibrada. É significativo que até datas recentes a profissão médica ignorava a
importância do potássio como sal para o corpo humano. E no entanto, os expo-
entes do Sistema Bioquímico descobriram que a insuficiência de uma ou várias
formas do potássio é causa que contribui em muitas doenças, especialmente no
câncer e nos tumores. Todavia, isto já havia descoberto o Dr. Schuessler, de
Odenburg, Alemanha, na última metade do século passado. Mas este fato só re-
65
cebeu amplo reconhecimento em 1912, graças ao Dr. Forbes-Ross (já mencio-
nado), que provavelmente nunca tinha ouvido falar do Dr. Schuessler nem de
sua importante e em grande parte, ignorada descoberta. Em seu esboço geral
The Biochemic System of Medicine, G. W. Carey, M.D., assinala significativa-
mente que a falta de qualquer dos sais inorgânicos celulares provoca determina-
dos sintomas, que são nada mais que o método da natureza de indicar que um
ou mais dos obreiros vitais do corpo está faltando, e deve ser suprido.
“Cada sal mineral tem um trabalho especializado. Cada um tem de-
terminadas afinidades por determinados materiais orgânicos utilizados na
constituição da estrutura humana. Assim, as moléculas de “Kali mur”
(cloreto potássico) trabalham com a fibrina. Se existe deficiência deste
sal, parte da fibrina não tem o sal inorgânico para se unir, convertendo-se
em elemento perturbador, que deve ser eliminada da circulação vital pelos
condutos nasais ou pelos pulmões… produzindo as condições chamadas
catarros, resfriados, tosses, etc.”
Esta é, pois, a explicação bioquímica dos catarros e moléstias afins, como
a leucorreia, que quando a descarga é de cor branco-leitosa, indica insuficiência
de cloreto de potássio no organismo feminino (Carey). Creio que tenho mostra-
do evidências suficientes para demonstrar que o catarro comum e todas as con-
dições catarrais, sendo agudas ou crônicas, é antes de tudo o resultado de ali-
mentação errônea, sobre a qual me estenderei no último capítulo.

66
CAPÍTULO 16
A TERAPIA DE URINA NOS ANIMAIS

Quando certas pessoas querem menosprezar um determinado tratamento,


atribuem sua eficácia à fé. Por exemplo, alguns oponentes da homeopatia a re-
jeitam loquazmente, dizendo que é “cura pela fé”. Porém o homeopata tem nas
mãos um argumento que acaba com esta suposição. Afirma que a homeopatia
cura animais, que pela natureza das coisas não sabem que estão sendo tratados.
Na literatura homeopática são mencionadas centenas de curas de animais. Uma
delas é a de um gato que tinha paralisia nas patas traseiras. Depois de ter tenta-
do diversos tratamentos, o proprietário deu-lhe mag. phos. em atenuação muito
alta, e o curou completamente em pouco tempo. O céptico dirá: “coincidência”.
A que somente se pode replicar: “Quão surpreendente é a credulidade do cépti-
co.”
Esta alusão à homeopatia e os animais é relevante por que alguns “cépti-
cos crédulos” têm dito que a terapia da urina deve ser “cura pela fé”. Não posso
mais que sorrir, e utilizar o mesmo argumento dos homeopatas. Demonstrarei
minha argumentação com alguns fatos.
Meu avô era bastante conhecido nos anos sessenta e setenta do século
passado por seu jeito com cavalos, cães, etc., e com ele aprendi que a urina e in-
clusive os excrementos de vaca eram seus remédios favoritos para tratar as mo-
léstias e lesões dos animais. Fazia jejuar as vacas, cavalos e cães durante até um
mês, à base de água e urina, para cuja administração utilizava um chifre; embo-
ra quando estavam sedentos bebiam sem necessidade dessa ajuda. Como havia
aprendido muitas coisas de meu avô, eu mesmo tratei de animais. Com frequên-
cia era tarefa longa e laboriosa, e posso citar algumas aventuras que não care-
cem de senso de humor. Recordo que em uma ocasião fiz jejuar uma vaca que
tinha tétano, durante 120 dias, massageando-a oito horas por dia com sua urina
(coletada em baldes) e de outras vacas. Para beber dava-lhe sua própria urina
(que a princípio era espessa, amarela e concentrada como mostarda), e a urina
de vacas sadias. Também bebia água fria. Minha paciente bovina perdeu todo o
pêlo, emagreceu até ficar na pele e ossos, mas se recuperou completamente, até
o peso normal, depois de dois meses de alimentação.
Com a terapia de urina e jejum tenho tratado também cães. Um método de
induzir um cão a beber urina (embora bebem a miúdo a urina de uma cachorra),
consiste em amarrá-lo a uma árvore, e lavar sua cabeça com spray fino do líqui-
do vital. Para ele utilizava minha urina recém produzida. Quando a urina escor-
ria pelo focinho, o cão a lambia.
Relato de um caso. “Rough”, terrier em Airedale. Tratado de uma incha-
ção no abdômen que foi produzida ao ser atropelado pela roda traseira de uma
67
moto. Jejuou 19 dias, tomando quando desejava minha urina e água, e finalmen-
te interrompeu o jejum com um pouco de carne crua de vaca. Quando os ani-
mais ficam doentes, têm a tendência a jejuar até que recuperem a fome. Durante
o jejum o lavava com urina velha, forte e gordurosa, e embora durante o proces-
so houvesse perdido grande parte do pêlo, ao final estava com bonito pêlo.
Ainda que a experiência seguinte com aves domésticas, não entre estrita-
mente no tópico da terapia de urina, pois as galinhas não urinam, e não se utili-
zou urina, no entanto, é instrutivo porque mostra o que faz o jejum inclusive
para as aves. Em outubro de 1916 tinha 60 galinhas, porém nenhuma delas tinha
posto um ovo em várias semanas, apesar de estarem bem alimentadas e estimu-
ladas com condimentos. Como algumas delas estavam doentes, muitas “autori-
dades” me haviam dado conselho gratuito e profissional. Finalmente decidi que
a metade delas jejuassem, tomando somente água. O resultado foi notável, pois
no quarto dia encontrei vários ovos. Posteriormente a outra metade também je-
juou, com o mesmo gratificante resultado: ovos em abundância. Em cada caso o
jejum durou uma semana. Modifiquei, então, a dieta anterior, que consistia em
um “pouco de tudo”, por outra que consistia somente de grãos integrais de trigo
— que as galinhas tinham que esmigalhar — e verduras cruas, que lhes dava
duas vezes ao dia. Isto mais as ervas que podiam bicar, era só o que comiam. O
resultado foi uma média de 250 ovos por semana de 60 galinhas sem interrup-
ção, e com o insignificante custo de um pence por ovo.
Tratamento de uma pata de égua lacerada. Havia tentado passar através
de espessa cerca viva espinhosa, com resultado desastroso. Sofreu grande corte
na carne de uma pata traseira na altura do joelho, e a ferida profunda parecia um
grande lábio que estava caído para baixo. Aconselharam-me que chamasse um
veterinário, para que desse alguns pontos, porém recusei, pois sabia que com
essa medida ficariam feias cicatrizes, reduzindo muito seu valor. Portanto, ven-
dei a ferida com um pano de lã macia e limpa (não tingida), debaixo de três do-
bras de madeira flexível, e enchi o espaço que havia entre a carne e a madeira,
com excremento de vaca, e fechando o emplastro por baixo com uma cinta lar-
ga, a fim de que o excremento se mantivesse no lugar e a égua pudesse mover-
se. Olhava-a duas vezes ao dia para colocar meio litro ou mais de urina por
cima do emplastro, para manter ativas as propriedades dos excrementos. Repeti
o processo durante quinze dias, quando então tirei a vendagem, estando a ferida
perfeitamente curada e sem vestígio de cicatriz.
Verdadeiramente a natureza tem lições a nos ensinar. A primeira, a segun-
da e a terceira lição são: Trabalha com a natureza e ela fará o trabalho!

68
CAPÍTULO 17
A RAZÃO DAS MASSAGENS E COMPRESSAS DE URINA

Um correspondente que me fazia uma série de perguntas inteligentes, me


surpreendeu com a seguinte: “A pele é órgão de uma só direção?” Existe evi-
dência ou dedução em que se possa basear esta suposição? Tomemos uma sim-
ples analogia. Se cobrirmos com um lenço a parte superior de uma xícara con-
tendo um pouco de leite, e invertermos a xícara, o leite escoará lentamente atra-
vés do lenço. Inversamente se colocarmos um pouco de leite sobre o lenço es-
tendido sobre a xícara, o leite também escoará para dentro da xícara, e o fará
mais rapidamente se friccionarmos o lenço. Sabe-se desde muito tempo, que a
pele é capaz de absorver não somente líquidos, mas também o ar. Por que a rou-
pa interior celular deve existir? Porque a pele precisa respirar. Daí a imprudên-
cia de tapar os poros com unguentos supressivos, ou de “envolver-se” em capas
de roupa íntima quentes, tal como faziam os vitorianos.
Se se impedir totalmente que a pele respire, a vítima morre. É bem conhe-
cida a história do menino que foi completamente pintado com ouro líquido, para
participar de um desfile. O menino morreu após duas horas. Por outro lado, foi
prática comum massagear com leite os meninos doentios ou que não ganhavam
peso, o que dava frequentemente bons resultados. Como sabemos a fricção pro-
duz calor, e o calor abre os poros da pele, que por sua vez também gera calor.
Por isso é tão importante o conteúdo das compressas. As compressas que apenas
extraem e não têm nada que devolver à pele, podem drenar seriamente as for-
ças; tenho tido notícias deste fato em muitas ocasiões. Portanto a compressa,
por excelência, é a da urina, e a massagem com urina é muito superior a qual-
quer outra forma de fricção. Para este fim é mais eficaz utilizar urina velha, ou
misturada com urina produzida recentemente, e aquecida (sem ferver). O méto-
do mais prático é guardar a urina em garrafas, despejar apenas um pouco sobre
um recipiente de fundo chato, pôr as mãos sobre o conteúdo do recipiente para
umedecê-las, e começar a friccionar até que sequem. Colocar mais urina no re-
cipiente e repetir o processo. Ao tomar com as mãos pouca urina de cada vez,
evita-se que caiam gotas no chão.
Quanto às compressas, com tudo o que já está escrito neste livro mostrado
nos relatos citados, está evidente como e quando aplicá-las. No entanto, nunca é
demais que se repita. Deve-se colocar panos umedecidos com urina sobre a lo-
calização do problema, mantendo-os úmidos adicionando urina quando necessá-
rio. São aplicadas sempre que hajam furúnculos, queimaduras, feridas, caroços,
inchações ou outras ulcerações. Como é natural, não se massageará no corpo o
lugar onde será colocada a compressa. Em nenhuma circunstância deve-se mas-
sagear caroços suspeitos nem os tecidos que os cercam.

69
Já tenho mencionado brevemente que as partes mais importantes a massa-
gear são o pescoço, o rosto, a cabeça e os pés. Isto não significa que não se te-
nha que friccionar também todo o corpo. A menos que a enfermidade requeira
compressa em algum lugar, a massagem é parte essencial da terapia de urina
com a finalidade de nutrir o paciente durante o jejum. Independentemente disto,
a urina é o melhor alimento que existe para a pele, como se pode verificar pelas
mãos dos que fazem as massagens.
Os cépticos têm sugerido que a massagem a seco ou somente com água
poderia ter a mesma eficácia. A resposta é negativa. Tenho tentado ambas. In-
clusive os jejuns de urina sem fricções, são acompanhados de palpitações, da
mesma maneira que os jejuns à base só de água. Concordo que a massagem é
excelente exercício, porém sem a urina não é adequada para reconstituir os teci-
dos danificados. Somente em casos muito graves, nos quais o paciente está mui-
to fraco e extenuado para suportá-la, tenho dispensado as massagens, mas nes-
tes casos a urina pode ser absorvida pela pele através das compressas.
Citarei agora o relato que mostra que colocar compressas continuamente
de qualquer substância, por inocente que possa parecer, pode resultar em exaus-
tão das forças para o paciente, assim como ser improdutivo para a cura.
Homem de mais de 50 anos. Tinha sido entusiasta do que se poderia ser
chamado de “dieta da lagarta”. Consistia de uma só refeição ao dia, principal-
mente de pão integral, saladas, frutas frescas, leite, frutos secos e mel. Esperava
assim reduzir sua “barriga” e curar uma condição artrítica e hidropisia, assim
como outros problemas, como prisão de ventre crônica, para a qual recorria aos
sais e enemas. Antes de me procurar, esteve durante algum tempo aos cuidados
de um médico, e se encontrava em tal estado que necessitava dos serviços de
duas enfermeiras. Embora agora tomando duas refeições ao dia e quatro lan-
ches, pesava cerca de 60 kg, estava muito fraco, de cama, acometido de feridas
provocadas pela longa permanência acamado, e passava a metade do dia e a
maior parte da noite expectorando escarros e mucosidade viscosa. Mas o que
mais me chamou a atenção, foi o estado do seu braço. Cerca de dois anos antes
tinha aparecido uma ferida no braço, sobre a qual se tinha aplicado emplastros.
Apesar disso (em minha opinião exatamente por causa dos emplastros) o braço
tinha agora cinco feridas, funcionando como descarga; os emplastros foram
mantidos durante todo esse tempo (dois anos). Sugeri que eles eram os princi-
pais responsáveis pela sua perda de força, porque “drenavam” constantemente a
nutrição através de seu braço, fazendo passar fome tanto ao braço como ao tron-
co. Em consequência, apesar dos protestos da enfermeira, abandonaram os em-
plastros, vendou-se o braço com pano sem medicamentos, que não foi tocado
durante uma semana. As refeições continuaram em duas ao dia, porém sem os
lanches, e somente podia beber água potável. Abandonou todos os medicamen-
tos, que simplesmente estavam perturbando a digestão. Depois de uma semana,
foram retiradas as vendagens para fazer inspeção, e embora as feridas ainda es-
tivessem supurantes, havia evidências que sugeriam que a parte principal da
70
matéria havia sido absorvida pelo calor do sangue através dos poros da pele.
Depois de um mês, apesar de continuar tendo um pouco de descarga, podia uti-
lizar o braço, e pela primeira vez em anos o paciente pôde escrever cartas. Sem
massagem e sem nenhuma medida local, o paciente tinha ganho sete quilos. As
mudanças mais marcantes ocorreram no rosto, nos dois braços, no peito, nos
ombros e nas nádegas. Devo acrescentar, de passagem que curei as feridas cau-
sadas por sua permanência na cama, com algo tão “científico” quanto minha
própria saliva. No entanto, o ponto principal que tem de se observar neste caso,
é que quando se deixou de colocar os emplastros medicinais o paciente ganhou
peso apesar de tomar menos alimento. Posteriormente recuperou a saúde plena-
mente com a terapia de urina e dieta bem equilibrada que não se baseava nas te-
orias do finado Arnold Ehret e companhia.
Voltemos agora à lógica das massagens, mostrando alguns detalhes do
meu próprio caso que ainda não foram mencionados.
Durante meu primeiro jejum de urina e água, sentia-me intrigado, para
não dizer alarmado, ao observar as palpitações do coração, que às vezes eram
tão pronunciadas que me pareciam ter dois corações em lugar de um. Contraria-
mente às suposições médicas, atribuo isto à teoria de que meu coração não esta-
va recebendo o fornecimento suficiente de sangue, e portanto, estava algo acele-
rado como um relógio cuja mola de controle se quebrou ou estragou. Então a
Bíblia me trouxe a ideia, nesta ocasião do Novo Testamento, aonde se lê:
“Quando jejuares unta-te a cabeça e lava-te o rosto” (Mateus, 6:17). Estava ple-
namente consciente da interpretação que fui obrigado a tirar desta prescrição,
portanto comecei a me massagear com minha própria urina a cabeça, o pescoço,
o rosto e outras partes do corpo e cessaram as palpitações. Além disso, com este
método era possível jejuar sem interromper minhas tarefas do dia, sempre que
não estivesse demasiado doente para realizá-las. Por exemplo, pacientes com
infecções cutâneas têm jejuado e realizado seu trabalho sem que as outras pes-
soas se dessem conta disto, porque não o sabiam. Quanto a mim mesmo, posso
iniciar o jejum se for necessário para estimular outros e nem um médico com
seus impressionantes instrumentos, é capaz de detetar através do coração, que
estou jejuando. Ao contrário ele detetaria facilmente se não fizesse as massa-
gens com urina.

71
CAPÍTULO 18
A ALIMENTAÇÃO EQUIVOCADA É A CAUSA PRINCIPAL DAS
ENFERMIDADES

Em livreto intitulado Britain’s Health, preparado por S. Mervyn Herbert,


lemos o seguinte em relação à nutrição:
“As recentes investigações científicas indicam que é de suma im-
portância para a saúde nacional, que deve-se facilitar nutrição adequada a
todos os homens, mulheres e crianças da comunidade, juntamente com os
mais elementares serviços ambientais, como higiene, habitação e água po-
tável… As vitaminas são agora lugar comum e de seu estudo foi desen-
volvida uma nova concepção dos valores alimentícios.
“Tem-se mostrado, que a incidência da tuberculose indica que as
pessoas, mesmo comendo tudo de que são capazes, estão ainda padecendo
de malnutrição, se os alimentos ingeridos carecem dos elementos proteto-
res importantes. Em quase toda a parte nos trópicos podem ser encontra-
dos casos terríveis de escorbuto, pelagra ou beribéri, que foram constata-
dos não por causa da fome, mas pela falta de vitaminas ou minerais.”
(Deveria dizer e em lugar de ou.) É fato conhecido que em todos os países
afligidos de escassez de alimentos, durante a segunda guerra mundial, au-
mentou a incidência da tuberculose.
“Não se pode descrever com precisão a incidência de malnutrição
na Grã-Bretanha, porém as autoridades em assuntos dietéticos estão de
acordo em que ela é bastante extensa para constituir o mais grave perigo à
saúde atualmente… A falta de dinheiro é inquestionavelmente responsável
por grande parte da malnutrição, porém também se deve em grande parte
à ignorância que faz com que se consuma, em excesso, alimentos de baixo
valor nutritivo.”
Exatamente. Tudo que foi dito antes, pode-se resumir em uma frase: “A
causa primordial da doença é a ausência de substâncias que deveriam estar no
corpo e a presença de substâncias que não deveriam estar”. (Doctors, Disease
and Health, de Cyril Scott.) O ponto principal disto foi concisamente descrito
pelo comandante C. Fraser Mackenzie, C.I.E.: “Somos feitos daquilo que come-
mos, porque se algum órgão fica doente, significa geralmente que nossa alimen-
tação era inadequada.” O que dito ainda de modo mais resumido é: A causa da
doença é a dieta mal equilibrada.
Todavia, tendo isto em mente, seria improcedente dar normas específicas
a respeito dos alimentos precisos que as pessoas devem ou não comer, pois,
deve-se levar em conta o clima, o ambiente e a “idiossincrasia” pessoal. Não se

72
pode esperar que os esquimós vivam com os mesmos alimentos que, por exem-
plo, os brasileiros. Quanto à idiossincrasia pessoal, elas são numerosas e algu-
mas delas muito peculiares. Devo mencionar aqui o caso do homem, para o qual
o pescado é um veneno tão poderoso, que inclusive, ao lamber um selo (o lado
aderente contém cola de pescado) fica com o rosto todo inchado, de tal modo
que não pode ver, porque os olhos estão cobertos devido à inchação. Existem
pessoas para as quais os ovos são veneno em quaisquer de suas formas. Às ve-
zes estas pessoas perdem estas peculiaridades. O autor conhece uma senhora
que não podia ter contato com ovos, seja por ele mesmo ou em pudim ou bolo,
mas aos 70 anos pôde começar a tomar ovos sem que lhe trouxessem prejuízo.
Os vegetarianos fanáticos pretendem fazer-nos crer que comer carne é
praticamente a origem de todas as enfermidades humanas. Discordo deles total-
mente, baseado na melhor de todas as razões: a experiência pessoal e o que te-
nho observado em outras pessoas. Estaria de acordo com eles se afirmassem
que a dieta sem carne seria o melhor regime, se o homem não tivesse adquirido
ao longo dos anos, os hábitos alimentícios de animal onívoro. Porém, como vão
as coisas, minha observação me ensinou que as mudanças bruscas de dieta, des-
de o zoófago até o não comedor de carnes, podem ter resultados desastrosos.
Em resumo, o homem mediano não tem alcançado todavia este estado de saúde
no qual está preparado, para o vegetarianismo total, que é desejável e que possa
ser o ideal. Não obstante, farei a seguinte ressalva: pode ser diferente nas pesso-
as alimentadas desde a infância com dieta sem carne, desde que tal dieta não
seja simplesmente um regime sem carne. Isto é, deve ser dieta vegetariana bem
equilibrada, não somente abundante em amido.
Depois deste preâmbulo, se me perguntarem: Qual tipo de dieta você pro-
poria, pessoalmente, para as pessoas que vivem em zonas temperadas? Minha
resposta é que deve compor-se, nas proporções apropriadas, de carne, aves,
ovos, pescado, saladas, vegetais vaporizados, pão integral de trigo, frutas fres-
cas da estação, arroz integral, manteiga com moderação e mel, que é o melhor
adoçante que existe. Deve-se evitar todos os alimentos enlatados, alimentos du-
plamente cozidos, todos os alimentos processados (desnaturalizados), como o
pão, o açúcar e o arroz branco, assim como o leite pasteurizado. Também deve-
se evitar condimentos. Em minha opinião, as carnes enlatadas, os alimentos
processados e o leite pasteurizado, são os alimentos prejudiciais comerciais com
os quais se satisfaz a chamada civilização.
O açúcar e o pão brancos foram inventados simplesmente para colocar di-
nheiro nas mãos dos refinadores de açúcar e farinha. O açúcar branco é somente
um alimento produtor de ácido, posto que lhe foram retiradas todas as proprie-
dades alcalinas. No último século, um médico pouco escrupuloso recebeu di-
nheiro para dizer que havia encontrado um “bicho” no açúcar integral, e portan-
to não era convenientemente adequado para o consumo humano no seu estado
natural. (Ver Science of Eating, de McCann). Quanto ao leite pasteurizado, a
Dra. Marie Stopes, não é a única a condená-lo violentamente. Já vimos que ela
73
lhe deu o nome de “veneno estúpido”. Talvez tenha ido um pouco longe, porém,
permanece o fato, de que a pasteurização do leite, além de outras considerações,
permite vendê-lo quando não está fresco, pois a sua falta de frescor já não é de-
tetada, como o seria com o leite não pasteurizado.
Isto me traz à memória o que dizia sobre essa comodidade o finado Sr. F.
A. MacQuisten, K.C., M.P.: “Algumas pessoas pensam que o leite pasteurizado
seja leite de pasto. Mas é, apenas leite meio fervido carente de nutrição. Se ele é
dado aos bezerros eles morrem. Se é dado aos ratos eles deixam de reproduzir.
É uma forma de controle de natalidade.” (Daily Mirror, 2 de março de 1940.)
Não há dúvida de que, no que diz respeito à dieta, admitam ou não os
médicos, muito devemos aos naturopatas, que foram os primeiros a chamar a
atenção sobre a necessidade de ingerir alimentos vitais; daí a palavra posterior-
mente denominada vitaminas. Porém, infelizmente, as vitaminas foram explora-
das comercialmente, e agora existem vitaminas artificiais no mercado. O pro-
fessor A. J. Clark, da Universidade de Edinburgo, advertiu o público contra
elas. Em Fact, no 14, ele escreveu que a principal informação que o público está
recebendo se faz “na forma de anúncios de preparações vitamínicas, alimentos
tônicos, etc., que distorcem os fatos de maneira que os anunciantes habilmente
vendam seus produtos.” Afirmava que deveríamos obter nossas vitaminas atra-
vés de dieta apropriadamente regulada, e não das chamadas preparações alimen-
tícias tônicas. É desnecessário dizer que estou totalmente de acordo com ele.
Também estou de acordo em quase tudo que os naturopatas disseram, embora
discorde em um ou dois pontos. Existem alguns extremistas que desejaram eli-
minar totalmente da dieta o amido e o açúcar. É uma falácia perigosa. Ninguém
pode sobreviver muito tempo sem ter no organismo algo de açúcar e amido. O
prejudicial é o excesso de amido, tal como assinalei no capítulo dedicado ao ca-
tarro comum.
Se a causa das enfermidades já ficou evidente, também deverá ficar a sua
prevenção: dieta bem regulada — a qual naturalmente significa nem pouco nem
muito — à qual eu acrescentaria um jejum ocasional de acordo com meu méto-
do. Além disso, proporia a ingestão habitual da própria urina fresca. Ao levantar
deve-se tomar um copo e mais outro copo durante o dia. Eu, de minha parte,
bebo toda a urina produzida, e além de leite fresco não tomo nenhuma outra be-
bida. Porém eu sou um entusiasta convicto. Se “tivesse que formular uma lei”
forçosamente e para todos, poderia também ser chamado de dogmático. Igual-
mente seria dogmático se dissesse que uma refeição ao dia, ou duas no máximo,
são suficientes para a manutenção da saúde e da força. Porém, no meu próprio
caso descobri finalmente que uma só refeição me é suficiente. O que deve ser
dito, entretanto, pareça dogmático ou não, é que alterações violentas e repenti-
nas na dieta, só são prudentes se forem feitas após o jejum. As pessoas que por
razões humanitárias passaram repentinamente ao vegetarianismo têm sofrido
com frequência (vertigens) por sua generosidade. A natureza põe objeções a
esse tipo de mudanças repentinas. Ao contrário, as pessoas que têm achado que
74
o vegetarianismo lhes é desagradável, e começaram a ingerir de repente alimen-
tos à base de carnes, também tiveram que pagar por seu modo de agir. Porém,
isto não acontece, se a mudança é feita depois de jejum de urina, cuja duração
seja regulada de acordo com a condição e natureza (não do nome) da doença.
Deixe-me acrescentar uma palavra referente aos jejuns forçados dos so-
breviventes em barcos, que diante da falta de água têm recorrido a beber a uri-
na. Um correspondente me escreveu dizendo que têm-se registrados vários ca-
sos de marinheiros naufragados que beberam a urina e morreram em conse-
quência disto. Seguramente estava confundindo causa e efeito, pois sua dedução
não concorda com a do Almirantado, que afirma que esta “prática é inofensiva”.
A verdade é que, com toda probabilidade, esses infelizes somente começaram a
beber a urina quando estavam in extremis. Se o tivessem feito desde o início, te-
riam modificado seus sofrimentos por falta de alimentos e água. Além disso, em
tais casos deve-se levar em conta os efeitos nocivos da exposição ao ar e ao sol
e a ansiedade constante que costuma acompanhar estas terríveis experiências.
Os coitados que se veem à deriva em barcos, ficam atormentados continuamen-
te pela ideia de que vão morrer de fome e de sêde. Se tivessem ficado livres
desta ideia e certos de que a ingestão de urina não somente é inofensiva, mas re-
almente benéfica, teriam experimentado menos terror.
Se todo o mundo soubesse que uma pessoa pode sobreviver por longos
períodos de tempo, à base somente de sua urina, que ao não iniciado parece ex-
cessivamente longo, este conhecimento resultaria extraordinariamente valioso,
contra os efeitos debilitadores dos pensamentos de medo. Devo acrescentar que
o jejum mais longo que pude registrar, tem sido o de um homem que jejuou 101
dias por causa da cegueira produzida pela ferroada em um olho e a utilização
prolongada de atropina em ambos os olhos. Porém, um jejum tão prolongado
não teria sido possível, sem as massagens com urina (além da ingestão) que têm
tão importante papel, nesta terapia.

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CAPÍTULO 19
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS

Num dos Estados Americanos, existe uma lei que proíbe que o marido
beije a esposa no domingo! Evidentemente, ninguém se incomoda com ela, por-
que não existe nenhum modo de se forçar a cumpri-la e somente diz respeito às
partes envolvidas. Porém, são muito diferentes as leis que implicam grandes in-
teresses comerciais. O beijo não é algo manufaturável, porém o são os soros e
as fábricas de substâncias radioativas… e aí está o problema. À pessoa de cora-
ção puro, que significa que não é egoísta, é altruísta, e não está imbuída de tino
comercial, lhe parecerá, sem dúvida, curiosa ironia que o tratamento de deter-
minadas enfermidades supostamente incuráveis, seja ilegal, exceto para aqueles
que não as podem curar. Isto é ostensivamente para “proteger o público”. Po-
rém, o homem versado em lógica pode perguntar-se: Proteger o público de que
ou de quem? Supomos que tais pessoas, fraudulentamente, afirmam que curam
o que sabem perfeitamente que são incapazes de curar, e simplesmente comerci-
am com a inocência e a ignorância dos incautos. Esta lei tem suas vantagens,
porém, também suas desvantagens. Porém, seria mais convincente, se as medi-
das adotadas pela profissão médica, que tanto fez para que a lei fosse decretada,
1) servissem para proteger as vidas daqueles a quem dizem proteger, e 2) se es-
tas medidas não fossem de natureza tão lucrativa. As operações de câncer são
muito mais caras para o paciente, do que algumas quantas ervas relativamente
inocentes vendidas pelos charlatães (algumas das quais se sabe que são boas) e
uma planta de rádio é cara para os compradores e de muito proveito para os
vendedores, assim como também o é o próprio rádio.
Temos visto que muitos médicos, das escolas tanto alopatas como homeo-
páticas, têm alertado a seus colegas contra os resultados insatisfatórios obtidos
pela cirurgia e pelo rádio, porém, não têm produzido efeito apreciável, pois se
continua propondo o rádio e a cirurgia como os tratamentos “corretos” para o
câncer.
Não obstante, às vezes os médicos se encontram em um dilema, e são co-
nhecidos casos nos quais recorreram à heterodoxia, quando se tratava de salvar
alguém da família. O Dr. W. H. Roberts (homeopata) escreveu que um cirurgião
alopático do R.A.M.C., o procurou juntamente com sua irmã de 47 anos, que ti-
nha um tumor no seio, do qual não podia ser operada (tal como aconselhava um
notável cirurgião de Dublin), devido ao fato de estar sofrendo de doença cardía-
ca. O cirurgião acrescentou: “Nada sei de homeopatia, porém você tem liberda-
de de experimentar seus remédios”. O resultado final foi que Dr. Roberts a cu-
rou. Não teve recorrência e viveu mais 17 anos, morrendo finalmente de uma
enfermidade gripal. (Ver Health Through Homeopathy, julho de 1944).

76
A literatura homeopática relata muitas curas de câncer, algumas mais rápi-
das que outras, e se esteja ou não de acordo com os métodos homeopáticos,
pelo menos o paciente evita o risco de ter que sofrer os efeitos secundários tão
frequentemente associados com o tratamento do rádio, cirurgia ou ambos. Po-
rém, felizmente, alguns médicos agora sentem-se tão decepcionados com os re-
sultados passageiros e dolorosos desses tratamentos, que estão desejando expe-
rimentar outros métodos em benefício de seus pacientes. E a estes médicos me
dirijo, assim como a seus pacientes, pois tenho muito boas razões para crer que
poderiam se beneficiar muito com o tratamento descrito neste livro. Depois de
tudo, as coisas ainda não chegaram absolutamente ao ponto, em que o médico
qualificado se veja obrigado a empregar o tratamento prescrito, que os Poderes
Médicos anunciam como o “melhor” (embora, no último capítulo, direi algo so-
bre a autocracia médica).
Tampouco, a lei obriga o cidadão a ser operado ou queimado com rádio
contra sua vontade. Porém, como assinalou Dr. Beddow Bayly e outros médicos
de diversas escolas, como se vai exigir do público outros meios de tratamento, a
menos que se saiba que estes tratamentos existam? Quando a profissão médica
defende e incentiva certas medidas, como quando defendia a sangria para toda
doença imaginável, faz-se pouca menção aos seus numerosos fracassos e a seus
frequentes resultados fatais, e só quando o público se inteira destes ao ouvir as
amargas experiências das vítimas, é que há demanda de algo melhor. Há ocasi-
ões em que um médico admite a superioridade de um tratamento, porém se abs-
tém de utilizá-lo, como atesta a confissão de certo médico com relação à bioquí-
mica, sobre a qual disse ante um juiz no tribunal: “A bioquímica é o método
mais atual e lógico de tratar a doença… Porém, nós médicos, como somos ex-
cessivamente conservadores, continuaremos apegados ao velho método até que
as circunstâncias nos obriguem a abandoná-lo” (obviamente pela demanda do
público) “adotando um sistema de medicação mais novo e melhor”. (Citado por
J. T. Heselton em Health Thyself, julho de 1937.)
Em vista de tudo isto, vemo-nos obrigados a repetir as perguntas coloca-
das por C. Fraser Mackenzie, C.I.E.: “Está destinada a profissão médica a bene-
fício da nação, ou os cidadãos a benefício dos médicos? A resposta ele dá, di-
zendo: “É a favor da nação, desde que os médicos sejam generosamente trata-
dos”… Totalmente de acordo, e sou o último a querer que os médicos não sejam
tratados justamente, embora, ao final, eu seja obrigado, em última instância, a
curar-me com meus próprios métodos. Mas como as coisas estão neste momen-
to, parece muito como se o paciente existisse em benefício dos médicos. Com
efeito, caberia perguntar, insistentemente: Quantos pacientes têm morrido, en-
quanto os médicos estavam se preocupando com a ética médica?
Todavia, isto não deve nos deter. A questão é como enfrentarmos o pro-
blema do paciente que deixou de acreditar nos métodos ortodoxos e está dispos-
to a experimentar a terapia de urina. Deve prescindir ou não dos serviços do
médico? Em quase todos os pontos de vista considero que não deve dispensar
77
os serviços de seu conselheiro médico. Não há razão prática pela qual o desco-
brimento, ou melhor, o redescobrimento, da terapia de urina, deve “privar o
médico de seu pão”, embora seja assunto que afeta totalmente cada médico in-
dividualmente. Este livro o coloca de posse dos fatos, e se ele recusar assistên-
cia ao paciente que solicitar sua supervisão ao jejum de urina, então, eu não
posso ser condenado por algo que não é minha falha. Não é a primeira vez que
um paciente sugere a seu médico o tratamento particular que deseja tentar, e se
dele obtiver resultados espetacularmente benéficos, tanto melhor para a reputa-
ção do médico. Por outro lado, o médico pode servir de amortecedor das inter-
ferências bem-intencionadas, embora, obstrutivas e cansativas dos parentes an-
siosos, porém, frequentemente mal-informados e cheios de preconceitos, que
não somente têm medo do pior, mas também das formalidades e da publicidade
de algum inquérito.
Darei, no entanto, uma nota de advertência. Se apesar de minhas afirma-
ções um médico acredita que pode combinar jejum de urina com remédios, o re-
sultado será o fracasso. Já vimos que a terapia de urina é a cura da natureza no
sentido mais literal do termo, e empregar ao mesmo tempo medidas que são
contrárias à natureza não somente seria totalmente ilógico, senão inclusive peri-
goso. Sei disto, por experiencia, não porque tenha interferido no trabalho da na-
tureza, senão porque outros o fizeram, quando eu estava ausente. Portanto, es-
tou dando esta advertência, e espero sinceramente que ela seja levada em consi-
deração. Mesmo ela sendo atendida, repito novamente que a supervisão médica
é desejável, sob muitos pontos de vista. O médico não deve sentir nenhum arre-
pendimento nem um pequeno rebaixamento de sua dignidade, apenas porque
esta terapia seja resultado das experiências de um leigo. Qualquer médico que
conhece a história da medicina sabe também a grande contribuição que os lei-
gos lhe trouxeram. Inclusive o adulado Pasteur, que fez “mais que ninguém,
para a comercialização da medicina”, era meramente químico, e não médico.
Também devo mencionar a hidroterapia, e os médicos não se sentem necessari-
amente depreciados em sua dignidade ao se associarem a estabelecimentos hi-
droterápicos. Portanto, sou bastante otimista para pensar que num tempo não
muito distante, haverá estabelecimentos nos quais os pacientes serão tratados
com a terapia de urina, nos quais haverá um grupo de enfermeiras para cuidar
deles e aplicar-lhes massagens de urina. (Por que deve haver gente destinada a
morrer de gangrena e outras moléstias supostamente incuráveis quando a salva-
ção é possível?) Também a terapia de urina nunca impedirá o trabalho de profis-
sionais, da mesma maneira que a hidroterapia foi no passado.
Pensemos no caso das instalações sanitárias que, como assinala Are Waer-
land, foi introduzida por leigos “ante as dentadas da hostilidade apaixonada da
profissão médica, que via seus interesses ameaçados”. Porém, as instalações sa-
nitárias não são contrárias à criação de trabalho, e hoje em dia os médicos estão
a seu favor com a mesma paixão que em outro tempo estiveram contra. Na rea-
lidade todas as reformas e mudanças ameaçam interesses, porém, no final as
78
coisas se ajustam. Todavia, depois de ter dito tudo isto, é justo que os interesses
criados interfiram no bem-estar das pessoas? Se pudesse pensar honestamente
que os diversos aparelhos, criadores de benefícios econômicos, que estão hoje
em dia no mercado, foram realmente um meio de manter a saúde, em lugar de
meros paliativos, com frequência enganosos, seria o primeiro a elogiá-los. Ain-
da mais, que interesse vou ter em desprestigiá-los, visto que não tenho nada
para vender?
A grande vantagem da terapia de urina é que não custa nada e pode ser
utilizada igualmente tanto pelos pobres quanto pelos ricos. Grande número de
pessoas sem dinheiro estão se tratando agora com esta terapia em suas próprias
casas, com a amável assistência de parentes que lhes aplicam as massagens, e o
tratamento não custa nada. Por outro lado, se houvesse clínicas em que se prati-
casse a terapia de urina, inclusive supervisionadas por médicos, seriam de gran-
de conveniência para aqueles que pudessem permitir-se frequentar tais institui-
ções.

79
CAPÍTULO 20
O HOMEM: O MISTERIOSO

Um sábio doutor, porém modesto, disse-me um dia: “Para dizer a verda-


de, nós nada sabemos”. Sinto-me inclinado a repetir esse sentimento, pois a ver-
dade seja dita, quanto mais descobrimos mais nos damos conta do pouco que
realmente sabemos. Em todas as épocas, apesar das filosofias, religiões e ciên-
cias, o homem continua sendo um mistério que coloca por terra, frequentemen-
te, todas as nossas teorias favoritas. Há pessoas que parecem desafiar pratica-
mente todas as regras de saúde, que fumam de manhã à noite e que vivem até
idade muito avançada, sem ter que enfrentar-se a nada mais que algum resfriado
ocasional. Há outras pessoas que se veem afligidas pela doença durante toda a
sua vida, e que, no entanto, atingem os 85 anos ou mais, dando suporte ao dita-
do que diz: “um portão enferrujado oscila por mais tempo”. Como podemos ex-
plicar estes fatos? Somente o que podemos dizer, mesmo assim com pouca con-
vicção, é que existem exceções, que confirmam a regra, o que, diga-se de passa-
gem, é um refrão bastante estúpido. Um escritor sugeriu que existem pessoas
que nascem com corpos “à prova de enganos”! Pode ser que tenha razão, po-
rém, por que nasceram assim? Os astrólogos nos dizem que o momento em que
nasce uma entidade no mundo, marca seu tipo de corpo. Alguns cientistas, que a
princípio zombavam desta ideia, estão começando a pensar que pode haver ra-
zões científicas para ela. “Que os bobos escarneçam e os filósofos investi-
guem!” Se tiverem tempo para tanto.
Também dizem os astrólogos que as pessoas nascidas em determinados
momentos do ano, são mais inclinadas a sofrer determinadas debilidades e en-
fermidades, o que se deve em grande parte a seu tipo de corpo. (Ver Man and
The Zodiac, de David Anrias. Este livro contém ilustrações dos 12 tipos diferen-
tes de corpo.) Se ele estiver certo, embora não me encontre em posição de estar
a favor ou contra, isto explicaria o motivo de que a doença, que é uma unidade,
se manifeste de maneiras tão diferentes. Diz-se, por exemplo, que os nascidos
entre 21 de março e 20 de abril, estão sujeitos a sofrer problemas relacionados
com a cabeça, rosto e cérebro, enquanto que os nascidos nos mesmos dias entre
setembro e outubro possam sofrer afecções do baixo ventre ou dos rins, ou am-
bas… desde que não tomem as medidas oportunas para evitar o problema. (Ver
Health, Diet and Commonsense, de Cyril Scott).
Concordo que isto possa parecer totalmente inverossímil, porém tenho
aprendido a não zombar daquilo que não entendo. Embora tendo mostrado a efi-
cácia da terapia de urina, para mim ela continua sendo muito misteriosa. Quan-
do me perguntam porque a urina ingerida pela boca seleciona especialmente os
órgãos que requerem reconstrução, não posso oferecer explicação mais racional

80
que a do médico que nos diz que determinados remédios afetam certos órgãos.
Nem todos os médicos estão de acordo com isto, pois um médico disse em mi-
nha presença, que deixou a faculdade com sessenta remédios para cada doença,
porém, nos dez primeiros anos de prática tinha descoberto que havia sessenta ou
mais enfermidades que se ajustavam a seus remédios, porém não havia curas!
Foi o mesmo médico que me disse que as pessoas que não seguiam tratamento
eram as que mais tempo viviam e as que menos sofriam, de onde se pode dedu-
zir que a maioria das pessoas morrem por causa do médico e não pela enfermi-
dade! Este médico digno era um homem sincero. Porém, não teria de ter admiti-
do isto se tivesse utilizado a terapia de urina, no lugar dos seus sessenta medica-
mentos.
A vantagem da terapia de urina é sua extrema simplicidade, como qual-
quer um pode facilmente comprovar. Não é específica para uma dada enfermi-
dade, é específica para a saúde. Também é profilático contra uma série de mo-
léstias “menores”, que por sua insignificância não são menos molestas. Não
exagero ao dizer que atualmente existem milhares de pessoas na Europa e
América, que sabem por experiência própria que não há nada que se iguale à
urina, especialmente à urina velha, para as mãos rachadas, pústulas, picadas de
insetos, feridas, como proteção contra erupções, pés suarentos, perda de cabelo,
caspa e muitas afecções desagradáveis. Fazendo gargarejos com urina fresca
cura-se e previne a afonia e bebendo a própria urina todos os dias se previne a
obstrução do fluxo urinário. Também facilita a evacuação. E este remédio não
custa absolutamente nada, exceto no início, um pouco de autodisciplina para su-
perar o que parece ser uma ideia “desagradável”.
Aqueles que leram o conhecido livro Mother India se recordarão de algu-
mas passagens dedicadas aos “costumes sujos”, dos povos nativos. Assinalava a
autora que entre as “superstições” curativas, estava a crença de que as águas de
uma parte de um famoso rio da metade setentrional da Índia, possuem proprie-
dades curativas. As pessoas se banham ali e bebem a água. Perguntando-se se
havia algo mais que a fé nas curas realizadas, a autora mandou amostras dessa
água para serem analisadas na Europa. O líquido curativo não era nada mais
que uma solução diluída de urina e água.
E com este surpreendente desfecho termino este capítulo.

81
CAPÍTULO 21
REFLEXÕES A MODO DE CONCLUSÃO

Parece desnecessário aumentar o volume deste livro. Se o êxito no trata-


mento de muitos milhares de casos de grande variedade de enfermidades, inclu-
indo boa porcentagem das doenças chamadas incuráveis, não mostra a eficácia
da terapia de urina, então nada poderá prová-lo. Por outro lado, temos verifica-
do que muitos dos pacientes já tinham experimentado, sem êxito, outros méto-
dos, tanto ortodoxos como heterodoxos. Com isto não quero dizer que a terapia
possa curar, sem exceção, todos os pacientes de todas as condições de enfermi-
dade. As condições artríticas graves têm mostrado muita dificuldade de cura, e
muitos casos de diabetes não responderam em absoluto ao tratamento.
Por outro lado, o que pode parecer estranho, os crescimentos e tumores ti-
dos como cancerosos, e também as cataratas, têm respondido rapidamente.
Quanto a pacientes que poderiam ter sido salvos pela terapia de urina, e não o
foram, provavelmente levam a grandes dramas. Tratam-se principalmente de ca-
sos em que tenho dispensado minha ajuda, não porque considerasse sem espe-
rança tais casos, mas porque tinha receio da interferência de parentes bem-
intencionados e tímidos, em um momento vital em que esta interferência pode-
ria ser fatal, de modo que eles e eu, nos víssemos enfrentando uma investigação
processual. Em resumo, não tenho corrido riscos, pois só os médicos qualifica-
dos podem correr riscos, sem colocar em perigo eles mesmos. Dito de outro
modo, aos médicos lhes é permitido experimentar em seus pacientes, tanto me-
dicamentos como o bisturi, e se o paciente morrer, tanto pior para os familiares,
enquanto o médico leva a fama de ter feito tudo o que podia, num caso sem es-
perança. Talvez haja quem argumente que o profano que tenha encontrado cura
eficaz das enfermidades, deveria estudar para qualificar-se como médico orto-
doxo pelo menos no nome, se não de fato. Porém, como alguém com pretensões
de honradez, vai-se pôr a estudar um sistema de medicina no qual não acredita e
considera como ameaça à saúde? E por que motivo? Simplesmente para poder
diagnosticar um dado número de enfermidades e designá-las com nomes polis-
silábicos? E acreditando, como é o caso da terapia de urina, que o nome da en-
fermidade não tem relação alguma com a escolha do tratamento? Para que? Es-
tou convencido de que a necessidade de diagnose correta antes de decidir o tipo
de tratamento é uma das limitações da alopatia.
Por exemplo, se uma mulher tem um crescimento no seio, primeiro o
médico quer determinar se é maligno ou “benigno”. Porém, para o tratamento
de urina esta questão não tem a menor importância, pois como temos verificado
o tratamento de todas as enfermidades se realiza praticamente com o mesmo
procedimento, visto que o paciente tem em si mesmo o “líquido mágico” que

82
cura suas enfermidades, e o único pré-requisito consiste em abster-se de ingerir
alimentos (como fazem os animais) para dar à natureza a oportunidade de fazer
o trabalho. E ela o fará à sua própria maneira sempre que não tenha interferên-
cias. Isto tenho observado muitas vezes a respeito do movimento intestinal du-
rante o jejum de urina e água. Enquanto o naturopata “ortodoxo” acredita ser
necessário ajudar os intestinos com enemas durante o jejum com água e sucos
de frutas (política errada), por nenhum motivo se deve recorrer a essas medidas
durante o jejum à base de urina e água, pois deve-se deixar que a natureza de-
termine quando tem de mover os intestinos. O que se deve recordar é que du-
rante o jejum, a urina, tomada por via bucal, cura, reconstitui e recondiciona os
órgãos vitais, incluindo os intestinos, e enquanto está ocorrendo o processo, os
intestinos costumam parecer estar dormindo e cair em estado de inatividade tal,
que nos casos graves pode durar até 19 dias. Porém, esta inatividade é uma van-
tagem, especialmente para os pacientes de hemorroidas, pois ela lhes dá possi-
bilidade de cura. Portanto, a natureza, se deixada sozinha, realiza seu trabalho, à
sua maneira, desde que tenhamos fé em confiar nela, embora a princípio não
possamos entender seus mistérios.
Verdadeiramente, os caminhos da natureza não são os nossos, e ela desa-
fia e contradiz toda superstição e toda crença, prática e dogma ortodoxos.

83
CAPÍTULO 22
PARA ONDE VAI A MEDICINA?

Como já tenho comentado em outro lugar, quem faz uma descoberta útil
tem um dever a cumprir, que é o de entregar essa descoberta ao mundo. Porém,
ainda tem outro dever, que é de alertar o mundo contra aquilo que descobriu
que é nocivo. Tanto os “peixes grandes” como os “peixes menores” da própria
profissão médica, assim o têm feito em suas reuniões da fraternidade e nas pu-
blicações periódicas e livros, que em grande parte o público não lê. Ocasional-
mente, todavia, um cirurgião ou um médico, escrevem um livro que não é diri-
gido exclusivamente à profissão. Um destes livros, que contém “verdades evi-
dentes”, é Man the unknown, do estado-unidense Alexis Carrel.
Vivemos uma época em que os soros e vacinas se converteram em moda
muito lucrativa, lucrativa para os fabricantes e vendedores, também uma época
de especialismo, apesar do que têm dito muitos médicos a respeito de seus peri-
gos. Sobre isto Dr. Carrel escreveu: “A especialização extrema dos médicos tem
causado muitos males. Quando um especialista desde o início de sua carreira se
limita a uma pequena parte do corpo, seu conhecimento do resto do corpo é tão
rudimentar, que é incapaz de entender completamente a parte na qual se especi-
aliza.” Também escreveu Dr. K. T. Morris: “O paciente que vai a um especialis-
ta por sua própria responsabilidade… está saltando da frigideira ao fogo”. (Ver
Fifty Years a Surgeon.) Ainda podemos citar Dr. W. H. Hay da famosa “Hay
Diet”. Ele diz com relação aos especialistas: “Cada um vê em seu paciente o
que mais deseja ver, encontra aquilo que lhe ensinaram a encontrar, e a menos
que seja super-homem isto é tudo que se pode esperar.” (Ver New Era of Heal-
th).
As advertências contra a especialização não se dão somente no Ocidente.
Dr. B. Bhattacharyya, de Baroda, Índia, depois de afirmar em um artigo, que os
especialistas enquanto classe, têm se convertido em ameaça à saúde pública, es-
crevia: “Dirigir-se a um especialista e estudá-lo em relação com o órgão no qual
se especializou provocará a hilaridade até mesmo dos deuses.” Posso citar, fi-
nalmente, Lord Horder, que declarou numa conferência pronunciada nos Esta-
dos Unidos: “A extensão da especialização e o incremento dos interesses do pú-
blico para os estudos médicos se combinaram para estreitar a função do médico
de clínica geral, o qual é ou deveria ser, o clínico geral por excelência. Conside-
ro isto tão perigoso para o público, como o seria para os passageiros de um bar-
co, o capitão abandonar a ponte de comando… e colocar em seu lugar o opera-
dor de rádio.” São palavras fortes. E não há palavras tão enérgicas como as que
têm utilizado muitos médicos, em relação aos perigos da terapia do soro, rádio
ou da desnecessária interferência do bisturi. E isto não é tudo, pois encontramos

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que as estatísticas não podem nem ser confiáveis ao fornecer os fatos reais. Em
um panfleto publicado para uso oficial do Ministério da Saúde, o Dr. Copeman,
um de seus funcionários, dá o exemplo de grande instituição londinense, aonde
se haviam notificado 107 casos como de difteria, dos quais 100 não tinham pra-
ticamente nada a ver com esta enfermidade. De fato, encontramos médicos que
se sensibilizam tanto com o que se relaciona com sua profissão, que, às vezes,
se veem obrigados a expressar-se com termos tão fortes, que seriam considera-
dos como difamatórios se fossem pronunciados por um leigo. Como exemplo
lemos: “Na história da arte da medicina abundam tanto as práticas enganosas,
ineficazes e excêntricas, e raciocínios falazes e sofistas, que a converteram em
pouco mais do que o caos do erro, em um tecido de fraudes, que é indigna de
ser admitida entre as artes úteis e as buscas generosas da humanidade.” (Dr.
Blane).
E se tudo isto pode ser dito contra a alopatia e as práticas alopáticas, e não
são ditas por “charlatães” e marginalizados, mas por membros da própria pro-
fissão médica, parece bastante estranho, pelo menos, que a ortodoxia médica,
isto é, a alopatia, seja a única escola reconhecida pelo estado, enquanto que es-
colas como a osteopatia, o herbalismo, a homeopatia, a naturopatia e o sistema
bioquímico da medicina, são consideradas indignas do reconhecimento oficial,
quando não são etiquetadas inclusive de charlatanismo. Tanto os osteopatas,
como os bioquímicos e os homeopatas, (ver Ellis Barker, Miracles of Healing)
parecem ter curado, somente neste país, centenas de pacientes que haviam bus-
cado, em vão, alívio nas mãos dos alopatas. Dr. Routh, alópata, nada suspeito,
portanto, de tendência a favor da homeopatia, publicou no final do século pas-
sado, alguns diagramas que mostravam que o número de mortes em hospitais,
com tratamento homeopático, era menor do que os mortos com tratamento alo-
pático. Posteriormente, diagramas publicados em 1910, mostravam que a taxa
média de mortalidade com tratamento alopático, era de 9,89%, enquanto que
com tratamento homeopático era somente 5,01%. Por outro lado, se tomarmos
separadamente algumas enfermidades, encontramos que durante o período de
32 anos, a taxa de mortes por pneumonia, com tratamento alopático, foi de
29,5%, e somente de 3,9% com tratamento homeopático. Enquanto à difteria,
tratada com antitoxinas, a taxa média foi de 16,1% frente a 4,5% nos casos tra-
tados homeopaticamente sem antitoxinas. As cifras de 100 anos referentes à có-
lera dão uma taxa de mortalidade de 49,57% com tratamento alopático, e so-
mente 16,33% com tratamento homeopático. (Ver Homeopathy in Practice, do
Dr. Voorhoeve). A propósito da cólera, o finado Dr. McCloughlin, inspetor
médico (não homeopata) escreveu que, depois do número de curas de casos au-
tênticos de cólera asiática que tinha presenciado — casos que não haviam res-
pondido ao tratamento alopático —, se ele próprio fosse contagiado com a cóle-
ra, se trataria antes nas mãos de um homeopata do que nas de um médico alopa-
ta. Quando, no século passado, houve uma grande epidemia de cólera no conti-
nente europeu, um homeopata de Nápoles, chamado D. Rubini, tratou nada me-

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nos do que 285 casos sem haver uma única morte entre eles. (Citado em Health
Practitioners Journal, março de 1944.)
Tenho chamado a atenção sobre estes fatos e cifras, que datam de alguns
anos, porque foi depois, e não antes, de que a homeopatia se mostrasse mais efi-
ciente (ou em qualquer caso menos nociva) que a alopatia, que se fez na Ingla-
terra a tentativa de proibi-la totalmente. No entanto, por sorte dos homeopatas e
seus pacientes, o decreto não foi à frente. Todavia, em si mesma esta tentativa é
bastante significativa. E se alguém acredita ou não por si mesmo, na homeopa-
tia, esta tentativa dá às pessoas inteligentes, motivo de séria reflexão. Então se
coloca a seguinte questão: Se a homeopatia evita mais mortes que a alopatia,
por que não é a Escola Médica Estatal, da mesma maneira que a Igreja da Ingla-
terra é a Igreja Estatal? Foram feitas várias sugestões como resposta. Uma delas
é que a medicina homeopática é muito barata. Outra é que o homeopata requer
poucas vezes, ou nenhuma, dos serviços dos ajudantes da diagnose, da qual o
alopata tem que recorrer, hoje em dia. Tudo isto traz como consequência, que
com o tratamento homeopático se gasta, por paciente, menos dinheiro que com
o alopático. Por outro lado, os homeopatas não exigem medidas “preventivas”
em grande escala. Eles não dizem: “Como qualquer um pode ter a possibilidade
de contrair varíola, difteria, febres tifoides, tétanos, escarlatina ou qualquer en-
fermidade, deve tomar profiláticos homeopáticos contra uma ou todas estas en-
fermidades”, pois os homeopatas sabem que a melhor prevenção contra todas
estas enfermidades é ter o corpo saudável. Além disso, haverá tempo bastante
para falar sobre profilaxia quando as pessoas já tenham estado em estreito con-
tato com a varíola ou qualquer outra enfermidade. Portanto, se a homeopatia se
tornasse o Credo Médico do Estado, os fabricantes de soros, já não poderiam
comprar um cavalo velho por dezoito libras e obter milhares de libras de lucro à
custa do pobre animal.
E onde terminará tudo isto? Tudo começou com a vacina da varíola, e en-
tão, vacinas contra outras enfermidades foram incentivadas, e vai se continuar
até se promover “preventivos” para todo tipo imaginável de doenças. Porém,
não se leva em conta, qual será o estado do sangue humano depois de que se te-
nham inoculado todos estes venenos. Senhor Almroth Wright, pilar da profissão
médica ortodoxa, afirmava que toda “crença na terapia de soros se apoia em ali-
cerces de areia”. O Dr. Benchetrit chegava inclusive a dizer que considerava
que as vacinas e os soros eram os principais causadores do aumento dessas duas
enfermidades realmente perigosas, o câncer e a doença cardíaca. E logo acres-
centava: “Tenho sido serólogo durante muito tempo, e sei o que estou falando”.
E Dr. Beddow Bayly escreveu: “É tão grande a veneração quase mística da
ciência médica aos soros antitóxicos, e tão poderosos os interesses comerciais
que se beneficiam de seu uso generalizado, que se chegou a considerar como vi-
olação da etiqueta médica, criticar adversamente esta forma de tratamento, ou
informar dos seus resultados desfavoráveis.” O que os aduladores do tratamento
de vacinas omitem mencionar quando afirmam triunfalmente que a varíola foi
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erradicada de praticamente todo o mundo ocidental, com estes meios, é que a
varíola é enfermidade propagada pela sujeira, e que a ciência da higiene teve
grandes progresso desde a época em que esta enfermidade era predominante.
Mesmo assim, o importante Dr. Sydenham, que ridicularizava a vacinação, di-
zia que a varíola é enfermidade simples de curar, desde que o paciente fosse
bem atendido.
À vista de tudo isto podemos perguntar: Para onde vai a medicina? Vai a
lei obrigar as pessoas a submeterem-se às supostas vacinações, contra esta ou
aquela enfermidade, quando os próprios médicos não estão de acordo em que
estas medidas sejam corretas, ou não se atrevem a estar de acordo em que estão
erradas? E supondo que a imunização não chegue a ser realmente obrigatória,
ela não impedirá que as autoridades advirtam persuasivamente ao público ino-
cente dos “perigos” de não se submeter a ela. Houve um tempo em que a igreja
persuadiu ao povo inocente de que se não a reverenciassem arderiam no inferno
por toda a eternidade! Porém, ainda que a autocracia do clero seja, mais ou me-
nos, coisa do passado, a menos que afirmemos com força nossos direitos demo-
cráticos, podemos enfrentar uma forma todavia pior de autocracia, a que leva o
nome de ciência. E digo, a propósito, “a que leva o nome”, pois a ciência verda-
deira trata de entender as leis da natureza, a falsa ciência trata de melhorar a na-
tureza, supondo que o homem é mais do que a Dama Natureza. Deste modo se
interfere não somente no nosso solo, mas também no corpo humano. Os cirurgi-
ões dogmáticos têm afirmado que as amígdalas, o apêndice e inclusive a vesícu-
la biliar são órgãos inúteis, e portanto devem ser extirpados para que não fi-
quem doentes! Fazendo uma comparação, faz pouco tempo que os “cientistas”
médicos diziam-nos que a glândula pineal e a pituitária eram também órgãos
inúteis… simplesmente porque não tinham encontrado motivo especial para sua
existência no cérebro humano. Para sorte do homem não era possível extirpá-las
com o bisturi sem matar o paciente!
Todavia, são os médicos totalmente culpados pelo atual estado das coisas?
Certamente grande número de médicos se encontram em posição difícil, pois
muitos deles admitem que não acreditam na prática de entupir os pacientes de
“pílulas e poções”. Porém as pessoas estão tão influenciadas pelas modas e ca-
prichos predominantes, que as pessoas ignorantes exigem “o último tratamento”
aos médicos, que talvez nem eles mesmos acreditam nele. Quanto aos membros
das classes baixas, quando o médico não lhes dá um frasco medicinal, pensam
que não estão recebendo o que seu dinheiro merece. No que diz respeito às ope-
rações, não se pode negar que, apesar das dores e moléstias que acarretam, mui-
tas pessoas desfrutam realmente com elas, pois representam a oportunidade de
dramatização. Afirmo, todavia, que o desejo de ser mimado e provocar lástima
é, em si mesmo, sinal de morbidez, e denota, portanto, ausência de saúde. Inclu-
sive chego a dizer que a maioria dos problemas do mundo devem-se direta ou
indiretamente à mesma causa. E não excluo nem as guerras, por exagerado que

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possa parecer. Os homens que fomentam as guerras, ou são diretamente respon-
sáveis por elas, não são seres humanos normais e saudáveis.
Júlio César era epiléptico, Napoleão morreu de câncer de estômago, e Hi-
tler apresenta neurastenia do tipo mais pronunciado. Goebbels, com seu pé tor-
to, pode ser considerado como degenerado, e o obeso Göring foi durante certo
tempo dependente de drogas. Mussolini também era doente, afligido de algum
problema interno crônico, que os médicos não ousavam operar. Quanto ao fale-
cido Kaiser Guilherme também era anormal, e tinha nascido com uma deformi-
dade física.
Somente as almas muito avançadas podem mostrar equilíbrio mental, ape-
sar de suas incapacidades físicas, e comparativamente, estas almas são poucas e
afastadas entre si.
Mas minha principal argumentação é que quando os seres humanos têm
cem por cento de saúde autêntica, ou até um pouco a menos, sentem-se em paz
com todo o mundo, e não manifestam desejos de massacrar ou perseguir seus
companheiros, ou de se exaltarem acima dos outros. Pois a saúde não significa
somente a felicidade interior, senão, consequentemente, o sentimento de conten-
tamento com a própria sorte, e a ausência de ambições fantásticas, como as que
têm sofrido os líderes que se designaram a si mesmos… e a que custo para a hu-
manidade! Tenho todas as razões para crer que esse cem por cento de saúde é
alcançável. Porém, o ponto crucial não é o que a gente pode fazer por esse dese-
jo, senão o que fará. Antes de que possa haver bem-estar para todos, será neces-
sário grande reforma dos costumes predominantes, assim como dos métodos de
instruir as massas, a respeito do modo de ser e permanecer bem. Quanto aos
próprios reformadores, serão considerados “pirados” em troca de seus esforços.
Porém nunca devemos nos esquecer de que o “pirado” de uma geração frequen-
temente se converte em sábio na geração seguinte.
Até mesmo os remédios das velhas se justificam quando os pesquisadores
encontram algum método científico de explicá-los, do mesmo modo que os ci-
entistas têm encontrado um método científico de explicar a necessidade de inge-
rir certa quantidade de elementos vitais, chamados vitaminas.
Evidentemente, é de se esperar que eu seja rotulado de louco, e se a pro-
fissão médica concordar em prestar alguma atenção a esta exposição da terapia
de urina, provavelmente será para opor-lhe todo tipo de argumentos teóricos.
Porém, haverá um único desses críticos capaz de confirmar sua condenação te-
órica, dizendo sinceramente que tem experimentado o método durante um longo
período de anos, e o achou deficiente? Penso que não haverá nenhum que assim
o faça; pois já tenho deixado de ser o único praticante da terapia de urina, de
acordo com o método aqui descrito, e os outros praticantes afirmam achá-la tão
eficaz como eu a tenho achado.

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