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Na obra O Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago cria um verdadeiro triângulo

amoroso, que culmina num final infeliz. Escreva uma breve exposição sobre esta triangulação
amorosa infeliz, referindo dois aspetos que a confirmem. A sua exposição deve incluir: • uma
introdução ao tema; • um desenvolvimento no qual explicite os citados aspetos,
fundamentando-os com, pelo menos, um exemplo significativo; • uma conclusão adequada ao
desenvolvimento do tema

Em O Ano da Morte de Ricardo Reis é indubitável o desenho narrativo de um triângulo


amoroso composto pelo próprio Ricardo Reis, por Lídia, a criada de hotel, e Marcenda, a filha
do hóspede do hotel. Existem dois aspetos de que nos podemos socorrer para o confirmar:
tendo conhecido primeiramente Lídia, Ricardo Reis encetou uma relação amorosa com ela
durante o tempo que permaneceu no hotel Bragança e depois continuou essa relação na sua
casa do Alto de Santa Catarina. Ainda assim, foi atraído pelo mistério e beleza de Marcenda,
quando ainda era hóspede no hotel Bragança, envolvendo-se emocionalmente com ela, o que
o levou a procurá-la, levando-o a por exemplo na viagem a Fátima, ou a escrever-lhe cartas. O
resultado desta triangulação não foi feliz porque Lídia desapareceu (depois da morte do irmão)
e Marcenda terminou tudo, voltando à pacatez da sua vida na província. Quanto a Reis, foi
fazer companhia ao defunto Fernando Pessoa, no fim dos seus nove meses de existência pós-
morte. Desta teia complicada de relações que foram sendo criadas entre as personagens,
nenhuma das relações sobreviveu, culminando esta ação com a «partida» de Ricardo Reis.

Em O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago, existe uma relação de


intertextualidade com a poesia de Cesário Verde. Escreva uma breve exposição sobre a
referida intertextualidade Saramago / Cesário, referindo duas características que a confirmem.
A sua exposição deve incluir: • uma introdução ao tema; • um desenvolvimento no qual
explicite as referidas características, fundamentando-as com, pelo menos, um exemplo
significativo; • uma conclusão adequada ao desenvolvimento do tema

A intertextualidade entre este romance e a poesia realista de Cesário Verde é inquestionável.


Por um lado, os dois optam pela deambulação pela cidade de Lisboa. Cesário fá-lo enquanto
caminha para o trabalho, por exemplo «Num Bairro Moderno», e Saramago porque escolhe
um protagonista – Ricardo Reis – que passeia assiduamente pelas ruas da capital portuguesa.
No caso deste último, por exemplo, quando sai em direção ao Cemitério dos Prazeres ou
quando procura casa própria ou o consultório. Por outro lado, cada um dos dois autores
observa criticamente o que vai vendo: Cesário denuncia os assalariados operários (calceteiros,
vendedoras de rua, engomadeiras tísicas, entre outros); Saramago (por Ricardo Reis) descreve
a miséria de um «Bodo do Século» ou ainda a sujidade das ruas povoadas de pobres e sem
condições de higiene dignas. Podemos concluir que, anos volvidos entre a escrita de cada um,
os dois escritores comungam de uma mesma visão sobre a cidade de Lisboa.
O ditado popular «De poeta e de louco todos temos um pouco» ainda se adapta plenamente
ao ser humano do século XXI. Num texto bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um
máximo de trezentas palavras, defenda um ponto de vista pessoal sobre a ideia apresentada.
Fundamente o seu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos, e ilustre cada
um deles com, pelo menos, um exemplo significativo

Penso que a frase popular «De poeta e de louco todos temos um pouco» descreve boa parte
do ser humano de qualquer geração. Atentemos no «poeta» e no «louco». Florbela Espanca
descreveu o «ser poeta» como «ser mais alto», ora isto implica uma visão abrangente da vida
e do mundo, um sentir mais sensível e atento aos pormenores que nos rodeiam. E isso revela-
se, quer oralmente, quer por escrito, nos reconhecidos poetas, mas, muitas vezes, em pessoas
(e inclusivamente nós mesmos) de quem não esperávamos certas efabulações, certo alcance
imaginativo, certa criatividade e sensibilidade. Todos nós já fomos a festas de família, a
cerimónias mais ou menos formais, a encontros de amigos, a convívios de natureza variada. Eis
que, de repente, surge alguém, do fundo da sua timidez ou da sua falta de escolaridade, e nos
presenteia com quadras e rimas várias, povoadas de cómico, de sentimentalismo, de alegria ou
de dor, de recordação ou de louvor. Note-se que, se algumas destas composições orais ou
escritas se desenham ao jeito das quadras dos santos populares, outras são de temáticas bem
profundas, levando-nos ao recolhimento e à reflexão – a fazer relativizar grandes poetas
clássicos ou modernos. «Ser louco» não significa, em minha opinião, ser demente ou lunático,
mas sim tomar atitudes mais libertas de formalidade e movidas pelo coração ou pela vontade
do momento, em desfavor da razão. Posto isto, «ser humano» não é só «ser racional», é ter
visão de artista e dar asas à imaginação para que conduza a razão. Bem hajam a poesia e a
loucura