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Biologia

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Unidade 0 - Diversidade da Biosfera

Ser vivo: ser que utiliza energia e matéria do meio, necessárias à sua manutenção e
crescimento, reage a alterações do meio, reproduz-se e tem constituição celular.
Características que definem um ser vivo: nascem, reproduzem-se, morrem, reagem a
estímulos, mantêm o seu meio interno relativamente constante, interagem com o meio e têm
constituição celular (podendo ser unicelulares ou multicelulares).

As relações tróficas estão na base da evolução dos ecossistemas.

Existe um ciclo constante de matéria entre os componentes bióticos e abióticos dos


ecossistemas.

A energia é transferida segundo um fluxo unidireccional, não voltando a entrar nos
componentes bióticos.

Organização biológica
Na natureza, os sistemas biológicos estão organizados de uma forma hierárquica.

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Células idênticas Tecidos
e com funções
semelhantes
Órgãos Diferentes grupos de
tecidos associam-se

Sistemas de
Cooperando entre si
órgãos

Organismo

1. Átomo – unidade fundamental de toda a matéria.


2. Molécula – estrutura de átomos.
3. Célula – unidade básica da vida.
4. Tecido – conjunto de células semelhantes, interdependentes, que realizam uma ou mais
funções no organismo.
5. Órgão – conjunto de tecidos que interactuam, realizando uma ou mais funções no
organismo.
6. Sistema de órgãos – grupo de órgãos que, em conjunto, realizam determinadas funções no
organismo.
7. Organismo – grupo de vários sistemas de órgãos interdependentes, que funcionam como
um todo.

Visto que a organização hierárquica dos sistemas vivos se estabelece para além do organismo:
- Os organismos idênticos também são capazes de se cruzar entre si, originando descendentes
férteis. Pertencem à mesma espécie.

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- Seres vivos que pertençam à mesma espécie e que habitem uma determinada área num
determinado momento formam uma população.

- Indivíduos de espécies diferentes (animais e vegetais) que habitam uma mesma área e
estabelecem relações entre si, formam uma comunidade biótica (ou biocenose).

-O conjunto da comunidade biótica, do ambiente físico e químico e as relações que


estabelecem entre si formam um ecossistema.

Num ecossistema temos os componentes abióticos e


componentes bióticos. Nos componentes
abióticos podemos referir: a água, a luz do
sol ao até o PH e o solo. Nos componentes
bióticos falamos sobre: os seres vivos e as
suas relações inter- e intraespecíficas.

Dinâmica dos ecossistemas


Os seres vivos de um ecossistema estabelecem
relações tróficas, que envolvem transferências
de matéria e energia. Estas relações constituem

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as cadeias alimentares. Deste modo, uma cadeia alimentar é uma sequência de vários seres
vivos que se relacionam a nível alimentar.
As cadeias alimentares inter-relacionam-se, formando as redes tróficas.
Nas redes tróficas, existem três categorias de seres vivos, de acordo com o modo de obtenção
do alimento

Seres vivos

Produtores (autróficos) Decompositores


Consumidores (hetertróficos)
Seres que transformam matéria Transformam a matéria
inorgânica em matéria orgânica, orgânica em matéria inorgânica,
Seres incapazes de produzir compostos
utilizando um fonte de energia assegurando a devolução dos
orgânicos. Assim alimentam-se da matéria
externa. minerais ao meio (digestão por
fabricada pelos outros seres vivos (direta ou
absorção).
indiretamente)

Conservação e extinção

A história da vida é marcada pela No entanto, o homem tem contribuído


extinção e pelo surgimento de um para aumentar a taxa de extinção de
grande número de espécies. várias espécies.

A conservação de espécies e do meio


ambiente está dependente da ação
humana

A conservação de espécies e do meio


ambiente está dependente da ação
humana

A extinção das espécies poderá ocorrer devido à ação direta ou indireta do Homem,
alguns exemplos são:
A sobre-exploração;
A introdução de predadores ou de doenças;
As alterações climáticas;
A destruição de habitats.

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O Homem depende de outras espécies para sobreviver, logo, a extinção destas é um
assunto preocupante.
Reconhecer que os processos que ocorrem nos ecossistemas são responsáveis por muitos
outros benefícios para a Humanidade, como:
A manutenção da fertilidade dos solos;
A prevenção da erosão dos solos;
O tratamento e a reciclagem de produtos residuais;
A regulação do ciclo da água e da composição da atmosfera;
O controlo de pragas na agricultura;
A polinização.

SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO DE WHITTAKER


Em 1969, Whittaker propôs a divisão dos seres vivos em cindo reinos. O sistema de
classificação de Whittaker tem subjacentes três critérios:
 Nível de organização celular – diferencia as células procarióticas das eucarióticas e a
unicelularidade da multicelularidade.
 Modo de nutrição – baseia-se no modo como o organismo obtém o alimento.
 Interações nos ecossistemas – diz respeito às relações alimentares que o organismo
estabelece com os restantes organismos no ecossistema. Deste modo, os organismos podem
ser classificados como: produtores, macroconsumidores ou microconsumidores.

Características dos Reinos

Reinos Monera Protista Fungi Animalia Plantae

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Tipo Eucariótica, Eucatiótica e Eucariótica com
de Procariótica Eucariótica com parede ausência de parede celular
célula celular parede celular

Organização Unicelulares Unicelulares Multicelular Multicelulares Multicelulares


celular ou
multicelulares
Autotróficos Autotróficos
Modo (fotossíntese e (fotossíntese)
quimiossíntese) ou Heterotróficos Heterotróficos Autotróficos
de nutrição ou heterotróficos (absorção) (ingestão) (fotossíntese)
heterotróficos (absorção ou
(absorção) ingestão)

Produtores ou Produtores,
Interações Microconsumido microconsumid Microconsumido Macroconsumid
nos res ores ou res ores Produtores
ecossistemas macroconsumi
dores

Algas Bolores Água Musgo


Exemplo Bactérias Cogumelos Cão Fetos
Paramécias Leveduras Tubarão Plantas com flor

Classificação de Whittaker

Célula

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Teoria celular
-A célula é a unidade básica de estrutura e função de todos os seres vivos.
-Todas as células provêm de outras células.
-A célula é a unidade de reprodução, de desenvolvimento e de hereditariedade de todos os
seres vivos.

Organização celular :
- Os organismos unicelulares, compostos por uma única célula, capaz de realizar todas as
funções vitais;
- organismos multicelulares são constituídos por várias células, organizadas em tecidos
diferenciados e especializados em diversas funções.
Todas as células são constituídas por organitos. Pensa-se que as células eucarióticas (núcleo
organizado e delimitado por um invólucro) evoluíram das células procarióticas.
CÉLULA

Diversidade morfológica

Célula procariótica Célula eucariótica

Simples Complexa
Bactérias e cianobactérias Restantes seres vivos

As células podem, ser classificadas devido a sua estrutura em:

- procarióticas as mais pequenas e mais simples;

- eucarióticas as mais complexas.

Células procarióticas: não apresentam um núcleo individualizado e perfeitamente


organizado.

Células eucarióticas: núcleo organizado, individualizado e


delimitado pela membrana nuclear.

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Células eucarióticas animais vs vegetais: enquanto que as células vegetais possuem parede
celular, plastos (cloroplastos, entre outros) e vacúolos que vão aumentando com a idade, as
células animais não têm plastos nem parede celular e os seus vacúolos (quando pouco
desenvolvidos.

Fig. Célula eucariótica animal Fig. – Célula eucariótica vegetal

Comparação
Células Eucarióticas vegetais Células eucarióticas animais

- Possuem parede celular - Não possuem parede celular

- Geralmente possuem vacúolos de grandes - Possuem vacúolos digestivos


dimensões (vacúolos hídricos)
- Possuem lisossomas
- Possuem cloroplastos
- Possuem centríolos

- Não possuem cloroplastos

Células Procarióticas Células Eucarióticas

- Células simples e de menores dimensões - Células complexas e de maiores dimensões

- Não possuem membrana celular - Possuem um núcleo individualizado por


uma membrana nuclear
- Não possuem organelos constituídos por
membranas - Possuem organelos constituídos por
membranas
O flagelo não se encontra rodeado pela
membrana plasmática - O flagelo encontra-se rodeado pela
membrana plasmática

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Constituintes celulares – Funções
Membrana celular (membrana plasmática) – constituinte celular que regular as trocas
entre o meio intracelular e o meio extracelular.

Citoplasma – constituinte celular onde se encontram vários organelos responsáveis por


diversas actividades celulares. O citoplasma apresenta uma massa semifluida, aparentemente
homogénea, onde se podem observar diversas estruturas, o hialoplasma.

Mitocôndrias – organelo celular onde ocorrem importantes fenómenos de respiração


aeróbia, constituindo locais de intensa produção de ATP (energia).

Complexo de Golgi – conjunto de sáculos achatados associado a vesículas esféricas.


Armazena substâncias de secreção.

Lisossomas – pequenas vesículas esféricas que se destacam do complexo de Golgi e onde


se acumulam enzimas digestivas.

Retículo endoplasmático – é uma via de comunicação das células. É constituído por uma
extensa rede de sáculos achatados e de vesículas, distribuídos no hialoplasma. São os “canais
de circulação” das células.

o Retículo endoplasmático rugoso: tem ribossomas síntese proteica.


o Retículo endoplasmático liso: não tem ribossomas → Síntese de lípidos

Vacúolos – são cavidades delimitadas por uma membrana e que contêm geralmente água
com substâncias dissolvidas, absorvidas pela célula ou elaboradas por ela. Locais onde ocorre
digestão intracelular.

Inclusões

o Inclusões lipídicas: formadas por gotículas líquidas ou partículas sólidas.


o Grãos de secreção: substâncias segregadas por células glandulares e que acabam por
abandonar a célula.

Cílios e flagelos – são organelos locomotores. Quando são finos e numerosos têm o nome
de cílios, quando são longos e em pequeno número denominam-se por flagelos.

Plastos – grupo de organelos dinâmicos, que só se encontram nas células das algas e das
plantas, onde ocorrem diversos tipos de metabolismo.

o Cloroplastos: são organelos geralmente ovóides, que contêm pigmentos fotossintéticos,


nomeadamente clorofilas, daí a sua cor verde. Aparentemente os cloroplastos, quando
observados ao microscópio, deslocam-se. Na verdade é o hialoplasma que, animado de
movimentos de ciclose, arrasta passivamente os cloroplastos.

Núcleo – organelo celular que contém a informação que regula as actividades celulares.
Está delimitado por um invólucro ou membrana nuclear.

Parede celular - constituinte presente em algumas células, colocado exteriormente à


membrana celular. É de natureza celulósica, podendo ser posteriormente alterada a sua
composição.

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Constituintes básicos das células:

Compostos inorgânicos – água e sais minerais.


Compostos orgânicos – glícidos, lípidos, prótidos e ácidos nucleicos.

Compostos inorgânicos:

Água
Intervém nas reacções químicas, sendo um metabolito essencial.
Actua como meio de difusão de muitas substâncias.
Regulador de temperatura.
Intervém em reacções de hidrólise.
Excelente solvente (“solvente universal”) principal função.

Sais minerais
Existem em reduzida quantidade no organismo, podem ser solúveis
ou insolúveis na água. Quando se encontram dissolvidos na água
surgem sob a forma de iões. Têm umas funções essencialmente
estruturais e reguladora. São constituintes fundamentas de endo e
exosqueleto, constituem sistemas moderadores de pH, fazem parte da constituição de
moléculas fundamentais, como a hemoglobina e o clorofila, intervém na manutenção do
equilíbrio osmótico ao nível celular e participam em processos fundamentais no
funcionamento dos seres vivos, como, por exemplo, na transmissão nervosa, na contração
muscular e na coagulação sanguínea.

Compostos orgânicos
Os compostos orgânicos são macromoléculas (moléculas grandes e complexas). São
frequentemente polímeros, ou seja, são cadeias de unidades básicas (monómeros).
Síntese ou condensação de polímeros- Através de reacções de condensação, os
monómeros podem unir-se e formar cadeias cada vez maiores, originando polímeros. Por cada
ligação de dois monómeros que se estabelece é removida uma molécula de água.
Hidrólise de polímeros - Através de reacções de hidrólise, os monómeros podem separar-
se uns dos outros.

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– Reacções de condensação e hidrólise

Hidratos de carbono ou glícidos


Os glícidos são compostos ternários de carbono, oxigénio e hidrogénio. (COH) Existem três
grupos de glícidos:

Monossacarídeos – são as unidades estruturais dos glícidos e classificam-se segundo o


número de átomos de carbono que possuem trioses (3C),tetroses (4C), pentoses (5C) e hexose
(6C). Os de maior importância são as pentoses e as hexoses. Ex: hexose – glicose; pentoses –
desoxirribose, ribose.
- Oligossacarídeos (ligação de 2 a 10 monossacarídeos) – as moléculas de monossacarídeos
podem estabelecer ligações com outros tipos de moléculas. Se dois monossacarídeos reagem
entre si, dão origem a um dissacarídeo; se três monossacarídeos reagem entre si formam um
trissacarídeo e assim sucessivamente. A ligação entre dois monossacarídeos é chamada de
ligação glicosidica.

Polissacarídeos – são polímeros de monossacarídeos. Ex: celulose, amido ,


Glicogénio.

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Importância biológica dos glícidos

Função estrutural
Função energética (utilizados directamente em transferências energéticas)

Lípidos Os lípidos, ao nível da sua complexidade, classificam-se em:

1) Ácidos Gordos – eles podem ser saturados (ligações simples), insaturados (ligações
duplas ou triplas) ou polinsaturados (ligações duplas e triplas). São cadeias longas
hidrocarbonatadas (14 a 22 carbonos), com um grupo metilo (CH3) e outro grupo
carboxilo (COOH).
2) Lípidos Simples – têm ácidos gordos e um glicerol, com o qual formam uma ligação
éster.
OH – grupo hidroxilo
COOH – grupo carboxilo
3) Lípidos Complexos – lípidos
constituídos por ácidos
gordos, glicerol e outros
compostos não lipídicos,
nomeadamente o ácido
fosfórico. Neste caso, os
lípidos recebem o nome de
fosfolípidos.

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Fosfolípidos – têm função estrutural, principalmente ao nível das membranas. São
constituídos por carbono, oxigénio, hidrogénio, fósforo e azoto. São moléculas polares. A
parte hidrofílica é solúvel na água e constitui a zona carregada electricamente. A outra zona
é hidrofóbica, ou seja, insolúvel na água. Assim, a molécula é anfipática.

Representação de um fosfolípido.

Importância biológica dos lípidos

Reserva energética
Função estrutural (constituintes das membranas celulares)
Função protectora (Ex: ceras que tornam superfícies impermeáveis)
Função vitamínica e hormonal (há lípidos que entram na constituição de vitaminas e fazem
parte das hormonas sexuais)

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Prótidos
São compostos quaternários de carbono, oxigénio, hidrogénio e azoto, podendo conter outros
elementos. As moléculas unitárias dos prótidos são os aminoácidos. Estes podem ligar-se por
reacções de condensação dando origem a péptidos e proteínas, este tipo de ligação chama-
se peptídica.
Os aminoácidos possuem um grupo amina (NH2) e um grupo carboxilo (COOH) e hidrogénio
ligados ao mesmo carbono.

Aminoácido  Cad. Peptídica  Proteína

– Representação de um aminoácido.

Péptidos – as moléculas de aminoácidos podem reagir entre si, estabelecendo-se ligações


peptídicas. Na formação de um péptido estabelecem-se ligações entre o grupo carboxilo de
um aminoácido e o grupo amina do outro.

Proteínas – são macromoléculas de elevada massa molecular, constituídas por uma ou


mais cadeias polipeptídicas. Estão envolvidas em todos os aspectos da vida.

o Estrutura primária: há uma sequência linear de aminoácidos unidos por ligações peptídicas.

o Estrutura secundária: uma cadeia polipetídica pode enrolar-se em hélice devido à


interacção entre diversas zonas da molécula.

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o Estrutura terciária: a cadeia em hélice pode enrolar-se e dobrar-se sobre si mesma,
tornando-se globular.

o Estrutura quaternária: várias cadeias polipeptídicas globulares organizam-se,


estabelecendo interligações entre elas.

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Importância biológica das proteínas
Função estrutural (fazem parte da estrutura de todos os constituintes celulares)
Função enzimática (actuam como biocatalisadores de quase todas as reacções químicas
que ocorrem nos seres vivos)
Função de transporte
Função hormonal (muitas hormonas têm constituição proteica)
Função imunológica
Função motora (são os componentes maioritários dos músculos)
Função de reserva alimentar

Ácidos nucleicos
DNA ou ADN – ácido desoxirribonucleico
RNA ou ARN – ácido ribonucleico

Natureza química dos ácidos nucleicos


Grupo fosfato
Pentoses (desoxirribose e ribose)
Bases azotadas

DNA RNA
Ácido fosfórico Ácido fosfórico
Desoxirribose Ribose
Adenina, timina, guanina, citosina Adenina, uracilo, guanina, citosina

Unidade - 1

Obtenção de matéria pelos seres heterotróficos

Todos os seres vivos necessitam de obter nutrientes do meio ambiente. Os seres


heterotróficos, visto que não têm a capacidade de sintetizar os seus próprios compostos
orgânicos, limitam-se a absorvê-los, sejam unicelulares ou pluricelulares, e processam e
utilizam estas substâncias de forma idêntica.

Nos seres unicelulares a absorção das substâncias dá-se através da membrana celular. As
substâncias podem atravessar a membrana diretamente ou podem ser incorporadas na célula
em vesículas. Depois desta absorção, dá-se a digestão intracelular das substâncias.

Alguns seres pluricelulares pouco complexos podem absorver as substâncias do meio


diretamente para as suas células. Contudo, a maioria destes seres ingere alimentos
complexos, que necessitam de sofrer uma digestão até que se transformem em substâncias
mais simples, capazes de serem absorvidas. Após esta digestão, os nutrientes podem passar
diretamente para as células ou, como acontece nos organismos mais complexos, podem ser
transportados até às células pelo sangue ou por outros fluidos.

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Membrana Celular

Estrutura e constituição da membrana plasmática

Funções da membrana:

- Constituem verdadeiras barreiras permeáveis seletivas que controlam a passagem de iões e


de pequenas moléculas, isto é, solutos. Assim, a permeabilidade seletiva das membranas
impede a troca indiscriminada dos componentes dos organelos entre si e dos componentes
extracelulares com aqueles da célula.

- Provêm o suporte físico para a atividade ordenada das enzimas nelas contidas.

-Através da formação de pequenas vesículas transportadoras possibilitam o deslocamento de


substâncias pelo citoplasma.

- A membrana plasmática participa dos processos de endocitose e de exocitose. No primeiro,


a célula incorpora substâncias do meio externo, e no segundo realiza secreção.

- Na membrana plasmática, existem moléculas que possibilitam o reconhecimento e a adesão


entre si e com os componentes da matriz extracelular.

- A membrana plasmática possui recetores que interagem especificamente com moléculas


provenientes do meio externo, como hormonas, neurotransmissores, fatores de crescimento e
outros indutores químicos. A partir de tais recetores, são desencadeados sinais que são
transmitidos pelo interior da célula, cujas primeiras reações ocorrem próximas ao recetor, em
geral na própria membrana plasmática.

Evolução do modelo da teoria da membrana celular

Modelo de Langmuir (1917) - Previu que seria constituída por uma camada de fosfolípidos,
com uma extremidade voltada para a água e a outra para o ar.

Gorter e Grendel (1925) - Extraíram lípidos das membranas dos glóbulos vermelhos e
concluíram que existiam lípidos suficientes para formar uma bicamada lipídica, sendo que as
extremidades hidrofóbicas ficaria viradas para o interior e as cabeças hidrofílicas viradas para
o exterior.

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Davson e Danielli (1935) - Propuseram que as duas camadas fosfolipídicas estariam
envolvidas por uma camada de proteínas, em que as cadeias polipeptídicas se dispunham
perpendicularmente às moléculas lipídicas. As cabeças polares estariam viradas para o meio
extra e intracelular. As zonas hidrofóbicas estariam viradas umas para as outras.

Contudo este modelo não conseguia explicar a permeabilidade da membrana a iões e a outras
substâncias.

Davson e Danielli (1954) - Propuseram, mais tarde, que as 2 camadas de proteínas


apresentavam espaços, de onde a onde, interrompendo a bicamada lipídica – estes poros
encontrar-se-iam rodeados por moléculas proteicas que permitiriam a passagem das
diferentes substâncias polares. As substâncias não polares passariam diretamente através da
membrana.

No século XX, década 50, o microscópio eletrónico permitiu observar a membrana que
surge formada por duas zonas escuras, separadas por uma banda clara.

Modelo de Singer e Nicholson (1972) – manteve a ideia inicial do modelo de Davson e


Danielli, em que a membrana era formada por uma bicamada fosfolipídica. Mas a organização
das proteínas era diferente, isto é, proteínas não revestiam toda a superfície da bicamada, as
mesmas apresentavam tamanhos e formas variáveis e, a relação proteína/fosfolípido variava
de célula para célula, havendo menos proteínas do que se pensava.

Constituintes da membrana celular:

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Proteínas intrínsecas – inseridas na bicamada fosfolipídica (podem ser transmembranares).
Têm função: estrutural, intervenção no transporte de substâncias específicas através da
bicamada, enzimática e receção de determinadas hormonas.

Proteínas extrínsecas – encontram-se na superfície da bicamada fosfolipídica

Glicoproteínas – glícidos associados a proteínas reconhecimento e existem na parte externa


da membrana.

Glicolípidos – lípidos associados a glicidos substâncias .

Colesterol – encontra-se no meio dos fosfolípidos

A membrana não é uma estrutura rígida, havendo movimentos moleculares, dando-lhe


grande fluidez, tais como:

Mobilidade lateral – os fosfolípidos trocam de posição uns com os outros ao longo da bicamada
fosfolipídica.

Movimento de cambalhota (flip-flop) – movimentos transversais dos fosfolípidos de uma


camada para a outra.

Transporte através da Membrana Celular

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A membrana plasmática permite a entrada de substâncias de que as células necessitam e a
saída de produtos resultantes da sua atividade. Uma das suas características fundamentais é a
permeabilidade seletiva, pois facilita a passagem de certas substâncias e dificulta ou impede
a de outras.

O transporte depende de:

-Dimensão

-Carga eléctrica do composto

-Solubilidade do composto

Existem 3 tipos de transporte:

Transporte não mediado – as


substâncias transpõem a
membrana sem a intervenção
de moléculas transportadoras
Transporte mediado – as
substâncias que transpõem a
membrana para o exterior e
para o interior passam pelas
proteínas transportadoras
(permeases)
Transporte em quantidade -
transfere para o interior ou
liberta para o exterior
macromoléculas como
proteínas ou conjuntos de
partículas de dimensões
variadas.

Tipo de solução Concentração Potencial hidrico Descrição


solutos
Isotónica (isos = Igual à solução Igual à solução A concentração de
igual; tónos = vigor) comparada comparada solutos á igual nas
os meios são duas soluções.
isotónico
Hipertónico (hiper = Elevado Baixo Solução ou meio com
muito; tónos = vigor) elevada
o meio é concentração de
hopertónico soluto.
Hipotónico ( hipo = Baixa Elevada Solução ou meio com
pouco; tónos = vigor) baixa concentração
o meio é hipotónico de soluto.
Tipos de meios e soluções:

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Processos físicos Processos fisiológicos

Transporte não mediado

É todo em que as substâncias atravessam a membrana celular, sendo que esse


movimento ocorre a favor ou contra o gradiente de concentração, sem a ajuda de proteínas.

Difusão simples

As moléculas movimentam-se do meio onde a sua concentração é mais elevada, para


onde a sua concentração é mais baixa, ou seja, a favor do gradiente de concentração. Quando
se atinge o equilíbrio de concentrações o movimento de partículas continua, mas a
quantidade de partículas que passam num sentido é igual á quantidade que passa em sentido
contrário, tornando-se um equilíbrio dinâmico.

A difusão simples permite o transporte:

-Moléculas pequenas não polares como: N2, O2 e CO2

-Solventes orgânicos: éter, álcool, clorofórmio, benzeno, etc.

-Substâncias lipossolúveis: esteroides, certos medicamentos, etc.

-Pequenas moléculas polares, não carregadas: glicerol, ureia, etc.

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Osmose

-Movimento de água através da membrana, é feito através do gradiente de concentração da


água, ou seja de onde é menos concentrado (ou seja, há mais água), para onde é mais
concentrado (ou seja, há menos água).

-Os mecanismos de osmose envolvem a difusão de moléculas de água através da camada


dupla fosfolipídica da membrana e fluxo de massa através de pequenos poros seletivos de
proteínas integradas (aquaporinas).

Nota: Pressão osmótica

É a pressão necessária para contrabalançar a tendência da água para se mover da região


onde há maior quantidade de água para onde há menor quantidade. (Então uma solução com
elevada concentração de soluto e portanto baixa quantidade de água, tem uma elevado
pressão osmótica, e uma solução com baixa concentração de soluto e portanto elevada
quantidade de água, tem uma baixa pressão osmótica.)

Osmose em células vegetais:

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Osmose em células animais

Transporte mediado (transporte Passivo)

Difusão facilitada – as substâncias atravessam a bicamada fosfolipídica usando


constituintes da membrana – PERMEASES (proteínas intrínsecas).

O transporte de certas substâncias como a glicose e aminoácidos ocorre a favor do


gradiente de concentração, mas as partículas movimentam-se com a ajuda de proteínas, as
permeases.

Ocorre a favor do gradiente de concentração, onde não existem gastos de energia


(transporte passivo), envolvendo, assim, proteínas transportadoras (transporte mediado) –
permeases – que facilitam o transporte.

Etapas da difusão facilitada:

1-Combinação da molécula com a proteína transportadora, na face externa da membrana.

2-Alteração da forma da permease, o que permite a transferência da molécula através da


membrana.

3-Separação da permease e da molécula após o transporte.

4-A permease volta à sua forma original.

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Na difusão facilitada ocorre:

-Fenómenos de saturação – a taxa de difusão não ultrapassa um valor máximo.

-Competição – nalguns casos as moléculas podem utilizar o mesmo transportador.

-Inibição – o sistema transportador pode ser bloqueado por fármacos em pequenas


concentrações.

Nota: a difusão facilitada é mais eficiente, para transportar substâncias quando as diferenças
de concentração são baixas.

Na difusão simples, a velocidade de difusão aumenta com a o aumento da diferença de


concentração e diminui com o tempo.

Transporte Ativo – transporte efetuado contra o gradiente de concentração, logo, com


gasto de energia. Este tipo de transporte é sempre mediado.

Importância do transporte ativo:

- Permite manter constantes as concentrações de certas substâncias apesar da variação


da concentração do meio exterior.

- Permite também eliminar substâncias mesmo quando se encontram em concentrações


muito inferiores à do meio e ainda captar do meio substâncias mesmo que as suas
concentrações sejam baixas.

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Exemplo de transporte ativo:

Bomba sódio e de potássio – normalmente a concentração de sódio (Na+) é mais elevada


fora da célula do que no exterior e, a concentração de potássio (K +) é mais elevada no interior
da célula que no seu exterior. A manutenção destes dois iões numa concentração diferente no
interior e exterior das células envolve um mecanismo de transporte ativo.

A bomba de Na+ e K+ promove a saída de 3 Na+ e a saída de 2 K+.

Quanto ao funcionamento da Bomba de Na+ K+, podemos observar na imagem que o


processo inicia-se com a ligação de 3 Na+ na regiões interna da bomba transportadora, a esta
também se liga uma molécula de ATP que muda a conformação da proteína para o lado
oposto. Logo a proteína diminui a afinidade pelo Na+ ocorrendo sua liberação em seguida o K+
do lado de fora liga-se a a bomba (proteína – ATPase) e será descarregado do lado de dentro
da célula retornando o ciclo novamente.

Quanto maior for a diferença de concentração de soluto entre o meio intra e o meio
extracelular, maior é a velocidade de transporte. A bomba de sódio e a potássio é
fundamental na regulação osmótica e consequentemente do volume celular.

Transporte em quantidade

Endocitose

A endocitose é um dos mecanismos da célula para captar macromoléculas do exterior.

O material é transportado através de invaginações da membrana. Essas invaginações


progridem para o interior da célula e separam-se da membrana, constituindo vesículas
endocíticas.

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Existem três tipos de endocitose:

Fagocitose - o material alimentar é englobado por pseudópodes, prolongamentos emitidos


pela célula, formando uma vesícula fagocítica. Esta associada ao processo de digestão em
muitos seres vivos unicelulares e ainda á atividade do sistema imunitário de muitos animais.

Pinocitose – Pequenas gotas de fluido são captadas por invaginações da membrana e acabam
por se separar formando vesículas pinocíticas.

Endocitose mediada por recetor: é um processo de endocitose em que macromoléculas


entram na célula, ligadas à membrana das vesículas de endocitose.

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Exocitose - É o processo inverso à endocitose, no qual as células libertam para o meio
extracelular substâncias armazenadas em vesículas.Fundamental para que a célula se livre de
resíduos digestivos

Sistemas endomembranares e digestão intracelular

Se observarmos uma célula podemos verificar que a maior parte do volume da célula é
ocupado pelo sistema membranar. Este sistema é constituído por organitos que tem
comunicação entre si, a membrana nuclear, retículo endoplasmático e o complexo de
Golgi.

RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO

Localiza-se entre a membrana nuclear e a membrana celular, é constituído por muitas


membranas que delimitam vesículas ou cisternas e túbulos.

Se estes túbulos e cisternas forem revestidos externamente por ribossomas, chama-se


retículo endoplasmático RUGOSO (RER), se não tiver os ribossomas é retículo endoplasmático
LISO(REL).

O R.E. R. é onde ocorre a maioria da síntese de proteínas, algumas são enzimas, assim
como transporta estas mesmas proteínas.

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O R.E. L é onde ocorre a síntese de fosfolípidos, modificação de moléculas que entram
na célula, como drogas e pesticidas e formação de novas membranas.

COMPLEXO DE GOLGi

É o nome que se dá ao conjunto de todos os dictiossomas de uma célula. Os dictiossomas


são as cisternas achatadas em forma de disco (normalmente em número de 4 a 7 discos) e
rodeadas por vesículas.

Possuem uma face convexa virada para o RE e uma parte côncava. A convexa é a fase de
formação, onde os dictiossomas recebem as proteínas vindas do RE e a parte côncava é a fase
de maturação, onde as vesículas vão sendo substituídas por novas vesículas vindas da parte
convexa e esta dará origem a vesículas de secreção.

As proteínas que vão passando do RE para o C.G. vão sofrendo transformações, como por
exemplo: enzimas ficam ativas, glicoproteínas etc.

LISOSSOMAs - Lisossomas são vesículas delimitadas por uma membrana que contém enzimas.

Os lisossomas são classificados em:

- Primários – os que se forma a partir do complexo de Golgi.

- Secundários – quando um lisossoma primário se funde a uma vesículas endocíticas (no


citoplasma), e originam um VACÚOLO DIGESTIVO ou a um organelo celular.

Os lisossomas intervêm nas digestões intracelular :

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- das substâncias que foram endocitadas (fagocitose e pinocitose) - HETEROFAGIA

- de organelos que necessitam de ser renovados, formando um vacúolo autofágico -


AUTOFAGIA.

Relação de continuidade entre o RE e C. Golgi

As proteínas sintetizadas nos


ribossomas do R.E são
transportadas até aos
dictiossomas do C.G de 2 formas:
deslocam-se através dos canais
do R.E até ao C.G ou são
armazenadas em vesiculas do
R.E. As vesiculas proveniente do
R.E fundem-se e originam os
dictiossomas. No interior dos
sacos dos dictiossomas as
proteínas sofrem maturação, o
que as torna funcionais,
acabando por ser transferidas
para vesiculas que se separam do
dictiossoma. Algumas destas
vesiculas fundem-se com a
membrana celular, lançando o
seu conteúdo para o meio extracelular por exocitose (hormonas, enzimas digestivas, etc).

30
Obtenção de matéria pelos seres vivos

Ingestão, Digestão e Absorção


A ingestão é o processo que leva à introdução dos alimentos no ser vivo

A digestão é o conjunto de processos que leva à simplificação de macromoléculas em


micromoléculas por reações de hidrólise catalisadas pelas enzimas;

A absorção é a passagem destes nutrientes simples através das membranas celulares, de


forma a poderem ser utilizadas no metabolismo celular.

A digestão pode ocorrer no interior da célula (DIGESTÃO INTRACELULAR) e no exterior da


célula (DIGESTÃO EXTRACELULAR).

A digestão intracelular

Ocorre em vacúolos digestivos, que resultam da fusão dos lisossomas com vesiculas
endocíticas ou com vesiculas originadas no interior do citoplasma. Por ação de enzimas
digestivas, as moléculas complexas existentes no interior dos vacúolos digestivos são
desdobrados em moléculas mais simples, que podem transpor a sua membrana para o
citoplasma por diferentes processos de transporte. Os resíduos resultantes da digestão
são expulsos para o meio extracelular por exocitose.

Digestão extracelular

Na maioria dos seres heterotróficos multicelulares, a digestão realiza-se fora das células.

A digestão extracelular pode ser:

-Extracorporal – ocorre fora do organismo (fungos)

- Intracorporal – dentro do organismo

Extracorporal Fungos – as hifas do fungo elaboram enzimas digestivas que são


lançadas sobre o substrato, ocorrendo aí a digestão de moléculas complexas. As
moléculas mais simples resultantes da digestão são, entretanto, absorvidas pelas hifas.

31
Digestão Intracorporal

A digestão extracelular intracorporal ocorre, em animais, fora das células em cavidades


digestivas que pode ser:

– cavidade gastrovascular ou no tubo digestivo, onde são lançados sucos digestivos que
contêm enzimas, que atuam sobre as partículas alimentares transformando-as em partículas
mais simples.

Nos animais o tubo digestivo pode apresentar diferentes graus de complexidade, e podem
ser agrupados em dois grandes grupos:

- Tubo digestivo incompleto: possui apenas uma abertura, que funciona como boca e ânus,
mas a cavidade digestiva apresenta alguma diferenciação.

- Tubo digestivo completo: possui duas aberturas independentes, a boca e o ânus.

A evolução dos sistemas digestivos foi no sentido do aumentar da complexidade do


sistema digestivo e com órgãos anexos, o que permite um maior consumo e maior
aproveitamento dos alimentos.

TUBO DIGESTIVO INCOMPLETO

Os sistemas digestivos quer dos Cnidaria quer dos Plathelminte apresentam apenas uma
abertura, que estabelece a comunicação entre o exterior e a cavidade grastrovascular.

Hidra (Cnidaria) - as partículas alimentares são capturadas com o auxílio de tentáculos


que rodeiam a boca .

A digestão tem início na cavidade gastrovascular revestida por uma camada interna –
gastroderme – que possui dois tipos de células:

- as glandulares, que produzem enzimas digestivas que são lançadas para a cavidade
gastrovascular (digestão extracelular)

-e as digestivas, que captam as partículas semidigeridas por fagocitose originando vacúolos


digestivos, nos quais continua a digestão (digestão intracelular).

-As partículas não absorvidas e as que são libertadas por exocitose (do interior das células para
a cavidade gastrovascular) são expulsas da cavidade gastrovascular pela abertura (que serve
de boca e ânus).

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Planária (Plathelminte) - embora também só com uma abertura o tubo digestivo já possui
alguma diferenciação, com uma faringe musculosa e retráctil. A cavidade gastrovascular é
muito ramificada, aumentando a área de digestão e de absorção, e a gastroderme apresenta
células com diferentes funções: secretoras de enzimas, fagocitárias e ciliadas. Como na hidra a
digestão intra e extracelular.

TUBO DIGESTIVO COMPLETO

Os animais mais complexos apresentam um tubo digestivo completo.

Vantagens do tubo digestivo completo:

-Os alimentos deslocam-se num só sentido, permitindo uma digestão e absorção sequenciais
ao longo do tubo digestivo;

-A digestão pode ocorrer em diferentes órgãos especializados do tubo digestivo, por processos
mecânicos e enzimáticos distintos;

-A absorção torna-se mais eficiente por ocorrer em diferentes áreas;

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-Os resíduos não digeridos podem ser mais facilmente eliminados pelo ânus e não se misturam
com os alimentos ingeridos.

Sistema digestivo na Minhoca

A matéria de que se alimenta a minhoca entra pela boca para a faringe, passa para o esófago
até ao papo, onde é armazenada e humidificada. Na moela, as partículas são trituradas com o
auxílio de grãos de areia que também são ingeridos juntamente com os alimentos. Quando
chegam ao intestino as partículas alimentares são sujeitas à ação enzimática das hidrolases, e
são, posteriormente, absorvidos os nutrientes resultantes. A superfície de absorção do
intestino é aumentada pela existência de uma prega dorsal da parede interna – tiflosole. Os
resíduos não absorvidos são eliminados através do ânus.

Nos Vertebrados

Os vertebrados, embora partilhem uma constituição básica, apresentam variações


morfológicas relacionadas com o regime alimentar. Todos os vertebrados possuem dois
órgãos anexos – o fígado e o pâncreas, que produzem secreções que são lançadas para o
intestino. Alguns animais têm glândulas salivares, que produzem enzimas que iniciam a
digestão química de alguns substratos.

Os vertebrados também possuem dentes, com exceção das aves, para a mastigação dos
alimentos ingeridos, facilitando os processos mecânicos de digestão.

Aves

As aves possuem boca com diferentes tipos de bicos. Quase todas as aves possuem ao
nível do esófago, uma dilatação – o papo, onde os alimentos são armazenados e amolecidos. O
estômago das aves tem dois compartimentos: o proventrículo onde é segregado suco gástrico
rico em enzimas e a moela, com uma parede espessa e musculosa para uma eficiente digestão

34
mecânica para triturar os alimentos. Algumas aves carnívoras não têm papo e o estômago é
formado por um único compartimento de parede fina e elástica. Depois da moela as partículas
digeridas seguem para o intestino onde é concluído o processo de digestão e é feita a
absorção. A parte final do reto abre-se para o exterior através do cloaca.

Mamíferos

Nos mamíferos, em geral, o tubo digestivo apresenta um elevado grau de especialização.

- Na cavidade bucal existe uma dentição diferenciada conforme o tipo de alimentação.

- À boca segue-se a faringe, o esófago e o estômago.

-O estômago dos carnívoros e omnívoros tem apenas um compartimento em forma de


saco com paredes musculosas e revestido internamente por um epitélio rico em glândulas
secretoras de suco gástrico – mistura de ácido clorídrico e de enzimas.

-Também no estômago é libertada mucina, uma substância que protege o próprio órgão
da acidez do suco gástrico.

-O estômago comunica com o intestino, que é muito mais extenso nos herbívoros para
aumentar a eficiência de absorção dado que os vegetais são de mais difícil digestão.

-Uma das adaptações dos herbívoros é a existência de bactérias específicas na região


cecal do intestino capazes de degradar a celulose.

Homem

No Homem, a digestão inicia-se na boca com movimentos mecânicos da mastigação e


pela ação enzimática da amilase da saliva, produzindo-se o bolo alimentar que passa pelo
esófago até ao estômago.

-É no estômago e, sobretudo, no intestino delgado que ocorre a maioria do processo


digestivo.

-O estômago possui uma parede musculosa rica em glândulas produtoras de ácido


clorídrico e enzimas proteolíticas (que em conjunto com os movimentos peristálticos
(movimento das paredes do estômago) continuam a digestão do bolo alimentar originando o
quimo que passa para o duodeno (parte inicial do intestino delgado).

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- As paredes do duodeno contêm glândulas que produzem suco intestinal rico em enzimas
como a maltase, sacarase, peptidase e lactases, que atuam sobre o quimo, em simultâneo com
a bilís (atua no metabolismo lipídico), produzida pelo fígado, e o suco pancreático (rico em
lipases, proteases, amilases e nucleases), produzido pelo pâncreas. Resulta dessa atividade o
quilo.

- As moléculas simples resultantes destes processos digestivos são absorvidas através da


parede intestinal, muito vascularizada e com pregas cobertas de vilosidades, que aumentam
grandemente a superfície de absorção.

- As células epiteliais das vilosidades por sua vez possuem microvilosidades que
aumentam ainda mais a superfície de absorção.

-Por difusão ou por transporte ativo, os nutrientes atravessam o epitélio intestinal, e são
absorvidos diferencialmente para a corrente sanguínea (aminoácidos, água, glicose, sais
minerais e vitaminas hidrossolúveis) e para a corrente linfática (ácidos gordos, glicerol e
vitaminas lipossolúveis).

-Os resíduos alimentares não absorvidos passam para o intestino grosso, para serem
eliminados via ânus. No intestino grosso também se dá a reabsorção de parte da água
libertada para o tubo digestivo.

Sistemas de Transporte
Os sistemas de transporte
relacionam-se com o grau de
complexidade que os animais
apresentam, deste modo:
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Aberto
Sistema de transporte
Fechado

Simples
Circulação
Incompleta
Dupla
Completa

Aumento do grau de complexidade dos animais

Sem sistema Sistema Circulação Circulação dupla Circulação dupla e


de transporte circulatório simples e incompleta completa
especializado aberto
( com 2 ( com 3 ( com 4
cavidades) cavidades) cavidades)

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Há mistura
parcial de
sangue

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Sistema circulatório aberto
Em animais com um sistema circulatório aberto, tais como a
maioria dos moluscos, insetos e outros artrópodes não se verifica a subdivisão do fluido
extracelular em plasma sanguíneo e fluido intersticial, o que acontece nos animais que
apresentam um sistema circulatório fechado. Assim sendo, atribui-se a designação de
hemolinfa ao fluido circulante.

No sistema circulatório aberto, o fluido circulante abandona os vasos e passa


para lacunas ou hemocélios, banhando diretamente as células.
Neste tipo de sistema circulatório:
- a velocidade de circulação do fluido circulante é limitada pelo tempo necessário
para o contacto do mesmo com as células, de forma a assegurar a eficácia das trocas.
Por 5outro lado, um sistema circulatório aberto não é capaz de fornecer todo o
oxigénio necessário para a vida ativa dos animais apresentando estes uma taxa
metabólica baixa. No entanto nos insectos a hemolinfa distribui, maioritariamente,
nutrientes e hormonas, sendo os gases respiratórios transportados através de uma rede
de traqueias até aos tecidos, assegurando-se, assim, a realização de uma eficiente troca
gasosa. Só assim se compreende que os insetos possuam uma elevada taxa
metabólica. Os insetos têm taxas metabólicas mais elevadas apesar de possuírem um
sistema circulatório aberto; isto acontece porque o oxigénio não circula na sua
hemolinfa. As trocas gasosas são efetuadas diretamente pelo sistema respiratório com as
células.

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Sistema circulatório fechado
Neste tipo de sistema, o fluido circulante designa-se sangue e, em condições normais,
nunca abandona os vasos sanguíneos.
Devido à contração do coração, o sangue é distribuído por todo o organismo, no interior
de vasos, cujo calibre vai diminuindo até serem finos, apresentando as suas paredes,
apenas, uma camada de células, designando-se então capilares sanguíneos. Os capilares
formam uma rede em cada um dos órgãos, de forma a atingirem praticamente todas as
células. As trocas realizam-se entre o sangue dos capilares e o fluido intersticial que
envolve as células; o sangue fornece oxigénio e nutrientes e recebe produtos
resultantes do metabolismo celular.

Num sistema de transporte aberto o sangue flui muito mais lentamente do que num sistema
de transporte fechado e os animais que o possuem têm, em regra, movimentos lentos e
baixas taxas metabólicas. Isto não acontece nos insetos porque o sistema circulatório não
acumula a função de transportar oxigénio e, por isso, não têm metabolismo lento.

Vantagens dos sistemas circulatórios fechados


40
- Nos sistemas fechados, como o fluido circulante é transportado apenas no interior dos vasos,
atinge uma velocidade muito superior, logo, a reposição e a substituição de compostos ao
nível da célula é muito mais rápida.

-Em consequência desse facto, os animais que têm sistema circulatório fechado têm taxas
metabólicas mais elevadas.

Sistema circulatório nos vertebrados


Tipos de circulação
Existem dois tipos de circulação:
Simples – no decurso da circulação , o sangue só passa uma vez no coração,
como é o caso dos peixes.
Dupla – o sangue percorre dois percursos diferentes, passando em cada um dos
circuitos pelo coração – restantes vertebrados.

Circulação simples
O coração é com 2 cavidades (1
aurícula e 1 ventrículo)
simplesmente atravessado por
sangue venoso, que só passa uma
vez no coração

Sangueaurícula
venoso
Seio (proveniente de
venoso todo o corpo)
Contração
O sangue vai para as diferentes partes do corpo auricular

ventrículo

Contração
Brânquias – ventricular
O sangue é reunido hematose branquial Cone arterial
na aorta que depois se
ramifica

 Circulação dupla incompleta


(coração com 3 cavidades, 2 aurículas e 1
ventrículo) – Anfíbios e repteis.

41
 O sangue passa duas vezes no coração, uma vez que há dois circuitos
diferenciados, no entanto ocorre mistura de sangue arterial com venoso

s.v. s.a.

Circulação Circulação
Pulmonar (artéria Sistémica (artéria
pulmonar) aorta)

A mistura parcial de sangue,


faz com que a oxigenação
celular não seja tão eficaz

Anfibio
Reptil

 Circulação dupla completa coração com


4 cavidades (2 aurículas e 2 ventrículos) O
sangue passa duas no coração, uma vez
que há dois circuitos diferenciados, no
entanto não ocorre mistura de sangue
arterial com venoso.

A entrada e saída do sangue do coração devesse :


- Diástole ( músculo relaxado –diástole auricular e
ventricular – em diástole o sangue entra na aurícula ou no ventrículo)
-Sístole (contracção do musculo cardíaco- sístole auricular e Sístole ventricular – em
sístole o sangue sai ou da aurícula ou do ventrículo)

42
- Grande circulação: aurícula esquerda - ventrículo esquerdo - artéria aorta - vasos de
menor calibre - órgãos - vasos de menor calibre - veias cavas - aurícula direita
-Pequena circulação: aurícula direita - ventrículo direito - artéria pulmonar - vasos de
menor calibre – pulmões - vasos de menor calibre - aurícula esquerda
Nota - Na metade esquerda do coração só circula sangue arterial, rico em O2.enquanto que
na metade direita do coração só circula sangue venoso, rico em CO 2.

Evolução dos sistemas circulatórios:


Sem sistema circulatório  sistema circulatório aberto  sistema circulatório fechado
com circulação simples  sistema fechado com circulação dupla incompleta  sistema
fechado com circulação dupla completa

Mecanismos que contribuem para a eficiência da circulação nos mamíferos

Miocárdio: O músculo cardíaco é mais espesso ao nível dos ventrículos do que das aurículas e
a parede do ventrículo esquerdo também é mais espessa uma vez que este permite dar maior
impulso ao sangue que consegue assim executar a circulação sistémica, que é um circuito mais
extenso do que a circulação pulmonar que é desempenhada pelo sangue que sai do ventrículo
direito com menor impulso devido à menor espessura.

Válvulas: A função das válvulas é impedir o refluxo do sangue dos ventrículos para as aurículas
(auriculoventriculares) e das artérias para os ventrículos (semilunares), ou seja imprimir um só
sentido de circulação de sangue.

Vasos sanguíneos

As artérias ramificam-se em arteríolas, que originam redes capilares ao nível dos diferentes
tecidos. Os capilares reúnem-se formando vénulas, que convergem formando veias pelas
quais o sangue regressa ao coração.

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 Artérias: têm paredes fortes e elásticas, o que permite dilatarem-se e contraírem-se
em cada batimento cardíaco.
 Veias: apresentam paredes finas e maior diâmetro interno.
 Capilares: as suas paredes são muito finas e constituídas por uma só camada de
células.

Pressão Sanguínea

A pressão sanguínea atinge o seu valor máximo nas artérias, diminuindo ao longo das
arteríolas e dos capilares, e apresenta valores quase nulos nas veias. O valor máximo de
pressão corresponde ao momento de sístole ventricular, pressão sistólica, e o valor mínimo
corresponde à pressão no momento da diástole ventricular, pressão diastólica.

Velocidade do Fluxo Sanguíneo

A maior velocidade do fluxo sanguíneo ocorre nas artérias, a velocidade diminui quando o
sangue flui para os capilares e aumenta novamente quando o sangue circula nas veias.

Regres
so do sangue ao coração

Os principais mecanismos que contribuem para que o sangue que circula nas veias regresse ao
coração são:

- As veias estão muitas vezes rodeadas por músculos que, ao contraírem se durante os
movimentos, as comprimem, exercendo uma pressão sobre o sangue que nelas circula.
- A existência de válvulas venosas que impedem que o sangue volte para trás.

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- Os movimentos respiratórios, durante a inspiração a diminuição da pressão na caixa torácica
provoca o deslocamento do sangue contido nas veias mais afastadas em direção ao coração.
- A diminuição da pressão nas aurículas durante a

Fluidos Circulantes

Os vertebrados possuem dois fluidos circulantes: o sangue a linfa.

O sangue é constituído por:


 Constituintes celulares:
- Glóbulos vermelhos ou hemácias ou eritrócitos (células anucleadas)
- Glóbulos brancos ou leucócitos (sistema imunitário)
 Plaquetas sanguíneas
 Constituintes não celulares:
 Plasma sanguíneo

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- Uma parte do plasma, por difusão, e alguns leucócitos, por diapedese, abandonam os
capilares sanguíneos e ocupam os espaços entre as células, constituindo o líquido intersticial
ou linfa intersticial. O movimento deste líquido para fora do capilar é possível uma vez que na
extremidade arterial do capilar, a pressão do sangue excede a pressão osmótica.

Deste fluido as células obtêm os nutrientes e o oxigénio de que necessitam e libertam para ele
as substâncias resultantes do seu metabolismo (excreções), como o dióxido de carbono e os
produtos azotados. Algum do líquido intersticial, rico em produtos de excreção, passa, ao nível
da extremidade venosa do capilar, de novo para o sangue, uma vez que nesta extremidade a
pressão osmótica excede a pressão do sangue.

Outra parte da linfa é recolhida em capilares linfáticos, constituindo a linfa circulante, que é
conduzida até vasos de maior calibre, os vasos linfáticos. A linfa circulante entra na corrente
sanguínea em veias que abrem na veia cava superior, pouco antes do sangue entrar na
aurícula direita.

Nos vertebrados, para além do aparelho circulatório sanguíneo, existe, portanto, um sistema
linfático formado pelos vasos linfáticos ramificados em capilares linfáticos e pelos órgãos
linfoides.

A renovação constante da linfa intersticial permite que as células obtenham continuamente


nutrientes e oxigénio e eliminem os produtos resultantes do seu metabolismo. É desta forma
que se estabelece um intercâmbio contínuo de substâncias entre as células e o sangue, uma
vez que este nunca abandona os vasos sanguíneos.

No seu conjunto, os fluidos circulantes são responsáveis pelo(a):

 Transporte de nutrientes provenientes do tubo digestivo ou da mobilização das


reservas até às células;
 Transporte de oxigénio desde as superfícies respiratórias até às células;
 Remoção de produtos resultantes da atividade celular;

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 Transporte de hormonas;
 Defesa do organismo através dos leucócitos.

Perspectiva evolutiva do sistema circulatório nos animais

Obtenção de matéria pelos seres autotróficos – Fotossíntese e quimiossíntese

Ao nível da autotrofia, existem dois processos de obtenção de matéria, a fotossíntese e a


quimiossíntese, estando a maioria das formas vivas direta ou indiretamente dependentes dela
devido ao facto dos produtores das cadeias alimentares serem seres autotróficos.

Fotossíntese → Seres Fotossintéticos → Seres fotoautotróficos → Energia luminosa

Quimiossíntese → Seres Quimiossintéticos → Seres quimioautotróficos → Energia química

Nota: Como a energia luminosa e química não pode ser utilizada diretamente pelas células ,
parte dessa energia é transferida para um composto, adenosina trifosfato (ATP), que constitui
a fonte de energia diretamente utilizável pelas células.

Fotossíntese

Equação geral da fotossíntese

Luz
6 CO2 + 6 H2O C6H12O6 (glicose) + 6 O2
Pigmentos Fotossintéticos
47
A fotossíntese ocorre nos cloroplastos

Nestes estão localizados:


Pigmentos Fotossintéticos

 Clorofilas:
 clorofila a (verde intenso);
 clorofila b (verde-amarelado);
 Carotenoides:
 xantofilas (amarelo);
 carotenos (laranja).

O papel dos pigmentos fotossintéticos é absorver as radiações de luz visível.

Captação da energia luminosa

De toda a luz emitida nos cloroplastos, há uma parte que é absorvida (luz visível), outra que é
transmitida e outra que é refletida. A cor apresentada pelas folhas corresponde à parte da luz
que é refletida.

Qual a importância das diferentes radiações da luz visível na fotossíntese?

Experiência de Engelmann

48
As clorofilas absorvem, principalmente, as radiações do espectro visível de
comprimento de onda correspondente ao azul-violeta e vermelho-alaranjado. As radiações
com comprimentos de onda correspondentes à zona verde do espectro não são absorvidas,
são refletidas, daí vermos as folhas com cor verde.
A experiência de Engelmann permitiu estabelecer relações entre as radiações do
espectro de absorção e a eficácia da fotossíntese.
Assim, Engelmann observou que as bactérias utilizadas se aglomeravam mais
densamente junto das zonas que recebiam radiações correspondentes às faixas vermelho-
alaranjadas e azul-violeta. Essa distribuição evidencia que nessas zonas há maior libertação de
oxigénio, já que estas são bactérias aeróbias – que utilizam, na sua respiração, o oxigénio.
Sendo o oxigénio um dos produtos da fotossíntese, a sua libertação em maior ou menor
quantidade revela a maior ou menor intensidade fotossintética.
Pode assim ser estabelecida uma relação entre a intensidade da fotossíntese e o tipo
de radiações absorvidas pelos pigmentos fotossintéticos.

Espectro de absorção: representa a capacidade de absorção de uma radiação por um


pigmento em função do comprimento de onda.

Espectro de ação: representa a eficiência fotossintética em função do comprimento de onda

Os pigmentos fotossintéticos encontram-se na membrana dos tilacóides e estão agrupados em


unidades chamadas de fotossistemas, que são constituídos por :

-complexo antena

-centro de reacção

49
Fases da fotossíntese

 fase fotoquímica: as suas reações dependem diretamente da luz;


 fase química: não depende diretamente da luz.

Fase fotoquímica – ocorre na membrana dos tilacóides

Quando as moléculas de clorofila são atingidas pela luz, origina-se uma corrente de
eletrões que se propaga ao longo de uma série de proteínas que se encontram
dispostas ao longo da membrana interna do cloroplasto. Este fluxo pode ser acíclico
e/ou cíclico. Deste fluxo de eletrões liberta energia que é utilizada para formar ATP, a
partir de moléculas de ADP e de um grupo fosfato.

Além disso, este fluxo de eletrões permite formar moléculas de NADPH, as quais, tal
como o ATP, são fundamentais para a formação de compostos orgânicos.

50
Fotofosforilação acíclica

Fotofosforilação acíclica

A molécula de água sofre fotólise (desdobramento da molécula de água por ação da


luz), o que permite a separação dos átomos de hidrogénio e de oxigénio.

51
Durante a fase dependente da luz verifica-se:

- conversão da energia luminosa em energia química;

- desdobramento da molécula de água em hidrogénio e oxigénio (fotólise da água ou


oxidação da água);

- fosforilação de ADP formando-se ATP;

- redução de NADP+ a NADPH.

Oxidação/Fotólise da água Redução de moléculas aceptoras de hidrogénios

H2O → 2 H+ + 2e + ½ O2 NADP+ + 2 H+ + 2e → NADPH + H+

A energia luminosa é absorvida pelos pigmentos fotossintéticos, ao nível da membrana dos


tilacóides, constituindo a fonte energética inicial para a realização de várias reações.

Como produtos deste conjunto de reações temos o oxigénio (proveniente da água), que é
libertado para o meio, e o ATP e o NAPH que vão ser utilizados como reagentes nas reações da
libertação de H + captação de H+
fase química.

Fase química ou ciclo de Calvin


Fosforilação do ADP
52

ADP + Pi + Energia → ATP + H2O


Realiza-se ao nível do estroma dos cloroplastos e ocorre:

- incorporação do CO2;

- utilização da energia química contida no ATP e poder redutor do NADPH para formar
compostos orgânicos.

Três fases do ciclo de Calvin:

- fixação do CO2;

- produção de compostos orgânicos;

- regeneração da ribulose difosfato (RuDP).

Ciclo de Calvin

a. Combinação do dióxido de carbono com uma pentose – RuDP (ribulose difosfato),


originando um composto intermédio, instável, com 6 carbonos;
b. Este composto origina 2 moléculas com 3 átomos de carbono;
c. As moléculas com 3 carbonos são fosforiladas pelo ATP e reduzidas pelo NADPH,
provenientes da fase fotoquímica, formando trioses;
d. Das trioses formadas, uma parte é utilizada para regenerar a ribulose difosfato e iniciar
um novo ciclo, e a outra é utilizada para produzir moléculas orgânicas mais complexas,
como a glicose;
e. A glicose pode ser utilizada diretamente pelas células ou formar outros compostos
orgânicos mais complexos

53
Nota : para formar uma molécula de glicose o ciclo têm de dar 6 voltas. A glicose
produzida pela fotossíntese pode ser polimerizada em glícidos mais complexos, principalmente
o amido.

Fase fotoquimica e quimica

Fatores limitantes extrínsecos

A concentração de CO2

O CO2 é o substrato empregado na etapa química


como fonte do carbono que é incorporado em
moléculas orgânicas. As plantas contam,
naturalmente, com duas fontes principais de CO2: o
gás proveniente da atmosfera, que penetra nas folhas
através de pequenas aberturas chamadas estomas, e
o gás liberado na respiração celular.

  Sem o CO2, a intensidade da fotossíntese é nula.


Aumentando-se a concentração de CO2 a intensidade
do processo também se eleva. Entretanto, essa
elevação não é constante e ilimitada. Quando todo o
sistema enzimático envolvido na captação do carbono
estiver saturado, novos aumentos na concentração de
CO2 não serão acompanhados por elevação na taxa
fotossintética.

A Temperatura

54
Na etapa química, todas as reações são catalisadas
por enzimas, e essas têm a sua atividade influenciada
pela temperatura.

De modo geral, a elevação de 10 °C na temperatura


duplica a velocidade das reações químicas.
 
Entretanto, a partir de temperaturas próximas a 40
°C, começa a ocorrer desnaturação enzimática, e a
velocidade das reações tende a diminuir.

Portanto, existe uma temperatura ótima na qual a


atividade fotossintetizante é máxima, que não é a
mesma para todos os vegetais.

O comprimento de onda

A assimilação da luz pelas clorofilas a e b,


principalmente, e secundariamente pelos pigmentos
acessórios, como os carotenóides, determina o
espectro de ação da fotossíntese.

Nota-se a excelente atividade fotossintética nas faixas


  do espectro correspondentes à luz violeta/azul e à luz
vermelha, e à pouca atividade na faixa do verde.

Para que uma planta verde execute a fotossíntese com


boa intensidade, não se deve iluminá-la com luz
verde, uma vez que essa luz é quase completamente
refletida pelas folhas.

Intensidade luminosa

Quando uma planta é colocada em completa


obscuridade, ela não realiza fotossíntese.
Aumentando-se a intensidade luminosa, a taxa da
fotossíntese também aumenta. Todavia, a partir de
um certo ponto, novos aumentos na intensidade de
iluminação não são acompanhados por elevação na
taxa da fotossíntese. A intensidade luminosa deixa de
ser um fator limitante da fotossíntese quando todos
  os sistemas de pigmentos já estiverem excitados e a
planta não tem como captar essa quantidade
adicional de luz. Atingiu-se o ponto de saturação
luminosa.
Aumentando-se ainda mais a intensidade de
exposição à luz, chega-se a um ponto a partir do qual
a atividade fotossintética passa a ser inibida. Trata-se
do ponto de inibição da fotossíntese pelo excesso
de luz.

Quimiossíntese

Seres vivos como bactérias nitrificantes e sulfurosas produzem compostos orgânicos utilizando
como fonte de energia externa a energia química através da oxidação de compostos

55
inorgânicos. A fonte de carbono é o CO2 e a fonte de hidrogénios não é o H 2O mas sim outras
substâncias inorgânicas existentes no substrato (H 2S, NH3…).

1ª Fase: Oxidação dos compostos inorgânicos

→ Fase de produção de ATP e NADPH: Durante esta fase, ocorre a oxidação de compostos
minerais, como o amoníaco, o dióxido de carbono ou o sulfureto de hidrogénio. Esta oxidação
permite a obtenção de protões e eletrões que são transportados ao longo de uma cadeia, no
sentido de produzir ATP e reduzir o NADP+ a NADPH.

2ª Fase: Formação de compostos orgânicos

→ Ciclo de Calvin/Ciclo do carbono/Ciclo das pentoses: Produção de compostos


orgânicos a partir do dióxido de carbono absorvido, do poder redutor do NADPH e da energia
contida no ATP, gerados na primeira fase.

Transporte nas Plantas

As plantas, enquanto seres pluricelulares complexos, necessitam de transportar substâncias


minerais até às folhas, para garantir a síntese de compostos orgânicos que aí ocorre.
Posteriormente, esses compostos terão de ser distribuídos a todas as células, de forma a
poderem ser utilizados.

Classificação das plantas:

→ Avasculares

→ Vasculares:

− sem semente (reproduzem-se por esporos): pteridófitas

− com semente: cicas, gingko e coníferas

− com semente e com flor:

• monocotiledóneas (têm um só cotilédone na sementes, folhas estreitas e


compridas, raiz fasciculada, estomas nas páginas superior e inferior da folha,
bandas em U na raiz): arroz, centeio, cevada, etc.

56
• dicotiledóneas (têm dois cotilédones na semente, folhas arredondadas, raíz aprumada,
estomas só na página inferior, bandas de Caspary na raiz – espessamentos em linha): feijão,
ervilha, fava, etc.

Plantas não vasculares: São pouco diferenciadas e não apresentam sistemas de transporte de
seivas nem tecidos condutores. Vivem em zonas húmidas, o movimento da água efetua-se por
osmose e a matéria movimenta-se por difusão de célula a célula.
Ex: musgos.

Plantas vasculares: Dividem-se em dois grupos: as plantas sem sementes e as plantas com
sementes. Têm um duplo sistema de condução de água e solutos, constituído por tecidos
especializados (xilema e floema) que estão organizados em feixes condutores e existem em
todos os órgãos da planta.
Ex: fetos, angiospérmicas e gimnospérmicas.

Xilema/Tecido traqueano/Lenho (na maioria das plantas é constituído por):

→ Elementos condutores: (células mortas onde circulam a água e os sais minerais):

− tracoides: células longas e de extremidades afiladas, as quais contactam


entre si, formando tubos que permitem a passagem de água e de sais minerais

− elementos de vasos: células vasculares com um diâmetro superior ao dos


tracoides, que resultam de células mortas que perderam as paredes transversais e cujas
paredes laterais apresentam espessamentos de lenhina (substância que lhes confere rigidez)

→ Fibras lenhosas: constituídas por células mortas cujas paredes são espessas devido à
deposição de lenhina e desempenham funções de suporte.

→ Parênquima : tecido formado por células vivas, pouco diferenciadas, que


desempanha importantes atividades metabólicas nas plantas, tais como a fotossíntese, o
armazenamento ou a secreção de substâncias.

Floema/Tecido crivoso/Líber (na maioria das plantas é constituído por):

57
→ Células dos tubos crivosos: células vivas muito especializadas, ligadas entre si pelos
topos e cujas paredes de contacto possuem uma série de orifícios, que se assemelham a um
crivo; no inverno, os orifícios destas placas crivosas ficam obstruídos por calose que se dissolve
na primavera; as células dos tubos crivosos são vivas, embora tenham perdido a maior parte
dos organelos.

→ Células de companhia: células vivas que se situam junto das células dos tubos
crivosos, com as quais mantêm numerosas ligações citoplasmáticas, ajudando-as, assim, no
seu funcionamento.

→ Fibras: comprimento variável, desempenham funções de suporte.

→ Parênquima: formado por células vivas pouco diferenciadas que têm funções de
reserva.

58
Folhas: Os feixes condutores de xilema e floema localizam-se ao nível das nervuras das folhas.
Estas são mais salientes na página inferior da folha. Os feixes condutores são duplos e

59
colaterais, isto é, cada feixe tem xilema e floema, estando colocados lado a lado. O xilema está
mais próximo da página superior e o floema está mais próximo da página inferior.

Caule: Nos caules os feixes também são duplos e colaterais. O xilema está voltado para o
centro do órgão e o floema está voltado para fora.

Raiz: Na raiz os feixes condutores são simples e alternos, isto é, cada feixe tem somente xilema
ou floema, os quais alternam.

Funções da raiz, caule e folhas

Sistema Radicular: A raiz é importante para a fixação da planta ao solo e para a absorção de
água e substâncias minerais existentes no solo que são conduzidas às folhas para o processo
de fotossíntese.

Sistema Caulinar: O caule serve de suporte às folhas, permitindo-lhes uma posição adequada à
captação de luz. É também através do caule que se efetua o transporte das seivas.

Sistema Foliar: As folhas são responsáveis por realizar a fotossíntese.

Absorção radicular

A maior parte da água e dos iões necessários para as várias actividades da planta é absorvida
pelo sistema radicular.
Normalmente, o meio intracelular das células da raiz é hipertónico relativamente ao exterior,
pelo que a água tende a entrar na planta por osmose. A manutenção deste gradiente
osmótico, desde as células mais periféricas da raiz até ao xilema, provoca a passagem da água
por osmose para os seus vasos. Os iões minerais, quando presentes no solo em concentrações
elevadas, entram nas células da raiz por difusão simples; no entanto, como já foi referido, é

60
usual verificar-se uma elevada concentração destes iões no meio intracelular. Neste caso, os
iões entram por transporte activo, com consequente gasto de energia. O transporte activo de
iões através das células da periferia da raiz até ao xilema cria um gradiente osmótico, que faz
com que a água tenda a passar por osmose até ao xilema.

Nota : Absorção de água e de solutos pelas plantas


A maior parte da água e dos solutos necessários para as atividades da planta são
absorvidos pelo sistema radicular da planta. A eficiência deste processo deve-se á
presença de pelos radiculares que aumentam a área da superfície da raiz em contacto
com o solo.

61
- O transporte de água e sais minerais até ao xilema da raiz pode ser feito por duas
vias:

Nota : no entanto ao nível da endoderme o transporte é feito por via simplástica


(conferindo a raiz uma permeabilidade selectiva).

Transporte no xilema( Teorias)


As plantas perdem grande quantidade de água, sob a forma de vapor, através das folhas e
outros órgãos. Essa água é substituída por outra, transportada num sistema de xilema desde a
raíz até às folhas, sendo que as substâncias dissolvidas na água são transportadas
passivamente ao nível do xilema.

Hipótese da pressão radicular -Na raiz, devido a forças osmóticas, desenvolve-se uma pressão
que leva a que a água ascenda no xilema. A pressão radicular é causada pela contínua
acumulação de iões pela raiz da planta. O transporte activo dos iões para a raíz aumenta o
potencial de soluto e, consequentemente, há movimento de água para o interior da planta. A
acumulação de água provoca pressão radicular, que força a água a subir no xilema. Quando a
pressão radicular é muito elevada, a água pode ascender e ser libertada nas folhas, por
gutação.

62
Hipótese da tensão-coesão-adesão

Diz que o movimento da seiva bruta se deve a três forças físicas:

63
Segundo esta teoria:

As células do mesófilo perdem água défice de água na parte superior da planta
cria-se uma pressão negativa – tensão. A concentração de soluto nestas células aumenta,
logo a pressão osmótica também aumenta.

As células do mesófilo tornam-se hipertónicas em relação ao xilema e passam moléculas


de água para essas células.

As moléculas de água mantêm-se unidas umas às outras devido a forças de coesão (entre
as moléculas de água) e adesão (entre a água e o xilema), formando uma coluna contínua e
aderindo às paredes dos vasos.

O movimento de água no mesófilo faz mover a coluna de água (corrente de transpiração).
Quanto mais rápida a transpiração, mais rápida a ascensão.

A ascensão de água cria um défice de água no xilema da raíz, fazendo com que o fluxo de
água do exterior para o interior da planta aumente.

Há fluxo passivo de água de áreas de potencial de água maior para áreas onde este é
menor.

64
A transpiração acaba por ser o “motor” que faz ascender a seiva xilémica e por isso quando a
transpiração aumenta, a absorção também aumenta e a ascensão de seiva torna-se mais
rápida.

Segundo a Teoria da Tensão coesão adesão,


existe uma relação direta entre a absorção e
transpiração, pois, quanto mais uma planta
transpira mais absorve e vice-versa.

Controlo da Transpiração

Os estomas são responsáveis por controlar a quantidade de água perdida por transpiração.

Nas células-guarda as paredes celulares que rodeiam o ostíolo são mais espessas do que as
paredes que contactam com as outras células da epiderme. As zonas mais finas das paredes
celulares têm maior elasticidade do que as zonas de maior espessura.

Constituição de um estoma:

65
Funções dos estomas:
- controlar a transpiração e participar nas trocas gasosas, nomeadamente na absorção de CO 2.

Quando há entrada de água, esta exerce uma pressão de turgescência sobre a parede celular o
que provoca a deformação da região mais fina da mesma e leva à abertura dos estomas (meio
pobre em iões K+).

Quando a célula perde água e a pressão de turgescência diminui, o estoma volta à sua forma
normal, aproximando-se das células-guarda, o que provoca o fecho dos estomas
(obscuridade).

Fatores que fazem variar a pressão de turgescência das células-guarda:

 Intensidade Luminosa;
 Concentração em CO2;
 Valores de pH;
 Concentração de iões.

66
Transporte no floema – teoria do fluxo de massa

Seguidamente passa
Passagem de matéria para os tubos crivosos
orgânica (sacarose) – Floema – células de (ligações
para o companhia citoplasmáticas) –
aumento da
concentração da
Entrada de água vinda do xilema – sacarose
turgescência celular – obrigando
Não implica gasto de assim a sacarose a deslocar-se ao
energia longo da placa crivosa

A concentração de
sacarose determina o
sentido do fluxo – há um
gradiente de
concentração desde o
local de produção até ao
local de
consumo/armazenamen
Teoria do fluxo de massa ou hipótese de Much
to

67
Relação entre o xilema e o floema

FERMENTAÇÃO E RESPIRAÇÃO

Metabolismo – conjunto de processos químicos que ocorrem nas células dos seres
vivos. Podem ocorrer 2 tipos de processos metabólicos:

68
 Catabolismo – reações químicas de degradação de moléculas complexas,
originando moléculas mais simples – ocorre produção de energia. Ex
fermentação e respiração aeróbia
 Anabolismo – reações químicas através das quais moléculas simples reagem
entre si originando moléculas mais complexas – ocorre gasto de energia. Ex
fotossintese

O “combustível” mais comum para as células é a glicose (C 6H12O6). A energia que


se encontra nas ligações químicas da glicose não pode ser usada diretamente pelas
células, para tal, necessitam de transferir a energia para outros compostos, como por
exemplo, o ATP.

A degradação das moléculas de glicose inclui-se nos processos de catabolismo


onde ocorre libertação de energia e a restante é usada para a síntese do ATP (a síntese
de ATP implica a fosforilação da molécula de ADP).
Esses processos catabólicos são a fermentação e a respiração aeróbia.

Fermentação
Processo simples, e primitivo de
obtenção de energia

Ocorre na ausência de oxigénio.


Hialoplasma

Glicólise Redução do piruvato

Conjunto de reações que Conjunto de reações que


degradam a glicose até ao ácido conduzem à formação dos Na fermentação alcoólica o
pirúvico. produtos da fermentação ácido pirúvico é
descarboxilado (remoção de
uma molécula de CO2) 
 finais da glicólise:
Produtos Dá-se pela do NADH (que se acetaldeído, o que não
-2 NADH forma durante a glicólise), que acontece na fermentação
-2 moléculas de ácido pirúvico pode conduzir à formação de láctica
-2 ATP (formam-se quatro, mas duas diferentes produtos
repõem as gastas no processo de (dependendo do tipo de
ativação) fermentação)

Fermentação pode ser :

- Alcoólica
69
- O ácido pirú vico é descarboxilado, formando-se aldeído acético, que é posteriormente
reduzido (pelo NADH), originando etanol, rico em energia potencial.
- Formam-se dois compostos finais – duas moléculas de dió xido de carbono, resultantes
da descarboxilaçã o do á cido pirú vico e duas moléculas de etanol, que possuem, cada uma,
dois á tomos de carbono.

- Láctica
- O ácido pirú vico é reduzido (pelo NADH), formando ácido láctico, rico em energia
potencial.
- O ú nico composto final é o ácido láctico, que possui três á tomos de carbono.

Respiração aeróbia
À medida que as células evoluíram, as suas necessidades energéticas aumentaram e

surgiram as mitocô ndrias (células eucarió ticas) – que realizam a oxidaçã o completa do
ácido pirú vico, originando compostos simples (CO2 e H2O), na presença de O2 – Respiraçã o
aeró bia.

Respiração aeróbia

1º - Glicólise 4º - Cadeia de eletrões


2º - Formação de acetil- 3º - Ciclo de Krebs e fosforilação oxidativa
coenzima A
Comum à fermentação
e à respiração aeróbia Acetil CoA + Ácido As moléculas de NADH
Na presença de O2, o oxaloacético = Ácido e FADH2 formadas nas
Formam-se : ácido pirúvico entra na cítrico etapas anteriores
- 2 moléculas de ácido mitocôndria, onde é transportam eletrões
descarboxilado e Conjunto de reações por proteínas até serem
pirúvico
oxidado (perde um H, metabólicas que conduz captados pelo
70 O2
- 4 ATP utilizado para reduzir o à oxidação completa da
NAD+ NADH+H+) glicose (matriz da
-2 NADH
mitocôndria)
As proteínas constituem
a cadeia transportadora
de eletrões (ou
respiratória) e estão
ordenadas de acordo
com a sua afinidade
2 Acetil CoA
para com os eletrões.
2 NADH
Gera-se um fluxo
unidirecional
(condicionado pela
disposição molecular) O O2 capta H+ (na
ao longo do qual as matriz)  H2O
moléculas são oxidadas
A energia que é
e reduzidas
libertada pelos eletrões
que passam de acetor
Na cadeia transportadora formam-se
em acetor é utilizada
32 ou 34 ATP
para fosforilar o ADP
(ATP – associado a
Do ponto de vista energético, a
fenómenos de
respiraçã o aeró bia é um processo de
degradaçã o da glicose mais oxidação-redução)
rentá vel
que a fermentaçã o. A respiraçã o aeró bia permite a obtençã o de 36 ou 38 moléculas de
ATP, enquanto que a fermentaçã o apenas permite um saldo de 2 moléculas de ATP.

71
TROCAS GASOSAS NOS ANIMAIS

O movimento de gases respiratórios ao nível das superfícies respiratórias ou a nível


celular ocorre sempre por difusão, pois estas superfícies encontram-se húmidas. O
movimento de gases pode processar-se de duas formas:

 Difusão Direta – quando os gases se difundem diretamente através da


superfície respiratória para as células, não havendo por isso, nenhum fluido
circulante envolvido (insetos)
 Difusão Indireta – quando os gases se difundem da superfície respiratória para
um fluido circulante e deste para as células – hematose (vertebrados).

Hematose – trocas gasosas que ocorrem entre as superfícies respiratórias e os fluidos


circulantes.
O intercâmbio de gases (tal como acontece a nível celular), realiza-se por fenómenos
de difusão. Para que tal se verifique, os animais possuem superfícies respiratórias,
através das quais os gases entram e saem do organismo.
Apesar da diversidade, todas as superfícies respiratórias possuem características que
permitem aumentar a eficácia das trocas gasosas.

Pouca espessura Morfologia que permite


(apenas uma camada Superfície húmida, Elevada vascularização – uma grande superfície de
de células) que facilita a difusão aumento do contacto com contacto entre os meios
gasosa o fluido circulante

SUPERFÍCIES RESPIRATÓRIAS

Superfície corporal Brânquias Traqueias Pulmões

Nos animais de As brânquias são órgãos Invaginações que Nas aves, o metabolismo
dimensões reduzidas, respiratórios que se encontram reduzem as perdas de é muito elevado pelo que
como as hidras e as em contacto direto com a água – água por evaporação necessitam de grandes
planárias, os gases evaginações da superfície corporal quantidades de oxigénio
respiratórios – grande superfície de
difundem-se Traqueias (contactam contacto e eficiente
diretamente através No caso dos peixes ósseos as com o exterior através ventilação pulmonar,
da superfície corporal brânquias (constituídas por séries dos espiráculos – sacos de ar
de filamentos duplos, inseridos orifícios da superfície
obliquamente nos arcos do corpo, os mais
branqueais onde há vasos que desenvolvidos
Hidra – a camada de constituem uma rede de capilares possuem filtros que A circulação do ar é
células exterior realiza nas lamelas) encontram-se na controlam a entrada unidirecional, e a
trocas com o meio câmara branquial, protegidas pelo de ar)  traquíolas hematose dá-se nos
aquático e as células opérculo (estrutura óssea móvel), (contacto direto com parabrônquios (canais
interiores com a água banhadas por uma corrente as células) finos, abertos nas duas
que se encontra na contínua de água que entra pela 72
extremidades), em
cavidade boca e sai pelas fendas mecanismo de
gastrovascular operculares contracorrente. Para que
o ar percorra todo o
Planária – forma
Mecanismo de contracorrente –
sangue flui no sentido contrário
ao da água – aumento da
eficiência da hematose branqueal Nos mamíferos, a
superfície respiratória é
Em animais mais
constituída por milhares
complexos, como a
de alvéolos pulmonares.
minhoca, o
O ar circula em dois
aparecimento do
sentidos opostos – o
sistema circulatório,
ciclo ventilatório é
aumenta a eficácia
composto por duas fases
Hematose
das trocas gasosas, Traqueal
O
através do tegumento gafanhoto e outros insectos– inspiração
possuem e expiração.
um sistema respiratório com difusão directa
designado por sistema traqueal. Este
sistema é constituído por um conjunto de canais
– traqueias – que se vão ramificando até se encontrarem em contacto com as células,
onde ocorrem as trocas gasosas. O oxigénio difunde-se directa e rapidamente através de
traqueias sem intervenção de um sistema de transporte, o que permite ao animal altas
taxas metabólicas. O facto de este sistema se ramificar para o interior do corpo minimiza
as perdas de água, podendo ser considerado uma adaptação importante ao ambiente
terrestre.

Hematose Cutânea
Neste tipo de troca gasosa, os gases difundem-se entre a superfície do corpo do animal e o
sangue, ocorrendo, portanto, difusão indirecta. A ocorrência da hematose cutânea é possível
graças à abundante vascularização existente por debaixo da superfície da pele e à manutenção
da humidade na superfície do corpo – tegumento. Este último requisito é assegurado quer por
glândulas produtoras de muco, quer pelo habitat húmido característico destes animais. Este
tipo de hematose é comum à minhoca e aos anfíbios, funcionando nestes últimos como
complemento da hematose pulmonar dos animais adultos.

73
Hematose Branquial
Este tipo de hematose é típico dos animais aquáticos, podendo considerar-se a existência de
dois padrões básicos: as brânquias externas e as brânquias internas.
As brâ nquias, situadas na cavidade opercular entre a faringe e o opérculo, sã o banhadas
por um fluxo contínuo de á gua que entra pela boca e sai pela fenda opercular, garantindo
uma eficaz ventilaçã o daquelas estruturas.
Nas lamelas, o sangue circula em sentido oposto ao da passagem da água na cavidade
opercular. Este mecanismo de contracorrente garante o contacto do sangue,
progressivamente mais rico em oxigénio, com água, cuja pressão parcial de oxigénio é sempre
superior àquela que existe no sangue. Daqui resulta a manutenção de um gradiente que
assegura a difusão até valores próximos da saturação da hemoglobina do sangue dos peixes.

74
Hematose Pulmonar
Nos Vertebrados terrestres, a hematose ocorre em ó rgã os especializados, os pulmões,
basicamente constituídos por uma rede de tubos de diâmetro cada vez menor, que
terminam em pequenos sacos, os alvéolos. Estes ó rgã os foram sofrendo alteraçõ es, sendo
de notar, nestes animais, as seguintes tendências evolutivas:
- Aumento da compartimentação dos pulmõ es, que resultou num aumento da á rea da
superfície respirató ria;
- Especialização progressiva dos sistemas de ventilaçã o;
- Aumento da eficiência da circulaçã o sanguínea.

Os pulmões, localizados na caixa torácica, são elásticos e constituídos por milhares de


alvéolos, que garantem uma área de hematose várias vezes superior à da superfície do corpo.
Esta superfície respiratória, recoberta de muco, está separada do sangue apenas pela fina
membrana dos capilares sanguíneos

Aves – a hematose é pulmonar, mas os pulmões não são alveolares, mas são constituídos por
parabrônquios. Uma ventilação nas aves é constituída por dois ciclos respiratórios.

75
Os Mamíferos possuem um sistema respirató rio constituído pelas vias respirató rias e
pelos pulmõ es. As vias respiratórias (fossas nasais, faringe, laringe, traqueia e
brô nquios) permitem nã o só o trajecto do ar nos dois sentidos, entre o interior e o exterior
dos pulmõ es, mas também o progressivo aquecimento do ar e a retenção de partículas
em suspensão.

A hematose ocorre nos pulmões devido ás diferenças de pressão dos gases.

Os gases sã o transportados pelos gló bulos vermelhos ligados ao grupo Heme da


hemoglobina (pigmento respirató rio) ou dissolvidos no plasma .

76
HHB –hemoglobina; HbO2 oxihemoglobina;

A renovaçã o do ar nos pulmõ es é feito pelo mecanismo de ventilaçã o.

77
Regulação nos Seres Vivos

Qualquer factor que condicione a sobrevivência de um organismo é designado por factor


limitante. A temperatura e a salinidade são consideradas factores limitantes, uma vez que
qualquer alteração da temperatura ou da pressão osmótica do meio interno condiciona o
funcionamento do organismo.
Os animais possuem mecanismos que permitem, dentro de certos limites, o controlo da
temperatura corporal e a regulação da pressão osmótica no interior do organismo, por
exemplo. Estas tarefas são asseguradas pelos sistemas nervoso e hormonal, sendo
considerados sistemas coordenadores da homeostasia (manutenção das condições do meio
interno dentro de limites suportáveis para a sobrevivência das células, bem como a situação de
equilíbrio dinâmico).

Sistema Nervoso
O sistema nervoso permite a integraçã o das informaçõ es provenientes tanto dos
receptores sensoriais como dos diferentes ó rgã os do organismo. Este sistema compreende
o sistema nervoso central (SNC – encéfalo e medula espinal) e o sistema nervoso
periférico (SNP – nervos).

78
SNC e SNP

A unidade bá sica do sistema nervoso é o neuró nio, célula nervosa onde se distinguem três
zonas:
- Corpo celular, onde se localiza o nú cleo e a maior parte do citoplasma com os restantes
organelos;
- Dendrites, ramificaçõ es citoplasmá ticas que recebem o impulso nervoso de outros
neuró nios ou dos ó rgã os receptores;
79
- Axónio, prolongamento citoplasmá tico e com ramificaçõ es terminais que conduz o
impulso nervoso e o transmite a outro neuró nio ou a células.

A informação que circula no neurónio designa-se por influxo ou impulso nervoso e


chega ao neurónio pelo corpo celular ou pelas dendrites e sai sempre pelo axónio.

Resposta a um estímulo

 Receção – deteção de um estímulo pelos órgãos sensoriais.


 Transmissão – a informação é transportada ao longo da rede de neurónios
aferentes até ao SNC

80
 Integração – o cérebro e a espinal-medula integram e interpretam toda a
informação, determinando a resposta mais adequada para manter a
homeostasia.
 Resposta – a informação é transportada desde o sistema nervoso central pelos
neurónios eferentes até aos órgãos efectores, sendo estes que permitem
concretizar a resposta ao estímulo inicial.

A transmissão do impulso nervoso ocorre devido às sucessivas aberturas e fechos dos canais
de Na+ e K+ .
- Quando o neurónio está em repouso (potencial de membrana = potencial de repouso
-70mV), os canais encontram-se fechados, e a bomba de sódio/potássio está a funcionar
(bombeando 3Na+ para o exterior e 2K+ para o interior).

- Quando um neurónio é atingido por um determinado estímulo, os canais de Na + abrem-se, e


os iões Na+ entrem bruscamente para o interior da célula. Esta brusca entrada de iões positivos
faz com que o potencial de membrana passe de -70mV para +35mV. Esta alteração de
diferença de potencial chama-se despolarização.

- Esta rápida alteração do potencial eléctrico designa-se potencial de acção e é da ordem dos
105mV (de -70mV para +35mV). Quando a permeabilidade dos canais de Na + volta ao normal,
aumenta a permeabilidade dos canais de K + . Assim, verifica-se uma queda do potencial de
membrana, até se atingir o seu valor de repouso – repolarização.

Estimulo Limiar – estimulo mínimo para desencadear um potencial de acção.

Potencial de ação

81
Transmissão do Impulso Nervoso ao longo dos Neurónios

82
A rá pida propagaçã o do impulso nervoso nos neuró nios é garantida pela presença da
bainha de mielina que recobre os axó nios. O isolamento dos axó nios pela bainha de
mielina apresenta interrupçõ es, designadas nódulos de Ranvier, nos quais a superfície
dos axó nio fica exposta.
Nas fibras nervosas mielinizadas, o potencial de acção despolariza a membrana do axónio
unicamente na região dos nódulos de Ranvier, pois o efeito isolante da bainha de mielina
impede que essa despolarização ocorra nas restantes zonas. Desta forma, o impulso nervoso
salta de um nódulo para o seguinte, permitindo, assim, uma velocidade de propagação muito
mais elevada em relação à que se verifica nos neurónios desmielinizados.

Axónio com mielina

Condução saltatória – ocorre em neurónios com bainha de mielina, há despolarização


da membrana apenas nos Nódulos de Ranvier. É mais rápida, no entanto, se a bainha
de mielina estiver danificada a velocidade de propagação é menor.

Axónio sem mielina

Condução continua – o impulso passa por toda a extensão do axónio. Ocorre em


neurónios sem bainha de mielina e á velocidade de propagação é mais lenta.

Transmissão do Impulso Nervoso entre os Neurónios – Sinapses

83
O axónio de um neurónio não contacta directamente com as dendrites de outro neurónio ou
com a célula efectora, ocorrendo a transmissão do impulso nervoso numa zona designada por
sinapse.

As sinapses podem ser eléctricas ou químicas.

Sinapses químicas – são as mais comuns e nestas intervêm neurotransmissores.

Quando o impulso nervoso chega à zona terminal do axónio, as vesículas contendo


neurotransmissores, substâncias químicas produzidas pelos neurónios, fundem-se com a
membrana da célula pré-sináptica, lançando os neurotransmissores na fenda sináptica. Os
neurotransmissores, ao ligarem-se a receptores da membrana do neurónio pós-sináptico,
conduzem à abertura de canais iónicos associados a estes receptores, permitindo a entrada de
Na+ na célula. Esta entrada provoca a despolarização da membrana, originando um impulso
nervoso nessa célula

84
As sinapses também podem ocorrer entre um neurónio e uma célula efetora.

As sinapses químicas podem ser:

85
- excitatória
As sinapses excitatórias são aquelas onde a membrana pós-sináptica é despolarizada, como
por exemplo as sinapses entre neurónios motores e músculos esqueléticos. Os
neurotransmissores mais comuns são a dopamina , acetilcolina e adrenalina.

- inibitórias
As sinapses inibitórias causam a hiperpolarização da membrana pós-sináptica. Os
neurotransmissores mais comuns em sinapses inibitórias de vertebrados são o ácido gama-
aminobutírico (GABA) e a glicina.

NOTA : As drogas afetam o funcionamento das sinapses, pois como são substâncias químicas
competem com os neurotransmissores, ligando-se aos transportadores ou receptores destes,
impedindo que estes sejam eliminados das fendas sinápticas amplificando o seu efeito. As
drogas impedem a transmissão normal do impulso nervosos ou seja bloqueiam-no.

86
Termorregulação
De acordo com o modo como reagem à s variaçõ es de temperatura do meio externo, os
animais podem ser classificados em:
- Poiquilotérmicos – a temperatura corporal interna varia em funçã o da temperatura do
meio exterior. Estes animais sã o também exotérmicos, uma vez que dependem de fontes
exteriores de calor, como a radiaçã o solar, para manter a temperatura interna dentro de
limites tolerá veis para a sobrevivência das células. (cobra)
- Homeotérmicos – mantêm a temperatura corporal interna sensivelmente constante,
independentemente das variaçõ es do meio exterior verificadas dentro dos limites de
tolerâ ncia. Estes animais sã o também endotérmicos, pois conseguem regular a
temperatura interna do seu corpo através da produção de calor (por exemplo,
aumentando a sua taxa metabó lica) ou da perda de calor (por exemplo, desencadeando
vá rios mecanismos, tais como a transpiraçã o). (gato)

NOTA : Os animais homeotérmicos e endotérmicos apresentam sistema circulató rio


fechado com circulaçã o dupla e completa, o que lhes permite ter uma taxa metabó lica
elevada, pois a oxigenaçã o das células é mais eficiente.

Os animais poiquilotérmicos e exotérmicos apresentam sistema circulató rio fechado, mas


com circulaçã o simples ou dupla incompleta.

87
A temperatura é um fator limitante, na medida, em que interfere com a vida dos seres
vivos. Acima e abaixo de determinados valores de temperatura a sobrevivência é
colocada em causa, tal como mostra o gráfico.

88
Os mecanismos de termorregulaçã o sã o controlados por um ó rgã o do sistema nervoso, o
hipotálamo, embora, por vezes, o sistema hormonal também interfira no seu controlo. A
acçã o deste ó rgã o manifesta-se de diferentes formas nos animais poiquilotérmicos e nos

homeotérmicos.

- Nos seres poiquilotérmicos, as informaçõ es transmitidas ao hipotá lamo pelos receptores


térmicos, relativas ao abaixamento ou ao aumento da temperatura, conduzem à procura
por parte do animal de um local quente ou de um local fresco, respectivamente.

- Nos seres homeotérmicos, o hipotá lamo funciona à semelhança de um termóstato, isto é,


quando a temperatura baixa ou sobe acima de determinados valores, esta desencadeia no
organismo determinados mecanismos que contrariam a diminuiçã o ou o aumento da
temperatura interna. Através destes mecanismos de retroalimentação negativa

89
(feedback negativo), os efeitos produzidos actuam no sentido de contrariar a causa que
os originou para restabelecer o valor normal da temperatura corporal.

Curiosidades

90
91
92
Resumos - Unidade 5 – Crescimento e renovação celular

As células produzem moléculas específicas que permitem a renovação e o crescimento utilizando o seu

programa genético.

Das moléculas que são produzidas pelas células destacam-se as essenciais à vida como as proteínas que,

como sabes, são constituídas por uma série de aminoácidos e que estão na base do nosso código

genético.

A função do DNA, é então a molécula que contém toda a informação da atividade celular e permite

obter proteínas (síntese proteica).

Onde se encontra o ÁCIDO DESOXIRRIBONUCLEICO (DNA)

nas células? 
No ser procarionte o DNA encontra-se no

citoplasma e no eucarionte no núcleo, podendo

aparecer também DNA nas mitocôndrias (DNA

mitocondrial) e nos cloroplastos (DNA plastidial).

A molécula de DNA nos procariontes é circular e

constitui o nucleoide.

93
No ser eucarionte o DNA está praticamente todo presente no núcleo da célula.

Constituição do núcleo: Duas membranas, INTERNA e EXTERNA que constitui o invólucro

nuclear e que contém imensos POROS NUCLEARES (permitem a comunicação com o exterior

do núcleo). No interior das membranas existe o NUCLEOPLASMA (nuclesol) onde se

encontram os cromossomas (constituído por filamentos de DNA e proteínas), formando a

CROMATINA. O NUCLÉOLO são estruturas constituídas por proteínas e ácidos nucleicos (pode

existir um ou dois nucleolos).

94
Composição e Estrutura do DNA

O DNA é um polímero de nucleótidos em dupla hélice. Quimicamente o DNA é invariável

para qualquer ser vivo, o que o torna universal mas o número, o tamanho da molécula DNA e a

informação contida variam. Estima-se que o DNA humano meça cerca de 2m e o núcleo das

células cerca de 0,5 micrómetro, logo para que cerca de 2m caiba em 0,5 micrómetros é

necessário que o DNA se encontre densamente compactado.

95
O DNA está associado às HISTONAS que são proteínas específicas muito importantes pois

desempenham o papel de neutralizar as cargas elétricas (o grupo fosfato (ácido fosfórico) tem

carga negativa e a proteína positiva) e dar estrutura que assegura o compactamento do DNA.

Ao DNA associado à Histona dá-se o nome de CROMATINA.

O DNA é o suporte molecular da informação genética que coordena toda a atividade celular e

que é transmitida a todas as células-filhas.

O DNA, é constituído por

vários nucleótidos e cada

um destes é composto por

: um FOSFATO, uma

PENTOSE

(DESOXIRRIBOSE) e uma

BASE AZOTADA.

O Fosfato confere

características ácidas à

molécula, a Desoxirribose

é um açúcar que tem na sua constituição 5 átomos de carbono, as bases azotadas são 4:

timina e a citosina (ambas em anel simples) - PIRIMÍDICAS e a adenina e guanina (ambas em

anel duplo) - bases PÚRICAS. 

96
 

Como se ligam os nucleótidos?

O fosfato liga-se ao C3 da pentose e o grupo OH ao C5

A pentose tem 5 carbonos. O carbono 5 liga-se ao grupo fosfato anterior e o carbono 3 ao

grupo fosfato seguinte. Sempre na direção 5´->3'

Os nucleótidos podem ligar-se por reações de condensação que se designam por

ligações FOSFODIÉSTER, sequencialmente, formando cadeias polinucleotídicas.

97
http://ead.hemocentro.fmrp.usp.br/

A parte lateral da dupla hélice é formada pelos grupo fosfato alternando com a pentose

(desoxirribose/açúcar), a parte central pelas bases ligadas por pontes de hidrogénio.  A

espessura de uma molécula DNA é de 2nm o dobro da cadeia polinucleotídica 1nm. A

quantidade de Adenina + Guanina (bases de anel duplo) é sempre igual à de Timina + Citosina

(bases de anel simples)

98
.

A Adenina (A) liga-se à Timina (T) por duas ligações de hidrogénio e a Guanina(G) liga-se à

Citosina (C) por três ligações de hidrogénio.

A complementaridade de bases permite que a partir de uma sequência de nucleótidos de uma

cadeia se possa determinar a sequência da outra cadeia.

As cadeias são anti paralelas. Na cadeia do lado esquerdo a extremidade é o C3 (3') e na do

lado direito é o C5 (5')

99
NOTA : Gene é a unidade fundamental da hereditariedade* (definição da genética clássica).

É formado por uma sequência específica de nucleótidos que contém uma determinada informação,

corresponde a um código distinto (por exemplo: produzir uma determinada proteína, controlar uma

característica, como a cor do cabelo, dos olhos).

Cada gene tem um determinado número de nucleótidos e uma determinada sequência que contém a

informação para produzir uma proteína ou uma molécula de RNA .

Dentro da genética moderna, o gene é uma sequência de nucleótidos do DNA que pode ser transcrita

numa versão de RNA.

* HEREDITARIEDADE é o conjuntos dos processos biológicos que asseguram que cada ser receba e

transmita informações genéticas através da reprodução.

* GENÉTICA (do grego genno; fazer nascer) é a ciência dos genes, da hereditariedade e da variação

dos organismos.

A informação genética está codificada Na sequência de nucleótidos de um gene que determina a

ordem de aminoácidos da proteína.

O DNA é constituído por 4 nucleótidos e por duas cadeias polinucleotidicas (universalidade). Os 4

nucleótidos diferentes do DNA podem estar presentes um grande número de vezes e em sequências

diferentes, logo, existe uma grande diversidade de moléculas de DNA. O DNA é ÚNICO para cada ser

(variabilidade), daí falar-se da UNIVERSALIDADE E VARIABILIDADE da molécula. A totalidade do DNA

contido numa célula constitui o GENOMA indivíduo.

100
Replicação do DNA 
 
As células antes de se dividirem duplicam o seu DNA, assegurando o seu património

genético ao longo das gerações.

Como é que o fazem? DNA é constituído por duas cadeias polinucleotídicas que são

complementares (bases) e antiparalelas.

1-Por ação de enzimas as cadeias separam-se, quebrando as pontes de hidrogénio, em locais

específicos. (helicase)

-A enzima mais importante é a DNA polimerase (promove a ligação entre bases, através do

hidrogénio, liga o fosfato ao açúcar do nucleótido seguinte e corrige erros).

-A enzima DNA ligase irá promover a ligação entre as cadeias e entre os fragmentos de

Okasaki

2- As cadeias separadas vão servir de molde à formação de uma nova cadeia que será

complementar, utilizando nucleótidos existentes no meio.

3- Forma-se duas novas cadeias que são antiparalelas a cada uma das cadeias que lhe serve

de molde.

A Replicação assegura a conservação do património genético de geração para geração.

A replicação do DNA é uma replicação SEMICONSERVATIVA, pois formam-se duas novas

cadeias (cópias integrais das cadeias originais) que se irão ligar às cadeias que lhes deram

origem, ou seja, as moléculas formadas são idênticas às originais, ficando agora cada cadeia

com uma parte da cadeia antiga e outra parte da cadeia formada.

Este modelo de replicação SEMICONSERVATIVA* permite explicar a transmissão genética e a

101
constante composição do DNA nas divisões celulares.

A hipótese de replicação semiconservativa foi apoiada pelas experiências de Meselson e

Stahl em 1958.

* Chegou-se a pensar que a duplicação do DNA poderia ocorrer por 3 métodos diferentes:

replicação conservativa, dispersiva e semiconservativa. A hipótese de replicação

semiconservativa foi apoiada pelas experiências de Meselson e Stahl em 1958 e é a

atualmente aceite.

As cadeias-filhas de DNA não crescem da mesma forma. A que copia a cadeia 3'-5' cresce de

uma forma contínua e a que copia a cadeia 5'-3' fá-lo em pequenas porções, de uma forma

descontínua.

102
Composição e Estrutura do RNA

O RNA (ácido ribonucleico) é formado por uma cadeia polinucleotídica. Cada nucleótido 

possui  4  bases azotadas a:  Adenina, Uracilo, Guanina e Citosina, uma pentose chamada de

Ribose e um grupo fosfato .  O Uracilo é uma base em anel simples (pirimidina)  .

103
 

Há 3 tipos de RNA: O Ribossómico (rRNA), O Transportador(tRNA) e o Mensageiro

(mRNA).

104
Diferenças entre o DNA e o RNA

105
Síntese de proteica

O Dogma da biologia molecular

O Dogma propõe que existe uma

unidirecionalidade na informação

contida nos genes em que esta

informação genética é perpetuada

através da replicação do DNA e é

traduzida através de dois processos:

-A transcrição que converte a

informação do DNA em uma forma

mais acessível (uma fita de RNA

complementar);

- e a tradução que converte a

informação contida no RNA em

proteínas. 

Este dogma foi proposto pela primeira

vez pelo Francis Crick, em 1958. 

Genericamente pode-se referir que na passagem da linguagem polinucleotidica (linguagem

genética) do DNA para a linguagem polipeptídica das proteínas consideram-se duas etapas

fundamentais:

106
Transcrição - a informação contida no DNA (gene) é copiada para o RNA, corresponde à síntese

de mRNA, por complementaridade de bases.

Tradução- informação contida no RNA mensageiro é traduzida em sequências de aminoácidos.

O DNA não consegue sintetizar diretamente uma proteína, forma-se uma molécula de RNA

mensageiro que "viaja" do núcleo até ao citoplasma da célula onde se encontram os

ribossomas e a mensagem é transformada numa cadeia polipipédica.

107
TRANSCRIÇÃO

Como já foi referido o mRNA forma-se no núcleo a partir da informação contida no DNA e

por complementaridade, é a este processo que se dá o nome de Transcrição.  Neste

processo, as cadeias do DNA separam-se e uma serve de molde para o RNA, enquanto a

outra fica inativa. Ao fim da transcrição, as cadeias que foram separadas voltam a unir-se.

Para que ocorra a transcrição é necessário a ação de uma enzima que catalisa o processo, a

RNA polimerase.

O mRNA, formada a partir do molde de uma das cadeias do DNA, é polimerizado (formado)

no sentido 5´-3´e as bases ligam-se por complementaridade (a Timina é substituída pelo

uracilo e liga-se à Adenina).

A Transcrição inicia-se numa sequência especial quando a RNA polimerase se liga a uma das

extremidades do DNA designada por PROMOTOR (zona inicial do gene) . Neste local, existe um

sítio de iniciação, com a primeira base a ser transcrita. O processo é iniciado quando a

polimerase do RNA (RNA polimerase) se liga a uma das extremidades do DNA.

ETAPAS

1 - O DNA e as polimerases do RNA (enzimas catalisadoras da reação) estão livres na célula e

podem se encontrar ao acaso, porém a transcrição só tem início quando a enzima encontra e

liga-se fortemente ao sítio promotor. Quando isso acontece, a dupla-hélice é desenrolada e as

cadeias são separadas.

2 - A RNA polimerase ligada à região promotora inicia o processo de transcrição,  promove a

separação pontual das cadeias e inicia-se a transcrição da informação, com a formação do RNA

a partir de nucleótidos livres (ribonucleotidos) na célula e faz-se sempre na direção 5´-3´.

108
3 - À medida que vai sendo fabricado o RNA mensageiro, liberta-se da cadeia-molde de DNA e

o DNA já transcrito enrola-se quase imediatamente, voltando ao seu estado inicial (dupla

hélice).

4 -A RNA polimerase percorre a cadeia e  transcreve o DNA em RNA até encontrar a sequência

de terminação, que contém bases específicas que determinam o fim da transcrição.

Quando a RNA polimerase encontra a sequência de terminação, o RNA pára de ser transcrito.

A partir desse momento, nenhuma outra base azotada é incorporada ao RNA. Neste momento,

liberta-se uma molécula de RNA e imediatamente a molécula de DNA enrola-se

completamente.

Nos eucariontes forma-se o RNA percursor ou pré-mRNA, que vai sofrer uma série de

transformações, processamento ou maturação, antes de sair do núcleo, isto nas células

eucarióticas. Nas células procarióticas não há fase de processamento ou maturação.

Nos seres eucariontes cada gene no DNA contém sequências de nucleótidos que não codificam

informação para a síntese de proteínas, designados por INTRÕES e que serão removidos antes

da molécula passar para o citoplasma. As porções que contém a informação para a síntese das

proteínas designam-se por EXÕES permanecem na molécula e sairão do núcleo pelos poros da

109
membrana nuclear. Ao processo  da remoção dos intrões, dá-se o nome de MATURAÇÃO,

PROCESSAMENTO OU SPLICING.

Quando o mRNA passa para o citoplasma será desencadeada a formação de uma

proteína específica, num processo chamado de tradução do código genético.

O processo de TRADUÇÃO - A tradução consiste na descodificação da mensagem contida em

mRNA para produzir uma proteína.

Relembrando: Uma proteína é constituída por mais de 100 a.a. unidos por ligações peptídicas.

Nos seres vivos existem 20 tipos de a.a. diferentes e só 4 nucleótidos diferentes que vão

codificar os 20 a.a. logo têm de existir um código – código genetico

110
Como deves imaginar só com estes 4 nucleótidos, combinando todas as bases, daria apenas

para codificar 4 a.a. diferentes. (4x1)

Com 2 nucleótidos podem ser codificados 16 a.a. (4x4)

Com 3 nucleótidos podem ser codificados 64 a.a.  (4x4x4).

Se o código consistir numa sequência de 3 nucleótidos é mais que suficiente para produzir os

20 tipos de a.a. diferentes. E é na verdade o sistema utilizado pelos seres vivos. Três

nucleótidos sequenciais constituem o TRIPLETO, que é a mais pequena unidade que permite a

codificação de um a.a.

Cada tripleto do RNA mensageiro que codifica um determinado aminoácido, ou que determina

o início ou fim da síntese, dá-se o nome de CODÃO ou CODOGENES (se for tripleto de DNA). A

sequência destes codões dá origem a uma proteína.

111
Esta tabela mostra os codões e os seus respectivos aminoácidos e também os codões de

terminação (stop) e de iniciação (AUG - Met - codão de iniciação).

112
Principais características do código genético

- Cada aminoácido é codificado por uma sequência de nucleótidos do RNAm – CODÃO

- Universalidade: Em todos os seres vivos existe uma linguagem comum a todas as


células, o código genético. A um determinado codão corresponde o mesmo
aminoácido na maioria dos organismos.

- Redundância: existem vários codões que podem codificar o mesmo aminoácido.

- Não ambiguidade: um determinado codão não codifica dois aminoácidos diferentes,


codifica apenas um e um só a.a.

- O terceiro nucleótido de cada codão não é tão específico comos os dois


primeiros - Por exemplo o o a.a. arginina pode ser codificado pelos codões CGU,
CGC, CGA e CGU.

- Codões de finalização (ou stop): os tripletos UAA, UAG e UGA quando ‘lidos’ pelo
complexo de tradução (ribossomas) indicam a interrupção do processo, e a proteína é
libertada.

- Codão de iniciação: o tripleto AUG que codifica o aminoácido metionina, é


responsável pelo sinal de início da tradução.

113
Etapas da Tradução

INICIAÇÃO

1- o mRNA liga-se à subunidade menor do ribossoma no codão de iniciação (AUG) com o

anticodão do tRNA (UAC- metionina ). A subunidade maior (ou grande), liga-se com a

subunidade menor (ou pequena)- o ribossoma está funcional

ALONGAMENTO

Na subunidade maior existem dois locais importantes na síntese de proteínas; o local P onde o

tRNA se encontra ligado à metionina; o local A, onde o tRNA seguinte se liga ao codão

complementar seguinte.

O anticodão seguinte, que transporta o segundo a.a. liga-se por complementaridade ao

segundo codão e a metionina estabelece-se a primeira ligação peptídica com este. O

ribossoma avança 3 bases e repete-se todo o processo ao longo do mRNA até se sintetizar a

proteína.

FINALIZAÇÃO

Quando o ribossoma chega ao codão de finalização (de terminação, ou stop) e por

complementaridade o reconhece, termina a síntese proteica. Os codões de terminação (UGA,

UAG ou UAA), não têm no tRNA correspondentes e por isso a síntese termina. A cadeia

polipeptídica (proteína) desprende-se e as subunidades ribossómicas podem ser utilizadas de

novo.

A mesma molécula de mRNA pode ser traduzida por mais que um ribossoma levando à

formação de mais que uma proteína igual. 

114
Cada tripleto de ligação das bases  do DNA (codogene) correspondem, como já foi

referido, a um codão de RNA mensageiro e a cada codão corresponde um

ANTICODÃO  do RNA transportador (tRNA) relacionado a um aminoácido desse

anticodão. Por exemplo o codão do mRNA (UUU) terá como anticodão do tRNA o

(AAA), relacionado com a Lisina (aminoácido).

  

Tabela

115
Resumo:

A síntese proteica é um processo complexo em que intervêm:

Intervenientes Funções
moléculas produzidas no núcleo das células eucarióticas e que

mRNA transportam a informação (para a síntese da proteína), contida

no gene, para o citoplasma


funciona como interprete da mensagem do mRNA. Ele seleciona e
tRNA
transfere os aminoácidos para os ribossomas
Aminoácidos unidade básica dos peptídeos
Ribossomas organito celular onde ocorre a tradução da mensagem
Enzimas catalisam as reações
ATP transferem a energia

Na síntese proteica existem duas características importantes a amplificação e rapidez.

A amplificação porque várias moléculas de mRNA podem ser transcritas a partir do mesmo

fragmento de DNA ou seja produzidas a partir do mesmo gene e a mesma mensagem pode ser

traduzida por vários ribossomas .

A rapidez porque tudo se passa com relativa rapidez. Por exemplo uma célula percursora de

uma hemácia pode sintetizar a hemoglobina, constituída por 140 a.a. em apenas 2 a 3

minutos.

1 - Mutação génica.
Uma mutação é uma alteração no material genético.

116
Quando a mutação afeta um ou mais genes, mais concretamente a sequência dos
nucleótidos, designa-se por mutação génica. Esta alteração pode ter como consequência a
formação de uma proteína diferente da normal e estar na origem de doenças.

Mutações Génicas

Mutação silenciosa Substituição de uma base do DNA por outra (no 3º nucleótido
de cada codão), mas que resulta num codão que codifica o
mesmo aminoácido, devido à redundância do código genético.
São muito comuns e responsáveis pela diversidade genética
Substituição que não é expressa fenotipicamente.
(substituição
de uma só Mutação com perda Substituição de uma base do DNA por outra, que tem como
base do DNA) de sentido consequência a substituição de um aminoácido por outro na
proteína codificada. A conformação da proteína pode ser
alterada. (ex: anemia falciforme)

Mutação sem Substituição de uma base do DNA de tal modo que, no RNAm,
sentido (nonsense) um codão que especifica um aminoácido é alterado para um
codão de STOP, ou o contrário. Origina uma proteína mais
curta ou mais longa do que a proteína normal.

Delecção
(remoção de
uma ou mais Pode ser removida uma única base do DNA ou milhares delas. A remoção de um
bases do DNA) número de bases que não seja múltiplo de três altera completamente a mensagem do
gene.

Inserção
(Adição de
uma ou mais O número de bases adicionadas ao DNA pode variar. A adição de um número que não
bases ao DNA) seja múltiplo de três altera completamente a mensagem do gene. Quando é inserida
uma sequência igual a outra ocorre uma duplicação.

1.1 Exemplos de Mutações Génicas: Anemia Falciforme, Albinismo e Fenilcetonúria

Anemia Falciforme – exemplo de uma mutação por substituição

117
1.2 – Causas das mutações:
Causas Físicas – Radiações (raios X, raios gama, Raios cósmicos, raios UV), an dioactividade,
calor.
Causas químicas – Corantes alimentares, componentes do fumo do tabaco, nitrosaminas,
colquicina, gás mostarda.
Erros na leitura da molécula de DNA durante a replicação

2 - O ciclo celular

Quando uma célula se divide é necessário que a molécula de DNA se replique, sendo
que a célula filha herda toda a informação genética da célula mãe. No caso das células
procarióticas, o processo é bastante simples. Ocorre logo após a replicação da molécula de
DNA. No entanto, nas células eucarióticas, o processo é bastante mais complexo, uma vez que
o DNA está armazenado em várias moléculas, sendo que está associado a uma proteína, as
histonas. Cada porção de DNA, associada às histonas, constitui um filamento de cromatina.
Estes filamentos encontram-se dispersos na célula, exceto no processo de divisão, em que se
condensam em cromossomas.

118
Esta condensação resulta da associação entre as histonas e o DNA. Na fase de condensação
cada cromossoma é constituído por dois cromatídeos (duplicação do filamento inicial de
cromatina) unidos por uma estrutura resistente, o centrómero. Para que a célula se divida,
ocorre um processo designado por fase mitótica que é constituído por um processo de mitose
(duplicação de todos os cromossomas do núcleo original) e um de citocinese (divisão do
citoplasma). Assim formam-se duas células-filhas idênticas entre si e à célula-mãe.

O ciclo celular corresponde


Ciclo Celular
às fases pelas quais uma célula passa
até se dividir e originar duas células-
filhas.
Interfase Fase Mitótica

Período Período Citocines


Período S Mitose
G1 G2 e

2.1 - Interfase e os principais acontecimentos de cada uma das suas fases:


Os cromossomas estão distendidos e não são visíveis ao MOC
Período G1: Período de síntese de substâncias (proteínas, glícidos, lípidos, RNA, enzimas) que
permitem o crescimento e maturação celular.

Período S:

119
Ocorre a replicação de DNA e cada cromossoma passa a ser constituído por 2 cromatídeos
ligados pelo centrómero.
Associação das histonas ao DNA.
Duplicação dos centríolos no caso das células animais.

Período G2:
Aumento da síntese proteica e de estruturas membranares.

2.2 -Processo mitótico e os principais acontecimentos de cada uma das suas fases:
 Processo pelo qual, durante a divisão celular, a célula-mãe (o núcleo de uma célula)
origina 2 células-filhas (2 núcleos-filhos), com informação genética idêntica à célula-mãe.
 É um processo mais simples nos procariontes do que nos eucariontes, devido à
simplicidade da molécula de DNA.
 Nos organismos unicelulares essa divisão serve para criar novos organismos,
enquanto que nos organismos pluricelulares a utilizam para crescerem e para reparar os
tecidos danificados.
 A informação genética nestes organismos encontra-se distribuída por várias
moléculas de DNA, as quais estão associadas a proteínas designadas histomas.
Enquanto que as moléculas de DNA são responsáveis pelo armazenamento da
informação fenética, as histomas conferem estabilidade ao DNA e são responsáveis
pelo processo de consensação.

Fases da Mitose:
Prófase:
- Etapa mais longa;
- Condensação e encurtamento dos cromossomas;
- Desaparece o nucléolo e a membrana nuclear desagrega-se;
- Os centrossomas (2 pares de centríolos) afastam-se para polos opostos
formando entre eles o fuso acromático ou mitótico.

Metáfase:
- Condensação máxima dos cromossomas.
- Disposição dos cromossomas na placa equatorial
(centrómeros no centro e braços dos cromossomas para o
exterior)

120
Anáfase:
- Clivagem dos centrómeros e deslocação dos cromatídeos para os polos opostos na
célula (encurtamento dos microtúbulos)

Telófase:
- Reorganização do núcleo.
- Descondensação dos cromossomas
- Desaparecimento do fuso acromático.

2.3 -Citocinese e conhecer


as diferenças entre o
processo nas células
animais e vegetais:
- A citocinese é o
processo pelo qual, o
citoplasma se divide, para dar
origem às 2 células-filhas.
- É um processo mais simples nas células animais do que nas vegetais, uma vez que
estas possuem, além da membrana celular, a parede celular.

 Nas células animais a citocinese ocorre por estrangulamento (da periferia para o centro) do
citoplasma por ação de microfibrilas proteicas.

 Nas células vegetais:


- Forma-se a placa equatorial (deposição das
vesículas de Golgi contendo celulose,
polissacarídeos, proteínas)

121
- As vesículas de Golgi fundem-se e originam uma membrana celular que, posteriormente,
se divide em duas.
- Deposição de celulose junto da placa celular para formar as paredes celulares (do centro
para a periferia) até atingir a parede da célula -mãe.
- As paredes celulares têm poros – os plasmodesmos, que permitem a comunicação entre
os citoplasmas de diferentes células.

Mitose

Ocorre em células somáticas.

Origina duas células-filhas, cujo número de


cromossomas é igual ao da célula-mãe.

A quantidade de DNA das células-filhas é


igual à da célula-mãe.

A informação genética das células-filhas é


idêntica à da célula-mãe.

O centrómero divide-se na anafase.

Só ocorre uma divisão.

VARIAÇÃO DA QUANTIDADE DE DNA NA MITOSE

122
2.4 -Regulação do ciclo celular

Apoptose ou morte celular – Se as moléculas de DNA não se apresentam de forma


adequada ao ciclo celular, as células “autosuicidam-se”.

Quando os mecanismos de regulação falham, pode ocorrer, por exemplo, um cancro/neoplasia


maligna

2.4.1 -O cancro é uma doença genética que resulta da perda de controlo do


ciclo celular. A divisão de uma célula com mais
frequência do que o
normal dá origem
a uma

população de
células em
proliferação
descontrolada e
forma uma massa
de células ou tumor.

 Características das células cancerosas:


 são pouco especializadas
(desdiferenciadas) e com forma
arredondada;

123
 dividem-se continuamente;
 invadem os tecidos adjacentes;
 podem instalar-se noutros locais do organismo, onde chegam através da
corresnte sanguínea ou linfática, originando novos tumores que se chamam
metástases.

 Na maior parte das situações, as mutações ocorrem em células somáticas ao longo da vida,
embora também possam ocorrer em células germinativas. Geralmente, é um acumular de
mutações que desencadeia o desenvolvimento de um cancro.

 Genes relacionados com o aparecimento de cancro e suas mutações:


 Oncogenes:
 Resultam da mutação de proto-oncogenes.
 Os proto-oncogenes codificam proteínas que estimulam o
crescimento e a divisão celular e têm uma função essencial
nas células normais, por exemplo, durante o
desenvolvimento embrionário e na reparação de tecidos
lesados.
 Quando indevidamente ativados, promovem uma
proliferação celular excessiva que conduz ao
desenvolvimento de um cancro.

 A ativação de um oncogene pode resultar de diferentes tipos de


mutações:
 Substituição de bases no DNA, e consequente alteração na
sequência de aminoácidos da proteína formada, que resulta
numa proteína com maior atividade ou resistente à
degradação;
 Amplificação do proto-oncogene - Traduz-se numa maior
quantidade do produto codificado pelo gene;
 inversões ou translocações que levam à alteração do local
que o proto-oncogene ocupa no genoma. Se o proto-
oncogene for deslocado para junto de um gene ativamente
transcrito ou para junto de um DNA viral, a sua taxa de
transcrição também aumenta.
 Genes supressores de tumores:
 Os produtos destes genes contrariam o estímulo proliferativo dos
proto-oncogenes através de uma ação inibidora;
 Os genes supressores de tumores podem estar na origem do cancro
quando sofrem mutações como as seguintes:
 delecções, que causam a sua perda;
 substituição de bases do DNA que resulta numa
proteína onde se verifica perda de função
relativamente à proteína normal.
 Genes que codificam proteínas reparadoras do DNA:
 As mutações nestes genes permitem a acumulação de outras
mutações, algumas das quais em proto-oncogenes ou genes
supressores de tumores.

124
 Os agentes mutagénicos podem ativar oncogenes ou desativar genes supressores de tumores e
causar cancro.
 As infeções por vírus contribuem para o aparecimento de cancro pela integração do material
genético do vírus no DNA das células afetadas. O DNA viral pode ser inserido num local onde
destrua a atividade de um gene supressor de tumores ou converta um proto-oncogene num
oncogene.

3 - Crescimento e regeneração de tecidos vs diferenciação celular

Crescimento e Renovação Celular & Diferenciação celular

EX: RENOVAÇÃO
Mitoses Sucessivas Mitoses DE CÉLULAS
OVO ORGANISMO SANGUÍNEAS
ADULTO
CRESCIMENTO E MANUTENÇÃO
MANUTENÇÃO

Durante o crescimento dos organismos pluricelulares, as células vão sofrendo processos


de diferenciação celular  Conjunto de processos através dos quais células
geneticamente idênticas se especializam no sentido de desempenhar uma ou várias
funções.

Expressão de determinados genes e inativação de outros 125


As células estaminais (células-mãe ou células-tronco) são células capazes de se
autorrenovarem e de se diferenciarem em diferentes tipos de células ou tecidos.
Características das células estaminais:
 São células indiferenciadas - não especializadas;
 Têm a capacidade de expansão, isto é, são capazes de se dividirem e de se
diferenciarem em diferentes tipos de células
 Apresentam capacidade de autorrenovação – apresentam uma divisão assimétrica
originando, por mitose, uma célula especializada e outra estaminal.

Tipos de células estaminais.

Embrionárias Totipotentes

Células
Fetais Pluripotentes
Estaminais

Multipotentes
Adultas
e unipotentes
Embrionárias: Obtidas a partir do embrião pré-implantação (embrião com 3 dias com 6
a 12 células).
Fetais: Obtidas do embrião pós-implantação e do feto (no embrião pré-implantado
com 6 dias de vida, o blastocisto, e no embrião pós-implantação).
Adultas: Obtidas da placenta, cordão umbilical ou de um organismo adulto. (Dados
mais recentes indicam que os tecidos fetais, da placenta e dos adultos também possuem uma
população minoritária de células estaminais pluripotentes.)
Totipotentes: Diferenciam-se em qualquer tipo de célula.
Pluripotentes: Diferenciam-se em todos os tipos de tecidos com exceção da placenta.
Ex: Células Sanguíneas.
Multipotentes: Originam células de tecidos específicos (reserva celular para renovação
e reparação de tecidos). Foram isoladas de tecidos como a medula óssea, pele, fígado, etc.
Mais recentemente, também no cérebro, coração e músculos.

NOTA : Nas plantas, os tecidos formados por células indiferenciadas designam-se de


Meristemas

3.1 -Como se forma um ser diferenciado a partir de uma única célula?

126
Diferenciação celular é o processo pelo qual as células se "especializam" para realizar
determinada função.

Ovo (Célula totipotente : a


partir da qual se formam
todas as outras células).
Factores Citoplasmáticos nos
processos de transcreição e
Processo de Diferenciação - tradução
Nas 1ª divisões dá origem a Origina células
células indiferenciadas - especializadas com funções
células estaminais. específicas por
activação/inibição de genes, Sinais provenientes de
devidodiferenciadas
Em determinadas circunstâncias, as células a: podem perder células
a suavizinhas
especialização, transformando-se em células indiferenciadas

As células indiferenciadas podem também ser usadas para a obtenção de indivíduos


geneticamente idênticos – clonagem – mantendo o genoma da célula inicial.

 Clonagem é a produção de um ou mais indivíduos geneticamente idênticos ao progenitor.

Processo de colonagem da ovelha Dolly


1º Foi transplantado uma célula das glândulas mamárias de uma ovelha para um ovulo
de outra.
2º Após se ter cultivado estas células num meio de cultura apropriado, este grupo
parou o ciclo celular em G0. Seguidamente, fundiu-se estas células com óvulos de ovelha, aos
quais se tinha removido o núcleo.
3º As células resultantes desenvolveram embriões e foram implantados noutra ovelha.
Desta forma tinha sido conseguido o primeiro clone de mamífero manipulado pelo Homem.

vantagens da clonagem
As principais vantagens da clonagem são:
 A preservação de animais em extinção;
 Desenvolvimento de animais imunes a algumas doenças que são contagiosas;
Clonagem de células humanas para tratamento de doenças, como: pâncreas para diabéticos
e de células do sangue para indivíduos com leucemia.

127
4 - Regulação da expressão dos genes

Uma porção significativa de genes tem como função controlar a atividade de outros
genes, mantendo apenas ativos genes cuja ação proporciona condições vitais para a
célula e lhe conferem funções específicas.

 Se não regulasse a expressão dos genes, a célula produziria constantemente proteínas em


elevadas quantidades. Mas nem todas as proteínas são necessárias em determinadas
circunstâncias e nas mesmas quantidades.

 Um gene não possui apenas na sua sequência bases que serão transcritas para RNA; possui
sequências associadas à sua regulação e à ligação com a RNA polimerase.
o Promotor: região do DNA à qual se liga uma RNA polimerase para dar início à
transcrição.
o Indutor: proteína que induz a transcrição, mediando a ligação da RNA polimerase ao
DNA.
o Repressor: proteína que se pode ligar ao DNA, impedindo que a RNA polimerase
avance, atuando como mecanismo de controlo da transcrição, ao regular a produção
de RNAm de acordo com as necessidades.
 Ao impedir a síntese de novo RNAm pelo mecanismo da transcrição, a célula consegue regular a
produção de proteínas, pois os RNAm que tinha produzido anteriormente apresentam um
período de vida curto, degradando-se em cerca de dois minutos. Um ciclo de degradação e
nova síntese de RNAm nas células ocorre rápida e continuamente, o que constitui um requisito
fundamental para o controlo da transcrição e um procedimento fulcral na regulação da
expressão génica em procariontes.

4.1 -Regulação nos eucariontes

Regulação ao nível da estrutura da cromatina:


 Heterocromatina: zonas onde a cromatina se encontra altamente condensada e onde os genes
não são transcritos (encontram-se silenciados).
 Eucromatina: regiões com menor grau de condensação que, como se encontram menos
enroladas, permitem a ligação da RNA polimerase ao DNA, possibilitando a ocorrência da
transcrição.
 O grau de condensação da cromatina permite, assim, controlar a expressão de um grande
conjunto de genes, facilitando ou impedindo o contacto entre a enzima e o DNA.

Regulação ao nível do processamento, tradução do RNAm e pós-tradução :


128
 O processamento de RNA inclui, nos eucariontes, o processo de excisão, em que determinados
fragmentos de RNA são removidos, não sendo assim traduzidos em proteínas. Ao nível deste
processo pode ocorrer regulação na rn oteico dos fragmentos a remover: um mesmo gene, ao ser
transcrito em dois órgãos distintos origina RNAm iguais; todavia, este pode sofrer mecanismos
de excisão diferentes, originando RNAm maduros igualmente diferentes. Consequentemente,
nos dois órgãos podem formar-se duas proteínas com funções diferentes, codificadas por um
mesmo gene. – Processamento alternativo

 A célula consegue controlar o tempo de duração de uma molécula de RNAm, manuseando a


produção de proteínas. Se uma molécula de RNAm tiver um tempo de vida longo, poderá ser
repetidamente lida pelos ribossomas, sendo assim traduzida em muitas moléculas de proteínas
iguais entre si. Se tiver, pelo contrário, um tempo curto de vida, poucas proteínas se formarão a
partir desse RNA. O tempo de vida pode ser modificado por complexos nroteicos que se ligam e
protegem o RNAm da degradação por enzimas presentes no citoplasma.
 Tradução: a manipulação das proteínas específicas que permitem a ligação dos ribossomas ao
RNAm permite à célula adequar a tradução, controlando a quantidade de proteínas que se
formam por leitura do RNAm.

129
5 - Reprodução
A reprodução é uma função característica dos seres vivos, que permite o
aparecimento de novos indivíduos, através da divisão celular.
Todos os organismos têm capacidade para se reproduzirem; podem ser classificados
em dois grandes grupos: a reprodução assexuada e a reprodução sexuada.

5.1 - A reprodução assexuada ocorre quando um indivíduo dá origem a outros sem


ocorrer a fecundação. Nesta, os seres resultantes são geneticamente idênticos ao progenitor e
denominam-se clones.
Embora a reprodução assexuada seja mais comum em seres unicelulares, também
pode ocorrer em alguns seres pluricelulares.
A reprodução sexuada envolve a produção de gâmetas (células especializadas) que
depois de unidas (fecundação) dão origem a um novo ser.

Principais estratégias de reprodução assexuada.

Bipartição:
É uma divisão simples ou binária, em que uma célula se
divide em duas, semelhantes, que crescem até ao tamanho da
progenitora.
Ocorre mais frequentemente em seres unicelulares procariontes, mas também em
unicelulares eucariontes. (Exemplo: Paramécia)

Divisão Múltipla:
Denominada também de pluripartição ou esquizogonia.
Neste processo, o núcleo da célula-mãe divide-se em vários
núcleos. Cada núcleo rodeia-se de uma porção de citoplasma e
de uma membrana, dando origem às células filhas, que são
libertadas quando a membrana da célula-mãe se rompe.
Ocorre em protistas e em alguns fungos. (Exemplo:
Amiba)

Fragmentação:
Obtenção de
vários indivíduos a partir
da regeneração de
fragmentos de um
indivíduo progenitor.
Ocorre em algas
(Espirogira), animais
pouco diferenciados (Planárias) e algumas estrelas-do-mar.

130
Gemulação ou Gemiparidade:
Ocorre quando, na superfície da célula ou do
indivíduo, se forma uma dilatação denominada gomo ou
gema. Ao separar-se, o gomo dá origem ao novo indivíduo,
geralmente de menor tamanho que o progenitor.
Ocorre em seres unicelulares (Leveduras) e em
seres pluricelulares (Esponja, Hidra). Também pode ocorrer em plantas superiores.

Partenogénese:
Consiste no desenvolvimento de um indivíduo a partir de um oócito
não fecundado ou seja de um gâmeta feminino não fecundado.
Ocorre em algumas plantas e animais (Abelhas, Alguns Peixes,
Anfíbios e Répteis).

Esporulação:Consiste na formação de esporos - células


especiais que possuem uma camada protetora muito
espessa e resistente, o que favorece a sua “sobrevivência”
mesmo em ambientes desfavoráveis.
Os esporos formam-se em estruturas próprias – os
esporângios.
Ocorre em Fungos.

Multiplicação Vegetativa:
Processo exclusivo das plantas devido à existência de tecidos especiais - meristemas –
que possuem a capacidade de diferenciação.
Certas estruturas multicelulares (folhas, caules aéreos ou subterrâneos) fragmentam-
se, separam-se da planta-mãe e originam uma nova planta - multiplicação vegetativa natural.
O Homem utiliza certas técnicas para a propagação vegetativa de plantas -
multiplicação vegetativa artificial.

 Multiplicação Vegetativa Natural:

 Folhas - Certas plantas desenvolvem nas suas folhas pequenas plântulas em


miniatura, que caem ao solo e originam uma planta adulta (Exemplo: Kalanchoe).

131
 Estolhos - A planta forma caules (estolhos) prostrados, que partem do caule
principal e possuem na extremidade uma plântula com as suas próprias folhas e raízes.
Quando a plântula se fixa ao solo o caule morre (Exemplo: Morangueiro).
 Rizomas - Caules subterrâneos alongados e ricos em substâncias de reserva, que
crescem paralelos ao solo. Os rizomas podem alongar-se e formar gemas, que se diferenciam
em novas plantas (Exemplo: Lírio).
 Tubérculos - Caules subterrâneos volumosos e ricos em substâncias de reserva.
Possuem gomos com capacidade germinativa (Exemplo: Batata).
 Bolbos - Caules subterrâneos que possuem um gomo terminal rodeado por folhas
carnudas, ricas em substâncias de reserva. Podem formar-se novos gomos laterais que
originam novas plantas (Exemplo: Tulipa)

Folhas  Estolhos  Rizomas 

Tubérculos  Bolbos

 Multiplicação Vegetativa Artificial:

 Estacaria – A multiplicação vegetativa por estacaria é a


mais utilizada e consiste na introdução de fragmentos da planta
no solo, a partir dos quais surgem raízes e gomos que dão origem
a uma nova planta (Exemplo: Videira, Roseira).

 Mergulhia – Consiste em
dobrar um ramo da planta até

132
enterrá-lo no solo. A parte enterrada irá criar raízes, originando assim, uma planta
independente.
A alporquia é uma variante da mergulhia e usa-se na impossibilidade de dobrar o ramo
da planta até ao solo. Neste caso, utiliza-se o alporque, ou seja, corta-se um bocado da casca
de um ramo e envolve-se esta parte num plástico contendo terra, de forma a promover o
aparecimento de raízes.

 Enxertia – A enxertia consiste na junção das superfícies cortadas de duas partes de


plantas diferentes. As partes das plantas mais utilizadas em enxertia são pedaços de caules ou
gomos e as plantas envolvidas são, normalmente, da mesma espécie ou de espécies
semelhantes. A parte da planta que recebe o enxerto chama-se cavalo ou porta enxerto e a
parte da planta dadora chama-se garfo ou enxerto.

Relacionar mitose com reprodução assexuada.


A mitose é o mecanismo celular que permite a ocorrência da reprodução assexuada e
consiste na multiplicação de uma célula em duas células-filhas geneticamente idênticas a
célula-mãe.

Relacionar a reprodução assexuada com o aumento rápido das populações de seres


vivos.
Este tipo de reprodução não contribui para a variabilidade genética das populações
mas assegura o seu rápido crescimento e a colonização de ambientes favoráveis.
Muitos dos organismos que se reproduzem assexuadamente, também o podem fazer
sexuadamente, sempre que as condições do meio se tornam desfavoráveis. Esta capacidade
permite-lhes diminuir o risco de extinção.

Implicações da reprodução assexuada ao nível da variabilidade e sobrevivência de


populações.

133
Vantagens: Permite selecionar espécies com características pretendidas e reproduzi-
las rapidamente.
Desvantagens: Diminuição da variabilidade genética; Baixa resistência às alterações
ambientais.

5.2 - Reprodução sexuada

Conceitos:
Cariogamia – Fusão dos núcleos dos gâmetas. Desta união resulta uma célula
denominada ovo ou zigoto, que, por mitoses sucessivas, origina um indivíduo com
características resultantes da combinação genética dos gâmetas dos progenitores.
Para que da fecundação resulte um ovo diploide, isto é com 2n cromossomas, torna-se
necessário que cada gâmeta seja haploide, isto é, possua apenas metade destes cromossomas
(n).
Meiose – Processo de divisão celular, a partir do qual uma célula diploide (2n) origina
quatro células haploides (n), isto é, as células-filhas apresentam metade do número de
cromossomas da célula-mãe,
Divisão Reducional – Na divisão I da meiose, um núcleo diploide origina dois núcleos
haploides. Redução do número de cromossomas.
Divisão Equacional – Na divisão II, ocorre a separação de cromatídeos, obtendo-se,
assim, quatro núcleos haploides, cujos cromossomas são constituídos por um cromatídeo.
Mantem-se o número de cromossomas.
Os Cromossomas Homólogos (assim chamados por terem o mesmo tamanho e forma
e por possuírem genes que são responsáveis pelas mesmas características) emparelham num
processo denominado sinapse.
Pontos de Quiasmas – Entre os cromatídeos dos bivalentes ocorrem
sobrecruzamentos em vários pontos.
Crossing-Over – Nos pontos de quiasma, pode ocorrer troca de informação genética,
isto e, quebras e trocas de segmentos entre os cromatídeos de cromossomas homólogos.
Gónada - Órgãos onde organismos multicelulares produzem as células sexuais
necessárias para a sua reprodução.

Gónadas Testículos Ovários

Gâmetas Espermatozoides Oócito

A reprodução sexuada mistura parte dos genomas de dois indivíduos e produz uma
descendência que difere entre si e difere também dos progenitores.

134
-A mistura dos genomas deve-se à fecundação – fusão de duas células, os gâmetas, um de
cada progenitor. A célula resultante da fusão dos gâmetas é o ovo ou zigoto. Os gâmetas são
células haplóides – possuem metade do número de cromossomas característicos da espécie
(n). A fecundação restabelece o número de cromossomas característicos da espécie. Assim, o
zigoto é uma célula diplóide (2n).

- A formação de gâmetas dá-se através da meiose (divisão celular que reduz para metade o
número de cromossomas das células, dando origem a 4 células haplóides).

5.3 - Meiose

NOTA : antes da meiose dá-se a interfase

Divisão I reducional

 Profase I:
- Os cromossomas condensam-se e os homólogos emparelham
(alinhando gene por gene);
- formando um conjunto constituído por quatro
cromatídeostétrada cromatídica ou díadas ou bivalentes
cromossomicos;
-Surgem pontos de cruzamento entre dois cromatídeos de cromossomas homólogos (pontos de
quiasma)
- Há troca de segmentos equivalentes – crossing over.
-O nucléolo e o invólucro nuclear desagregam-se.

 Metafase I:

- Os bivalentes ligam-se a microtúbulos do fuso acromático pelos centrómeros.


- A orientação dos cromossomas de cada bivalente é aleatória.
-São os pontos de quiasma que se encontram no plano equatorial.

 Anafase I:
-Os dois cromossomas homólogos de cada bivalente separam-se e cada
cromossoma (constituído por dois cromatídeos) migra para um dos pólos da célula.
-Ocorre redução, para metade, do número de cromossomas.

135
 Telofase I:
-Em cada pólo da célula, constitui-se um conjunto haplóide de
cromossomas, com dois cromossomas cada um;
-Os cromossomas descondensam;
-O invólucro nuclear e os nucléolos reorganizam-se;
- Desaparece o fuso acromático. (Pode ocorrer citocinese formando duas células haplóides.)

Divisão II - Divisão equacional

 Profase II:
- Os cromossomas condensam.
- Forma-se o fuso acromático.
-O invólucro nuclear e os nucléolos desorganizam-se.

 Metafase II:

- Os cromossomas dispõem-se na placa equatorial.


-São os centrómeros que se localizam no plano
equatorial.

 Anafase II:
- Ocorre a divisão do centrómero e dá-se a ascensão polar, os cromatídeos do mesmo
cromossoma separam-se para pólos opostos.
- Os dois conjuntos de cromossomas que acabam de se separar são haplóides (Cada um dos
cromatídeos passa a constituir um cromossoma).

 Telofase II:
- Os cromossomas atingem os pólos e iniciam a sua
desespiralização, tornando-se finos, longos e invisíveis ao
microscópio.
- Desorganiza-se o fuso acromático e diferenciam-se os
nucléolos e as membranas nucleares.

136
- No final da meiose, formam-se quatro células haplóides, diferentes entre si e diferentes da

original, contendo,
cada uma, um
cromossoma de
cada par de
homólogos.

5.3.1 -A meiose e
as mutações.
- As mutações
podem afetar a
sequência de genes -
mutações génicas.

137
- Podem ainda afetar o número ou a estrutura de cromossomas – mutações cromossómicas.
- As mutações podem ocorrer durante várias fases da meiose:
 Na divisão I, pela não separação dos cromossomas homólogos;
 Na divisão II, pela não separação dos dois cromatídeos de cada cromossoma;
 No Crossing-Over.
- As mutações podem ocorrer em qualquer cromossoma.

Mutação Esquema Representativo Caracterização

Perda de material cromossómico


originando falta de genes no
Delecção centro ou na extremidade do
cromossoma.

Transferência de material de um
cromossoma para outro não
homólogo – translocação simples.
Translocação Troca de segmentos entre dois
cromossomas não homólogos –
translocação recíproca (são as
mais frequentes)

Adição de um segmento
cromossómico resultante do
Duplicação cromossoma homólogo. Desta
forma, um conjunto de genes
surge em duplicado.

Inversão da ordem dos genes


resultante da soldadura em
Inversão
posição. Invertida de um
segmento cromossómico.

138
Nota :As mutações podem ser prejudiciais para o indivíduo que é portador ou para os seus
descendentes, mas podem também ser benéficas. Por outro lado, são fonte de
variabilidade genética que permite diversidade de organismos e evolução das espécies.

6 -Mitose Vs Meiose

Mitose Meiose

Ocorre para a produção de gâmetas ou


Ocorre em células somáticas.
esporos.

Origina duas células-filhas, cujo número de Origina quatro células-filhas cujo número
cromossomas é igual ao da célula-mãe. de cromossomas é metade do da célula-

139
mãe.

A quantidade de DNA das células-filhas é A quantidade de DNA das células-filhas é


igual à da célula-mãe. metade da da célula-mãe.

Não há emparelhamento de cromossomas Há emparelhamento de cromossomas


homólogos nem fenómenos de Crossing- homólogos com possibilidade de Crossing-
Over. Over.

A informação genética das células-filhas é


A informação genética das células-filhas é diferente entre si e da célula-mãe, devido à
idêntica à da célula-mãe. separação aleatória dos homólogos e à
ocorrência de Crossing-Over.

O centrómero divide-se na anafase. O centrómero só se divide na anafase II.

Ocorrem duas divisões sucessivas, sendo a


Só ocorre uma divisão.
divisão II semelhante à mitose.

Variação da quantidade de DNA em Meiose e Mitose


VARIAÇÃO DA QUANTIDADE DE DNA NA MITOSE

VARIAÇÃO DA QUANTIDADE DE DNA NA MEIOSE

7 - Reprodução sexuada e
variabilidade

A reprodução sexuada permite uma grande


variabilidade genética nos organismos. É esta
variedade que possibilita, em condições adversas, a
sobrevivência dos indivíduos da espécie que
melhor se adaptam às variações ocorridas. Os
factores que contribuem para esta variabilidade
são:

- Segregação independente dos


cromossomas homólogos:

140
-a migração dos cromossomas para os pólos da célula é aleatória. Assim, nos gâmetas
formados, os cromossomas com origem num ou noutro progenitor estão combinados
aleatoriamente, o que origina uma grande variedade de combinações possíveis.

-Crossing-over: Os cromossomas homólogos trocam segmentos. Logo, os dois cromatídeos


de cada cromossoma são diferentes e são separados de forma aleatória na anafase II.

-fecundação: a junção aleatória de um gâmeta feminino e de um gâmeta masculino aumenta


a variabilidade.

8 -Diversidade de estratégias na reprodução sexuada

A reprodução sexuada implica a formação de gâmetas em estruturas especializadas: gónadas


(nos animais) ou gametângios (plantas).

Animais:

As gónadas femininas são os ovários e as gónadas masculinas são os testículos, sendo que os
gâmetas femininos são os óvulos (relativamente grande e imóvel) e os gâmetas masculinos
são os espermatozóides (mais pequenos e móveis). Os gâmetas dos animais são haplóides.

Plantas:
Gametângios Gametângios
Grupo de Plantas Observações
masculinos femininos

141
Anterídeo: Arquegónio: Os anterozoides
Produzem Produzem a dependem da água para
Musgos e Fetos
anterozoides oosfera alcançar a oosfera.

Megasporófilos
Microsporófilos:
(Escamas dos
(Escamas dos Cones
Gimnospérmicas Cones Fecundação independente
Masculinos):
(Pinheiro) Femininos): da água
Produzem grãos de
Produzem os
pólen
óvulos

Ovários:
Angiospérmicas Estames: Produzem Fecundação independente
Produção de
(Plantas com Flor) os grãos de pólen da água
óvulos

Estratégias de reprodução sexuada:

Existemtem seres hermafroditas (possuem simultaneamente sistema reprodutor


feminino e masculino ou seja o mesmo Indivíduo produz os dois tipos de gâmetas. ), que
podem ser:

- hermafroditas suficientes (ocorre autofecundação);

142
- hermafroditas insuficientes (ocorre fecundação cruzada – cada organismo funciona como
macho e fêmea, dando e recebendo gâmetas masculinos).

Nos animais em que ocorre unissexualismo a fecundação pode ser:


Fecundação externa: ocorre em meio líquido; os gâmetas são libertados para o
meio onde se dá a fecundação.

Fecundação interna: ocorre no interior do organismo da fêmea; o macho deposita


os gâmetas no interior do sistema reprodutor da fêmea onde ocorre a fecundação.

143
Reprodução sexuada e assexuada: vantagens e desvantagens

Tipo de
reprodução Vantagens Desvantagens

Assexuada Assegura a formação de clones, A diversidade de


visto que a mitose é o processo de indivíduos da população é
divisão que ocorre. Todos os praticamente nula. Difícil
indivíduos podem originar adaptação a mudanças no
descendentes. Processo rápido e meio. Não favorece a
que implica pequeno dispêndio de evolução de espécies
energia. Rápida colonização de
habitats com condições
constantes.

Sexuada Proporciona uma grande Processo lento. Enorme


variabilidade de características na dispêndio de energia na
descendência. A diversidade de produção de gâmetas e
características permite às espécies nos processos que
não só maior capacidade de desencadeiam a
sobrevivência , caso haja fecundação.
mudanças ambientais, mas
também proporciona evolução.

144
Compreender os conceitos:
Cariogamia – Fusão dos núcleos dos gâmetas. Desta união resulta uma célula
denominada ovo ou zigoto, que, por mitoses sucessivas, origina um indivíduo com
características resultantes da combinação genética dos gâmetas dos progenitores.
Para que da fecundação resulte um ovo diploide, isto é com 2n cromossomas, torna-se
necessário que cada gâmeta seja haploide, isto é, possua apenas metade destes cromossomas
(n).
Meiose – Processo de divisão celular, a partir do qual uma célula diploide (2n) origina
quatro células haploides (n), isto é, as células-filhas apresentam metade do número de
cromossomas da célula-mãe,
Divisão Reducional – Na divisão I da meiose, um núcleo diploide origina dois núcleos
haploides. Redução do número de cromossomas.
Divisão Equacional – Na divisão II, ocorre a separação de cromatídeos, obtendo-se,
assim, quatro núcleos haploides, cujos cromossomas são constituídos por um cromatídeo.
Mantem-se o número de cromossomas.
Os Cromossomas Homólogos (assim chamados por terem o mesmo tamanho e forma
e por possuírem genes que são responsáveis pelas mesmas características) emparelham num
processo denominado sinapse.
Pontos de Quiasmas – Entre os cromatídeos dos bivalentes ocorrem
sobrecruzamentos em vários pontos.
Crossing-Over – Nos pontos de quiasma, pode ocorrer troca de informação genética,
isto e, quebras e trocas de segmentos entre os cromatídeos de cromossomas homólogos.
Gónada - Órgãos onde organismos multicelulares produzem as células sexuais
necessárias para a sua reprodução.

Gónadas Testículos Ovários

Gâmetas Espermatozoides Oócito

Hermafrodita – Indivíduo que produz os dois tipos de gâmetas.


 Hermafroditismo suficiente: A produção de gâmetas é simultânea e pode ocorrer
autofecundação.

145
Grupo de Plantas Gametângios masculinos Gametângios femininos Observações

Microsporófilos:
Megasporófilos (Escamas dos
Gimnospérmicas (Escamas dos Cones Fecundação independente da
Cones Femininos): Produzem
(Pinheiro) Masculinos): Produzem água
os óvulos
grãos de pólen

Angiospérmicas Estames: Produzem os Ovários: Fecundação independente da


(Plantas com Flor) grãos de pólen Produção de óvulos água

Anterídeo: Produzem Arquegónio: Produzem a Os anterozoides dependem da


Musgos e Fetos anterozoides oosfera água para alcançar a oosfera.

 Hermafroditismo insuficiente: Apesar da dupla produção de gâmetas, a autofecundação não


é possível, por vezes, por uma incompatibilidade anatómica de contacto entre os gâmetas,
necessitando estes animais de recorrer à dupla fecundação.

Distinguir os diferentes tipos de ciclos de vida.


O que é um ciclo de vida?
É a sequência de acontecimentos que se verificam na vida de um ser vivo, desde que
se forma até que produz descendência.
Num ciclo de vida verifica-se a alternância de fases nucleares em consequência
dos fenómenos de meiose e fecundação.

- Meiose pós-zigótica (A) – Ocorre após a formação do zigoto. O ciclo de vida é haplonte.
(Exemplo: Espirogira)
- Meiose pré-espórica (B) – Ocorre na formação de esporos. O ciclo de vida é haplodiplonte.
(Exemplo: Maioria das algas e plantas)
Meiose pré-gamética (C) – Ocorre na formação dos gâmetas. O ciclo de vida é diplonte.
(Exemplo: Animais, Humanos)

146
12 - Compreender os conceitos de gametófito, gametângios, esporófito e
esporângios.

Ciclo de Vida Haplodiplonte – Alternância de Gerações

 Geração Gametófita:
- Fase haploide que inicia no esporo e termina no gâmeta.
- Estrutura multicelular - o gametófito, onde se diferenciam os gametângios (estruturas que
contêm células que produzirão gâmetas por mitose – os arquegónios e os anterídeos, que são
estruturas pluricelulares).

Geração Esporófita:
- Fase diploide que inicia no zigoto e termina na célula mãe dos esporos.
- Estrutura multicelular – o esporófito, onde se diferenciam os esporângios (estruturas que
contêm células que produzirão esporos por meiose).
- Ciclo de vida haplonte

- Espirogira
A espirogira é uma alga de agua doce.
Reproduz-se assexuadamente, por fragmentação, em condições favoráveis e,
quando as condições são desfavoráveis, a espirogira reproduz-se sexuadamente.
Processo de reprodução sexuada da espirogira:
- formam-se saliências nas células de dois filamentos que se encontram próximos;
- essas saliências crescem e entram em contacto;
- forma-se um canal (tubo de conjugação), por desagregação da parede no
ponto de contacto;
- num dos filamentos, observa-se a condensação do conteúdo de cada célula, que
se desloca pelo tubo de conjugação até à célula do outro filamento _ constitui o gâmeta dador;
o conteúdo celular que se mantém
imóvel constitui o gâmeta receptor;
- os conteúdos celulares fundem (fecundação), formando-se um zigoto diplóide em cada célula
receptora;

147
- os filamentos desagregam-se, após a fecundação;
- quando as condições se tornam favoráveis ocorre uma meiose no zigoto, formando-se quatro
núcleos haplóides;
- três destes núcleos degeneram, ficando a célula com um único núcleo haplóide;
- a partir desta célula haplóide forma-se, por mitoses sucessivas, um novo filamento de
espirogira.

Outros ciclos haplontes – Fungos

_ Ciclo de vida haplodiplonte

148
- polipodio
O polipódio reproduz-se assexuada (por fragmentação vegetativa do rizoma) e sexuadamente.
Processo de reprodução sexuada do poliopódio:
- durante a época de reprodução, desenvolvem-se soros na
página inferior das folhas. Os soros são grupos de esporângios
(estruturas pluricelulares que, quando jovens, contêm células-mãe
de esporos);
- durante o processo reprodutivo, as células-mãe dos esporos
contidas nos esporângios sofrem meiose, originando esporos;
- os esporângios rompem-se, libertando os esporos;
- os esporos caem na terra e germinam _ cada um deles
origina uma estrutura designada protalo;
- o protalo é um gametófito que possui anterídeos, onde se
formam anterozóides, e arquegónios, onde se formam oosferas;
- os anterozóides nadam até aos arquegónios, nos quais se vão fundir com as oosferas;
- desta fecundação resulta um zigoto diplóide que, por mitoses sucessivas, origina um
esporófito de vida independente.

149
Outro ciclo haplodiplonte

Apesar de haplodiplonte predomina a geração gametófita ( o individuo adulto é um


gametófito), pois o esporófito é parasita do gametófito e depende deste do ponto de vista
nutricional.

_ Ciclo de vida diplonte - Homem


O ser humano reproduz-se exclusivamente de forma sexuada.
- a meiose ocorre durante a formação dos gâmetas que, quando se unem (através da
fecundação), dão origem a um zigoto diplóide;
- o zigoto divide-se mitoticamente originando um indivíduo pluricelular diplonte.

150
Relações entre o ciclo de vida dos organismos e o meio
As condições do meio interferem nas soluções de reprodução. Nos seres que são capazes de
ambas ar reproduções, quando o meio é propicio eles reproduzem-se a partir da reprodução
assexuada pois conseguem assim um grande numero de indivíduos num curto espaço de
tempo. Quando as condições do meio são desfavoráveis, reproduzem-se por reprodução
sexuada pois assim há uma variabilidade genética que faz com que os novos organismos se
adaptem melhor ao ambiente, garantindo assim a continuidade da espécie.

Intervenção humana no ciclo de vida dos seres vivos


O numero de indivíduos de muitas espécies pode ser modificado pela actuação humana como
resultado de interferências directas na reprodução sexuada: As actividades industriais ou agro-
pecuárias provocam poluição química que põe em risco o desenvolvimento dos ovos de muitas
espécies ou impede mesmo a formação dos gâmetas. A eliminação de habitats e, portanto, de
locais de reprodução de muitos organismos. Também tem surgido problemas graves nos ciclos
de vida de diversas espécies devido às alterações do ambiente ao nível global, como é o caso
do aumento do efeito de estufa. Há espécies que se conseguem adaptar as estas alterações,
mas outras podem mesmo entrar em riscos de extinção.
151
E) Unicelularidade e multicelularidade

Todos os seres vivos conhecidos na Terra podem ser divididos em dois


grandes grupos:
 Os seres procariontes – células simples, sem núcleo verdadeiro.
 Os seres eucariontes – células complexas, com núcleo organizado e diversos
organelos.

Quais as características da Terra Primitiva?


- Tinha muitos vulcões ativos;
- Era mais quente;
- A Atmosfera depois de captada era tóxica;
- Não existia camada de ozono;
- Os meteoritos atingiam a superfície da terra;
- As radiações atravessavam livremente a atmosfera;
- Não existia oxigénio na atmosfera.

Como foi possível a vida evoluir na Terra?


- O planeta foi perdendo energia interna e arrefecendo;
- A atividade vulcânica diminuiu;
- Em ambiente aquático formaram-se os primeiros compostos orgânicos (ácidos nucleicos,
proteínas, glícidos, lípidos, vitaminas);

- As moléculas orgânicas interagiram entre si formando os primeiros sistemas moleculares


– os protobiontes (agregados moleculares incapazes de se reproduzirem de forma regular,
embora conseguissem manter um certo equilíbrio do seu meio interno e reagir a estímulos
ambientais).
Provavelmente a partir dos protobiontes ter-se-ão formado os primeiros seres vivos,
unicelulares, de constituição simples, muito semelhantes aos procariontes.

Qual o impacto dos seres fotossintéticos na Terra?


Os primeiros procariontes seriam seres vivos heterotróficos que utilizariam compostos
inorgânicos de enxofre como fonte de energia.
Com a diversificação dos procariontes surgiram alguns com a capacidade fotossintética
que contribuíram para a acumulação do oxigénio na atmosfera, modificando-a.
O poder oxidante do oxigénio levou à extinção de muitos procariontes, resistindo
aqueles que, por um lado se conseguiam manter em ambientes anaeróbios, e por outro lado,
aqueles que conseguiam na presença do oxigénio oxidar compostos orgânicos para obter
energia (procariontes semelhantes a mitocôndrias atuais).

Vias anaeróbicas: Sem intervenção de oxigénio.


Vias aeróbicas: Com intervenção de oxigénio.

152
Como surgiram as células eucarióticas?
Atualmente existem duas hipóteses: modelo autogénico ou modelo endossimbiótico.
Ambos afirmam que os seres vivos procariontes estiveram na origem dos seres vivos
eucariontes, apesar de seres bem mais simples do que estes.

Modelo Autogénico/Autogenético:
Segundo este, algumas células procarióticas ter-se-iam tornado progressivamente mais
complexas. Prolongamentos da membrana citoplasmática deslocaram-se para o interior do
citoplasma, originando compartimentos, separados do resto do citoplasma, que viriam a
constituir os organelos celulares. Como resultado dessa compartimentação, foi possível às
células fazer uma divisão interna das suas funções. Os defensores deste modelo sugerem que
o primeiro compartimento a surgir dentro da célula foi o invólucro nuclear. Como resultado do
aumento do número de organelos celulares, estas células sofreram um aumento de tamanho
muito acentuado.

153
Modelo Endossimbiótico:
 Proposto por Lynn Margulis - a célula eucariótica surge por associação de várias células
procarióticas:
- Captura por parte de uma célula, de outras células (células hóspedes) procarióticas
que permaneciam no seu interior;
- Estabelecimento de relações simbióticas;
- As células hóspedes, mais tarde, passam a constituir organelos da célula eucariótica.
 De entre as várias evidências que parecem confirmar este modelo, salientam-se:
- As mitocôndrias e os cloroplastos possuem o seu próprio DNA;

154
- Tanto os cloroplastos como as mitocôndrias dividem-se por bipartição, de forma
independente do resto da célula eucariótica.
- Ambos os organelos possuem ribossomas idênticos aos que existem nos seres
procarióticos atuais.

Argumentos Modelo autogénico Modelo endossimbiótico


A favor  Todas as membranas  O tamanho e a
que constituem os organelos composição bioquímica das
celulares possuem a mesma membranas, ribossomas e
composição bioquímica DNA das células procariontes
 Alguns genes são semelhantes às
necessários ao mitocôndrias e cloroplastos
funcionamento das  Se atualmente
mitocôndrias e dos existem relações de simbiose
cloroplastos estão permanentes entre seres
155
atualmente no núcleo vivos, no passado o mesmo
poderá ter acontecido
 Os cloroplastos e as
mitocôndrias são seres semi-
independentes, ou seja
multiplicam-se
independentemente do
núcleo
Contra  Não explica o que  Não está esclarecido
desencadeou a invaginação como é que o DNA do núcleo
da membrana celular controla o DNA das
mitocôndrias
 Não explica a
formação do núcleo
(isolamento)

Origem da multicelularidade
Provavelmente os seres multicelulares tiveram origem em seres unicelulares que
estabeleceram relações simbióticas (formando colónias) que se tornariam permanentes.

 Dados que apoiam esta ideia:


 Os seres procariontes podem formar filamentos ou agregados tridimensionais, mas
as células mantêm a sua independência.
 A multicelularidade só existe em seres eucariontes e consiste numa associação de
células em que há interdependência estrutural e funcional entre células associadas.
Normalmente verifica-se alguma especialização decorrente da diferenciação celular.
 Atualmente existem seres eucariontes unicelulares que podem formar agregados
entre si com maior ou menor grau de interdependência. Atualmente, existem dois tipos de
organização colonial; um formado por organismos unicelulares semelhantes e que
desempenham as mesmas funções e outro formado por organismos unicelulares
especializados em determinadas funções, como a nutrição ou a reprodução. Este segundo tipo
de organização implica um determinado grau de diferenciação entre os organismos que
formam a colonia e que se traduz em vantagens para a colonia como um todo. Estas
observações sugerem que colonias mais simples terão evoluído para colonias mais complexas
e que o aumento da diferenciação celular e da especialização terá conduzido a uma
interdependência entre as células, a qual se tornou permanente e deu origem aos seres
multicelulares.

156
 Colónias ou agregados coloniais - formados por indivíduos da mesma espécie que
estabelecem relações estruturais entre si.

A multicelularidade:
Caracteriza-se por uma associação de células em que há interdependência estrutural e
funcional entre elas. Um dos aspetos mais relevantes da multicelularidade decorre do facto de
a sua existência ter permitido a ocorrência de mecanismos de regulação que conduziram à
diferenciação celular, o que gerou um impulso na evolução dos seres vivos.

O aparecimento da multicelularidade permitiu uma série de tendências evolutivas que


acabaram por conferir vantagens aos respetivos organismos:
- A diferenciação celular, com a consequente especialização no desempenho de
determinadas funções, conduziu a uma diminuição da taxa metabólica e a uma utilização mais
eficaz de energia;
- O aparecimento de seres de maiores dimensões conduziu a:
 Uma maior diversidade de formas, o que permitiu uma melhor adaptação aos diferentes
ambientes;
 Um aumento de complexidade e interação entre os sistemas de órgãos, o que permitiu uma
maior autonomia do meio interno em relação ao meio externo, e um maior equilíbrio
(homeostasia) face às flutuações do meio externo.

F) Mecanismos de evolução Fixismo versos evolucionismo


 Fixismo: Até meados do séc. XIX, a diversidade do mundo vivo era explicada,
fundamentalmente, como resultado de um ato de criação divino, mantendo-se as diferentes
espécies inalteradas ao longo do tempo desde o momento da sua criação. De acordo com esta
perspetiva criacionista, as espécies são fixas e imutáveis e, como tal não sofrem alterações.
Considera a Natureza como um sistema ordenado e estável, onde cada forma viva, criada para
um determinado fim, está perfeitamente adaptada.

_ Fixismo:
- seres vivos são imutáveis
_ Espécies originadas tal e qual como são na atualidade
_ Espécies permanentes, perfeitas e não sofrem evolução

As explicações para a origem das espécies radicava no:

157
- Criacionismo - segundo esta teoria, os seres vivos foram originados por criação divina
→implica perfeição e estabilidade.

- Geração espontânea de Aristóteles -. Considera que todos os seres vivos se originam a partir
de matéria inerte, em certas condições especiais, por acção de um princípio activo.

- Catastrofismo de Cuvier - teoria que defendia que uma sucessão de catástrofes tinha
ocorrido no decurso da História de Terra, conduzindo à destruição dos seres vivos. As áreas
destruídas seriam repovoadas por seres vivos que migravam de outros locais. Deste modo, o
catastrofismo explicava o surgimento de determinadas formas fósseis em alguns estratos, sem
que houvesse continuidade dessas formas de vida nos estratos mais recentes.

 Evolucionismo: defende que os seres vivos que existem, atualmente, na Terra são o
resultado da modificação de seres vivos que existiram no passado. As espécies de seres vivos
relacionam-se umas com as outras e alteram-se ao longo do tempo.

Os principais defensores das ideias de evolução são Lamarck e Darwin. As suas teorias
defendem a modificação lenta e gradual das espécies ao longo do tempo. O evolucionismo
está em clara oposição com o fixismo.

Lamarckismo:
Admitia uma progressão constante e gradual dos organismos mais simples para os
mais complexos. Esta progressão ocorreria segundo três princípios:

 Lei do gradualismo: há uma sucessão no aparecimento de organismos; primeiro


surgiram os mais simples e só depois os mais complexos. Seres procariontes → seres
eucariontes unicelulares → seres pluricelulares

 Lei do uso e do desuso: Para Lamarck o ambiente é o principal agente responsável


pela evolução dos seres vivos. A necessidade que os seres sentem de se adaptar a novas

158
condições ambientais, resultantes de alterações do ambiente, conduz ao uso e ao desuso
contínuo de certos órgãos. De acordo com esta lei, podem fazer-se as seguintes
interpretações:
- A toupeira, pelos seus hábitos subterrâneos, faz pouco uso da visão, o que tornou os
seus olhos pequenos e pouco funcionais – atrofia do órgão sob influência do meio.
- O pescoço alongado do cisne surgiu graças ao hábito de esta ave mergulhar
profundamente a cabeça em busca de larvas aquáticas de que se alimenta – desenvolvimento
do órgão pela necessidade de adaptação ao meio.

 Lei da herança de carateres adquiridos: Lamarck considerava que as


transformações sofridas, eram transmitidas à descendência. Essas pequenas transformações,
ao acumularem-se ao longo de gerações sucessivas, provocariam o aparecimento de novas
espécies.
Hoje sabe-se que as alterações que se transmitem à descendência são apenas aquelas
que decorrem de modificações ao nível do material genético dos gâmetas e não as que são
provocadas pelo uso ou desuso de certos órgãos ou estruturas.

Principais críticas apontadas ao Lamarckismo:


- O facto de a teoria de Lamarck admitir que a matéria viva teria uma “ambição natural” de se
tornar melhor, de forma a que cada ser vivo seria impelido para um grau de desenvolvimento
mais elevado;
- A lei do uso e do desuso, não explicava todas as modificações nos órgãos;
- A lei da transmissão dos carateres adquiridos não é válida. A atrofia ou a hipertrofia de uma
estrutura adquirida durante a vida do ser vivo não é transmitida à descendência.

Argumentos a favor:
- Desenvolvimento de órgãos pelo uso (musculatura, por exemplo).

- Existência de estruturas vestigiais nos organismos (apêndice, por exemplo).

159
Darwinismo:
Darwin propôs a seleção natural como o mecanismo essencial que dirige a evolução.
De acordo com este processo, os seres vivos mais aptos de uma população sobrevivem e
transmitem os carateres mais favoráveis. Dado que o ambiente não possui os recursos
necessários para a sobrevivência de todos os indivíduos que nascem, deverá ocorrer uma luta
pela sobrevivência durante a qual serão eliminados os menos aptos.

Darwin faz uma viagem á volta do mundo onde recolhe dados que mais tarde utilizou na
fundamentação da sua teoria:

-Dados da geologia: As leis naturais são constantes no espaço e no tempo; Deve explicar-se o
passado a partir dos dados do presente; Na longa história da Terra ocorreram mudanças
geológicas lentas e graduais- Apoiava o uniformitarismo.

-Dados da biogeografia: Darwin apercebeu-se da imensa biodiversidade de seres vivos, o que


constituem elementos relevantes na formulação da teoria de Darwin.

-Seleção artificial, seleção natural e variabilidade


Se um tratador tiver especial apreço por uma característica na sua criação pode preserva-la
recorrendo a cruzamentos seletivos previamente planeados, é possível obter indivíduos com
as características desejadas. Se se pode obter tanta diversidade por seleção artificial, de um
modo análogo é possível que ocorra na natureza uma seleção consumada por fatores
ambientais designada de seleção natural.
Seleção natura: - o meio seleciona os indivíduos que possuem características favoráveis, sendo
estes que tem mais hipóteses de deixar descendentes e a frequência dessas características
aumenta na população. Os indivíduos que possuem características desfavoráveis são
eliminados progressivamente.

 A teoria de Darwin pode ser resumida no seguinte raciocínio:


 Todas as espécies apresentam, dentro de uma dada população, indivíduos com
pequenas variações nas suas características, como, por exemplo, na forma, no tamanho e na
cor; - variabilidade intraespecífica
 Uma vez que as espécies originam mais descendentes do que aqueles que podem
sobreviver, os descendentes que possuem variações vantajosas, relativamente ao meio em
que se encontram, têm maior taxa de sobrevivência. Nesta luta pela sobrevivência são
eliminados os indivíduos que possuem variações desfavoráveis (sobrevivência diferencial);
 Através deste mecanismo de seleção natural, o ambiente condiciona a
sobrevivência dos diferentes indivíduos da população. Os indivíduos portadores de variações
favoráveis sobrevivem, transmitindo as suas características à descendência (reprodução
diferencial).
 A seleção natural, atuando ao longo de muitas gerações, conduz à acumulação de
características que, no seu conjunto, poderão vir a originar novas espécies.

160
Nota : Aspetos principais:
- As diversas formas de vida surgiram a partir de espécies ancestrais por modificações
na descendência.

- O mecanismo de modificação é a seleção natural, atuando ao longo de grandes


períodos de tempo.

A principal crítica ao darwinismo assenta no facto de nunca ter explicado a causa das
variações nos indivíduos de uma população.

Confronto entre o lamarckismo e o Darwinismo


Segundo o Lamarckismo, o meio cria necessidades que determinam mudanças na morfologia
dos indivíduos que, pelo uso, se estabelecem, tornando-os mais bem adaptados e sendo
transmitidos aos descendentes.

Segundo o Darwinismo, entre os indivíduos de uma espécie existem variações. O meio exerce uma
seleção natural que favorece os indivíduos que possuem características mais apropriadas para
um determinado ambiente e num determinado tempo, tornando-os mais aptos e eliminando
gradualmente os menos aptos.

161
Malthus

162
Darwin também aponta a influência das idéias do inglês
Thomas R. Malthus (1766 – 1834) na elaboração do
conceito de seleção natural. Em 1798, Malthus sugeriu
que a principal causa da miséria humana erro o
descompasso entre o crescimento das populações e a
produção de alimentos. Disse ele: “O poder da
população é infinitamente maior do que poder da
terrade produzir os meios de subsistência para o
homem. A população, se não encontra obstáculos,
cresce de acordo com uma progressão aritmética”.

Malthus não se referiu apenas às populações humanas,


mas tentou imaginar a humanidade submetida às
mesmas leis gerais que regem populações de outras  
espécies de seres vivos. Esse foi um dos méritos de seu
trabalho, que chamou a atenção de Darwin para as
idéias de “luta pela vida” e “sobrevivência dos mais
aptos”.

Segundo Malthus, enquanto o crescimento


populacional se dá em progressão geométrica, a
produção de alimentos aumenta em progressão
aritmética. Isso seria uma das explicações para a
fome que assola boa parte da humanidade. Essas
e outras conclusões constam em seu Ensaio sobre
a lei da população, de 1798.

Seleção artificial
 
Um dos argumentos apresentados por Darwin em favor da seleção dos mais aptos baseou-se no
estudo das espécies cultivadas pelo homem. Sabia-se que pelo menos alguns animais domésticos
e vegetais cultivados pertenciam a espécie com representantes ainda em estado selvagem. Os
exemplares domésticos, entretanto, diferiam em tantas características dos selvagens que podiam,
quanto ao seu aspecto geral, até ser classificados como espécies diferentes.

Darwin se dedicou à criação de pombos, cujas as variedades domésticas eram sabidamente


originadas de uma única espécie selvagem, a Columba livia, a partir da seleção artificialmente
conduzida pelos criadores. Sua conclusão foi que a seleção artificial podia ser compara àquela que
a natureza exercia sobre as espécies selvagens.

Da mesma forma que o homem seleciona reprodutores de uma determinada


variedade ou raça, permitindo que apenas os que têm a característica desejadas
se reproduzam, a natureza seleciona, nas espécies selvagens, os indivíduos mais
 
adaptados às condições reinantes. Estes deixam um número proporcionalmente
maior de descendentes, contribuindo significativamente para a formação da
geração seguinte.

Argumentos a favor do evolucionismo:


 Argumentos paleontológicos:
- O estudo do registo fóssil confirma a presença de espécies extintas, o que contraria a
ideia de imutabilidade das espécies.
- A descoberta de séries ou sequências de fósseis ilustram as modificações sofridas ao
longo de um processo evolutivo por determinados grupos.
- A existência de fósseis de transição ou formas sintéticas sugere a existência de
antepassados comuns para diferentes grupos de seres vivos.

 Argumentos anatómicos:

163
A anatomia comparada baseia-se no estudo comparado das formas e estruturas dos
organismos com o fim de estabelecer possíveis relações de parentesco entre elas. A presença
de órgãos homólogos, análogos e vestigiais são provas importantes que evidenciam relações
de parentesco entre diferentes espécies.
 Órgãos ou estruturas homólogas – Órgãos que têm a mesma origem, a mesma
estrutura básica e a posição idêntica no organismo, podendo desempenhar funções diferentes.
À medida que os indivíduos de uma população inicial se iam adaptando a diferentes
ambientes, estes órgãos evoluíram de forma diferente a partir de uma estrutura ancestral
comum. Nesses contextos ambientais, esses órgãos passaram a desempenhar funções
diferentes, o que reflete uma evolução divergente. Exemplo: barbatana da baleia, asa do
morcego ou braço humano.

Órgãos ou estruturas análogas – Órgãos que têm origem, estrutura e posição relativa
diferentes, desempenhando a mesma função. Estes órgãos surgem quando espécies ancestrais
diferentes colonizam habitats semelhantes, adquirindo adaptações semelhantes. Este
fenómeno conduz a uma evolução convergente. Exemplo: cauda da baleia e a barbatana
caudal do peixe.

 Órgãos ou estruturas vestigiais – Órgãos que resultam da atrofia de um órgão


primitivamente desenvolvido. Nestes órgãos, a seleção atua em sentido regressivo,
privilegiando os indivíduos que possuem estes órgãos menos desenvolvidos. Exemplo: o
apêndice intestinal e os dentes do siso.

 Argumentos citológicos:
A teoria celular afirma que todos os seres vivos são constituídos por células. O facto de
existir uma certa uniformidade nos processos e mecanismos celulares dos seres vivos dos
vários reinos (mitose e meiose) constitui também um forte argumento a favor de uma origem
comum para os seres vivos.

 Argumentos bioquímicos:
164
O facto de todos os organismos serem constituídos pelos mesmos compostos
orgânicos (lípidos, glícidos, prótidos, ácidos nucleicos);
 A universalidade do código genético e do ATP como energia biológica utilizada pelas
células;
 A semelhança existente entre os compostos orgânicos evidenciada, por exemplo,
através das sequências de aminoácidos da mesma proteína em diferentes organismos ou da
sequência de nucleótidos nas cadeias da molécula de DNA, que permitem esclarecer as
relações evolutivas existentes entre eles.
As espécies serão mais próximas, quanto mais semelhantes forem as suas
moléculas. Através da técnica de hibridação do DNA é possível analisar a proximidade entre
espécies, uma vez que, quanto mais bases emparelharem, mais próximas são as espécies do
ponto de vista filogenético.

 Argumentos Embriológicos:
Aves e mamíferos permitem verificar que os embriões são muito semelhantes nas
primeiras etapas desse desenvolvimento. Nas etapas subsequentes, as diferenças vão-se
acentuando.
A embriologia sugere a existência de uma relação de parentesco entre os diferentes
grupos de seres vivos. Em espécies mais complexas, esse padrão sofre, geralmente, um maior
número de modificações. Ou seja, quanto mais complexo é o animal, mais tempo demora a
adquirir a forma definitiva.

 Argumentos Biogeográficos:
As espécies tendem a ser tanto mais semelhantes quanto maior é a sua proximidade
física, por outro lado, quanto mais isoladas, maiores são as diferenças entre si.

Neodarwinismo ou Teoria Sintética da Evolução :


A teoria sintética da evolução admite que as populações apresentam variabilidade (resultante
das mutações e da recombinação génica) sobre a qual a seleção natural atua.

Pode resumir-se nos seguintes aspetos:


- Os cromossomas são as estruturas que transportam os genes responsáveis pelo
desenvolvimento dos carateres do individuo.
- A ocorrência de mutações, génicas e cromossómicos, aumenta a variabilidade
genética, podendo conduzir ao aparecimento de novos genes responsáveis por novas
características.
- A meiose, durante a qual ocorre a separação dos cromossomas homólogos e o
Crossing Over, conduz ao aparecimento de novas combinações genéticas nos gâmetas.
- A fecundação dá origem a uma descendência com múltiplas combinações genéticas,
o que se reflete numa elevada variabilidade de características (variabilidade intraespecífica).

165
- A seleção natural atua sobre a grande variedade de descendentes dentro da
população, que é assim influenciada pelo meio ambiente.
- As populações podem, assim, ver alterado o seu fundo genético, ou seja, o conjunto
de genes que caracteriza a população, evoluindo de uma forma lenta e gradual.

Mutações:
As mutações são alterações bruscas do património genético. Pode ocorrer a nível
genético e a nível cromossómico. No entanto, raramente confere vantagens ao indivíduo
portador (tornando-o mais apto, vivendo mais tempo, reproduzindo-se mais). São o motor da
microevolução.

Recombinações Génicas:
A recombinação genética resulta dos fenómenos de meiose e fecundação:
- A meiose, durante a qual ocorre a separação dos cromossomas homólogos e o
Crossing Over, conduz ao aparecimento de novas combinações genéticas nos gâmetas.
- A fecundação dá origem a uma descendência com múltiplas combinações genéticas,
o que se reflete numa elevada variabilidade de características (variabilidade interespecífica).

As populações como unidades evolutivas:


Quando maior for a diversidade de indivíduos de uma determinada população, maior
será a probabilidade de essa população sobreviver se ocorrerem alterações ambientais. Em
oposição, as populações com uma baixa diversidade, podem ser rapidamente eliminadas se
ocorrerem modificações ambientais.
Quando a variação da frequência dos genes ocorre numa pequena escala, isto é,
apenas na população considerada, as alterações são designadas microevolução.
Do ponto de vista ecológico, as populações são conjuntos de indivíduos de uma
espécie que vivem numa determinada área, num dado intervalo de tempo.
Do ponto de vista genético, uma população é um conjunto de indivíduos que se
reproduz sexuadamente e partilha um determinado conjunto de genes.
Quando estas condições se verificam, a população é se designada por população
mendeliana. O conjunto de genes de uma população mendeliana constitui o fundo genético.

Migrações:
Estes movimentos podem ser de entrada de indivíduos (imigração) ou de saída de
indivíduos da população (emigração).

Deriva Genética:
Ocorre em populações de pequeno tamanho e corresponde à variação do fundo
genético devido, exclusivamente, ao acaso.
Existem duas situações em que ocorre uma diminuição drástica do tamanho de uma
população: efeito fundador e efeito de gargalo.

166
Efeito Fundador – Quando um número restrito de indivíduos, de uma determinada
população, se desloca para uma nova área, transportando uma parte restrita do fundo

genético da população original.


Efeito Gargalo – Quando uma determinada população sofre uma diminuição brusca do
seu efetivo devido à ação de fatores ambientais, como por exemplo, alterações climatéricas,
falta de alimento e epidemias. Assim, um determinado conjunto de genes (sobreviventes) será
fixado na população, enquanto que outros genes foram eliminados.

Cruzamentos ao acaso:
Quando os cruzamentos ocorrem ao acaso, diz-se que existe panmixia. Se houver
tendência para escolher determinadas características, a frequência do conjunto de genes que
os indivíduos escolhidos possuem, tenderá a aumentar. Assim, o fundo genético da população
irá sofrer uma alteração.

Genótipos  Genes não visíveis


Fenótipos  Genes visíveis

O tipo de seleção feita pelo ser humano de acordo com os seus fins e interesses designa-se por
seleção artificial.

ESPECIAÇÃO
A especiação diz respeito ao processo evolutivo que envolve o surgimento de novas
espécies. Desde a origem da vida, os seres vivos vêm sofrendo diversificação através de variações
genéticas em consequência da acção de vários factores evolutivos, como por exemplo : mutações
Seleção Natural, deriva genética etc..
Podemos dividir a especiação em dois tipos:
- Especiação alopátrica;
- Especiação simpátrica;

ESPECIAÇÃO ALOPÁTRICA

É a especiação produzida por isolamento geográfico. Ocorre quando surge uma barreira
geográfica, como o mar ou uma cadeia montanhosa, que impede que os indivíduos de -
diferentes populações se cruzem. Acredita-se ser um mecanismo bastante geral de
especiação.Depois de certo tempo, as diferenças entre os seres das populações são tão
grandes que, mesmo colocados em contato, não se reproduzem entre si (estão isoladas do

167
ponto de vista reprodutor). Desse modo, cada espécie segue seu caminho evolutivo de modo
independente.

- A especiação simpátrica diferencia-se da alopátrica pela ausência da separação geográfica.


Nessa especiação, duas populações de uma mesma espécie vivem na mesma área, mas não se
cruzam entre si , resultando em diferenças que levarão à especiação, ou seja, a uma nova
espécie (isolamento reprodutor). Isso pode ocorrer pelo fato dos indivíduos explorarem
outros nichos.

É produzida como consequência de alterações nos cromossomos. Tem sido documentada em


algumas plantas. Ocorre quando são produzidos erros na meiose, promovendo variação no

168
número de cromossomos (poliploidia). Isso faz com que a morfologia do indivíduo seja
alterada e impede os cruzamentos com os membros da espécie original, podendo, assim,
aparecer uma nova espécie. Em alguns casos são produzidos híbridos entre duas espécies
próximas, as quais incorporam os cromossomos de ambas.

Existem provas de que esse tipo de evolução tenha originado o trigo cultivado. Nesse caso,
ocorreram tanto variações do número de cromossomos como hibridizações.

Sistemas práticos vs Sistemas racionais:

Práticos - distinguem os seres consoante as necessidades humanas (defesa, alimentação)

Artificiais – baseiam-se num número


Racionais - baseiam-se
relativamente pequeno de
em carateres
características.
evidenciados pelos seres
vivos
Sistemas de Naturais – maior número de
carateres possível
classificação
Verticais – têm em conta o fator tempo e permitem constituir árvores filogenéticas
(ou filética, cladística, evolutiva), que agrupam os seres de acordo com o seu grau
de parentesco.

Horizontais - não têm em conta o fator tempo e permitem construir árvores


fenéticas, que têm como objetivo a identificação rápida de um organismo, sem 169
ter em conta a sua evolução, mas sim o seu fenótipo (características externas)
Atualmente, existem duas escolas principais de classificação: a fenética (horizontal) e a
filética (vertical).

Sistema de classificação fenético

 Os sistemas de classificação filogenéticos pretendem traduzir com rigor as relações


entre os organismos, tendo em conta a história evolutiva dos seres. Existem dois tipos de
características para classificar os organismos numa perspetiva filogenética:
- Características primitivas, ancestrais ou plesiomórficas, presentes em todos os
organismos de um grupo, como resultado de terem descendido de um ancestral comum, em
que essa característica estava presente.
- Características evoluídas, derivadas ou apomórficas, presentes nos indivíduos de um
grupo e que não estão presentes no ancestral desse grupo, revelando, assim, que houve
separação de um novo ramo.

170
171
As árvores filogenéticas ilustram uma perspetiva filogenética de evolução a partir de um
ancestral comum.

172
Critérios na classificação dos seres vivos

 Morfologia – morfologia externa corresponde às características (fenótipo) do


organismo, que pode variar ao longo da vida deste. A morfologia e a fisiologia têm de ser
cuidadosamente utilizadas porque a presença de órgãos análogos pode resultar de uma
evolução convergente, de adaptação a pressões semelhantes, e o facto de alguns organismos
sofrerem metamorfoses faz com que evidenciem características muito diferentes ao longo dos
diferentes estádios da sua vida, podendo levar a uma classificação errada.
 Estratégia nutritiva – organismos heterotróficos ou autotróficos; (Plantas -
Fotoautotróficos; Animais – Quimio-Heterotróficos; Bactérias – A maioria é quimio-
heterotrófica, mas algumas são quimioautotróficas, e outras foto-heterotróficas;
Fonte de Carbono
Fonte de Energia Fototróficos Quimiotróficos
plantas e algumas
Autotróficos algumas bactérias
bactérias
animais, fungos e a maioria das
Heterotróficos algumas bactérias
bactérias
- Também é distinguido o processo de obtenção de matéria: por ingestão (digestão
intracorporal) ou absorção (enzimas são lançadas para o exterior do corpo) que é o caso
dos fungos.

 Simetria corporal – ausência ou presença de planos de simetria corporal; (sem, radial e


bilateral)

 citologia – este critério estuda o nível de organização estrutural das células


(procarióticas ou eucarióticas) constituintes dos organismos, o seu número
(unicelular ou multicelular) e o seu grau de especialização (indiferenciado ou
diferenciado).

 etologia – estuda o comportamento animal. Alguns comportamentos como a


emissão de som por insectos ou anfíbios anuros (rãs e sapos) servem para
estabelecer relações entre organismos e distinguir entre espécies diferentes.

 bioquímica – a análise comparativa das biomoléculas como as proteínas, o


DNA, o RNA. A comparação de sequências de aminoácidos de proteínas tem-se
revelado muito importante, por exemplo, na identificação de espécies próximas,
e em relações de parentesco.

173
 cariologia – estuda o número (cariótipo) e a estrutura dos cromosssomas dos
seres vivos. Todos os organismos de uma mesma espécie têm igual número de
cromossomas, à execepção dos casos de mutação numérica, mas espécies
diferentes podem ou não ter o mesmo número de cromossomas.

 embriologia – o estudo do desenvolvimento embrionário dos organismos. Tem-


se revelado um critério importante na classificação de muitos animais que
apresentam semelhanças em alguns estádios de desenvolvimento. Ernst Haeckel
propôs a Teoria da recapitulação que ficou conhecida pela expressão “a
ontogenia recapitula a filogenia”, isto é, o desenvolvimento do embrião de uma
determinada espécie repete ao longo dos estádios embrionários a história
evolutiva da espécie. Contudo os dados de Haeckel foram recolhidos de forma
muito imperfeita e actualmente esta ideia é rejeitada, já que em nenhum reino é
possível fazer uma relação deste tipo entre filogenia e ontogenia.

 estratégia reprodutiva – os organismos podem-se reproduzir de forma


assexuada ou sexuada, obrigatória ou não.

Taxonomia e nomenclatura
A taxonomia é o ramo da biologia que se ocupa da classificação dos seres vivos. A sistemática
pode considerar-se como uma biologia comparativa, que engloba dados da taxonomia e da
biologia evolutiva, para tentar compreender a história evolutiva dos organismos e as suas
relações de parentesco.

Lineu, no seu sistema de classificação, organizou os organismos em grupos hierárquicos – taxa:

Reino Classe Ordem Género

Espécie

Regras básicas da nomenclatura científica


- Os principais taxa utilizados nas classificações atuais são: REINO, FILO, CLASSE,
ORDEM, FAMÍLIA, GÉNERO e ESPÉCIE.

174
- Quanto mais semelhantes são organismos, maior o número de taxa que partilham.

- A espécie, unidade básica da classificação é constituída por um conjunto de


indivíduos que partilham o mesmo fundo genético, que lhes permite originar descendência
fértil.

Lineu criou um sistema de nomenclatura em latim, que facilitou a compreensão


intercontinental deste ramo da ciência, sendo que:

- O nome da espécie é formado por duas palavras latinas, nomenclatura binominal, sendo a
primeira o nome do género a que a espécie pertence, e iniciada com letra maiúscula. A
segunda palavra designa-se restritivo ou epíteto específico e inicia-se por minúscula.

Espécie: Canis lupos

Género (Canis) Restritivo Específico (lupos)

- Todos os taxa superiores à espécie são designados por apenas uma palavra, iniciada por letra
maiúscula, nomenclatura uninominal. Exemplo: Os animais pertencem ao reino Animalia.
- O nome das famílias nos animais termina em idae nas plantas em aceae. Exemplo: O cão
pertence à família Canidae e o carvalho pertence à família Fagaceae.
- A subespécie é denominada com três nomes, nomenclatura trinominal. O género, o
restritivo específico e o restritivo subespecifico. Exemplo: Subespécie de coelho-bravo –
Oryctolagus cuniculus algirus.
- Caso o texto seja manuscrito, os nomes deverão ser sublinhados. Senão deverá escrever-se
em itálico.
- Pode escrever-se o nome e a data do taxonomista em letra de texto . Exemplo: Lineu foi
quem primeiro classificou o cão, em 1758, logo, Canis Familiaris L (1758) ou Canis Familiaris
(Lineu, 1758).

Sistema de Classificação de Whittaker modificado:


Conhecer a evolução dos sistemas de classificação de dois reinos até cinco reinos.

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1 – Aristoteles- Os organismos eram distinguidos pela capacidade de movimento e
pela capacidade de sintetizar ou não compostos orgânicos (autotrofia/heterotrofia)  2
Reinos: Plantae e Animalia.
2 – Haeckel - Em 1866, Ernst Haeckel propôs a existência de um terceiro reino –
Protista – no qual se incluía fungos, protozoários e bactérias (todos unicelulares eucarióticos)
 3 Reinos: Plantae, Animalia e Protista.
3 – Copeland- Em 1956, tendo em conta as diferenças estruturais entre os seres
eucariontes e os procariontes, o norte-americano Copeland propôs que se incluíssem estes
últimos num reino à parte, chamado Monera  4 Reinos: Plantae, Animalia, Protista e
Monera.
4 – Whittaker em 1968, propôs um sistema de classificação com cinco reinos, no qual
os fungos passaram a constituir um reino independente  5 Reinos: Plantae, Animalia,
Protista, Monera e Fungi.

SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE WHITTAKER

Em 1969, Whittaker propôs a divisão dos seres vivos em cindo reinos. O sistema de
classificação de Whittaker tem subjacente três critérios:

 Nível de organização celular – diferencia as células procarióticas das eucarióticas e a


unicelularidade da multicelularidade.
 Modo de nutrição – baseia-se no modo como o organismo obtém o alimento.
 Interações nos ecossistemas – diz respeito às relações alimentares que o organismo
estabelece com os restantes organismos no ecossistema. Deste modo, os organismos podem
ser classificados como: produtores, macroconsumidores ou microconsumidores.

176
Classificação de Whittaker modificada - 1979.
Como todos os sistemas de classificação, o de Whittaker também apresentava
limitações, algumas delas indicadas pelo próprio autor, que, em 1979, apresentou uma versão
modificada do seu sistema de 5 reinos.
Desta forma, o reino protista, por exemplo, passou também a incluir fungos
flagelados, algas unicelulares e multicelulares.

177
Características dos seres vivos de cada um dos cinco reinos e dar exemplos

Reino Monera Reino Protista Reino Fungi Reino Plantae Reino Animalia

Eucariótica. Eucariótica.
Eucariótica.
Núcleo, Núcleo,
Tipo de Núcleo, Eucariótica.
Procariótica mitocôndrias; mitocôndrias,
célula e mitocôndrias. Núcleo, mitocôndrias sem
Sem organelos sem cloroplastos. cloroplastos.
organelos Alguns com cloroplastos nem parede celular.
Parede celular Parede celular
cloroplastos.
quitinosa. celulósica.

Unicelulares,
Multicelulares Multicelulares,
Tipo de Unicelulares, solitários (a maioria).
(grande parte). com Multicelulares, com
organizaç solitários ou Alguns coloniais,
Reduzida diferenciação diferenciação tecidular.
ão celular coloniais outros
diferenciação. tecidular.
multicelulares.

Autotróficos
Autotróf
(fotossíntese e
icos (fotossíntese).
Modo de quimiossíntes Autotróficos
Heterotróficos Heterotróficos. Heterotróficos (ingestão).
nutrição e). (fotossíntese).
(absorção e
Heterotróficos
ingestão).
(absorção).

Interaçõe
Produtores Produtores
s nos Microconsumidor
Microconsumi Macroconsumidores Produtores Macroconsumidores.
ecossiste es.
dores Microconsumidores
mas

Exemplo Bactéria Paramécia Cogumelo Musgo Panda

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Classificação em Domínios
Baseado na análise comparativa da sequência de nucleótidos Woese propôs um sistema de
Classificação em Domínios.

No Sistema de classificação em Domínios, a categoria domínio é um nível hierárquico


superior ao Reino. Nele são considerados três domínios:

 Domínio Eubacteria, que inclui as bactérias;


 Domínio Archaea, anteriormente chamado Archaebacteria,
 Domínio Eukaria, que inclui todos os eucariontes, os seres vivos com um núcleo
celular organizado.

Esta classificação admite 3 domínios e 6 reinos (dois com seres procariontes e 4 com
seres eucariontes).

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Comparação da classificação de Whittaker e de Woese

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