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A/C

Aos gestores de secretarias de saúde e educação, dirigentes de serviços de saúde,


ambientes educacionais e planos de saúde.

Assunto: Recomendação Autonomia Profissional do Fonoaudiólogo.

Prezados senhores,

No dia 26 de fevereiro de 2016 foi realizada reunião na cidade de Campo


Grande/MS, com a presença de 30 fonoaudiólogos, que representaram os profissionais do
estado e quatro Conselheiras Regionais, que representaram o Conselho Regional de
Fonoaudiologia 6ª Região.

A principal pauta discutida na ocasião foi a fragilidade da autonomia do


fonoaudiólogo no estado do Mato Grosso do Sul, que muitas vezes necessitam de
autorização de profissionais de outras categorias da saúde para solicitar e executar exames
e terapias, bem como para encaminhar pacientes, tanto no setor público quanto no privado.

Diante desta demanda o Conselho Regional de Fonoaudiologia 6ª Região propõe


esta Recomendação com o intuito de orientar os dirigentes e gestores sobre as legislações
que legitimam a autonomia profissional do fonoaudiólogo na sua área de atuação.

Pois bem, de acordo com a Lei 6.965 de 09 de dezembro de 1981, o fonoaudiólogo é


o profissional com graduação plena em Fonoaudiologia, que atua em pesquisa, prevenção,
avaliação e terapia fonoaudiológica. O artigo 4º da mencionada norma define o que é de
competência do fonoaudiólogo:

“Art. 4º - É da competência do Fonoaudiólogo e de profissionais


habilitados na forma da legislação específica:
a) desenvolver trabalho de prevenção no que se refere à área da
comunicação escrita e oral, voz e audição;
b) participar de equipes de diagnóstico, realizando a avaliação
da comunicação oral e escrita, voz e audição;
c) realizar terapia fonoaudiológica dos problemas de
comunicação oral e escrita, voz e audição;
d) realizar o aperfeiçoamento dos padrões da voz e fala;
e) colaborar em assuntos fonoaudiológicos ligados a outras ciências;
f) projetar, dirigir ou efetuar pesquisas fonoaudiológicas promovidas
por entidades públicas, privadas, autárquicas e mistas
g) lecionar teoria e prática fonoaudiológicas;
h) dirigir serviços de fonoaudiologia em estabelecimentos
públicos, privados, autárquicos e mistos;
i) supervisionar profissionais e alunos em trabalhos teóricos e
práticos de Fonoaudiologia;
j) assessorar órgãos e estabelecimentos públicos, autárquicos,
privados ou mistos no campo da Fonoaudiologia;
1) participar da Equipe de Orientação e Planejamento Escolar,
inserindo aspectos preventivos ligados a assuntos fonoaudiológicos;

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m) dar parecer fonoaudiológico, na área da comunicação oral e
escrita, voz e audição;
n) realizar outras atividades inerentes à sua formação universitária
pelo currículo.
Parágrafo único. Ao Fonoaudiólogo é permitido, ainda, o exercício de
atividades vinculadas às técnicas psicomotoras, quando destinadas à
correção de distúrbios auditivos ou de linguagem, efetivamente
realizado.” (Grifos nossos)

Na mesma estreita, a Resolução do Conselho Federal de Fonoaudiologia nº. 348 de 03 de


abril de 2007 define as áreas de competência do fonoaudiólogo no Brasil e dá outras
providências:

“O fonoaudiólogo é um profissional da Saúde, de atuação


autônoma e independente, que exerce suas funções nos setores
público e privado. É responsável por promoção da saúde,
avaliação e diagnóstico, orientação, terapia
(habilitação/reabilitação), monitoramento e aperfeiçoamento de
aspectos fonoaudiólogicos envolvidos na função auditiva
periférica e central, na função vestibular, na linguagem oral e
escrita, na articulação da fala, na voz, na fluência, no sistema
miofuncional orofacial e cervical e na deglutição. (Grifos nossos)

No mesmo sentido, a Resolução do Conselho Federal de Fonoaudiologia nº. 190, de 06 de


junho de 1997, que “Dispõe sobre a competência do Fonoaudiólogo em realizar Exames
Audiológicos”, determina que:

“Art. 1º - Entende-se como Exame Audiológico qualquer


procedimento ou técnica, utilizada para determinar quantitativa e
qualitativamente a audição.
Art. 2º - Os profissionais legalmente habilitados para realizar
Exames Audiológicos, referidos no artigo 1º, são o
Fonoaudiólogo ou Médico.” (Grifos nossos)

Quanto à solicitação de exames e avaliações, a Resolução CFFa nº 246 de 19 de março de


2000 que “Dispõe sobre a competência do fonoaudiólogo, quando no exercício de sua
profissão, para solicitar exames e avaliações complementares” reza que:

Art. 1º - O Fonoaudiólogo, quando no exercício de sua profissão,


poderá solicitar exames e avaliações complementares
necessárias ao bom desempenho de seu trabalho e que o auxilie
no diagnóstico e no tratamento fonoaudiólogo do paciente.
Parágrafo único – Cabe ao Fonoaudiólogo, em conformidade com
sua especialização e sua competência técnico-científica, determinar
os exames e avaliações mais convenientes às reais necessidades do
paciente. (Grifos nossos)

Já os direitos gerais do fonoaudiólogo são definidos pelo art. 5º do Código de Ética da


Fonoaudiologia, aprovado pela RESOLUÇÃO CFFa nº 490, de 18 de fevereiro de 2016 que
“Dispõe sobre a aprovação da reformulação do Código de Ética da Fonoaudiologia. e dá
outras providências.”

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Art. 5º Constituem direitos gerais do fonoaudiólogo, nos limites
de sua competência e atribuições:
I – exercer a atividade profissional sem ser discriminado;
II – exercer a atividade profissional com ampla autonomia e
liberdade de convicção;
III – avaliar, solicitar e realizar exame, diagnóstico, tratamento e
pesquisa; emitir declaração, parecer, atestado, laudo e relatório;
exercer docência, responsabilidade técnica, assessoramento,
consultoria, coordenação, administração, orientação; realizar
perícia, auditoria e demais procedimentos necessários ao
exercício pleno da atividade, observando as práticas
reconhecidas e as legislações vigentes no país;
IV – realizar estudos e pesquisas com liberdade, de forma a
atender à legislação vigente sobre o assunto;
V – utilizar tecnologias de informação e comunicação de acordo
com a legislação em vigor;
VI – opinar e participar de movimentos que visem à defesa da
classe;
VII – requerer desagravo junto ao CRFa de sua jurisdição,
quando atingido no exercício da atividade profissional;
VIII – consultar o Conselho Federal de Fonoaudiologia e o
Conselho Regional de Fonoaudiologia de sua jurisdição quando
houver dúvidas a respeito da observância e aplicação deste
Código, da Lei nº 6.965/1981, do Decreto nº 87.218/1982 e das
normativas do CFFa;
IX – determinar com autonomia o tempo de atendimento e o
prazo de tratamento ou serviço, desde que não acarrete prejuízo
à qualidade do serviço prestado, com o objetivo de preservar o
bem-estar do cliente e de respeitar a legislação vigente;
X – recusar-se a exercer a profissão quando as condições de
trabalho não forem dignas e seguras;
XI – colaborar nas áreas de conhecimento da Fonoaudiologia,
em campanhas que visem ao bem-estar da coletividade;
XII – exercer o voluntariado de acordo com a legislação em
vigor. (Grifos nossos)

Complementando o raciocínio do Código de Ética, o Parecer do Conselho Federal de Fonoaudiologia


nº. 06/2001 que “Dispõe sobre convênios/Plano de Saúde, para autorização de exames e avaliações
complementares” assim dispõe:

“Os fonoaudiólogos são profissionais de saúde, regulamentados pela lei


federal nº 6965 de 09 de dezembro de 1981;
-Sendo profissionais regulamentados por lei, não necessita de autorização
de outro profissional da saúde para exercerem sua atividade;
Várias patologias fonoaudiológicas não são diagnosticadas por médico ou
outro profissional da saúde. Nestes casos, cabe aos fonoaudiólogos e
somente a ele determinar o diagnóstico do caso, a necessidade ou não de
tratamento fonoaudiológico, bem como o número de sessões e a
prorrogação das mesmas para tratamento fonoaudiológico;
-No caso de auditoria interna, deverá esta, ser realizada por profissional
fonoaudiólogo.” (Grifos nossos)
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Diante de todos os comandos normativos a cima expostos, constata-se a autonomia
profissional do fonoaudiólogo para atuar independentemente da autorização de distintos
profissionais da área da saúde.

Assim sendo, o Conselho Regional de Fonoaudiologia 6ª Região vem, cordialmente,


recomendar que as ações de saúde e educação sejam organizadas respeitando a
autonomia profissional do fonoaudiólogo diante de sua capacidade técnica outorgada
legalmente que abrange sua área de atuação.

Respeitosamente.

Neide Godoy P. Marques (CRFa 6 – 5285) Claudia Ligocki (CRFa 6 – 5285)


Conselheira representante do Mato Grosso Presidente
do Sul 7º Colegiado
7º Colegiado

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