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ACÚSTICA

GRM

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Sumário
1. Natureza e Propagação do Som: .....................................................................................6
1.1. Introdução ......................................................................................................................... 6
1.1.1. Ruído ................................................................................................................................................. 6
1.2. O que é controle de ruído....................................................................................................... 6
1.3. Importância econômica do controle de ruído ............................................................................... 7
1.4. Quanto se requer de redução de ruído ...................................................................................... 8
1.5. Como o ruído é transmitido ..................................................................................................... 9
1.6. Aspectos estatísticos da fonte, da trajetória e do receptor: .............................................................. 9
1.6.1. Interação entre fonte, trajetória e receptor: .............................................................................................. 10
1.7. Técnicas de controle de ruído ................................................................................................ 11
1.7.1. Controle de ruído da fonte .................................................................................................................... 11
1.7.2. Controle da transmissão ....................................................................................................................... 12
1.7.3. Controle no receptor............................................................................................................................ 13
1.7.4. Controle da exposição: ......................................................................................................................... 14
1.8. Noções básicas de acústica física: .......................................................................................... 14
1.8.1. Definição de som e ruído e suas características:........................................................................................ 14
1.8.2. Grandezas Acústicas............................................................................................................................ 20
1.8.3. Níveis sonoros e a escala em decibéis: .................................................................................................... 24
Propagação Sonora ................................................................................................................... 33
1.8.4. Fontes Sonoras .................................................................................................................................. 34
1.9. Efeitos Atmosféricos ........................................................................................................... 36
1.9.1. Absorção Molecular ............................................................................................................................. 36
1.9.2. Ventos .............................................................................................................................................. 37
1.9.3. Gradiente de Temperatura .................................................................................................................... 37
1.10. Absorção sonora ............................................................................................................... 38
1.10.1. Como o Som é Absorvido ................................................................................................................. 38
1.10.2. Diferentes Tipos de Absorção e Absorvedores ..................................................................................... 38
1.11. Noções básicas de psicoacústica: ........................................................................................... 41
1.11.1. O ouvido Humano: .......................................................................................................................... 41
1.11.2. Audibilidade e nível de audibilidade: ................................................................................................... 44
......................................................................................................................................... 47
2. Efeitos do ruído nos seres humanos: ............................................................................ 48
2.1. Perdas auditivas induzidas pelo ruído: ..................................................................................... 48
2.2. Efeitos sensoriais: .............................................................................................................. 50
2.3. Percepção do ruído: ........................................................................................................... 50
2.4. Interferência na comunicação por fala: ..................................................................................... 51
2.5. Efeitos do ruído no sono: ..................................................................................................... 53
2.6. Efeitos psicofisiológicos: ...................................................................................................... 54

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2.7. Efeitos na saúde mental: ...................................................................................................... 55
2.8. Efeitos no desempenho:....................................................................................................... 56
2.9. Efeitos no comportamento comunitário: ................................................................................... 56
2.10. Protegendo sua audição ...................................................................................................... 57
......................................................................................................................................... 60
3. Parâmetros descritores do ruído ambiental: .................................................................. 61
3.1. Nível de pressão sonora (NPS): ............................................................................................. 61
3.2. Nível de pressão sonora equivalente contínuo(LAeq,T): ................................................................ 62
3.3. Níveis percentuais (LAn): ..................................................................................................... 63
3.4. Nível de exposição sonora (LAE): ........................................................................................... 64
3.5. Exposição sonora (EA): ....................................................................................................... 65
3.6. Nível sonoro dia e noite (LAdn): ............................................................................................. 65
3.7. Nível de exposição diária pessoal (LEP,d): ................................................................................ 67
3.8. Nível de poluição sonora (LNP): ............................................................................................. 67
3.9. Nível de ruído percebido (PNL): ............................................................................................. 68
3.10. Dose de ruído: .................................................................................................................. 68
3.11. Curvas de avaliação de ruído: ................................................................................................ 70
3.12. Índice de ruído de tráfego (TNI): ............................................................................................ 73
......................................................................................................................................... 74
4. Instrumentação para Medições Acústicas ....................................................................... 75
4.1. Sistema Básico de Medição ................................................................................................... 75
4.2. Medidores de Nível de Pressão Sonora .................................................................................... 76
4.3. Dosímetros ....................................................................................................................... 77
4.4. Monitores de Nível de Pressão Sonora ..................................................................................... 77
4.5. Analisadores de Espectro ..................................................................................................... 78
4.6. Calibradores acústicos ......................................................................................................... 80
......................................................................................................................................... 81
5. Medição de Ruído: Métodos ......................................................................................... 82
5.1. Definição do problema ......................................................................................................... 82
5.2. Procedimentos básicos ........................................................................................................ 83
5.2.1. Seleção do equipamento ...................................................................................................................... 83
5.2.2. Posição do microfone .......................................................................................................................... 84
5.2.3. Orientação do microfone ...................................................................................................................... 86
5.2.4. Correção devido uso de cabos para microfone .......................................................................................... 86
5.2.5. Correção do ruído de fundo .................................................................................................................. 86
5.2.6. Efeito das condições ambientais ............................................................................................................ 87
5.2.7. Número de medições x precisão ............................................................................................................ 89
5.3. Uso do medidor de nível de pressão sonora .............................................................................. 89

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5.3.1. Seleção do tipo de medidor de nível de pressão sonora ............................................................................. 89
5.3.2. Seleção da curva de ponderação ........................................................................................................... 90
5.3.3. Resposta de medição: Fast x Slow .......................................................................................................... 90
5.3.4. Distribuição estatística ......................................................................................................................... 91
5.3.5. Medição de ruído impulsivo ou de pico .................................................................................................... 91
5.4. Uso dos analisadores .......................................................................................................... 91
5.4.1. Seleção do analisador .......................................................................................................................... 92
5.5. Dados a serem a avaliados ................................................................................................... 93
5.5.1. Fontes sonoras .................................................................................................................................. 93
5.5.2. Ambiente acústico interno..................................................................................................................... 93
5.5.3. Ambiente acústico externo .................................................................................................................... 93
5.5.4. Instrumentação .................................................................................................................................. 94
5.5.5. Dados de medição .............................................................................................................................. 94

......................................................................................................................................... 96
6. Poluição Sonora: Recomendações e Legislação: ............................................................. 97
6.1. Valores de referência e limites de tolerância: ............................................................................. 97
6.2. Legislação ambiental nas esferas federal, estadual e municipal: ...................................................... 99
....................................................................................................................................... 107
7. Sugestões para controle de ruído ............................................................................... 108
7.1. Comportamento sonoro - Causas das fontes de ruídos ............................................................... 109
7.2. Sons de placas vibrantes.................................................................................................... 116
7.3. Sons produzidos no ar ou em gases ..................................................................................... 122
7.4. Ruído em dutos e tubulações .............................................................................................. 128
7.5. Ruído em máquinas vibratórias ............................................................................................ 131
7.6. Ruído em ambientes fechados ............................................................................................. 134
7.7. Redução sonora em paredes enclausuradas ............................................................................ 137
7.8. Barreiras Acústicas ........................................................................................................... 139
Vegetação como uma barreira .................................................................................................................. 141
8. Bibliografia: ............................................................................................................. 143

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1. Natureza e Propagação do Som:

1.1. Introdução

1.1.1. Ruído
Por definição, ruído é o som indesejado. A melodia proveniente de um rádio
pode ser agradável para os moradores de uma residência, mas é incômodo para os
vizinhos que estão tentando dormir; é indesejado.
Os ruídos que estão associados a um determinado ambiente são nomeados
de Ruído Ambiente, e são compostos por sons de muitas origens, próximos e
distantes. Por exemplo, supondo não haver tráfego em uma rua da cidade e
nenhuma outra fonte de ruído em uma determinada localização. Isso significa que o
som ambiente desta localização é generalizado (um composto originado de muitas
fontes sonoras), que chega à região por meio de diferentes fontes e direções.
Infelizmente, a maioria das máquinas desenvolvidas com propósito industrial,
para transporte de alta velocidade, ou para fazer a vida mais agradável fornecendo
conforto adicional, reduzindo o trabalho penoso de cada dia, e aumentando a
velocidade na realização de nossas rotinas diárias para providenciar horas
adicionais de lazer, são acompanhadas de ruído. Visto que o ruído pode afetar o ser
humano de diversas maneiras - sua audição, sua habilidade de comunicação e seu
comportamento -, o seu controle torna-se muito importante, dos pontos de vista
econômico e de saúde. O controle de ruído é igualmente significante porque pode
fazer do mundo um lugar mais agradável para se viver.

1.2. O que é controle de ruído


Trata-se da tecnologia para obtenção de um nível de ruído aceitável, de
acordo com considerações econômicas e operacionais. A adequação do meio
ambiente pode ser exigida por um indivíduo, um grupo de pessoas, uma
comunidade inteira ou um equipamento cuja operação é afetada por ruído. Quando
a palavra “aceitável” é empregada, tais questões, como as seguintes, são
levantadas: aceitável sob que condições? Aceitável para quem? Usualmente, não há
uma única resposta para tais questões devido à complexidade das manobras

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econômicas e operacionais envolvidas, e devido a todos os elementos que podem
variar com o tempo.
Controle de ruído não é o mesmo que redução do ruído. Em um problema
específico, a redução de ruído requerida para se alcançar resultados aceitáveis pode
ser obtida, simplesmente, pela aplicação de técnicas de redução de ruído. Mas esse
procedimento pode ser caro e desperdiçado, além de poder resultar em interferência
nas operações regulares. O problema pode ser analisado sistematicamente para
determinar como as condições aceitáveis podem ser alcançadas de forma
econômica. Em casos incomuns, a solução para problemas de controle de ruído
pode ocasionar um aumento do ruído. Considerando, por exemplo, a sala de espera
de um consultório médico, a qual é separada do consultório por uma divisória que
não provê o isolamento acústico necessário, de modo que a conversa dentro do
consultório pode ser ouvida pelos pacientes. Condições aceitáveis na sala de espera
poderiam ser alcançadas com a construção de uma divisória com boa propriedade
de isolamento de ruído aéreo. Uma segunda alternativa seria a de aumentar o nível
de ruído na sala de espera, através da instalação de outra fonte sonora (por
exemplo, um ventilador ou um sistema de música ambiente), de modo a mascarar a
conversa do outro lado da parede. Apesar de esta última solução ter suas
desvantagens, ela é mais econômica e, portanto, pode ser desejável em certas
circunstâncias. Tal situação ilustra, mais uma vez, o fato de que “controle de ruído” e
“redução de ruído” nem sempre são sinônimos.

1.3. Importância econômica do controle de ruído


O ruído é um problema de grande importância econômica na sociedade
moderna. Assim, quando o nível de ruído em instituições de ensino ou ambientes de
trabalho é alto o suficiente para interferir na comunicação, perdas econômicas são
computadas. Indenizações envolvendo milhões de dólares, nos casos de
reclamações sobre o prejuízo permanente da capacidade auditiva, estão na justiça.
Outro aspecto do impacto dos ruídos na economia está no valor das propriedades.
Por exemplo, o ruído de operação de um espaço aéreo ou de uma indústria pode
influenciar o valor da terra ao redor. Por razões econômicas, um considerável
esforço tem sido feito pela indústria para desenvolver produtos silenciosos e para
atingir condições de silêncio em escritórios e fábricas. Enquanto não é possível
relatar explicitamente as relações entre ruído e seus efeitos no homem, o total anual

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de vendas, em dólares, de material acústico tem aumentado consideravelmente.
Pode-se argumentar que esse crescimento é resultante dos esforços de promoção
de vendas. Por outro lado, a rapidez de tal crescimento pode ser associada ao
fundamento de que pessoas não gostam de ruído e, por isso, estão dispostas a
pagar por esses tipos de serviços.

1.4. Quanto se requer de redução de ruído


Os seguintes passos determinam a quantidade de ruído que se deseja reduzir
para um problema especificado:

Avaliação do ruído ambiental, dentro das condições existentes:


- As condições existentes podem ser avaliadas por medições de ruído, as quais
fornecem dados estatisticamente significantes. Esse processo requer a
seleção e o uso de equipamentos de medição apropriados (acurácia da
calibração), além da obtenção de dados em condições controladas, e a
avaliação de quaisquer fatores ambientais que possam afetar as medições.

Determinação do nível de ruído aceitável:


- Esta informação é fornecida por um critério adequado. Um critério pode ser
definido como um padrão ou norma definida por um juiz arbitrário. Tal padrão
pode ser usado, por exemplo, para estabelecer um limite aceitável ou
restrição que está para ser imposta. Os critérios do controle de ruído
fornecem padrões para julgamento da aceitabilidade de níveis de ruído sob
várias condições e com diversas finalidades. Um nível que pode constituir
risco para a audição de uma pessoa pode não ter um efeito significativo em
outra. Sendo assim, as reações das pessoas não são invariáveis. Em uma
situação traumática, como um acidente envolvendo aviões, uma comunidade
próxima pode reagir ao ruído provocado por um avião de maneira
completamente diferente. A forma como as pessoas reagem varia muito do
espaço e do contexto em que elas estão inseridas.

Diferenças:

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- A diferença entre os níveis dos passos anteriores representa a redução de
ruído que deve ser fornecida para obtenção de um ambiente aceitável. Essa
diferença é determinada em função da frequência.

1.5. Como o ruído é transmitido


Ruído pode chegar ao ouvinte por diferentes trajetórias. Suponha que uma
pessoa esteja ouvindo o som de um piano vindo do apartamento de cima. Parte do
som pode ser transmitido através de uma trajetória no ar, passando pela janela do
apartamento. Outra parte força a parede a vibrar por algum tempo; uma fração desta
energia de vibração desloca-se através da estrutura da construção e força com que
mais paredes vibrem para outro lugar da construção e radiem o som. Isso se alterna
com parte da energia vibratória, que pode ser comunicada através da armação do
piano para o chão, através de uma direção sólida, provocando a vibração do piso e,
dessa forma, irradiando o som para o apartamento de baixo.
Por conveniência, em problemas de engenharia, pode-se representar a
transmissão de som de uma fonte até um ouvinte, como mostrado no diagrama a
seguir:

FONTE CAMINHO RECEPTOR

No diagrama, o bloco rotulado como fonte pode representar não uma, mas
várias fontes de energia vibratória. Como indicado, as trajetórias podem ser
numerosas. O bloco indicado como receptor pode representar desde uma simples
pessoa a uma comunidade inteira, ou uma delicada peça de um equipamento cuja
operação pode ser afetada pelo barulho.

1.6. Aspectos estatísticos da fonte, da trajetória e do receptor:


No campo do controle de ruído é sempre importante ter em mente o aspecto
estatístico dos elementos diagramados acima. Primeiro, os geradores de ruído
representados pelo bloco “fonte” podem diferir em número, e seus produtos podem
diferir no tempo – como, por exemplo, o caso do tráfego veicular em uma interseção.
A trajetória pela qual o ruído chega a nossos ouvidos é algo estatístico por
natureza. Por exemplo, considere um avião sobrevoando a área onde se encontram
ouvintes. Devido à heterogeneidade da atmosfera terrestre, haverá uma enorme

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quantidade de variações da transmissão através dessa trajetória. Essas variações
estatísticas, nas características de propagação através da atmosfera, podem resultar
em um campo de flutuação no nível sonoro que chega aos ouvintes. Uma outra
forma de exemplificar tal fenômeno é var em consideração o nível de ruído de um
escritório, o qual está separado de uma fábrica barulhenta por uma divisória com
porta. Quando a porta está aberta, a trajetória é alterada. Assim sendo, o nível de
ruído no escritório varia estatisticamente, dependendo, entre outros fatores, da
frequência com que a porta da fábrica é aberta.
O receptor do diagrama tem aspectos estatísticos. Suponha ser o mesmo
representado por um grande número de pessoas. O número de pessoas no grupo
pode variar com o passar do tempo. O limiar de cada pessoa no grupo será
diferente, e cada um deles pode, também, variar de acordo com o tempo.

1.6.1. Interação entre fonte, trajetória e receptor:


Embora fonte, receptor e trajetória sejam mostrados separadamente no bloco
diagrama, há considerável interação entre eles, pois não se tratam de elementos
independentes.
A saída de uma fonte sonora nem sempre é constante, mas pode depender
tanto da trajetória quanto do receptor, e do ambiente onde a fonte sonora está
localizada. Outro tipo de influência do ambiente na saída da fonte sonora pode tomar
lugar quando a fonte em questão é uma pessoa falando. Quando há aproximação do
ouvinte em uma pequena sala, o tom do discurso do orador pode ser relativamente
baixo, mas em um salão, onde se há mais espaço para reverberação, o tom da voz
aumentará automaticamente. De fato, quem fala é influenciado tanto por quem ouve
como pela trajetória do som. Se o orador sabe que um dos ouvintes apresenta
problemas de audição, ele deve procurar falar mais alto. Outro exemplo da influência
de trajetória e receptor sobre a fonte é o de um operador de uma máquina ruidosa,
cuja operação varia de acordo com as condições ambientais, no qual esta fonte de
perturbação está localizada, e as pessoas que podem ser incomodadas pela sua
operação.
Porém, não é sempre que as características da trajetória podem exercer
influência sobre fonte e receptor. Por exemplo, a redução devida a um protetor
depende consideravelmente das características da fonte e do receptor. A atenuação
de ambos não é uma constante, independente da fonte e do receptor.

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Da mesma forma, a reação do receptor depende das características da
trajetória e da fonte sonora. Uma dona de casa pode realizar suas tarefas sem notar
o barulho causado por aviões que sobrevoem sua residência. Ela pode não ser
influenciada pelo ruído no seu armário caso haja alguma vibração vinda do
refrigerador. Contudo, se os seus pratos vibrarem devido ao ruído de um avião, sua
reação pode ser completamente diferente. Assim sendo, parece haver interação
entre os componentes do conjunto fonte, receptor e trajetória.

1.7. Técnicas de controle de ruído


Em geral podem-se considerar três categorias de medições:
1. Controle de ruído da fonte;
2. Controle de ruído da trajetória de transmissão;
3. Uso de protetores sonoros em medições, para o receptor.

Cada método, ou conjunto de métodos, é empregado de acordo com a


quantidade de ruído que se deseja reduzir e com as considerações econômicas e
operacionais. A solução de um problema específico de controle de ruído e os
benefícios relativos devem ser avaliados sob pontos de vista diferentes e
comparados com seus respectivos custos.

1.7.1. Controle de ruído da fonte


Um importante método de controle de ruído da fonte é reduzir a amplitude de
das forças que geram ruído. Um exemplo disso é o isolamento da vibração de
componentes de uma fonte. Outro método é a redução do movimento de
componentes que estão em vibração, como por exemplo, a aplicação de materiais
com características de amortecimento ou alteração de frequência, podem reduzir os
ruídos originários de painéis em movimento.
A mudança no procedimento usual de operação pode ser uma técnica efetiva
de controle de ruído. Assim sendo, algumas fábricas nas proximidades de áreas
residenciais suspendem ou reduzem as atividades ruidosas à noite, pois, sem o
ruído do ambiente para mascarar o ruído das fábricas, estes se tornam mais
perceptíveis.

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1.7.2. Controle da transmissão
Outra técnica geral de redução de ruído é o controle da transmissão através
da redução da energia que chegará ao receptor. Isso pode ser feito de diversas
maneiras. São elas:

• Ocupação: Ao ar livre, a máxima atenuação pode ser alcançada pelo


aumento, na medida do possível, da distância entre a fonte e o receptor. E,
como uma única fonte sonora irradia som apenas em uma direção, um outro
modo de atenuação é o de alteração do direcionamento da fonte ao receptor,
o que causa uma considerável redução do nível de ruído percebido. Dessa
forma, a orientação da direção da pista de decolagem de um aeroporto, por
exemplo, pode ser de grande influência na redução do ruído em comunidades
vizinhas a ele. Quando possível, também devem ser aproveitadas as
vantagens de obstáculos naturais à transmissão do som, como as
montanhas, por exemplo.

• O projeto da construção: Um planejamento cuidadoso da localização dos


cômodos dentro de uma construção, considerando a posição das fontes
sonoras e das áreas onde o silêncio é desejado, pode resultar numa
economia considerável com controle de ruído, atenuando possíveis
incômodos sonoros que porventura possam acontecer.

• Barreiras: São definidas como dispositivos, instalados entre fontes de som e


receptores, com massa e altura mínimas necessárias para provocar redução
do nível de pressão sonora em decibéis, ponderado na escala A,
considerando as condições de antes e depois da instalação, tais como: perfil
de terreno, superfícies refletoras, eventuais obstáculos e meteorologia.

• Enclausuramento: Uma considerável atenuação do nível de ruído pode ser


alcançada enclausurando-se a fonte de ruído ou construindo um
enclausuramento na região onde está o receptor.

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• Absorção: Um dos meios mais eficientes na atenuação de ruído na
transmissão é a absorção. Por exemplo: suponha um número de máquinas
trabalhando em uma fábrica. A maior parte do ruído dessas fontes será
refletida pelo teto, pelas paredes e pelo piso, chegando aos trabalhadores do
lado oposto do galpão. Assim sendo, o uso de materiais absorventes
acústicos no teto atenua a transmissão sonora entre as fontes e os
receptores. Essa absorção também reduz o nível de ruído que alcança os
trabalhadores, mesmo após múltiplas reflexões do som pelas paredes, teto e
piso. Se o barulho vem do sistema de ventilação, a atenuação pode ser feita
aplicando-se um revestimento acústico.

• Perda Reativa: O fluxo da energia sonora através da trajetória de


transmissão entre a fonte e o receptor pode ser bloqueado por
descontinuidades, as quais alteram as condições de propagação, refletindo a
energia sonora de volta para a fonte. Em residências, isso pode ser obtido
pela descontinuidade das construções. A transmissão do som no ar pode ser
impedida da mesma forma. Atenuadores de ruído operam nesse princípio,
embora alguns deles possam, também, absorver parte da energia durante a
transmissão.

1.7.3. Controle no receptor


As seguintes técnicas de controle de ruído podem ser empregadas onde o
nível de ruído for excessivo:

• Protetores auriculares: Equipamentos de proteção desse tipo proporcionam


um resultado significativamente econômico através da redução do tempo de
exposição de trabalhadores industriais ao ruído.

• Cabines: Consiste em implantar uma cabine ou outra forma de isolamento


parcial para cada trabalhador. Em muitos casos essa alternativa é
impraticável ou não econômica para a redução do nível de ruído ao qual um
trabalhador fica exposto.

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• Educação e programas de conservação da audição: Programas de
conservação da audição promovem importantes componentes, como a
educação e a conscientização. Em algumas cidades, onde o ruído tem sido
um grave problema, tanto a indústria quanto instituições governamentais
melhoraram suas relações com a comunidade através do interesse em seus
problemas com o ruído, e mostrando à comunidade como minimizar a
perturbação causada por ele.

1.7.4. Controle da exposição:


Sob algumas circunstâncias, é impraticável a redução de ruídos de extrema
intensidade. Um nível de ruído considerado inaceitável pode ser tolerável se emitido
em um curto espaço de tempo. Contudo, uma técnica de controle desses agentes
sonoros é a rotação de pessoas que trabalham em áreas de ruído intenso por
períodos limitados de tempo.

1.8. Noções básicas de acústica física:

1.8.1. Definição de som e ruído e suas características:


O som é um distúrbio físico de um meio (em um gás, líquido ou sólido), que
pode ser captado pelo ouvido humano. O meio no qual a onda sonora se propaga
deve ter massa e elasticidade. Contudo, as ondas sonoras não se propagam no
vácuo. Pode-se dizer que uma série de compressões e rarefações do meio faz com
que a energia acústica seja transportada, não havendo, portanto, nenhuma
transferência de massa. As partículas do meio se movem ciclicamente, no sentido e
direção de propagação da onda acústica.
Essas variações de pressão se originam de várias formas, como por exemplo:
(1) oscilação da corrente do ar, tal como a que é provocada pela
rotação das pás de um ventilador em movimento;
(2) pelo turbilhão resultante do choque entre a corrente de ar e
alguma obstrução no sistema de ventilação;
(3) pelo voo supersônico de uma aeronave , que cria ondas de
choque;
(4) por uma superfície de vibração, tal como uma divisória.

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Considerando, por exemplo, o ruído gerado pelo mecanismo acima (4). Um
modelo simplificado é ilustrado pela figura abaixo.

Figura 1- Onda sonora gerada por uma superfície vibrante

Como a superfície move-se à direita, há um decréscimo instantâneo do


volume da camada de ar vizinha, e um consequente aumento da densidade. Assim
sendo, há uma compressão do ar nesta camada. Quando a intensidade de
compressão da camada é mais alta que a da atmosfera ao redor, sem perturbação,
o ar na camada tende a se mover em uma direção exterior e comprime uma
segunda camada. Esta, por sua vez, transmite seu movimento para a próxima
camada, e assim por diante. Quando a superfície inverte a direção, condições
opostas prevalecem. Então, há um aumento instantâneo do volume de ar da camada
vizinha à superfície - há uma rarefação do ar nesta camada A rarefação segue a
camada de compressão na direção centrífuga, e viaja à mesma taxa, chamada
velocidade do som. A sucessão de camadas pressionando cada vez mais para fora
de compressão e rarefação resulta em uma onda de movimento, e em um dado
ponto no espaço, produz alternação entre aumento e queda de pressão. A vibração
do ar, que é transmitida às ondas, não muda sua posição média; há oscilação em
torno do ponto médio.

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Figura 2 – vibração de uma partícula no ar.

As ondas acústicas se caracterizam pelo seu comprimento de onda,


frequência e sua velocidade de propagação no meio

Velocidade do Som

A velocidade do som é a taxa à qual o som se propaga. À temperatura de


200 C (680 F), a velocidade do som no ar é de aproximadamente 344 m/s (1127 ft/s).
A temperatura do ar influencia significativamente a velocidade do som, uma vez que
um aumento de 10 C na temperatura acarreta um acréscimo de 0.61 m/s na sua
velocidade. Em quase todos os problemas envolvendo controle de ruído, a
velocidade independe da frequência ou da umidade do ar.
O som se propaga mais rapidamente em meios sólidos do que no ar. Por
exemplo, a velocidade do som em tijolos é aproximadamente 11 vezes maior que a
velocidade do som no ar.

Frequência

Por definição, a frequência de um fenômeno periódico, tal qual uma onda


sonora, é o número de vezes que este fenômeno se repete em um segundo. A
frequência é usualmente designada por um número, cuja unidade é medida em
Hertz (Hz). Por exemplo, o diapasão sofre 440 oscilações completas em um
segundo. Então, sua frequência de vibração é de 440 Hz.

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Figura 3 – variação da pressão causada por um diapasão

O som que apresenta apenas uma frequência é chamado de tom puro. Já as


músicas são compostas de diversos tons com diferentes frequências e pressões.
A variação na pressão causada pela fala, música ou ruído não será simples
como a de um tom puro, pois esses sons são compostos de várias frequências,
assim como a luz branca é composta de diversas cores. Quando a luz branca passa
por um prisma, pode-se visualizar diversas cores. O mesmo acontece com o som
quando ele passa por um analisador de espectro, que apresenta, assim, as
frequências daquele som. Esses sons compostos são definidos pelo seguinte
espectro quando causam variação na pressão:

Figura 4 – variação da pressão causada por fala.

Comprimento de onda

O comprimento de onda de um som é a distância perpendicular entre duas


frentes de onda, com o mesmo período, e em máxima compressão. Este
comprimento é a mesma distância que a onda sonora viaja para completar um ciclo

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de vibração. O comprimento de onda (m), denotado pela letra grega l, relaciona-se
à frequência f (hertz) e à velocidade do som c (m/s) pela equação:

c
l= 1
f
onde: l é o comprimento de onda;
c é a velocidade de propagação da onda;
f é a frequência da onda.

Atualmente, em muitos problemas de controle de ruído, o comprimento de


onda é a mais importante consideração a ser feita. Por exemplo:
(1) as propriedades direcionais de uma fonte sonora dependem da taxa
de comprimento de radiação do som para as dimensões da fonte;
(2) a eficácia de uma barreira em campo livre depende da relação
entre o comprimento da onda sonora e a altura da barreira.

A figura abaixo mostra a faixa de frequências e comprimentos de onda para a


audição de pessoas jovens e idosas, a melodia de um piano, um som estéreo de alta
fidelidade e de testes acústicos em laboratório:

Figura 5 – faixas de frequências para diversas fontes sonoras.

18
Infrasom Som Audível Ultrasom

Figura 6- Frequência de algumas fontes e dos limites de percepção do homem, cachorro e


morcego:

Figura 7 - Limites da Zona de Audição

A relação entre frequência e período é dada por:


1
TP = 2
f
onde: Tp é o período.

19
Por exemplo: um som com freqüência de 250Hz terá um período de 1/250 =
0,004 s/ciclo.

1.8.2. Grandezas Acústicas


A onda acústica transporta energia e a taxa com que esta energia passa
através de uma área unitária normal; a direção de propagação da onda é definida
como sendo a intensidade sonora. Para uma emissão sonora em campo livre,
define-se a intensidade sonora como:

P2
I= 3
rc
onde: P é a pressão acústica;
r é a densidade do meio

Relacionado com a intensidade acústica tem-se uma propriedade, exclusiva


da fonte sonora, que é a potência sonora.
A potência acústica de uma fonte sonora, apesar de ter a mesma unidade da
potência elétrica (watt), tem efeito bem diferente para um mesmo valor numérico.
Por exemplo: uma lâmpada elétrica com potência de 10W terá luminosidade
insignificante (em geral, as lâmpadas domésticas têm pelo menos 40W de potência),
e uma fonte sonora com os mesmos 10W produzirá um som de extrema potência.
Picos de potência sonora de instrumentos musicais variam desde 0,05W, para um
clarinete, até 25W, para baterias.
As ondas sonoras que se propagam de uma fonte pontual sem obstruções,
condições chamadas de campo livre, são esféricas. Para que uma fonte seja
considerada um ponto, suas dimensões têm que ser bem menores que as distâncias
até o ouvinte. A intensidade do som em um ponto a uma distância qualquer de uma
fonte será:
W
I= 4
4pd 2
onde: I é a intensidade sonora;
W é a potência sonora;
d é a distância da fonte sonora;
4pd2 é a área da esfera.

20
Figura 8 – relação entre a intensidade sonora e a distância da fonte.

A intensidade sonora e a distância da fonte sonora até o observador podem


ser relacionadas pela seguinte lei:
Considerando-se a figura anterior, a potência sonora na posição 1 é:

W1 = I 1 4pd12 5

E na posição 2 é:

W2 = I 2 4pd 22 6

Mas, desprezando-se a perda de energia sonora por atrito no meio de


propagação, W1 é igual a W2, pois a potência sonora é característica da fonte e não
depende da posição.
Então:

I 1 4pd12 = I 2 4pd 22 7

ou:

21
I 1d12 = I 2 d 22 8

Resultando na lei do inverso do quadrado da distância que também pode ser


expressa por:
2
I1 æ d 2 ö
=ç ÷ 9
I 2 çè d1 ÷ø
Ou seja, a razão entre o valor da intensidade sonora, I1, em um ponto
distante, d1, de uma fonte pontual, e o valor da intensidade sonora, I2, em um ponto
distante, d2, desta mesma fonte é igual ao quadrado do inverso das distâncias dos
pontos, d1 e d2, à fonte.
Quando se tem a sensação de um som considerado desagradável e/ou
indesejável, ele será denominado de ruído. O incômodo causado pelo ruído
dependerá de suas características, como frequência, amplitude, duração, etc. E,
também, de como a pessoa reage a ele.
A resposta subjetiva do ouvido humano a uma determinada frequência é
denominada de pitch. Sons de baixa frequência são identificados como graves e,
sons de alta frequência, de agudos. Dois sons com mesma intensidade e pitch
produzidos por dois instrumentos musicais diferentes podem ser distinguidos por
seus timbres.
Para análise, medição ou especificação do som, as frequências sonoras são
divididas em faixas chamadas de bandas de oitava, que são identificadas pelos seus
valores centrais. A largura desse tipo de banda é tal que seu limite superior será o
dobro do inferior. Os centros das 10 primeiras bandas de oitava são 31.5, 63, 125,
250, 500, 1000, 2000, 4000, 8000 e 16000hz. Quando se deseja fazer uma análise
mais detalhada pode-se dividir as bandas de oitava em 1/3 ou 1/10.
Para que o ouvido humano possa perceber um som é preciso que ele tenha
uma frequência que esteja entre 20 e 20000 Hz. A amplitude que será percebida
dependerá da faixa de frequência do som emitido. É importante notar que a
amplitude de pressão acústica [P(t)] será a diferença entre a flutuação de pressão
total [Pt(t)] em relação à pressão atmosférica estática [Pa].

P(t ) = Pt (t ) - Pa 10

22
O limiar de audição para o ser humano corresponde a um sobre um milhão da
pressão atmosférica.
A velocidade com que a onda acústica se propaga em um determinado meio
dependerá das características desse meio. A velocidade será definida como sendo a
raiz quadrada da taxa de variação da pressão acústica em relação à densidade do
fluido.
¶P
c2 = 11
¶r
Como as compressões e rarefações que ocorrem no meio são muito rápidas,
esse processo pode ser considerado adiabático e, portanto:
P
= cte 12
rg
onde: g é a razão entre o calor específico do gás à pressão e volume constantes;
r é a densidade do fluido [kg/m3].

A partir dessas duas equações pode-se mostrar que:


¶P gP
= 13
¶r r
Utilizando-se a relação dos gases:
Pu = RT 14

onde: u é o volume específico [m3/kg];


R é a razão entre a constante universal dos gases e massa molar do gás;
T é a temperatura do gás [K].

Tem-se que:
gP
c2 = = gR(273 + T ) 15
r
onde: T é a temperatura do gás [ºC].

Com um modelo simplificado, pode-se dizer que a velocidade do som será


definida pela função da temperatura do meio em que a onda se propaga. Para o ar,
pode-se dizer que:

23
c = 331 + 0,6T 16

1.8.3. Níveis sonoros e a escala em decibéis:


Quando se deseja trabalhar com uma faixa de valores muito abrangente, a
escala linear não se mostra muito adequada. Nesses casos, é aconselhável o uso
de uma escala logarítmica. Uma boa divisão de escala pode ser o log10, e o nome
dado a essa divisão é o Bel (homenagem ao cientista Alexander Graham Bell).
Porém, o Bel é uma divisão grande de escala e pode-se usar o decibel (dB), que
corresponde a um décimo do Bel.
Em acústica, certos parâmetros utilizam a escala decibel por dois motivos:
• os valores em acústica têm grande variação;
• a escala decibel se relaciona adequadamente à audibilidade humana,
pois a menor variação que o ouvido humano percebe é 1dB.
Alguns parâmetros serão apresentados agora para ilustrar o uso da escala decibel.
O nível de intensidade acústica é definido como:
I
NI = 10 log 17
I0
onde: I é a intensidade acústica em W/m2;
I0 é a intensidade de referência

A intensidade de referência equivale a um tom de 1000 Hz que pode ser


levemente audível pelo ser humano. I0 = 10-12 W/m2
Sabendo-se que 1 dB é igual a 100,1 = 1,26, pode-se dizer que, quando há
uma variação de 1 dB, a intensidade variou 1,26 vezes. Quando se deseja dobrar ou
dividir por dois a intensidade, é necessário que seja feita uma variação de 3 dB.

Figura 9 - exemplo de cálculo de NI

24
O carro mostrado na figura tem uma buzina que, a 10m de distância, tem um
nível de intensidade sonora de 90 dB. A intensidade sonora nesse ponto será:

æI ö
NI = 10 logçç 1 ÷÷ 18
è I0 ø
æ I1 ö
90 = 10 logç -12 ÷ 19
è 10 ø
æ I1 ö
9 = logç -12 ÷ 20
è 10 ø
I1
anti log 9 = 21
10 -12
I 1 = 10 -3 W m 2
A potência sonora também pode ser encontrada com a equação 4, e será:

W1 = I 1 4pd12 22

W1 = 10 -3 * 4 * 3,14 * 10 2 = 0,12W 23

Pode-se determinar, também, o nível de intensidade sonora em uma distância


qualquer, como 80m. Primeiro encontra-se a intensidade sonora nesse ponto com a
equação 8:
2
I1 æ d 2 ö
=ç ÷ 24
I 2 çè d1 ÷ø

2
10 -3 æ 80 ö
=ç ÷ 25
I2 è 10 ø

I 2 = 1,56 * 10 -5 W m 2 26

Então, o valor de NI será:

æI ö æ 1,56 * 10 -5 ö
NI = 10 logçç 2 ÷÷ = 10 logç ÷
ç 10 -12 ÷ = 72dB
27
è I0 ø è ø

25
Conclui-se que, quando a pessoa se move da posição que está, a 10m da
fonte sonora, até outra, a 80m do nível de intensidade sonora, será reduzido em 18
dB, o que é uma redução significativa no nível.
Observa-se que, entre 10m e 80m, dobra-se a distância 3 vezes: 2*10 = 20,
2*20 = 40 e 2*40 = 80; se a variação total no NI for de 18 dB, então houve uma
variação de 6 dB a cada vez que se dobrou a distância, fato que pode ser usado na
maioria dos casos.

Figura 10 - decaimento do NI com a distância

Figura 11 - Fonte sonora esférica

Sabendo-se que a intensidade acústica é proporcional ao quadrado da


pressão acústica, pode-se definir o nível de pressão sonora como sendo:

P2 P
NPS = 10 log = 20 log 28
P02 P0
onde: P é a pressão acústica;
P0 é a pressão acústica de referência.

O valor de P0 será correspondente ao limiar de audição na mesma freqüência


de 1000 Hz usada anteriormente. O valor de P0 para o ar será dado por:

26
P0 = rI 0c = 2,0 *10-5 N m 2 29

Ao lidar com o NPS deve-se observar que, como a pressão está ao quadrado,
ao se multiplicar ou dividir por dois a pressão sonora, o NPS sofrerá uma variação
de 6 dB.
Há, também, o nível de potência sonora:
W
NWS = 10 log 30
W0
Onde: W é a potência sonora;
W0 é a potência sonora de referência.
W0 é equivalente à intensidade I0 e vale 10-12.

Quando se trabalha com a escala decibel deve-se notar que não podem ser
somados dois níveis diretamente. Portanto, quando se deseja avaliar o nível de
pressão sonora total emitida por diversas fontes em um mesmo ponto, é necessário
seguir determinados procedimentos. Para tanto, será deduzida uma fórmula útil para
descobrir o NPS total.
Considerando diversas fontes atuando simultaneamente, é possível definir a
relação entre suas pressões:
n
2
Pt = P12 + P22 + ... + Pn2 = å Pi 2 31
i =1
onde: Pt é pressão sonora total.

Dividindo-se esta expressão por P02:

Pt 2 P12 P22 Pn2 n Pi 2


= + + ... + =å 32
P02 P02 P02 P02 i =1 P0
2

Da definição de NPS, Eq. 26, tem-se que:

Pi 2
L pi = 10 log 33
P02

onde: LPi é o Nível de Pressão Sonora, NPS, da í-ésima fonte.

27
A equação acima pode ser reescrita como:

Pi 2 L Pi

= 10 10 34
P02
Substituindo a equação 34 pela 32, temos:
L Pt n L Pi

10 10
= å 10 10
35
i =1

Portanto,

é n LPi ù
LPt = 10 log êå10 10 ú 36
ëi =1 û
A equação acima permite calcular o Nível de Pressão Sonora total, LPt,
emitido, por diversas fontes sonoras simultâneas - LPi em um mesmo ponto.
O exemplo a seguir ilustra o uso da equação acima para calcular o LPt com a
presença de diversas fontes. Para isso, considere fontes de 61dB, 70dB, 69dB,
68dB, 60dB e 63dB atuando simultaneamente. O valor do LPt será dado por:

é n L10Pi ù
= 10 log ê å10 ú = 10 log é10 10 + 10 10 + 10 10 + 10 10 + 10 10 + 10 10 ù
61 70 69 68 60 63
LPt
ëi =1 û êë úû

LPt = 10 log(28507942 )
LPt = 75dB
Num caso específico, em que somente duas fontes sonoras estejam atuando
simultaneamente, é de grande interesse prático e será discutido em detalhes a
seguir. Para esse caso, a equação 33 pode ser reescrita como:

é L L P1 P2 ù
L Pt = 10 log ê10 10 + 10 10 ú 37
ê ú
ë û
ì é LP 1
æ L -L ö
-ç P 1 P 2 ÷
è 10 ø ùü
LPt = 10 log í10 ê1 + 10 10
úý 38
î ë ûþ

28
é - ç P1 P 2 ÷ ù
æ L -L
è 10
ö
ø
LPt = LP1 + 10 log ê1 + 10 ú 39
ê ú
ë û
Conclui-se que:
LPt = NPS t = LP1 + DLPA 40

Onde:

é - æç 110 2 ö÷ ù
Lp -Lp

DLPA = 10 log ê1 + 10 è øú 41
êë úû

Para facilitar o cálculo de DLPA foi construído o gráfico abaixo que relaciona
DLPA e a diferença (Lp1-Lp2), para o caso em que Lp1 ³ Lp2.

Adição de dois Níveis Sonoros

3,5

3,0

2,5
Delta L [dB]

2,0

1,5

1,0

0,5

0,0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
L1 - L2 [dB]
(L1 > L2 ou L1 = L2)

Figura 12 - adição de dois NPS

29
Portanto, quando se deseja saber o nível de pressão sonora total, emitido por
duas fontes, deve-se medir os níveis de pressão sonora emitidos pelas duas fontes,
separadamente, e determinar a diferença entre eles. A partir do gráfico ou da
fórmula, determina-se o valor de DLPA e adiciona-se esse valor ao valor da fonte de
maior nível de pressão sonora, LP1.
Um ruído muito comum, e não comentado até então, é o ruído de fundo. Esse
ruído está presente no ambiente, porém não é proveniente da fonte que se deseja
avaliar. Para que o ruído de fundo não chegue a mascarar o nível de ruído da fonte
de interesse, o sinal estudado deve ter uma emissão sonora de, no mínimo, 3 dB
acima do nível do ruído de fundo.
Pode-se obter, facilmente, a fórmula utilizada para se subtrair o ruído de
fundo, pois ela é similar a já apresentada para a soma de dois níveis. A fórmula será
a seguinte:
NPS d = L p t - DLPS 42

onde: Lpt é o NPS total;


NPSd é o nível de pressão sonora desejado.

é LPt - LPf
- æç 10 ö÷ ù
DLPS = -10 log ê1 - 10 è ø
ú 43
êë úû
onde: Lpf é o NPS do ruído de fundo.

30
Para se obter a medida correta do nível de pressão sonora, emitido pela fonte
analisada, deve-se:
1. Medir o NPS total em condições normais de operação;
2. Desliga-se a fonte a ser estudada e mede-se o ruído de fundo;
3. Obtêm-se a diferença (Lpt – Lpf):
• Se (Lpt – Lpf) < 3 o ruído de fundo é superior ao da fonte, e não
se pode ter uma medida confiável do ruído da fonte em questão;
• Se 3 < (Lpt – Lpf) < 10 será necessário uma correção utilizando-
se a fórmula dada para NPSd e o valor de DLPS poderá ser
avaliado pelo gráfico ou calculado pela fórmula;
• Se (Lpt – Lpf) > 10 a contribuição do ruído de fundo é menor que
0,5 dB, não sendo necessário, portanto, nenhuma correção.

Subtração de dois Níveis Sonoros

11,0

10,0

9,0

8,0

7,0
Delta L [dB]

6,0

5,0

4,0

3,0

2,0

1,0

0,0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
L1 - L2 [dB]
(L1 > L2 ou L1 = L2)

Figura 13 – Subtração dos Dois Níveis de Pressão Sonora

Outra forma de somar 2 valores diferentes de nível de pressão sonora


(expressos em dB) é usando a tabela a seguir, a qual apresenta uma relação
simplificada para essa operação:

31
Tabela 1 - Adição de níveis de pressão sonora a partir da diferença entre eles:

Diferença entre os 2 NPS Valor adicionado ao maior NPS


0 ou 1 3
2 ou 3 2
4a8 1
9 ou mais 0

Quando são desejados valores mais precisos, o uso da tabela acima não é
aconselhado, pois ela tem uma aproximação grosseira. Portanto, deve-se usar a
fórmula nesses casos.
O seguinte exemplo mostra o uso da tabela para adicionar os valores do nível
de pressão sonora: 61 dB, 70 dB, 69 dB, 68 dB, 60 dB e 63 dB.

• 70 – 61 = 9. Então, soma-se 0 ao 70;


• 61 com 70 = 70;

• 69 – 68 = 1. Então, soma-se 3 ao 69;


• 69 com 68 = 72;

• 63 – 60 = 3. Então, soma-se 2 ao 63;


• 63 com 60 = 65.

Agora, tem-se os valores 70 dB, 72 dB e 65 dB.

• 70 – 65 = 5. Então, soma-se 1 ao 70;


• 70 com 65 = 71.

E, finalmente:

• 72 – 71 = 1. Então, soma-se 3 ao 72;


• 72 com 71 = 75 dB, que é o valor da soma dos 6 valores iniciais de
NPS.

32
Observe que esse valor também foi obtido utilizando a equação 36, uma vez
que estes procedimentos de cálculo de LPt são baseados naquela equação.
Os valores dados podem ser somados em qualquer ordem, e o resultado
poderá diferir por 1 dB, que não é um valor significante. A tabela também poderá ser
usada na subtração. Se, ao fazer uma medição em um determinado ambiente, for
constatado que o ruído total (do objeto estudado somado ao agente sonoro de
fundo) for de 90 dB e o valor do ruído de fundo for 85 dB, então, o valor do nível de
pressão sonora emitido pelo objeto em questão será:
• 90 – 85 = 5. Então, subtrai-se 1 dB de 90;
• 90 com 85 = 89 dB, que é o ruído desejado.

Propagação Sonora
A propagação do som pela atmosfera diminui, em nível, com o aumento da
distância entre a fonte e o receptor. Essa atenuação (em decibéis) é resultado de
vários mecanismos, os quais serão considerados na seguinte ordem:
1. Atenuação (Adiv): causada pela divergência geométrica da fonte, incluindo
restrições quanto a superfícies refletoras;
2. Atenuação (Abarreira): ocorre se uma barreira é colocada entre a fonte e o receptor;
3. Atenuação (Aatm): ocorre devido à absorção de energia acústica pelo ar, onde as
ondas sonoras se propagam;
4. Atenuação (Aexcess): ocasionada pelo excesso dos mecanismos acima, e
causada, principalmente, pela propagação pelo solo (usualmente chamada de “efeito
do piso”).
Os efeitos das condições topográficas compreendem, como explicitado pelo
título, o efeito da folhagem, a propagação nas ruas das cidades, a propagação bem
acima do solo, a propagação em áreas abertas, etc. Os quais abrangem aspectos da
condição atmosférica – como vento, temperatura, umidade – que aparecem na
descrição de vários mecanismos de atenuação.
Na prática, o problema (da propagação do som) é calcular o nível sonoro L,
devido à fonte de ruído, a uma distância r da fonte (que geralmente é grande), para
disponibilizar as medições da fonte. É necessário calcular o nível sonoro para cada
banda de oitava do ruído separadamente, uma vez que a atenuação de cada um dos
mecanismos citados acima é dependente da frequência.

33
1.8.4. Fontes Sonoras

Fonte Pontual

O efeito da geometria na propagação é bem conhecido para os três tipos de


fontes sonoras idealizadas: pontual, em linha e fonte plana. O comportamento para
cada uma é feito considerando o meio de propagação homogêneo.
Neste caso, a propagação sonora de uma fonte pontual é puramente esférica.
A energia sonora em qualquer direção particular é inversamente proporcional à área
da superfície da esfera. Se o nível de potência sonora, representada pela fonte, é
medida a uma distância de 1 metro, então a distância “r”, em metros, do nível de
pressão sonora, será:

NPS = NWS(ponto) - 10log (4 p r²) 44

W
I= 45
4pr 2

Simplificando, temos:
NPS = NWS(point) - 20log (r) – 11

A qual é conhecida pela lei do inverso quadrado para fontes pontuais. Se


refere, frequentemente, a uma redução de 6 dB na intensidade, com o dobro da
distância. Se a superfície do solo for dura e muito reflexiva, é necessário ser feito
uma correção para compensar as reflexões do solo. Neste caso, “11” é substituído
por 8 dB.

34
Fonte em Linha

As fontes em linha e planas podem ser consideradas como uma combinação


de infinitas fontes pontuais. O comportamento global é, então, encontrado pela
integração dos efeitos individuais em toda a extensão da fonte – em linha ou em
área. Em um caso ideal de uma fonte em linha de comprimento infinito, os
resultados se aproximam de uma propagação cilíndrica. A energia sonora em
qualquer direção perpendicular é inversamente proporcional ao incremento da
circunferência do cilindro. Usando a mesma nomenclatura anterior, o nível de
pressão sonora será:
• NPS = NWS(linha) - 10log(4 p r)
Isso resulta em uma redução de somente 3 dB na intensidade relativa com o
dobro da distância.

Fonte Plana

35
Para uma fonte plana, integramos um número infinito de fontes pontuais,
distribuídas em dois eixos, e gerando uma superfície contínua. O caminho de
propagação de uma fonte plana se aproxima de uma onda plana. A energia sonora
para cada fonte pontual é, portanto, assumida como a propagação em uma linha
perpendicular ao plano, não se tornando necessário, então, a análise da dispersão
de energia devido ao caráter geométrico. Desta forma, não haverá alteração na área
de distribuição da propagação sonora.
É importante observar que, para uma fonte finita, o nível de energia sonora
não diminuirá com a distância, sendo igual quando estivermos próximos ao centro
da fonte sonora. O mesmo não ocorre quando a distância até as bordas da fonte for
da mesma ordem de grandeza da distância até o centro da fonte. O nível de pressão
sonora será:
NPS = NWS (plano)
Infelizmente, a maior parte das fontes sonoras reais, em linha ou em área,
tem tamanho finito. Considerando isso, podemos observar que, a uma grande
distância da fonte ou para uma fonte muito pequena, as fontes pontuais estarão
muito próximas, se aproximando de uma fonte pontual. Isto sugere que, para tais
fontes, haverá uma mudança gradual no comportamento, em função do tamanho e
distância. Se “a” representa o tamanho da fonte, então quando r << a, o
comportamento tende para o ideal (conhecido como nearfield), quando r >> a, o
comportamento deve ser tratado como fonte pontual (conhecido como o farfield).

1.9. Efeitos Atmosféricos

1.9.1. Absorção Molecular


Absorção molecular refere-se à atenuação de intensidade como resultado de
sua passagem pelo meio. Neste caso, ar.

Tabela 2 - Coeficiente de atenuação atmosférica em dB/100m para pressão atmosférica de 1,03 x 105 Pa
(nível do mar)
Frequência Hz
Umidade
Temperatura 125 250 500 1000 2000 4000
relativa
10 0,09 0,19 0,35 0,82 2,6 8,8
20 0,06 0,18 0,37 0,64 1,4 4,4
30 ºC 30 0,04 0,15 0,38 0,68 1,2 3,2
50 0,03 0,10 0,33 0,75 1,3 2,5
70 0,02 0,08 0,27 0,74 1,4 2,5

36
90 0,02 0,06 0,24 0,70 1,5 2,6
10 0,08 0,15 0,38 1,21 4,0 1,09
20 0,07 0,15 0,27 0,62 1,9 6,7
30 0,05 0,14 0,27 0,51 1,3 4,4
20 ºC
50 0,04 0,12 0,28 0,50 1,0 2,8
70 0,03 0,10 0,27 0,54 0,96 2,3
90 0,02 0,08 0,26 0,56 0,99 2,1
10 0,07 0,19 0,61 1,9 4,5 7,0
20 0,06 0,11 0,29 0,94 3,2 9,0
30 0,05 0,11 0,22 0,61 2,1 7,0
10 ºC
50 0,04 0,11 0,20 0,41 1,2 4,2
70 0,04 0,10 0,20 0,38 0,92 3,0
90 0,03 0,10 0,21 0,38 0,81 2,5
10 0,10 0,30 0,89 1,8 2,3 2,6
20 0,05 0,15 0,50 1,6 3,7 5,7
30 0,04 0,10 0,31 1,08 3,3 7,4
0 ºC
50 0,04 0,08 0,19 0,60 2,1 6,7
70 0,04 0,08 0,16 0,42 1,4 5,1
90 0,03 0,08 0,15 0,36 1,1 4,1
1.9.2. Ventos
Ventos irão incrementar os sons à frente da fonte sonora, na direção do
vento, e reduzir atrás da fonte sonora. Este não é somente um resultado do efeito de
velocidade, mas também porque a frente da onda esférica será deformada pelo
vento.

Figura 14 - Influência do vento na propagação sonora

1.9.3. Gradiente de Temperatura


Como previamente discutido, a velocidade do som depende da temperatura.
Quanto mais alta a temperatura, mais alta a velocidade. Isto significa que, quando a
temperatura perto do solo for mais alta que as camadas de ar superior, os raios
sonoros tendem a formar um arco inclinado para cima. Assim, menos energia será
necessária para localizar uma ouvinte a uma distância próxima do solo. Para uma
determinada quantidade de energia, é aumentada a área de distribuição.

37
Figura 15 - Efeito do gradiente de temperatura na propagação sonora

À noite, quando a superfície do solo estiver mais fresca que as camadas de ar


superior, o inverso acontece: a energia tende a formar um arco para baixo. Para
uma determinada quantidade de energia, a área de distribuição será reduzida.

1.10. Absorção sonora

1.10.1. Como o Som é Absorvido


Centrando a discussão em torno de ambientes fechados, ocorrem efeitos
diferentes de absorção sonora. Basicamente, energia sonora é absorvida quando é
convertida em outra forma de energia. Na maioria dos casos, isso leva à conversão
em calor. Este fenômeno é resultante das ações de fricção e da resistência de vários
materiais ao movimento e à deformação. Obviamente, a quantidade de calor gerada
é mínima, e a energia sonora também é bastante pequena, se você considerar a
medição em Watts.
É importante notar a distinção entre esta absorção (a quantidade de energia
sonora que é convertida em calor) e o coeficiente de absorção (a) – o coeficiente de
absorção de toda a energia sonora que não é refletida (ie: inclui a energia sonora
transmitida, também como componente absorvido).

1.10.2. Diferentes Tipos de Absorção e Absorvedores

Absorvedores Porosos

Absorvedores porosos, como lã de rocha, polímeros, espumas ou lã de vidro,


têm uma estrutura de poros abertos. A conversão em calor é gerada pela fricção,
quando as moléculas vibrantes do ar são forçadas através dos poros, interagindo
com os mesmos. Estes são eficientes para altas frequências, de curto comprimento
de onda. Em uma onda sonora incidente em uma parede rígida, o máximo da
velocidade de partícula ocorre a 1/4 e 3/4 de l. Se a espessura do absorvedor for
menor que um quarto do comprimento de onda, ele terá efeito reduzido.

38
Uma camada fina de material poroso, localizada a certa distância da parede
sólida, terá quase o mesmo efeito de um material espesso. O máximo desempenho
é alcançado quando a distância da parede ao centro do absorvedor for igual a 1/4 l,
e é restrito a uma faixa estreita de frequência. Isso ocorre porque a máxima
amplitude de ambas as ondas sonoras, incidentes e refletidas, irão ocorrer no
material poroso.

Painéis Vibrantes

Estes podem ser folhas flexíveis fixadas em cima de apoios, ou painéis


rígidos, montados um pouco distantes de uma parede sólida. A conversão em calor
acontece pela resistência da membrana à deformação, e devido à resistência do ar
comprimido na cavidade atrás dos painéis. Eles serão muito efetivos à frequência de
ressonância, sendo que esta depende da densidade de superfície (M) e da largura
do espaço incluso (b).

39
Fr = 60 / (M * b)1/2

Em prática, o método de fixação e a rigidez dos painéis também influenciarão


no modo do painel vibrar. Isto significa que agirá como um radiador, sendo assim
raro achar um sistema com um coeficiente de absorção efetivo maior que 0,5.
Painéis Vibrantes são muito efetivos em baixas frequências.

Cavidade Absorvedora

Também conhecidas como ressonadores de Helmholtz, as cavidades


absorvedoras são compostas de ar e têm um pescoço estreito. O ar dentro da
cavidade tem um efeito de mola e inclui a frequência ressonante particular do
volume de ar.

40
Fr = (340/2p) x (S / VL)1/2

Onde S é a área da seção do pescoço (m²), V é o volume da cavidade (m³) e


L é o comprimento do pescoço (m). Estes instrumentos absorvem uma grande
quantidade de energia em uma estreita faixa de frequência, que pode ser alargada
ligeiramente colocando um material poroso dentro da cavidade.

Painéis Absorvedores Perfurados

São resultantes dos três mecanismos combinados. O painel pode ser de


diversos materiais, que possam responder como uma membrana absorvente. As
perfurações, buracos ou aberturas, com o espaço de ar atrás deles, agirão como
ressonadores de cavidade múltiplas, melhorados com algum absorvedor poroso.

Nota: De teoria de onda, pode ser mostrado que o material absorvedor é mais
efetivo quando posicionado nos cantos de um ambiente, pois, neste local, todo modo
normal tem um máximo de pressão.

1.11. Noções básicas de psicoacústica:

1.11.1. O ouvido Humano:


Para que possamos perceber os sons ao nosso redor é necessário que
tenhamos um sensor. Esse sensor é o ouvido, o qual pode ser considerado bastante
complexo. Para tentar modelar tal complexidade já foram criados diversos circuitos
eletrônicos com sensibilidade variável, pois o ouvido humano apresenta diferentes
respostas para diversas frequências.

41
As estruturas responsáveis pela audição humana são o ouvido externo, o
ouvido médio e a cóclea. Os canais semicirculares, o sáculo e o utrículo são
responsáveis pelo equilíbrio.

Figura 16 - Ouvido Humano

O ouvido externo é um canal que se abre para o meio exterior na orelha, que
é uma projeção da pele, de tecido cartilaginoso. O epitélio que reveste o canal
auditivo externo é rico em células secretoras de cera, que retém partículas de poeira
e microrganismos.

Figura 17 - Ouvido Externo

O ouvido médio, separado do ouvido externo pelo tímpano, é um canal


estreito e cheio de ar. Em seu interior existem três pequenos ossos (martelo, bigorna
e estribo), alinhados do tímpano ao ouvido interno.
O ouvido médio possui uma comunicação com a garganta através de um
canal flexível (a Trompa de Eustáquio), que equilibra as pressões do ouvido e do
meio externo.

42
Figura 18 - Ouvido Médio

A cóclea é a parte do ouvido interno responsável pela audição. É um longo


tubo cônico, enrolado como a concha de um caracol. No interior da cóclea há uma
estrutura complexa (órgão de Corti), responsável pela captação dos estímulos
produzidos pelas ondas sonoras, localizada na parede externa da cóclea (membrana
basilar).

Figura 19 - Ouvido Interno

Como ouvimos os sons


A orelha capta os sons e os direciona para o canal auditivo, transmitindo-os
ao tímpano.
A membrana timpânica vibra, movendo o osso martelo, que faz vibrar o osso
bigorna, que, por sua vez, faz vibrar o osso estribo, onde sua base se conecta a uma
região da membrana da cóclea (a janela oval), que faz vibrar, comunicando a

43
vibração ao líquido coclear. O movimento desse líquido faz vibrar a membrana
basilar e as células sensoriais. Os pelos dessas células, ao encostar na membrana
tectórica, geram impulsos nervosos, que são transmitidos pelo nervo auditivo ao
centro de audição do córtex cerebral.

1.11.2. Audibilidade e nível de audibilidade:


Pode-se definir a audibilidade humana como sendo a magnitude do som que
é sentida ou percebida pelo ouvido. Isso é diferente da magnitude física do som, que
é dada pela sua intensidade. A audibilidade depende da intensidade, frequência e
duração da onda.
A unidade básica da audibilidade é o sone, que é definido como dotado de um
tom puro, com frequência de 1 kHz a um nível de pressão sonora de 40 dB, sob
condições especificadas pela norma ISO 131.
Além disso, pode-se definir, também, o nível de audibilidade. A partir desses
conceitos, é possível traçar um gráfico do nível de pressão sonora em função da
frequência, com várias curvas que representam os valores do nível de audibilidade.
Porém, cada curva terá um único valor para o nível de áudio, expresso em fones,
que será numericamente igual ao do nível de pressão sonora a uma frequência de
1000 Hz, sendo toda a curva traçada a partir desse valor.

Figura 20 – contornos padrão de audibilidade para tons puros

44
A audibilidade (S em sone) e o nível de audibilidade (P em fone) estão
relacionados pela seguinte equação, para níveis acima dos 40 fones:
( P - 40 )
46
S=2 10

Da equação acima, percebe-se que, para cada incremento de 10 fones, o


resultado corresponde ao dobro da audibilidade.
Apesar de todas as peculiaridades, a tabela abaixo fornece alguns valores
que servem de base para a avaliação dos diferentes níveis sonoros.

Tabela 3- Mudança na audibilidade em função de uma alteração no NPS

Mudança no nível de pressão sonoro Mudança na audibilidade


1 dB Imperceptível (exceto para tons)
3 dB Levemente perceptível
6 dB Claramente perceptível
10 dB Aproximadamente 2 vezes mais alto
20 dB Aproximadamente 4 vezes mais alto
.

Figura 21 - Percepção de diferenças de NPS

Como foi dito anteriormente, o ouvido humano e a audibilidade percebida por


ele são muito complexos e, portanto, difíceis de serem traduzidos em números.
Assim, fabricar um aparelho simples que seja adequado para tal finalidade, requer a
mesma complexidade. Uma alternativa para contornar esse problema é a utilização
de alguns circuitos eletrônicos, chamados de circuitos de compensação, que podem
ser A, B, C ou D. Os 3 primeiros são usados para simular o aparelho auditivo
humano em condições de baixos, médios e altos níveis de audibilidade. A escala D
é, em geral, usada para medir ruído emitido por aviões.

45
A tabela abaixo mostra as atenuações usadas para cada uma das curvas A, B
e C. Para a curva A, não haverá nenhuma correção para níveis de pressão sonora
com frequência de 1000Hz. Por exemplo: um NPS de 80 dB (A) será percebido
integralmente pelo ouvido humano se estiver a 1000 Hz. Porém, se a frequência for
de 100 Hz, haverá uma correção de –19,1 dB, e o ouvido perceberá um nível de
pressão sonora igual a 60,9 dB (A).

46
47
2. Efeitos do ruído nos seres humanos:

"Um ambiente confortável é aquele que está livre de incômodo e distração, então o
trabalho ou lazer podem estar desobstruídos físico ou mentalmente " D.J. Croome
Noise, Buildings and People.

2.1. Perdas auditivas induzidas pelo ruído:


Todas as pessoas apresentam uma perda natural de audição devido à idade.
Esse é fenômeno é chamado de presbiacusis. Porém, exposições a ruídos
modificam a quantidade e a taxa de perda de audição, que dependem, também, de
cada pessoa.

Figura 22 – perda de audição por idade

48
A figura anterior mostra as perdas auditivas de homens e mulheres de
diferentes faixas etárias devido à presbiacusis.
Observando o gráfico do nível de audibilidade percebe-se que o ouvido
humano é mais sensível na região de altas frequências (@4000-8000 Hz), sendo que
as perdas auditivas ocasionadas pela presbiacusis costumam ser mais frequentes
em emissões de ruído mais expressivas.
As perdas auditivas induzidas pelo ruído podem ser temporárias ou
permanentes. Apesar da mudança permanente do limiar de audição (MPLA ou
NIPTS) ser a mais importante, ela é mais difícil de ser avaliada com precisão porque
as empresas adotam medidas de prevenção ao longo dos anos, o que modifica o
ambiente nocivo. Além disso, existem as diferenças individuais que também
dificultam estudos estatísticos. Algumas alternativas são adotadas como, por
exemplo, relacionar as mudanças permanentes no limiar de audição com as
mudanças temporárias (MTLA ou NITTS), ou, ainda, fazer estudos em animais. –
ambas alternativas apresentam limitações.
As figuras abaixo apresentam uma comparação entre as perdas auditivas em
pessoas de 3 faixas etárias distintas, com e sem exposição ao ruído, para 3 níveis
de pressão sonora diferentes.

Figura 23 - Perda de audição sem ( ... ) e com ( — ) exposição de ruído

Percebe-se, a partir das figuras, que, quanto maior o nível de pressão sonora,
maiores serão as perdas induzidas de audição. Além disso, a sensibilidade se

49
agrava em situações em que as frequências são mais altas, e, quanto maior a idade,
maiores serão as consequências da exposição ao ruído.
Eldridge estabeleceu curvas indicando o máximo tempo de exposição sonora
que não causa danos à audição, para diversos níveis de pressão sonora e
frequências. Por exemplo: para um NPS de 100 dB, a uma frequência de 1000 Hz, o
tempo máximo será de aproximadamente 30 minutos.

Figura 24 – NPS para risco da perda de audição segundo Eldridge

2.2. Efeitos sensoriais:


A surdez nervosa e irreversível pode ser verificada para níveis de pressão
sonora entre 110 e 130 dB (A), dependendo da sensibilidade do indivíduo e da
poluição química do ambiente. A faixa de 55 a 75 dB (A) é caracterizada pelo
desconforto auditivo, enquanto que a partir de 75 dB(A) já podem ser verificadas
lesões auditivas.
O “zumbido” (tinnitus), causado pela exposição do indivíduo a altos níveis de
ruído, é um indício de que as células ciliadas do ouvido podem estar em processo de
degeneração. Caso sejam recuperadas, a audição volta à normalidade,
caracterizando, assim, o processo de perda auditiva temporária. Caso contrário,
poderá ocorrer a perda auditiva permanente.

2.3. Percepção do ruído:


Os sons são classificados pela maioria das pessoas como sendo música, fala
ou ruído (ambiental, de tráfego, de avião, etc.). Porém, a distinção entre o que é
ruído e o que não é depende de cada pessoa, situação ou momento. As obras de
um compositor clássico serão música para alguns e ruído para outros; da mesma

50
forma que o ambiente de uma discoteca será agradável para certas pessoas e
insuportável para outras.
Como foi mencionado anteriormente, o ouvido humano apresenta maior
sensibilidade na faixa de frequência que varia de 4000 a 6000 Hz. Isso pode ser
facilmente observado no gráfico de nível de audibilidade, pois, para essas
frequências, é necessário um menor nível de potência sonora, para adquirir o grau
de audibilidade desejado. Por esse motivo, os ruídos nessa faixa de frequência são
mais incômodos.
Apesar de todos os fatores pessoais e psicológicos, tais como expectativas,
costume, atitude ou atividade social, dentre outros, que interferem na criação de
parâmetros físicos para a avaliação dos ruídos, é desejável, porém, que eles
existam. Frente a tais variações são necessários, portanto, índices específicos para
cada atividade.
O nível de pressão sonora em um espectro largo de frequência pode ser
caracterizado como se segue:

• 150 dB: Causa a perda instantânea da audição;

• 120 dB: Fisicamente doloroso e deve ser evitado;

• 100 dB: Curtos períodos de exposição causa um deslocamento


temporário do limiar de audição, e a exposição mais
prolongada pode causar danos irreparáveis aos órgãos
auditivos;

• 90 dB: Longos períodos de exposição a este nível, normalmente,


levam à perda completa da audição;

• 65dB: Longos períodos de exposição causam cansaço físico e


mental.

2.4. Interferência na comunicação por fala:


Um dos principais problemas gerados pelo excesso de ruído é interferir na
comunicação verbal, pois ela é indispensável para um perfeito bem-estar das
pessoas.

51
As frequências do som da voz estão compreendidas entre 200 e 6000 Hz,
sendo que as mais altas são as mais importantes para a diferenciação dos sons.
Consequentemente, ruídos nesse intervalo causarão uma perda considerável da
inteligibilidade, que é a perfeita compreensão das palavras.
Por ser tão importante, quando a comunicação oral é afetada, têm-se diversas
consequências indesejáveis no cotidiano das pessoas, principalmente aos
trabalhadores expostos a um ambiente ruidoso. Alguns dos prejuízos psíquicos e
físicos que podem ser citados são: irritabilidade frequente, frustrações,
exasperações com tudo e com todos, diminuição da atenção geral, etc.
Todos esses fatores contribuem para o aumento do número de acidentes de
trabalho, havendo, ainda, os problemas decorrentes do uso de protetores
auriculares, usados para diminuir os efeitos do ruído, que interferem ainda mais na
inteligibilidade, fazendo com que o trabalhador não ouça apropriadamente os sinais
de alerta de seus colegas ou das próprias máquinas. Tal situação é muito frequente
e contribui significativamente para o aumento do índice de acidentes no trabalho.
O gráfico abaixo mostra que, para um esforço de voz normal, haverá 100% de
inteligibilidade, somente se levarmos em conta um ambiente fechado. Por exemplo:
uma típica sala de estar apresenta um nível máximo de 45 dB (A) de ruído de fundo.
Por outro lado, o índice de inteligibilidade reduz para próximo de zero quando o
ruído de fundo se aproxima de 75 dB (A).

Figura 25 – audibilidade em ambientes internos.

52
Para ambientes externos, a tabela abaixo mostra os níveis de ruído de fundo
máximos para 95% de inteligibilidade, considerando diferentes distâncias de
comunicação.

Tabela 4- audibilidade em ambientes externos


Distâncias de Nível de ruído de fundo em dB(A)
comunicação (m) Voz normal Voz alterada
0,5 72 78
1,0 66 72
2,0 60 66
3,0 76 62
4,0 54 60
5,0 52 58

2.5. Efeitos do ruído no sono:


Um grande incômodo gerado pelo ruído é a interferência no sono. Além de
dificultar o adormecimento, o ruído, especialmente o intermitente, faz com que o
sono seja interrompido diversas vezes. Isso ocorre porque a audição funciona como
sendo o principal alarme do organismo durante o sono. Em um ambiente silencioso,
o cérebro poderá descansar com mais facilidade.
Ruídos superiores a 35 dB já são suficientes para interferirem na qualidade do
sono, sendo que podem oferecer um risco de perda de até 8% no total de horas
dormidas. Outros estudos demonstram que, tanto a fase REM quanto a não-REM,
são afetadas pelos ruídos. Esta, que é a que permite a recuperação física, tem seus
períodos de sono profundo reduzidos em 50 a 70%; aquela, que é a fase dos sonhos
e responsável pela recuperação do humor, criatividade e capacidade intelectual, tem
seu período reduzido em até 30%. Esses dados são obtidos a partir de experimentos
com o uso do EEG (eletroencefalograma).
Os ruídos emitidos durante o sono não são os únicos prejudicais, aliás, temos que
levar em consideração os que ocorrem momentos antes do adormecimento,
responsáveis, também, por quadros de insônia e sono irregular.
As consequências de uma noite mal dormida são: irritabilidade, mal humor,
perdas de concentração, criatividade e memória, insônia, sensação de cansaço e
sonolência diurna.

53
2.6. Efeitos psicofisiológicos:
Além de os ruídos poderem causar a surdez, eles são, também, responsáveis
por alterações psicofisiológicas nos seres humanos.
Os estímulos sensitivos chegam ao cérebro de duas formas distintas: a direta
e a indireta. A direta, ou específica, vai do órgão receptor (ouvido) até o cérebro,
onde há a percepção do som. Na forma indireta, ou inespecífica, os estímulos são
transmitidos para outras áreas do cérebro, responsáveis pela regulação das funções
biológicas (respiração, circulação, etc.) e pela atenção e comportamento do
indivíduo.
As alterações psicofisiológicas são decorrentes de interferências nos
estímulos da via indireta. Isso será observado em diversas partes do corpo humano.
No aparelho circulatório observa-se, dependendo do caso, o aumento da
resistência dos vasos ou, em outros casos, a vasodilatação, além de alterações no
número de batimentos cardíacos e na pressão arterial. As consequências variam
entre hipertensão, infarto do miocárdio e morte. Ambientes com ruídos entre 60 e
115 dB são propícios ao aparecimento dessas alterações, sendo que quanto maior o
tempo de exposição, piores serão os resultados, independentemente da idade do
indivíduo.
No aparelho digestivo, os problemas são a alteração dos movimentos
peristálticos e o aumento da produção do ácido clorídrico, que causam: diarreia,
prisão de ventre, gastrite e úlcera.
Outra parte muito afetada é o sistema endócrino, principal responsável pela
regulação da produção de hormônios. Alguns desses são conhecidos como
hormônios de estresse, que têm sua produção aumentada em situações de elevada
tensão, como é caso dos ruídos em excesso. Alguns deles são:
1. Adrenalina e cortisol – alteram a pressão arterial;
2. Hormônios de crescimentos – sua produção excessiva causa o
aparecimento de diabetes mellitus;
3. Prolactina – causa alterações sexuais e reprodutivas. O ruído também irá
afetar elementos que atuam no sistema imunológico.
Mulheres grávidas, quando submetidas a grandes incidências de ruído,
podem ter filhos com sérias anomalias congênitas, muitas vezes sem a possibilidade

54
de cura. Além disso, o feto reage ao ruído com grande movimentação do corpo e
aumento de batimentos cardíacos.
As funções sexuais e reprodutivas também apresentam alterações, sendo
que, no homem, haverá diminuição da libido, impotência e/ou infertilidade; as
mulheres têm alterações no ciclo menstrual, dificuldade em engravidar e maior
propensão a abortos.
O equilíbrio é dado pelo vestíbulo, órgão situado dentro do ouvido, e,
portanto, também pode ser afetado por ruídos intensos. Ainda não existem estudos
que sejam conclusivos a esse respeito. Porém, relatos demonstram que pessoas
expostas a ruídos próximos a 130 dB apresentam tontura, náusea, vômito e
desmaio. Pode haver, também, o aparecimento da labirintite. Esses sintomas são
preocupantes no ambiente de trabalho porque contribuem para o aumento do
número de acidentes.
Diversos nervos distribuídos pelo corpo apresentam distúrbios decorrentes da
exposição a elevados níveis de ruído, que podem ser: tremores nas mãos,
diminuição da reação a estímulos visuais, crises epilépticas, mudança na percepção
visual das cores e zumbido no ouvido. Como já citado, esses sintomas são
decorrentes de lesões do nervo auditivo.

2.7. Efeitos na saúde mental:


Muitos estudos, apesar de não serem conclusivos, indicam relações entre
exposição a elevados índices de ruído e o aparecimento de distúrbios mentais.
Alguns sintomas já são comprovados, como ansiedade, estresse emocional, dores
de cabeça, etc. Entretanto, há, ainda, problemas mais sérios como neurose, psicose
e histeria.
Pesquisas realizadas em vizinhanças de aeroportos mostram que o consumo
de calmantes e medicamentos para dormir, nessas regiões, é maior que em bairros
mais silenciosos. Outro aspecto é o maior número de internações, em hospitais, de
pacientes com queixas de problemas psicológicos, tais como irritação, falta de
vontade, sensação de falta de segurança, desconforto, exasperação,
hipermotilidade, indisposição, ansiedade e depressão. Esses sintomas podem
desencadear a patologia chamada de neurose do ruído, cujo principal sintoma é a
intolerância a qualquer tipo de barulho.

55
2.8. Efeitos no desempenho:
Os ruídos causam uma diminuição considerável de produtividade, e isso
engloba a realização de tarefas intelectuais e físicas – fato verificado em estudos
científicos, realizados em testes laboratoriais e em fábricas.
Ruídos impulsivos ou excepcionais mostram-se mais problemáticos que
outros regulares ou habituais. Enquanto os ruídos regulares são “assimilados” e
podem não interferir, os ruídos impulsivos causam distrações ou sustos
indesejáveis. Porém, não há estudos que determinem claramente quais valores de
nível de pressão sonora podem causar diminuição no desempenho.
Em situações monótonas ou desinteressantes, o ruído pode ser motivo de
entretenimento, dificultando ainda mais a concentração na tarefa a ser realizada. A
distração tem se mostrado como um dos principais malefícios do ruído,
principalmente em locais de aprendizado, como salas de aula.

2.9. Efeitos no comportamento comunitário:


Dentre os diversos efeitos dos ruídos no comportamento comunitário, pode-se
citar:
1. Alterações nos padrões de comportamentos diários como o uso de janelas
abertas, uso de TV ou rádios, aumento do número de reclamações junto as
autoridades competentes;
2. Efeitos em performance ou tarefas específicas como sucesso escolar, vigilância,
tempo de reação, memória, etc;
3. Comportamento social: agressividade, dificuldade de relacionamento e de
participação, etc;
4. Indicadores sociais: mudança de residência, aumento de entradas em hospitais,
do uso de medicamentos e de acidentes, etc.
É necessário que se entenda, porém, que todos esses efeitos não dependem
somente dos níveis de ruído, mas de uma vasta e complexa interação de diversos
fatores. Entretanto, o ruído pode agir como um sério agravante de tais
comportamentos e situações.
Pode-se dizer que o incômodo é somente uma das reações que as pessoas
apresentam quando expostas a ruídos. Outros efeitos negativos são: nervosismo,

56
desapontamento, insatisfação, insegurança, delírio, depressão, ansiedade,
distração, agitação e exaustão.
Todavia, o incômodo pode ser considerado o efeito que atinge o maior
número de pessoas nas sociedades urbanas, afetando quase a totalidade da
população. Em Belo Horizonte, pode-se dizer que mais de 90% da população
convive com níveis de ruído que incomodam mesmo dentro de casa.
Ao concluir este capítulo é necessário frisar que diversos indivíduos
submetidos às mesmas condições não tem as mesmas reações e/ou doenças. As
alterações individuais podem ser explicadas por: fatores hereditários, existência de
alterações prévias na saúde da pessoa, reação pessoal ao ruído e sensação do
indivíduo em relação ao trabalho que executa.

2.10. Protegendo sua audição

• Evitar exposição a altos níveis de ruído;


• Usar protetor auricular quando for necessária a exposição ao ruído;
• Checar os níveis de ruído dos equipamentos domésticos;
• Substituir equipamentos ruidosos por outros de menor ruído;
• Evitar ouvir músicas em níveis sonoros elevados;
• Ter cuidado ao utilizar fones de ouvido por longos períodos;
• Não deixar crianças em ambientes ruidosos;
• Evitar locais onde a música é tocada em altos volumes.

57
Tabela 5 - Atenuação da percepção auditiva A, B e C

Frequência Curva A Curva B Curva C


(Hz) dB(A) dB(B) dB(C)
10 -70,4 -38,2 -14,3
12,5 -63,4 -33,2 -25,6
16 -56,7 -28,5 -8,5
20 -50,5 -24,2 -6,2
25 -44,7 -20,4 -4,4
31,5 -39,4 -17,1 -3,0
40 -34,6 -14,2 -2,0
50 -30,2 -11,6 -1,3
63 -26,2 -9,3 -0,8
80 -22,5 -7,4 -0,5
100 -19,1 -5,6 -0,3
125 -16,1 -4,2 -0,2
160 -13,4 -3,0 -0,1
200 -10,9 -2,0 0,0
250 -8,9 -1,3 0,0
315 -6,6 -0,8 0,0
400 -4,8 -0,5 0,0
500 -3,2 -0,3 0,0
630 -1,9 -0,1 0,0
800 -0,8 0,0 0,0
1000 0,0 0,0 0,0
1250 0,6 0,0 0,0
1600 1,0 0,0 -0,1
2000 1,2 -0,1 -0,2
2500 1,3 -0,2 -0,3
3150 1,2 -0,4 -0,5
4000 1,0 -0,7 -0,8
5000 0,5 -1,2 -1,3
6300 -0,1 -1,9 -2,0
8000 -1,1 -2,9 -3,0
10000 -2,5 -4,3 -4,4
12500 -4,3 -6,1 -6,2
16000 -6,6 -8,4 -8,5
20000 -9,3 -11,1 -11,2

A partir da tabela foram traçadas as seguintes curvas relativas:

58
Figura 26 – circuitos de compensação A, B, C e D

Quando se expressa determinado nível de pressão sonora, deve-se dizer qual


escala foi utilizada. A escala A é, em geral, a mais utilizada, por se assemelhar
melhor à percepção do ouvido humano.

59
60
3. Parâmetros descritores do ruído ambiental:

3.1. Nível de pressão sonora (NPS):


O nível de pressão sonora pode ser considerado o parâmetro descritor da
magnitude sonora mais utilizado, e, como foi definido anteriormente:

P2
NPS =10 log 47
P02
onde: P0 é a pressão de referência e vale 2.0x10-5N/m2.
P é a pressão acústica
Normalmente, o nível de pressão sonora será descrito pela curva A de
compensação. A percepção do som dependerá do NPS e diversos outros fatores
físicos e psicológicos. Alguns níveis de pressão sonora típicos são mostrados na
figura abaixo:

Figura 27 – intervalos típicos de sons comuns

61
3.2. Nível de pressão sonora equivalente contínuo (LAeq, T):
O nível de pressão sonora equivalente contínuo é usado para descrever o
nível de pressão sonora (na escala A) médio durante um determinado tempo (T). Ele
é definido como sendo o nível de um som contínuo que tem a mesma energia
acústica do som flutuante, que está sendo medido num determinado ponto. É
fundamental que o tempo (T) seja conhecido, para se fazer a medição, que será
baseada em uma integração no tempo, utilizando, portanto, um medidor com esse
recurso.

ìéæ 1 ö t ù ü
L Aeq,T = 10 log íêç ÷ òt PA2 (t )dt ú / P02 ý
2
48
îëè T ø 1
û þ

onde: PA(t) é a pressão sonora instantânea em Pa como função do tempo t (na escala A);
P0 é a pressão de referência e vale 20µPa;
t1 e t2 são os pontos de início e fim do intervalo de medição T.
O período de tempo (T) é variável. Para tomar conhecimento do nível de
pressão sonora equivalente em qualquer uma das 24 horas do dia, utiliza-se T = 1
hora. Para obter o nível do período de trabalho, utiliza-se T = 8. Quando se deseja
um valor equivalente ao dia inteiro, utiliza-se T = 24 horas.

62
3.3. Níveis percentuais (LAn):
Ao construir um histograma cumulativo do ruído, durante um determinado
tempo de exposição, pode-se obter o percentual do tempo que apresentou certo
nível de pressão sonora. Essa informação é de interesse prático, bastante relevante
para os casos de fontes sonoras com intensidades variáveis, como o ruído de
tráfego. Assim, define-se o LA90 como sendo o valor do NPS para o qual, durante
90% do tempo de medição, os níveis de pressão sonora registrados ficaram acima
dele. Similarmente, pode-se definir o LA50 e o LA10. O gráfico a seguir mostra a
distribuição cumulativa do ruído no tempo, juntamente com a representação dos
níveis LA90, LA50 e o LA10.

Figura 28 – distribuição cumulativa do ruído

63
Se a distribuição do nível de pressão sonora for normalizada, a relação do LAeq,T com os níveis
percentuais será:

L Aeq,T = L A10 -1.3s + 0.12s 2 = L A50 + 0.12s 2 49

Onde: s é o desvio padrão.

3.4. Nível de exposição sonora (LAE):


A energia acústica de eventos sonoros discretos pode ser representada pelo
nível de exposição sonora, que também é conhecido como nível de evento simples
(SEL) ou, ainda, nível de exposição de evento simples (LAX). Ele é definido como
sendo um nível sonoro constante que tem a mesma quantidade de energia, em um
segundo, do evento chamado original.

é1 t2 PA2 (t ) ù
L AE = 10 log ê òt dt ú 50
ëê t 0
1
P02 ûú
onde: t0 vale 1s.

64
O LAE independe do tempo de medição. Quando se tem apenas um evento
durante um intervalo de tempo (T), a relação entre o LAE e o LAeq,T será:

æT ö
L AE = L Aeq,T +10 logçç ÷÷ 51
è t0 ø

Se houver vários eventos no mesmo intervalo de tempo (T), a relação entre


os dois níveis será:

éæ 1 ö n 0,1L (i ) ù
L Aeq,T å
=10 log êç ÷ 10 AE ú
êëè T ø i =1 úû
52

onde: LAE(i) será o nível de exposição sonora de cada evento;


n é o número de eventos.

Quando o tempo T for 24h = 86400s, o LAeq,24h será, de acordo com a


equação 4.6, expresso por:

é n 0,1LAE (i ) ù
L Aeq, 24 h = 10 log êå 10 ú - 49,4 53
ëi =1 û
æ 1 ö.
onde: o valor 49,4 corresponde a 10 logç ÷
è 86400 ø

3.5. Exposição sonora (EA):


A exposição sonora é a quantidade aritmética, não logarítmica,
correspondente ao nível de exposição sonora. Portanto,

t2 P 2 (t )
E A = òt dt
1
P02

3.6. Nível sonoro dia e noite (LAdn):


O nível sonoro dia e noite é o nível de pressão sonora, equivalente e
contínuo, dividido em dois períodos: dia (7 – 22h) e noite (22 – 7h), sendo que,

65
durante a noite, há uma compensação, adicionando 10 dB na média dos níveis
medidos.
O nível sonoro dia e noite é o principal indicador do ruído cumulativo no
ambiente exterior, correlacionando-se com a reação total ao ruído da comunidade e
aos resultados dos levantamentos sociais do incômodo do ruído de aeronaves. Para
obter uma avaliação mais detalhada do ruído, pode-se dividir o dia em intervalos de
tempo menores, como matutino, vespertino e noturno.
O nível de exposição sonora pode ser utilizado para se avaliar o nível sonoro
dia e noite. Nesse caso, lembrando que se deve adicionar 10 dB nos níveis de
pressão sonora medidos no período da noite, o LAdn pode ser avaliado utilizando a
seguinte expressão:

ìï n 0,1L (i ) m
(i )+10 ] ü
ï
L Adn = 10 log íå 10 AE + å 10 0,1[L AE
ý - 49,4 54
ïîi =1 j =1 ïþ

onde: n é o número de eventos durante o dia;


m é o número de eventos durante a noite.
O exemplo a seguir ilustra o uso do LAE para se calcular o LAdn.

Supondo que se deseja conhecer o nível sonoro dia e noite, devido ao ruído
de tráfego a 40m de uma rodovia, levando em consideração um dia de semana
típico com tráfego de 10.000 veículos, sendo 70% durante o dia e 30% à noite.
Considera-se, também, que durante o dia o tráfego seja composto por 90% de
carros ou comerciais leves (CL), 6% de caminhões médios (CM) e 4% de caminhões
pesados (CP). Durante a noite, a composição do tráfego passaria para 80% de
carros e comerciais leves, 12% de caminhões médios e 8% de caminhões pesados.

Se os níveis de exposição sonora típicos a 40m forem 69 dB para carros e


comerciais leves, 72 dB para caminhões médios e 82 dB para caminhões pesados,
pode-se então calcular o LAdn.

Período diurno
Veículo % N n*10^[0.1LAE(i)]

66
CL 90 6.300 6.300*106.9 = 5,00*1010
CM 6 420 420*107.2 = 6.66*109
CP 4 280 280*108.2 = 4.44*1010
S = 1,01*1011

Período noturno
Veículo % M m*10^{0.1[LAE(i)+10]}
CL 80 2.400 2.400*107,9 = 1.91*1011
CM 12 360 360*108,2 = 5,71*1010
CP 8 240 240*109.2 = 3,80*1011
S = 6.29*1011
então:

( )
L Adn = 10 log 1,01*1011 + 6,29 *1011 - 49,4 = 69,2dB

3.7. Nível de exposição diária pessoal (LEP,d):


O nível de exposição diária pessoal é o nível de exposição sonora
normalizada para um período Tn de 8h. O LEP,d corresponde ao nível de exposição
sonora real durante um período de tempo (T) qualquer.

æT ö
L EP,d = L Aeq,T + 10 logçç ÷÷ 55
è Tn ø
LEP, d = LAeq,T + 10 log(T ) - 10 log(28800 ) 56

3.8. Nível de poluição sonora (LNP):


Dependendo do padrão de distribuição do ruído, valores iguais de LAeq,T
podem provocar incômodos diferentes. Para caracterizar esses diferentes
incômodos, definiu-se o nível de poluição sonora (LNP), que pode ser expresso em
termos do LAeq,T, e do desvio padrão da distribuição do ruído:
L NP = L Aeq,T + 2,56s 57

onde: s é o desvio padrão;


2,56 é uma constante estatística baseada na distribuição normal (Gaussiana).
O nível de poluição sonora também pode ser escrito em função do LA10 e do
LA90, como segue:

67
Figura 29 – curvas NC (noise criteria)

71
Figura 30 – curvas NR (noise rating)

A tabela abaixo representa a faixa de valores recomendados para várias


áreas e atividades calculadas a partir das curvas NCB (balanced noise criteria):

72
Tabela 7- faixa de valores recomendados pela NCB (Beranek, 1988)
Tipo de espaço Curva NCB dB(A)
Estúdios de gravação e de televisão 10 18
(usando microfone distante).
Salas de espetáculos. 10 – 15 18 – 23
Grandes teatros, igrejas e auditórios. <20 <28
Estúdios de gravação e de televisão <25 <33
(usando microfone próximo).
Pequenos teatros, auditórios, igrejas e <30 <38
salas de conferência.
Quartos, hospitais, hotéis e 25 – 40 33 – 48
residências.
Salas de aula, bibliotecas e pequenas 30 – 40 38 – 48
oficinas.
Grandes oficinas, recepções, 35 – 45 43 – 53
restaurantes e lanchonetes.
Laboratórios, lobbies e escritórios. 40 – 50 48 – 58
Cozinhas, salas de computadores e de 45 – 55 53 – 63
manutenção
Shoppings, estacionamentos, etc. 50 – 60 58 – 68
Em locais de trabalho onde não se 55 – 70 63 – 78
necessita da fala.

3.12. Índice de ruído de tráfego (TNI):


Alguns ruídos, como os de escritórios e indústrias, por terem níveis sonoros
muito constantes, podem ser bem representados por seus valores médios. Outros,
porém (como é o caso de aviões e tráfego rodoviário), não têm seu incômodo bem
representado pelos valores médios, especialmente porque apresentam diversos
ruídos com elevados valores de pico, sem um padrão claro de distribuição.
O índice de ruído de tráfego (TNI), em alguns casos, é usado para descrever
ruído ambiental. O TNI considera as variações nos níveis sonoros observados, na
tentativa de melhorar a relação entre os ruídos de tráfego e as respostas subjetivas
decorrentes de tais ruídos. O TNI é definido como:

TNI = 4( L A10 - L A90 ) + L A90 - 30dB 61

O primeiro termo da equação representa a faixa dos níveis sonoros entre os


níveis LA10 e LA90; o segundo termo representa o nível de ruído do ambiente. O TNI
apresenta limitações ou inconsistências quando aplicado a uma grande diversidade
de ruídos ambientais.

73
74
4. Instrumentação para Medições Acústicas
Muitos instrumentos são utilizados para medição de ruído. Destes, o mais
usado é o medidor de nível de pressão sonora, conhecido por “decibelímetro”. Para
muitos propósitos, é necessário medir o nível sonoro calculando a média, durante
certo tempo, para avaliar a exposição ao ruído. Medidores de nível de pressão
sonora com integradores podem ser utilizados para este propósito. Como o nível de
pressão sonora é distribuído em frequência, um analisador de espectro deve ser
utilizado quando o espectro de ruído for identificado.
Estes instrumentos dependem de um microfone que transforma ondas
sonoras em sinais elétricos, de forma que aparelhos eletrônicos possam ser
empregados para medir algumas características dos sinais, ou armazená-los para
avaliações posteriores.
Como os microfones são suscetíveis ao dano e a condição das baterias pode
afetar a medição, é essencial que o equipamento seja conferido para assegurar,
periodicamente, que sua operabilidade esteja de acordo com o padrão especificado
– calibradores acústicos devem ser utilizados para este propósito.

4.1. Sistema Básico de Medição


Os sistemas de medição sonoros usam microfones, ou, em termos mais
gerais, transdutores. Estes transformam a variação da pressão sonora em um sinal
elétrico correspondente. Este sinal é amplificado, medido e analisado por
instrumentos eletrônicos.

Figura 31 – Hidrofones Figura 32 – Microfones Diversos

75
4.2. Medidores de Nível de Pressão Sonora
Os medidores de nível de pressão sonora são os instrumentos básicos para a
medição do nível de pressão. É um equipamento portátil que avalia o nível de
pressão sonora baseado na pressão de referência de 20 µN/m2. Fundamentalmente,
o instrumento consiste em um microfone omnidirecional calibrado, um amplificador,
um visor digital ou analógico e, normalmente, apresentam ponderação nas escalas
A, B e C, podendo fazer a medição em fast ou slow.
Existem basicamente 3 classes de medidores:
• Classe 0 à para uso em laboratórios;
• Classe 1 à instrumento de precisão;
• Classe 2 à de uso geral.

Figura 33 - Classes dos equipamentos de medição

Figura 34 – Medidor de Nível Sonoro

76
4.3. Dosímetros
São instrumentos que avaliam os níveis de exposição ao ruído e a energia
acústica a que estão expostos os funcionários durante a jornada de trabalho. Além
disso, eles integram o sinal de pressão sonora durante o tempo de medição.
Os dosímetros também analisam a dose de ruído de acordo com o valor
permitido pela legislação. Para isto, configura-se o instrumento com o nível máximo
permitido para uma jornada de 8 horas e o valor do incremento, que irá diminuir para
metade o tempo permitido de exposição ao ruído. De acordo com a legislação
brasileira, o nível máximo permitido para uma jornada de 8 horas é de 85 dBv (A),
com o incremento de 5 dB (A).

Figura 35 – Dosímetro

4.4. Monitores de Nível de Pressão Sonora


São equipamentos projetados para medir o nível equivalente contínuo, Leq,
em intervalos selecionados. Alguns instrumentos podem ser programados para
medições de até 24h, de forma a obtermos o LDN.
O nível equivalente contínuo pode ser lido através de medidores de nível de
pressão sonora, fazendo leituras em intervalos pré-estabelecidos – normalmente
citados em normas de avaliação de ruído. Mas, os aparelhos que são
especificamente projetados para esta finalidade, apresentam melhores resultados
devido a maior amostragem dos níveis de pressão sonora em intervalos mais
constantes.

77
4.5. Analisadores de Espectro
Uma das informações mais importantes se diz respeito à distribuição, em
frequência, do ruído. A ação de determinar esta distribuição é chamada de análise, e
os instrumentos que a compõem são chamados de analisadores.

Figura 36 – Analisador conectado a um Notebook

Figura 37 – Analisador de Laboratório Figura 38 – Analisador Portátil

O sinal de ruído é processado em circuitos eletrônicos, e o resultado é


indicado no visor. Este processo utiliza um número de filtros para separar os
componentes de frequência do sinal de ruído, assim como são usadas várias
peneiras para separar pedregulhos de vários tamanhos. A gama de frequências é
coberta por um filtro individual, chamado de faixa ou tamanho de banda. O tamanho
de banda comumente utilizado em análises acústicas é o de 1 oitava (uma oitava é
uma faixa que compreende frequências em uma razão de 2-para-l. Por exemplo: 707
Hz a 1414 Hz). Um profissional que trabalha com este tamanho de banda é
conhecido como analisador de banda de oitava. Outros analisadores utilizam terças
de oitavas ou bandas mais estreitas.
O filtro ideal é capaz de apresentar uma resposta uniforme para componentes
de um sinal que tem frequências dentro do intervalo desejado e que também não

78
tenha respostas para frequências fora deste intervalo. Os filtros atuais se aproximam
deste ideal.

Tabela 8 - Limites de Bandas e frequências centrais das Bandas de Oitava e das Terças de Oitava
Frequência – Hz
1/1 Bandas de Oitava 1/3 Bandas de Oitava
Banda
Limite Frequência Limite Limite Frequência Limite
inferior Central Superior inferior Central Superior
12 11 16 22 14,1 16 17,8
13 17,8 20 22,4
14 22,4 25 28,2
15 22 31,5 44 28,2 31,5 35,5
16 35,5 40 44,7
17 44,7 50 56,2
18 44 63 88 56,2 63 70,8
19 70,8 80 89,1
20 89,1 100 112
21 88 125 177 112 125 141
22 141 160 178
23 178 200 224
24 177 250 355 224 250 282
25 282 315 355
26 355 400 447
27 355 500 710 447 500 562
28 562 630 708
29 708 800 891
30 710 1000 1420 891 1000 1122
31 1122 1250 1413
32 1413 1600 1778
33 1420 2000 2840 1778 2000 2239
34 2239 2500 2818
35 2818 3150 3548
36 2840 4000 5680 3548 4000 4467
37 4467 5000 5623
38 5623 6300 7079
39 5680 8000 11360 7079 8000 8913
40 8913 10000 11220
41 11220 12500 14130
42 11360 16000 22720 14130 16000 17780
43 17780 20000 22390

79
4.6. Calibradores acústicos
São dispositivos que podem produzir um nível de pressão sonora conhecida e
estável ao diafragma de um microfone, o qual é acoplado à cavidade dos
calibradores. Tais dispositivos são usados para conferir a sensibilidade global de um
instrumento de medição de ruído. Os mais amplamente utilizados são os do tipo
pistofone e transdutor.

Pistofone
O pistofone produz um nível de pressão sonoro conhecido, por meio do
movimento de pistões, dentro de uma cavidade fechada. O microfone a ser calibrado
é inserido na cavidade do pistofone, fechando-a – o microfone deve ser inserido e
retirado lentamente para evitar dano a seu diafragma. Então, o movimento dos
pistões altera o volume da cavidade, pois eles são movidos por um motor, através
de cames a uma taxa relativamente constante. A mudança do volume produz uma
variação de pressão sonora na cavidade quase senoidal.
O nível de pressão sonoro produzido no pistofone depende da mudança
relativa de volume e da pressão atmosférica ambiente. Com tal dispositivo, é
possível calibrar alguns microfones a uma incerteza (a pressão atmosférica normal)
de cerca de ±0.2 dB. A calibração se restringe a uma frequência simples.

Transdutor
Este tipo de calibrador produz um nível sonoro conhecido, em uma pequena
cavidade, por meio de um alto-falante que é estimulado por um sinal estável,
proveniente de um oscilador eletrônico. O nível de pressão sonora desenvolvido
depende da pressão atmosférica; nestes casos, podem ser aplicadas correções
apropriadas para este fenômeno. A incerteza de calibração para condições normais
de pressão atmosférica e temperatura pode ser de ±0.3 dB. Em contraste com o
pistofone, que normalmente provê uma calibração em uma única frequência, alguns
transdutores provêm uma calibração em uma gama de frequência relativamente
larga: 125 a 2000 Hz.

80
81
5. Medição de Ruído: Métodos

5.1. Definição do problema


O primeiro passo para qualquer programa de medição de ruído é definir
claramente o problema. As questões a seguir precisam ser respondidas.
1) Porque a medição de ruído precisa ser feita? Por exemplo:
(a) para avaliar se as condições de trabalho podem causar danos à
audição;
(b) para avaliar o incômodo de uma comunidade;
(c) para avaliar se uma peça ou parte de um equipamento, veículo, etc.,
estão dentro de especificações da lei;
(d) para determinar se as condições de um ambiente são aceitáveis;
(e) para levantar dados para fins legais;
(f) para fazer o mapeamento sonoro de uma área definida.
2) Onde as medições serão feitas?
3) Existe alguma condição ambiental incomum que requer equipamentos
especiais ou alguma proteção extra para o equipamento de medição?
(e.g., protetor de vento).
4) Quais dados acústicos são necessários?
5) Com que precisão e incerteza os dados precisam ser obtidos?
6) O local de medição estará acessível durante o tempo necessário?

82
7) Qual a fonte de ruído preponderante?
8) Quais as características de funcionamento das fontes sonoras? Como
estas características afetam a emissão de ruído?
9) Quais as dimensões físicas da fonte de ruído?
10) Quais as características gerais da fonte sonora?
11) Quais as características de directividade da fonte sonora?
12) Quando a fonte de ruído sonora está operando?
13) O ruído emitido sofre alterações significativas com o tempo?
Quanto maior o número de informações disponíveis antes das medições
serem feitas, mais fácil fica a especificação dos instrumentos e a definição da
estratégia de medição. Logo, melhores serão os resultados alcançados.

5.2. Procedimentos básicos

5.2.1. Seleção do equipamento

Após a definição clara do problema de medição do ruído, o equipamento de


medição pode ser especificado. Por exemplo, se o propósito da medição é encontrar
um ruído específico, tal requerimento determina o tipo de aparelho a ser utilizado. A
maioria das especificações, códigos e regulamentações são estabelecidas com base
em níveis sonoros ponderados na escala A. Em tais casos, o medidor de nível
sonoro (decibelímetro) é o instrumento indicado. Se as medições requeridas são
estabelecidas em termos de bandas de oitava, então um analisador de banda de
oitava é selecionado.
Frequentemente, não se pode encontrar um critério específico. Então, são
necessárias algumas recomendações para o controle de ruído. Em tais eventos, a
associação entre um medidor de ruído sonoro e um analisador de bandas de oitava
deve ser considerada como equipamento mínimo. As leituras de bandas de oitava

83
geralmente podem ser suficientes para permitir o planejamento de uma barreira
acústica, ou enclausuramento, para reduzir o ruído.
Caso o objetivo das medições seja identificar os componentes causadores de
ruídos, em um espectro de ruído, então um analisador de terças de oitava pode ser
selecionado. Tal equipamento não precisa ser utilizado em campo. Ao invés disso, o
ruído pode ser registrado usando gravador profissional, para mais tarde ser feita a
análise. Em todo caso, o uso do analisador de terças de oitava em campo fornecerá
informações úteis como base para um estabelecimento mais exato das análises
requeridas.
Antes de qualquer avaliação, os equipamentos de medições devem ser
calibrados.

5.2.2. Posição do microfone


É selecionada normalmente para que a amostragem adequada seja obtida na área
do campo sonoro ou nas vizinhanças da fonte de ruído. O número de posições
selecionadas deve ser suficiente para descrever o nível de ruído ambiental ou para
especificar as características da fonte com a exatidão desejada.

Figura 39 - Erro de leitura devido reflexão

Medições de ruído ambiente:


O propósito das medições de ruído ambientais deve ser considerado na
escolha das posições. Por exemplo, se as medições são feitas para avaliar o efeito
do ruído em uma área frequentada por pessoas, os microfones devem ser
posicionados à altura do ouvido das pessoas.
Uma altura aceitável para medições acima do solo é de 1,5 m. Se pessoas
estiverem sentadas nesta área, a altura é, usualmente, de 1,1m. Se for necessário, a
distribuição do nível de ruído ao redor de uma fonte, a distância entre as posições do

84
microfone e o número de pontos de medição estão sujeitos à irregularidade do
campo sonoro e à precisão desejada no mapeamento.
Medições na fonte:
As superfícies de uma máquina vibram em diversas frequências e modos.
Assim sendo, o campo sonoro resultante ao redor da máquina é extremamente
complicado. Quando o comprimento de onda é pequeno, se comparado com as
dimensões da fonte, a propagação sonora é direcional. Então, o número de posições
de microfones selecionadas deve ser o suficiente para garantir que o campo sonoro
na vizinhança da fonte seja descrito adequadamente, de acordo com os propósitos
das medições. Ao contrário, se o comprimento de onda do som emitido é grande,
comparado às dimensões da fonte (baixas frequências), o som tende a se propagar
de maneira quase uniforme em todas as direções, e o padrão dos níveis sonoros em
torno da fonte é relativamente simples.
Se a fonte sonora atinge um ou mais operadores, um microfone deve ser
posicionado à altura da cabeça do operador (quando possível, sem a presença do
operador). Além disso, uma ou mais posições de microfones devem ser
selecionadas de cada lado da fonte, geralmente à distância de 0.25m a 1.0m da
superfície da fonte sonora. Isso é adequado para ruídos provenientes de fontes
relativamente não direcionais. Contudo, para fontes direcionais, mais de 20 posições
diferentes devem ser tomadas para descrição do campo sonoro.
Devido a esta complexidade, é comum explorar o campo sonoro antes de
selecionar posições específicas para estudo detalhado. Tal exploração é
normalmente feita com um medidor manual.

85
5.2.3. Orientação do microfone
Os medidores e analisadores de nível sonoro são disponíveis com dois tipos
de microfones:
• Microfones com frequência de resposta essencialmente plana, para sons que
incidem aleatoriamente;
• Microfones com frequência de resposta essencialmente plana, para incidência
perpendicular.
Quando for utilizado, o microfone direcional deve estar focalizado na fonte de
ruído. Já o microfone de incidência aleatória deve estar direcionado em uma faixa de
até 70º em relação ao eixo do microfone.

5.2.4. Correção devido uso de cabos para microfone


Os microfones, quando conectados a cabos, podem afetar os resultados das
medições. Para avaliar o efeito do cabo basta usar um calibrador acústico.
A diferença nas leituras obtidas com e sem o cabo indica a perda no cabo e,
portanto, a correção que deve ser aplicada. É essencial fazer a checagem da
diferença entre as leituras feitas pelo calibrador acústico, que atua em frequências
variadas.

5.2.5. Correção do ruído de fundo


Para determinar se uma medição foi afetada pelo ruído de fundo, deve-se:
1. Medir o nível combinado da fonte e do ruído de fundo;
2. Medir o nível de ruído de fundo sem a fonte;
3. Obter a diferença entre os níveis dos passos 1 e 2;
4. Determinar a correção necessária;
5. Subtrair a correção do passo 4 do nível do passo 1 para determinar o nível de
ruído que a fonte produziria se não houvesse ruído de fundo.
Exemplo:
Passo 1: Suponha que o nível combinado fonte e ruído de fundo seja 91.5 dB;
Passo 2: Suponha que o nível de ruído de fundo seja 88 dB;
Passo 3: A diferença entre os níveis é de 3.5 dB;
Passo 4: A correção correspondente é de 2.5 dB;
Passo 5: Finalmente, o nível corrigido (isto é, o nível da fonte) será de (91.5-2.5)=
89 dB.

86
Se a diferença entre os níveis do passo 3 for pequena, a correção não pode
ser feita com exatidão. Muitas normas de ruídos (arbitrariamente) estabelecem que,
se essa diferença é menor que 3 dB, uma correção satisfatória não pode ser feita.
Para esses casos, o nível de ruído medido é mais baixo que o nível de ruído de
fundo. Por essa razão, as medições devem ser feitas na ausência de ruído de fundo.
Se a fonte do ruído de fundo não pode ser eliminada, o nível deve ser
reduzido pelo fechamento de portas ou janelas, construção de barreiras, ou
aplicação de material isolante acústico. Em alternância, as medições podem ser
feitas no horário do dia em que o ruído de fundo for menor. Se o ruído medido é
predominantemente de alta frequência, a orientação do microfone em relação à
fonte pode aumentar o nível sonoro medido da fonte.
Se o ruído de fundo não resulta de um local claramente definido, ele pode ser
estimado a partir de medições a diferentes distâncias da fonte, até que um nível
uniforme seja alcançado; este pode ser tido como o nível de ruído de fundo.

5.2.6. Efeito das condições ambientais


As condições ambientais, tanto em ambientes internos quanto externos,
podem ter efeito considerável nas medições de nível sonoro.

Figura 40 - Influência do ambiente na propagação sonora

Ondas estacionárias:
Próximo de uma fonte sonora, a diretividade da fonte predomina na
propagação. Assim, próximo à fonte, o nível de ruído decresce conforme se
aumenta a distância da fonte. Em um campo livre, esse decréscimo é de 6 dB para
cada vez que se dobra a distância entre o centro da fonte e o microfone. Tal
decréscimo não ocorre em condições ambientais corriqueiras, devido a reflexões
das paredes, pisos e outras superfícies.

87
Quando uma onda refletida se combina com as ondas sonoras diretas,
alternadamente ocorre interferência construtiva e destrutiva. O resultado é uma série
de máximos e mínimos no nível sonoro (como o microfone é movido ao longo de
uma linha reta se afastando da fonte), chamados de ondas estacionárias. Elas são
quase marcantes quando o ruído é composto essencialmente de frequências
discretas. Com os ruídos complexos, um efeito médio toma lugar e o máximo e
mínimo são reduzidos em magnitude.
Quando ondas estacionárias são observadas, uma correção pode ser
aplicada para estimar os níveis sonoros que poderiam existir se as reflexões fossem
omitidas. Um nível corrigido é essencialmente uma média de níveis sonoros. Ele
pode ser obtido como segue. Se a diferença entre ondas estacionárias máxima e
mínima é menor que 6 dB, basta usar a média aritmética desses dois valores. Se a
diferença é maior que 6 dB, use o valor 3 dB abaixo do nível sonoro máximo.
É desejável que se minimize os efeitos causados pelas ondas estacionárias,
superfícies refletoras e outros objetos próximos, quando medições em ambientes
internos forem realizadas, por exemplo, numa sala. Onde for requerida maior
precisão nas medições, é essencial que o microfone esteja conectado ao
equipamento de medição por um cabo de extensão; isso evita as reflexões do corpo
do operador, que ocorrem quando o instrumento é manual.

Efeitos atmosféricos:
Temperatura, pressão e umidade podem alterar a sensibilidade dos
microfones. Geralmente, tais efeitos são pequenos o suficiente para serem omitidos
para microfones modernos, exceto em condições extremas. O manual de instruções
do fabricante deve ser consultado para determinar o alcance adequado de trabalho e
aplicabilidade das correções como resultado dos efeitos atmosféricos.
Um calibrador acústico é empregado para calibrar os aparelhos de medição
ou um sistema de instrumentação acústico, podendo ser o microfone. Tal exercício
fornece a correção para mudanças na sensibilidade do microfone. Contudo, deve se
tomar cuidado para assegurar que não há mudança na sensibilidade do calibrador
com os parâmetros atmosféricos. O manual de instrução do calibrador deve ser
checado para qualquer aplicação de correção.

88
Campos magnéticos:
Quando o ruído é medido nas proximidades de equipamentos elétricos, fortes
campos magnéticos alternados podem induzir a produção de um zunido no medidor
de nível sonoro ou no sistema de medição sonora. Por isso, deve ser feita uma
verificação para garantir que tal efeito não seja apreciável. Isso pode ser feito pela
mudança da orientação do instrumento (sem mudança da posição do microfone), e
sempre deve ser observando se há alguma alteração significativa nos indicadores do
nível. Além disso, o zunido pode ser verificado a partir de um teste de saída, feito
com um par de fones de ouvido de alta qualidade. A perturbação observada deve
ser minimizada pela reorientação do equipamento ou pelas medições; o profissional
deve se afastar do campo magnético.
Se o analisador estiver sendo usado, a verificação deve ser para zunidos nas
bandas de frequência que vão de 60 Hz a 120 Hz (se a frequência da linha de força
é de 60 Hz).

5.2.7. Número de medições x precisão


O número de medições requeridas para determinar a média do nível sonoro
com exatidão depende da uniformidade do campo de ruído.
O desvio padrão entre as medições de ruído determina o número de análises
necessárias para se obter resultados precisos. Deve-se aumentar o número e o
tempo de medições caso o desvio padrão seja muito elevado. Considerando apenas
ruído aleatório de banda-larga, o ruído de baixa frequência é tipicamente variável,
tanto em relação ao tempo quanto à posição, enquanto que o ruído de alta
frequência tende a ser mais uniforme.

5.3. Uso do medidor de nível de pressão sonora

5.3.1. Seleção do tipo de medidor de nível de pressão sonora


Em muitos problemas de medições de ruídos, o tipo de medidor é ditado
simplesmente pela disponibilidade do equipamento. De outro modo, as seguintes
considerações também se aplicam. O instrumento mais barato, o medidor “Tipo 3 –
Propósito Especial” é adequado para detectar a indicação aproximada do nível de
ruído sonoro. Tais medidores permitem tolerância mais larga.
As leituras obtidas com o medidor Tipo 3 bastam para indicar se o nível de
ruído da área em questão é tão alto ou tão baixo que cause qualquer interesse. Em

89
muitas outras situações a precisão do medidor não é suficiente e outro de maior
precisão deve ser usado.
O medidor “Tipo 2 – Propósito Geral” é mais preciso que o Tipo 3. Ambos os
dispositivos têm tolerâncias reduzidas, tipicamente ± 3 dB. Quando é usado em “C”
ou respostas planas, a tolerância do medidor Tipo 2 é a mesma do Tipo 1, abaixo de
1000 Hz. Portanto, medidores do Tipo 2 são adequados para uso com analisadores,
exceto para interesse em ruídos de alta frequência.
O medidor do “Tipo 1 – Precisão” fornece dados mais concisos. A tolerância
permitida pelo instrumento deste tipo é de ± 1 dB.

5.3.2. Seleção da curva de ponderação


A menos que seja regulamentado, a ponderação A geralmente é escolhida.
Em alguns casos, os relatórios dos resultados são usados para especificar a escala
de ponderação utilizada. Um nível sonoro obtido ao usar a escala A é descrito como
segue: “o nível sonoro na escala de ponderação A é de 76 dB (A)”. Note que a letra
A entre parênteses é uma indicação de que foi usada, nas medições, a escala de
ponderação A.
Leituras em outra escala (usualmente a escala de ponderação C) podem ser
usadas a fim de fornecer uma estimativa da distribuição de frequência do ruído.
Medições de nível sonoro com ponderação A e ponderação C: se a diferença
entre os níveis com ponderação A e com ponderação C for menor que 1 dB, é
provável que o ruído esteja concentrado em cerca de 600 Hz. Contudo, se essa
diferença for grande, o ruído predominante é de baixa frequência.

5.3.3. Resposta de medição: Fast x Slow

Algumas normas para medições de ruído estabelecem a velocidade de


resposta do instrumento de medição, sendo ela rápida ou lenta. Caso não esteja
estabelecido na norma, a resposta lenta é usada somente quando o propósito das
medições seja determinar o nível sonoro mais alto (por exemplo, o nível sonoro

90
máximo de um veículo passando). Em tal caso, a resposta rápida pode ser usada.
Para sons uniformes, as leituras do medidor devem ser, aproximadamente, as
mesmas para ambos os tipos de respostas.

5.3.4. Distribuição estatística


Para alguns tipos de problemas envolvendo ruído, a distribuição no tempo é
usada para se avalizar o nível sonoro equivalente contínuo, Leq, os níveis percentís
L10 , L50 ou L90. Tais informações podem ser obtidas usando-se apenas um medidor
de nível sonoro e um cronômetro.

5.3.5. Medição de ruído impulsivo ou de pico


Ruídos impulsivos (tais como produzidos por pressão, martelo em forjamento,
máquinas de estampagem, e explosões) requerem equipamento de medição de
ruído e técnicas de medição especiais. A resposta rápida de um medidor de nível
sonoro não se adequa às medições de ruídos de tais fontes, exceto para o propósito
de obtenção de uma média de longo tempo.
Os tipos básicos de indicadores incluem:
1. O detector de pico que determina o nível sonoro de pico absoluto durante
uma observação;
2. O detector de impulso que determina o nível médio acima de um curto
período de tempo.
Em alguns instrumentos, o final é simulado pelo uso de medidor com rápida
elevação e baixo tempo de decaimento. Ambos os tipos de detectores estão
incluídos em alguns medidores e analisadores de nível sonoro.

Nível sonoro equivalente contínuo


Medidores de nível sonoro integrados são disponíveis para medições de ruído
médio na escala de ponderação A, por períodos de tempo longos. Por exemplo, para
medições do nível sonoro contínuo equivalente, Leq, a média do nível sonoro,
checada de 1 em 1 hora, é L1H, e o nível sonoro médio, verificado dia e noite, é Ldn .

5.4. Uso dos analisadores


Os analisadores são equipamentos que fornecem informações, indicando
como o espectro de uma fonte de ruído está distribuído em frequência. Como dito
anteriormente, a diferença entre as escalas C e A fornecem uma indicação

91
aproximada, se o ruído possui características de baixa frequência ou de alta
frequência. Tais detalhes são necessários se um dos propósitos da medição de
ruído é distribuir dados para um programa de combate e/ou redução deste
fenômeno. Se o nível de ruído é excessivo, geralmente é requerida informação
detalhada para fornecer a solução de engenharia.

5.4.1. Seleção do analisador


Um analisador sonoro pode ser escolhido para determinar qual banda de
frequência contribui com maior intensidade no nível sonoro na escala A. Para esse
propósito, um analisador de bandas de oitava pode ser suficiente. Contudo, uma
análise de terça de oitava dará informações mais detalhadas, que podem mostrar
indícios a respeito da fonte de ruído. Por exemplo, uma fonte de ruído, tal como um
motor, produz ruídos que podem conter tons gerados magneticamente, tanto da
velocidade quanto da força da linha de tensão. Alguns componentes de máquinas,
tais como engrenagens e rolamentos, também podem gerar tons com frequências
definidas. As frequências discretas nem sempre podem ser observadas pelo uso de
um analisador de terça de oitava. Em tais casos, um analisador de banda estreita
deve ser usado. O analisador de banda estreita é composto por amplitude fixa ou
amplitude percentual constante. Em geral, o analisador de banda estreita fixa é
usado apenas para o espectro de ruídos que são constantes e não variam em
frequência, isto é, para as medições de ruído transformador. O analisador de
amplitude percentual constante é uma escolha lógica para análises do espectro em
que a variação da frequência dos harmônicos se relaciona com a variação da
frequência fundamental. Em outros casos, a amplitude do analisador deve ser maior
que a flutuação na frequência do espectro componente que está sendo medido.
A escolha do analisador geralmente é determinada pela necessidade de
detalhes nos resultados, como o tempo requerido para a análise dos dados, e o tipo
de saída do analisador. O último pode ser um medidor, um gráfico ou uma série de
gráficos, ou em forma de tabela numérica obtida por computador.
Se o analisador for do tipo que se conecta à saída de um medidor de nível
sonoro, a análise é realizada com o medidor selecionado para ponderação plana ou
linear. Contudo, há exceções à regra geral. Por exemplo, quando existe um
componente de frequência muito baixa, a escala A pode ser usada como um filtro à
frente do analisador. Isso pode ajudar a aumentar a precisão dos dados nas bandas

92
de alta frequência. Contudo, as correções para as respostas de frequência na escala
A, devem ser aplicadas às leituras do analisador.

5.5. Dados a serem a avaliados


As seguintes informações, quando forem aplicáveis, devem ser registradas
após fazer um exame do ruído, em medições de nível de ruído ambiental, ou em
medições das características de uma fonte de ruído.

5.5.1. Fontes sonoras

1. Descrição;
2. Condições de operação;
3. Condições de montagem.

5.5.2. Ambiente acústico interno


1. Localização das fontes sonoras;
2. Dimensões do ambiente;
3. Descrição física das paredes, forro e piso;
4. Croqui mostrando a posição das fontes sonoras;
5. Temperatura, umidade e pressão barométrica (trabalhos de precisão).

5.5.3. Ambiente acústico externo


1. Localização das fontes sonoras;
2. Croqui da área de estudo mostrando os pontos de medição, edificações,
árvores e outros objetos refletores;
3. Descrição topográfica e física da superfície do solo;

93
4. Temperatura, umidade e pressão barométrica (a uma altura especificada
do solo - trabalhos de precisão);
5. Tipo de protetor de vento usado.

5.5.4. Instrumentação
1. Equipamento utilizado para medição, incluindo nome, tipo, número serial e
de fabricação. Comprimento do cabo para microfone, se utilizado;
2. Especificar o uso de filtros de oitava para analisadores;
3. Tipo do calibrador utilizado.

5.5.5. Dados de medição


1. Posição do observador;

2. Posição e orientação do microfone;

3. Resultados da calibração acústica;


4. Escala de ponderação e velocidade de resposta (fast ou slow);
5. Ruído de fundo para cada posição de medição;
6. Correção em decibel para microfone, cabo, e ruído de fundo;
7. Nível corrigido para cada posição de medição;
8. Data e hora de medição;

94
9. Nome dos avaliadores.

95
96
6. Poluição Sonora: Recomendações e Legislação:

6.1. Valores de referência e limites de tolerância:


A redução do ruído é fundamental, pois, dentre os benefícios, temos:
1. Diminui os riscos de problemas de audição;
2. Aumenta a segurança dos trabalhadores no ambiente de trabalho;
3. Reduz o estresse.
Portanto, a necessidade de se estabelecer valores de referência e limites de
tolerância para os parâmetros descritores do ruído é notória.
Os limites dos ruídos que são considerados permitidos ou até mesmo
toleráveis dependem de fatores éticos, sociais, econômicos e políticos, que variam
de um país para outro, muitas vezes, ainda, de um estado para outro.
A maioria dos países industrializados adotam valores entre 85 e 90 dB para o
nível de pressão sonora equivalente e contínuo num intervalo de 8h (período de
trabalho). Alguns têm limites diferentes para se iniciar a implantação de medidas
administrativas e/ou de engenharia e, também, limites para realizar os
monitoramentos auditivos (audiometria). Há, ainda, os limites de pressão sonora
para sons impulsivos, pois não se pode esquecer que, quando se deseja avaliar a
perda de audição devido à exposição a ruídos, é necessário entender que esse fato
ocorre a partir da interação de diversos fatores, como a natureza dos sons e se eles
são, por exemplo, variáveis, impulsivos, contínuos ou intermitentes.
A tabela abaixo mostra alguns exemplos de valores limites.
País LAeq,8h dB(A) Taxa de LAeq,8h para LAeq,8h para NPS
Incremento medidas de monitoramento impulsivo
dB(A) controle dB(A) dB(A)
Argentina 90 3 110 A
slow
Austrália 85 3 85 85 140
Brasil 85 5 90 85 115 A
slow
França 85 3 90 85 135 C
pico
EUA 90 5 90 85 140 C
pico
Suíça 85 ou 87 3 85 85 140 C
pico
Japão 90 85 85

97
Outro fator que foi apresentado na tabela é a taxa de incremento, que será o
valor usado quando se deseja saber qual será a variação permitida no nível de
pressão sonora equivalente contínuo para se multiplicar ou dividir por dois o tempo
de exposição sonora. Isso é necessário para a obtenção de um parâmetro que
determina a relação entre dois ou mais sons que produzam a mesma mudança
permanente no limiar de audição (MPLA), ou "noise-induced permanent threshold
shift (NIPTS)".
Por exemplo: no Brasil, para um tempo de exposição sonora de 8 horas,
permite-se que o LAeq,8h seja de 85 dB. Para um tempo de 4 horas, será permitido
um nível de pressão sonora equivalente contínuo de até 90 dB. Esse valor é a soma
dos 85 dB, para 8 horas, mais os 5dB da taxa de incremento, pois houve uma
redução pela metade do tempo de exposição sonora.
Uma questão muito importante é que diversos cientistas vêm recomendando
o uso exclusivo da taxa de incremento de 3 dB, abolindo completamente o valor de 5
dB. Os argumentos baseiam-se em estudos em laboratório e dados de campo que
demonstram que tanto animais quanto seres humanos resistem melhor à taxa de
incremento de 3 dB. Além disso, há a regra da energia equivalente que diz que, se
dobrar o tempo de exposição sonora, haverá a mesma quantidade de energia
sonora sendo emitida se o nível de pressão sonora aumentar em 3 dB.
Muitas vezes as medidas administrativas são exigidas nas regulamentações.
Os limites preestabelecidos são excedidos e elas podem ser as seguintes:
• Redução dos níveis de pressão sonora gerados por máquinas;
• Audiometria;
• Ajuste de escalas de trabalho;
• Uso de protetores auriculares.
Além disso, as leis ainda estabelecem compensações financeiras quando há
perda comprovada de audição. A legislação brasileira no Anexo III do Decreto
nº79037 de 24 de dezembro de 1976, que regulamenta a Lei nº6367 de 19 de
outubro de 1976, lei que trata sobre o seguro de acidentes de trabalho a cargo do
Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), determina que, havendo redução em
grau médio ou superior (ou seja, mais de 51 dB) da acuidade auditiva nos dois
ouvidos, na faixa de 500 a 2000 Hz (faixas que contêm as frequências da voz
humana), o trabalhador terá direito ao auxílio suplementar. Tal benefício
corresponde a 20% do salário de contribuição do segurado, vigente no dia do

98
acidente. No caso da surdez causada pelo ruído, é considerado, para cálculo, o
salário percebido pelo trabalhador no dia em que se inicia, na justiça civil, o
processo solicitando, ao INSS, a indenização devida. O que se percebe é que a
legislação estabelece que o trabalhador tenha de ter perdido mais da metade de sua
capacidade auditiva para adquirir o direito à indenização, que pode ser considerada
mínima.
Um ponto crucial determinado pela legislação é que os limites desejados
sejam estabelecidos, para que haja uma redução nos problemas auditivos.
Todos os limites, citados até então para determinar a perda de audição em
uma pessoa, consideram, somente, o ambiente de trabalho. Essa consideração será
válida se os níveis de ruído em outros ambientes (casa, rua, lazer, etc.) não forem
excessivos, ou seja, não contribuam significativamente para o agravamento do
processo de perda auditiva.
Durante as atividades de lazer ou de descanso, o principal problema causado
pelo ruído é o incômodo, portanto, nesses ambientes, os limites para os níveis de
ruído serão bem menores do que aqueles estabelecidos para o ambiente de
trabalho.

6.2. Legislação ambiental nas esferas federal, estadual e municipal:


A Constituição Federal no Título VIII, Da Ordem Social, Capítulo VI, Do Meio
Ambiente, Art. 225, estabelece que “todos têm direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida...”, portanto, já está, aí, definido que o controle e diminuição dos
níveis de ruído são dever da coletividade e do Poder Público, sendo um direito de
todos usufruir desse meio ambiente saudável.
Apesar de muitas vezes não ser tratada com a importância devida, a poluição
sonora é muito prejudicial ao meio ambiente, fazendo com que ele não ofereça uma
boa qualidade de vida à população.
Com o objetivo de regulamentar quais ações devem ser tomadas por parte do
governo e da população, para que o artigo 225 da Constituição seja respeitada, o
Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) estabeleceu as resoluções de
números 1 e 2 na área de poluição sonora.
Uma parte dessas resoluções foi publicada no Diário Oficial da União em abril
de 1990. A resolução nº1 de 8 de março de 1990 estabelece normas a serem

99
obedecidas, no interesse da saúde e no tocante à emissão de ruídos em decorrência
de quaisquer atividades. Para tanto, são feitas as seguintes considerações:
1. Os níveis excessivos de ruído estão sujeitos ao controle da poluição do
meio ambiente;
2. A poluição causa deterioração da qualidade de vida;
3. Devem ser definidos critérios que sejam de fácil aplicação e, portanto,
possam ser usados em qualquer lugar do país.
A partir de tais considerações, a resolução determina critérios, padrões e
diretrizes a serem seguidas no interesse público e da saúde. As normas da
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, NBR 10151: avaliação do ruído
em áreas habitadas visando o conforto da comunidade, e 10152: níveis de ruído
para conforto acústico – são citadas como referência para os limites dos níveis de
ruído, e como devem ser feitas as medições desses ruídos. A resolução estabelece,
também, que as entidades e órgãos públicos são os responsáveis pela preservação
da saúde e do sossego público.
A resolução nº2, da mesma data, estabelece o Programa Silêncio, que visa
controlar o ruído excessivo que possa interferir na saúde e bem-estar da população,
baseada nos seguintes argumentos:
1. O aumento dos níveis sonoros, especialmente áreas urbanas, é uma
ameaça à saúde, ao bem-estar público e à qualidade de vida;
2. O aumento das condições sonoras agressivas inibe o direito ao conforto
ambiental;
3. O crescimento demográfico causa um aumento da concentração das
fontes de poluição sonora;
4. A necessidade do estabelecimento de normas, métodos e ações para
controlar o ruído excessivo.
É estabelecido, então, o Programa Nacional de Educação e Controle da
Poluição Sonora – Programa Silêncio – que tem como principais objetivos:
1. Organizar cursos para capacitação pessoal nas esferas estadual e
municipal;
2. Conscientizar a população dos malefícios dos excessos de ruído;
3. Instituir o tema “poluição sonora” nos cursos secundários;
4. Incentivar a fabricação e o uso de máquinas, motores, equipamentos e
dispositivos com menores intensidades de ruído.

100
O Programa Silêncio será coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA –, e os responsáveis pela
execução do programa serão os estados e municípios.
Após essa primeira etapa, o CONAMA, em fevereiro de 1993, estabelece,
dentro das resoluções de números 1 e 2, limites máximos de ruído com veículos em
aceleração, e, na condição de inatividade, para todos os veículos automotores,
nacionais e importados.
A resolução nº1 trata dos veículos automotores nacionais e importados,
exceto motocicletas, motonetas, ciclomotores, bicicletas com motor auxiliar e
veículos assemelhados – limites estabelecidos para veículos com motores do ciclo
Otto e Diesel.
Para os veículos nacionais, produzidos para o mercado interno, definem-se os
seguintes limites por marca de fabricante:
1. Veículos automotores do Ciclo Otto, exceto os das categorias “c” e “d”:
1.1. No mínimo 20% dos veículos produzidos a partir de 1º de janeiro de 1994;
1.2. No mínimo 50% dos veículos produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995;
1.3. 100% dos veículos produzidos a partir de 1º de janeiro de 1997.
2. Veículos automotores do Ciclo Diesel e veículos automotores do Ciclo
Otto das categorias “c” e “d”:
2.1. No mínimo 40% dos veículos produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995;
2.2. 100% dos veículos produzidos a partir de 1º de janeiro de 1997.
Para os veículos importados, exceto aqueles sujeitos ao Acordo Bilateral
Brasil-Argentina, os limites passam a vigorar a partir de 1º de julho de 1993.
A tabela abaixo define, de acordo com NBR 8433, os limites máximos de
ruído emitido por veículos em aceleração.
Na tabela, as categorias ‘a’, ‘b’, ‘c’ e ‘d’ são definidas da seguinte forma:
a. Automóvel e veículo de uso misto derivado de automóvel;
b. Veículo de passageiros de até nove lugares, veículo de carga, camioneta
de uso misto, não derivada de automóvel, e utilitário;
c. Veículos de passageiros com mais de nove lugares e PBT acima de 3500
kg;
d. Veículo de carga com PBT acima de 3500 kg.
Categoria Nível de ruído dB(A)
Descrição Otto Diesel

101
Injeção direta Injeção indireta
a. 77 78 77
b. PBT até 2000 kg 78 79 78
PBT entre 2000 e 3500 kg 79 80 79
c. Potência máxima abaixo de 150 80 80 80
kW(204CV)
Potência máxima igual ou superior 83 83 83
a 150 kW (204CV)
d. Potência máxima abaixo de 75 kW 81 81 81
(102CV)
Potência máxima entre 75 e 150 83 83 83
kW
Potência máxima igual ou superior 84 84 84
a 150 kW
Onde: designação de veículos conforme NBR 6067;
PBT é o peso bruto total;
potência efetiva líquida máxima conforme NBR 5484.
Os ensaios para medição dos níveis de ruído serão feitos de acordo com as
normas ABNT NBR8433 (ruído emitido de veículos automotores em aceleração;
métodos de ensaio) e NBR 9714 (ruído emitido de veículos automotores na condição
parado; método de ensaio).
O IBAMA é responsável pelo controle e fiscalização dessa resolução.
A resolução de nº2 trata dos veículos excluídos da de nº1 com um
Cronograma semelhante ao apresentado acima.
Todas as etapas estabelecidas nas duas resoluções citadas acima já foram
ultrapassadas e, agora, há estudos de novos limites a serem adotados com um novo
Cronograma de implantação. Os novos parâmetros seriam os seguintes, por marca
de fabricante:
1. Veículos automotores da categoria ‘a’:
1.1. No mínimo 40% dos veículos produzidos a partir de 1º de janeiro de 2002;
1.2. No mínimo 80% dos veículos produzidos a partir de 1º de janeiro de 2004;
1.3. 100% dos veículos produzidos a partir de 1º de janeiro de 2006.
2. Todos os veículos automotores das categorias ‘b’, ‘c’ e ‘d’:
2.1. No mínimo 40% dos veículos produzidos a partir de 1º de janeiro de 2005;
2.2. 100% dos veículos produzidos a partir de 1º de janeiro de 2006.
Todas as datas estabelecidas são válidas, também, para os veículos
importados.

102
A tabela a seguir apresenta os novos limites propostos, sendo que as
categorias continuam sendo as mesmas da norma anterior:
Categoria Nível de ruído dB(A)
Descrição Otto Diesel
Injeção direta Injeção indireta
a. 74 75 74
b. PBT até 2000 kg 76 77 76
PBT entre 2000 e 3500 kg 77 78 77
c. Potência máxima abaixo de 150 78 78 78
kW(204CV)
Potência máxima igual ou superior 80 80 80
a 150 kW (204CV)
d. Potência máxima abaixo de 75 kW 77 77 77
(102CV)
Potência máxima entre 75 e 150 78 78 78
kW
Potência máxima igual ou superior 80 80 80
a 150 kW

Duas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) são


fundamentais para a perfeita aplicação das resoluções de números 1 e 2 do
CONAMA, que são a NBR 10151 e NBR 10152.
A NBR 10151 – avaliação em áreas habitadas, visando o conforto da
comunidade – tem, dentre seus objetivos, determinar condições limites de ruído em
comunidades, estabelecendo métodos de medição dos ruídos, além de apresentar
as correções que devem ser feitas aos níveis medidos em condições ambientais
especiais. Todas as medições apresentadas por esta norma serão feitas utilizando a
escala de compensação A.
Na parte de medição de ruído, todas as posições adequadas para ambientes
externos e internos estão especificadas, além do equipamento que deve ser
utilizado.
O nível de som medido, dependendo do tipo de ruído, sofrerá uma correção e
passará a ser chamado de nível de ruído corrigido (LC). Ruídos de marteladas ou de
rebitagens, mais conhecidos como ruídos estacionários com características
impulsivas, são alguns dos tipos que devem sofrer correções; outros seriam apitos,
chiados ou zumbidos ou, ainda, os sons intermitentes com pausas, como o ruído de
uma indústria.
A tabela a seguir mostra as correções que devem ser aplicadas ao nível
sonoro, medido em dB (A).

103
Características peculiares do ruído Correção dB(A)
Fator de pico Ruído impulsivo +5
Características especiais Presença de +5
componentes tonais
audíveis
Duração do ruído, de Entre:
nível sonoro medido LA, 100 e 56 0
expresso em 56 e 18 -5
porcentagem do período 18 e 6 -10
de tempo relevante 6 e 1,8 -15
1,8 e 0,6 -20
0,6 e 0,2 -25
menor que 0,2 -30
Determina-se, para conforto acústico, um nível-critério de ruído que não deve
ser excedido. Para áreas residenciais, tem-se um critério básico de ruído externo,
que é de 45 dB (A).
De acordo com o período do dia ou zona, o critério básico sofrerá diferentes
correções. As tabelas seguintes apresentam as correções adequadas.
Período CP dB(A)
Diurno 0
Noturno -5

Tipo de zona CZ dB(A)


Zona de hospitais 0
Residencial urbana +10
Centro da cidade (negócios, comércio) +20
Área predominantemente industrial +25
O nível-critério será dado, então, pela soma:
45 + CP + CZ
Para avaliação do nível-critério, em ambientes internos, também são
necessárias correções de acordo com as condições das janelas.

Condições da janela Correção dB(A)


Janelas abertas -10
Janelas simples fechadas -15
Janelas duplas fechadas ou fixas -20
A outra norma citada, a NBR 10152 também trata dos níveis para conforto
acústico em diversos ambientes, levando em consideração os malefícios que os
excessos de ruído podem causar.
A tabela apresenta os valores recomendados por esta norma, em dB (A) e
NC, para locais variados.

104
Locais dB(A) NC
Hospitais
Apartamentos, enfermarias, berçários, centros cirúrgicos 35 – 45 30 – 40
Laboratórios, áreas para uso público 40 – 50 25 – 45
Serviços 45 – 55 40 – 50
Escolas
Bibliotecas, salas de música, salas de desenho 35 – 45 30 – 40
Salas de aula, laboratórios 40 – 50 35 – 45
Circulação 45 – 55 40 – 50
Hotéis
Apartamentos 35 – 45 30 – 40
Restaurantes, salas de estar 40 – 50 35 – 45
Portaria, recepção, circulação 45 – 55 40 – 50
Residências
Dormitórios 35 – 45 30 – 40
Salas de estar 40 – 50 35 – 45
Auditórios
Salas de concertos, teatros 30 – 40 25 – 30
Salas de conferências, cinemas, salas de múltiplo uso 35 – 45 30 – 35
Restaurantes 40 – 50 35 – 45
Escritórios
Salas de reunião 30 – 40 25 – 35
Salas de gerência, de projetos, e de administração 35 – 45 30 – 40
Salas de computadores 45 – 65 40 – 60
Salas de mecanografia 50 – 60 45 – 55
Igrejas e templos (cultos meditativos) 40 – 50 35 – 45
Locais para esportes
Pavilhões fechados para espetáculos e atividades
esportivas 45 – 60 40 – 55
A resolução de número 20 do CONAMA, de 7 de dezembro de 1994,
estabelece outro ponto importante, que é a instituição do Selo Ruído, baseando-se
nas seguintes considerações:
1. O ruído excessivo causa prejuízo à saúde física e mental;
2. O homem cada vez mais está sendo exposto a condições sonoras adversas;
3. Os aparelhos domésticos são de amplo uso de toda a população;
4. A tecnologia existente, e, se bem aplicada, torna possível a redução dos níveis
de ruído;
5. Os objetivos do programa SILÊNCIO.
O Selo Ruído será uma indicação do nível de potência sonora dos aparelhos
eletrodomésticos que gerem ruído no seu funcionamento. Será considerado
aparelho eletrodoméstico todos definidos dessa forma pela ABNT – NBR 6514.
Para que a selo possa ser utilizado, o fabricante fornecerá uma lista ao
IBAMA com todos seus produtos, além de providenciar a execução de todos os

105
ensaios necessários em laboratórios credenciados pelo Instituto Nacional de
Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) através de sua Divisão
de Acústica e Vibrações.
Interessante notar que o selo terá uma função informativa ou, até mesmo,
educadora, pois nenhum produto terá sua fabricação proibida devido aos resultados
dos ensaios de medição de sua potência sonora.
Apesar dessa resolução já ter sido publicada há mais de 5 anos, os primeiros
passos para sua real implantação foram dados, algum tempo depois, pela divisão do
INMETRO, citada acima. Houve a formação de um grupo chamado de subcomissão
técnica do Selo Ruído com a presença de representantes de diversas entidades
como: o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis – IBAMA, o
INMETRO, o Instituto de Defesa do Consumidor – IDEC, a Sociedade Brasileira de
Acústica – SOBRAC, a ABNT e a Associação Brasileira da Indústria Eletro-
Eletrônica – ABINEE, que estão discutindo as etapas para viabilização e o
cronograma de implantação do Selo Ruído. Os liquidificadores foram escolhidos
para serem os primeiros eletrodomésticos a receberem a etiqueta e, em seguida, os
secadores de cabelo e os refrigeradores e similares. Um dos problemas enfrentados
é a falta de laboratórios credenciados a executarem os ensaios necessários.
No estado de Minas Gerais, os limites de poluição sonora são determinados
pela lei 10100 de 17 de janeiro de 1990, que estabelece níveis máximos de ruído
para o ambiente exterior ao recinto que tem origem, além de determinar os
aparelhos e os métodos que devem ser usados nas medições, baseando-se em
normas da ABNT.
Na esfera municipal, a lei de nº 4253, de 04 de dezembro de 1985, e o
decreto nº 5893, de 16 de março de 1988, determinam os aspectos legais referentes
à poluição sonora em Belo Horizonte. O decreto nº 9139, de 07 de março de 1997,
apresenta novos limites de níveis sonoros máximos, em dB (A), de acordo com a
zona de ocupação e o horário do dia.

106
107
7. Sugestões para controle de ruído
Milhões de trabalhadores no Brasil, e no mundo, estão expostos diariamente,
em seu ambiente de trabalho, a ruídos nocivos à saúde humana. Felizmente, há
como se controlar e reduzir tais ruídos de diferentes formas, dependendo da origem
do problema. Três são as possibilidades básicas de controle:
• Utilizar processos de trabalho mais silenciosos;
• Alterar ou enclausurar os equipamentos para reduzir o ruído na fonte;
• Usar materiais que sejam absorvedores acústicos para prevenir que o
ruído se espalhe.
Para que seja possível estudar os mecanismos de controle de ruídos, deve-
se, primeiramente, entender como o som reage ao encontrar uma barreira física,
como, por exemplo, uma parede. Quando um som atinge a atinge, somente uma
pequena parcela do som é transmitida, e a maior parte é refletida. Define-se como
taxa de perda de transmissão (TL – sound transmission loss) como sendo a
capacidade que uma barreira tem de bloquear a transmissão do som. Esse
parâmetro é medido em decibéis.
Outro item é chamado de redução de ruído (NR – noise reduction), e é
definido pelo número de decibéis que uma barreira consegue bloquear. É possível
obtê-lo pela comparação do nível de ruído antes e depois da instalação da barreira,
ou enclausuramento. Os valores de NR e TL não serão, obrigatoriamente, os
mesmos.
Quando um som atinge um material poroso ele será absorvido. Os materiais
comerciais utilizados absorvem, no mínimo, 70 % do som que os atinge.

Figura 41 - parcelas do som que atingem a parede e são refletidas, absorvidas ou transmitidas

108
7.1. Comportamento sonoro - Causas das fontes de ruídos
O comportamento do som varia de acordo com diversos fatores. Mudanças na
força, pressão ou velocidade de qualquer objeto produzem ruídos. Quanto maiores
forem as variações, maiores serão os ruídos produzidos. Se uma mesma tarefa for
executada com mais força em um espaço de tempo mais curto, produzirá mais ruído
do que se ela fosse realizada com menos força e mais tempo.

Figura 42 - exemplo

Figura 43 - exemplo
As figuras 2 e 3 são exemplos de como a velocidade e a força na execução
de tarefas interfere na quantidade de ruído emitido por fontes sonoras. Na figura 2,
pode-se dobrar uma fina lâmina de metal com um martelo e produzir muito ruído, ou
então, silenciosamente, com um alicate. Na outra figura, corta-se papelão com muita
força e velocidade; quando se utiliza uma faca perpendicular à folha,
consequentemente, tem-se muito barulho. Porém, com outro sistema que corta mais

109
lentamente e com menos força, utilizando-se uma faca que viaja junto com a esteira,
a operação é praticamente sem ruídos.
Outros fatores causadores de ruídos transmitidos pelo ar são a vibração de
sólidos ou a turbulência em fluidos (fig.4). Por exemplo, um instrumento musical
vibra fazendo barulho; ou então, em um aquecedor de ambientes, os canos vibram
com a água em ebulição causando excesso de ruído.

Figura 44 - vibração
Canos fixados solidamente podem transmitir sons para a estrutura do prédio
quando transportam fluidos turbulentos (fig. 45). Para tal controle, são utilizados
materiais de boa absorção junto aos canos, ou isola-se a vibração da estrutura com
materiais flexíveis. Outra alternativa é a redução, quando possível, da turbulência no
fluido.

Figura 45 - fluidos turbulentos e controle do ruído

110
Uma terceira fonte de ruídos é a vibração em estruturas sólidas ou líquidas,
mas que causam ruídos transmitidos pelo ar depois de viajarem grandes distâncias.
O problema é que tais vibrações podem causar a ressonância de alguma estrutura
e, portanto, deve-se evitar tal fenômeno paralisando a vibração o mais próximo
possível da fonte. Um exemplo é o fato de se poder ouvir o som de um trem sobre a
linha a uma distância considerável da fonte (fig. 46). Outro exemplo é a vibração
causada por um elevador (fig.47) quando ele não for devidamente isolado da
estrutura do prédio.

Figura 46 - som transmitido a grandes distâncias

Figura 47 - som transmitido por um elevador


Outro ponto que deve ser considerado na análise de ruído é ele é de alta ou
baixa frequência. Inicialmente, é importante notar que, quanto menor for a repetição
de um determinado som, menor deverá ser sua frequência, ou seja, quanto maior for
o tempo entre as mudanças de força, pressão ou velocidade. A intensidade do som
depende na quantidade de mudanças. O exemplo a seguir ilustra tal fato. O motor
de um barco produz um som suave e de baixa frequência, enquanto que o som do
motor de uma lancha produz um som de alta frequência.

111
Figura 48 - ruído proveniente de embarcações

Figura 49 - ruídos de alta e baixa frequência


Outro exemplo pode ser a comparação entre duas engrenagens de mesmo
diâmetro e girando à mesma velocidade, porém com número de dentes diferentes. A
engrenagem com maior número de dentes irá chegar um som de mais alta
frequência.
Visto isso, podemos agora tratar de diferenças entre os sons com alta e baixa
frequência. Sons de altas frequências são mais direcionais do que os de baixa e
mais fáceis de serem refletidos; os de baixa, no entanto, conseguem viajar mais
facilmente em volta de barreiras e através de buracos.
As figuras 50, 51 e 52 mostram exemplos de sons com alta frequência e sua
dificuldade em contornar barreiras e passar por buracos. Na figura 52, as paredes
são revestidas com um material absorsor. O som que iria atingir o operador é
refletido pelo vidro de proteção e absorvido pelas paredes.

112
Figura 50 - sons de alta frequência

Figura 51 - sons de alta frequência viajando diretamente até os ouvidos do operador

Figura 52 - isolamento de sons de alta frequência


As figuras seguintes são exemplos de sons de baixa frequência. Percebe-se
que a barreira tem pouco efeito sobre esse tipo de som. Quando se deseja diminuí-
lo deve-se usar bons absorvedores e proteções bem fechadas, como no caso do
compressor.

113
Figura 53 - sons de baixa frequência

Figura 54 - enclausuramento de sons de baixa frequência


Outro ponto para comparar tais tipos de sons é o fato dos de alta frequência
se atenuarem com maior facilidade, ao passarem pelo ar, do que aqueles com baixa
frequência. A figura mostra como decaimento do som de uma sirene de navio pode
ser incômoda para os tripulantes. Porém, a uma certa distância, ela já não causará
tanto incômodo.

Figura 55 - decaimento de sons de alta frequência no ar

114
Se o som causar incômodo para pessoas que estão a uma certa distância da
fonte, deve-se se preferir fontes que gerem sons de alta frequência. O exemplo
mostra que em uma fábrica utiliza-se um ventilador com poucas pás e, portanto, tem
um som de baixa frequência, o que causa grande incômodo à população a uma
distância elevada. Ao utilizar um ventilador com um maior número de pás, ou seja,
produzindo sons de frequências mais altas, o incômodo na área em questão será
bastante reduzido.

Figura 56 - controle de ruído utilizando sons de alta frequência


Por outro lado, quando as pessoas que estão sendo incomodados pelo ruído
estão próximas da fonte, deve-se optar pelos de frequências mais baixas, porque o
ouvido humano é mais sensível às altas frequências. Dois trens passam pela mesma
região, sendo que aquele que viaja com maior velocidade irá perturbar mais as
residências próximas a ele, porque produzirá sons de mais alta frequência.

Figura 57 - comparação entre fontes sonoras de baixa e alta frequência

115
Outro exemplo da mesma situação pode ser usado com um navio. Ao se
operar um navio com um motor Diesel, com rotação de 125 rpm, ligado diretamente
à hélice, o barulho gerado por ela, no interior do navio, é muito incômodo. Porém,
quando se utiliza um diferencial entre o motor e a hélice, o motor poderá girar com
menor rotação (75 rpm) e, além disso, deve-se utilizar uma hélice com maior
diâmetro. Portanto, tem-se um ruído de menor frequência e menos incômodo.

Figura 58 - comparação entre fontes sonoras de baixa e alta frequência

7.2. Sons de placas vibrantes


Quanto menor for a superfície de um objeto, menor será o ruído gerado por
ele devido à sua vibração. Além disso, quanto mais alta for a frequência, menor
deverá ser a superfície para que não haja ruído incômodo. Como as máquinas
sempre vibram quando estão em operação, quanto menores elas forem, menores
serão os ruídos. Para exemplificar, quando se coloca um barbeador elétrico para
funcionar, ele emite um certo nível de ruído. Porém, ao colocá-lo sobre uma
bancada de vidro, ela também vibrará e o ruído será muito mais intenso (fig.59).
Pode-se observar, também, uma bancada de um sistema hidráulico. Quando o
painel de controle está acoplado ao mesmo, o ruído de tal painel é elevado, pois ele
vibra muito, mas, quando se separa o mesmo do resto da montagem, o ruído é
reduzido (fig.60).

116
Figura 59 - vibração em placas

Figura 60 - vibração em placas


Muitas vezes não se pode reduzir o tamanho da superfície que está vibrando.
Uma alternativa para esse problema é utilizar, quando possível, superfícies
perfuradas, telas ou grelhas que irão reduzir a emissão de ruído.

Figura 61 - superfícies perfuradas

117
Um exemplo é o uso de proteção sólida sobre as polias e correias de uma
máquina. Isso faz com que essa parte do equipamento seja uma grande fonte de
ruído. Ao se utilizar uma superfície perfurada, o ruído é reduzido consideravelmente.

Figura 62 - superfícies perfuradas


Ao se tratar da vibração em placas, deve-se observar, também, que placas
finas e compridas geram menos ruídos que placas quadradas. Esse fato ocorre
devido à equalização da pressão nas extremidades da placa, que são mais próximas
nas de maior comprimento.
Novamente, pode-se citar o conjunto de polias e correias. É preferível, nesse
sistema, utilizar um maior número de correias estreitas do que uma única correia
larga para sanar o problema de ruído.

Figura 63 - superfícies estreitas

118
Como foi dito, as extremidades de uma placa são as regiões que geram
menos ruídos, especialmente os de baixa frequência. Para que haja uma maior
emissão de sons de baixa frequência, é necessário que se isole as extremidades da
placa, como é feito em caixas de som para graves.

Figura 64 - placas com extremidades unidas


Um carrinho com rodas produz ruídos ao passar por irregularidades no piso,
ou então, quando se coloca alguma coisa dentro dele. Se as superfícies do carrinho
forem todas unidas, ocorrerá a equalização da pressão nas extremidades do
mesmo, gerando, assim, muitos ruídos de baixa frequência. Ao se utilizar outra
construção para o carrinho, ou seja, com muitas extremidades livres, haverá uma
redução da emissão de ruídos de baixa frequência.

Figura 65 - placas com extremidades livres


Colisões e impactos também são grandes fontes de ruídos em placas. O nível
sonoro será determinado pelo peso do objeto e pela velocidade de impacto do
mesmo com a placa. Ao se reduzir a altura de onde cai um objeto de 5 metros para
5 centímetros, a redução no ruído é de aproximadamente 20 dB.

119
Em fábricas, é comum o uso de correias transportadoras. Quando a caixa que
recebe o material (no início da operação) está vazia, a altura de queda é grande e o
ruído é excessivo. Mas, utilizando-se uma correia com um mecanismo de regulagem
de altura, e, também, com um sistema de amortecimento que reduz a velocidade
dos produtos na saída da correia, antes de caírem na caixa coletora, o ruído será
reduzido apreciavelmente.

Figura 66 - colisões e impactos


Outra forma de amenizar vibrações em placas é utilizando materiais que
sejam mais maleáveis, pois, ao passar por uma placa as vibrações, elas vão sendo
reduzidas. Porém, na maioria das placas, esse amortecimento não é significativo. No
aço, o amortecimento é muito baixo, mas podem-se usar camadas intermediárias de

120
outros materiais entre duas placas de aço para que haja, então, um melhor
amortecimento. Um material amortecedor é o chumbo.
Em um sistema de bombeamento, uma grande parte do ruído vem da capa protetora
do eixo, pois é, normalmente, feita de aço. Uma alternativa é o uso de materiais que
sejam melhores amortecedores.

Figura 67 - amortecimento de placas


Uma questão muito importante ao se tratar de vibrações em pacas é a
ressonância, muitas vezes responsável pelo aumento da emissão de ruídos em uma
placa vibrante. Porém, pode-se eliminar ou reduzir a ressonância com o uso de
amortecimento.
Uma máquina, utilizada para cortar os dentes das lâminas de serras
irregulares, produz um som muito intenso e ressonante. Para amenizar este
problema, deve-se utilizar uma cobertura de borracha ligada ao disco.

Figura 68 - amortecimento de placas

121
Placas maiores produzem uma ressonância de sons de baixa frequência, que
são mais difíceis de serem amortecidos. Ao enrijecer a estrutura, a ressonância irá
implicar no aumento da frequência. Portanto, as placas serão amortecidas com mais
facilidade.

Figura 69 - Enrijecimento de placas

7.3. Sons produzidos no ar ou em gases


Fluxos de ar que passam por objetos a certa velocidade podem produzir um
forte tom puro, conhecido como Tom de Karman. É possível prevenir tal ruído com a
utilização de objetos mais longos ou com formatos irregulares.

Figura 70 - tons de vento

122
Tal fenômeno pode ser observado em torres ou chaminés de fábricas.
Elimina-se o problema ao colocar uma lâmina espiralada de metal em torno da
chaminé. Porém, deve-se observar que o espiral não pode ser regular, para que o
mecanismo surta efeito, desconsiderando a direção do vento.

Figura 71 - controle do tom de Karman


Assim como nos instrumentos musicais, fluxos de ar passam por buracos e
geram ruídos que podem ser incômodos e indesejáveis. Quanto maior for o volume
do buraco e quanto mais reduzido for o número de aberturas, menor será a
frequência do tom gerado.
Cavidades em máquinas podem causar o efeito descrito acima, por isso,
devem-se evitar tais pontos, preenchendo-os de borracha ou outros materiais
apropriados.

Figura 72 - ruídos em cavidades

123
Quando se fala em ruídos causados pelo deslocamento de ar ou gases, deve-
se pensar nos problemas relacionados a dutos e canos. O fluxo interno desses
objetos pode apresentar alguma turbulência, o que ocasiona a emissão de ruídos.
Porém, essa turbulência será maior se o fluxo mudar de direção rapidamente, ou, se
a velocidade do fluxo for muito grande, há, ainda, o problema de objetos bloqueando
o fluxo; especialmente se eles estiverem muito próximos. No exemplo, pode-se
observar que, quando dois flanges estão muito próximos à turbulência, o ruído
aumenta.

Figura 73 - escoamento no interior de canos


Uma linha de vapor tem três válvulas que produzem um alto som agudo e,
também, duas fortes curvadas que também geram muito barulho. Para modificar a
linha e torná-la menos ruidosa, devem-se utilizar curvas mais suaves e afastar as
válvulas umas das outras para que não haja um aumento excessivo de turbulência.

Figura 74 - ruído em linhas de vapor


Ruídos também são gerados quando um gás em movimento se mistura a um
parado, especialmente se o fluxo for perturbado antes de deixar a tubulação. A

124
redução da velocidade de saída do fluido pode abrandar o ruído gerado. Para
velocidades menores que 350 km/h, reduções na velocidade, dividindo-a por dois,
induzem consequentes reduções de 15 dB no som gerado.
O ar de exaustão, que sai de uma lixadeira manual pela sua empunhadura,
pode ser bastante incômodo, porém, ao utilizar outro sistema, de material poroso e
absorvedor, entre as duas telas, a turbulência diminuirá no interior da empunhadura,
reduzindo o ruído gerado pela saída dos gases.

Figura 75 - saída de gases gerando ruídos


Linhas de ar comprimido são muito utilizadas na indústria e funcionam como
uma grande fonte de ruídos. Essas linhas costumam ter velocidades acima de 350
km/h, e a turbulência de suas saídas são elevadas. A redução pela metade nesses
sistemas, levam a uma exclusão de 20 dB no ruído gerado. Se possível, é desejável
que se utilize outra linha de ar em torno da de ar comprimido, para se ter menores
variações de velocidade na saída.

Figura 76 - redução de ruído em linhas de ar comprimido


Bicos com fluxo de ar separado são utilizados em linhas de ar comprimido
com o intuito de reduzir o ruído gerado.

125
Figura 77 - bicos de linhas de ar comprimido

Outro ponto que deve ser considerado na análise de fluxos de gases é que,
quanto maior for o diâmetro dos bicos de saída, mais baixas serão as frequências
dos sons gerados – sons de baixa frequência costumam ser mais difíceis de serem
controlados.

Figura 78 - bicos de diferentes diâmetros


Em uma linha de vapor, as válvulas de alívio de pressão são acionadas várias
vezes ao dia, e emitem ruídos elevados de baixa frequência. Para solucionar esse
problema, difusores devem ser utilizados, o que criaria pequenos jatos, responsáveis
por gerar ruídos de alta frequência, que são absorvidos por materiais porosos,
normalmente colocados na saída da válvula.

126
Figura 79 - controle de ruído em válvulas de escape
Outros equipamentos muito utilizados na indústria são os ventiladores,
comumente identificados como fontes de ruídos – isso ocorre porque eles causam
turbulência no ar. Se o ar que chegar até eles tiver turbulência, os ruídos emitidos
serão mais intensos.

Figura 80 - ventiladores
O ar que chega ao ventilador pode ser desestabilizado devido a diversos
fatores, como barreiras ou curvas em uma tubulação. Isso pode ser evitado
afastando as barreiras ou fazendo com que as curvas sejam mais suaves.

127
Figura 81 - controle de ruídos em ventiladores

7.4. Ruído em dutos e tubulações


Quando o som está se propagando em dutos, qualquer mudança no caminho
percorrido leva à reflexão da energia sonora, que volta ao seu campo de origem.
Isso pode se aplicar para curvas, desvios e mudanças em volume, forma ou material
das superfícies. A figura mostra reflexões quando há mudança no volume ou quando
outro tubo lateral é adicionado.

Figura 82 - reflexão sonora em tubos

128
Em uma instalação, na qual é necessário o uso de ventilação forçada, não há
espaço suficiente para a instalação de abafadores. Para resolver o problema do
ruído gerado, é essencial o uso de várias saídas no ambiente ao invés de uma única
e, além disso, as várias curvas existentes aumentam a reflexão.

Figura 83 - instalação com o aumento da reflexão sonora


Mais uma alternativa pode ser o uso de uma câmara de expansão ao longo
da tubulação, para reduzir a propagação de sons de baixa frequência. Quanto mais
baixa for a frequência do ruído que deve ser controlado, maior deverá ser o volume
da câmara.

Figura 84 - câmaras de expansão para redução de ruídos


No projeto de um silenciador reativo, o diâmetro da câmara irá determinar
quanto do ruído será eliminado, e o comprimento influi na faixa das frequências que
serão atingidas. Quando se deseja atuar sobre uma larga faixa de frequências, é
necessário o uso de vários abafadores em sequência. Tubos perfurados também
são usados como abafadores.

129
Figura 85 - tubos com câmaras silenciadoras

Figura 86 - tubos perfurados


Os tipos mais comuns de silenciadores são os que utilizam de tubos com
materiais absorsores nas paredes. Quando se usam materiais mais grossos, as
frequências atingidas são as mais baixas. Para o controle de altas frequências, é
importante reduzir o espaço entre as paredes absorvedoras. Na figura abaixo, da
esquerda para a direita, tem-se: um tubo com absorventes espessos e grande
espaço entre as duas paredes.
• Baixas frequências: tubo com absorventes finos e espaços pequenos entre as
paredes;
• Altas frequências: tubo com uma associação dos dois casos para ambas
frequências.

130

Figura 87 - dutos com paredes revestidas

7.5. Ruído em máquinas vibratórias


Qualquer pessoa sabe que, ao se bater em uma porta, o som emitido é maior
do que quando se bate em uma parede de tijolos. Por esse motivo, máquinas que
vibram devem ser montadas sobre bases mais pesadas e rígidas.
Além disso, a vibração das máquinas deve ser isolada, quer seja separando a
máquina ou o ambiente ao redor (fig.88).
Os isolantes de vibração podem ser de diversas formas ou materiais (fig.89).

Figura 88 - isolamento de vibrações

131
Figura 89 - tipos de isolantes de vibrações
Ao selecionar uma mola para fazer a montagem de um sistema de
amortecimento, é preciso se atentar para a frequência fundamental do sistema. Se o
sistema trabalhar próximo a essa frequência, as vibrações serão intensificadas e
podem chegar a causar a ruptura dos suportes. Um conjunto de molas pode não ser
eficaz para vibrações que sejam inferiores às fundamentais. Molas com
amortecimento interno evitam o aumento das vibrações.

132
Figura 90 - molas como isolantes de vibrações
Quando um sistema, composto por máquina e molas, possui uma frequência
natural (fundamental) muito baixa, torna-se muito difícil isolar as vibrações, a não ser
que se use um piso muito rígido.

Figura 91 - reforço da estrutura para frequências naturais baixas


A melhor barreira sonora que se pode obter para sons propagando por
estruturas é o uso de bases com diversas camadas. Outra solução é o uso de bases
separadas do resto do prédio e apoiadas diretamente no solo.

133
Figura 92 - uso de pisos diretamente apoiados no solo

7.6. Ruído em ambientes fechados


Fontes sonoras não devem ser posicionadas próximas de superfícies
refletoras, como é o caso das paredes. Os piores locais são aqueles próximos aos
cantos, pois, nessas situações, existem três superfícies refletoras próximas às
fontes.

Figura 93 - superfícies refletoras


A distribuição das máquinas em uma fábrica é tal que: duas fileiras ficam
próximas das paredes do galpão, gerando, assim, ruído elevado. Alternativamente, é
possível juntar as máquinas, duas a duas, afastando-se das paredes.

134
Figura 94 - layout de uma fábrica sem e com afastamento das paredes
Quando se estuda a movimentação sonora em interiores é importante analisar
a absorção sonora. Normalmente, os bons materiais absorsores são aqueles mais
porosos, que permitem a compressão do ar quando passam através deles. Podem
ser exemplos de tais materiais borrachas e plásticos espumados, fibras têxteis,
metais sintetizados e cerâmicos. Quanto mais próximos forem os poros, mais suave
será a absorção sonora. Poros mais finos absorvem melhor as altas frequências e,
para se ter bons resultados abaixo de 100 Hz, o tamanho dos poros pode ser
impraticável. Para baixas frequências, usa-se espaço com ar atrás do absorvente.

O gráfico abaixo mostra como a espessura do absorvente e a frequência


influenciam no fator de absorção, que é a quantidade de som realmente absorvida.

Figura 95 - fator de absorção


Em um galpão de uma fábrica com muitos problemas de ruídos de baixa
frequência, são instalados absorsores eficazes para tais frequências. Numa parte do
ambiente foi possível pendurar defletores, que são bons absorsores de baixas
frequências e são facilmente instalados. Em outra parte, não foi possível utilizar o

135
Figura 97 - absorsores internos às paredes
Muitas vezes, é necessário associar absorsores com barreiras sonoras. Como
já foi dito, as barreiras são mais eficientes para controle de sons de baixa
frequência, e, quanto mais próximas da fonte e mais altas elas forem, mais eficiente
será a funcionalidade das barreiras. Caso não sejam usados absorsores,
principalmente nos tetos, a redução de ruídos será ineficaz.

Figura 98 - associação de absorsores com barreiras

7.7. Redução sonora em paredes enclausuradas


Como foi citado no início deste capítulo, o TL é o índice que determina a
perda de transmissão de um som ao passar por uma barreira. O TL de uma parede
simples e homogênea pode ser estimado com base no seu peso por unidade de
área. O gráfico abaixo mostra valores de TL em razão do peso por unidade de área
de paredes simples de diversos materiais.

137
Figura 99 - avaliação do TL em comparação com o peso por unidade de área
Paredes simples proporcionam baixa redução de ruído para certas
frequências, pois elas apresentam uma frequência conhecida como ressonante, na
qual o TL tem valores muito inferiores aos daqueles apresentados pelo gráfico. Se a
parede tiver um bom amortecimento interno, esse problema não será muito crítico.
Em uma fábrica com máquinas muito ruidosas, dois ambientes são separados
por uma parede com 25 mm de papelão e 6 mm de vidro, mas, o isolamento não é
eficiente, porque o vale ressonante ocorre a 1000 Hz. Substituindo o papelão por
duas camadas de 9 mm de gesso, o isolamento é melhorado em, aproximadamente,
10 dB. O peso por unidade de área do gesso é praticamente o mesmo do papelão,
mas o gesso tem ¼ da rigidez do papelão, por isso, a ressonância ocorre a 2500 Hz.

Figura 100 - paredes para isolamento.

138
7.8. Barreiras Acústicas
A “barreira acústica” pode ser definida como um dispositivo com massa e altura
mínimas necessárias, instalada entre uma fonte, ou fontes, sonoras e receptor, ou
receptores, do mesmo, de forma a induzir redução do nível de pressão sonora em
“decibéis”. Em áreas externas, a céu aberto, esta redução é também denominada
de perda por inserção – “Insertion Loss” (IL), e pode ser projetada utilizando os
procedimentos recomendados em normas e/ou através de métodos analíticos ou
numéricos baseados na formulação teórica do problema.

Figura 101 - Sombra acústica em barreiras

A perda por inserção (insertion loss) é definida pela diferença, em decibéis, do


nível de pressão sonora numa posição específica do receptor, antes e depois da
instalação da barreira, considerando as mesmas condições de medição e de
ambientação física, ou seja, de equivalência atmosférica, topográfica e biológica.
A barreira não precisa ser construída com grande densidade superficial (kg/m²),
uma vez que o aumento da massa superficial não implica no aumento do valor da
perda por inserção, mas deve ser de, no mínimo, 18 kg/m². Quando se considera o
fluxo de veículos no eixo rodoviário, a barreira adquire importância social face à
proteção ao ruído provocado pelo tráfego de veículos, incidido em residências,
escolas, templos, parques e outros agrupamentos comunitários sensíveis à
exposição sonora.
Assim sendo, a barreira deve possuir, além de massa mínima, certa altura,
definida por estudos e simulações que consideram o número de Fresnel, obtido em
função do comprimento de onda do som e das distâncias em torno da barreira. Este
dispositivo deve, também, atender aos aspectos paisagísticos, de exequibilidade
técnica e econômica.

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Até a década de 80 foram construídos mais de 304 km de barreiras acústicas em
cerca de 31 estados dos EUA. Tais barreiras situam-se em áreas metropolitanas e
envolveram investimentos estimados em 107 milhões de dólares. O critério prévio de
adotar altura das barreiras, de forma que o plano de vista entre fonte e receptor seja
bloqueado por sua interação, não é suficiente para a solução do problema como
evidenciado neste trabalho. No caso de barreiras finitas, a extensão destas tem sido
estimada em cerca de duas a quatro vezes a distância perpendicular até o receptor.
Por outro lado, o critério na decisão do desempenho da barreira é considerar sua
capacidade de atenuação da ordem de 10 dB (A), em que a forma de seção
trapezoidal (ou triangular de sua seção), em bermas, era coberta com vegetação. As
barreiras construídas em concreto, como a analisada neste trabalho, ou
combinações com outros materiais ou ainda com revestimentos fonoabsorventes na
face voltada para a fonte sonora, têm sido adotadas com eficiência.
A reação pública para vias com barreiras parece ser positiva. Há, embora,
uma diversidade ampla de reações específicas. Residentes adjacentes às barreiras
têm maior facilidade na comunicação, melhores condições de sono, um ambiente
mais agradável é criado, as janelas podem ficar abertas por um período maior, e as
varandas são mais usadas no verão. O benefício do silêncio é logo visto na melhora
da qualidade de vida. Seguem as reações negativas: restrição de visibilidade;
sentimento de confinamento; perda de área de circulação; perda de luminosidade; a
manutenção deficitária da barreira causa um constrangimento. Mesmo em vistas a
estas reclamações, os moradores acham que os pontos positivos do silêncio
compensam estas perdas.

Tabela 9 – Redução do Nível de Ruído por Inserção da Barreira

Redução em Nível de Ruído Redução em Energia Acústica Grau de Dificuldade


Para Obter Atenuação
5 dBA 70% Simples
10 dBA 90% Alcançável
15 dBA 97% Difícil
20 dBA 99% Quase Impossível
Fonte: U.S. Departament of Transportation

Há vários métodos computacionais para calcular esta redução, porém,


métodos mais simples para atingir o propósito da redução de ruído podem ser
obtidos analiticamente;

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Para se calcular a atenuação sonora de uma fonte sonora pontual, dado por
uma barreira de grande extensão, é necessário o cálculo do número de Fresnel, N:
2
N= ( d1 + d 2 - d )
l
onde
d é a distância entre a fonte e o receptor,
d1 é a distância entre a fonte e o topo da barreira,
d2 é a distância entre o topo da barreira e o receptor
l é o comprimento de onda

A atenuação é dada, então, com o número de Fresnel através do gráfico


acima.
Posicionamento de barreira
• Uma determinada barreira será mais efetiva se colocada perto da fonte;
• A segunda melhor posição estaria perto do receptor;
• O menor efeito acontecerá se a barreira estiver no meio do caminho.

Vegetação como uma barreira


Parece que há uma convicção amplamente segurada de que a vegetação é
um controlador efetivo de ruído. Porém, pesquisas mostram que a vegetação só é
efetiva para frequências mais altas (acima de 2000 Hz). A impedância do solo é o
fator dominante para as frequências mais baixas (125-500 Hz), com a vegetação
tendo pequeno efeito na propagação sonora de frequências médias (500-2000 Hz).

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É sugerido, por alguns pesquisadores, que espalhar o som, ao invés de absorvê-lo,
é o mais importante para frequências médias. Às frequências mais altas, porém, a
absorção assume papel dominante.
A literatura geralmente sugere que o efeito principal de vegetações é
psicológico. Ao bloquear a visão da fonte de ruído, as vegetações podem reduzir o
aborrecimento humano ao barulho. O fato de as pessoas não terem a visão de uma
rodovia pode reduzir a consciência deles/delas deste fato, embora os ruídos
continuem existindo.
Áreas grandes de vegetação podem ser efetivas, mas só em cinturões
maiores que 50 m.

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8. Bibliografia:

• Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT. NBR 10.151, Avaliação do ruído


em áreas habitadas visando o conforto da comunidade (revisão). ABNT, 1999.
• Berglund, B., et all, Guidelines for Community Noise, World Health Organization,
1995.
• Brüel & Kjaer, Environmental Noise, Brüel & Kjaer, 2000.
• Egan M. D., Architectural Acoustics, McGraw-Hill, Inc, 1988.
• Harris, C. M., Handbook of Noise Control, McGraw-HILL, 1979
• Kinsler, L.E., et al., Fundaments of Acoustics, Willey & Sons, 1982.
• Maekawa, Z., Lord, P., Environmental and Architectural Acoustics, London: E &
FN Spon, 1994.
• Reynolds, D. D., Engineering Principles of Acoustics – Noise and Vibration
Control, Allyn and Bacon, Inc.
• Templeton, D., Acoustics in the Built Environment, Architectural Press,1997.
• Valadares, V. M., Apostila de Conforto Acústico, UFMG, Escola de Arquitetura,
Disciplina TAU-018, 2000.
• Vecci, M., A., M., Apostila de Ruído Ambiental, UFMG, Escola de Engenharia.

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