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Por que não

precisamos
guardar o
Sábado????
Simplesmente porque…

– O Sábado faz parte de um concerto ou pacto entre Deus e o povo israelita:

“Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações como
pacto perpétuo. Entre mim e os filhos de Israel será ele um sinal para sempre; porque
em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, e ao sétimo dia descansou, e achou refrigério”
(Ex.31:16).
“Lembra-te (povo hebreu) de que foste servo na terra do Egito, e que o Senhor teu
Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o Senhor teu Deus te
ordenou que guardasses o dia do sábado” (Dt. 5:15, parênteses do autor).

• – Antes do concerto do Sinai Deus não ordenou a ninguém que guardasse o


Sábado:

“E ao homem disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore
de que te ordenei dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por tua causa; em fadiga
comerás dela todos os dias da tua vida” (Gn.3:17); “Pois todos quantos são das obras
da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não
permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las”Gl.3:10);
“Guardais dias(no caso o Sábado), e meses, e tempos, e anos. Temo a vosso respeito
não haja eu trabalhado em vão entre vós” (Gl.4:10-11, parêntesis nosso); “concluímos,
pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei” (Rm.3:28).

• – Jesus Cristo foi a última pessoa que teve obrigação de guardar a Lei e o
Sábado:

“mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido
debaixo de lei, para resgatar os que estavam debaixo de lei, a fim de recebermos a
adoção de filhos” (Gl.4:4-5; Rm. 10:4).

• – O Sábado faz parte da lei e esta foi por Cristo abolida totalmente:

“… e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o
qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz”(Cl.2:14); “mas
o entendimento lhes ficou endurecido. Pois até o dia de hoje, à leitura do velho pacto
(a Lei), permanece o mesmo véu, não lhes sendo revelado que em Cristo é ele (a Lei e
tudo o que nela está incluído, no nosso caso o Sábado) abolido” (II Cor.3:14). { Grifo
do autor}.
Os adventistas, para imporem a obrigatoriedade da guarda do Sábado, se valem de
argumentos infundados estabelecendo uma distinção entre a Lei Moral e Lei
Cerimonial, Lei de Deus e Lei de Moisés, dizendo que a Lei Moral ou lei de Deus se
restringe aos 10 mandamentos e continuará para sempre, e que a Lei de Moisés ou Lei
cerimonial abrange o Pentateuco escrito por Moisés e foi abolida. Essa distinção é
imprópria e inescriturística.

Vejamos:

– “É chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo
se ajuntou como um só homem, na praça, diante da porta das águas; e disseram a
Esdras, o escriba, que trouxesse o Livro da Lei de Moisés” (Ne.8:1). Observe a
expressão “o livro da Lei de Moisés”. Este mesmo livro, denominado de “Lei de
Moisés” é, a seguir, assim chamado: “E leram no livro, na Lei de Deus; e declarando
e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse”; “E acharam escrito na Lei
que o Senhor ordenará, pelo ministério de Moisés, …” (Ne.8:8; 8:14)
– “Pois Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe,
certamente morrerá” (Mc.7:10). Ora, nós sabemos pôr Êx. 20:12 que se trata do quinto
mandamento, e, no entanto, se diz que “Moisés disse”.

– “Não vos deu Moisés a lei? No entanto nenhum de vós cumpre a lei. Por que procurais
matar-me?” (Jo. 7:19). Onde a Lei proíbe o homicídio? Em Êx. 20:13, dentro dos dez
mandamentos. O decálogo é chamado por Jesus de Lei de Moisés.
O apóstolo Paulo chama o decálogo de Lei; “pois não teria eu conhecido a cobiça, se
a lei não dissera” (Rm.7:7). Para o apóstolo Lei mosaica e decálogo eram a mesma
coisa.
Essa divisão da lei em duas é artificial, sem qualquer apoio bíblico, mas fundamental
para impor a guarda do Sábado na doutrina Adventista.

• – Estamos em um novo concerto muito melhor, fazendo-se necessário à


mudança da Lei:

“Mas agora alcançou ele (Jesus) ministério tanto mais excelente quanto é mediador de
um melhor pacto (aliança ou concerto), o qual está firmado sobre melhores promessas”
(Hb. 8:6). {Grifo meu}
Faz-se, aqui, necessário uma explicação sobre o nosso novo concerto e a mudança da
Lei. Foi o próprio Cristo que instituiu a nova aliança (Mt.26:28) trazendo assim uma
nova concepção da vida espiritual que Deus quer que tenhamos. Isso foi tão profundo
que os judeus não entenderam e nem aceitaram. A lei dizia: “olho por olho, e dente por
dente”. Jesus disse: “não resistais ao mal; mas se qualquer te bater na face direita,
oferece-lhe também a outra” (Mt.5:38-39). Quanto ao Sábado, a Lei dizia que deveria
ser guardado e santificado (Ex.20:8), mas no novo pacto isso muda e o que tem que ser
guardado e santificado é o povo de Deus, não só em um dia da semana, mas nos sete.
Isso é pelo fato de o Sábado ser feito para o homem e não o homem para ser escravo do
Sábado (Mc.2:27-28). Todos os dias para os cristãos têm que ser santo e especial, pois
em qualquer um desses dias Jesus pode voltar (Mc.13:32). A nova concepção do Sábado
é muito mais profunda do que qualquer sabatista possa querer explicar, pois muitas são
as mudanças na visão dessa lei da guarda do Sábado. Em Hebreus (capítulo 4) Jesus é
o próprio Sábado e é claro que o Senhor reina em todos os dias. Para a Igreja o Sábado,
que era o dia da santificação, tornou-se todos os dias. É uma pena que os Adventistas e
sabatistas consagrem apenas um dia para o Senhor, pois A IGREJA DE CRISTO
CONSAGRA TODOS OS DIAS PARA O SEU SENHOR.
Explica o seguinte o Dr. G. Archer sobre essa problemática: “…a verdadeira questão é
se a ordem sobre o sétimo dia, o Sábado do Senhor, foi transferida (Hb.7:12), no NT,
para o primeiro dia da semana, o Domingo, que a igreja em geral honra como o dia do
Senhor. De fato, ele é também conhecido como Sábado cristão. O âmago ou cerne da
pregação apostólica ao mundo gentio e judaico, a partir do pentecostes era a ressurreição
de Jesus (At.2:32). O ressurgimento de Cristo era a comprovação de Deus, perante o
mundo, de que o salvador da humanidade havia pago o preço válido e suficiente pelos
pecadores e havia superado a maldição da morte. O sacrifício expiatório eficaz de Jesus
e sua vitória sobre a maldição da morte introduziu uma nova época ou dispensação da
Igreja (Ef.1:10). Assim como a ceia do Senhor (I Cor.11:23-34) substituiu a Páscoa
(Mt.26:17-30; Lc.22:7-23), na antiga aliança – “Porque isto é o meu sangue, o sangue
do Novo Testamento (novo concerto, pacto, aliança)”. A morte de Cristo substituiu o
sacrifício de animais no altar (Jo.19:30, Cf. Lv.), o sacerdócio arônico (Êx.28) foi
substituído pelo sacerdócio supremo de Jesus “segundo a ordem de Melquisedeque”
(Hb.7) e fez com que cada crente se torna-se um sacerdote (Ap.1:5). Também o quarto
mandamento, dentre os dez, que pelo menos em parte tinha natureza cerimonial
(Cl.2:16-17), deveria ser substituído por outro símbolo, mais apropriado à nova
dispensação – O DOMINGO “Dia do Senhor”. (Enciclopédia de Dificuldades Bíblicas,
pág. 125)

• – No novo concerto, sob qual estamos (Hb. 8:6), não existe mandamento para
guardar o Sábado embora encontremos todos os outros do decálogo.

Leiamos:

“Perguntou-lhe ele: Quais? Respondeu Jesus: Não matarás; não adulterarás; não
furtarás; não dirás falso testemunho; honra a teu pai e a tua mãe; e amarás o teu
próximo como a ti mesmo. Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado; que me falta
ainda? Disse-lhe Jesus: Se quereres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos
pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me. Mas o jovem, ouvindo essa palavra,
retirou-se triste; porque possuía muitos bens” (Mt.19:18-22).
É evidente que, na opinião dos sabatistas, uma das mais importantes doutrinas é a da
guarda do Sábado. Se realmente fosse tão importante a guarda sabática, então
seguramente teria de haver menção do mandamento no Novo Testamento. Entretanto,
todos os outros mandamentos do decálogo são repetidos muitas vezes, porém o fato é
que não encontramos o mandamento sobre o Sábado no Novo Testamento nem sequer
uma vez. No caso do jovem rico, Jesus enumerou a maioria dos mandamentos, mas
deixou de fora o mandamento sobre o sétimo dia. O grande questionamento seria o
porquê o Novo Testamento, que cita todos os demais mandamentos do decálogo, não
explicita a questão da guarda sabática.

• – O apóstolo Paulo era apóstolo dos gentios, mas nunca ensinou ninguém a ficar
guardando dias. Muito pelo contrário, ele afirmou que se alguém ficar guardando
dias o evangelho da graça é inútil para essa pessoa:

“Guardais dias (no caso o Sábado), e meses, e tempos, e anos. Temo a vosso respeito
não haja eu trabalhado em vão entre vós… Separados estais de Cristo, vós os que vos
justificais pela lei; da graça decaístes”. (Gl.4:10-11; 5:4). {Grifo meu)

• – Os sabatistas condenam quem não guarda o Sábado e afirmam que esta pessoa
não será salva.

“Foi-me mostrada então uma multidão que ululava em agonia. Em suas vestes estava
escrito em grandes letras: Pesado foste na balança, e foste achado em falta. Perguntei
(ao anjo) quem era aquela multidão. O Anjo disse: Estes são os que já guardaram o
sábado e o abandonaram. Vi que eles haviam … enlameado o resto com os pés –
pisando o sábado a pés; e por isso foram pesados na balança e achados em
falta.” (Primeiros Escritos, pág.37)

• O apóstolo Paulo dá uma dura repreensão para estas pessoas que condenam os
seus irmãos:

“Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou
cai; mas estará firme, porque poderoso é o Senhor para o firmar. Um faz diferença
entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente
convicto em sua própria mente” (Rm.14:4-5).

“Portanto não nos julguemos mais uns aos outros; antes o seja o vosso propósito não
pôr tropeço ou escândalo ao vosso irmão” (Rm.14:13).
Sabemos de dezenas de histórias de pessoas que ficaram endividadas e chegaram até a
passar necessidades e sabe porquê? Os sabatistas proibiram o irmão de trabalhar naquela
determinada firma, pois lá se trabalhava aos sábados. É impressionante como uma
doutrina chega a ser extremista e a prejudicar a comunidade.
Ainda bem que existe as verdadeiras Igrejas de Cristo para ensinar a verdade para as
pessoas. A verdade é libertadora (Jo. 8:32) e não opressora como esta doutrina. As
pessoas procuram as igrejas para tirarem o fardo pesado das costas (Mt. 11:28-30) e
muitas vezes ao chegarem lá os seus fardos não se aliviam e sim ficam mais pesados. É
o coso de quem se achega à igreja Adventista, pois quem não guarda o Sábado está fora
da comunhão e doutrina da igreja. Os líderes condenam veementes os que ali no meio
não cumprem a guarda deste dia. Isso é muito triste!

Explicando Colossenses 2:16

“Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa,
ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é
de Cristo” (Cl.2:16-17).
Para fugir à evidência de Cl.2:16-17, onde Paulo se refere ao Sábado semanal como
integrante das coisas passageiras da Lei que terminaram com a morte de Cristo na cruz,
os adventistas costumam argumentar que a palavra “Sábado” não se refere ao sábado
semanal, mas aos anuais ou cerimoniais de Lv.23. O que não é verdade, pois os sábados
anuais ou cerimoniais já estão incluídos na expressão “dias de festa”. Esta indicação
mostra positivamente que a palavra SABBATON, como é usada em Cl.2:16, não pode
se referir aos sábados festivos, anuais ou cerimoniais. Sendo assim é difícil para os
Adventistas sustentar a sua doutrina sabática, desde que temos visto que o Sábado pode
legitimamente ser tido como “sombra” ou símbolo preparatório de bênçãos espirituais
e não dogmas legalistas (vrs. 17).
30 razões para não guardar o sábado

01 - Não guardo o sábado por não ser judeu, pois o sábado é um velho concerto dado
somente aos judeus, somente aos filhos de Israel: a) “Considerai que o SENHOR vos
deu o sábado; por isso ele no sexto dia vos dá pão para dois dias; cada um fique onde
está, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia. “Assim descansou o povo no sétimo
dia”(Ex 16.29-30); b) “Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da
casa da servidão… “Lembra-te do Dia de Sábado, para o santificar.” (Ex 20.2,8).
c) “Tu, pois, falarás aos filhos de Israel, e lhes dirás: Certamente guardareis os meus
sábados; pois é sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibas que eu sou
o SENHOR quer vos santifica.”(Ex 31.13-17);

02 - Não guardo o sábado, pois, dos Dez Mandamentos, é o único incluído entre as
festas cerimoniais, solenes, que cessaram ao ter o seu cumprimento em Cristo: “Disse o
SENHOR a Moisés: “Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: As festas fixas do SENHOR,
que proclamareis, serão santas convocações: são estas as minhas festas. Seis dias
trabalhareis, mas o sétimo será o sábado do descanso solene, santa convocação;
nenhuma obra fareis; é sábado do SENHOR em todas as vossas moradas.” (Lv 23.1-
3);

03 - Não guardo o sábado, pois, dos Dez Mandamentos, é o único que é memorial dos
quatrocentos anos de servidão dos israelitas no Egito: “Guarda o dia de sábado, para o
santificar, como te ordenou o SENHOR teu Deus. “…porque te lembrarás que foste
servo na terra do Egito, e que o SENHOR teu Deus te tirou dali com mão poderosa, e
braço estendido: pelo que o SENHOR teu Deus te ordenou que guardasses o dia de
sábado.” (Dt 5.12,15).

04 - Não guardo o sábado por ter sido um sinal somente entre Deus e o povo de Israel:
“Tirei-os da terra do Egito e os levei para o deserto. “Também lhes dei os meus
sábados, para servirem de sinal entre mim e eles, para que soubessem que eu sou o
SENHOR que os santifica.” (Ez 20 10, 12)

05 - Não guardo o sábado por ser um estatuto perpétuo somente para os judeus, logo
quem não é judeu está isento de guardá-lo: “Pelo que os filhos de Israel guardarão o
sábado, celebrando-o por aliança perpétua por suas gerações. “Entre mim e os filhos
de Israel é sinal para sempre…” (Êx 31.16,17)

06 - Não guardo o sábado por não estar em Jerusalém. No sábado não se deve carregar
carga, nem introduzi-las pelas portas de Jerusalém, mas os gentios em suas terras estão
isentos disso: “Assim diz o Senhor: Guardai-vos por amor da vossa alma, não
carregueis carga no dia de sábado, nem as introduzirás pelas portas de Jerusalém” (Jr
17.21; Ne 13.16, 19, 20)

07 - Não guardo o sábado por ele ser parte da Torá que foi dada somente a Israel e a
nenhuma outra nação: “Mostra a sua palavra a Jacó, as suas leis e os seus preceitos, a
Israel. Não fez assim a nenhuma outra nação; todas ignoram os seus preceitos.
Aleluia!” (Sl 147.19, 20)

08 - Não guardo o sábado, pois se o guardasse seria condenado à morte se nele


trabalhasse: “Trabalhareis seis dias, mas o sétimo dia vos será santo, o sábado do
repouso solene ao SENHOR; quem nele trabalhar, morrerá.” (Êx 31.15; 35.1-2);

09 - Não guardo o sábado, pois, por causa do culto hipócrita, os sábados já foram
abomináveis ao Senhor: “Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para
mim abominação, e também as luas novas, os sábados e a convocação das
congregações; não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene.” (Is
1.13) Comp. Êx 31.13;

10 - Não guardo o sábado, pois ainda na Antiga Aliança já havia sido predito o seu
fim: “Farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas, os seus sábados e
todas as suas solenidades” – Os 2.11 Comp. Ez 20.10-13;

11 - Não guardo o sábado, pois Deus anteriormente o havia entregue ao


esquecimento: “E arrancou a sua cabana com violência, como se fosse a de uma horta;
destruiu o seu lugar de assembleia; o Senhor entregou ao esquecimento em Sião a
assembleia solene e o sábado; e na indignação da sua ira rejeitou com desprezo o rei
e o sacerdote.” (Lm 2.6)

12 - Não guardo o sábado, pois era uma sombra de Cristo e se cumpriu nEle:
“Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova,
ou sábados, “porque tudo isso tem sido sombra das cousas que haveriam de vir; porém
o corpo é de Cristo”. Cl 2.16,17 Conf. Lv 23.2-4; Também Hb 10.1);

13 - Não guardo o sábado, pois o Senhor Jesus disse que Ele e seu Pai trabalham nesse
dia, logo devemos seguir o exemplo de Cristo se precisarmos trabalhar em qualquer dia
sem corrermos o risco de sermos condenados: “E os judeus perseguiam a Jesus, porque
fazia estas cousas no dia de sábado. “Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora,
e eu trabalho também.” (Jo 5.16,17);

14 - Não guardo o sábado, pois o próprio Senhor Jesus o violou: “Por isso, pois, os
judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas
dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.” (Jo 5.18). João nos
declara duas coisas pelas quais Jesus era perseguido: 1ª: se dizia filho de Deus, 2ª:
violava o sábado.
15 - Não guardo o sábado, pois Jesus é o Senhor até do sábado e não lhe está sujeito
(e nem nós seus seguidores): “Ora, aconteceu atravessar Jesus, em dia de sábado, as
searas, e os discípulos, ao passarem, colhiam espigas. Advertiram-no os fariseus: Vê!
Por que fazem o que não é lícito aos sábados? Mas ele lhes respondeu: Nunca lestes o
que fez Davi, quando se viu em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros?
Como entrou na Casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães
da proposição, os quais não é lícito comer, senão aos sacerdotes, e deu também aos
que estavam com ele? E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem,
e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do Homem é
Senhor também do sábado.” (Mar.2:23-28). Conf.: Num. 28:9,10 / Ex.34:21;

16 - Não guardo o sábado, pois quem o guarda, deve guardar TODA A LEI (TORÁ).
Quando se diz: TODA, inclui a moral e cerimonial, e não somente os Dez
Mandamentos: “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça num só ponto, torna-
se culpado de todos.” (Tg 2.10).

17 - Não guardo o sábado, pois faz parte de uma lei caduca que está prestes a
desaparecer: “E, de fato, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei
nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, não segundo a aliança que fiz
com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os conduzir até fora da terra do
Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o
Senhor. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles
dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração
as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E não ensinará jamais
cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor;
porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior.
Pois, para com as suas iniquidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais
me lembrarei. Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se
torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer.” (Hb 8.8-13)

18 - Não guardo o sábado, pois faz parte do Antigo Testamento que foi abolido por
Cristo: “Mas os seus sentidos foram endurecidos; porque até hoje o mesmo véu está por
levantar na lição do Velho Testamento, o qual foi por Cristo abolido” (2Co 3.14
– Almeida Rev. e Corr.)

19 - Não guardo o sábado, pois faz parte do ministério de morte que foi escrito em
tábuas de pedra: “Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por
nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra,
mas nas tábuas de carne do coração.” (2Co 3:3 ). “E, se o ministério da morte, gravado
com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam
fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória,
Como não será de maior glória o ministério do Espírito?” (2Co 3:7,8).

20 - Não guardo o sábado, pois ele era o 4º mandamento escrito na tábua de pedra. Na
lei da Nova Aliança, que não está escrita em tábuas de pedra, mas nas tábuas da mente
e do coração (Heb.8:8-10), não há um mandamento expresso, no sobre a guarda de um
dia, pois todos os dias são iguais perante Deus (Rom.14:1-6): “Um faz diferença entre
dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua
própria mente. “Quem distingue entre dia e dia, para o Senhor o faz…” (verso 5, 6a);

21 - Não guardo o sábado, pois Jesus é o nosso Sábado (descanso), pelo qual o sábado
da lei era somente uma sombra: “Vinde a mim todos os que estais cansados e
sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” (Mt 11.28) Conf. Co 2.16,17.

22 - Não guardo o sábado, pois o apóstolo dos gentios se mostrou decepcionado e


repreende quem guarda os dias, meses, tempos e anos da Antiga Aliança: “Mas agora
conhecendo a Deus, ou antes sendo conhecidos por Deus, como estais voltando outra
vez aos rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis ainda escravizar-
vos? “Guardais dias, e meses, e tempos e anos. “Receio de vós que tenha eu trabalhado
em vão para convosco.” (Gl 4.9-11);

23 - Não guardo o sábado, pois Deus disse que ninguém mais entraria no seu descanso:
“Porque em certo lugar assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou Deus, no
sétimo dia, de todas as obras que fizera. “E novamente, no mesmo lugar: Não entrarão
no meu descanso.” (Hb 4.4,5);

24 - Não guardo o sábado, pois outro dia do Descanso, não legalista, já havia sido
predito por Josué: “Ora, se Josué lhes houvesse dado descanso, não falaria
posteriormente a respeito de um outro dia.” (Heb. 4:8)

25 - Não guardo o sábado no sétimo dia, pois temos um outro Sábado superior,
chamado em grego de ‘PRIMEIRO DOS SÁBADOS” (μιᾷ τῶν σαββάτων (MIA TÔN
SABBATÔN) que é o dia em que nosso Senhor nos deu descanso ao ressuscitar.
“No findar dos sábados, ao amanhecer para o primeiro dos sábados (μιᾷ τῶν
σαββάτων), Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.” (Mt 28.1 –
tradução literal do grego. Também: Mc 16:2, Lc 24:1, At 20:7 e 1Co 16.2). “Havendo
ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria
Madalena, da qual expelira sete demônios.” (Mc 16.9)

26 - Não guardo o sábado, pois o Senhor Jesus, após ressuscitar, nas primeiras semanas
apareceu aos seus discípulos somente no primeiro dia da semana: a) Falou com Maria
Madalena que depois foi a primeira a anunciar as Boas Novas (Jo 20.11-18); b)
Apareceu a dois discípulos no caminho de Emaús (Mc 16.12,13; Lc 24.13,ss); c)
Apareceu aos seus dez discípulos (Jo 20.19); d) Uma semana depois, aos onze (Jo
20.26);

27 - Não guardo o sábado, pois a vinda do Espírito Santo, que se deu no dia de
Pentecostes, foi no Domingo anunciando a nova era da Igreja (Atos 2:1-4, compare com
Lev. 23:15,16), onde aconteceu o primeiro sermão evangelístico (cap. 2:14) com quase
3.000 conversos (verso 41) e o primeiro Batismo Cristão (versos 38 a 41);
22 - Não guardo o sábado, pois o primeiro, pois o culto cristão com a Ceia do Senhor
era celebrado na igreja primitiva no Domingo (Atos 20:7); confira na Epístola de
Barnabé 15.8, 9 e Didaquê 14:1, escritos cristãos primitivos.

29 - Não guardo o sábado, pois era costume apostólico se fazer a coleta cristã somente
no Domingo (1Co 16.2) poucas horas antes do culto dominical;

30 - Não guardo o sábado, pois o primeiro dia da semana foi chamado por João, o
teólogo, de “Dia do Senhor” que em grego é Κυριακη‘ημερα (KYRIAKÊ HÊMERA =
lat.: DOMINICUS DIE, port.: DIA DE DOMINGO) em Apocalipse 1.10. KYRIAKÊ foi
o nome registrado pelos primitivos escritores eclesiásticos para o Domingo e continua
sendo o nome do primeiro dia da semana na Grécia, desde o segundo século até o dia
de hoje.
Resumo da Seita Adventista
Foi fundada oficialmente em 1863, 21 anos após o Movimento Millerita (evento
ocorrido no ano de 1844). Hoje está entre as principais denominações religiosas do
mundo, estando presente em quase todas as nações do globo.

O termo “adventista” refere-se à crença no advento da volta profetizada de Cristo à


Terra em 1844, ou seja, na segunda vinda de Jesus. O termo “sétimo dia” é uma
referência à crença do sétimo dia da semana como sendo o dia da semana que Deus
estabeleceu para o descanso físico e espiritual do homem – no Adventismo não guardar
esse dia compromete a soteriologia, ou seja, não tem salvação sem a guarda do sábado!

Embora o nome “Adventista do Sétimo Dia” tenha sido escolhido em 1860, a


denominação oficialmente foi organizada em 21 de maio de 1863, quando o movimento
já se compunha de cerca de 125 igrejas e 3.500 membros – esses membros oriundos dos
crentes na falsa profecia de Miller da volta literal de Cristo à Terra.

William Miller, um agricultor, converteu-se à Igreja Batista e começou a estudar


intensamente a Bíblia. Utilizando uma Bíblia e um material de estudo de textos bíblicos
conhecido como Concordância de Cruden, concluiu que o Santuário descrito na profecia
de Daniel 8:14 referia-se à Terra e a purificação do mesmo ao retorno de Jesus. Fazendo
uso de um método de interpretação de profecias bíblicas conhecido como princípio dia-
ano, concluiu que as “2300 tardes e manhãs” referidas, iniciavam-se em 457 a.C e se
cumpriam entre março de 1843 e março de 1844. Como o fato não ocorreu (a volta de
Jesus), o movimento tornou-se desacreditado e até hoje esse fato é vergonha para a
Igreja Adventista.

Samuel S. Snow, ministro protestante milerita, concluiu que a purificação do santuário


descrita na profecia ocorreria de acordo com o calendário judaico dos caraítas em 22 de
outubro de 1844. Isso deu vida nova ao engodo, mas também nada aconteceu nesse dia
– todavia aqui surgi outro personagem para transformar outro engodo em verdade, ele
se chama Hiram Edson.

Hiram Edson, para fugir da alegação de “falsos profetas”, desde que anunciaram a
segunda vinda de Jesus à terra e tal não se deu (Atos 1.7), arrumou uma escapadela,
visualizou a segunda vinda de Jesus, que, teria na verdade saído do primeiro
compartimento do santuário celestial, e entrado no segundo no dia 22 de outubro de
1844 ! e não voltado a Terra como achava Miller – assim iniciou- se um grande embuste
teológico chamado Juízo Investigativo.

Enquanto a maioria dos Milleritas acabaram por desanimar, vários grupos continuaram
estudando a bíblia e constataram, como visionou Hiram Edson, que a profecia não
tratava da volta de Cristo e sim de eventos celestiais relatados no livro de Hebreus. Um
desses grupos foi liderado pelo capitão aposentado Joseph Bates e pelo casal James
White e Ellen G. Harmon (depois White).

Joseph Bates foi convencido sobre a guarda do Sábado como o sétimo dia Sagrado,
através de contato com os Batistas do Sétimo Dia, através de Rachel Oakes. Bates
organizou confêrencias sabatistas em New Hampshire a partir de 1846.

Em 1844, Ellen G. White teve sua primeira visão. Durante seu ministério (1844-1915)
ela escreveu cerca de 100.000 páginas e teve 2.000 sonhos e visões. Alguns defendem
que partes do seu acervo nunca passou de plágio de outros autores. Além de dezenas de
falsas profecias proferidas por ela, profecias que até hoje os Adventistas não conseguem
explicar seus fracassos com o devido teor de convencimento.

Igreja Adventista do Sétimo Dia no Brasil

No Brasil o adventismo chegou em 1884 através de publicações que chegaram pelo


porto de Itajaí com destino a cidade de Brusque, no interior de Santa Catarina. Em maio
de 1893 chegou o primeiro missionário adventista, Alberto B. Stauffer que introduziu
formalmente através da Colportagem os primeiros contatos com a população. Em abril
de 1895 foi realizado o primeiro batismo em Piracicaba, SP, sendo Guilherme Stein Jr
o primeiro converso.

Inicialmente os estados brasileiros com maior presença germânica foram atingidos pela
literatura adventista. Conforme informações repassadas pelo pastor F Westphal, a
primeira Igreja Adventista do Sétimo Dia em solo nacional foi estabelecida na região
de Gaspar, em Santa Catarina, em 1895, seguida por congregações no Rio de Janeiro e
em Santa Maria do Jetibá, no Espírito Santo, todas no mesmo ano.

Com a fundação da gráfica adventista em 1905 em Taquari, RS (atual Casa Publicadora


Brasileira localizada em Tatuí-SP), o trabalho se estabeleceu entre os brasileiros e se
expandiu em todos os estados. A primeira Escola Adventista no Brasil surgiu em 1896
na cidade de Curitiba. Em 2005 somam-se 393 escolas de ensino fundamental e 118 do
ensino médio com o total de 111.453 alunos e seis instituições de Ensino Superior (IES)
com mais de cinco mil alunos que tem no Centro Universitário Adventista de São Paulo,
sua matriz educacional. O UNASP como é conhecida esta IES, surgiu em 1915, em
Capão Redondo, SP e hoje conta com três campi: na cidade de São Paulo, em
Engenheiro Coelho e Hortolândia.

Em 1960, surge o primeiro Clube de Desbravadores (departamento juvenil da IASD) na


cidade de Ribeirão Preto.

No Brasil são 1.600.000 membros da IASD em 2008 sob a coordenação de seis Uniões
que administram as Associações e Missões. As instituições da IASD do Brasil e de sete
países latino-americanos formam a Divisão Sul Americana, com sede em Brasília, DF.
A Idolatria
Idolatria tem origem nas palavras: Eidolon (imagem) + latreia (culto). A
princípio, poderíamos achar que se trata apenas do culto a imagens. Mas ultrapassa isso:
repare que, hoje em dia, alguém diz que o cantor tal é seu ídolo. E não está incorreto.

O catolicismo alega que ídolo é um objeto inanimado ao qual se atribui vida própria e
poder. Seria uma imagem pagã, um deus. Em vista disso, dizem que não podemos
classificar de deuses os “santos” nem à estátua destes, porque eles não são o Criador do
Universo nem o Juiz de vivos e de mortos, tanto que não – por ser adoração – não podem
receber culto de latria, devido só a Deus. Mas não é bem assim. A Bíblia diz que:

“… a avareza… é idolatria” (Cl 3.5).

Não foi mencionado, aí, o caso de objeto inanimado nem de deus pagão. Trata-se do
apego que alguns têm ao dinheiro. Perguntamos: Então a avareza é o Criador dos céus
e da terra ou o Julgador de vivos e de mortos para receber culto de latria? É certo que
não. Ela nem tem como ser esculpida.

Analisemos mais dois versículos:

“… O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre…” (Fp 3.19),

Esse é o motivo por que a gula está incluída entre as obras da carne, que impedem o
homem de herdar o reino de Deus (Gl 5.19,21). É o que acontece com quem usa mal ou
com ganância o poder:

“… fazem-se culpados estes cujo poder é o seu deus” (Hc 1.11).

Concluímos que idolatria vai além do amor a imagens pagãs ou não-pagãs, além de se
querer atribuir vida e poder a um objeto inanimado. Ídolo é qualquer coisa ou pessoa
que colocamos no fundo do coração, em primeiro lugar, depositando nela grande
confiança, o que faz dela um deus (com “d” minúsculo). Sendo assim, idolatria pode ser
a dedicação a uma imagem, a um ídolo, a um líder religioso, a um deus, a um “santo”,
ao ventre, ao poder e a seres ou coisas concretas ou não, reais ou imaginárias, uma vez
que até deuses pagãos são criações da mente. É possível idolatrar-se um emprego, um
automóvel, um filho e a nós ou a atitudes nossas, o que faz com que Deus perca a
primazia.

A idolatria é tão detestável que – quando o povo que acompanhava Moisés pelo deserto
convenceu Arão a esculpir um animal, este “edificou um altar diante dele (do bezerro
de ouro) e, apregoando, disse: Amanhã será festa ao Senhor”, ou seja, “será festa a
Yahweh” (Êx 32.5), ao Deus verdadeiro de Israel (e não ao deus Ápis, do Egito, que era
um boi) –, o Altíssimo, ao invés de se alegrar, se irou, pois não gosta de ser representado
em forma astros, estrelas, de animal, seres humanos, aves, quadrúpedes nem de répteis.
Ele detesta que tentem reproduzi-lo. O capítulo 1 de Romanos diz que, por esse
comportamento, entregou homens e mulheres a desejos carnais reprováveis.
Não obstante isso, a televisão exibiu a cidade de Trindade, em Goiás, onde sacerdotes
participam de procissões com uma imagem composta de quatro figuras: de Jesus, do
Espírito Santo (simbolizado por uma pomba), de Deus (com a aparência de um velho)
e de Maria. Note que a mãe de Jesus está entre eles. Desse jeito, já não teríamos uma
Trindade, mas um Quarteto.

O catolicismo, para se defender da condenação que está nos Dez Mandamentos, diz que
imagens católicas são como fotografias de nossos parentes, servindo para nos
lembrarmos dos santos homens do passado. Entretanto não nos encurvamos perante
fotos de familiares nem oramos a elas ou defronte delas nem confiamos nelas. Mas o
Decálogo proíbe fotografias usadas para esse fim. Como pode ser, se elas não haviam
sido inventadas? Devemos estar atentos a que no segundo Mandamento (Gn 20.4-6),
indevidamente omitido nos catecismos católicos, está escrito: “Não farás para ti imagem
de escultura, nem semelhança (ou figura) alguma do que há em cima nos céus, nem
embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás nem lhes darás culto;
porque eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos
filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até
mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”. Convém
lembrar que não se poderia omitir um jota ou til da Lei de Deus (Mt 5.18) e que as
imagens de “santos”, que os católicos possuem, são de indivíduos que, acreditam eles,
estariam “em cima nos céus”. Mas podem nem estar lá.

Imagem não é sinônimo de escultura, tanto que aí está “imagem de escultura”, isto é,
imagem em formato de escultura. A proibição abrange semelhança, que, em certas
traduções, está figura. Não existiam fotografias, mas as pessoas ou animais podiam ser
retratados por pinturas, desenhos, esculturas e, hoje, por fotos.

O erro não está na imagem ou figura em si, mas no culto que alguns oferecem a elas até
sem notar. Nenhum evangélico condena esculturas nem gravuras de Santos Dumont, de
D. Pedro II, etc., por ninguém se ajoelhar ante elas. Mas, se alguém o fizer, serão
condenadas da mesma forma.

O segundo Mandamento contém promessa, mas, por outro lado, maldição até aos
descendentes de quem o transgride. Se é vedada a fabricação desse tipo de imagens,
incabível o argumento de que poderiam ser usadas como retratos. Ao esculpi-las (“Não
farás…”) o artífice já é um transgressor da Lei de Deus. E quem as compra se transforma
em cúmplice dele. Venerá-las é mais sério do que muitos pensam.

O catolicismo diz que Deus não condena imagens como as católicas, mas ídolos, no
sentido, como vimos, de objetos aos quais o povo atribui vivência. Todavia as
encontradas na Igreja Romana são ídolos. Ainda que não o fossem, a reprovação bíblica
atinge ídolos (Êx 32; 2 Rs 21.11; Sl 115.3-9; 135.15-18; Is 2.18; At 15.20; 21.25; 2 Co
6.16) e imagens (Êx 20.1-6; Nm 33.52; Dt 27.15; Is 41.29; Ez 8.9-12). Prestemos
atenção à clareza deste versículo:
“Não fareis para vós outros (1) ídolos, nem vos levantareis (2) imagem de escultura nem
(3) coluna, nem poreis (4) pedra com figuras na vossa terra, para vos inclinardes a ela;
porque eu sou o Senhor vosso Deus” (Lv 26.1).

A proibição é geral: não foi feita exceção para “santos”. O catolicismo alega que Deus
permite imagens porque determinou a Moisés esculpir uma cobra no deserto (Nm 21.8)
e a Salomão construir querubins para o propiciatório da Arca da Aliança (1 Rs 6.23).
Não ensinam é que a escultura desse réptil foi feita em pedaços pelo rei Ezequias, porque
o povo passou a lhe dedicar incenso, como ocorre hoje em templos, inclusive em
procissões, nem ensinam que os querubins – uma classe de anjos, com quatro asas,
quatro faces: de homem, boi, leão e águia e planta dos pés semelhante à de bezerros –
não podiam ser cultuados pelos judeus. A imagem deles, um enfeite permitido como a
palmeira o era, foi colocada no Santo dos Santos, onde somente o Sumo Sacerdote podia
entrar, uma vez por ano (Hb 9.3-7); não havia como ser vista nem venerada. Eles
exprimiam a presença de Deus. Quanto à cobra de bronze, devemos refletir que, tendo
sido construída por determinação direta de nosso Pai Celeste e este não a tenha mandado
destruir, quem a despedaçou teve sua postura considerada reta por ele (2 Rs 18.4). Hoje
quantos subterfúgios criam para manter, até em templos, obras elaboradas por vontade
humana. Não é porque Deus mandou fazer algo, que nos vemos no direito de imitá-lo.
É muito diferente quando ele diz “não farás para ti imagens” e quando determina que
sejam feitas por sua exclusiva vontade. Ele sabe o que é melhor para nós. E, como
Senhor que é, pode determinar o que quer. Veja: É do desejo dele que o adoremos, mas
nem por isso poderemos reivindicar o direito de nos adorar; Ele quer que o amemos
sobre todas as coisas, mas não aprova que o façamos em relação a nós mesmos.

Imagens geram controvérsias até dentro do catolicismo. Em 730 foram incentivadas;


Em 731 houve excomunhão de seus destruidores; Em 754 o Sínodo de Hieréia foi
favorável à sua destruição ao decidir: “Representar imagens de Cristo, além de
impossível é prejudicial, já que estas imagens separariam a humanidade da divindade e
seu culto seria fatalmente desencaminhado”; Em 787 foi oficializado seu culto; Em 794
voltaram atrás, dizendo que não deveriam ser veneradas, servindo para lembrança; Em
843 voltou o culto a elas. O Concílio de Trento (Sess. 25), realizado em 1546, deliberou
que “as imagens de Cristo e da Virgem Maria, Mãe de Deus, e de outros santos devem
ser possuídas e guardadas, especialmente nas Igrejas e devem ser alvo de honra e
veneração.” Interessante é que as decisões dos concílios e dos papas, consideradas
infalíveis – isso é idolatria –, são sempre retificadas.

Ao dizermos a católicos que imagens não podem ser adoradas, eles, instruídos por seus
líderes, retrucam que não as adoram; o que fazem é prestar veneração aos “santos” que
elas representam. Esse argumento é uma evasiva ou desconhecimento, uma vez que a
decisão do concílio mostra que determinam a veneração a elas sim.

Falando em veneração, vamos analisar de que se trata. Segundo o catolicismo, o culto


se divide em dois: 1) Culto de adoração = latria, que só pode ser outorgado a Deus; b)
Culto de veneração, que, por sua vez, é subdividido em dois: dulia, destinado a “santos”
e a anjos, e hiperdulia, dedicado a Maria.

Como se vê, a veneração a “santos”, anjos e até a imagens é um culto. E no 2°


Mandamento está: “Imagens… não as adorarás, nem lhes darás culto” e Jesus, dirigindo-
se a Satanás, disse: “Vai-te Satanás… Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás
culto” (Mt 4.10). Satanás, nessa passagem, não era nenhuma imagem de escultura, mas
um ser, um anjo. Por conseguinte, a Bíblia proíbe, sem sombra de dúvidas, a veneração
a “santos”, anjos, a seres de modo em geral e a imagens. Culto deve ser dado a Deus.

Pesquisando em dicionários, constataremos que culto, adoração e veneração podem ser


usados como sinônimos. E vamos mostrar o engano do catolicismo quanto à maneira de
interpretá-los.

O vocábulo latria (latreia), traduzido como adoração – que, com acerto, dizem ser
exclusividade de Deus – é, na verdade, a cerimônia do culto exterior, a religião externa,
o encurvar-se ou se prostrar; já dulia (douleúo), trasladado para nosso idioma como
culto – que ensinam, de maneira equivocada, ser reservado a “santos” e a anjos –,
significa servir, ser servil, trabalhar. Qual é mais importante: a cerimônia, o ritual, o ato
externo, ou o servir, que é partido do íntimo, dedicação, serviço? É claro que servir
(cultuar) está acima de rituais (adoração).

Para não parecer que estamos inventando, eis o que constatamos, em Êxodo 20.5, na
Bíblia Sagrada da Edição Palavra Viva e na Bíblia de Jerusalém, ambas católicas, com
respeito a imagens e figuras:

“Não te prostrarás diante delas” (BPV) nem as “… servirás” (BJ);

Mas na Bíblia editada pela Barsa esse texto está:

“Não as adorarás nem lhes darás culto”.

Compare: 1) Nas duas primeiras está prostrarás, porém na outra está adorarás. Portanto,
prostrar (encurvar) é, para eles, adorar; 2) Na Bíblia de Jerusalém consta servirás, mas
na editada pela Barsa está culto.

Confirmemos com outros versículos: Veja cultuar, com o significado de servir: “Não
podeis servir (douleuein) a Deus e às riquezas” (Mt 6.24). Agora adorar, mostrando
tratar-se de ato externo: “Observai este culto (latreia) e quando vossos filhos vos
perguntarem que significa este culto (latreia)…” Conseguimos observar o que é exterior.

É bom frisar que, no catolicismo, Maria recebe culto de hiperdulia, que não é uma
simples honra, mas um hiper serviço, ao passo que a Deus é dada somente adoração.

Há padres que dizem só ser proibida imagem de Deus, mas vimos que na cidade de
Trindade apoiam a de Deus, visto como um falho e limitado ser humano velho, em
decadência. E na abóbada da capela Sistina, no Vaticano, local em que os cardeais se
reúnem para eleger o papa, existe um afresco de Deus. Eles poderão alegar que não os
adoram, mas Deus proibiu representá-lo, ainda que sem fins de adoração. E podemos
dizer que o catolicismo, que diz que ídolo é um objeto inanimado ao qual se atribui vida
própria, acaba conferindo-a a um objeto feito de trigo: a hóstia consagrada. Tendo
conhecimento de que ele prometeu que voltará, em corpo, uma segunda vez (Hb 9.28),
adoram-na, chamam-na de Santíssimo, e dizem ser ela Jesus, em carne, osso, espírito e
divindade. Eis a idolatria, hostiolatria. Se Cristo voltasse, corporalmente, em todas as
missas e ficasse imóvel em ostensórios, as Escrituras estariam erradas, porque ele já
teria voltado e, por sinal, bilhões de vezes.

Diz a Bíblia que “os ídolos são como espantalhos em pepinal, e não podem falar;
necessitam de quem os leve, porquanto não podem andar: não tenhais receio deles, pois
não podem fazer o mal, e não está neles o fazer o bem” (Jr 10.5). O Salmo 115 (ou 113-
B da BJ) diz que eles têm boca, e não falam; têm olhos e não veem; têm nariz, e não
cheiram. Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam.”
Cremos que não há quem atribua vida a espantalhos.

Lendo os livros bíblicos, muitas vezes encontramos que cidades ou pessoas praticavam
prostituição. Nem sempre a referência é a relações sexuais ilícitas, mas à idolatria. Por
quê? Porque Deus se diz o marido da Igreja, que não é um templo de tijolos, concreto e
ferro. Igreja somos nós, que passamos a ser templos vivos. Ora, se ele é o marido dela
e seus membros praticam idolatria, ou, explicando, servem, admiram, se prostram,
fazem orações e promessas a outrem, ele se considera um esposo traído. Quem trai o
cônjuge está praticando prostituição.

Provado está que é ilícito adorar, cultuar ou venerar imagens e pessoas vivas ou mortas,
sejam santas ou não. Se alguém alegar que apenas reza ao “santo” que está nos céus,
dizemos que esse modo de agir também é adoração. Segundo ensina o catolicismo,
adorar vem de adorare, que significa fazer oração. Se orar é adorar, com o que não
discordamos, ao se rezar a um “santo” ele estará sendo adorado.

Quem pratica qualquer dessas condutas mencionadas está, quer queira quer não, quer
concorde quer não, praticando idolatria, que é um pecado abominado por Deus. Ele quer
que confiemos nele e que dirijamos nossas súplicas a ele, que o adoremos, o cultuemos
e o veneremos com exclusividade absoluta. Sua honra e sua glória não podem ser
divididas com ninguém (Is 42.8). Na Bíblia está escrito que Deus lança para longe de
diante dele, ou de seu povo, aquele que consultar mortos (Dt 18.11). E sabemos que são
falecidos todos os “santos” a quem são feitas rezas. Se eles tivessem a possibilidade de
ouvir as que lhes são dirigidas em todas as partes do globo terrestre, às vezes até em
pensamento e no mesmo instante, teriam de ser oniscientes (ter ciência de tudo) ou
onipresentes (estar presentes em todos os lugares), contudo esses são atributos
específicos do Todo-poderoso. Ele tem ciúme de nós (Tg 4.5). Em vista disso, recorrer
a “santos” é lhes atribuir poderes de Deus, considerando-os deuses. De novo, a idolatria.
Santos mortos não sabem o que aqui se passa.
“… ao Senhor, vosso Deus, temereis, e ele vos livrará das mãos de todos os vossos
inimigos. Porém eles não deram ouvidos a isso; antes, procederam segundo o seu antigo
costume. Assim, essas nações temiam o Senhor e serviam as suas próprias imagens de
escultura; como fizeram seus pais, assim fazem também seus filhos e os filhos de seus
filhos, até ao dia de hoje” (2 Rs 17.39-41).

É lamentável que todos os distritos e cidades de nosso País, muitas propriedades


agrícolas e pontos comerciais ou industriais sejam dedicados a um deus, a um “santo”.
Têm devoção a eles, considerando-os padroeiros, o que nos traz graves consequências.
E, depois, o povo que aprova esse procedimento se queixa.

“… ó Judá, segundo o número das tuas cidades, são os teus deuses… Tu, pois, não ores
por este povo, nem levantes por eles clamor nem oração; porque não os ouvirei quando
eles clamarem a mim, por causa do seu mal” (Jr 11.13-14).

Devemos, por amor ao idólatra, conscientizá-lo de seu erro. Conformarmo-nos com a


idolatria, jamais.

(A Editora Getsêmani, R. Leopoldina Cardoso, 326, Dona Clara, Belo Horizonte, MG,
CEP 31260-240, publicou os seguintes livros do autor deste artigo: A Mãe de Jesus; O
Sacrifício da Missa; As Imagens; As Tradições; A Pedra Fundamental; O Rosário).
A Eucaristia
Católica
“Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis
anunciando a morte do Senhor, até que ele venha.” I Co 11.26

A Eucaristia é o dogma Católico com o qual os fiéis têm um maior relacionamento. O


sacramento eucarístico é ministrado em toda e qualquer celebração da missa, seja uma
missa normal ou com algum objetivo em especial.

A Eucaristia é considerada o ápice da celebração da missa. É o momento do sacrifício,


sentido único da missa. Neste momento, os fiéis seguem um rito repetido a cada missa,
esperando o momento da distribuição da hóstia consagrada, que é levada à boca e
engolida sem poder ser mastigada.
Nós Evangélicos compartilhamos de tal ensinamento de Jesus com os Católicos. No
entanto, nossa Ceia é diferente em essência e propósito. Neste capítulo, eu gostaria de
mostrar as razões de tal diferenciação, comparando a doutrina Católica eucarística com
a doutrina da Ceia do Senhor disposta na Bíblia.

Antes de prosseguirmos, devemos nos familiarizar com três termos que serão muito
usados neste capítulo:

Hóstia

A Hóstia é a substituta do Pão da ceia. Trata-se de um pão ázimo (ou sem fermento)
circular, de cerca de 3 cm de diâmetro para os fiéis e 7,8 cm de diâmetro para os
Sacerdotes, feito com farinha de trigo e água. Existem vários tipos de hóstia, com vários
desenhos. A mais comum contém três letras: JHS. Estas três letras, vem do latim Iesus
Hominun Salvator que significa “Jesus Salvador dos Homens”. É muito conveniente tal
nome, pois segundo ensina o Catolicismo, é este “pão ázimo circular” que vai se
transformar em Cristo.

Vinho

O vinho foi usado durante muitos anos na Eucaristia Católica até o Concílio de Trento,
onde o pão passou a ser o único emblema na Eucaristia. Mesmo assim, me lembro de
que, quando ainda era católico, ter estado presente em uma missa onde o sacerdote dava
o pão e o vinho aos fiéis. Não sei se esta prática é comum em outras paróquias, mas
como doutrina oficial, só o pão deve ser usado, deixando o vinho apenas para o
sacerdote.

O vinho, segundo a doutrina Católica, se transforma no sangue de Jesus.

Transubstanciação

Transubstanciação é exatamente o que a palavra sugere: uma mudança de substância.


Segundo ensina o clero Católico, a Hóstia consagrada muda de substancia passando de
pão para a carne, alma e divindade de Jesus Cristo. Como essa mudança acontece? Isso
ninguém sabe, nem o clero Católico se atreve a tentar dar uma explicação. É por isso
que quando o Sacerdote termina a consagração da hóstia ele ergue o artefato e diz: “Eis
o mistério da nossa fé”. Este dogma está em vigor oficialmente desde 1215 d.C e é um
dos dogmas mais enraizados nos fiéis Católicos.

Nas próximas páginas, iremos analisar o dogma eucarístico Católico à luz da Bíblia
procurando encontrar a verdade à respeito da Eucaristia instituída por Jesus. Peço que o
caro leitor leia com atenção e examine cada argumento e cada ideia de forma sincera,
sabendo que toda a verdade está contida na Palavra de Deus, pois “Lâmpada para os
meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho” (Sl 119:105).

Repetindo o sacrifício de Cristo

“Quando a Igreja celebra a Eucaristia, rememora a páscoa de Cristo, e está se toma


presente: o sacrifício que Cristo ofereceu uma vez por todas na cruz torna-se sempre
atual: “Todas as vezes que se celebra no altar o sacrifício da cruz, pelo qual Cristo
nessa páscoa foi imolado, efetua-se a obra de nossa redenção.””

Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1364

“Na Eucaristia, Cristo dá este mesmo corpo que, entregou por nós na cruz, o próprio
sangue que “derramou por muitos para remissão dos pecados” (Mt 26,28).”

Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1365

Jesus instruiu a Ceia como uma lembrança de sua morte da mesma forma que a páscoa
era celebrada pelos Judeus para lembrar a saída de Israel do Egito. A Igreja Católica
acrescenta muitos outros significados a esta celebração como veremos a seguir.

A Bíblia ensina que Jesus ofereceu-se uma só vez para lavar os pecados: “também
Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos,” (Hb 9:28). A Igreja
Católica sabe disso, no entanto, ela afirma que “O sacrifício de Cristo e o sacrifício da
Eucaristia são um único sacrifício” (Catecismo da Igreja Católica, 1368). Isto é, a cúria
Romana ensina que o sacrifício realizado nas missas é o mesmo que Cristo ofereceu no
calvário. Na eucaristia, o único sacrifício de Cristo é repetido todos os domingos e festas
de guarda.

A questão aqui está no significado da Eucaristia. Alguns dizem que Eucaristia e Santa
Ceia não têm diferença, mas eu creio que sim. Nós Evangélicos acreditamos que a ceia
foi instituída para lembramos do sacrifício de Jesus no calvário, sua ressurreição em
prol de nossa salvação e de sua eminente volta. Ensina a Igreja Católica que a Eucaristia
é um sacrifício que tem poder de perdoar pecados e dar a vida eterna. Como se vê
claramente, as duas diferem em essência e propósito. Falaremos da essência mais à
frente, mas agora vamos entender o propósito da Ceia.
A palavra no original grego em Lc 22:19 para memória é anamnesis (do original grego
“αναμνησιν”) que significa relembrar, trazer à memória, lembrar-se. Esta palavra só é
usada nos versos que tratam da Ceia (Lc 22 e 1Co 11).

Podemos concordar com o Catolicismo ao dizer que rememoramos a morte de Cristo,


mas não podemos concordar que o sacrifício se torna presente, isto é, esteja acontecendo
naquele momento. Paulo, em 1Co 11:23-34, fala sobre a Ceia, mas não fala nada sobre
um sacrifício de Cristo que se torna presente. A Ceia tem muito a ver com a páscoa
judaica, mas os Judeus não comemoravam a páscoa como se ela se tornasse presente.
Os Judeus comemoravam a páscoa para se lembrarem do dia em que Deus matou os
primogênitos do Egito causando a libertação do povo de Israel; como Deus disse a
Moisés: “E este dia vos será por memorial,” (Êx 12:14). Deus ainda exemplifica
claramente: “E quando vossos filhos vos perguntarem: Que quereis dizer com este
culto? Respondereis: Este é o sacrifício da páscoa do Senhor, que passou as casas dos
filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios, e livrou as nossas casas.” (Êx 12:26-
27).

O livro de Hebreus nos fala de uma forma bem explícita sobre este assunto. A Igreja
Católica frequentemente utiliza termos judaizantes para inferir a Eucaristia (sacrifício,
sacerdote, altar e etc), portanto, o livro de Hebreus se encaixa perfeitamente na refutação
das ideologias Católicas. Vamos analisar alguns textos do livro de Hebreus:

1) Hebreus 9:26-28

O texto diz “Mas Cristo, tendo vindo como sumo sacerdote dos bens já realizados, por
meio do maior e mais perfeito tabernáculo (não feito por mãos, isto é, não desta
criação), e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou
uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção.” (grifos
acrescentados).

A primeira expressão grifada diz que Jesus entrou no santo lugar Havendo obtido uma
eterna redenção. O verbo está no passado, isto é, depois de ter obtido, após obter. Fica
claro que não é necessário que Jesus se entregue novamente para obter a salvação para
ninguém. A segunda expressão grifada diz que Jesus obteve uma eterna redenção. Isso
significa que a redenção obtida por Jesus na cruz tem valor eterno e é sempre atual, não
precisando ser renovada, repetida ou atualizada.
Caro leitor, pense nisto: Se a eucaristia torna presente o sacrifício de Jesus, ele elimina
o anterior? Ou é uma repetição do anterior? Se Jesus se manifesta na hóstia, não estaria
ele sendo crucificado novamente? Não seria a eucaristia somente uma lembrança do que
Jesus fez?

2) Hebreus 9:26

O texto diz: “doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação
do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou,
para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo “ (grifos acrescentados).
O texto diz que Jesus se manifestou uma vez por todas. Desta forma, a manifestação de
Jesus em carne para oferecer-se como sacrifício pelos pecados ocorreu apenas uma
única vez. O texto ainda afirma que Jesus se manifestou para aniquilar o pecado. Essa
expressão é bem clara: aquilo que foi aniquilado não pode ser aniquilado novamente.
Jesus se manifestou para aniquilar o pecado apenas uma vez, não sendo necessária uma
nova manifestação para aniquilar o pecado, visto que este já foi tirado do povo de Deus,
como ensinado no texto de Hebreus 10:14 “Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado
para sempre os que estão sendo santificados”. Diante disto pergunto: A Eucaristia seria
uma manifestação presente de Jesus para aniquilar o pecado? Ou apenas uma lembrança
do que Jesus fez?

3) Hebreus 10:18

Diz o texto em questão: “Ora, onde há remissão destes, não há mais oferta pelo
pecado”. Esse versículo deixa claro que Jesus já pagou por nossos pecados e que não há
mais sacrifício pelo pecado. Portanto, a Eucaristia é uma perversão do sacrifício vicário
de Cristo na cruz. Como Jesus pode manifestar-se novamente na hóstia para se oferecer
novamente pelo pecado se ele já fez isto? Ou será que a Eucaristia é apenas a lembrança
do sacrifício de Jesus pelo pecado?

Lembro-me de ter visto uma vez um padre na televisão durante a transmissão de uma
missa onde ele dizia que os Judeus, quando celebravam alguma festa (como a páscoa
creio eu), eles o faziam com a consciência de que aquilo estava presente. No entanto,
não há nada na Bíblia (e nem na cultura judaica pelo que sei) que indique isto. Jesus
instituiu a ceia como lembrança de sua morte e não como um renovo ou algo parecido.
Um memorial da Segunda Guerra Mundial, por exemplo, não tem o propósito de torna-
la atual, mas apenas de servir de objeto de lembrança de algo que aconteceu. A
Eucaristia instituída por Jesus tem o mesmo sentido.
Tomar e comer dos emblemas da ceia não significa sacrificar algo – no caso o próprio
Jesus segundo ensina o Vaticano – em prol de nossa salvação e perdão de pecados;
significa lembrar e reconhecer profundamente o significado da morte de Jesus e partilhar
com os irmãos “de um mesmo pão.” (1Co 10:17).

Portanto, fica claro que Jesus ofereceu-se uma só vez por nossos pecados e que sua
redenção feita na cruz tem duração eterna não necessitando de um novo sacrifício. O
Vaticano ainda afirma:

“A celebração litúrgica desses acontecimentos toma-os de certo modo presentes e


atuais. É desta maneira que Israel entende sua libertação do Egito: toda vez que é
celebrada a Páscoa, os acontecimentos do êxodo tomam-se presentes à memória dos
crentes, para que estes conformem sua vida a eles.”

Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1363

Como se dá isso? Ora, memorial não é literal. Sobre isto, diz o Prof. Paulo Cristiano:
“[A Eucaristia] Não foi dada para ser um sacrifício. Ela comemora o término do
sacrifício do Calvário. Um memorial não é a realidade. É apenas para nos lembrar do
real.”

[HTTP://www.cacp.org.br – Catolicismo – Outras Doutrinas – A Missa]

Se o caro leitor for Católico, peço que pondere sobre estas questões: o Catolicismo
afirma que a Eucaristia é o sacrifício de Cristo tornando-se presente em prol da salvação
e da purificação dos participantes da Missa. A Bíblia ensina desta forma? Será que o
sacrifício da missa é real? Ou seria apenas uma lembrança? O que Jesus quis dizer
quando afirmou: “fazei isto em memória de mim” (Lc 22:19)? Como uma memória pode
ser presente? Quando uma estátua é erguida em memória de um soldado, aquela estátua
é o próprio soldado? Ou apenas uma lembrança deste?

O pão contém vinho?

“Graças à presença sacramental de Cristo sob cada uma das espécies, a comunhão
somente sob a espécie do pão permite receber todo o fruto de graça da Eucaristia. Por
motivos pastorais, esta maneira de comungar estabeleceu-se legitimamente como a
mais habitual no rito latino.”

Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1390

Diz acima o clero romano que quando alguém come somente o pão recebe plenamente
o fruto de graça da Eucaristia. De uma maneira geral, o culto Católico eucarístico exclui
o vinho da Eucaristia e isso se dá “por motivos pastorais”.
A Igreja Católica não se serve de bases Bíblicas para comprovar o uso apenas do vinho.
Serve-se apenas do argumento de que a hóstia, sendo o corpo de Cristo (como creem),
deve conter também seu sangue. À primeira vista pode parecer um argumento
procedente, mas será que Jesus ao instruir a ceia desconhecia este fato? Jesus instituiu
a ceia com duas “espécies”, a saber, pão e vinho (Mt 26:27; 1Co 11:28). Se ele sabia
que carne contém sangue e sendo assim não necessitaria do vinho – sangue – de modo
particular, por que instituiu o vinho na ceia? Se Jesus instruiu o vinho é porque ele deve
ser utilizado assim como o pão na ceia.

Excluindo o vinho da ceia, o Catolicismo exclui de modo memorial o sangue de Jesus


que foi derramado para nossa justificação (veja 1Jo 1:7). Sendo assim, os Católicos
estariam privados da graça da Eucaristia. Gostaria de chamar atenção para o fato de que
“sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9:22). Deste modo, quando os
Católicos celebram a Eucaristia sem o uso do sangue estão excluindo o sentido do
sacrifício de Cristo.

O mais interessante em tudo isso é que Jesus instituiu a Ceia com o pão e o vinho (Mt
26:27; Mc 14:24; Lc 22:20) e tempos depois Paulo fala da ceia do Senhor com o pão e
o vinho (1Co 11:25). Não há margem para mudar a “fórmula” da Ceia. Veja por exemplo
o batismo: Jesus diz que deveria ser feito “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito
Santo.” (Mt 28:19). Seria válido se eu dissesse: “O batismo deve ser feito em nome de
Deus, pois Pai, Filho e Espírito Santo são um único Deus”. Eu não estaria errado de
afirmasse isto? Então como pode o Catolicismo estar certo afirmando que o pão contém
o sangue, portanto não há necessidade do vinho? Certamente é um grave erro excluir o
vinho da Eucaristia.

O Catolicismo interpreta as palavras de Jesus em João capítulo 6 como sendo parte da


doutrina Eucarística. No episódio narrado nesse capítulo Jesus diz: “Quem comer a
minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna.” (Jo 6:54); em contrapartida ele
afirma: “se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue,
não tendes vida em vós mesmos” (Jo 6:53). Ora, nos dois textos Jesus deixa bem claro
que seu sangue é diferente de sua carne e ainda faz questão de citar os dois todas as
vezes que ele usa tal expressão. Jesus ainda faz singela diferença quando diz “comer a
carne” e “beber o sangue”. Então como o Catolicismo pode afirmar que o vinho não é
necessário?
Não creio que Jesus esteja falando da Eucaristia em João capítulo 6 (como veremos mais
à frente), mas como o Catolicismo crê e interpreta o texto como parte da doutrina
Eucarística, portanto, creio que deveriam pelo menos ser coerentes com seus
ensinamentos.

Se Jesus instituiu Pão e Vinho, a Ceia deve ser celebrada com o uso de Pão e Vinho e
não somente um dos dois. Se Jesus disse Pão e Vinho, por que não usar o vinho?

A Transubstanciação

“No santíssimo sacramento da Eucaristia estão “contidos verdadeiramente, realmente


e substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de Nosso
Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo“.”

Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1374

“É ela conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo que este se torna
presente em tal sacramento.”

Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1375

“Pela consagração do pão e do vinho se efetua a conversão de toda a substância do


pão na substância do corpo de Cristo Nosso Senhor, e de toda a substância do vinho
na substância do seu sangue. Esta conversão foi com muito acerto e propriedade
chamada pela Igreja Católica de transubstanciação.”

Concílio de Trento, Sessão XIII, parágrafo 877


O ápice dos equívocos na Eucaristia está na Transubstanciação. Dizem que pela
consagração ministrada pelo sacerdote celebrante, a hóstia (emblema do pão)
transforma-se no real corpo de Cristo. Isto é, a hóstia deixa de ser uma bolacha sem
fermento e passa a ser Jesus Cristo; com seu corpo, alma e divindade total.

Tal ideia é absurda à luz da Bíblia. A Igreja Católica cita as palavras de Jesus quando
ele diz: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu;” (Jo 6:51); e em outra parte: “Tomai,
comei; isto é o meu corpo.” e “isto é o meu sangue,” (Mt 26:26,28). Servem-se disso
para afirmarem que a transubstanciação é Bíblica.

Esse absurdo teológico do qual depende toda a Igreja Católica (como afirmou o papa
João Paulo II) é um equívoco sem igual. Dentro deste quadro podemos ver algumas
aberrações à doutrina cristã verdadeira:

a) Canibalismo

Sim caro leitor, se a hóstia depois de transubstanciada no corpo de Jesus for ingerida,
seria o mesmo que comer o corpo literal de Jesus. Desta forma, ingerir a hóstia seria o
mesmo que comer literalmente a carne de Jesus.

O Canibalismo é o ato de um ser humano comer carne humana ou beber o sangue


humano. Portanto, se alguém ingerir o corpo transubstanciado de Jesus na hóstia, estará
praticando Canibalismo. É claro que os Padres Católicos não dizem desta forma, mas é
o que ensinam. Mas Jesus não disse que deveríamos comer sua carne e beber o seu
sangue? Sim, mas em sentido metafórico e não literalmente, como ensina o Catolicismo
com a transubstanciação.

b) Beber sangue

Deus proíbe o homem de comer ou beber sangue (em Lv 17:10-12 por exemplo) e por
este motivo, em toda a Bíblia, nenhum homem fiel a Deus praticou tal ato. Isso no
Antigo e no Novo Testamento quando em Atos 15:20 os apóstolos aconselham os
gentios a se absterem de sangue. Por que motivo Jesus iria “mudar” a lei do Antigo
Testamento dizendo aos apóstolos para beberem seu sangue? Como alguém pode se
abster de sangue bebendo o sangue de Cristo de forma literal?

É claro que a doutrina da transubstanciação é absurda, mas os Teólogos que defendem


o Catolicismo ainda tentam encontrar bases Bíblicas para essa aberração. Vamos
analisá-las uma a uma:

1. 1. Isto é o meu corpo

Esta frase dita por Jesus em Mt 26:26,28 é uma fortíssima prova de que Jesus estaria
ensinando sua presença real no elemento do pão. Ledo engano. Só porque Jesus fez esta
afirmação devemos tomá-la ao pé da letra? Então devemos também entender que
quando Jesus disse “Eu sou a porta” em Jo 10:7,9 ele estava dizendo que era
literalmente uma porta? Devemos crer que Jesus é literalmente uma videira (leia Jo
15:1,5)? Devemos ainda crer que somos sal e luz de forma literal (veja Mt 5:1,3)?

É verdade que Jesus não disse que o pão era símbolo de seu corpo, mas também não
disse que a porta e a videira era uma simbologia. Assim como dizer “Eu sou a videira”
não torna Jesus uma árvore, dizer “Isto é o meu corpo” não torna Jesus um pedaço de
pão.

1. 2. Eu sou o Pão da Vida

Podemos encontrar esta frase sendo dita por Jesus em Jo 6:35. Como eu disse
anteriormente, a Igreja Católica entende o capítulo 6 do livro de João como sendo parte
da Teologia eucarística. Será que realmente é verdade? Será que João capítulo 6 tem
relação com a eucaristia?

Segundo o contexto, as pessoas estavam seguindo Jesus só por que ele lhes garantia o
alimento físico – a multiplicação de pães em Jo 6:14 – e não se importavam com o
alimento espiritual. Quando Jesus disse a frase “Eu sou o Pão da Vida”, todos
entenderam que ele falava simbolicamente (só o Catolicismo entendeu diferente), prova
disso é que ninguém correu para mordê-lo. Jesus dizia que ele era o alimento, que as
pessoas deveriam comer suas palavras, exemplo e ensinamentos para herdarem a vida
eterna.

Jesus não estava falando da Ceia, mas de ensinamentos espirituais, nem sequer fazia
alguma alusão à sua morte. Seus ensinamentos eram de caráter totalmente diferente dos
empregados na Ceia.

1. 3. Minha carne é verdadeiramente comida e meu sangue é verdadeiramente


bebida

Esta declaração está no verso 55 do capítulo 6 de João. A isto deixarei a Bíblia de Estudo
Pentecostal responder:

“Jesus é a Palavra (“Verbo”) viva (1:1-5). A Bíblia é a Palavra escrita (2Tm 3:16; 2Pe
1:21). Jesus é o “pão da vida” (v. 35) e em Mt 4:4 Ele disse: ‘Nem só de pão viverá o
homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus…’. Portanto, comemos a sua
carne ao receber e obedecer à Palavra de Deus (v. 63).”

[Bíblia de Estudo Pentecostal – Edição Comemorativa, 2011]

O simbolismo apresentado aqui é extremamente comparativo ao alimento físico.


Quando Jesus diz “verdadeiramente comida”, ele não diz “comida” no sentido do verbo
comer e sim como uma comparação ao alimento físico, isto é, ela atua como comida. O
alimento, quando ingerido, transforma-se em energia que nos dá sustendo a partir da
quebra de nutrientes para manter nosso organismo. A Palavra de Deus também atua
desta forma, só que em relação ao nosso espírito, dando-nos força, vida, sabedoria e
sustentando nossa fé.

1. 4. Não discernindo o corpo do Senhor

Paulo diz isto em 1Co 11:28. Porém, não há nada no contexto que indique que Paulo
estava falando de uma transubstanciação. O contexto refere-se ao modo como os crentes
de Corinto celebravam a Ceia – eles o faziam juntamente com as festas Ágape – onde
os participantes se enchiam de comida e se embriagavam (v. 21) como faziam antes de
se converterem, não discernindo o motivo real de suas reuniões (v. 17,18,20). Por isto
eles deveriam se examinar antes de tomarem do pão e do cálice (v. 28), pois corriam
perigo de tomarem a Ceia indignamente – fora do propósito para o qual fora estabelecida
– tomando juízo de Deus sobre si. Paulo não fala nada sobre transubstanciação ou coisa
parecida.

A simbologia do pão e do vinho é facilmente verificada. Mesmo quando eu era Católico


não tinha para mim a hóstia como o corpo de Jesus. Mesmo após Jesus consagrar o
vinho, Jesus continuou a tratá-lo como vinho e não como sangue, senão vejamos: “E
digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia…”
(Mt 26:29). Veja a palavra sublinhada: “fruto da videira”; ele não disse “meu sangue”.
Nota-se que Jesus consagrou o cálice nos verso anterior (v. 28), portanto aquele cálice
deveria conter o sangue de Jesus (o texto de Mc 14:26-25 está da mesma forma), mas
Jesus não disse que era sangue e sim “o fruto da videira”.
A este argumento sólido os teólogos Católicos ainda tentam se esquivar dizendo que
havia dois cálices naquele dia. Baseiam-se para isso na narrativa de Lucas. Segundo eles
afirmam, Jesus teria pego um cálice com vinho e dados aos discípulos (Lc 22:17-18) e
então pronunciado esta frase (a de Mt 26:29, citada acima) e depois teria pego o outro
cálice e consagrado tornando-o seu sangue (Lc 22:20). No entanto, esta é uma
interpretação tendenciosa. Na narrativa de Mateus, Marcos e Paulo só havia um cálice
que foi consagrado. O interessante é que na narrativa de Lucas, após consagrar o cálice,
Jesus não o dá aos discípulos. Isto indica que Lucas, ao escrever seu livro, primeiro
narrou a ceia de forma geral e depois registrou as palavras de Jesus. Uma prova de que
Lucas agiu assim é que, na narrativa de Marcos, Jesus dá o cálice para que todos bebam
(v. 23) e enquanto faziam isso ele consagrava o vinho (v. 24). Eis o resumo cronológico
da Ceia:

• Eles começam a celebrar a páscoa normalmente (comendo e bebendo) – Mt


26:26; Mc 14:22; Lc 22:14
• Jesus consagra o Pão e entrega aos discípulos – Mt 26:26; Mc 14:22; Lc 22:19
• Jesus dá o vinho aos discípulos consagrando-o – Mt 26:27-28; Mc 14:23-24; Lc
22:17,20
• Jesus chama o cálice consagrado de fruto da videira – Mt 26:29; Mc 14:25; Lc
22:18
Assim, Jesus desmantela a doutrina Católica da transubstanciação. Fora este fato, há
mais algumas considerações que tornam a transubstanciação uma doutrina sem bases,
senão vejamos:

Consideração 1

Se Jesus mudou aquele pão em seu corpo e o vinho em seu sangue e os deu para que os
discípulos comessem, Jesus não estaria fazendo o sacrifício da cruz antes mesmo de ele
ser realizado? Isto é, se a transubstanciação torna o sacrifício de Jesus sempre presente,
como se estivesse ocorrendo naquele momento, Jesus não teria se sacrificado antes
mesmo de morrer na cruz? Como Jesus pôde se entregar pelos pecados naquela última
ceia antes de fazê-lo na cruz? Isso prova que Jesus utilizou-se dos emblemas apenas
como simbologia de sua morte redentora.

Consideração 2

Jesus tinha duas naturezas: Humana e Divina. O corpo físico de Jesus pertencia à
natureza humana e não à divina (isso claramente se vê em passagens como Mt 4:2 e Jo
4:6). Portanto, seu corpo era finito e só poderia estar em um lugar ao mesmo tempo.
Assim sendo, como o pão comido pelos apóstolos poderia ser o corpo de Jesus se ele
estava sentado à mesa? Haveria dois corpos de Jesus naquele momento? Isso também
constitui prova de que os emblemas eram simbólicos.

Consideração 3

A Bíblia diz que o corpo de Jesus está no céu: “havendo feito por si mesmo a purificação
dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” (Hb 1:3) e ainda
em outra parte: “as este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos
pecados, está assentado à destra de Deus” (Hb 10:12). Assim, fica claro o corpo de
Jesus está no céu e não pode ser trazido abaixo por nenhum sacerdote.

Jesus está conosco (Mt 28:20) mas em espírito, não em corpo. Então pergunto: o corpo
físico de Jesus (que segundo o Catolicismo é a substância da hóstia consagrada) não é
onipresente e não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Então como Jesus pode
estar presente em corpo na hóstia e no céu ao mesmo tempo?

Consideração 4

Outra coisa a se analisar é a substância. A hóstia é feita de trigo e água, mas mesmo
depois de transubstanciada continua a ser trigo e água. Onde está o corpo de Cristo?
Onde estão suas veias, pulmões, coração, pés, unhas, dentes? O clero Católico afirma
que tal transubstanciação é invisível e espiritual, um mistério da fé. Ora, onde está tal
raciocínio das escrituras? Jesus jamais ensinou uma coisa semelhante a esta.

Fica claro que a Transubstanciação é uma doutrina fantasiosa inventada pelo


Catolicismo. É importante ressaltar que a base da existência da Igreja Católica está neste
Sacramento. Jesus indicou claramente que a Ceia é uma simbologia de sua morte, feita
para anunciar (do original “καταγγέλλω – kataggelloo”, que significa anunciar,
proclamar, ensinar, promulgar) a morte de Cristo por nós.

Por fim, a Igreja Católica não tem bases para sustentar tal doutrina, nem mesmo na
Sagrada Tradição. Isto se dá, pois os papas Gelásio I e Gelásio II não acreditavam em
tal doutrina, assim como São Clemente e Santo Agostinho. O papa Gelásio I dizia: “A
natureza do pão e do vinho não se alteram”. Agostinho parecia zombar de tal doutrina
quando disse: “Não se pode engolir Aquele que subiu vivo para o céu”. Foi somente
com o Papa Inocêncio III em 1198 que a transubstanciação foi implantada como dogma
revelado da igreja, passando mais tarde a ser doutrina oficial do Catolicismo.
Caro leitor, como um dogma tão antibíblico pode ser ensinado pela Igreja? Pense nisto:
Jesus não ensinou tal coisa, do contrário, a Bíblia registraria tal ensinamento. Jesus
poderia ter dito: “Isto é a substância do meu corpo”, mas por que não o fez? Por que a
Bíblia não registra a transubstanciação? Paulo não diz nada sobre tal doutrina, assim
como os demais apóstolos. Se a Bíblia não ensina a transubstanciação, então por que
crer nela?

Adoração à Hóstia Consagrada

“Na liturgia da missa, exprimimos nossa fé na presença real de Cristo sob as espécies
do pão e do vinho, entre outras coisas, dobrando os joelhos, ou inclinando-nos
profundamente em sinal de adoração do Senhor. “A Igreja católica professou e
professa este culto de adoração que é devido ao sacramento da Eucaristia não somente
durante a Missa, mas também fora da celebração dela,”

Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1178

“Não há dúvida alguma de que todos os fiéis de Cristo, segundo o costume que sempre
vigorou na Igreja, devem tributar a este santíssimo sacramento a veneração e o culto
de adoração (latria), que só se deve a Deus [cân. 6].”

Concílio de Trento, Sessão XIII, parágrafo 878

Nas duas transcrições acima, a Igreja Católica afirma que seus fiéis devem adorar a
hóstia consagrada. Esta adoração, culto do qual só Deus é digno, é prestado à hóstia
consagrada que supostamente é Jesus Cristo transubstanciado.
Será que a Bíblia ensina este tipo de culto? Se a hóstia consagrada realmente for Jesus
Cristo transubstanciado a adoração é verídica. Agora, e se não for? E se a hóstia for
apenas o que ela realmente é: água e trigo? Não seria um caso de idolatria? Agora
pergunto: a hóstia consagrada é Jesus?
Algumas paróquias contém uma pequena lâmpada vermelha acima do altar que se
ascende quando a hóstia é transubstanciada indicando a suposta presença real de Jesus
no sacramento. Logo em seguida ouve-se o som de um sino no altar que indica que as
pessoas devem se ajoelhar e adorar o Santíssimo Sacramento enquanto o Padre ergue o
suposto Jesus de água e trigo. O mesmo acontece com o vinho. De repente a igreja
inteira está de joelhos adorando um pedaço de pão.

Eu realmente fico impressionado com essa ideia! Para que Jesus esteja na hóstia, uma
passagem da Bíblia mal interpretada já basta; agora, quando se trata de imagens, não se
pode interpretar literalmente nenhum versículo da Bíblia. Ora, onde está o sentido nisso?
O que é mais fácil interpretar literalmente: “Não fareis para ti imagem de escultura” ou
“Isto é o meu corpo”? Convenhamos em concordar que a primeira frase tem muito mais
sentido literal do que a segunda, porém, para o Catolicismo, a primeira não é literal
quando a segunda é.

É desnecessário a essa altura dizer que só devemos cultuar a Deus. Jesus afirma as
palavras de Deuteronômio 6:13 dizendo: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele
servirás” (Mt 4:10). Nossa adoração e culto só podem ser dados ao único ser digno de
tal coisa: Deus.

Pergunto aos Católicos sinceros: Jesus está realmente presente na hóstia? A Bíblia
ensina tal coisa? Se Jesus não estiver na hóstia, adorá-la não seria pecado de idolatria?
Então penso que todo Católico deveria dar mais atenção para estes detalhes,
pesquisando e examinando sua fé mais a fundo e não só se contentando com o que lhes
é ensinado por Roma. A Bíblia afirma que Deus “deseja que todos se salvem e venham
ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2:4) e ele está disposto a apresentar tal
conhecimento maravilhoso à todos aqueles que buscarem, pois ele mesmo diz: “Buscar-
me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29:13).

Conclusão

Vimos que a Igreja Católica ensina o seguinte referente à Eucaristia:

• Na Eucaristia, o sacrifício de Jesus se torna real e presente;


• Na Eucaristia deve-se usar apenas o Pão, pois a carne já contém o sangue;
• A hóstia muda-se em corpo, alma e divindade de Jesus pela transubstanciação;
• A hóstia deve ser adorada com culto de Latria (adoração)

A Bíblia não ensina nada sobre a presença real de Jesus na hóstia. Ela ensina que “o
Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou pão; e, havendo dado graças, o partiu
e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim.
Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo
pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.”
(1Co 11:23-25). Não há margem para entender literalmente as palavras de Jesus. Ele
dizia: “Isto é o meu corpo”, ou seja, isto simboliza o meu corpo; da mesma forma que
ele disse: “Eu sou a porta”, quando na verdade queria dizer que ele simbolizava a porta
que leva ao céu. A transubstanciação é um absurdo teológico!

Se a eucaristia é um sacrifício, e já que Jesus celebrou tal sacrifício com os apóstolos


antes de morrer na cruz, então o sacrifício de Jesus foi adiantado? Ele se sacrificou antes
de morrer na cruz? Como ele poderia ter feito isso? Não seria isso um verdadeiro
absurdo!?

Como vimos durante este capítulo, a transubstanciação não é uma doutrina


fundamentada nas Escrituras Sagradas. A ceia ou Eucaristia é a rememoração do
sacrifício de Jesus Cristo, onde ingerimos o pão simbolizando a morte de Jesus Cristo
na cruz e ingerimos também o sangue, simbolizando o derramamento do sangue da
Nova Aliança que nos purifica de todo o pecado. Esta é a Ceia ensinada por Jesus, em
sua memória (Lc 22:19), para sua glória e para que lembremo-nos de que Jesus Cristo
foi nosso cordeiro pascal (1Co 5:7), imolado por nossos pecados (1Co 15:3), mas que
agora, vivo, intercede por nós junto ao Pai (Hb 7:25), de onde há de vir como prometeu
(Jo 14:3).

O apóstolo Paulo nos ensina dizendo: “Ponde tudo à prova” (1Ts 5:21). Cabe a nós,
baseados na Palavra de Deus que é “proveitosa para ensinar, para repreender, para
corrigir, para instruir em justiça;” (2Tm 3:16), julgar e testar todas as coisas para que
não caiamos em ventos de doutrina e falsidades inventadas pelas mentes humanas ou
inspiradas por demônios. Precisamos conhecer a “espada do Espírito, que é a Palavra
de Deus” (Ef 6:17) para que possamos resistir às tentativas do maligno de nos aprisionar
em heresias, pois como o próprio Deus disse: “O meu povo está sendo destruído, porque
lhe falta o conhecimento.” (Os 4:6).

Deus te ama e deseja que você viva a verdade do Evangelho da glória que ele tem
oferecido. Lembre-se do que Jesus disse: “Quando vier, porém, aquele, o Espírito da
verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o
que tiver ouvido,” (Jo 16:13). Peça ajuda ao Espírito Santo, para que ele lhe revele as
verdades contidas na Palavra de Deus, e com toda certeza, ele irá fazê-lo.

Perguntas para meditação:

1. A Bíblia ensina que a Ceia é o sacrifício de Jesus presente na celebração?


2. Jesus ensinou que somente o pão é necessário para a celebração da Ceia? Se fosse,
então por que ele também falou do vinho?
3. A transubstanciação é bíblica? Por que Paulo em 1Coríntios capítulo 11 não disse
nada sobre ela?
4. A frase “Isto é o meu corpo” tem sentido literal? E a frase “Eu sou a Porta”, tem
sentido literal? As duas frases têm diferença? Se eu alguém apontasse para Jesus
e dissesse “Isto é a Porta!”; Jesus o seria literalmente? Ou seria uma metáfora?
5. Adorar os emblemas da Ceia é Bíblico? Por que a Bíblia não diz nada à respeito?
6. Por que a Bíblia não mostra nenhum caso da adoração do pão?

Extraído do livro “O Catolicismo Romano e a Bíblia” – Rafael Nogueira

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