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DIREITO CONSTITUCIONAL

1. Discorra sobre a questão das Terras indígenas destacando, principalmente: Teorias que a
fundamentam; histórico; exemplos jurisprudenciais.

A CF/88 reconhece aos povos indígenas o direito originário sobre as terras que
tradicionalmente ocupam, sendo a propriedade e competência para demarcar estas terras
da União e assegurada a posse permanente e o usufruto das comunidades indígenas.

No notório caso Raposa Serra do Sol foi debatida a questão da demarcação das terras
indígenas.

O embate foi entre a TEORIA DO FATO INDÍGENA E A TEORIA DO INDIGENATO. A primeira


usada no julgado no STF para definir como Terra Indígenas as tradicionalmente ocupadas na
data da promulgação da CF/88 e o indigenato, ou posse imemorial, define que os índios são
donos da terra por tanto tempo, que não é possível dizer qual a data inicial! As duas teorias
têm análise de mitigações necessárias no caso Concreto.

A posição dominante neste julgamento foi limitadora da noção de terra indígena, pois só
teria direito à terra nos moldes do art. 231 aquelas comunidades indígenas que ocupavam
suas terras na data da promulgação da Constituição, 05 de outubro de 1988. Ao adotar esta
teoria, denominada “teoria do fato indígena.

Segundo critério construído pelo STF, somente são consideradas “terras tradicionalmente
ocupadas pelos índios” aquelas que eles habitavam na data da promulgação da CF/88
(marco temporal) e, complementarmente, se houver a efetiva relação dos índios com a
terra (marco da tradicionalidade da ocupação).

Renitente esbulho - Existe, contudo, uma exceção a teoria do fato indígena. Trata-se do
chamado renitente esbulho, pela qual, se na época da promulgação da CF/88, os índios não
ocupavam a terra porque dela haviam sido expulsos em virtude de conflito possessório,
considera-se que eles foram vítimas de esbulho e, assim, essa área será considerada terra
indígena para os fins do art. 231.

Vale ressaltar que, para que se caracterize o renitente esbulho, é necessário que, no
momento da promulgação da CF/88, os índios ainda estivessem disputando a posse da terra
ou tivessem sido delas expulsos há pouco tempo. Se eles habitaram naquela localidade e
optaram por sair ou se foram dela expulsos muitos anos antes de entrar em vigor a CF/88 (e
desistiram de lutar), não se configura o chamado “renitente esbulho”.

2. Possibilidade ou não de revisão da demarcação de Terras Indígenas já


realizadas.

As terras tradicionalmente ocupadas por índios devem ser administrativamente demarcadas por
iniciativa e sob a orientação da FUNAI.
Caso exista não índios, devem ser retirados do local. Assim, os não índios não possuem o direito
subjetivo de permanecer no local mesmo que provem que lá moravam de boa-fé ou mesmo que
apresentem documentos de propriedade dos imóveis localizados na área.

Em regra, os não índios que forem retirados das terras demarcadas não têm direito à
indenização. Isso porque eles estavam ocupando terras que pertenciam à União. Logo, mesmo
que tivessem supostos títulos de propriedade, estes seriam nulos porque foram expedidos em
contrariedade com o art. 20, XI e art. 231 da CF/88.

Por outro lado, segundo já decidiu o STF, é vedada a remarcação de terras indígenas
demarcadas em período anterior à CF/1988, tendo em conta o princípio da segurança jurídica.

Decidiu ainda o STF que a remarcação de terras somente poderá der feita se ficar demonstrado
que, no processo originário de demarcação, houve algum vício de ilegalidade e, ainda assim,
desde que respeitado o prazo decadencial de 5 anos (art. 54 da Lei nº 9.754/99).

3 - Discorra sobre o fenômeno jurídico denominado, Estado de coisas inconstitucional, e


as consequências de seu reconhecimento, bem como se é aplicado no direito Brasileiro.

Trata-se teoria adotada pela Corte Constitucional Colombiana, em que afirma existir quadro
insuportável de violação massiva de direitos fundamentais, decorrente de atos comissivos
ou omissivos praticados por autoridades públicas, agravado pela inércia continuada dessas
autoridades. Ante a gravidade excepcional do quadro, a corte se afirma ser legitimada a
interferir na formulação e implementação de políticas públicas e em alocações de recursos
orçamentários e a coordenar as medidas concretas necessárias para superação do estado
de inconstitucionalidades.

 A superação dessas violações de direitos exige a expedição de remédios e ordens dirigidas


não apenas a um órgão, e sim a uma pluralidade destes — são necessárias mudanças
estruturais, novas políticas públicas ou o ajuste das existentes, alocação de recursos etc.

A corte colombiana aplicou tal teoria em relação a superlotação dos presídios,


determinando aos órgãos responsáveis a alocação de recursos necessários para resolver o
problema, bem como a construção de unidades prisionais.

No brasil a teoria nunca foi adotada, mas há uma ADPF proposta pelo partido Democratas
para reconhecimento pelo STF do estado de coisa inconstitucional em relação à situação
carcerária nacional.

O STF decidiu conceder, parcialmente, a medida liminar e deferiu apenas os pedidos "b"
(audiência de custódia) e "h" (liberação das verbas do FUNPEN).

O Plenário reconheceu que no sistema prisional brasileiro realmente há uma violação


generalizada de direitos fundamentais dos presos. As penas privativas de liberdade
aplicadas nos presídios acabam sendo penas cruéis e desumanas.

Diante disso, o STF declarou que diversos dispositivos constitucionais, documentos


internacionais (o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, a Convenção contra a
Tortura e outros Tratamentos e Penas Cruéis, Desumanos e Degradantes e a Convenção
Americana de Direitos Humanos) e normas infraconstitucionais estão sendo desrespeitadas

No entanto, o Plenário entendeu que o STF não pode substituir o papel do Legislativo e do
Executivo na consecução de suas tarefas próprias.

4. Disserte sobre o poder constituinte, indicando sua origem, natureza


jurídica, titular.

O grande teórico do poder constituinte foi o abade francês Emmanoel Sieyés, que
inconformado com a divisão social da França em estamentos ( clero, nobreza e a
burguesia), pois não existia fundamento político, social ou jurídico que amparasse este
modelo.
Neste contexto o poder constituinte é o poder de fundar ou reestrutura o Estado. É a
manifestação soberana da suprema vontade política de um povo, social e juridicamente
organizado. Geralmente acontece com uma revolução social ou golpe de estado.
Geralmente o poder constituinte, apesar de ser legitimo, ele é ilegal, pois não respeita a
ordem leal anterior.
Para Sieyés o poder constituinte tem como titular à nação. Entretanto na atualizada a
maioria dos doutrinadores apontam o povo como o titular do poder constituinte.
Os teóricos do direito dividem-se quanto a natureza jurídica do poder constituinte. Para
alguns trata-se de PODER DE FATO, o povo o detém independente de qualquer disposição
jurídica. Para estes o poder constituinte é anterior ao direito, e serve de fundamente para o
direito. Para a segunda corrente, trata-se de PODER JURIDICO-POLITICO, pois só existirá
com a real constituição do poder, através da constituição. O brasil adota a segunda
corrente.
O poder constituinte é inicial, pois cria uma nova ordem jurídica. É incondicionado, pois não
depende de outra força jurídica.

5. As leis orgânicas municipais são frutos do poder constituinte decorrente?


Resposta: tendo em vista que a lei orgânica não é parâmetro de controle em relação as
demais normas municipais, a doutrina entende que não são fruto do poder constituinte
decorrente. Quanto a lei orgânica do DF, está na verdade, equipara-se a constituição
estadual, sendo sua criação fundamentada na CF, e ainda serve de parâmetro de
constitucionalidade das demais leis do DF, por isso é considerada expressão do poder
decorrente.

6. Controle de constitucionalidade de atos infralegais, sob a ótica do STF:


resolução do TSE; regimento interno de assembleia legislativa; atos administrativos
A natureza do objeto da ADI restringe-se aos atos legislativos do Poder Público (leis e atos
normativos) e não a qualquer ato do Poder Público, por expresso mandamento
constitucional, nos termos do art. 102, I, “a”, da CF/88. Por isso é que não se admite como
objeto de ADI, por exemplo, atos administrativos (atos do Poder Público com natureza
administrativa), ou ainda, precedentes judiciais, como decisões judiciais e súmulas (atos do
Poder Público com natureza judicial). Apenas atos do Poder Público com natureza
legislativa, isto é, “lei ou ato normativo”, podem ser objeto de ADI. E aqui se entende lei em
sentido amplo, abrangendo todas as espécies primárias do art. 59 da Constituição Federal.
Entretanto o STF vem aceitando ADI para atacar atos infralegais, quando estes demostrem
caráter geral e abstrato. Assim o STF já se manifestou nos seguintes casos:

REGIMENTO INTERNO DE ASSEMBLEIA LEGISLATIVA – ADI 4587/GO – Segundo STF,


dispositivo do RI de uma Assembleia legislativa pode ser impugnado no STF através de ADI,
DESDE QUE POSSUA CARÁTER NORMATIVO e AUTONOMO. No caso em comento, o
pagamento de remuneração aos Deputados Estaduais em virtude de convocação para
sessão extraordinária pode ser objeto de ADI. (STF – Plenário – ADI 4587/GO – 22/05/14 INFO
747)
RESOLUÇÃO do CNJ e CNMP – Se as resoluções apresentarem características da
generalidade, impessoalidade e abstração elas são consideradas ATOS NORMATIVOS e
podem ser objeto de ADI – MC na ADC 12, STF 16/02/06.
RESOLUÇÕES TSE – Segundo o STF, os atos infralegais podem ser objeto de impugnação
por meio de ADI se, a pretexto de regulamentarem dispositivos legais possuírem caráter
autônomo e inovador. STF – Plenário – ADI 5104 MC/DF – Info 747).
No que tange as respostas a consultas formuladas ao TSE, elas são atos de caráter
administrativos, sem eficácia vinculativa, insuscetível de controle abstrato de
constitucionalidade. ADIn MC1.805/DF 26/03/98

7. Disserte sobre o fenômeno da MUTAÇÃO constitucional. Mutação do


art. 52, X da CF; inf. 732 STF.
O texto legal deve ser interpretado par se extrair a norma jurídica aplicável a
determinado caso. As constituições seguem o mesmo paramento. A função de
interpretação da norma jurídica é atribuída ao exegeta.
A constituição não é obra perfeita e acabada, devendo ser constantemente
atualizada para se manter viva e coerente com os anseios sociais. Nesse sentido
tem-se dois métodos ou meios de atualizar a constituição, sendo a alteração
formal de seu texto, por meio de processo legislativo.
O outro por processo informal, conhecido como MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL,
que não altera o texto em si, mas dá nova interpretação ao texto, extraindo dele
nova norma, para se adequar aos anseios sociais.
Na atualidade há no STF uma discussão sobre a mutação constitucional do art.
52, X da constituição. Tal artigo refere-se a atribuição do senado federal para
suspender a eficácia de lei declarada inconstitucional pelo STF em controle
difuso de constitucionalidade, dando-lhe eficácia geral.
A alguns juristas defende a tese da ABSTRATIVIZAÇÃO DO CONTROLE DIFUSO ( a
decisão do STF em controle difuso tem contra todos), ou sejam, houve mutação,
pois a própria decisão do STF já implicaria na eficácia contra todos, restando ao
Senado apenas dar publicidade à suspensão. Para outros não houve mutação,
restando intacta a norma do art. 52, X da CF, devendo o senado, para efeito de
ampliação dos efeitos da decisão do STF, suspender a eficácia da lei.
Entretanto o STF bateu o martelo e decidiu nos autos da reclamação 4335/AC,
QUE ÃO HOUVE MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL DO art. 52, X da CF.

8. Competência das ações contra o CNJ; MS contra deliberação negativa


do CNJ
A CF em seu art. 102, I, r, atribui ao STF a competência para julgar ações propostas contra o
CNJ e o CNMP.

Entretanto o STF entende que sua competência para processar e julgar ações que
questionam atos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do
Ministério Público (CNMP) LIMITA-SE às ações tipicamente constitucionais: mandados de
segurança, mandados de injunção, habeas corpus e habeas data.

As demais ações deverão ser ajuizadas na justiça federal, contra a UNIÃO, pois o CNJ e
CNMP são órgãos, sem personalidade jurídica, pertencendo à estrutura administrativa
federal.

Algumas vezes o interessado provoca o CNJ ou o CNMP, mas tais órgãos recusam-se a
tomar alguma providência no caso concreto porque alegam que não tem competência para
aquela situação ou que não é hipótese de intervenção. O STF não tem competência para
processar e julgar ações decorrentes de decisões negativas do CNMP e do CNJ. Segundo
entende o STF, como o conteúdo da decisão do CNJ/CNMP foi “negativo”, ele não decidiu
nada. Se não decidiu nada, não praticou nenhum ato. Se não praticou nenhum ato, não
existe ato do CNJ/CNMP a ser atacado no STF.

9. Constituição Simbólica – CONSTITUCIONAL


10. Disserte sobre a possibilidade de controle de constitucionalidade em ações
coletivas.

11. Diz o art. 102, I, F da CF que o STF é competente para as causas e os conflitos entre a
União e os Estados, ou entre os Estados. Assim, caso uma viatura da polícia militar do Estado
da Bahia colida com um carro Oficial da Policia Federal, será competente o STF para julgar o
feito. Comente

Resposta: apesar da literalidade do art. 102, I, F da CF dizer que caberá Supremo julgar causas
entre a União e os Estados, ou entre os Estados, já decidiu o STF que somente caberá a egrégia
corte as causas envolvendo a união e os estados quando há potencialidade política ou jurídica
capaz de atingir o pacto federativo.

A mera existência de demandas cíveis que não seja suscetível de abalar o equilíbrio do
pacto federativo, não é hábil a atrair a competência originária deste Supremo Tribunal
Federal.

12. Qual a natureza jurídica do Distrito Federal?

O brasil a sede do governo federal era exercido num município neutro. A constituição de 1891
transformou o município neutro em Distrito federal, que a princípio teve sua sede na capital
do Império no Rio de Janeiro. Entretanto a própria constituição de 1891 já determinava que
fosse reservado uma área de terra no planalto central, onde futuramente seria instalado o
Distrito Federal.

O código civil coloca distrito federal, ao lado da união, estados e municípios como pessoas
jurídicas de direito interno.

Não há consenso na doutrina pátria sobra a natureza jurídica do distrito federal.

Rui Barbosa o qualificava como um “semi- Estado”.

Hely Lopes Meireles, tem o distrito Federal como uma “entidade Estatal anômala”.

Celso de Bastos entende tratar-se de pessoa “politica”.

13. Participação do AGU na ADI. Jurisprudência do STF.

O controle de constitucionalidade brasileiro é um sistema de banimento de normas jurídicas


contrarias à constituição. Nesse sistema atuam vários órgãos, com funções definidas na
própria constituição e em leis infraconstitucionais.

O texto do art. 103 da CF atribui a AGU, sem qualquer margem de discricionariedade, a função
precípua de defender a norma jurídica que está sendo impugnada.

O STF por muito tempo manteve-se entendimento consentâneo com a interpretação literal da
CF, de forma que o AGU serie considerado um curador da norma impugnada, devendo
defendê-la, independentemente de qualquer entendimento pessoal ou motivo político-
institucional.

Em 2001 a corte Suprema, no julgamento da ADI 1.616/PE, flexibilizou, um pouco, seu rígido
entendimento, passando a admitir que o AGU, naqueles casos em que o próprio supremo, em
controle difuso, já tivesse se manifestado pela inconstitucionalidade da norma, pudesse não
defender a regularidade da lei, pleiteando a declaração de inconstitucionalidade.

Entretanto é em 2009 que o STF dar uma guinada radical em sua interpretação do art. 102, § 3
da CF, quando do julgamento do ADI 3.916/DF, passa a admitir que o AGU somente estaria
obrigado a defender a constitucionalidade da lei quando tal defesa se mostrasse possível,
viável. Ou seja, naqueles casos de flagrante, gritante inconstitucionalidade, o AGU não teria a
obrigação de defender a lei.

13. Discorra sobre o ensino em domicílio ( homeschooling)


O Min. Alexandre de Moraes, no julgamento do RE 888815/RS, afirmou que existem

quatro espécies principais de ensino domiciliar:

a) A desescolarização radical;

b) A desescolarização moderada;

c) O ensino domiciliar puro;


d) O homeschooling (ensino domiciliar utilitarista)

O homeschooling consiste na prática por meio da qual os pais ou responsáveis pela


criança ou adolescente assumem a obrigação pela sua escolarização formal e deixam
de delegá-la às instituições oficiais de ensino. A família não abandona as diretrizes do
estado, ou seja, os filhos são oficialmente submetidos às avaliações periódicas do
sistema escolar, somente a parte do aprendizado é desenvolvido em casa.

O Ministro Alexandre de Moraes explicou que a CF/88 veda três das quatro espécies
mais conhecidas do ensino domiciliar: a desescolarização radical, a moderada e o
ensino domiciliar puro. Isso porque elas afastam completamente o Estado do seu
dever de participar da educação.

Entretanto, ainda segundo o Ministro, a CF/88 não proíbe o homeschooling, ou seja, o


ensino domiciliar utilitarista ou por conveniência circunstancial. A CF/88, apesar de
não prever expressamente, não proíbe o ensino domiciliar.

Mas, conforme decidido pelo STF, o ensino domiciliar não é atualmente permitido no
Brasil porque falta a edição de uma lei que o regulamente.