Você está na página 1de 59

DEFINIÇÃO

Apresentação das diferentes Constituições brasileiras e suas formas de abordagem da Educação ao


longo da história, destacando a Constituição Cidadã de 1988 e a Lei 9394/96 (LDB), que estabelece os
princípios, as normas e as recomendações para a estrutura e o funcionamento da educação nacional.
Análise da educação laica e do ensino religioso no Brasil, da formação geral e profissional, suas
contradições históricas e possibilidades.

PROPÓSITO
Reconhecer a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e suas normas e recomendações a
respeito dos níveis e modalidades de ensino, compreendendo sua importância para a educação nacional
e seu papel estruturante e organizador no Sistema Nacional de Educação com base nos princípios
emanados da Constituição Federal.

PREPARAÇÃO
Antes de iniciar o conteúdo deste tema, tenha em mãos um exemplar (físico ou digital) da Constituição
Federal de 1988 e do texto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96)
devidamente atualizados.

OBJETIVOS

MÓDULO

/
Analisar as Constituições brasileiras, com destaque para a de 1988, e suas relações com a Educação

MÓDULO

Identificar os princípios da Educação, seus níveis e suas modalidades na LDB (Lei 9394/96)

MÓDULO

Reconhecer, na LDB, os temas mais relevantes do cenário educacional brasileiro historicamente

/
INTRODUÇÃO
É correto afirmar que o tema Educação está presente em todas as Constituições brasileiras
apresentadas a seguir. A cada uma dessas Constituições correspondeu uma perspectiva diferente de
percepção e de abordagem da Educação, situadas não só localmente no cenário nacional como também
na sociedade em cada período histórico.

Para tratarmos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), precisamos recuar às
Constituições, às perspectivas políticas mais ou menos democráticas que a inspiraram e a como isso foi
feito, tanto por questões políticas locais quanto por compreensões sociais mais amplas do papel da
Educação no desenvolvimento da nação e de seus sujeitos.

Assim sendo, trabalharemos o tema da atual LDB e dos princípios e normas que a integram a partir das
concepções de nação e de Educação que habitaram nossas leis maiores desde a Independência.

 Analisar as Constituições brasileiras, com destaque para a de 1988, e suas relações com a
Educação

APRESENTAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES


Historicamente, o país contou com sete Constituições, a saber: 1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e
1988. Alguns historiadores consideram a Emenda n. 1 à Constituição Federal de 1967 como a
Constituição de 1969, outorgada pela Junta Militar.

1824

A primeira Constituição brasileira, chamada de Constituição Política do Império do Brasil, foi outorgada
em 1824 por D. Pedro I e vigorou por 65 anos. Já a atual Constituição da República Federativa do Brasil
foi promulgada em 5 de outubro de 1988 pela Assembleia Nacional Constituinte. É considerada uma das
mais modernas, complexas e extensas do mundo.

OUTORGADA

/
“Outorgada” é o termo utilizado para caracterizar as Constituições impostas de maneira unilateral pelo
agente revolucionário (grupo ou governante) que não recebeu do povo a legitimidade para em nome
dele atuar. No Brasil, as Constituições outorgadas foram a de 1824, do Império, a de 1937, na era
Vargas, e a de 1967, na época da ditadura militar. Uma Constituição promulgada, também chamada de
democrática, votada ou popular, é fruto do trabalho de uma Assembleia Nacional Constituinte eleita
diretamente pelo povo para atuar em nome dele, nascendo, portanto, da deliberação e da representação
legítima popular.

1824 – CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO IMPÉRIO DO BRASIL

Vigorou por 65 anos. Foi elaborada por um Conselho de Estado e outorgada em 1824 por D. Pedro I
(1798-1834).

1891 – CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DOS ESTADOS


UNIDOS DO BRASIL

Promulgada em 24 de fevereiro de 1891, criou a República Federalista, com a autonomia dos estados.
Tem como fonte influenciadora a Constituição norte-americana, presidencialista com federalismo.

1934 – CONSTITUIÇÃO DE 1934

Promulgada pelo Congresso Nacional eleito após a Revolução de 1930, reafirmou o compromisso com
a República e com os princípios federativos. Estabelecia que “todos os poderes emanam do povo e em
nome dele são exercidos”. Essa Constituição durou apenas três anos.

1937 – CONSTITUIÇÃO DO ESTADO NOVO

Suprimiu direitos e garantias e foi inspirada nos regimes totalitários em ascensão na Europa no período
que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. Foi outorgada por Getúlio Vargas (1882-1954).

1946 – CONSTITUCIONALISTA /
Promulgada pelo Congresso Nacional no início do governo de Eurico Gaspar Dutra (1883-1974). De
caráter democrático, retomou os preceitos da Carta Liberal de 1934, além de restabelecer os direitos
individuais, a independência dos poderes da República e a harmonia entre eles, a autonomia dos
estados e municípios, a pluralidade partidária, os direitos trabalhistas e a instituição de eleição direta
para presidente da República.

1967 – CONSOLIDAÇÃO DO REGIME MILITAR

Após a instalação do Regime Militar, em 1964, foi mantido, simbolicamente, o funcionamento do


Congresso Nacional com poderes e prerrogativas limitados “em nome da segurança nacional”. Apesar
de parecer promulgada, essa Constituição consolidou o autoritarismo e a reversão dos princípios
democráticos, ao concentrar os poderes na União, além de adotar a eleição indireta para a escolha do
presidente da República.

Em 1968, foi editado o famoso Ato Institucional n. 5, no dia 13 de dezembro, que levou ao fechamento
do Congresso Nacional, à supressão de direitos e garantias dos cidadãos, à proibição de reuniões, à
imposição da censura aos meios de comunicação e às expressões artísticas, à suspensão do habeas
corpus para os chamados crimes políticos, à autorização para intervenção federal em estados e
municípios e decretação de estado de sítio.

Essa outorga de todos os poderes ao governo federal trouxe tantas mudanças à Constituição que os
historiadores consideram a Emenda n. 1 à Constituição de 1967 como a “Constituição de 1969”.

1988 – CONSTITUIÇÃO CIDADÃ

Essa Constituição, em vigor atualmente, foi promulgada em 5 de outubro de 1988 pela Assembleia
Nacional Constituinte. É considerada uma das mais modernas do mundo, uma vez que reafirma os
direitos individuais e coletivos, além de consagrar a proteção ao meio ambiente, à família, aos direitos
humanos, à cultura, à educação e à saúde. Além disso, essa Constituição reafirma a separação dos
três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), confirma o regime federativo e os direitos individuais,
restabelecendo o voto direto, secreto, universal e periódico.

A EDUCAÇÃO NAS CONSTITUIÇÕES

/

 Juramento de Sua Majestade o Imperador D. Pedro I à Constituição do Império. Fonte: Domínio


público / Acervo Arquivo Nacional

A CONSTITUIÇÃO DO IMPÉRIO (1824)

Outorgada por D. Pedro I, sem qualquer participação da nação, era curta e dedicava somente um artigo
e dois incisos para a Educação, conforme reproduzido a seguir:

Art. 179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Políticos dos Cidadãos Brasileiros, que tem por base a
liberdade, a segurança individual, e a propriedade, é garantida pela Constituição do Império, pela
maneira seguinte:

XXXII. A Instrução primária, e gratuita a todos os Cidadãos.

XXXIII. Colégios, e Universidades, aonde serão ensinados os elementos das ciências, Belas Letras, e
Artes.

CONSTITUIÇÃO REPUBLICANA DO BRASIL (1891)

/
A escravidão, nesse período, era comum no país, sendo a noção de cidadania ainda muito restrita;
portanto, quando a Constituição estabelecia “para todos os cidadãos”, tratava-se de um grupo muito
limitado de pessoas, com inúmeras exclusões. Logo após a Proclamação da República, em 15 de
novembro de 1889, foi criada a primeira Constituição Republicana do Brasil , em 1891, elaborada por
Rui Barbosa (1849-1923) e com a participação do Congresso Constituinte. Essa Constituição trouxe
uma abordagem indireta da Educação, especificamente no título IV, referente aos cidadãos brasileiros, e
inserida na Seção II, que dispõe sobre as declarações de direitos.

O art. 72, § 6º dessa Carta consagrou o princípio da liberdade e da laicidade do ensino ministrado nos
estabelecimentos públicos, mas, em contrapartida, não abordou a questão da gratuidade destes. Sob o
influxo da Revolução de 1930, a Constituição promulgada em 16 de julho de 1934 representou um
processo de modernização do Estado, trazendo, pela primeira vez, o conceito de educação como um
direito de todos, cabendo sua responsabilidade às famílias e aos poderes públicos. Além disso, manteve
a gratuidade do ensino primário, propondo sua extensão a outros níveis de ensino.

 Juramento da Constituição, c. 1891. Promulgada a 1ª Constituição Republicana, assumem o poder


os marechais Manuel Deodoro da Fonseca (1827-1892) e Floriano Peixoto (1839-1895). Fonte:
Wikimedia

 /
 Capa da Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 1937. Fonte: Domínio público /
Acervo Arquivo Nacional

CONSTITUIÇÃO DE 1937

Foi a segunda Carta brasileira outorgada, nesse caso, pelo Estado Novo, em decorrência das condições
políticas e ideológicas observadas no período, tanto interna quanto externamente. Houve uma mudança
clara a respeito de a quem competia a responsabilidade da educação, cabendo à família o ônus maior.
Observa-se que o art. 130 manteve o ensino primário como obrigatório e gratuito, porém com uma
responsabilidade subsidiária do Estado.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1946

Promulgada em 18 de setembro de 1946, manteve o nome de Estados Unidos do Brasil, com regime
representativo, a Federação e a República, e o princípio de que “todo poder emana do povo e em seu
nome será exercido”.

Depois do ato repressor, passou-se a pregar a liberdade com o objetivo de permitir uma maior
participação popular na vida social e econômica do país. A educação passou a ser vista como um direito
público subjetivo, cabendo também à família o dever de educar seus filhos. Contudo, no que se refere

/
ao direito à educação (art. 166), as ideias contidas nessa Constituição assemelham-se às da Carta de
1934.

Os incisos I e II do art. 168 do capítulo II definem a obrigatoriedade e a gratuidade ao ensino primário


oficial, no entanto, reforça a subsidiariedade do Estado no provimento do ensino oficial posterior para
aqueles que provarem a falta ou a insuficiência de recursos. Faz parte deste pacote a Lei 4.024/1961
(Lei de Diretrizes e Bases – LDB), sendo a primeira lei geral de educação que, posteriormente, foi
substituída pela Lei 9.394/1996.

 Assembleia Constituinte de 1946. Fonte: Tribunal Superior Eleitoral

/
 Constituição brasileira de 1967 | Fonte: Arquivo Nacional

CONSTITUIÇÃO DE 1967

De inspiração militar, foi decretada e promulgada pelo Congresso Nacional. O direito à educação foi
previsto no art. 168, que tratou especificamente da família, da educação e da cultura. Manteve, ainda,
alguns princípios gerais da educação, como o direito de todos, a liberdade de ensino, a igualdade de
oportunidades e a limitação da gratuidade, mas, ao mesmo tempo, inaugurou o regime de bolsas de
estudos restituíveis no ensino superior.

EMENDA CONSTITUCIONAL N. 1 DE 1969

É considerada por muitos historiadores como uma nova Constituição, com características mais
ditatoriais do que sua antecessora, cassando muitos dos princípios fundamentais. Todavia, manteve a
educação como um direito de todos e dever do Estado, com responsabilidade tanto deste quanto da
família.

/
 Marechal Artur da Costa e Silva (1899-1969), presidente do Brasil entre 1967 e 1969. Fonte:
Wikimedia

 Constituição de 1988 fortaleceu a cidadania do trabalhador. Fonte: Agência Senado

/
CONSTITUIÇÃO DE 1988

Em 5 de outubro de 1988, foi promulgada a atual “Constituição Cidadã”, em que o direito à educação
passou a ser considerado um direito social (art. 205), tendo, inclusive, uma redação dedicada a ela.

A obrigatoriedade da família continua expressa, mas o seu art. 227 a estende para a sociedade e o
Estado, assegurando à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, entre outros, o direito à
educação.

Nos termos do art. 195, caput, a educação é essencial para o desenvolvimento humano integral,
tornando-se necessário garantir a igualdade de condições de acesso e permanência na escola.

REPUBLICANA DO BRASIL, EM 1891


Art 72. A Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros residentes no País a inviolabilidade dos
direitos concernentes à liberdade, à segurança individual e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
§ 6º Será leigo o ensino ministrado nos estabelecimentos públicos.

CONSTITUIÇÃO PROMULGADA EM 16 DE JULHO DE


1934

Art 149. A educação é direito de todos e deve ser ministrada, pela família e pelos Poderes Públicos,
cumprindo a estes proporcioná-la a brasileiros e a estrangeiros domiciliados no País, de modo que
possibilite eficientes fatores da vida moral e econômica da Nação, e desenvolva num espírito brasileiro a
consciência da solidariedade humana.

ART. 130

Art 130. O ensino primário é obrigatório e gratuito. A gratuidade, porém, não exclui o dever de
solidariedade dos menos para com os mais necessitados; assim, por ocasião da matrícula, será exigida
aos que não alegarem, ou notoriamente não puderem alegar escassez de recursos, uma contribuição
módica e mensal para a caixa escolar.

/
ART. 166

Constituição Federal de 1946 Art 166.

A educação é direito de todos e será dada no lar e na escola. Deve inspirar-se nos princípios de
liberdade e nos ideais de solidariedade humana.

ART. 168 DO CAPÍTULO II

Constituição Federal de 1946 Art. 168.

A legislação do ensino adotará os seguintes princípios:


I. o ensino primário é obrigatório e só será dado na língua nacional;
II. o ensino primário oficial é gratuito para todos; o ensino oficial ulterior ao primário sê-lo-á para quantos
provarem falta ou insuficiência de recursos. (...)

ART. 168

A educação é direito de todos e será dada no lar e na escola; assegurada a igualdade de oportunidade,
deve inspirar-se no princípio da unidade nacional e nos ideais de liberdade e de solidariedade humana.
§ 1º O ensino será ministrado nos diferentes graus pelos Poderes Públicos.
§ 2º Respeitadas as disposições legais, o ensino é livre à iniciativa particular, a qual merecerá o amparo
técnico e financeiro dos Poderes Públicos, inclusive bolsas de estudo.
§ 3º A legislação do ensino adotará os seguintes princípios e normas:
I. o ensino primário somente será ministrado na língua nacional;
II. o ensino dos sete aos quatorze anos é obrigatório para todos e gratuito nos estabelecimentos
primários oficiais;
III. o ensino oficial ulterior ao primário será, igualmente, gratuito para quantos, demonstrando efetivo
aproveitamento, provarem falta ou insuficiência de recursos. Sempre que possível, o Poder Público
substituirá o regime de gratuidade pelo de concessão de bolsas de estudo, exigido o posterior
reembolso no caso de ensino de grau superior;

EDUCAÇÃO
/
Art 176. A educação, inspirada no princípio da unidade nacional e nos ideais de liberdade e
solidariedade humana, é direito de todos e dever do Estado, e será dada no lar e na escola.
§ 1º O ensino será ministrado nos diferentes graus pelos Poderes Públicos.
§ 2º Respeitadas as disposições legais, o ensino é livre à Iniciativa particular, a qual merecerá o amparo
técnico e financeiro dos Poderes Públicos, inclusive bolsas de estudo.
§ 3º A legislação do ensino adotará os seguintes princípios e normas:
I. o ensino primário somente será ministrado na língua nacional;
I. o ensino primário é obrigatório para todos dos sete aos quatorze anos e gratuito nos estabelecimentos
primários oficiais;
II. o ensino público será igualmente gratuito para quantos, no nível médio e superior, demonstrarem
efetivo aproveitamento e provarem falta ou insuficiência de recursos.
III. O Poder Público substituirá, gradativamente, o regime de gratuidade no ensino médio e no superior
pelo sistema de concessão de bolsas de estudo, mediante restituição, que a lei regulará.

ART. 205

A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com
colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício
da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

ART. 227

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com


absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização,
à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los
a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

ART. 195

A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei,
mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...)

/
A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 E A
EDUCAÇÃO
A Constituição de 1988 é considerada o marco da Nova República – período a partir da
redemocratização e que nos marca até os dias atuais. Suas proposições são ricas em debates sobre
questões fundamentais para uma nação democrática, destacando-se a presunção clara e indiscutível da
educação como um bem nacional, um objeto de política pública de primeira ordem e, por isso,
reafirmada em seus princípios.

No preâmbulo da Constituição Federal de 1988, já surge como garantia:

“(...) um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a
liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos
de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida,
na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias (...)

(BRASIL, 1988)

Estão presentes na Constituição de 1988 os seguintes temas:

FORMA DE GOVERNO
O artigo primeiro da CF/88 define a forma de governo a partir de então (República), constituída pela
federação indissolúvel da União, dos estados, dos municípios e do Distrito Federal, todos com governo
próprio e certa autonomia. O Brasil possui, atualmente, vinte e seis estados e o Distrito Federal, além de
mais de cinco mil municípios. Cada estado tem sua própria Constituição, e cada município tem sua Lei
Orgânica, que devem estar, todas elas, dentro dos limites estabelecidos pela Constituição Federal.

DEMOCRACIA
O artigo primeiro da CF/88 também dispõe que somos um Estado Democrático de Direito, isto é,
adotamos a democracia como forma de governo. Assim, o parágrafo único do art. 1º estabelece que
todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. Desse
modo, a Constituição e as demais leis valem, sem exceção, para todos os cidadãos, que devem
respeitar e ter respeitados os direitos humanos e as garantias fundamentais.

CIDADANIA
A cidadania também é um dos fundamentos da Carta Magna de 1988. Isso significa que o cidadão
brasileiro possui direitos e deveres para que possa participar da vida em sociedade. Cabe lembrar que
a primeira Carta Constitucional Brasileira data de 1824, tendo sido feita, portanto, ainda no tempo do /
Brasil Império. De lá para cá, tivemos sete Constituições, culminando com a atual Constituição Federal
de 1988, fruto de um longo caminho de lutas e de conquistas.

LEI ORGÂNICA

O conjunto de legislações para funcionamento das prefeituras, chamado de Lei Orgânica, é regido por
duas Constituições, a nacional e a estadual, e não pode se sobrepor a elas.

VIDA EM SOCIEDADE

Constituição Federal de 1988


Art. 6º - São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o
lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos
desamparados, na forma desta Constituição.

A parte denominada “A Ordem Social” (título VIII), mais especificamente no Capítulo III, é toda voltada
para a Educação (arts. 205 a 214). Logo no art. 205, a Constituição Federal dispõe que a educação é
um direito de todos e um de dever do Estado e da família, devendo ser promovida e incentivada com a
colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao seu preparo para o
exercício da cidadania e à sua qualificação para o trabalho.

 Fonte: Naassom Azevedo / Unsplash

/
DESSE ARTIGO, PODEM-SE DEDUZIR ALGUNS CONCEITOS
BÁSICOS ENVOLVENDO A EDUCAÇÃO:

É um direito de todos;

É um dever do Estado;

É um dever da família;

Deve ser fomentada pela sociedade.

TAMBÉM SE PODE INFERIR QUE OS OBJETIVOS GERAIS


DA EDUCAÇÃO PASSAM POR:

Pleno desenvolvimento da pessoa;

Preparo para o exercício da cidadania;

Qualificação para o trabalho.

O princípio de educação como direito de todos já fora expresso nas Constituições de 1934 e 1946.
Contudo, o que distingue a Constituição de 1988 das demais é o enquadramento da Educação como
direito social (art. 6º), ao mesmo tempo em que se torna um elemento da construção da dignidade da
pessoa humana e, portanto, da criação de um cidadão consciente, bem como um instrumento para a
erradicação da pobreza e redução das desigualdades sociais e regionais, promovendo o bem de todos,
sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

/
 Fonte: Perry Grone / Unsplash

A Constituição Cidadã de 1988 é uma profunda guinada para a Educação como um direito social (art.
6º), sendo, portanto, um dever do Estado (art. 204). Pela primeira vez na história da educação brasileira,
foi oficialmente e universalmente consagrada pela Constituição Federal a gratuidade do ensino público
em estabelecimentos oficiais (art. 206, IV).

No art. 204, a Educação é garantida como direito de todos. O art. 5º da CF/88 dispõe sobre o princípio
constitucional da igualdade, segundo o qual todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza. Nos diferentes incisos desse artigo, encontram-se afirmações acerca de formas e princípios de
igualdade. Todavia, a fim de garantir essa igualdade, o princípio estabelece que pessoas colocadas em
situações diferentes sejam tratadas de forma desigual para minimizar as disparidades, entendendo-se
que dar tratamento isonômico aos diferentes cidadãos significa tratar igualmente os iguais e
desigualmente os desiguais, na medida de suas desigualdades.

/
 Fonte: SERPRO

É nesse princípio que se baseia o direito à diferença na educação no que concerne às populações
historicamente discriminadas, como negros, indígenas e pessoas com deficiência e, ainda, no que se
refere ao direito à educação de populações de todos os grandes ciclos etários da vida.

 SAIBA MAIS

O princípio da igualdade na Constituição Federal de 1988 encontra-se expresso no art. 5º, que afirma:
“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança
e à propriedade (...)”.

ENTENDENDO A RELAÇÃO ENTRE A POLÍTICA


PÚBLICA E A EDUCAÇÃO

ANTES DE NOS APROFUNDARMOS MAIS NESTA


TEMÁTICA, RESPONDA:
/
A Constituição Federal de 1988 é chamada de Constituição Cidadã. O que é uma Constituição Cidadã?
Como ela pode ser caraterizada? Qual a relação entre sua caracterização cidadã e o modo como
expressa o tema da Educação?

RESPONDER

Para entender a Constituição de 1988, é necessário reconhecer tanto a Constituição que vigorava antes
quanto o contexto político e social da época. Apesar de ambas as Constituições serem republicanas, a
Constituição de 1967 era toda voltada para os direitos centralizadores do Estado; A Constituição de 1988, por
sua vez, é democrática e voltada para os direitos e as garantias dos cidadãos brasileiros.

A Constituição de 1988 restabeleceu a inviolabilidade de direitos e liberdades básicas e instituiu uma


vastidão de preceitos progressistas, como a igualdade de gêneros, a criminalização do racismo, a
proibição da tortura e os direitos sociais, como educação, trabalho e saúde para todos. Além disso,
reinstituiu o direito à livre manifestação de pensamento (vedado o anonimato) e a liberdade de
expressão intelectual, artística, científica e de comunicação (fim da censura), e garantiu a todo cidadão o
acesso a qualquer dado a seu respeito em arquivos do governo. Ela também restabeleceu o voto
universal e direto, sem distinção de classe ou gênero.

A Educação ganhou forma de direito fundamental na Constituição de 1988, devendo ser garantida, e faz
parte da própria constituição e da base do Estado Democrático. Entendida como garantidora para evitar
novos arroubos antidemocráticos, a Constituição constrói seu texto de forma a estruturar a Educação
como um interesse nacional.

/
 Sessão solene do Congresso Nacional em que foi promulgada a atual Constituição da República
Federativa do Brasil, no dia 5 de outubro de 1988. Fonte: Agência Senado

O QUE É UM ESTADO DEMOCRÁTICO DE


DIREITO? COMO PODEMOS PENSAR O TEMA
DA EDUCAÇÃO PÚBLICA A PARTIR DESSA
NOÇÃO?
Trata-se de uma junção de dois conceitos anteriores de Estado: um Estado social de Direito somado ao
Estado de bem-estar social. Compreende uma série de medidas que devem ser atendidas pelo Estado
soberano e democrático, buscando garantir os elementos básicos a fim de promover uma vida digna a
todos os cidadãos e todas as cidadãs.

 SAIBA MAIS

O Estado de Direito surgiu nos séculos XVII e XVIII no âmbito das revoluções inglesa e francesa, em
contraposição aos governos autoritários e absolutistas.

O direito à Educação aparece como meio de formação dos cidadãos das nações que vinham se
constituindo democraticamente. As Constituições foram o fundamento desse processo; a ideia de que
ninguém estaria acima das leis (ícone do modelo estamental do Antigo Regime) garantia um princípio de /
 Identificar os princípios da Educação, seus níveis e suas modalidades na LDB (Lei 9394/96)

ESTRUTURA E PROPOSTAS DA LEI 9394/96 –


LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO
NACIONAL (LDB)
Na trajetória constitucional brasileira, o tema Educação foi tratado com maior ou menor ênfase em
função de diferentes fatores, mas o tema da Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional não foi
sempre abordado. É isso que veremos a seguir.

A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO


NACIONAL
A primeira Constituição Brasileira a cogitar uma lei de diretrizes para a Educação foi a de 1934, que, no
seu art. 5º, atribuía à União a responsabilidade para traçar as diretrizes da educação nacional e de fixar
o Plano Nacional de Educação. Em seguida, a Constituição de 1937 traria diretrizes diferentes, e o
projeto para uma ampla lei educacional foi adiada.

Prevista na Constituição de 1946 e discutida política e academicamente no país por quinze anos,
somente em 1961 foi publicada a Lei n. 4.024/61, oficialmente a primeira Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional. Dez anos depois, foi alterada tão profundamente pela Lei n. 5692/71, que esta foi
considerada por muitos uma nova LDB. A Lei n. 5692/71 durou até 1996, quando foi promulgada a Lei n.
9.394, de 20 de dezembro de 1996.

/
 Palácio Gustavo Capanema, também conhecido como o prédio do Ministério da Educação e Cultura
(MEC) Fonte : MultiRio

 Autoridades reunidas ao redor da Mulher reclinada no dia da inauguração do palácio Gustavo


Capanema (Fonte: Memorial da Democracia)

As principais razões da demora na aprovação da Lei n. 9.394/96, prevista na Constituição de 1988 e


discutida ao longo dos oito anos que as separam, foram os intensos debates, a preocupação
democrática da tramitação e as questões políticas do país (em efervescência no período).

A LDB de 1996 reafirma o direito à Educação, definindo-a como dever da família e do Estado, inspirada
nos princípios da liberdade e nos ideais de solidariedade humana, buscando o pleno desenvolvimento
do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (art. 2º),
seguindo o princípio constitucional da educação como direito social (CF, art. 5º, caput).

O art. 22, XXIV, da Constituição Federal, determina que compete privativamente à União legislar sobre
os deveres do Estado, as diretrizes e as bases da educação nacional, estabelecendo que a Educação é
direito de todos e dever do Estado e da família, devendo ser promovida e incentivada com a colaboração
da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao seu preparo para o exercício da
cidadania e à sua qualificação para o trabalho.

/
COMPETÊNCIAS POLÍTICAS DA EDUCAÇÃO
Em linhas gerais, o texto da Lei 9.394/96 está dividido em nove temáticas:

TEMÁTICA 1
A primeira define os limites da educação escolar (art. 1º).

TEMÁTICA 2
No título II, são definidos os princípios e os fins da educação nacional, estabelecendo a Educação como
dever da família e do Estado (arts. 2º e 3º).

TEMÁTICA 3
No título III, que aborda o direito à Educação e o dever de educar, encontramos a obrigatoriedade e a
gratuidade da educação básica, atualmente dos quatro aos dezessete anos de idade.

TEMÁTICA 4
No título IV, a LDB aborda a organização da educação nacional, estabelecendo o regime de colaboração
entre a União, os estados e os municípios.

TEMÁTICA 5
No título V, a educação brasileira é dividida em dois níveis: a educação básica e o ensino superior e
conta com diferentes modalidades de ensino e os modos possíveis de organização dos sistemas de
ensino e das propostas pedagógicas, preconizando a pluralidade de concepções pedagógicas como um
dos princípios da educação nacional. É proposta a gestão democrática da educação pública, com
progressiva autonomia pedagógica e administrativa, e a gestão financeira das unidades escolares.

TEMÁTICA 6
O título VI é dedicado aos profissionais da educação (arts. 61 a 67), estabelecendo que sua formação
seja feita em curso superior de Pedagogia ou pós-graduação (art. 64), admitindo, para atuar na
educação básica, educação infantil e nas quatro primeiras séries do fundamental, formação em curso
Normal do ensino médio (art. 62).

TEMÁTICA 7
O título VII é dedicado aos recursos financeiros, estabelecendo as fontes dos recursos destinados à
Educação e que a União deve gastar, no mínimo, 18% e os estados e municípios, no mínimo, 25% de
seus respectivos orçamentos na manutenção e no desenvolvimento do ensino público (art. 69);

TEMÁTICAS 8 E 9
Os dois últimos temas abordam as disposições gerais e transitórias que acompanham toda lei.
/
PRINCÍPIOS QUE REGEM A EDUCAÇÃO
NACIONAL
Debruçando-nos sobre o que afirma a LDB de 1996 em seus elementos de maior relevância,
estudaremos a seguir os princípios que regem a educação nacional (título II, arts. 2º e 3º) e as questões
relacionadas à gestão democrática e aos níveis e às modalidades de ensino nelas previstos.

A LDB APRESENTA NO TÍTULO II, EM SEU ARTIGO 3º:


Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I. igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II. liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III. pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
IV. respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V. coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII. valorização do profissional da educação escolar;
VIII. gestão democrática do ensino público, na forma desta lei e da legislação dos sistemas de ensino;
IX. garantia de padrão de qualidade;
X. valorização da experiência extraescolar;
XI. vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.

O conjunto de onze princípios, dispostos no art. 3º da LDB (Lei 9394/96), indica a exigência de respeito
a princípios republicanos e constitucionais. Cabe analisá-los, então, nessa perspectiva, de princípios
educacionais que seguem a compreensão da Constituição Federal sobre os direitos dos cidadãos de
uma república democrática. Assim, trata-se de respeito à igualdade e à liberdade em diferentes formas e
instâncias e, também, de respeito a exigências democráticas mais amplas, relacionadas aos modos de
gestão no sistema público de educação, com a gestão democrática prevista no princípio VII, fortemente
mutilado em relação à sua versão anterior no projeto de lei substituído pelo de Darcy Ribeiro, que deu
origem a esta LDB.

DARCY RIBEIRO

Darcy Ribeiro (1922-1997) foi um antropólogo, educador e político brasileiro. Criador do projeto de
educação integral no Rio de Janeiro. Destacou-se como senador pela articulação para aprovação da
LDB, não acidentalmente chamada de Lei Darcy Ribeiro.

/
isonomia – lema da Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade –, realizando o princípio de
que todos deveriam ser entendidos como cidadãos de direitos.

Vencendo velhos traços que eram marcados pela exploração violenta, como a escravidão, o Direito dos
Homens, os Direitos Humanos, os Direitos da Crianças e os tratados do pós-guerra mundial
transformaram o ideal democrático em um valor, e a usurpação foi entendida como algo a ser
combatido. Ainda que os regimes mais ditatoriais se submetessem formalmente às Constituições e aos
princípios que, embora de forma disfarçada, tinham relevo constante no mundo dos séculos XX e XXI.

Neste vídeo, com o professor Rodrigo Rainha, especialistas respondem a perguntas sobre as diferentes
políticas educacionais implementadas no Brasil ao longo de suas sete Constituições.

VERIFICANDO O APRENDIZADO

/
No caso da igualdade, trata-se de uma igualdade almejada entre diferentes – daí o princípio da presença
de pluralismo de ideias e concepções pedagógicas no sistema educacional e de respeito à
liberdade e apreço à tolerância, princípios que se articulam, também, ao tema da liberdade, já que a
liberdade cidadã tem como corolário o direito de acessar conhecimentos e informações plurais e isso
precisa se fazer presente no sistema educacional.

A efetivação desse princípio exige a liberdade de cátedra para o acesso a conhecimentos plurais e
perspectivas igualmente plurais para compreensão deles, conforme elencado com precisão no princípio
II, que trata da liberdade de aprender, ensinar, pesquisar. Ainda nesse sentido, os princípios X e XI
dispõem a perspectiva de uma democracia na relação entre diferentes conhecimentos no sistema
educacional. Ao prever a valorização da experiência extraescolar (X) e a vinculação entre a
educação escolar, o trabalho e as práticas sociais (XI), a LDB assume que a garantia da democracia
no acesso, na permanência e no direito de aprender, subliminar à ideia da qualidade, só pode ser efetiva
se (e quando) os estudantes tiverem seus conhecimentos presentes no processo pedagógico pela
valorização daquilo que trazem para a escola e possam, por meio das aprendizagens escolares,
potencializar sua inserção no meio profissional e no exercício da cidadania plena, desenvolvendo e
compreendendo mais amplamente as práticas sociais.

 Fachada do Ministério da Educação (MEC) em Brasília. Fonte: Wikimedia

No que se refere à igualdade específica de acesso e à permanência do primeiro princípio, entendemos


que o princípio da gratuidade (VI) lhe é complementar. E considerando o princípio V, da coexistência de
instituições públicas e privadas, torna-se indispensável sua complementação pelo princípio IX, da
garantia de padrão de qualidade.

 ATENÇÃO
/
É condição sine qua non da igualdade assegurar que todos, em instituições públicas ou privadas,
tenham acesso a ensino de qualidade. No mesmo sentido, podemos entender o princípio da valorização
do profissional de educação, que só assim pode atuar com qualidade, já que uma forma de valorização
do profissional é assegurar a ele condições materiais e intelectuais de atuação. Essa valorização,
portanto, embora também diga respeito a questões de remuneração, não se limita a isso.

NÍVEIS E MODALIDADES DE ENSINO


Dimensão de forte relevância na LDB; em seu título V (arts. 21 a 60) encontramos a seguinte descrição
dos níveis e das modalidades de ensino:

A educação básica, composta de três níveis:

 Fonte: CDC / Unsplash

Educação infantil – creches (de 0 a 3 anos) e pré-escolas (de 4 e 5 anos)

É gratuita, mas não obrigatória até os 3 anos, sendo exigida a partir dos 4 anos de idade, desde a
aprovação da Lei n. 12.796/2013, que atende ao aprovado pela Emenda Constitucional n. 59 de 2009. É
de competência dos municípios (arts. 29 a 31).

/
 Fonte: Taylor Wilcox / Unsplash

Ensino fundamental – anos iniciais (do 1º ao 5º ano) e anos finais (do 6º ao 9º ano)

É obrigatório e gratuito. Desde 1971, com a aprovação da Lei n. 5692/1971, contava com oito anos de
escolaridade. Desde 2006 (Lei n. 11.274/2006), tem a duração de nove anos. A LDB estabelece que,
gradativamente, os municípios serão os responsáveis por todo o ensino fundamental. Na prática, os
municípios estão atendendo aos anos iniciais e os estados, aos anos finais (arts. 32 a 34) dessa etapa
da educação básica.

 Fonte: Alexis Brown / Unsplash

Ensino médio

O antigo 2º grau na Lei n. 5692/1971 (do 1º ao 3º ano) foi renomeado como ensino médio na LDB. É de
responsabilidade dos estados. Pode ser técnico profissionalizante, ou propedêutico (arts. 35 e 36). Não
obrigatório quando da aprovação da LDB. Passou a sê-lo, para pessoas até 17 anos, a partir de 2013,
quando da aprovação da Lei n. 12.796/2013.

 SAIBA MAIS

O ensino superior é de competência da União, podendo ser oferecido por estados e municípios, desde
que eles já tenham atendido aos níveis pelos quais são responsáveis em sua totalidade. Cabe à União
autorizar e fiscalizar as instituições privadas de ensino superior (arts. 43 a 57).

A educação brasileira conta ainda com algumas modalidades de educação que perpassam todos os
níveis da educação nacional. São elas

/
 Fonte: wavebreakmedia / Shutterstock

EDUCAÇÃO ESPECIAL

Atende aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino.

 Fonte: Black Jack / Shutterstock

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA /
Atende aos estudantes em tempos e espaços diversos, com a utilização de meios e tecnologias de
informação e comunicação (arts. 58 a 60).

 Fonte: Rawpixel.com / Shutterstock

EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA

Visa preparar os estudantes a exercerem atividades produtivas, atualizando e aperfeiçoando


conhecimentos tecnológicos e científicos (arts. 39 a 42).

/
 Fonte: PhotoSky / Shutterstock

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Atende às pessoas que não tiveram acesso à Educação na idade apropriada (arts. 37 e 38).

 Fonte: Ministério da Educação

EDUCAÇÃO INDÍGENA

Atende às comunidades indígenas, respeitando a cultura e a língua materna de cada tribo.

Essa estrutura prevista, organizada em níveis e modalidades de educação, traz novidades em relação
às anteriores, tanto em sua nomenclatura quanto em relação aos significados que pretende expressar.
Resumindo compreensivamente os itens elencados, podemos dizer que o ensino fundamental não sofre
grandes alterações na primeira versão da lei, já que herda o perfil do anterior ensino de 1º grau (Lei n.
5692/1971).

MODIFICAÇÕES NO ENSINO FUNDAMENTAL


Atualmente modificado, o ensino fundamental tem a duração de nove anos, não oito como incialmente
previsto, e tem ao seu lado como obrigatórios a educação infantil, a partir dos 4 anos de idade, e o
ensino médio, até 17 anos de idade.

REFORMA DO ENSINO MÉDIO


/
O ensino médio sofreu reforma recente (Lei n. 13.415/2017), tendo modificada sua estrutura, que previa
a oferta para todos os alunos do conhecimento de todas as áreas, para um modelo de itinerários
formativos, que supostamente devem ser escolhidos pelo estudante, mas oficialmente dependem da
oferta local de itinerários possíveis. Trata-se de levar o estudante a, desde os 15 anos, estudar apenas
os conhecimentos de uma área, ou o ensino profissionalizante, de acordo com o itinerário escolhido,
perspectiva que retoma o previsto na LDB 4.024/1961 e compromete a integralidade da formação.

A intenção das modalidades previstas na LDB era assegurar a universalização do acesso à educação
básica, viabilizando uma estrutura do sistema educacional que permitisse a todos os cidadãos
exercerem seu direito constitucional à Educação, respeitando suas trajetórias sociais, pertencimentos
culturais, necessidades de formação específica em função de deficiências diversas, necessidades de
profissionalização ou de acesso ao ensino não presencial.

 Fonte: Rick Neves / Shutterstock

É possível perceber – na LDB e na legislação complementar que a regulamenta e vem atualizando – a


vontade política de atendimento aos preceitos da Constituição Cidadã de 1988 no que se refere ao
direito subjetivo de todos à Educação, explicitando compromissos que articulam esse direito ao dever do
Estado e da família em oferecê-lo. Dessa articulação, deriva a obrigatoriedade de oferta e frequência
aos estudantes da educação básica.

Nota-se, na LDB, o respeito aos princípios republicanos da igualdade, da liberdade e da fraternidade no


estudo do seu artigo 3º, particularmente bem-sucedido no tratamento das necessidades não óbvias
ligadas a esses princípios quando se refere à importância dos conhecimentos não escolares e à
necessidade de valorização docente.

Finalmente, a estrutura em grade – vertical e horizontal – do sistema traz para a legislação a


possibilidade da efetiva universalização do exercício do direito à Educação ao buscar assegurar às
/
 Reconhecer, na LDB, os temas mais relevantes do cenário educacional brasileiro historicamente

RECONHECENDO A LDB COMO UM


INSTRUMENTO DE POLÍTICA PÚBLICA
Abordaremos alguns temas específicos que vêm se constituindo como focos de grandes debates entre
campos políticos distintos há muito tempo. São questões polêmicas que atravessam o tempo, e os
debates em torno da educação nacional, sua estrutura e características desembocam sobre problemas
mais globais que envolvem:

A própria identidade nacional – como é o caso do ensino religioso;

Os princípios regentes da questão da coisa pública – como a gestão e o financiamento da


Educação;

Os princípios e as necessidades da formação docente;

O embate entre a unificação e o respeito à pluralidade nacional, tanto no que se refere a propostas
curriculares quanto no que diz respeito às modalidades de ensino, com especial destaque ao
problema da profissionalização e do acesso ao ensino superior.

Esses diferentes temas perpassam nossa história e estão presentes no Manifesto dos Pioneiros da
Educação Nova, de 1932, como veremos a seguir.

/
 Fonte: Melina Massola / Shutterstock

Os temas deste módulo se relacionam aos princípios para a educação pública preconizados pelo
Manifesto dos Pioneiros de 1932: laicidade, gratuidade e obrigatoriedade da escola básica – de 7 a 15
anos de idade – além da chamada coeducação, ou seja, a não separação de meninas e meninos na
escola pública.

NO DOCUMENTO, PROPUNHAM SEUS SIGNATÁRIOS:


A laicidade, gratuidade, obrigatoriedade e coeducação são outros tantos princípios em que assenta a
escola unificada e os quais decorrem tanto da subordinação à finalidade biológica da educação de todos
os fins particulares e parciais (de classes, grupos ou crenças), como do reconhecimento do direito
biológico que cada ser humano tem à educação. A laicidade, a qual coloca o ambiente escolar acima de
crenças e disputas religiosas, alheio a todo o dogmatismo sectário, subtrai o educando, respeitando-lhe
a integridade da personalidade em formação, à pressão perturbadora da escola quando utilizada como
instrumento de propaganda de seitas e doutrinas. A gratuidade extensiva a todas as instituições oficiais
de educação é um princípio igualitário que torna a educação, em qualquer de seus graus, acessível não
a uma minoria, por um privilégio econômico, mas a todos os cidadãos que tenham vontade e estejam
em condições de recebê-la. Aliás o Estado não pode tornar o ensino obrigatório, sem torná-lo gratuito.

A QUESTÃO DO ENSINO RELIGIOSO


O ensino religioso está presente nos embates educacionais brasileiros desde antes da Independência.
Ainda no século XVIII, um conflito entre a coroa portuguesa e os jesuítas levou à expulsão destes pelo
Marquês de Pombal, tanto de Portugal quanto de suas colônias.

Embora houvesse outras entidades educadoras no país, era a educação jesuítica, e a catequese a ela
associada, que prevalecia no território nacional. A meta dessa educação era efetivamente mais a de
recrutar fiéis e servidores para uma Igreja Católica enfraquecida pela Reforma Luterana.

EDUCAÇÃO JESUÍTICA

Conforme Almeida (2014), a educação jesuítica no Brasil teve início em 1549, com a Companhia de
Jesus, representante da Igreja Católica, fundada por Inácio de Loyola, em um contexto de reação da
Igreja Católica à Reforma Protestante, sendo a protagonista do início de nossa história educacional, com
hegemonia do ensino brasileiro até 1759, quando os padres jesuítas foram expulsos de Portugal e de
suas colônias pelo Marquês de Pombal.

/
Assim, missões em comunidades indígenas e escolas foram criadas e atendiam a “curumins” e filhos de
colonos que trabalhavam nas missões e nas regiões nas quais elas se instalavam, dando lugar,
posteriormente, a uma educação destinada à formação das elites nacionais, excluindo as mulheres. Era
um ensino desvinculado das características da sociedade brasileira, sem praticidade na formação e sem
compromisso com qualquer tipo de qualificação profissional, desnecessária em um cenário agrícola e
escravocrata.

De acordo com Almeida (2014), pode-se dizer que o ensino jesuítico contribuiu para a sistematização da
educação na colônia, educando as elites, excluindo, portanto, os menos afortunados, como mulheres,
negros e pobres. A expulsão dos jesuítas, no entanto, não provocou grandes mudanças nas propostas
e práticas educacionais do país, embora estivesse influenciada pela adesão do Marquês ao ideário do
enciclopedismo europeu.

 Jogar Capoëra - Danse de la guerre por Johann Moritz Rugendas. Fonte: Wikimedia

Esse momento marca, talvez, a primeira ruptura de uma série, que se manifestaria de múltiplas formas e
prossegue até os dias atuais, entre a Igreja e o Estado, o qual assumiu naquele momento, pela primeira
vez, a responsabilidade pela oferta da Educação no Brasil.

Desde então, o embate entre perspectivas de educação centradas em valores da Igreja ou em


perspectivas sociais capitaneadas pelo Estado laico permanece. Entre crises, acordos e oposições entre
a visão da Igreja e do Estado em relação à Educação, um tema turbulento em todo debate educacional
legal e político no Brasil, expresso desde o início do período republicano no papel a ser atribuído ao
ensino religioso pela legislação e os modos de sua efetivação num país que tem como princípio a
laicidade do Estado e da Educação.

Desde a proclamação da República, o embate vem se expressando em documentos e discussões, ora


mais explicitamente, ora incorporado a temáticas mais amplas, como no caso do Manifesto dos
Pioneiros. Na LDB de 1996, muitas mudanças em relação à oferta do ensino religioso já ocorreram, bem
como foi polêmica sua inclusão na BNCC do ensino fundamental em 2017. Essas variações se
relacionam com conflitos presentes na sociedade entre grupos políticos mais progressistas e mais
conservadores, ao mesmo tempo em que refletem a posição das instituições religiosas e igrejas em
diferentes momentos da política nacional.
/
 Antigo Colégio dos Jesuítas em Salvador, Bahia. Fonte: Wikimedia

Entre a força dos jesuítas e a educação ligada à catequese que efetivavam a governos populares mais
apartados das pressões religiosas os quais privilegiavam aspectos da formação cidadã na perspectiva
da laicidade, muitas foram as formas por meio das quais a legislação retratou o momento político.
Observemos as três versões da LDB: a Lei n. 4.024/1961, a Lei n. 5.692/1971 e, finalmente e de modo
mais atento, as diferentes versões da Lei n. 9394/1996 para dar consistência ao nosso debate.

Conforme a LDB, embora de oferta obrigatória, o ensino religioso não é financiado pelo Estado e
tampouco os docentes são ligados às escolas. Caberia, nessa perspectiva, às diferentes instituições
religiosas indicar – e fica subentendido – e remunerar os docentes, cabendo à escola pública apenas o
papel de recebê-los. Já na reformulação operada na Lei n. 5.692/1971, o ensino religioso parece perder
espaço, sendo enunciado como parágrafo único do artigo 7º, em apenas duas linhas.

LEI N. 4.024/1961

Na Lei 4.024/61 lê-se que: Art. 97. O ensino religioso constitui disciplina dos horários das escolas
oficiais, é de matrícula facultativa, e será ministrado sem ônus para os poderes públicos, de acôrdo com
a confissão religiosa do aluno, manifestada por êle, se fôr capaz, ou pelo seu representante legal ou
responsável. § 1º A formação de classe para o ensino religioso independe de número mínimo de alunos.
§ 2º O registro dos professôres de ensino religioso será realizado perante a autoridade religiosa
respectiva.

/
PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 7º

Parágrafo único. O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais
dos estabelecimentos oficiais de 1º e 2º graus.

No entanto, a ideia de que o ônus não cabe ao Estado desaparece, bem como a responsabilidade das
instituições religiosas pela indicação de docentes e o respeito às diferentes crenças. A primeira
impressão de perda de espaço é, portanto, ilusória. Percebe-se, a partir dessa nova redação, que o
Estado se ocupará mais efetivamente dessa oferta, sem abrir espaço para diferentes crenças, apenas
assegurando a liberdade ao aluno de não frequentar as aulas.

Já a Lei n. 9.394/1996, quando da sua aprovação, não previa o ônus do Estado pela oferta, nos moldes
da Lei n. 4.024/1961. No entanto, a forte pressão de grupos religiosos logo fez com que o artigo 33 fosse
alterado e a obrigatoriedade da oferta do ensino religioso nas escolas públicas passou a ser financiada
pelo Estado a partir da redação dada pela Lei n. 9.475/1997.

 Fonte: Joa Souza/ Shutterstock

Embora a liberdade do aluno em cursar ou não o ensino religioso tenha permanecido e a ideia da
pluralidade de crenças esteja na lei, o crescimento da influência de religiões cristãs sobre o Estado nos
últimos anos vem produzindo efeitos sobre as escolas que, cada vez mais, inserem orações cristãs em
suas práticas cotidianas, sem que aos alunos seja efetivamente facultada a possibilidade de não as
frequentar.

 SAIBA MAIS
/
“Na maioria das escolas públicas brasileiras, para passar de ano, os alunos têm que rezar. Literalmente.
Levantamento feito pelo portal QEdu, a partir de dados do questionário da Prova Brasil 2011, do
Ministério da Educação, mostra que em 51% dos colégios há o costume de se fazer orações ou cantar
músicas religiosas. Apesar de contrariar a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), segundo a qual o ensino
religioso é facultativo, 49% dos diretores entrevistados admitiram que a presença nas aulas dessa
disciplina é obrigatória. Para completar, em 79% das escolas não há atividades alternativas para
estudantes que não queiram assistir às aulas”. Fonte: Fábio Campana.

Leia o artigo completo Contra a lei, ensino religioso é obrigatório em 49% de escolas públicas, de Fábio
Campana, indicado no Explore Mais.

ACERCA DO QUE FALAMOS SOBRE O ENSINO RELIGIOSO,


PROPOMOS A SEGUINTE REFLEXÃO:

O debate em torno do ensino religioso e do direito dos alunos a não o frequentarem vem ganhando
contornos cada vez mais vivos e polêmicos no cenário social e político. Lendo a notícia abaixo e
considerando o que prevê a legislação, como você se posicionaria diante do fato?

A., de 13 anos, estuda numa escola municipal em São João de Meriti em que o ensino religioso é
confessional e a presença nas aulas, obrigatória. Praticante de candomblé, ela diz sofrer discriminação
por parte de três professoras evangélicas, que tentam convertê-la. Com medo de retaliações, a menina
pede que nem seu nome nem o de seu colégio sejam identificados. Segundo seu relato, é obrigada não
só a frequentar as aulas, como também a fazer orações.

RESPONDER

A aluna não poderia, nos termos do artigo 33 da LDB, ser obrigada a frequentar a aula de religião, já que a
matrícula nessa disciplina é facultativa. No entanto, sozinha em um ambiente que não assegura seu direito
de crença e, com isso, o de não se matricular no ensino religioso, previsto na Constituição e assegurado na
LDB, ela se vê discriminada em função de suas crenças e obrigada a obedecer à norma local, em confronto
com a legislação oficial. A atitude da escola fere a Constituição e a LDB, mas a inexistência de mecanismos
eficientes de proteção ao direito da aluna a obriga a seguir fazendo o que lhe dizem ser obrigatório. /
populações marginalizadas ou esquecidas pelo sistema regular formal de ensino, o acesso a
modalidades específicas de educação destinadas ao atendimento de suas necessidades peculiares.

Neste vídeo, com o professor Rodrigo Rainha, especialistas respondem a perguntas sobre os princípios
norteadores da LDB.

VERIFICANDO O APRENDIZADO

/
O PAPEL DO ESTADO E DA FAMÍLIA NA
EDUCAÇÃO NACIONAL E A LEGISLAÇÃO
PERTINENTE
Outra temática, também presente no Manifesto dos Pioneiros e em embates históricos em torno da
educação nacional, se relaciona com os princípios regentes da questão da coisa pública e as obrigações
do Estado perante os cidadãos.

Os temas da gratuidade e da obrigatoriedade da Educação e as questões relacionadas ao financiamento


e à gestão da educação pública são, possivelmente, os principais aspectos debatidos nesse embate dos
limites e das possibilidades de o Estado contemplar devidamente sua obrigação de oferta de educação
pública de qualidade para todos, financiando-a sem que entidades privadas se beneficiem dessa verba
destinada à Educação.

A preocupação explícita no Manifesto dos Pioneiros com a autonomia financeira do sistema educacional
preconizava que:

A autonomia econômica não se poderá realizar, a não ser pela instituição de um "fundo especial ou
escolar" que, constituído de patrimônios, impostos e rendas próprias, seja administrado e aplicado
exclusivamente no desenvolvimento da obra educacional pelos próprios órgãos do ensino incumbidos de
sua direção.

(AZEVEDO et al., 2006)

/
 Fonte: Maarten Zeehandelaar / Shutterstock

Apesar desse alerta já em 1932, apenas na Constituição Federal de 1988 ficou explicitado o modo como
a educação pública deveria ser financiada pelo Estado, assegurando menos instabilidade financeira ao
Sistema Público de Educação, já que a CF previu a garantia de verbas para a Educação, entendendo
como mínimo necessário 18% do valor arrecadado para a União e 25% para estados e municípios. O
cálculo desses valores se faz com base na receita resultante dos impostos e das transferências
constitucionais, conforme assinalado no artigo 212 da Constituição. O objetivo oficial dessa
normatização é assegurar que municípios e estados mais pobres não sejam prejudicados em sua
capacidade de garantir a oferta de educação de qualidade por falta de verbas.

CONSTITUIÇÃO

Além disso, no artigo 211, § 1º, da Constituição Federal de 1988 está escrito:
A União organizará o sistema federal de ensino e financiará as instituições de ensino públicas, federais e
exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de
oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e
financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.

Posteriormente à LDB, ainda em 1996, foi criado o Fundo Nacional de Financiamento do Ensino
Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF), ampliado a partir de 2007 ao restante da educação
básica, passando a se chamar Fundo Nacional de Financiamento da Educação Básica e Valorização
dos Profissionais da Educação (FUNDEB). De acordo com informe elaborado por Cleo Manhães (2019),
do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), esses fundos representam uma tentativa de
racionalização do gasto com a educação.
/
Em relação ao problema do subfinanciamento, um dos motivos apontados pela analista é o fato de a
União subdimensionar o custo-aluno para não ser obrigada a repassar os valores não atingidos por
estados e municípios, como previsto na normatização do FUNDEB.

 Fonte: Maarten Zeehandelaar / Shutterstock

INSTITUTO DE ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS


(INESC)

Nas palavras do próprio instituto “No mundo em que vivemos, nada é mais urgente do que a garantia de
direitos humanos para todas e todos. Para isso acontecer, precisamos melhorar processos
democráticos, fortalecer cidadãos e movimentos populares e combater todas as formas de
opressão, desigualdade e preconceito.”

FUNDEB

O cálculo do FUNDEB também é feito de acordo com o número de matrícula na educação básica
pública de acordo com os dados do último censo escolar, feito anualmente. Divide-se o montante pelo
número de matriculados para se obter o valor por aluno e em seguida repassar aos Estados e
municípios a parte que cabe a cada um. Aqueles que não atingirem o valor mínimo por aluno deverão ter
complementação da União (MANHÃES, 2019, p. 2).

/
 SAIBA MAIS

A transição do FUNDEF para o FUNDEB significou o aumento da complementação da União aos fundos
estaduais, de R$492 milhões, em 2006, para cerca de R$14 bilhões, em 2019. [...]

Como sempre houve um subfinanciamento da Educação, ao FUNDEB foram acrescidos novos recursos,
como os oriundos do IPVA, por exemplo, ampliando o financiamento e o número de alunos atendidos,
mas não equacionando, ainda, a questão do subfinanciamento (MANHÃES, 2019).

O debate em torno da destinação das verbas públicas é tão antigo quanto o próprio debate em torno da
educação pública. E, no que se refere à legislação e aos debates públicos, tão oscilante quanto os
demais debates tratados neste módulo.

Em diferentes momentos e normatizações, houve impossibilidade de acordo em relação ao tema e aos


embates entre grupos que defendiam a exclusividade de verbas públicas para a educação pública e os
que aceitam e defendem o financiamento de instituições privadas, alegando a prestação de serviço por
parte delas, considerado público, devendo, portanto, receber parte da verba destinada à Educação. O
termo foi seguidamente usado em leis e normas para defender, sem garantir, a destinação das verbas
ao sistema público, sendo defendido por uns e criticado por outros a cada momento.

 Fonte: Alex Oakenman / Shutterstock

Em nota recente, o Grupo de Trabalho Estado e Política Educacional da Associação Nacional de Pós-
graduação e Pesquisa em Educação (GT 5 – ANPEd) assume claramente a defesa da exclusividade das
verbas públicas para a educação pública.

O GT 5 – ANPED AFIRMA:
/
A ANPEd, por meio da atividade de pesquisadores(as) vinculados(as) ao GT 5 – Estado e Política
Educacional, tem desenvolvido inúmeros estudos sobre a relação entre o investimento público em
Educação e a diminuição das desigualdades educacionais, estabelecida como condição para a
viabilização do direito humano à Educação. Tal relação nos levou, historicamente, à defesa não apenas
da ampliação do montante de recursos públicos, mas também de sua destinação exclusiva à escola
pública, entendida segundo o art. 19 da LDB.

A transferência de recursos públicos para escolas privadas é uma nódoa histórica do Estado brasileiro
que acentua as desigualdades escolares, efetivando-se tradicionalmente de forma indiscriminada ou
clientelista. Apesar de mantida, com restrições pela Constituição Federal de 1988, fato inédito em nossa
legislação, a temática do repasse de recursos públicos para o setor privado arrefece nos anos seguintes
à aprovação da CF/88, mas reaparece sob novas formas, impulsionada por alterações constitucionais
levadas a cabo a partir do governo de Fernando Henrique Cardoso e estimulada pela aprovação da EC-
95/2016 que fixa um teto para o investimento governamental em despesas primárias.

Na legislação atual, conforme prevê o artigo 213 da Constituição, os recursos públicos podem ser
destinados também a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, desde que comprovem não
terem fins lucrativos e se comprometam a aplicar excedentes financeiros em Educação. De acordo com
o referido artigo, inciso II, ainda é necessário que, em caso de encerramento de atividades, destinem
seu próprio patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional – ou ao poder público.

Longe de concluída, como se vê nos debates atuais e nas tantas idas e vindas legais e políticas do
tema, a questão do financiamento da Educação segue mobilizando defensores de diferentes posições,
que vão desde a exclusividade de verbas públicas para a Educação e a escola pública até a defesa do
financiamento de escolas e sistemas privados com fins lucrativos.

 SAIBA MAIS

Em texto esclarecedor sobre essa questão financeira e a relação entre público e privado na educação
nacional, Martins (2005) afirma que:

No plano da legislação ordinária, o artigo 20 da LDB, ao categorizar as chamadas instituições privadas


de ensino, entende que as particulares são definidas, em sentido estrito, como as escolas instituídas e
mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado, sem as características das
demais escolas privadas, isto é, comunitárias, confessionais e filantrópicas.

São entendidas como confessionais, segundo a LDB, no inciso III do referido artigo, as escolas
instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem à
orientação confessional e ideologia específicas. As escolas filantrópicas são regidas por lei própria.

As escolas comunitárias, a partir da Lei 11.183, que dá uma nova redação ao inciso II do caput do art. 20
da Lei n. 9.394/96, são consideradas as instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais /
pessoas jurídicas, inclusive cooperativas de pais, professores e alunos, que incluam em sua entidade
mantenedora representantes da comunidade.

A QUESTÃO DO DUALISMO NA EDUCAÇÃO E


NA SOCIEDADE
O confronto entre a unificação da oferta e o respeito à pluralidade nacional representou, em diferentes
momentos de formulação e implementação de políticas educacionais e legislação que a fundamenta, um
sério embate político. Essa discussão aparece e se expressa no que se refere a:

Programas de inclusão;

Modos de organização do sistema;

Termos de normas nacionais em relação aos currículos escolares em diferentes níveis e


modalidades;

Direitos de diferentes segmentos populacionais ao acesso e à permanência no sistema escolar.

 Fonte: Monkey Business Images / Shutterstock

Poderíamos tratar de aspectos diversos, como o financiamento público para a educação privada. De um
lado busca-se a excelência em gestão de recursos, atendendo a um púbico mais amplo do que o das
instituições públicas, com regras e burocracias que as deixam menos dinâmicas. De outro lado, essas
/
mesmas instituições alegam não atingir a modernização necessária por falta de investimento público. O
dualismo se materializa em contradição entre a ação necessária da política pública para atender aos
anseios sociais e a necessidade de cumprir o orçamento e as demandas do capital, os quais fazem
parte do Estado e de suas necessidades.

O dualismo permeia a história da educação brasileira. Veja a seguir:

A PROFISSIONALIZAÇÃO
O exemplo mais flagrante do dualismo na educação brasileira envolve a questão da profissionalização.
Já no texto da Reforma Capanema, de 1937, fica claro que a escola para as elites deve preparar para o
prosseguimento de estudos até níveis superiores e a escola para as populações menos afortunadas
deve se limitar a ensinar o necessário para a profissionalização rápida e o ingresso no mercado de
trabalho. A chamada Reforma Capanema reformulou a estrutura da escolarização e criou o ensino
colegial, que dava acesso às universidades, paralelamente ao ramo secundário técnico/profissional, com
caráter de terminalidade.

A NORMATIZAÇÃO DO DUALISMO
A LDB 4.024/61 manteve uma normatização dualista a qual não previa – para alunos que frequentaram
o ensino técnico, voltado à formação profissional – a possibilidade de ingresso no ensino superior,
especificamente referido como possibilidade aos concluintes do colegial (atual ensino médio). Talvez
surpreendentemente, a Lei n. 5.692/1971 rompe com esse dualismo em sua estrutura ao prever a
unificação, no que passou a ser chamado de segundo grau, entre a formação propedêutica destinada ao
ingresso no nível superior e a formação profissional. Segundo a lei, todos os estabelecimentos de
ensino, públicos e/ou privados, deveriam oferecer simultaneamente formação geral e profissional.

A TENTATIVA DE SUPERAÇÃO DO DUALISMO


A nova legislação, a partir da fusão entre sistemas antes separados de formação técnica profissional e
formação propedêutica, assume como intenção a superação do dualismo que vigorava na norma
anterior. No entanto, ao contrário do que esperavam os legisladores, a norma foi um fracasso e retirada
da lei em 1982, quando foi aprovada a Lei n. 7.044/1982, que desobrigava as instituições de ensino a
formar profissionais e a preparar estudantes para o acesso ao ensino superior simultaneamente.

Concretamente, percebe-se que a lei produziu e aprofundou a legitimação da exclusão dos estudantes
que frequentavam escolas reconhecidas pela qualidade da sua formação profissional, já que essas
nunca conseguiram oferecer, em condições ideais, a formação geral necessária para o ingresso no nível
superior.

Os alunos que frequentavam o segundo grau técnico continuaram a ter dificuldade de ingressar nas
faculdades e universidades, porque não obtinham notas suficientemente altas para alcançar as vagas
pretendidas, as quais continuaram sendo ocupadas pelos estudantes provenientes das escolas de
excelência em formação geral. Essas, por sua vez, jamais conseguiram formar dignamente profissionais
de nível médio, mas isso não era um problema, considerando que a meta das elites era o ingresso na /
universidade. A partir de 1982, então, voltamos a ter o mesmo problema antes observado, de um
dualismo, que se não era mais oficial, permanecia ativo e produzindo a exclusão das classes
trabalhadoras do nível superior.

ESTRUTURA DA ESCOLARIZAÇÃO

O estudioso Saviani (2008) esclarece: o conjunto das reformas tinha caráter centralista, fortemente
burocratizado: dualista, separando o ensino secundário, destinado às elites condutoras, do ensino
profissional, destinado ao povo e concedendo apenas ao ramo secundário a prerrogativa de acesso a
qualquer carreira de nível superior; corporativista, pois vinculava estreitamente cada ramo ou tipo de
ensino às profissões e aos ofícios requeridos pela organização social.

Neste vídeo, com o professor Rodrigo Rainha, especialistas respondem a perguntas sobre polêmicas e
dualidades da educação brasileira: ensino religioso, financiamento da educação pública e privada e
propostas curriculares.

/
REFORMAS DA LDB

Fernando Henrique Cardoso. Fonte: A.PAES / Shutterstock

INVESTIMENTO EM MODELOS TÉCNICOS

A partir dos governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-
2010), manteve-se um foco sobre a necessidade do investimento em modelos técnicos, como política
pública relativa à exclusão e à necessidade de entrada rápida no mercado de trabalho, mas sem reduzir
o estudante ao seu ofício, segregação clássica e já experimentada nos modelos tecnicistas.

As fórmulas mantiveram o dualismo: o primeiro criava centros estaduais e estimulava seu fomento pelo
Ministério de Ciência e Tecnologia, mas também abria linhas de investimentos para o ensino privado
criar condições de graduações “rápidas” e cursos tecnólogos que permitissem a entrada no mercado de
trabalho.

/
OS INSTITUTOS FEDERAIS

O governo Luís Inácio mudou isso, com a criação de Institutos Federais – substituindo e ampliando a
antiga rede herdada de períodos da ditadura civil-militar –, mas também utilizou a rede privada para a
criação de programas como o PRONATEC, entendendo a dificuldade de promover o número de
formações necessárias. Não viveu o dualismo de separar os estudantes entre profissionais e
intelectuais, mas manteve a contradição em relação a investimento público em espaços privados.

Luís Inácio Lula da Silva Fonte: Joao Paulo V Tinoco/ Shutterstock

/
Dilma Rousseff Fonte: Celso Pupo / Shutterstock

A REFORMA DO ENSINO MÉDIO

Sem ter logrado grande sucesso, já que o ensino médio continuou sendo um problema relevante na
educação brasileira, por diferentes motivos e dificuldades de constituição de uma identidade formadora,
voltada pra terminalidade ou para a continuidade dos estudos, em 2017 – após discussão feita ao longo
do governo Dilma Rousseff (2011-2016) – foi aprovada uma ampla reforma do ensino médio,
promovendo muitas mudanças na LDB, expressa em detalhes na Lei n. 13.415/2017.

O GOVERNO MICHEL TEMER E SUAS ALTERAÇÕES

Em 2018 a LDB foi alterada pelo presidente Michel Temer, que, com a Lei n. 13.632, apresentou a ideia
de Educação ao longo da vida e a educação especial ofertada ainda na educação infantil.

/
Michel Temer. Fonte: Celso Pupo / Shutterstock

Jair Messias Bolsonaro. Fonte: Antonio Scorza / Shutterstock


/
AS ATUALIZAÇÕES DE 2019

Em 2019, o presidente Jair Messias Bolsonaro alterou a LDB sancionando quatro leis que versam sobre:

A escusa de consciência, prestações alternativas à aplicação de provas e à frequência a aulas


realizadas em dia de guarda religiosa com a Lei n. 13.796, de 3 de janeiro de 2019;

A notificação obrigatória de faltas escolares ao Conselho Tutelar quando superiores a 30% (trinta
por cento) do percentual permitido com a Lei n. 13.803, de 10 de janeiro de 2019;

A divulgação do resultado de processo seletivo de acesso a cursos superiores de graduação com


a Lei n. 13.826, de 13 de maio de 2019;

A inclusão de disposições relativas às universidades comunitárias com a Lei n. 13.868, de 3 de


setembro de 2019.

A reforma do ensino médio recriou o dualismo no nosso sistema educacional de uma forma
particularmente perversa ao preconizar a formação de nível médio por meio de itinerários formativos que
subtraíam dos currículos obrigatórios um sem número de conhecimentos necessários ao ingresso no
ensino superior. Definia-se a profissionalização como um desses itinerários, a serem supostamente
escolhidos pelos alunos, mas definidos pelos sistemas de ensino de acordo com as suas possibilidades
de oferta, levando o estudante, com apenas 15 anos de idade, a escolher se estudaria ciências exatas,
humanas, ou naturais.

Desobrigando os sistemas de ensino de assegurarem a oferta das diferentes disciplinas excluídas dos
itinerários oferecidos, a reforma do ensino médio cria e reforça a exclusão de todos aqueles que não
podem pagar por uma escola a qual disponha do conjunto completo de conteúdos. Ou seja, promoveu a
exclusão social e a ampliação das desigualdades já existentes no país.

 SAIBA MAIS

Não deixe de conferir as leis n. 13.415/2017, n. 13.632/2018, n. 13.796/2019, n. 13.803/2019, n.


13.826/2019, n. 13.868/2019 indicadas no Explore Mais ao final deste tema.

ASPECTOS DA INCLUSÃO NA LDB


/
Ainda é necessário citar, no que se refere a esse dualismo na educação brasileira, o problema que
envolve a educação de jovens e adultos e a educação inclusiva. Essas duas modalidades vêm
buscando assegurar o direito à educação plena aos seus alunos, lutando desde tempos imemoriais para
garantir àqueles que precisam frequentá-las o direito de acesso e de permanência no sistema de ensino
com o devido alcance aos conhecimentos aos quais têm direito.

 Fonte: Alex Oakenman / Shutterstock

Seja para o prosseguimento dos estudos ou para uma formação mais completa, o direito de aprender
dentro dos seus ritmos e das suas possibilidades não vem sendo respeitado, já que, com frequência,
não lhes são oferecidas as condições mínimas para seguir. Nesses casos, não se trata mais de mero
dualismo, mas de um processo de reprodução ad infinitum de uma exclusão vivida, no caso da EJA,
pelo não acesso ou não respeito aos ritmos de aprendizagem dos estudantes que a procuram e dela
necessitam, e no caso da educação inclusiva, pela exclusão social de deficientes, independentemente
das suas possibilidades, capacidades e necessidades de aprendizagem.

Nem a LDB, nem a legislação complementar têm sido capazes de superar esses problemas, incrustados
em nossa sociedade e, por isso, difíceis de enfrentar.

RELEMBRANDO...

Vimos, primeiramente, com o tema do ensino religioso, o quanto a sociedade brasileira é marcada pela
influência da Igreja no Estado e, portanto, no sistema educacional. Assim, vivenciam-se no país
dificuldades e problemas na implantação de uma educação laica, apesar de ela estar prevista na
Constituição e na própria LDB. Um dos problemas enfrentados atualmente em relação ao tema é o da
/
crescente influência de religiões conservadoras e excludentes no país, as quais vêm conseguindo impor
seus valores e mesmo suas práticas de oração ao sistema educacional. Com isso, imensas camadas
sociais praticantes de outras religiões, desqualificadas, desvalorizadas e mesmo não reconhecidas
como legítimas, ou ainda famílias que optam por não oferecer aos seus membros educação vinculada a
qualquer tipo de religiosidade, são desrespeitadas nos seus direitos à educação laica, pública e gratuita
de qualidade.

Vimos, também, o embate que envolve a problemática do financiamento da Educação e mais uma vez
percebemos a impossibilidade do Estado brasileiro de assumir em sua plenitude a sua obrigação de
oferecer educação pública para todos, financiando o sistema público sem privilegiar segmentos sociais
mais abastados ou mesmo investidores em Educação que buscam, muitas vezes de forma velada,
valorizar o seu capital e gerar lucro por meio de oferta educacional. Mesmo nos casos de filantropia, são
pontos de vista parciais e situados em interesses de determinados grupos sociais, resultando no
recebimento de verbas que deviam ser destinadas às escolas as quais buscam o interesse público mais
amplo, como é o caso da escola pública.

Finalmente, o polêmico tema da Educação para todos, do direito de todos à Educação e à aprendizagem
foi discutido na última parte do módulo quando tratamos do dualismo existente, desde o Império, na
oferta da educação brasileira para ricos e pobres.

VERIFICANDO O APRENDIZADO

CONCLUSÃO

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo da LDB nos levou a inserir a legislação educacional nos diferentes contextos sociais e políticos
em que ela se inscreve e nos modos de expressão legal que, em cada momento, tocou o tema da
Educação. Assim, estudamos as Constituições nacionais, outorgadas nos momentos de caracterização
autoritária dos governos, e promulgadas quando gestadas por meio de processos mais democráticos.
Buscamos elencar os modos como encararam a questão da Educação e o espaço a ela dedicado,
percebendo variações, ênfases e compreensões distintas do fenômeno.

Um exame da LDB vigente foi apresentado e, posteriormente, um estudo mais detalhado dos principais
aspectos dessa lei, em seus princípios, finalidades e propostas mais relevantes, por meio do módulo 2.
Neste, tratamos de analisar a LDB em sua relação com a Constituição para, posteriormente, nos
/
dedicarmos a um estudo dos princípios e daquilo que significam em termos de garantias legais e de
tendências educacionais, assegurando a pluralidade de ideias, de conteúdos e de métodos
pedagógicos, respeito aos conhecimentos de alunos e de professores bem como valorizando a carreira
docente.

Quanto aos modos de organização do sistema educacional, pudemos ver como a articulação entre os
níveis e as modalidades de ensino previstos buscam cobrir diferentes necessidades, interesses e
possibilidades de variados grupos sociais do país, procurando viabilizar a inclusão de todos para uma
efetiva universalização do exercício do direito à Educação pelo conjunto de membros da sociedade
brasileira.

O módulo 3 procurou mostrar a importância e a complexidade dos assuntos aos quais ele se dedica, a
relevância social dos debates que os envolvem e, portanto, a urgência desse mergulho mais profundo
nas discussões nele elencadas. O que precisamos guardar e aprender com este tema é a necessidade
de compreensão da complexidade social de um país de dimensões continentais, como é o Brasil, com
tantas diferenças sociais, culturais e políticas, as quais reverberam no sistema educacional.

 PODCAST

Agora, o professor Rodrigo Rainha encerra o tema pontuando as mudanças históricas nas
Constituições, além de comentar como essas alterações influenciaram as políticas educacionais.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, W. R. A. Educação jesuítica no Brasil e o seu legado para a educação da atualidade. In:
Revista Griphos, n. 36/37, 2014, p. 117-126.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO. Nota do GT 5


sobre o financiamento da Educação. ANPEd. Consultado em meio eletrônico em: 24 maio 2020.

AZEVEDO, F. et al. Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932). In: Revista HISTEDBR
Online, Campinas, n. especial, p.188–204, ago. 2006.

/
AZEVEDO, F. et al. Manifesto dos educadores: mais uma vez convocados (1959). In: Revista
HISTEDBR Online, Campinas, n. especial, p.205–220, ago. 2006.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Diário Oficial da União.
Brasília, 1988.

BRASIL. Constituição (1891). Constituição da Republica dos Estados Unidos do Brazil. Diário Oficial.
Rio de Janeiro, 1891.

BRASIL. Constituição (1824). Constituição do Império do Brazil. Leis do Império do Brasil – 1824. p. 7,
v. 1.

BRASIL. Constituição (1934). Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. Diário Oficial.
Rio de Janeiro: 1935.

BRASIL. Constituição (1937). Constituição dos Estados Unidos do Brasil. Diário Oficial. Rio de Janeiro,
1937.

BRASIL. Constituição (1946). Constituição dos Estados Unidos do Brasil. Diário Oficial da União. Rio
de Janeiro, 1946, Seção 1, p. 13.059.

BRASIL. Constituição (1967). Constituição da República Federativa do Brasil. Diário Oficial da União.
Brasília: 1967.

BRASIL. Emenda Constitucional (1969). Emenda à Constituição da República Federativa do Brasil de


1967. Diário Oficial da União. Brasília, 1969.

BRASIL. Lei 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Estabelece as diretrizes e bases da Educação


Nacional. Diário Oficial da União. Brasília, 1961, p. 11.429.

BRASIL. Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação


nacional. Diário Oficial da União. Brasília, 1996, sec. I, n. 248, p. 27.833.

CURY, C. R. J. Ideologia e educação brasileira: católicos e liberais. São Paulo: Cortez e Moraes. 1978.

FAVERO, O. (Org.). A Educação nas Constituições Brasileiras, 1823-1988. 3. ed. Campinas: Autores
Associados, 2005.

LENZA, P. Direito Constitucional esquematizado. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.

LOPES, E. M. T.; FARIA FILHO, L. M.; VEIGA, C. G. 500 anos de Educação no Brasil. Belo Horizonte:
Autêntica, 2000.

MANHÃES, C. Entenda como funciona o financiamento da educação básica no Brasil. Instituto


Nacional de Estudos socioeconômicos. Brasília: INESC, 2019.

MARTINS, V. O público e o privado na educação brasileira. In: Revista Direitonet, 2006. p. 1-11.

NERY JÚNIOR, N. Teoria geral dos recursos. 7. ed. São Paulo: RT, 2014.

ROMANELLI, O. O. História da Educação no Brasil. 40. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.


/
SAVIANI, D. História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2008. 474p.

EXPLORE+

Para aprofundar seus conhecimentos neste tema, sugerimos as seguintes leituras:

Plano Nacional de Educação – Lei n. 13.005/2014;

LDB: o processo de tramitação, publicado no periódico Educação em Revista, n. 11, Curitiba,


jan./dez, 1995.

A Lei da Educação – LDB: trajetória, limites e perspectivas, de Demerval Saviani, Campinas:


Autores Associados, 2008.

O vigésimo ano da LDB – As 39 leis que a modificaram, de Demerval Saviani, publicado na


Revista Retratos da Escola, Brasília, v. 10, n. 19, p. 379-392, jul./dez. 2016.

Laicidade, ensino religioso e religiosidade na escola pública brasileira: questionamentos e


reflexões, de Gabriela Valente, publicado em Pro-Posições, v. 29, n. 1, Campinas, jan./abr. 2018.

Sobre financiamento, além dos documentos citados sobre FUNDEF e FUNDEB, recomendamos a
leitura de textos produzidos por especialistas do campo, notadamente os professores Nicholas
Davies e José Marcelino de Rezende Pinto, disponíveis online. Buscando pelos seus nomes,
artigos que sejam de seu interesse podem ser acessados.

Nos sites de entidades de educadores, como a Associação Nacional de Pós-Graduação e


Pesquisa em Educação (ANPEd), a Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da
Educação (ANFOPE) e a Academia Brasileira de Direito Civil (ABDC), há documentos produzidos
em torno das relações entre a LDB e alguns de seus temas principais, tocando, inclusive, no
problema da formação e da valorização docente e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
dos ensinos fundamental e médio.

Contra a lei, ensino religioso é obrigatório em 49% de escolas públicas, de Fábio Campana.

Consulte também as leis que alteraram a LDB:

Lei n. 13.415, de 16 de fevereiro de 2017.

/
Lei n. 13.632 de 06 de março de 2018.

Lei n. 13.796, de 3 de janeiro de 2019.

Lei n. 13.803, de 10 de janeiro de 2019.

Lei n. 13.826, de 13 de maio de 2019.

Lei n. 13.868, de 3 de setembro de 2019.

CONTEUDISTA

Inês Barbosa de Oliveira

 CURRÍCULO LATTES