Você está na página 1de 17

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DO __ JUIZADO

ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE NOSSA SENHORA DO


SOCRRO/SE

ROSEMARY PEREIRA ROCHA, brasileira, solteira,


desempregada, inscrita no CPF nº 029.511.995-03 e no RG nº 3.031.586-7
SSP/SE, residente e domiciliada à Rua “20”, nº 6, Bairro Marcos Freire I, Nossa
Senhora do Socorro/SE, CEP: 49000-160, por seus advogados com instrumento
de procuração em anexo e endereço para intimações na nota de rodapé, vem,
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTENCIA DE DÉBITO


C/C
REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS e TUTELA ANTECIPADA

em face da CLARO S/A, pessoa jurídica de direito privado,


inscrita no CNPJ nº 40.432.544/0001-47, com sede à Rua Flórida, nº 1970,
Cidade das Monções, São Paulo/SP, CEP: 04.665-001, pelos fundamentos de
fato e de direito adiante expostos:

I - DOS FATOS

A demandante usufruía dos serviços da empresa demandada relativos


à transmissão de sinal de televisão à cabo por um período de um ano. Ao longo
deste período utilizou do serviço sem quaisquer problemas referentes a
pagamento ou qualquer outra atribuição imposta a ela, sempre honrando com
suas adimplências.

Ocorre que passado um ano, a requerente optou por mudar de


operadora de tv por razões pessoais, e exatamente no dia 07 (sete) de Dezembro
de 2013 (dois mil e treze), solicitou o cancelamento do serviço, tendo como
número de protocolo “96625275”, e ao final do mês pagou a ultima mensalidade
referida ao serviço daquele mês.
Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
Inesperadamente, a requerente caminhava pelo calçadão da rua João
Pessoa, centro da cidade de Aracaju/SE, quando fora abordada por corretoras de
uma empresa de telefonia móvel que lhe apresentaram um serviço juntamente
com uma proposta para que esta pudesse adquirir analisar. Interessada na
proposta, a demandante buscou formalizar o contrato na categoria “pós-pago”.

Ao ser explicada sobre os procedimentos formais do plano e buscada a


formalização do contrato, fora surpreendida com a descoberta que seu nome
constava no rol de inadimplentes nos Serviços de proteção ao crédito, por conta
de uma fatura ainda não quitada no valor de R$ 72,90 (setenta e dois reais e
noventa centavos) referente ao mês de Abril da então assinatura de TV ora
cancelada.

O fato, além de causar imensa surpresa à demandante, causou


também, um enorme constrangimento, vez que nunca havia passado por situação
de tamanha proporção. Por sempre ter honrado com seus compromissos
financeiros, nunca tendo seu nome vinculado a qualquer situação de
inadimplência, tampouco ter seu nome em registro de serviço de proteção, esta
situação a deixou totalmente constrangida.

Válido salientar que uma vez seu nome constando no serviço de


proteção ao crédito, esta fica com sua vida financeira limitada, não podendo
usufruir dos serviços crediários, dificultando e gerando muitos transtornos.

Diante de toda situação envolvida, a requerente não viu qualquer outra


solução para a lide, senão ingressar à luz da justiça afim de resolver todo este
imbróglio. Sendo assim, aguarda ansiosamente por uma justa solução para toda
esta situação danosa a qual está envolvido.

II - DA CONCESSÃO DO BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA

A Lei 1.060/50 assegura a assistência judiciária gratuita,


compreendendo custas processuais e honorários advocatícios, a todos aqueles
que não têm condições de arcar com as despesas do processo sem prejuízo do
sustento próprio ou de sua família, bastando para tanto que afirme em Juízo esta
condição, sob pena de pagamento até o décuplo das custas judiciais, sendo estes
os termos do art. 4º da referida lei.

Destarte, a demandante afirma, sob as penas de lei, não ter condições


financeiras para custear o acesso ao Poder Judiciário, ao tempo que informa que
o advogado subscritor desta inicial, e os constantes da procuração anexa atuam

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
no presente processo como indicados, hipótese esta admitida no art. 5º, § 4º, da
mesma Lei, que assegura tal direito a autora. Informa, ainda, que por conta de
acordo verbal firmado entre o advogado e a ora requerente esta estará isenta do
pagamento dos honorários, caso não obtenha resultado econômico na presente
ação.

Assim, apresentando-se como direito fundamental assegurado


constitucionalmente – art. 5º, XXXV, é certo que este Douto Juízo não negará à
autora seu legítimo direito de acesso ao Poder Judiciário, pelo que requer a
concessão do benefício da Justiça Gratuita.

III - DO DIREITO

III.1 – DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA EMPRESA


REQUERIDA

O Código de Defesa do Consumidor, diferentemente do Código Civil,


adota, como regra, a responsabilidade objetiva, que se distingue pela
prescindibilidade de se comprovar a culpabilidade do agente. Logo, necessário
apenas demonstrar a prática de uma ação ou omissão que resulte em um dano
sofrido por outrem, e o nexo causal interligando os acontecimentos.

Na responsabilidade objetiva não se perquire quanto à culpa do


agente, bastando a demonstração do vínculo de causalidade entre o dano e o fato
causador, substituindo-se a ideia de culpa pela de risco-proveito.

E é neste diapasão, que se enquadra a reprovável atitude da Requerida,


que inseriu o nome da requerente nos cadastros de restrição creditícia.

Enfim, a Empresa deve assumir o risco de sua atividade, uma vez que
não adotou as medidas preventivas para evitar o dano suportado pela Autora.

O artigo 14, do Código de Defesa do Consumidor, disciplina a


responsabilidade do fornecedor de serviços quando estes se apresentam
defeituosos ao consumo. Vejamos o que dispõe o aludido texto:
Art. 14 – O fornecedor de serviços responde,
independentemente da existência de culpa, pela reparação
dos danos causados aos consumidores por defeitos
relativos à prestação de serviços, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua
fruição e riscos.

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
§ 1º - O serviço é defeituoso quando não fornece a
segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-
se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as
quais:

I – o modo de seu fornecimento;

II – os resultados e os riscos que razoavelmente dele se


esperam;

III – a época em que foi fornecido;

Subsidiariamente, há de se aplicar a regra contida no parágrafo único,


do artigo 927 do Código Civil, o qual prevê a aplicação da responsabilidade
objetiva em função do risco da atividade, in verbis:
Art. 927 - Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187),
causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

Parágrafo único – Haverá obrigação de reparar o dano,


independentemente de culpa, nos casos especificados em
lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo
autor do dano implicar, por sua natureza, risco de
outrem.

Já o artigo 6º, da legislação consumerista, elenca dentre os direitos


básicos do consumidor, o direito à reparação por danos patrimoniais ou morais,
que venha a sofrer, fruto da relação de consumo, senão vejamos:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

VI – a efetiva prevenção e reparação de danos


patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;

Assim, pela ótica do CDC, sempre que restar caracterizado o dano,


seja no âmbito patrimonial e/ou no moral, o consumidor terá direito de ser
ressarcido quando da observância de falhas na prestação dos serviços. No caso
em comento, seria definido como ineficaz e inseguro o sistema de concessão de
créditos, cuja empresa fornecedora não empreende esforços no sentido de
averiguar se realmente há a existência do débito, para só assim inserir o nome da
requerente no cadastro de devedores.

Demonstra-se inconteste que a Empresa requerida não se municiou de


quaisquer cautelas no ato da negativação da requerente, agindo ilicitamente ao
negligenciar na eficiência dos serviços oferecidos ao mercado consumidor,

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
propiciando, a Demandante, constantes desgastes, constrangimentos, e
dissabores.

Destaca-se, ainda, que a Acionada não se respalda da devida cautela


em suas ações, reiteradamente negligentes, causando, dessa forma, prejuízos a
terceiros de boa fé. Não havendo, efetivamente, controle ou vigilância com o
direito dos seus clientes.

III.2 – DO ARBITRAMENTO DOS DANOS MORAIS

Por ser a Requerida uma empresa de telefonia, tv a cabo e internet


amplamente utilizada em nosso país, com um dos maiores patrimônios
financeiros mundiais, a condenação por danos morais deverá ser fixada em
quantia que represente uma efetiva punição pela falha no serviço.

Em assim não agindo o Poder Judiciário, ensejar-se-á o estímulo à


continuidade da prestação dos serviços falhos, tendo em vista que se torna
menos dispendioso indenizar moderadamente o ato ilícito, do que investir na
melhoria de seus serviços, dando continuidade aos prejuízos causados a
terceiros.

A indenização por danos morais procura amenizar a frustração,


lançando punição àquele que provoca tal situação. Não que o dinheiro faça
retroagir ao “status quo ante”, mas serve como lição, para que o infrator se
acautele e não mais provoque constrangimento a ninguém.

É o Dano Moral um instituto relativamente novo. Entretanto, já


bastante solidificado à aplicação de sanção pecuniária àquele que causa prejuízo
a outrem.

No mesmo diapasão, ensina José Raffaelli Santini:

Na verdade, inexistindo critérios previstos por lei a


indenização deve ser entregue ao livre arbítrio do
julgador que, evidentemente, ao apreciar o caso concreto
submetido a exame fará a entrega da prestação
jurisdicional de forma livre e consciente, à luz das provas
que forem produzidas. Verificará as condições das partes,
o nível social, o grau de escolaridade, o prejuízo sofrido
pela vítima, a intensidade da culpa e os demais fatores
concorrentes para a fixação do dano, haja vista que
costumeiramente a regra do direito pode se revestir de
flexibilidade para dar a cada um o que é seu. [...] Melhor
fora, evidentemente, que existisse em nossa legislação um
Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
sistema que concedesse ao juiz uma faixa de atuação,
onde se pudesse graduar a reparação de acordo com o
caso concreto. Entretanto, isso inexiste. O que
prepondera, tanto na doutrina, como na jurisprudência, é
o entendimento de que a fixação do dano moral deve ficar
ao prudente arbítrio do juiz (Dano moral: doutrina,
jurisprudência e prática, São Paulo: Agá Júris, 2000, p.
45).

Ainda é afirmado nos tribunais que:


Configura dano moral tanto a inscrição como a
manutenção do nome do suposto devedor nos bancos de
dados dos órgãos controladores do crédito quando não
houver dívida, independentemente de comprovação do
prejuízo material sofrido pela pessoa indigitada ou da
prova objetiva de abalo à sua honra e à sua reputação,
porque presumidas as conseqüências danosas resultantes
de tais fatos (TJSC, Ap. Cív. n. 2004.010104-0, rel. Des.
Luiz Carlos Freyesleben).

Para a fixação dos danos morais, segundo as recomendações


doutrinárias e jurisprudenciais, deve-se considerar, antes de mais nada, os
critérios da razoabilidade e da proporcionalidade norteadores do fenômeno da
responsabilidade civil, com o montante impondo-se fixá-lo com cautela, de
modo a efetivamente compensar a vítima, reprimindo o causador do dano, e
ao mesmo tempo, evitar o enriquecimento sem causa daquela.

E mais: tem-se que primordial, para a quantificação dos danos morais,


além das circunstâncias do caso concreto, é o entrelaçamento da gravidade do
dano, com asituação econômica da lesante e a condição da lesada. (Novo código
civil comentado - coord. Ricardo Fiuza, São Paulo: Saraiva, 2002, pp. 841 e
842).

O entendimento jurisprudencial vem se pronunciando da seguinte


forma:
AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE
DÉBITO CUMULADA COM PEDIDO DE
INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS.
DEMANDANTE QUE FIRMARA PLANO COM
OPERADORA DE TELEFONIA. EMPRESA RÉ QUE
EFETUOU COBRANÇA DE SERVIÇO NÃO
CONTRATADO. COBRANÇA INJUSTIFICADA DE
VALORES. APLICABILIDADE DAS NORMAS DO
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR.
INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. EXIGIBILIDADE

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
DA DÍVIDA NÃO DEMONSTRADA. DANO MORAL
CARACTERIZADO DIANTE DAS
PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO.
OPERADORA DE TELEFONIA RÉ QUE PERSISTIU
COM A COBRANÇA INDEVIDA DE VALORES
RELATIVOS A SERVIÇO NÃO CONTRATADO.
CIRCUNSTÂNCIA QUE ABALOU A ESTRUTURA
EMOCIONAL DO CORPO JURÍDICO DA PESSOA
JURÍDICA DEMANDANTE, SOBRETUDO PELO FATO
DE QUE A RÉ COMPELIU-A A ADIMPLIR COM O
DÉBITO INDEVIDO SOB PENA DE SUSPENSÃO DE
SERVIÇOS E INCLUSÃO DE SEU NOME EM ÓRGÃO
DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO. ABUSO DE DIREITO
CARACTERIZADO, POIS A DEMANDANTE VIU-SE
OBRIGADA A ADIMPLIR COM DÉBITO INDEVIDO
PARA EVITAR QUE SUA IMAGEM E BOA-FAMA NA
PRAÇA FOSSEM MACULADOS PELA IMINENTE
NEGATIVAÇÃO INDEVIDA DE SEU NOME POR
DÍVIDA INEXISTENTE. CÓDIGO DE DEFESA DO
CONSUMIDOR, ARTS. 6º, 14 E 22. CÓDIGO CIVIL DE
2002, ARTS. 186 E 931. CONSTITUIÇÃO DA
REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, ART. 5º, INCS.
V E X, E 37, § 6º. QUANTUM INDENIZATÓRIO
FIXADO EM R$ 8.000,00 (OITO MIL REAIS). VALOR
QUE ESTÁ EM CONSONÂNCIA COM OS
PARÂMETROS ADOTADOS POR ESTA CORTE
ESTADUAL DE JUSTIÇA E COM OS PRINCÍPIOS DA
RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE.
INEXISTÊNCIA DE ELEMENTOS DE PROVA A
INDICAR A OCORRÊNCIA DE ENGANO
JUSTIFICÁVEL POR PARTE DA COMPANHIA
TELEFÔNICA. REPETIÇÃO EM DOBRO DEVIDA.
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR, ART. 42,
PARÁGRAFO ÚNICO. INVERSÃO DOS ÔNUS
SUCUMBENCIAIS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
ESTIPULADOS EM 20% SOBRE O VALOR DA
CONDENAÇÃO. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, ART.
20, § 3º. RECURSO PROVIDO. "Não podem ser
considerados meros aborrecimentos ou simples
dissabores do cotidiano a irritação e o desgaste
suportados por consumidores nas centrais de atendimento
do tipo 0800, quando percorrem tí [...]
(TJ-SC - AC: 20120281528 SC 2012.028152-8 (Acórdão),
Relator: Nelson Schaefer Martins, Data de Julgamento:
05/08/2013, Segunda Câmara de Direito Público Julgado)

APELAÇAO CÍVEL - AÇAO DE OBRIGAÇAO DE


FAZER C/C INDENIZAÇAO POR DANOS MORAIS -
INDEVIDA NEGATIVAÇAO JUNTO AOS
CADASTROS RESTRITIVOS DE CRÉDITO - DANO

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
MORAL CONFIGURADO - QUANTUM
INDENIZATÓRIO EXCESSIVO - REDUÇAO -
INCABIMENTO - RECURSO CONHECIDO E
IMPROVIDO - DECISAO UNÂNIME. - O valor da
indenização deve ser fixado de maneira equânime,
levando-se em consideração a extensão do dano advindo
do ato ilícito e o caráter repressivo da medida.
(TJ-SE - AC: 2012205526 SE , Relator: DES. OSÓRIO
DE ARAUJO RAMOS FILHO, Data de Julgamento:
14/05/2012, 2ª.CÂMARA CÍVEL)

JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS. CONSUMIDOR.


DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE NEGÓCIO
JURÍDICO E DE DÉBITO C/C OBRIGAÇÃO DE
FAZER E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS.
EMPRESA DE TELEFONIA. FALHA NA
PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. COBRANÇA INDEVIDA.
DIVIDA INEXISTENTE. NEGATIVAÇÃO DE NOME
JUNTO AOS CADASTROS RESTRITIVOS DE
CRÉDITO. RESPONSABILIZAÇÃO CIVIL. DANO
MORAL CONFIGURADO. SENTENÇA MANTIDA.
RECURSO IMPROVIDO. 1 - RESTOU EVIDENCIADO
PELO ACERVO PROBATÓRIO CARREADO AOS
AUTOS, QUE O CONSUMIDOR NÃO CONTRATOU OS
SERVIÇOS DE TELEFONIA DA EMPRESA RÉ, O QUE
GEROU A OCORRÊNCIA DE COBRANÇA DE
VALORES INDEVIDOS QUE CULMINOU COM A
NEGATIVAÇÃO DO NOME DESTE NOS CADASTROS
RESTRITIVOS DE CRÉDITO. 2 - A EMPRESA
RECORRENTE NÃO SE DESINCUMBIU DE SEU ÔNUS
DE COMPROVAR A CONTRATAÇÃO DE SEUS
SERVIÇOS PELO CONSUMIDOR, SE LIMITANDO A
CONTESTAR OS FATOS ALEGADOS NA INICIAL COM
A JUNTADA DE CÓPIA DE TELAS DE COMPUTADOR
COM DADOS DE SEU SISTEMA, O QUE NÃO É
SUFICIENTE PARA ATESTAR A CONTRATAÇÃO DE
SEUS SERVIÇOS E EFETIVA UTILIZAÇÃO PELO
AUTOR, NEM AFASTA A ALEGAÇÃO DE FRAUDE. 3 -
É OBJETIVA A RESPONSABILIDADE DA EMPRESA
DE TELEFONIA PELOS DANOS DECORRENTES DO
USO INDEVIDO DE DADOS DO CONSUMIDOR POR
PESSOA DIVERSA PARA FIRMAR CONTRATO,
IMPONDO AO RESPONSÁVEL PELA ABERTURA DO
CADASTRO O DEVER DE INDENIZAR. 4 - CORRETA A
SENTENÇA QUE CONDENOU A EMPRESA DE
TELEFONIA RECORRENTE, AO PAGAMENTO DE
INDENIZAÇÃO PELOS DANOS MORAIS NO IMPORTE
DE R$ 3.000,00 (TRÊS MIL REAIS). O VALOR DOS
DANOS MORAIS DEVE SER MANTIDO, EIS QUE
ATENDEU AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
PROPORCIONALIDADE. NÃO HAVENDO EVIDENTE
EXCESSO, DEVE SER RESPEITADO O JUÍZO DE
PRIMEIRO GRAU POR DETER MELHORES
CONDIÇÕES DE AVALIAR AS PECULIARIDADES E
MINÚCIAS DO CASO, POR ESTAR MAIS PRÓXIMO
DAS PARTES DO LITÍGIO E DA PRODUÇÃO DA
PROVA TESTEMUNHAL EM AUDIÊNCIA. 5 -
RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. SENTENÇA
MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS E JURÍDICOS
FUNDAMENTOS. CUSTAS PROCESSUAIS E
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS QUE FIXO EM 10%
DO VALOR DA CONDENAÇÃO, PELO RECORRENTE.
(TJ-DF - ACJ: 20130310080523 DF 0008052-
53.2013.8.07.0003, Relator: LEANDRO BORGES DE
FIGUEIREDO, Data de Julgamento: 16/07/2013, 1ª
Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e
Criminais do DF, Data de Publicação: Publicado no DJE
: 22/07/2013 . Pág.: 288)

Diante de todo o exposto, entende a Autora que este valor não poderia
ser estabelecido em quantia inferior ao teto máximo previsto na Lei 9.099/95,
qual seja, quarenta salários mínimos – R$ 27.120,00 (vinte e sete mil e cento e
vinte reais). Todavia, tal fixação, como já foi dito, não vai apagar a sequela do
constrangimento e do aborrecimento pela qual passou. Visa, principalmente, a
coibir que a empresa Requerida cause o mesmo prejuízo a outros consumidores.

III.3 – DA DEVOLUÇÃO DO VALOR PAGO EM DOBRO PELA


COBRANÇA INDEVIDA: REPETIÇÃO DO INDÉBITO

Segundo o atual Código Civil, "todo aquele que recebeu o que lhe
não era devido fica obrigado a restituir" (artigo 876). Ou seja, na
eventualidade de ser efetuado um pagamento indevido, quem tiver recebido
fica obrigado a devolver a quantia, devidamente corrigida, sob pena de
configurar enriquecimento sem causa (artigos 884 e 885, do CC).

Trata-se da repetição do indébito (repetitio indebiti), usualmente


aplicada nas relações jurídicas, seja decorrente de vínculos
obrigacionais/contratuais ou não.

De acordo com Caio Mário da Silva Pereira, refere-se "a uma


obrigação que ao accipiens é imposta por lei, mas nem por isto menos
obrigação, a qual se origina do recebimento do indébito, e que somente se
extingue com a restituição do indevido".

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
Adverte, ainda, que, de forma sui  generis, origina-se "o vínculo
obrigacional daquilo que, na normalidade, é causa extintiva da obrigação",
extinguindo-se com o retorno ao status quo ante, "seja por via de devolução do
objeto, seja pelo desfazimento do ato prestado".

A regra também é aplicável para os casos em que a dívida esteja


vinculada a uma condição, que ainda não foi implementada. Em outras
palavras, quando o vencimento for subordinado a um acontecimento pendente
de realização.

Igualmente, o que receber a dívida, nessas circunstâncias, fica


obrigado à restituição, de forma simples e não em dobro.

Os requisitos básicos para a ação de repetição (in rem verso), com


amparo no Direito Alemão (BGB - Bürgerliches Gesetzbuch – Código Alemão
de 1900), são (i) prestação indevida, (ii) natureza de pagamento ao ato e (iii)
inexistência de dívida entre as partes.

O terceiro e fundamental pressuposto não pode ser ultrapassado,


uma vez que, ao existirem dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis,
opera-se a compensação, afastando-se o direito à repetição do indébito (artigos
368 e seguintes do CC).

Por sua vez, em caso de cobrança judicial indevida, o CC prevê:


Art. 940.  Aquele que demandar por dívida já paga, no
todo ou em parte, sem ressalvar as quantias recebidas
ou pedir mais do que for devido, ficará obrigado a
pagar ao devedor, no primeiro caso, o dobro do que
houver cobrado e, no segundo, o equivalente do que
dele exigir, salvo se houver prescrição.

Art. 941. As penas previstas nos arts. 939 e 940 não se


aplicarão quando o autor desistir da ação antes de
contestada a lide, salvo ao réu o direito de haver
indenização por algum prejuízo que prove ter sofrido.

Nesse caso, a simples propositura da medida representa justificativa


suficiente para amparar a procedência do pedido de repetição, em dobro, a ser
formulada mediante reconvenção ou pedido contraposto, conforme o rito.

Ressalva-se, contudo, a ponderação da Súmula nº 159, do STF que


impede a aplicação dessa penalidade, se houver boa-fé do pretenso credor.
Também sobre a repetição de indébito, o CDC dispõe:

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor
inadimplente não será exposto a ridículo, nem será
submetido a qual tipo de constrangimento ou ameaça.

Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia


indevida tem direito à repetição do indébito, por valor
igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de
correção monetária e juros legais, salvo hipótese de
engano justificável.

Nesse contexto, em se tratando de relação de consumo, prescinde de


ser judicial a cobrança, para aplicação da repetição da quantia em dobro, em
favor do consumidor.

A esse respeito, Antônio Herman de Vasconcellos e Benjamin


destaca que, no CDC, "usa-se aqui o verbo cobrar, enquanto o CC refere-se a
demandar. Por conseguinte, a sanção, no caso da lei especial, aplica-se
sempre que o fornecedor (direta ou indiretamente) cobrar e receber,
extrajudicialmente, quantia indevida".

Logo, outro pressuposto para a repetição do indébito em dobro na


relação de consumo é, além da cobrança, o pagamento indevido, o que é
dispensável segundo elenca o artigo 940 do CC, pelo qual a simples
propositura da demanda judicial é bastante para tanto.

Nesse sentido, a jurisprudência do Col. STJ:


RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL.
ADMINISTRATIVO. TARIFA DE ÁGUA E ESGOTO.
ENQUADRAMENTO NO REGIME DE ECONOMIAS.
CULPA DA CONCESSIONÁRIA. RESTITUIÇÃO EM
DOBRO.  1. O art. 42, parágrafo único, do CDC
estabelece que "o consumidor cobrado em quantia
indevida tem direito à repetição do indébito, por valor
igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de
correção monetária e juros legais, salvo hipótese de
engano justificável". 2. Interpretando o referido
dispositivo legal, as Turmas que compõem a Primeira
Seção desta Corte de Justiça firmaram orientação no
sentido de que "o engano, na cobrança indevida, só é
justificável quando não decorrer de dolo (má-fé) ou
culpa na conduta do fornecedor do serviço" (REsp
1.079.064/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin,
DJe de 20.4.2009). Ademais, "basta a culpa para a
incidência de referido dispositivo, que só é afastado
mediante a ocorrência de engano justificável por parte
do fornecedor" (REsp 1.085.947/SP, 1ª Turma, Rel.

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
Min. Francisco Falcão, DJe de 12.11.2008). Destarte,
o engano somente é considerado justificável quando
não decorrer de dolo ou culpa. 3. Na hipótese dos
autos, conforme premissas fáticas formadas nas
instâncias ordinárias, não é razoável falar em engano
justificável. A cobrança indevida de tarifa de água e
esgoto deu-se em virtude de culpa da concessionária, a
qual incorreu em erro no cadastramento das unidades
submetidas ao regime de economias. Assim,
caracterizada a cobrança abusiva, é devida a repetição
de indébito em dobro ao consumidor, nos termos do
parágrafo único do art. 42 do CDC. 4. Recurso especial
provido. (STJ 1ª turma Min. Rel. Denise Arruda REsp
1084815/SP DJ 5.8.2009).

Por todo o exposto, conclui-se que há hipóteses diferentes de


repetição de indébito, cabendo, para cada esta situação em que o requerente
encontra-se, um tipo de contra-prestação àquele que houver cobrado quantia
indevida, sendo possível a condenação na forma em dobro.

III.4 – DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

Na busca da aplicação escorreita e justa da lei, devem os hermeneutas


diuturnos beber na fonte das leis; ou seja, devem perquirir o espírito das
mesmas, que se consubstancia nos motivos que inspiraram sua feitura; para
tanto, impende conjugar os instrumentos de interpretação disponíveis, a fim de
se evitar desvios de finalidade oriundos da falibilidade humana.

Busquemos, portanto, o espírito do art. 6º, VIII do Código de Defesa


do Consumidor, que preleciona o seguinte, in verbis:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

(...)
VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive
com a inversão do ônus da prova a seu favor, no processo
civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação
ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras
ordinárias de experiência;

Para bem desempenhar tal tarefa, nada melhor do que consultar as


palavras de um dos membros da comissão de juristas encarregada de elaborar o
anteprojeto do CDC, quem seja, Antônio Herman de Vasconcellos e Benjamin,
que preleciona que é princípio lógico que o registrante tenha prova do fato

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
registrado, e que descabe pretender que o consumidor prove que é correto, como
se vislumbra do abaixo transcrito, ipsis litteris:

Descabido, portanto, querer-se faça o consumidor prova


negativa, de que é correto, na sua posição de sujeito no
mercado de consumo. Já que se trata de material
recolhido à sua revelia, não lhe trazendo nenhum proveito
individual imediato, toca ao arquivista, a quem os dados
beneficiam diretamente, aduzir prova positiva da
veracidade e atualidades dos assentos que administra e
explora.
Pensar diferentemente é inverter a ordem dos valores
constitucionais, levando à negativa das próprias
garantias fundamentais: ao cidadão impenderia, a cada
momento, sair bradando (e provando) que é honesto. O
que se prova não é a honestidade, mas o desvio, a
desonestidade. QUEM DISSEMINA E PROPAGA, E
COM ISSO, PROVA.
Desnecessário dizer que se os arquivos comuns devem ser
verdadeiros, conforme determinado pelo CDC, ‘a
decorrência lógica é que o registrante tenha prova do fato
registrado ou a registrar’, ou seja capaz de produzi-la.
(Código Brasileiro de Defesa do Consumidor, 8. ed.,
Forense Universitária, 2002, p. 418).

Feita a intelecção do dispositivo legal supra, considerando que a


consumidora ou não dos serviços é o elo mais fraco da relação impugnada, e que
o poder econômico aliado a todas as facilidades da Empresa requerida na
produção de suas provas, até mesmo de defender seus interesses em juízo, torna-
se imperiosa a efetiva aplicação da inversão do ônus probandi, com o fito de
igualar, no processo, partes notadamente desiguais (princípio constitucional da
isonomia).

Com a determinação ab initio da inversão do ônus da prova, estará o


Judiciário dando eficácia à proteção legal e ao acesso da requerente, parte mais
fraca da relação obrigacional, ao Poder Judiciário, facilitando o direito de ação,
conforme preceito contido no art. 6º, VIII do CDC, em vista da oportunidade da
instrução processual onde se objetivará apurar a licitude e justeza das cobranças
efetuadas.

Assim, levando-se em conta a verossimilhança das alegações autorais,


bem como a sua condição de hipossuficiente, é de lhe ser conferido o direito a
inversão do ônus da prova.

III.4 – DA ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
A requerente vale-se da presente vestibular para ofertar pedido no
escopo de obter a antecipação dos efeitos da tutela judicial, posto que presentes
os requisitos ensejadores de sua concessão, estampados no art. 273, do Código
de Processo Civil.

Necessário frisar que não pode se perder de vista a segurança do


processo, ou nas palavras de ENRICO TÚLIO LIEBMAN, o objetivo de
“assegurar que o processo possa conseguir um resultado útil” (Manuale di
Diritto Processuale, 1968, vol. I, nº 36, p. 92).

Evidentemente não se assegura um resultado útil à lide quando, pela


demora do processo na solução do litígio, perpetua-se uma situação danosa que
tende a agredir a necessária igualdade entre as partes litigantes. Foi objetivando
exatamente o suprimento desta lacuna processual que o legislador, através da
nova redação dada pela Lei nº 8.952, de 13 de dezembro de 1994, dispôs no art.
273, e incisos, do Código de Processo Civil, in verbis:

Art. 273: O juiz poderá, a requerimento da parte,


antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela
pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova
inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação
e:

I - haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil


reparação.

II - Fique caraterizado o abuso de direito de defesa ou o


manifesto propósito protelatório do réu.

De acordo com a doutrina majoritária, o exame para a tutela


jurisdicional antecipatória prende-se à averiguação da presença da
verossimilhança do direito evocado, conjuntamente com a possibilidade da
ocorrência de dano de difícil ou incerta reparação, tudo a ser aferido em
cognição sumária. Aliás, sobre a cognição sumária, o professor Kazuo
Watanabe, enaltecendo os pontos acima referidos e, principalmente, o
“carattere di strumentalitá” inerente ao pleito, conclui que:

(...) a cognição sumária constitui uma técnica processual


relevantíssima para a concepção de um processo que
tenha plena e total aderência à realidade sócio-jurídica a
que se destina, cumprindo sua primordial vocação que á a
de servir de instrumento à efetiva realização dos direitos
(Watanabe, Kazuo. “ Da cognição no Processo Civil”,
RT, 1987, pg. 110).

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
Luiz Guilherme Marinoni, em sua esclarecedora obra sobre
antecipação de tutela, assim leciona:

(...) A antecipação fundada no art. 273, inciso I, pode ser


concedida antes de produzidas todas as provas tendentes
à demonstração dos fatos constitutivos do direito, o que
não acontece no caso do mandado de segurança. A
antecipação é fundada na probabilidade de que o direito
afirmado, mas ainda não provado, será demonstrado e
declarado”.

O art. 273, inciso I, do Código de Processo Civil, exige a prova


inequívoca, capaz de convencer o juiz da verossimilhança da alegação. Todavia,
esta prova somente pode ser entendida como a prova suficiente para o
surgimento do verossímil, entendido como o não suficiente para a declaração da
existência ou da inexistência do direito (Marinoni).

No caso em perspectiva, a requerente preenche com louvor os


requisitos necessários para a concessão do que se pede, eis que além de
indubitável a verossimilhança e a probabilidade da solidez de suas afirmações o
fumus boni iuris e o periculum in mora são patentes, senão vejamos.

O fumus boni iuris está presente na incontestável existência do direito


afirmado em se considerando a inserção indevida da postulante nos cadastros de
restrição creditícia, apreciando, ainda, e especialmente, a inexistência de
qualquer espécime de débito da demandante para com a Empresa demandada.

O periculum in mora é flagrante, posto que a requerente encontra-se


impossibilitada de praticar qualquer ato de mercancia e financiamento, além de
figurar como inadimplente perante órgãos restritivos de crédito, sujeita a
constrangimentos de toda a ordem.

Testificado não somente o cabimento, como também a imperiosa


necessidade da concessão da antecipação da tutela específica, a postulante roga,
desde já, que seja prolatada decisum liminar determinando a Empresa
demandada, sob pena de multa diária a ser fixada por este Juízo, a imediata
retirada do nome da requerente dos cadastros de inadimplentes.

IV - DOS PEDIDOS

Diante do exposto requer a demandante a Vossa Excelência:

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
a) Seja concedido o benefício da gratuidade judiciária, nos
termos da Lei 1060/50;

b) Seja concedida a ANTECIPAÇÃO DE TUTELA, pelos


argumentos e fundamentos acima expendidos, lavrando-se
decisum liminar inaudita altera pars para determinar à
demandada que declare a inexistência da dívida, tendo em vista
que a demandante não possui nenhuma dívida com a Empresa
demandada, fazendo a partir daí a exclusão imediata do nome da
Requerente dos órgãos protetivos de crédito, a exemplo de SPC e
SERASA, sob pena de multa diária a ser fixada pelo Juízo;

c) Seja concedida a inversão do ônus da prova, em vista da


hipossuficiência técnica da demandante;

d) Seja a Empresa requerida citada, na pessoa de seu


representante legal, para contestar a presente ação, sob pena de
revelia e confissão, julgando-se, ao final, totalmente procedente a
demanda, para o fim de declarar a inexistência do débito ora
impugnado, bem como condenar a demandada ao pagamento de
danos morais, em valor a ser arbitrado por este douto Juízo;

e) Ao final, seja condenada a demandada em custas processuais


e honorários sucumbenciais, em caso de recurso à Egrégia Turma
Recursal;

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito


admitidos, especialmente documental, testemunhal, depoimento pessoal, sob
pena de confissão, dentre outros, os quais, desde já requer.

Atribui-se à presente demanda o valor de R$ 27.120,00 (vinte e sete


mil, cento e vinte reais).

Nestes termos,
Pede deferimento.

Aracaju, 09 de Novembro de 2014.

ANDRÉ KAZUKAS RODRIGUES PEREIRA


OAB/SE nº 5.316

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
JOSÉ ANTÔNIO MOURA DE AZEVEDO FILHO
OAB/SE nº 8.335

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Major Misael Vieira, nº 143 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br

Você também pode gostar