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EXCELENTÍSSIMO SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DA ___ VARA DA

FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE ARACAJU/SERGIPE

Urgente: Pedido de
Antecipação dos
Efeitos da Tutela

1. LEANDRO RIBEIRO SIQUEIRA MACIEL FILHO, brasileiro,


solteiro, estudante, inscrito no CPF n° 021251895-00, RG n° 3.041.586-1, residente e
domiciliado à Rua Maye Bell Taylor , nº 151, Santa Mônica, apt. 04, Bairro Luzia, CEP:
49.045-110
2. THAINÁ SILVA CUNHA, brasileira, solteira, estudante, inscrita no
CPF nº: 030483705-95, RG nº: 23152451, residente e domiciliado à Rua Rosário, nº 399,
Bairro Santo Antônio, CEP: 49.060-570
3. ÍTALO OTÁVIO ANDRADE DE SOUZA, brasileiro, solteiro,
estudante, inscrito no CPF nº: 048.059.125-37, RG nº: 31247962, residente e domiciliado
à Rua C3, nº 215, Conj. Bugio, CEP: 49090-570
4. ADRIEL COSTA DOS SANTOS, brasileiro, solteiro, estudante,
inscrito no CPF nº: 056.429.175-79, RG nº 3.410.416-0, residente e domiciliado à Rua
Tenente Janser Melo, nº 613, Bairro 18 do Forte, CEP: 49.072-350

Unidade Aracaju: Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, Bairro São José - CEP: 49300-000
Unidade Lagarto: Rua Josias Machado, nº 220 - sala 5 - Centro - CEP: 49400-000
Tel.: (79) 3214-9504 - E-mail: contato@kazukas.com.br
5. ARTHUR MENEZES DA SILVA, brasileiro, solteiro, estudante,
inscrito no CPF nº: 037.861.435-52 e RG nº 3.063.462-8, residente e domiciliado à Rua
Estevam Pereira Coelho, nº 6, Conj. Médici I, Bairro Luzia, Aracaju/SE, CEP: 49.048-
150.
6. WESLLEY LUIS OLIVEIRA DA SILVA, brasileiro, solteiro,
estudante, inscrito no CPF nº 036.760.595-30 e RG nº 1.300.3733-85 SSP/BA, residente e
domiciliado à Av. Maria Pastora, nº600, Cond. Morada dos Faróis, Bloco F, Apto. 203
Bairro Farolândia, Aracaju/SE, CEP: 49.030-210.
7. ANDRÉ LUCAS SILVA SANTOS, brasileiro, solteiro, militar do
exército, inscrito no CPF de nº 042.904.495-06, e no RG de nº 0118631456, residente e
domiciliado à Rua Antonio Huszcz, 8, jardim vilagio de roma, Apucarana-PR, CEP:
86.800-000
8. ÉRICA DE JESUS SANTOS, brasileira, solteira, estudante, inscrita
no CPF nº 021.186.845-09 e no RG nº 1567697 SSP/SE, residente e domiciliada à Rua
Anísio José de Oliveira, nº 151, Lot. Lauro Rocha, São Cristóvão/SE, CEP: 49100-000;
9. ELBERTY LIMA DA SILVA, brasileiro, solteiro, estudante, inscrito
no CPF nº 048.738.095-92 e no RG nº 34082441, residente e domiciliado à Av. Heráclito
Rolemberg, nº 4554, Bloco 20, Apt. 104, Bairro São Conrado, Aracaju/Se, CEP: 49042-
190;

Vem, por intermédio de seu advogado infra-assinado, com escritório


profissional localizado à Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 256, bairro São José,
Aracaju/SE, CEP: 49.015-300, onde recebe intimações, citações, avisos e demais
documentos de praxe, vem perante Vossa Excelência, impetrar

AÇÃO ANULATÓRIA PELO RITO ORDINÁRIO COM PEDIDO DE


ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA INAUDITA ALTERA PARS

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em face do ESTADO DE SERGIPE, pessoa jurídica de direito público
interno, ambos com endereço para intimação no Av. Adélia Franco, 3305 - Grageru -
Aracaju/SE - CEP: 49020-040, CNPJ: 13.128.798/0001-01 e da FUNCAB – Fundação
Professor Carlos Augusto Bittencourt, com sede no Complexo Esportivo Caio Martins,
Rua Presidente Backer, s/n, sala 05, Portão 18, Icaraí, Niterói/RJ, além dos pressupostos
de fato e de direito adiante demonstrados.

I – DOS FATOS
Os demandantes submeteram-se a concurso público para adentrar aos quadros da
Polícia Militar do Estado de Sergipe, tendo sido aprovados na prova objetiva do certame e
também na avaliação física - TAF, conforme edital em anexo.
Para que o candidato se torne policial militar do Estado de Sergipe, além de
aprovação na primeira fase – prova objetiva -, deverá lograr êxito nas seguintes etapas:

1. Teste de Aptidão Física - TAF


2. Investigação Social
3. Avaliação Psicológica
4. Avaliação Médica

Os demandantes foram convocados para a realização do exame psicotécnico,


que se realizou no dia 04 de Maio de 2014. Todavia, durante a realização do exame,
diversos problemas foram constatados, dentre os quais é possível elencar:

1. A abertura dos portões ocorreu com quase 20 minutos de atraso, o que


obrigou os demandantes a ficarem esperando, na chuva, do lado de fora da
Faculdade Pio X, o que gerou grande apreensão e aumentou a ansiedade
daqueles que seriam psicologicamente avaliados1.

1
A espera a que se refere o tópico ocorreu numa manhã chuvosa, e os candidatos ficaram por certo de 20 minutos
esperando na chuva devido ao atraso na abertura dos portões, conforme se observa na figura

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2. Para que se tenha ideia do reflexo dessa espera, a quase totalidade dos
demandantes foi reprovada no teste de atenção seletiva - TAS, que foi o
primeiro a ser aplicado.
3. As salas não tinham as características adequadas para a realização do teste.
As cadeiras não eram lisas, mas completas de ranhuras, o ar-condicionado
direcionava-se exclusivamente a alguns candidatos e, por fim, não havia
cadeira para canhotos, que foram obrigados a fazer a prova em cadeiras para
destros.
4. As psicólogas que aplicaram os testes não eram especialistas nessa área de
conhecimento da psicologia. Assim, por muitas vezes se contradisseram entre
si, ou mesmo houve contradição entre o tempo de realização das etapas em
cada uma das salas.

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5. A FUNCAB apresentou a lista das psicólogas que aplicaram o exame,
chegando-se à conclusão de que havia psicólogas sem registro no Conselho
Regional de Psicologia, ou com o CRP vencido, o que é uma grave afronta
ao estabelecido em edital.
6. Dentre os psicólogos apresentados na lista da FUNCAB, há quem não tenha
aplicado o exame, a exemplo da psicóloga Idislaine Charlene Gomes Ramos,
o que reforça a tese da obscuridade do exame e da falta de critério na seleção
de profissionais.
7. Havia mais de trinta candidatos em cada sala de avaliação, o que contraria as
regras estabelecidades pelo Conselho Federal de Psicologia.
8. Além do desrespeitar o CFP, a grande quantidade de pessoas em cada sala de
avaliação também contraria o manual o TAS, que é o conjunto de normas que
rege sua aplicação e que recomenda um máximo de 30 pessoas em cada sala.
9. Apenas quatro exames, e menos de uma hora de avaliação, foram decisivos
para a reprovação dos demandantes. Ora, uma avaliação psicológica séria
deveria ser tratada com maior critério, por se tratar de uma fase eliminatória
do certame, devendo contemplar mais testes e num prazo deveras mais longo.
10.Por fim, para coroar a falta de zelo, todos os candidatos tiveram o mesmo
parecer final. Ora, o dever de motivar, tão caro à Administração Pùblica não
pode permitir que todos os candidatos reprovados tivessem a mesma
motivação do indeferimento da avaliação. Cada um possui uma característica
e uma personalidade distinta, mas mesmo assim receberam o seguinte laudo:

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11.O Ministério Público de Sergipe se posicionou por duas vezes a favor de
candidatos reprovados neste exame, tendo inclusive recomendação na ação
de nº 201411200856 de refazimento do teste.
12.Alguns dos candidatos pleiteantes ao cargo foram reprovados no exame
psicotécnico da PM/SE e aprovados no exame psicotécnico da PM/PB. Ora,
eminente julgador, há in casu, no mínimo, uma falta de coerência no
resultado apresentado pela FUNCAB.
13.O edital não foi suficiente claro quanto às instruções da prova, sobretudo no
que tange ao teste de atenção, em claro desacordo ao que preleciona o art. 3º
da Resolução nº 01/2002 do CFP, ipsis litteris:
Art. 3º. O edital deverá conter informações, em linguagem acessível
ao leigo, sobre a avaliação psicológica a ser realizada e os critério de
avaliação, relacionando-os aos aspectos psicológicos considerados
compatíveis com o desempenho esperado para o cargo.

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14.Tanto é que a própria FUNCAB, em outros concursos, a exemplo das
Polícias Civil e Militar do Mato Grosso, e da Guarda Municipal Civil de Boa
Vista – edital em anexo - foi muito mais cuidadosa ao elaborar o edital,
fazendo constar, de maneira inequívoca, a necessidade de aprovação no
requisito atenção seletiva2.
15.O Conselho Regional de Psicologia de Sergipe e o Conselho de Psicologia do
Mato Grosso instauraram procedimentos para apurar as irregularidades
existentes no certame, fato que levanta, no mínimo, graves suspeitas acerca
da irregularidade da forma de aplicação dos testes, conforme se pode
perceber da nota do CRP 18, que também se encontra em anexo.

2
Tendo-se em mente que o teste de atenção pode cobrar diversos aspectos relacionados à atenção, dentre eles: Atenção
Aleternada, Atenção Seletiva, Atenção Sustentada, Atenção Dividida e Atenção Concentrada.

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Eminente magistrado, o Estado deve cuidar do interesse público com zelo e
cuidado. Dessa forma, a escolha das instituições deve se realizar com diversos critérios
avaliativos que respeitem aos princípios administrativos, sobretudo legalidade,
impessoalidade e moralidade. Assim, a contratação da FUNCAB sem a realização de
licitação, permissa venia, não obedeceu a esses critérios.
A portaria nº 015/2013, que estabelece o perfil profissiográfico de Soldado da
PM, exige que o candidato seja considerado apto na avaliação psicológica se atender às 5
necessidades especiais e, no mínimo, a 5 necessidades suplementares
As características essenciais avaliadas foram: estabilidade emocional,
controle canalização da agressividade, impulsividade, domínio psicomotor e atenção.
Porém, importante destacar de logo que o requisito da ATENÇÃO não foi
devidamente especificado no edital, tendo em vista, queexistem vários tipos de atenção.
Frise-se que a característica “Atenção” considerada essencial, é definida
como “atenção” as atividades profissionais, bem como a percepção de elementos ou de
riscos que possam vir a prejudicar o bom desempenho da função.”
Ou seja, a portaria constante do edital NÃO EXIGE A RAPIDEZ, nem
tampouco ATENÇÃO SELETIVA dentro dessa característica essencial.
Ora, fica evidente que a característica exigida pela portaria não poderia ser
contemplada pelo “TAS”, que é restrito somente a um tipo de Atenção, a ATENÇÃO
SELETIVA.
Dessa forma, não resta dúvida de que a INAPTIDÃO dos demandantes foi ato
que não respeitou aos ditames constitucionais da Administração, razão pela qual deve ser
anulada judicialmente.

II – DA CONCESSÃO DOS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA


A Lei 1.060/50 assegura a assistência judiciária gratuita, compreendendo custas
processuais e honorários advocatícios, a todos aqueles que não têm condições de arcar
com as despesas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família, bastando

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para tanto que afirme em Juízo esta condição, sob pena de pagamento até o décuplo das
custas judiciais, sendo este os termos do art. 4º da referida lei.
Destarte, o demandante afirma, sob as penas de lei, não ter condições financeiras
para custear o acesso ao Poder Judiciário, ao tempo que informa que o advogado
subscritor desta inicial, e os constantes da procuração anexa atuam no presente processo
como indicados, hipótese esta admitida no art. 5º, § 4º, da mesma Lei, que assegura tal
direito ao autor. Informa, ainda, que por conta de acordo verbal firmado entre o advogado
e o ora requerente este estará isento do pagamento dos honorários, caso não obtenha
resultado econômico na presente ação.
Assim, apresentando-se como direito fundamental assegurado
constitucionalmente – art. 5º, XXXV, é certo que este Douto Juízo não negará ao autor seu
legítimo direito de acesso ao Poder Judiciário, pelo que requer a concessão do benefício da
Justiça Gratuita.

III – DA NOVA SUBMISSÃO AO TESTE PSICOLÓGICO NA VIA PARTICULAR

Excelência, bom ressaltar que a insubsistência do teste realizado pela


organizadora do certame é de pronto questionável pelos pontos já delineados acima.

Não bastasse os argumentos exposados, considerando que as condições físicas


do local de prova não foram compatíveis com o que disciplina a resolução nº 01/2002 do
CFP, e que os procedimentos e profissionais utilizados na avaliação não respeitaram as
normas práticas de execução, os autores, irresignados com o resultado publicado,
procuraram na via particular, psicólogo habilitado com inscrição regular, para realização
de novo teste, dentro dos parâmetros técnicos estabelecidos pela resolução n° 01/2002.

Abordando os critérios necessários ao perfil do cargo pretendido, os autores


foram declarados “APTOS” ao exercício da função na execução do teste pelo profissional
da rede particular, contraponto de forma subsistente o laudo psicotécnico realizado pela
organizadora do certame.

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Abaixo características abordadas na realização do teste pelo profissional da rede
particular:

a. Estabilidade emocional;

b. Controle e canalizaao da agressividade;

c. Impulsividade;

d. Domínio psicomotor;

e. Atenção

f. Percepção

g. Resistência à frustação

h. Iniciativa;

i. Liderança

j. Memória;

k. Relacionamento interpessoal;

l. Cooperação;

m. Flexibilidade de conduta; e

n. Disposição para o trabalho.

Assim Excelência, por mais uma razão, merece prosperar o pedido autoral no
que se refere a nulidade do teste realizado fora dos padrões estabelecidos pelo CFP.

É clara a ilegalidade do ato administrativo que declarou a eliminação dos


candidatos ao posto de soldado da PM/SE.

Por tais argumentos, passaremos para os precedentes jurídicos-doutrinários


existentes sobre a matéria.

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IV – DOS PRESSUPOSTOS JURÍDICOS:

IV.1 – DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS QUE NORTEIAM A


APLICAÇÃO DAS PROVAS EM CONCURSOS PÚBLICOS

A administração pública, em seu trato com os administrados e também com seus


próprios agentes, deve obedecer a alguns princípios. Alguns destes princípios estão
enunciados no caput do art. 37 da Constituição Federal, a saber, legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Os princípios, que são os alicerces da ciência jurídica, as bases para toda a


construção do Direito, já foram tidos como meros instrumentos de interpretação e
integração das regras legais. Era a estreiteza da visão positivista que atribuía ao direito
posto caráter preponderante em nossa ciência.

Hoje, contudo, vive-se um período pós-positivista, sendo certo que os princípios


deixaram de ser vistos como meros complementos das regras e passaram a ser também
considerados normas cogentes (fazendo-se mister a distinção entre normas, princípios e
normas disposições), impondo-se, sem dúvida, sua estrita observância.

Ensina a doutrina que:

Os princípios, a exemplo das regras, carregam consigo acentuado grau de


imperatividade, exigindo a necessária conformação de qualquer conduta aos
seus ditames, o que denota o seu caráter normativo (dever ser). Sendo cogente
a observância dos princípios, qualquer ato que deles destoe será inválido,
conseqüência esta que representa a sanção pra inobservância de um padrão
normativo cuja relevância é obrigatória. (Emerson Garcia e Rogério Pacheco
Alves, Improbidade Administrativa, 2ª ed. 2004, Lumen Juris, p.43)

A Constituição Federal estabelece, em seu artigo 37, inciso I, que “os cargos,
empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos
estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei”. O cargo, o emprego e

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as funções públicas são acessíveis aos brasileiros e aos estrangeiros que se ajustam aos
requisitos legais impostos para que tenham legitimidade quando atuar em nome do Estado.

Conclama o supracitado inciso, que os requisitos a serem preenchidos para a


investidura serão estabelecidos em lei. Materializando, assim, o princípio da isonomia, o
princípio da legalidade, bem como o da acessibilidade aos cargos, empregos e funções
públicas.

O grande jurista, Hely Lopes Meirelles (2006, p. 417), define cargo público,
buscando aperfeiçoar os conceitos encontrados em algumas leis esparsas:

O cargo é o lugar instituído na organização do serviço público, com denominação


própria, atribuições e responsabilidades específicas e estipêndio correspondente,
para ser provido e exercido por um titular, na forma estabelecida em lei.

Em síntese, cargo público é a parcela de poder estatal cometidas a um servidor,


através da nomeação de uma pessoa física para exercê-lo, e, assim, ter a titularidade e
competência para realizar as funções inerentes ao cargo.

Consoante a referida lei, cargo público é o conjunto de atribuições,


responsabilidades e direitos, previstos na estrutura organizacional de um órgão ou
entidade, que devem ser atribuídos a um servidor, onde este fará às vezes do Estado que
representa, e colocará em prática os atos administrativos.

São criados por lei, respeitando o princípio da legalidade; acessíveis a todos os


brasileiros, seja nato ou naturalizado, materializando a isonomia e igualdade; possuem
uma denominação própria, estabelecida pela conveniência do chefe do Poder respectivo;
há uma contraprestação aos serviços, que é o pagamento realizado pelo erário público; e
pode se dar em provimento de caráter efetivo ou em comissão.

IV.2. DA IMPORTÂNCIA DO EXAME PSICOTÉCNICO E DOS


REQUISITOS DE SUA APLICAÇÃO.

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O exame psicotécnico, um dos temas mais controvertidos do direito público, é
meio de avaliação utilizado nos mais diversos concursos, de diversas carreiras, mormente,
nas que fazem parte da segurança pública e segurança nacional como: polícias, agentes
penitenciários, guardas municipais e forças armadas.

É instituto legítimo de averiguação das condições psíquicas de um candidato que


pretende exerce um cargo público. Nesse diapasão, o nobre doutrinador, José dos Santos
Carvalho Filho (2009, p. 623), explica que:

O exame psicotécnico é aquele em que a Administração afere as condições


psíquicas do candidato a provimento do cargo público. Trata-se de requisito
legítimo, visto que as funções públicas devem ser exercidas por pessoas
mentalmente sãs.

Observa-se que os editais quando exteriorizam os mandamentos legais e exigem


como requisito de acesso ao cargo o exame psicotécnico, o faz de diversas maneiras, não
sendo uníssono nesse quesito. Assim, o exame psicotécnico, quando fase de um concurso,
é disciplinado sem possuir um regramento sincrético, linear.

A validade do exame está estritamente ligada ao edital e, sobretudo, a lei do


cargo. Alguns editais prevêem o psicotécnico esclarecendo toda a forma de condução em
sua aplicação, bem como informa os critérios a serem avaliados. Porém, quase que em sua
totalidade, não são divulgados os parâmetros em que se realizará o exame e qual é o
enquadramento que um candidato deverá se adequar para ser considerado apto para a
função. Assim, fica-lhe impossibilitado saber se possui perfil correto para determinada
carreira.

Atualmente, está assentado o entendimento que é nulo de pleno direito o


dispositivo contido em edital que estabelece o exame psicotécnico como sendo: sigiloso,
irrecorrível e com caráter subjetivo, como se infere no julgado abaixo:

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ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. EXAME PSICOTÉCNICO.
CARÁTER SIGILOSO, IRRECORRÍVEL E SUBJETIVO. NULIDADE.

1 - É nula de pleno direito a disposição editalícia, contendo previsão de exame


psicotécnico sigiloso, irrecorrível e subjetivo. 2 - Provimento jurisdicional,
decretando a nulidade do exame não implica em suprimir uma fase do certame, mas
em consignar a sua total falta de aptidão para produzir efeitos. 3 - Recurso
conhecido (alínea "c"), mas improvido. (STJ, REsp 442964/PR, Rel. Ministro
FERNANDO GONÇALVES, SEXTA TURMA, julgado em 17/09/2002, DJ
04/08/2003 p. 460) (grifo nosso)

Exame Psicotécnico é um conjunto de métodos e técnicas que, em uma


avaliação psicológica, se utiliza a ciência da psicologia, através de um psicólogo, para
aferir em determinado momento da vida de um indivíduo suas características e dados
psicológicos (SILVA, 2010, p. 1).

O conceito destes testes tem sido elaborado por diversos estudiosos da matéria,
como na passagem dos autores Alchieri e Cruz (2003, apud SILVA, 2010, p. 1):

O conceito de avaliação psicológica é amplo, se refere ao modo de conhecer


fenômenos e processos psicológicos por meio de procedimentos de diagnósticos e
prognósticos, para criar as condições de aferição de dados e dimensionar esse
conhecimento.

“Na verdade, trata-se de um processo que pressupõe a utilização de recursos


para abordar os dados psicológicos de forma sistemática, através de métodos e técnicas
orientados para a resolução do problema.” (CUNHA, 1993, apud SILVA, 2010, p. 1)

Acerca desse instrumento, o Conselho Federal de Psicologia define os testes


psicológicos como sendo uma amostragem objetiva e padronizada de um comportamento,
em que a função precípua é analisar as diferenças e reações entre os indivíduos numa
gama de situações distintas.

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Neste ínterim, o artigo 1º, da resolução 01/2002, do Conselho Federal de
Psicologia, conceitua a avaliação psicológica para fins de seleção de candidatos como
sendo:

[...] um processo, realizado mediante o emprego de um conjunto de procedimentos


objetivos e científicos, que permite identificar aspectos psicológicos do candidato
para fins de prognóstico do desempenho das atividades relativas ao cargo
pretendido.

Com isso, busca-se em um exame psicotécnico a captação de uma série de


condutas, testando-se um indivíduo através de estímulos lhe apresentados, avaliando o seu
enquadramento em uma tarefa pré-estabelecida.

O objetivo do teste é a coleta dos dados e das informações, na intenção de


conseguir uma descrição e compreender de uma maneira mais intensa a personalidade do
candidato, para posterior apuração e análise dos resultados, traduzido em um parecer
psicológico, constando neste as condições interiores e manifestas do examinado. 

É importante salientar, que em virtude da transformação humana, não há espaço


para se afirmar, que a avaliação psicológica possui caráter definitivo (SILVA, 2010, p. 1).

O exame psicotécnico é composto por uma bateria de testes, que engloba,


geralmente, a cognição do nível de inteligência, aptidão para uma tarefa, a personalidade
do indivíduo, dentre outros.

Em todas as situações, tanto o sigilo, quanto o subjetivismo deverão ser


afastados dos exames, conforme se observa do aresto:

RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONCURSO PÚBLICO. POLÍCIA MILITAR.


EXAME PSICOTÉCNICO.

Somente lei pode exigir exame psicotécnico como requisito para a nomeação em
cargo público. Precedentes: RE 230.197 e AGRAG 182.487. O acórdão recorrido

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concluiu que a legislação potiguar não exige o teste psicotécnico para a investidura
no cargo de Policial Militar, premissa que não pode ser impugnada em sede
extraordinária pelo óbice da Súmula STF nº 280. A jurisprudência desta Corte
assentou que é ilegítimo o exame psicotécnico baseado em entrevista, com critério
subjetivos e sigilosos e sem direito à recurso administrativo. Precedentes: RE
243.926 e RE 125.556. Agravo regimental desprovido. (STF, RE 344880 AgR/RN,
Rel. Ministra ELLEN GRACIE, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/10/2002, DJ
06-12-2002 PP-00066 EMENT VOL-02094-03 PP-00625) (grifo nosso)

O Conselho Federal de Psicologia editou a resolução n.º 01, de 19 de abril de


2002, que regulamenta a avaliação psicológica em concurso público e processos seletivos
da mesma natureza. Essa resolução traz um rol de normas que devem orientar os
profissionais em psicologia e os órgãos públicos que utilizam os testes para efetivar a
avaliação psicológica em seus certames. Entretanto, tais normas fogem a obrigatoriedade
de observância pelos candidatos, posto não ser exigíveis para a espécie, assim, não se pode
estender a aplicabilidade das normas a sujeitos estranhos a relação privada, pois esta
resolução não é uma das espécies normativas aludidas no texto constitucional as quais
exigem fiel obediência.

De acordo com o entendimento jurisprudencial uníssono e majoritário:

CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL EM


AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXAME PSICOTÉCNICO. NECESSIDADE DE
LEI. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. PRECEDENTES. 1. A exigência do
exame psicotécnico, prevista somente por Decreto, não serve como condição para
negar o ingresso do servidor na carreira da Polícia Militar. 2. A jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal está pacificada quanto à necessidade de lei em sentido
formal para exigência de exame psicotécnico. 3. Para divergir da conclusão a que
chegou o Tribunal a quo, necessário se faria o exame da legislação
infraconstitucional 4. Agravo regimental improvido. (STF, AI 676675 AgR/DF,
Rel. Ministra ELLEN GRACIE, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/09/2009,
DJe-181 DIVULG 24-09-2009 PUBLIC 25-09-2009 EMENT VOL-02375-08 PP-
02126) (grifo nosso)

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PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÃO DE
CONTRARIEDADE AO ART. 535, INCISO II, DO CÓDIGO DE PROCESSO
CIVIL. ARGÜIÇÃO GENÉRICA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.º 284 DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CONCURSO PÚBLICO. AGENTE
PENITENCIÁRIO FEDERAL. EXAME PSICOTÉCNICO. IMPOSSIBILIDADE.
AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. PRECEDENTES. 1. No tocante à suposta
contrariedade ao art. 535, inciso II, do Código de Processo Civil, limitando-se as
razões do apelo nobre a argüir que o Tribunal a quo não se manifestou a respeito
das questões suscitadas nos embargos de declaração, incide, na espécie, a Súmula
n.º 284 do Pretório Excelso. 2. A jurisprudência desta Corte é uníssona sobre a
questão, no sentido de que, para a aprovação em concurso para ingresso em carreira
pública, somente é lícita a exigência do exame psicotécnico e psicológico quando
houver expressa previsão legal. 3. Os dispositivos legais tidos por violados não
conduzem à interpretação de que há previsão legal expressa a amparar a realização
de exame psicotécnico para provimento de cargos de Agente Penitenciário Federal,
sendo, portanto, inadmissível essa exigência editalícia. 4. Agravo regimental
desprovido. (STJ, AgRg no REsp 1164248/PE, Rel. Ministra LAURITA VAZ,
QUINTA TURMA, julgado em 23/03/2010, DJe 12/04/2010) (grifo nosso)

A falta de divulgação dos critérios adotados na avaliação psicológica em um


concurso público deixa o examinador com larga margem para cometer arbítrio. Sendo
considerados, por força dessa omissão, como subjetivos. Desta forma, cita-se o seguinte
julgado:

CONCURSO PÚBLICO PARA A CARREIRA POLICIAL FEDERAL. EXAME


PSICOTÉCNICO. NECESSIDADE DOS CRITÉRIOS DA OBJETIVIDADE E
PUBLICIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

1. A jurisprudência do STJ é mansa no sentido de que a avaliação psicológica feita


por meio do discutido exame, ainda que legalmente prevista, não deve ser realizada
sigilosamente e de maneira irrecorrível, sob pena de arbítrio por parte do
Administrador. 2. Agravo regimental desprovido, para manter a imposição à União
de realização de novo psicotécnico com critérios de objetividade e ampla
publicidade. (STJ, AgRg nos EDcl no REsp 525611 / DF, Rel. Ministra JANE

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SILVA, QUINTA TURMA, julgado em 11/12/2007, DJ 07/02/2008 p. 1) (grifo
nosso)

O denominado princípio da publicidade cria uma obrigação para a


Administração Pública de que todos os atos realizados, quando tiverem efeitos externos,
devem ser divulgados, tornando-os transparentes. Todos aqueles que puderem ser
atingidos pela sua atuação administrativa, devem ter prévio conhecimento. Protege,
portanto, tanto os interesses individuais, como o interesse público. Geralmente utiliza-se o
diário oficial, editais, intimações pessoais, etc., para se cumprir o referido mandamento.

CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM


MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. PRINCÍPIOS DA
PUBLICIDADE, DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO.
OBSERVÂNCIA. VISTA DA PROVA QUE ELIMINOU A CANDIDATA DO
CERTAME. CONCESSÃO DA ORDEM.

1. Tendo em vista a necessária observância aos princípios norteadores de toda


atividade administrativa, mormente os da publicidade – que se desdobra no direito
de acesso a informação perante os órgãos públicos –, da ampla defesa e do
contraditório, o candidato em concurso público deve ter acesso à prova realizada
com a indicação dos erros cometidos que culminaram no seu alijamento do certame.
2. Recurso ordinário provido. (STJ, RMS 27838 / SP, Rel. Ministra LAURITA
VAZ, QUINTA TURMA, DJe 19/12/2008) (grifo nosso)

Com fundamento, a avaliação psicológica deverá também observar o princípio


da razoabilidade e proporcionalidade, pois a Administração Pública deverá adotar critérios
razoáveis e proporcionais ao homem médio, quando do estabelecimento dos mesmos em
uma avaliação psicológica, bem como de todos os atos a serem realizados em um concurso
público.

Assim, esse princípio age em “liame subjetivo” com a impessoalidade e


publicidade de um ato. Justamente o que se requer do administrador público quando exige

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uma avaliação tão criteriosa, um tanto falível, que nem mesmo a ciência da psicologia tem
pleno conhecimento.

Pelo princípio da impessoalidade tem-se a obrigação constitucional de que os


atos da Administração devem ser dirigidos e praticados visando a todos indistintamente, e
não há alguns individualizados, posto ser interesse público a prática dos atos de forma a
não favorecer um em detrimento de outros administrados que estejam na mesma situação
jurídica, em igualdade. Devem ser objetivos e nunca subjetivos. Marcelo Alexandrino e
Vicente Paulo (2005, p. 111) afirmam esse entendimento:

A impessoalidade da atuação administrativa impede, portanto, que o ato


administrativo seja praticado visando a interesses do agente ou de terceiros,
devendo ater-se à vontade da lei, comando geral e abstrato por essência. Impede, o
princípio, perseguições ou favorecimentos, discriminações benéficas ou prejudiciais
aos administrados. Qualquer ato praticado em razão de objetivo diverso da tutela do
interesse da coletividade será inválido por desvio de finalidade.

Descrevem-se abaixo as corretíssimas palavras do eminente doutrinador Celso


Antônio Bandeira de Mello (2008, p. 114) a respeito deste princípio:

Nele se traduz a idéia de que a Administração tem que tratar a todos os


administrados sem discriminações, benéficas ou detrimentosas. Nem favoritismo
nem perseguições são toleráveis. Simpatias ou animosidades pessoais, políticas ou
ideológicas não podem interferir na atuação administrativa e muito menos interesses
sectários, de facções ou grupos de qualquer espécie. O princípio em causa não é
senão o próprio princípio da igualdade ou isonomia. Está consagrado explicitamente
no art. 37, caput, da Constituição. Além disso, assim como "todos são iguais perante
a lei" (art. 5º, caput), a fortiori teriam de sê-lo perante a Administração.

No texto constitucional há, ainda, algumas referências a aplicações concretas


deste princípio, como ocorre no art. 37, lI, ao exigir que o ingresso em cargo, função ou
emprego público depende de concurso público, exatamente para que todos possam
disputar-lhes o acesso em plena igualdade.

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Desdobramento natural do princípio da impessoalidade é o princípio da
finalidade, onde o fim almejado pela Administração será sempre o do interesse público.
Esse é o entendimento de Hely Lopes Meirelles (2006, p. 91 e 92)

O princípio da impessoalidade, referido na Constituição de 1988 (art. 37, caput),


nada mais é que o clássico princípio da finalidade, o qual impõe ao administrador
público que só pratique o ato para seu fim legal. E o fim legal é unicamente aquele
que a norma de Direito indica expressa ou virtualmente como objetivo do ato, de
forma impessoal. (grifo do autor)

A impessoalidade tem estreita relação com os concursos públicos, sendo vedado


o favorecimento de uns candidatos em detrimento de outros. Como também, tem relação
com os exames psicotécnicos aplicados, pois não é permitido a implementação de critérios
pessoais ou subjetivos na avaliação psicológica, como se depreende abaixo:

ADMINISTRATIVO. CONCURSO PUBLICO. EXAME PSICOTECNICO.


CARATER SIGILOSO DA ENTREVISTA. ART. 37 DA CF/1988. PRINCIPIO
DA IMPESSOALIDADE. VIOLAÇÃO. - VIOLA O PRINCIPIO DA
IMPESSOALIDADE, A AVALIAÇÃO PSICOLOGICA DE CANDIDATO A
CONCURSO PUBLICO REALIZADA EM CARATER SUBJETIVO E
SIGILOSO, SUJEITA UNICA E EXCLUSIVAMENTE AO ARBITRIO DO
EXAMINADOR. - RECURSO NÃO CONHECIDO. (STJ, REsp 27865 / DF, Rel.
Ministro WILLIAM PATTERSON, SEXTA TURMA, julgado em 25/02/1997, DJ
14/04/1997 p. 12804 RSTJ vol. 98 p. 423) (grifo nosso)

1. Análise do extraordinário que envolve reexame de fatos, provas e de legislação


infraconstitucional. 2. O acórdão recorrido não se afastou da jurisprudência desta
Corte, que entende haver ofensa ao princípio constitucional do livre acesso aos
cargos públicos cláusula que determina a irrecorribilidade do exame psicotécnico, e
ao da impessoalidade, quando a avaliação é realizada com base em critérios
meramente subjetivos. 3. Agravo regimental improvido. (STJ, AG.REG no AI
456086 AgR / BA, Rel. Min. WILLIAM PATTERSON, SEXTA TURMA, DJ 12-
11-2004 PP-00033) (grifo nosso)

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Assim, para o psicotécnico se mostrar válido, deverá ter os seus critérios
previamente divulgados, como as características a serem avaliadas, as técnicas utilizadas,
o paradigma de normalidade esperado, o método e os resultados da avaliação, razões da
aprovação ou reprovação, nome dos avaliadores, ou seja, o detalhamento e fundamentação
de como se realizará a avaliação. Sem esses dados, suprimida esta a possibilidade do Poder
Judiciário prestar a tutela jurisdicional, para examinar a legalidade ou ilegalidade de tais
critérios. Como bem assinalou o Ministro Carlos Velloso, em julgamento realizado na
Suprema Corte brasileira:

CONSTITUCIONAL. CONCURSO PÚBLICO. JULGAMENTO SIGILOSO DA


CONDUTA DO CANDIDATO. INCONSTITUCIONALIDADE. CF/67, ART.
153, PAR 4.. CF/88, ART. 5. XXXV. I. Exame e avaliação de candidato com base
em critérios subjetivos, como, por exemplo, a verificação sigilosa sobre a conduta,
pública e privada, do candidato, excluindo-o do concurso sem que sejam fornecidos
os motivos. Ilegitimidade do ato, que atenta contra o princípio da inafastabilidade
do conhecimento do Poder Judiciário de lesão ou ameaça a direito. E que, se a lesão
e praticada com base em critérios subjetivos, ou em critérios não revelados, fica o
Judiciário impossibilitado de prestar a tutela jurisdicional, porque não terá como
verificar o acerto ou o desacerto de tais critérios. Por via obliqua, estaria sendo
afastada da apreciação do Judiciário lesão a direito. (STF, RE 125556/PR, Rel.
Ministro CARLOS VELLOSO, TRIBUNAL PLENO, julgado em 27/03/1992, DJ
15-05-1992 PP-06786) (grifo nosso)

Jurisprudências explicitam o dever de observância da objetividade no exame


psicotécnico:

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO.


ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. EXAME PSICOTÉCNICO.
AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. A
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou-se no sentido da possibilidade
da exigência do exame psicotécnico quando previsto em lei e com a adoção de
critérios objetivos para realizá-lo. Precedentes. (STF, AI 745942 AgR/DF, Rel.

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Ministra CÁRMEN LÚCIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/05/2009, DJe-
121  01-07-2009) (grifo nosso)

EMENTA: 1. Concurso público: além da necessidade de lei formal prevendo-o


como requisito para o ingresso no serviço público, o exame psicotécnico depende
de um grau mínimo de objetividade e de publicidade dos atos em que se desdobra:
precedentes. 2. Recurso extraordinário: inviabilidade para o reexame dos fatos da
causa, que devem ser considerados na versão do acórdão recorrido (Súmula 279):
precedentes (STF, RE 417019 AgR/SE, Rel. Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/08/2007, DJe 14-09-2007) (grifo nosso)

Hely Lopes Meirelles (2006, p. 436) tem entendimento consoante, visto já ter
publicado o seguinte verbete: “Não obstante, é ilegal a exclusão ou reprovação com base
em critério subjetivo, como a realização de exame psicotécnico sem critérios objetivos ou
a avaliação sigilosa de conduta do candidato, sem motivação.”

A sigilosidade também é tratada por José dos Santos Carvalho Filho, que
preleciona a insistência de alguns órgãos públicos em adotar critérios subjetivos nos
editais de concurso, bem como violações ao direito à informação.

Alguns órgãos administrativos não se sabe bem porque, ou se é para alguma


ocultação escusa, já que não se vislumbra qualquer razão plausível, insistem em
conferir ao exame psicotécnico caráter sigiloso, chegando mesmo ao ápice de
inserir essa qualificação em cláusula de edital de concurso. Essa imposição é
notoriamente ilegítima e ofende literalmente o princípio que assegura a qualquer
indivíduo o direito à obtenção de informações perante os órgãos públicos (art. 5º,
XXXIII, CF). Afinal, todos têm o direito de saber quais os motivos que conduziram
o examinador a considerar o candidato inapto no exame psicotécnico, e, alias, em
qualquer tipo de prova. (CARVALHO FILHO, 2009, p. 625)

Novamente faz-se referência a alguns testes, que pelo seu alto teor de
subjetivismo, maculam a aplicação do psicotécnico em toda a sua essência. É o que ocorria
com as entrevistas pessoais, dissertações orais e dinâmicas de grupo, quando eram

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aplicadas nos exames psicotécnicos. O princípio da isonomia era totalmente violado com
esses testes. Atualmente, não se observa tal prática depois de intensas discussões
jurisprudenciais, como uma das percussoras prelecionada pelo Ministro Francisco Rezek:

CONCURSO PÚBLICO. POLICIA FEDERAL. EXAME PSICOTECNICO.


ENTREVISTA CARENTE DE RIGOR CIENTIFICO. ELIMINAÇÃO DE
CANDIDATO, AFINAL DESAUTORIZADA PELO JUDICIARIO, POR
ILEGALIDADE, EM MANDADO DE SEGURANÇA. QUANDO A LEI DO
CONGRESSO PREVE A REALIZAÇÃO DE EXAME PSICOTECNICO PARA
INGRESSO EM CARREIRA DO SERVIÇO PÚBLICO, NÃO PODE A
ADMINISTRAÇÃO TRAVESTIR O SIGNIFICADO CURIAL DAS PALAVRAS,
QUALIFICANDO COMO EXAME A ENTREVISTA EM CLÁUSULA, DE
CUJOS PARAMETROS TÉCNICOS NÃO SE TENHA NOTICIA. NÃO E
EXAME, NEM PODE INTEGRA-LO, UMA AFERIÇÃO CARENTE DE
QUALQUER RIGOR CIENTÍFICO, ONDE A POSSIBILIDADE TEÓRICA DO
ÁRBITRIO, DO CAPRICHO E DO PRECONCEITO NÃO CONHECA LIMITES.
MÉRITO DO ACÓRDÃO UNÂNIME. DO TRIBUNAL FEDERAL DE
RECURSOS. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO A QUE SE NEGA
CONHECIMENTO. (STF, RE 112676 / MG, Rel. Ministro FRANCISCO REZEK,
SEGUNDA TURMA, julgado em 17/11/1987, DJ 18-12-1987 PP-29144) (grifo
nosso)

Um aspecto altamente relevante que está estritamente ligado a objetividade do


exame psicotécnico é a previsão editalícia de avaliação psicológica, em que o candidato
terá que se enquadrar em um perfil psicológico, profissiográfico ou profissiografia
específica para o cargo, desconhecida por todos os candidatos que se candidatam as vagas,
conhecida apenas pelos realizadores do certame.

Não raramente é o único critério divulgado pela maioria dos editais de concurso
público. Amplamente inconstitucional quando não se informa quais os parâmetros,
características e enquadramentos que devem estar os candidatos, tendo como norte o perfil
requerido. Destarte, atuando deste modo, desconhecem-se os critérios que serão levados

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em consideração para a aferição do perfil profissiográfico ou psicológico do candidato, de
forma objetiva e antecipada.

Celso Antônio Bandeira de Mello (2008, p. 277 e 278), em sua obra, “Curso de
Direito Administrativo”, ensina que os concursos devem se pautar no princípio da
igualdade e impessoalidade para se chegar à finalidade almejada. Ainda, informa que a
objetividade e controle do concurso são afastados, quando se exige na avaliação
psicológica a adequação do perfil do candidato a um perfil psicológico, ou
profissiográfico, para o cargo, desconhecido pelos candidatos e adotado pelos promotores
do concurso. In verbis:

Os concursos públicos devem dispensar tratamento impessoal e igualitário aos


interessados. Sem isto ficariam fraudadas suas finalidades. Logo, são inválidas
disposições capazes de desvirtuar a objetividade ou o controle destes certames. É o
que, injuridicamente, tem ocorrido com a introdução de exames psicotécnicos
destinados a excluir liminarmente candidatos que não se enquadrem em um
pretenso "perfil psicológico", decidido pelos promotores do certame como sendo o
"adequado" para os futuros ocupantes do cargo ou do emprego.

Ainda o mesmo autor:

Exames psicológicos só podem ser feitos como meros exames de saúde, na qual se
inclui a higidez mental dos candidatos, ou, no máximo - e, ainda assim, apenas no
caso de certos cargos ou empregos -, para identificar e inabilitar pessoas cujas
características psicológicas revelem traços de personalidade incompatíveis com o
desempenho de determinadas funções. Compreende-se, por exemplo, que um teor
muito alto de agressividade não se coadunaria com os encargos próprios de quem
deva tratar ou cuidar de crianças em creches ou escolas maternais.  (MELLO, 2008,
p. 278)

Por fim, assevera a obrigatoriedade de conhecimento dos responsáveis pela


aplicação dos exames, nestas insignes palavras: “de toda sorte, é indispensável que os

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nomes dos responsáveis pelos sobreditos exames psicológicos sejam dados a público, para
que possa ser aquilatada sua aptidão”. (MELLO, 2008, p. 278)

Compactuando com esse entendimento a jurisprudência dos tribunais confirma a


posição do ilustre autor. Recente decisão do Superior Tribunal de Justiça sobre o assunto:

RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO.


CONCURSO PÚBLICO. POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DA PARAÍBA. EXAME
PSICOTÉCNICO. AUSÊNCIA DE CARÁTER OBJETIVO NA CORREÇÃO.
NÃO CONHECIMENTO DAS RAZÕES QUE LEVARAM À REPROVAÇÃO
DA RECORRENTE. NULIDADE DO EXAME. CONTROLE DE LEGALIDADE
E RAZOABILIDADE DO PODER JUDICIÁRIO. ADOÇÃO DE PERFIL
PROFISSIOGRÁFICO EM QUE SE DEVAM ENCAIXAR OS CANDIDATOS.
IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DA EXIGÊNCIA DE CRITÉRIOS
OBJETIVOS. PEDIDO PARA RECONHECER A APROVAÇÃO DA
RECORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE
NOVO EXAME. PRECEDENTE.

1.  A exigência do exame psicotécnico é legítima, autorizada que se acha na própria


Constituição da República, ao preceituar que "os cargos, empregos e funções
públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos
em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;" (art. 37, inciso I, da
Constituição Federal). 2. O exame psicotécnico, cuja principal característica é a
objetividade de seus critérios, indispensável à garantia de sua legalidade, deve ter
resultado que garanta a publicidade, bem assim a sua revisibilidade. Inadmissível,
portanto, o caráter sigiloso e irrecorrível do referido exame. 3. O critério fixado no
"perfil profissiográfico", previsto no item 11.3 do edital, é elemento secreto,
desconhecido dos próprios candidatos, e, portanto, incontrastável perante o Poder
Judiciário, o que o fulmina de insanável nulidade, excedendo, assim, a autorização
legal. 4. O fato de ser reconhecida a ilegalidade da correção do exame psicotécnico
não exime a candidata de se submeter a novo exame, não podendo prosperar sua
pretensão de ser diretamente nomeada ao cargo. Precedente. 5. Recurso
parcialmente provido para reconhecer a nulidade do teste psicotécnico da
Recorrente, devendo ela ser submetida a novo exame. (STJ, RMS 19339/PB, Rel.

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Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 19/11/2009, DJe
15/12/2009) (grifo nosso)

Manifestando-se contra a ilegalidade de tal dispositivo, segue a decisão do


Tribunal Regional Federal da 1ª Região, órgão que possui grande demanda em
julgamentos sobre concurso público, visto concentrar a esfera administrativa do Governo
Federal:

CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. POLICIAL


RODOVIÁRIO FEDERAL. EXAME PSICOTÉCNICO: AVALIAÇÃO
PSICOLÓGICA. PERFIL PROFISSIOGRÁFICO. CRITÉRIOS SUBJETIVOS.
CARÁTER SIGILOSO. ILEGALIDADE. LITISCONSÓRCIO PASSIVO
NECESSÁRIO. INEXISTÊNCIA. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO, COM
FIXAÇÃO DE SUCUMBÊNCIA.

[...]
2. É legítima a exigência de exame psicotécnico em concurso público para o cargo
de Policial Rodoviário Federal, em razão de expressa previsão legal (Lei 9.654/98).
3. Viola a CF/88 a realização de psicotécnico cujo escopo não seja aferir a
existência de traço de personalidade que impeça o regular exercício do cargo, mas a
adequação do candidato a "perfil profissiográfico" sigiloso, não previsto em lei e
nem especificado no edital. (Cf. STF, RE 432.697/DF, Decisão Monocrática,
Ministro Carlos Britto, DJ 10/02/2005; AI-AgR 456.086/BA, Segunda Turma,
Ministra Ellen Gracie, DJ 12/11/2004; RE-AgR 414.292/BA, Primeira Turma,
Ministro Carlos Britto, DJ 22/10/2004; RE-AgR 326.349/RN, Segunda Turma,
Ministro Gilmar Mendes, DJ 11/10/2002; STJ, RESP 933.211/DF, Decisão
Monocrática, Ministro Hamilton Carvalhido, DJ 30/05/2007; TRF1, AC
2005.35.00.009560-5/GO, Sexta Turma, Desembargador Federal Souza Prudente,
DJ 12/02/2007; EIAC 2004.38.00.025984-0/MG, Desembargadora Federal Maria
Isabel Gallotti Rodrigues, DJ 19/10/2007; AC 2002.33.00.012601-3/BA, Sexta
Turma, Desembargadora Federal Maria Isabel Gallotti Rodrigues, DJ 23/10/2004.)
4. Apelação provida. (TRF1 APL 2004.39.00.005904-5, Rel. Des. Federal SOUZA
PRUDENTE, SEXTA TURMA, julgado em 28/01/2008) (grifo nosso)

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Assim, entende-se que o perfil desejado pela Administração para o futuro
ocupante do cargo deverá estar previsto em lei e devidamente regulamentado para compor-
se de validade. Para esse entendimento, a simples previsão em lei do exame psicotécnico
não satisfaz o princípio da legalidade, devendo constar na lei a exigência de adequação a
um perfil profissiográfico, que necessitará, para ter eficácia, de elaboração de
regulamentação específica.

Alessandro Samartin de Gouveia (2010, p. 1), no artigo “breve estudo sobre a


legalidade dos exames psicotécnicos com caráter eliminatório em concursos públicos”,
publicado no site jus navegandi, expõe a problemática sobre a necessidade de
regulamentação da matéria:

Logo, prever que o candidato tem que se submeter a exame psicotécnico é


necessário, mas não é suficiente à eliminação dele no concurso público.
Explicamos: temos de estremar o verdadeiro significado da previsão em lei de
exame psicotécnico com caráter eliminatório.

A simples previsão, em lei, de um exame eliminatório, sem maiores regramentos,


faz dessa lei um ato normativo incompleto, carente de complementação para
preenchimento de sua plenitude normativa, tal qual ocorre com as normas
constitucionais de eficácia limitada ou mesmo as normas penais em branco ou
normas exigentes de exercício de poder regulamentar, pois é fácil dito que o exame
psicotécnico necessita de expressa previsão em lei para que ele possa ser aplicado
em concursos públicos.

Assim, a lei, se quiser vincular alguém, sobretudo o cidadão, especialmente na


restrição de seus direitos, deve ser plena e clara e completa, não basta apenas a lei,
exige o Constituinte norma jurídica plena, daí a idéia de bloco de
constitucionalidade. Logo, o dito simplório da expressa previsão em lei tem que ser
analisado sob aspecto material e ser entendido por expressa previsão de norma
jurídica plena, que vai da lei até os atos regulamentares a essa lei de forma completa
e una.

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Consoante esse posicionamento, já existe jurisprudência que exige a menção em
lei do perfil profissiográfico:

EMENTA: CONCURSO PÚBLICO. POLÍCIA FEDERAL. EXAME


PSICOTÉCNICO. LEGALIDADE. 1. Segundo o enunciado 239 da Súmula do
TFR "é legítima a exigência de exame psicotécnico em concurso público para
ingresso na Academia Nacional de Polícia", em razão de expressa previsão
constitucional e legal (Lei nº. 4.878/65 e Decreto-Lei nº. 2.320/87).

2. Viola, contudo, a Constituição a realização de psicotécnico cujo escopo não é


apenas aferir a existência de traço de personalidade que prejudique o regular
exercício do cargo, mas a adequação do candidato a "perfil profissiográfico"
considerado ideal pela Administração, mas não previsto em lei.  3. Agravo de
instrumento a que se dá provimento. (TRF1, AG 200701000340107/DF, Rel.
Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI RODRIGUES, SEXTA TURMA, DJ
de 01/09/2008) (grifo nosso)

Sendo assim, começa a surgir a corrente que entende que, além de estar previsto
em lei, o perfil profissiográfico deverá ser regulamentado, expondo-se todas as
características que o cerca quando da exigência de sua aplicação em concursos públicos.

IV.3. DA LISTA DE EXAMINADORES DIVULGADA PELA FUNCAB.


EXISTÊNCIA DE EXAMINADORES QUE NÃO POSSUEM
INSCRIÇÃO VÁLIDA NO CRP.

Como já explanado, o Conselho Federal de Psicologia é o ente responsável pela


normatização de qualquer aplicação de avaliação psicológica em concursos públicos.
Ademais, o edital determina as regras do concurso. E deve ser observa, exceto em
situações de ilegalidade ou falta de razoabilidade.

E tanto o CFP (em resolução e em e-mail enviado a alguns candidatos – em


anexo), quanto o edital são claros ao estabelecer que os psicólogos que aplicariam a prova
deveriam ter, na data da aplicação, inscrição válida no Conselho Regional de Psicologia.

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A FUNCAB, todavia, divulgou a lista dos examinadores. Qualquer interessado
pode conferir, no sítio eletrônico do CFP a regularidade de um psicólogo ao consultar seu
nome e número de registro no CRP no seguinte sistema:

http://cadastro.cfp.org.br/siscafweb/carregaConselho.do?
tipoAcesso=4&s=1&tipoConsulta=pf&controle=0&sigla=cfp&ini=1

Assim, o próprio juízo pode consultar o nome das psicólogas apresentadas pela
FUNCAB, chegando-se ao seguinte resultado: das psicólogas que aplicaram os testes,
quinze não possuem inscrição válida no CRP.

Concurso: AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA – POLÍCIA MILITAR – SE


Local de prova: FACULDADE PIO DÉCIMO – SE
Data da prova: 04/05/2014
NOME CRP
1 VIRGÍNIA KLEIN ROCHA 19/001863
2 ILDISLAINE CHARLENE GOMES RAMOS 33/5844
3 CRISTIANE RODRIGUES SANTOS 03/1144
4 MANUELA ARAUJO MELO 19/001301
5 KARLA LETICIA LIMA MOURA 19/1682
6 LICIA ALVES DE OLIVEIRA SCHUSTER 19/0902
7 SONIA MARIA SANTOS FERREIRA 19/1639
8 DEISE SUZANE SOUZA E SANTANA 03/06324
9 SUZIANNE PASSOS DIAS SANTOS 19/002479
10 GABRIELA DIAS SPINOLA 33/3870
11 VANUZIA COSTA 19/001647
12 PATRICIA GONÇALVES DE ANDRADE 19/0593
13 WINNIEGESSICA ALMEIDA S. SANTOS 19/002546
14 IGOR ALEXANDRE MENESES DANTAS 19/0752
15 JOSE SEBASTIÃO DOS SANTOS FILHO 33/2930
16 ELZE PAULA VALOIS B. FRACCIOLI 19/001282
17 INGRID DABOIT DINIZ 03/06179
18 TATIANA TAVARES FONTES 33/7113
19 LUIZ RICARDO SANTANA DE ARAUJO 33/3170
20 TATIANA RIBEIRO ALMEIDA 19/2357
21 SOLANGE SALES TEXEIRA 19/0025003

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22 CATHARINA MIRANDA 19/002277
23 JOSELMA MARIA SOUZA 19/002293
24 MARILIA BERENICE M. ALVES 33/03048
25 RUTE GLEIZE OLIVEIRA 19/001890
26 BÁRBARA CECÍLIA G. FEITOSA 19/002119
27 DANIELLA FURTADO LEITE 19/000988
28 MARCIA SOUZA PRATA 19/001228
29 FÁBIO JOSÉ ROCHA SANTOS 19/001365
30 VANDETE CARINE ROCHA S. SANTOS 19/001608
31 CLAUDIA PATRICIA DOS S. FREIRE 19/1015
32 MARCIA MARIA DE OLIVEIRA 03/04942
33 CRISTINA RODRIGUES 05/436638
34 ISABELA CAROLLINE S. BEZERRA 19/1052
35 SYRLENE MENDES TELES 19/001793
36 GLÓRIA FERNANDA S. DE SANTANA 03/08349
37 CLEUDJA DE OLIVEIRA TEXEIRA 33/4560
38 MARIA FÁTIMA BARACUI 2/1160
39 BRENA MATOS GOES ARAGÃO 19/001110
40 ROSA MALENA SANTOS 33/3120
41 JOANA DARC SANTANA RIBEIRO 19/6083
42 LUIZ HENRIQUE CORREIA 19/691
43 RUTH MARIA VIEIRA OLIVEIRA 19/1685
44 LAVÍNIA MARIA LIMA ANDRADE 19/2560

TOTAL:

Resp. pelo
Pagamento: __________________________________________

Tal fato é percebido partir das seguintes telas extraídas diretamente da consulta
acima trazida:

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Assim, tal fato é mais do que contundente e objetivo para a anulação do exame,
tendo-se em vista uma irregularidade ao disposto pela Resolução do CFP, uma
irregularidade de exercício profissional, uma irregularidade ao disposto no edital do
concurso.

A FUNCAB é instituição especializada na elaboração de provas de concursos


públicos devendo ter o necessário cuidado na seleção do pessoal que aplica os seus
exames, isso porque concursos públicos são sonhos de diversas pessoas que se dedicam
anos e são reprovadas por motivos inexistentes, absurdos, o que se torna uma crueldade de
grande monta com as expectativas de cada candidato.

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V - DO CABAL DESRESPEITO AOS MANUAIS DE PSICOLOGIA.
ENTEDIMENTO DO CRP DE NULIDADE DE TESTE QUE CONTRARIA O
MANUAL. SUSPENSÃO DO CONCURSO PELA FALHA NO PSICOTÉCNICO
DA POLÍCIA CIVIL DO MT. INSTAURAÇÃO DE PROCESSO
ADMINISTRATIVO NO CRP/SE.

Para que se entenda o que será debatido a seguir, é necessário compreender um


ponto. Cada teste no exame psicotécnico possui um manual. O manual indica o objetivo do
teste, a forma de aplicação, as condições para a aplicação e a forma de correção e resultado
do teste. Dessa forma, para que seja válido um teste, deverá obedecer fidedignamente ao
disposto no seu manual.
Esse é o entendimento do Conselho Federal de Psicologia, ao dispor que3:
A aplicação do teste deve obedecer rigorosamente às instruções contidas no manual, o
tempo estabelecido para a sua execução e outras recomendações especificadas. A
modificação de tais instruções invalida o teste.” (grifou-se).

É necessário esclarecer que uma fase da avaliação psicológica consistiu na


aplicação do Teste de Atenção Seletiva – TAS. Ocorre que o manual “Teste de atenção
seletiva: TAS” (em anexo), escrito por Fábio Camilo da Silva, que dá instruções acerca da
correta aplicação do teste, que devem ser obedecidas pelos profissionais da área, e nele
consta expressamente que:
O psicólogo que irá aplicar o teste deve ter domínio das instruções e segui-las tal
como estão descritas neste volume, sem subtrair ou acrescentar informações. Essa
recomendação pauta-se no fato de que todas as pesquisas de normatização foram
feitas dessa maneira. Se necessário, as instruções podem ser lidas até que sejam
totalmente assimiladas. (Silva, 2011, p. 25) (grifo nosso).
Ou seja, não pode o profissional da área desviar dos padrões estabelecidos no
manual para a aplicação do teste, uma vez que foram feitos estudos sobre qual é o melhor
tipo de procedimento.

3
Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 25/2001, que disciplina os procedimentos que devem
ser adotado na aplicação de testes em Avaliações Psicológicas

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Dito isso, vejamos agora as irregularidades havidas no dia da avaliação
psicológica do concurso da Polícia Militar.
Conforme exposto na peça vestibular, dentre as irregularidades que ocorreram
naquele dia, uma delas foi a superlotação das salas utilizadas para a avaliação. Na maior
parte delas, havia 38 pessoas em cada, segundo se prova com o Edital nº 03/2013 de
convocação para a avaliação psicológica acostado aos autos, no qual se designou a sala
respectiva de cada candidato.
Entretanto, o manual supramencionado ensina que o teste deve ser aplicado em
salas com lotação máxima de 30 pessoas, in litteris:

Modificar tal procedimento claramente afeta o desempenho dos candidatos, pois


os profissionais responsáveis não seriam capazes de supervisionar adequadamente o
ambiente e não poderiam dar atenção a todos. Além de que a superlotação acarreta mais
barulho, mais dificuldade de concentração, fatores estes que seguramente prejudicaram o
desempenho dos agravados.
Os candidatos foram submetidos à tensão e ansiedade de toda ordem, devido ao
despreparo da Psicóloga que não realizou o acolhimento (rapport), haja vista que
reiteradas vezes teve que chamar a sua coordenadora para tirar dúvidas sobre os
procedimentos a serem adotados, durante a aplicação do teste TAS, causando insegurança
no processo de avaliação.
Some-se a isso tudo os relatos de más condições das carteiras, as quais eram
completas de ranhuras, desconfortáveis, o ambiente direcionava o ar-condicionado
exclusivamente a alguns candidatos (fator este por si só irrelevante, mas somado aos
outros, torna-se um grande incômodo) e, por fim, não havia cadeira para canhotos, que

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foram obrigados a fazer a prova em carteiras para destros. Por tudo que foi exposto, está
claro que a “boa acomodação” exigida não foi em nenhum aspecto cumprida.
A superlotação fica evidente a partir das fotos dos locais de prova que ora se
colacionam:

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A FUNCAB, empresa que organizou o certame, contratada sem licitação,
também teve problemas dessa natureza na aplicação do psicotécnico da Polícia Civil do

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Mato Grosso. Em condições muito semelhantes e mesma avaliação aplicada aqui, o
concurso foi suspenso, e o MP local entrou em acordo com a FUNCAB no sentido de
aplicar um novo teste para todos os candidatos, invalidando, portanto, o teste aplicado.
Note-se que, conforme consta na ação, foi instaurado processo administrativo no
CRP sergipano com o fito de apurar essas irregularidades, que afrontam, sem dúvida, a
credibilidade das avaliações psicotécnicas de um modo geral.

VI - O DIREITO AO RECURSO NÃO PODE SER APENAS VISTO DE MANEIRA


FORMAL

A jurisprudência entende que o contraditório e a ampla defesa são essenciais a


validade do ato de exclusão, como se depreende dos julgados abaixo:

CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM


MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. PRINCÍPIOS DA
PUBLICIDADE, DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO.
OBSERVÂNCIA. VISTA DA PROVA QUE ELIMINOU A CANDIDATA DO
CERTAME. CONCESSÃO DA ORDEM.

1. Tendo em vista a necessária observância aos princípios norteadores de toda


atividade administrativa, mormente os da publicidade – que se desdobra no direito
de acesso a informação perante os órgãos públicos –, da ampla defesa e do
contraditório, o candidato em concurso público deve ter acesso à prova realizada
com a indicação dos erros cometidos que culminaram no seu alijamento do certame.
2. Recurso ordinário provido. (STJ, RMS 27838/SP, Rel. Ministra. LAURITA
VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 02/12/2008, DJe 19/12/2008) (grifo nosso)

RESP - CONCURSO PÚBLICO PARA ESCRIVÃO DE POLÍCIA - EXAME


PSICOTÉCNICO - RECORRIBILIDADE.

- Não obstante a exigência legal da realização de exame psicotécnico para ingresso


na carreira de Escrivão de Polícia, a negativa de permitir ao candidato, dele
recorrer, na esfera administrativa, caracteriza violação aos princípios do

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contraditório e ampla defesa. - Precedentes do STF. - Recurso da União que não se
conhece. (STJ, RMS REsp 153535/RN, Rel. Ministro CID FLAQUER
SCARTEZZINI, QUINTA TURMA, julgado em 03/09/1998, DJ 23/11/1998 p.
192) (grifo nosso)

VII - DEVER DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO IDÊNTICA A


TODOS OS CANDIDATOS.

Nobre julgador, uma motivação idêntica a todos os reprovados indica que


nenhum deles possuiu uma motivação digna a justificar sua reprovação. Isso porque o
parecer final de todos eles foi o seguinte:

Pelo princípio da motivação frisa-se que os atos administrativos devem ser


justificados, aludindo os fundamentos fáticos e de direito, correlacionados com a lógica
entre os eventos, as situações existentes e a providência tomada. Devem estar presentes em
qualquer ato, principalmente nos decisórios que possam influir externamente nos
administrados (MELLO, 2008, p. 112).

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A correspondência legal deste princípio encontra fundamento na cidadania,
presente no artigo 1º, inciso II, da Constituição, bem como no disposto no artigo 5º, inciso
XXXV, que assegura o direito à apreciação judicial nos casos de lesão ou ameaça a direito
(MELLO, 2008, p. 112 e 113).

A motivação permite o controle judicial da legalidade dos atos praticados pela


Administração, sendo, portanto, obrigatório para se dar efetividade à ampla defesa e ao
contraditório.

Nos exames aqui aludidos, a motivação é pressuposto básico para viabilizar um


recurso administrativo, já que para fundamentá-lo, deverá o recorrente saber os motivos da
reprovação, em laudo técnico, com as observações e registros que levaram a conclusão do
ato, e, por conseguinte, combatê-lo com provas que sustente o seu direito.

A doutrinadora Fernanda Marinela (2007, p. 51) explica motivação:

Para resumir, a motivação é exigida como afirmação do direito político dos


cidadãos ao esclarecimento do porquê das ações de quem gere negócios que lhes
dizem respeito, por serem titulares últimos do Poder e como direito individual a não
se submeterem a decisões arbitrárias, pois só têm que se conformar com as que
forem ajustadas às leis.

Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça tem se manifestado, através de


acórdãos prolatados a favor da necessidade de motivação do ato de exclusão em exame
psicotécnico, como se depreende abaixo:

RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA.  ADMINISTRATIVO.


CONCURSO PÚBLICO. EXAME PSICOTÉCNICO. ORDEM PARCIAL:
POSSIBILIDADE DE ACESSO E DE UTILIZAÇÃO DE RECURSO.

Considerando que o impetrante se volta contra a inobservância dos princípios da


publicidade, da motivação e da irrecorribilidade, o aresto recorrido, ao conceder
parcialmente a ordem, garantindo o acesso à motivação e possibilitando a utilização

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de recurso administrativo próprio, supriu tais questões. Recurso desprovido. (STJ,
RMS 19880/SC, Rel. Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA, QUINTA
TURMA, julgado em 15/09/2005, DJ 17/10/2005 p. 321) (grifo nosso)

DIREITO ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. EXAME


PSICOTÉCNICO. DIVULGAÇÃO DOS CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO
UTILIZADOS NA PROVA. AUSÊNCIA.

1. O edital de concurso deve conter de forma clara e precisa os critérios


utilizados na avaliação dos candidatos convocados para realização de exame
psicotécnico.   2. A mera remissão à Resolução do Conselho Federal de Psicologia
não foi capaz de informar aos candidatos o perfil esperado para o exercício do cargo
de Policial Militar, demonstrando o caráter subjetivo do processo de seleção.   3.
Comprovado o direito líquido e certo do impetrante à realização de exame
psicotécnico com critérios previamente estabelecidos e definidos objetivamente,
com resultado motivado, público e transparente.   4. Recurso ordinário provido.
(STJ, RMS 25596/RO, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado
em 21/05/2009, DJe 03/08/2009) (grifo nosso)

VIII - CANDIDATOS QUE JÁ FORAM APTOS EM OUTROS PSICOTÉCNICOS

O exército de nosso país utiliza como critérios de seleção para o ingresso no


Curso de Formação a Aspirante-a-Oficial da Reserva de 2ª Classe, que habilita quem o
completa a ingressar no Corpo de Oficiais da Reserva do Exército (CORE), as seguintes
avaliações: aspectos físicos, culturais, PSICOLÓGICOS e morais.
O teste psicológico compreende os seguintes exames:
 Para Oficiais e Sargentos
- Testes Psicomotores.
- Testes de Personalidade.
- Testes de Inteligência.

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- Testes Percetivo – cognitivos.
- Dinâmica de Grupos.
 Para Praças
- Testes Psicomotores.
- Testes de Personalidade.
- Testes de Inteligência.
- Testes Percetivo – cognitivos.
- Entrevista Psicológica (aos candidatos que revelem índices
críticos nos Testes de Personalidade).

Diante disto, vale salientar que dentre os demandantes desta exordial, existem
aqueles os quais passaram por tal avaliação psicológica, e aprovados, concluíram com
êxito o curso de formação; são exatamente estes candidatos que foram considerados
inaptos pela banca examinadora do presente concurso, quais sejam:

a. GEORGE STANLEY – Prestou serviço militar durante 7


meses e 8 dias, no posto de Aspirante a Oficial R/2, no 28º
BC, Batalhão Campo Grande;
b. RICARDO DE JESUS – Permaneceu na Marinha do
Brasil durante 04 meses e 28 dias na Escola de
Aprendizes-Marinheiros de Pernambuco.
c. DANILO CARVALHO – Incorporou o quadro da 1ª Cia
de Fuzileiros do 28º BC, Batalhão Campo Grande,
ocupando o posto de 3º Sargento por 6 anos.
d. JOÃO BOSCO ANDRADE – 3º Sargento de Engenharia
do Exército Brasileiro, além de Marinheiro na Base Naval
de Val-de-Cães.

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e. ANDRÉ LUCAS SILVA SANTOS – 3º Sargento
Intendente no Comando Militar Sul, 5ª Região Militar por
3 anos, 6 meses e 4 dias.

Questiona-se Nobre Julgador, como um candidato que passou pelo serviço


militar e formou-se como combatente que tem a função de defender o território nacional,
onde a rotina assemelha-se muito a do soldado combatente da Polícia Militar, não possui o
perfil adequado para o ingresso nesta carreira?
José dos Santos Carvalho Filho (2009, p. 624) demonstra fato concreto ocorrido
em cargo para Procurador Federal, onde o reprovado no psicotécnico buscou aniquilar a
reprovação com a argumentação de exercício em cargo semelhante e com realização
anteriormente de psicotécnico:

Por outro lado, se o servidor já se submeteu a exame psicotécnico para o cargo que
ocupa e se submete a concurso para cargo idêntico ou de funções semelhantes da
mesma pessoa federativa, sem que a administração lhe tenha atribuído
anteriormente qualquer comportamento doentio sob o aspecto psíquico,
desnecessária será nova avaliação psicológica ou, se tiver sido realizada, irrelevante
seu resultado. Foi a solução dada pelo STF em hipótese na qual Procurador da
Fazenda Nacional, com mais de cinco anos de exercício, e aprovado com excelente
resultado nas provas intelectuais, foi considerado inapto para ingresso no cargo de
Procurador da República. O eminente relator decidiu que, tendo o candidato
ultrapassado aquelas provas e “demonstrando perfeita adequação às funções do
cargo pretendido, perde relevo o resultado do exame psicotécnico”, de modo que a
hipótese estaria a desafiar a concessão da segurança para o fim de lhe ser
assegurada a posse no cargo para qual se habilitou.

Assim, pela razoabilidade da questão a matéria foi julgada nos seguintes termos:

DIREITO ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL.


CONCURSO PÚBLICO. DELEGADO DA POLÍCIA FEDERAL. MATÉRIA
CONSTITUCIONAL. EXAME. IMPOSSIBILIDADE. ART. 535, II, DO CPC.

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INDICAÇÃO DE OFENSA GENÉRICA. DEFICIÊNCIA DE
FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. LITISCONSÓRCIO PASSIVO
NECESSÁRIO. NÃO-OCORRÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ. TESTE
PSICOTÉCNICO. CARÁTER SIGILOSO E IRRECORRÍVEL.
IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. APROVEITAMENTO DO
EXAME PSICOTÉCNICO REALIZADO NO CONCURSO DE DELEGADO
FEDERAL DE ÂMBITO NACIONAL. POSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL
CONHECIDO E IMPROVIDO.

1. O recurso especial não se presta ao exame de suposta afronta a dispositivo


constitucional, por se tratar de matéria reservada ao conhecimento do Supremo
Tribunal Federal, nos termos do art. 102, III, da Constituição da República. 2. A
indicação genérica de ofensa ao art. 535, II, do CPC, sem particularizar qual seria a
suposta omissão do Tribunal de origem que teria implicado ausência de prestação
jurisdicional, importa em deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula
284/STF. 3. É firme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de
que, não havendo entre o autor e os demais candidatos inscritos no certame
comunhão de interesses, como ocorrido na hipótese dos autos, mostra-se
desnecessária a citação destes para integrarem a lide como litisconsortes passivos.
4. Embora reconhecida a legalidade do exame psicotécnico para a carreira de
Policial Federal, é vedada sua realização de modo sigiloso e irrecorrível.
Precedentes do STJ. 5. Tendo a autora, em prazo inferior a um mês, sido
submetida a dois testes psicotécnicos – o primeiro, no concurso de Delegado
Federal em âmbito nacional, em que restou aprovada, e o segundo no concurso
de Delegado Federal em âmbito regional, no qual foi considerada inapta –, é de
rigor o reconhecimento da desnecessidade de realização de novo teste,
porquanto resta demonstrada que a candidata comprovou possuir o perfil
psicológico considerado adequado para o desempenho das funções de Delegado
da Polícia Federal. 6. Recurso especial conhecido e improvido. (STJ, REsp
956688/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA,
julgado em 30/10/2008, DJe 24/11/2008) (grifo nosso)

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Por todas essas razões é que se dignam os demandantes a solicitar ao Poder
Judiciário a anulação da avaliação psicotécnica, a fim de que os demandantes possam
permanecer nas demais fases do certame, e sejam matriculados e mantidos no Curso
Oficial de Formação de Praças.

IX – DA CONCESSÃO DE MEDIDA LIMINAR “INAUDITA ALTERA PARS”

Determinados processos, por sua urgência, podem se servir de mecanismos


para que os efeitos de eventual provimento do pleito autoral, ainda que deferido, não seja
inócuo.

Dessa feita, podem ser concedidas medidas cautelares, antecipatórias de


tutela, a qualquer tempo no curso do processo, ou em caráter liminar, no limiar da
demanda.

A tutela antecipada é instituto regulamentado pela lei adjetiva civil:

Art. 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou


parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que,
existindo prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:
(Redação dada pela Lei nº 8.952, de 1994)

I - haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou


(Incluído pela Lei nº 8.952, de 1994)

II - fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto


propósito protelatório do réu. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 1994)

§ 1o Na decisão que antecipar a tutela, o juiz indicará, de modo claro


e preciso, as razões do seu convencimento. (Incluído pela Lei nº 8.952, de
1994)

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§ 2o Não se concederá a antecipação da tutela quando houver perigo
de irreversibilidade do provimento antecipado. (Incluído pela Lei nº 8.952,
de 1994)

No caso em tela são percebidos os dois requisitos ensejadores do provimento


antecipatório em caráter liminar.

Há verossimilhança da alegação, demonstrada nos seguintes aspectos:

1) A abertura dos portões ocorreu com quase 20 minutos de atraso, o que


obrigou os demandantes a ficarem esperando, na chuva, do lado de fora
da Faculdade Pio X, o que gerou grande apreensão e aumentou a
ansiedade daqueles que seriam psicologicamente avaliados.
2) Para que se tenha ideia do reflexo dessa espera, a quase totalidade dos
demandantes foi reprovada no teste de atenção seletiva- TAS, que foi o
primeiro a ser aplicado.
3) As salas não tinham as características adequadas para a realização do
teste. As cadeiras não eram lisas, mas completas de ranhuras, o ar-
condicionada direcionava-se exclusivamente a alguns candidatos e, por
fim, não havia cadeira para canhotos, que foram obrigados a fazer a prova
em cadeiras para destros.
4) As psicólogas que aplicaram os testes não eram especialistas nessa área de
conhecimento da psicologia. Assim, por muitas vezes se contradisseram
entre si, ou mesmo houve contradição entre o tempo de realização das
etapas em cada uma das salas.
5) Havia mais de trinta candidatos em cada sala de avaliação, o que contraria
as regras estabelecidades pelo Conselho Federal de Psicologia.
6) Apenas quatro exames, e menos de uma hora de avaliação, foram
decisivos para a reprovação dos demandantes. Ora, uma avaliação
psicológica séria deveria ser tratada com maior critério, por se tratar de

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uma fase eliminatória do certame, devendo contemplar mais testes e num
prazo deveras mais longo.
7) Diversos candidatos reprovados já são/foram dos quadros das Forças
Armadas, da Marinha, do Exército, e de outras Polícias Militares, tendo
desempenhado bravamente suas funções, e foram reprovados nesse teste
insubsistente.
8) Por fim, para coroar a falta de zelo, todos os candidatos tiveram o mesmo
parecer final. Ora, o dever de motivar, tão caro à Administração Pùblica
não pode permitir que todos os candidatos reprovados tivessem a mesma
motivação do indeferimento da avaliação. Cada um possui uma
característica e uma personalidade distinta, mas mesmo assim receberam
o seguinte laudo:

O fundado receio de dano irreparável também é ponto de fácil verificação,


visto que ações judicias, mormente quando alçam instâncias superiores costumam levar
anos, ou até décadas. Assim, o demandante ficará sem realizar as demais etapas do

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concurso, a despeito de sua colocação no certame, o que poderá causar um prejuízo
irreparável. Assim, é imperioso que o demandante possa realizar as demais etapas do
certame e sejam matriculados no curso de formação de Praças. Não há que se falar em
irreversibilidade da medida, posto que acaso a decisão de mérito não seja condizente com
o prescrito em liminar, os demandantes podem ser excluídos do certame.

A homologação do concurso ocorrerá em 25 de Junho de 2014, e o início de


do curso de formação em 14 de Julho de 2014.

Requer, de logo, em provimento liminar o seguinte:

a) Que a FUNCAB divulgue lista integral dos psicólogos que atuaram no


certame, indicando o número de seu CRP, sua especialização e se foram
candidatos do certame
b) Que o demandante possa realizar as demais etapas do certame e ser
matriculado no curso oficial de formação de Praças

X – DOS REQUERIMENTOS

À vista das razões de fato e de direito aqui expostas, é a presente peça para
requerer:

a) Sejam concedidos aos demandantes os benefícios da justiça gratuita;


b) Seja concedida, initio litis, a antecipação dos efeitos, afim de que:

b.1 Que a FUNCAB divulgue lista integral dos psicólogos que


atuaram no certame, indicando o número de seu CRP, sua
especialização e se foram candidatos do certame

b.2 Que o demandante possa realizar as demais etapas do certame e


ser matriculado no curso oficial de formação de PraçasA citação do

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requerido para, querendo, apresentar defesa, sob pena de incidência
dos efeitos da revelia;

c) A intimação do ilustre membro do Ministério Público;


d) A confirmação da antecipação, e o deferimento da presente ação para
que:

e.1) Seja anulada a sua inaptidão na Avaliação Psicológica;

e.2) Possa participar das demais etapas do certame;

e.3) Em caso de não deferimento dos pedidos anteriores, que tenha a


oportunidade de refazer o exame psicotécnico;

e.4) Em caso de aprovação nas demais etapas, que seja nomeado para
o cargo de Soldado Combatente da Polícia Militar do Estado de
Sergipe.

e) A condenação das demandadas em custas e honorários advocatícios.

Protesta provar o alegado por todos os meios em prova admitidos nesse rito
processual.

Atribui-se à causa o valor de R$ 1.000,00 (hum mil reais).

Termos em que,

Pede e espera deferimento.

Aracaju, 17 de Novembr de 2014.

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ANDRÉ KAZUKAS RODRIGUES PEREIRA
OAB/SE Nº 5.316

JOSÉ ANTÔNIO MOURA DE AZEVEDO FILHO


OAB/SE Nº 8.335

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