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COLEÇÃO EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA

MARIO ALIGHIERO MANACORDA


Série Memória da Educação

Dados de Catalogaçlo na Publicação (CIP) Internacional


(Câmara Brasllelra do Livro. SP. Brasil)

Manacorda, Mario AJjghie,ro.


líistória da educação : da antigüidade
805 ll06'SO!ldias / Mario lighiero ilanacorda
• tradll!jão de G tano Lo M ; revisão da
Íraduçio Rosa do Jtj~ Oliveira e Poolo
osella - 3. cd. - ão Paulo : Coctez : Auto-
res A dos, 1992. - (Coleção cducaçio
concemporãnea. érie memória da educação)
Bibliografia.
ISB 85-249-0 163-2
HI TÓRIA DA EDUCAÇAO
1. Educaç!io - História 2. Pedagogia -
HÍ$1Ória t. Título. da Antiguidade aos nossos dias

89-0241 CDD-370.9
Tradução de
GAETANO LO MO ACO
Índices para catálogo slstemátlco:
Revisão Jérnica da tradução
1. Educação: História 370. 9 Rosa dos Anjos Oliveira e
2. Pedagogia ; Hi1Hólia 370,9
Pa lo osdla

3~ edição

~COR.TEZ EDITORA@
AUTORES
~EDITORA ASSOCIADOS
Do onginal italiano: STORlA DELL' EDUCAZJON dall'antícbità a oggl.
Mario Alighicro 1anaco.-da

Consdho ediuJrial: Antonio Joaquim Severino, Cascmiro dos Reis Filho, Dermoval S11.via-
ni, GiJberta • de Martioo Jannuzzi, Milton de Miranda, 1oacir Gadotti e Walter Estevca
arc:ia.

Capa (Ediçdo e arte): Roberto Yukio Matuo


UMARIO
ProJt!IO e rJustrtJf,(U] de capa: MillOll J*
de lmelda
Prtparoçdo de originais: uely 8
Coor~11Dfáo editorial: Danilo A. Q. 1orales
Revisão: Ana Maria M. Barbosa, Maria Apan,c;ida Amanil, Llege Maruccí

AO LEITOR BRASILEIRO
AO LEI TOR 5
OCIEDADE EDU A Ã N ANTIGO EGITO 9
1. O Anti o Império : a li teratura sapieo iaJ e mo insJitutio
oraJoria 11
2. A Id de Feudal: ''os novos charlatães" 17
3. O Médio Império : o escriba e os outros oflcios 20
4. O segundo perfodo intermediário e o treinamento do guerrei 26
5. O ovo Im~ri : generalização e consoüdaç:i da escolR 30
6. O período dem6tico: testemunhos egípcio e grego 36

P - 00 071 _ ,, A DUCAÇÃO NA GRtCIA 41


1. As duas educaçõe arcaica 'f 1
a) A educação h mérica 41
b A educação hesiodéica 44
2. A educação no período d ás ico: giná tica e mú ica 47
3. A e cola do alfabeto 48
4. A carreira educativa e a didática 52
cohuma pane desca obra pode ser reproduzida ou duplicada sem 11t0rização expressa do
autor e dos ed110res. 5. O contcúd e o fin da educação 5
6. Os d entes: grammalislés, grammatic6s, rhétor 58
7. A difusão da escola e o inásio 65
1989 by • '1ario Aliglüero Manacorda e ERUEdlzioru Rai RadfoitlevlSione lllllilll)a -
Tonno 8. A aprendizagem 7

A EDUCAÇÃO EM ROMA 73
Oil"CII05 JlllTil a Ullduçüo bra.silciru
1. A educação na /amilia 7J
CORTEZ EDITORA/AlITORES ASSOCIADO 2. A educação por obra de escravo e Hbcrto 7
Ruu Banira, 38? - Tcl,: (011) 864-0111
05009 - S oPaulo-SP 3. As resistências à aculturação rega 80
4. Literatura, escola e sociedade 83
impresso no Bnisil - fevereiro de 1992 5. A e cola e eu en inamc.nto 85
6. mestre e a escola 89 3. As luzes e a Errciclopédit1 240
7. A escola de Estado 96 4. Propostas e atuações de uma e cola estatal 245
8. A edu ação íf ica I O 5. As revoluç&s da América e da Frao a 249
9. trabalho e e eprendiza em 103 6. A Igreja e a revoluçã na Itália 253
10. Um império cristão bárbar l06 7. Duas experiências concretas entre etec •nt<>s e o Oitocentos 256
a) O en ino mútu 256
A EDUCAÇÃ A ALTA IDAD 1ÉDIA 11 1
b) J. H . Pestalozzi 261
1. Decadência da cultura dá ica 111
2. A cola cri tã more .1ynagogae 1 14 A EDUCAÇÃO NO OITOCENTO 269
As escolas nos bispados e no mo tei r 116
I. A primeira 111 tade do século 269
4. A n va cultura escolástica 122 1. A r oi ção industrial e a instrução 270
5 As e cola canônica urbana 128
2. A utopia ialista 272
6. A época caroHngi : a escola entre papado e império 131
3. Restaura ão e novo fermento " 27
7. Experiência de vida numa escola cenobial 134 4. A batalha pedagógica 279
8 . A educação fí ica e guerreira 136
a) As escola iofanti 280
9 . A preparação para o ofíci artesanai 1.3
b) A e colas elemeatare 2 4
A EDUCAÇAO NA BAIXA IDADE MWIA 140 c) As e colas técnica a univer idad 287
1. A Igreja 140 5. renascimento da educação fi ica 28
2 . Mestres livres e universidades 145 Il. A sep_unda metade do século 290
3. lérigos vagantes e goliardos 14 7 1. Revolu - b rguesas e refo rma da in trução 290
4. A universidade e escola vistas por dentro 153 2. A ' r istências da I reja católica 292
5. U topias escolásticas157 3. marxismo e o pr blema euucativo- 295
6. A educação cavaleire ca 159 4. Novo termen tos : a concribuiçã da mulheres 299
7 . A aprendizagem nas corporaçõ s 161 5. Nascimento da e cola nove .303
6 . A escola norte-americana .307
A EDUCAÇÃO O TREZE TO E O QUATROCENTO 168
l. A instrução do terceir estado 169 O N O Sf:C O E DIREÇÃO AO ANO 2000 311
2. O v mestre 172 I . A primeira metade do século 311
.3 . O humanismo : senhorias, preceptores, academias 17 5 1. Os problema da instruçã no ocialismo 31.3
4. A pedagogia bumanfsrica 179 2. Os p rul.,h:11111~ J11 insccução na dcm racia burguesas 317
5. Uma inerva mai era 182 3. O confronto na pesqui a psicológica 322
6 . O humanismo europeu e as oposições l 5 4. A Itália sob o fasci m de Genále a Gram ci 3.30
7. A educação cavaleiresca 190 a) De G ntill a Bottai .330
b) A reflexã de Antonio Gramsci 332
A EDUCAÇÃO N QUINHE T O SEI CE TO 193 11. A segunda metade do século 355
J • A Reforma e a escola 194 1. ovas tendências d s marxistas e dos cat6licos .3.36
2. A otn1-Reforma e a e cola 2 2. As voze (anti)pedagógicas d s jovens e do operários 3.38
.3 . A sáúra 203 3. Instruçã e trabalho na legislação italiana 346
4. A utopia 216 4. Tendências e diHculdades n s vário paf es 349
5 . A aliança pedag gica dos '" ectários " e revolucionári 220 5. A moderna co11sultalio catholica 352
6. o os rumos e novas idéias 225
MAI QUE MA CO C U ÃO. U:MA D P ::.DIDA 356
A EDUCAÇÃO NO ETECENTO 227
1. "Escolas cristãs", católicas e reformada 227
A PR Pó IT D BIBLIO RAFIA 2
a Entrando ou.ma "escola cri tã '' 228
2. A pedagogia d letrados 235 {NDICE 00 O DE A TORE E PER O AGE 37J
AO LEITOR BRASILEIRO

Por que não onles ar que er meu d~jo apresentar ao leitores


brasileiros , especialment , aos educadores , a História da Educação -
da Antiguidade os nossos dias, de ari Alighiero Manacorda?
De fato, já livera antes o prazer de apresentar o próprio Mana•
corda em oa, quando recentemente veio ao Bra il (outubro de 1987 ),
por ocasião do Seminário memorativo do 10 ano do Programa de
Pós-Graduaç.ão em Educação, da Universidade F deral de São Carlo ,
P, onde proferiu a conferência intitu lada : "O Humanismo de Marx
e o Industrialismo de ramsci" . a oponunidade, o conhecido pedago-
gista italiano visitou ramb m várias Universidade Bra ileira , profe-
rindo pale tras e conh ceado muitos edu adore .
esse primeiro contato com o público brasileiro, Manacorda dei-
xou uma iva lembrança e a clara mensagem de que "nenhuma batalha
pedagógica pode er eparada da batalha política e social". Deixou tam-
bém, em muttos de nós, saudades.
Era natural q•Je ess primeiro contato susátassc em todos a von-
tade de conhecer m lhor o pensamento desse autor. Já conhcclamo
alguma de uas obra , como, por e emplo, seus e tud bre "Marx
Pedagogia Moderna" e ''O Principio Educativo em Gramsci", mas
faltava traduzir para a Hn ua portuguesa o que, talvez, seja eu trabalho
mais importante: e ta Hi tória da Educa ã . Com a pre ente tradução,
a Editora Correz responde à expectativa dos leitores brasileir s e eu
lenh a rata ocasião de fazer essa "segunda " apresentação .
Mana orda é, para mim, obrc:tudo um pedagogista contemporâ-
neo que, através da difícil rtc da lilologia, revolve o lctto pcdrego o
das palavras e dos documentos e noi. resdtui o traç vivo da hi t6ria
d homens . TraLa-se de um intelectual, coisa cada vez mais rara entre
entre n6s, que une uma vasta cultura clássica à militância política. 1:.
antigo e moderno ao mesmo tempo, por ue, profundamente apaixonado
pelo homem de hoje, entende que eu sentido só pode revelar- e plena-
mente quando visto c:m ua historicidade. Foi i o qu Platão tcnt u di- como alento para a luta d éculos vindouros . em dúvida, na vi ão
zer, através da idéia de 'PANTAKHO0 " (a soei dade como um t d d a ra, o momento estratégico da in te e da Escola-do-dizer com o
educante) e qu Mar: d irá ao forjar o onceito de "Homem Onilatcral" . Treinamento-para-o-fazer erá marcado pcla revolução industrial que , ne-
Manacorda revolve as palav ras e o d umento ·, anúgos e r ente , gando o "s pateiro por na ture1.a" de P latão, destruindo também trci•
prindpai e " ecundário " (ob erve-se ua especial atenção ao " ecun• namento-para-sapatei ros dado nas corpora ões mcdievai , fixa a ba e
dári "), nã apenas par restaurar as linhas originais da velha institui• de um escola tecnoló ica para os trabalbad rcs e lança a hipótese de
ção escolar ou para reproduzir, de forma iva, um d term inado p i ' io uma e ola para t d , com espa e tempo de plenitude de ida .
hi córico, e im , também, para recompor a direção geral do percur o do fio e ndutor de a História da duca ão, Manac rda o e crai,
hnmrm na luta por uma educação libertadora . Amante dos pôrmenores , no enlllnto, de muitos documento e de gran e número de dados. O
atento aos spcctos pitorescos da vida, irônico, mas também compreen• lei tor superficia l ou apressado po eria não perc bê-lo , pois o autor não
sivo, frente ã fraquezas e ia ocrência · humanas , te estudioso mili- escreve um panfle1 , . não reproduz chavões, não doutrina eu leitor . Ele
an te nunca perde fio condutor da hi tório . informa, cita, document , ·u cilll o debate, contrapondo posi õe , levan1a
Para de, os homeo trav m uma luta cuJar para superar a divi- pergunta e lan a cl1'1 vidas. Enfim , deixa a história folar , porque sua se-
são entre os que falam , são cultos, po suem bens materiais e detêm o gu rança científica e sua intimidade com a história dispensam toda ten-
pod r e aquele outros que apenas fazem, produzem e nada po " uem . ta ão de doucriname1110.
a luta en tre homens das "EP A" (palavras e os das "fRGA '' Trata-se de um l:v ro e ·en ialmente impregnado de e pírfro demo•
(ações), termos grego que reaparecem constancememe, nas páginas desta crático . ua página , ~uas linhas , tran mirem impatias e olidariedade
obra, como os marcos dri q uil'meLr s à marg m de codo o percurs para com o homen qu e foram di crim inados pela ariscocracia d o letras ,
da e trada. ma sem nunca c nfu1 ,lir as letras com a ristocracia .
Manacorda loma o lenor pela mã e o a mpanha ao long de: te
É, ainda, um livro e rico numa lin uagem viva, poi de tinava-
percurso que , diz ele, será um "passeio" hi córico, ma que, na verdade ,
a ser difondido auavés d uma série de cransmissõe radiofônicas da
erá muito mai que i so . De ato u livro é uma verdadeira busca ,
Rádio-Televi ã Italiana, < b o título " A Escola nos Séculos" . Por isso ,
às vcze mais, às vezes m nos esperançosa , do momento decisivo em
ua tradução nã deve te r sid fácil, porque, além e rudo, Manacorda
que a hi tória tema produzir o bomem democráric , isto é, o homem
não é apenas italiano, ma~ também romano, e realmente consegue fazer
cuJro e, ao me mo tempo, produtivo . cs a busca, o autor passa pelos
ci•ncia escrevendo com cor . músi a brincando com as palavra . A forma
séculos dn antiguida,:le gr ga romana e feudal, mostrando o quanto são
incisiva, p r exemplo, com que ele persegue e castiga o sadismo peda-
distantes entre i o homens d as " ÉPEA'' dos homens das "~R A" ,
gógico e pedanLi mo didihi o, pragas que encon tramos ao longo de
empre sen °ível , entretamo, aos mlnimo sinais de aproxi mação. Ao
toda a história da educação , lembra de pert o ntigo provérbio latin
transitar pelos séculos do Renascimento, xultan te, deixa falar s do-
cumentos que se referem n umn nova ciên ia e a uma didáú~ revolu- "ridend cas tigar m re " (rind cri ticam-se co tume ).
ciomíria que. pela pri m Ll'a vez aproximam a in 1rução e trabalho, in- E s Hvr , finalmente, é um grande in trument didátic para os
clu ivc o trabalho ag rícola , s mpre alheio à reflexão dos filósofos e dos edu ad re brasileir preocupados em resgatar a dimensão histórica do
pedagogista ; embora nos advirta logo que se trata de uma "conquista" saber pedagógico . Ainda mais portuno ele se apresenta nesse momento
efêmera. E com grande indigna ão regi tni os golpe retr6grad s que em que o educadores e tão cada ez mai e dando coma da repressão
tentam barrar e e processo hi tórico de unidade do "homo faber" com político-ideológica a que foram ubmetido e que operou , entre n6s, a
o "homo apiens " como, por e ·emplo, quando eo ontra e crito , já em tri te cirurgia de cortar, de nossa cultura , a essencial dimensão histó-
1780: " o agricultor, fe rrei ro, artesão etc., d cinados a servir à rico-di ética, ou sej:l , o marxism .
sociedade com cus braço , não preci am enão de uma fácil e breve
in truçá "; ou quando , já em L822, barra na pcrulância de algum ho- ão rio , P , outubro d J988
mem "ilu tr "que diz: ' ma das manias ue podemos considerar domi- Pao/o 1ose/la
nant em no so dias na r pa é aq la de querer ditundir a luzes
sobre todas as classes da sociedade . em pod conter as risadas perante
a louco idéja de fazer participar d benefício dessas luz o simples e
morig d morador do campos? "
Mesmo im , hi tória já experimentara gosto pela fu ão do
homem-do-dizer e m o bom m-d -fazer, esse abor revolucionário fica rá
AO LEITOR

O que u lhe proponho é um rápido passeio hi.sc6rico pela educação


"através de textos" . Confe o-lhe I go que s trata de um sucedân de
um passeio anál go " através d irnagen " , que havia propo to inicial-
mente TV italiana e que foi descartado pelas diEicuJdades que parecia
tmpllcar. Foi ass1ID que recorremos à rádio, isto é, ã voz e aos textos,
para um programa int irulad " A escola nos séculos" .
P rérn, aquela propo ta de cran formar a " educação nos éculos
através de imagea " na ' cola nos · culo " atravé de texto continha
uma sugestã que me agradava : o u o direto do te tos, cuja leitura
seria confiada a um ou dois atores. , embora eu tenha mais aversão
a àngue de cobra (como diz Horácio) do que à pronúncia, pausa
e à entonação d n o at res e locutor de rádio e televi ão, cujos
"estranhos" en aios documentei no meu trabalh sobre A linguagem
televisiva, isto é, a louca anadiplose, a idéia de me basear diretamente
nas palavras de quem tratou de~te~ problema durante ~éc-Jl~ logo me
pareceu fecunda . Tive, além di o , a sorte de ter como colega de tra-
balho nas tran missõe radiofôni a alguma pess as que eu ainda não
conhecia, mas que se revelaram de muita inteligênci e de delicada
discrição : o responsável pela radiofonia Fortunato Pasqualino, a especia-
lista em pedagogia Anna M aria Romagnoli , o ator Erasmo Lopresto,
que oube evitar as viperinas belezas que eu tanto temia, e o técnico
Franco D'Emilia, cuja cootribuiçã foi além da técnica .
Com eles impr vi am doze tran mi sõe radi fônica : espero que
aqueles que então as ouviram tenham g stado, lá no fim de 1980, e que
não desagradem àqueles que desejarem ouvi-las a ora atra és de fitas
cassete.
Aquela experiência me convenc u ainda mais da validade da hipó-
t e de uma hi rória " através de te to " . a verdade, não faltam hi rória
da pedagogia, da educação ou da escola, nas várias línguas ; nem faltam
também antologias , especialmente parciais, de textos ped.ag6gicos (leis,
r gulamcntaçõe , página de p nsa ores), algum das quai ·Co itada própria didá tica, enfim, liberta- e de ua mesquinha especificidade e se
oa breve bibliografia final. Mas, prescindindo de seu maior oi! menor afigura mo um reflexo d s rela ões sociais mais gerais so re a rela-
valor , nas bi t ria empre me in omodou perceber a referência a do- ção específica aduJro-adolcscen re , que e realiza d mro do limitad e
cumentos oficiais ou a pensamen tos de outros em discur o indiretos técnico lugar que é a "e ola" .
apr ximativos, enquanto cu sinto a necessidade de ler até nas entreli- Poderá pare: cr, por outro lad , q e e rn hi r6ria, que baseia
nhas e perscrutar as palavras d ' ut re ; parafra eada me parece qu aspectos técnico nos momentos sociais e políticos deixe um pouco na
ela perdem ·ua força e acabam e a emdhando às dos demais au tores . ombr a aquiJ que comum n te é o tema central das histórias d:i peda-
a anl I gias, me in omoda a fra mentaçiío dos discursos, que estão gogia: isto é, o pen amenro pedag6gico. Pode er, mas não ignorará
um 110 l do do ou1r &6 porque foram ossim paginad e ligad s por um Platão ou mcnius, como também nunca e contrarão fa tos sem
tênue fi de n ta i nuodur 'ria ·, também elas nc:.-ccssnriamcntc hagmeo• idéia . O que é verdade, talvez, é que se pretende não tanr indagar
cárias. { ão · tou ondenando ninguém · u também fiz des as . obre os " istemas " de idéia em i, ma e pecialmente procurar nela
Pret d , m uma, desenv !ver um di curso contínuo, de mod o reflexo e o estímulo do re , c mpreender como de época cm época
que as palavr dos tempo · j m .iqui mpre referidas diretamente e o objetivo da educação e a relação educativa foram concebidos em fun -
não num discurso indireto. ção do real exi ente d sua concraclições, indagar a opinião geral
uanlO e ên ia da temática, p rtanto, a hip ' te e E i perseguir obre fcnôm n escola , verificar o pre tígio concedido ou negado à
o proces educativo pel qual a humanidade eJabor a i me ma, em figura do profissional da educação e assim por d iante. este sentido, a
todos os seus ário aspec t s. P:m:c:l!u-me poder imetizá-lo na "in ul- literatura (a aber, a literatura do literato ), mais do que a literatura
turação" na tradições e no o tum (ou acultura ão, no caso de pro- dos pedagogo , po<l faz r reviver as relações reais e as opiniões gene-
ceder m oj do dinacnismo interno, mn~ do externo) na i.nccruçiío im•- ralizadas.
tel crua! em seus d is a pecr s, o f rmal-i trumental (ler, escrever. as, exarnmeme por isso , ru; fonte pos ívei se multipli aro a
contar) e o co ret (e meúdo do e h irnemo). e , finalmente, na infinito, enquanto o espaço que me foi concedido pelo editor, compaável
aprendizagem do fíci (com reendida aqui aquela f rma específi a que com a pa iência leitor (desejo de ler mas também de chegar ao
é o treinarnent para a guerra) Desta rrês, ne te livro, o ri de 1érmino da leitura), não podia ir além de 400 páginas. Além dis o, eu
prevalecer a instruçã e , depoi , quand e ta se institucionaliza , a e c la, também acho que a arte de escrev e não é diferente da rte de esculpir,
dependem quer da objetiva pred minánci d documentos a respeito , que para Miguel Ángel n i tia em suprimir o ioúcil e o excesso ao
quer, talvez, da ia lioação ubjetiva minha uc o explorava e o uti- redor da figura essencial oculta n mármore : também no e crever é
lizava . preciso alcan ar o e sencial. Ma , como você poderá reparar, nem empre
E te vários aspecto da educa ã comportam um relacionamento me parecerá essencial aquilo que é em outros trabalhos do gênero e
pr, rnsml'nte- mm n.-. l ema_ mais gerais da história da humanidade. Acul- nem sempre o interpretar i d me m modo . T lvez seia uma questã
turação quer dizer socialiiaçã , inscrçã de cada dolescen tc no con- de t mperament , mais do que de conh iment e d reflexã .
junto vivo da sociedade dulta; aprendizad quer dizer relação com o conflito encre a limitação do espaço e a imensidão do material,
trabalho e c m todo o desem•olviment I não somente das força produ- e em relação a mundo antigo o documento sacrificados são relativa-
úvas ma também das rela ões sociais na quais das se organizam. P r- mente poucos, estes se tornam insuportavelmente numerosos à medida
tanto, o discurso pedag6~i o ~ sempre ocial, no ntido d que tende , que, avançando no tempo, nos deparamos com monranh s de livro .
de um lado, a con iderar m sujeitos da educação as várias figuras dos
opúsculos, revis t , e le1âneas de l is e regulamentos , atas, projeto ,
educandos, pcl men na du determinações o sra de usuário e
de produrore , e , de outro fado, a investigar a po içã dos ag ntc d estatu tos, arligo e discur o tais , que ó erá possível uma espécie de
edu a ão na várias sociedades da hi t6ria . Além cli , é também um documentação por am tras cstatís1ica , deixando melancolicamente s
discurso polftico, que r flete a resistências conservadoras e as pre - demai no arquivos . A am tra e tatí tica, orno se sabe, só é válida
inovadoras presentes no foto educativo e, a.final, a relação dominames- se é significativa: e ayui u Lt:)}'Ull)aLiliJuJc da colha pc5a 5 mcatc
dominad . bre o autor, qu dispõe a todas as ríti as de seu mais o menos
Por is o mesmo, também · aspec to cotidianos, técnicos e mate• benévol lei tor.
riai d proce s s da in trução ( lugar, o in ' trument , a organização Blocos histórico e geográfico inteiro , tais corno a amiga Mesopo-
a própria rda ão pcdag 'gica), pel f to d estar m ligados a desen- tâmia, os hebreus, os bizantinos, o árabes, a índia , a hina , o J pão,
volvimento produtivo, ocial e politi , assumem maior relevância . A o iviliza - ind -ameri ana , como rambém as civilizaçõe primitiva
esrudad~s pel:i ant_ropologia cultural, fi aram for~ ~o . plano da obra,
porque Já unham ido e) duídos dos pr grama radio{ nico . Aqui pode-
se perguntar: por qu tantos vazio dentro da tradição medíterrân
européia, objeLiv d pr grama? Por que Enrichetto genovês e não
Tomás de Aquino, por que Alciato e não Kant, por que rimmel hau-
sen e não Herbart, enfim, por que este e não aquele autor, esta e nã
aquela experiência, esta e não aquela lei? E destas leis, d tas experiên- CAPíTULO I
cias e destes autorc , por que e tas e oiio aqudas página ?
Quantos vazios, qu ntas iubitrariedndes nestst corrida hist6rical Sociedade e educação no antigo Egito
Lembra-me cm Guida per girare Roma all'ombra do etecem s, que rc•
·olvia as dificuldades ugerind d vez em quando: "Aqui se pula! ''
Ma , pulo à parte, acho qu nuo a e d ve chorar de saudade por
aquilo que não se tem; pelo contrário, é melhor apreciar de bom grad
o que se tem, para que se possa enconuar o vestígio daquilo que nii
pôde ter.
Go taria, caro leitor, de saber lhe dar entid vivo de um desen- Egito é que n s eh garam o t t munbos mais anúg e talvez
volvim nto hi t rico, com su conlinuidadcs e inovações ; gosrarin de mais ric bre todos os aspectos da civilização e, em panicular, s bre
saber lhe dar uma imagem vi a da escola e d ário proc s s cdu a- a ducaçã . Embora pe ui a arqu lógica a cada ano venha desco-
tivos ; go mria de po er Ih m trar como seres ivos, e não com brindo prova de outras civilizações até mai antigas , ainda assim para
figuras ab tratas , o pequeno e grandes protagonista de ta aventura os povos que reconhecem ua origem hi tórica na antiguid de clã ica
tão Lipícam te humana ue é a ed a ã e n iente e organizada das gn.'CO•romana e nas posteriores manifestaçõe cri tãs que introduziram
novas gerações, s mpre oscilando entre o passado e o futuro . Gostari • nela muitos elementos do Oriente Próximo, Egito está no início da
e pecialmeote, de faze -lhe um di curso atual com as palavras da hi • ua hi t6ria .
t6ria . Por ouLr lado, também na antiguidade, quer s povos do riente
ão sei e vai go tar . Conrud , vale a pena ! Próximo quer o próprios grego , que depois foram os educadores dos
romanos, r onheceram e a uprcmacia. Por exemplo, no iníci do pri-
Mario Alighiero Manacord meiro milênio a .C. , o príncipe de füblo , na Fenícia, declarava ao egípcio
Venamun :
Roma , 16 de dezembro de 1982
"Amoo fundou tod s p-aí c5 1 fundou -os alJÕi, lc::1 u h11.lu primeira-
mente o Egit . A arte veio d lá, d onde cu vens, até aqui nd
eu e tou, e a educa ão veio de lá até aqui nde eu estou ".

Não s mente Fenkia, mas também a esopotamia parece rec -


nhecer no Egito a ori em da própria culrura, p o menos a se crer na
op~ão q~e nos foi transmitida por Diod rode icllia, um escritor grego
muuo mais recente , que no século I d .C. assjm e creveu na sua Biblio-
theca historica :

" Além do mais, se diz que na Babilônia o caldeus fossem antigos


colonos egípcio , peritos na astrolo ia por tê-la aprendido d sa-
cerd tes egípcio " (J,J .

O própri Platão, expres ando uma opinião omum a utro escri-


tores gregos, manifestava sua admiração pela antiga sabed ria e ípcia,
quando reconheci no deus e ípcio Th th
'o inventor do número , do cá] uJo da geometria e da astronomia, 1. O Antigo Império .- a literatura sapiencial como
sem falar do jogo de tabul iro e dos dados e, enfim , das letras do ia titutio oratoria
alfabeto" (Pedro, 274 e; Filebo , 18 b-d) ;
Com se sabe, existe toda uma literatura apienciaJ, feita de " en i-
comiderando-o, portanto, o iador de toda atividade intelectual de todos
namenros" morais e e mpo tam nta_is, que é comum também a outra·
o povo .
cultura do riente Próximo : basca pensar na Bíblia e na literatura dos
Parece, entã , legitimo c meçor n so srudo pelo Egito, unani- povos mesopotâmico . Esta üreratur pressupõe.ª e.xi têncía de uma ver-
memente nhecid com bcr comum da cultura e da in ttução. o dadeira escola de vida re ervada às classes dominantes .
IV miltnio vamo. encumrá-lu já rna<luru: 11111 yual i11f0111.:i11 e yual 11i.lu- Os "en inament ·• mai amigos remontam a perí arcaico,
le ên ia histórica se e ndem atrás de sa maturidade? anterior ao antigo reino de Mênfis, e é exaro que o primeiro d stes
Pode-se deduzir que um povo resid me às margen de um grande data d:i 3.ª dinastia século XXVII a .C .. EI contêm preceitos morai
rio e com uma agriculrura avançada tives e acumulado transmitido e cornponamemai ri oro amtnte harm nizados com as escruturas e as
desde tempo · remotí imo noções de alto nível não somente sobre a conveniências ociais ou, mais diretamente, com modo de iver própri
agri uhura e a agrimen ura, mas também sobre as ciências que lhes er• das castas dominante . Estes ão empre em forma d con elho clirigi-
vem de ba : a gc:ometria, para medição dos arnpo , a astronomia dos do pai para o filh e do mestre escriba para o discípulo (neste caso
para o conhecimenco da estaçõe , e, pecialmenre, a matemática que o termo " filho'' será usad , de qualq er f rma, para indicar o "di í-
é o instrumento b~ ·ico d uma e de outra. E e pode deduzir raro 'm pulo" seja este filho carnal u não), e insistem na inime.rr~pta ?~ui-
que a divisão d crabalho, própria de uma civilização desenvolvida que dade da tran mi ã educativa <le geração em geraçã . A tmutabilidade
e articulava cm muitos setores produàv s e numa hi rarquia de fun- e a auturiuai.lt:: Ju~ il J ultui; i;ã a caractcrúlicas fundamentais deztn edu
ões no seu interior (agricul tura , e depois a arte de on truir e taleiros ação. Os autores destes prim iros ensinamentos, f s em eles principes
cerâm ica , vescuário, medicina etc. ), tives e com pre suposto uma traos- ou escribas-funcionário , on tirulram uma tradição tomando- ~ os clá ·
mi ão organizada das habilidad rática e da noções científica rela- sico por excclên ia da literatura egípcia, dado que eus escmos che-
tivas a cada aúvidade. Logo, para i o e imaginaria cnc ntrar escola garam at ' nós em muita coleranea e olásácas mais recente ·. M~-
" inteleccuai " de matemática , gcomctri , a tr nomia e, mais ainda, de cionamos Kares, Hergedef efor), Khety , efeny , Prahcmg1ehuo,
ciências esotérka agradas (ierà grámnata), e escolas "práticas" dos Kbakheper-ra- eaeb, Ptahh 1e e Imhotep, do uaJ não nos re tou nada :
vári ofki ; quer dizer, para a época antiga, escola de a crd te e siio "os sábios que p r diziam o futuro", pois "o que safa de ua bocas
aprendizado de artesã s (aos qlllli é. 6bv i acrescentar treinamento se realiiava e é considerado c mo um provérbi " ; ist é, ã os autores
dos guerreiro ) . de uma literatura qu poderiamo - ham r proféúca e sapiencial, como
Na realidade, sobre estes doi aspect s fundamentais da formação aquela ue e rumamos ncontrar na Bíblia .
int lectu l e profissional, que se or anizaram , cm seguida , com e la os rext s que chegaram at nós, seus ensinam atos ão introdu-
e aprendizado, faltam-no , para o tempos mais antigos, prova diretas, zidos através de um dtul • umário e encerrado freqüent mente numa
mbora no que se refere ao aprendizado do trabalho agrícola ou anesanaJ moldura narrativa, que, fornecendo-a a asião e a circunstâncias em
algo nos seja su erid pela prova figurativ . que aquele ensinamento foi dado , nos te temunha não soment seus con-
A qua t taJidade das provas, enfim, não se refere nem à cola tcúd s e objetivos , m também a relação pedag6gic:i ·n tre o me rre
intelectual, entendida especialmenr e mo aprendizagem das técní as e o discípulo.
culturais ou dos spcct s formais e in trumentais da instrução, definido O primeiro croaol gi amente, é o Ensinamento para Kaghemrii,
pdo ler, escrever e calcular n m a aprendizado profis iona1, entendido criro pelo pai, vizir do rei Uni, da 3 .• dina tia, coere 2654 e 2600
como aprendizagem da parciai habilidade manuais e das o ções teóricas a.C.: não con ta o nome de te pai mas parece ser aquele Kares que as
clr da ocupação. Temos, porém, prova do processo de inculturação mais recentes e letâneas e c l:í ti a citam entre os sábio mais antigo .
reservado às classes dominante : i to é, a escola d formação para a vida ele descreve- e a situa ã ' o desenvol imc:mo concreto desta escola :
política, ou m lhor, para ercicio do poder. as, embora também o vizir plan jou por es rito seus ensinamentO e prepara para tran ·
e ta forma ão obviamente e mpreenda muito elemento da in trução miti-lo a seus filho :
formal ou instrum nral, não é dest nem de ua didática que s antigo
docum nto· no falam , ma apena da inLroduçiio aos comportamentos "Então o vizir mandou chamar seu filhos . . . E n fim disse-lhes :
e à moral d poder. T do aquil que e crevi neste livro, ouçam-no a sim como o fale i.
ão negligenciem nada daquilo que foi ord~do. Ent- eles e Nã ' di ferente, de fato, Ensinamento de Hergedef (G efor),
prostraram com o ventre no eh-o e o recitaram cm alta voz com um príncipe régio, filho d rei Quéops ll, da 4.ª clina tia (2600-2480
estava escrito, e isto foi agradável ao eu cora ão mai do que a.C.). Também este en inamento tem o eu título-sumário:
qualquer outra coisa n mundo" (Br JO .
"Início do ensinamento feito pel príncipe Hergcd f, filho do rei,
Ei , por a im dizer, a imagem de uma relaçã pedagógica denrro para o própri filb que ele educa, de nome Auibra" (B r . 28) , ao
d uma duc - mn mônica, repetitiva, ba cada na e crita transmm- qual se seguem os habituais conselho ético-comportamentais:
da autoritariamente do pai para os filhos . ão se vê, porém, se e até
q11f" pnntn :t aprendiza em do meio técnico e formo.l dn escrita, e da "Em nda-te perante tem; olho:.. uidn para uc ou tros não t corá·
leitura do que foi escrito, faz parte integrante deste processo ou se d je.m . . .
ria um lar : e m uma mulher forte, n rá para ti
algum modo o precede ou fica fora dele : o vizir escreveu, mas isro um filho ma ho. n ·Lrói para o teu filho uma casa ... Torna tua
poderia significar também que ditou a um eu escri a; os filhos o reci- morada ilus1re na n crópol . Procure adquirir uma propriedade de
tam , mas i to poderia acontecer também não arra és da leirura direta, campos que recebam !I inundação ... " (Br . 28) .
mas através da repetição de uma leitura feita por utros. De faro, e é
possível que o notáveis d aJgum modo oubessem ler e escrever, é ainda Mai do que à con ciên · interior a moralidade par e dirigida
mais provável que os peritos hesta Lécnicas, extremamente mplicada às refações inrerpess ai ; o emendar- e perance os próprios olhos parece
naquela época, fossem ou tros, que as CJCerciam profis ionalmence. QunnLo subordinad à oportunidade d não er corrigido por outro. A univer-
a s conteúd , les nos apresencam como modalidade peculiar uma ca- saJidade d ensinamento moral pare e sofrer o e ndicionarncnto social,
suística de comportamentos, semelhante na sua estrutura lógica àquela já que se dirige a uma ca ca particular de indlvíduos .
pr pria dos antt os textos legi la tivo , nã ó do egípcio , ma também Mai amplos e mais circunstanciado em s u coniexro é E, ino-
de outros povos . ão existem aí preceito gerai , mas omente pre eitos menlo de Ptohholep, vi:iir do rei Isesi, da 4.ª dinastia (24 50 a.C.), que
comportamenrai vi and uma infinidade de <> particulares : o "se" e chegou até nós em três papir e uma tabuinha de ce.rca de meio milênio
o "quando" sã os recursos esriliscicos úpicos desta variações de um mais recentes. O conte.,cto é uma péci de moralidade romanceada :
comportamento ub tancialmente uaiforme . E isso corresponde à menta- Ptahhmep nte-se velho, já tem cento dez anos e, descritos icasúca-
lidade antiga, com sua preferên ia ela ju raposição cumu la tiva de caso mente um por um ' malc · da velhice ("O que a vdW e faz ao homem
a caso, em uma organiza ão com base em critério gerai . A maioria da é mal em tudo ') , dirige-se o faraó para Lhe pedir, segundo o ritual da
veze , uma eorença de caráter universal pode er u ada para fechar e c rte, que lhe ordene fala r para deixar um n ·inamento ao filho; e, a
selar uma érie de ca s: fim de conquj tar sua graça e a rade cr-lbc , acrescenta:
"Se cu 5e.ntns com um glutão, com ça a comer quando 4 vontade " Ah! que se possa fazer p r II tgualmentc, e se afa te de teu povo
dele óver pa ado. e bebes com um beberrão, bebe só quand o sofriment ... !" (Br. 32 ).
coração dele está a i do . .. "
Dessa forma o ensinamento privado, de abedoria ético-comporta-
ou ainda: mental para um filho , é assimilado ao conselho poHtico para faraó .
de fato, como ver mos melhor, n sta identidade encre privado e político
"Não te env ide a em teu coração · pela tua força quando estás e tá a ~ te_E!stklL pri,1ci.Eal destes ensinamentos, que são exatam nte
entre teu· colega . uida para não ser desafiado .. , " voltad _para a formação o b mempõlítíco. _A re po ta, com a qual o
fara6 dá a Õrdem-solicitada, e ntém mai um elemento que no esclarece
e no fim a moral geral: sobre as finalidades políticas da instrução, fazendo-nos compreender
melhor o ~emido d s conselh e mportamentnis que ~ se uirão:
"É impos ível saber o que pode acontecer, e o que Deus faz quan-
do casti a" (Br. 31 ). " Disse então a Majestade deste Deus: Ensina-lh ntes d tudo
.
iio, como se vê, con elbos de sabedoria prática que, na suas in-
a falar, de modo que po sa vaJer de exemplo a filhos dos nobres .
Entra nele a obecliência e toda retidão de quem lhe fala . inguém
finilas variações d acordo com situações particulares, podemos encontrar nasceu sábio" (Br. 34).
em tantos outro en inamentos.
A educa ã para falar , antes de tudo, em seguida a obediência e, a ordo c m as àrcunstância da fala , isto é, "no e n elho" (in renatu
afim, o valor da educação em ntrast c m a natureza individual, na ou "à multidão" (ad populum ).
formaçiio da person Lid de são s 11:mas pedagó icos fundamentais men• ~ claro qu Ptahhotep está edu and o futuro político ou, d<!Iltro
danados ne tas anúqüí simas pala ra atribu!das a faraó . Mas o essen- da irua ão d antigo rein egípcio, o homem do palácio. Qu também,
cial é o " falar bem" que, após este contexto narrativo, é retomado no deacro desta educação, além da arte d palavra, entre a obediência, já
título do ensin11mento propriamente dito : o sabemos , mas seria estúpido isolar esta obediência do contexto social:
o obedecer está iodi luvclmcnte ligado a comandar, dois termo qu
" Iniciam os preceito do bem falar que o nobre P tahhotep pro- e encontram inúmera vez , mo lugar-comum , em qualquer discurso
nunciou , instruind o ignorante no saber, para falar bem" (Br 34 ); sobre educação e sociedade. Aqui emerge a obediê.n ia:

e nisto se in iste xpre m me no longo nsinamento: "Se és um hom m d qualidade, forma um filho que seja sempre a
favor do rei. . . urva a ta perante teu uperi r, teu u-
" e sua bo a procedt: c rn palavras indignas, tu deve domá-lo em perintendenrc no palácio real ... ~ prejudicial para quem e opô
sua boca, inreiramentl.! . .. A palavra é mais diikil do que qualquer a u uperior ... .t útil uvir para um filho que ouve, quem
trabalho, e seu conhecedor é aquele que sabe u á-la a pr p6 ito . uve torna-se um homem obediea te . . . Educa em ceu filho um ho-
São artista aqueles que falam no conselho. . . Reparem codo que mem obediente. Um filho obedient é um servidor de Hórus o
são eles que aplacam a multidão, e que sem eles não se osegue fara' . . . ê absol utamente escrupuloso para com o teu superi r. . .
nenhuma riqueza ... " (B, . Jl, 41 , 46) . Age de tal modo que o superior dele possa dizer: Como é admirável
aquele que eu pai educou !" (Br. J7, 42, 44-47) .
O falar bem é, então, conteúdo e objetivo d ensinamento. Ma o
que ignifica exatamente este fal ar bem? Creio que seria totalmen te Num reino autocrático, a ar re do comando é também, e ante e
errad c n idcrá-l em cntido esrétic -lirerário, e que, sem medo de tudo, arte do obediência: a subordinação é uma das constantes milenares
forçar o texto, se poss firmar que, pela primeira vez na história, nos desta inculturação da qual , portanto, f02 parte integrante o castigo e
encontramos perante a definição da oratória como arte política do co- o rigor:
mando u, encecipendo o termo de Quiatiliano, perance uma verdad i-
ra imtitutio oratoria, educaçã do oca or ou d homem político. ntre " Pune duramente educa duramente!" (Br. 43 );
Ptahhotep e Qufoàliano pa aram- mai d doi milêojos e meio, mais
do que entre QuinLiliano e nó. ; além di o, a civilizaç- egípcia e e, com o rigor, o conservantismo e a perpetuação imutável des ta edu a-
romana são muit dif r ntcs entre si . ão ob rante ach que se pode -o de pai para filho :
legitimam nte confi rmnr eata continu idade de princípio nn formaç-õo das
astas diri ente na ocicdadc · antiga , e não omence naquela . Encon- ' 'Todo homem que foi instruído deve falar os cus filhos re.no-
traremos as confirmaçôe di ro no decorrer do tudo , ma devemo pre- vand ea inamento de seu pru " (Dr. 46).
cisar agora que a continuidade e a afinidad nã vão além de te objetivo
proclamad , a aber , a forma ã do orad r u político e que a in piraçã e isto comporta uma recomendaçã ul terior quanto aos cuidados em
e os conteúdo , a técni a e a itua ão crão pr fundamente diference relação à palavra: ao ncerrar eu texto , de fato Ptahhotep faz ainda
de uma ociedade para outra. uma advertência :
ore-se , porém que este ensinamenro do antigo Ptahh tep visa
propriamente o falar bem, de m lgum rever m, mbor a " ão tires nem acrescente uma palavra sequer. ão coloques uma
escrita já fo se in trumento essencial de cuJrura e já e tive e presente delas no lugar de outra" (Br. 46 ; ·
na perspectiva do co ioam ato para Kagbemni . E a razão é esta : o es-
crever é uma técnica ma terial, in trumcnto de regi tro do ato ficiai , orno na vida pol{rica , tam m na formação para ela é es ncíal mai ·
u ado por perit aão neces ariarneme ovcrnames; o falar identifica absoluto respeito à pala ra.
com a arte do governo , que e n i te, c mo di se o própri Ptahbotep, Quanto.. conteúdo concreto de te ensinamento, além da prá-
em im ir no conselh s restritos d poder e discursar à multidões tica _imedi ta a politi a, que consiste em comandar e obedecer, ele
para aplacá-la . E, sem que rer ir ai m d text , também esta distinçã nonuam pr pQnd aquela abedoria comportamental que já uvimos
parece antecipar as distinções da oratória greco-latina, classificada d em Kares e em Hergooef, apresentada com a costumeira casuística. ão
o:. temas de ''criar-se um lar", amar a e posa " como convém" e, de 2. A Idade Feudal: "os novos charlatães"
novo, os relati o a com se comportar com rranhos. Ei o conselho
sobre como proceder "com um interlocutor no seu momento de cólera". Também o primeiro pedodo intermediúio, ou Idade Feudal, com
Ptahhotcp distingue três po síveis interlocutores: aquele "que diri e seu ua quatro dinastia (7 .ª-10.", d 2190 a 204 a.C., n deixou auto-
r -o como um mai valeme do qu tu", aquele "que é teu eme- bio rafias e ensinamentos que nos mostram quer continuidade, quer
lhame e vale tonto quanto tu", e aquele "que é homem de pouco valor alguma in va - pec:uli re na ed ca ão . Os enhore locais apare ·m
e não é igual a ti". Apear das ouanÇ1ls do comportamento com as diver- agora mai independente o poder régi , e faraós mais preocupados
sas pessoas, a constante está no domínio do próprio coração, isto é, das com a decadência da disciplina social.
paixões. E, como nos ensinamento:; anteriores, 3e propõem doi3 casos :
uc o alua pos a scr "u m h mem de qualidade•·, ou um que "de e- m elemento da educaçã , que indicamos na introd ção e que é
quen e tornou grande". I to d ixa supor que esta inculturaçã se re- fundamental para a f rmação da classes dominantes, isto é, o tirocínio
ferisse essencialmente "a s filhos do rei " e ao nobre da corre, àquele · · ástíco-militar, aparece documentado aqui pela primeira ve2. A Auto-
a similado porque em geral aparentados com o rei , mas não excluísse biografia de Khet , govcrnad r de Assiat na cidade heracleopolirana,
pcs oa de urra origem, com uma certa mobilidade social A c mpara- entre a 9.ª e a 10.ª dina.stias 2130-2040 a.C. , nos informa, entre outras
ção que e faz entre quem é perito na palavra, isco é, no comando, e coisas, que o rei fizera dele um senhor desde quando ainda era criança
quem é peàto em outra atividade u arte pode er considerada como da altura apenas de um cúbito e qu , em eguida, o colocara com chefe
um aspecto de a mobilidade ou, pelo men , pr va d uma primeira dos jovens . Isto no leva a pensar de novo numa certa mobilidade ocial,
tomada de consciência das diferença iais. A palavra também é uma embora de acordo com o arbítrio do poder e numa educação de certo
'"arte" , e quem fala n con elh é um "artista", diz Pt.a hhotep, insti- modo institucionalizada, que confia o jovens a uma pessoa profissional.
tuindo a sim , entre as vá ria ati idad da produção e a do e mand ; menu: de<lü.:a<la a de . E ·La aumbiografia ous dá e ·pecialmeme informa-
uma comparação que fará história e que e tomará uma f rma ernble- ções o r a educaçâ H ica: o rei
máti a na chamadas ~tira do ofício da literatura e ípcia mais re-
cente e de oucra literatura . E te ll~ma da re!Ação domínio-produ ão , "o fe2 aprender a nadar junto com s filhos d rei ... educou
cultura-trabalho, que é, afinal , a relação entre a classes dominante e as como um filho " Br. 61) .
classes domina as, o pruneir possuidores exclusivo das técnicas do
domíni , e outros da técnica de prod çã , já aparec ne res text A natação é um dos exerd ios fundamentais daquda educação fi:.
antiqüíssimo tem n campo da formação do homem uma das suas ma- sica que, icsü; da aos dominante , se realiza através d um processo
nifestações mais inequívocas. ó o encontraremos logo em outros ensi- sistematicamente organizado. Ãlém disso, parece que, ainda uma vez,
namento . junto com filho do rei ão educado outro joven escolhid pelo
Estes docum ntos da Idade Arcaica e do antigo Império n deram, rei-, u:; 4u11i:, 11c.:11L1uu :.«:11<lu wu:.iJc:1 aJu:. e cfetivamc:utc: dJamaJo~ •• fi-
portanto, informaçõe. de grande relev sobre a educação cm suas rels- lhos do reI": Temos, portanto, uma forma instirucionalizada de educação,
ções com a sociedade. se é cuidad so , cm não ler somente o temas tanto intelecroal (o falar bem) como física (a nata -o), ue tem ua
genéricos da obediência e do conformism ; e se está disposto a ir mai ede na corte ou pãlá i e é e ecv d ao _prfndpes régio e a outros
fund para ver o obedecer em eu ne o com o comandar, e o confor- jovens n bres u elevados entre os nobres . :à provável que também os
mismo e o rigor em cu nexo com as relações ociais; e, além dis o, se potentadõs locais, quer como emanação do poder do faraó quer como
cem o cuidado de não entender a arte de falar como uma arte do lite• centros rclativamente autônomo , tive sem algo emelhaote a esta es ola
ratos e e teia , ma como a técnica e encial do dommio, encão aparece régia .
claramente o encido social de ta que é a primeira formação do homem Além disso, para os não-nobre e não destinados a cargo políti-
poUtico de que a história nos deixou testemunho inequívoco. ão a cos, existia no palácio uma escola especial, o " kap" ou esconderijo:
iasrru ão intelectuaJ dos sacerdotes ou d ~ c~cribas, nem o npreodizo em alguns documentos no, falam d "k11p" e dos " filhos do kap" .
profi ional dos encarregados da produção material, mas a incultura ão O modelo de ta e la é empre a escola do palácio:
da moralidade e do comportamento dos grandes e, e m esta incultur çii ,
também o treinamento d uma técnica, a do domínio, que aqueles per- "O Alto e o Baixo Egito diziam : é como aquele que são instruídos
tencentes às classes dominanres devem po uir: a palavra que: convence. pelo rei" (Br. 61)
E dev riamos faJar também das armas gue coagem, mas sobre elas ainda
não temos documentação assim se lê na Autobi()grafia de Kethy.
ções e não e m s antecedente de uma tradi ão que eles próprios esta-
Ma , quanto ao dct lhe , seja da educação fí ic, seja das utra vam criando.
escolas que podiam existir no palácio precisamos encontrar documem s
O a tituir-se de uma tradi ão, ao lado da sistcmaticidade (falamos
mais recentes.
da "institucionalização") d ensinamentos , n s autoriza a falar d de já
A esta época perten e um outro ensinamento qu pela evidência da e cola propriamente elita. ão é por acaso que , neste ensinam mo
de elementos rdaci nado com o caráter político e ociaJ desta educa - o, para Me.cikara , o pai Kh ty ordena a eu filho que providencie direta-
pode ser mcncionad junto com o de Ptahhotep. Trata-se do Ensina-
mente a instrução dos h mens de sua cort
mento para Merikara, filho do faraó Kerhy II, da 10.l dinastia (2 00
a.C.). Ele é uma rri re nstaração da d ordem ocial mão exi t nte,
4uc :.e manife ta também na audadc da anti n 3abedoria " do pai e dos "'Instrui ma corte obre a esteira: um rei tíbio é uma escola para
antecess re " , ist o é, da ant iga ordem gora em cri e. A decadência da o nobres" (Br. 84 ).
arte da palavra, que, como sabemo , ignifica a arte política, ~ d· ita
om amargurad pesar e a sua usurpação por parte d demago os é O parentesco {o " filh s" e a devoção já não ão mais ufiàentes ;
on enada asperamente : é preci.so que se f ndarnente uma formação m ·s istemática do homem
político, paro que em seu lugar não se insinue algum orador do povo,
" É lama o charlatão (meduti ): expuls -o, mata-o , apa a seu nome" um meduti.
(Br. 84) . Esta escola, da gual entrevemo no antigo en inamenro ,apena
o cerimonial e a did~tica, con i tindo no texto escrito e na aprrndizagem
mnemônica, agora se nos apresenta visivelmente melhor definida: da e
Temos aqui a condenação xplícita da apropriação da arte da pala-
realizava com o mestr sentado na e t ira e o aluno ao redor dde. a
vra, ou ane pulítka , JXH fJª' H: Ja:. uuva:. da:.i,es :.oci ws . wna conde· riquíssima iconografia egípcia não encontramos oenhu ma . imagem que
na ão que encontraremos freq .. ntemenr e na história . O "charlatão" nã apresente diretamente a ola e nem temos re to de prédios escolares ·
é, evidentemente, o falad r d s legante que não tem osto literário, mas porém, a tradição posterior de todo o Oriente até hoje, documentada
o demago o u , não pertencendo à d a e dominant , presume, mal em numero íssimas imaRen , sempre no · apresenta o mestre sentado na
u ando e ta arre , conqui rar poder. A e re de prezo pelos novo ra- teira , no interior de um prédio ou à ombra de uma figueira, com o
dores ou político junta- e, de fato , a admoe tação do faraó ao filho, alunos sentados à sua volta. Podemos imaginar a im também a e cola
para que volte a d minar com comperê.acía esta arte: de Merikara já que da própria Autobiografia d Kethy aprendemos ue
na corte da faraó havia uma pe soa destinada , como " chefe dos jovens" ,
" ê um artista (hemme) da palavra, para re potente . A língu a é à formação deles .
a espada do homem . . . O discurso é mal forte do que qualquer De resto, este mesmo ensinamento nos dá um outro testemunho da
arme " (Dr. 84 ) ; existência de ta ola palaciana : após o preâmbulo, já de envolvendo
os conteúdo concretos de ta instru ão, o pai assim adverte :
e após a exalta ão dos antecessores , cuja palavra gravadas no e ri to
devem ser lida con ramemcntc, ei mais uma vez a advertência que " ão maces um homem do qual conheces excelência, junto ao
reafirma o caráter t&nico desta arre : qual tu leste cm v z alta o e crito " (Br. 86) .

" Ter-se-á um artista de um que é instruíd " (Br. 8.5 ). Aqui temo mai uma outra ref ência aos métodos didáticos, que
a relembra e determina melhor o que já havfamo aprendid do ensi-
Aquj se expressa mai uma vez a concepção da política como um_a namento para Kaghemn i, baseados na repetição mnemônica: ou cja ,
arte ou uma técnica que exig seu ti rocíni , mas exclu iv ao d mr- os alunos costumavam recitar juntos os textos a serem aprendidos, um
nanres e opo ta a toda a arte materialmente produtivas. sa opo- u o , este também, destinado a perpetuar-se por milênios .
içã terá m seguida ai uns interessantes desenvolvimento literários. Ê preciso, porém , acr sccntar que este den o documento, ue
ja e m for, o nhor Khety e o príncipe Mcrikara já rém atrás iniciava deplorando os " charlatã " e depoi elogiava o verdadeiros
d si um a antiga tradição literária, que nã aparecia - creio eu - " artistas da palavra", concluí com um indício d abertura ocial, com-
em Kagbemni , H crgedef u Ptah hotep : este , de foro , preocupavam- e preen ível num período de incerteza e de profundas convulsões, quando
com destino futuro d us e ritos a serem transmiúdo em ahera-
ugere que se procurem em todas as camadas d ied de os olabo- di 'pul , que reoo a a rela -o dos e.nsi.narneatos mais antigos .. Aqui,
radores para re taur, r poder régio: por'm, a à profi ão de: e ri a s apr ~ta perante
mai clnram me do que ante , como uma perspecuva de a cen. a oc1_aJ.
º.:
Jove.ns ,

" Não faças diferença entre um filho de um oobr e um popular, Aqui tem as I tras n lugar da palavra e, como !;>ar~~ pala ra, também
mas eleva at' teu ní el homem por cau a de suas ações" para a. letras úr is n ém perguntar que das s1gnil1cam exatamente.
(Br. 87).
~ letra út is nã ão nem riam a bela letra , a Hteratura ,
mas a prepara ão, s nã a xcrclci dir to do pod r, rtam nte à
Mns agora calvez e te pt:<Jueno que e tomam rnnde oão sejam f nç- s admini trntivas do govern . a in cr1çoes te r(od enc n-
mais aqueles asso iados a um pod r din' tico-íarniliar, ma funcionári rTllmns rlefinirlll um e rllnrl vuÍf'rl.Rrl rle t:1s f,in Õt>. : PSCrihll /. llCJllf'lf'
subordinado a um pod r burocrauzatio. Na formação de ·te vemos con- que lê escrituras anti us, que escreve os rolos d papiro na casa do
solidar-se aqu las trutu ra u mom mos edu ativos que vim urgir
rei que, eguindo s ensioaroento do rei insLrui seu colegas e uia
lentamente : o processo sisrernático, a exi tência de um t:ncarrega<lo da
seus superiore ou que é me tre das criança e mestre dos filhos ~o rei ,
f rmação d joven , o as do texto escrito, a aprc:ndizagem mncmôni a que conhece o ccrim nial do palá io e é. iotroduzid na doutnna d
des te te.xt , recitad em coro pd s joven alunos etc . Paulatinamente majestade do fara6. E is Lo em contar as vária especializações de escriba:
nos encontramos perante uma tradi ão con lidada que tem na escrirura
escriba le a1 <l hieró lif , o escriba da "ca a do escrito " ou o da
o s u principal instrum mo . Este in trument , a crita, que neste: mo-
"casa da vida", e assim por diante. Como qualquer profissional que
mento s rvia ao fins da memória histórica e da adrninistraçã civll,
d mina uma t' nica u uma rte, o e criba também t m a funçã d
toma-se cada ez m is o...insu:um~mo da forma ão para o comando, para
n ioá-la a algum ''filho" para perpetuar cu conhecimento e seu uso:
qual acé agora era suficiente o domínio da palavra falada . Des a f rma,
às vez s esta funçã de ensinamento toma•se exclusiva, onvc:rtcnd se
n ~riba, isto é, o perito na escrita, t nd a se tomor, além d funcio-
cla mesma o ofício ou prof1ssã do escnba e, neste caso, ele é essen-
nário da administração , também - e não bretudo - m tre do gran- cialmente mestre .
des (por nas imento ou por ascensão social) e, p nicularmente, dos
"filhos do rei" e do filh de outros gr and , Nesta época, o escriba não é tanc alguém que · põe às multidõe
para aplacá-las, corno n bre de Ptahh rep ou ao demag go para
derr tá-lo, oro o príncipe Merikara ma alguém que se destaca perante
todos os p rofi sionais do demais artes, afirmando a superioridade da
3. O Médio Império : o escriba e os outros ofícios própria: o que acontecerá no gên o liLerário úpico _que ão as "sátiras
dos ofícios ". ua es cialização como m stre ~ confirmada pelas nume-
as épocas posteriore ·, o uso do livro de text , orno já podem ro as in c riç-e fúnebres desre perl d , na quais podemo ler, por
chamli-lo, torna- e cada ez mai freqüen te e generalizado. Pertence exemplo:
inicio do Médio Império, uo p ríorln tt>h:1nn (11 .ª e 12.• dinastias, cerc
de 2133-17 6 a.C.} , o texto clássico do ensinamento sapiencial usad
nas e colas, Kemil u urna. É texto de um cscrib que educa um "Eu fui. alguém que foi conhecido pelo rei e por le verdadeira-
escriba; provavelmente um pai que edu a seu próprio filho, nfirmando mente apreciad : fui nom ado me tre Jos filh s do rei, porqu
que, originariarnenre, a instrução era um f l interno à familia, como conhecia o cerimonial do paláci " (Brun 13) .
para qualquer outra ati idade profissional , ou um e·criba que es tá for-
mando seu aprendiz, sempre nsid rado como f ilh : ~ s s i o n transfõrmaç~~ da_ sabcdeFi~~ 1w.:a i _to ~. em
conhecime erudit e cm ass.1m1b íLLuadiÇl} co_m__ u nrua1 e a
"ô escriba, forma-te um filho, educando-o d cima abaixo nas lctr s rorreÍaciva c nstituiçio da la c m •u materiai didáticos o rolos
Úl i . E também uJ educsd por meu pai na letras úteis, que de papiro (os acuai livro ·). é e oEirmada canto pel s inseri -es fúne re
lhe tinham ido tran mitidas . . E reparei que, depoi que me como pelos textos literários, em particular por uma fábula_ deste. período,
comei sfüio, comecei a ser I u ad . . . As 1m também tu deves contida no papiro Westcar. eu protagonista é aquel anuqUf suno prín-
riar-te um filho que ja cduc.id na letra ·" (Brun. 10) . cipe Hcrgedd, filho de Queóps TI . da 4.ª dina lia, que enc º1:am?
com autor d um dos primeiro en inamenc qu chegaram ate no .
Como em utros d cumenr s, além de testemunhos sobr uma esco- nta• e aí qu Hergedef, enviado pelo faraó para convidar ~o
la que, se não é pública, a menos é I tiva, temos aqui a demonstraçã paláci o ·ábio Gedi, encontrou- n m io dt: e: di dpul e o ouviu
de uma relaçã educati a privada , de pai ara filh ou de e criba para responder-lhe .
"Mande um bar o que tran port a mim , a meus filh e a meus Eu conhe i fadiga , ma · tU dev dedicar-te à arte de_ escrever po~-
livros" (Brun. 1 que vi quem é livre do seu trabalho : ei que não XlSte nada ma1
útil do que os livros . . . " (Br. 151) .
P rranto, s não n época d mmco Gedi ou de Hergedef, pelo
meno naquela em que e ta fábula foi e crita, livros eram 3 bagagem es. a contrapo ição entre a pobreza ini ial e o bem-es_t!r adquiri_do
de um sábio e de sua escola, que já se apresenta como urna in rituição há m eco d ensinamento de Ptahholep, que &is~ a mobilidade som:r
bem consolidada. Na parte positiva do o inamento, o modelo - Juncamente co7<: t . a
Outras in tições do Médi Império, como em se uida do ov a trad ição e, particularmente, Ptahho tep - , obre~~ a t:Tf!ll ,
Império, lembram muito momento. ,-1:i vida de mestres e d.isdpulo5. explicitamente citada da qual se repete a causa da cond1çao do escriba
Lê- e, de fato, de alguém yuc foi ''mestre para as criança , gr ças à ·sua c mo libertação da necessidade :
p c1encia à ua calma no falar", de alguém que foi "sábio para os
" Lê entãoO fim da Kemit e lá encontrarás esta fra e que diz:
ign rantes ", d ''um que in truiu um homem sobr a uilo que lhe eca
útil", de um que "in cruiu seus parente " , de um que "ia eruiu o rei Quant ao escába, ele nu nca ai:á do be1:1-estar..e em qualquer lugar
re o seu passo " , de um que "in truiu seus colega " , de um que onde ele morar nã have rá mru oece s1d des (Br . 151 -2 .
"chegou a ser guia também daquele que estavam acima dele"· ou ainda ,
por outro lado, de " alguém que compreendeu o ue era mai importante ucc ··o ial d e criba , assim como a su11 s~bcdoria, . está nos
nos en inamen to do seu enhor e de seu pai", de alguém "zelo em livro : esla sabedoria a ora tornou-se culrura, conheCLmento, l11eratura ,
perguntar e paciente no e utar", de " uma criança que cresceu aos pés erudição :
do seu senhor como aluno de Hórus, o senhor do palácio'' ou de "um
discípulo t.lu tt!Jllplo de Am n, quando ainda estava em idade escolar" e "F(ltt:i 1,:u 111 yut: tu iuue:. u:. Li vJo:i mai~ do que un1a a tua mãe"
outras ainda . toda uma coletânea de d umentos que confirmam o qu (Br. IJ.3);
já abfamos sobre a existência da escola do palácio (e também d tem-
plo) , bre a in rrução privada e bre as relações mestres-discípulo ·. e a escola é o lug:1r onde se e ruda no livros par a e tornar riba:
Pertence a e ta época o documento talvez mais singular pda riqueza
da documentação e pelo seu vigor poélico: a chamada "sátira do ofí- "E útil para ti um clia de aula : eu trabalh dura eternament ,
cios " ou ensinamento de um ouLro Khety (não confundir com o autor c mo uma montanha" (Br. 156) .
da Autobiografia, datada do século I a.C.); depoi do documento
de Ptahbotep, é o mai su esrivo e um dos mais lid I jumo m a E seguem-se , entre os muita con clhos de a ord com a tradi - ,
Kemit, nas escolas dos século po ceriores. alu ões particulares à vida da escola:
E.,cc cn5inwutt:11Lu , cum seu longo titulo- umáno, tam bém ·e apre-
senta dentro de um contam narrativo n qual ~ imagina que Kh ty estás saind da escola após cer ido indicado o ~e.io-di.a e e: t •
instrui o filho Pepi enquanto vão de barco para a re istência ré ia (o ce- v ltando do edifício escolar ), pára somente qu~ndo ttvere chegad
nário é em pane da fá ula do papiro Weslcar ), onde este freqüentará ao teu destino. Quem deixa a escola com gritos de ale ria , seu
a escola d pt1ládo. Além d s costumeiros motivos sapienciais e da mai nome será efêmero' ' (Br 156) .
recentes exaltações das concliçõcs de escriba, este ensinamento de en-
volve uma comparação explicita e esclarecedora, até então inédita, cnlre O horário e colar, comportamento das crianças que ~ntram e aem
o ofício de escriba e todos os demai ofíci s, apre cotando-se com traços d es ola ã temas 00 os que apresentam aspectos cur10s0s_-, f:. sobre
d alta originalidade em relação a todo os ourro en inamenro até este comportamento que se desenvolve ainda tema da obed1 nc1a:
a ora analisados. Lei mo o tex to :
"Um escriba julga se pela suo ob diência; quem obedece tom -se
" Infcio do ensinamento que compôs um passageiro de cabina [?] bravo" (Br. 157 .
de nome Khety, filh de Duauf, para eu filho , de nome Pepi: ele
ia ao ui, para a residência, a fim de levá-lo para a cola d s es- A obedjência e O esrud aparecem cada v~ mais ~omo o caminho
cribas, en tre o filhos dos grandes , pois ele era um hefe da resi- mais favo rável para a proveitosa vida de e nba, con 1derada como o
dência . E, andando, dizia-lhe : ideal da promoção social:
"Ei que t t rna a~irávcl quand és eoviaclo como meosagciro, lado, ond s crian nã imitam diretamente os adulto que crahaJham,
porque tu pod ouvtr as palavras do funcionários e assumir as mas aprendem a imitá-los ; este é o lugar que hamamo se la:
atitud das pes a importam " (B,. 157).

A arte_ de falar bem torna-se aqui, mai explicitamente que nun "~ útil para 1i um dia de esc la . .. " Br. 156).
a arte política, reduzida, porém, num império burocratizado à récni ;
própria ~os funcionários. Este é o ofício principal, perante o ~u I todo m a compara ã entre a preparaça do escriba exercício dos
os demais aparecem como de segundo plano: outro ofício , Kh ty conclui a prim ira parte de eu nsina.rnento e
introduz a gunda parte ("Falar-te-ei agora de outra oisas para ce in ·.
"Mo~trllr-te-ei &un v rd dcica l,dc.i;a: ela (a profissão d escriba) é cruir ... ") , mais diretllmeme sapiencial, cujos meosngens ético-<:<>mporta-
a ma.ior de· toda as profis õe e não i te outra ~elhantc 3 ela m tais 1 mbram especialmente: a Kemil e Plahbotep . Aqui, novno1i:nLe ,
neste país" (B, . 153) . são definidas d maneira inequfvoca as finalidade d ·ta formação do
bomem político:
. A cnu~eração_ do . outros offcios é d envolvida a partir desta afir-
matlva, cheia de v1vaadade, no estilo icástico de uma sátira que vem " _.. ) de modo que 1u aibas como comporta-te n Jugar onde e
depois da exaltação da retórica: mbat e com apr ximar-tc do lugar onde di ute" (B,. 156) .

" unca vi um cortador de pedras eoviad como mensageiro nem ote-sc guc:, ao lado da habilidade de falar no conselh · e a povo
um ourives . as vi o ferreiro no seu trabalho à boca da for~lha (que conhecem s a partir do ensinamento de Ptahhotep) e d cran mmr
fedendo mai d que ovas de peix-r" (Br. 1.'i4) . ' mrn_A t>n , "'l"i se propõe t:unbém o outro a&pecco dR5 l~oicas rl
d mínio, i to é, a cdu ação fí ica o Autobiog,a/ia d ourro Khety, d
E cguc a enumeraçã do numeroso ofícios, uma das ma.i com- fim do III milênio falava de aprender a nadar), que habilita a com-
ple_tas que chegou . até nós (com exceção das Onomastica, que sã pos- portar-se "no lugar onde e luta". Embora ainda não se vá além de ra
ten?res)_: m_a rc~euo, cortador de pedrw;, bar ir , pastor, o leiro, pe- indi açã , que realmemc pode parec r imprópria num contexro mai
dreiro, Jatdtnetro, camponês, tecelã , fabricante de flecha carteiro livresco e na boca de um escriba (mas 1 1,to encontraremo também o
coletor de e trume ou cana , sapateiro, lavadeira, caçador, pescador . ãd escriba militar, embora incumbido dos se1v ·ço e não tanto da estraré ia
oos _compete comentar t'-<:tas viva !ssimas páginas, ma sua conclu ão ou da tática). isso é res ·altado m parte não-negligenciável na for-
no mteres a: mação do governante.
N eu conjunco, este extraor inácio ensinamento - uma págína
' 'Ei que não existe uma profissão sem que alguém de ordens e rt>- de sábia e elevada pcesia. com o equilíbrio das uas clnRs parti"~ ( rfrica
to 11 t.lc: escriba, porque é ele que dá ord ns. e souberes e~rever areoética), com r <tuinte dos recursos e das rdereru:-ias d uma
estarás melhor d que nos o!Icio que te mostrei'' (Br 156) . 1
, utra - aind que rtpit m o e e nteúdos do antiqüíssimo P1 ahho-
tcp e da recente Kemit toda ia é original na part atírica
O ofício d e criba, portanto, coo i te essencialmente em d r ord ns
Se é verdadeiro que o antigo en inomemos pressupõem m
e tam~~ em ser enviad como mensageiro, o que em geral significa
ordem social, determinada e imulávcl, ·te formula implicitamente um
transnu~r ordcn~;- ~ma funçã? . d evidente prestfgio e autoridade, que juÍ7.o sobre e a ordem eia!. a realidade, ao atirizar o tri le viver
pre upoe a aqui 1çao de habilLdade pela .freqüência a uma verdadeira
dos vários artesão , ele reconhece implicilameme que nem rudo vai bem
escola, que não xisre para s demai ofício . Fora de uma escola de
no melhor d s mundos po fvci e no deixa um vivo te ccmunh
fato, não é possfvel adquirir o conhecimento técnico da arte: de Íalar
escrito sobre a opr são e a exploração do trabalho. De fato muita·
própria do funcionário , que con i te em e referir exatamente às coisas
veze destino da 01 ta ubaltcrnas é de em rgir a palco da hi tórfa
sem acrescentAr ou e quecer nQda, falando a liuguagem dos grandes'.
como objeto negativo da ~tira e a vi lêacia exercida br elas peJa
Para s~s funç- -: em que "o indivíduo não se veste com roupa d
ca tas dominantes e u re pectiv ideólogos (encontr:itemos utros
trabalho - , o candidato se prepara, não com uma aprendizagem em
exemplos disso em outros povos) e só deixar traços muico tênu e
que e observam e imitam , num procedimento e pontâneo, s adultos
frág is do amadure imcnt de suas capa idades.
que ~ exercem, como a ntece com o outros ofícios, mas somente
atraves de um processo in tiruci oalizad que e realiza num locel iso-
?d
4. O segundo período interm diário e o treinamento do de pensar, por i to te in uufrei... touro de combate, preso no
guerreiro estábulo vence u natureza, e adesua e se torna um boi man o .
!e.ão ~dvagem deixa su fero idad . . . cavalo se ujeita ao
No segund perí inlermcdiário - a época Jo · hi · , da 1.3.ª jugo . . . Este cachorro ouve us pala ras e segue seu dono . . . Ensi-
à 17.• dinastia (c rca de l 7 5 a 1580 a . .) - , outros docum mo tes- na- e ao n 'bios a lín ua do povo do gito . .. Dize, portanto, a
temunham a manutenção da tradjção edu ativa e apresentam também ti mesmo : farei como todos os animais . . . " (Br. 29.5) .
n vos tema .
A passagem da abed ria para a ulLUr ou instruçã toma- e cada O filho replica:
vez mais clara: ag ra ~ sábio não quem possui experiénrisi f' intf"ligpnci,-
e, por i o, está numa posição de domfnio, roas quem conheceu a rradi- " . . . A tu i. palavras são excelente , ma a ua execução é deter-
ão ao Üvro , adquiriu uma cultura e assimil u a abedoria dos anrigos. minada pcl se pírito .. . " (Br. 295).
Daí a importân ia ada vez mais a cntuada do li ro e, com eles, da
bibliotecas ou " casa dos escritos'' e d escola o "casa da ida".
Estela de e/erhotep, por exemplo, aparece o faraó (lJ.• dinastia) que,
E o pai:
dirigindo- e ao· nobres, aos secretários e aos escribas régio do hie-
róglifos, declara : "A mad ira tona ... o arte ão a leva consigo, a endireita e faz
dela um chicote de um pod -r o . Da mad ira direita fa2: um ca-
"O meu coração tem um grand des jo de vct a antigas escritura jado . . . " (Br. 295) .
de Atum" (Br. 205),
À pane e ta disputa pc<lagógíui wmi<l11 11u iutcn.-ihuLiu i:p~Lulw
e entra na casa d s e crit s e abre os rolos d papiro. O texto enfatiza entre pai e filho, o t:n inam nto se caracteriza também pela acentuada
o fato de qu é o pr prio fara em pes a a l -lo intenci nand clara- valorização do livro como in rrumento de instrução:
m nre valorizar a 1radição repre entada pelas antigas escrituras e exaltar
mérito d faraó em re t.aurá-la, num momento em que a invasão dos "Faz-se que s diz quando se tuda no livros. Penetra aos
hicsos obriga a recorrer a todos recurs da identidade nacional livros coloca-os oo u:u coraçã : tudo o que dirás será excelente.
egípcia .
Um ~scriba desânado para uma função consulta os escrito "
São desta época outros ensinamentos ri d n vo clcrn ntos, (Br . 291).
como o En inamento de A,, ao filho Konsuhotep (13.'1 dinastia) .
autor é um escriba e eu ensinam nto é acom anhado por um intercâm- Mai uma vez a abedoria con olidada pda tradição e tá no lugar
oio de canas com o filho com o qual desen olve uma e pécic de debate da 5abcdoria pc11:ioal . t, justamente, a exo.lr.oção do. técnica da inscru ão,
obre o princípio cducaâvo, isto é, se a edu a ão deve ser severa ou ue se encontra cada vez mais determinada e freqüeore ne ta época:
permissiva, s baseada n aut ridadc d adulto ou nas aptidões oaruraís
e nos interesses do j vem . É o primeiro exemplo de um debate idea l 'C n idera- e funcionário um e criba pela de treza de sua mão e
que depois e apre cotará de várias maneiras no decorrer dos séculos, pela prático de seu offcio" (B r . 291);
até se colocar n centro do debate pedagógico moderno . Konsuhotep
escreve ao pai : onde prevalece o elemento técnico, i t é, a habilidad manual na escri-
ta . Para s antig s sábios, a prerrogativa d eu poder não era a habili-
"Oh, se eu pudesse ser c mo tu e po uir tua abedoria! Poderia
ciadc de sua mã , mas o bem falar; a figura humana ocial d novo
pôr em prática o teu en inamentos e as i.m o filb poderia ocupar
o lugar do pai. Ma cada um é I ad de acordo com a própria sábio é diference, me m porque permanece idealmente ancorada n
natureza ... ' (Br. 294). antigo, mas sua 1écnica e ddioe com u111a liaLiliJ,n..lc U1anual 5imilar
à os demai ofícios .
E o pai Any responde : É também de grande int erc:s e nesLe ensinamento o lon o acen
( ã educação na prim ira infância, com os ~idados maternos q~e ela
"( .. . ) Toma cuidado com aquilo que tu faze a ti mesmo. As tu s importa, a emamenração prolon ada e o cu idados m a n es 1dad s
ex:pre sões e tã rradas não e tão de a ord m o meu mod fisiológi a da criança :
"Duplica o pão que rua mãe te deu . Trata-a mo ela te tratou: trabalho de ·eus fab ri ante · , para di ti •uir arre ã perit do
as miu teu pe o e não te deixou . Quando na cc t , após os teu artesão ignorante ... Eis ainda o qu fez : entrou n seu pavilhão
meses (d gesta -o , ela te carregou n colo, pond ruas mama setentrional e viu ue tinham prepar do para ele quatro alvo d
na tua boca durante três ano . Apesar da repugnância de rcus xcre- brc asiáti o de um paLn de e pessura, e a distância entre os
mentos, nunca provou desg 10 dizendo: Que farei?!" (Br. 292 . po ce era de ime côvado . ua majestade apareceu monrad no
s u cavalo como ontu na sua potência, pegou no seu arco, apa-
egue a paraç~o da criança da mãe para freqü ntar a esc la, qu nhou junto quatro set s e avançou atirando, como ontu com o
aparece cada vec: ma.is claramente c mo uma in tituiçã pública distinta seu aparar : suas ·eia alravessaram o alv . Em s guida ata u
da família: outro Ivo . .É uma focanba Que nínauém jamais realizou e de que
jamais se uviu fohu , lltirar uma s ta contra um alv de cobre ,
"Colocou-te na e cola, ade devia cr instruído na letras e todo acra e á-1 cajr no chão , com exceção do rei forte e pot 'nte,
dia ficava te esperando com pão cerveja da casa" (Br 292). que Amon fez vitorio o, do rei do Alto e do Baixo giro, alo-
ro como Monrul Eis que, ainda adole cente, ele amava o eu·
final de e períod e n início do ovo I mpério (época de cavalos e gostava d J : u coraçã vibrava em tratar dele , pois
Ramsés ou segund império tebano, 18.ª-20.' dinastias, cer a de ele entendia de ca ai e Linha habilidade t'.m adestrá-los ... ".
1552-1069 a.C. , oi uns document s n s in ormam melhor s bre o e-
gundo as ecto da formação dos dirigente a preparaçã física em ista A ·1ela relata portanto, um rl!Cord sportivo, que pr upõt um
da guerra, até agora apena en trevi t . Esta é a épo a po terior i'I invasã lon o treinamento , conforme d m nstra o baixo-relevo perdido.
do Egito pelo misterio hicsos (e d estranhos habiru, talv z os outros farn 's, corno de Thu tm 'sis II ] ou de Ramsés II, celebram-se a
l1d;1cu~) e dt'. ·ua e pulsão ou êxod , que sem dúvida ex1g1u do E~lt façanhas militares em batalha. esóstris, no relato de Sinuhe, é exaltado
um esforç militar specífico. também a época em que o Egito, se- pela força do ra o, a vel cidade d pé, a firmeza do coração. as, fora
guindo exemplo do asiáticos e especialmente dos mes potâmi o , a estela de Amenófis, pou o documento falam explici tamente de uma
mo<lemiza as uas técnicas de 1;ucrra (carr e cavalo, arco composto, e cola ou da duca ã fí ic -esportiva com treinamento p ra II guerra.
cour:1ç:1 d e cama metálicas) e tribui n v prt'. tígio à virtudes mili- A edu a ão ti ica, de fato, é prepara ã para a guerra e prerroga-
tares, das quais, naturalmente, o faraó é a expressão suprema . áva das ela ses dominante ·, a ·im como a educação "oratória". bvia-
imos que para o nobres e obretudo no paláci d faraó , existia meate , e ta também se realiza num lugar separado do exercício fcti o
também uma cdu ação física, especialmente a nata ã . utr 's docum n• da arte aprendida , di. ringuindo- ni 10 da apr ndiz gem, que ' t: identi-
tos principalmcate icônicos, romprov m urras :u i idade m:1st1co- s- fica plenamtnlt'. com a prática do oficio e é r alizada n trabalho, ndc
~rrivas ou militare : o tiro com orca, a rrida, a caça à feras (e pe• adultos e ad le entes vivem juntos. Convivc:r m guc:rra poderia uazc:r
rialmenre ao J~o, reservad:t ao faraó) e pesca, pradcad.1 e cooccbiJa m rte; portanto, o Lreinamento dos guerreiro é uma escola, i to é,
om " a aquárica ". O conjunto de a atividades e nstituía o "d gma um am iente eparad para o adok-scentc
r al". 1um bai.xo-relev agora perdido, do qua l fi ou somente uma orno se verá também em outra literatura , :1s primeiras façanha
reprodu ão gráfica feita por seu descobridor, o futuro Amenóü II é sã atribuída llOS deusc . m texto da 20.' dina. ria tem dua divinda-
repr sc.ntad no momen to em que pría ipe Min en iaa-lhe como des como rotagonistas : H6rus e eth, que se defrontam em duelo e eu
sricar o are e as instru õcs com ntam a imagem : interesse e n i te no foro de s r apr entado como uma competição e .
porrjva, com espectad res e juízes. m outro texc da 19 _.. dina tia, de
"O príncipe Amenófis diverte apread ndo, b a direção de conteúdo mitológico, fala-nos do filh da Verdade que
This, tiro orn arco na sala do faraó ... O príncipe Thi dá in .
truções sobre o tiro com arco e diz: Pu. a o r o té tua relha " . "foi mandado para a e cola e aprendeu perfeitamen te a escrever,
cumpriu todos os x rcícios de lura e superou todos os seus cole-
A e ·tda da múmia do m m fara , de ato, o exa lta precisament ga maiores , qu estavam na e c la com ele".
por est:1s virrudcs militares :
Para outra inform çõe devem recorrer a um tardio t'. critor
" onhecia a equitação e nã havia um emelhante a ele ne te num grego , Diodor de icília , que contn qu pai de esó rris reuniu todos
roso ex 'rci 10 inguém canse ui d brar o seu arco e ninguém os jovens e~ípcfo na id no m ·mo dia do filho e os e afiou a ms•
alcança a na corrido . . rou trê mil arcos duros, para te tar trut re e guardas, para que todos recebessem a mesma educação e
instru ão. ão admitia gu comessem de manhã antes de terem " escriba cheios de abedoria, do tempo que seguiu ao do
corr!do 180 estádio : uma educação, por1aot , tam bém giná tica que deu e . . . e colheram como própri berdeiro o livro e os n j.
prefi ura claramente a educ-..ição grega. Mas, esta educação é comprovada namentos que debcaram. Elegeram c mo sac rdotc ritualista o e 1
por um grego que, gr gamcnte, menta que dess forma cresciam de papiro; da prancheta da ola, fizeram o seu filb preferido.
quanto ao corpo, como atletas vigorosos, e quanto a e plri10, com~ Os ensinamentos são a ua piríimidc ; o cálamo, o eu filho; a
hom ns capazes de comandar, porque tinham ido educados com os prancheta de pedra , a sua e posa: do grande ao pequeno , rod
mdhore métodos e através da aúvidade mais adequadas Bibli. hist., e entregam a eles como filh s, porque os escriba estão à fren-
l :53-54) . te . . , E sã chamados pelos li ro que escr veram ...
Diodor acrescenta que as classes populares nã pr:1ti(':1vrun a • escriba . fixa isto no teu coraç-o para que o teu nome se perpe-
ginásti nem a musica, rque achavam que o e erdcio físico djári rue como os teus Hvro : um livr é melh r d que uma e Leia
não era saudá el para os mais jovens e s6 levavam a uma força de curta inci a, melhor do que um muro firmemente con truíd . Um livro
duração , endo, a sim, perigosos. Isto demonstra que a escola do filho é melhor que uma casa construída, melhor que um rúmul no Oci-
da Verdade e de e ó tris é u cultura e ~uca ão tísica dente. Existe um b roem semelhante a Hergedcf ou um igual a
-pu oõre . Re ta perguntar se e quanl s cgípci s praticaram a Imhotep ? Nã exi tiu em n o tempo um homem com eferty .
atividade H ica c mo esporte. Heródoto e Diodoro d icília podem no Lembra o nome de Prnh-emgjehuú e o de .Khakheper-ra-seneb. Há
ser d valia, mesmo que confundam um pouco as idéias. Um e outro. alguém semelhante a Ptahhotep ou a Kare ? O ábios prediziam
a quatr século de distância, falam de uma mi ão enviada pelos cida- o futuro o gue aía de suas bocas s realiza a: eis por que suas
dão de i;'.Jida , a capital das limpfadas, aos egípcios, na época de palavras se tornavam provérbios e estão es ricas em seus livr s.
P amético IJ, para pedi.r c n elhos ·obre o melhor modo de organizar O filh dos ouuos são enuegue a ele como herdeiros, como
os jog?s: i to leva a supo1 que, l.UIIIV 1:w ouuas coisa , os egípcios tam- µuSµLios filho . Também ap6s o cu dc:saparccim nto, a sua potên-
~rn nnham a supremacia n esporte . Mas a r sposta limita a sugerir cia mágica, Jida num en inamento, pertence a todos .,." (Br. JOI).
que quem ho peda e dui11e o jogo não deve competir (um comporta•
mento esportivo antagônico ao de hoje, dado parecer que, hoje quem Também em numet sos outros texto , mais fragmentários e de
ho_ f'<:da tem que anha~). Esta hipótese de um hábito "esportivo" dos menor s proporções, podemos reun ir diversas indicações de reflexõe
eg1paos parece er confirmada por um outro relato de Hérodoto, qu pedag6gica . Ei , por exemplo, exaltad o vai r do ensinamento , graças
reria assi tido , na cidade egípcia de Kemnis, a mpetições atléticas que, ao qual homem pod melh rar ua própria natUieza, que parece um
pelo programa completo da competiçõe e pela atribuição do prêmio , desenvolviment do rema já abordado no en inamento de Any ao filho
não eram ápica dos egípcio . Konsuhorep :
Platã , por ua vez, te t munha a antiguidade e a con tinujdadc
da dança entre os egípcios (Leis. 655 d, 657 b, 799 11) T~m~m esta "Não digas : rodo homem é segundo sua D:ltureza, ignorante e sábio
era educação fí ica . ao m smo tempo . . . O ensinam nto é bom e não cana" (B,. 304).

Tornam-se fo:qüente · também 1emas da átira dos fíci :


5. O ovo Império: generalização e consolidação da escola
" ' escriba : es oficio ·alva d fadi a te proteg contra qualgue.r
Do o o l mp rio no vic:ram testemunhos não somente obre a tipo de trabal h . Por ele evitas carregar a enxada e a marra e diri-
educaçiio físico-militar, mas também sobr a instruçã intelectual. Pode- gir um arro. Ele te preserva d manejo d remo e da dor das
m considerar esta época como a da geóerawa ão da e. cola, is nos ron uras, poi el te livra de num ro o patrõe e uperi res"
fornece urna quantidade considerá el das hamada coletâneas colares (Br. 307).
i to é, textos e cadernos de exercícios mcndo hin ora õcs nteo:
\li . morais , aMm de sátira de oífci 'e exal taçõe do ' antigo ' escribas mesmo cem:t volia num urro d s s textos:
e ~º.off i d e . ~ba. A rrndi ão lilerári ;ipare e c mo o grande patri-
momo a er a 1m1I d com que se idl!Iltificar e autores com "O h mem ai o seio de sua mãe corre para o eu patrão. Mas
modelo perpéruo a er reproduzido . C:Cmo sempre acontecera na histó- o escriba , ele eh fia todo os tipos de trabalho n ste mundo "
ria , à criatividade segue-se a erudição. Eis algumas página de uma anro- Br. 307) ;
logia escolástica :
"Olha com o teus próprios olhos : os ofícios estã na tua freatc:' Andar à toa , cai r na gandaia (bebidas, farr as, mulheres) é motivo
(Br. )18), recorren te de casúgos nestes teictos, e quase sempre o jovem indiscipli-
nado é comparado a animais rebelde qu pre isam d chicote para
e _·c:gue uma rclaç:ã~ scmelha?te A da sá tir_a de Khcty, d oficio antigo erem dom sticad s:
tais corno o lavadcuo, o oleiro, apate1ro, o carpin teir , e de ofícios
n vo , de conhecidos o não considerad s por Kh ty, tai como o tabe- " as eu farei parar que teus pés vadiem pelas ruas, quando te
Üão, s mercad res e os tripulantes do navios para o tráfego de ulrra- surrar com chicote de hipopótamo" (Br J 14) ·
mar. Perante este ofícios, a profis ão de scriba parece er caractc.risti-
cameote de tinada a pessoas cujo físico é frágil (q11t- r& depois o desti- P, junto com as surra~. ap11rcttm R rccl11~ão e s grilhõe,·
no de Públio Cipião, filho d Afrícan ; mais tarde, com base no
me m critério, se escolhiam o fi lho a erem encaminhados ao ' Quando tinha a rua idad , pa ava o tempo nos grilhões ; foram
sa td6cio) : cl que domaram m u c rpo, porque fiquei com el s três me e "
(Br. 314 .
" ê e riba , para que teu corpo e conserve liso e tuas mãos logo
não se cansem(?), e assim tu não queimas como uma lâmpada, Além des te tema da puniçoe , presente também no documentos
mo quem tem um fí ico débil, já que tu não tens estrutura ' a iconográficos , o outro tema focalizado n sta coletânea escolásticas,
de h mern . Tu és alto e magro : .e I ventares um peso, cairás dcbai- como vim s, é a acenruação do aspecro técnico do oficio de escriba,
o dele. Procura er escriba, uma boa pr fissão apropriada para ti " que se caracteriza pela qui içã da habilidade das mãos e dos dedos
Br. 319) . para esc.rc er, e da boca para ler. ote-se que e lê com a boca e não
como diremos nós, com os olhos, porque se aprende a ler os textos
Muitos destes n vo en inamenro se apresentam como uma cana propo "t · antar lando-os em voz alta junto com os colegas e a leitura
~nviada por um escriba mais velho e mais sábio a utro e criba mai silenciosa permanecerá por milênio uma exceção:
Jovem ou ainda aprendiz, que é figurad como recalcitrante ao estudo :
"0 teu coração compreende, os teus dedos têm a habilidade , a tua
" ahru, escriba d arsenal do faraó, diz ao escriba Panhem: E ta boca tem a capacidade de ler" (Br. J17) .
carta é levada a ti com e ce objeri o: não sejas uma pessoa in en-
saca, que não tem educa ão. Pa a-se o dia ensinando-te e e noite A de treza da mã na escrita é sinal de maturidade: educacional:
instruindo-te, mas tu não escu ta. nenhum en inamenro e age a
teu modo" Br. 305) . " Liberaram-me quando a minha mão stava hábil" (Br. J14) ;

. Nestes documentos aparece cada vez mais freqüc:ate , com base nc ta pelo contrário :
h1pó~ese e colástica do aluno indisciplinado , a práti a da puniçõe. cor-
porais: verba verbertbus ou "il verbo a s11on di nerbo" (ensina- e atra- " ão pensas em quem não é hábil de mão ?" (Br 319):
vés de punições) :
ele erá obrigad ao crabalhoc pe ado , do quai · o escriba e tá isento .
ao passes o dia na ociosidade, ou serás surrado. A orelha da
criança fica nas suas co ta e ela presta aten ão quando é surrada•· E ntre estas coletânea , uma no dá ao vivo uma descrição de mo-
(B,. )09) . mentos da vida escolar . a Jornada do aluno diligente :

O mesmo tema é encomrado n se text · "Vem, d screver-te-ei o comportamento do escriba quando se diz :
Depressa ! Para o teu lugar! O teu colega já e tão fixo no
"Oi eram-me que abandonaste a escritura e ficas andand Üvro : não eja preguiço ! Ora diz s: Três mai rrê . Ora lês
Deixaste a escritura e transformaste teus pé num par de cav Jo . , . diligen temente n rolo de papiro. Ora deves fazer os cálculo em
Teu ouvido é surdo e te tornaste como um asno que pr i a ser üéncio e que não u a a voz da tua boca. E reve com a mão
punido" (8,. 311) . e lê com a ; pede conselho. Nã seja negligente nem pas cs
um dia na ociosidade, senão, ai de teu corpo! egue métod do
te~ mestre, ouve seus eosinamento . Sê um escriba : Eis-me aqui! como num questão em que ped para dividir um pão entre cinco
Dtrás empre que re chamem. Cuida de nunca dizer: Ufa!" pessoas, de modo que os três primeiros receba m ete vezes mai do
(Br. 314 . que o d is últimos. O qu importava era assimilar, at ' se toma r um
automati mo, o algoritmo da opera ão: o exemplo tinha a função de
. Po~ém, na época ramsediana , o documento mais riginal e mai fórmula . ualquer rnciodnio , teoriA u justificativa lógica eram re.ser-
nco de informações é a Carta polémica do escriba Hori ao escriba Ame- vad s ao rau superiores d estudos.
nemope (papiro Anastasi T): um exemplo de retórica, nascido na escol Outro d cumento que no ajudam a entender a sabedoria c(pica
para a esc~la , que mereceria uma análise particularizada pelo significado dos escribas, que lhes permitia controlar uma complexa administração
~ue a anuga arte do bem falar teve na t radição egipcia. ma que é stotal sã os haroad Ono11uzslica, antiqüíssimos 1mcestr11js dos nossos
interessante também pelas informações qu fornece so r o e nt údo dicionários, u mdhor, das nossas enciclopédias.
da formação d um escriba. a r alidade, trata-se de um dos pouquíssi-
Encontram-se Onomastica n Egito e também na 1esopotârnia.
mo te to , talvez três ao todo, que nos informam sobre o ensino da
Parn o git 1embrnmo o de Ram és (1750 a.C.) e o de Amenópc,
matemática no anti o Egito.
"escriba de livros sagrado na a a da ida" (cerca de 1100 a .C ..
O e, c_riha Hori , ap6 ter exibido sua capacidade estilística, provoca O início deste último revela grandes ambiçõe cultur is e educati -

º. adverswo re pender a questõe de matemática, geometria , eogra- vas, prometendo um c mpéadio de todo o aber :
f1a , engenharia e ou tras. Temos aqui um exemplo vivo da cultura técni-
ca , e não mais _sapi~ncial _como outrora , que um escriba devia possuir.
Todas as ~~e t sao mwt concretas: cálcu lo das rações para os solda- "Início do en inam nto par ilumjaar as mentes, in truir o igno-
dos, dos n1olos para a construção de uma rampa, da mão-de~bra para rante ensinar todas as coisas que existem: aquilo que Ptah criou,
t:
u lt:vamameoro de um obelisco ou para o esvaziamento de um armaz m que Thorh copiou , o céu com &uos morovilh , a terra e tudo o que:
do abas~ecimcnto nece ária para uma expedição para a Síría e, final~ nela exi ·te, aquil que as m ncanha expelem, as inundaçõe irri-
mente, informações sobre numerosas cidades estrangeiras. gam, toda a coisas iluminada p r Ré, tudo aquilo que cr sceu
obre o d r da terra e tudo aquilo que f i pen ado pelo escriba
Qu_a nto ao ensino da ma temática e da geometria, além d papiro
da agrada e critura · na Ca a d ida , Amenópc , filho de Ame-
~n~sta 1, I tem . somente outro d is papi ro : o primeiro, de uso esco-
n pe" (Berl. 10495) .
las t_1co, e o pa~tro de Moscou, e o outro, de caráter técnico, é o papiro
Rhrnd. Os dois documentos mostram as tarefa práticas r lacionada
C?°'. a ~unção d escriba, ou mel hor, dos scribas e suas múltiplas espe- O escrito mostra em seguida que este saber uni ersal fundamenta-
c1al1zaçoe , que c mpreeodiam o cálculo da "uperfície do campos, se numa conce ção d universo real dominada pela exigência pr~ tica
dos_ volume_s dos armazéns ou dos edifícios, das instala - para a fabri- da vida da corte e, portanto, muito diferente das modernas classificações
cAçao_ do p:10, _das dosasens. paro a cerv ja u d s impostos dos súditos da ciências (embora se sai a que sra classificação, mil vezes tentada,
a sim por diante. O papiro de Moscou relata problemas rdativos ao mpre e reno a). Tra ta-se de uma listagem de pala ra • cada uma
cálculo de frações e de volumes e ont m, enfim, a avaliação do me rre : indicando uma r alidadc : são ao roei eiscen tos os termo que nos
chegaram talvez menos de um ter o do tex to original. Este, segundo
"Enconrrast e a respo ta ex ta". rdner, pode er subdi iJido em vária rubrica : 1. In1rodução . 2. Céu
á ua e terra. 3. Pessoas: a corre, ofícios, profis ões . 4. Lasses, tribo ,
Quanto ?º método,_ e~te pre cindia de qualquer indi çâ d s pres- tipos de seres humanos. 5. As cidades do ico. 6. difícios e suas par-
supo to ~eónco e e. hm1tava a fornecer algoritmo , isto é, exemplo tes, úpos de terra. 7. Terrenos a rícola , cereais e seu pr utos. 8. Be-
de procedtmento práacos com números simples, a serem r petido até bida . 9. Partes do boi e lipos de carne.
estarem decorados e para erem aplicado aos caso mais complex s: Esta não é a única Üsta de palavras-coisas. Existem outras coletâ -
neas com lista d ari pr du tos natu rais, minerais, vegetais e peLXes .
"Faze a im em todo os casos cmdhantes, como te foi ugerido Sua de tinação é incerta: e exercíci s de compilaçã ou lista d tribu-
por e te exemplo". tos. O in teresse não é tan to filológico ma de nreúd , isr é, são lista
de coisas reais e nã de palavra , como m no vocabul 'rios.
Mas, embora o conteúd se referisse a ca o concreto da vida
cotidiana, na realidad o exemplo tinham o caráter de arbitrariedade e
de absurdo que os exercício e colare con ervarão durante milênios I
6. O período demótico: testemunhos egípcios e gregos " ão molh o cálamo para ser n ·vo. O nariz do lbi:. é o dedo do
escriba. Cuida para não of od '-lo. O Babuíno senta em Hermópo-
o per{odo demótic ( 1 69-33 o.C. encontramo outros docu- li , ma seu olho circu la sobre as dua terra . ir alguém
mentos repletos de informaçõe e darecedora : trata-s dos habituais errando com o seu dedo , joga no rio o alimento dele" (Estr, 15) .
en inament s e, além disso, dos a bados rq ueoló i os, uc constituem
o material concreto d en inamem : trac s papiro . Já vimos esta in i réncia obre a técni a manual - d dedo -
do escriba e já a comentamo : ela id nlifica o caráter pr fis ionnl do
O E ufoa nento de (um ou tr ) Amenemope, embora inevi tavel- e riba e e idcncia , mai uma vez, o aráter escol stico e Hvre co da
mente repecindo o anri e quem . , apre enta alguma caracterfsticas sua cultu ra e da ua formação, e não mai piencial como da anti a
1,Jcculia1e:.. O CÍLufo- umáuo - "Inkio Jo c::J1bÍu1rn1c:11Lu J vic.la das
arte de falar nos con clb u para aplacar as mul tidões .
liçõe d saiíde ... " - j' define bjetiv do en ia de maneir~ um
A e ta inf rmaçõe provenieat s das fonte egípcia podemos
tan to diferente do antigo Ptahhotep, que não é mais o bem fala r isto é
ecresceotar o que mais tard a transmitirá Pin tão.
a ratória políti a pra ticad ati vamente nos coo elbo e na a se~bléia '
mas ' Pla tão, na Lâs, au picia qu gtegos aprendam de arirmérica
eg metria tant
" todas as regras de tratar com o grande e a n rma da pe soa 'quanto no gito aré en rm ma a das criança aprende junco
da corte" Br. 491) . com o prime.ir ruclimenc da escrita " VIT 819 b) ;

Trata- e não tanto de um manual do "político" , mas d um manual e se refere especialmentt' aos probl mas da omem.urabilidade e inco-
do ··cortesào", para u o de um jovem que, provemence de ela e ubal- men urabilid. de d grandeza . s ia iste, e pedalmen te sobre a me-
tcrnas, deve antes d tudo as im1lar o. co tum dos rande e pre- todologia do en ino no E ito, relatando-no um dado que, na verdade,
parar- e para a u rdina ã . Enquanto os en inamentos mais anti os nã apar c na fome · originária , tã cheias de te temunh sobre o
traçavam a vantageo da profi ã de e cüba, aqui tudo parece e tar cárater opre iv da didática e da relação pedagógica em geral. Ele diz:
centrado na recomendação - certamente antiga , ma aqui e du iva e
exasperada - da obediência da ubmi são . 'o rrinta canto u "Foram inventada porn n criança e refere
estrofes que compõem o texto, este tema se repete até o obsessão: ao d lcu lo, noções aritméticas a do jogo
e da diver ão; ubclivisão de roa ã e d as ntre um número
mai u menos grande de alunos, dando a cada um empre o m •
"Quando rras raote o teu uperior e teu di cur o ficam de c
mo número; ou di tribu ição alternada e suces ivamcot , cgu ndo
nexo , ruas adula ões erão retribuídas com afronta e tua li onja
a ua ord m habitual , do papd d lu tador ou pugili ta e rc pcctiva
com pancada Estr 11 ). Dize a verdade perante o nobre, para
re erva, acoplado em pa res para o combate . utros, após terem
que não e torne dono de tua ca eça Estr. 15) . ão fiques comen-
misturado em certo número de t ça de ouro, de prata, de ronze
do pão perante um magnata (Estr 23). ã escutes a conver a
e de utro metais , d istribuem t das c:ss taça para o jogo d
de um magnata na sua casa e n-o a espa lhe fora para urro
várias orma , ad ptand o jogo a aplicaçõe úteis do núme ros
(Estr . 24) . Não ofendas a quem é maior do que tu ... Deixa que
neces ário . I ro traz grande proveito para a crianças que apren-
de te bata , enquaat tua mão fico bre o pe.it ; deÍ){a que ele te
d m , preparand se , assim, para ordenar um acampamento, para
ofenda, enquanto tua boca cala : amanhã, se e tiveres na freme
gu iar em marcha as tropa , para c aduzir uma expediçã e admi-
dele! te dará pão à vontad . O ã late para quem lhe dá pão, p is
nistrar uma casa, tomand e h meo mai ati e mai útei a
ele e seu dono" (Estr. 27) . . .
si mesm s em qualquer campo. sucessivamente com as mensu-
rações relacionadas ao compri mento, à largura e à profundidade.
melhante inslst~nda ao menos em parte é nova, ou melhor, é a Des a fo rma a crianças crescem livres de certa ignorância, tão
exasperação de algo antigo. difundida entre os homens , sobre isas elem atares e que torna
Outro elemento f alizado nesse document é a hon tidade cscru- o homem rfdicul e ver nhoso" (Vll , 819 b-d) _
pulo a no cumprimento o próprio ofl io : aí paira a presen do deu
Thoth, sob a forma do íbis ou babuíno ; Citamos esta lon a passa em de Platão - que prossegue mostran-
do os casos d incomcosurabilidad de comprimento, de largura e de
profundidade até entã d ohecidos para o gregos, mas parece que é da ra, oâo parece ue a fu ndrum:ntaçã teórica dos conh -cimento co•
qu conhecid s dos egípcios - porqu le fala destas coisas como se as muns tiv os templos e mo cenLro de elaboraçã . A análise n s 1 va
tive e visto pessoalmen te ou uvid de testemunhas bem informada ·. a supor, porém, que às ela ses dominante coubesse, na juventude, a
uaor aos conteúdos, Platão no dá informações n vas e aceitáveis, tarefa da uerra e, na velhice , a tarefa do ulco e d:i cu ltura. E se a di ·-
ma quanto à did 'tica lúdi a e centrada na criança, e quanto aos fins tio ão entre homeo de armas hom ns da p3lavrn nã era clara e
de ta edu ação, os dado ão imponderáveis um tant du ido o . De relativa ?t ca ts , ma con Liruía, no inceri r da d a e d minam ,
fato , objetivo d tornar a cnonne ma a das crianças egípcias em omente um r ezamento de idades, é nesta ela e , cm ua tarefas
guerreiros, apto nã omen te a obedecer, mas também a comandar em religiosas ou I icais, que tem origem a elaboraçã de toda a cultura
= , cor responde m2is d o que tudo no costume ,b pli/ir 5ogrodo ou comum . ífo suposi ões, p-01:9ue , n:i verdade, s:Jbt> m m11itn
Mas podemos dizer algo sobre o jogo infantil: o ntigo no pou o a respeito.
transmitiu, am1vés d s achados arqueológico , tanto brinque como É Diod ro de icilia que também oo dá uma informação referem
r presentações de jogos; jum om as fon te literárias apresentadas e à instru ão da massa popular ba tante atendível , embora em indicaçõ s
o testemunh s i nográfícos eles podem constituir uma preciosa fo nte cronológicas, e que podemos rela ionar e m aquelas de Platão, já men-
de informações sobre os asp cto concreto da educa ão . cionadas . E le diz que :
.t precis , agora, perguntar qual teria sido, em er 1, mesmo com
a inevitávei oscilaçõe d tempo, a difusão da in crução na sociedade "O rcst da multidão dos gípcios aprende dos pais e dos parentes ,
egípcia. Platão, como ob ervamos, fala da difusão em massa do alfabeto; desde a idade inf nti l, os ofícios que exercerá na sua vida . nsinam
outras informações a respeito nos dará Diodoro de icíli a, registrador o ler e screvcr um pouqui nho, não a todos, mas àqueles que e
aten to destoe nod ins. dediOlm o um oficio" (T, J, 16 ,
A documen ta ã que h ·gou at nós dem n tra claramente que a
for mação de que falamos era des tinada xclusi amen te às castas d mi. T r3to-se, sem dúvida, de uma informação rica em implicaç - . Ma
names, aos nobres ou aos funcioná rio . Trata• e, portan to, ou da incul• ante de tudo é preci o csclarec r qu "o re t da mulcidã " compreen-
ruraçã ético-e mportamental do homem de qualidade ou da insttu ão de, na realidade , nã a t talidade d povo, mas só aqueles que exercem
profi ional do admini trad r do Estado. Atrás desta inculrura ão e de ta uma atividade ou arte. Existe, portanto, uma ou tra " multidão" de indi.
in tru ão de ia exi tir, em dú ida , um centro de elaboração da sabe• vi uo , aquele que nã têm nem arte e nem parte - como e co rume
daria e da paciência ou cultura, a nív 1 mai profundo e desinteres ad , dizer - , para quais obviamente não há nenhuma transmissão educn-
ocultado pelo empirismo prático. as toda a te-0ria ubjacen te a essa tiva, nem de t , cnica propriamente culturais ou imedi tamente produ.
prática, elaborada talvez br tud n templos pela castas sacerdotais, uva . e ta será uma constante da hi tória de rod s os povos. mente
Fos • ao n s. o ai n e: não sabem s como teriam sido elaborada a 'multidão" daquel que exercem uma arte. daqueles que conhecemos
base~ t~ricas e as di retrizes erai d c nhecirnento na sátiras do ofícios ou n s Onomastica, recebe uma instrução intelec-
geométric e a tr n mi . Diodoro de íciüa n dá , tual, i ·to é, um uco de leitura e de escrita , e uma preparação profi ·
idéia , quando escreve que si nal relativa ao offcio tradicionalmente exercido pela família. t
próprio ex releio profi ional , manual, imediatamente produtivo, que
''O sacerdotes instruíam s filh s também nas letras sagrada· exige um mínimo de conhecimento da in trução formal, indispen ável
m outras coisas que c ncernem aos conhecimento c mun , cuidan- quer para a uan missão d s onhecimentos científico-técnicos parciais e
do especialmente do estud da g ometria e d ari tmética" (I , J, 1). e pecialfaad s, quer para as relações ociais que o ofício, a aqui ição das
matérias-primas e a v n a d produto supõem .
De acord com este te temunho, que nã tem per pectivas croo - Quanto às formas de organiza ão d treinamento profissional ela
lógicas e, por is . unifica além do de ido a continuidade da hist ria estão d umencadas nã ta nto no · textos literários, ma principalmente
egípcia, existe um educação de casta dos sacerdote , que é transmiúda nos testemunho í n gráii o , que mostram os criança trabalhando
também de pai pa ra filh e que consi te na "letra sagradas" (,erà jun to t'Om o 11dultos, :iprendendo deste , no tr balho , a habilid des do
g_rámmata), que não tão claramente definida , e no " c nheám nto · ofí io. t Piarão quem descreverá com ·xtrema clareza este processo.
e muns", que não ão exclu iv s d acerdoL e difundido também É de supor também, embora nada teja d umeotado , qu a mul-
entre os leigos, consistindo esseocialmcotc nos ensinamencos cientifico• J tidã intermediária dos produ tores especializado (distinta dos im le
prácico . a djstinção entre letra ~ rada e conhecimentos comun trabalhadores bra ais), além da ins trução intelectua l e profis ional men•
1
cionada , recebe - também das ela se dominantes uma incuhura ã (ou
melhor, uma acultu ra ão, já que vinha de fora da sua classe) ético•
componamental, subproduto da cultura privilegi da. Obviamente esta
acul turação se exercitou, numa fo rma cada vez mais degradada, também
sobre a multidão d s ex luidos. De fato, numa sociedade dividida em
classes, todas a elas rêm us tum particular , ma , ntempo-
raneameme, re en te-se do inc nrra tável proce so de aculturaçã por CAP1TULO 11
parte dos dominantes : a classe dorrunante é sempr um demiurgo que
configura a sociedade t da à sua própria imagem e emelh o a. A educação na Grécia
A tradição dos "en insmento " continua depois da conqui ta grega
e da entroniza ão, o Egito , de um grande centro de cultura helênica .
abe-se, porém, que a ginásio, e mo entro da vida cultura1 dos gre os
em todo o ríente conquistado por Alexandre Magno, continua e
contrapondo no giro a "ca a da ida ", como centro da Lradiçã e sím-
bolo da ultura , ípcia .
a Gr' ia encontra remos, embora om cara rerí ti a diferentes ,
aspectos da ducaçã d anti o Egito, 4ue nos foram transmitido e
interpretad s por autores r gos como: Heródoto, Platão, iodar de
Sicllia. Encontruemos , 11ntes de rudo, a scparnçiio do [lõON'~ ns f'<lnrsi-
dvos segundo as classes s iai , porém menos rígida e com um e idente
d scnvolvimento para formas de democracia educativa. Para as classes
go emaotes uma esrola, is to é, um pro e so de educação separado,
visando pre?arar para a rnrefas do poder, qu sã o "pea ar" ou o
" fala r" (isto é, a política) o "fazer" a esta inerente (isto é, a armas) ;
para rodutore governados nenhuma escola inici lmente, mas s6 um
tr inam nto n trabalh cujas modalidades, que foram most rada por
Platão , são destinadas a permanecer imutáveis duraote milêni s: obser•
var e imitar a ati idade do adult no trabalho, vivendo com ele .
Para a ela .. t!xcluídas e oprimidas, sem arte nem parte, nenhuma
e cola e n nhum tr inamcnco mas, em modo e ·m grau diferen tes , a
mesma aculruração que descende d al to para a ela e subalterna .
A respeito, convém lembrar qu a di tinçã de dominante do-
minado , pas ada cm eguida para a nossa cultura, tem ua orig m na
escola pi tagóri a. Arquita de Taranto escreve: "Toda ociedad é for-
mada de dominante e dominad : p r isro, como tercei ro elemento
intervém a lei" .

l . As duas educações arcaicas


a) A educação homérico
o e falar da Grécia, s6 se pode começar com Homero, "o edu-
cador Je toda a Grécia" , como dizia Platão, ~ ele , aliás, quem su ere
n distinção entre o "dizer" e o "fazer", que propu
cri1erio interpretativo de roda a hi t ria da educaçã .
os doi s e rmo não estão em oposição e não indicam as opostas tarda ~ uma constante também a exclu ão do dominad · desta an
de quem o eroa e de quem produz, e im doí momen tos da a ão dos dominantes. mo o faraó, pai de Merikara, invesúa onera o popu-
de quem go e roa . Os indivíduos das da s dominantes ão gue reiro lar charlatã (meduti) , que ele definia como "lodo '' a ser eliminad e
na juv ntude e politícos na velhice, de que é exemplo o velh estor , m n o, varrendo até o u nom , também na Ilíada o popuJar Tersite
que, embora nã combata, e tá sempre presente no amp de batalha , é d scrit com um mau-caráter, "odio í simo'', onera qual Uü ·
dando conselhos e sendo obedecido (Tl . V[Il, 81 ). Pia rão, teorizando lan a inj úrias e pan da , porque ousou falar mal dos reis na assembléia:
sobre isso, projern rá u ma educação do gu rrciro , para e colher entre
estes aq~de que, na velhice , serão os ovcmantes-fil6sofos . " Tersites, lín ua confusa , embora arguto rador [agoretés].
Na embaL ada que os grego enviaram a Aquile (que e re rirara ala-te e não o loques o nom dos reis n:i , ,:i hnc-:i
sua renda), p.:;;:a persuadi-lo a v ltar ao combat , aparece tarn ' m im falou com o celr lhe bateu o peito e as costas . . ''
seu velho pedagogo Fêni.-x (uma evi dente interpolação na n:mação, ma ((1 . 246) ;
empre um mito mui t amigo , que evoca ua ação de educad r do
herói , desde sua primeira inf~cia até à participação na guerra de T róia: o pr prios soldado d o i tam Uli ses,

''E eu te fiz crescer, ' Aquiles, tã grande como a ora és, "que cort u o vozear daquele vilão insolente [Jobetér epesbólos ]
emel hante aos deuses, (!/, 275 ).
e te amei de ração, tan t que tu nunca querias urro
quer para ir a um banquete ou te alimentar em casa, Encontrar mos em nossa hi tória outros Ter ite .
ce notes u não t pusc se n s n tnr no meus joelhos
e não te s e s cados cortad s e: não enche se teu c p de vinho a Ilíada d Homero bá outros educad res, embota nenhum ja
E quantas vez molhaste minha túnica no peito, deramente definido orno Fênix. P átrodo, por xemplo, não é emente
esborrifando s bre mim o vinho em l a manha pirracen tas ! o amigo de Aquile , ma é antes de rudo seu "e cudciro' ', s as im pode
Assim , por ti J P n ei muito f diga e muitos ofriment s, er a aduzida a palavra gre a theràpon; ele, embora menos nobre e
com e ta idéia : já que os dcusc não me concederam um filho, meno hábil oa arma gu Aquiles, pode n entanto, a si ti-1 com a
por mim gerado , cu te considerava m u filho , ó Aquile , palavra (outra .vez !) e com o conselh (X/ , 786 , 789 ). E sa figur do
semelhante ao deu es, e cudei.ro ou theràpon pode ser encontrada como uma con ranre da
pars que um ia tu pud es me defender de uma ind ign m rte" educação guerreira, em épocas ainda mais looA!nquo.s na história . Da
(ll. IX, 85-495) . mesma forma, na Odisséia, a deusa Atenas , sob a aparência do velho
M nr r, e ~presenta ao jovem Tel2'm:l n, filho ele Lis es , com amigo
"Por ti me enviou para cá velho Peleu , fustigador de c valo , do pai e nas veste de theràpon, c nf rme o costume se undo qual,
aquele dia m que de Fthfa te enviou, ai nda criança, para na aus n ia o pai, os ami os assumem a tutela e a ducaçã do filho
Agam noo deste . A Ilíada também no apresenta o centauro Quíron , qu · não é
quando . inda não conhecias a guerra implacável , propriamente um cdu ador, mas um perito ou um mestre na medicina:
nem as a rnbléias, onde o h men se tornam ilustr s: Aquiles en ina a Pátroclo os remédio que Qufron lhe ensinara (//. XI,
paca ist atamente le me enviou , para que te ensinasse tudo, 830- 32); este é também um mestre dt: armas , já que a artes de médico
a ser orador de palavra e pcrador de for " ([/ . IX, 438-443) . guerreiro ·ão muit rela ionadas , até complementares: quem com lan-
ça fcr , c m remédio sara.
Fênix , opáo11 (isto é. companh i.ro) do velho Peleu é, então, nu tri- Estes educador arcaicos têm em comum al o de e rranho : ão
dor de Aquiles na ua primeira infância , emdhantc nis to aos nutrid - pessoas qu mataram ou tentaram matar e, por isso, tiveram que fugi r
re · g.fpcios , em seguida seu educad r nas pala ra (épea d con clhos de ua terras e procurar hospitalidade em outr lugar . énix, in tigado
e da as embléia política ·, e na çõe (érga) de guerra d urante sua pda mãe, tent ma1ar o pai por cau a da amante : " ntão, com br nze
adolescênd • . Com term emelhan te :i te d H mero vimos P tabh • a u o, tentei matá-lo ... " (II. IX, 458 ); Pát roclo, num momento de
tep ensinar ao filho a arte da palavra a ser fa lada n con elh e pernnre ira, ma to um colega de jogo: "Menêcio de ponto trouxe-me até vós
a multidâ . Como se vê tra ta-se d uma constante, ape ar da diver j . por tri te homiddio . . " (ll. XXIII, 85-86) . De modo parnd xal, e a-
dades s eciüca , na hi tória da edu ação das classes dominantes tament e te feito pouc promissores Lhe abrem o caminho pars a
mi ã de educador. Afinal , o grupo dos hebreus , que mal u 3 mil d ... lembra-te da minha exortação e crabalha , ó Perse , rebenr
seus irmão or terem cultuado o bezerro de ouro, nã foi promo ido divino, para que a fome te odeie e a gl rio a hooe ta Deméter
por J avé a edu ador do pov • formsnd a sim a carreira do levitas? te me e encha de pro isõcs os teus eleiros . . . Quem vive sem
Esta ·, então, nos mito antigo , a ideal "pro opopéia" d ducador. faze r nada, deu e e homens o rejeitam com cól ra. Ele assemelha.
Mas , m sempre, atrás do educad r human e · ond . e edu- se, no seu comportamenr , ao zangõe que em trabalhar con o-
ad r divino: atrás do levitas, Javé ; atrás de Fénix, Pátr cio e Quíron, rnem fruto do fati ante trabalho das abelhas. Procura ter sempre
os deu e Zeus , Po éidon e Mercúrio. E até o próprio treinament guer- boa on tade em trabalhar com r gu laridad e na ju t medid11 1 para
reiro é posto sob a proteção dos deuses, Laoto cm Homero com na ue teus cc:leiro estejam eh io da p rovi - que cada e tação
Bíblia, paro D avi. o livro XXII I da lliada , onde dc$CJ'cvcm O$ ferece (298-307).
jogos fúnebre em h nra de Pátroclo, velho tor :issim e dirige a trabalho nã é vergon ha, ver nha é a pr guiça . e trabalha ,
fi.lho Antíl o, dando-Ih con elho ame · da e rrida d cavaleiro : logo o preguiç terá inveja de ci , ao ver os teu ganho . Quem
ganha honestamence con egu respeit e onsid ra ã . Na tua situa•
ção o trabalho é a úoic.1 e isa justa d sde que dirijas o desejo do
''Antiloco, desde jovem ficaram amando-ce
teu ração do - bens do outro para ceu Lrabalho, provendo
Zeus e Posêidon e te tran mitiram todas s arres
por meio dele o teu u tento. b o qu te a ons lho (311-3 16) .
do cavaleiro.: oão precis s, portanto, que eu te ensine ...
(305). e o ceu coração d ejn riquezas, faze o que te digo : trabalha, tra-
balha , acre ce trabalho II era alh "(38 1-382) .
Tu, então , meu amado, de pcrta em teu coraçã toda a am:,
para que os prêmio nã fujam de ti" (J 1
tradição grega posterior freqüentemente contrapôs dois mo,
ddus ideais de educação. chamado " torneio poérico" de Homero e
E ª. :ducação como obra d · deus ' aparece tam 'm, na Odirséio, Hesíod , talv z um erácio e colar (d. Arist fane , A paz, 1.282,
p ra habilidades não-guerrei ras , porém mercanti : Aut lico, av· matemo 1.88 7), mostra o povo favorável a Homero e o rei a Hesíodo, que a sim
e Uli se vence . Xenófane de Cólofon, nos Sillos, lamentará que se tenha privi-
legiado demais Homero na educaçã da crian a , e Platã , como vimos,
"era xcelente entre o · more.ai lembra , com iotenções críticas que, apesar de tudo, Homer foi o edu-
em ladroeira perjúrio : foi um deus quem 1h deu esse dom , cador de toda a Grécia (Rep. X, 581c, 600 -e).
Herm ... '' XTX, 395-396); Assisce- e , enfim, a um conflito entre a duas tradições culturais ,
a d s aristocratas guerreiros e a do povo de produrore . A e se conflito
m:r, por on e, Aucóüco não dedicou à educação. se entrelaçará um outr que , com base ocial semclbante, dará origem à
polêmica entre a ex elência por nascimento e a excelência adquirida ,
A parte , p ré.m, educadores a a ino , como Fênix e Párrodo entre virtude inat as e virrudes aprendidas, eotre natureza e educa ão .
uiron é um centauro, metade bomem e metad cavalo, e, com vere: esce conflito aparecerá o desprezo dos espf.ritos conservadores por qual-
m , os cri tão e divertiram em zom ar da figura do educador. quer ascen ão da da e populares atravé da aprendizagem . P índar
zombará do mothó11tes, isto é , aqueles que ''sabem somente aquilo que
b) A educaçiio be iodéica aprenderam " ( emea, III : 42 ; Olímpica, II : 94-96), porque não t~m
A lenda de Qulron educador pertence à tradiçã cultu ral que tem virtudes inata . Lembre• e NcsLor a Aotíl : "niio preci a que eu t~
como representante ou tro grande p ta da Grécia antiga, Hcsíodo, can- cosin ''.
cor não da civilização her ' i , mas da civiliza ão agrkola . Em Hesíodo É uma polêmica comra a rran. formaçã da edu a ão guerreira em
têm origem aqueles Ensinamentos de Q,úron, gue constituem um patri• educação e portiva, que levará ao surgimento do profissionalismo e à
mônio de sabedoria e de moralidade camponess e que nirr,.~pnnrlPm inva ã deste campo, iniciaJmente rese rvado ao n bres, por parte dos
aos "ensinamentos " egípcio , m oporâmicos ou hebraicos. uito pou math6ntes, das pes as do po o e, afim , d escravo . Mai tarde,
~he ou até nós: omente quatro fragmen t autên ticos e alguns utros l:!squines terá de lembrar que
incertos, onde e encontra a ex rta ão de honrar pai cutar a ou tra
parte. O eu poema " O trabalho e dias" constitui um testemuoh "a lei diz que um escravo nã deve nem fazer giná tica nem ungir-
excepcional d uma moral d I rebalho, contra poderoso e os prepo- e nas palestras'',
tentes. Ele assim admoe ta irmão Perses:
porque estas eram cois s r er adas aos livres, ma a história correrá 2. A educação no período clássico: ginástica e música
neste s nrido , d tal forma 4u a areté , a virtude guerr ira de Homero
e de Píndaro, e tornará téchn , técnica adquirida nos j gos gladi atório . a música e na ginástici está ba e da, também no período clássico,
Ma também ne ta educação grega arcaica encontramos, mais ou a educação d cidadãos em reta sparta, con iderada durante mui-
menos integralmente documentada, a a ulru raçã (moral, religiosa, pa- to tempo m delo de políti a e de educação por todos s conservadores
triótica) a aqui içã da técnicas , sobretudo as do g vernar mas tam- gregos. essa ddades a educação era tarefa precípu d Estado: con·
bém as do produzir. As "p avras" e as "ações" de Homero e de Fênix fiada a um magi trad , o "pedônomo" ou le.gi lador par a infância,
reaparecerã na récia hi rórica como educação através da "música " cla nã e realizava isoladamente , como para Aquiles , mas coletivamente,
(mo«silcé) e da "girní t ic.J" (gymuastilcé): por mú ica en tende- a acul- nas tropas (aghélai) ou o s oras (choro, . Um erudito do fim <1n sr.m-
turação a pa trimôni id 1, trnnsmítido através d hinos religiosos e io IJ d.C., Pólux, lembra no seu Onomástiko 1 que , entre os d6rios,
mili tares, cantados em coro pelos joven (naquele tempo nã havia tran • i to é, cm Esparta, a escola era chamada choróI, o mestre choreg6s
mis ão e rita, portan to o vers cantado era nec sário para a memóri a (mestre do cor ) e o ensinar choreghéin (IX 41, 24 ). Através de ta
e a prática coral para a socialidade) , e por ginástica entende-se a prepa- iniciação coral e ocial efetuava- e a preparação d s adoles nte para
ração do guerreiro. É as im que as encontraremos definida vária ve.ze • s tarefas da vida adulta do cidadão.
em Pla tão. Desse me m tip , mas de caráter privado, eram os centros de
AJém da opo i ~o (;nm: as dua · paideiai de Homero e de He íodo, iniciação (thiasoi , também femininos , do quais temos te temunho nos
dos uerreiros e dos camponeses (que em Laerte têm um ponto em co- carro de ai uns poetas, como Álcman , para os dório de E parta, e
mum), historicamente o ideal da educação ioásrica sofrerá as críticas afo, para os e6lios de am .
t> li. npnsiç-ÕP. cfr• um nnrm i<1r11l , qn11n<1n f' m rnnfrnn tn 11n. árirtni ,m r- Junto llOS thíasoi, podemos. m n6n Ar SIS f'. rnllls <10. filósofos , es-
gir m no as forças sociai . Pfndaro ainda nã com çara (início do u- pecialmente na periferia helênica, da Ásia enor à Ma na Grécia. :É
lo V a.C. a can tar s venced res de Olímpia, quando , da mercantil aqui que nasce a escola de Pi tá •oras (século VI a.C.). u princípi é
ônia, o fundador da nova escola filosófica, Xenófanes de Cólofon (fim que fren te a bens não-transmissíveis , como a força , a saúd , a beleza,
do sécul VI a.C.) criticava (em uma elegia que n foi transmitida a coragem, ou rransmi íve.is, perd n o-os quem os transmite, como a
através de Ateneu, 10, 413) qualquer forma d atletismo olimpico; propriedade, os cargos, existe um bem que se rr nsmite sem perdê-lo:
é a educa ão, a paideía. Uma r flexão de grande relcvânci pedagógica
" De faro, tam ·m s alguém é valente d punh · entre o homen (bem compreendida por Dance, quando fala do sumo bem que " como
no pentado ou na competição de luta, e pelbo, um a outr entrega'' , muito freqüentemente esquecida por
e e sobre sai na corrida, que é mais apreciada, quantos temem a difusão da in rru ão): da abre o caminho para a con-
ou em toda a· exibiçõe d fo rça que há nos e mbates, cepção da educa ão d j vens corno "fundamento" da sociedade. Pitá-
nem por i to um e tado ozará d um •overno melhor; goras, n ent nto, lecionava seus disclpulo , além de ã base da fislog-
insigoiÜcante será a satisfação do estad , nomia, de que ele f i o primeiro a tratar, segundo su índole e capaci-
e lá à margen d Pi alguém triunfa na adéúca: dade . a ua cola distin uiam- e quatro graus: os acúilicos (ou
tud i t não nchc o frc da idad " (u u. 1.5-22) . acus náticos que tinham ace so à primeira educação musical , com
mito , ulm e cantos religioso , mem rizaçã de poe ias, instrumentos
A ste atletismo ele contrapunha uma habilidade diferente ( ophía): musica is, dan a e gioá rica (de ca ducaçã faziam parte também Hesío-
do e Homero); os matemáticos, que estudavam arirmética, > metria,
astrologia e mú ica; físicoI , que eram introduzidos ao e tudos da
"De fat , m lhor do que a força ,
natureza u filo óficos ; e sebáilicos , que eram introduzidos na ciên-
qu r dos homens quer dos ca alos, é a nossa bravura.
É errad dar valor a cudo i o, p rque nã é ju to
aa agrada e esotéri a.
antepor a I rça à ciência tão útil" (1111. 11-14 ). Estt:s thíawi e estas e col fjj sófi a ainda aão são e cola públi-
cas e, men s ainda, s las d Estado, embora escola de cultura e
Urna ciência úúl (ai( thé Iophío) : estam s a caminho e uma pro- educa ão fí ica aberta a t esteja nascendo u, talvez , já tenha nas-
funda mudança , e.m scmid democráti o, d idea.i educativ s. n ci- cido. Em Atenas, se atribuirá ao legi lador 'lon, ao iníci do éculo
mento da escola de letra , com a clifusã da cultura qu eJa implica, VI a.C., também uma legi lação sobr a escola: o rador :t.squines, cm
será o s u resultado mais considerável . um seu discur judiciário Contra imarco, lerá ipsis litterü ao juíze
do tribunal o texto destas leis (embora pare am uma interpolação po . dãos. Junto aos mestres de ginástica e de música surge um novo me tre,
teri r) , que ánham ido gravadas em e crita bustrofédica em tábuas de o da letra do alfabeto , grammatirtés, que certamente não tem a auto-
madeira no ano d .594 .C. e qu permaneceram expostas e acessíveis so ridade do escriba egípcio, mas exer e uma importante função social.
público durante cerca d quatro sécuJ . Sabemo que a escrita existia há muito cempo, especialmente para o
Ne tas leis falava-se sobre os de eres do pai : além d fazer apren- uso da admfoi traçá e ·tatal, mas conhecem momentos de quase total
der a ler e a nadar, prover a aprendizagem de um ofíci para os pobre , edip e. m Homero ela é testemunhada apenas numa única indicação
no episóàio de Proto que, expulsando Bclerofonte, acusado por Antea
e, para os ricos , a aprendizagem da música da equitação, além de "pra-
de tê-la insidiado,
ticar o giná ios, a caça e a filo fia" . AJ m di so, davam-se disposições
rdc::n:mc::s mais de p'rrn à escola , dcrerminando o Lnício e o término " . . . deu-Jh inai fun tos ,
das ulas, o número de alunos por ela e, a idade dos aluo , como tam- muüa palavras de m rte gravadas em dúplice tábua ,
bém as características dos ma i trad pr po to para a in rrução (Co ,. e o obrigou, para fazê-lo morrer, que a mostra e a gro"
Ira Timarco , JJ-)5), (Il. VI, 168-170 ;
Apó os exemplos de Creta e de Esparta, d thiaroi e da e cola
dos filósofos, e após as míticas leis de S6lon em Atenas, en ntnim s na mas, em ou tro lugar . os nove uerreiros re os di po to duelar om
mesma Atenas f rmas de educeção (hi ·toricamen tc nccrradas) baseadas Heitor, "assinalaram cada um uma sorte'': um sinal que aã parece
na "música", com o mestre de cítara (kttharirtés ) e de flauta (houlétes , escrita de palavras (J/. VII, 175-190).
e na ginástica com o pa,dotríbes . Estes sã os herdeiro bj t 'rico do a época de ólon sécuJo VI a. .) era praticada a escrita alfabé-
Fêni homérico. Mas embora ensinem em escolas abertas ao público, tica bustrofédica para a leis, que só foi abandonada no início de 570
:.ão 1:Ju1.11Jurc::s vrivaJu:, e nãu funcionários e tacais, como cm Creta e a.C. O novo uso da e rita djtundiu- e rapidamente etrav6 da escola ,
Esparta, apesar de logo a cidad int rvir instituindo a magi tratura pú- embora restassem bolsõe e ca os de analfabeúsmo: se no Teseu de
blica do ped611omo, que é o inspetor das escolas. Nas famílias encontra- Euríped s, um pa tor analfabeto de creve as letra de THE EU , qu o
mo também o "pedagog " : cl acompanha as crianças ' escola em público ateniense evidentemente tinha condições de reconhecer, Ari ri-
patte exerce a função· de me tre, u pelo menos a d repetidor para elas ; de , porém,, teve que e crever aum caco o eu nome para um cidadã
é um escravo e, em geral, um estrangeiro; mais raramente e s6 de modo "an fabcto e muit rude" que queria exilá-lo (Plutarco, Ar., VII, 7-8) .
remporário (isto é , até o previsfvel re gate), também um grego forasteiro, as a difusão da escrita atravé da escola deve ter sido rápida entre o
escravo numa cidade qu não é a sua. Também nisto parece perpetuar-se cidadão livre . Elo emrou no rol das "coi a ue um jovem li re deve
o d tino de Fêni.x e de Pátroclo, ambos fugitivos de suas pátrias , não onh cer" (l:.sqwn s, Contra Timarco, I , 7 : uma fórmula recorrente na
por terem sido fei tos e cravo , mas por lerem cometido delicos . Da mes- tmdição grega e latina .
ma forma acon teceu ao filórofo Diógenrs srr pertllgngn rln~ filho de obc-:;e com ccrtcz:a qu , dcpoi que Sólu11 Jc::Lc::nuinara a lc::irura
Xeníades de Corinto , de quem foi es ra,,o. E estamos já no século pública de Homero, prescrevendo que dois rapsodos o lessem " altematl-
IV a . . vamcnte, de mod que o primeiro paras e lá onde o egundo começava"
Di genes La 'reio, Lyc., 1, 57), cm meado do sécul VI a .C. Pisístrato
providenciou que o dois poemas fossem regi l r dos por escrito : sinal
3. A escola do alfabeto de um uso mai con ·olidado da escrita e, também, estimulo determinante
a sua difu ão posterior. A dcclamaçã de Homero nas Panatenéias, in-
Embora permaneçam firmes o c nteúdo e o fin da du ção (mú- troduzida por Jlipar (t 14 a .C. , nform relata Platão (Hyp., 22 ),
ica e giná cica, não apenas para o pouc s d minante , ma, agora, com deixa pressupor uma aprendizagem djfundida de Homer através de uma
o desenvolvimento da democracja , para tod os cidadãos livres) , um fato verdadeira la de letra .
novo intervém : aa ce a e cola de scrita. No antigo Egito vimos Emina- Quanto à data de na cimento desta e cola do alfabeto, que pocl •
me11tos, e ccitos ou mandados cre er pelo "vizir" pai e lido e decora- mos considerar uma das grandes guinadas na hjstória da h manidad ,
d s pelos filbos prostrados no chão · vimos , cm seguida, nascer a escola em vão se procuraram provas precisas e seguras ; se a escrita alfabética
dos escriba (e a e crita hieroglífica era tão complexa, que o escriba qu já estava em uso há rempo, ua transmissão cm formas e lugares mai
a dominasse t rnava- um homem de pod r) . Ma , na Grécia , com a ou meno in dcucionalizado como e cola certamente de via existir. M
escrita alfabética, urge um meio democrático de comunicação de edu- ,. os testemunhos escritos mais preci o começam a ser encontrado so•
ca ão, e a e cola de escrita se abre tendendonalmentc a todo os cida- mente no inki d éculo V a.C. e, como freqüentemente acontece , ão
indiretos e não-intencionni : calvez de n tícías trá icas. Estranho destino guerreiro de maracona, ala do pedotriba e do citarista, ma:; ignora o
da história da educação que ao leva a falar de educadores assassinos e gramático, do qual, em dúvida, alguns daqueles guerreiros (como ates-
de crônicas de desastres par ver nascer a es ola! ta Onésimo) já poderiam ter sido alunos. Ouçam s Ari t6fane , em
He_ródo10 onta em uas Histórhrs um episódio de 496 a.C ., um As nuve11S, ond o "Ju to " evoca a eduaiçiio antiga em sua discussão
ano cbe10 de desgraça para a ilha d Quios : com o " Injus to":

' aquela mesma época na cidade, ante da batalha naval (desa . "Justo - Mostrarei, portanto, ua i ra a educação anti a, quando
tradamente. perdida) , sobre um grupo de crianças que aprendiam cu, defendendo a justi a, cre eia e a sabedoria era norma . Exigia ,
o& letm& cruu o te to e, de cento e vin te criança:;, se salvou s6 uma" antes de tudo . que as crianças niio se ouvi em respirar. Além di so ,
(Vl, 27). toda as crianças de um bairro andavam bem di ciplioadas com o
mestre de música: nuas, nevas e denso fei to farinha. Ele ih en i-
nava primeiramente a cantar, sem apertar a coxas:
Uma rriste noticia um ato que desolou a desventurada cidade ·
ma para 06 é inf rmação atendível que no ano 496 a.C. e obviament; 'Pálades, ru tremenda ruína dos cidadãos . .. '
antes), naquela cidade (e presumivelmence em outrns) , ha via esc las fre.
qüentadas por muitas criança , ond e en inava não (ou não ó a cítara ou :
a flauta e a ioá 1ica, ma também a letras do alfabeto .
'Alto um grito de lon e aos cbega . .. ',
Muito tempo depois (no sécuJo 1T d . . ), Pausânias nta, m sua
trazendo aquele canto que nos foi transmitido pelos no o pais .
Descrição da Grécia, um outro episódio trágico, nes te ca desporti o, E se algum deles se fize e d palha o ou tenta e desafinar, com
do ano de 492 a . .: fazem hoje em <liu us l.'.r ia 11i;a:. <li:: l illt:) 1 apauLa11a Jc ~anta razão :
pelo ultraje às Musas. Perante o mestre de gíná tica, a crianças
"Dizem que Cleõmedes de Astípaléia, enfrentando- e no pugíJaro
de iam sentar com a perna e ti ada e fechada , para não mostrar
~om Icos d: Epidauro, matou-o no combate e, condenad p los a ve rgonhas à pes oas de fo ra. Quando alguém se levantava, devia
Juf.z s olímp1co à perda da itória por ter agido desonestamente aplainat a areia, de modo a não deixa r traços de ua adole céncia
enl~uqueccu de dor e, voltando a Astipaléia, en tr u na •scola ond: para aqueles que querem se aquecer ] a uele época, nenhum rapaz
havia umas sessenta crianças, derrubou o piJar que usteatava o se ungia abIDo do umbigo : na região das vergonha lhes florescia
teto ; e o teto caiu obre as crianças . .. " (V J, 9, 6) .
uma pelu em tenra, como a do frUto d marmelo. em fazer v z
frouxa, não ia sozinho oferecer-se ao amante, pi cando o olho . Num
Ma estes são testemunhos não de contemporâne s embora Heró- banquete, não ra permitido passar a mão na cabeças de rábano,
doto e_ teja baseante próximo do acontecimento que narra .' tâneos, po-
nem roubar o aneto e o aipo dos mai velhos , nem fazer- e de glutã
1éru, :.ao :.q~ur ~1m:111c:: 111 UJJ ' tc::su:munhu · icunugrá.ficos que e encontram
ou rir grosse.iramenre, nem pôr as perna ma obre a outra !
em ~gumas ptnturas de va os. Ela ''fotografam" , r assim dizer, a In;usto - Velharia , de antes d dilúvio ! Cheira a cigarras mofad !
atualidade da _escola que ~s pintores únham diariamente presente : são Justo - Dize o que quisereb: a minha educação é esta ; foi esta
vasos de n~1mo, d !)uris e d outros, que datam do início de 490 a .C. também a educação que receberam o guerreiro de Mararona . Tu,
Como no kyator em fig ras vermelhas de nésimo, estão represen tados
rém, aos j vens de hoje só en ·ina a e e ibirem de manto"
a escola de giná rica , de música e agora também a de letras, com 0
(vv . 961-985).
mestre, aluno que lê u e creve e até os instntmento didáticos entre
os ~uais o etcrn~ chicote (n~ rlex~ e o cest com um rolo de pap,iro -
o livro daquela epoca - ev1denctando cl31'1lmente o seu título : trata-se Aqui a inculturação religio a, cívica e moral aparecem em primeir
do Ensinamentos de Quíron (Kheíroflo bypothécai . E não falta o pe- plano ; falta porém , como seu instrumento, a s rita, grámmala. Tam-
da~o~o. Que assiste a criança e a acompanha para cas9 . bém numa outra comédia de Aiistófanes hoje perdida, Os banqueteado-
res, ond se tratava de dois pais que educavam de modo diferente seus
. Podem~s ntão dizer que n início d écul a.C. , ant da vitó- filh s, um à anú a e o outro mod rna, escava contida uma sátira ivaz
ria dos ateruense sobre os persas em 1ara1ona, já existia uma escola
da "nov educa -o••, a kai11e paldeusís .
de letras (grámmaJa) u de bê-á- Á, que é a progenitora direta da n sa
esc la , Devia ter surgid há pouco e talvez ainda não tiv sse encontrado O que é certo, por m, Aristófanes aperceba-se disso ou não, é que
o apoio dos conservadores , se é verdade o que o poeta cômico Aristófa- :1 culturaçã à pala rn da tradi ão ( épea) pa sa agora através das
nes, evocando cm A.r nuvens a educaçã antiga (archaía paideía) dos letras (o grámmata ): mudam o mei , ma o conteúdo e os ideai da
educa ão JX:rmanecem o · m "mo . M io éculo mais tard , Platão, pela isto · d e fazer e aquilo é proibido; e ela obedece de boa mente,
boca d sofota Protág ra , exp nte da o a educação retórica para "o rudo bem ; se não o dece, é endireitada com ameaças e pancadas,
dizer e o fazer as coisas da cidade", destac tá a continuidade desta du- com se fo um I nho urv e retorcido . · m eguida, entregam-
ca ã , n_ã~ só exa;a~ente ne ta expre sã (o dizer e o fazer , que recorda na a me tres , recomend ndo-lhes que cuidem do bom comporia•
a d Fem bomertc ) , ma também observand e pilei ram me que a menlo da criança mai do que do t:n ino da letras e da cftara.
sua arte é antiga e já fora praticada sob a máscara da poesia, das inkia• E dist cuidam especialmente os mesrres. E quando a criança já
ções e profecias, da ginástica e da música. É exa t mente a rec n trução começam a entender a letras, isto é, começam a entend r , primeiro,
que tentamos realizar. as letra falad e, em seguida , as Jeua e critas, sã colocadas na
freme, sobre um as nto. par que leiam os verso dos melhor
poetas, qu cont· muitos ensinamento , moita hi tória educa-
4. A carreira educativa e a didática tiva , solene elo ios e púbLi encômios de homens virtuosos da
antiguidade, e as obrigam a decorá-los para que a criança , por emu•
Podem~s, agora ,.~ mp,mhar toda ~ carreira educativa da criança lação, tente imitá-lo , vi.and em tud e tomar como ele . Os
grega a parur da Í m1lia entrar em seguida nwna e cola e v r mais de m tres de cítara, por sua vez , no que lhes compete, cuidam da
pert seus ensi namenc . Tomarem Ésqui lo como prime.ira testemu- Lemperaoça e se preocupam para que os jovens nã prati uem nada
°:ha, com a terna lil!ura da nutriz de reste , que agora já substitui a de maL quando já sabem tocar a dta a, ensinam-lhe o ver o
figura do nutridor mascu lino; nã c quecendo, no cotamo, que também de b os poeta melódi , adaptando tais cantos música da ótara
e e forçando por imprimir no espírito dos joven s ritmos e
em Homero eoc mra1nos uma nutriz: Euricléia, nutriz de Uli e . que
"o alim atou no seu p,:i1 " Od ., Xl . 483) e que Telêmac;u tbama as harmonias, par:t que e tornem mai mao e, tornando-se mai
eurrítmico e h ramnio ·u ', 1:: ju111 valt:.11lc:) uo falaJ e no agi r por•
de "avó" (Od, 11 , 3-1!>). Ouçamos, porém, as Coéforar :
que a iot ira ida humana precisa de ritmo e harmonia.
As crianças são n iadas também ao me Lre da ginástica, para que,
" ... o meu O rest s, o anseio de toda minha vida
e ado seus corpo m is f rte . obedL-çam melhor, como à voz do
que recebi do seio ck ua mãe e qu eu criei . '
r mad res, às boas disposi - s d,1 inteligência e não se tornem
E o andar para d e para lá nas noites em que eh rava,
fotalment covardes, quer em guerra quer em outra aç- , pela
e uani_.as outras lidas, todas viis, por ele
eu ofn. . . Ti e que criá-lo m um cabrito fr:1quez de seu corpo .
É claro qu esta educa ão é po sível especialmente o qu~ têm
que não raciocina - 11ão é assim? - el , uma criança cheh1
maiore po sibilidades, i t é, aos mais rico , cujo filbos com çam
[de vontades. a fr qüentar me tres em idade mais nova do que os outros e os
A criança ainda em fraldas nada diz:
5c cem fome, M: le111 :.ctlc vu :.e yut:r Íazt:r 1x1 ; deíxam mais tard .
as tenras entranhas da criança têru leis pr priu .
Após t r m cixado s m • tre , a idade os obriga a aprender a
Tudo tentava prev r ma , freqüentemente, ndmito-o, leí e a viv r cgund eu modelo, para que não se comportem se-
ficava nganada e tinha que lav11 r a fraJda gundo seus capricb s; ... Tamanha é portant a preocupaçã do
particulares e d E tado pela virtude" (Prol. 325 c-)26 e) .
lavadeira e outriz ao mc~mo tempo . '
oram tas , aJiás, as dua ra r fos d que me encarregou
seu pai, en1regando-me Ore t s" (vv 74 -760). Prim iro, pais, nutriz pc g ; em segu ida, a recente figura d
gramático; o ci tarista e o ped triba , em e las privadas aberta ao pÚ·
bLico ; enfim , a cuid3d ela cidade, a aprendizagem das lei , i t é, d s
t a vez d Platii , que assim no. f la por intermédi de Protá•
dirit e devere do cidadã . Es t é a carr ira educaúva na e la de
goras , do pai da natriz:
Atenas em particular e, presumivelmente, também no utras cidade .
" A partir da tenra infância e durante toda a vida, os pais educam e e t e em utr s 1álogos, Plat ao n informa melhor obre a
adm?Cstam seus meninos . Logo que a criança começa a entender, m todologia do ensin d sta n vn e dcm rfoca técnica cultural que
nutrtz, mãe, pedagogo própri pai fazem de tudo para que ela ra a ri ta alfabética , da qual nos diz que primeiro se aprendiam as
e torne quanto mai, ível 6Lima. Perante qualquer e isa que let a oralmen te e dcpoi · letras escri tas. Crátilo, por exemplo,
~I~ faça u difa , a _ensinam mo trand -lhe: este é iusro e aquele é diz que prim iro e r ci tavam os nomes da letra (stoikheía) , não as
IOJU to, e te e bontto e aquele feio, este é santo e aquele ímpio, próprias letra , ·ccto quatro delas, a E, a Y, a O e a n ômega)
(393 d-e) . E no éculo l a.C., Dioní io de Halicamasso nos informará Qu oco ao escrev r, ai m da n ta de Di nfsio, Platão , no me mo
obre a persistência d ta didática: ProtágoraI, confirma um metolologia an Ioga ;

"Quando aprend mo a ler, ap nd mos primeiro os nomes das " Os mestres do alf beco , às criança que ainda não sabem escrever
letras , depois suas forma e s us valores, em seguida as silabas letras, dã a prancheta encerada após terem era jado nela as
suas propriedades e, enfim, as pa lavra e uas flexõe . Da(, come- 1 tra m o e til , brigand -as, em eguida, a e crever egujndo
mo a ler e a e crever, de início lentamente, Haba por silaba. o traçado ... " (J26 e).
Quando, ~o d vido pr~sseguimento do tempo , a formas da pa-
lavras e ·t1verem bem ÍLXa · cm n a mente, lemo com agilidade Jâmbli o n s falará também da criança não-in truída , qu jogam
qualquer tcx t propo. t , em trope ar, om io ri cl rapidez e fa. as letras ao acaso, md1cand a ex1stênaa de uma metodologia que em-
cilidad "(Opuscula, II, 4-16 · 193 ). prega a cara tere. m vei e mar im ou madeira .
Enc ntrar m outro te temu nh s semeJhantes continuando nossa
E te método, de tinado a durar por milênio , é comprovad também viag m pela hi tória.
por uma pas agem da curio a Tragédia gramatical G rammatiké Jra•
goedía) , de um autor at niense da metade d século V a.C. que nos foi
mm mitida pelo retor Ateneu , em seu o/istas em banque,::
5 . O conteúdo e os fins da educação
"O ateaien e álias ez o mencionado e petá ui gramatical, dis-
pondo-o de ta forma : o seu prólogo é constituído pela letra d ári e faz., ag ra, indagar com maior pr fund idade . obr
alfabeto e é preci pronunciá-lo lerra por 1 era eparndamenre e os cont údos do ensino " musaico' , que , para s afortunados que con-
terminá-] olrando a alfa: ' únuavam os estudos, culminava no "djzer e fazer as coisas da cidade".
Alfa, beta, gama, delta, e a e d deuses, E talvez., além do dizer e d fazer, d veremos também f lar d pensar.
zeta, ta, teui, iota, apa, lambda mi, ta é, de fato, a proposta de P latão, apresentada em uas Leis pelo
ni, psi, o, pi, ro, igma, tau e a y, Ateniense :
e ei aí o fi e qui e do psi ao ômega.
o coro da mulher , juntando duas letra cada vez, é em versos " Aunie11se: ntão? Podem aplicar e te me mo di cur a tudo
e antad desta ( rma : aquilo que há de importame? Podemos dizer, então, que aqueles
Beta-alfa ba , beta-e be, beca~ta bee, beta-i ta bi, beta-o bu , beta-y ue serã o v rdadeiro guardas das leis de,.em ter um conheci-
by, beta-ômeg,a bo; e volta ao início da anrístrofe da melodio e d mento verdadeiro de tudo aqui ] que diz respeito à mesmas leis ,
riem. : gama-alfa, gama-e, gama-eta , gama-iota, gama-o, gama-y , ga- devem er capa1e de explicá-las através do discurso e através das
ma omega; e e m cadtl uma da3 outra, ílabu todos f zcm a m sma obra co perar concretamente para os conh cimentos adquiridos,
coi a quanto metro e à melodia . . . " (T, 453 e) . sabendo jul •ar o que por natureza é bem-feit e o que é malfeito? "
(XII, 966 b) .
Após o coro, introduz novamente diál go da 1 tra que in i t m
em recomendar-se reciprocamente para pronunciar eparadamente a le- " oahecimenco", o "d i cur •· e a_ "obra " (eidénai , lógos, ér-
tras, isto é , em última instância, escandir e silabar. Obs rva-se também gon) olearão no decorrer dos s ' ui . dando até lugar, n latim da tradi-
que a e, o y não têm nome , com n Cráeilo d Platão. ção cristã a um jogo d palavras qu assumiu um valor emblemático :
Essa fie u end0, p r milénios , a técnica do ler; e se entende qu ratio, oratio , operotio ; e enrrarii como termos da pregações e como e.lc-
e tornasse bábito ler, empre e em qualqu r lugar, em z alta orno m nto do cateci mo e da liturgia. Platã , naturalmente, era mais laico
erá e nfirmado n decorrer d s séculos. Isto é refer ndad também pre cupava• m a fun - 'S d g v rn.1nte, qu numa época "filo '•
pel_a len~a de Acônc:i de Quéo , que, enamorad de ídipe, para liR:i-la fica" como a sua unha a obrigação de compreender, não somen te os érga
a s1 em J':rament , •oquaato la estava no rcmplo de Ártemi , jog u-lhe e os épea, ma também o eidbiai, i to é , o pen ar .
uma maça na qual escre era: "Juro por Artemis que des sarei Acôn- Procurand ntre ' te emunho mai antigo , poderíamo · citar ,
cio" · e a in truída donzela, tendo rec lhido a maçã, leu, escandind como em J rimeir lugar, o Tornrio de Homero e Heiíodo . Estamo na época
na escola , pr nunciou juramento e t ve que casar m ele. Num dos anterior escola dos grámmata ; mas os prova daquele tomei quase
Carmina Priopea se falará "da maçã na qual foram escritas as letras de parecem aos xam s escolares, com perguntas s bn: m ral , literatura
Acôncio e a d nzela, por tê-la lido, lhe foi ligada em pacto " (XVI, .5-6). e história ; por exemplo, o que era melhor pera o homem , a recitação
mm:mônica de versos, o número dos gr os em Tróia e, nfim, a decla- se propõe a int rvir nesta tradi -o para adequá-la às suas ex1genc1a
mação de ver próprios. Lembram um pou a cli putas entre s ideai , até mai , retend • 1d quar a estes ideais a própria constitujção
es ribas egípcios. da cidade e tod os aspecto de ua vida , da pintura e ornamentos à
1a era da e e la, e te en ' inam~tos se definem e e cristalizam urban1 rica , m suma, aquilo que é pantakhofJ (" tudo quant há m
eis aéi, para sempre, ou _pelo menos at! hoje. qualquer lugar"). Est c n epção d pantakhoú , isto é, da sociedade
Diógenes Laércio, em suas Vidas dos /ilósofos , indica claramente como um todo que educa, é, talvez, o elemento mai novo e car terí ti-
esses ensinament s, a propó ito da atividad edu tiva (na r alidade, co de roda a pedagogia platônica, muito aJ m da interpretaçã da música
do pedagog rivado e nã do me tr d escola pú lica) de Diógenes, e da giná tica .
o ínico. já mencionado. junto aos filhos de X nÍArtl" ele- r.nr-in rn , rln Depois ele e volta a ces tema r projetando tudo novamente, a
qual se tomar escravo . partir do a ilos e do cacálo o das di iplinas que ajudam na elevação
do espírito. sra são arirm ' ricas, geometria e estereom cria (da qual se
" ... ele educava os eníades, além d outros ensma- começava a fa lar), astronomia e harmonia mas todas pensadas não p ra
mento a cavaJgar, a cirar m a:rco e com a funda, arrem ssar fin práticos, mas para fins de prom ão, elevação (epanagoghé) coo-
os dard s; na alestra, não o ntregava a pedotriba para que se ver ão (a11astrofé) do espírito, para atingir a di cipüna uprema, a dialé-
tornassem atletas mas somente para adquirirem colorido e vigor. tica ou filosofia , da qual toda são simples premissas propaideía) que
a rian as aprendiam muitas coisas dos poetas, do pro ad rcs prescinde de qualquer elemento sen itivo . Esta é a ptTideía dos filóso-
e do própri Diógenes ... " (Vf, 30-31) . fos (Rep. VII) .
~ sint mád o que Placã ign re e m d agrada não citá-lo dire-
O "outr ensinamento " (tà /oipà mathémata) são ob iamente tamente) tà loipà nathémata, de que fala Dió>en Laércio, ou im-
a i11idu1yãu à lc::icura, à e crira e às contas, a ompanhado , como mstru- ple mente o ubcnt nda : ele também não tem simpatia pela es rita,
ção intelectual, da leitura de poeta · e prosadores, e também de "fil o- c mo qualquer espírito ari cocraca.
fo ", pelo m n s os d tipo de Dió ene . Esta educaçã in tdectual é Ari tótele.' , p r ua vez, apó ter falado lon amente da funções do
inseparável de toda educação física, à qual se acrescenta ainda a caçada Estado, da e u çã para a artes e d ~ treinamento d escrav , distingue
c m os cães . Aliá , esta educaçã f( ica tem então quase signifi ado d o que se faz para a ucifüa ão (chrê is) e o que e faz para o conh i.rneoto
um privilégio, c mo veremos , r ervado aos aristocratas. (gnósis) , distingue razão práti (/rónesis) e razão teórica (so ia), ativi-
m projeto educativo or ânico , ba ad cm grande parte no cos- dad.: (ascholázeín) e i (scholé ). e ta ba es ele analisa a educaç.10
tumes corrente mas modifica o em vista de um idea l de renovação, será exi tent , discutind a qualr di cipli nas já con lidadas na escola :
encontrado cm Platão ; em Aristótele , pd conrrári , ncootraremos gram:íiica, ginástico, mú ica e de enh . mo se vê, as letras, esqueddas
uma de rição e uma interpretação dos costumes correntes, nas quai por Platão áqu1 são regi tradas em primeiro lugar: Ari t ' teles , em seu
.i inti>n lín rrfnrm dora ser:S mfoima, mas a tentativo de sfott'maeiz.o.r e realismo, não pode ign rar o fato. que importa é que, 110 ~cu 11:cxa-
interpretar a prática ducacional será significativa. Relatar aqui, inte- me, ele exclui, na educaçii do livre , toda disciplina que objetive
gralmente, o projeto platônico e o pro rama aris totélico é impos íveJ : excrdci profi ional: homem li redeve visar a pr'pria cultura.
só daremo algumas indicações. Platão pane da divi ã social do traba• " ã par ofkio ( téch11e] mas para a ed ca - [ paideía] ", já
lho e de seu resultado hi tó rico na pó/is, ond os guerreiro aparecem di er Platão , concordando nisto com Arist 1eles.
n fim com produto remédi da corrupção gerada pela própria pólis.
Ele pen a especialmente na ua educação, ou m lh r, na educação dos a , além da uropi a pl tônica e da reconsideraçã ari tot 'l ica , um
t rc iro caminho vinha c delin ando n ponto alto dos estud s, aber-
cidadãos como uerr iro , a p:inir de uma sele ão dos mais aptos. Para
edu i{-1 s, ele diz que , c já a 10do os livres . Expoente teoriz.ador d te novo caminho é
I 6cratcs, hcrdeir do ofisca , para o qual a educação "p ra dizer e
" de certo modo, não existe educação melhor do que a antiga ' o fazer as coi a da cidad " consiste na instrução oratória e na retórica,
(Rep . II , J76 e) , a arte de fal. r ,m público no~ consdh s e nas nsscmblélas: um11 defin ição
riginal e durad ura daquele que, antecipado os termos de uintiüano,
baseada na música e na giná rica : mú ica significo as trndições práticas, chamamos imtrtuflo oratoria em Ptahhotep.
contida n canto das nutrizes e n carrnes dos maiores poetas, por• A arte da pAlavra, o mstitullo oratorto, se tornará de fato o con-
tanto, literatura em música ; inástica significa modo de vida (diaíla, ceúdo e o fi.rn da in trução grega, a im c mo tinham começado a en i-
dieta) próprio do uerr iro, que dispensa médicos e advo ad s. Platão ná-la os sofi t:t ór ia ' , Pr tá ras, Pródic , Hípias e u tidemo, e tes
ativos imerloculores de Sócrates nos di 'log s platônico . A les se costas para cima, cnquant um lerceiro, sob a ord ns do mestr , a cni-
eguirá a fileira dos orador , proíi i nai da palavra fal da "no con- cot ia (Taça átrca de Melboume 1644/4, de 450 a.C. ; o mesmo numa
selho e nas as ·embléia " , d rct re~. mestre d ssa profissão, dos gra- gema greco-romana, Berlim- riental, n." 6918 . umerosos textos e
mátic s, fi lólogos, filósofos no s fi ts , para os quais as quest- (ragment s literários demonstram isso também . E rondas, no mimo 1m1-
das palavras (h je diriam de lingüí ·tic\ ma lambém de eloqü'n ia) tulado "O me tre" (D;dáskalos mos tra uma des tas cenas, onde a mãe
e tomam a cultura por e. cdcncia. da rian a rebelde olicila que o filh eja fus tigad :
Nã é m acaso 4ue n sé ulo a. ., Górgia tenha ido autor de
um 011omaJ1iko11 e que, indicand coniinuidade do interesse pelos "Lamprísco (Me tre) - uthie, 'rnlo, 1lu , onde e tai?
"nomes" ou pal vr s. encontremo , no éculo TI d . . , m ucr Ono- (Depressa!
,,,astikon , em dez li ro · d<! P'lux . Este é um abulári , u melh r, Levantai e tal obre as co tas, p:ira mostrá-1 à lua cbeia.
uma riquíssima listagem d• palavra , como umas rie cl sín · nimos e de ão somente vai jogar dad , mas fr qüenrns rnmbém
famílias de palavras organizada de acordo com o seu encido, na qual a escola dos malandros, jogando a dinheiro.
podemo enc nrrar muití simas inform -e , se não obre e c la e o Tornar-te ei mai humilde
0 que uma donzela,
en ino, pelo m n bre seus nomes. ro Livr IV ele trata da virlu• em que te fas te da esc la nem ma i de um palmo.
de , dos vícios e da form3 d aber, e se uir da ramática, oratória, nd tá in to de couro Onde o nervo de boi
filos fia , sofI ·tica, poesia, mú ica e eu · in rrumenr dança , atorc , para punir aqude ue fogem e ão de ordeiros?
teatro , má cara , a tronomia, geomccria, aritmética, agrimensura , rn • Entreguem-me log os chicote ntes que eu exploda de r a.
di ina. ob o verbete graumatist s segu · uma lista de dezenas de CótaJo - Rog te , uplico-te , Lamprisco, pelas Musa
homôojmos e in'nirno , obviamente intraduzíveis . Lembramo aqui e ce não me balas com o n rvo heio de nó , procura um o tro.
documento pun:1ue :.ua fu11to :.ão amiga:. (além do 011omastiko11 d Mc:stre - Tu é um malandro, 6talo, nenhum v ndcdor d
órgia , a História do Teatro de Juba, ao qual r correram outr s ábio [escravos
de seu cempo, com Plat:irc ) e porque e t~ ba ead em fatos e pe oa pode.ria elogiar-te para te vender, nem
dos s'culo 1-IV a . . Além di so, da mesma forma ue no Egito e na para te enviar àquele lugar da terra, exi ti e,
esopotamia, o us escolar destes onomastica é muito provável, Je modo ond o rato e mem ferro.
que nã podemos ignorá-! . C6talo - Lampri co, p r favor , 4uaota , quanta chibatada me
[ vai a sentar?
Mertre - ii a mim , pergunta a ela .
6. Os docentes: rammari tés, rammaticós , rhétor C6talo - Mãe, 4u ntas chibatada me vai dar?
Mãe - e de o viver por ti,
Voltemos . e col:i ,. aos -:t>11, p t> r~om1erns , e m ando pelo m n s rnnta quanta teu couro ruim pode suportar!
ilustre e mais ara te í tico o grar11 nalislés, o me tr d bê-á-bá. Cóta/o - Pára! Chega, Lampri co!
A mecanicidade mn mõnica e a len tidão exasperanle no ensino do Mãe - cambém tu , pára de fa.zer malandragen l
alfabeto, de crita r Platã , Oi nisio d Halicarnas o Cálias, repro-
Cótalo - n vou mai fa.zer isso, juro!" (!TI, 59- 0) .
duz , talvez, mét o de " a i rir e ob crvar ante d come ar" , qu ,
se und Platã , é próprio da apr ndiza em artesanal (também o das k Cenas análoga p dem ser lida em outro autores de todas a épo-
tra ' uma aprendizagem) e talvez , pcrpcrue o velho e m li a en in ca : c m e.m FiJóstrato, qu de revc pedagogo sentado ao lad do
da e crita não-alfabéticas. orno os demai arte ã s do démos, o me - discípulo, repreendendo-o, mostrando-lhe II vara acudindo o chi ce
tre ensina a s seus di lpul -aprendjze numa sua " loja·• da rua e à (Vitae sophist11mm, II, 21), ou m Temí ti , que irma que os me tr ·
mecanici ade do n ino acre cema o rig r da disci lina , fr qüentem me medem os golpe de Rcord com a capacidade de pag r de seus ouvint
na b e do chie te. Embora as lei de ól n pre crcvc s m (Or. XXI p. 261) .
A iro c mo n literatura fpcia hebraica, também na ltt ·ratu ra
" O escravo não bata na cri 11 n a livre" , e na arte grega exi tem ce temunhos de m · trc surra o pel di.dpulos;
e, conforme a boa cradição qu rcm te a deus u aos deuses t o o
chi otcs e varas, com entr ·gípc10s e o h brcus, eram o m io prin- ensinamentos, também aqui o primeiro exemplo é dad pelo · deu ·e
cip:il da in tru â . Pinturas de vasos provam i to : o cole a seguram, ou enú eu e : llérack , a golpe de cadeira , mata eu mestre de
pel s bra o ' e pelas pernab, a criança a scr punida, 1 vantada com as mú ica, Lin , irmão Je Orfeu (Taça de Dum, Munique , n." 264 , de
-1 O a. .). À prova iconográfica de Duri e uem- ·e a pro as escritas, Não coques no menino: de se ompono orno um valence' .
mais rec te , de Plurnrro e Luciao , por exemplo. Plutarc { la d Vai -se o me tre, cobert com uma ve te en ebada como uma
meninos qu se abam de bater no pedag go (Lyc ., 30, 7) e Luciano, [candeLa,
o s Diálogos, voll.8 várias vezc ao assumo (O sonho, ou A vida de Lu- para sa, apó ouvida a enceoça. E como pode nes ·as
ciano) . \ [ ndiçóes
Ma o te temunh mai
circunstanciado estava em enand xercer um mestre sua autoridade, se ele primeiro é
0-1 -291 a.C.), ruja comédia rdida, Báquides foi lívr meot parn• [ ca ti a ? " (Bacc. 420-448) .
ra cada pelo cômico romano de um s' 1 posterior, Plauto. c na ,
a.Mm de conter os doi S['f't'lfl. fb inlrnri,:i Prl11rMiv,:i - a ri mestre l .ydo jií <:P q11Pill>1r>t porrJltf' n mPnino, em vez de chamá-lo peda-
ou pedagogo comra o discípul e a d discípulo contra o pedago110-me · gogo, o chamou pel n rn , mo se fosse um escravo omum. De foto ,
tr - , ev a, mais uma ve2, a disputa enrre educa :io antiga (archafa e cravo~ estrangeiros, pri íoneiro~ de uerra, eram sempre o pedag go
paideía) e a nova (kain' pafdeusi , que vim em Ari t6fon ·s. • cm casa como ter muobam cu · nome (Lydo, Dava, iro, Trácio t .);
mico . d fot , ão f r qüent m nte s principais testemunhas dt1 vida já mestre de scola ão grego ou pe as li r , qu · xerc m um
escolar e da relaçõc educari as. Eis um di:ílog entr, dai escra pe- ofício com urro , e, no en tamo, confronrnrmos esta com arnçii enire
dagogos. Filoxeno e Lydo : a velha educa ão e a nova om a de Aristófanes , de doi século· antes,
deremos usufruir das eternas saudade · dos conservad res e cambém
"L1·do - Mas tu, que sustentas a causa de um filho tão corrupto, c n rawr o qu nto mudou a escola. Ari tófao nem falava das letras
· recebeste, por acaso, a mesma educação quando eras e Mcnandro col a em primeiro plano, ao lado da educaçã giná tica ,
[ dolcsccote? a importância até de uma única ilaba . Aqui parece qu toda educaçã
Tenho certeza de que aos vinte ao s ainda na podias fl ica s reali1.a fora de a a, n gimisi , nquanco a educaço literária,
air de ca a e levar teu pé longe um dedo do teu peda o o, pelo menos a inicial , é desenvolvida particularmeore, com o pedagog
E se acontecia icava de mal para pior, porque em ca a. O menino freqüentará a escola externa num segundo momento ,
discípulo e mestre eram julgado m u . e r6 o e la do grommatikós .
nã tivesses chega o à palestra antes do nascer do sol, De I cena dos Báquides d Menandro-Plauco resulta que a postça
receberias uma puni ão não pequena pelo prefeito d ginásio. ocial d mcsue certamente não era de grand pre rígio, embora cja
Ali te CJ ercic a , nã com mulhere e entre lascí i , necessária uma distinção entre os diversos graus: o grammatistés, o
mas na corrida, na luta, na lança, no d.isco, no pu ilato, na grammatikós , o rh étor.
[bola e nos saltos. Em era.l, o ofkio de mestre era fkio de quem caira em de -
Ali e passava a adolescência e nã em lu ar s scoodidos . gmça (como no exemplo de Dionf io de iracusa ) ni to parece perpe•
E ']li, ndo d . hipMmmo n11 ,h r ~IP. tr nlr v,u: p,m, r::i . , I UIII· "(! O <lcsli11u U<: reuix C Piíltudu. Ma,~ t:/liHIUJICJI LC : c11ue li!> téchm1.,,
Vc.srido e m uma 1uni4uinha, enrnva. numa adeirinha ao os ofícios ou profissões "artesanais", esta téchne intelectual em ger
[ lado do mestre; aão era exercida por homens do d mos, em cuja famílias o of íci pa . a-
ao ler um livro, e erra es uma única sílaba, va de pai para filh , ma por h mens de classes cu ltas que por desgra a
o cinto d mestre e te.ria manchado (do reu sangue) tiverum que descer na escafo social. caso real de Dionfsio de ir.,cusa ,
como e manchava avental da tua nutriz. além d risco corrido p'Jt: latão, feit esera o quond voltava da ici-
Ftloxeno - Mas, L • os costuro s mudaram 1 lia, e o.firmam i s . Ma não faltam outcos exemplo .
L o- u ei muito bem disso:
Dem ' t n ( De orona, 12 9 a 2 58) censurará r pecida e maligna-
Outrora , de faro , só graças ao voto p pular reria alcançado
[um carg mencc a seu rival squines aquilo que o própri ~squines testemunha
antes de dei.·ar o mescr e ua. pala ra com amarga veemência (Contra Ctesifonte), isro é , que o pai, em de-
Mas, agora , não tem ainda ·ec uno e e lhe encostas a m~ orrên ia do grave acon tecimentos da Gu rra do Pelopone o, foi bri-
lo o o menino quebra a cabe a do pedagogo com a tabuinha. gado a , rvir como mestre na casa de Élpin, tendo o filh c mo seu
E se sre vai rcdamar c m o p i, o pai assim diz ao menino: as istence. Do fragm nto de uma comédia compro a•se também qual o
'Tu és digno de mim , já que és capaz d te defenderes das destino dos prisi neiros d guerra , inclusive de gregos entre re os (tra•
[ fen a '. ca- e de pri ioneiro atenienses) :
E o pedagogo é repreendido: 'Ei, velho de quatro cent v ,
" u morreu ou ensma o bê-á-b ·. Daqueles que combateram e m então, um renascimento d toda cultura ~ b o oitavo do Pt lo-
icia na icília ai uns m rreram, outro foram f i10 prisioneiros meu que dominaram o Egito, depois de Alexandre. E se Ptolomeu
e easi'oarum :1 letras ao · filho d · sira anos" (Zenobiu; , IV, 17). oi justamente h m do p I s alexand.rio maJfeito r. Ele, de
'81 mandou degola r mujco alex ndrio , desterrou muitos da-
também a perseguição qucÍes que eram ainda jovens durante reinado do irmã e encheu
re e Lucian falando as linhas e as cidad s de gramático , filósofos , geômeu as, mú ic ,
no Hades: pintor ·, mestres de giná ti a, médicos e de ~u itos oull:os pr~fi. ·
i nai , s quai~, apenados pela po reza'. en ma am ~u1tas 0 1 ª,~
"Ma ach que teria · dado maiore risada ajnda, tive se i to que sabiam, ducando de sa forma muJt homen 1lustr ...
aquele 4ue enire nós eram berano e átrapas , praticsr~m entre (8)) .
de o mendicâo ia, v nderem ·ixe por pobr za u ensinarem
bê-á-bá e erem in ultad e esbofe1eado pdo primeiro com que Pois ' o aminh d ultu ra são infi nitos : entre eles, as per e-
topa sem, como endo os mais abje10 de I os o escra os" (.Me- gui - es polfticas. É tri rc, porém, coo L 1ar que, se s ábio ensinam ,
nipo, 17 ). não o fazem por mis ão, ma · om nte para scapar à pobreza. s
entido, devemo nos d t r um pouco sobr a po ição social de quem
O me trc rnm pess a decaída, om mendig . De faro, embora al- ensinava . Um testemunho rar ío de PluU1rco pode ser d:treccdor:
uo profe sore de alto nível , omo por exemplo Pr tágora_s, chega~ em fa lando d Roma , refer . e, na rea(jdade, ii Grécia. as Quaestione
a ganhar até 10 mil dracmas ~r aJuno ~ara um_ cu~o, ~•caodo n , , romanae ele pergunta p r ue, em Roma, Hérades em um templo em
o grammaiisté , m era! recebia ~m alár_10 de m1 éna. 1 gen s_ Lacr- comum com as Musas. E r ponde:
eio lc:111bra yuc EpiLuLO, qu.indo cnança, a1udava no trabalh? a ma7 e o
p i, que ensinava o alfa co " r um salá~io de nada" (Vitae P?'/o o- ''Talvez porque é eles 1i e · e en inad o alfabeto aos fomiliare
phorum, X, 4) . E mui tas ezes e se aláno, que era pago n Í!m do de Evandro, orno conta Juba? sta atividade era considerada
r1f lun r. "o dia das dua luas", era c me tado porque os pai fr • dign como a daqueles que ensinavnm ao amigos e parentes· mais
qüenremente qucstiuaav m u apr veirnmeaco do filh , orno ar ra carde, porém, começaram a en inar por dinheiro .. . " (.59) .
ri tófanes (As nuvens, l.lJ2-J3) . Teofra to de rcve avarento que
não manda o ilh s ii esc la durante o mé inteiro para não pagar o sa-
ncão, é oisa dísna (pràgm.a semnón) ensinar aos amig e pa ren-
lári devi o, e que no mê d Ame térion nã manda dia nenhum,
tes, mas é vcrgonh o en ioar p r dinheiro e por pobreza. Tam~m numa
com a desculpa de que há muitas fe La , para nã " pagar o alário" (Ca-
sociedade m rcantil permanece r mu ito tempo o de prezo arcaico pelas
racteres , 30, 14) .
atividade exercidas om fin de lucro: a história a dará urros exem-
MAi~ tArde , Luciano, falando dos a alariado (De mercede con- plu~ . Ali 16rclc teorizar m maior dar 1:1\ que todo:: os utr 6 la
ucfis) de creve minucio amente a hum ilde condição dos pedag g s e concepção aristocrática e conservadora:
dos gr~má1icos, obrigados , na ua "escravidã voluntária" (etheloduléia),
a e submeterem t das a humi lhaçõe e vexame por parte d pa- "É dar que jovem d ve a render entre as maL~ias út ~s ~qu_e-
trões (]6) . las indispensáveis, não todas porém, 1endo. em :'ma a ~l □ oç~
O testemunh mais int rcssante é, talvez, o de Ateneu porqu entre obras überai (eleútherai) e obra não-liberai (aJteleutherat) ;
ci ta um c o hist6ric de r nd s pr por ões, que tran cende caso e deve, portant , ulrivar, entre a obra úteis, aquelas que aã_o
pe oal , eja de um Dion ( i , de Dió ene o Cínic , de Epi ~ro ou .É - tornam ignóbil a pe oa que a ultiva. De em ser con .ideradas 1
quines. Faland d renas imento da I tras por bra _do sóbios de Al~- 1 a a obras os ofícios, a habiüdad que tornam corpo a
xandria , na primeira merad do éculo 11 a. ., ele diz qu~ esse rena c1- inceügência do1 hom ns Hvre inaptos para a prátic~ da virtude .
cimenro com u quand Ptol meu II E er et (benfeuor), que ele Portanto, todos os ofícios que Por un natureza d tenoram a c n-
chama, porém, d kakergete (maJfeuor), exilou ou níinou muitos dos di ões do corpo são c o iderados desprezí eis, orno também todo
~eu po itore os trabalh s com fins lucrativos porque tolhem a liberdade da
mente e a tomam mesquinha. Quanto , i •ncia lib rais, interessar-
" ão os alexandrino que ins1ruiram tod o grego e bárbaro , -e por alguma dela , dentro d certos limite . nã é inrugn de
quando a cuhura geral de aiu p r cau ·a das re olu õ s que conte- um homem livre, mas ocupar-se em dema ia e com exce :o traz o
eram na ép que e seguiu ao diád os de Alexandre. Hou e, mesmos prejuízo .
muito import ante rnmbém considerar o fim pelo qual cada 7. A difusão da escola e o ginásio
um age ou aprend : agir em vi ta d i me mo ou do amig ou
por amor à virtude é digo de um bomem li re; mas , quem faz A e cola evoluiu graça à con1ribuições financeiras de particulares,
esta m ·mas coisas para os outros, muitas vezes parecerá que está d cidades ou de oberanos e, ao pouco , e tornará uma e col de
agindo de mane.ira e.rvil e mercenária. O tudos e mumeote re- Estado. En ntram s os primeiro indício d ta tendc:ncia às vé pera
conhecidos, como dissemos, tende~ara s d is sentidos" (Pol. , da batalha de aratona , quand a cidade de Tr iena hospedou mulhe-
V!ll, 1JJ7 b) . re , velho e criança de Arena , ameaçada pelos persa , e, conform
narra Plutarco na Vi 11 de Temíslocles, s trezenenses
O que con ta, portanto, é o fi m : en inar não pela arte, mo pela
educação . ão a arte em si, nã o roohe imcot e a habilidade neste ou ''votaram alimentá-los publicamente, destinand doi óbulo · para
naquele campo, mas o seu exercício mercenário, para se ganhar a vid , cada um, a fim de que as criança pude em atingir maturiclad ,
islo é indigno. É também int I rável que pessoa i , i t é, traba- e pa ando o salário para o seus mestre " (Them ., 10) .
lhadores manuais, se ocupem de ta arte; Tuddide fala rá com de pra.
dos intervenções orat rias , nas lutas políticas, do sapateiro Oeon, o Não faltam casos cmelhantes: uma inseri ão no lembra que o ·
"demagogo de avencaJ de uro" , um outro "meduti", um outro Ter- cidadãos de Astipaléia
sites.
T davia, um século ant s, numa mentalidad (a dl.? Ésquilo) ainda ''comprometeram-se criar e edu r o filh dos cidadã · de tCeso
aã envolvida n s conflitos odais d écul V-IV, todas a:. arte apa- soltos da prisão" l. ., XTT, J, 171).
receram como a expressão mais alta da realização humana. alcançada em
a ajuda dos deuses, até mais, e ntra a vontade d propri Júpiter: e 1 ambém a per egui ão e a vi lên ia praticadas cm cas de guerra
não se ucsrionava seu uso e sua bierarquia social. O homem Pr meteu, conrra as crianças da e cola:. ão uma prova da importância que já
símbolo da mente humana que prevê e cria, era celebrado e se autoce- haviam alcançado na p6lis. Isto explica por que lvlitílene, conforme re-
lebrava como o in encor de toda a artes, entre as quais as artes intelec- lata Eliano em sua Histórias decide
tuais . Ele exalta a si mesmo por ter tornado o mortaj " ábio pel
uso da razão' ', en inando-lhes as instituições religiosas, a arte de con - "não ensinar as letra e a mú ica às crianças" (7 , J .5)
truir, a car intaria ou marceo ia, :1 asrron mia, a matemática, " funda-
mento de toda ciência", e críta " que gu rda a rec rda ão de tud e é dos aliado traidore ; ou por que o traciano ·, conforme relata Tuddi-
mãe das Musas", a domesticação dos animais, a na egação, a medicina, de , em 41 a.C., no aque a Mi cale
que é 'o melhor d ofício que inventei", a art de adivinhar, a es-
1.:ulx:rta J ~ 1oc::uti . 11(iu1 : "mam.ram os hobitantC3 e irromperam té num11 cola, a ma is fr .
qüentada da redondeza , no momeoco em que as crian tinham
" todas as arcc:s Prometeu ensmou aos homens" (Prometeu acor- acabado de entrar e a e quartcjaram toda " (VI1, 29, 5).
rentad , ep. 2. 0 ) .
E sas aoúcia confirmam também para além d interesse dos his-
toriógrafo bre a gravidade do fato • o lugar qu a e ola já upava
Mas, quer a arte m g ral fos em ou n-o c nsideradas di nas pelos na cidades.
e n ervadore , part icularmente o costume de cn íná-la por dinheiro, o
Diodoro de icília namwa d pois, num relato onde não faltam rros
fat é que este uso acabou prevalecendo e a escola, nos seus vários ní-
de pe.r pectiva histórica, que em 43,5 a.C. o fundador da cidade de Ló-
vcis, tornou-se a in citui ão que não podia faltar na cidad grega da crida teria disposto
Hélade e d t0d Oriente med iterrâneo. A in trução na mÚ'ÍCa na
giná tica era prerrogativa das elas d minante e só os homens livre " que todos os filhos dos cidadãos opreod em as letras e que a
eram considerados dignos desses ensinamentos ; mas a mstirucionalização cidade providenciasse para tanta alário do m tre ' Bihl.
da e la e tea u e se ensinamentos a t d os que pertenciam ao hi.st., XII) .
démos .
E cre cent rá um comentário que parece historicamente funda-
mentado, se lembrarmos que ele fala de escolas " de letra " e não de
duca - de música e ginástica: tratava-se de algo "negligenciado pcl Estas ins riçõe , m eral, relatam doações celebrand o d ador,
!e ·slador s mai · antig " , o ev rget , e e tabcli:cem s dever s dos me trcs e do p dôo mos, o
A partir, portanto, d século V, d i cute ·e o E e.ado, a pófü,
0 calendário e ·colar, a provas finais, a cerim "nia e as féri (d s quais
deve s sumir diretamente a tarefa da in trução. O pitagórico Hipódamo, sempre faz parte a fe ta do ever ete, orno para Anaxágora em Lâmpsa-
arquitero e urbani ta, construtor <los mur s do Pireu e projeti ta da c e para udemo em ileto). Ela refer m a ginási s, palestras,
cidad ideal, pr gnosticava a educaçii por conta d E tad para o filh cola de gramáti a e, 1 go, também às escolas do bê-á-bá. Prevêem, às
dos cidadãos m rto em guerra; Platão, orno vimo~. di tinguia a in tru- ve-le , anç - e ontra o pcdôn m acusados de sébeia (impiedade)
ão privada e pública (idía, dirmosía), isto é, a instrução a car da e contra o pais que não cuidam da ducação d filhos. Falam de cons•
família e a carg da p6l'.r ; Ari&t t lcs inf rma que, n~ u11 época, fim trução ou recnn<:rrnçiin rlc escolas, aquecimento de palcsrras ou ginásios,
do é ulo I a . ., na maioria da cidades instrução ainda era pri,•ada, a ·un ão de mestre , de salários (''qu os salário cj m pagos reg lar-
ma~ m rra-se pe · almente favorável e e la pública, e mo oa Política men re", lê-se em algumas dela ) etc. ezes, trata-se de uma verda-
no fim d Li ro Vll : deira lei sobre a in 1ruçã (paidonomikós 116 nos ), como a inscrição
d Míltto e a d Téo (ambas de 199 n.C.), ndc a í rmula recorrente
"E. aminemos, em rimeiro lugar, é n · e ·áno estabelecer um é em lhante à de ~squines :
regulamen to sobre a ducaçã da crianças; em eguida, quai a
vanrag da eduOJçã públi a e da educação privada (com é ainda "para a educuçã das crianças livres".
h je e muití imos Estado ) ; e, em e rcciro lugar, de que tipo
deve ser essa edu ação" (1JJ7 a , A partir d11í
1 rém , a instrução atingirá não mente as crianças
Livr eleútheroi paides), ma também as meninas (párthenoi) , o po-
· , retomand a unto no começo d Livro VIll: bn::s (pe11éres) e :ué o escravo (dotlloi) , conforme acesram Plutan.-u uu
D libms educa ,dis e) e Ateneu (262 b ). Às vez , orno n função
· • 1inguém
mai · pode du idar que legi lador deve preocupar• e d Eudcmo em Mileto, os pedolribai ram obri ados a jurar por Herme
ames de tud com a educaçã do j ven . . . E já que único é e o grammatodidá kaloi a jurar por Apolo e pelas u as, para pr var
fim do stad na sua totalidade, ' neces ariamenre eviden te que 4u~ niio tinham inílueociado d s n srarnenie a pr6pria nomea ã .
também a educação é única e iguol para rodos e que a rt:spon abUi- Dessa forma , a e la foram se tornando gradaLi amente públi a
dod de educar é públic e não parti ular, como atualmente cada e. espe ialm nte quand benfeitor era um sob rano (Atalo 11, Pro-
um faz cuidando priv damente d pr prios filho e dand -lhes o l meu Filadelfo etc.), ~e "e tatizand " . É um pr e · o que império
cn inament que lhe apraz" (1)37 a) . r mano levará adiamc: entre o evergeces encontraremo imperado-
res , com Adriano, ue dotou Atena m um n vo ginásio.
Alguo sécuJu~ 11ui1~ uuJc, u lüsroriad r P IJbio (205- 125 a.C.). E~tc 1-n~c:.:. · inJubíravclm nt signifi u uma mdhori da~ e ndi-
censurando Rorua pela fal ta de uma pr upaçiio pública com o in tru• ões ccon mica e do pr stígio s i11I dos mestres, muito do quais são
ão (Cícero, Rep., l , J, J), ate ta q e esta pte pação já era regra na lembrad em in rições públi s ou foram honrados e m monument .
récia, tanto qu um grego estranhav ua au ência em outro lugares . Té pias erigiu uma es tátua a Protógene p las d açõc (dápanai) cm
O próprio P líbio nos dá informa õe sobr a institui ão de escola· , f vor das esc h,s, utras cidades a rigirã aos mestres: Bizâncio im r-
orno a d Rod s, criada em 15 gra a a uma do ção d rei Eum n rnlizará o me ·tre Teodoro ; Roma, céri o o paedagogus ; Panticapéia,
II de Pérgamo (XXX[. 25) . o pedotriba Fármrx· e Rodes dedi ará um baixo-relevo ao m tre Hyero-
Ma este proce de estatiza ão da escola é especialmente ceste- nicus, cir undad por cinco aluno . Em alípoli , . efebos dedicarão
munhad pelas inseri ões, encontradas cm grande quanLidade em vária uma e tela em h nra d A clepíades, pel ensin d. geometria e pela sua
cidades. uma inscrição de Elêusi , da se unda metade do século 1V nevolênci ara com 5 aluno!>.
a.C ., lê-se que o cstdtcgn dn tPrritórin unha a obrigação de "cuidar da ing11Pm [lPOSf" nn 1:n1anLO , que tudo and:i muim bem na me-
educa ã da criança da omunidade" paíJes en tô démo ). Inscrições lhor das escolas <lo m Ih r do Est dos . As ir nias ntra o. mestre e
emelham s foram encontrada por Ziebarth em T ptas, Priene, Mi- a renitência em pag:í-1 continuam . Libãnio , o grande recor sl-rul
leto, T ra , Uimpsaco , Pérgam , Acenas, Delfo , R e , Delas, réuia , IV d.C., m srre d Julian Apóstata , ate ta qu es a condiçõe de
Téo , Temisi n n, Jas s, Mylnsia , tion , s, ízic , Ma né ia, Amor- mis'ria perduram tam ' m na escola do cad o escrito Em /a or dos
0 1 llili arna o, ethum, E parra, Ox:irin o, Termesso, agale o, La- retores ele de ta ava a mi éria d me tres :
gina etc.
"N-o po suem nem casa e vivem cm aposento de fonuna, m ano de 6 16 a . . ; e o~ d · pa rácio a partir da 145 .•, no ano 2 O a . .
apaleiros" . Filó lr t fornece datas um pau o düercme~.
O fa t de a pecializa ões lím pica e a pauicip ção nas Olim-
(Lembre- e qu o apateiro ão cominuaml!nte o pomo de refe- píadas se estenderem ao adolescente significa uma indubicá el fu ão
rência de Platã e de Tuddidc em diante, para indicar um ofí io hu- da educ ã fís ica . fetivameme , como imos, a ducaçã fí ica e o trei-
mHde e abjeto.) El , e ntinua Libânio, empenham a jói d e posas namento guerreiro, re ervad a n bre , 1ornaram- e prática tam ém
e quando vêem o padeiro passar, ão tentado a correr atrás dde por dos livres c , finalrncnt ". d p ni:I s e dos t:s ravos. I ócrat , no Arco•
causa da fome e, ao mesm tempo, a fugir dele por causa das divida . pagítt o, escreve que cada ela e ocial tinha suas competência. :
E ccmurava a cidad por pogii los o menos possível mais tarde po -
sível: ·• quele que m1bulham num nível inferi r, s de tinam à gricul-
rura e a mérci . . . Aquel que, rém, ão capazes de uma
"Ma , alguém dirá , não têm ele o vencimento anual ? Todos vida digna o obrigavam a ocupar- e da hipi a, do ginási s, da
an s, não . Às vezes im, à veze nâ . lém disso , ão empre obri- aça com os cãe e da íil sofia" (43 /) .
ados a e pe:rar, e a eles s é dada uma pane daquilo que 1h é
devido". O gym11a1ia e toda atividade Hsica praticada como livre treina-
mento para o "fazer" uerrc:uo eram , então, reservado a ca azcs
iló trato , porém, aa · Vitae sophistorum, n inf rma que aconte- (ikanoí) . M:.,s a sociedad muda e a escola é, ao me mo tempo. conse-
cia, às vezes, como na Grécia do éculo a.C. na Roma do éculo qüência da mudança orri<la e in 1rum nto da mudança futura. Foi
I d .C., de os me tres crem di putado com muito dinheiro pela cida- im qué a nnhre Rrle - nnh/,- ar! , cnmn ~,. ,li? h jr: n, mundo das
de e até e darem ao lu o de re jeitar. tividades agonístí as - da gioásti a se democr tizou e, d brnndo de
A forma rlpica da "escola" grega n ta época é ginásio, centro er privilégio do · ari toe ratas, tomou-se campo aberto a todos e se pro-
d cultura fí ica e intelectual ( ão sempre os érga e os épea, mas demo• fi sionaliz u . Da me ma f rma que democratização d scola intelec-
cratízados). Esses eram o centro da vida ur ana, especialmente na ci- tual atrav 's da ifusã da rita lornou a ati idade de m strc uma pro-
dade do Oriente m •dit rrâneo, que a coaqui ta de Alexandre Magno fissão pública, assim também o Jcmocr Lizar-se das ati vidade fí ica
tran formar num mund de cu ltura e d língua grega. levou à sua profi ionaliza - . Mas, quando esse processo de profi io-
urgiram e mo centro d ul tlira ! ica para os adu ltos , m s tor• oalização tiver atingid o mbim e a atlética se tornar cada vez mais
naram• · · centr de cultura fí ica e imel tual para adultos e: adoles- uma tarefa de estrangeiros ( imo que freqüentemente pe orrib ra
cente . Para explicar o seu sucesso e ua identificaçã c m a própria um estran ei ro emã o próprio processo de democratiza ã estará es•
uadição do heleoi mo, é preci v lcar às origcn da archáia paideía g tado e cairá n profissionalismo. Talvez seja este o mo tivo pel qual
guerreira, como vim na Tlíada, para Antíloc , rilh de e t r, Lreina- Teod ·si tenha a lid a limpí da .
d na arte d cavaleiro pel s próprios deuse . Em seguida, pa a cada rac terí tica da hi tória da ag ní tica grega é que junto às com•
e pecialização giná úca e relativa competição foi criad um inventor pen s giná. d progrediram também a c rnpetiçõe ará tic : edu-
humano : Teseu da luta , Pólux d pugilato, Belerofontc da corrida de cação física intelectual (o educar-se para dizer e o fazer) pr grid m
cavalos . Estas comperições celeb m- e na limpíada , criadas em 776 juntas , mas a part de mú ica e alt ra, ao canto à dan a, media•
a.C. e nboUdas por Teodósio em 393 d .C., 136 an s antes que Justi- d ra entre o fJ ico e o intelectual , juntam- e as competiçõe poédca e
niano fechas e a e cola fil íi a d Atenas : de a forma, o "dizer e o teatrai ·.
f zer" dos livres acabaram quase c nt mporaneameare. Pau "o.ia , os A efebia atenien ·e, 4ue na ·ceu com a finalidade de preparar para
Descrição da Grécia, e Filósrrato, na Arte ginástica, nos informam q ue a guerra, torna- e la também ince1ectual; gi.ná io, destinado a
na límpiadas e introduziram pr gr ivamente também jogos para xercícios fí icos a serem praticados nu , torna-se tam m (e depois
adole cent s. Is o prc supõe uma preparaçã "e lar" i temática e in - sobretudo) lu ar de exercitações cultur is , e acolherà ret res íilós fos .
titucionalizada de toda a juventude. Pausãnias, especificamente, diz que O dois úpos de competi õc , a do cor e as da mente, andam juntas.
ninguém abia cxatam me quando tiveram início limpíadas juvenis, m eguida, paulatinamente, apesar de um pe.áodo de euforia da ginás-
ma que os j go juveni (áthla paisin ) de corrida e luta fo ram intro- tica entre os éculo II 111 d . ., s exercitações mtelccruais ter-o a
zidos a partir da 3 7 .• Olimpíada, no ano de 632 a .C.; o de pentatlo a prevalência e a antiga unidade entre ff ico e intelectual estará definiti-
partir da 3 .•, no an de 62 .C. ; o de pugilato a parúr a 4 t .•, no vamente perdida .
A aprendizagem da Odisséia é, talvez, um outro rei , não mitico como o do escudo de
Aquiles, mas real, o rei agri ultor que reinA, ou deveria reinar, em !taca:
Para finalizar, é pr i o abordar o t rceiro a pecto d formação do Laerre, pai de Uli ses, que
homem: a aprenclizag ·m do trabalh .
A propósito do trabalh e da ua dignid de ocial, acho incli pen á- " ozinho. . . n mar rdcnado
v l ev itar en ral iza õe~ como •' ta : o trnb~ na Gréci t v , ou não sapando uma planta : vestia uma túnica uja
cev , uma grande e o ideração ial. Já em Horn ro, é e idente que em r mcndada, indecente; e amarradas ao red r da pernas
'eu · dois poema , e até n interior d um me mo poema , apar cem tinha uma tas de pele costuradas para se
on epçõe · e ntrastante . Naquela pa ~ gi:111 Ja Ilíada m que csr r proc gcr d arranhõc~ :
1 mbra a Anrílo o que os própri · deuses Ih en inaram a "nrre do n mão I inha luvas com ra o e ·pinh . , e na cabeça
cavaleir s", s~o mencionados m se uida, sem nenhuma prercn ão de um chapéu de pele de cabra, para aumentar ua pena"
hierarquia, ourr ofí ios: (XXN , 225-24 1; melhante em 1, 1 9-193)

" Pela arte e não pela or a o lenhad t exc lc,


Parece um mbiente e um persona m de Hesiod . Até mais, a
pda arte o piloto, n lívido mar ,
expressão hesiodéíca " praticar um trabalho " (érga ergázeslhai) já está
contr la o rápido arco, abalado pelos ven to ,
pda ane o auriga supera outro auri a" (X 111 , JJJ -319 ). na Odi éia, quando e fala do trabalho da erva da ca. a. Além di o
nesta pa sagcm encontram s uma indicação imp rtan á sima sobre a
li. arte nobr d auciga, dos ca oleiros, ,·n. irnufo pelos deu es, · aprendizagem do offci , nacuralment para s e cravos; aliás para as
eq iparada às arte manuais-produiíva ·, nii para estabelecer um hie- e 't:ravm;:
rarquia d valore , mas s m nre par lembrar o val r de sua aprendi-
zagem. " inqüeota sã no palácio as servas
Em Homero, n enrnn , apar em di er a concepçõe do traba- às quais ensinamos a execu tar o trabalh ,
lho . Ele é atribuído ora aos d u , como a artífice Hefesto , ora ao cardar a lã e upor r a fadi " (XXII, 422-424) .
h men ; , entre e te , ora o. pr t g ni ta ão o próprios herói , ora
ima cns citadas cm comparaÇ u, principalmente, na de eriçá d Erga didáxame11 erg 'zestha1: nada mais que uma indicação, mas
escud de Aquile . 1 ta descrição, por ·xcmplo, _bú_um r~i e_todos suficiente para atre er uma d tinação de vida impo ta, um processo
seus ope.rári dependem : pastore , aradore , celfCU'os vindimador de aprendizag m e d env lvimenco de ta vida num trabalho ubal-
'"rnh1H11s araut s. E entre os herói protag ni ta há Párid , pa t r rern . Em H mero, a moral bc ·iod i a n- consta claramente, mas tá
de ov lhas, e o irmãos de Andrômaca, pa t res de porco . uu11lkita . Todavia, ex ão feita poro os ihétes u para os cravo em
a Odisséia aparecem d tcrminaç- e mai precisas , com indicações geral, n-o existe uma hierarqu1 e plícita de valor para as várias ati-
da condição ia l. Antínoo repreende Eum por ter introdt12ido um vidad : Ulisses nú.1 emelhant ao pai, constr ' i de mesmo o leito
mendig e Eurneo rc ponde : nupcial de madeira de oliv ira . E ta hierarquia urgirá numa época po '-
teti t e se a ntuará na discu · ão obre as arte (téchnai , e peci lmen te
" Quem irá nvidar pe soalmeme um rrang ir , imensa no pc_ríod da evolu ão d rn rática das póteis, quando Platão,
a não ser qu se trate de nesã s . Aristórel e enofoote di tinguirão a artes produtivas, às vezes om
u um adi inh ou um carpinteiro ou um curandc1r , moriv s que parecem ser um daqueles qu encontramos na á1iras
dos ofícios, egípcias e h braicas .
ou até um cant r clivino, que di ert can tando? " (XVI 1. )82-385 ).
Mas, à pane a medicina ( também a arquitetura, con ider. da
É uma li ta qua mpleta das profi sões artc-san i , acomp nhada artes nobres). li . n111rn . ati idades artesanai , q e certamente Possuiam
da interes ante informação d qu , na ied, d grária triareal, e se· uma ciência limitada e cuidavam da tr nsmissã de sn ciência e da
respectiva habilidade práti a , conf nnc menciona Platão , na n dei-
pr fi ionais são demen_cos estr~ngeiro , com s ~e~tre e o, peda-
gogos. Ma n campo e.x.tst m thete , tra alhad re d1anst , entre men- xaram uma descrição ara d s mud e mo e realizava ·ua aprendi-
dig e e crav , cujo alário é pr ário e cujo trabalho é duro : "apa- zagem. o jur mento de Hipócrates encontram , porém, bem carac-
nhar pedra e plantar gran árvores ". as o trabalhador mai típico terizado ~ipo " familiar" da aprendizagem , que vim s também entr
o egípcio ;
"Consid rar i como pai aquele que m jnici u e foi m u mestr
nesta arte . . . nsid rarei c mo m us irmãos seu filhos ...
farei partícipe d meus en ·inamcnto · tanto os meu filho omo o
filhos d meu me rre''.

a evoluçã da ultura predomina a inve tiga ã te6rica ·obre a


aplicação t&nica: Arqu imedes, egu ndo Pl~o. na Vida de Marcelo , AP!T LO III
n-o achava coi a di na in enrar máquina ; el s o fez para atender à
ex.igêncfas mili=s de Hieriio de iracw11. Apes11r disso, 11 medni sa A educação em Roma
já comcçarn com Eudóxio e Arquitas.
A única " arce" que une recria e prática, i t é, a única ciência apli-
cada é a medicina : aJeno zombará d "teóric em prática". Ligada à
filo ofia i • nica , ela é a úni 11 arte que se leva ao nível de uma ciência,
c dificada em eu tracado , embora conserve n própri nom d ua
parte mais per tiva a referên ia ao predomwi.o da mão (keirourghía,
penção manual) . a e ta e.ra e permanece urna "are e", c rn a tradição m R ma a educaçã m ral, cívica e religio a, aquela que chama-
da tr:msmissã para filho, conservando o segredo da arre (cooform o mo de inculturaçã às tradições pátria , tem um:i hist ria c m cara •
juramento hipocrático se empenhava em manter) . O eu desenvolvimen- terí tica próprias , ao pa so que a instrução e olar no entid técnico,
to a nível de ci 'ncia a 1 vará fo,..er parte d aber universitário, na especialmente das ]erra , é qua e totalmente greita , Com as pala ra de
Idade Média . Ckero podemo dizer gu
Podemos acrescentar que na récia (e especialmente em Roma) já
apar ·ce o co cume J s patrões treinarem s e cravo cm determinada " A vinudes (virtuJes) têm ua origem no roman s, a cuJrure
profís - , alrav ' d v rdadeira escola . col d te tipo exi tiram (doctri11ae ) nos gregos ' ' De oral. IIl, 34, 137);
em ira usa e no papiros de Oxirinco en onua-se uma carta em que se
fala de um escravo enviado à escola de estenografia por doi ano , i to é, a cultura romana f i uma cultura importada, uma insitiva disci-
custando essa instruçiio 120 dracmas a serem pagas em três prestações. plina (Rep. , II , 9, 34) .
Podemo concluir que a in trução profi i naJ na orno in trução
servil: terá que percorrer um caminho ba tante lon o para conqui tar
sua erdadeir cli nidade. 1. A educação na famÍlia
Os historiadores da pedagogia c □ ordem em afirmar que, na Roma
antiga , o prim iro educador é o paler familias . No entanto, sem uma
definição hi tórica mais pr i a, um enunciado d s gênero cria pouco
m is que uma obvi dade, pois em sentid g n 'ric , pode ser aplicável
a qualquer povo. ~ difícil, por exemplo, estabelecer se Plauto é ori · nal,
e portanto romano, ou obedece fielmente a m do grego, quando
diz que
" os pais em primeiro lu ar sã os artífic de seu filho , aqueles
que lhes dii as ba es " (Mos/ ., J?0-1?1)

O que é incontestável é que, ao con& ntarmo a hi tória da edu-


cação romana com a grega , na Roma antiga procura.remo em ão algum
educador estrangeiro ou b nido de sua pátria, como o Fênix ou o Pácro-
clo de Homero, mas veremos emergir em primeiro plan a função edu-
cadora do pai.
Plutar , na ' mparn ã en tre i urg e uma ", qu faz part · Este en inam mo na verdade parece mais r mano do que grego,
das Vidas para/elas de gregos e roman , diz: e lembrarmos que em Atenas gundo Platli , a pr pcia cidade ensi-
nava a lei à crianças apó esta terem recebid a primeira educaçã
" uma permi tiu que filhos fossem educados de acordo c m s dos pais e d me m:s (Prol., 26 e) . Tit Uvio fala de P. Licínio Calvo,
desej s e a necessidades dos pais podendo cada um mpregar o primeiro lri no militar plebeu, que, em 393 a.C., a propor filh
próprio filho no ârio ofício que ele ha e melh r" ; para o próprio cargo, recom nd -o porque foi educado por ele pes oaJ-
mente : institutus dí ciplina mea (V, I ). a é e.specialmenre o outro
o reprecnd por isto, na Comparação com icurgo , por achar que grande hi roriador, Tá ic , que no dei ou no Diálogo do or11dore.i
uma 11udos:1 evocAçiin di-s1 i1 Antiga educaçã fa miliar, cuja primeirn pro-
"o jo en de uma cidade, especialment n va, devt:riam ·er cdu- La ni ta é a mã ·:
ado dt maneira uniforme, tendo desde o início o mod lo e a
imagem de uma mesma comum v irtu " ( rv, ). " Pouco direi sobre a cv ·ra di ciplina d nossos antepas ados na
educaçã e na f rma -o do filhos. Antigamente, cada {ilho, nas-
eja qual for o julgam nto de Plutar , ist ignfüca g e, d de o ido de uma casca geoit ra, vinha edu a nã n a • · t de uma
primeiro tempos da cidade , a aut nomia da edu a ão paterna era uma outriz mercenária, mas no seio da p rópria mãe, cuj mérito principal
lei d E tad : o pai é d o e artífi e de seus fi lhos. Dt! fa t , a amiga era cuidar da casa e educar os filhos. pior dos caso , e colbia-St:
m narquia romana era uma república de patres pacrkio u d nos da o p rente uma mulher de idade, a fim de con fiar cada riança
terra e da famtliae, i e é, dos núcleo rur ais, do quais faziam parte da própria fam(lia ao eus cuidad prudentes irrepreensíveis . ..
ob o me mo tít ulo as mulhere , o Cilhos, os escravo , animai e E sua evera disciplina visav que natureza de cada m, espon-
qualquer outro bem . e ras /amiliae a pairia poteslas era, t mbém na tânea e não corr mpida pela mali i , e d dicas de e cedo, 1:um
cdu a ão, o er upremo que, não b tante o forte . n o d tad toda ua força, a atividade decor a , e que cada um, de acordo
tã caracterísúc da tradiçã romana, se si tua fora de qualquer incer- com a ia línação manif~t da ou para a ativi.dad militar ou para
vençã es tatal. O própri pater é a patria: a antiga lei das Doze Tábuas, a juri pruJên ia ou para o estud da eloqi.ién ia, e dedicasse '
do início da república até a memde d éculo V a . ., permite, emre ou- àquela coi a e o fize e pknam nte" (X VIII).
tra coisas, que o pai mate o· filh anormai -, pr oda , flagele, condene
a s traba lho agrf las forçad , venda u mate filho rebeld , mesmo papel das mulheres na educação mili:u: não parece, portan t ,
quando, já a uh s, up m cargos públicos. ão é surpreendente, por- ecundário, c nf rme à mai r consideração soc ial qu as mulheres ro-
tanto, que na Roma anr i a não renha exi tid duranre muito tempo manas parecem ter gozad em confronto m a mulher s re as. Aqui
nenhuma forma de educa ão pública para a primeir infàn ia: uma i- ác:ito lembru omélia, mãe do Grac , Aur lia , mãe de ar,
tuaçã , aliá:., qu Roma mparcilba com ou lr s vos e que , com Ácia, mãe de Augu ~10 . Qujmiliano , seu comernpor5.neo , 1 m hPm ll t rihui
imos, é en urada pelo historiad r gre o Políbio ( ícero, Rep., W , à mãe a t, refo de en:in r a fUbo~ o prim iro clcm ntos do folar e
J. J) . d escrever (1. 1, 26 ). lembra que para sta final idade, cosrumavam
sta educação n seio da família é freqüenr mente xalrnda pelo u ar letra m 'vei d marfim ou de buxo (tillerae eburnea 11el buxeae)
eSC'ri t res romano ·; porém, ao ·v á-la, nunca devem esquecer d i Juvenal lembra que a menina· também apr ndiam ' primeir s lc-
aspectos ue as exi ências d exposição impedem que ejam de tacada ment d alfabet (alfa •f beta) ( IV, 211 J. As próprias nutrizes
a cada ez: s ce temunh hi tóricos referem-se ·empre à ela · e d mi- fossem ou nã parenre coo id radas , com afirma Tácit , tinham tam•
nantes, i norando quase t talmente a class s pr dutora e ubalternas ; bém pre tigio e autoridade, c mo o onfirma ulco das utrizes Au-
e que s dest:nvolvimentos históricos sofrem, também, na sua con gu ta t 1emunhad r imagen en nrrad·1s em várias parte do I m•
unuidade, considenívei mudança n s co tume e nas in tituições . E ·tes péri .
IP.' lr>m11nhn pnrll"m . n l"nrnntnu lns rlesrlc ns antigo. omtco. até os Vários textos descrevem como, sob rnidad da mãe ou da
mais recen tes poetas, historiadores, retores e erudito . Plau to, de fato, nurriz, a rian a cres ia em casa e com o e legas , entre os brinquedo
na menci nada p:.1 agem, bserva qut! <' as prim ira. aprendizagen , do quais ficaram muitos testemunho
crit0 e icon gráfi . Entre o íogos, r exemplo, Horácio enumera
"os pai edu m o filho e lhe cn i.nam a letras o direito e a brin deira de construir inhas, de amarrar rat a um carrinho,
leis" (Most., 126-127). de rir r par u ímpar, de andar a cavalo em uma ana ; Pé io lembra
jogo da , n z e, até , o parar de brin ar como inal do fim da infância ,
e abem que de , ro empurrad por " ão um b táculo para aprendiza em o m do e qualquer perrur-
um ba tãozioho . x.i tiam também jogos reflexã como dama, o ba - d e pirito ; enquanto prazer facilita muito" (III, 22);
. adrez, os trágalo e o dados; outr jogo , com altil na, a cabra-
cega, a raia talvez tenham sido importados da Grécia . "freqüen temente uma só criança rebeld e orrupta corrompe um
Após os sete n a criança passava mais diretamente s b a tutda grupo inteiro de crianças" (TTJ, 29 ).
do pai , d qual aprendia, se já não ri e e , pr ndido com a mãe, s
primefros rudimento do aber e a tradiçõe familiar pátria , d Encontrarem a1 também a formula puerititatis, isto é, os grau ·
quais era especialmente treinada nas exercitações físicas e militares. da infância com eu a i e nte aduJt s:
Avançando paulatinamente nos temp , &t.'l ducgã , cmboro conti-
ouando fun â pr ipua d pai, passou a ser mai · confiada a e peciali • " a bstreta mu à luz , a nu1riz ria, o pcdago • ed uca , o mestre
ras. O sarcófago de M. Cornélia Esuído, ho je n Museu d uvre ensina " (11 1, 5) ;
ilu tra sinteticam nre as vária etapa de sa edu ação, mo t rand -no a
mãe que amamen ta a criança enquant o pai a í e • em :uirude pensa- ma · a presen a <l st personagi:n no ' situa, t:v Ld mementt:, numa po<:a
tiva e afetuosa ; a seguir o pai com o filhinho nos bra s; depois o pai menos idealizada e meo distante daquela hipotetizada por Tácito,
que treina o filh nos j go viris ; enfim , o pai ouvind o filho d cla- quando todo o processo educativo se realizava na familia por obra d
mando um text . Juvenal focaliza a re pon abilidade do pai quando diz familiares.
qu rá O melhor exemplo da velha edu ação, ue também marca a passa-
gem para a nova, é M. P6rcio Catão, do qual o grego Plutarco a im
"um bem para ele rer dad um cidadão à pátria e ao po o , e de fala em ua Vida :
tor um cidadão devor à pátria, útil no campo e capaz de realizar
empreendimento de paz de gu rra" XIV, 70-72) . " Quando o íilli e rnc:çou il c:ntcndc:.r, de mesmo o instruiu nas
letra , embora tivesse um servo, chamado Qufl n, que era excelente
Mais uma ez encontram s aí os doi aspect habituai da educa- gramático e pr eptor de muitas uLra crianças. 1ão achava, de
ção para a arte d poder: o " dizer " e o " fazer" . fato , portuno , mo ele mesmo escre e, que eu filho fo se r •
lnfelizmcnt estão quase totalmente perdidos o ue talvez f t:m preendid ou rec bes e puxada de orelha por parte de um ervo
o te ternunh e a teorização mais completo obr II amiga educação por er muit lento na aprendizagem , ou que eu filho tive de
fomilfar e s u princípio , atur, siv de liberü educandis de M. Te- agradecer a um ervo por te r r ebido uma in trução de tamanha
rêncio Varrã . Diri indo- e ao destinatá rio do . eu livro, que lhe pedia importância. Queria, portanto, ser ele mesmo a instruí-lo nas letras ,
auxOio na educaçã do filho, declarava que fez o que põde escrevendo a ensinar-lhe a lei e a rreiná-lo o e erc1cio f1 ico ... " (20,
aquele livro (III, J, in onius s.v. " ad 1iniculari'"). Dos fragmentos do ]48 t:) .
C t11s n rvados por onius (cujo interesse er mais lexical d que
pedagógico) sabem , por exemplo, algo sobre os rituais relativo a O quadro educaávo é o mesmo que já encon tramo na Morlellarra
primeiro m meato da vida infantil , que está sob a tutela d vária di- de Plauto ou na XIV átir de Juvenal : letras, leis, preparação par a
vindades: Numéria no parco, unina no rço , Rumina na amamenta• paz e para a guerra . a formação do cidadão, d político. O que im-
ção, duca e Porina na alimentação , ratanus e Statilinus no segurar-se rt é que aqui deparamo com um pe onagem hi tóric , que repn:-
cm pé e caminhar, Fabulinus e Farinu n primeir balbuci s e na senta a edu ação antiga e, ao mesmo tempo, fomenta a educaçã nova
aprendizagem da linguagem (Catus, III, 6, 7, 10, 13); e podemos acres- minístrada por escravos profi i nais . Carão não se a apta ao costume,
entar o deu e do campo, Pilumno e P icumno, protetores do matri• já difundido entr os grande , de entregar a educação dos filho a es-
mônio e d eus fru tos, lembrados em um outro livro de Varrão : o cravos gregos. h c ntra e e c cume que Tácito prore tará mai rarde,
Log1Jtorici (11, 18) . quando . c ntin uando discur que já citamos parcialmente, 1am nta-
m outr s fragmentos encontramos observações muito sábias; por tá que
xemplo :
"a criança ainda pequena é entregue a urna escravazinha gre_ga, au-
"é importante o modo como as crianças começam a ser educada , xiliada por um u o utro e · r vo, em g ra1 baixí imo nível não
porque quase empre a im e tornam" (III, 9); preparad para uma tarefo tão éria" (XXV III).
E te vilíssim e era l mbra Zópiro , o tráci , a quem, egund mcn s que Rômulo e Remo para " aprenderem as letras e outras coisas"
Platã , e atament • por i;er o m ·s vdho e mais inútil d s )éU~ rvos, (an t , ob iamenre, que fundas em R ma, isto é, na época da primeim
Péricl " confiara a educação de AI ebíad (Ale , ], l 22 b). a,ão , po- olimpíada. grega), ícero no inf rma que, no fim d sé ulo VII a . .,
rém, não admite que em famíl ia um escravo, embora in Lruído, cuide Demarat d C rinto, pai d prim iro rei etrusc de Roma, Tarqulnio
de seus filh ; ma , , m ·mo tc::mpo , a cita o cosrume de um escravo Pris o,
er precept r para muitas out ra~ crianças I ·t fazia parte da ·ua ( · não
" fez educar seus filho em t da a ne ·cgundo a educação grega "
' ua) prática da exploraçã d e · rnv , à qual t e mo o rtunidad
de voltar, porque é parte do desenvolvimento histórico da ducação (Rep., II, 19, J4 ).
familiar para a edu :l iio ,;:scol r, par. :i qu:iJ :1br-i:1 :1minhn
Tito Lívio, em ua hi tóri , em vária a i- · ~az rcierên ·a a
escol ~ que n rimeiro t mpo república, emre a metade do éculo
e o fim do éculo I a.C., teriam i tido em Roma ou na idade
2. A educação por obra de es ravos e libertos
vizinha e t riam sido freqüentadas pelos r man s. Em 47 a . . , Ápio
Pr vavelm ate a cvoluçã histórica foi do escravo pedagogo e Oáudio teria feito ra ptar Virg[nia :
mestre na própria familia ao escravo me tre da crianças de árias /ami-
líae e, enfim, ao escravo libertu.r que ensina na ua própria e ola. ''enquanto ia para fórum, nde, na uela época, ficavam em
loja a las úe letras" (III, 44, 6);
mo na récia c:ste e cravos pedagogo foram qua e sempre
estrangeir "bárbaros ", 1s10 é, que fala am ma l o gre o; a im em e dura.me a édio de Camilo a Fal ri, em 391 a.C. um mestre da
Roma e te. e ravo mestre foram greg que, fala em u não o laúm , ·riança nobr dc33a cidad teria ten to o, em troiçlio , entregtt lnc aos
en inaram ~ pr pri língua e transmit iram a própria cultura aos romanos .
r manos . Lí io obser II que
m uma, m o voluir da · iedade patri:ir al romana , a educação
torna um ofí io praticado inicialmeme por escravo · no inteáor d famí-
"o costume de entregar mai crianças para uma soa s , como
lia e em se uida , por li berto na e ola hi toriador da educa ão re ta
pedagog e mestre ao mesmo tempo, forn e ainda em grego"
ape nas constatar, infelizmente , que tam ' m em R ma são esta as ori-
(V. 27,1) .
ns nada glori as da profissão de ft!ucador . L:ipidária é a e.xpce ão de:
éneca, retor, n prefácio à Co,,, ,ovér ias: uma ourra oportunidade, própri Camil , tendo entrado clan-
"era vergonbo en inar qu era bonroso aprender" (l l, 5), ú nnmente em Tú uJ para indagar re intenções d habitanle
n s confr nto com Roma, tranqüiüz u- e quando viu
já que o ensino das mais belas disciplina ra reservad a libertos , greROS
de nasciment ou de cultura . "as J ja do artesã s repleta de sua obra · e na e cola ecoarem
Conforme a famosa frase d Horá i , Grécia nquistad con- a voze de escolarc " (V J, 25)
quistou o seu rude ven edor e incroduziu a!> artes no rú tico Lácio . ·ta
conqui ta t0rn u- e tã pr funda que, algun écul s dcpo· , Juvenal, E nfim, durante a guerra o nrra etrn ' o , n fim do sécuJ IV
1 mado d ásp ro dcspn::zo por todo os graeculi, las1 imava que Ludo, a . . , um romano oo eguiu entrar , sem r reconhecido , para e piar o
at o deitar- e, era feiw em grego : omnia Graece (VI, 186 . território porque
De acordo, porém, com a firma ri as do · e ri t re · r manos , antes
deste processo de aculru raçã de R ma por pane da récia ven ida (a " educad em Ccre , junto a h6 pede etruscos, rinha id in truíd
partir do sécul IIl a.C.) teriam exhid escolas em Roma, tal ez ob na letra e nh ia lx:m a Hngua erru ·ca" (IX , 36 , J ).
a influência indireta d s gregos e direta do rrusc . Com a ontece
muitas vezes, trata-se de informaçõe que , encontrada i identalmente .E: !aro gu a atendibilida hi t rica e todas e 1a afirma oes , em
e não em di cur os programati amente relativos à educação, são qua e que o elem nto " ei.c la" enrra ca ualmc:nte , muit relati a; t avia,
sempre muito duvido a ; me m as im sã interessantes para n s on- confitm m a suposição de uma influéncia grega e de uma influência majs
tendo talvez pel men s algum luz de verdade. recente etrusca (e ca , al iá , transmi tida pela cultura gr ~a) sobre o ur-
Além de ll r u1~, que teria ensinado a letr ao Eamil.iarc · de gimemo de uma e rita e de uma culrura cm Roma, e s brc a origem d
vandr , e além da narra -o de Plutar o, qu leva à escola de abi nada uma forma de educação não-familiar, ma ia liructonaliz.ada no ola .
Mas is o não pod ser documentado com mai r pr i ão e certeza, pai elevad (gramática e ret6rica) surgirá somente em decorrência da em-
só temo e I vagas indicações. Historicament , podem apena afirmar bai · da d atete d Malo, cm 169 a. .
que, em Roma , somente m a inda da Grécia de embaixo r , pri- nível d instru ã encontrou ob tácuJ
meiro e de p ri ioneiros, de pois, se de termina de f 10 urgimemo e a trata va mais de apr oder a letras do alfabeto
consolida -o de escolas, ini ialmente mais de cultura gr ga que Jatina : para os fin prátic d um povo d cidadã -soldado , mas de aprender
uma imitivo désciplino, uma cultura d importação . a "gramática". Inicialmente e te termo grego ign ifi ou apena a ane
d ler e e crev r, com a te ta ·n a;

3. As resistências à aculturação grega "s1CJ11f'l11 primf'ir11 ' 1i1Pra t u r'1 1 , mo a chamam os antigos, pel
qual se ensina o bê-á-bá" (Ad Luc., LX XVIII . 27);
e e quisesse determinar m suficiente aproximação cronológica
o nascimento da escola em Roma c mo instiru içã difundida , poderem e mo nfirma Quintiliano:
ter certeza mente cm um b revíssimo fra m nto d a tão, também con-
ervad por onius ' por curio idade Ie.,<-icaJ, onde se lê que "a gramát.lca qu<:, traduzida para o laúm , foi chamada d 'litera-
nrra'" (I, Il, 4).
' as crianças na esc la ·cumavam r uba r a m renda uma · da
ou tra " Non. , TI 635 Em se uida, com a ampli çã do nsin doí term o gre o
e o l lim, lomaram ignificado de crítica do 1e Los, me ipando com
T rata-se de um pequeno t stemunh . mas que vale m11it m st i. o nome de literatura o significado atuaJ. Ao r mano, patrício ou plebeu ,
do qu de Pluuuco, Cícero e Lfvio porque fala de coisas vis- ci de ua cradi · pámas, isto pareceu supérfluo. Suetõni do-
tas om os pr ' prios olho e nã ouvidas diz r. Como para a escola cumenta , melhor d que qualq er outro e critor, ta tentativas iniciais
grega o testemunhos gravados m vasos por nésimo ou Duris, também e a op si ão encontrada peJa n va escola:
este de Catão é, a eu modo, um in tantâneo de um momento de vida
escolar, tão real que no autoriza a afirmar qu na ua época , entre o "A grarn rica <.:m Roma oão era utilizada e meno ainda b nrsda ,
fün do século l V e o inicio do éculo III a.C., a csc la em Roma é uma porq ue o po o t:ra rud t: bdico · , e pouco e dedicava ainda às
in tiruiçã normalmente difundida. disciplinas li berais . Também seus inícios foram mod stos, se é v r-
dade gu s mai anrig m ·tte , u eram ao me mo tempo ra-
lém deste, não onheço outros documentos tão e nvincent re
sta esc la que, presumivdrnen te, é uma cola latina d rimeiro d res e poeta , meio grego (falo de Lívio , Andrônico e d tnio ,
rud imentos, pr vavclmente já iníluen iada pelo n o pr ·sso de acultu- dos quai sabe- e uc ensinaram em ambas as Hnguas, em casa e
ração grega. { ra), não faziam urr:i coisa :i nã ser inte r retor tex t s gregos e
ler o que eles mesmos tinham escrito em latim" (Gram ., 1) .
antigo no dão várias informações , embora oem sempre uní-
oca obre quem terá ido o primeiro a abrir em Roma uma escola do E le fala mais ou meno a mesma coisa ram m da esc la de retórica,
tipo grego. O próprio Plutar , falando de Hércules que, ensinando a o nível suce iv à e le de gramática:
1 tra a familiares de Evandr , teria fei t uma ação 'veneranda",
a re eota que, mais tarde, isto foi feito por outros em troca de dinheiro, "Também a retóric em R ma , exatamente c mo a gramática, foi
profissi nalment , e que: mai ou meno no ano 230 a .C.
aceita tardiamente c com dificuldade um tanto maior , dad que às
veze f i proibi o até praricá-la" (Rhet ., [ ).
"Espúri arvllio foi o primeiro que abriu uma cola em Roma"
(Quaest. Rom . 59), Quant às raz- profundas dessa rejei ão, além da rudeza do
romaa , uetônio, dfaote da provável incredulidade do roma nos de
um liberto do bom6nimo cidadão r man que viveu na segunda metade seu tempo, já tota lmente conquistado p la es ola e pela ultura grega,
d éculo III a. . uetônio lembra que doi dos pais "hei nizantes" da acrescenta o tes temunho fundamental daquele que taJvez j m dois
literatura lati na, Aodrônico e nio , ensinaram domi et Joris , isto é, na ma1 1mporcant d umeot obre hi tória da e la em Roma : um
família de eu dono e em u rra d , com Quílon , escravo de decreto do ado de 161 a.C. e um dito censório de 9 1 a.C. Eis o
Catão (Svetonius Gram., I, 1). Mas uma verdad ira escola de nível mai decreto d enado:
" b o coosul:ido de Caio Fãnio E trabã e de Marcos VaJéci A interpretação p l!Lica e não-moralista destes dois anúgo documen·
M s ala, o pretor Marcos P mpôoio consultou o enado e, já que tos é confirmada pelo próprio ícero que, falando como s fo e o
foram men ionados o · il ofos e retores, os enadores assim de- pr6prio Crasso, o autor do edi l censório, critica a escola de rer6rica
cidiram a respeito : que o pretor Marcos Pomp' aio toma se todas latina sob o pretexto de que, faltando-lhe o fundamento da tradição
a providénci para que, c osiderando o bem da repúbü e de cultural, terminava ndo um Ludus impudentiae, i Lo é, uma escola de
a rd mo :;eu dever, cm R m não cxisàssem" (Reth ., J . subver ã política (contanto que nãos interprete o termo "impudência"
no sentido moralista, o que romaria um tanto supérflua a defesa de
Suetônio, em seguida, a re nta que, após alg m tempo, o cen- ofício de Cícero) .
ore neo mldo n barbo e Lúcio Lidnio asso emendar m este Mas , e Ocero-ad le ente fora di uadído por amigos r<:5pe.itáveis
edíro cont ra os m m de iisde n) : de eguir a e cola e Plóci , Cícero-adulto pr vavelmeote pôde ver o
grego ílio Epirote, um liberto do cu amigo Pompônio Ático, abrir
"Foi-no· relatado qu introduziram um novo ,éner de cn ·ina- sem escândalo urna escola de retórica latina . A iro, rapidamente, com
menros e q e a juveorude Ereqüema es a cola . Fomos informa- no dizer de Juvénal
dos também que e e tais e dão o me de recores latinos e que
em ua es ola os joven pas am o dia inteiro em ócio. o · "em toda parte bá e ola , quer gregas qu r laünas" (XV, 109).
anrepas ado e cabeleceram o que queriam que seus filhos apren-
dessem e quais e colas deveriam freqüentar. E tas novidades, que De fato, a e perança · d s populares as apreensões dos optimates,
e intr duzem e ntra há ito e cosrume dos anrepassad s, não de que o livre acesso à arte da palavra, a arre política por excelência,
nn.< agrndam nem nos parecem corretas. Port:mto, aos que têm através das e olas de ret6rica latina poderia levar a uma mudança po-
lítica, e cavam destinada a ·e revelar vã . A n va forma polltica do
estas escolas e a s que costumam freq ·· cmá-la tem que mani-
principado u impéri dissolvia o domínio do opti naus e, ao mesmo
festar o no o parecer · nó a d apr vamo " (Re1h 1) . ' . remp , impedia para sempre a ascensão ao poder d s p pulares en-
quanto ela se ou amálgama de classes. as a escola, e aão através da
rand é a importância de tes docum ntos ; mas não parece que revolução popular, roma- e cada vez mai o meio para a participação dos
Suetônio (e nem me m grande maioria d s intérpretes modernos) indivíduo , mo burocrata , no poder autocrático do E tado .
tenha compreendido bem eu significado, já que ele c nfunde de-
Em conseqüência dis o, pouco anos depoi também o ofício de
mais a diretrizes dos doi atos, distantes entre si de setenta anos,
en inar ret6ri a ( n iderado indigno porque re.1lizado por dinbeiro) foi
chegando a dizer que se trata do "me mos per onagen ", quando o
também exercido por cidadãos romanos, o primeiro d quai , segund
texto transcrito por ele fala , n segundo episódio , de um "novo gênero"
êneca, o retor, f i Biando o Cavaleiro (Controversiae II, Proemfo) .
e de um no o nome. a realidade, o primeiro ato é dirigido contra
filó ofos e retores enquanro grego , portadores de uma cultura estranha
às t radiç· romanas, e o faz em nome de um apego a estas tradições
que, num momento em que os nobres e tão se helenizando rapidamente, 4. Literatura, escola e sociedade
são cultuada obretudo pdo plebeus (assim como por um Catão).
egundo ato, pelo c ntrário, é declaradamente contra os recores enquanto Esta vitória da e cola de tipo grego em Roma repre ent , final,
latinos, particularmente contra aquele Plócio Galo, discípulo de Mário, um fato histórko de valor incalculável, mediante o qual a cultura grega
que, conforme te temunham Cícero e êneca, foi o primeiro a ensinar tomou-se patrimôni comum d povo do império romano e depois
1etórica latina. foi transmitida durante milênios à Eur pn medieval e moderna - e,
Tr tava- e de uma e ola que, no momento em que as c ntcndas enfim, nossa ivilização - como premis a e c mponente incli pen áv 1
civis entr~ optimates e populares tomavam-se mais áspera , atraía nu- . sua história .
meros JO cn , alarmando os coo ervad res . J:s a escola preparava Mas , parte a r sisténcia devido ao que uetôn1o chama de a " ru-
pessoas d povo a falar em latim ''no coo clho e n a cm léi " , deza" d romanos e ao que ícero revela e mo o tem r político de que
conforme , expr ões antiqüíssima Je Prahbotep e de Homero; eram esta se torna e um l1tdus impudentiae, é preci indagar melhor como e
e la que preparavam para a participação d mocrl{tk~ na vida pública . por que, segund a pafa ras de éncca, o retor, era indigno cnsin r
Por isto eram proibida : elile novamente coo!rootava- om um aqui! que era honroso apr nder. ·erá útil , para taato , uma breve c o-
meduti, c m um T r ites orad r em comfci , agoretés. ideração s bre a história da lit ratu ra latina e inda a leitura de algumas
páginas de Cícero e de outros autores, em que se re dam as razões o- " Q uanro às probssões às tividades lucrativas, qu_ais devem . s:r
ciajs e ideológicas d desprezo das classes dominame por esta e por coo ,iderada Jiberai e quais indignas , grosso modo, mo a m1diça
qualquer ou1ra atividade mercenária, em Lhante já apresentadas em nos diz . . . As profüsões que conrêm e e.xig m maior sabedoria
Platão e Aristóteles para a Grécia. e pelas quais adqui rem boas an tagens, como a medicina, a ar-
Geralmente, d~-se início à literatura latina pela obras de ai uns uitctura o ensino de coisa levadas, estas são nobres , mas so-
poern estrangeiros, gre os de Hngua e cultura, que escr vem em ver os mente p~a aquc:les que pertencem à classe ad quada à profi ão"
latinos poemas épicos, tragédias e comédia de ti reg . O que d · I, 42, 151-2) ,
autóctone e original foi produzido ante de sa lileratura importada é
consjderado no nível de atividad "pré-literária' . ContemporanP>1mPnrt- Portanro, 1ambém as proü -e · intelectuais e mai rendosas são re-
a este esu:mge.iro contram-se autore latinos qu escrevem em prosa ervadas à pessoas de ums detenninadn classe: não aos cidadãos cujo
obre história, dir i co, agricultura e, té, moral retórica. As formas e os 0 ício é o de cidadão. Tácito chamava artes ho I stae soment à res mi-
conteúdos das duas literaturas escritas, contemporâneas e paralel , ·ão litaris, à i11ris sei 11/ia e :i eloquentiae studitim (Dia!., XXXV Il 1) : isto
diferentes. A clif renças encre a literatura em rosa dos latio e é, a arte política, cujo ensinamenio j:í n nrramo em Plauto e Ju ena!.
literatura em ver os d s gregos con i te no fato de que a primeira é Lembre- a incligoada admoestação de Virgílio :
obra de cidadãos que "também " escrevem, o passo que a ·egunda é
obra de profissi nais que só exercem a atividade do ver , porque são " Outro, em dúvida , ·crão mt: ·Ltt: em on truir e tátuas d~
excluídos de todo direito de cid dania e, porranc , do direito à parti i- [bronze ,
pação política. ntrc nio , que escreve em poesia, embora celebraod que parecem resp1rar, ou es ulpir imagens viventes no m rmore,
a glórias romana , e Catão, que escreve em prosa, registrand imples- saberão d f nder com a ratória mais guda as causas legai ,
mcmc füas aLiviJaJt: t.l cidadão, a diferença ~ que o primeiro é um aberão traçar o movimentos do céu com o compa · · e pre ~r
escrav estrangeiro e o segundo, um cidadão romano . Ao estran eiro [o urgir do a cro .
não seria permitido escrever sobre história e clireito, assim como ao
cidadão romano não teria ido permitido escrever poesias , mais do que
a um moderno chefe de Estad e crever a letra de uma caoçã popula r. Mas a ti , ó romano, abe governar os os m lei firm s
(esta é a cu rt !), impor a tua paz ao mundo,
perdoar ao vencidos e dominar os soberbos !" (A n., VI, 846-.5)) .
'' A arte poética não era honrada",
Isto nã. é um v Urico: é a ata interpretação da situação his•
escreve Catã no eu Carm n de moribus (um "carme" que só registra t6rica real, na qual ver um cavaleiro dcclicar- à profi ão de mestre
por escrito a ua atividade de cidadão pater familias ; o mesmo afirma
Cícero. A litcr11rura do cidadã romano Jcvc st:r t.le participação nos
d via parecer n~ idade. ".'lém di , a_ própria ,!egi l~ç~o imper~al falará
mais tarde, por mterméruo de Ve pa 1ano, de prof,ssoe condtzeme a
aro público u de manifestaçií de suas funções privada , c mo a de b meos livre " (fontes ,uris romani anteiustiniani, 1, 73), repetindo,
administrador u a de educador, jamai poderia e.r uma arte ou uma mais uma vez , a fó rmula do autor e da inscriçõe gregas.
profissão exercida para viver: nesse ca , é uma pr fissão omcnte para
escravo estrangeiro , que não têm direito a funções administrativa n s
negócios público e privado . O que vale para a literatura , com maior
razão vale para a crítica li terária , que se apre.ode na escola grega .
5. A escola e s us ensinamentos
Verifica-se também cm Roma aquilo que teorizavam Platão e Aris- Observemos, agora moi detidamen1e, e a e cola romana de tipo
tóteles na Grécia . m cidadão livre pode dedicar-se a atividades artí - grego, quai us en inamento e qual a sua didática .
ácas e literárias não como ao exerdci de uma profis ão, mas somente
Apule.i no indica claramente a egü ~n ia dos me tn: e os re -
como uma atividade cultural dc:iintcrc ,ada e oca~ional ; "não pela alle, pectivo ensinamento , que e.l chama d "ta a das Musas" (craterra
ma pela cultura". Cícero, no De officií.r, repeticl em Roma cm mesmas Musaru n) :
argumentações de Aris1ó1ele , di tinguindo as profissões liberais (ho-
nestae) da indigna (sordidae), não reconhecendo, porém, nem na pri- " A primeira taça , que min.isrrada pelo mestre do bê-á-bá, livra do
meiras alguma dignidad civil: aoalfabeú m ; a segunda, pel gram~t ico, fornece a instrução ; a
t rceira, pelo retor, dá as arma da eloqüência" (Flor. , I , 20, 97 ).
I
E. a rescema que a maior chega a beber destas Lrês taça (ha tenu eu e ' tudo ntém mais do que pr põe, porque o bem falar e mpreende
a plensque potatur), mas ue c:le em 1enas bebeu de urras taça , também o bem e crever e a lei tura pressupõe a análise crítica e valo-
e tudando também poesia, geometria . roú i a, dialética e filo ofia . ' raúva do tex tos. eria errôneo, rém, reduzir este e rudo a a pe t
meramente lingü.í ricos · literários: escola d gramátic é uma scola
A di tinçiio enire os três. ní~ci: .de e la nã era muito rigoro a.
de cultura gc: raJ , d toda a cultura necessária para a plena e correta
À part . o fato de que o en rn 1mnal da letras deve ter coo ervado
compreensão dos text , que devem er lidos criticamente e que c:ontêm
por ~u1to tempo eu cará ter familiar, cada mestre procurava ocupar-se
as noções própria da mai variadas disci plinas:
t~bém das tarefas do me tre do ní el sucessivo . "o a de faro
diz que : ' '
" Além di o·, a grnm:íúca, t ndo que t ratar dos metros e dos ritm ,
não pode ser perfeita ·t:111 11 múi,ica , e, ign rand o movim nto
"o gramático t: ocupa com a perfeiçii d falar e, ele qui er ir
dos astro , não poderi entender os poeta ou ou tr s texto que,
à. fren te, pode ~~p r-st: também das ~eirura d pro a e, querendo muitas vezes, para esclarecer o tempo , falam do levantar e pôr
e tender ao max1mo o seu campo incluir a poe ia" ( ,. J L
LXXXVJII, J) . ' IW uc., astros, como rambém não pode desconhecer a filo ofia pelas
oumeros{ sima pas agens , especialmente p tica. , que se baseiam
nos mai profund racioclni sobre qu l - naturais ... , e pre-
. O me m ate ·ta Quintiliano, destacando o co tume de pa ar as
cisa muit da eloqüência para poder falar com _propriedade e ele-
cnanças p_ara a. escola de re:órica m · tarde do que o devido, porque
gramáticos unham 11s um1do o papel dos reto res. comenta : ância sobre rudo aquilo que já dissemos" (1, 4, 4-5

" Acontece, de fato, que a aúvidade que eram as primeiras da Para ser, portanto, um hom ·m <."tllto, capaz de falar bem e entend r
seg\l nda _11r~ ~ mAm·. as úlri.ma:. Ja pümdrn , e a idade já desd- s autor~s é necessário tr:-r mnhPr ime.ntrl de muitas coisa . que se resu-
nada a d, c1phnas mais elevada contin ua sentada na escola inferi r mem em algumas di ciplinas fundamentais. o diz r de uintiliano elas
tudando gramáti a com re t r ' ( ll, 1, J) . são a música, a a troaomia (mencionada em utro termos), a filo ofia
natural, isto é, a ciências , e a eloqüência, cujo estudo se completa na
Quinciliano é, em dúvida, o melhor guia para ntrar n ma destas e cola de nível mais elevado , a cola de retórica. Estas clisciplinas for-
escolas_ e conhecer seu en inamentos: em sua I 1slit11tio oratoria (A mam o que o grego segundo Qu intilian , chama am de a "enkyklios
formaçao ~o orador ele nos ~á uma prova da escola real e um imagem paideia" que, para el , significa a ultura completa ou enciclopédica
da escola ideal que ele qu na. (ma que entre os gre os significava a cuJtura comum ou geral) . ! evi-
dente que esta escola, embora tenha o nome de e cola de gramática, na
Di . orre, inicialmente sobre os prime.iro momentos da educaçã
realidade é urna e c la d ultura geral onde, junto a ler, escrever e
n~ f~fha e bre a oportuni~ade que a criança tem de eguir a instrução
falar , e junto a conhecimentos literários, estudav -se um pouco de
publica nas escolru . Fal:1 r11p1rl,imentc sobre a nprendiUl!Jem inicial d
tudo : mat rias Li cerártas e mat ' ria cit:nlífi as, como diríamos hojt:, uu,
alfabe to e, 1 g em se uid , pa sa a tratar das escolas de gramática
como se dizia nos primeir éculo da nossa era, artes sermocinales e
rvando exatamente que '
artes reales, tri11mm e quadr1Viu111. A característica verdadeiramente
distintiva de ta e ola das escolas de hoje é, tal vez mais que o âmbiro
" para 9uem já ~prendeu a ler e a <=rever, a oisa principal é a
do poder diferente, o fac de: 4ue nen huma dessas disciplina tinha um
gr~átJca . ão tmporta que seja o greg ou o latim, embora u
corpus e um dcsenvol imento autônomo e progressivo, e que a apren-
prefira que e comece pelo gre o. De qualquer f rma o camính
dizagem de s u e nteúdos era ocasional, a partir da leitura e interpre-
para aprender ambas as línguas é o mesmo" (1 , 4, 1) . '
taçã do text da tradiçã literária : em suma, as ciências a partir dos
po ta . Antigamente, os poetas ram "vates " inspirado pelo deuses
le m smo define em que consi te ensinamento da gramáúca:
e, por iss , Jepositários do autên tico saber .
" ão duas a parte deftmdas que e t estudo propõe, i to é, a M11i:. m.liautc Quintilian volta a folor dei. tos di jpJinas, mua.ndo,
regra do falar e a le.irura do aurore : a primeira é chamada me- espe ialm nte, da rnú ica e da g omerria (aii men ion da n infcio) :
tódi a, a gund , histórica" (/, 11 , 1) .
"A música tem ritmos duplo na voz e no orpo: reque r, portanto,
Met6dica e históri a correspond m hoje aos termo "g.ramáú a' uma certa medida na primeira no egundo" (J, 10,22).
(do grego) e " literatura" (do latim) . M Quimiliano acrescenta que 0
.,
Após ter falado, no que se refere à voz , sobre a importincia do
rirmo e da melodia, acrescenta quanto ao corpo: orador devia ter competência para falar de tudo : est oratori de ommbuJ
dicendum 1, 10, 49). Por i o achava que nã era completa uma educa-
" É nece ário também um movimento harmônico e digno do corpo , ção cm que faltasse alguma coisa, por pequena que fo se.
que se chama 'euritmia' e que tem sua origem na música" Ora, que esta educaçã t cal na realidade exi ti e , é outra que •
(1, 10, 26) . tão : ·eja e mo f r, era o tipo d in truçio difundido . rn documento
epigráfico (um daquele cumen to que, junto oro o documento
Esta " música" compreende, portanto, canto e dança, para os quais iconográficos, poderiam integrar fundamentalmente os nos conheci-
(especialmente para a dança) parece que os romanos não tiveram muita m ntos sobre a educação antiga) , que é a lápide epulcral de Petrônfo
inclinação: até mais , achavam , diversementP cio gregos, que niio er~ Antig~oide-, uma riança dt" província, f:tll'cida aos dez anos, provavel-
conveni ote que os homens a praticassem. mente na mctad do sécul II, estudada por cevola Mariotti , confirma
Igualmente importante é o que Quintiliano diz a respeito da "geo- a complexidade e as ambições da primeira instrução gramaúcal que era
metria", não mencionada entre as disciplinas conexas à gramática, mas possível conseguir aos dez ano :
presente na aprendizagem d s primeiro rudimento do ábaco:
'Pene trei as doutrinas de Pitá oras e os ensinamento dos sábios,
"Dizem que a geometria tem algo de útil para a primeira idade ... li o lírico , li os sagrad poema de Homero;
A geometria · formada de números e de formas. . . E evolui até aprendi s ensinamentos matemáticos d uclides .
conhecer a ordem do univer o ; muitos dizem que é uma arte mais E gozei também de brinqued s e animadas diversões ".
parecida com a dialética do que com a retórica " (I, 10, JJ-37) .
Esso criança tinha, porranto, reqüentad uma c:,cola d ramiítica
Esta geometria e mposta de números fonna , que nos dá a do tipo daquela descrita ou idealizad por Quinriliano . a o maior
conhecer a ratio mundi, seria para nós a matemática; e é interessante interes e de Qufoliliano é pda e ·c la scguiore , a de retórica , da qual
notar que Quintiliano registra a opinião de sua afinidade com a dialética foi mestre e sobre a qual fala na maior parte de eu Livro . e te ele
ou, como diríamos hoje, com a lógica. ilu era a vária parte da ret6rica, eguindo de perco Cícero : a inventio
Com cste5 e.sclaredmento e acréscim , o quadro da e cola de ou a pesqui a d argumentos ; a disposllio ou a organiza ão I gica dos
gramática, de crit ou idealizado por Quinúliano, aparece mais com- argum ntos no discurso · a expositio ou o estilo do di curso ; a memoria
pleto. Os conteúdos por ele propo tos , chamado pel s nome atuai , ou as técnicas mnem'nica para lembrar di curo; e, enfim, a actio
fo rmariam as disciplinas do currículo d uma escola secundária moderna ou o modo de falar e de esúcula r na apresemaçã d di r o. É um
de tipo dás ico: língua e literatura música (canto e dança) , ciências tratad técni de grande interesse para a história da cultura romana,
naturais (com especial atenção n astronomia), ma temática e geome- ao lado dagudes de 'cero e ·neca, o retor, ma que pode ape na uge-
tria), l ' gica (filo ofia). A ausência mais tlagrante n e confronto com rir uma d nsolada con id ra ão ·obr a defasagem entr esta prepa-
o currículo moderno é a da hjstória , mas a hiuória faz parte da narra- ração t tal deseja la e as f un ões reais da vida, que r de um homem
liones, que são ou fabulosa , ou provávci ou reai , ou seja, histórica , ilustre quer d um burocrat:1 imperial. É pre iso dizer ue o próprio
e que são estudadas no início do curso de retórica (1 I, 4, 2). Lrvio e Quimiliano e cava, de cerro moe! , ciente desta distância : não só de,
Salústio eram sugerido ao priocipiamcs, mas enquanto pro adore e como veremos .
não como historiadores que transmit('.Jll as tradições pátrias: para is to
e preferia Cícero (TI, 5, 18-20) . A aculturação grega submeteu as tra-
dições romanas a e e ponto! De fato, não existe mais o en ino infantil 6. O mestre e a e cola
das leis das Doze Tábuas, que, como Cícero lembra,

" a& aprendinm desd ' crianças como um conhecimento f uml11111c:u U!l
Se no perguntamos agora corno -e apre enta, ns Roma antiga, na
época cm que a e cola já é uma in tiruição generalizada e enraizada,
(carmen necessarium), mas agora ninguém mai as aprende" (1-eg.,
figura do mestre, que imo nasce historicamente como urna profis.
II, 23, .59) .
s·o do trabalh ervil, tem que reconhecer que a prestígi d s cslu·
dos liberai nem sempre correspondeu um igual prestígio de seus pro-
o seu conjumo, esta educação visava, segundo Quintiliano, for- {i iooais. Embora ne La época nã e s a mais f:12er uma di ·dnçã
mar um homem completo, consummatus undique ([, 9, 5), porque o rígida entre idadãos romanos e e cran ei ros ( artir de 212 d . . ,
freio de um me tre arrancudo. Afinal, a figura de um mestre nii
Caracala estend rá o direito de cidadania a todo o habitantes livre
é tão r rrfvel. E mbora pareça vero pela velhice, tenha uma v z
do impé.ri ), o d poiment lirerári falam mais freqüentemente do
cav mo a ua testa enrugada ameace á pera repreensõe , nã
de pr zo do que da estima para com esta profi siio. erá tão de umano para qutm e acostumará a vê-lo. . . Tu, por-
Do litterator e do grammaflcus sã lembradas ~pecialmente <lua tanto, não tenha m d : embora a escola ecoe de muica p:m das
isas: sua sádica severidade e sua miséria. e o elho mestre mo tre seu rosto truculento, medo indica uma
Já conhecemos, on[ rme vimos folar da Grécia lemos na alma degenerada; nem te perturbe o damor e o ecoar da pancadas
literatu ra latina de Plauto T rAncio, o uso das puni ões corporais na primeiras horas da manhã, nem o vi rar do cabo do chicote,
empregada pel peda o e pelos me: tres contra o seus disdpul , ou que haja muito :iparnto d vara u uma pele e ronda fal a-
~"\J JUV tu111bé111 a!> vi 118,ai•~11!> Jo~ Jiscíi,,u lo , que n ão 6 sitavam cm qu - m ' lllt.: u111 m,viLe, vu v~~~ l,aocos trepidem de medo" (Ad11 p. ,
rar-lhes a cabeça (disrumpere caput) ou chi te r (verberare seus 2 .. . J 7).
velhos ped::tgo os e me ln:' ·: tratava- e, afinal , de e cravo . Out r,uto-
res comprovam a r~cipr idi1de destes costumes. Horáci lembra os É diGcil una inar que o n tinho do bom Au ônio tenha se c nfor-
vetsos de AnJrônk , que rado muito com estas rcv laç- desanunadoras sobre seu futuro destino
de aluno; de qualquer forma, temo aqui a mais viva descrição d er-
''quando criança, r mo (plagosu Orbiltu ) , me ln! da mã dadeiro adismo pedagógico da escola m Roma , u melhor, também da
pesada , me en. ina a a toque de chicote" ( p., Jl, 1, 70-7 ); es la romana.
1nevitavdmente, a esta sádi a severidad com:sp nd m a avc:rsã ,
e Oomício Afro lembrava tédio e a indisciplina Jos alunos : são as m smas coisas de sempre,
m11:; que vale II e n11 conhecer di ret:imeau: nos d.ocumentf.>s d:1 ~pn<'ll
"aquele que r íJio deve ter aüngid com a vara e chicote As vezes são cpi ódios cu rio o , de pequenas gaiatices, como rou-
Uerula cuticaqm )" (FPR. 3 bar a merenda, com já vimos em atão, ou o co tume d e ever
mrpez::i na I u a, conforme uma expre ã u ada por Cícero: " manus
Orbllio não de i ser únic s nm século depois d Horácio, de tabula" isto é, ao voltar-se imprevisto do me tre , tirnr do quadro
Marcial fola das vara e dos chicr ,e do · edag go (sceptra p edago- a mãos que estavam desenhando alguma coisa b cena (Ad /am ., V1I ,
gort11t. (X, 62, 9-10) e inve te on lrn o me tre de escola que 1 go de 25, 1). Às vezes tratava- e de obscenidades mai diretas que Ju enal
manhã ced foz tanto barulh na rua com eu mlhos e chj te menciona com ua costumeira tristeza: não é fá il, diz ele, ntrolar a
(TX , 68, 4), definindo-o como '' pe soa odioda pel s menin e pelas mão de tantos meninos e seu olh , no fim, tremendo Vll , 240-L ).
meninas" (ibidem, 1-2) . Um dos grafite do Palatino, de aparecido em 1866 por obra de algum
ão é de estrnoh:u, port . c1ro, Vt"rmos de novo documrnt d ·, vândalo . mas do qual ficou uma ~ravura, resremunbava o tédio do me-
também na litc.rarura larina, a vingan as dos lunos , gu já en oneram nino perante a escola (ind pendentemente da natureza dessa '' schola
na lireratura e na iconografia rega , a partir d " trab lho" de Hércules palatina"), apresentand o alun como um jumento odenado a rodar
que, com· q banquinho de escola, matou Lirio , seu mestre de música . urna mó, com o segujnte texto embaixo:
Agora é Juvenal que, na étima sátira, consickr~nd a condiçã miserá-
vel dos intelectuais, especialmente d gramáric..'"O · e do retores, ressalta hTrabalha, jumentinho, com eu traba]hei , e te uará vanra emr'
per i tente costume d s aluno : antigamente - diz ele - Aquile (lAbora, aselle, quomodo ego labora i, et proderit tibi) .
nem sonhava rir-se da c.i,1da do seu mestre cen taur ; ag ra, pelo c n-
trário, qualquer criança ostuma bater no seu mestr , mesmo que es te Mais tard , na onfissõe1, ambém Ago tinh lembrará tristemen-
sej a um êmulo de Cícer (V 1T. 213) E, crês ' u I mai tarde, Au ó- a escola à qual foi enviado para pr nder as letras; lastima a que
nio, profe or apai ·onado por sua pr fissão e generoso elcbrador de
eus colega na e cola d .8o1d aux , , imando seu nermh a freqüen- "os pai sebas · ·m grac,:u tia!> puui · õ e5 e m que os me tre~ ca ti a-
tar a cola sem medo, acaba rra ando d ta e c 1~ e de eu adi mo um varo os alunos. . . u g stava de brincar , ma era castigado por
quadro bastan e tenebroso : aquele que faz.ia a me ma coisas. Só que as brincadeira do adul-
tos chamam- negóci e aquel perfeitamente igu is das criança
" . . . nem empre a voz imperiosa de um me tre nedo esrimulaní são punidas pelo adulr . ninguém compadece da crianças
a crianças . .. Aprende de boa mente a não detestar, meu neto, o ou dos adultos u de ambo " (IX, 15).
Horácio no dá uma imagem da criança que vai para a aula : mória continu u ndo a rainha absoluta da cola, m m quando nã
e pre isava mais d~a e foi r <luzida à memorizaçã de minúcia banai .
"pendurada ao brn o e·querdo leva a caixinha m us pedrinhas Também a mat mácica era uma aprendizagem mnemônica medinka
para fazer a conta · e a tabuinha para e rever" (Sat ., l. 6, 74). dos re ultados :

Con ider:ind o crnbalh que a sperava, a ida p ra a aula não devia ''Dois mai · dois foz quatro : este es tribilho Já e tornara odioso".
er_ ~ão alegr . Pér ·io , urro grande poeta atíric , descreve a criança
olic1tada pel pedagogo I vantar- e para ir à escola: dirá Agostinh , lembrando u tédio Jc ua ví<la e olar.
A apr ndizagem da escrita )t:guia também um método ex e ·siva-
" quando já tem em mã livro e o pergaminho de duas fo es de me te mecantco. Platão o descrevera para a <.irécia; um utr filósofo ,
r difer nte , do yual tmha s1d raspad o v lo, e a an ta nodosa ên a, o de re I! para Roma:
para escre er la começa a queixar-se porque a tinta muito gordu•
ro a ·ca agarrada à p nta cálam , orque a épia negra tá "As crian as aprendem a é crever eguind aqui! que únha sid
diluída em muirn água e derrama muita gotas" ([II , l0- 14); e cri to prim iro pelo mestre ; seguram-se seus dedos e são levad
p r urra mã a seguir o m delos das letra ; em eguida mandam
enrii a criança perde a paciêncio e exclama : "Como posso e tudar com imitar o modelo pr po tos, s rcvcnd as lctrn s conforme
esta caneta?" (An fali studeam calamo? - ibidem , 19) . Em suma, o m dele~" (AI Luc., XCIV, 51).
tédio e o pavor da escol eram um lugar-e mum .
Nessa escola, a didática era aquela ob e iva e repetiti a que já vi- enfado desta didática, o medo da vara e d s chicote e os e n-
mos na Grécia . O me•tr "gárrulo" falava alun I q,cLiam . a 1eúdos muil disrnnr · da vida diária e dos interesses r ais do j vcn
memória era o in trumento principa l do ensino. Mas que tipo de memó- e da ociedad certamente não encoraja am a frcqüên ia aos estudo .
ria? abe-s que na Antiguidade , anLes d~ difu ão da escrita, a memória ão som oce as pessoas rudes, capaz ~ de enri ue cr sem instrução ,
era o únfro e indispen á el meio de apr ndizagem, para i e erviam rn eram ter tédi e noj por esta esc la, om o sapaleiro de Mar ial
o verso a mú ·ica u a cantilena ; portanto, cada ensinamento era u que ·e quesriona: para que me intcn: ·s m gramático · e rewrc:s?
carme11, com o arme11 d moribus de rão ou a leis das D ze Tfüu (TX, 75), ou como alguém da raça dos centuri- s qu , no dizer e Pér-
que se aprendiam, no dizer de fcero, orno um carmen II cesrariu, ,', sio, pro lema: o que sei é o bastante (quod sapio satts est mihi, III,
Outra razã obrigava ao u o da m mória; a sacralidade e o caráter eso- 77-78). lndusive o tão refinado Horácio m rra em lhancc de prezo
térico dos en inamenco , re ervados em geral a um grupo fechado , quando diz qu não se digna ambicionar a fazer part das reuniõe do
uma ca ta acerd tal. Cé ar, de foto, a propó itu dos druida da Gália, gramáci e a subir sua tedra (Ep., I , 19, )9-40) .
diz que: Além do sadismo pedagógico generalizado e do enfado de uma
didática repetitiva , pelo menos n qu diz re peito a s primeir s oív L
"apr ndem de cor um rande úmer de verso , porq e ach m um de in trução , é exatamente o abismo que epara a escola da vida, a
~acrilégio pôr aqu las coi p r escrito, em ra para outras c isas insignificância de seus conteúdo , que coloca essa escola em discussão,
usem a I rrns gregas" (Bel . gal., VI , 14) . não somente eocre o in ult , que não begam n vér eu ai.pecto
p itivos, mas também entre filósofo séri s e entre o melhores mesrre .
E explica que i t parece acontecer por dua razões : Neste contexto niio podemos e queccr mara ilhosa polêmica d
filó ofo Sêoeca contra o e tudo liberai . Ele ob trva que:
''porque não quer m qu nem sua doutrinas sejam divulgada ,
nem aquele que esru :1 , confiand na e crita , acabe descuidand do "não se aprendem a coi a ne , :frias à f rça de prender n ·
memória ; c isa que acontece à mai ria que, er indo-se das 1 tras , inúteis" (Ad Luc . LXXXVlll ).
afr uxa diligência pora aprcnd r · m m riuir " (ibidem).
e qu s estud s não t rnarn boa · a pe oas, me omente cultas (Ad
A me ma coisa n tata Plutarco na e ola d' Pitágora (em• a Luc., CVI, 9) .
Vida de uma . le in i te com uma f rre pergunta: " Para que erve o ·abcr ... ?"
Embora já prescindind da sacralidade da doutrina, devido à osm• (Quid prodesl scire .. . ? -ibidem , passim) . Todos esses conhecimentos
meira vi co idade d bdbito humanos d in enco r~cnico , a me• e e sa ciên ia podem cn inar medir o ír lo ou a cnteod r tanta
coi as particulares, ma nã ajudam a conhecer o espirito do hom m e
a praticar o bon costum . Até mais - ele diz - é freqüente con . ta- "para mim, acho que a crianças totaJmente
rar que quem profe sa e e e tudo liberai é pior d que os outros; cretinas porque não estudam praticamos
e clama que é muito melhor vangloriar- e do ótulo mais m e to d na vida" (Sat , lI).
homem honc t (bonus) d q e títuJo de homem instruíd (littera-
tus) (ibidem, )8). Elas sã acos1umadas, de fato, a declamar estranha história de
Esq1 maravilh sa e pe i ' tente polêmic , e m sua intransigente piratas, de tiran , sanguinário e de ráculo , no quai nin 'm a re-
in piração estóica, faz parte da bist 'ria da idéia e 6 pode ser indiceda dita e pel quais ninguém ·e intere sa .
ne se contexto; ma nã p emo ignorar tsntas outras denúncias que, A e cola dos estudos Hberai , portanto, era favorecida p la mod
d~ ptól,>tiu iulciiur <la escala , revelam seus vícios . Atê mais, pode-s ma~ :;u[ti11 u~ oíti a do~ cuho do incultos . Tnlvez o testemuoh
afirmar que em Roma n ij encontramo , pela primeira vez, p r ot mais car ct rí tico deste jul amenc amblguo · encontre numa página de
uma crítica fundamemal da escola pelo q e ela é e n-o los acidentes um fragmeoto (De V rgilio oratore an poeta) do ret r 1 r , do século
de sua vida diária : assisàm , enfim, ao na cimento de uma con ciência II d . . Obrigado a aband nar Roma, ele encontra numa praia da pro-
crítica. sobre a escola e a educa ão, As razões dessa críci a são compre- incia bética um eu admirador, que lhe pergunta de que ck ive; à
ensíve1 : numa sociedade q e recebeu a escola de uma tradição alh ia sua resp 1a de que vi e ensinando as letra do aliabcto, interlocutor
fetivando uma ruptura com as própria tradiç-e , e em que a finalidad; exclamou :
" impudente" da conquista de hc emonia política das massa airav' da
cultura se revela ilu ória, ne a ciedade in vita elmente a escola e sua " coisa indi ní ima! (0 rem indignirnmam!) E c m que ânimo
culmra acabam por se fechar em i m mas, numa idolarria exclusiva de consegu uport r sentar na escola en inar às criança ?"
suas tradiçõe estranhas e fechada~. À polêrnini rnnrs,l ,1m e ,Sicos sl'
acrescentará mai tarde a crítica d s cris1ãos; pod mos traduzir ua E Floro re ponde que ele também pensara assim e qu ·
motivações em term ~ ociaí , se querem reconhecer os mérito hi -
t6ricos dessa escola.
''aquela profis -o tanto o havia enfadado can ado que achava. não
O mal-estar desta eparação da vida é enrido também dentro da xisrir n mund homem mais miserável do que d e; mas, refleundo
escola: Sêneca, o ret r, uintilian , os doi maiore retore da Roma br o as unto comparand sua sorte com a condição de outros
clássica, estão também eocre o seus críticos mais lúcidos. êneca, o fício , descobriu quã maravilho a era a atividade por ele_empre-
retor, escreve ue ndida . . . meu Deus! É tarefa de imperador ou de rei sentar
numa cátedra ara ensinar b n co rume , s tud s da a-
"se e t nta se levar para o enado ou para o for , por um real urada letras ora Jend poesias que en inam a bem falar e a b m
compromisso político u judiciári . estes declamadores escolásticos , .,pen ar. ra lendo
' sentenças que e ducam o cora ão!. . . " .
eles, mud:indo de lugar, como c rp habituados a um lugar fecha-
do e sombrio, não aberirun ficar ao ar livre, à chuva e ao sol, e e Da condiçã mais miserá el a uma condição de rei: entre e te doi
sentiriam perdido " (Contr. 1II, Prae . 13) , pól o ciJava na realidade, a condiçã de mestre no vário graus d
escolas, do litter tor ao grammaticu e a rhetor com sens(v is diferen-
Da mesma forma, Quintiliano lamenta a de adência das d lama• ças individuais e locai .
&-s escolástica e, embora tribuindo a culpa aos pais que preferem a Com na récia, também em Roma esta rofi são nem empt
e cola da moda a uma escola mais séria, n lui observando que honrada apre ema a, de fato, dif eren a muito rande , inclusive quan-
to à remunera õe , de acord com o grau da e ola e om o prestigio
"ora, quand riança na ~scola e brinca, quando jovem no fórum individual dos mesue .
no e rolam e, o que é pior, quando elho ninguém quer reconhe- Os ,.._rrnvo. liaeratores, vendid s no mercado com um car1a2 pen-
cer ter studado m vão desde criança" (li, 10, ). durado a pescoço que o q aJjfica a como tai , assim como os gramma-
tú:1 e os rhet res, podiam ter vári s preço . Plínio, o velho , n informa
Mai perúneote ainda e mais decisiva sã a crfticas que Pe(rônio qu preço max1m pa até então - pelo que lhe c n tava - para
coloca na boca de aJguns personagens do seu atyrtcon . Diz nc ' lp.io : comprar um homem na cido e · rov f rn d Dafni, erito na arte
gramática, vendid por níci pesarens parti M . auro, pri11ceps de
sua cidade, por 700 mil sestércios (Vil, 40, )9) .
a 1
Tratava-se, em dú ida, de um preço enorme. Ma um pobre mest.r "ancs liberais, nas quais t d cava leiro e senador mandava instruir
de · la recebia muito meno como pagamento pd eu uabalho. H - seu filhote " (Sat., 1, 6, 77-78).
rácio ironiza
Isto ,j •nifi a 4ue a e ola de gr mática _e der t6rica erª.:.ªfi~al, a
"os grande filhos d randes centuriõe , ue em Veno a iam cola das cln ses privLI giada . Juvenal conftrma que a eloquencrn era
par:t a escola levando, ao [dos do mê , ico axi para o eu me - algo raro ntrc esfarrapado (rar in 1e11ui fecund,a panno - \III, 45) .
tre" (Sal ., T, 6, 73-75). xatamentc por ausa desta sua car ~tcrística de, ~r uma esc la_ da
asse: domin, nie , ela t rnou-·c de mtere e pubhc e ons~guau o
Em Roma porém, o r ter Rêmnj Pakmoa con eguiu c:111 ÍY.Ut:i.:t:r apoio diret do poder lít ico , que primeirament foi c n~e par-
m s proventos de seu trabalho e d su especula - . ticuJarc , cm eguida provê os ai 'ri . mestres e •. enf1:_m, a ume
também a funda ão de la . Da réc1a, em suma, e1 nao son_ientt
onrudo, Juvenal, na sua érima sátira, d clicada aos intelectuais a escola mas também o cv rgeti mo, inicialmente privado e depois de
e especialmente aos gramá tico e ao retore , denun ia a ln ignifi incia
média da remunerações : nado.
orno ex mplo de cvcr~eti m privado . pode-se lembrar ca '? d
PHaio, o jovem qu, pr mete a mo, ua adad natal, uma ontrtbu1-
"ninguém daria duzentas m edas a íccro e, e e ensina a decla- ão para pagar s mestres de •ramática . Tend enco?trado cm Como
mar todos querem aprender m, nin uém quer pagar a recompen- o pai d uma riança , brigad a enviar seu filho a Milão para escudar,
sa" (Vll , 151) ;
PHnio re com ele e~t diál go :
c: constato <.fue o um pai o 9u mcno c u~lavu c:1 a a c<luc.:açã d filhos 'E p r que nã aqui? - Por que aqui não
(ibidem, 186) e que freqüentem nte o pedag g , encarregado d pagar
Por que nã , ·e v princi al inter e é que vo. s ilho
ao mestre, ficava com uma parte do dinheiro (VII, 216-218). e rudem aqu i me mo ? Quanto u ·taria a manutenção do me -
Ag stinh , éculos mais tard , denunciará a mesma renitência cm tr ? . . . u ainda nã tenh filh . mas e tou pr oto a dar pela
pagar os honoráti s aos m trcs, também nos mai altos rau da inscru- nossa cidade um ter da importância que vó julgai nece ária .
-o: tendo chegado a R ma, vindo de rtago, para nsinar retórica . E me empenhari:1 !I dar rudo, mas temo que minha ene r~ idade
inicialm me ficou satisfeito com a m lhor disciplina dos estudantes, acabe, na prática, ac:o· tuman<lo ma! : como a ontece em muitos lu-
mas logo constatou que freqüent mente estt.-s, para não pagarem ao g res, onJ o cidad ossum · o pagam nto d mestre . te mau
mestre seus honorários, de comum ac rd passavam cm ma a para ulr e tume pode ser evirndo ó de umo m:incirn: se fo e re er ado
mestre, 11 de ·peito de toda boa-fé e eqüi ade por amor a dinheiro ao pai. o direito d~ a umir o me trc ·" ( p., fV, lJ) .
(V[ , 21).

De ca forma, Plíni lev nt.:1va o problema que já vimos lratad por


Aristóteles com r lação à Gni:ia: e ' coo cnicntc u não a intervenção
7. A escola de Estado diret do Estado como a aburá aconcec ado .
Os primeiro reronheciment úbli a 1;1esrrcs e à e co!a de:
Com toda a uas contrndiçõe já aa:ilisadas, com os defejto e as ripo grego que podem já c nsiderar também latina ), apó a r 1stên-
virtudes d sua cuJrura e su djdática, com o desprez e o pre. tígi cia e as op siç- s patri ticas ou classi ta · já mencionadas, com çaram
que ofriam ou gozavam eu mestres, o escola de tipo •rego é, nos últi- ob a dit:1du ra de ' ar, d qual uetónio diz que :
mo tempos da república e no primeiro d principado, uma ia tituiçã
já difundida e consolidada . .É difí jl dizer quanto m stres e quantos
"con d u a cidad nia romana a tod s aqueles que exerci tavam a
di clpulo eram c nt.ado em R ma e nas outras cidades do império:
sem dúvida , uma pequena parcela da população é que freqüen ava a medicina e en ina am as orce libcrab" ( ui:~ ., XLll).
e cola e, especialmeocc, como constatava Platão na sua teoa , se a i te
a uma inevitável dirninuiçã das freqüências de de s primeiros graus A medicina a "doct rina n71un ho11ttstarum", com vimos, er m
até os mais el vad s. Horácio, que ironizava · "grande fiJh do consideradas por Cícero enue as arltts hon_estae Um preceden_te d ta
grande centuriõe " de província, fala da política fora a vit rio a def sa que Cí ;º fo,era do poeta ~rqwas, para
confirmar-lhe a cidadania romana em virtude de us ménros poético .
Anos mais tard , no ano 6 a. ., na ocasião de uma re Lia, Augus-
to, ao expuls r de Roma, para poupar alimento , todo o escrav s pos- que fossem, são rigorosam nte estabelecidos. Um pequeno extrato da lon-
tos à venda , todos o e trangeiro part dos escravos em serviço, cx- ga lista destes preço nos dá a idéia do status social d s m stres do
luiu dessa expulsão médico e mestres (Aug., XLII ). Todavia, equipa- diverso graus:
ra-os ainda ao ser i e peregrini.
Depois, com Vespa iano encontramo o primeiro salário estatal "VII .
para uma cátedra de retóri a, a de Quinúliaao, em Roma : 64. Ao massagista, por cada disclpulo, denários mensais 50
65. Ao pedagogo , por cada criança, denários mensai 50
"Vespasiano favore eu a técnicas e as arte , diz uet8nfo, e foi 66. Ao me tre "]li,. t>n ÍnA n ll lfRh~tn, pnr c11rl11 cri11nça. denários
o pcimeüo a destinar cem mil e tércios ao an para os retores men ais 50
gre!!os e latia " (Verp., XVJJJ) . 67. Ao mestre de cálculo, por cada criança , demfri men ai 75
68. Ao copista ou antiquá.ri , por cada di fpul , d nários men-
Trata-se, porém , de uma providência que concerne omeocc ao en- sai 50
sino destinado a formar quadr da burocracfa imp rial. 69. Ao estenógrafo, por cada discípulo, denários mensais 75
Em seguida, Adrian , um imperador imbu(do de culrura grega, atua 70. Ao gramático grego ou latino e ao ge6metra, por cada discípu-
como e ergete greco-helêaico , custeando a construção de novos ginásios lo, denários mensais 200
em Atenas, Epidauro , Paoamara, Mil to, Adana e E mirna, como teste- 71 . Ao orad r u sofi ta, por cada discípulo, denários mensais 250
munham ai umas inscrições grega : 72. Ao advogad ou jurisperito, honorários por petição, denários
250; por causa, 1.000
" Ao vo sos filhos dou o novo gin' io para decoro de acida- /J. Ao arquit to mestre, por cada disópul , denários mensais 100•·
de ... " (in Ziebarlh, 1). Edicfl,m de praetiis rerum vena/ium, VII, 64-73).

Antonino estabeleceu os honorários e os salários aos retores e ao A intervenção dos imperadores torna-se cada vez mais &eqüent na
fil' ofo em todas as província (A. H.A., Anl 11) . escola, que já se tornou um negocio de tado, i: não omente para
A escola de retórica , portanto, já e tornou o caminho para a car- resolver problemas de financiamento ou de preço .
reira burocrática, a tal pont que Juvena1 ir nizava , diz ndo : o dia 27 de setembro de 333 , Con tantino , ociand mai uma
vez médicos e mestres (uma prefiguração da universidade medieval!),
" se a fortuna quiser, de retor tornar-se-á cônsul, e se a mesma qui- estabelecerá:
ser, de côn ul t rnar• e-á retor" (VII, 197-8).
'" Ordenamos que os médicos, especialmente os arquiatras, e os
Dessa forma, pre eptores das família imperiaí , conforme ate - gramáticos e os demais professores de letra , junto com suas esposas
cam Fronrônio e Herodes Atico, abriram o caminho das honrarias; o e filhos e com rndo aquilo que possuem em suas cidades, sejam
me mo é compro ado , mais tarde , por Au ônio que , no seu panegírico di pens. dos d qualquer função e de qualquer obrigação civil ou
ao imperador Graciano, agradece-lhe por tê-lo feit que tor, prefeito , pública, e que nas províncias não devem rec ber hóspede nem
cônsul e, assumfr qualquer outra obrigação , nem serem levados ou apresen-
tados em tribunal ou s fr r m injúria , d tal forma que, se alguém
"coisa que o próprio imperador antepõe tod e te títulos, seu os perturbar, será punido arbítrio do juiz . Ordenamos, outrossim,
preceptor" (Ad Gr11t ,, XXXVIII, 83 ). que lhes sejam pagos os honorários e salários, para que com mais
facilidade po sam instruir muita pessoas no stud liberai e nas
Prova elmente, porém, a carreira se uiu o caminho c:on tdrio: de ortelõ célehres".
preceptor imperial a côn ul.
o início do século IV d.C., com a reorganização do império em• Ainda sobre os salários, Valcntiniano intervirá no dia 13 de março
preendida por Diocleciano e: , m particular, pdo Edito sobre os preços de 370 d .C. ; e no dia 8 d maio do mesmo ano nomeará quatro " anti-
das coisas venais de 301 d.C., o rdenado do me tre do vário grau , quários" gregos e quatro latinos, a fim de compor e restaurar livros nas
como também o sal~rios de outras profissõe , "sórdida " ou "honestas" bibliotecas, e "iá que evideot m nte pertencem ao povo", disporá para
eles os ordenados e provisiones. T mou, enéim , as providência neces-
·anas para c ntr lar a bo e nduta d en que vinham das vária "amigamenre nada en ·inava que ti vesse que er aprendido
cidade do império para continuar oi, e t do superiores c:m Roma . te nrndo" ,
documento é de grande inrcrcs para a his tó ria do co ·rumes "académí-
s" e das relações enrre " ac demía" (·e for pos íve1 usar a ui esta pala- dever ,n, d izer que a educação fhi , que pr para a o futuro cidad~o
vra ao me mo tempo ant i 11 e m dcrn:1) t p der politi o ; p ra u das ar ma na defesa da pr ' pria pátria (e na o~ensa à p:íma
alheia), era o p rin ipal e mai im rrantc a pe o da fonna a do h mem .
" imperadores leniiniano, lente e m iano Au u t a im · também Ju nal e outros, lembrando a educação h mérica ,
Olíbrio prefeito da Urbe : con iderar i ualmcnu: importante' a preparação ara a pai e para
Todos aq ueles qu~ vém para a Urbe proj.)Ói,i tu <le apn:n- iuc11a, lJarn o ahu e pa1a fo1. r.
der, tragam prim irameme mt::Stre d ·en · cartas reden tais · em R ma na verdade, e c mirem s muito rard o go to pda
do jufze provinciai. que devem con t:der a a Lorização para 1- " cspo;tiva" e mbina ão en rr comp ti ões ginást icas e
rem: nelas de em constar a cidad , a família s títul ·. E m e• poélica ue vímo na récia ; e ·e ob :rvam . s, ulr im, uma. ~~ r~
gu ida, no m m nro de wi chegada, declarem a quai s estud s t:S p t:- diferença do u o gr li e uma prepara a mais d1ret _paro__a m1(1?a ,
cialmence prctend m dedicar- . .. l gualmen 1 os enrnalt's vígiem mesmo assi m uma rguniza ão sistemática da ~rcp:m1çao hs1co-m~1~r
para que cada um dele se comporte . nos lugare d reuni-o com através de jog s e mpetições parec ter ' 1.1 • rig~m, a darmo . _red1!0
uma pessoa que fa1 questão de fu gi r a uma repu tação ver •onh sa a VirgUio , na primeira anriguidad . Virgíli , •':1ª mando a ~~ruc1pa n
e desonesta , ou grup de e rnpanheiro que pod m le ar à delin- do jovem Jul de us c at mporãne s nos Jogos que _Eneias c lebra
qü·n ia , e que não freqüentem nem os e p tá ulo , nem os ban- em Trapani n primeiro aaiv r ário da morre de Anqu1 e , remo~t~ a
que t inoportuno . ALé mais , autorizamo qu . e algum dei nã :intes da fund11 iio J1,1 idude a in ri mci nn;ili-,.,. íin ,fo p repa ração mil itar
se comportar na cidade corno · ige a dignidade dos e tudos libe- ~ara a primeira idade . i ·10 part:e ,' r v rdad , pois, de _ fat , o i
rais, seja a oicado cm óbli o e po to logo num n:ivio que o afa t • infantil pr figuro imedia tamente a guerra , conforme o esul r m no :
da cidade e leve para ua p:ítria . Pelo e nmirio, a jovens que "rombi n m f ga e batalha orno jo o'', ele diz (V, 593) .
e dedi am dili entemente a eus estudo , será permitido ic:ir
E ainda, ·egundo ir,ílio,
em Roma até o vigésimo an d idade . Mas, decorrido este tempo,
quem não voltar e ponrnneamente seja despedido para sua pátria
por com da prdeicura para ua mai r infâmia . . " " A cânio , fundando Alba tran fe riu para lá este jogo· e o en i-
nou aos anti os !aúno na mesma forma qu ele me mo e os joven
tr ianos os tinham celebrado· e albano os ' nsinaram uos seus
Em 376, por evidente inspiraçã do r ·cor Ausônio, seu preceptor,
o imperador racian estabele eu que em cada cidade hamad mi:tro -
j ve n e Jdes Roma o - re b
u adotand s como suas prindpai
rnm p Pric;õe-~ ,. o~ con crvou com g l ria d s aot pa ados, l:Jnto
p li ÍOl>l>c: deitu um " n bre profe sor", • define a medidas an nárias
que II ora ei.~e j go infanti chamam-se compeLiç - I r ianas e
que devem ser aga a me tr : 24 medida ao ret r , 12 a gramá tic
tropa tr ionas" (V, 96-602) .
(Cod. Theod XTII , 3-11 ). melbantes di posições im períai · nã tinham
tanta dicá ia prática: disto se qu ixa a cam m ibânio, fa land da
récia, e quando e n oneramo disposi õcs nálogas de urro impera- E ·te é d fac um " bnncar de gue rra" que ervc de prepara ão
dore , já saberem que significado ar a da no adro da decad 'ncia para a ,uer.ra . • id~ncemcmc, pre~supõe uma preparação física bá ica,
do mundo nnt igo . com os excr í i d e rrida, de eguita ão , de lan am mo <le dard s
flechas . Nã sei dize r quanto de gr g e d rornan há ao Lexto de
Plaato, cm qu • um v Ih lembra com saudade ua juventude, quand
e di vertia
A educação /ísica
'com o di co, a ha t , a bola, a corrida, a arma , o cavalo"
, educação moral e civica através das quais as jovens _ge.raçõe (Most ., 145-51) .
eram acuJturadas nas tradi õcs páLrias, aprendendo o mos matorum e,
com o evoluir da civiliz.açã , rambém as I ira , e acre centava a ed ca- M c rt:1m nt também romano: Horil io lembra o j cm iba-
ção fí ica .
ri ue
de ê emos, aliá , dar razão a •neca , qu d iz que
porrunadores, le ando-os a assi tir o _iog~ ela bola ;_ e do estádio
"freqliemementc: lançava o dardo ou o disco além do marco, rrei- chega-me um grande clamor que, sem d1smur-me de 1 me mo, leva•
nando no ampo márcio com seu coetâneos" (J, VTI, 11-12). me a fazer uma reflexão crítica sobre aquele costume . pe~ .
comigo mesmo quantos exercitam o corpo e quã poucos e pin-
1 la é também certo que bá uma clara diferença entre o uso grego to: quanta loucura vai para um esperáculo" (Ad Luc., LXXX, 1-2).
e o uso r mano . mesm que o exercido fundamentai f em o
mesmos. Além dest interessante e moderna, porque atemporal , págin~ ~e
Os romano não conheciam a ai tra : eu local de exerci1açõe Sêneca que no lembra Xen6fane , Tácito, também, no eu espmto
era, na cidade, a planície às mar ens do rio Tibre, que, por ser desti- conservador, cri tica a introdução de jo o gregos por obra de e.ro ,
nada a e re xerdclos , era consa r da ao deus da uerra, arte, com- perguntando-s :
preendia o campus Martius e o próprio no Tibre , " ndc todos os joven.
vão nadar" , como lembra Cíc ro. "qu falta mais, se não que fiquem nus, enfie~ o~ cestos para ~
Todas e tas exerciteçõe eram imediatamente militares. pugilato e c nfundam aqu les lutadores com a mil(aa e as arma ?
f as tamb~m aqui o mos maiorum foi gradualmente ub titufd
(An ., XIV, 20).
pelo mos Craecorum Tito Lívio, sempr à procura do primeir que
introduziu um novo cosrume , conto que M. Fúlvío Nobilior , o mesmo
ª.
Em suma , a oposição enfren tada pela agonísti, grega foi :e?"le•
lhante. ãquela encontrada pela e cola 1 re a de gra~auc~. e de rctorica.
que introduziu na sociedade romana , poern :!!ruo, que se tornou o
cantor das glórias de R ma, cm 186 a. . lebrou
Além dj o também em Roma treinamento fís1co-m1htar , que, com
oratória ~olftica , era o fundamento da formação . d. cid~dã , além de
sofrer II influ~ocia grc-i:i , foi ~11rl::ints111n pelo profrssronalismo dos atle-
"u jugus que preparara e que prometera realizar durante a gu rra
tas, servos e strangeiros, e dos ladia~ores, perd ~do rotalme~te o
da Et6lia; e pat aquela olene ocasião vieram da Grécia muito
caráter anti o de privilégio dos homens livre . o en1Jos po terr rcs,
::míúces. E foi aquela a primeira vez que os romanos puderam ver
caberá a ourros nobres exercer e te privilé ia .
uma competição de atleta ' (XXXTX, 22) .

Mais tarde, no ano 2 a. . Au u to in tituiu cm Nápolc compe-


tições giná. ti a , Augurtal1a Sebarla (em seguida ltalica Romana 9. O trabalho e a aprendizagem
Sebas/a lsolympia) , verdadeira oUmpiadas romana , à quais deze· ei
e a arte liberai ist é a · letras, encontram desconfiança e
anos mais tarde foram acre remadas compeciçõe · intdectuai . er ,
ob tá uJo , pode- 0
imag inar co~o todas as '.ltividades . técnica era~
egundo uetônio , e nsoüdou e te uso grego, quand
tidas como suspeita pel homens livre . À arte a agricultura, que e
um as ecto e uma fonte do domínio do palres, donos do solo e CUJO
" in rituiu , ele primeiro entre todo · cm Roma, também uma e m- estud faz parte da literatura dos cives romani , de. Catão a Var:ão ,
peciçâo tríplice, cada onc ano , scgund costume grego, mu i- Virgílio e lumela , toda as atividade prod?civas , quer a sord1dae
cial, iná~rica e eqüestre, que cham u de Nerônia '' (Nero, X II, J ). quer a libcralcs, são indigna de um hom m livre.
uerôni ainda iof ema que Domiciano, a in titufr Agon ou
Plmio, o velh , fala-n s da pintura com? uma arte h vezes nobre ,
certamen Capitolinum, criava também pda primeira vez em Roma um ars quondam nobilis, que Fábio Píctor cultivou (XX V ,. 2). Mas_ ele
escádio de ripo grego, a atual praça Navona, que quer dizer in Agone cultivou essa arte por prazer e não para obter ganh , e 1;1sso cons1 t~ ,
para Platão, Ari t ' tele e ícero, a diferença . Por esta raza~ o exerclc10
( Dom. IV )· nele , a mu.lhere também participavam na corrida.
de.: toda esta ali idad é d ixad par os escravos e os libertos. o
aturalmen1e a difu ão de te novos costumes encontrou resistên- Logistorici, Varrão diz que
cias: uma oposição , proveniente ,fo cl~prnn c- t6 i o contra tudo aquilo
que nã favorece d m!nio das paixões, é enc ntrada em Sê.neca que, " os livre que se ocupam m as fábri as para a te~dage~ de lã,
como já vim , criticava a escola de gramática e de r t6rica . ma d do Jinh e da palm ira, não trabalham com as própria maos, ma
uas carta a Lucílio , ele escre e:
se ervem de escrav s" (Log., li I, 34 ),
"Sinto-me feliz por encontrar um momento para pensar em mim porque niío é digno de um homem livre trabalhar para viver .
mesmo , graça ao espetáculo que envolveu t d s o possíveis im-
Por outro lad , freqüencementc m1balh s dos escrav e nã ou sabina, con tituindo :is primeiras oito corpora õe de oficias (collegi
mente trabalho intelectuais , exigem conhecimentos e habilid· des artificum ): flautistas, ouriv s, 1 oh dorc e marceneiros, tintureiros ,
que podem r conseguidos som nce at ravés de uma verdadeira escola, e apateiros, coureir s e curtidore • cobread res e paneleiros ; a este se
até de uma e ola d· le1r . De fato , o própri Varrão , no De agr1col- acrescentaram em seguida outros /abri , como o do ferro, da prata
lura , diz que (/abri ferrarii e argentarii) e outros ofício.. E sabemo qu nos colleg1a
egui m•sc frios graus d sde a primeira aprendjzagt:rn a té o domíni
" ao e crav que ocupam cargos de respon abil idade nas azenda complet do fício .
se everia ensinar a ler e e rever deveriam re eb r um pouco Pou o abemos con retamt:nlc sobre desen olvimento das vana
de in ·trução" (1 , 17 . 4 . aprendiia~en pr fi i nais . úmtud , é claro que a aprendb.agem e o
erdci de um ofíci excluem que prncicam da escola de e tud
Este é um costume que vinha end prat:i ado, para m lhor cxpl liberai . Quando nas sociedade grega e romana se fala das coi a qu
rar o trabalho servil por parte dos patrões mais empr ndedorc : não um jovem livre de e c ohecer (quae líb rum scire aequum est adul s-
. mente para ut ilizar e. te e rav qualificados dirctam nte no próprio centem, segundo a expressão de Tcréncio, traduzindo o Eunuchus d
erviço, ma também como in estiment " de capital", parn alugá-los Menandro - IJ I, 2, 23, 2 ), xpressã recorrente desde 1!s uines e
ou vendê-los a um preç bem mais alt . Plutarco informa que as im outros, inclusive legisladores e cveq~etes, isco significn rnmbém : "a
fizeram Catão e C ra o: coi as que não é convenience que um jovem não livre aprenda ''.
dois mundos deviam ficar separados . A sua artic lac;ã e a repr po içã
"[Carão] dava até clinheir a e rovos que quise em negociar, do problema exi irão milénios .
para que comprassem crian as, as edu 11 m e instruíssem por ua Aristóteles e icer 1a n fala ram bre a tividadc (téch111r ,
onta e, a abo de um an , as revcnd m; muita dela eram artes) efetítheral e aneleú1heral, libera/es ou honesrae e illib ralP.i ou
comprada pelo própri Catão pelo maior preço oíerecid , d du- inhones/ae. Ainda na época imperial um grande /cchnita greg:.i, m '.
zido daí o seu apita!'" (Caio Maior, 20, )48 a); dico Galeno { 130-200 d . .), repropunha , intacta, ti velha c:ontrnposição :

de Cra o diz : "Emre a · artes é pr ciso fazer , ante de tud , urna dupla distinção :
ai umas delas, de fato, são racionais (loghikaí) e venerandas
"Poderiam e r e nsiderada um nada as rendas guc obtinha de
(semnaí), outras desprezíveis (eukatafrónetai) e para a lida do cor-
po; estas são chamadas de mecânicas bánausai) e manuai (khciro-
uas fazenda m relaçõo aos ganh s que obtinha e m os e cravos ,
quer pel número que po ufo quer pela habilidade deles, end
naktikaf) , ma convém ocupar- e com a primeira espécie de art s , . .
Pcrtenc m à primeira espéd de artes : a medicina , a retórica , n
:i~guns leitores outro escrivães, out r bao ueiros , outr s admi-
música, 11 eometri~, . dtmécica, 11 di.al&ticn (/ng hirti,.,/>), a li trn-
ruscradores, o rro trlncbadore.s. Ele mesmo pre ennava instru-
nomia, a gramát iai a jurisprudência (nom,ké ). E, se quisermos
ção d le e o ac mpanbava pessoalmeme com muita aten ão ,
podem acrescentar a e ras a escultura (piastiké) e a pintura
convencido de que rn de todo int resse do patrão ter o má imo
cuidado com os seus e cravo , porque eram s instrumentos ani- (graphké); de faro , embora nestas anes e opere com as mãos,
mados da economia" (M. Crassus, 544 , 1) . todavia o eu exercíci não desgasta o forças juvenis. t, portan-
to conveni ntc qu o jovem cuja alma não é totalm nte de brut
(boskemat 'des), e lha e pratique uma de ta arte ... " (Pro-
Também Atice, segundo Cornélio epote, tinha e cravo literato treptikon, XN).
(pueri letteratissimi), com o quai e peculavo .
Em suma, a instruçã profissional é um fat II dos plebeu ou E, oaturaLn~me aJen ugere a medicina como a melhor de todas
do escravos, gerido por eu patrões . as arces . Pena que não n s dci ou um li ta paral la da arte me âni-
Quanro aos plebeus livres, e t ao origmariamente cscran iros cas. De qualquer f rma, not - e um progre o civil : desaparece n le a
habéis nas vária arte e afiei s, que migraram para Roma , ade não afirmaç- de Cí ero, e un o qual arte , rambé.m bonestae, coo-
pos ufam terra porque não eram cidadãos ; p rtamo , não erciarn o êm somente às classes não-governante . Embora o mundo d g ern
poder polírico, que será para ele uma 1 nga e secular conquista . Eles e o do trabaJho, também intelectual mas muitas vezes exercido profis-
log se or anizaram em a.ssociaçõe . Plutarco informa que uma dividiu ionalmen t tenbam qu ficar ainda por muito tempo ·eparad , lg
o povo de acord com o ofíci s e não de acordo com a origem romana se m ve. Acompanharem e te movimento.
10. Um império cristão e bárbaro
rendo de fome obrigou tiio torment amente aJgun que, esque-
cendo t talmente o amor que a natureza inspira, consideraram
y ~ t~m s no Jjmiar .ci:' ~dad 7 M~~ia barbárica. No riente gr go
uma forma de piedade alienar os próprios pareares . ão há coi a
ubs1s ura amda por um milemo o 1mp no que nós chamamos de bium-
pior, de foto, do que perder toda e perança de salv ção: obci a a
ún , mas qu lá continuou a ser chamado de romano; no ocideme lati-
no, durante o éculo V , o império acaba e d agregando totalment e tudo . O faminto nada acha vergonhoso , nada proibid ; seu único
anseio és breviver de qualquer forma " (Cod. Tu.rt., ov. XXXITI) .
no seu lu ar instalam-se os novo reino r mano-barb ricos. Daí resul-
ta uma fragmentação política nas •i ões cujo desenvolvimento forte-
mente diferen iad , torna impo ível a narração de uma história ' mum ; e ta ituação de total de truiçã , em cuja e crição e percebe a
podemos en . onerar por 'm, uma raracterí tica c mum , que se manifesta m de um fum.:iumíriu aí<lu <las c:::;i:ulas Út: lt:l 'iirn, uum iu11,,1élio Jcso-
de formas diferem n fa to d que a n va ociedad re ultaram divi- lad in d ido por populações tnteiras de bárbllfOs armados, é iropo •
did~s nã s m nt~ ~~ ela e , ma ta_m_bém em povo , entre o quai slvel fofor de organização da vida civil e menos ainda de difu ão de
se mscaura_ uma d1 tsa de tarefas ocia1s. e cm geral pode- e afirmar uma escola. Para a mai ria , já nã e trata a de educar os fi lhos , mas
que a anuga populaçõe romanJzada foram reduzida ã posição subal- de atrancá-los da m tte da fome. ue pode sobreviver da velha
terna de produc re nã -go eraanres, ma governado , n vértice do escola senão ilhas esporádiet1s de inmuçã familiar ou privada, de que
p?<fer,,,no entanto, a antiga unidn~e "d dizer e do fazer a c ia da temo informações em familia de potentiore.r que escaparam a d mínio
c1?ad (os épea e o érga), própna da elas dominante , que já fora bárbaro em alguma re~iões margjnajs e, portanto, relativamente intac-
mi.nada pel militari mo profi ional durante o impé.rio romano, é pro- tas do império? A evolução histórica foi diferente em cada região: h~
fundament quebrada . De orre dai que, d poder, o bárbaro a sumem uma Gália bárb:tra e uma ália r mana ; na África, s vândal 1
11s tiuefa, po!ftic militares d fozer e os romanos, numa forma ubal- e aculruraram à cultura romana e. em grau muito menor, os ostro~odos
rerna, as tarefas administrativo uJturai d dizer. Dirá Cas iodoro : na. Itália, pcl men s até Tcoda to, e, mais tarde, os visigodos na E pa-
nha. A Britânia foi logo abandonada pelos romanos e o bár aros an los
''De ra (a gramática) os bárbaro não fazem u ; ma sobre i e e sa ·ões, que a invadi ram, i noravam qualquer cultu ra la tina; esta,
junto os senh res da lei " (Variae, TX, 21 , 4). porém , ncomrou abri na Irlanda, que o romanos não tinham c o-
quj tad . À inva ões violenta do século V sucedem-se período de
l t corresponde e~ grande p~rte à no a epar ão entre Igreja acomodação que p rmitem renascimentos culturais, como na Itália sob
srado. Acrescentada ' separação sempre t:xist nte entre g crna nre o ostr g , até que a tenra tiva de rec nqui · t r o Ocidente por parte
goveroa?~s, e~tre . nsumid res produ tores, esta scparaçã da tarefas do Impéri do ri nt tr uxe ms i uma vez desolação e morte.
d? do_m1n10 dá origem a uma iedad qu paiece, d algum modo,
d1ssoctada. iruaçiio de destruições e d ad plações, que muda de um
Talvez eja portun referir- e às coodi ões materiai desta socie- utro , a cul tura c ntinua . nd tarefa dos romanos , que
dade em trans ormaçã e em profunda cri e, ara compreender qual n ervar a cultura tradic:.ional romana . Na re lidad , porém,
poderia er a vida do ad lesce.nte e da se la e o desenvol imento da a ui na · relac;õc corre s povo , po..tc-se falar de uma ituação
cultura di sociada. erdad que os primeiro bárbaros chegam em terrlt6rio
melhor testemunh ili to é um edito emanado do imperador imperial já a lturad à civilização romana e a maioria já c nvertíd s
Valcntiniano III , no dia 31 de janeiro 451 vinte e cio o anos antes a cri tianismo e há, purrnnto, uma mentalidade cris tã mum aos
d fim " jurídico" do império romano do id~te. Nele aparece a dra- velho ovo romanizados e aos n vos vos árbaros . a realidade,
maticidade da condi õe de vida de rodos e especialmcute das crianças : porém , bárbar e r mano aderem a duas confí ões cristã difereon:s:
o · árbar , ão ariano , o romano ão cat6lic s; e isto comportará
"V I ntiniano imperador - Sobre o pai que alienarnm eus filhos uma enorme dificu ldade de relações . Mas o que mai interessa aqui é
para que livres níiu bcjam t:11úiúu au~ bárbarus ou levado~ qu exatamente em, i.em:ibil.idad • cultura d inspic:1 fo cristii gue se
além-mar. inseri u eorre o r mano , ante ainda das inva õe bár arn , ao lado
~ notório que, recentem me , uma horrí el Come veio assoland da cuJtura hel"ni a, já criara a situ,ção dis ociada já referida . é uma
toda a _Itália_ e que alguns chegaram até a v nder filb , para c i a, ma também e ' outra ; ·e é cristão, mas ao lado da participação
qu pru e f Llho pudes em escapnr do perigo de uma mone iJnj. na catt-que e na liturgia da n va e li iã , se continua a educar na es,
nente. A mí erável magreza e a letal palidez dos que vinham mor- cola com text s da tradição clássica. A:!. coa equeocia n campo da
consciência, em última in tância oo cam da cultura e da c:ducaçã
ão profundas e deci iva ·, talvez muito mais d que aquelas da inva- " b a guia do pai , dcsenvolv ndo- e n físico e elevando-se no
- s e da crise do pod r político imperial, que as preced m . E tam pensamcrito , o admirávd jovem se educa, vangloriand · de ter
diante de um novo a o de imitiva doctrina, que não mais a Grécia , como laboratório d vircude não um antro da montanhas da
mas a luda~a capta oube impor ao romanos. Tes ália nem um destemido centauro, mestre do herói de eu
N comunidade cristã , pel menos a partir do concílio de J ru - tempo, aprend ndo om ele a acertar lebres, perseguir vead , a-
lém 52 d . . ) que admitiu o gentios sem a obri •ação e u metê-lo · çar cervo ·, ou a ser f rmidável em guerra ou a domar com mae -
à circuncisão, isto , de aceitar a l i hebraica, logo sur irá o problema i ria cavalos, servindo-se:: da me:.ma pessoa com ca algadura t:
das rclaçõe com a cullura d s g ntios , e m m que rígenes, no início mo me tre , ou alimentand - e d quele lendários miolos de ead
do écul III. tenha sustt'nt11rln <]ue os cris tlio nã devirun en5inar e de leiio ; mas instruindo-s em tod:is as arte libt-r~is (etzkyklinr
gramática t: retórica , rimeiros gr ndes padres resolveram problema paideum) educando- e n culto de Deus (tke~sébcia ) cnvcr':-
se~ muitas he itações, e tudando nas e c la r t rica e seguindo dando , em uma , pelo caminho da futur perfet ao desde os pri-
enstnament s de Cristo. Mas o problema existia, e antt: · que Jerônimo meiro en inamento (tà ex arkhés mathémata)'' (XLIII, XII B
fosse acusado pel, voz d Deu~ de cr ciceroniano e nã cr crº tão n 778-779).
inkio do éculo llI, Terruliano, num escrit momanista De 1dolatria
dizia que • '
O que é singular nesta polêmi a de Gregóri é ue ele e dirige
omente onrra aspecto da educaçã f[ ica, e.nquant fo o rpora sem
.. E~a de per untar, a propó it dos me tn:s t: de uuos que problema a tradi - do e tu li rai , acre centand emente o culto
ensinam lecra , e não estariam muito próximo da id latria, já do cus crist- o. Mas esta redu ão da tradi ão edu ativa clássica edu-
que tinham que falar dos deu e do, vário pov " IX, 1) . cação física não é nem historicamente verdadeira nem pr6pria d Julia-
no, o qual , 4uando re lve proibir aos ri tií o en ino da. arte libe-
E, n me ·mo sé ulo, a /Jidascalica apostolica advertia que é inútil rai , u a fie h.is bem di fere nte em seu arco. Eis uma parte da sua
freqüema r os retore ·, os fil 'sofos, o po·cas, o bi toriadore · pagão, arca 3 , o Rescrito sobre os mestres cristãos, que justifica o seu edito :
quand remo a · cartas d· ão Paul , o altério, Gênesi - e o livro
dos Rei : a Bíblia pode ub ·,ituir :1 artes liberai . " ó julgamos que uma justa educa ão consi te nã na bu ca da
Parado almente, a on ciênci:i do conflito entr s duas cultura , euritmia na fra ·e e na linguagem, ma numa condição adia da
helenísrico•t mana e a hebraic -cri rã , f i singul rmente entida e mente para ad ui.rir conhecimento e reta piniiio do m e do mal ,
rr~d~ziJ.a cm uma decisão prá1i II de grande importância, não p r um do honesto e do ver~onhoso . Aquele , portanto que pensa um
ristao, ma por um homem que, cducad na cultura hel-.-.nísti a e na coi ·a e ensina outra aos próprio disdpul , parece-me que e afas-
dourrina cristã, t mando- e adult , repudiou ri tiani m e reafirmou ta tanto da ducaçã quan to de er um h mem honesto ... ~
o valor eLerno d helenismo . Trata- e "daquele u1i111igo de risro que neccs ári portanto, que todo aqueles que pedem para ensinar
fora di dpu lo de Cri to" ( orno diz d le regóri de Naziani ), Julia- sejam pe 'oas de co rumes honestos • tenham no próprio e pírito
no o Apó tata, um imperad r de au te ra m ralidade que (muitos ·e convicções não contrastante com aquilo que ensinam publicamen-
surprecnderã ) ccn ura a o · cri tão · pda ua mundanidade e corrup- te· e e pecialmente, crei , é preciso que tai. sejam aqueles que
ção, e e propunha mo fin alidade da vid:1 a imit çã dos d uses (!ô tr~tem com os j vens nos estudos de retórica, quando comentam
mimeísthai lotir thcori - Misopogon 3.33 G.) Ele tentou contrapor il os escritos dos antigos, sejam eles retore u gramático ou , mai.
nov educaçã cri tã (a "pa,deia em ris to " ) a olra o uma paidela clás- ainda, ·ofi ta ... E eis por que : a Homero, Hesí , Demó rene ,
ica, propondo como mod lo de vida Aquiles, forte em paz e m H fi' d t Tu ídides, 1 6c.ratcs e Lísias foram os próprios deus
gu rra (o ' pea e o érga de Fênix , e dep is Hércul , herói que a u- que sugeriram todo o saber .. . E eu acho absu rdo q aquele
miu as ladigas d hom ns, e enfim Mitra , o deu único, d qual Héü , que comentam as bras d · t · e cri tore não cultuem o d uses
;oi, é a imagem visível. ntra essa idéia de uma paideia dê Aquiles, qu'-' ele honr:w m Se ronsirll"rnm sáhi s aquc::les cujas obras
que é uma alta à antigas vitrudes da tracü ão reco-helení tica, é comc:ntam e pel s quais , p r ssim dizer , sentam na cátedr. d
LaJvez dirigida uma pá~ina de r gório de azianzo , seu ompanheir profetas, eotii jam primeiros a imitar a piedade deles _para
de estudo na e cola de Arena , ode con i iam docente "pagãos '' e com o deu e . , pelo contrári , acham que aquc:lcs e cmores
cristãos , depois seu implacável rival. m eu discur fúnl!bre Em erraram n s confron to com os mai b orado entre o deuses,
louvor 11 B 'SUio Magno , outro ompanheir d es tudos, ele assim d s- c:otão procurem i rejas do · gaJi leu para com ntar Mateu e
creve a edu<.11 ão dest : Luca , que mandam afa t r- e do culto dos rempl ·. . . Para
m ·trc , religio o e ecularc , esta é a ord m cral; ao jovem que
o quiser não é proibido freqüentar as e colas . . . Todavia, como
e faz om os doente m ntai , · ria ju to curar l. mbém e te5,
embora e ntra a vontade de.le , concedend indulgência a rodo
pela sua doença ".
CAP!TUL IV
À lúcida coerência de todo o discurso, que estabelece uma alter-
nativa rigorosa , corresponde uma e rranha conclusão que , ob a apar·n• A educação na Alta Idade Média
eia de compreensão , e· ·onde um LUtal i11 1n111:iigêrn.:i11 . Mc:11 cxplÍl.itu
nas motivaç- s, mas caH:g 'rico n s n eqüências práticas é o "&fito
sobre as escolas", emanado por Juliano no dia 17 de junho de 362 d.C.:

" Lmperador uforno - É necessário qu os m tres das escolas


e s pr fcs res e br ai.1m ante de tudo pelos costumes e
depois pela eloqüência . Mas , já que não posso e tar pr sente cm o início d écul VI v rificam-sc fenôm nos políticos si nificatí-
pessoa m cada cidad , ordeno q e qualquer um que d seje ensi- vo . D um lado, alguns reino roman • árbaro já se implantavam fir-
nar nã a uma este ofício de irnprovís e incontroladamen te , mas, memente em território · elo Império do Ocidente, onde a única aul ri-
apr vado o parece r da ordem, m re a um decret do curiai , dade polftica autencicamcn le romana é a I greja e especialmente o papa•
apoiado pelo consentimento dos mais eminentes cidadãos. Este do; de outro lado, o Im pério do Orien l conserva aind:i II suo unid11de
d crer , em guido, er cnvind a mim para ser examinad , il e a sua força, o que lhe permitirá tentar a reconqu ista d Ocidente,
fim de que acedam à e cola da cidades com uma b ora engran- Este três centro d poder, cão dií rentes entre si se enfrentarão numa
decida pel nosso ju lgamcnt . complexa lu ta ideológica e militar
Dad o · 17 de junho de 362, sob o e osulado de Espolécio Ma-
mertin e e ita" ( od. Th od., 111 , 3).
1. Decadência da cultura clássica
Um ano e meio depois em 11 de janeiro de 364, morto Julian ,
os imperadores Valeminiaoo e Valente anulavam este edito: No que concerne particularm nre ao campo da instrução, verifi am•
e dois pr essa paralelo : o gradual de aparecimento da escola clássica
"Os Imperadores Valentlniano e alenc , Augusro, a Mamerdno t: 11 fv, u111ção da escola cristã-;- na su dupla formo de eocolo episcopal {d.
prefeito do pretório. clero secular) nas cidade , e de escola cenobítica (do clero regular) nos
Se alguém for idôneo, pela vida e pela eloqüência, para instruir carnp s. Mas, não obstante a e. ceçõe , o nível cultu ral é muito baixo
joven , pode abrir uma e cola ou pod voltar àquela que deixou qu r entre o bárbaro , quer entre os homens da Igreja, quer entre o
Dado aos 11 de janeiro, b o consulado do divino Joviano e representantes do império.
Verboriano" (Ibidem , XIII , )). a Itália, entre os trogod s, Teodorico procurou. garantir a con-
tribuiçõ n nárias a profi ionais das artes honestae. entre os quais
O pr blema, porém, voltará o ques tionar as consciência dos cri . o m tre de ramáti a e de re tórica, reservando, porém, a cultura das
tãos, avivando an tiga in rt za e polêmka . destinadas a reaparecerem artes liberais aos romanos; em · guida, a filha Amalasunta, conforme
sob formas diferentes na hi tória . rela ta Procópio na Guerra g6tica,

"qui tornar o filho, n modo de viver, cm todo · melhante os


príncipes romun s, e bem cedo o enviou para a escola d letras hu-
manas" (J, 2) ;

enfim, Tcodato, seu prim e uces or,


·'e nhecia o latim e a filosofi pla tôni a ma · nã abia nada de 'Entã os encarregad · in eotaram e ·ce sj tema: num pedaç ~e
guerra'' (ibid m , I , J) ; madeira bem fin , gra aram a forma de quatro le tra que em larrm
significam 'renho lido' (LEGI ; em eguida, molhando na tinta
todavia oco tume bárbaro resi tiu ao atrativo. da ultura romana , xal- pena c m que o soberan co rumam es rever, c locavam:na n
r.ando, m contrapartida, a tradicionais virtude militares. mão d imperador; apoiavam Cirme no documento o menaonado
Também entre o h men · de igreja verifica-se um processo de _!!!· pedacinho de madeira , tomando da mão do soberano com a pene,
pobrecimenro cultural. Er.yuemo o Conáli de Cartago (40 d . .) se guia am-na ao redor das marca da quatro letras fazendo pa sar
prevcu_para em proibir aos bispos a leitura dos cex t s lássicos , o c n- pena por iodo os entalhe ela madeira. Safam, enfim, levando aque-
cílio d Roma (465 d. .) enfrenta um problema mai elementar: nã le singular ucógraf imperial" (6).
mais a d[ put obre paideío de Aquiles e a poideía cll' ri Lo, ma
impl m nr o probl ma da total ign rânci. d eclesiá ti o , O anal- Quanto a Justiniano, el não era analfabe1 , mas
fabeto , ent n iou aquele e ndlio, não e atrevam a aspirar à orden
sagradas (o que quer dizer que o ou avam). , trinta an s mai tarde, "na lín ua , na aparência e terna e na mentalidade componava-se
papa Gel:ísio J terá que in istir: com um bárbaro . . . aros . . . nã os confia a para a redação
ao gu scor, conf rme uso, m em geral fazia questão de elaborá-
" ão seja admiúd ao . a er ·10 qu m não conheça a I eras ou ! s pessoalmente, embora su língua não foss qual devia er .. . "
t nha alAUm defeito ff ico" CP. L. L/ . 5J), t 14) .

e quanto aos monge , . Ferréolo admoestará : quem quiser entrar na O repúdio e o e quecim nt d uhura á sic Jª são um faco
vidn monóiaico , terá que conh e r as lccra3 ; a ar dis , ssiodor consumado. As e colas de artes liberais tiveram, pelo menos na Itália,
afirma que no ínod romano de -19 havia b. pos que riã abiam si- o · u úl timos e · lend res b Teod ric , que intervier em ·eu fa or;
nar próprio nom (Vorioe , p. -199); e e ári em eu Sermones em s guida, após a de tru ição da guerra grcco-gótica, Jusúniano , solici-
advertia : tado pelo papa igi.lio, renovou as providências do rei bárbaro. Na sua
Pragmática an ão, d 554, om que sanei nava renovado (e caduco)
" inguém dijla: eu não ei lc.:r, portamo, ninttuém poderá me acusar domínio imperial na Itália, reconfirmava
se não tiver o scrvado rodo os preceito de Deu , é uma de culpa
vã e inútil" (1 , 6. p. Jl). "a con tribui - an nária que, no tempos de: Teodorico, cosru•
mavam ser pa a a s gramáticos ou aos remre , como 1arnbém aos
Trota• e de queixa e rec..-omend ções que encontraremo repetida médicos e a s jurispericos que tivessem conrinuado a exercer sua
por um milênio , ma aqui ão revelad ra de um faco no o, um pr o prnfissin , p;irn q11P Pm nn, so F rn<ln flnrP çam jovPn in-:rmfrl
de volta a barbárie. n s estUdo liberai " ( 1ov., App. , V1T, 22) .
o Império do Oriente decadén i cultural apre ema t:imbém
suas manifestações. Em 529, Ju tiniano, exacamence quand estava si - Mas quantos teriam sido os gramáú os o ret re a e ercer a
temacwmdo a leis romana , Úch:iva a gloriosa escola fil sófka d Ate- p fis ão e uanco jovens I riam se dedicado a s estudo liberais? Cas-
nas, onde Juliano o Apóstata e tudara , g lpcando seriamente já vaci- siodoro (ou próprio Teodorico pela pena de Cassiodoro) já deplorara
hmte tradição clássica dos estudos liberais. ua famflia, aliás, d acordo que cant joven . terminado o estud , das letra , acaba em num mo -
com as informa - d Procópi de Cesaréia em sua História secreta tciro ou v Irassem s suas propriedades :
não era absolu tamente: um modcl de fineza e d cultura : o à Ju tino
que o precedera no império, "esrudam para depois d aprender ; in tru m- e pars depoi 'e de •
cuidarem" (V riae, VIII, Jl ).
"era ignorantíssimo, isco é, um analfabet , coisa qu nun a a on-
tecera n império romano" ; Mas, com vimo , iam para os mosreir também sem in trução,
e perando ai re eber a nova doutrina .
tanto que, para autografar d ·umenc oficiais , f i-lhe providenciad Como se indicou , e a primeira onda de bárbaros era em grande
uma espécie de "produclalis", isto é um exemplar d assinatura , ssim parte cristã e s aculturou log às Lradiçõcs clássicas, isto nã aconteceu
como se fazia para en inar a letras às crian o : mais no século V1. om s oscro odos da Itália e os ándalos da Afri a,
'·m tr que co rumavam tostruir as crian as n alfebet e na
derrotados por Justiniano, de aparece esta m1dição de aculturação Jo letras, como é cosrume do hebceu , cuj tracüçõe passaram para
bárbaros; visigodos da E panha se convertcrã a cri tiaoi mo bc:m nós que , em s guida , por no a ne ligência, caú-am em desuso"
mai tard , c:m 589 (o que permitirá um n:n:isdmeoto cultural que so- (P. L. XV 1I , 387) .
mente os árabe vão interromper, provocando om a diá ·pora d incc-
lecruais cristão um r florescimento d s e tudos em todo o cidente); também em ucro lugar lembra e ·ta deri a ão da e. ola cri tã
s britânicos, angl s e axões permanecerão imocad pela cultura ro- da e la hebraica :
mana dás i a. E e ta cultura irá findando lentamente acé para os pr6-
prios roman : o último luázmagister e encontrará n Aqu itânia, ao
sP.C"llln V il mn ersiio dos francos no início do sé ulo VI , niio com
'' hama doutores àqueles que na i reja ensinavam às crianças as
letras e as leituras a ser m decoradas, segundo costume da sina-
portará mais um in r mcnto ou uma difusã renas imcnt da cultura
goga , já ue tr diçã dcl s pas ·ou para nós" (11, 141).
dá sica. Esta culrura, na realidade já e tava morta, exceto m pou uf -
simo e in ignificames centros de i_ olada conservação.
Sobre: o moddo do mo 1udaeorum ou mos sinagogae na e, então,
a nova es ola crist.ã e o "cair m desuso" desse mos não atinge a valida-
2. A escola cri tã more synagoga de deste dado hi tórico ; tant mais que, algum tempo depoi (de Ambró-
io ou do Ambro ia ter), Ca ·iodor di ute com papa A apito a pro-
pô ta d ·oletar fundo também em Roma as escolas cristãs
o dualismo tado/lgreja, o p er imperial e os eus cuidad .
acolhessem perito na
pelas escola ficaram enfraquecid , mas o a pectos admini trarivo-
culturai do domínio ficaram em parte nas mã s de romanos . rganizado
em ua igreja . E é justamente po obra da Igreja, como parte de sua · segundo o ex mplo de Alexandria e de i ibe na fria , onde,
atividades e pedfica que cultura e esc la se reorganizam . ão é por izia-sc, o hebreus as expõem" (lnsl . Praef, 3, la, 13).
acaso que muito bi p f ram ante funcion~rios romano dos reis
bárbaros. E con ideraodo que a Jgr ja já tem uma dupla e trutura orga- Desse costume hebraico , que se c n 1i1uiu bem antes da desLrui-
nizacional, i r é, ivendo ela em pane no meio do povo acra é dos ção do templo e da diáspora , a inag ga era o centro e se caracterizava
bispado e da paróquia ( lero secubr) e em parte I nge dele nos mos- pelo método de uma ob ssiva memorização e repetição coral da Midrash ,
teiros (clero regular), é nessa dupla estrutura ceie ia l que devemos pro- c m pouca u nenhuma tenção ao en inamento da escrita. Tratava-se,
curar os primcir te temunbos do urgimento d novas iniciativas da portanto, de umn acuhuraçã à cradiçõe prática , mais do que uma in ·
educação cri tã , ao lad das remanesc ntes ilhas livre de romanidade rrução formal; e deve ter obcido bons resultados, visto que ã Jer nimo
clássica.
pôde constatar que as rian as h bréias conheciam bem a lei.
Em gc1al, u d1::1u :;ccular que morava nas idades c n crv u por exemplo da sinagoga passou, portanto, à Igreja, como também
mai tempo a cultura clássica, cnquant que clero regular dos mo reiro da sina oga pa sou para a Igreja o uso de decorar a pared com afr ·
a rejeitou, as im coro rejeitou o " século" no eu conjunto . Precisamo , cos ilustrando epi ódios da vid de oi e de Cristo, para Íin de acul-
portanto, seguir os diferente cursos d iniciativas de um e de outro tura ão ou d edificação. Talvez eja exces ivo atribuir à escola da si-
na educação. na o a o m rito de ter realizado pela primeira vez na hi tória um
J á em 4 18, o papa Zózimo insLituíra as primeira cola r Jigio as, istema de instrução públi a e brigatória tal foi também , e certo
para que, dizia, acerdoces apr ndess m antes de nsinar. De fato, modo, o giná io para o gregos da diáspora) , todavia o cristiani mo ,
tarefo dos sacerdote , já !aramente di únta da d leigo (clero significa íundud na tradição hebraica marca uma nítida separação da antiga tra-
parte eleita, s parad ), é de ensinar: uma fun ão que, di er ame.me do dição que excluía a ela e populares da in trução. A ordem " untes
anúgo levitas do povo hebraico, não é conquistada e. ercendo primeira- doce te omner gente " car teri1.a um nova atitude m a tal : todos devem
mente e força cfos Mm~ O " dizer" e o "fazer" nqui ão nitidnmcot s r, se não cultos, pel menos aculrurados , ntravé:; de um processo que
d_isrinto : isto é típico da ocicdade cri rã. Concud , modelo organiza- b je chamaríamos institucionnlizad , e a cada um deve .cr abert o
cional desta e cola para a formaçã do sacerdotes-mestres ' e ate- acesso àquela corpora iío de mestres que é o clero. A nova tradição
m nte a escola hebraica. mod lo do hebreus tá coo cien tem me cristã ignorará durante séculos, pelo meno em prindpi , qualquer o tra-
pre ente p r exemplo, ao Ambrosiaster ( mo fo1 chamado por ra mo cismo a "meduti", aos 'lobetére.r", ao "rbetores latini", que <.-xprcssa-
dcsconhecid aucor do Comentário às cartas d Paulo , anreriorm nte va a di riminação educativa de oucra sociedades.
atribuído a anto Ambrósi ) , onde e fa la dos
as, formu lando B me ma per unta propo ra para a cultura lássica, crian a endid:i a ár aro na época de VaJenrinian Ill) , compor-
n_a _vá:ia r giôc.s do imp rio já de agregad e desolad , qual era :1 e n- tou nece arinml'ntt uma obra de Juca ão e de in tru ii reli i a e
ststenaa de ta e cola que preparava o . acerdoce para potitiké léchne R gula Benedicu (que, em 5'10 proximadamente, reelabor re ras ant ·
do dizer, e que em princípio era aberta a todos? Evideni m me, muit rior , pe ialmente a Regula .Magi tri ou an tornm patrum), a preo u-
pou a. pação rincipaJ • com a educaçã mo ral e a panicipação na li rurgia, mas
encontram-se também aí pouca e inequív cas indicações e uma instru-
çã Lit ·rária. im, a regra y e fala d leit r da emana pr s reve :
3. As escolas nos bispados e no mosteiros
'' nas me a · do m ngcs nunca deve altar a leitura, nem aí se porá
Jú 11u · rdcrimo ao ConcíJ!o de Roma, de -¾65 , a ler 9ucm tenha pe o um livr qualquer ao aca o, ma ,iqucle que
rações do papa lásio, de São Fcrréol e de ão vru l r Jurante a em na, comece a ·e preparar dcsd o domingo;
rancia, niio somente dos leig s, mas espe i lm me d lero. Podemo os monge , porém, não devem ler ou cantar por ordem de idade,
agora acrescentar alguns l tcmunh sobre a instruçã ministrada e- ma emente aquel s que têm capacidade de edificar ll que
gundo as possibilid:ides dos tempo , no bi ·pados nas paróquie , ~bre uvem • (38) .
a qual alguns condli "naci aais" ditavam n rma .
Por exemplo, na E panha, o ncílio de Toled , de 527, decid Quer dizer que h ia m nges que liam bem, outro que não liam
bem e ou rr que , pel men entrt: n iço , podiam ser ainda anal-
"A crianças de tinada por vontade dos pais, desde os r1me1r fabetos ; d fato , a n:gra 5 prevê que o noviç
nnos da infâ~ ia, ii missão do sa erdócio, logo que ejam r n ura-
,1:i ou recebidas p:irn xercer os mini:stéri cclc:.iú~Li-..us devem ' · ·revn d próprio mii , ou se não so e escrever , peço o um utr
ser in truídas pelo preposto na ca a da igreja, pr ença d ' bispo" para e rever seu ilido de admi ão, traçand nele um inal o
(VIII e 785). a sua mão, e o ponha s brc o altar" (58).

Doi an s mais tarde , ncíü de Vaison, na França, est:ibdcce: Por ou tro lado, e nii t expre:.samenie pre ist qu n viço anal-
fabeto aprenda as letras, no entanto, a falar da · vestes e dos cal ado
do m nge , e ualquer urro pr iment a regra prescreve que a
fim de erra icar t ralmenl o f io da pr priedade, abade pro id n ·e
tudo aquilo que é ne es ário, i to é a ogufa, a túnica, ns sndáJias, o~
ap tos, cinto, u faca , o estilo (g aphzum ), a agulh , o leoç , a ta•
buinhas (tabulas , de modo a tirar 4ual4m:r pr •te_x to de n ce idade
(ReJl. 55 }. foco de que, numa hsra que parece estranha e confu amen-
tc redigida, , instrumento · da instruçã , graph111m e 1abulae,
jam considerado entre a coi a · "necessária ·", leva a pen ar qu a in ·
. Ambo os ~oodli s ugerem também que dole ct:Oles, atingida Lru ã fosse uma parte briga tóri da regra. Ma nad con firm a
a. rdade de dez~r~o an s, l nham a liberdade de optar •ntre o matrimô- expre. samentt:.
ru e o accrd o. Assim, a formação dos acerdotes era rambém uma Encontram , no manto, muitas inÍormm;- :;ob a ondula d s
forma possíveJ instru ão do leig ·. monges e sobre as punições ' n início do Pr go, Benro di ringuia
I o no que diz respeito à esca a 1mcL11tva d clero secular. No lj atr e pécies de m ngc : cen bit, , que ivem em comum 11, J
m mo nodo, com as iodar , ão Cesári , ã Ferré I São Bent mesma regra; anacor tas ou eremita , qu ap6s o cen6bio cnfr ·111,lm
e, mais tarde, ão Colomban , rganiza o monostidsmo ~cidcntal. E, a ex eriêncio da solidão; os sarabaitas , que vivem sem regra, sozinh s
e~b rn nns Rt!gul~ç ou na pu~tt:dun.-:; unrnet11di11es monasticae qua e ou em pequenos rupt'S; e enfim os errante (g rovagi ), que andam
na se fale propoament de e col , todavia os pr bl mas da educação procurando hospitalida<l r alguns dia no mosteiro., sempre andand
e ~e uma certa instrução estão aí pr . mes. O próprio e stum de muito e nuncn tL an -se num lugar ( ar em nnrepassad s d s goliardo
pai , de 'oferecer" aos conventos us filho ainda criança ( s chama- da furur:1 univer idade ).
d?s oblati, i_to é, o oferecid , ) , parn que fossem preparados para a A convivência ob a mt ·ma regra vi ·a uniformizar e d ar a c n-
vida m ná t1ca (um de rin , de qualquer forma , meJh r do que o da duta de todo . A re •ra prevé que cada um durma na suo própria camn ,
que os monge mais j ven não tenham camas vizinhas, mas intercalad s é mai d i az d qu a persua ão. orno a mulher, criança é um ser
com a camas do mais v Ih s, e que no local uma lâmpada permaneça ímperteit em relação ao homem, como adverte ã Cesári :
acesa até amanhecer (Reg 22). A ' puni - azem parte normal da
gra. Para o monges adultos são previstas, com gradualidade crescente ' Homem é paln ra que deriva de virrude ( vir a virtute) e mulher
a advertência secreta uma u duas eze , a reprecn ão púbU a, a exc '. riva de fraqueza ( nuiier a noililic) , ou seja, a fra ilidade";
m~bão ou ex lu ã <l trabalh , da me a e da liturgia em comum e,
enfim , a expulsão do convento, qu ap6 a terceira vez tornava-se defi- a im a lubrtca ou i,Hci a idade infantil põe-s à inteltigibi/1 aeta d
nitiva (Reg . 23 e 2 ). Quanto aos mai joven. e às crianças os oblttti adulto . Esta tem ido a et rna pedagogia, em qualquer lugar. as, um
aplica- e o que, com a palavra de Quintiliano, chamarem de o res'. sécul mai tarde, I id ro de e ilha, no Dt/ferentiarum libu. as im
pcitu Jc viJu, 11 m<1J.imt1 1c11crc11tiu . LcmLramos dcliLerndawcotc esta di ü nguird puerilia e pubertas :
máxima que precede de quase meio milênio a disposi ões de Bento;
mas devemo rec nhe que, na pedagogia ri tã, ela é um elemen to " A r uerícia é uma idade 1enr.1 e pequena , a im hamada porque
novo de ~o~si~era ã~ da idade infantil: ao lado da tradi :ional exigência deriva de pureza (pueritia a puritate); a puberdade, pelo contrário,
da subm1ssao infanul aparece cada vez mais clara a exigência de uma é uma idade adul1a im chamada de púbi , is10 é, as vergonhas
atençií part:icuJar e de um cuidado aferuo o. A regra 37, igualando d corpo" (P.L. V, 57) .
velho e crianças, recomenda ter sempre presente a su fr queza e,
portanto, usar parn com eles " pia comíderatio", specialmeme no que ão tante a inversã do princípio prov cada pela iníluência do
e ncerne à alimentação . cri tianism , no temor ao pecado, na prática o tradicional adismo peda-
A regr 70 ainda recomenda gógico parece não ter sid uficlencemente corrigido. Mas os ri ncípios
têm ua valjd11d e d rão fru to:i.
"quanl à cri a até à idade de quinze an , que rodo as tra-
ste adi mo e manife ta uti amente no caso de erros c metido
tem com cautelosa disciplina e vi ilância, mas nisto também com
no canto das orações, fazendo distinção entre adult e criança .
moderação e prudência" (Ref. 70, .J) .

Embora a relação pedagógica s ja de igual, porque nitidamente " e um a lto , ao reci tar salro , r ponsório, aod ena ou lição j
marcada na advertência re ulamenrar de que ao mestre cabe falnr e en i- errar não e humilhar, ali mesmo diante de todos, com uma peni-
nar e ao disdpu lo calar e e e rnr (Reg . 6 , 6). todavia , e tá prcseme uma tênci:i , seja submetido a uma pena mai severa, rque nã ui
rclaçã afetuo a recomendando-se não som nte qu corrigir-se humildemente d rr comerid por negligência . A
crianças, p r ' m, cjam açottadas p r um tal erro" (45, 1-3) .
"os mai jovens honrem s mais elhos , mas também que os mais
vclho5 am mo~ mai3 jovcn " (Rcg. 6) 1 10 ). ln/a11t s vap11le11t: er açoitado é próprio da infância . Plaut no
v m À I rnbran a: e tives. e errado uma única ílaba, o chicot do pe-
Com o queda do preconceito conrra a instruç-o do povo, este é um dagogo teria e manchado como o avental da nutriz· u, na tradi ão
outro traço caracterí tico do cristianismo. Mas tam ém e ta no a atirude hebraica, eernias que na olta do cativeiro abilónico, batia e arrancava
Pª!ª coo:i a idade mai tenra tem uas velha sombras, porque os pr6- pedago~icamcntc s cab I à criança h bréia porque não falavam
poos cuid, dos aferuo s parecem exigir de per si nestes tempos "sel- mais o hebraico ( 13, 2 ) . Como o sadismo pedagógico cr e debaix de
vagen ", o inalrerável sadism das pancadas: qualquer céu!
Todavia a regra 70 parece c atradizc;r u pelo menos m erar esse
"Cada idade e cada inc ligência dev m ser tratadas de maneira sadismo pcdag gico. la a v r que qualquer intervençã u pancada
especial; portanto, a crianças, os adolescentes e aqueles que não pe ai dev er dada omente m a autorização d a ade e que
têm capacidade de entender a gravid11d da excomunhão, quando submeta à di iplina da regra quem, sem moderação , usar de violência
cometerem qualquer erro, têm que ser punido com jejuns prolon- com a c1·ianças
gado ou com grave a oites, de mo o ue e c rrijam" (Reg. Esta regra diz re peito, especialment , a homens normalmeme d
30, 1-3). costumes vi I ntos anie do in rcsso no mosteiro e prevê, para tanto, a
familiarid ade m a lcitura . Falava-se cxphciramente do ensino Regula
. ~eranre a idade duha, que é e íntellzgib1lis aetas (44) , a idade Magistri que talvez tenha ido o m delo principal e onde e d.i põe que
mfantil apresenta-se como incapacidade de entender; portanto, o castigo
''por três hora a · rian nhas, na ua década sc1am imlruidas cm
suas tabuinha por um monge lerrad ; também o· adule :malfa. Quer dizer que tam 'm quc:m li. silen io amente, li a baixinho e
to , 1é o cinqüenta an , aprendam as letra (Masai, L, p 247); articulava a Üngua.
a Regrita, a parte mais dedicada~ à leitura, se nã obre o ·cu
Portanto, também n mo. te iros cominua am existindo analfobe- n ino, são aquclas que trarnm do traba lho manual cotidia no. Dada a
importância da rela ão entre trabalho manual e trabalho intelectual, cujo
l :S
ímbolo or11 et labora reprc enca s unidade ideal entre os dois, e, nvém
abordar o a nt mais de perto, lendo alguma outra página da Regula :
" icando cada década em lugar separado · s ordens do m nge a eln
preposto, algun lei am, outros escutem, utr aprendam as letras , "A ocio idade é o inimigo da alma, porranco, s monge em deter-
utro ,ui c:n incro, ulro cant m ou m dit m o · almo a d indí• minada h ras devem ded icar-se ao trabalho manual e cm outras
cados" (1b,dem, 250) . h ra determin da• . à leitura espiritual. Para tant , achamo que
os horário de a ocupaçõe podem er combinado com ba e n
Havia, portanto, uma leitura indi idual uma comum, lirúrgi a; seguin te ordem . . . [ g em os horários, alteroondo tra alho , lei-
neste texto, porém, fala- e expressamente de um aprender e de um en i- tura, refeição, d can o e oração, de acordo com a e tações e
nar a letras, coi a que nã e en ntra na Regula d ã Bento, embora fazem-se utra ob ervaçõe . ] Caso a necc idade locais ou a po·
nela haja mui10 re ti leitura. A leitura é e pecialmente reservada ao brc:za exijam qu os monges sejam pessoalmente ocupado na e
domingo e à Quaresma , e é c nsiderada ocupaçã normal para os m nges, lheita das seara ·, ninguém fique irrltad " (48, 1-2 e 7-9).
excet para algun negligentes e preguiças s, que não querem di por
daquele que parece ser um imp lemen to e sencial do mo ·teiro: a biblio- O trabalho tem, portan t , ua m civação moral na convicção de
lc:1.u. que o 6cio é o poi dos vícios; porém suRs monifc•t11çõcs mai, concretas
e ao men s cmclhantc àquilo que hoj e diria um hobby, como a e .
" estes dias de uaresma , cada um receba da biblioteca um códice Jbeira do trigo , ão motivada pela ne e idad da vida d mo reiro, a
para ler, se ida e inteiramente; tais códices d vem ser di tribuído necessitas loc1, e a e enrual pauperlas. P rant e ta eventualidade de
no início da Quar sma . Um ou doi an ião iquem encarr gados um tr bnlh realmente produtivo, a Regula parece ter medo de suscitar
de rondar pelo mo t iro nas horas em que os m nges devem estar mau humor dos monge . ao quai recomenda que não e aflijam por
dedicad s à leitura, para evitar que aJgum monge preguiço o perca j que leva a entender qu , na reaüdade, eles ficavam tri tes, tanto
tempo na ociosidade ou cm conver a , deixando de aplicar-se à I i- que era preciso e nfortá-1 com uma razã moral que pressupõe exata-
tura , tornand e inútil a si mesmo e distrnindo o utros . Que mente o coouário :
is o não aconteça ; mas alguém a~ im f r en ncr do, sej re-
preendido ... Aos domingos também todo se d diquem à I itura. ''p i então ão verdadeiramente: mongl! , quando vivem <lo trabalh
com exceçã daquele que ão destinad s à vária tarefa~ . e por das própria mii s";
aca houver alguém tã negligente e pregui oso que não quer ou
não sabe concentrar-se na leitura a ele deve er dado lgum traba- que significa di ..er que normalmente eles não vivem do trabaJho das pr
lho a fazer, para que não fique n ;i • idade .. . " (4 , l5-?J) . prfa mã e, ponanto, nã ·ão vcrd:i iramente m nge
Em suma, o 1rabalho real, sobrerudo o trabalho fundamental para
Quanto ao modo de leitura, ntinuava-~ a ler normalment em ecoa mia d o mosteiro , que é d 1· campo , (: confiado a u,ro : a 1 ra-
voz Jta se é verdadeiro que São Bento aconselhava os que qui esscm ler alhadore agrícol que trabalham nas pr priedades do mo teiro nas
durante a sest para o fazerem em perturbar utros: sic legal ut mesmas ndiç&s m que trabalhariam para os remanescemes patrões
ali11m 11011 tnquiette (ibidem, 5). Podemo lembrar a rc peito Agostinh romanos ou para os novo patrões bárbaros. A partir dos mosceir s não
e, mais carde, Isidoro de cvilha, que , discordando do uso da leitura em nasce uma nova cond1çã so 1111 d trabalho . A re ra que fola do tra-
alta voz recomendava que balho dos artesaos do mosteiro (qut: provavelmente eram monges-arte•
sãos) confirma estas considern ·es. ela lê- e que,
' a letturn sil nciosa é mais aceitável aos sentidos do que aquela
em lca voz. De fato, a ioceligência compreende melh r quand a ''se no mosteiro xistem arte ão , ele devem exercer na compl La
voz de quem lê e e a língua se move em ilên io" ( ent. l II, humildade uas r pectiva artes, desde que o abade o permita. e,
14, 9) . p lo contrári , aJ um d le se nalrecer pela competência na pr pna
ane, a hando tr zer ai uma utiJidad a mosteiro seja fostad a esca ', a d umenta ão literária, iconográfica e material em no o
dessa arte e nã e upe mais e mela" (57, 1-J); poder (manuais, ademos, tratados, gravuras, objel s escolares), podem s
dizer que se m, ntém o cn ino a partir do primeiros e/ementa littera-
cm eguida, recomenda-se não c:spe-cuh1r ou roubar na enda do prcxlu- rum (ele-menta cal ez de el, em, en =
bê-á-bá ou alfabeto) e da aprendi-
tos, e vender a um preço mais baixo do praticado pel s ·ecularcs. Aqui za em mnem' nica do nome da letras, organizadas em versos (verms
t mb m, p rtanto, há uma preocupação moral roeminente, e um:1 con- de alphabeto}, para passar depois à formação das silabas !illabicare),
-ideraçã real muit in i aificantc quan to ao vaJor do trabalh . e tas antes de chegar leilu ra dos textos. Para a escrita e continua a usar o
condições é, evidentemente, upérfluo procurar informações sobr a productalis, espécie de tabuinha m que e tão uaçadas as leuas que a
aprendizagem d trabalh . Mas nem rudo e reduz à Regula Benedicti. criança deve copiar, ou o modelo traçado pelo mestre . Outras vezes,
especialmente nos ermos e cenóblos, encontramos testemunho de uma
É de se a re cenrar qu , talvez mais que em ão Bento, o trabalho
apr ndizagem e pontaneamente "global" por parte das crianças que
en ntra motivaçõ · c nvincentes em seu on temporâaeo a iodoro . aprendem a ler e a escrever sem conhecer antes o alfabeto ou a ordem
Neste, a oncep ão m ral do rrebalh é acompanhada por ar umenta- da lec.ras, só observando as escri tura ou talvez a didascália oh a
ções tirada da tradição dássi a. imagens sagrada ; notc:-sc qu , numa sociedade pouco alfabetizada, essa
instrução ainda mais "global", ou mula praeáicatío das imagens, tinha
e gucfm é in cosível perante a bele7..a das I tras humanas e divi- uma grande importância.
as, encã , desde que tenha uma base mínima de instrução e de Quanto à relaçã pedagógica, vim a profunda contradição entre
conhecim mos , dedique- e, e undo antigo poeta, aos campos ua evoluçã posi tiva no princípi e a continuidade do sadismo na
e aos rios qut: irrigam os campos: já que até os mon es cuJtívam prática (mas qual a coisa humana que não procede por contradições do
d5 hortas os c11mpos e se alegram com a fecundjdad dos pomare " gêoeroi>); outra contradição relevante e1a.:í na cautela com que se fala do
(lltst ., 1.141-1 .163); uabalbo Hsico junto ao trabaJbo intelectual: o ora et labora é sugerido
com muita circunspccção.
cirando, para Lanto , os alm s e renomados (probabiles) aurore latinos, om a constituição da escola cri tã, a polêmica contra a cultura
que falam das hortas, do - campos, das abelhas e da piscicultura, mo dás ica se renova e chega a uma temporária conclusão, de tinada, porém ,
Gargílio Marcial, Columela e EmiJiano . a conhecer n vo desenvol imenco no futuro . O Statuta ecclesiae anti-
quae, de 475, rde.navam :

"Um ccle iá tic nã leia o livro dos gentio , e Leia o dos hereges
4. A nova cultura escolástica somente pelas exigências dos tempos" (C. Chr., TI, 148, p. 167) .

Pode-s\! dizer, nsidcradas s iniciativa · educativa d lero secular Meio século mais tarde, porém , Cassiodoro, que, como sabemo ,
e do clero regular, que mudaram e nt údos, e que dos clássic da exerceu na cone do rei o trogodo Teodorico aquele aspecto cultural do
ttad.ição hr.!en{stic -romana pas ou-se para os clássico da trad.i ão bíbli- poder (o "cfuer" que perm necera confiado aos romanos, e que em 540
c -evangélica. fundará em Vivarium, na Calábria, um mosreir que prefigura aquela
A cultura que o cenóbio ofereciam ao oblatos e aos mong s, e escolas cen biais que se tomaram os grandes centros de cultura da
que o bi pado e as paróquia ofereciam aos clérigo , era bem pouca Idade Média, tomou uma posição mais equilibrada, tentando conciliar
i a, embora edificante, em confronto m a anti a ultura clássica: sal- elas ici m e crisciani m . E le convidava os magislri saecularfom lille-
mos e Sagradas Escritura ' , a lei ecle:.iástica e alguma lendária vida de rarum, qu ainda subsistiam , a reconhecer que nas Sagradas Escrituras
santo. o entanto, esta nova "instrução concreta'' nã podia prc iodir era possível encontrar todas as figuras retóricas que se ensinavam cm
de uma "preparação formal" oo ler , crcver c.-ontar, embora em um uas e cola , ma · ao mesmo tempo advertia:
nível muito abaixo do tradicional. A hip ' te e d Cass1ocloro e d I id ro
de evilh:t , de um e ·tudo da gramá tic orno ba para a c mprecosão "O antos padre nã d retaram que e rejeitass m o t.-studo
da Saradas E cri turas , torna- uma reaJidad•, mesmo a nivei ínfimo : d s letras seculares" (lnsl ., l , 28, J ).
entre outros, o cál ul torna-se cada vez mais apenas o instrumento para ·
alcular a e tar;&!s a hora da liturgia. cradi ão cultural do mundo o fim do século o maior protagonista da vida cultural dessa
clá ico con ·erva , a 'Sim, apena:. este val r instrumental . época, o papa Gregório I , co tuma ser considerado o mais duro adver-
ário da cultura dá ica; de faro, em ·ua · cartas os posicionamentos ne te antigas e abr um abi mo mai profund ainda entre os dois povo que
en tido são freqüentes e firme : convivem na me ma cerra; os demais reinos romano-bárbaro ou bárba-
ros passam por um processo de acomodação e ajustam nto com várias
"Julgo gra emente indi no coo tranger a p lavras do oráculo ce• conseqüência ulturai , desde o renascimento lássico na Espanha até
leste dentr da regra de Donato . . " (êp V , 53 a); uma nova cultu ra cristã-bárbara, com qua e nada de bclênko-rom no,
na Inglaterra · finalmente , o avanço árabe no Medi terrâneo assl.nabi um
e ainda: ponto irreversível e um de locamento totalmente diferente de povo e
cultura . A Icália, cuja p pulação tcrrivclmeote reduzida e empob:re eu
''Ficamo abcndo. e não podemos lembrar is o em ntir vergo- e barbarizou, não erá mais. por quase dois s cuia . nem mesmo p,ara a
nha, que a tua fraternida ensina a alguns a gramática; isto é muito suti parte man bi2antina , um centro sobrevivente da cultura antiga
gra e, porque os lou ores d risto não podem estar na mesma e n va: estes centros estarão situado à margen ou fora dos confins do
boca com os I uvore de Júpiter . .. •· (Ep. XI, 34). Império, especi:tlmente na Britânia e na Irlanda, de onde a culwra volta-
rá a i.rradia_r- e entre ós.
indigno para um cri tão reocupar-se tanto com a elegância de É uma cultura nova, já totalmente "medie ai" e cristã. Esta rultura
eus escritos como ensinar gramática, isto é, Jer os autor s anti os. herda, queira ou não, jumo com a língua latina, infinitas reminiscência
Todavia, La.mbém nã faltam em Greg 'rio nce. sõe que lembram as d rradi ões dá kas : desta , porém, esse.adais ão o aspecto forma is.
pioiões de Cassiodoro e que coincidem com as que Isid ro de Sevilha obre iv m nã grandes aut res (este , no caso, são con ide:rado
expunha; talve2 na mesma época . O conhecimento dos livro eculares,
como m elos de estiJ u ão revividos ristãmente, como Virgílüo ou
diz a iod ro no omentário sobre o livro dos reis , e em si também
uãu u.u. uc:ul 1uua1 wllt1gcm, µuJc lCl :.ua uliliJHJt: :,e lllJiJu au LOuLcü-
. êoeca , que foram con iderad s cristãos). mas quase exclu 11amente
mento das escri turas divinas: aqueles textos d "preparação formal" que ii as compilações gr mati-
cais da decadência lalina : as gram 'ticas de Donato e de Pri cian • com
"a artes liberais devem ser aprendidas somen te para poder, graças sua ttadici nal forma 1ratadí ti expo iti a, que depoi será por muito
aos ensinamentos nelas comidos, entender mais profu ndamente ns tempo abandoned11, ou a fntc e da te artes liberai de Marciano
palavra divinas" (Migne, 1141) . Capela .
a elabora ão de ta n va cultura, é característica a assunção, ,como
regório acre cento: pr6prio patrimônio cultural, dos textos da trodjção hebraica do Velho
e do ovo Testamento, que prosseguem a sua aventurosa expansão entre
" lo truind -nos na letra · secubre , · mo por ela ajudados a o vos mai longínquo . E muito importante também ressaltar a de-
rnmprt"t"nrlrr as P piri111.11 i " (F.p 15f> a) t rminnção das formas em que essas escritura devem er lidas e a orga-
nização das vária di ciplinas num compl xo oeren te.
De de que a cultur clássica eja utilizada para u os melhores, dizia O primeiro ponto é fundamenr 1: os crise-o , como também os cel-
Isidoro de evilha (Dum /uerit in me/iores 11sus assumpta - De sum no ta ou o anglos nvertid s ao ri d nismo, não podem ler Anüg
bono, III, 1 ) , T lamento da mesma maneiro como os hebreu o lêem. D fato para
Gr gório, rtanco , nã propõe uma espécie de anta ignorância, que nii fi ue um atrimônio e tranho de textos que narram enea lo ias
mas - nisto se a s melha a uliano o Apóstata, ainda que em posição e lüurgias d, um pov rem t , ele devem impregná-lo de novos eoLi-
ntt:íria a ele - afirma a coerência da con ciência cristã, e igindo que d , mai coerem s com suas tradições (e rne parece que nã se deve
a formaçã d ler e a educação d povo cri tã nã ejam c ntami.oadas subestimar us tradições drufdicas dos c Jrn ), a ce, portanto, a exigên-
pelas seduç - es pagãs. Aliás, m Greg6rio afirma- e definitivamente cia de procurar met a entido n tcx"tos, qua e para explicar sua stra-
aquela f rma de culrura e ral que con i te nã tant o eloqtti o no nheza ou comp n ar ua incongruên ia insignificância. Eis po que
/egere, quanto a ar1 re: tratava- e, n ialmente, de cantar s salmos, ºã Ce ári , onsciente 1 , apres 'nta uma trípli e modalidade de
que é quase toda a cultura generalizada da época. interpretação do e critura : emid hi tórico, sentido moral e senád
Ne te m meato já se consum u uma profunda rupturn hi tórica : espiri tual (ln Ap. , 249, 15).
mundo helênico-r man quase de apareceu n Ocident e os matos Este intellec/u tri/ormis ou, e mo dirá aihures , esta xpositw lri-
om o re t do impéri r mano-bizantin ão mínimos; ru1 Itália a inva- perflla , que oliás não é nova , sení um caminh fundamental d aproÍUn•
ã I mbarda marca uma ruptura ainda mais prof nda m a tradições damento da tradição hebrako-cri t-, apó o enriqu cimcnco decorrente
de ua inregração com a tradição da filo fias dá si a ·, especialmente o ú ·ica, terceiro a e me tria, quarto a A ' tr nom1a e nfi m as Sa-
estoici ·mo e u ne pla1oni mo. grada cri 1ura " (Aeq . i11 Op ., 11 . 343 ).
igualm me de grande relevância a si cemati zação defini ti va da
ciên ias ou disciplinas . Esta é uma herança greco-romana, rrarumirida Para Beda, então , diver am!.: □ te de 1 idoro, o t rívio e o quadrívio
através 1arciano Capela , ue g ra ad uire importância ainda maior têm, r pc tivaroente, nome de "eloqüência" e d "filosofia", ou me-
do que na época romana . A etc artes libaais que aparecem n érie lhor, o quadrívio é uma introdução à f ilosofia . A agradas E crit ura
por de idealizada, das núpcia de Mercúri e da Filo! gia, ão definidas ão colocadas no v rtice desta tradicional nciclopédia pagã. Ve remo ,
pelos nomes de Ir ium e uadrivitlm ne ta ép a. Boéci , parece, será mais diante, que ou tr nome, , que outra concepç e que u tra rga-
o primeiro a chamar de q, nd.l.LJU,/.LU! as quatro disciplinas que hoje deno- nização d a er, pode.rã er definida l:0111 c;;i,c!> LCJmos e com outro
minamos ienríficas aritmérica, geometria, astronomia e mú ica): elas
são um quadrívio porque por ela deve viajar quem procura os conhe-
an~J gos.
cimentos certo ; o termo J rivlw!!~ trará em u o mai carde.
Em coerência c m e ta c ncepção , o e til é algo que e a rescema
à demon tra ão ; por isto , no trí io a culminância está na recórica e não
O conjunto desta di iplinas e su11 rdena iio nem sempre coincide
na dialéú ca, como era m siodoro e na maioria dos autores: a dialética
nos vári autores . Aliás , o problema da classificação do aber , ou ca-
tálog da ciência u orbú scibitium, empre deu muito o que pensar é ó demonstração não investigação . A in estigação ou os conhecimen-
ao homen ·: de de Platão Ari tót les, a Beda e Tomá , a Bacon e o- tos concreto pertencem à filosofia .
menius , a Hegel e Courn t, e também a Engel e a quanto úveram de Por uuo lado, o me mos nomes nem sempre significaram as
abordar o problema prático das dis iplinas escolásticas ou das fa uldades mesma coi as : dialé tica l ' g,ica acabarã por coincidir; na arianérica,
da universidade ; o surgim mo de nova di ciplina , o de aparecimen to o cômputo poderá siAnificar ou a sirnple arte de computar ou contar
da antigas, o reagrupamento da sobrevi ente em n vo onjunco ã ou o comple. o cálculo dos tempo para o calendário litúrgico . obre
sempre produto da evolu ão d s onhecimentos human s e das tentati- e ta importante parte da cu lturn medieval , cau a de divisõe en tre a
vas de melhor i tema rizá-los. Este eria um terna d muita utilidade Igreja r mana e a céltica, Seda ainda no fala n De temporu t ratione
para o no ·so e tudo, 6 re ·ra lamentar não abordá-1 aqui. (0 cálculo dos tempos) n De flexibus digitorrm1 ( obre a flexão dos
o éculos que camo · percorre.ado , podemos lembrar Isidoro de ded s), de d is momentos do computar e do cal ular o calendário :
cvilha que, chamando philosophi ao conjunl da cu ltura, e dividind -a
em phyiica, logica e moralis, atri buía à physica, como suas partes, s "Começando a fa lar, com a ajuda d Deu , do cálcul do tempos,
quatr d i cipl ina d quadrí io, a rescenrnnd -lhe a a trologia , a mecha-
eh i ne e ário mostrar primeiro, brevemente, a utilí ·ima ta•
nica e a medicina, enquanto à logica tribufa a dialética e a ret6ri
pidí ima habilidad d e ntar com os dedos, pois prepara melhor
(Diff . 150), considerando a ramát ica, evidentemente, apenas com in -
11 incd.i êocia de <J11t'm lê- ~ c~ ln1 IH a série do tempos' '.
rrumenral. Um século mais tarde, Beda o Venerável , grande expoenre da
cultur anglo- axônica do sécu lo VIII (672-735) , elabora uma si temati-
za ão já canônica d aber ( alvo que, coincidindo com Isidoro na E eis c mo d reve álcu lo à romana om os dedos isto é, a
herança da dialé tica e da retórica, acha- cm minoria com relaçã a rom11na computatio :
tradiçã prevalecente) ;
"Quando alas um, dobrando o mtn•m da mão esquerda, apo1a-
'A ordem do aprender é tal que, ames de tudo, aprenda- e a elo- lo-ás na palm. da mão. Quand fal as doí , apoiarás nela, d bran-
qüência, pois toda d utrina bt ' m-se através d la. Da eloqüência do-o, u anular. Quan falas t rê , dobrará da m ma fo rma o
rrê ão as partes : e cre, er correr mente e rr tamente p nun- médi . Quand falas quatro, levantarás o mínimo. Quando fa la
ciru: o que está scriro (é i to o que en ina a gramática) ; sa r de- cio o, 1c antará anular ... ".
monstrar o que se pretende demonstrar (é Isto o que ensina a
dialética ; mar ns palavra e enrenças (e é ist o que ensina As im, com t: ·rc i t ma, u ando a mão esquerd., a direita u am-
a retórica) . omeça- e, portanto, com a ramática , avança-·e na bas e apoiando- de determinada maneira no corpo, era possível
Dialética e, em eguida na Retórica. , munid s delas com armas, indicar todo os números ar 900 mil.
temo que entrar na Filo fia . A ordem d ta que, ame d tudo,
aprenda-se o quadrívio e, ne te, primeiro a Ari tmética, eguodo a
J-

5. As escolas canônicas urbanas Como e vê , a utilidade do pároco e a se urança da igreja exigiam


que nã faltassem c rdot . E te , a mo n éculos precedentes, pa-
rece que não eram mui to instruído ·, já que o concílio de 633 tem de
A lado d sta r laboração cul rural, está se detuando uma utra
recomendar uma vez mais qu
revolu ão atrav da abertura desta nova cultura a crianças de elas es
sociais subalternas, anteriormente segregadas.
" os sa erd te renham con heci mento das escritura e d s câno-
Se as paróquias e o cenóbi ão a nova escola , e se o pre:rbyteri
n " (e. 25 ,
e os priores fra/re:r são o novos ludimap,istri , us di cípulo , porém ,
não são mai grande fiJh d . grande cenruri-es, como ir nizara
Hor cio, ma a criança de origem humilde e, l-reqüentcmente, escra- e que n lllV Ju u1 Jc::11 11 íiu LCLd.Jaw u livLu Lum o u ÜLiu,
vas de ultramar re gatada p lo convento . Vita Amattdi I mbra
que o anto : "pera qw:, bem instru ídos, aibam di rigi r a igreja a ele · n-
fiadas" (e. 26) .
" regatava crian a d paí · ultramarinos e as fazia adequadamen-
te in truir nas letras" (MGH, SRM, V p. 428). Devido, portanto, à ign cánci e , talvez, à esca ez do
d te , procurava- ín tnii-1 riand na paróquia verdadeira
f: a nova atitude cristã de abertura da educação a rodos mai e recru tando liberto , para que fos em ao mesmo tempo clérigo e
aculturação que instrução), a que já fo, rn s reíer'ncia . servos. Um pouco como acontecia e acontecerá na relação de apreadí-
za m artesanal. em que cada me tre de oficio forma seu jovem
Alguns concilias espanhói do éculo VII ocupam-se repetidamen-
te, renovando a tradição do Conóüo de Toled de 527, em instruir e 111J1c.ndiz. T alvci, uléru Jo e1,i-,ui10 de filamcopia e pro:sditi:1mo, tam-
encam inhar para o sa erdócio menin pertencentes às familiae dedica-
bém e te fo e o e ·tímulo a induzir s mosteiros da G·rmânia a r ga-
das à I greja . O Concílio d T ledo de 633 recomenda que
rnr m nin era , parn educá-lo · no m Leiro .
la iniciari a mui t mai dinâmica e rica d con ·eqü ' ncia para
todo Lerri tórios cristã do identc ', no s ulo VII aquela em-
"os meninos e os adolesccnt s que e cão com o lero morem todos
preendida pelos monges irlandeses, di cipuJ s d ão Colombano (53-1-
num mesmo quarto do árrío, de modo que passem os anos da idade
615) , que cm 614 pouco menos de um século depoi de ão Bento,
lúbrica não na luxúria mas nas disciplinas eclesiásticas, aos cuida-
fundavam na Itália mo teiro de Bobbio. a ua Regula ele re men-
dos de um ncião muito exemplar, que seja seu mestre de dout rina
e seu ex mplo de vida" (ed. Mrmsi X, 626, e. 24).
dava, se não a e cola, pdo meno a le1 1ura , permi tind em relaçã a
me tres da an1 igu ida le clá ica uma abertura ainda mai r do que aque-
A Regulae m ná ticas ucessivas reproduzirão textualmente al u-
la deixada pcl papa Gregório. O novos mo tci ro:s vão difundir- e cm
mas destas prescrições como, por exemplo, a Regula ca11onicorum ou grand parte no Ocidente , promovendo o compromi o cultural do
Regula Chrodegangi e a Regula ca11onicorum eccle iae portuensi , monges .
l l 17. Par id nti i r es novo empenh educ u vo dos mosteiros e da
Isto configura uma verdndeirn eus aluno ã Igreja em geral ne tes século , precisamo nos basear nas novas regrn
recrutado dcn tr da própria rganização dcsiá tica, com é e afirma- das la · can nicai ou na · interpreta - de antiga regras da e co-
d pelo sucessivos concilio toledan s (já vim s o de 527 . O concilio las cenobiai , elaborada no écu lo V 11 1. Primeiramente a regra d
de 638 prescrev que os menin , cuj . pai , pertencentes à /amiliae Chrodegang , bispo de ecz de 742 a 765, modelo por vários séculos
das igreja , receberam um t(tulo de liberdade , sejrun acolhid s na igreja regras d e I ' gi canont , isto ', do d· rigos
a que de em obediéncia a fim d serem instruído (X , 666, e. 10) . O seculares, do quai primeiro exempl fora instituído por anto Agos-
con Ilro de M rida , de 666, recomend que tinho : trata- e, portamo, de e cola nao-cen biais ma canónica , esta-
belecidas junto às igrejas urbanas, orno a uelas menci nada pelos
"todos o padres paroquianos formem cléri os, recrutando-os entre concílios espanh ' is no sé ulo anterior. A Reg11ta canonicomm ou Regu-
a /amiliae de ua igreja, e o alimentem de bom grad para que la Cbrodega11gi, r petindo í' rmula já u ada pelo c ncíl io menciona-
des mpcnh m dignamente o ofício sagrado e estejam prontos a dos, pre cr ve:
seu serviço" (XI, 5, e. 1 ).
"É necessário ue o rc::i r re das igrejas cuidem para que me- para cá · para lá e não para o h6spede. Ap6s a saída do hó pccle,
ninos e adolescente · cjam nutrid e instruídos na e n •rega ão n o Prior deve admoestá-lo e fez pergun tas ou deu res ostas negli-
eles confiada, sejam submetidos ao jugo da disciplina cdcsiá tica gentes ou irreverentes, e muito tímido ou muito brincalhã , d
e modo tal que ua idade ·cn uai, muito io linada a pecar, nã mod que possa, no fmur , dar m lhores respostas u quem o inter-
cn nrre ocasiões para pecar ; rtunt , para guardar e instruir rogar" (C .M., I , 98-99) .
e piritualmente tais pes oa , prelado deve nome r u~ i_rmâ <lc
vida absolutnmeor exemplar q e cuidt deles c m o ma tmo zel Mas , a propó ÍLO destas velhas e n vas regras cenobiai e canom-
e obrigm: e m rig r tal 4ue imbuído d a d utrina cdesiá ti- cas, a verdadeira novidade cst~ nestas últimas: elas testemunham um
ca · rcvc tido d11 urmos e.5pirituais, po s m decorosameat•' pro- ,rest:urgimento das iniciativas urb:m:is, já promovidas e regulamentadas
ver :i utilidade dt1 Igreja e, em egui<la, ser dignamente promo idos desci o mício do século VI no condlios espanhóis e franceses, de Tole-
ao graus lesiá ricos. uant os menin s aos adolescente que do e de Vais n , na mesma época em que e constituía a Regula Bene-
estão com clero. morem t do · num m ·mo quarto n átrio , de áicti. As istimo aqui a uma rec n cituição d s a regras que regulam
modo 4ue pa em us an da idade lúbrica nã na luxúria ma na~ os légio canonicai , i to é, e colas epi copais, do der ecular, das
di ciplina edesiá úca , entregue" ao cuidado de um ancião xem- cidade . Com se pode notar, tamos entrando na época carolíngia
plur, que eja para ele me rre de urrina e e emplo de vid~ - I to quando, na corte dos francos , os tradições culturai que melhor e con-
feit , é n e ário que o · meninos cjam entregue aos cu1dad s servaram na Itália (Rav na e Roma, Nápoles e alerno se conservaram
de um anciã e emplar , embora posam ser instr\1ídos r outro" cidad r m no-biuntinas) as tradições culturais que tiveram origem
(Chrod 48) . nos territórios celtas às m r ens norte-ocidentais do ex-império romano
se enconuam e descobr ·m na n va organização política o instrumento
um texto fundamental , mas erram ntc não único, que, em para o eu cre imento e a sua ren ação .
ra segu indo o pa - s das expc:riência anteriores, inova e marca mi-
nh da evolução d.1s las can nica , constitufodo- e c mo um ponto
de referência e t.á el para a· di ·po içót:s po teriores de con ílio e esta• 6. A época carolíngia: a escola entre papado e império
t t s. cl rc altamos , mais uma vez, a dupla pre upa ão om a
moral e com a in truçiio , de que é indício a e i téncia de d i probatis- o final do século VIII assistimos a uma consolidação das -socie-
simi seniore a qlllli o me.nino s:-o confiados: mas os cuidados com dades que surgiram do enc ntro de romanos e bárbaros germânico e
a moral ão muito mai res . também a um grande de pertar no campo da cultura e da escola. Cen-
Algun decênios roais tard , já na época carolíngia, o monge lom- tro deste processo , que a elera e amadurece uma evolução já em ato,
bardo Paulo Diácono n seu omentário sobre a Regra de São Bento , é a dinastia carolíngio do reino franco , protagonista daquela renovatio
embora blinhando 1n vamente a proemint!m:ia J :. LuiJado m rais , ímperli que repropõe o territórios de culrura latina mmu potêu ·ia cu·
e ntava imerpreLar a Regula numa forma m que apare~es e mai clara- romediterr~nea ao lado do império romano-bizantin e dos árabes.
mente a pr upação também com s ll.Sp ct s cultural n s Eoroe e A corre de Carlos Magno confluem grand s intelectuais, al uns
um exemplo de como eram • avaliados" pequ nos biatos. italian s (ou mclh r, lombardo e latinos) como P dro de Pisa, Paulo
Diácono, Paulino de Aquiléia , outro da periferia norte-ocidental de
" Veja- ·e, agora, m de em ser in truíd s o meruno . Para cada onde vieram Colom ano e Beda, enue os quais o inglê Akuíno, di d-
dez meninos deve hll er três ou 4u tro mescr , c nforme diz pulo de Beda. O longo crepú culo italiano encontra- e com a alvorada
bem-avenrurad Bent : 'cuidc-s · dei s m qualquer lugar, p rtan- céltica, diz Marr u. ão e te monges o inspiradores da política cultural
t , nunca andem m um mescre' . Assim ndo , cm tudo llqu il e escolástica d n v império. í o Sacrum lmperium onde milites e
que fazem , nunca iquem sem mestre, po rque em qualquer lugar
devem ser cuid:&do . Os mPninn. . . devem ser in truíd s com
c/erici, isto é, guerreiros e intelectuais, bomens de espada e hom ns de
muito cuid11do e, uand chegam hósped douc s, um deles deve pena, embora totalmente separados em ua respccliva competências,
ser examinad d te m d : Pri r dev en inar-lhe aqui lo de que são os suportes e o gerente de um mesmo poder estatal. Talvez em
deve falar e m hóspede, ou d gramática u de canto ou de cál- ncnbuma outra ociedade esta distinção das duas funções do domínio,
culo ou de alguma outra di iplina. E o Pri r, quase sem lhar, o dizer e o fazer, apareceu tão caracteristi emente marcada. Isto signi•
deve ob rvar se ele fola com o bósped • com honestiru de e humil- fica que a inslrução, em geral, e a formação do dero, em particular,
dade , · olha para hó pede com ircunspecçã ou fi olhando embora confiada exclusivamen te ao dero, é assumida como própria pelo
er e tatal . tc•:.e, porém, que a imerv nç de arlo Magno "Os pais mandem seus fiJhos a um convento ou à paróquia para
não podem ser comparadas com a · de Diocl iano , u tiniano ou Teo- aprender o Pater o Credo, nem que eja em seu dialeto"
d rico : ba iam- mais naquele tipo de imervençõe do reis e prínci- (G. M., I, 47).
pes b~rbaros da Inglaterra, Ba iera e da pr'pria ran a.
Assim, o conheciment do Cre e da oração dominical era neces-
uitos ão os d ocumeni de ta nova política qu tad sácio para a admi sã a baú mo. ra possível conseguir estas mínimas
lmperium ressurgido como . acrum, desde o seu fundador Carl a , noções de dou triaa cristã nas paróquias ou nos mo teiros, onde já exis-
no, egue dentr da I reja e pela Igreja: d sde o primeir apitular
tia uma tradição de crianças de tinadas a sacerdócio ou à vida cenobial.
de 769, imponanrí ima Epistu/a de liueris colen is dirigida Bau·
ulfo, abnd de FuJdn , t11lv~ de 7 7, n Admo11itto generaJir ou Capiw-
Ma ! alguns an mais tarde, Ludovico o io, no seu Capitulare mo-
nast1chum de 817 , corrigindo a deci ão antcri r, pre crevia que nos
lare ecclesi tteum , dirigido a prel d da Frnnça r unidos em Aachen mo teiros se mantivesse a e cola om nte para o oblat s.
(Aqui grana) em 789 e a urr capirularcs, entre 8 2 e 809 , obre
que os padres d vem conhecer. Isso é interessante porque se proíbe, o que significa que se fazia
conforme a pr rições de Cario e o costume do mosteiro inglese .
O eclesiá ticos , diz a Epislula de 787 , além de m strarem santi-
dad d vida , devem e dedicar ao ensino e a Itália, alguns ao s mais tarde, em 825, Lotário, porém, e m o
Capitulare olonense, libera completamente a Igreja da fun -o de io cruir
" não somente não d vem negligenciar o <.'S tud s literário , mas, os leigos, instituindo aquela que podcríamo definir como uma escola
com toda humildad por am r a Deus, devem aprender com per- pública de Estado, a ser or anizada em sedes mais adequadas (in co11-
everança para poder penetrar d forma mai fácil e correta o gruentissimis seJ;bus) ; das são indicadas nas cidades de Turim , Pavia ,
mistérios das scritt1ra . E, já que na; págin agradas encontram- Cremona, Florença, Fermo, iceaza, Cividale e Ivrea, onde, porém, a
e ima ns , m táfora utra coi a d genero, evidentemente en- ini~ativa ficou a cuidados do bispo. O exemplo da Itália é logo se-
tenderá melhor seu sentld espiriruol quem com maior pr fundi- gwdo na França , onde, no Con ílio de Pari , em 829, são os próprios
dade tiver se instruído no magistério da I tras" (G, M ., I , 43 ). bispos que solicitam a Lotário que o clero não seja obrigado a provi-
denciar a instrução do leigo , ma que
Apó. o papa regórío, há uma revalorização da cultura lfrerária
de eendente da cultura clássica , cujos precedentes imedia tos devem ser "seguindo o costume do pai , pelo menos nas três sedes mais im-
pr rad na t r dição anglo- ax • nica e m Aku[no e aa maturaçã do portante do império fos em criadas e colas pública por vo sa ini-
tempos, que já torna sem nrido a polêmica entre um Juliano Ap s- ciativa" (Can ., XIT).
tata e um Gregório de Nazianzo. cultura lás ica é aceita "desde que
assumida para usos melhore " , de acordo com :1 fórmula de lsidoro de Logo, porém a Igreja modificará radicalmente essa política, avo-
t!Vilha. cando para si qualquer iniciaciva em macéri11 de educaç:io.
~ , p rtanto, o m ·m p er político que cuida da prep ração M~s DO momento, se o papado romano volca , após os tempo de
profi sional dos sacerdotes, já que: é, e mo nunca, uma profissão de Gregóno Magno a ocupar- e de te problemas, o faz visand a forma-
governo, umo politiké tékhne: trata-se de uma cultura religiosa para ção do clérigos e muito pouco a dos leigo . Todavia, exatamente sob
rdigioso , mas que nã ignora a exig·n ia da preparação formal. es- o papado de Eugênio II (824-827) , inaugura-se a legislação ontifícia
te m ment a in.i i tiva da Jgrej apare e sub rdioada , também neste obre as e coJa episcopais, que depoi entrará nos Dccrctalia, isto é,
campo que é próprio dcJa, à iniciativa do império ; s sucessivos con- DO corpus iu,;s da Igreja, e vigorará até a xxm essão do Concilio
cílios eclc iáscico na Fran a, e mo o d Châl n de T ucs d 813, de Tremo (1545-64), oa qual rão in tituíd s os eminários para a
evocarão de fato "quanto o imperad r decidira" (Sicut dominus impe- formaçã d lig;i o . O Condli romano de 826 an iona:
rator Carolus praecepit). Precisand ulteri rmente o lugar em que cada
futuro padre deve permane er ara aprender o seu fiei . , de,; int1ir::am "Chegam-nos de eJguns lugnres noácias de que nã se eacoatram
a resi ência epi copa! c m ede daquela in ·trução do religío , pela m tres e que ninguém e intet' sa pel e tudo da letra . Por-
qmtl Estado zela . Já emerg um cerco conflit entre stado e Igreja tanto, em todos os bispados, com suas respectivas paróquias e em
e uma certa oscilaçã nas decisões de um e da ou t ra no que diz r it o~tro _lugares em que se fizer neces ário, tomem-se toda a pro-
à instrução não tanto do déri o quanto das crianças em ral ; também v1dêDoas para n mear mestres e doutores que ensinem as letras,
desta , de fato, v Ira a ocupar-se, pr movendo as im um crescim nto da a artes liberais e os sagrados dogmas, pois nestes especialmente
instru ã e d a aculturação. urlos, por e emplo, ordena : é que se manifestam o mandament de Deus" (Can . IV) .
E se aqui, na verJade, não e fala explicitamente da instrução do. quel m ment em diante ; ma fiquei muito contente pelo grande
lcig mas ela também não é excluída) o u e· ·i vo n í.lio romano número de companheiro de vida e de jogo, que me acolheram
e 5 3, ob o papa L ão l V, reafoma que as cola na sede pi e - amigavelm nte . Depois de alguns dia , senti-me mai à vontade
pai são rescr ada~ 110s cléri os, isto é, o:. que tl:m a fun ã de tratar e apenas me adaptar. aos hábitos comuns, quando o Scbobsticus
do divin mi rério , para prepará-lo para e a função também atra- GrimaJdo me confiou a um mestre, com o qual devia aprender a
vés do ensinam nto das artes liberal s. Este concilio ocupa-se também ler. Eu não estava sozinho com ele, mas ha ia muitos outros meni-
da escol s paroquiais, de nível inferior, abertas aos leigo , visando no da minba idade, de rigem ilustre ou modesta , que, porém,
principalrn me o en ino da primeiras n çõe da d utrina cristã. e tavam mais adianrad d qu eu . A bond sa ajuda d mestre e
P'1rece, pon:mto, qm.· cxi ri:-m nr:sl(: mnmPntn , <'mbnr~ frac~mPnrP o orgulho, junto . l varnm-me a enfren tar com zelo as minhas ta-
difundidas, in tituiç - · ducati a diferente , não tanto pela in piração refa , tant q e upó lAumos semanas conseguia I r bastante r-
quanto pela organila ão e pela autoridade d que diretamente emanam. retamente não apenas aquilo que escreviam para mim na tabuinha
A primeira é uma escola e Estado para s leigos, nas principais cida- encerada, ma também o livro de latim qu roe deram . Depois
des ; a egunda é uma e cola cclcsiá 'tica Jue, 3 nív I par quial, ra • ber- recebi um li rinho alemã , que me custou muito sacrifício para ler
ra cam ém leigos, e a nlvel episcopal eca reservada à forma ão do ma , em troca, deu-me uma grande alegria . De fato, quando lia
clérigo ; a terceira fica no mo teiros re ervada geralmente aos oblato , alguma e isa , con egú ia entendê-1 , o que não acontecia com o la-
sem excluir absolutamente os lei os. m geral, 1·i o que freqücn· tim; tanto qu, no inído fi ava maravilhado porque era pos ível ler
trun as escola cenobiais sã n bre as irantes à carreira eclesiá úca. e, ao mesmo tempo , cnr nder o que e tinha lido" (II, J6).
D a f rma, entre final do 700 e a metade d , Carlos Mag•
n e eus suces ore · de um lado, e os papas Eugénio II e Leão 1 , Temos aqui des rica, ao vivo, est singular didática que separava
do outr definir:im um n vo direit e colá I ico. pe ar d ua incer- totalmente a pr·para a instrumental da instru ão concreta. lia-se, Isto
tezas e contradiçõ , e I lançou a ba es · fix u prin ípio para a , reconheciam-se a letra do alfabeto como sinais e instrumentos de
forma ão "proÍi ional" do lcro nas sedes episc pai e cenobiai , e memorização e da munkação da linguagem mas sem fazer referência
também par a in trução religiosa básica d I igo nas paróquias e a al uma mensagem lingül 1ica real. Aqui o easin aparece mo sendo
eventualmenre n . mo 1eir , ' b a tênue e t mporária direçã do mai d tipo "global ' : nã o calcular o ilabar, mas lo o a cópia rn1
E tado. tabuinha, usando produ 11.1/is, e o livro para ler. É int re ante como
o menino (ou o adult relembrnndo a infância) nota com mara ilha a
possívcl imultancidad do formal d concreto, isto é, do reconhecer
Jeu-a e do e mpre ·ndc::r a mc::nsa •cm . \Y/ lafried continua cus e tu-
7. xp riéncia de vida numa escola cenobial dos; no inverno de 815 aprende a arte de e rever e aa primavera de
816, aos d ez nn , cstud11 gr:om:ít ir:o rnm n mr.slre Ternrdo:
Quamo à di ciplma ao ntcúdo d e tudo nest s escolas fola-
ram-no ' hrod gango • Paulo Diácon . Além <li so, vimo Carl Mag- 16. A primeira coi a que ti e que fazer foi aprender d
no falar de almos, mú ica , canto cálculo gramática, e o Concilio fra e de c nv rs çã latina, para me f zer nlender
romano a falar de letras (ler e e crev r) , da artes liberais do tdvio e em latim r meu · colega . A maioria deles lava mai adiantada,
do qu drí io, e do dogmas ·agrados. O t temuaho de Alcuíno p r alguo no egun , ourro no ter eiro u quarto ano de gramática.
outro lado, le a a supor que havia ma crtn especializa ã preroc · no Portanto, tinham que, com exceção d recreio, conversar empr
interior de ta preparação formal e de ta insrruçiio religio a, já que cle cm latim ; ma a nós, os principiantes, era permitido, quando nc·
ugcria manter separados os que l'em s ljvr , o · que 1am canto cessári , onver , m alemão. Apó algum tempo, entre aram-me
e os que e tudam a e critura, e t r mestre e pccializado para cada a G,tJ,,1rm1tica d Donato e um aluno mai velho foi encarregado
um destes grupos. de intc::rrog r-me até que eu Livt e decorado toda a declinaçõe
.Encontram s uma 1:xperiên ia auma c:;c la cen biaJ , ivida por e as regras para o sc:u u . a primeiras dua ' h ras o mestre dava-
um jovem m age, na LembrtJ11ças de tlco/a de Walafri~d trabo, bad se ao trabalho de mo trar-rn com de ia faze r ara apren...:er e ta
d Reicbeoau , relarivas ao egundo d cênio d século IX: palavras e esta forma de falar; mas dep is inha omenre no
final da aula, par, pergun tar ao meu instrutor orno eu tinha ftito
"Eu era totalmente ignorant e fiquei muito msravilhado quand minha tarefa" (ibidem ).
i o andes edifícios do onvento, no quais deveria mor r da- '
1
Encontram nos, portanto, peran te uma e pé(ie d en ino múruo, d numa f rma ju ·ta ~ adequada, egund de . A letras -
de tipo catequético e mnemônico, controlado pelo mestre. Walafried diziam eles - não têm nada a v r c m o valor, e o <:n inamento
fala também de sua indisciplina, encorajado pelo fato de aber que o de pe oas anàã · t'm, em geral, a co rdia e a permissividade co-
jovem instrutor não podia a1er-lhe . Isto era permi tid s6 a mestre m efei to; era n ári , portanto, q e um menino destinad a
que, de fat , alguma ezes, perdendo a paciência, privou-o da refei ão r exemplo de coragem e a adquirir grande fama e liberta se do
ou "usou as varas da parede" : sempre guind a normas da regra. medo d s mestre e se <:xcrcitesse antes de tudo nas armas. Acres-
Passa em seguida, ao e tud sue i o: centaram qu nem Teod rico pcrmiLira aos godos enviar os filbo
à escol.a de !erra humana ·, ante dizia a todos que, urna vez domi-
"Ano 17. Durante inv rno seguin te n s ocup<>u a segunda º"d . f"P ln mrdn ri hicote, nu.oca reriam ousado enfrentar com
parte da gramática: a rt grafia. A partir daquele momento ánha- coragem o pcri o da espada e da lança . . . P rt.anto, querida be-
mo que falar mpre em latim e nisto acontecia de vez em quando rana - diziam a ela - , manda para aq ele lugar css pedagog s
algum despr pósit , divertindo me tr e aluno . . . Todo o dia s e põe ru mc ·ma a lad de At.ala rico alguns coctâneos: estes, cres-
liam para nós alguma pa agem do altério. ós a escrevíamos na ccnd junto m cl , o impelirã para a corag m e a valenúa e•
no a tabufoha, ?, poi cada um devia corrigir os erros do vizinho , gund o uso dos bárbaros" (J, 2}.
e um daqueles q.üe est davam no quarto an fazia a revisão de
rodos os trabalho . Aqui se ervava alavra por palavra, expli- Temos qui uma sfn t e clara do. duplo. situação cducaáva na
cava- e tud e na m nhã eguinte tínhamos que decorar aquela poca roruan bárbara: a nftid comraposição entr · dizer e o fazer,
passag m. Foi assim que durante o inverno e no v rão egu inte a I· eras e valor, o ép,:o e érga; rejeiçã , por parte do bárbaro ,
aprendemos todo o Saltério . . . (ibidem). d configurar uma es ola como lugar eparado e a concepção da educa-
ção d s Jovens como tr inamento guerreiro); e, o que é caracredstico,
As im, com a ortografia continuava a preparação formal e chega- rejeiçã de uma duca ão repressiva, do sedismo p dag6gico bas ad
va-se finalmente à instruçã concreta, de qual aquela preparação tor- em pancadas, porque tem como deito a covardia do educando . nde
nava-se instrumento, através do mét do do mútuo nsino . E os salmos não h gara inspiração amável de pedag gia cristã, como aqu la e n-
bíblic eram a culcura de a e. tid na Regula B 11edi ti , chegc u a dignidade dos uerreiro bárbaro .
As pa ada aviltam : esta m ral é mais eficaz do que a cri tã ntra o
sadismo pedagógico. mbora , amo verem , per i tirá ainda adismo
8. A educação física e guerreira d res s1a dos adole centes c ntra os adultos , onforme o clá · ico
empl . de Hér ules e Lino.
Resta dizer algo so re a educação ff ica e guerreira (o "fazer" das Embora em diferences ondi ões , a re istências do nobres godos
da St!Sduminamcs) . Qual t:rn, 1rn Jiv i ·iiu t:11Ue 10mano:. e Láil..,llfos, e à aLuhu1.1ção r mana lembram r si.stên in dos romllll s à acu lturação
fora da instrução Htet ria e re]jgiosa mencionada , a educação que os r ga . onforme in forma assiodoro na Varia o rei o crogodo Teo·
bli.rbaros reservavam a si mesmo , milites bel/atores, como coisa clu- d rico, à diferença d s rei vândal que, romanizando-se , abandonaram
siva deles? toda preparaçã militar. re erv u rig ros mente aos seus godos e ta
inicio, como diz o bi po alviano (400-490), hostil ao império pn:paração;
romao e admirad r do bár aros, stes úllimos, i norenres de qualquer
literatura e ciência (totius litterat11rae ac scienJiae ignari - De guber- "Fazei progredir s osso joveo nas di ciplina marc1a1s . . . Mo •
11atio11e Dei, V 2, 8), re istiram fartem nte à acu lturação romana em- tr m o no sos jovens na guerra ai r que aprenderam nas e er·
bora, por fim , pos a aplicar- e a ele também a expressão de Horácio : it çõe:s!" (V, 23-24) .
Roma capta /erum victorem ceptt. Procópio conta, na Guerra gotica ,
que os nobre odo revollaram-se contra Amala un t~ C]IIP, ::. IPm ri,. o realid de. as informações sobre a educação bárbara, proveni n-
educar o filho no co tum e na cultura r mana, uma vez, tendo-o te de várias fonte a partir da ermama d Tácito, insistem obretudo
"pego em erro no quart ", bateu nele (ela que "nunca inflingiu puni- nos aspecto milirarc , mbora não fal tem dados referentes à primeirn
ções corporai a romano algum"!) : infância, à in rrução intelectual e à aculmração através de carmina que
narram a proezas do antepa ado . Paulo Diác no fala de crianç.as que ,
"Todos os aot~vei e reuniram, foram a Amalasunta começa- com suas pequenas e padas participam da batalha , e Tácito falara da
ram a repreendê-la pelo faco de que o rei não e tava ndo educa- mulheres e da cri:mças que assistiam às luta encorajand com seu gri-
to o combatent ·. A ortes vi igoda ou merovíngia aparecem como 11sim por diante; nã faltam tradições, parti?11are~ do artesanato bár-
sedes de verdadeiras escola em que os j vens nobre sã educad na- baro, e pt>Ci.tlrnenre no que ~e refere a oun vesar.•~· Isto ~re upõe a
quela erudito palati11a qu consistia ssencialmcnte em empresas mili- continuidade de uma aprend1zagem nas formas Jª conhecida (como
tares e djsçiplinas d rte, formando no djzer e no fazer d domínio ; aquela Je rita~ com perspicácia por Platão) do observar e imitar ,
os ludi militares eram parte essencial dela. ances d produzir auton mamente.
Pode- ver de perro o e emplo da educação dos (ilho de Carlos Quanto à concepção ideal do trabalho e à sua pre ença no mo tei-
Magoo. Scgund Thegan , utor da Vita Hludovici, Cario ro , que d ponto de vista econômico se configuram com e°:1presa
agrícola , já i~ a res peito n~ Rc_gula ~e ão Bento _e de Cass1odoro .
"vivia e m fr qüência ju nto com o fiJh alegremente e in rrufa- Do ponto de 1sta de sua orgamzacao sOClal pode- e .afirma r que _pe!lD~·
0 nas disciplinas li berajs e nas leis mundana " (p. 59 J).
neceram e, junta , e modificaram duas formas . do1 centro_ pnnopa1
de produçã . Por um l11do, 5?brev_i~em as ant~gas rporaçoe artesa-
nais, a universitates ou coleg,a art1f1:11m, oas cidade . Isto é documen-
Dada a escassa formaçã pr fi ional da ultu ra de Carl , que tado na I tália , não omente nas regiões que se con ervara_m ro~anas
não era homem indouto mas não sabia escrever, isso significa que ele (ou bizantina ), ma também nas re~iões I mbar~~s . Uma le1 do re: A ·
cuidava da educação dos filbos fazendo-os instruir pelos doutos clérigos rolfo de 750 menciona o negoltatores classiftcado como maiores,
da rte. Mas , obretudo, como se lê na Vita escrita por Eginardo , sequ;11tes e ,,;i11orcs, com uma divisão que a.ncecipa as art~s. maiores e
Carlos adestrava os filhos na caça e na equita ão , segundo o ostume men res da futura comunas . Destes negot,atores u art1/1cer en ~-
dos fr ocos ; more Francorum (e. 19, p. 23); e era essa a parte mais tram- mujtos nos documentos deste século: ourives, pintores, caldei-
caractedstica e exclusiva da formaçã guerreira. Já a edu ação no- reiros, alfaiates, saboeiro , artífices do cobre, além dos m~tres comma-
h...-s rnnht>c-P tAmhPm ns ::ispP<'IO culru rai O outro filbo de Carlos , clni inci ore ), famu:su:s 11a lai~Lúlia da a rte . Esse artífices 11.pnr_eeem
Carlomano, o futuro Pepino III, teve como me tre Ak ín , que escre- divididos em rnagistri e discipuli, conforme o demonstrn a coounutdade
veu para ele canas cheias de preceitos morais e a ele dedicou um peque- da aprendizagem regular do ofkio , da qual, poré~, desconhecemos_ os
no tratado em forma de djáJo o com o mestre " Albino" (que é o particulares relativo ~ duração, aos empenhos rec1pr~cos e às relaç~
pr 'pri Alcufuo) ; ma nsta também que, como cus irmãos, ele tava d• trabalho. En o traremos documentos a e se respeito somente mais
sob os cuidados d um baiulus ou rutor (que lembra um pouco o therá- tard .
pon homérico , com o comes lembra o opáon), cuja tarefa era prepará- Por outro lado, r va elmente obrevivem também a relações
lo para as funções mifüares "áulicas". produtivas no ampo . mas talvez num modo profundamente transfor-
A virtude do nobres, como empre, ão a da paz e a da guer- mado pelo surgimento de uma nova divisão do trabalho fe dai, na qua!
ra, mais d que da cultura; os bi ' grafos de Carlomano relatam que aparecem , d um lado, o lavradores e pas~ore e, do outro, os servi
ele foi um " rex bonus et placidus", quer dizer, valen te em guerra e minirterioln (prPhendari • que trabalham di retamente na corte senho-
paz, " hellipotens, tmimosus heras, fortisrimus armis'', que ão virtude rial e que dcpoi irão desaparecendo. respeito de te tipos de tra a-
diferentes das do clérigo e que I mbram o épea os érg d Aqui! lhos, praticamente não temos nenhum documento que compr ve algum
Estas virtudes exigiam uma educação particula r em que predomina am presum.fvel ueinamento .
a coça, a equitação e o conhecimento da regras da corte e da leis Esta organização do trabalh agd ola lembr~ aquela que entrevi•
do Estado que, por ÍS$O, era realizada colegialmente na trustis, isto é, m arravés da Regulo d São Bento, nos mosre1ro ; com os lavrado-
no corpo dos fiéis ao rei. res ~spalhados pelos campos, dos quai a re~n não falava e _c~m
frades arti/ices denrr dos conventos. m duvida, algumas atividades
gozariam tradicionalmente d uma certa ind pendência da cone e dos
9. A preparação para os ofícios artesanais conventos com a dos construtores ; ma também com relação a e ta
nã temo• le$temunh s r ferentes à aprendizagem.
Acrescentarei muito pouco bre o treinament para trabalh
dos produtores, escassamente documentado.
A decadência da capacidades produtiva na sociedade romana é
incoote tável; ma é tam~m evidente que não desapareceram total-
mente as habilidades próprias dos vários ofícios, pelo menos dos prin-
cipais : cultivar a terra, construir asas, trabalhar o ferro, a madeira, e
vezes, um v1 ll a nt1:: m São P1::dr Damião declara- e atisfeito por não
ter co atrad e ola de meninos (oblatas , embora a escola de oblatos
f s e uma regra geral. A Regula cluniacensis, renovando a antigas dis-
po içõc , dedica , rém, muita aten ão à cerimônia com que o oblatas
deviam ~er re bid s n m st iro, stabclccend rigorosamente a fór-
mula para o pedido de ingre so é a relativa Ürurgia . m geral o pedido
P1TUL era apre cntad pelos pai ou, na fal ra destes, por um dos m nge . Ei
a f6rmuJa , uj modelo omum tambt<m cm outros ambientes:
A educação na Baixa Idade Média
"Eu irmão . . .. , . , , foreço a u e a seu anto apó tolo
Pedr e Paulo este menin de n me .... , ......... , fazendo a
vezes de eu pai", com 1Lma oferenda na mã e uma petição, apó
ter colocado • hU mã na p la d ltBr. Em nome dos sant cujas
relíquia repou am aqui, em nome do m a enhor abade aqui pr •
ente, eu declaro perante as te ·temunhas que ele ficará na Regra de:
A renascen arollngia foi breve, seguida por uma e 1.agnação de modo que, a partir deste di:i, não lhe ser ' mais permitido subtrair-se
apt ximadamente d is éculos , o tcrrit rio d amo Império Roma- aut ridade dela ; até mai~ , ·11iba uc deve observar as disposi õe ·
no, novamente pr ssionado por bárbaro , húngaro e e lavo a leste e de ta m ma Regra com fiddidade cada vez maior e, íunt com os
po árabe ao ul , não exi te m is um poder central e verifica-se urna outros, ervir ao ·enhor m cora ã alegre . E a fim de que esta
n va de agregação dos d mfnios territoriais. Também a Igreja de Roma petição fique confirmada , u a sub revi por minha mã e: a ubmetl
custa a exer er sua aut ridade ; mas permanece, c ntudo, a principal às testemunhas para qu la também a assinem" (P.L. CXLIX,
fonte de instrução. I1 l , ).

e d pois qu1sessemo dar uma olhada indiscreto dentro de um


l. A Igreja m ·tciro, descobrirírunos, além d " como-deve-ser" sancionado nas re-
gras, a possível realidade concr ta e humana da vida cotidiana. Basta ler,
e ta ituação, e cola regias, instituídas por Lotário na llália d fato , omentário que estas re ras faz Pedr o Ven ráveJ , abad
e exil(~das pelos bispo na Fran a, desaparecem totalmente, enquanto a d Cluny , n . tatuta congregationis cluniact:ns1s, onde enunci , uma
escolas paroquiais, episcopais e ceo biais sobrevivem letargicamence. A r uma, a di po içõ d sa regra, explicand as raz.ões de cada uma
pr6pria palavra schnla significa, nesta época, lugar de reuniiío uma mil1tis dela ( aura huius instrtult) , ara vermos que num mo teiro vida é,
schola, o corpo d a11trurttoncs, a aula régia ou uma congregação, mais talvez. menos absrratam nte anta, mas, decerto, mai concretamem
do que o lugar onde s estuda. Ei , r exemplo, o que pode ser II escola bumana . Vejamos, ante de tudo, o ócio d s jovens fradfoho :
num mo teir , m o de arfa, de que nos fala o ab de Guidão:
"XXXlX. Foi determinado restabelecer pelo menos em p:irce o
" Os m nin s tenham na escola o livro , a na alhas, os pratos e:: a antigo e santo trabalho manual ... - motiv e ta di posição
bacias para lavar suas abeças. . . a escola , quando é tempo de foi ue o ócío ocupara tan to parte dos no que, com exceção
falar, dem falar : fora da escola çam Bbs luto silên io . . . De d pou os ue liam e d s raro que e creviam, os outros ou dor-
quarta a ábad podem barbe-ar- e na própria escola . .. " (C.M ., miam apoiad s às paredes do convenc , ou do nascer ao pôr-do-sol e
1,112) . até durante a noite, poi podiam fazê-lo impunemente , passavam
tod cu tempo em conver as vãs, inúteis e , que · pior, ma-
Mas no reflorescimento geral da vida social também os mosteiros lici as ".
se renovam e se ren vam as Rt!gulae, repropondo o pr blcma da in -
rruçã do monges e, e pccialmcntc, do· oblat . Temo , de fat , vári Eis uma outra disposi ã rdereme à aplica ão d punições e ao
testemunhos de mo teiros, como o de Momecassín no éculo XI , ond cuidados com a roupa:
às vezes se prescreve que " todos os monges aprendBm as letras"; utra
"LXIII. Antigamente, quando se íla elava um irmão, c tumava-se cemr s urbanos que, e pcciaJmente na Itália , se subtraem ao poder feu-
ra gar sua cami a e levantá-la à for a até ua cintura . Fica agora dal e e organizam em f rma de comuna, verifica-se rnmb m um grande
estabe.l cid que a flagelação seja aplicada aos irmãos por culpas despcrrar de toda atividade culrural e educativa .
particularmente graves e na aplica ão des a peoa não se rasguem A cri do império carolíngio levara a uma n va itua ão: fonte,
mai uas camisas Itaminiae), ma , antes de serem ubmctido aos ora imperial, do direito e colar passam de fa to à I reja, como também
flagelos, sejam totalmente desnudados, deixando intactas as camisas. pa a para ela conlr lc poütico, anteriorm ntc do império, s bre _as
O motivo desta disposição foi quer para evitar dan freqüentes la eclesiásticas. Além disso, a lgrejo f i abrindo sua escolas p1s-
nas cami a , quer para aplicar a pena ao irmão de nudad sem perda copai e par guiais tembém :1 leigo , dando-lhe ao mesm tempo
de temPo" (P. L. CLXVIT. p. 1043). in rniçân rc-lie,iosR e literária. Criou-se, em suma, um monopólio ede iás-
tico d instrução que, apesar das aç - r parle da aut ridade poli-
uanto à primeira disposição, pode- diz r que o bom abade deu ti a, derrubou a situa ã q e se cri u no império arolín io e provocará
uma espiada indiscreta no pátio de algumas das nossas esc la ou num novos choque . nvém , portanto, e uir e forço da Igreja para reorga-
campus univer itário qualquer em algum país do nosso tempo. Em todo nizar ua e ola ntrolar as outras, seguindo e inovand a tradição
ca o, esse é um precio t t muaho da per nidade da natureza huma- de Eugênio II e de Leão IV , cujas di po içõe erã empre retomada
na e de quanto custa dominá-la. E tcs joven m nge são, também eles, e in crita no cânones sa rados.
sere humanos e, so retUdo, adolescentes qu viv m ua I ngas borns Já em 1079, Gregóri VII reconfirmava ao bi po obrigação de
no silêncio do trabalho e do estudo, e seus breves momentos de di tra -o fozer ensinar m uas i reja a arie liberai (G M., !, 70). as nessa
em diversões nem mpr elegante , urlando a assfdua vigilância do. ev lução, que envolve também o mo teiros, cuidava- e para nã e n-
probatissimi seniores a que eram confiados . Logo encontraremos nas fundir o ensinamento religioso m o da ciência naturai e munda-
Vt:1ilc do goliardo .
nas , que vinham e afirmand cada vez mai . O Concílio de Tour , de
Quanto às escolas do lero secular originariamente o m tre era o abril de 116 , e tabd eia que
bispo (ou, nas paróquias, o pároco), mas logo e ta tarefa foi por de
r~an~ferida para um scholasticus ou nuz?,ischola. te foi um cargo cuja "a ninguém, feito volo ou feita a profissão r ligiosa em qual-
dtgrudade cresceu com o tempo, tanto que o magischola acabou a umin- qu r mo teiro, em permitido sair para ensinar ciências naturais ou
do na Igreja funções mai e.le adas, transmitindo, atravé de uma e pécie leis mundanas " (G ..M., J, 193-194) .
de investidura, a função de nsinar a um cu substituto, o proscholus.
Foi de fato , um fen"meoo característico de ta época feudal a difu- Em 1179, exatamente c manos apó Gregórlo VIT , um outro papa,
são do ostume de o magischola vender a autoriza -o d ensinar, a Alexandre III, ao reafirmar novamente esta brigação, inovava corajo-
licentia docendi, e, conseqüentemente, do co tumc d cobrar o n ina- sameot a decisões de Lotário e dos bispos francese d século IX, im-
mt>nt ~ado !los alunos por p11rte de qu m linba conseguido e:;so licença: pood nao somente às igrejas c mo também aos mosteiros a obdgaçllo
dois cas , em certo senrido, d "simonia". A ciência é dom de Deus , de-e render o ensino aos leig pobres. Além disso , ele d ouncíava seve-
portanto, não pode ser vendida, dirão insigncs doutore e a bulas pon-
ramente s aso de imonia e colá rica , i to é, a venda da licentia
tifícias repetirão: o aber , de fato , embora fundado nas artes liberai
con istia na dout.rina cri tã e culminava na rcologÍ!:I . Apesar disso, era docr:ndi e.: o obst' ulo nrra quem, munido da licença, quis ssc livre-
vendido. Investiduras e im nias: e ta é e ola de uma ociedade e de mente ensinar, e ord 'nava qu o magischota n-o se permitisse impedir
uma Igreja feudais , ainda que a venda da ciência já prenuncie o surgir nenhum clérigo capacitado de ensinar aos outros, pelo menos fora dos
de uma sociedade laica de tipo novo. muros da cidade, extra muros ciuitatis. ã decísõe bastante ignifica-
Aqui não t m meio de comparar esta concepçã com a que foi, tiva , qu,. libertam os mestres de qualquer submi ã feudal e qualquer
no mundo clássico, a concepção de Aristóteles e Ocero, a opinião gene- uborno im nfoco. Leiam- e textualmente as palavras do C ocllio La-
ralizada sobre o en ino orno ofício, indigno d homens livres porque teranense, conv ado por Alcxandr III em 1179:
feito por dinheiro. Aquela era uma concepçã conservad ra, mas laica;
agora tem-se uma tr11dução dela em estilo progressista e teológico. " ada Igreja Catedral crie um benefício para um m tre , que ensint
Ap6 o ao 100 , com a interrupção da última incur ões de novo gratuitamente aos clérigos da mesma Igreja e n s demais pobre . , .
bárbaros, com a rogres iva reabertura do tráfego no Mediterrâneo, com A Igreja, como pi dosa mãe, tem a obrigação de prover os pobres,
a reconciliação do poder papal e imperial, transferindo o império aos que não podem ter o apoio do pais, para que nã sejam privados
germanos_(translatio Tmperi ad Germanos), com o surgimento do novos da p rtunidade de ler e pr grcdir no e tudo . ..
Esta s ola seja também instituída na d majs igr ja e n s mo • igreja de Deu como uma luz do éu e possamos ter, em eguida,
teixos .. . abundância de dou t res .. . " (G .M., ! , 73-74).
Para a lken a de en inar não se 1g1 nenhum pagamento; nem,
sob o prete.xt de costum , alguém peça remuneraçã • uem i.:stá E acrescem :
en inand ou impeça ensinar a quem está id • n o e d i<lam nte
licenciado .. . " caso a renda de seus benefícios seja insuficiente eles lhes desti•
Aquele gue, d fat , pela avidez de seu e pírit vende a licença , nem um ordenado, e e forem estudar e ensinar teolo ia fora de
ten ta impedir o pro res da Igreja " (G. M., T, 70-74 . un diocese , con tinuem por cinco anos percebend os provemos
de seus benefícios. oão bstan te qual uer outr costume ou dispo-
Trinr e i ano dcp is, em 121.5, o o vo ncíli ateranense, ição" (ibidem).
con o ado p lo papa lnocênci III, confirma precisa este compromi ·.
so: dispõe que a eleição do magischola seja feita pelo bispo e seu cabi o, O gue acon teceu para que o papado interviesse, contrn seus p ró-
confirma a obriga ão de ensinar gralll itamenre, reafirma que ns escolas prio co rumes e di po içõe , encor jando cléri os e monges com orde-
devem surgir na igrcjaS<acedrais e na demai i •r ja e qu de em nad om utra ubvençõe , que h m ríam de boi a de e tudo,
estar abertas não s mente aos " clérigos da mesma igreja", mas tamb 'm a serem usufruídos longe da própri diocese? Ap6s a luta contra o feu -
"ao alunos pobre ", e e pecifica que d vem ser instruído ·•na .rnmácica dalismo, com suas in tiduras e sua sim nia, este parecem ser s sinai
e nas demais disciplina ". Portant , nã é somente a d ucrina religi a de uma outra lu ta para de envolvimento burguês e mercantil d um
qu a Igreja pretende ministrar: toda a instru - ag ra lhe diz respeito , sist ma edu nlivo qu a lgr j , aliada das muna contra o império,
superndas a · dúvidas de c nsciência sobre a ori em pagã da in truç-o conduz com maior ou menor consciência de sua função rustórica.
u~UUJJ1c:11l1tl e rejt:it:JÚas as cemaçõe da " anr ignorância". N:nural-
mcnte, porém o gr:in bj tiv d ta cul tura undada nas artes liberais
não é mai a eloqüência polltica e direito, ma a teologia . o mesmo 2. Mestres livres e unrversidades
conclli , de fato , decide-se que toda igreja metropolitana tenh um n-
sino de te I gia: Paralelamen te ao urgiment da econ mia mercantil das cidade e à
sua organjzação em comunas, um novo proce so e int roduz na ins rru•
"Pelo men a igreja meU'• p lit.ana t nha um teólogo que instrua çã com o aparecimen to dos me tres livres que, sendo clérigos ou leigo ,
os s erdotes e os outro na sagradas rit-ura e o eduque e eo ioam também ao leig . Munid · da licentia docendo concedida pelo
ialmeote em tudo aquilo qu · <: nc essário para a ura das alma." magischola, ensinand fora da escola episcopai e fr qüentemente, ara
(G.M., T, 72) . evitar coo orrência, fora dos muro da cidade (extra muros civilatis),
eles so tiofazem os exigências cul rurois dos novos do!:!:efl sociais. A J cili:i
Quarro an mais tarde, em 1219, Honóri III, ao e oc:ar rigo• parece ser o centro de te de envolvimento. a ermân ia, já em 1041,
roso respeito à decisõ s d seu antecessor sobre o ensino de t ol gia, W ippone e ortava o imperador Conrado a eguir o ex mplo da l táJia,
ao mesmo tempo introduz um:i profunda ino a ã num ponto sencial, onde - dizia - todos os jovens são mandado a suar nas e cola :
o da veoalidedc da ciência, orden nd que a m tre de te logia, niío
obstante qual uer utr ostumc ou institui ão ootrário, seja oncedido "et sudare scholis mandatur tola i,wentus" (G .M., ! , 134 ).
pelo bispo um rdenad , cn n renda de seu benefícios seja insuficiente,
e que lhe · ja garantida e ta renda durante cinco ano , também n ca o • te me tre livres en inavam pe laLncnre a artes liberais do
m qu tenham debcado o ('.J1 ino para e aperfeiçoarem em eu wd trívio e do quadrívio; mas a ui e ali aparecem cambém cola livres de
outra di ciplina . .t prová el que ju cam me d te m rres livre , gue
"Q uerem e rd nam que e ob erv rig r amente quam foi atuavam junto à· la episcop:,;i e empre ob a tutela jurídica d
estabele id no ndlio geral bre a n meaç-ão <l s mestre · de lgrej (e também d im 'rio), tenham oascid em seguida as univer i-
teologia cm cada igreja metropolitana· além disso, estabelecemos, dades . m alerno , já antes do ano 1 O, existia uma cradiçã de prá-
com base no conselho do bispo no irmã . .. , qu , podendo , tica médica que paularinam ntc a umiu o caráter de uma verdadeira
pela raridad d s mestres , alguo d les e qui var-se, o r 1 dos e e cal teórica e que, d is sl-culos mais tarde, foi reconbecida como tu-
o abid a igrejas de tinem o e rudo da re l gi2 algun m:ii dium generale isro é, rujo títul eram reconhecid em qualquer lugar:
capaze de apreod r, par que, uma vez in Lruído , r plaodeçarn oa em uma, uma uni ersidade) . E, faro d terminante, rn Bolonha , nil e-
gunda metad do éculo XI, teve iníci o en ino d direito romano por não se preocupa em em aprendê-lo (non c11re11t nescientes litteras dis-
bra de Pepone, eguido no come o do écul s uinte por lrnéri , pel cere), dedicaram- e panicularmente às artes liberaies: o au tor de uma
qual se costuma começor a história das universidade medievais . das mai di undida gramáti as medie ais, Alexandre de Villadeí, em um
franciscano. uanco a c nteúdo, ouvinte e edes, já e tamos bem longe
Portanto, trê campo bem distinto d ensino: artes Jfüe rais, me-
d tradicional ensino rnoná Lico . A no as orden religiosas têm uma fun-
dicina e juri prudência (esta última, que inicialmente continha apenas o
direito romano ou ci il , depoi que ra iano em 1140 in luiu no s u
ã deci iva na evol u ão da no a cultura urbana .
ariada e complexa é a hi l6ria Ja rige.ns de ada uni ersidade
Decretum as leis ccl<" iá tica , passou a abra.nger também o direit
o fim da Idade M dia atingiam, na Europa idental, o número pro-
canônico: portant , era possível doutorar-se na du a juri prudé.n ia ,
:dmado de rntenta). O poder papaJ e imperial (ou régio) , que ini ial-
in 11troq11e ;ur~). Mais tarde foi ac:-tPSN'ntiul fl teologia, por solicitação
mente int rvcio para regulam otá-la cm seguida tomou a Jnkiatlva de
particuJar de Inocênà III no início do s<..~lo XIII, e ensinnd:i pelos
cri -las, como em 'aJaman a, Roma, iípoles, Viena, Praga, racó ia
dominicanos . Estas foram a quatro faculdades dpi a , mbor:i não xclu-
te., com d tações própria . Mas a sua primeira origem consistiu na con-
iva , da universidades (ou studia generalia) medie ai , uma d cria-
fluência esp ntân a d lérigos de vária orig n para ouvir aula de
çõe mais originais e uma das h ·ranças culturai. mais significativas d:i
algum douto famoso. Foi esca a cau a do enômeno característico d
Idade Média . As faculdades de arre ti eram por muito tempo uma
clerici agantes, prim iramente nd n do pela Igreja, sobretudo quand
função propedl:u tica, em ma distin ão muito clara de ua irmã meno-
eles deix vam cus mosteiros ou colé ios canonicai em a aut riz ção
res a e cola de gramática. Estas faculdades repre entaru a continuldade
de eu uperiore , e m seguida anciun do protegid , como fez Ho-
da in trução medieval e talvez por isso tenham permanecido a base para
nório IIl com a bula uper specula, e Ih s garantia os benefícios por
qualquer ourr estudo ; cern e a culminância delas era a " fil ofia''i
quer a filos fia da natureza (física, ciências naturais), quer a fiJ sofia do an s.
do hom m (ciéo ias morais) . Atra és das an (como já indicava Quin-
tiliano na época clássica chegava- também à cultura ciendfica : r
iss , na univer idades medievais , taJvez elas tenham sido o caminho 3. Clérigos vagantes e goliardos
para os novos ensinamentos, especialmente através da red berta de
Aristótel . Os estudantes ou clérigos vagantes, novos e diferentes herdeiro dos
Merece também er particularmente de tacado um ouuo nsino, gyrovagi, cond nado por ão Bento, não deviam er h pede agrad .
que se d nvolv u obretud nas universidade italianas: a Ars dictandi, vei para a cidades. O n me que mereceram - goli.ardos tal ez de
que ensinava a re er carras e atos ficiai , diplomas privilégios pa• Golias, o gi aot fili teu, símb lo d atanás) - , m tra quant , pelo
pai etc. , e, às ezes, carta famiJiare , d pai ao filho, do sobrinho menos alguns dele , dedicaram eu anos universitários mai diverti-
e rudante ao tio ruror etc . E t n ino, iniciado n século XI por Afbe. mentos licencio s do que aos escudos ério , aproveirnnd e lic nça,
lÍw Jc Mootcca ino atingiu s<:u opoge no s~culo XI II com Guido ohtirla II arrancada, para astar-se de seu m stciros. Os canto goliár-
Faba, B ncompagno de lorença e Bene de Signa. me tr s em Bolonba. dí os remanesçencc:s, pecialmente da coletânea dos Carmina bura11a,
A Ars dictandi, em seguida, tenderá a identifi ar-se com a atividade folam mais de rnulb re , vinh , aça desesperada ao dinheiro, conflitos
notarial e a aproximar- ao e tudo do direito . Tratou- de uma espe- mo mesue e o cidad- , do que de estudos érios. Transcritos junto
ci .lização tipicam nte italiana, porque por trndi -o a fun õcs polltico- com manuais de exerdcios retóricos nos quai , freqüentemente se refe-
culrurais eram re rvada ao douto romano n reio s romano-bárba- rindo • realida e, m tram um quadro d u libertina cm e clã ad-
ro e foram perpetuadas com a coo olidação do poder político- piritual vertência e con elho , e e d umentos nos lembram o que vimos em
particular e o princípio em arma que foi o da Igreja. ta Ar está, alguns Emina ne11tos do antigo Egito, no cdi t de Vai ntiniano l obre
portamo, na origem daquela eleganús ima maravilha ulrural que é a os estudos liberafr em Roma e e Con tanfi11 pia, d 370 d .C. , ou na
linguagem bur tática . regra benedhina .
Acrescente-se que. ex11 tamenre no in(d d éculo UI , quando Pod mos ler alguma strofc destes cantos, dos quais u Gaudeamus
as universidades se consolidam se difundem, ·urgem as n ,,as orden ainda hoje é cantado. Eis o que estabelece a o rdem du · vaKauLo {o ,do
religi as: o dominicanos, sobretud , e os franciscai,os . .Ambos reno- vagorum):
vam esc la e tud , e realizam ação missionária externa. O domini-
canos dedicam-se panicularmeote à teolo ia , criando centros d estudo l . Poi em tud universo
em conflito com os públicos; e s franciscan s, embora a Regra de ão Canta-se: ' Ite! "
Francis o prescreve e que os frades que não soube sem ler e e crever Trotam os padres,
correm os mong s, stes clérigo con utwram a ociaçõe , societates scholarium, que ,
prontos os diáconos cJ1l eguid tornaram-se umverrilales, isto é, à s melhança de outra
deixam a Bíblia corporaçõe de an e e ofi ios, associaçõc · juridicam nte reconhecidas de
para seguir nossa seita tod (u iiverst) os scholares,· e se dividiram em eral por nallones, orga-
que da vida é a salvação. nizando- e para a assistên ·a ao seus membros e p11ra a tutela d inte-
6. Nossa seita acolhe muns cant do doutores com da cidad ho ' pedeira.
honestos e malandros, a relaçõe e m seu mestre ·, os e ·tudante tinham for tes poder s:
coxos e famintos, de fato, eram os p prios scudantes , através d seu repr entante en-
fortes e impcnentes . carregados das ollectae, que o pagavam ; à veze oem pa avam . Diz
jovens em flor, o re pe.i to Od fred , uce r de I roéáo em Boi nha:
ou velhos em laogor,
frígidos e ardentes "Sabeis bem que, quo.ndo os d utore fazem coletas, d utor não
na ebriedade do amor . pede aos esc lares, ma e e Ih doí dele para que sondem a von-
tade do outro ; e es oi re se comprometem p r intermédio
7. Belicosos e plácid , dele . Mas s maus escolare não querem pagar" .M., 1, 2.30-JJ).
frenéticos e sábios,
Boêmio e Teutônicos, Vagantes honestos ou vagPntes goliard , el , em cu nflico
Romano e E lavo , com as olunas hospedeiras, especia lmente em Bolonha, en oneram apoio
os de média altura, no imperador Fred rico I Barba-Roxa. te, em 1158, por ocasião d sua
gigante e anões, segunda de cida para a Itália. cm que reuniu a Dieta R ncalha, a o-
humilde e também Ih u um3 dei gaçã dele e, reconbecido solenemente o val r de s u
soberbo e vaido os. emp nho ultural, concedeu-lhes privilégio particular , subtraindo-o
10. Nossa ordem veda da jurisdiçã d magistrado local e submetend os, à escolhn dele , à
sair cedo da cama: jurisdição do bi po (reconhecendo, a im, a anti a prerro ativa da Igrc•
e levantados, sentamos ja) ou de e mestre . ª • a ua Auihentica:
num fresco cantinho;
e pedimos nos tragam "Feito um diJigence exame sobre a guestã , junto ao bispo , aba-
o vinho e galinhas, d , dUlJues e a todos juízes e n távei d no so agrado palácio,
e nós s6 tem mos concedem s e e benefíci de no a pi dade a tod o olar
do jo o as ruínas. que, por causa de eus e tud , vão peregrinand , de modo parti-
cular a quem f z; pr fi iio das leis edesiósticos e civis; por« que
11. Nossa ordem veda
tanto ]e quanto seus men ageiro po sJm ir para o lugare onde
ter mais que um vestuário;
e e ercem o estudos :1 terras e aí po am morar com seguran-
levar uma túnica,
ça . . . Quem não teria piedade deles ? Por amor ii ciência se exila-
é s6 permitid ;
La m e de ricos se fizeram pobre , acrificam a i mesmo · e expõem
pois no jogo dos dad
sua vida a tod o perigos e freqüentemente, em motivo, frem
jogas logo teu mamo
violências físicas por parte de hom ns vW imos o que d piorá-
e até a cintura
vel) . Portant , r interm dio de la lei cral e de valor eterno, de-
no jogo ai perdendo.
cretamos yue nio u 'm mais ouse e pre uma audacio amem fazer
12. O que está cima dito fen a ao· e colares, nem lhes cause dano por motivo de dívidas
se aplica ao seguinte: de ahium comp:1tri ta dele , nforme ouvimo pratica com base
niio use cuecas num pcrver o costum . . T devia, e alguém qui er mover-lhe ·
quem anda de cami ão; cau a por qualquer motivo dada aos escolares faculd de de e co-
e se to tens sandália , lh a, a re ente• e c m I perante ao senh r, ao seu mestre ou
renuncia às botas, ao bisp da própria cidade . aos quais foi dada jurisdição bre
e o dardo nã qu rc este assuntos ... ".
da nossa e.xcomuohão.
a realidade, o g liardos ~ão a manifestação de uma nova fi ,ura
Diante d sta intervenção imperial, o papado não teve outra alter-
nativa: apressar-se em reconhecer direito adquirido pelos escolares,
ia1 que não pode ·er compar da, a nã er por uma ab tra ta morali•
dade (ou imoralidade , s se pref rir), c:om aquda dos seus anteces ores
o que foi feito no ano seguinte pelo papa Alexandre III, auavés de urna
do antigo E. itu ou d fim da época romana ou bárbara, nem com a dos
carta ao abade de ão Remy. mong do séculos imediatamente anteriore . goliardos são figuras
Mas ,~ parte o apoio do poder político a estudantes, o Igreja man- de estudantes de ato laico , u moram extra legem em cidad~ alheia ,
teve uma espécie de supervisã obre a universidade através da con- mas envolvido na vida des as cidad s comunais ou régia , que são os
ces ão, com exame prévio do titulo de estudo, da autorização para centro econômico , <X;ai e ulturai .
ensinar, a licentia docendi. (A conventatio era a cerimônia pública que
$Ui:cdia à. da concessão dn licentia, interna da univer id11rlf' .) Portanto,
ua rebelião en êmica cem alg de no o d comum com epi-
fei ta exceção à importante iniáativa dos mestres livres, nota-se uma
sódi de rebelião e porádica que a hi tória empre nos reapresenta . · ,
por exempl o joven m n es do oovento de ão Gallo, m 9.35 atea·
continuidade ininterrupta, pelo menos na direção política, entre e alas
raro fogo o nvento com as vara que s m ucs mandaram buscar
episcopais e universidades. por cl me mo para f ustigá-1 s, isr constitui um epí ódio da ida mo-
Os clerici vaganies continuaram, por muito tempo, a consriw ir-se nástica . Mas s os estudante de Bolonha ou Paris entram em conflit
num problema não somente para as cidade ho pedeiras e para o poder com cidadãos e as autorid de daquelas cidades, c nflit s qu obriga-
púb]ico, ma também para a Igreja. As decretais contêm uma evera ad- ram im_peradore , papa e r i a intervir, este fot s apresentam carac-
moesta ão a respeito deles, prescrevendo que os clérigos que e coroarem terí tica va . ituações ubst ncialm nt o a , como novas ã a
bufõcs (ioculatores) ou goliardos e não se corrigirem , ejam privados de modalidades diclática , a disputa e o pr'prio e oteúdo da cultura
todos privilégi sacerdotais. A admoestação a um goliardo devasso destes século , que é a cultura da un i crsidades. Nihil sub sole novi,
en 1rr111 r:omhém no. loci communes da Ars dictandi: uido Faba ima ina rnai. também, 011mia s11b sole r,011(1.
uma carta de monacho ad monachum vagabundum, na qual o vagabundo
Após a Authenli a de Barba-Roxa, utra.s intervençõe do er
é repreendido por ter feito polltico sancionaram estes novos privilé ios acadêmic ·: m particular
na França, com a arta de Felipe Augu t , de 12 e 1210, e em
"uma espéci de oratório novo, onde os monge e tomam leccalo-
C t la e Leão com as lei de Afonso X o ábio 1252-12 4), que
res (lambedores) e, cran formando-se em hlstriões, cantam salmos
talv z constirua a mai ampla c dificação da vida universitária. fatas
nos prosúbulo e ora õe nas tabernas, e jogam dados com as
últimas, e ntid:1s n Título XXXI das Siete pariidas ou Libro óe las
meretrizes" ; leyes, merecem ser 11J1alisadas mais de perto. Elas estabelecem , an~es de
tudo, 'o que é estudo , quan to tipo d studos existem e r ordem
e podemos acrescentar o seu hábito d viver meodigaodo, fr üeote-
mente com descarada prepotência. as várias nações, concílios de bispo de quem deve ser fei1 ", e a acionam :
e decretos de rei se ocuparam com e ses maus 1.1.1:,Luu1es. O oncílio de
" ·tudo ' união de me tr estudantes, qu se realiza em qual.
Salisburgo, de l276, denunciava-o obr tudo pela inoportunidade de sua
quer lugar com a v ntade e o j tivo de aprender a ciência . Exjs.
ousadia tanto que às vezes cem duas espécie de estudo: a primeira é aquela que chamamos de
estud g ral', m u há mestres das artes , orno gramática, lógica ,
''o padres e ram obrigados a dar a eles aquilo com que preci avam
retórica, aritmética ge m tri:i, mú ica a tr nomia, com também
prover às necessidades dos pobres e sofriam injúrias e lhe negas-
há me tre de decre1 e enh re de leis; este estudo deve ser
sem quilo que para e1es ia ser ocasião de má vida" .
estabe1ecido r mandad do Papa, do lmperad r u do Rei. A
segunda e pécíe é aquela que chamamo d 'e tudo particular', que
as não faltavam a ueles que trabalhavam para poder tudar,
nsino qu um mestre qualquer minis tra numa cidade qual-
como Pedro Lombarda novarense, cuj iógrafo conta que
quer, pri adamente , a alguns aluno ... " (Lei J) .
"na escola que freqü ntava, prestava erviço aos estudantes e sua
E ta definiçã de c:studo " geral ' é um pou o diferente daqu la que
mãe lavava a camisa d rudantes" (G .M., TI, 46);
hoje é comumente a ei1:1 e a faculdades men io ada sõo apena duas:
artes e direit0 ( anônico ivil). Ma ala.manca , fu ndada em J 230 e
o mesmo se conta do papa Bento XI . Este fen • meno de uabalhar para
con olidada em 1242, terá também medicina e teologia. Outra d1 po i-
estudar, como o de mendigar para farrear, é, em suma, um topos da his-
~ referem-s cidades e à edes dos e tudos, especificand
tória da educação, ao meno desde tsquines Epicuro a Bento XI.
"em qu cidade deve er e tabclecído cstud Lei II e em julgamos justo que s me trc e e tudantes no e tudo eral po am
quais lugar devem r e tabeleddas as e las do m tres" organizar- , já u eles se unem com intenções, e são, de foto,
(Lei V); forasceir c d lugares distantes; convém , portanto, que de acord
com o d ireito que eles têm , tod se ajudem mutuamente naquil
devem er cid des salubre.-. e ricas, disposta a honrar professores e que é nece sário ao estudo , a i mesmos e às suas cois s" (Lei V[) .
estudances. Quanto à locaJizaçã da e olas ou ala de aula ne a ida-
de , se especifica: In ti tu m-Sé o utras figura · acadêmica : os mestre com julzes entre
s escudante , i ento da jurisdição comum ( Lei V li ); s bt!déis, como
' A. e. las de estudo geral devem estar I alizada m uma área men ag iro dos estudante , que anu nciam as fe tas, med Iam a compra
afastada da cidade, umas perto das utra , de modo que o tuda.r:i- e venda do. livro , convocam reuniõe ; e , enfim , r livreiro (esta•
c.es que querem aprend r po saro ompanhar dua aulas ~ m~1s cionarios) :
em diversas horas do dia . .. ; porém, cada escola deve er tao d, ·
tante das outras que os mesues nã pe rt urbem um ou outro, ou- "É ncce ar10 que em cada e rudo geral , para 4ue sqa completo,
vindo um a4uilo que outros lêem" (Lei V). exi tam livreiro q ue L nham em ua livrarias livros bons, legíveis
e verazes n te to e m.1 gl emas, que e tudante po am tomar
Vejamo um mestre italiano que iasi te utopicamen te nestas exi• · r cmprést..imo tsses Livros, para, c pia11 1 •O , faz r n v livr •
&cncia . Outras prescriçõe dizem respeito mais de perto à didática e ,,u emendar s vclh s" (Lei XI).
ao xames :
abia ao reitor con tr lar a qualidade d livr e eu pre o~.
"De que maneir os mcsrres dcvc;:111 cxpo1 a ciência5 ao:i :,tudnn- stns lci3 , na m tadc do :,é ui XIII, 5anc;jon. vam no cu conjunto
ces - os mescres devem expor suas discipl ina de forma correta e co rume jií diíund.id s, que poderiam encontrar .:m docurnen1 s pri-
Jeal len o seus livros de maneira que compreendam da melhor vad também de é a antcnorc .
for~a po ível; e uma vez que começarem a ler, de~em continuar
o estudo até ompletar os livros começados ... " (Ler TV);
4. A universidade e a escola vistas pr>r dentro
e não podem servir-se de substituto , a nã er em ca de doença (c
nesse ca o cons rvam eu saJári anual , que m caso de morte pns a Para termos uma idé1 de ,._ mo se realizavam e tudo~ univcr i-
para o herdeiros) . Ve jamos também a respeito professores bolonh tários é pr ciso ler aJ um depoimento d ir to d mestres . 0d freei ,
xigir e ta didática. Quanto aos ex.ame I está escrito : di cfpul discípulos de Irnéri e prof ssor de di reito cm Bolonha
d sele 12:i>R , ~s im ~prt•st: rn . o escudant es o prosr2m de i;eu curso :
•·o escudanre que quer ter a honra d er mestre, p rimeiro deve ~er
discípulo : quand e te a abou de aprender a ciência , deve aprcsen- "Quanto a método de ensino segui rei o método observado pelos
ta r•se perante os mayorales do estudo, que têm o poder de confe- doutores anci os e modernos e part icu larmente pelo m u me tre;
rir-lhe a lice ça . Est (após verificado se é pessoa de bom n me método é o cguinte : rim iro díl -vos-e· um r um d C11da tí-
e de bons c rumes) d vem lhe propor a leitura de livros das di ci• tulo antes de pr ed r à análise lit ra l do texto ; segund , farei
plinas de que q uer r mestre, e ele tem boa ~ mpreea ão do uma ex si ão a maí· dara e exfillcic_a p .ível d t o r de cada
texto e do !ossário daquela ciên ia, bom métod e linguagem fluen- fra mento inclufd l1 ú tulo ; terceiro, fa rei a leirura teno com
te para expô-la, e responde bem às questões e per untas que lhe o objetivo Óe em~ndá-lo; quarto , repeúr i brevemente conteúdo
fazem de em dar-lhe publtcamente a h nra de ser mestre, fa1..endo-0 da norma ; quinto, .lerecerei as aparemescriírndiÇ s , ecr s n-
jurar ~ara ex r correta lealm me ua ciência .. . " ( Lei IX) . tando algun. priu ípio gerai de direit (extraído do própri
texto) 1 chílmado mumen te BroctJrdica, como também as di tín õe
Fala-se também do reitor , que g v rna a universidad , e especial- e os pro le mes u1is e útei decorrente dn norma , com uas respec•
men te do direito de associa ão : tiva s luçõe , denrr dos limites da capacidad ue Divma Pro-
vidên · m ocedcd., e alguma lei merecer, em v1rrude de ua
"Os antigos proibiam que se fizessem a ooa oe e confrarias nas importância e dificuld?de, uma repetitio, es a repeti ão será feita
cidades e no reiao I porque nada de bom nasce nelas; todavia, à n itc. As dirputatío11es r~ lizar- e-ão l meno d~t s ve-tes por
ano: uma vez ante d atai e um vez nte a Pá.'coa, e e ·tat
Para a luz, que a que:.tão dc.:sta arte indica ;
de a ordo" . Volt i-n a .Beatriz : já m acenava
P:ua que sem ten água foesst
O mesmo Od fn:d , a oncluir cur o : Brotar da interna fonte, n a guard va" (Par , XXIV, 46-57 ;
trad. de J. P. Xavier Pinhei ).

E depoi , perante ºão iago, '!ue lhe per unta obre a e perança:

"O ue ela seja, diz, e mo se ncende


m tua alma : djz donde se rigina" (Por., X\ , 46-47 ; trad .
ide n)
"Como iliscfpulo, que a seu Mestre atento
de a . unto fala, em que é perit e experto,
Folgando de mostra r zel e talento,
Esperança é - djs e eu - aguardar certo
Da Gl rÍil, pela Graça produzida
mérito provado e descoberto" (Par., XXV, 64-6 ; trad . idem)

Igualmente perame ão João :


Odoír do era um esrudio ·c:.rto e urn profe r con ience, que "Começa e diz p'ra onde é d' igido

abia àtar at · a max1mas d e Juv na l ; mas pen ando tal ez também Teu e píci t ... " Par., XXVI , 7- ; uad . idem)
nele, os goliardos cantavam:
te no · doutrinam H, nos docen / Baseado · neta altíssima "crônica'', podemos imaginar um x m
mas em doutrina. ed i11 octi. universitário daquela época , cão emelhante a de nossos ilias: um incer-
A é ar di o ensinam Docent ta nem. rogat6rio, em ue se pede uma d ·finiçã e responde de a rdo e m
e com noite a noite et nox nocti o verbo do m stre. , , como hoje, também naquela época os estudante
n s iluminam" indicant sei ntiam .) às ezes recorriam aos· mais extraorilin rios truques, o que é confirmado
por uma bula de Bento XII, que
já yuc entramo dentro :i unive_r ·irt11rtc, º"'.ém eguir og~ra .. .
c ·tudan tes até a términ d s esrud s, uando reah_zam provas f1na1s, "san í na a s nt n de ex munhão ontra aguei 4ue, ara obter
para isso, n s valeremo d um tes~ munho e. ccp ~onal,, o ,? .
Dai:te · bencfí io , mandam utros em seu lu •ar para sustentar o exame d
Tendo pre ·ente diálogo entre Ja e e Jó, ele , no Para1so , ~ag~a literarura , e aquele que em lu ar de outro su tenr m o mencionado
ser xaminado por três apó tolo ·, Pedr , Tiag João, so re trc vir- exame, ficam sem os benefícios dc que gozam . .. " (Buli. Rom ,
tude t olo ai : fé, e perança e aridadc. Ele s: pre nta com~ um ba- Ben. XI[, 5 de deiembro de 1)39 ).
charel (baccalaureus) que, encorajad por Beamz, pr para-s~ tacuamrc~
para responder às perguntas, e ã Pedro, com o mes re interroga r . Já nos aJ ngam · bastante: · brc univ rsidade re ta pt:rguntar:
mas o que e en ínava nas e las medievais de nível inferior? Quais os
"0 acharei apre ta- e e não fala mét os e os meúdo ? O texto da época no re am qu ainda
'TP que o Mestre que tão haja of'recido, e tão em vigor anriqüí im procedimento didárico .
Por aprová-la, não por termi.n -la, -o Boaventura no intorma sobn: o primeiro cn ·ino do Jt bcto :
As im de toda as razões munido ,
Oi ~u -me, enquanto Beatriz e cxpl1ca, "A riança rnicialment aprendem a, b, e, em eguida, a pronun•
A tal assunto, por tal Mestre ar_ '"i??· ciar as sílabas (Jtltabic r ) e a ler c, enfim , a entender entido
- 'T u pensar , bom crisrão, m 1gnihca: de cada pam do di (G. \1 , 11, 172)
O que Fé?' - Presto, uvindo, ro to alçava
Com e ê, · métodos ã mesmos que eo nuam na " rra é- Já falamos alguma coisa obre o ensino sucessivo que introduzia
dia gramatic I" de Cálias, ateniense o ·éculo V a. .; ouçam s também às artes liberais do trívio e do quadrívio e, cm seguida à univei:sidade.
Este ensino, além de apcr ciçoar a ' preparação formal " . fornec ia uma
frei SaUmbcne:
'inscru ão concreta". Seu fundamt:nto era a gramática , que ne te sé-
"Cem veze pr nunáavarn cm v z alta: Pater, Pat~r,_ Pat rl e cuJ s começa a dei_xar a _forma ~teg_uética de per unt e re p ta, tipica
depois de um breve intervalo retomavam m mo e mb1lh e an- da escola carolíngia, e inventa nova formas como ua codificaçã m
tavam : Pat·r, Pater , Pat r!, fazendo c mo fazem a cri.an as qu~ vc.rs ( om fiz ram ai un doutos de ult ra-Alpe ) e, cm guida, na
são instruídas na e cola pelos mestre de gramática , quando, gri- I tália, a forma antiga de tratad . Um exemplo destes t ratado é o Catho-
tando a intervalo regula11:~, repetem quilo que tinha sido f:iliulo /icon de oíio lhlbi , gi>nnv~ , de 1280 , <]ue estava acrescido de um los-
pel mestre" (G M., fl , 170). ário ;_ pod mos lembrar também o Doctrinale de Villadci e a ]anua, já
menoonados.
Grande parte o ensin e efetu~va em forma _ca tequética, i t~ é, A Jam,a d ve eu nom à palavra inicial:
em forma de diáJ o entr mestre e d1 cipulo (naturalmente em lattm) :
I "]anua stm1 r11d,bus primam upie11Jíbus artem
"Por que tu és escolar? - Porque freqüento a escola e aprendo a
ne tne quisquam riJe peritus erit".
letras . - Qu ntas são tuas ocupações? - i : de manhã levan- ( u s u a porta para quem procura a primeira arte
tar-me 1 go vestir-me pentear meus cabelo , lavar minha mão , e em mim ninguém será ínstruíd convenientemente .)
Adorar, a Deus e ir de ' boa mente ' esc la. - O que tu 1esr •"
- u não leio m:,,; r.<1mto. - O que tu escuta ? - tábua pita- Voltim: mos a encontrá-b parodiada .
górica, ou Doo~t , ou Alexondre (de Villadei) lógica ou mú ica"
(G.M., II, 52) . O inicio do Doctrinale é o seguinte;

aruralmentc, pcl men na escola cenobial, que era de tempo " cibere clericulis paro do trina/e noveltis,
integral não falta vam também moment de di tração e de jogo: o bem- pluraque doctorum soc1abo scripta neomm ".
avcntur~do ucben , por exempl , é repre entado j gando bola com
eu coadi pul ; e niio faltavam divertimento que os menin e {Dii.1xmho-me a escrever um n -inamento para os clérig noviço ,
pr p rcionavam por sua conta , ludindo ª. vigil~cia _de seu: g ar~s . acrescencando aos meus muito e crit dos meus me trcs .)
rn contrato firmado em 1272 entre o cab1d da 1gre1a de ao Evas1 ,
em M nfer-rato, e guarda nos dó um elenco curioso dessas diversõe : bre e t e uuuos tex-r trcinavam- o esc !are na "primeira
orte". Os textos dássi os eram o chamado auctou:s octo : Disticha Ca-
" s guarda têm a obrigação de vigiar as crian , s parn que n- o to11is, Ecloga Theoduli, Facetus, Cha,tula, Liber de Thobia, Pa,abolae
subam sobre telhado para pegar passarinb s cegonh , orv Ala11i, Liber Aesopi, Floret11s.
ou urro pás aros . . . e para que níio pert rbem brincando c cn
paus e pedra . .. " (G .M., 11, 99) .
5. Utopias escolásticas
E para e ta cran gn::ssões, com para as dcficiêo ias no e mdo, o
remé<H de sempre e tava pr nto ; Ratério e crevia: E par finalizar, pa s mo da vida cotidiana da e cola r ai para
º! ~o d uma es ola possível. Também as utopias têm seu lugar na
" orrijo eus err , não somente com palavras, mas rnmbérn com hi t6rl9 , pelo menos na consciência dos homens . Eis como, no século
chicotadas" (G M., II , ?7). XTT, fig rir . :in Vírnr, no n,. rinnitnte m11ndi , projetará :1 :itivid~d,. d ~
uma cola ideal :
E Alexandre <le Villadei pr crevc:
"Vej uma escola de pe oa qu rudam . uma mlllridã de pe .
" 0 mestre bata com a ara oas co tas de seu di ípul s" (G M., sa de diversa idade - criança , adole cente , jovens, ancião -
e de diversa cupa õe~ . AI uns aprendem a dobrar a língua tê
II , 98) . então inculta , a formar o v iaai e a emitir vozc in 6lira .
Outros, inici almente escutando, t:Studam para conhecer as flexões, adeir do aluno · ·ejam dispostas de modo qu nenhum oh tá-
as derivações e a campo i ão das pala ra , e, cm seguida , confr n• rui impeça a i ão d d cme. s aluno mais velhos e mai ilu -
tando- e recipr camente e ~empre repetindo, tentam de rá-la . tr s ejam com dad :, em lugare · mai digno e todos aquel de
utros de estilo na mã escrevem nas tabuinhas de cera . utros, uma pr vlnci ou de n:-,ç-e vizinha · ·cntem ao l do de us con-
om mão h ' bil que guia a pena, desc::nham de vários modos e e m terrâneo , dando cada um a h nra corre p ndente à funções, à
ária · re fi ura n pcrgaminh . utr s ainda, :mavé d um nobreza e aos m imenro da pessoa . Ninguém mude o lugar
esrud mais prof nd e férvido, desafü1m-se reciproc roente em que 1h foi des tinado, nem presuma ocupar o lugar do utro, m
discus - , como parece, ·obn: que:s1- s grav ejo também ada um ·on ·ervc sempre o lugar ue lhe for a inado .
olguns f:a:cendo c,l!t"11ln Outros, percutindo um nerv tc:n o obre uaot a mim , n nca tive um ed ifício con rruldo de ·a f rma e
um lenh , pr duz m mel ia de sons diversos . utro expli arn ach qu nunca foi con truído um emelhantc a te. ·sp ro, po-
de ri õcs formas de medida . Outros d crevem laramtnle , por po a servir para a posterid de" . M .,
meio de instrumento , o percur · a posição dos astros e a rotaçã
do éu. utros tratam a natureia d s po os estrangeiro e das
onstituíções dos homens, e da propriedades e das virtud s de
todas as coi a " (in Op. TI, J2J) . 6. A educação cavaleiresca

O antigo e quema do trivi e do quadrivi m suas ete artes libe- a, a anti a eJucaçã uerreira t rna-se educação ca aJ 1-
rai apre enta- e aqui corno urna apaixonada procura d belo e do ver- resca, i to , a-. umc também aspectos intelectuai natu ralmente difc-
dadeiro por parte e homen votado a várias espécies de atividades da ciAncia <l s lertCI , cm r fazend parte da me ma cultura -
in telectut1.is. Mas rnlvez e l exccs de e ·peci lizações separadas limite de genuleza s u ostume:,.
e te onho. da vid nte aruhura ão, pontânea e também insti ru iona•
De qualquer forma , já que ideal precisa apoiar-se sobre estrutu ra Jizada, a m d<: ida d castelos e das cones, a preparação para a
materiais, c:i uma outra utopia , onde Boncompagno de 'igna, me rre da tttnica da guerra e da polid a se d etua , segund a tradiçã , apó o
Ars dictandi , sonha om o edifício e lá ti perfeito, que nunca ex:isciu , prim · · cuidados da mã e da nutriz, rn geral sob a direção de um
adulto que agrupa meninos nobres e os trein em jogo de vai ntia ,
mas espera que um dia venha a ex istir.
m bolas u vara e com xercícios como o arreme de pedra, o pri-
meiro man jo de armas e o cavalgar. Aos quinze anos, normalmente,
edi ício para in truç- o e colar cja oostruido m lu ar livre
adolescente e rnava- e p jem u escudeir junto a algum cavaleiro ex
e de ar puro. Fique Jonge da freqüência d mulhere , do am r da rienre , que ele s uia orno me tre; ao intc anos, terminada sua edu-
prnça, d barulho caval , da passagem d barcos, do latid do c11 ão , Ctll proclamado cnvnleiro num:i erimôni11 solem· em 'J.llP rece.hia ,
cães, de ru m res n ivo , do ·ibil dos carros e do fedor. Tenha
ju nto com uma ofen a fí ica ou pancada d que não d ia se vin ar, as
igual largura e comprim nto; a amplirude e o númer de janehts
arma para u na sua vida de milí ia.
ejam nele dispo ta de tal forma que entre o tanto de luz que a
Ma e a pancada que remete a uma prática educativa que conh •.
natureza e ·ige; o alai ment cja ·itu do n andar ·uperior e o
cem s bem, rnJvcz f sse mai uma lembrança u unalogia d qu uma
teto não seja nem muito alto nem muito baix , porque um e outro
praxe na educa ão av:ileir a; o · n bres god , de fa to, já tinham
prejudicam a mem 'ria. eja mantido limpo da poeira e de toda
admoestad Amala unta por ter batido n seu fi lho A tal. rico, porque
sujeir{I, não lenha imagen ou pintu ras, a nã er aquelas q e a pancada tornam vis e ão indiRna de um futu guerreiro, e o tema
irvam d ·ub (dio mnemônico para as iên ia na quai é r t mad 1a1 bém na p ia ortcsã mcdie ai. Um do maiores p tas
iram as mentes. Todas as partes da sala sejam pintada mente alcmãe d início do ' uJ XIII, Walter v n der gelw ide ( Ll i0-
de verde, tenha só uma en trada as escada não ·ejam diffcc::i e 1230), apre en1a o tema da indign idade da pancada · para um oração
ubir. A cadeira do m str se1a um pouco elevada , tanto que o Ju- n bre junto a tema da dignidnd de uma e ndu ta m raJm nte au tera.
cen te possa diretamente ver aqueles que: entram Disponham- (Cada estrofe é r petida duas v zc ; a s gunde vez e meçond pelo ' lti-
também duas ou rrés jan la de tal form:i que a mestre ~eja po • mo ver 1ermmand e m o primeiro.)
sível, especialmente qu odo é t mpo bom, contemplar a paisagem
ext rna : árvore , hortas, pomares - porque a memória e f tta• " unca se consegui rá
le e a contempla r coi a a radáveis ... disciplinar ai uém com vara
paro quem zela de sua honra, rico 1I , p uco antenor a Afon o: certamente não faltam na história
a palavra vale quant uma pao da . cxemp_los da importânci a atribuída à caça na formação d nobre e do
Guardai vo a línguas: guerreno. Ma , para mpletar a in trução intelectual e física também
' i TO qu, con ém a jo em; são n ei ári . as boa manciras . o Título VII, por emplo , 'recom n-
tram:ai a cadeado a porta, da- e, m mwtC's detalhes curios , que
para qm: nã saía uma p lavra má.
uarda.i vo s olhos: " o pedagogos devem habituar os filhos d rei a erem limpo e
lbai à v ntade os costumes a saberem comportar-se na hora de comer" (&1 V),
qu merecem s r vo, os moddo~;
ma os maus co rumes desprezai-os. evitando pegar limentos com tod os inco ded ou limpar a boca
Guardai vossos ouvido : na toalha. Pelo menos a esre respcito , nã e pod dizer que a educação
para não vos tornardes colos. não tenha dado seus frutos.
ão dei atenção às más conver as ,
ela crão a ossa infâmia.
h, guardai-os bem esses uê·, 7. A aprendizagem nas corporações
porque estã mui r livre .
Línguas, olho . ouvidos ão . Os século~ depoi . do an l O são aquele que, e dado d ponto
indisciplinados e não têm honra ," de ISla educa onal, viram surgir o mestres livres e as universidades e
do ponto de yis ta mais geral da bi t6ria econômica e s ial , ão os, s ·'.
A honra. p rtanto, o mporrnmenco moralmente orrcto, mai · cuJ do na tm nto das comuna e da corporações de rte e ofício :
ainda ue a força, é a gl 'ria doca aleir enobrecimento d cost m os sé ulos, em uma d primeiro desenvolvimento de uma burgue ia
e aleirescos, do qual tanto se faJ u. era um dado real da cvolu ão urbana.
histórica. Sur em novos modo de produçã , em que a rdação entre a ciéncia
Convém lembrar aqui também testemunho da iele partidas d e a pernçã? manual é mais de envolvida e a e pedalização é mois avan-
Afonso o ábio ( 1256) onde Título V se refere ao rei. à ua educação çada; para L~s~ ' necessário um proc so de formação em que o simples
e a seus deveres: observar 1mttar come<o a nã er mai uficicme . Tanto nos ofíci
mais manuais quan to naquele mais incele tua · , é exigida uma formaçã
"0 rei deve ser muito · líci to na aprendizagem das ciência , porque qu~ pode pare er mai pró 'ma da e colar, embora continue a e dis tin-
raça a elas compreenderá as coisas em profundidade; e, abend, gwr da scola pel fato de nã realizar em um '' lu ar de tinado a odo-
1 r, aguá m lh r, terá mais con ciência <lc: :.ua:, fraqu i,;a e sabera lesc:eotes", mm.: no trn nJho, pda convivºncia de adulto~ e uJulc:.L't:IJl' ·.
melh r dominá-las" (Lá XVI) ; Surge sg ra o rema novo d uma aprt.'ndizagem em que ciência e traba-
lho se en ontram e que tende a e aproximar e a e a ·emelhar à e e la ,
além di o ent nderá mc:.lhor a verdade da fé e aprenderá os exemplos ~ o tema fundam mal da edu ação m eroa que apen:i com ça a de-
da históri~ . Junto à instru iio mrelcctual , o rei terá que cuidar d ua hnesr- e.
edu ação física, pecialmente a caça : . O campo perdem o ofício reman centes que antes eram xer-
ado pel s prebendeir s ou servi minhteriales das cortes senb riai •
"O rei dev ser curi nbecedor de tantas outras coi a que como o própr,io feudatári à procura de poder, também e ses servo;
aumentam o aber e a alegri , paro poder m lhor suportar as f <liga. 1 procura de ltberdadt." e de lucro au tônom se transíer m para O cj.
e as afliç- . .. Para isto uma das coi a mais eficazes . .. é a caça , dad • as cidades o grupos daquel que exercem um mesm fício se
de qualquer upo : por'}ll l' Pb si le mwto para aliviar os ~re upa- consolidam, e expand m e começam a se organizar juridicamente laho-
ções e as paixõe. e i to é muito imp rtaote par:1 ~m rei ·, . _é '!ndo , com base em antigo cosrume estatutos, qu às vezes sii san·
por isso que até o anú achavam que este exerck1 con em mais ao~~o pelo poder público. A antiga h ança romana do collegia
n rei qu • a outros homens" (u, X ). t1rtzf1cu111 e a recente experiéncia do ministeria fcudai con tribuem para
a definição des ·e estatuto .
''dogma real" do e ípci , a paideia de Aquiles b uír n, 1 _ Neles numerosa ão as normas que regulam nã mente as r .
o yneget1 o <le enofonre, o De arte venand1 cum avib11s de Frede- açoe externas da arte ou corporação e m o pod r público com
inercad (aquisição de matéria -primas e venda d produto ), ma · tam- bricantc de corda , de pregos etc.) ou dois (para fabricantes de
'm as rela ões interna entre os trabalhad rcs, que podem er m?trcs facas e par~ os lavadeiro etc.), e em limite para os ferreiro . Todos,
ócios, aprendizes e também dfori ·ta assa_lariad s. De ~ parucu!ar, p0rém, ~aro te~ quantos empregados e diaristas vallets ou sergeants)
Ir ia-se do númer e da idade do aprend1ze , da d~aç~ .da aprend iz?· não-aprendize quise em . N rmalmcnte costumava-se exigir que não ti-
gem, do pagamento pela aprendiza em , d~ manu~ença diána d~ aprendiz vessem preced nte criminai , com clir!amos hoje:
e at mesmo d1,s prova inais, pela qua1 , m diante a cx~çao de uma
" brn-prima", 0 aprendiz ero recebido entre o mestre e podia, portanto, ' enbum lavadeiro pode assumir no seu trabalho algum ajudante
ou aprendiz malandr , ladrão, assas ino ou banid da idad p r
exercer seu Hei com autô nomo .
é difícil, todavia , c::uuc tanta:1 normos - mesmo nllqnc::l~s que se qualquer ação índi$Zna " 53 . Des fo,Jouns);
r • crcm ' parti ipação dos aprcndize. no trabalho - , dcSC?brtr a mo-
dalidade técnicas e didática da apr ndizagem . O· aprendizes , ao c~~- e exigia-se também que ti e em na cido de matrimônio le fúmo .
trá río do diaristas assalariados , que não pret ndct:' apr:-n~er o ftcio A aceitação previa um verdade.iro contrato formal a sistido por doi
para exercê-1 com mestre , ão para rodo os deito d1s tpulo , ,e. o probiviri da arte, como testemunha , '
pr6prios nomes - que dentro da corp?raçã onde todos são optran s A duração do nuato de aprendizagem ficava a crirério do mesue
di tinguem O anciãos e patrões dos J vens - ex~ressam c)a_ramente (a te/ terme comme il li plaira) ou variava de quatro a dez anos, e podia
uma relaçã educativa: magistri e di cipuli. ~te úlumos paructp~m d~ ser ~rolongada e o ~prendiz não paga e. De fa1 , o aprendiz, além d
trabalh , mas visando a aqui ição dos nbt: tmento e das habü1dadc: rcndimen~o progressivo do seu trabalho, d via pagar pelos en inam-em
da profissão . Aqui, não bá separação entre o uabalha~ , o a~rend;r;. uma que recebia.!'-1ª a m sempre o aprendizes pagavam, devido à pobre-la
coisa é também ,. utra, de acordo com a car~cter1sucas tmutave1s de de uas famílias; por i o, freqüentemeot , no pr prios tatutos consta,
toda f rmação atravé de prendizagem, própna, m t?'1 os tempos por exempl , ue o mestre pode a sumir um preodiz por um d t r-
e lugar s, a quaisquer atividades i.mediatam nte pr ut1vas . Os adoles- minado número de ao s,
cente aprendem não num lugar separado ~o lugar ~e trabalho 10s
adulr s ão é um esc la do uabalho, p01s o pr6pn~ rrabalh . e a "e também por um rviç mai prolongado, e por diahe.iro e o
e cola ; 5 mente e vão acrt·s entando a eles os aspect s mtdectua1s . puder obter" (16. Fevres coutelliers) . '
ão obstante, nenhum Hcio se pre upou em de crevcr em seu
c:statuco a modalidades des e duplo processo de tr b-alho e de apren- Variava também a idade para iníci da aprendizagem. Com b:.i e
dizagem . ão existe uma pedagogia d l rabalb ; aã e mostram a ma- n~ contrato, o aprendiz tomava- e uma pécie d propri dade temporá-
téria -primas e suas qualidades, i.n trumento e seu em~re_g , a for • na do mestre , ue podia vendê-1 ou alugá-lo para urros mestres, ma
ma verbais e ge ruais da comunicaç~o do m tre c m_o di 1pulo. Pro- só por motivo de força maior :
curamo em vão até nos e tatutos mais elabo11iJo : r firo-me no estatuto
da arte da lã em Florença, ou extraordinária letâne.a do esta~ucos " e o mestre ica doente, se vi. ja aJém-m r. e abandona a ativi-
de tod O Hei s er idos em Paris na guada ~ctade ~o seculo dade ou por pobreza" ( 17. Coute/liers etc.)
XIII O Livre des mJmrr, ela rado pel0 preboste Enenne Bo1leau , em
1212'. A ri ueza de ra documentação [Y. e ser útil ,, ~ ré ~, para e ter O estatutos também se ocupavam com os direito do aprendiz:
uma visão pan rãmica da vida d s magwri e. d s duc1pul1 na · corpora-
õe de artes e ofícios , u melh r, em cada loJa artesanal. . _, . "Os membros da comunidade da arte são obrigados a ensinar o
O prebost de Pari coletou, pela vi a voz d .. ma~ respe1tave1 ofício ao aprendiz, se o seu mestre morrer :tnt~ d terminar o
representantes de tod o. ofícios , s costumes trad1aona1s, petfodo da aprendizagem" (20 . Batteurs d'archal).

•• :,:,iw com o probfoiri ouvir falar de pai para filh " 4 . AJém disso , o aprendiz tinha entre as garantias uma. espécie de
Des maço11 s etc.), u "como o no Fouque do Te~plo e seu pre- caixa de socorro mútuo, mantida por uma parte daquilo q e pag:.iva no
decessores os praticaram e conservaram n passado ( 47. Des car- caso aqui mencioned , 5 Ido
penticrs etc.).
"é entregue a probivirí da arte, para er de tinado ao rapazes
Fala-s amb m de quant aprendize cada mestre pod~a a sumir : mais pobres da arte e para pre ervar os direitos dos aprendizes nas
cral, além dos componentes da família , um (para os ounves, os fa. relações com eus mestres" (21. Boucliers de /er).
em
Prevê•:.<: também a fuga do aprendiz, que pode acomecer ou r "Qua do o novo padeir tiver cumprido J .a form:i os qu:uro ano·
pouca vontade de trabalhar u por algum mau-trato do me cre: d ·ua aprendizagc:-m , de: pegará uma ligela no , de barro e zido,
nela coloca r ' faldas' e h stias, e irá à casa do mestre dos padei-
" e o aprendiz se distancia do mestre sem licença , por doidice ou ro , e terá a seu lado o cai.xeiro e tod s o padeiro e o mestres
leviandade , r trê v ze , o mestre após a t rceira vez não deve valetes, islO é, adjunt s (1omdres ). nov padeiro en tregará sua
mai a · umi-lo, nem outro me rre do m mo ofí io, o m om Lígel e ua 'cialda ' ao mest re e dirá : cstt iz e cumpri meus
aprendiz e nem mo ajudante. E ta d cisão fo i tomada pelos quatro anos . O mc~tre perguntar' a administrador e é erdade,
probiv1ri da arte para frear a do idice e a I viandade dos aprendi- e e~te di ~c-r qut · vcrdadc, meMrc: aprt: ent ará ao n v padeiro
ze , rque e tes prejudi am o seus me ·t re a i mesm s quando o vaso e 'cialdas ' e lhe ord nad ue os jogue ootra a parede .
fog m De fato , quando um aprendiz 1 í as umi o para apr ndcr nta o novo padeiro j gará sua tigela e s as 'cialdas ' e hóstias
um ofício e folia um u d i meses , e qu e que aprend u e , nm1 as parede~ externa da casa J mestre. l:.m se uída , o mes-
assim, perde eu tempo e pn:judi a o eu mestr ·" ( 17. outelli rs, tres adminis tradores, os novos padeiros e todos os demais padcir
foiseurr de manches . ajudante " cn t rarã na casa d mes tre e este ferecerá a 10do fogo
e vinh , cada padeiro, e vo, c m também o mestr adjunto,
í previ to também ca o em que'. a r pon abilidade t do mestre , ofcrc crão um dinhcir a mestre dos padtí.ro:, pelo vinh e pelo
e entã fogo que lhes deu " ( 1. Tolemeliers ).

"o mestres da arte devem in timar a comparecer pcran1e í o me:~- ão 'e pode:: diztr 4uc - al~m da preparação da "cíaldas" das
trl! d aprt!ndiz e dar-lhe uma advertência evera, lembrand -lhe de hó tias r bra d no o me tre, isto é, fora do acabamento de ua
llata, u apu:mlil. com dignidade como filh d pe:;:; ns d bem, "obr11-prim11" - a ~erim ' ia umh:1 mu.iio de peda ,6gico. Mas e,t2 nela,
de vesti-lo e calçá-lo, d dar-lhe de comer e de beber e demais como no e njun 10 de norma contida em rodos esses esratu tos, 1e re-
e i :is, a cada ~uinzena. e se'. me tre não ate nder, procurar- e-á munbo de um ostum , de relaç- s iais e conõmicas, de onsid ra-
para o aprendiz um outro me~tre" (5 . Des tisserans de longe) . ões m rai e de p edimem 4ua e lirúrgic ' , qu ince antcmente
tvocam os costume: e norma próprí da vida re ligío a e vale iresca :
Quanto ao resto , rodo o membro d a arte costumavam empe- ão ri tuais ue, apesar da enorme diforcn a cm pompa, pertc::n t:m ao
nhar-se em trabalhar de acordo com o u ·os e as norma da arte (et qu'il mesm mundo. D a apre entação do aprendiz à ua admiss- na corpo-
oevre as 111 I us co, stums du mestier . .. - Des maçons etc.) e a raçã , parece que e e 1á diante da apre entaçã de um oblato, da coa-
denunciar qualqul!r transgressão . Com também empenhavam em sagraçã d um m ng numa ordem religi sa ou da pr lamaçã d um
manter o egrc:d da arte, especialmen te nas reJaçõe com aqut:les que cavaleiro. a diversidade das condiçõe ociais, o ri tual permane e mai
rnlahoram com eles nã na qualidade de aprendizes, ma implesmeo t ou men me mo .
de ajudanrc (4 . Des maçons etc.). Cer a <lc meio 'culo a , · o Livre de Boileau, um do tatuta et
.t interessante, fina lmente, o que diz respeito às mulheres, apre- ordi,iame11ta artium et ctrti/ichum ivitati Florentiae, ist :, o E tatut
sentadas em alguns staruro como evcntuai viúvas de me tn:s . O fabri- d Art da Lii , de 131 7 (mas que em alguns d ispositi vos remonta a
cantes de r sári lhes perm item m1baJhar, mas sem apr ndizes , desd 127.5: Cap lll , par V I I) , emhor:i muir m:ii complexo , contém menos
que tenham a ad em gundas núpcias com um homem de ou tra arre; informa -cs do que o e latutos pari ·ien e · obre a apr ndiz:igem e :1
já o me tre em pedras e cristais sã ma.i negativo e explícitos: n ·nhu- relações me tre ·-di ípulos .
ma viúva de artesã pode a umir aprendizes . interior da ar1t: ( u collt:gwm , n ieta , uni ersitas) o onjunto
d~ arti/ices ou ho,mnes, p rsonae ) se d is rin~uem !aramem o ma-
"porque o probíviri da arte julgam que uma mulher não conheça gistri do sotli, do /actores (equi alenre ao fr ancê valets ), do discipuli
a arte tanto que pos a ensiná-la a um j vem até o ponto em que e, enfim, dos imples opera/ores ( u laboratores u laborantes) diari ta ·
ele se r me me tre " (30. D r cristalliers etc.) "q1 i operam danl pa diem" (llf , ll); pouc , porém , .e diz obre ·ua
rela ões reciproca . Por exempl , a exigir t a autela n11 admis ão d
lntere sant são as prova de ex.ame, não do pon to de i to didá- no os arti ices. que devem ser apresentados por " boni ef /egales hommer
tico-ix-dagógico, mas do ponto d isca do costume . Eis, por exemplo, dicle artls", e adverte qu o dimpuli nã podem pa sar a ser sotii
as do padeiros : quand ainda ão dhcipuli , evi<lentem me para e it r um aument in-
controlad e arbitrário do número de dimpul, II , Vil) . Apenas no
Livro Jll se encontram, a respeito da duração da aprendizagem , disposi- s nestas velha estrurura esconde-se um problema novo: nesta
ões análogas àquelas que vim s no Livre de Boileau . AI, sob o útulo aprendizagem do ofíci , da qual e vi ualiz u pena o proc~dimenco
"Que nenhum di cípulo ajudante e afaste de seu mestre durante < didáúc há sem dúvida. a lado Jo aspecto mer mente xccuu , tam-
pcrfodo em que: e comprometeu a aprender e que não seja detido por bém um' a~pecto cienüfi , isto é, o conhecimento das matérias-primas,
mais tempo", lê- e: do ritérios de sua 1 r:1, dos in trumenro : até um ínfimo cinzelad r
deve conbccer alg bre pctro rafía ct . Mas e ses conhecimentos
·' enhum ajudante u discípulo, quc: trabalhe na arte da lã ou em foram confiados à transmi ã envolvida no " 'gredo da arte " e não
qua lquer setor de ta arte e que e tenha comprometido por um estavam organirnmenre i temaúzado nem art iculad com onhecimen-
tempo determinado com alguém da arte. poderá, antes do finda r cos mai~ e ~i nf' rn<las as llrtcs "manuais" (keiro11rgikói). somente a
do tempo , pôr-se à di po içã d um utro da mesma arre; mas é " irurgia" médi ·a a 'cirurgia'' ar uit tônica, i to é, a medicina a ar-
brigado - e o cônsu le devem forçá -lo eficazmente - a cumprir quitetura, vieracn a rransformar-se em ci "ncia e deram origem-~ r _da-
com seu mestre, com ue prim iro se empenhara, todo o período çã de numero os tratado e à discu ão bre a relações entre ctenc10 e
combinado. Como t:imbém ninguém de ta arte, após ter conhecido produção. alen e Vitrú i_ ã seus m d los . ~lg semelhante
quc: algu 'm e ·tá à dispo ição de um da me ma arte por um período a ontcceu também com a a nculcura : mn e te talvez eia o c mpo onde
de terminado, poderá d m d algum detê-lo dumnte o período com- a sepa ra ão entre dominantes e: dominado mais e aprofundou 1 ando
binado com o primei ro mestre . E se os cônsule encontrarem al- esque imem da história a idealidade ori inária de trabalho entre o
uém erans redindo este dispo itivo , seja condeoad qu r o discí- rei LaertC5 s us théus, mesmo que atão depois tenha ntiouado a
pulo ou ajudante quer aquele que o d tém , a dez libras e pequenos re-pastinari saxa ( apar a terra pedregosa) enqu. nto e revia tratados.
Elorin e obriguem o discípulo ou ajudante a ficar com o primeiro Em geral, a artes "sórdidas" não expressaram , m:rn si tematizaram
me tre até compl 1ar o período contrat:1do" (111, 1). e a m tornaram púbüca u ua ciência. E adernai : seus protagontsta
:,-cmpre tiversm e m cultura caco da id lo ia da ela ·ses d minan-
Ouu ' parágrafo prevêem confütos enm: nagistri e discipuli por tes que o acultura am e ·ó algwnas migalha de in tru ão formal do
cau a de eventuais dívidas de te últimos; nesses casos bastará qu o ler, cscrc cr e fazer on tas. Ma~ logo teremos de prestar maior atenção
mestre jure e, então, e deverá c-redere et Jid m dare sacramento dicll também a surgimento d uma cultura mai orgâni a do produtor .
n gistri (acreditar r r no acramento da palavra do mestre) (III,
XLV /). om me no e. taruto dos bu iarti se: estabelece o númer má-
ximo d s iscípulos e a duração mínima do serviço u da aprendi2ag rn .
b tícu l •· obre o nã deter o di dpulo d s bucd rii por meno d

"E talx:lt:cemo c an ionamos que nenhum me ·trc erboldllario


ou bucciario tenha ou presuma ter, a partir de 1. 0 de janeiro de
l 318 em di:in1e, mai de dois disdpulos contratado , sob pena de
vinte soldos, nem por um período men r de eis anos , sob a mes-
ma pena ... " (TV , 11) .

Além de tas poucas indicaç- s, qua e nada encontramo nesses es-


tatuto · bre a relações de aprendizagem e eu e ncreto desenvol i-
menco. Em geral , encontramo na aprendizagem profi ional uma maior
<lc:1>t=11c.lc::m:iu <lo <li:;dpulu parn cu111 )CU 1m:)Uc: <lu yuc 11a 11n1111:r;itu~,
qu depois a umirá te nome por e celên i ou antonomásia nas quais ,
com viu , ão mai o me tre a d pcnd r do discipuli ou scolari.
Estes estatutos, redigidos em latim (11/leraliter) por um iudex ordinorius
t't publicus notarius e a inado pelos rc:pn::sent11otes da utra artes,
erão depoi traduzido para o s rmone vulga'li.
ou, ficando leigo, ser mais culto e tornar-se juiz , médico, doutor ,
escrivã ou poeta. Mas, se a criança está destinada vida das armas,
aprenda a gu iar · ca alo com os arros e com as mãos" (G . .M. ,
II 168).

Temo· aq i, em íntese, o quad da carreiras sociais e educati-


CAP TUL VI vas {excluída, naturalmente, a aprendizagem para o trabalho) : o clérigo,
que deve amar a agrada ritura ; leig , que deve amar os livros
A educação no Trezentos e no Quatrocentos e preparar- para as profissões liberais {as facu ldades universitárias,
menos a teol giu, a Ars dictandi e n poesia); e o mi/es ou cavaleiro, qu
deve exerci rar-se (mu re- Fra11curum ) w mu u filhu · <lt: Carl M11!!,1JU ,
Temo aqui a duas lasses d min ntes d sociedade medie al - o clero
e os o bres - e mais a nova classe burguesa: em suma , o terceiro
estado.

Vimos a escola e a instrução entre o papado e o império, lembran-


do as e cola paroquiais, epi copai e cenobiais e as universidades; en- l. A instrução do terceiro estado
con tramo t mbém os primeiros mestres livres, aos quais, aliás, se deve
cm grande parte remontar a origem das universidades, mesmo com sua s me cr s livre o o protagonistas da nova escola do tercei
subordinação a antigo e n vo direi to eclesiásúc e imperial. estad : com eles tanto o contt:úd do ensino como o que podem cha-
A atividade destes rn stres livres, porém, deve · r e tudada mai mai Jc: :.ua :,iluaçâ juríd ica e ocial viio mudando. C mo convém a
de perto e explicada mais es treitamente em relação ao sur imeato de estes mestre , em ve!l de n vam nte r portar edi l imperiai , bulas
uma no a sociedade d mercadore artesãos, que têm como centros de papai ou outros d umento ·olene , agora citarei modestos document
vida as cidades rganizodas em comuna e como ex r s ã cultural mai de parciculare : c ntraro . mem6rias, testamento . E para dar e □ tido
característi a e vi ivelm me nova a literatura, em vulgar. na ciment da difusão e da definição das novas tendências, passarei velozmente de
destas 1it raturas é o sinal do nascimen to do mundo moderno. E embora século em éculo, d 1200 a 1 00 . Eis um primeiro contrato para um
das continuem a reproduzir conteúdos e formas da velha literatura em en ino de tabelionato. lavrado em Gênova m 1221: por este instrumen-
laám, ão introduzidos novos conteúdo e formas, nos quais ·e refletem to Giovanni de Cogorno coloca seu filho, nrichetto, com o me tre Bar-
as necessi · de e intercs e das nova da s emergentes. Os pr ta- tolomeu tabelião, e estes são os termos :
gonistas de tas novas literatura , da nova cultura e dos no os modos de
ins Lruçã não siio mais s antigos clérigos, homen do clero regular ou ·'Eu, Gio anni de ogorno. empenho-me em manter conti~o meu
ecular, mas os n v "clérigos", por força dos quai esta mesma palavra filho Enrichett pelo · cinco anos próximos vindouros, para ce er-
gu os define perd o s u velho significado de homem de igreja e ssu- vir, aprender teu ensinamento, instruir como melhor ouber t u
me o de intelectual. e colare e para escrever as escri turas que tu mandarás lavrar. u
Até um dos "o to aucrores" da instrução tradicional, o Face/us, re prometo e me mpenbo em que até o fim do tempo estabelecido
nos dá em seu versos latino o testemunho do aflorar da novas c1 sses ele ficará contigo, guardará com boa-fé as coi as de tua ca a e não
com sua n va exigência de instrução. jamo : te aband nará; e se fugir, f:í-lo-ei voltar aos teus ensinamentos e
aos teus se iço , c ntinuand a cscre er a rua crirurs e a
" Se uma crian a resolveu e pontaneamente estudar como clérigo, ensinar os livro que tu lhe ter' en i□ ado e altério que apren-
dobre-se humildemente à disciplina , para não e igualar com o deu às tua ordcn .
in nsam e o mai elhos, 'aprenda a dar lemamente o primeir s Além dis o, te prometo pdo en inam nto e a instruçã que
passo . E n ce ário que ela aprenda a doutrina da salvação, para dará menci nado meu lilh , o pa am nro de 1 libra e 11 old
en iná-la adequadnmenre qu ndo se r rnar ace.rdote. e cria□ a por três anos, 11 aber, 10 soldo ao an .
é 1 i a, o pr6prio tutor, na falta do pai , olh a arte m que Redigido cm ênova, na Igreja de ão Louren " (G. M., 1,
deverá inscrevê-la. Desde a tenro idade aprenda a amar os livros, 140).
de m o que, e ele gostar das letra , poderá tornar-se um clérigo

168 169
O ílt , de um lad , lembra-nos a a resemação de um oblat ao pura caJ uls r calendário litúr ico , nem com a aritmeu a, a primeira
m reiro , com a única dift:ren de um pagame co pela inst rução; por arte d quadrfvi , mas e tt álcul ã exatamente a aritmética comer-
outro, s e ntratos en tre scholares e ductores no Studia , m as rel Li-
cial, a contabi lidade. Era recente a i □ c roduçã da numeraçã arábi a e ,
pr · am nte na Itália , Leonardo ibonacci de P isa dera ri em à n va
as collecla , jií haviam introduzid sca relaçã mercantil ou burguesa,
matemática através d cu Libc!r Abad ( 1202) e , su Practica geome-
que in i ia a e nccito da enalidadc da iência ontra n ua gratui-
dade, por ue dom de D us. Aqui o pai " ferece " o próprio fil h nã a trica (1220) .
um convento para t rnar-se monge, ma um livr pr fissi nnl, a fim Analisemos um urro documento florentin , relativo ao inicio d
de q ue eduque para uma pr fi ão mu dana ; e paga por isso . A utra éculo eguintc, o Quatrocenro ·: o Cone111 'rzo da ida de Giann z,
}Jdrtc- contratante n m ' um m stre de profissão, m,1s um tab liiio , que Mao tti. um comerciante que e rornou humani ta, que é um fat
organiza um trein menta profis i nu! da própria arte, orno faria qual- aov
quer outro " artesã " . E, de acordo com a an tiq üí im rradi ão artesã,
o aprendiz convive om me trc-patrã , ao mesmo tempo rve apren- " Mes er Giann uu Mane tti na ·e u no nn de 1393 . .. O pai .. . ,
de, e, evoluindo a arte ajuda rá seu mestre a en ina r ou tr aprendiz<: · B rna rdo , mand u- , ainda de poucos an , cgund o costuro da
majs jovens. cidade, a aprender a I r a crever; tend aprendid em p uco
Também a formaçã do clero foi, durante século , uma forma ão cempo quan to é ncccs ·ário para r um bom mercador, passou-o
que chamamos "profissional" : uma profissã panicularí ima do domí- para o ' baco e em pouco me e tornou-se tão douto naquela ciên-
nio estatal para o " d izer", o épea): a i, porém, escamo ruanre d cia quanto um pr Cissional da m sma . A dez anos foi posto n
um documento de uma preparaçã profissional para a artes do "fa2cr" banco em poucos me · lhe foi enuegue a e nt.i da caixa . epoi.
produtivo, embora não manual. para os ér,_a da ela e ubaJrerna , qu<: que ficou , conforme o tume , ai um tempo na cruxn, lhe f ram
t-o emergindo para a funções do pod r. P::irn melhor compn:ender e ta entregues s livr s e fi ou nest e. erclcio vário ano . Fei to i:s:su,
oova cultura e ra nova carac1crí tica profi ssionaJ da classes burgue as com ou a pensar consigo me ·m e seris pos ível conquistar, na-
aoaBsem s dando um pass de qua e um éculo, um d u e t fl.oren- uilo que estava azendo fama ou glória para si e sua famíBa, ma
tio de U 13, que nos fala d jovem Giovann i de alimbene, st 11 nã viu e a possibilidade e chegou à conclusão de que o único
estudar com o me tre Betta para aprender a " tegere et scribere omnes mei para tant era o estudo da · leira : e por isso de terminou
litterae et ration s", isto é, grnmáti a e cál ulo, o tanto que for nec sá- absolutamente de , po po ta qu !quer ou tra preocupação, dedicar-se
rio "ad :;tondum ín apothecis ortificír" , i ·ro é, para at nder numa lo ja de a esses e ·t do . Tinha já vin1e e inco ano " .
ar tesão (G . M., 1. 14 7).
Uns trin ta an depoi , um outro documento privado, cam ém fl • Com se vê, a armação e colástica profis i nal é a mesma do (ilho
ren tino, uma memória de Donato V llmi, a irn f la da instrução e d de Donato Vell ti; tem s, orém, inf rmações mais precisas (e até sur-
trabalho profi ional de um fi lho ~cu, ua~iJu cm 1342 . pr cndcntc:1): 110s d z ono• o menino rn upaz de estar no 11ixa e,
'depois de algum te mpo" , de ma nte r s livros con tábeis. ova é a re-
"CoJ quei-o na esco la ; tendo ótimas optidões, memória e inteli- fl xã s bre o fim humano daquele tra alho profissi nal e a p rocura
gência, apr ndcu a ler ... , em pou o tempo tora u- e um bom gra- de uma r pectiva de ~lória, e encon tr:í-1::i não no cxer í io de uma
mático ; passei-o para o ába e logo tom u-se habilíssimo ao profissão , ma no e C\.ldo da letra; . Gianozzo e dcdi n infatiga cimente
cálcul ; cm segwda le ei- ... para um loja de arte da lã, colo- ao e tudo que, atravé das traruciooais sete artes liberais , levam-no
quei-o no cai--<a. . . e tendo-lhe enuegado o ljvro de dar e haver , ao conhecim nto do greg , dn fil ·ofia moral e ff ica e até da teologia.
egurava-0 1 manu cava-o e d minava-o mo se tivess q arenta Ele já traz em i o espírico do humanj mo.
an " (G. M., I , 149).
e a m ma época, e tamos já em 142 orno ele a sim pensava
um médico vcnaian , imon VaJenrirus, que, p rém, nã renunciou a
mérci pelas 11:rras . em u cc:stamcnto assim expre ava seus d ejo
Aqu i tam m a prepara ão c,colá:11 i a é feita em vi:;ro dn pr fi E iio :
br os esrud s e: a al i idade profis i nal do Lilhos :
a gramática ou a I tra de que se fala nã são mai aguda da Ars dic-
tandi ("o mercadores não procuram o verborum orna/um - dizia Bon-
compagno de Signa , mestre de Ars dictandí - porque qua e rod se " jam o meu filh mandado à e colas, a fim de que ibam
corr pondem em vulgar"), e sim a correspondência comercial; como falar e e.crever bem segundo :is letra ; ejam envi do a aprender
também o áb:ic ou ratio11~s, i co é, o cál ulo , não têm nada a ver o ába o para que saibam ocupar-s do comércio; e, se for po sível,
e m o computus de Alexandre de Villadei e Bene d igna , que erviam aprendam os autor s, a l i a e a filo afia : é isto que desej ; ma
não se tornem nem médico , nem jurista , mas s6 negociantes·• ao mestre iver com a cocas por eles pagas. Em ã Gimignano, por
( . M., 1, 149) . exemplo, cm 133 , era a própria comuna que destinava 50 liras anuais
para o profe sor; aliá , on ta que
ovamente a gr-c1mática (o falar litteraliter, isto é, "pela gramá tic "
ou em latim, opo to ao v11/gariter, isto é, em italiano, como re ·uha a · " ninguém rerio aí oberco uma escola ; e sem um mestre que ensina
estatutos dos tabeliões boi nhescs de 1246, u sobretudo, em veneziao ) ao menin de Ul idade, ninguém d ria nela ficar" .
e o á aco paro o mérci (lacere m rcantias , a cultura sobre os textos ,
filosofia (/ogica e as ciências (filosofia), isto é, o antigo e o n v Em Lucca, em l 4 , depoi da bi t6rica peste, o doctor puerorum
j11nt ~= o or ulho de serem e a vontade de permanecerem mercadores, Filippo resolve pedir à muna um ordenado , porque
mas tornando-se cultos . E te são os nov homens e esta é a sua forma-
ção. Estes ão o e ntemporân de ão Francisco, de Dante, de Pe- "d ido pobre-:ª do~ cidadãos e ao número exfguo de menino ,
trarca, d Lorenzo Valla, de L on Battista Albcrti e outros . Vejam s não lhe era po tvel viver e omprar os alimentos ncce ários''.
m lhor, agora, quem forom seus mestre : vnm acompanhá-los na mo-
dernização de eus cn inamentos e ua condição social. . S?bre e ta e e la comunai cernas ioformaçõe cercas a partir da
pnm.eua mecad do Trez nto (1327 Turim 1332 Lu ca e Pistóia etc.)·
omente no fim do século é comprovada a aboli ão das cotas dos escola~
re (que parn 1.0 grau , dos 110n [atinantes, eram diferentes d que no
2. Os novos mestres 2." grau, dos latinantes) e, rtanro, a gratuidade da escola as um.ida
enfim pela própria comuna. '
os fin de 1200, Bonvesin de Riv:i , iln rr,mr1n li~ vlÍrills pr ( i . . ões En me: tre - como imo5 - tinham qu a5c emprc um monitor
xi tentes em Milão, uja popuJa ão el calculava m cr a de 200 mil u r petidor (com antigo nome la tino: proscholus), que morava na
habitantes, no dá e tes dad sobre a instrução: ca a dele para ensinar ao menino , com e lê num contrato ven ziano
de 1313 . Por exempl , o tabelião e poeta Lapo Gianni , em 1299. lavrava
"23 . Os profes rcs de gramática ão 8 e en in m cada um a uma ~ contrato entre mest~e e repetidor. I sso leva a upor uma escola orga•
quantidade de alunos, explicand a ramática com muito f rço ruzada numa forma mru omplexa do qu ague.la de um me tre isolado
e dili ência; não sabemos, porém , quantos ã professores qu que dá aula simultaneamente a vários alunos de várias idades e de ní el
vêm de outras cidades. cultural diferente, ou que atende ora a um grupo ora a outro enquanto
25 . Os mestres el m ntare , que ensinam a ler e a escrever, são o demai ficam à toa fazendo barulho '
mai d 7 . . o início, à parte os ~estres elementares (doc/Orl!S puerorum , o
26 . Os pistas, apesar de não ha er na idade um estudo eral , t'n~rnn r1ns mf>. l l't'~ t'r nN\i;rnna l f" liga,~n prnfi . ii , i rn !- , 11m rrein:1-
uperam o número de 40. EI pa sam o dia oplaod livro , ga•
mento como aquele d tabelião geno ês de 1221 . m eguida, p ulatin .
nbando d ·sa forma a ida" (Mag , Med . 86) . mente , invadiram o campo tradicionalmente reservado aos déri os e
algun desse mestre , h men de grande talento, tornaram• e merecida·
Muitos pro r o , sem dúvida , foram feit em meio 'culo : 11s
mente famo o ; lembr · e Conveo v le de Prato, mestre de Petrarca
e col s desces mestre e difundiram rapidamente. O historiador floren-
enrre 1315 ~ 1319, Rinal~o di Villafranca, falecido em 1364 , que Pe-
tino Giovanni Villani no dá as eguint informa ões sobre Florcn a na trarca conv1dan1 a mmsfenr-se para Nápoles, onde encontraria mai
metade do s«ulo XI , antes da peste de 134 , quand a popuJa ão lua e mai r fam , a quem dedicara uma epí tola latina e para quem
atingia 80 mil habitance e tinha de 5.800 a 6 mil nasciment por ano :
enviara seu filho Gi vanni , para estudar. O seu proscho/us Mo io
de' Mo i descreve-o, alegre e venerando a alternar com se~ aluno
"Encontramos gu os meninos e as meninas que estão aprendendo passei s oo ar livre gracejos e brincadeiras com disputa cultas e leituras
a ler sã de 8 mil s 1 O mil. Os meninos que l!'stíin A('rt'nr1t>n~n n
do~ poeta~ antigo . Um precursor dos randes pedagogo do humanismo.
ábaco e os n1 ari mo , de 1 mil a 1.200. Aquel que est-o apren-
Aliás, m~ de um humanista, como Poggio Bracciolioi, começou as im
dendo ramática e Lógica em quatro gr n<les e cola , de 550 a ua carreira .
600' (Hist . uniu. , XC/ll.
Mudam tamb ' m as forma de gestão da atividade escolar e da a
Esta la ' livre nas randes cidades e administrada pela comuna ciação dos mestres. as grande cidade - Florença , Gênova, Milã -
na pequenas cidades, onde o número limitado d · aluo nã rmitiria e tes me tre (ormam uma verdadeira corpora - ou arte, idên1j a
outra orporaç-e de arte e oficio e em ligaçã com o co/lcgia doc- O fato novo é que o focere mercant1as toma- e logo objeto de li-
torum u a univerritates do · tudia generalia: em 1316 regi tra- e em vro : a atividade prática inre.l ctualiza . P uco mais de um lo ap6
loreoça uma Ars magistrorum grammaticoe et obaci e1 docentium legere a nova matt:mácica de Fibonacci, um merc dor Uor ntino da gr nd m-
e/ 1cribere pueroI; em Gênova encontramo· uma cooperati a de cinco panhia dos Bardi, portanto ver ado em omércio e onhecedor de mui tos
mestres com duração pr·vista de cinw an s; e, cm 1356, uma ocic:dade po os e pafses, Francc.-: co Baldu ci Pegolotti , que atuou na primeira
de três mestres que r cebem as collectoe d s aluno , ma entregam a met de do Quatrocentos, escre •eu seu L11Jro sobre divisas de países, me-
execução do en ino a um mcstce por eles a.. alariado. nfim, no ua- didas de mercadorias outras informações ne en'rias aos mercadores,
i ocentos, ajnda cm ênova e FI rença encon tr mos aquilo que hoje livro mais conhedd pelo título d Pratica della mcrc lura, livro e •
chamariam de 'cooperativas e colar de consum '', em que é lienre meça om uma cspé ie de p queno dicionário plurilíngüe de termo re-
ou usuário da escol , ne te ca o a Arte da Lã lor ntina, quem fin ancia lutivos a comér io e fornece a informações geográficas obre vários
um m stre para o filhos d seus · cio . país , os porto , as m as, os câmbios e, enfim , obr toda a prática
estres autôn m s, mt:Stre e m pro1cholus, me t re a saciado em d mérci .
''cooperativa " m tre pitali la 4u as alari m utro mestre, m stres o im do éculo, cm 1494 , editava- em neza o primeiro livro
pago por corporações, mestres pagos pelas comunas: neste variedn de impre so de macemárica, n Summa de rithmet,ca, de um curro toscano,
relações jurídi as e tam perante a escola de uma · iedadt: mercantil Luc Pacioli , d Bor o an epolcro, 4ue re istrava e iscemacizava s
que, quase totalmente liv re da ingerência da Igreja e do império, ende novo acbad sobre a ntabilidad mercantil, diários e livros.mestres ou
sua ciência, renova-a e r v luciooa os métodos de ensino. razão, a ritur imple e, em seguida, , cri tura dupla. ra uma no a
ciência, qL1e urgia contemp raneameme a ren . cimtnt ou redescoberta
Outra forma típica na época po terior, embora minoritária, s rá o
preceptor da casa, o in trutor privado da f mília d grandes ricos
da cultura antiga, o humanismo; na época ela não entrou nas escolas,
m.us cm dúvida e ntribuiu porn formor não p u os dos muito& que xer-
d seob re . Conrra a cone r.rência de te.: , m tre público· e pr -
ceram sua arte, b mens voltad não para o pa ado, ma. para o presen-
tegem proi indo-lhes, como n e tatuto do Colégio d . Mestre de Gé-
te e para o fu tur .
nova, que io ·Lruam mai d ez alunos de ada v z.
Mas esse en' meno já se situa na po a da enhoria e no ámb1-
to cuJtural do humani m .
Sobre a ariedade de tes mestres t seus re uhados, eis , porém, uma 3. O humam mo : senhorias, preceptores academias
\'OZ pessimi ta. a de Dominici, na Regra do govcmu dos problemas
familiares: otemporaneamente a ·ta c la e cultura novas , elaborada pela
burgue ia muna! e que substitui a cultura das escolas epi copaj -paro-
" . . , E já que e ·tou falando das escrituras, é ne essári que os quiais e cen biai , processa-se um outro movimento inovador mas e
g, ot ejam c.:n ·inado · a ler na maneira mai honesta possível. cunho anstocráuc : o huma i mo, caracterizado pela redescoberta do
Estand , de fato, o mundo como está, ficarão expo to a grande valor oucônomo das humanae litterae em rela - as le/lerae divinae e,
perigos se os mand s aprend r com religiosos e clérigos: , ·te ão portanto , pela vol ta à leitura dos clássicos latinos e gregos, con iderados,
tais que (o garoco ) pouc aprenderão . Amigamente com e te durant a ldad Média, como simple paradigma gramaticais e tilísti-
cresciam os ns filh s e e formavam s homen de bem , agora co e úteis s mente para a compreen ão de uma verdade predeterminada.
tudo é terra, ue produz capim para os e alo ·, fogo e oulra isas. O humanismo nasce :ui cocráric , , mbora nenhum utro movi-
e m nda à escola comum, onde se junta uma multid-o de indi - meot culturaJ tenha dedicado maior ate ã ao problemas do homem
ciplinad · maJvados , difkeis, in linados a mal e contrários ao e da ua educação, todavia o reno ad çontato om s clássicos gera no '
n vo intelectuais ums aversão oão mence pele cultura medieval ma
bem, receio que tu percas em um ano o trabalho de ete. se tens
também pela sua forma tradicional de tran mi ão, a escola. Petrarca,
um mestre particular, h~ muitas dúvida e contradições" (Ed. Ga- talvc1.., mai do que todo, o, utr s, expressa stc pr fund de~prezo
rin , 71). pela gramática e us ensinamen tos.
grande e emplo de um Giovanni de ogorn , de um rannoz- E rcvend , por solicita ão d um alr per negem , a ramático
zo Maneui, de um Donat elluú, de um im n Valentini não são florent in Zen bio de trata , de o di suad do en in , exonand~
mui t freqüentes e seus comportam ntos sã caso indi íduais, simples d di ar-se à produçã literária :
biografia , que raramcn,e ti eram grande ioíluência .
"A Zenóbio, gramático florenlmo, o conrelho de deixar a.r escol C1cer t: Virgílio o le a a de ·prezar, com coi~ infantil o ocupar-
de gramática, para aspirar a algo mai.r alto - .. . A segunda p:m com a infância . .É verdade que o humani tas desprezavam o tipo d
(da cana d alto per onagem a Petrarca] pedia-me que eu te acon- escola existenre, eu mestre e suas varas, mas não o en ino. ·rá pr -
elha e a deixar já as e la de gramática e II nã perd r, u and pria d humanismo e d Rena · imenco a procura d uma nova forma.
uas palavras, 8 vida inteira obre a regras d nato . . . Crê em mai humana mai · cuha, de educar e in truir a criança .
mim, na ce le para outrn coi a e nã e. a ndas i to de ti m mo ; humanismo sur e como polêmica d clarada contra a cultura dos
a tua ocupa ã deveria ser maior e mais digna. O destino te I vou enóbios e da uni ersidade e sua tradi í nal lassificação das ciência
a ensinar às crianças, mas a natureza, dando-te · luz ou tra coisa (já am ada pelo chamado "c n(lito enrre as artes" , qu vi as facul-
pensou para ti ... En inem à criança aqud que nã sabem fa- dade disputarem o primado do saber) , mntri1 ~ ignorâncUI do clássicos
zer algo melh r, que têm diligente dedicação. mente um canto uso ervil d s manuais e dos compêndios, comra a metodologias
tarda , c ebr mol , inteligência em a a , sangre-frio , rpo resis- o sivameme repetitivas a di ciplina dicamente severa. Mas, em
tente ao trabalho, e píriro de prezad r da glória, de ejoso de pouco sintonia com a passagem das democra 'as comunai para o autocrari m
lucro, não ousado; vê o quanto estas isas estão longe dos teu das enboria , com o aband no da litera tur m ulgar e a ilu ão de
c tume . Dediquem- e a b ervar as mãos instáveis, os olh s va- uma língua literária privilegiada e per( Íta, o humanismo constitui tam-
gante e o murmúrio coníu o da riança aquele que tam des e bém, e não apenas para Petrarca, uma ex ciência tipicamente ari ·tocrá-
trabalho que go tam da poeira, do barulho e do vozerio mhurad tica e c n ervadora . ão é possível entender humanismo sem os seu
à lágrima de quem g me oba vara; aqueles que gostam de infan - precursores e prota ni ta que siio os mestre livres, de que já falamos;
tilizar- e, que t'm verg nha de estar no meio dos homens, mas ele volta-se também contra sua tentativas de inova ão relacionando
que não e sentem bem com seus coetâneo , que go cam d mandar cultura e pr fi ão e de criação de uma cultura não somente laica ma
os menores e ter sempre olgu ' m a qu m aterrorizar, acormcnlat e 1aml.,éru p1uJulivu, capaz de mudar imediata e profundamente a socie-
aWgir e que o d ic de de que ejam remido : esra é uma volúpi dad : as ciências naturais ficarão em grande parte estranha aos seus
de tirnn s ... Mas 1u, h mem modes1f im , ela para fins melho- inrere , c mo também a cultura popular. cu mérito rcpou ará na
res: deixa que ensin m à juvemud aqueles que ão tai quai eram redesc berta da civilizaçã antiga e de nov s valore da vida .
o que no en inaram quando érnm crianças; mos rn.l qual foram Matteo P11lmierl assim exaltava a nova cultura perante e gr seira
para nó aquele que elevaram o nos ·o espírito c m seu ublimes tradição medieval:
exemplos, a sim sejamos para os pó tcro . u talvez, podendo se-
guir fcero e Virgílio como guia da el üência romana, prefiras
'Da · letra e dos e tudos liberai é melhor calar do que falar
guir o vulgar rbílio ? Além disso . nem a gramácica nem a ete
arte liberais merecem que um nobre intelecto eovclheça o las : p uco. Estes grand guias e verdadeiro me ·tre de qualquer outra
elas ão uma pa agem, não uma meta .. Uma criança vivaz é um boa arte, por mai de oitocent s ano foram tão esquecidas pelo
belo espetáculo, ma nã há nada mais rorpe do que um velho ut: mundo, que não ~e 1::111.: mrava mais quem as conhecesse e sou e e
ficou no bê-á-bá . . . .É melhor morrer criança do que viver en elhe- fazer uso mínim delas, tanto que aquilo que fo i crito por gra-
cendo entre coisas pueri. . . . En ·inarão melhor • s riança. aquele mática em papel ou mármore, nesta época, mer~idarnenre pode
que são semelhante o elas . . . " (Fam ., XII J, paHir11). ser chamado rude grosseria; hoj podemos ver andar pdo mund
nos Leonardo Aretio , pai e decoro das 1 tras, luz esplendoro a
Esta exorta ão, por demais eloqüente, cheio de retórico e de lugares- da elegância latina, para restiruir aos homens a doçura da lingua
comuns misturado a recordações infantis, convenceu o bom Zenóbio, la tma" (Vit(I ciui/e) .
uc deix u o cn ino mas não conseguiu conqui tar gl ria literária om
que Petrarca o fez onhar: ~ dar qu · a re i t ·ncia da e cola e da meoca.lidade tradicional f
áspera e tenaz, tanto que s novalore.r latinilatis chegaram a ser p e-
"Aconselhara-te a deixar as e cola de gramauca e obedeceste à guido : na Um erstda de Pavia, doi grande humanista , Loren7.0
minhas palavra : paro mim tu não és um gtamáúco e sim um Valla e G.tsparino Bar1.izza, foram obrigados a deixa r 11 cá tedra e Valia
poeta" (XJJJ, 9,1-J) . a ' sofreu a ress - ~ ; freqüenremenre o humani mo foi tachado de
heresia n 'd rado com f nte de c rrupção m ral. e Guarino reco-
Para nós, entretanto, não se trata de poesia; nos parece apenas mend:iva
que neste literaússimo trecho de Petrar a, o or lho de ter descoberto
"escolher algum auror novo, não lido ont s, mo as Metamorfoses "institui ão de toda vida d homem nascido n bre em cidade li re '.
de vídio, ou Val'rio Fhico ou s d i " Um ., 344) ,
uma expres ão que revela uma rendên ia aristocráá a e libertad ra.
o ('QfdealD minici homem de orig m popular, lnt ligeme human , ma s centros de sua elabora ão cul tural não ã mais as universidade
coerente r presentante d uma mentalidad ultural peda gicament ma as n vas academias, livres associaçõ s de doutos, qu opõem a leitu'.
conservadora, manifestava claramente ua condenaçã ontra a cultura ra dos clássicos e a pe qui a inovadora à velhas repetições do alx:r
clás ica: univer itári : à universidade só resta adequar-se ao novo cur da cultu-
ra para não de air irreversivelmente. Lembre-se, como exemplos, a Aca-
"As im criem a5 modr.-rn~~ ~nsinand -lhes toei demia Pla1·nica, que surgiu em Flon:nça com Lourenço Magnífi ,
aqueles ign minio · males, a qu~ le am o estudo de . idio . graça a homen m Mar ilio Fi ino e Pico della Mirandola , outras
das epí cola , da de arte amandt, e todo es e mos carnais e que l re ceram em Roma, ápoles, Milão e em tantas outras dd d
meretrícios" (Um ., i2 .

:É a me ma linguagem de cn , homem lx.ma-


chão ou de Gerolamo avonaroJa homem intran ·i ente e inimigo im- 4. A pedagogia humanística
plac:ível de qualquer mundanidade, portanto, os srudos clá sico!> e da
poesia, que e bravcja nrra as io fruas diabólica e condidas no ersos A pedago ia humanística , e pecialmeme italiana, revc eu tratado
d p ta agãos, cujas hist 'ria cn •an dora bre os deuse e o b - e suas escolas : talvez n nhuma outra época nenhuma outra cultura te-
roens, faland de amores libidinosos, e tultos e ob cen , nha ido tão sen í el aos pr blemas da Cormaçã do homem . T do o
uatr :t:11lus fui u11111 uc.:c:;:,ii <lt: Lt:xLu yut: 11rn1i.:11m uuia vuha <lt:dsiva
"e ravizam ao demônio o homem inteiro, alma e corpo"'. na concepção da formação do homem e que servirão de modelo para
o d uros d toda a Europa. Ba ·ta lembrar Pier Pa lo ergerio com
laturalmeote, a divisão não acontece ntre reli iosos leigos; fre- seu De ingenui moribus et l1beralibus adolescenliae studiis (de 1402),
qüentemente grandes humaoi ta são h men d Igreja , mo s papas Le nard Bruni m o seu De sludiis e/ lilteriJ 1422-29) dedicado a
irolau V e Pio II , ou pe soa ' pied sa mo 1ittorino de Felrre: a uma ilustre enhora, affeo Vegio com o eu De educatione liberorum
divisão se passa cntr o · fautor de uma con epção que ne ati a no e/arisque eorum moribu (de 1450, aproximadamente), Fran e e Bar-
confrontos om a ida, n:pr si a nos onfronto c m • edu ação, c o er- baro e Ene ilvio Piccolomini com seus rratados De ltberorum educa-
adora n nfronto com a cultura , e os faut res de uma aspiraçã que tione, Battista Guarino, que ilustra a obra educativa do pai, Guarioo de
liberta todas a - p te.n íalidadc criativas d hom m e que encontra Verona , no seu De modo e ordine doce11di ac studendi de 1485).
mod lo e o e címul na r descoberta da liter tura rega e la liua . O ri co Tt>ma r<·cocreare dPsta ix-dagogia humaníst ica (como t:1mbém ,fo
e as contradições d bumanism , ali~s. :on i tiram sempr ois o . visar anri-humanísti a) é a n e idade de se ter em onta a n tureza d crian-
fu turo mas baseando- e no pa ado propor uma leitura livre dos auto- a no eu d_uplo sentido: de considerar sua 1enra idade (e isco é própri
re antigos mas para co truir o modelo de um o pedantismo. dos humanistas, qu rede cobrem a expressã de JuvcoaJ: max-ima de-
betur puero rcverentia e d · educar cada riançn d a ordo orn sua pr ' .
Enquanto na iam as nova i'ncias " profissi nais" ligada à ati-
pria índole. Este se rund tema, de alta r levãn ia peda ó i a, já o eo on-
vidad s produtiva , a iência e a cuJ1ura f!ciais perdiam- e em v lha eramos n intercâmbi epi rolar en tre o escriba Any e o filho Khon-
di puta , das guai m:m os humanistas sab m como se libertar do v lho suhotep, em Pitágor s, na Repúblmr de Piarão e em tantos outros. Ma~ ,
impasses. Permanece nele a 1h ati 1ude d d sconfiança e de de preio freqüentemente contra as intenç- s de quem invoca esse tema, ele se
par com a artes reales : CoJuccio alutati acha qu a gramática nã pre t . d faco , a uma dis riminação a uma renúncia a edu ar, ou pelo
mntrAsta com a f ', ma nas ciência é pos í vel encontrar- e alguma f alsi- me.no a uma sube tima ão dos podcrc:~ da edu a ão . u am s, mais
dade; Leonardo Bruni acha que não convém er to1alm me incultos nas uma ez, o ami-humani ta Uomm1c1 :
ciências, mas não é nece ário ser lramcntc competentes· Pico della
1rand la mai equilibrado, achará que t a ci"ncia ou conb imen10,
boa per se, e cornar-se má ex accidenti. Em geral , humani mo se
a resenta, usand a palavras de Maíf eo V io, como
examinadas a inclinaçõe da crianças e cada uma siga a sua incJj. são considerada li rais porque e ensinam aos h mens li res, mas
nação para que tenha melh r renrumento ; do contrário, u rendi- a filosofia é liberal rquc cu estudo toma os homens livre
mento erá quas inútil . De fat , a natureza ajuda a este, e arte A e a, alv engan , é preciso :1 re centar uma terceira: a lo-
aprendida contra a natureza não se aprend bem . Q em tem dis- qüência" lng ., p. 130-132).
po ição para er um ln.nificador, não será um bom barbeiro e quem
é inclinado , en talhar ou pintar, nã "erá dili ente nos estudos. aturaJm m , para de, a gramática , in 1rumemo para qualquer
Quem é boticári d natureza, mal aprenderá a ferrar cavalo ou estud li ral, tinha de er consider11da como uma primord,ali cíentia
a er albardeiro ; e quem tem aptidão para açougueiro, erá mau paedagogtea.
agulheiro e um pior alfaiate. . " r.n11 . ]{,)
. ste i~elimi11á d aris t rali mo não ex !ui a pr ura d uma pe-
:É a exigência social que sugere u impõe identificar a presumível da ogia mrus humana, que tÚaste sadism e rigor tradic1onai ; ai ·
" netUieza" do lanificad r ou barbeiro : dua figura sociai emelhames mai_, o id 'ia cri tíi da meninice com umo idade pura, e nforme pensa-
à do " apateiro r natureza" de Platão, figuras que são difíceis de ima- a Bed , não la âva , conforme afirmavam outros (sem entrar n
inar em estado natural. Ma , por outro lad quando V rgério diz qu m 'rito da dis1 inção entr ínfân ia adolescêa ia). enc ntra novas mo-
dvaçõe e contribuj para a :ria ão de umn pedagogia serena, que rejeita
" s filhos d n re devem er in truíd na are mal e el n- amcaç e p ncadas, numa rejeíçã em qu piedade ri 1ã e altivet bitr-
te , para demonstrar gu ã dign da fortuna de que gozam e bara parecem · mar-se. Diz Maffeo Vegio:
das condiçõe em que nasceram",
"Conv ' m uidar p ra que a rianças n- venham exageradamente
e Maffeo Vegi diz que ap voradas m amea as , nem venham a ligadas com pancada .
Este é um erro do pais, que onsideram as ameaça e a pancadas
"é necessário, antes de tudo, conhec r com suma prudência e juízo com uma grande ajuda para m lhorar a educação dos filhos quan-
profundo a nac reza do próprio filho e identificar ua índole", d , pelo contrário, com e ta e incut nele tanto medo q~e não
é possível eliminá-lo fa ilm nt . nem quando eles tiverem e torna·
temo aqui, novamente, um nobre " por natureza " e uma educação ndtu- do udult s ... Portanto, os pais sejam mais ptudcnt s na corr ã
ral que serv para con ervar a divi iio ial. O humaai mo nã de fe2 dos filhos : aos servos, de foco , e não a homens livres convêm
este nó e ncnbuma outra época tamp uco . certa ' ia "IEd., /, 16) .
Ou Lros temas, comua a t0d e ces novo tratado da pedag gia
humanísúca , são a leitura d.ireLa dos text s, inclusive os da literatura mai · in igm: cx<.:mplo de ta pt:dag gia ·c rcna e afetuosa oi Vitt<>·
grega até então ignorada; o amor pela poesia; uma vida em comum rino de Fcltre , prcçeptor parti ular da família Gonzaga, que, no entant
entre mcstr e rusdpulo, na qual o tud e as di puta douta são qui ntiauar a instruir também outra criança , mantendo às ua cust
acompanhada de pa eios agrestes, diversões, jogos brin adeiras; uma . mais pobre . ão deixou e crito algum, ma dele abcmos aquilo que
disciplina baseada no respeito pelos adolescentes , que exclui as midi io- e creveram eu bi 'grafo -: a lo de Prato, France co de Castigüone,
nai puruções corporais; uma ampla &ic de aprendizagen. que vai d Francesco Pren<lilncgua, Bano! me Platina. E tuda a gramática direta-
• tudo sobr livr s à mú i a, à are · e até a excr f i s físicos pró- mente no rexro dos rande aut re irgílio, Homer . kero, Demó .
prio:. da tradi ão cavai iresca. Voltam tona nos textos desses bumanis- tenes, embora guindo também o ~qu ma e a ord m do trívio e d
La também os acen oa ervadore e ari tocráticos que, sob a evidente quadrívi , ma sempre pro urand que e tudo e realizas ·e " om tod
orienta ão d Arisc6tdes e fcero, repr põem a te e da indignidade das o gosto'; aprendeu , talvcl de Platã , a idéia acri ída a amigo egíp-
arte exercidas por lucro ,,il sejam elas manuais ou liberais. Eis, por cio do jo com mét e ..:duca tivo. ua e cola todavia , nunca perdeu
exemplo, o que escrev..- respeic Ver érío: o caráter ari l rá1i , próprio de t humanismo:

"Chamamos de estudos liberais • qucles que são dignos de um ho- " ão aceitava em "Ua ~cola senã pouc aluno , e le tinham que
mem livre .. . ; como a atividad s não-liberai t·m orno fim demon trar intdigên ia e m dé tia· e aqueles que não Ih r ulta-
lucro e o prazer, assim as atividades liberais , a virtude e a glória . .. vam a guad por intelig"ncia r ará1er, manda • s d voh
queJes que se dedicam às arce lib reis e à artes lítica e ociai. a eu paL , exonand -os a disciplinar a vida de seu filho de outra
preci am e nhecer a hi cória e e tudar a filos fia moral. ssa arte forma ";
que era o me: mó que, c oformc ícero, costumava fazer Apolôni de: LJbri della Jamiglia (ele ra um bastardo!) aparece am de tudo a in
Alabanda : uma inevitávd seleçii por merecimento. vitá d defesa das letra :
ão e pen , porém, que tud se renovou d repente na prat:Ica
edu ativa e nos insrrumentos didáticos deste mestre do humanismo . ''E quem não sabe que a primeira coisa útil sã a letra ; de fato
Em Guarino d Ve rona, por exemplo, o plano de estudo está fielmen te um enh r d angue nobre sem I t rn será considerado bomem rús-
baseado na Institutio oratoria de Quintiliano, há pouco redescoberta por tico . Por isr eu g taria de er os jo ens o bres mais freq üente-
Poggio Bracciolini; é dela que deriva ua divisão do plano em t rês mente om livro na mão d qu com papagaio .. . E v' , jo-
cursos: leitura · e · ri m ra, depois a gramática, subdividida numa parte vens, dedicai grand parre d.aquilo que fazeis ao e tudo da let ra ;
metodica e noutra parte historica, e por fim a re tórica. a realidade, po- sed a íduo , gostando de conhecer as coisas passadas e dignas de
rém , contin a ad tand as gramática medievais, como o Dottrinale de m m6ria .. , procurai conhecer a e isas humana dtvina , qu
illadei , o Catbolicon de Balbi e a ]anua. E a sua própria gramática (Re- foram com toda rnzão nfiada à ei rita . . . eria longo demai o
g11/ae grammaticales) ainda é bastante medieval , como medieval é o seu discurso para dem nstrar o quaot s I tra sejam, não digo ú teis,
gost pelo en ia em verso no Carmina diflerenhalia. Um outro gran- ma n ccssárias para quem dirige governa a' e i a . . . Portan•
de humani ta, iccolo Perotti, em eu Rudimenta grammaticae, em la- to, pais façam com que f ilh s e dediquem à leLras c m toda
tim, coo erva a antiga forma catequética : assiduidade" ditado por F. C. Pe/leg,ini, 1911, I, p. 119).

"Repie a letras - A, b, c . .. x, y, z. Em eguida, rém , pela falo <le outros interlocutores do diálogo, o
Repita a aud çã da m-aventurada Virgem - Ave Maria ... discur muda um pouco e o eu ideal de homem de a ão, ''na cido para
Amém . usufruir da coi a e ser fdiz", aparece daram me coroo fruto de uma
Rep ita a ração domuucal - Pa1e1 ao5ter .. . Amém . eJucaçã dif rente. É prcci o, 1c diz, " avali r qunnto a nnrurezn deu n
Repila o ímbolo - Credo .. . Amém . ti a teu corpo e quanto a fortu na ce c ncede "; então aparecerá qu a
Por que a criança de em ser instru ída ante de tudo na art atividades de maior val r, ou, e mo cle diria, "o primeiros exercíáos
gramati al? - Porque ela é início e o fundamen to de todas as louvad são aqucl no quais a f rruna nã tem influência algu ma, do-
disciplinas e não é po fve.l atingir a perfeiçã em nenhuma d isci- mfnio lgum" . Mas " os exercícios da letra ã condicionado a im-
plina enão com aado pela gramática". previsíveis impulso da fortuna ", c mo a iruco ibilidad Jo pais ou a
pobreza, enquanto que há exercícios que dependem somente daquilo que
e tá em nó e da no sa capacid de, como o exercíá s financcir •
5. Uma Minerva mais crassa lucro , desde que con egui o h n scamenre e que "a tendam a necessi-
dades da pátria". E prossegue :
I niciamos abord ndo o sur imenco de uma ligação entre culrura e
profü ão nas e ola dos me trc · livres , ou m lhor, dos profi sionais "O lucro p rovêm em parte ele nós , em parte das oisa que e tão
que organizam inclusive o treinam mo em sua profis ã ; continuamos fora de n' . m n' existem as ca acidades de produzir lucro,
ilustrando no humanümo, talvez o exemplo mais ilustre na história de e mo as atividades indu triais, a inteligência e oucras apúdões se-
uma educa ã de intere sada do h me.m "nascido n bre e livre". E ntre melh:im que estã em n s. o espíri to, e mo ser argonau ta, arqui-
estas dua · maneira, de fo rmar o homem (Giannozzo Manetà, antes mer- teto, m i e melbantes, que exigem principalm nte juízo e es-
cador e depoi humaru ta , é o exemplo da primeira e da segunda) havia píri t alivo. ão ai.nd aptas a produzir lucro as ativid dcs do corpo,
também a busca de um terceiro caminho (Simon Valeatinis, que queria como toda as outras fabris e mercan tis, andar, trabalhar com s
eu filho me r ad res ma cult é um inal disso) . Parcce--me que ne- braços e exercici semelhantes, nos quais as primeiras recompen-
nhum autor apontou e ·r aminh d meio c m maior consciência do sa p rte n m a trn alho e ao suor do artífic . Ainda m n ' s po·
que Leoa Bat tisra Alberti ou esta composição de cultura desinteressada dem produzir I cr aqude exercício m que e p[rito e s mem-
e de f rmaçao profi si oal u me mo ale riou para problema. bro junt concorrem para ual.1a.lltu e a oura . 1al é o t rabalho do
Alberti nã é um literato h11mani ta , embora não e possa dizer, pintor, escultor ' taris t e sem lhant . Toda e ta forma de p -
como o fará Leonardo, que fo se "um homem m letra 11 1 mas um que Juzir lucro, que esrã m n 's chamamos arte " (p, 262 ).
fala , conf rme a expre são d Horácio Ovídio e Quin tiliano, de "uma
inerva ma.i era ·a". É um homem cult , de uma cultura variada, ma Esta exahaçã das atividade que existem em n , contra a quai a
voltada para o fazer : e "fez" especialmente c mo arquitet . m seus forruna oada pode , enqu nto pode contra a letra. e contra a especula-
ões financeiras não baseadas nas própria capacidad , e ta ' ahação ra, com roda a ciência, primeiro na · e na mente d eu investiga-
das arte produtivas não mai d arte _ '' liberais"!)_é o tema caracterí~- dor e, em ·eguida, chega perfeiçã pela obra d suas mã s . . . Es-
cico do homem n vo, orno Leon Batusta, d . famfü~ daqueles Albcms ruda primeiro a ciência depois executa a prática que surge dela"
que foram sempre "muito grande e famo f uno , m~eros, bons e h · (p. 54 , 58) .
nestos mercad r " . Onde est • o d prezo do e olit t1cos e dos huma-
ni cas pelas artes mecânicas? nde estão as distinções de Aristóteles e
ais d que roda · as cxaltaçõe da ignidade d homem, aliá nobi-
Cícero?
Ao lado de Leoa Battí ta Alberti poderíamos lembrar também lfssim , contida n tratados bumanlstic , vale a pena lembrar n defi-
i olõ lachiavelli que à " continua lição dos antigos" (e nisto era hu- nição de homem dada por Leonardo : 'O Homem, máximo instrumenc
mantsta) acr s nca~a o estudo "da realidade efetiva•· (e ni to era homem do natureza" .
m ern ) · ma sobretudo, orno expoente de urna cuhur e de uma estas uas p inas cn ntramo a manifesc ç.âo mais corajosa da
praxe anti-hum~ista, Leonardo da Vinci, o ' homem sem letras". Ccr- idade moderna . Mas quanto desse programa ideal, qu associa ciência ,
ramenre não direi que uas piniõe conrribuiram para a mudança da t' ni a e rrabalh , entrou na escola daquela época? À parte o xemplos
escola, mas penetraram profundamente naquela n va corrente de cultur~ de 01ltura de instrução laica e urbana q · apontamos no início, o di •
escolástica e de vida social que vimos emergir daqudes documentos pn- curo no [e aria m is uma vez às corporaç- es e sua aprendizagem .
ados que, do uzento . ao Quacr cen_co , indic~vam um ~e l~c~ent Estam , rém, num mundo qu não se comunica com o mundo da es-
dos interc e da gramática e da te I g1a para o ábaco e a física oatu• cola, rradicional ou humanística, a não ser através das artes nobre (Al-
r J, que apareciam como asp t s car c!erísúcos do su:gimento das novas berto e Leonardo .
das es produtoras, dominadoras das e1dades e orgami-ada_ ~11 c rpora-
ções de artt' e oHri ~ J>arll Tpnnllrrln, n 1lnir11 niin c-nn~1st111 nru lr trn.
u nas di cipUna distantes da matemáti a e da "experiência" ; aliás, as
letras , para ele, eram todas falsas :
6. O humanismo europeu e as oposições

· Mas parece.me que es a ciência sejam vãs e cheia de crr , por- o • ulo XVI, o humani mo i taliano torna- e europeu e sobretudo
que não nasceram da ·pcriên ·a, mã de mda ~ c rteza,. e nem _le• os humanistas europeus fazem a autocrítica dos seus a pecto pedante •
vam a determinada experiência, isto é, sua ongem, meto ou fim co e fo siüzantes, ligado ao mero culto formal das letras e das palavra ,
aã pa am por nenhum d cinc sentidos . . . " editado por G. ao novo conformi mo gramatical e e tilí tico. E! ampliam o próprio
Fuma galii). quadro de atenção da palavras às coisas, d mund antigo à atualidade,
ou, com diz Machiavelli, da "continua lição dos antigos" à "ob erv ã
da realidade deciva" e interferem autorizadarnente junto ao poder polf-
E em seguida: tico para sugerir uma no a e dife1e11tc uiM111ú.:a1:riiu da cultura e da ins-
trução. Lembramos alguns o rnes: Rodolfo Agrícola e Eta m de Rotter-
" enhuma invc ti ã humana pode ser considerada verdadeira dam, h lande e ; Guillaume Budé e Pietro Ramo, franceses ; acob
ciên ia se essa não passa p las demonstr ções matemáticas" (p. 47) .
Wimpfeling; Johan turm e Melan hton , alemãe ; Ludovico Vives, e •
" Aqu leque despreza a máxima_ ~teza da maremátíca _, apascenta- panhol · Colet, Grocyn, Linacre, Asham, Eliot, ingleses . Quase todos eles
se na confu ã e nunca con wra a abar com a c nfusao das sofis- viajaram pela Itália, principalmente o inglese , dos quais um admimdor
úcas d"ncia .. . o qu · nã podem fazer as falsas ciências mentais , diz que todos chegaram oh boa estrela , tan to ue a poesia britânica bri-
pelas quais se aprende um eterno gritar" (p. 48). lhou nas escola de latim .
El defcnd ou adamente o car~ter " m :dni o" de todo saber e
J n pirando- e no humanismo italiano, des inovam profundamenre
a cultura e a in trução européia . Vejama o mais conhecido e talvez o
apela energicameot para faz.er : maior deles, Erasmo, refinaclíssimn c-11ltnr cln. t>st11dn d:(ssicos e espírito
cristão entusia tll mas livre, que queria "expressar verídicamente Cícero,
" A ciéo ia in trumental u mecânica é nobilissima e a mai útil de para unir a suma eloqüência dei com a pieda e cristã", solucionando
todas . . . Todas as artes são mecânicas . . . E se m dizes que a d a forma antig dilema . Vejamo c m cle escarnece pedamismo
ci · ncia verdadeira e not'rias ão mecânicas, porque não podem gramatical e o u insepará el c m anheiro, o sadismo peda ógico nas
er acabada se nã man alm nte, a me ma coisa eu te direi d e colas, que humanismo ainda não e nseguiu atingir. Aqui a Loucura
toda as ne que pa am pela má do e crit res . . . E a pintu• fala a seus seguidores:
"Entre este o primeiro lugar é oc-upa o pelos gramático raça de mestre diligente pre arad e c lhc:rá o mais imple e breve
homens de que não haveria nada mais calami toso, de graçado e dentre todo · os precci t do gramáticos, dispondo-os na ordem
od iado pelos deuses, não fo eu a miti ar, e rn uma d e forma mais con enieote. m seguida, logo ap6s tê-lo ensinado, orientará
d loucura, incômodos de sa infelicís ima profissão. E te , d eus aluno · para o autor mai apt , treinando-o a falar e a escre-
fato, não ão su jei t s a cinco maldições omente, como indi a um ver . . . E quando chegar o moment de exercitá-lo propond -lhe
epigrama greg , mas a seis entas, porqut são sempre famintos , os te nas, cuide antes de tudo que, como freqüentemente ac nte ,
uj , m sua esc la (falei escolas, ma de eria hamá-la d pen- não se trate de pr siçõe · vazia em e pr ssão na forma, ma
ad iro u lugate d 1rabalho forçad de to rtura , no meio d de Cra e que apte entem algo de util, bonito e acessível à mente
grupo d rian as, envelhecem no trabalho, ficam surdos pela gri- das criança " .
rnria, apodrecem na su1e1ra e n f dor ; nao oh tante se con id rrun,
para mtu benefíci o prim iro homen . ivem plenamente sacis- As mesmas idéias, que liá em ua maioria eram as de ua rino
feito e n. ig me m s, enquanto apavoram om as ameaças de seu cuja rigem ant iga tá em Qujnciliano, o s as encontramos lambém no
rosto e d sua voz aquela mulódão arnedronrnd d alun , enquan- utros aut que men i namos ; encontramo rambém a última luta
m batem naquele coitado · m hi l e vara , nquanto à v n- agora vencedoras) para in erir a lrad.ição re a na ulcura moderna (na
1ade enfu recem ameaçando de todas as forma:;, como o jumento de Itália, o ime re ·e pdo grego em suspeito de heresia por pan dos cléri-
uma. E no entanto aquela sujeira parece-lhe v rdadeiro r quint , os n ·e rvad r• ·. e própri Campanella quis "de ligar a juventude da
aquele fedor (: para ele eh iro d manje rona, aquela infelicíssima doutrina re a" ; na Ln !aterra , forma ram-se dois rupos postos d "gre-
e ravidã ' para ·lc um rein . tanto que não g tariam de trocar gos" de "tr ian ' ! ). Mas aqui eo ntramos espedaLnente as pr pos-
sua tiraoi r aquela d Faláris ou Dionísio . E até se sentem mai ta concre t - para a ia tiLUiçã de e e la de tipo n v e a afirm çã da
felize~ aindu por a uela estrnnh~ convil"ç·ãn tlt> PrPm tln11rns A função civil da educação d cidadão, d gr.n til-homE"m " <lo envt> m,m rt>
realidade, nquan t in ukam na criança verdadeiras toü s [mera ra mo ituu-sc n àmbi to d humani m e da cultura clá ica ; ma
deliramenta puerh in ulca 1t], meu Deus . desprezam um Palemon no seu século desenvolve-se, a partir de vários lugares , a critica a c ·ta
u um Donato, confrontando-os con igo me m s. nã ei com cultura. À vo;r, de Albeni, Ma hiavelli e Leonardo juncam-se mu ita
que rtilégi · nscguem admira !mente o objeliv d parecer outras e se. desen v lve uma po]emica, ora di reta, or indire ta, ncre o
u pretendem er perante as estultas mãezinhas e os pais idio- fautore do humanismo e fautores de uma ou tra cultura, moderna,
tas" (Loucura , XLIX ). produ ti va e ltada para a prática.
Com ozes carac terís ticas de.sra polêmica indireta podem s citar,
Aqui estão todos os d m1:nto da crítica d qu já encon- dt: um lado, iovanni Guidiccioni que, numa ·oi ní ima Oratione alia
tram s em P trarca e e ncontrarem s em iantos contemporâneos dele: Repubbiica di Lucca, escri ta após a revolta d s esfarrapados , que oc rreu
o 3m iente su jo e baru lhent a iodo equiparni:ato do sadi mo peda- nos anos de 153 1- 2, assim exalta e.mpoladameme esrud s condenan-
ógico e à inconsisten te v rbosidade do ensino . Ma em utro lugar, nu do a avareza , i I é, a ganância de po uir que afa ca d estudo (refe-
R tio tudii , E ra m , nis afastando-s totalmen te de Petrarca , trs a o re-se, sem dúvida , à " avareza " , n-o dos nobres e d s mercadores, ma à
programa itivo de ua educação : dos esfarrapad ) :

" En inado logo · prim iros elern mos, g taria que imedia1amen- " uem afa tará e dJ suadirá · utr d c-.iminho d s est dos? A
tc fo criado na criança o hábir da convcr a ão. E qu aprovei- avar za . Quem mandará finalme nte para o exilio o uso da discipli-
tasse cambém s j s. O mestre logi os a.luo s quando dizem na ? A avnreza . inguém melhor do que vó sobe qu rá rnchado
alguma coi ·a om:tam nt o e rrija quando erram . Assim e de infâmi aquele nobre que, para seguir os esrudos, não quer dedi-
habituarão a conver ar com t cuidad e dilig'ncia e darão toda ar- e à mer anda .. . " (par. 161 ).
tençã a preceptor quando e te fala. ·rá também útil que , com
pequcn prêmi u castig , ej m h bitua a comg1.r-se c1- em a4u1, de um lado , o "nobre ·• que enfr nta o de prezo do
p rocamemc. m tre até poderá escolher m i. apaze para que povo ara dcdic r- e a s ·tudo~ e do outro, a areza, i:;to é, a · classe
sirvam de árbil ros nas discus õcs. será oportuno propor às crian- burguesas emergente~ e as ela se: pulare reprimidas, gu de rezam
ça certas fórmulas , para que se sirvam de uns assuntos no jog , de qualquer culrura : é a c acepção con ·er adora qu ntinua um huma-
ou r s coo er and ent r ela e de urro me a. É con enicnt nismo já an ad . Ma outras voze se fazem sentir em defesa da "mcr-
que sejam expres õe d um , ma fácc: i · e agra áveis. Além di so, cancia ", ou comércio cã desprezad por Guid1 ciom . Eis um uri o
exemplo na Úl/er(lrum e/ mercanturae comparatiu (Confron to ntre as A e ta ~ua:. vozes_. totalmen te discordan te , poderíamo acre en-
letras e a mer ancia) de éüo econd Curion (150.3-1569), um ref r- ~ uma Lerceira, do vivaz talenr florenrino, Giambaui ta Gelli, ane-
mador piemon tê , profc r de g:ramática e d retórica em Pavia, Lo ana sa de uma ~a an men r ( apateiro), fau tor, c ntra O latim, do
e Ba iJéia, que: freqüentemente en oraja o · amig ao studo de Cícero, vulgar fl rennno. Em eu Capricci dei bottaio de torna evidente a exi-
ma que mo tra ter também outro tdeai : gên ia de u1:1a renovaç- ufru ral ami-humaní tica . o imagi ná rio diálo-
go d . tanoeuo com a sua nlma , a esta cabe o papel de su tenta r a nova
"Entre antigos se du idou, e Lambém n' n~o 1~0 ert~a, se
o c oheciment das letra trouxe aos b meos e as cidades mais bem doutrinas, ac nsclhando tan ir a d dicar-sc aos estudos das ciências
do que mal: u, de fac , aprovo as letras quand e tão dt!Iltro da sem ''pertu rbar cu afaz res ", ist é comin ando a er tanoeiro, m
justa m dida , ma , por Hérculc , u as d aprovo flrmemi:nn: yuan- cult~, como é ca d Jacopo, el iro, em Bolonha, e de Mat~ Pai.
d ão excessi a i: incontroladas . . . mien, em Flor nça. N o é, de faro , mais fácil fabricar domas do que
tud r as letras, e dli d piora ortemente
Talvez a tua fr aca c n titui ão fí i exija ex rcicios e atividades
moder das para que tenha e conserve um espírit mai ati o e um
fí ic mais sadio; t.ambém em vi ta di , a todas as ane e 1 tras , " o medo que faz m s dout , tal qu afa ta do estudo" "a inveja
eu preferiria a mercancia, qu r pela sua util idade pública e privada, maldita dos douc " que " fazem de tudo para dis uadir • homcn
do estudo " .
quer pelo p res tJgi e dignidade que t raz.
A meram ia é uma atividade que pode até. reforçar qualquer en-
fraquecido , deleitar, alegrar e alva r uelquer espírito triste com Ele ~,:opunha o ideal do trabalhador cu lto, d uma cultura oltada
a sua varie ade (na qual somente parece que a natureza tenha c para a pranc~, qu nã fo e in trumcn t d discriminação; e dá alguns
locado rodo u pnuc1 e dcl itc) : é tiio bane ta e liberal, '}llt> n . tt:11· exemplo reru de d ut não i.nvejo , que também ensinaram arte ãos
pos antigo homens ilu trissimo nã e envergonharam de segui-la usando nllo o latim, mas o vulgar :
e exercê-la . . . E também em no s tempos não é ela del ite e
h nra e pecial de homens erruneores? O que é que lev u a tanta "T d o homen de letras que são n por natureza .. . ca 0
potência os veneziano , genove e , o luqueses, floren_tin s, en m rcm ~oro um carpin teiro, o encorajam pel meno · na coi as
o nurimbergue nse , auguscano ? O que levou tantas famfhas d de matemá~ca_; m fe2, e'? no· o dias, aquela imagem de Deus
Itália aos fa tfgio da nobreza? O que a enriqueceu d fortunas mes tre Gw~ano d~ Carmme ... para com carpinreiro Cameri-
quase infinitas? Foi a mercancia ... no : tornou-o rao pemo naquela arte q ue pod m con idcrá-lo igual
E em que se as emelh m à mercancia es ta vossa disciplinas a qual~uer um que m a lín ua lacina e grega (das quai não tinha
te r ica , que se ocupam mente do conhecimemo do espírito e da conbeomcmo _algum) ·e afadigou em &emelhanr e tud s. Da mes-
mente, que tão sempre famtnta e sepultada , que são invenção e ma forma esumularão um boticário a e tudar medicina . . . como
alívio dos h mens indolence e sem alor ? Que ncces idade tinham fez uquele antíssim e d urh;imo v lb rancc:ico Vct:ioo fil6
h men desta arte inúteis?". fo • - : excde~c~ imo, que: ddxava o latim e pa ava ao vulg~r quan-
É uma con epçã ir ni amente ncrária ao e p(riro humaní tico :
do. via o ':1Plla Pe entrar oa aJa onde dava ua aula obre=
A.ri tóteles ' (193-4).
a por mica não é emente contra a letras e as ar tes liberais, mas ta~-
bém c nrra a di ciplina ceóri a que se ocupam apenas com o c nhec1-
men t d e pírito e da mente; é uma posição totalmente oposta ao e coi- iuliano del rmine e Francesco Verino merecem ser imortaliza.
ci m de Sêneca e ao miscici mo d m n es, que condenavam a anes dos pela ua autêntica vocação pedagó ica. EI ã exemplos de m tr
liberais porque não ervem para o e nheciment do espírito; uma con- de~ocrat~, bem diferentes d medí res m tres de cu tempo, dos
cepção que resolve aquele resíduo de ince rteza de Alberti, obrigado a q~~s G "1 (com a palavr que a Alma dirigia a G iu to, o canoeiro)
admitir, embora forma lm nLe, a p rnt>min'ncia das letras, e que de en- d121a que
volve a de denho crítica de Leonard às fal a ciências mentai sta
voz menor é também testemunha viva da mudança da itua ão e da "a dele é a gramática de Ceccoribus, onde todas as p avras acabam
con ciências. em letras nsoante ".
Compreende-se, dessa forma , por que uri ne concluiu ua certa
pedindo ao amigo destinatário que não zombasse dele: "Vaie et nt me Depois deixando a zombarias ominuava :
eírona".
lecim, é uma língua, e nã s·o as fín.
gues que fazem os h men d utos, ma o c n eit e a ciência .. . da educa ã d um n bre e de seus irmã , citando "es rimir, disparar,
ã a oisas e n · as línguas que fo2e.m os homens doutos .. . pular, lutar, lan ar dardos " (fechten , schiessen, springen , ringen, wer-
Pode-se ser ábío e d l l:m saber Üngua grega e l tina. . . Não /en ), c-nde o clisparar , isto é, ati rar e m arma d pól ora, ' uma ane
ã as Ungua qu fazem s h m n doutos, ma as ciên ias" (l 95 , moderna. Ma a estas arte bélicas juntam-se, om uma importância
197, 20 ). cada vez mai r c m a ev lução e o aperf içoom nto da civilização, as
arte <la orce, como a política, a diplomacia, o cerimonial, as leis, e as
k •se esta imnstên ia contra as Unguns e em favo das ciêoci , o div rsõe culturai como dançar, tocar um instrumento, além de jogar
destaque ao vai r geral do e ·tud para todo , tam 'm a condena -o xadrez e compor vers .. E rud i é cultura cavaleire ca. m que-
cer A poesia rt e. ã, sohrc t11do a pmve.nçnl , 0 que. jÁ no. rf'ff'rÍmo. Por
pulc::mi ·,1 au uw11ll1v-pc:11i tê111.:ia:
e ta educaçã • testemunhada em muitas imagens (miniaturas e pinturas)
estudar é natureza, é próprio do hornem e o I va à ua pedei- e por brinqu d (e m · ldadinho chum ), o j em nobre era
ão, mas trabalhar é para ele uma penitência" (204 . inicialmente confiado ao que hamam s de thérapon ou b'iulus e , em
guída, passava a perf íçoar-se como pagem de um cavaleiro experi•
Todo e tes ão elemento novo ·, que ligam o bom sapateir Ili , meneado .
mai tarde cult acadêmico e leic r públ i de Dante, às experiên ias da ã obstam a façanhas histórica da lilerarura ca aleiresca, a pre•
reforma protesrame. Ele, d foro, j lgava fav ravelmeme a experiência paração intelectual não foi , em geral parte importante na formaçã de
religiosa-popular de avooarola, e dizia, entre o facc ro o ério: um cavai ir . Num e tilo um tanto ir ni o, ainda n fim d éculo XV,
Matteo Maria B iardo, no seu Orla,u/o inn morato, nos dá um quadro
" ão uero falar de papíls cardeai , nem de padre e frade , por- da educação cortês u cavaleiresca , pela palavra d pagã Agricane du-
9ue senão tu me amarras logo o chocalh ao pe coço , c mo s eu rante u dud com Orlando, intercalad por freqüente e humaní j.
f e um luterano ' ' ( 19 l) . mos cliálogos . A Orland , que tenta convertê-lo (e onseguirá no m •
roemo da m rte), Agricane reponde:
o erem I porém , e e quanto o pôr em cli ·cu 'são o Latim, pro-
por o en ino da matemática e da ci ·n ia , criticar a inveja dos doutos "Certamente compreendo
que com sua " gramática de Cecconbus" di s ad m povo do estudo, Que brc a fé ru queres conversar;
u an<lo a cultura como arre do domínio e. enfim, au piciar um trabalha- Eu não d min ciênc-ia alguma,
dor cul t ignificavam pr priament ser " lut r n ·•. isa provável, pois unca, desde criança, quis aprender,
foram dois bomens mais u meo s abertamente simpatizante pe.la Re- E mereci quebrar a testa do meu me tre;
f rma , Curione e Gelli , a su tentar tai te es anti-humanista ; ma a Rc· Por i o foi impo ível en oouar outro
orma cam m teve a sua ala humaní tica. ue 111c:: 111v:.LL1t!>!>t: liv1v vu cu iluta,
Tanto cada um de mim tinha pavor .
E assim gastei minha ad lescên ia
Em caças, j g de arma e cavalgadas ;
7. A educação cavaleir sca Nem me parece convir com a genti leza
Estar t dia nos livros a pensar;
Precisam s dar um úhim deu à educação cavaleiresca , antt: d Mas a força d orpo e a destreza
nos aventurarmos na história mund moderno . avém ao cavaleir exercitar .
Com abemo , a ela ompete essen ialm ·nte a preparação para o Doutrina a pad re ao doutores fica bem :
exer í i do poder, ou melhor , para aquele aspecto do poder que é o Eu i tanro quanto me ovém" (XV III , 42-43).
"fazer'' das lasses dominante ·. a guerra . A artes cavaleire as de certo
m d sa para es a la ses o que sa as ~ele arte liberai para os inte•
Este Agri · ne, gue qu brou a cabeça do seu mesrre, lembra-no
lectuai e para s clérigo , con ·ri ruem uma umma de habilidades, para
utros protag ni tas d educaçã her ica e não-h r ica : d Héraclc , gu
• quai tem também núm ·ro de ·t : nadar , cavalgar, lançar o
quebrou a cabeça de Lino , ao per onagens m nor da comêcliss áticas
d:irdo, e grimir, ca~·ar, compor vt:r · e jogar adrez. desenvolvi-
do século IV a. ., u d com s sérios ou satíricos de Pluiarco e Lu-
men to d ci' oda da cécni a da guerra e crescentar ão outras artes
cian . Ma Boiardo fala desta " paidtfa de Agricane" como algo já pa ·sa-
n va : em um livr alemão impres o no iní io do sêcul XV I , fala-se
do, e atribui a Orlando uma piniã diferente, pondo em sua boca pala-
vtlili mai ábi , na quai se reflete o novo ideal do homem nobre,
formado nas arre militar e nas artes liberai :

"R pondeu Orland : Um inal eu te darei


As armas ão do homem a primeira honra :
Ma n- o que o saber o tom m nos dign ,
Antes o ad rna, com ao prado a flor . APITULO Yl!
é emelhante a um boi , à pedra, lenho,
Quem nii pen ·1 n terno riad r ; A educação no Quinhentos e no eiscentos
Nem é po sível pen ar sem d utrioa
Na uma majestade alta e divina" (ihidem, 44 ).

Já as boas man ira a cultura são prerrogativa indi n ~ eis dos


cavaleiro do novos n bre e de toda as pess as que gravitam em
toro das ~one . Estamo na época do tratado sobre a figura do homem
''corrê ": o Corlegiano de a tiglione, o Galateo de Ddla Casa, o Go- Quinhcnto. e o i centos, que anali aremo rapidamente, nos
vernor de Elyoc. sugerem, além do Renascimento, vários ou tros tema que nã e g<>
Mas e istem ilu tre · per nag n · mai · próximos no tempo de Boiar- tem improvi adamcnte: a Reforma, a en tra-Reforma, a utopia , u
rev lu ão .
do que se comportllm cnmn erinrne. 11 Cr;,ô,!ica_de Limburg, de Tilman
von Wolfhagcn, lê- e qu Carlos IV da Boêmia onha um m tre-pedago- SoL c:.Lc:. thulu~ e lk t:avulvem alguma linha erai da história
go, ao qual deu um soco o olh porque o ca tigava : s bon costumes da civilização: a expansão do e pfri t e do conteúd do humanismo
custam a m rrer. E.,;t episódios I mbram-no também o desprezo pela em t da a Europa, com a con rituição dos modos de vida mais dinâmi-
cultura e pela esc I diss minada em t~d~ a hi~t'ria ,<½1 ed cação. ~m co e mundanos, em conjuntos e ratais e ciai bem discant s do âmbito
d prezo que é especialmeore caracter, uca ~r tocrat1 : guerre1ra, r trito das dcm raci:1s comunais e das senhorias italiana ; a a· unção
desde o roman , cgund o. quai nada d via ser ~p~n_dido esta~~o das ari tocráticas exigências hull)anisticas e a mediaçã entr e ta e as
sentado·, a Teodorico, que exort va os seus godos às dlSctplinas maroais. e igêocias a ·cético-p pular numa perspectiva de reformas religio a e:
As ca adas, o jo os de armas, as cavalgada· põem- ~ qua mpre a~ iaJ qu env I am na cultura as classe ubaltema ; a re ção contra
livro , com e ceção talvez do ginási gre o ; e o cav~ICJr . empre se opos todas e tas t ntativa de in va ão, que abalam os fun · mentos m rais
ao padre e ao dout r, embora um e outro, em medidas dif:r ntes segun- e lfticos das elhas ciedadc ·, isto é, carolici mo e as cúpula do
do as d1ver a · pocas, pude em pertencer às classe omtnames. papadu e do império ; a necessidade , na rejeiçã d mundo medie ai
As arma ão a "primeira honra" do homem, desde q e quem as e no encontro e m ivilização de outros con tinenres, d pr jetar uma
exercita o faz por na cimento e nã por tê-lo aprendido com os malh6n- s iedad totalm nte nova e ainda inexi tente ; o rompimento definiti-
do velhos equiHbrios polític determinado pelo advento ao poder,
tt:s d Píndar ; i to é, quc:m é nobre r nasciment pod m lh .r apre3-
aos Par ·es Baixo e na Inglaterra, da rande burgue ia moderna, com
dê-l s arravés de um treinam nt que é a me m tempo manifcstaça
s mudan as ulturais qu is o im lica . Tud i o enquanto na ba
da própria natureza e parte da arte do domCn!o. A apr~dizagem da arte
material d sociedade desem,ol em- e novos modos de produção, que
da guerra terá :;uas manifrst~ções n s torneios ca~ale1rescos até 1559,
quand Henrique II de Valo1 morreu por u?1 fenmem_o_ na cabeça d~1-
aca arão por ubverrer o da velha corporações artesanais e permiti-
rão o d s hrimento , a oquista d novo mundo.
ranre um torneio . ~ uma data que marca o fon a rrad1c1onal ducaçao
do avaleiro, não omente por causa des e acidente mortal, mas r~bém Examinarem e pecificamente ste vário m me.nto ' cronol6 icos
porque muitas urras eofon& j6 1inhnm ac m e ido, a e meç:u peb m en- e ideais, procurando focnli.z.-u- os aspectos mai característicos de ada
ção da armas de fogo. wu n::linivu · uu no ·so rema, não em ames chamar a atenção para
a e olução quantitativa da instrução , fortemente t:.'<igida neste século
pela inven ão da ane da imprensa e d desenv lvíment econômico
e social.
De fato, é agora que come a a ~e propor no amente o problema do
como e quanto instruir, quem é d tio d nã tant ao d mínio, ma
· od ça- 0 a verdad a in truçã ainda nã era di undida universal-
ªmeme,
pr u . '
embora os dados fornecidos
. . f • FI
por V1llao1, re r n_tcs ~ or n a
ã expre õe t1p1ca d stas xigéncias popul res s reivindicaç-~
apre catadas na Alemanha p la aJa mais radical do mo im mo, duran te
do 5 cuJo XI , n façam pen ·ar nalgumas ilh_a xe<:pc1omus._ a rea-
a lutas pela Reforma e em particular, durante a guerra do mpon •
lidade, poder-se-ia repetir om Ju ena!: rara m ren111 fa ccmdra p~nno
ses qu acabou na sangr nta repre ã de 1525. As cid des , nas quai
(a instrução não é fr üente em quem ve te p_ bres pano . . E Alc1at ,
0 povo simples do pe4u no · arre ã e dos pobres se associou ao cam-
espfrico n bre e eruJiro, repetirá com elegância no , seu li ro re
pe ioac , pr jecaram raj ameote um isttma de in rru ão popular.
Emblemi (na edi ão de Li n, de l 51) ob o muJo: P upert~te n Por ext:.mpl , a cidade de M iningem decidiu :
ummis m?,eniis obesse, ne proveharuur a pobreza impede ~os. ~á~1mos
tolentm: progredir), ilustranrtn n elegante em lema da ua mc1 ao .
"que os eudos sejam bolidos e que dei se run o n c:e ~ó.rio para
" A direi ta gura um pedra, a ou tra mão usrenta as asas ; en- manter um pár co, capelão, mestre, que ensinem junro , gratuita-
men te, us filhos do ricos d s pobres ".
quant uma me !e anta , o grave peso d outra me_sub_m rge . Com
talento poderia ter v ado nos alto do céu, e a mve1 a pobreza
Igualmente, a cidade (comuna) d Muner tadt e tabelcce cm eus
não me prendesse cá em baixo" (p. 132) . "Arti os e r ivindka ões'':
É um emblema, um ímbol erpétuo da dificuldade que o.~
mcm enc ntra na luta pela própria levaç~ ul~ra~. _Ma , ~ mo dizia, tolerado que i tam livremente párocos e
mo h u e até a, ra; mas , ·egund a paJavra d Pau l ,
nessa época já e meça a fa lar de uma mscruçao uul, · nao soment
de uma a ulrura ã imposta, também para as lasses subalternas e para d vem er eleic s doi h meos xcelente , eloqüente e dou to .
O d i d vt:m cumprir iel e diligentemente seu ofí io e para que
os pr du tores.
is o erifique e m maior diligência e cuidnd , eJ s devem ser
rdenados orno levita ; ·re m nt oham e cuidem e uma e co-
la munaJ, na qual todo os fi lho. do cidadã · da cidad , d vem
l . A Reforma e a es ola r ir struíd e d utrinados m diligência t: gratuitamente na
e rituras cri ·tã · evangélica e em nenhum pa amento aos mt:s•
Tradicionalmente mo iment pu l re herético promoveram tres u à escola, para que cada crian a, ·egundo . uas capacidades,
a difu ão da ia tru ão a fim de que cada um pude e ler imerpretar po a tornar-se ada ez mais hábi l no ~eu fíci u atividade
p s almente a Bíblia, sem a media -o do der . a Inglaterra, John para que, ntre o que aprend:im a re er, se p a ter tam m
Wycliffe ( 1320-13 4) au pi iara que cada um se tor_nas_s~ um teól g .' pregad re e anu nciadore: da palavr!l de Deu .
na Boêmi:t, J nn Hm, (1174 -1415) d ra uma _c'?nmbu1ça . co~':reta a E se tai pregad re e mesltes com o tempo qu iram pas ar a
in trução, codificando a orto rafia rebeca e redigmd um 1labano, em 3t do m11rrimon ial, s a mulhcte:,, yue <levc:111 ~e• <le 1.:u111Ju ta
que as frases de conteúdo rdigi o eram ap~e~nta~a m. o_rdem alfa- honrada e ristii, sejam orientadas no sentido de instruir com boas
bét i a (ABC de H11s) . Por sa razã , Enea Silv10 Pie lonunJ , futuro manei.tas suas filhas e de en ina r-lh · :i E crirura , para que os
Pio H. vis.iland a B êm ia , ai uns decênio depoi. , achara que: primeiro e a u tras, do sexo masru lin e feminino, criado juntos
por us, pos m t rnar- e ada ez mai :inuociadore d lei e:
" aquela infiel pr gênie human pelo mcno- tem uma boa quali- da fé" (Ar!. 234-235) .
dade: ama a instru ão" .
Porém upres ão das estruturas eclcsiá ti a nem empr J v u
Esta erá apesar de ua contradiçõe , uma caracteristica comum à im diata insáruiçã d esc las comuns is reformada ra mo afirmava :
1
ao pov que rebelaram e nrra a Igreja de R ma. Justamente d les
urgirá, e não do paíse católico , nã b tonce o forte empenho de "Onde fl re c:e o luteranismo. a e colas definham ' '.
no as rdens Reli iosa , a iniciativa mai avan ada de novo m de.lo.
de instrução pu lar e moderna. Ma grnnde 10 pir d res da Reforma na Alemanha, Luter e
Me!ancbt n, siruam na linha ideal oã omente de W cliffe e de
1
A es ta exigênci:i de insLrução e de democracia respo?de1!1 ~specia!· Hu , mas também, pel meno em parte e não em e mra ces, na linha
mente os movimenro heréticos e reformadores que, na mstan 1a reli-
do humanismo. De fato, se a Reforma exprime: bretudo exigência
gi a , levantam ucstões sociai muito n retas .
populare , não falram também heranças cultas e etirud ari t rá1i s.
Já n início do século, em 1501 , antes ainda dos primeiros prenún- tãos e ~specialmente de n · , ai mãe , quando pe n que orno
ios da Reforma luterana , quand pr fund levante saciai já ha iam verdadeuos ca ra -de-pau u bestas, pois , contudo, ousamos dizer :
agitad a Alemanba, Jacob " impfding propunha a governantes da ' Bah ! pa ra g ue nos er em a escola , a não r para formar pa-
cidade d trasbu rg um projet de gín' 10 para a cidade , inspirando-se dres ?'~ !'Ião, ~b. tance ~bemo ou deveriamos saber o quant é
em Pier Pa lo Verg1:rio ; es t pr j to s ró realizado em J 53 por um nece an_ , ut•} e_ a ra~avel a Deus que um pr!ncipe, senhor ou
humani ta reformado, Johan curm, amigo de 1elan hton e de Lu tero. con elbeuo seia rnst ru1do e capaz d viver cri tãmen1e egando
Na uJça, Ul rich Zwingli (1484-1531 ) publicava seu Livreto para sua ndiçã .
a instrução e a educa ão cristã das cria11ça1 1523 ); mas, na Alemanha, , como di e , mesmo e não exí tis e a alma e não fo sem o ces-
é a Lurero que prec1 amo nos referi r, embora o eu claru pu~iuo011- sárias a esco6 e as lín u:a piara conhecer a e critu_ra divin:i t d via
mento sobre a escola eja posterior às propo ca d s ·us e laborad re . para . insti_tuir escolas de ótima qualidade, para o · meni~o e a;
F i de especialment quem deu impuls pr'tico e força polrrica à pr merunas Junto , em todas a localidades, ba tará ó esta razão :
ramação de um novo siscem escolar, voltado também à instrução d que .º mundo, para con ervar exteriormente sua condição terrena,
menino de tinados não à nunua ão dos e·tudo ma a trabal ho . preetsa de homen~ e de mulhere in ' truídos e capaze ·; de modo
''Me mo e não cxi ti e nem alma nem inferno - escre io ele - , que_ s ~om ns seiam capazes de governar adequadamen te idade
deveríam ter escolas para as coi as de te mundo ." Ma vejam algu- e _c1dadaos e a mulhere capazes de dirigir e mante r a casa, as
ma pa agen daquele importante manifesto da história da escola 0le- cnan s e os servos.
mã, que é a e rt a de Lu tero de 1 24 : Ora, homen dcs e Lipo devem er educados a im de de crian -
as, como tam bém mulheres des e tipo e educam a im desde
"Aos conselheiros de todas ,u â,lllffeç da nação alemã, para que pequenas. Portant , é ne essário que menin e m ninas sejam bem-
in tituam e mantenha n eJcola cristãs: educados e tn truído desde a infância" .
. . . Caro. , enhores, cada ano gasta- e tanto empiagarda , estra-
das , c11mi nho , dique e tantas ou1ras coi as d s tipo, para dar • Também _aqui o auspíci e o projeto aeuma e ola nova que em
uma cidad paz e conforto ; ma por ue não se in este muit tres anos re~ um p~og~me. educati~o equivalente àqude que nor-
mais ou pelo m nos o mesmo para juveniude pobre a ccs ita- malmrnt~ ~x,gia um~ vida inteira, a e1am-se numa crítica cruel à e •
da, de modo que possam surgir entre eles um u doi homens cola tracüoonal, fabricadora de gente cretina; e a aritude humanística
capazes, que e 1orncm mestres de escola? t~ansparece na e.v?'ação da_ e la. antiga. Ma o acento é c locado e pe-
Hoje nó tem · aqui s jo c::os e os h om ns melh re e mru oalmente na aulidade ai da in trução, destinada a formar hom n
in t ru!do , conhecedores de língua e de canta artes, os quais capazes d g v~r~!r o stad e mulheres capazes de d irigir a casa ,
poderiam trazer-vo canta uriJidade, e quiséssemos d ·tiná-los à ~ d ~e d1~ tseo do trabalho ent re o exos, divi ão que , embora
instru ã da juventude . ão é, talv z, e tden te que hoje um rapaz 0110 revolucmnórrn, pelo men • é realis ta.
pode ser instruído em crê anos, de tal modo que aos uinze ou Através desse pro rama, Lut to dirige-se nã mente a líticos
dezoito ano el saiba mui to mais do qua nb se sabia quando como também aos pais, para que, além de preparar o filhos para 0
exi tiam tanta e o las superiores e tanto onvencos? E assim · · trabalho na empre a familiares , os mandem à escola :
que • aprendia 1é agora na escola uperior · e n s c nven-
tos, a não ser I mar- e un burros, e reta e ca udos? Estuda a- " os pai não podem prív:ir da crianças o dia inteiro, man-
e vin te. quarenta ano r não s aprendia nem o lat im e nem o dem-n (à e ola pelo meno uma pane do dia" (do capftulo :
alemão . . . "Devem mondar-se os filh s escola") .
Mas a pro peridade, a saúde e a mdh r força de uma cidade
consiste em ter muitos cidadão inst ruído , cultos, racionais, ho- E interes ente como ele cenca conciliar o respeito pelo trabalho
ne tos · bcm-c::Jut.aJ os, capaz d acumulnr tesouros e rique- m_anu:il Produtivo com o tradicional prestígio do trahalho in tdectrrnl.
zas, cons rvá-los e usá-los b m . .. E1 o qoe ele diz br o trabalho manual :
E nes te ponto os pr fe re.~ n propõem , para n a vergonha ,
um grande de afio. d qu antigamente cspedalm ate os greg s " Deu chamou homem para trabalhar porque de mesm traba-
e os romanos, sem saber que i to agradava a Deu , in trufam lº lha e se ocupa en:i ofício comuns: Deus é o altaiare que faz para
educavam cus filhos e fil ha com tanto empenho que Lorna- o veado um ves tido que durará mil ano , é o apacei ro que fa z
vam realmente hábeis : tanto que me envergonh de nossos cri · apat que durarão mai que o próprio animal. Deus é o melhor
ozinheiro porque o calor d I fome e todo o calor nccessári l o praeceptor ermamae , que no De corrigendis studiis elabora um
para c zinhar , é um cantineiro 4ue prepara um banquete pora os projeto de instruçã ;
pássaros e gasta para eles coei ano mui co mai do que toda a:.
encradn · <lo Rei da França. O próprio Cri 10 trabalhou de car- "Os e tudos pueris, chamado gr ameme proginnaSJ, i to é r .
pim iro. . . A irgcm aria m1balha a e. . . após ter recebido mática , dialética e re tórica , devem er aprendido a tal pont~ que
o grande anún io, voltou a ord nha r as va a , a arear as panelas lu , domi nando plenamente o folar e o julgar, possa enfrent ar com
a varrer a sa orno qualquer ut.ra m a. Pedr trabaJh u e fundam coto os stud mais devad s . . . gu m-se a matemática,
mo cador c:ra orgulhoso da ua habilidade a poe ia e a oratória, em a qua is ninguém pod considerar
instruído. De po e desta noçõe como um viárico , aproxima- te da
E ei o que Jiz brc o trabalhu inc leccual, de modo pardcular fil sofia (sob cuío nome eu compreendo a ciên ia da nutu re,rn
obre o en ino: critério e exemplo moraü). Mas entre as coisas melhores ~o-
lhe a melh res, aquelas que se referem à ciência da natureza e à
" s trabalbedorcs ·ão inclinad a de ,pr zar os 1rab:1- fo rmação do b n. ço ' tume. . Neste ponto é ne 'S:.íri conh cer
lbad res da menre om s 'Cri âcs municipais u os me rres de ~rego . . . torna- e ab olutamence oeces ária a história: e ta ,
e cola. O soldad >:iba- e das di ficuldad ,, Je ca aJ ar mm a ar- melhor d que Crisip ou Crant r faz entender o que é bel
madu ra , sup reando o cal r, elo, a poeira, a scd~· ~as .eu g · e que ~ torp~; ninguém po e di pe nsá-la n m na vida públicz
ta ia de er um cav leiro apaz d ficar sentad o dia in teiro com nem na v1~a _privada , pon~ue en inament que ela d:í capa i.
o nariz fio ad num Ji r . . . e rever nã empenha omente a t11 m a admm,strar quer a vida públi a quer a vida privada . Ach
mã u pé, deixando livre o re. t do orpo para cantar ou q_ue este mundo nã pode dispensar o sol , que é a sua alma, m n
ri □cflf , mas empenha o h m m inteiro. Quanto ao enslnar. é ame.la é po "Í el , em preíufzos, dispensar a hi t6ria , que é o rela-
um trabalho tão cansativo que ninguém deveri ser obrigado a tório d negócio ci i " .
xercê-lo p r mai de dez ano " .
est n vo e nceúd s da instru ão, especialmen te no valor do
Embora a4ui não se po:, a dizer que a:, divi • oc1a1 estcj m ronhecim nto da hi cória ci il e polf tica, qu Mclanchtoo associa à bata-
upcradas ( Lu tero ne s nüdo, foi bem outra coisa 4ue um revol_:1- lha d~ _humaa! mo pa_r . uma pedagogia ereoa e bumaaa tal ez e teja
cionário), todavia a las es de tinada ' à pr duçã ão ns1derada · na espm to ma1 genu1n d Reform , a ua capacidad de rela i nar
mais como os principais destinatário da atequese cri. tã, ma também escola e cid de, instrução e governo, no sentido de autogo eroo. Tes-
como part icipantes ati os no procc so omum da in Lruçã ; el e põe temunho da força também edu tiva da Reforma no plano político '
o pt blema da relaçã in trução-traba lho. e a ~eces idade d ler as o fa to de que a própria autoridade imperial te e que a umir esta
gradas Escritura e a l.aµacidadc d ada um mtcrpreun palavr~ n v:i e nrcpçãn rle uma est l:i p1íhlica para a í rma ii d s cidadão ou,
divina nelas contid ·stá na base de rn n va exigência da cultura popu- pelo menos, dos governan tes. a Dieta de- Au usca , de 1549, o impera-
lar, é porém dcsenv I imen co das c.apa ida pro<l tiva e a parlici- d r Carlos V d cr tou ;
paçã das massas na vida política que exi m e te pr cesso. Talvez
-ca nova consciência se expresse mais ]aramente m Mclanchc n, no '' As escola ão viveiros nã menc de prelad e de llllnJStrus
seu l n laud m novae scholae, de 1526 ; da Igreja, ma 1am m de magistrados e de quantos com seus
conselhos go ernam a cidade; e e ela ão negl igen iad u se
tud uma idade b m rdenada recisa de c las onde corrompem, ioc itavclmcntc, as Igrejas e os E cado estarão m
as rian a , que são viveir da cidade , sejam in rruídas; engana- perig ; rtanto, é pre iso ter muito zelo em inslilul-las" .
se gravem nce, de fato , quem pen a que sem in tru ão a ad-
quirir- e uma s6lid i r11ul~ e ninguém é uficieotemente idôn Em ra aqui oã apareça !aramente a exigência de uma cultura
para governar a idad sem o conhecimento daquelas letra que uJa r, é, porém, de grand im rtância biM rica a tomada de cons-
contêm o ri tério do g em de todas a cidade ". ciên ia do vai r lai , es tatal da in cruçii , concebida não mais como
aJgo_ reser~ado ao lérigos, mas como Íundamento do próprio E t:ido .
Afl ra aqui uma nova con ién ia do faca d que todo sã 1 E, e prectso acrescent r, do tad modem , embora ainda oascrvc
podem r, usando s próprios termos de Platão, mas para desm nti-lo, o nome d a ro Império R mano: mui tos fermento mod rno se
nãos menc "govemad " , mas rnmbém " go ernan tes". É elancht n, a itam eferi amente no u interior. E s decreto de Cario V antecipa
a 1mc1at1va do soberanos iluminado do Selecentos pars evocar a que, junto à boas semen tes, aão cres am rnmbéro espinho ,
escolas ao Estado . nem ao remédios se mi tur m o veneno . . . inguém . . . pre-
' um imprimir ou manda r imprimir algum Ü ro ou qualquer utr
e cri to, que antes não tenha sid diJigememente examinado . . .
2. A Contra-Reforma e a e cola e a ro ado pel n o vigário ou por um bispo ou por outr que
renha e mpct Ancia obre as5unlo d liv . . . ou por um inqui-
Talvez a melh r medida d 4uanto a iniciariva educadva já e idor d.t maldade h rética . O ra, e alguém pr sumir o t-ont rário,
pa · ara para o paí:st.-s reformad ejam as intervençõe papai , mais além de per r o livros impre o e vê-l queim:ir publicamen-
ou menos contemporâneas da Dieta de Augusta. Isto não significa que t . . . incorre na senLença de excomunhão .. . " (4 de maio de 1515) .
fo lte, na p rr e católica , uma inten e multiforme ati idade educat iva .
Ao contrári . Ma , n eu conjunto, o espírito da Comra-Re orm :uó- Lucer inda não tinha exposto sua~ no enta e cinco t • · s na a•
lica (nome discutível para um fenômeno tão complexo, mas convém tedral de Wiu mlx:rg, mas a ncra-Reforma pra ticam me já começara.
conservá-lo) é caracterizado por uma def a tã intransi ent da prer- Esta di po i ã rá v ad p lo nún i d Adrian VI na dicca de
rogativa da Igreja católica obre 3 educaçã , que acaba envolvendo urembcrg de 152.3. O Coa füo d Trento também se bas rá ne t:
na condenação laat a iniciati as alheias extensão da in stru ão às precedentes : ba ta I mbrar, en tre a ozes que c aram nas salas do
classes populares como tod inovação cultural . Basta lembrar a te i - nclüo, a de Be cateJli, bispo de Ragusa , que , sem meio -t rm s e
tência, c mpr en í eJ dentro da polêmica o re o livre-arbCtrio, contra em com muito .ispero, dissera.
a difu ã d conhecim oto da agradas scrituras en tre as classes
populare . ria profundamente errado ube timar o grande e forço edu- ão há nenbuma nece sidade de livros ; o mund , e:.ix;ciaJmente
ca tivo reallzado nos paJs cacólicos e, em pani1.:ular, µda l~t cja cal& d pois Ja invcn iio do impnmco , 1em livros demais ; é rn lhor
1ica nesse ix;ríod ; é preci · , porém, r nhecer que os caminho do proibir mil li ro em razã , do que ermitir um mereced r de
futuro sã.o bem rufor nte · daqueles t rilhados por ele . puni ão''.
nvém, todavia , recordar que, até separa ão defini ti a entre
atólicos e reformados (qut: lemicamente serão denominados " pro- O oncíüo e ndcnou. com dez " regra " , vári e pécie de livro .
testante " , também em campo ca tóli continuou, embora conte tada , Estabeleceu que fo sem to talrn n te proibid (omnrno prob1bent11r)
s rradiçã humaaJ tica que vi ava unir culru ra clás ica e piedade reli- os livros herético (Lutero, Zwínglio , 1vino, Balthazar H. Pacimon-
giosa. Basta lembrar na Itália cardeal iacom adoleto, com seu tano, cbwen híddus e imilan: ) ; a4ueles que tratam ex-professo de
intercâmbio epi t lar com turm e com seu trotado De liberis recte umos la ·civo · e ob ·ccnos, orno também aqueles que tratam de geo-
in tituendis, de 1533, em qu e repr põe o tema, nitidamente amime• mancia, hídromancia, aer maneia. pir manda , onomanda, quiromancia,
rliPVlll , ,l::i inf~ncill nãn com "idade lúbrica", ma com idade que n man ia, ou qu conc· m ortilégio , venefício , adivinha õe , ma-
"não peca por malícia ", apelando para uma pedagogia "alegre e afe. gias. Conden u, ma com lgumas re ervas, o livros de autores já
1uo a" , de faro, nã faJcarã maravilho os e emplos desa pedag gia condenados ou relativos a ele , cspecialment se se tratava de livro
por parte de ducad re individuais e de orden religio a criada · nt: ·e agrad , listand • -' minu io amenre (D libris prohibitis Regulae X ).
períod . O 111dex l1brorum prohibitorum orlava na raiz qualquer po Jbi-
A orientação educativa da Igreja ca tólica, como re ta ao pro- lidade de e cândalo, impedindo qu alq er pos ibilidad de serem im-
te tami mo, fifi ada ao Con ilio de Trento ( 1545- l564) . pres . Perante e e 7ndex, frei Paolo arpi traça uma história dessa
m sua deliberaç& ·, o con ili insistiu muito sobre os Livros tendência da Igreja para proibir as leituras a partir do ncOio de Car-
obre a escola . a crdadc, há muito tempo antes, n Coocili Latera- ta no an 400, e, a re centando arcasticameme que " não sobrara
nense de 1515 um papa descendeore de uma família famosa pela ua n nhum livro para ler" , comenta :
glória~ cu11ur i e pel inteligente mecenato, Leão X, filho de Louren-
ç o Magnífico , pedira a pro a ão de 1spos1ções ba lanl se era : "Em uma, n o e i.:nconrrou arcano melhor pani ervlr-se da
religião a fim de rornar o homen insensacos".
"Nós, a fim de que aquilo que de m f i achad para a glória de
Deus, progre so da fé e a difusão das bon arte não e overta usnto à escolas, após ter condenado em outros documento as
para fin ' contrário · e não sej prejudicial à salva ão dos fiéis de iniciativa do reformad , o ncílio de Trento pro iden iou a reorga•
Cri to, jul am no dev r cuidar da impr(.-:;são d s li ros para nização d escola , t li a , \!vocando expücitamente as anti as tradi-
çõcs. R rganizou a· ola da igrejas metropolitanas (catedrais) t: " A eloqüência e a ciénci conduzida pelo rel i ioso como
aquela mai pobres , o mos1eiros e convencos, regu lam ntou o ensi no an ilas para a Rochn e II idad d Deu , tornam-se scud (io íg-
da gramática, da agrada E critura · e da teologia, incr duzi o nia de guerra para derrotar os inimigos que pretendem a sal tar
e. tudo da teologia também no giná i ·, ubmetend tudo ao controle a Igreja de D us".
do bi po ( essio V, Decrelum de reformatione).
Além disso, o n ílio instituiu os seminários ( orma erigendi s - P rtanc , autores clássi os, qu eram o pooco alto da cultura
minaria cleril'orum , d tin do a <lu r reli io am nte in truir na · humanística, são e I cad a rví o da r li ião e "casti ado ", ou eja,
di ciplina e ia 11c· s as nova leva d acerdores. A justifica tiva ex- purgati ob omni ob co nital para mo do adole-scentt da e las.
plicitamente afirmada baseia-se no tradicionaJ pessi.mism dagógico , Ei n qnr. e. tahelc em a respeito as Co11stitulio11es Societatis (em, de
segundo o qual 1583 .

"a idade juvenil, se nã for bem ricn tada, é levada a seguir " uaac Jas le tras humana , latinos ou gregos abste-
praz r do mundo" (Decret«m de reformotione - aput XV If.1) . nha-se agu les nos quai haja alguma cai a
onmíria ao bem o rumes nã er que ante. tenham sido
Mas, objetivamente , a ign rância d d ro exigia a ref rma de ua expurgado da mi a ou palavras desonestas' '.
forma ã e a e n tituiçã de um corpo ri orosam nt lec.ionado. Os
j v ns de iam , com de co tum , ter nascido de marrimônio legítim
e já saber ler e e crever. eu program de estudos estava assim .3 . A átira
enunciado:
Com a cxpansã do humanismo, com a .K.eforma que em pa rte
" prendam gramauca, cáku lu cômputo edc iásuco e u Je111 m, as ume e d m crstiza , t' oro a otra-Reforma que não pod r jeitá-lo ,
boa artes: s Escritur , os livro eclesiá rico , as 601 ,u- mas o e purga e ca tiga , a teoria e a prática ducs ri a pr sseguccn
lias dos sant o sa ramemos e a formas d s rit e l,1 ent r conflito e contradições.
cerimônias". A pars destrue,u e a pars con truens , i to ·, a ríti a e a proj ção
mais radi ai da r alidaJc ·ão Ceita pela átira e pela ut pia. Toda crlti•
À parte os semin ·ri para a forma ã do cl ro, o ex m mai ai à real idad educa ionaJ leva m: cssariamcn le à idealização de proje-
bem- uceclido d novas e cola para leigo , re mendad pel ocili to , dos quais é difícil dizer quanco êm de realizáv l quanto puia-
de Tremo , f i o da e· olas d s jesuítas, campeõe ment de f:m t ia lém de Platão encontramo · 1ambém go de ã
da Igreja católica contra o protcstanti m . Vítor e B ncompagno de igna fozeod seus projet mai u menos
A1 m da f rma ão d s própri 4uadro , 1·s d dicaram prin- utópico . J o~ pcríodo:i hisr6ri s d profunda criGe, esGer eleme.ntos
cipalmente à formaçõ da classes diri en1es d, s ciedade . ut6picos tendem a predominar, projecand para um amanhã imaginári
qualquer lução in iável no prt: cote . pr ur or ideal d ses pr jc-
No fim do século (J 5 6-99) apareceu a Ratio 111diorum, que re- tos é a crítica manife tada na forma mais parnd xal e cxa pernde: a
gu lamentou rigorosamente toei o si~tema e lá ti o je uítico: a rga- 'álira desLnHi 11 é, afinal, a premi sa p 11 rojeção a utopia .
nização em elas e , os h tário , o programa n disciplina . ram
Muitas sátiras e comédias d Quinh nto nos apresentam uma
previstos seis anos de studia inferiora , divididos em cinco curso (tr·s
imagem vi a d mestre e do s u bedel à eaça de dis fpuJ e, mais d
de gramáriCll , um humanidade u p ·ia, um de retórica); um
que qualquer tratado pedag 'gico u do qu tod s os livros programa ri-
triênio de st11dit1 superiora de fil sofia (ló i a, fí i , 'ti a) um ano
camente de tioad a informa r br a e cola permitem ela entender
de meta ísica, m temática superior, psicologia e fisiologi . pós uma
a rela ·e entre m tre e discípuJos e a didática real Dirigind -se,
repetitio generalls e um per! o de prótica de ma isc ' rio, passava- e ao
esrndo da ecologia, que durava quarro sn s. mais que qualquer cu rro t x10 literário. a um público de contemp rii-
neos, seus aurore de em apresentar necessariamente estas fi u ra tal
Esta era a forma ã jesuítica . A disciplina exigia uc se obedecrs · com eu. pectad res cos tumavam é-la pelas ruas <: nas e colas de
permde a cadaver; o conteúdo do cnsin h rda<lo d humanismo [oi ·ua cidades; mas de~ a arregam com toda ua ir nia . D ume.nto
cuidadosamente modificado, para ser utilizado a servi o do obietivo desse tipo, aparentemente ecundári , na realidade - mai iv
religioso. Pos evin , na Cultura d gl, mg g11i de 159 , as im e creve : e nvincente na d · ri ã das situa ões r ais e seria incere sante for-
necer t I munhos mais ampl do qu e ·te que aqui apresentaremo
O Elogio dd Loucura de Erasmo (como im ) já era uma átira ; é de miser1a de violên ia pedagógica: "a magistral minha vara"
encontram árira na c médias de Ariosro ou de Aretino, de Bibbiena 1'a magistral minha tog m io ra ada" são eus inconfund[vei
ou de Dolce, nos texto da lit r cura pedantesca e macarrônica, emblema .
quais, misrurando lacim italiano (ou m Jhor, seu dialetos), retra-
tavam, numa f rm a exasperada, a linguagem real das escolas e da am E e de Fidemio pa aos cômico seu contemporâneo ,
voz ao enfado generalizado por todo o ensino tradicional . ncomraremo Pedro Arerin , que nos mo era pedante que mra em
cena recitand , com muito err s, o início do Doctri11ale de Giovanni
Eis como C.amillo orffa, um senhor vi •mino da metade do de VilJadei (que já conhecem ) :
Quinhentos, no papel d um pedante mestre-de-es ola da boca de uro
" Fidentio Glottocry io Ludima istro" , r trnca o i:i mesmo e ?t ~uo e:;co " (Pedanlt!, so;:mho, vem c111tta11do )
la, ou , como ele me: m diz, " meu amplo j , liter ri " , fr qücmado Scriber clericuJis paro docrrin I novellis
por "cem crianças de índole xuberante' '. Trota-se d· um momento d
ve indi ciplina e colar:
Recti -a -e -a -a tibi dar de linacio prima"* (ato 111, cena X ).

" isto o erudito Me tn: Blásio e segue o encontro e o diálo o com o pajem Giannicc , com ária.
LOJice e:, enfim, com pancada :
chega f game e onta que o dj fpul s
encheram de tumulto o ginásio;
''(Pedante) - erum e t (Le garanto) que te dou e ta.
'Lutam juntos as lasses e manípulo ,
(Pdjem) - om socos, ah !
ele diz, tanto que é difícil p rccb<'r
se inimigo ou c ndiscípulo . (Pedante - ão po o ntrolar minha humana c lera: toma
Eu queria em ord m tudo tazer : [ também e ce .
(Pajem) - Ao corp de ri . . . !" (ibidem
crever a epístola e depoi ler ,
ma qua e queriam me cru ificar;
Vendo, porém, <jue nã conseguia controlá-lo , esta escola, onde ba cava errar uma Liue,11/a de um rcificio o
vim chamar-vos, mas cenh minha dúvida ·: larim para ser pancado (parece ainda ouvir Plauto: "si' 11110111 pecca-
a custo vós con eguirei corri i-1 ' " . visses syllabam . . . " ), as criança se r belavarn , como nos fala , em latim
macarrônico, aquele estranho frade que foi Te6fiJo Folengo: seu Mer-
E, no üm, como sempre, a di.ciplin a é impo·ta atravé d chicote : lin Cocai, em que ele retrata a i mesmo, , sabe u ar _indi tintamente
o textos escalá ticos anti o , medievais ou humanísticos - a Gramma-
"Dá-me logo esse chicote, cm-vergonha tica de Donato, o Doctrinale de ilia ei, os Paolo Veneti , o Perotti
:i' r:i me mo verás o que importo - para a ar ai ichas ou para ne1e1.1are c11lamen (lim~ar o cu) .
não obedecer à orden do leu m tn:: Batd,u, seu poema cavaleiresco em latim macarrônico, enc n-
dele sofrerás o justo impéri " . tramo pelo menos rrês paideíds, três carreiras educativa , lembrand
aquelas do Face/us : primeira é a do prota onista Baldus, filho de
chicote é indusi e ev ado m liri mo pelo ludima i ·tr um cavaleiro e da fi.lha do rei da Fr nça , ma na cid e criad entre
os vilões de Cipada, nos campos mantuanos ; a segunda é a do padre
' Oh! quão doce, querida , preci a e alegre grosseiro, Jacopinus; a terceira é a do próprio Folcn o, n papel de
tornava-se a { , ruJa a ad e Deus Merlin Cocai, poeta ma arr nico , imitad r e rival de Virgílio .
quando a inúmera rurb barulh nt Com bom cavaleiro-camponês, Baldu peosava em brigar com
co rumava irritar a tua iracúndia : o colega , ma a mãe Ih procurava papel e tabuinha para ir à e cola
Por ti meu di cfpul apreodiam aprender o bê-á-bá:
os temas, sem errar aem uma letrúocula;
aliás, por ti pulsados, emitiam "Ma Baldovina Ih comprara o papel
vozes a uda quérula e a ta uinha de letras para apr ndcr 'a, b' " .

O quadro apre ntado pelos versos de Fidencio, um poeta que


* Di pon me II rever pan1 ch!riJi o dou1rioaJ/ em novos versos ; ~ -a -a
um s ·culo mais ta.rde ainda fi urava entre os prcdil tos dos tudante , ted;{ a primeira declinação. (N. do T.)
e a im prossegue com ·e engr çado versos . f uma página di na da
Ele, porém , vai à e cola apenas qu ndo tem otade . Ape ar di .
, ~~ apena~ tres ano aprende a I r Virgílio e o · poema cavaleire co , Grammatiké Jragoedra de ália , de 2 miJ ano ant s.
as umca · coisa gue lhe in ter a am, desprezando "as mil ninharia A lerccira educaçã u paideia é aquela, au tobiográfica, do próprio
dos pedantes ": autor do Bal us, disfarçad em erlin ocai. É Apolo que conce.c:le a
Cipada ler um rival para ofu · ar, através da poesia macarr • nica , a fama
" Ma l go que e rueçou a cheirar os livros de Odand , da vizinha Pietole, pátria de Virgílio ; e um " pt1tmellus clara de stirpe
não quis mai ' aber de normas Folenghi", chamado Merlino por ter sid milagre ameace criad por
nem de cspécieb, núm ros, ca ~ e fi ura ·, uma mélroa, q ue por cont a da cidade, é mandado a e rudar justamente
nem de dec rar ersos do Doclrinale : cm Bolonha, na escola de Pietro Pomponazzi (que Folengo chama de
nada de hinc, illinc, hoc illoc e outra P renu ). ma nã em n era levar a ério o estud :
mil ninha.ri b dos pcdao~es .
ex do manuai de Donati e Perott seguida é levado a um homem dou to e pedante
art ucho para acender a lenha e as ar alsicba". o a tinho erlin , e, peri to em ver o e prosa ,
foi com muit colegas esrudar em B I aha
Além cU ·o, Baldus , fiel a uma conhecida tradição, reage às hiba- e es utar de • Peretto' as tolices filo ofais;
tada e quebra a cabeça do me ·tr : mas começou o rc elas a to rcer o naáz e
com escrito de Pedro o espanhol assou sua sal icha.
" Terr vel , nunca provou o que fosse uma chicotad - Preferiu , portan to, se dedicar às macarrônicas artes ,
quebrava o li ro , a me a e a abeças d peda~ces " . nas quais desde pe ueno por Cocaio preceptor
foi trein do e a quai · c re ·u:u 1. mo pocla .
Esta, de Ba ld~s, é ~ tradição heróica c-..ivalciresca: além d Hé.r- Então , enquanto P mponazzo Pereno lê, vira
u10es,1 que mara Lino, vimo B iardo fa lar de Agricane que confe sa e revira todos a ueles Üv raço de Ari tótele ,
a r ando de prezar as letra e " ter a honra" d haver quebrado a Merliao pensa consigo o poema· ma arrônicos
cabeça do seu m tre. e arante não haver arte mai go tosa do que esta" .
. A segunda educa ão é a de um d 'rigo, "Prae Iacopinu ". Ao con-
trá rt de Baldu , que depois de três an já lia Virgílio, Um outro te e munho sobre a i rrever ~ncia d s di cípul para
com os us me tre é dada pelo Emblcmata de Akia to, sob o títul
"Este passara muil s ano andando à e ·cola Doctorum 11omina (Apelido d s m ·scrc ):
porque nunca □seguira aprender uma letriclia
e per isso foi prt>r-i com estratégias instruí lo , ' " uscumc:: 1111tiMu é II t d os profe3 or<:3
para que pudess freq"entar os estudos de Bolonha". assentar apclid s . ..
quan tos defeito há entre os homens
E foi preciso recorrer a esrranh artifíci para lhe en inar as tan tos apelid e criam" (p. 104-105 .
letra do alfabe to: "a" imitando o ver do jumento,

"de I aco, o Jumento


· q , ndo anta repe r 'a, a' " ; E há apelido para to<lo : Cú r io, para quem é muito inteu o;
e-.i.odro para quem é enrolado prolixo ; Labirinto para quem é obs-
o '16".1m1tan
. do a voz das o elhas e dos carndros: curo e confo o ; Faca ou Punhal (Mu ro) para quem corta e não quer
conversa ; e ou lras atribui õe nem empre perspícua . Esce hábito dos
"como a voz dos cameir s que re oa nLre a ovelha 'bé, bé' " ; apelidos é inveterado e per i tente : Folengo chamava o grande Pom-
puuazú <lc Pc1cno.
o "e" imirand o m o co m em e·1pad a eh amam os porco : Com a m ma ironia, na ·rança encontramo o grande raa ois
Rabclai (14 4- 1553 ), que lança sua polêmi a e ntra a velha e cola ,
' 'de acordo com as genti palavra que e en ·inam em ip da, associando átira e utopia . Ele imagina que seu gigan te Gargantua
o homem, q ado quer dar de comer aos porquinhos , os chama tiv sse id bri ado pelo mestre Thubal Oloferne a estudar por inco
ao e três mese o alfabeto "tão bem qu o menin abia ~peri-lo
[ ce ce ' ",
~e r também d trás pra reme" e por dezoito anos e onze mes um
livro, que decorou de modo a abê-lo até de trás para frente . rjeto , aprendiam e examinavam a indústria e as invençõe dos
À escola do m tre Tbubal OJoferne acrescenta em ·eguida a vfoo ofi ia " (/, XXIV) .
obra do Sor nagros, is10 é, dos profe sores burros tla Sorbonne. '
quando o . 6?m mestre Ponocrate n.-começou a educação de Gargântua, A este ofíci e acr mam de drogui ta , herboristas, boti-
reve de mm1scrar-1be um grande purganie, para Jiber '-lo d enculho das ário e outros. T::ilvez e til sejn a pane mais inovad ra da utopia de
velha n ~cs._Gargântua re eberá depoi uma ã educaçã human{stica, Rabclai , que será lemb da r mpanella , cke e Rousseau , mas,
v~ltada a ~•~ad da meme · do corpo, rica de conhecimentos teó- bretud , será utilizada por Dider t na elaboração do verbete da
nco e de praucas sobr os ofícios , a. indústrias, a ciências " reai ", grande Enciclopédia A relação inscrução-trabalho assum a ui, pela pri-
t1 línguas clásslcas, o direito e a moral, sem e cluir trabalho manual. mc::.ira vez, u carátcr não de moralidade nem de e nobisrno ante lim:-
tam), mas de verdadeira p · ·quisa na aqu isição de uma ha ilidade pera-
"~epois ?e tudo isso, colocou uma tal di iplina de e t dos que tiva concr ta , embora os protagonistas sejam senhores que não exerce-
nao perdrn nem um. hora r dia, empregando todo seu tempo rã o fíci como fíci . articular as orjetas lembra que as arte
na letra~ e em outra · disciplinas bom: ta . .. " 1, XXIII ). tumavam pr teger rigoro amente o ·eu "·egr d " , que aqui aparece
vulnerável. s sécul steriores se encarregarão de seguir este cami-
De manhã, enquanto Jh aziam a to,1lete, nh a grandes passos. Vejamos o programa p itivo de estudo propo .
10 por Rabelai :
·•Jhe recorda ª'? a lições do dia amc::rior. Ele mesmo a repetia
de r e as aplicava a algum c.1so prático relacionado om a natu- ·•. . . Proponho e quero que aprenda m perfeição as línguas:
reza humana . . . Em seguido, duronte três boa hor.i c::rnru-llic: prirn _iro a gre ~. como esl:1belece Quintiliano; em seguida, a lat i-
mini tradas as lições . Depoi di · o, afam, sempre <li cor cndo na; e d pois a hebraica, para as a radas scrituras, as im mo
sobre os assunto das Üçõe~ dadas, e iam pa eand até o pala- caldéia e a árabe; uc f rmes teu estilo, quanto à grega, obre
malhar ou pelo pr:ido , br.mcand de bola ou exercitando alegre- Platã , quanto à latina, obr fcer . Que não haja história que,
?'1 ntt o corpo as ·1m como tmham ames exercitado o e pírito. Cada com auxili da cosmografia, tu nã con ·iga ler empre em
Jogo era fci t com toda lilxrdade . .. mcnt . Das rte liberais, geometria, aritmética e música , já te fiz
Depois , também jo avam cartas , nã por jogar, ma para aprender aborear os princípios quando ainda eras pequeno, na idade de
uma centena de divertidas brincadeira e nova descobertas tra- inca a eis anos ; pr egue agora nas demais artes : que aibas da
vés de apli a _ão ~e regra . ariunétka . a forma ~ que co:neçou astronomia toda as lei , ma ' deixa a astro] gia adivinhatória e a
a go ·tar da c1ên 1a do numero . . . E nã somente da ciência do arte de Lullu , qu ão men tira e aidade. D direito civil , quero
números, orno cambém da outras ciências matemáticas . como a que tu ·aibas de e r o texcos melhores e os confira com a filo-
Geometria, a A tron mia e úsica . . . Também se di er6am a fia . ()uanto ao latas oaturai , dedica-te com toda diligência ao
cantar mú ica [ ou aprendiam a tocar v~rio instrumento ] '' seu conhecimento: não exista mar, rio ou fonte do quai tu nã
(1 , XXI/l) . conheça o peixe ; e nada escape ao teu conhecimento: todos os
pássaros do ar, toda a árvores da fl restas om us arbusto
u1_ras veze aíam d ca a e m um jovem nhor de Turcna cha- e frut , roda as erva · da L rra , todo metai s pultado n
mado Ul~ ta, o e cudeiro , que o instruía na arte de cavalgar, na caça fundo d abi mos, e as pedra de todo o rieote e d
e na nataça . E , quando chovia , ficavam em casa exercitando-se na art países do Sul. . . " (ll, VTII) .
da_ pintura e da escultura e - o qu merece r ·lev - vi irando as
fianas dos artesã : Outra páginas urios:1s de minuci sa informa iio sobre os a pec-
tos sérios ou cômico da vida e colar, da rdaçõc educa tiva , d conteú-
' 'E inm também ver como :.e Lcrnperam u · metal , como e fundem do da in truçiio, vam encontrá-la , o fim do 5&-ulo, naque le 5ingular
a ~ s de artilharia; ou iam visitar os lapidário , ourives e inciso• poUgraio que foi Tomma al7. ni. As m i de quatrocentas páginas
res de pedras preciosas, o alq uimistas e os cuohadore d moeda duplas, densíssimas da sua Piav.a umversale di tutte le professioni dcl
os tecelões d tapetes, de pan ou veludo o reloiºoeiros os vi~ mondo ( 1595) , contêm, ea tr tantos capítulos dedicados a centena d
.
drace,ro , '
, ?s e tampad re ·, os fabric ntc de órgãos, os tioturciros ofícios imelecruai e manuai , algun obre me tres do ába , ~
e outros ripo de art ãos . De a forma, dando sempre uma boa acadêmi o , s proftssores de antiguidades ou antiquários, os aritmé-
ticos, os matemático , o doutore em lei , o livrcir , o me tre d
ciência e cos1umes, os religi o , o 1eólog , o gram:iticos e pedan- de chumbo na sacola par brincar, ficar pimando flores, fazeml
1e , o fil 'sofo , sc::rivã , os e tore , os professore de língua , pálios para orrer, rabi cando o Donato , pintando c beça no
tutores, os prole~ rts dt mem ' ria etc., obre o quai d oletou in- Guarino ra gando o Cato para não estudá-lo, mordend aquele
formações em mais de 1.2 auiores anrigos modernos além d sua que o L va a cavalo, pedir toda hora para ir ad locum ou ad mictum
v~ ta experiência pe oaJ . .!! uma extravagante mina d n rícias que seria (banheiro) , cola r uma folha de figo na cadeira do m tr , e conder-
digna de ser lembrada entre as mais importantes . ummae, e não fo e lbe a vara magi trai , recirar r dos os imitad re de Ariosto n
perturbada , além de por uma absurd mania d mpl 1ud , também lugar das epí rola de ídio , sair da escola como capetinhas sol-
la <;>bjetiva in erceza ou rnbigüidade de sua atitude, que ra leva rud tos, empurrar- e um o utro como moleques ; correr pelo muro
a séno e ora brin a om erudita ncinsicforlf" :i rt>speitn rJ,.. ti,rln f" rl P fazendo mil loucuras , dar comida ao ·apos em vez de estudar ,
tod s. atormentar a c ra ao lugar de: kr, arrancar as trutas e a · ti res
Ei , por exemplo, e m , na · comédia quinhenri cas ele no~ mostra d utr quando e vai à indulgências, quebrar a cabeça uns do
ou tro por mil coisas à toa, perd r tempo brin ando de pinhão.
"os peda o os ... levar onsigo tHradas, ca• de cabra-cega, de ' pand lo ' ou de 'barónzola ', de 'età dritta ',
·inand0-lh s os temas e as on de ' pia trelle' e de outra emeJhante boba ens . Ora , são esta
coi ·a qu fazem de · ·perar o pai , grit.a r as mães, enervar os
e comenta qu i t remonta , talvez, a antigos romanos qu me Lre ; é por isso que: recebem chicotadas com o chicote curtido
n vinagre, var das com a vara de espinho braac , cascudo na
'e tabelcc ram públicos h norário para gramáLi o , rdena nd . cabeça , bofetões na cara, pontapés no traseir , oco na dianteira
lhes por edito que nsinassem até nas encruzilhadas da estrada ... " e uma ' bu na mano' no dia de ão ilvestre" (Ibidem, Jl5).
(De gramm tici I pedanti. Discur o N, p. }!') .
A este elenco paradoxal, que no lembra um pouc Rabclai (o
E adverte dcnco do jogos de argânrua) u Onomastikorr de Pólux, podería-
mos acre centar um utro elenco , o das malandragen dos golfard s,
·g~e nã e i te coisa rnai!. prejudicial ao bem do joven do que tema sempre vi o desde os tempo egípcios; mas deixamo a iniciativa
odiar os me crcs , fugindo da escola, e pe iaLnente pelo fato de ao leitor curioso.
encontrá-lo terríveis s veros. D ixam , portanto, os pais, escon- Também o grande hakespcare , m eu drama , freqüentemente
dem-se na casa de parenc s, ficam brin ando ateá do muro , ron- s refere à escola , a me tres aos e colare , perpétuo símbolo de
dando pela praças, escutand os altimbanc s; entram no con- situações e de fi uras ridícula . m doi dramas, o Henrique V e A.r
ventos dos Religiosos para fazer mil matérias e, como vagabundos, alegres comadres de \'(lindror , ele renova a antiga paródia da aula . Eis
niio par:im nã têm sede permanente em nenhum lugor, fugjndo o diál go enlrc:= a mãe, pároco-mestre e o aJuoo, presenciado por uma
da e cola mai do que o demôn io da ruz, e da pre cn a d m strc velha rufiona, na comédia A.r alegres comadres de Wind or:
como da cara de uma serpente (De' maeslri de/le sctenze el co tu•
mi, e de ' Putti, che vanno a sci,ola, e de' Dollori di ~tudio, di "Senhorg Page Preciso levar meu filh para a esco-
colari di tudio. Discurso 11, p. Jl J) . la . . . Olha, está chegando justamente o professor dele. Parece
ser o seu dia de fo lga.
E poderíamo continuar. Mas é preferível I mbrar esta paradoxal Entra sir Hug Evans .)
li ta d jogo p11 ibidos que a cria nça fazem na escola : Senhora Page - Bom-dia, rir Hu o. ão tem auJa boje?
Evans - ão ; o senhor Slender coa Auiu rmis ão para
"E saibam a criança que e 1es ão seus vícios e defeitos : vozeirar que s criança pudessem brincar.
nas escolas. quebrar o ilêncio na ausência do mestre, dar soe s Senhora Quickly - Que Deus o abençoe !
a quem ob erva o regulamento , fazer caretas durante o oro, espiar Senhora Page - ir Hu o, meu marido diz que m u filho
na sala e rud , com r ca canha à e condida , brincar de ique- não aprende nada daquilo que lê no livr . P r fav r, fa a-lhe algu ·
e conde ou de primeiro e egundo com Virgílio Cíc ro; brincar ma perguntinha de gramática .
de trinta-e-um, fazer barquinh d papel, c çar mosca e pren- Evanr - William , apro ima-te . Levanta a cabeça. Muito bem!
d •-las em cartuchos de papeJ, caçar grilos para fazê-los cantar du- Senhora Page - Vamos , meu filho. Levanta a cabeça e res-
rant a aula, trazer pet cas para fa zê-las voar, guardar chapinha ponde a m 1r , m medo .
Evanr - William, quanc s núm ro rem nome? (1668), uma espé ic de pi aro da uerra dos Trinta Anos, ond~ sc oo-
W iUiam - Doí . ta a história da sua primeira instrução, custeada por um eremna, com
Senhora Quickly - Ma olha! , pensava que fossem três. Nã um alfabeto e crilo em Cll ca de bétula em caractere de imprensa ; ma
s cliz ' trinus est perfectus ? ai narra brctudo a p ideia d eu lega de aventura , livier,
Evans - Cale- e! ão foi interrogada. orno se diz ' belo' orga nizador das mais malcriadas brincadeiras e colarc:s :
William - ' Pulcher'.
enhora Quickly - Pulg ? Que h rr r! Deus me Hvr ! "Duran te o verão, apanhava rilos nos campos e o leva a, à
E ans - É muít ' imp16ria, minb senhora . Cal . ·e! William, escondidas, para a es ola, onde antavam para n6s uma linda scre•
o que é 'lapis' nata; durante inverno , roubava poeira de helé r e a e polhava
W iiliam - Uma n lugar ade o 1umavam ca cigar o menino , dC! modo que , ·e
Evans - dra? algum bstinado e rebelassc, com acon tecia freq_üeatememe, a
William - minha poeira se le antava para o ar e me propor 10nava um be-
Evan 'lapi '! ã esqueças, não! Gra e na lí imo pa atempo, fazendo todo mund espirrar" (IV , XV lI l) .
memória.
William - ' Lapis' . Mas isso é nada, porque ele costumava rnmbém esconder ca_galhõe_s
Evans - uito bem . Ten · memória de f rro. E os ar tigo , frio na almofada do mestre , aguardando que se aquece ·em ; br10cade1-
de onde têm origem? ra semelhante fazia parte dos costumes de Panurge. que , egundo Rabe-
William - Os ani os são tirados do pr nomes e são decli- Jais colocava-o porém, nos barrete d reitores da universidade e dos
náveis : 'Singulari ter nominativo : hic, hacc, hoc'. te6Íogos. Is o n~s leva a pensar numa ou tra alegre constante da história
Evans - '[ ominaúvo hig, h~g, hog ' Presta ateo ãol Geni- da educação.
tivo: 'huiu ' . Acu ativo , ..
Ma paulo maiora canamus (m , fa lem d coisas ma1 tmpor-
William - Acusativo, 'hinc' . . . tante ). Pros guindo no século de Garzoni e de Grimmelsbausen , po-
Evans - William , procura lembrar; acu ativ ' bung, hang, demos concluir e ta re enha de irreverentes átir:i com duas deliciosas
h g'.
patódias d ensino elemen lar e dos diploma universitários : a primeira
William - '!-Iunc, hanc, hoc' ... se encontra no Burguês ge 1/tl-homem (1670) e a egunda no Doente
Evans - Agora um exemplo das d clinaçõe do pronome . imagi11ário (1672), de Moli re .
William - E ses, sim , que esqueci . o primeiro texto assistimos inicialmenlc a uma verdadeira briga
Evans - Bem sã 'qui, que, quod'. Ora, e esquece ntrc os mestre de d a e músi a , de arma e dt: filosofia, todos ue·
quis, os que e os quods, mereces um castigo. Ma , vai, vai brin- rendo estab lecer a supremaci. das respectivas especializações: é uma
car um pouco.
e~pN"Ít" rlt> " h::11:1lh:1 11:1 f11r11l1i rlt>. " A n-na m,ce "'' ~ rnm n mt". trt> dt>
e11hor11 Page - Parece-me mais preparado do que pen ava . filosofia (isto é, das rte libernis , omeçando pe] ramática, das quais
Evtr11s - Tem boa m rnória , rem m mória de f rro. Até logo , a filosofia é o cume), em forma de paródia, nos leva a conhecer qual
enhora Page.
eria o seu en ino . Verificado que M . Jourdain já s be ler e e crever,
Senhora Page - Até lo o, bom rir Hug ! "
o filó of Ih propõe pro guir m e tud u da lógica, mo tran-
do-lbe as fórmulas em u o para fazer dcdu ões correta : "Barbara,
Em Romeu e Julit:ta a escola é o opo. ro do amor. Vejam estes d is Celarent, Darii, Ferio, Baralipton etc." , ou com a moral ou_ a _física ;
ver os, de grande força evocativa ;
mas no final volta à ortografia que na verdade é uma rtocpta , Já que
se reduz ao en ino da pronúncia das vogais :
" mor c rre para amor c mo as crian a f gem da e cola·
mas amor e afasta do amor com olho tri tes, como criança "Mestre de filosofia - . .. Há in o vogais u vozes : A, E,
quando vai :i ~ola " (Ato II , c~na 2) I , O, U.
M. Jourdain - En tendi .
atur Jmente , folheando a literatura do vários países, podería, M. - A voz A se forma abrindo bem a a : A.
mos enc nttar muitas outras páginas de sátira obre a e cola e eu J - A, A. A im .
mestres e muito te tcmunho obre as malandra ens dos alunos. Lem- M. - A voz E e forma aproximando a maxila inferior à
bre-se, entre outros, o Simplicius Simplicinimus d Grimmelshauscn superior: A,
). - A, E; A, E. Puxa , que b nito ! Para ser in terrogado
M. - E a voz l aproximando- e ainda mais a maxi las uma pr fundamen te cxaminad "
à utrn, e o d is ângu los da boca par as orelhas: A, E, I .
) . - A, E , I , I I. I. Muito bem, Viva a ciência! " (Ato TI, egue- e o ex me propriamente di to : altemadamcnie, um dou tor
cena V/}. apó · outro faz a bacharel um uesito médico brc como cu rar esta
u aquela doença , :i r posta é cmpre a mesma (após ter afirmado que
a cena pro segue com as dcmai vogai~, a coo oonte e as 0 ópio faz dormir porque po ui a virtus dormitiua); a última pergunta
síl bas. d irigida a bacharel é a mais insidio a de toda :
Es:,;c:: l ij.JO de paródia ue o linha de uma tradição 'l"', , como
''Q,,;n,o ,lnuior: Bacharel:
vimos, começou com a Grammatiké trago dia de Cália . e burguês
Mas, e a doença 'opinia tria' Dar-Ih -ei um clister,
que se entusiasma pela d · oberta da ogais, e fica todo felii de poder
não quiser sarar, Depoi , angrá-lo-ei,
folar em pro a, é uma paródia não somente do bur uê parv nu, mas
o que farás com el ? Em eguida, purgá-lo-ei.
espe ialmente dos método tradici oai elo en íno dementar ,
E depois ressangrá-lo, repurgá-
A outra paródia diz respeito à univer idade e eu diploma . In- lo e r dis terá-lo" .
centivado pelo Arrêt burlesque d eu amig Boil au contra a facu ldade
de te logia , M Lere . gu -lhe o ex mplo, parodiand , rém, a medi- cor dos d utores repete a imutá el aprova ão :
cina , menos perig a de ser abordada ; e ua com dia 'e c nclui com a
burlesca cerim'nia da formatura m latim macarrônic (é laro mistu• " uito bem, muico m, muito bem .
rodo com o fr:mcês niin mm n ítalo-lombard de Folen~ ): Ê digno, é digno de entrar
o nosso corpo de doutore " .
"Presidente
apientfs imos doutore ,
novo doutor é convidad a jurar fidelidade a cs
Da edkina profe sore , tatu to, p rcscre ndo sempre o remédi tradi ionais, maiadu.s dtíl il
Em assembléia aqui reunido ; doente morra), e o pre idente o consagra:
E v6 , utros enh res
Fiéis execu tores "Eu , com este barrete De angrar,
Das senten as da faculdade, Ven rávd e doutO, De furar ,
Cirurgiões e boti ári , Te d u e cone d De cortar,
E toda a comitiva, A virtude e o poder De castrar
úde, honra e prata De medi ar, De matar
E mufro bom apetite . . . De purgar, Impunememt: pu1 toda a terra " .
~ nosso princípio ábio,
Bom en o e prudência, Em eguida, o neodoutor pronuncia seu discurso de gradeci-
Trabalhar com afinco, mento, com erro ramaticais ainda mai colos ·ais, afirmando que eu
Para bem coo ervar m strc lhe der:im mai do qu lhe deram a natureza e o pai.
osso crédito, fama e honra ;
E cuidar de receber "A vós, a vá eu sou devedor,
m nos!>O douto corpo ais do que à natureza a meu pai.
mente pes oas e pazes , A natur za e meu pai
E di nas nc-11par e fizeram h ruem ;
te honro o lugare·. Mas vú u1c fi7.c te~,
É por isso que e tai aqui reunidos ; o que é bem mais ,
E creio que enconlrarei Me fize te. médico :
Di na mat ria para médico Honra, íav r e agradecimento
Neste homem , sábio em tudo , e imprimam oe t coração
ue entrego • o as capacidades E durem pelos sé ulo . '
215
A cena se con !ui com o balé final do médico e farmacêutico , ra . . . a 1m e utilizar tc:mpo que sobra do trabalho matcrittl
que auspiciam ao n odoutor sucesso infinito : cm alguma upa ã preferida conforme os próprios gostos , unos
dedicam estas boras ao e tudo da letras'' (Cap. IV, Artes e ofícios).
"Que todos os seus an s oro :
Lhe ·ejam bons Viva, viva, viva, viva em istem, porém, "cidadã s aos 4uais é dada pelo povo pcrrnis ão
E favoráv ei , vezes viva , de se dedicarem ao · esrud em temp integral" , e aquel que têm
E nunca tenha O n vo doutor que fala tão melhor aproveitamento são selecionad s, "liberad s d ffcio e admiti-
Peste e sífilis, bem! do na rdem do li tera tos " (ibi em) . T n1t -se, como s vê de pr po ·
Febres e pleuri ias, Mil e mil ano coma e beba . tas iluminadas, visando a saciar prudentement e tudo e trabalho numa
Flux de sirnMuc: e: Jiscmeria ! E :;an re e mace ", iedade agrícola , em que as letra - elemento de lazer intele mal
e de fo rt una social .
Depois dos exames de Dan te no paraíso, estes de M liere deslo- Depois de Morus, a utopia ti veram um rande desenvolvimento
c~ um pouco o ai o. Aqui, à pane o folgu edo , no defrontamo com e acentuaram o u car áter d '' ut pi o" (Ra e ais, uns vinte anos de-
dois aspectos carac teri tico · da crise cultural do fim d eiscento : de pai , imaginaria Gargânrua escrevendo a Pantagruel sobre a copia) .
um 1 d , a de adência univer almente constatada da universidade como iníci o ei enlo~ en en tramos out ros cxcmpl s insigne dessas
centro d cultura, e de oucro, a iminente explosão da quérelle de an- novas utopias , n a edu çã ocupa rande e paço, specialmente a
ien et des modemes. Moüere , ao culto servil de Ari tótcles, Hipó- Cidaae Jo Sol, de Tomá Campandh1, a Nova Atlântida, de Francis
crates e GaJen , que permanece imutável na uojversidades, contrapõe Bacon .
os progressos ci ntífíco e práticos das gens de maÍfltenant . cidadão da Cidade do I de · mpanel la, criticam fortemen-
Mas utr s proporã anhos o amanhã. te o ensino " ·erv il" da !'\ram ºtica e da lógi a aristo télica ; no lugar de ·
a coisas m rt a~, co ·i n.1m as iên ia , a ~e grafia . os costume e as
hist6rias pintadas nas paredes da cidade, de modo que a crianças
prendam-m1s "sem cníad , ri ncando'' . A ua educação é, diríamos
4. A utopia hoje, universal e plu id i ciplinar , para que nessa b-asc cada um possa
e: olher a sua atividade de: a ord,, c m sua~ própria~ aptidões ;
A sáúru, com dis emos, é o pressupo to ideal embora nem em-
pre cronoló ico daq~ela~ projeções que , pelo drul~ da obra do ioglê · 'E tod ã cducad · cm tod I as arte . Após os tr~ anos, a
Thomas !vf"ru~, o pri meiro autor do ênero, chamou-se "u topia", i to crianças aprendem a lín!!u , ,. ,, .11fabe1 na parede , aminhando
é, que ºªº. ex1 te em nenhum lugar. Na realidade, a utopia escolástica em uatro rumos; qua tro an 1âl as guiam e as ensinam, depoi
d Morus e um tan to prudente: niin :io muitos aqueles que se destinnm fazem-na,. brinoar e correr, F' r que se tornem forres . . . até os
ao estudo, embora todas as rianças jam insrruídas nas let ra e aos etc ano ; e levam-na a \·isicar as oficinas da arte , cos turcirn ,
adul_tos _sobre tempo para rudar; além dis o, os utopistas aprendem pintores, ou rives etc., obser\'ando suas in Jinações. Aos te anos
as ctênc1as na sua pr pria língua (uma polêmica contro latim); quan- come am a Crc:qüentar a aula J ciência naturai , todos ; de fato
to a restante ''no campo da música, da dialética , na cP cias ma te• ã quatr leitore para cada lt ,i em quatro h ras as quatro
m tice e na ge metria eles fizeram as mesmas de oberta d nos os turmas sã atendidas ; enquanto alguns ex rcitam seu corpo ou
antigos" (132-133) . Imere sante a propo ta de uma certa instrução atend m ao rvi o públko. , ou 1 ~ t ã a si rindo às aulas.
quanto ao trabalh a rícola e artesanal : m eguida , t pa m para as matemática , mc:dicinas e outras
ciência , verificando-se muita disputa e n orréncia entre ele .
"Ocupação comum a tod é a agricultura ... todo aprendem du- cada um torna• oficial (pr fissional ) daquela ciência ou da-
rante a meninice, parte na e c la, onde se ensinam seus preceitos . quela arre mecânica . nd cem matar proveito ou que lc es-
parte nos campo próxim s às cidades , aonde as crianças sã leva- pontaneamente esc lhe . . . E vã também os am para apren-
as para se divertirem ... Além da agricultura .. . , cada um apren- der trabalhos da terra e o pa I rei d animai ; e quanto
de um ofício, uma arte, de acordo com a ua inclinação . , . ; e não mai rte cada um aprend , rant melhor para ele: i t e n i-
somente o _h mcn , ma ram~m as mulhere . A maioria aprende dcrad algo altam nte n bre . Lá eles z mbam de nós, que cbama-
a arte do pai , para a qual por na tu re:i:a se e sturna ter pro pen ão .. mo o artesão de ign ' beis e de n bre àquele qu nã aprendem
Os utopi tas . . . de rinam ao trabalho não mai do que eis bo- nenhuma rre, ficando empre i ·
uma página enial: uma da mai profundas t: ino adoras até d um coo ito produtivo da iéocia, que depois será amplamente de-
a ora lidas , e ta] que lembra Rab lai . A uoiv r ·alidade do conteúdo da envolvido. Ao contrário de Morus em Bacon ão os habitantes da
instruçã , o eu caráter moderno e ciemmco, a didáúca revoJu 'onária, ova Atlântida que instruem o viajante europeu:
a ar1 iculaçã da instru ã om o trabalho, importância do trnbaJh
agrícola, srn1pre mar inalizad na refle ão J fi l 'sofos e pedagogo , "Muüa arte mecânica , por vó ainda desconhecida , no ão .. .
reconhecimento da n brcza do "fazer" são moúvo que r olu ionam familiares. . . Que dizer dos nossos laboratórios cient!ficos? . . .
a t radição pedagógica e mereceriam uma análise mais pr funda. Falta-me ainda falar da no a instalações mecânicas, onde se fa.
Ma r, lv z valh a pena vn mai uma vez Campan Ua, gue repr · bri am ·e mon1am máquina e engenh s pa quaJquer tipo de
põe ua. utopia ao cardeal d ardo arnese, numa carta de 1606, a movimento ot1 impuJso .. . Nem posso esquecer os nosso institu-
ter s frid na pri ã pelas suas " ·ttevagâncias"; e mpar nd tos de matemática .. E, r fim , dir-te-ei que temos também o
diz aqui com os projetos da idade do Sol, temo a medida d eu Insútuto dos mons tros e do prodígio " (44, 46, 50, 51, 52).
contraditório utopi m :
E têm " irmãos" de 'tinad à pe quisa , que iajam, anotando ex-
"Prometo, s b p na de er conad minha
peri 'ncia e iovea ões , q uer de mccâni a quer de cién ias liberais, e
0 n inar filosofia nat ural m ral, lógic , ret
lítica, astroJogi , medicina, cosmografia no paço d um ano a fazem nova tentativas, sistematizando-a em "ob ervações maiores, afo-
toei · s incclecros apm a aprende r, na maneira mais admirável, rismos e axiomas" (5) 61 ). Mas o mais importante é que
fazendo com que o próprio mundo sirva de livro e de mem ria
1 ai: e e to rnem peri to mais na ciên ia d coisas qu da pala- " . . . como é óbvio, e de cordo com as exigência de nossa orga-
vras e superem ualqucr our ro que há dt!z anus c: ·Lt:ja vo!>aJo ni:caç3.o , temos os nov i,o f" . ~ jlprt"nrtize. parll As.. eg11rar uma su-
aos tudos comun · et . ce são contfoua de e tudicsos e experimentadores , .. " (64).
9. 0 Recompor todas as ciências naturais e morais, baseand -as na
Bíblia e n s sant s P adres, para libertar a juventude da doutrina Ei a imagem de uma no a sociedad , revolucionada , como el a-
grega, joio d Evangelho e alimento da impiedade de t século, Jil!nta, por crê grandes inveoçõe , dua da quai íá m ncíonada por
que obscurece e esvai a mente , como predi Lão· e nelas Rabelai : impren a, bú ola e pólvora para tiro, que condicionaram a
irei além de Arí tót les e Platão para atingir a certeza, a verdade , difusão da cultura e a exploração e conquista da terra . É a futura socie-
a facilidade, a piedade e a eficácia com provas baseadas no enti- dade indu triaJ, onde ciência e técnica predominam e mudam o mundo,
dos e onfamadas pela luz divina . com ua academias mo centr de pe ·qui a ientífica, que se opõem
Além d ' o, pr meto as eguintes isa como prováveis, sob pc· às universidades. Ma , para mudar o mundo, Bacon tinha outra receitas
na nr r,rrnrr li hnnrll ri litera to, se todas não se verificarem: muito curiosa· , que se referem à escola ; eis o que escrevia em 1584 à
1.0 onstnúr para rei um cidade dmirá el, salubre e incxpu . rainha Eli abeth , para solucionar o conflito entr atólic s e an licanos:
nável, que, só ao contemplá-la, e oprendam hi toricameate toda
as ciência .. . " "Quanto aos mestres de escola (seus lamentáveis e piedosos abusos
que adem ser identificados com fociliclade, dad que a maioria
O corte da mão, a honra do literato, a exalta ão da iênci , com dos papi tas é c nstitufda d jo en ), V a Majestade pode fazer,
também a volta à Bíblia , o anti-helenismo e a ilusã panpedag 'gica são não somente uma pied a e santa coisa, determinando que os pais
todos elementos em si contraditórios, que no Jertam sobre o qu nto de cada condado enviem seus filhos para erem educados na virtud
é difícil inov r sem extravagância . e na religião em um lugar ad boc de tinado, ma pode também (se
Outro grande protagonista, bem mai moderno, é Bacon, uja crí- apr uver a Vos a Majestade) pôr em prática uma notávd estratégia
tradicionais, a in istén ia sobre a e periência coa- usada por rtório na Espanha que agora me ei il lembrança I!
cr ta obre uma n va las ificação das CJ o ta ao ainda me permJto apresentar a Vossa Majescad ), esculhemJu lugan::,
álida . ua utopia positiva é nrncterizada pela pr po La de ma " asa dignos e conv nieoL a ele t is qu<: possam s r ertamente devo-
de alomâo" , "d clicada ao e cudo e à obs r açã das obra e da cria- to a ó ; e por este meio s Lereis, sob o pret 10 da edu a ão
turas de D us", para a qual evoca um passa em da Bfulia m que como r~n da fidelidade de rodos pai que tenham um certo
Salomão é exaltado pelos eu conhecimento · científicos (XVI . Entre poder na lngJac rra''.
as suas LSrefas ele cita um "inven tário da rique-.ta humanas", propoo-
Também aqui, como m Campan Ua, o aciden tal ardilo mi - regeneração de toda a sociedade humana. seu escrito mais amadu-
curam- e numa forma e tranha ao e sencia l e etem Encontraremos recido , e 1am ' m maj fanrásti , já o títul le convoca para uma "con-
ourros ex mplo de te impa es mi curados om as 1d6a d ~ renova- ulta univer al" a fim d di cutir a reforma de toda a c ndição humana
dore . (De rerum humanarum emendatione comultatio catholica) e alerta para
Ilu .- emelhame en ontram- e cm outros utopista , de arta não separar o pr blema da ltura e da educação d problema da política
confi sões religio a . no Pilgrit 1's Progres , de Bunyan, na Cbristiano- e da rdigião:
polis, de Alsted , no Turbo, de Andreae também no Memoria/e , que
Racice nviou em 7 d maio de 1612 à dieta imperial de Ftankfurt pro- "Considerem-se jun ta t du as co; a : cultura política religião"
pondo uma e cola que en ina e 10da a línguas, an s e ic: □cias e [ umantur o meia simul: erudit10, politia, religio] (1 . 27) .
cria e uma língua nacional únjca. To<l es1 sã precur ore · imedia-
to m trc do grande meniu , no qual encontraremos também u pr j to, ba · ad na exorta ão de ri ro: " Ide e ensinai tod s os
temas incontrolavelmence utópico e milenari ta , junt a formulações e pov ", propõe uma escola para a vida toda (de de o eio mattrno até à
propostas de grande concretude. m rte), que, dividida em oito graus, ensine tudo a todos totalmente.
Campanella e B con como também Giordano Brun ) erão o qua- Iniciara com uma }anua, retomando o nome d manual medi vaJ que
dro de rcferêo ia constante para s _peda ogos inovadores d ei cent ·, voltara a ser u ado nas e colas cat6licas; uma janua linguarum ue, par-
o século da utopias e pecificam nte pedagógic, s. São d is pe.nsadorc:s tindo da lín ua macem , procurava todo o aber e que I g se tornou a
muito distant um d utr : o primeir , mi ticameme ab orvido em jflllua rerum , port a da coi a , pa and da artes sermocinales para as
sonhos nebuloso , embora católi e inimigo acirrado do ref rmad re ·, artes reales; em eguida, projetou um templo da sabedoria e, enfim , uma
pode ser chamad um 'sectário " (isto é, p rtencente a uma sei ta de mi- pampr:dia ou instrução universal para todos.
norin r fj giosa); s gundo r alicticamenre vi~ilonre e ancorndo õ reoli fato p1c:.~upu11lm uma 11u II sisu:maLização de rodo o saber era o
dade do mundo. probl ma do século), que Comenius tentou d vári modos. eu projeto,
inicialment mwto livresco, foi se enriquecendo de temas práticos, ba-
nianos, c m a rejeição da "e peculações muito aéreas", a abordagem
5. A aliança pedagógica dos "sectários" e revolucionário da pdtica, a experin1entaçii concreta da coisas, o uso mednico e prá-
tic das ciências, e com a sugestão p3ra se freqüentar os estaleiros navais
rá po ível falar agora de uma "grande aliança" entre este " ectá- e at' s lugare d comé.rcio e de câmbio, visando não somente pensar e
rios" utópíc , o rigor su· r presem nt s da n a ciência, e o rt'v lu- falar, mas também agir e negociar: a eqüência da ratio , oratio, operatio,
cionário da nova urguesfa . de certo modo já entre isra por Platão.
De um lado as minorias nacionais e rel igiosas, oprimida pela re- o plano da r' · 'dá.ti_ca.._é...m! · e Com nius a pesquisa e a
nstituição do 11utocrati mo do papado e do império, firmem nt liga- valorua,~o todas as mer d 1 gi:is que hoje chama am êlé a i !IS e
da a elhas ex riên ia e 1 v, das à critica radical do pre ente e à visão qu - desde o humanismo começaram a ser experimentadas: e pecialmrntc
exasperada de um ucuro diferente ; do outro, o repre ent ntes daquelas a ela ração de um rbis pictus, isto é, de um manual concebido como
revoluções que. no Paí Baixo e na Inglaterra , levaram ao pod r no um aua ientUic ilu trado , a fim de que junco com a palavras chega -
plano nacional a grande burguesia capitali ta d armadores, do m r a- sem às crianças, nã a coisa , pelo meno a lmagen da coi a ; e da
dores, do banqueiros, perante cujos ~preendimeotos abre-se entã chola iudus . isto é, de um te to que utiliza a rudática da dramatiza ão,
mundo inteiro e ao quais pertence o fururo. o atormentado período da fazendo a crilin a recitarem " ativamente" os personagens da história .
uerra do Trinta Ano (161 -48), que dila era política reJigiosam me ntre o numero ís im escritos de Comenius, referente tanto à
o Império, e da revolu ão inglesa (1642-5 ). qu mar a a definitiva pa - dld.ática de língua e da iên ia como à rgamza ao da e cola , ou
sagem do domínio de cla se no âmbito de uma grande na ão, as mm rias plano majs ambi i so de uma reforma geral partindo da reforma e colar,
per eguida do l mp rio en ntram compreensão, acolhida e prot! çã , oportuno cirnr a~umas á,ginas sobre este problema mais ampl , em-
e pecialmente n s Paíse Bai os, na Inglaterra e na uécia. ntre e te bora normalmente meno focalizado. livro Pa,10rthosia (c rre ão u
exilados pers~uidos estava Jan Amos omenius, cm cuja obra se sinte- reforma universal), o exto da sua Consultatio calholica , ele explica por
tiza o v lho. e o n vo da p dagogia. que deve lo iniciar pela reforma lar:
A reeJaboração de toda e nciclopédia do saber, orbis scibilirlm,
e a ua i temát ica adequ_açã à cnpaddnd s infanri ão o grande rema "Vou agora explicar por que en tre nós , m ez de criar, é preci o
de pedagogia de Comeniu µe ele e n id ra corno parte da obra de r formar a escol:is. D E to, na Europa, mulúpli aram- e com
tanto fervor como nunca c::m qualquer tempo e lu ar, procurando Quanto à sua atividade de organü~ador de es olas, é preciso I m-
cada E tado (na Alemanha e na Bélgica em a1da província) ter a brar sua iniciativa dl! Blatn y Potok, na Hungria , para a qual e creveu
sua academia; e a escolas privadas nem se contam ... sua Leg scholae bc11e ordinatae ( ormas para uma boa organização
2. Ma por que uma profunda reforma de todas as coi a deve ser da cola), onde encontramo os frutos de uma experiência acumulada
precedida por uma reforma da e colas ? durante écul s em vóri paí e , para regu lamentar o comportamento
5. ão é possívd levar mundo para melhores costumes de nenhu- d aluno ·, cu rclacionamcot com o me tres, a responsabilidade d s
ma utr maneira, a não ser pda reforma da ju entude. Fora desta pais, não somente no campo da instrução e: colar , ma também em itua-
reforma, é uma verdadeira perda de tempo querer reformar a çõcs análo a , com a da aprendizagem profissional ou da vida religiosa
demais coisas , como perder todo o Magistério da I reja e toda a em algum mo teiro. De moei particular sua LegeJ podem er compa•
Política. rada a "e tarut " de tanta univ r idades ou "colégios" , que o espa-
6. . . . Toda a espcran a de um mundo melh r e tá baseada unica- ç não no pcrmice citar: d estatur da Universidade de T ulouse d
mente na educaçã da juven tude e, portanto, nas e ·cola retamenc 1229, ao Coll ge de Reim de 1245, da Univer idade de Pari
in ti tuídas . de 1350, a do Wiochesrer llege de 1382 ao do colégio de Montai u
8. Uma utra raião para apressar uma adequada organização das de 1502 , e a im por diante. Ob crvou- e justamente, também, a eme-
escola é fazer com que não e apague novamente luz que Deus lhança da Leges comcnianas com os regulamentos das escolas ccnobiai
e digna acender nc te úllimo século e, até mai , que eu esplendor poJone a , biel rru sas ou ucranianas dos séculos XVI e XVII : um sinal
se difunda e ·e dilate até o nfin da Terra . de uma continuidade e de uma unif rmidade que vai além dos confin
9. - .. Com Deus, veremos a luz iocelectual da abedoria projetar territoriais aos quai · normalmente limitamos no a pe quisa . Ei algumas
com força eu rai das cola para a Igreja, para o Estado Unhas do Regulame11to das escolas cenobiais de Le6polis , de 1586,
c:: para u mumlu fou:iru, t: t ma-1. LUJu uiaiu1, wui) Louito , melhor adotado também pclns escolas ceaobiois de Lodz , de 1624, e em se uick
e maí am no'' (Cap. XXII). algumas linhas muito semelhantes da Leges comenianas :

" Ordenamento escolar das e ·cola cenobiais de Leópolis (1586) .


O catálogo de suas obras compreende páginas muito variada : áti-
Art.l. T do a u le u apres nta para confiar um filho ou
ra , utopia , regulamcntaçã da escolas, manuais e livros filos6Hcos .
outro para sua instrução deve tr.12er consigo um ou dois d eu
Lembramo O {abirinlo do mundo e o paraíso do coração, onde satiriza
vizinh ... e fazer perante o mestre um compromisso sobre a ins-
o nocionismo dos lutões e conformistas pedante que, devor ndo tudo
trução e seu regulamen to, de acordo com este registro aqui abaixo
aquilo que ·ncontram nos Livros, ou até pendurando ao pescoço ou às
transcrito; est r gi rro lhe dcv er lido desde o início a fim de
co ta boi a eh ia d "vocabulários, dicionários, léxicos, prontuários ,
ue saiba de que m do in trui.rão o eu filho e não transgrida o
florilé ios lugares-comuns, apostilas, concordâncias, herbári · etc ." ,
acabavam por enrulb~r a m<'nte P per~e-r n j11fan Tim mnrivo q11e nãn é costume estabelccid s, mas com todos os meios ajud o menino
oa 10strução, exortando-o a obed cer ao mestre, como a um verda•
novo nem raro na sátira · crftica , ola e o seus métodos. Por outro d iro pai que de eja ver o seu trabalho coroado de muita alegria e
lado, ele próprio est fortemen te interessado em manuais, compêndio e
muito frutos . Em e uida, conforme o costume , registrará seu
dicionários , na ilusão de poder istematizar o sa er de uma vez por todas
nome na lista . eja-se também o arr. 19 do 'Regulam nto escolar',
e poder en iná-lo à rian a puerilm nte (pueriliter): e, na verdade,
que e tabelec , quer no estatutos de Leópolis quer nos de Lodz, as
seus esf r s não pod m de modo ai um ser desprezados . Por exemplo, a
n rma sobre: com o p · pode tirar o filho da escola: ele deve
ua úlcima obra do gênero, que ficou inc mplcta, o Léxico cienti/ico cn•
tirá-lo não de lon e c: nem por intermédio de outro , mas pe oaJ.
ciclopédico, ou Livro dos livros ou Biblioteca portátil, propõe em ordem
meote e oa presença daqu la ou daquela duas pess as, em cuja
alfatéti a a erd:ideira definição de todas as coi as que se podem e se
presença confi u para a instrução, de modo que, procedcn,:Jo con-
devem sabc:r (que expli m tudo aquilo que di.z respcico à (mima consti-
tra o cegu.kmento, não faça injúria oem ao aluno , nem n si mcsm ,
tuição d rudo). nem 110 mesue, úrnndo-lhe o aluno m <' plir:ir n morivo _ .. "
Por ourro lado, a frequente analogia a máquina modernas, ima-
ginando, por exemplo, a escola como uma " cipografia vivente" (Typo- E ei as disp si ·es aná logas que encontramos nas Leges me-
graph um vi um é tÍtulo de um do últim do seu escrito · , pela nianas:
qual imprimir, como um livro, o conh imen t s na mente das crian ,
é indicativa da ua atenção para as minúcias da did tica e as visõe mi- " X V. rma a erem b ervadas pelo pai e rutores que con-
lenarista , mo também para moderno de envolviment da té nica. fi m jovens à no a escola.
1. O prejudiciaJ co rume, há tempo em uso, de começar a fre- 6. Novos rumos e novas jdéia
qüentar uma e cola para logo em eguida aband ná-la, de iniciar
e em seguid interromper um curso de estudos, sem nada concluir om proposta mais on reta p ra o uturo e temperando seus o-
seriameor nunca chegar a uma verdadeira cul tura, xi e um freio nho ardent s nas águas gélidas da realidade diária, trabalh avam seu
e di posições de excepcional rigor. ão oece ária , portanto, dj • amigos na Inglaterra r volucionária . amuei H anlib, ardo~ o romotor
posições no sentid de que todo aquele qu pretende confiar-se à da educação dos p bres, Duri e Petty e Woodward , com várta propo ta
nossa organização escolar ou iniciar nos estudos um filho ou outra e atividades dedicaram-se à reforma e à modernização das e cola , pro-
criança a ele confiada não deverá ser aceito se não e empenhar a jetando ora 'um Gym11ari11m mechanicum, ra colas profissionais onde
observar pontualmente as o rmas discipHoa res pree tabelccidas. 11vlns pudes. em aprender um fício e, ao mesmo tempc, receber uma
fórmu la de e e mpr mi o , a cr e ntraíd snres da inscrição formação ultural semelhante àquela das das e privilegiadas . ã pro-
do lun , será a eguinte: j t e iniciativas, humanitárias e inovadoras a m smo tempo, que, nã
1) Eu, de mtnha livr plena vontad , c nfio meu filho ao mestr por caso, a r staura -o monárquica e conservadora dos tuart , apó
desta escola , a fim de que seja formad nas belas-letra , no correto · 16 8, destruirá , ma qu puri tan s procurarão manter vivos atrav~s
costumes e nos prindpios da religião ; da nova e cola d navegação, de comércio e de matemática . É óbvio
qu os aminho d furu.ro sã s ncialmentc estes , e voltarã l\ tona
2) Empenh -me a deixá-lo nesta escola para que cumpra o curso
de sua formação cultural, sem levá-lo alhures; no estudo dos écul seguintes.
eotamo, em 1660, p6s uma ge ta ão d algun anos , undava-se
3) unca lhe permiürci , exceto cm casos raríssimo , qu ele se
a Royal Society, uma a ad mia mod rna, quase uma rc lização da Ca a
afasLe dela, para que possa progredir sem interrupção ;
de Salomão au piciada por Bacon · uma soá dade que se in pí.rava numa
) e i~r acontecer por uma particular e impr<: iodívcl oCCCli!'lÍ· "n va Wosof1a experunen tat •·. cu fundadore eram doutos que, como
dadc, e mprometo-me a traz'.lo de oha para a escola n mai breve s lê no Me1trorandum de 28 d n v mbro de 1660, consolidand um an-
tempo po fvcl ; tigo e rume, reuniam-se para ouvir uma palestra apresentada p~r ~
5) e cu agir diver aro nte e reparar, em conseqüência, um pro- dele e s uid por um intercâmbio de idéia . Ju tam nle na prtm tra
gre so menor e mais lcnt d que o previsto nos estudos, considera• reuma e aventou a propo ·ta de fu ndar um "Colégio para promo er
rei culpado dis a mim me mo e não a eficácia da escola. a i:JstrUção cx-perimemal fí ic -matemática". Onze anos depoi também
Somente depois d t r assumido tal e mpromisso, o pai as inará Newton aderia a esse movimento.
o registro de matrícula e o mesmo fará o j vem. De a forma ambos O e pírito moderno das a va la ses diri entes encontrava ua
ficarão vin ulado a uma escrupul a fidelidade a quanto e com- xprc iio no peos11memo de Locke ue, na linha do ortegía110 d Cas•
prometeram observar''. ti li ne e do overnor de E lyot, uaçava um projeto de f rma ão não
da dd po ula.rc,, ma do gcn tleman. Quonto õ.s classes p pulares,
aturalmente, o onfr nt ntr o d i t xtos poderia ser e ren- ele e preocupa someme em pro er l!S criança , que vi em d fdio
dido a todas a demais normas que reguJam a vida interna, a disciplina e paroquiai com ba na lei d pobre (Poor law) , com escolas de tra-
a didática . Ma , como dissemos exceto al uma csracterísti peculiar a balh {W orkhouse- hool que preparam para as ati idades rclaci nada
um u a outro estatuto, esccs ão o cerna rec rrent , emelhantes com a indúsLcia fund11mc.ncal d p::ús, a indú tria têl til da lã , d utrinan•
do-a ao me mo tempo na religião oficial. Não há nes e e pírito moderno
quelc da antiga tradi ão das Regulae moná ticas u d tatuto das
a inspir:ição humanitária do e ligio os, católicos ou pietistas, cuja obra
corporaçõe de arte e ofício . Porque a arte da letras é também urna
todavia, qaa e sempre se reduz a fornecer, custa da sociedade, uma
.,,,rte como todas as artes . mão-<le- ra meno rude para ao a indú trias, ma há emente o
Comeniu não foi um revolucionário : estava repleto de aud i • nso prático do ge11tlema11 que, e não fecba o olho perante a e i rên-
mos medievais . Foi um grande sistematizador, que chegou um ouco cia d um problema oci 1, também não fica preocupa p r cau a dele.
atrasado, quando o mundo j • havia mudado mai d que cle pensava (a a França estourava ne cs n (indicamos isso ao faJar de Mo•
\ começar pel lati m, que estava entrando cm de uso) . Foi um u topista, Ue.re) a famosa querêlle rc os anti o e modernos, qu levava a me-
que achava estar no fim do mundo, ub m,m.di finem ultimo saeculo; n prez das redescobertas humaní cica do mundo antigo e cxal.t~ção
e trabalhava , talvez, maí c:m vi ra de e fim o que d porvir do mund . das capacidades pr duriva e culturni do mod mo . Sem panicpar
dirctam nre de ta qu~relle, ke traz sua contribuição para a dissolução
da tradição humaoistica, renovando a crítica de Montai ne aos anos per-
didos no estud de palavras remotas cm ez de utWzá-los no estudo das
oisas presenr . Res non verba, rcal idade e não palavras, é o tema qu
volta sempre à mna: L ke, cm seus Pe11same111os sobre a ducaçõD
( 169 3 , é muito ded ivo n ta afirma tiva que envolve, pelo mc:no em
principio, um t t I repúdi da instrução :
"Ficareis, tal ez, maravilhados ao ouvir que eu coloque a instrução APfTULO 111
no fim, espe ialmentc afirmando que a considero realmente a últi-
ma parte da ed ' ã . . . n iderand quantos anos e quanto
sacrifício e gastam para aprender um pouco latim e de rego e A educação no Setecentos
4u nto • larido e trabalho e fazem m moriv , ou brigado a
pen ar que o · pais de no sa riança ivem ainda s b medo
impre foname do hi te do mestre de scola, coa iderada ainda
por ele orno o úni o instrumento da educação, e acham que a
coi a mais importante é aprender uma ou dua Lín •uas . .. Admito
que o ler, escrever e aber ejam necessários, mas não ach que
sejam a coi a mais importante; e suponho qu v6 mesmo j lga• O fim do ei; entos e: o 101 10 do Setecentos conheceram outros
ríei um supercolo quel qu não con idera e um homem virtuo o tema de reflexã e ourra tentativas de a ão além daquelas que vimos
e ábio infinitamente perior um grande erudito . . . Deve-se ter no esf rço de Comenius para uma ístema tização definitiva do aber a
cultura, mas CS3a dcv estar em segundo lugar e suborCÜno<la :i cr transmitido com portunos mihodos did::íticos a, crianç:u atrnvé~
qu lidad s uperi re . Procurai alguém que saiba di creram ore d elho instrument du llngun ln cina , e n ' iniciadvas, realizadas na
en inar a boa maneira ; confiai v s filh a uem po sa garantir, república ingle a puritana, de escola caracterizada pela moderniza ão
quanto pos ível, a sua pur za, a uem ai a ali mentar e d senvolver da instrução con iderada como conteúd "real" e "mecânico", isto é,
sua boas di po içõe , corrigir com boa maneira e erradicar as ientffíco-técaico em vista Je atividades trabalhistas ligadas às mudan-
más e infundir nele boas atitud . E lC é o pont pria ipal: e ap6s ça que vinham a ontecendo nos modos de produção.
ter providenciado tudo isso, podereis pensar na cultura como algo
a mais e, até, e m men s esfor o, seguindo outros método que
e poderã inventar" (Trad it 10) ,
1. "Escolas cristãs", católicas e reformadas
aturalmente , situada a cultura cm segund plan para o gentle-
ma11, Locke v lta a pr p r, através dt: " utros métodos .. , que ela seja a a França, por exemplo, re j tra-se a breve experiência da · "pe-
ver ão modernizante de uma cultura "real", da qual latim ntinuaria quenas escolas" dos jansenista d Port-Ro ai duramente per eguidas ,
a er ia trumcnto. O jogo, a utilidade prática, a per uasão racional, o nas quai o latim e toda a carreira educativa não são mais um instru-
métodos não- onscririvo e autogoverno ão os in trumentos desta pe• mento para adquirir um saber determinad de uma vez p r todas, ma
da ogia, que objeti a nã a variedade dos conhecimem s, ma a liberda-
"instrumentos para aperfeiçoar a razão " e para n "f rmaçã do juízo" :
de do p nsamento. A es es podem acrescentar· e a educação Eí ica e o
trabalho, que todavia s rvem especialmente para f rta1edmeoto moral o latim e a gramática n s I vam tamo à lógica e à Üngü! tica como à
e como hobb)', útil a g ntil-homem também para o controle da boa moral. Jean Racine, que quando crian e tudou nelas, a{ aprendeu o
execuçã do trabalho d s dependentes. De qualquer forma, na pr p ração impecável nitidez de estilo e participou de oi Ja campanha dos jesuíta
dos pobres ou na reeduca ã do delinqüentes, o trab lh (e a educação e ntra elas; mas, no fim , e creve a mai bela defe a de as colas,
física ) com~a a Í:i.7Pr p:1rtP ins11primív I ria reflexão sobre a formação exaltando a vida d eu fundadores.
do homem : com in trumencal e subordinado ou com hobby, ele e
impõe toda ia como problema do futuro, ao lad do problema do patri- "quiseram viv r uma vida de penitência : não porém uma penitén-
mônio culrur:il e de sua si rematização ("um m pa geográfico d mtm• cia oci , porque enquanto alguns , con idc:rand o Ultere s s ma•
Jus intelligibílis''), das metodologias didáticas pelas guai tran miti-lo à t riais da abadia , procuravam reativá-los, outros não de denhavam
criança e das rela ões pcrmi i a ou repre sivas entre adultos e adoles- cultivar a e rra mo humildes campon e " 54- 5).
cent s.
E cJ giou também as irmãs, admirável e empl de dev tam •nt "indicará sempre pe oaJmente c m a vara todas as letras que
feminino ante litteram, as quais "cultivavam o intelc.:cto tanto quanto manda ler e terá o cuidado de que os alun , ao ler, pronunci m
o e pírito" (60) , i to é, conjugand a piedad com mínimo de cultura. bem toda a~ letras, especialmente aquela que, ao pronunciá-las ,
apresentem alguma dificuldade, com estas : b, c, d, f, g, k . .. "
uma outra vertente, merece ser men ion, d ex eriên ia dos (p. 26-27) .
irmão da ola cri tã , de ão João Bati ' t de La alie: e t ultra-
pa sa a iniciativas d perí d da Contra-Reforma, que forem ou de ti• O mesmo e faça com a tábua d.a íla a , à qual se s guir o pri•
po assistencial p r os pobres, ou aristocráticas para a formação de mciro livro, o silabário :
dirig nte , omo as dos jesuítas . em parte se orientaram na linha
"O primeiro livro que o aluno apr nderão nas es ola
da nova experiências pr te tames: são um primeiro e: boço de escolas
técnic -profissionais e as primeiras cs las "n rmais" para leigos, cha- abarcar:[ t tipo de flab rance a, com 2,
mad também a paràcipar das atividades do in tru ão, rradicional- sjJabário o alun de erão omente il abar
lê-las . . . " (p. 29-JO).
mentc reservada ao clero.
E há também um outro "primeiro livro" e um " egund li ro",
a) nrrando numa "escola cristã" que ão finaJmeote verdadeiro livro :
Quando falamo das Leger sebo/a bene ordtnalae, de Cornenius,
'' primei.to livro a ser u ·ado na colas erá um di ur com -
prometem s apresentar trecho de utros regulamentos, uma vez que
pleto; aquel que vão lê-lo apenas soletrarão e dar-lhe -se-á em-
o regulamento e colar no permite, por a sim dizer, entrar oa pró-
pria csç la . Vamo ag ra folhear a5 página da Co11duitc der écofrr
pre uma pá~ina per lição . . . e~undo li ro erá um livro de
in rruçõe cristã . Haverá d i ti d I itores, primeiro ole-
chrétiennes, redigida por J ão Bati ta de La alle, em 1702, e impre o,
trarã e lerão por süaba, outro, não oletrarã , mas lerã s •
com alguma corre õe , em l 72 ,
mente por silabas" (p. )1-JJ).
A primeira parte trata de " exerci ios que se fazem n s escolas
cristã e a maneira com e d vem fazer"; a gunda é ob "0 meios a com este livro e tam sempre no método da Grarnmatiké
para estabele er e mant r a ord m"; sum'ri já nos diz muita c ia : tragof:dla de Cália : beta-alfa ba , ntão, bê-á-ba, agora. Somenl o
_l._ a entrada na escola e o início da ulas (disciplina e horários); 2. des• "terceiro Üvro" devia ser lido "por pausa ", isto é, ·sem mais soletrar
1e1um ~ almoço (onde se fala pouco de c mer e muito de ração ; e ilabar:
J. a liçõe ; 4. a scrita; 5. a aritmética. "Lições" ' Ígnifi a cosi.no
do ler: "Tod aqude que irão ler e te livr lerã p r períodos e cm
Pg11irl11 , nh~ervanrln mmc_nte ontos e as vírgula ... " (p
"Haverá nove espec1e:s de li õcs nas escolas mre : 1.") a tábua J4.)5).
(mural) do alfabeto ; 2.ª) a tábua das sílabas · 3.") o silabário ·
4.' ) o segun<l livro, para aprender a soletrar e a sUabar; 5.ª) ain'. Aqui encrava t:tmbém um pouco de ramática, como a di. rinção
da no egundo liv , em qu aqucle que sabem ilabar perf ita• entre ogais e consoante , as pausas indicada · pelo inai de pontua•
mente ome .arã a ler ; 6.") o terceir livro , qu serve para pren- çã , e a apr ndizag m do número , fran ese e romanos, até 100 mil,
der a ler c m pausa ; 7 .") o altério; .ª) a CivUização Cristã ; para a qual ha ia também duas "tábuas" murni . iío era, porém, o
9.1 ) as letra e crita a mão" (p 16) . cn ino da aritmécica que vem em eguida, num cap!tul à parte : era
apenas o ensino da I itura do ntímer s.
_ Todas estas "lições" ou classe , pelo m no a primeiras duas, Apó a nprendizag m d francés, a 7 .• ordem era a d s " latinao-
estao por ua ez . dividi~ em trê orden : principiante , médio e te ", qu finalmente chegavam a ler um tex to clá ico cnraldo da Bf.
biia, o li ro dos Salm , ma5 sc_mprc recome and 1 bê-á-bá.
avançado , nas quat a cnan as sã classificadas de acord c m o seu
rendimento, periodicamente controlado. "O livro onde se aprenderá a ler o latim é o alréri . . . Haverá
!is tábuas murais do alfabet e d.a ilabas, isto t, o abecedári dua espécie de leit re do latim : prin ipiantes, que lerão r
e o silabário, dos quoi ã indkad s até as medidas, ficam :ifixadas na sílabas , e s avançados, que lerão por pausas" (p. 38).
paredes da sala de a la; para sua aprendiz gem se estabelecerão minu-
ci amenre moei s e rirmos, que o mestre A eguir, portanto , a .• ordem, a da "Civilização cristã" :
"Quando os aluno souberem ler perfehamence o francês e esti- e tgui:101 indi a õe · rela tiva à p sição do corpo da mã , au
verem na 3.ª ordem do latim , ensinar-Ih • c-á a e crev r e a ler mod de s~urar o papel e a pena , quer para escrc er em redond
livro da 'vilização cristã . Este li ro contém tod s os de eres quer para e c ever em cursivo
das criança ramo para com Deu como para c m seus pais, e as
r gra da boa man ira ivi e ri Lã ; e re livro está imprc "O pr6pdo mc~trc deve cfopor a mão do aluno , .. ; cuidará que
em caracteres ótí s, mais difíceis de ler que os caracteres fran- ponb3 o trê dedos sobre as trê incisõe da pena que ele m ·m
cc e " (p. 39-40). terá feito m caniv te .. . " (p. 55 .

tiltério e 11 m ral ristã ram toda a in tru ão concreta a qm. O oro de cempern.r a peno tinha a:; carocterfstt01s de uma cerimo
levava a dura e !em.a pre ara - formal Não , nona de t s " liç~ de ni d um ri1ual lit úrgico. t a mestre q ue o aluno pcdirã qu t:a a
leitura ", de ato , quando alun já tinham começad a segunda apren- i , e, eaquaat o me tr pr d à e mpl x operação,
dizag m , a da escrita, incroduzia um novo el mento, fruto do tempo :
uma leitura das coisas profanas , com vim na aprendizagem pri ada " eles se manterão de c.ibeça d sco rrn até que ele a tenha devol-
de um Enrichecto gen vês em 1222: vid e, ao recebê-la, be ijar-lhe-ão a mão e o reverenciarão incü-
aando a cabeça . Mas não pararão de escre er enquanco o mestre
"'Quando o aluno · • ti ercm na quarta ordem da scrita redonda a mar ua pena " (p 58 .
u começarem a esc.rt" er na terceira ordem da escrita ba tardt1 (ou
itálica , i to é, ur iva ), ensinar-lhes-se-á a ler papéis ou pergami- ,Atingida a terceira ordem, o aluno apontará sozinho sua penas e
nhos e crito a mão, que e chamam Registros etc." (p. 40) . aquele rito , pelo menos para ele, a abará . (Lembre-se que, enrre o
o[I i s Garzoni já ilu rrara muit minuci amente o de apontador de
obre esta inovaçã ião importante encontramos aqui om nre as pena : era um fíd ério e e mplexo, o antepa ad arte anal d
habituais prescrições didáticas extremamente minuciosa ; mas nó a mod mo fabri ante de máquina de ·cr ver, de telex e, se ui ermo ·,
en ntrarcmo n vamente ao término do capítulo sobre a e crita. da telemá tica .)
Esse capítulo t m um carárcr um pouco diferente; ua minuciosa este pon to ern introduzido um novo ensinamento, aquilo que
prescrições concernem e pe!l.;almente a materiais e técnicas materiai ante se chamava ábaco e que tradicionalmente eguia o ler escrever
referentes ao papel : o tr:insparente par copiM à vista da letras (para aipícuJo V, de fato, é dedicad à aritmética , qu come ava n rmal-
o menos hábei ), a enas (que eram realmente penas d gan , da · rnente na quarto ordem da e rita (p. 70) . a me ma classe e tudavam ,
quais era preciso levar duas para a escola), o can ivete, porta-penas de acordo e m o oJvel de progre são, alun d div r a " lições" · liçõe
a lÍnta , o 1inteiro d chumbo (um par:i cadt1 dois alunos ), os modelos de adição , ubrrnçã , mu lriplicaçã e divisão . esse ensino aparecem
d,,s letras do alfaLc1u, yuc 11u~ 1·rnbram aqudas que eremita recorta- a • t ma5 da didática aliva : ada :sem na o alunos e crcvcriio o cnun·
va m cascas de bétula por:1 implicius . E nã fal tam a respeit rec - isd exposto pelo mestre "acresc ntnndo alguma coisa a mai que eles
mendações pitore ca com esrn : pe qui arã por coma própria " (p. 72) .
Apó a aritmética , na exra rdem da e crita red nda e na qua rta
m stre cuidará pata que o alunos pe uem a tinta com di ·cn- da e crita cur íva, inLroduzia- e um cont eúdo que, pelo nom , parec
ção, molhando somente a ponta da pena acudindo-a de leve n levar atrás, ma q ue é, na re-alidade , a parte mai in adora desta.
br tinteiro e nunca no chão" (p. 45). escolas: a onografia . la sign ifica literalmente o escrever de forma cor-
reta, ma aqui e entende o escrever os ·•registr " , i to é, a scrita
Também para a escrita, qu ou cur iva , havia uma comercial , conforme e antecipara na nona lição de leitura .
rigorosa divisão em ordens : seis p r redondo e sei para o cursivo ,
sucessivamente. a primeira ordem se aprenderá a posição do corpo t• " A maneira de ensinar-lhes a orto_gr fia será mandar-lhes copiar
d pena fazendo ha te e irculo ; na segunda, n s r ver as cinc cartas escritas a mão, especialmente de coi a cuja aprendizagem
letras e, o, i, f, m ; na terceira , a demai letra en hend uma p~gina lhe erá útil e das quai poderão preci ar n uturo ... " (p. 73 ) .
com cada letra , na uart , a escrevê-las em ordem, colocando na me ma
linha o alfabet inteir com as letras ligadas; na quinta, 3 escrever dis- lndi am-se, em eguida , alguma desta escrita burocrá tic , car-
cursos completo cm caracteres graod ; na exte , a e crever em carac- toriais e privadas : contratos , quitaçõc , obrigações, procurações etc.,
tere " de contas na frente e de finanças no verso" (p,. 50-51) . que, após o exercíci de uanscrevê-la , os próprios alunos a escr viam
sem majs copiá-la , Des a forma, sob o útuJo antig de ortografia , e on- estam , com e vê, perant a eterna pr ocupaçôe já xp re ada
dia-se o fato mai moderno desta e ola. por Arist6fanes e Juvenal. Por i o, quand e ia à pri vada, o "porteiro"
dava um ba tii e ninguém podia "ir lá s m e1 , de modo que dois
e te ponto, parece-me importante ali ntar duas coi ~- Primei-
junto não pudes cm entrar" (p. 211). ote-se também o heiro de
ramen te, a eparação total, djria didá ti , rga niza ional e ulrura l, ntre
o ler e o escrever . ler e ncerne essencialmente ao en ino reli ios queimado : os mau livros le ados õ e cola pelo aluno " erã I vados
à d urrina, à a radas Escrituras; o e crever, que tem seu mest re ; ao D ire t r para se.r m queimad " (p. 121 .
luga re próprios, concerne a uma técnica e pecificamen te matedal , que esta cgunda parle no n ntram perante a mmuc1as e o
idge cuidados parei ulare e é o ltad a pre arar ara ofíci . T em s, quemati m tradicionais, com uma li til de coisa para manter a or-
dem : 11 igilância constant , o ' inAi~" , n. "r11t~ lnens" ou regi. tros ,
então, nas duas técnicas a coexi tência de dua iosuuçõe · difort!mt!s: a
aculturação rcligio a e moral e uma pré-aprendizag m das pr fi ões as recompcn as, as rrt:ções ou punições, a pontuaüdade, as autori:r.n-
artcsanajs mercantis . sta é a grand novidade das " escolas cristãs" (e , çõcs, s oficiai (alunos com res nsabilidades) e a própria st rutUrn da
e cola t: dos t:quipamcnto . cada uma d tas c í a é dedicado um
é dar , nã somente dess !).
capítulo ; mencionarem 6 alguns.
E ta caracter[ tica própria da aprendizagem e ri ca é e idenctada, Os " sinais" . feitos om as mãos , com o olhos, e m cabeça e
para nó até parado o, pelos cuidado relativos ao instrum □ to do com a vara d me tr , ão uma linguagem muda de grande eficá ia
fício: dua páginas intei ras ão dedjcada às quatorze regra a er m didática , qu permitt: upar a alavra e preservar silên io, indicando
b er ad n apon tar um pena de ganso, ensinand , ara tant todo a aluno ada a ão : ler, parar , repet ir, recomeçar t ., e mo tam ém
o term u ado ne sa pernção ; quanto a ex mpl prático, e te '
as punições corporajs,
repetido durante trê d ia pel mestre, explicando pa o a passo o pro· os "catálogo " ( u registr s, como diríamo · ós), d quais se
e djm ot e, nfim, hamando aluno para tentar fazer mc•mo m
apresentam model , relata- e tud o - br o aluno e as lições : apr •
modelo de nprendizagern artesanal que não ncontramos nem nos d u-
eit amcnt , c m rtamcnt e outro · dados .
meoco antigo nem no e ratuto da corporaçõe medievaí de artes e
" re mpensas" , pela piedade, aproveitamen to e as iduidade,
ofício . uma pena que paço e a paciência do leitor nã nos per• -ã mpre e omente edifi antes : li ro agrado , imagcn grad a ,
mitam reproduzir na ínte •ra es a página.. ote-se, porém , que a arte
s ntenças morais .
da e crita oão é certamente uma in enção de João Bari ta de La alk, guem- e a "correções" ou punj õe , que con ·ú tuem um capí-
mas era uma antiga arte nobre e omplexa, ue terá ainda ua hi tória . mlo muit maior. Ela · ã on id radas , cm tinha de princípio, como
r scante da primeira pane é obre ora ão, anta Mi a , teds- m io peclagógit.-o inJi pensiível, mas , na verdade. com muita calllela e
mo, cânticos e, no amcn tc o rienta ões sobre o omportamento na mu ita ob ervações acurndas de ordem p icol gica :
escola na i reja na rua , onde alunos andam em fila de d i , como
011 Aten11$ de Aristóf:rnes, sempre ob ógnro vig ilíln i , f"nq11Anln n~ "A ~01tcçãu Jm, aluno é uma da cai a d maiorc n qu n ia:i
próprio vigia ão, por sua vez, igiad · m · gre o (p. 62 ). que se praticam nas escola ·, t! ' qu ai ' é preci dar n mai r aten-
A segunda parte:: da Co11duiu é rdariva aos meios para e ·tabelecer çã para gue ejam praticada adequadameote e com proveir ,
e manter a rdem na e coln . grand problema é a pureza dos stu• 1a11t para aquele que a recebem quan t para aquele que
mcs; por isso, aos "libert ino ·" era re ervada a penam ima d expulsão tem . . . É preciso agir de m neira uave e firme ao me m
(p. 148), recoro dava- e não tomar banho (p. 212); para i s po ... '' (p. 140 ).

m tre in pirarã & qü ntemente a seus alunos uma gran- E dis tingue met iculo amcntc cinco man ira d praticar a correção :
de distância da mpanhia a m nina cmpenharã a nun a r palavra , pela p ni tência, peta féruta , pelo chicote, pela expul ão
mi tura r-se com -da " (p. 159); (p. 144) , e indica também a falta que de em er punida por da
uma . Mas a cmsa mais caract rí t ica a d cri ão atenta daquel s no-
para isso , bre instrum ntos que ão a érula e o chicote ou disciplina (não con-
fundir com a vara do me tre, que erve somente para o " inais" na
" mestre es tará atento para que eles não cruzem as perna uma didá tica) .
obre a outra, que não ponham a mã debaixo de eu vestido ,
de modo que nada fa am contra a pureza" (p. 107); "A férula é um ia trumc:nt de duas Ütas d cour costu.rad
junta : dev t r dez ou doze pole adas d' mprimc:otu, incluindo
o cabo para segur -la; a palmatória será oval, de duas pole adas O último apítulo é sobre a " stru tura da uniformidade das escolas
de diametro" (p. 146). e d m6veis a elas ad quados" . m a prudência de suas prescriçõe ,
le descreve um edifício e colar que lembra o edifício idcalizado por
ta servirá para bater omente na palma da mã querd • om Boncompagno de igne, mas com a vantagem de rcpre ·e~tar um e~_fíci
um ou dois golpes no máximo , e será u ada omente pel mestre real, 0 m derno edifício escolar com ·eu aspectos negativos posmvo .
ex cathedr (p. 156). Con ]ui-se, de a forma , esse documento, onde o velh e o o o
A " di iplina ' e tá des rita som nte no manu · rito original; se mi turam d maneira singu lar. Poderíamos ter citado tanto outros
edição impresM confunde-se com o chi te, a ser usado "segundo o uso e ·taruco de escola e de colégios, e pecialmenre do século XVI , e ran-
em vig r na e cnl~ cri<:tií " (p 147) Fi a rle criçiío d~ di_- iplin · lO$ pr jcto~ , embora parcialmente re11li2:nd r., como _os eges s~holoe
bene ordímttae de Com nius . Mas este é, talvez, o m:u pormen nzad .
" A disciplina é um bastão de 8 a 9 pele •adas , n ponta do qual quisenn I r ai um documento análogo onde apareça com
estão fi. ada 4 ou 5 corda e ada uma delas terá na ponta trê maior e idêa ia (embora com suas contrndi õe ) a procura d novo ,
n' ... " (p. 147).
é pre iso e pcrar o fim do s~culo , com veremo .
Quer nas orreções ordinárias como nas extraordinárias, poderão
A· inidariva mais inovad ra ainda são as dos rdormado e, d
ser dados, no máximo, cin golpes n tra eiro nu dos aluo s; nã m d particular, das sci tas nii - ficiais, menos ligadas ao pod r P_Olí_tico,
como imos no ca da Inglaterra. A sim, na Alcmanh I p1et1 m~
fala e ~ preciso poupar a camisa, como estabelecia Pedro o Venerável ,
prom ve em Frankfurt em Leipzi t: em Halle não somente colleg,a
em Cluny .
de estudos religioso e t~ lógicos, rnas também e colas " normai " ( em1-
11arium pracuptorum ), peque.na& e&colos par~ os _pobre~ ~ <;>rf:mados ;
"As correções ordmárias com chícote serão teita n canto mai
esta em geral e cara terizam tanto pelo anug ngor ~1 1plmar como
condid escuro da sala , nde n nudez de quem for corrigido
pela novidad d : c nteúdo , diminuindo o lugar do lat1_m e a~mentan•
nã po ·a ver vi ta pelo outros ; cuide-se muito para inspirar aos
do o das ciência (mat máticRs, naturai e humanas). A mstru ao popu-
lunos um grand h rror de um mínimo olhar ne sa ocasiã ...
lar, auspici dri pela reforma, foi e coo retizando □a Alemanha com J
As correções extraordinárias, porém, ... devem s r fei tas publi-
primcira io tituição, b a iniciativa de Reyher em L642, d e olas
amente, na presen a <lo alunos da elas e, no meio da ala (ou , à
de ila (Dor/Icht1len) , no estado de orha, e das e ola para os pobr~s
vezes, om a presença de 1cxl,s as dases)" (p. 17) ).
d Herman Francke em Hall , cm 1695; depois, com a proclamaçao
E ·ta última dispo ição de mente 1cxl a pruderie anLerior. Em com-
da obrigatoriedade d in ·tituir os Dor/Ichule11 no reino de Prússia b
Frederico uilherme I m 1717; enfim, com o na imento da escola
pensação se excluem , porque indigno de um me tre- acerd ce, bofe-
cientCfico-t~cnicas (ReaÍschule11 ) em Berlim, m 1747. E tas iniciativ s
tõe6 , pontapé~ nu golpes de vara, que é o in~rrumento didático plll'o os
e colástica e ratais, e pecialm nte na Alemanha , são as premLssa polí-
" inai " , ou pu õe d nariz, de or lha , de cabelos, u dar empurrõe
tica do istcma mcxlcmo de instrução escarni obrigatória, orientado
ou puxar pel raço (p. 155). De e-se sempre afirmar qu ta puni-
para o estudo · dentífi o-técnico . A Prússia de Frederico II e a Áus-
ções eram dada não por culpas real , cuja gravidade nem o pai nem
uia de Maria Teresa e de J sé II erão, nesse campo, ern nome do
os aluno teriam entendid , mas por ter ofendido a Deus (Aristóf ne
ab luti mo iluminado , o pioneiros. Como cremos .
dizia : "por ultraje às Musas!') . Pe.lo que c n ta , as punições eram uma
da principais causas das au ência e do abandono da escola (p. 186).
capitulo bre as au ência e a autoriza õe , prevendo hora · 2. A pedagogia dos letrados
livre para que trabalham ou "e crevem", e mpro a que o alun
destas escolas, que preparavam pare e crever "registro " , pertenciam O descobrim nto dos novos mundos c loca em cri e a
às classes populares (p. 181); acontecia, de fato, que os pais quise sem til do mundo anti o, ou, t'm utro rnmns , n ilum inismo põe definiti-
retirá-los das escola para fazê-lo crabalhar. e se ca o recomendava- e vamente cm cri e o humaoi m . Contribuíram para o surgimento de ta
crise a mencionada q11ére/le des nciens i!t des modcrnes, com a sua ?_?-
" levar o pai a n id rar quanto é imporrante para um artesão lê.mica antilingü[stica e antigramatical , da qual aíram d rr0tada nao
aber ler e escrever, porque, p r pequena que seja ua incdigcncia, somente hipóte e comeoiana do latim como instrumento , que nã é
se sabe ler e escrever, el é capaz de tudo" (p. 187). mais nem a lín8ua humanística o m a hi t6rica. ma tam~m a hipótese
do ~u crítico de Port-Ro aJ, que continuaram a considerá-la com
a base exclusiva para a construção racional da língua (e da l6gi ·a) , em "A e s re pcit (a construçã de uma mesa), não posso deixar de
repar ar que para i so as lfogua moderna podem er até mai e icazes. bservar que, sendo nossa razã a origem e a substância verdadeira
que contribui para tanto é também o prevalecimento cada ez mai das ci cias matemáticas, cada homem pode, com o tempo, tornar•
de isivo do interesse pelas arte reales et mechanicae ligada se me tre em qualquer arte mecânica" (XV, Disposições para pro-
modo de pr dução, quer ao nível das baconianas " casas de alomão" ver maiores confortos .
ou das modernas academias (a Royal ciety na Tnglncerrn e a Kõnigli-
che Akademie n Prú sia) , quer ao nível mai m desta da preparaçã se und m tivo , que consideraria conformista e clerical, é a
da ela ses ub leemas para m trabalho que se industrializa ada vez educaçã que ele dá ao " bom el a em" xta-feira: e nisso é franca-
mais. ntribuí , enfim, para tonto, o nov ideal e nformistn do moder- mentf" rnnsf"rvllrlnr . At é retro rado :
no pp1tleman lockiano, para quol o laúm se r duz a pouc mai · que
uma parte da chamadas "boa maneira ", a sim orno o trabalh é "Eu podia falar bem p ra ele! Mas era mais fácil imprimir na sua
apena um hobby. mente reta noções obre diabo do que in e.ruí-lo bre a exis-
Do humanismo , nem o anti patrimônio cultural apare ma1 tênci de us" (XV, Instrução religiosa) .
como exclusivo e suficiente, a partir do momento em que nas e e
define a ciência moderna, nem o latim como língua universal aparece a realidade, ele é um homem d seu século, que assim e com-
mais adequado a s u os e às exigências do mundo moderno , a partir portou ao ducar os povos da Europa e, ainda menos e duramente ou-
do momento m que as grandes lín uas nacionais s consolidam e algu- tros povos: instruindo-os re o di bo. '
mas delas já se impõem no u o internacional. Fica intato somente an- . Bem diferentes eram as cara teristicas dos cri tos de J. wift ,
tigo prestígio ideal, já que o mundo clássico continua ainda inspirando CUJO feroz arca mo talvez ninRuém conseguira igualar . Basta lembrar
grande parte d:i literatura e d costume do etecentos: ma , t:tmbém a u~ Modesta proposta para impedir que or /ilhos áos pobres 11a Trian-
aqui, o latim e o mund de Roma parecem ceder uco a pouco o da fiquem a cargo de seus pais ou da sua 11ação e para torná-los úteis
lugar ao grego e ao m ndo da Héladc. O humaai mo livre co , grama- à sociedade: '
tical e " escohístico" da cultura é criticado com as mesmas armas que !e
u ara conrra a escalá úca, inclu ive por agueles que querem " humanísti- "Apresentarei, então, humildemente minha id ias que , espero, não
camente" r afirmar a di nidade do hom m. Ma ne a reafirma ão há levantem a mínJma objeçã . Um íovem americano de meu conhe-
algo novo , que o humanismo não conseguira descobrir, mas que encon- cii:11 nto, h mcm muito avisado, garantiu-me que em Londre uma
tram n s reformadores, nos utopistas e nos revolucionários: a exigên- criança saudável e bem alimentada, de um a.no de idade, é um
cia cortesã torna-se popular e o gue e_ra aristocrático toma-se cada ez prat ddicio o, muito nutritivo e sadio, cozido ou assado, na pane-
mais democrático . la ou_ o forno, e nã duvido que po a ter ido rvido à /ricassé
Educar humanamente tod s os homens torna- e grande objetiv ou gut ado. Proponho , portanto, l1umilJc111c11tc: à 1.-u11:.i<lcra1,-iiu du
da educação moderna : de vária maneiras, om diferentes iniciativas e público, que da cento e vinte mil crianças lev;ntadas .. . cem mil
n~o sem graves recaída · ao paternalismo e no as istenciali mo, ilumi- podem, atingida a idade d um ano, er oferecidas à venda s pes-
rustas, os no,•os ut pi ta , reformad re e o rc: olucionári deste s de qualidade e de conforto em todo o reino, r mendando
século temam concretizar este ideal. sempre à mã s de amamend-las bundantemente no último mês .
. . . Acho que a minha propo ta é da mais alta importância, além
Eis, a re pei t , na laglaterra , d is e critos que e e ntemporâneo ': de apresen tar inúmeras e evident vantagens . Ante de tudo ...
Robinson Crusoe, de Danicl Dcfoe , e Ar uiage11s de Gulliver, de Johna- diminu iria nor::velment o número de papistas que nos invadem
th. n wifc . tam s entre 1725 e 1726. todo o anos, já que slio os maiores fabricantes de crianças cm
Defoe, emborn apresenie um modelo d vida a estado natural , de todo o paf e seu inimigo mai perigosos . .. •·
acord com moda do século, mo tra, na realidade, um R bin n ba -
cante carregado da ideolo ia e da ciência contemporânea. is motivo Uma pedag gia desse ênero fora e perimeatada por Herodes , na
decorrem de eu romance : o primcir , progr sista , é a capacidade teó- hipotética matança dos inocentes (sentimos não tê-la apresentado a seu
rico-prática d Robin n, que conse ue construir sua habit ção e ua tem po). Mas uma prop ta não mujto difer t d ta obre os "papis-
mob!Jia não porqu e ·ercera alguma atividade manual , mas porque escu- tas" foi apr s atada seriamente, como vimo , pelo grande Bacon.
dara matemática (associa, na realidade, macem1íti a e capacidade ma• Muito portuna, também , é a crítica de Swift à mai altas ia ti-
nual ); ni so de é um homem moderno: twções culturais da Inglaterra, de modo particuJar àquelas academias
entre as quai e ·tava qua e realizaod a baconiana Casa de alomão . A educação estava na moda : dela se ocupavam o oberaoos, o
EI a coloca na berlioda ima inando uma ilha suspensa no ar, Laputa, fi1 'sofos, os utopistas
e os romanci ta . ntre estes também entre
cujos sábios estão tão concentrados em suas especulações que precisam o mais " lcvian " e mundanos, até na Histoi,e d11 cavalier des Grieux et
de alguém para despertá-los, a fim de ontinuar os discurso com o de Manon Lesc1111t de Prévost, de 1731, é possí el encontrar curiosas
ou cro . notícias s bre a rbonne e seus exames. Ele nos informa, por exem•
Numa forma bem d.iler nte deles, wift assinala o problema das pio, que também a mulheres já eram admi tidas a assi tir os exames
relações entre teoría e prática que vimo em D • oe e cocontrarem de (áurea (exame · de formatu ra), porém num lugar à parte; de fat ,
em muito outros a parrir do enc:i lopeclista :
"dnham ido adaptados, para com didade da nhoras que gui-
casas ã construída mui to mal, o muro fora d esquadro, ·es em a ·i tir aos ·ame , alguns amarot oportunamen te sepa•
m _um ngulo reto; i o porqu • d sprezavam eomet ria prática , rado das alas d aula mediame grades d madeira" .
considerada por eles matéria vil e vulgar e, por isso, davam instru-
ções baseadas em conceitos muito b tratos para a inteligência de Informam-nos também que aquela <.-erimônias universitárias, tão
eu operári ; e i·s pr v · a erro t'OntÍnuo ... " p. I2 ). brilhantemente ironizada por Mali re, tornaram• e uma ocasião de
mundanidade. Quanto à e sência, Prtvo t não está isento de i ronia sobre
E o cngr çado é que, como em Lapu ta, também n cidade de Laga- os ricos e sua in trução; ele, de fato, onsidera sábia a Providência que
do criam-se academias de inventores, todos dedicados às mais estranhas fez os ricos tolos, para erem explorado e
pe quisas : extrair rai de 1 de ab6bora fazer voltar o · ·crement
humanos aos alimentos originais, calcinar o lo para extrair dele pólvo- "outros o enganam, outros provém a instrução deles e procuram
r de tiro, construir casas começando pelo telbad , ar r a terra m torná los geate hon 6ta, mbora raramente o coni;Í am ... ".
os porcos, utilizar as teias de aranha para fazer tecidos e assim por
diante. as é especialmente digna de observação a "máquina para apren• Estas e ou tra informações mostram o pou crédito de que já
der", um grande quadrado com uma rede de quadrinho móveis ond gO'Lavam as in 1itu içõe educativa traclicionais .
estão e c:ri ta todas as palavras cm todas as suas flexões: fazendo-o ro· e continuássemos a procurar na literarura de todos os países, não
dar através d manivelas, ele dá todas as possíveis formações de frases acabaríamos nunca . Pode-se es uecer o delicadc. de enho da " provfncia
insensatas, que são escrupul emente coletad e decoradas . É o typo- pedagógica" n · Ano de noviciado de \Vilhelm Mei!ter e o Fausto de
grapheum vivum de meoiu , vi t por um espíric extravagan te. Goethe? Lembre-se a queixa inicial do doutor Fau to, na primeira reda•
Ainda n âmbito da viag ns reai ou imaginária para a descoberta ção da obra em 1776 , con ervada intata na redação definitiva:
de novos co tumcs , pod mos l mbrar que na França , em 172 1 isto é,
alguns anos ante do Robinson e d Gul/h,er, tinham sid publicad.:is "Estudei a fundo. ai de mim, filosofia , jurisprudência, medicina e ,
a Leetres persam.'r de Montesquieu, que, derrubando o csqueOlll tra• infeli2men te, até teologia, com taota diligênci!l. E agora, eis-me
dicionais, imaginava a viagem de um estran eira na França e se divertia aqui , pobre louco, mais d que anres" .
em obs rvar através de seus olhos de encantados os costume· habitual-
mente con id rado normai . EoCo o eu persa e creve a um eu r• a verdade, não podia ser feita uma crítica melhor das quatro
r spondente na Pér ia estas impre sõe obre as e cola france as: faculdades da universidade tradicional, isto é, de todo o sab r da época .
Uma rápida visão dos estudos de um "jovem senhor" da metade
"Em Pari , meu car Rhedi , existem muho ofíci ... um número do erecentos nos é dada pela autobiografia (Vita scritt11 da esso de
infinito de m trcs de língua de arte e de ciência • ensinam Alfieri . El me mo decla ra qu eu nobres parentes eram ignorantfssi•
aquilo que não abem; e é prova de talento verda eiramen te admi- mos, porque era
rável, porque é preciso pouca inteli ência para mo trnr aquilo que
e sabe, mas pre isa- e intdi ência infinitamente uperior para " principio costumeiro dos no so nobre de emão: para um ~cul1 1

ensinar aquilo que se ignora" (C11,ta 5 ). não era necessário tomar- e doutor" (Cap. II):

Parece-o s ouvir de novo os goliardos m clievais : "Estes no ensi- estavam ainda no nível da cultura d um Agrican . as, quanto a s
nam, ma não têm dou crina'' . A críticas à ola ão empre a me . seus studos, nos limitaremos a e.r em que termos Alfieri fala clis :
ma , porque a e ola é sempre a me ma. "oito anos de ineducação", "esrud s pedantescos e malfeitos ', " naque-
la e colinha, burro entre burr , rendo com me rre um burro", '' tema Diderot , o verdadeiro pai da Enciclopédia, no verbete " Art", após
sem gra a e e tupidi im ' , "a4uel nã -e tudos", "aguela bestial ter clislinguido a geome tria das academia daquela das oficina , esclarece :
filosofia" , "estudos burlescos de hum nidadcs e de retóricas burrices''
(Cap . II-VII, passim . "Aqude que sabe somente a eometria intelecrua] é normalmente
A revolta d Alfieri é um unicum pejas suas caracteristicas per- um homem em de treza, e um arre ão que tem somente a geome-
sona1issimas : mas sua críti sã agudas en rali da também na tria experimental é um operário muito limitado . . . obre certo
Iráli ; e com elas, as pr postas da Reforma . problemas tenho certeza que é impossível con eguir algo satisfa-
cório das duas geometrias em separado ... Façamos, afinal, aos
artesãos a justiça que lhes é devida . As artes liberais e auto-elo-
J . As luzes e a Enciclopédia giaram bastante ; usem agora roda a voz que êm p:ira celebr3r a ·
artes mecânicas".
. E tava começand (ou já • iniciara) a era das grandes cnciclopé-
d1as, tran crição mcxlcrna do antigo onomastica das e letâneas dás i- uanta di tân ia da sátira d ofício , das desdenhosas opiniõe
cas e medievai (de Varrã , d Plínio, de Marci~no Capela, de Cas io- de Aristóteles, Cfcero ou ier Paolo Vergerio ! Quanta água pedagógica
d ro , de Isidoro de vilha, de Beda), do Su nmae, "espdhos" e "tesou- passou debaixo das pon tes nos milênios ! Além clisso, Diderot tinha
ros" até ao " léxico ", dicionári e "pampedia "do último sécul . idéias bastante daras obre as relações sociais:
encicl pédi , junto ao rig r cientifico na sistematizaçíi do aber têm
a inten ão de enriquecê-lo e fazê-lo progredir. Após as críticas de ' wift "Podem-se apostar 10.000 contra 1: o ênio, os talentos e a vir-
c_de ontes9uieu, tã diíerence entre ela , vejamos então o encicl pe- tude sairã de uma cabana mais que de um palácio" (Plano para
cli ta , espec1almeate Diderot, d'Alemben e aquele gênio e ncraclitório, uma univerridadt: na Rdssia) .
um do pai da pedagogia moderna, que foi R us eau .
, . A redação da grande Enciclopéd111 das ciências, das artes e dos É notável que na lista dos colaboradores que egue o "Discurso
o/1c1os (1751-65) , precedida, como abemos, por inúmeras iniciari a preliminar" da Enciclopédia e rejam mencionados alguns artesãos que
análo_gas, nasce na onda daquela grande preocupação de classificar e "montaram e de montaram vária veze , na presença d cnhor Didc-
rot, o métier J bas , máquina admirável", ou " deram esclarecimentos" so-
atual.wir o aber que ocupara todo o eiscentos e a primeira metade
d etecearos, de de Bacon a Comenius e até L íbnil2 : ela marca uma bre seu ofício, ou " forneceram informações sobre hi t ' ria e a prát ica
virada na bi t ' ria da cultura. Na gradiosidade do empenh cultu ral , de _sua arte", ou que "nada deixaram a desejar sobre seu conhecimento" ,
que talvez seja mai característico é a admissão das artes junto às ciên- a sim como
cia e cultura intelectual · nã e trata mai da arte "liberais" de de
a . ramá_ti ~ª- até à filobofia, 111ab p1 pi ia1m:11t1:: ua:; llrlC · e ofici~ que
"um grande número de pes oas bem-intencionadas instrufrom o
vim , 1rucralrnenre numa forma timida e, em seguida , numa forma eohor Diderot obre a fabricação deste u daquele produto" .
corajosa, reivindicar s u lugar e sua clignidade na formação e na ativi-
dade d homem . O próprio título da Enciclopédia já é um programa Este Diderot que visita as oficina dos arte ã lembra-no Etienoe
rev lucion:írio. Boileau que, em 1272 , registrava da viva voz do artesãos das corpora•
A consciência revolucionária de s us au tores se expressa admira- ções seu estatuto e n uetudinário e - r que não? - o jovem
velmente na palavras de d 'Alembert que concluind a li ta em d Garg~ntua e a escola para ele organizada por Ponocrate. a aqui Dide-
conhecimentos, diz no "Discurso preliminar" : rot procura compreender as novas relações entre culturn e trabalb ,
como diríamos hoje, entre a geometria inc lecrual e geometria experi-
"A especulaçã e a pratica constituem a principa] diferença que m arai, ou a eomerria da academias e a ge metria da oHcina , como
clistingue as ciên ias das artes. Em geral, pMe-se dar o nom ele le dizia naquela época. E , como Rabelais e Bacon um século e meio
arte o qualquer sistema de conhecimentos que é possível traduzir antes, ele se preocupou especralmente com "trê artes que gua e muda-
cm regra . . . Ma a ím com xi tem regra para a peraçõe ram a face da terra ": a imprensa , a pólvora a bú ola .
da inteligência ou da alma , assim também e i tem regra para a. Ele também vê om uficiente clareza o concur o da , forças que
operações do e rpo . . . Dai a distinção das artes liberais e mecâni- peram a mud nça: o artesão pela mão-de-obra, acadêm ico pdas suas
ca e a uperioridade que se dá li prim ira re as egunda .. . luzes e orientações, o homem rico pelo cu teio da maquinaria . Enfim,
uperioridade que, sem dúvida , é injusta por muitos motivos . .. " . começa a ver claramente o de nvolviment capitali mo moderno,
m ua divi ã social; is como destaca , com objetiva apacidade de "Não se conhece absolutamente a infância : com base nas falsas
obscrva ão, a divisão do trabalho dentr de urna fábrica : idéias que temos dcla, quaato mai e a l!IlÇS, tanto m:ii se erra.
O mais sábios ba eiam-se naquilo que o homem adul precisa
'Quando uma fábrica é numero a, cada tarefa upa um homem aber , em considerar aquilo qu a criança tem condiçõe de apren-
diferente. Um operário não faz e não fará em toda ua vida mais der . Procuram mpre o homem na riança, em pensar naquilo
do qu uma e única coisa; um utro uma ou tra coi a; diss d cor• que de era ame de ser h roem. Eis o estudo a gu e pedalmente
re que cada um fará bem e depr a ua tarda e que o produl , me dediquei a fim de que, embora tod o meu método resulte
além d er mdh r, é também aguei que se en ontra a um pr ço quimérico e faJ o , a minhas obser ações poderão er empre ap -
mai barato". v itada . P o ter crrsd sobre o que é preciso fazer; mas acho
não r rn erradas as observaç s que eu fiz obre o sujeito a er
os confrontos com Diderot , bem diferente scrá o di curso d trabalhado . Comecem, então, e tudand melhor seus alunos, por•
Rouss u. Com também muito diferente e absurdamente atra ado, den- que tenho certeza que não s conhecem absolutamente; ora, se
tro da pr pria Enciclopédia, é o verbete sobre a "Educação", de autoria lerem este li ro nessa perspectiva, eu cho que lhe será de grande
de César Dumarsais. E te inicia, como Comeniu , pela l3íblia (Erudimi- utilidade".
no, qui iudicaJir terram e continua ancionando a divisão social tam•
bém na educação: Todavia, é uma simplificação banal reduzir todo pensamento de
Rou eau à visã pue.rocêntrica, à tomada de consciência da "natureza"
••t evidente 4uc para cada ordem de cidadão num E tado hã um da criança, e quece. o aspecto iaJ; e ainda pior seria reduzir o
seu puerocentrismo à espontaneidade à permissividad , quando nele
tipo de educação prnprin · clucação pars os filhos dos soberano ,
hei tontos outros e complexos aspectos .
educaçã para os filhos dos grandes, para os filh s dos ma i tra-
do etc., educa ão para as crianças dos campos, onde , c mo exis- O direito à fdicidade direito à igo rância da coi a inadequa-
das à infância, a rejeição do método catequético, a e.x lu ão d s estu·
tem esc la para aprender as verdades religi as, deveriam também
dos especulalivos, a necessidade de ensinar não muitas coisas, mas coi-
existir escolos nas guai e mos trassem a ele os exercícios as prá- sas úteis, não as ciência , mas o o to de cultivá-la ; a condenação do
tica , os deveres, as virtude do seu tado, a fim de que apren- livros , " triste bagagem " da idade infantil, cujo abu o mata a ciên ia ;
des em a agir com mais reconbecime.nt .. . " (p. 397). a evocação constante da natureza como mestra de Emílio e do seu peda-
gogo; o adiamento do e tu de hi tória, de fil ofia, de moral e o
essa perspe tiva, oltada para o pa ad , tem pouco sentido a aber perder tempo são o principai aspectos que negam a educação
· aspiração de fazer conhecer a prática das artes; tem mais sentido, tal- tradicional. ncre o aspect p sitivos merecem er mencionado a
ve:i, o reconbecimento da f?" 0111 milit11r como "modelo de educação" : redescoberta da educação d s senrid , a valoriza ão do jogo, do traba-
contém , de fato , d is ponto , a saúde e a adequaçã ao objetivo, que lh manual , do exercício ff ico e da higiene , a sugestão de u ar não a
poclerfomo traduzir e mo educação ffsica preparação pro(i ional memória, mas a experiência diret da coisas, e de não utilizar ub ídios
para não jo á-los no esquecimento da lú t ria . didático já prontos mas construí-los pe soalment~, e , obretudo, o pla-
Também Rousseau , cujo méritos na hi t ria da cuJrura e da eda- no progre i o da passagem d:1 e ucaçã do · encidos (dos dois aos
gogía em particular são bem conhc:cid , trabalha , por um cerco tempo d ze ano ) à educação da inteligência {até quinze anos) da con .
em discordante concórdia com o enciclopedistas . ciência (até aos vinte e cinco anos). Estas outras ob rvaçõe criticas
em dúvida, Rou eau revolucionou totalmente a abordagem da e construtivas coo tituem um onjuoto, não isento de incongruências e
pedago ia. privilegiando a abordagem que cbamarei " ant ropol6gica", con tradiçõe. , ma que delineia o plano de um peda ogia inovad ra
isto é, focaUzando o uj ito, a crian ou o homem , e dand um golpe libertadora. Atrás desse plano situam- e Locke e muito outro , ma
Ít-rn7 n ll si hnrc111 em "epi temol6gica ". centrada na redassificaçã do Rousseau destaca-se, obviamente.
ab r e na sua transmissão à rian a c mo um todo j:í pronto. Pela Afirmou- e justamente qu a novidade de Rousseau, não obsramc:
prim irn vez, ele enfrenta om clareza probl ma, focalizand "do o parad ~o pelo quaJ eu m lo para a educação do homem soei.ai
lad da criança" , n iderada nii mente como homem in /ieri , mas seja, no Emilio , um descendente í olado de uma família nobre ri a
propriamente como criança , ser perfeito m i. Vejamo o:i ua obra- (uma opção que foi criticada :ué por Vincenz Cuoco), consiste exata-
prima peda ógica , o Emflw: mente na relação que ele estabel ce entre educação e sociedade. Ma
cho que jusramente nestas rei õe e mani (es1am claramente os limite
e a contradições d Rousseau. Ba ta nsiderar o papel que ele atribui tos para outros; e tspecialmen1e artesanato acaba _endo apre en-
ao trabalho na instruçio, profundamente ba eado numa concepçã atra- tad como uma atividade conforme a natur za e a indústri c mo uma
sada d d senvolvimento real da for • produtiva e do modo de atividade e tupidament m ânica. E agudes "manufa tureiros de meias"
produçã e da pr6pria ivi ã d tra alho, que fica muito aquém da d que ele fala! Diderot não falava a im do métier à bas !
realidade da revoluçã industrial em at e da consci ' ncia qu dela
tiveram , r exemplo, en icl pedi ta , e em que a presunçã da exis-
tência de um trabalho "natural" se associa à suposta possibilidade de 4. Propo ta e awaçõe de uma escola estatal
escolha que a hist6ria nced ao privilegi do Emilio; além dis , a
mola que impul iona para a aprendizagem de um trabalho é a pavorosa
114u1il1L D iJc1uL luL1t \lll l. OllUH os ataque da lgrcja e a proibi-
expectativa de uma re olução. Vejamos R u eau falar d tra alho·
ada propo içã choca om a ou tra : ções do Esrndo para I var a termo a ua enc.icl pédia, e enqua t R us-
seau voltava a co tas socic:da.de para id latrar o eu litário Emílio,
V6 confiai na ord m atual da iecfade , m pen ar que e ta outra oze ·e I vanta am licitand uma intervenção inovadora do
ordem é s jeita a rev luções inevitáveis. . . Aproximamo-nos de Estad no catnpo da in trução, tradicionalmcnrc entregue à Igreja.
uma situação de rise e do século das revoluções . .. , e a nacur za m L76 aparecia Essai d'éducation natio,,al de ouis Ren de
nã faz n m príncipes, nem ric , nem grande enh r . Feliz la Chal tais ( 17 1-8 ), um dos prota onista da expul ão dos jesuít a
quem sabe deixar entã a condiçã que o dei.xa ser o 4u é, e per- da França, apreciad por olraire. esse ensai Je prote cava contra
manece homem a d speit da sorte ! .. . Trabalhar é um dever in- a tradici nal cJCdu ão dos leigos do nsino e rei indicava uma educação
dispensável para o homem social. Rico ou pobre, potente ou frac , u dependesse somente do E tad , rquc: , dizia :
todo cidadão prcgujçoso é um patife ... Entã cu lhe digo: Cul tiva
a herança de teus pais. Mas se perdes esta herança ou não tens ne- "t justo que s jo ens do Estado sejam educado pelo pe s ai d
nhuma, o que faze r? Aprende um oficio ... : um ofício, um verda- Estado"
deiro ofício, uma arte puram nte mecânica, em qu a mãos traba-
lhem mais do que a cabe uero absolutamen te que Emílio perspectiva ele apr enta a um plano de instituição de e •
aprenda um oficio ... mas oão quero, porém, que seja bordad r, col , com s relativos pro ruma , nos quais predominava o en ·in de
d urad r u en erniza or, com gentil-h mem d Locke; não história e da ciências naturai , vi ando es encialm nte f rmação da
quero que seja n m músico, nem e mediógrafo , nem autor de li- inteli ência. ão era um plano d educa ão dem crática de toda a po•
vros . . . uando tem a possibilidade de optar e nada n obri n pulaçiío · além do mai , I · era on trário, por exemplo, à ação dos irmãos
por que não consultar o prazer, a inclinação, a conveniência entre as da esc las ri tã , 4ue de d o início do século vinham difundindo a
profusões do mesmo gênero? Os trabalhos m metal são úteis. iastruçã entre crabalhad n::;, porque temia que isso s t ria afastado
at~ o mai útei de tod · todavia, a men s que razões especiais d 1 1 da profissões mais humJlde t: nc sâria . ta
ejam apre ent da , não for i de vo o filh um ferrad r, um ntradiçõe que evolu(a o debat~ pedag' ,ico.
f rreiro ... ; aão go taria de vê-lo perante a f rja em figura de res m m s ano , na Alemanha, Johann Bernhardt Ba ed w
Cíclope. Assim também não farei dele um pedreiro, m nos inda ( l 72.3- ). uma figu ra di. utida que Kam apre iou, Ilerder de
um sapateiro. °É preciso que todos os ofícios ~jom xecu tado por Marx depoi escame e, su. tenta a laicidade e a e tatalidade d
alguém ; no encanto, quem pode scolher d ve e n idcrar o a pec-
t da limpeza, porque aí nii é que t- de piniõe : ne te pont " Aqui não há car6Jico , nem luterano • nem r formados. ma5 so-
são os s ntid a decidir. Enfim, não gosto destes ofícios estúpidos , mente crisrão . fil antropo e cosmo litas ... 6s
cujos operário , em n nhuma criatividade e reduzidos a autôma- querem s f rmar om n e eu peus . . . ";
tos, exercitam suas mã s sempre nos mesmos trabalhos: os tece-
loe , os que fazem m tas, os e rtad re d pedras : a qu erve e, l't.lmo Lu h1duui i , au:.pid11va yuc a:. e cola
emprega r ne te ofício h men · nsaro ? É uma má uina condu- critérios unif ormt pelo •stad para o m civil
zindo outra" (panim) . e tirada do d minio ectário das Igreja .
a sua Relação aos /1lantropos de 176 , i to é, cin o ano dc:poi ·
Não é o gentiJ-hom m d Locke. ma é um nobr nhor que do livr d La halotais , le parte da constatação da decadência da
" pode escolher' um ofi io limpo, dei. ando ofíd s su jos e iasen a- in tru ão:
"Continuamen t e ouvem e lêem queixas d que o rgani mo " e orna da e de cidadão vie e excluída da educa ã pública,
das escola e dos estudos decaiu e não fun iona , ma ninguém o meu plan eria imperfei to e vici o" (p. 738 ). " ... Mas para
poderia dizer em que período do último milênio ele tenha e tado ser univcrs 1, não de e ser uniforme . Eu divido inicialmente o pov
m melhores condições (S 1) . . . O período mais tciste da ra em dua elas e : na p~meira iruo todo aqudcs que ervem
cri tã, no pas ado, deu à univer idade e, em geral, ao estado da pod riam ervir à s iedade om os braço , na egunda aquel
inscruçã pública o cará rer que c nserva ainda boje, mas não pode- que a ser em ou poderiam servi-la com seus talent s" (p. 740 .
mo e perar de cobrir nele muita coi a de bom e d ú til (S 2) . •.
A importância da edu ão e da in truç.q exi a suprema vigilân- Para ele, seguem-se daí "algumas diferença no en in relativo a
cia de um mini tério e tatal io estido de aut cidade, um mini técio cada uma desas classes ":
que tenha oponunidad de er uvido pelo ober no. .. S 6).
m cada E tado é n ce ário que haja um mini t rio de grande " ria impossível io tituir escol.as para lasse mais numerosa ...
autoridade para a educação e a in trução ... (S 7)" . Re e.rvaríam , portam as casas públicas de instrução para a se-
gunda da · e pr oraríamos um outro meio para a prim ira"
Des a forma, no clima d despotismo iluminado, amadureciam as (p. 741) .
idéias e as <.'Ondiç-es para uma passagem definitiva da instru ão das Igre-
jas para os stadc . a Alemanha as tradiçõc não faJtam, desde quand E, c ntrariando ou ignorando a posiç1i avançada de um Diderot:
Carlos V, assumfado as exigºncias do reformados , pr amara que a
escola devia ser fábrica não somente de cléri o , mas também de magis- "O agricu ltor, forr iro, ar tesão etc ., de tinad s a servir à ie-
trados . dad com seus braço . não prt.-cisam senão d uma fácil e b reve ins-
a r rança, Mabl , iunão de ndilla , n cu De lu Ugislutioll ou truçõ .. . " (p. 717).
principer des /ois (1776), imaginando um diálogo entre um inglê e um
ueco, trata difusamente das lei relativas à educ çã que a r p 'blica Mas, das pr s ta.s dos teóri , pas amos agora :i aruaçã por
deve dar aos cidadãos e fala com de pr z do. parte d ·oberanos iluminad
Tomou- e fam a a frase da imperatriz da Ãu tria, Maria T resa,
" mestre m rcenárj s, ujo bjeri o é en inar penosamente num com que , ao firmar decrct para a con tiru ição da Com.is ão da Corte
college um pouco de pé imo latim e muita tolices" (p . 372); (Hofkomm ission) para tados, equivalente a um Mjnistério da ln ·
trução, independente do Direktorium in publicis et cameralibus (o Mi-
e concluía categ ricam nte que nistério do Interior , ublinhava a importância da decisão :

"não cabe a pedantes, que não têm idéia alguma da sociedade nem "A instruçã é e sempre foi, em cada época , um fato político"
d s r curso que a dinamizam a fazem florescer, ambicionar a (ein Politikum .
b ora de educar os cidadãos" (p . 373) ,
Estava- e n ano de 1760, durante a Guerra do te Ano , e Maria
Através de posicionamentos cora josos e avançados, ele antecipava Tcrc a exprimia com absoluta lareza uma romada de oo iência det r-
" a mais perfeita igualdade entre os cidadãos ou pelo menos entre as mioante na hi tória moderna . conflit m dieval, que foi t mando
diferente ela ' e delineava um r jero de in · t-rução "pública e geral" forma entre a in erteza de conduta do impéri e do papa o na época
que continha a inslru - milit r para aprender a obedecer e comand r, carolíngia, chega a fim . Ame dess data a escola fora , quase total-
o direito natural , "que poderia chamar direito de i ualdade entre os mente, um fato pri ad · clesiástic , embora controlado pelo poder
homens", já que "a natuJ'e-ta ninguém fez nobre ou vulgar" , e, por público. Ma nã é por acaso qu , em 177.3, f i uprimida a ordem dos
fim, a história ; tudo começando através do ensino de coisas a radá eis jesuit (a Companhia de Je u ) A Igreja ca tóli a d pois tentará reagir
(p. })//). conua c:i.:,a ,cvii avolra dc1crminantc da histód moderno , procu.rondo
Na foílfa , Filangieri, no livro I da Scien:ta de/la legis/.aiione recupera r-s , especialmente a partir do perfod da re tauraçã . Mas o
( L780), trata ' 'Das leis sobre a educação , cosrume e a i nstruçã valor do fat permam.-ce ; a ed cação agora as unto estatal, oisa do
pública", propondo um reformism moderado . El é pela universalidade Estad .
da instrução, não pela igualdade: O principal inspirador da reforma foi 1 naz von Felbiger ( 1724 -
1788 , qu vinha d uma iniciativa análoga realizada na Prússia, rom
Frederico II; a el Maria Terc a c nfiou a e1 boração d um proj to 5. As revolu ões do Américo e da França
geral de rcf rma da in cru - , que foi apro ado em daembro de 1774.
a introduçã lê-se: Vimo a palavra d s fil' of , atfrieo , r mancistas políticos ·
lembram política dos oberan ; mas nã pod mos, de modo algum'.
"A juvennrde de ambo o exo é a base prin ipal para o bem- e quecer um fat --cncial : a revolução indu triai. ta ev lui a passo
estar do povo". gigaores o especialmente na Inglaterra, mudando não somente os mo-
dos de produção, mas também os mod de vida dos homens, deslocan-
O quadro rganizativ da in trução e tacai qu result u de a ela- do-os do antigo · para os novos as entamento e tran formando, jun to
b r:i ão comprei,ndi:i : 1. A Trivial ou deutsche chule (escola popular com os proces os de trabalho. também uas idéia e ua moral e, com
do Trivium u alemã), que podia ser freqüentada na idade do eis a ela , a formas de instrução.
dez-doze anos ; esta escola devia ser con tituída na vila junt a cada a egunda met de d teccotos assiste- e ao desenvolvimen to
paróquia, por um mínim d doí an , e em cada clistrilO, por um da fábrica e, contex1ualmente, upres ão, de f ro e de di r it , da
mínimo d crê ano , anexa, conforme o caso, à suce siva escola de corporações de artes e Hei s, e também da aprendizagem arte anal como
latim. 2. As Hauptschulen, cs olas prio ipais, destinadas a formação pro- única forma popular de instrução. ste duplo processo, de morte da
fi ional, das guaí faziam parte as ormalrchulen, escolas " normais'', antiga produção are anal e d renascimenro da nova produção de fábri•
para a formação d s professore ·, m duração de quatr an . 3. ca , gera pa para o surgimento da m ema instituição escolar
Gymnasir:n , c ·cola inL rm iárias de laúm , que preparavam par as pública. Fábrica e escola nascem ju nca. : 1 i g criam a e o la d ·
uoiver idades. Era previ ta a po ibilidade da pas ag m das Hauptschu - Estado vêm junta com a leis que suprimem a aprendizagem corporativa
len para os G ymnasien : " ligação da escola n rma1 com ginási e também a ordem do jesuíta ). O füó ofos e os soberano ilumina-
dissera Maria Ter a - é um princípi utilíssimo" . ~- ntim. a univer• dos não ü ram nenhuma novidade do próprio cérebro, ão apena o
idades , já reorganizada anteriormente . intérpre tes e os executore de . a realidade que e tá mudando . asce ,
Além di , a rescen te-se que no mesmo pcríod foram constituídas simultaneamen te, a nova iência da economia política , como análi e
scolas especiais de vários tipos: a academia de equitação ( 1746) a científica e como "ideal gia" de te n v proce · o : oo eu au t rcs
academia oriental 1754 ), a escola de desenh manufatureiro para a in- (d m.ith a Ricardo) são freqüentes as considerações sobre s prejuízo
dústria têxtil (1758), a e c la de comércio ( 1770) . Re ulta daí um qu a re olução indu trial pr vaca nã somente ao adulto , mas am-
quadro que já tem toda a caracterí ticas de um moderno sistema e bém à criança . cxplorand eu trabalho e privando-o · de qual4uer
instrução geral e técnica . José II, filho de Maria Tere a, a irn interp rt:• instrução. a análise de ses prejuízos e rar:í ba eada a "crít.ica da eco-
cava o espírito desta reforma : n mia p lítica" premo i pelo sociruista (Marx).
M , por enquanto, voltemos de es fac e truturai aos fatos
" O principal dever de ada cidadão t to mar· e apt a rvir ao supra-estruturais da poütica.
stado. Conh ciment , aber e bon c stumes ão os meios m - O processo de politização, democratização laicização da in trução
lhores e mais eguros para atin ir o bem-estar extern e interno" . tem origem na n iência dos incli íduo e na prá tica dos Estado..
Com as rev luções da mérica e da F ça, a exigência de uma instrução
Às reforro s austríaca seguiram-se reformas análogas em outr universal e de uma reorganizaçã do aber, que acompanhara o surgi-
Estados: a da Prú ia ( 1763). preparada pelo pr6prio dbiger anre da mcmo da ciência da indú ·tria moderna, de problema do fil6sof ou
Áu iria , e a da axônia (1773). a Polônia, ainda independente, o d s déspotas ~darecidos tom u- e objet de di cu - políticas das
último rei, Estaoislau Poniatowski, con tituiu m l.º d outubro de ~ande as embléia repr senlativa . político são os novos protago-
1773 uma Comissão para a Edu , ã "naci nal", para cujo trabalhos msta da batalha para a in trução, incfa que Locke e Rousseau sejam
J. J. Roussc-au ugcrira idéias atravé de suas Consídérallons sur le eu in pirad re .
gouveme,111::tf de la JJotogne, escritas dois anos anres. Amda m l / / _; , a América, no momento da revolta dos colonos inglese contra
na Rússia , Catarina ll ~revi a Diderot, que lhe indi ou reforma a metrópole e da fundação da nova Confederação do Esrad s Tndepen-
austríaca de Maria Teresa; em seguida Catarina con eguiu que Jo é II dentes, entre 1765 e 17 3, os chefe ideai e prááco dessa lu ta a um m
lhe enviasse um e pecialista para colaborar na elaboração da reforma publicamente as exigência ref rm dora do ilumini mo e da Encic/o.
que lo o começou a er realizada. pédia. Tanto Franklin quanto Jefferson , em nome dos direi to naturais
do homem, e convictos de que a liberdade exige um povo oro um
e rto rau d in crução, solicita am uma ·•cruzad:l contra a ignorância " , ab olut , resul ta do mesmo princípio que é preciso tomá-los de-
oh da para a pr moçã da faculda inrcl cru, i morai do jo cn . pendente ·omente da A embléia dos repre entaotes do povo .. .
Franklin , em particular, propunha uma ins1ruçã cuj s bjetivo fos em A Consti 1uição nã pode pe rmitir na instrução pública um en ina-
as boa maneira lockianas, a moralidade, as língua ivas e m n a n:ient~ que, a tando filhos de uma parte dos cidadãos, destru i-
na igualdade das vantagens ciais . .. É . . . rigorosamen te ne-
"e e do os ramos Úleb da iéo ·a e da ar te · liberais " . e sário separar da moral o prindpios de qualquer religiã parti-
cular e não admi tir na in rrução pública o ensinamento de algum
· um programa ilumin do, mas em dúv ida ainda eleà o . Jef- culto reli ioso. Este d ve ser ensinado nos templos pelos seus
fer n pr pugnava uma escola !ementar gratuü para toda a criança ministros " .
do sete a s dez :m ~, mdh rcs do quai d vi am ser eleci nado
para a e colas ecundárias, e o melhores destas , para a universidade. Ao lado da proposta d 'ua autoria, muita ucra foram apre en-
esse programa estõ. contidos, m estado mbrionári ou cm projet , tada por b mea de vária tendência . Em l 793 , perante a oovençã
rod os elemcnr de cxpan ã quantiraáva e de renovaçã qualitativa acional coexistiam duas propostas: uma d s gir ndinos e outra do
araCLerf rico · da pedagogia libe raJ.d mocrática . j e bino · . Diziam o girondinos :
O me mo objeávos, embora com ma trizes culturais diferentes
"A instrução é um necessidade de co o e a ' O • dade deve pro-
(o eo iclopedi ' ta · e Rou eau, mais do que Locke , ão repropostos na
porcioná-la igualmente a todos os seus membros" ;
França rcvoluci nária ap 17 9 . Já ahiers de doléa11 ·tão chei s
de enúncia e reivindica - s obre a instrução popular; em seguida,
diziam o j obin :
na on tüuime que surgiu do · s tados Gerais (julh de 17
rembr de l 79 l) serã apresentado s primei o pr jetos de lei , a partir
"A instrução é uma neces idade de todos . A ociedade deve f vo-
daqu le de TaJle rand, <;ut pedia um
re er com roda ua forças o pr gre s da razã públic3 e pôr
a in t rução a alcance e todo o cidadãos" .
'iostru ão pública , gratuita no ue e rdc rc às partes da instruçã
necessárias a rodos o homen · " .
E te acentuavam o compromis o ocial perante as po sibilidades
dos indivíduos.
Ma prata oni ta mai ignifi ativ d ·sta o va fas na Fran a
é ndorcet , c-ienti ta forno e ecretário da As embléia L:gislativa, à Quanto ao conteúd s da nova instrução, já n dia 20 de abril de
qual apre encou o eu Rapport sur ('ínstructíon publique (2 1 de abrU 1792, mité para a ln tru ão da As embléia Legislaáva, discutindo
d 1792) , com o rela 1i o projet de decreto, que foi aprovad cm 17 o projeto de Condorcet, afirmara que "a in crução pública de e estabe-
d ag co de 1792 . relatório articula- em ' nco parte , r pecti a- lo;;~r cm1e o:, clJaJiio uUla i ualJaJc Jc faLu ", e, a )aJtduuu r u pri11-
menr sobre a natur12a e os fin da in truçâ pública sobre a in tru ão dp10 de que ela deve compreender "os elementos de todos os c nhed ·
comum para toda a cr ian a , obre a in. rrução comum para os aduh , m ntos humano " , dava • ma1emá1ic:a e à ciência a mesma importância
s bre a in crução relativa à pr fis - e bre a instrução relativa às que a tradição humaní ti atribuía à lfngua dássi a :
c1encias. a convicça de um inf inito progre do h mem oos vári ·
e tágio de sua história rumo a um estágio em que d apareceria a "Qu c m h men medíocres façam versos, cultivem a literatura
desigualdade entre a na - e as ela . e· , e ·e coo retizaria a indefinida e a língua , daí não i;esulta nada para ninguém ; mas que vinte se
perfectibilidade do indivfduo, ond rcet su e nta a a necessidade de uma di irtam fazendo e periências e b ervações, ele pr vavelmente
instrução para todo o povo , a cuid dos do Estado e in pirada num acrescentarão alguma coi a à ma a J nh imento " .
laicismo ab oluro: uma in tr çã , enfim , " única, g rn ruita e neutra " . Ei
como ·e cxpn:ssu a n:s.i-x:itv u ~cu 1clatório A q11é~cll e dos anti os e dos modem s enc ntrava de& a { rmo ua
an ão poliLica .
"Já que a primcfra condição de toda a in
truç- , a de não ensinar Mai carde, n dia 25 J · junho de 1793 , o Com11ê para a Inmu·
a não ser a verdade, o i nstituto que der público consagra pan ção da o a a embléia , a onvençã , discutindo o novo pr jeto L:pe-
e te fim de em r o mais possível independentes d qualquer ut • letier, recebido por Robespierre e ocado n su cssivo mês d a osto,
ridade polJtica; mas nd que esta 10depen ên ia nã pode ser mas nunca post em práti , preci a a:
"A educação d vc er gratuita , literária , intelectual, fí ica, moral in trução e para reno ar ' CUS conteúdo no ·cnàdo da proeminência das
e iadu tria1", oisas ciénda) sobre as palavra (a I tras) e da ua estreita rela ão
com a vida social e produtiva .
intetíuind , dessa forma , os lemeot inovadore tamo n plano polí-
tico e quantit ti o, quanto no plan cultural e qualitativo.
Sob a Convenção, à parte a leis aprovadas e nunai cumpridas 6. A lgre;a e a revolução na Itália
pel regimes que a acederam, o ca-se um o ereto de envolvimento
daquela instruçã técnica, de vári s níveis, ue é uma caracter[stica do aturalment , embora a instrução conúnua~se a inspirar- e na
mundo moderno, re. ponrlr.nrln il. nPC"f'S.<:i,ladcs imediatas da rev lução rdigili , como i11str11mcn111m regni e para a !tálio logo nnnlfoaremo:;
industrial . m 29 de setembro de 1794 , decid • e a criação de um i o) , a resist&l ia da Igreja católica foi tenaz e ntra a difu ã da nova
nservarórío de Arte e OE/ci , m a dupla função de institut dt fil sofia e conira intcrv nções ju r[di as dos Estados .
instru ã e de mu eu da técni a; ele compreende: a verdade, Bent TV , o cardeal Lambertini (17-1 -58), apareceu
com uma ilha sereno liberalismo na tradi ã da Igreja, tant que
· um depósito de má uinas, modelos, utensüfo ·, de enbo ·, descrí- manteve e rcliai relaçõe c m Voltaire, embora lhe cond nasse a bra;
ões e livro de tod s o ripos de arcc.--s oficias , . . í e explica- também Clemente X IV , o ,angan Ili (l7 9-74), parece aberto à com•
rão e o uso dos uten ílio e a máquina útei ã preensã das novas idéias , tant qu sua m rte deu lu ar a suspeitas
art de envenenamento por part d omJeais c n ervadorcs ; mas, após a
Revolução Fran sa , as coi a mudaram . Pio VI, o Braschi ( 1775-99) ,
E e con ervatóri será muito apreciado por Cuoco. que em I l l u a uma linguag m violentíssima contra o. ilumini. ta!'> : "mr.. rrP ~11m:1.
pro rá ua r pr dução na Icália. m l 19 ele se tornará alta escola mente mentiro os", "fil ' ofo m lvad ", "lobos rapaces" que "vão
de aplicação da iên i a com reio à indústria . Em .30 d nov mbro gritando e imprc.-cando até à náu ea qu o homem nasce livre e não é
d mesmo ano de 1794, abre-se a Escola Politécnica, que prepara, em sujeito a a.inguém" (lnscrutabtli di inae, de 1775, p. 124, 12.5, 176 ,
alto nível , para t a a e pecializaçõe · da engenharia; em outubro 12.5). Depois dele, io 11, o Cbiaramonti ( [800-23 , logo ap6 eleit ,
de 1795 abre-se o Ln tituto acional de Ciências e Art , destinad a na Diu. sal.is, brada e arra o poder políri o sur id da Revolução Fran•
c a, e nrra aguei que
"aperfeiçoar as ciências abstratas mediante pe quis ontínu~, a
publicaçã de d co ertas a orrespondência com s iedades fran- " tentam derrubar as in tiruiçõe públicas e pnvadas e subverter
0

esa e tran eira " . todos o direi~ s hurnaa e di inos, e 1entam de tudo para enve-
nenar e corromper suas tenra almas" (p. 116) .
Do n rvatório ao instituto parece t mar forma , ainda uma vez,
a baconiana Ca a de alomã . Ele m inclica b tinadamenre para clero a
elas criança e d ado] cente .
ão é por acaso que b o domínio napoleónico, voltará a prc a•
lecer o iDL~res e pela cultura tradicional: a lei de I." de maio de 1802 "Considerai ripo d h men estão confiadas as
criará, no lugar das ''escola centrais " da avençã , li eus, e ao crianças e o adole centes o s eminários e no colégios, em que
lad deles, de acordo com a velha prop sra apr entada por TaJleyrand di ciplinas sã in truídos, quais mestres são olhid s para os
em 10 de tembr de 17 1, a escolas "especiais" jurídica e militare . liceus , que aula mini rram ; vigiai a siduamente, indagai e explorai
Quant à in trução popular, e. Ut ·erá at ndida numa forma simples e LUdo; xpul ai u impedi qu se aproximem o lo o ra ace que
rápida:
n~ poupam a grei d rd iro in eate ; e se por acaso se intro•
duziram em algum lugar. afastai-os e destru!- s incontinenti , de
"ILr, escrever, faz r e nt ão n · e ídad de todo e ã tam- acordo com poder que Deus vos deu para a edifica ão . . . E não
bém os únicos conhecimento que é ssívcl dar mediante uma falamos som nte d arran ar das mãos do h meo , de destruir
instrução direta e po iti a aos habitantes das cidades e d cam s" c mplerameote, queimando-o , aqueles livros n quai e atenta
à doutrin de Cri to a rtamen te, mas também, e e pedalmente, é
No seu e njunto, período revolucionário, graças es_pecialm nt preciso impedir que cbeguem à meot s e a s olh de rod ague
ao impulso da nvenção, serviu para afirmar o di rei t de todos à les l.i ro que atuam mais à ndida e mais msidio amenre ".
Des a forma, no momento em que o stado, com forte e, às vez s, numa carteira separada" (-15 ). Alunos corruptos libertin são suspen-
violento anticlericalismo, reivindica para i as funções d in tru ã , e puJ da escola.
reaviva-se cm novo m ldes o antigo di ídi com a Igreja. mo se vé, h ' uma mi tigaçã na pena , ma permanec imutável
a Itália, o domínio napoleónico m ific u o sistema d instruçã , o princípio egund o 4u 1 a rian a " pedagógi a ' é um sujeito que
embora a~ mudança introduzidas não fossem muiio ignifi ativa . e, deve ser reprimido também com ação fi ica ; a posição de j elhos,
por exernpl , !em · as lstruzio11i per /e cuote elemenlari, emanadas em própcia da oração, transf rma-sc num at de ver onha e de sofrimento ,
l 12, em Milã , pelo direlOr•gcr da inmuçã públic, (esta Direção com uma mudança p funda de sign if i ado.
Geral era apenas um departam m d Mini tério do Interior), notamos
um certo progresso em rei ção às "t-srnli1s cr istãs", mas também uma
S ria útil se: uir, junto om os at s oficiais , o sonhos revolucio-
nó'.rim. de vórias t odên ias, orn modera.d s, ora jacobinos , era igu::ilir:í.
tenaz con erv ão d elhos m Livo : ri s, como N icio Eriuco , nrico Michele l'Aur rn, Gio anni Antonio
R nza, alteo Galdi o mais interessad em que t-es edu tiva , ou
"22. [IJ , Devere:, do mestres - Hã d ter e pc ial atenção em Vincenzio Rus , o mai intransigen te.
ensinar a s aluno o princípio da religião, insinuar oel gratÍ·
Ga ldi, por exemplo, mo tra suas dúvida não I Rnto bre a expan-
dão para com o pai e o am r à arte para qual os próprios pais são d in trução, quanr s bre eu carát r e ua igualdade, o eu Saggio
pretendem de tiná-lo , e que ordinariamente é a deles ". d'istruzio11e pubblica rívoiuxionaria , de 179 :
Rcügíã portant , com a reza obrigac'ria das raçõe (27), apesar
"A maior fe.licidad d uma r públi a não seria, talvez ter t do
dos tem r s em con trário manifestado por Pio VII, e trabalho arte anal
entcndirln q11a..~c como uma predestinação natural . E , naturalmente, a
os seus cidadãos filo faodo: isto poderia er prejudicial à arte
de primeira ne e~ idade, porque d imin~rii1 llCJIIPl::i ~ivisã de pro-
policie imposta :
(i õe e ofícios q e con tituem a ariedadc e a beleza das socie-
dad s d vis" .
" 23. O me tres devem iostilar no coração de eu alua o amor
a Rei e à Pátria , a obediência às Leis , o respeito ao agi ·trado
e a gratidão que eles de em e pecialmenle àquele· que procuram Russo, pel ntrário, em seus Pensieri politici, apresentava uma
para ele uma instrução graruita e fazem de tudo para enobrecer posição de t ndência decididamen te anárquica, auspiciando que
seus alunos . Em cada escola, port l , os Munidpios providenciem
que haja a imagem d Rei". "a chama com va ta e ab oluta destrui ão purificassem final•
mente a terra da negra igo rância qu domin sobre tantos milha-
O rei. portanto, identificado com a pama, toda as autoridad s e res de volumes e crito por teólo os e juristas " (cap. XX
todo o benfeitores, isto é, o c tumeiro c aceito da in rrução com
beneficência concedida do alt , ag ra do tado e nã mais da Igreja , E, em sentid po itiv , projetava in tituir no rt:ino de Ná les duas
e não mo direito dos iodivídu . escolas, uma d " moral republi ana" e outra de agricultura ceórico•prá-
e desses prinápi ideai da escola pas amo à prática do ensino tica, cada uma com cem indiv(du , para um curs d quatro anos e
me mo, a doze prescrições relativas ao ler e ao e crever n s repropõem , e mentava :
com minúcias pouco menores do que aquela da Conduta das escolas
cristãs , a me ma didá tica, com a eqüéocia " do reconhecer as letras, d " o abo de quatro an teremo duiento formados capazc de
soletrar, do ilabar e do l r", om o iz " apont d em f rma quadran - dirigir cada um uma e cola ; e ttn:m condi õe de estabelecer
gular" para rever na lou a " um ponto, uma linha reta, uma curva , erca de du z ta · e colas para uma república . ma lei adequada
uma perpendicular, uma blíqua, uma b rizontal e uma s rpentina" . que obrigue toda as criança a a i ·tir urna b ra r dia aquelas
O capítulo da "h nra e castig " prevê um Ji ro de ur e um lições aos c.lará c:111 fJVuCo tempo uma g<.:r çã de filós [ s, f Üze:;
üvro negro , indi and uma relativa moder çã nas puniçóe : em m is elemcnt · da democra ºa ".
chicotes ou varas , o mestre pun aluo de acordo c m a gra idade da
culpa " brigando-o a ttanscr er as li - e as correções feitas nos seus A i m, entr a necess1&1d de dest ruí ão e nh de re on ·uu .
trabaÍb s, dando utro trabalho , adm e tando-o publicament , colo- iío, expressava- na Itália , na forma extremistas e utópicas próprias
cando-o de joelhos por um tempo di ' reco no meio da ala, pond -o de uma iedade atra ada e perturb da por fortes ootra tes, o anseio
de renovaçã , em vi ta de uma totalidade de cidadãos filó ofos e produ- Luís XV! em 1772, ou ainda o t:xcmplo d Walafried trabo e aJun
tore ao me m tempo . "oficiais" da escolas ri tã ', a si cematizaçã didática rigorosa e a
Com mai r equiltôrio e maior senso d história, intervinha, n difos1io m vista de um plano na i nal d in rruçã popular começou
anos napoleónico , Vincenz Cuoco. No eu Rapporto al re (de 'pole , (discute-se quan to à precedência) por bra d a tor anglican Andrew
Giacchin Murat) de 1 09, ele, como Filangieri e aldi <li tingu ia as Bdl (]753-1832) , que, a panir de 1789, di rigiu em ladra uma e la
e tru tu ra d uma instru ão segundo as classes sociais, mas queria que instituída pela Companbi das f adias rientais p:ira o filho de seu
f e " universal, uniforme e completa": em confundir, porém, unif r- s ldad s europeus, e por obra do quaker Jo eph Lancastcr ( 177 -1 3 ) ,
midade com igualdade : qu cm 1798 abri em Londres uma escola para rian as pobres.
F.m 1797 , Rt-11 p11hlirnva seu livro An experiment in educat1011 ,
neccss ri ue exi ta uma instru ão para cod s, uma para muitos isto é,
e uma para pouco . Portan to, a instrução pública seria dividida m
sublime, média e elementar. A primeira nã d ve fazer do pov m exp rimcnto de in I ru ã , realizado no a ilo ma ulino de
tantos s~bio , mas deve in trui-lo tanto quant baste para que Madras, que suger um istema scgund o qu.1 uma e la ou um
pos tirar pr vcit d ábios " (p. 5-6). família pode instruir a si mesma sob a superintendén ia d um
mes1re ou de um parente",
Sua con lu ão lança um sombra obre este projeto iluminado e
moderado, poi , m tra ndo-sc muito ligado aos tempos e insensfvel à e a seguir a esta obra publica rá utro e rit , para frisar que
utopia, ten ta justiíicá-1 om eguinte objetivo, aliás a cante contin-
g nte: "o istema · destinado a diminuir s despesas da instrução, a
abreviar o trabalh d mestre a a lerar os pro ressos do aluno" .
" fazer uma guerra eficaz ao soberbos manufatureiro {ingleses)
inimigos de todo continent , que e tornaram potentes exdu iva- • le exalta e ta ua cJ<p riência no. confrontos com os sistemas
mcnte pda indolência do utro povos" (p . 100). tradicionais,

" como o ~is tcma operni an n c afronto com o si cerna prolo-


ideal da formaç-o do h mem era , assim , subordinado à contin-
mai , c mo a filosofia moderna experimental comparada com a
gência dos conflitos de supremacia na Eu ropa, encre França e Inglaterra .
anóga hipotética. Ele não é formado de indagaçõe bem escrit
Repetia-se, enfim , o qu já havíamos notado em outr reform d r
e elaborada e de rebu cadas especulações sobre a natureza da
desde Bacon a Rou eau. Mas agora fala remos ju tam nte da iniciativa
crian ou a fil ofia do cspírit , tod s estes sã argumentos so re
inglesa na in trução. os quais r gustoram rios de recluc r o el qüêncio sem resultados
prático ou rnngívei progrc s na art ou na iên ia do eo in " .
7. Duas experiência concretas entre o Lanca ter por ua vez, publicava em 1803 o seu lmprovemenls in
Setecentos e o Oitocentos <!du otion, i to é,

a) en ino mú tuo "Melhoramento na educação n que diz respeito à · ela e do


pav , com um br e rela to obre seu e tado pre ente, c m algu-
Nos anos do. Revolução Francesa vinha-se nfi rmando n 1nglaterra
mas uges tõe para aperfeiçoá-la e com relatório especial de al-
uma nova iniciativa educaci nal , prom vida r particulares : o chamado
guns e periment s prá ticos que le am a este bjetivo " .
"ensino mútuo" ou "monitorial", no qual al un ado! scentes in truídos
diretamente pelo mestre, atuando com ariedade de tarefas como :iuxl-
As dua iniciativa paralela deram também origem ao 4uc pod
liarcs ou monitor , en inam por ua ve1, oucros ado) s entes , supervi-
ríam hamar de di ão ing lesa d conflitos en lr jurisd.icionalistas e
sionando e nduta dele e administrando o matcriai didático . reli ioso , conflitos e já exis tem no re to da Europa e decorrente
Embora pudéssem s cicar, um pouco arbitrariamen te, ex:emplo da evolução da in uução. O quaker Lanca ter pr punha, de fato, uma
anriqü!ssimos a partir de Licurgo e Quintilian , u mai recent , com educação religiosa ac nfe sional (undenominational) e o anglicano Bell
o exempl franceses de Herbaulr em 1747 ou de Paulec, apoiado por uma educaçã no e pírito da Igreja ofi iaJ, que, naturalmente, acabou
prevalecendo. urg1r-am as 1m dua ociedade : a ReaJ ln t.ituição Lao- invençõe m dernas" (p. 68-69) que "reduz a um terço ou de mais
casteriaoa (depois, iedade para a Escola Britânica e Emang ira), e que a metade, no oofr mos com a e cola cradicional, rempo
a ociedade Nacional para a Prom ão da Educação dos Pobres nos necessário para a :iqui ição dos conhecirn mos elementares" (p. 15 .
princípios da Igreja consúruída.
Apesar das rivalidades e dos contraste , a ini ia tiva do en ino mú- Em um únic l a1 bem •rande, em cujo m el id al c nstam
tuo espalhou-s rapidamente, e pe:: iaJrm:ntc: p r o ra de Lanca ter, tanto 1rês grande nav divididas por coluna ao long da qua i e tã d i •
na Inglaterra com m todo o mund de lfogua ingle a : em 1 6 já po tos em quadrado o banco da vária ela ses , o alunos, sentando
ex istiam centro d ensino mútuo em ova Iorq e, na iladélfia, em um ao lado do outr de acord com o mérit e o n roveirnmemo , ão
Rn tnn f'" , f'"m ,.,,guid:t , (•m &rrn o:i, ru\ Africn do uJ, 011 fndill , na confi11d os 110s moni tores. O mes tr-e
Austráli ; em 1811 , na Inglaterra, contavam- e quinze escolas com 30
miJ alunos . Logo, do ensino clemeniar ma culino o método se estendeu ' 'está na extremidade da sala semad obr uma cadeira alta. Su-
para o ensino feminino para a educação d adulto e para a escola de perví iooa coda e cola, e e pecialmente os monitore . Vigia as
nível superior, não somente de "gramática", mas também de música dívisõe quanro à instrução, examioa uma ou dua vezes por s mana
ginástica. Poderíamos f ar de uma rcndencia inglesa baseada na ini ia- cada ela e, a i te r pet.iç- dirigida pelos monirore " (p. 22 .
tiva privada , que emergia perante a tendência alemã e rutpoleônica
baseada na ini iativa estatal do abs lurismo iluminado . A· liçõe - d um quar to de h ra nas class s inferiores de
Trata-se nã omente d um métod didático, mas em primeiro meia hora nas superiores ; exer íci s são brc es e fáceis. elas Cinal-
lugar de uma opção política, sujei ta encontrar on n o e dissen os. mente está associada a aprendizagem do ler e do escrever e.: se utilizam
a introdução ao seu livro Enrino mútuo, traduzido para italiano cm m:iteriais didáúcos novos; parciculnrmenre , os livros sã t"!i i ado-:,
l 19, pedagogo alemão José Hamel, pro agandista do método na pelo menos por Lance ter , , té à· ú ltima da es, para rev r o
pa, perguntava: alunos recebem uma tabuinha com areia, onde screvem com o dedo,
e uma pequena lousa. Para ler, os alunos e agrupam em semidrculo
n 'm ou nã difundir a in tru -o no mundo? Devemos ou não a frent· de grandes lou a u "quadro", pendurados nas parceles, e
desejar que as lasses inícriores da socied de recebam pelo menos tudo se desenvolve com rigor<>~ disciplina :
os princípios de uma instrução elementar? " p. 5).
"1. s m nitor de ela e dicam o conreúd
Havia, de fato, ainda stão e crita a liçõe , e o aluno e crevem em ua
alunos Jêem seus quadro suspenso na pared ; 3. monit r inter-
"quem sustente que é melhor recusar qualquer crluc11çiin ' rlsi . P roga um número de alunos da di isão e manda repetir de oz e
inferi rcs da s iedade, do ue e pô-la a des obrir com dor sua de cor os exercícios anteriores " (p. 35).
ituaçã e a perturbar o status quo para sair dele" (p . 7 .
Todavia, esta nova prática do en ino mútuo, que tem a vama em
O ensino mútll era a resposta prático a cst perpétuo medo dos de as ociar leitura e escrita e que arin e não individualmente mas imul-
conservadore , o medo de qu a instrução pudesse "p rturbar o Estado" . taneamente muitos alunos não muda os antigos procedim ntos didáticos
om ua eqüência <l ilabar · oletrar:
Baseando-nos no livro de Jo é Hamel, que fielmente: transcreve dos
escrito de Bel!, de Lanca ter e de aurores franceses que tinham ado tad
''Depois qut: a cri:inç. :tprendem a d enhar o alfabeto na areia,
o método em seu país lo o após a Res tauração, lembram que ensin
com çam a · )emir e crevendo. . . Porém não se mostra mais a
mú1uo, podendo instruir até mil aluno com um só mestre, frente aos
aluno a sílaba a ser escrit , mas s se pronuncia e cada um, ouvin-
cinqüenta em média insrrufdos nas classes tradlclonals através d ensino do-a, a escreve . Chegado às palavr::1s inteira , o monitor pronuncia
individual, primeir a J tras , d pois a síJabas , em s guida , a palavra inteira ,
e o aluno enquanto escreve precisa soleuar em oz baixa . . . e e
"apresenta o meios mais sintéticos e econômico para dar a ia tru- tem a vantagem de que muito aluno podem olctrar junt m
ção elementar oportuna às classes inferiores ... ; tanto que esse se perturbar m mutuam nte" (p. 35) ,
método pode ser considerado justamente como uma da mais úteis
om exceção da "voz bai inha" , nada mud u. Igualmente mecâ- res e aos progre ·os indu -criais, rcvdou-se tão formali ricamente auste-
nico é o en ioo da aritmética e, naturalmente, toda a orientação para o ra como a estatal. Talvez pud · ·e mos de cobrir ni o - como Marx -
comportamento das crianças: um pect da ecular voca ão do capi tal a edu ar para o ri r em todo
processo de rrabalho e, portanto também ao educativo: uma vocaçã
"A primeira classe aprende a escrever alfabeto na are.ia e s b não negativa em i, ma s6 ao · u caráter de: mecânica imposi ão do
ditado. As crianças sentam perante a mesa de areia com uma tabui- alto.
nha do alfabeto . monitor dá a ordem: Preparem-se! Todas as
criança colocam o indicad r direi t brc a orla da mesa, olham b) J. H . Pc talozzi
para a tabuinha enquanto a mão esquerda fica apoiada sobre o
EnqW1nto inovadores ingleses expetlmen tavam o cn ino mótuo,
joelho. monü r m stra uma letra com a vara, por exemplo, A,
na Suí a aruava J. H. Pcstalozzi, declaradam ntc se.guindo a trilha aberta
e diz : Façam A! A cria□ a ap6iam o braço e querdo bre a
por Rou eau , mas bem diferente de te, especialmente pelo seu operoso
mesa e com indicador da mão direita d enbam a 1•tra ... "
filantropismo e pela 'Ua capacidade de traduzir s princípi cm práti a.
(p. )9).
ua ambição foi a de 'juntar aqujJo que R o seau separar ", isto é,
Permanece e é aperfeiçoada a prática dos "sinais" , para cicpre ·ar homem natural e a realidade histórica; e o fez aderindo ao seu 1empo
e também fechando-se dentro dos limites ideais de uma sociedade pr -
as várias ordens :
dominamemente pré-indu triai . T davia, ·eu exempl ncreto e uas
" Cada exercício e moV1m nto do alu n deve er feito de acordo inruiçõe de psicologia infantil e d did'tica n útuíram um dos pontos
com regras determinadas e com a ordem ou autorização ex-pressa de partida de toda a nova pedago ia e d todo o novo en ajament
do mestre ou do monitor eral; as ordens sã dadas ou ve rbal- educativo do Oitocentos.
mente ou através de sinais feitos com a mão ou com meios tele- Ele foi um democrata, a quem A embléia aci nal conferiu,
gráficos" (p. 34-35 ). em 1792, a cidadania fran a, que aderiu em 1798 à República Helvé-
cia e s freu as o siçôe d s conservad res contra suas iniciativas huma-
Estes meios telegráficos, que nos lembram s sinais cm uso nas nitárias e inovadoras . eu pens mento e sua atividade evoluem através
"escolas ristãs", são ou tabuinha com as inici is da ordem ou silvos de afirmações e realizaçõe que, embora impregnada de metaHsica e
ou sinetas, rigorosamente previstos, assim com cada ge t corre n- de ntimentali m conforme o secular clichê de da pedagogia , encoo-
dentc dos alun . lram justament nas reaçõe que provocam a medida da ua originali-
Esta rigorosa disciplina de inspiração meio miürnr e meio industrial dade e n vidad .
é acompanhada por um si tema conúnuo de avaliaçã do aproveita- A evocação de Rousseau pare a natureza, tanto n cntido da "bon-
m nto, além do comportam nto, , com vimo3 , a avaliaç-o importa a &.lde natural" d ser humao , niio perfeito mas perfecrível, quanto no
conónua mudança de lugar dos alunos nos bane s da sua divisão, ou cntido menos evidente , ma pre ente, da per onalidad individual d
a pa sagem de uma divisão para outra: cada criança, pode ser considerada como o poato de partida da ua
pedagogia. Ba eando-n a eu escrito mais sucinto e menos nfáti o,
" ... se um aluno comete um erro , ced lugar ao que está d pois a carta ao inglê Gr aves, em Mãe e filho. esse ponto de partida consi -
dele, que o corrige, e de a forma o mais hábil eh ga colocar- e riria exatamente no
no primeiro lugar. . . D e mod , quem avança passa sempre
para a frente da divisão e quem regride passa pa.ra mi ... A crian- "reconhecimento das imutávd lei · de no · a na1ureza" (Jl de de-
ça que por algum tempo ficou ocupando o prLmeiro lugar da ela se zembro de 1818).
passa para o último da classe superior . .. Assim também quem não
faz progressos suficientes desce para o primeiro lugar da cJasse De te princípio deriv a extra rdinária e fundamental importância ,
inferior" (p. 21 ). por ele fortemente fri a a, primeiro e tágio da vida e do re u o
necessário ao mai tente dos aliad na educação: o amor matemo
A competição é, então, o princípio at.ivo de ta escola , que solici- ou o auxílio da mães" .
tam a participa ão, embora exrrinseca, e não conhecem punições físicas .
Mas permanece o grave defeito do excesso de espírito militarista de "O no so grande objetivo é o desenvolvimen to da alma infantil
mecanicidade na didáti ; a iniciativa privada, ligada às pompa milita- e o nos o grande meio, a ação da mãe" (J de outubro de 1 18).
Despojado da inevitável acentuação afetiva, e I principio mater- Ba tavam afirmaçõe · de --e géncr para p8-1o cm ·u peita perante
n , enquanto prolongamento e concretização d princfpi da natureza , o con ervad r s, para o quaL ualque r alorlzac;ão da criança ignifi-
ignifica muüa coisas pedagogicamen te concretas, que envolvem váríos ca a uma valorizaçã das ela se " inferior ". as Pestal zzi exuai dai
aspec to , quer da r laçã educativa, quer da me1odologia didática, quer uma dagogia fundad n "e pfrito da bencv lºnci:1 e da firmeza "
d context · ial, instaurando-se, como diz o pr6prio P ralozzi, ' uma junt , que "visam o m sm objetiv de e1 var homem à verdadeira
cadeia ininterrupta de providência ". dignidade d ser espiri tual" (J1 de dezembro de 181 ). A ele parece
Primeiramente, quanto à relação educativa , parándo da hipóte que os instintos ou as "vontades" da criança são
do "bom fun infantil", ou d "na tural bondade dos seu sentimentos
e Ja invariá d r tidã de u:1 pensamento:;", segue -se que " manif stações necessárias do instinto animal. cuio excessivo pre-
d mínio é preci em dúvid:1 frear, mas que nesta tenra idade
" a bondade de e ser o primeiro e dominante princípi da educa- não pode r combatid e m a punições'' (19 de janeiro de 1 19) .
ção" e qu "por mei da b ndade e e nsegue mai d que por
coei . o uuos meios " 8 de novembro de 1818 . ere, entã , uma educaçã não-repre iva , não baseada no medo
da punições, " que erviria apena para agravar mal". Embora não
pr tendendo
ão ão afi rmações paciü a : conhecemos já as teoria sobre a
lasciva aela . D resto, o pr6 rio Pe ·talozzi tá con ciente da opo içã "levantar alguma objeção c nua a severidade em si mesma ", já
que e,las pro m, e as assinala a reav :
que "n m cg r defenderia a inoportunid de em qualquer caso
das puni ões corporais na educação", ele p r Lama abertamente
" Ouvi dizer, caro amigo, que, 4uer n seu t.um 11u 111cu pah, Lá que " d everíamos dt:ci<li<la1m::11u.: c.liwi11ar u LemuL ~u111u 1m:i c<lu-
muito que rejeitam to talmente este modo de er, porque nã lhes cativo" (12 de dezembro de 1818) ,
pai; ce onod x '' (15 d novembro de 1818).
e usa palavra durí ima contra o rradici nal adismo pedag gico:
Uma concepção s •melhante pareda ne$1ar as doutrinas do pecad
original e da redenção graças ao sacrifício de Cristo. as o pr6pri "Entre tod · O' tiran , mai feroze são os men re ; e entre
P calozzi cuidava de não idolatr r a priori a inoc 'ncia infantil: a ua tod menores tiranos, o mai terr!v i ão o tirano da e .
e acepção da natureza humana como dupla natureza, animal e, ao m s- cola . .. Como é possível que geralmente passe tão ino ervada a
mo t mpo, e piri tual, levava-o a sublinhar a necessidad de dominar ins- cru Jdadc ootra a crianças , até, seja n id rada com na tural ?"
tintos e paixões , qu "c mrastam com a consciên :ia". Exi re para de (10 de abril de 1819) .
uma narureza " inferior" e u11111 11alu1e.ta "melhor" e, embora a primeir a
não ja m, em i, todavia d er amorosamente RUiada pela segunda : Per ore a rej ição que alh,un aluno rêm c ot.ra a escola, ele cate-
gori amente :ifirma que
"A natur za melhor da criança deve · r encorajada o mais ced
poss(veJ a combater a for a prepotente do in timo aolmal, que eu ' há um ó mei par impedir que estes rn, les predominem .. . : um
método de ensino melhor" (ibidem) .
con idero II base da na1ur za inf rior d homem . .. [Julga- e que]
as paixões d vem ser d minada pelo prin {pio que o n
Com isso podem s emrar no se undo aspecto: o da didática. Pesta-
de ejo devem er re ulad pela razão . . . 1as iste uma f rça
lozzj aürma, om profunda e claro consci ncia , o princípio do inter s
ainda mais poderosa, a d am r matem " ( 12 de dezembro de e da curi sidade infantil mo ba e ara qualqu r intervenção da mã
1818). ou do professor ·

Mas, por ou tro lad , " mestre, e no n ·o ü .410 a mii , deveria antes de tudo procurar
suscitar e manter vivo o interesse pela aprendizagem. A falta d
"Por mais fraca que po sa er a natureza humana . .. , há na criança diligência nas càança depende empr da falta de interesse e esta,
uma força cuja orig m e tá bem lon de qualquer tentaçã ou por ua vez , depende do mé todo de en ino adotado pelo mes tre"
corrupção" (15 de novembro de 1818). (10 de abril de 1819) .
( to implica também o princípi da intuitividade e da gradualidade ai reafirma que é preci partir dos objetos e das imprcssõe
do en ino, que leva do e ncreto ao abstrat : que e tes geram m nós, para eh ar ao pensamento ou idéia:

"O vivo tímulo da curi idade pr v tencati as que, e têm " orno é possivel fazer entender à criança que doi mais dois são
ê ito po itivo ou sã encorajadas por outros, le am ao hábito d qu tro, e primeiro não se mostra i so na realidade? Querer co-
pensar" (25 de 1aneiro de 1819 ). ' 'Deve-se agir sobre a mente das meçar com conceito bsrratos é irracional e prejudicial, antes que
criança com lemenco tirado da realidade e não e m regras abs-