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A PERÍCIA NO ÂMBITO DA ENGENHARIA CIVIL

João Vitor dos Santos Valareto1


Rayara Herreiro de Carvalho2
Aline Botini Tavares Bertequini3

RESUMO

O presente artigo foi desenvolvido com o intuito de evidenciar a importância da


perícia na solução de eventos na Engenharia Civil, e a crucial profissão do Engenheiro Perito,
que através de um minucioso e criterioso trabalho de análise, emite um laudo sobre os fatos,
subsidiando o juiz na tomada de decisões no âmbito dos desdobramentos jurídicos, conflitos e
na resolução de problemas extrajudiciais, buscando elucidar o melhor veredito a ser tomado e
ação a ser realizada. Tal processo resulta em mais justiça, qualidade e segurança social e
financeira aos setores público e privado, pretendendo assim despertar o interesse de novos
profissionais para essa área.

Palavras-Chave: Perícia; perito; engenharia.

ABSTRACT

This article was developed with the purpose of highlighting the importance of the
expertise in the solution of events in Civil Engineering, and the crucial profession of the
Expert Engineer, who through a meticulous and careful work of analysis, issues a report on
the facts, subsidizing the judge in decision making in the scope of legal developments,
conflicts and in solving extrajudicial problems, seeking to elucidate the best verdict to be
taken and action to be taken. This process results in more justice, quality and social and
financial security to the public and private sectors, thus intending to arouse the interest of
new professionals for this area.

Key-Words: Expertise; expert; engineering.

1
Graduando em Engenharia Civil pelo Centro Universitário Toledo.
2
Graduanda em Engenharia Civil pelo Centro Universitário Toledo.
3
Mestre em Recursos Hídricos e Tecnologias Ambientais pela Universidade Júlio de Mesquita Filho – UNESP
(2008) e docente no Centro Universitário Toledo Araçatuba.
1
1. Introdução
A palavra perícia tem origem no latim “Peritia”, que significa conhecimento adquirido
pela experiência (HOOG, 2012, p. 15), tendo sua definição, segundo o Conselho Federal de
Engenharia e Agronomia (CONFEA), em sua resolução nº 345, de 27 de julho de 1990 como:
“[...] atividade que envolve a apuração das causas que motivaram determinado evento ou da
asserção de direitos.”. Sá (2004) cita perícia como sendo: “habilidade em alguma arte ou
profissão; experiência; destreza; exame, vistoria de caráter técnico especializado”.
Alberto (2012) em seu livro Perícia Contábil diz que:

Perícia é conhecimento e experiência das coisas. A função pericial é, portanto,


aquela pela qual uma pessoa conhecedora e experimentada em certas matérias e
assuntos examina as coisas e os fatos, reportando sua autenticidade e opinando sobre
as causas, essência e efeitos da matéria examinada.

Quando as provas ou fatos são insuficientes para esclarecimentos ou evidências, se


torna imprescindível recorrer à perícia, ou seja, um exame ou parecer técnico, feito por um
profissional especialista, legalmente habilitado e com amplo entendimento sobre o assunto em
questão, que verificará ou esclarecerá determinado evento, apurará as causas motivadoras do
mesmo, ou seu estado. A análise técnica do caso trará a luz e a veracidade dos fatos ou
circunstâncias.
Naturalmente, não se espera que um advogado saiba quais os motivos técnicos de uma
ponte cair, por exemplo, e por isso se faz necessária a perícia feita por seu respectivo
profissional em cada caso. Tendo em vista tal afirmação, é válido o esclarecimento fornecido
por Bonfim (2008), onde assegura que “Perícia é o exame realizado por pessoa que detenha
“expertise” sobre determinada área de conhecimento – o perito – a fim de prestar
esclarecimentos ao juízo acerca de determinado fato de difícil compreensão, auxiliando-o no
julgamento da causa.”.
De acordo com Alberto (2012) a perícia busca trazer ao seu usuário:
a. A informação fidedigna;
b. A certificação, o exame e a análise do estado circunstancial do objeto;
c. O esclarecimento e a eliminação das dúvidas suscitadas sobre o objeto;
d. O fundamento científico da decisão;
e. A formulação de uma opinião ou juízo técnico;
f. A mensuração, a análise, a avaliação ou arbitramento sobre o quantum monetário do
objeto; e

2
g. Trazer à luz o que está oculto por inexatidão, erro, inverdade, má-fé, astúcia ou
fraude.
A perícia pode ter várias naturezas, a depender de seu objeto de estudo: pode ser
criminal, de engenharia, ambiental, de medicina, de tecnologia, de contabilidade e
diagnóstica; ou seja, atuar nos mais variados ramos, conforme a necessidade do conhecimento
técnico.

2. Objetivos
O presente artigo abordará a perícia na Engenharia Civil, buscando, de forma objetiva,
demonstrar e exemplificar qual a importância da perícia realizada pelo Engenheiro Civil no
âmbito dos desdobramentos jurídicos, conflitos e na resolução de problemas extrajudiciais,
fornecendo mais segurança, justiça e economia.
Além do mais, a atividade pericial, principalmente em tempos de crise nos quais se
exige que os profissionais procurem se renovar e atuar nas mais diversas áreas, demonstra ser
uma importante fonte de renda, podendo ser conciliada com o restante das atribuições de um
Engenheiro Civil.
Por possui um amplo campo de atuação o profissional que exerce essa profissão pode
atuar nos mais variados tipos de obras públicas ou privadas. Sendo assim, serão expostas no
artigo, de forma sucinta, as atribuições de um perito e as principais características que cada
perícia desempenha na sua determinada esfera. Ademais, será apresentado um estudo de caso,
buscando exemplificar de fato a importância da perícia.

3. Metodologia
Os dados utilizados no presente artigo foram coletados por meio de pesquisas
bibliográficas, sendo que a análise se deu por meio de livros, artigos científicos e
monografias, todos obtidos de bancos de dados confiáveis.

4. Resultados
Ocorreu, durante os últimos anos, uma expansão inesperada do setor da Engenharia
Civil, acontecimento esse devido aos novos programas governamentais para o
desenvolvimento da infraestrutura do país e ao surgimento de linhas de crédito imobiliário,
que provocaram um aumento no número de oportunidades no ramo da construção civil.

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Para suprir esta elevada demanda, houve um surgimento elevado de profissionais e
empresas no setor, porém, com carência de qualificação necessária para atender o
desempenho necessário e desejado pela atividade, gerando um maior número de obras que
apresentam riscos patológicos e vícios, consequentemente causando um aumento no número
litígios e conflitos, engrandecendo, portanto a demanda por execuções periciais.
Neste cenário surge a importância da perícia:

O processo de evolução ocorre, assim, sob uma constante pressão de condicionantes


complexos e dinâmicos, em cujas inobservâncias residem fracassos e litígios
técnicos, possíveis em toda atividade da engenharia. Envolvendo produtos, serviços,
obrigações e direitos desvirtuados, perícias tornam-se imprescindíveis às relações
dos agentes produtivos e mercadológicos, sendo atividade essencial ao fornecimento
de subsídios confiáveis aos esclarecimentos científicos dos fatos e lides.
(TAKAHASHI, 2002).

4.1 O Perito
Com base na NBR 13752/96, perito é o: “Profissional legalmente habilitado pelos
Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, com atribuições para proceder
a perícia”. Já para Melo (2003):

[...] Ele não é parte, não é advogado, não é juiz, dele se espera que, além de ter
conhecimento técnico suficiente para o desempenho da função, tenha também
facilidade de expressar-se clara e concisamente, habilidade no trato de conflitos,
conhecimentos jurídicos e experiência em produção de prova pericial [...].

Sendo assim, perito é aquele que detém maior conhecimento ou especialização em


determinado assunto, sendo ele um profissional apto e designado para antecipar e corrigir
causas que podem vir a acarretar problemas futuros, buscar soluções para adversidades já
existentes, auxiliar na resolução de conflitos de interesses ou criminais, podendo atuar tanto
na esfera judicial (auxiliando a decisão de um Juiz, por exemplo), quanto na extra judicial,
buscando sempre propiciar uma decisão mais justa, uma melhor qualidade, segurança e vida
útil das obras civis.
Por conta da magnitude da sua função, o perito poderá ser penalizado, caso seja
comprovado que ouve dolo ou má-fé nos laudos produzidos por ele, tanto em juízo quanto
perante o conselho responsável. Conforme descrito pelo artigo 342 do Código Penal: “Fazer
afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou
intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.” (BRASIL, 1940).

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Além do mais, o perito deverá prestar garantia sobre sua atuação, segundo defende o
artigo 26 e 27 do Código de Defesa do Consumidor (1990):

Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca
em: I - trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não
duráveis; II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos
duráveis. § 1° Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efetiva
do produto ou do término da execução dos serviços. § 2° Obstam a decadência: I - a
reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de
produtos e serviços até a resposta negativa correspondente, que deve ser transmitida
de forma inequívoca; II - (Vetado). III - a instauração de inquérito civil, até seu
encerramento. § 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no
momento em que ficar evidenciado o defeito.
Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos causados por
fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste Capítulo, iniciando-se a
contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria. (BRASIL,
1990).

4.2 Perícia Judicial


O convívio em sociedade produz, imprescindivelmente, conflitos entre os indivíduos
por questões de diferentes interesses, sejam eles por bem materiais, financeiros, intelectuais
ou, até mesmo, a busca por responsabilizar alguém sobre irregularidades acontecidas na
execução, aquisição de terrenos, escolha de materiais e mão de obra.
Portanto, no ocorrer dessa disputa de interesses entre dois indivíduos e a vontade de
um deles exigir a subordinação da vontade do outro se configura então um litígio. Surge daí o
Direito, que por meio da justiça busca promover a paz entre as partes da forma mais correta o
possível para ambos.
A função de elucidar o caminho correto e estabelecer a justiça a ambos é atribuída a
um terceiro, imparcial e desinteressado, que é o Estado. Geralmente esse é representado, em
primeira instância, por um Juiz. Para tanto, são utilizadas provas, sendo as mais usuais,
segundo Maia Neto (2005): “depoimento pessoal; confissão; exibição de documento ou coisa;
prova documental; prova testemunhal; prova pericial; inspeção judicial.”.
Segundo Kempner (2013), a falta de conhecimento técnico e científico em áreas
específicas, dificulta o trabalho do judiciário na tomada de decisões. Muitas vezes
informações, fatos e dados sem fundamentação e sem comprobabilidade, são levados aos
autos e podem propiciar equívocos na tomada de decisões. É nesse momento que surge a
necessidade e caracteriza-se a importância de um perito judicial, que busca elucidar, de forma
simples e objetiva, os fatos, as informações e tornar claras e compreensíveis questões técnicas
que são de suma importância para a tomada de decisão do Juiz.

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Os peritos judiciais podem trabalhar na esfera estadual, federal e do trabalho, atuando
como perito oficial (quando o profissional é nomeado pelo juiz) e assistente técnico (quando é
nomeado por uma das partes) em diversos tipos de ações judiciais, sendo as mais comuns,
segundo Elali e Oliveira (2016): “vistoria cautelar, desapropriação, renovatória e revisional,
reivindicatória, nunciação de obra nova, passagem molhada, indenização e incorporações
imobiliárias”.
Determinada a necessidade de um laudo judicial, é escolhido um perito para executá-
lo. Para ser indicado o profissional deverá, segundo o Código de Processo Civil - CPC, estar
devidamente habilitado juntamente ao órgão técnico ou científico e inscrito em um cadastro
que é mantido pelo tribunal da comarca onde o juiz está vinculado. Ciente da nomeação,
deverá ser apresentado, conforme exposto no artigo 465, §2º, dentro de um prazo de 05
(cinco) dias: “I - proposta de honorários; II - currículo com comprovação de especialização;
III - contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico, para onde serão dirigidas as
intimações pessoais”. (BRASIL, 2015).
No laudo deverá conter, conforme previsto no artigo 473 do CPC:

I - a exposição do objeto da perícia; II - a análise técnica ou científica realizada pelo


perito; III - a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser
predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se
originou; e, IV - resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz,
pelas partes e pelo órgão do Ministério Público (BRASIL, 2015).

Caso não seja cumprido o prazo ou carecer de conhecimento técnico ou científico, o


perito poderá ser substituído, podendo ainda ter que arcar com multa por conta do atraso
gerado ao processo, segundo definido pelo artigo 424 do CPC:

I - carecer de conhecimento técnico ou científico; II - sem motivo legítimo, deixar de


cumprir o encargo no prazo que lhe foi assinado; § único - No caso previsto no
inciso II, o juiz comunicará a ocorrência à corporação profissional respectiva,
podendo, ainda, impor multa ao perito, fixada tendo em vista o valor da causa e o
possível prejuízo decorrente do atraso no processo" (BRASIL, 2015).

A partir da determinação da necessidade de um laudo pericial e a indicação do


responsável por executa-lo, será definido com base no artigo 95 do CPC, qual parte estará
incumbida pelo pagamento dos serviços periciais realizados em juízo:

Art. 95. Cada parte adiantará a remuneração do assistente técnico que houver
indicado, sendo a do perito adiantada pela parte que houver requerido a perícia ou
rateada quando a perícia for determinada de ofício ou requerida por ambas as partes
(BRASIL, 2015).

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Salvo quando praticados a requerimento da Fazenda Pública, Ministério Público ou da
Defensoria Pública, que deverão ser custeados conforme definido pelo artigo 91 do CPC:

Art. 91. As despesas dos atos processuais praticados a requerimento da Fazenda


Pública, do Ministério Público ou da Defensoria Pública serão pagas ao final pelo
vencido (BRASIL, 2015).

4.3 Perícia Extrajudicial


É a perícia realizada fora do judiciário por escolha das partes interessadas com o
intuito de esclarecer fatos duvidosos, comprovar a existência de fraudes ou desvios, validar a
veracidade dos fatos levantados e resolver conflitos entre ambas as partes. Além disso, é
comumente empregue por entes, sejam eles físicos e jurídicos, particulares, privados, que
necessitam designar alguém com maior expertise em certo assunto para avaliações da melhor
forma a proceder determinado processo, corrigir falhas ocorridas no decorrer de projetos e
execuções e produzir laudos para viabilizar e validar procedimentos a serem executados.
Na perícia extrajudicial não é envolvida a justiça diretamente, porém, no futuro, pode
ser utilizada como prova que irá fundamentar o ingresso de um processo.

4.4 Perícia Forense


Segundo Noon (2001), “a engenharia forense é a aplicação de princípios e
metodologias de engenharia para responder questões de fato.”. Tais questões são normalmente
geradas por crimes, eventos catastróficos, falhas em estruturas, acidentes, entre outros.
Comumente, ao chegar ao local onde ocorreu o fato, será apenas visível o resultado
final, e é por essa circunstância que a engenharia forense, afirma o autor, é conhecida como a
engenharia reversa, pois para a realização dos métodos de análises e determinação do ocorrido
é realizada a técnica de reversão dos fatos, estabelecendo as falhas, a causa raiz e,
principalmente, o que, como, quando, quem e porque aconteceu o fato, sendo necessário
reunir o máximo de evidências possíveis para a efetivação das devidas conclusões (NOON,
2001).
De posse das evidências, primeiramente será feita a análise de falhas, na qual,
normalmente, é possível identificar as partes específicas ou componentes que falharam, sendo
que, usualmente, as falhas se concentram na utilização incorreta de materiais, nos métodos e
mecanismos de produção (NOON, 2001).
Depois de realizada a primeira análise e determinadas as falhas ocorrerá o exame da
causa raiz, onde será executado um estudo mais aprofundado, buscando apontar o início do

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acontecimento, sendo essa análise de suma importância para que sejam melhorados os
procedimentos, as técnicas gerenciais e os materiais utilizados, buscando prevenir que as
falhas ocorram em futuras instalações. Além disso, utilizando-se de meios judiciais, servir
como prova para responsabilizar o culpado a custear os danos causados, tanto materiais
quanto pessoais.
Portanto, a essência de um perito forense é avaliar o estado em que se encontrava a
estrutura antes do acontecimento do fato, definir, relacionando os fatos e as evidências, as
causas que levaram a estrutura ao seu estado atual e avaliar as condições em que a estrutura se
encontra no presente.
É de suma importância que todas as evidências e hipóteses sejam analisadas de forma
que sigam padrões éticos e científicos de extrema rigorosidade, não se permitindo
interpretações variáveis, visto que, por muitas vezes, o fato envolve questões criminais e
cíveis, sendo a evidência não apenas uma questão científica, mas legal, devido ao grande
impacto social que poderá causar na vida dos envolvidos (KATZ; HALÁMEK; BAKSHI,
2015).

4.5 Engenharia Diagnóstica


O ramo da engenharia diagnóstica surgiu na última década no Brasil e pode ser
definida, segundo conceito formulado por Gomide, Fagundes Neto e Gullo (2009) como: “[...]
a arte de criar ações proativas, por meio dos diagnósticos, prognósticos e prescrições técnicas,
visando à qualidade total.”.
Portanto, com base nas boas técnicas da engenharia, estudos e pesquisas, esse ramo
busca avaliar e tratar as manifestações patológicas que estão presentes nas construções civis,
seja elas por vícios, falhas construtivas ou carência de manutenções e ademais obter ações
preventivas e corretivas a serem realizadas buscando prolongar a vida útil dessas estruturas,
garantir a qualidade das diversas etapas do processo construtivo e de sua utilização, a
segurança social e financeira da população.
Para tanto, é desejável que ocorra o conhecimento dos fatos ocorridos na estrutura para
assim determinar a melhor ação a ser executada, decorrendo, portanto da “[...] utilização das
ferramentas consubstanciadas pelas vistorias, inspeções, auditorias, perícias e consultorias
[...]” (OLIVEIRA, 2009).
Pode-se realizar um paralelo desta área da Engenharia à Medicina, pois para que haja
qualidade, as obras da construção civil, tal como os seres humanos, precisam de cuidados

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durante toda a sua vida, iniciando-se na parte de projeto, execução e as manutenções
preventivas durante a vida útil. Isso porque a prevenção ocasiona diversos benefícios, como
uma maior duração da estrutura, maior segurança de utilização, além de uma redução enorme
de custos tanto para pessoas privadas como para órgão públicos, no qual conforme defendido
pela Lei de Sitter ou Regra de Sitter (Sitter, 1984 apud Cupertino, 2013), o custo de uma
manutenção corretiva pode chegar a ser 100 vezes maior que o custo de uma manutenção
preventiva.
Além do mais, diversas obras públicas e privadas carecem de condutas preventivas e
de manutenção, sendo que, a maior parte depois de serem construídas não são periciadas pelos
órgãos responsáveis, correndo riscos posteriormente de, por conta do descaso, causar graves
danos ao restante da população.

4.6 Análise de caso


Em 1985 começou a ser construído em São Jose do Rio Preto, interior de São Paulo,
um conjunto de três edifícios de alto padrão em uma área nobre da cidade, na avenida Bady
Bassitt. Os nomes dados aos edifícios foram: Itália, Espanha e Portugal.
O condomínio, segundo o Engenheiro Marco Nagliati (1998), consistia em:

[...] um andar térreo (comercial), 2 pavimentos de garagem e 1 pavimento de uso


comum (PUC). Esses quatro pavimentos ocupavam toda a área do terreno. No PUC
"nasciam" três torres (Portugal, Espanha e Itália) com 16 pavimentos de
apartamentos mais o ático de cada uma. O PUC era um andar de transição.

A fundação utilizada no conjunto de edifícios consistia em estacas do tipo Franki com


diâmetro de 52 cm. O local onde foi realizada a construção do edifício possui um solo que é
formado de camadas de solo mole seguido de uma camada de arenito e o nível de água está
localizado entre 1,5 e 3 m da superfície, tornando-se, portanto impenetrável à percussão entre
11 e 13 metros. Sendo assim, as estacas foram alocadas a aproximadamente 1,5 m na camada
de arenito. Necessitou-se criar uma viga-alavanca no bloco P61 e P62 unindo-os devido a um
erro de locação das estacas do pilar P61. (NAGLIATI, 1998)
Segundo o autor, no dia 16 de Outubro de 1997, doze anos após o início de sua
construção, houve o desabamento do Edifício Itália. “Na madrugada deste dia houve um
declínio brusco de temperatura (de 40º C para aproximadamente 20º C em poucas horas) e
ventos de rajada que não ultrapassaram 60 km/h.

Por volta de 2 horas, segundo moradores, ouviu-se um forte estrondo. Às 3:30 horas,
começaram a ouvir barulhos de vidros se quebrando. Esses ruídos foram
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aumentando com esquadrias retorcendo-se, a marquise junto à rua Luiz Vaz de
Camões deformando-se e vidros quebrando-se nos andares abaixo do PUC. Por volta
das 6 horas, o edifício entrou em colapso e desabou (NAGLIATI, 1998).

As causas do desabamento do edificio foi o excesso de peso sobre os pilares da


fundação, segundo exposto por Zanetti (1998), em publicação no site folha de São Paulo:

A principal causa do desabamento do edifício Itália, em São José do Rio Preto (SP),
em 97, foi excesso de peso sobre os pilares da fundação, segundo laudo do IPT
divulgado no final de semana. Projetadas para suportar 130 toneladas, algumas das
57 estacas da fundação receberam o dobro de peso, provocando ruptura em cadeia
das demais e consequente desabamento, segundo Sussumo Niyama, diretor técnico
do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). A sobrecarga que iniciou o processo
de queda do prédio, de 17 andares, estava localizada sobre os pilares da área do
elevador de serviços. Os edifícios Espanha e Portugal, do mesmo condomínio
também correm risco de desabamento, segundo o engenheiro.

Durante a investigação dos escombros pelo instituto de pesquisas, o Engenheiro Marco


Nagliati constatou que:

Nas investigações do IPT foram levantadas espessuras médias de reboco de paredes


de 10 cm; enchimentos de concreto nas lajes das garagens de 10 cm; argamassa de
assentamento de piso no andar tipo de 8 cm e espessura média de reboco nos tetos
de 3,5 cm. Isto ocasionou sobrecargas não previstas na estrutura e nas fundações.

Portanto, demonstra-se a suma importância dos laudos periciais elaborados pelo


Núcleo de Perícias Criminalisticas e pelo Instituto de Pesquisas Tecnologicas do Estado de
São Paulo – IPT, pois por eles pôde-se constatar o motivo que levou ao colapso da edificação
e, assim, por demanda judicial responsabilizar e condenar os culpados, conforme exposto pelo
site Estadão:

Quatro dos cinco engenheiros responsáveis pela construção do Edifício Itália, que
compunha o condomínio Itália, Portugal e Espanha, em São José do Rio Preto, a 450
quilômetros de São Paulo, foram condenados a um ano e seis meses de detenção em
regime aberto pela queda não-intencional do prédio em 17 de outubro de 1997.
Laudo do Núcleo de Perícias Criminalísticas apontou que houve imperícia na
elaboração do projeto estrutural, no dimensionamento das fundações e na execução
da obra, além de negligência. O promotor Marcos Antônio Lélis Moreira, autor da
denúncia, havia constatado ainda desrespeito ao memorial descritivo do prédio no
que se referia ao acabamento dos apartamentos, o que teria acarretado sobrecarga na
estrutura do edifício e colaborado na queda (ESTADÃO... 2002).

Além do laudo citado, foi realizado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do


Estado de São Paulo – IPT um monitoramento da situação do restate das torres onde,
constatou-se, que após a queda da torre Itália, as outras duas torres que compunham o
condomínio (Espanha e Portugal), também estavam comprometidas, podendo entrar em
colapso, confome descrito no acórdão referente à apelação.

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[...] Nos dois edifícios que restaram, uma empresa de engenharia realizou
monitoramento por recomendação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado
de São Paulo - IPT, para medir-se a variação dos pilares daquelas edificações. A
partir de 10/2/98, detectaram-se variações anormais, consignadas em laudo de duas
empresas (uma das quais, a que realizou o monitoramento). Além disso, veio a
constatar-se que alguns pilares estavam fora de prumo, com relação às estacas de
sustentação. Tais fatos permitiam supor a iminência de queda do Edifício "Espanha",
que, estando fixado na mesma base que o Edifício "Portugal", tornaria possível
também o desabamento deste [...] (BRASIL, 2010).

Durante a realização da perícia, Nagliati (1998) evidenciou que: “Além das


excentricidades, foram notadas diferenças de seções em pilares. As diferenças mais
importantes são: um pilar com seção de 65 X 76 cm quando deveria ter 80 X 80 cm; um pilar
com seção de 20 X 130 cm quando deveria ter 20 X 160 cm.”
Sendo assim a prefeitura exigiu, por meios legais, que esses edifícios fossem
demolidos, buscando evitar assim maiores danos e prezando pela garantia da segurança
pública, conforme exposto no acórdão.

Trata-se de ação demolitória movida pela PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO


JOSÉ DO RIO PRETO contra CONDOMÍNIO EDIFÍCIOS PORTUGAL,
ESPANHA E ITÁLIA, por seus representantes legais, onde a autora objetiva que
procedam à regularização ou demolição dos edifícios "Portugal" e "Espanha" em 48
horas, em razão de ameaça à segurança pública, ou que seja deferida liminarmente,
em face do iminente perigo à segurança pública, autorização expressa à autora para
demolir as construções, por conta e risco do réu [...] (BRASIL, 2010).

Os laudos produzidos após o desabamento serviram tanto para designar os fatores e os


responsáveis que geraram tal acontecimento quanto para que os moradores que perderam sua
moradia pudessem requerer, através de um litígio, uma indenização, confome descrito na ação
indenizatoria movida por eles.

Ação Indenizatória – Desmoronamento de edifício residencial por falhas no projeto


e/ou execução de obra particular – Ulterior demolição de outros dois remanescentes,
integrantes do mesmo condomínio, realizada por iniciativa da municipalidade,
amparada em decisão judicial – ajuizamento pelos compromissários-compradores de
apartamentos dos edifícios remanescentes, objetivando ressarcimento por alegados
danos emergentes, lucros cessantes e danos morais[...] (BRASIL, 2012).

Este incidente provocou muitos desconfortos a todos os envolvidos, e cada caso só


pôde ser esclarecido por meio dos laudos periciais feitos pelos peritos engenheiros, os quais
usaram todo seu conhecimento e experiência na área para esclarecer de forma verídica o que
houve para que ocorresse tal fato, evidenciando assim a importancia do profissional
especializado na área.

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5. Análises e Discussões
Utilizando-se como base todas as informações aqui expostas, evidenciou-se que a
profissão de perito na área da Engenharia Civil é essencial em muitas situações, tanto no
âmbito judicial, quanto no extrajudicial e diagnóstico, sendo que sua atuação ocasiona maior
qualidade, segurança e economia nas obras civis, além de uma tomada de decisão mais justa
nos desdobramentos jurídicos.
Apesar de ser uma área de atuação relativamente nova, com base nos últimos
acontecimentos, pode-se afirmar que é uma área de atuação que está em ascensão,
principalmente no Brasil, onde apesar do desenvolvimento tecnológico dos materiais
utilizados, muitas vezes a mão de obra deixa a desejar, sendo que, na maior parte do país
ainda são utilizadas técnicas construtivas de décadas passadas, ocasionando muitos vícios e
falhas construtivas.
Porém, notou-se durante a realização da pesquisa bibliográfica que a profissão de
perito não é comumente explorada, tornando-se muitas vezes, esquecida pelos centros de
ensino e profissionais da área.
Além do mais, observou-se que o acervo de obras literárias sobre o presente tema é
escassa e desatualizada, sendo necessário, portanto, para a realização e fundamentação teórica
do presente artigo, a utilização principalmente de obras científicas (monografias, teses, artigos
publicados em revistas, blogs e eventos) e notícias disponibilizadas em meio eletrônico.

6. Conclusões
De acordo com o conteúdo pesquisado acerca do que representa a perícia no ramo da
Engenharia Civil, conclui-se ser uma área ampla, onde o profissional tem poder de atuação
em todas as esferas e de suma importância de forma geral, seja para auxiliar o setor judiciário
a buscar a melhor definição dos processos judiciais, contribuir em processos que envolvem
questões criminais e afetam diretamente os envolvidos e buscar garantir a segurança social e
financeira da população acerca das obras públicas e privadas.
Devido aos últimos acontecimentos, espera-se que os centros de ensino incluam na
grade curricular do curso de Engenharia Civil disciplinas que orientem quanto as vistorias,
inspeções, auditorias, perícias e consultorias, que os profissionais que atuam nesta área se
atualizem, capacitem e se profissionalizem de forma corriqueira, para assim estar
devidamente habilitado a prestar um serviço de qualidade e que a realização das perícias se

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torne comum nas obras civis, propiciando a população construções de maior qualidade e
segurança.
Desse modo, conclui-se que a perícia é uma área de extrema responsabilidade,
relevância e de grande ascensão no Brasil, além de demonstrar-se ser uma área de atuação a se
considerar promissora quando aliada a outras atribuições de um profissional da área de
Engenharia Civil.

7. Referências
ALBERTO, V. L. P. Perícia Contábil. 05. ed. [S.P.]: Atlas, 2012.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13752: Perícias de engenharia na construção


civil. Rio de Janeiro, 1996.

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