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A TEOLOGIA DOS 12 PASSOS

“O ego absoluto é um bicho come-come que a tudo quer chamar de "eu" e


"meu". Deus é pura dádiva e pura gratuidade: pai nosso, pão nosso e perdão nosso”.
(Ed René Kivitz)

EGO
Veja o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=dmWyv6GnqP0
Talmidim 015
Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e
siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida
por minha causa, a encontrará. Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro
e perder a sua alma? Mateus 16.24-26
Provavelmente as pessoas que ouviram essa palavra de Jesus imaginaram que
ele fosse apenas mais um dos rabinos que convidavam seus discípulos exigindo
lealdade e absoluta prioridade ao caminho do discipulado. De fato, Jesus está usando
uma linguagem muito parecida com a dos rabinos de sua época, mas com certeza está
falando de algo muito mais profundo do que simplesmente ingressar numa escola
rabínica e seguir um mestre da Torá. Aos poucos as palavras de Jesus foram
esclarecendo que seguir o seu chamado era algo muito diferente do que faziam os
meninos talmidim que seguiam seus rabinos. Cada vez mais, seguir a Jesus implicava
ingressar num caminho de morte, e mais que isso, significava vencer a morte e voltar à
vida: “Quem vive e crê em mim não morrerá eternamente”, disse Jesus. E também:
“Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá”, e “passou da morte para a vida”.
Jesus está se referindo a uma dimensão espiritual, sobre um novo nascimento, como
falou ao fariseu Nicodemos. Os que desejam ingressar nessa nova dimensão de
existência, que o Novo Testamento chama de vida eterna, devem negar a si mesmos,
morrer para si mesmos e então seguir a Jesus em seu caminho de morte e ressurreição.
Jesus é muito coerente com o que diz Gênesis a respeito do pecado do primeiro casal,
Adão e Eva, que se rebelou contra Deus e afirmou seu ego acima do Eu Sou divino. O
conceito de pecado original não está relacionado com mera desobediência moral.
Pecado, segundo a tradição cristã, é um pretensioso grito de independência em relação
ao Criador, que resulta em morte, pois Deus é a única fonte de vida. É por essa razão
que o caminho de volta para Deus, isto é, a superação da morte, passa
necessariamente pela negação do ego. Se o pecado é abandonar a Deus e pretender
viver como se Deus não existisse, ou pretender viver sem receber vida de Deus, a
reconciliação com Deus implica o caminho oposto. Seguir a Jesus, atravessando a
morte e voltando à vida, implica rendição a Deus: “Eu não tenho forças, não tenho
autossuficiência, não sou um ser autoexistente, quero seguir a Jesus por esse caminho
de morrer, ressuscitar e experimentar a verdadeira vida. Eu quero morrer para mim e
viver para Deus”.
(Kivitz, Ed Rene. Talmidim Editora Mundo Cristão. )
Na Teologiai dos 12 passos, o Deus relaciona-se comigo no ensino.
Este ensino deve caminhar na direção do desejo de ser instruído. Minha
afirmação de admissão, deve carregar a vontade de ser restaurado. Mas como fazê-lo?
As vezes querer não é poder.
Ser discípuloii(palavra com significado muitas vezes equivocado).
Ser discípulo entendido como ser seguidor de alguém, muitas vezes confunde-
se com repetir coisas, ações, mas muito mais do que repetir é aprender e gravar no
coração, aí é quando faço por hábito e sentimento de fazer.
Nota-se a intenção de estar receptivo a ensinamentos; estar receptivo já é
admitir-me fora do meu centro, fora da minha conduta egocêntrica, fora do meu ego
absoluto. Deixar a independência de Deus e a dependência de mim mesmo, para iniciar
um processo de rendição, de não-luta, de entrega propriamente dita.
O Pai de Jesus, me busca em qualquer caminho que eu esteja para trazer-me
para o Dele.
Este discurso divino é o foco destas ideias que aqui estão e, a partir daqui,
tentarão clarear meu entendimento de como posso valer-me destas ferramentas para
manter-me sóbrio.
A sobriedade a qual me refiro é aquela em que eu decido parar de tentar me
governar, para permitir que Deus me contenha.
A influência do primeiro passo na relação com todos os outros 11, é enorme,
tanto é que é impossível dar os outros passos sem compreender e praticar o primeiro.
Parece lógico, mas não é.
Será lógico após a admissão e aceitação de quem eu sou.
A importância não só de admitir-me mas de aceitar-me faz toda diferença.
Há muitas coisas que preciso ser junto a este aceitar e admitir, a primeira delas
é ser;
Como caminhada de restauração, os 12 passos me revelam o Jesus que vai
comigo, junto, ao lado, chegado, me fazendo educando para uma nova maneira de viver.
O primeiro passo restaura-me a honestidade comigo mesmo e com outro,
propósito final daquele que tenciona ser nova criatura. A admissão minha do ser que me
tornei, vem do incomodo, de estar como estou e, principalmente de agir no outro de
forma imperfeita.
i
A palavra provém do grego θεóς [theos]: precisamente divindade, mas no sentido de Verdade ou Essência da Verdade,
Fé ou Caminho da Verdade da ou dessa ou ainda desta divindade; λóγος [logos]: palavra, no sentido preciso de
Estudo sistemático da palavra, por extensão, estudo, análise, consideração, discurso sobre alguma coisa ou algo que
tem existência. Aqui teologia tem o significado de discurso de Deus.
ii
Discípulo do lat. discipŭlus, aprendiz, aluno receptivo a ensinamentos.)

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