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Atualização Fiscal em IRC –

Aspetos Práticos
SEG 3118
(Outubro de 2018)
• Carlos Plácido
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

• Domingos Ribeiro
– Docente Universitário – Docente Universitário
– Pós Graduado em Fiscalidade – Pós Graduado em Fiscalidade
– Mestrando em Fiscalidade – Pós-Graduado em Gestão de
Bancos e Seguradoras
– Revisor Oficial de Contas
– Mestrando em Gestão
– Contabilista Certificado
– Contabilista Certificado
– Formador Caixa Seguros- Grupo
Caixa Geral Depósitos – Formador Caixa Seguros- Grupo
Caixa Geral Depósitos
– Consultor Eticadata Software
Contactos:
Contactos:
• cplacido@ipca.pt
• domingos@ddrconsultores.pt

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 2



SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

• Domingos Ribeiro Carlos Plácido


– Docente Universitário – Docente Universitário
– Pós Graduado em Fiscalidade – Pós Graduado em Fiscalidade
– Mestrando em Fiscalidade – Pós-Graduado em Gestão de Bancos e
Seguradoras
– Revisor Oficial de Contas
– Mestrando em Gestão
– Contabilista Certificado
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– Formador Caixa Seguros- Grupo Caixa Geral
Depósitos – Formador Caixa Seguros- Grupo Caixa Geral
Depósitos
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Contactos:
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Apresentação disponível para download em:

http://domribeiro.webnode.com.pt

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Neutralidade Fiscal

Combate à evasão Fiscal

Eliminação da Dupla Tributação


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Aplicável a:
Sociedades civis não Sociedades de Sociedades de simples
constituídas sob a forma profissionais administração de bens,
comercial cuja maioria do capital
pertença direta ou
Ex: Sociedades de Ex: Sociedades de indiretamente, durante
advogados Contabilistas Certificados mais de 183 dias do
exercício social, a um
grupo familiar ou cujo
capital social pertença, em
qualquer dia do exercício,
a um número de sócios
não superior a cinco e
nenhum deles seja pessoa
coletiva de direito público
Também aplicável a Agrupamentos complementares de Empresas (ACE) e a
agrupamentos europeus de interesse económico (AEIE).

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Sociedades civis não constituídas sob a forma comercial


sociedades de pessoas que não visam a prática de atos de
comércio e que estão subordinadas à lei civil.

Estas sociedades não têm personalidade jurídica.

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Sociedades de simples administração de bens


Sociedade que limita a sua actividade à administração de bens ou
valores mantidos como reserva ou para fruição ou à compra de prédios
para habitação dos seus sócios, bem como aquela que conjuntamente
exerça outras actividades e cujos rendimentos relativos a esses bens,
valores ou prédios atinjam, na média dos últimos três anos, mais de 50%
da média, durante o mesmo período, da totalidade dos seus
rendimentos.
Grupo familiar é o grupo constituído por pessoas unidas por vínculo
conjugal ou de adoção e bem assim de parentesco ou afinidade na linha
recta ou colateral até ao 4.º grau, inclusive

Não se consideram sociedades de simples administração de bens as que


exerçam a atividade de gestão de participações sociais de outras
sociedades e que detenham participações sociais que cumpram os
requisitos previstos no n.º 1 do artigo 51.º.

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Sociedade de profissionais
✓ Sociedade constituída para o exercício de uma atividade
profissional especificamente prevista na lista de atividades a que
se refere o artigo 151.º do Código do IRS, na qual todos os sócios
pessoas singulares sejam profissionais dessa atividade;
Ou

✓ A sociedade cujos rendimentos provenham, em mais de 75%, do


exercício conjunto ou isolado de actividade profissionais
especificamente previstas na lista constante do artigo 151.º do Código
do IRS, desde que, cumulativamente, em qualquer dia do período de
tributação:
✓ O número de sócios não seja superior a cinco,
✓ Não seja pessoa coletiva de direito público e
✓ Pelo menos 75% do capital social seja detido por
profissionais que exercem as referidas atividades, total ou
parcialmente, através da sociedade.

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Agrupamentos Complementares de Empresas (ACE)

✓ Os agrupamentos complementares de empresas são


entidades constituídas por pessoas singulares ou
coletivas, nomeadamente por sociedades comerciais, que
se agrupam, sem prejuízo da sua personalidade jurídica, a
fim de melhorarem as condições de exercício ou de
resultado das suas atividades.

✓ Os ACE adquirem personalidade jurídica com o registo da


sua constituição na Conservatória do Registo Comercial.

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O Agrupamento Europeu de Interesse Económico (AEIE)

✓ É uma entidade jurídica de caráter internacional e de tipo


associativo, com um objetivo económico mas não
lucrativo, que visa facilitar ou desenvolver a atividade
económica dos seus membros e aumentar os resultados
daquela atividade, através da partilha de recursos,
atividades, capacidades e competências. Um AEIE deve
ser composto, no mínimo, por dois membros, oriundos de
Estados-Membros diferentes.

✓ O AEIE também adquire personalidade jurídica com a


inscrição definitiva da suaconstituição no Registo
Comercial.

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Transparência fiscal

Imputação aos sócios ou membros da sociedade transparente da


matéria coletável, ainda que não tenha havido distribuição de lucros
✓ Natureza obrigatória
✓ Não sujeição a PEC ou PC
✓ Não sujeição a derrama
✓ Dedução de prejuízos fiscais (n.º 7 do artigo 52.º)

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OBRIGAÇÕES DECLARATIVAS
✓ Imputação da matéria colectável no Anexo G da IES (artigo 117.º nº
1 al. c) e 121.º do CIRC)

✓ Declaração pelo sujeito passivo de IRS da matéria tributável que


lhe foi imputada no Anexo D da Declaração Modelo 3

✓ Regras do CIRS: artigo 20.º; artigo 33.º e Portaria 1041/2001, de 28


de agosto

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CASO PRÁTICO (Pag. 109)


Em 2010, foi constituída uma sociedade por quotas, cujo
objeto social contempla o exercício das atividades de
consultoria fiscal e de comércio de software de gestão. Como
a sociedade nunca exerceu a atividade de venda de
software, em março de 2014 os sócios deliberaram proceder
ao arrendamento de parte das instalações que tinham sido
adquiridas para instalar uma loja, ocupando o restante com
um novo escritório. Sabendo que os três sócios exercem a
atividade de consultores fiscais através da sociedade,
qual o enquadramento desta em relação ao regime de
transparência fiscal?

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CASO PRÁTICO - Resolução


Embora a referida sociedade tenha previsto no seu pacto social duas
atividades distintas, só exerce (e exerceu), efetivamente, a atividade que
está prevista na lista a que se refere o art.º 151º do CIRS com o código
4012 − Consultores fiscais. Também, o facto de obter rendimentos
acessórios relativos ao arrendamento de instalações, aqui como forma de
rentabilização de ativos, não lhe permite o afastamento do regime de
transparência fiscal.

Finalmente, verificam-se as duas últimas condições: os três sócios são


profissionais dessa atividade e exercem-na efetivamente através da
sociedade.

Assim, a referida sociedade encontra-se sujeita ao regime de


transparência fiscal, de acordo com o conceito estabelecido na
subalínea 1) da alínea a) do n.º 4 do art.º 6º do CIRC.

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CASO PRÁTICO
A sociedade Kepler, Lda. tem como objeto a prática de
medicina, sendo constituída por quatro sócios: um médico
pediatra; um médico dentista; um médico de clínica geral e
um médico cardiologista.

Em novembro de 2015, o médico cardiologista reformou-se


deixando de exercer medicina, pelo que passou apenas a
exercer funções de gerente na referida sociedade.

Qual o enquadramento da sociedade Kepler em relação ao


regime de transparência fiscal, no período de 2016,
sabendo que, neste ano, apenas 3 dos sócios exerceram a
sua atividade na sociedade?
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CASO PRÁTICO
• Em primeiro lugar, o facto de os sócios serem
profissionais de especialidades médicas distintas não
afasta a aplicação do conceito de sociedade de
profissionais.
• Em 2015, todos os sócios exercem funções na Kepler,
mas só três deles é que exercem a sua atividade
profissional (médicos) através da sociedade. O quarto
sócio passa a desempenhar apenas funções de gerente, o
que não releva para o conceito aqui abordado.
• De acordo com a definição constante na subalínea 2) da
alínea a) do n.º 4 do art.º 6º do CIRC, a sociedade está
enquadrada no regime de transparência fiscal a partir
de 2016.
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CASO PRÁTICO
A sociedade Juno é uma sociedade de mediadores
imobiliários, cujo objeto social é a prática da mediação na
venda e arrendamento de imóveis, única atividade da
empresa e exercida em exclusivo pelos seus titulares do
capital.
Pretendendo os atuais cinco sócios admitir mais um
sócio também devidamente habilitado para o exercício da
mediação imobiliária, qual o enquadramento da sociedade
Juno, em 2016, quanto ao regime de transparência fiscal?

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CASO PRÁTICO - Resolução


• Ainda que passe a ter 6 sócios, a sociedade não fica
excluída do regime de transparência fiscal, desde que
todos os sócios exerçam a atividade de mediador
imobiliário na sociedade (código 1330 da Tabela anexa
ao CIRS).
• A exclusão do regime de transparência fiscal por a
sociedade ter mais de cinco sócios, só se verifica na
definição da subalínea 2) da alínea a) do n.º 4 do CIRC.
• Na definição de sociedades de profissionais que ainda
subsiste na subalínea 1), e que aqui é aplicável, não tem
relevância o número de sócios da sociedade, para a
inclusão ou exclusão do regime.

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Noção de estabelecimento Quando há instalação fixa mas não se


considera estabelecimento estável porque se
estável (art.º 5.º) tratam de atividades de caráter preparatório
instalação fixa através da qual seja ou auxiliar:
exercida uma atividade de natureza a) Instalações utilizadas unicamente para
comercial, industrial ou agrícola armazenar, expor ou entregar
mercadorias pertencentes à empresa;
▪ O caso dos estaleiros de construção b) Um depósito de mercadorias
de construção, de instalação ou pertencentes à empresa mantido
montagem; as instalações, unicamente para as armazenar, expor ou
plataformas ou barcos de perfuração entregar; ou para serem transformadas
por outra empresa ;
...com duração superior a 6 meses; c) Uma instalação fixa mantida unicamente
• Quando uma pessoa, que não seja para comprar mercadorias ou reunir
agente independente, atue em informações para a empresa; ou para
exercer, para a empresa, qualquer outra
território português por conta de uma atividade de caráter preparatório ou
empresa e que tenha e exerça auxiliar;
poderes de intermediação e d) Uma instalação fixa mantida unicamente
conclusão de contratos que vinculem para o exercício de qualquer
combinação das atividades referidas
a empresa; desde com que caráter preparatório ou
auxiliar;

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REGRAS EM IRC
Fonte: PINHEIRO PINTO, Fiscalidade, 2011

Pessoas com REGRAS DE IRC


sede ou direção
NÃO incluindo
Totalidade dos rendimentos,
efetiva em terr. os obtidos fora do território português
português

Com estabelecimento Lucros imputáveis ao


estável estabelecimento estável
Pessoas sem
sede ou direção
efetiva em terr.
Português Rendimentos considerados
Sem estabelecimento obtidos em território português
estável (Categorias de IRS)

• As pessoas coletivas e outras entidades com sede ou direção efetiva em território português, são
tributadas em IRC pela totalidade dos seus rendimentos, incluindo os obtidos fora desse território.
• As pessoas coletivas e outras entidades que não tenham sede nem direção efetiva em território
português ficam sujeitas a IRC apenas quanto aos rendimentos nele obtidos.

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REGRAS EM IRC

Entrega de declaração modelo


22

Com estabelecimento Lucros imputáveis ao


Pessoas estável estabelecimento estável
sem sede
ou direção
efetiva em
terr. Rendimentos considerados
Português obtidos em território português
Sem estabelecimento
estável (Categorias de IRS)

Entrega de declaração modelo


22 ou retenção na fonte a titulo
definitivo

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Extensão da obrigação do imposto


(artigo 4º CIRC)

Consideram-se obtidos em território português os rendimentos que a seguir


se indicam:

a) Rendimentos relativos a imóveis situados no território português, incluindo os


ganhos resultantes da sua transmissão onerosa;

b) Ganhos resultantes da transmissão onerosa de partes representativas do capital


de entidades com sede ou direção efetiva em território português;

Tributados por via da entrega da modelo 22 e do anexo E


da IES

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Extensão da obrigação do imposto (artigo 4º CIRC)


Consideram-se obtidos em território português os rendimentos que a seguir se indicam:

c) Rendimentos a seguir mencionados cujo devedor tenha residência, sede ou direção


efetiva em território português ou cujo pagamento seja imputável a um
estabelecimento estável nele situado:

1. Os provenientes da propriedade intelectual ou industrial e bem assim da prestação de


informações respeitantes a uma experiência adquirida no sector industrial, comercial ou
científico;
2. Os derivados do uso ou da concessão do uso de equipamento agrícola, industrial, comercia
ou científico;
3. Outros rendimentos de aplicação de capitais;
4. Remunerações auferidas na qualidade de membros de órgãos estatutários de pessoas
colectivas e outras entidades;
5. Prémios de jogo, lotarias, rifas, totoloto e apostas mútuas, bem como importâncias ou prémios
atribuídos em quaisquer sorteios ou concursos;
6. Os provenientes da intermediação na celebração de quaisquer contratos;
7. rendimentos de outras prestações de serviços realizados ou utilizados em território português,
com excepção dos relativos a transportes, comunicações e atividades financeiras
8. Os provenientes de operações relativas a instrumentos financeiros derivados;

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Extensão da obrigação do imposto (artigo 4º CIRC)

Consideram-se obtidos em território português os rendimentos que a seguir se indicam:

d) Rendimentos derivados do exercício em território português da atividade de profissionais de


espetáculos ou desportistas.

Rendimentos incluídos na alínea c) e d) são tributados


sobre a forma de retenção na fonte a titulo definitivo

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Extensão da obrigação do imposto (artigo 4º CIRC)


Consideram-se obtidos em território português os rendimentos que a seguir se indicam:

e) Incrementos patrimoniais derivados de aquisições a título gratuito respeitantes a:


1. Direitos reais sobre bens imóveis situados em território português;
2. Bens móveis registados ou sujeitos a registo em Portugal;
3. Partes representativas do capital e outros valores mobiliários cuja entidade emitente
tenha sede ou direcção efectiva em território português;
4. Direitos de propriedade industrial, direitos de autor e direitos conexos registados ou
sujeitos a registo em Portugal;
5. Direitos de crédito sobre entidades com residência, sede ou direcção efectiva em
território português;
6. Partes representativas do capital de sociedades que não tenham sede ou direcção
efectiva em território português e cujo activo seja predominantemente constituído por
direitos reais sobre imóveis situados no referido território.

Tributados por via da entrega da modelo 22 e do anexo E da IES


(Alínea e)

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Extensão da obrigação do imposto (artigo 4º CIRC) – Exclusões

4 - Não se consideram obtidos em território português os rendimentos enumerados na


alínea c) do número anterior quando os mesmos constituam encargo de
estabelecimento estável situado fora desse território.

Relembrando:
Artigo 4 alínea c) nº 7 - Os derivados de outras prestações de serviços realizados ou
utilizados em território português, com exceção dos relativos a transportes,
comunicações e atividades financeiras;
Não se consideram obtidos em território português os rendimentos referidos no n.º 7
da mesma alínea, quando os serviços de que derivam, sendo realizados integralmente
fora do território português, não respeitem a bens situados nesse território nem
estejam relacionados com estudos, projetos, apoio técnico ou à gestão, serviços de
contabilidade ou auditoria e serviços de consultoria, organização, investigação e
desenvolvimento em qualquer domínio

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SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Em síntese,

• Pagamento a entidades não residentes de “rendimentos de outras


prestações de serviços” é sujeito a tributação em Portugal sempre
que o pagamento seja imputável a uma entidade residente em
Portugal e aqueles rendimentos sejam realizados ou utilizados
em Portugal

• Os serviços realizados integralmente fora do território nacional


apenas estão sujeitos a tributação:
– sempre que os serviços sejam utilizados em Portugal e
respeitem a bens situados nesse território ou
– estejam relacionados com estudos, projetos, apoio técnico ou
à gestão, serviços de contabilidade ou auditoria e serviços de
consultoria, organização, investigação e desenvolvimento.

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SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Extensão da obrigação de imposto (art.º 4.º)


Artigos 94º CIRC + 87 nº 4 CIRC
Tributação dos não residentes sem estabelecimento estável:
Natureza do rendimento Taxa aplicável
Rendimentos de artistas ou desportistas 25%
Royalties 25%
Aluguer de equipamento agrícola, industrial, comercial ou científico 25%
Assistência técnica 25%
Dividendos 25%
Juros de suprimentos 25%
Juros de títulos de dívida 25%
Outros rendimentos de capitais 25%
Remunerações dos órgãos estatutários 25%
Comissões 25%
Rendimentos de outras prestações de serviços 25%
Prémios de rifas, totoloto, jogo de loto, ou de quaisquer sorteios ou concursos 35%

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ARTIGO 4º CIRC Determina a sujeição de IRC em PT

No entanto, apesar de sujeito a IRC o rendimento pode estar isento:

Isenções do art.º 14º do CIRC;

• Dividendos, juros e royalties.

A existência de Convenção para Evitar a Dupla Tributação.

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CASO PRÁTICO
A sociedade portuguesa Fobos, Lda. pagou 26.000 euros de comissões a uma
empresa polaca relativamente à intermediação nas vendas que o seu
estabelecimento estável na Polónia está a realizar naquele país.
Também suportou gastos de 14.000 euros relativos a um estudo de mercado
realizado por uma empresa brasileira para aferir da probabilidade de se vir a
expandir para o mercado sul-americano.
Resolução:
As comissões pagas à empresa polaca, embora sejam devidas por uma entidade
com sede e direção efetiva em território nacional, não se consideram obtidas em
Portugal, por deverem ser imputadas ao estabelecimento estável que a
Fobos tem na Polónia, uma vez que constituem encargos com as vendas que
tal estabelecimento realiza naquele país. É esta a conclusão que decorre da
primeira parte do n.º 4 do art.º 4º do CIRC.
No caso dos rendimentos pagos à empresa brasileira, mesmo sendo realizados
integralmente fora do território português, estão relacionados com estudos de
mercado, pelo que, de acordo com a parte final do n.º 4 do art. 4º do CIRC, são
sempre considerados obtidos em território nacional.

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CASO PRÁTICO
A sociedade Dione pagou 11.200 euros serviços de publicidade a uma empresa
italiana para promoção de um empreendimento turístico em Génova.

Indique se os rendimentos pagos à empresa italiana devem ser considerado


como obtidos em território nacional?

Resolução:

Tratam-se de rendimentos de prestação de serviços (que não seja


intermediação na celebração de contratos) realizados fora do território
nacional e sobre bens que também aqui não estão situados. Logo, não tais
rendimentos não se consideram obtidos em Portugal (n.º 4 do art.º 4º do
CIRC).

Tributados por retenção na fonte a titulo definitivo a menos que a convenção de dupla
tributação com Italia preveja a isenção e esta seja ativada com o preenchimento do
modelo RFID respetivo

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CASO PRÁTICO
A empresa espanhola ABC vendeu, em 2016, 10.000 ações da empresa
portuguesa XPTO, obtendo uma mais-valia de 50.000 euros.

Será tal rendimento de mais-valia considerado como obtido em território


português?

Resolução:
A resposta é afirmativa, pois os ganhos obtidos são relativos a partes
de capital de uma empresa com sede e direção efetiva em Portugal
(alínea b) do n.º 2 do art.º 4º do CIRC).

Haveria depois que equacionar se tais ganhos poderiam beneficiar da


isenção prevista no art.º 51º do CIRC.

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CASO PRÁTICO
A empresa portuguesa ABC subscreveu licenças do Office 365, passando a pagar
à Microsoft Ireland o montante mensal de 3,000€.
Rendimentos sujeitos a IRC em PT?
• Sim, nos termos da alínea c) do nº3 do artigo 4º do CIRC

Em principio estes rendimentos seriam tributados através de retenção na fonte a titulo


definitivo, no entanto o nº1 do artigo 98 do CIRC prevê a dispensa da retenção na fonte
caso tal esteja prevista na convenção, e a mesma seja ativada.

O artigo 7º da CDT com a Irlanda prevê que estes rendimentos sejam tributados apenas
no pais de residência (no caso na Irlanda).

De forma a ativar a convenção deverá a entidade pagadora exigir a entidade irlandesa o


modelo 21 – RFI devidamente certificado pelas autoridades fiscais irlandesas, e este
deverá ser obtido até ao termo do prazo legal para pagamento da retenção na fonte
(Atenção modelo 30 – ainda que rendimentos estejam isentos fruto de convenção)

Informação vinculativa processo 9449/2017, Despacho de 20/10/2017

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 36


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CASO PRÁTICO – Pag 108


A empresa belga Ariel é sócia da empresa Reia com sede em território nacional e
sujeito passivo de IRC. Detêm uma quota na empresa portuguesa de 28% do
capital social.
A sociedade Ariel efetuou suprimentos de capital, sujeitos a juros anuais à taxa de
3%, conforme contrato celebrado entre ambas as empresas.
A empresa belga debitou em março de 2017, juros relativos aos suprimentos
concedidos, no valor de 2.650 euros.

Deve a sociedade Reia fazer retenção na fonte sobre os juros destes


suprimentos?
Resposta
• Nos termos da alínea c) do nº3 do artigo 4º do CIRC estes rendimentos
consideram-se obtidos em Portugal e portanto deveria ser tributados sob a
forma de retenção na fonte a titulo definitivo.

Importa no entanto validar se nos termos do artigo 14º do CIRC não beneficiam
os mesmos de isenção.
Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 37
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Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 38


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As ESNL no âmbito do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas


Artigo 10.º - Pessoas coletivas de utilidade pública e de solidariedade social
1 – Estão isentas de IRC:

a) As pessoas coletivas de utilidade pública administrativa;


b) As instituições particulares de solidariedade social, bem como as pessoas
coletivas àquelas legalmente equiparadas;
c) As pessoas coletivas de mera utilidade pública que prossigam, exclusiva ou
predominantemente, fins científicos ou culturais, de caridade, assistência,
beneficência, solidariedade social ou defesa do meio ambiente (…)”.

Nas alíneas a e b a isenção, ou melhor a utilidade publica, é reconhecida de forma


automática, na alínea c, nos termos do nº 2 do artigo 10º do CIRC o estatuto de utilidade
publica carece de reconhecimento prévio do ministério das finanças.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 39


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Esta isenção pode não ser total sendo, ainda assim, sujeita a determinados condicionalismos,
conforme dispõe o n.º 3 do artigo 10.º do CIRC:

“3 - A isenção prevista no n.º 1 não abrange os rendimentos empresariais derivados do exercício


das atividades comerciais ou industriais desenvolvidas fora do âmbito dos fins estatutários, bem
como os rendimentos de títulos ao portador, não registados nem depositados, nos termos da
legislação em vigor, e é condicionada à observância continuada dos seguintes requisitos:
a) Exercício efetivo, a título exclusivo ou predominante, de atividades dirigidas à prossecução dos fins que justificaram o
respetivo reconhecimento da qualidade de utilidade pública ou dos fins que justificaram a isenção consoante se trate,
respetivamente, de entidades previstas nas alíneas a) e b) ou na alínea c) do n.º 1;
b) Afetação aos fins referidos na alínea anterior de, pelo menos, 50% do rendimento global líquido que seria sujeito a
tributação nos termos gerais, até ao fim do 4.º período de tributação posterior àquele em que tenha sido obtido, salvo
em caso de justo impedimento no cumprimento do prazo de afetação, notificado ao diretor-geral dos impostos,
acompanhado da respetiva fundamentação escrita, até ao último dia útil do 1.º mês subsequente ao termo do referido
prazo;
c) Inexistência de qualquer interesse direto ou indireto dos membros dos órgãos estatutários, por si mesmos ou por
interposta pessoa, nos resultados da exploração das atividades económicas por elas prosseguidas.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 40


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Dispõe, também, o n.º 4 do mesmo artigo que o “incumprimento dos requisitos


referidos nas alíneas a) e c) do número anterior determina a perda da isenção, a partir
do correspondente período de tributação, inclusive”; e que o incumprimento do
requisito referido na alínea b) do n.º 3 (afetação de percentagem do rendimento isento
aos fins prosseguidos), determina a sujeição a tributação, “no 4.º período de tributação
posterior ao da obtenção do rendimento global líquido, a parte desse rendimento que
deveria ter sido afeta aos respetivos fins”.

Por seu turno, a existência de atividades de natureza empresarial fora do âmbito dos fins
estatutários implica a não isenção destas entidades relativamente a tais rendimentos. A
este propósito refira-se que o simples facto de os estatutos preverem que a entidade pode
desenvolver toda e qualquer atividade, não implica por si só que tais atividades se insiram
no âmbito dos fins estatutários.
Importa para o efeito perceber quais são os fins estatutários. Admitamos uma associação
humanitária, forçosamente os seus fins, os fins do seu estatuto é prosseguir atividades de âmbito
humanitário, pelo que as atividades que forem desenvolvidas para além daqueles fins, ainda que
compreendidas nos seus estatutos, não podem beneficiar da isenção acima referida.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 41


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Isenções Artigo 10º CIRC


Relativamente à alínea c) do nº 3 do artigo 10º que refere a “Inexistência de
qualquer interesse direto ou indireto dos membros dos órgãos estatutários,
por si mesmos ou por interposta pessoa, nos resultados da exploração das
atividades económicas por elas prosseguidas “

• É entendimento da AT que o simples facto de elementos dos órgãos


estatutários serem trabalhadores dependentes da própria entidade,
inviabiliza a concessão da isenção em causa.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 42


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Isenções Artigo 11º CIRC


O n.º 1 do artigo 11.º do CIRC prevê ainda isenções para as Associações que
desenvolvam atividades culturais, recreativas e desportivas, aplicando-se as mesmas
aos rendimentos delas diretamente derivados, desde que observadas um conjunto de
condições; assim:

“2 - A isenção prevista no número anterior só pode beneficiar associações legalmente


constituídas para o exercício dessas atividades e desde que se verifiquem
cumulativamente as seguintes condições:

a) Em caso algum distribuam resultados e os membros dos seus órgãos sociais não
tenham, por si ou interposta pessoa, algum interesse direto ou indireto nos
resultados de exploração das atividades prosseguidas;

b) Disponham de contabilidade ou escrituração que abranja todas as suas


atividades e a ponham à disposição dos serviços fiscais, designadamente para
comprovação do referido na alínea anterior” (…)”.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 43


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Isenções Artigo 11º CIRC


• Será importante também para estas entidades ter em conta o que antes se disse relativamente
às entidades abrangidas pelo artigo 10.º do CIRC, no que respeita ao interesse direto ou indireto
nos resultados da exploração das atividades prosseguidas, por parte dos membros dos seus
órgãos estatutários que, em princípio, não poderão desempenhar funções remuneradas na
entidade.

• Também, neste tipo de entidades não se consideram rendimentos diretamente derivados do


exercício das atividades indicadas no n.º 1, para efeitos da isenção aí prevista, os provenientes
de qualquer atividade comercial, industrial ou agrícola exercida, ainda que a título acessório,
em ligação com essas atividades e, nomeadamente, os provenientes de publicidade, direitos
respeitantes a qualquer forma de transmissão, bens imóveis, aplicações financeiras e jogo do
bingo (cf. n.º 3 do artigo referido).

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 44


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Isenções Artigo 11º CIRC ➔ Estatuto Benefícios Fiscais


De salientar que para este tipo de associações o artigo 54.º do EBF prevê ainda o seguinte:

“Artigo 54.º - Coletividades desportivas, de cultura e recreio

1 - Ficam isentos de IRC os rendimentos das coletividades desportivas, de cultura e recreio,


abrangidas pelo artigo 11.º do Código do IRC, desde que a totalidade dos seus rendimentos
brutos sujeitos a tributação, e não isentos nos termos do mesmo Código, não exceda o
montante de € 7500. [Redação dada pela Lei n.º 64-B/2011, de 30 de dezembro - OE]

2 - As importâncias investidas pelos clubes desportivos em novas infraestruturas, não provenientes


de subsídios, podem ser deduzidas à matéria coletável até ao limite de 50% da mesma, sendo
o eventual excesso deduzido até ao final do segundo exercício seguinte ao do investimento.
[Redação dada pela Lei n.º 64-B/2011, de 30 de dezembro - OE]

Repare-se, no entanto, que enquanto o artigo 11.º do CIRC isenta os rendimentos


diretamente resultantes das atividades desportivas, de cultura e recreio, o normativo do
EBF citado isenta os outros rendimentos (que em principio estariam sujeitos) dessas
coletividades desde que os rendimentos brutos sujeitos a tributação e não isentos não
ultrapasse o montante ali referido (7.500€)

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 45


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Principais isenções das ESNL em sede de IRC

Art.º 10.º Art.º 11.º

UP Mera Atividades Culturais,


IPSS
Administrativa UP
Recreativas e desportivas

Reconhecimento Reconhecimento Condicionadas:


Automático Prévio (nº2 artº10º CIRC) Não distribuição resultados …
Disponham contabilidade …

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 46


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Exemplo de despacho nos termos do art.º 10.º, n.º 2:

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 47


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Pessoas coletivas e outras entidades residentes

Exercício, a título principal de atividade comercial,


industrial ou agrícola?

SIM NÃO

Rendimento global das


Lucro categorias do IRS

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 48


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

INCIDÊNCIA REAL

Rendimento Global (artigo 53.º)

rendimentos líquidos das várias categorias do IRS, com


os incrementos patrimoniais obtidos a título gratuito.

Categoria A — Rendimentos do trabalho dependente;


Categoria B — Rendimentos empresariais e profissionais;
Categoria E — Rendimentos de capitais;
Categoria F — Rendimentos prediais;
Categoria G — Incrementos patrimoniais;
Categoria H — Pensões

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 49


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Artigo 54º CIRC – Custos Comuns

Dedutibilidade de gastos (nº1 artº 54º CIRC)


a) Se estiverem apenas ligados à obtenção de rendimentos sujeitos e não
isentos, são deduzidos na totalidade ao rendimento global;

b) Se estiverem ligados à obtenção de rendimentos sujeitos e não isentos,


bem como à de rendimentos não sujeitos ou isentos, serão deduzidos com
a seguinte proporção:
B x C / (C+ D)
Em que:
B = montante dos custos comuns ligados à obtenção de rendimentos sujeitos e
não isentos e dos não sujeitos ou isentos.
C = montante dos rendimentos brutos sujeitos e não isentos.
D = montante dos rendimentos brutos não sujeitos ou isentos.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 50


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Artigo 54º CIRC – Outras particularidades

Artº 54º, números 3 e 4:

3 - Consideram-se rendimentos não sujeitos a IRC as quotas pagas pelos associados


em conformidade com os estatutos, bem como os subsídios destinados a financiar a
realização dos fins estatutários.
4 - Consideram-se rendimentos isentos os incrementos patrimoniais obtidos a título
gratuito destinados à direta e imediata realização dos fins estatutários.

Artº 53º, nº 2:

- prejuízos fiscais de atividades comerciais, industriais ou agrícolas; e


- menos-valias;

só podem ser deduzidos aos rendimentos das respetivas categorias num ou mais dos
cinco exercícios posteriores

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 51


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Exemplo Prático n.º 20-A


O “Clube Amantes da Boa Vida”, é uma associação recreativa e de lazer, onde se praticam
algumas modalidades desportivas nomeadamente ginástica, danças de salão e artes
marciais.
Possui ainda nas suas instalações um pequeno bar que explora.
No ano de 2018 obteve os rendimentos e suportou os custos que a seguir se
discriminam:
Rendimentos brutos: Custos específicos:
• Ginástica 20.000 € • Custos atividades desportivas 55.000 €
• Danças de Salão 30.000 € • Custos do Bar 7.500 €
• Artes Marciais 7.500 € • Custos comuns 8.300 €
• Outras Atividades desportivas 12.500 €
• Bar 10.000 €
Determine a matéria coletável de IRC e o montante de imposto a pagar, e
preencha os campos específicos da DM22 e do anexo D da IES

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 52


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Exemplo Prático n.º 20-A - Resolução


Rendimentos brutos: Custos específicos:
• Ginástica 20.000 € • Custos atividades desportivas 55.000 €
• Danças de Salão 30.000 € • Custos do Bar 7.500 €
• Artes Marciais 7.500 € • Custos comuns 8.300 €
• Outras Atividades desportivas 12.500 €
• Bar 10.000 €
Determine a matéria coletável de IRC e o montante de imposto a pagar, e preencha os campos específicos da DM22 e do anexo D da IES

1. A entidade é sujeito passivo do imposto por força no disposto na alínea a) do n.º 1 do artigo
2.º do CIRC.
2. O IRC incide sobre o rendimento global, correspondente à soma algébrica dos rendimentos das
diversas categorias consideradas para efeitos de IRS – alínea b) do n.º 1 do artigo 3.º do CIRC.
3. Estão isentos de IRC os rendimentos diretamente derivados do exercício de atividades
culturais, recreativas e desportivas (n.º 1 do artigo 11.º do CIRC), pelo que os rendimentos da
ginástica, danças de salão, artes marciais e outras atividades desportivas estão isentos.
No entanto, os rendimentos do bar não estão isentos por força do n.º 3 do referido artigo 11.º.
A determinação do rendimento global (soma algébrica dos rendimentos líquidos das diversas
categorias – n.º 1 do artigo 53.º do CIRC), corresponde a:
Rendimento liquido do Bar = Rendimento bruto do bar – Custos do Bar = 10.000 – 7. 500 = 2.500€

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 53


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Exemplo Prático n.º 20-A - Resolução


Rendimentos brutos: Custos específicos:
• Ginástica 20.000 € • Custos atividades desportivas 55.000 €
• Danças de Salão 30.000 € • Custos do Bar 7.500 €
• Artes Marciais 7.500 € • Custos comuns 8.300 €
• Outras Atividades desportivas 12.500 €
• Bar 10.000 €
Determine a matéria coletável de IRC e o montante de imposto a pagar, e preencha os campos específicos da DM22 e do anexo D da IES

No entanto, os rendimentos do bar não estão isentos por força do n.º 3 do referido artigo 11.º.
A determinação do rendimento global (soma algébrica dos rendimentos líquidos das diversas categorias – n.º 1 do
artigo 53.º do CIRC), corresponde a:
Rendimento liquido do Bar = Rendimento bruto do bar – Custos do Bar = 10.000 – 7. 500 = 2.500€

• Soma dos rendimentos líquidos das diferentes categorias 2.500,00€


• Custos comuns (10.000/80.000X8.300) 1.037,50€ (nº 1 e 2 do art.º 54º CIRC)

• Rendimento liquido global 1.462,50€


• Gastos em atividades desportivas e culturais 55.000,00€ (nº 7 do art.º 53º CIRC)

• Matéria Coletável 0€

De notar que a dedução referida no nº 7 do artigo 53º CIRC, apenas pode ser feita até à
concorrência do rendimento global liquido, não sendo transferido para o futuro os gastos
não dedutíveis.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 54


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Exemplo Prático n.º 20-A – Resolução – Obrigações Declarativas


• Soma dos rendimentos líquidos das diferentes categorias 2.500,00€
• Custos comuns (80.000/10.000X8.300) 1.037,50€ (nº 1 e 2 do art.º 54º CIRC)

• Rendimento liquido global 1.462,50€


• Gastos em atividades desportivas e culturais 55.000,00€ (nº 7 do art.º 53º CIRC)

• Matéria Coletável 0€

Quadro 7 do Anexo D da IES

2 500 00

2 500 00 1 462 50

INSERIR QUADRO IES CORRECTO 1 037 50

0 00

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 55


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Exemplo Prático n.º 20 – Resolução – Obrigações Declarativas


• Soma dos rendimentos líquidos das diferentes categorias 2.500,00€
• Custos comuns (80.000/10.000X8.300) 1.037,50€ (nº 1 e 2 do art.º 54º CIRC)

• Rendimento liquido global 1.462,50€


• Gastos em atividades desportivas e culturais 55.000,00€ (nº 7 do art.º 53º CIRC)

• Matéria Coletável 0€
Quadro 9 da DM22

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 56


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Exemplo Prático n.º 20 – Resolução – Obrigações Declarativas


• Soma dos rendimentos líquidos das diferentes categorias 2.500,00€
• Custos comuns (80.000/10.000X8.300) 1.037,50€ (nº 1 e 2 do art.º 54º CIRC)

• Rendimento liquido global 1.462,50€


• Gastos em atividades desportivas e culturais 70.000,00€ (nº 7 do art.º 53º CIRC)

• Matéria Coletável 0€
Quadro 10 da DM22

Reforçando que apenas após 2014 poderá ser efetuar a dedução do art.º 53.º,
n.º 7 do CIRC
Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 57
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Exemplo Prático n.º 20 – Resolução – Obrigações Declarativas


• Soma dos rendimentos líquidos das diferentes categorias 2.500,00€
• Custos comuns (80.000/10.000X8.300) 1.037,50€ (nº 1 e 2 do art.º 54º CIRC)

• Rendimento liquido global 1.462,50€


• Gastos em atividades desportivas e culturais 70.000,00€ (nº 7 do art.º 53º CIRC)

• Matéria Coletável 0€
Quadro 11 anexo D da DM22

Majorações equipamentos desportivos

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 58


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

OBRIGAÇÕES
DECLARATIVAS

INSCRIÇÃO/REGISTO 90 dias após RNPC

ALTERAÇÕES 15 dias

CESSAÇÃO 30 dias

Até último dia útil


NORMAL de Maio
PERIÓDICA DE
RENDIMENTOS
SUBSTITUIÇÃO Em qualquer altura

IES - DECL. ANUAL INF. Até 15 de Julho


CONTAB. E FISCAL

DOSSIER FISCAL Até 15 de Julho

DM10 - Rendimentos Até último dia útil


e Retenções de Fevereiro

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 59


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Dispensa de entrega da declaração modelo 22 - artigo 117.º n.º 6 do CIRC


A dispensa de entrega da declaração periódica de rendimentos passa a abranger
também as entidades que apenas aufiram rendimentos não sujeitos a IRC,
exceto quando estejam sujeitas a qualquer tributação autónoma.
exemplo
Uma Associação cultural apresenta em 2017, os seguintes rendimentos:
oQuotas de associados = 4.000 euros
oSubsídio da Câmara Municipal
O sujeito passivo está dispensado de apresentar a declaração modelo 22 em 2018
Os rendimentos referidos não estão sujeitos a IRC por força do n.º 3 do artigo 54.º
do Código

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 60


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Tributações autónomas em sede de IRC


Sujeição: art. 88.º, n.º 1 e 2 do CIRC: 70% - Despesas não documentadas
Não sujeição: art.º 88.º, n.º 3 do CIRC – Encargos viaturas de passageiros
Sujeição: art. 88º nº 7: 10% - Despesas de representação
Sujeição: art.º 88.º n.º 9 do CIRC : 5% - Ajudas de Custo

Derrama
As ESNL não estão sujeitas: Lei das Finanças

Pagamento Especial por Conta


As ESNL não estão sujeitas - n.º 1 do art.º 106.º do CIRC, por remissão para o n.º 1 do
art.º 104.º
Taxa de tributação
Art.º 87.º, n.º 1: 21%
NOTA: não é aplicável a taxa reduzida

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 61


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CASO PRÁTICO

Uma associação desportiva obteve os seguintes rendimentos:


• Quotas pagas pelos associados 12.650;
• Donativos obtidos para a manutenção das instalações desportivas 13.870;
• Subsídios concedidos pelo município ampliação das instalações desportivas: 65.800;
• Mensalidades relativas à frequência das aulas de ginástica e judo: 46.650;
• Rendas auferidas pela cedência de espaço para a instalação de um bar: 32.000;
• Juros obtidos: 645;
• Publicidade nos recintos desportivos: 34.000;

E suportou os seguintes encargos:


• Encargos administrativos e de gestão da associação: 12.350;
• Gastos com eletricidade e água dos recintos desportivos: 7.250;
• Gastos com a contratação de professores de ginástica e de judo: 16.000;
• Depreciações imóveis/equipamentos afetos às aulas (recintos desportivos): 20.000;
• Gastos com eletricidade e água relativos ao espaço onde funciona o bar: 6.000;

Determine o rendimento global, desta associação, a ser sujeito a tributação em IRC.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 62


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CASO PRÁTICO - Resolução


Pelo disposto no n.º 3 do art.º 54º do CIRC as quotas e os subsídios concedidos
pela autarquia são rendimentos não sujeitos a IRC. E pelo n.º 4 do mesmo artigo,
os donativos obtidos para manutenção das instalações desportivas são
rendimentos isentos.

Tratando-se de uma associação desportiva ainda pode beneficiar das isenções


previstas nos art.º 11º do CIRC, que irão abranger as mensalidades auferidas
pelas aulas ministradas.

• Total dos rendimentos não sujeitos (valor bruto) = 12.650 + 65.800 = 78.450
• Total dos rendimentos isentos (valor bruto) = 13.870 + 46.650 = 60.250

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 63


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CASO PRÁTICO - Resolução


• Total dos rendimentos isentos (valor líquido) = 13.870 + (46.650 − 7.250-
16.000 − 20.000) = 13-870 + 3.400 = 17.270€

No anexo D da modelo 22 iremos indicar, no quadro 03, quanto aos rendimentos


isentos: campo 302 : 3.400 euros (isenção art.º 11º CIRC) e campo 304: 13.870
euros (isenção art.º 54º n.º 4 CIRC).

Na modelo 22, no quadro 09 campo 324: 17.270 euros

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 64


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CASO PRÁTICO - Resolução


Considerando os rendimentos sujeitos e não isentos nas diversas categorias de
IRS, temos:
Categoria B − Rendimento de publicidade
• Valor bruto= 34.000 euros
• Valor líquido = 34.000 euros porque não há encargos associados
Categoria F − Rendimentos das rendas da cedência de espaço
• Valor bruto − 32.000 euros
• Valor líquido − 32.000 − 6000 = 26.000 euros, deduziram-se os gastos
de água e eletricidade suportados
Categoria E − juros obtidos
• Valor bruto − 645 euros
• Valor líquido − 645 euros
Como os rendimentos brutos sujeitos e não isentos são superiores a 7.500 euros
a associação já não pode beneficiar da isenção adicional do n.º 1 do art.º 54º do
EBF
Rendimento global = 34.000 + 26.000 + 645 = 60.645 euros

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 65


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 66


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

PRINCÍPIO DA PERIODIZAÇÃO (ESPECIALIZAÇÃO DOS EXERCÍCIOS)


PARÁGRAFO 22 DA ESTRUTURA CONCEPTUAL
A fim de satisfazerem os seus objetivos, as demonstrações financeiras são
preparadas de acordo com o regime contabilístico do acréscimo (ou da periodização
económica).
Através deste regime, os efeitos das transações e de outros acontecimentos são
reconhecidos quando eles ocorram (e não quando caixa ou equivalentes de caixa sejam
recebidos ou pagos) sendo registados contabilisticamente e relatados nas demonstrações
financeiras dos períodos com os quais se relacionem.
As demonstrações financeiras preparadas de acordo com o regime de acréscimo
informam os utentes não somente das transações passadas envolvendo o pagamento e o
recebimento de caixa mas também das obrigações de pagamento no futuro e de recursos
que representem caixa a ser recebida no futuro. Deste modo, proporciona-se informação
acerca das transações passadas e outros acontecimentos que seja mais útil aos utentes
na tomada de decisões económicas.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 67


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

NCRF 4 – Correção de Erros

Erros: são “omissões, e declarações incorretas nas demonstrações financeiras


da entidade de um ou mais períodos anteriores, decorrentes da falta de uso, ou
uso incorreto, de informação fiável” existente à data da preparação dessas
demonstrações financeiras (NCRF 4, §. 5).

Exemplos de erros:
Efeitos de erros matemáticos;
Erros na aplicação de políticas contabilísticas;
Descuidos ou interpretações incorretas de factos;
Fraude.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 68


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

ERROS MATERIAIS, ERROS IMATERIAIS,


se puderem, individualmente ou mas feitos intencionalmente.
coletivamente, influenciar as (NCRF 4, §. 36).
decisões económicas dos utentes,
tomadas com base nas
demonstrações financeiras.
(NCRF 4, §. 5)

TIPOS DE ERROS

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 69


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

NCRF 4 – CORREÇÃO DE ERROS

APLICAÇÃO RETROSPETIVA
No primeiro conjunto de demonstrações financeiras autorizadas para emissão
após a sua descoberta

Reexpressão das quantias Se ocorreu antes do período


comparativas para o(s) anterior mais antigo
período(s) anterior(es) apresentado, reexpressão dos
apresentado(s) em que saldos de abertura dos ativos,
tenha ocorrido o erro passivos e situação líquida
para o período anterior mais
antigo apresentado.

REEXPRESSÃO RETROSPETIVA corresponde à correção do reconhecimento, da


mensuração e divulgação das quantias dos elementos das demonstrações financeiras,
como se o erro de períodos anteriores nunca tivesse ocorrido.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 70


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

PRINCÍPIO DA PERIODIZAÇÃO (ESPECIALIZAÇÃO DOS EXERCÍCIOS) – Artigo 18º CIRC

Artigo 18.º do Código do IRC


Os rendimentos e os gastos, assim como as outras componentes positivas ou
negativas do lucro tributável, são imputáveis ao período de tributação em
que sejam obtidos ou suportados, independentemente do seu recebimento
ou pagamento, de acordo com o regime de periodização económica.

Excepção
As componentes positivas ou negativas consideradas como respeitando a
períodos anteriores só são imputáveis ao período de tributação quando na
data de encerramento das contas daquele a que deviam ser imputadas
eram imprevisíveis ou manifestamente desconhecidas.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 71


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

PRINCÍPIO DA PERIODIZAÇÃO (ESPECIALIZAÇÃO DOS EXERCÍCIOS) – Artigo 18º CIRC

a) Os réditos relativos a vendas consideram-se em geral realizados, e os


correspondentes gastos suportados, na data da entrega ou expedição dos bens
correspondentes ou, se anterior, na data em que se opera a transferência de
propriedade;

b) Os réditos relativos a prestações de serviços, bem como os gastos referentes a


inventários e a fornecimentos e serviços externos, consideram-se em geral realizados,
e os correspondentes gastos suportados, na data em que o serviço é concluído,
exceto tratando-se de serviços que consistam na prestação de mais de um ato ou
numa prestação continuada ou sucessiva, que são imputáveis proporcionalmente à
sua execução;

c) Os réditos e os gastos de contratos de construção devem ser periodizados tendo em


consideração o disposto no artigo 19.º

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 72


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

PRINCÍPIO DA PERIODIZAÇÃO (ESPECIALIZAÇÃO DOS EXERCÍCIOS)

Quais as consequências fiscais de um erro?


Princípio da especialização dos exercícios versus princípio da justiça

Acórdão 325/08, de 19/11

“ Constatando-se que o contribuinte incorreu em vários erros na aplicação do


princípio da especialização dos exercícios e constatando-se que, da globalidade
deles, resultou ele próprio prejudicado, por ter invocado tardiamente mais custos do
que os que antecipou, não há lugar a aplicação de juros compensatórios pela
invocação de custos antecipados, por imperativo do princípio da justiça. “

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 73


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CASOS PRÁTICOS
I
A empresa XPTO, SA, quando lhe é solicitado o pagamento de uma fatura por
parte de um fornecedor deteta a falta de registo dessa fatura. O documento
respeita a um trabalho especializado faturado no ano N-1.

Quais as consequências desta operação?

Resposta: artigo 18.º n.º 1

CASOS PRÁTICOS

No ano N, a empresa emitiu uma nota de crédito relativa a uma


devolução de uma mercadoria faturada no período anterior.

Resposta: artigo 18.º n.º 2

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 74


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

PERIODO DE TRIBUTAÇÃO:
i. Coincidência entre o exercício económico e o ano civil, exceto:

– Entidades residentes obrigadas à consolidação de contas ou


– As pessoas coletivas com sede ou direção efetiva em território
português podem adotar um período de tributação anual não
coincidente com o ano civil (tem de ser mantida por 5 anos)
ii. Período de tributação inferior a um ano:
– Início de atividade
– Cessação de atividade
– Quando as condições de sujeição a imposto ocorram e deixem de verificar-
se no mesmo exercício
– Quando seja adotado um período de tributação diferente
– Quando a sede ou direção efectiva de uma empresa passa a situar-se em
território português.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 75


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

• Artº 18º nº 12 do CIRC


Excepto quando estejam abrangidos pelo disposto no artigo 43.º, os gastos
relativos a benefícios de cessação de emprego, benefícios de reforma e outros
benefícios pós emprego ou a longo prazo dos empregados que não sejam
considerados rendimentos de trabalho dependente, nos termos da primeira
parte do n.º 3) da alínea b) do n.º 3 do artigo 2.º do Código do IRS, são
imputáveis ao período de tributação em que as importâncias sejam pagas ou
colocadas à disposição dos respectivos beneficiários

Novamente estaremos perante um tratamento contabilístico que


diverge do tratamento fiscal

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 76


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resultado líquido

+
Variações patrimoniais

Deduzir:
Lucro tributável
-Prejuízos fiscais
-Benefícios fiscais

Matéria coletável

Taxas

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 77


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Deduções à coleta:
Coleta -DTI
-Benefícios Fiscais
-Pagamentos Especiais por
Conta

Deduzir:
IRC Liquidado -Retenções na fonte
-Pagamentos por Conta

Imposto a pagar ou
a recuperar

Acresce:
-Derrama
-Tributações Autónomas

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 78


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CASO PRÁTICO

Em 2017, em virtude de uma restruturação do Departamento de Assistência


Técnica a sociedade acordou com 3 trabalhadores a cessação dos respetivos
contratos de trabalho, tendo sido estabelecidas as respetivas indemnizações no
valor total de 72.000 euros.
Embora os contratos de trabalho tivessem cessado em novembro, as
indemnizações só foram pagas aos trabalhadores em janeiro de 2018.
Em que período fiscal deve ser considerado o gasto fiscal decorrente da
cessação desses contratos?
Resolução:
Apesar do montante das indemnizações ter de ser reconhecido como gasto
contabilístico em 2017, período em que se deram as desvinculações dos
trabalhadores, tais gastos só são aceites fiscalmente no período de tributação em
que as indemnizações foram pagas ou colocadas à disposição. O que só ocorre
em 2018.

Em resumo: no quadro 07 da modelo 22 do período de 2017 acresce-se 72.000


euros e no quadro 07 da modelo 22 de 2018 deduz-se os 72.000 euros.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 79


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 80


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

VARIAÇÕES PATRIMONIAIS POSITIVAS - Concorrem ainda para a formação do lucro


tributável as variações patrimoniais positivas não refletidas no resultado líquido do
período de tributação, exceto:
As entradas de capital, incluindo os prémios de emissão de ações, as coberturas de prejuízos, a
qualquer título, feitas pelos titulares do capital, bem como outras variações patrimoniais positivas
que decorram de operações sobre instrumentos de capital próprio da entidade emitente, incluindo
as que resultem da atribuição de instrumentos financeiros derivados que devam ser reconhecidos
como instrumentos de capital próprio;
As mais-valias potenciais ou latentes, ainda que expressas na contabilidade, incluindo as reservas
de reavaliação ao abrigo de legislação de carácter fiscal;
As contribuições, incluindo a participação nas perdas do associado ao associante, no âmbito da
associação em participação e da associação à quota;
As relativas a impostos sobre o rendimento.
O aumento do capital próprio da sociedade beneficiária decorrente de operações de fusão, cisão,
entrada de ativos ou permuta de partes sociais, com exclusão da componente que corresponder à
anulação das partes de capital detidas por esta nas sociedades fundidas ou cindidas.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 81


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

VARIAÇÕES PATRIMONIAIS NEGATIVAS - Nas mesmas condições referidas para


os gastos, concorrem ainda para a formação do lucro tributável as variações
patrimoniais negativas não refletidas no resultado líquido do período de
tributação, exceto:
As que consistam em liberalidades ou não estejam relacionadas com a atividade do contribuinte
sujeita a IRC
As menos-valias potenciais ou latentes, ainda que expressas na contabilidade
As saídas, em dinheiro ou em espécie, em favor dos titulares do capital, a título de remuneração
ou de redução do mesmo, ou de partilha do património, bem como outras variações patrimoniais
negativas que decorram de operações sobre ações, quotas e outros instrumentos de capital próprio
da entidade emitente ou da sua reclassificação;
As prestações do associante ao associado, no âmbito da associação em participação
As relativas a impostos sobre o rendimento.
A diminuição do capital próprio da sociedade beneficiária decorrente de operações de fusão, cisão
ou entrada de ativos, com exclusão da componente que corresponder à anulação das partes de
capital detidas nas sociedades fundidas ou cindidas

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 82


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

VARIAÇÕES PATRIMONIAS POSITIVAS OU NEGATIVAS

CASOS PRÁTICOS

Na assembleia geral de aprovação de contas de 2017, em março de


2018 a gerência decidiu atribuir aos gerentes uma gratificação de
resultados por terem sido atingidos os objetivos de gestão.

Resposta: Artigo 24.º do Código do IRC


Parágrafo 18 da NCRF 28

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 83


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

VARIAÇÕES PATRIMONIAS POSITIVAS OU NEGATIVAS


CASOS PRÁTICOS

-Aquisição de quotas ou ações próprias?


Resposta: Artigo 24.º al. c) do Código do IRC

CASOS PRÁTICOS

-Realização de prestações suplementares ou prestações acessórias?

Resposta: Artigo 21.º n.º 1 al. a) do Código do IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 84


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

VARIAÇÕES PATRIMONIAS POSITIVAS OU NEGATIVAS


CASOS PRÁTICOS

-Entradas de sócios para cobertura de prejuízos?

Resposta: Artigo 21.º n.º 1 al. a) do Código do IRC

CASOS PRÁTICOS

-Doação de um imóvel por um sócio?

Resposta: Artigo 21.º n.º 2 do Código do IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 85


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Subsídios relacionados com ativos


não correntes

Ativos depreciáveis ou Outros


amortizáveis (al. a))
(al. d))

Artigo 22.º n.º 1 al. a)


Inclusão em resultados na
proporção da depreciação ou S/ Inalienabilidade C/ Inalienabilidade
amortização

Inclusão em resultados em Inclusão em resultados em


partes iguais durante 10 partes iguais durante o
anos período de inalienabilidade

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 86


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

VARIAÇÕES PATRIMONIAS POSITIVAS OU NEGATIVAS

Regras especiais para a inclusão de subsídios em resultados

Descrição Inclusão em resultados


Activos intangíveis sem vida útil definida 20 anos
Propriedades de investimento mensuradas Durante o período de vida útil que se deduz
ao justo valor da quota mínima de depreciação aceite se o
Ativos biológicos não consumíveis, activo permanecesse reconhecido ao custo
subsequentemente mensurados ao justo de aquisição
valor

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 87


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 88


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

RENDIMENTOS (artigo 20.º)

Consideram-se rendimentos os resultantes de operações de qualquer


natureza, em consequência de uma ação normal ou ocasional, básica ou
meramente acessória.
✓Os relativos a vendas ou prestações de serviços, descontos, bónus e abatimentos,
comissões e corretagens;
✓Rendimentos de imóveis;
✓De natureza financeira, tais como juros, dividendos, descontos, ágios, transferências,
diferenças de câmbio, prémios de emissão de obrigações e os resultantes da aplicação do
método do juro efetivo aos instrumentos financeiros valorizados pelo custo amortizado;
✓Rendimentos da propriedade industrial ou outros análogos;
✓Prestações de serviços de carácter científico ou técnico;
✓Rendimentos resultantes da aplicação do justo valor em instrumentos financeiros;
✓Rendimentos resultantes da aplicação do justo valor em ativos biológicos consumíveis
que não sejam explorações silvícolas plurianuais;
✓Mais-valias realizadas;
✓Indemnizações auferidas, seja a que título for;
✓Subsídios à exploração.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 89


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

RENDIMENTO

Réditos Ganhos
➢ Vendas ➢ Mais-valias
➢ Prestações de ➢ Subsídios à exploração
serviços
➢ juros, ➢ Donativos
➢ Dividendos ➢ Justo valor dos ativos
➢ royalties

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 90


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Gastos (artigo 23.º)


Para a determinação do lucro tributável, são dedutíveis todos os gastos e perdas
incorridos ou suportados pelo sujeito passivo para obter ou garantir os
rendimentos sujeitos a IRC

“É hoje bastante consensual que a indispensabilidade dos gastos deve, num plano
geral, ser entendida como considerando dedutíveis aqueles que sejam
incorridos no interesse da empresa, na prossecução das respectivas
actividades. Tem-se afastado, pois, a interpretação do conceito de
indispensabilidade como significando uma necessária ligação causal entre gastos e
rendimentos.”
Comissão da Reforma do IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 91


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

DOCUMENTOS COMPROVATIVOS

Estabelece-se que o documento comprovativo da aquisição de bens ou serviços terá de


conter pelo menos os seguintes elementos:

(i) nome ou denominação social do vendedor e do adquirente,

(ii) NIF de ambas as entidades, se residentes em território nacional;

(iii)quantidade e denominação dos bens adquiridos/dos serviços prestados;

(iv)preço e

(v) data de aquisição.

Sempre que nos termos do Código do IVA haja obrigação de emissão de fatura, esta
será o documento comprovativo exigível.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 92


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

GASTOS ACEITES FISCALMENTE

✓Os relativos à produção ou aquisição de quaisquer bens ou serviços, tais como


matérias utilizadas, mão-de-obra, energia e outros gastos gerais de produção, conservação
e reparação;
✓Os relativos à distribuição e venda, abrangendo os de transportes, publicidade e
colocação de mercadorias e produtos;
✓De natureza financeira, tais como juros de capitais alheios aplicados na exploração,
descontos, ágios, transferências, diferenças de câmbio, gastos com operações de crédito,
cobrança de dívidas e emissão de obrigações e outros títulos, prémios de reembolso e os
resultantes da aplicação do método do juro efectivo aos instrumentos financeiros
valorizados pelo custo amortizado;
✓De natureza administrativa, tais como remunerações, incluindo as atribuídas a título de
participação nos lucros, ajudas de custo, material de consumo corrente, transportes e
comunicações, rendas, contencioso, seguros, incluindo os de vida, doença ou saúde, e
operações do ramo «Vida», contribuições para fundos de poupança-reforma, contribuições
para fundos de pensões e para quaisquer regimes complementares da segurança social,
bem como gastos com benefícios de cessação de emprego e outros benefícios pós-
emprego ou a longo prazo dos empregados;

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 93


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

GASTOS ACEITES FISCALMENTE

✓ Os relativos a análises, racionalização, investigação, consulta e projectos de


desenvolvimento;
✓De natureza fiscal e parafiscal;
✓Depreciações e amortizações;
✓Ajustamentos em inventários, perdas por imparidade e provisões;
✓Perdas resultantes da aplicação do justo valor em instrumentos financeiros;
✓Perdas resultantes da aplicação do justo valor em activos biológicos consumíveis que não
sejam explorações silvícolas plurianuais;
✓Menos-valias realizadas;
✓Indemnizações resultantes de eventos cujo risco não seja segurável.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 94


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 95


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Não são dedutíveis para efeitos de determinação do lucro


tributável os seguintes encargos, mesmo quando
contabilizados como gastos do período de tributação:
a) O IRC, incluindo as tributações autónomas, e outros impostos que
directa ou indirectamente incidam sobre os lucros;
b) Despesas não documentadas;
c) Encargos cuja documentação não cumpra o disposto nos n.ºs 3
e 4 do artigo 23, bem como os encargos evidenciados em
documentos emitidos por sujeitos passivos com número de
identificação fiscal inexistente ou inválido ou por sujeitos passivos
cuja cessação de atividade tenha sido declarada oficiosamente;
d) As despesas ilícitas;

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 96


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

e) As multas, coimas e demais encargos pela prática de


infracções, de qualquer natureza, que não tenham origem contratual,
bem como por comportamentos contrários a qualquer regulamentação
sobre o exercício da atividade, incluindo os juros compensatórios;

f) Os impostos, taxas e outros tributos que incidam sobre terceiros que o


sujeito passivo não esteja legalmente obrigado a suportar;

g) As indemnizações pela verificação de eventos cujo risco seja


segurável;

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 97


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

h) As ajudas de custo e os encargos com compensação pela deslocação em


viatura própria do trabalhador, ao serviço da entidade patronal, não faturados a
clientes, escriturados a qualquer título,
SEMPRE QUE…
A entidade patronal não possua, por cada pagamento efectuado, um mapa através do
qual seja possível efectuar o controlo das deslocações a que se referem aqueles
encargos, designadamente:
• os respetivos locais
• tempo de permanência
• objetivo
• no caso de deslocação em viatura própria do trabalhador, identificação da viatura e do
respetivo proprietário, bem como o número de quilómetros percorridos

EXCEPTO NA PARTE EM QUE HAJA LUGAR A TRIBUTAÇÃO EM SEDE


DE IRS NA ESFERA DO RESPECTIVO BENEFICIÁRIO

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 98


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

i) Os encargos com o aluguer sem condutor de viaturas ligeiras de


passageiros ou mistas, na parte correspondente ao valor das
depreciações dessas viaturas que, nos termos das alíneas c) e e) do
n.º 1 do artigo 34.º, não sejam aceites como gastos;

j) Os encargos com combustíveis na parte em que o sujeito passivo


não faça prova de que os mesmos respeitam a bens pertencentes ao
seu activo ou por ele utilizados em regime de locação e de que não
são ultrapassados os consumos normais;

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 99


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

m) Os juros e outras formas de remuneração de suprimentos e


empréstimos feitos pelos sócios à sociedade, na parte em que
excedam o valor correspondente à taxa definida por portaria do
membro do governo, salvo no caso de se aplicar o regime estabelecido
no artigo 63.º

PORTARIA 279/2014, de 30 de Dezembro


-Taxa máxima aceite para efeitos fiscais, em relação a juros de suprimentos, a correspondente
à taxa Euribor a 12 meses do dia da constituição da dívida, acrescida de um spread de 2%

-Sempre que se trate de juros e outras formas de remuneração de suprimentos e empréstimos


feitos pelos sócios a PME, tal como definidas no anexo ao Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6 de
Novembro, é fixado em 6% o spread a acrescer à taxa EURIBOR a 12 meses

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 100


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Participação nos lucros por membros dos órgãos sociais da


empresa (alíneas n) e o))
N.º 5 DO
Não são considerados como gastos: ARTIGO
23.º-A

- se não pagos ou colocados à disposição até ao fim do período de


tributação seguinte
-Na parte em que exceda o dobro da remuneração mensal auferida no
período de tributação a que respeita o resultado em que participam
N.º 6 DO
ARTIGO
23.º-A
LIMITE = Total das remunerações auferidas no respectivo período pelo
beneficiário x 2
12
Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 101
Caso Prático – Participação nos lucros e
bónus
Uma dada empresa reconheceu como gasto do período de 2016 e com base
SEG0817 – Encerramento de Contas de 2016

numa estimativa fiável, a sua obrigação construtiva relativa aos benefícios dos
empregados, a título de participação nos lucros, fundamentando-se na prática
passada, no valor de €240.000,00.
Efectuados os cálculos do valor a atribuir a cada empregado, com base na
experiência do passado, constatou-se que o valor da gratificação a receber pelo
gerente é €5.500,00.
Este beneficiário é também titular de 2% do capital social da empresa e a sua
remuneração mensal é €2.250,00.
Quais as correcções fiscais a efectuar na determinação do lucro tributável de
2016?

Admitindo que as respectivas importâncias não foram pagas nem colocadas à


disposição dos beneficiários até ao fim do período de tributação seguinte, quais
as correcções a efectuar em 2017?

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 102


Caso Prático – Participação nos lucros e
bónus - Resolução
Período de tributação de 2016:
SEG0817 – Encerramento de Contas de 2016

Valor da gratificação a atribuir ao gerente: 5.500€ (a ser pago ou colocado à


disposição até ao fim de 2017)

Remuneração mensal média do gerente: 2.250 X 14 : 12 = 2.625


Limite dedutível = 5.250€ (2 X 2.625€)
Contabilisticamente:
Descrição Conta a debito Conta a credito Valor

Pela gratificação a atribuir 6328 – Gratificações 2722X – credores por acréscimos de gastos 234.500€

Pela gratificação a atribuir 6318 – Gratificações 2722X – credores por acréscimos de Gastos 5.500€

Fiscalmente:
acresce no Q. 07 da modelo 22: 250 (5.500 – 5.250)

Acrescer Gastos não dedutíveis relativos à participação nos lucros


por membros dos órgãos sociais [art.o 23-A. n.o 1, al. o)]
735 250€
normativo aplicável: artigo 23-Aº n.º 1 o) do CIRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 103


Caso Prático – Participação nos lucros e
bónus - Resolução
Período de tributação de 2017:
SEG0817 – Encerramento de Contas de 2016

Valor reconhecido como gasto na contabilidade: 240.000


Valor aceite como custo fiscal: 239.750 = (240.000 – 250)
Correcção a efectuar: 239.750 X 21% = 50,347,50 (valor
inscrever no campo 363 do Quadro 10)

São também devidos juros compensatórios


normativo aplicável: artigo 23A.º n.º 5 do CIRC

Note-se que a taxa do IRC aplicável pode ser 17% ou 21%

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 104


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

p) A contribuição sobre o setor bancário;

q) Contribuição extraordinária sobre o setor energético;

r) Importâncias pagas ou devidas, a qualquer título, a pessoas


singulares ou colectivas residentes fora do território português e aí
submetidas a um regime claramente mais favorável (Portaria
150/2004, de 13/02), salvo se provar, no prazo de 30 dias após
notificação, que se trata de encargos efetivamente realizados e não têm
caráter anormal ou montante exagerado;

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 105


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

DESPESAS NÃO DOCUMENTADAS VS DESPESAS INDEVIDAMENTE


DOCUMENTADAS
Uma, possível, fixação, de alguns conceitos nesta matéria:

Despesas não documentadas — são aquelas que não apresentam ou têm por base qualquer
documento de suporte que as justifique. De regra são designadas por “despesas confidenciais” e será o
caso da saída de numerário de caixa ou de “saco azul” sem qualquer documento justificativo ou de
suporte para efectuar pagamentos sem emissão do correspondente recibo

Despesa ou encargos não devidamente documentados — são aquelas que têm suporte documental;
no entanto, este documento não se encontra na sua forma devida e exigida pela lei, sendo exemplo a
emissão de factura sem discriminação do material a que se refere não cumprindo assim os requisitos
formais dos documentos exigidos pelo código do CIRC e do IVA ou o movimento financeiro existente no
extracto bancário em que é possível identificar o seu destinatário mas não é possível entender em
termos quantitativos e qualitativos quais os bens ou serviços que determinaram certo pagamento a
determinada entidade.

Qualquer destas despesas acarretam para o contribuinte a não dedutibilidade para efeitos fiscais
(custos para determinação do lucro tributável).

Ac. do STA, de 22/02/2017, Proc. 0837/15

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 106


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CASO PRÁTICO
Relativamente a 2017, a sociedade Tétis registou na conta 812 - Imposto sobre o
rendimento do período um montante de 14.650 euros, relativos à estimativa do
imposto desse período. Relevou ainda, na conta 6885 Insuficiência da estimativa
para impostos, um valor de 894 euros, correspondente a um valor de imposto de
2015 que foi incorretamente estimado.
Quais as correções que a Tétis deve efetuar no quadro 07 da declaração modelo
22?

Resolução:
A Tétis deve acrescer no campo 724 do quadro 07 relativo a 2016, um montante
total de 15.544 euros (14.650 + 894).

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 107


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CASO PRÁTICO
A sociedade Mercúrio suportou em 2018, um valor total de despesas de 17.800
euros reconhecidos como gastos do período, relativamente às quais, após a
verificação cuidada pelo contabilista apresentaram alguns problemas na
comprovação documental:
- 7.380 euros de despesas com um advogado apenas tituladas com notas de
honorários.
- 5.820 euros de aquisições de serviços realizadas a um fornecedor,
relativamente ao qual se verificou que tinha a atividade cessada oficiosamente
em 2010;
- 4.600 euros de levantamentos de caixa sem qualquer documento de suporte e
sem que se tenha conseguido identificar a pessoa que procedeu a tais retiradas
de caixa. Na reconciliação efetuada no final do ano o valor em falta foi registado
em gastos.
Quais as correções que a sociedade Mercúrio deve efetuar no quadro 07
da declaração modelo 22?

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 108


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CASO PRÁTICO

Resolução:

Ainda que o citado advogado estivesse enquadrado no regime especial de


isenção do art.º 53º do CIVA, deveria ter emitido faturas. Não o tendo feito a
sociedade incorre na penalização da não aceitação fiscal deste encargo, nos
termos da alínea c) do n.º 1 do art. 23º A do CIRC. Os gastos com as aquisições
de serviços realizadas ao fornecedor com atividade cessada oficiosamente não
concorrerão para a determinação do lucro tributável, ao abrigo da mesma norma.
Não havendo nenhum documento que titule os levantamentos de caixa, nem
sendo identificado o beneficiário desse rendimento, os gastos contabilísticos
serão considerados como despesas não documentadas.

Acresce no quadro 07 da declaração modelo 22:


Campo 731 − 7.380 euros
Campo 726 − 5.820 euros
Campo 716 − 4.600 euros

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 109


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 110


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Inventários e Imparidades
• O QUE SÃO INVENTÁRIOS (EXISTÊNCIAS)?

Detidos com o intuito de vender, direta ou indiretamente

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 111


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Aproximação das normas fiscais às normas contabilísticas

NCRF 18 Artigos 26.º e


28.º do CIRC

Inventários (existências) são ativos:

(a) Detidos para venda no decurso ordinário da atividade empresarial;


(b) No processo de produção para tal venda; ou
(c) Na forma de materiais ou consumíveis a serem aplicados no processo de
produção ou na prestação de serviços
Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 112
Mensuração
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

No caso do custo de compra → pelo preço de compra


custo dos inventários
Mensuração inicial

onde se incluem os direitos de importação e outros


deve incluir todos os impostos, custos de transporte, manuseamento e
custos de compra, outros atribuíveis a aquisição e deduzem-se os
custos de conversão descontos comerciais, abatimentos;
(produção) e outros
custos suportados para No caso dos custos de conversão, pelos custos
colocar os inventários directamente relacionados com a produção, tais como
no seu local. a mão-de-obra directa, gastos gerais de produção
fixos e variáveis (custeio racional).
subsequente
Mensuração

A definição de valor realizável liquido encontra-se


custo ou pelo valor expressa nos § 6 e 7 e refere que e o preço de venda
realizável líquido, dos estimado no decurso normal da actividade empresarial
dois o mais baixo menos os custos estimados de acabamento e os
custos estimados necessários para efectuar a venda.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 113


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CUSTO

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 114


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

ARTIGO 28.º

São dedutíveis no apuramento do lucro tributável as perdas por imparidade em


inventários, reconhecidas no mesmo período de tributação ou em períodos de
tributação anteriores, até ao limite da diferença entre o custo de aquisição ou de
produção dos inventários e o respetivo valor realizável líquido (VRL) referido à
data do balanço, quando este for inferior àquele

Acórdão do TCA, de 29 de janeiro de 2002 (recurso n.º 5930.01):

“cabe à administração fiscal o ónus da prova material dos


pressupostos de facto da liquidação tributária.” (?)

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 115


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

ARTIGO 26.º n.º 2 do CIRC

Podem ser incluídos no custo de aquisição ou de produção os custos de


empréstimos obtidos, bem como outros gastos que lhes sejam directamente
atribuíveis de acordo com a normalização contabilística especificamente
aplicável

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 116


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Exemplo - Ajustamentos em inventários


Na data de relato, uma entidade mantém no seu armazém diversas matérias-
primas obsoletas, não havendo perspetiva da sua utilização na produção. Estes
artigos estão valorizados ao custo, pelo montante de 10.000 €. A empresa ainda
não decidiu o destino a dar às referidas matérias, embora reconheça que estas
não têm valor comercial.

Assim, foi decidido considerar uma perda por imparidade para aqueles
inventários, ainda que não tenha qualquer prova sobre o valor realizável
liquido, que a empresa assumiu ser de 100 €.

Resolução:
Reconhecimento da perda por imparidade
Descrição Debito Credito Valor
Reconhecimento 652 – Perdas p/ 339 – Perdas por imparidade 9.900€
Imparidade imparidade – Inventários acumuladas

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 117


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Reconhecimento do ativo por impostos diferidos

Uma vez que a perda a por imparidade reconhecida não se reporta a uma perda
por imparidade aceite como gasto para efeitos de IRC, haverá a necessidade do
reconhecimento de um ativo por impostos diferidos:
Descrição Debito Credito Valor
AID – perdas por imparidade 2741 – Ativos por 8122 – Imposto 2.079€
não dedutíveis impostos diferidos s/rendimento – Imp dif.

Perda por imparidade*taxa de IRC: 9.900 * 21% = 2.079 €

ACRESCER Perdas por imparidade em inventários para além dos limites legais
(art.º 28.º) e em créditos não fiscalmente dedutíveis ou para além 718 9.900€
dos limites legais (art.º 28.º-A a 28.º-C)
Deduzir Impostos diferidos [art.º 23.º -A, n.º 1, al. a)] 766 2.079€

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 118


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 119


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Depreciações e amortizações ( al. g) do artigo 23.º)

FONTES
1. NCRF 6, 7 e 11
2. Artigos 29.º a 33.º do Código do IRC
3. Decreto Regulamentar n.º 25/2009, de 14 de setembro

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 120


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

ATIVOS FIXOS TANGÍVEIS


Os ativos fixos tangíveis são recursos que uma empresa detém, com carácter
de permanência ou continuidade, não se destinando a ser vendidos ou
transformados no decurso das suas atividades normais. ae fiscalmente

MENSURAÇÃO INICIAL
CUSTO
=
Preço de compra
+
Custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo na sua localização e
condições necessárias para que o mesmo funcione da forma pretendida
+
Estimativa inicial dos custos de desmantelamento e remoção do ativo
Não aceite
+ fiscalmente
Restauração do local onde o mesmo está localizado

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 121


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

DEPRECIAÇÃO DE UM ATIVO FIXO TANGÍVEL

INÍCIO CESSAÇÃO
Quando o bem for classificado como
Quando o bem está disponível detido para venda; ou
para uso Na data em que seja desreconhecido

A que ocorrer mais cedo


REGRA FISCAL
A partir da entrada em
funcionamento ou utilização

O gasto de depreciação é reconhecidos nos resultados

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 122


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Depreciações e amortizações

Custo - É a quantia
de dinheiro ou seus
A
equivalentes paga ou
F Quantia depreciável - o custo de
o justo valor de um activo ou outra quantia
outra retribuição T
Aspetos Contabilísticos e Fiscais do Encerramento de contas de 2016
substituta do custo menos (-) o
dada para adquirir valor residual.
um activo no A
momento da sua I Valor Residual - É a quantia que
aquisição ou a empresa espera obter por um
activo no fim da sua vida útil
construção. após dedução dos custos
esperados de alienação.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 123


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

A quantia depreciável deve ser imputada a resultados numa base sistemática


durante a sua vida útil.

A estimativa da vida útil de um ativo fixo tangível é sujeita a juízos de valor,


pois depende:

Uso esperado do ativo;


Desgaste normal esperado;
Obsolescência técnica ou comercial;
Limites legais ou semelhantes no uso do ativo.

REGRAS FISCAIS
Taxa de depreciação deverá ser igual ou inferior à taxa prevista nas tabelas
anexas ao Decreto Regulamentar ou igual ou superior (artigo 2.º)

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 124


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

ATIVOS INTANGÍVEIS

Ativo intangível: é um ativo não monetário identificável sem substância física

Um item é reconhecido como ativo intangível se satisfizer, cumulativamente


(NCRF 6, §§. 18, 21):

A definição de ativo intangível;

A reunião dos critérios de reconhecimento, nomeadamente:

- Ser provável que os benefícios económicos futuros esperados que


sejam atribuíveis ao ativo fluam para a entidade;

- O custo do ativo possa ser mensurado com fiabilidade.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 125


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

A vida útil de um ativo intangível pode ser:


Finita; ou
Indefinida.

Se um ativo intangível tiver vida útil finita:


Deve ser amortizado:
-Método da linha reta;
-Método da unidade de produção.

Numa base sistemática ao longo da sua vida útil.


Começo: quando disponível para uso;
REGRA FISCAL
A partir da aquisição ou início de atividade se posterior

Cessa: quando classificado como detido para venda ou quando desreconhecido.


Imparidades – NCRF 12.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 126


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Propriedades de Investimento (NCRF 11)

É a propriedade (terreno ou um edifício) detida para


obter rendas ou para valorização, ou ambas, e não
para uso na produção, no fornecimento de bens, ou
para finalidades administrativas, ou ainda venda no
curso ordinário do negócio.
Em termos contabilísticos o conceito de Propriedade de
Investimento apenas existe (após 2016) nas entidades que
apliquem as NCRF, quer na PE, quer na ME são tratadas como
AFT.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 127


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

MÉTODOS DE DEPRECIAÇÃO

CONTABILIDADE FISCALIDADE
-Método da linha reta - Método da linha reta

-Método do saldo crescente - Método das quotas


decrescentes (não aplicável a
-Método das unidades de ativos intangíveis, propriedades de
produção investimento, bens adquiridos em
estado de uso, edifícios, viaturas
ligeiras de passageiros ou mistas,
mobiliário e equipamentos sociais)

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 128


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

REGRAS FISCAIS

✓As depreciações e amortizações só são aceites para efeitos fiscais


desde que contabilizadas como gastos no mesmo período de tributação
ou em períodos de tributação anteriores (n.º 3 do artigo 1.º do DR)
✓Despesas com projetos de desenvolvimento podem ser como gasto fiscal no
período de tributação que sejam suportadas (artigo 32.º)
✓Elementos do ativo sujeitos a deperecimento, cujos custos unitários de
aquisição ou de produção não ultrapassem € 1000 podem ser totalmente
depreciados ou amortizados num só período de tributação (artigo 33.º)

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 129


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CASO ESPECIAL DAS VIATURAS LIGEIRAS DE PASSAGEIROS OU


MISTAS

Artigo 34.º n.º 1 al. e) do Código do IRC


As depreciações das viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, incluindo
os veículos elétricos, na parte correspondente ao custo de aquisição ou
ao valor de reavaliação excedente ao montante a definir por portaria do
membro do Governo responsável pela área das finanças, bem como dos
barcos de recreio e aviões de turismo e todos os gastos com estes
relacionados, desde que tais bens não estejam afetos à exploração do
serviço público de transportes ou não se destinem a ser alugados no
exercício da atividade normal do sujeito passivo.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 130


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Outros Aspetos Fiscais Relevantes


As depreciações de viaturas ligeiras de passageiros apresentam os seguintes limites para que sejam
aceites como gasto fiscal, de acordo com a Port. nº 367/2010 e as alterações da Lei n.º 82-D/2014:
Ano de Veículos movidos Veículos Veículos Restantes
aquisição exclusivamente a híbridos ou movidos a veículos
energia elétrica plug-in GPL ou GNV
Períodos de
tributaçãoiniciados em
Aspetos Contabilísticos 62
e 500 do Encerramento
Fiscais 50de000
contas de 201637 500 25 000
01/01/2015
Períodos de
tributaçãoiniciados entre
01/01/2012 e
50 000 25 000 25 000 25 000
31/12/2014
Períodos de
tributaçãoiniciados em 45 000 30 000 30 000 30 000
01/01/2011
Períodos de tributação
iniciados em 01/01/2010 40 000 40 000 40 000 40 000
Períodos anteriores 29 927,87 29 927,87 29 927,87 29 927,87

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 131


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

ARTIGO 34.º - GASTOS NÃO DEDUTÍVEIS PARA EFEITOS FISCAIS


1. Não são aceites como gastos:
a) As depreciações e amortizações de elementos do ativo não sujeitos a deperecimento;
b) As depreciações de imóveis na parte correspondente ao valor dos terrenos ou na não sujeita a
deperecimento;
c) As depreciações e amortizações que excedam os limites estabelecidos nos artigos anteriores;
d) As depreciações e amortizações que excedam os limites do artigos 29.º a 34.º.
e) As depreciações das viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, incluindo os veículos
elétricos, na parte correspondente ao custo de aquisição ou ao valor de reavaliação excedente ao
montante a definir por portaria do membro do Governo responsável pela área das finanças, bem
como dos barcos de recreio e aviões de turismo e todos os gastos com estes relacionados, desde
que tais bens não estejam afectos à exploração do serviço público de transportes ou não se
destinem a ser alugados no exercício da atividade normal do sujeito passivo.

2 - Para efeitos do disposto na alínea d) do número anterior, o período máximo de vida útil é o
que se deduz das quotas mínimas de depreciação ou amortização, nos termos do n.º 4
do artigo 31.º-A, contado a partir do ano de entrada em funcionamento ou utilização dos elementos
a que respeitem.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 132


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CASO PRÁTICO
A sociedade Vénus possui um edifício administrativo adquirido em 2005, pelo
valor de 300.000 euros. A sociedade estima um valor residual para esse edifício
de 40.000 euros. Em 2016, a depreciação praticada sobre o edifício é de 5.200
euros.
Sabendo que a taxa de depreciação fixada no Decreto-Regulamentar n.º
25/2009, para este tipo de edifícios é de 2%, quais as correções fiscais que a
Vénus deve fazer, na declaração modelo 22?
Resolução:
Depreciação fiscal
Considerando a vida útil mínima: (300.000 − 40.000) x 2% = 260.000 x 2% = 5.200
E considerando a vida útil máxima: (300.000 − 40.000) x 1%= 260.00 x 1% = 2.600

A sociedade Vénus não terá de efetuar qualquer correção fiscal relativa às


depreciações praticadas sobre o edifício administrativo.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 133


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CASO PRÁTICO
A sociedade Júpiter, Lda., adquiriu em 2016, um veículo ligeiro de passageiros a
gasóleo, para serviço da gerência, pelo valor de 45.000 euros. A vida útil do
referido veículo foi definida em 5 anos.

Quais as correções a efetuar, no quadro 07 da declaração modelo 22,


relativamente às depreciações reconhecidas na contabilidade?
Resolução:
Porque a viatura ligeira foi adquirida em 2016, o limite de valor de aquisição para
efeitos de cálculo das depreciações aceites fiscalmente é de 25.000 euros. A vida
útil definida contabilisticamente encontra-se no intervalo admitido entre vida útil
mínima fiscal (4 anos) e vida útil máxima fiscal (8 anos), pelo que não há
qualquer correção.
A única correção fiscal abrange apenas o excesso de depreciações em relação
ao valor-limite fiscal (os 25.000 euros).
Depreciação anual praticada: 45.000 x 20% = 9.000
Valor limite da depreciação aceite: 25.000 x 20% = 5.000 Quadro 07 campo 719 (a
acrescer): 4.000
Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 134
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 135


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Perdas por imparidade ( al. h) do artigo 23.º)


NCRF12 – Perdas por Imparidades

Deparamo-nos com uma imparidade de um ativo fixo tangível quando a


quantia recuperável de um ativo é inferior à quantia inscrita no balanço da
entidade.

Perda por imparidade = Quantia escriturada - Quantia recuperável

As empresas devem verificar anualmente se existe indicação de que alguns


dos seus ativos se encontram sobreavaliados.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 136


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Quantia Escriturada > Quantia Recuperável


Imparidade

Maior de entre

Justo Valor menos os


Valor de Uso
custos de Vender

Valor de venda obtido numa


transação entre partes Valor presente dos fluxos de caixa
conhecedores e dispostas a isso, futuros que se espera que surjam
menos os custos com a alienação do uso continuado de um ativo
(ex. gastos legais, taxas, gastos de ou unidade geradora de caixa
remoção do ativo e outros gastos (UGC) e da sua alienação no final
para o colocar em condições de da vida útil.
venda).

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 137


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Se houver uma alteração nas estimativas


usadas para determinar a quantia Reversão da
recuperável do ativo desde que a ultima Imparidade
perda por imparidade foi reconhecida

A quantia escriturada do ativo deve ser aumentada até à sua


quantia recuperável, não devendo exceder a quantia escriturada
que teria sido determinada (líquida de depreciações) se
nenhuma perda por imparidade tivesse sido reconhecida no
ativo em anos anteriores. (NCRF 12, § 59)

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 138


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Revisões da Após reconhecimento de:


✓Imparidade
Depreciação ✓Reversão de Imparidade

O valor da depreciação do ativo tangível deve ser ajustado nos períodos


futuros, de modo a imputar a quantia escriturada revista do ativo
(menos o valor residual, caso exista) numa base sistemática durante a vida
útil remanescente (NCRF 12 , §31 e 61).

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 139


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Artigo 23.º, al. 1 - Consideram-se gastos os que comprovadamente sejam indispensáveis para a
h), do CIRC realização dos rendimentos sujeitos a imposto ou para a manutenção da fonte
produtora, nomeadamente:

(…)

h) Perdas por imparidade;

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 140


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Perdas por Imparidade em ativos não correntes (Artigo 31-B CIRC)


1 – Podem ser aceites como gastos fiscais as perdas por imparidade em activos não
correntes provenientes de causas anormais comprovadas, designadamente desastres,
fenómenos naturais, inovações técnicas excepcionalmente rápidas ou alterações
significativas, com efeito adverso, no contexto legal.

2 – Para efeitos do disposto no número anterior, o sujeito passivo deve obter a aceitação da
Autoridade Tributária e Aduaneira, mediante exposição devidamente fundamentada, a
apresentar até ao fim do 1.º mês do período de tributação seguinte ao da ocorrência dos
factos que determinaram as desvalorizações excepcionais, acompanhada de
documentação comprovativa dos mesmos, designadamente da decisão do competente
órgão de gestão que confirme aqueles factos, de justificação do respectivo montante, bem
como da indicação do destino a dar aos activos, quando o abate físico, o desmantelamento,
o abandono ou a inutilização destes não ocorram no mesmo período de tributação.

5 - A aceitação referida no n.º 2 é da competência do director de finanças da área da sede,


direcção efectiva ou estabelecimento estável do sujeito passivo ou do director da Unidade
dos Grandes Contribuintes, tratando-se de empresas incluídas no âmbito das suas
atribuições.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 141


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Perdas por Imparidade em ativos não correntes (Artigo 31-B CIRC)


3- Quando os factos que determinaram as desvalorizações excecionais dos ativos e o abate físico, o
desmantelamento, o abandono ou a inutilização ocorram no mesmo período de tributação, o valor
líquido fiscal dos ativos, corrigido de eventuais valores recuperáveis pode ser aceite como gasto do
período, desde que:
a) Seja comprovado o abate físico, desmantelamento, abandono ou inutilização dos bens, através
do respetivo auto, assinado por duas testemunhas, e identificados e comprovados os factos que
originaram as desvalorizações excecionais;

a) O auto seja acompanhado de relação discriminativa dos elementos em causa, contendo,


relativamente a cada ativo, a descrição, o ano e o custo de aquisição, bem como o valor líquido
contabilístico e o valor líquido fiscal;

b) Seja comunicado ao serviço de finanças da área do local onde aqueles bens se encontrem, com
a antecedência mínima de 15 dias, o local, a data e a hora do abate físico, o desmantelamento, o
abandono ou a inutilização e o total do valor líquido fiscal dos mesmos.

4 - O disposto nas alíneas a) a c) do número anterior deve igualmente observar-se nas situações previstas
no n.º 2, no período de tributação em que venha a efetuar-se o abate físico, o desmantelamento, o
abandono ou a inutilização dos ativos.

6 - A documentação a que se refere o n.º 3 deve integrar o processo de documentação fiscal, nos termos
do artigo 130.º.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 142


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

À data de cada período de relato financeiro, uma entidade deve


avaliar a imparidade de todos os ativos financeiros que não sejam
mensurados ao justo valor ... Se existir uma evidência objectiva
de imparidade, a entidade deve reconhecer uma perda por
imparidade na demonstração de resultados (§ 23 NCRF 27 e §
17.11 da NCRF-PE).

Valor presente
Valor
dos fluxos de Imparidade
escriturado caixa estimados

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 143


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Na contabilidade da empresa BragaViana, SA incluem-se entre


outros os seguintes valores:
Cliente Valor
211110001 – Mau pagador, SA 50,000€
211110002 – Pagamento fora de horas, SA 150,000€
211110003 – óptimo pagante, Lda 20,000€
211110004 – Conflituosos, SA 250,000€

Os valores em causa têm as seguintes atrasos nos pagamentos


< 6 meses 6 a 12 meses 12 a 18 meses 18 a 24 meses > 24 meses

211110001 5,000€ 5,000€ 20,000€ 20,000€


211110002 150,000
211110003 20,000
211110004 250,000€

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 144


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Nas diversas tentativas de cobrança das dividas em causa, a empresa


adquiriu a seguinte informação adicional:
Cliente 1 – ao longo dos últimos tempos cada vez tem demonstrado maiores
dificuldades para pagar os valores em divida, tendo-lhe já sido cortado o
crédito na empresa
Cliente 2 – o atraso foi motivado , por uma divergência acerca do trabalho
efectuado, que já se encontram solucionadas, sendo previsível no entanto
que face a essas divergências o cliente apenas pague dentro de 2 meses 90%
do valor em divida
Cliente 3 – entretanto entrou o mesmo num processo de insolvência
Cliente 4 – Face a divergências, consideradas pela empresa absurdas já foram
estes créditos reclamados judicialmente, sendo no entanto expectável que o
cliente pague o montante em divida na totalidade, acrescido de juros

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 145


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Cliente Valor escriturado Valor presente dos fluxos Imparidade a


de caixa estimados reconhecer

Resolução: 211110001 50,000€ 0€ 50,000€


211110002 150,000€ 135,000€ 15,000€
211110003 20,000€ 0€ 20,000€
211110004 250,000€ 250,000€ 0€

Debito Crédito Valor Designação


Contabilização
6511 219XXXX 85,000€ Imparidades de dividas de clientes

Nota 1 – Será conveniente dividir a conta 219 em subcontas por cada cliente
Nota 2 – Apesar de nada obrigar será conveniente transferir os saldos dos
clientes para uma subconta denominada de clientes de cobrança duvidosa (217
p.e.)
Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 146
Imparidades em instrumentos Financeiros
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Imparidades de dividas de Clientes

1 - Podem ser deduzidas para efeitos fiscais as seguintes perdas


por imparidade, quando contabilizadas no mesmo período de
tributação ou em períodos de tributação anteriores:
a) As relacionadas com créditos resultantes da atividade normal,
incluindo os juros pelo atraso no cumprimento de obrigação, que, no fim
do período de tributação, possam ser considerados de cobrança duvidosa e
sejam evidenciados como tal na contabilidade;
b) As relativas a recibos por cobrar reconhecidas pelas empresas de
seguros.
Artº 28ºA do CIRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 147


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Aspetos fiscais – Notas:


Atividade “normal”
– Saldos devedores de clientes e de fornecedores;
– O CIRC não define o conceito de “atividade normal”;
– A AT tem entendido que os créditos da atividade normal são os
relacionados com a atividade principal da empresa, i.e., com as
transações correntes resultantes de operações de natureza comercial
(venda de bens e serviços);
– Excluem-se as operações financeiras (v.g. adiantamentos a
fornecedores, juros de mora, rendimentos de imóveis, rendimentos de
participações de capital);
– Excluem-se também os créditos resultantes de operações não correntes
(v.g., ganhos de subsídios para investimentos, …. ).

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 148


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Imparidades de dividas de Clientes


Artigo 28-B.º
Perdas por imparidade em créditos
1 — Para efeitos da determinação das perdas por imparidade previstas na
alínea a) do n.º 1 do artigo anterior, consideram-se créditos de cobrança
duvidosa aqueles em que o risco de incobrabilidade esteja devidamente
justificado, o que se verifica nos seguintes casos:
a) O devedor tenha pendente processo de execução, processo de insolvência,
processo especial de revitalização ou procedimento de recuperação de empresas
por via extrajudicial ao abrigo do Sistema de Recuperação de Empresas por Via
Extrajudicial (SIREVE), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 178/2012, de 3 de agosto;
b) Os créditos tenham sido reclamados judicialmente ou em tribunal arbitral;
c) Os créditos estejam em mora há mais de seis meses desde a data do respetivo
vencimento e existam provas objetivas de imparidade e de terem sido efetuadas
diligências para o seu recebimento.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 149


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Imparidades de dividas de Clientes


Artigo 28-B.º
Perdas por imparidade em créditos
• …

2 — O montante anual acumulado da perda por imparidade de


créditos referidos na alínea c) do número anterior não pode ser
superior às seguintes percentagens dos créditos em mora:
a) 25% para créditos em mora há mais de 6 meses e até 12 meses;
b) 50% para créditos em mora há mais de 12 meses e até 18 meses;
c) 75% para créditos em mora há mais de 18 meses e até 24 meses;
d) 100% para créditos em mora há mais de 24 meses.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 150


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Clientes e outros créditos a receber


Aspetos fiscais – Notas:
Mora superior a seis meses
– A mora é contada a partir da data de vencimento e não da data de
emissão do documento (v.g., Fatura);
– Necessidade de elaborar um balancete (mapa) de antiguidade
(idade) de saldos em 31/12 (por cada cliente e documento);
– A progressividade da mora (de 6 em 6 meses) e das percentagens
(de 25% em 25%) sugere o aumento do risco e da incerteza;
– É o critério que permite a quantificação da perda por imparidade na
ótica fiscal (medição do risco fiscal).

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 151


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Perdas por imparidade em créditos (artigo 28.º-B.º)

NORMA ANTI-ABUSO

3 -Não são considerados de cobrança duvidosa:

a) Os créditos sobre o Estado, Regiões Autónomas e autarquias locais ou aqueles em


que estas entidades tenham prestado aval;
b) Os créditos cobertos por seguro, com exceção da importância correspondente à
percentagem de descoberto obrigatório, ou por qualquer espécie de garantia real;
c) Os créditos sobre pessoas singulares ou colectivas que detenham, directa ou
indirectamente, nos termos do n.º 6 do artigo 69.º, mais de 10% do capital da empresa ou
sobre membros dos seus órgãos sociais, salvo nos casos previstos nas alíneas a) e b) do
n.º 1;
d) Os créditos sobre empresas participadas, directa ou indirectamente, nos termos do n.º
6 do artigo 69.º, em mais de 10% do capital, salvo nos casos previstos nas alíneas a) e
b) do n.º 1;

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 152


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Clientes e outros créditos a receber

Aspetos fiscais – Notas:


As Diligências
– O código do IRC refere-se à existência de “elementos objetivos” e
considera no seu âmbito as cartas registadas e fax dirigidos aos clientes
e ou advogados;

– Não deverão ser considerados outros meios (v.g., Registo telefónico,


contacto pessoal)?
• Problema de dificuldades da sua prova…

– A importância do “dever de diligência” dos gestores ou administradores


(art.º 64.º do CSC).

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 153


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Aspetos fiscais – Notas:


A evidência Contabilística
– Evidência numa subconta “Créditos de cobrança difícil ou duvidosa.
(Há pareceres a considerar irrelevante esta evidência, incluindo da CNC);
– Evidência no anexo;
– Evidência no mapa MOD. 30 e respetiva nota de lançamento.

# Desreconhecimento
– Apenas têm enquadramento como créditos incobráveis aqueles que
resultam de uma das situações referidas, no despacho do SEAF XXI
n.º 97/2016, de 2016-05-12, a maioria delas ligadas à existência de
um processo judicial, ou à caducidade da divida.
– o “gasto” associado não é aceite fiscalmente caso seja
desreconhecido um credito que ainda não preencha os critérios.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 154


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Créditos Incobráveis (Artigo 41º CIRC)


Os créditos incobráveis podem ser diretamente considerados gastos ou perdas do período de tributação,
ainda que o respetivo reconhecimento contabilístico já tenha ocorrido em períodos anteriores, em qualquer
das seguintes situações, desde que não tenha sido admitida perda por imparidade ou esta se mostre
insuficiente:

a) Em processo de execução, após o registo a que se refere a alínea b) do n.º 2 do artigo 717.º do
Código de Processo Civil;
b) Em processo de insolvência, quando a mesma for decretada de carácter limitado ou quando for
determinado o encerramento do processo por insuficiência de bens, ao abrigo da al. d) do n.º 1 do
artigo 230.º e do artigo 232.º, ambos do Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas,
ou após a realização do rateio final, do qual resulte o não pagamento definitivo do crédito;
c) Em processo de insolvência ou em processo especial de revitalização, quando seja proferida
sentença de homologação do plano de insolvência ou do plano de recuperação que preveja o não
pagamento definitivo do crédito;
d) Nos termos previstos no SIREVE, após celebração do acordo previsto no artigo 12.º desse regime;
e) No âmbito de litígios emergentes da prestação de serviços públicos essenciais, após decisão
arbitral;
f) Nos termos do regime jurídico da prestação de serviços públicos essenciais, os créditos se
encontrem prescritos e o seu valor não ultrapasse o montante de € 750,00.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 155


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Imparidades de dividas de Clientes


Cliente Imparidade Limite da imparidade Correcções
Reconhecida na que podia ser aceite Fiscais
contabilidade fiscalmente
211110001 50,000€ 25,250€ 24,250€
211110002 15,000€ 37,500€ 0€
211110003 20,000€ 20,000€ 0€
211110004 0€ 250,000€ 0€

Logo se não estivermos na norma PE/ME, Valores a acrescer no


temos que registar o efeitos dos impostos campo 718 do Q07 do
diferidos modelo 22

Acrescer perdas por imparidade em créditos não fiscalmente dedutíveis


ou para além dos limites legais (art.º 35.º) 718 24.250€
Deduzir Reversão de perdas por imparidade tributadas (35º nº3) 762
Deduzir 775

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 156


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Clientes e outros créditos a receber

Aspetos fiscais – Notas: Resumo

LIMITE
Art. CIRC CRÉDITOS COBRANÇA DUVIDOSA
ANUAL
O devedor tenha pendente processo de execução, processo de insolvência,
28.º-B,1.a) processo especial de revitalização ou procedimento de recuperação de 100%
empresas por via extrajudicial ao abrigo do SIREVE.
28.º-B,1.b) Créditos reclamados judicialmente ou em tribunal arbitral 100%
CRÉDITOS EM MORA:
Mais de 6 até 12 meses 25%
28.º-B,1.c) Mais de 12 até 18 meses 50%
Mais de 18 até 24 meses 75%
Mais de 24 meses 100%
Sobre entidades PÚBLICAS ou OUTRAS previstas e nas condições do n.º 3 do
28.º-B,3 0%
art. 36.º do CIRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 157


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Regularizações de IVA (Artigo 78 do CIVA):


Créditos vencidos após 1 de Janeiro de 2013, aplica-se o disposto
nos artigos 78º-A a 78º-D do CIVA:

Créditos de Cobrança
Créditos Incobráveis
Duvidosa

• Em mora há mais de 24
• Processos de Execução
meses.
• Processos de Insolvência
• Em Mora há mais de 6
• PER
meses; < 750€ e devedor
• SIREVE
Particular ou SP Isento
ATENÇÃO AOS PRAZOS, pois terminando o primeiro prazo não é
mais possível regularizar.
Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 158
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

ACTIVOS INTANGÍVEIS

“Introdução de um regime inovador ao abrigo do qual é atribuída relevância fiscal,


durante vinte períodos de tributação, aos elementos do activo intangível adquiridos
autonomamente pelo sujeito passivo, com vista a adequar o seu tratamento tributário à
importância que os referidos elementos têm vindo a assumir enquanto potenciadores de
crescimento económico.”

Relatório da Comissão de Reforma do IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 159


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

ACTIVOS INTANGÍVEIS
São dedutíveis, em partes iguais, ao longo de 20 períodos de tributação os seguintes
activos intangíveis sem período de vida útil definida e, por isso, não depreciáveis:
➢ Elementos da propriedade industrial adquiridos a título oneroso;
➢ Goodwill adquirido numa concentração de actividades empresariais.

Excluem-se:
• Intangíveis adquiridos no âmbito de operações de fusão, cisão ou entrada de activos,
quando seja aplicado o regime especial previsto no artigo 74.º;
• Goodwill respeitante a participações sociais;
• Intangíveis adquiridos a entidades residentes em país, território ou região sujeito a um
regime fiscal claramente mais favorável constante de lista aprovada por portaria do
membro do Governo responsável pela área das finanças.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 160


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 161


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Consoante a natureza dos acontecimentos e tipo de incerteza, as

demonstrações financeiras podem incluir quatro tipos diferenciados de

passivos:

Passivo Natureza Quantia Vencimento Exemplos

Certo Conhecida e certa Conhecida Conhecido Contas a pagar


Certeza

Acréscimos e
Estimado Conhecida e certa Estimada Aproximado
Provisões

Razoavelmente Conhecimento
Provável Conhecida e provável Provisões
estimada aproximado
Incerteza

Conhecida e possível, Dificuldade em


Possível ou Conhecimento Passivos
mas ainda não estimar com
contingente incerto contingentes
manifestada fiabilidade

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 162


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

São reconhecidas (desde que possa ser efectuada uma estimativa fiável)
Provisão como passivos porque são obrigações presentes e é provável que um
exfluxo de recursos que incorporem benefícios económicos será
necessário para liquidar as obrigações.

Não são reconhecidos como passivos porque:


(i) São obrigações possíveis, uma vez que carecem de confirmação sobre
se a entidade tem ou não uma obrigação presente que possa conduzir a
um exfluxo de recursos que incorporem benefícios económicos;
Passivo ou
contingente (ii) São obrigações presentes que não satisfazem os critérios de
reconhecimento desta Norma, seja porque não é provável que será
necessário um exfluxo de recursos que incorporem benefícios
económicos para liquidar a obrigação, seja porque não pode ser feita
uma estimativa suficientemente fiável da quantia da obrigação.

Não são reconhecidos pois são possíveis ativos provenientes de


Ativo acontecimentos passados e cuja existência somente será confirmada pela
Contingente ocorrência ou não ocorrência de um ou mais acontecimentos futuros
incertos não totalmente sob o controlo da entidade.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 163


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

As provisões (incluindo as de carácter ambiental) –


como elemento do passivo que são - só devem ser
reconhecidas quando cumulativamente: (§13.4)

uma entidade tenha seja provável que um


uma obrigação exfluxo de recursos
presente (legal ou que incorporem possa ser feita uma
construtiva) como benefícios estimativa fiável da
resultado de um económicos será quantia da obrigação
acontecimento necessário para
passado liquidar a obrigação

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 164


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Condições de reconhecimento de provisões

A probabilidade de existir uma obrigação presente à data do balanço é…

Maior do que a Menor do que a


probabilidade de probabilidade de Remota?
ela não existir? ela não existir?

Reconhecer uma É um Passivo


provisão, Contingente que
Nada a fazer.
se os critérios deverá ser divulgado
forem satisfeitos no Anexo

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 165


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

As provisões devem ser revistas anualmente à data do balanço de forma


a averiguar a necessidade do seu reforço ou reversão (NCRF 21, §. 58).

-Reforço das provisões


-Reversão das provisões

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 166


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Provisões (Artigo 39º do CIRC)


1 - Podem ser deduzidas para efeitos fiscais as seguintes provisões:
a) As que se destinem a fazer face a obrigações e encargos derivados de processos
judiciais em curso por factos que determinariam a inclusão daqueles entre os
gastos do período de tributação;
b) As que se destinem a fazer face a encargos com garantias a clientes previstas em
contratos de venda e de prestação de serviços;
c) As provisões técnicas constituídas obrigatoriamente, por força de normas emanadas
pelo Instituto de Seguros de Portugal, de carácter genérico e abstrato, pelas empresas
de seguros sujeitas à sua supervisão e pelas sucursais em Portugal de empresas
seguradoras com sede em outro Estado membro da União Europeia;
d) As constituídas com o objetivo de fazer face aos encargos com a reparação de danos de
caráter ambiental dos locais afetos à exploração, sempre que tal seja obrigatório nos
termos da legislação aplicável e após a cessação desta.
2 - A determinação das provisões referidas no número anterior deve ter por base as
condições existentes no final do período de tributação.
Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 167
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Provisões (Artigo 39º do CIRC)


3 - Quando a provisão for reconhecida pelo valor presente, os gastos resultantes do
respetivo desconto ficam igualmente sujeitos a este regime.
4 - As provisões a que se referem as alíneas a) a c) do n.º 1 que não devam subsistir por
não se terem verificado os eventos a que se reportam e as que forem utilizadas para fins
diversos dos expressamente previstos neste artigo consideram-se rendimentos do
respetivo período de tributação.
5 - O montante anual da provisão para garantias a clientes a que refere a alínea b) do
n.º 1 é determinado pela aplicação às vendas e prestações de serviços sujeitas a
garantia efetuadas no período de tributação de uma percentagem que não pode
ser superior à que resulta da proporção entre a soma dos encargos derivados de
garantias a clientes efetivamente suportados nos últimos três períodos de
tributação e a soma das vendas e prestações de serviços sujeitas a garantia
efetuadas nos mesmos períodos.
6 - O montante anual acumulado das provisões técnicas, referidas na alínea c) do n.º 1, não
devem ultrapassar os valores mínimos que resultem da aplicação das normas emanadas
da entidade de supervisão.
Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 168
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

292 - Garantias a clientes

A empresa OCC, vendeu ao longo de 2017, o montante


global de 5,000,000€, relativos a electrodomésticos, para os
quais a empresa concede aos seus clientes um período de
garantia de 1 anos.
A experiencia passada da empresa indica-lhe que os gastos
com garantias incorridos, correspondem a cerca de 1,8% das
vendas.

Proceda à contabilização da provisão.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 169


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

292 - Garantias a clientes - A empresa OCC, vendeu ao longo de


2017, o montante global de 5,000,000€, relativos a electrodomésticos, para os quais a empresa
concede aos seus clientes um período de garantia de 1 anos. A experiencia passada da
empresa indica-lhe que os gastos com garantias incorridos, correspondem a cerca de 1,8% das
vendas.

Estão cumpridos os critérios de reconhecimento???

Obrigação
Presente
Provável Exfluxo Estimativa fiável
resultante de
de Recursos da Obrigação
acontecimentos
passados

Com base na experiencia


passada…

No passado sempre ocorrerem, por isso…


São relativos a vendas já efetuados

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 170


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

292 - Garantias a clientes - A empresa OCC, vendeu ao


longo de 2017, o montante global de 5,000,000€, relativos a
electrodomésticos, para os quais a empresa concede aos seus clientes um
período de garantia de 1 anos. A experiencia passada da empresa indica-
lhe que os gastos com garantias incorridos, correspondem a cerca de 1,8%
das vendas.
Contabilização

Debito Crédito Valor Descrição


672 – Provisões para 292 – Provisões 90,000€ Valor estimado dos gastos com
Garantias para Garantias garantias (5.000.000€ * 1,8%)

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 171


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

292 - Garantias a clientes - A empresa OCC, vendeu ao


longo de 2017, o montante global de 5,000,000€, relativos a
electrodomésticos, para os quais a empresa concede aos seus clientes um
período de garantia de 1 anos. A experiencia passada da empresa indica-
lhe que os gastos com garantias incorridos, correspondem a cerca de 1,8%
das vendas.
Em 2018 a empresa incorreu em dispêndios de garantias, no montante
global de 85,000€.
Debito Crédito Valor Descrição
292 – Provisões para 12 ou 22 85,000€ Estes valores seriam lançados item a
garantias item à medida ocorrem

Sabendo que as vendas de 2018 atingiram os 6.000.000€ proceda aos


registos contabilísticos que considere necessários.
Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 172
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

292 - Garantias a clientes - … Em 2018 a empresa


incorreu em dispêndios de garantias, no montante global de
85,000€ (vendas de 2015 = 5.000.000€) e vendas de 2018 =
6.000.000€.
Estimativa do Valor da Provisão

Vendas de 2017 – 5.000.000€


Gastos com garantias em 2018 – 85.000€
% garantias sobre vendas – (85.000€/5.000.000) = 1,70%

Estimativa de gastos para 2019 – 6.000.000€ * 1,70% = 102.000€

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 173


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

292 - Garantias a clientes - … Em 2018 a empresa


incorreu em dispêndios de garantias, no montante global de
85,000€ (vendas de 2015 = 5.000.000€) e vendas de 2018 =
6.000.000€.
Estimativa do Valor da Provisão
Vendas de 2017 – 5.000.000€
Gastos com garantias em 2018 – 85.000€
% garantias sobre vendas – (85.000€/5.000.000) = 1,70%
Estimativa de gastos para 2019 – 6.000.000€ * 1,70% = 102.000€

Debito Crédito Valor Descrição


672 – Provisões para 292 – Provisões 102,000€ Nova provisão para fazer face a
Garantias para Garantias estimativa gastos com vendas de
2016
292 – Provisões para 7632 – Reversão 5,000€ Pela reversão do montante da
garantias de Provisões provisão não utilizado

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 174


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CASO PRÁTICO pag 119

A sociedade Úrano, SA comercializa o produto Xis20, oferecendo uma garantia de 3 anos


contra defeitos de fabrico. Nos três últimos períodos de tributação, as vendas realizadas
desse produto Xis20 e os encargos suportados com as garantias concedidas, foram os
seguintes:

No exercício de 2016, a Úrano, SA reconheceu contabilisticamente uma provisão para


garantias a clientes de € 12.000.
Quais as correções fiscais que a sociedade Úrano deve efetuar no quadro 07 da
declaração modelo 22?

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 175


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CASO PRÁTICO pag 119

A sociedade Úrano, SA comercializa o produto Xis20, oferecendo uma garantia de 3 anos


contra defeitos de fabrico. Nos três últimos períodos de tributação, as vendas realizadas
desse produto Xis20 e os encargos suportados com as garantias concedidas, foram os
seguintes:

RESOLUÇÃO
Limite da provisão aceite fiscalmente = 240.000 (vendas 2016) x 27.500 (encargos
2014/2015 e 2015) ƒ610.000 (Vendas 2014/2015 e 2016)
Limite da provisão aceite fiscalmente = 240.000 (vendas 2016) x 4,5082% Limite da
provisão aceite fiscalmente = 10.819,70
Correção fiscal (a acrescer na linha 721 do quadro 07)= 12.000 − 10.819,70 = 1.180,30

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 176


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 177


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

• Artº 43º CIRC – Realizações de utilidade social


1- São também dedutíveis os gastos do período de tributação, incluindo
depreciações ou amortizações e rendas de imóveis, relativos à manutenção
facultativa de creches, lactários, jardins-de-infância, cantinas, bibliotecas e
escolas, bem como outras realizações de utilidade social como tal
reconhecidas pela Direcção-Geral dos Impostos, feitas em benefício do pessoal
ou dos reformados da empresa e respectivos familiares, desde que tenham
carácter geral e não revistam a natureza de rendimentos do trabalho
dependente ou, revestindo-o, sejam de difícil ou complexa individualização
relativamente a cada um dos beneficiários.

9 - Os gastos referidos no n.º 1, quando respeitem a creches, lactários e


jardins-de-infância em benefício do pessoal da empresa, seus familiares ou
outros, são considerados, para efeitos da determinação do lucro tributável, em
valor correspondente a 140%.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 178


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

• Artº 43º CIRC – Realizações de utilidade social


2 - São igualmente considerados gastos do período de tributação, até ao limite de 15%
das despesas com o pessoal contabilizadas a título de remunerações, ordenados ou
salários respeitantes ao período de tributação, os suportados com:
a) Contratos de seguros de acidentes pessoais, bem como com contratos de
seguros de vida, de doença ou saúde, contribuições para fundos de pensões e
equiparáveis ou para quaisquer regimes complementares de segurança social,
que garantam, exclusivamente, o benefício de reforma, pré-reforma,
complemento de reforma, benefícios de saúde pós-emprego, invalidez ou
sobrevivência a favor dos trabalhadores da empresa;
b) Contratos de seguros de doença ou saúde em benefício dos trabalhadores,
reformados ou respetivos familiares.

# 1 - Este limite é elevado para 25% se os trabalhadores não tiverem direito a


pensões da segurança social
# 2 – Atenção às condições do nº 4 do mesmo artigo.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 179


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CASO PRÁTICO pag 121

A empresa Oberon contratou com uma seguradora a constituição de um seguro de saúde para
todos os seus trabalhadores e respetivos familiares, o qual constituiu um encargo anual, no
período de 2018, de 9.000 euros.
Os gastos com o pessoal relativos a remunerações, relativamente ao período de 2018,
totalizam 35.000 euros. Os trabalhadores da Oberon têm direito a pensões da segurança
social.
Como se enquadram estes benefícios concedidos pela Oberon, quanto à determinação do lucro
tributável de 2018?

Resolução:
O seguro de saúde, sendo atribuído à generalidade dos trabalhadores da Oberon e respetivos
familiares e na medida que preencha os requisitos aplicáveis do n.º 4 do art.º 43º do CIRC, será
considerado uma realização de utilidade social.
Porém, a aceitação do gasto suportado na atribuição deste seguro, para efeitos de
determinação do lucro tributável, está limitada a 15% das despesas com o pessoal escrituradas a
título de remunerações, ordenados ou salários.
Limite aceite = Remunerações x 15% = 35.000 x 15% Limite aceite = 5.250 euros
Valor a acrescer no campo 723 do quadro 07 = Gasto suportado − limite aceite = 9.000 -5.250 =
3.750 euros

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 180


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 181


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

De acordo com o artigo 46.º do Código do IRC, consideram-se


mais-valias ou menos-valias realizadas os ganhos obtidos ou as
perdas sofridas mediante transmissão onerosa, qualquer que
seja o título por que se opere e, bem assim, os decorrentes de
sinistros ou os resultantes da afectação permanente a fins
alheios à actividade exercida

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 182


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Respeitantes a…
…. Ativos fixos tangíveis, ativos intangíveis, ativos
biológicos que não sejam consumíveis e propriedades
de investimento, ainda que qualquer destes ativos
tenha sido reclassificado como ativo não corrente detido
para venda;
e

…. Instrumentos financeiros, com excepção dos


reconhecidos pelo justo valor nos termos do n.º 9 do
artigo 18.º do CIRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 183


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Cálculo das mais e menos valias fiscais:


As mais-valias e as menos-valias são dadas pela diferença entre o
valor de realização, líquido dos encargos que lhe sejam inerentes, e
o valor de aquisição deduzido das perdas por imparidade, bem
como das depreciações ou amortizações aceites fiscalmente, das
perdas por imparidade e outras correções de valor previstas nos
artigos 28.º-A e 31.º-B e ainda dos valores reconhecidos como gasto
fiscal nos termos do artigo 45.º-A, sem prejuízo do disposto na parte
final do n.º 3 do artigo 31.º-A.

CÁLCULO DAS MAIS E MENOS VALIAS CONTABILÍSTICAS:

+- VALIA = VR - VC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 184


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Considera-se valor de realização (art. 46º):

a) No caso de troca, o valor de mercado dos bens ou


direitos recebidos, acrescido ou diminuído, consoante o
caso, da importância em dinheiro conjuntamente recebida
ou paga;
b) No caso de expropriações ou de bens sinistrados, o
valor da correspondente indemnização;
c) No caso de bens afectos permanentemente a fins
alheios à actividade exercida, o seu valor de mercado;

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 185


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Considera-se valor de realização (art. 46º):

d) Nos casos de fusão ou cisão, o valor de mercado dos


elementos transmitidos em consequência daqueles actos;
e) No caso de alienação de títulos de dívida, o valor da
transacção, líquido dos juros contáveis desde a data do último
vencimento ou da emissão, até à data da transmissão, bem
como da diferença atribuível àqueles períodos, entre o valor de
reembolso e o preço da emissão, nos casos de títulos cuja
remuneração seja constituída por aquela diferença;
f) Nos demais casos, o valor da respectiva
contraprestação.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 186


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

São assimiladas a transmissões onerosas (presunção


fiscal):

a) A promessa de compra e venda ou de troca, logo que


verificada a tradição dos bens;
b)As mudanças no modelo de valorização relevantes para
efeitos fiscais, que decorram de reclassificação
contabilística.

Não se consideram mais-valias ou menos-valias os


resultados obtidos em consequência da entrega pelo
locatário ao locador dos bens objecto de locação
financeira;
Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 187
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CORRECÇÃO MONETÁRIA

Aplicação dos coeficientes de desvalorização da moeda,


sempre que, à data da realização, tenham decorrido pelo
menos dois anos desde a data da aquisição
Os coeficientes são publicados anualmente em portaria do
Ministro das Finanças (Para o ano de 2015 → Portaria n.º
400/2015, de 6 de novembro
A correção monetária a que se refere o número anterior não
é aplicável aos instrumentos financeiros, exceto quando
se trate de partes de capital

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 188


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

REINVESTIMENTO

Mediante o reinvestimento do valor de realização de ativos


fixos tangíveis, activos intangíveis activos biológicos
não consumíveis, detidos por um período não inferior a
um ano

A diferença positiva entre as mais e menos valias é


tributada apenas em 50%, desde que…

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 189


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

REINVESTIMENTO

✓O valor da realização correspondente à totalidade dos referidos ativos seja


reinvestido na aquisição, produção ou construção de ativos fixos tangíveis,
ativos intangíveis ou de ativos biológicos não consumíveis, no período de
tributação anterior ao da realização, no próprio período de tributação ou até ao
fim do 2.º período de tributação seguinte;
✓Os bens em que seja reinvestido o valor de realização:
1. Não sejam adquiridos em estado de uso a sujeitos passivos de IRS
ou IRC com o qual existam relações especiais;
2. Sejam detidos por um período não inferior a um ano contado do
final do período em que ocorra o reinvestimento ou, se posterior, a
realização.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 190


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

REINVESTIMENTO

No caso de se verificar apenas o reinvestimento parcial do


valor de realização, o regime do reinvestimento é aplicado
à parte proporcional da diferença entre as mais-valias e
as menos-valias.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 191


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CONSEQUÊNCIAS DO NÃO
REINVESTIMENTO

Não sendo concretizado, total ou parcialmente, o


reinvestimento até ao fim do segundo período de tributação
seguinte ao da realização, será de integrar no rendimento
desse período, a mais-valia fiscal não tributada (ou a parte
proporcional da parte não reinvestida) majorada em 15%

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 192


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

DECLARAÇÃO DE REINVESTIMENTO

A intenção de reinvestimento deve ser declarada pelo contribuinte na


declaração anual de informação contabilística e fiscal do período de
tributação (IES – Informação Empresarial Simplificada) em que a
realização ocorre, comprovando na mesma e nas declarações dos dois
períodos de tributação seguintes os reinvestimentos efectuados

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 193


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 194


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

VENDA SEGUIDA DE LOCAÇÃO


(SALE AND LEASE BACK)
- No caso de venda de um bem seguida de locação
financeira desse mesmo bem, não há lugar ao
apuramento de qualquer resultado para efeitos
fiscais…
- …Continuando o bem a ser depreciado ou
amortizado para efeitos fiscais pelo locatário de
acordo com o regime que vinha sendo seguido

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 195


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

EMBARCAÇÕES DE RECREIO, AERONAVES E


VEÍCULOS LIGEIROS DE PASSAGEIROS
- Não relevam para efeitos fiscais, as menos-valias
realizadas relativas a
- Embarcações de recreio
- Aviões de turismo e
- Viaturas ligeiras de passageiros ou mistas
- que não estejam afectos à exploração de serviço público de
transportes nem se destinem a ser alugados no exercício da
actividade normal do sujeito passivo, excepto na parte em
que correspondam ao valor fiscalmente depreciável
ainda não aceite como gasto.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 196


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

VIATURAS LIGEIRAS DE PASSAGEIROS OU MISTAS

Fórmula de mais-valias fiscais destes elementos


MVF = VR – (CA – DAC – Imp) ×CDM

Em que:
VR – Valor de realização
CA – Custo de aquisição
DAC – Depreciações acumuladas contabilísticas
Imp – Imparidades fiscalmente dedutíveis
CDM – Coeficiente de desvalorização monetária

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 197


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

VIATURAS LIGEIRAS DE PASSAGEIROS OU MISTAS

No cálculo das menos-valias destes elementos do


activo, sempre que o custo de aquisição ultrapasse o
limite fiscal, a menos-valia fiscal deverá ser
ponderada pelo quociente:

limite fiscal ÷ custo aquisição

Al. l) do nº 1 do artigo 23.º-A


Não são aceites as menos-valias mas permite-se a dedução das
depreciações fiscalmente aceites ainda não deduzidas

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 198


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

PARTES DE CAPITAL

✓Eliminado o regime de reinvestimento das partes de capital

✓Regime previsto no artigo 46.º - cálculo das mais-valias e


menos-valias - só é aplicável se não estiverem preenchidos
os requisitos do artigo 51.º C

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 199


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

PARTES DE CAPITAL
Operações que dão lugar ao apuramento de mais-valias e menos-
valias:
✓Extinção ou entrega pelos sócios de partes representativas do
capital social das sociedades fundidas, cindidas ou adquiridas no
âmbito de operações de fusão, cisão ou permuta de partes
sociais;
✓Anulação das partes de capital detidas pela sociedade
beneficiária nas sociedades fundidas ou cindidas em
consequência de operações de fusão;
✓Anulação das partes de capital detidas pela sociedade
beneficiária nas sociedades fundidas ou cindidas em
consequência de operações de fusão ou cisão;
Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 200
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

PARTES DE CAPITAL
✓ A remissão e amortização de participações sociais com
redução de capital;
✓ A anulação de partes de capital por redução de capital
social destinadas à cobertura de prejuízos de uma
sociedade quando o respectivo sócio, em consequência
da anulação, deixe de deter nela qualquer participação.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 201


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

PARTES DE CAPITAL

Valor de aquisição
Devem considerar-se no valor de aquisição das partes
de capital, positivamente ou negativamente:
✓As entregas de sócios para cobertura de prejuízos, as
quais são imputados proporcionalmente a cada uma as
partes de capital detidas; e
✓O montante entregue aos sócios por redução do capital
social até ao montante do valor de aquisição, o qual é
imputado proporcionalmente a cada uma das partes de
capital detidas.
Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 202
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

PARTES DE CAPITAL

✓ FIFO como critério de valorimetria na determinação do custo de


aquisição para partes de capital (opção pelo custo ponderado
mas sem aplicação do coeficiente de desvalorização monetária e
a opção deve ser mantida para todas as partes de capital que
pertençam à mesma carteira durante 3 anos).

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 203


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

DATA DE AQUISIÇÃO DAS PARTES DE CAPITAL

Nestas situações considera-se a data de aquisição:


✓Partes de capital adquiridas por incorporação de reservas ou substituição,
nomeadamente por alteração do respetivo valor nominal ou transformação
da sociedade emitente – data de aquisição das partes de capital que lhe
deram origem;

✓Partes de capital no âmbito de operações de fusão, cisão ou permuta de


partes sociais quando se aplique o regime especial de neutralidade e sejam
valorizadas para efeitos fiscais pelo valor que tinham as partes de capital
entregues pelos sócios – data de aquisição destas últimas;

✓Aquisição de partes de capital pela sociedade beneficiária no âmbito de


operações de fusão, cisão ou entrada de activos quando se aplique o regime
de neutralidade e sejam valorizadas para efeitos fiscais pelo valor que
tinham na sociedade fundida ou cindida ou contribuidora: data de aquisição
das partes de capital nestas últimas sociedades

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 204


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

LIMITAÇÕES

N.º 2 do artigo 23.º-A


Não concorrem para a formação do lucro tributável as menos-
valias e outras perdas relativas a instrumentos de capital próprio,
na parte do valor que corresponda aos lucros ou reservas
distribuídos ou às mais-valias realizadas com a transmissão
onerosa de partes sociais da mesma entidade que tenham
beneficiado, no próprio período de tributação ou nos 4 períodos
anteriores, da eliminação da dupla tributação dos lucros (artigo
51.º), do crédito por dupla tributação económica internacional
(artigo 91.º-A) ou da dedução prevista no artigo 51.º-C.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 205


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

LIMITAÇÕES

N.º 3 do artigo 23.º-A


Não são aceites como gastos do período de tributação os
suportados com a transmissão onerosa de instrumentos de
capital próprio, qualquer que seja o título por que opere, de
entidades com residência ou domicílio em país, território ou
região sujeito a um regime fiscal claramente mais favorável
constante da lista aprovada por portaria do governo.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 206


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

MAIS VALIAS DE IMÓVEIS

• Em caso de alienação de um bem imóvel, sempre que o VPT


exceda o valor do contrato, deverá ser acrescida a diferença
positiva entre estes valores (cf. artigo 64.º do CIRC)

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 207


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Mais e Menos Valias

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 208


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Mais e Menos Valias

• Se for efetuado o reinvestimento do valor de realização de ativos fixos tangíveis,


ativos intangíveis e ativos biológicos não consumíveis, detidos por um período não
inferior a um ano.

a diferença positiva entre as mais e menos valias é tributada apenas em


50%

DESDE QUE …

• no exercício anterior, no próprio ou nos dois seguintes,


• na aquisição ou produção de ativos fixos tangíveis, ativos intangíveis e ativos biológicos
não consumíveis e
• sejam detidos por um período de um ano, contado do final do período de tributação em
que ocorra o reinvestimento ou, se posterior, a realização.

• Excluem-se os bens adquiridos em estado de uso a entidades com relações especiais.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 209


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Exemplo
Ativos fixos tangíveis alienados em 2018 com valor de realização € 40.000,00
(declara a intenção de reinvestimento total)
Mais-valia contabilística € 15.000,00 ⇔ V.real.- (C.aquis.- D.acum.)
Mais-valia fiscal € 8.000,00 ⇔ V.real.- [(C.aquis.- D.acum.)] x coef.

Ano de alienação 2016


Aspetos Contabilísticos e Fiscais do Encerramento de contas de 2016

Reinvestimento final € 25.000,00 repartido por:

2018 2019 2020


10.000 5.000 10.000

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 210


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resolução: Em 2018
Contabilisticamente
* Registada uma mais valia contabilística de 15.000€

No Modelo 22

Deduzir (1) Mais-valias contabilísticas


767 15.000€

Acrescer (2) 50% da diferença positiva entre as mais-valias e as


menos-valias fiscais com intenção expressa de 740 €4.000
reinvestimento (art.º 48.º, n.º 1)

• (1) Mais-valia contabilística


• (2) 50% da mais-valia fiscal, porque foi declarada a intenção de
reinvestimento total.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 211


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resolução: Em 2020
Contabilisticamente
* Não existe qualquer tipo de movimento contabilístico

No Modelo 22

Acrescer (1) Acréscimos por não reinvestimento ou pela não


manutenção dos ativos na titularidade do adquirente 740 €1.725
(art.º 48.º, n.º 6)

(1) - Correção decorrente do reinvestimento parcial


(62,5% =25.000/40.000) do valor de realização (n.º 6 do art.º 48.º do CIRC):
[4.000,00 (1- 62,5%)] x 1,15 = € 1.725,00

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 212


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 213


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

universal – aplicável ao
investimento independentemente do horizontal – aplicável às
país ou região em que este se
distribuições de lucros e às
materialize, salvo as indispensáveis
normas antiabuso mais-valias.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 214


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Exemplo • Será esta distribuição (Lucros recebidos) Tributada?


• A sociedade A REQUISITOS (Art 51º CIRC)
detém 70% a) O sujeito passivo detenha, directa ou indirectamente, uma
da sociedade participação no capital ou nos direitos de voto da entidade que
B, desde distribui os lucros ou reservas não inferior a 10%;
2018. b) A titularidade das partes sociais ser detida ininterruptamente
por um período não inferior a um ano;
• A sociedade B c) O sujeito passivo não esteja abrangido pelo regime da
transparência fiscal;
distribui a A
d) A entidade que distribui os lucros ou reservas esteja sujeita e não
dividendos no isenta de IRC, do imposto do jogo, de um imposto referido no
ano de 2018, artigo 2.º da Diretiva n.º 2011/96/UE, do Conselho, de 30 de
no montante Novembro, ou de um imposto de natureza idêntica ou similar ao
de € 30 000. IRC e a taxa legal aplicável à entidade não seja inferior a 60% da
taxa “normal” do IRC (como esta passou a ser de 21%, a taxa mínima desse imposto terá de ser de 12,6%);
e) A entidade que distribui os lucros ou reservas não seja “off-shore”.
Sociedade A

70%

Sociedade B O mesmo acontece se estivermos perante uma


mais valia.
Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 215
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Lucros e prejuízos de estabelecimento estável


situado fora de território português (artigo 54.º-A)
O artigo 54.º-A permite aos sujeitos passivos residentes em território
nacional a opção pelo afastamento da tributação em IRC dos lucros e
prejuízos imputáveis a um estabelecimento estável que detenham fora
SOCIEDADE de território português, desde que se verifiquem as seguintes
PT condições:
– Os lucros imputáveis a esse estabelecimento estável estejam
sujeitos e não isentos de um imposto referido no artigo 2.º
LUCROS da Diretiva n.º 2011/96/UE, do Conselho, de 30 de novembro,
ou de um imposto de natureza idêntica ou similar ao IRC cuja
taxa legal aplicável a esses lucros não seja inferior a 60% da
ESTABELECIMENTO taxa do IRC prevista no n.º 1 do artigo 87.º;
ESTÁVEL
ESTRANGEIRO – Esse estabelecimento estável não esteja localizado em país,
território ou região sujeito a um regime fiscal claramente mais
favorável constante de lista aprovada por portaria do membro
do Governo responsável pela área das finanças.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 216


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

LUCROS PAGOS AO EXTERIOR (artigo 14.º)

Sociedade residente em:


SOCIEDADE i. Estado Membro da UE ou do EEE
ii. Estado com CDT celebrado com Portugal, que preveja
INTERNACIONAL cooperação no domínio da fiscalidade

Sociedade sujeita e não isenta de IRC, Imposto sobre o


Dividendos rendimento previsto na Diretiva Mãe-Filhas ou Imposto similar ao
IRC, cuja taxa legal não seja inferior a 60% da taxa de IRC
(12,6%)

SOCIEDADE
PORTUGUESA • Participação mínima de 10% (capital social ou direitos de voto)
• Detida ininterruptamente durante o anto anterior à colocação à
disposição
• Direta ou indiretamente

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 217


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

CRÉDITO DE IMPOSTO POR DUPLA TRIBUTAÇÃO INTERNACIONAL

É criado um crédito de imposto para eliminação da dupla tributação


económica internacional, de aplicação subsidiária sempre que o sujeito
passivo detentor de uma participação de 10% ou mais no capital
social ou nos direitos de voto de uma participada não consiga demonstrar
a verificação dos demais requisitos previstos nos artigos 51.º e seguintes.

Neste caso, os lucros e reservas distribuídos e as mais-valias passam a


estar sujeitos a tributação, sendo deduzido à colecta o imposto pago
no estrangeiro.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 218


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

RENDIMENTOS DE PATENTES E OUTROS DIREITOS DE


PROPRIEDADE INTELECTUAL

São tributados em apenas metade do seu valor os rendimentos provenientes


de contratos que tenham por objecto a cessão ou utilização temporária de
patentes e desenhos ou modelos industriais
Requisitos:
a) Os direitos tenham resultado de actividades de investigação e desenvolvimento realizadas ou
contratadas pelo sujeito passivo;
b) O cessionário utilize os direitos de propriedade industrial na prossecução de uma actividade de
natureza comercial, industria ou agrícola;
c) Os resultados da utilização da propriedade industrial pelo cessionário não se podem materializar
na entrega de bens ou prestações de serviços que originem gastos fiscalmente dedutíveis na
entidade cedente ou em sociedade que com esta esteja integrado num grupo de sociedades,
sempre que existam relações especiais;
d) Em caso algum se admite que o cessionário seja residente em paraíso fiscal.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 219


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 220


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Dedução de Prejuízos Fiscais

Nota:
1. O reporte é utilizado apenas até à concorrência de 70% do lucro tributável (nº2 artº 52º)

2. Atenção ás alterações de titularidade de mais de 50% do capital.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 221


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Alterações de titularidade de mais de 50% do capital.

Implica a perda do reporte de prejuízos a alteração de, pelo menos, 50% do


capital social ou da maioria dos direitos de voto, com excepção dos seguintes
casos:
• Alterações de detenção directa para indirecta e vice-versa;
• Alterações decorrentes de operações efectuadas ao abrigo do regime de
neutralidade fiscal;
• Alterações decorrentes de sucessões por morte;
• Quando o adquirente detém ininterruptamente, directa ou indirectamente,
mais de 20% do capital social ou da maioria dos direitos de voto da
sociedade, desde o início do período de tributação a que respeitam os
prejuízos; ou
• Quando o adquirente seja trabalhador ou membro dos órgãos sociais da
sociedade, pelo menos, desde o início do período de tributação a que
respeitam os prejuízos.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 222


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 223


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resultado líquido

+
Variações patrimoniais

Deduzir:
Lucro tributável
-Prejuízos fiscais
-Benefícios fiscais

Matéria coletável

Taxas

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 224


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Deduções à coleta:
Coleta -DTI
-Benefícios Fiscais
-Pagamentos Especiais por
Conta

Deduzir:
IRC Liquidado -Retenções na fonte
-Pagamentos por Conta

Imposto a pagar ou
a recuperar

Acresce:
-Derrama
-Tributações Autónomas

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 225


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

RESULTADO DA LIQUIDAÇÃO (ARTIGO 92.º)

As entidades que exerçam, a título principal, uma actividade de natureza comercial, industrial ou
agrícola, bem como as não residentes com estabelecimento estável em território português, o
imposto liquidado nos termos do n.º 1 do artigo 90.º, líquido das deduções previstas nas alíneas a)
e b) do n.º 2 do mesmo artigo, não pode ser inferior a 90% do montante que seria apurado se o
sujeito passivo NÃO USUFRUÍSSE de benefícios fiscais e dos regimes previstos no n.º 13 do
artigo 43.º.

EXCLUEM-SE:

- Benefícios de carácter contratual


- SIFIDE II
- Benefícios fiscais aplicáveis às Zonas Francas
- Benefícios fiscais que operem por redução de taxa
- Benefícios fiscais relativos à criação de emprego;
- Regime Fiscal de Apoio ao Investimento (RFAI);
- Regime de dedução por lucros retidos e reinvestidos (DLRR);
- Regime de remuneração convencional do capital social previsto no artigo 41.º-A do EBF

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 226


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

DERRAMA ESTADUAL
Sobre a parte do lucro tributável superior a € 1 500 000 sujeito e não isento de imposto sobre o
rendimento das pessoas colectivas apurado por sujeitos passivos residentes em território
português que exerçam, a título principal, uma actividade de natureza comercial, industrial ou
agrícola e por não residentes com estabelecimento estável em território português, incidem as
taxas adicionais constantes da tabela seguinte:

Lucro tributável
Taxas (em percentagens)
(em euros)
De mais de 1 500 000 até 7 500 000 3
De mais de 7 500 000 até 35 000 000 5
Superior a 35 000 000 9

2 – O quantitativo da parte do lucro tributável que exceda € 1 500 000:


a) Quando superior a € 7 500 000 e até € 35 000 000, é dividido em duas partes: uma, igual a € 6 000
000, à qual se aplica a taxa de 3%; outra, igual ao lucro tributável que exceda € 7 500 000, à qual se
aplica a taxa de 5%;
b) Quando superior a € 35 000 000, é dividido em três partes: uma, igual a € 6 000 000, à qual se aplica a
taxa de 3%; outra, igual a € 27 500 000, à qual se aplica a taxa de 5%, e outra igual ao lucro tributável
que exceda € 35 000 000, à qual se aplica a taxa de 9%.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 227


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

PAGAMENTO ESPECIAL POR CONTA


(artigo 106.º)

Independentemente da obrigação de efectuarem pagamentos por conta, as entidades residentes e


as entidades não residentes com estabelecimento estável em território português, que exerçam a
título principal, uma actividade comercial, industrial ou agrícola, e que não estejam abrangidas pelo
regime simplificado de determinação do lucro tributável, são ainda obrigadas, a efectuar um
pagamento especial por conta, durante o mês de Março ou, em duas prestações, durante os meses
de Março e Outubro do exercício a que o pagamento respeita ou, no caso de adoptarem um
período de tributação não coincidente com o ano civil, no 3.º mês ou no 3.º e 10.º mês do período
de tributação respectivo (artigo 106.º, n.º 1).

O montante deste pagamento será igual à diferença entre:

(I) Valor correspondente a 1% do volume de negócios (vendas e serviços prestados) relativo ao


exercício anterior, com o limite mínimo de 850 € e quando superior será igual a este limite,
acrescido de 20% da parte excedente, com o limite máximo de 70.000 € (n.º 2 do artigo 106.º);

(II) e o montante dos pagamentos por conta efectuados no exercício anterior.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 228


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

PAGAMENTO ESPECIAL POR CONTA


(artigo 106.º)

O pagamento especial por conta (PEC) passa a ser dedutível à colecta até ao sexto período de
tributação, deixando o reembolso, no final desse período, de depender de inspecção fiscal.

De acordo com as disposições transitórias, a redacção dada ao artigo 93.º do Código do IRC aplica-
se aos pagamentos especiais por conta relativos aos períodos de tributação que se iniciem em ou
após 1 de Janeiro de 2014.

Os sujeitos passivos podem ainda ser reembolsados da parte que não foi deduzida ao abrigo do
mesmo preceito no final do período aí estabelecido, mediante requerimento do sujeito passivo,
dirigido ao chefe do serviço de finanças da área da sede, direcção efectiva ou estabelecimento
estável em que estiver centralizada a contabilidade, apresentado no prazo de 90 dias a contar do
termo daquele período (dispensada a inspecção).

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 229


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

PAGAMENTO ESPECIAL POR CONTA


(artigo 106.º)

EXCLUSÕES

✓Não haverá pagamento especial por conta no ano de início de actividade e no


seguinte

✓As sociedades sujeitas ao regime de transparência fiscal não estão sujeitas a PEC

Ficam dispensados de efectuar pagamento especial por conta:


• Os sujeitos passivos totalmente isentos de IRC, ainda que a isenção não inclua
rendimentos que sejam sujeitos a tributação por retenção na fonte com carácter
definitivo;

• Os sujeitos passivos que se encontrem com processos no âmbito do Código da


Insolvência e da Recuperação de Empresas;

• Os sujeitos passivos que tenham deixado de efectuar vendas ou prestações de


serviços e tenham entregue a respectiva declaração de cessação de actividade para
efeitos de IVA.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 230


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Volume de Valor de cada prestação do pagamento especial por conta


negócios de n-1
Até € 800 – Pagamento por Conta de n-1
€100 000 2
Mais de €100
000 até € 850 + (Vol. Neg. n-1 x 1% - € 850) x 20% - Pag. Conta n-1
€ 34 660 000 2
Superior a
€ 34 660 000 € 70 000 – Pagamento por Conta de n-1
2

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 231


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

PAGAMENTO POR CONTA


(artigo 104.º)

1 - As entidades que exerçam, a título principal, actividade de natureza comercial, industrial ou


agrícola, bem como as não residentes com estabelecimento estável em território português, devem
proceder ao pagamento do imposto nos termos seguintes:

a)Em três pagamentos por conta, com vencimento nos meses de Julho, Setembro e Dezembro do
próprio ano a que respeita o lucro tributável ou, nos casos dos n.ºs 2 e 3 do artigo 8.º, no 7.º, 9.º e
12.º meses do respectivo período de tributação.

Os pagamentos por conta serão abatidos ao IRC global, liquido das deduções a que se refere o n.º
2 do artigo 90.º do CIRC e, se dessa dedução resultar valor negativo, a empresa terá direito a
reembolso, igual ao valor absoluto correspondente a esse valor negativo adicionado dos
pagamentos por conta.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 232


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

PAGAMENTO POR CONTA


(artigo 104.º)

Os pagamentos por conta dos sujeitos passivos cujo volume de negócios do período de tributação
imediatamente anterior àquele em que se devam efectuar esses pagamentos seja igual ou inferior a
€ 500.000 correspondem a 80% do montante do imposto referido no número anterior, repartido por
três montantes iguais, arredondados, por excesso, para euros.

Colecta de n-1 – Retenção na fonte de n-1 x 80%


3

Os pagamentos por conta dos sujeitos passivos cujo volume de negócios do período de tributação
imediatamente anterior àquele em que se devam efectuar esses pagamentos seja superior a €
500.000 correspondem a 95% do montante do imposto referido no n.º 1, repartido por três
montantes iguais, arredondados, por excesso, para euros

Colecta de n-1 – Retenção na fonte de n-1 x 95%


3

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 233


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

DERRAMA

Com a publicação da nova Lei das finanças locais - Lei n.º 73/2013, de 3 de setembro, a
derrama é calculada com base no lucro tributável declarado pelo sujeito passivo, pela aplicação
de uma taxa máxima de 1,5%.

Há lugar à liquidação de derrama no caso de IRC devido por:


- Sujeitos passivos residentes que exerçam a título principal actividades de natureza comercial,
industrial ou agrícola ou
- Não residentes com estabelecimento estável.

Os sujeitos passivos que cumulativamente:


-Possuam estabelecimentos estáveis ou representações locais em mais que um município e
-Tenham matéria colectável superior a € 50.000,00,

Devem apresentar o Anexo A da declaração modelo 22, sendo o cálculo da derrama aí


efectuado, de acordo com n.º 2 do artigo 14.º da referida Lei.
Nestes casos, o lucro tributável imputável à circunscrição de cada município é determinado pela
proporção entre a massa salarial correspondente aos estabelecimentos que o sujeito passivo
nele possua e a correspondente à totalidade dos seus estabelecimentos situados em território
nacional.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 234


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

DERRAMA – TAXA REDUZIDA

De acordo com o previsto no n.º 10 do artigo 18.º da referida lei, os municípios podem
deliberar o lançamento de uma taxa reduzida de derrama para os sujeitos passivos
cujo volume de negócios no ano anterior não ultrapasse os € 150.000,00.

Neste caso, coexistirão duas taxas no respectivo município: a taxa normal, aplicável à
generalidade dos sujeitos passivos e uma reduzida, sendo esta aplicável apenas
àquele universo, pelo que o campo 364 do Quadro 10 deve ser preenchido em
conformidade com a taxa aplicável.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 235


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Situações especiais:

-Regime de transparência fiscal: não há lugar à liquidação de derrama


ainda que exista lucro tributável

-RETGS: para as sociedades tributadas segundo o regime especial de


tributação de grupos de sociedades, a derrama deverá ser calculada
individualmente por cada uma sociedades na sua declaração

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 236


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

IRC - Tributações Autónomas -despesas não documentadas

n.º 1 do artigo 88.º do Código do IRC:


as despesas não documentadas são tributadas autonomamente, à taxa de 50%, sem prejuízo da
sua não consideração como gastos nos termos do artigo 23.º do mesmo Código
esta taxa é elevada para 70% nos casos em que tais despesas sejam efectuadas por sujeitos
passivos total ou parcialmente isentos, ou que não exerçam, a título principal, actividades
de natureza comercial, industrial ou agrícola.

IRC - Tributações Autónomas - despesas de representação

n.º 7 do artigo 88.º do Código do IRC:


São tributados autonomamente à taxa de 10 % os encargos dedutíveis relativos a despesas de
representação.
Para este efeito, consideram-se despesas de representação, nomeadamente, as despesas
suportadas com recepções, refeições, viagens, passeios e espectáculos oferecidos no País ou no
estrangeiro a clientes ou fornecedores ou ainda a quaisquer outras pessoas ou entidades.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 237


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Ajudas de custo n.º 9 do artigo 88.º do Código do IRC:


são tributados autonomamente, à taxa de 5%, os encargos dedutíveis relativos a despesas com
ajudas de custo e com compensação pela deslocação em viatura própria do trabalhador,
ao serviço da entidade patronal, não facturadas a clientes, escrituradas a qualquer título, excepto
na parte em que haja lugar a tributação em sede de IRS na esfera do respectivo beneficiário, bem
como os encargos não dedutíveis nos termos da alínea f) do n.º 1 do artigo 45º suportados pelos
sujeitos passivos que apresentem prejuízo fiscal no exercício a que os mesmos respeitem.
(OE2017 – Lei 42/2016)

O conceito de ajudas de custo encontra-se definido no Decreto-Lei n.º 106/98, de 24 de Abril.


É imprescindível que a sociedade possa comprovar os encargos efectivamente suportados
respeitantes a ajudas de custo através do mapa itinerário, sendo necessário dar a
conhecer:
o nome do beneficiário,
o local e a data da deslocação,
tempo e objectivo de permanência,
bem como o montante diário que lhe foi atribuído, de modo a aferir se o mesmo excede os
limites legais de sujeição a IRS, bem como o valor facturado.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 238


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Ajudas de Custo e km em viaturas dos


trabalhadores

Facturados a Tributados em
Não Elaborado
IRS na esfera dos Elaborado mapa
clientes Mapa
beneficiários

Aceites Aceites Aceites Não aceite


Fiscalmente Fiscalmente Fiscalmente fiscalmente

Tributados a 5% se
Não tributadas Não tributadas empresa
Tributados a 5%
autonomamente autonomamente apresentar
prejuízos

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 239


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

IRC - Tributações Autónomas - pagamentos a off-shores

São sujeitas ao regime dos n.os 1 ou 2, consoante os casos, sendo as taxas aplicáveis,
respetivamente, 35 % ou 55 %, as despesas correspondentes a importâncias pagas ou devidas, a
qualquer título, a pessoas singulares ou coletivas residentes fora do território português e aí
submetidas a um regime fiscal claramente mais favorável a que se refere o n.º 1 do artigo 63.º-D
da Lei Geral Tributária, ou cujo pagamento seja efetuado em contas abertas em instituições financeiras
aí residentes ou domiciliadas, salvo se o sujeito passivo puder provar que correspondem a operações
efetivamente realizadas e não têm um caráter anormal ou um montante exagerado.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 240


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

IRC - Tributações Autónomas - lucros distribuídos a s.p. isentos

• São tributados autonomamente, à taxa de 23 %, os lucros distribuídos


por entidades sujeitas a IRC a sujeitos passivos que beneficiam de
isenção total ou parcial, abrangendo, neste caso, os rendimentos de
capitais, quando as partes sociais a que respeitam os lucros não tenham
permanecido na titularidade do mesmo sujeito passivo, de modo
ininterrupto, durante o ano anterior à data da sua colocação à disposição e
não venham a ser mantidas durante o tempo necessário para completar
esse período.
• realçar
É de Ao montante
a majoraçãodo fiscal
imposto é deduzido
de 40% o imposto
do gasto, prevista no n.ºque eventualmente
9 deste tenha
artigo 43.º, que
prevê: sido retido na fonte, não podendo nesse caso o imposto retido ser deduzido
«9 - Os gastos referidos no n.º 1, quando respeitem a creches, lactários e jardins-de-infância em
ao abrigo do n.º 2 do artigo 90.º
benefício do pessoal da empresa, seus familiares ou outros, são considerados, para efeitos da
determinação do lucro tributável, em valor correspondente a 140%.»

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 241


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

IRC - Tributações Autónomas - indemnizações


A Lei n.º 100/2009, de 7 de Setembro veio alterar o n.º 4 do artigo 2.º do Código do IRS no que
respeita à tributação das quantias pagas a título de indemnização ou compensação a
gestores, gerentes e administradores pela cessação dos respectivos mandatos.
Estas quantias passaram a ser tributadas pela sua totalidade, deixando de beneficiar da isenção
parcial anteriormente prevista.
Até à entrada em vigor deste diploma, o Código do IRS conferia o mesmo tratamento fiscal às
quantias auferidas, por um lado, por trabalhadores e, por outro lado, por gestores, gerentes e
administradores, pela cessação dos respectivos vínculos com a sociedade.

Alínea a) n.º 13 do artigo 88.º do Código do IRC:


São tributados à taxa de 35% os gastos ou encargos relativos a indemnizações ou
quaisquer compensações devidas não relacionadas com a concretização de objectivos de
produtividade previamente definidos na relação contratual, quando se verifique a cessação de
funções de gestor, administrador ou gerente, bem como os gastos relativos à parte que exceda o
valor das remunerações que seriam auferidas pelo exercício daqueles cargos até ao final do
contrato, quando se trate de rescisão de um contrato antes do termo

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 242


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

IRC - Tributações Autónomas - bónus e outras


remunerações variáveis
Com a aprovação da Lei n.º 3-B/2010, de 28 de Abril (Orçamento do
Estado para 2010) passaram também a estar sujeitos a tributação
autónoma, à taxa de 35%:
os gastos ou encargos relativos a bónus e outras remunerações
variáveis pagas a gestores, administradores ou gerentes quando estas
representem uma parcela superior a 25 % da remuneração anual e
possuam valor superior a € 27.500.00, salvo se o seu pagamento estiver
É de realçar a majoração
subordinado fiscal dede
ao diferimento 40%uma
do gasto,
parteprevista no n.º 9 a
não inferior deste
50 artigo
% por 43.º,um
que
prevê:
período mínimo
«9 - Os gastos de no
referidos três
n.º anos e condicionado
1, quando ao desempenho
respeitem a creches, positivo da
lactários e jardins-de-infância em
benefício do pessoal
sociedade ao longo da desse
empresa,período.
seus familiares ou outros, são considerados, para efeitos da
determinação do lucro tributável, em valor correspondente a 140%.»

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 243


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

TRIBUTAÇÕES AUTÓNOMAS – Síntese


• Encargos relacionados com viaturas ligeiras de passageiros ou de
mercadorias, motos ou motociclos – taxas aplicáveis em 2018:
Custo de Energia Híbridas GPL ou GNV Outras
aquisição elétrica Plug-in
Inferior a € 25.000 0% 5% 7,5% 10%
De €25.000 a €35.000 0% 10% 15% 27,5%
Superior a € 35.000 0% 17,5% 27,5% 35%
• De conformidade com a Lei da Reforma do IRC, as regras constantes do artigo 88.º aplicam-
se aos encargos efetuados ou suportados, independentemente da respetiva data de
aquisição ou locação.
• N.º 6 do artigo 88.º – Exclusão da tributação autónoma relativamente a todos os gastos
relacionados com as viaturas relativamente às quais tenha sido celebrado o acordo previsto
no n.º 9 da alínea b) do n.º 3 do artigo 2.º do Código do IRS, isto é, caso estejam em causa
viaturas utilizadas por trabalhadores ou membros de órgão social no âmbito de acordo
escrito entre estes e a entidade patronal, sujeitando-os a IRS.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 244


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Regras gerais:
todas as taxas de tributação autónoma são agravadas em 10 pontos
percentuais para sujeitos passivos que apresentem prejuízo fiscal no
período de tributação a que respeitem quaisquer dos factos tributários
que lhes dão origem relacionados com o exercício de uma actividade de
natureza comercial, industrial ou agrícola não isenta de IRC.

• O disposto no presente artigo não é aplicável relativamente às despesas ou


encargos de estabelecimento estável situado fora do território português e
relativos à atividade exercida por seu intermédio.

• A liquidação das tributações autónomas em IRC é efetuada nos termos


previstos no artigo 89.º e tem por base os valores e as taxas que resultem
do disposto nos números anteriores, não sendo efetuadas quaisquer
deduções ao montante global apurado.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 245


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

TAXAS

A taxa do IRC é reduzida para 21%.


Aplica-se uma taxa reduzida de IRC de 17% aplicável aos primeiros
€ 15 000 de matéria colectável, para os sujeitos passivos que exerçam,
directamente e a título principal, uma actividade económica de natureza
agrícola, comercial ou industrial, que sejam qualificados como pequena ou
média empresa, nos termos previstos no anexo ao Decreto-Lei n.º
372/2007, de 6 de Novembro.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 246


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

OBRIGAÇÕES DECLARATIVAS

Os sujeitos passivos de IRC, ou os seus representantes, são obrigados a


apresentar:
a) Declaração de inscrição, de alterações ou de cessação, nos
termos dos artigos 118.º e 119.º;
b) Declaração periódica de rendimentos, nos termos do artigo 120.º;
c) c) Declaração anual de informação contabilística e fiscal, nos
termos do artigo 121.º

A declaração periódica de deve ser enviada, anualmente, por transmissão


electrónica de dados, até ao último dia do mês de Maio,
independentemente de esse dia ser útil ou não útil

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 247


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 248


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

REGIME SIMPLIFICADO

✓É reintroduzido um regime simplificado de tributação em IRC, semelhante a um outro que


vigorou na primeira década deste século, criado através da Lei n.º 30-G/2000, de 29 de
Dezembro, e “suspenso” através da Lei n.º 64-A/2008, de 31 de Dezembro (OE/2009).

✓Carácter opcional (opting in): não basta preencher os requisitos, é necessário uma
declaração expressa nesse sentido.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 249


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Regime Simplificado – Requesitos (artigo 86º CIRC)

Podem optar pelo regime simplificado de determinação da matéria colectável, os sujeitos passivos
residentes, não isentos nem sujeitos a um regime especial de tributação, que exerçam a título
principal uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola e que verifiquem,
cumulativamente, as seguintes condições:

a) Tenham obtido, no período de tributação imediatamente anterior, um montante anual


ilíquido de rendimentos não superior a € 200 000;
b) O total do seu balanço relativo ao período de tributação imediatamente anterior não
exceda € 500 000;
c) Não estejam legalmente obrigados à revisão legal de contas;
d) O respectivo capital social não seja detido em mais de 20%, directa ou indirectamente,
nos termos do n.º 6 do artigo 69.º, por entidades que não preencham alguma das
condições previstas nas alíneas anteriores, excepto quando sejam sociedades de capital
de risco ou investidores de capital de risco;
e) Adoptem o regime de normalização contabilística para microentidades aprovado pelo
Decreto-Lei n.º 36-A/2011, de 9 de Março;
f) Não tenham renunciado à aplicação do regime nos três anos anteriores, com referência à
data em que se inicia a aplicação do regime.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 250


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

OPÇÃO PELO REGIME SIMPLIFICADO

No exercício do INÍCIO DE ACTIVIDADE, o enquadramento faz-se em função do valor anualizado


dos rendimentos estimado, constante da declaração de início de actividade.

Se, entretanto, o valor dos rendimentos vier a ultrapassar o limite de € 200 000 estabelecido para
o enquadramento no regime simplificado, este já não será aplicável, uma vez que os efeitos da
alteração se produzem a partir do início do próprio período de tributação em que o limite é
excedido.

APÓS O INÍCIO DA ACTIVIDADE, a opção pelo regime simplificado formaliza-se em declaração


de alterações, até ao fim do 2.º mês do período de tributação em que se pretenda iniciar a
aplicação do regime (ou seja, no caso mais frequente de período de tributação coincidente com
o ano civil, até ao fim do mês de Fevereiro).

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 251


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

A matéria colectável obtém-se através da aplicação dos seguintes coeficientes:

a) 0,04 das vendas de mercadorias e produtos, bem como das prestações de


serviços efetuadas no âmbito de atividades de restauração e bebidas e de
atividades hoteleiras e similares, com exceção daquelas que se desenvolvam no
âmbito da atividade de exploração de estabelecimentos de alojamento local na
modalidade de moradia ou apartamento;

b) 0,75 dos rendimentos das atividades profissionais especificamente previstas


na tabela a que se refere o artigo 151.º do Código do IRS;

c) 0,10 dos restantes rendimentos de prestações de serviços e subsídios


destinados à exploração;

d) 0,30 dos subsídios não destinados à exploração;

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 252


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

A matéria coletável obtém-se através da aplicação dos seguintes coeficientes:

e) 0,95 dos rendimentos provenientes de contratos que tenham por objeto a


cessão ou utilização temporária da propriedade intelectual ou industrial ou a
prestação de informações respeitantes a uma experiência adquirida no setor industrial,
comercial ou científico, dos outros rendimentos de capitais, do resultado positivo de
rendimentos prediais, do saldo positivo das mais e menos-valias e dos restantes
incrementos patrimoniais;

f) 1,00 do valor de aquisição dos incrementos patrimoniais obtidos a título


gratuito determinado nos termos do n.º 2 do artigo 21.º

g) 0,35 dos rendimentos da exploração de estabelecimentos de alojamento local


na modalidade de moradia ou apartamento.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 253


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

A matéria colectável a estabelecer no regime simplificado tem como mínimo o valor correspondente a
60% do valor anual da retribuição mensal mínima garantida, ou seja:

• 60% x 14 x € 580 = € 4 872.

No período de tributação do início de actividade, este limite tem uma redução de 50%, ou seja, é de € 2
436.

Mais e menos-valias

Não são consideradas directamente as apuradas na contabilidade, como acontecia no regime


simplificado que entre nós vigorou na primeira década deste século, mas as correspondentes à
diferença entre o valor de realização líquido de encargos e o valor de aquisição (histórico) deduzido de
perdas por imparidade e outras correcções de valor e depreciações fiscalmente aceites (no âmbito do
regime geral de tributação) e, quanto a activos depreciáveis, das quotas mínimas de depreciação
relativamente aos períodos de aplicação do regime simplificado.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 254


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

✓ Tributados às taxas normais de IRC

✓ O enquadramento de uma empresa no regime simplificado implica que fique dispensada do


pagamento especial por conta;
✓ Não são aplicáveis aos sujeitos passivos a que se aplique o regime simplificado as
seguintes tributações autónomas:

N.º do artigo
Base de aplicação de taxas de tributação autónoma
88.º
7 Despesas de representação
9 Ajudas de custo e deslocações em viatura própria do trabalhador
11 Lucros distribuídos a sujeitos passivos total ou parcialmente isentos
13 Indemnizações e gratificações a gestores, administradores ou gerentes

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 255


Muito obrigado pela
atenção dispensada!!!

domingos@ddrconsultores.pt
carlosplacido@sapo.pt

Apresentação disponível

http://domribeiro.webnode.com.pt
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 257


Enunciado:
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

A entidade SNC, Lda. adopta o modelo do custo na mensuração subsequente dos ativos fixos
tangíveis. Durante o ano N-1, a entidade testou a imparidade de um equipamento produtivo, porque
tem conhecimento interno que o equipamento evidencia piores desempenhos do que inicialmente
previra. O ativo foi adquirido em N-3 por 500.000,00€, e estava a ser depreciado pelo método da
linha recta durante um período de vida útil de 5 anos.
Este equipamento é muito específico e não é possível determinar o seu justo valor (menos custos de
vender). Deste modo a empresa efectuou o cálculo do seu valor de uso, através do desconto dos
cash-flows estimados referentes aos benefícios económicos futuros gerados por esse equipamento.
A estimativa do valor de uso obtida foi de 180.000,00€. Para resolver o problema de desempenho do
equipamento, a empresa alterou a equipa que estava a operar o ativo, por outra mais especializada,
o que irá permitir aumentar o valor dos benefícios económicos futuros gerados por esse ativo.
Durante o N, a empresa testa a imparidade do equipamento, tendo obtido uma estimativa da
quantia recuperável no valor de 115.000,00€. (nota considere que a taxa de IRC é de 21% e que a
empresa aplica as normas gerais)
Pedidos:
1. Registo a realizar no ano N-1, na sequência do teste de imparidade do ativo
2. Registo da depreciação do período N
3. Registo a realizar no ano N, na sequência do teste de imparidade do ativo
4. Registo da depreciação do período N+1

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 258


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resolução
1. Registo a realizar no ano N-1, na sequência do teste de imparidade do ativo
Dados
Valor do custo = 500.000€
Depreciações acumuladas até N-1 = (500.000€ / 5) * 3 anos = 300.000€
Quantia escriturada = 500.000€ - 300.000€ = 200.000€
Quantia recuperável = 180.000€
Deste modo, a entidade, no ano N-1, Deve reconhecer uma perda por imparidade de 20.000€
Descrição Conta a debito Conta a credito Valor

Pela perda por Imparidade 6553 – Perdas por Imparidade 4393 – Perdas Imparidade Acumuladas 20.000€

Pela criação do AID 2741 – Activo por impostos diferidos 8122 – impostos diferidos 4.200€

Acrescer perdas por imparidade de ativos depreciáveis ou amortizáveis (art.º


35.º, n.º 4) e desvalorizações excepcionais (art.º 38.º), não aceites 719 20,000€
como gastos
Deduzir Impostos diferidos [art.º 23.º-A, n.º 1, al. a)]
766 4.200€

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 259


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resolução 2. Registo da depreciação do período N

Após o reconhecimento de uma perda por imparidade, o valor da depreciação do ativo fixo
tangível deve ser ajustado nos períodos futuros, de modo a imputar a quantia escriturada
revista do ativo numa base sistemática durante a vida útil remanescente (§ 31, NCRF 12).

Quantia depreciável Custo – Depreciações Acumuladas – Imparidades Acumuladas


Depreciação período = =
Vida Útil remanescente 2 anos

500.000€ - 300.000 - 20.000€ 180.000€


Depreciação período = = = 90.000€
2 2

Descrição Conta a debito Conta a credito Valor


Depreciação do ano n 6423 – Depreciações Exercício 4383 – Depreciações Acumuladas 90.000€

Utilização do AID 8122 – Impostos diferidos 2741 – ativos por impostos diferidos 2.100€

Acrescer Impostos diferidos [art.º 23.º-A, n.º 1, al. a)] 725 2.100€
Deduzir dedução da quota-parte das perdas por imparidade de ativos
depreciáveis ou amortizáveis não aceites fiscalmente como 763 10.000€
desvalorizações excepcionais (art.º 35.º, n.º 4)

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 260


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resolução
3. Registo a realizar no ano N, na sequência do teste de imparidade do ativo

À data de relato, a entidade deve avaliar se há qualquer indicação de que a perda por imparidade reconhecida no período
anterior possa já não existir ou possa ter diminuído. Uma perda por imparidade de um ativo fixo tangível deve ser
revertida se, e apenas se, houver uma alteração nas estimativas usadas para determinar a quantia recuperável do ativo
desde que a última perda por Imparidade foi reconhecida.

Dados
Valor do custo = Custo inicial = 500.000€
Depreciações acumuladas = Depreciações acumuladas (até N-1) + Depreciação (ano N) = 300.000€ + 90.000€ =
390.000€
Perdas por imparidade acumuladas = 20.000€
Quantia escriturada ano N = (Valor do custo - Depreciações acumuladas - Perdas por imparidade
acumuladas)
= 500.000,00,00 € - 390.000€ - 20.000€ = 90.000,€
Quantia recuperável = 115.000,00 €

A quantia escriturada do ativo deve ser aumentada até à sua quantia recuperável, sendo este aumento uma reversão de
uma perda por imparidade. Contudo, tal aumento não deve exceder a quantia escriturada que teria sido determinada
(líquida de depreciações) se nenhuma perda por imparidade tivesse sido reconhecida no ativo em anos anteriores (§ 59,
NCRF 12).

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 261


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resolução
3. Registo a realizar no ano N, na sequência do teste de imparidade do ativo (cont)
Ou seja: se não tivesse havido perda por imparidade, a quantia escriturado do ativo seria:

Quantia escriturada ano N = (Valor do custo - Depreciações acumuladas ) = 500.000 € - 400.000€ = 100.000€
Valor do custo = Custo inicial = 500.000€
Depreciações acumuladas (até N) = (500.000€ / 5) * 4 anos = 400.000€

Deste modo, o aumento na quantia escriturada deve ter como limite os 100.000,00 €. A reversão da perda por imparidade
é de: 100.000,00 € - 90.000,00 € = 10.000,00 €

Descrição Conta a debito Conta a credito Valor


Reversão parcial da Imparidade 4393 – Imparidades Acumuladas 7625 – Reversão de Imparidades 10.000€

Ajustamento nas depreciações acumuladas 4393 – Imparidades Acumuladas 4383 – depreciações acumuladas 10.000€

Reversão do AID 8122 – Impostos diferidos 2741 – Ativos por ID 2.100€

Ao fazer este registo, as subcontas deste ativo passariam a evidenciar o seguinte saldo (fazendo com que a
quantia escriturada do ativo seja de 100.000,00 €): Subconta 433: 500.000,00€; Subconta 4383: 400.000,00€;
Subconta 4393: zero. Ou seja, deixa de existir perda por imparidade e a conta 438 passaria a evidenciar o
valor de depreciações acumuladas que o ativo deveria ter caso não tivesse sido reconhecida qualquer perda
por imparidade.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 262


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resolução
Modelo 22 de n
Acrescer Impostos diferidos [art.º 23.º-A, n.º 1, al. a)] 725 2.100€
Deduzir Reversão de perdas por imparidade tributadas (art.º 35.o, n.o 3) 762 10.000€

4. Registo da depreciação do período N+1


Após o reconhecimento de uma reversão de uma perda por imparidade o valor da depreciação
do ativo fixo tangível deve ser ajustado nos períodos futuros, de modo a imputar a quantia
escriturada revista do ativo numa base sistemática durante a vida útil remanescente (§ 31,
NCRF 12).

Descrição Conta a debito Conta a credito Valor


Depreciação do ano n+1 6423 – Depreciações Exercício 4383 – Depreciações Acumuladas 100.000€

Quantia Escriturada 100.000€


Depreciação período = = = 100.000€
Vida útil remanescente 1

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 263


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resumo
Período Descrição Contabilisticamente Fiscalmente Quadro Campo
07 Q07
N-1 Imparidade -20.000€ 0 A 20.000€ 719

N-1 Impostos diferidos +5.000€ 0 D 5.000 766

N Amortização -90.000€ -90.000€ 0€

N Amortização Fiscal da € -10.000€ D 10.000€ 763


imparidade
(20.000 / 2)
N Impostos diferidos -2.500€ 0€ A 2.500€ 725

N Reversão da Imparidade +10.000 0€ D 10.000€ 762

N Reversão do AID -2.500€ 0€ A 2.500€ 725


N+1 Depreciação 100.000€ 100.000€ 0

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 264


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Investimentos Financeiros e Participações Financeiras


Definições - Associadas e Subsidiárias
Associada:
Empresa em que a investidora tem influência significativa e que não seja
nem uma subsidiária nem um empreendimento conjunto da investidora.
Influência significativa:
Aspetos Contabilísticos e Fiscais do Encerramento de contas de 2016
Poder de participar nas decisões de política financeira e operacional da
investida mas que não seja o controlo sobre essas políticas.
Subsidiária:
É uma empresa que é controlada por uma outra empresa (conhecida
como a empresa-mãe).
Controlo:
É o poder de gerir as políticas financeiras e operacionais de uma empresa
a fim de obter benefícios das suas atividades.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 265


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 266


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

• Obter as demonstrações financeiras das


participadas
No final do Ano

• Harmonizar as políticas contabilísticas

• Eliminação dos resultados gerados


intragrupo.

• Proceder aos ajustamentos nas contas


individuais, tendo em consideração as
variações no capital próprio da participada.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 267


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Método da equivalência patrimonial (MEP)

➢ O investimento é inicialmente registado ao custo.


➢ Posteriormente o investimento é ajustado pela alteração
verificada no “quinhão” da investidora nos ativos líquidos da
investidaAspetos
[situação líquida].
Contabilísticos e Fiscais do Encerramento de contas de 2016

➢ A demonstração dos resultados refletirá o “quinhão” da


investidora nos resultados da investida.

Investimento
Custo
Ajustamentos
Ajustamentos

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 268


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

• Método de Equivalência Patrimonial (MEP): é um método de contabilização pelo qual o


investimento ou interesse é inicialmente reconhecido pelo custo e posteriormente
ajustado em função das alterações verificadas, após aquisição, na quota-parte do
investidor ou do empreendedor nos ativos líquidos da investida ou da entidade
conjuntamente controlada. Os resultados do investidor ou empreendedor incluem a
parte que lhe corresponda nos resultados da investida ou da entidade conjuntamente
controlada. (§ 4, NCRF 13)

Operação Conta Conta Valor


debitada Creditada
Pelo resultado liquido da participada 41211 7851 RL participada * % Interesse (PI)

Pela distribuição de dividendos da participada 12x 41211 Pelos dividendos recebidos

Reconhecimento dos lucros não distribuídos 56 5712 Lucros não distribuídos * PI

Outras variações de capital na participada 41211 5713 Variação * PI

Reconhecimento prejuízo na participada 6852 41211 Prejuízo * PI

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 269


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Exemplo
• A sociedade Beta, Lda. detém, desde dezembro de 2012, uma
parte de capital correspondente a 20% da sociedade XPTO, Lda.

• Em 31 de dezembro de 2017, o resultado líquido do período


apurado pela sociedade XPTO, Lda. foi de € 5.000

• Em março de 2018, foi decidida a distribuição dos lucros aos


sócios, no montante de € 4.000,00.

• Ambas as sociedades cumprem os requisitos exigidos pelo n.º 1


do art.º 51.º.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 270


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resolução: Em 2017
Contabilisticamente
Debito Crédito Valor Descrição
412101Z – Participações de 7851 – Ganhos em
1.000€ Reconhecimento % RL
capital – MEP Associadas

No Modelo 22

Deduzir Anulação dos efeitos do método da equivalência


patrimonial (art.º 18.o, n.o 8) 758 1.000€

Nota: não existem impostos diferidos pois, apesar de existir diferenças entre o
tratamento contabilístico e o fiscal, esta diferença é definitiva, pois estes
rendimentos nunca serão tributados por força da aplicação do artigo 51º CIRC

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 271


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resolução: Em 2017
Contabilisticamente
Debito Crédito Valor Descrição
412101Z – Participações de
12 – Depósitos á ordem 800€ Recebimento de Dividendos
capital – MEP

No Modelo 22

Acrescer Anulação dos efeitos do método da equivalência


patrimonial (art.º 18.o, n.o 8) 712 800€

Deduzir Eliminação da dupla tributação económica de lucros e


reservas distribuídos (art.ºs 51.º e 51.º -D) 771 800€

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 272


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Exemplo: Admita-se que a empresa anexo, Lda apresenta o seguinte


balancete:

CLICK
Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 273
SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Sem Compensação de saldos De acordo com taxonomias

Autonomia financeira = 100/1300 = 7,6% Autonomia financeira = 100/600 = 16,7%

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 274


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Enunciado:
A entidade VIANA, Lda. dispõe de uma construção, reconhecida como activo fixo tangível, adquirida em N-25,
por 750.000,00 €, depreciada de acordo com o método da linha recta, com vida útil de 50 anos. A entidade
adopta como politica contabilística, para os edifícios, o modelo de revalorização. Relativamente a esta
construção, ocorreram os seguintes factos:
Ano N: Com base na avaliação de um avaliador oficial pretende revalorizar a construção para 1.125.000,00 €
(valor de mercado).
Ano N+1: Atendendo às disposições da NCRF 7 (§ 34), sobre a frequência das revalorizações, a entidade optou
por uma nova avaliação da construção em N+1 face às constantes oscilações sentidas no âmbito da crise no
sector imobiliário. O valor de mercado da construção nessa data é de 900.000,00 €.
Taxa de imposto = 20%

Pedidos
1. Registo contabilístico da revalorização realizada no período N
2. Registo contabilístico da depreciação do período N e da respectiva regularização do excedente de
revalorização
3. Registo contabilístico da revalorização realizada no período N+1
4. Registo contabilístico da depreciação do período N+1 e da respectiva regularização do excedente de
revalorização.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 275


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resolução
1. Registo contabilístico da revalorização realizada no período N
Dados
- Valor de mercado: 1.125.000,00 €
- Valor de aquisição: 750.000,00 € (saldo da conta 432)
- Depreciações acumuladas até N-1 : (750.000,00 € / 50) * 25 anos = 375.000,00 € (saldo da conta 4382)

Revalorização por acréscimo


Descrição Conta a debito Conta a credito Valor
Pela anulação do valor das 4382 – Depreciações acumuladas 432 – AFT – Construções 375.000€
amortizações acumuladas
Pela reexpressão da quantia líquida 432 – AFT – Construções 5891- Excedente de Revalorização 750.000€
para o justo valor do activo
Reconhecimento do Passivo por 5892 – ER – parcela relativa a impostos 2742 – Passivos por impostos diferidos 150.000€
Impostos Diferidos

Excedente de Revalorização (ER) = Justo Valor (JV) – Valor Liquido escriturado (VL)
ER = 1.125.000€ - (750.000€ - 375.000€) = 1.125.000€ - 375.000€ = 750.000€
PID = ER * Taxa Imposto = 750.000 * 20% = 150.000€

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 276


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resolução
2. Registo contabilístico da depreciação do período N e da respectiva
regularização do excedente de revalorização

Descrição Conta a debito Conta a credito Valor


Pela quota anual de amortização 6422 – Depreciações do Exercício 4382 - Depreciações Acumuladas 45.000€
(1.125.000€ / 25)
Pela realização parcial do excedente 5891 - Excedente de Revalorização 56Y – Resultados Transitados 30.000€
(750.000 / 25)
Pela realização parcial do excedente 56Y – Resultados Transitados 5892 – ER – parcela relativa a impostos 6.000€
(parcela ID) (150.000/25)
Utilização do Passivo por Impostos 2742 – Utilização do Passivo Por ID 8122 – Impostos Diferidos 6.000€
Diferidos

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 277


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resolução
3. Registo contabilístico da revalorização realizada no período N+1
Dados
- Valor de mercado: 900.000,00 €
- Quantia revalorizada (1.ª revalorização): 1.125.000,00 € (saldo da conta 432)
- Depreciações acumuladas até N : (1.125.000,00 € / 25) * 1 ano = 45.000,00 € (saldo da conta 4382)
-Saldo conta 5891 = Excedente - Realização parcial (ano N) = 750.000,00 € - 30.000,00 € = 720.000,00 €
-Passivo por Impostos Diferidos = 150.000€ - 6.000€ = 144.000 (Saldo conta 5892 e 2742)

Revalorização por decréscimo


Descrição Conta a debito Conta a credito Valor
Pela anulação do valor das 4382 – Depreciações acumuladas 432 – AFT – Construções 45.000€
amortizações acumuladas
Pela reexpressão da quantia líquida 5891 - Excedente de Revalorização 432 – AFT – Construções 180.000
para o justo valor do activo
Correcção do PID 2742 – Passivos por ID 5892 – ER – parcela relativa a impostos 36.000€

Excedente de Revalorização (ER) = Justo Valor (JV) – Valor Liquido escriturado (VL)
ER = 900.000€ - (1.125.000€ - 45.000€) = 900.000€ - 1.080.000€ = - 180.000€
Variação do Passivo por ID = (Variação no Excedente de Revalorização * Taxa de imposto)
Variação PID = (-180.000) * 20% = -36.000

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 278


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resolução
4. Registo contabilístico da depreciação do período N+1 e da respectiva
regularização do excedente de revalorização

Descrição Conta a debito Conta a credito Valor


Pela quota anual de amortização 6422 – Depreciações do Exercício 4382 - Depreciações Acumuladas 37.500€
(900.000 / 24)
Pela realização parcial do excedente 5891 - Excedente de Revalorização 56Y – Resultados Transitados 22.500€
(540.000 / 24)
Pela realização parcial do excedente 56Y – Resultados Transitados 5892 – ER – parcela relativa a impostos 4.500€
(parcela ID) (108.000/24)

Utilização do Passivo por Impostos 2742 – Utilização do Passivo Por ID 8122 – Impostos Diferidos 4.500€
Diferidos

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 279


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Resumo
Exercício Descrição Contabilisticamente Fiscalmente Quadro 07

N Depreciação 45.000€ 15.000€ A 30.000€

N+1 Depreciação 37.500€ 15.000€ A 22.500€

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 280


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Benefícios Fiscais
Associados aos
Investimento

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 281


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Regime Regulamentado pela Portaria 297/2015


Condições:
• A entidade seja sujeito passivo de IRC e que exerçam, a título principal, uma atividade
nos setores agrícola, florestal, agroindustrial e turístico e ainda da indústria extrativa
ou transformadora, com exceção dos setores siderúrgico, da construção naval e das
fibras sintéticas, tal como definidos no artigo 2.º do Regulamento (CE) n.º 800/2008,
da Comissão, de 6 de agosto. (nº 1 artº 27º CFI)
Âmbito de Aplicação:
• Investimento realizado no período (i.e . Adições excluindo transferências de em curso):
– Ativos fixos tangíveis (novos)
– Ativos intangíveis relacionados com transferência (aquisição) de tecnologia e conhecimentos
• SE não for PME o peso desta rubrica não pode exceder os 50% do investimento relevante
Exclusões:
• Terrenos
• Construção e ampliação de edifícios (a menos que sejam instalações fabris ou afetas a fins administrativos)
• Viaturas ligeiras de passageiros
• Mobiliário e artigos de conforto
• Equipamento social (exceto o que legalmente a empresa é obrigada a possuir)
• Outros investimentos não relacionados com a atividade produtiva

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 282


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Obrigações acessórias:

• No dossier Fiscal, deve ser evidenciado:


– Investimentos relevantes (de forma discriminada), seus montantes
– Documento que evidencie o calculo do beneficio fiscal
– Comprovativos da situação contributiva perante o estado e a segurança social

• A contabilidade deve evidenciar o imposto que deixa de ser pago fruto desta
dedução, mediante menção deste montante no Anexo relativo ao período em
que se efetua a dedução

Atenção à regulamentação na Portaria 297/2015 do processo de documentação fiscal


associado ao RFAI

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 283


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Requisitos:
• A entidade disponha de contabilidade organizada
• O seu lucro tributável seja determinado por métodos diretos
• Mantenham na empresa e na região os bens objeto de investimento durante 5 anos.
• Não tenham dividas à segurança social e ao estado
• Não sejam consideradas empresas em dificuldades
• Efetuem investimentos que possibilitem a criação de postos de trabalho e a sua
manutenção.

Atenção à regulamentação na Portaria 297/2015 do conceito de Investimento relevante

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 284


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Regime fiscal de apoio ao investimento (RFAI)


1 - No caso de investimentos realizados em regiões elegíveis, constantes do ponto 1 da
tabela n.º 1 do artigo 43.º do CFI (Norte, Centro, Alentejo, RAA e RAM).
Dedução à coleta do IRC das seguintes percentagens das aplicações relevantes:

25% das aplicações relevantes 10% das aplicações relevantes


relativamente ao investimento realizado até relativamente ao investimento realizado
ao montante de € 10.000.000 que exceda € 10.000.000

2 - No caso de investimentos realizados em regiões elegíveis, constantes do ponto 2 da


tabela n.º 1 do artigo 43.º do CFI (Algarve, Grande Lisboa, Península de Setúbal)
Dedução à coleta do IRC de 10% das aplicações relevantes

Os órgãos municipais competentes também podem conceder a estes investimentos


isenções de IMI e IMT (23-A)

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 285


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Regime fiscal de apoio ao investimento (RFAI)


A dedução à coleta do IRC é efetuada na liquidação respeitante ao período de tributação
em que sejam realizadas as aplicações relevantes, com os seguintes limites:

a) No caso de investimentos realizados no período de tributação do início de atividade e


nos dois períodos de tributação seguintes, exceto quando a empresa resultar de cisão
– até à concorrência do total da coleta do IRC apurada em cada um desses períodos
de tributação.

b) Nos restantes casos – até à concorrência de 50% da coleta do IRC apurada em cada
período de tributação.

A importância ainda não deduzida pode sê-lo nas liquidações dos 10 períodos de
tributação seguintes (anteriormente eram 5).

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 286


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Regime fiscal de apoio ao investimento (RFAI)


• O RFAI não é cumulável, relativamente às mesmas aplicações relevantes,
com quaisquer benefícios da mesma natureza, incluindo os benefícios fiscais
de natureza contratual.
• O RFAI é, no entanto, cumulável com a DLRR, desde e na medida em que
não sejam ultrapassados os limites aplicáveis, previstos no artigo 43.º do CFI.

• Os limites previstos no quadro anterior são


majorados em 10 pontos percentuais para as
médias empresas e em 20 pontos percentuais
para as micro e pequenas empresas,

• exceto quanto a projetos de investimento


cujas aplicações relevantes excedam o
montante de 50 milhões de euros.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 287


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Dedução por Lucros Retidos e Reinvestidos (DLRR)

Podem beneficiar deste regime:

Os sujeitos passivos de IRC residente e não residentes com


estabelecimentos estável em território português que exerçam a título
principalAspetos
umaContabilísticos
atividadee Fiscais
de natureza comercial,
do Encerramento industrial ou agrícola e
de contas de 2016

que preencham, cumulativamente, as seguintes condições:


• Sejam micro, pequenas e médias empresas;
• Disponham de contabilidade regularmente organizada;
• O LT não seja determinado por métodos indiretos;
• Tenham a situação fiscal e contributiva regularizada.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 288


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Dedução por Lucros Retidos e Reinvestidos (DLRR)


• Os sujeitos passivos podem deduzir à coleta do IRC nos períodos de
tributação que se iniciem em ou após 1 de janeiro de 2014 até 10% dos
lucros retidos e reinvestidos em aplicações relevantes, no prazo de três anos
contado a partir do final do período de tributação a que correspondam os
lucros retidos.
• A dedução é feita até à concorrência de 25% da coleta de IRC (não é possível reporte).
• Percentagem elevada para 50% caso empresa seja PME
Aspetos Contabilísticos e Fiscais do Encerramento de contas de 2016
• Limite máximo dedução de 7.500.000€
• A dedução é justificada por documento a integrar o dossier fiscal que
identifique discriminadamente o montante dos lucros retidos e reinvestidos,
as aplicações relevantes objeto de reinvestimento, o respetivo montante e
outros elementos considerados relevantes.
• No Anexo às DFs, deve constar o valor de imposto que deixou de ser
liquidado em função desta dedução.
Atenção à regulamentação na Portaria 297/2015 do conceito de Investimento relevante

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 289


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Dedução por Lucros Retidos e Reinvestidos (DLRR)

Os sujeitos que beneficiem da DLRR têm de proceder à constituição,


no Balanço, de reserva especial correspondente ao montante dos
Aspetos Contabilísticos e Fiscais do Encerramento de contas de 2016

lucros retidos e reinvestidos. Esta reserva não pode ser utilizada para
distribuição aos sócios antes do fim do 5º exercício posterior ao da sua
constituição.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 290


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Dedução por Lucros Retidos e Reinvestidos (DLRR)

Reserva especial: 30.000 €

Benefício = 30.000 x 10% = 3.000 €

COLECTA = 10.000 €
Aspetos Contabilísticos e Fiscais do Encerramento de contas de 2016

Limite à Dedução = 10.000 € x 25% = 2.500 €

Dedução = 2.500 € Dedução máxima


possível

3000 € > 2500 € 500 € de benefício perdidos

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 291


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Dedução por Lucros Retidos e Reinvestidos (DLRR)


Reserva especial: 30.000 €

Benefício = 30.000 x 10% = 3.000 €

COLECTA = 20.000 €
Aspetos Contabilísticos e Fiscais do Encerramento de contas de 2016

Limite à dedução= 20.000 € x 25% = 5.000 €

Dedução = 3.000 €
Dedução máxima possível

5000 € > 3000 € 3000 € é o valor máximo do meu


benefício

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 292


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Conceitos (artº 34º):


• Despesas de investigação: as realizadas pelo sujeito passivo de IRC com vista à
aquisição de novos conhecimentos científicos ou técnicos.

• Despesas de desenvolvimento: as realizadas pelo sujeito passivo de IRC através da


exploração de resultados de trabalhos de investigação ou de outros conhecimentos
científicos ou técnicos com vista à descoberta ou melhoria substancial de matérias-
primas, produtos, serviços ou processos de fabrico
• Âmbito do beneficio

• Consiste numa dedução à coleta, de terminada pela aplicação da seguintes taxas as despesas com investigação e
desenvolvimento elegíveis (ver artº 37º CFI):

a) Taxa de base – 32,5% das despesas realizadas no período;


b) Taxa incremental – 50% do acréscimo das despesas realizadas no período em relação à média aritmética simples
dos dois exercícios anteriores, até ao limite de 1.500.000 euros.

NOTA: PME com menos de 2 exercícios atividade, por não beneficiarem da taxa incremental a taxa base é majorada em
15%.

NOTA: Se por insuficiência de coleta não for possível utilizar a totalidade do beneficio o mesmo pode ser reportado para os
8 períodos seguintes.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 293


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Remuneração convencional do capital

Exemplo

Por deliberação em Assembleia geral de sócios de 2018, foi


Aspetos Contabilísticos e Fiscais do Encerramento de contas de 2016
aprovado um aumento de capital, por entradas em dinheiro,
sendo este aumento de capital, no montante de 100.000 euros
realizado por todos os sócios da empresa, que são pessoas
singulares.

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 294


SEG 3118 – Casos Práticos de IRC

Remuneração convencional do capital


Resolução
Se a sociedade se qualificar como uma PME de acordo com os critérios
previstos no anexo ao Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6 de novembro,
alterado pelo Decreto-Lei n.º 143/2009, de 16 de junho, poderá beneficiar
desta dedução. Para isso, deduzirá no Campo 774 o valor de 7.000 euros
(100.000 x 7%).
Esta dedução repetir-se-á nos anos de 2019, 2020, 2021, 2022 e 2023 (no
exercício e nos 5 seguintes).

Simultaneamente deverá preencher o anexo D da modelo 22 no quadro


04 – Campo 409

Carlos Plácido e Domingos Ribeiro 295