Apresenta

A Rede
Novela de: Evana Ribeiro CAPÍTULO 07

2 CENA 01 – NY/CASA DE ALIENA/SALA DE ESTUDOS – INT – TARDE Continuação da cena final do capítulo anterior. Teresa solta Olga e se levanta. TERESA – Oliúshka, dá pra você imprimir tudo o que tiver desse cara aí? OLGA – Tudo? TERESA – Tudo. Começando por essa foto aí. Não apaga nada. A polícia precisa ver isso, e logo. Olga pega algumas folhas de papel e prepara a impressora. Teresa sai correndo. CORTA PARA CENA 02 – NY/CASA DE ALIENA/QUARTO DE ALIENA – INT – TARDE O quarto está totalmente revirado. Teresa recolhe uma pilha de papéis separada do resto da bagunça. No topo da pilha está a foto de Ed e Aliena juntos. TERESA – Salafrário! Cachorro! Enganou a minha amiga direitinho... Mas a sua farrinha vai acabar. Ah, vai! Ou eu não me chamo Maria Teresa Scheid! Teresa sai do quarto, levando os papéis, e bate a porta. CORTA PARA

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CENA 03 Tomada aérea de Nova York. Efeito de transição tarde/noite. CORTA PARA CENA 04 – NY/AP DE ED/QUARTO DE ED – INT – NOITE Bradley entra, trazendo comida e um jornal para Ed. ED – E as notícias aí fora? BRADLEY – Veja você mesmo. (indica o jornal) ED (folheia o jornal) – Mas que droga! As suspeitas estão caindo todas sobre mim. BRADLEY – Já descobriram seu nome? ED – Se não aconteceu ainda, vai acontecer já. Ed joga o jornal em cima de Bradley, que apanha uma parte e lê em silêncio. BRADLEY – Mas é fácil jogar a culpa em cima de outra pessoa, não? ED – Pode ser, mas por enquanto acho que é melhor eu dar uma sumida. BRADLEY – Sumir para onde?

4 ED – E eu lá sei! Qualquer lugar que não seja Nova York. BRADLEY – Bem... Se eu ainda tivesse a casa lá na Áustria, poderia emprestar, mas... ED – Sair do Estado já tá bom. Depois eu tento trocar de nome, sei lá. BRADLEY – E aquelas meninas com quem você estava falando? ED – Tinha até me esquecido delas. Hoje mesmo tento falar e talvez... BRADLEY – Talvez o quê? ED – Uma coisa que me ocorreu agora. (t) Talvez ainda dê tempo para Edward Stevens dar um último golpe antes de sair de circulação. Ed olha para Bradley e ri. Este continua sério. CORTA PARA CENA 05 Tomada de Recife à noite. CORTA PARA CENA 06 – CASA DE EMÍLIO/TERRAÇO – INT – NOITE Mick está sozinho, lendo os classificados. Emílio se aproxima sem ser notado e senta ao lado dele. EMÍLIO – Tá procurando um carro, uma moto ou o que é?

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MICK – Nada, pai, é emprego mesmo. EMÍLIO – De novo. MICK – É, de novo... EMÍLIO – Achei que você estivesse satisfeito de só trabalhar na lan. MICK – Sabe o que é, pai... O negócio lá é legal e tal, mas não é o que eu quero fazer, entende? EMÍLIO – Claro que entendo. E o que você quer fazer? MICK – Esse é o problema, eu não sei o que quero. Eu sei que é estranho um cara da minha idade dizendo isso, mas... EMÍLIO – Não, não é estranho. MICK – Mas eu já tenho trinta anos e nenhum emprego! Não existe nenhum cara nessa situação. Ou vai me dizer agora que existe? EMÍLIO – Tá bom, não existe. Mas ninguém é igual a ninguém; e se você ainda não se encontrou, é só uma questão de tempo. Vai ver que já apareceu algo que tem a ver com você e de tão preocupado você nem notou. MICK – É, pode ser. EMÍLIO – E a garota?

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MICK – Garota? EMÍLIO – Sim, a Teresa, com quem você vivia conversando. MICK – Ela sumiu de repente. Deve ter acontecido algo muito sério, porque nem aviso ela deixou. EMÍLIO – Você gosta muito dela, não é? MICK – Adoro. A Tetê é a mulher mais especial que eu já conheci na vida. EMÍLIO – Mas ela mora tão longe, outro país... Talvez você devesse procurar uma garota que morasse mais perto, não? MICK – Eu também já pensei nisso, mas... Não dá, pai! Mesmo que eu fique com outra, vou ficar sempre procurando os olhos, a voz, o senso de humor da Teresa. Eu só quero saber dela. EMÍLIO – Eu ficava assim quando conheci a sua mãe. MICK – Mas as coisas eram mais simples, não? EMÍLIO – Nada, eram piores. Eu morava lá no Cabo, e sua mãe em Lajeado, no Rio Grande do Sul. Ela encontrou meu endereço numa revista, na seção de amigos por correspondência, e escreveu. Então fomos trocando cartas... E nos apaixonamos, sem sequer ouvir a voz um do outro, só com uma foto e as cartas. O resto você já sabe.

7 MICK – Caramba... Dessa história eu não sabia. EMÍLIO – É que faz tanto tempo que ela nem deve lembrar mais de como a gente se conheceu. MICK – Ah, pai, que nada! Uma história maneira dessa, ninguém ia esquecer. Muito menos a mãe, que é emotiva pra caramba... EMÍLIO – Bem, agora eu vou entrando. Pode continuar aí com a sua procura, e boa sorte. MICK – Valeu, pai. Emílio entra. Mick continua lendo os classificados. CORTA PARA CENA 07 – CASA DE Mª EDUARDA/SALA – INT – NOITE As garotas já estão prontas para dormir. A campainha toca. JACQUELINE (brava) – Logo agora que eu tô com sono! ELOÍSE – Deixa, eu abro. JACQUELINE – Se for pra mim, diz que eu não tô. Jacqueline sai. Eloíse abre a porta e encontra Rodrigo. Os dois ficam por alguns instantes em silêncio, sorrindo um para o outro. RODRIGO – Resolvi me adiantar uns dias.

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Eloíse

se

joga

nos

braços

de

Rodrigo

e

eles

se

beijam

apaixonadamente. ELOÍSE – Essa foi a melhor surpresa que eu podia ter essa semana! RODRIGO – Tá sozinha? ELOÍSE – Já foi todo mundo dormir. RODRIGO – Posso ficar só uns minutinhos? Pra matar a saudade. ELOÍSE – Ai... Pergunta boba. Eloíse puxa Rodrigo para dentro da casa e fecha a porta. Os dois se jogam no sofá, aos beijos. Corta para o corredor, onde Jacqueline permanece quieta para não ser notada, assistindo a toda a cena com um sorriso ligeiramente malicioso. CORTA PARA CENA 08 – CASA DE JORGE/SALA – INT – NOITE Jorge e Amanda estão conversando e bebendo. JORGE – Vai dormir aqui hoje? AMANDA – Vou. Tá muito tarde pra voltar pra casa... JORGE – E é só por isso que você fica?

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AMANDA – Não, né? (ri) Também quero ficar com você um pouco. (beijo) Quando eu tava vindo pra cá escutei um negócio... JORGE – Que negócio? AMANDA – Sobre... Ah, sobre a sua ex. Desculpa, acho que eu não devia ficar falando dela, você não gosta... É essa minha mania de ficar falando de tudo pra todo mundo. Desculpa. JORGE – Tudo bem. O que tem ela? AMANDA – Chegou hoje. JORGE – Já? AMANDA – É, parece que ela e o primo resolveram adiantar a volta, pra não chegar tão em cima do Natal. JORGE – Ah, tá. Só espero que eu não tenha que encontrá-la tão cedo na rua... AMANDA – Agora você vai ficar chateado o resto da noite, por causa da minha boca... JORGE – Não vou não. Sabe por quê? AMANDA – Não, por quê?

10 JORGE – Porque eu amo a sua boca, e tudo o que faz parte de você. E não é qualquer pessoa indesejável que vai estragar tudo. Jorge beija Amanda. CORTA PARA CENA 09 Tomada do prédio de Anuska. CORTA PARA CENA 10 – AP. DE ANUSKA/VARANDA – INT – NOITE Anuska está na varanda, observando o movimento. Depois de alguns instantes, olha o relógio, ligeiramente preocupada. ANUSKA – Esse Rodrigo, sei não... Acho que essa noite não volta mais. (t) Que inveja desse garoto. Ai, ai... Anuska vai para a sala e fica andando pelo lugar, que está um pouco bagunçado. Pára diante de uma prateleira com vários portaretratos, e entre eles, há uma foto dela com Jorge. Anuska sorri melancólica e vira o porta-retrato para baixo. CORTA PARA CENA 11 Tomada aérea de Recife. Efeito de transição noite-dia. CORTA PARA

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CENA 12 – ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE/RECEPÇÃO – INT – DIA Minerva está na mesa de recepção, lendo uma revista qualquer enquanto não chega ninguém. Mick entra e se aproxima, sem perceber que é a própria irmã. MICK – Bom dia... MINERVA (tira a revista do rosto) – Bom... Mick? MICK – Minerva! Eu esqueci que você trabalhava aqui... MINERVA – E a comunicação vai muito bem lá em casa. Veio fazer entrevista, certo? MICK – Foi. MINERVA – Então fica esperando ali só um pouquinho. Daqui a pouco chamo você. Mick vai para um lugar no canto da sala e começa a ler uma revista. Instantes depois, Miguel chega e vai em direção à recepcionista. Ele também não percebe de imediato que é Minerva. MIGUEL – Bom dia. MINERVA – Bom dia... Ei, eu te conheço... Miguel, né? MIGUEL (sorrindo) – É. Tudo bom?

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MINERVA – Indo... MIGUEL – Eu te vi na formatura, cê tava tão... É... MINERVA – Veio pra entrevista também? MIGUEL (sem graça) – Foi. MINERVA – Então aguarda só um pouquinho, daqui a pouco você vai ser chamado. MIGUEL – Tá bom. Miguel se senta perto de onde Mick está e fica olhando o tempo todo para Minerva. Esta percebe os olhares indo em sua direção e desvia o rosto, voltando a ler a revista. CORTA PARA CENA 13 – CASA DE Mª EDUARDA/QUARTO DAS MENINAS – INT – DIA Eloíse acaba de acordar. Vê Jacqueline em pé, junto da porta, muito disposta e sorridente. JACQUELINE – Ah, danada... Vi tudo! ELOÍSE (sonolenta) – Viu tudo o quê?

13 JACQUELINE – Tu e o namoradinho. Mainha e painho sabem que vocês já tão transando? E transando na sala? Eloíse fica olhando Jacqueline, sem saber o que dizer. JACQUELINE – Ai, Lô... Juro que não esperava isso de você. Se fosse eu ainda passava, mas você? ELOÍSE – Por que você tá dizendo isso? JACQUELINE – Nada, só fiquei surpresa, porque pensava que você fosse mais recatadinha. Mas sabe que, pensando melhor, não me surpreende tanto? Se eu tivesse um namorado gostoso assim que nem o teu ia viver me agarrando com ele até no meio da rua... Como é o nome dele mesmo? ELOÍSE (sem graça) – Rodrigo. JACQUELINE – Muito bom. Muito bom mesmo. Ah, pode ficar

tranqüilinha que eu não vou contar nada pra ninguém. Até porque acho que nem precisa contar... Do jeito que vocês... Bem, você sabe... ELOÍSE – Tá, vamos parar com essa conversa. Vou tomar um banho. (vai saindo) JACQUELINE – Ah, flor, fica assim não! Depois de ontem tu tinha era que ficar feliz! (em tom baixo) Ô mundo injusto. Eu aqui precisando loucamente de sexo, e a minha irmãzinha mosca morta tem e não aproveita! Ô mundo injusto...

14 Jacqueline sai. CORTA PARA CENA 14 – AP DE CATARINA/QUARTO DE CATARINA – INT – DIA Catarina fecha a última mala, depois olha em volta, um pouco triste. Joyce entra, também triste. JOYCE – Catarina... Tem certeza que quer ir? Ainda dá tempo de mudar de idéia. CATARINA – Não vou mudar de idéia. JOYCE – E vai abandonar a gente assim? CATARINA – Qualquer coisa, você sabe onde me encontrar. JOYCE – Não é a mesma coisa, pôxa. Eu posso falar contigo todo dia, mas quem é que vai agitar comigo lá na facul? Quem vai defender a demônia quando a gente tiver falando mal dela? Catarina ri. JOYCE (quase chorando) – Não tem outra Catarina... E se o Alexandre não presta atenção, dane-se ele! Tem tanto carinha mais interessante por aí... CATARINA – Lá em Indiana também tem muita gente interessante. JOYCE – Duvido que sejam melhores que os daqui.

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CATARINA (sorrindo) – Quando eu chegar lá, te conto tudo. Agora me dá um abraço. Catarina e Joyce se abraçam. Depois saem, cada uma levando uma mala. CORTA PARA CENA 15 – está EMPRESA sozinho com DE um CONTABILIDADE/ESCRITÓRIO supervisor, que o entrevista.

QUALQUER – INT – DIA Mick Aparentemente, ele está muito tenso. SUPERVISOR – Bem, senhor Mickey... Por que você quer fazer parte de nossa empresa? MICK – Bem, eu sou um jovem dinâmico, atual... Quero contribuir com minhas idéias para o desenvolvimento da empresa... Mick continua falando, em off. O supervisor apenas balança a cabeça. CORTA PARA CENA 16 – ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE/RECEPÇÃO – INT – DIA Mick sai da sala e respira aliviado. Minerva faz sinal para que ele se aproxime. Enquanto isso, Miguel entra na sala.

16 MINERVA – E aí, como foi? MICK – Acho que não fui tão mal. MINERVA (segura a mão dele) – Nossa, você tá gelado. Vai dar uma voltinha... MICK – Eu vou voltar pra casa. Qualquer novidade sobre as coisas aí, me diz, tá? MINERVA – Pode deixar. Minerva dá um beijo no irmão, que sai. CORTA PARA CENA 17 Tomada do Aeroporto Internacional dos Guararapes. CORTA PARA CENA 18 – AEROPORTO/HALL DE EMBARQUE-DESEMBARQUE – INT – DIA Joyce e Catarina andam juntas, arrastando as malas. A pouca distância delas, estão Alexandre e Geysa, que acenam para as garotas. Catarina dá um sorriso sem graça ao ver o rapaz. JOYCE – Olha só quem veio se despedir... Eles se cumprimentam com beijos.

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ALEXANDRE – Que chato que você vai... Ilma vai ficar muito triste quando voltar e não te encontrar mais. CATARINA – É, mas é o jeito. GEYSA – Mas tu ainda volta, né? CATARINA – Talvez. GEYSA – Diz que volta, vai! CATARINA – É que eu não sei mesmo. Mas caso eu não volte de vez, venho fazer visitinhas de vez em quando. GEYSA – Tá... Tu me desculpa pela fuleiragem daquele dia tá? Eu não devia ter descontado em tu aquele meu rolo com a Helena... CATARINA – A gente já falou sobre isso, não foi? Esquece. Elas se abraçam. Depois Alexandre também vai abraçar Catarina. Os dois ficam abraçados por um tempo e ela quase começa a chorar, mas respira fundo e se contém. CATARINA – Daqui a pouco chamam meu vôo. JOYCE – Mas ainda dá tempo de desistir... Catarina abaixa a cabeça, pensativa. Depois olha fixamente para Alexandre, que também olha para ela.

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CORTA PARA CENA 19 Tomada de Nova York. CORTA PARA CENA 20 – NY/AP. DE FELÍCIA/SALA – INT – DIA Felícia está sozinha, conversando com Ed pelo MSN. Ela aparenta estar muito feliz. Câmera pega o diálogo dos dois no monitor. FELÍCIA – É sério? Podemos nos encontrar mesmo antes do Natal? ED – Com certeza. Na hora e lugar que você quiser. FELÍCIA – Pode ficar o mesmo de antes: Rockefeller Center às 15:00 P.M. CORTA PARA CENA 21 Agora mostra o monitor do computador de Teresa, que exibe uma janela de MSN com conteúdo semelhante ao da conversa de Felícia. ED – Então ficamos combinados assim. TERESA – Ótimo! Mal posso esperar por isso. ED – Faltam só poucos dias.

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TERESA – Pois pra mim vai parecer que é a eternidade! ED – Nossa, que exagerada! CORTA PARA CENA 22 Volta a mostrar a conversa de MSN de Felícia. FELÍCIA – É ansiedade, só isso. ED – Posso te ligar antes do encontro? FELÍCIA – Adoraria ouvir sua voz. ED – E eu também quero ouvir a sua. Me diz o número... Corta para Felícia, que digita o número de seu telefone. Em seguida, pega a agenda sobre a escrivaninha e anota outros números. CORTA PARA CENA 23 – NY/CASA DE ALIENA/QUARTO DAS CRIANÇAS – INT – DIA Olga e Maria arrumam as camas. Teresa entra, muito feliz. TERESA – Bom dia, meninas! OLGA – Bom dia... Tá feliz, hein?

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TERESA – Sim, muito! Acabei de receber uma notícia maravilhosa. OLGA – Da polícia? TERESA – Não. É do meu namorado. MARIA – Qual, se você tem dois? TERESA – O que mora mais perto, o Ed. Vamos nos encontrar daqui a dois dias! Olga e Maria ficam olhando para Teresa, muito sérias. TERESA – O que foi? Não gostaram da notícia? OLGA – Não. TERESA – Eu entendo que vocês ainda estejam traumatizadas por causa da história da Ali, mas um raio não pode cair... OLGA (interrompe, brava) – Estou com medo! E se acontecer alguma coisa ruim com você? TERESA – Não vai acontecer, prometo. Olga senta na cama e abaixa a cabeça. OLGA – Por isso que eu não gosto daquela porcaria daquele

computador... Ele só me trouxe coisa ruim!

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TERESA (se aproxima, meiga) – Olha, eu prometo que não vai me acontecer nada de mau. OLGA – Não prometa o que não pode cumprir. Olga fica encarando Teresa, muito séria. Esta faz um carinho no rosto da menina. Maria fica à parte, apenas olhando as duas sem esboçar qualquer reação. CORTA PARA CENA 24 Tomada aérea do Aeroporto Internacional dos Guararapes. CORTA PARA CENA 25 – AEROPORTO/HALL DE EMBARQUE-DESEMBARQUE – INT – DIA Catarina e os amigos continuam esperando. Joyce vem na direção deles, esboçando um sorriso, mas tentando se manter séria. JOYCE – Cacá... Teu vôo foi cancelado. Todos, à exceção de Catarina, fazem caras de alívio. GEYSA – Pronto, agora vamos todos prum bar beber. CATARINA – Não, eu tenho que ver como fica...

22 JOYCE – Vai ver nada. Vai com a gente encher a cara e esquecer esse negócio de viajar. GEYSA – Meu Deus! A essa hora? JOYCE – É, agora mesmo. As coisas boas precisam ser comemoradas. CATARINA – Mas eu tenho que ligar pra... JOYCE – Pra mamãe, já sei! Me dá aqui teu celular. Catarina dá o celular para Joyce, que começa a discar. JOYCE – Como é que faz chamada internacional, nunca fiz isso... ALEXANDRE – Me dá aí, eu ligo. Alexandre pega o telefone de Catarina e disca. JOYCE – Diz pra dona Julia que Catarina não vai viajar porque nós não queremos e o lugar dela é aqui com os amigos. Alexandre sorri para Catarina, que desvia o olhar, tímida. CORTA PARA CENA 26 – SUPERMERCADO – INT – DIA Anuska empurra um carrinho vazio e lê uma extensa lista de compras. Do lado oposto, Amanda faz o mesmo, mas seu carrinho está cheio. As duas vão seguindo a mesma direção, até baterem os carros.

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ANUSKA – Ai! Ai, meu Deus, desculpa, moça... AMANDA – Não, eu é que tava distraída e não a vi... Desculpa mesmo. ANUSKA – Ainda bem que não quebramos nada! (risos) AMANDA – Acho que nunca te vi por aqui. Nova no bairro? ANUSKA – Na verdade não. É que passei algum tempo fora, e voltei há pouco. AMANDA – Seja bem vinda, então. Meu nome é Amanda. ANUSKA – E eu sou Anuska. Muito prazer. AMANDA – Igualmente. Agora tô indo pro caixa... Até mais! ANUSKA – Até. Elas seguem por lados opostos. Anuska olha ligeiramente para trás e sorri ao ver Amanda, que não a vê. CORTA PARA CENA 27 – CASA DE WALTER/SALA – INT – DIA Beth está sozinha, limpando a casa. A campainha toca, ela vai abrir e dá de cara com Danilo. BETH (fria) – Oi.

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DANILO – Bom dia pra você também. Walter tá aí? BETH – Não. Passa mais tarde. Beth vai fechando a porta, mas Danilo a impede e vai entrando. DANILO – O assunto é contigo mesmo, só perguntei pelo Walter por perguntar. BETH – O que você quer? DANILO – Bem, eu já tinha falado com o Walter, mas resolvi vir aqui falar contigo só pra mostrar que sou legal, vim aqui falar pra você também. Hoje de tarde eu venho aqui pegar os meninos pra passar dois dias fora e... BETH – Sem me consultar? DANILO – Eu te disse que tinha falado com o Walter... BETH (brava) – Mas tinha que ter me pedido permissão antes! DANILO – Mas eu já falei que... BETH – Não me importa com quem você falou! Devia vir me consultar, não me avisar. DANILO – Ô Beth, me responde, na boa. O que você tem contra mim?

25 BETH (grita) – Tenho tudo, tudo contra você! Eu não quero você perto dos meus filhos, eu não quero você perto de mim! Sai daqui! Beth começa a bater em Danilo. Walter entra. WALTER – Mas o que... Beth, pára com isso! Tá louca? BETH (gritando e batendo sem parar em Danilo) – Bota esse estrupício do teu irmão pra fora daqui! Walter puxa Beth para o lado oposto da sala. Ela continua histérica. Nervoso, Walter dá vários tapas no rosto de Beth, que finalmente se cala. Ela o olha por alguns instantes, com ódio. BETH – Por que você fez isso? WALTER – Só assim pra você ficar quieta e escutar um pouco... Vai pro quarto e descansa. BETH – Mas eu... WALTER – Beth, por favor. Depois a gente conversa. Beth sai da sala, muito contrariada e olhando feio para Danilo. WALTER – Tá tudo bem? DANILO – Beth devia cortar as unhas de vez em quando... Quase me arrancou a pele!

26 WALTER – Não entendo por que ela te trata desse jeito. Quase 15 anos de convivência e ela te vê como um estranho! A mesma coisa com a Tetê, se bem que a Tetê dava motivo. DANILO – Pois é. Eu sou tão inofensivo... Dona Elisabeth devia gostar mesmo de mim. Ou pelo menos fazer de conta que. WALTER (rindo) – Inofensivo, você? Só quando quer... Os dois continuam conversando e rindo. CORTA PARA CENA 28 – NY/FBI – SALA QUALQUER – INT – DIA Teresa e um agente do FBI conversam, enquanto o agente mostra no monitor do laptop várias fotos de Ed, e informações sobre a ficha criminal dele. AGENTE – Já faz alguns anos que estamos atrás do Stevens, mas ele se tornou perito em burlar o cerco. TERESA – E pra burlar o cerco de vocês tem que ser muito bom mesmo, viu... AGENTE – Mas descobrimos que ele está por aqui. Vamos pegá-lo logo. Teresa sorri, como se já estivesse vingada. CORTA PARA

27 CENA 29 – NY/CASA DE ALIENA/QUARTO DE TERESA – INT – TARDE Teresa está deitada em sua cama, olhando para a foto de Aliena e Ed. Seu rosto está tranqüilo. TERESA – Espero que dessa vez a polícia te pegue. E eu vou lá, olhar bem olhadinho na cara do desumano que matou minha melhor amiga e te perguntar assim: ‘podia só roubar e deixar ela livre?’ Talvez eu não perguntasse assim, mas enfim. Depois eu vou encontrar o meu Ed, o Ed legal e tudo terá se acabado. Teresa fica sentada na cama, deixa a foto de lado. TERESA – Eita, Mick. (t) Esqueci completamente dele... Teresa sai do quarto. CORTA PARA CENA 30 Tomada de Recife. CORTA PARA CENA 31 – CASA DE EMÍLIO/SALA – INT – TARDE Mick e Emílio assistem a algum programa esportivo na televisão, enquanto Minerva folheia uma revista. Ela tem um pirulito na boca. MICK – Minerva... Tem alguma novidade sobre a entrevista?

28 MINERVA – Ainda não tô sabendo de nada. MICK – Tô agoniado com essa história. EMÍLIO – Ah, meu filho, relaxa. Até parece a sua mãe... MICK – O filho da Raquel também participou da seleção lá. MINERVA – Sabia que alguém ia tocar nesse assunto... Só falta tu me dizer que se o Miguel for aprovado e você não, vai ficar doente! EMÍLIO – Olha, minha filha, o Mick eu não sei se fica. Mas a mãe de vocês... Essa com certeza! MINERVA – Que besteira essa briga! EMÍLIO – Também acho, minha filha. E o pior é que ela acha que a culpa é minha! MICK – Hmm... Vai ver o senhor andou dando umas puladas de cerca por aí e não se lembra. EMÍLIO – Que é isso, menino? Olhe o respeito! Emílio e Mick ficam discutindo, enquanto Minerva os olha, rindo. CORTA PARA

29 CENA 32 – BAR – INT – TARDE Catarina e seus amigos ainda estão bebendo. Várias latas e garrafas de cerveja e refrigerante vazias estão espalhadas pelo chão. Todos já estão meio alterados, principalmente Alexandre, que parece estar meio nervoso, mexendo no celular o tempo todo. CATARINA – Xando... Quer ir pra casa agora? Cê tá com uma cara... ALEXANDRE (sem olhar para ela) – Não, não é nada. Eu só tô tentando ligar pra Ilma. Mas ela não atende essa porcaria! Alexandre deixa o celular sobre a mesa e bebe mais cerveja. CATARINA (baixinho, para Joyce) – Ele tá bebendo demais... JOYCE (baixinho) – Mas todo mundo tá. CATARINA – Mas ninguém tá com essa cara que ele tá! JOYCE – Mulher apaixonada é uma complicação desgraçada, sei não... Tu tá vendo demais, Cacá. Demais! Catarina pára de falar e fica olhando para Alexandre, visivelmente irritado, sem parar de beber. Depois ele deixa o copo vazio na mesa e pega de novo o celular. Disca um número qualquer, com raiva. CORTA PARA

30 CENA 33 – CIDADE DO INTERIOR/RUA – EXT – TARDE Proximidades da linha ferroviária. Ilma sai de uma casa, acena para alguém que está dentro e depois segue andando, sorridente, e vai começando a atravessar a ferrovia, quando seu celular toca. Ilma vê que é Alexandre que a está chamando. A partir daqui, o personagem será mostrado quando estiver falando. ILMA – Oi, Xando. ALEXANDRE – Finalmente encontrei a donzela! ILMA – Ai, desculpa, é que aconteceu tanta coisa... ALEXANDRE (bravo) – Tava ocupada demais pra dar uma noticiazinha que fosse, né? ILMA – Problema de família, caramba! Eu... ALEXANDRE (grita) – Não começa a me enrolar, Ilma! CATARINA (nervosa) – Alexandre! GEYSA – Rapaz, fala baixo que tá todo mundo olhando pra cá... ALEXANDRE – Olha, garota, se eu souber meia historinha de que tô levando chifre, acabou tudo, ouviu? Acabou! CATARINA – Eu disse que era melhor a gente ir embora, Jô, eu disse...

31 JOYCE – Calma, a gente vai dar um jeito de calar ele, ou a bateria cai, sei lá. ILMA – Meu Deus! A pessoa não pode dar uma sumida, nada, que já vai sendo acusada? Eu não esperava isso de você, Alexandre! Não mesmo! JOYCE (grita) – Ele tá bêbado, Ilma! Desliga esse telefone! ALEXANDRE (levanta a mão pra dar um tapa em Joyce) – Cala boca que o assunto não é contigo. GEYSA – Bate nela que eu dou na tua cara, imbecil! Desliga essa droga! ALEXANDRE – Ilma, onde é que você tava esses dias todos? ILMA – Tava na casa da minha madrinha, tá bom? ALEXANDRE – Me dá o número que eu vou ligar pra lá. ILMA (quase chorando, no meio da linha do trem) – O que é isso agora, hein? Minha palavra não é mais suficiente? O que foi que eu fiz pra perder a tua confiança? JOYCE – Ilma, desliga isso! Alexandre dá um tapa no rosto de Joyce, que joga um copo de aguardente pura na cara dele. ILMA (chorando) – Eu te amo tanto e recebo essa desconfiança em troca, é?

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ALEXANDRE – Eu só quero uma explicação pro teu sumiço. ILMA – Eu já falei! Tava na casa da minha madrinha. Aconteceu tanta coisa... ALEXANDRE – Que tipo de coisa? ILMA – Já sentiu o mundo cair na tua cabeça? (pausa, ouvem-se os primeiros apitos do trem que se aproxima, o vento balança os cabelos de Ilma, que ainda está chorando muito) Quando souber, me procura pra falar, tá legal? ALEXANDRE – Volta logo pra casa e a gente conversa... Ilma não responde, e continua chorando, de olhos fechados. ALEXANDRE (off) – A gente precisa falar bem sério sobre o nosso namoro... O trem se aproxima, apitando cada vez mais forte. Ilma não sai do meio da linha e não vê o trem chegar, pois ainda está chorando de olhos fechados. Corte rápido para o chão, mostrando a sombra do trem que passa ligeiro, fazendo um barulho quase ensurdecedor. ********** FIM DO CAPÍTULO 007 **********

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