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• 1 (uma) unidade direcional;

• 1 (uma) unidade de sobrecorrente temporizada;


• 1 (uma) unidade de bandeirola e selagem.
Os relés direcionais de potência são normalmente constituídos de unidades monofásicas.
Quando aplicados em sistemas de potência trifásicos equilibrados, pode ser utilizada apenas uma
unidade numa fase qualquer, conforme mostra a Figura 3.90. Para sistemas desequilibrados,
devem ser aplicadas três unidades.
A Figura 3.90(b) mostra o diagrama de comando correspondente ao diagrama unifilar da
Figura 3.90(a).
Nesse ponto, cabe observar que a diferença básica entre os relés direcionais de sobrecorrente
de fase e de neutro em relação ao relé direcional de potência reside na grandeza da tensão e
corrente que alimentam os referidos relés no momento do defeito. Os relés direcionais de potência
são concebidos para atuar a partir de um fluxo mínimo de corrente, sob tensão nominal, enquanto
os relés direcionais de sobrecorrente são concebidos para atuarem a partir de um fluxo mínimo de
potência. Deve-se observar que os relés direcionais de potência são chamados a operar em
situações em que a tensão do sistema está em torno do seu valor nominal, o que não acontece com
os relés direcionais de sobrecorrente nos processos de curto-circuito. Em síntese, os relés
direcionais, de maneira geral, são aparelhos projetados para atuar a partir de uma determinada
quantidade de energia que flui pelo sistema, num sentido inverso ao normalmente requerido.
Como nos processos de curto-circuito as correntes estão significativamente atrasadas em
relação a uma condição de fator de potência unitário, os relés direcionais de sobrecorrente de fase
e de terra são fabricados para propiciar um conjugado máximo para um fator de potência de curto-
circuito muito baixo. As mesmas condições não são aplicadas aos relés direcionais de potência.

EXEMPLO DE APLICAÇÃO (3.8)


Determinar os ajustes de um relé direcional de potência destinado à proteção de um gerador de
capacidade nominal de 75 MVA/13,80 kV, a um fator de potência 0,80. Sua potência de motorização é de Pm
= 2450 kW.
• Corrente nominal de gerador

•Transformador de corrente
RTC = 4000 − 5 = 800
•Transformador de potencial
RTP = 13.800 − 115 = 120
• Corrente de motorização do gerador

• Percentagem da potência de motorização para ajuste

• Ajuste da potência reversa em Watt


3.3.3 Relé de sobrecorrente direcional digital
Tal como os relés anteriormente estudados, o relé de sobrecorrente direcional digital
apresenta os mesmos princípios básicos dos relés de indução.
Nos relés digitais, as correntes secundárias dos transformadores de corrente são convertidas
em sinais proporcionais de tensão por meio dos transformadores de entrada do equipamento. Já os
sinais analógicos de tensão são conduzidos a um conversor A/D (analógico/digital) que os
converte em sinais digitais antes de serem utilizados pelo microprocessador. Todas as operações
de atuação do relé são executadas digitalmente pelo microprocessador. O programa do relé está
armazenado em memória EPROM.
Os valores calculados das correntes, inicialmente submetidas a filtros digitais com base na
transformada de Fourier para suprimir harmônicas de alta frequência, são comparados com os
valores de corrente ajustados no relé. Se numa determinada fase do sistema a corrente circulante
exceder o valor ajustado no relé, o mesmo inicia a sua partida, denominada drop-out, e após
decorrido um determinado tempo, ajustado para efetuar o disparo, o relé energiza o seu circuito de
saída que estará conectado à bobina do elemento responsável pela abertura do circuito, muitas
vezes o relé de bloqueio ou simplesmente a própria bobina do disjuntor.
Os valores ajustados, corrente, potência e tempo, são armazenados em memória EEPROM,
evitando que os ajustes do relé sejam apagados no caso de ausência de tensão em seus terminais.
O microprocessador do relé é constantemente supervisionado por um circuito denominado
watchdog (cão de guarda) que, ao perceber qualquer anormalidade operacional do
microprocessador, ativa um alarme no circuito de saída de autossupervisão efetuando ao mesmo
tempo o bloqueio do próprio microprocessador.
O relé de sobrecorrente direcional digital tem como princípio operacional a medição do
ângulo de fase entre a corrente e a tensão. Considerando que a tensão no sistema nem sempre está
presente durante uma falta, o relé toma como tensão de referência para a corrente dessa fase
qualquer tensão fase-fase que seguir a fase com defeito.
Os relés de sobrecorrente direcionais podem operar também para faltas reversas, assumindo a
proteção de retaguarda de outros relés. Isso é possível se o valor de ajuste para faltas reversas for
maior que o ajuste para faltas à frente, obtendo dessa forma a seletividade do relé. Se os tempos
de operação forem ajustados no mesmo valor para ambas as direções, o relé atuará para corrente
nos dois sentidos, eliminando, assim, a sua característica direcional. Entretanto, se o tempo de
operação para faltas na direção reversa for ajustado para fora da faixa de atuação, o relé estará
bloqueado para faltas reversas.
A unidade direcional dos relés comanda a unidade de sobrecorrente na condição de ativada
(sim), impedindo que o relé inicie a sua partida para uma corrente fluindo no sentido contrário ao
sentido ajustado. Assim, se a unidade direcional impede a operação da unidade de sobrecorrente,
a temporização não será ativada.
A unidade direcional necessita de um fluxo mínimo de corrente para definir a direção de
disparo em geral, 0,02 × In, e um pequeno módulo de tensão, em geral, 1 V. A partir desses
valores a unidade direcional será acionada desde que conhecidas as condições ajustadas do fluxo