Você está na página 1de 7

Para obter outros dados, consulte o catálogo do fabricante.

EXEMPLO DE APLICAÇÃO (3.5)


Determinar os ajustes de um relé de proteção diferencial digital instalado no transformador de 30 MVA,
tensões nominais de 88/13,2 kV, de acordo com a Figura 3.57. O transformador não tem sistema de
ventilação forçada. O lado de alta tensão (88 kV) está ligado em estrela e o lado de média tensão (13,20 kV)
está ligado também em estrela, ou seja, ligação Y-Y0. O transformador de potência é dotado de um
comutador de tape manual com três posições, instalado no lado de 88 kV, com as seguintes derivações: 92,4
– 88,0 – 83,6 kV. Utilizar um relé digital de fabricação Ziv de 5 A de corrente nominal. Serão utilizados
transformadores de corrente 10B200.

Figura 3.57 Diagrama unifilar simplificado.

a) Determinação dos tapes


• Lado da tensão inferior

• Lado da tensão superior


- Posição no tape mínimo

- Posição no tape médio


- Posição no tape máximo

b) Relação de transformação
• Lado da tensão inferior

• Lado da tensão superior

c) Correntes vistas pelo relé através do TC da tensão inferior

d) Correntes vistas pelo relé através do TC da tensão superior


• Posição no tape mínimo

• Posição no tape médio

• Posição no tape máximo

e) Ajustes de tape do relé


• Lado da tensão inferior

• Lado da tensão superior (posição no tape médio)

f) Cálculo da corrente diferencial da tensão inferior


D Iat = |4,37 − 4,37| = 0 A
g) Cálculo da corrente diferencial da tensão superior
- Posição do tape mínimo
D Imít = |3,93 − 4,14| = 0,21 A
- Posição do tape médio
D Imét = |3,93 − 3,93| = 0 A
- Posição do tape máximo
D Imát = |3,93 − 3,74| = 0,19 A
h) Erro de ajuste: é a relação entre a corrente diferencial e a corrente vista pelo relé
• Lado da tensão inferior
• Lado da tensão superior
- Posição de tape mínimo

- Posição de tape médio

- Posição de tape máximo

i) Cálculo da inclinação
Devem-se considerar os erros dos transformadores de correntes, a corrente a vazio e o erro de ajuste.
• Erro dos TCs: 10%.
• Corrente a vazio: 2%.
• Erro de ajuste: 5% (valor máximo).
A soma dos erros vale 17%. Recomenda-se ajustar o relé em 20%.
j) Sensibilidade
Recomenda-se ajustar a sensibilidade diferencial em 30% do valor do tape do enrolamento de
referência.
30% × 3,93 A = 1,18 A
k) Unidade de tempo definido
Recomenda-se um ajuste de 8 vezes a corrente nominal do tape do enrolamento de referência e um
tempo de 20 ms.
Iai = 8 × 3,93 = 31,4 A → Iai = 35 A
l) Restrição da 2ª e 5ª harmônicas
Recomenda-se um ajuste de 20%.
m) Filtro de sequência zero
Recomenda-se ajustar em sim.
n) Grupo de conexão
• Enrolamento 1: conexão em estrela (Y): 0.
• Enrolamento 2: conexão em estrela (Y): 0.
• Índice horário: 0.

EXEMPLO DE APLICAÇÃO (3.6)


Determinar os ajustes de um relé de proteção diferencial digital instalado em um transformador de 100
MVA, tensões nominais de 220/69 kV, de acordo com a Figura 3.58. O transformador não tem sistema de
ventilação forçada e é dotado dos seguintes tapes com mudança automática: 200 kV – 220 kV – 230 kV. O
lado de alta tensão (220 kV) está ligado em estrela e o lado de média tensão (69 kV) está ligado em
triângulo. Utilizar um relé digital de fabricação Ziv de 5 A de corrente nominal. Serão utilizados
transformadores de corrente 10B200.
Figura 3.58 Diagrama unifilar simplificado.

a) Determinação dos tapes


• Lado da tensão superior
- Posição do tape mínimo: 200 kV

- Posição do tape médio: 220 kV

- Posição do tape máximo: 230 kV

• Lado da tensão inferior

b) Relação de transformação
• Lado da tensão superior

• Lado da tensão inferior

c) Correntes vistas pelo relé através do TC da tensão superior


• Posição de tape mínimo

• Posição de tape médio

• Posição de tape máximo

d) Correntes vistas pelo relé através do TC da tensão inferior

Como o secundário do transformador está conectado em triângulo, a corrente vista pelo relé vale:

e) Ajuste do tape do relé


• Lado da tensão superior (tape médio)

• Lado da tensão inferior

f) Corrente diferencial
• Lado da tensão superior
- Posição do tape mínimo: 200 kV.
D Iami = |4,80 − 4,36| = 0,44 A
- Posição do tape médio: 220 kV.
D Iame = |4,36 − 4,36| = 0 A
- Posição do tape máximo: 230 kV.
D Iama = |4,18 − 4,36| = 0,18 A
• Lado da tensão inferior
D Ib = 2,41 – 2,41 = 0 A
g) Erro de ajuste: é a relação entre a corrente diferencial e a corrente vista pelo relé
• Posição de tape mínimo

• Posição de tape médio

• Posição de tape máximo


h) Cálculo da inclinação
Devem-se considerar os erros dos transformadores de correntes, a corrente a vazio e o erro de ajuste,
ou seja:
• Erro dos TCs: 10%.
• Corrente vazio: 2%.
• Erro de ajuste: 9,16% (valor máximo).
A soma dos erros vale 21,16%. Recomenda-se ajustar o relé em 30%.
i) Sensibilidade
Recomenda-se ajustar a sensibilidade diferencial em 30% do valor do tape do enrolamento de
referência, ou seja:
30% × 4,36 A = 1,30 A
j) Unidade de tempo definido
Recomenda-se um ajuste de 8 vezes a corrente nominal do tape do enrolamento de referência e um
tempo de 20 ms:
Iai = 8 × 4,36 = 34,8 A Æ Iai = 35 A
k) Restrição da 2ª e 5ª harmônicas
Recomenda-se um ajuste de 20%.
l) Filtro de sequência zero
Recomenda-se ajustar em sim.
m) Grupo de conexão
• Enrolamento 1: conexão em estrela (Y): 0.
• Enrolamento 2: conexão em triângulo (D): 1.
• Índice horário: 11.
3.3 RELÉ DIRECIONAL (67)

3.3.1 Introdução
As redes de distribuição e as linhas de transmissão radiais são normalmente protegidas por
relés de sobrecorrente temporizados. Porém, quando esses sistemas são alimentados pelas duas
extremidades, ou apresentam configuração em anel, há necessidade de implementar relés de
sobrecorrente temporizados incorporados a elementos direcionais, isto é, que são sensibilizados
ou não pelo sentido em que flui a corrente (relés direcionais de corrente) ou a potência (relés
direcionais de potência).
Dessa forma, conclui-se que a proteção com relé direcional tem a finalidade de reconhecer
em que sentido está fluindo a corrente ou a potência numa determinada parte do sistema. Caso a
corrente ou a potência esteja fluindo num sentido inverso ao normal, o relé direcional deve ser
capaz de enviar ao disjuntor um sinal de disparo, proporcionando uma proteção seletiva de
extrema utilidade nos sistemas de potência. Para ilustrar a aplicação dos relés direcionais, basta
analisar a Figura 3.59, que representa um sistema de quatro linhas de transmissão partindo de uma
fonte constituída de três geradores e se conectando a uma barra de carga.
Em condições normais de operação, o fluxo da corrente, por exemplo, em todas as linhas, é no
sentido fonte-carga, enquanto na presença de uma falta no ponto F da linha L3 a corrente nesse
alimentador inverte a posição na barra consumidora, suprindo o ponto de falta através das linhas
sãs. O relé direcional do disjuntor 10, no momento da inversão da corrente, reconhece tal
ocorrência e envia um sinal de desarme para esse disjuntor. As correntes nos disjuntores 9, 11 e
12 continuam fluindo no mesmo sentido da corrente de carga e, portanto, não alteram o seu
sentido; a lógica do relé desses disjuntores entende que não devem atuar. Já os disjuntores 5, 6, 7
e 8 não necessitam ser portadores de relés de sobrecorrente direcionais. Bastam os relés de
sobrecorrente, funções 50/51 e 50/51N ou outras funções, como estudaremos mais adiante. Já os
disjuntores dos relés 3 e 4 devem ser operados por relés de sobrecorrente direcionais devido ao
paralelo das fontes de geração.

Figura 3.59 Indicação de proteção direcional em quatro linhas de transmissão.

Outra forma de mostrar o funcionamento de um relé direcional pode ser observada no sistema
em anel fechado mostrado na Figura 3.60, alimentado somente por uma fonte de geração. As setas
indicadas com a letra I representam o fluxo de corrente em operação normal do sistema. Os relés
representados por duas setas em direções opostas possuem somente as funções 50/51 e 50/51N.
As setas indicadas com a letra D representam o sentido de atuação do relé direcional (função 67).