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JESUS, Ensina-

nos a Orar!
Hope MacDonald
Mundo
Cristão

Nove passos simples e práticos para uma vida


de oração cheia de fé, alegria e poder do alto
JESUS, Ensina-
m %a Orar!
Hope MacDonald

Os santos do passado aprenderam a ouvir a


vontade de Deus. Suas orações às vezes eram
silenciosas. Em outras ocasiões eram vibrantes e
corajosas, vencendo os problemas e os sofrimentos.

Olhando-os em sua vitoriosa vida de oração,


percebemos que precisamos aprender a orar como
eles oraram. Precisamos de instruções a fim de
que nossas orações sejam poderosas e eficazes.
E isto é exatamente o que este livro nos dá.

JESUS, ENSINA-IMOS A ORAR! é um livro


prático, agradável e alegre. Como podería ser
diferente se a oração é nosso caminho para Deus,
que é a plenitude de toda alegria?

Mundo EDITORA MUNDO CRISTÃO


Cristão Rua A ntonio Carlos Tacconi, 79 — Tel.: 520-5011
Caixa Postal 21.257 - 04698 - São Paulo, F.st. S.P.
JESUS, Ensina-
nos a O ra r!
Hope Mac Donald


ED ITO RA M UNDO CRISTÃO
SÃO PAULO
Título do original em inglês
DISCOVERING HOW TO PRAY
Copyright © 1976 por
The Zondervan Corporation
Grand Rapids, Michigan, E.U.A.

Tradução de Cleide Zerlotti Wolf


5? edição brasileira - maio de 1983
6? edição brasileira - junho de 1985
7? edição brasileira - novembro de 1986
8? edição brasileira - junho de 1989
Impresso na Imprensa da Fé, São Paulo, SP.

Publicado no Brasil com a devida autorização


e com todos os direitos reservados pela
ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA EDITORA MUNDO CRISTÃO
Caixa Postal 21.257, 04698 - São Paulo, SP, Brasil
Prefácio

Acham algumas pessoas que já há livros demais


sobre a oração. Entretanto, creio eu, Deus continua
a levar adiante as Suas verdades através de pensa­
mentos e vozes sempre novos.
Neste livro sobre a oração, pequeno, porém emi­
nentemente prático, Hope MacDonald nos comu­
nica novos pontos de vista e idéias num campo
muito negligenciado da nossa experiência cristã —
a nossa vida de oração e devoção. Não creio que
haja, hoje em dia, um crente que não deseje ter
uma vida de oração mais intensa.
Este livro dá a você diretrizes simples que po­
derão preencher sua vida de oração com poder e
real significado. Você vai querer tê-lo para con­
sultas de vez em quando, por anos e anos. Você,
certamente, encontrará nele orientação para dirigir
pequenos grupos de oração. Acontecerá com você
o mesmo que comigo: quando eu comecei a lê-lo,
só consegui parar quando cheguei ao fim da leitura.
Graças a Deus, eis aqui mais um bom livro sobre
a oração!
Rosalind Rinker
Dedicatória

Ao meu amado esposo


Harry M. MacDonald
pela sua fé inabalável
em Jesus Cristo
e pela constância do
seu amor por mim.
Conteúdo

Prefácio — Rosalind R in k e r......................... 3


Dedicatória .................................................... 4
Agradecimento ............................................... 6
1. O Aprendizado da Oração ......................... 7
2. A s “Orações-FIecha” .................................. 15
3. l.° Passo: Arranje Tempo ........................ 20
4. 2 .° Passo: Um Lugar Sossegado ............... 29
5. 3 .° Passo: Oração de P ro te çã o ............. 38
6. 4 .° Passo: Meditação e A d o ra çã o ............. 41
7. 5 .° Passo: Ouça Interiormente .................. 48
8. 6 .° Passo: Confissão .................................... 59
9. 7 .° Passo: Orar com F é ............................... 68
10. 8.° Passo: Oração “Eu Vejo” .................... 81
11. 9 .° Passo: Gratidão ...................................... 96
12. Idéias e Exemplos para Situações Espe­
cíficas .............................................................. 99
Sum ário...............................................................117
Agradecimento

Quero expressar minha gratidão a


Elizabeth Goudge
Rosalind Rinker
Jim Nordby

pelo tempo que aplicaram à leitura do manuscrito


deste livro e pelas sugestões e correções que nele
fizeram.
Antes de começar a escrever este livro, pedi a
Deus que me desse quinze amigos que orassem,
cheios de fé, todas as segundas, terças e quartas-
feiras, por todo o tempo em que eu o estivesse
escrevendo. Quero agradecer-lhes as bênçãos e
ajuda que recebi por meio delas.
Esses amigos são: Jewel Arata, Patty Bylsma,
Sue Costin, Cathy Jacobson, Nancy Kandel, Anne
MacDonald, Marilyn Nead, Beverly Miller, Beverly
Moore, fay Nelson, Judy Penfield, Dee Sprague,
Ruth Starr e Patty Taylor.
CAPITULO 1

O APRENDIZADO DA ORAÇÃO

Lembro-me da primeira vez que pedi a Deus que


me ensinasse a orar. Tínhamos acabado de chegar
ao Brasil como missionários. Minha filha Débora
e eu estávamos tendo nossa primeira experiência
de comprar na feira. As ruas estavam quentes, em-
poeiradas e repletas de compradores apressados,
todos falando uma língua completamente desco­
nhecida para nós. As pequenas barracas estavam
cheias de frutas e verduras que jamais havíamos
visto. Minha primeira compra foi um mamão. En­
quanto estendia o dinheiro todo amarrotado *para o
vendedor (esperando que ele fosse bastante honesto
para pegar apenas o correspondente ao preço da
fruta), senti-me, de repente, como se tivesse apenas
dois anos de idade. Ali estava eu, afinal de contas,
uma mulher inteligente e mãe de três filhos, mas
que não podia sequer dar ao homem a quantia certa
de dinheiro! Meu vocabulário consistia apenas de
três frases: “bom-dia” , “ boa-noite” e “obrigada” .
As pessoas se empurravam e se amontoavam ao
redor de nós, querendo ver as “estrangeiras” . Eu
me senti completamente desamparada!
Meus olhos se encheram de lágrimas de frustra­
ção enquanto me dirigia a outra barraca levando
8 Jesus, Ensina-nos a Orar!

Débora agarrada à minha mão. .Aquela situação


terrível tomou conta de minha mente. Será que che­
garíamos, um dia, a aprender a língua para poder­
mos comunicar aos estudantes o grande amor de
Deus por eles? E foi ali, diante de uma barraca de
vagens, tão familiares, que clamei ao Senhor: “ Se­
nhor, ensina-me a orar!” Eu sabia, então, que qual­
quer trabalho que viéssemos a fazer no Brasil só
seria possível pelo poder da oração, porém, àquela
altura, o que eu sabia especificamente sobre a ora­
ção não era muito.
Deus ouviu a prece sussurrada naquela feira
brasileira apinhada de gente e começou a me ensi­
nar a orar. Isto há onze anos atrás, e hoje aqui
estou compartilhando com você os nove passos que
mudaram minha vida de oração.
Descobri, desde então, que não estava sozinha
nessa busca de conhecimento. Conversando com
cristãos^de muitas partes do mundo, soube que
o maior desejo de todos era o de saber orar. Certa
vez foi feita uma pesquisa para se saber “que tipo
de sermões os crentes preferem ouvir” e descobriu-
se que o primeiro tema da lista foi: “ Como posso
orar com mais eficiência?” Recentemente nosso
pastor anunciou que no domingo seguinte falaria
sobre oração. Nesse dia a igreja ficou lotada, sendo
necessário colocar cadeiras extras. Quando ele se
levantou para falar, pe'rcebia-se a ansiosa expecta­
tiva no auditório silencioso.
Notei que as pessoas ao meu redor procuravam
papel e lápis para anotar as idéias que as ajuda­
riam a se tornarem crentes de oração. Todos que­
rem orar, porém muitos não sabem como fazê-lo.
Nossa vida espiritual está em maré baixa. Há algu­
mas semanas meu filho estava conversando com
um adolescente perturbado pelo mesmo problemã.
O Aprendizado da Oração 9

Ele dizia: “ Eu sei que devia passar mais tempo


com Deus em oração todos os dias, e, realmente,
quero fazer isso. Leio a Bíblia durante vinte minu­
tos e, quando vou orar, digo tudo o que penso em
apenas dois minutos. Você pode sugerir o que devo
fazer?”
Seu .pedido me fez lembrar bastante do que os
discípulos disseram a Jesus. Recordo-me de como
foram até Ele uma tarde e disseram: “ Senhor, en­
sina-nos a orar.” Lendo os Evangelhos descobre-se
ter sido esta a única coisa registrada que eles real­
mente pediram a Jesus que lhes ensinasse. Eles ha­
viam observado Sua vida e sabiam que a oração,
para Ele, era uma parte muito importante em todos
os momentos de grande significado. Sabiam tam­
bém que Jesus não orava apenas para dar um bom
exemplo, mas sim porque isso fazia muita diferen­
ça em Sua vida. Sabiam que Ele experimentava
essa diferença, e foi por vê-10 orando coip tanta
freqüência qúe pediram que Ele os ensinasse a orar.
Se você se sente frustrado, como eu muitas vezes
me sinto, por não orar como gostaria de fazê-lo,
não se desanime, você está em boa companhia.
Até os discípulos pediram a Jesus que os ensinasse
a orar!
Meu marido e eu estivemos na Coréia há alguns
meses. Ele falava sobre a oração com o pastor
de uma das maiores igrejas de Seul e, no fim da
conversa, o pastor balançou a cabeça e disse: “A
maior necessidade de meu povo é saber orar.” Na­
quela mesma tarde meu marido foi a uma reunião
de estudantes e ali falou sobre a oração. Uma das
moças contou-lhe: “Sou cristã há onze anos porém
ainda não sei orar, e gostaria de aprender.” Algu­
mas semanas mais tarde, eu estava falando à um
grupo de mulheres nas Filipinas. Quando terminei
10 Jesus, Ensina-nos a Orar!

elas me rodearam dizendo que sempre quiseram ter


uma vida de oração porém não sabiam como alcan-
çá-la. Este mesmo pensamento foi expresso ao meu
marido muitas vezes nos nossos contactos com cris­
tãos, na Austrália, Índia e em outras partes do
mundo.
Uma pergunta então persiste: o que é, exatamen­
te, a oração? Será realmente tão complicada que
os cristãos devam passar a vida inteira ã procura
dela? Ou nós é que tornamos confusa alguma coisa
que Deus queria que fosse bela justamente pela
sua simplicidade? Gosto de pensar na oração como
uma conversa entre dois amigos que se amam e se
entendem mutuamente. É através da oração que
vemos o amor de Deus e o Seu poder operando
em nossas vidas, bem como nas vidas das pessoas
por quem oramos. Como resultado, a oração nos
torna vivos espiritualmente; sentimos novamente
fome e sede de estar perto de Deus por mais tempo.
A oração é a chave que abre a porta para um
mundo inteiramente novo — um mundo vivido na
presença atuante e consciente do Deus vivo, que
se torna alicerce de tudo o que fazemos. Jesus
Cristo morreu na cruz para tornar possível essa
comunhão com Ele!
Pode ser que você não entenda tudo a respeito
da oração; eu nunca encontrei ninguém que tivesse
todas as respostas, mas uma coisa sabemos com
certeza: Quando oramos vemos Deus realizar gran­
des coisas, quando deixamos de fazê-lo não vemos
acontecer muita coisa.
Gosto de pensar na oração como o vento. Não
podemos, realmente, ver o vento, mas vemos o re­
sultado dele. Ainda agora, enquanto escrevo, esta­
mos tendo por aqui uma tempestade. Nosso pinhei-
rinho está encurvado quase até o chão. Sinto a força
O Aprendizado da Oração 11

e o poder do vento, porém não o vejo. As crianças


aprendem na escola poesias sobre o vento: “ Quem
já viu o vento? Ninguém, nem eu nem você.” Nin­
guém jamais o viu, ainda assim, numa tarde quente
de verão podemos passear e sentir a brisa suave no
rosto. A mesma coisa acontece com a oração. Não
se pode colocá-la num microscópio e dizer: “ Ah!
isto é uma oração!” , mas podemos sentir seu efeito
em nossa vida e na vida daqueles que estão ao
nosso lado.
Deus nos deu a oração para que pudéssemos che­
gar mais perto dEle; compartilhar nossas vidas com
Ele e ver o milagre da prece respondida todos os
dias em nossa vida. Pare e pense por alguns minu­
tos. Quanto tempo faz que você não vê um milagre
em sua vida? Se fizer mais de uma semana é muito
tempo. Cremos em um Deus sobrenatural, um
Deus que gosta de fazer milagres. Voòê está espe­
rando algum milagre em sua vida hoje? Observe
a vida de Jesus durante Seu ministério. Três quar­
tas partes dela Ele passou fazendo milagres. Este
foi o modo que Ele usou para mostrar que é um
Deus de milagres — Ele é um Deus sobrenatural.
Acho que hoje em dia excluímos de Deus Sua na­
tureza sobrenatural, querendo fazê-10 como nós,
finito e comum. Mas o Deus da Bíblia é sobrena­
tural e infinito. Ele é um Deus que se move com
grandeza na história em resposta a grandes ora­
ções. Nunca se esqueça do poder de seu Deus nem
da maravilha de sua salvação.
No último verão falei a um grupo de universitá­
rios. Quando terminei pus-me à disposição para
responder a perguntas. Um rapaz fez uma pergunta
que me tem sido feita muitas vezes quando falo
sobre a oração. “ Por que devemos orar? Deus não
responde aos meus desejos mesmo quando eu não
12 Jesus, Ensina-nos a Orar!

ore?” Minha resposta a essa pergunta é não! Deus


não quer salvar o mundo todo? Sim. Mas Ele só
o fará através das pessoas. Se você é crente, é por­
que alguém se interessou tanto por você que lhe
falou do amor de Jesus.
Quero contar uma pequena história um tanto
imaginativa, porém interessante, para ilustrar este
ponto. Ela começa com a volta de Jesus ao Céu
depois da ressurreição. Imagine a festa de boas-
vindas que os anjos prepararam para Ele! Um ban­
quete com tudo o que Ele mais gostava (assim co­
mo fazemos quando nossos filhos voltam para casa
nas férias ou quando vêm nos visitar). Depois que
terminaram a refeição os anjos recostaram-se em
suas cadeiras e pediram que Jesus lhes contasse
Suas experiências na terra. Então Ele lhes falou de
como andou por estradas poeirentas, curou doentes
e ressuscitou mortos; falou de Sua morte na cruz
para pagar por nossos pecados e de Sua ressurrei­
ção no* terceiro dia. Quando terminou de contar
estavam todos em silêncio, e então um anjo pergun­
tou: “Senhor, e agora, é a nossa vez? Poderemos
ir à terra falar ao povo sobre as coisas maravilho­
sas que fizeste por eles?” E o Senhor Jesus me-
neou a cabeça dizendo: “Não” . Os anjos ficaram
muito admirados com essa resposta e disseram:
“ Então, como o Senhor vai fazer para que esta
maravilhosa mensagem seja transmitida a todos os
povos da terra?” E Jesus respondeu: “ Deixei essa
missão nas mãos de onze pescadores.” Os anjos
abaixaram as cabeças e disseram: “ Mas Senhor, e
se eles falharem?” Jesus respondeu: “Não tenho
outro plano.”
Deus, assim, escolheu limitar-Se trabalhando, por
nosso intermédio. Ele nos fez Seus sócios e con­
fiou o mundo perdido e decadente aos nossos cuida­
O Aprendizado da Oração 13

dos. Além de nós não há outros corpos, mãos ou


pés, corações ou vozes que tragam a misericórdia
de Deus a um mundo sofredor.
Sim, Deus quer salvar o mundo todo, mas Ele
só o fará através de nós mesmos. Deus quer aten­
der às nossas ansiedades, mas só responderá se
orarmos. Tudo o que Deus quer fazer neste mundo
só será feito pela oração, e esta é uma condição que
precisamos aceitar.
Por que devemos orar? Porque Deus responde
às orações. Será que cremos nisso realmente? Vi­
vemos como se créssemos? Mas se fosse mesmo
assim, acho que todos nós estaríamos gastando mui­
to mais tempo de joelhos em oração. Nosso tempo
com Deus deve ser a coisa mais importante de to­
dos os dias. Infelizmente, muitos de nós não vive­
mos assim. Ano após ano fazemos pequenas ora-,
ções e recebemos pequenas respostas, e ainda nos
admiramos porque vemos tão pouca atuação de
Jesus em muitas pessoas ao nosso redor e em nos­
sas vidas. Onde estão as grandes orações seme­
lhantes àquelas feitas por homens como Hudson
Taylor, Jonathan Goforth, George Muller e Andrew
Murray? Se quiser ler algum livro que aumente
sua fé, leia a biografia desses homens e veja como
oravam. Eles faziam grandes orações, esperavam e
recebiam grandes respostas. Tereza de Ávila disse,
certa vez: “ Você presta uma grande homenagem a
Deus quando lhe pede grandes coisas.”
O único modo de aprender a orar é orando. Po­
demos ler todos os livros que já foram escritos so­
bre oração, mas enquanto, por iniciativa própria,
não resolvemos orar, jamais aprenderemos.
Vi estas palavras escritas acima da porta de uma
biblioteca há alguns anos: “ Aquele que lê, lê, e
14 Jesus, Ensina-nos a Orar!

nunca age, é como o lavrador que ara, ara, e não


colhe nunca.”
Nos capítulos que seguem gostaria de comparti­
lhar com você nove passos básicos para ajudá-la a
tornar sua vida de oração mais significativa. Espero
que siga esses passos e faça com que sejam parte
de sua vida. Há um esboço no fim do livro que
você pode destacar e tê-lo à mão. Espero que o
use para si mesma e também para ensinar outros a
orar. Este livro não foi escrito para quem já sabe
orar, mas para alguém que queira aprender.

Use este espaço para anotar alguma idéia


que queira guardar ou aplicar em sua vida.
CAPITULO 2

AS “ORAÇÕES-FLECHA”

A Inglaterra é um país onde ainda se pratica


arco e flecha. Viajando de uma cidade para outra
podemos ver alvos colocados nas clareiras das ma­
tas junto às estradas. É fascinante observar a des­
treza e habilidade com que o praticam. O arqueiro
puxa o arco até que a corda fique bem esticada,
depois solta para que a flecha voe rápida e perfei-
tamente cortando o ar até atingir o alvo.
Neste livro falarei sobre dois tipos de oração.
Um é o que chamarei de “ oração-flecha” . O segun­
do é a oração de adoração e intercessão. Dedicarei
a maior parte deste livro ao segundo tipo.
Antes de tudo, o que é uma “oração-flecha” ? É
a oração que atiramos a Deus, como flechas, ao
transcorrer do dia. É natural recorrermos a Deus
durante a jornada diária, compartilharmos com Ele
nossos sentimentos, nossa felicidade, nossas mágoas
e desapontamentos.
Uma “oração-flecha” é tão espontânea como o
próprio respirar. É estar sempre ciente da presença
de Deus. É o tipo de oração que elevamos a Deus
quando vemos nosso marido chegar em casa depois
de um árduo dia de trabalho, com os ombros caídos
e seu rosto e demonstrar preocupação. “ Ó Deus!”
16 Jesus, Ensina-nos a Orar!

oramos, “ ajuda-me a dar a ele o amor e a com­


preensão de que está precisando.” É sentar-se na
cama com a filha adolescente e, ouvindo-a extrava­
sar seus problemas, atirar uma oração: “Ajuda-me,
Senhor, eu preciso de sabedoria para falar certo
com ela.” É na conversa ao telefone, sentindo que
uma amiga está em situação angustiante, atirar en­
quanto ela fala uma flecha que diz: “ Senhor, mos­
tra-me o que Tu dirias se estivesses conversando
com ela.” Assim são as orações lançadas que man­
damos ao céu quase todos os dias, em nossa vida.
A Bíblia nos diz que devemos orar sem cessar —
1 Tessalonicenses 5:17.
Qual o significado disso? Será que devemos nos
fechar em um quarto e não fazer mais nada a não
ser orar durante as vinte e quatro horas do dia?
Não. Isso quer dizer que devemos estar em ati­
tude de oração o dia inteiro. Quando levantamos
de manhã dizemos: “Bom-dia, Senhor, graças Te
damos pela noite de repouso e por mais este dia
de vida para Te servir.”
Enquanto você prepara o café da manhã, ou lim­
pa a casa, vai de carro ou a pé, para o trabalho ou
para a escola, você está atirando pequenas orações,
agradecendo a Deus por bênçãos recebidas ou pe­
dindo Seu auxílio e força.
Um famoso general, homem de oração, disse cer­
ta vez: “ Eu tenho em minha mente o hábito tão
arraigado, que nunca tomo um copo de água sem
agradecer a Deus, nunca selo uma carta sem pri­
meiro orar, nunca leio uma carta sem elevar um
breve pensamento aos céus, nem jamais deixo mi­
nha sala de aula sem uma breve oração de inter-
cessão pelos cadetes que saem ou por aqueles que
entram” .
As “Orações-Flecha” 17

É assim que você pode durante todo o dia con­


fiar constantemente a si mesmo e todos os seus
atos a Deus. Esta é a verdadeira vida cristã: andar
com Deus em todos os momentos. E Seu maior de­
sejo é que todos nós tenhamos esse tipo de vida.
Outro dia estava descendo de carro uma rua
quando escutei a estridente sirene de uma ambu­
lância. Enquanto desviava o carro para dar passa­
gem orei: “ Senhor, fica com este doente. Envia Teu
poder em sua vida para que sinta Tua presença. Se
ainda não Te conhece, faze com que Teu Santo
Espírito desperte em sua mente um pouco da ver­
dade que por acaso tenha ouvido de Ti alguma vez.
Traze-o para Tua família.”
Há tantas oportunidades para orar pelos outros
durante o dia. A senhora idosa, distinta, que passa
pór você na rua — sem saber como você percebe
que ela é uma pessoa sozinha, precisando sentir o
toque de Jesus em sua vida. O “hippie” que deses­
perado busca um sentido para sua vida. O homem
de negócios que entra no elevador, ofegante com
sua pasta cheia de papéis. O nenê deitado no car­
rinho que a jovem e orgulhosa mãe empurra. Eu
nunca passo por um colégio sem pedir a Deus que
levante ali um líder da mocidade ou mande alguma
outra pessoa falar de Jesus aos estudantes. Quando
você passar por uma igreja ore pelo pastor para
que ele seja um homem de Deus e que sua igreja
seja um lugar onde as pessoas possam adorar ao
Senhor e ouvir a verdade.
Você pode lançar uma oração de agradecimento
na hora em que retira um bolo do forno e ele não
abaixa. Há gratidão brotando de seu coração em
muitas outras ocasiões, como: quando o avião on­
de vem seu marido aterrissa com segurança; quan­
do a temperatura de seu bebê está normal pela pri­
18 Jesus, Ensina-nos a Orar!

meira vez depois de três dias; quando um amigo


lhe chama ao telefone para dar alguma notícia boa;
pelo sorriso feliz de seu filho ou pela carta de sua
irmã. À medida que você passa seu dia nesta atitu­
de de oração, vai notar que disse “obrigada Jesus”
centenas de vezes, por centenas de coisas diferentes.
Estas orações assim lançadas são uma parte im­
portante de sua vida cristã, mas não são suficientes.
Devem estar alicerçadas em orações de adoração e
intercessão. De outro modo seria como o marido
que mal beija o rosto da esposa uma vez por dia,
ano após ano, e depois ainda se queixa da monoto­
nia do casamento. Hoje é comum a idéia de não
se aborrecer ou não se sentir arrasado pelo senti­
mento de culpa por não estar separando algum tem­
po para ficar sozinho com Deus em oração e
adoração. Constantemente ouvimos dizer: “Não*se
impressione com regras e disciplina, pois perderá
toda a liberdade da vida cristã.” Mas isso não é
verdade. Jesus disse: “ Conhecereis a verdade e a
verdade vos libertará.” Se desejamos ser completa­
mente livres devemos conhecer a verdade. E o úni­
co meio que temos para conhecer a verdade é estar
a sós com Jesus Cristo, pois Ele é a verdade. Nada
é mais negligenciado hoje em dia em nossa vida
cristã do que a oração de adoração e intercessão.
Nossas vidas estão tão cheias de compromissos —
é um vaivém com tanta coisa para fazer que não
nos sobra tempo para orar. Perguntamos a nós mes­
mos o que aconteceu com a alegria do primeiro
amor que sentíamos quando conhecemos a Jesus;
por que nossos corações estão frios e mortos espi­
ritualmente; por que nossa vida parece tão confusa
e cheia de problemas sem solução? É que nos tor­
namos uma geração de cristãos sem oração e por
isso estamos produzindo seguidores que não oram.
As “ Orações-Flecha” 19

Leia os Evangelhos e você ficará surpreso, como


eu fiquei, ao ver quantas vezes diz: “ Tendo-se le­
vantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar
deserto, e ali orava.” Se Jesus precisava passar tan­
to tempo sozinho em oração, como é possível pen­
sar que nós podemos viver sem orar? Leia Marcos
1:21-35 e veja como Jesus tinha um dia ativo e
ocupado. Mesmo assim encontrava tempo para fi­
car sozinho em oração. Ele sabia que precisava
passar o dia atendendo os necessitados. Por isso de­
via estar a sós com Deus para se revigorar e se
renovar espiritualmente. Simplesmente não havia
outro modo pelo qual se sentisse pronto para um
novo dia de auxílio e amor aos outros, se primeiro
não se retirasse para orar em um lugar quieto. Nós,
também, precisamos ter nossas vidas renovadas e
revigoradas diariamente se vamos ser luzes brilhan­
tes no mundo perdido e agonizante que nos rodeia.
Precisamos aprender o que significa esperar no Se­
nhor em oração. “ .. . os que esperam no Senhor
renovam as suas forças, sobem com asas como
águias, correm e não se cansam, caminham e não
se fatigam” (Is. 40:31).
Jesus passou uma noite inteira em oração antes
de escolher Seus discípulos. Fico pensando o que
aconteceria se passássemos uma noite em oração
antes de tomarmos uma decisão importante.
Como cristãos, vivendo num mundo tão pertur­
bado, precisamos dos dois tipos de oração em nos­
sas vidas. Precisamos das “ orações-flecha” e preci­
samos também ficar quietos em oração, sozinhos
com Deus, em adoração e intercessão.

Use este espaço para anotar alguma idéia


que queira guardar ou aplicar em sua vida.
CAPÍTULO 3

1 ° PASSO: ARRANJE TEMPO

Há algumas semanas eu estava falando sobre


as características da oração de adoração e inter-
cessão a um grupo de líderes do trabalho da mo­
cidade e perguntei quantos deles passavam uma
hora por dia em oração. Ninguém levantou a mão.
“Alguém passa meia hora?” Duas mãos se levan­
taram. “ E quinze minutos?” Um pouco mais da
metade dos presentes levantou a mão. Quando eu
perguntei quantos passavam cinco minutos por dia
em oração, quase todos se manifestaram. Ficamos
sentados em completo silêncio alguns minutos e en­
tão começamos a perceber o que Deus havia reve­
lado naquele momento a cada um de nós — quão
pouco tempo passamos em oração! Por que oramos
tão pouco? Não é que não queiramos orar, porque
estou certa de que a maioria o quer. Talvez seja
porque nosso tempo com Deus esteja sempre com­
primido entre todas as outras atividades. Procura­
mos apenas encaixá-lo numa vaga do nosso progra­
ma em lugar de o acertarmos primeiro com Ele.
Quanto tempo por dia você passa em oração?
Não estou falando das orações que você lança ao
correr do dia, mas de outro tipo de oração, a de
1 ° Passo: Arranje Tempo 21

adoração e intercessão — o tempo que reservamos


diariamente para estarmos a sós com Deus.
O primeiro degrau na escada da aprendizagem
desse tipo de oração é: Temos ãe arranjar tempo
para orar. Nunca iremos acordar de manhã e di­
zer: “ Oh! que bom! Hoje tenho tempo para orar.”
Isso, pelo menos comigo, nunca aconteceu. São tan­
tas as atividades de nossa vida: serviço, crianças
para cuidar, estudos, trabalhos da Igreja, etc., etc.,
que realmente, não sobra tempo algum para orar.
E é este o problema: estamos procurando “ sobras”
de tempo para dar ao Senhor. Na verdade, pergun­
tamos a nós mesmos: “ Qual o mínimo que posso
separar para minha vida de oração?” Quando, ao
contrário, deveriamos dizer: “ Qual o máximo que
posso dar a Deus em oração?” De certa forma,
estamos com a nossa escala de valores completa­
mente invertida.
Em resumo: “ O que eu sinto realmente é essen­
cial em minha vida?” Não é verdade que sempre
conseguimos tempo para fazer tudo aquilo que, no
fundo, nos interessa? Arrumamos tempo para to­
mar um cafezinho durante a manhã, para ler um
livro, cuidar do cabelo ou conversar ao telefone.
(Quantas horas por semana muitas de nós passa­
mos ao telefone!) Arrumamos tempo para praticar
esporte, para comer, para dormir, etc.
Acima de tudo, arranjamos tempo para ver tele­
visão. Mesmo que você seja daquelas pessoas que
dizem: “ Não vejo televisão” , eu a desafio a mar­
car, durante uma semana, o tempo que você real­
mente gasta diante dela. Deixe lápis e papel em
cima de seu aparelho e anote quanto tempo, por
dia, você assistiu televisão. Mesmo que você só ve­
ja os noticiários meia hora por dia, terá gasto três
horas e meia por semana. Será que você passou
22 Jesus, Ensina-nos a Orar!

três horas e meia sozinha com Deus nessa mesma


semana? Eu me lembro quando fiz essa experiên­
cia. Eu era daquelas que sempre dizem, como que
se justificando: “ Raramente vejo televisão” , mas
quando marquei no relógio, descobri que havia as­
sistido, numa semana, a:

Um filme (duas horas);


Um documentário (uma hora);
Duas noites de Billy Graham (duas horas);
Um programa no sábado à noite (uma hora e
meia);
Um noticiário todas as noites antes de deitar
(três horas e meia).

E gabando-me de não ver muita televisão, des­


cobri que gastei dez horas com ela naquela semana,
e posso lhe assegurar que não gastei dez horas a
sós com Deus em oração naquele mesmo período
de tempo!
Estou aprendendo que um dos grandes pecados
que cometemos contra nós mesmos e contra aque­
les que nos rodeiam é o pecado de não orar. Você
já pensou que não orar é pecado? Até há bem
pouco eu não havia pensado nisso. Todos nós sa­
bemos que devemos orar, entretanto poucos o fa­
zem. A Bíblia nos diz: “ Portanto, aquele que sabe
que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pe­
cando” (Tg. 4:17). Uma vida cristã sem oração está
privada de todo o poder que Deus nos quer dar.
Nossa vida sem oração é um dos pecados que im­
pedem o mundo de conhecer a Jesus! É o pecado
que nos impede de conhecê-10!
Você pode perguntar: “ O que posso fazer para
que a oração seja parte integrante de minha vida?”
Peça a Deus que crie dentro de você fome e sede
1 ° Passo: Arranje Tempo 23

de estar com Ele, e o Senhor a atenderá. “Bem-


aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque serão fartos” (Mat. 5:6).
Esta é uma promessa de Deus e, com segurança,
podemos pedir o cumprimento dela em nossas vidas.
Você já parou para pensar qual é a palavra pre­
dileta do diabo? Pensei muito sobre isso e cheguei
à conclusão de que é a palavra “ amanhã” . Ele está
sempre impedindo que oremos hoje. Sem dúvida
este deve ser um de seus principais trabalhos —
impedir que todos os cristãos se ajoelhem. Ele sabe
que já pertencemos a Deus e não há nada mais que
possa fazer para evitar isso. Entretanto, ele usa de
todo o seu poder para impedir que nos tornemos
cristãos fiéis, ativos e de oração. Ele sabe que o
poder nos é dado pela oração e faz todo o possível
para nos afastar dela. Está sempre me dizendo:
“ Hope, você pode orar amanhã; hoje você está tão
ocupada!” É sempre “ amanhã” com o diabo, não
é? Amanhã, o dia seguinte, o outro, até que che­
gamos ao fim da vida e descobrimos que perde­
mos muito do que Deus havia preparado para
nos dar.
Eu me lembro do que Martinho Lutero dizia
quando seu dia de trabalho estava sobrecarregado:
“ Estou tão ocupado hoje que preciso passar três
horas em oração!” A nossa atitude já é bem dife­
rente: “ Estou tão ocupada hoje que terei de deixar
para orar amanhã!” Nossas prioridades são bem
diversas daquelas de homens como Moisés, Davi,
os apóstolos, Martinho Lutero e todas as pessoas
por intermédio das quais Deus tem trabalhado po­
derosamente. Quando se lê sobre estas vidas, des­
cobre-se que todos tinham uma coisa em comum:
o ponto central de suas vidas era a oração.
24 Jesus, Ensina-nos a Orar!

Se quisermos orar bem, precisamos arranjar tem­


po; devemos separar uma hora para a oração dia­
riamente e tentar fazê-lo o mais regularmente pos­
sível. Isso é necessário porque produzimos muito
mais quando temos um programa a cumprir. Fico
aliviada quando as férias terminam e as crianças
voltam à escola. Não é que não as ame ou que não
goze inteiramente as férias — apenas parece que
trabalho melhor dentro de um esquema mais orga­
nizado. Todos em casa também trabalham com mais
eficiência.
Nòsso corpo também é assim. Funciona melhor
quando comemos, levantamos de manhã e vamos
dormir à noite em horários regulares.
Do mesmo modo, descobrimos que nossa vida
espiritual se desenvolve mais quando temos um
tempo determinado para estarmos a sós com Deus
diariamente, lendo Sua Palavra e orando.
Verifique seu programa e descubra qual é a me­
lhor hora para você orar. Para alguns é de manhã,
talvez seja a hora ideal, mas reconheço que as
horas entre cinco e sete da manhã não são as me­
lhores para meu marido. Ele não consegue produ­
zir nada de manhã, vai melhorando à medida que
o dia passa e somente à noite consegue ficar intei­
ramente disposto (ou alcança sua melhor disposi­
ção). Se ele quiser dar a Deus o seu melhor tempo,
terá de ser depois de sua ginástica matinal, banho
e café. Depois que está vestido e pronto para ir
ao trabalho, então entra no quarto de hóspedes e
pode ficar a sós com Deus em oração.
Tenho uma amiga que é professora. Ela tem um
programa diário muito pesado e descobriu que pa­
ra ela a melhor hora para orar é no intervalo para
o almoço. Então, vai a um pequeno jardim perto
1 ° Passo: Arranje Tempo 25

da escola, senta-se debaixo de uma árvore e ora.


Quando está chovendo ela ora no carro mesmo.
Se você for mãe com filhos pequenos ainda, pro­
vavelmente terá de esperar que eles durmam para
poder ficar pelo menos quinze minutos ajoelhada
em oração sem que a interrompam.
Em qualquer situação que nos encontremos, se
não tivermos pelo menos quinze minutos em vinte
e quatro horas para dar a Deus em prece silen­
ciosa, é porque alguma coisa está errada em nosso
programa; ou estamos mais ocupados do que Deus
deseja que estejamos, ou nossa escala de valores
está fora de ordem.
Lembre-se disto, o maior chamado de nossa vida
não é para servir a Jesus, mas para ficar com Ele.
Ele escolheu doze discípulos para ficarem com
Ele. O trabalho e amor que tivermos para com os
outros só dará resultado se estivermos a sós com
Deus em oração, em comunhão com Ele e com Sua
Palavra.
Uma das minhas amigas está dirigindo sete estu­
dos bíblicos por semana e é, ao mesmo tempo, boa
dona-de-casa, esposa e mãe carinhosa! Pense no
tempo de preparação e oração a sós necessário para
aquelas sete aulas além do que precisa para ensi­
nar; pense ainda nas horas despendidas cada dia
fazendo o melhor possível para ser uma boa es­
posa e mãe, e no tempo que gasta para ser uma
dona-de-casa razoável. Logo ela descobriu que esta­
va vivendo apenas de suas orações lançadas e elas
não eram suficientes — e nunca o são. Podemos
viver alguns dias das orações que lançamos; e há
muitas ocasiões na vida que têm de ser assim, mas
é impossível depender só delas, pois não contêm
alimento espiritual suficiente para nos manter vivos.
26 Jesus, Ensina-nos a Orar!

Minha amiga estava demasiadamente envolvida


com coisas muito boas, mas qual delas era a me­
lhor? Jesus disse que o melhor é estar diariamente
com Ele em oração.
Gosto da história de Maria e Marta no Novo Tes­
tamento (Luc. 10:38-42). Lembra-se quando Jesus
foi à casa delas um dia para jantar? Marta estava
atarefada na cozinha aprontando tudo enquanto
Maria ficou simplesmente sentada aos pés de Jesus.
Marta não aceitou isso e foi à sala reclamar: “ Se­
nhor, não te importas de que minha irmã tivesse
deixado que eu fique a servir sozinha?” E Jesus
lhe disse gentilmente: “ Marta! Marta! andas in­
quieta e te preocupas com muitas coisas. Entretan­
to, pouco é necessário, ou mesmo uma só coisa;
Maria, pois, escolheu a boa parte e esta não lhe
será tirada.” Você já aprendeu, como Maria, qual
é realmente a coisa mais importante em sua vida?
Não importa quão ocupado e cheio seja o seu dia,
a coisa mais importante a fazer é sentar-se aos pés
de Jesus. Sentar-se quer dizer ter tempo para rela­
xar. Maria não foi correndo à presença de Jesus
com uma porção de pedidos urgentes que queria
fazer-Lhe e voltou depressa ao trabalho. Não. Ela
arranjou tempo, no meio de todas as suas atividades
e sentou-se aos Seus pés. Ela escolheu a Deus co­
mo o melhor de sua vida e encontrou tempo para
amá-lO.
Precisamos lembrar que a vida cristã é uma vi­
da de disciplina e obediência. Hoje em dia ouvimos
muito dizer ser esta uma vida de amor e liberdade,
e isso é realmente verdade, mas há os dois lados
da moeda. De um lado, a vida cristã é amor e li­
berdade, de outro, é disciplina e obediência, e não
podemos separá-los. Parece, entretanto, que a pala­
vra disciplina está desaparecendo depressa de nos­
1 ° Passo: Arranje Tempo 27

so vocabulário e também da vida cristã, fesus dis­


se: “ Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se
negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Luc.
9:23).
Às vezes acho que somos notáveis por tomarmos
a nossa cruz e O seguirmos. Isto nos coloca em
ação e é o que todos queremos, mas como é difícil
encontrarmos alguém que se dê a si mesmo. Será
que realmente saberemos o que é disciplina se não
negarmo-nos a nós mesmos?
No último inverno meu marido e eu fomos a
Katmandu, no Nepal. É uma cidade fascinante es­
palhada aos pés das grandes montanhas himalaias.
Passamos três dias com um estudante de 19 anos
chamado Puskar. Ele vivia em uma pequena vila
fora da cidade com sua família; seu pai é brâmane-
hindu, a mais alta casta hinduísta. Todas as ma­
nhãs, às quatro e meia, Puskar se levantava.e ia
descalço por uma estrada estreita e sinuosa a uns
quatro quilômetros de distância até a vila mais pró­
xima. É sempre escuro e nublado naquela altura da
montanha, e ele ia ao templo para orar. Quando
chegava lá, antes de entrar precisava tomar banho
na água fria e suja do rio que passava pelo templo.
Depois de orar uma hora, no templo, fazia toda a
longa caminhada de volta às montanhas. Chegava
a casa somente com o tempo para tomar uma xí­
cara de café preto e começar seu dia de trabalho.
Assim eram a disciplina e dedicação de um homem
que adorava um deus falso. Quando ouvimos Pus­
kar contar a história da devoção de seu pai fica­
mos envergonhados. Não pude deixar de pensar nas
fracas desculpas que freqüentemente damos para
não orar. Achamos difícil levantar da cama quente
e ajoelharmo-nos em um tapete macio para orar!
Pense como poucos de nós oraríamos se o único
28 Jesus, Ensina-nos a Orar!

modo de fazê-lo fosse andar quatro quilômetros no


frio e na neblina para chegar a um templo vazio e
escuro, sem falar ainda na obrigação de tomar um
banho no rio sujo. Somos uma geração de cris­
tãos fracos, folgados, indisciplinados e sem oração.
A disciplina espiritual é a chave da vida cristã. É
a única chave que realmente abre a porta para uma
vida abundante e feliz em Cristo.
Por que há, hoje em dia, cristãos fracos e inde­
cisos? Porque ignoramos a única fonte de força e
poder — Jesus Cristo — e deixamos de buscar Sua
presença, de amá-lO e de compartilhar nossas vi­
das com Ele em oração.

Use este espaço para anotar alguma idéia


que queira guardar ou aplicar em sua vida.
CAPÍTULO 4

2 ° PASSO: UM LUGAR SOSSEGADO

A gente já tem como que um pressentimento de


quando uma lembrança agradável vai ficar gravada
no coração pelo resto da vida. Uma das nossas reu­
niões de família para a comemoração do Dia de
Ação de Graças foi assim — um dia perfeito! Os
parentes todos vieram de avião ou de carro das
mais diferentes partes do país. Nós íamos passar
esse dia em casa de mèu sobrinho Jaime e sua es­
posa. Ele havia se formado recentemente no semi­
nário e estava iniciando o seu primeiro pastorado.
Nesse Dia de Ação de Graças fomos todos à igreja
de manhã. As moças com lindas saias longas e os
homens de terno e gravata. Fiquei orgulhosa quan­
do vi meu sobrinho de toga, no púlpito, para nos
transmitir a mensagem daquele dia. Olhei para seus
dois filhos sentados ao meu lado. Parece que tinha
sido ontem que o pai deles, ainda um menino, tam­
bém de cabelos curtos, construía castelos na areia
da praia com sua irmã e os meus filhos. Agora lá
estava ele, já formado, falando das Boas Novas de
lesus Cristo à igreja confiada ao seu cuidado.
Depois do culto fomos todos à casa pastoral onde
uma lauta refeição nos esperava. Uma hora de ale­
gre confusão se seguiu enquanto eram dados os úl­
30 Jesus, Ensina-nos a Orar!

timos retoques no almoço. Até que, afinal, todos


nos sentamos à mesa. Mais tarde, enquanto os ho­
mens se reuniam alegremente num cômodo da casa
e as mulheres conversavam noutro, fui até um dos
quartos-e encontrei o pequeno Daniel de quatro
anos sentado sozinho no chão, segurando seu cha­
péu. Quando perguntei o que estava fazendo ali,
respondeu com o rosto cheio de alegria: “ Ah! tia
Hope, estou só sentado quieto aqui.” Saí do quarto
e pensei: “ Esse menino descobriu o segredo que
muitos de nós nunca encontram durante toda a
vida.” No meio de todo aquele barulho e risadas,
o pequeno Daniel encontrou um lugar quieto para
restaurar sua alma. Você já achou um lugar assim?
Pois bem, esse é o segundo degrau na escada do
aprendizado da oração: Encontre um lugar sosse­
gado. Para Jesus era tão importante um lugar ade­
quado para a oração, que Ele recomendou: “Tu,
porém, quando orares, entra no teu quarto, e, fe­
chada a porta, orarás a teu Pai que está em secreto;
e teu Pai que vê em secreto, te recompensará”
(Mat. 6:6).
Nestes últimos 27 anos nossa casa tem estado
sempre cheia de gente. Parece incrível, mas chega
a ser umas 200 pessoas por semana! Um dia é um
grupo de jovens que tem se reunido conosco há
uns nove anos; outro dia são pequenos grupos para
estudo bíblico e debate. Outro dia são pessoas que
precisam de aconselhamento; temos ainda as ativi­
dades de três adolescentes e seus amigos, e assim
por diante. Às vezes parece-nos até que a casa
virou um motel, tal o vaivém de amigos de todas
as partes do mundo. Não estou me queixando, e
até gostamos disso, mas há ocasiões em que se
torna mesmo difícil de encontrar um lugar sosse­
gado para se orar. Se em sua casa o único lugar
2.° Passo: Um Lugar Sossegado 31

quieto for seu quarto, entre lá e ore. Lembro-me


que, por diversas vezes, o único lugar sossegado de
casa era o banheiro! Então, o que eu fazia? entrava
lá, assentava-me no chão encostada à porta e orava.
O importante é encontrar um lugar calmo e, se
você procurar, acabará por achá-lo.
Sugiro um cômodo com bastante sol, confortável
e repousante. Pode ser que seu quarto seja assim,
mas se não for procure transformá-lo. (Pessoal­
mente acho que cada pessoa deve fazer do seu
quarto um dos lugares mais bonitos da casa, mas
isso é outro assunto!) Geralmente nosso quarto é
o único lugar onde podemos entrar, fechar a porta
e ficar a sós.
Se seus filhos já se casaram talvez você possa
transformar o quarto deles, desocupado, numa sala
de oração. Quando nosso filho Tomás, de 25 anos,
mudou-se, reformamos o seu quarto decorando-o
no estilo colonial americano, e o reservamos para
oração. Lembro-me da primeira vez que ele voltou
para casa, e, entrando no seu antigo quarto, co­
mentou: “ Puxa! Até parece que a senhora andou
hospedando o George Washington!”
Minha filha Débora, que estuda fora, mora com
várias outras moças muito alegres, e, por isso mes­
mo, barulhentas. Achar um lugar sossegado para
orar foi realmente um desafio para ela, até que
descobriu que sua colega de quarto dava aulas nas
horas vagas. Era a ocasião propícia para se entrar
no quarto, trancar a porta e ficar a sós com Deus.
Isso exigia algum sacrifício; essa hora ela podería
usar para ir com as amigas à lanchonete tomar um
refrigerante, mas a oração tem sido muito impor­
tante na vida de Débora, e quando se deseja de
verdade alguma coisa, sempre se acha um modo
de realizá-la. Foi o que ela fez.
32 Jesus, Ensina-nos a Orar!

Às vezes até precisa-se usar de toda a criativi­


dade da imaginação. Minha amiga Nanci é mãe de
duas crianças muito vivas, de menos de 5 anos de
idade. Em sua casa pequena, achar um lugar sos­
segado parecia quase impossível. Ela tentou orar
no quarto, mas as crianças não gostavam de ver a
porta fechada, ficavam inquietas e a interrompiam
a todo instante. Numa manhã muito fria, ela ligou
a televisão. Havia naquele horário um bom progra­
ma educativo especial para crianças, e elas gosta­
ram demais desse programa. Na manhã seguinte
Nanci ligou a televisão no mesmo canal, depois ex­
plicou às crianças que enquanto estivessem assis­
tindo ao programa ela estaria no quarto, com a
porta aberta, falando com Jesus, e se precisassem
delá poderíam entrar e chamar. Isto resolveu o
problema. Ela pôde ficar meia hora a sós com Deus
em oração enquanto as crianças assistiam a um
bom programa. Um dia, seu filho e um amiguinho
foram pé ante pé até o quarto para espiar. Nanci
ouviu seu filho explicar ao amigo enquanto saíam:
“ Minha mãe está falando com Jesus!” Quando ela
me contou esse incidente pensei como era maravi­
lhoso para este garoto crescer em um lar onde vê
sua mãe diariamente de joelhos, falando com Deus.
Você pode imaginar a força, o conforto e o enco­
rajamento que isso será para ele à medida que for
crescendo?
Quando encontrar um lugar sossegado, relaxe e
descanse alguns momentos. Lembre-se que Jesus
está ali com você, Ele a ama e deseja ficar ao seu
lado. Ele a aceita como você é e se interessa por
todos os pequenos detalhes de sua vida. Sinta Jesus
ao seu lado.
Quero lhe contar algo que tem sido de grande
valor e auxílio para mim há muito tempo. Quando
2 ° Passo: Um Lugar Sossegado 33

me ajoelho para orar imagino-me numa linda sali-


nha onde vou me encontrar com Jesus. Vejo-me
numa casinha de um só cômodo que, em minha
mente, construí no topo de uma silenciosa colina.
Há um caminho cheio de flores que leva até à
porta. Logo que descobri minha salinha levei três
semanas arrumando-a em todos os detalhes. Pintei
as paredes de azul e branco e no soalho de madeira
escura bem encerada coloquei um tapete de crochê.
A janela é bem grande com cortinas leves e fran­
zidas. Junto a ela está uma mesinha antiga. No
meio da sala, coloquei um sofá com almofadas fo­
fas e, de cada lado, duas macias cadeiras estofadas
de azul. Sempre que entro na sala, “vejo” Jesus
sentado na cadeira da direita.
Ao lado direito da lareira uma porta abre para
um pequeno alpendre onde há uma rede, duas ca­
deiras e uma mesa pequena. Às vezes, no verão, o
Senhor e eu nos sentamos lá fora onde fica um dos
mais belos jardins que minha mente jamais pôde
imaginar. Todas as espécies de flores coloridas e
plantas crescem ali; a grama é verde como esme­
ralda e há árvores frondosas ao redor. No fundo
do jardim passa um regato murmurante com uma
ponte em arco que leva à floresta. Minha casinha
com seu jardim é um lugar de beleza e tranqüili-
dade total. Mais para trás há um chorão junto ao
qual sempre me sento com Jesus para conversar.
Quando Ele está ali, não temos intrusos. No mo­
mento em que entro nesta minha sala e vejo Jesus
sentado lá, uma sensação de paz e calma enche
todo o meu ser. Como é fácil sentar na cadeira à
Sua frente e conversar! Não importa a confusão
que possa haver em minha vida, seja morte de um
ente querido, seja sofrimento de outro, sejam os de­
sapontamentos e mágoas de cada dia, tudo. isso
34 Jesus, Ensina-nos a Orar!

parece sumir para um último plano quando entro


nesta sala e vejo Jesus.
O que é bom nesta sala é que ela me acompanha
por onde quer que eu vá! Lembro-me de uma via­
gem de avião que fiz, certa vez, das Filipinas para
a Austrália. A viagem foi feita à noite e o avião
teve muita turbulência. Já não me sinto muito
tranqüila numa viagem normal por via aérea, e na­
quela então, entrei em pânico quando o avião co­
meçou a perder altura. Eu sabia que ao chegar à
Austrália, no dia seguinte, iríamos diretamente para
um almoço. Senti que precisava de uma boa noite
de descanso e então, ali, naquele avião instável,
voando sobre o oceano escuro, entrei na minha sala
imaginária tão bonita e me sentei orando, tendo
Jesus ao meu lado. Ele sabia como eu estava can­
sada e me disse: “ Não se aflija, Hope, estou com
você e lhe dou Minha paz; agora descanse e dur­
ma.” Sabe de uma coisa, foi exatamente o que fiz!
Conto isso para encorajá-la a arrumar, também,
uma sala confortável em sua mente. Arranje-a,
como eu fiz, com todos os detalhes — esse é o se­
gredo para torná-la bem real em sua mente. Tenho
alguns móveis antigos, lindos, lindos, nesta sala, os
quais eu nunca podería ter na vida real! Faça as­
sim a sua sala. Decore-a conforme a sua personali­
dade e você descobrirá que será um lugar de grande
paz e alegria para sua vida.
Minha irmã ama o mar. Ela fez o seu “ lugar de
sossego” lindo e calmo à beira-mar, rodeado de
palmeiras, ao marulho das ondas e o calor do sol.
Ali ela passeia diariamente com Jesus, na praia.
Talvez você goste de montanhas. Construa, en­
tão, sua sala numa cabana de madeira no alto da
montanha! O mundo é o seu limite — use a cria­
tividade que Deus lhe deu e veja o que acontece.
2." Passo: Um Lugar Sossegado 35

Só uma sugestãp como esta já é suficiente para


mudar toda a sua vida de oração!
Que dádiva indescritível é o privilégio de orar!
Quão maravilhoso é o Seu amor infinito dando-nos
esse dom! Tenho uma amiga cujo rosto irradia o
amor de fesus. Recentemente ela me disse: “ Se um
dia quisessem me despojar de tudo o que possuo
eu pediria que me deixassem pelo menos a oração!”
E você, pensa também assim?
Antes de terminar este capítulo sobre “ Um lugar
sossegado” , sugiro três coisas que podem ajudar
sua hora de oração.

Primeiro: se for possível, ajoelhe-se para orar. É


claro, aquela professora minha amiga, que ora
no parque, não pode se ajoelhar, mas se você ora
no seu quarto, é bom que se ajoelhe. Sabemos que
a posição não é importante para Deus; já falamos
até sobre orar enquanto se anda pelas ruas, ou ao
dirigir um carro ou mesmo enquanto se conversa
com alguém. Mas, para sua hora de adoração e in-
tercessão experimente ajoelhar. É um sinal externo
de respeito a Deus. Se não puder ajoelhar sente-se
direita em uma cadeira; isto a manterá em posição
de sentido. De modo nenhum faça “ oração de tra­
vesseiro” à noite. Você sabe como é esse tipo de
oração? São aquelas feitas quando nos atiramos
sobre a cama, cansadas e esgotadas, enfiamos a ca­
beça no travesseiro e começamos a murmurar uma
oração. Logo, a mente já estará divagando por ou­
tros pensamentos, ou teremos caído no sono antes
de terminar a primeira frase.

Segundo: ore em voz alta. Não quero dizer num


tom normal de conversa, mas em voz suave ou
mesmo num sussurro audível. Isto a ajudará a
36 Jesus, Ensina-nos a Orar!

manter sua mente naquilo que estiver falando. Se


você não estiver acostumada a fazer suas orações
em voz alta, estranhará a princípio. Eu sei que me
senti assim quando, há vinte e sete anos, meu ma­
rido sugeriu que fizesse assim, mas depois de al­
gumas semanas acostumei-me.

Terceiro: escreva num papel todos os seus pedi­


dos. Compre uma caderneta e use-a para anotar as
orações e guarde-a perto da cama. Reserve uma pá­
gina para seu marido, outra para você e uma outra
para cada filho. Divida uma página entre outros
membros da família que não moram com você. Re­
serve uma para os amigos pelos quais prometeu
orar e uma outra para todas as demais petições que
quiser levar ao Senhor. Deixe o verso das páginas
em branco para anotar como Deus respondeu a suas
preces. Um caderno para anotações tornará mais
fácil orar especificamente para cada coisa. Acredito
ser da vontade de Deus que nossos pedidos sejam
definidos. Não faça pedidos generalizados como:
“ Ó Deus, cuida de minha família; Ó Deus,
abençoa meus amigos; Ó Deus, esteja com minha
igreja e com todas as pessoas do mundo.” Orações
com pedidos gerais só podem receber respostas ge­
rais também. Saiba sobre o que está orando. Quan­
do você faz uma oração específica, sabe também
que tipo de resposta espera receber. No caderno de
anotações de oração você dirá: “ Senhor, dá-me isto,
dá-me aquilo” , mas você estará consciente das ne­
cessidades dos que a cercam.
Um dos mais importantes benefícios de se ter
uma caderneta de orações é que ela lhe ensinará a
ser agradecida. Quando você começa a anotar as
respostas recebidas, verá como, num instante, Deus
atendeu. É tão fácil esquecer-se das respostas! Pois
2 ° Passo: Um Lugar Sossegado 37

não é o que você pensa muitas vezes: “ Parece que


Deus nunca responde minhas orações” ? Quando se
sentir assim, pegue sua caderneta e releia as res­
postas recebidas de Deus durante o mês que pas­
sou; você terá uma alegre surpresa e guardará suas
anotações com o coração cheio de gratidão. Sua fé
será revigorada e você louvará a Deus, pois Ele é
realmente um Deus que gosta de responder às ora­
ções!

Use este espaço para anotar alguma idéia


que queira guardar ou aplicar em sua vida.
C A P ÍT U L O 5

3 ° PA SSO : ORAÇÃO DE PROTEÇÃO

“ Os melhores perfumes vêm nos menores fras­


cos.” Esta frase aplica-se perfeitamente a este ca­
pítulo. Será curto, mas bom! De fato, a omissão
deste passo pode ser a razão da dificuldade que
muitos cristãos têm para orar.
0 3.° degrau na escada da oração é: Faça uma
oração de proteção, para que a preocupação com
os afazeres do dia não a perturbe enquanto estiver
orando. Se o diabo não teve sucesso tentando-a a
deixar para orar “amanhã” , passa a usar o “ plano
B” , que é fazer todo o possível para distraí-la du­
rante a oração. Não é verdade que é só você se
ajoelhar o telefone toca ou alguém bate à porta?
Todas as coisas que você precisa fazer naquele dia
ficam de repente muito importantes — o conserto
na calça de seu filho, a camisa que prometeu pas­
sar a ferro, as bolachas para a reunião com as
amigas à tarde, a matéria que deve ser estudada
para o exame, etc. — todas estas coisas surgem à
sua frente como uma montanha insuperável que
deve ser enfrentada naquele justo momento! Você
sente que tudo é muito urgente e por isso não en­
contra tempo para orar hoje e se conforma dizendo:
“ Deus entenderá.”
3." Passo: Oração de Proteção 39

Isso é o diabo que está trabalhando; na realidade


ele nunca trabalha tanto como quando vê você se
aprontando para orar! Foi por isto que Jesus disse:
“vigiai e orai” . Vigiar o quê? Devemos estar aten­
tas para com a atividade do diabo na nossa hora
de oração, protegendo-nos com um escudo. Só as­
sim poderemos anular as setas inflamadas de dis­
trações que ele nos lança.
Antes de começar sua prece de adoração e inter-
cessão, peça a Deus, por uns momentos, que a
envolva no círculo de Sua proteção. Gosto da fi­
gura de um círculo de luz à minha volta. Nada
poderá atravessá-lo enquanto eu estiver orando.
Fico a sós com Deus. Resolvi, de livre e espontânea
vontade, deixar fora todas as preocupações e tra­
balhos do dia e esvaziar minha mente de qualquer
irritação e distração.
Use uns minutos para expirar todas as tensões e
ansiedades, deixando-as para fora de sua vida.
Inspire o amor e a paz de Jesus. Pratique estes
movimentos antes de começar a orar.
Vagarosamente inspire o amor e a paz de Deus.
Imagine que estão invadindo todas as partes de seu
ser.
Enquanto expira, imagine que todas as tensões
e ansiedades estão saindo de seu corpo. Faça isso
várias vezes seguidas.
Agradeça a Deus por estar agindo em sua vida.
Agradeça por deixá-la calma e despreocupada em
Sua presença.
Quando Seu círculo de proteção a rodear você
será capaz de relaxar, de entregar-se à direção e
instrução do Espírito Santo. Aqui deve começar
sua oração, com sinceridade e submissão ao Senhor.
“ Em todas as orações o Deus Triúno está pre­
sente — o Pai que ouve; o Filho em nome de quem
40 Jesus, Ensina-nos a Orar!

oramos; o Espírito Santo que ora por nós e em nós.


Como é importante que tenhamos afinidade com o
Espírito Santo e compreendamos Seu trabalho!’”
Quando nos envolvemos com o círculo da pro­
teção de Deus, tiramos os olhos de nós mesmos e
os focalizamos em Jesus. Você se lembra quando
Ele se revelou aos discípulos, em todo o esplendor
de Sua glória no Monte da Transfiguração? Depois
que tudo havia passado, a Bíblia diz: “ Então eles,
levantando os olhos, a ninguém viram senão só a
Jesus” (Mat. 17:8). É isto que você vê quando se
ajoelha em oração? Ou está tão envolvida em si
mesma que só vê seus problemas, seus desaponta­
mentos e seus desejos? Nosso alvo na oração é ver
unicamente a Jesus; sentir Sua presença ao nosso
lado. Só assim poderemos dizer com o coração
cheio de alegria: “ Pai, meu Pai” (Rom. 8:15).

Use este espaço para anotar alguma idéia


que queira guardar ou aplicar em sua vida.

I MURRAY, Andrew The Prayer Life, Chicago, Moody


Press, p. 53, (usado com permissão).
C A P ÍT U L O 6

4 ° PA SSO : MEDITAÇÃO E ADORAÇÃO

O quarto degrau na escada da oração é: medita­


ção e adoração. Como cristãos, vivendo em um
mundo tão ativo, perdemos o hábito da meditação
e adoração. Achamos que é perder tempo sentar
em silêncio para apenas meditar sobre a grandeza
de Deus. Devíamos aproveitar para estar falando
com Ele. Nossas orações devem ser “produtivas” ,
“úteis” e “ definidas” , depois devemos continuar
com os trabalhos do dia! É raro termos idéia de
ficar em silêncio e adorar a Deus, e se por acaso
isso acontece, não sabemos realmente como agir.
Recentemente meu marido e eu estávamos num
aeroporto, na Inglaterra. A voz no alto-falante avi­
sou que havia quatro horas de atraso no vôo de
Londres para Chicago. Os passageiros que estavam
esperando para tomar o avião queixavam-se em voz
alta. Harry e eu olhamos um para o outro conster­
nados. Estávamos longe de casa há vários meses e
ansiávamos pela volta. Contávamos chegar a casa
aquela noite, e esperávamos ter tempo suficiente
para poder passar pelo menos meia hora com nos­
sos amigos Nanci e lorge compartilhando com eles
tudo que Deus havia nos proporcionado nessa via-
42 Jesus, Ensina-nos a Orar!

gem, dando graças a Ele por nos trazer em segu­


rança para casa.
Olhávamos em volta na escura sala de espera,
procurando inventar o que fazer durante aquelas
quatro horas que tínhamos pela frente. Já havíamos
sido informados de que não poderiamos sair dali.
Foi então que um interessante casal sentou-se ao
nosso lado. Digo interessante porque a mulher de­
via pesar uns 120 quilos e ele era um homem magro
e bonito. Durante a conversa que se seguiu desco­
brimos que estavam voltando de uma conferência
mundial de professores da “ Meditação Transcenden­
tal” — mais comumente conhecida como MT — e
estavam ansiosos para nos contar o que haviam
aprendido. (Devo dizer que, como cristãos, deve­
mos guardar distância desse movimento. Quando
abrimos nossas mentes para qualquer coisa que não
seja Cristo, estamos procurando problemas.) Na
MT você recebe uma palavra desconhecida para
meditar sobre ela. Senta-se em silêncio durante 20
minutos, pelo menos, de manhã e outros 20 minutos
à noite e só medita. Sua mente precisa ficar vazia,
e você só deve repetir aquela palavra. “ Não inte­
ressa sobre o que esteja meditando” , ela falou com
toda a sinceridade, “ desde que medite.” “ Se você
é cristã então daremos uma palavra cristã para me­
ditação.”
Quando tomamos o avião algumas horas mais tar­
de, meu marido e eu não pudemos deixar de pensar
como o ensino da MT é diferente daquele encon­
trado na Palavra de Deus. A Bíblia nos ensina que
devemos meditar apenas no Senhor e na Sua Pala­
vra, “ Somente em Deus, ó minha alma, espera si­
lenciosa, porque dele vem a minha esperança. Só
ele é a minha rocha e a minha salvação, o meu
alto refúgio: não serei jamais abalado” (Sal. 62-5-6).
4.° Passo: Meditação e Adoração 43

Aprendemos a meditar na Sua palavra. “Bem-


aventurado o homem que não anda no conselho
dos ímpios, não se detém no caminho dos pecado­
res, nem se assenta na roda dos escarnecedores.
Antes seu prazer está na lei do Senhor, e na sua
lei medita de dia e de noite” (Sal. 1:1-2).
“ Não cesses de falar deste livro da lei; antes me­
dita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de
fazer segundo a tudo quanto nele está escrito; então
farás prosperar o teu caminho e serás bem suce­
dido” (Jos. 1:8). “ Quanto amo a tua lei! É a minha
meditação todo o dia” (Sal. 119:97).
Devemos meditar nos seus preceitos (ou instru­
ções). “ Meditarei nos teus preceitos, e às tuas ve­
redas terei respeito” (Sal. 119:15).
Devemos meditar em Suas obras poderosas.
“ Considero também nas tuas obras todas, e cogito
dos teus prodígios” (Sal. 77:12). “ Lembro-me dos
dias de outrora, penso em todos os teus feitos, e
considero nas obras das tuas mãos” (Sal. 143:5).
Estas são as coisas nas quais devemos medi­
tar, não em palavras vazias e sem sentido, mas
no grande e majestoso Deus do universo! Aquele
que colocou as estrelas nos seus lugares! No Deus
que nos ama e que nos redime!
Será que aprendemos a adorar? Eu sei que não
aprendi, mas estou tentando saber o que significa
meditar e adorar a Deus. Há duas coisas que têm
me ajudado:
Primeiro eu olhei todos os Salmos e coloquei
uma estrelinha naqueles que contêm louvor e ado­
ração. Depois ajoelhei-me para orar, abri a Bíblia
em um dos salmos marcados e o li vagarosamente.
Não sei expressar o amor e adoração a Deus que
tenho no coração, mas Davi sabe muito bem. Ao
ler aquelas belas palavras dos Salmos, eu as faço
44 Jesus, Ensina-nos a Orar!

minhas. Através do Espírito Santo ofereço-as a


Deus como louvor e adoração do meu coração.
A segunda coisa que me ensinou a adorar foi
ler as estrofes de um dos velhos hinos de fé. Se
você não tiver um hinário, arranje-o. Mantenha-o
junto com a Bíblia no criado-mudo à sua cabeceira.
Depois de meditar em um salmo, leia as palavras
de um hino e você se sentirá aos pés de Jesus pen­
sando em palavras como estas:

Quão bondoso Amigo é Cristo!


Carregou co’a nossa dor,
E nos manda que levemos
Os cuidados ao Senhor.
Falta ao coração dorido
Gozo, paz, consolação?
Isso é porque não levamos
Tudo a Deus em oração.

Tu estás fraco e carregado


De cuidados e temor?
A Jesus, Refúgio eterno,
Vai, com fé, teu mal expor.
Teus amigos te desprezam?
Conta-lhe isso em oração
E, com seu amor tão terno
Paz terás no coração.

Cristo é verdadeiro Amigo,


Disto prova nos mostrou,
Quando, para levar consigo
Ao culpado, encarnou.
Derramou seu sangue puro,
Nossa mancha para lavar;
4.° Passo: Meditação e Adoração 45

Gozo em vida e no futuro


Nele podemos alcançar.

Ouvi o Salvador dizer:


“ Vem descansar em Mim,
E no Meu peito encontrarás
Consolação sem fim.”
Vim a Jesus, trazendo-lhe
Meu triste coração
Achei abrigo, gozo e paz,
Achei consolação.

Ouvi o Salvador dizer:


“ De graça eu sempre dou
As águas vivas; vem beber;
Da vida a Fonte Eu sou.”
Vim a Jesus e me prostrei
às águas e bebi;
Jamais a sede sentirei
Estando sempre aqui.

Ouvi o Salvador dizer:


“Do mundo Eu sou a Luz.
Oh! vem a Mim, que qual farol
Te guio desde a cruz.”
Vim a Jesus, e nEle achei
O sol que brilha em mim;
É nessa luz que andarei
Até da vida o fim. .

Quando você se ajoelhar em oração, passe alguns


minutos meditando silenciosamente e adorando a
Deus. Enquanto permanecer quieta na Sua presen­
ça sentirá que o Espírito Santo começa a operar
docemente no seu coração. Ele lhe dará a certeza
46 Jesus, Ensina-nos a Orar!

de estar na presença do Deus vivo quer você sinta


ou não. Ele a encherá com uma sensação de paz,
força e reverência. O amor de Deus aquecerá seu
coração possibilitando comunhão de pensamento e
de desejos com Ele em completa confiança.
E então, seu coração ficará cheio de louvor e
alegria, parte também importante da adoração. Ne­
nhuma ordem é tão freqüente na Bíblia, como essa
de louvar a Deus continuamente. Pense em todas
as razões que você tem para louvá-10 e as expresse
por palavras. Faça com que alegria e louvor sejam
partes importantes de sua oração de adoração. Co­
nheço pessoas que choram cada vez que oram!
Houve um tempo, há alguns anos, que cada vez
que eu dizia a Deus quanto O amava, chorava.
Então comecei a pensar: “ Como Harry se sentiría
se todas as vezes que eu dissesse que o amo, come­
çasse a chorar?” Acho que ele prefere me ouvir
dizer que o amo, com um abraço cheio de alegria.
Tenho certeza que é a mesma coisa com Jesus. Ele
constantemente nos lembra que nos quer cheios de
alegria.
É claro que há horas de lágrimas e dor, pois vi­
vemos em um mundo perdido e sofredor. A vida
não é um mar de rosas, temos de enfrentar amar­
guras e desapontamentos e o modo como enfren­
tamos (e com certeza o faremos) vem das experiên­
cias que temos quando tudo nos vai bem. Daí a
importância de se passar todos os dias algum tem­
po com Deus em oração e adoração. Um firme ali­
cerce vai sendo construído em nossas vidas e quan­
do tivermos que enfrentar um período sombrio,
sairemos vitoriosos, porque nossa fé está firmada em
Jesus Cristo. Nossa força e confiança estão postas
nEle.
4 ° Passo: Meditação e Adoração 47

Um de meus versos favoritos da Bíblia é: “A


Alegria do Senhor é a vossa força” (Neem. 8:10).
Que promessa maravilhosa! Quando você se sentir
fraca e desanimada, pare. Escolha, com determina­
ção, começar a louvar a Deus por todas as coisas que
vieram à sua mente. Sim, mesmo no meio da di­
ficuldade que estiver enfrentando. A Bíblia nos diz:
“ Em tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus
em Cristo Jesus para convosco” (1 Tess. 5:18). Não
precisamos agradecer tudo, mas podemos dar
louvor e graças em tudo. Deve haver uma atitude
de alegria e louvor na nossa vida de oração porque
sabemos que Ele vive; sabemos que Ele nos ama
e temos certeza que Ele voltará um dia.
Quando você adora o Senhor com louvor e gra­
tidão sente a alegria do Senhor enchendo sua vida,
dando-lhe Sua força, aquecendo-a com a abundân­
cia de Seu amor. “ Tenho-vos dito isto para que o
meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja
completo” (João 15:11). Experimente adorar a Deus
com o coração cheio de alegre louvor e sinta a di­
ferença.
“ Então ouvi uma voz como de numerosa mul­
tidão, como de muitas águas, e como de fortes tro­
vões, dizendo: Aleluia! pois reina o Senhor nosso
Deus, o Todo-poderoso. Alegremo-nos, exultemos,
e demos-lhe a glória” (Ap. 19:6-7).

Use este espaço para anotar alguma idéia


que queira guardar ou aplicar em sua vida.
CAPÍTULO 7

5 ° PASSO: OUÇA INTERIORMENTE

Depois de haver adorado ao Senhor com medi­


tação e louvor, passe alguns momentos ouvindo o
que Deus tem para lhe dizer. Lembre-se que no
primeiro capítulo dissemos ser a oração uma con­
versa entre duas pessoas que se amam e se enten­
dem mutuamente. Muitos de nós transformamos
nossas preces num verdadeiro discurso a Deus; há
muito pouco diálogo entre nós e afinal, só nós fa­
lamos. Já foi dito que para cada alma que diz:
“Fala, Senhor, que Teu servo ouve” , há dez di-
bendo: “ Ouve, Senhor, que Teu servo fala” . Com
freqüência percebo ser essa a minha atitude na
oração; tenho tantos pedidos urgentes a fazer que
não tenho tempo para ouvir o que Ele tem para me
dizer; não Lhe dou nem oportunidade para uma
palavra rápida.
Creio que já não sabemos mais ouvir hoje em
dia. Não sabemos ouvir o marido, raramente ouvi­
mos o que os filhos estão realmente falando e es­
quecemo-nos de como ouvir uns aos outros. Por
que então nos admiramos de não sabermos ouvir
a Deus? Você já pensou que Deus nos deu dois
ouvidos e uma língua? Talvez Ele queira que ou­
çamos o dobro do que falamos!
5.° Passo: Ouça Interiormente 49

Ouvir é dar-se a outra pessoa. É este o primeiro


sinal da amabilidade e cortesia de um cristão. Je­
sus passou grande parte do Seu ministério na terra
ouvindo as pessoas. Ele escutou o clamor de um
cego numa rua barulhenta e movimentada; ouviu
a história de Maria Madalena quando ela foi a um
jantar sem ter sido convidada; ouviu a súplica do
leproso quando outras pessoas jamais chegariam
perto dEle; escutou Nicodemos quando este foi fa­
lar com Ele tarde da noite; e ouviu, mesmo quando
já estava morrendo na cruz, o ladrão pendurado
ao Seu lado. Ele passou Sua vida ouvindo o povo
e continua fazendo isso hoje. E você tem tido tem­
po para ouvi-lO?
Como é que ficamos conhecendo uma pessoa,
não é ouvindo-a falar? Se você quer conhecer a
Deus, então deve separar tempo para escutar o que
Ele tem para dizer-lhe. “ Como posso ouvir a
D eus?” é uma pergunta que me fazem muitas ve­
zes. “Você quer dizer que de repente eu vou ouvir
a voz dEle no meio do quarto?” Não é isso que
eu estou dizendo. Provavelmente não é assim, mas
com certeza Ele se comunicará com você. Ele fala
através dos pensamentos que, surgem na sua mente,
ou através de uma convicção. Algo assim. Ele fala
pela Sua Palavra, a Bíblia. Por essa razão gosto de
orar com a Bíblia aberta à minha frente e a leio
antes de orar. Deus sempre traz à minha mente
uma passagem ou um pensamento de Sua Palavra
que eu tenha lido antes de orar. Quando O ouvi­
mos em silêncio podemos depender dos pensamen­
tos e palavras que Ele traz às nossas mentes, por­
que Lhe pedimos antes Seu círculo de proteção
como sugerimos anteriormente no 3.° passo.
Creio que ouvir interiormente é um dom dado
por Deus a todos os Seus filhos, e como todos os
50 Jesus, Ensina-nos a Orar!

dons, precisa ser desenvolvido e requer experiên­


cia. Não somos capazes de ouvir interiormente da
noite para o dia, mas como todos os outros dons
de valor, o tempo que gastamos em aprender será
centenas de vezes mais valioso. Gosto de começar
o momento de ouvir, dizendo: “ Bem, Senhor, o
que tens para me dizer hoje?” Sempre que se faz
uma pergunta assim, espera-se uma resposta, não
é? Então fique quieta e ouça. Ele sabe que nosso
coração está aberto e receptivo, estamos esperando
Sua palavra. Ele não nos decepciona, assim como
você não o faz quando um filho diz: “Mamãe, fale
comigo!” E enquanto você passa diariamente algum
tempo desenvolvendo esse talento descobrirá que
vai se tornando mais e mais sensível à Sua voz in­
terior, e que Ele não fala somente durante a hora
especial de oração, mas durante todo o dia.
Se não ouvir nada a princípio, não fique desa­
nimada; mesmo depois de estar acostumada a ou­
vir por muitos anos, há ocasiões em que não ouço
nada, acho portanto que isto é normal. No último
verão meu marido foi o orador em um acampa­
mento de jovens. Ficamos alojados em uma casa
muito agradável reservada para o orador do acam­
pamento. Achei muito bom estarmos lá porque
gosto de ouvir Harry falar e também pelo contacto
e amizade com as esposas dos dirigentes.
Uma das manhãs, minha amiga Ana foi visitar-me
e conversamos muito sobre a oração. Seu rosto bri­
lhava ao falar dos muitos milagres que presenciou
como resposta de orações durante aquele ano. Foi
emocionante ouvir tudo o que Deus havia feito não
somente em sua vida mas também na das pessoas
pelas quais estava orando. De repente seu rosto
ficou sombrio e ela ficou quieta por uns momentos.
Depois olhou para mim e disse: “Tem sido ótimo,
5.° Passo: Ouça Interiormente 51

Hope, usar os 9 passos como guia para minhas ora­


ções, mas preciso dizer que às vezes tenho muita
dificuldade para ouvir interiormente. Fico quieta
esperando ouvir Deus falando e nada acontece, fico
ansiosa, tensa e às vezes zangada a ponto de excla­
mar: “ Por que Deus não me diz hoje alguma coi­
sa? Isto já aconteceu com você?” É claro que sim,
isso acontece com todo mundo. Não fique confusa
se tiver a mesma experiência. Você pediu que Deus
lhe dissesse alguma coisa e ficou quieta esperando
pela resposta. Se Ele tiver alguma coisa a dizer,
tenha certeza que o fará, do contrário permanecerá
em silêncio.
Nestas horas de quietude aprenda a sentar-se a
Seus pés sentindo nessa comunhão Seu amor, Sua
presença ao seu lado. Eu me imagino na “ minha
sala” , sentada num banquinho a Seus pés, descan­
sando juntos por uns momentos.
Você não precisa ficar falando todo o tempo
para se sentir em comunhão com outra pessoa.
Quando você está a sós com o marido ou com uma
amiga íntima, procure perceber como isso é ver­
dade. Algumas das ocasiões mais agradáveis que
passo com Harry são quando ligamos a vitrola e
ouvimos uma grande sinfonia. Sentamo-nos no ta­
pete junto da lareira e mesmo sem dizer palavra,
sentimo-nos muito unidos o tempo todo. Há uma
tal profundidade e riqueza na nossa convivência
que as palavras tornam-se desnecessárias.
No meu trabalho de aconselhamento com se­
nhoras, às vezes alguém diz: “ Um dia desses meu
marido e eu demos um passeio até ao alto de uma
montanha e você acredita que ele não disse nenhu­
ma palavra até chegarmos a casa!” Essas mulhe­
res ficam irritadas, confusas e até magoadas, por­
que não sabem que, muitas vezes, o melhor tempo
52 Jesus, Ensina-nos a Orar!

passado na mais completa comunhão com outrem


não precisa de palavras.
Às vezes, quando estamos inseguras sobre nosso
relacionamento com alguém achamos que precisa­
mos falar sem parar. Lembro-me de quando Débora
teve seu primeiro namorado. Eu estava sentada na
sua cama vendo-a a aprontar-se e falávamos sobre
as preocupações e temores do seu primeiro encon­
tro. Enquanto terminava de arrumar seus longos
cabelos castanhos virou-se de repente espantada e
disse: “ Mas, mamãe, e se nós não dissermos ne­
nhuma palavra um ao outro enquanto estivermos
passeando?” De vez em quando percebo este mes­
mo medo nas pessoas quando falo sobre ouvir in­
teriormente. Meu conselho é sempre o mesmo. Não
se impressionem, relaxem e gozem apenas por es­
tarem junto de Deus.

Três coisas acontecem quando procuramos ouvir a


Deus.

Primeira: Quando você pede que Ele lhe fale,


geralmente vem à sua mente alguém que precisa
de uma oração especial. Pode ser alguém de quem
não se lembre há anos, talvez até seja uma pessoa
por quem você prometeu orar e esqueceu-se.
Uma coisa eu afirmo, se você prometeu orar por
alguém é melhor cumprir. Temos o costume de
falar por falar. As palavras “ Oh! eu estarei orando
por você!” saem de nossos lábios sem que prestemos
a mínima atenção no que dizemos. Você vai real­
mente orar por aquela pessoa, ou apenas usou de
uma expressão ocasional? Quando fomos para o
Brasil centenas de pessoas prometeram orar por
nós, mas ao voltarmos cinco anos mais tarde pou­
5.° Passo: Ouça Interiormente 53

cos haviam se mantido fiéis na oração. Creio que


Deus vai nos pedir conta das vezes que prometemos
orar por alguém e não o fizemos.
Peça a Deus para guardar seus lábios de dizerem
que vai orar por alguém a não ser que tenha real­
mente a intenção de cumprir a promessa. Esta é a
razão por que sua caderneta é de grande auxílio.
Sempre que prometer orar por alguém, escreva seu
nome imediatamente em um papel e depois ao che­
gar a casa não se esqueça de passar o nome para
a página de oração.
No momento em que você espera para ouvir a
voz de Deus, Ele sempre coloca no seu coração
alguém que esteja precisando de suas preces com
urgência naquela mesma hora.
Isso aconteceu comigo há alguns anos. Foi antes
do Natal. Eu estava me aprontando, ia à cidade
comprar pano para fazer uma saia longa. Penteava
o cabelo quando ouvi a voz do Senhor dizer:
“ Quero que você pare e vá orar.” Eu disse: “ Mas
Senhor, Tu sabes que eu vou orar à uma hora, hoje.
O pano que vou comprar está em liquidação e se
eu demorar posso não encontrá-lo mais.” E conti­
nuei me arrumando. Deus falou de novo: “Vá e
ore.” Eu dei a mesma desculpa: “ Vou orar à uma
hora, Senhor.” Continuei a pentear o cabelo, mas
já me senti um pouco preocupada. Finalmente
Deus disse em voz quase audível: “Vá e ore agora,
Hope!” Deixei tudo e me ajoelhei perto da cama;
não tinha a menor idéia sobre qual seria a oração
e disse: “ Bem, Senhor, aqui estou. Por quem que­
res que eu ore?” Houve um momento de silêncio,
depois Jesus me disse: “ Ore por seu pai.”
Quando comecei a orar pedi que o Espírito
Santo me ajudasse, pois não sabia como orar. Eu
sabia que meu querido pai estava bem doente e
54 Jesus, Ensina-nos a Orar!

comecei a dizer: “ Ó Senhor, estejas junto de meu


pai agora de um modo muito especial. Faze com
que ele sinta a Tua presença amorável envolven-
do-o; tira dele todo o temor e enche-o com Tua
paz e com a certeza de que estás ao seu lado!” Foi
então que Deus trouxe à minha mente o verso do
Salmo 23: “Ainda que eu ande pelo vale da som­
bra da morte não temerei mal algum porque Tu
estás comigo.” Senti como se visse um vale escuro
e do outro lado o céu explodindo com o esplendor
de grandes e ondulantes nuvens douradas. Parecia
que divisava duas pessoas de costas atravessando
o vale e as reconhecí: eram Jesus e meu pai. Jesus
andava um pouco à frente e segurava na mão de
meu pai. Não sei quanto tempo fiquei lá de joelhos,
não me lembro, mas uma grande paz me envolveu
e pensei no significado daquilo tudo.
Depois fui à cidade, comprei o pano para minha
saia de Natal e voltei para casa. Quando abri a
porta, o telefone tocou. Era minha irmã que mora
na Califórnia. Ela disse: “Hope, papai foi com
Jesus esta manhã!” Enquanto falávamos e chorá-
vamos juntas ao telefone fiquei sabendo que ele
havia morrido exatamente naquela hora em que eu
estava de joelhos orando por ele. Não posso des­
crever o conforto que senti nas semanas seguintes.
Quando fiquei triste, lembrando que meu pai mor­
rera sozinho no hospital, o Senhor me disse: “ Não,
Hope, ele não morreu só. Não se recorda? Eu es­
tava com ele.” “ Sim, Jesus” , eu disse sorrindo, “eu
me lembro. Graças Te dou.”
Esta experiência é uma das coisas mais belas que
já me aconteceram. Mostrou-me como Deus está
atento a todos os detalhes de minha vida. Mostrou-
me, com segurança, que Deus é um Deus de amor
infinito. Ele me compreende e está ao meu lado em
5." Passo: Ouça Interiormente 55

qualquer necessidade. Mostrou-me de um modo tão


terno que realmente anda pelo vale da sombra da
morte conosco, e que não teremos de atravessá-lo
sozinho. Estremeço ao pensar quão perto estive de
perder tudo o que Deus queria me revelar naquela
manhã e penso em quantas bênçãos devo ter per­
dido em minha vida muitas vezes por não ter tem­
po de ouvir.

Direção Divina

A segunda coisa que acontece enquanto você


espera que Ele lhe fale é: Deus dará inspiração
para saber o que, e por quem orar. (Falarei mais
sobre isso no 8.° passo.) Ê muito importante que
saibamos como orar em determinadas situações e
precisamos também de Sua direção para sabermos
por quem vamos orar. Eu sei que não posso orar
por todos que me pedem e não creio que Deus
queira que faça assim. Ele dá uma porção deter­
minada de oração a cada um de nós, o problema é
que poucos são fiéis. Quando encontramos um
cristão que realmente ora, respiramos aliviados e
dizemos, “ Oh! que bom, aqui está, leve alguns de
meus pedidos!” Atingimos o nosso limite e come­
çamos a aumentar a pesada carga que o outro já
tem. Se cada um de nós orasse pelas pessoas às
quais Deus nos confiou, ninguém seria sobrecarre­
gado em suas preces, todos teriam porções iguais
por quem orar.
Quando você se defrontar com uma decisão di­
fícil precisa pedir que Deus a ensine a orar. Ele
quer mostrar Sua vontade. Muitas vezes pensamos
que Deus está brincando conosco, parece que Ele
quer tornar o mais difícil possível reconhecer Sua
56 Jesus, Ensina-nos a Orar!

vontade. Ouça, Deus é um Deus de amor. Ele nun­


ca brinca de esconde-esconde com Seus filhos que­
ridos! Está muito mais desejoso de nos mostrar
Sua vontade do que podemos supor. Você crê nisso.
Ele está esperando que você O escute dizer: “ Este
é o caminho, siga-o” , e Ele nos diz isso de muitas
e diferentes maneiras.
Um domingo à noite o telefone tocou. Quando
atendi ouvi uma voz desanimada dizendo: “ Alô,
mamãe, aqui é Daniel, preciso de suas orações.”
Daniel está no primeiro ano do seminário e havia
começado há poucas semanas. Antes de ir orou
muito para saber o que Deus queria que fizesse
fora da escola. Todos os alunos precisam trabalhar
nas igrejas ou em outras atividades religiosas. Ele
pediu a Deus que o ajudasse financeiramente tam­
bém porque o dinheiro que tinha não era muito.
Perguntei sobre o que queria que eu orasse. “ Bem” ,
ele disse, “ não sei se devo ou não trabalhar com a
mocidade. Há um ginásio perto do seminário e um
grupo de senhoras tem orado durante anos para
que Deus mande algum líder para lá e agora eu fui
convidado.” Ele fez uma longa pausa e depois dis­
so continuou com um grande suspiro, “e esta se­
nhora muito amável quer que eu vá morar em
casa dela. Terei casa e comida de graça. A casà
fica a meia quadra da escola e” , sua voz falhou um
pouco e depois prosseguiu, “tem quadra de tênis
e piscina. Eu poderia economizar muito dinheiro se
mudasse do internato para a casa dela” . “ Bem” , eu
disse, “o que você acha disso?” “ Não sei” , respon­
deu, “ penso ser essa a vontade de Deus, mas não
estou bem certo.” Chegamos à seguinte conclusão:

1) Daniel havia orado pedindo que Deus mos­


trasse Sua vontade.
5 .° Passo: Ouça Interiormente 57

2) Daniel queria sinceramente obedecer-Lhe.


3) Deus abriu-lhe as portas.
4) Daniel sentiu ser isso o que Deus queria.

O último passo seria aceitar o que Deus lhe ha­


via oferecido e agir. Se não fosse essa a vontade de
Deus, então tínhamos fé suficiente em Seu amor
para crer que Ele então fecharia a porta. Era, muito
simples.
Penso que muitas vezes o diabo tenta nos impe­
dir que aceitemos os fatos como Deus nos mostra.
Não vamos ver nenhum sinal no céu nem alguma
sarça ardente no quintal! Ele abre todas as portas
necessárias, mas, o mais que teremos será uma sen­
sação de paz em nossas vidas quando pusermos a
fé em ação, e atravessarmos a porta. Do outro lado
olhando para trás vemos que Deus nos guiava a
cada passo; porém nunca saberemos disso a não
ser que ajamos, isto é, a não ser que transponha­
mos a porta aberta. Enquanto estivermos nos de­
batendo no mar da indecisão seremos inúteis para
o Senhor. Transformamos o “ Como saber a vontade
de Deus para minha vida?” em um problema in­
solúvel e Deus nunca quis que fosse assim. Quanto
mais perto dEle estivermos, procurando diariamen­
te saber a Sua vontade e desejândo obedecer-Lhe,
seremos mais confiantes e teremos certeza de que
Ele nos mostrará o caminho.

O pecado revelado

A terceira coisa que acontece quando permane­


cemos quietas a Seus pés, para ouvi-10 é: Ele fará
com que venham à mente nossas faltas ou pecados;
os lugares onde O negamos durante as últimas vinte
58 Jesus, Ensina-nos a Orar!

e quatro horas. Talvez você tenha ficado zangada


ou irritada com seu marido na noite anterior sem
nenhuma razão; talvez .não tenha tido tempo para
estar com os filhos, você estava tão ansiosa para
pô-los na cama e não perder o começo do filme na
televisão, que não pôde ler a história que havia
prometido aos seus filhos. Não teve tèmpo para
orar com eles. Quem sabe magoou uma amiga com
algum mexerico ou deixou de escrever uma carta
a seus pais sabendo que há muito querem saber
notícias suas. Deus, muito gentil, mas firmemente,
percorre o dia que passou e nos mostra onde fa­
lhamos. Precisamos, então, falar-Lhe da nossa tris­
teza, o que nos leva ao degrau n.° 6 da oração: a
confissão.

Use este espaço para anotar alguma idéia


que queira guardar ou aplicar em sua vida.
C A P ÍT U L O 8

6.° PASSO: CONFISSÃO

Quando nossa filha Débora tinha quatro anos


adorava fazer bolos de barro. Lembro-me como ela
caprichava fazendo-os todos do mesmo tamanho;
depois, punha-os ao sol para secar. Um dia meu
marido voltou para casa inesperadamente de ma­
nhã. Débora estava muito ocupada com seus boli­
nhos, mas quando viu o pai, derrubou tudo pelo
chão e correu a encontrá-lo esticando os bracinhos
roliços lambuzados de barro na sua direção para
abraçá-lo! Posso ainda ouvir a voz dele naquele
momento. Ele olhou-a com muito amor e disse
apressadamente (mas com muita doçura): “ Agora
não, minha querida, vá primeiro lavar as mãos!”
Você não acha que Jesus muitas vezes precisa nos
dizer a mesma coisa? Vamos correndo à Sua pre­
sença com o coração cheio de coisas que queremos
contar e Ele nos interrompe e diz com gentileza:
“ Vá lavar as mãos primeiro.”
Confissão é isso. É ir à fonte do sangue de Jesus
Cristo para que nossos pecados sejam lavados. É
ser limpo e perdoado. É ser revestido com as ves­
tes imaculadas de Sua justiça! 1 João 1:9 diz: “Se
confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo
para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda
60 Jesus, Ensina-nos a Orar!

a injustiça.” Gosto de pensar neste versículo com­


parando-o com uma esponja de banho que devo
usar diariamente.
A confissão é o 6.° passo da oração. Há ocasiões
em que precisa ser feita antes da oração de ado­
ração e meditação. Esses 9 passos não devem ser
seguidos como regras rígidas dentro de uma ordem
exata, pensando-se que se não for assim Deus não
ouvirá as orações. São apenas sugestões que podem
ajudar sua vida de oração tornando-a mais eficaz.
Você pode usá-los como guia de orações de cinco
minutos, de uma hora ou do dia todo. Entretanto,
de qualquer modo que você os use, a confissão
deve ser uma parte de suas preces diárias. Antes
de poder orar eficientemente pelos outros, você
deve ser um instrumento completamente limpo
através do qual Deus possa operar. Seu coração
precisa estar limpo e livre de pecados ocultos.
Quando, em sua oração, você chegar à parte da
confissão, pare por uns instantes e peça que o Es­
pírito Santo a ilumine. Deixe que Sua luz penetre
em todos os recantos de sua vida e revele tudo
aquilo que a esteja impedindo de se tornar aquela
pessoa que Deus criou com um propósito definido.
Faça com que a oração de Davi seja sua prece
diária: “ Sonda-me ó Deus, e conhece o meu cora­
ção; prova-me, e conhece os meus pensamentos; e
vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me
pelo caminho eterno” (Sal. 139:23-24). Quando a
luz do Espírito Santo lhe revelar algum pecado,
seja bastante honesta para percebê-lo, reconhecê-lo
como pecado e confessá-lo. Peça que Deus a faça
realmente sentir tristeza por esse pecado — Pedro
ficou tão triste que chorou. Peça-Lhe que deixe seu
coração dócil e atento para não continuar prati­
cando esse pecado.
6 ° Passo: Confissão 61

Não há nada no mundo tão destrutivo quanto o


pecado. Um livro inteiro podería ser escrito só
sobre essa frase. O pecado sempre destrói. Veja o
mundo ao nosso redor e certifique-se dessa verdade.
As guerras que não cessam, a falta de humanidade
entre os homens, os milhões que morrem de fome,
a ganância, a cobiça e o ódio estão diariamente nos
jornais. Nada destrói mais do que o pecado. Uma
das mais santificadas relações ordenadas por Deus,
entre o homem e a mulher, está sendo destruída
quase que por completo hoje em dia pelo pecado
do egoísmo, da paixão descontrolada e da desobe­
diência a Deus. O pecado destrói nossa comunhão
com Deus, nossas relações com o próximo e final­
mente nos destruirá — sim, até mesmo os cristãos.
O pecado nos cega para a verdade da Palavra
de Deus. À medida que ficamos dia após dia sem
confessar nossos pecados, descobrimos que nossos
olhos espirituais vão se tornando cada vez mais
enfraquecidos e tudo passa a ter uma cor acinzen­
tada. Não haverá mais branco e preto, certo ou er­
rado; até que nos tornamos verdadeiros cegos es­
pirituais sem nenhuma capacidade de reconhecer o
pecado como pecado.
Há alguns anos eu estava conversando com uma
crente. Ela era professora da Escola Dominical e
respeitada por todos. Na época da nossa conversa
ela estava tendo um romance com o regente do
coro. Ambos eram casados e tinham lares felizes.
Contando-me o caso repreendi-a severamente, mas
ela tentou explicar-me com toda a sinceridade:
“ Mas, Hope, eu não estou falando sobre um ro­
mance qualquer como os que você lê por aí. O meu
caso é diferente, porque — nosso amor vem de
Deus!” Não houve meio de convencê-la. Infeliz-
mente ela acreditava mesmo nisso. Estava total­
62 Jesus, Ensina-nos a Orar!

mente cega para a realidade de. seu pecado. Em


pouco tempo ele destruiu seus lares, seus queridos
e no final destruiu a eles mesmos.
O salário do pecado é sempre a morte (Rom.
6:23). Este versículo é endereçado aos cristãos, e
não a pagãos como constantemente o citamos. Não
se engane sobre isso; como cristãos, colhemos exa­
tamente aquilo que plantamos. “ Não vos enganeis:
de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem
semear, isso também ceifará” (Gál. 6:7). Se plan­
tarmos pecado e destruição em nossas vidas, isso é
exatamente o que vamos colher.
Implore diariamente a Deus que guarde seus
olhos de se tornarem cegos para o pecado. Supli­
que-Lhe que nada escape quando a luz do Espírito
Santo penetrar em suas vidas. Não permita que
pecado algum se aloje nela, não importa quão pe­
queno ou insignificante lhe pareça:

1) Veja-o comtT pecado.


2) Reconheça-o como pecado.
3) Confesse-o como pecado.

A confissão é parte importantíssima das orações


porque nossas preces formam como que uma cor­
rente através da qual o poder de Deus passa e
atinge o mundo. Se a comunicação estiver blo­
queada pelo pecado, nossas preces serão fracas. Ãs
vezes esse canal se encontra tão fechado que torna
impossível ao poder de Deus atravessá-10.
Quando meus filhos, Tomás e Daniel, eram pe­
quenos gostavam de brincar em uma valeta que
passava em frente de casa. Eles achavam muito
mais divertido brincar depois da chuva porque
havia bastante água correndo. Lembro-me que eles
pegavam pedras e as colocavam uma a uma através
6 ." Passo: Confissão 63

da valeta até que toda a água ficava represada e só


um pequeno fio d’água podia, a muito custo, passar
por entre elas. Isto é o que acontece quando não
confessamos nossos pecados. As orações são feitas,
mas não há poder nelas. A energia é enfraquecida
pelas pedras que colocamos no canal, e há muitas
pedras na vida da gente.
Há pedras de ódio ou de ressentimentos, alguém
que não podemos suportar de modo algum. Há pe­
dras de medo e de preocupações, negando nossa
confiança nas promessas de Deus. Pedras da deso­
bediência e egoísmo. Há grandes pedras de auto-
comiseração — como disse alguém, fazemo-nos pre­
sidentes do “ Clube dos Pobre-de-mim” .
Há a pedra da procura da satisfação própria, a
atitude de: “ depois de mim, você está em primeiro
lugar.” Ficamos tão absorvidos conosco, com nossa
felicidade pessoal e com a preocupação de alcançar
a “ auto-realização” , que constantemente negligen­
ciamos marido e filhos, e ainda nos queixamos de
que a vida é tão vazia.
Separe algum tempo de sua vida agora, e remova
as pedras que estão bloqueando o canal de Deus,
impedindo que Seu amor e poder fluam livremente.
Seja específica quando chegar à parte da con­
fissão. Cite seus pecados um a um. Tome cons­
ciência de cada um deles à medida que Deus os
for trazendo à luz. É tão fácil falar: “ Senhor, eu
Te peço, perdoa todos os meus pecados” , e depois
passar rapidamente para a outra parte da oração —
os pedidos! Não há lugar para tristeza ou arrepen­
dimento neste tipo de confissão. Não há tempo
para sentir o amor e o perdão que alcançam nossos
corações quando confessamos os pecados.
Espere algum tempo depois da confissão para
que Jesus possa lavá-la completamente. Imagine-O
64 Jesus, Ensina-nos a Orar!

envolvendo-a com o manto deslumbrante de Sua


justiça, deixando-a perdoada e limpa. Só então você
poderá dizer com o coração exultante. “ Regozijar-
me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegra no
meu Deus; porque me cobriu com vestes de salva­
ção, e me envolveu com o manto de justiça” (Is.
61:10a). Só depois que o óleo reparador da con­
fissão e do perdão abrir os olhos e restaurar a al­
ma, nosso coração desejará também perdoar os ou­
tros. Depois que todas as pedras tenham sido re­
movidas, poderemos ver, pela primeira vez, alguém
que nunca perdoamos. Jesus disse que se quisermos
ter as preces respondidas, precisamos antes de mais
nada perdoar todas as coisas que ficaram guardadas
contra outra pessoa. Ele não-disse que era uma boa
idéia perdoá-los, mas que devemos perdoarl O
amor de Jesus entrará em nossas vidas na mesma
proporção de nossa capacidade de perdoar. Você
pode se lembrar do que a magoou no ano passado?
Tenho uma amiga que se lembra de todas as coisas
negativas que qualquer pessoa tenha falado a seu
respeito. Faz vinte anos que ela anota tudo em um
caderno. Jesus disse: “ E, quando estiverdes orando,
se tendes alguma cousa contra alguém, perdoai,
para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas
ofensas” (Mar. 11:25). Não deixe de sentir a alegria
e a liberdade que vêm se você sinceramente per­
doar os outros!

O resultado da confissão

Três coisas maravilhosas acontecem quando


confessamos os pecados.
Primeira: Jesus perdoa nossos pecados. Você crê
realmente nisso?
6 ° Passo: Confissão 65

Você vive, desde agora, sentindo a alegria de es­


tar completamente perdoada? Acho a palavra —
perdoada — uma das mais belas em qualquer lín­
gua. Somos perdoados de todos os pecados e livres
de qualquer culpa. A mancha é totalmente remo­
vida!
Recentemente uma amiga tentou o suicídio, por­
que não podia mais suportar a culpa que levava
consigo. Na hora em que foi capaz de aceitar o
perdão, transformou-se em uma nova pessoa em
Cristo Jesus. Todas as coisas foram feitas novas,
um sorriso radiante surgiu por entre as lágrimas
enquanto dizia: “ Oh! Já se foi — a culpa já se
foi!” Você já sentiu esse tipo de alívio? Como o
pecado e a culpa foram removidos através do san­
gue de Jesus, pela primeira vez em sua vida, ela
pôde perdoar a si mesma! Você sabe o que signi­
fica perdoar-se? Em todos estes anos trabalhando
com tantas pessoas, tenho notado ser esta uma das
coisas mais difíceis de se fazer. Todos continuam
se recordando daquilo que Deus já perdoou e es­
queceu há muito tempo. “Nada é mais difícil do
que perdoar-nos a nós mesmos, embora saibamos
intimamente que isso tem de ser feito. O remorso é
um pecado que destrói a parte vital da alma e sa­
bemos bem quanto vale uma alma para Deus. Se
Deus e Seus santos, em sua divina sabedoria, pu­
seram tal preço em nossas almas não devemos dei­
xar que ela se deteriore.”

Conforto e Segurança

A segunda coisa que acontece quando confessa­


mos nossos pecados, é que Jesus nos conforta e dá
66 Jesus, Ensina-nos a Orar!

a certeza de Seu grande amor. Não é exatamente


assim que fazemos com nossos filhos? Quando eles
praticam alguma coisa errada e ficam lá parados,
com as lágrimas rolando pelo rosto, chorando:
“ Desculpe, mamãe, desculpe!” você os pega no
colo dizendo que perdoa e assegura-lhes que ainda
os ama. É exatamente o que Jesus faz. Sempre que
você fala de sua tristeza por haver pecado, Ele a
abraça com ternura dizendo: “ Eu sei” — e lhe
perdoa. “ Foi por isso que morri, para levar seus
pecados. Você é Minha filha e Eu a amo.”

Encorajamento

A terceira coisa é: Ele nos encoraja com pala­


vras. Lembra-se daquela mulher que foi apanhada
em adultério? Depois que todos os acusadores a
deixaram, Jesus se virou para ela com amor e com­
preensão e perdoou dizendo: “ Vai, e não peques
mais” . Acho estas palavras de grande encorajamen­
to. Vai é uma palavra de ação. É como se Ele esti­
vesse dizendo: “Muito bem, você errou, mas está
arrependida, Eu lhe perdoo. Eu a amo, agora con­
tinue sua vida, não se entregue mais ao pecado.
Tudo está acabado, perdoado e esquecido. Tenho
muito para sua vida — continue vivendo! V á!”
Muitas pessoas perdem tudo o que Deus planejou
para suas vidas porque permanecem rastejando na
miséria do pecado que Jesus há muito tempo per­
doou.
Só Ele pode transformar o perdão em uma bela
recordação. Jesus fica muito feliz quando nos per­
doa! Foi por essa razão que Ele veio ao mundo,
para levar consigo nossos pecados. Ele não está
6.° Passo: Confissão 67

sentado em algum lugar no céu murmurando: “ Oh!


não! Já vem ela outra vez com seus pecados!”
Pelo contrário, Ele diz: “ Bem, ela está me tra­
zendo seus pecados. Eu lhe perdoo agora e a man­
do de volta pelo caminho certo.” Quando confes­
samos nossos pecados, a comunhão com Ele, que
havia sido quebrada, é restabelecida. Lembre-se
disso, nunca poderemos perder nossa ligação com
Deus embora a comunhão possa ser quebrada.
Desde que nascemos em Sua família somos' Seus
para sempre e eternamente!
Quando chegamos à parte da confissão em nos­
sas preces, devemos sentir esperança e gozo; até
mesmo um grito de alegria ou um suspiro de alívio
manifestam isso. É assim que você se sente quando
coloca seus pecados diante de Deus? Fica realmen­
te feliz por saber que Ele vai perdoá-la e que a
comunhão está sendo restaurada e toda a culpa
removida? Que grande e amoroso é nosso Deus!
Jesus disse: “ ...h av e rá mais alegria no céu por
um pecador que se arrepende do que por noventa
e nove justos que não necessitam de arrependi­
mento” (Luc. 15:7). Sim, deve haver tristeza e
arrependimento pelos pecados, mas também um sen­
timento de alegre esperança em suas confissões.
Pare um pouco, agora mesmo, agradeça a Jesus por
nos dar, pela Sua morte na cruz, o perdão comple­
to de todos os nossos pecados.

Use este espaço para anotar alguma idéia


que queira guardar ou aplicar em sua vida.
CAPÍTULO 9

7 ° PASSO: ORAR COM FÉ

Esta já é a terceira manhã que me sento para


tentar escrever este capítulo. Até agora, não con­
segui nada além de montes de papel estragado e
horas a fio olhando a parede à minha frente. (Já
conheço todos os defeitos do papel de parede que
está colocado ali há muitos anos.) Até agora tenho
escrito este livro com relativa facilidade. Escrevi
sobre experiências reais de minha vida e me sentia
feliz por compartilhá-las com você. Mas encontro-
me hoje em um ponto crucial do livro porque a
experiência que vou relatar é muito desagradável.
Talvez alguma das minhas leitoras já tenha passado
pela mesma coisa. t
Temos um filho muito querido, Tomás, de 25
anos. * Quando voltamos do Brasil, ele tinha 19 e
acabava de iniciar a universidade. Nessa época em
nosso país o uso de drogas estava muito difundido
e não demorou muito para que ele se deixasse en­
volver nelas. Há dez meses que está trabalhando
na Califórnia. Na semana passada, ele telefonou
avisando que viria para casa. Ficamos felizes só de

* Os fatos narrados aqui e no capítulo 12 foram autori­


zados por ele.
7 ° Passo: Orar com Fé 69

pensar que íamos vê-lo de novo! Tomás chegou um


dia desses antes de eu começar a escrever este ca­
pítulo. Trouxe com ele dois amigos, cada um com
seu cachorro. Com o correr do tempo ficamos sa­
bendo de seu relacionamento com um grupo de
pessoas, dessas que vivem à beira dos rios, adoram
a natureza e ídolos. Na sua busca da liberdade
nadam nus e abandonam todas as regras morais.
Criticam todas as pessoas que não são “ livres”
como eles. Acreditam que os cristãos são condicio­
nados por regras que os impedem de ser “eles pró­
prios” . Eles se consideram as únicas pessoas ho­
nestas deste mundo! Enquanto os ouvíamos falar
nossos corações foram ficando apertados.
Ontem à noite fomos dormir cheios de tristeza.
Acabávamos de passar por uma horrível experiên­
cia. Os “honestos amigos de Tom se foram, tendo
roubado todo o meu dinheiro reservado para as
compras de Natal e algumas jóias de valor. Isso
nos deixou abalados, inclusive Tom.
Meu marido desceu de manhã para o café com
os ombros caídos e uma linha de amargura nos lá­
bios. Ainda ontem ele almoçara com um amigo,
pastor de uma das maiores igrejas presbiterianas
do país. Quando esse pastor foi apresentado a Har-
ry a face do homem se iluminou de surpresa, e ele
falou: “ Harry MacDonald? Oh! que alegria! Saiba
que foi você quem me levou a aceitar Cristo há
uns 29 anos atrás numa reunião de mocidade!”
Enquanto tomávamos café, Harry contou-me isso
com os olhos cheios de lágrimas, comentando:
“ Pois é, Deus tem-me usado para ajudar tantos
outros jovens” , disse, “ mas parece que não sou
capaz de ajudar o meu próprio filho.” Foi assim
que saímos, ele para o trabalho e eu para escrever
este capítulo cujo assunto é: “ Orar com fé!” Você
70 Jesus, Ensina-nos a Orar!

pode perceber a situação irônica em que me en­


contro? Eu, escrevendo sobre oração com fé quan­
do na verdade sinto vontade de atirar todo o livro
na lata de lixo! Como posso eu escrever sobre a
“fé confiante” quando minha própria fé está aba­
lada até aos alicerces? Onde estava Deus nestes
últimos cinco anos enquanto meu marido e eu es­
tivemos orando por Tomás?
Quando ia me sentar para ler a Bíblia o telefone
tocou. Não costumo atender o telefone nos três dias
da semana que tiro para escrever, mas senti um
impulso que me fez atendê-lo. Era minha amiga,
Nanci, que me disse, desculpando-se: “ Eu sei que
não devia aborrecê-la, Hope, mas senti que devia
chamá-la.” Nanci é o tipo de amiga com a qual se
pode abrir o coração. Ela sabe guardar, como um
tesouro escondido, qualquer coisa que você lhe
conte (espero que você tenha também uma amiga
assim e acho que você deve, por sua vez, procurar
ser esse tipo de amiga). Por sentir seu amor e pro­
funda dedicação a Jesus Cristo, abri o meu cora­
ção, desabafando com ela tudo o que sentia, como
se aquilo que estava represado dentro de mim ex­
plodisse.
Quando terminei Nanci falou: “ Diga-me, Hope,
quais são as promessas que Deus cumpriu a res­
peito de Tom?” Levei um choque. Havia passado
os três últimos dias vendo a situação apenas por
um lado completamente sem esperança. Havia sido
tragada pelo abismo negro do desespero. Gaguejei
um pouco e então comecei a contar-lhe algumas das
maravilhosas promessas que Deus cumpriu, em
Tom, nos últimos cinco anos, e uma coisa estranha
foi acontecendo. O calor de um raio de sol foi pe­
netrando meu coração frio, apertado pelo medo. À
medida que citava mais promessas, o calor do amor
7 ° Passo: Orar com Fé 71

e da paz de Deus invadiu todo o meu ser. Quando


desliguei o telefone fui para meu quarto e abri a
Bíblia. Li todas as promessas que foram marcadas
com o nome de Tom, e a data da resposta obtida de
Deus.
Quando terminei de ler todas, descobri que uma
pequena semente de fé havia criado raízes tomando
o lugar da dúvida e do desespero. Eu sabia que
Deus é verdadeiramente o Deus do universo, Ele
é o Deus que se move no tempo, no espaço e na
história. Ele é o Deus que está operando agora na
vida de Tom.
Ele está me ensinando que se tiver fé, mesmo do
tamanho de uma pequena semente de mostarda,
posso dizer à montanha do desespero “ suma da mi­
nha frente" e ela sumirá. “ Ao que Jesus lhes disse:
Tende fé em Deus; porque em verdade vos afirmo
que se alguém disser a este monte: Ergue-te e lan­
ça-te no mar; e não duvidar no seu coração, mas
crer que se fará o que diz, assim será com ele"
(Mar. 11:22-23). Deus moverá a montanha, se eu
deixar. Descobri nestes três últimos dias que deixei
a montanha ficar tão alta que não podia mais ver
Jesus. Ela bloqueou completamente a luz do sol do
amor de Deus e eu me sentei sozinha na sombra
escura e fria da montanha do desespero.
Só Deus pode mover as montanhas que de vez
em quando temos na vida. Montanhas de angústias
e desespero, medo e tristeza, desapontamento e má­
goa, a perda de entes queridos e solidão. O único
meio de mover essas montanhas é através da fé.
Não fé na fé, mas fé no Deus vivo; o único e ver­
dadeiro Deus da Bíblia.
Foi quando comecei a relembrar diante de Deus
Suas promessas, e o modo maravilhoso pelo qual
tem agido na vida de Tom e na minha vida duran­
72 Jesus, Ensina-nos a Orar!

te anos, que a fé começou a crescer. A montanha


foi desaparecendo e do outro lado encontrei as cor­
rentes de paz, o vale verdejante da esperança e as
águas refrescantes da verdade de Deus. Minha alma
e minha vida foram restauradas.
Lembrei-me da atitude dos homens do Velho
Testamento sempre que se defrontavam com um
problema. Recordavam diante de Deus, em oração,
todas as coisas milagrosas que Ele realizou no pas­
sado, e antes que terminassem de orar seus temo­
res desapareciam, a fé era renovada e eles se tor­
navam capazes de sair para lutar e vencer! Leia a
história de Jeosafá em 2 Crônicas cap. 20, e veja
como ele enfrentou uma situação semelhante. Leia
as maravilhosas promessas que Deus lhe fez e to­
me-as como se tivessem sido feitas para sua vida
como eu fiz. “ Não temais, nem vos assusteis. . .
pois a peleja não é vossa, mas de Deus” (verso
15b).
Fé é crer antes de receber. É através da fé que
recebemos Jesus em nossas vidas; é através da fé
que Deus nos dá a vida eterna; é pela fé que es­
peramos estar com Ele e com nossos queridos no
céu. Cada parte da vida cristã, por menor que seja,
é construída sobre a fé. Jesus é a fonte e o funda­
mento de nossa fé. “ De fato, sem fé é impossível
agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele
que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que
se torna galardoador dos que o buscam” (Heb.
11:6). Não há outro caminho que leve a Deus, nem
se pode crer que Ele existe, a não ser pela fé.
O que é fé? A melhor definição que já encontrei
está em Hebreus: “ Ora, a fé é a certeza de coisas
que se esperam, a convicção de fatos que se não
vêem.” A Bíblia Viva diz: “ Fé é a certeza de que
7 ° Passo: Orar com Fé 73

as coisas em que cremos nos aguardam, embora


não as vejamos” (Heb. 11:1).
O sétimo degrau da escada da oração é: Ore com
fé confiante. Deixe sua fé a trabalhar, ponha-a em
ação e veja o que acontece.
Às vezes as pessoas me dizem: “Tenho tentado
orar, porém não adianta.” É como dizer que a ele­
tricidade não funciona, só porque ao ligar-se a
lâmpada nada acontece. A eletricidade está sempre
ali esperando que seja posta em uso, mas a trans­
missão é que pode estar bloqueada ou a lâmpada
queimada. Se consertarmos o fio ou usarmos uma
nova lâmpada, o contato será feito e a força faz
acender a lâmpada, iluminando a sala. É geralmen­
te isso que acontece com nossas orações. O poder
da oração é uma lei de Deus que está sempre em
ação no mundo, mas nossa falta de fé pode estar
bloqueando a passagem e por isso essa força não
segue o seu curso. Talvez esteja acontecendo algo
semelhante em sua vida. Faça esta pergunta a si
mesma: “ Que diferença havería em minha vida de
oração se eu realmente acreditasse que Deus ouve
e responde minhas orações?”
Você precisa aprender a orar com fé confiante.
Jesus insistiu nisso muitas e muitas vezes. No mo­
mento em que deixamos de crer no poder da oração
o diabo penetra e enche nossa vida de dúvidas,
preocupações e medo. Preocupação ou descrença
são alguns dos modos mais eficientes de enfraque­
cer os queridos filhos de Deus. Você deve dizer
sempre: “ Senhor, eu creio; ajuda minha increduli­
dade.” E Ele a atenderá.
Quero agora mencionar ligeiramente os três tipos
de respostas que Deus dá: “ sim” , “espere” e “não” .
A primeira é o “ Sim” de Deus. É quando Ele
diz: “ Sim. Eu ouvi suas orações e estou pronto
74 Jesus, Ensina-nos a Orar!

para dar a resposta.” Em Isaías lemos: “ E será que


antes que clamem, eu responderei; estando eles
ainda falando, Eu os ouvirei” (Is. 65:24).
O segundo modo que Deus usa para responder
é: “ Espere” . É a resposta mais difícil de aceitar.
Podemos entender um sim ou não diretos. Podemos
mesmo aceitar um não, mas quando Ele manda espe­
rar, então nossa fé é testada ao máximo. O diabo ge­
ralmente usa o “espere” de Deus para enfraquecer
a fé e nos encher de desesperança, como fez co­
migo esta manhã. Orando e esperando durante
cinco anos para que Tom encontre o caminho certo
eu não podia deixar de perguntar a Deus hoje:
“ Até quando, Senhor?” Mas aprendí que quando
a fé está firmada em Deus e nas Suas promessas
posso aceitar “ espere” . Tenho certeza que Deus
ouviu todas as preces que fiz por Tom e Ele está
trabalhando para dar a resposta.
Fé é ter confiança que no tempo certo a resposta
vem. Fé é deixar que a parte ativa do nosso desejo
desapareça e crer que Deus está trabalhando. É
confiar que Deus não demora para responder nem
um minuto a mais do que o necessário. “ Se tardar,
espera-o, porque certamente vem, não tardará”
(Hab. 2:3b).
Precisamos lembrar que demora algum tempo
para que a situação mude antes de a resposta ser
dada. Pode ser que haja outras pessoas envolvidas
na resposta. Muitas vezes Deus tem um trabalho a
realizar em nossas vidas preparando-nos para rece­
ber a resposta. Agnes Sanford diz: “A oração não
é um caso de tentar persuadir a Deus para nos dar
aquilo que queremos. Orar é dar-nos a Deus para
que Ele possa agir por nosso intermédio de acordo
com Sua vontade.” Precisamos dar tempo para que
7 ° Passo: Orar com Fé 75

Deus aja era nossa vida e na daqueles por quem


estamos orando.
Tenho uma vizinha que toda primavera planta
uma horta. Ela não pode, de modo algum, colher
verduras frescas logo no dia seguinte ao que plan­
tou. Precisa esperar que as sementes cresçam e
amadureçam antes de poder colhê-las. A mesma
coisa acontece com algumas orações. Plantamos a
semente na oração regando-a muitas vezes com lá­
grimas. Parece, por um instante, que nada vai
acontecer, mas Deus está agindo. A semente está
crescendo e se desenvolvendo. De uma coisa você
pode ficar absolutamente certa — haverá colheita!
Cada vez que regamos a semente com uma oração
fervorosa, a resposta está mais perto de chegar.
Haverá ocasiões no “ espere” de Deus que você
se sentirá tentada a pensar que não está orando de
acordo com a Sua vontade, mas se você Lhe pediu
que mostrasse por quem e como devia orar, então
não deixe que o “ espere” abale sua fé. Continue
orando por aquela pessoa todos os dias, agradecen­
do a Deus, porque Seu poder está operando em
suas vidas.
Quando oramos pela salvação de um ente que­
rido, ou por uma ovelha que se perdeu afastando-se
do rebanho, podemos ter confiança, pois estaremos
orando de acordo com Sua vontade. Este tipo de
oração é sempre da vontade de Deus. Lembro-me
de ter ouvido contar que George Muller orou du­
rante cinqüenta e dois anos pela salvação de al­
guém muito querido e foi só algum tempo depois
de sua morte que essa pessoa conheceu Cristo, o
Salvador. Creio que nossas preces continuam
atuantes mesmo depois de nossa morte. Estou
convencida de que as orações que meus pais fize­
76 Jesus, Ensina-nos a Orar!

ram em vida, são respondidas ainda agora, mesmo


eles já estando com o Senhor.
Enquanto esperamos a resposta de Deus, peça-
mos-Lhe que nos ajude a manter um espírito de
expectativa assim como se estivéssemos nas pontas
dos pés querendo espiar o que Ele vai fazer. Lem-
bre-se, cremos em um Deus sobrenatural que gosta
de fazer milagres. É a fé confiante que nos permite
aguardar cheios de esperança até que a resposta
chegue, e é se estivermos sempre confiantes que
ela virá.
O terceiro modo como Deus responde às orações
é “ Não” . Deus sempre diz não com amor. Só Ele
sabe o que é melhor para nós. Quantas vezes, como
pais amorosos, temos de dizer não a nossos filhos?
Não é por falta de amor, mas porqüe os amamos
muito. Conheço uma moça que me disse certa vez:
“Daria qualquer coisa para ouvir meus pais dize­
rem não, pelo menos uma vez.” Ela sentia que eles
não a amavam realmente ou não se importavam
com o que ela fizesse: davam-lhe permissão para
fazer tudo o que quisesse, e isso não é amor.
Um pouco antes de sermos convidados para tra­
balhar no Brasil, ofereceram-nos uma grande igreja
com bela casa pastoral e bom salário. Parecia ser
tudo o que pensávamos querer. Ficava perto de um
seminário e de um colégio e isto era importante
para meu marido. Tínhamos mais de trinta anos e
pensávamos que talvez nosso trabalho com adoles­
centes estivesse terminado. Parecia uma situação
ideal. Oramos sobre isso e decidimos aceitar o ofe­
recimento. Começamos a fazer planos e a sonhar
com o que faríamos na igreja.
Foi então que através de um chamado telefônico
pediram-nos que fôssemos para o Brasil começar
o trabalho da organização Alvo da Mocidade. Isso
7 ° Passo: Orar com Fé 77

nos abalou profundamente. Não queríamos ir.


Nossos filhos estavam na idade de começar o giná­
sio e esta mudança nos parecia errada. Quando
oramos, pedimos que Deus nos deixasse ficar com
a igreja, mas Sua resposta foi “ Não” .
Fomos para o Brasil, aprendemos a língua e meu
marido construiu um belo acampamento para
jovens à beira de um lago, num lugar inspirador
para se ouvir a mensagem do amor de Deus. O
alicerce foi lançado e o trabalho Alvo da Mocidade
continua crescendo naquela grande terra. É verdade
que houve muita angústia e horas de solidão, mas
também, passamos por tempos felizes e de aven­
tura, começando uma coisa nova e vendo Deus
operando. Ninguém, de nossa família, gostaria de
ter perdido essa estada no Brasil, por nada neste
mundo. O “ Não” de Deus para o trabalho na igreja
abriu a porta para um ministério que está alcan­
çando o mundo todo. Gosto do que Maria Von
Trapp disse: “ Quando Deus fecha uma porta, sem­
pre abre uma janela!” E que janela maravilhosa!
“ . . .se Eu não vos abrir as janelas do céu, e não
derramar sobre vós bênçãos sem medida” (Mal. 3:
10b). Aprenda a aceitar o não de Deus em sua
vida, confiando que Ele tem algo melhor para você.
Antes de iniciar um projeto de oração, pare e
pergunte a si mesma: “ Creio de verdade que Jesus
pode fazer isso?” Ele nos diz: “ Se tu podes crer,
tudo é possível ao que crê (Mar. 9:23). A pequena
palavra chave é — se. Por essa razão, muitas vezes
antes de Jesus curar uma pessoa doente pergun­
tava: “Você crê que Eu posso fazer isso?” Acho
que muitos de nós concordamos que Ele pode fa­
zer qualquer coisa, mas a questão é: creio que Ele
quer? Há uma grande diferença entre estas duas
palavras. Orar com fé confiante é ter certeza que
78 Jesus, Ensina-nos a Orar!

Deus responderá. Se você pedir para mostrar como


se ora, e se acreditar que Ele vai atender esse pe­
dido, então esta é a oração certa para sua fé. Não
tente orar por coisas maiores do que sua fé, pois
ficará desanimada. Quando vir Deus respondendo
suas orações sua fé começará a se fortalecer e você
então será capaz de pedir coisas maiores. Sugiro
que comece a orar por aquilo que realmente acre­
dita ser Jesus capaz de fazer na sua vida e na dos
seus queridos. Sua fé irá aumentando e amadure­
cendo até que um dia você descobrirá que pode
orar como George Muller fez, como nos mostra
esta história:
Um velho capitão do mar contou este fato sobre
George Muller a um amigo. “ A última vez que
atravessei o oceano alguma coisa revolucionou toda
a minha vida cristã. Estávamos com George Muller,
de Boston, a bordo. Eu havia ficado na ponte de
comando 24 horas quando George Muller chegou
e me disse: ‘Capitão, vim para lhe dizer que pre­
ciso estar em Quebec sábado à noite.’ ‘ Isto é im­
possível’, respondi. ‘Muito bem, se o seu navio
não pode me levar, Deus encontrará outro meio.
Nunca quebrei um compromisso em 57 anos. Va­
mos à sala de mapas orar’.
“Olhei para aquele homem de Deus e pensei: de
que asilo de loucos ele saiu? Nunca ouvira nada
igual. ‘Sr. Muller’, falei, ‘o senhor sabe como
esta neblina está densa?’ ‘Não’, ele respondeu,
‘meus olhos não estão na densidade da neblina
mas no Deus vivo que controla todas as situações
da minha vida’.
“ Ele se ajoelhou e fez uma das orações mais sim­
ples que jamais ouvi. Quando terminou, era a mi­
nha vez de orar, mas ele pôs a mão em meu ombro
e disse que não o fizesse, ‘primeiro porque você
7 .° Passo: Orar com Fé 79

não crê que Ele vai responder, e segundo, porque


eu creio no que Ele vai fazer, por isso não há ne­
cessidade nenhuma de que você ore’.
“ Olhei-o espantado enquanto ele completava di­
zendo-me: ‘Capitão, conheço meu Senhor há 57
anos e não houve um dia sequer em que eu dei­
xasse de ter audiência com o Rei. Levante-se, ca­
pitão, abra a porta e veja que a neblina já se foi’ !
Levantei-me e realmente não havia mais neblina.
No sábado à tarde George Muller estava em Que­
bec para o seu compromisso.”
Você pode imaginar a qualidade da fé que ele
possuía para chegar a dizer ao capitão que abrisse
a porta, confiando que a neblina já tivesse desa­
parecido? Esta é a fé que Deus pode conceder a
nós! Não vale a pena desenvolver nossa fé e saber
o que significa crer em Deus?
Agnes Sanford, num livro para crianças, dá este
exemplo: podemos pegar um copo vazio e ir à tor­
neira da cozinha para beber água. Podemos ficar
parados ali o dia inteiro, sabendo que há água, mas
nunca conseguiremos uma gota sequer no copo,
enquanto não estendermos- o braço e abrirmos a
torneira. Gosto de pensar que crer é como abrir­
mos a torneira. É colocar ação em nossas orações.
Podemos orar durante anos e não ver muita coisa
acontecer, mas quando aprendemos a orar crendo
em Deus, veremos as grandes maravilhas que Ele
pode fazer em nós e através de nós, então seremos
capazes de orar como George Muller.
Corrie Tem Boon define a fé como uma “ aven­
tura fantástica de confiança nEle” . Esta fé confiante
é o tipo de aventura que Deus tem à nossa espera,
Quando aprendemos a orar com fé, descobrimos
uma nova dimensão em nossa vida. Nasce uma
nova canção no coração e as janelas sujas da dú­
80 Jesus, Ensina-nos a Orar!

vida e da descrença são lavadas até ficarem com­


pletamente limpas. Que grande aventura Deus tem
à nossa espera na oração de fé. Não perca isso.
No próximo capítulo falarei sobre um passo
muito simples que ensinará a crer.

Use este espaço para anotar alguma idéia


que queira guardar ou aplicar em sua vida.
CAPITULO 10

8 ° PASSO: ORAÇÃO “EU VEJO”

Numa bela manhã de outono, meu marido, nos­


so filho Daniel e eu fomos às montanhas buscar
lenha para o inverno. Cada um de nós tinha uma
tarefa: Harry devia serrar as toras que estivessem
no chão, Daniel teria de rachar a lenha e eu a poria
na caminhonete. O problema era que não possuía­
mos ferramentas apropriadas para que Daniel pu­
desse fazer sua parte. Tudo o que tínhamos era um
velho machado quebrado e um martelo pequeno.
Se você tiver alguma noção de como se racha lenha
(o que não acontecia comigo) saberá que precisa­
ríamos de uma talhadeira e de um martelo muito
forte. Daniel deve ter dito pelo menos umas cem
vezes naquele dia: “ Ah! se eu tivesse as ferramen­
tas apropriadas poderia rachar esta lenha duas ve­
zes mais depressa!”
De fato, é importante que tenhamos as ferramen­
tas certas se desejamos realizar um bom trabalho,
não é? Bem, eu tenho uma pequena ferramenta
que mudou completamente minha vida de oração.
Quero dá-la a você. Tenho certeza que mudará
também a sua, se a usar. Considero este o 8.° de­
grau na escada da oração. Aqui está: Imagine a
oração como se já tivesse sido respondida. Use a
82 Jesus, Ensina-nos a Orar!

imaginação criativa que Deus lhe deu. Construa,


com detalhes, a imagem da oração respondida. Le­
va apenas alguns rápidos minutos, mas que força
adiciona às nossas preces:
Estou aprendendo a “visualizar” minhas ora­
ções desde que ouvi Agnes Sanford falar sobre isso
numa reunião nacional da diretoria da Alvo da
Mocidade, há uns cinco anos. Ela só mencionou
esse ponto por duas vezes, mas foi a única coisa
que me ficou de toda a conferência. Ela nos ensi­
nou a formar uma imagem da oração já respondi­
da, e as denominou de: orações “ Eu vejo” .
Vou dar um exemplo. Quando voltamos do Bra­
sil, nossa filha Débora estava com catorze anos. Ela
ficou longe dos Estados Unidos durante seis anos
e achou muito difícil de se ajustar novamente ao
modo de vida americano. No Brasil andava de bi­
cicleta e trepava èm árvores; aqui no ginásio, as
meninas namoravam, fumavam e muitas usavam
drogas. Débora chorava todos os dias quando che­
gava da escola e tinha saudades dos dias alegres e
felizes do Brasil, quando trepava em árvores e vi­
via a sorrir.
Não demorou muito para que a insegurança em
que passou a viver começasse a se manifestar na
forma de medo. Ela tinha medo até de ir para a
cama à noite ou de ficar sozinha em casa. O pro­
blema é que não se pode arranjar uma babá para
uma menina de catorze anos, por isso, eu tinha de
ficar em casa com ela. Desde a sua meninice, tínha­
mos um hábito gostoso todas as noites: orávamos
juntas e depois ficávamos conversando por algum
tempo. Fizemos isso até que ela foi para a Univer­
sidade, deixando-nos uma das melhores recorda­
ções. Entretanto, durante este período de medo, to­
das as noites antes de sair de seu quarto eu
8 ° Passo: Oração “Eu Vejo” 83

precisava mostrar a ela que não havia ninguém


embaixo da cama nem dentro do armário. O caso
é que, quando você realmente pensa que há alguém
embaixo da cama ou dentro do armário, a situação
é mesmo aterradora.
Foi depois de voltar da reunião da Alvo para a
Mocidade que comecei a pensar em orar por Dé­
bora para que perdesse esse medo, usando as ora­
ções “ Eu vejo” , como Agnes Sanford havia ensi­
nado. Eu nunca havia orado desse modo antes e
estava um tanto apreensiva quando me sentei em
sua cama naquela noite. Lembro-me de ter dito:
“ Débora, não é da vontade de Deus que você sinta
esse medo” , e citei (2 Tim. 1:7): “ Porque Deus não
nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de
amor, e de moderação” . Eu disse a ela: “ Nós va­
mos orar para que Ele tire esse medo que você
está sentindo” , e comecei a fazer uma oração um
tanto gaguejada: “ Senhor, sabemos que este medo
não vem de Ti. Sabemos que Tu queres tirá-lo de
Débora agora mesmo e Te agradecemos por esta­
res fazendo isso.” Parei um pouco e depois conti­
nuei: “ E, Senhor, eu vejo Débora completamente
sem medo. Ela pode dormir à noite sem olhar em­
baixo da cama ou dentro do armário. Eu a vejo com
o rosto sereno dormindo bem descansada e levan­
tando-se de manhã revigorada e livre de qualquer
temor. Eu Te agradeço porque sei que estás agindo
agora para que isso se torne realidade.”
Depois de orar duas noites desse modo, o medo
de Débora se foi completamente! E mais ainda, ela
já não temia ficar sozinha em casa. Lembro-me da
primeira noite que a deixamos sozinha. Fiquei um
tanto apreensiva e aflita o tempo todo, e assim que
a reunião terminou, meu marido e eu voltamos bem
depressa para casa. Quando entramos em casa ela
84 Jesus, Ensina-nos a Orar!

nos recebeu com um sorriso alegre e disse: “ Oi!


Por que vieram tão cedo para casa?”
Esta foi minha primeira experiência com oração
“ Eu vejo” . Fiquei muito entusiasmada com o mi­
lagre realizado apenas com essa pequena oração,
mas tive de esperar pouco para começar a aplicar
este método a todos os outros motivos. (Falarei mais
sobre este assunto no cap. 12.)
Jesus disse em Marcos: “ Por isso vos digo que
tudo quanto em oração pedirdes, crede que rece­
bestes, e será assim convosco” (Mar. 11:24). Leia
outra vez essa passagem pensando no que lê! Isso
vai revolucionar toda a sua vida de oração, foi Je­
sus quem disse isso, não eu!
Uma coisa eu falo, esta promessa é tão verdadei­
ra como as que nos mantêm seguros a respeito da
vida eterna. Paulo disse: “ Crê no Senhor Jesus Cris­
to e serás salvo” (At. 16:31). Cremos e somos sal­
vos. Jesus falou também: “ E tudo o que pedirdes
em oração, crendo o recebereis” (Mat. 21:22). Jesus
disse: “ Porque Deus amou ao mundo de tal manei­
ra que deu seu filho unigênito, para que todo aque­
le que nele crê não pereça, mas tenha a vida eter­
na” (João 3:16). Ele disse ainda: “ Na verdade, na
verdade vos digo que aquele que crê em mim, tam­
bém fará as obras que eu faço!” (João 14:12).
Não podemos separar versículos e escolher ape­
nas os que queremos crer. Não podemos dizer:
‘Acredito neste versículo, mas não naquele outro.”
Ou todas as coisas ditas por Jesus são verdadeiras
ou nenhuma o é. Ele não nos deu o direito de es­
colher os versículos que queremos crer e os que
não queremos. C. S. Lewis disse: “ Ou Jesus Cristo
é o maior mentiroso e impostor que o mundo já
viu, ou Ele é realmente o que disse ser: o próprio
Deus, o caminho, a verdade e a vida!”
8 ° Passo: Oração ‘‘Eu Vejo” 85

O problema é que quando lemos as promessas


maravilhosas que Jesus fez sobre a oração, tentamos
racionalizar. Pensamos que devemos modificar es­
sas promessas para encaixá-las na nossa capacidade
finita de entender as coisas. Nós assumimos uma
atitude intelectual, limpamos a garganta e dizemos:
“ Bem, veja você, o que Ele realmente quis d izer.. . ”
e por aí vamos com alguma explicação lógica da­
quilo que achamos ter Ele dito. Esvaziamos Sua
palavra para que ela caiba em nossa fé fraca e
vacilante. Desprezamos todas as promessas mais
simples e diretas que Ele fez, porque não as vemos
acontecendo em nossas vidas. “ Portanto” , argumen­
tamos, “elas devem ter significado apenas para ou­
tros tempos.” Quantas vezes ouvi pessoas adultas
dizerem: “ O tempo dos milagres já passou, Hope.
Esta é uma nova dispensação.” E com estas duas
sentenças, todas as idéias de um Deus sobrenatu­
ral que ama fazer milagres são destruídas.
Ouça!: “ Jesus Cristo ontem e hoje é o mesmo, e
o será para sempre” (Heb. 13:8). Você crê nisso?
Se crê, então deve também acreditar quando Ele
diz: “ Por isso vos digo que tudo quanto em ora­
ção pedirdes, crede que recebestes, e será assim
convosco” (Mar. 11:24).
Jesus nos manda fazer três coisas:

1) Devemos orar;
2 ) .Devemos pedir;
3) Devemos crer que fomos atendidos.

Muitos de nós aceitamos bem as duas primeiras


ordens, oramos e pedimos muitas coisas, mas quan­
tos realmente cremos que a resposta virá? Você
acha certas as palavras deste hino?
86 Jesus, Ensina-nos a Orar!

“ Esperai na sua graça


Para tudo vos suprir;
Ele a todos que confiam,
Seus tesouros sabe abrir.”

Aprender a crer em Deus é colocar a fé em ação.


Imaginar ver a resposta da oração como se já ti­
vesse sido respondida tem-me ensinado a como
crer. É simplesmente o instrumento que está me aju­
dando a crer. É como algò que posso manejar.
Quando oro por alguém, em vez de passar depres­
sa para o próximo pedido, levo alguns segundos
visualizando o resultado final. Adiciono alguns de­
talhes à imagem e agradeço a Deus porque Seu
poder está agindo nesse instante para que tudo seja
feito de acordo com Sua vontade. Descobri que este
é o melhor modo de exercitar minha fé e me ensi­
nar a como crer.
Há de chegar o dia em minha vida de oração
em que eu não mais precisarei mentalizar a respos­
ta. Serei capaz de passar diretamente da oração
de fé para a de ação de graças. Mas até que esse
dia chegue, não deixarei de usar esta ferramenta
que Deus me deu.
Agora quero mencionar três coisas muito impor­
tantes:
Primeiro: se você vai fazer orações “Eu vejo”
eficazes, deve pedir de acordo com a vontade de
Deus. Não há outro modo. Nossas preces devem
ser conforme a Sua vontade e para Sua honra e
glória. Daí a importância da “oração de direção” .
Precisamos antes de tudo pedir que Ele nos mostre
como orar, ouvir Sua resposta (já falamos sobre
isso no cap. “Ouça interiormente” ), e então acei­
tar a Sua vontade. A oração de direção e a oração
de fé são separadas. Você não pode combiná-las, e
8 ° Passo: Oração “Eu Vejo” 87

se o fizer, tirará todo o poder da prece. Antes de


orar por alguém precisamos dizer: “ Senhor, mos­
tra-me como orar nesta situação” , e não continue
até que saiba a resposta.
A segunda é: nunca use a palavra “ se” em sua
oração de fé. Não adicione aquela frase que a
maioria dos cristãos encaixa no final da oração:
“ Se for da Tua vontade. . . ” . “ Se” é uma palavra
negativa que sempre traz resultados negativos. Ela
enfraquece completamente nossa oração de fé, pois
exprime dúvidas e incertezas. Tira toda a nossa
responsabilidade, é como um escape. É como se
buscássemos um modo de fugir e uma desculpa
para Deus. Em vez disso, diga: “ de acordo com a
Tua vontade” . Esta, sim, é uma sentença positiva,
cheia de fé e firmada nas promessas de Deus e na
Sua verdade. Se Ele já lhe mostrou como orar,
agora vá em frente, com fé confiante e ore de acor­
do com Sua vontade.
Há uma terceira coisa que desejo mencionar.
Quando oramos e imaginamos a resposta dessa
oração, não estamos dizendo a Deus como Ele deve
agir. Não podemos dar a Ele um plano assim: “Ago­
ra, Senhor, este é o meu pedido e aqui está como
quero que o atendas.” Deixamos o como inteira­
mente na dependência do Seu amor e sabedoria.
Ele pode ter diversas maneiras de responder. Do
modo como imaginamos vemos a oração respondi­
da, porém não podemos ver o como em detalhes.
Lembro-me de uma amiga que estava orando pa­
ra que seu marido se convertesse a Jesus, e pediu
a muitas pessoas que também orassem por ele. Há
alguns meses encontrei-a no supermercado. Assim
que me viu começou a chorar. Pensei que havia
acontecido alguma tragédia em sua vida e pergun­
tei o que havia de errado. “ O h!” , ela soluçou, “ meu
88 Jesus, Ensina-nos a Orar!

marido tornou-se crente há algumas semanas!”


“ Bem” , eu disse, “ louvado seja o Senhor! Por
que, então, você está chorando?” “ Ah! você não
vai entender. Eu estava certa que Deus ia fazer
dele um batista, mas infelizmente não foi isso que
aconteceu!” Você vê, ela havia dado a Deus um
modelo de como queria que seu marido fosse salvo:
“ Faze com que ele se torne crente, faze com que
seja batista, faze com que seja imerso e faze-o um
bom cristão como eu sou!” Porém com Deus não
podemos agir assim.
Se você está orando pela salvação de um ente
querido, leve-o diante do Senhor diariamente. Pas­
se alguns momentos imaginando como esta pessoa
parecerá quando se entregar a Jesus. Você pode
imaginar seu rosto refletindo paz, ou gritando de
alegria. Pode imaginá-lo sentado lendo a Bíblia, ou
como eu vejo Tom: em pé, em cima de uma co­
lina, com os braços estendidos e as correntes que
o escravizam quebradas a seus pés. Seja qual for
a figura que venha à sua mente, leve-a diante de
Deus e agradeça a Ele por estar agindo para que
ela se concretize.
Falei, certa vez, sobre a oração, em um retiro de
senhoras. Depois da reunião da manhã, uma delas
veio falar comigo demonstrando muita agitação.
“Acho que você está completamente errada sobre
o modo como Deus responde às orações. Faz vinte
e três anos que estou orando por meu marido, mas
ele continua sendo o homem irritado e intolerável
de sempre. Sei que nunca vai mudar!” Perguntei-
lhe se poderiamos nos encontrar à tarde para con­
versarmos. Ela concordou. Saímos depois e senta-
mo-nos no gramado embaixo de uma árvore.
? Perguntei-lhe se amava seu marido e ela respondeu
com um suspiro profundo: “ Sim, creio que sim.”
8.° Passo: Oração “Eu Vejo” 89

Pedi-lhe que me contasse alguma amabilidade que


tivesse feito a ele na semana que passou. Ela pen­
sou durante muito tempo, até que respondeu: “Bem,
eu preparei o jantar dele todas as noites. Isso é
amabilidade, não é?” Respondí: “ Não sei, pode
ser e pode não ser, depende. Você o serviu de­
monstrando amor e gentileza ou apenas pôs a co­
mida na frente dele?”
Depois de conversar por algum tempo disse-lhe
que talvez ela não estivesse orando pela coisa certa.
Não que fosse errado querer sua conversão a Jesus,
mas talvez ela precisasse começar pedindo antes
por si mesma. Aconselhei-a a que suplicasse o au­
xílio de Deus para que ela fosse mais gentil com
o marido pelo menos uma vez por dia na semana
seguinte. Passamos alguns momentos imaginando-a
sendo amável com ele. Ela devia pedir também, que
Deus lhe desse um coração mais terno e ainda, que
a perdoasse por se achar sempre certa em tudo,
atitude que envenenava todas as situações de sua
vida. Imaginamos como seria seu rosto quando as
linhas duras da auto-retidão fossem removidas. Pe­
di-lhe que memorizasse e que este fosse seu ver­
sículo nos meses seguintes: “Antes sede uns para
com os outros benignos, misericordiosos, perdoan-
do-vos uns aos outros, como também Deus vos
perdoou em Cristo” (Ef. 4:32). Depois de orar pe­
dindo que Deus lhe desse um coração mais suave,
quis que ela pedisse a Deus auxílio para amar
realmente o marido e imaginamos seu rosto refle­
tindo esse amor. Além disso deveria procurar fa­
zer as mínimas coisas que tornassem seu marido
feliz. Lembrei-lhe do que disse minha amiga Denise
Adler: “Sua tarefa é fazer seu marido feliz, a de
Deus é fazê-lo bom!” Pense nisso.
90 Jesus, Ensina-nos a Orar!

Só ouvi falar dessa senhora outra vez há bem


pouco tempo. Fazia dois anos que havíamos sen­
tado na grama e orado juntas. Recebí uma nota de
agradecimento há duas semanas. Ela demonstrou
que realmente amava o Senhor -Jesus e queria sin­
ceramente que seu marido também o conhecesse,
por isso seguiu com vontade tudo o que havíamos
falado. Tornou-se realmente dócil e Deus lhe deu
um amor verdadeiro e compassivo pelo marido. E,
maravilha das maravilhas, ele se entregou a Cristo!
Você vê, ela havia orado durante vinte e três
anos pela conversão do marido sem nenhuma espe­
rança que isso pudesse acontecer, e de fato nada
aconteceu. Foi só quando começou a orar passo a
passo imaginando cada oração como se tivesse sido
respondida, e agindo de acordo com a imagem for­
mada, que Deus pôde operar em sua vida e na
vida do marido.
Reveja sua lista de orações e verifique se não é
preciso mudar algum pedido. Talvez você esteja
orando para alcançar somente o grande resultado
final, passando por cima de pequenos mas impor­
tantes passos que,, podem trazer a última resposta.
Você vê, a oração da fé é para que aconteça um
milagre. Não desperdice o tempo de Deus e o seu
se não crê nEle. Imaginar ver a resposta da oração
é um modo simples de aprender a crer.
Quero avisá-la de uma coisa. Quando começar
a orar desse modo, o diabo colocará uma porção
de dúvidas e incertezas em sua cabeça, pois ele
não nos quer ver fazendo a oração de fé. Ele an­
tes prefere que todos os cristãos continuem suas
pequenas oraçõezinhas cheias de dúvidas. O maior
trabalho do diabo no mundo, durante todos esses
séculos, tem sido sempre o de enganar os cristãos
na sua vida de oração, e em muitos, realmente tem
8 ° Passo: Oração “Eu Vejo” 91

conseguido fazer isso. Quando vocês começam a


imaginar a resposta da oração ele vem e diz com
certo cinismo: “ Você não está pensando que, só
•por estar fazendo esta imagem da sua oração, ela
será atendida, não é ? ” E você diz: “ não” . A figura
não tem nada a ver com a resposta da oração. É
simplesmente um modo que você está usando para
aprender a crer em Deus, e então você manda que
o diabo a deixe em paz. “ Resisti ao diabo, e ele
fugirá de vós” (Tiago 4:7).
Outra coisa que o diabo diz é: “ Tenha cuidado.
Parece que você está pretendendo usar a tal força
do ‘pensamento positivo’ e você bem sabe o que os
crentes pensam a respeito disso.” Por alguma estra­
nha razão, a frase “força do pensamento positivo”
tem se tornado uma coisa da qual nos afastamos
como se fosse algo mau. Ouça, Jesus Cristo foi o
maior mestre do pensamento positivo que o mun­
do já viu! Eu a desafio a ler todos os Evangelhos
com essa idéia e ver quantas vezes Ele a usou. Não
seria revigorante se todos os cristãos pusessem em
sua fé a força do pensamento positivo de volta em
suas vidas? Não deixe que o demônio a impeça de
fazer as orações “ Eu vejo” com fé confiante. Firme-
se nas promessas da palavra de Deus. Saiba por que
você pode orar assim, conhecendo Quem a ensinou.

As surpresas de Deus

Há alguns anos nossa família adotou um pe­


queno coreano de nove anos de idade, através
da organização “ World Vision” . Não podíamos tra­
zê-lo para nossa casa, mas mandávamos mensalmen­
te um cheque para cobrir as despesas do orfanato.
Gostávamos de escrever a ele e receber suas res­
92 Jesus, Ensina-nos a Orar!

postas traduzidas. Pelo Natal nossa família plane­


jou mandar presentes para ele. Cada pacote foi
então embrulhado com amor e enviado com uma
oração para que nosso filho soubesse que o amá-
vamos muito.
Quando ele completou dezesseis anos o orfanato
arranjou-lhe um emprego e recebemos sua última
carta. Foi uma carta muito querida agradecendo-
nos pelo nosso amor e orações durante todos aque­
les anos. Como o orfanato não tem possibilidade
de se manter em contacto com todos os que saem
de lá, e porque nosso filho não sabia nada de inglês
não houve meios de continuar nosso relacionamen­
to com ele.
Há quatro anos, porém, fomos para a Coréia
visitar um senhor chamado Kim, Jong Dal, que é
diretor da organização Alvo da Mocidade na Co­
réia e um consagrado homem de Deus. Um mês
antes de partir mandei-lhe a última carta recebida
de nosso filho e lhe pedimos se podería tentar loca­
lizá-lo para nós. Pensei que seria um trabalho quase
impossível, pois há milhões de pessoas na Coréia
do Sul, e não tínhamos idéia de onde ele estaria.
Mas, temos um grande Deus, não temos? Ele
sabe exatamente onde está cada um de Seus filhos
em cada minuto do dia! E assim começamos a
orar para que Deus ajudasse Kim a encontrar
Myung Woo. Imaginamo-nos a vê-lo pela primeira
vez e a abraçá-lo com alegria. Agradecemos a
Deus por agir para que isso se realizasse. Antes de
partir fui à cidade comprar um relógio muito bo­
nito e outros pequenos presentes para ele.
Quando descemos do avião na Coréia, Kim e sua
esposa nos esperavam felizes e sorridentes. “En­
contrei seu filho e vocês o verão amanhã” , ele
disse.
8 ° Passo: Oração “Eu Vejo” 93

Você pode imaginar como foi alegre aquele en­


contro! Entramos numa pequena sala e lá estava
ele sentado — um belo rapaz de 22 anos! Estava
todo bem vestido, de terno e gravata e parecia tão
ansioso por nos encontrar quanto nós por encontrá-
lo. Chegamos até onde ele estava e Kim adiantou-
se e disse-nos: “ Quero apresentar-lhes seu filho Lee,
Myung Woo” . E foi exatamente como havíamos pen­
sado nas orações. Lágrimas de alegria corriam por
nossos rostos enquanto o abraçávamos fortemente.
Descobrimos que não havia necessidade de intér­
prete pois ele aprendera o inglês. “ Aprendi o in­
glês, na esperança de que Deus me proporcionasse
este encontro algum dia” , explicou.
Gostaria de poder contar todas as experiências
que tivemos desde aquele dia. Ou talvez deva guar­
dá-las para um próximo livro! Ele é um crente
dedicado e muito querido, que ama ao Senhor
Jesus e está ansioso por compartilhá-10 com os
outros. Pretende visitar-nos logo que terminar de
servir o Exército e tenciona, depois disso, entrar
para o seminário juntamente com seu irmão Daniel.
A história é toda um milagre do amor de Deus.
Foi uma das mais belas surpresas que Deus nos
concedeu em nossa vida.
Que alegre surpresa você está esperando hoje,
vinda de Deus? Ou você acredita ser Ele um Deus
que distribui com avareza algumas das nossas ne­
cessidades básicas depois de as termos implorado
com muitas lágrimas? Se você está tendo uma vida
cristã assim (e milhares de cristãos a têm), é porque
deixou que o diabo a enganasse e mais uma vez.
O Deus da Bíblia tem grande prazer em nos dar
com fartura aquilo que nos agrada. Ele se compraz
em fazer-nos surpresas alegres! Ele é nosso Pai,
nosso amigo e nos ama realmente. “Agrada-te do
94 Jesus, Ensina-nos a Orar!

Senhor, e ele satisfará aos desejos do teu coração.


Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e
o mais ele fará” (Sal. 37:4-5). Ou imagine também
esta promessa: “Nenhum bem sonega aos que an­
dam retamente” (Sal. 84:11). Hoje você está andan­
do nos Seus caminhos? Se está, a promessa é para
você. Ou esta é uma daquelas promessas que você
resolveu não aceitar por ela não se amoldar ao
seu padrão ou pensamento intelectual?
Se você acha difícil crer que Deus é um Deus
de surpresas alegres, sugiro que abra uma página
do seu livro de anotações com o título “ Surpresas
de Deus” . Anote duas ou três coisas que deseja
ardentemente, ore por elas, e veja o que acontece!
Um dos meus desejos quando voltei do Brasil
era o de ter uma lareira. Havíamos passado cinco
invernos no Brasil ao redor de um pequeno aque­
cedor de querosene. Nossa única lareira era uma
vela no meio da mesa. Orei: “ Ó Senhor, eu não
faço muita questão da beleza da casa que vamos
ter nos Estados Unidos, mas, por favor, o que eu
quero é que tenha uma lareira.” E sabe o que
aconteceu? Temos uma casa com duas lareiras!
Que tipo de oração “ Eu vejo” você está fazendo
hoje? Suas orações estão cheias de fé e esperança?
Quero desafiá-la a fazer suas orações desse modo
apenas por um mês. Não leva muito tempo para
se fazer uma imagem mental. Só aumentará cada
dia, uns três minutos o seu tempo de oração. Não
é muito em comparação com os milagres que irão
acontecer em sua vida.
Gostaria de poder visitar cada uma de vocês,
depois que orarem durante um mês pelo menos,
com fé confiante. Adoraria sentar, e tomar uma
xícara de chá com você e ouvi-la contar todas as
8 ° Passo: Oração “Eu Vejo” 95

coisas que Deus tem feito em sua vida e tudo


que Ele lhe tem ensinado.
Esperar com a certeza de que Deus responderá
nossas orações de fé, é a herança de todo crente
que tem uma vida de oração.

Use este espaço para anotar alguma idéia


que queira guardar ou aplicar em sua vida.
CAPITULO 11

9 ° PASSO: GRATIDÃO

Uma noite, quando Tomás e Daniel eram peque­


nos, eu os ouvi orando com o pai. Os três estavam
ajoelhados perto da cama. Tom fazia a última ora­
ção e devia ter gasto pelo menos cinco minutos
agradecendo a Jesus por todas as coisas de que
podia se lembrar. Citou toda a família e os parentes
próximos e distantes. Agradeceu ao Senhor por
todos os amigos que tinha na escola (nominalmen­
te); agradeceu por todas as flores e árvores, pelo
sol, chuva, lua, estrelas e tudo o mais que existe
na natureza. Depois de agradecer a Deus por todas
as pessoas do mundo ele parou, virou-se para o pai
e disse: “ Que mais devo dizer, papai?” E antes que
este pudesse responder, seu irmão replicou num
momento de inspiração: “ Que tal, Amém?”
Saí do quarto sorrindo, mas tenho pensado mui­
to sobre isso desde então. Este é o modo certo de
terminar nossas orações — com o coração cheio de
gratidão a Deus por todas as coisas que Ele nos
tem feito e depois um amém fervoroso, que significa
“Assim seja!”
No último capítulo, aprendemos que quando se
faz a oração de fé, sempre se pára e se agradece
a Deus por Seu poder estar agindo na vida da­
9.° Passo: Gratidão 97

quela pessoa. Continua-se então com o pedido se­


guinte, e desse modo a oração de fé é ligada à de'
gratidão.
Este é um modelo que deve ser seguido na ora­
ção de fé:

1) Peça orientação para saber como orar.


2) Faça seu pedido.
3) Imagine a resposta da oração.
4) Agradeça a Deus por estar Ele agindo para
dar a resposta certa.

Mas devemos terminar nossa oração com uma


parte especial de agradecimento, pois aprendere­
mos a ter um coração agradecido. Como resultado,
sentiremos o gozo do Senhor invadindo nossas vi­
das e a dos que estão ao nosso redor. Todos que
entrarem em contacto conosco devem perceber essa
característica da vida cristã.
Qual o motivo pelo qual você está agradecida?
Fique algum tempo contando a Deus. Seja especí­
fica quando chegar nesta parte da oração. Não jun­
te tudo em uma só sentença: “ Senhor, eu Te agra­
deço tudo” .
Agradeça, sem pressa, Seu grande amor por você!
Agradeça os dons da salvação e da vida eterna.
Agradeça a Sua presença contínua em sua vida.
Agradeça a Bíblia e todas as coisas que o Senhor
nos tem ensinado através dela.
Agradeça o grande privilégio de orar (como pode­
mos viver sem isso?).
Agradeça porque Ele coloca no coração o desejo
da oração e de aprender a orar com mais eficiência.
Agradeça a igreja e a amizade que gozamos uns
com os outros.
98 Jesus, Ensina-nos a Orar!

Agradeça o trabalho que nos deu para realizar


(já pensou como seria vazia a vida sem trabalho?).
Seja agradecida pela saúde e pela força que nos
capacita para o trabalho.
Agradeça os seus queridos e por ter pais crentes
(se você tem essa bênção).
Agradeça por ser uma mãe crente.
Agradeça por ter olhos para ver e ouvidos para
ouvir.
Seja agradecida pelo seu lar, por sua cama, pe­
las cobertas, por poder tomar um banho quente.
Há milhões de pessoas no mundo que nunca dor­
miram, uma noite sequer, numa cama e nunca ti­
veram um banho quente!
Seja agradecida porque você teve o que comer
nesse dia — milhões de pessoas não o tiveram.
Oh! Há tantas coisas pelas quais devemos agra­
decer e louvar a Deus. Ponha-as em palavras.
Ao terminar sua oração de gratidão, você se le­
vantará com um sentimento de otimismo no cora­
ção agradecido; sentirá um espírito de alegre ex­
pectativa para com todas as coisas que Deus plane­
jou para sua vida neste dia.
Todas as orações devem ser em nome de Jesus.
Somente no Seu amado nome é que devemos
orar e receber a resposta.
“Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo
dai graças; porque esta é a vontade de Deus em
Cristo Jesus para convosco” (1 Tess. 5: 15-18).

Use este espaço para anotar alguma idéia


que queira guardar ou aplicar em sua vida.
CAPÍTULO 12

IDÉIAS E EXEMPLOS PARA


SITUAÇÕES ESPECÍFICAS

Ao terminar este livro sobre a oração, quero


fazer algumas sugestões e dar exemplos de como
se deve orar em situações específicas. Não será
possível falar de todas elas, pois seria necessário
escrever outro livro, mas mencionarei as situações
que mais freqüentemente, suscitaram perguntas.

Orar pelos enfermos

Há muitos modos de orar pelos doentes, depen­


dendo das circunstâncias.
Alguns anos atrás minha mãe estava à morte com
arteriosclerose. Ela sempre fora muito ativa. Quan­
do eu era menina ela costumava acompanhar meu
pai em seu trabalho missionário e visitar cadeias.
Era ela quem tocava piano acompanhando os hi­
nos e depois meu pai transmitia a mensagem. Ele,
além de ser homem de negócios, era também prega­
dor leigo. Nossa casa estava sempre aberta para
qualquer missionário que quisesse nos visitar ou
ficar descansando conosco. Minha mãe trabalhou
durante anos com a Aliança Pró-Evangelização de
100 Jesus, Ensina-nos a Orar!

Crianças e sempre ensinou na Escola Dominical.


Podia limpar a casa, fazer compras e preparar um
jantar para vinte e quatro pessoas, tudo no mesmo
dia.
Assim, você pode ter uma idéia de como foi di­
fícil para ela passar o seu último ano de vida presa
a uma cama.
Lembro-me do que minha irmã Marlene escreveu
alguns meses depois de ela ter ficado doente. De­
vido à própria natureza de sua enfermidade, ela
estava se tornando irritadiça e indelicada, mesmo
para com aqueles a quem tanto amava. Ela e meu
pai tinham vivido como dois namorados durante
quarenta e sete anos e, no entanto, agora ela dizia
coisas que o magoavam. Toda vez que a visitava
ele saía do hospital chorando.
Sabíamos não ser da vontade de Deus que minha
mãe terminasse seus dias de um modo tão oposto
ao que vivera, por isso, começamos a orar pedindo
que Deus tirasse dela toda aquela irritabilidade.
Imaginamos seu corpo sendo libertado. Oramos
para que o Espírito Santo a enchesse com Sua paz,
serenidade e amor. Pensamos na paz de Deus inva­
dindo seu corpo a começar pelas pontas dos pés e
alcançando-o em todas as suas partes. Imaginamos
sua cama rodeada pelo círculo do amor de Deus e
sentimos a expressão de paz em seu rosto. Agrade­
cemos a Deus por estar agindo para que isso se
concretizasse.
Dentro de duas semanas, minha irmã escreveu
dizendo: “Mamãe está completamente mudada. To­
da aquela irritação e agressividade a deixaram e
agora seu rosto reflete tanta paz que até as enfer­
meiras do hospital gostam de ir ao seu quarto ao
menos para vê-la!”
Idéias e Exemplos.. . 101

Lembro-me que, na minha última visita, pouco


antes de sua partida para a companhia do Senhor,
a enfermeira-chefe me disse: “ Sua mãe tem sido
nossa paciente predileta. Ela tem sido sempre mui­
to amável e aprecia tudo o que fazemos para ela!”
Se por acaso você tem algum dos seus queridos
doente no hospital ou numa casa de repouso por
um longo período de tempo, faço-lhe uma suges­
tão: Você que já passou por uma experiência
assim, sabe como é difícil encontrar o que dizer,
principalmente se a pessoa, pelo seu estado doentio,
se esquece das coisas. Você quer ficar por algum
tempo com seu ente querido à beira do leito, e ele
a quer e pensa em você, mas o assunto se esgota
rápido, pois não se leva muito tempo para pergun­
tar como estão e para contar o que se comeu no
almoço e no jantar! Depois disso vem a dificuldade
de ter de ficar perto da cama pensando no que
dizer, e ainda a gente quer permanecer lá pelo me­
nos por uns quinze minutos cada dia. Esta expe­
riência pode ser triste e decepcionante para ser
repetida todos os dias, durante meses e meses
seguidos.
Quando minha irmã me disse isso em uma carta
orei a Deus pedindo que me mostrasse o que acon­
selhar, e Ele me deu esta idéia: “ Cante hinos com
ela e leia a Bíblia ou alguma meditação diária de
algum livro que ela goste.” Enviei esta sugestão a
Marlene e disse-lhe que, mesmo que, a princípio,
se sentisse embaraçada ou como uma tola, cantan­
do para minha mãe no hospital, ela devia se esfor­
çar e fazer isso de qualquer maneira. Ela devia
tentar e pensar na alegria que mamãe sentiria. (É
claro que era muito mais fácil para mim escrever
dando de longe a sugestão, sabendo que não cabia
102 Jesus, Ensina-nos a Orar!

a mim realizá-la, pois não morávamos na Cali­


fórnia!)
Pois saiba que minha querida e corajosa irmã
pegou a Bíblia e um hinário, e foi para o hospital
no dia seguinte. Começou cantando cinco ou seis
hinos com ela, depois leu algumas passagens que
mamãe havia anotado na Bíblia. Você pode crer,
minha mãe, cuja memória estava fraquíssima can­
tou junto, num contralto perfeito, sem perder uma
só palavra de todos os versos! Pense na mudança!
Você vê, seu espírito ficou sendo alimentado e revi­
gorado diariamente. O amor de Jesus animava sua
alma; sua mente podia estar enfraquecida, o corpo
devastado pela doença, mas seu espírito estava vivo
manifestando o amor e a paz de Jesus. Minha irmã
continuou nesse ministério durante um ano inteiro!
As enfermeiras gostavam de vê-la chegar porque
sabiam que logo a música estaria sendo ouvida em
todas as dependências e quartos dos doentes levan-
do-lhes alegria e paz.
Poucos dias antes da morte de minha mãe, fui
à Califórnia ficar com ela. No último dia antes que
ficasse inconsciente, minha irmã e eu nos sentamos
perto de sua cama com o hinário. Nós três canta­
mos durante uma hora e minha mãe não perdeu
uma só palavra ou nota.
Creio que a falta de memória que sofreu nesse
último ano, tão difícil para a família aceitar, foi o
modo amoroso como Deus a protegeu, do contrá­
rio como podería uma crente tão dedicada passar
um ano todo na cama, dia após dia, consciente de
seu estado?
No caso de minha mãe não nos sentimos levadas
a orar por sua cura. Ela estava velha e pronta para
encontrar-se com o Senhor a quem havia amado
Idéias e Exemplos. . . 103

e servido, por isso rogamos apenas que o amor e


a paz de Deus invadissem seu espírito. E Ele nos
atendeu.

Orar pela cura completa

Recentemente fui almoçar com algumas das mi­


nhas amigas crentes. Judite, uma das moças, há
anos sofria de uma úlcera perfurada. Assim que
entrou na sala falou: “ Espero que vocês não se
importem por eu estar tão quieta hoje, minha úl­
cera está me maltratando muito.”
Judite achava que sua úlcera era castigo por
causa do tipo de vida que levara antes de se en­
tregar a Jesus (não era propriamente castigo, mas
sim, a conseqüência natural). Ela morava num lu­
xuoso subúrbio de Chicago, na Praia Norte, com o
marido e os filhos. A vida deles ia de uma festa a
outra, cada anfitriã procurando fazer mais do que
a anterior no arranjo elegante da casa e na melhor
comida. Uma noite, durante uma dessas festas ele­
gantes que dava em sua bela casa, olhou para tudo
o que estava acontecendo: os amigos interessados
nas esposas e nos maridos dos outros, mexericos e
sarcasmos misturando-se no ar com a fumaça para­
da dos cigarros; as pessoas bebendo e se embria­
gando. Um dia, ela pensou: “ Que estou fazendo
aqui? A vida é só isto? Uma festa atrás da outra?
Nenhum objetivo, nenhum significado?” Naquela
noite ela saiu de casa enquanto a festa prosseguia
animada. Era inverno e a temperatura estava abaixo
de zero. Judite não se preocupou nem em pegar um
casaco, pois para fazer o que tinha em mente, era
desnecessário. Usava um vestido de noite com os
ombros nus. Foi no seu carro até o alto de um
104 Jesus, ■Ensina-nos a Orar!

penhasco que dava para o Lago Michigan e, com


o motor ainda funcionando, planejou rolar dali e
acabar com a vida. Entretanto, no momento em
que o carro ia cair na água escura ela clamou:
“ Ó Deus, se Tu existes, ajuda-me! Deus, por fa­
vor, ajuda-me!”
Imediatamente, numa fração de segundo, o Deus
do universo ouviu aquele clamor e encheu o carro
com Sua presença. Judite disse que era como se
imergisse num fluido que envolvia todo o seu cor­
po numa sensação agradável, da cabeça aos pés.
Um sentimento de paz total a cobriu. Ela sabia
que era Deus! Viu-se como uma ovelha perdida
levantada nos braços do pastor, e esta imagem
nunca mais a deixou.
Ela manobrou o carro e voltou para casa de­
vagar. Quando chegou, todos haviam ido embora
e a casa estava em silêncio. Achou uma velha Bíblia
e o primeiro verso que leu, agora já como nova
criatura foi: “ Já estou crucificado com Cristo; lo­
go, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em
mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo
pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si
mesmo se entregou por mim” (Gál. 2:20). Teria si­
do por acaso que abriu a Bíblia neste versículo?
Desde essa época, o marido e os filhos de Ju­
dite também se entregaram a Cristo; resolveram
deixar aquela casa luxuosa e os tais amigos. O
marido deixou o bom emprego que tinha ali e mu­
daram-se para outro Estado, onde agora moram
numa fazenda situada num vale verdejante rodeado
pelas majestosas Montanhas Rochosas.
Nesse almoço a que me referi reunimo-nos ao re­
dor de Judite e cada uma de nós orou pedindo que
Jesus a tocasse e a curasse daquela úlcera. Pro­
curamos imaginar a úlcera desaparecendo. Oramos
Idéias e Exemplos.. . 105

por uma cura completa de seu corpo: mental, físi­


co e emocional.
Algumas semanas mais tarde ela precisou ser
operada de outra doença e o médico achou que
durante a cirurgia poderia remover a parte de seu
estômago onde se encontrava a úlcera. Velhas ra­
diografias indicavam sua localização em posição
quase impossível de ser extirpada. Quando o mé­
dico se preparava para essa cirurgia, descobriu,
com surpresa, que a úlcera havia desaparecido por
completo e em seu lugar havia apenas uma peque­
na cicatriz. Tinha havido uma cura completa!
Constantemente me perguntavam: “ Como devo
orar por uma pessoa querida que esteja doente?”
Acho que sempre devemos orar pela cura completa,
a não ser que Deus nos mostre o contrário, como no
caso de minha mãe. Creio firmemente que Jesus
nos quer com saúde. Ele não criou a doença, ela é
resultado de vivermos em um mundo caído no
pecado. O fato de Jesus ter passado 90% de Seu
ministério curando pessoas demonstra que Ele não
nos quer doentes, e sim com saúde. E Ele nos dá,
como crentes, o privilégio de orar pela cura uris
dos outros.

Por que alguns são curados e outros não?

Sempre nos defrontamos com essa pergunta. Eu


não sei por que algumas pessoas são curadas e ou­
tras não, mas sei que os cristãos, assim como to­
das as pessoas do mundo, um dia têm de morrer.
Todos, sem exceção, ficamos realmente doentes, e
se os cristãos nunca adoecessem, haveria milhares
de pessoas se convertendo ao cristianismo, interes­
sadas unicamente em ficar livres das doenças.
106 Jesus, Ensina-nos a Orar!

Um homem de negócios disse recentemente a meu


marido, depois da morte de um amigo seu: “Veja
o que aconteceu, não creio neste negócio de cura
pela oração. Deus não está nisto, Ele não vai curar
uma pessoa e deixar a outra. Acho que não devía­
mos orar pela cura.”
Qual seria sua reação, se você ou algum ente
querido estivesse doente e seus amigos crentes não
orassem? Se eles dissessem: “ Não vale a pena —
o que tiver de ser, será!”
Creio que você se sentiría exatamente como eu:
perdida, sozinha, com medo e desamparada, com­
pletamente sem esperança!
Pense ainda no peso que seria acrescentado à
pessoa enferma: ninguém orando por ela! Nenhu­
ma esperança! Nenhum conforto espiritual!
Quando Jesus cura um doente, é sempre para
Sua honra e glória, e para testemunhar o Seu po­
der. Centenas de pessoas têm sido levadas a Cristo
ao receber o milagre de Sua cura.
Deus usa o modo como os crentes enfrentam
essas situações difíceis para um testemunho peran­
te os outros. Cantar hinos com minha mãe no quar­
to do hospital foi uma bênção também para os
outros pacientes e até para os enfermeiros.
Ele usa até mesmo a maneira como nos compor­
tamos diante da morte para atrair algumas pessoas
a Ele. No funeral de uma amiga, mais de trinta e
cinco pessoas se levantaram e receberam Jesus co­
mo Salvador. Elas simplesmente observaram o mo­
do como a jovem esposa suportou essa triste expe­
riência, viram a força e a paz que só Jesus pode
dar e por essa razão preferiram agora fazer parte
da família de Deus por toda a eternidade! Como
poderemos saber o que, realmente, será melhor, do
ponto de vista da eternidade?
Idéias e Exemplos. . . 107

Nossa missão é de sermos obedientes a Deus e


a Seu exemplo, e, de acordo com Sua ordem, orar­
mos uns pelos outors quando estivermos doentes.
Devemos orar pela cura completa, a não ser que
Deus nos mostre o contrário.

Sugestões úteis de como orar por um doente

1) Lembre-se sempre. Quem cura é só Jesus.


Você não pode curar ninguém.
2) Quando você for orar pela cura de alguém
é bom levar junto uma ou duas pessoas que creiam
no poder da oração. Se você não se sentir capaz de
orar nessa situação com segurança e com uma fé
sincera, procure alguém que o possa. Talvez você
deva chamar o pastor e os oficiais da igreja para
orarem também pelo doente.
3) Antes de orar, não deixe de pedir a direção
de Deus para que Ele mostre como fazê-lo. O dom
de sabedoria e conhecimento deve sempre orientar
a própria oração.
4) Procure saber (se a pessoa não estiver incons­
ciente) se há alguma coisa em sua vida que possa
impedir a cura. Talvez ela não queira realmente
sarar. Conheci a esposa do pastor de uma grande
igreja que, sentindo-se incapaz de aceitar as res­
ponsabilidades que pretendiam impor-lhe, se refu­
giava numa doença, da qual, na verdade, não que­
ria sarar.
Talvez haja amarguras ou ressentimentos no co­
ração. Explique estas coisas e dê tempo para uma
confissão silenciosa de tudo aquilo que o Espírito
Santo trouxer à lembrança. (Se o doente confessar
a você, guarde sigilo sobre esta confidência como
um juramento diante de Deus.)
108 Jesus, Ensina-nos a Orar!

5) Leia algumas passagens da Bíblia sobre cura.


Conte algum caso de cura, que será útil, para aju­
dar a aumentar a fé, não só do enfermo como
também a sua própria.
6) Diga-lhe que se sinta pronta para ser curada.
Ela poderá dizer: “ Eu Te agradeço, Jesus; recebo
agora Tua cura em minha vida!”

Orar pelos filhos

1) A única oração que tenho feito todos os dias


pelos meus filhos desde que nasceram é: “Senhor,
permite que seus corações permaneçam abertos e
sensíveis à direção do Teu Santo Espírito.” E esta
prece tem sido respondida muitas e muitas vezes.
Na semana passada, nosso filho Tom veio jantar
conosco. Foi a primeira vez que pudemos conver-
sâr com ele a sós, desde que chegou. Harry, Tom
e eu, nos assentamos calmamente à mesa à luz de
velas. Assim que terminamos de dar graças, Tom
começou a fazer perguntas ao pai. Foi como se
estivesse há tempo esperando chegar aquela opor­
tunidade e não pudesse agüentar nem mais um
minuto. Depois de conversarmos por duas horas
seguidas Tom disse: “ Sabe, papai, nos últimos dez
meses tenho ouvido falar só em natureza e em
pensamento oriental. Eu precisava voltar para ca­
sa e ouvir a verdade outra vez vinda de você, pois
é a única pessoa com quem posso conversar e a
quem eu respeito.” (Como o Senhor é bom! Lem­
brei-me, então, que Harry havia ficado tão desani­
mado há algumas semanas pensando que não pode­
ría ajudar o próprio filho!)
Depois de estarmos conversando já há umas três
horas, o coração de Tom estava tão aberto e havia
Idéias e Exemplos. . . 109

nele tanta sensibilidade que isso só podia ter acon­


tecido pela ação do Espírito Santo. Antes de nos
deixar naquela noite Tom disse: “Você e mamãe
colocaram Deus dentro de meu coração quando eu
ainda era menino, e Ele nunca me deixou. Serei
sempre grato a vocês por isso e sempre os amarei.”
A única coisa que tem protegido Tom nestes últi­
mos cinco anos é o seu coração estar aberto e sen­
sível ao Espírito Santo, e será isto que um dia o
trará de volta à verdade de Deus.
2) Para vocês que ainda têm seus filhos peque­
nos, sugiro que cheguem aos seus quartos e orem
enquanto eles dormem. Peçam a Deus que eles
cresçam dentro de Seus divinos propósitos. Se sou­
berem de algum problema que possam ter, orem
por eles, se forem crianças desobedientes, peçam ao
Senhor que remova isso de suas vidas. Imaginem-
nas dóceis e sem problemas.
Seus filhos não precisam ser pequenos para que
você ore por eles desse modo. Quando Tom estava
no colégio, há alguns anos, e andava experi­
mentando drogas, eu costumava ir ao seu quarto
para acordá-lo de manhã, e antes de fazê-lo eu me
ajoelhava nos pés de sua cama e pedia que Deus
tirasse dele todo o desejo de drogas. Imaginava-o
livre delas e como seria o seu aspecto com a saúde
restaurada. Agradecia a Deus a ação de Seu poder
em sua vida.
3) Peça a Deus que cerque seus filhos (seu ma­
rido e também você) diariamente com sua proteção.
Creio que a proteção de Deus pode envolvê-los de
maneira tal que nenhum mal os atinja a não ser
que Deus permita. Vejo Débora andando pela es­
cola protegida de forma invisível por Deus. En­
quanto vão e vêm da escola por estradas escorre­
110 Jesus, Ensina-nos a Orar!

gadias peço que Deus os acompanhe e os proteja


em cada curva do caminho. E Ele o faz!
Depois que Tom deixou de usar drogas, foi con­
vidado para trabalhar no verão, numa pequena ilha
na costa do Texas. Ele devia conversar com rapazes
na praia e convidá-los para um pequeno estudo
bíblico que estavam realizando todas as noites.
Enquanto estava lá, um forte furacão atingiu a
ilha e todos tiveram de ser retirados; os estudantes
foram levados para uma das igrejas do continente.
Estavam todos sentados no chão em frente a uma
grande janela de vidro. Nem bem Tom havia aca­
bado de comentar com um deles: “ Ei rapaz, este
furacão até que não parece ser dos piores” , o te­
lhado da igreja voou pelos ares e os vidros da
janela caíram para dentro. Tom, sentado a uns dois
metros da janela sentiu os estilhaços do vidro que­
brado caindo. Não teve tempo sequer de se mover,
apenas escondeu a cabeça tentando proteger-se com
os braços. Depois que tudo passou, os outros estu­
dantes disseram: ‘Tom , não se mexa! Só abra os
olhos e veja.” Quando ele abriu os olhos, viu como
se alguém tivesse desenhado uma linha de 20 cm
à sua volta. Nem um pequeno caco de vidro havia
ultrapassado aquela linha! Mais tarde, quando nos
contou, Tom disse: “ Foi demais! Parecia que um
escudo estava à minha volta!” E eu pensei, “ Gra­
ças Senhor, por aquele escudo que puseste ao redor
de meu filho, bem como eu Te pedi!”
Nem sempre temos uma ilustração gráfica como
esta do escudo protetor de Deus, mas, porque não
o vemos, isso não quer dizer que Ele não esteja
ali. “ O Senhor é a minha força e o meu escudo” ,
diz o salmista, e Ele realmente o é.
4) Ore pelos futuros cônjuges de seus filhos. Co­
mece quando eles são ainda nenês ou em qualquer
Idéias e Exemplos. . . 111

idade que estejam agora. Ore por eles diversas


vezes na semana, peça que Deus fique com eles
onde quer que estejam, protegendo-os de qualquer
mal ou perigo e dos problemas emocionais. Ore
para que seus corações sejam abertos para receber
o Senhor Jesus como Salvador. Ore para que Deus
os traga a seus filhos no tempo certo e que Ele
abençoe suas vidas juntos.
Nossa filha Débora casou-se recentemente. Lem­
bro-me da primeira vez que vi seu noivo. Foi na­
quele dia de Ação de Graças ao qual me referi no
começo do livro. Na hora que o vi, senti como se
ele sempre tivesse feito parte da família. Gostamos
dele como se o tivéssemos conhecido a vida toda.
Tenho certeza que isso aconteceu por que eu esta-va
orando por ele já há uns vinte anos, todas as
semanas.

Ore pelo seu lar

Vá andando pela casa, cômodo por cômodo e


ore por eles. Dedique todas as partes deles ao
Senhor. Quando mudar para uma casa ou aparta­
mento novo, convide alguns amigos crentes para
um culto de “ dedicação da casa” . Leia passagens
especiais da Bíblia escolhidas previamente e ore
pedindo que as bênçãos e o poder do Espírito San­
to encham toda a casa. Talvez você queira fazer
isto só com sua família, mas se eles não quiserem,
ore mesmo sozinha.
Peça que seu lar seja um farol neste mundo per­
dido, ou um porto, lugar de conforto e amor para
todos os que forem ali, especialmente para os da
sua família. Peça que o amor e a paz de Jesus
invadam completamente a sua casa toda, e que ela
112 Jesus, Ensina-nos a Orar!

seja um lugar onde o Senhor seja honrado e glo-


rificado.
“ Estarão abertos os meus olhos e atentos os
meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar
Porque escolhi e santifiquei esta casa, para que
nela esteja o meu nome perpetuamente; nela esta­
rão fixos os meus olhos e o meu coração todos os
dias.” (2 Crôn. 7:15, 16.)
Você pode proceder da mesma forma para um
quarto de pensão, e até mesmo, pode dedicar seu
escritório ao Senhor.
E isso pode ser feito mais de uma vez, com o
passar do tempo, quando você desejar.

A Bíblia — Palavra de Deus

Você já procurou imaginar a sua entrada no


céu? Jesus e você andando juntos por uma estrada
toda sombreada, conversando sobre muitas coisas.
A certa altura Ele vira-se para você e pergunta: “ E
então, você gostou do livro que lhe dei?” “ Oh!” ,
você responde entusiasmada, “foi ótimo Senhor, eu
o levei à igreja todos os domingos e ele ficava em
um lugar de honra na mesa da sala de estar!” “ Isso
é bom” , Jesus diz, “mas diga-me, você chegou a
lê-lo?” E você responde: “Bem, Senhor, nunca o
li inteiro, sabe, eu estava sempre tão ocupada” , mas,
diz apressadamente, “li muitas partes dele.” E Je­
sus olhando com tristeza responde: “Você quer di­
zer que viveu setenta e tantos anos na terra e nunca
leu o Meu livro por inteiro, nem uma vez?”
Muitos de nós estamos em dia até com os mais
recentes livros evangélicos que são publicados. Não
deixamos de ler nenhum e podemos até discuti-los
por horas a fio. Mas como é pequeno o tempo gas­
Idéias e Exemplos. . . 113

to em ler a Palavra de Deus — nem que seja ape­


nas ler! É em Sua Palavra que devemos nos delei­
tar primeiro, depois, se houver tempo, podemos ler
os outros bons livros evangélicos que enchem as
prateleiras das nossas livrarias.
Mantenhamos correta a nossa escala de valores.
A Palavra de Deus primeiro, pois continuo achan­
do que somos tentados pelo diabo a ler um bom
livro, porém não o melhor!
Hudson Taylor contou a seu filho, um dia, que
havia lido a Bíblia pela quadragésima vez em qua­
renta anos! Você pode imaginar o que fê-lo ser um
grande homem de Deus?
Antes de começar suas orações de adoração e
intercessão, diariamente, sente-se e leia a Bíblia. Pe­
ça que o Espírito Santo abra seu coração para as
verdades que tem para você nesse dia.

Sugestões para a leitura da Bíblia

1) Sugiro que você leia metodicamente a Bíblia


toda. Não fique pulando partes dela. Quando leio
a Bíblia, começo no livro de Gênesis e ao mesmo
tempo em Mateus e Atos. Leio um capítulo por
dia do Velho Testamento, um dos Evangelhos e
um dos outros livros do Novo Testamento. Quan­
do termino os quatro Evangelhos, começo outra
vez em Mateus. Acho que nunca conhecemos os
Evangelhos suficientemente. Este é o modo como
leio a Bíblia diariamente:

1) Um capítulo do Velho Testamento


2) Um capítulo dos Evangelhos
3) Um capítulo de Atos e Epístolas
114 Jesus, Ensina-nos a Orar!

Quando terminar de ler a Bíblia toda, simples­


mente comece tudo outra vez e assim continue dia­
riamente, por toda a vida.
2) Leia a Bíblia com um lápis à mão; as­
sim você poderá marcar os versículos que a toca­
rem mais de perto. Se houver uma promessa espe­
cial que pareça própria para você naquele dia, ano­
te a data na margem com uma ou duas palavras
contando como veio de encontro às suas necessida­
des. Isto torna a Bíblia viva e pessoal.
3) Ponha um “p” depois de cada promessa lida
e um sinal de mais ( + ) depois de cada ordem
positiva.
4) Ponha um sinal de menos ( —) depois de ca­
da ordem negativa.
5) Antes de fechar a Bíblia faça uma prece rá­
pida de gratidão por todos os pensamentos que
sublinhou ou marcou.
6) Se você quer realmente aprender a Bíblia e
se lembrar do que leu, sugiro que compre um
caderno e depois de terminar a leitura de cada ca­
pítulo, pare e use um minuto para:
a) Escrever, no máximo, umas 10 palavras so­
bre o assunto do capítulo.
b) Anote pelo menos uma coisa que possa ser
aplicada à sua vida naquele dia.
7) Quando chegar a uma passagem que não en­
tenda (e encontrará muitas), ponha uma interroga­
ção na margem. Fale sobre ela com um amigo cren­
te, procure um comentário bíblico que possa aju­
dá-la, pergunte ao seu professor da Escola Domi­
nical ou ao seu pastor.
Quanto ao tempo, sugiro que a leitura não seja
muito demorada, parando para cada detalhe, mas
que haja uma visão global. Em outras palavras,
não confunda leitura com estudo da Bíblia. Há
Idéias e Exemplos. . . 115

uma diferença. Todos os cristãos devem estudar a


Bíblia, seja num pequeno grupo de amigos, em ca­
sa, ou num grupo organizado na igreja.
Peça a Deus que lhe dê fome e sede pela Sua
Palavra. Se há tempo em que os cristãos precisam
conhecer muito bem a Palavra de Deus, esse tempo
é o de hoje. Precisamos saber em que cremos e
por que o cremos. Chegará o dia, quando só aque­
les cuja fé estiver firmada na Rocha, Jesus Cristo,
serão capazes de resistir à tempestade que se apro­
xima. Leia a Bíblia. Descubra por si mesma como
Deus é, na realidade. Conheça as promessas que
Ele tem à espera da sua oração, pois essas promes­
sas a fortalecerão e a farão crescer na fé. Nossa fé
é revigorada quando ficamos sabendo como é gran­
de e poderoso o Deus da Bíblia. “ Achadas as tuas
palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram
gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome
sou chamado, ó Senhor, Deus dos Exércitos” (Jer.
15:16).
Você está se alimentando, hoje, com a Palavra de
Deus? Ela é a alegria e prazer do seu coração?

Conclusão

Lembre-se sempre, a leitura da Palavra de Deus


e a oração devem vir sempre juntas. Não há meios
de separá-las.
É quando oramos que o nome de Jesus é glori-
ficado.
É quando oramos que a vida adquire um novo
propósito e significado.
É quando oramos que vemos as pessoas se che­
garem a Jesus.
116 Jesus, Ensina-nos a Orar!

É quando oramos que o poder de Deus é conhe­


cido por nós e pelo mundo. Tudo o que Deus pre­
parou para nós será dado através da oração. Não
há nenhum outro modo.
A tragédia da vida não é uma prece sem respos­
ta, mas uma prece que não foi feita.
“Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo,
alegrai-vos. Não andeis ansiosos de coisa alguma;
em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus
as vossas petições, pela oração e pela súplica, com
ações de graça. E a paz de Deus, que excede todo
o entendimento, guardará os vossos corações e as
vossas mentes em Cristo Jesus.” (Fil. 4:4, 6 e 7.)
Idéias e Exemplos. . . 117

Nota: Destaque este sumário para seu uso pessoal


ou use-o quando estiver ensinando pessoas
a orar.

Sumário

A. As “orações-flecha”
B. Oração de adoração e intercessão
1. Arranje tempo
2. Um lugar sossegado
a. ajoelhe-se
b. ore em voz alta
c. anote pedidos de oração
3. Oração de proteção
4. Meditação e adoração
a. use os Salmos ou hinos
b. louvor
5. Ouça interiormente
a. Deus traz à mente alguém que esteja pre­
cisando de oração
b. Deus orienta para saber sobre o que e
como orar
c. revela pecados ocultos
6. Confissão
a. seja específica, nomeie os seus pecados
b. remova os pecados que estão bloqueando
o canal das bênçãos de Deus
7. Orar com fé
a. a fé remove montanhas
b. as respostas de Deus: “ sim” , “ não” e “es­
pere”
8. Oração “eu vejo”
a. como usar sua imaginação criativa
b. devemos orar; devemos pedir; devemos
crer
c. as surpresas de Deus
118 Jesus, Ensina-nos a Orar!

9. Gratidão
a. peça orientação para saber como orar
b. faça seus pedidos
c. imagine a resposta da oração
d. agradeça a Deus por estar agindo desde
esse momento

Prezado leitor,
Sua opinião acerca deste livro é muito importante. Escreva-
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mente. Nosso endereço:
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