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Curso: Português

Teoria e Questões Comentadas


Prof. Bruno Spencer - Aula 07

Aula 07 – Crase
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Professor: Bruno Spencer

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Aula 07 – Crase

Olá amigos,
Nesta aula, vamos estudar um assunto certo em provas de concursos e
que merece bastante atenção.
Vocês vão perceber que a teoria é bem simples e, portanto, pontuação
garantida, sem tanto esforço.
Bons estudos!!!

Sumário

1 – O que é crase? .................................................................................. 3


2 – Quando ocorre crase? ........................................................................ 3
3 - Crase facultativa ................................................................................ 6
4 - Casos Específicos ............................................................................... 7
5 - Questões Comentadas ...................................................................... 11
6 - Lista de exercícios ........................................................................... 52
7 - Gabarito ......................................................................................... 78
8 – Referencial Bibliográfico ................................................................... 78

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1 – O que é crase?

Crase nada mais é que a FUSÃO de duas vogais (a + a), sendo o


primeiro "A" uma preposição e o segundo "A" um artigo, um
pronome, ou parte dele.
A crase é identificada pelo acento GRAVE. Ela não é o assento em si, mas
sim um fenômeno linguístico.

•Ex. Fomos à festa.


•Chegamos àquele mesmo lugar.
•Esta é a meta à qual visamos.

2 – Quando ocorre crase?

A ocorrência da crase depende do termo anterior e do posterior.


No primeiro devemos ter um verbo ou nome que exija a preposição
"A".
No termo posterior, precisamos de um nome feminino que se
acompanhe do artigo "A", o pronome demonstrativo A ou
AQUELE(A), ou o pronome relativo A QUAL/ AS QUAIS.

•Ex. Fomos à festa. (preposição A + artigo A)


•Chegamos àquele mesmo lugar. (preposição A + pronome AQUELE)
•Esta é a meta à qual visamos. (preposição A + pronome A QUAL)

OBSERVE:

1 2

ARTIGO nome
"A" feminino

VERBO PRONOMES DEMONSTRATIVOS


PREPOSIÇÃO
ou "A(S)" - "AQUELE(A)(S)"
"A" "AQUILO"
NOME

PRONOME RELATIVO
"A QUAL" - "AS QUAIS"

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Vamos a alguns exemplos:

Assistimos à novela ontem.

Veja que o VERBO (termo anterior) EXIGE a preposição "A".


Quem assiste, assiste a alguma coisa. (regência do verbo assistir)
Assim, identificamos a preposição "a" e o artigo "a" acompanhando a palavra
"novela".

Fizeram muitas homenagens àquela mulher.

Fizeram homenagens a quem? ("a" - preposição + "aquela"...)

Veja, é a menina à qual todos se referiam.

O verbo REFERIR-SE é transitivo indireto e exige a preposição "a".


(referir-se a algo ou alguém)

DICA IMPORTANTE:

Simule perguntas ou modifique a frase, mudando o termo posterior


para o masculino, para perceber melhor a presença da preposição e
do artigo.

•Ex. Assistimos à novela ontem. (preposição A + artigo A)


•Assistimos ao filme ontem. (preposição A + artigo O)

Quando mudamos o termo posterior para o masculino fica fácil percebermos


a presença ou não da preposição e do artigo definido.

Então ficamos assim:


1. Para saber se ocorrerá CRASE, vamos sempre analisar o termo anterior
e o termo posterior.
2. Algumas vezes o termo anterior exige a PREPOSIÇÃO, mas o posterior
NÃO ADMITE O ARTIGO.

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OBSERVE O ESQUEMA ABAIXO:

SIM nomes femininos


admite o artigo "A"?
TERMO POSTERIOR

verbos

nomes masculinos

artigos
NÃO
Expressões com
palavras repetidas

pronomes
pessoais - indefinidos - relativos - demonstrativos
(este(a), esse(a)) - interrogativos - tratamento

Exemplos em que não cabe crase:


Todos ficaram a cantar. (verbo)
Entregou o dinheiro ao amigo. (nome masculino)
Visavam a uma meta comum. (artigo indeterminado)
O dia a dia deles era de muita labuta. (expressão com palavras repetidas)
Foram a muitas praias naquele verão. (pronome indefinido)
Entregaram o prêmio a quem o merecia. (pronome relativo)

Vejamos mais um exemplo de utilização da crase:

O prefeito pediu atenção à educação do município.

Vemos que o NOME “atenção” EXIGE a preposição "a".


Podemos pedir atenção para algo ou a algo.
Atenção a quê? À educação.
"A" (preposição) + "A" (artigo) + educação (nome feminino)
Observe que caso o termo posterior fosse masculino não caberia crase.
O prefeito pediu atenção ao custo da educação do município.

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3 - Crase facultativa

Há situações que podemos ou não usar a crase, dependendo do sentido


ESPECÍFICO ou GENÉRICO que damos ao termo posterior.
Quando damos sentido específico acrescentamos o artigo "A(s)" para
determiná-lo.
Por outro lado, podemos dar um sentido genérico ao "termo posterior"
não utilizamos o artigo definido antes dele, quando permitido.

•Ex. Houve ataque a mulheres que lá estavam. (sentido geral - apenas


preposição "a")

•Houve ataque às mulheres que lá estavam. (sentido específico -


preposição "a" + artigo "as")

OBSERVAÇÃO:
Poderíamos, como é comum em provas de concurso, ter uma questão de crase
baseada em um texto, no qual o termo posterior é citado anteriormente ao
trecho a ser analisado.
Nesse caso, note que o termo posterior se refere a algo específico, pois já foi
citado no próprio texto.
Assim, é necessário ter atenção se banca aborda a correção do texto ou
apenas da frase de maneira isolada, já que, no primeiro caso a crase seria
obrigatória, enquanto no segundo, facultativa.

É facultativo o uso de artigo diante de pronome possessivo feminino,


assim, caso o termo anterior exija a preposição, a crase será
FACULTATIVA.

•Ex. Retornamos a minha casa. (preposição "a")

ATENÇÃO!!!
Se o nome estiver no plural, ou se usa "A" (sem artigo) ou "ÀS" (com artigo
"as").

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Exemplo:
Retornamos a nossas casas.
Retornamos às nossas casas.

Há ainda o caso do termo "ATÉ", que pode ou não vir acompanhado de


preposição "A".

•Ex. Vamos até a cozinha.


•Vamos até à cozinha.

Esquema gráfico de crase FACULTATIVA:

Não há artigo
SENTIDO
"A(s)", logo
GERAL
não há crase
NOMES
Adiciona-se o
SENTIDO
artigo
ESPECÍFICO
CRASE "A(s)"
após "até"
FACULTATIVA

Pronomes
minha(s), nossa(s),
Possessivos
sua(s)
Femininos

4 - Casos Específicos

Há alguns casos que merecem ser mencionados para que o aluno não
seja pego de surpresa e não fique em dúvida na hora da prova.

Locuções: Adverbiais - Conjuntivas - Prepositivas

As locuções femininas recebem CRASE, pela adição do chamado acento


"diferencial", ou seja, que serve para diferenciar ou identificar uma
expressão.

•Ex. Vire à direita. (locução averbial)


•À medida que estudamos, tudo fica fácil. (locução conjuntiva)
•Descansamos à sombra de um jatobá. (locução prepositiva)

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Locuções
Femininas

Adverbiais Conjuntivas Prepositivas

à procura de,
à noite, à tarde, à à medida que, à sombra de,
esquerda, à direita, às
à proporção que à custa de,
ordens, à luz, à força
à espera de

OBSERVAÇÃO:
Quando a expressão traz substantivo no plural, não se usa crase.
Exemplos: a pauladas, a duras penas, a quatro mãos e etc.

Expressão Masculina - "à (moda)"

Às vezes encontramos expressões com crase diante de nomes


masculinos.
ocorre, pois, nessas expressões está implícita a palavra "moda".
A expressão à moda Rui Barbosa significa ao estilo de Rui Barbosa.

preposição "A" + artigo "A" + (moda)

•Ex. Ele escreveu à Rui Barbosa. (= à moda Rui Barbosa)


•Ele driblou à Garrincha. (= à moda Garrincha)

ATENÇÃO:
Não se enquadram nessa regra as expressões "a cavalo" de "bife a cavalo" e
"a passarinho" de "frango a passarinho", pois, nestes casos não cabe a palavra
"moda".

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Lugares ou Topônimos

Existem lugares que têm nomes femininos que pedem artigo "a" e
outros não.

•Ex. Vou à Europa em julho.


•Vou a Salvador em fevereiro.
•Vou à velha Salvador em fevereiro.

Para identificarmos se o lugar pede o artigo, devemos modificar a frase.


Exemplos:
Vou à Europa em julho.
Mudando o verbo para VIR:
Vim da Europa em julho.
Repare que você não fala vim de Europa. Então você já sabe que Europa pede
o artigo "a".

Vou a Salvador em fevereiro.


ndo o verbo para VIR:
Vim de Salvador em fevereiro.
Note que Salvador não admite o artigo "a", por isso não haverá crase.

No entanto:
Vou à velha Salvador em fevereiro.
Repare que o adjetivo "velha" qualificou ou especificou "Salvador", fazendo
com que seja obrigatório o uso do artigo e consequentemente da crase.
Quando você modifica a frase, o artigo já aparece, veja:

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CASA

Quando falamos da CASA de terceiros, utilizamos o artigo "a", no


entanto, quando falamos de nossa própria casa, não o utilizamos.

•Ex. Vou à casa de minha mãe. (Vim da casa de minha mãe.)


•Vou à casa de fulano. (Vim da casa de fulano.)
•Vou a casa. Vim de casa. (sem artigo)

Horários

Podemos indicar horários de duas maneiras: sem artigos ou com


artigos.
Porém, não podemos misturar as duas formas para não quebrarmos o
paralelismo da expressão.

•Ex. de segunda a sexta (sem nenhum artigo)


• da segunda à sexta (com os dois artigos)
•de nove a doze horas
•das nove às doze horas

Ok pessoal, vamos aos exercícios!!!

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5 - Questões Comentadas

1) CESPE/ATA/DPU/2016
No início da colonização portuguesa no Brasil, a defesa das pessoas pobres
perante os tribunais era considerada uma obra de caridade, com fortes traços
religiosos.
Anteriormente à primeira Constituição pátria, a de 1824, vigoraram as
Ordenações Afonsinas, as Manuelinas e as Filipinas. Destas, somente as
Ordenações Filipinas, sancionadas em 1595 e que construíram a base do direito
português até o século XIX, com vigência de 1603 até o Código Civil brasileiro
de 1916, trazem, em seu texto, algo que remete ao entendimento de concessão
de justiça gratuita, prevendo que, se o agravante fosse tão pobre que jurasse
não ter bens móveis, nem bens de raiz, nem como pagar o agravo e se rezasse,
na audiência, uma vez, a oração do Pai-Nosso pela alma do rei de Portugal,
seria considerado quitado o pagamento das custas de então.
Ainda com relação ao aspecto da gratuidade, em particular, o colonizador
português trouxe para o território brasileiro a praxe forense de acordo com a
qual os advogados deveriam assistir, de maneira gratuita e voluntária, pro bono,
os pobres que a solicitassem. Essa obrigação era admitida como um dever moral
do ofício, diferenciando-se do voluntariado por ser exercida com caráter e
competência profissionais, embora fosse uma atividade não remunerada.
Essas duas formas de gratuidade no acesso à justiça não se confundem. A
advocacia pro bono é definida como a prestação gratuita de serviços jurídicos
na promoção do acesso à justiça, ao passo que a assistência jurídica pública
gratuita, atualmente prevista na Constituição Federal, no artigo 5.º, inciso
LXXIV, e no artigo 134, é um dever intransferível do Estado e, na maior parte
das vezes, é realizada na atuação das Defensorias Públicas da União e dos
estados e por meio de convênios entre esses órgãos e a Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB).
Enfim, a importância dessas duas formas de assistência jurídica gratuita reside
no fato de que o maior beneficiário dessa prerrogativa é a pessoa com
insuficiência de recursos que tenha de demandar em juízo.
Internet: <www.ambitojuridico.com.br> e <www.probono.org.br> (com
adaptações).

Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado,


julgue o seguinte item
No trecho “Anteriormente à primeira Constituição pátria”, o emprego do acento
indicativo de crase é facultativo.
Certo

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Errado
Comentários:
A regência do nome “anteriormente” exige a preposição A, ao passo que o
termo “primeira Constituição pátria” exige o artigo A.
Repare que os adjetivos “primeira” e “pátria” especificam o termo
“constituição”, que passa a exigir o artigo A, tornando a crase obrigatória.

Não há artigo
SENTIDO
"A(s)", logo
GERAL
não há crase
NOMES
Adiciona-se o
SENTIDO
artigo
ESPECÍFICO
CRASE "A(s)"
após "até"
FACULTATIVA

Pronomes
minha(s), nossa(s),
Possessivos
sua(s)
Femininos

Gabarito: Errado

2) CESPE/Ag Adm/DPU/2016
Maria Silva é moradora do Assentamento Noroeste, onde moram cerca de cem
as cuja principal forma de renda é o trabalho com reciclagem. Ela é uma
das líderes que lutam pelos direitos daquela comunidade. Vinda do estado do
Ceará, Maria chegou a Brasília em 2002 e conheceu o trabalho da Defensoria
Pública por meio do projeto Monitoramento da Política Nacional para a População
em Situação de Rua, tendo seu primeiro contato com a defensoria ocorrido
quando ela precisou de novos documentos para substituir os que haviam sido
perdidos no período em que esteve nas ruas.
O objetivo do referido projeto é o de ir até a população que normalmente não
tem acesso à Defensoria Pública. “Nós chegamos de forma humanizada até
essas pessoas em situação de rua. Com esse trabalho nós estamos garantindo
seu acesso à justiça e aos direitos para que consigam se beneficiar de outras
políticas públicas”, explica a coordenadora do Departamento de Atividade

A mais recente visita de participantes de outro projeto, o Atenção à População


de Rua do Assentamento Noroeste, levou respostas às demandas solicitadas
pelos moradores. O foco foram soluções e retornos de casos como o de um
morador que tem problemas com a justiça e que está sendo assistido por um
defensor público e o de uma senhora que estava internada em um hospital
público e conseguiu uma cirurgia por meio dos serviços da defensoria. As visitas

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acontecem mensalmente, sendo a maior demanda a solicitação de registro civil.


“As certidões de nascimento figuram entre as demandas porque essas pessoas
não as conseguiram por outros serviços, e a defensoria teve que intervir. Nós
entramos para solucionar problemas: vamos até as ruas para informar sobre o
trabalho da defensoria, para que seus direitos sejam garantidos”, afirma a
coordenadora.
Internet: <www.defensoria.df.gov.br.> (com adaptações).

Acerca dos aspectos linguísticos e das ideias do texto acima, julgue o item
seguinte.
No trecho “respostas às demandas” (l.16), o emprego do sinal indicativo de
crase justifica-se pela regência do substantivo “respostas”, que exige
complemento antecedido da preposição a, e pela presença de artigo feminino
plural que determina “demandas”.
Certo
Errado
Comentários:
Perfeita a explicação! Relembre o nosso esquema.

ARTIGO nome
"A" feminino

VERBO PRONOMES DEMONSTRATIVOS


PREPOSIÇÃO
ou "A(S)" - "AQUELE(A)(S)"
"A" "AQUILO"
NOME

PRONOME RELATIVO
"A QUAL" - "AS QUAIS"

Gabarito: Certo

3) CESPE/Esp/FUNPRESP/Jurídica/2016
Luís Fernando Veríssimo diz que o cronista é como uma galinha, bota seu ovo
regularmente. Carlos Eduardo Novaes diz que crônicas são como laranjas,
podem ser doces ou azedas e podem ser consumidas em gomos ou pedaços, na
poltrona de casa ou espremidas na sala de aula.
Já andei dizendo que o cronista é um estilita. Não confundam, por enquanto,
com estilista. Estilita era o santo que ficava anos e anos em cima de uma coluna,
no deserto, meditando e pregando. São Simeão passou trinta anos assim,

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exposto ao sol e à chuva. Claro que, de tanto purificar seu estilo diariamente, o
cronista estilita acaba virando um estilista.
O cronista é isso: fica pregando lá em cima de sua coluna no jornal. Por isso,
há uma certa confusão entre colunista e cronista, assim como há outra confusão
entre articulista e cronista. O articulista escreve textos expositivos e defende
temas e ideias. O cronista é o mais livre dos redatores de um jornal. Ele pode
ser subjetivo. Pode (e deve) falar na primeira pessoa sem envergonhar-se.
O cronista é crônico, ligado ao tempo, deve estar encharcado, doente de seu
tempo e ao mesmo tempo pairar acima dele.
Affonso Romano de Sant’Anna. O que é um cronista? In: O Globo. 12/6/1988
(com adaptações).

Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto O que é um cronista?,


julgue o item a seguir.
Na linha 8, o emprego do acento indicativo de crase em “à chuva” é exigido pela
regência da forma verbal “exposto” e pela presença do artigo definido feminino
que especifica o substantivo “chuva”.
Certo
Errado
Comentários:
No trecho “exposto ao sol e à chuva”, podemos notar a presença de dois
complementos para o nome “exposto”, paralelos entre si. É como se este se
repetisse de forma implícita.
exposto ao sol e (exposto) à chuva
Gabarito: Certo

4) CESPE/Tec GT/TELEBRAS/Assistente Técnico/2015


Com a construção do primeiro satélite geoestacionário brasileiro, a segurança
do tráfego de dados importantes no país poderá aumentar, uma vez que eles
passarão a ser criptografados. Segundo o presidente da TELEBRAS, um dos
objetivos do desenvolvimento do satélite será a proteção às redes que
transmitem informações sensíveis do governo federal. Por isso a TELEBRAS vai
erno,
de maneira que os dados sensíveis que vão transitar no nosso satélite serão
praticamente invioláveis”.
A expansão da Internet de banda larga popular em mais de dois mil municípios
brasileiros que ainda não são atendidos por via terrestre é mais um dos
objetivos da construção do novo satélite. Outra área importante a ser atendida

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é a militar, que atualmente usa satélites estrangeiros para realizar suas


operações.
Para o presidente da TELEBRAS, o fato de o país não ter um satélite próprio faz
que o governo não tenha controle do equipamento. Ele considera “recorde” o
tempo desde o início da concepção do projeto, em 2011, até hoje.
Internet: <www.exame.abril.com.br> (com adaptações).

No que se refere às estruturas linguísticas do texto acima e às ideias nele


desenvolvidas, julgue o item a seguir.
O sinal indicativo de crase em “proteção às redes” justifica-se pela contração da
preposição a, exigida pelo substantivo “proteção”, com o artigo definido
feminino as, que determina o vocábulo “redes”.
Certo
Errado
Comentários:
A explicação da crase está clara e correta.

ARTIGO nome
"A" feminino

VERBO PRONOMES DEMONSTRATIVOS


PREPOSIÇÃO
ou "A(S)" - "AQUELE(A)(S)"
"A" "AQUILO"
NOME

PRONOME RELATIVO
"A QUAL" - "AS QUAIS"

Note também que se trata de um caso de crase obrigatória, uma vez que o
nome “redes” é determinado pela oração adjetiva “que transmitem
informações sensíveis do governo federal”.
Gabarito: Certo

5) CESPE/AFCE/TCE SC/Controle Externo/Direito/2016


Texto CB2A2AAA
É inegável que o Estado representa um ônus para a sociedade, já que, para
assegurar o seu funcionamento, consome riquezas da sociedade. Representa,
porém, um mal necessário, pois até agora não se conseguiu arquitetar

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mecanismo distinto para catalisar a vida em comunidade. Então, se do Estado


ainda não pode prescindir a civilização, cabe-lhe aprimorá-lo, buscando otimizar
o seu funcionamento, de modo a torná-lo menos oneroso, mais eficiente e
eficaz.
O bom funcionamento do Estado, que inclui também o bom funcionamento de
suas estruturas encarregadas do controle público (Ministério Público, Poder
Legislativo e tribunais de contas, entre outros), vem sendo alçado à condição
de direito fundamental dos indivíduos. Pressupõe, notadamente sob as luzes do
princípio constitucional da eficiência, os deveres de cuidado e de cooperação.
O dever de cuidado é consequência direta do postulado da indisponibilidade do
interesse público. Em decorrência desse postulado, todo agente público tem o
dever de, no cumprimento fiel de suas atribuições, perseguir o interesse público
manifesto na Constituição Federal e nas leis. Conduz, portanto, à ideia de
vedação da omissão, já que deixar de cumprir tais atribuições evidenciaria
conduta ilícita. O dever de cuidado conduz, ainda, a uma ampla interação entre
as estruturas públicas de controle, ou seja, é um dever de cooperação, não
como faculdade, mas como obrigação que, em regra, dispensa formas especiais,
como previsões normativas específicas, convênios e acordos.
Sob essa perspectiva, o controle público do Estado deve incorporar à sua cultura
institucional o compromisso com o direito fundamental ao bom funcionamento
do Estado.
Nesse contexto, os deveres de cuidado e de cooperação se impõem a todas as
estruturas do Estado destinadas a promover o controle da máquina estatal.
ervância do dever de cuidado e do de cooperação — traduzida, portanto,
na atuação comprometida e concertada das estruturas orientadas para a função
de controle da gestão pública — deve promover, entre os agentes e órgãos de
controle, comportamentos de responsabilidade e responsividade. Por
responsabilidade entenda-se o genuíno compromisso com a integralidade do
ordenamento jurídico, o que pressupõe, acima de tudo, o reconhecimento de
um regime de vedação da omissão. Responsividade, por sua vez, traduz o
comportamento orientado a oferecer respostas rápidas e proativas,
impregnadas de verdadeiro compromisso com a ideia-chave de promover o bom
funcionamento do Estado.
Diogo Roberto Ringenberg. Direito fundamental ao bom funcionamento do
controle público. In: Controle Público, n.º 10, abr./2011, p. 55 (com
adaptações).

Com relação às estruturas linguísticas do texto CB2A2AAA, julgue o item a


seguir.

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No trecho “a uma ampla interação", a inserção do sinal indicativo de crase no


“a” manteria a correção gramatical do período, mas prejudicaria o seu sentido
original.
Certo
Errado
Comentários:
Vamos analisar o trecho:
“O dever de cuidado conduz, ainda, a uma ampla interação entre as estruturas
públicas de controle”
De fato, a forma verbal “conduz” exige a preposição A, no entanto, já temos
o artigo indefinido “uma” acompanhando o termo “ampla interação”, não
cabendo a adição de mais um artigo.

SIM nomes femininos


admite o artigo "A"?
TERMO POSTERIOR

verbos

nomes masculinos

ARTIGOS
NÃO
Expressões com
palavras repetidas

pronomes
pessoais - indefinidos - relativos - demonstrativos
(este(a), esse(a)) - interrogativos - tratamento

Gabarito: Errado

6) CESPE/Aud CE/TCE PA/Educacional/2016


Texto CB1A1BBB
Estranhamente, governos estaduais cujas despesas com o funcionalismo já
alcançaram nível preocupante ou que estouraram o limite de gastos com pessoal
fixado pela Lei Complementar n.º 101/2000, denominada Lei de
Responsabilidade Fiscal (LRF), estão elaborando sua própria legislação
destinada a assegurar, como alegam, maior rigor na gestão de suas finanças.
Querem uma nova lei de responsabilidade fiscal para, segundo argumentam,
fortalecer a estrutura legal que protege o dinheiro público do mau uso por
gestores irresponsáveis.
Examinando-se a situação financeira dos estados que preparam sua versão da
lei de responsabilidade fiscal, fica difícil aceitar a argumentação. Desde maio de
2000, quando entrou em vigor a LRF, esses estados, como os demais, estão

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sujeitos a regras precisas para a gestão do dinheiro público, para a criação de


despesas e, em particular, para os gastos com pessoal. Por que, tendo
descumprido algumas dessas regras, estariam interessados em torná-las ainda
mais rigorosas?
Não foi a lei que não funcionou, mas os responsáveis pelo dinheiro público que,
por alguma razão, não a cumpriram. De que adiantaria, então, tornar a lei mais
rigorosa, se nem nas condições atuais esses responsáveis estão sendo capazes
de cumpri-la?
O problema não está na lei. Mudá-la pode ser o pretexto não para torná-la mais
rigorosa, mas para atribuir-lhe alguma flexibilidade que a desfigure. O
verdadeiro problema é a dificuldade do setor público de adaptar suas despesas
às receitas em queda por causa da crise.
Internet: <http://opiniao.estadao.com.br> (com adaptações).

Com relação aos aspectos linguísticos do texto CB1A1BBB, julgue o seguinte


item.
O emprego do acento grave em “às receitas” decorre da regência do verbo
“adaptar” e da presença do artigo definido feminino determinando o substantivo
“receitas”.
Certo
Errado
Comentários:
Quem adapta, adapta uma coisa (OD) a outra (OI).
Comparando com o trecho em análise:
adaptar suas despesas (OD) às receitas (OI)
Notemos que o nome “receitas” está especificado pela expressão “em queda
por causa da crise”, exigindo o artigo AS e consequentemente ocorrendo a
crase.
Gabarito: Certo

7) CESPE/Aux Tec CE/TCE PA/Informática/2016

Passados os atropelos da chegada de D. João ao Brasil, era hora de colocar


mãos à obra. Os planos eram grandiosos e havia tudo por fazer. A colônia
precisava de estradas, escolas, tribunais, fábricas, bancos, moeda, comércio,
imprensa, biblioteca, hospitais, comunicações eficientes. Em especial,
necessitava de um governo que se responsabilizasse por tudo isso. D. João não

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perdeu tempo. No dia 10 de março de 1808, quarenta e oito horas depois de


desembarcar no Rio de Janeiro, organizou seu novo gabinete.
Caberia a esse gabinete criar um país a partir do nada. Havia duas frentes de
ação. A primeira, interna, incluiu as inúmeras decisões administrativas que D.
João tomou, logo ao chegar, para melhorar a comunicação entre as províncias,
estimular o povoamento e o aproveitamento das riquezas da colônia. A outra
frente era externa. Visava ampliar as fronteiras do Brasil, em uma tentativa de
aumentar a influência portuguesa na América. Era também uma forma de punir
os adversários europeus de Portugal, ocupando seus territórios e ameaçando
seus interesses americanos. Nesse caso, os avanços foram precários e sem
consequências duradouras.
No final de 1808, uma tropa de quinhentos soldados brasileiros e portugueses,
escoltada por uma pequena força naval, invadiu a Guiana Francesa e sitiou a
capital, Caiena, cujo governador se rendeu sem resistência no dia 12 de janeiro.
Era uma retaliação à invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão. Uma
segunda ofensiva seria a anexação da chamada Banda Oriental do Rio da Prata,
atual território do Uruguai, em represália à aliança da Espanha com a França
napoleônica. Foram ambas conquistas efêmeras. A Guiana se livrou das tropas
de D. João oito anos mais tarde. O Uruguai conseguiria sua independência em
1828.
Com os planos de expansão territorial fracassados, restou a D. João se
concentrar na primeira — e mais ambiciosa — de suas tarefas: mudar o Brasil
para reconstruir nos trópicos o sonhado império americano de Portugal.
Laurentino Gomes. 1808. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2007 (com
adaptações).

Com relação a aspectos linguísticos do texto CB8A1BBB, julgue o item


subsequente.
Ocorre crase em “represália à aliança” porque “represália” exige complemento
regido pela preposição a e “aliança” está antecedido do artigo a.
Certo
Errado
Comentários:
Realmente, a regência do nome “represálias” exige a preposição A (represália
a alguém), ao passo que o nome “aliança” exige o artigo A, inclusive porque
vem determinado/especificado pelo termo “da Espanha com a França
napoleônica”.
Gabarito: Certo

8) CESPE/AIE/MPOG/Área I/2012

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É um erro buscar o crescimento pelo crescimento, sem levar em conta os seus


efeitos mais amplos e as suas consequências. É necessário ponderar, entre
outros fatores, o impacto ambiental. É fundamental também usar os frutos do
crescimento, para aprimorar a qualidade de vida da população de maneira
abrangente, e não apenas para favorecer certos grupos. Precisamos prestar
atenção em como podemos tirar o melhor proveito do enriquecimento do país.
Sou contra o crescimento pelo crescimento, e ofereço todas as minhas críticas
àqueles que são a favor. Entretanto, àqueles que não buscam nenhum
crescimento, como é o caso da Europa hoje em dia, minhas críticas são ainda
mais severas. Adam Smith estava certo quando observou que o crescimento
aumenta a renda da população e, assim, amplia a capacidade das pessoas de
ter acesso a melhores condições de vida. Estava certo também quando disse
que o crescimento gera os recursos necessários para que os governos possam
exercer suas atividades essenciais.
Amartya Sem. Mercado, justiça e liberdade. In: Veja, 2/5/2012 (com
adaptações).
No que se refere à organização das ideias no texto acima, julgue o item
seguinte.
O emprego do sinal indicativo de crase em "àqueles" é exigido, na primeira
ocorrência, pela presença da forma verbal "ofereço" e, na segunda, pela
presença do substantivo "críticas".
Certo
Errado
ntários:
“...ofereço todas as minhas críticas àqueles que são a favor. Entretanto, àqueles
que não buscam nenhum crescimento, como é o caso da Europa hoje em dia,
minhas críticas são ainda mais severas.”
Questão de bom nível para testar os candidatos!
Na primeira oração, é mais fácil perceber que a assertiva está correta.
Quem oferece, oferece algo a alguém (verbo bitransitivo – TDI).
Portanto: àqueles que são a favor = a + aqueles que são a favor é o objeto
indireto - OI da primeira oração.
O segundo período está bem “embaralhado”, então vamos desembaralhá-lo,

“minhas críticas àqueles que não buscam nenhum crescimento, como é o caso
da Europa hoje em dia, são ainda mais severas.”
Assim, ficamos mais seguros para responder que a preposição “a” é fruto da
regência nominal de “críticas” (fazer crítica a alguém ou a algo).
Preposição a + aquele = àquele

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ARTIGO nome
"A" feminino

PRONOMES DEMONSTRATIVOS
VERBO
PREPOSIÇÃO "A(S)" - "AQUELE(A)(S)"
ou "AQUILO"
"A"
NOME
PRONOME RELATIVO
"A QUAL" - "AS QUAIS"

Gabarito: C

9) CESPE/ACE/TCDF/2012
A Teoria Geral do Estado mostra como surgiu e se organizou, ao longo do tempo,
o Estado. Nas formas primitivas de organização social, ainda tribais, o poder era
concentrado nas mãos de um único chefe, soberano e absoluto, com poder de
vida e morte sobre seus subordinados, fazendo e executando as leis.
Na Antiguidade Clássica, as civilizações grega e romana foram as que primeiro
fizeram uma tentativa de compartilhar o poder, criando instituições como a
Eclésia e o Senado. Contudo, essa experiência foi posta de lado quando as
trevas medievais tomaram conta da Europa, fazendo-a mergulhar em mil anos
de estagnação, sob as mãos de senhores feudais, reis e papas, que não
conheciam outro limite senão seu próprio poder.
da Idade Média, no século XV, e o ressurgimento das cidades, no período
renascentista, representaram profundas mudanças para a sociedade da época,
mas, do ponto de vista político, assistiu-se a uma concentração ainda maior do
poder nas mãos dos soberanos, reis absolutos, que, sob o peso de sua
autoridade, unificaram os diversos feudos e formaram vários dos Estados
modernos que hoje conhecemos. Exceção a essa regra foi a Inglaterra, onde, já
em 1215, o poder do rei passou a ser um tanto limitado pelos nobres, que o
obrigaram a pedir autorização a um conselho constituído por vinte e cinco
barões para aumentar os impostos. A fim de fazer valer essa exigência, foi
assinada a Magna Carta. Nascia o embrião do parlamento moderno, com a
finalidade precípua de limitar o poder do rei.
Elton E. Polveiro Júnior. Desafios e perspectivas do poder legislativo no século
XXI. Internet: <www.senado.gov.br> (com adaptações).

Com relação a aspectos linguísticos do texto, julgue o item que se segue.


No trecho "Exceção a essa regra", é opcional o emprego do sinal indicativo de
crase no "a".
Certo

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Errado
Comentários:
O nome “exceção” exige a preposição “a” (isso é exceção a algo), porém,
mesmo o nome “regra” sendo feminino, ele já vem acompanhado do pronome
demonstrativo “essa”, que faz a mesma função do artigo, determina o nome.
Assim, não há mais espaço para o artigo A.
Transpondo para o masculino, poderíamos escrever: exceção a esse
regulamente ou exceção ao regulamento.
OBSERVAÇÃO
Caso o pronome demonstrativo fosse a ou aquele (a), a preposição fundir-se-
ia com o próprio pronome, gerando a crase.
Ex. exceção àquela regra ou exceção àquele regulamento.
Veja os casos de crase facultativa.

SIM nomes femininos


admite o artigo "A"?
TERMO POSTERIOR

verbos

nomes masculinos

artigos
NÃO
Expressões com
palavras repetidas

pronomes
pessoais - indefinidos - relativos - demonstrativos
(este(a), esse(a)) - interrogativos - tratamento

Gabarito: E

10) CESPE/ATI/ABIN/Administração/2010
Os sistemas de inteligência são uma realidade concreta na máquina
governamental contemporânea, necessários para a manutenção do poder e da
capacidade estatal. Entretanto, representam também uma fonte permanente de
ente
e seja capaz de avaliar atuais ou potenciais adversários, podem, por outro,
tornar-se ameaçadores e perigosos para os próprios cidadãos se forem pouco
regulados e controlados.
Assim, os dilemas inerentes à convivência entre democracias e serviços de
inteligência exigem a criação de mecanismos eficientes de vigilância e de
avaliação desse tipo de atividade pelos cidadãos e(ou) seus representantes. Tais

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dilemas decorrem, por exemplo, da tensão entre a necessidade de segredo


governamental e o princípio do acesso público à informação ou, ainda, do fato
de não se poder reduzir a segurança estatal à segurança individual, e vice-versa.
Vale lembrar que esses dilemas se manifestam, com intensidades variadas,
também nos países mais ricos e democráticos do mundo.
Marco Cepik e Christiano Ambros. Os serviços de inteligência no Brasil. In:
Ciência Hoje, vol. 45, n.º 265, nov./2009. Internet: <cienciahoje.uol.com.br>
(com adaptações).

Com relação à estrutura coesiva, gramatical e vocabular do texto, julgue o item


seguinte.
O uso do sinal indicativo de crase no trecho "os dilemas inerentes à convivência"
não é obrigatório.
Certo
Errado
Comentários:
Em primeiro lugar, devemos notar a regência do nome “inerente”.
Uma coisa é inerente a outra, ou seja, a regência do nome “inerentes” pede a
preposição A.
Observamos que o termo “convivência” vem especificado “a convivência entre
democracia e serviços”. Como não se trata de um sentido genérico, o nome
no deve vir determinado pelo artigo A que, em fusão com a preposição
A, gera a crase, que é obrigatória.
Gabarito: E

11) CESPE/AUFC/TCU/Apoio Técnico e


Administrativo/Tecnologia da Informação/2010
Nas sociedades modernas, somos diariamente confrontados com uma grande
massa de informações. As novas questões e os eventos que surgem no
horizonte social frequentemente exigem, por nos afetarem de alguma maneira,
que busquemos compreendê-los, aproximando-os daquilo que já conhecemos.
Estas interações sociais vão criando "universos consensuais" no âmbito dos
quais as novas representações vão sendo produzidas e comunicadas, passando
a fazer parte desse universo não mais como simples opiniões, mas como
verdadeiras "teorias" do senso comum, construções esquemáticas que visam
dar conta da complexidade do objeto, facilitar a comunicação e orientar
condutas. Essas teorias ajudam a forjar a identidade grupal e o sentimento de
pertencimento do indivíduo ao grupo.

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Essa análise permite, ainda, abordar um outro ponto: a caracterização dos


grupos em função de sua representação social. Isto quer dizer que é possível
definir os contornos de um grupo, ou, ainda, distinguir um grupo de outro pelo
estudo das representações partilhadas por seus membros sobre um dado objeto
social. Graças a essa reciprocidade entre uma coletividade e sua teoria, esta é
um atributo fundamental na definição de um grupo.
Alda Judith AlvesMazzotti. Representações sociais: aspectos teóricos e
aplicações à educação. In: Revista Múltiplas Leituras, v. 1, n.o 1, 2008, p.
1843. Internet: <www.metodista.br> (com adaptações).

A respeito da organização dos sentidos e das estruturas linguísticas do texto


apresentado, julgue o item que se segue.
Na linha 16, já que a estrutura sintática exige a preposição a, a ausência de
sinal indicativo da crase em "a essa reciprocidade" mostra que, por causa da
presença do pronome demonstrativo "essa", o artigo não é aí usado.
Certo
Errado
Comentários:
Certamente, todos nós damos graças a algo, portanto, temos a necessidade da
preposição A.
Como já temos o pronome demonstrativo “essa”, não cabe o uso do artigo A.
Para tirar a prova, substitua o nome “reciprocidade” por um nome masculino,
emplo, graças a esse direito ou graças ao direito, mas nunca, graças ao
esse direito, ok?
OBSERVAÇÃO:
Em caso de dúvida, se você não lembrar da regra, faça substituições para o
masculino. Isso vai facilitar para que você perceba a presença ou não do
artigo.
Gabarito: C

12) CESPE/APF/PF/2012
Imagine que um poder absoluto ou um texto sagrado declarem que quem roubar
ou assaltar será enforcado (ou terá a mão cortada). Nesse caso, puxar a corda,
afiar a faca ou assistir à execução seria simples, pois a responsabilidade moral
do veredicto não estaria conosco. Nas sociedades tradicionais, em que a punição
é decidida por uma autoridade superior a todos, as execuções podem ser
públicas: a coletividade festeja o soberano que se encarregou da justiça − que
alívio!

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A coisa é mais complicada na modernidade, em que os cidadãos comuns (como


você e eu) são a fonte de toda autoridade jurídica e moral. Hoje, no mundo
ocidental, se alguém é executado, o braço que mata é, em última instância, o
dos cidadãos − o nosso. Mesmo que o condenado seja indiscutivelmente
culpado, pairam mil dúvidas. Matar um condenado à morte não é mais uma
festa, pois é difícil celebrar o triunfo de uma moral tecida de perplexidade. As
execuções acontecem em lugares fechados, diante de poucas testemunhas: há
uma espécie de vergonha. Essa discrição é apresentada como um progresso: os
povos civilizados não executam seus condenados nas praças. Mas o dito
progresso é, de fato, um corolário da incerteza ética de nossa cultura.
Reprimimos em nós desejos e fantasias que nos parecem ameaçar o convívio
social. Logo, frustrados, zelamos pela prisão daqueles que não se impõem as
mesmas renúncias. Mas a coisa muda quando a pena é radical, pois há o risco
de que a morte do culpado sirva para nos dar a ilusão de liquidar, com ela, o
que há de pior em nós. Nesse caso, a execução do condenado é usada para
limpar nossa alma. Em geral, a justiça sumária é isto: uma pressa em suprimir
desejos inconfessáveis de quem faz justiça. Como psicanalista, apenas gostaria
que a morte dos culpados não servisse para exorcizar nossas piores fantasias −
isso, sobretudo, porque o exorcismo seria ilusório. Contudo é possível que haja
crimes hediondos nos quais não reconhecemos nada de nossos desejos
reprimidos.
Contardo Calligaris. Terra de ninguém − 101 crônicas. São Paulo: Publifolha,
2004, p. 946 (com adaptações).

eferência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o


item.
Considerando-se a dupla regência do verbo impor e a presença do pronome
"mesmas", seria facultado o emprego do acento indicativo de crase na palavra
"as" da expressão "as mesmas renúncias".
Certo
Errado
Comentários:
“... zelamos pela prisão daqueles que não se impõem as mesmas renúncias”
No trecho acima, temos o verbo bitransitivo (TDI) impor.
Analisando a sua regência: alguém (sujeito) impõe (VTDI) algo (OD) a outro
(OI).
No sentido da frase acima: aqueles (sujeito) não (AAV) impõem (VTDI) a si
mesmos (OI) as mesmas renúncias (OD)
Logo:

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ALGO = as mesmas renúncias (OD)


A ALGUÉM = a si mesmos (OI)
Podemos perceber que o objeto indireto (impor a alguém) da oração é o “SE”
(pronome reflexivo) - “se impõem”.
Não cabe a crase no trecho acima, pois não há preposição antes de “mesmas”
apenas um artigo A (impor algo).
Tirando a prova...
Passe o termo posterior para o masculino: zelamos pela prisão daqueles que
não se impõem os mesmos deveres (apenas artigo, ok?)
Gabarito: E

13) CESPE/TJ/TRE ES/Administrativa/"Sem


Especialidade"/2011
Considerando que o item seguinte, na ordem em que esta apresentado, é parte
sucessiva de um texto adaptado do jornal Estado de Minas de 29/11/2010,
julgue-o com referência à correção gramatical.
A lei impede a justiça eleitoral de conceder registro a candidatura à cargos
eletivos dos condenados em decisão colegiada por crimes contra a vida, o
patrimônio e a administração pública, a economia popular, o meio ambiente, a
saúde pública e o sistema financeiro, assim como por abuso de autoridade,
lavagem de dinheiro e atentado à dignidade sexual, entre outros.

Errado
Comentários:
Encontramos um erro no trecho seguinte:
“conceder registro a candidatura”.
O verbo conceder é bitransitivo - TDI - concedemos (VTDI) algo (OD) a alguém
(OI).
Portanto, a forma correta seria a seguinte:
conceder (VTDI) registro (OD) à candidatura (OI)
ência
do verbo), como o artigo A, uma vez que o vocábulo “candidatura” está
especificado (“candidatura a cargos eletivos dos condenados em decisão
colegiada por crimes contra a vida”).
Gabarito: E

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14) CESPE/AIE/MPOG/Área I/2012


O aumento da população, o crescimento econômico e a sofisticação das relações
sociais requerem mais serviços públicos, de maior qualidade e crescente
complexidade. Para fazer frente a essas demandas, o dimensionamento
adequado da força de trabalho no setor público é condição necessária, mas não
suficiente. Elas requerem que o Estado atente também para a qualificação de
uma força de trabalho às voltas com questões cada vez mais complicadas. O
desafio é a construção de um Estado "inteligente". A tese do inchaço da
"máquina pública" e da consequente necessidade de redução do "tamanho do
Estado" no Brasil merece uma análise mais aprofundada. É fato que os números
absolutos impressionam. Sendo um país de dimensões continentais e com uma
das cinco maiores populações do mundo, é natural que o Brasil conte com uma
quantidade expressiva de servidores públicos. Ciente de que não houve
explosão do quantitativo de servidores no Poder Executivo federal, porém
convencido de que novas autorizações de ingresso devem ser feitas de forma
criteriosa, o governo federal vem buscando conferir maior racionalidade à
gestão de pessoas no serviço público, atentando para as necessidades mais
prementes de áreas que implementam programas fundamentais para o país e
esforçando-se para profissionalizar cada vez mais a gestão pública.
Marcelo V. E. de Moraes et al. O mito do inchaço da força de trabalho do
Executivo federal. Internet: <www.planejamento.gov.br> (com adaptações).
Julgue o próximo item, a respeito da organização das ideias e das estruturas
linguísticas do texto acima.
O sinal indicativo de crase em "às voltas" decorre da presença do artigo definido
so da preposição a exigida pelo substantivo "força".
Certo
Errado
Comentários:
“Elas requerem que o Estado atente também para a qualificação de uma força
de trabalho às voltas com questões...”
O termo “força de trabalho” não exige nenhuma preposição. Esta é parte da
locução adverbial feminina “às voltas”.
É fácil a identificação de uma locução feminina. Veja o quadro abaixo:

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Locuções
Femininas

Adverbiais Conjuntivas Prepositivas

à procura de,
à noite, à tarde, à à medida que, à sombra de,
esquerda, à direita, às
à proporção que à custa de,
ordens, à luz, à força
à espera de

Gabarito: E

15) CESPE/TJ/TRE RJ/Administrativa/2012


Terminou o prazo para eleitores que sabem de fatos que apontem para a
inelegibilidade de algum candidato às eleições de prefeito, vice-prefeito e
vereadores informarem a irregularidade ao juiz eleitoral de sua cidade. Para
isso, quem usou desse direito precisou apresentar a informação com provas e
estar em gozo dos direitos políticos. São considerados inelegíveis os
enquadrados nas restrições impostas pelas Leis Complementares n.o 64/1990
(Lei das Inelegibilidades) e n.o 135/2010 (Lei da Ficha Limpa), que consideram
inaptos a exercer cargo público os candidatos condenados em decisão transitada
em julgado (sem possibilidade de recurso) pelos crimes contra a economia
popular, a fé e a administração pública; de lavagem de dinheiro e ocultação de
bens; de tráfico de entorpecentes, racismo, tortura e terrorismo; além de
compra de votos e abuso do poder econômico, entre outros. Esta é a primeira
eleição em que prevalecerá a Lei da Ficha Limpa.
Editorial, Estado de Minas, 19/7/2012.
Com base nas ideias e estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item a
seguir.
O emprego do sinal indicativo de crase em "candidato às eleições" justifica-se
porque a palavra "candidato" exige complemento regido pela preposição "a", e
a palavra "eleições" é antecedida por artigo definido feminino.
Certo
Errado
Comentários:
A ocorrência da crase depende do termo anterior e do posterior.

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Enquanto no primeiro devemos ter um verbo ou nome que exija a


preposição A, no termo posterior, precisamos de um nome que se acompanhe
do artigo A, um pronome demonstrativo A ou AQUELE(A)/AQUILO, ou o
pronome relativo A QUAL/ AS QUAIS.

ARTIGO nome
"A" feminino

VERBO PRONOMES DEMONSTRATIVOS


PREPOSIÇÃO
OU "A(S)" / "AQUELE(A)(S)" /
"A" "AQUILO"
NOME
PRONOME RELATIVO
"A QUAL" / "AS QUAIS"

Esse é o caso mais comum de crase (preposição a + artigo a + nome feminino).


O nome “candidato” exige a preposição A (candidato a algo) e o nome
“eleições” é feminino e vem especificado pela expressão “de prefeito”,
portanto exige o artigo A.
Gabarito: C

16) CESPE/Técnico/MPU/Administração/2013
Inalterado desde a redemocratização, o sistema político brasileiro está
finalmente diante de uma oportunidade concreta de mudanças, principalmente
em relação a aspectos que dão margem a uma série de deformações e
estimulam a corrupção já a partir do período de campanha eleitoral. Se as
restrições históricas às transformações não prevalecerem, a Câmara dos
Deputados deverá dar início ao debate sobre uma série de inovações com
chance de valerem já para as próximas eleições. Mais uma vez, questões
importantes como o voto facultativo e o distrital ficarão de fora, o que faz que
as atenções se concentrem em aspectos mais polêmicos, como o financiamento
público de campanha, a partir da criação de um fundo proposto por meio de
projeto de lei. Se a intenção é mesmo reduzir as margens para desvios de
dinheiro, é importante que as pretensões, nesse e em outros pontos, sejam
avaliadas com objetividade e sem prejulgamentos.
Zero Hora, 8/4/2013.

Julgue o item a seguir, relativos às informações e estruturas linguísticas do texto


acima.

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Mantém-se a correção gramatical do texto ao se substituir o trecho “a uma


série” por à uma série, dado o caráter facultativo do emprego do sinal
indicativo de crase nesse caso.
Certo
Errado
Comentários:
Olha lá ein pessoal... não vão desapontar o seu professor!
O que a banca propõe é algo quase indecente! Não podemos colocar dois
artigos juntos, ok?
O trecho proposto “à uma série” = a (prep) + a (artigo) + uma (artigo) agride
a gramática da língua Portuguesa.
Vamos revisar os casos de crase proibida.
Para saber se ocorrerá CRASE, vamos sempre analisar o termo anterior e o
termo posterior.
Algumas vezes o termo anterior exige a PREPOSIÇÃO, mas o posterior NÃO
ADMITE O ARTIGO.
OBSERVE O ESQUEMA ABAIXO:

SIM nomes femininos


admite o artigo "A"?
TERMO POSTERIOR

verbos

nomes masculinos

ARTIGOS
NÃO
Expressões com
palavras repetidas

pronomes
pessoais - indefinidos - relativos - demonstrativos
(este(a), esse(a)) - interrogativos - tratamento

Gabarito: E

Para o observador externo, pode parecer pura preguiça. No entanto, o ato de


sonhar acordado relaciona-se ao desenvolvimento da autoconsciência e da
criatividade, à capacidade de planejamento e de improvisação, à possibilidade
de reflexão profunda sobre as experiências cotidianas e ainda ao raciocínio
moral. A aparência pode ser de devaneio sem rumo, porém o cérebro pode estar
operando um processo neurológico complexo, sofisticado e produtivo.

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O autor inglês Neil Gaiman, autor de romances, livros e quadrinhos, declarou


recentemente, em uma palestra, que o nosso futuro depende de livrarias, da
leitura e da capacidade de sonhar acordado. O autor iniciou sua palestra
mencionando que a próspera indústria norte-americana de construção de
prisões usa como variável para a previsão da demanda (necessidades futuras
de celas) o percentual de crianças com dez e onze anos incapazes de ler. Para
ele, temos a obrigação de sonhar acordados e usar a imaginação. Essas
atividades nos fazem criar mundos alternativos, que nos permitem construir o
futuro.
No mundo do trabalho, a atividade de sonhar acordado já teve dias melhores.
Muitas organizações contemporâneas declaram amor incondicional pela
criatividade e pela inovação. Paradoxalmente, continuam a refrear, disciplinar
ou expelir seus sonhadores. Eles resistem como podem, sonhando acordados
para enfrentar o tédio no trabalho. A Revolução Industrial e a ascensão das
linhas de montagem sepultaram a criatividade e exilaram os sonhadores.
Faz bem sonhar acordado. In: CartaCapital, 13/11/2013, p. 60 (com
adaptações).

No que se se refere às ideias e a aspectos linguísticos do texto acima, julgue o


próximo item.
O emprego do sinal indicativo de crase em “à capacidade” e “à possibilidade”
justifica-se pela regência da forma verbal “relaciona-se” e pela presença de
artigo definido feminino.

Errado
Comentários:
“... o ato de sonhar acordado relaciona-se ao desenvolvimento da
autoconsciência e da criatividade, à capacidade de planejamento e de
improvisação, à possibilidade de reflexão profunda sobre as experiências
cotidianas e ainda ao raciocínio moral...”
A forma verbal “relaciona-se” exige a preposição A (relacionar-se a alguém ou
a algo) e tem quatro complementos (objetos indiretos), cujos núcleos são:
“desenvolvimento”, “capacidade”, “possibilidade e “raciocínio”.
Repare que os nomes femininos estão especificados, o que implica o uso
obrigatório do ARTIGO A.
“capacidade de planejamento...”; “possibilidade de reflexão profunda...”
Repare também na presença dos artigos masculinos em “ao desenvolvimento”
e “ao raciocínio”.

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Podemos perceber o perfeito paralelismo dos complementos verbais indicados


acima (todos os nomes estão determinados por artigos).
Gabarito: C

18) CESPE/AUFC/TCU/Apoio Téc. Administrativo/Tecnologia da


Informação/2010
A experiência cultural das sociedades, em nossa época, é cada vez mais
moldada e "globalizada" pela transmissão e difusão das formas significativas,
visuais e discursivas, via meios de comunicação de massa. Conquanto o
desenvolvimento dos meios de comunicação tenha tornado absolutamente
frágeis os limites que separavam o público do privado, assiste-se hoje a uma
nova tendência de politização e visibilidade do privado, com a estruturação de
novas relações familiares, bem como à privatização do público. Faz-se
necessário frisar que o imaginário social acompanha lentamente essa evolução,
nem sempre aceitando o rompimento dos costumes fortemente arraigados.
Vera Lúcia Pires. A identidade do sujeito feminino: uma leitura das
desigualdades. In: M. I. Ghilardi Lucena (Org.). Representações do feminino.
PUC: Átomo, 2003, p. 209 (com adaptações).

Julgue o item seguinte, relativo à organização das ideias no texto acima e aos
seus aspectos gramaticais.
Na linha 7, o uso do sinal indicativo da crase em "à privatização" mostra que o
tivo "bem como" introduz um segundo complemento ao verbo assistir.
Certo
Errado
Comentários:
“... assiste-se (VTI) hoje (AAV) a uma nova tendência de politização e
visibilidade do privado (OI), … , bem como (conectivo) à privatização do público
(OI).”
A regência do verbo ASSISTIR no sentido de ver ou presenciar exige a
preposição A (assistir a algo / assistir a um jogo...).
Observando a estruturação do período, verificamos que tanto o trecho “a uma
zação
do público” têm a mesma função de objeto indireto do verbo ASSISTIR.
É como se disséssemos: assistimos a uma coisa e a outra coisa.
Gabarito: C

19) CESPE/TEFC/TCU/2004

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Em uma iniciativa inédita, dez grandes corporações assinaram um compromisso


com o Fórum Econômico Mundial para divulgar regularmente o volume de suas
emissões de gases poluentes. Com isso, elas se antecipam aos governos que
ainda estão aguardando a entrada em vigor do protocolo de Kyoto. Pelo acordo,
denominado Registro Mundial de Gases que Causam o Efeito Estufa, as
multinacionais passam a informar o seu grau de poluição do meio ambiente,
atendendo a expectativas de acionistas, que cobram mais transparência sobre
o tema. Juntas, essas empresas são responsáveis pela emissão de 800 milhões
de toneladas de dióxido de carbono por ano, o que representa cerca de 5% das
emissões mundiais.
O Globo, 23/1/2004, p. 30 (com adaptações).

A partir do texto acima e considerando aspectos marcantes da questão


ambiental no mundo contemporâneo, julgue os itens seguintes.
Caso se optasse por às expectativas em lugar de "a expectativas", o período em
que se encontra essa expressão continuaria atendendo às exigências da norma
culta escrita.
Certo
Errado
Comentários:
Repare que, no trecho “atendendo a expectativas”, o “a” é uma preposição
ocasionada pela regência do verbo.
o termo “expectativa” é feminino, temos um caso de crase facultativa .
Se a expressão vier sem crase (sem o artigo “as”), o termo “expectativas de
acionistas” terá um caráter genérico.
Caso queiramos dar um caráter específico ao termo, utilizamos o artigo “as”.

Não há artigo
SENTIDO
"A(s)", logo
GERAL
não há crase
NOMES
Adiciona-se o
SENTIDO
artigo
ESPECÍFICO
CRASE "A(s)"
após "até"
FACULTATIVA

Pronomes
minha(s), nossa(s),
Possessivos
sua(s)
Femininos

Gabarito: C

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20) CESPE/TA/ICMBio/2014
O ABCerrado e a Matomática (“matemática do mato”), metodologias criadas por
um professor da UnB, apoiam-se em dois princípios: o da elevação da
autoestima de alunos e professores e o do envolvimento com o meio ambiente
para a construção, de forma lúdica e interdisciplinar, da cidadania e do respeito
mútuo. “Fazemos a aproximação por meio de elementos do contexto onde as
crianças estão inseridas. As atividades de leitura, interpretação e escrita
associam-se ao tema do cerrado na forma de poesias, música, desenho, pintura
e jogos”, explica uma professora da Faculdade de Educação da UnB.
Atualmente, a universidade trabalha para expandir a aplicação do ABCerrado na
rede de ensino do DF. “Ainda prevalece uma visão conservadora sobre o que é
educação”, conta a professora. “A natureza possui uma dimensão formadora.
Isso subverte a forma de se tratar a relação entre o ser humano e o meio
ambiente no cerne de um processo educativo. Não se trata de educar o ser
humano para o domínio e a apropriação da natureza, mas de educar a
humanidade para ser capaz de trocar e de aprender com ela”, completa.
João Campos. O ABC do cerrado. In: Revista Darcy, jun./2012 (com
adaptações)

Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto acima, julgue o
item subsequente.
Sem prejuízo da correção gramatical do texto, o período ‘As atividades (...)
poderia ser reescrito da seguinte maneira: Às atividades de leitura,
interpretação e escrita associa-se o tema do cerrado na forma de poesias,
música, desenho, pintura e jogos.
Certo
Errado
Comentários:
O verbo ASSOCIAR tem a seguinte regência:
Uma coisa (sujeito) associa-se a outra (OI).
O enunciado propõe apenas uma inversão dos termos que se encontram
associados.
Nesse caso, a ordem e a função sintática de cada um dos termos não altera o
sentido da oração, pois há um sentido de reciprocidade no verbo ASSOCIAR-
SE.
A uma coisa (OI) associa-se outra (sujeito).
Gabarito: Certo

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21) FGV/ACI/SEFAZ RJ/2011

Cidadania e Responsabilidade Social do Contador como agente da


conscientização tributária das empresas e da sociedade

Entende-se que a arrecadação incidente sobre os diversos setores produtivos é


necessária para a manutenção da máquina governamental, para a sustentação
do Estado em suas atribuições sociais e para aplicação na melhoria da qualidade
de vida da população. É imprescindível que a tributação seja suportável e mais
bem distribuída e que contribuam com justiça e se beneficiem dessa
contribuição.

A conjuntura atual exige maior qualificação em todas as áreas do conhecimento;


assim, a profissão contábil deve despertar para a conscientização tributária.
Conceitos como parceria e corresponsabilidade no sistema tributário somente
podem ser efetivados se a sociedade como um todo estiver mais esclarecida e
comprometida. Apresentar alguns fatores como a falta de conscientização
tributária e participação cidadã pode representar um alerta, mas não é o
suficiente.

Ao analisar o progresso da humanidade, percebe-se que o desenvolvimento


social e econômico foi possível porque o homem sistematizou formas de
organização entre os povos. A necessidade de organização fez com que o Estado
se tornasse o elemento direcionador desse processo. E, como forma de se
autofinanciar, criou o tributo a fim de possibilitar as condições mínimas de
sobrevivência para a sociedade civil. E, como partícipe e ponto referencial de
controle, exatidão e confiança, surgiu o profissional contábil.

O contador aqui citado na forma masculina sem querer suscitar questões de


gênero não pode mais ser visto como o profissional dos números, e sim um
profissional que agrega valor, espírito investigativo, consciência crítica e
sensibilidade ética. Se a atual conjuntura exige maior qualificação profissional,
o conhecimento contábil deve transcender o processo específico e visualizar
questões globais pertinentes ao novo mundo do trabalho, que exige criatividade,
perfil de empreender e habilidade de aprender, principalmente nas relações
sociais.

Sendo assim, alguns conceitos tornam-se essenciais para estabelecer a relação


entre Estado, sociedade, empresa e o contador. O Estado tem por missão suprir
as necessidades básicas da população; assim, sua eficiência e transparência
tornam-se mister do processo.

Entre a sociedade, a empresa e o Estado, está o profissional contábil, que, por


sua vez, é o elo entre Fisco e contribuinte. É de fundamental importância que
esse profissional aprimore seu entendimento tributário, percebendo sua
necessidade. Ratifica-se, assim, o conceito de que a conscientização tributária
pode representar um ponto de partida para a formação cidadã como uma das

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formas eficazes de atender às demandas sociais, com maior controle sobre a


coisa pública.

É dever do Estado manter as necessidades básicas da população; e, para isso,


são impostas obrigações. Os contribuintes, porém, não possuem apenas
deveres, mas também plenos direitos.

Se o Fisco aqui referenciando-se o estadual é por demais significativo para o


funcionamento da máquina administrativa, sua eficiência e transparência
tornam-se mister do processo. Nesse sentido, se a evasão tributária é uma
doença social, seu combate ou tratamento não pode ficar restrito aos seus
agentes; é necessário o envolvimento de toda a sociedade. Entretanto,
interesses diversos sempre deixaram a sociedade à margem do processo, como
se ela não precisasse participar de forma efetiva das decisões econômicas e, em
contrapartida, contribuir de forma direta e irrestrita para a própria sustentação.

(...)

(Merlo, Roberto Aurélio; Pertuzatti, Elizandra. Disponível em


<www.rep.educacaofiscal.com.br/material/fisco_contador.pdf>. Com
adaptações)

Ratifica-se, assim, o conceito de que a conscientização tributária pode


representar um ponto de partida para a formação cidadã como uma das formas
eficazes de atender às demandas sociais, com maior controle sobre a coisa
pública.

No período acima, empregou-se corretamente o acento grave para indicar o


eno da crase.

Assinale a alternativa em que o acento grave tenha sido empregado


corretamente.

a) Em visita ao Rio, fomos à Copacabana da Bossa Nova.

b) Esta prova vai de 13h às 18h.

c) Finalmente fiquei face à face com a tão esperada prova.

d) Os candidatos somente podem deixar o local de prova à partir das 15h.

e) Pedimos um bife à cavalo.

Comentários:

Alternativa A – Correta – Na alternativa acima, Copacabana não pediria o artigo


caso não viesse especificada pelo termo “da Bossa Nova”.
Veja:
Chegamos de Copacabana. No entanto... Chegamos da Copacabana da Bossa
Nova.

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Alternativa B – Incorreta – Podemos indicar horários de duas maneiras:

1 – sem nenhum artigo – de 13h a 18h

2 – com os dois artigos – das 13h às 18h

Não podemos misturar as duas formas para não quebrarmos o paralelismo


da expressão.

Alternativa C – Incorreta – Não utilizamos crase em expressões com palavras


REPETIDAS.

Alternativa D – Incorreta – É proibido o uso de crase diante de VERBOS, pois


estes não admitem artigos.

Alternativa E – Incorreta – Em uma expressão tal como: ele escreveu à Rui


Barbosa, está implícita a palavra "moda", por isso acontece a crase. À moda
Rui Barbosa significa ao estilo de Rui Barbosa.
No entanto, não se enquadram nessa regra as expressões "a cavalo" de "bife a
cavalo" e "à passarinho" de "frango a passarinho", pois, nestes casos não cabe
a palavra "moda".
Gabarito: A

22) FGV/Ass T/DETRAN MA/2013 (ADAPTADA)

A EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO

unicação é uma arma poderosa na batalha cotidiana pela queda dos


números de acidentes, servindo ao mesmo tempo como instrumento de
educação e conscientização. Campanhas de mobilização pelo uso de cinto de
segurança, das práticas positivas na direção, da não utilização de bebidas
alcoólicas ao dirigir, do uso da faixa de pedestres, entre outras, são
comprovadamente eficientes. É crescente a preocupação com o ensino dos
princípios básicos do trânsito desde a infância e ele pode acontecer no espaço
escolar, com aulas específicas, ou também nos ambientes especialmente
desenvolvidos para o público infantil nos departamentos de trânsito. Com a
chegada do Código Brasileiro de Trânsito (CBT), em 1998, os condutores
imprudentes passaram a frequentar aulas de reciclagem, com o propósito de
reeducação.

Como se vê, alguma coisa já vem sendo feita para reduzir o problema. Mas há
muito mais a fazer. A experiência mundial mostra que as campanhas para
alertar e convencer a população, de forma periódica, da necessidade de
obedecer a regras básicas de trânsito, não são suficientes para frear veículos
em alta velocidade e evitar infrações nos semáforos. O bolso, nessas horas,
ajuda a persuadir condutores e transeuntes a andar na linha. A Capital Federal
é um exemplo de casamento bem-sucedido entre comunicação de massa e

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fiscalização. Um conjunto de ações foi responsável por significativa queda no


número de vítimas fatais do trânsito na cidade.

O governo local, a partir da década de 1990, adotou uma série de medidas


preventivas. Foram veiculadas campanhas de conscientização, foi adotado o
controle eletrônico de velocidade e foi implementado o respeito às faixas de
pedestres. Essas providências, associadas à promulgação do novo Código de
Trânsito, levaram a uma expressiva redução nos índices de mortalidade por 10
mil veículos em Brasília de 14,9 em 1995 para 6,4 em 2002. Nesse período,
apesar do crescimento da frota de 436 mil para 469 mil veículos, o número de
mortes por ano caiu de 652 em 1995 para 444 em 2002.

Foi um processo polêmico. O governo foi acusado de estar encabeçando uma


indústria de multas, devido ao grande número de notificações aplicadas.
Reclamações à parte, o saldo das ações se apresentou bastante positivo.
Recentemente as estatísticas mostram que o problema voltou a se agravar. O
número de vítimas fatais de acidentes no trânsito passou de 444 em 2002 para
512 em 2003. Pesquisas do DETRAN apontam que um dos principais motivos
desse aumento é o uso de álcool por motoristas.

(Pedro Ivo Alcântara. www.ipea.gov.br)

Assinale a frase em que a preposição a (à) não corresponde a uma necessidade


de regência de um termo anterior.

a) respeito às faixas de pedestre.

b) reclamações à parte.

c) obedecer a regras básicas de trânsito.

d) persuadir condutores e transeuntes a andar na linha.

e) associadas à promulgação do novo CBT.

Comentários:

Alternativa A – Incorreta – A preposição A é exigida pela regência do nome


“respeito” (respeito a algo ou a alguém).

Alternativa B – Correta – Aqui a preposição A aparece em virtude da


expressão feminina “à parte”.

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Locuções
Femininas

Adverbiais Conjuntivas Prepositivas

à procura de,
à noite, à tarde, à à medida que, à sombra de,
esquerda, à direita, às
à proporção que à custa de,
ordens, à luz, à força
à espera de

Alternativa C – Incorreta – A preposição A é exigida pela regência do verbo


“obedecer” (obedecer a algo ou a alguém).

Alternativa D – Incorreta - A preposição A é exigida pela regência do verbo


“persuadir” (persuadir alguém a algo).

Alternativa E – Incorreta - A preposição A é exigida pela regência do nome


“associadas” (associadas a algo ou a alguém).

Gabarito: B

23) FGV/Cons Leg /ALE-MA/Direito Constitucional/2013

Cobrar responsabilidade

No início do mês, um assaltante matou um jovem em São Paulo com um tiro na


cabeça, mesmo depois de a vítima ter lhe passado o celular. Identificado por
câmeras do sistema de segurança do prédio do rapaz, o criminoso foi localizado
pela polícia, mas – apesar de todos os registros que não deixam dúvidas sobre
a autoria do assassinato – não ficará um dia preso. Menor de idade, foi
“apreendido” e levado a um centro de recolhimento. O máximo de punição a
que está sujeito é submeter‐se, por três anos, à aplicação de medidas
“socioeducativas”.

Não é um caso isolado na crônica de crimes cometidos por menores de idade no


país. Mas houve, nesse episódio de São Paulo, uma circunstância que o
al que
o Estatuto da Criança e do Adolescente confere a criminosos que estão longe de
poderem justificar suas ações com o argumento da imaturidade: ao disparar
friamente contra o estudante paulista, a assaltante estava a três dias de
completar 18 anos. Pela selvageria do assassinato, o caso remete à barbárie de
que foi vítima, no Rio, o menino João Hélio, em 2007. Também nesse episódio,

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um dos bandidos que participaram do martírio do garoto estava a pouco tempo


de atingir a maioridade.

Nos dois casos, convencionou‐se, ao anteparo do ECA, que a diferença de alguns


dias – ou, ainda que o fosse, de alguns meses – teria modificado os padrões de
discernimento dos assassinos. Eles não saberiam o que estavam fazendo. É um
tipo de interpretação que anaboliza espertezas da criminalidade, como o
emprego de menores em ações – inclusive armadas – de quadrilhas
organizadas, ou serve de salvo‐conduto a jovens criminosos para afrontar a lei.

O raciocínio, nesses casos, é tão cristalino quanto perverso: colocam‐se jovens,


muitos dos quais mal entraram na adolescência, na linha de frente de ações
criminosas porque, protegidos pelo ECA, e diante da generalizada ruína
administrativa dos órgãos encarregados de aplicar as medidas socioeducativas,
na prática eles são inimputáveis. Tornam‐se, assim, personagens de
vestibulares para a entrada em definitivo, sem chances de recuperação, numa
vida de crimes.

É dever do Estado (em atendimento a um direito inalienável) prover crianças e


adolescentes com cuidados, segurança, oportunidades, inclusive de recuperação
diante de deslizes sociais. Neste sentido, o ECA mantém dispositivos
importantes, que asseguram proteção a uma parcela da população em geral
incapaz de discernir entre o certo e o errado à luz das regras sociais. Mas, se
estes são aspectos consideráveis, por outro lado é condenável o viés
paternalista de uma lei orgânica que mais contempla direitos do que cobra
obrigações daqueles a quem pretende proteger.

precisa rever o ECA, principalmente no que tange ao limite de idade para


efeitos de responsabilidade criminal. É uma atitude que implica coragem (de
enfrentar

tabus que não se sustentam no confronto com a realidade) e o abandono da


hipocrisia (que tem cercado esse imprescindível debate).

(O Globo, 22/04/2013)

“...é submeter-se, por três anos, à aplicação de medidas ‘socioeducativas’; ...o


caso remete à barbárie de que foi vítima...”;

“...distinguir entre o certo e o errado à luz das regras sociais”.

Com relação ao emprego do acento grave indicativo da crase nessas três frases,
é correto afirmar que

a) as três ocorrências exemplificam o mesmo emprego do acento grave.

b) as duas primeiras ocorrências exemplificam um caso de acento grave


diferente do da última ocorrência.

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c) as duas últimas ocorrências exemplificam um caso de acento grave diferente


do da primeira ocorrência.

d) as três ocorrências do emprego do acento grave indicativo da crase


exemplificam casos distintos.

e) a primeira e a terceira ocorrência exemplificam o mesmo caso de emprego


do acento grave indicativo da crase.

Comentários:

Item I – A crase é devida à regência do verbo “submeter-se” adicionada ao


artigo A que determina o nome “aplicação”.

Item II – A segunda crase, assim como a primeira, é devida à regência verbal


(remete) + artigo acompanhando nome feminino (barbárie).

Item III - A crase é devida em função da expressão adverbial feminina “à


luz”.

Locuções
Femininas

Adverbiais Conjuntivas Prepositivas

à procura de,
à noite, à tarde, à à medida que, à sombra de,
esquerda, à direita, às
à proporção que à custa de,
ordens, à luz, à força
à espera de

Gabarito: B

24) FGV/AFRE-RJ/SEFAZ RJ/2010

As categorias da ética

A vida humana se caracteriza por ser fundamentalmente ética. Os conceitos


éticos "bom" e "mau" podem ser predicados a todos os atos humanos, e
somente a estes. Isso não ocorre com os animais brutos. Um animal que ataca
e come o outro não é considerado maldoso, não há violência entre eles.

Mesmo os atos de caráter técnico podem ser qualificados eticamente. Esses atos
sempre servem para a expansão ou limitação do ser humano. Sob a perspectiva
ética, o que importa nas ações técnicas não é a sua trama lógica, adequada ou
eficiente para obter resultados, mas sim a qualificação ética desses resultados.

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A eficiência técnica segue regras técnicas, relativas aos meios, e não normas
éticas, relativas aos fins. A energia nuclear pode ser empregada para o bem ou
para o mal. Na verdade, ela é investigada, apurada e criada para algum
resultado, que lhe confere validade. Não vale por si mesma, do ponto de vista
ético. Pode valer pela sua eventual utilidade, como meio; mas o uso de energia
nuclear, para ser considerado bom ou mau, deve referir-se aos fins humanos a
que se destina.

Vê-se, pois, que o plano ético permeia todas as ações humanas. Isso ocorre
porque o homem é um ser livre, vocacionado para o exercício da liberdade, de
modo consciente. Sem liberdade não há ética. A liberdade supõe a operação
sobre alternativas; ela se concretiza mediante a escolha, a decisão, a
consciência do que se faz. Isso implica refugir à determinação unilinear
necessária, à determinação meramente causal. É a afirmação da contingência,
da multiplicidade. Diante da multiplicidade de caminhos a nossa disposição,
avaliamos e escolhemos.

Na verdade, somos obrigados a escolher. Somos obrigados a exercer a


liberdade. Assim, a decisão supõe a possibilidade e, paradoxalmente, a
necessidade de estimar as coisas e as ações humanas para atender as nossas
demandas; supõe a avaliação de múltiplos fatores que perfazem uma situação
humana complexa. Aí, portanto, temos também compreendida a esfera do
valor. Não há liberdade sem valoração. Essa esfera, entretanto, é muito ampla,
pois envolve não só o mundo da ética, mas também o da utilidade, da estética,
da religião etc.

Sob o ângulo especificamente ético, não haverá escolha, exercício da liberdade,


definição ética quando não houver avaliação, preferência a respeito das ações
humanas. Eis por que na base da ética, como dissemos, encontram-se
necessariamente a liberdade e a valoração; a ética só se põe no mundo da
liberdade, da escolha entre ações humanas avaliadas.

A escolha, a decisão, que é manifestação de nossa liberdade, só é possível tendo


por fundamento o mundo axiológico, tanto quanto este tem por condição de
possibilidade a liberdade. Não se pode estimar sem alternativas possíveis.

Na medida em que se escolhe, se avalia para obter a consciência do que é


preferido. Ao escolher um caminho, pondera-se que, de algum modo ou sob
algum prisma, é o melhor em relação a outro; o caminho escolhido mata outras
possibilidades. Na escolha não pode haver indiferença. Ela está dirigida à ação,
são,
nos leva à determinação normativa ou imperativa de uma via em detrimento de
outra.

O mundo oferece resistências e determinações necessárias e, por meio destas,


as ações éticas se realizam precisamente enquanto as contrariam. As ações
éticas brilham justamente quando se opõem às tendências "naturais" do
homem. Assim, a liberdade não só se contrapõe à necessidade, como sua

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negação, mas também existe em função desta. Não há liberdade sem


necessidade. Não há ética sem impulsão, sem desejo. A melhor prova da
liberdade é o esforço de superação da necessidade, afirmando-a e negando-a
dialeticamente, a um só tempo. Então, o mundo ético só é possível no meio
social, no bojo das determinações sociais.

O fenômeno ético não é um acontecimento individual, existente apenas no plano


da consciência pessoal. Isso porque o ente singular do homem só se manifesta,
como ser autêntico, em suas relações universais com a sociedade e com a
natureza. Esse fenômeno é resultante de relações sociais e históricas,
compreendendo também o mundo das necessidades, da natureza. A ética só
existe no seio da comunidade humana.

Os homens ou grupos de homens que controlam a produção e os meios de


circulação econômica dos bens possuem maior liberdade do que aqueles que
não têm o poder desse controle. Por aí se vê também que a liberdade e a ética
não se reduzem a fenômenos meramente subjetivos; elas têm sempre
dimensões sociais, históricas e objetivas.

Há, assim, um grande esforço, um esforço ético-político para se obter uma


distribuição igualitária dos direitos entre os homens, quer dentro das
comunidades, quer entre as comunidades. Na verdade existe uma ética sobre a
ética, uma meta-ética. A meta-ética é utópica, crítica, subversiva e transcende
as condições mais imediatas da vida social. No entanto, ela precisa ser possível
no mundo dos fatos sociais, sob pena de se perder como uma utopia de meros
sonhos.

(Adaptado de ALVES, Alaôr Caffé. In: www.centrodebate.org)

Dos trechos transcritos do texto, assinale aquele em que se poderia empregar


opcionalmente o acento indicativo de crase.

a) Preferência a respeito das ações humanas.

b) Diante da multiplicidade de caminhos a nossa disposição.

c) Na verdade, somos obrigados a escolher.

d) Podem ser predicados a todos os atos humanos.

e) Não se reduzem a fenômenos meramente subjetivos.

Comentários:

Alternativa A – Incorreta – Embora o nome “preferência” exija a preposição A,


o termo “respeito” é MASCULINO.

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SIM nomes femininos

admite o artigo "A"?


TERMO POSTERIOR verbos

nomes masculinos

artigos

NÃO
Expressões com
palavras repetidas

pronomes
pessoais - indefinidos - relativos - demonstrativos
(este(a), esse(a)) - interrogativos - tratamento

Alternativa B – Correta – Temos um caso de crase FACULTATIVA, devido ao


pronome possessivo feminino “nossa”.

Não há artigo
SENTIDO
"A(s)", logo
GERAL
não há crase
NOMES
Adiciona-se o
SENTIDO
artigo
ESPECÍFICO
CRASE "A(s)"
após "até"
FACULTATIVA

Pronomes
minha(s), nossa(s),
Possessivos
sua(s)
Femininos

Alternativa C – Incorreta – A regência do nome “obrigados” exige a preposição


A, no entanto não utilizamos artigo diante de verbo.

Alternativa D – Incorreta – Não cabe artigo A diante de “todos” que é um


pronome indefinido.

Alternativa E – Incorreta – O verbo REDUZIR pede a preposição A, mas o nome


“fenômenos” é MASCULINO.

Gabarito: B

25) FCC/TCE/TCE-AP/Controle Externo/2012


Os esforços dos ambientalistas visam ...... conservar a grande e contínua área
de floresta, destinada ..... pesquisas científicas voltadas, principalmente, ......
estudos sobre a biodiversidade.

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As lacunas da frase acima estarão corretamente preenchidas, respectivamente,


por:
a) à às a
b) a às a
c) à as à
d) à as a
e) a às à
Comentários:
Item I – O verbo VISAR, no sentido de objetivar, pede a preposição A em sua
regência. No entanto, como não cabe artigo antes de verbo, não temos a
formação de crase.

•O competidor visou o alvo. (apontar)


VISAR
•A chefe visou os documentos. (por visto)
TD TD TI (a)
•Nós visamos a um grande objetivo. (objetivar)

Item II – Devemos preencher a lacuna com “ÀS”, devido à preposição A exigida


por “destinadas” e ao artigo AS que define “pesquisas”.
Item III – O nome “voltadas” pede a preposição A, mas, como “estudos” é
masculino, não cabe crase.
Gabarito: B

) FCC/AJ/TRT 1/Apoio Especializado/Arquivologia/2011


...... pessoas de fora, estranhas ...... cidade, a vida urbana exerce uma
constante atração, apesar dos congestionamentos e dos altos índices de
violência, inevitáveis sob ...... condições urbanas de alta densidade
demográfica.
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem dada:
a) Às - à - as
b) As - à - às
c) As - a - às
d) Às - a - às
e) As - à – as
Comentários:
Item I – Para preencher a primeira lacuna, devemos observar que a oração está
invertida. Vamos colocá-la em sua ordem direta.
“a vida urbana exerce uma constante atração às pessoas de fora”

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Portanto: preposição A motivada pela regência de “atrações” + artigo A


devido ao nome feminino “pessoas”.

ARTIGO nome
"A" feminino

VERBO PRONOMES DEMONSTRATIVOS


PREPOSIÇÃO
OU "A(S)" / "AQUELE(A)(S)" /
"A" "AQUILO"
NOME
PRONOME RELATIVO
"A QUAL" / "AS QUAIS"

Item II – Temos a preposição A devido à regência de “estranhas” e o artigo


A definindo o nome “cidades”.
Item III – Repare que “sob” já é uma preposição, não cabendo outra logo a
seguir. Assim, temos apenas o artigo “AS” acompanhando o nome “condições”.
Gabarito: A

27) FCC/AFR-SP/SEFAZ SP/Gestão Tributária/2013


Quanto ao emprego do sinal indicativo de crase, respeitado o padrão culto
escrito, a única alternativa correta é:
a) Essa foi uma estratégia que serviu ao Brasil e a maioria dos países inseridos
na turma dos remediados.
b) O estudo dá ênfase à educação e às telecomunicações, ajudando à entender
por que o Brasil cresce pouco em comparação à outras nações de economia
emergente.
c) O país tem de fazer a transição à um sistema que premie o desempenho de
professores e que garanta à todos os alunos talentosos resultados de excelência
em exames internacionais.
d) Vimos uma estratégia equivocada à época da reserva de informática. O país
pagou um preço, porque a reserva não gerou “campeões nacionais” e ainda
deixou os usuários atrasados em relação à população de outros países.
e) O processo de urbanização levou à transferir atividades dos setores de
subsistência, de baixo valor de mercado, para atividades mais modernas, que
envolvem mais capital e mais tecnologia. Mas isso ocorreu sem novos requisitos

Comentários:
Nesta questão, vamos reescrever as frases incorretas, fazendo as devidas
correções e apontando os erros cometidos, ok?
Alternativa A – Incorreta – Tanto “o Brasil” como “a maioria dos países”,
complementam o verbo SERVIR (são objetos indiretos), por isso ambos devem

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trazer a preposição A. Note que “Brasil” vem precedido pelo artigo “O”, logo,
o segundo termo, sendo feminino, deve vir precedido pelo artigo A, formando-
se a crase.
Essa foi uma estratégia que serviu ao Brasil e à maioria dos países inseridos na
turma dos remediados.
Alternativa B – Incorreta – Não cabe artigo diante de verbos, logo não cabe
crase diante de “entender”.
Não cabe artigo diante de pronomes indefinidos, logo, a crase diante de “outras”
é indevida.
O estudo dá ênfase à educação e às telecomunicações, ajudando a entender por
que o Brasil cresce pouco em comparação a outras nações de economia
emergente.

SIM NOMES FEMININOS


admite o artigo?

VERBO
POSTERIOR

NOMES MASCULINOS
TERMO

ARTIGOS

NÃO Expressões com


palavras repetidas

PRONOMES
pessoais - indefinidos - relativos demonstrativos
(este(a), esse(a)) interrogativos

ativa C – Incorreta – Não podemos ter dois artigos seguidos.


Não cabe artigo (e crase) diante de pronomes indefinidos.
O país tem de fazer a transição a um sistema que premie o desempenho de
professores e que garanta a todos os alunos talentosos resultados de excelência
em exames internacionais.
Alternativa D – Correta
Alternativa E – Incorreta – Não cabe artigo (e crase) diante de verbos.
O artigo deveria estar no plural, já que deve concordar com o nome que ele
acompanha. Poderíamos também não utilizar o artigo (apenas a preposição A),
dando um caráter geral ao termo “novas estratégias educacionais”.
O processo de urbanização levou a transferir atividades dos setores de
subsistência, de baixo valor de mercado, para atividades mais modernas, que
envolvem mais capital e mais tecnologia. Mas isso ocorreu sem novos requisitos
a/às novas estratégias educacionais.
Gabarito: D

28) FGV/FRE/SEAD AP/2010

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O jeitinho brasileiro e o homem cordial

O jeitinho caracteriza-se como ferramenta típica de indivíduos de pouca


influência social. Em nada se relaciona com um sentimento revolucionário, pois
aqui não há o ânimo de se mudar o status quo. O que se busca é obter um
rápido favor para si, às escondidas e sem chamar a atenção; por isso, o jeitinho
pode ser também definido como "molejo", "jogo de cintura", habilidade de se
"dar bem" em uma situação "apertada".

Sérgio Buarque de Holanda, em O Homem Cordial, fala sobre o brasileiro e uma


característica presente no seu modo de ser: a cordialidade. Porém, cordial, ao
contrário do que muitas pessoas pensam, vem da palavra latina cor, cordis, que
significa coração. Portanto, o homem cordial não é uma pessoa gentil, mas
aquele que age movido pela emoção no lugar da razão, não vê distinção entre
o privado e o público, detesta formalidades, põe de lado a ética e a civilidade.

Em termos antropológicos, o jeitinho pode ser atribuído a um suposto caráter


emocional do brasileiro, descrito como "o homem cordial" pelo antropólogo. No
livro Raízes do Brasil, esse autor afirma que o indivíduo brasileiro teria
desenvolvido uma histórica propensão à informalidade. Deve-se isso ao fato de
as instituições brasileiras terem sido concebidas de forma coercitiva e unilateral,
não havendo diálogo entre governantes e governados, mas apenas a imposição
de uma lei e de uma ordem consideradas artificiais, quando não inconvenientes
aos interesses das elites políticas e econômicas de então. Daí a grande tendência
fratricida observada na época do Brasil Império, que é bem ilustrada pelos
episódios conhecidos como Guerra dos Farrapos e Confederação do Equador.

a cotidiana, tornava-se comum ignorar as leis em favor das amizades.


Desmoralizadas, incapazes de se impor, as leis não tinham tanto valor quanto,
por exemplo, a palavra de um "bom" amigo. Além disso, o fato de afastar as
leis e seus castigos típicos era uma prova de boa-vontade e um gesto de
confiança, o que favorecia boas relações de comércio e tráfico de influência. De
acordo com testemunhos de comerciantes holandeses, era impossível fazer
negócio com um brasileiro antes de fazer amizade com ele. Um adágio da época
dizia que "aos inimigos, as leis; aos amigos, tudo". A informalidade era e ainda
é uma forma de se preservar o indivíduo.

Sérgio Buarque avisa, no entanto, que esta "cordialidade" não deve ser
entendida como caráter pacífico. O brasileiro é capaz de guerrear e até mesmo
destruir; no entanto, suas razões animosas serão sempre cordiais, ou seja,

(In: www.wikipedia.org com adaptações.)

Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do fragmento a


seguir:

O texto refere-se ______ teses antropológicas, cujos temas interessam ______


todos que se dispuserem ______ investigar a história do jeitinho brasileiro.

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a) as à à.

b) às a à.

c) às a a.

d) as à a.

e) às à a

Comentários:

Item I – Nesta lacuna temos uma caso de crase FACULTATIVA, pois a forma
verbal “refere-se” exige a preposição A, no entanto podemos expressar o
termo “teses antropológicas” em sentido geral (sem artigo) ou em sentido
específico (com o artigo AS).

Como não há a opção de A, a resposta é ÀS.

Não há artigo
SENTIDO
"A(s)", logo
GERAL
não há crase
NOMES
Adiciona-se o
SENTIDO
artigo
ESPECÍFICO
CRASE "A(s)"
após "até"
FACULTATIVA

Pronomes
minha(s), nossa(s),
Possessivos
sua(s)
Femininos

Item II – A forma verbal “interessam” pede a preposição A, no entanto o


pronome indefinido “TODOS” não admite artigo.

Item III – Da mesma forma, só teremos uma preposição A, devido à regência


de “se dispuseram”, porque os VERBOS não admitem artigos antecedendo-os.

Gabarito: C

29) ESAF/ATA/MF/2014

Produtividade é o que se busca na essência. Só houve racionalidade na


indústria, depois de décadas de desperdício, depois que os computadores
começaram __(1)__ ser interligados uns aos outros. O nosso tempo, este da
ampliação extraordinária da internet, onipresente e onisciente, é o melhor dos
mundos para o salto de produtividade. Com a internet das coisas, estaremos

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aptos __(2)__ levantar informações detalhadíssimas, o que ajudará __(3)__


administrar melhor qualquer negócio e o tempo que __(4)__ para realizá-lo.
Para entender como esse novíssimo movimento tecnológico transformará
__(5)__ sociedade, em todos os aspectos, basta olhar __(6)__ nossa volta,
observar nossa casa e o escritório de trabalho. Quanto tempo se demora
ajustando a temperatura do chuveiro antes de tomar banho? Ou enchendo de
gasolina o tanque do carro? Pagando contas bancárias? Com a internet das
coisas, não nos preocuparemos com nada disso. Os aparelhos que nos rodeiam,
conectados entre si e programados para compreender os hábitos de seus donos,
se encarregarão sozinhos de resolver __(7)__ maior parte dos afazeres do dia
a dia. Soa longínquo? Não é. __(8)__ hoje experiências interessantíssimas do
bom uso da internet plugada em objetos.
(Adaptado de VEJA, 22 de janeiro, 2014)

(1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8)


a) à a à a à à a Hà
b) a à a há á a a A
c) à a a há a à à A
d) a a a há a à a Há
e) a à à a a à a Há
Comentários:
Item 1 - "a" (preposição) - Não cabe crase antes de verbo.
2 - "a" (preposição) - Não cabe crase antes de verbo.
Item 3 - "a" (preposição) - Não cabe crase antes de verbo.
Item 4 - "há" - verbo HAVER no sentido de existir.
Item 5 - "a" (artigo) - O verbo TRANSFORMAR é transitivo direto.
Item 6 - "à" preposição + artigo. Mudando o gênero do complemento
identificamos facilmente (olhar ao nosso redor).
Item 7 - "a" (artigo) - O verbo RESOLVER é transitivo direto.
Item 8 - "há" - verbo HAVER no sentido de existir.
Gabarito: D

30) ESAF/AFRFB/RFB/2014
Assinale a opção que preenche as lacunas do texto de forma gramaticalmente
correta e textualmente coerente.
Sem __1__ pujança econômica de outrora, __2__ Europa registra nos últimos
tempos o fortalecimento de pressões xenófobas e anti-imigração. Após __3__
crise global, iniciada em 2008, e o consequente aumento dos índices de

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desemprego no continente, grupos de extrema-direita conquistaram níveis


inéditos de participação nos Parlamentos nacionais da Suécia e da Grécia. Não
satisfeitos em exercer __4__ representação política, tais agremiações têm
protagonizado lamentáveis episódios de agressão __5__ minorias de outras
nacionalidades.
(Adaptado de Folha de S. Paulo, 12/02/2014.)

1 2 3 4 5
a) à a à a as
b) a a a a às
c) a à a à as
d) a a à a às
e) à à a à as
Comentários:
Item 1 - "a" - O termo "sem" não pede preposição (ex. sem isso/sem aquilo).
Item 2 - "a" - O "a" é artigo que acompanha "Europa" - sujeito da oração.
Item 3 - "a" - Análogo ao item 1, o "a" é apenas artigo.
Item 4 - "a" - O verbo EXERCER é TD (transitivo direto), não pede preposição.
Item 5 - "às" - A regência do termo “agressão” pede a preposição "a",
enquanto o artigo "as" define o termo "minorias".
Gabarito: B

Por enquanto é isso...


Bons estudos a todos!!!

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6 - Lista de Exercícios

1) CESPE/ATA/DPU/2016
No início da colonização portuguesa no Brasil, a defesa das pessoas pobres
perante os tribunais era considerada uma obra de caridade, com fortes traços
religiosos.
Anteriormente à primeira Constituição pátria, a de 1824, vigoraram as
Ordenações Afonsinas, as Manuelinas e as Filipinas. Destas, somente as
Ordenações Filipinas, sancionadas em 1595 e que construíram a base do direito
português até o século XIX, com vigência de 1603 até o Código Civil brasileiro
de 1916, trazem, em seu texto, algo que remete ao entendimento de concessão
de justiça gratuita, prevendo que, se o agravante fosse tão pobre que jurasse
não ter bens móveis, nem bens de raiz, nem como pagar o agravo e se rezasse,
na audiência, uma vez, a oração do Pai-Nosso pela alma do rei de Portugal,
seria considerado quitado o pagamento das custas de então.
Ainda com relação ao aspecto da gratuidade, em particular, o colonizador
português trouxe para o território brasileiro a praxe forense de acordo com a
qual os advogados deveriam assistir, de maneira gratuita e voluntária, pro bono,
os pobres que a solicitassem. Essa obrigação era admitida como um dever moral
do ofício, diferenciando-se do voluntariado por ser exercida com caráter e
competência profissionais, embora fosse uma atividade não remunerada.
Essas duas formas de gratuidade no acesso à justiça não se confundem. A
advocacia pro bono é definida como a prestação gratuita de serviços jurídicos
na promoção do acesso à justiça, ao passo que a assistência jurídica pública
gratuita, atualmente prevista na Constituição Federal, no artigo 5.º, inciso
LXXIV, e no artigo 134, é um dever intransferível do Estado e, na maior parte
das vezes, é realizada na atuação das Defensorias Públicas da União e dos
estados e por meio de convênios entre esses órgãos e a Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB).
Enfim, a importância dessas duas formas de assistência jurídica gratuita reside
no fato de que o maior beneficiário dessa prerrogativa é a pessoa com
insuficiência de recursos que tenha de demandar em juízo.
Internet: <www.ambitojuridico.com.br> e <www.probono.org.br> (com
adaptações).

Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado,


julgue o seguinte item
No trecho “Anteriormente à primeira Constituição pátria”, o emprego do acento
indicativo de crase é facultativo.
Certo
Errado

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2) CESPE/Ag Adm/DPU/2016
Maria Silva é moradora do Assentamento Noroeste, onde moram cerca de cem
pessoas cuja principal forma de renda é o trabalho com reciclagem. Ela é uma
das líderes que lutam pelos direitos daquela comunidade. Vinda do estado do
Ceará, Maria chegou a Brasília em 2002 e conheceu o trabalho da Defensoria
Pública por meio do projeto Monitoramento da Política Nacional para a População
em Situação de Rua, tendo seu primeiro contato com a defensoria ocorrido
quando ela precisou de novos documentos para substituir os que haviam sido
perdidos no período em que esteve nas ruas.
O objetivo do referido projeto é o de ir até a população que normalmente não
tem acesso à Defensoria Pública. “Nós chegamos de forma humanizada até
essas pessoas em situação de rua. Com esse trabalho nós estamos garantindo
seu acesso à justiça e aos direitos para que consigam se beneficiar de outras
políticas públicas”, explica a coordenadora do Departamento de Atividade
Psicossocial.
A mais recente visita de participantes de outro projeto, o Atenção à População
de Rua do Assentamento Noroeste, levou respostas às demandas solicitadas
pelos moradores. O foco foram soluções e retornos de casos como o de um
morador que tem problemas com a justiça e que está sendo assistido por um
defensor público e o de uma senhora que estava internada em um hospital
público e conseguiu uma cirurgia por meio dos serviços da defensoria. As visitas
acontecem mensalmente, sendo a maior demanda a solicitação de registro civil.
“As certidões de nascimento figuram entre as demandas porque essas pessoas
s conseguiram por outros serviços, e a defensoria teve que intervir. Nós
entramos para solucionar problemas: vamos até as ruas para informar sobre o
trabalho da defensoria, para que seus direitos sejam garantidos”, afirma a
coordenadora.
Internet: <www.defensoria.df.gov.br.> (com adaptações).

Acerca dos aspectos linguísticos e das ideias do texto acima, julgue o item
seguinte.
No trecho “respostas às demandas” (l.16), o emprego do sinal indicativo de
crase justifica-se pela regência do substantivo “respostas”, que exige
complemento antecedido da preposição a, e pela presença de artigo feminino
plural que determina “demandas”.
Certo
Errado

3) CESPE/Esp/FUNPRESP/Jurídica/2016

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Luís Fernando Veríssimo diz que o cronista é como uma galinha, bota seu ovo
regularmente. Carlos Eduardo Novaes diz que crônicas são como laranjas,
podem ser doces ou azedas e podem ser consumidas em gomos ou pedaços, na
poltrona de casa ou espremidas na sala de aula.
Já andei dizendo que o cronista é um estilita. Não confundam, por enquanto,
com estilista. Estilita era o santo que ficava anos e anos em cima de uma coluna,
no deserto, meditando e pregando. São Simeão passou trinta anos assim,
exposto ao sol e à chuva. Claro que, de tanto purificar seu estilo diariamente, o
cronista estilita acaba virando um estilista.
O cronista é isso: fica pregando lá em cima de sua coluna no jornal. Por isso,
há uma certa confusão entre colunista e cronista, assim como há outra confusão
entre articulista e cronista. O articulista escreve textos expositivos e defende
temas e ideias. O cronista é o mais livre dos redatores de um jornal. Ele pode
ser subjetivo. Pode (e deve) falar na primeira pessoa sem envergonhar-se.
O cronista é crônico, ligado ao tempo, deve estar encharcado, doente de seu
tempo e ao mesmo tempo pairar acima dele.
Affonso Romano de Sant’Anna. O que é um cronista? In: O Globo. 12/6/1988
(com adaptações).

Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto O que é um cronista?,


julgue o item a seguir.
Na linha 8, o emprego do acento indicativo de crase em “à chuva” é exigido pela
regência da forma verbal “exposto” e pela presença do artigo definido feminino
que especifica o substantivo “chuva”.
Certo
Errado

4) CESPE/Tec GT/TELEBRAS/Assistente Técnico/2015


Com a construção do primeiro satélite geoestacionário brasileiro, a segurança
do tráfego de dados importantes no país poderá aumentar, uma vez que eles
passarão a ser criptografados. Segundo o presidente da TELEBRAS, um dos
objetivos do desenvolvimento do satélite será a proteção às redes que
transmitem informações sensíveis do governo federal. Por isso a TELEBRAS vai
erno,
de maneira que os dados sensíveis que vão transitar no nosso satélite serão
praticamente invioláveis”.
A expansão da Internet de banda larga popular em mais de dois mil municípios
brasileiros que ainda não são atendidos por via terrestre é mais um dos
objetivos da construção do novo satélite. Outra área importante a ser atendida

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é a militar, que atualmente usa satélites estrangeiros para realizar suas


operações.
Para o presidente da TELEBRAS, o fato de o país não ter um satélite próprio faz
que o governo não tenha controle do equipamento. Ele considera “recorde” o
tempo desde o início da concepção do projeto, em 2011, até hoje.
Internet: <www.exame.abril.com.br> (com adaptações).

No que se refere às estruturas linguísticas do texto acima e às ideias nele


desenvolvidas, julgue o item a seguir.
O sinal indicativo de crase em “proteção às redes” justifica-se pela contração da
preposição a, exigida pelo substantivo “proteção”, com o artigo definido
feminino as, que determina o vocábulo “redes”.
Certo
Errado

5) CESPE/AFCE/TCE SC/Controle Externo/Direito/2016


Texto CB2A2AAA
É inegável que o Estado representa um ônus para a sociedade, já que, para
assegurar o seu funcionamento, consome riquezas da sociedade. Representa,
porém, um mal necessário, pois até agora não se conseguiu arquitetar
mecanismo distinto para catalisar a vida em comunidade. Então, se do Estado
não pode prescindir a civilização, cabe-lhe aprimorá-lo, buscando otimizar
o seu funcionamento, de modo a torná-lo menos oneroso, mais eficiente e
eficaz.
O bom funcionamento do Estado, que inclui também o bom funcionamento de
suas estruturas encarregadas do controle público (Ministério Público, Poder
Legislativo e tribunais de contas, entre outros), vem sendo alçado à condição
de direito fundamental dos indivíduos. Pressupõe, notadamente sob as luzes do
princípio constitucional da eficiência, os deveres de cuidado e de cooperação.
O dever de cuidado é consequência direta do postulado da indisponibilidade do
interesse público. Em decorrência desse postulado, todo agente público tem o
dever de, no cumprimento fiel de suas atribuições, perseguir o interesse público
manifesto na Constituição Federal e nas leis. Conduz, portanto, à ideia de
vedação da omissão, já que deixar de cumprir tais atribuições evidenciaria
conduta ilícita. O dever de cuidado conduz, ainda, a uma ampla interação entre
as estruturas públicas de controle, ou seja, é um dever de cooperação, não
como faculdade, mas como obrigação que, em regra, dispensa formas especiais,
como previsões normativas específicas, convênios e acordos.

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Sob essa perspectiva, o controle público do Estado deve incorporar à sua cultura
institucional o compromisso com o direito fundamental ao bom funcionamento
do Estado.
Nesse contexto, os deveres de cuidado e de cooperação se impõem a todas as
estruturas do Estado destinadas a promover o controle da máquina estatal.
A observância do dever de cuidado e do de cooperação — traduzida, portanto,
na atuação comprometida e concertada das estruturas orientadas para a função
de controle da gestão pública — deve promover, entre os agentes e órgãos de
controle, comportamentos de responsabilidade e responsividade. Por
responsabilidade entenda-se o genuíno compromisso com a integralidade do
ordenamento jurídico, o que pressupõe, acima de tudo, o reconhecimento de
um regime de vedação da omissão. Responsividade, por sua vez, traduz o
comportamento orientado a oferecer respostas rápidas e proativas,
impregnadas de verdadeiro compromisso com a ideia-chave de promover o bom
funcionamento do Estado.
Diogo Roberto Ringenberg. Direito fundamental ao bom funcionamento do
controle público. In: Controle Público, n.º 10, abr./2011, p. 55 (com
adaptações).

Com relação às estruturas linguísticas do texto CB2A2AAA, julgue o item a


seguir.
No trecho “a uma ampla interação", a inserção do sinal indicativo de crase no
“a” manteria a correção gramatical do período, mas prejudicaria o seu sentido
al.
Certo
Errado

6) CESPE/Aud CE/TCE PA/Educacional/2016


Texto CB1A1BBB
Estranhamente, governos estaduais cujas despesas com o funcionalismo já
alcançaram nível preocupante ou que estouraram o limite de gastos com pessoal
fixado pela Lei Complementar n.º 101/2000, denominada Lei de
Responsabilidade Fiscal (LRF), estão elaborando sua própria legislação
ças.
Querem uma nova lei de responsabilidade fiscal para, segundo argumentam,
fortalecer a estrutura legal que protege o dinheiro público do mau uso por
gestores irresponsáveis.
Examinando-se a situação financeira dos estados que preparam sua versão da
lei de responsabilidade fiscal, fica difícil aceitar a argumentação. Desde maio de
2000, quando entrou em vigor a LRF, esses estados, como os demais, estão

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sujeitos a regras precisas para a gestão do dinheiro público, para a criação de


despesas e, em particular, para os gastos com pessoal. Por que, tendo
descumprido algumas dessas regras, estariam interessados em torná-las ainda
mais rigorosas?
Não foi a lei que não funcionou, mas os responsáveis pelo dinheiro público que,
por alguma razão, não a cumpriram. De que adiantaria, então, tornar a lei mais
rigorosa, se nem nas condições atuais esses responsáveis estão sendo capazes
de cumpri-la?
O problema não está na lei. Mudá-la pode ser o pretexto não para torná-la mais
rigorosa, mas para atribuir-lhe alguma flexibilidade que a desfigure. O
verdadeiro problema é a dificuldade do setor público de adaptar suas despesas
às receitas em queda por causa da crise.
Internet: <http://opiniao.estadao.com.br> (com adaptações).

Com relação aos aspectos linguísticos do texto CB1A1BBB, julgue o seguinte


item.
O emprego do acento grave em “às receitas” decorre da regência do verbo
“adaptar” e da presença do artigo definido feminino determinando o substantivo
“receitas”.
Certo
Errado

7) CESPE/Aux Tec CE/TCE PA/Informática/2016


Texto CB8A1BBB
Passados os atropelos da chegada de D. João ao Brasil, era hora de colocar
mãos à obra. Os planos eram grandiosos e havia tudo por fazer. A colônia
precisava de estradas, escolas, tribunais, fábricas, bancos, moeda, comércio,
imprensa, biblioteca, hospitais, comunicações eficientes. Em especial,
necessitava de um governo que se responsabilizasse por tudo isso. D. João não
perdeu tempo. No dia 10 de março de 1808, quarenta e oito horas depois de
desembarcar no Rio de Janeiro, organizou seu novo gabinete.
Caberia a esse gabinete criar um país a partir do nada. Havia duas frentes de
ação. A primeira, interna, incluiu as inúmeras decisões administrativas que D.
João tomou, logo ao chegar, para melhorar a comunicação entre as províncias,
estimular o povoamento e o aproveitamento das riquezas da colônia. A outra
frente era externa. Visava ampliar as fronteiras do Brasil, em uma tentativa de
aumentar a influência portuguesa na América. Era também uma forma de punir
os adversários europeus de Portugal, ocupando seus territórios e ameaçando
seus interesses americanos. Nesse caso, os avanços foram precários e sem
consequências duradouras.

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No final de 1808, uma tropa de quinhentos soldados brasileiros e portugueses,


escoltada por uma pequena força naval, invadiu a Guiana Francesa e sitiou a
capital, Caiena, cujo governador se rendeu sem resistência no dia 12 de janeiro.
Era uma retaliação à invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão. Uma
segunda ofensiva seria a anexação da chamada Banda Oriental do Rio da Prata,
atual território do Uruguai, em represália à aliança da Espanha com a França
napoleônica. Foram ambas conquistas efêmeras. A Guiana se livrou das tropas
de D. João oito anos mais tarde. O Uruguai conseguiria sua independência em
1828.
Com os planos de expansão territorial fracassados, restou a D. João se
concentrar na primeira — e mais ambiciosa — de suas tarefas: mudar o Brasil
para reconstruir nos trópicos o sonhado império americano de Portugal.
Laurentino Gomes. 1808. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2007 (com
adaptações).

Com relação a aspectos linguísticos do texto CB8A1BBB, julgue o item


subsequente.
Ocorre crase em “represália à aliança” porque “represália” exige complemento
regido pela preposição a e “aliança” está antecedido do artigo a.
Certo
Errado

CESPE/AIE/MPOG/Área I/2012
É um erro buscar o crescimento pelo crescimento, sem levar em conta os seus
efeitos mais amplos e as suas consequências. É necessário ponderar, entre
outros fatores, o impacto ambiental. É fundamental também usar os frutos do
crescimento, para aprimorar a qualidade de vida da população de maneira
abrangente, e não apenas para favorecer certos grupos. Precisamos prestar
atenção em como podemos tirar o melhor proveito do enriquecimento do país.
Sou contra o crescimento pelo crescimento, e ofereço todas as minhas críticas
àqueles que são a favor. Entretanto, àqueles que não buscam nenhum
crescimento, como é o caso da Europa hoje em dia, minhas críticas são ainda
mais severas. Adam Smith estava certo quando observou que o crescimento
aumenta a renda da população e, assim, amplia a capacidade das pessoas de
ter acesso a melhores condições de vida. Estava certo também quando disse
que o crescimento gera os recursos necessários para que os governos possam
exercer suas atividades essenciais.
Amartya Sem. Mercado, justiça e liberdade. In: Veja, 2/5/2012 (com
adaptações).

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No que se refere à organização das ideias no texto acima, julgue o item


seguinte.
O emprego do sinal indicativo de crase em "àqueles" é exigido, na primeira
ocorrência, pela presença da forma verbal "ofereço" e, na segunda, pela
presença do substantivo "críticas".
Certo
Errado

9) CESPE/ACE/TCDF/2012
A Teoria Geral do Estado mostra como surgiu e se organizou, ao longo do tempo,
o Estado. Nas formas primitivas de organização social, ainda tribais, o poder era
concentrado nas mãos de um único chefe, soberano e absoluto, com poder de
vida e morte sobre seus subordinados, fazendo e executando as leis.
Na Antiguidade Clássica, as civilizações grega e romana foram as que primeiro
fizeram uma tentativa de compartilhar o poder, criando instituições como a
Eclésia e o Senado. Contudo, essa experiência foi posta de lado quando as
trevas medievais tomaram conta da Europa, fazendo-a mergulhar em mil anos
de estagnação, sob as mãos de senhores feudais, reis e papas, que não
conheciam outro limite senão seu próprio poder.
O fim da Idade Média, no século XV, e o ressurgimento das cidades, no período
renascentista, representaram profundas mudanças para a sociedade da época,
mas, do ponto de vista político, assistiu-se a uma concentração ainda maior do
nas mãos dos soberanos, reis absolutos, que, sob o peso de sua
autoridade, unificaram os diversos feudos e formaram vários dos Estados
modernos que hoje conhecemos. Exceção a essa regra foi a Inglaterra, onde, já
em 1215, o poder do rei passou a ser um tanto limitado pelos nobres, que o
obrigaram a pedir autorização a um conselho constituído por vinte e cinco
barões para aumentar os impostos. A fim de fazer valer essa exigência, foi
assinada a Magna Carta. Nascia o embrião do parlamento moderno, com a
finalidade precípua de limitar o poder do rei.
Elton E. Polveiro Júnior. Desafios e perspectivas do poder legislativo no século
XXI. Internet: <www.senado.gov.br> (com adaptações).

Com relação a aspectos linguísticos do texto, julgue o item que se segue.


No trecho "Exceção a essa regra", é opcional o emprego do sinal indicativo de
crase no "a".
Certo
Errado

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10) CESPE/ATI/ABIN/Administração/2010
Os sistemas de inteligência são uma realidade concreta na máquina
governamental contemporânea, necessários para a manutenção do poder e da
capacidade estatal. Entretanto, representam também uma fonte permanente de
risco. Se, por um lado, são úteis para que o Estado compreenda seu ambiente
e seja capaz de avaliar atuais ou potenciais adversários, podem, por outro,
tornar-se ameaçadores e perigosos para os próprios cidadãos se forem pouco
regulados e controlados.
Assim, os dilemas inerentes à convivência entre democracias e serviços de
inteligência exigem a criação de mecanismos eficientes de vigilância e de
avaliação desse tipo de atividade pelos cidadãos e(ou) seus representantes. Tais
dilemas decorrem, por exemplo, da tensão entre a necessidade de segredo
governamental e o princípio do acesso público à informação ou, ainda, do fato
de não se poder reduzir a segurança estatal à segurança individual, e vice-versa.
Vale lembrar que esses dilemas se manifestam, com intensidades variadas,
também nos países mais ricos e democráticos do mundo.
Marco Cepik e Christiano Ambros. Os serviços de inteligência no Brasil. In:
Ciência Hoje, vol. 45, n.º 265, nov./2009. Internet: <cienciahoje.uol.com.br>
(com adaptações).

Com relação à estrutura coesiva, gramatical e vocabular do texto, julgue o item


seguinte.
O uso do sinal indicativo de crase no trecho "os dilemas inerentes à convivência"
não é obrigatório.
Certo
Errado

11) CESPE/AUFC/TCU/Apoio Técnico e


Administrativo/Tecnologia da Informação/2010
Nas sociedades modernas, somos diariamente confrontados com uma grande
massa de informações. As novas questões e os eventos que surgem no
horizonte social frequentemente exigem, por nos afetarem de alguma maneira,
que busquemos compreendê-los, aproximando-os daquilo que já conhecemos.
os
quais as novas representações vão sendo produzidas e comunicadas, passando
a fazer parte desse universo não mais como simples opiniões, mas como
verdadeiras "teorias" do senso comum, construções esquemáticas que visam
dar conta da complexidade do objeto, facilitar a comunicação e orientar
condutas. Essas teorias ajudam a forjar a identidade grupal e o sentimento de
pertencimento do indivíduo ao grupo.

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Essa análise permite, ainda, abordar um outro ponto: a caracterização dos


grupos em função de sua representação social. Isto quer dizer que é possível
definir os contornos de um grupo, ou, ainda, distinguir um grupo de outro pelo
estudo das representações partilhadas por seus membros sobre um dado objeto
social. Graças a essa reciprocidade entre uma coletividade e sua teoria, esta é
um atributo fundamental na definição de um grupo.
Alda Judith AlvesMazzotti. Representações sociais: aspectos teóricos e
aplicações à educação. In: Revista Múltiplas Leituras, v. 1, n.o 1, 2008, p.
1843. Internet: <www.metodista.br> (com adaptações).

A respeito da organização dos sentidos e das estruturas linguísticas do texto


apresentado, julgue o item que se segue.
Na linha 16, já que a estrutura sintática exige a preposição a, a ausência de
sinal indicativo da crase em "a essa reciprocidade" mostra que, por causa da
presença do pronome demonstrativo "essa", o artigo não é aí usado.
Certo
Errado

12) CESPE/APF/PF/2012
Imagine que um poder absoluto ou um texto sagrado declarem que quem roubar
ou assaltar será enforcado (ou terá a mão cortada). Nesse caso, puxar a corda,
afiar a faca ou assistir à execução seria simples, pois a responsabilidade moral
edicto não estaria conosco. Nas sociedades tradicionais, em que a punição
é decidida por uma autoridade superior a todos, as execuções podem ser
públicas: a coletividade festeja o soberano que se encarregou da justiça − que
alívio!
A coisa é mais complicada na modernidade, em que os cidadãos comuns (como
você e eu) são a fonte de toda autoridade jurídica e moral. Hoje, no mundo
ocidental, se alguém é executado, o braço que mata é, em última instância, o
dos cidadãos − o nosso. Mesmo que o condenado seja indiscutivelmente
culpado, pairam mil dúvidas. Matar um condenado à morte não é mais uma
festa, pois é difícil celebrar o triunfo de uma moral tecida de perplexidade. As
execuções acontecem em lugares fechados, diante de poucas testemunhas: há
uma espécie de vergonha. Essa discrição é apresentada como um progresso: os
povos civilizados não executam seus condenados nas praças. Mas o dito
progresso é, de fato, um corolário da incerteza ética de nossa cultura.
Reprimimos em nós desejos e fantasias que nos parecem ameaçar o convívio
social. Logo, frustrados, zelamos pela prisão daqueles que não se impõem as
mesmas renúncias. Mas a coisa muda quando a pena é radical, pois há o risco
de que a morte do culpado sirva para nos dar a ilusão de liquidar, com ela, o
que há de pior em nós. Nesse caso, a execução do condenado é usada para

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limpar nossa alma. Em geral, a justiça sumária é isto: uma pressa em suprimir
desejos inconfessáveis de quem faz justiça. Como psicanalista, apenas gostaria
que a morte dos culpados não servisse para exorcizar nossas piores fantasias −
isso, sobretudo, porque o exorcismo seria ilusório. Contudo é possível que haja
crimes hediondos nos quais não reconhecemos nada de nossos desejos
reprimidos.
Contardo Calligaris. Terra de ninguém − 101 crônicas. São Paulo: Publifolha,
2004, p. 946 (com adaptações).

Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o


item.
Considerando-se a dupla regência do verbo impor e a presença do pronome
"mesmas", seria facultado o emprego do acento indicativo de crase na palavra
"as" da expressão "as mesmas renúncias".
Certo
Errado

13) CESPE/TJ/TRE ES/Administrativa/"Sem


Especialidade"/2011
Considerando que o item seguinte, na ordem em que esta apresentado, é parte
sucessiva de um texto adaptado do jornal Estado de Minas de 29/11/2010,
julgue-o com referência à correção gramatical.
A lei impede a justiça eleitoral de conceder registro a candidatura à cargos
eletivos dos condenados em decisão colegiada por crimes contra a vida, o
patrimônio e a administração pública, a economia popular, o meio ambiente, a
saúde pública e o sistema financeiro, assim como por abuso de autoridade,
lavagem de dinheiro e atentado à dignidade sexual, entre outros.
Certo
Errado

14) CESPE/AIE/MPOG/Área I/2012


O aumento da população, o crescimento econômico e a sofisticação das relações

complexidade. Para fazer frente a essas demandas, o dimensionamento


adequado da força de trabalho no setor público é condição necessária, mas não
suficiente. Elas requerem que o Estado atente também para a qualificação de
uma força de trabalho às voltas com questões cada vez mais complicadas. O
desafio é a construção de um Estado "inteligente". A tese do inchaço da
"máquina pública" e da consequente necessidade de redução do "tamanho do

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Estado" no Brasil merece uma análise mais aprofundada. É fato que os números
absolutos impressionam. Sendo um país de dimensões continentais e com uma
das cinco maiores populações do mundo, é natural que o Brasil conte com uma
quantidade expressiva de servidores públicos. Ciente de que não houve
explosão do quantitativo de servidores no Poder Executivo federal, porém
convencido de que novas autorizações de ingresso devem ser feitas de forma
criteriosa, o governo federal vem buscando conferir maior racionalidade à
gestão de pessoas no serviço público, atentando para as necessidades mais
prementes de áreas que implementam programas fundamentais para o país e
esforçando-se para profissionalizar cada vez mais a gestão pública.
Marcelo V. E. de Moraes et al. O mito do inchaço da força de trabalho do
Executivo federal. Internet: <www.planejamento.gov.br> (com adaptações).
Julgue o próximo item, a respeito da organização das ideias e das estruturas
linguísticas do texto acima.
O sinal indicativo de crase em "às voltas" decorre da presença do artigo definido
e do uso da preposição a exigida pelo substantivo "força".
Certo
Errado

15) CESPE/TJ/TRE RJ/Administrativa/2012


Terminou o prazo para eleitores que sabem de fatos que apontem para a
inelegibilidade de algum candidato às eleições de prefeito, vice-prefeito e
dores informarem a irregularidade ao juiz eleitoral de sua cidade. Para
isso, quem usou desse direito precisou apresentar a informação com provas e
estar em gozo dos direitos políticos. São considerados inelegíveis os
enquadrados nas restrições impostas pelas Leis Complementares n.o 64/1990
(Lei das Inelegibilidades) e n.o 135/2010 (Lei da Ficha Limpa), que consideram
inaptos a exercer cargo público os candidatos condenados em decisão transitada
em julgado (sem possibilidade de recurso) pelos crimes contra a economia
popular, a fé e a administração pública; de lavagem de dinheiro e ocultação de
bens; de tráfico de entorpecentes, racismo, tortura e terrorismo; além de
compra de votos e abuso do poder econômico, entre outros. Esta é a primeira
eleição em que prevalecerá a Lei da Ficha Limpa.
Editorial, Estado de Minas, 19/7/2012.
Com base nas ideias e estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item a
seguir.
O emprego do sinal indicativo de crase em "candidato às eleições" justifica-se
porque a palavra "candidato" exige complemento regido pela preposição "a", e
a palavra "eleições" é antecedida por artigo definido feminino.
Certo

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Errado

16) CESPE/Técnico/MPU/Administração/2013
Inalterado desde a redemocratização, o sistema político brasileiro está
finalmente diante de uma oportunidade concreta de mudanças, principalmente
em relação a aspectos que dão margem a uma série de deformações e
estimulam a corrupção já a partir do período de campanha eleitoral. Se as
restrições históricas às transformações não prevalecerem, a Câmara dos
Deputados deverá dar início ao debate sobre uma série de inovações com
chance de valerem já para as próximas eleições. Mais uma vez, questões
importantes como o voto facultativo e o distrital ficarão de fora, o que faz que
as atenções se concentrem em aspectos mais polêmicos, como o financiamento
público de campanha, a partir da criação de um fundo proposto por meio de
projeto de lei. Se a intenção é mesmo reduzir as margens para desvios de
dinheiro, é importante que as pretensões, nesse e em outros pontos, sejam
avaliadas com objetividade e sem prejulgamentos.
Zero Hora, 8/4/2013.

Julgue o item a seguir, relativos às informações e estruturas linguísticas do texto


acima.
Mantém-se a correção gramatical do texto ao se substituir o trecho “a uma
série” por à uma série, dado o caráter facultativo do emprego do sinal
indicativo de crase nesse caso.
Certo
Errado

17) CESPE/Agente Administrativo/MDIC/2014


Para o observador externo, pode parecer pura preguiça. No entanto, o ato de
sonhar acordado relaciona-se ao desenvolvimento da autoconsciência e da
criatividade, à capacidade de planejamento e de improvisação, à possibilidade
de reflexão profunda sobre as experiências cotidianas e ainda ao raciocínio
moral. A aparência pode ser de devaneio sem rumo, porém o cérebro pode estar
operando um processo neurológico complexo, sofisticado e produtivo.
O autor inglês Neil Gaiman, autor de romances, livros e quadrinhos, declarou
recentemente, em uma palestra, que o nosso futuro depende de livrarias, da
leitura e da capacidade de sonhar acordado. O autor iniciou sua palestra
mencionando que a próspera indústria norte-americana de construção de
prisões usa como variável para a previsão da demanda (necessidades futuras
de celas) o percentual de crianças com dez e onze anos incapazes de ler. Para
ele, temos a obrigação de sonhar acordados e usar a imaginação. Essas

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atividades nos fazem criar mundos alternativos, que nos permitem construir o
futuro.
No mundo do trabalho, a atividade de sonhar acordado já teve dias melhores.
Muitas organizações contemporâneas declaram amor incondicional pela
criatividade e pela inovação. Paradoxalmente, continuam a refrear, disciplinar
ou expelir seus sonhadores. Eles resistem como podem, sonhando acordados
para enfrentar o tédio no trabalho. A Revolução Industrial e a ascensão das
linhas de montagem sepultaram a criatividade e exilaram os sonhadores.
Faz bem sonhar acordado. In: CartaCapital, 13/11/2013, p. 60 (com
adaptações).

No que se se refere às ideias e a aspectos linguísticos do texto acima, julgue o


próximo item.
O emprego do sinal indicativo de crase em “à capacidade” e “à possibilidade”
justifica-se pela regência da forma verbal “relaciona-se” e pela presença de
artigo definido feminino.
Certo
Errado

18) CESPE/AUFC/TCU/Apoio Téc. Administrativo/Tecnologia da


Informação/2010
eriência cultural das sociedades, em nossa época, é cada vez mais
moldada e "globalizada" pela transmissão e difusão das formas significativas,
visuais e discursivas, via meios de comunicação de massa. Conquanto o
desenvolvimento dos meios de comunicação tenha tornado absolutamente
frágeis os limites que separavam o público do privado, assiste-se hoje a uma
nova tendência de politização e visibilidade do privado, com a estruturação de
novas relações familiares, bem como à privatização do público. Faz-se
necessário frisar que o imaginário social acompanha lentamente essa evolução,
nem sempre aceitando o rompimento dos costumes fortemente arraigados.
Vera Lúcia Pires. A identidade do sujeito feminino: uma leitura das
desigualdades. In: M. I. Ghilardi Lucena (Org.). Representações do feminino.
PUC: Átomo, 2003, p. 209 (com adaptações).

Julgue o item seguinte, relativo à organização das ideias no texto acima e aos
seus aspectos gramaticais.
Na linha 7, o uso do sinal indicativo da crase em "à privatização" mostra que o
conectivo "bem como" introduz um segundo complemento ao verbo assistir.
Certo

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Errado

19) CESPE/TEFC/TCU/2004
Em uma iniciativa inédita, dez grandes corporações assinaram um compromisso
com o Fórum Econômico Mundial para divulgar regularmente o volume de suas
emissões de gases poluentes. Com isso, elas se antecipam aos governos que
ainda estão aguardando a entrada em vigor do protocolo de Kyoto. Pelo acordo,
denominado Registro Mundial de Gases que Causam o Efeito Estufa, as
multinacionais passam a informar o seu grau de poluição do meio ambiente,
atendendo a expectativas de acionistas, que cobram mais transparência sobre
o tema. Juntas, essas empresas são responsáveis pela emissão de 800 milhões
de toneladas de dióxido de carbono por ano, o que representa cerca de 5% das
emissões mundiais.
O Globo, 23/1/2004, p. 30 (com adaptações).

A partir do texto acima e considerando aspectos marcantes da questão


ambiental no mundo contemporâneo, julgue os itens seguintes.
Caso se optasse por às expectativas em lugar de "a expectativas", o período em
que se encontra essa expressão continuaria atendendo às exigências da norma
culta escrita.
Certo
Errado

20) CESPE/TA/ICMBio/2014
O ABCerrado e a Matomática (“matemática do mato”), metodologias criadas por
um professor da UnB, apoiam-se em dois princípios: o da elevação da
autoestima de alunos e professores e o do envolvimento com o meio ambiente
para a construção, de forma lúdica e interdisciplinar, da cidadania e do respeito
mútuo. “Fazemos a aproximação por meio de elementos do contexto onde as
crianças estão inseridas. As atividades de leitura, interpretação e escrita
associam-se ao tema do cerrado na forma de poesias, música, desenho, pintura
e jogos”, explica uma professora da Faculdade de Educação da UnB.
Atualmente, a universidade trabalha para expandir a aplicação do ABCerrado na
que é
educação”, conta a professora. “A natureza possui uma dimensão formadora.
Isso subverte a forma de se tratar a relação entre o ser humano e o meio
ambiente no cerne de um processo educativo. Não se trata de educar o ser
humano para o domínio e a apropriação da natureza, mas de educar a
humanidade para ser capaz de trocar e de aprender com ela”, completa.

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João Campos. O ABC do cerrado. In: Revista Darcy, jun./2012 (com


adaptações)

Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto acima, julgue o
item subsequente.
Sem prejuízo da correção gramatical do texto, o período ‘As atividades (...)
jogos’ poderia ser reescrito da seguinte maneira: Às atividades de leitura,
interpretação e escrita associa-se o tema do cerrado na forma de poesias,
música, desenho, pintura e jogos.
Certo
Errado

21) FGV/ACI/SEFAZ RJ/2011

Cidadania e Responsabilidade Social do Contador como agente da


conscientização tributária das empresas e da sociedade

Entende-se que a arrecadação incidente sobre os diversos setores produtivos é


necessária para a manutenção da máquina governamental, para a sustentação
do Estado em suas atribuições sociais e para aplicação na melhoria da qualidade
de vida da população. É imprescindível que a tributação seja suportável e mais
bem distribuída e que contribuam com justiça e se beneficiem dessa
contribuição.

untura atual exige maior qualificação em todas as áreas do conhecimento;


assim, a profissão contábil deve despertar para a conscientização tributária.
Conceitos como parceria e corresponsabilidade no sistema tributário somente
podem ser efetivados se a sociedade como um todo estiver mais esclarecida e
comprometida. Apresentar alguns fatores como a falta de conscientização
tributária e participação cidadã pode representar um alerta, mas não é o
suficiente.

Ao analisar o progresso da humanidade, percebe-se que o desenvolvimento


social e econômico foi possível porque o homem sistematizou formas de
organização entre os povos. A necessidade de organização fez com que o Estado
se tornasse o elemento direcionador desse processo. E, como forma de se
autofinanciar, criou o tributo a fim de possibilitar as condições mínimas de
de
controle, exatidão e confiança, surgiu o profissional contábil.

O contador aqui citado na forma masculina sem querer suscitar questões de


gênero não pode mais ser visto como o profissional dos números, e sim um
profissional que agrega valor, espírito investigativo, consciência crítica e
sensibilidade ética. Se a atual conjuntura exige maior qualificação profissional,
o conhecimento contábil deve transcender o processo específico e visualizar

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questões globais pertinentes ao novo mundo do trabalho, que exige criatividade,


perfil de empreender e habilidade de aprender, principalmente nas relações
sociais.

Sendo assim, alguns conceitos tornam-se essenciais para estabelecer a relação


entre Estado, sociedade, empresa e o contador. O Estado tem por missão suprir
as necessidades básicas da população; assim, sua eficiência e transparência
tornam-se mister do processo.

Entre a sociedade, a empresa e o Estado, está o profissional contábil, que, por


sua vez, é o elo entre Fisco e contribuinte. É de fundamental importância que
esse profissional aprimore seu entendimento tributário, percebendo sua
necessidade. Ratifica-se, assim, o conceito de que a conscientização tributária
pode representar um ponto de partida para a formação cidadã como uma das
formas eficazes de atender às demandas sociais, com maior controle sobre a
coisa pública.

É dever do Estado manter as necessidades básicas da população; e, para isso,


são impostas obrigações. Os contribuintes, porém, não possuem apenas
deveres, mas também plenos direitos.

Se o Fisco aqui referenciando-se o estadual é por demais significativo para o


funcionamento da máquina administrativa, sua eficiência e transparência
tornam-se mister do processo. Nesse sentido, se a evasão tributária é uma
doença social, seu combate ou tratamento não pode ficar restrito aos seus
agentes; é necessário o envolvimento de toda a sociedade. Entretanto,
interesses diversos sempre deixaram a sociedade à margem do processo, como
não precisasse participar de forma efetiva das decisões econômicas e, em
contrapartida, contribuir de forma direta e irrestrita para a própria sustentação.

(...)

(Merlo, Roberto Aurélio; Pertuzatti, Elizandra. Disponível em


<www.rep.educacaofiscal.com.br/material/fisco_contador.pdf>. Com
adaptações)

Ratifica-se, assim, o conceito de que a conscientização tributária pode


representar um ponto de partida para a formação cidadã como uma das formas
eficazes de atender às demandas sociais, com maior controle sobre a coisa
pública.

ro
fenômeno da crase.

Assinale a alternativa em que o acento grave tenha sido empregado


corretamente.

a) Em visita ao Rio, fomos à Copacabana da Bossa Nova.

b) Esta prova vai de 13h às 18h.

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c) Finalmente fiquei face à face com a tão esperada prova.

d) Os candidatos somente podem deixar o local de prova à partir das 15h.

e) Pedimos um bife à cavalo.

22) FGV/Ass T/DETRAN MA/2013 (ADAPTADA)

A EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO

A comunicação é uma arma poderosa na batalha cotidiana pela queda dos


números de acidentes, servindo ao mesmo tempo como instrumento de
educação e conscientização. Campanhas de mobilização pelo uso de cinto de
segurança, das práticas positivas na direção, da não utilização de bebidas
alcoólicas ao dirigir, do uso da faixa de pedestres, entre outras, são
comprovadamente eficientes. É crescente a preocupação com o ensino dos
princípios básicos do trânsito desde a infância e ele pode acontecer no espaço
escolar, com aulas específicas, ou também nos ambientes especialmente
desenvolvidos para o público infantil nos departamentos de trânsito. Com a
chegada do Código Brasileiro de Trânsito (CBT), em 1998, os condutores
imprudentes passaram a frequentar aulas de reciclagem, com o propósito de
reeducação.

Como se vê, alguma coisa já vem sendo feita para reduzir o problema. Mas há
muito mais a fazer. A experiência mundial mostra que as campanhas para
alertar e convencer a população, de forma periódica, da necessidade de
obedecer a regras básicas de trânsito, não são suficientes para frear veículos
em alta velocidade e evitar infrações nos semáforos. O bolso, nessas horas,
ajuda a persuadir condutores e transeuntes a andar na linha. A Capital Federal
é um exemplo de casamento bem-sucedido entre comunicação de massa e
fiscalização. Um conjunto de ações foi responsável por significativa queda no
número de vítimas fatais do trânsito na cidade.

O governo local, a partir da década de 1990, adotou uma série de medidas


preventivas. Foram veiculadas campanhas de conscientização, foi adotado o
controle eletrônico de velocidade e foi implementado o respeito às faixas de
pedestres. Essas providências, associadas à promulgação do novo Código de
Trânsito, levaram a uma expressiva redução nos índices de mortalidade por 10
mil veículos em Brasília de 14,9 em 1995 para 6,4 em 2002. Nesse período,
ro de
mortes por ano caiu de 652 em 1995 para 444 em 2002.

Foi um processo polêmico. O governo foi acusado de estar encabeçando uma


indústria de multas, devido ao grande número de notificações aplicadas.
Reclamações à parte, o saldo das ações se apresentou bastante positivo.
Recentemente as estatísticas mostram que o problema voltou a se agravar. O
número de vítimas fatais de acidentes no trânsito passou de 444 em 2002 para

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512 em 2003. Pesquisas do DETRAN apontam que um dos principais motivos


desse aumento é o uso de álcool por motoristas.

(Pedro Ivo Alcântara. www.ipea.gov.br)

Assinale a frase em que a preposição a (à) não corresponde a uma necessidade


de regência de um termo anterior.

a) respeito às faixas de pedestre.

b) reclamações à parte.

c) obedecer a regras básicas de trânsito.

d) persuadir condutores e transeuntes a andar na linha.

e) associadas à promulgação do novo CBT.

23) FGV/Cons Leg /ALE-MA/Direito Constitucional/2013

Cobrar responsabilidade

No início do mês, um assaltante matou um jovem em São Paulo com um tiro na


cabeça, mesmo depois de a vítima ter lhe passado o celular. Identificado por
câmeras do sistema de segurança do prédio do rapaz, o criminoso foi localizado
pela polícia, mas – apesar de todos os registros que não deixam dúvidas sobre
a autoria do assassinato – não ficará um dia preso. Menor de idade, foi
“apreendido” e levado a um centro de recolhimento. O máximo de punição a
stá sujeito é submeter‐se, por três anos, à aplicação de medidas
“socioeducativas”.

Não é um caso isolado na crônica de crimes cometidos por menores de idade no


país. Mas houve, nesse episódio de São Paulo, uma circunstância que o
transformou em mais um exemplo emblemático do equivocado abrigo legal que
o Estatuto da Criança e do Adolescente confere a criminosos que estão longe de
poderem justificar suas ações com o argumento da imaturidade: ao disparar
friamente contra o estudante paulista, a assaltante estava a três dias de
completar 18 anos. Pela selvageria do assassinato, o caso remete à barbárie de
que foi vítima, no Rio, o menino João Hélio, em 2007. Também nesse episódio,
um dos bandidos que participaram do martírio do garoto estava a pouco tempo
de atingir a maioridade.

Nos dois casos, convencionou‐se, ao anteparo do ECA, que a diferença de alguns


dias – ou, ainda que o fosse, de alguns meses – teria modificado os padrões de
discernimento dos assassinos. Eles não saberiam o que estavam fazendo. É um
tipo de interpretação que anaboliza espertezas da criminalidade, como o
emprego de menores em ações – inclusive armadas – de quadrilhas
organizadas, ou serve de salvo‐conduto a jovens criminosos para afrontar a lei.

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O raciocínio, nesses casos, é tão cristalino quanto perverso: colocam‐se jovens,


muitos dos quais mal entraram na adolescência, na linha de frente de ações
criminosas porque, protegidos pelo ECA, e diante da generalizada ruína
administrativa dos órgãos encarregados de aplicar as medidas socioeducativas,
na prática eles são inimputáveis. Tornam‐se, assim, personagens de
vestibulares para a entrada em definitivo, sem chances de recuperação, numa
vida de crimes.

É dever do Estado (em atendimento a um direito inalienável) prover crianças e


adolescentes com cuidados, segurança, oportunidades, inclusive de recuperação
diante de deslizes sociais. Neste sentido, o ECA mantém dispositivos
importantes, que asseguram proteção a uma parcela da população em geral
incapaz de discernir entre o certo e o errado à luz das regras sociais. Mas, se
estes são aspectos consideráveis, por outro lado é condenável o viés
paternalista de uma lei orgânica que mais contempla direitos do que cobra
obrigações daqueles a quem pretende proteger.

O país precisa rever o ECA, principalmente no que tange ao limite de idade para
efeitos de responsabilidade criminal. É uma atitude que implica coragem (de
enfrentar

tabus que não se sustentam no confronto com a realidade) e o abandono da


hipocrisia (que tem cercado esse imprescindível debate).

(O Globo, 22/04/2013)

“...é submeter-se, por três anos, à aplicação de medidas ‘socioeducativas’; ...o


caso remete à barbárie de que foi vítima...”;

“...distinguir entre o certo e o errado à luz das regras sociais”.

Com relação ao emprego do acento grave indicativo da crase nessas três frases,
é correto afirmar que

a) as três ocorrências exemplificam o mesmo emprego do acento grave.

b) as duas primeiras ocorrências exemplificam um caso de acento grave


diferente do da última ocorrência.

c) as duas últimas ocorrências exemplificam um caso de acento grave diferente


do da primeira ocorrência.

d) as três ocorrências do emprego do acento grave indicativo da crase


exemplificam casos distintos.

e) a primeira e a terceira ocorrência exemplificam o mesmo caso de emprego


do acento grave indicativo da crase.

24) FGV/AFRE-RJ/SEFAZ RJ/2010

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As categorias da ética

A vida humana se caracteriza por ser fundamentalmente ética. Os conceitos


éticos "bom" e "mau" podem ser predicados a todos os atos humanos, e
somente a estes. Isso não ocorre com os animais brutos. Um animal que ataca
e come o outro não é considerado maldoso, não há violência entre eles.

Mesmo os atos de caráter técnico podem ser qualificados eticamente. Esses atos
sempre servem para a expansão ou limitação do ser humano. Sob a perspectiva
ética, o que importa nas ações técnicas não é a sua trama lógica, adequada ou
eficiente para obter resultados, mas sim a qualificação ética desses resultados.

A eficiência técnica segue regras técnicas, relativas aos meios, e não normas
éticas, relativas aos fins. A energia nuclear pode ser empregada para o bem ou
para o mal. Na verdade, ela é investigada, apurada e criada para algum
resultado, que lhe confere validade. Não vale por si mesma, do ponto de vista
ético. Pode valer pela sua eventual utilidade, como meio; mas o uso de energia
nuclear, para ser considerado bom ou mau, deve referir-se aos fins humanos a
que se destina.

Vê-se, pois, que o plano ético permeia todas as ações humanas. Isso ocorre
porque o homem é um ser livre, vocacionado para o exercício da liberdade, de
modo consciente. Sem liberdade não há ética. A liberdade supõe a operação
sobre alternativas; ela se concretiza mediante a escolha, a decisão, a
consciência do que se faz. Isso implica refugir à determinação unilinear
necessária, à determinação meramente causal. É a afirmação da contingência,
da multiplicidade. Diante da multiplicidade de caminhos a nossa disposição,
mos e escolhemos.

Na verdade, somos obrigados a escolher. Somos obrigados a exercer a


liberdade. Assim, a decisão supõe a possibilidade e, paradoxalmente, a
necessidade de estimar as coisas e as ações humanas para atender as nossas
demandas; supõe a avaliação de múltiplos fatores que perfazem uma situação
humana complexa. Aí, portanto, temos também compreendida a esfera do
valor. Não há liberdade sem valoração. Essa esfera, entretanto, é muito ampla,
pois envolve não só o mundo da ética, mas também o da utilidade, da estética,
da religião etc.

Sob o ângulo especificamente ético, não haverá escolha, exercício da liberdade,


definição ética quando não houver avaliação, preferência a respeito das ações
humanas. Eis por que na base da ética, como dissemos, encontram-se
necessariamente a liberdade e a valoração; a ética só se põe no mundo da
liberdade, da escolha entre ações humanas avaliadas.

A escolha, a decisão, que é manifestação de nossa liberdade, só é possível tendo


por fundamento o mundo axiológico, tanto quanto este tem por condição de
possibilidade a liberdade. Não se pode estimar sem alternativas possíveis.

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Na medida em que se escolhe, se avalia para obter a consciência do que é


preferido. Ao escolher um caminho, pondera-se que, de algum modo ou sob
algum prisma, é o melhor em relação a outro; o caminho escolhido mata outras
possibilidades. Na escolha não pode haver indiferença. Ela está dirigida à ação,
à exteriorização, à tomada de posição. Isto significa que a escolha, a decisão,
nos leva à determinação normativa ou imperativa de uma via em detrimento de
outra.

O mundo oferece resistências e determinações necessárias e, por meio destas,


as ações éticas se realizam precisamente enquanto as contrariam. As ações
éticas brilham justamente quando se opõem às tendências "naturais" do
homem. Assim, a liberdade não só se contrapõe à necessidade, como sua
negação, mas também existe em função desta. Não há liberdade sem
necessidade. Não há ética sem impulsão, sem desejo. A melhor prova da
liberdade é o esforço de superação da necessidade, afirmando-a e negando-a
dialeticamente, a um só tempo. Então, o mundo ético só é possível no meio
social, no bojo das determinações sociais.

O fenômeno ético não é um acontecimento individual, existente apenas no plano


da consciência pessoal. Isso porque o ente singular do homem só se manifesta,
como ser autêntico, em suas relações universais com a sociedade e com a
natureza. Esse fenômeno é resultante de relações sociais e históricas,
compreendendo também o mundo das necessidades, da natureza. A ética só
existe no seio da comunidade humana.

Os homens ou grupos de homens que controlam a produção e os meios de


circulação econômica dos bens possuem maior liberdade do que aqueles que
não têm o poder desse controle. Por aí se vê também que a liberdade e a ética
não se reduzem a fenômenos meramente subjetivos; elas têm sempre
dimensões sociais, históricas e objetivas.

Há, assim, um grande esforço, um esforço ético-político para se obter uma


distribuição igualitária dos direitos entre os homens, quer dentro das
comunidades, quer entre as comunidades. Na verdade existe uma ética sobre a
ética, uma meta-ética. A meta-ética é utópica, crítica, subversiva e transcende
as condições mais imediatas da vida social. No entanto, ela precisa ser possível
no mundo dos fatos sociais, sob pena de se perder como uma utopia de meros
sonhos.

(Adaptado de ALVES, Alaôr Caffé. In: www.centrodebate.org)

Dos trechos transcritos do texto, assinale aquele em que se poderia empregar


opcionalmente o acento indicativo de crase.

a) Preferência a respeito das ações humanas.

b) Diante da multiplicidade de caminhos a nossa disposição.

c) Na verdade, somos obrigados a escolher.

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d) Podem ser predicados a todos os atos humanos.

e) Não se reduzem a fenômenos meramente subjetivos.

25) FCC/TCE/TCE-AP/Controle Externo/2012


Os esforços dos ambientalistas visam ...... conservar a grande e contínua área
de floresta, destinada ..... pesquisas científicas voltadas, principalmente, ......
estudos sobre a biodiversidade.
As lacunas da frase acima estarão corretamente preenchidas, respectivamente,
por:
a) à às a
b) a às a
c) à as à
d) à as a
e) a às à

26) FCC/AJ/TRT 1/Apoio Especializado/Arquivologia/2011


...... pessoas de fora, estranhas ...... cidade, a vida urbana exerce uma
constante atração, apesar dos congestionamentos e dos altos índices de
violência, inevitáveis sob ...... condições urbanas de alta densidade
demográfica.
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem dada:
a) Às - à - as
b) As - à - às
c) As - a - às
d) Às - a - às
e) As - à – as

27) FCC/AFR-SP/SEFAZ SP/Gestão Tributária/2013


Quanto ao emprego do sinal indicativo de crase, respeitado o padrão culto

a) Essa foi uma estratégia que serviu ao Brasil e a maioria dos países inseridos
na turma dos remediados.
b) O estudo dá ênfase à educação e às telecomunicações, ajudando à entender
por que o Brasil cresce pouco em comparação à outras nações de economia
emergente.

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c) O país tem de fazer a transição à um sistema que premie o desempenho de


professores e que garanta à todos os alunos talentosos resultados de excelência
em exames internacionais.
d) Vimos uma estratégia equivocada à época da reserva de informática. O país
pagou um preço, porque a reserva não gerou “campeões nacionais” e ainda
deixou os usuários atrasados em relação à população de outros países.
e) O processo de urbanização levou à transferir atividades dos setores de
subsistência, de baixo valor de mercado, para atividades mais modernas, que
envolvem mais capital e mais tecnologia. Mas isso ocorreu sem novos requisitos
à novas estratégias educacionais.

28) FGV/FRE/SEAD AP/2010

O jeitinho brasileiro e o homem cordial

O jeitinho caracteriza-se como ferramenta típica de indivíduos de pouca


influência social. Em nada se relaciona com um sentimento revolucionário, pois
aqui não há o ânimo de se mudar o status quo. O que se busca é obter um
rápido favor para si, às escondidas e sem chamar a atenção; por isso, o jeitinho
pode ser também definido como "molejo", "jogo de cintura", habilidade de se
"dar bem" em uma situação "apertada".

Sérgio Buarque de Holanda, em O Homem Cordial, fala sobre o brasileiro e uma


característica presente no seu modo de ser: a cordialidade. Porém, cordial, ao
contrário do que muitas pessoas pensam, vem da palavra latina cor, cordis, que
ca coração. Portanto, o homem cordial não é uma pessoa gentil, mas
aquele que age movido pela emoção no lugar da razão, não vê distinção entre
o privado e o público, detesta formalidades, põe de lado a ética e a civilidade.

Em termos antropológicos, o jeitinho pode ser atribuído a um suposto caráter


emocional do brasileiro, descrito como "o homem cordial" pelo antropólogo. No
livro Raízes do Brasil, esse autor afirma que o indivíduo brasileiro teria
desenvolvido uma histórica propensão à informalidade. Deve-se isso ao fato de
as instituições brasileiras terem sido concebidas de forma coercitiva e unilateral,
não havendo diálogo entre governantes e governados, mas apenas a imposição
de uma lei e de uma ordem consideradas artificiais, quando não inconvenientes
aos interesses das elites políticas e econômicas de então. Daí a grande tendência
fratricida observada na época do Brasil Império, que é bem ilustrada pelos
dor.

Na vida cotidiana, tornava-se comum ignorar as leis em favor das amizades.


Desmoralizadas, incapazes de se impor, as leis não tinham tanto valor quanto,
por exemplo, a palavra de um "bom" amigo. Além disso, o fato de afastar as
leis e seus castigos típicos era uma prova de boa-vontade e um gesto de
confiança, o que favorecia boas relações de comércio e tráfico de influência. De
acordo com testemunhos de comerciantes holandeses, era impossível fazer

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negócio com um brasileiro antes de fazer amizade com ele. Um adágio da época
dizia que "aos inimigos, as leis; aos amigos, tudo". A informalidade era e ainda
é uma forma de se preservar o indivíduo.

Sérgio Buarque avisa, no entanto, que esta "cordialidade" não deve ser
entendida como caráter pacífico. O brasileiro é capaz de guerrear e até mesmo
destruir; no entanto, suas razões animosas serão sempre cordiais, ou seja,
emocionais.

(In: www.wikipedia.org com adaptações.)

Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do fragmento a


seguir:

O texto refere-se ______ teses antropológicas, cujos temas interessam ______


todos que se dispuserem ______ investigar a história do jeitinho brasileiro.

a) as à à.

b) às a à.

c) às a a.

d) as à a.

e) às à a

29) ESAF/ATA/MF/2014
ale a opção que completa corretamente as lacunas do texto abaixo.
Produtividade é o que se busca na essência. Só houve racionalidade na
indústria, depois de décadas de desperdício, depois que os computadores
começaram __(1)__ ser interligados uns aos outros. O nosso tempo, este da
ampliação extraordinária da internet, onipresente e onisciente, é o melhor dos
mundos para o salto de produtividade. Com a internet das coisas, estaremos
aptos __(2)__ levantar informações detalhadíssimas, o que ajudará __(3)__
administrar melhor qualquer negócio e o tempo que __(4)__ para realizá-lo.
Para entender como esse novíssimo movimento tecnológico transformará
__(5)__ sociedade, em todos os aspectos, basta olhar __(6)__ nossa volta,
observar nossa casa e o escritório de trabalho. Quanto tempo se demora
ajustando a temperatura do chuveiro antes de tomar banho? Ou enchendo de
gasolina o tanque do carro? Pagando contas bancárias? Com a internet das
coisas, não nos preocuparemos com nada disso. Os aparelhos que nos rodeiam,
conectados entre si e programados para compreender os hábitos de seus donos,
se encarregarão sozinhos de resolver __(7)__ maior parte dos afazeres do dia
a dia. Soa longínquo? Não é. __(8)__ hoje experiências interessantíssimas do
bom uso da internet plugada em objetos.

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(Adaptado de VEJA, 22 de janeiro, 2014)

(1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8)


a) à a à a à à a Hà
b) a à a há á a a A
c) à a a há a à à A
d) a a a há a à a Há
e) a à à a a à a Há

30) ESAF/AFRFB/RFB/2014
Assinale a opção que preenche as lacunas do texto de forma gramaticalmente
correta e textualmente coerente.
Sem __1__ pujança econômica de outrora, __2__ Europa registra nos últimos
tempos o fortalecimento de pressões xenófobas e anti-imigração. Após __3__
crise global, iniciada em 2008, e o consequente aumento dos índices de
desemprego no continente, grupos de extrema-direita conquistaram níveis
inéditos de participação nos Parlamentos nacionais da Suécia e da Grécia. Não
satisfeitos em exercer __4__ representação política, tais agremiações têm
protagonizado lamentáveis episódios de agressão __5__ minorias de outras
nacionalidades.
(Adaptado de Folha de S. Paulo, 12/02/2014.)

1 2 3 4 5
a) à a à a as
b) a a a a às
c) a à a à as
d) a a à a às
e) à à a à as

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7 - Gabarito

1 E 7 C 13 E 19 C 25 B
2 C 8 C 14 E 20 C 26 A
3 C 9 E 15 C 21 A 27 D
4 C 10 E 16 E 22 B 28 C
5 E 11 C 17 C 23 B 29 D
6 C 12 E 18 C 24 B 30 B

8 – Referencial Bibliográfico

1. CEGALLA, DOMINGOS PASCHOAL - Novíssima Gramática da Língua


Portuguesa, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 2008.
2. BECHARA, EVANILDO – Moderna Gramática Portuguesa, Nova Fronteira,
Rio de Janeiro, 2009.

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